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Numero do processo: 11080.725574/2010-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2008
IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO PAGAS PELO PROPRIETÁRIO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DA IMOBILIÁRIA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. VALOR QUE DEVE SER EXCLUÍDO DA BASE DE CÁLCULO.
Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que as despesas de condomínio pagas pelo proprietário. Para efeito de comprovação, a documentação referente à prestação de contas apresentada pelas imobiliárias que administram os imóveis é hábil e idônea, se nada nos autos as desabona. De outro modo, as despesas cuja denominação não permite identificar a respectiva natureza não podem ser deduzidas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$1.950,69 (mil, novecentos e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2008 IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO PAGAS PELO PROPRIETÁRIO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DA IMOBILIÁRIA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. VALOR QUE DEVE SER EXCLUÍDO DA BASE DE CÁLCULO. Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que as despesas de condomínio pagas pelo proprietário. Para efeito de comprovação, a documentação referente à prestação de contas apresentada pelas imobiliárias que administram os imóveis é hábil e idônea, se nada nos autos as desabona. De outro modo, as despesas cuja denominação não permite identificar a respectiva natureza não podem ser deduzidas. Recurso provido em parte.
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RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO PAGAS PELO PROPRIETÁRIO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DA IMOBILIÁRIA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. VALOR QUE DEVE SER EXCLUÍDO DA BASE DE CÁLCULO. Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que as despesas de condomínio pagas pelo proprietário. Para efeito de comprovação, a documentação referente à prestação de contas apresentada pelas imobiliárias que administram os imóveis é hábil e idônea, se nada nos autos as desabona. De outro modo, as despesas cuja denominação não permite identificar a respectiva natureza não podem ser deduzidas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$1.950,69 (mil, novecentos e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 55 74 /2 01 0- 48 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, em virtude de apuração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas no valor de R$3.065,55, conforme informado em DIMOB, o qual foi impugnado sob alegação de que a diferença apurada pela fiscalização correspondia a despesas com impostos, taxas, emolumentos, condomínio e despesas necessárias à cobrança ou recebimento do rendimento. Anexou documentos às fls. 10 e ss. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que não há prova objetiva de que as despesas alegadas tenham sido suportadas pelo locador. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/09/2011, após ciência da Intimação do Resultado em 11/08/2011. A Unidade Preparadora consignou que o valor incontroverso é praticamente insignificante diante do total, motivo pelo qual não será apartou o crédito tributário. Em síntese, constam da pelas recursal as alegações abaixo: 1. a decisão baseouse exclusivamente nas informações da DIMOB, onde não há campo para informação das despesas dedutíveis na atividade de locação de imóveis; 2. pagava às imobiliárias o valor das despesas condominiais de responsabilidade do locador e as imobiliárias repassavam às administradoras dos condomínios; e 3. os documentos anexos comprovam que suportou as despesas que justificam a diferença apurada por meio da DIMOB no valor de R$2.959,16, concorda com a omissão de R$107,39, e apresenta nos quadros 1 e 2 (fls. 282/283) a demonstração dos valores apurados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio referese exclusivamente ao valor de R$2.959,16 que o recorrente alega ter sido indevidamente considerado como rendimentos de aluguel omitido, pois tratase de despesas que por lei não integra a base de cálculo, muito embora não haja um acampo específico na DIMOB no qual essas despesas possam ser informadas pelas Imobiliárias. O recorrente junta os demonstrativos que as imobiliárias emitiram para prestar contas dos alugueis administrados, nos quais são registrados os valores descontados do valor que é repassado ao locador. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.725574/201048 Acórdão n.º 2802002.581 S2TE02 Fl. 367 3 O recorrente amparase em manual de orientação elaborado pelos setor de administração de imóveis que objetivam discriminar quais despesas são do proprietário e quais são de responsabilidade do locatário. A matéria é regida pelo art. 14 da Lei 7.739, de 1989: Art. 14. Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que trata a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no caso de aluguéis de imóveis: I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e IV as despesas de condomínio. Para efeito de análise foram examinadas as despesas que o recorrente sublinhou nos demonstrativos emitidos pelas imobiliárias. Não há qualquer elemento nos autos que opere em desfavor da idoneidade desses documentos, razão pela qual são acatados como elemento de prova das despesas suportadas pelo locador. Resta averiguar quais delas são despesas indicadas no dispositivo legal supramencionado. São elas: a) as despesas de condomínio identificadas como Fundo de Reserva, Fundo de Obras; e b) as despesas de condomínio referente ao período em que o documento permite concluir que o imóvel está desocupado. Por outro lado, não são dedutíveis aquelas registradas como “chaves”, “chamada extra” em que a comprovação é superficial no sentido de demonstrar que tipo de despesa é. O ônus da prova é do recorrente, se dele não se desincumbiu é lit´gima a autuação. A partir desse critério foram listados abaixo os valores admitidos, conforme a ordem em que constam dos autos. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$1.950,69 (mil, novecentos e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso 24,1 8 150 10 15 11,53 23,55 20 11,53 10 8 11,53 23,55 20 11,53 10 8,9 4,77 24,36 20 150 10 8,9 151,87 24,16 20 11,53 10 8,9 150 24,16 20 11,53 10 8,9 150 24,16 20 9,95 15,5 8,9 22,67 33,53 30 7,08 15,5 10 6,16 33,53 8,9 6,16 15,5 30 33,51 8,9 15,5 30 24,18 30 26,6 8,9 24,16 30 39,5 30 8,9 30 8,9 30 8,9 30 8,9 30 505,05 567,8 877,84 Total 1950,69 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.725574/201048 Acórdão n.º 2802002.581 S2TE02 Fl. 368 5 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720234/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 593 1 592 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720234/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.518 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente PREFEITURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE JOANÓPOLIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 34 /2 01 2- 33 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 594 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 07/05/2012 para constituição de crédito de contribuições previdenciárias, referentes às competências 01/2007 a 12/2008. O valor do crédito tributário é de R$ 392.464,19, já incluídos os juros de mora e a multa de ofício. Conforme Relatório Fiscal de fls. 17/32, os fatos geradores das contribuições apuradas no Auto de Infração foram as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais (cota patronal), separadas nos seguintes levantamentos: * C1 – Contribuintes individuais até novembro de 2008, inclusive; * C2 – Contribuintes individuais – dezembro de 2008; * F1 – Contribuintes individuais – frete, carreto ou transporte de passageiros até novembro de 2008, inclusive; * F2 – Contribuintes individuais – frete, carreto ou transporte de passageiros – dezembro de 2008. Informa ainda a autoridade fiscal que os fatos geradores considerados não foram declarados em GFIP, de sorte que se configurou ainda a infração à obrigação acessória. Considerando a infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) e à obrigação acessória (declaração em GFIP), a autoridade fiscal procedeu à comparação das multas aplicáveis conforme a legislação vigente até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008 (24% pelo não recolhimento + 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitados limites legais), com a soma das multas aplicáveis conforme a legislação superveniente, que foi a Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 (75% pelo lançamento de ofício). Referido comparativo (Anexo IX) foi feito somente até a competência novembro de 2008, em razão de a Medida Provisória n° 449 ter sido editada em dezembro de 2008. A legislação superveniente foi mais benéfica nas competências de janeiro de 2007 a novembro de 2008, razão pela qual deixouse de aplicar a multa por descumprimento de obrigação acessória, restando tão somente a multa de ofício. Para a competência dezembro de 2008, já sob a vigência da Medida Provisória n° 449/2008, foi aplicada multa por lançamento de ofício de 75%, com fundamento no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. art. 44 da Lei n° 9.430/96. Consta ainda do Relatório Fiscal que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária (artigo 337A do Código Penal). Fl. 612DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Às fls. 546, foi emitido Termo de Revelia com ciência do recorrente mediante a Intimação nº 13837/447/2012, fls. 547/548. Todavia, às fls. 565, a Prefeitura Municipal de Joanópolis, por intermédio de seu Exmo. Prefeito, apresenta requerimento para a reconsideração da intimação do Termo de Revelia datado de 27/06/2012, pois, conforme cópias que anexa (fls. 566/569), teria havido apresentação tempestiva da impugnação. Outra via da impugnação consta às fls. 571/574. A DRJ Campinas considerou a defesa tempestiva e, nos termos do acórdão de fls. 589/598, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 8 de outubro de 2012 (fls. 601), interpôs, em 1 de novembro de 2012, o recurso de fls. 602/606, no qual alega e requer, em apertada síntese, que: * A Chefia do Poder Executivo foi assumida pelo atual prefeito Celso Soares Nogueira em virtude de decisão judicial que reconheceu a cassação do mandato do exprefeito João Carlos da Silva Torres pela Câmara Municipal de Joanópolis, conforme decisão que anexa, e, como a publicação do acórdão se deu em 19/04/2012, conseqüentemente, restoulhe prazo exíguo para a defesa; * a taxa de juros aplicada e a multa no importe de 75% ofenderiam os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade, posto que o município é deveras carente e pequeno, com aproximadamente onze mil habitantes, sem grande fonte de rendas e, portanto, não podendo arcar com o valor expressivo da penalidade sem que prejudique seus meios de subsistência e funções básicas como saúde, educação, saneamento etc. Deve haver sensibilidade na análise do recurso, com observação dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, presentes na Lei nº 9.784/99, para garantir a mensuração da penalidade considerando a natureza, gravidade, danos da infração, circunstâncias, antecedentes e ainda a possibilidade financeira do Município. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 595 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Multas e juros. A recorrente mostrase inconformado com os juros e multa aplicados e pretende a sua modificação com base em princípios constitucionais. Razão não assiste à recorrente, pois a multa de mora e os juros de mora aplicados tem previsão legal na Lei n° 8.212/91. Quanto às alegações de inconstitucionalidade dos referidos acréscimos legais, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse ainda a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Multas. Direito Intertemporal. Em que pese o desacerto das razões recursais, impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, Fl. 615DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 596 7 mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente até 03 de dezembro de 2008, data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN , prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que aplicase a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente até 03 de dezembro de 2008, Fl. 617DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 597 9 data do advento da Medida Provisória n° 449/2008, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, para as competências até novembro de 2008, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que, para as competências de janeiro de 2007 a novembro de 2008, a legislação superveniente seria sempre mais benéfica (multa de ofício de 75%). Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Por fim, é de se esclarecer que o aludido comparativo foi feito somente até a competência novembro de 2008, em razão de a Medida Provisória n° 449 ter sido editada em dezembro de 2008, de forma que nenhuma dúvida há quanto a legitimidade do lançamento da multa de ofício de 75% para a última competência (artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. art. 44 da Lei n° 9.430/96). Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Declaração de Voto: Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Relator no que pertine a aplicação da multa de mora. Em julgamentos pretéritos adotei o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento relacionado ao descumprimento das obrigações principais deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91, limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 subsumida a hipótese pela retroatividade benigna da norma (art. 106, inciso II, 'c', do CTN). No entanto, aprofundando o estudo do tema, achei por bem alterar o meu entendimento e, para o caso, no período de 01/2007 a 12/2008, aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela MP 449/08 em decorrência da retroatividade benigna, reduzindo o percentual a 20%. Explico. No período em comento estava em vigor o art. 35 da Lei nº 8.212/91 cuja norma, na sua redação original, regulamentava a incidência da multa de mora sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, era agrupada em percentuais distintos a depender da data do pagamento da exação. Quanto mais distante do dia do vencimento, maior o percentual. A penalidade era aplicada pelo atraso no pagamento, existindo ou não ação fiscal. Assim prescrevia: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 598 11 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. " (grifo nosso) Posteriormente, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09, a legislação ordinária de 1991 sofreu alterações significativas. A partir de então, o atraso no pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa de mora ou multa de ofício. A aplicação de uma ou de outra estaria vinculada a existência de ação fiscal. Com efeito, a cobrança do tributo seguida de lançamento era condição para incidência da multa de ofício tipificada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei no 9.430/96: "Art. 35A: Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal..." Em relação a multa de mora, o percentual passou a ser fixado em 20% nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vide transcrição: "Art. 35 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." "Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do cotejo entre a antiga norma e aquela estabelecida após o avento da MP 449/08, inferese que a multa de mora passou a incidir de forma mais benéfica para o contribuinte a partir de dezembro/2008, porquanto limitada a 20% (vinte por cento). Sob a ótica da incidência do art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, a lei mais benéfica deve ser aplicada ao fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Grifo nosso Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19311.720234/201233 Acórdão n.º 2302002.518 S2C3T2 Fl. 599 13 Neste contexto, em relação a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias até novembro/2008, por inexistir previsão para a multa de ofício, deve incidir a penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (multa de mora), entretanto, limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/08 (art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Este entendimento vem sendo adotado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO cujo julgado, de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva (Acórdão nº 999.999 PAF 10805.003371/200716), a seguir transcrito: "LANÇAMENTOS RFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA 'C', DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança do regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea 'c', do inciso II, do art. 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%" Como dito inicialmente, se no passado adotava o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91 (multa de mora), limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme aplicação retroativa da nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício) nos termos do art. 106, inciso II, 'c', do CTN; no presente, considero que a comparação das normas deve ocorrer entre institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora (art. 35 da Lei 8212/91 antes da mp 449/08) com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91 após a MP 449/08), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). Logo, a partir de dezembro/2008 é indubitável a incidência do novo regramento constante no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício). Antes, porém, até novembro/2008, deve ser aplicado o percentual de 20%. (assinado digitalmente) Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 11686.000400/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir.
Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio..
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 04 00 /2 00 8- 35 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Perdcomp) referentes a Cofins não cumulativa de exportação correspondente ao terceiro trimestre de 2007. Em 31/10/2007, foi transmitido pedido de ressarcimento (PER — n° 14822.72995.311007.1.1.090768) informando crédito no valor de R$ 8.283.197,89 para o período, sendo o valor passível de ressarcimento e objeto da solicitação R$ 5.429.765,68. Transmitida também declaração de compensação (Dcomp n° 07392.68073.311007.1.3.097910) na qual utiliza parte do valor, R$ 1.250.000,00, para a compensação de débito. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 4 3 Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório n° 215/2009 (fl. 38) que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 1.931.182,61, homologando a compensação até este valor. O Despacho Decisório foi emitido com base na Informação Fiscal das fls. 28 a 31. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse aos seguintes fatores. Em primeiro lugar, a interessada não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. Em segundo, por ter incluído no valor passível de ressarcimento o crédito presumido das atividades de agroindústria. Cita ainda, a Informação Fiscal, que a empresa aplicou alíquota indevida para o crédito de atividades agroindustriais, sendo, na compra de suínos vivos e de milho, aplicável a alíquota de 35%, e não 60%. Por fim, por ter calculado crédito indevidamente sobre despesas de capatazia, movimentação de carga e descarga e outras relacionadas, no item correspondente às "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda". A empresa foi cientificada do Despacho Decisório, Informação Fiscal e cobrança dos valores indevidamente compensados em 06/07/2009 (fl. 44). A empresa apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 21/07/2009 (fls. 58 a 100), contestando todas as glosas efetuadas. Relativamente à transferência de créditos de ICMS a terceiros, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Argumenta que a RFB amplia o conceito legal e transcreve decisão judicial favorável a sua tese. As quantias recebidas seriam na verdade redução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis" para "caixa", ambas do ativo da empresa. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício para as agroindústrias, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116/2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636/2006, revogada pela IN SRF n° 660/2006. As restrições de disposições de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 5 4 afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, entende que a Instrução Normativa SRF n° 660/06 modificou o estabelecido pela Lei n° 10.925/2004. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei, direcionada às empresas produtoras dos produtos especificados (de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM), e não às que adquirem os produtos em questão como insumos. Contesta também a glosa de créditos referentes ao item correspondente às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve todas as atividades referentes aos valores glosados, em particular a capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco, correspondentes as mercadorias destinadas à exportação. Argumenta que são custos indispensáveis, sem os quais não há venda ou exportação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Os valores recebidos em decorrência de transferência onerosa de créditos de ICMS devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1° de janeiro de 2009. COFINS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 6 5 A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Vencido Quanto aos créditos das despesas pós produção. Voto Vencedor Quanto às demais matérias. Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são três os tópicos a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS; (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, paletização, serviços de monitoramento, taxa de risco; e, (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; Para melhor entendimento trato pontualmente cada um dos itens acima listados. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 7 6 (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob o argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS. Independente da questão de se tratarem ou não de novas receitas nos termos da Lei 10.637/02, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos te II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como vemos da ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 8 7 utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor —que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 9 8 Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . .1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido cito ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 10 9 RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO • CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não sendolhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS bem como as transferências para terceiros de saldos credores do ICMS devem ser canceladas, e eventual discussão a cerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga,paletização, serviços de monitoramento e a taxa de risco A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, nos seguintes termos: Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas glosadas (referentes a: estivas e capatazia, movimentação de carga e descarga e taxas vinculadas, de risco, braçagem e despesas relacionadas) não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Também não podem ser caracterizados como despesas com armazenagem, que é, no sentido dicionarizado da palavra, a ação de armazenar ou recolher mercadoria em um armazém. A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 11 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (..) § 3 O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verifico que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Vale destacar que a chamada “não cumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destaco é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 12 11 Substantivo” como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema, destaco recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres , transcrevo, pela relevância para o aqui discutido, o seguinte trecho: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 13 12 referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim concluiu o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como se percebe, a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 14 13 (...) Recurso Voluntário provido em Parte. No judiciário a matéria também vem sendo amplamente discutida, merecendo destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA. 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. 2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. 3. Tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, os créditos devem ser apurados relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. 4. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha, como no IPI, a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. 5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. 6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (TRF4, AC 000000725.2010.404.7200, Primeira Turma, Relator Leandro Paulsen, D.E. 04/07/2012) Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos: As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Não há destaque a transferência jurídica a cada operação. A solução legislativa adotada para consagrar a não cumulatividade, conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 15 14 próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. Mas o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade. Seja com suporte direto na lei ordinária (não havia vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização expressa), certo é que a instituição de um sistema de nãocumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter conceitual. A nãocumulatividade pressupõe uma realidade de cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus efeitos. Lembrese que, forte na não cumulatividade, as alíquotas das contribuições foram mais do que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de 3% para 7,6%), de modo que os mecanismos compensatórios tem de ser efetivos. (...) Pois bem, para que se possa falar em nãocumulatividade, temos de pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas incidências é que se justifica a técnica destinada a evitar que elas se sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades econômicas. Efetivamente, só se pode assegurar a apuração de créditos relativamente a despesas que, configurando receitas de outras empresas, tenham implicado pagamento de PIS e de COFINS anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas. De outro lado, contudo, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, configurem ou não faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, com suporte na ampliação da base econômica ditada pela EC 20/98, não se pode trabalhar limitado à idéia de crédito físico. (...) A coerência de um sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. (…) Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03 e da respectiva regulamentação (e.g., IN Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 16 15 404/04) caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Como se vê do bem estruturado e fundamentado voto acima transcrito, a primeira turma do TRF da 4ª Região passou a entender que o direito ao crédito tem intima relação com a base de calculo adotada (Receita Bruta), e que para garantia da não cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta. Esta interpretação contudo, ainda não pode prevalecer no âmbito administrativo pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72. Seguindo o raciocínio ditado pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao processo produtivo em seu conceito mais amplo, devendo tal característica ser verificada caso a caso. Neste contexto, aplicandose a interpretação que entendo mais adequada, entendo que assiste razão em parte a recorrente. Passemos então a analisar cada um dos itens glosados para melhor enquadrá los dentro da atividade desenvolvida e de sua essencialidade para a produção dos bens da Recorrente. Inicialmente, destaco que em relação a paletização não há contestação explicita no recurso voluntário apresentado, tendo a defesa apresentada discorrido apenas sobre as despesas abaixo examinadas, motivo pelo qual não me manifestarei a cerca deste item especifico. Os serviços de capatazia e de movimentação de carga e descarga estão assim definidos pela Recorrente: A Recorrente utilizase dos serviços de capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições uma vez que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF no 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. (...) Na mesma linha que o serviço de capatazia, a Recorrente utiliza o serviço de carga e descarga nas suas operações portuárias de vendas das suas mercadorias para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF n o 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 17 16 empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito a despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaurada exige que se decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma qual o seu melhor enquadramento, e no caso concreto a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo uma menor incidência tributária. Diante deste contexto me parece correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 18 17 motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadram na categoria de seguro, entendo que não há direito ao credito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas em cada período de apuração. Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos do de apuração. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 19 18 A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 20 19 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 21 20 Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima descrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Quanto aos créditos das despesas pós produção. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo às glosas de créditos das despesas pós produção que não se enquadram no conceito de custo de produção e não são despesas de armazenagem de mercadoria e de frete na operação de venda, para as quais existe autorização legal para a utilização de crédito. No presente processos tratase das despesas com serviços de capatazia, monitoramente de mercadorias e movimentação de carga e descarga, que o Ilustre Conselheiro Relator considera “despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda”, com direito a crédito. As despesas com “taxa de risco” o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que não geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Neste particular não há reparos a fazer no seu voto. Aqui acompanho o Ilustre Conselheiro Relator. No entanto, e com toda a vênia, sou obrigado a discordar do Ilustre Conselheiro Relator quando equipara à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação citada no acórdão recorrido, as despesas com capatazia, movimentação de cargas e descarga e monitoramento de mercadorias, para fins de reconhecer o direito ao crédito de PIS e de Cofins. Como bem disse a decisão recorrida, o direito ao crédito relativo à despesa com armazenagem de mercadorias está previsto no artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 22 21 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins. Por fim, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às demais matérias de mérito, cujos fundamentos do voto ratifico e adoto integralmente como se aqui estivessem escrito. Lembro que fui vencido quanto à preliminar levantada pelo Relator. Sobre este ponto, fiz declaração de voto. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 23 22 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Quanto à preliminar de modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação, suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, não o acompanho pelas razões que passo a discorrer. Os valores de natureza tributária a restituir ou a ressarcir pela Fazenda Nacional são espécies de despesa pública. E o pagamento de despesa pública somente pode ser realizado após a sua regular liquidação, por expressa determinação do art. 62 da Lei nº 4.320/64. E o disposto nos art. 165 e 170 do CTN é compatível com essa regra. E a liquidação da despesa pública está definida no art. 63 da Lei nº 4.320/64, ou seja, é o procedimento tendente a verificar a existência do direito do credor e a apuração da origem e objeto do que se deve pagar e da importância exata a pagar, bem como a identificação da pessoa a quem se deve pagar. A primeira conclusão que se tira desses dispositivos legais é que a atividade de liquidação da despesa é uma atividade privativa da administração pública. A segunda conclusão que se tira é que somente despesas líquidas podem ser pagas. Uma terceira constatação óbvia é que a legislação tributária que trata da restituição, do ressarcimento e da compensação não se contrapõe e nem altera os arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64. Ao contrário, a eles se integra na medida em que estabelece regras para o credor contestar tanto a existência do direito pleiteado como “o exato valor” da despesa de restituição e de ressarcimento apurado pela autoridade administrativa competente. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 24 23 Dito isto, passemos à apreciação das razões da preliminar levantada pelo Ilustre Conselheiro Relator. O Ilustre Conselheiro Relator entende que a autoridade administrativa incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado não pode proceder “modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação”. Para ele, constatando erro de apuração da base de cálculo, deve a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, não lhes sendo permitido, em substituição ao lançamento, “promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação”. Com as devidas vênias, ouso discordar desse entendimento porque, em primeiro lugar, há sim permissão legal (arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64) para a autoridade administrativa incumbida de efetuar o pagamento da despesa publica, de restituição ou de ressarcimento, apurar, reconhecer e pagar valor diferente do pleiteado pelo credor, sem nenhuma restrição legal à forma de proceder a apuração do exato valor a restituir. Antes de avançar na discussão, é necessário deixar claro, mesmo sendo repetitivo, que a lei permite o pagamento e a compensação exclusivamente de créditos líquidos e certos de terceiros contra a Fazenda Nacional. Os crédito incertos ou ilíquidos contra a Fazenda Nacional não podem ser objeto de extinção por pagamento ou por compensação com débito do credor. Em conseqüência das disposições legais acima, qualquer que seja o motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer o crédito do contribuinte em valor inferior ao pleiteado, ela não pode efetuar o seu pagamento, ou a sua compensação, no valor pleiteado pelo contribuinte, sob pena de violenta agressão ao art. 62 da Lei nº 4.320/64, devendo responder administrativamente pelo delito cometido. No caso de despesa relativa a ressarcimento ou restituição de créditos de natureza tributária, ou relativo a incentivos fiscais de natureza financeira, todo o procedimento administrativo é passível de contestação, como acima se disse. Aqui chegamos em uma “encruzilhada” jurídica: o que fazer quando no procedimento de liquidação do crédito pleiteado a autoridade administrativa fazendária entende que o contribuinte apurou a menor a base de cálculo do tributo envolvido no seu pedido, com reflexos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar? Deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação? Quais são os efeitos no valor total objeto de pedido de restituição, de ressarcimento ou de compensação, havendo ou não lançamento? Quais são os efeitos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar não afetado pela diferença de base de cálculo, se a autoridade efetuar ou deixar de efetuar o lançamento? Começando a responder pela última questão acima, entendo que o fato de existir parcela controversa no valor ou no direito objeto do pedido do contribuinte em nada afeta o direito ao crédito e o valor reconhecidamente líquido pela administração, podendo este ser pago regularmente. É que aconteceu no caso dos autos, onde a parcela incontroversa já foi paga via compensação. Quanto aos efeitos no valor total objeto de PER/DCOMP, havendo ou não lançamento de diferença apurada e decorrente de majoração da base de cálculo ou da alíquota aplicada, entendo que também em nada afeta o direito ao crédito e o valor pleiteado. E não tem Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 25 24 nenhum efeito porque, imediatamente, a autoridade administrativa só está autorizado a pagar o valor líquido da dívida da Fazenda Nacional. A parte litigiosa a lei não permite o seu pagamento, como acima se viu. Se não houver o lançamento, a parcela controversa do pedido do contribuinte será decidida pelo rito do PAF no próprio processo do PER/DCOMP. Havendo o lançamento, a parcela controversa será discutido ou no processo do PER/DCOMP ou no processo do auto de infração ou notificação de lançamento ou, ainda, em ambos, simultaneamente (o que não é, tecnicamente, correto). Em qualquer caso, reconhecendo a administração a improcedência do lançamento ou da glosa (no PER/DCOMP) a parcela reconhecida será paga ao contribuinte. A segunda questão (deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação) é deveras controversa. Pela Nota Técnica nº 9 Cosit, de 15/02/2012, a RFB analisou a matéria para concluir, de forma dúbia, pela necessidade do lançamento, dentro do prazo decadencial, e pela dispensa do lançamento, após o prazo decadencial. É verdade que não existe norma legal tratando, objetivamente, desta matéria. No entanto, pelas razões acima exposta e tendo em mira a objetividade e a efetividade do processo administrativo, especialmente o fiscal, devese trilhar pelo caminho mais célere e mais vantajoso para o contribuinte. Na situação sob exame, a lavratura do auto de infração, ou da notificação de lançamento, me parece um procedimento estéril, servindo, no máximo, para criar constrangimentos e despesas para contribuinte. Para ilustrar nosso entendimento, partimos de um caso bem simples: um pedido de restituição de PIS pago a maior que, no curso da diligência fiscal, foi constatado que a empresa não incluiu na base de cálculo o valor de uma receita de venda de serviços e que, após a inclusão dessa receita na base de cálculo do PIS, ainda resultou em pagamento indevido a ser restituído ao contribuinte. Para uma maior clareza, vamos supor que o valor da restituição pedida pelo contribuinte foi de R$ 1.000,00 e, após a inclusão da receita de venda de serviços na base de cálculo do PIS, a RFB apurou um valor a restituir de R$ 700,00. Lavrando ou não auto de infração ou notificação de lançamento, e independente de manifestação de inconformidade do contribuinte, inicialmente a RFB só pode efetuar o pagamento da restituição de R$ 700,00 e, de fato, efetua o pagamento desse valor. O contribuinte entende, por qualquer razão, que sua receita de prestação de serviço não integra a base de cálculo do PIS e contesta a decisão do Delegado da RFB. Supondo que a RFB efetuou o lançamento do crédito tributário, no valor original de R$ 300,00 e com multa de ofício e juros de mora, e o contribuinte contestou o lançamento e o despacho decisório que deferiu, em parte, o seu pedido de restituição. As duas contestações têm o mesmo objeto. As contestações do contribuinte (impugnação e manifestação de inconformidade) podem ser consideradas procedentes ou não (para simplificar o raciocínio). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 3302001.741 S3C3T2 Fl. 26 25 Sendo procedentes as contestações, o lançamento será cancelado e a restituição do valor original de R$ 300,00 será efetuada. Sendo improcedentes as contestações, não há crédito adicional a restituir e, também, não há como exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário lançado, inclusive a multa de ofício, em face da existência de pagamento anterior à efetivação do lançamento. O crédito lançado está extinto por pagamento anterior ao lançamento. Num caso e no outro, o lançamento efetuado não se presta para exigir o pagamento de crédito tributário, que é a sua finalidade precípua. Para que serve o ato administrativo que não se presta a cumprir a sua finalidade? Respondo: não serve para nada! É inútil! Portanto, absolutamente desnecessário. O mesmo raciocínio acima aplicase no caso de ressarcimento de créditos do IPI, do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa, onde os valores glosados são abatidos dos créditos legítimos do contribuinte. Com estes fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10480.727728/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procede-se ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação.
LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS.
A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide.
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO.
A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procede-se ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS. A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procedese ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS. A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 77 28 /2 01 1- 41 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procedese ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS. A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa PAULO SÉRGIO ANDRADE DA SILVA MERCADINHO ME foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos aos períodos de apuração de Janeiro a Dezembro de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou à RFB valores menores do que os apurados com base na sua escrita fiscal e contábil. Não se conformando, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: 8. Cientificada da exigência aos 13/09/2011 (fls. 334 e 341), a contribuinte, aos 07/10/2011, impugnou a exigência, fls. 363/389, aduzindo, inicialmente, que o autuante, para formalizar os autos de infração, terseia valido de prova emprestada o que, na visão da recorrente, feriu os princípios do contraditório e da ampla defesa, afirmação esta que pretende corroborar com a reprodução de ementa de acórdão do CARF, cujo número ou processo administrativo no qual teria sido proferida a decisão não indicou. 9. Em seguida, reportase ao art. 142, do CTN, e prossegue comentando o princípio da tipicidade, relativamente ao qual vaza ensinamento doutrinário de Cleide Previtalli Cais. 10. Continua discorrendo a respeito do art. 142, do CTN, em função do qual conclui que, conforme seria conceituado pela doutrina, o lançamento tributário é uma atividade vinculada, que não pode se divorciar da legalidade nem quanto ao conteúdo nem quanto à forma, e obrigatória, porquanto a autoridade administrativa tem o dever legal de proceder ao lançamento ao tomar conhecimento do respectivo fato gerador ou do descumprimento de uma norma acessória. 11. Fala que, além da “ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o art. 142, do CTN, também prevê que a autoridade administrativa determine a matéria tributável, o cálculo do tributo devido e, se for o caso, a aplicação da penalidade cabível. 12. Em seguida, sustenta que “o fato de a hipótese estar fundada em possíveis diferenças de faturamento, entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal, não pode justificar o lançamento tributário”, pois “em se tratando de escrituração do imposto estadual há operações relativas a isenção, bem como operações sujeitas à antecipação tributária ou a substituição tributária, que podem implicar receitas não tributáveis pelo PIS e pela COFINS, daí implicar numa tipificação de arbitramento da base de cálculo, ou seja, num arbitramento ilegal” e se reporta à opinião de José Souto Maior Borges acerca de defeito do lançamento. 13. Dado o exposto, afirma a recorrente ser necessário, in casu, o deferimento de pedido de perícia e ampara a pretensão no julgamento, que diz proferido em caso Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 5 4 assemelhado, do TRF da 1ª Região na AMS N° 1999.01.00.0435814/DF, cuja ementa e voto condutor transcreve, dizendo a impugnante que neste voto haveria “expressa fundamentação sobre o princípio do cerceamento de defesa e da realização de perícia contábil”. 14. Sustenta, outrossim, que “no auto de infração o autuante ampara a sua pretensão no art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, cuja ampliação do conceito de faturamento foi refutada pelo Egrégio STJ”, refutação que almeja comprovar por meio da colação de ementa, acórdão e votos proferidos pelo STJ no RESP nº 501.628/SC (fls. 371/381), e, ainda, na ementa da decisão no RESP nº 764.440/SP. 15. Também quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, a contribuinte se remete às decisões proferidas pelo STF nos RE nº 357950 e 390840, dentre outros citados na decisão que transcreve, proferida pelo MM. Juízo da 22ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco na ação nº 2003.83.00.0179890. 16. Ao final da questão particular ora abordada, conclui que: “No caso, sendo a atividade administrativa obrigatória e vinculada, evidente que no presente lançamento tributário foi adotada a base de cálculo prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, relativamente à COFINS e ao PIS, daí ser nulo o auto de infração”. 17. Empós, afirma que “tendo o lançamento tributário como base uma prova emprestada, necessário se torna que sejam comparadas as receitas estaduais com as receitas federais, haja vista que a tributação dos impostos têm base de cálculo diversa, daí porque em relação ao faturamento estadual há de ser expurgado devolução de mercadorias, mercadorias isentas ou mercadorias objeto de substituição tributária ou antecipação tributária” e, para fins da realização da perícia requerida, a defendente apresentou o nome da assistente pericial e os seus quesitos, os quais serão oportunamente detalhados na fundamentação do Voto na ocasião em que se pronunciará acerca do pedido aqui comentado. 18. Quanto à multa de ofício, argúi a autuada que “não tem cabimento a pretensão do autuante em função de possível retardamento no recolhimento dos tributos a majoração da multa para o porcentual de 150% sobre a totalidade do imposto e das contribuições sociais” – afirmação que estriba em decisões do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujas ementas foram vazadas. 19. Ao final, a impugnante “Em face do exposto, realizada perícia, requer seja o auto de infração julgado nulo ou improcedente por falta de amparo legal” A DRJ em Recife PE manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 11 36.175, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerados os créditos atinentes às retenções devidamente comprovadas, as diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização. PROVA EMPRESTADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os registros contábeis elaborados e fornecidos pelo próprio contribuinte no Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 6 5 curso do procedimento fiscal do qual resultou a autuação impugnada não configuram provas emprestadas, assim entendidas apenas aquelas copiadas ou trasladas de um processo administrativo para outro. INCIDÊNCIA SOBRE OUTRAS RECEITAS INCOMPROVADA. IRRELEVÂNCIA DA DISCUSSÃO DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. Incomprovado que a autuação incidiu sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias/prestação de serviços, tornase irrelevante a discussão da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivarse do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerados os créditos atinentes às retenções devidamente comprovadas, as diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização. PROVA EMPRESTADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os registros contábeis elaborados e fornecidos pelo próprio contribuinte no curso do procedimento fiscal do qual resultou a autuação impugnada não configuram provas emprestadas, assim entendidas apenas aquelas copiadas ou trasladas de um processo administrativo para outro. INCIDÊNCIA SOBRE OUTRAS RECEITAS INCOMPROVADA. IRRELEVÂNCIA DA DISCUSSÃO DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. Incomprovado que a autuação incidiu sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias/prestação de serviços, tornase irrelevante a discussão da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivarse do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no art. 44. I, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 7 6 Ciente da decisão de primeira instância em 09/03/2012, conforme AR juntado aos autos, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/04/2012, no qual alega: 1 nulidade do lançamento por ter utilizado prova emprestada, violando o princípio do contraditório e da ampla defesa. O lançamento está fundado em possíveis diferenças de faturamento entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal representa um arbitramento ilegal e, conseqüentemente, um lançamento defeituoso. Cita doutrina e jurisprudência do CARF; 2 nulidade do acórdão recorrido por ter indeferido o pedido de realização de perícia que objetivava provar que deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos à devolução de mercadorias e à venda de mercadorias isentas ou mercadorias objeto de substituição tributária ou antecipação tributária, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Cita jurisprudência judicial; 3 o auto de infração foi amparado no art. 3º, da Lei nº 9.718/98, cuja ampliação do conceito de faturamento foi refutado pelo STF, conforme jurisprudência que cita, sendo nulo o auto de infração; 4 contesta a decisão recorrida na parte que não adentrou na discussão sobre a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, para concluir que “não tem cabimento essa conclusão do acórdão recorrido até porque foi negada à recorrente a oportunidade da perícia para comprovar o contrário”; 5 contesta a majoração da multa de ofício, alegando que a jurisprudência do CARF (que cita) não admite a pretensão do Fisco. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente deixou de pagar ou de declarar o PIS e a Cofins do período objeto da autuação e, com base na receita de venda escriturada nos livros contábeis e fiscais, foram lavrados os autos de infração objeto deste processo, conforme se pode comprovar na descrição dos fatos constante do Relatório da Auditoria Fiscal, abaixo transcrito: Após analisarmos o Livro Razão, o Livro de Apuração do ICMS, a DIPJ, os DACON, as DCTFs, Original e Retificadora, esta Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 8 7 última entregue após o início desta ação fiscal, e os pagamentos efetuados, elaboramos os demonstrativos intitulados “Receitas Auferidas Apuração Efetuada pela Fiscalização com Base no Livro Razão”, “Cálculo do IRPJ a Lançar”, “Cálculo da CSLL a Lançar”, “Cálculo da COFINS a Lançar” e “Cálculo do PIS/PASEP a Lançar”. A partir desses demonstrativos, pudemos fazer as seguintes constatações: 1. As receita auferidas pelo contribuinte e escrituradas no Livro Razão foram declaradas pelo contribuinte ao fisco estadual (SEFAZPE), mas não foram integralmente declaradas ao fisco federal; 2. Os valores devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP não foram totalmente declarados ao fisco federal, nem foram extintos por nenhuma das formas previstas no art. 156 da Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional. Em vista destes fatos, restounos concluir que o contribuinte ao não declarar seus débitos tributários à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nem extinguílos de alguma maneira, infringiu a legislação tributária praticando as infrações especificadas nos respectivos autos de infração. O Relatório de Auditoria Fiscal, integrante dos autos de infração, é absolutamente cristalino ao afirmar que as receitas auferidas pela Recorrente foram apuradas pela Fiscalização com base no Livro Razão e consta do demonstrativo intitulado “Receitas Auferidas Apuração Efetuada pela Fiscalização com Base no Livro Razão”. Por afastarse da verdade, não pode prosperar o argumento da Recorrente de que o lançamento fundase em possíveis diferenças de faturamento entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal. Não há uma linha sequer no Relatório de Auditoria Fiscal que aponte neste sentido. Deliberadamente a Recorrente escamoteia a verdade dos fatos com o fito de obter uma eventual e improvável declaração de nulidade dos autos de infração. O fato que levou à autuação é singelo: falta de declaração ou de pagamento das exações, cujo valor foi apurado com base no Livro Razão da empresa. Não há prova emprestada para dar suporte ao lançamento e, mesmo que houvesse, não seria motivo de nulidade. A base de cálculo de cada período de apuração lançado foi apurada com base no Livro Razão da Recorrente e não com base em declaração prestada pela Recorrente ao Fisco Estadual, como alega. Quanto à alegação de que deveria ser excluído da base de cálculo das exações o valor das devoluções de mercadorias e das venda de mercadorias isentas ou objeto de substituição tributária ou antecipação tributária, continua a Recorrente no mundo das hipóteses na medida que não trouxe prova de que efetivamente tais valores foram de fato incluídos na base de cálculo das exações. É dela Recorrente o ônus de apurar a base de cálculo das exações lançadas e, conseqüentemente, bastaria apresentar (no curso da ação fiscal, junto com a Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 9 8 impugnação ou com o recurso voluntário) um demonstrativo de apuração da base de cálculo das exações, devidamente respaldado pela sua escrituração contábil e documentação de suporte, provando suas alegações. Ao invés de assim proceder, solicita a realização de perícia para apurar a base de cálculo das exações, a partir do Livro Razão, fato que não exige conhecimentos técnicos que os auditores da RFB e o contador da Recorrente não possuem. Correto, portanto, a decisão de indeferir o pedido de realização de perícia posto que prescindível para o deslinde da questão, haja vista que não há matéria em julgamento que requeira conhecimentos técnicos especializados que os Auditores da RFB não possuam. Por esses mesmos motivos, deve ser indeferido o pedido de realização de perícia, renovado no recurso voluntário. Também não deve prosperar a alegação da Recorrente de que o lançamento fundase no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Isto porque a receita incluída na base de cálculo das exações é exclusivamente a de venda de mercadorias, não havendo receitas que foram excluídas da tributação do PIS e da Cofins pela referida declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Por evidente, a alegação da Recorrente é estéril, até porque está desacompanhada da prova de que o lançamento feriu a referida decisão do STF. A citação do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos autos de infração é válida porque nem todo o referido artigo foi declarado inconstitucional. Não há, portanto, nenhuma irregularidade neste particular. Quanto ao lançamento da multa de ofício no percentual de 150%, a Autoridade Lançadora, após transcrever os dispositivos legais de regência, concluiu pelo agravamento da multa de ofício pelas seguintes razões, nas suas palavras: Tendo em vista esses dispositivos legais, CONSIDERANDO que a conduta do contribuinte em omitir, parcialmente, as suas receitas à Secretaria da Receita Federal do Brasil se deu de maneira reiterada, pois as omitiu na DIPJ e nos DACONs, demonstrando assim uma sistematização da prática infratora suficiente para concluir que tinha a intenção de praticála, conclusão essa reforçada pela não omissão de tais receitas ao fisco estadual, CONSIDERANDO também que a conduta do contribuinte em omitir, parcialmente, os seus débitos tributários à Secretaria da Receita Federal do Brasil se deu de maneira reiterada, pois os omitiu nas DCTFs, na DIPJ e nos DACON, demonstrando também uma sistematização da prática infratora suficiente para concluir que tinha a intenção de praticála e CONSIDERANDO que essas omissões acarretaram o retardamento por parte do fisco federal do conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, da CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do PIS/PASEP – Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, restounos concluir que o contribuinte incorreu em hipótese de incidência prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64 e, portanto, em cumprimento ao art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, lhe será Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 10 9 aplicada a multa de 150% sobre a totalidade do imposto e contribuições sociais ora lançados. Sobre esse assunto, impende destacar que a multa de ofício qualificada está prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Esse dispositivo legal determina que será aplicada multa de ofício em dobro nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, dizem os referidos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o seguinte: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” De outra banda, o conceito de dolo encontrase no inciso I, do art. 18, do Decretolei nº 2.848/1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isso significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Em outras palavras, podese dizer que os elementos do dolo, de acordo com a teoria da vontade, são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e consciência de que essa ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). No caso vertente, como bem relatado pela autoridade lançadora, durante todo o ano de 2008 a Recorrente declarou integralmente sua receita de venda de mercadorias para o fisco estadual e declarou parcialmente a mesma receita (e os impostos e contribuições devidos) para a Receita Federal do Brasil. A conduta reiterada não pode ser alegada como erro de declaração. Por evidente, a empresa tinha pleno conhecimento do ato praticado e assumiu o risco de seu resultado, ou seja, da omissão dos tributos e contribuições devidos ao fisco federal. Fica evidente que a Recorrente quis retardar o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador das exações objeto do lançamento. E, de fato, a Recorrente alcançou o seu intento. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 11 10 Mister salientar que o dolo não se prova por documentos, mas sim, pela finalidade da conduta do agente, uma vez que toda ação humana é desencadeada com o objetivo de atingir um fim determinado. Nesse passo, a mera conduta de a impugnante informar sistematicamente somente uma parcela da sua receita de vendas de mercadorias à Receita Federal do Brasil, está impregnada de dolo, pois o objetivo foi iludir a autoridade fazendária para dissimular a incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Essas informações prestadas pela contribuinte levaram a Receita Federal do Brasil a acreditar que a Recorrente estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular da contribuinte, sendo que apenas após o trabalho de fiscalização as receitas foram devidamente identificadas. Tal conduta tipificase tanto na Lei nº 4.502/1964, art. 71 (sonegação), como na Lei nº 8.137/1990, art. 1º, inc. II (crime contra ordem tributária). Essa conduta está perfeitamente descrita no termo de verificação, sendo claro tratarse de uma ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964). Não há, portanto, reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e da decisão recorrida e, no mérito, para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10940.900839/2008-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3801-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado.
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 39 /2 00 8- 49 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel E Eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900839/200849 Acórdão n.º 3801001.276 S3TE01 Fl. 41 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 20/09/2006 (fls. 16/20), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de novembro de 2003, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/12/2003, com débitos de COFINS do período de apuração de setembro de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.504,27. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 23/24, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 25), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 26 (em 15/12/2003), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900839/200849 Acórdão n.º 3801001.276 S3TE01 Fl. 42 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001621/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS.
Para o ano-calendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não-cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DO DF METRÔDF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. Para o anocalendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 16 21 /2 00 7- 56 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 178 2 Relatório Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/Brasília, por bem refletir os fatos acontecidos até aquela decisão. Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 320.788,83, referente ao 4º trimestre de 2006. Vinculada a esse pedido, o contribuinte apresentou também declaração de compensação em que pleiteia a quitação de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2006. Além disso, encaminhou mais duasDCOMP relacionadas, as quais, no entanto, foram canceladas. Por fim, em 20/04/2007, encaminhou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 42113.29482.200407.1.1.100810, referente ao mesmo período de apuração dos presentes autos, o qual permanece ativo nos sistemas da RFB. No Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort, de 07/07/2011, a autoridade tributária decidiu considerar não formulado o Pedido de Ressarcimento de fl. 01, considerar não declarada a compensação de fl. 03 e indeferir o pedido eletrônico de ressarcimento interposto, sob o entendimento de que a receita apresentada pelo contribuinte, decorrente de serviço de transporte metroviário, não se enquadra no regime de incidência nãocumulativa, nos termos dos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Ressalta, ainda, que, no tocante aos dois primeiros itens, cabe interposição de recurso nos termos dos arts. 56 e 59 da Lei nº 9.784/99, e, no que tange ao indeferimento do PER, cabe a interposição de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília em 12/08/2011, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 13/09/2011. Nesta, expressa o entendimento de que o art. 10, XII, da Lei nº 10.833/2003 trata da Cofins e não do PIS/Pasep, que é o objeto de seu pleito, e que o fisco teria estendido a vedação relativa à Cofins à contribuição para o PIS, por analogia, o que é vedado pela legislação tributária. Acrescenta, ainda, que o METRÔ/DF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo lucro real, que se enquadra, por conseguinte, na hipótese do art. 8º, I, da Lei nº 10.637/2002, o qual permite a incidência da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo. Além disso, alega a requerente que as autoridades competentes da RFB somente poderiam ter indeferido o PER caso o Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 179 3 contribuinte não houvesse utilizado o programa PER/DCOMP, como determinado na legislação de regência. Menciona, também, que a redação confusa e contraditória, além de esparsa, da legislação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins, induz o contribuinte de boafé ao erro. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, o deferimento do pedido de ressarcimento apresentado e a abstenção de qualquer representação ou inscrição em dívida ativa ou em cadastros administrativos ou, ainda, de execução judical ou extrajudicial do contribuinte. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília, por unanimidade de votos, decidiu pela sua improcedência com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. As receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência nãocumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 143/152, no qual repete exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Abaixo uma síntese dos argumentos apresentados no recurso voluntário. que o pedido inicial de restituição está fundamentado nos art. 8º, I da Lei 10.637/2002, art. 15, V da Lei 10.833/2003, bem como no art. 60 da IN SRF nº 247/2002 que tratam da cobrança não cumulativa do PIS/Pasep; que os nobres auditores, ao indeferirem o seu pedido, fazem referência ao art. 10, inc. XII da Lei 10.833/2003 que trata da Cofins e não do PIS não cumulativo; que o MetrôDF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo Lucro Real, enquadrandose assim na hipótese do art. 8º da Lei 10.637/2002 que permite a incidência do PIS/Pasep não cumulativo; que o direito de utilizar os créditos da não cumulatividade está previsto no art. 3º da Lei 10.637/2002 e nos art. 27 e 28 da IN RFB nº 900/2008; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 180 4 que, de acordo com o art. 39 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade administrativa só poderia indeferir o seu pedido de ressarcimento caso não tivesse utilizado corretamente o formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP; que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008; que as autoridades administrativas estariam utilizando de analogia para indeferir o pedido de ressarcimento/compensação, pois não mencionam qualquer artigo ou dispositivo da Lei 10.833/2003 que exclua do regime de apuração não cumulativa do PIS incidente sobre os serviços de transporte coletivo metroviário, uma vez que na verdade o art. 15, inc. V, da Lei 10.833/2003 daria suporte à visão do recorrente de que aplicaria o regime da não cumulatividade do PIS aos serviços citados; É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 181 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Da análise do presente processo verificase que a questão crucial está em determinar se a legislação tributária dá amparo ao contribuinte em tributar as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário do Distrito Federal sob a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS, prevista na Lei 10.637/2002, para as receitas referentes ao período de apuração correspondente ao 4º trimestre de 2006. O contribuinte alega que o seu pedido foi indeferido com base em interpretação analógica, pois a legislação que trata do PIS não cumulativo não prevê expressamente a exclusão das receitas com transporte coletivo metroviário deste regime. Alega especialmente que o art. 15, inc. XII da Lei 10.833/2003 não faz referência ao PIS e sim à Cofins e portanto não poderia servir de fundamento para o indeferimento de seu pedido. Da análise dos dispositivos legais, pode se concluir que a legislação tributária referente à não cumulatividade da Contribuição ao PIS exclui expressamente deste regime de apuração as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário a partir da edição da Lei 11.196/2005. Em princípio quando da edição da Lei 10.637/2002, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração do PIS não cumulativo, não havia efetivamente qualquer previsão de exclusão das receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário, conforme exceções previstas no art. 8º abaixo transcrito: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 182 6 VI (VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XII – as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012) (Vide Lei nº 12.715, de 2012) Quando da edição da Lei 10.833/2003, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração da Cofins não cumulativa, as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário foram expressamente excluídas desta forma de apuração, conforme se vê do disposto no art. 10, inc. XII, abaixo transcrito: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; Por sua vez, o art. 15, inc. V da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 11.196/2005, estendeu ao PIS o mesmo tratamento para a Cofins no que se refere à exclusão da sistemática da não cumulatividade. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 183 7 II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV nos arts. 7º e 8º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Ao contrário do que alega o contribuinte de que o indeferimento se deu por interpretação analógica e que não existe artigo de lei que prevê expressamente a exclusão das receitas provenientes do transporte coletivo metroviário da sistemática da nãocumulatividade do PIS, o que se vê da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é que o art. 43 cc art. 132, inc. II da Lei nº 11.196/2005, estabeleceu, ao dar nova redação ao inc. V do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, que a partir de 14 de outubro de 2005, as receitas provenientes do transporte coletivo metroviário de passageiros incide o PIS com base no regime de incidência cumulativa da contribuição, o que afasta a possibilidade do aproveitamento de qualquer crédito referente à sistemática da nãocumulatividade. Não é possível dar outra interpretação ao dispositivo legal acima transcrito. Note que o caput do art. 15 da Lei 10.833/2003 diz que aplica se à Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei 10.637/2002 o disposto nos incisos IX a XXVII do art. 10 desta Lei. Ora, o inciso XII do art. 10 da Lei 10.833/2003 está entre os incisos IX a XXVII. Portanto, cristalino está que foi estendido ao PIS o mesmo tratamento dispensado às receitas provenientes do transporte coletivo metroviário previsto para a Cofins, qual seja, que sobre estas receitas o tratamento tributário previsto é o regime cumulativo destas contribuições. Por outro lado não se sustenta também o argumento, trazido pela recorrente, de que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008. Porém o contribuinte no item 16 de seu Recurso Voluntário transcreve incorretamente o teor do ADI nº 23/2008, dando uma impressão incorreta de seu conteúdo. Abaixo o conteúdo de seu artigo único transcrito no recurso: “ Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aqueles decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições”. Agora, transcrevese abaixo o conteúdo completo do artigo único do ADI nº 23/2008: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 184 8 Artigo Único. Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, em linhas regulares e de caráter essencial, não incluindo outras receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aquelas decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições. (grifos nossos) Veja que o contribuinte omitiu toda a parte acima sublinhada passando a impressão de que em algum momento a RFB teria dado interpretação diversa à questão do transporte coletivo metroviário de passageiros. Da leitura do referido artigo não resta dúvida que naquela oportunidade as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, que é o caso da recorrente, se sujeitam ao regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Já o ADI nº 27/2008, transcrito no item 17 do recurso voluntário, que revogou o citado ADI nº 23/2008, assim dispôs: Art. 1 º As receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros, inclusive na modalidade de fretamento ou para fins turísticos, submetemse ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O ato interpretativo acima citado não alterou em nada o entendimento acerca do regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas oriundas do transporte coletivo metroviário de passageiros. Portanto os atos normativos citados não trouxe nenhuma confusão ou dúvida a respeito da interpretação dos dispositivos legais já citados, não havendo possibilidade de indução do contribuinte de boa fé ao erro, conforme afirmado pela recorrente. Assim, há que se concluir que, por expressa disposição legal, a partir de 14 de outubro de 2005, não é aplicável as regras da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS previsto na Lei 10.637/2002, sobre as receitas de transporte coletivo metroviário, não cabendo qualquer correção ao Acórdão da DRJ/Brasília que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Diante do acima exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 185 9 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005429/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância.
Numero da decisão: 1302-001.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. A conselheira Cristiane Silva Costa declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. A conselheira Cristiane Silva Costa declarouse impedida de votar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 54 29 /2 01 0- 54 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. A fiscalização lavrou auto de infração para cobrança de multa por falta de entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) mensais em 2006, conforme quadro abaixo: Na impugnação, a recorrente alegou que a multa imposta, por ser percentual do valor declarado em DCTF, ofende ao princípio da proporcionalidade. Pede a nulidade ou o cancelamento da exação. Na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação quanto à suposta violação ao princípio da proporcionalidade e postulou, em síntese, também, pela violação dos princípios do não confisco, da Eficiência, da Razoabilidade e da Legalidade. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.005429/201054 Acórdão n.º 1302001.171 S1C3T2 Fl. 328 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, a saber, a violação ao princípio da proporcionalidade. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria não ventilada na impugnação A alegação de violação aos princípios da razoabilidade, eficiência e legalidade foi apresentada somente no Recurso Voluntário, não tendo sido ventilada na impugnação. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, deixo de apreciála. Demais, ainda que pudessem ser apreciadas, a elas caberia a ponderação do item anterior. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 11 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10280.905871/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 58 71 /2 00 9- 12 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 07/06/2010 (em retificação de PER/DCOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006), na qual indicou crédito de R$ 35.506,05 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 01/2005, no valor originário de R$ 392.008,29. A Delegacia de origem, em análise, asseverou que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresentou tempestivamente suas razões de impugnação, alegando que embora tenha indicado em sua DCTF o montante de R$ 355.160,74, como valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de janeiro de 2005, a empresa equivocadamente efetuou o recolhimento, via DARF, no valor de R$ 392.008,29, gerando um crédito em seu favor, o qual se pretende compensar, sendo que o montante a título de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005 foi expressamente indicado não apenas em DCTF, como também na DIPJ 2006. Prossegue referindo que a sistemática do recolhimento do IRPJ sob o regime de estimativa encontrase definida pela Lei 9.430/96, art 2º, do qual se extrai que se considera como valor devido a título de estimativa de IRPJ o resultado da aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previamente estabelecidos. O resultado deste cálculo deve ser recolhido pelo Contribuinte, e comporá, no final do ano calendário, o ajuste anual, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 113 3 ocasião em que se verificará se há valor remanescente a ser recolhido ou saldo negativo passível de restituição/compensação. Tomando em conta o disposto, a empresa recorrente considera que o valor devido a título de estimativa mensal não é arbitrariamente estipulado pelo Contribuinte, sendo, na verdade, resultado de um cálculo realizado mediante aplicação de critérios definidos em lei. Ademais temse que apenas o valor obtido após a realização do referido cálculo pode ser utilizado para composição quando do ajuste anual. Por essa razão, entende a recorrente que quaisquer valores recolhidos por ela a maior dos valores indicados como estimativa mensal em suas Declarações ao Fisco, devem ser tratados como verdadeiro crédito contra o fisco. Cita a IN 600/05, art.10, porquanto que entende que esse dispositivo permite a compensação entre os valores indevidamente recolhidos a título de estimativa mensal e o eventual valor a recolher apurado quando do ajuste. No caso em tela, atenta para o fato de que a recorrente quando da apuração do ajuste anual, verificou a existência de um valo remanescente devido a título de IRPJ e optou por utilizar o pagamento a maior realizado a título de estimativa do mês de janeiro de 2005 a fim de deduzir, mediante compensação, do valor devido a título de IRPJ quando do ajuste anual. A empresa recorrente cita jurisprudência administrativa e conclui que diante da clara origem do crédito e da correição da compensação realizada pela mesma, mostrase imperiosa a sua homologação. Atenta para o fato de ser inequívoco o crédito que se pretende ver compensado e legítimo o procedimento adotado. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento e sua integralidade. Aduz que as jurisprudências listadas pela empresa recorrente não constituem normas complementares e cita o art. 100, II do CTN e o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971. Em ato contínuo, o julgador a quo refere, quanto à declaração de compensação, que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19962, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 114 4 oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Cita o RIR a esse respeito. Explica o julgador que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência – de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete – com o tributo já recolhido). Atenta que ao final do ano calendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Cita Instruções Normativas. Observa o julgador que excepcionalmente e exclusivamente para aqueles períodos em que não há ou houve vedação pela legislação tributária é que a repetição pretendida poderá recair diretamente sobre créditos decorrentes de estimativas mensais, mas que para tanto deverá a empresa provar o efetivo recolhimento da estimativa, bem como que as receitas que a ensejaram foram levadas à composição da base de cálculo do tributo anual, que o valor recolhido a título de estimativa, em sendo o caso, excedeu o determinado pela legislação aplicável e, ainda, que tal valor não foi levado à composição do saldo do tributo apurado ao final do ano calendário. Assim, em tais hipóteses refere o julgador de primeira instância ser indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário. Alega em sua defesa o já disposto em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 115 5 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 07/06/2010 (em retificação de PER/DCOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006), na qual indicou crédito de R$ 35.506,05 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 01/2005, no valor originário de R$ 392.008,29. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração as Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, que restaram prejudicadas com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. A empresa entende que os valores recolhidos a maior indicados como estimativa, devem ser tratados como verdadeiro crédito, tal como possibilita a IN 900 e também a Súmula CARF n°84: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 116 6 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.911832/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 18 32 /2 00 9- 01 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 224 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de CSLL Estimativa do período de apuração relativo a 02/2005 de empresa incorporada e cujo débito é de CSLL Estimativa relativo ao período de apuração de 02/2006. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.854, constante às efls. 96/97: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal (código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 02/2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contendo alegações nos termos seguintes: que “ano base de 2005, a empresa incorporada (CNPJ N° 03.334.055/000126) recolheu a importância de R$ 407.313,03 (Quatrocentos e sete mil,trezentos e treze reais e três centavos) como estimativa mensal da CSLL, conforme cópias dos DARF's, que ora se junta e demonstra abaixo. Ocorre que ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo credor era de R$ 374.039,15 (Trezentos e setenta e quatro mil,trinta e nove reais e quinze centavos ) resultando o recolhimento a maior de R$ 33.273,88 (Trinta e três mil, duzentos e setenta e três reais e oitenta e oito centavos)”; que “julgando estar correta, a Incorporada declarou na DIPJ e na DCTF somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, NÃO COMPUTANDO OS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS A MAIOR E NÃO RETIFICANDO A DCTF.”; que “ao amparo da DIPJ e dos DARFs de recolhimento se conclui que realmente houve o pagamento a maior, ainda que a DCTF não tenha sido retificada.”; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que “os Sistemas da Receita Federal do Brasil NÃO PERMITEM, por falta de ferramentas, que a RECORRENTE Incorporadora, ZF DO BRASIL LTDA CNPJ 59.280.685/000110, efetue a retificação da DCTF da empresa incorporada, razão pela qual anexa segue SIMULAÇÃO do que seria a DCTF retificada com a apuração do tributo Código da Receita 2484”; que “a partir da simulação da DCTF retificada, da DIPJ e dos DARFs fica claro que de fato a RECORRENTE Incorporadora é detentora de saldo credor no valor de R$ 33.273,88 (diferença entre o valor recolhido R$ 407.313,01 e o valor correto de R$ 374.039,15) restando incorreta a conclusão do Despacho Decisório (n° de rastreamento 849906429) de que o crédito é inexistente, sendo considerada, por conseguinte, improcedente a compensação efetuada no PER/DCOMP 08443.66651.300407.1.3.046009 valor do crédito original informado: 22.596,61”. Ao final requer reforma do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 95): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 225 5 Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 108) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. É o relato do essencial. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior/saldo negativo, de empresa incorporada à recorrente (ZF LEMFORDER DO BRASIL LTDA.). Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de CSLL do período de 02/2005 da Incorporada, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 08443.66651.300407.1.3.046009. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível da CSLL dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 226 7 por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 20. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 21. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 37 e 142/145 páginas da DIPJ que demonstram a existência de um saldo negativo no anocalendário de 2005 no montante de R$ 374.039,15 para a Incorporada. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. A DCTF relativa ao período consta nos autos às efls 52/71, contudo, sem a comprovação através do Recibo de entrega. Assim, ainda que hajam indícios de que o saldo negativo é existente, carecem questões de direito a serem analisadas, como o ato de incorporação com a determinação da transferência dos saldos existentes à empresa incorporadora e a legitimidade do crédito à luz os elementos colacionados aos autos pelo Recurso Voluntário. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 227 9 Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720195/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS.
As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3302-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 95 /2 01 0- 19 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Trata o processo de PERELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI, fls. 01, e DCOMP fls 06, cujo PARECER SAORT/DRF/PVO N° 092/2010 (fls. 25/28), aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 29, não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas, sob a justificativa de que a interessada, usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras, deixou de apresentar, após sucessivos pedidos de prorrogação, os arquivos digitais dentro das especificações técnicas do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. Discordando do Despacho Decisório, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade em 23/07/2010 (fls. 33/46), acompanhada dos documentos (fls. 47/58), comprovado pelo carimbo de Recebimento do protocolo da ARF/CHAPECO/SC, fls. 33. Em 27/07/2010 apresenta requerimento dirigido ao delegado da DRJ/Belém solicitando que sejam recebidas e processadas as informações que seguem em CD anexo.que, segundo alega, referese aos dados das exportações e memória de cálculo do crédito presumido de IPI referente ao processo em epígrafe, eis que não foram incluídas no CD originalmente apresentado por erro de gravação, conforme documentos fls. 60/86. As alegações apresentadas, em síntese, conforme relatório do Acórdão recorrido: “a) Tece comentários sobre o crédito presumido, afirmando ser empresa industrial dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira; b) Informa haver cumprido todas as normas estabelecidas pelos atos que regulam o crédito presumido, tendo apresentado os arquivos fiscais e contábeis solicitados em conformidade com a capacidade de seu sistema operacional; c) Não dispõe de programas de processamento de dados com capacidade e tecnologia para gerar arquivos no leiaut exigidos pelos atos da Receita Federal; d) ‘É lamentável que o direito do contribuinte exportador, fixado em Lei Federal seja simplesmente negado por que o Fisco não se dispõe a verificar os dados fornecidos pela empresa ou o que é pior, não se dispõe a conceder prazos para que a recorrente efetue os ajustes necessários à geração de dados aos critérios e parâmetros dos programas utilizados pela Receita Federal’; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 137 3 e) A Receita Federal não considerou os sistemas e formatos utilizados pelas empresas, impondo de forma arbitrária a forma a ser utilizada; f) Requer que sejam acolhidos os arquivos anexados em CD, na forma fixada pelo ADE n° 15/2001; g) Contesta a não homologação da compensação, tendo em vista haver atendido as exigências relativas ao crédito; h) Solicita a suspensão da cobrança dos débitos envolvidos; i) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a reforma do Despacho, conforme fls. 45/46.” No relatório do Acórdão recorrido consta a seguinte informação acerca do conteúdo do CD apresentado depois da peça impugnatória: “5. Verificandose o conteúdo do referido CD, foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.289– 3ª Turma da DRJ/BEL (doc. fls 96/102), proferido na Sessão de 11 de janeiro de 2011, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se constata pela ementa e dispositivos postos a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cientificada do Acórdão nº 0120.289 – 3ª Turma da DRJ/BEL em 23/03/2011 (fl. 103), ainda irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 106/123), em 25/04/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, complementandoos, em face do acórdão proferido, elaborando a seguinte ressalva: “Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor. Assim, o que se requer de imediato é que seja reformado o Acórdão em debate e que seja analisado o pedido da Recorrente com base nos preceitos fixados pelas leis que regulam o crédito presumido de IPI e para tanto sejam verificadas as operações de exportações realizadas, o valor dos insumos, matériasprimas e embalagens aplicados nestes produtos e todas as demais informações pertinentes. Também se requer que seja verificado o DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI, bem como as informações constantes no Pedido Eletrônico Perdcomp protocolado para o trimestre. O pedido acima toma por base as Leis 9.363/96 e 10.276/2001, bem como as Instruções Normativas relativas ao crédito presumido de IPI e as demais informações necessárias a realização do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Assim, sendo esta a norma prescrita, por que estes documentos e informações não foram verificados??” Sobre a compensação requerida e não homologada, argúi: “A decisão ora guerreada por qualquer ângulo que se verifica é infundada, incorreta e fere duplamente os direitos da Recorrente, pois ao não reconhecer as compensações efetuadas o agente julgador tenta, por via indireta, ratificar a despacho decisório de indeferimento do crédito, fato este que não pode prosperar, já que as compensações só poderão ser julgadas após decisão em relação ao crédito.” Ao final, elabora o seu requerimento nos seguintes termos: “a. Seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário; b. Seja reformado o Despacho Decisório proferido no processo ora guerreado para o fim de reconhecer a atividade industrial exercida pela Recorrente e como tal reconhecer o direito da ora Recorrente ao Crédito Presumido do IPI relativo 4º trimestre de 2007, pelas razões de fato e de direito acima ofertados, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c. Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 138 5 necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; d. Reconhecido o direito crédito da Recorrente na forma dos itens b e c, acima, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; e. Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2007 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem. f. Se acolhido o pedido da Recorrente na forma do item e acima, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho novo decisório definitivo.” Na forma regimental, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. A empresa industrial, dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira, apresentou PerRessarcimento de IPI, conforme folha 01, cujo pleito consubstanciase no crédito presumido do IPI do período de apuração do 4º trim/07. Constatase que a lide resumese à questão comprobatória do crédito pleiteado, haja vista a contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado os arquivos digitais dentro das especificações técnicas previstas no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. É que a empresa é usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras e nesta condição encontravase obrigada a manter e apresentar, quando solicitada pelos agentes da RFB, os respectivo arquivos digitais e sistemas, em conformidade com a legislação específica, que foi bem demonstrada e analisada no Acórdão ora recorrido, cujo trecho se reproduz a seguir: “8. O art. 11 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, prescreve: ‘Art 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 atividades econômicas ou Financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, peio prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) ... §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória n° 2158 35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3a poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001)’ (grifouse) 9. Com base no dispositivo acima, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22.10.2001, conforme abaixo: ‘Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 As pessoas jurídicas especificadas no art. 1, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3° Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1° Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo Coordenador Geral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3° Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações.’ (grifouse) 10. Como consequência, foram baixadas as regras para apresentação dos arquivos através do ADE Cofis n° 15, de 2001, que segue transcrito: ‘Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 da Instrução Normativa SRF n286, de 2001, quando intimadas por AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 139 7 de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.’ 11. O que se extrai dos dispositivos acima transcritos é que a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei n° 8.212, de 1991, e legislação correlata. Os arquivos digitais são validados através do Sistema Integrado de Coleta — SINCO — Arquivos Contábeis, disponível para "download" no "site" www. receita. fazenda. gov. br. A exigência de tais especificações técnicas se dá pela necessidade de padronização de arquivos, pelo o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, buscando cumprir seus objetivos estratégicos, adotar sistemas eletrônicos para análise e manipulação dos dados fornecidos pelos contribuintes. A própria contribuinte demonstrou ter consciência dessa necessidade, quando assim manifestouse em sua impugnação e recurso: “Considerando as inúmeras empresas do país e os milhares de processos que precisam ser analisados é compreensível que se estabeleçam regras e critérios.” Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, publicada no DOU de 23.10.2001 , teve vigência a partir da data da sua publicação, produzindo Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002, consoante disposto no seu art.5º. Portanto, quando da apresentação, pela contribuinte, do PER Ressarcimento nº 27565.77 992.310108.1.1.015956, em 31/01/2008, já havia decorrido cerca de seis (6) anos da efetividade da referida regra, tempo suficiente para que a contribuinte tomasse as medidas cabíveis para a devida adaptação dos seus sistemas, principalmente, tendo em vista, o seu interesse em ser ressarcida de créditos presumidos de IPI. Não obstante tal fato, quando solicitou, sucessivamente, no decorrer da auditoria, a prorrogação de prazo para que pudesse atender às intimações, de acordo com as exigências legais, ao contrário do que alega, teve, sim, o deferimento dessas prorrogações, consoante se vê pelas anotações expressas constantes nos documentos de fls.19 e 20 e pelas prorrogações tácitas que se deram em seguida, tendo em vista que a última solicitação de prorrogação de prazo, dita final e definitiva pela requerente, se deu em 12/05/2010 (doc. fl. 23), e o Despacho Decisório de fl. 29 foi somente emitido em 10/06/2010, sem que a contribuinte tivesse apresentado os arquivos nas especificações exigidas na legislação atinente, para bem demonstrar o direito ao ressarcimento do crédito presumido alegado. Ressaltese, inclusive, que a auditoria só teve início em 24/11/2009 (doc. fl. 10). Portanto, cerca de dois (2) anos depois da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Assim, lá se vão quase oito anos da vigência da norma. O que demonstra total desinteresse da contribuinte. Da mesma forma, quando da impugnação, a contribuinte apresenta dois “CD”, que, também, não atendiam às especificações exigidas, consoante registra a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, no trecho a seguir transcrito: “12. No caso presente, a empresa apresenta dois CD's onde estariam os arquivos requeridos pela Fiscalização, juntamente com recibo emitido pelo sistema de validação de arquivos digitais (fl. 47) no qual estão relacionados nove arquivos de texto (extensão TXT), sem conteúdo informado. Além disso o referido recibo não identifica a empresa, o responsável, o responsável técnico, estando assinada, aparentemente (comparouse a assinatura com a da fl. 73), pelo procurador da empresa, Sr. Edson Monteiro, que também fez as vezes de técnico responsável pela geração dos arquivos. 13. No primeiro CD (fl. 48) não foi possível a verificação dos arquivos contidos. Considerando que estão sendo apreciados em conjunto vários processos da interessada, referentes a outros trimestres, procurouse nos demais processos um CD no qual pudesse ser verificado o conteúdo, localizandose o pertencente ao processo 10240.720193/201020. 14. Nele, observouse a presença de três pastas, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008 (períodos envolvidos nos processos apreciados), estando cada uma dessas pastas subdivididas em outras três pastas denominadas "Contábil", "Fiscal" e "Folha", sendo que somente os arquivos constantes da pasta "Fiscal" estão relacionados no recibo, do qual não consta a validação dos demais. 15. Dos nove arquivos constantes da pasta Fiscal/2007, dois estão zerados e os demais, apesar de serem arquivos de texto, contém caracteres desconexos. Apenas em dois deles podem ser Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 140 9 lidos nomes de pessoas jurídicas e materiais, sem a possibilidade de se extrair nenhuma informação dos mesmos. 16. No segundo CD foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido. 17. Acerca da apresentação dos arquivos, o Anexo do ADE n° 15, de 2001, prescreve: ‘2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na pásina da RFB na internet, o qual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá qerur um códiso de identificação utilizando o algoritmo MD5 – ‘MessageDigest algorithm 5’, ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códisos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. 3. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados no item 3.1 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME. TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 3.1 Descrição Detalhada do Arquivo Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exige se, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 3.2 Recibo de entrega Os arquivos digitais serão entregues acompanhados do Recibo de entrega que conterá a identificação dos arquivos e os códigos gerados pelo sistema mencionado no item 2± dentre outras informações. Esse documento deverá ser assinado pelo AFRFB requisitante, após a conferência do respectivo código de autenticação, pelo técnico/empresa responsável pela geração dos arquivos e pelo contribuinte/preposto. ....’ (grifouse) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 18. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito, tendo trazido ao processo arquivos sem autenticação e sem o cumprimento das regras exigidas pelo ADE. Ademais, os poucos arquivos autenticados possuem extensão de texto, o que leva à conclusão da inexistência do arquivo principal.” A contribuinte, em seu recurso voluntário, nada traz de novo, de modo a infirmar as conclusões do acórdão recorrido. Apenas reprisa seus argumentos e requer, principalmente: a) “Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; b) Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2005 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem.” Nenhuma das solicitações requeridas e acima mencionadas é possível de atendimento. A primeira delas, porque, consoante já demonstrado, tratase de exigência legal que vincula a administração e, a segunda, porque é na manifestação de inconformidade/impugnação que a contribuinte deve trazer todos os meios de prova que dispõe para comprovar seus argumentos. E, ademais, a contribuinte já teve tempo suficiente para adaptarse às regras e não o fez, inclusive, já manifestou sobre a dificuldade de fazêlo, segundo o trecho destacado: “Assim, apesar das mudanças que foram necessárias para atender a Intimação 579/2009 e de acordo com o informado nas solicitações de prorrogação de prazos, a Recorrente tentou adequar seu sistema operacional para gerar os arquivos e dados solicitados nos parâmetros fixados pelo ADE cofis 15/2001, alterado pelo ADE Cofis 55/2009. Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 141 11 Poderseia até entender que, não havendo a análise do mérito nos presentes autos, face a indisponibilidade dos arquivos, e não havendo nenhum impedimento legal, a contribuinte, conseguindo adequar os seus arquivos às especificações técnicas exigidas na legislação de regência, pudesse efetuar novo pedido de ressarcimento, caso o fizesse dentro do prazo prescricional, o que não mais é possível, para o período sob análise. DA COMPENSAÇÃO Tem razão a contribuinte quando afirma que o pedido de compensação fica vinculado ao reconhecimento do pedido de ressarcimento. Contudo, tendo sido ambos os pedidos submetidos à julgamento da Administração Tributária por meio do mesmo processo, nada obsta que a decisão sobre o reconhecimento, ou não, do direito de ressarcimento e a homologação, ou não, da compensação requeridos seja efetuada num mesmo ato administrativo. Não havendo, ao contrário do alegado, nenhuma irregularidade na decisão assim proferida e nenhum prejuízo à contribuinte. Pelo o contrário, tal procedimento atende aos princípios da celeridade do Processo Administrativo e ao da Economia Processual. SUSPENSÃO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS E, sobre a suspensão da cobrança dos débitos, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa já esclareceu que o Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já garantem a suspensão dos débitos compensados na hipótese de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não havendo, portanto, litígio neste sentido. CONCLUSÃO Por tudo o que acima foi exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a decisão proferida no Acórdão ora recorrido e, em conseqüência, não reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado e não homologar as compensações declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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