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Numero do processo: 11020.007577/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2004
DECADÊNCIA.
No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovados dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IMPOSTO DE RENDA. AJUSTE ANUAL
No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada ano-calendário.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO CARF N° 28.
Cabe apenas ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionar-se sobre a procedência ou não da Representação Fiscal Para Fins Penais encaminhada pelo agente tributário.
Nesse sentido, dispõe o enunciado CARF de nº 28 que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais".
ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007.
Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que "ncidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício"
Numero da decisão: 2402-007.991
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar extinto e crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2002, uma vez que atingido pela decadência, e para cancelar a multa isolada pela falta de recolhimento do Carnê Leão, em observância à Súmula CARF nº 147.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovados dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO DE RENDA. AJUSTE ANUAL No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada ano calendário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO CARF N° 28. Cabe apenas ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação Fiscal Para Fins Penais encaminhada pelo agente tributário. Nesse sentido, dispõe o enunciado CARF de nº 28 que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 75 77 /2 00 8- 96 Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 618 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que "ncidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício" Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar extinto e crédito tributário relativo ao anocalendário de 2002, uma vez que atingido pela decadência, e para cancelar a multa isolada pela falta de recolhimento do Carnê Leão, em observância à Súmula CARF nº 147. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto de decisão que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF dos anoscalendário 2002 e 2004 em face da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior. Foi lançada a multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão e multa qualificada de 150%. O valor total do crédito tributário (imposto, juros, multa proporcional e multa exigida isoladamente) é de R$ 2.363.971,19 (fls. 614). Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 619 3 Notificado do lançamento, o recorrente apresentou impugnação tempestivamente, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/POÁ para reduzir o percentual da multa de oficio aplicada para 75% em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2005 IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Nos casos em que o contribuinte deixa de declarar os rendimentos e de proceder ao recolhimento do Imposto de Renda correspondente, sendo tais irregularidades identificadas pelo Fisco, não há que se falar em lançamento por homologação e sim, em lançamento ex oficio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ESPONTANEIDADE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Intimação regular feita ao contribuinte caracteriza o inicio do procedimento fiscal, não existindo a obrigação de haver prévio Mandado de Procedimento Fiscal, pois esse é instrumento interno de planejamento e controle. NULIDADE DO LANÇAMENTO Inexistindo atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despachos e decisões proferidos por autoridade • incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DO EXTERIOR Constatada a omissão de rendimentos percebidos no exterior e não oferecidos a tributação na declaração de ajuste anual deve ser mantido o lançamento os valores incluídos na base de cálculo. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Policia Federal e fielmente reproduzidos no processo, constituemse em elementos de prova incontestes de que o sujeito passivo efetuou remessas e/ou movimentaram recursos, no exterior. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 620 4 indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido. CARNÉLEÃO MULTA ISOLADA Não tendo sido efetuado o recolhimento mensal obrigatório (carneleão) do imposto de renda pessoa física, cabível a aplicação da multa isolada. JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. SÚMULA 1º CC Nº 4 "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte Notificado dessa decisão aos 18/05/09 (fls. 844), o recorrente apresentou recurso voluntário aos 15/06/09 (fls. 846 ss.), no qual alega, em síntese, que: nulidade do auto de infração porque o MPF foi extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Diz que MPFD foi substituído pelo MPFF fora do prazo estabelecido no MPFD e que nos termos do art. 16, p. ún. da Portaria SRF nº 3007/01, na emissão de um novo MPF não pode ser indicado o mesmo AFRF responsável pelo mandado extinto, como ocorreu no caso; que extinto o MPF, nos termos do art. 906 do RIR/99, somente seria possível novo exame em relação ao mesmo exercício mediante ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita. Cita julgados do Conselho de Contribuintes; decadência do direito de constituir os créditos tributários relativos aos onze primeiros meses do anocalendário de 2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, uma vez que Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 621 5 foi cientificado do lançamento aos 28/11/08 e o art. 173, I do CTN não pode ser aplicado ao presente caso. Entende que o fato gerador do tributo exigido é apurado mensalmente, ainda que o contribuinte esteja sujeito à declaração de ajuste anual; vício de forma na apuração do "quantum debeatur" pela indevida aplicação da multa qualificada, uma vez que não existe crime, porque todos os rendimentos do recorrente foram obtidos de forma lícita, por meio da atividade de atleta de futebol, inclusive com interveniência da FIFA; ao reduzir a multa qualificada de 150% para 75% em razão da inexistência de dolo, fraude ou simulação e manter a imputação de crime e o processo de representação fiscal para fins penais, o julgador de primeira instância pretende aperfeiçoar, de forma indireta, o lançamento por meio da manutenção de auto de infração decaído; as provas foram obtidas por meios ilícitos porque ainda que a forma de transferência de seus rendimentos para o exterior tenha sido incorreta, esse fato não tipifica crime a justificar a quebra de seu sigilo bancário, providência somente admitida se existirem indícios suficientes de crime, o que não é o caso, já que toda a sua movimentação bancária teve origem em seus rendimentos legalmente obtidos como atleta profissional; deve ser aplicado ao caso o art. 112 do CTN; a alíquota correta a ser aplicada ao caso é de 25%, conforme art. 36 da IN/SRF nº 2008/02, e não de 27,5%, pois, segundo a própria autoridade fiscal autuante, o recorrente estava ausente do país por mais de 12 meses; que houve cerceamento do seu direito de defesa porque a Intimação nº 069/2009, de 07/05/09, que deu ciência ao recorrente do acórdão, nada relatou em relação ao prazo para recurso administrativo à 2ª instância; que permaneceu fora do país por mais de 12 meses, pois recebeu rendimentos no Brasil da Associação Atlética Ponte Preta até julho/2002 e somente constam novos recebimentos do Clube Atlético Paranaense a partir de março/2004, o que demonstra que nesse interregno esteve fora do país; impossibilidade de apliacação concomitante de multa isolada e de multa de ofício, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Cita julgados do Conselho de Contribuintes; impossibilidade de cobrança de juros calculados pela taxa SELIC. Por fim, requer seja declarada a nulidade do auto de infração. Sucessivamente, requer que, no mérito, seja dado provimento ao recurso. Não houve contrarrazões. É o relatório. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 622 6 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso é tempestivo e estão presentes as demais condições de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Preliminar nulidade do auto de infração O recorrente alega que o auto de infração é nulo porque o MPF foi extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Diz que MPFD foi substituído pelo MPFF fora do prazo estabelecido naquele primeiro (o MPFD) e que nos termos do art. 16, p. q2ún. da Portaria SRF nº 3007/01, na emissão de um novo MPF não pode ser indicado o mesmo AFRF responsável pelo mandado extinto, como ocorreu no caso. Inicialmente, anotese que o procedimento fiscal teve curso na vigência da Portaria RFB de nº 11371/07, que, portanto, tratase da norma de regência, conforme, aliás, informado no próprio MPFD de nº 10.1.06.002008005713, primeiro ato da autoridade fiscal por meio do qual foi requerida ao recorrente a apresentação de documentos comprobatórios de remessas de recursos ao exterior. Esse mandado, datado de 30/07/08, tinha prazo para atendimento pelo contribuinte de 20 dias, que, no entanto, foi prorrogado por mais 30 dias por solicitação de dilação de prazo do próprio recorrente efetivado no dia 21/08/08 (fls. 207). Assim, seu prazo, que inicialmente se esgotava aos 19/08/08, foi prorrogado para o dia 18/09/2008. O recorrente atendeu à intimação em questão, todavia, apenas aos 19/09/08 (portanto, a destempo), sendo que a autoridade fiscal, mesmo assim, aceitou os documentos apresentados extemporaneamente naquela data. A análise da documentação apresentada ensejou, então, a lavratura do Termo de Início de Fiscalização (MPFF de n° 10.1.06.002008007821) datado de 23/09/2008, com prazo de cumprimento de 20 dias. A respeito desses procedimentos, dispõe a Portaria RFB de nº 11371/07, vigente à época, o seguinte: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 623 7 I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital. (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Dos arts. 2º e 3º, acima transcritos, extraise que o MPFF e o MPFD são procedimentos autônomos e independentes, com finalidades absolutamente distintas. Um MPF D até pode anteceder um MPFF, como no caso, mas não necessariamente. E de um MPFD pode ou não decorrer um MPFF. Da norma acima reproduzida extraise, à evidência, que um procedimento não depende do outro e que não há necessidade de prorrogação de um MPFD para viabilizar a instauração de um MPFF, que, aliás, somente pode ser obstada pela decadência do crédito tributário que se pretenda constituir. Nessa linha, o MPFF, como dito, foi instaurado aos 23/09/2008 com prazo de 20 dias para atendimento pelo contribuinte, ou seja, dia 13/10/08 (fls. 472). Houve, novamente, pedido de dilação de prazo por parte do recorrente, atendido pela autoridade fiscal, que lhe concedeu dilação de prazo até o dia 06/11/2008. O auto de infração ora questionado, por sua vez, foi lavrado aos 25/11/08 e notificado ao recorrente aos 28/11/08 (fls. 630), tudo, portando, dentro do prazo de 120 dias, previsto no art. 11, I da Portaria RFB de nº 11371/07, acima transcrito. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 624 8 Assim, não se há falar em extinção do MPF, seja "D" ou "F", por decurso de prazo, ou de um "segundo exame" em relação ao mesmo exercício, conforme previsto no art. 906 do RIR/99. Decadência O recorrente alega, ainda, que teria havido decadência do direito de constituir os créditos tributários por parte do Fisco relativos aos onze primeiros meses do anocalendário de 2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, uma vez que foi cientificado do lançamento aos 28/11/08 e que o art. 173, I do CTN não pode ser aplicado ao presente caso. Entende que o fato gerador do tributo exigido é apurado mensalmente, ainda que o contribuinte esteja sujeito à declaração de ajuste anual. Anotese que tanto a autoridade lançadora quanto a decisão recorrida não acataram a alegação de decadência ao fundamento de que, conforme ressalva contida no próprio § 4º do art. 150 do CTN (qual seja "salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação"), a regra aplicável, no presente caso, é a do art. 173, I do CTN, pelo que não se há falar em decadência. No entanto, como relatado, a DRJ/POÁ julgou parcialmente procedente o lançamento justamente para afastar a multa qualificada de 150% ao fundamento de que "não ficou caracterizado o evidente intuito de fraude, requisito necessário para a qualificação da multa". Desse modo, para a determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, ambos do CTN), devese verificar se houve pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial. Se o sujeito passivo antecipou o pagamento do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; não havendo concordância, deve proceder ao lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º do CTN. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco. Nesse sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, manifestado em sede de julgamento de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 625 9 fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 626 10 Neste caso concreto, conforme se verifica das DAA's dos anoscalendário de 2002 e 2004, houve retenção na fonte de imposto de renda em ambos os períodos (fls. 07 e 27, respectivamente). Assim, na verificação da decadência, deve se aplicar, então, a regra do art. 150, § 4º do CTN. No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Desse modo, o fato gerador mais remoto ocorreu aos 31/12/2002, começando nesta data a fluir o prazo decadencial de cinco anos, conforme a regra contida no art. 150, § 4º do CTN. Assim, a fiscalização teria até 31/12/07 para efetivar o lançamento. No entanto, o recorrente somente foi notificado do lançamento aos 28/11/08, pelo que no que se refere aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, efetivamente consumouse a decadêcia. Vício de forma na apuração do "quantum debeatur" e da manutenção da representação fiscal para fins penais O recorrente afirma que teria havido vício de forma na apuração do "quantum debeatur" pela indevida aplicação da multa qualificada, uma vez que não existe crime porque todos os rendimentos do recorrente foram obtidos de forma lícita, por meio da atividade de atleta de futebol, inclusive com interveniência da FIFA. Neste ponto, anotese que a imputação da multa de ofício agravada, nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9430/96, relacionase à conduta do contribuinte direcionada a omitir rendimentos e, assim, excluílos da tributação, e não à forma como esses rendimentos foram obtidos. Assim, não há vício de forma quanto ao valor do tributo lançado se, ainda que não ratificado pelo julgador de primeira instância, no entendimento da autoridade lançadora, o recorrente teria praticado uma das condutas descritas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4502/64. O recorrente também argumenta que ao reduzir a multa qualificada de 150% para 75% em razão da inexistência de dolo, fraude ou simulação e manter a imputação de crime e o processo de representação fiscal para fins penais, o julgador de primeira instância pretendeu aperfeiçoar, de forma indireta, o lançamento por meio da manutenção de auto de infração decaído. Igualmente não tem razão o recorrente. Com efeito, o procedimento de representação fiscal para fins penais decorreu do mandamento contido no art. 1º da Portaria SRF nº 665/08, vigente à época. Embora a multa qualificada tenha sido afastada pela decisão recorrida, cabe apenas ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação encaminhada pelo agente tributário. Nesse sentido, dispõe o enunciado CARF de nº 28 que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 627 11 Impossibilidade de aplicação da multa isolada e multa de ofício sobre a mesma base de cálculo. Alega o recorrente que a decisão recorrida mantém indevidamente a exigência de duas multas conforme estabelecido no lançamento: a multa de ofício (150%) sobre os valores recebidos de fontes estrangeiras e a multa isolada (50%) pelo não recolhimento do carnêleão na competência do recebimento sobre a mesma base de cálculo. A respeito dessa questão, adoto, como razões de decidir, o seguinte trecho do voto proferido pela relatora do acórdão de nº 2402005.703: Não há dúvidas quanto a impossibilidade de concomitância entre as multas mencionadas (de oficio e isolada), pois implicaria na duplicidade de sanções sobre o mesmo fato. Neste sentido, verificase que em caso análogo (Caso Guga), a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, na sessão do dia 05 de dezembro de 2008, de acordo com o Acórdão nº 10617.147, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Multa excluída. Mesmo que houvesse qualquer duvida quanto a questão em tela, a Súmula CARF nº 105 espanca a matéria: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (grifei) Verificase que a impossibilidade de cumulação das multas foi exaustivamente debatida na esfera administrativa, motivo pelo qual, uma vez consolidada em sentido favorável ao contribuinte, foi acolhida a proposição de Súmula relacionada, ocasião em que foi editada citada súmula. Desta forma, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de oficio) no presente caso, voto no sentido de excluir a parcela da multa isolada do lançamento. Da taxa SELIC O recorrente agui, ainda, a impossibilidade de cobrança de juros calculados pela taxa SELIC. A esse respeito, o entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 628 12 aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que: Enunciado CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Cerceamento do direito de defesa O recorrente afirma que teria havido cerceamento de seu direito de defesa porque a Intimação nº 069/2009, de 07/05/09, que lhe deu ciência do acórdão proferido no julgamento de sua impugnação, nada relatou em relação ao prazo para recurso administrativo à 2ª instância. Essa afirmação não procede. Com efeito, da aludida intimação consta expressamente que: Fica o interessado intimado a recolher, dentro do prazo de 30(trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do Aviso de Recebimento AR), o (s) débito(s) discriminado(s) em anexo a esta intimação. Haverá redução de 30% (trinta por cento) na(s) multa(s) lançada(s), assinalada(s) no demonstrativo, se o débito for pago no prazo supra, sendo facultado recurso ao Conselho de Contribuintes dentro do mesmo prazo. (Destacamos) Portanto, não tem razão o recorrente em sua irresignação. Demais alegações art. 57, §3º do Anexo II do RICARF Com relação aos demais argumentos trazidos pelo pelo recorrente em seu recurso voluntário, no sentido de que as provas teriam sido obtidas por meios ilícitos, que deve ser aplicado ao caso o art. 112 do CTN e que a alíquota correta a ser aplicada ao caso é de 25%, conforme art. 36 da IN/SRF nº 2008/02, e não de 27,5%, considerando que o recorrente apenas reproduziu os argumentos apresentados em sede de impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os seguintes trechos da decisão recorrida, abaixo reproduzidos, com os quais estou de pleno acordo: a) das provas Relativamente à alegação de que as provas teriam sido obtidas por meio ilicito, salientese que, conforme documentos acostados ao processo, as operações foram constatadas no decorrer das investigações de remessas monetárias para o exterior no conhecido "Caso Banestado". Estas investigações evidenciaram que diversos contribuintes brasileiros enviaram ou movimentaram divisas no exterior, à revelia das autoridades monetárias e fiscais, utilizandose de contas e subcontas titularizadas pela Digital, mantidas no MTBCBCHudson Bank de Nova Yorque e na Lespam TBL. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 629 13 Os depósitos em questão foram informados à autoridade lançadora pela Equipe Especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF n° 463/2004, por meio da Representação Fiscal n° 111/04, onde estão relacionadas as movimentações financeiras realizadas no ano de 2003 e 2004 (fls. 193/294) em que aparece o nome do autuado como ordenante/remetente da conta do Citibank para o Hudson United Bank e como beneficiário final a Digital, be como para a Lespan TBL (fls. 53/95) as quais foram relacionadas no Termo de Intimação no 001/2008 (fls. 96/98). As fls. 41/52 se encontra o "Laudo de Exame Econômico Financeiro", Laudo n° 2171/2005 — INC elaborado para cada conta ou subconta onde foram localizadas essas transações. (...) Segundo prescreve o art. 142 do CTN, combinado com o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, na atividade de lançamento, o Fisco deve verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, descrever os fatos, indicar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, instruindo o auto de infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Importante observar que no item 29 do Laudo (fls. 91) é esclarecido que as planilhas foram gravadas em um tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, tendo sido procedida, inclusive, a uma autenticação eletrônica dos arquivos. Portanto, incabível a alegação do impugnante de que as provas juntadas aos autos seriam ilícitas, tendo em vista o rigor em sua elaboração, a lisura dos peritos envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração). Ou seja: o Laudo e a mídia gravada representam fielmente todos os documentos citados no próprio Laudo, por sua vez, reproduzem até pela impossibilidade de sua alteração, conforme salientado , dados constantes da mídia. Assim, as operações de remessas e/ou movimentação de divisas registradas às fls. 54/95, constantes da mídia eletrônica elaborada pelos peritos, representam, sem dúvida, prova inconteste, e não mera presunção, de que o contribuinte, foi de fato, a pessoa física Ordenante das remessa e/ou movimentação dos recursos, conforme exame efetuado pela fiscalização. Salientese que nos documentos de fls. 54/95 consta o nome do contribuinte no campo "Originator", ou seja como Ordenante das operações, além do endereço localizado na cidade de Caxias do Sul, domicilio fiscal do autuado. Importante esclarecer que a prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 630 14 presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas, de conformidade com os arts. 131 e 332 do Código de Processo Civil [arts. 371 e 369, respectivamente, do NCPC], e o art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/296) confrontandose as transferências "domésticas" de valores constantes dos extratos bancários de contas correntes, documentos do Banco Citibank de Nova York (fls. 172 a 233), juntados pelo próprio contribuinte, com os valores transferidos para as contas da DIGITAL e LESPAN obtidas pela Justiça Federal são coincidentes, em datas e valores. Portanto, a utilização de documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do "Banestado" serviu para apurar as remessas e/ou movimentação de recursos recebidos no exterior. Todavia, com base na documentação trazida aos autos pelo impugnante constatouse que os rendimentos percebidos no exterior do clube FNERBAHÇE da Turquia não foram oferecidos a tributação. (...). b) alíquota aplicável ao caso art. 36 da IN/SRF nº 208/02 Relativamente a transferência de residência para o exterior o art. 16 do RIR199 dispõe que: "Art. 16. Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no curso de um anocalendário, além da declaração correspondente aos rendimentos do anocalendário anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da declaração de saída definitiva do Pais correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1º de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais para os fins previstos no art. 879, 1, observado o disposto no art. 855 (Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, art. 17). §1º O imposto de renda devido será calculado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva anual (art. 86), calculados proporcionalmente ao número de meses do período abrangido pela tributação no anocalendário (Lei n2 9.250, de 1995, art. 15). Grifei No caso do contribuinte não houve apresentação da Declaração de Saida Definitiva do Pais, sendo por ele apresentada a declaração de ajuste anual dos exercícios de 2003 a 2005 (fls. 8/17) bem como exerceu atividades de jogador de futebol no Brasil em parte ano de 2002 e 2004 (fl. 296) evidenciando que o contribuinte não adquiriu a condição de residente no exterior nos termos da legislação que rege a matéria. Além do mais, está comprovado nos autos que o autuado exerceu atividade remunerada como jogador de futebol nos anos de 2002 Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 11020.007577/200896 Acórdão n.º 2402007.991 S2C4T2 Fl. 631 15 e 2004 tendo em vista os rendimentos oferecidos a tributação nos exercícios correspondentes (DIRPF 2003 e 2005 em fls. 2/6 e 13/17). Salientese também que o contribuinte não trouxe qualquer documento que comprovasse de forma inequívoca que permaneceu por mais de 12 meses ininterruptos no exterior, ficando no mero terreno das alegações sem prova. Anotese que o recorrente argumenta que o fato de ter recebido rendimentos no Brasil da Associação Atlética Ponte Preta até julho/2002 e somente constarem novos recebimentos no país do Clube Atlético Paranaense a partir de março/2004 demonstraria que permaneceu fora do Brasil por mais de 12 meses. Não lhe assiste razão, no entanto. Com efeito, o fato de não ter recebido rendimentos no Brasil nesse intervalo compreendido entre julho/2002 e março/2004 pode ter decorrido de outros fatores e não do fato de ter estado ausente, de modo que não é prova cabal de que o recorrente esteve fora do país nesse período. c) art. 112 do CTN Relativamente a aplicação do disposto no art. 112 do CTN, esclareçase que a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, somente é interpretada de forma mais benéfica ao contribuinte, em caso de dúvida quanto as hipóteses previstas nos incisos I a IV do mesmo artigo. No caso, pelos elementos constantes do processo não há dúvi em qualquer das hipóteses ali previstas. Assim, no caso em tela, à vista de tudo que consta dos autos, preenche os pressupostos da legislação que rege a matéria, devendo assim, ser mantida a multa qualificada aplicada. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, esclareçase que o contribuinte comprovadamente auferiu rendimentos no exterior decorrentes de atividade desenvolvida no exterior (atleta de futebol) , portanto, estava sujeito ao recolhimento mensal obrigatório carneledo (art. 106 do RIR/99). No caso concreto, não houve qualquer recolhimento a titulo de carnêleão até porque os rendimentos foram omitidos, portanto, cabível a aplicação multa isolada prevista no parágrafo imico do art. 957 do RIR/99. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) declarar a extinção do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, nos termos do art. 156, V do CTN, e (ii) excluir do lançamento a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003093/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa:
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. No caso de subavaliação de terras o Fisco pode arbitrar o VTN com base no SIPT, podendo o autuado contestar o valor arbitrado por meio de laudo de avaliação expedido por profissional qualificado, e que atenda aos padrões técnicos
recomendados pela ABNT. Sem a apresentação de laudo com estes
requisitos, deve prevalecer o valor arbitrado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.220
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. No caso de subavaliação de terras o Fisco pode arbitrar o VTN com base no SIPT, podendo o autuado contestar o valor arbitrado por meio de laudo de avaliação expedido por profissional qualificado, e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem a apresentação de laudo com estes requisitos, deve prevalecer o valor arbitrado. Recurso negado.
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ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. No caso de subavaliação de terras o Fisco pode arbitrar o VTN com base no SIPT, podendo o autuado contestar o valor arbitrado por meio de laudo de avaliação expedido por profissional qualificado, e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem a apresentação de laudo com estes requisitos, deve prevalecer o valor arbitrado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 29/07/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório V & M FLORESTAL LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 124) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 74/82, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2001 no valor de R$ 19.975,51, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 49.535,26. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2001 da qual foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN, de R$ 555.413,00 para R$ 6.141.010,00. Conforme p relatório o VTN declarado estava subavaliado em face do Sistema de Preços de Terras, ensejando o seu arbitramento com base nos indicadores do referido sistema, conforme cálculos detalhados às fls. 76. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o Fisco interpretou equivocadamente a valoração das terras, sendo irreal o valor arbitrado com base no SIPT, maior que o do mercado de imóveis da região, desvirtuando as informações por ela prestadas na DITR; que para cálculo do VTN deve ser considerada a área utilizada pela empresa para a atividade econômica de cultura de eucaliptos, em terras de baixa qualidade (campo fraco); que o VTN ilegalmente atribuído implica a redução do grau de utilização e consequente aumento da alíquota de cálculo, com majoração absurda e inaceitável do tributo, ofendendo sua função extrafiscal. Ao final, requer a anulação do auto de infração. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A autoridade julgadora de primeira instância, a respeito das ponderações da Impugnante sobre a baixa qualidade das suas terras, observou que caberia ao Contribuinte comprovar o fato alegado mediante apresentação de documentação hábil e idônea, mas não o fez. Anotou que o arbitramento foi feito com base no SIPT, conforme orientação normativa, e que caberia ao Contribuinte infirmar esta avaliação mediante apresentação de elementos de prova de suas alegações. Registrou que, diferentemente do que foi alegado, não houve alteração no grau de utilização. Por fim, a DRJ rejeitou as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da autuação, ressaltando que a prerrogativa de examinar este tipo de alegação é exclusiva do Poder Judiciário. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 24/04/2006 (fls. 131) e, em 24/05/2006, interpôs o recurso voluntário de fls. 132/144 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. O processo foi incluído na pauta de julgamento do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara) do dia 13/08/2008 que decidiu converter o julgamento em diligência para as seguintes providências: a) o agente fiscal responsável pela autuação de fls. 01/52, explique quais os fundamentos utilizados que levaram à conclusão da correlação entre a área classificada no SIPT e as Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10675.003093/200568 Acórdão n.º 220101.220 S2C2T1 Fl. 2 3 áreas que realmente existem no imóvel fiscalizado, conforme descrito às fls. 46 para apuração do VTN; (ii) seja oficiado a Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para que informe as definições legais, devidamente fundamentadas, das aptidões agrícolas descritas no SIPT de fls. 44, quais sejam: Pastagem/Pecuária, Cultura, Campos, Matas; Cumprida a diligência, retornaram os autos. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe dor relatório, cuidase de lançamento de ITR decorrente do arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN tendo em vista a discrepância entre o valor declarado e aquele indicado pelo sistema SIPT. O Recorrente insurgese contra a autuação, em síntese, questionando o valor apurado pela autuação que diz exorbitante. Inicialmente, cumpre examinar a argüição de nulidade do lançamento. Embora o Contribuinte refirase a nulidade com argumentos que se confundem com as questões de mérito, para que não pairem dúvidas, digase que, compulsando os autos não se identificou qualquer vicio que pudesse levar a este desfecho. O procedimento fiscal e a autuação processaramse segundo as normas que regem o processo administrativo fiscal e não se verifica a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, caba analisar, inicialmente, a validade do procedimento fiscal em arbitrar o VTN. Segundo a autuação, a aplicação do SIPT como base para a autuação teve por fundamento o artigo 14 da lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Examinando o referido dispositivo esta clara a possibilidade do arbitramento nas situações em que, pela discrepância entre o valor declarado e aquele constante do sistema, que toma por base os valores médios para a região, restando caracterizada a subavaliação. Correto, portanto, o procedimento fiscal neste aspecto. Caberia ao Autuado apresentar elementos de prova que infirmassem o valor arbitrado, como laudo de avaliação, emitido com base em parâmetros técnicos válidos, e que justificassem a diferença entre o valor declarado do imóvel e a média da região; que demonstrassem as características especiais do imóvel que justificasse sua singularidade em termos de VTN. Mas nada disso foi apresentado. Por outro lado, os próprios argumentos apresentados pela defesa dão conta de que se trata de terras de boa qualidade, aptas á pratica de culturas e, portanto, avaliáveis, segundo estas características. Cumpre ressaltar também, que, em cumprimento a pedido de diligência foi esclarecidos os aspectos a respeito dos critérios para a classificação das terras adotados pela autuação, que teve por base os próprios valores declarados, e também vieram aos autos os valore do SIPT os quais, inclusive,já constavam do processo. Nesta condições penso que deve prevalecer o valor arbitrado. Conclusão Ante o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, nego provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000667/2005-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ITR ÁREAS DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXIGÊNCIA FEITA EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41 A não apresentação do Ato
Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFINIÇÃO. São áreas de
preservação permanente aquelas especificamente definidas como tal pela legislação. O fato de o imóvel estar localizado em região de um plano de zoneamento, ainda que esta localização implique em restrições ao seu uso, não caracteriza, por si só, a área como sendo de preservação permanente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXIGÊNCIA FEITA EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFINIÇÃO. São áreas de preservação permanente aquelas especificamente definidas como tal pela legislação. O fato de o imóvel estar localizado em região de um plano de zoneamento, ainda que esta localização implique em restrições ao seu uso, não caracteriza, por si só, a área como sendo de preservação permanente. Recurso negado.
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ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXIGÊNCIA FEITA EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFINIÇÃO. São áreas de preservação permanente aquelas especificamente definidas como tal pela legislação. O fato de o imóvel estar localizado em região de um plano de zoneamento, ainda que esta localização implique em restrições ao seu uso, não caracteriza, por si só, a área como sendo de preservação permanente. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 EDITADO EM: 29/07/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório ALDO ALBERTO CASTANHEIRA SILVA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 54) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 16/24, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 409.498,40, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 977.923,12. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2001 da qual foi glosada a área declarada como de preservação permanente (29.973,4ha). O fundamento da autuação foi o de que “a área de preservação permanente que foi declarada não está amparada pela documentação exigida pela legislação do ITR, ensejando a glosa da referida área e a cobrança do imposto devido, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora”. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o imóvel está totalmente inserido na zona 2 da Lei de Zoneamento do Estado de Rondônia (Lei Ambiental do Planafloro), portanto, o imóvel é totalmente de preservação permanente. Observa que o lançamento baseouse na ausência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA e do Termo de Compromisso de manutenção de Floresta Maneja, o que, argumenta, nada altera o fato de o imóvel estar inserido no Zoneamento 2. Observa também que o referido termo, de qualquer forma, foi apresentado à Receita Federal. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental é condição necessária para o gozo do benefício de isenção, e que, no caso, o Contribuinte não comprovou a apresentação do referido documento. Observou que não se discute no caso a materialidade da existência da área ambiental, mas a observância de um requisito formal exigido por lei. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/09/2006 (fls. 69) e, em 04/10/2006, interpôs o recurso voluntário de fls. 72/79 no qual reiterou, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. O processo foi incluído na pauta de julgamento do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes (Primeira Câmara) do dia 10 de julho de 2008 que decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse intimada a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Rondônia a esclarecer os seguintes pontos: a) Se a área objeto deste processo efetivamente está inserida em área de zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, nos termos da Lei Complementar Estadual 52/1991. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10240.000667/200556 Acórdão n.º 220101.208 S2C2T1 Fl. 2 3 b) Indicar qual a dimensão da área que eventualmente está inserida neste zoneamento. c) Indicar qual a classificação da área no zoneamento, indicando se a classificação referese a área de preservação permanente, de reserva legal, de utilização limitada, e neste caso, se é de interesse ecológico, nos termos da Lei Federal 9.393/96, em especial, na classificação do artigo 10°. d) Se houver possibilidade de exploração se há plano de manejo ou equivalente pelo contribuinte no ano indicado, isto é, 2.000. e) Trazer demais informações que julgar necessárias. Em cumprimento da diligência, foi intimado o órgão estadual de Rondônia que, em resposta, enviou a manifestação de fls. 134/136. Na sequência, o Contribuinte foi intimado a tomar ciência dos novos elementos carreados aos autos em decorrência da diligência e a, querendo, manifestarse sobre tais elementos, conforme intimação de fls. 139, nada tendo sido apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento de ITR decorrente da glosa da área de preservação permanente, igual á totalidade do imóvel. O Contribuinte afirma que o imóvel é constituído integralmente por área de preservação permanente por estar inserido na zona 2 da Lei de Zoneamento de Rondônia. Discutese também no processo a não apresentação do ADA. O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10240.000667/200556 Acórdão n.º 220101.208 S2C2T1 Fl. 3 5 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10240.000667/200556 Acórdão n.º 220101.208 S2C2T1 Fl. 4 7 Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Neste caso específico, o fato gerador referese ao ano de 1999 e, para período anterior a 2000, a jurisprudência do CARF já está consolidada no sentido da inexigibilidade do ADA, conforme súmula CARF nº 41, a saber: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. Discutese, todavia, a materialidade da existência da área ambiental. Embora a DRJ afirme que tal questão não está em debate, o fato é que o fundamento da autuação é a falta de comprovação da existência da área ambiental por meio de documentos hábeis e idôneos, o que por certo não diz respeito apenas aos aspectos formais. Pois bem, o Contribuinte reivindica a existência da área de preservação permanente por estar o imóvel inserido na Zona 2 do plano de zoneamento do estado de Rondônia. Ocorre que tal circunstância não caracteriza o imóvel como área de preservação permanente. Como se viu dos artigos 2º e 3º da lei nº 4.771, de 1965, acima reproduzidos, consideramse APP as áreas localizadas em determinadas posições específicas, como margens de rios, topos de morros, etc., e as áreas sob proteção especial assim definidas por ato específico do Poder Público. No caso, o simples fato de o imóvel estar localizado em região de um plano de zoneamento, ainda que esta localização implique em restrições ao seu uso, não caracteriza, por si só, a área como sendo de preservação permanente. Notese que o ITR é um imposto sobre o patrimônio, bastando para a sua incidência a titularidade de um patrimônio, definido como imóvel rural, independentemente de uma maior ou menor possibilidade de aproveitamento econômico deste patrimônio. Tal aspecto é relevante apenas para determinar o valor do imóvel. Por outro lado, a legislação prevê isenções para alguns tipos de áreas ambientais. Mas, neste caso, a situação referida pelo contribuinte não se enquadra em nenhum das hipóteses de isenção. É interessante observar, observando o plano de zoneamento do Estado de Rondônia, conforme documento encaminhado pelo Governo daquele Estado, ás fls. 134/136 que o plano se limita a definir as características de cada zona e determinar os tipos de atividades que podem ser ali desenvolvidas. Portanto, além se não ser um ato específico, relativo ao imóvel objeto da autuação, mas um ato que regulamenta, genericamente, as formas de aproveitamento das terras no Estado, essa regulamentação em momento algum define tal ou qual área como de preservação permanente. Nestas condições, portanto, penso que não assiste razão ao recorrente. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 08/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10218.720790/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PAF. MATÉRIA NÃO RECORRIDA.
Considerar-se-á não recorrida a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO APRESENTADO À FISCALIZAÇÃO. ALTERAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Mantém-se o VTN apurado conforme laudo de avaliação apresentado à fiscalização, quando não refutado por meio de novo laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos pela ABNT.
Numero da decisão: 2402-007.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à retificação da DITR, por falta de prequestionamento em sede de impugnação, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PAF. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. Considerar-se-á não recorrida a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO APRESENTADO À FISCALIZAÇÃO. ALTERAÇÃO. POSSIBILIDADE. Mantém-se o VTN apurado conforme laudo de avaliação apresentado à fiscalização, quando não refutado por meio de novo laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos pela ABNT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à retificação da DITR, por falta de prequestionamento em sede de impugnação, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 90 /2 00 7- 36 Fl. 81DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante notificação de lançamento. Notificação de Lançamento e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 11-26.316 - proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - DRJ/REC (e-fls. 55 a 62), transcrito a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/03, na qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, data do fato gerador 01/01/2004, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Piranheira”, localizado no municipio de São Felix do Xingu - PA, com área total de 9.086,3 ha, cadastrado na RFB sob o NIRF 5.896.771-O, no valor de R$ 11.592,53 (onze mil, quinhentos e noventa e dois reais e cinqüenta e três centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 28/12/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 25.740,04 (vinte e cinco mil, setecentos e quarenta reais e quatro centavos). 2. A fiscalização procedeu à glosa do valor informado a titulo de área de preservação permanente e alterou o valor da terra nua tomando por base o Sistema de Preços de Terra - SIPT. As razões destas alterações constam da “descrição dos fatos” de fls. 01- verso, 3. Cientificado do lançamento em 26/12/2007 (AR de fls. 04), o contribuinte apresentou, em 24/01/2008, por intermédio de procurador ~ instrumento de procuração à fls. 36 - a impugnação de fls. 27/35, acompanhada dos documentos de fls. 37/43, alegando, em síntese: I- que apresentou no momento oportuno a documentação expedida pelo Incra e o ADA, tendo comprovado a área de preservação permanente; II - que, em relação ao valor da terra nua, nao há qualquer interesse na subavaliação do imóvel, visto que o valor declarado é superior ao valor de compra e, além disso, será ele utilizado para apuração do ganho de capital em caso de alienação, a teor do disposto no art. 19 da Lei n° 9.393/1996. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa segue transcrita (e-fls. 55 a 62): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Devem ser excluídas da área total do imóvel, para fins de cálculo da área tributável, as áreas de preservação permanente, quando restar comprovado o protocolo de requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama dentro do prazo previsto na legislação. EXIGÊNCIA DO ADA. DETERMINAÇÃO LEGAL. A exigência de ADA para fins de redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR decorre de determinação expressa de lei. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TOMANDO POR BASE O SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. Fl. 82DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 A base de cálculo do ITR é o valor da terra nua apurado pela fiscalização, tomando por base o Sistema de Preços de Terras aprovado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando este for muito superior ao valor informado na DITR e o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação procedente em parte. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, repisando os argumentando apresentados na impugnação, cuja essência, em síntese, traz de relevante para a solução da presente lide (e-fls. 69 a 71): 1. A DITR foi apresentada incorretamente, razão por que, para o recálculo do referido imposto, devem ser consideradas: a) área total do imóvel: 4.417,0 ha; b) área de preservação permanente: 250 ha; c) área de reserva legal: 3.533,6 ha; d) área ocupada com benfeitorias: 10,0 ha; e) área de exploração extrativa: 623,4 ha; e) valor da terra nua: R$ 441.700,00; 2. Por fim, pede a reforma da decisão recorrida e a retificação da DITR, para fins de recálculo do citado imposto. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 24/7/09 (e- fl. 66), e a Peça recursal foi recebida em 21/8/09 (e-fl. 69), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Contextualização da autuação Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (e-fl. 4), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 02 Área de Preservação Permanente (ha) 800,00 00,0 17 Valor Total do Imóvel (R$) 245.330,10 1.078.630,00 Fl. 83DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 Matéria não prequestionada Na impugnação, o Contribuinte discorda parcialmente da revisão de sua declaração, nada se referindo à retificação da DITR para considerar matéria não objeto da autuação. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva, não se sujeitando a recurso na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Confirma-se: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n' 9.532/97). Matéria não recorrida O Recorrente discorda parcialmente da decisão recorrida, não se insurgindo contra a glosa parcial da APP, da qual foi afastada a glosa de 250,0 ha, que consta no ADA apresentado tempestivamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. Mais precisamente, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo Sujeito Passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confira-se: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifo nosso) Arrematando o que está posto, conforme se vê na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciando-se o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicando-se, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Delimitação da lide Consoante visto no relatório, já que o Sujeito Passivo não se insurgiu contra a APP decidida na origem, como também por ter faltado prequestionamento a quo quanto à Fl. 84DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 retificação da DITR, restou em litígio apenas o arbitramento do VTN mediante os preços constantes do SIPT – Sistema de Preços de Terra. Posta assim a questão, passo à análise da lide suscitada. Mérito VTN - Arbitramento com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT De inicio, vale registrar que o VTN submetido a julgamento foi arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT apurado para o respectivo município, levando-se em conta a aptidão agrícola do imóvel (e-fl. 54). A matriz legal que ampara reportado procedimento - arbitramento baseado nas informações do SIPT - está contida no nos art. 14, § 1º. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Confira-se: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(grifo nosso) Lei nº 8.629, de 1993 (antes da MP nº 2.183-56, de 2001): Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: [...] II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Lei nº 8.629, de 1993 (alterada peal MP nº 2.183-56, de 2001): Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. [...] Fl. 85DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 § 3 o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. No cumprimento do dispositivo legal supracitado, foi editada a Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, aprovando o Sistema de Preços de Terra (SIPT), que tem por objeto dispor os valores de terra necessários, quando for o caso, ao arbitramento do VTN. Sua alimentação se dará a partir dos levantamentos realizados pelas secretarias de agricultura estaduais ou municipais, levando-se em consideração as peculiaridades dos correspondentes imóvel e município pesquisados. Registre-se que este Conselho vem decidindo pela possibilidade de utilização do VTN calculado a partir das informações do SIPT, quando observado o requisito legal da aptidão agrícola do referido imóvel. Contudo, o Recorrente poderá refutá-lo mediante laudo de avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade julgadora, no qual deverão estar presentes os requisitos mínimos exigidos pelas normas técnicas (NBR 14.653-1 e NBR 14.653-3), definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os quais destacamos na sequência. NBR 14.653-1 Trata-se da Parte 1 - Procedimentos gerais, que fixa os requisitos básicos da avaliação de bens, como também determina as formalidades para a elaboração do correspondente laudo de avaliação. Dela, transcrevemos definições relevantes e mandamentos de cumprimento obrigatório para a aceitação do laudo apresentado: 3 Definições Para os efeitos desta parte da NBR 14653, aplicam-se as seguintes definições: [...] 3.5 avaliação de bens: Análise técnica, realizada por engenheiro de avaliações, para identificar o valor de um bem, de seus custos, frutos e direitos, assim como determinar indicadores da viabilidade de sua utilização econômica, para uma determinada finalidade, situação e data. [...] 3.8 campo de arbítrio: Intervalo de variação no entorno do estimador pontual adotado na avaliação, dentro do qual pode-se arbitrar o valor do bem, desde que justificado pela existência de características próprias não contempladas no modelo. [...] 3.19 engenheiro de avaliações: Profissional de nível superior, com habilitação legal e capacitação técnico-científica para realizar avaliações, devidamente registrado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA. [...] 3.24 homogeneização: Tratamento dos preços observados, mediante a aplicação de transformações matemáticas que expressem, em termos relativos, as diferenças entre os atributos dos dados de mercado e os do bem avaliando. [...] 3.29 laudo de avaliação: Relatório técnico elaborado por engenheiro de avaliações em conformidade com esta parte da NBR 14653, para avaliar o bem1). [...] Fl. 86DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 3.32 modelo de regressão: Modelo utilizado para representar determinado fenômeno, com base numa amostra, considerando-se as diversas características influenciantes. [...] 3.34 parecer técnico: Relatório circunstanciado ou esclarecimento técnico emitido por um profissional capacitado e legalmente habilitado sobre assunto de sua especialidade. [...] 3.43 tratamento de dados: Aplicação de operações que expressem, em termos relativos, as diferenças de atributos entre os dados de mercado e os do bem avaliando. 3.44 valor de mercado: Quantia mais provável pela qual se negociaria voluntariamente e conscientemente um bem, numa data de referência, dentro das condições do mercado vigente. [...] 7.4 Coleta de dados [...] 7.4.1 Aspectos Quantitativos É recomendável buscar a maior quantidade possível de dados de mercado, com atributos comparáveis aos do bem avaliando. 7.4.2 Aspectos Qualitativos Na fase de coleta de dados é recomendável: a) buscar dados de mercado com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliando; b) identificar e diversificar as fontes de informação, sendo que as informações devem ser cruzadas, tanto quanto possível, com objetivo de aumentar a confiabilidade dos dados de mercado; c) identificar e descrever as características relevantes dos dados de mercado coletados; d) buscar dados de mercado de preferência contemporâneos com a data de referência da avaliação. 7.4.3 Situação mercadológica Na coleta de dados de mercado relativos a ofertas é recomendável buscar informações sobre o tempo de exposição no mercado e, no caso de transações, verificar a forma de pagamento praticada e a data em que ocorreram. [...] 7.7 Identificação do valor de mercado 7.7.1 Valor de mercado do bem A identificação do valor deve ser efetuada segundo a metodologia que melhor se aplique ao mercado de inserção do bem e a partir do tratamento dos dados de mercado, permitindo-se: a) arredondar o resultado de sua avaliação, desde que o ajuste final não varie mais de 1% do valor estimado; b) indicar a faixa de variação de preços do mercado admitida como tolerável em relação ao valor final, desde que indicada a probabilidade associada. 7.7.2 Diagnóstico do mercado O engenheiro de avaliações, conforme a finalidade da avaliação, deve analisar o mercado onde se situa o bem avaliando de forma a indicar, no laudo, a liquidez deste bem e, tanto quanto possível, relatar a estrutura, a conduta e o desempenho do mercado. [...] Fl. 87DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 8 Metodologia aplicável 8.1 Generalidades [...] 8.1.2 Esta parte da NBR 14653 e as demais partes se aplicam a situações normais e típicas do mercado. Em situações atípicas, onde ficar comprovada a impossibilidade de utilizar as metodologias previstas nesta parte da NBR 14653, é facultado ao engenheiro de avaliações o emprego de outro procedimento, desde que devidamente justificado. NBR 14.653-3 Trata-se da Parte 3 - Imóveis rurais, detalhando as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais, inclusive, quando é o caso, ressaltando a obrigatoriedade do cumprimento de disposições específicas constantes na norma técnica tratada precedentemente (NBR 14.653-1). No dito cenário, tal como na “Parte 1”, a validade do reportado laudo está condicionada ao fiel cumprimento dos seus requisitos essenciais, quais sejam: 7 Atividades básicas [...] 7.3.1 Caracterização da região a) aspectos físicos: relevo e classes de solos predominantes, ocupação existente e tendências de modificação a curto e médio prazos, clima, recursos hídricos; b) aspectos ligados à infra-estrutura pública, como canais de irrigação, energia elétrica, telefonia, sistema viário e sua praticabilidade durante o ano agrícola; c) sistema de transporte coletivo, escolas, facilidade de comercialização dos produtos, cooperativas, agroindústrias, assistência técnica agrícola, sistemas de armazenagem de produtos e insumos, comércio de insumos e máquinas agrícolas e rede bancária; d) estrutura fundiária, vocação econômica, disponibilidade de mão-de-obra; e) aspectos ligados às possibilidades de desenvolvimento local, posturas legais para o uso e a ocupação do solo, restrições físicas e ambientais condicionantes do aproveitamento. [...] 7.4 Pesquisa para estimativa do valor de mercado [...] 7.4.3 Levantamento de dados [...] 7.4.3.2 Observar o disposto em 7.4.2 da ABNT NBR 14653-1: 2001. 7.4.3.3 O levantamento de dados constitui a base do processo avaliatório. Nesta etapa, o engenheiro de avaliações investiga o mercado, coleta dados e informações confiáveis preferencialmente a respeito de negociações realizadas e ofertas, contemporâneas à data de referência da avaliação, com suas principais características econômicas, físicas e de localização. As fontes devem ser diversificadas tanto quanto possível. A necessidade de identificação das fontes deve ser objeto de acordo entre os interessados. No caso de avaliações judiciais, é obrigatória a identificação das fontes. [...] 7.4.3.5 No uso de dados que contenham opiniões subjetivas do informante, recomenda-se: a) visitar cada imóvel tomado como referência, com o intuito de verificar todas as informações de interesse; Fl. 88DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 b) atentar para os aspectos qualitativos e quantitativos; c) confrontar as informações das partes envolvidas, de forma a conferir maior confiabilidade aos dados coletados. 7.4.3.6 Os dados de mercado devem ter suas características descritas pelo engenheiro de avaliações até o grau de detalhamento que permita compará-los com o bem avaliando, de acordo com as exigências dos graus de precisão e de fundamentação. [...] 7.4.3.8 Somente são aceitos os seguintes dados de mercado: a) transações; b) ofertas; c) opiniões de engenheiro de avaliações ligados ao setor imobiliário rural; d) opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural; e) informações de órgãos oficiais. 7.5 Diagnóstico do mercado Reportar-se a 7.7.2 da ABNT NBR 14653-1:2001. [...] 7.8 Identificação do valor de mercado 7.8.1 Reportar-se a 7.7.1 da ABNT NBR 14653-1:2001. [...] 9 Especificação das avaliações [...] 9.1.2 No caso de insuficiência de informações que não permitam a utilização dos métodos previstos nesta Norma, conforme 8.1.2 da ABNT NBR 14653-1:2001, o trabalho não será classificado quanto à fundamentação e à precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da ABNT NBR 14653-1:2001. 9.1.3 [...] As avaliações de imóveis rurais devem ser serão especificadas, segundo sua fundamentação, conforme os critérios de 9.2 e 9.3. 9.2 Quanto à fundamentação [...] 9.2.3.5 É obrigatório nos graus II e III o seguinte: a) a apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados; b) no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados; c) a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem; d) que, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. [...] 10 Procedimentos específicos 10.1 Terras nuas 10.1.1 Na avaliação das terras nuas, deve ser empregado, preferivelmente, o método comparativo direto de dados de mercado. Fl. 89DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 10.1.2 É admissível na avaliação a determinação do valor da terra nua a partir de dados de mercado de imóveis com benfeitorias, deduzindo-se o valor destas. [...] 11 Apresentação de laudos de avaliação [...] 11.1 O laudo completo deve incluir: a) identificação da pessoa física ou jurídica ou seu representante legal que tenha solicitado o trabalho; b) objetivo (exemplo: valor de mercado ou outro valor) e finalidade (exemplo: garantia, dação em pagamento, venda e compra) da avaliação; c) pressupostos, conforme 7.2.2 da ABNT NBR 14653-1:2001, ressalvas e fatores limitantes; d) roteiro de acesso ao imóvel: - planta esquemática de localização; e) descrição da região, conforme 7.3.1. f) identificação e caracterização do bem avaliando, conforme 7.3.2: - data da vistoria; descrição detalhada das terras (7.3.2.2), construções, instalações (7.3.2.3) e produções vegetais (7.3.2.4); - descrição detalhada das máquinas e equipamentos (7.3.2.6), obras e trabalhos de melhoria das terras (7.3.2.5); - classificação conforme seção 5; g) indicação do(s) método(s) utilizado(s), com justificativa da escolha; h) pesquisa de valores, atendidas as disposições de 7.4; - descrição detalhada das terras dos imóveis da amostra, conforme 5.2.1; i) memória de cálculo do tratamento utilizado; j) diagnóstico de mercado; k) data da vistoria, conclusão, resultado da avaliação e sua data de referência; l) especificação da avaliação, com grau de fundamentação e precisão; m) local e data do laudo; n) qualificação legal completa e assinatura do(s) profissional(is) responsável(is) pela avaliação. Do que se viu, resta verificar se consta, nos autos, avaliação que atenda aos requisitos estipulados em ditas normas técnicas. No contexto, citada apreciação, necessariamente, deve se basear em dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado. Ademais, há de se aplicar tratamento estatístico nos dados coletados, adotando-se, conforme conveniente ao caso, análise de regressão ou homogeneização, nos termos dispostos nos anexos A e B da NBR 14.653-3 respectivamente, apurando-se o VTN do respectivo imóvel, a preço vigente no mercado na data do correspondente fato gerador, aí se referenciando um intervalo de confiança mínimo e máximo de 80% (oitenta por cento). Registre-se que o Contribuinte não apresentou o aludo de avaliação contendo os requisito anteriormente apontados, razão por que o VTN apurado pela fiscalização, a partir das informações do SIPT, deverá permanecer inalterado, nos exatos termos decididos na origem. Fl. 90DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-007.781 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.720790/2007-36 Conclusão Ante o exposto, conheço PARCIALMENTE do recurso, não se acolhendo a pretensão de retificação da DITR, já que citado pleito não foi prequestionado em sede de impugnação. Na parte conhecida, NEGO-LHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001131/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do antigo CPC (art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). Entendimento sumulado (Súmula CARF nº 91). Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Numero da decisão: 1402-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, i) afastar a decadência; e, ii) determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem a fim de que seja analisado o mérito do pedido do contribuinte em face de toda a documentação já acostada aos autos e os sistemas de informações internos da RFB.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do antigo CPC (art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). Entendimento sumulado (Súmula CARF nº 91). Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, i) afastar a decadência; e, ii) determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem a fim de que seja analisado o mérito do pedido do contribuinte em face de toda a documentação já acostada aos autos e os sistemas de informações internos da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 11 31 /2 00 3- 51 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 56 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 57 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório (fls. 170/173) que negou o pedido de restituição e não homologou a compensação, devido ao decurso do prazo decadencial de cinco anos do direito créditório relativo a recolhimento a maior de PIS, COFINS e IRRF do mês de julho do anocalendário de 1994, devido a aplicação erronia da legislação. Sustenta a interessada que tais recolhimentos foram efetuados em julho de 1994, com atualização de valores de acordo com a Lei no 8.541/1992 e não como determinado pela Medida Provisória n° 542/94, convertida na Lei n° 9.065/1995, caracterizando pagamento a maior passível de restituição. Anexadas cópias dos DARF as fls. 163 à 169. Posteriormente, em 07/11/2003, foi transmitido o PER/DCOMP n° 21063.03709.071103.1.3.043003 (fls. 174/177), declarado o débito de COFINS, código de receita: 21721, período de apuração: outubro de 2003, no valor de R$ 23.927,73, para compensação com o crédito pleiteado neste processo, no valor originário de R$ 9.036,15, totalmente utilizado. Em seguida, foi proferido r. Despacho Decisório, entendendo que não procedem os pedidos de restituição efetuados após cinco anos da data do pagamento, uma vez que o referido direito já foi atingido pelo instituto da decadência. Vejamos a ementa. Despacho Decisório Assunto: Pedido de Restituição Ementa: Pedido de Restituição pagamento a maior. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. PEDIDO INDEFERIDO. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. A Recorrente ofereceu impugnação alegando que não ocorreu a decadência, eis que deve ser aplicado o prazo de 10 anos, ou seja a tese dos 5 mais 5 anos. Em seguida, foi proferido v. acórdão mantendo o r. Despacho Decisório, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 58 4 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Para fins de interpretação do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, o termo inicial de contagem do prazo de cinco anos ao exercício do direito a pleitear restituição ou compensação ocorre no momento da extinção do credito tributário ou do pagamento do tributo e não após a homologação deste pagamento. Entendimento sedimentado pelo art. 3' da Lei Complementar n° 118/2005. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 59 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. A Recorrente pleiteou em 28/02/2003 a restituição dos valores relativos a pagamento a maior de PIS, COFINS e IRRF do mês de julho do anocalendário de 1994 e, posteriormente apresentou em 07/11/2003 (PER/DCOMP) compensação com débitos de COFINS. Os créditos tributários relativos ao pagamento a maior que a Requerente pretende restituir são derivados de PIS, COFINS e IRRF, cujo o marco inicial segundo o r. Despacho Decisório e o v. acórdão recorrido é 07/1994. Sendo assim, o tema principal da lide consiste em analisar a possibilidade do pedido de restituição e o reconhecimento do direito creditório, antes de se verificar o pedido de compensação do respectivo crédito. Vejamos. O v. acórdão da DRJ, que acompanhou o r. Despacho Decisório de origem, negou provimento ao pedido de restituição do Recorrente sob o argumento de que o prazo para pleitear restituição de indébito tributário encerrase após 5 anos contados da data do pagamento indevido, tendo ocorrido, portanto, no presente caso, suposta decadência do pedido de restituição, nos termos do art. 168, I, do CTN. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos 1 e 11 do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Ocorre que o STF, no RE nº 566.621RS, bem como o Superior Tribunal de Justiça STJ, no REsp nº1.269.570MG, já se manifestaram considerando que quanto aos pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da LC 118/2005, devese aplicar o prazo decadencial de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5+5 (cinco para homologar nos termos do artigo 150, parágrafo quarto, mais cinco para repetir nos termos do artigo 168, inciso I ambos do CTN). Nesse sentido, resta nítida a divergência entre o posicionamento da DRJ de origem e o entendimento firmado pelo STF sobre a matéria, diante do que, tendo em vista o art. 62A do RICARF, deve se preservar o mérito sedimentado pelo STF, de modo que o posicionamento deste E. Conselho Fiscal reproduza o entendimento firmado pelo Pretório Excelso. Acerca da matéria, observese o manifesto entendimento deste E. Conselho: Acórdão n. 9303002.214 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 60 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/1989 A 31/03/1992. FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER 0 DIREITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar n° 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Acórdão n. 2802002.944 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DATA DO FATO GERADOR: 31/12/1989, 31/12/1990. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.° 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.° 118, de 2005, aplicase a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados a partir deste termo inicial, o prazo aplicável é de cinco anos, contado do pagamento indevido. Por outro lado, nos casos de ações e/ou pedido protocolados antes da citada data, ausente a homologação expressa do lançamento, o prazo é de cinco anos a contar do fato gerador, acrescido de mais cinco anos. No caso do caso dos autos, o pedido foi feito antes da entrada em vigor do art. 3º da lei Complementar 118/2005, porém após o interstício decenal o que impede que o mérito seja apreciado. Entendimento do STF que deve ser reproduzido por força da norma prevista no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Efeito que se estende à declaração de compensação. Vejam D. Julgadores, a matéria dos autos já foi analisa por este E. CARF/MF diversas vezes, conforme ementas acima colacionadas, tendo sido inclusive editada a Súmula Carf numero 91 sobre o assunto. “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13804.001131/200351 Acórdão n.º 1402004.260 S1C4T2 Fl. 61 7 Sendo assim, temse esclarecido que, no presente caso, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 10 (dez) anos da extinção do crédito tributário, conforme entendimento sedimentado pelo STF e reproduzido veementemente por esse E. Conselho Fiscal. Verificase, pois, que não restou configurada a decadência do direito pleiteado, posto que se trata de crédito oriundo de recolhimento feito no anocalendário de 1994 (07/1994) e o pedido de restituição foi protocolizado em 28/02/2003, não havendo a perfectibilização do prazo decadencial de 10 anos. Nesta toada, determino o retorno dos autos para a delegacia de origem para analisar, no mérito, o pedido de restituição formulado. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, conforme razões acima apresentadas, para determinar o retorno dos autos para a Unidade de Origem a fim de que, superada a decadência para pleitear a restituição, seja analisado o mérito do pedido do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 321DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000742/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECADÊNCIA
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo
decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é
atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
Com efeito, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da
Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos
conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que, na hipótese de não haver antecipação do pagamento do imposto de renda o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: “o
dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733 STJ).
Assim, no caso dos autos, como houve antecipação de pagamento do imposto de renda deve-se aplicar a regra do § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-001.446
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para afastar o lançamento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Com efeito, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que, na hipótese de não haver antecipação do pagamento do imposto de renda o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733 STJ). Assim, no caso dos autos, como houve antecipação de pagamento do imposto de renda devese aplicar a regra do § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para afastar o lançamento. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 351.700,98, calculados até 24/02/2006. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 119/135), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Das preliminares DECADÊNCIA. O auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 04/04/2006 e alcançou os depósitos bancários realizados no anocalendário de 2000 estando, portanto, fulminado pela decadência. Não mais se discute que o regime jurídico do lançamento por homologação alcança o imposto de renda das pessoas físicas, não havendo prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência deve ser aferida pela regra do § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000742/200612 Acórdão n.º 220101.446 S2C2T1 Fl. 2 3 SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA. Com a publicação da Lei Complementar nº 105/2001, a Administração Tributária se imaginou autorizada a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes sem prévia determinação judicial. Todavia, a legalidade dessa Lei é questionável, já que o sigilo bancário tem tutela constitucional. Só o poder Judiciário pode determinar sua quebra. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E NEGATIVA DA VIGÊNCIA À LEI Nº 9.311/96. O fisco pretende aplicar a questionada lei retroativamente. No caso, para alcançar o anocalendário de 2000, ferindo frontalmente o princípio da irretroatividade das leis. No ano de 2000 também estava em plena vigência o art. 11, da Lei nº 9.311/96, cujo parágrafo 3º vedava expressamente a utilização, para constituição de outros créditos tributários, de dados bancários obtidos a partir das informações da CPMF. Se a Lei 10.174/01 revogou a antiga, a eficácia da lei revogadora só pode ser marcada para o futuro. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fisco considerou como existente um único fato gerador em 31/12/2000, o que foi suficiente para configurar a decadência do lançamento expedido em 04/04/2006. Todavia, no rigor técnico, neste tipo de autuação, cada mês corresponde a um fato gerador, o que torna ainda indiscutível a decadência suscitada. O § 1º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, é claro ao determinar que os valores tidos como receita ou rendimentos auferidos e omitidos pelo contribuinte deverão ser apurados mensalmente. Do mérito DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO SUSTENTAM A PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal, criada pela Lei nº 9.430/96, encontra sérios obstáculos técnicos para sua instituição e concreção. A presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador. É inquestionável que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial proveniente dessa operação. A Súmula 182, do extinto TFR, demonstra quanto é precipitada a tentativa de se elevar os simples depósitos ao plano de presunção de receitas omitidas. Os depósitos bancários do contribuinte poderiam ser, no máximo, o marco inicial de investigação, mas nunca seu ato final, vez que os valores depositados podem estar relacionados com operações de natureza completamente diversa da imaginada pelo Auditor Fiscal e podem não significar renda auferida. NÃO EXCLUSÃO DOS VALORES MÍNIMOS. O inciso II, do § 3º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 4º da Lei 9.481/97, determina que, no caso de pessoa física, devem ser excluídos os depósitos inferiores a R$ 12.000,00, desde que seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 de R$ 80.000,00. Este dispositivo não foi observado, uma vez que os depósitos em valores inferiores a essas cifras, em diversos Bancos, não foram excluídos da base de cálculo do questionado lançamento de ofício. DESCONSIDERAÇÃO DAS SOBRAS DE RECURSOS DOS MESES ANTERIORES. Conforme decisões do Conselho de Contribuintes, as sobras de recursos de um mês deverão ser aproveitadas para justificativa de valores do mês subseqüente (transcreve ementa de acórdão). Requer seja reconhecida a nulidade do lançamento de ofício. A 8ª Turma da DRJ – São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I, do CTN). SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IRRETROATIVIDADE DA LEI. NEGATIVA À LEI Nº 9.311/96 Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art.144, § 1º do CTN). A Lei Complementar nº 105/2001 e a Lei nº 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DO CRITÉRIO TEMPORAL DA INCIDÊNCIA DO IRPF. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000742/200612 Acórdão n.º 220101.446 S2C2T1 Fl. 3 5 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DOS VALORES MÍNIMOS DE DEPÓSITOS. Devem ser excluídos os depósitos/créditos de valores inferiores a R$ 12.000,00, desde que seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Inciso II, do § 3º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 4º, da Lei nº 9.481/97. As verificações e os limites acima referemse ao conjunto de contas de depósito e de investimentos do contribuinte Intimado da decisão de primeira instância em 12/09/2008 (fl. 163), Fábio Beretta Rossi apresenta Recurso Voluntário em 29/09/2008 (fls. 165/189), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Como visto, o auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 04/04/2006 e alcançou os depósitos bancários realizados no anocalendário de 2000. Assim, ainda que se admita que o fato gerador correspondente aos depósitos bancários mensais tenha se materializado no último dia do anocalendário (31/12/2000), e não nos respectivos meses autuados, o questionado lançamento está fulminado pela decadência, tendo em conta que o termo inicial dessa causa extintiva, também na pessoa física, é definido pela data de ocorrência do fato gerador. Extinto, portanto, nos termos do artigo 156, V, do CTN, o crédito fazendário discutido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A matéria que chega à apreciação deste Colegiado referese à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2000. Preliminarmente, alega o recorrente a ocorrência da decadência em relação aos créditos tributários do anocalendário de 2000, pois, segundo seu ponto de vista, “... ainda que se admita que o fato gerador correspondente aos depósitos bancários mensais tenha se materializado no último dia do anocalendário (31/12/2000), e não nos respectivos meses autuados, o questionado lançamento está fulminado pela decadência...”. De início, cabe o registro que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o § 4º do art. 150, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o lançamento por homologação se consolida quando o sujeito passivo identifica a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável e, conseqüentemente, o montante do tributo devido. Ressaltese que, no tocante a decadência, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010 (Publicada no em 22/12/2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em relação aos tributos lançados por homologação temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000742/200612 Acórdão n.º 220101.446 S2C2T1 Fl. 4 7 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Resumindo, nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, supracitado. Contudo, na hipótese de não haver antecipação do pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, verificase à fl. 30 que houve antecipação de pagamento do imposto de renda e desta feita, há de se aplicar a regra do § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Com efeito, durante o anocalendário o sujeito passivo submete à tributação os rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da Declaração de Ajuste Anual, ou seja, no encerramento do anocalendário. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído, por ser do tipo complexo (complexivo), completando, desta feita, no último dia do ano. Portanto, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2000 perfez se em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2001 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2005. Destarte, de acordo com o entendimento do STJ (Recurso Especial nº 973.733 SC 2007/01769940, julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008), como o recorrente foi cientificado do auto de infração em 04/04/2006, fl.118, o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000, já havia sido atingido pela decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000742/200612 Acórdão n.º 220101.446 S2C2T1 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10865.000742/200612 Recurso nº: 170.707 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.446. Brasília/DF, 18 de janeiro de 2012 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002615/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIDO.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Valor de alçada modificou para R$2.500.000,00. Caso o valor exonerado ao contribuinte seja inferior ao valor de alçada, não se conhece do Recurso de Ofício.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Levando-se em consideração a análise da documentação que instrui o processo administrativo, minuciosamente analisada pelos julgadores da DRJ, verifica-se que a retificação realizada pelo Acórdão de Impugnação, com consequente exclusão de diversos valores da base de cálculo do lançamento foi devida.
Recurso de Oficio Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-006.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Juliana Marteli Fais Feriato, Fernanda Melo Leal, e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIDO. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Valor de alçada modificou para R$2.500.000,00. Caso o valor exonerado ao contribuinte seja inferior ao valor de alçada, não se conhece do Recurso de Ofício. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Levando-se em consideração a análise da documentação que instrui o processo administrativo, minuciosamente analisada pelos julgadores da DRJ, verifica-se que a retificação realizada pelo Acórdão de Impugnação, com consequente exclusão de diversos valores da base de cálculo do lançamento foi devida. Recurso de Oficio Negado Crédito Tributário Exonerado
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CONHECIDO. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica- se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Valor de alçada modificou para R$2.500.000,00. Caso o valor exonerado ao contribuinte seja inferior ao valor de alçada, não se conhece do Recurso de Ofício. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Levando-se em consideração a análise da documentação que instrui o processo administrativo, minuciosamente analisada pelos julgadores da DRJ, verifica-se que a retificação realizada pelo Acórdão de Impugnação, com consequente exclusão de diversos valores da base de cálculo do lançamento foi devida. Recurso de Oficio Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 26 15 /2 00 7- 26 Fl. 8764DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 (documento assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Juliana Marteli Fais Feriato, Fernanda Melo Leal, e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratam-se de Recursos Voluntário (fls. 8190/8232) e de Ofício interpostos contra decisão de Primeira Instância que julgou procedente em parte o lançamento referente aos valores não retidos e recolhidos pelo contratante de serviços mediante cessão de mão de obra, cuja a Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007 CONSTRUÇÃO CIVIL, EMPREITADA PARCIAL. RETENÇÃO DE 11%. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra e empreitada responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas (artigo 31, caput, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998). DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo decadencial relativamente a parte do lançamento, o Fisco resta impedido de exigir a parte lançada fora do prazo de decadência previsto no CTN. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Excluem-se do lançamento, em4função das provas trazidas aos autos, os valores equivocadamente considerados na base de cálculo da retenção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta no Auto de Infração (NFLD/DEBCAD 37.020.339-9), o presente lançamento, no valor de R$ 9.410.716,28 acrescido de encargos moratórios, diz respeito às contribuições devidas a cargo da empresa contratante, relativo à retenção determinada pelo art. 31 da Lei 8.212/1991 de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de empreitada parcial em Construção Civil. O lançamento foi efetuado em 08/06/2007. A Contribuinte foi devidamente intimada, tendo apresentado Impugnação nos autos às fls. 825/839, acompanhado de documentação. Fl. 8765DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 A 15ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu em 02/12/2009 o Acórdão de n. 12-27.485, no qual foram excluídos do lançamento os valores relativos ao período de apuração consistente de 01/02/1999 até 31/05/2002, inclusive, pelo reconhecimento da decadência parcial pelo artigo 150, §4º do CTN. Também foram excluídos valores que comprovadamente não se referiam a cessão de mão de obra e, portanto, os serviços não estavam sujeitos à retenção. Desta forma, manteve-se em parte o crédito tributário lançado, retificado no valor de R$4.543.247,43, acrescido dos encargos legais a serem calculados no momento de emissão da guia de recolhimento, conforme o Discriminativo Analítico de Débito Retificado — DADR juntado nas fls. 7941/8125. Considerando que o valor exonerado pela DRJ do Auto lançado foi superior à R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), recorreu-se de ofício, à este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei n. 10.522/02, e de acordo com o art. 10 da Portaria MF no 03/2008. O Contribuinte também apresentou Recurso Voluntário, no qual requer: Constatação da decadência também para o mês de 06/2002, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, considerando que a intimação da Contribuinte se deu em 07/2007; Nulidade dos autos, pois foi lançado de forma a contrariar os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, sendo que a Fiscalização não teria demonstrado de forma clara e precisa, nos termos do art. 37 da Lei 8.212/1991, haver atraso por parte das empresas prestadoras dos serviços no recolhimento de suas contribuições previdenciárias e qual o valor das contribuições em atraso (falta de individualização das empresas prestadoras serviços, sendo que a FLEXIBRAS não pode ser responsável pela retenção e recolhimento de valores que se refiram a contratos com a TECHNIP, pois são empresas distintas independentemente da formação de grupo econômico; Nulidade dos autos, pois o lançamento se baseou em aferição indireta, mas sem o atendimento dos condicionantes para tal, previstos nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991, o que o tornaria nulo. A retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/1991 constitui mera obrigação acessória da contratante de fazer o recolhimento da antecipação das contribuições previdenciárias das prestadoras, não constituindo contribuição própria da empresa contratante, daí não caber o lançamento. Foram empregados no lançamento valores de notas fiscais que não seriam objeto de retenção, pois se referem a: a compra de materiais (cerca de 35% da base de cálculo considerada); as vendas de produtos da própria FLEXIBRAS, cujos valores foram extraídos da conta de valores a receber de clientes; os serviços de empreitada total, não sujeitos à retenção, nos termos do art. 176, II da IN SRP 03/2005; os Fl. 8766DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 serviços prestados por optantes do SIMPLES Sistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, no 111 período de 01/01/2000 a 31/08/2002 (e, portanto, não sujeitos à retenção, nos termos do art.142 da IN SRP 03/2005); os serviços prestados no estabelecimento das empresas contratadas. Foi realizado lançamento em duplicidade, pois houve concomitância de levantamento em registro contábil (adiantamento) cumulado com o valor total da nota fiscal respectiva; Não há responsabilidade entre as empresas prestadoras; Pode ocorrer cobrança em duplicidade, caso as contribuições respectivas já tenham sido recolhidas pelas empresas prestadoras e a tomadora vier a recolher o valor da NFLD em questão. Não tem lógica o lançamento, já que, uma vez recolhido o valor lançado, deixaria de prevalecer a regra de compensação pelas prestadoras, já que o débito deixaria de existir e, além disso, efetivamente, não se pode falar em lançamento de valor de retenção a qual não ocorreu. Requer a análise da documentação juntada e o deferimento de perícia contábil, previamente nomeando seu perito e formulando quesitos que reproduzem os argumentos acima apresentados. Os autos foram analisados por duas oportunidades por este Conselho administrativo, sendo que ambas tiveram seu julgamento convertido em diligência: Resolução 240-2000.338 de 12/03/2013: constatou-se a não intimação do Contribuinte da decisão do Acórdão da DRJ, razão pela qual remeteu a sua intimação para oportuniza-lo a apresentar Recurso Voluntário; Resolução 2301-000.596 de 11 de abril de 2016: necessidade de intimação da autoridade lançadora para resolução dos questionamentos levantados pelos julgadores: porque o lançamento fora realizado com relação a fatos geradores praticados pela autuada, FLEXIBRÁS, e também por terceiros, como, por exemplo, a Technip e sua sucedida, a empresa Brasflex, pois, não ficou claro se o lançamento relativo a fatos geradores de terceiros se deu em decorrência da utilização de um mesmo plano de contas contábeis, ou se se trataria da mesma obra de construção civil, isto é, do mesmo estabelecimento para o qual os segurados teriam sido cedidos. Em resposta (fls. 8.600/8.605), a autoridade lançadora se limitou a afirmar que o lançamento foi procedido com base na contabilidade da FLEXIBRÁS e que caberia à Contribuinte apresentar os documentos necessários à comprovação dos reais tomadores dos serviços. A Contribuinte, intimada da prévia manifestação da Autoridade Fiscal, apresenta manifestação nas fls. 8620/8632, repisando os argumentos trazidos em seu Recurso Voluntário. Fl. 8767DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Nas fls. 8709/8711, a Contribuinte apresenta manifestação, na qual informa que aderiu ao PERT instituído pela MP n. 783/2017, de forma a desistir do Recurso Voluntário, concernente às competências e valores indicados na Planilha Retificadora de fls. 7.931/8.125 do presente processo administrativo, elaborado pela Fiscalização, nos termos do Acórdão da DRJ de n. 12-27.485, proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ. Desta forma o Contribuinte desistiu de toda a matéria arguida em seu Recurso Voluntário, entendendo ser devido a obrigação tributária proveniente do Acórdão da DRJ, ou seja, requer a manutenção do lançamento revisto pela Autoridade Fiscal na DRJ, agora sob análise pelo Recurso de Ofício. Este é o relatório do processo. Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, Relatora. ADMISSIBILIDADE Como visto anteriormente, a matéria alegada em Recurso Voluntário não está sob análise deste Conselho Administrativo, diante da desistência expressa do Contribuinte ao aderir ao PERT. Este julgamento se pautará unicamente na análise do Recurso de Ofício, diante da exclusão de valores pela DRJ. Portanto, com relação à admissibilidade do Recurso de Ofício, observa-se que o Acórdão da DRJ determinou a exclusão parcial do crédito tributário/previdenciário lançado, cuja redução se deu num montante de R$ 4.867.468,85 acrescido de encargos moratórios. Determina a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Nos termos da Súmula deste Conselho: Fl. 8768DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, considerando que o valor exonerado à Contribuinte pela DRJ é superior ao limite legal de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, conheço do Recurso de Ofício e passo à análise de seu mérito. MÉRITO Trata-se de Recurso de Ofício interposto por remessa necessária diante da exclusão do valor de R$ 4.867.468,85 acrescido de encargos moratórios do crédito tributário lançado contra a Contribuinte, conforme entendimento exarado pelo Acórdão n. 12-27.485. Desta forma passa a destacar o que a DRJ deferiu da impugnação do Contribuinte de forma a determinar a exclusão do suscitado valor do Auto lançado: Constatação da decadência: uma vez que o período de referência do presente lançamento, datado de 08/06/2007, vai de 01/02/1999 a 31/01/2007, e que a empresa notificada, responsável por substituição pelas contribuições lançadas, apresenta recolhimentos em todo o período do lançamento, conforme consulta feita a sua conta corrente no sistema informatizado, forçoso é reconhecer que a impugnante tem razão ao alegar que a decadência ocorreu nos termos do art. 150, § 4° do CTN, ou seja, até a competência 05/2002, sendo os valores pertinentes ora excluídos, remanescendo apenas as competências que vão de 06/2002 a 01/2007. No que se refere à alegação de que cerca de 35% da base de cálculo considerada representa a compra de materiais, e não serviços prestados, conclui-se: 2.1) Dos documentos de fls. 858/1406, que as Notas Fiscais juntadas às fls. 893/899; às fls. 906/923; às fls. 925/957 (à exceção da competência 07/2006, em que apenas foi apresentada a NF3774, razão pela qual foi excluído o seu valor de R$9.927,05, e à NF 3777, competência 08/2006, que será apreciada no item 25); às fls. 960/968; às fls. 1054/1210 e 1212/1367; às fls. 1373; às fls. 1377; às fls. 1385/1395; às fls. 1406, efetivamente não se referem a prestação de serviços, mas sim a compra de materiais, e, portanto, seus valores serão excluídos da base de cálculo considerada nesta NFLD. 2.2) A nota fiscal de fls. 971 (emitida em 18/10/2002, valor R$200,00, JBM-R94) não apresenta número identificável, razão por que não a considerarei; Alegação de Serviços Prestados no Estabelecimento das Contratadas: empresa alega que foram incluídos no lançamento valores de serviços prestados no estabelecimento da empresa contratada, os quais são Fl. 8769DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 excluídos da retenção nos termos do art. 176, VI da IN SRP 03/2005. Com efeito, as notas fiscais apresentadas dividem-se em dois grupos: 3.1) Grupo I: Serviços como, por exemplo, modificação de po1ias, de vigas, de cabeças de tração, recuperação de eixo, reabertura de diâmetro interno de flange, execução de furos em repartidor, prestados em materiais/equipamentos enviados pela FLEXIBRAS ao estabelecimento da contratada e que, após a execução, retornaram à FLEXIBRAS. Neste caso, à exceção da nota fiscal de fls. 1765 (NF 837), há menção, nas notas fiscais de serviço, do número e data de emissão da nota fiscal que acompanhou o transporte do material/equipamento em retorno à contratante, razão por que formo a convicção de que, à exceção da nota fiscal 837, os valores de tais notas fiscais devem ser excluídos do lançamento. 3.2) Grupo II: Serviços executados no estabelecimento da contratada sob encomenda da FLEXIBRAS e serviços como "execução e fornecimento de mistura de cimento e areia ultra-seca no traço – em ambos, o valor dessas notas não será excluído; Alegação de Duplicidade de Lançamento: impugna-se os lançamentos realizado em duplicidade, relacionado na planilha de fls. 1840, por ter havido concomitância de levantamentos em registros contábeis (adiantamentos) cumulados com os valores totais das notas fiscais respectivas, do que faria prova a documentação trazida às fls. 1.839/1.869. 4.1) Aceito a alegação de duplicidade entre os documentos do levantamento METAL. CARAPINA-T18, relacionados pela impugnante como itens 1.720, comp. 12/2003, e 1.731, comp. 02/2004, uma vez que foram apresentados aos autos ambos os documentos citados pelo Auditor Fiscal. Assim sendo, no levantamento METAL. CARAPINA-T18, excluo o valor de R$51.539,00 lançado na comp. 12/2003 (item 1.720), uma vez que está incluso no lançamento relativo ao item 1.731. 4.2) Aceito a alegação de duplicidade entre os documentos do levantamento METAL. CARAPINA-T18, relacionados pela impugnante como itens 1.818, comp. 06/2005, e 1.856, comp. 01/2006Assim sendo, no levantamento METAL. CARAPINA-T18, excluo o valor de bc de R$29.212,50, lançado na comp. 06/2005 (item 1.818), uma vez que está incluso no lançamento relativo ao item 1.856; 4.3) Aceito a alegação de duplicidade entre os lançamentos relacionados pela impugnante como itens 1153 e 1154 (ambos indicados às fls. 518 como NF 805, de comp.03/2004 — JBM-R94), os quais têm o mesmo valor, de R$165.560,00, pois, pelas coincidências relatadas, e uma vez que aceitei que valores diferentes sejam contabilizados em relação a uma mesma nota fiscal (por conta de Fl. 8770DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 adiantamentos, por exemplo), o exame da NF 805, a qual foi apresentada às fls. 1644 e já foi excluída pelas razões expostas no subitem 20.4 acima, possibilita a certeza de que os valores lançados não representam cada um apenas fração do valor total da referida nota. Excluo, portanto, os valores de bases de cálculo lançados. 4.4) Às fls. 529, 534 e 535 - Anexo II do Relatório Fiscal, observa-se que as NFs 1759 (vide fls. 1136/1137), 900 (vide fls. 1340/1341) e 934 (vide fls. 1354), todas referentes ao levantamento METAL. CARAPINA-T18, foram consideradas duas vezes, sendo que não se referem a prestação de serviços, razão porque serão excluídas As notas fiscais de serviços no.795 (f1.1945), 996 (fl.1874), 997 (fl.1875), 998 (f1.1876), 1070 (fl.1881), 1087 (f1.1883), 997 (fl.1885), 1304 (fl.1887), 1394 (fl.1899), emitidas pela empresa FUGRO MARSAT SERVIÇOS SUBMARINOS LTDA — CNPJ: 27.003.896/0001-19 (antigamente denominada de THALES MARSAT SERVIÇOS SUBMARINOS LTDA e MARSAT SERVIÇOS SUBMARINOS LTDA) – Levantamento R73, cujo objeto é a prestação de serviços de mergulho, inseridas no levantamento R73, contêm valores a título de "equipamentos" e a título de "pessoal", sendo o percentual destinado à rubrica "pessoal" inferior a 50% do valor bruto da nota fiscal. Logo, considerando-se que não há previsão de utilização de equipamento no contrato, já que este não foi apresentado pela impugnante, e que o manuseio de equipamento é inerente à prestação de serviços de mergulho, a base de cálculo da retenção deverá corresponder a no mínimo 50% do valor bruto de cada nota fiscal de serviços, conforme art. 150, parágrafo 1 0, inciso II da INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 3, DE 4 DE JULHO DE 2005 - DOU DE 15/07/2005 e art. 619, parágrafo 3° da IN INSS/DC 100/03, vigentes à época dos fatos geradores; 5.1) Portanto, para o levantamento R73, relacionado à empresa FUGRO MARSAT SERVIÇOS SUB, em relação ás notas fiscais 795 (f1.1945), 996 (f1.1874), 997 (fl.1875), 998 (fl.1876), 1070 (fl.1881), 1087 (f1.1883), 997 (f1.1885), 1304 (fl.1887), 1394 (fl.1899), a retenção de 11% deve incidir sobre 50% do valor bruto de cada nota e não somente sobre a parcela denominada "pessoal" constante das notas. Considerando que o lançamento se deu sob 100%, esta base de cálculo deve ser corrigida para conter apenas 50%. 5.2) Excluo do levantamento FUGRO MARSAT-R73 os valores de base de cálculo correspondentes às NFs. 1040 (R$11.320,00, comp. 12/2004, fls1877), 1324 (R$205.473,25, comp. 06/2006, fls. 1890), 1337 (R$442.356,85, comp. 07/2006, fls. 1892), 1356 (fls. 1895), 1370 (fls. 1894), 1421 (fls. 1902), 1422 (fls. 1903), 1438 (fls. 1904), 1501 (fls. 1907), 806 (fls. 1947), 808 (fls. 1949), 821(fls. 1951), 833 (fls. 1953), 841 (fls. 1956) e 857 (fls. 1957), uma vez que a retenção Fl. 8771DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 efetuada sobre cada uma teve por base de cálculo valor superior a 50% de seu total bruto. Cada recolhimento correspondente a retenção demonstrada nos autos foi comprovada em consulta ao sistema informatizado à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5.3) Excluo no levantamento INCOSPAL-R84, comp. 08/2006, o valor de bc lançado de R$26.004,25, uma vez que a impugnante juntou, às fls. 1910, a NF 3777, emitida em 06/07/2006, nesse exato valor, em que consta como serviço prestado a montagem de vigas em concreto pré- fabricado, que se sujeita, nos termos do art. 150, §1°, V da IN MPS/SRP 3/2005 (abaixo reproduzido), à retenção de 11% sobre a base de 35% da nota fiscal, resultando no valor de R$1.001,16, recolhidos conforme a GPS de código 2631 (fls. 1909), o que confirmei no sistema informatizado à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5.4) Excluo do levantamento JBM-R94 os valores de base de cálculo correspondentes às NFs. 948 (R$66.600,00 — valor de bc lançado, conforme fls. 519 — Anexo II do Relatório Fiscal, correspondente ao Pedido de Compra 75068. A NF tem valor R$24.148,30. Comp. 10/2005), 958 (R$27.225,00 — valor de bc lançado, conforme fls. 519 — Anexo II do Relatório Fiscal. A NF tem valor R$30.000,00. Comp. 12/2005), 959, 960, 971 (respectivamente, R$11.543,00, R$5.990,00 e R$30.000,00, todas de comp. 12/2005), 100 (R$12.000,00, comp. 01/2006), 1007 , 1010 (respectivamente, R$6.000,00 e R$1 8 ,80, ambas de comp. 02/2006), 1022, 1037 (respectivamente, R$6.500,00 e R$155.367,50, ambas de comp. 05/2006), 1055 (R$13.340,00, comp. 07/2006). 5.5) Para o levantamento T4, relacionado à empresa KEMP Engenharia e Serviços Ltda, em relação à nota fiscal 114 (fl.1943), a retenção de 11% deve incidir sobre 50% do valor bruto da nota. 5.6) Excluo do levantamento NASCIMENTO-T25, comp. 05/2006, o valor de bc lançado de R$12.857,39, uma vez que a impugnante juntou, às fls. 1960, a NF 345, emitida em 10/05/2006, nesse exato valor, em que consta como serviço prestado a montagem de estrutura pré- moldada em concreto armado através de meios mecânicos (munck), que se sujeita, nos termos do art. 150, §1°, V da IN MPS/SRP 3/2005, à retenção de 11% sobre a base de 35% da nota fiscal, resultando no valor de R$495,00, recolhidos conforme a GPS de código 2631 (fls. 1959), o que confirmei no sistema informatizado à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5.7) Excluo do levantamento VISÃO-T68 o valor de base de cálculo correspondente às NFs 15 (R$6.111,18, comp. 01/2007) e 16 (R$3.570,35, comp. 01/2007). A retenção efetuada e seu recolhimento foram comprovados às fls.1.986/1.989. O recolhimento foi confirmado no sistema informatizado à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 8772DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Da Alegação de Emprego de Notas Fiscais Emitidas para Outra Empresa: a impugnante alega que parte das notas fiscais relacionadas no lançamento refere-se a serviços que não foram por ela contratados, mas sim pela Brasflex Tubos Flexíveis Ltda e suas sucedidas, atual Technip Brasil — Engenharia, Instalações e Apoio Marítimo S/A. 6.1) Excluo do levantamento R5-ÁLAMO o valor de base de 1111 cálculo correspondente às NFs 45535 e 45652 (R$15.194,71 e R$9.961,88, comp. 03/2006), 46004 (R$15.194,70, comp. 06/2006), 46385 (R$3.691,73, comp. 07/2006), 46366 (R$15,194,70, comp. 08/2006), 47058 (R$3.873,16, comp. 09/2006). A retenção efetuada e seu recolhimento foram comprovados às fls.2.047/2.050, 2.051/2.052, 2.055/2.058, 2.059/2.060. Excluo, ainda, o valor de base de cálculo correspondente às NFs 45547 (R$3.115,60, comp. 02/2006 — fls. 2.046), 46384 (R$2.151,52, comp. 07/2006, fls. 2.054), 47211 (R$1.612,79, comp. 11/2006, fls. 2.061), uma vez que tais notas fiscais se referem unicamente a fornecimento de materiais, havendo no contrato de fls. 2.062/2.116 a previsão desse tipo de fornecimento. Excluo do levantamento R16-BKL apenas o valor de base de cálculo correspondente à NF 59; excluo do levantamento R23-CAPELA apenas o valor de as de cálculo correspondente à NF 120; excluo do levantamento R44-DELP apenas o valor de base de cálculo correspondente à NF 15356; excluo do levantamento R58- ENGEMASA os valores de base de cálculo correspondentes à NF 48023; excluo do levantamento R59-ENGEMETAL (docs. fls. 2.482/2.517); excluo do levantamento R89-ISOLENGE apenas o valor de base de cálculo correspondente à NF 8175 (R$15.592,31, comp. 05/2006), cujos retenção e recolhimento foram comprovados às fls. 2.858/2.859); excluo do levantamento T18-METAL. CARAPINA os valores de base de cálculo correspondentes às NFs 1951 (R$20.037,39, comp. 03/2004, fls. 3.034/3.035) e 2310 (R$150.813,79, comp. 10/2004, fls. 3.037/3.038); excluo do levantamento T39-QUANTOR os valores de base de cálculo correspondentes às NFs 19514 (R$661,50, comp. 03/2003, fls. 3.357), 21549 (R$689,00, comp. 05/2004, fls. 3.362), 22329 (R$1.210,00, comp. 10/2004, fls. 3.363), 22582(R$650,00, comp. 12/2004, fls. 3.364), 23436 e 23433 (somatório de R$701,0 comp. 07/2005, fls. 3.365/3.366) e 25333 (R$3.614,33, comp. 09/2006, fls. 3.367), por se tratar de notas fiscais de saída de mercadorias; excluo totalmente o levantamento T45-SENDI (docs. juntados às fls. 3.396/3.402), por se tratar de notas fiscais de saída de mercadorias; excluo do levantamento T46-SERMAP os valores de base de cálculo correspondentes às NFs 305367, 305424, 305211, 305480, 305212 (somatório de R$5.100,04, comp. 01/2007, fls. 3.409/3.413), 305696 (R$415,56, comp. 01/2007, fls. 3.414), 305839 e 302826 (somatório de R$589,26, comp. 01/2007, fls. 3.415/3.416), 305960 e 305912; Fl. 8773DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Da Alegação de Emprego de Notas Fiscais Emitidas para Outra Empresa: apenas serão deduzidas as notas fiscais cujos recolhimentos de retenção foram comprovados nos autos, ou que, por conta de contratos de serviços que respaldem a descrição de notas fiscais também juntados aos autos, gerem a convicção de não se tratarem de caso de retenção prevista no art. 31 da Lei 8212/91, na redação da Lei 9.711/98. Da Alegação de Prestação de Serviços Isentos de Retenção: a defesa alega haver inclusos no lançamento valores referentes a notas fiscais pertinentes a serviços cuja retenção é afastada, nos termos do art. 170 da IN MPS/SRP 3/2005, vigente à época do lançamento. 8.1) Verificando a pertinência do acima exposto, excluo os valores pertinentes às referidas notas fiscais dos levantamentos R73-FUGRO MARSAT, NF 1305 (R$33.334,00, comp. 06/2006, fls. 4.239); todo o levantamento T19-MG, constituído pelos os valores das NFs 093 (já excluída por conta da decadência), 864, 874, 880, 886, 887, 903, 912, 910, 915, 918 e 921 (fls. 4.240/4.255); T54-TARGET, Nfs 36637 (R$307,56, comp. 01/2006, fls. 4.259), 41538 (R$16.829,23, comp. 09/2006, fls. 4.260), 42580 (R$329,12, comp. 11/2006, fls. 4.261) e T64-VETOR NF 405 (já excluída pela decadência, fls. 4.262). Da Alegação de Cancelamento de Notas Fiscais: faço a exclusão dos valores das notas canceladas, conforme demonstrado às fls. 4.263/4.275 (NFs 541, comp. 10/2001, e 957, comp. 12/2005 — JBM-R94; NF 018.055, comp. 08/2005 — MET. CARAPINA - T18; NF 288, comp. 04/2001 — QUICK — T40; NF 746, comp. 02/2004 - VETOR - T64. Da Alegação de Recolhimentos Efetuados no Código 2631: as fls. 4.276/4.332 a impugnante trouxe notas fiscais e guias de recolhimento de código 2631, de forma a provar o cumprimento das determinações legais. Pelas mesmas razões expostas nos subitens 24.1 a 24.1.6, 27.1. a 27.1.6 e 37.4 a 37.4.6., uma vez que não foi apresentado o contrato de serviços relativo às Nfs 240, 241, 244, 247, 251, 257, 258 e 259, cujos recolhimentos de retenções foram comprovados por consultas ao sistema informatizado à disposição da SRFB, excluo da base de cálculo do levantamento R10 — ATHOS Da Alegação de Recolhimentos Efetuados pelas Contratadas: uma vez que a contratada em questão efetivamente detinha, à época, a condição de optante do SIMPLES, conforme consulta feita ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, e sem entrar no mérito quanto a valores de faturamento máximo ou observância das vedações de serviços prestados para manutenção dessa condição, excluo TODOS os valores lançados nas competências 06 e 07/2002 no levantamento T18-METAL. CARAPINA Passa-se à análise da exclusão realizada pela DRJ em seu Recurso de Ofício. Fl. 8774DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Com relação à decadência, sem maior delonga, verifica-se que o lançamento se deu referente ao período de 01/02/1999 a 31/01/2007. A intimação do Contribuinte se deu em 08/06/2007. Considerando que houve pagamento parcial das contribuições sociais previdenciárias, aplica-se o §4º do Art. 150 do CTN, reconhecendo-se a decadência para o lançamento referente à competência de 01/02/1999 a 05/2002. Portanto, devida a exclusão. No que se refere à exclusão das notas referentes à compra de materiais e não serviços prestados da base de cálculo, verifica-se que, novamente, foi acertada a decisão da DRJ. A obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária incidente nos contratos de cessão de mão de obra incide sobre serviços prestados à Contribuinte ou terceiro a qual ela é responsável pelo recolhimento, e não sob produtos adquiridos, que não enseja qualquer fato gerador com obrigação lançada. Desta forma, devida a exclusão. Com relação à exclusão das notas de serviços prestados no estabelecimento das contratadas, considerando que nas notas excluídas há menção do número e data de emissão da nota fiscal que acompanhou o transporte do material/equipamento em retorno à contratante, necessária sua exclusão por conta do art. 176, VI da IN SRP 03/2005. Portanto, devida a exclusão. A exclusão realizada pela DRJ das notas consideradas em duplicidade no lançamento, verifica-se que, novamente, foi acertada a correção realizada pelo Acórdão de Impugnação, uma vez que, ao se manter o lançamento em duplicidade, haveria um bis in idem, e locupletamento indevido ao FISCO. Ao verificar as notas retiradas pela DRJ, por conta da duplicidade, verifica-se que de fato a autoridade lançadora as considerou por duas vezes, sendo devida a retificação. Com relação às notas fiscais sobre as quais já teriam ocorrido retenção e recolhimento, verifica-se que a DRJ verificou todos os documentos de fls. 1.870/1.989, juntados pela Contribuinte, nos quais constam as notas fiscais e GPS de código de recolhimento 2631 (retenção). Desta forma, como restou constatado o recolhimento, certa foi a retificação realizada pela DRJ em seu Acórdão. Portanto, devida a exclusão realizada pelo FISCO, da qual eu mantenho neste Recurso de Ofício. Sobre a retificação realizada sobre a alegação de emprego de notas fiscais emitidas para outra empresa, verifica-se que a DRJ verificou devidamente as notas, sendo devida a exclusão realiza, pois, os serviços não foram contratados pela Contribuinte, mas sim pela Brasflex Tubos Flexíveis Ltda e suas sucedidas, atual Technip Brasil — Engenharia, Instalações e Apoio Marítimo S/A. Verifica-se que também foi devida a exclusão das notas emitidas para outra empresa, pois constata-se que apenas foram excluídas as notas cujos recolhimentos de retenção foram comprovados nos autos, ou que, por conta de contratos de serviços que respaldem a Fl. 8775DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 descrição de notas fiscais também juntados aos autos, geraram a convicção de não se tratarem de caso de retenção prevista no art. 31 da Lei 8212/91, na redação da Lei 9.711/98. Portanto, considerando que estão devidamente comprovados os recolhimentos de retenção, devida a exclusão desses valores sobre a base de cálculo. Desta forma, devida a retificação realizada pela DRJ. As notas excluídas referentes à serviços, cuja a retenção é afastada pela legislação vigente à época, verifica-se que foi devida a retificação realizada pela DRJ, pois o art. 170 da IN MPS/SRP 3/2005 determina o afastamento da retenção, como bem observado no Acórdão ora revisto. Entendo também como devida a exclusão da base de cálculo das notas fiscais canceladas. Se a Nota Fiscal foi cancelada, não houve o fato gerador que enseja a retenção e recolhimento da contribuição social exigida, razão pela qual, devida sua exclusão. Com relação à exclusão da base de cálculo do levantamento R10 — ATHOS, verifica-se que seus recolhimentos de retenções foram comprovados por consultas ao sistema informatizado à disposição da SRFB, portanto devida a retificação realizada pela DRJ. Por fim, com relação à exclusão das notas dos valores lançados nas competências 06 e 07/2002 no levantamento T18-METAL. CARAPINA, verifica-se que restou comprovado que esta contratada efetivamente detinha, à época, a condição de optante do SIMPLES, conforme consulta feita ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, portanto, devida a retificação realizada pela DRJ. Desta forma, levando-se em consideração a análise da documentação juntada pela Contribuinte em sua defesa, minuciosamente analisada pela DRJ, verifica-se que a retificação realizada pela DRJ em seu Acórdão foi devida, razão pela qual mantenho as exclusões realizadas e voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Fl. 8776DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.002615/2007-26 Fl. 8777DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909176/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 28/07/2005
RESTITUIÇÃO. IRRF. ROYALTIES. PDTI.
Demonstrado nos autos pela recorrente que teria o direito - no caso, faltava a Portaria MCT com vigência no período em questão - cabe o seu direito pleiteado.
Numero da decisão: 1402-004.180
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.909138/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IRRF. ROYALTIES. PDTI. Demonstrado nos autos pela recorrente que teria o direito - no caso, faltava a Portaria MCT com vigência no período em questão - cabe o seu direito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.909138/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 91 76 /2 01 2- 51 Fl. 148DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 1402-004151, de 17 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto - SP, que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Do Pleito de Restituição: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra indeferimento do pedido eletrônico de restituição (PER), transmitido em 2008, que pleiteou restituição de IRRF sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia. A Delegacia da Receita Federal, por meio de despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do pagamento indicado ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação. Da Manifestação de Inconformidade: A agora recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. Em função de contratos firmados com empresa estrangeira, remete ao exterior determinados valores a título de royalties e outras licenças. Em função dessa remessa ao exterior, ao longo do tempo a recorrente efetuava a retenção e recolhimento de IRRF nos termos da legislação de regência; 2. No período em discussão nestes autos a recorrente usufruía dos benefícios fiscais previstos na Lei 8.661, de 1993, regulamentado pelo Decreto 949 de 1993, art. 13, inciso V, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI), cumprindo as obrigações pertinentes a este. Dessa forma a recorrente obteve por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia a aprovação das Portarias nº 200 , de 18/06/1997 e a de nº 803, de 20/09/2000; 3. A Lei 9.532, de 1997, art. 2º, alterou apenas os percentuais do benefício fiscal, originalmente de 50%, para 30% entre 1998 e 2003, 20% entre 2004 e 2008 e 10% entre 2009 e 2013. 4. No regular desenvolvimento de suas atividades a recorrente celebrou três contratos de licenciamento de uso de marcas visando a exploração destas na produção e comercialização de seus produtos no país: 4.1. Licença para uso da marca “Logotipo 3M”; 4.2. Licença para marca “The Power Brand Trademarks”; 4.3. Licença para “Outras Marcas”. Fl. 149DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 5. Salienta que foi por meio da Portaria nº 803, de 20/09/2000, que foi concedido o benefício fiscal previsto no Decreto 949/1993, art. 13, V, referente a crédito de 50% do IR retido na fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; 6. Tais contratos foram devidamente averbados junto ao INPI e são completamente independentes entre si, pois tem como objeto o licenciamento de marcas distintas; 7. Ao longo dos anos a recorrente sempre possuiu direito a crédito de IRRF sobre as remessas ao exterior a título de royalties, na forma da legislação vigente. Observa que os critérios e condições para o contribuinte usufruir o crédito de IRRF permaneceram inalterados. 8. Á época, a única forma possível de aproveitamento do crédito de IRRF encontrava-se prevista no art. 41, § 2º, da IN/SRF nº 267, de 2002, que deixava expresso que os créditos de IRRF seriam objeto de pedido de restituição. Foi neste contexto que a requerente apresentou o referido PER/DCOMP; 9. Analisou a Portaria MF n.º 426/2011, ressaltando que embora não seja aplicável ao pedido, uma vez que o processo trata de créditos de período anterior à sua edição, todas as condições estabelecidas na portaria estão atendidas no caso concreto e que este fato evidencia o direito aos créditos pleiteados; 10. Além de não avaliar o contexto fático e jurídico do caso, o Despacho Decisório fez uma interpretação restritiva do art. 165 do CTN; 11. Outra questão relevante é que o Ato Normativo do INPI nº 135, de 15/04/1997, estabelece que o INPI averbará ou registrará conforme o caso os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas...). Por conseguinte, a legislação vigente determina que os contratos de licença de marca são contratos de transferência de tecnologia; 12. A requerente juntou aos autos os contratos devidamente averbados junto ao INPI que ensejaram o recolhimento de IRRF e diante da documentação acostada, afirmou ser incontestável seu direito aos créditos pleiteados, protestando pela realização de diligências para produção de provas caso os julgadores entendam que os documentos acostados aos autos não sejam suficientes. 13. Concluindo, a requerente argumenta que: 13.1. Tem direito ao benefício de crédito de IRRF previsto no PDTI, concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia por meio das Portarias nº 200/1997 e 803/2000. 13.2. Efetuou regularmente o recolhimento de IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior; 13.3. Os contratos que ensejaram o aproveitamento de créditos de IRRF foram devidamente averbados no INPI e importam transferência de tecnologia; 13.4. A recorrente realizou dispêndios em projetos de pesquisa no Brasil em montante correspondente ao dobro do benefício auferido; Fl. 150DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 13.5. A recorrente prestou as informações relativas ao seu projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; 13.6. A recorrente possui direito ao crédito de IRRF previsto no art. 4º, inciso V da Lei n.º 8.661/1993; 13.7. O art. 4º da Lei nº 8.661/1993 só veio a ser revogado com a edição da Lei n.º 11.196/2005, posterior ao período de discussão nestes autos; 13.8. A IN/SRF n.º 267/2002 expressamente previu que os contribuintes deveriam pleitear seus créditos de acordo com as normas aplicáveis à restituição de tributos; 13.9. Os créditos de IRRF tem previsão legal para serem restituídos em moeda corrente; 13.10. O único procedimento aplicável a fim de evitar a prescrição do direito aos créditos é a utilização do pedido de restituição via programa PER/DCOMP (IN n.º 600/2005 e 900/2008), como de fato fez a recorrente. 14. Posto isso a recorrente requer seja conhecida e provida a presente manifestação, ainda que seja necessária a baixa do processo em diligência para produção de perícia. 15. Para fins de perícia, a recorrente indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. 16. Consignou também na manifestação de inconformidade os dados bancários da empresa recorrente para fins de restituição. Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ, após analisar a legislação alegada pela recorrente, entendeu que haveria objeção do pedido, por conta da Portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 200, de 18 de junho de 1997, que aprova o PDTI de titularidade da empresa 3M do Brasil Ltda e concede a dedução até o limite de oito por cento do IR devido, previsto no inciso I do art. 13 do Decreto n o 949, de 1993, supra citado. Este benefício fiscal é diferente daquele previsto no inciso V que é o verdadeiro fundamento do pedido de restituição. Há que se observar ainda que a referida portaria estabelece em seu art. 2º um prazo de fruição de 60 meses, ou seja, cinco anos contados de 18 de junho de 1997: “Art. 2º O prazo para a fruição o incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se por sessenta meses.” Por conseguinte, o prazo para a fruição do incentivo já estava expirado desde 18 de junho de 2002 e não poderia ser aplicado a fato gerador posterior. Na sequência, a Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000, estendeu à empresa 3M do Brasil Ltda. o incentivo fiscal previsto no inciso V do art. 13 do Decreto n.º 949/1993. Esta portaria é a que de fato atestaria que a empresa está habilitada ao benefício de que trata o pedido de restituição em análise, não fosse novamente pelo detalhe do prazo de fruição estabelecido no art. 2º desta mesma portaria: Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000 Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se até 18 de junho de 2002. Fl. 151DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 Ou seja, o benefício foi encerrado em 18 de junho de 2002. Não foram anexados aos autos outro ato autorizativo do Ministério da Ciência e Tecnologia prorrogando o prazo de fruição deste benefício. Diante disso, a decisão recorrida entendeu, unicamente, que tal questão do ato autorizativo não compreender o período do IRRF pleiteado, para denegar o pedido da agora recorrente. Do Recurso Voluntário: Apresentando a sua peça recursal, a recorrente apresenta em anexo cópia da Portaria MCT nº 203, de 30/04/2003, que aprovou novo PDTI da ora recorrente e concedeu o benefício de crédito de parte do IRRF incidente na remessa de royalties ao exterior. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1402-004151, de 17 de outubro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo, e atende os demais requisitos regimentais para sua admissibilidade, pelo o que o conheço. Como já relatado, o presente processo de manifestação de inconformidade contra indeferimento do pedido eletrônico de restituição (PER), transmitido em 2008, que pleiteou restituição de IRRF sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia. Após a manifestação de inconformidade, a decisão da DRJ exclusivamente que a então apresentada Portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 200, de 18 de junho de 1997, que aprova o PDTI de titularidade da recorrente e concede a dedução até o limite de oito por cento do IR devido, previsto no inciso I do art. 13 do Decreto n o 949, de 1993, estaria já com seu prazo de 60 meses da emissão expirado, não tendo mais efeitos para obter o benefício e restituição pretendida do valor de IRRF em questão nos autos. Contudo, foi apresentada na sua peça recursal menção e anexo cópia da Portaria MCT nº 203, de 30/04/2003, que aprovou novo PDTI da ora recorrente e concedeu o benefício de crédito de parte do IRRF incidente na remessa de royalties ao exterior, vigente até o dia 30/04/2008. Assim, tal Portaria abrangeria o período do pagamento de royalties em questão nos autos, acarretando-lhe o benefício pleiteado. Como a decisão da DRJ e a análise da legislação pertinente da matéria exigem, expressamente, a existência de um ato autorizativo vigente no período a que se refere o pedido de restituição em análise, não há mais óbices ao pleito da recorrente. Assim, a recorrente tem o direito à restituição do valor equivalente a 20% do IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior, referente a data do pagamento indicado no pedido de restituição dos autos. Igualmente, como alegado, cabe a aplicação de juros equivalentes à taxa Selic sobre o direito creditório pleiteado. Destarte, pelo todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário da recorrente. Fl. 153DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.180 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909176/2012-51 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900938/2017-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1201-003.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10825.900935/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando- se o decidido no julgamento do processo 10825.900935/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 09 38 /2 01 7- 38 Fl. 107DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.233 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900938/2017-38 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.230, de 11 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. A contribuinte, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face de decisão proferida por Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF. Trata a matéria recorrida de Pedido de Restituição, referente a crédito de estimativa de IRPJ, decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ, no período e valor constantes dos autos. A contribuinte declarou no PER a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor originário do recolhimento. A autoridade local, mediante Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada ante a inexistência de crédito: O crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou a atendimento de pedidos de restituição. Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, equívoco no preenchimento do campo tipo do crédito: em vez de “Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL”, informou “Pagamento indevido ou a maior”. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito, em relação ao PER/DCOMP original, não é permitida, pois tal situação não configura inexatidão material de preenchimento, mas sim inovação, sendo necessária a apresentação de novo pedido/declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão de primeira instância, interpôs recurso voluntário em que reitera o pedido apresentado em primeira instância. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.233 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900938/2017-38 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.230, de 11 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A recorrente apresentou pedido de restituição decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ. Indeferido o pedido, alegou equivoco no preenchimento no pedido de restituição. A DRJ ao analisar o feito, assentou que a substituição do tipo de crédito pretendida não é permitida porquanto não configura inexatidão material de preenchimento de declaração, mas sim inovação material: Assim, a substituição do tipo de crédito informado pelo contribuinte, em relação ao PER/DCOMP, não é permitida, pois tal situação não configura inexatidão material de preenchimento do PER/DCOMP, mas sim inovação. Tal hipótese exige apresentação de novo PER/DCOMP e os acréscimos legais devem ser calculados desde o vencimento da obrigação até a data de transmissão do novo pedido/declaração. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Se na compensação é necessário que o crédito fiscal do contribuinte seja líquido e certo, de igual forma essa liquidez e certeza deve estar presente Fl. 109DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.233 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900938/2017-38 no crédito passível de restituição, proquanto se trata de transferência de numerário dos cofres da União para o sujeito passivo. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado/restituído (arts. 156 e 170 do CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. No caso em análise, a recorrente alega equívoco no preenchimento do PER, informou o tipo de crédito “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo IRPJ ou CSLL”. Compulsando os autos, verifica-se que os valores informados a titulo de pagamento de estimativa de IRPJ na DIPJ/2006 superam o valor devido de IRPJ, o que revela indícios de saldo negativo a ser repetido (e-fls. 24- 31). Com efeito, tivesse a recorrente informado no PER/DCOMP como tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ ou CSLL” e não “Pagamento Indevido ou a Maior” (e-fls. 12), tudo leva a crer que o processamento ocorreria normalmente. Nessa linha, de forma diversa da decisão de piso, tal equívoco não se configura inovação, mas sim inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP. Afinal, o direito a esse tipo de crédito já existia desde o momento em que o PER/DCOMP fora apresentado, o que houve foi um equívoco no preenchimento, o qual, nesse caso, é possível de ser revertido. Nesse contexto, entendo a DIPJ/2006, o balanço Fl. 110DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.233 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900938/2017-38 patrimonial e o balancete apresentado como elementos probatórios suficientes e hábeis. Conforme salientado acima, no caso de erro no preenchimento de declaração, uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis para comprovar o direito alegado o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Nesse sentido, o direito creditório deve ser novamente analisado à luz do novo tipo de crédito. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ ou CSLL”; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903352/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO.
Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSÍVEL.
Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese.
Numero da decisão: 1302-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSÍVEL. Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese.
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PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INADMISSÍVEL. Não se admite no PAF a inclusão de novo legitimado em sede Recursal, que sequer participou da dialética processo desde sua gênese. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 52 /2 01 5- 31 Fl. 64DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.133 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903352/2015-31 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. No caso em testilha, o Contribuinte apresentou PER/DCOMP pleiteando compensação crédito de pagamento indevido ou a maior decorrente de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF). Tal fato deriva da prestação de serviços à empresa “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”, ocasião em que reteve os tributos (código 5952); nesse mister, aviou em sua exordial a alegação segundo a qual descobriu em momento posterior que não precisava operacionalizar a indigitada retenção, por se tratar de empresa optante da modalidade do SIMPLES. O Despacho Decisório, por sua vez, indeferiu o pedido de restituição, por considerar inexistente o direito creditório pretendido. De acordo com a fundamentação dessa decisão, o valor recolhido foi integralmente alocado ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), razão pela qual não restou resíduo a restituir/compensar. O Acórdão da DRJ, por seu turno, negou a manifestação de inconformidade, em virtude da ausência de comprovação do recolhimento do tributo retido. Em sua análise, não há que se cogitar a existência de direito creditório, eis que a fonte pagadora só figura como legítima para apresentar PER/DCOMP de tributo retido na fonte quando efetuar a devolução do valor ao beneficiário, o que não restou comprovado na presente circunstância. Quanto ao mais, o Voto de piso conduz sua fundamentação no sentido de reconhecer a desnecessidade de retenção na fonte àqueles contribuintes optantes pelo SIMPLES, conforme autoriza o art. 32 da Lei n° 10.833/2003, e a IN SRF nº 459, de 2004, em seu art. 3º, II, com redação dada pela IN RFB nº 765, de 2007. Nessa conjugação normativa, a DRJ expôs uma tríade de requisitos à restituição, qual seja: a) o prestador ser optante do SIMPLES; b) haver a retenção e o recolhimento respectivo; c) haver a devolução ao beneficiário, do valor retido indevidamente. Contudo, apesar de adimplidos os itens “a” e “b”, não foi concluir pela certeza e liquidez do crédito pretendido, vez que a efetividade do recolhimento não foi comprovada. Ademais, também não restou demonstrado nos autos que o Contribuinte efetuou a devolução ao beneficiário do valor retido indevidamente, o que seria condição para a fonte pagadora ser a parte legítima em apresentar o pedido de restituição. Em sede recursal o Recorrente essencialmente repete as alegações formuladas em sua exordial. A petição, contudo, é doravante apresentada tanto em nome da “CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA”, quanto da “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”. Em sua fundamentação, a defesa reforça que a própria DRJ manifestou que o crédito seria líquido e certo, o que tornaria seguro seu direito à compensação. No que cinge à legitimidade, o Contribuinte requer seja deferida intervenção de terceiros (art. 996 antigo CPC), por entender que os valores foram irregularmente retidos de outrem, na medida em que a obrigação tributária não lhe era cabível. Por fim, reitera que os valores foram indevidamente recolhidos, sendo estes cabíveis ao terceiro interveniente “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME”, o que resta corroborado pela nota fiscal acostada aos autos. Não constam aos autos quaisquer escriturações contábeis. Fl. 65DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.133 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903352/2015-31 É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Mérito Ab initio, ressalto que foram distribuídos a este Relator treze processos apresentando idêntica matéria, quais sejam: Número do processo Principal Nome do Contribuinte 13819.903344/2015-94 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903352/2015-31 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903370/2015-12 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903349/2015-17 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903345/2015-39 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903369/2015-98 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903350/2015-41 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903347/2015-28 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903354/2015-20 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903356/2015-19 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903348/2015-72 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903368/2015-43 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA 13819.903346/2015-83 CPA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA Em que pese a recalcitrância do Contribuinte, não vejo como acolher seu pleito. A decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a avaliação fática e legal. Nota- se, de plano, que o Recorrente não é o contribuinte de direito do tributo retido. Tanto é assim, que no próprio Recurso Voluntário tenta reverter sua posição no processo, incluindo a “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME” como parte. In casu, a ilegitimidade para o pleito da restituição requer que o valor retido indevidamente tenha sido devolvido ao beneficiário, seguido dos ajustes contábeis de praxe. À época do feito, o regramento da sistemática supramencionada era pautado pela IN RFB n° 1.300/2012, mais precisamente pelos arts. 3° e 8°: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...) § 12. O pedido de restituição de tributos administrados pela RFB, abrangidos pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Fl. 66DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.133 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903352/2015-31 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, deverá ser formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Instrução Normativa, inclusive o decorrente de retenção indevida, ressalvada a hipótese do art. 8º. Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I - do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II - da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III - da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Ainda nesse espectro de análise da legitimidade, vale ressaltar o preciso teor da Solução de Consulta Cosit nº 22, de 06/11/2013, que se amolda perfeitamente ao presente caso: 2.1. No entanto, as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata o art. 12 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, não se sujeitam a essas retenções, em relação às suas receitas próprias, conforme esclarece o art. 4º, inciso XI, da Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012. 3. Diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas inscritas no Simples Nacional, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Esta a redação do art. 165 do CTN: (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União - DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a Fl. 67DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.133 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903352/2015-31 restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Portanto, conforme bem ressaltado na instância a quo, a restituição demanda a ocorrência simultânea de três fatores: 1) o prestador ser optante do SIMPLES; 2) haver a retenção e o recolhimento respectivo; 3) haver a devolução ao beneficiário do valor retido indevidamente. Para demonstrar tal adimplemento circunstancial, torna-se imperativo instruir o PAF com elementos que comprovem cabalmente a liquidez e certeza do crédito pretendido, bem como a efetiva devolução do valor (indevidamente) retido ao beneficiário. Esta última, reitero, é conditio sine qua non para a fonte pagadora se firmar como parte legítima do pedido de restituição. Cito, ainda, o teor o art. 166 do CTN: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Por fim, mostra-se completamente descabida e extemporânea a tentativa de inclusão da “JAEL CAVALCANTI NUNES – ME” no polo recursal. Além de não haver qualquer representatividade no presente caso, a indigitada empresa não participou da dialética processual nas etapas anteriores, não havendo que se cogitar em intervenção de terceiros, tampouco existindo permissivo nas regras do PAF para tanto. Caso entenda por conveniente a restituição dos valores ora em debate, a aludida empresa dispõe meios próprios para postulá-la, não sendo possível “pegar carona” em procedimento fiscal alheio, no qual lhe escapa a legitimidade. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 68DF CARF MF
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