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Numero do processo: 11610.001442/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
O cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada.
Numero da decisão: 2401-004.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, devendo ser recalculado o IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 14 42 /2 01 0- 91 Fl. 98DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento parcial, devendo ser recalculado o IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11610.001442/201091 Acórdão n.º 2401004.688 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou parcialmente procedente a impugnação, “cancelando o crédito tributário lançado e restituindo ao contribuinte o imposto no valor de R$ 2.373,28”, conforme ementa do Acórdão nº 16 39.698 (fls. 54/57): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto sobre a renda de pessoa física incide sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, deduzidas as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte sem indenização. (Art. 56 do Decreto nº 3000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado O Presente processo teve sua origem na Notificação de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 04/08), lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2008, anocalendário 2007, apurandose: · Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Cód. 2904) de R$ 1.661,05; · Multa de Ofício de R$ 1.245,78; · Juros de Mora de R$ 324,07. De acordo com as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 07) constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação trabalhista em face de Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda., no valor de R$ 142.638,39, com IRRF sobre os valores omitidos de R$ 32.991,02. Devidamente notificado do lançamento em 24/02/2010 (fl.37), o Contribuinte apresentou, em 04/03/2010, impugnação (fls. 02/04), instruída com os documentos anexos de fls. 09 a 34, onde alegou não ter havido omissão de rendimentos na medida em que foram declarados o total dos valores efetivamente recebidos. Fl. 100DF CARF MF 4 Após a 16ª Turma da DRJ/SP1 ter julgado parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, deduzindo as despesas com advogado, o contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 1639.698 em 07/03/2013 (fl. 74) e em 27/03/2013 apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 77), através do qual relata ter recebido como resultado do processo trabalhista a importância de R$ 135.681,54. Diz que desse total recebido pagou R$ 40.704,46 de honorários advocatícios e que tem direito de abater esse valor da base de cálculo do Imposto de Renda. Por fim, alega que o valor final recebido, após descontado o montante pago ao advogado, foi de R$ 94.255,26 e que, por esse motivo, o valor correto a restituído, que teria direito, seria de R$ 11.644,31. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11610.001442/201091 Acórdão n.º 2401004.688 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, foi identificada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista. O contribuinte considerou referidos rendimentos como isentos em sua DAA. Por ocasião do julgamento na 1ª Instância, a DRJ/SP1 entendeu ser correta a dedução dos honorários advocatícios no valor de R$ 40.704,46, conforme especificado no recibo de fl. 09, por força do que determina a norma estabelecida no parágrafo único do art. 55 do Decreto nº 3.000/99. Retificou o Demonstrativo de Apuração do Imposto devido apurado no lançamento, conforme os valores constantes no Quadro I da decisão de primeira instância (fls. 57), procedendo ainda ao cancelamento do crédito tributário lançado na notificação e determinando a restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 2.373,28. O Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, contesta o valor que teria direito a receber a título de restituição, e fundamenta tal entendimento no valor que considera como o montante correto de rendimento tributável oriundo da ação trabalhista, após a dedução dos honorários pagos ao advogado. A divergência recursal persiste apenas no valor do Imposto de Renda a ser restituído ao contribuinte, já que do total recebido (R$ 135.681,54), pagou R$ 40.704,46 de honorários advocatícios. No que tange às despesas com advogados, o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, vigente à época dos fatos geradores (anocalendário de 2007 fl. 4), autorizava a dedução das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento de valores, inclusive com advogados, pagos pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 102DF CARF MF 6 O Decreto nº 3.000/99 também assevera acerca da dedução das despesas com honorários: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). No caso concreto, ressai incontestável que o rendimento recebido foi de R$ 135.681,54 e que o total das despesas com honorários advocatícios pagos pelo contribuinte foi de R$ 40.704,46 de (fl. 9). Porém, conquanto a decisão de piso tenha reconhecido que a despesa efetuada pelo contribuinte à título de honorários advocatícios (fl. 9), no importe de R$ 40.704,46, deveria ter sido deduzida do valor de R$ 135.681,54 auferido do resultado do processo trabalhista, no entanto, não procedeu a correta dedução dos honorários da parcela recebida de RRA, conforme quadro constante na decisão à fl. 56: Assim entendo que assiste razão a insurgência do contribuinte ao pleitear a dedução das despesas com advogado, da forma como preceituada pelo art. 12 da Lei nº 7.713/88, acima transcrito, na medida em que não foi efetuado o desconto dos honorários do montante de R$ 235.681,54 recebido pelo contribuinte de RRA. Acontece que se tratam de valores que o contribuinte recebeu em 2007, de forma acumulada, em virtude de reclamação trabalhista (fl. 7), sendo que o lançamento foi perfectibilizado utilizando o regime de caixa e não o de competência com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Portanto, deve ser levada em consideração que existe decisão do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral (RE nº 614.406/RS), e já transitada em julgado em 9/12/2014, através da qual o Plenário da Corte reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmando entendimento no sentido da necessidade da observância do critério quantitativo da base de cálculo e alíquota dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido adimplidos. O julgamento de mérito definitivo recebeu a ementa a seguir transcrita: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11610.001442/201091 Acórdão n.º 2401004.688 S2C4T1 Fl. 5 7 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014). Nesta seara, embora não tenha sido suscitado pelo recorrente, o comando imperativo estabelecido no art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, impõe aos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ no rito dos artigos 543B e 543 C do CPC. Vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nessa perspectiva, e em face da imposição regimental concernente à aplicação do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (art. 62, § 2º, do RICARF), deve o contribuinte beneficiarse da sistemática de cálculo conforme interpretação estabelecida pelo Tribunal Superior. Assim, o cálculo relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Após a efetivação do cálculo observando o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, será verificada a necessidade de complementação do valor a ser restituído em favor do contribuinte. Fl. 104DF CARF MF 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuada a dedução dos honorários pagos a advogado do total dos rendimentos recebidos acumuladamente, e, após a dedução, seja procedido ao cálculo do imposto sobre a renda relativo aos rendimentos acumulados decorrentes da ação trabalhista com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos tributáveis (regime de competência), e que, após a realização do cálculo, seja verificado pelo órgão competente a necessidade de complementação do valor a ser restituído em favor do contribuinte. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.736504/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE VERIFICAÇÃO DA FALTA. LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta.
2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal.
3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. TERMO DE PARCERIA. ILICITUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. 1. Não se estabelecendo o vínculo empregatício entre os trabalhadores e a administração pública, é indubitável que o vínculo deveria ser reconhecido entre a entidade dita interposta e os referidos trabalhadores, mormente porque, como reza a Súmula 331/TST, a responsabilidade do ente público é meramente subsidiária.
2. A responsabilização do tomador (o Município) dependeria da imputação por solidariedade ou responsabilidade.
3. A fiscalização não demonstrou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sendo que ao contribuinte não se pode impor a prova de fato negativo, atribuindo-lhe, assim, deveres ontologicamente impossíveis.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-005.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Votou pelas conclusões o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE VERIFICAÇÃO DA FALTA. LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta. 2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal. 3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. TERMO DE PARCERIA. ILICITUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. 1. Não se estabelecendo o vínculo empregatício entre os trabalhadores e a administração pública, é indubitável que o vínculo deveria ser reconhecido entre a entidade dita interposta e os referidos trabalhadores, mormente porque, como reza a Súmula 331/TST, a responsabilidade do ente público é meramente subsidiária. 2. A responsabilização do tomador (o Município) dependeria da imputação por solidariedade ou responsabilidade. 3. A fiscalização não demonstrou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sendo que ao contribuinte não se pode impor a prova de fato negativo, atribuindo-lhe, assim, deveres ontologicamente impossíveis. Recurso Voluntário Provido
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Recorrente MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE (PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE VERIFICAÇÃO DA FALTA. LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta. 2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal. 3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. TERMO DE PARCERIA. ILICITUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. 1. Não se estabelecendo o vínculo empregatício entre os trabalhadores e a administração pública, é indubitável que o vínculo deveria ser reconhecido entre a entidade dita interposta e os referidos trabalhadores, mormente porque, como reza a Súmula 331/TST, a responsabilidade do ente público é meramente subsidiária. 2. A responsabilização do tomador (o Município) dependeria da imputação por solidariedade ou responsabilidade. 3. A fiscalização não demonstrou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sendo que ao contribuinte não se pode impor a prova de fato negativo, atribuindolhe, assim, deveres ontologicamente impossíveis. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 65 04 /2 01 2- 87 Fl. 1376DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Votou pelas conclusões o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: O MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE PREFEITURA MUNICIPAL teve lavrado contra si o Auto de Infração AI n.º DEBCAD 51.008.8317, no valor de R$ 7.614.121,04 (sete milhões, seiscentos e quatorze mil, cento e vinte e um reais e quatro centavos), consolidado em 19 de dezembro de 2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a setembro de 2009. No Relatório da Atividade Fiscal (fls. 12/66), a autoridade lançadora esclarece inicialmente que, no procedimento fiscal, restou constatado que o Município de Porto Alegre, no período de setembro de 2007 a setembro de 2009, interpôs pessoa jurídica constituída sob a forma de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público OSCIP, no caso, o Instituto Sollus, inscrito no CNPJ sob o n.º 66.654.211/000156, deixando de declarar em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs e de recolher as contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados que prestaram serviços ao Município na atividade pública, cujos contratos de trabalho foram apenas formalizados junto à interposta OSCIP. Esclarece, ainda, que, através de termo de parceria firmado com o Instituto Sollus em 17 de agosto de 2007, o Município de Porto Alegre inseriu “fraudulentamente este Instituto na relação que mantém diretamente com médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, cirurgiões dentistas, técnicos em higiene dental, auxiliares de consultório dentário, e demais profissionais atuantes na área de saúde, os quais prestam serviços na Secretaria Municipal da Saúde do Município de Porto Alegre SMS, nos programas destinados a atender a saúde da família, antes denominado PSF Programa de Saúde da Família, atualmente, ESF Estratégia da Saúde da Família.” (Grifado no original.) Ainda acerca da atuação do Instituto Sollus e do procedimento de auditoria fiscal levado a efeito junto ao Município de Porto Alegre, informa, “in verbis”: Fl. 1378DF CARF MF 4 4. O SOLLUS, OSCIP, declaravase como entidade imune das contribuições previdenciárias através de informação fraudulenta em campo da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, informando o código FPAS 639 no campo destinado somente as entidades beneficentes de assistência social EBAS, enquadradas no art. 55 da Lei 8.212/91, assim não declarava as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados cujos contratos de trabalho formalizava a mando do Município de Porto Alegre. Por sua vez o Município repassava, através do convênio, os valores da folha de pagamento e das contribuições previdenciárias, que por fim não eram recolhidas por nenhuma das duas partes. 5. A interposição fraudulenta deste INSTITUTO na prestação de serviço público pelos segurados empregados, cuja repercussão tributária é tratada neste procedimento, é apenas uma parte (bem relevante) das muitas repercussões que envolvem o caso SOLLUS desde o ano 2007, e que ainda se encontram em apuração através de demandas judiciais e administrativas nos órgãos de controle da administração pública. 6. Independentemente das muitas linhas de atuação dos órgãos de controle que agem em defesa do patrimônio público pelos recursos federais destinados à saúde que, a partir das apurações dos indícios de fraude, foram desviados, o objetivo deste procedimento é a constatação dos efeitos tributários decorrentes da prestação de serviços dos segurados empregados através da PJ INTERPOSTA SOLLUS, os quais, até a presente data, não fazem parte do escopo das investigações administrativas e judiciais. (Grifado no original.) 7. Cabe ao FISCO verificar se o fato gerador ocorreu e com ele fez nascer a obrigação tributária, identificar o verdadeiro Sujeito Passivo desta obrigação, e se os tributos decorrentes dos fatos geradores foram devidamente declarados, e por fim, se foram corretamente recolhidos. 8. Os fatos apurados pela fiscalização demonstram condutas antijurídicas implementadas pelo Município de Porto Alegre e pelo seu parceiro interposto desde o momento que antecede a formalização do convênio até a sua extinção, revelando a maior prejudicada na fraude que ainda não foi identificada pelos órgãos de controle: A SEGURIDADE SOCIAL, através do desvio de aproximadamente 6,7 milhões de reais dos cofres da PREVIDÊNCIA SOCIAL. (Grifado no original.) Em conseqüência, foi lavrado o AI n.º DEBCAD 51.008.8317, suprareferido, concernente ao período de janeiro de 2009 a setembro de 2009, além dos AIs n.º DEBCAD 37.345.1725 e 37.345.1733, ambos objeto do Processo n.º 11080.736502/2012 98. Em sessão realizada em abril de 2014, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 4 5 Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA. ELEMENTOS DE PROVA. Não há cerceamento de defesa quando os elementos de prova embasadores do lançamento encontramse devidamente juntados ao processo, como parte da autuação, e disponibilizados ao exame do impugnante. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, assim entendido tanto o estabelecimento do infrator, como a repartição fiscal, ou qualquer outro local em que a autoridade lançadora disponha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário. Nulidade não configurada. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito perante a Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável quando caracterizada a prática, em conluio, de ato com o objetivo de retardar o conhecimento, pela autoridade fazendária, acerca das condições pessoais do contribuinte Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi intimada da decisão em 09.04.14 (fl. 1339) e interpôs recurso voluntário em 08.05.14 (fl. 1343 e seguintes), aduzindo em síntese que: Fl. 1380DF CARF MF 6 Preliminarmente: 1. os autos de infração foram lavrados na Agência da Receita Federal situada no Município de Passo Fundo RS, quando, sabidamente, o fato gerador da obrigação tributária se deu integralmente no território da Capital Gaúcha, razão pela qual merece ser declarada a sua nulidade (art. 10 do Decreto nº 70.235/1972); 2. é imperativo que a autuação se dê no local da verificação da falta e nada induz que a Receita Federal de Passo Fundo tenha tido conhecimento dos fatos primeiramente que a repartição da Capital. Ressalta que a maior estrutura da RFB está justamente em Porto Alegre, ensejando outras consequências, violando, inclusive, o Princípio da Impessoalidade. Mérito Ilegalidade do termo de parceria firmado com a OSCIP instituto Sollus 1. a parceria do Município com a OSCIP foi feita mediante processo regular e lícito, seja mediante autorização legal para tanto ou por ter o Instituto Sollus se qualificado, à época, com experiência e condições de assumir a parceria; 2. ao longo da parceria, irregularidades foram constatadas em prestações de contas e que resultaram no precoce encerramento da relação, tendo o Município agido no sentido de se ver ressarcido dos prejuízos constatados em Tomada de Contas Especial; 3. o não atendimento, pela parceira, de obrigações por ela assumidas com o Município, passa ao largo do conluio fraudulento imaginado pelo Fisco, pois ao Município nenhuma vantagem traria associarse ao Instituto Sollus, para deixar de pagar contribuições previdenciárias, tendo em vista que as repassava ao parceiro; 4. o exame do mérito da parceria firmada entre o Município de Porto Alegre e o Instituto Sollus não é prerrogativa do Fisco Federal, mas dos órgãos de controle de contas – a quem incumbe, exclusivamente, a análise da legalidade dos atos administrativos, fato reconhecido pela própria autoridade fiscal; 5. a parceria foi objeto de fiscalização constante do Tribunal de Contas do Estado do RS, que ao final arquivou inspeção especial instaurada, por bem reconhecer a necessidade do ajuste para a execução das políticas de saúde em Porto Alegre e preservação do interesse público. No mais, se não há crime, não há sonegação, havendo clara contradição na decisão de primeira instância; 6. nem ao largo faz presumir o uso de “interposta pessoa para contratação fraudulenta de mãodeobra”, como tenta ardilosamente induzir a autoridade julgadora. A vontade do administrador de ter um corpo técnico mais amplo não significa que os serviços prestados mediante parcerias ou convênios mostremse irregulares ou ilegais; Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 5 7 7. a legalidade dos convênios ou a instituição de parcerias, para a execução de serviços de saúde, especialmente para atendimento conjunto ao PSF, é reconhecida pelos Tribunais de Contas de todo o país. Eventual dúvida sobre a melhor forma de contratação não induz à ilegalidade das modalidades eleitas, haja vista autorização normativa expressa; Da ilegitimidade passiva do Município de Porto Alegre – incorreta identificação do contribuinte – ausência de simulação 1. o contribuinte da contribuição previdenciária patronal é o empregador, aquele que detém o vínculo laboral com o empregado ou que tome serviços de trabalhador avulso. A configuração do vínculo laboral exige necessariamente os preenchimentos de requisitos específicos, dentre eles a continuidade, subordinação jurídica, onerosidade e pessoalidade; 2. no caso, por tratarse de parceria, cabia ao Município certas obrigações, dentre as quais ditar a política de atendimento à saúde pública, bem como ceder espaços físicos em hospitais e unidades de atendimento. Data vênia, este fato não atrai para o Município de Porto Alegre, pura e simplesmente, a condição de empregador dos colaboradores e empregados do instituto parceiro, muito menos o caracteriza como contribuinte das contribuições previdenciárias devidas pela Sollus, por força de seus contratos de trabalho; 3. é uma excrescência, para efetuar o lançamento contra o Recorrente, a utilização por parte do fisco de um princípio que rege o contrato de trabalho (primazia da realidade) e que, sabidamente, não dá suporte nem tem qualquer relação com o direito tributário ou administrativo; 4. no item 2, alínea “d”, da cláusula terceira do Termo de Parceria, está prevista a responsabilidade do Instituto Sollus pelos encargos de natureza fiscal, parafiscal ou trabalhistas que decorram da execução da parceria, nas contratações celebradas pela OSCIP com pessoas físicas. A cláusula é mera repetição do texto legal (art. 22, I, da Lei 8.212/91); 5. se o Município tinha, à época, interesse em firmar parceria com o Instituto Sollus, se tal parceria foi um erro estratégico ou apenas mostrouse o Instituto mau parceiro, no que tais supostos fatos interfeririam na identificação do sujeito passivo tributário? 6. a contratação dos antigos profissionais da Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, recomendada ou não pelos agentes políticos do Município, tinha o intuito de evitar solução de continuidade da antiga parceria/convênio existente. No mais, não haveria melhores referências aos profissionais para análise curricular dos aspirantes às vagas do que a experiência de ter atuado junto ao Programa de Saúde da Família em Porto Alegre. Obviamente, estes deveriam ser os primeiros profissionais a serem Fl. 1382DF CARF MF 8 contratados pelo Sollus, não havendo qualquer irregularidade neste fato; 7. evidentemente que os recursos repassados pelo Recorrente ao Parceiro eram correspondentes aos custos deste com sua folha de pagamento, materiais, insumos, etc., nos exatos termos das planilhas que integraram o Termo de Parceria. O instituto Sollus foi admitido como parceiro por reunir todos os requisitos legais e se encontrar devidamente registrado como OSCIP, ou seja, por revestirse de caráter assistencial, sem fins lucrativos, razão pela qual não se pagava preço nem se tratava de contrato de prestação de serviços; 8. assim sendo, enganase o Sr. Auditor Fiscal ao afirmar que o intuito do Instituto Sollus era unicamente absorver a folha de pagamento do Programa de Saúde da Família, pois outros valores eram alcançados para fins educacionais e de treinamento, bem com parte dos serviços de Saúde de Família eram também prestados com a colaboração do Município e com recursos próprios; 9. as ilações e conjecturas do tendencioso auto de infração e da decisão que o manteve não são capazes de demonstrar que o Município de Porto Alegre manteve, diretamente e com todos os empregados e colaboradores do Instituto Sollus, relação capaz de configurar vinculo de emprego. Caberia à autoridade fiscal o ônus de muito bem demonstrar a sujeição de cada colaborador do instituto aos requisitos legais de subordinação jurídica pessoal, aliada aos pressupostos da não eventualidade e onerosidade; 10. a peça fiscal, ao contrário, deixa claro que não havia subordinação jurídica e pessoal, ao apontar que o Município, através de suas Gerências, cobrava do Instituto Sollus, nas prestações de contas, eventuais ausências de profissionais nos boletins de produção. Ora, o Recorrente cobrava do Instituto, como tinha que ser, e não dos empregados deste. Estava, portanto, exercendo seu poder/dever de fiscalização do Termo de Parceria. Ausência de benefício econômico por parte do Município – Inexistência de fraude fiscal – repasses efetuados ao Instituto Sollus para pagamento das contribuições 1. conforme comprovado no processo fiscal e reconhecido pela autoridade julgadora, o Recorrente passou mensalmente os valores correspondentes às contribuições sociais previdenciárias patronais, respeitando o cronograma financeiro previsto no Termo de Parceria. Ora, se efetuou o repasse à OSCIP, qual o intuito da fraude fiscal? É de alertar que o Município de Porto Alegre não recebeu GFIP dando conta de suposta isenção da OSCIP, exigindo a comprovação dos recolhimentos previdenciários, com atraso ou não. E mais, detém os comprovantes de pagamento por parte do Instituto Sollus; 2. o Município repassou dentre suas parcelas os valores das contribuições previdenciárias, pois fazia parte de seus encargos como Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 6 9 parceiro. Onde está a vantagem do tal “conluio? Qual foi a economia para os cofres municipais?”; 3. não há qualquer razão lógica para o Município de Porto Alegre estar inserido no pólo passivo da presente autuação, em detrimento do Instituto Sollus. A decisão merece reforma, para desconstituir a autuação por total ilegitimidade passiva; Dos comprovantes de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias – ausência de prova de falsidade – impossibilidade de comprovação de pagamento por parte de terceiro estranho à relação tributaria 1. o Recorrente e o Fisco Federal detêm prova do pagamento da maior parte das contribuições previdenciárias em questão. A autuação decorre, contudo, da não identificação destes recolhimentos aos cofres da Receita, situação que foge completamente da alçada do Recorrente; 2. o Instituto Sollus apresentou as GPS relacionadas na autuação fiscal e trouxe os comprovantes de recolhimento. Vêse, aliás, dos documentos citados na peça fiscal, que o Banco do Brasil, instituição financeira credenciada pela RFB para receber pagamento de suas GPS, alegou simplesmente não ter identificado os recebimentos e que as autenticações eram de valores/finalidades diferentes das apresentadas. Fica claro, portanto, que as guias podem ter sido autenticadas nas máquinas do próprio banco, onde pode ter ocorrido fraude, furto ou simplesmente pane no sistema; 3. sequer prova cabal da falta de pagamento há, e a única parte incapaz de provar o contrário é o Recorrente, uma vez estar na condição de mero terceiro na relação entre Fisco e o contribuinte Instituto Sollus. Talvez se a autuação estivesse voltada contra o verdadeiro sujeito passivo do tributo e autor dos recolhimentos, falsos ou não, este pudesse demonstrar o pagamento; 4. o recorrente tem que os pagamentos foram efetuados até prova pericial em contrário a comprovar falsidade nos documentos. O ônus desta demonstração é do Fisco e o contraditório, competiria, por certo, ao contribuinte e responsável pelos pagamentos: Instituto Sollus; 5. cabe enfatizar que todas as alegações de fraude, simulação, dissimulação e de máfé do Município de Porto Alegre utilizandose de interposta pessoa para causar dano ao fisco dependem de um pequeno detalhe para que sejam juridicamente válidas, o qual foi esquecido pelo ilustre Auditor: o DOLO do Recorrente, que deverá ser provado cabalmente, seja na esfera administrativa, seja na seara penal, nesta, por obvio, com extrema densidade. Aliás, não é demais repetir que a autoridade julgadora expressamente afirmou não ter como apontar a ocorrência de crime. Fl. 1384DF CARF MF 10 6. não foi demonstrada a “imprescindível vontade livre e consciente” do Município de Porto Alegre, por intermédio de seus gestores, de fraudar o Fisco, como exige a jurisprudência dominante; Da insubsistência da multa qualificada e do alegado descumprimento de obrigação acessória 1. não obstante o descabimento de todas as penalidades aplicadas por consequência da improcedência total do auto de infração, a argumentação trazida pela autoridade julgadora no pertinente à multa qualificada e descumprimento de obrigação acessória não se sustenta, haja vista a necessidade de concretização das figuras contidas no art. 68 a 73 da Lei 4.502/64, que necessita de um suporte volitivo imprescindível, qual seja, o dolo ou máfé; 2. não existe sonegação, fraude ou conluio na forma culposa. Inexiste o dolo, porque não provado pela fiscalização, e resta claro que os tipos recém descritos não podem subsistir para amparar a qualificação da multa. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade da lavratura do Auto de Infração De acordo com o recorrente, os Autos de Infração foram lavrados na Agência da Receita Federal de Passo Fundo RS, quando deveriam ter sido lavrados em Porto Alegre RS, onde se deu o fato gerador das contribuições, razão pela qual os Autos seriam nulos (art. 10 do Decreto 70.235/1972). O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta. Vejase: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Ao contrário do que sugere a recorrente, o local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal. Isto é, a verificação da ilegalidade pode ocorrer dentro da própria repartição, sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 6, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Destarte, não há nulidade a ser declarada. 3 Da legalidade do termo de parceria O recorrente afirma que a parceria com a OSCIP foi feita mediante processo regular e lícito. Conforme será exposto no tópico seguinte, contudo, entendese que o exame do presente lançamento prescinde do exame da legalidade do Termo de Parceria. Fl. 1386DF CARF MF 12 4 Da ilegitimidade do Município O Tribunal Superior do Trabalho TST considerava ilegal qualquer forma de contratação de trabalhadores por empresa interposta, estabelecendose, por consequência, o vínculo empregatício diretamente entre o empregado e o tomador dos serviços, excetuadas as hipóteses de trabalho temporário e de vigilância. Nesse sentido, o verbete sumular 256/TST assim dispunha: ENUNCIADO N. 256 DO TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEGALIDADE. Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância, previstos nas Leis n. 6.019, de 03.01.1974, e 7.102, de 20.06.1983, é ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo empregatício diretamente com o tomador de serviços (Res. TST 04/86, 22.09.86, DJ 30.09.1986). Diante da evolução das relações empregatícias e da própria jurisprudência dos Tribunais Regionais acerca do assunto, o TST revisou o enunciado sumular acima, editando, em substituição, a Súmula/TST 331, assim redigida: ENUNCIADO N. 331 DO TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEGALIDADE REVISÃO DO ENUNCIADO N. 256. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei n. 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei n. 7.102, de 20.06.1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei n. 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. n. 96, de 11.09.00, DJ 18.09.00) Como se vê, as hipóteses de terceirização lícitas foram ampliadas pelo Tribunal Superior. Quanto às hipóteses de ilicitude, entre as quais aquela narrada pela fiscalização, a Súmula trouxe o consequente normativo, conforme adiante se verá. Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 8 13 A autoridade lançadora, em extenso arrazoado, afirma que o Termo de Parceria foi ilícito e que o INSTITUTO SOLLUS seria uma "OSCIP DE PAPEL", interposta na relação entre o Município recorrente e os segurados empregados. Ora, de acordo com o item II do Enunciado acima, terseia a contratação irregular de empregados, o que ensejaria o não reconhecimento de vínculo empregatício com a Administração Pública, em face da norma contida no art. 37, inc. II, da Constituição Federal CF, segundo a qual a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. Em conformidade com o item IV da Súmula, a responsabilidade da administração seria apenas subsidiária. Não se estabelecendo o vínculo empregatício entre os trabalhadores e a administração, é indubitável que o vínculo deveria ser reconhecido entre a entidade dita interposta e os referidos trabalhadores, mormente porque, como reza a Súmula, a responsabilidade do ente público seria meramente subsidiária. Logo, as contribuições devidas à seguridade social, que decorrem do citado vínculo, deveriam ter sido lançadas em face da pessoa jurídica prestadora do serviço, e não do seu tomador. A imputação de responsabilidade ao tomador (o Município) dependeria da imputação por solidariedade ou por responsabilidade, o que não ocorreu no caso vertente, em que a autuação se dirigiu unicamente contra o recorrente. Poderseia objetar, equivocadamente, que o enunciado sumular tem aplicação restrita para o Direito do Trabalho. Ocorre que o ordenamento jurídico é um todo uno, de forma que "não se pode falar em autonomia deste ou daquele ramo do direito querendo significar que ele tenha vida própria e independente dos demais setores da ciência jurídica"1. Com apoio na doutrina do prof. Alfredo Augusto Becker, Luciano Amaro ensina que "a autonomia do direito tributário é apenas didática"2, vez que "não pode existir norma jurídica independente da totalidade do sistema jurídico"3. Dentro desse contexto de totalidade do sistema normativo posto, e considerandose a correta aplicação do Direito pelo TST, entendese que a eventual ilicitude do Termo de Parceria não gera vínculo empregatício direto com o Município, ex vi do art. 37, inc. II, da Constituição, cuja responsabilidade, nessa toada, dependeria de imputação por solidariedade ou responsabilidade. Mas não é só. Sem, de forma alguma, desmerecer o notável trabalho do agente autuante, entendese que não se demonstrou a existência de pessoalidade e de subordinação entre os empregados do INSTITUTO e o Município recorrente. 1 Direito tributário brasileiro. Luciano Amaro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 7/8. 2 Obra citada, p. 8. 3 Obra citada, p. 8. Fl. 1388DF CARF MF 14 Os dois casos pontuais de (i) contratação do coordenador médico do Programa de Saúde da Família diretamente pelo Município e de (ii) interferência política na demissão de um funcionário do INSTITUTO não são suficientes para, num universo de mais de trezentos segurados (vide fls. 67 e seguintes), ensejar o reconhecimento de subordinação por parte de todos eles. Portanto, a fiscalização não demonstrou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sendo que ao contribuinte não se pode impor a prova de fato negativo, atribuindolhe, assim, deveres ontologicamente impossíveis. Quanto à alegada subordinação pessoal e hierárquica dos segurados empregados às gerências distritais, melhor sorte não teve o agente. Para ilustrar, vale transcrever a parte fundamental da acusação: 232. A fiscalização pesquisou e verificou que os profissionais do PSF são subordinados hierarquicamente dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde. É o que podemos comprovar com os fatos relatados no processo administrativo de prestação de contas do conveniamento do mês de 12/2008 colocado à disposição da fiscalização pelo MUNICÍPIO. 233. No processo 001.004744;098, conforme fls. 569 em diante, são cobradas ações pela CGRABS em relação à ausência de produção informada no Boletim de Produção Ambulatorial –BPA, onde alguns postos de saúde da família estavam apresentando a produção zerada. 234. Primeiramente foi encaminhado Ofício nº 088/09GS, fls. 574 ao SOLLUS, de lavra do Sr. Marinon Porto, Secretário de Saúde Substituto, solicitando esclarecimento ao SOLLUS sobre os PSFs que não informaram os seus faturamentos à GRSS e encontravamse com a produção zerada. 235. A resposta do SOLLUS através Of nº 013/2009, fls 575, alega que este sistema não é de responsabilidade do mesmo, cabendo somente a ela informar mensalmente a GRSS o cadastro das equipes do CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde SCNES. 236. O Coordenador Geral da CRABS, médico Nicolau J. P. Ludwig, matrícula 61046.2, exara solicitação à Gerência de Regulação dos Serviços de Saúde GRSS para informar e apresentar a produção dos PSF, conforme verso da folha 575 do processo 001.004744.09.8. 237. A solicitação foi encaminhada ao Setor de Faturamento da GRSS, e coube a manifestação sobre a questão a este setor sobre o procedimento de digitação do Boletim de Produção Ambulatorial – BPA, e assim foi explicado o procedimento: “À COORDENAÇÃO, INFORMAMOS QUE A DIGITAÇÃO DO BPA (FATURAMENTO/PRODUÇÃO) DOS PSF’S NÃO É DE RESPONSABILIDADE DO INST. SOLLUS, MAS SIM DE CADA EQUIPE DE PSF. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 9 15 ESTAS FORAM TREINADAS POR ESTE SETOR P/A DIGITAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO MENSAL. A RESPONSABILIDADE DO ACOMPANHAMENTO DA ENTREGA, BEM COMO MANTER CONTATO CONSTANTE, AVALIANDO E ACOMPANHANDO OS PSF’S E DE SUAS RESPECTIVAS GD’S (SENDO QUE ESTAS TAMBÉM RECEBERAM TREINAMENTO P/OFERECER SUPORTE ÀS SUAS UBS’S E PSF’S.) AO INSTITUTO SOLLUS CABE A MANUTENÇÃO DO CNES. (nossos destaques em negrito) 238. Após a explicação da GRSS, a CRABS – Coordenadoria Geral da Rede de Atenção Básica de Saúde expede o MEMO Circular nº 1 de 19 de fevereiro de 2901 para as Gerências Distritais (conhecidas como GD) solicitando providencias e esclarecimentos quanto aos PSF relacionados no MEMO que tem a produção zerada nos meses de setembro e outubro de 2008. 239. É data ciência do MEMO aos oito Gerentes das GD’s (Gerências Distritais). As GD’s são as mesmas que constam no quadro hierárquico já apresentado pela fiscalização no item 31 do presente relatório fiscal, sendo possível identificar com perfeita clareza que as Equipes estão hierarquicamente subordinadas a sua respectiva Gerência Distrital e são cobradas por estas em relação ao trabalho desenvolvido no âmbito do Programa de Saúde da Família. 240. O conjunto de acontecimentos e explicações desencadeados em relação ao não preenchimento dos BPA’s é bastante revelador sobre como e onde estão inseridas as Equipes de Saúde da Família dentro da estrutura da SMS: primeiro, o SOLLUS, que estava CONVENIADO para GERENCIAR os PSF’s, alega não ser da sua competência a elaboração dos BPA – Boletim de Produção Ambulatorial, documento onde são alimentados todos os atendimentos realizados pelas Equipes que diz que gerencia; segundo, o SOLLUS alega que sua responsabilidade é informar a GRSS o cadastro das equipes do CNES, contudo esta informação é prestada à GRSS. Verificado o cadastro do CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, no portal do SUS, constatase que o SOLLUS nunca teve cadastro neste ambiente. Se havia alguma comunicação do SOLLUS era para alimentar o próprio CNES do MUNICÍPIO de PORTO ALEGRE, onde todos os segurados empregados do PSF estão vinculados, conforme consulta realizada por esta fiscalização; terceiro, há de forma antagônica a divisão entre as Equipes de Saúde da Família e o próprio SOLLUS, onde Fl. 1390DF CARF MF 16 estas são responsáveis pela informação, e não o SOLLUS, que emprega os trabalhadores que compõem as ESF’s; quarto, a diferenciação das ESF’s do SOLLUS demonstra que as Equipes estão vinculadas à estrutura hierarquizada da SMS, e destas são cobradas, acompanhadas, avaliadas e treinadas, atribuídolhes responsabilidades diretamente pelo preenchimento do BPA mensal; quinto, as ESF’s são inseridas formalmente na estrutura hierarquizada da SMS, e seus superiores hierárquicos imediatos são representados pelos Gerentes Distritais subdivididos em oito gerências responsáveis por cada ESF em sua respectiva jurisdição; sexto e último, o SOLLUS continua na relação como mera figura decorativa. Notadamente serve apenas para formalizar os vínculos dos segurados empregados que prestam serviços no PSF’s, sem qualquer atuação no gerenciamento da saúde no município. 241. O conjunto de fatos desencadeados pela cobrança pela CRABS do correto e regular preenchimento dos BPA’s demonstra de forma inequivoca: a existência de subordinação dos segurados empregados do ESF à estrutura hierarquizada da SMS; a subordinação dos segurados empregados aos Chefes e/ou Gerentes das Gerências Distritais, os quais cobram e controlam a prestação do serviço; a total integração dos segurados empregados com outras áreas da SMS, como a GRSS, que os qualifica através de treinamento; 242. Percebese que tanto nas relações individuais com os segurados empregados quanto nas relações institucionais, a conduta sempre revela a relação existente entre MUNICÍPIO, tendo a relação com o SOLLUS apenas com seus contratos de trabalho formalizados, bem como prova se ser este INSTITUTO um arremedo de PJ, sem gerenciar absolutamente nada em relação ao Programa de Saúde da Família em Porto Alegre. Como se vê, as circunstâncias acima narradas estão ligadas à fiscalização do Termo de Parceria pelo recorrente, mas não demonstram a existência da alegada subordinação, tampouco de pessoalidade. Do texto acima, depreendese que o Município, por intermédio de seu órgão interno, cobrou explicações do INSTITUTO, que, por sua vez, alegou não estar obrigado a prestálas. Em nenhum momento é possível concluir que este ou aquele segurado empregado, muito menos um grupo de segurados empregados, estariam subordinados e pessoalmente ligados ao Município recorrente, senão através do Termo de Parceria. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 10 17 A fiscalização da prestação dos serviços pelo Município é obrigação imposta pela própria norma jurídica, ex vi do art. 11 da Lei 9.790/1999, segundo a qual "a execução do objeto do Termo de Parceria será acompanhada e fiscalizada por órgão do Poder Público da área de atuação correspondente à atividade fomentada, e pelos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em cada nível de governo". Em sendo assim, deveria ter sido demonstrada a existência efetiva de subordinação, o que poderia ter sido feito, exemplificativamente, mediante a oitiva de um número minimamente expressivo de empregados do INSTITUTO. Insistase que dois casos pontuais não são suficientes para ensejar o reconhecimento de vínculo num universo de mais de trezentos segurados. Conforme "RELAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS" de fls. 68, o INSTITUTO SOLLUS teria mais de trezentos empregados, não havendo, com todo respeito, demonstração mínima de que tais segurados estariam diretamente subordinados ao Município. Se, por um lado, a administração fazendária tinha como fazer essa prova, por outro lado o contribuinte não tem como demonstrar a existência de fato negativo, mormente porque o INSTITUTO SOLLUS sequer integra o presente processo na qualidade de sujeito passivo. Mais ainda, e por força do art. 142 do CTN, é da fiscalização o ônus de comprovar a existência do fato gerador da obrigação. Admitindose, para efeitos de argumentação, que o vínculo empregatício poderia ser estabelecido em face do Município, deveria a autoridade administrativa ter comprovado a existência de subordinação. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I, por sua vez, preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, corroborando, assim, a necessidade de se demonstrar a existência do citado requisito. Vejase: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ................................................................................................ ......... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, Fl. 1392DF CARF MF 18 trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Por fim, e considerandose que a alegação central da fiscalização é a de que houve mera interposição, vez o que o INSTITUTO seria uma "OSCIP DE PAPEL", vale observar o seguinte: 1. Segundo o item 46 do RELATÓRIO FISCAL, o MINISTÉRIO DA JUSTIÇA reconheceu o INSTITUTO SOLLUS como OSCIP em 17/02/2006. Ou seja, a própria administração federal, em processo administrativo, não só reconheceu a existência do citado INSTITUTO, como também o qualificou como organização de interesse público. 2. Em consulta ao site do TRF4, empreendida para verificar a eventual propositura de ação com o mesmo objeto do presente processo, constatouse a existência de cinco ações de natureza previdenciária propostas por exempregados do INSTITUTO4, inclusive por uma segurada que teria trabalhado em Cruzeiro do Sul (autos nº 5048214 08.2012.4.04.7100/RS5). Significa dizer que o INSTITUTO SOLLUS teve atuação em outro Município do Estado do Rio Grande do Sul, o que fragiliza a alegação de que seria OSCIP de papel. 3. Em consulta ao site do TST, empreendida para examinar a repercussão do tema na Justiça do Trabalho, constatouse que o INSTITUTO SOLLUS também teve parceria firmada com o MUNICÍPIO DE LORENA SÃO PAULO6 . Isto é, a alegação de que a OSCIP em questão seria de papel perde força, na medida em que teve parcerias com outros municípios, inclusive em Estado diverso. Não se faz tais afirmações para tentar dar credibilidade ao malfadado INSTITUTO, mas apenas para demonstrar que a afirmação de que ele (INSTITUTO) seria de papel não é consentânea com a realidade dos fatos. Destarte, deveria haver comprovação cabal de que o recorrente praticou, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições devidas à seguridade social. Valorandose as provas coligidas nos autos, não se convence da tese esboçada pela fiscalização. 4 http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/resultado_pesquisa.php, acesso em 10/10/2016. 5 http://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=7967063&termosPesquisados=sol lus, acesso em 10/10/2016. 6 PROCESSO Nº TSTAIRR98070.2013.5.02.0434, em http://aplicacao5.tst.jus.br/consultaunificada2/inteiroTeor.do?action=printInteiroTeor&format=html&highlight=tr ue&numeroFormatado=AIRR%20%20980 70.2013.5.02.0434&base=acordao&rowid=AAANGhAA+AAAPL6AAT&dataPublicacao=01/07/2016&localPub licacao=DEJT&query=SOLLUS, acesso em 10/10/2016. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 11080.736504/201287 Acórdão n.º 2402005.573 S2C4T2 Fl. 11 19 Diante do exposto, e muito embora os fatos apurados sejam de notória gravidade, com provável repercussão na esfera penal, entendese que o lançamento deve ser cancelado, dandose provimento ao recurso voluntário. 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721989/2015-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE.
A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial. Estão isentos os rendimentos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial
Numero da decisão: 2202-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos de aposentadoria relativos aos meses de outubro a dezembro de 2009.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial. Estão isentos os rendimentos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial. Estão isentos os rendimentos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos de aposentadoria relativos aos meses de outubro a dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 19 89 /2 01 5- 33 Fl. 108DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA): O interessado impugna decisão que indeferiu o seu direito à restituição que pleiteava alegando ser portador de moléstia grave. Visava obter uma diferença de imposto a restituir de R$ 6.100,75. O pedido foi indeferido porque se tratava de rendimentos da reserva remunerada, não abrangidos pela isenção dos portadores de moléstia grave. O impugnante argumenta, em síntese, que é portador de cegueira parcial (cegueira de um olho, laudo fls. 08), moléstia que se inclui dentre aquelas enumeradas na lei de isenção. A lei usa o termo genérico cegueira. A CID classifica diversas espécies de cegueira, inclusive cegueira de um olho. A isenção dos proventos de reserva remunerada dos portadores de moléstia grave já foi reconhecida na Súmula 43 do CARF. O conceito de aposentadoria inclui os rendimentos de inatividade tanto do inativo civil (aposentadoria civil) quanto do inativo militar (reforma e reserva remunerada). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA), negou provimento à manifestação de inconformidade em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. A isenção por moléstia grave não se aplica aos proventos da reserva remunerada. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PERDA PARCIAL DA VISÃO. Em obediência ao princípio da interpretação literal das normas isentivas, o conceito de cegueira não pode ser estendido para incluir a mera redução da acuidade visual ou a visão monocular. Cientificado (AR fls. 68) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 82/90, no qual reitera as razões suscitadas quando da Impugnação. O Recorrente requereu a juntada do Ato Declaratório Executivo PGFN nº 3 , de 30 de março de 2016 (fls. 94), bem como do Acórdão nº 92.02004.531 da Câmara Superior Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.721989/201533 Acórdão n.º 2202003.785 S2C2T2 Fl. 109 3 de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em discussão idêntica à dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia desse recurso se resume à duas questões referente à abrangência da isenção prevista no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88: a) se o valores recebidos pelos militares da reserva podem ser considerados isentos, uma vez que, embora sejam proventos recebidos em razão da inatividade a norma só menciona os proventos decorrente de "reforma". c) se a expressão "cegueira" prevista no mencionado dispositivo legal refere se apenas a cegueira "biocular" ou se abrange também a cegueira monocular. Em relação a letra "a" o CARF possui entendimento consolidado no sentido de que, embora o artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88 utilize apenas as expressões "aposentadoria" e "reforma" a isenção nele prevista aplicase, igualmente, à reserva, conforme se verifica pelo o teor da Súmula 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifamos) Por outro lado, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 arrola, dentre as moléstias graves passíveis de gerar o direito a isenção, a cegueira. Confirase: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Fl. 110DF CARF MF 4 Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (grifamos) Entendeu a decisão recorrida que, nos termos do disposto no artigo 111 do Código Tributário Nacional, não seria possível ampliar o conceito legal para abranger a cegueira de um só olho.Tal raciocínio, todavia, não procede. Isso porque, o referido artigo determina que "a interpretação das normas que disponham sobre isenção deve ser literal". A norma isencional acima transcrita menciona, dentre as moléstias graves, "cegueira" que é gênero do qual são espécies a cegueira de ambos olhos e a cegueira de um olho. Como bem ressalta o Recorrente, a prova de que "cegueira" é gênero do qual as demais são espécies é fornecida pelo próprio Código Internacional de Doenças CID 10 que assim dispõe: Código Doença H54 Cegueira e visão subnormal H54.0 Cegueira, ambos os olhos H54.1 Cegueira em um olho e visão subnormal em outro H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos H54.3 Perda não qualificada da visão em ambos os olhos H54.4 Cegueira em um olho H54.5 Visão subnormal em um olho H54.6 Perda não qualificada da visão em um olho H54.7 Perda não especificada da visão (grifamos) Sendo assim, a interpretação realizada pela DRJ não foi literal, mas restritiva o que conflita com o princípio da legalidade. Com efeito, quisesse o legislador utilizar a espécie (cegueira de ambos os olhos) teria adjetivado a expressão. Como bem observa Hugo de Brito Machado: "Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a interpretação do seu alcance, como sua restrição" (MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 22 ed. Malheiros, São Paulo, 2003, p.105) (grifamos) Essa é a interpretação que vem sendo dada pelas turmas do CARF, conforme se verifica pelo teor das ementas abaixo transcritas: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.721989/201533 Acórdão n.º 2202003.785 S2C2T2 Fl. 110 5 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial." Recurso Voluntário Provido. (Processo nº 10166.013759/200706, j. 14/03/2012, relator conselheiro Sidney Ferro Barros) (grifamos) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF cobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 10166.731097/201217, acórdão 2101002.460– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, rel. Cons. MARIA CLECI COTI MARTINS, j. 13.05.2014) (grifamos) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL.ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso provido." (Processo nº 10845.725352/201235, Acórdão 2202002.877– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, j. 06.11.2014, Rel. Cons. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa) (grifamos) Fl. 112DF CARF MF 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido (Processo n. 13830.720890/201118, Acórdão n. 2801003.907– 1ª Turma Especial, j. 04.12.2014,Rel. Cons. Carlos César Quadros Pierre) (grifamos) Nesse mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9202004.631, julgado na sessão de 26 de outubro de 2016, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial. Recurso especial conhecido e negado.(grifamos) Por fim, é importante destacar que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional acatou esse entendimento por meio do Ato Declaratório Executivo PGFN nº 3 , de 30 de março de 2016, que assim dispõe: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 29/2016, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 29 de março de 2016, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o beneficiário for portador do gênero patológico“cegueira”, seja ela binocular ou Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10825.721989/201533 Acórdão n.º 2202003.785 S2C2T2 Fl. 111 7 monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica” Todavia, o laudo pericial de fls. 8 atesta que a doença foi identificada em consulta realizada em 27/10/2009. A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) Os rendimentos glosados referemse ao anocalendário 2009. Dessa forma, somente os rendimentos recebidos a partir de 10/2009 estariam abrangidos pela isenção. Em face de todo exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo os rendimentos de aposentadoria relativos aos meses de outubro a dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722077/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/01/2011
GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA.
É competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente.
Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindo-lhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado.
DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
No caso da aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplica-se ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Correta a glosa dos valores indevidamente compensados em GFIP, acrescida de juros e multa de mora, quando o sujeito passivo não comprova a existência do direito creditório.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE.
Cabível a imposição de multa isolada de 150% - prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 - quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO 11%. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS.
A compensação de valores de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra poderá ser efetuada em GFIP somente com débitos de contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, que deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo.
GFIP. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INCORREÇÕES DE INFORMAÇÕES.
A empresa que apresenta a GFIP com incorreções no campo "compensação" está sujeita à multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, cujo valor não será inferior ao limite mínimo por competência.
LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e a decadência, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA E MULTA ISOLADA. Recorrente VIP VIAÇÃO ITAIM PAULISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/01/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA. É competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente. Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado. DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplica se ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 77 /2 01 3- 95 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 799 2 Correta a glosa dos valores indevidamente compensados em GFIP, acrescida de juros e multa de mora, quando o sujeito passivo não comprova a existência do direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE. Cabível a imposição de multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO 11%. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. A compensação de valores de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra poderá ser efetuada em GFIP somente com débitos de contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, que deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. GFIP. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INCORREÇÕES DE INFORMAÇÕES. A empresa que apresenta a GFIP com incorreções no campo "compensação" está sujeita à multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, cujo valor não será inferior ao limite mínimo por competência. LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 800 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e a decadência, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 801 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0436.017 (fls. 695/713): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 GLOSA DE COMPENSAÇÃO E RESPECTIVO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. Quando no curso da ação fiscal, em revisão de ofício, for constatada a ocorrência de informação em Gfip de valores a título de compensação sem o devido respaldo, procedese à glosa e ao conseqüente lançamento dos valores indevidamente compensados. Tais procedimentos são de competência da Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo Defis no âmbito da sua jurisdição. DECADÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO. Constatada a ocorrência fraude, não se aplica a regra fixado pelo § 4° do artigo 150 do CTN, restando aplicável a norma contida no artigo 173, I, do CTN. Assim, contase o prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade quando não ocorre violação aos requisitos dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracterizam o bis in idem os lançamentos efetuados em relação ao mesmo fato gerador, quando parcial o primeiro e os respectivos valores lançados são deduzidos do segundo. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). COMPENSAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece da contestação relativa a compensação de contribuições destinadas a terceiros por não estarem estas incluídas na glosa de compensação indevida realizada. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 802 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. MULTA FUNDAMENTO 78. INFORMAÇÃO INCORRETA. É incorreta a informação de valores a título de compensação em Gfip quando estes não são, comprovadamente, créditos do contribuinte. MULTA ISOLADA.COMPENSAÇÃO INDEVIDA.FALSIDADE Informação falsa prestada em GFIP acerca de compensação indevida de débitos previdenciários é causa para o lançamento de multa isolada prevista na legislação tributária. CONFISCATORIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO Não é possível a análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ainda, por determinação do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de Perícia ou Diligência, quando não revestido das formalidades exigidas pelo Decreto 70.235/72, artigo 16, IV, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 113/121, que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) autos de infração (AI), a saber: (i) AI nº 51.051.5045, relativo à glosa de compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pelo sujeito passivo nas competências 01/2009 a 13/2010, acrescida de juros e multa de mora (fls. 12/21); (ii) AI nº 51.051.5053, referente à multa pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) como incorreções no campo "compensações", Código de Fundamentação Legal (CFL) 78, nas competências 04 a 10/2008 (fls. 22); Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 803 6 (iii) AI nº 51.051.5061, referente à multa isolada pela compensação indevida, no percentual 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada nas competências 04 a 12/2009, 01/2010, 11/2010 a 12/2010 e 01/2011, eis que comprovada a falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, (fls. 23/29);e (iv) AI nº 51.051.5070, relativo às contribuições devidas a terceiros, não declaradas na GFIP, nas competências 01 a 13/2009 (fls. 30/39). 2.1 Segundo a fiscalização, devidamente intimado para justificar as compensações efetuadas no período: (i) o sujeito passivo não apresentou notas fiscais, recibos, faturas com o respectivo destaque das retenções de 11% (onze por cento) pela prestação de serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo; e (ii) tampouco foi constatado o registro em seus livros fiscais de lançamentos que evidenciassem as retenções por parte do tomador de serviço. 2.2 A falta de comprovação da origem do direito creditório impossibilitou a verificação pelo Fisco da certeza e liquidez dos créditos utilizados nas compensações declaradas em GFIP. 2.3 Sobre os valores indevidamente compensados nas GFIPs entregues nos meses de abr a dez/2009, jan/2010, nov/2010, dez/2010 e jan/2011, foi aplicada a multa isolada de 150%, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008. 2.4 Além disso, também está sendo exigido crédito tributário relativo às contribuições devidas a terceiros, uma vez que a empresa preencheu o campo "Terceiros" da GFIP com o código "0000", em vez de 3139, deixando de declarar e recolher as respectivas contribuições no percentual total de 5,8% (cinco vírgula oito décimos por cento), incidentes sobre o montante das remunerações dos segurados empregados. 3. Esclarece o agente fiscal que a auditoria tributária abrangeu o período de 04/2008 a 13/2010, em que identificados os mesmos fatos nas diversas competências fiscalizadas, a partir do exame das GFIPs apresentadas pelo contribuinte relativamente aos serviços prestados à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. 3.1 No que tange ao crédito tributário relacionado às compensações e as contribuições devidas a terceiros do período de 04/2008 a 13/2008, a fiscalização emitiu autos de infração específicos que compõem o Processo nº 19515.722073/201315. 4. Cientificado por via postal da autuação, em 13/11/2013, às fls. 123, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 127/169). Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 804 7 5. Intimada por via postal, em 27/8/2014, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 729/730, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 22/9/2014 (fls. 732/782): 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito em face da decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) há nulidade no lançamento fiscal, dada a incompetência da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis) para a realização do procedimento de glosa de compensação. De acordo com a previsão regimental, a competência relacionada à não homologação de compensações declaradas é da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat); (ii) além da incompetência da autoridade lançadora, há conflito entre o relatório fiscal e a fundamentação legal do débito; (iii) houve decadência parcial quanto aos fatos geradores até a competência 11/2009; (iv) os valores compensados estão lastreados em créditos de retenção de 11% (onze por cento) sobre o faturamento da empresa, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, decorrentes da lavratura de autos de infração em nome da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, nos quais a recorrente foi incluída como responsável solidária pelos débitos, por integrar os consórcios que prestaram serviços de transporte coletivo público municipal; (v) conforme planilha anexa à defesa, o auditor fiscal não alocou corretamente os créditos oriundos do autos de infração lançados em face do Município de São Paulo, relativos ao período de 01/2006 a 03/2008; (vi) um novo auto de infração contra o prestador de serviços, como ora se cuida, caracteriza "bis in idem", pois representa um segundo lançamento relativamente aos mesmos fatos geradores; (vii) é necessária a realização de diligência fiscal para verificar se as empresas participantes dos consórcios procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível; (viii) é descabida a incidência de multa isolada, dado que o direito creditório é suficiente para elidir a glosa de compensação. O percentual da multa aplicada tem caráter confiscatório; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 805 8 (ix) na hipótese de manutenção da glosa de compensação, devem ser revistos os percentuais aplicados para os encargos moratórios; (x) é permitida a utilização de créditos do sujeito passivo oriundos de contribuições previdenciárias, quando não integralmente absorvidos pelas retenções de 11%, para fins de compensação de débitos relacionados às contribuições devidas a terceiros; e (xi) a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória é indevida, por inexistência de informação incorreta em GFIP, dada a suficiência do crédito utilizado para as compensações. 6. Em 5/8/2016, os autos foram juntados por apensação ao Processo nº 19515.722073/201315, tendo em conta o pedido de distribuição por conexão, posto que demonstrada a prejudicialidade do julgamento em separado dos processos decorrentes da mesma ação fiscal (fls. 793/397). É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 806 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Exame de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 8. Dada a prejudicialidade do julgamento em separado dos Processos nº 19515.722073/201315 e 19515.722077/201295, em face do contribuinte, a apreciação dos respectivos recursos voluntários acontece na mesma sessão deste colegiado, a fim de manter a congruência decisória. Preliminares a) Nulidade do lançamento: incompetência da Defis 9. Pelo que consta dos autos, o procedimento fiscal realizado no contribuinte foi determinado e executado pela Defis de São Paulo (fls. 2/3). Alega a recorrente, entretanto, que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento pela incompetência dessa unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a quem não foi delegada atribuição em matéria de compensação. 10. Pois bem. Por força do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, é inaplicável, em relação às contribuições previdenciárias, a regulamentação geral estabelecida no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata da compensação tributária efetuada mediante apresentação da Declaração de Compensação (DComp) gerada a partir do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 10.1 No caso do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação são apreciadas, via de regra, em procedimentos internos da RFB, facultando ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (§ 9º). 11. Já no que tange às contribuições previdenciárias, a compensação encontra previsão no art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, o qual transcrevo abaixo na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 807 10 a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) (GRIFOUSE) 11.1 Desde a publicação da MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, as contribuições previdenciárias apenas poderão ser restituídas ou compensadas nos termos e condições estabelecidos pela RFB. 11.2 Consoante regulamentação da RFB, a compensação de contribuição previdenciária é realizada por intermédio da GFIP. Nesse sentido, os arts. 44 a 48 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogados pelos arts. 56 a 60 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2002. 12. A GFIP constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, caracterizando confissão de dívida pelo sujeito passivo, podendose proceder a sua imediata inscrição em Dívida Ativa, na hipótese de não recolhimento ou parcelamento do crédito tributário (art. 32, inciso IV, § 2º, art. 39, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 225, inciso IV, § 1º, art. 242, § 1º, do Regulamento da Previdência Social (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999). 13. Tendo em vista à natureza da GFIP, a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição do crédito tributário é procedimento fiscal dispensável (art. 37, caput, da Lei nº 8.212, de 1991). 13.1 De fato, a sistemática criada pela legislação tributária tem por finalidade reduzir os esforços da Administração Tributária para cumprir de forma eficiente as suas atribuições legais, pois determina a prescindibilidade da figura do lançamento quando o crédito tributário já se encontra constituído pelo próprio sujeito passivo. 14. Vale dizer que, a exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no caso de compensação indevida em GFIP, pode a autoridade fiscal, mediante procedimento de auditoria interna dos valores informados nos campos próprios do documento, glosálos, total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 808 11 15. Nada obstante, a despeito da possibilidade de revisão de créditos tributários declarados em GFIP mediante simples procedimento de auditoria interna, sem emissão de auto de infração, não há óbice que a RFB, avaliando o caso concreto, faça a opção pela lavratura de auto de infração para a exigência de valores indevidamente compensados. 15.1 Tal hipótese não configura nulidade do ato administrativo, até porque, embora dispensável a lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, não há expressa proibição em lei de se efetuar a cobrança dos valores indevidamente compensados utilizando se desse procedimento. 15.2 Além do que a cobrança dos valores compensados indevidamente via a expedição de um auto de infração não tem o condão de acarretar prejuízo efetivo ao contribuinte, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15.3 Inclusive, cabe realçar, os acréscimos moratórios incidentes sobre o valor das contribuições previdenciárias glosadas pela fiscalização são idênticos, quer na adoção do procedimento de auditoria interna, quer na hipótese de lavratura de auto de infração, correspondendo sempre a multa e aos juros de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). 16. Adicionalmente, verifico que auditoria fiscal no contribuinte não se limitou à glosa de compensações informadas em GFIP, porquanto deflagrada pela unidade da RFB com um escopo mais abrangente. 16.1 No caso, além da aplicação de penalidade isolada, com fundamento no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, procedeuse à constituição de crédito tributário relativo às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não declaradas em GFIP. 16.2 Nessas hipóteses, era imprescindível o lançamento tributário mediante a lavratura de auto de infração, com prévia emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), considerando a normatização vigente quando da instauração do procedimento fiscal. 17. Logo, ausente o descompasso regimental apontado pela recorrente no que diz respeito às competências da Defis localizada na cidade de São Paulo. As atividades de fiscalização desenvolvidas pela unidade descentralizada, as quais envolveram a revisão de ofício dos dados contidos nas declarações apresentadas pelo sujeito passivo, estão em perfeita harmonia com as competências estabelecidas nos incisos I e III do art. 227 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 14 de maio de 2012. 17.1 Para melhor compreensão da disciplina incluída no Regimento Interno, transcrevo a redação vigente à època do início do procedimento fiscal, em 8/3/2013, esclarecendo, desde já, que não houve modificações das competências daqueles incisos até o encerramento da auditoria: Art. 227. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização Defis, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 809 12 programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, bem como as correspondentes representações fiscais; (...) III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (...) (GRIFEI) 18. Diversamente do que patrocina a recorrente, não há incompatibilidade entre revisão de ofício de declaração e glosa de compensação. Com o propósito de verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias relativas à compensação de valores informados em GFIP, é legítima e permitida, em procedimento de fiscalização externo ou interno, a revisão da declaração entregue pelo sujeito passivo. 19. Sem razão, portanto, a recorrente na preliminar. b) Nulidade do lançamento: incongruência entre documentos 20. A recorrente contesta a decisão de piso que refutou a sua alegação de incongruência entre o Termo de Verificação Fiscal e o Relatório "Fundamento Legal do Débito (FLD)". 20.1 Em seu ponto de vista, enquanto o relatório fiscal sugere que a autuação tem fundamento na falta de recolhimento das contribuições patronais devidas pela empresa, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o Relatório FLD dispõe que o lançamento foi motivado pela glosa de compensação, com fulcro no art. 89 da mesma Lei. 21. Não há reparo a fazer na decisão de piso. A leitura do Termo de Verificação Fiscal não indica menção alguma aos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, para fundamentar a exigência do crédito lançado. 22. O arcabouço acusatório é claro e unívoco a respeito do conteúdo dos autos de infração. A exigência fiscal compreende as glosas de compensação de contribuições previdenciárias, acompanhadas da aplicação de multa isolada, bem como a constituição de crédito tributário relacionado às contribuições devidas a terceiros, as quais não foram declaradas em GFIP, além da autuação específica pelo descumprimento da obrigação acessória relacionada ao preenchimento de campos da GFIP. 23. Por sinal, a leitura da impugnação e do recurso voluntário apresentados pelo contribuinte demonstra, sem qualquer sombra de dúvida, a perfeita compreensão da acusação fiscal, com pleno exercício do direito de defesa, o que revela o caráter meramente protelatório das suas alegações. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 810 13 24. Sem razão, mais uma vez, a recorrente. c) Diligência Fiscal 25. A recorrente solicita a realização de diligência fiscal para verificar se as empresas participantes do consórcio procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível. 26. Segundo o inciso IV do art. 16 c/c art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, o pedido de diligência deve ser motivado pelo interessado, cabendo à autoridade julgadora determinála quando necessária para o esclarecimento de ponto controvertido específico ao deslinde do julgamento, com vistas a permitir uma melhor apuração da verdade material. A realização da diligência não configura um direito subjetivo do interessado. 27. Nesse contexto, não verifico a necessidade da diligência pleiteada pela recorrente, porque a comprovação do direito creditório a seu favor prescinde de procedimento junto aos demais consorciados. 28. Compete à recorrente tão somente colacionar aos autos os elementos de prova da existência do crédito informado em GFIP, demonstrando que sofreu retenção no ato de quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, proporcionalmente a sua participação no consórcio de acordo com o respectivo ato constitutivo. A diligência fiscal não tem a função de suprir o ônus probatório que incumbe às partes. 29. Logo, cabe manter o indeferimento do pedido de diligência. Decadência 30. Requer o sujeito passivo o reconhecimento da decadência parcial relativa aos fatos geradores até a competência 11/2009, com fundamento na aplicação da regra decadencial de 5 (cinco) anos prevista no § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 811 14 31. Nessa parte do recurso voluntário, atrapalhase a recorrente porque utiliza argumentação aplicável somente ao Processo nº 19515.722073/201315, o qual envolve créditos tributários do período de 04 a 12/2008. 31.1 Lembro que o AI nº 51.051.5053, embora se refira às competências 04 a 10/2008, diz respeito à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória, em que o § 4º do art. 150 do CTN é inaplicável por não haver a possibilidade de pagamento antecipado. Incide a regra geral do cômputo do prazo decadencial nos moldes do inciso I do art. 173 do CTN. 31.2 De qualquer modo, no Processo nº 19515.722073/201315, o qual está sendo julgado em conjunto, foram examinadas as alegações da recorrente quanto à decadência do crédito tributário, em que acabei concluindo que não ficou caracterizada no período objeto da autuação fiscal. 32. Dessa feita, no que tange aos créditos tributários do período de 01/2009 a 13/2010, incluídos neste processo administrativo sob exame, acentuo que não há que se falar em extinção pela decadência, tendo em conta a ciência dos respectivos autos de infração em 13/11/2013. Mérito a) Glosa de compensação 33. Declara a recorrente que tem por objeto social o transporte municipal de passageiros unicamente ao Município de São Paulo, por meio de contratos de concessão pública. 34. Relativamente ao transporte público municipal, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo foi fiscalizada pela RFB, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2010. O entendimento do órgão fiscalizador foi que o serviço realizado pelas consorciadas operavase mediante cessão de mão de obra, atraindo a aplicação do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. § 1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 812 15 § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (...) § 6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. 35. Como resultado do procedimento fiscal, foram lavrados diversos autos de infração em nome do Município de São Paulo, segregados em relação aos vários consórcios. No que tange à recorrente, integrante dos consórcios Plus, Unisul e Sete, foi arrolada pela fiscalização como solidária quanto aos seguintes créditos tributários: Processo Auto de Infração Consórcio Período 19311.720393/201157 37.323.3396 Plus 01/2006 a 12/2008 19311.720409/201121 51.000.4407 Plus 01/2009 a 12/2010 19311.720396/201191 37.323.3426 Unisul 01/2006 a 12/2008 19.311.720412/201145 51.000.4431 Unisul 01/2009 a 12/2010 19311.720397/201135 37.323.3434 Sete 01/2006 a 12/2008 19311.720413/201190 51.000.4440 Sete 01/2009 a 12/2010 36. Pondera a empresa recorrente que os valores declarados em GFIP a título de compensação, os quais acabaram glosados pela fiscalização, são oriundos exatamente de créditos decorrentes dos autos de infração lançados contra o Município de São Paulo, acima discriminados. Em todas as GFIPs entregues, no código 150, a recorrente informou a prestação de serviços à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. 36.1 Em conformidade com a planilha acostada às fls. 171, a recorrente apurou créditos oriundos de retenções nas competências 01/2006 a 03/2008, não utilizados para abatimento dos valores relacionados às contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. 36.2 De modo que, a partir da competência 04/2008, deduziu em GFIP os créditos existentes, os quais são suficientes para respaldar as compensações efetuadas e elidir qualquer tentativa de glosa por parte da autoridade lançadora. 37. Pois bem. É, no mínimo, falaciosa a explicação da recorrente para fins de comprovar o direito creditório informado nas GFIPs. 38. Em primeiro lugar, a alegada retenção pela prestação de serviços mediante cessão de mão de obra não foi destacada em nota fiscal, fatura ou recibo emitido pelo Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 813 16 contratado, nem houve retenção ou mesmo recolhimento de qualquer valor a esse título pelo tomador dos serviços. 38.1 É que as importâncias exigidas nos Processos nº 19311.720393/201157, 19311.720396/201191 e 19311.720397/2011351 dizem respeito simplesmente a valores não retidos nem recolhidos pelo contratante dos serviços mediante cessão de mão de obra, tampouco foram destacados pelos contratados nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços (Relatório Fiscal, item 6.18, fls. 376, 463 e 557, e item 6.50, fls. 383, 470 e 564). 38.2 Para melhor compreensão dos fatos, copio o texto dos itens 6.18 e 6.50 do Relatório Fiscal daqueles processos que tratam da fiscalização efetuada na Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo: (...) 6.18. Outrossim, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem DEIXADO DE DESTACAR os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra será, ainda assim, responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal, senão vejamos: (...) 6.50. Em vista do exposto, a Secretaria Municipal de Transportes, na condição de tomadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, deixou de cumprir sua obrigação previdenciária, abstendose de efetuar a retenção dos 11% sobre as notas fiscais/faturas ou recibos emitidos pelas prestadoras, as quais presumemse feitas segundo a legislação apontada, bem como deixou de recolher os valores devidos, fato que ensejou o levantamento do crédito previdenciário, constituído pelo presente autodeinfração. (...) (DESTAQUES DO ORIGINAL) 39. Em segundo lugar, as compensações indevidas identificadas pela autoridade fiscal foram verificadas em GFIP enviadas pelo contribuinte no período de 20/12/2008 a 05/01/2011, relativamente às competências 04/2008 a 13/2010 (fls. 9 e 113/114). 39.1 Todavia, a ação fiscal no Município de São Paulo, que resultou na lavratura dos autos de infração, só foi iniciada em 11/4/2011, em cumprimento ao MPF nº 08.1.90.002011 1204, e encerrouse, em 4/12/2011, com a consolidação do crédito tributário apurado pela fiscalização (item 3.1 do Relatório Fiscal dos Processos nº 19311.720393/201157, 1 No Processo nº 19515.722073/201315, julgado em conjunto, encontrase anexada cópia parcial dos Processos nº 19311.720393/201157, 19311.720396/201191 e 19311.720397/201135, respectivamente, às fls. 336/427, fls. 428/516 e fls. 517/580. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 814 17 19311.720396/201191 e 19311.720397/201135, às fls. 336, 362, 428, 449, 517 e 543, respectivamente). 2 39.2 A toda a evidência, não é razoável cogitar que o sujeito passivo anteviu os fatos e realizou a compensação em GFIP utilizandose de um crédito que supostamente iria nascer no futuro em decorrência de um procedimento fiscal. 39.3 Não só é óbvia a ausência de liquidez e certeza do direito creditório no momento do encontro entre créditos e débitos, como também não havia um direito incorporado ao patrimônio do contribuinte quando da realização das compensações. 40. Prossegue a recorrente dizendo que a Fazenda Nacional, por meio da Procuradoria Geral Federal e da RFB, manifestouse pelo enquadramento da prestação de serviços de transporte coletivo municipal de passageiros na hipótese do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, cabendo à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, por consequência, a retenção e o recolhimento do percentual de 11% incidente sobre o faturamento das prestadoras contratadas. 40.1 Com a devida vênia, tal circunstância em nada assegura o direito creditório da recorrente, uma vez que é necessário, segundo a lei, comprovar o destaque da retenção na nota fiscal, fatura ou no recibo de prestação de serviços, a retenção do valor pelo contratante ou mesmo o recolhimento do montante pleiteado. Como demonstrado relativamente às competências de 01/2006 a 12/2010, nenhuma das hipóteses elencadas aconteceu no caso sob exame. 41. Da mesma maneira, é irrelevante para o deslinde do julgamento as ações judiciais que discutem a exigência de crédito tributário que esteja vinculado a outros períodos fiscalizados, por não dizer respeito aos fatos geradores e as compensações deste processo administrativo. 42. Também avalia a recorrente que uma nova exigência tributária, como ora se cuida, configuraria um indesejável "bis in idem", dada a exigibilidade dos autos de infração lavrados em nome da municipalidade de São Paulo, em que os prestadores de serviços foram considerados responsáveis solidários pelos débitos. 43. A aparente lucidez do raciocínio não resiste ao desfecho dos fatos do mundo real, porquanto as autuações em face da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, sem exceção, foram decididas de maneira desfavorável a Fazenda Nacional quando do julgamento realizado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), inclusive em grau de recurso especial. 43.1 De fato, afastouse a sujeição passiva das empresas consorciadas e, ao final, declarouse também a insubsistência do crédito tributário apurado pela fiscalização em nome do tomador dos serviços, por não ficar comprovada pela acusação fiscal a ocorrência da cessão de mão de obra. 2 As mesmas informações constam dos Processos nº 19311.720409/201121, 19311.720412/201145 e 19311.720413/201190, conforme fls. 340, 356, 426, 442, 511 e 534. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 815 18 43.2 Os acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que representam o entendimento da última instância administrativa sobre a matéria, estão nominados na tabela a seguir: 3 Processo Acórdão CSRF 19311.720393/201157 9202004.394 19311.720409/201121 9202004.395 19311.720396/201191 9202004.400 19.311.720412/201145 9202004.401 19311.720397/201135 9202004.402 19311.720413/201190 9202004.403 43.3 Interessante observar que ao mesmo tempo que a recorrente defende a ocorrência de um "bis in idem", como linha de defesa, nos processos antes discriminados desenvolveu a tese da responsabilidade exclusiva do tomador dos serviços pelos débitos e a consequente insubsistência da autuação em relação à sujeição passiva solidária (por exemplo, fls. 393/423 e 479/509). 44. Notase ainda, como mais um indício sério e contundente apontado pela fiscalização acerca da inexistência do direito creditório pleiteado, a ausência de identificação de registros na contabilidade da recorrente a respeito de quaisquer dados sobre retenções de 11% sofridas. 44.1 O princípio da entidade determina que cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração contábil segregada das operações relativas à sua participação no consórcio, independentemente da existência de registros contábeis próprios das operações por parte da empresa líder do consórcio. 45. Dessa feita, segundo o que consta de provas dos autos, é nítida a inexistência do direito creditório do sujeito passivo, ora recorrente, devendo ser mantida a glosa de compensação. 46. Os valores compensados indevidamente são exigidos com juros e multa de mora, conforme previsto no § 9º do art. 89 c/c art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. 47. Cabe ressaltar, uma vez que matéria ventilada no recurso voluntário, que a transmissão à RFB das GFIPs contendo os valores indevidamente compensados ocorreu posteriormente à vigência da MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A novel legislação revogou o § 4º do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a redução de 50% (cinquenta por cento) para a multa de mora, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em GFIP. 3 Consulta pública à jurisprudência do Carf, por meio da pesquisa de Acórdãos, disponível em www.carf.fazenda.gov.br Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 816 19 48. Logo, concluo que a decisão de piso andou bem quando considerou legítima a glosa realizada pela fiscalização. b) Multa isolada 49. Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Para maior clareza, novamente transcrevo este dispositivo de lei: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) (GRIFEI) 50. Percebese do texto copiado que o § 10 não cuida de uma falsidade material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim de uma falsidade intrínseca a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo. 51. A multa está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por isso, tenho como premissa que essa sanção fiscal pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial fim de agir, visto que a leitura do preceptivo revela que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para a imposição da penalidade. 52. De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado da sua acepção, sem que haja consciência do agente em esconder, alterar ou suprimir a verdade. 53. Pois bem. A meu ver, a atitude da recorrente se coaduna perfeitamente com a aplicação de multa isolada, escorreitamente lançada pela fiscalização. 54. Mesmo diante da realidade contrária à compensação em GFIP, o sujeito passivo optou em praticar uma conduta consciente e voluntária oferecendo crédito sabidamente inexistente para tal fim. Não se trata de equívocos ou incorreções, mas conduta intencional com o fim de não recolher o valor da contribuição previdenciária confessada em GFIP na competência do fato gerador. 55. Como visto alhures, não houve destaque de retenção nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, tampouco o tomador de serviços efetuou a retenção de valor ou recolheu a importância correspondente em nome do contratado. 56. A alegação de que o direito creditório estaria lastreado nos autos de infração lançados em face da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo não afasta a circunstância de que o contribuinte utilizou de forma consciente quantias a título de direito Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 817 20 creditório sabidamente inexistentes à época da compensação, o que revela a mentira no preenchimento dos campos próprios atrelados à compensação nas GFIPs enviadas em 6/4/2009, 6/5/2009, 17/6/2009, 3/7/2009, 3/8/2009, 2/9/2009, 2/10/2009, 4/11/2009, 4/12/2009, 5/1/2010, 22/11/2010, 4/12/2010, 20/12/2010 e 5/1/2011 (fls. 25/26 e 99). 57. Pela sua importância, reforço o fato de que as compensações foram informadas pelo sujeito passivo em GFIP anteriormente a data de início do procedimento fiscal na Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. O que se falar em relação aos autos de infração correlatos, que foram lavrados apenas no mês de dezembro de 2011. 58. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 59. Como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 60. Ao contrário do que parece sustentar a recorrente, o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não concluiu pela abusividade de multas punitivas que superem o percentual de 100% (cem por cento) do tributo devido quando destinadas a penalizar as hipóteses de dolo ou fraude na conduta do sujeito passivo, como ora se verifica. 61. Destarte, a multa isolada deve ser mantida, pois evidenciada e comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo quanto à falsidade nas compensações em GFIP, tal como exige o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. c) Contribuições devidas a Terceiros 62. Por fim, defende a recorrente que as contribuições destinadas a terceiros observam as mesmas condições relativas às contribuições previdenciárias, ou seja, a compensação em GFIP, segundo a lei, poderá absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. 63. Equivocase a recorrente. A uma, pois não foi detectado crédito algum a favor do contribuinte, nem ficou comprovado qualquer direito creditório nos autos. 64. A duas, porque o § 1ª do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é bastante claro no sentido de que o valor retido pelo contratante dos serviços na cessão de mão de obra ou empreitada somente poderá ser compensado com contribuições previdenciárias, devendo as contribuições destinadas a outras entidades e fundos ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 818 21 Art. 31 (...) § 1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (...) (GRIFEI) 64.1 Não é demais lembrar que as contribuições devidas a terceiros não são destinadas a seguridade social, mas sim classificadas como contribuições sociais gerais, de intervenção no domínio econômico ou de interesses das categorias econômicas, conforme o caso. 65. Além do mais, o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, com respaldo no art. 170 do CTN, estabelece que a disciplina da compensação será regulada nos termos e condições estabelecida pela RFB. E, como se sabe, a formulação infralegal veda a compensação pelo sujeito passivo das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (art. 47 da IN RFB nº 900, de 2008, e art. 59 da IN RFB nº 1.300, de 2002). 66. De qualquer sorte, ainda que admitida a possibilidade de compensação de contribuições destinadas a terceiros, por força da jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o encontro de contas seria possível apenas com débito e crédito de mesma espécie e destinação constitucional. 4 67. Portanto, não tendo sido declaradas em GFIP as contribuições devidas a terceiros, nem comprovada a sua quitação mediante pagamento ou parcelamento, resta inconteste o lançamento fiscal. d) Auto de Infração nº 51.051.5053 (descumprimento de obrigação acessória) 68. A autoridade fiscal aplicou multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, no valor mínimo mensal de R$ 500,00 (quinhentos reais), consistente na apresentação da GFIP com incorreções no campo "compensação" nas competências 04 a 10/2008: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) 4 Agravo Interno no Resp nº 1.536.294/SC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, 1ª Turma, julgado em 18/10/2016. Agravo Interno no Resp nº 1.591.475/SC, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, julgado em 22/11/2016. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19515.722077/201395 Acórdão n.º 2401004.676 S2C4T1 Fl. 819 22 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. 69. Segundo a fiscalização, a autuação relativa a período anterior à MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, resultou na imposição de penalidade mais benéfica para o sujeito passivo, tendo em vista o disposto no inciso II do art. 106 do CTN. 70. Como alegação de defesa, a recorrente reafirma que as compensações informadas estão lastreadas pelos autos de infração emitidos em face da Secretaria de Transportes do Município de São Paulo, cujo crédito existente é suficiente para as compensações havidas. Desta forma, não haveria justificativa para a imposição da multa pela apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. 71. O sujeito passivo não trouxe qualquer elemento adicional, hábil e idôneo, para refutar a imposição da penalidade. Não ausência de comprovação do direito creditório, conforme amplamente exposto neste voto, não há reparos na decisão de piso que manteve a multa aplicada pela fiscalização, porque evidenciado que o contribuinte preencheu indevidamente o campo "compensação" da GFIP, nas competências 04 a 10/2008. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e a decadência e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.001946/2007-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2005
DIMOB. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.CABIMENTO.
A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações.
Numero da decisão: 1803-001.066
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.CABIMENTO. A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13807.001946/200734 Acórdão n.º 180301.066 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fl. 03) por meio da qual é exigida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, relativa ao anocalendário de 2005, no montante de R$ 60.000,00. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram na Notificação de Lançamento. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação de fls. 01 e 02 na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que não estava obrigada a apresentar a DIMOB relativa ao ano calendário de 2005, visto que, tem por objetivo social a administração de bens próprios.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) De acordo com extrato parcial da DIMOB que deu origem à exigência ora guerreada (obtida nos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil RFB —fls 36 e 37), o contribuinte declarou apenas uma operação relativa à incorporação. Destarte segundo a IN SRF n° 576/2005, estava obrigada à apresentação da DIMOB. b) É oportuno destacar a Solução de Consulta n° 41, de 13 de julho de 2006 citada pela interessada na impugnação apresentada: "Empresa que apenas administra imóveis próprios locados a terceiros, que não tenham sido resultantes de incorporação ou loteamento, e que não efetue nenkuma intermediação está desobrigada de apresentar a DIMOB" Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações (fls. 61/64): a) A multa por atraso na entrega da DIMOB, do anocalendário de 2005 (folha anexa n° 1/52), foi gerada pela transmissão indevida da declaração em 28/02/2007, informando a venda, do único imóvel situado à Rua Alexandre Dumas, 1410, município de Sao Paulo, SP, em 18/10/2005, quando tratouse apenas de um adiantamento recebido como garantia de uma futura venda do imóvel, conforme escrituração contábil, lançamento n° 92, folhas n°s. 7 e 8 (folhas anexas n°s. 11/52 e 12/52), do Livro Diário n° 19, do ano de 2005, operação de venda que aconteceu efetivamente em 30 de março de 2006, conforme Av. 8/216.725 no Livro n° 2 do Registro Geral do 11° Cartório de Registro Fl. 134DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13807.001946/200734 Acórdão n.º 180301.066 S1TE03 Fl. 3 3 de Imóveis, através de escritura lavrada no 9° Tabelião de Notas desta Capital, livro n° 7.698, fls. 267 (folha anexa n° 35/52). b) Esta operação de venda do imóvel, aliás, o único imóvel integrante de seu Patrimônio, adquirido em 26/12/1988, alienado em 30/03/2006, foi devidamente informado na Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias — DIMOB, relativo ao ano calendário de 2006, em 23/02/2007 (folhas anexas n°s. 2/52, 3/52 e 4/52). c) A imposição da multa na entrega da DIMOB do anocalendário de 2005 deve ser anulada, pois é originária de erro na entrega da Declaração, contendo informação de adiantamento na venda do imóvel e não da operação da venda do imóvel, o que só veio acontecer no ano de 2006. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 10/08/2010 (fls. 57). O recurso foi protocolado em 31/08/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente solicita o cancelamento da multa pelo atraso na entrega da Dimob por entender que a operação ocorreu no ano de 2006, quando foi lavrada e registrada a escritura de compra e venda do imóvel. Primeiramente, cumpre observar que não há dúvidas quanto à obrigatoriedade de entrega da declaração em relação à operação de venda do imóvel. A própria recorrente deixou de contestar a obrigatoriedade de entrega, após a decisão de primeira instância. Na fase recursal, discutese apenas o momento em que a operação se realizou: se no ano de 2005, quando foi celebrado o compromisso de compra e venda, ou no da lavratura e registro da escritura. No seu entendimento, “a entrega da DIMOB do ano calendário de 2006, atende plenamente aos preceitos legais, conforme Instrução Normativa n° 576, que determina que as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação, devem ser informadas somente no ano em que foram contratadas”. A recorrente entregou três Dimob`s: • 24.46.70.32.1933 – em 28/02/2007, relativa ao ano calendário de 2005 (fls. 3). • 39.98.50.83.3693 – em 05/03/2007, retificadora da declaração entregue em 28/02/2007 (fls. 4). Fl. 135DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13807.001946/200734 Acórdão n.º 180301.066 S1TE03 Fl. 4 4 • 23.29.50.33.8621 – em 23/02/2007, relativa ao ano calendário de 2006 (fls. 78/79). Conforme cópia da folha da matrícula lançada no Livro n° 2 – Registro Geral (fls. 109/119), o imóvel foi vendido em cumprimento ao instrumento particular de compromisso de venda e compra de 17 de outubro de 2005, in verbis: “R.9/216.725: Por escritura de 30 de março de 2006, do 9° Tabelião de Notas desta Capital, livro n° 7.698, fls. 267, ACAUÃ CONSTRUTORA LTDA, com sede nesta Capital, na Avenida Paulista, n° 2.100, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 52.622.4871000148; CTE — COMPANHIA TÉCNICA DE ENGENHARIA E PARTICIPACÕES, com sede nesta Capital, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, n° 2.012, 13°andar, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 56.786.049/000176; ETALVICA IMÓVEIS E REPRESENTACõES LIDA, com sede nesta Capital, na Rua da Consolação, n° 331, 3° andar, conjunto 306, Centro, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 49.930.423/000108; e MZR ARQUITETURA E CONSTRUCÕES LIDA, com sede nesta Capital, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, n° 391, 6° andar, conjunto 61, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 57.094.203/000101, venderam a parte ideal correspondente a 70% do imóvel a MORSIERA EMPREENDIMENTOS S/A, com sede nesta Capital, na Avenida Major Sylvio de Magalhães Padiha, n° 5.200, Edifício Miami, Bloco C, conjunto 32 A18, Jardim Morumbi, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 07.571.261/000100, pelo preço de R$ 3.010.000,00, em cumprimento ao instrumento particular de compromisso de venda e compra de 17 de outubro de 2005, não registrado. Consta no título que o imóvel não faz parte do ativo permanente das vendedoras Acauã Construtora Lida e CT Companhia Técnica de Engenharia e Participações. Nos termos do art. 1.417 do Código Civil, mediante promessa de compra e venda, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel. Por outro lado, a súmula n° 239 do Superior Tribunal de Justiça dispõe que o direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis. O compromisso de compra e venda é um contrato quase definitivo, que gera um acréscimo patrimonial para o promitente comprador. Tanto é assim, que a posição contratual possui valor econômico relevante, podendo ser cedida a título oneroso. No compromisso de compra e venda, com cláusula de irretratabilidade e irrevogabilidade, resulta claro que a intenção das partes não é a conclusão de um outro contrato, mas a compra e venda do imóvel de forma definitiva. Na verdade, ele enquadrase como verdadeira modalidade de compra e venda. Por conseguinte, a celebração de um compromisso de compra e venda não é um mero adiantamento recebido como garantia de uma futura venda do imóvel, tal como afirmado pela recorrente. A operação de compra e venda foi contratada no momento da celebração do compromisso de compra e venda, ou seja, em 17 de outubro de 2005. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13807.001946/200734 Acórdão n.º 180301.066 S1TE03 Fl. 5 5 A Instrução Normativa n° 576/2005, que dispunha sobre a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), no ano calendário de 2005, tem a seguinte redação: “Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou III constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. Art. 2º A Dimob deverá ser apresentada pelo estabelecimento matriz, em relação a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com as informações sobre: I as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, no ano em que foram contratadas; II os pagamentos decorrentes de locação e intermediação de locação ocorridos no ano, independentemente do ano em que essa operação foi contratada. Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>.” A redação da norma deixa claro que as operações devem ser informadas até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao ano em que foram contratadas. A norma não se refere ao momento da trasnferência da propriedade, que ocorre mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Tanto é assim, que no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta a orientação clara neste sentido “Perguntas e Respostas Dimob – dúvidas mais frequentes: “52. As "vendas efetuadas" se concretizam na data de assinatura do contrato de compra e venda com a construtora ou na data do registro de imóveis? Na data de assinatura do contrato de compra e venda com a construtora. (http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/Dimob/PergR esp.htm#12) No caso concreto, a recorrente estava obrigada a entregar a Dimob, com informações sobre a operação de compra e venda contratada em 17/10/2005, até o dia 28/02/2006. No entanto, apenas entregou a declaração em 28/02/2007. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13807.001946/200734 Acórdão n.º 180301.066 S1TE03 Fl. 6 6 Os artigos 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, têm o seguinte teor: "Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Art.57.O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: IR$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; IIcinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único.Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” A legislação foi aplicada corretamente ao presente caso. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 138DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 16561.720006/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
A intempestividade deve ser declarada pela Colegiado ad quem, nos termos do artigo 35, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. A intempestividade deve ser declarada pela Colegiado ad quem, nos termos do artigo 35, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 06 /2 01 4- 95 Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 890 2 Relatório Adoto o relatório do v. acórdão recorrido, abaixo colacionado. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foi constatada, nos anos calendário (AC) de 2009, 2010 e 2011, omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Foi apurada, também, compensação de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo existente. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: [...] O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no processo que, em 05/05/2012, a empresa foi autuada com AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL N° 0917800/10329/12, lavrado na ALFÂNDEGA DE PARANAGUÁ, anexo ao PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL(DIGITAL) N° 10907720.333/201241. Referido auto de infração teve como fundamento constatação de prática de INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO, descrito, na folha 745 do citado PROCESSO: "O Autuado, no âmbito das Declarações de Importação (DI) n° 11/12260856, registrada em 04/07/2011 e 11/12720245, registrada em 11/07/2011, apresentouse como sendo a Pessoa Jurídica adquirente das mercadorias lá descritas. Entretanto, conforme o Relatório Fiscal anexo ao presente Auto de Infração, constatouse que sua atuação em tais operações, foi a de interposta pessoa por conta e ordem de terceiras empresas não declaradas nos termos da legislação aplicável. " No mesmo Processo constatouse, através de informações prestadas pela própria fiscalizada, a existência de várias movimentações nas contas bancárias que não foram registradas na contabilidade. A saber, as movimentações das contas bancárias nas agências: BANCO ITAU UNIBANCO AGÊNCIA 525 C/C 554242, BANCO BRADESCO AGÊNCIA 97 C/C 03089282, BANCO SANTANDER AGÊNCIA 167 C/C 13.0026167. No entanto, para a obtenção de todos os extratos de contas bancárias foram necessárias reiteradas intimações, atendidas pela fiscalizada em sucessivas entregas parciais de dados, conforme descrição na folha 765 do referido PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL(DIGITAL) N° 10907720.333/201241: Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 891 3 Em 16/04/2013, a empresa teve declarada inaptidão da inscrição CNPJ por falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, caracterizando a hipótese do artigo 81, §1°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/02. Em 31/05/2013, a inaptidão da inscrição CNPJ foi revertida para realização de operações internas exclusivamente. Em seqüência às ocorrências do histórico recente acima resumido, foi aberta a presente Ação Fiscal, com início em 02/05/2013, sob o Mandado de Procedimento Fiscal(MPF) n° 08185002013000763. Relata o autuante que a contribuinte foi intimada a apresentar o Razão Analítico e os extratos bancários relativos aos AC de 2009, 2010 e 2011. Foi apresentado o Razão e a contribuinte informou que não apresentaria os extratos bancários solicitados por “questões de sigilo”. Analisando o livro Razão analítico e a Escrituração Contábil Digital, a fiscalização constatou que nenhuma das contas bancárias intimadas (Itaú, Unibanco, Bradesco, Santander) registraram movimento nos AC fiscalizados (2009 a 2011). Somente foi registrada movimentação relativamente à conta pertencente ao Banco do Brasil. Em conformidade com o disposto na Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 2001, tendo em vista a presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, e, também, a recusa de apresentar espontaneamente os extratos intimados ou Razão Analítico das contas bancárias listadas no Termo de Intimação Inicial, emitiuse a REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA(RMF), em 12/08/2013. De posse dos documentos encaminhados pelas instituições financeiras foram elaboradas planilhas com os lançamentos a crédito nas diversas contas bancárias, excluindose aqueles lançamentos cuja origem pôde ser identificada pelo simples exame, e intimouse a contribuinte a comprovar a origem de cada crédito com a descrição dos lançamentos efetuados no livro Diário e na contabilidade. Em resposta, a contribuinte informou que não localizou em seus registros e arquivos a documentação para fazer o esclarecimento solicitado pela fiscalização. Assim, tendo em vista que a origem dos recursos não foi comprovada, nem os valores registrados na escrituração contábil, os valores creditados em contas mantidas junto ao Itaú, Unibanco, Bradesco e Santander foram considerados omissão de receitas, conforme determina o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Os valores tributados estão listados nas folhas 02 a 33 do Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 343 a 407). Sendo notificada da autuação, a contribuinte representada pelos procuradores André Alquimim Cordeiro e Eduardo Navarro Bezerra (fl. 643), ingressou com a impugnação de fls. 618 a 641, alegando: Vício material. Erro de critério jurídico. Período de apuração de PIS e Cofins trimestral. Ilegalidade. A regra matriz do PIS e da Cofins pressupõe o faturamento mensal como hipótese de incidência. No presente processo, a fiscalização valeuse de uma base trimestral para Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 892 4 fazer o lançamento, em descompasso com o que dispõem as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, o que os torna nulos. Decadência do PIS e da Cofins, relativamente ao período de janeiro e fevereiro de 2009, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), pois houve pagamento antecipado dessas contribuições. Devem ser excluídos, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de contribuições sobre o faturamento. A violação do sigilo bancário só é permitida nas hipóteses de investigação criminal ou instrução processual penal e, mesmo para esses fins ainda seria necessário autorização judicial. Assim, qualquer ato da administração pública que vise a violação da proteção constitucional ao sigilo bancário e à intimidade, resta nulo, arbitrário e inconstitucional, independentemente da vinculação a qualquer previsão infra constitucional. A medida fiscal é nula, tendo em vista a nulidade, por inconstitucionalidade, das provas que a subsidiam. Insta esclarecer que a Recorrente não a contribuinte não contestou a infração referente à compensação indevida de prejuízo operacional e base de cálculo negativa da CSLL em montante superior ao saldo existente. O v. acórdão (fls. 698/709) decidiu manter integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração, registrando a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos e contribuições das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL está condicionada à sua regular contabilização, o que não se verifica em relação às contribuições apuradas e lançadas de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 893 5 Incabível a alegação de nulidade por irregularidade na indicação do período de apuração das contribuições, quando essa ocorrência não resultou em prejuízo para a contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, a Recorrente foi notificada por meio de seu domicílio eletrônico em fl. 710, com ciência em 10/09/2014 (fl.718/719) e interpôs Recurso Voluntário em 16/01/2015. (fls. 789/824). Em seguida as fls. 825, os autos foram remetidos para a EQCOB/DICAT/DERAT/RFB, para análise de admissibilidade. Ato contínuo, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT/DICAT/ECOB, proferiu r. despacho (fls. 832/837) não admitindo o Recurso Voluntário por intempestividade, cuja parte que nos interessa colaciona abaixo: Em que pese os argumentos apresentados pelo interessado, o processo administrativo fiscal, presidido pelo sistema da oficialidade caracterizase como uma sequência ordenada de atos rumo à solução final do litígio. Nestes termos, e a fim de evitar seu prolongamento por tempo indeterminado, foi que a lei fixou espaços de tempo máximos em que os atos processuais devem ser praticados. No caso do recurso voluntário, o Decreto 70.235/72 prevê sua interposição dentro do prazo de 30 (trinta dias) seguintes à ciência da decisão recorrida, sendo que mesmo perempto, o recurso será encaminhado ao órgão de segunda instância administrativa, que julgará a perempção. Tendo em vista sua finalidade, qual seja, garantir o duplo grau de jurisdição, não resta dúvida de que a autoridade incumbida de fazer o juízo de admissibilidade é a mesma que deverá proferir a decisão. Contudo, em uma interpretação sistêmica do mencionado dispositivo legal pode se extrair o prazo máximo pelo qual o direito de interposição de recurso pode ser validamente exercido, definindo o momento a partir do qual a decisão do órgão administrativo de julgamento se torna eficaz e, consequentemente, constituindo definitivamente o crédito tributário na esfera administrativa. O art. 42 do Decreto 70.235/72 é o dispositivo que define o momento em que a decisão administrativa, seja ela de primeira, segunda ou instância especial, tornase definitiva e eficaz; Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 894 6 [...] Neste contexto, considerando que a ciência da decisão de primeira instância administrativa ocorreu em 10/09/2014, o processamento do recurso interposto somente em 16/01/2015, após o prazo de cobrança amigável e o encaminhamento do crédito tributário para inscrição em divida ativa da União, se torna incabível uma vez que a exigência tornouse definitivamente constituída na esfera administrativa pelo decurso de prazo sem que houvesse a devida manifestação por parte do interessado, caracterizando a preclusão do direito. E, ressaltase, não se trata de negativa da Lei ao exercício de direito constitucional do contraditório e ampla defesa, mas sim, de compatibilização entre os princípios que orientam o Estado de direito, assegurandose a instância recursal a quem, tendo legitimidade, manifeste interesse de agir no prazo próprio. [...] Assim, em relação a ciência eletrônica, que foi o meio utilizada para notificação formal do acórdão recorrido, cabem os seguintes esclarecimentos: A ciência eletrônica necessariamente pressupões a adesão do contribuinte ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). Para adotar o DTE, o contribuinte precisa ter a certificação digital e fazer a opção no Portal eCAC, preenchendo o “Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico”. Com a entrega do Termo de Opção, o contribuinte autoriza a Administração Tributária Federal a enviar Comunicações de Atos Oficiais para a Caixa Postal Eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de atendimento ao Contribuinte (eCAC), a qual será considerada seu domicílio tributário eletrônico a partir de então. Do mesmo modo, o contribuinte também declara estar ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados data em que a comunicação for registrada na caixa postal eletrônica, bem como que observará as condições e normas estabelecidas para utilização e manutenção de certificado digital válido que possibilite o acesso às mensagens registradas na caixa postal eletrônica. O uso do DTE como meio para intimação de decisões administrativas encontrase presente nos artigos 2º, parágrafo único e 23, inciso III, “a”, parágrafos 3º e 4º, inciso II, do Decreto 70.235/72 (especificamente nas alterações trazidas pela Lei nº 11.196/2005), cuja legislação, vigente à época da intimação da decisão recorrida, abaixo se transcreve: Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 895 7 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4 o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5 o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a regulamentação do tema foi objeto da Portaria SRF nº 259/2006, que assim dispôs: A regulamentação do tema foi objeto da Portaria SRF nº 259/2006, que assim dispôs: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendo lhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 896 8 Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; Neste contexto, temos ainda a Instrução Normativa SRF Nº 664/2006, que regula a forma de adesão ao DTE para efeito de comunicação de atos oficiais por meio eletrônico no âmbito da RFB (exigindo certificado digital), bem como determina o texto do termo de opção, que é um padrão geral aplicável a todos os contribuintes: "Art. 1o Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II . § 1 º Os Termos a que se refere o 'caput' estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br § 2 º Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1 º da Instrução Normativa SRF n º 580, de 12 de dezembro de 2005 . Art. 2 o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação " Como se observa dos textos normativos, não há previsão para que a RFB inclua de ofício o contribuinte como optante pelo DTE, assertiva esta que se corrobora não só pela ausência de previsão legal, mas também pela obrigatoriedade de certificação digital do interessado. Desta forma, nenhuma mensagem de notificação oficial é enviada para Caixa Postal do contribuinte se ele não efetuar a adesão oficial ao DTE, por meio do Termo de Opção disponibilizado no Portal eCAC. Assim, concluise que o processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita por via pessoal, postal ou eletrônica, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência elencados, não havendo nulidade ou qualquer irregularidade da intimação enviada à caixa postal eletrônica do contribuinte após sua opção pelo DTE. No caso dos autos, a intimação de ciência foi disponibilizada na Caixa Postal do contribuinte em 26/08/2014 tendo ocorrido a ciência por decurso de prazo em 10/09/2014 (15 dias da disponibilização). Cabe ressaltar que houve a abertura dos documentos (visualização dos arquivos digitais contendo a intimação e o acórdão recorrido) na Caixa Postal do contribuinte em 15/09/2014, o que torna injustificável a interposição do recurso, cujo prazo legal é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, somente em 16/01/2015. Assim, uma vez válida a intimação da decisão de primeira instância administrativa por meio eletrônico e decorrido o prazo legal para apresentação de recurso, legitimada está a inscrição em dívida ativa da União dos débitos contidos no presente processo, não sendo cabível a devolução do prazo recursal. Em relação as demais matérias alegadas no recurso, quais sejam: inobservância do critério temporal mensal no lançamento do Pis e da Cofins, decadência dos fatores geradores ocorridos em janeiro e Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 897 9 fevereiro de 2009, dedutibilidade dos lançamentos de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e inconstitucionalidade/ ilegalidade do procedimento de “Requisição de Informações Financeiras”, as matérias já foram objeto de apreciação pela Turma julgadora de primeira instância que concluiu pela procedência do lançamento. Assim, tal decisão faz coisa julgada administrativamente, não sendo cabível eventual revisão de ofício pela unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme entendimento jurídico constante do Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, que sobre o assunto, assim concluiu: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO _ DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE _ EM SENIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão e ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes." Diante do exposto, concluise que: a) o recurso voluntário apresentado somente após a inscrição dos créditos tributários em dívida ativa da União não atende os requisitos de admissibilidade uma vez que caracterizada a preclusão do direito. b) comprovado nos autos que a ciência da decisão recorrido atendeu os preceitos exigidos na legislação que regulamenta o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários na União, não restou caracterizada sua nulidade e a consequente devolução do prazo recursal. Nos termos do Decreto 70.235/72, inexiste ordem de preferência entre as modalidades de intimação: pessoal, postal ou eletrônica. c) matérias que já tenham sido submetidas a apreciação pelos órgãos administrativos de julgamento não são passíveis de reanálise ou revisão por parte da autoridade administrativa local em função da competência e especialidade legalmente atribuída aos órgãos colegiados de julgamento. Em seguida foi proferido Despacho Decisório, indeferindo a admissibilidade do Recurso Voluntário (fl. 838/843) A Recorrente, por sua vez, se manifesta apresentando cópia de decisão que deferiu liminar em Mandado de Segurança, determinando a subida dos autos para que o E. CARF/MF analise a tempestividade do Recurso Voluntário. Vejamos a parte da r. decisão que nos interessa. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 898 10 [...] Em respeito a decisão judicial, os autos foram remetidos ao E. CARF/MF e distribuídos para que se produzisse a análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, conforme r. despacho de fl.887. É o relatório. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 899 11 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Admissibilidade: Conheço do Recurso Voluntário apenas em relação a matéria de tempestividade recursal, não admitindo o restante das alegações. Da tempestividade: Inicialmente, em relação a alegação de que a decretação da intempestividade do Recurso Voluntário deva ser decretada pelo juízo ad quem, entendo que assiste razão a Recorrente. O artigo 35, do Decreto 70.235/72, determina que a instância ad quem, no caso o E. CARF/MF, decrete ou não a intempestividade do recurso. Assim, em relação ao pedido da Recorrente de tempestividade recursal, conforme acima apontado, conheço do recurso e passo a analisálo abaixo. Conforme acima relatado, o contribuinte tomou ciência por meio de seu domicílio eletrônico em 10/09/2014 (fls.718) e interpôs Recurso Voluntário em 16/01/2015 (fls.824). De fato, o Recurso Voluntário da Recorrente é intempestivo, eis que foi protocolado após o prazo previsto na legislação de 30 dias. Ademais, a partir do momento em que a contribuinte é incluída no Domicílio Eletrônico, está só poderá receber intimações das decisão do processo, por meio eletrônico. Sendo assim, para efeitos de prazo recursal, o artigo 23, parágrafo segundo e seus incisos I e II, do Decreto 70.235/72, determina que a data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 16/01/2015, muito tempo depois de ter expirado o prazo recursal de 30 dias, que se iniciou em 10/09/2014, restando assim, intempestivo. No caso, mesmo que fosse incluído no prazo os 15 dias antes da intimação tácita, o recurso seria intempestivo. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16561.720006/201495 Acórdão n.º 1402002.401 S1C4T2 Fl. 900 12 Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário apenas em relação a alegação de tempestividade e nego provimento. Quanto as demais alegações, deixo de conhecêlas. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912276/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.945
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 6/ 20 12 -6 5 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912276/201265 Resolução nº 3402000.945 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912276/201265 Resolução nº 3402000.945 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912276/201265 Resolução nº 3402000.945 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005139/2004-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL. COMPENSAÇÃO DO EXCEDENTE DE IRPJ PAGO NO EXTERIOR. INTELIGÊNCIA DO § 4º DO ART. 1º DA LEI Nº 9.532, DE 1997, C./C. ART. 21, PARÁGRAFO ÚNICO, DA MP Nº 2.158-35, DE 2001.
O art. 1º, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, ao falar em cômputo da renda auferida no exterior por subsidiária de empresa no Brasil, no tributo por esta devido no país, como condição para aproveitamento do imposto pago no exterior, permite que este (o cômputo) se faça por ato da beneficiária última da renda, independentemente da realização, ou não, de alguma das hipóteses efetivas de disponibilização de lucros previstas na lei. Segue-se daí, pois, que a compensação do excedente de IRPJ pago no exterior, para efeitos de cálculo da CSLL, feita em face da realização da renda por ato da controladora brasileira, é legitima e se coaduna com os propósitos do legislador ao tributar a renda mundial.
CSLL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL ANTES DA SUA EFETIVA DISPONIBILIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
A inexatidão na contabilidade, em decorrência da inobservância do regime de competência, só tem relevância para fins de tributação, quando dela resulte, comprovadamente, redução de imposto ou contribuição ou postergação de seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido.
Numero da decisão: 9101-002.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL. COMPENSAÇÃO DO EXCEDENTE DE IRPJ PAGO NO EXTERIOR. INTELIGÊNCIA DO § 4º DO ART. 1º DA LEI Nº 9.532, DE 1997, C./C. ART. 21, PARÁGRAFO ÚNICO, DA MP Nº 2.15835, DE 2001. O art. 1º, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, ao falar em cômputo da renda auferida no exterior por subsidiária de empresa no Brasil, no tributo por esta devido no país, como condição para aproveitamento do imposto pago no exterior, permite que este (o cômputo) se faça por ato da beneficiária última da renda, independentemente da realização, ou não, de alguma das hipóteses efetivas de disponibilização de lucros previstas na lei. Seguese daí, pois, que a compensação do excedente de IRPJ pago no exterior, para efeitos de cálculo da CSLL, feita em face da realização da renda por ato da controladora brasileira, é legitima e se coaduna com os propósitos do legislador ao tributar a renda mundial. CSLL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL ANTES DA SUA EFETIVA DISPONIBILIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A inexatidão na contabilidade, em decorrência da inobservância do regime de competência, só tem relevância para fins de tributação, quando dela resulte, comprovadamente, redução de imposto ou contribuição ou postergação de seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 51 39 /2 00 4- 23 Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.180 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração de CSLL, lavrado sob a acusação de que, no anocalendário de 2002, não teriam sido computados lucros auferidos no exterior. A fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/20, verificou que a contribuinte possuía uma empresa controlada nas Ilhas Virgens Britânicas — Niobium Products Co. Ltd. —, que, por sua vez, controlava as seguintes empresas: • Niobium Products Company GMBH, na Alemanha; • Reference Metais Company, nos Estados Unidos; • CBMKAMM Ásia Co. Ltda., no Japão. Pois bem, relatou a empresa à fiscalização: • Que, desde 1996, quando o Brasil passou a tributar os lucros auferidos no exterior, não ocorreu nenhum pagamento ou crédito de lucros para a controlada; • Que, não obstante a falta de efetiva disponibilização dos lucros auferidos no exterior, na DIPJ de 1999 a contribuinte oferecera à tributação os lucros auferidos em 1996, 1997 e 1998 e, na DIPJ de 2000, o lucro auferido em 1999; • Que na DIPJ de 2001 não foram declarados lucros apurados no exterior; • Que na DIPJ de 2002, não obstante feita pela sistemática do lucro presumido, declarou os lucros apurados em 2000 e 2001, e • Que na DIPJ retificadora de 2003, ainda sob a sistemática do lucro presumido, declarou o lucro auferido em 2002. A fiscalização, com base nas informações prestadas pela empresa, concluiu: • Que a contribuinte não poderia ter declarado em DIPJ, até o anocalendário de 2001, como disponibilizados, lucros que, em verdade, não foram distribuídos pela controlada; Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.181 3 • Que, na DIPJ de 2003, anocalendário 2002, a contribuinte deveria ter adicionado ao lucro real a somatória de todos os lucros auferidos de 1996 a 2001, que não foram disponibilizados segundo as regras então vigentes; • Que, assim sendo, seria lavrado auto de infração para exigência do imposto com base na legislação então vigente (MP 2.15835/01, art. 74, § único), considerando o imposto pago no exterior segundo as regras de compensação estabelecidas no art. 1º, §§ 4º e 5º da Lei 9.532/97 e art. 14 da IN SRF 213/02; • Que, consequentemente, os lucros auferidos no exterior, nos anos de 1996 a 1999, no montante de R$ 26.221.473,00, seriam adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da contribuinte em dezembro de 2002, sem o aproveitamento do imposto pago no exterior, tendo em vista que os créditos de imposto de renda relativos a lucros auferidos no exterior somente seriam compensáveis se tais lucros fossem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração; • Que, relativamente ao lucro auferido no anocalendário de 2000, compensandose parte do imposto de renda pago no exterior, remanesce para tributação o montante de R$ 138.041,39. A contribuinte, não se conformando com o auto de infração, às fls. 397/413 dele recorreu, alegando, em síntese: • Que adicionou ao seu lucro real os lucros apurados por sua controlada no exterior antes de estes lhe serem pagos ou creditados, diferentemente do que previa a legislação em vigor, mas essa antecipação, em momento algum, teria sido vedada pela legislação em vigor e tampouco teria causado qualquer prejuízo ao fisco; • Que, ainda que se concluísse pela incorreção do procedimento, este, à luz do art. 273 do RIR/99, não teria qualquer consequência, visto que a inexatidão quanto ao período de escrituração de receita somente tem relevância se esta causar prejuízo ao fisco, o que seguramente não teria sido o caso; • Que a tributação ficta de que trata a MP 2.158/3501, regulamentada pela IN SRF 213/02, não vedou (e nem poderia) o aproveitamento de imposto de renda eventualmente pago no exterior, valendo a conclusão, pois, de que a limitação temporal prevista no art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97 não seria aplicável; • Que, até o advento da MP 1.8586, de 29.06.99, não havia sido introduzida no mundo jurídico a possibilidade de incidência da CSLL; e, por fim, • Que seria incabível a cobrança de multa de ofício. A douta 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, nos termos do ACÓRDÃO DRJ/JFA Nº 8275/04, julgando o feito, considerou o lançamento procedente em parte. Do voto condutor do Colegiado extraise, em síntese, o seguinte: • Que a tributação dos lucros auferidos no exterior, entre os anoscalendário de 1996 a 2001, dependia da ocorrência de uma Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.182 4 das hipóteses de disponibilização, conforme a legislação então em vigor, sendo certo que a impugnante o fez sem que os lucros tivessem de fato sido disponibilizados; • Que, todavia, como os lucros correspondentes aos anos calendário de 1996 a 1999 não haviam sido disponibilizados para a empresa no Brasil, na forma da legislação então vigente, teria restado indevida a utilização dos créditos do imposto de renda pago no exterior relativos a esses lucros; • Que, portanto, são inócuas todas as alegações apresentadas pela impugnante no sentido do aproveitamento daqueles expirados créditos, tanto com base na legislação que fundamente o lançamento, como na forma do art. 273 do RIR/99, que trata da inobservância do regime de competência; • Que, neste caso concreto, devem ser afastados da base de cálculo do lançamento os lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, permanecendo apenas a adição referente ao anocalendário de 1999, na monta de R$ 11.378.040,00, no lugar daquelas relativas aos anos de 1996 a 1999, no valor de R$ 26.221.473,00; • Que, entretanto, não prospera a alegação da impugnante de que a CSLL devida pode ser compensada com o imposto de renda pago a maior, visto que a falta de efetiva disponibilização do lucro e o consequente não atendimento à condição temporal estabelecida no § 4º do art. 1º da Lei 9.532/97 impedem a compensação pretendida; • Que, todavia, procede o pleito da impugnante para que seja levado em consideração o imposto pago no exterior, a fim de compensar parte da CSLL relativa ao anocalendário de 2000; • Que, por fim, quanto aos demais argumentos, estes foram enfrentados quando do julgamento do processo de IRPJ. Cientificada dos termos da r. decisão em 15 de outubro de 2004, a contribuinte, em 04 de agosto p.f., tempestivamente portanto, em recurso de fls. 447/467, dela recorreu, alegando, fundamentalmente, as mesmas razões de sua peça vestibular. Ao julgar o recurso, a Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10708.798, de 19 de outubro de 2006, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: CSLL — LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO BRASIL — COMPENSAÇÃO DO EXCEDENTE DE IRPJ PAGO NO EXTERIOR — INTELIGÊNCIA DO § 4º DO ART. 1º DA LEI 9.532/97, C.C. ART. 21, § ÚNICO, DA MP. 2.15835/01 O art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97, ao falar em cômputo da renda auferida no exterior por subsidiária de empresa no Brasil, no tributo por esta devido no país, como condição para aproveitamento do imposto pago no exterior, permite que este (o cômputo) se faça por ato da beneficiária última da renda, independentemente da realização, ou não, de alguma das hipóteses efetivas de disponibilizarão de lucros prevista na lei. Seguese daí, pois, que a compensação do excedente de IRPJ pago no exterior, para efeitos de cálculo da CSLL, feita em face da realização da renda Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.183 5 por ato da controladora brasileira, é legítima e se coaduna com os propósitos do legislador ao tributar a renda mundial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por. COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial, argumentando, em síntese, contrariedade à lei no que se refere: a) à antecipação, pela contribuinte, da disponibilização dos lucros auferidos por controlada no exterior, e; b) aos requisitos e condições cujo cumprimento deveria ter sido observado para efetuar a compensação de imposto pago no exterior, incidente sobre lucros auferidos por controlada, com o IRPJ e a CSLL devidos no Brasil após o prazo estipulado em lei. Pede a manutenção integral do lançamento da CSLL, por considerar que: a) o comportamento do sujeito passivo, de considerar disponibilizados os lucros auferidos por controlada sediada no exterior, em desacordo com o previsto na legislação de regência, é ilícito; b) não há autorização legal para a compensação do imposto pago no exterior, incidente sobre lucros auferidos por controlada, com o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, sobretudo após o prazo estipulado em lei; c) o sujeito passivo deixou de adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, os lucros auferidos no exterior por sua controlada, nos mencionados anosbase de 1996 a 2001; e d) a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O recurso especial foi admitido pelo presidente da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que o acórdão recorrido é irretocável, devendo ser integralmente mantido, pois o procedimento adotado pela Recorrida foi perfeitamente legítimo, e em nada contrariou a legislação então em vigor; e b) que, ao contrário, ilícito e iníquo seria exigir CSLL da Recorrida, sem autorizar a compensação do excedente do imposto pago no exterior, permitida pela própria legislação, tendo ela cumprido com sua obrigação de adicionar os lucros do exterior à base de cálculo desta contribuição dentro do prazo concedido por lei. Pela Resolução deste Colegiado, de nº 9101000.012, de 20 de março de 2014, de minha relatoria, foi determinado o retorno dos autos à turma a quo para julgar o Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.184 6 recurso de ofício então interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Ao julgar o recurso de ofício, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1401001.496, de 20 de janeiro de 2016, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. A tributação da CSLL em bases universais, para respeitar em sua plenitude o princípio da irretroatividade da lei, só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, a Fazenda Nacional informou que não haveria interposição de recurso especial quanto a este último julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, e estando devidamente fundamentado em contrariedade à lei “art. 26, e parágrafos, da Lei nº 9.249/95; art. 1º, e parágrafos, da Lei nº 9.532/97; art. 43, e parágrafos, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104/01, e art. 170, parágrafo único, ambos do CTN; e art. 74 da Medida Provisória nº 215835/01” de decisão não unânime de Câmara do Conselho de Contribuintes “Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima” , conheço do especial. A matéria objeto do presente processo já foi analisada por esta Câmara Superior no processo nº 10680.005141/200401, da mesma empresa, e relativo ao mesmo ano calendário, no que se refere especificamente ao IRPJ. Sendo assim, e em face da estrita vinculação entre ambos os processos, transcrevo trechos do voto ali exarado (Acórdão nº 910100.407, de 2 de outubro de 2009, unânime), aqui aplicável mutatis mutandis (destaques do original): O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.185 7 Consoante se depreende do relatório supra, tratam os autos de lançamento de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, por ter a Interessada deixado de adicionar ao resultado do referido exercício os lucros auferidos por suas controladas no exterior nos anoscalendário de 1996 a 2001. Esclarece a Fiscalização que os lucros não adicionados ao resultado do anocalendário de 2002 foram adicionados aos resultados de anoscalendário anteriores, antes da implementação das hipóteses de disponibilização previstas nas alíneas do § 1º do art. 1º da Lei nº 9.532/97. A Fiscalização incluiu no cálculo da base tributável pelo IRPJ apenas o lucro auferido pelas controladas da Interessada nos anos de 1996 a 1999, pois o imposto pago no exterior, nestes anos, sobre referido lucro, já não mais poderia ser compensado com o imposto devido no Brasil, no anocalendário de 2002, em virtude do limite temporal imposto pelo caput do art. 1º da Lei nº 9.532/97. [...]. Entende a Recorrente que os lucros auferidos pelas controladas da Interessada no exterior, nos anos de 1996 a 1999, deveriam ter sido adicionados ao resultado do anocalendário de 2002, em razão do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.158/2001. Segundo a Recorrente, nos termos do art. 1º,e §§, da Lei nº 9.532/97, o contribuinte apenas poderia considerar disponibilizados os lucros auferidos por suas controladas no exterior na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior (art. 1º, § 1º, “b” c/c § 2º, da Lei nº 9.532/97). Nesse sentido, a conduta da Interessada, de ter adicionado ao lucro real os lucros auferidos por suas controladas no exterior, nos anos de 1996 a 2001, antes de implementada a hipótese de disponibilização, violaria o art. 1º, e §§, da Lei nº 9.532/97. Pois bem. [...]. Consoante expõe o I. Conselheiro Relator no voto condutor do acórdão, não obstante a materialidade da incidência do imposto de renda seja a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, a legislação do imposto cuida de diversas hipóteses em que a realização econômica ou jurídica da renda ocorre por ato de seu próprio titular. Nesse passo, entendo também que devem ser admitidos como efetivamente realizados os lucros auferidos por controlada no exterior e computados no resultado da controladora brasileira, mesmo antes da verificação formal das hipóteses dispostas no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.532/97. A permissão para compensar o imposto pago no exterior, prevista no art. 26 da Lei nº 9.249/95 e no caput do art. 1º da Lei nº 9.532/97, não depende da efetiva disponibilização do lucro auferido no exterior, mas do fato de o contribuinte ter computado referido lucro auferido no exterior na base de cálculo do imposto a ser pago no Brasil. Sobre o tema, peço vênia para transcrever trecho do voto vencedor do acórdão recorrido, cujas razões adoto como fundamento deste voto, verbis: Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.186 8 “Nesse contexto, toda discussão passa, então, pela licitude, ou não, do procedimento adotado pela recorrente, isto é, de computar os lucros auferidos no exterior na base de cálculo do imposto no Brasil antes de alguma das hipóteses de efetiva disponibilização de que trata a lei e o regulamento. Penso que, por mais de uma razão, o procedimento adotado não pode ser condenado. Isso porque, em primeiro lugar, a teor do disposto no art. 3º do CTN, tributo não pode constituir sanção a ato ilícito. A perda do direito de compensação do imposto pago no exterior, se certa estiver a fiscalização, por via obliqua, teria este efeito. Vale dizer, como a subsidiária do exterior não teria realizado a favor da recorrente a efetiva disponibilização dos lucros auferidos no exterior, como conseqüência, via uma autêntica penalidade, esta teria a perda do imposto de renda pago no exterior. Ora, das dobras do princípio da universalidade da tributação das rendas das pessoas jurídicas, inaugurada, efetivamente, com o advento da Lei 9.249/1995, art. 25, pretendeu o legislador, sim, tributar os lucros auferidos no exterior, não, porém, em cascata, daí o direito de compensação estabelecido na legislação. Na verdade, em última análise, pretendeu o legislador tributar os lucros e rendimentos auferidos no exterior refugiados em paraísos fiscais ou em países que tributam a renda de modo mais favorecido do que o Brasil. Em segundo lugar, apesar de a possibilidade de uso do imposto pago no exterior esteja prevista em um dos parágrafos do art. 1º da Lei 9.532/1997 — cujo caput e demais parágrafos versam sobre hipóteses de efetiva disponibilização de lucros por atos da fonte do exterior a favor de sua beneficiária no Brasil —, a verdade é que a malsinada regra de compensação parece caminhar de forma autônoma. De fato, ao passo que a lei, ao versar sobre as diversas hipóteses de tributação, faça referência, sempre e necessariamente, a hipóteses de efetiva realização de lucros, esta, ao tratar da compensação, fala em cômputo do lucro auferido no exterior na base de cálculo do imposto no Brasil. Parece claramente indicar, pois, que este (o cômputo) possa se realizar por ato do beneficiário último da renda, coerente com o conceito que se espera do tributo e, principalmente, com a materialidade do imposto sobre a renda. Com efeito, se é certo que o imposto sobre a renda, para efeitos de tributação, depende de sua efetiva realização, não menos certo é [que] a noção do tributo, qualquer que seja a definição que se tome, a teor do disposto no art. 43 do CTN, deve incidir sobre acréscimos patrimoniais. Assim, não obstante a regra de que o tributo tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, questão, aliás, ainda hoje absolutamente controvertida na doutrina e jurisprudência, o fato é que o legislador, em mais de uma oportunidade, cuidou de regular hipóteses de realização da renda afloradas por atos de seu titular, antes propriamente de sua efetiva realização econômica ou jurídica como, por exemplo, (i) na reavaliação de bens a valores de mercado; (ii) na conferência de bens a valores de Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.187 9 mercado na subscrição de capitais; ou (iii) na entrega de bens a valores de mercado em devolução de capital. O legislador, nas hipóteses assinaladas — com exceção, agora, da reavaliação de bens, cuja regra mudou com o advento da Lei 9.959/2000, como medida de combate a indesejados planejamentos , não teve dúvidas de inseriIas como hipóteses de incidência do imposto sobre a renda. Afinal, se o próprio titular do bem, por sua vontade, realiza a renda oculta, isto é, faz aflorar no patrimônio da entidade empresarial a mais valia oculta, nada mais natural do que tributála. É o que sucede, penso, com o lucro auferido no exterior quando o legislador fala em cômputo da renda no Brasil como forma de utilização do tributo pago no exterior. Registrese, por fim, que conclusão diversa tornaria a regra da lei desprovida de qualquer razoabilidade ou proporcionalidade, princípios da Constituição que, certamente, guiam o formulador da lei, por definição, um legislador racional.” O acórdão recorrido não contraria, pois, os arts. 26, e §§, da Lei nº 9.249/95, art. 1º, e §§, da Lei nº 9.532/97, e arts. 43, e §§ (com a redação da Lei Complementar nº 104/01), e 170, parágrafo único, do CTN, uma vez que (i) o cômputo dos lucros auferidos pelas controladas no resultado da Interessada controladora, no Brasil, já é indício suficiente de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre referidos lucros, mesmo antes da ocorrência das hipóteses em que a Lei os considera efetivamente disponibilizados à beneficiária; e (ii) nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e art. 1º da Lei nº 9.532/97, permitese a compensação do imposto pago no exterior sobre lucros auferidos por controladas [in]depende[ntemente] de serem referidos lucros contabilizados no resultado [da] controladora aqui no Brasil. Pelos motivos acima, as provas contidas nos autos, de que a Interessada efetivamente não adicionou ao resultado do ano calendário de 2002 os lucros auferidos por suas controladas entre 1996 e 2001, não são suficientes para ensejar a reforma do acórdão. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Acrescento, apenas, que não há sentido algum em se pretender tributar novamente algo que já foi anteriormente objeto de tributação, mesmo que antecipada e ao arrepio da legislação tributária, por se tratar, no caso, de mera antecipação no reconhecimento de lucro, insuscetível de qualquer procedimento fiscal, em face do disposto no art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) (grifei): Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.188 10 I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Em suma, a inexatidão na contabilidade, em decorrência da inobservância do regime de competência, só tem relevância para fins de tributação, quando dela resulte redução de imposto ou contribuição ou postergação de seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido, o que não se comprovou no presente caso, que trata de antecipação no reconhecimento de lucros auferidos no exterior e ainda não efetivamente disponibilizados. Ademais, e por outro motivo, é de observar que o Par. Único do art. 74 da MP 2.158/2001, que autorizaria o lançamento em debate foi considerado inconstitucional quando da decisão, pelo STF, da ADIn 2.588/DF, observando, também que a decisão recorrida é anterior a este julgado do STF. Diz o citado dispositivo da MP 2.158/2001: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 4 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes dessa data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Grifouse). Diz a ementa da ADIn 2.588/DF (decidia em 10 de abril de 2013): EMENTA: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.158 35/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; Documento assinado digitalmente conforme MP n° Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.189 11 2.2002/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 4397020. 1 ADI 2588 / DF 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.2002/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 4397020. 2 ADI 2588 / DF parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (Grifouse). A inconstitucionalidade do dispositivo inviabiliza o lançamento, conforme foi feito, no que diz respeito à matéria que foi conhecida neste recurso especial. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10680.005139/200423 Acórdão n.º 9101002.559 CSRFT1 Fl. 1.190 12 Do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 1190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.002156/96-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/03/1994 a 31/10/1995
FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. CONCOMITÂNCIA. EXTINÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Auto de infração para a cobrança de diferença de valores compensados, em virtude de cálculos de correção monetária do direito creditório. Questão apreciada e decidida em processo judicial.
Numero da decisão: 3201-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/03/1994 a 31/10/1995 FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. CONCOMITÂNCIA. EXTINÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Auto de infração para a cobrança de diferença de valores compensados, em virtude de cálculos de correção monetária do direito creditório. Questão apreciada e decidida em processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 21 56 /9 6- 18 Fl. 413DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração de COFINS, decorrente da sistemática de cálculo adotada na quantificação do crédito do FINSOCIAL e sua suficiência para extinção dos débitos da Cofins, pela compensação. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Às folhas 342/343, concluiu o agente do Fisco que, tendo em vista que no cálculo do indébito foi determinada judicialmente a utilização dos mesmos índices de atualização monetária adotados pela Receita Federal, apurouse um crédito do FINSOCIAL no montante de 105.659,09 UFIR, suficiente para extinguir, em relação aos débitos do presente processo, integralmente o crédito tributário da Cofins relativo ao período de março a setembro de 1994 e parcialmente 0 débito da Cofins relativo a outubro de 1994, conforme documentos às folhas 322/340. Ao presente processo foi apensado o processo n° 13805.002157/9681, que versa sobre Auto de Infração da Cofins lavrado com a exigibilidade suspensa, pois, segundo a autuante, o crédito do FINSOCIAL era suficiente para compensação dos débitos, lastreada na liminar concedida no Mandado de Segurança n° 93.031 147375 (fl. 113). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/1994 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO. CREDITO DO FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO ÍNDICES DE MONETARIA. Na apuração do crédito do FINSOCIAL a compensar devem ser utilizados os índices de atualização monetária adotados pela Receita Federal, mesmos índices determinados por sentença judicial proferida em ação proposta pela contribuinte. MULTA DE OFICIO. REDUÇÃO. A multa de oficio aplicada deve ser reduzida de 100% (cem por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), por força da alteração na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13805.002156/9618 Acórdão n.º 3201002.622 S3C2T1 Fl. 94 3 De acordo com a informação fiscal, ao questionar judicialmente a constitucionalidade do FINSOCIAL, em sede de recurso de ofício a Terceira Turma do Tribunal Federal da 3a Região, em acórdão de 10/09/1997, negou provimento à apelação e deu provimento parcial à remessa oficial, decidindo que: “O valor indevido e anterior à instrução normativa, objeto da compensação, haverá de ser corrigido monetariamente desde o recolhimento, utilizandose idênticos índices adotados pela Fazenda Federa, para atualizar os tributos. observandose à frente a aplicação da UFIR. como disposto na norma em comento". “A compensação dáse com parcelas subseqüentes, da COFINS e sem qualquer incidência de juros moratórios por imprevistos à lei fls. 311”. Em vista da decisão judicial, novos cálculos foram realizados para apuração do crédito do FINSOCIAL a que a contribuinte fazia jus, levantandose o montante de 105.659,09 UFIR, suficiente para extinguir integralmente o crédito tributário da COFINS relativo ao período de março a setembro de 1994 e parcialmente o débito da COFINS, relativo a outubro de 1994. A multa de oficio foi reduzida para 75% (setenta e cinco por cento), pela aplicação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e do inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 01, de 10 de janeiro de 1997. Apresentado recurso voluntário, a Recorrente afirma que utilizou os índices de atualização determinados na liminar concedida no processo judicial n. 9100147803, quais sejam: Entretanto, a autoridade de lavratura do auto de infração teria ignorado a existência do processo judicial em curso, e apurou, com base na Instrução Normativa n° 67/1992, um irrisório crédito de FINSOCIAL, que não teria sido suficiente para extinguir os respectivos débitos de COFINS. Realizada a diligência (fls. 322/340) com base em outros índices de atualização presentes em acórdão não transitado julgado do processo judicial n° 9300147803, foi apurado pela fiscalização um crédito de FINSOCIAL no montante de 105.659,09 UFIR, que seria suficiente para extinguir também o débito da COFINS relativo ao período de março a setembro de 1994, remanescendo, ainda, valores do período de outubro de 1994 a outubro de 1995. Sem que fosse intimada do resultado da diligência, a Delegacia de Julgamento proferiu o acórdão combatido, baseandose nos cálculos naquela apresentados, o que afrontaria os princípios do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa. Alegase a nulidade do auto de infração em razão da modificação dos critérios jurídicos adotados, já que, relativamente à capitulação legal, o lançamento não fazia menção Norma de Execução Conjunto SRF/ COSIT/ COSAR n° 08/1997, em evidente prejuízo ao exercício do direito de defesa. Fl. 415DF CARF MF 4 Ademais, a autoridade de autuação teria descumprido ordem judicial em vigor à época, ao lavrar o auto de infração. Informa que o acórdão do processo judicial n.93.00147803 ainda não transitou em julgado, já que se encontra pendente a análise dos embargos infringentes apresentados nos referidos autos, conforme comprova a cópia da certidão de objeto e pé obtida junto ao Tribunal Regional Federal da 3a Região no ano de 2007 e o atual andamento processual obtido junto ao sítio daquele TRF, de maneira que deve ser anulado o v. acórdão de fls. 344/345v e, consequentemente, sobrestado o processo administrativo enquanto não forem definidos os critérios de correção monetária no processo judicial n° 9300147803. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Compulsandose os autos, verificase que o auto de infração lavrado em 21/03/1996, estabeleceu como critério de cálculo para os valores recolhidos a maior do FlNSOClAL, os veiculados na Instrução Normativa n. 67/92. Observese que, de acordo com diligência efetuada, os créditos de FINSOCIAL ora pleiteados, foram objeto de diversas ações judiciais, como se depreende: INFORMAÇAO FISCAL Continuação Fls. 3 a) "...para afastar as restrições estabelecidas na Instrução Normativa SRF n° 67/92 e fazer prevalecer o direito garantido pela lei, ajuizou a Ação Ordinária processo N°. 93.00l4.7803 e respectiva “Medida Cautelar” processo N°. 93.0022.1310, perante a 17”. Vara da Justiça Federal em São Paulo..." (fls. 131); b) "...a medida liminar foi indeferida, sob argumento de que a compensação somente poderia ser efetuada após decisão final..." (fls.131); c) "...sentidose prejudicada, impetrou “Mandado de Segurança” junto ao Tribunal Regional Federal da 33. Região processo N°. 93.03.ll4.7375, visando compensar 0 FINSOCIAL com a COFINS , corrigido monetariamente, desde os recolhimentos indevidos e, tendo obtido a liminar pleiteada, passou, a partir de então, a realizar as compensações..." (fls. 1 3 1); d) "...tendo em vista que o “mandamus” foi julgado prejudicado e revogada a liminar concedida, em virtude de sentença extintiva prolatada na 1°. Instância, no processo da Medida Cautelar que o originou, a autuada requereujunto ao Tribunal Federal da 3a Região e obteve o restabelecimentoda medida liminar..." (fisl32); Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13805.002156/9618 Acórdão n.º 3201002.622 S3C2T1 Fl. 95 5 e) "...não obstante, requereu “antecipação da tutela jurisdicional” na ação ordinária – processo N°. 93.0014.7803, e foi autorizada a realizar a compensação com a COFINS, corrigida monetariamente, desde os pagamentos indevidos, da seguinte forma (fls. 132/133): e.1 de set/89 ajan/91, pelo IPCIBGE e.2 de fev/91 a dez/91, pelo INPCIBGE e.3 a partir dejan/92, pela UFIR __." f) "...as compensações efetuadas pela autuada estão autorizadas por decisão judicial proferida na ação ordinária processo n° 93.00l4.7803, em trâmite na 17a Vara da Justiça Federal em São Paulo..." (fls. 145 e 148/152); À época da lavratura, vigorava a antecipação da tutela jurisdicional nos autos da ação ordinária 93.00147803, que determinava parâmetros diversos para a determinação do direito creditório, concedida em 26/02/1996, ou seja, nos termos do art.151, V do Código Tributário Nacional, a fiscalização estava impedida de realizar o lançamento. Ademais, é certo que se está diante de hipótese de concomitância entre o processo judicial e administrativo, pois dentre as questões abordadas no processo judicial estão os índices de correção do direito creditório, o que gera como conseqüência a concomitância, que é fato gerador de extinção do processo administrativo fiscal. Em face do exposto julgo parcialmente procedente o recurso voluntário, para NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 417DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.695822/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 22 /2 00 9- 05 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.695822/200905 Acórdão n.º 3301003.419 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.196. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.695822/200905 Acórdão n.º 3301003.419 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.695822/200905 Acórdão n.º 3301003.419 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.695822/200905 Acórdão n.º 3301003.419 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.695822/200905 Acórdão n.º 3301003.419 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
