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Numero do processo: 10925.720954/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/04/2011
BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas é infração à legislação tributária, além de responsabilizar o possuidor das bebidas.
MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA.
Correta a aplicação de penalidade majorada nos casos de venda de bebidas sem selo de controle.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. LANÇAMENTO. CABIMENTO. A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas é infração à legislação tributária, além de responsabilizar o possuidor das bebidas. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. Correta a aplicação de penalidade majorada nos casos de venda de bebidas sem selo de controle. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 54 /2 01 1- 25 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de exigência tributária decorrente de infração relativa a falta de aposição de selo de controle do IPI em produto de selagem obrigatória. Em 13/04/2011, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil da Delegacia de Joaçaba/SC, compareceram no estabelecimento da impugnante e constataram que a mesma mantinha em depósito, as bebidas discriminadas no Termo de Apreensão de Bebidas Alcoólicas de fls. 17 a 19, classificadas na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados nas posições 22084000, 22086000 e 22089000, as quais encontravamse sem o selo de controle do IPI. A fiscalização, por meio do Auto de Infração de fls. 02 a 16, imputou à impugnante a responsabilidade tributária decorrente da situação fática conforme fundamentação legal de fls 10 e 11 dos autos. Consta nos autos, ainda, que a apreensão realizada no dia 13/04/2011, deu origem ao processo nº 10925.720888/201193, onde se discute o perdimento dos produtos, bem como, o processo nº 10925.720893/201104 de Representação Fiscal para fins Penais. Exigese da autuada o valor total de R$ 14.866,78, do qual R$ 4.400,47, referese à exigência do IPI, R$ 6.600.70, a título de multa proporcional e R$ 3.865,61, a título de multa regulamentar Com fundamento no Art. 61 da Lei nº 11.196/05, combinado com o Art. 33, §2º, do Decretolei nº 1.593/77, lavrouse o Auto de Infração nº 0920300.00295/11 que aplica pena de perdimento às bebidas sujeitas ao regime da Lei nº 7.798/89. O contribuinte tomou conhecimento do Auto de Infração em 26/05/2011, conforme Aviso de Recebimento de fls. 25 e apresentou impugnação em 27/06/2011, conforme fls.28 a 30, assinada por advogado regularmente constituído, nos termos da procuração de fls 38. 2 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 66 Em sua defesa a impugnante desenvolve raciocínios no sentido de demonstrar a impertinência da exigência tributária, fundados, basicamente, no argumento de que os produtos apreendidos não estavam a venda (sic), juntando declaração de funcionários da autuada. Por fim requer o acolhimento da defesa e a total procedência da impugnação com a declaração de nulidade do auto de infração nº 0920300.00295/11 e processo nº 10925.720888/201193. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/RPO n.º 35.543, de 19/10/2011, assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 13/04/2011 BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas caracteriza infração punida com multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a mil reais, além de responsabilizar o possuidor das bebidas, nas condições mencionadas, pelo pagamento do IPI, multa de ofício e juros de mora. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A realidade fática dos autos somente pode se verificar em uma estrutura de conluio e sonegação, na qual os integrantes da cadeia produtiva, da produção à comercialização, se solidarizam no ilícito, o que justifica a qualificação da multa proporcional nos termos do artigo 44 da Lei n. 9430/96. Impugnação Improcedente Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o relatório. Voto 3 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos do processo, o contribuinte busca afastar o lançamento sofrido em face da posse de bebidas sem selo de controle. Não há debate sobre o fato em si, pois o recorrente confirmou a posse dos produtos sem selo de controle, debatendo apenas o cabimento de sua responsabilização. O RIPI/2002 atribui responsabilidade tributária do IPI, ao estabelecimento que mantiver em sua posse produtos sujeitos a selo de controle do IPI, sem a respectiva selagem: Art. 25. São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis: (...) V os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou isentos, sujeitos a serem rotulados ou marcados, ou, ainda, ao selo de controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados; (...) Quanto às penalidades, o art. 585, I do RIPI/2010 preceitua: Art. 585. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 284, na ocorrência das infrações abaixo: I venda ou exposição à venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais); (...) Segundo os autos, e a decisão recorrida, a recorrente efetivamente praticava venda de bebidas: A defesa funda seus argumentos nos incisos I e II do artigo 25, os quais não são a fundamentação jurídica que dá suporte à exigência do IPI no caso concreto ora em discussão. A capitulação legal utilizada pelos auditores na elaboração do lançamento tributário, com acerto, é outra e esta não foi contraditada. E assim se faz para alicerçar o argumento de que tais mercadorias somente estavam na posse da impugnante e que não se prestavam a uma futura operação de venda. Mas, este argumento não merece ser acolhido, pois as quantidades de produtos apreendidos evidenciam comercialização. Ademais, a impugnante é empresa que comercializa tais produtos. A autuada alega que “...o motorista havia trazido a mercadoria, foi verificado que os produtos estavam sem o selo. Sendo assim, o Requerente armazenou os produtos..., com a única finalidade de devolver ao distribuidor, sendo que os mesmos não estavam à venda”. 4 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 66 Analisando o Termo de Apreensão de Bebidas Alcoólicas de 13/04/2011, fls 17, verificase que os produtos apreendidos foram fabricados por 04 (quatro) fornecedores distintos, tendo em vista as informações contidas nos respectivos rótulos, a saber: INDUSTRIA DE BEBIDAS BELCHIOR LTDA, CNPJ Nº 84.044023/000198; BITTER ÁGUIA LTDA, CNPJ n. 83.270.363/000174 ou 83.270.363/000147; ADP – IND E COM DE AGUARDENTE LTDA, CNPJ n. 09.439484/000144; TOTTAL BRASIL ALIMENTOS IMP E EXP. LTDA, CNPJ n. 83.430751/000175; A circunstância de tratarse de produtos de quatro fabricantes diferentes, de domicílios diferentes, todos com falta de aposição de selo de controle do IPI, além de testemunhar contrariamente aos argumentos da defesa, afasta a boa fé e exterioriza os atributos do conluio e da sonegação, à toda evidência.. Por fim, e suportado pelos mesmos fatos acima dispostos, correta a aplicação da multa majorada, como também bem esclarece a decisão recorrida: A realidade fática dos autos somente pode se verificar em uma estrutura de conluio e sonegação, na qual os integrantes da cadeia produtiva, da produção à comercialização, se solidarizam no ilícito, o que justifica a qualificação da multa proporcional nos termos do artigo 44 da Lei n. 9430/96. É óbvio que tais produtos foram adquiridos com a finalidade de serem dirigidos a consumo , comercialização, e o fato de, eventualmente, encontraremse em um quarto fechado não lhes retira a condição de estarem “à venda”. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 26 de fevereiro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator 5 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 11829.000006/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .0 00 00 6/ 20 09 -1 4 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.126 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 6.164.968,96 (seis milhões, cento e sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e seis centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, o contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas o auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a feito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas em 2004, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresas acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam à exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento “permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno”. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.127 3 Entende o contribuinte que: “Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda à comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF”. Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n°417/2004 (e das demais instruções normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II); 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 06/03/2009 (ciência pessoal .7 fls. 03 45 83 e 117), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 212/221. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.128 4 Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 1) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante da incorporação das mercadorias, nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que, em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que, nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II— realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04 (bem como o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 757/2007), ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.129 5 do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 10/02/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1738.199 (fls. 941/953): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/04/2004 a 31/12/2004 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II, mesmo artigo, parágrafo e inciso da Instrução Normativa SRF n° 757/2007. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado – RECOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente tomou ciência do teor do acórdão pessoalmente, em 22/02/2010 (f1. 956), tendo protocolado seu recurso voluntário em 09/03/2010 (fls. 963/976), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 15/09/2011. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.130 6 É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço o recurso e passo a analisá lo. A discussão encerrada no recurso voluntário se resume nos seguintes desdobramentos: (i) saber se a fundamentação do lançamento pode ser alterado pela instância a quo; e (ii) saber se a aplicação do RECOF para exportações indiretas abrange qualquer empresa comercial exportadora ou apenas aquela modalidade regida pelo DecretoLei nº 1.248 de 1972 (trading company). Registro, por oportuno, que não se questionou em momento algum o fato de o contribuinte ter exportado as mercadorias no prazo fixado no RECOF. O recurso voluntário contém preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento de que a autoridade julgadora de 1ª instância não teria analisado a documentação que o contribuinte forneceu para demonstrar o adimplemento do regime do RECOF durante todo o período autuado, ainda que por meio de exportação indireta realizada sem a participação de trading company. Sobre essa preliminar, entendo que não assiste razão ao contribuinte na medida em que a fundamentação da decisão recorrida demonstra ser irrelevante o fato de ter ou não havido exportação indireta sem a participação de trading company. Em outras palavras, ainda que ficasse comprovada a exportação indireta sem a participação de trading company, tal fato não mudaria o curso do julgamento. Da mesma forma, entendo que não é o caso de converter este julgamento em diligência para apurar se o contribuinte realmente realizou exportações indiretas no prazo legal do RECOF. Isso porque, conforme já mencionei anteriormente, não há neste processo quem tenha argüido a ausência de exportação dos produtos do contribuinte. A questão a ser dirimida é outra, a saber: as exportações indiretas realizadas pelo contribuinte precisariam ter a participação de trading company para que pudessem ser admitidas no RECOF? As questões que pretendo julgar nesse recurso são concernentes a matérias de direito exclusivamente, razão pela qual entendo ser desnecessária a realização de diligência para confirmar a realização da exportação indireta no prazo previsto no RECOF. O primeiro aspecto merecedor de exame mais aprofundado diz respeito à possibilidade de a instância a quo lançar mão de fundamento diverso daquele utilizado pela autoridade preparadora, com o claro intuito de “salvar” o lançamento. Pois bem, no caso concreto, a instância a quo reconheceu que a legislação do RECOF admitiu a exportação indireta como forma de adimplemento das condições para a fruição do regime, sendo certo que o fundamento do auto de infração foi o descumprimento do regime em razão da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.131 7 Sobre o assunto, o art. 146 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Com base nesse dispositivo legal, verificase que a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa não poderia manter o crédito tributário em discussão com base em fundamento diverso daquele que foi utilizado no auto de infração. No mesmo sentido, transcrevo abaixo as ementas de alguns julgamentos bastante elucidativos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. (Acórdão nº 9303001.501, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/05/2011) ......................................................................................................... ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.132 8 (Acórdão nº 930301.069, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 24/08/2010) ......................................................................................................... AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE I a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1 instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de unia nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. Afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo. (Acórdão nº 320200.115, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 25/05/2010) Portanto, ao reconhecer a fragilidade dos motivos que levaram a autoridade preparadora a lavrar o auto de infração que ora se discute, a instância a quo deveria ter dado provimento à impugnação e cancelado o auto de infração, não sendo lícito decotar o auto de infração apenas para manter a parte que entendeu ser devida. Esse fundamento já seria suficiente para anular a decisão recorrida, porém, sintome compelido a analisar o segundo argumento do contribuinte, qual seja a impossibilidade de excluir do RECOF as exportações indiretas sem a participação de trading company. Sobre esse segundo aspecto do recurso voluntário, entendo que a questão é mais complexa. Com efeito, a decisão recorrida adota um entendimento restritivo quanto à amplitude das exportações indiretas que se beneficiam do RECOF. Seguem abaixo trechos do voto da relatora do acórdão proferido pela instância a quo em que essa posição fica clara: O Regulamento Aduaneiro trata da trading company nos arts. 228 a 232, em seção denominada "Das Empresas Comerciais Exportadoras", que, em conjunto com a situação de exportação com saída ficta (mercadoria exportada que permanece no país ) (arts. 233 e 234), integram o capítulo intitulado "Dos incentivos fiscais na exportação". Podese verificar que os arts. 228 a 232 do decreto prestaramse a regulamentar operações envolvendo essa natureza jurídica de empresa, na medida em que as matrizes legais foram todas do Decretolei n° 1.248/1972. (...) Portanto, notase que o referido dispositivo prevê, como forma de comprovação de adimplemento do RECOF (cumprimento dos compromissos de exportação assumidos) a venda de mercadorias a empresa comercial exportadora, desde que a mesma tenha sido Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.133 9 instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. Existe na Instrução Normativa em comento uma alusão clara à aceitação de exportações indiretas, mas somente através de empresa comercial exportadora com características bastante precisas. A referência, na legislação tributária e aduaneira, a "empresa exportadora", ou "empresa comercial exportadora", sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. Para os trechos transcritos, destaco dois aspectos, a saber: o primeiro diz respeito às matrizes legais utilizadas pelo Regulamento Aduaneiro de 2002; e o segundo diz respeito ao cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF, segundo a Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e demais instruções normativas. Quanto a esse primeiro aspecto, a instância a quo alega que o RECOF somente se aplicaria às exportações indiretas com a participação de trading companies, tendo em vista que o Regulamento Aduaneiro de 2002, na parte que trata de empresas comerciais exportadoras, referese ao DecretoLei nº 1.248 de 1972 como sua matriz legal. Por outro lado, o RECOF também está disciplinado no Regulamento Aduaneiro de 2002, sendo que os dispositivos que versam sobre o regime nada dispõem sobre as empresas comerciais exportadoras ou o referido decretolei. Com efeito, entendo que os conceitos empregados pela legislação não podem ser descontextualizados, ou seja, para efeito de fruição de incentivos fiscais na exportação, empresa comercial exportadora é aquela constituída na forma do DecretoLei nº 1.248 de 1972. Entretanto, para os fins do RECOF, empresa comercial exportadora não precisa ser necessariamente uma trading company. Pelo menos é isso o que se depreende do art. 89 do DecretoLei nº 37 de 1966, que é a matriz legal dos dispositivos do Regulamento Aduaneiro de 2002 que versam sobre esse regime. Superado esse primeiro aspecto da discussão de mérito suscitada no recurso voluntário, é importante entender o contexto do art. 6º, § 4º, II, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, in verbis: Art. 6º (omissis) § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: (...) II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Esse dispositivo pode ser interpretado de duas maneiras diferentes. Em uma primeira abordagem, o seguinte raciocínio poderia ser estabelecido: se para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF o estabelecimento industrial somente pode considerar as exportações indiretas com a participação de trading companies, é porque o RECOF não se aplica a outros tipos de Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.134 10 exportação indireta. Essa é a interpretação dada pela instância a quo. Aliás, essa interpretação também já foi objeto de solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região Fiscal. Confirase: Processo de Consulta nº 33/10 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 6ª. Região Fiscal Assunto: REGIMES ADUANEIROS Ementa: RECOF. COMPROMISSO DE EXPORTAR. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. A empresa beneficiária do Recof que vender produtos que industrializou com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, poderá computar os valores dessa venda para efeito de comprovação do cumprimento da obrigação de exportar, se o desembaraço da declaração de exportação dos produtos, cujo embarque tenha sido averbado ou que tenha transposto fronteira, ocorrer antes de esgotarse o prazo fixado para a permanência no Recof das mercadorias importadas utilizadas na industrialização do produto vendido. COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃO. O documento que comprova a exportação de produto industrializado com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no Recof, vendido para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, é o emitido pelo Siscomex. DISPOSITIVOS LEGAIS: Regulamento Aduaneiro (Decreto Nº 6.759, de 2009 RA/2009), artigos 420 a 426; Instrução Normativa RFB Nº 757, de 2007, artigos 6º e 29; Instrução Normativa SRF Nº 28, de 1994, artigos 50, 51 e 66. SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe (Data da Decisão: 23.03.2010 26.03.2010) 828731 A outra interpretação possível se expressa pela seguinte lógica: uma coisa é o compromisso de exportação e a sua comprovação; outra totalmente diferente é o cumprimento das condições para a extinção do regime, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004. Desse modo, a exportação indireta sem participação de trading company, desde que realizada no prazo previsto no RECOF, seria suficiente para converter em isenção a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes na importação dos insumos aplicados no processo de produção dos produtos exportados, ainda que tais operações não fossem computadas para fins de comprovação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime. Essa é a interpretação do contribuinte, que, todavia, carece de fundamentação mais detalhada. Neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o RECOF já foi analisado sob outros primas, não havendo, contudo, qualquer precedente que verse sobre os aspectos aqui enfrentados. Tomei conhecimento de um julgamento convertido em diligência no Processo nº 10830.720227/200901, que está sob a relatoria do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, integrante da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Entretanto, conforme se depreende da leitura da Resolução nº 3102000.184 (fl. 8.688), a referida diligência tem por Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.135 11 objetivo atestar a efetiva exportação das mercadorias, independentemente do veículo de exportação, vale dizer, trading company ou empresa comercial exportadora comum. Para os fins da abordagem aqui empreendida, entretanto, penso que qualquer diligência é dispensável, conforme justificado anteriormente. As questões a serem analisadas para dirimir esse desdobramento do recurso voluntário são de direito. Nesse sentido, é preciso entender se a lei que instituiu o RECOF outorga o disciplinamento do regime a normas infralegais, bem como se tais normas infralegais foram editadas em conformidade com a referida lei. Outro aspecto importante a ser analisado diz respeito à equiparação entre o RECOF e o Drawback. Analisando o RECOF como um Drawback de larga escala, penso que é relevante verificar se há no Drawback alguma restrição às exportações indiretas sem a participação de trading companies. É o que passo a fazer. Conforme já mencionado, a base legal do RECOF são os arts. 89 a 91 do DecretoLei nº 37 de 1966, que assim dispõem: Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. (...) § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Como se percebe, os dispositivos transcritos fazem várias referências a outras normas legais e regulamentares, demonstrando claramente a necessidade do disciplinamento do RECOF. Da mesma forma, as disposições dos Capítulos III e IV da referida lei também fazem referências reiteradas ao “regulamento”. À época dos fatos, conforme também já mencionado, vigorava o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543 de 2002, que disciplinava o RECOF em seus arts. 372 a 380. Tal regulamento outorgou à Secretaria da Receita Federal o poderdever de expedir atos normativos para a habilitação do beneficiário do regime, bem como outras normas complementares para tratar da aplicação do regime. Confirase: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.136 12 Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 1o). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei no 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. (...) Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 3o). Pareceme interessante ressaltar que tanto a lei quanto o regulamento nada dispõem sobre o tipo de exportação necessário para comprovar o atendimento ao compromisso de exportação. O disciplinamento surgiu apenas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que, em seu art. 6º, § 4º, I, restringiu as exportações indiretas àquelas realizadas por intermédio de trading companies. Não havendo, pois, qualquer base legal que sustente a restrição contida no dispositivo da referida instrução normativa, entendo que a Secretaria da Receita Federal extrapolou a competência que lhe foi outorgada diretamente pelo Regulamento Aduaneiro de 2002 e indiretamente pelo DecretoLei nº 37 de 1966. Apenas para fins de ratificação do entendimento acima, é interessante notar que a doutrina pátria faz uma comparação entre o RECOF e o Drawback, que prevê expressamente a exportação indireta como forma de aperfeiçoamento da condição imposta pelo regime para que a suspensão dos tributos se converta em isenção. O RECOF seria um Drawback de larga escala. É o que se lê no excerto abaixo transcrito: 8.1.3.5. Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) 8.1.3.5.1. Conceito O RECOF é um regime jurídico aduaneiro especial definido no artigo 2º da IN RFB 757, de 25 de julho de 2007: (...) Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.137 13 A partir do artigo transcrito, surge a inevitável comparação: o Drawback não tem as mesmas características, ou seja, suspensão dos tributos, industrialização e posterior exportação? Sim. A diferença é que o Drawback é um regime concedido no “varejo”, ou seja, concedido pelo DECEX para cada plano de exportação apresentado. Para grandes indústrias, que muito exportam, é contraproducente ter que solicitar o regime a cada plano de exportação. Para estas, o Governo brasileiro, interessado em incentivar as exportações e desburocratizar a concessão da suspensão dos tributos para as matériasprimas importadas, criou o RECOF. Este regime é, por este motivo, conhecido como um “Drawback de grandes proporções” ou “Drawback continuado”. (...) 8.1.3.5.3. Algumas Diferenças em Relação ao Drawback Além da diferença em relação à concessão – o Drawback é concedido pelo DECEX a cada plano de exportação e o RECOF, concedido pela Receita Federal para todas as importações da pessoa jurídica – este regime difere do Drawback no que tange à destinação das mercadorias. Como se pode constatar no art. 2º da IN RFB nº 757/2007, transcrito anteriormente, parte das matériasprimas poderá ser despachada para consumo, bastando que se recolham os tributos incidentes na importação. Já no Drawback, como a concessão é para um compromisso de exportação assumido pelo exportador (para justamente obter os benefícios do Drawback), ele é obrigado a exportar. Se colocar no mercado interno mercadoria que está no regime de Drawback, serão cobrados os tributos acrescidos de multa e juros, como vimos no tópico 8.1.3.3.3. Uma outra diferença entre os regimes é acerca da cobertura cambial. No Drawback, vimos que existe uma operação especial conhecida como “Drawback sem Cobertura Cambial”, ou seja, o Drawback é concedido para mercadorias com cobertura cambial, somente sendo permitida uma exceção. Em relação ao RECOF, o art. 3º da IN nº 757/2007 expressamente permite importações com ou sem cobertura cambial. De acordo com o art. 22 da IN RFB nº 757/2007, “as importações ao amparo do regime promovidas por pessoa jurídica habilitada estarão sujeitas ao tratamento de Linha Azul...”, ou seja, o despacho sofrerá o rito acelerado estudado no tópico 5.3.2. No Drawback, não existe esta facilitação. No Drawback, qualquer mercadoria que se destine a industrialização é passível de obtenção do regime. Mas, no RECOF, a IN SRF (sic) nº 757/2007 relaciona as espécies de bens que podem ser importadas. São bens da indústria aeronáutica, automotiva, de informática ou de telecomunicações e de semicondutores e de componentes de alta tecnologia para eletrônica, informática ou telecomunicações. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.138 14 (LUZ, Rodrigo. Comércio internacional e legislação aduaneira: teoria e questões. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, PP.300/302) A partir da leitura dessa citação, depreendese que a exportação indireta não é apontada como uma das distinções entre o RECOF e o Drawback. Logo, se a exportação indireta é admitida no Drawback, com muito mais razão deve ser admitida no RECOF, eis que este é um regime que aproveita a grandes indústrias, que, por sua vez, ajudam a balança comercial brasileira a se manter positiva. A propósito, transcrevo abaixo como a questão da comprovação do compromisso de exportação do Drawback era tratada pela Secretaria de Comércio Exterior no período compreendido pela autuação: Portaria SECEX nº 14 de 2004 Art.133. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 60. Ora, considerando que o RECOF foi criado para facilitar o cotidiano de estabelecimentos industriais que dependiam de inúmeros requerimentos de habilitação no regime de Drawback, não é razoável admitir a criação de uma restrição sem amparo legal, veiculada por meio de instrução normativa, quando a própria regulamentação do Drawback admite que o compromisso de exportação seja comprovado por meio de exportações indiretas realizadas sem a participação de trading companies. Apesar de estar convencido que o recurso de ofício não deve ser provido e que o recurso voluntário deve ser provido independentemente de qualquer diligência, curvome ao entendimento majoritário do colegiado no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja verificada a efetiva exportação relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, deverá ser dada vista à Recorrente para se manifestar, se assim entender necessário, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.139 15 Após, devem ser encaminhados os autos para vista à Procuradoria da Fazenda Nacional da diligência realizada. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro – ou quem lhe fizer as vezes – para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15374.906859/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 11 de maio de 2004, referente a crédito decorrente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 85 9/ 20 08 -1 9 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 227 2 alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 8.425,33, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão em 30/7/2008, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando que pagara a maior a Cofins devida em outubro de 2003, tendo informado, equivocadamente, na DCTF, que o valor pago corresponderia ao valor da contribuição apurada. Segundo o então Manifestante, com o intuito de regularizar definitivamente a incongruência das informações prestadas, apresentara, em 12/8/2008, com fundamento no art. 11, § 1°, da Instrução Normativa RFB nº 786/2007, a DCTF retificadora, declaração essa que refletiria a real situação do período sob análise. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do DARF, das DCTFs original e retificadora, do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 16 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de março de 2012 e reiterou seu pedido de homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos, além do que já havia sido apresentado na manifestação de inconformidade, cópias de parte do Livro Diário e do Livro Razão, que, segundo ele, demonstrariam o crédito pleiteado. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 228 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento efetuado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro II/RJ por ausência de provas que pudessem infirmar a decisão impugnada. A par da decisão da Delegacia de Julgamento, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópias de parte da escrituração contábilfiscal que, de acordo com seu entendimento, seriam bastantes à comprovação do direito creditório pleiteado. Em conformidade com o art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. A DCTF retificadora trazida aos autos por cópia pelo contribuinte no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade foi considerada pela autoridade julgadora como insuficiente à comprovação do direito reclamado, dado que desacompanhada da escrituração contábilfiscal, situação essa configuradora da preclusão, tendo em vista que a prova não fora produzida no momento processual adequado. Ao ser alertado pelo julgador de piso acerca da necessidade de comprovação dos dados declarados, o Recorrente carreia aos autos novos elementos probatórios, estes extraídos 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 229 4 de sua escrituração contábilfiscal, cuja aptidão à comprovação do indébito reclama por uma análise minuciosa dos valores e demais dados envolvidos. Contudo, antes de se adentrar à análise da documentação trazida aos autos apenas em grau de recurso, necessário se torna perquirir acerca da possibilidade de seu acolhimento em face das regras de preclusão previstas no Decreto nº 70.235, de 1972. A meu ver, a preclusão processual, associada ao princípio constitucional da celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como os princípios da vedação ao enriquecimento ilícito e da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de processamento eletrônico, a partir de cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental é suscitada somente na decisão de primeira instância, situação essa que faz incidir a ressalva presente na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dado que o Recorrente está apresentando provas em contraposição às razões posteriormente trazidas aos autos pela Delegacia de Julgamento. No despacho decisório, somente os dados relativos ao pagamento efetuado e aos declarados em DCTF foram objeto de questionamento por parte da autoridade administrativa, não tendo havido, até então, qualquer referência à escrituração contábilfiscal do sujeito passivo e aos documentos que a lastreiam. Somente a partir da decisão de primeira instância a questão da prova escritural é apontada como elemento imprescindível à apreciação da matéria controvertida. Ainda que o Recorrente estivesse obrigado a demonstrar o direito alegado desde o primeiro momento de sua intervenção no processo, ele o fez com base nos elementos probatórios por ele considerados suficientes à comprovação de suas alegações, tendo havido a arguição da necessidade de apresentação da prova escritural apenas na decisão da Delegacia de Julgamento, após o que ele traz aos autos as provas reclamadas pelo julgador a quo. Como nos ensina Leandro Paulsen, Renê Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka2, o rigor da regra da preclusão no Processo Administrativo Fiscal (PAF), relativamente à juntada de documentos após a impugnação, “viola frontalmente o princípio da ampla defesa e impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo”, tendo relevância o art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe “que é direito do administrado a apresentação das alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da decisão”. Ainda que a Lei nº 9.784, de 1999, se aplique ao PAF somente de forma subsidiária, seus dispositivos devem ser considerados e interpretados conjuntamente com as regras específicas que regem o contraditório administrativo, em busca da norma aplicável a cada caso levado à apreciação da autoridade julgadora administrativa. 2 PAULSEN, Leandro, ÁVILA, René Bergmann, SLWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado e Editora, 2012, pp. 119 a 122. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 230 5 Feitas essas considerações, passase à análise dos elementos probatórios presentes nos autos, considerando que todos os anexos ao recurso voluntário foram autenticados pela repartição de origem. Consta do PER/DCOMP (fls. 2 a 6) que o contribuinte pretendia compensar crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, do período de apuração outubro de 2003, com débito de Cofins devida em novembro do mesmo ano, este no montante de R$ 8.425,33. Segundo o PER/DCOMP, a DCTF Retificadora (fl. 182), o DARF (fl. 16) e o despacho decisório (fl. 9), fora recolhido aos cofres públicos, em 14 de novembro de 2003, a título de Cofins devida em outubro de 2003, o valor de R$ 31.227,24, do que, segundo o Recorrente, exsurgira um indébito no montante de R$ 8.425,33, em valor atualizado pela Selic de R$ 8.540,76, pelo fato de que a contribuição devida no período seria de R$ 22.801,91. No livro Diário Geral (fl. 186), devidamente registrado na Junta Comercial e acompanhado dos termos de abertura e encerramento, consta, em 30/11/2003, a compensação de Cofins paga a maior de R$ 8.425,33, que corresponde ao indébito alegado pelo Recorrente. De acordo com o Razão Analítico (fl. 191), o valor pago da contribuição de outubro de 2003 foi de R$ 22.801,91, que, apesar de não coincidir com o valor constante do DARF, corresponde exatamente ao valor que o Recorrente alega ser o devido no período, constando ainda do livro Razão (fl. 196) um pagamento a maior da Cofins de outubro de 2003 no montante de R$ 8.425,33. Verificase, portanto, que a escrituração contábilfiscal vai ao encontro dos argumentos de defesa do Recorrente, coincidindo com os valores declarados na DCTF retificadora (fl. 182). Contudo, as partes dos livros contábilfiscais trazidas aos autos se referem, todas elas, à escrituração do mês de novembro de 2003, mês em que a contribuição devida em outubro fora recolhida. Dessa forma, não consta dos autos a base de cálculo da contribuição devida em outubro de 2003, o que impede que se conclua, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado, havendo necessidade de se obterem junto à pessoa jurídica informações e/ou documentos adicionais relativos à escrituração do mês de outubro de 2003. Diante do exposto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa, com base na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica e, se necessário, nos documentos fiscais que a lastreiam, informe a este Colegiado a base de cálculo da contribuição apurada no mês de outubro de 2003, assim como o valor da contribuição devida no mesmo período, e se eventual indébito apurado no período se encontra ainda disponível para a compensação pleiteada neste processo. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 231 6 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10435.721903/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE.
A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 19 03 /2 00 9- 18 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 146 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 16/11/2009 para constituição de crédito de contribuições previdenciárias, referentes às competências 01/2006 a 12/2008 (inclusive décimo terceiro). O valor do crédito tributário é de R$ 1.465.643,65 já incluídos os juros de mora e as multa de mora e de ofício. Conforme Relatório Fiscal de fls. 29/32, foi lavrado Auto de Infração relativo às contribuições destinadas à seguridade social (contribuições previdenciárias que devem ser descontadas dos segurados e recolhidas pela empresa), no período de 01/2006 a 12/2008, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados (comissionados, mandato eletivo e contrato de trabalho). Também relata a autoridade fiscal que considerou, na aplicação das multas, o contido no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte. Consta ainda do relatório fiscal que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP por configuração, em tese, de crime contra a Seguridade Social. Após ciência pessoal da autuação em 19/11/2009, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 40/58. A DRJ Recife, conforme acórdão de fls. 91/94, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 25/03/2011 (fls. 96), interpôs, em 25/04/2011, o recurso de fls. 98/140, no qual alega, em apertada síntese, que: * ausência de individualização dos segurados; * não obrigatoriedade de retenção e recolhimento pela empresa da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas; * ilegalidade da majoração da alíquota do RAT para entes públicos (Decreto n° 6.042/2007), diante da inexistência de aumento generalizado do risco de acidentes de trabalho nas atividades exercidas pelos agentes públicos. Ademais, a recorrente estaria protegida por decisão judicial proferida no processo n° 2009.83.02.0005407; * impossibilidade de aplicação de multa por recolhimento fora do prazo para as pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007; * caso seja mantida a aplicação da multa, requer a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário, com a finalidade de ver reformada a decisão guerreada e, como conseqüência, anular o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi GILRAT. Enquadramento. Ação Judicial. A recorrente alega a ilegalidade da majoração da alíquota do RAT para entes públicos (Decreto n° 6.042/2007), diante da inexistência de aumento generalizado do risco de acidentes de trabalho nas atividades exercidas pelos agentes públicos. Ademais, a recorrente estaria protegida por decisão judicial proferida no processo n° 2009.83.02.0005407; No entanto, como bem apontado na decisão a quo, o presente lançamento inclui apenas contribuições a cargo dos segurados empregados, descontadas de sua remuneração pela recorrente, não havendo qualquer exação lançada a título de RAT/SAT, de sorte que as alegações da recorrente não guardam relação com o Auto de Infração em comento. Portanto, a questão não será apreciada por esta instância julgadora. Contribuição do Segurado Contribuinte Individual. Responsabilidade pelo Recolhimento. Aduz a recorrente que não estaria obrigada à retenção e respectivo recolhimento da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas. No entanto, como afirmado anteriormente, o presente lançamento inclui apenas contribuições a cargo dos segurados empregados, descontadas de sua remuneração pela recorrente, não havendo qualquer exação lançada incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais, de sorte que as alegações da recorrente não guardam relação com o Auto de Infração em comento. Portanto, a questão não será apreciada por esta instância julgadora. Ausência de Individualização dos Segurados. Alega ainda a recorrente vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados. O inconformismo da recorrente foi devidamente rechaçado pela decisão a quo: Às fls. 63/389 do AI 37.249.5940, o autuante juntou, mês a mês, cópia do resumo das folhas de pagamento, possibilitando ao autuado o contraditório e a ampla defesa, bem como conhecer quem são os segurados envolvidos no presente lançamento, haja Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 vista que, compulsando as folhas de pagamento correspondente aos resumos juntados, fica óbvio o conhecimento dos obreiros sobre cujas remunerações incidiram os descontos efetuados pelo próprio autuado. Ressaltese que tanto os resumos juntados como as folhas de pagamento correspondentes estão de posse do autuado, bastando que o mesmo se digne a consultálas, como fez o auditor autuante por ocasião do procedimento fiscalizatório. Outrossim, tratandose de lançamento de contribuições descontadas da remuneração dos segurados, tanto a base de cálculo quanto a alíquota incidente foram calculadas pelo próprio autuado em folha de pagamento, não podendo o mesmo agora alegar que não sabe qual base e qual alíquota determinaram a contribuição. Contudo, caso o autuado detectasse, em consulta às folhas de pagamento que deram origem ao lançamento e que, reafirmamos, estão em sua posse, qualquer divergência com os valores apurados, bastaria apresentálas para fazer prova a seu favor. Porém, como não o fez, é de se manter intactos os valores lançados Portanto, forte nos argumentos do acórdão a quo, concluise que não merece guarida o pleito da recorrente de reconhecimento de vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados. Multa. Entes Públicos. A recorrente alega ainda a impossibilidade de aplicação de multa por recolhimento fora do prazo para as pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007. A redação original do § 9° do artigo 239 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispensava as pessoas jurídicas de direito público do pagamento de multas calculadas como percentual do crédito. Todavia, a partir de fevereiro de 2007, com o advento do Decreto 6.042/2007, a redação do referido dispositivo foi alterada, revogandose tacitamente a vedação à imposição de multa às pessoas jurídicas de direito público. E vejase que, no caso dos autos, não foi aplicada penalidade referente ao período anterior a fevereiro de 2007, quando ainda não estava em vigor a nova redação do art. 239, § 9º, do Regulamento da Previdência Social. Diante do exposto, fazse apropriada a atribuição da penalidade à pessoa jurídica, nas competências posteriores a janeiro de 2007, tal como lavrado o Auto de Infração. Cumpre ainda destacar que a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre o custeio da Seguridade Social, equipara os órgãos e entidades da administração pública a empresas em geral, in verbis: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 148 7 Lei n° 8.212/91 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Assim, a lei atribui, às pessoas jurídicas de direito público, o mesmo tratamento, no que toca as obrigações e ônus decorrentes das contribuições previdenciárias. Inclusive, a Advocacia Geral da União, já emitiu o Parecer, datado de 18/02/2004, aprovado nos termos do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no sentido da legitimidade da aplicação de multas aos entes públicos e, conseqüentemente, da ilegalidade da previsão antes contida no art. 239, § 9º: Parecer nº AC – 16 Adoto nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União, para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER Nº AGU/GV01/04, de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do Consultor da União, Dr. GALBA MAGALHÃES VELLOSO, e submetoo ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40 da referida Lei Complementar.Brasília, 12 de julho de 2004. ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA AdvogadoGeral da União (*) A respeito deste Parecer o Excelentíssimo Senhor Presidente da República exarou o seguinte despacho: Aprovo. Em 12 de julho de 2004. PARECER Nº AGU/GV 01/2004 PROCESSO Nº 46010.001869/200223 ASSUNTO: PARECERES H31366, H71768, H78269, L 038, L102 E SR12 DA EXTINTA CONSULTORIA GERAL DA REPÚBLICA. INAPLICABILIDADE DE MULTAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. ART. 295 DO DECRETO Nº 72.77173. REEXAME.EMENTA: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 XIV. O Decreto e a Lei referidos no Parecer L038 não mais subsistem, o que torna o parecer superado como pronunciamento acerca do direito positivo, por n ão ser ele calcado em princípio geral que sobrevivesse a mutações legislativas, mas apenas naquelas disposições específicas a respeito da questão previdenciária, hoje regida pelas Leis nºs 8.212 e 8.213/91, bem como pelo Decreto nº 3.048/99, o qual, assinalese, traz em seu artigo 239, § 9º, dispositivo que isenta de multa por atraso de recolhimento as pessoas jurídicas de direito público, as massas falidas e missões diplomáticas, o que não encontra amparo na lei regulamentada, que disso não trata. XV. Este Decreto é o único e indevido impedimento para a Previdência cobrar multas de pessoas jurídicas de direito público. Ilegal em face da Lei que regulamenta, é inconstitucional por estabelecer o que não pode, além de ferir o princípio da isonomia, bem como da moralidade, eficiência, legalidade e impessoalidade previstos no Art. 37 da Constituição. (...) (destaques nossos) Portanto, correta a interpretação dada à aplicação das multas às pessoas jurídicas de direito público pela autoridade fiscal e pelo órgão de julgamento a quo, não merecendo prosperar o inconformismo da recorrente. Multas. Direito Intertemporal. A recorrente invoca, por fim, quanto à aplicação da multa, a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. De largada, é preciso ressaltar que estamos tratando apenas das competências posteriores a janeiro de 2007, pois, como visto no tópico acima, para o período anterior, nenhuma multa foi lançada no Auto de Infração em comento. Para a devida apreciação do pleito da recorrente, é preciso recapitular o histórico legislativo a respeito das multas que acompanham o lançamento das obrigações tributárias. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 149 9 a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 150 11 ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN , prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que aplicase a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente até 03 de dezembro de 2008, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, para as competências até novembro de 2008, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, no período que nos importa destacar (após janeiro de 2007), a autoridade fiscal foi levada ao equívoco de que, exclusivamente para a competência de 13/2007 (décimo terceiro), a legislação superveniente (atual) seria mais benéfica (multa de ofício de 75%). Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Por fim, é de se esclarecer que o aludido comparativo foi feito somente até a competência novembro de 2008, em razão de a Medida Provisória n° 449 ter sido editada em dezembro de 2008, de forma que nenhuma dúvida há quanto a legitimidade do lançamento da multa de ofício de 75% para as competências 12 (dezembro) e 13 (décimo terceiro) de 2008 (artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. art. 44 da Lei n° 9.430/96). Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721903/200918 Acórdão n.º 2302002.771 S2C3T2 Fl. 151 13 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15868.720003/2013-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO
Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.754
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720003/201363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.754 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente IZABEL CRISTINA BRUNO BOREGGIO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 03 /2 01 3- 63 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão que bem sintetiza a situação posta. Tratase de créditos tributários constituídos pela fiscalização em relação ao interessado acima identificado, por meio dos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 51.007.7528, no valor de R$ 352.861,73, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pela empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. AI DEBCAD nº 51.007.7536, no valor de R$ 55.781,30, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados contribuintes individuais (não retidas). AI DEBCAD nº 51.007.7544, no valor de R$ 62.987,49, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos.Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 12/2010. Conforme Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 147797, de 22 de agosto de 2008, a empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, data em que passaram a ser devidas as contribuições patronais. Não obstante, a empresa informou em GFIP, para as competências a partir de 01/2009, a opção pelo Simples Nacional. Em decorrência, ela deixou de informar e de recolher as contribuições patronais a que estava sujeita. O r. acórdão – fls 385 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os autos de infração lavrados. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Não foi comunicada da sua exclusão do SIMPLES, a qual deve ser afastada de pronto. · Considerando a recorrente regularmente inscrita no SIMPLES, não há crédito fiscal a ser apurado. · Inexistência de pagamentos a título de prolabore. · Abusividade da multa aplicada, que deve ser reduzida a 20% (vinte por cento) Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer o provimento do recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado. Requer ainda que a Delegacia de Araçatuba junte cópia integral do procedimento que culminou no Ato Declaratório Executivo 147.797. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA ADESÃO AO SIMPLES. EMPRESA EXCLUÍDA Os autos se referem ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Observase assim que abrange período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado, em razão de sua exclusão através do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA nº 147797, de 22 de agosto de 2008, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Nesse sentido, temos a súmula 77 do CARF: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões, ou possíveis irregularidades no processo de exclusão do SIMPLES – o que deve ser feito em processo próprio – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 7 6 Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. DO PROLABORE O relatório fiscal de fls 58 e ss detalha as bases de cálculo consideradas, informando que os valores foram extraídos das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP´s entregues, documento elaborado pelo próprio recorrente, onde informa todos os fatos geradores de contribuições sociais, sendo instrumento bastante para a lavratura da respectiva autuação uma vez que contém todos os elementos necessários ao lançamento. A alegação de que não recebia prolablore resta desnaturada pela própria declaração da empresa, que o registra de forma reiterada nas competências lançadas. A lei 8212/91, e seu decreto regulamentador, n° 3.048/99, em seus arts. 32 e 225 §1°, respectivamente, determinam ainda que os dados declarados em GFIP são suficientes ao lançamento, transcrevemos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 225. (...) §1°. As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 8 7 concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. . De posse dos valores de prolabore declarados pelo contribuinte, o fisco apenas transferiu essa importância para a presente autuação, pois está tudo informado em GFIP. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o que declarado em GFIP e devidamente lançado. DA MULTA APLICADA A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. O lançamento de ofício, caso dos autos, atrai a aplicabilidade do art. 35A da lei 8212/91, no montante de 75%, como realizado: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720003/201363 Acórdão n.º 2803002.754 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723520/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Ementa:
VENDA CONJUNTA DE UNIDADES CONDENSADORA E EVAPORADORA. CARACTERIZAÇÃO DE VENDA DE AR CONDICIONADO COMPLETO.
A venda conjunta de unidades condensadora e evaporadora de aparelhos de ar condicionado do tipo Split, Multisplit, Splitão e SelfContained compatíveis entre si e sempre em situações que indiquem a venda para instalação conjunta, à vista da Regra Geral de Interpretação n. 2a da Nesh, implica a caracterização do produto como ar condicionado, para efeito de classificação fiscal.
Mesma classificação deve-se dar às vendas conjuntas de aparelhos de condicionamento de ar compostos por chiller/módulos trocador de calor/módulo ventilação.
CHILLER. SAÍDAS ISOLADAS.
Os chiller, vendidos isoladamente e destinados a unidades de ar condicionado, têm posição específica na TIPI. Código NCM 8418.6940 Ex. 01.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3402-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fará declaração de voto o conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca.
assinado digitalmente
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Winderley Morais Pereira e Luiz Carlos Shimoyama.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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CARACTERIZAÇÃO DE VENDA DE AR CONDICIONADO COMPLETO. A venda conjunta de unidades condensadora e evaporadora de aparelhos de ar condicionado do tipo “Split”, “Multisplit”, “Splitão” e “SelfContained” compatíveis entre si e sempre em situações que indiquem a venda para instalação conjunta, à vista da Regra Geral de Interpretação n. 2a da Nesh, implica a caracterização do produto como ar condicionado, para efeito de classificação fiscal. Mesma classificação devese dar às vendas conjuntas de aparelhos de condicionamento de ar compostos por “chiller”/módulos trocador de calor/módulo ventilação. “CHILLER”. SAÍDAS ISOLADAS. Os “chiller”, vendidos isoladamente e destinados a unidades de ar condicionado, têm posição específica na TIPI. Código NCM 8418.6940 Ex. 01. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 35 20 /2 01 1- 12 Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 205 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fará declaração de voto o conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca. assinado digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Winderley Morais Pereira e Luiz Carlos Shimoyama. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, consoante capitulação legal indicada, foi lavrado auto de infração, em 27/06/2011, pelas Auditoras Fiscais da Receita Federal do Brasil Aricelia Maria Longo Milanese e Jacqueline Nicastro Fajardo, para exigir R$ 15.765.425,26 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 5.725.220,25 de juros de mora calculados até 31/05/2011, e R$ 11.824.068,85 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 33.314.714,36. Na descrição dos fatos, que remete ao “termo de verificação e encerramento da ação fiscal”, as autoridades fiscais dão conta de que a empresa promoveu a saída de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento e recolhimento do imposto, no período discriminado na ementa deste Acórdão, em virtude de erro de classificação fiscal: a) “chiller”, NCM 8418.69.40, Ex 01, capítulo 7 do termo de verificação; enquadramento do sujeito passivo: 8418.6999; b) sistemas condicionadores de ar do tipo “Split, Multisplit, Splitão e SelfContained”, NCM 8415.10.11, capítulos 4 e 5 do termo de verificação; enquadramentos do sujeito passivo: unidade evaporadora, 8415.8210, e unidade condensadora, 8418.6999; c) aparelhos de condicionamento de ar compostos por “chiller”/módulos trocador de calor/demais módulos, NCM 8415.10.11, capítulos 4 e 6 do termo de verificação; enquadramento do sujeito passivo: módulo trocador de calor, 8419.5090, e módulo ventilação, 8414.5990. Excertos importantes do termo de verificação fiscal: Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 206 3 “Através do Termo de Intimação nº 06, o contribuinte foi intimado a se manifestar sobre os motivos da classificação dos aparelhos condicionadores de ar, como partes, quando vendidos conjuntamente. Em resposta, a empresa informou que as evaporadoras eram importadas e recebiam a classificação como evaporadoras. Já as condensadoras e trocadores de calor eram fabricados na própria empresa e recebiam a classificação própria destas partes. Entre outros motivos justificou que "tendo em vista que a evaporadora quando da saída vai em apartado da condensadora ou trocador de calor, não é possível classificálas como uma unidade de arcondicionado". 4 – DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 8415 DA TIPI Conforme já referido, a fiscalizada dedicase à produção e importação de equipamentos de refrigeração, com destaque para os sistemas e aparelhos de condicionadores de ar. A análise dos arquivos de notas fiscais indica que somente parte das saídas de mercadorias está classificada na posição da TIPI própria dos condicionadores de ar. Diante disto, passamos a analisar os requisitos previstos na TIPI e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) para o enquadramento na TIPI na posição 8415 (Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente). Segundo a NESH, a posição 8415 abrange: "Os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera, sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contêm, às vezes, elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc, bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 207 4 Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram, o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de arcondicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de splitsystems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo splitsystem não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: a) quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; b) quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); c) quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa) ". A indicação da NESH referida no parágrafo anterior revestese de especial importância, pois, como se sabe, a alteração da temperatura ambiental impacta a umidade do ar do ambiente por condensação, sendo que a água líquida formada neste Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 208 5 processo é retirada através de drenos que integram os equipamentos. Merece menção, ainda, as Notas nº 3 e 4, Seção XVI da TIPI/2006: 3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4.Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Em resumo, se um aparelho destinado a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob duplo aspecto da temperatura e da umidade e for integrado por um ventilador com motor para circulação do ar e um evaporador de grupo frigorífico ou outro elemento de arrefecimento (ou seja, um trocador de calor que modifique ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar), ele será, obrigatoriamente, classificado na posição 8415. E, como referido acima, quando máquinas de espécies diferentes desempenham conjuntamente as funções de arcondicionado, também serão classificadas na posição 8415, ainda que, individualmente, não apresentem os atributos exigidos para esse enquadramento. Outro ponto importante a ser destacado é que esses equipamentos podem ser alimentados por fluido resfriado produzido em outro equipamento (uma unidade condensadora de split ou um chiller, por exemplo) e não perderão a condição necessária à classificação na posição 8415, haja vista que continuarão tendo um ventilador a motor e um trocador de calor (serpentina ou outro elemento de arrefecimento) que, ao permitir a circulação do fluido frio, modificará a temperatura ambiental e, por condensação, a umidade do ar. Nesses casos, como já referido no parágrafo anterior, a unidade condensadora ou o chiller, ao desempenharem conjuntamente com outro dispositivo as funções de arcondicionado, também deverão ser classificados na posição 8415. Sendo assim, não foi acatado o argumento da empresa em resposta ao Termo de Intimação nº 06 de que não seria possível classificar evaporadora e condicionadora/trocador de calor como unidade de arcondicionado tendo em vista que quando na saída das evaporadoras estas tinham a mesma classificação Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 209 6 fiscal da entrada na importação e nas saídas das condensadoras, fabricadas pela própria empresa, estas saíam com a classificação fiscal correspondente a esta "parte". Esta fiscalização entendeu que estas saídas caracterizam a venda de conjuntos que formam Aparelhos de Arcondicionado, por se tratar de saídas conjuntas de unidades evaporadoras/condensadoras ou condensadoras/trocares de calor/módulos ventilador/outros módulos para o mesmo cliente, em datas coincidentes ou próximas. Portanto, classificados na posição 8415. Do exposto acima concluise que os conjuntos formados pelas máquinas relacionadas abaixo constituem aparelhos de ar condicionado,mesmo que, conforme argumento da fiscalizada, uma das partes tenha sido importada e a outra parte fabricada pela própria empresa: a) unidades condensadoras acompanhadas de unidades evaporadoras ou de módulos trocador de calor e módulos ventilador/evaporador; b) chiller/resfriadores de líquido acompanhados de módulos trocador de calor e opcionalmente outros módulos como ventilador (quando não integrado ao trocador de calor), caixa de mistura, caixa de filtragem, etc. Do exame das notas fiscais de vendas dos aparelhos de ar condicionado, a fiscalização constatou que a fiscalizada emitia notas fiscais distintas para as partes (por exemplo unidade condensadora numa nota fiscal e unidade evaporadora em outra nota fiscal). Entretanto, restou demonstrado que as vendas, da forma como foram efetuadas, resultam na formação de conjuntos. Por exemplo: NF 14854711 evaporadores highwall 12000 e NF 148548 11 condensadores highwall 12000. As duas NF foram emitidas para o mesmo cliente. Observamos que pode haver conjuntos formados por apenas uma unidade condensadora com várias unidades evaporadoras, caso dos multisplit. Por exemplo: NF 156818 8 evaporadores highwall 12000 e NF 1568194 condensadores multisplit 24000, ambas para o mesmo cliente. O trabalho da fiscalização, conforme "Demonstrativo das Saídas Conjugadas dos Aparelhos de Arcondicionado" e "Demonstrativo de Saídas de Sistema de Condicionamento de Ar (Chiller/Trocador de Calor/Demais Módulos)", relacionou as saídas formando conjuntos, mesmo que em notas fiscais distintas e datas, se não coincidentes, próximas. Nos demonstrativos foram mantidas todas as unidades vendidas, mesmo as tributadas com alíquota correta, já que assim fica demonstrada a formação dos conjuntos, que estão sujeitos a alíquota de 20%, sendo demonstrado ainda o valor do IPI que deixou de ser recolhido. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 210 7 5.DOS CONDICIONADORES DE AR DO TIPO SPLIT/MULTISPLIT/SPLITÃO E SELFCONTAINED Entre os condicionadores de ar produzidos/importados pelo contribuinte, destacase uma ampla linha de aparelhos dos tipos "'splitsystem" e "selfcontained', constituídos por unidades evaporadoras (ou por módulos trocador de calor e opcionalmente outros módulos, como ventilador, quando não integrado ao trocador de calor) que atuam conjuntamente com uma unidade condensadora com dispositivo que modifica, simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas de arcondicionado. As linhas e modelos de condicionadores de ar estão descritos em catálogos específicos fornecidos pelo contribuinte. Os condicionadores de ar, objeto do presente capítulo, conforme descrição acima, são compostos de partes: O condensador que fica fora do ambiente e o evaporador que fica no interior do ambiente, e resultam nos modelos split, multisplit, splitão e selfcontained. Os aparelhos de arcondicionado são máquinas concebidas para executar uma função bem determinada (climatização de ambientes com modificação de temperatura e umidade), formando uma unidade funcional constituída de elementos distintos ligados por tubulação. Verificase, através do exame das notas fiscais, que o contribuinte tributava as saídas de condensadores, até 02/01/2008, à alíquota de 5%, e dos módulos trocadores de calor, módulos ventilador e módulos evaporador a 0% (zero), como se tivesse efetuado a venda de partes. Entretanto, concluise que estas partes, vendidas em notas fiscais distintas, conforme Demonstrativo das Saídas Conjugadas dos Aparelhos de ArCondicionado, na verdade, referemse a vendas casadas de partes que formam aparelhos condicionadores de ar, devendo ser classificados nas posições referentes a estes equipamentos na Tabela de Incidência do IPI TIPI/2006 especificamente na posição 8415 e suas subposições. A partir de 03/01/2008 manteve a classificação, incorreta. Entretanto, no caso dos condensadores, a alíquota foi alterada para 20%, razão porque a diferença de tributação dos aparelhos compostos por condensadores e evaporadores, regra geral, só ocorreu até 02 de janeiro/2008, não havendo diferenças a tributar a partir desta data. Diante de todo o exposto, por aplicação da Nota 4 da Seção XVI da NCM, procedemos à reclassificação fiscal de todas as unidades condensadoras acompanhadas de unidades evaporadoras ou de módulos trocador de calor e módulos ventilador/evaporador, vendidos pelo contribuinte no período de janeiro/2007 a dezembro/08, enquadrandoos na Tabela de Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 211 8 Incidência na subposição 8415.1 ou 8415.8, conforme o modelo e capacidade, sempre sujeitos a alíquota de 20%. 6. SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR FORMADOS POR CHILLER/TROCADOR DE CALOR A empresa deu saídas, ainda, a produtos denominados chiller, também conhecidos como resfriadores de líquidos ou centrais de água gelada. Esses equipamentos podem ser utilizados em diversas aplicações industriais ou comerciais. Cabe, no âmbito do presente procedimento de fiscalização, analisar as situações em que os chiller são utilizados para fins de condicionamento do ar. Nesses casos, é utilizada a água como fluido refrigerante intermediário. Esta água, devidamente resfriada, é levada para unidades trocadoras de calor que desempenham função análoga ao módulo evaporador. O chiller, por sua vez, desempenha a função análoga a unidade condensadora (fornecer o fluido frio à unidade evaporadora, para que esta efetue a troca de calor com o ambiente, refrigerandoo). Os chillers, em situação análoga às unidades condensadoras, ao serem objeto de venda conjunta que caracterize de forma evidente estar sendo procedida a saída de um sistema de condicionamento de ar (em conjunto com unidades trocadoras de calor com ventilador e, às vezes, unidades ventiladoras em outro módulo), por força das notas n° 3 e 4, seção XVI da TIPI/06, obrigatoriamente deverão ser classificados na posição 8415. Do exame das notas fiscais de saídas constatase que o contribuinte classificava o chiller na posição 8418 da TIPI, mesmo quando formando um aparelho de arcondicionado. Complementando a legislação citada no capítulo 4 do presente termo, citamos a indicação da NESH, no que se refere a posição 8418: "Excluemse ainda desta posição: a) as máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um grupo frigorífico ou um evaporador de grupo frigorífico (posição 8415).” Foi efetuada circularização, onde foram intimados os clientes, conforme Demonstrativo de Saídas de Sistema de Condicionamento de Ar (Chiller/Trocador de Calor/Demais Módulos) (vide Diligências Conjuntos). As empresas intimadas confirmaram que os chillers adquiridos acompanhados dos módulos foram utilizados com a função exclusiva de ar condicionado. Destarte, a classificação fiscal correta do conjunto de equipamentos é a própria dos condicionadores de ar (posição 8415, mais especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade de frigorias/hora, todas com alíquota de 20%) e não as adotadas pelo contribuinte. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 212 9 Assim, relativamente às notas fiscais discriminadas no Demonstrativo de Saídas de Sistema de Condicionamento de Ar (Chiller/Trocador de Calor/Demais Módulos), a fiscalizada está sendo autuada por erro de classificação fiscal, ocasionando destaque a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, nas notas fiscais de saídas no período de 01/01/07 a 31/12/08. Seguindo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, é importante ressaltar que mesmo que os conjuntos tenham sido vendidos incompletos, estes classificamse como condicionadores de ar. Abaixo transcrevemos a RGI/SH n° 2.a. "Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar." 7. SAÍDAS ISOLADAS DE CHILLER NCM 8418.69.40 Ex 01 Constatamos, ainda, que em alguns casos o contribuinte deu saídas de unidades de chiller, sem acompanhamento de outros módulos. A partir de 05 de outubro de 2007, conforme Decreto n° 6.225/07, foi incluída o ex 01 na posição 8418.6940, específica para este tipo de máquina, quando esta for utilizado em aparelhos de arcondicionado. 84.18 Refrigeradores, congeladores ("freezers") e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15. 8418.6 Outros materiais, máquinas e aparelhos, para produção de frio; bombas de calor: 8418.69 Outros 8418.69.40 Grupos frigoríficos de compressão para refrigeração ou para arcondicionado, com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora alíquota 0 Ex 01 Para ar condicionado alíquota 20 Do exame da Tabela TIPI concluise que sempre que os chillers forem vendidos isoladamente, para utilização em um sistema de condicionador de ar, classificamse nesta posição na TIPI, sujeita à alíquota de 20%. Esta fiscalização intimou os clientes do contribuinte que adquiriram chiller, a partir de 05/10/07, para que informassem Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 213 10 se estes aparelhos eram destinados a fazer parte de aparelhos condicionadores de ar. As respostas, que confirmam a hipótese acima, encontramse anexas, (vide Diligências Chiller isolados). Com base nestas respostas, consolidamos no Demonstrativo de Saídas Isoladas de Chiller NCM 8418.6940, todas as saídas dos chiller destinados a comporem aparelhos condicionadores de ar, e recalculamos o IPI, à alíquota de 20%)”.(destaques do original).” A empresa tomou ciência da exação em 04/07/2011 por meio do respectivo procurador. Insubmissa, a contribuinte apresentou, em 02/08/2011, impugnação subscrita pelo procurador da pessoa jurídica nomeado e constituído pelo instrumento hábil, em que sustenta, em síntese, que: a) A atividade principal da impugnante é a importação e fabricação de equipamentos de refrigeração e a respectiva venda no mercado interno, sendo que esta não é feita diretamente para o consumidor final, “em outras palavras, a Impugnante vende peças que compõe os sistemas de ar condicionado separadamente, para um intermediário (distribuidor), não mantendo o controle sobre o futuro de tais peças (como por exemplo a montagem de um sistema de ar condicionado mencionada pela autoridade fiscal), IMPORTANDO UMAS E FABRICANDO OUTRAS” ; a impugnante, quanto às peças que importa, não pratica nenhum ato que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, e não o aperfeiçoa para consumo, ou seja, não pratica atos característicos de industrialização, o que implica a total improcedência da infração lavrada; b) A impugnante importa evaporadoras, sendo este apenas um dos vários componentes de um sistema de ar condicionado; “após a importação de evaporadoras, a Impugnante revende estes produtos para empresas do segmento. A partir da revenda, as empresas compradoras procedem a composição dos outros elementos necessários à constituição da unidade de ar condicionado (canos de cobre, mangueiras, fiação, gás refrigerante, etc.), EFETIVANDO NESTA FASE O REAL PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Importante salientar, que a impugnante não tem qualquer participação na industrialização, a não ser comercializar as peças!”; a atividade da empresa é somente uma etapa inicial da cadeia de formação de uma unidade de ar condicionado, cuja constituição definitiva se dá com a efetiva instalação do produto; todas as empresas do ramo não comercializam todos os elementos imprescindíveis à constituição de uma unidade de ar condicionado; c) Apesar de atestar o atendimento pela empresa às intimações e solicitações mediante a apresentação de todos os documentos e a prestação de todos os esclarecimentos, em demonstração Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 214 11 inequívoca de boafé, a agente fiscalizadora “concluiu descabidamente que "o contribuinte importava e fabricava, entre outros produtos, Máquinas de Aparelho de Ar Condicionado, REFUTANDO todas as incontestáveis argumentações técnicas da Impugnante (apesar desta ser a conhecedora de seu produto), com meras suposições, que se diga, sob sua voraz ótica arrecadatória”; d) A impugnante somente importa unidades evaporadoras e não unidades de condicionadores de ar do tipo split/multisplit/splitão e selfcontained; a conclusão da impugnante é a de que “é impossível classificar evaporadora e condicionadora/trocador de calor como unidade de arcondicionado, tendo em vista que, quando da saída das evaporadoras estas tinham a mesma classificação fiscal da entrada na importação, e nas saídas das condensadoras, fabricadas pela própria empresa, estas saiam com a classificação fiscal correspondente a esta "parte"”; “o comércio de equipamentos (evaporadoras e condensadoras) que compõe o aparelho de ar condicionado, não configura o comércio deste aparelho, até porque uma das partes (evaporadora) é importada, enquanto a outra (condensadora) é fabricada pela própria Impugnante. Entretanto, a autoridade fiscal afirma que, pelo simples fato da Impugnante comercializar evaporadoras e condensadoras, na verdade comercializa condicionadores de ar do tipo Split/Multisplit/Splitão e SelfContained”;“a agente fiscal afirma de maneira temerária e sem qualquer conhecimento técnico que, a combinação de um condensador com um evaporador resulta em um sistema de ar condicionado, motivo pelo qual entende ter havido erro na classificação fiscal”; “a autoridade fiscal desconsidera o fato de que para a formação de uma unidade de ar condicionado, se faz necessária a agregação de vários outros elementos que são indispensáveis (o gás refrigerante é o melhor dos exemplos). Por ocasião do estudo realizado, mais especificamente, a agente fiscal poderia ter pesquisado também que para a combinação de um condensador com um ou mais evaporadores resultar um sistema de ar condicionado, existe a necessidade de interligação destes componentes com outros componentes que não são objeto das importações realizadas, como: CANOS DE COBRE. MATERIAL DE ISOLAMENTO TÉRMICO. MANGUEIRAS. FIAÇÃO. GÁS REFRIGERANTE. ETC. e) Ressalta a impugnante que os aparelhos condicionadores de ar tipo split podem ser formados por um condensador e um ou mais evaporadores, sendo, então, difícil o estabelecimento do real número de aparelhos de ar condicionado vendidos; discorda da agente fiscal e entende como aleivosia a conclusão desta de que “os evaporadores importados pela Impugnante fazem parte daqueles aparelhos (splitsystem e selfcontained, se toda a documentação de entrada e saída demonstram (sic) cabalmente que não houve qualquer alteração na classificação destes equipamentos e, pior, se não existem os demais acessórios mencionados pela agente fiscal? Se nem a própria Impugnante pode precisar qual é a finalidade dada pelos distribuidores, como pode a agente fiscal afirmar que os equipamentos eram Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 215 12 utilizados em conjunto com outros acessórios para modificar a temperatura do ar dos distribuidores? Não resta dúvida que as conclusões da agente fiscal foram equivocadas, infundadas e sem qualquer embasamento legal, pois em momento algum a Impugnante pretendeu proceder à montagem das peças mencionadas, menos ainda fabricou, importou, industrializou ou teve qualquer outra relação com sistema de condicionamento de ar”; f) Discorda da interpretação dada pela agente fiscal a “venda casada” e da “alegação infundada de que, diante das vendas dos equipamentos (que são alguns dos componentes necessários a formar um condicionador de ar), em notas fiscais distintas, estaria caracterizada a classificação incorreta e o recolhimento do IPI a menor pela Impugnante. Isso beira o absurdo!”; aduz: “Entendese por venda casada, a prática comercial em que o fornecedor condiciona a venda de um produto ou serviço, à aquisição de outro produto ou serviço” e “Nesse escopo, é possível perceber que a agente fiscal comete um enorme equívoco ao atribuir que o modus operandi da Impugnante se traduz "venda casada", uma vez que tal prática advém de relações de consumo, o que não pode ser aplicado no caso em questão”; g) Segundo a fiscalização, a impugnante comercializou unidades de Chiller isoladamente: “Assim, a autoridade fiscal ALEGA QUE INTIMOU OS COMPRADORES, E SEGUNDO INFORMAÇÕES PRESTADAS POR AQUELES, concluiu que os equipamentos foram comercializados para ser utilizados em aparelhos de arcondicionado. Ou seja, no equivocado entendimento da AGENTE FISCAL, a Impugnante está sendo punida por NÃO TER FISCALIZADO O DESTINO FINAL DOS PRODUTOS POR ELA COMERCIALIZADOS!”; a impugnante não comercializa para o consumidor final, cabendo o recolhimento do imposto aos compradores que fazem a montagem dos sistemas de ar condicionado; a empresa não pode ser penalizada com base em suposições; h) Os equipamentos importados (unidades evaporadoras e condensadoras) não podem ter tratamento tributário como de unidades de ar condicionado completas, pois, conforme dispõe a NESH sobre a posição 8415: "Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém as vezes elementos para purificar o ar (...)”; a impugnante jamais teve a intenção de fazer a montagem de peças importadas separadamente para venda como unidades prontas de condicionamento de ar; ademais, o sistema aduaneiro permite a importação de peças apresentadas separadamente com o tratamento como peças, conforme NESH (Seção XVI, 8415): "os elementos das máquinas e aparelhos de arcondicionado, apresentados separadamente, quer sejam ou não concedidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 216 13 84.19, 84.21, 84.79, etc.)"; conforme termo de encerramento (Doc. 4) de procedimento fiscal executado pelo Serviço de Fiscalização Aduaneiro da Inspetoria da Receita Federal em Curitiba, foi verificada, por amostragem, a correta classificação fiscal em operações de importação no período (parcialmente coincidente com o período autuado neste processo) de 04/2006 a 08/2010 (Imposto de Importação e IPI com apuração correta); tendo sido o período fiscalizado, isso implica a ocorrência de “homologação expressa”; houve também “homologação tácita” porque durante a conferência aduaneira grande parte das operações de entrada foram submetidas ao denominado sistema de “duplo canal” (verde ou vermelho); no caso de “canal vermelho” na conferência aduaneira, a mercadoria somente é desembaraçada depois de exame documental e verificação física; pelo exposto, não podem ser suscitadas irregularidades, sendo rígido o exame documental na conferência aduaneira, incluída a “confirmação da correta classificação fiscal” (IN 680/06, art. 25, V); i) Acrescenta a impugnante: “A fiscalização fez o levantamento de todas as importações de evaporadores e fabricação de condensadores realizada no período fiscalizado, e, muito embora as declarações de importação tenham sido registradas separadamente para cada componente, tendo em vista a proximidade das datas de embarque e os números de faturas sequenciais, inexplicavelmente a autoridade fiscal "entendeu" que estes fatos seriam indicadores robustos de "venda casada". Vale ressaltar que a Impugnante não poderia emitir nota fiscal de aparelho de ar condicionado, se as vendas realizadas para os distribuidores eram de evaporadores e condensadores. Conforme verificase da documentação entregue à autoridade fiscal, os números de vendas de evporadores (sic) diferem das vendas de condensadores e, ressaltese, não é atribuição da Impugnante fiscalizar a destinação dada aos produtos dela adquiridos. Note Ilustre Julgador, que desta feita, além de desconsiderar a sua afirmação quanto à desnecessidade da equação 01 condensador + 01 evaporador = 01 aparelho de ar condicionado, a agente fiscal esquece que o aparelho de ar condicionado não surge com a simples colocação lado a lado de seus componentes, para que efetivamente tenhamos um aparelho de ar condicionado se faz necessária a interligação por intermédio de canos de cobre, material de isolamento térmico, mangueiras, fiação, etc, que conforme já explicitado, não são objeto de importação e comercialização por parte da Impugnante”; há total ausência de comprovação do erro de classificação fiscal nas operações de comercialização das mercadorias, sendo que, portanto, o auto de infração não pode prosperar, sendo vedada a autuação por mera suposição e dever da autoridade fiscal a apresentação das provas válidas; a autoridade afirma subjetivamente que as unidades de ar condicionado tipo “split” podem ser constituídas por um condensador e um evaporador, sendo que isso não é suficiente, pois é necessária a interligação dos referidos componentes; sendo assim, é arbitrária a reclassificação fiscal e a cobrança da diferença de imposto e da multa, com o auto de infração calcado Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 217 14 em suposições e divagações não tipificadas e não comprovadas, em total discrepância com a realidade fática; j) É relevante o fato de que não existe a transformação do produto (evaporadora + condensadora = ar condicionado), sendo que a importação e revenda de evaporadoras e condensadoras representa o início da cadeia de formação de um aparelho de arcondicionado, sendo a definitiva transformação dependente da agregação de elementos diversos: canos de cobre, material de isolamento térmico, gás refrigerante, mangueiras, fiação, projeto, etc); k) Mesmo que fosse admitida a legitimidade da exigência, o montante de “juros e multa de mora” é abusivo, com a vulneração dos direitos e garantias individuais, notadamente o princípio da proporcionalidade das penas, associado à vedação de confisco tributário, prevista na CF/88, art. 150, IV, conforme doutrina destacada; a penalidade é excessiva e deve ser anulada; l) Os juros de mora são exorbitantes, sendo que, pelo CTN, art. 161, § 1º, estes não podem ser superiores a 12% ao ano; aduz: “os juros apontados no discriminativo demonstram o autoritarismo do Poder Público, que se aproveitando das dificuldades financeiras dos contribuintes, ao desemprego que atinge o país, e consequentemente na queda de contribuições”; conforme jurisprudência apontada, o STF sempre desaprovou qualquer tipo de cobrança com caráter confiscatório. Ao final, repisa a argumentação e, em face de que o auto de infração não goza de certeza e liquidez, requer que este seja julgado nulo de pleno direito pelas preliminares narradas; ou, caso contrário, que seja julgado totalmente improcedente, com o imediato arquivamento do feito; ou ainda, se não for reconhecida a improcedência, que seja relevada a penalidade aplicada, extremamente excessiva. Ademais, requer a impugnante que “seja intimado o órgão autuante para se manifestar, em 30 dias acerca da Impugnação” e que seja realizada perícia técnica por especialista por ela indicado, por perito indicado pelo julgador e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), tudo conforme extensa lista de quesitos formulados. Finalmente, sob pena de nulidade, requer que todas as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da empresa. A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1437.099, de 28 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONDENSADORES E EVAPORADORES. SAÍDAS CONJUNTAS. UNIDADES DE APARELHO DE AR Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 218 15 CONDICIONADO DO TIPO “SPLITSYSTEM”. UNIDADE FUNCIONAL. Classificamse no código de aparelho de ar condicionado do tipo “splitsystem” as unidades evaporadoras e condensadoras, vendidas conjuntamente, pois fica caracterizada a venda de uma unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.ºs 1 e 2 a), combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TIPI. Código NCM 8415.10.11. “CHILLER”, MÓDULOS TROCADORES DE CALOR, MÓDULOS VENTILADORES E OUTROS MÓDULOS. SAÍDAS CONJUNTAS. UNIDADES DE APARELHO DE AR CONDICIONADO. UNIDADE FUNCIONAL. Classificamse no código de aparelho de ar condicionado os “chiller” associados a módulos de troca de calor e de ventilação, vendidos conjuntamente, pois fica caracterizada a venda de uma unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.ºs 1 e 2 a), combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TIPI. Código NCM 8415.10.11. “CHILLER”. SAÍDAS ISOLADAS. Os “chiller”, vendidos isoladamente e destinados a unidades de ar condicionado, têm posição específica na TIPI. Código NCM 8418.6940 Ex. 01. IMPOSTO. FALTA DE LANÇAMENTO. Cobrase o imposto lançado com insuficiência nas notas fiscais de saída por motivo de erro de classificação fiscal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 219 16 As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, repisa todos os argumentos apresentados na impugnação e formula pedido de perícia indicando um perito e os respectivos quesitos a serem averiguados. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para cancelar o auto de infração, alternativamente, que seja relevada a penalidade aplicada, principalmente em relação à multa. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso voluntário foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, de sorte que o conheço e passo à análise. CLASSIFICAÇÃO FISCAL A Autoridade Fiscal afirma que o recorrente promoveu a saída de produtos tributados pelo IPI com falta ou insuficiência de lançamento e recolhimento do imposto em virtude de erro de classificação fiscal dos seguintes produtos: a) “chiller”; b) sistemas condicionadores de ar do tipo “Split, Multisplit, Splitão e SelfContained”, unidade evaporadora e unidade condensadora; e c) aparelhos de condicionamento de ar compostos por “chiller”/módulos trocador de calor/módulo ventilação. Segundo Termo de Verificação Fiscal, o recorrente classificou cada item acima isoladamente, quando na verdade deveria têlos classificado em conjunto, por formarem unidades de ar condicionado. Já o recorrente alega que atua no ramo de compra e venda de peças que compõem os sistemas de ar condicionado, separadamente, para um intermediário (distribuidor), não mantendo o controle sobre o futuro de tais peças, como por exemplo, a montagem de um sistema de ar condicionado. Portanto, a lide que este Colegiado deve enfrentar diz respeito à classificação fiscal para fins de tributação do IPI dos produtos acima descritos. Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 220 17 Entendo que a discussão paira em questões de fato, de sorte que passo a transcrever partes dos autos que darão supedâneo à minha razão de decidir. Afirma a recorrente que importa unidades evaporadoras e revende estes produtos para empresas do segmento. Ato contínuo dessa cadeia, as empresas compradoras procedem a composição dos outros elementos necessários à constituição da unidade de ar condicionado, efetivando nesta fase o real processo de industrialização. Ressalta que a completa e definitiva constituição da unidade de ar condicionado somente ocorre com a efetiva instalação de todos os elementos do produto. Após análise dos documentos contábeis da autuada, foi constatado que eram emitidas notas fiscais distintas para unidade condensadora e unidade evaporadora. Contudo, demonstrouse que as vendas foram para o mesmo cliente, em datas coincidentes e que na verdade formavam as peças fundamentais de aparelhos de ar condicionado. A Autoridade Fiscal intimou o recorrente a responder o motivo pelo qual classificou as condensadoras, os módulos de trocadores de calor, os módulos ventiladores como partes e não como um conjunto formador de aparelho de ar condicionado, uma vez que as saídas se deram em datas coincidentes ou próximas e para o mesmo cliente. Em resposta, foi informado, em breve síntese, que: A Johnson Controls BE do Brasil Ltda importava as evaporadoras as quais recebiam a classificação fiscal relacionadas ao IPI quando da importação e davam entradas no estoque para revenda. As condensadoras e o trocador de calor eram fabricados na própria empresa sendo que davam entrada no estoque de produtos acabados e tinham a sua classificação fiscal na TIPI relacionada ao trocador ou condensador. A recorrente não tinha como dar saída de um equipamento de ar condicionado, mesmo porque não fazia nenhum processo industrial relativo a evaporadora, ou seja, a evaporadora dava saída nas mesmas condições que entrou. As condensadoras ou trocadores de calor eram fabricados pela recorrente e eram faturados em outra nota fiscal. Tendo em vista que a evaporadora quando da saída foi apartado da condensadora ou trocador de calor, não é possível classificá los como uma unidade de ar condicionado. Assim sendo, quando da saída às evaporadoras tinham sua classificação fiscal tal e qual quando da sua importação e as condensadoras a classificação fiscal de sua fabricação. A Autoridade Fiscal continuou com seu trabalho de campo e intimou os compradores dos evaporadores, condensadores e chiller a responder as seguintes questões: 1) Qual a finalidade dos equipamentos adquiridos? Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 221 18 2) O conjunto dos equipamentos adquiridos forma um ou mais aparelhos de ar condicionado? 3) O diligenciado utilizou os equipamentos adquiridos em outra função que não como conjuntos de ar condicionados? A sociedade Manufest Engenharia Ltda respondeu que o fornecimentos dos equipamentos adquiridos foi para a climatização do Fire Fighting Building projeto nº OR3383C001201, construção de novos prédios da empresa Thyssenkrupp CSA Cia Siderúrgica. Os equipamentos adquiridos formam aparelhos de ar condicionado instalados em diversas salas do prédio. Por fim, afirma que os equipamentos adquiridos da recorrente foram utilizados exclusivamente para refrigeração e climatização do novo prédio. A sociedade Sansung Eletrônica Amazônica Ltda respondeu que os equipamentos foram adquiridos para garantir o suprimento de ar condicionado no prédio A2 (SMD, vestiários. sala IQC), em razão da necessidade de aumento da capacidade produtiva. Segundo esta empresa, forma adquiridos 09 conjuntos de “fan coils” para suprimento da área de SMD, sendo aproximadamente 06 “splits hidrônicos” para suprimento dos vestiários e sala IQC. A Vanguarda Livraria Ltda afirmou que comprou os equipamentos para o ar condicionado da loja. Foi adquirido um conjunto composto por uma central com 7 cassetes e 2 trocadores de calor. Por fim declarou que todos os equipamentos adquiridos foram utilizados para a função de ar condicionado. A Inove Engenharia Térmica Ltda afiançou que todos os equipamentos adquiridos foram utilizados em obras de sistemas de ar condicionado central. A Kubo Engenharia e Empreendimentos Ltda declarou que os equipamentos adquiridos serviram para a instalação de uma central de ar condicionado no centro cirúrgico cardíoco do hospital Ana Nery, em Salvador – BA. A Sociedade Hospital Samaritano afirmou que adquiriu 03 unidades de chiller para fins de compor o sistema de fornecimento de ar refrigerado instalado no hospital. As empresas Paquetá Calçados Ltda, Connector Engenharia Ltda, Gafisa S/A, Hospital de Olhos do Mato Grosso do Sul S/S, Arte Engenharia e Construções Ltda, Vivo S/A, IS Air Ltda ME, AV – Ar Controle Ambiental Ltda, Damiani Soluções de Engenharia Ltda, Protérmica Climatização Ltda, Viva Embalagens Ltda, RAC Engenharia e Comércio Ltda, Renov Serviços e Representações Ltda, Engeclima do Brasil Comércio e Serviços de Refrigeração Ltda, AAC Ar Condicionado Ltda, Melton Administradora de Bens Ltda, Abbott Laboratórios do Brasil Ltda, Casa de Saúde Santa Marcelina, Associação Brasileira de Educação e Cultura ABEC, Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, Bahia Specialty Cellulose S/A, Oncoclinica Centro de Tratamento Oncológico Ltda, Pedra Branca Ltda, Shopping São José Ltda, Paraná Clínicas – Plano de Saúde S/A, Botica Comercial Farmacêutica Ltda, Jota Ele Construções Civis Ltda, Berneck S A Painéis e Serrados, Digitro Tecnologia Ltda, A Angelono & Cia Ltda, Habitasul Empreendimentos Imobiliários Ltda, União Brasileira de Educação e Assistência, Cooperativa Central Gaúcha Ltda, Terra Networks Brasil S/A, Lojas Renner S/A, Portonovo Empreendimentos e Construções Ltda, Companhia Zaffari Comércio e Indústria, Concretil Construções Ltda, Omint Serviços e Saúde Ltda, Construtora Luner Ltda, Globosat Programadora Ltda, HSBC Bank Brasil S.A – Banco Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 222 19 Múltiplo, Edmilson Aparecido de Oliveira Refrigerações – ME, Telecomunicações de São Paulo S/A – Telesp, Joule Engenharia Térmica Ltda, Brasilcenter Comunicações Ltda, Lamb Construções e Engenharia Ltda, RSSC Shopping Center S.A, CBC Shopping Centers S/A, Condomínio Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, Administradora de Bens Sicredi Ltda, Bella Citta Empreendimentos Imobiliários Ltda, Parque Cidade Incorporações S/A, Cambirela Ar Condicionado Indústria e comércio Ltda, Amil Assistência Médica Internacional S/A, Instituto Biochimico Indústria Farmacêutica Ltda, Empresa Brasileira de Telecomunicações S.A – Embratel, G. Barbosa Comercial Ltda, Pecafrio Sistema Térmico Ltda, União Química Farmacêutica Nacional S/A, Socicam Terminais Rodoviários e Representações Ltda, Condomínio do Catuai Shopping Center Londrina, LMG Roupas Ltda, Comunidade Evangélica Luterana São Paulo – CELSP, Metalúrgica Reuter Ltda, foram categóricas em afirmar que todos os equipamentos foram adquiridos para formar aparelhos de ar condicionado ou centrais de ar condicionado e utilizados em seus estabelecimentos. Diante das provas acostadas nos autos é lícito concluir que: a) Os equipamentos saíam do estabelecimento do recorrente calcados em notas fiscais separadas, mesmo sendo para os mesmos compradores e com datas coincidentes. Ressalto que em alguns casos as datas das notas fiscais eram próximas e não coincidentes. b) Os compradores utilizaram os equipamentos para compor aparelhos de ar condicionados ou centrais de ar condicionados. Diante deste quadro, não vejo possibilidade de reformar a decisão da DRJ, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, de sorte que os reproduzo, e peço vênia para os utilizar como razão de decidir. As ocorrências encartadas pela peça impositiva dizem respeito ao ano de 2007 e 2008. Nesse período, em vigor estava a tabela de incidência aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, vigente a partir de 1º/01/2007. É mister afirmar, prévia e didaticamente, que a operação de enquadramento de produto em código de classificação fiscal não tem caráter técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil executar o referido enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, arts. 15 a 17, a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e suas alterações, além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM, prestamse como elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992. As Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 223 20 respectivas alterações foram aprovadas pela Instrução Normativa nº 123, de 22 de outubro de 1998. A chamada NESH, sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias. A atividade de definição de classificação fiscal, como visto, é de jaez tributário, vale dizer, consiste na aplicação da norma tributária ao fato. Contudo, muitas vezes, não se pode prescindir do aporte de informações técnicas em tal procedimento, precípuo da autoridade fazendária, ainda que implementado por iniciativa do sujeito passivo, sob condição de ulterior homologação. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação (RGI): “1.Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes. (...) 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”. Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. Contrario sensu, se o produto em exame não ostentar as precisas características do texto do “Ex”, por exemplo, não pode o produto ser enquadrado nesse “Ex”. A empresa importa e revende, no mercado interno, unidades evaporadoras, e fabrica e vende unidades condensadoras, ambas destinadas a condicionadores de ar do tipo “splitsystem” ou “multisplit, splitão e selfcontained”. Outrossim, dá saída a “chiller”, de forma associada a módulos de trocador de calor ou outros módulos. Também dá saída de forma isolada a “chiller”. A autoridade fiscal argúi que os produtos (unidades evaporadoras e condensadoras) constituem uma unidade funcional única e devem ser classificadas no código da TIPI relativo aos aparelhos de ar condicionado “splitsystem”, 8415.10.11, ao passo que a impugnante sustenta que os equipamentos devem ser considerados unidades autônomas, com Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 224 21 classificação fiscal diferente para cada equipamento (condensadores no código 8418.6999 da TIPI, e as evaporadoras no código 8415.8210, conforme as notas fiscais com cópias nos autos). A autoridade fazendária alega que ocorre vendas casadas (conjugadas ou conjuntas, não importa o termo): para cada condensador, é vendido um ou mais evaporadoras para compor somente uma unidade de condicionador de ar. A contribuinte objurga a denominação “venda casada” (prática comercial em que a venda de um bem é vinculada à aquisição de um serviço, ou viceversa) e questiona, às vezes de forma inadequadamente irônica, a definição do real número de aparelhos de ar condicionado vendidos a partir das saídas e evaporadores e condensadores. Afirma a impugnante, principalmente, que não opera nenhuma montagem dos equipamentos e que estes necessitam de outros componentes para formar unidades de ar condicionado (gás refrigerante, canos de cobre, material de isolamento térmico, mangueiras, fiação, etc.). A impugnante não se manifestou acerca das saídas de “chiller” com trocador de calor, apenas fez menção às saídas isoladas de “chiller”, sobre cujos destinos finais afirma não ter a obrigação de investigar. Há o demonstrativo de saídas conjugadas, com a evidenciação inequívoca das saídas conjugadas de equipamentos para a composição final de conjuntos de ar condicionado (fls. 1.516/1.876), e o demonstrativo de saídas de “chiller”/módulo trocador de calor/demais módulos (fls. 1.877/1.915). Com as diligências encetadas e os procedimentos de circularização de destinatários por via postal (tudo documentado nos autos), ficou patente a finalidade de composição de conjuntos de ar condicionado nas vendas dos equipamentos. Os “chiller” vendidos isoladamente têm classificação fiscal própria, conforme o relatório deste Acórdão. Há o demonstrativo de saídas isoladas de “chiller” (fls. 1.916/1.917). Os aparelhos de ar condicionado denominados “splitsystem”, contêm elementos separados, composto de duas unidades básicas, a saber: as “unidades evaporadoras” e as “unidades condensadoras”, que funcionam conjuntamente, ligadas por meio de dutos e fios, para atender a função para a qual foram criadas (resfriamento/aquecimento de ar). Nesse contexto, cumpre analisar a correta classificação fiscal. Abaixo é transcrita parcialmente a posição 8415 da TIPI: “8415MÁQUINAS E APARELHOS DE AR CONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 225 22 E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados) ............ 8415.10 .11 Do tipo “splitsystem” (sistema com elementos separados” As Notas nº 3 e 4, da Seção XVI, da TIPI, trazem o esclarecimento de que os aparelhos destinados a funcionar em conjunto, mas que executam funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto: “3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4.Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha”.(grifei) No mesmo sentido as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado da Seção XVI. “VII.UNIDADES FUNCIONAIS (Nota 4 da Seção) Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída numa das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Na acepção da presente Nota, a expressão "concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada" abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 226 23 unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto.”(grifei) No presente caso, o contribuinte deu saída a condensadores e evaporadoras que possuem funções complementares, que não tem função isolada, e que desempenham, conjuntamente, uma função bem determinada. De acordo com a Nota 3 acima transcrita, as máquinas que executam funções diferentes, mas complementares, devem ser classificadas “de acordo com a função principal que caracterize o conjunto”. Ora, a função principal que caracteriza o conjunto (unidade evaporadora e unidade condensadora) é a de modificar, ao mesmo tempo, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas dos aparelhos de ar condicionado, nos exatos termos do que consta no texto da posição 8415 e das Notas nºs 3 e 4, acima transcritos. O mesmo raciocínio é aplicável às saídas de “chiller”, com módulos trocador de calor, módulos ventilação e outros, em que os equipamentos ostentam em si as características essenciais do conjunto a ser montado em uma etapa posterior. Adicionalmente, é necessário transcrever as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 2 a): “1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar.” A fiscalização defende a aplicação da Regra 2 a) por entender que o condensador e a evaporadora, conjuntamente, constituem um condicionador de ar inacabado. A autuada, em contrário, contesta o entendimento porque esses dois elementos, sem os demais elementos, não teriam a característica essencial do ar condicionado completo, pois não funcionam sem os demais componentes, tais como canos de cobre, mangueiras, cabos, material isolante etc. O entendimento da impugnante não pode prevalecer. A característica essencial dos aparelhos de ar condicionado é a de modificar a temperatura e a umidade do ar. E os elementos que promovem essa modificação são o condensador e a evaporadora. Os demais elementos fazem apenas a conexão desses equipamentos. O fato do sistema não funcionar sem os demais elementos de conexão, não implica em que as características essenciais do produto, ar condicionado, não Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 227 24 estejam presentes. Seria o mesmo que dizer que um carro sem bateria não é um carro, porque sem bateria o carro não funciona. Somente na venda isolada de um dos dois equipamentos, para reposição, é que se pode defender a classificação fiscal específica do equipamento. A venda conjunta dos dois equipamentos, condensador e evaporadora, caracteriza a venda de um condicionador de ar do tipo “splitsystem”. Nesse sentido vem se sedimentando a jurisprudência administrativa: “Acórdãos CARF/Conselhos Nº 30239900 de 2008 Classificação de Mercadorias DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. Tendo a decisão recorrida externado os motivos do indeferimento da diligência requerida, não há como acatar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância. AR CONDICIONADO INCOMPLETO. Os aparelhos de ar condicionado, mesmo desmontados ou incompletos, devem ser classificados na posição 8415.82.10, desde que estejam providos de ventilador a motor e tenham sido concebidos para alterar a temperatura e a umidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdão DRJ Nº 073433 de 2004 Classificação de Mercadorias UNIDADES EVAPORADORAS E UNIDADES CONDENSADORAS DE APARELHOS DE AR CONDICIONADO. A importação de unidades condensadoras e unidades evaporadoras de aparelhos de ar condicionado, ainda que amparadas em declarações de importação distintas, configura a importação de unidades funcionais completas, classificáveis na posição 8415 da TEC. PARTES DE APARELHOS DE AR CONDICIONADO. As unidades evaporadoras e as unidades condensadoras, especificamente apropriadas para utilização em aparelhos de ar condicionado, classificamse no código 8415.90.00, como partes destes aparelhos. Acórdão DRJ Nº 072095 de 2002 Classificação de Mercadorias DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHOS DE AR CONDICIONADO DOS TIPOS "SPLIT" E "FLOOR STANDING". A importação de unidades externas (condensadoras) e internas (evaporadoras) de aparelhos de ar condicionado, mesmo que apresentadas para despacho em declarações distintas, configura a importação de unidades funcionais, impondose classificar referidas partes no código destinado ao aparelho completo. Acórdão DRJ Nº 0710681 de 2007 Classificação de Mercadorias CONDENSADORES E EVAPORADORES. UNIDADES DE APARELHO DE AR Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 228 25 CONDICIONADO DO TIPO “SPITSYSTEM” UNIDADE FUNCIONAL DI’S DISTINTAS. Classificamse no código tarifário de aparelho de ar condicionado do tipo “splitsystem” as unidades evaporadoras e condensadoras, mesmo importadas em DI’s distintas, quando fique configurada a importação de unidade funcional. Aplicação das RGI/SH n.ºs 1 e 2 A, combinado com a Nota 4 da Seção XVI da TEC. Acórdão DRJ Nº 1012673 de 2007 Classificação de Mercadorias CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Máquinas e aparelhos do tipo “splitsystem”, “self” e “fan coil”, que atuam conjuntamente, contendo ventilador motorizado e dispositivo que modifica, simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas das máquinas de ar condicionado, classificamse na posição 8415 da TIPI de 2001. As máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Aplicação de alíquota de imposto, menor do que a devida, por erro de classificação fiscal do produto, justifica o lançamento de ofício, com os respectivos consectários legais. Cabível o agravamento da multa quando se referir a produto cuja classificação fiscal já tenha sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente da mesma, continuou utilizando classificação imprópria.” Ressaltese ainda, que o presente auto de infração referese às saídas dos produtos no mercado interno, e não às importações. Mas de qualquer forma, algumas das Decisões transcritas acima servem também para desqualificar o argumento da contribuinte de que o Fisco concordou com a classificação fiscal adotada no desembaraço aduaneiro dos condensadores e evaporadoras. A revisão aduaneira é um processo admitido pela legislação, levandose em conta que as Declarações de Importação são declarações elaboradas pela própria empresa importadora. A importação de dois equipamentos complementares, que compõem uma unidade funcional, através de DIs distintas, vem sendo objeto de lançamento do imposto que deixou de ser pago à época do desembaraço aduaneiro. A impugnante admite expressamente que industrializa unidades condensadoras e que importa unidades evaporadoras. Os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira são obrigatoriamente equiparados a industrial (independentemente de opção) nas saídas desses produtos a título de venda no mercado interno (RIPI/2002, art. 9º, I). É devido o imposto nas saídas dos equipamentos que reúnem as características essenciais dos conjuntos de condicionamento de ar, segundo o enquadramento fiscal destes, a ser montados posteriormente. Os fatos geradores da obrigação tributária principal são as saídas dos produtos do estabelecimento. A montagem dos conjuntos de ar condicionado para consumidores Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 229 26 finais por outras empresas não interessa à perlenga administrativa ora travada. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, voto no sentido de enquadrar o “chiller” que fora vendido separadamente no NCM 8418.69.40, Ex 01. As unidades evaporadoras e condensadoras que compuseram os sistemas condicionadores de ar do tipo “Split”, “ Multisplit”, “Splitão” e “SelfContanined” no NCM 8415.10.11 e os “chiller”/módulos trocador de calor e demais módulos no NCM 8415.10.11. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. O recorrente alega que o valor da multa de ofício é absurdo, desproporcional, desarrazoado, caracterizando nítido confisco. Já os juros de mora são ilegais, pois excedem o limite de 12% ao ano. Cabe ressaltar que multa em percentual de 75% está previsto na legislação vigente à época dos fatos, não se podendo reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. O contribuinte prestou declaração inexata à RFB, o que redundou na apuração de tributos e contribuições em montantes inferiores aos efetivamente devidos, estando, portanto, adequadamente tipificada a infração cuja ocorrência impõe também a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Já os juros de mora encontram seu embasamento legal no art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Esclareçase também, que a multa de ofício e os juros de mora encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podendo ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 230 27 discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais – sob o argumento de suposta ofensa à capacidade contributiva ou por ocorrência de confisco – somente pode ser reconhecido pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Enunciado de Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Desse modo e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar a alegação de que não podem conviver a multa de ofício com os juros de mora, não podendo reduzilo e nem alterálo sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, sobre os valores do IPI não declarados/recolhidos e a cobrança dos juros de mora quando houve recolhimento a destempo. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 20/08/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Impetro vênia ao ínclito Relator para divergir de seu brilhante voto e dar provimento ao recurso pelas razões que passo a expor. Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 231 28 Fixados os termos da acusação fiscal, desde logo verifico que os pretextos invocados no lançamento excogitado para justificar a sua pretensão à revisão de auto lançamentos sujeitos à homologação – suposto “erro na classificação” e conseqüente “erro de alíquota” traduzem na realidade erros de aplicação das normas aos fatos e valores oferecidos à tributação, ou seja, um erros de direito que não autorizam a revisão do lançamento, pois está na lei (arts. 145, 146 e 149 do CTN) e proclama a Jurisprudência há muito pacificada (v. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908), que o erro de direito no lançamento anterior não autoriza a sua revisão, que portanto não pode ser promovida para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo, tal como recentemente proclamado pelo E. STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. “Á mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento” (Súmula 227 do TFR). A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. O lançamento suplementar resta, portanto,motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 412904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp n° 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). Recurso Especial desprovido” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 1.112.702SP, Reg. nº 2008/01053272, em sessão de 20/10/09, Rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 06/11/09) Nessa ordem de idéias, se não bastasse a expressa disposição do art. 100, inc. I do CTN, a Jurisprudência do STJ também já assentou que a TIPI consubstancia “ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, (...).” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 644600RS, Reg. nº 2004/00324897, em sessão de 07/10/08, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 04/11/08) Como é curial a classificação de produtos deve ser efetuada com estrita observância das Notas da TIPI e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) (cf. arts. 15 e 16 do RIPI/02), donde decorre que tratandose de produtos importados destinados à revenda sem qualquer processo de industrialização que modificasse suas características (art. 4º do RIPI/02), é evidente que a classificação fiscal dos referidos produtos importados permanece inalterada, desde o despacho aduaneiro que os liberou na Alfândega, seja na conseqüente Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.723520/201112 Acórdão n.º 3402002.140 S3C4T2 Fl. 232 29 entrada no estabelecimento importador, seja ainda por ocasião das subseqüentes saídas destinadas a consumo, não sendo lícito nem ao Fisco, nem ao contribuinte, alterar os critérios jurídicos de classificação utilizados no desembaraço aduaneiro (cf. arts. 145, 146 e 149 do CTN; cf. tb. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908). Isto posto voto pelo provimento do recurso. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D´EÇA Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000084/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO. DIPJ. EMPRESA INATIVA.
Comprovado nos autos que a empresa não existe há mais de dez anos, no caso em espécie vinte anos, não é concebível exigir do contribuinte a entrega de declaração de rendimentos dos últimos cinco anos, ainda que na qualidade de inativa.
Numero da decisão: 1801-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. EMPRESA INATIVA. Comprovado nos autos que a empresa não existe há mais de dez anos, no caso em espécie vinte anos, não é concebível exigir do contribuinte a entrega de declaração de rendimentos dos últimos cinco anos, ainda que na qualidade de inativa.
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DIPJ. EMPRESA INATIVA. Comprovado nos autos que a empresa não existe há mais de dez anos, no caso em espécie vinte anos, não é concebível exigir do contribuinte a entrega de declaração de rendimentos dos últimos cinco anos, ainda que na qualidade de inativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 00 84 /2 00 9- 51 Fl. 25DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa em epígrafe foi notificada a pagar multa por atraso na entrega de Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – Inativa, relativa ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 200,00. O sócio e representante legal da empresa, sr. Sebastião Paiva de Luca, para regularizar o seu CPF, foi avisado que precisaria entregar declarações em atraso (5 anos) de inatividade da empresa. Defendese argumentando que não sabia que a empresa não havia sido baixada na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que foi um erro do contador à época e que não tem condições de arcar com os custos. A Primeira Turma da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão nº 05 36.745/12 mantendo a exigência fiscal – fls. 08. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 19 a 22, reiterando os termos da defesa exordial, aduzindo que a empresa já está extinta desde 1980, instruindoo com Certidão nº 091/2007 expedida pelo Posto Fiscal 10 de Taubaté, Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo, a qual certifica que a empresa está cancelada na inscrição estadual desde 30/10/1980. Junta ainda cópia de protocolo junto à Jucesp, É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 03/04/12, efls. 18; Recurso – 04/05/12, efls. 19 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A Lei nº 8.934/94, em seu artigo 60 dispõe: Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manterse em funcionamento. § 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada inativa, promovendo a junta comercial o cancelamento do registro, com a perda automática da proteção ao nome empresarial. § 2º A empresa mercantil deverá ser notificada previamente pela junta comercial, mediante comunicação direta ou por edital, para os fins deste artigo. § 3º A junta comercial fará comunicação do cancelamento às autoridades arrecadadoras, no prazo de até dez dias. § 4º A reativação da empresa obedecerá aos mesmos procedimentos requeridos para sua constituição. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10860.000084/200951 Acórdão n.º 1801001.757 S1TE01 Fl. 3 3 (grifos não pertencem ao original) No mesmo sentido da norma, é a Instrução Normativa n° 72/98 editada pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC): Art. 1º A empresa mercantil que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos, contados da data do último arquivamento, deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manterse em funcionamento, sob pena de ser considerada inativa, ter seu registro cancelado e perder, automaticamente, a proteção do seu nome empresarial. [...] Art. 3º A Junta Comercial, identificando empresa que no período de dez anos não tenha procedido a qualquer arquivamento, a notificará, por via postal, com aviso de recebimento, ou edital, para que, no prazo de trinta dias, prorrogável a critério daquele órgão, requeira o arquivamento da "Comunicação de Funcionamento" ou da competente alteração. Art. 4º A empresa mercantil que não atender à notificação, conforme disposto no artigo anterior, será considerada inativa, promovendo a Junta Comercial o cancelamento do seu registro, com a perda automática da proteção de seu nome empresarial. [...] § 4º A Junta Comercial enviará relação dos cancelamentos efetuados às autoridades arrecadadoras no prazo de dez dias da sua publicação. Art. 5º A Junta Comercial deverá, no mínimo, uma vez por ano, proceder ao cancelamento de registros de empresas consideradas inativas. [...] (grifos não pertencem ao original) Desta forma, haja vista a inexistência da empresa desde 30/10/1980 (efl. 21) e ser atribuição das Juntas Comerciais a notificação do cancelamento da inscrição das empresas que não procedam a arquivamentos pelo prazo de dez anos consecutivos às administrações tributárias, não pode a contribuinte depois de mais de vinte anos estar obrigada a apresentar declarações ao fisco, ainda que de “Inatividade”. A Jucesp é o órgão que, por força legal, deveria cancelar o registro da empresa, informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de dez dias, para que, então, esta tomasse as providências cabíveis para a extinção da empresa e do cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ), na época devida, ou seja, a partir da vigência da norma legal – 1994. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Isto posto, voto por exonerar a contribuinte da multa proposta e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 28DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11070.901375/2010-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Relatorio
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito:
O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009.
No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 306.011,85, referente ao terceiro trimestre de 2007, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 12284.61149.201207.1.1.01-4782, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933565, das fls. 2.
O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 92.357,51 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância.
A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 335.
O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 509), conforme arrazoado das fls.336 a 360, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 361 a 383, e instruído com os documentos de fls. 384 a 507, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901375/2010-61 Acórdão n.º 10-38.338 DRJ/POA Fls. 596 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA.
Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 306.011,85, referente ao terceiro trimestre de 2007, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 12284.61149.201207.1.1.01-4782, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933565, das fls. 2. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 92.357,51 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 335. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 509), conforme arrazoado das fls.336 a 360, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 361 a 383, e instruído com os documentos de fls. 384 a 507, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901375/2010-61 Acórdão n.º 10-38.338 DRJ/POA Fls. 596 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 01 37 5/ 20 10 -6 1 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901375/201061 Resolução nº 3801000.539 S3TE01 Fl. 12 2 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 306.011,85, referente ao terceiro trimestre de 2007, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 12284.61149.201207.1.1.014782, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933565, das fls. 2. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 92.357,51 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 335. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 509), conforme arrazoado das fls.336 a 360, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 361 a 383, e instruído com os documentos de fls. 384 a 507, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901375/201061 Acórdão n.º 1038.338 DRJ/POA Fls. 596 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901375/201061 Resolução nº 3801000.539 S3TE01 Fl. 13 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente apresentou pedido de compensação, no qual pretendia quitar débitos administrados pela Receita Federal com créditos de IPI, oriundos da não cumulatividade do referido tributo. Ocorre que, ao analisar a autenticidade dos referidos créditos, a fiscalização acabou por identificar irregularidades na classificação de alguns bens de produção da Recorrente e, por isso, entendeu por bem lavrar dois autos de infração (Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011). E mais: a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do estabelecimento e, assim, absorveu parcialmente créditos de IPI indicados no pedido Fl. 628DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901375/201061 Resolução nº 3801000.539 S3TE01 Fl. 14 4 de compensação ora analisado, realizando a compensação de ofício com os créditos tributários constituídos. Com relação aos Autos de Infração, a Recorrente propôs ação anulatória de débito fiscal, que tramita perante a SubSeção Judiciária de Cruz Alta (RS), cujos autos, em consulta realizada no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encontramse conclusos para sentença. A Recorrente noticia que realizou o depósito judicial dos valores discutidos naquela medida judicial. Neste passo, entendo que não assiste razão à Recorrente. É que, como se verifica da análise dos autos, o pedido de compensação foi realizado no ano de 2006 e, até a lavratura dos autos de infração e, em especial, a reconstituição da escritura fiscal da Recorrente, os créditos indicados por ela no pedido de compensação eram suficientes para quitar os débitos ali apontados. Sabese que, no caso do IPI, a prioridade de quitação é, de fato, é referente aos débitos relativos à saída dos produtos, nos termos do disposto no art. 195 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época [art. 256 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]. Ou seja, em regra, créditos de IPI devem quitar débitos de IPI. No presente caso, contudo, após acumular crédito de IPI e apurar débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Recorrente transmitiu pedido de compensação, nos termos autorizados pela legislação em vigor. Os débitos de IPI só foram apurados posteriormente e em decorrência de autuação fiscal. Ou seja, à época da transmissão do pedido de compensação, o procedimento adotado pela Recorrente estava plenamente correto. Porém, o § 6º do art. 8o da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, dispõe o seguinte: § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.224, de 23 de dezembro de 2011. In verbis: Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de Fl. 629DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901375/201061 Resolução nº 3801000.539 S3TE01 Fl. 15 5 que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ). E, como se depreende dos autos, a Recorrente, por ter sido autuada nos Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, se encontrava na situação descrita no dispositivo supra citado, nos quais foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos do IPI objeto dos pedidos de ressarcimento/compensação. O requerente também impetrou a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) no 2008.71.16.0004989, para discutir a classificação fiscal e a correspondente alíquota do IPI das plataformas para colheita de milho objeto das autuações sofridas nos citados Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011. De se destacar que tratase aqui de compensação de créditos de IPI, que possui regramento próprio, não se confundindo com o processo de compensação usualmente utilizado para outra espécie tributária. Vejase, inclusive, que os julgados trazidos pela Recorrente com precedentes que lhe seriam supostamente favoráveis, tratam da compensação de créditos de IRPJ e de CSLL, que possuem regramentos distintos daquele aplicável à compensação de créditos de IPI. Assim, seria inadequado promover o julgamento sem que antes houvesse decisão nos autos dos Autos de Infração mencionados, gerados pela desconstituição da escrita fiscal e erro de classificação. Uma vez analisado aqueles casos, e decidido pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência dos autos de infração, deve ser refeita novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haveria crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. Deste modo, converto o presente processo em diligência, e determino o retorno do presente processo à DRF de origem, para que aguarde o julgamento definitivo dos Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, de modo que caso as decisões proferidas sejam pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência total dos autos de infração, esta refaça novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haverá crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 630DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.903677/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Acompanhou o julgamento: Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº 153.881.
(assinado digitalmente)
Belchio Melo de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Acompanhou o julgamento: Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº 153.881. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Trata de PER/DCOMP transmitido em 19/10/2005, com a finalidade de compensar crédito de CPMF proveniente do recolhimento a maior no valor de R$ 30.400,00 realizado em 21/07/2004, referente a fato gerador ocorrido em 21/07/2004, com débito IRRF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 67 7/ 20 09 -0 3 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 358 2 À fl. 20 consta despacho decisório, por meio do qual não foi homologado o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Já as fls. 01/09 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e argumentou em sua defesa que por erro de sistema efetuou em 08/07/2004, operação de aplicação em fundo mútuo no valor de R$ 8.000.000,00 para a empresa Braskem S/A., mas que nesta mesma data a operação foi “estornada” da conta corrente do cliente, conforme comprova extrato (Anexo 4). Esclarece que em razão dessa operação reteve R$ 30.400,00 a título de CPMF, que integrou o DARF de R$ 10.855.952,40, conforme se retira dos Anexos 5 e 6. O recorrente alega que em 21/07/2004 restituiu a CPMF ao cliente, consoante extrato carreado aos autos, sendo que corrobora com esta afirmação a declaração fornecida pela Braskem S/A (Anexo 7). Protesta pela aplicação do princípio da verdade material e afirma que o princípio da legalidade veda a cobrança de tributo sem previsão legal. Além do que, o fato de ter apurado o débito de maneira equivocada na DCTF, não impede que produza prova da inexistência deste. Aduz que a CPMF devida não é R$ 10.855.952,40, mas sim R$ 10.825.552,40 e que está provado o direito creditório por meio da documentação juntada. Colacionou decisões do CARF para demonstrar que o erro no preenchimento da DCTF pode ser corrigido por meio da apresentação de documentos idôneos. Cumpre informar que a retificação da DCTF (Anexo 8), ocorreu 20/05/2009, ou seja, posteriormente ao despacho decisório, mas ates da decisão da DRJ. Às fls. 431/435 sobreveio o acórdão n.º 0532.230 – 3ª a Turma da DRJ/CPS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 21/07/2004 Direito Creditório. Prova. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme se retira da decisão da DRJ, o PER/DCOMP transmitido não foi homologado em razão de que os julgadores de primeiro grau partiram da premissa de que teriam ocorrido 2 (duas) retenções e respectivos pagamentos de CPMF, logo deduziram que o recorrente alegou que na realidade, haveria apenas uma operação tributável. Portanto, para a DRJ o litígio está na inexistência de uma operação sujeita a incidência da CPMF, enquanto que a outra incidência não seria ponto incontroverso. Abaixo está reproduzido parte do voto da DRJ para melhor elucidar o fundamento de seu convencimento para indeferir a homologação pretendida: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 359 3 A operação tida por indevida tem por histórico a expressão "APL FUNDO MÚTUO". Representando um lançamento a débito da conta corrente, tal movimentação estava sujeita à incidência da CPMF. Segundo a interessada, a retenção está retratada no extrato de fl.40, com número de referência, 9001248, coincidente com aquele da aplicação. Segundo a interessada, a outra movimentação, referência 9100118, no valor de R$ 8.000.000,00 registrada naquele dia, desta vez a crédito da conta e, portanto, estranha ao universo de incidência da contribuição, representaria o estorno da operação anterior. Porém, no histórico da operação consta "TRANS ENTRE CTAS", sem qualquer sinal de que se trataria de lançamento de estorno. Na mesma data, conforme extrato juntado à fl. 35, está registrada outra movimentação a débito da conta, portanto tributada, no valor de R$ 8.000.000,00, com o histórico "PRES CTA PAYLINK". A coincidência dos números de referência, 0900089, leva à conclusão de que a retenção retratada no extrato de fl. 40 seja referente a esta movimentação. Importa chamar a atenção para o fato de que nenhuma movimentação apresenta a expressão estorno por histórico ou descrição. O lançamento que a interessada alega tratarse do estorno foi identificada como sendo uma transferência entre contas, o que, a toda evidência, não t em a natureza de estorno. Ainda a esse respeito, o extrato juntado à fl. 39 apresenta um lançamento de cujo histórico é "ESTORNO DO CPMF", correspondente ao que seria a devolução da contribuição ao cliente. Nesse sentido, a ausência da expressão estorno na operação que a interessada alega ter essa natureza revelase ainda mais significativa. O panorama esboçado pelos documentos juntados pela interessada retrata, portanto, a existência de duas operações tributadas e uma não tributada, sem que tenha sido demonstrada qualquer ligação entre elas, exceto seu valor. A documentação não consegue, pois, sustentar a tese de que teria ocorrido uma duplicidade indevida de incidência. Já às fls. 339/345 o contribuinte apresenta recurso voluntário e reafirma que registrou por equívoco a realização de uma operação de mútuo (Operação 9100118) com a empresa Braskem S.A, para aplicação do valor de R$ 8.000.000,00 em um fundo de investimentos. Assim, verificado o equívoco realizou o estorno na contabancária (Operação 9001248) pertencente a Braskem S.A., mas que recolheu o tributo e o devolveu a referida empresa. A linha principal de defesa do recorrente consiste na alegação de que ocorrendo o estorno da operação de empréstimo para seu cliente e o pagamento indevido da CPMF, surgiu o direito creditório em seu favor e para provar o alegado sustenta: Em momento algum a alegou que haveria duplicidade de incidência, e sim buscou comprovar o fato de que jamais ocorreu a operação de aplicação de fundo de investimento, realizada indevidamente pelo seu sistema informático, em nome da Braskem S.A; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 360 4 O Acórdão partiu de uma premissa equivocada, qual seja, a de que a recorrente teria alegado duplicidade de tributação pela CPMF, quando, na verdade, o contribuinte afirma que a operação de aplicação em fundo de investimento nunca existiu; Há um vício no Acórdão, na medida em que a inexistência da operação acima mencionada nem sequer chegou a ser analisada e os documentos apresentados pela recorrente foram refutados pela DRJ no âmbito da comprovação de razões que jamais foram defendidas; Além disso, cabe destacar que a DRJ sustenta que os extratos bancário da Braskem S.A. não seriam capazes comprovar a ocorrência de estorno do montante de R$ 8.000.000,00, em razão de a operação ter sido foi identificada por meio da expressão "TRANS ENTRE CTAS"; O fato de a operação de estorno não ter sido identificada, no extrato bancário da Braskem S.A., por meio da palavra "estorno", não afasta o direito creditório, principalmente porque a Braskem S.A declarou expressamente que ocorreu o estorno do valor de R$ 8.000.000,00. Por fim, protesta pela reforma da decisão e pela homologação da compensação. Este é o relatório. Voto vencido Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. O contribuinte pretende comprovar a existência do crédito de CPMF recolhido a maior no valor de R$ 30.400,00, para tanto alega que em razão de erro, realizou operação de aplicação em fundo mútuo no valor de R$ 8.000.000,00 para a empresa Braskem S/A., mas que estornou esta operação no mesmo dia, conforme faz prova o extrato juntado (Anexo 4). À fl. 34 consta o famigerado extrato que é objeto da controversa. Em que pese a existência deste extrato, a DRJ manifestou entendimento de que a recorrente não teria comprovado o estorno da operação financeira que resultou na aplicação do valor de R$ 8.000.000,0 em favor da empresa Braskem S/A e que foi o motivo da incidência da CPMF. Já o contribuinte alega que por meio desse extrato é possível comprovar o estorno da aplicação no fundo, cuja referência é 9100118. O maior problema é que a operação presente no documento anexo à fl. 34, não está descrita como “estorno”, mas sim como “transferência entre contas”, mais preciosamente “trans entre ctas”, e justamente por esse motivo interpreto que a DRJ tenha indeferido o pedido. Acontece que a DRJ ignorou os demais documentos colacionados pelo contribuinte e que compreendo serem fundamentais para a solução do caso. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 361 5 Refirome ao extrato retirado da conta corrente da empresa Braskem S.A e anexo à fl. 39, por meio do qual se verifica ter sido realizado o estorno da CPMF exatamente no valor de R$ 34.400,00, ou seja, o valor correspondente ao crédito transmitido em PER/DCOMP para o qual o contribuinte pleiteia o crédito. Outra prova importante diz respeito a declaração fornecida pela empresa Braskem S.A e juntada à fl.322 (Anexo 7), digase de passagem, trazida aos autos antes mesmo da decisão de primeiro grau. Nesta declaração a Braskem S.A atesta que lhe foi creditado o valor de R$ 34.400,00 referente a restituição de CPMF. Cito Acórdão nº 10249037 – PAF nº 10140002502/200466 do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 24.04.2008 pela 2ª Câmara, Turma Ordinária, que apesar de tratar da incidência do IRPF, toca na questão referente ao estorno de lançamentos com repercussão na incidência tributária: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS (...) ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÕES Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÃO A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. DECADÊNCIA Sem que se transcorra o prazo previsto no § 4o do art. 150 do CTN, que é o mais benéfico ao contribuinte, não há que se falar em decadência. Preliminares afastadas. Recurso provido.(grifo) Com efeito, considerando que o contribuinte retificou a DCTF e apresentou prova da existência de seu crédito por ter comprovado o estorno da aplicação de R$ 8.000.000,00 da conta corrente de seu cliente, voto para que seja homologada a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Lirani – Relator Voto vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 362 6 Inobstante a presença nos autos de vasto conjunto probatório, conforme acima relatado, há uma questão relevante que impede uma conclusão peremptória quanto à efetiva existência do direito alegado pelo Recorrente. O valor da CPMF que se pretende restituir (R$ 30.400,00) decorre, segundo o Recorrente, da ocorrência, em 8 de julho de 2004, de um erro em seus sistemas, em que se realizou uma operação indevida de aplicação em fundo mútuo, no valor de R$ 8.000.000,00, na contacorrente da empresa Braskem S/A., operação essa que, ainda segundo o Recorrente, foi estornada no mesmo dia (fl. 34). A controvérsia reside no fato de que, conforme consta do extrato à fl. 34, o alegado estorno da aplicação financeira encontrase identificado como “TRANS ENTRE CTAS”, expressão essa que pode ser compreendida como “transferência entre contas”. Ora, a identificação de um lançamento na contacorrente dessa forma não se mostra consentâneo com a natureza do fato alegado pelo Recorrente, qual seja, o estorno da aplicação indevida. Sem a confirmação de que tal lançamento consiste, efetivamente, em um estorno e não em uma transferência entre contas, não se pode concluir de forma cabal quanto ao direito pleiteado, reclamando por maior investigação dos fatos controvertidos. O Recorrente não trouxe aos autos a prova necessária à confirmação de que, além do alegado erro do sistema, houve, também, erro na identificação do lançamento, nos termos acima apontados. Se uma operação de aplicação financeira, ainda que indevida, foi realizada, com a saída dos recursos da contacorrente do contribuinte, o respectivo valor foi transferido para uma outra conta, a do fundo mútuo, e, em seguida, dado o erro ocorrido, estornada dessa mesma conta de aplicação, estorno esse que deve ter tido como contrapartida o referido lançamento identificado no extrato como “transferência entre contas”. É essa movimentação eletrônica de valores que precisa ser demonstrada para se comprovar a efetiva ocorrência da tributação indevida. Nesse contexto, concluise, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que se colham, junto ao Recorrente, as provas necessárias à confirmação do erro alegado, no que tange à efetiva ocorrência de aplicação financeira indevida e de seu respectivo estorno. O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 363 7 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 15889.000007/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
IPI. CRÉDITOS EM RELAÇÃO A ISNUMOS DESONERADOS. IIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 IPI. CRÉDITOS EM RELAÇÃO A ISNUMOS DESONERADOS. IIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 07 /2 00 8- 16 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor de Indústria de Plásticos Bariri Ltda, CNPJ 71.527.618/000152, relativo ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados apurado pela fiscalização nos períodos compreendidos nos anos de 2003 a 2006, no valor total de R$ 4.798.027,62 (quatro milhões, setecentos e noventa e oito mil, vinte e sete reais, e sessenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 2 (inclusos multa de ofício e juros de mora). Em face da constatação de créditos indevidamente aproveitados e das respectivas glosas efetuadas, a escrita nos Livros de Registro de Apuração do IPI foi reconstituída, resultando, daí, nos saldos devedores demonstrados no auto, conforme fls. 04/45. Os créditos glosados correspondem àqueles consignados pelo sujeito passivo, em seus livros fiscais, como "OUTROS CRÉDITOS ACÓRDÃO N° 212.4822/RS DO STF". Tais créditos foram calculados sobre as aquisições de produtos não tributados, isentos ou com alíquota zero. Regularmente cientificada do lançamento em 30/01/2008, a contribuinte ingressou, em 15/02/2008 (registro à fl. 318), com a impugnação de fls. 273/306, instruída dos documentos de fls. 307/314, apresentando, em suma, as seguintes razões de defesa: 1. O lançamento é procedimento administrativo através do qual a autoridade fiscal cumpre o seu dever de demonstrar motivadamente a ocorrência do suporte fático (fato gerador) no mundo fenoménico. As premissas fáticas não foram validadas pela fiscalização, posto que todas as informações e declarações do imposto cobrado em questão se encontram devidamente registradas no "Livro de IPI Créditos Escriturados e Débitos Escriturados" da empresa. Os créditos glosados pela fiscalização são válidos, pois esse é o entendimento do próprio Supremo Tribunal Federal (RE n° 212.4842/RS), ainda que a contribuinte não faça parte da ação judicial julgada pelo excelso tribunal. 2. A multa fixada em 75% é excessiva e desproporcional, possuindo caráter confiscatório. Deve ser reduzida, atendendo se aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência. 3. A taxa SELIC não se presta a ser aplicada como taxa de juros moratórios, uma vez que possui característica de juros remuneratórios. A taxa correta a ser aplicada é aquela prevista no art. 161, § Io , do CTN. Além disso, a cobrança pela SELIC é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei. Também é inconstitucional, ao teor do art. 150 da Constituição Federal, pois a cobrança de juros superiores ao quantum estabelecido pelo CTN representa efetivamente um Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000007/200816 Acórdão n.º 3302001.816 S3C3T2 Fl. 11 3 aumento de tributo sem lei que o autorize. A aplicação da taxa de juros não pode exceder a 12% ao ano (art. 192, CF) e nem deve ser capitalizada (art. 4 o do Decreto n° 22.626/33). Ao fim, a contribuinte requer: a) que seja julgado nulo o auto de infração, visto que declarou em seus livros contábeis todos os valores de forma correta, onde se apurou a real base de cálculo para recolhimento da exação; b) caso não seja o auto considerado nulo. que seja determinada a redução da multa e afastada a aplicação da taxa SELIC; c) a produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a realização de perícia contábil para se apurar a correção dos valores levantados pela autoridade Fiscal. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a impugnação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la. nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. E lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. Impugnação Improcedente Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o presente processo trata de auto de infração decorrente glosa de créditos de IPI relacionados a aquisições de insumos desonerados (Isentos, Alíquota Zero e Não Tributados). A respeito deste tema, após muitas discussões e decisões conflitantes, o Supremo Tribunal Federal acabou por definilo contrariamente aos interesses dos contribuintes, senão vejamos: Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 370682 ED / SC EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. GILMAR MENDES Julgamento: 06/10/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno. IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 566819 / RS Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 29/09/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno). Ademais, no âmbito do CARF, foi editada súmula vetando o aproveitamento dos créditos decorrentes da aquisição dos insumos tributados à alíquota zero, in verbis: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Devese considerar ainda que as decisões exaradas pelo STF determinam que a possibilidade de crédito de IPI se limita aos créditos efetivamente cobrados na etapa anterior, o que afasta a possibilidade em relação às insumos adquiridos com isenção, alíquota zero ou não tributados. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000007/200816 Acórdão n.º 3302001.816 S3C3T2 Fl. 12 5 Tendo em conta as limitações impostas pelo Regimento Interno do CARF (art. 62 e 62 A) e pelo Decreto 70.235/72 (art.26 A), correta a decisão que manteve o auto de infração lavrado. É de se destacar que, conforme determina a Portaria nº 01/2012 do CARF, a matéria tratada neste processo não é caso de sobrestamento, isto porque muito embora tenha ocorrido o reconhecimento de repercussão geral no RE 590.809 não houve a determinação de suspensão dos Recursos anteriores a nova sistemática em gabinete no STF. Quanto à multa, também não merece reparos a decisão recorrida posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado, como já dito, ao julgador administrativo afastála por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.) Também não assiste razão à Recorrente quanto às alegações contra a utilização da taxa SELIC, matéria que, inclusive, já se encontra sumulada no âmbito do CARF, como vemos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, não havendo possibilidade de creditamento na aquisição de insumos desonerados, não tem cabimento o pedido de diligencia. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima destacado em complemento as produzidos pela decisão recorrida, aos quais faço remissão nos termos do art. 50 § 1º da Lei 9874/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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