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Numero do processo: 10675.902592/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 92 /2 00 9- 63 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 107 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11090.04575.250406.1.3.049136 em 24.04.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$1.771,97 do valor total R$4.746,62 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em novembro de 2005, código nº 2362, efetuado em 29.12.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ determinado a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de IRPJ no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de IRPJ. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 108 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.326, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.108, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de IRPJ, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 04.12.2012, fl. 102, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 109 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 110 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 111 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. , a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 180100101/2012 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 180100102/2012 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 180100103/2012 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 180100108/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de IRPJ, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de IRPJ (código 2362), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$ 7.161,57, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de IRPJ do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD. DATA PGTO PA 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2.414,95 IRPJ 2362 29/11/2005 31/10/2005 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2.038,42 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 936,23 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 1.771,97 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO IRPJ 7.161,57 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 12 A o Imposto de Renda sobre o Lucro Real devido de R$35.040,18, que deduzido das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$42.201,75) resultou no saldo negativo anual de IRPJ no valor de R$7.161,57. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 112 7 conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$7.161,57. Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701818 2362 28/02/2005 2.636,88 0208825456 2362 28/03/2005 3.562,13 0209761906 2362 29/04/2005 3.328,67 5072607948 2362 31/05/2005 4.762,16 5116279058 2362 28/06/2005 3.286,40 5167127548 2362 26/07/2005 2.903,37 1892652971 2362 26/08/2005 3.641,93 1987429031 2362 28/09/2005 4.014,45 2076652641 2362 28/10/2005 4.017,65 2133582461 2362 14/11/2005 140,34 2133582641 2362 14/11/2005 310,39 2155698471 2362 29/11/2005 4.850,76 2.414,95 2246085411 2362 29/12/2005 4.746,62 4.746,62 [TOTAL DO CRÉDITO IRPJ] 42.201,75 7.161,57 Dessa forma, confirmada a existência do crédito de saldo negativo de IRPJ para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$7.161,57 (sete mil cento e sessenta e um reais e cinqüenta e sete centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$7.161,57 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. VALOR SITUAÇÃO DCOMP 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2362 01/2006 24/02/2006 2.301,27 Homologada Total 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2362 01/2006 24/02/2006 1.915,28 Homologada Total 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 2362 02/2006 31/03/2006 969,75 Homologada Total 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 Homologada Parcial Concluindo, remanesceria com saldo devedor o débito abaixo discriminado, a ser exigido do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902592/200963 Acórdão n.º 1801001.600 S1TE01 Fl. 113 8 Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensação (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 1.824,56 36,01 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.771,97 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.771,97 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.005529/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
MULTA. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Constatada inexistência de conduta capaz de configurar ofensa a norma do art. 107, inciso IV, letra a do Decreto nº 37, visto que, em momento algum a contribuinte deixou de atender qualquer solicitação ou intimação da Fiscalização, motivo pelo qual impõe em cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 MULTA. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constatada inexistência de conduta capaz de configurar ofensa a norma do art. 107, inciso IV, letra “a” do Decreto nº 37, visto que, em momento algum a contribuinte deixou de atender qualquer solicitação ou intimação da Fiscalização, motivo pelo qual impõe em cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 29 /2 00 7- 84 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida de Recurso Voluntário interposto pela empresa REFERCON ENGENHARIA DE CONTAINERS LTDA. com o objetivo de modificar a decisão que manteve a multa aplicada por embaraço a fiscalização. Acusação é de embaraço a fiscalização em razão de que um de seus empregados teria ingressado em área portuária transportando peça de reposição para conserto contenêre desacompada de nota fiscal, oportunidade que teria sido retida pela “Guarda do Porto” liberada no mesmo dia da retenção mediante apresentação do documento fiscal. A Recorrente repudia incriminação alegando que seu empregado não ingressou no návio e que apenas transitou pela área do porto. O auto de infração por embaraço a fiscalização foi lavrado mediante a notícia da ocorrência comunicada pela Guarda Portuária a Fiscalização Aduaneira do fato. Tomado conhecimento do acontecido a fiscalização aduaneira lavrou o auto de infração para aplicar a multa com espeque no inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10883/2003. Inconformado com aplicação da penalidade, a Recorrente alega que exibiu imediatamente a Guarda Portuária a documentação fiscal referente às peças de reposição que seriam usadas no conserto de conteineres antes do conhecimento da Autoridade Aduaneira, motivo pelo quais as peças teriam sido liberadas pela Guarda Portuária, assegura que esse fato configura denúncia espontânea, e, acosta decisões administrativas para corroborar com os argumentos tecidos. A decisão guerreada encontra assentada nos termos a seguir transcrito: “Tratasse de Ocorrência nº” 00163/2007 da Guarda Portuária, de 05/02/2007, e Termo de Retenção nº 009/07 do Plantão Fiscal, de 05/02/2007, por ingresso de peças de reposição para contêineres sem nota fiscal que amparasse a entrega ao navio MAERSK NAGOYA, cujo serviço seria feito pela empresa Refercon Antecipandose à Intimação para prestação de informações a Refercon apresentou documentação comprovando a procedência das peças ora retidas, seja por importação direta ou venda de mercadoria importada, bem como cópia de nota fiscal 2809 amparando a entrega das mesmas, o que acabou por não acontecer em virtude de sua retenção. Entendese que a nota fiscal 2809 estava sendo autorizada paralelamente à entrega das peças e prestação do serviço a fim de ganhar tempo devido à urgência dos serviços no container que geralmente transportam cargas perecíveis, como, aliás, já ocorreu nesse tipo de serviço com a mesma empresa. Todavia, esse procedimento configura uma infração e um embaraço à fiscalização, uma vez que as mercadorias encontravamse ao desamparo de documento fiscal obrigatório, razão pela qual PROPONHO lavratura de Auto de Infração por embaraço a Fiscalização prevista no artigo 107, inciso IV do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, para a empresa envolvida na ocorrência, ou seja, REFERCON ENGENHARIA DE CONTAINERS LTDA. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.005529/200784 Acórdão n.º 3403002.432 S3C4T3 Fl. 5 3 Em virtude da comprovação da procedência e titularidade das peças retidas e da comprovação da emissão da nota fiscal 2809 no mesmo dia da ocorrência, PROPONHO a liberação das mercadorias retidas ao interessado.”. A autoridade fiscal demonstrou que, de fato, mercadorias foram introduzidas na área do Porto de Santos ao desamparo de nota fiscal, situação que configura “embaraço à fiscalização”, posto que apenas posteriormente foram apresentados os documentos pertinentes. Portanto, o auto de infração não é nulo. Houve infração, que independe do fato de o funcionário do impugnante ter entrado, ou não, em algum navio”. Em síntese a multa foi mantida sob o manto do embaraço fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Consta que o empregado da empresa recorrente teria ingressado na área portuária com peças de reposição para contêineres sem o documentado fiscal, tendo sido retidas pela Guarda Portuária, cujas notas fiscais foram logo apresentadas motivando a liberação do material retido. Aqui cabe perquiri e decidir se o fato de transportar peça de reposição a ser utilizadas em reparo de contêineres em área portuária sem o documento fiscal correspondente configura embaraço à fiscalização, motivação do lançamento. A decisão recorrida resume a ilicitude ao fato de não portar o documento fiscal. O entendimento da Recorrente é de que o seu funcionário não ingressou no navio que iria ocorrer o reparo, e, assim não infringiu a legislação. A informação é de que os materiais foram retidos pela aguarda portuária quando do ingresso na área portuária. Parece que a retenção aconteceu no momento em que o preposto da empresa tentou ingressar no porto para prestar serviço de concerto de contêineres. Embaraço à fiscalização, no caso concreto, parece inicialmente revelar uma conjuntura de que a Fiscalizada criou obstáculo no sentido de atravancar o andamento do ofício dos auditores aduaneiros. Entretanto, do exame desse caderno processual não é o que se extraí dos relatos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Consta que a notícia da retenção das peças chegou ao conhecimento da fiscalização pela ocorrência relatada pela Guarda Portuária, portanto, não se vislumbra em que momento teria sido criado dificuldade ao trabalho da aduana. A penalidade aplicada encontra fulcrada no art. 107, inciso IV, letra “c”, do DecretoLei nª 37. Ao buscar na capitulação a conduta tida como ilícita, constatase uma dificuldade impar, não se logra êxito em concluir especificamente a subsunção da conduta à norma. “c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal”; Em sendo assim, no caso deste caderno processual administrativo a conduta da Recorrente, a meu sentir, não revela embaraço a fiscalização, visto que, em momento algum representou impedimento atividade fiscal, até porque do que consta inexistiu qualquer solicitação não atendida ou outro meio que pudesse ser considerado impedimento. Entre outras palavras não houve efetivamente ação fiscal, essa tomou conhecimento por ocorrência quando a circunstância que pudesse ser considerada omissão já estava solucionada. Com essas considerações, voto no sentido de conhecer o recurso e dar provimento para afastar aplicação da multa por ausência da situação prevista na capitulação descrita no Auto de Infração. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10630.000057/94-27
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu-se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALIQUOTA - NC (21-1) DA TIPI/88 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista mi artigo 364, inciso II do RIPI/82 deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106. II, "c"). TRD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991.
Recurso provido, em parte.
Numero da decisão: 202-09.805
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Cabral Garafano e Helvio Escovedo Barcellos.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES De b5- / C&-- / 195i 411•211•1•••■■••• [2.0 l'UEILIL:AUU NO D. O. U. ,,31 .......... Rubrica Processo 10630.000057/94-27 Acórdão 202-09.805 Sessão 29 de janeiro de 1998 Recurso 99.175 Recorrente : REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu-se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALIQUOTA - NC (21-1) DA TIPI188 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage à. data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista mi artigo 364, inciso II do RIPI/82 deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106. II, "c"). TRD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Recurso provido, em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Cabral Garafano e Helvio Escovedo Barcellos. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 1998 Marco i cius Neder de Lima . Pres ente Tarasio Campelo Borges Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho e Antonio Sinhiti Myasava . 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo - . 10630.000057/94-27 Acórdão • . 202-09.805 Fclb/mas Recurso : 99.175 Recorrente : REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. RELATÓRIO Ao final de auditoria de produção realizada na empresa, fabricante de refrigerantes das marcas Brahma e Skol, a fiscalização, tomando como elemento subsidiário as rolhas metálicas utilizadas no fechamento das garrafas, com um percentual de perdas de 5% para rolhas Brahma e de 8% para as da marca Skol, apurou, pelo confronto das quantidades de rolhas metálicas consumidas com as quantidades necessárias para vedar a produção registrada, as seguintes infrações, caracterizadoras de omissão de receitas: 1- omissão de produção de 146.400 dúzias de refrigerantes; e 2 — omissão de compara de 125.204 unidades de rolhas metálicas, decorrente da conclusão de que houve vendas não registradas de 9.936 dúzias de refrigerantes. Além da omissão de receita acima descrita, a fiscalização constatou a utilização indevida de redução de aliquota do IPI, nas saídas dos refrigerantes feitos a. base de sucos naturais, posto que a empresa não possuía Ato declaratório da Secretaria da Receita Federal concedendo-lhe tal beneficio. Informa o fiscal autuante, na Descrição dos Fatos, que a empresa protocolizou os pedidos de concessão do beneficio de redução de ahquota em 28.09.93, já sob procedimento fiscal. Na peça impugnatória, a autuada discorda dos indices de perdas utilizados e informa que não possuía contabilidade de custos coordenada e integrada com o restante da escrituração, à época da fiscalização, mas, mesmo assim, forneceu a Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 164), que indica a relação de consumo insumo/produto. Reclama Também do fato de o autuante não ter examinado o consumo dos outros componentes do seu produto, fixando-se apenas no controle das rolhas metálicas. Defende-se ainda da cobrança do LPI que deixou de recolher por se utilizar da redução de 50% na aliquota, sem ter os correspondentes Atos Declaratórios da SRF, fundando sua argumentação na Lei n° 7.798/89 e Decreto n° 97.976/89, afirmando que, para usufruir do beneficio, necessário se faz, em primeiro lugar, obter o Certificado de Registro do 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão • 202-09.805 Produto no Ministério da Agricultura, para depois encaminhar o pedido ao Ministério da Fazenda. Cita o Acórdão n° 201-66.632/90, da Primeira Camara deste Segundo Conselho de Contribuintes, no qual foi exarado o entendimento de que, baixado o Ato Declaratório pela Receita Federal, o beneficio da redução retroage ao momento do registro no Ministério da Agricultura. Em apoio à sua tese, junta cópia dos citados registros. Voltando a tratar da questão dos percentuais de perda, observa que em sua Tabela de Coeficientes, os indices possuem uma amplitude de variação, de —3,0% a +2,0%, no caso das rolhas metálicas Brahma, e de —0,6% a +2,0%, no caso da marca Skol, de forma que o autuante não poderia ter-se utilizado de índice único, por marca de produto. Conclui sua reclamação com pedido de perícia, fundamentando-se no artigo 344 do REPI/82, a qual viria provar, a seu ver, a total improcedência do arbitramento efetuado pelo fisco. Por observância dos ditames legais, apresenta os quesitos que deseja ver respondidos e nomeia o seu assistente técnico, 0 fiscal autuante, chamado a manifestar-se sobre pedido de perícia, informa que baseou-se na escrituração da contribuinte, nas notas fiscais de seu fornecedor, nos livros fiscais, e em informações por ela prestadas, o que resultou no confronto da produção "rear com a produção registrada (quadro 05 e 06 — fls. 150 e 151), descabendo, assim, a alegação de arbitramento. Informa que obteve os percentuais de 5% e 8%, pela simples soma dos limites da faixa de variação constante da Tabela de Coeficientes Técnicos [(-3 a +2 = 3 + 2), para a marca Brahma, e (-6 a +2 = 6 + 2 = 8), para a marca Skol]. Justifica que, nos termos do artigo 343 do RIPI182, é facultado ao fisco a escolha de qualquer elementos subsidiário (matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou outros) que concorra no processo industrial, para estimar a produção do estabelecimento, sendo pois, irrelevante o fato alegado pela autuada, de que em relação a outros insumos, a mesma diferença de produção não seria verificada. Pelas suas razões, propõe o indeferimento do pedido de perícia. Com base no artigo 18 do decreto n° 70.235/72, e tendo em vista a informação do fiscal autuante, o Delegado da Receita Federal indeferiu o pedido de perícia, conforme despacho de fls. 248. A DRJ em Juiz de Fora observando as razões de defesa apresentadas pela autuada, antes de julgar o feito, determinou a realização de diligência, com o fim de esclarecer possíveis diferenças de interpretação da Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 164), no tocante aos indices de consumo padrão. No seu despacho de fls. 252/255, desenvolveu extenso arrazoado sobre como entendeu que deveriam ser calculados os indices de perda, que opôs contribuinte, para que a mesma concordasse ou discordasse, juntando os elementos que 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão • 202-09.805 julgasse necessários, podendo retificar eventuais falhas, inclusive se contidas na tabela relativa ao consumo e perdas de rolhas metálicas do ano de 1989, bem como solicitou a apresentação dos Atos Declaratórios da SRF, por ela requeridos em 28.09.93. A DRJ determinou, ainda, que o fiscal autuante reavaliasse alguns aspectos que deram sustentação A exigência fiscal, em face das questões apresentadas A contribuinte e suas respostas. A empresa, em documento juntado As fls. 259/261, concorda com a forma de cálculo das perdas apresentado pela DRJ, que culminou com os percentuais máximos de perdas de 4,894% e 7,585%, para os produtos Brahma e Skol, respectivamente, tendo por base a Tabela de Coeficientes Técnicos de fls. 164, porém alega que referida tabela foi fornecida ao fisco sob coação, porque só teve 5 (cinco) dias para elaborá-la. Além disso, afirma que os dados daquela Tabela foram montados em agosto de 1993, quando a empresa renovara seu parque industrial, passando a ter máquinas mais modernas do que em 1989, com percentuais de perdas menores. Ainda reclama da não utilização de outro insumo para batimento dos valores obtidos pela fiscalização, e alega que o fisco, ao levantar o quantitativo de rolhas metálicas a partir das notas fiscais do seu fornecedor deveria ter ouvido tal fornecedor, acerca do método utilizado por ele para determinar a quantidade de unidades por caixa. Informa que no documento que junta As fls. 262, fica patenteado uma perda de 3,9%, considerando-se o padrão de peso, que é a forma de controle do fornecedor. Com relação aos Atos Declaratórios, informa que a SRF não os expedira até aquele momento. A autoridade lançadora, em novo pronunciamento, endossa a forma de cálculo dos percentuais de perdas demonstrados pela DRJ, mas mantém a autuação com os indices de 5% e 8%, para as marcas Brahma e Skol, respectivamente, por serem mais benéficos para o contribuinte. Em virtude do erro apontado pela DRJ, alguns cálculos foram refeitos, ratificando-se a omissão de produção de refrigerantes para 140.554 dúzias e a omissão de compras de rolhas metálicas para 128.527 unidades. A autoridade de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento, não reconhecendo, entretanto, a utilização de aliquota reduzida, porque a empresa só preencheu a primeira das duas condições exigidas para a sua fruição, ou seja, o registro do produto no Ministério da Agricultura, faltando-lhe obter o Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Acórdão 10630.000057/94-27 202-09.805 Quanto á Auditoria de Produção, após detalhar os procedimentos adotados pelo fisco, a autoridade a quo concluiu que: - não houve arbitramento de valores ou parâmetros; - é perfeitamente válida a utilização do parâmetro escolhido, para a auditoria de produção, como prevista no artigo 343 do RIPI/82; - o pedido de perícia deve ser negado, por desnecessário e mal fundamentado pela impugnante no artigo 344 do RIPI182, que trata de indices de perda alegadas pelos contribuinte e não aceitos pelo fisco, o que não foi o caso dos autos; os coeficientes de perdas utilizados são válidos, porque expressam a condição de perda máxima, ou de produção minima, foram declarados pela empresa na Tabela de Coeficientes Técnicos, a qual não content falhas como alegado, posto que a empresa não a corrigiu, apesar de ter tido várias oportunidades; - a alegação de que o fabricante das rolhas metálicas deveria ter sido ouvido não merece acolhida, já que a manifestação dele As fls. 262, trazida aos autos pela impugnante, em nada a socorre, uma vez que o índice de 3.9% que a contribuinte alega representar perdas na quantidade de rolhas metálicas fornecidas, nada mais é do que a variação máxima possível no peso da caixa contendo 10.000 rolhas metálicas, devido a pequenas diferenças de espessura que ocorrem no processo de fabricação das chapas; não se pode levar em consideração a reclamação de que a Tabela de Coeficientes Técnicos, elaborada em 1993, prejudica a empresa, se esta, mesmo tendo tido várias oportunidades, não apresentou as correções e as provas de suas argumentações; todas as saídas de refrigerantes informadas pela empresa foram contempladas, inclusive o consumo dos funcionários, sob o titulo de outras saídas; e a omissão de compra tributada decorre de interpretação errônea do autuante, devendo ser excluída da tributação, posto que a empresa não atua sempre no limite máximo de ineficiência. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6.4t) Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Por estas conclusões a autoridade monocrática manteve a tributação apenas da omissão de vendas, na quantidade de 140.554 dúzias de refrigerantes. Não satisfeita com aquela decisão, a empresa recorre a este Conselho, alegando, com relação à utilização de aliquota reduzida, que os seus franqueadores, a Cia, Cervejaria Brahma e a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S.A. possuem os Atos Declaratórios da SRF, sendo que no seu caso, os mesmos encontram-se em tramitação. Informa que seus produtos encontram-se registrados no Ministério da Agricultura e que, quando a SRF baixar os Atos Declamatórios que pleiteou, estes deverão retroagir à data dos citados registros, como tem se pronunciado o Segundo Conselho de Contribuintes em diversos acórdãos, Acrescenta que o Ato Declaratório da Receita Federal é uma simples formalidade, que não lhe pode negar o direito A. fruição do beneficio, cujo direito adquiriu quando obteve o registro no Ministério da Agricultura. Ademais, alega que o atraso no deferimento do seu pedido junto a SRF fundamenta-se em diversas correspondências que recebeu, todas impondo como condição a solução de dividas fiscais, algumas delas inclusive impugnadas. No tocante d. Auditoria de Produção, volta a clamar pelo pedido de perícia, apresentando, desta feita, as fls. 367, a Tabela 'Movimento de Estoques 1.989", na qual estariam amparadas todas as saídas, bem como as perdas de produto cheio e o consumo interno, elaborada dentro dos padrões constantes da atual contabilidade de custos à disposição da fiscalização. Prossegue argumentando, que o total recebido como devolução de vendas (nas entradas) foi considerado integralmente como perdas, pois se o cliente devolveu é porque o produto estava vencido ou estragado. As saídas para consumo próprio e de perdas de produção não foram informadas na resposta A. intimação de 14/09/93, que serviu de base para o levantamento fiscal. Cita o Acórdão n° 202-06.157, de 19.04.94, da Segunda Camara deste Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcreve, no qual, ao apreciar a auditoria de produção, o recurso foi provido, tendo em vista que a diferença encontrada foi desprezível, segundo laudo técnico do LNT; também cita o Acórdão n° 101.86.788, de 06.07.94, cuja ementa também transcreve, no qual a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manifesta-se no sentido de que: "excepcianados aqueles fundados em presunções legais, qualquer outro lançamento tributário que considere ocorrida omissão de receitas, deve repousar em elementos concretos, objetivos, sólidos na sua estruturação. 0 arbitramento da produção, fundado apenas no consumo de determinada matéria-prima, não se reveste dos elementos essenciais para respaldar o lançamento ". Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 A Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Seccional localizada em Governador Valadares, manifesta-se pela improcedência do recurso, entendendo que as alegações apresentadas já foram amplamente rebatidas pela autoridade a quo. Quando o processo já se encontrava neste Conselho, a empresa retorna aos autos, desta feita para apresentar cópia dos Atos Declaratórios nos 05, 06 e 07, de 08.04.96, que reconhecem o seu direito A. utilização da redução de aliquota do IPI prevista no artigo 53 do RI1PI182, retroativamente a 03 de fevereiro de 1982, no tocante aos seguintes produtos: LIMÃO ou SODA LIMONADA, refrigerante de laranja SUQUITA e GUARANÁ, todos da marca BRAHMA. É o relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARASIO CAMPELO BORGES 0 recurso é tempestivo e dele conheço. DAS PRELIMINARES 0 pedido de perícia, manifestado na impugnação e agora reiterado, como questão preliminar, deve ser analisado em primeiro lugar. O que deseja a recorrente 6. que suas máquinas sejam periciadas, com o fim de reavaliar se as perdas são aquelas por ela informadas, bem como que outros insumos integrantes e seus produtos sejam auditados, para checagem do resultado obtido pela fiscalização. A auditoria de produção é realizada com base nos registros contábeis, fiscais, informações técnicas fornecidas pelo sujeito passivo e através de visitação do representante do Fisco As dependências do estabelecimento industrial, tendo por fim dotar o processo fiscal do maior número de elementos objetivos que possam constituir provas, tanto a favor da Fazenda como do contribuinte. Sobre a necessidade ou não de perícia técnica destinada a esclarecer qualquer ponto obscuro e importante para o deslinde da questão, assim se pronunciou Luiz Henrique Barros de Arruda, em seu Livro Processo Administrativo Fiscal l : 'Embora não explicitado no Decreto em apreco2 , deve-se concluir somente ser justificcivel a formulação de pedidos de diligência ou pendas, pelo Reclamante, quanto à matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar as elementos examináveis. [..] 0 artigo 17 confere à autoridade preparadora o poder discricionário para deferir ou não o pedido de perícia. Essa liberdade de escolha, no caso, por força dos dizeres do próprio dispositivo que a regula, está condicionada ao exame da prescindibilidade e da possibilidade da medida. I BARROS DE ARRUDA, Luiz Henrique — Processo Administrativo Fiscal/Manual — Resenha Tributária/jan.93 — págs. 56 e 59 2 Decreto n° 70.235/72. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••• Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Em outras palavras, o poder discricionário para indeferir pedidos dessa espécie não foi concedido ao agente público para que dele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Assim é indispensável à validade do ato denegatório da diligencia ou da perícia, a declaração formal das circunstâncias que o motivaram, ou seja, das causas que determinaram a conclusão da prescindi bilidade ou da impossibilidade da medida. Caso contrário, configurar-se-á a hipótese prevista no artigo 59, inciso H. " (os destaques são do original). 0 Delegado da Receita Federal, ao indeferir o pedido de perícia, louvou-se em parecer do fiscal autuante, e a autoridade de primeira instância ao manter a negação, embasou-se no procedimento levado a efeito pela fiscalização, que descreveu pormenorizadamente, o qual contemplou, a seu ver, todos os requisitos necessários, de vez que se fundamentou unicamente em dados fornecidos pela autuada, inclusive nos percentuais de perdas por ela declarados e não contestados. Não é outra a minha conclusão, após análise detalhada dos documentos que compõem os autos, onde restou claro que a recorrente teve diversas oportunidades para contestar os dados por ela fornecidos em momentos anteriores, o que não fez. A própria Tabela "Movimento Estoques 1989" juntada ao recurso deveria ter sido apresentada na fase impugnatória ou por ocasião da diligência determinada pela DRJ, quando a empresa foi questionada sob a validade dos dados constantes da Tabela de Coeficientes Técnicos, da qual foram retirados os percentuais de perdas utilizados na auditoria de produção. Saliente-se ainda que o indeferimento da perícia técnica não afronta o direito de ampla defesa, como quer fazer crer a apelante, uma vez que a sua realização so tem sentido quando visa esclarecer qualquer ponto obscuro e importante ao deslinde da questão. No caso em tela, como ficou bem demonstrado, os documentos e demonstrativos constantes no processo são suficientes para que o julgador firme sua convicção. Quanto a menção do atraso na expedição dos Atos Declaratórios que solicitara já em 1993, não creio que este seja o foro propicio para apreciação do lato, de vez que refoge a competência deste Colegiado. Acho oportuno esclarecer, entretanto, que os Atos anexados ao processo durante a fase de julgamento em segunda instancia seat) considerados no julgamento do mérito. Rejeito as preliminares levantadas. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 DO MÉRITO DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A norma legal que autoriza a redução, no caso a NC (22- 1) da TIPI/88, dispõe que: "Ficam reduzidas à 50% as aliquotas do IPI incidentes sobre as mercadorias classificadas nos códigos 2202.90.0101, 2202.90.0102, 2202.90.0201, 2202.90.0202 e 2202.90.9900, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estejam registradas no órgão competente desse Ministério. " 0 que se depreende é que, para gozo da redução em foco, os produtos fabricados pela recorrente deverão atender aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estar registrados no órgão competente desse Ministério. Por outro lado, o artigo 53 do RIPI/82 determina que a redução em questão será declarada, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal. Essa declaração boi baixada pelos Atos Declaratórios juntados aos autos após a apresentação do recurso, expedidos que foram somente em 08.04.96, os quais indicam em seu texto retificado 11.06.96, efeitos retroativos a 03.02.82, para os produtos da marca Brahma (Sukita, Limão Brahma ou Soda Limonada e Guaraná). Nestas condições, a recorrente, em relação aos produtos acima, já era detentora do direito ao gozo da redução indicada desde 03.02.82, embora sob condição de futuro reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal. Feito este reconhecimento, a redução, que remanescia no campo do direito, implementou-se de fato. Para fruição do beneficio da redução da aliquota do IPI, prevista na NC (22-1) da TEPI188, conforme jurisprudência deste Colegiado, faz-se necessário que o produto seja dotado de Certificado de Registro no Ministério da Agricultura e de Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal. Neste sentido cito os Acórdãos ifs 201-66.629, de 17.10.90 e 201-67.456, de 23.10.91, sendo também esta a interpretação que verte do Acórdão n° 201-66.632, que integra o processo, às fls. 322./327, da lavra do ilustre Conselheiro Lino de Azevedo Mesquita. Deixo de considerar os demais argumentos apresentados a respeito do atraso na expedição dos Atos Declaratórios, porque, alem deles estarem desacompanhados das competentes provas, não têm o condão de modificar o que aqui se decide. 1 0 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 Pelo exposto, devem ser excluída da exigência fiscal as parcelas do lançamento que correspondem as glosas das reduções de aliquotas utilizadas, pela empresa, nas saídas dos seguintes produtos da marca BRAHMA: LIMÃO OU SODA LIMONADA, SUQUITA E GUARANÁ. DA AUDITORIA DE PRODUÇÃO Os argumentos expendidos no recurso, no tocante à auditoria de produção, pouco inovam se comparados àqueles apostos na impugnação. Por entender que os mesmos foram exaustivamente examinados pelo julgador de primeira instância, adoto suas razões de decidir, da forma como foram resumidas no relatório deste julgado. Alguns pontos do recurso merecem detida análise, o que passo a fazer. A Tabela 'Movimento Estoque 1989" apresentada somente em grau de recurso, veio acompanhada dos seguintes argumentos: a) as entradas e saídas consideradas pelo fisco foram buscadas somente nas notas fiscais; b) o contribuinte não emite notas de consumo interno e nem tampouco de quebras de produtos cheios: c) por outro lado, estes dados não são lançados em nenhuma linha do Livro de Controle de Produção e Estoque; d) que na diligência não ficou claro que poderia modificar a Tabela de Coeficientes anteriormente fornecida, se quisesse; e) que em nenhum momento o fisco verificou se o montante das saídas informadas pelo contribuinte é a mesma em valores daqueles números constantes do item vendas na contabilidade e na declaração do MN; f) que a prova dita não produzida pela decisão a quo é a tabela que juntou ao recurso, elaborada dentro dos padrões constantes da atual contabilidade de custos; g) que na referida tabela as colunas PNendas e O. Saídas contemplam somente as saídas com notas fiscais. As outras colunas indicam as quantidades de produtos saídos do estabelecimento sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido dos clientes, que não constaram nos demonstrativos apresentados ao fisco em 14.09.93. Quando analisei a questão da perícia nas preliminares, a rejeitei devido A. clareza do procedimento fiscal, transparente nos autos, baseado sempre em elementos 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Acórdão : 10630.000057/94-27 : 202-09.805 fornecidos pela reclamante ou retirados de sua contabilidade. Lá também questionei a oportunidade da apresentação da Tabela 'Movimento Estoque 1989" somente na fase recursal, sem justificativa plausível para ter sido negada em todas as oportunidades de defesa anteriores, de modo que a mesma fosse apreciada e considerada pela fiscalização e pela autoridade monocratica. A alegação de que as saídas consideradas pelo fisco são só aquelas obtidas de notas fiscais (alínea g) depõe contra a contribuinte em todos os sentidos que ela pretende dar, posto que nenhuma saída externa pode dar-se sem a competente emissão da nota fiscal. Está claro, que neste item incluem-se todas as saídas sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido de clientes. No tocante ao que se alega nas alíneas "a", "h" e "c", entendo que as quebras de produto cheio, e o consumo interno foram considerados nos percentuais de 5% e 8%, utilizados pela autuação, não importando o fato de não terem sido incluídos no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Quanto as alegações de que não sabia que poderia retificar seus dados nas fases processuais anteriores, de que a prova que não fez perante à autoridade a quo é a tabela que ora apresenta e que o fisco não comparou os dados apurados com sua declaração do imposto de renda, entendo tratar-se de argumentos protelatórios, pelo que os considero desnecessários neste passo, em que todos elementos motivadores da exigência tributaria foram amplamente debatidos. No tocante as ementas de acórdãos transcritos pela apelante, não se prestam ao fim colimado, o primeiro por se tratar de caso diverso, em que a auditoria de produção culminou com valores irrisórios, que se confundiam com os valores das perdas admissíveis, e o segundo, por se referir a lançamento de 1RPJ. No caso do IPI, a presunção legal da omissão de receitas apurada em auditoria de produção está amparada na norma contida no artigo 343, §1° do RIP1182. Por tudo que se depreendeu dos dados analisados, o critério adotado pela fiscalização, com as devidas informações técnicas fornecidas pela contribuinte na determinação das quantidades obtidas, fundam-se em elementos que servem, por eles mesmos, para descrever com propriedade as reais quantidades produzidas, nos exatos termos em que foram consideradas. Neste particular, entendo que a decisão recorrida é irreparável. DA MULTA DE OFÍCIO - RETROATIVIDADE BENIGNA Tendo em vista a superveniência da Lei no 9.430, de 27.12.96, cujo artigo 45 deu nova redação ao inciso I do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 (matriz legal do inciso II do 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000057/94-27 Acórdão : 202-09.805 artigo 364 do RLPI./82), reduzindo a multa de o ficio nele prevista para 75%, entendo que referida redução deve ser aplicada ao caso presente, por força do disposto no artigo 106, inciso II, Alínea "c" do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA - TRD Por fim, quanto A exigência da TRD, entendo que a mesma é indevida no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, conforme farta jurisprudência firmada neste Conselho, tendo em vista que a Lei n° 8,383/91. pelos seus artigos 80 a 87, ao autorizar a compensação ou a restituição dos valores pagos a titulo de encargos da TRD, instituidos pela Lei n° 8.177/91 (artigo 9°), considerou indevidos tais encargos, e ainda, pelo fato da não aplicação retroativa do disposto no artigo 30 da Lei n° 8.218/91, devendo ser mantida a sua cobrança a partir de 30.07.91, quando foram instituidos os juros de mora equivalentes A TRD pela Medida Provisória n° 298/91, em 29.08.91, convertida, com emendas, na Lei n° 8.218. Ademais, a própria Secretaria da Receita Federal já reconheceu a improcedência da exigência da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 (Instrução Normativa SU n° 032/97). Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso, para: excluir da exigência as parcelas correspondentes às glosas das reduções de aliquotas nas saídas dos produtos Limão ou Soda Limonada, Sukita e Guaraná, todos da marca Brahma; reduzir a multa de oficio de 100% para 75%; e excluir da exigência a parcela da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 . Sala 1as Sessões, em 29 de janeiro de 1998 TARASIO CA1VIPELO BORGES 13
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000502/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DA ENTREGA OU DO RECEBIMENTO DO PREÇO.
A falta de escrituração das notas fiscais de compras presume omissão de receitas, porém se faz necessário que seja provada a efetiva compra. Apenas notas fiscais emitidas por terceiros que não comprovam a tradição do bem, nem tampouco o recebimento do pagamento, são insuficientes a tal comprovação.
NOTA FISCAL DE VENDA. DOCUMENTO IDÔNEO. AUSÊNCIA DO CANHOTO. PROVA CONTRA O EMITENTE E NÃO CONTRA O TOMADOR.
Cabe ao emitente da nota fiscal a guarda do canhoto da primeira via, devidamente preenchido e assinado, para comprovar que o destinatário recebeu a mercadoria ou tomou os serviços discriminados. O canhoto faz parte da idoniedade da nota fiscal para atestar que as mercadorias ali descritas foram entregues e os serviços efetivamente prestados.
PRODUÇÃO DE PROVA IMPOSSÍVEL.
Impossível exigir que o suposto adquirente prove que não efetuou a compra descrita em nota fiscal emitida por terceiros. Obrigação legal do fornecedor guardar o canhoto da 1ª via da nota fiscal preenchido.
Numero da decisão: 1802-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DA ENTREGA OU DO RECEBIMENTO DO PREÇO. A falta de escrituração das notas fiscais de compras presume omissão de receitas, porém se faz necessário que seja provada a efetiva compra. Apenas notas fiscais emitidas por terceiros que não comprovam a tradição do bem, nem tampouco o recebimento do pagamento, são insuficientes a tal comprovação. NOTA FISCAL DE VENDA. DOCUMENTO IDÔNEO. AUSÊNCIA DO CANHOTO. PROVA CONTRA O EMITENTE E NÃO CONTRA O TOMADOR. Cabe ao emitente da nota fiscal a guarda do canhoto da primeira via, devidamente preenchido e assinado, para comprovar que o destinatário recebeu a mercadoria ou tomou os serviços discriminados. O canhoto faz parte da idoniedade da nota fiscal para atestar que as mercadorias ali descritas foram entregues e os serviços efetivamente prestados. PRODUÇÃO DE PROVA IMPOSSÍVEL. Impossível exigir que o suposto adquirente prove que não efetuou a compra descrita em nota fiscal emitida por terceiros. Obrigação legal do fornecedor guardar o canhoto da 1ª via da nota fiscal preenchido.
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NECESSIDADE DE PROVA DA ENTREGA OU DO RECEBIMENTO DO PREÇO. A falta de escrituração das notas fiscais de compras presume omissão de receitas, porém se faz necessário que seja provada a efetiva compra. Apenas notas fiscais emitidas por terceiros que não comprovam a tradição do bem, nem tampouco o recebimento do pagamento, são insuficientes a tal comprovação. NOTA FISCAL DE VENDA. DOCUMENTO IDÔNEO. AUSÊNCIA DO CANHOTO. PROVA CONTRA O EMITENTE E NÃO CONTRA O TOMADOR. Cabe ao emitente da nota fiscal a guarda do canhoto da primeira via, devidamente preenchido e assinado, para comprovar que o destinatário recebeu a mercadoria ou tomou os serviços discriminados. O canhoto faz parte da idoniedade da nota fiscal para atestar que as mercadorias ali descritas foram entregues e os serviços efetivamente prestados. PRODUÇÃO DE PROVA IMPOSSÍVEL. Impossível exigir que o suposto adquirente prove que não efetuou a compra descrita em nota fiscal emitida por terceiros. Obrigação legal do fornecedor guardar o canhoto da 1ª via da nota fiscal preenchido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 02 /2 00 8- 11 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 37 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Versam os Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e às contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), lavrados em 26/06/2008, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte no valor total de R$ 221.917,22, incluindo multa de oficio vinculada (75%), e juros de mora calculados até 30/05/2008, em razão: (i) da omissão de receita, decorrente de falta de contabilização de compras/pagamentos; e (ii) lucros operacionais escriturados e não declarados, relativo ao ano calendário 2004. Fundamentam os lançamentos os seguintes dispositivos legais: (i) do IRPJ: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; art. 41 da Lei n° 9.430/96; art. 247, 248, 249, inciso II, 250, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso II, 288, 926 do RIR/99; (ii) do PIS: arts. 1º, 3° e 4º da Lei n° 10.637/02; (iii) da Cofins: arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02; arts. 1°, 3° e 5º da Lei n° 10.833/02; e (iv) da CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/02. A fiscalização relata no Termo de Verificação Fiscal (fls. 358/362) que a auditoria iniciouse em 11/01/2008, sendo que ao longo dos trabalhos, tomando por base a relação de fornecedores indicada pela contribuinte, circularizou seis das pessoas jurídicas ali listadas, intimandoas a elaborar planilha na qual estivessem demonstradas, de forma analítica, todas as vendas efetuadas à fiscalizada no ano de 2004. Afirma com base nas informações dos fornecedores, bem como na documentação apresentada e nos dados extraídos dos sistemas da RFB, que apurou a falta de declaração de resultados operacionais nos 1º trim/04 (R$ 36.974,31) e 3° trim/04 (R$ 51.625,34), os quais, após compensação de prejuízo fiscal, resultaram IRPJ a pagar não declarado em DCTF. Informa que, ao interpelar a contribuinte, esta esclareceu: “... por um lapso os valores das bases de cálculo de IRPJ e CSLL ano 2004 correspondentes aos trimestres 1° e 3º lançados na Declaração DIPJ foram errados, anexa à esta demonstração correta” (fls. 122/130), o que motivou o lançamento de oficio, com reflexo na CSLL. Também, a fiscalização afirma que apurou a compra de mercadoria não contabilizada, conforme cópias de Notas Fiscais apresentadas pelos fornecedores Frangoeste Avicultura Ltda e Frigonova Ltda. Nesse sentido, a fiscalização esclarece que, ao interpelar a contribuinte, esta alegou o não recebimento das mercadorias constantes das Notas Fiscais questionadas, exceção de cinco Notas Fiscais, cuja escrituração logrou comprovar. E que tal informação ensejou nova intimação aos fornecedores da pessoa jurídica, assim descrita: Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 39 4 “Foram lavrados, então, novos termos de intimação para as empresas Frangoeste Avicultura Ltda e Frigonova Ltda requisitando: (i) Cópia dos Livros Contábeis nos quais ficassem demonstrados, de forma analítica, nota fiscal a nota fiscal, as vendas efetuadas a Comercial de Alimentos Fátima Ltda, CNPJ: 01.626.268/000104 constantes da relação em anexo, bem como os lançamentos de recebimento dos respectivos valores referentes a essas vendas, e (ii) Cópia de eventuais comprovantes de recebimento referentes as Notas Fiscais de Venda constantes da relação em anexo I (fls. 113 a 115e 131 a 133). Em resposta a Frangoeste Avicultura Ltda apresentou, dentre outros, os documentos de (fls. 134 a 137) e a Frigonova Ltda apresentou o documento de (fls. 145 a 145). Analisando a resposta da empresa Frigonova Ltda, verificouse que esta afirmou não poder atender à intimação, pois os documentos solicitados encontravamse em poder da Delegacia da Receita Federal de outra circunscrição. Já referente a empresa Frangoeste Avicultura Ltda, verificouse que a mesma ratificou que as respectivas Notas Fiscais foram emitidas, tendo apresentado inclusive cópias da escrituração contábil e fiscal. Foi informado também que os valores referentes a essas vendas foram recebidos à vista. Assim, restou comprovado que a fiscalizada adquiriu as mercadorias constantes dessas Notas Fiscais, não efetuou o respectivo registro de entrada (fls. 165 a 258) e por conseqüência também não escriturou o respectivo pagamento destas (fls. 259 a 275).” A autoridade fiscal elaborou o demonstrativo sintético dos valores não escriturados, constantes da planilha de fls. 356 a 357, os quais foram caracterizados como omissão de receita, nos termos do art. 281, inciso II, do RIR/99 e intimou a pessoa jurídica a retificar o LALUR e seu controle de base de cálculo negativa de CSLL, a fim de considerar os valores do prejuízo fiscal de IRPJ e de base de cálculo negativa de CSLL compensados nos presentes autos de infração. Inconformada, a interessada apresentou, em 30/07/2008, por intermédio de seu representante legal, impugnação parcial de fls. 407/416, acompanhada de documentos de fls. 417/420. Com relação aos resultados operacionais escriturados e não declarados, concorda com a exigência, afirmando ter providenciado o parcelamento. No que concerne à receita omitida, decorrente de compras/pagamentos não contabilizados, diz que as notas fiscais apresentadas pela Frangoeste Avicultura Ltda não são aptas para gerar o lançamento fiscal, dadas as inconsistências nelas verificadas, as quais as desqualificam como documentos hábeis e idôneos. E renova sua declaração, no sentido de que não recebeu as mercadorias constantes dos referidos documentos. E justifica, em suas palavras: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 40 5 "Assim é que em relação as notas fiscais cujas mercadorias teriam pretensamente sido entregues à autuada, em nenhum caso há a comprovação da entrega pela assinatura do respectivo canhoto por parte do representante legal da autuada ou qualquer preposto seu. Deve ser considerado, ainda que ao que consta o transporte das mercadorias se deu por veículos das próprias emitentes das notas fiscais. Se a isso for acrescentado que segundo a empresa Frangoeste os pagamentos dos valores relativos às notas fiscais teriam se dado à vista e em dinheiro e a empresa Frigonova não apresentou explicações em virtude dos documentos solicitados estarem “em poder da Delegacia da Receita Federal de outra circunscrição", se tem por certo que não há qualquer prova da efetiva entrega das mercadorias bem como dos pagamentos correspondentes. A requerente quer ressaltar neste passo que nunca fez qualquer pagamento em dinheiro tanto para a empresa Frangoeste quanto para a empresa Frigonova. Os pagamentos para a empresa Frangoeste eram feitos tão somente em depósitos em conta corrente de titularidade da fornecedora, mantida junto ao Banco do Brasil, Agência 31496, Conta Corrente n° 180181. Já os pagamentos para a empresa Frigonova se davam exclusivamente com depósitos em conta corrente mantida pela fornecedora junto ao Banco Bradesco, Agência 19313, conta corrente 84409. É de salientarse que não é prática comercial, até por questões de segurança, que os pagamentos de aquisição de carnes, seja feito em dinheiro para o motorista do veículo de entrega. Dessa forma temos que ante a evidente não comprovação tanto do recebimento das mercadorias quanto dos pagamentos correspondentes, temos que não pode prevalecer o lançamento por presunção de omissão de receita. Temos, ainda, que deve ser considerado que as pretensas vendas realizadas pelos fornecedores no período apontado pela fiscalização não guardam relação com a média histórica de aquisições de mercadoria por parte da ora requerente, mesmo considerada a sazonalidade e eventuais oscilações de mercado. Assim é que a par das notas fiscais apontadas pela fiscalização a ora requerente, no mesmo período, fez aquisições de mercadorias dos mesmos fornecedores, operações essas contabilizadas na forma da lei. Pois bem, se forem comparadas as aquisições efetivamente realizadas, com os mesmos meses de anos anteriores e posteriores ao da autuação, se verificará que o movimento apontado pela fiscalização se afasta da média histórica, a demonstrar a inconsistência dessas pretensas aquisições de mercadorias. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 41 6 A jurisprudência já pacificada por nossos tribunais é no sentido de que não subsiste a presunção de omissão de receita, quando não houver prova hábil a demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos ensejadores do lançamento fiscal." Cita jurisprudência judicial, concluindo inexistir comprovação da efetiva existência de omissão de receita e encerra requerendo a improcedência da autuação fiscal, anulandose os lançamentos correspondentes. Em seu despacho de encaminhamento a autoridade preparadora informa que a parcela do crédito tributário não contestada na impugnação, objeto de pedido de parcelamento, foi transferida para o processo n° 15754.000473/200827. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Resultados Operacionais Escriturados e Não Declarados. Matéria Não Impugnada. Consolidase administrativamente o lançamento e opera se a preclusão processual quando não apresentados argumentos de defesa em relação matéria autuada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Omissão de Receita. Pagamento Não Escriturado. Comprovado pelo Fisco, mediante documentos fiscais emitidos pelos fornecedores da empresa, que a contribuinte omitiu o registro de pagamentos de compras, resta caracterizada a omissão de receita, por expressa previsão legal. Nota Fiscal de Venda. Documento Inidôneo. Não Cabimento. O comprovante de entrega dos produtos integra apenas a primeira via da nota fiscal, na forma de canhoto destacável, apenas dele constando a declaração de recebimento, razão pela qual inexiste qualquer irregularidade na falta de tal informação na 2ª via do documento fiscal. Não procede a arguição de inidoneidade quando não se vislumbram nas notas fiscais arroladas nos autos Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 42 7 quaisquer das hipóteses previstas no art. 322 do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/11/2011, onde reitera as argumentações feitas anteriormente e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. Este é o Relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 43 8 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ em Ribeirão Preto/SP que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente. Após o acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP) a lide se resume a matéria de prova quanto a omissão de receitas. Isso porque a autoridade fiscal afirma que a Recorrente não escriturou as notas fiscais de entrada emitidas pelas empresas Frangoeste Avicultura Ltda e Frigonova Ltda. Senão vejamos: “2 — MERCADORIAS NÃO CONTABILIZADAS Conforme já explanado anteriormente, alguns fornecedores da fiscalizada foram intimados a informar todas as vendas efetuadas a Comercial de Alimentos Fátima Ltda, CNPJ 01.626.268/000104 no ano calendário de 2004, bem como anexar cópias das respectivas notas fiscais (circularização). Da análise das repostas a essas intimações, verificouse que duas das empresas circularizadas, a Frangoeste Avicultura Ltda e Frigonova Ltda, apresentaram cópias de notas fiscais de venda de produtos a Comercial de Alimentos Fátima Ltda (fls. 54 a 275) que não constavam da escrituração da fiscalizada (fls. 165 a 275). Visando dirimir dúvidas, a fiscalizada foi in timada, em 07/05/2008, a indicar as folhas do Livro Registro de Entrada, do Livro Diário e Livro Razão onde constassem a escrituração das referidas Notas Fiscais. Foi intimada, também, a comprovar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras das mercadorias referentes a essas mesmas Notas Fiscais (fls. 110 a 111). Em 16/05/2008, a fiscalizada indicou a escrituração de cinco das Notas Fiscais intimadas e para as demais Notas Fiscais informou: "As demais constantes na relação do anexo I da empresa Frangoeste Avicultura Ltda e da Frigonova Ltda, não houve recebimento de mercadoria" (fl. 112). Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 44 9 Foram lavrados, então, novos termos de intimação para as empresas Frangoeste Avicultura Ltda e Frigonova Ltda requisitando: (i) Cópia dos Livros Contábeis nos quais ficassem demonstrados, de forma analítica, nota fiscal a nota fiscal, as vendas efetuadas a Comercial de Alimentos Fátima Ltda, CNPJ: 01.626.268/000104 constantes da relação em anexo, bem como os lançamentos de recebimento dos respectivos valores referentes a essas vendas, e (ii) Cópia de eventuais comprovantes de recebimento referentes às Notas Fiscais de Venda constantes da relação em anexo I (fls. 113 a 115 e 131 a 133) Em resposta a Frangoeste Avicultura Ltda apresentou, dentre outros, os documentos de (fls. 134 a 137) e a Frigonova Ltda apresentou o documento de (fls. 145 a 145). Analisando a resposta da empresa Frigonova Ltda, verificouse que esta afirmou não poder atender à intimação, pois os documentos solicitados encontravam se em poder da Delegacia da Receita Federal de outra circunscrição. Já referente à empresa Frangoeste Avicultura Ltda, verificouse que a mesma ratificou que as respectivas Notas Fiscais foram emitidas, tendo apresentado inclusive cópias da escrituração contábil e fiscal. Foi informado também que os valores referentes a essas vendas foram recebidos à vista. Assim, restou comprovado que a fiscalizada adquiriu as mercadorias constantes dessas Notas Fiscais, não efetuou o respectivo registro de entrada (fls. 165 a 258) e por conseqüência também não escriturou o respectivo pagamento destas (fls. 259 a 275). De acordo com o art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, há uma presunção legal de omissão de receita no caso de falta de escrituração de pagamentos efetuados: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n°9.430, de 1996, art. 40): (...) Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 45 10 II a falta de escrituração de pagamentos efetuados. (g.n)." A autuada por sua vez se defende com a alegação de que tais notas fiscais não são documentos idôneos e, portanto, não podem servir para fundamentar o auto de infração. Em sua fundamentação afirma que tais mercadorias não foram recebidas e, portanto, tais notas fiscais não se sustentam. Prezando pela objetividade podemos resumir a lide. Por um lado a RFB, com base em circularizações realizadas durante a verificação fiscal, percebeu indícios de omissão de receita por parte da Recorrente, vez que algumas notas fiscais emitidas por dois dos fornecedores não constavam do Livro Razão e nem do Livro Registro de Entradas da Recorrente. De outra forma aduz a Recorrente que tais notas são inidôneas, vez que não refletem operações comerciais entre ela e seus fornecedores. Por fim os fornecedores que apresentaram as listagens solicitadas na circularização não foram hábeis para apresentar a autoridade fiscal requisitante os canhotos de recebimento das mercadorias e nem tampouco atestar o recebimento dos numerários de tais notas. Reza o Decreto nº 7.212/2010 (Regulamento do IPI RIPI) que disciplina a emissão das notas fiscais: “Art. 413. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: (...) IX no comprovante de entrega dos produtos, que deverá integrar apenas a primeira via da nota fiscal, na forma de canhoto destacável: a) a declaração de recebimento dos produtos; b) a data do recebimento dos produtos; c) a identificação e assinatura do recebedor dos produtos; d) a expressão “nota fiscal”; e e) o número de ordem da nota fiscal.” O canhoto destacável tem a precípua finalidade de documentar a efetiva tradição da mercadoria enviada pelo remetente ao destinatário, devendo, para tanto, acompanhar a nota fiscal, por ocasião da remessa das mercadorias e, após o recebimento, retornar ao remetente, para ser arquivado pelo prazo de 5 (cinco) anos, por ser parte integrante do documento. Assim, poderá ser efetuada a colagem dos canhotos nas vias fixas das respectivas notas fiscais, ou, quando se tratar de notas fiscais emitidas por processamento de dados, poderá ser utilizado Livro de Canhotos, criado pelo contribuinte, especialmente para essa finalidade, no qual serão colados e arquivados. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000502/200811 Acórdão n.º 1802001.438 S1TE02 Fl. 46 11 Vale lembrar que comercial e judicialmente, o canhoto devidamente assinado pelo destinatário atesta que as mercadorias especificadas e recebidas estão de acordo com o pedido originário da transação mercantil realizada, ressaltandose que, em processo judicial de Execução de Títulos Extrajudiciais, como, por exemplo, uma Duplicata de Venda Mercantil, ou no Processo de Falência, os magistrados não têm aceito a instrução dos mesmos sem a apresentação dos canhotos, declarando, em alguns casos, a inépcia da inicial, sem julgamento do mérito. De fato entendo que a Recorrente não pode ser acusada de receber determinadas mercadorias sem efetuar o registro contábil e fiscal, se a própria fiscalização não consegue provar que ocorreu a tradição e nem tampouco o pagamento das mesmas. Tratase da informação de dois fornecedores alegando que venderam e entregaram a mercadoria, sem contudo possuirem provas desse fato, além de desrespeitarem os preceitos legais a que estão sujeitos quanto à emissão das notas fiscais, contra a defesa da Recorrente que alega que não houve as mencionadas transações comerciais. Por todo o exposto, certo que a autoridade fiscal se baseou em provas insubstanciadas e que a Recorrente não cabe prova em contrário, eis que seria prova impossível, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001589/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros, Gilson Macedo Rosenbrug Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Jacques Veloso de Melo (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Relatório
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros, Gilson Macedo Rosenbrug Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Jacques Veloso de Melo (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros, Gilson Macedo Rosenbrug Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Jacques Veloso de Melo (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 58 9/ 20 07 -5 4 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11516.001589/200754 Resolução nº 3402000.564 S3C4T2 Fl. 134 2 Relatório Versa este processo de Declaração de Compensação eletrônico, formalizada por meio de PER/DCOMP, enviada em 13/07/2004, no valor originário de R$ 1.190.994,60 (um milhão, cento e noventa mil, novecentos e noventa e quatro reais e sessenta centavos), referente a pagamento a título de PIS efetuado a maior ou indevidamente, sobre o período de apuração de 12/2003, a ser compensado com débitos deste mesmo tributo relativos ao período de apuração de 05/2004. Conforme despacho decisório, a compensação foi parcialmente homologada, até o montante de R$ 1.170.791,78, restando saldo não homologado (devedor, portanto), de R$ 119.345,57, nela já incluídos os acréscimos moratórios até a prolação da referida decisão, sendo que como fundamento principal, extraise que o entendimento da Administração centrouse no seguinte fato: “Apesar do crédito pleiteado ter sido reconhecido integralmente, a não homologação de parte das compensações declaradas resulta do fato do contribuinte ter compensado débitos sem considerar o valor da multa de mora devida e da utilização de índice de atualização divergente da taxa Selic acumulada no período, para atualização do crédito.” Cientificado do despacho decisório em 01/08/2007, conforme AR de fls. 25, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 26 a 103), aduzindo essencialmente que apesar de ter realizado a declaração de compensação após a data de vencimento dos débitos, não adicionou a multa de mora, tendo em vista a aplicação do instituto da denúncia espontânea. A DRJ/Florianópolis, por seu turno, manteve integralmente os fundamentos da decisão original, sendo que o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho reprisando os mesmos argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É, sucintamente, o Relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Entendo que o processo não está em condições de ser julgado. Isto porque, segundo se constata dos autos, pretende o sujeito passivo ver homologada compensação, transmitida em julho/2004, pela qual visa extinguir débito de PIS do período de apuração de maio/2004, com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior do próprio PIS relativo ao período de apuração de novembro/2003, sendo que a incidência ou não da multa sobre o débito compensando (vencido em 15/06/2004) constituise na celeuma que aqui se visa solucionar. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11516.001589/200754 Resolução nº 3402000.564 S3C4T2 Fl. 135 3 Considerando que para se aquilatar se há espontaneidade do sujeito passivo, que é pressuposto para a denúncia espontânea, é necessário saber se houve prévio lançamento tributário, e que, a DCTF é instrumento hábil para a constituição do crédito tributário, não se pode aferir a presença deste elemento sem que esteja nos autos referido documento. Pode ainda ter havido DCTF original e Retificadora(s), que igualmente pode(m) interferir no deslinde da solução. No entanto, compulsando os autos se não os localizou, de forma que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora acoste aos autos a DCTF, original e retificadora(s) – esta última, se for o caso , na(s) qual(is) conste o débito de PIS do período de maio/2004, bem como a(s) respectiva(s) data(s) de transmissão. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.007599/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3301-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp)envolvendo crédito relativo A Cofins, incidência não cumulativa, apurado no mês deoutubro/2005 sobre custos, encargos e despesas vinculados As receitas de exportação. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo n° 037/2010 (fls. 444a 453), exarou o despacho decisório de fl. 456, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 139.009,18 e, conseqüentemente, homologar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 07 59 9/ 20 05 -1 5 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.007599/200515 Resolução nº 3301000.177 S3C3T1 Fl. 611 2 parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) A interessada informou na DCOMP crédito apurado no mês de outubro/2005, indicando valor em montante absurdamente divergente daquele informado no DACON. Foi então solicitada a realização de diligência fiscal a fim de apurar a base de cálculo dos créditos a compensar; b) Em resposta A intimação de fls. 41/42, a interessada apresentou planilhas de fls. 47/60 eprestou esclarecimentos em fls. 44/46. Mais uma vez intimada, apresentou a petição defls. 74/75 e documentos de fls. 76/441; c) a interessada auferiu receitas de exportação decorrentes dos contratos firmados para construção das plataformas de petróleo denominadas P51 e P52. Não obstante as exportações terem ocorrido somente nos meses de setembro/2007 e novembro/2008, na modalidade de exportação com saída ficta do território nacional, prevista na Instrução Normativa SRF 369/2003, parte das receitas de exportação foi reconhecida por estimativa no respectivo mês de apuração dos créditos (outubro/2005) – conforme folhas dos Livros Razão e Diário As fls. 226/227 e 237/239 e informação da interessada às fls. 45, nos termos do estabelecido no art. 407 do RIR/99 e art. 7o da Lei10.833/2003; d) 0 percentual de apropriação dos custos/despesas As receitas de exportação, a ser utilizado na apuração dos créditos alcança o valor de 94,82%, para o mês de outubro/2005, conforme demonstrado em fl. 450; e) A interessada apresentou a planilha de fl. 58 onde informa a data de emissão das notas fiscais de aquisição de serviços, número, CNPJ do prestador e valor do custo. Intimada a apresentar as notas fiscais, juntou aos autos demonstrativo/extrato, ao que parece da lavra das empresas Keppel Fels Brasil S/A e Brasfels S/A, escritos na lingua ingles, e expressos em moeda estrangeira. Todavia, tais documentos não se revestem dos requisitos necessários para servir de comprovante da aquisição dos serviços; f) Verificouse que somente as Notas Fiscais Fatura de n's 6215, 6216 e 6218se referem a serviços adquiridos em outubro e todas as demais notas (fls. 326 a 359) se referem a aquisições nos meses de julho a setembro. Verificouse a existência da Nota Fiscal6217, emitida em 27/10/2005, relacionada pelo contribuinte como componente da base de cálculo do crédito de novembro, analisado no processo 10070.001792/2005. Todavia, somente podem ser utilizadas como base de cálculo do crédito as aquisições efetuadas no próprio mês; g) Dessa forma, restou comprovado somente o montante de R$1.928.989,80 a titulo de aquisições de serviços no mês de outubro/2005. Aplicado o percentual apurado no rateio proporcional, é de se concluir que o crédito da COFINS NÃO CUMULATIVA Exportação relativamente a esse mês é no valor de R$139.009,18. Cientificada do Parecer Conclusivo e do despacho decisório em09/09/2010 (fls. 459), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em07/10/2010 (fls. 460 a 464), alegando, em síntese, que: a) Com base dos fundamentos e observações contidos nos pareceres conclusivos da Demac/RJO/Diort n°033/2010 035/2010 037/2010 e 039/2010, a Requerente considerou a exclusão na base de calculo do direito creditório da COFINS, as aquisições de serviços dos fornecedores identificados sob o CNPJ n° 03.669.503/0001 42 e CNPJ n° 03.669.750/000182 e considerou um levantamento e uma apuração Fl. 611DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.007599/200515 Resolução nº 3301000.177 S3C3T1 Fl. 612 3 complementar do direito credit6rio relativo as aquisições de serviços utilizados como insumo, conforme determina a Lei 10.833/2003; b) A Requerente promoveu um levantamento das aquisições de serviços utilizados como insumo, nos termos da Lei 10.833/2003 e uma apuração complementar do direito creditório da COFINS, na qual agora consta que o direito creditório se reveste do efetivo valor passível de compensação, conforme demonstra a relação, em anexo; c) Conforme a definição do Regime de Incidência NãoCumulativa, observase que o crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subseqüentes conforme §4° art.3° da Lei 10.833/2003. Com isso, a Requerente demonstra um saldo de direito creditório acumulado que sustenta o valor dos débitos compensados na DCOMP n° 10768.007599/200515; d) Vigora no âmbito do processo administrativo fiscal o principio da verdade material ou real, de maneira que o mero erro no preenchimento de uma obrigação acessória não pode ser considerado impedimento ao direito de compensação; e) 0 procedimento administrativo tendente a verificar a exatidão dos créditos do contribuinte não se compara à simples presunção dos fatos, pois assim estaria flagrantemente violando o direito do particular à ampla defesa e ao contraditório; f) Requer seja considerada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja reconhecida a homologação total da declaração de compensação e a homologação do saldo acumulado do direito creditório da COFINS, bem como sejam sustados quaisquer atos tendentes A inscrição em Divida Ativa até ulterior decisão definitiva em contrario. Requer, ainda, o deferimento para apresentação de nova declaração das obrigações acessórias (PERD/COMP/DACON/DCTF) conforme levantamento acima exposto. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade não homologando as compensações declaradas, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Acórdão 1336.082 5' Turma da DRJ/RJ2 Sessão de 7 de julho de 2011 Processo 10768.007599/200515 Interessado FSTP BRASIL LTDA CNPJ/CPF 06.011.542/000146 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal competente, da liquidez e certeza do crédito reclamado, não sendo cabível a retificação, após a ciência da decisão administrativa, que vise a substituição do crédito a compensar. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à DRJ analisar originariamente pedido de restituição/ressarcimento e compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto b. decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.007599/200515 Resolução nº 3301000.177 S3C3T1 Fl. 613 4 Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 03/02/2012 (Comprovante SEDEX fls.513), foi interposto o recurso voluntário de fls. 514 e seguintes em 05/03/2012, em síntese, reiterando as alegações constantes da manifestação de inconformidade, acrescentando que informou possuir um saldo acumulado da Cofins do final de dezembro de 2004, conforme documentação entregue à DEMAC em 16/02/2012 (fls. 604), sustentando que de acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes. Desta forma, requer o deferimento de diligência para examinar a documentação julgada necessária destinada à comprovação do crédito alegado, o qual seria suficiente para homologar as compensações declaradas. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso foi interposto tempestivamente e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida, consta que, analisandose a planilha em fl. 467 — "Relatório de controle de direito creditório acumulado — jan/05 a out/05", verificase inicialmente que embora o contribuinte alegue em sua manifestação de inconformidade possuir crédito acumulado no período de janeiro a outubro de 2005, o calculo apresentado já parte de um saldo de crédito acumulado em dezembro de 2004 no valor de R$ 3.093.700,16. Portanto, o "novo" crédito pretendido não se refere, como alega o interessado, ao crédito acumulado no período de janeiro a outubro de2005, mas também a períodos anteriores nem ao menos especificados na manifestação de inconformidade. Conclui, a v. decisão, dizendo que, caso o sujeito passivo pretendesse solicitar o ressarcimento ou efetuar compensação de crédito com origem diversa daquele informado na DCOMP apresentada, deveria providenciar a entrega de novas declarações de compensação ou pedidos de ressarcimento referentes a cada período pretendido e estes deverão ser submetidos à análise da autoridade competente da unidade de origem, podendo esta solicitar a apresentação de elementos de prova que permitam conferir a exatidão dos dados informados e decidir acerca da procedência dos créditos alegados. Entretanto, considerando os fatos já apurados pela decisão recorrida, quanto à existência de crédito acumulado em dezembro de 2004 no valor de R$3.093.700,16, os quais foram ratificados pela contribuinte através da documentação entregue à DEMAC em 16/02/2012 (fls. 604); Considerando ainda que nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes; Fl. 613DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.007599/200515 Resolução nº 3301000.177 S3C3T1 Fl. 614 5 Considerando ainda o princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, consoante os seguintes ensinamentos do Professor CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, citado pela recorrente em seu recurso, in verbis: "Principio da verdade material. (...) Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial." (Curso de Direito Administrativo, 9.a Ed., Malheiros, Sao Paulo, 1997, p. 322/323) A ementa do acórdão abaixo reproduzida retrata bem essa situação, senão vejamos: "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – DIREITO CREDITÓRIO – COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência e a composição do crédito que o contribuinte alega possuir junto à Fazenda Nacional, cabe deferir o respectivo pedido de restituição/compensação." (Acórdão n° 10422420, sessão realizada em 23/05/2007). Desta forma, como não houve manifestação conclusiva por parte da Fiscalização, quanto ao mérito da alegação, quanto à veracidade sobre a existência de saldo de crédito da Cofins do período anterior (dezembro/2004), e considerando os documentos citados no recuso (entregues à DEMAC), os quais segundo a Recorrente serviriam para comprovar a regularidade dos créditos de Cofins, e tendo em vista verossimilhança das alegações da contribuinte e, em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, de modo a demonstrar a regularidade dos créditos de Cofins. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo no auto de infração, se for o caso. Na seqüência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 614DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013579/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/11/2005
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DESVIO DE FINALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PRINCIPAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE. EXECUÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos casos de descumprimento das condições estabelecidas para o regime aduaneiro especial de admissão temporária, o Regulamento Aduaneiro estabelece procedimento próprio ao prever a execução do termo de responsabilidade para cobrança do crédito tributário principal, a par do lançamento da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996.
Caracterizada a cobrança em duplicidade pela execução do Termo de Responsabilidade relativa à exigência do crédito tributário principal também objeto de lançamento, deve-se afastar a cobrança do auto de infração relativa a essa parcela.
Cabível a imposição da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 com supedâneo normativo expresso no artigo 321 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar unicamente a cobrança do crédito tributário já objeto de execução pelo respectivo Termo de Responsabilidade, nos termos do voto do redator designado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Solon Sehn (relator) que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA Presidente e redator.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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DESVIO DE FINALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PRINCIPAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE. EXECUÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos casos de descumprimento das condições estabelecidas para o regime aduaneiro especial de admissão temporária, o Regulamento Aduaneiro estabelece procedimento próprio ao prever a execução do termo de responsabilidade para cobrança do crédito tributário principal, a par do lançamento da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Caracterizada a cobrança em duplicidade pela execução do Termo de Responsabilidade relativa à exigência do crédito tributário principal também objeto de lançamento, devese afastar a cobrança do auto de infração relativa a essa parcela. Cabível a imposição da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 com supedâneo normativo expresso no artigo 321 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar unicamente a cobrança do crédito tributário já objeto de execução pelo respectivo Termo de Responsabilidade, nos termos do voto do redator designado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Solon Sehn (relator) que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 35 79 /2 00 9- 37 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA – Presidente e redator. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido, em acórdão assim ementado (fls. 112): Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 29/11/2005 Admissão Temporária. Desvio de Finalidade. São cabíveis os tributos suspensos quando descumpridas as condições e os requisitos estipulados para a concessão do regime especial de admissão temporária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O Recorrente importou, sob o regime de admissão temporária, veículo da marca Lamborghini, descrito na Declaração Simplificada de Importação nº 05/00311551, fls. 3641, de 29/11/2005, alegando a necessidade da realização de ensaios e testes de emissão de poluentes do referido automóvel. O acórdão recorrido, por sua vez, manteve a exigência do crédito tributário, por entender caracterizado o desvio de finalidade do regime de admissão temporária, uma vez que, consoante constatado em apreensão realizada da Polícia Federal, o bem estaria exposto à venda no mercado nacional. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 125136, sustenta que: (a) não cometeu qualquer irregularidade, uma vez que os testes teriam sido realizados; (b) que teria sido impossibilitada, por determinação judicial, de proceder ao término do regime de admissão temporária; e c) não há prova de desvio de finalidade na importação realizada. Pleiteia, assim, o cancelamento do débito fiscal e autorizada a reexportação do veículo importado. Incluído o feito na pauta de 22 de maio de 2012, a Turma entendeu por bem converter “converter o julgamento em diligência à Unidade da RFB origem para informar sobre eventual execução dos Termos de Responsabilidade”, devidamente cumprida. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.013579/200937 Acórdão n.º 3802001.442 S3TE02 Fl. 374 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 17/05/2011 (fls. 122) e o protocolo do recurso, em 14/06/2011 (fls. 125/136). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, cumpre destacar que os créditos tributários suspensos em decorrência do regime de admissão temporária foram objeto de Termo de Responsabilidade (TR) formalizado na forma da Instrução Normativa SRF nº 285/2003. Todavia, em decorrência de decisão judicial (autos nº 2006.67.81.0047096, da 9ª Vara Criminal Federal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo), a Secretaria da Receita Federal foi intimada a se abster “de cobrar impostos incidentes sobre os veículos, mesmo depois de esgotado o prazo concedido para a admissão temporária” (fls. 49). Diante disso, a Autoridade Fazendária entendeu por bem lavrar o auto de infração impugnado, para fins de prevenção de decadência do crédito tributário, consoante a seguinte passagem da fundamentação do ato administrativo: “[...] O interessado através do PAF 10314.011104/200582 solicitou o Regime Especial de Admissão Temporária para os bens descritos na DSI nº 05/00311551, pelo prazo de três meses, prorrogado por mais três meses até 31/05/2006 com a finalidade prevista no artigo 4º, parágrafo 1º, inciso II da IN SRF 285/03, que prevê a possibilidade do Reigme para ‘bens a serem submetidos a ensaios, testes de funcionamento ou de resistência, conserto, reparo ou restauração’. Ocorre que ficou comprovado o desvio de finalidade em 24/04/2006 com a apreensãoo pela Polícia Federal dos bens (veículos) que se encontravam naquele momento expostos à venda. O desvio de finalidade gerou a lavratura do Auto de Infração (PAC 10314.004525/200981) com a aplicação da multa prevista no artigo 72, inciso I, da Lei 10.833/03. Nos termos do Procedimento Criminal nº 2006.61.81.0047096, da 9ª Vara Criminal Federal, foi determinado que a Secretaria da Receita Federal ‘se abstenha de cobrar impostos incidentes sobre os veículos, mesmo depois de esgotado o prazo concedido para a admissão temporária, uma vez que estão retidos no país por determinação judicial. Diante do exposto, e na qualidade de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavro o presente Auto de Infracao para prevenir a decadência, ressalvando que a suspensão da cobrançaa se dá por determinação judicial e não pelos casos previstos nos incisos IX ou V do artigo 151 da Lei 5.172/66.” (fls. 10). Posteriormente, em 06/07/2010, o juízo federal competente, por meio do Ofício nº 1536/10 (fls. 113), informou à Inspetoria da Receita Federal que não havia mais restrição para a cobrança dos tributos nem à execução dos Termos de Responsabilidade. Assim, tornada sem efeito a ordem judicial, em 07/04/2011 (Memo Sacat/Alf/SP nº 22/2011), a Inspetoria da Receita Federal comunicou à 2ª Turma da DRJ/SP 2 que promoveria o Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 encaminhamento dos TRs à Procuradoria da Fazenda Nacional, bem como o cancelamento parcial dos autos de infração: “[...] Com a expedição de nova ordem judicial, comunicada por meio do Ofício nº 1536/10 – lem, de 06/07/2010, a Juíza da 09ª Vara Criminal Federal informa não haver mais restrição para a cobrança dos tributos incidentes sobre os veículos. Não subsiste, portanto, mais nenhum óbice à execução dos Termos de Responsabilidade. Esses TRs, conforme disposição do art. 676 do Decreto nº 4.543/2002 e art. 760 do Regulamento Aduaneiro atual, constituem título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele contidas. Assim, desde logo, podem ser submetidos à execução, não havendo necessidade de lavratura de auto de infração ou mesmo submissão a julgamento administrativo, pois os créditos que representam já se encontram definitivamente constituídos nessa esfera. Os autos de julgamento supramencionados, ora pendentes de julgamento por essa Turma, repitase, foram lavrados apenas para prevenir eventual decadência dos créditos. Não fosse a ordem judicial que impedia a cobrança dos tributos desde o início, os TRs já teria sido executados à época da violação das normas do regime. Não mais subsistindo o óbice judicial, informamos que encaminhamentos os TRs à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União e execução. O PAF nº 10314.000505/201074, inclusive, que antes estava sob julgamento perante essa Turma, foi solicitado e remetido a esta SACAT/ALF, para que fosse cancelado e, em seu lugar, fosse executado o TR respectivo. Os outros quatro PAFs, como já foi dito, compreendem não apenas o valor principal relativo aos tributos, mas, também, o valor correspondente à multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Assim, apenas o valor principal será executado por meio de TR.” (fls. 110111). A DRJ, entretanto, entendeu que a Administração Pública teria procedido de forma correta ao constituir o crédito tributário, uma vez que, segundo sua interpretação, “está pacificado entendimento de ser incabível a execução sumária do Termo de Responsabilidade, para efeitos de cobrança do crédito tributário, sem observância dos procedimentos administrativos determinados pelo Decreto nº 70.235/72”, invocando, nesse sentido, o seguinte julgado do então Conselho de Contribuintes: “TRÂNSITO ADUANEIRO. EXECUÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE – Incabível a execução sumária do Termo de Responsabilidade, para efeito de cobrança de crédito tributário, sem observância aos procedimentos que norteiam o processo administrativo determinado pelo Decreto nº 70.235/72, ferindo, inclusive, preceito constitucional que assegura aos litigantes em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral, o ‘contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentas’ (Art. 5º, LV, C.F), caracterizando preteriçãoo do direito de defesa do Contribuinte. Declarada a nulidade do processo, conforme art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72” (Recurso Voluntário nº 116.725 fls. 119). Após a conversão do julgamento em diligência, a unidade da RFB de origem confirmou a execução do crédito tributário confessado por meio do Termo de Responsabilidade, de sorte que, de fato, há cobrança em duplicidade. Resta saber, portanto, qual dos créditos deve prevalecer: aquele já executado, constituído por meio do TR, ou o lançado deofício, para fins de prevenção de decadência, objeto do presente processo administrativo fiscal. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.013579/200937 Acórdão n.º 3802001.442 S3TE02 Fl. 375 5 Entendese que a exegese adotada pela decisão recorrida não se compatibiliza com as normas jurídicas que disciplinam a constituição e a cobrança dos créditos tributários suspensos em decorrência do regime de admissão temporária. Estes, como bem destacado no Memo Sacat/Alf/SP nº 22/2011, são constituídos por meio de Termo de Responsabilidade, podendo ser inscritos em Dívida Ativa da União e cobrados diretamente, sem a necessidade de lançamento de ofício, conforme disposto no Regulamento Aduaneiro RA/2002, vigente à época dos eventos (Decreto nº 4.543/2002): Art. 264. Ressalvado o disposto no Capítulo VII, as obrigações fiscais suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo de responsabilidade firmado pelo beneficiário do regime, conforme disposto nos arts. 674 e 676 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 72, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). Art. 676. O termo de responsabilidade é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 72, § 2º, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência. [...] Art. 678. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 677, sem que o interessado apresente a justificativa solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 1º e 2º desse artigo. Art. 679. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Não é necessário, portanto, o lançamento deofício, razão pela qual deve ser afastada a exigência do crédito tributário principal. Por outro lado, não sendo cabível lançamento deofício, igualmente inviável a imposição da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, por ausência de suporte fático exigido para sua cominação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Redação atual: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) É ilegal, assim, a disposição do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002), que prevê a cominação da multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, para casos em que não se exige o lançamento deofício: Art. 321. [...] § 1º Decorrido o prazo a que se refere o caput e não tendo sido reexportados os bens, nem registrada a declaração de importação, o beneficiário ficará sujeito: [...] II ao pagamento da multa a que se refere o inciso I do art. 645, sem prejuízo da continuidade da exigência do crédito tributário, na forma do art. 679, se ainda não cumprida. Art. 645. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos tributos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; e No presente caso, cumpre acrescentar que o lançamento não foi realizado em função do descumprimento do prazo para reexportação nem devido à ausência de registro da DI, mas para efeitos de prevenção de decadência, consoante destacado no auto de infração: Nos termos do Procedimento Criminal nº 2006.61.81.0047096, da 9ª Vara Criminal Federal, foi determinado que a Secretaria da Receita Federal ‘se abstenha de cobrar impostos incidentes sobre os veículos, mesmo depois de esgotado o prazo concedido para a admissão temporária, uma vez que estão retidos no país por determinação judicial. Diante do exposto, e na qualidade de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavro o presente Auto de Infração para prevenir a decadência, ressalvando que a suspensão da cobrança se dá por determinação judicial e não pelos casos previstos nos incisos IX ou V do artigo 151 da Lei 5.172/66.” (fls. 10). Aplicase, portanto, o art. 611 do RA/2002, que afasta o cabimento de multa ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência: Art. 611. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo aos tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa por concessão Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.013579/200937 Acórdão n.º 3802001.442 S3TE02 Fl. 376 7 de medida liminar em mandado de segurança, ou por concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei nº 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 70, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 151, incisos IV e V, este com a redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001, art. 1º). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do crédito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 63, § 1º) Tal matéria, embora não tenha sido ventilada no recurso voluntário, pode ser conhecida de ofício pela Turma, uma vez que tem natureza de ordem pública. O seu conhecimento, por outro lado, prejudica a análise do mérito do descumprimento do regime de admissão temporária, que deverá ser examinado no procedimento administrativo fiscal em que foi cominada a sanção prevista no art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003, ou na esfera judicial. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso voluntário e pelo seu integral provimento, para fins de anulação do auto de infração, sem prejuízo da continuidade da cobrança do crédito tributário principal constituído por meio do Termo de Responsabilidade, objeto de execução fiscal em curso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro Regis Xavier Holanda No caso presente, tendo a Unidade da RFB de origem confirmado como resultado da diligência solicitada a execução do Termo de Responsabilidade relativa à exigência do crédito tributário principal objeto do auto de infração em questão – havendo, portanto, cobrança em duplicidade filiome às conclusões do i. Conselheiro Relator no sentido de se afastar a cobrança do auto de infração relativa a essa parcela. Entretanto, com a devida vênia, entendo cabível a imposição da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a presente exação encontra supedâneo normativo expresso no artigo 321 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002). Vejamos: Art. 321. [...] § 1º Decorrido o prazo a que se refere o caput e não tendo sido reexportados os bens, nem registrada a declaração de importação, o beneficiário ficará sujeito: [...] Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 II ao pagamento da multa a que se refere o inciso I do art. 645, sem prejuízo da continuidade da exigência do crédito tributário, na forma do art. 679, se ainda não cumprida. Art. 645. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos tributos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; e Art. 679. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Dessa forma, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas para o regime aduaneiro especial de admissão temporária, o Regulamento Aduaneiro estabelece procedimento próprio ao prever a execução do termo de responsabilidade para cobrança do crédito tributário principal, a par do lançamento da multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Anotese que nenhum óbice legal haveria à opção normativa regulamentar pelo lançamento de ofício do crédito tributário principal acompanhado da respectiva multa de ofício. Entretanto, a opção adotada pelo Regulamento Aduaneiro foi outra – com o mesmo resultado final: cobrança do crédito tributário principal por meio de execução do termo de responsabilidade e lançamento de ofício da multa. Ademais, não há que se falar em se restringir a aplicação da presente multa apenas aos casos de expiração de prazo do regime. Ora, o que se reprime com aplicação da multa é a falta de pagamento oportuno dos tributos devidos caracterizada pelo descumprimento das condições impostas à fruição do regime suspensivo, notadamente, também, o desvio de finalidade dos produtos importados – conduta ainda mais gravosa. Noutro giro, a par das considerações já postas que tenho por suficientes ao deslinde da questão, entendo ainda que falece competência a esse órgão julgador integrante da estrutura do Ministério da Fazenda e portanto vinculado às normas emanadas pela Presidência da República – para afastar a aplicação de decreto sob fundamento de ilegalidade. De fato, sendo o Regulamento Aduaneiro norma expedida pelo Presidente da República por meio de Decreto – portanto, norma inserta no ápice do Poder Executivo Federal e hierarquicamente vinculante a seus órgãos, não cabe a apreciação de questões atinentes à ilegalidades de decretos presidenciais tendo em vista o poder hierárquico a que estão submetidos os órgãos da Administração Pública. Por fim, cabe esclarecer que, no presente caso, como bem consignado pela autoridade lançadora, a suspensão da cobrança se dava por determinação judicial e não pelos casos previstos nos incisos IV ou V do artigo 151 da Lei 5.172/66. Assim, resta inaplicável o caput do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que se refere expressamente aos casos de suspensão de exigibilidade previstos nos indigitados dispositivos: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.013579/200937 Acórdão n.º 3802001.442 S3TE02 Fl. 377 9 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. .................. Ademais, o desvio de finalidade restou comprovado em 24/04/2006 com a apreensão pela Polícia Federal dos bens (veículos) que se encontravam naquele momento expostos à venda, ocasião em que os bens já se encontravam submetidos a procedimento fiscal. Nesse sentido, vejamos o que dispõe o artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Negritei. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar unicamente a cobrança do crédito tributário já objeto de execução pelo respectivo Termo de Responsabilidade. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Redator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10860.900287/2008-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900287/200869 Recurso nº Resolução nº 3801000.474 – 1ª Turma Especial Data 21 de março de 2013 Assunto PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente MAXION SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 28 7/ 20 08 -6 9 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJCampinas (SP), fl. 27, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 8/14), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a 2 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3551, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 0915. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. 3 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em apertada síntese, requer a contribuinte que seja homologada a Declaração de Compensação (DCOMP)de fls. 02/06, alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido através da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes na DIPJ apresentada. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação, referindo que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Ciente do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, sem apresentar parte da documentação informada, necessária para a análise do pedido, motivo pelo qual foi julgada improcedente a manifestação, restando não homologada a compensação pela DRJ de origem. Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. Primeiramente, é necessário observar que a recorrente anexou a mencionada DCTF retificadora, estando esta em consonância com as suas razões recursais, tendo em vista que nela se pode verificar com clareza a informação referente ao crédito existente no período no qual, através da informação da DCTF apresentada anteriormente, haveria débito. Quanto à apresentação da DCTF e da DCTF retificadora, dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, 4 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de 5 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012). Da análise da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil acima transcrita, concluise que a DCTF retificadora substitui integralmente à original. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.06.0006180/SC RELATOR: Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. DCTF RETIFICADORA. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Consoante disposição do art.204doCTNe do art.3ºda Lei nº6.830/80, a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, a qual só pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário. 2. A DCTF retificadora substitui a DCTF anteriormente apresentada. 3. O Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que não integra o rol das hipóteses legalmente previstas e aptas para tanto (art.151,III, doCTN). 4. Considerando que se encontra presente o encargo legal do Decreto Lei n1.025/69, não há falar em condenação da embargante ao pagamento dos honorários advocatícios. 5. Apelação improvida. (grifei) Havendo divergência encontrada na DCTF retificadora, esta deve ser objeto de auditoria interna da Receita Federal. Todavia, no caso em tela, a contribuinte apresentou também a DIPJ onde consta o crédito apontado, o que comprova a veracidade das suas informações, uma vez que é realizada a análise dos valores informados a título de créditos e débitos quando da apresentação desta, através do cruzamento das informações da Receita Federal com aquelas apresentadas na DIPJ pelo contribuinte. Desta forma, verificando a DIPJ apresentada, constatase que não existe débito no período informado. 6 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Acerca da análise, neste momento, da documentação comprobatória trazida aos autos somente quando da interposição do presente recurso, cumpre ressaltar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade a apuração de fatos que podem ou não ensejar o direito de crédito para a Administração ou para o contribuinte. O processo administrativo tributário nada mais é do que uma revisão dos atos administrativos que culminam com o lançamento final do crédito tributário, de modo que o sujeito passivo possa discutir dentro do Executivo a existência de algum equívoco quanto ao lançamento do crédito tributário. É um instrumento de controle da qualidade que a administração dispõe para aperfeiçoar seus atos administrativos. Esta finalidade do processo administrativo enseja a aplicação, em seu âmbito, do princípio da verdade material. No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialemnte pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 7 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13864.720198/2011-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). ENTE PÚBLICO. ALÍQUOTA.
A alíquota estabelecida para as atividades da Administração Pública em geral possui respaldo legal.
REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE.
Não fere o Princípio da Legalidade a regulamentação, através de decreto, do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco da atividade laborativa.
MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores a sua criação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). ENTE PÚBLICO. ALÍQUOTA. A alíquota estabelecida para as atividades da Administração Pública em geral possui respaldo legal. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE. Não fere o Princípio da Legalidade a regulamentação, através de decreto, do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco da atividade laborativa. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser limitada a 20%, pela aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei nº 8.212/1991. Já a multa de ofício correspondente a 75%, criada pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser cancelada nos períodos anteriores a sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 98 /2 01 1- 94 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720198/201194 Acórdão n.º 2403001.971 S2C4T3 Fl. 135 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 114 a 119 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (São Paulo), às fls. 91 a 101, que julgou procedente os lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração, cadastrados sob os DEBCADs 37.356.4279 (contribuição previdenciária a cargo do empregador referente à diferença da alíquota da contribuição para custeio do Seguro Acidente do Trabalho – SAT – e referente aos valores do salário de contribuição que não foram submetidos à tributação) e 37.356.4260 (ausência de declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 14 a 20), em decorrência da Fiscalização realizada na Prefeitura Municipal de Jacareí, ficou constatado que foi informado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) o código CNAE 75116, correspondente à alíquota do SAT de 1% sobre a remuneração dos segurados, quando o correto seria a utilização do código CNAE 84116/00, que, a partir da competência 06/2007, deve ser usado pela Administração Pública em Geral, cuja alíquota corresponde a 2%. Foi constatada, ainda, a ausência de declaração ou declaração a menor na GFIP de valores que fazem parte do salário contribuição e, portanto, deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária. Ao lançarem a multa devida, os Auditores Fiscais, cientes das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 na Lei nº 8.212/91, efetuaram, no período de janeiro a novembro de 2008, a comparação das penalidades previstas na legislação anterior com as previstas na legislação atual, com o objetivo de identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao artigo 106, II, do Código Tributário Nacional. Nessa comparação, foram consideradas conjuntamente as multas devidas pelo descumprimento de obrigação principal e acessória (AI 68), de acordo com a legislação antiga, e a multa de ofício prevista na legislação atual, tendo a fiscalização concluído que a sistemática prevista na legislação antiga é mais benéfica no período de janeiro a março de 2008, e que a sistemática atual seria mais benéfica no período seguinte, de abril a novembro de 2008. Para as NFLD objeto do presente processo, a comparação de multas resultou na aplicação da multa de mora prevista na legislação anterior, correspondente a 24% da contribuição apurada, para as competências de janeiro a março de 2008, e na aplicação retroativa da multa de ofício, correspondente a 75%, nas competências seguintes. Em 23/11/2011, o Município foi notificado desta autuação e apresentou impugnação às fls. 79 a 83, alegando que o art. 22 da Lei 8.212/91 não estabeleceu a conceituação de atividade preponderante e dos riscos leve, médio e grave, ofendendo os princípios constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade tributária. O Recorrente aduziu, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento, por meio enunciado sumular nº 351, que a alíquota do SAT deve ser determinada em observância ao grau de risco de cada empresa ou pelo grau de risco Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 preponderante, quando a empresa desenvolver mais de uma atividade. Por fim, ressaltou que a base de cálculo para a incidência do SAT não deve incluir as remunerações dos segurados vinculados pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), por existir, naquele regime, tributação específica para financiar o custeio do acidente de trabalho. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/São Paulo decidiu manter os lançamentos efetuados, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/11/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SAT ENQUADRAMENTO DO CONTRIBUINTE A viabilidade legal do procedimento de fixação da alíquota e demais critérios legais determinantes da contribuição para o SAT, por ato do Poder Executivo, é pacificamente aceita pelas altas cortes do Poder Judiciário. Consultados os arquivos informatizados da RFB, constatase que, para efeito de inscrição no CNPJ, o Contribuinte consta ter um único estabelecimento. Acrescentese que, consultadas as GFIP, constatase que a maioria dos segurados foi enquadrada pelo Contribuinte na categoria 20 (“servidor público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão, Servidor Público ocupante de cargo temporário”), encontrandose, portanto, no exercício de atividades correspondentes ao CNAE “84116/00 Administração Pública em geral”, ao qual se aplica a alíquota de 2%, para efeito de determinação da contribuição para custeio do seguro de acidente do trabalho. RETIFICAÇÃO PARCIAL DO LANÇAMENTO A determinação da multa no lançamento fiscal relativo ao descumprimento de obrigação tributária acessória falta de inclusão de fato gerador em GFIP deve levar em conta as contribuições lançadas e não declaradas em GFIP. Em face da retificação de parte dos lançamentos realizados na mesma fiscalização, o montante da multa aplicada deve ser revisto, para refletir eventuais alterações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão acima, o Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 114 a 119, reiterando os argumentos trazidos na impugnação, ao afirmar que: (a) a lei não estabelece os conceitos de atividade preponderante e dos riscos leve, médio e grave, ofendendo os princípios constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade tributária; (b) o § 3º do art. 22 da Lei 8.212/91 prevê a possibilidade de alteração da alíquota do SAT com base nas estatísticas de acidentes de trabalho; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720198/201194 Acórdão n.º 2403001.971 S2C4T3 Fl. 136 5 (c) a atividade desenvolvida pelos empregados do Município é predominantemente burocrática e, portanto, deve ser enquadrada como de baixo grau de risco. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. No recuso ora analisado são aventados basicamente os seguintes argumentos: (a) a possibilidade de alteração da alíquota do SAT com base nas estatísticas de acidentes de trabalho e quando a atividade desenvolvida pelo empregado é predominantemente burocrática; (b) a ausência de conceituação de atividade preponderante e dos riscos leve, médio e grave, ofende os princípios constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade tributária; (c) impossibilidade de inclusão na base de cálculo do SAT das remunerações dos segurados vinculados pelo RPPS. No entanto, não assiste razão ao Recorrente, conforme será demonstrado abaixo. É sabido que a exigência da contribuição para SAT está prevista no art. 22, II da Lei nº 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. No § 3º deste mesmo dispositivo é preconizado, de forma categórica, que a alteração do enquadramento da empresa, baseado nas estatísticas de acidentes do trabalho, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720198/201194 Acórdão n.º 2403001.971 S2C4T3 Fl. 137 7 apuradas em inspeção, constitui ato atribuído pelo legislador exclusivamente ao Ministério do Trabalho e da Previdência Social. É o que se observa de forma literal do citado dispositivo: § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Utilizandose da prerrogativa outorgada pelo legislador ordinário, o Poder Executivo editou o Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, considerando que a atividade preponderante da Administração Pública em geral possui risco médio e, portanto, deveria ser tributada pela contribuição ao SAT à alíquota de 2%. Deste modo, a pretensão do Município de ser tributado à alíquota de 1% não encontra respaldo legal, na medida em que a sua atividade foi definida pelo Poder Executivo como sendo de risco médio, devendo sofrer a incidência do SAT à alíquota de 2%. Portanto, não cabe ser afastada nesta instância administrativa a aplicação da alíquota de 2% sobre a atividade exercida pelo Município Recorrente, vez que a sua definição por ato do Executivo tem base legal. Ademais, o Recorrente alega que o legislador deixou de conceituar expressões relevantes para a aplicação da norma, ora analisada, como, por exemplo, atividade preponderante, os riscos leve, médio e grave, ofendendo, assim, os princípios constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade tributária e ocasionando insegurança jurídica aos contribuintes. Tal argumento, no entanto, também não deve prosperar. Isso porque, embora a lei não defina os conceitos acima mencionados, o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99) estabelece, no art. 202, o conceito de atividade preponderante, a sua forma de definição, bem como as medidas que devem ser adotadas caso haja algum equívoco no enquadramento da atividade preponderante. Assim vejamos: [...] §3ºConsiderase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4ºA atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. [...] Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. E, em relação ao grau de risco, o decreto trouxe em seu Anexo V uma lista significativa de descrição de atividades, cada uma delas vinculada a um código e ao percentual correspondente ao grau de risco do exercício daquela atividade. Como se vê, é inconteste a existência de regulamentação quanto às questões suscitadas pelo Recorrente, de modo que não há que se falar em contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos complementares à correta aplicação da norma. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal fixou o seu entendimento: [...] o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, CF, art. II de da legalidade tributária, CF, art. 150, I e IV. 1 Verificase, portanto, que os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, já que o regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que eles são complementares e não essenciais na aplicação da norma. É importante reconhecer que o Recorrente tem razão em relação à impossibilidade de inclusão na base de cálculo da SAT das remunerações dos segurados vinculados pelo RPPS. Entretanto, o Município não comprovou que os empregados, cuja remuneração foi incluída na base de cálculo para recolhimento da contribuição ao SAT, na verdade, eram servidores e, portanto, vinculados ao RPPS. Por fim, em relação à penalidade aplicada, entendo que esta deve ser parcialmente afastada, pelas razões expostas abaixo. Conforme descrito no relatório acima, a fiscalização, com o objetivo de identificar a sistemática de aplicação de penalidade mais benéfica, efetuou a comparação da multa de mora de 24% devida na legislação anterior, somada à multa por falta de declaração em GFIP das contribuições apuradas (AI 68), com a multa de ofício correspondente a 75% do valor da contribuição apurada. Dessa comparação, chegou a fiscalização à conclusão de que, no período de janeiro a março, a multa de mora correspondente a 24%, prevista na legislação anterior, seria a mais benéfica; enquanto que, nos meses de abril a novembro de 2008, a multa de ofício de 75% seria mais benéfica, diante do que deveria retroagir. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. 1 STF, RE. Processo 343446/SC Decisão 20/03/2003, Tribunal Pleno, Relator Min. Carlos Velloso. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720198/201194 Acórdão n.º 2403001.971 S2C4T3 Fl. 138 9 No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pelo Autuante para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991; seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica”. (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari). Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.720198/201194 Acórdão n.º 2403001.971 S2C4T3 Fl. 139 11 apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% nas competências de abril a novembro de 2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada nos meses de janeiro a março de 2008, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado nos meses de abril a novembro de 2008. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, julgo parcialmente procedente o presente recurso voluntário para determinar o cancelamento da multa de ofício aplicada quanto aos meses de abril a novembro de 2008 e limitar a multa de mora aplicada nos meses de janeiro a março de 2008 a 20%. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 28/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10680.933093/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
Numero da decisão: 3201-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 93 /2 00 9- 49 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de PIS, fato gerador de 30/09/2004, com débito de CSLL. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referências, teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art.74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que a “a mera apresentação da declaração retificadora, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora.” No recurso voluntário, a Recorrente argumentou que: i. o seu direito creditório decorreria da inclusão indevida na base de cálculo de PIS e COFINS valores de medicamentos sujeitos à alíquota 0%; ii. que a DCTF retificadora teria sido aceita e processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; iii. que a Lei 9430/96 não faz quaisquer restrições à compensação, que tem natureza declaratória; iv. que o modo de processamento eletrônico da compensação obsta que sejam juntados documentos comprobatórios ao pedido, devendo o contribuinte ser intimado para comprovar o crédito, antes de seu indeferimento; v. o fato de o débito ter sido declarado em DCTF não exime o Fisco da obrigação de realizar procedimento fiscalizatório, para verificação de eventuais irregularidades e , assim, promover o lançamento de ofício; vi. não pode prevalecer o lançamento de ofício, sem prévia comprovação de inexistência de indébito. Ademais, discorre sobre a indevida inclusão na base de cálculo de valores relativos a venda de medicamentos, tributados à alíquota 0% , acostando aos autos planilha demonstrativa da recomposição da base de cálculo do tributos, no período compreendido entre 2001 e 2006. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.933093/200949 Acórdão n.º 3201001.371 S3C2T1 Fl. 94 3 Requer, assim, o procedência do recurso voluntário ou , subsidiariamente, a nulidade de decisão de 1a instância, por ser configurar a DCTF retificadora prova indiciária do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Destarte, embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando esse entendimento, quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.933093/200949 Acórdão n.º 3201001.371 S3C2T1 Fl. 95 5 Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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