Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10907.720630/2017-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/12/2013
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso e essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada, e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/12/2013 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso e essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10907.720630/2017-09
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946728
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.467
nome_arquivo_s : Decisao_10907720630201709.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10907720630201709_5946728.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada, e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7568723
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416165089280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 154 1 153 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.720630/201709 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.467 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ Recorrente IB FREIGHT IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/12/2013 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso e essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada, e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 30 /2 01 7- 09 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório A seguir, transcrevo o relatório constante da decisão da DRJ, à fl. 91 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por 1 deficiência na descrição dos fatos, 2 contrariedade a decisão judicial proferida no processo nº 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo e 3 ausência de tipicidade, pois a impugnante não se confundiria com o armador/transportador, figura referida na conduta tipificada; ii) ausência de tipicidade, pois a autuação se funda na não prestação de informações, contudo, as informações teriam sido prestadas de maneira idônea e correta; v) desrespeito aos princípios da proporcionalidade, isonomia e motivação; vi) inexistência de dolo específico e de efetivo embaraço à fiscalização; vii) ocorrência de denúncia espontânea. Requereu, ao final, que a autuação seja julgada insubsistente e a multa seja cancelada. Juntou os documentos de fls. 56/85, que são: atos de constituição e representação da empresa, documentos de identificação e cópia de decisões e peças de processo judicial. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 89/94) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10907.720630/201709 Acórdão n.º 3002000.467 S3C0T2 Fl. 155 3 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 09/03/2018 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 100 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/03/2018 (vide Extrato do processo à fl. 151), Recurso Voluntário (fls. 136/150). Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que a decisão de primeira instância utilizou fundamentação genérica, merecendo, por isso, reforma. Alegou a ocorrência de denúncia espontânea e a necessidade de afastar a penalidade aplicada. Sustentou a ausência de tipicidade, pois a autuação se fundaria na não prestação de informações, sendo que, contudo, as informações teriam sido prestadas. Requereu, ao fim, suspensão do crédito tributário até julgamento final do recurso, e a anulação da autuação, com seu cancelamento e arquivamento. Juntou, com o recurso, os documentos de fls.103/135, que são cópias de decisões administrativas e judiciais. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que a decisão de primeira instância utilizou fundamentação genérica, merecendo, por isso, reforma. Alegou a ocorrência de denúncia espontânea e a necessidade de afastar a penalidade aplicada. Sustentou a ausência de tipicidade, pois a autuação se fundaria na não prestação de informações, sendo que, contudo, as informações teriam sido prestadas. 1. Da nulidade do acórdão recorrido O Recorrente inicia a argumentação do seu Recurso Voluntário dispondo sobre como o acórdão recorrido trouxe fundamentação genérica, tendo tratado de argumentos que não constaram da sua impugnação apresentada, e, de outro lado, deixado de se manifestar sobre determinados pontos de sua defesa. Embora não tenha chegado a requerer o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, mas apenas a sua reforma, trouxe argumentos que demonstram a nulidade daquele acórdão proferido, consoante será analisado em sucessivo. Consoante acima narrado, o contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por 1 deficiência na descrição dos fatos, 2 contrariedade à decisão judicial proferida no processo nº 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo e 3 ausência de tipicidade, pois a impugnante não se confundiria com o armador/transportador, figura referida na conduta tipificada; ii) ausência de tipicidade, pois a autuação se funda na não prestação de informações, contudo, as informações teriam sido prestadas de maneira idônea e correta; v) desrespeito aos Fl. 156DF CARF MF 4 princípios da proporcionalidade, isonomia e motivação; vi) inexistência de dolo específico e de efetivo embaraço à fiscalização; vii) ocorrência de denúncia espontânea. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Como se vê, há uma clara dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou, de forma genérica: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Ou seja, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, ao passo que deixou de analisar argumentos particulares e essenciais à solução da contenda. Destaquese, por exemplo, que a decisão recorrida não tratou sobre o argumento de nulidade do auto de infração por 1 deficiência na descrição dos fatos, 2 contrariedade à decisão judicial proferida no processo nº 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, ou mesmo 3 ausência de tipicidade, pois a impugnante não se confundiria com o armador/transportador, figura referida na conduta tipificada. Ou seja, verificase que o acórdão recorrido, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10907.720630/201709 Acórdão n.º 3002000.467 S3C0T2 Fl. 156 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Sendo assim, os autos deverão retornar àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. Ademais, o retorno dos autos à DRJ também se apresenta essencial para fins de evitar supressão de instância. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É o voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.915806/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.619
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.915806/2012-11
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5959132
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.619
nome_arquivo_s : Decisao_10980915806201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980915806201211_5959132.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7596392
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416178720768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 187 1 186 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.915806/201211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.619 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de novembro de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente VECODIL COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 80 6/ 20 12 -1 1 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.915806/201211 Resolução nº 3402001.619 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.915806/201211 Resolução nº 3402001.619 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.915806/201211 Resolução nº 3402001.619 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006132/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO.
O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO.
Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições.
Numero da decisão: 3401-005.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.006132/2008-17
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967878
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.804
nome_arquivo_s : Decisao_11516006132200817.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 11516006132200817_5967878.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7629394
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416181866496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5.258 1 5.257 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.006132/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.804 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IPI Recorrente INCOMARTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 61 32 /2 00 8- 17 Fl. 5258DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. Relatório Reproduzo relatório que consta no Acórdão DRJ por bem descrever os fatos: Tratase de manifestação de inconformidade (efls.1282/1340) apresentada contra Despacho Decisório de efls. 1276/1277, que indeferiu o direito creditório relativo ao crédito presumido do IPI no valor de R$2.325.544,41 relativo aos períodos que englobam os 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 e 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, escriturados no 4º trimestre de 2006, transmitida em PER/DCOMP nº 01466.26371.280207.1.1.012000. Às efls. 1113/1259, foi juntada a cópia do Termo de Verificação Fiscal TVF da DRF/Florianópolis, no qual a fiscalização apontou e descreveu supostas infrações que apuradas demonstram três tipos de fraudes contábeis, lá descritas, ora sintetizado: • a verificação fiscal abrangeu em conjunto as quatro empresas do mesmo grupo, coligadas à época, Indústria de Molduras Moldurarte, Indústria de Molduras Catarinense Ltda, Indústria de Molduras H. Effting Ltda, Incomarte Indústria e Comércio de Molduras Ltda, denominadas como “Moldureiras”, tendo a análise relativa aos pedidos de ressarcimento de IPI, constituídos de créditos básicos e presumidos, oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados pelas empresas, concluído que não fazem, as referidas contribuintes, jus ao crédito presumido haja vista a prática reiterada de fraudes contábeis no pagamento de matériasprimas, nos anos calendários de 2002 e 2006, que desqualificou a escrita contábil quanto ao Documentário Fiscal apresentado; • as empresas tinham como objeto social, à época, a fabricação de molduras para decoração, tendo como matériaprima principal a madeira. Em média, quase metade dos pagamentos efetuados pelas quatro empresas fiscalizadas (Incomarte, Modurarte, H. Effting e Catarinense) na aquisição de madeira foi efetuada por meio “pagamentos antecipados”. A conta contábil era utilizada para registrar adiantamentos e devoluções de adiantamentos, “nem sempre com respaldo em registros bancários”; • diversas declarações de compensação (Dcomp) foram apresentadas utilizando como origem do crédito o saldo credor presente no livro Registro de Apuração do IPI, de cada empresa, em diversos trimestres. Em especial, foi utilizado o crédito Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.259 3 presumido baseado na Lei 10.276/2001, calculado a partir do valor das compras, inclusive as aquisições de madeira, cujos pagamentos mostraramse inexatos e inconsistentes; • o crédito presumido baseado na Lei 10.276, de 2001, tendo por base de cálculo os pagamentos antecipados aos fornecedores não foram devidamente demonstrados, pois mostraramse inexatos e inconsistentes, supervalorizando os custos, pagamentos sem causa. Os cheques relativos aos pagamentos foram emitidos em nome das próprias moldureiras, e não em nome dos fornecedores. Segundo o contador da empresa, “esses cheques eram transformados em moeda corrente, para que fossem assim repassados aos fornecedores, ‘em mãos’”; • observaramse casos em que os adiantamentos eram reduzidos, “supostamente pelos mesmo fornecedores adiantados”, a título de “devolução de adiantamentos realizados a maior”, muitas vezes na mesma data do próprio adiantamento. As devoluções, ao contrário dos adiantamentos, seriam efetuadas por transações bancárias e não em moeda corrente, conforme descrição no TVF: Os valores contabilizados são deveras significativos e o que mais chamou a atenção, já numa avaliação inicial, é que mesmo quando ainda existiam valores consideráveis de créditos (adiantamentos) atribuídos a um fornecedor, antes mesmo de se fazer um abatimento desses créditos (com o esperado fornecimento da madeira), constatavase novas transferências a titulo de adiantamento. Tudo isso lançado na contabilidade, mas nem sempre com respaldo nos registros bancários, pois nesses as transações que se tem são outras, especialmente diferentes, conforme se detalhará no decorrer deste Termo. • vários fornecedores nunca entregaram as madeiras compradas e nem devolveram os adiantamentos, equivalentes a milhões de Reais, mas continuavam a receber os tais adiantamentos, inclusive até a data de encerramento da ação fiscal em 2010; • a Fiscalização efetuou diligência em vários fornecedores e os intimou a apresentar os lançamentos contábeis e extratos bancários, tendo obtido resposta de apenas duas empresas: Madeireira Menagali Ltda, que tinha os registros contábeis dos adiantamentos, mas não das devoluções e a Madedino Madeiras Ltda, esta que não tinha registros contábeis. Uma não foi localizada e as demais não atenderam às intimações; • as irregularidades observadas são enquadradas na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1º, inciso II, que levaram a aplicação do art. 59 da Lei 9.069, de 1995, e proposta de glosa do crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal à exportação: Ressaltese também que as irregularidades contábeis encontradas nos pagamentos dos adiantamentos de madeira, Fl. 5260DF CARF MF 4 assim como nos pagamentos diretos desta, que é a principal matéria prima para produção de varetas para molduras, além da supervaloração de custos, pagamentos sem causa sugerindo a possibilidade de manutenção de "caixa dois" – entre outras irregularidades encontradas, possibilitaram não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos. E, como tais créditos presumidos (fraudados) foram utilizados para pagamento de tributos, mediante declarações de compensação (Dcomp's), Caracterizouse de forma ainda mais evidente a redução indevida de tributação. Por isso, os fatos adiante narrados enquadramse duplamente na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1 0, inciso II, acima referido. Isto posto, não restam dúvidas que deve ser aplicado o art. 59 da Lei 9.069/95 para glosar o crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal ã exportação, o que não pode prosperar num ambiente maculado pelos atos aqui encontrados. a Fiscalização requereu aos bancos do Brasil e o Bradesco, cópias de alguns cheques e de “fitas detalhe de caixa”, relativamente aos valores superiores a R$ 5.000,00, concluindo o seguinte: O cotejamento POR AMOSTRAGEM destas fitas de caixa com os registros contábeis das Moldureiras permitiu a esta auditoria compreender o "modus operandi" destas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e incorrendo nos crimes tributários anteriormente citados. Foram identificadas três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes, que passaremos a descrever: O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque !!!. [...]Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.260 5 realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente, contra entrega deste insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Grifos nossos (...) • relacionou várias operações bancárias que demonstraram os procedimentos e tratou de cada tipo de fraude, discriminando várias operações nos dois bancos, descrevendoas; • a suposta beneficiária dos pagamentos inexistentes, a empresa Madecamp Indústria e Comércio, fora objeto de um processo por falsidade ideológica, o que seria uma confirmação da suposta falsidade ideológica de documentos emitidos; • citase a “Operação Isaías”, reproduzindo partes do Inquérito Policial n. 44, de 2006, o que demonstraria a grande proximidade entre as empresas de moldura e as madeireiras, vindo acrescentar as apurações nos seguintes termos: Não se pretende aqui afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas de seus fornecedores de madeira, mas, mesmo não sendo este um dos motivos para as glosas dos créditos ora em discussão, não se pode deixar de apresentar os cálculos feitos referentes aos recolhimentos de Pis/Cofins destas empresas. Conforme planilha abaixo, estimou se que, no mínimo, em torno de 64% dos recolhimentos de Fl. 5262DF CARF MF 6 Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados: [...] • a interessada foi intimada a justificar a falta de contabilização de pagamentos e a divergência de beneficiários nos depósitos bancários. Ao final a fiscalização concluiu que: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange Aqueles decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Consta à efolha 1278, que os documentos originais utilizados pela Fiscalização, e ora também juntados ao presente, estão anexados ao processo 11516.002223/201006 (Ressarcimento de IPI). Segundo informação fiscal e o despacho decisório cientificado em 13/12/2010 (efl.1280), com subsídio na diligência, foram constatadas e descritas diversas irregularidades, que levaram a conclusão de que as informações relativas a crédito presumido prestadas no PER diferem do escriturado no livro RAIPI. Conforme informações constantes do item IV do Termo de Verificação Fiscal, relativo a aquisição irregular de madeira, constatouse que o grupo de empresas formado por INCOMARTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS H. EFFTING LTDA e INDÚSTRIA DE MOLDURAS CATARINENSE LTDA praticaram reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis, que se constituem indubitavelmente em crimes contra a ordem tributária, irregularidades previstas no artigo 1º, incisos I e II, da Lei 8.137/90 e no artigo 59 da Lei 9.069/95. Assim, considerando a inexistência de controles de entrada e de consumo de madeira, porém existente e razoável o controle dos demais materiais, levandose ainda em conta que os adiantamentos para pagamento de madeira e os próprios pagamentos eram realizados com cheques nominais à própria contribuinte, constatouse que o contribuinte não fazia jus ao crédito pleiteado. Os documentos disponíveis apresentados foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal. ... A empresa apresentou manifestação de inconformidade assim sintetizada: a) Inexistência de ação penal (denúncia) ou de decisão judicial imputando e reconhecendo a prática de atos específicos que configurem crimes contra a ordem tributária de autoria das empresas fiscalizadas ou de seus Diretores ou a sua efetiva participação naqueles supostamente praticados pela Madecamp Fl. 5263DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.261 7 Indústria e Comércio de Madeiras Ltda. e outros eventuais fornecedores de matériaprima (madeireiras); b) Ausência de configuração do crime pela atipicidade das condutas (irregularidades contábeis) imputadas às Auditadas, bem como pela ausência de constituição de crédito tributário supostamente suprimido ou reduzido com as pretensas fraudes (em verdade apenas irregularidades) contábeis descritas no relatório fiscal; c) Inocorrência na espécie de nenhuma das condutas tipificadas nos artigos 1º, I e II e 2º, I, da Lei nº 8.137/1990. Inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes da tributação pelo lucro presumido, com a finalidade de suprimir ou reduzir ou eximirse dos pagamentos de seus tributos; d) Impossibilidade de estender a responsabilidade fiscal/tributária dos fornecedores de matériaprima à adquirente pela ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária específica. e) Direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI objeto de pedidos de ressarcimento, eis que preenchidos todos os requisitos exigidos em lei para tanto. A impugnação foi julgada pela DRJ Salvador, Acórdão nº 1535.426, em 30/04/2014, julgando improcedente a impugnação e indeferindo o direito creditório. A empresa apresentou Recurso Voluntário onde alega, em síntese: 1) inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, com aplicação da Lei complementar nº 105/2001; 2) do direito da recorrente à fruição do crédito presumido do IPI nos anos calendário de 2004 e 2005. Inaplicabilidade do artigo 59 da Lei nº 9.069/1995 como causa impeditiva ao crédito; 3) não existe ação penal ou decisão judicial condenatória transitada em julgado, proferida em desfavor da recorrente ou de seus diretores; 4) ausência de configuração de crime contra a ordem tributária pela atipicidade das condutas imputadas à recorrente, bem como pela ausência de constituição definitiva de crédito tributário supostamente suprimido ou reduzido com as irregularidades contábeis; 5) ausência de comprovação da ocorrência de crime contra a ordem tributária no direito penal impera o princípio da presunção de inocência; 6) inocorrência das condutas tipificadas nos artigos 1º, i e ii e 2º, i, da lei nº 8.137/1990 – inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes pela tributação do lucro presumido; Fl. 5264DF CARF MF 8 7) impossibilidade de estender a responsabilidade fiscal/tributária e penal dos fornecedores de matériaprima à adquirente pela ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária específica; 8) do direito da recorrente à fruição do crédito presumido do ipi nos anos calendário de 2004 e 2005 – inaplicabilidade do artigo 59 da lei nº 9.069/1995 inocorrência de crime inexistência de omissão de receitas – meros equívocos contábeis; 9) da utilização de madeira da região norte, como matériaprima na produção de molduras; peculiaridade da matériaprima adquirida: madeira mole; dificuldade burocrática na compra de madeiras; contabilização inadequada (incorreta), dos adiantamentos de dinheiro, efetuada pela incomarte, até 2006; abrangência das incorreções contábeis; as outras contas patrimoniais e de resultado corretamente contabilizadas; livros fiscais de entrada e de apuração (icms e ipi); não há registros incorretos na compra de madeira do Amapá (operação Isaías); 10) do direito à fruição do crédito presumido do IPI – atendimento aos requisitos exigidos em lei – aquisições de insumos efetivamente realizadas – possibilidade de apuração do crédito pleiteado; 11) da inocorrência de irregularidades formais na escrituração do crédito presumido do ipi no livro de apuração do IPI – direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. 1) Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, com aplicação da Lei complementar nº 105/2001 Alega a recorrente que o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2011 ao possibilitar a RFB a obtenção de informações sobre a movimentação financeira diretamente ao fisco, sem autorização judicial, incorre na quebra do sigilo bancário do contribuinte de maneira inconstitucional. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 5265DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.262 9 No Termo de Verificação Fiscal (pg. 11) restou consignado que todas as informações referentes as movimentações financeiras da Recorrente “... foram fornecidas pelo banco Bradesco, em resposta às Requisições de Movimentações Financeiras – RMF, solicitadas pelo Delegado da Receita Federal de Florianópolis, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001”. Os argumentos utilizados pela recorrente estão no âmbito da verificação de constitucionalidade da Lei, e fora do alcance desse Conselho para examinar a matéria, nos termos da Súmula Carf nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Ademais a atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo o prestígio da Lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob o argumento de inconstitucionalidade, conforme art. 26A do Decreto nº70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). É importante juntar o esclarecimento que em fevereiro de 2016, o STF decidiu, no bojo das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, bem como no RE 601.314 (submetido à sistemática da repercussão geral), que o artigo 6º da LC 105/01 guarda consonância com a CF/88. A Corte Constitucional entendeu que não haveria, verdadeiramente, a quebra do sigilo bancário pela administração tributária, mas, tão somente, a sua transferência, o que afastaria a necessidade de autorização prévia do poder judiciário. Portanto, deixo de acatar a preliminar de nulidade por obtenção de provas com quebra de sigilo bancário. 2) Do direito da recorrente à fruição do crédito presumido do IPI nos anoscalendário de 2004 e 2005. Inaplicabilidade do artigo 59 da Lei nº 9.069/1995 como causa impeditiva ao crédito A recorrente alega que alega que o art. 59 da Lei nº 9069/95 não se aplica ao seu caso por: 1 não existir ação penal ou decisão judicial condenatória transitada em julgado, proferida em desfavor da recorrente ou de seus diretores; 2 ausência de configuração de crime contra a ordem tributária pela atipicidade das condutas imputadas à recorrente, bem como pela ausência de constituição definitiva de crédito tributário supostamente suprimido ou reduzido com as irregularidades contábeis; 3 ausência de comprovação da ocorrência de crime contra a ordem tributária no direito penal impera o princípio da presunção de inocência; Fl. 5266DF CARF MF 10 4 inocorrência das condutas tipificadas nos artigos 1º, I e II e 2º, I, da Lei nº 8.137/1990 – inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes pela tributação do lucro presumido; 5 impossibilidade de estender a responsabilidade fiscal/tributária e penal dos fornecedores de matériaprima à adquirente pela ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária específica. Depreendese da leitura dos autos que, diante das irregularidades contábeis da contribuinte que possibilitaram não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos, a fiscalização entendeu que se caracterizava o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Em decorrência desse fato, entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte não fazia jus aos Créditos Presumidos do IPI no período, em conformidade com o artigo 59 da Lei n° 9.069/95, o qual dispõe: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. A questão preliminar é saber se a autoridade fiscal teria competência para verificar a "prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária", já que as questões de mérito serão discutidas adiante. A recorrente defende a tese de que não cabe a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 quando ausente a sentença penal condenatória à contribuinte pelo crime contra a ordem tributária. Para tanto argumenta que a competência para processar e julgar crimes praticados contra a União é dos Juízes Federais. É inconcebível conceder à autoridade administrativa tal prerrogativa, para condenar antecipadamente o contribuinte, embora não se negue ao fisco o amplo direito de fiscalizar, apurar e processar contribuintes que mediante fraudes deixem de pagar os tributos devidos. Apresenta acórdãos do CARF que dão respaldo a sua tese. Discordo do entendimento da recorrente. A condição imposta pelo artigo 59 da Lei n° 9.069/95, para a perda dos incentivos e benefícios fiscais é tão somente que tenha Fl. 5267DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.263 11 havido prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária. E o crime contra a ordem tributária está previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90, por suprimir ou reduzir tributo mediante fraude a fiscalização tributária pela inserção de elementos inexatos ou omissão de operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Portanto, em nenhum momento o comando legal reportase a exigência de condenação penal com trânsito em julgado. Aqui estamos tratando de crime contra ordem tributária. Se prevalecer o entendimento da recorrente nenhum processo administrativo de cobrança de crédito tributário que seja conjugado com representação fiscal para fins penais poderia prevalecer enquanto não tivesse trânsito em julgado a condenação penal. E a legislação tributária esta repleta de casos de crime contra a ordem tributária, em que a condenação administrativa é pelo pagamento dos tributos e, em alguns casos, a aplicação de sanções administrativas e multas pecuniárias. A condenação penal remetese a outro escopo de aplicação, essa se atem a liberdade do indivíduo. Claro que teses são construídas a esse respeito, para se justificar o alcance das normas tributárias versus normas penais. Apesar de existirem no CARF acórdãos que embasariam a tese da recorrente, a eles não me filio. Entendo ser mais pertinente a aplicação do Acórdão CSRF nº 0202.995, de 03/05/2008, da Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, que bem esclarece a demanda: Primeiramente, esclareçase que não faz parte do recurso a circunstância de o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, aplicarse ou não ao crédito presumido de IPI. A questão diz respeito a saber, unicamente, se o referido dispositivo referese à hipótese de haver ou não sentença penal condenatória transitada em julgado. As demais considerações do acórdão recorrido ou não foram objeto do recurso de divergência ou não foram admitidas pelo despacho de admissibilidade, e tendo em vista as disposições regimentais não cabia agravo. Dispõe o art. 59 da Lei n 9.069, de 1995: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n°8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim aja lta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e beneficios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Portanto, a hipótese legal referese a "atos que configurem crimes contra a ordem tributária", não exigindo a sentença transitada em julgado. Primeiramente, se houvesse a intenção de subordinar a perda dos incentivos ou benefícios aos casos em que houvesse condenação judicial, certamente a Lei terseia referido a esse requisito especificamente, estabelecendo que "a condenação por prática de crimes contra a ordem tributária" importaria a perda dos incentivos ou benefícios. Fl. 5268DF CARF MF 12 Segundo o paradigma, a caracterização da hipótese do artigo dependeria da configuração específica de crime, que dependeria da tipicidade e da antijuridicidade dos atos praticados. Dai a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. Entretanto, o dispositivo referese à "prática de atos que configurem crimes" e não à prática de crimes ou, mais especificamente, à condenação por crime contra a ordem tributária, que seria a real condição da perda dos incentivos e benefícios, segundo o acórdão paradigma. Assim, a prática de atos passíveis de configurar crimes contra a ordem tributária é razão suficiente para a perda dos incentivos e benefícios fiscais, não havendo que se cogitar de sentença penal condenatória transitada em julgado. A redação do artigo, ademais, subentende, na expressão "a perda, no anocalendário correspondente", a possibilidade de perda imediata do incentivo ou beneficio, o que seria impossível se fosse necessária a sentença transitada em julgado. A Lei também admite que a simples falta de emissão de notas fiscais acarreta a perda dos incentivos e benefícios, tratandose de hipótese muito menos gravosa do que a primeira hipótese. Vide também o Parecer Cosit nº 75, de 29/12/99, que concluiu: “... b) a autoridade administrativa tributária constatando, no exercício de suas atribuições, a prática de atos que, em tese, configurem crimes contra a ordem tributária é competente para a aplicação, contra a pessoa jurídica, da sanção administrativa de decretação da perda de incentivos e benefícios fiscais, no anocalendário da infração, cominada no art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, independentemente de intervenção prévia do Poder Judiciário.” (sublinhei) Recentemente, para empresa do mesmo grupo das moldureiras, foi emitido o acórdão nº 3402002.731, em 08/12/2015, voto vencedor do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire que divergindo da relatora entendeu que "a norma incide quando estiver provado, mesmo em nível administrativo o animus dolandi do contribuinte de modo que esse dolo possa ser enquadrado em tese como crime contra a ordem tributária a que alude a Lei nº 8.137/1990": ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. Fl. 5269DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.264 13 PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Concluo que restando provado que o contribuinte incorreu na prática de crime contra a ordem tributária, é de se aplicar o artigo 59 da Lei nº 9.069/1995. 3) Do direito da recorrente à fruição do crédito presumido do IPI nos anoscalendário de 2004 e 2005 – inaplicabilidade do artigo 59 da lei nº 9.069/1995 inocorrência de crime inexistência de omissão de receitas – meros equívocos contábeis. A recorrente alega que não ocorreu omissão de receita.: Consoante revela o relatório fiscal dos autos de infração, a omissão de receita estaria caracterizada pela falta de comprovação por parte do contribuinte da origem dos recursos depositados na conta corrente bancária da Recorrente e escriturados em seus livros contábeis como “devolução de adiantamento a fornecedores efetuados a maior”. De acordo com a fiscalização, tais depósitos não tratariam de efetivas devoluções de adiantamento, porque as fichas de caixa do Banco Bradesco revelariam que os valores eram sacados das contas de uma das Moldureiras e, na sequência, depositados na conta de outra Moldureira. Assim, estaria caracterizada a suposta fraude. E por isso tece comentários, item a item para justificar a não omissão de receitas: 3.1) Da utilização de madeira da região norte, como matériaprima na produção de molduras; peculiaridade da matériaprima adquirida: madeira mole; dificuldade burocrática na compra de madeiras; contabilização inadequada (incorreta), dos adiantamentos de dinheiro, efetuada pela Incomarte, até 2006; abrangência das incorreções contábeis; as outras contas patrimoniais e de resultado corretamente contabilizadas; livros fiscais de entrada e de apuração (ICMS e IPI); não há registros incorretos na compra de madeira do Amapá (operação Isaías). Alega que a madeira utilizada na fabricação de molduras é um tipo de madeira em que há baixa procura na região Norte. Devido as dificuldades de encontrar o produto para suprir sua demanda contrataram empresas especializadas em compra e fornecimento de madeira mole. Enviavam adiantamentos para essas empresas parceiras que se encarregavam de comprar de outras serrarias de menor porte. Concorda que até 2006 efetuou incorretamente a contabilização desses adiantamentos e deduções. b) MANEIRA INCORRETA (UTILIZADA ATÉ 2006): Ao invés de proceder como o acima exposto (dedução do valor das compras de outras serrarias, da conta de Adiantamento da serraria “parceira”/representante que intermediu o negócio), a Fl. 5270DF CARF MF 14 Incomarte, à medida que recebia as cargas de madeira das outras serrarias, passou a fazer a dedução do valor da compra diretamente dos adiantamentos bancários que efetuados por ocasião do ingresso da matériaprima. A partir do ano de 2004 a Incomarte começou a produzir molduras utilizando o “pinus taeda” como matériaprima. Com isso, foi reduzindo aos poucos o volume de compras da madeira do Norte. A partir de 2007 as compras de madeira na Região Norte ficaram concentradas nas serrarias “parceiras”, não mais existindo compras de outras serrarias. Deste modo, a partir de 2007, não há mais a escrituração incorreta de “Adiantamentos para Fornecedores”. Todas as alegações apresentadas pela recorrente são desprovidas de prova. A acusação fiscal é sobre a majoração de custos de matériasprimas, cuja conseqüência mais relevante seria o aumento fraudulento da base de cálculo do crédito presumido. A recorrente alegou inexistirem irregularidades quanto às aquisições, notas fiscais e seus registros, pois apenas o registro de pagamentos estaria incorreto. Esclarecendo que, devido a diversas circunstâncias, os pagamentos eram efetuados aos maiores fornecedores, que os repassavam, quando as aquisições eram efetuadas de outros fornecedores. Entretanto os documentos fiscais devem ser formalmente e materialmente verdadeiros, e o que a fiscalização verificou é que as notas fiscais refletiam parcialmente a operação, e apesar de estarem registradas nos livros fiscais, a comprovação do pagamento não confirmou o preço indicado nas notas fiscais. Conforme declarou a DRJ no acórdão recorrido: No caso em questão, não faz sentido algum a emissão de cheques para saque em caixa e pagamento em dinheiro a fornecedores situados em outros Estados. Também não faz sentido a explicação dada pela empresa quanto aos adiantamentos, uma vez que pressuporia que altíssimos valores em espécie seriam entregues, sem garantia, a certos fornecedores, que efetuariam a devolução, quando as aquisições fossem feitas de outros fornecedores, sem se ter controle ou registro de como tais operações ocorreram. É importante ressaltar que a Fiscalização não apurou pagamentos a “parceiros” mas a outras moldureiras do grupo. Ademais, a Fiscalização também esclareceu que o montante dos adiantamentos era muito superior ao que seria esperado, pois não havia quitação completa do compromisso de fornecer madeira paga antecipadamente. Após verificar tais fatos, a Fiscalização efetuou diligência junto às madeireiras e identificou não haver registros dos adiantamentos na maioria dos casos. Além disso, na análise por amostragem das fichas de caixa, a Fiscalização identificou procedimentos de saque e depósito de numerário concomitantes, Fl. 5271DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.265 15 até mesmo na conta de uma mesma moldureira. Assim, esta operação, que visava simular o registro contábil, foi verificada de maneira irrefutável pela Fiscalização. Identificou, ainda, a prática de registrar adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento a terceiro, inclusive familiares dos sócios da empresa, como verificou a fiscalização em seu termo. Por fim, houve casos em que os valores pagos eram inferiores aos contabilizados, especialmente em relação às operações com a Madecamp. Esses operações foram identificadas especificamente pela Fiscalização e vinculadas a operações bancárias que demonstraram o uso de várias procedimentos bancários com a finalidade de justificar os valores registrados contabilmente. Observese que, apesar de a Fiscalização ter descrito com demonstrativos como eram efetuadas as operações bancárias, a Interessada não justificou em sua manifestação de inconformidade nenhum dos exemplos especificamente citados pela Fiscalização. Tais práticas não correspondem ao que foi alegado genericamente pela Interessada em sua manifestação de inconformidade e são provas veementes de simulações. Apesar de não ser responsável pelas más condutas dos fornecedores de madeira, e nem mesmo tendo sido este um dos motivos para as glosas dos créditos presumidos, como afirmou a fiscalização, verificou se que no mínimo, em torno de 64 % dos recolhimentos de Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados e, considerando que os créditos presumidos permitidos pela legislação, e ora em discussão, tem por principio devolver aos exportadores (Moldureiras), os pagamentos de PIS/COFINS embutidos e supostamente pagos pelos fornecedores de matérias primas, aos quais, como foram em sua grande parte sonegados, em adição ao fato de a interessada e outras moldureiras não contabilizar pagamentos (ou antecipações) para empresas mencionadas no TVF, a empresa ora em questão colaborou para que os documentos emitidos pelos fornecedores estivessem à margem de qualquer tipo de controle fiscal, ou florestal, e também alcançados por uma constante suspeita de sonegação. Em outras palavras, conforme transcrição do TVF, as moldureiras, coresponsáveis pela falta de recolhimento dos depósitos terceirizados “ ... esconderam/ embaralharam/ por anos a fio a verdadeira identidade dos pagamentos a fornecedores (no mínimo, as moldureiras foram coniventes com as operações comerciais que já nasciam candidatas à inexatidão e portanto, à sonegação — pelos pagamentos reais reiteradamente encobertos por sua contabilidade errante).” Fl. 5272DF CARF MF 16 Portanto, analisando os autos e os documentos acostados, podemos ver que não se trata de simples erro na contabilização dos pagamentos. A fiscalização identificou várias práticas adotadas pela recorrente que não possuem amparo legal, como bem esclarecido no voto da DRJ, que vão muito além da simples contabilização. No TVF a fiscalização aponta a ocorrência de três tipos de fraude na contabilidade das contribuintes, no que se refere ao pagamento das matériasprimas. O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque !!!. [...]Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Fl. 5273DF CARF MF Processo nº 11516.006132/200817 Acórdão n.º 3401005.804 S3C4T1 Fl. 5.266 17 Em média 92% das notas fiscais de aquisição de madeira foi efetuado pelo sistema de adiantamento de recursos. Sendo que o insumo madeira representa 40% em média de todos os custos variáveis das empresas: Nelas, a principio, eram registrados tanto os valores referentes a pagamenlos antecipados as madeireiras (fornecedores de madeira), quanto os abatimentos parciais entre as contas "adiantamentos" e as contas de "fornecedores" propriamente ditas, assim como também inúmeras devoluções de adiantamentos". Os valores contabilizados são deveras significativos e o que mais chamou a atenção, já numa avaliação inicial, é que mesmo quando ainda existiam valores consideráveis de créditos (adiantamentos) atribuidos a um fornecedor, antes mesmo de se fazer um abatimento desses créditos (com o esperado fornecimento da madeira), constatava se novas transferências a titulo de adiantamento. Tudo isso lançado na contabilidade, mas nem sempre com respaldo nos registros bancários, pois nesses as transações que se tem são outras, especialmente diferentes, conforme se detalhará no decorrer deste Termo. Chama atenção da fiscalização o fato de haverem novos adiantamentos quando já existia crédito suficiente anteriormente adiantado, a emissão de cheques nominais às próprias moldureiras, e não às fornecedoras, que estavam localizadas em outra região do país, e devoluções de adiantamentos concomitantes com o envio do adiantamento, sendo que o adiantamento era em dinheiro, entregue em mãos conforme declara o contador da empresa, e a devolução de adiantamento era efetuada por transferência bancária. Também supreendeu a fiscalização o fato desses adiantamentos não terem sido quitados. As madereiras receberam o adiantamento mas não cumpriram o compromisso de entrega do produto, ficando devedoras das moldureiras, e continuaram recebendo adiantamento em 2010, mesmo após o fim do compromisso de compra efetuado entre as empresas em 2006. Apesar de todas essas irregularidades apontadas pela fiscalização, a recorrente, desde o início, se limita a afirmar que tem direito aos créditos e que apenas incorreu em erro na contabilização dos pagamentos, mas não justifica as irregularidades apontadas pela fiscalização. Por fim a recorrente insiste no seu direito à fruição do crédito presumido do IPI, pelo atendimento aos requisitos exigidos em lei e por as aquisições de insumos terem sido efetivamente realizadas. Enfatiza a inocorrência de irregularidades formais na escrituração do crédito presumido do IPI no livro de apuração do IPI. A conclusão da fiscalização foi: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange àqueles decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Fl. 5274DF CARF MF 18 Portanto não cabe a alegação de que as notas fiscais necessitavam ter sido declaradas inidôneas, já que ficou provado que as transações comerciais, amparadas pelas notas fiscais, não refletiam a realidade. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por negar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 5275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722669/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O pedido de parcelamento parcial importa a desistência de parte do recurso interposto, nos termos dos §§2º e 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO.
A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos.
Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração.
PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA BENEFICIÁRIA.
A existência de pagamento sem causa atrai a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora, sendo descabida a tributação nas pessoas dos contribuintes beneficiários.
TRANSFERÊNCIA DE VALORES ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA.
Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos decorrentes de transferências de recursos entre contas do sujeito passivo.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DA PESSOA DEPOSITANTE. AFASTAMENTO DO ÔNUS DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, aí entendida sua origem - em sentido estrito - e sua natureza.
DEPÓSITOS DE FAMILIARES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DO PAGAMENTO DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para os depósitos efetuados por familiares e não identificados durante o procedimento fiscal, para os quais o sujeito passivo não conseguiu, durante a discussão administrativa da autuação, justificar a causa do pagamento, deve ser mantido o lançamento.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir do lançamento os valores referentes aos depósitos efetuados pela FMU e as transferências entre contas, bem como para desqualificar a multa aplicada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
Julgamento iniciado na sessão de 6/11/18, com início às 9h, porém, foi concluído na manhã do dia 4/12/18, a pedido do patrono e com anuência do presidente da Turma.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pedido de parcelamento parcial importa a desistência de parte do recurso interposto, nos termos dos §§2º e 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA BENEFICIÁRIA. A existência de pagamento sem causa atrai a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora, sendo descabida a tributação nas pessoas dos contribuintes beneficiários. TRANSFERÊNCIA DE VALORES ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos decorrentes de transferências de recursos entre contas do sujeito passivo. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DA PESSOA DEPOSITANTE. AFASTAMENTO DO ÔNUS DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, aí entendida sua origem - em sentido estrito - e sua natureza. DEPÓSITOS DE FAMILIARES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DO PAGAMENTO DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os depósitos efetuados por familiares e não identificados durante o procedimento fiscal, para os quais o sujeito passivo não conseguiu, durante a discussão administrativa da autuação, justificar a causa do pagamento, deve ser mantido o lançamento. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.722669/2013-15
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5951270
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.793
nome_arquivo_s : Decisao_19515722669201315.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515722669201315_5951270.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir do lançamento os valores referentes aos depósitos efetuados pela FMU e as transferências entre contas, bem como para desqualificar a multa aplicada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Julgamento iniciado na sessão de 6/11/18, com início às 9h, porém, foi concluído na manhã do dia 4/12/18, a pedido do patrono e com anuência do presidente da Turma. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7577721
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416212275200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 10.682 1 10.681 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722669/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.793 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2018 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente EDEVALDO ALVES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pedido de parcelamento parcial importa a desistência de parte do recurso interposto, nos termos dos §§2º e 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA BENEFICIÁRIA. A existência de pagamento sem causa atrai a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora, sendo descabida a tributação nas pessoas dos contribuintes beneficiários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 69 /2 01 3- 15 Fl. 10682DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.683 2 TRANSFERÊNCIA DE VALORES ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos decorrentes de transferências de recursos entre contas do sujeito passivo. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DA PESSOA DEPOSITANTE. AFASTAMENTO DO ÔNUS DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, aí entendida sua origem em sentido estrito e sua natureza. DEPÓSITOS DE FAMILIARES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DO PAGAMENTO DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os depósitos efetuados por familiares e não identificados durante o procedimento fiscal, para os quais o sujeito passivo não conseguiu, durante a discussão administrativa da autuação, justificar a causa do pagamento, deve ser mantido o lançamento. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para excluir do lançamento os valores referentes aos depósitos efetuados pela FMU e as transferências entre contas, bem como para desqualificar a multa aplicada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Julgamento iniciado na sessão de 6/11/18, com início às 9h, porém, foi concluído na manhã do dia 4/12/18, a pedido do patrono e com anuência do presidente da Turma. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Fl. 10683DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.684 3 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Nos termos do relatório da Resolução 2402000.609 (fls. 2.242), temse que: Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, que implicou a lavratura do Auto de Infração de fls. 1563 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 8.941.604,66, sendo R$ 3.075.146,91, referentes ao imposto; R$ 4.612.720,36, à multa proporcional; e R$ 1.253.737,39, aos juros de mora (calculados até 10/2013). Conforme descrição dos fatos, às fls. 1567/1568 do Auto de Infração, o procedimento fiscal apurou a infração de DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrasse relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1514/1562, acompanhado dos anexos de fls. 1488/1513, cujos elementos de informação integram essa decisão, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, relevando destacar o que se segue: * A ação fiscal teve por escopo a verificação da compatibilidade da movimentação financeira do sujeito passivo e de seu cônjuge (Labibi Elias Alves da Silva, CPF 038.170.26854), em contas bancárias mantidas em conjunto, bem como em conta bancária de titularidade exclusiva do interessado, no ano calendário de 2008. * De posse dos extratos bancários, após analises preliminares, o interessado foi intimado a comprovar a origem de créditos bancários, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme Termo de Intimação de fls. 18/33; e fls. 34/39. Observese que o cônjuge e cotitular da maior parte das contas verificadas também foi intimado a comprovar a origem dos créditos, no termos do processo nº 19515.722828/201373. * Com base nos esclarecimentos prestados, a fiscalização reputou comprovada parte dos créditos bancários. Não obstante, permaneceu sem comprovação Fl. 10684DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.685 4 parcela destes, seja por não terem sido apresentados quaisquer documentos; seja por não ter sido acolhida a justificativa de que grande parte dos créditos decorreriam de devolução de empréstimo de mútuo, celebrados pelo próprio e pessoas jurídicas imunes, por ele representadas; seja por não ter sido acolhida a justificativa de que parte dos créditos estariam justificados por operações familiares. A análise individualizada dos créditos bancários efetuada pela fiscalização encontrase detalhada nas planilhas de fls. 1.494/1511. * A fiscalização reputou inidôneo os documentos apresentados pelo sujeito passivo, a título de comprovação de contratos de mútuo, por reputar tratarse de simulação, dando ensejo, além do não acolhimento da justificativa dos correspectivos créditos bancários, à qualificação da multa de ofício. 4. Cientificado da autuação em 21/11/2013 (às fls. 1571), o contribuinte protocolizou impugnação, às fls. 1581 e seguintes, por intermédio de procurador, mandato às fls. 1652, recepcionada na unidade local da Receita Federal do Brasil em 19/12/2013, cujas teses defensivas seguem sumariadas: a) Alega tratarse de pessoa física, de modo que não possui escrituração contábil ou arquivo documental de toda a sua movimentação financeira, incluída documentação de terceiros da qual nunca teria tido posse, não havendo nenhuma obrigação acessória instituída em sentido diverso. b) Não obstante, alega ter apresentado farta documentação comprobatória de contratos de mútuo, de modo a justificar os créditos bancários, com esclarecimento de que a entrega dos recursos ao mutuário teria sido efetuada mediante cheques nominativos emitidos pelo impugnante, sacados de suas contas correntes pessoais, em contrapartida com crédito de igual valor, registrados em contas bancárias das mutuarias. Aduz, ainda, que teria sido comprovada a devolução dos empréstimos mediante cheques nominais emitidos pelas mutuarias em favor do mutuante. c) Alega a inexistência de dispositivo legal a obrigar o contribuinte a manter a guarda de documentos comprobatórios da movimentação financeira, aplicando se, pois, as disposições do art. 5º, inciso II da Constituição Federal (“ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”). Assevera que as disposições do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que tratam de presunção legal de omissão de rendimentos em relação a créditos bancários de origem não comprovada, teria tido por mira, especialmente, as pessoas jurídicas, por lei obrigadas à escrituração contábil de suas operações e à manutenção de documentário, a cargo do profissional legalmente habilitado, de modo que não seria admissível dar o mesmo tratamento fiscal às pessoas físicas. Ressalta que o lançamento em questão, que exige crédito tributário da ordem de R$ 8.941.604,66, teria natureza nitidamente confiscatória, em vista dos rendimentos auferidos pelo sujeito passivo, que teriam montado em R$ 953.491,40, com IRRF em torno de R$ 210.137,57. d) Discorre sobre a presunção legal de omissão de rendimentos em questão, instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, para defender que, havendo comprovação da origem, como teria sido o caso de depósito efetuado pelo filho Fl. 10685DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.686 5 do impugnante, e outros créditos bancários cuja origem teria sido comprovada, não caberia a tributação, nos termos do referido dispositivo, ainda que se verificasse tratarse de rendimento tributável não oferecido à tributação. e) Requer a exclusão dos valores individualmente inferiores a R$ 12.000,00, observado o limite de R$ 80.000,00, nos termos do § 3º do art. 42 da lei nº 9.430/96. f) Aduz que tanto o impugnante, quanto o cônjuge, fizeram constar de suas DIRPFs os empréstimos com os quais pretendem justificar os créditos bancários. Aduz que os mutuários corroboraram o ato do recebimento desses empréstimos, consoante documentos acostados às fls. 1036/1037 e 1114/1117, os quais se encontrariam devidamente contabilizados. Aduz que as mutuarias confirmaram a devolução dos mútuos havidos, vide fls. 1100/1101 e fls. 1398/1399, que teriam sido restituídos sem nenhuma vantagem, consoante recibos e correspectivos slips de cheques de fls. 759/889, bem como contratos de mútuo às fls. 901/964. g) Quanto aos créditos bancários justificados, no curso da ação fiscal, como originários de devolução de empréstimos, que somam R$ 11.220.022,39, alega estar comprovando a saída das contas das mutuarias, bem como o ingresso nas contas dos mutuantes, mediante a “discriminação de cada uma das devoluções dos empréstimos, comprovandose, de forma cabal, as saídas (débitos) das contas das mutuarias, documentadas pelos extratos bancários das mutuarias, e respectivas entradas (créditosdepósitos) nas contas dos mutuantes, ficando evidenciadas as coincidências de datas e valores”, vide fls. 1609/1618. h) Alega que parte dos créditos bancários decorrem de operações entre familiares, conforme documentos entregues à fiscalização. Aduz que o crédito de R$ 5.640.000,00, efetuado em 14/01/2008, teria sido comprovado mediante extrato da conta bancária do filho, com débito na mesma data. Quanto aos depósitos R$ 270.000,00, efetuado em 19/03/2008; de R$ 171.000,00, efetuado em 20/03/2008; de R$ 270.000,00, efetuado em 24/03/2008; e de R$ 270.000,00, efetuado em 25/03/2008, na contacorrente 002.8383, os quais teriam sido comprovados no curso da ação fiscal mediante declarações firmadas pelos depositantes (fls. 970/972), com firmas reconhecidas, contendo a indicação dos cheques emitidos para depósito, com respectivos valores e datas, cuja justificativa não fora aceita por não ter sido comprovado o débito na conta corrente dos emitentes dos cheques, não obstante o alegado embaraço em obter extrato de terceiros, junta esses documentos, à título de comprovação. i) Aduz que, dos R$ 22.364.564,45 depósitos cuja origem foi reputada não comprovada pela fiscalização, R$ 11.220.022,369 estaria justificada por devolução de mútuo; e R$ 6.621.000,00 por transações familiares. j) Quanto aos demais créditos bancários, aduz que envidou todos os esforços junto aos bancos para obtenção dos comprovantes da movimentação bancária, junto às instituições financeiras, não obstante não tenha logrado êxito. Ressalta o rigor dispensado à fiscalização do interessado, pessoa física, em exigir comprovação de depósitos de valores inferiores a R$ 1.000,00, os quais teriam origem, provavelmente, em trocos de importâncias entregues a empregados Fl. 10686DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.687 6 domésticos, incumbidos de compras para o lar, ou para retirar encomendas feitas pelo impugnante e/ou familiares; bem como em recursos de terceiros recebidos pelo interessado e pelo cônjuge, em face de encargos assumidos com cláusula de confidencialidade. k) Assevera que todos os documentos necessários foram apresentados à fiscalização, de modo a permitir a verificação dos créditos bancários, em conformidade com a verdade material. Colaciona jurisprudência administrativa alinhada com as teses defensivas. l) Alaga ter colaborado com a ação fiscal, atendendo às intimações que lhe foram dirigidas, de modo que a demora na conclusão do procedimento não decorreu da inércia do interessado. Assevera não ser exigível, da pessoa física, a apresentação de livros contábeis de pessoas jurídicas. Referese ao fato de que a ação fiscal compreendeu o impugnante e seu cônjuge, dando ensejo à tributação dos depósitos bancários na proporção de 50% para cada, não obstante tenham sido lavrados dois Termos de Verificação Fiscal distintos, que abordam as mesmas questões, razão pela qual se reporta às mesmas razões de defesa em face da autuação do cônjuge. m) Aduz que os créditos bancários originários de devolução de mútuo não somariam R$ 16.860.022,00, conforme consignado no termo de Verificação Fiscal, e sim R$ 11.220.022,39. Aduz que a diferença de R$ 5.640.000,00 corresponde a depósito efetuado por seu filho Edson Elias Alves da Silva, em 14/01/2008, de modo que a origem foi comprovada como operações familiares. n) Referese ao fato de que a motivação declinada pela autoridade lançadora para recusar a justificativa para os créditos bancários supostamente originários de devolução de contratos de mútuo, qual seja, a falta de apresentação dos extratos bancários das pessoas jurídicas ACE – Associação de Cultura e Ensino e FMU, representadas pelo cônjuge; aduz que a fiscalização incidia apenas sobre as pessoas físicas; e não sobre as pessoas jurídicas, de modo que não poderia confundir o representante legal destas com a entidade por ele representada. Não obstante, diante do que alega tratarse de infundada representação fiscal para fins penais, o interessado e o cônjuge optaram reunirse com os demais associados, de modo que foi autorizada a entrega dos extratos bancários, nos pontos destinados à comprovação da devolução dos mútuos, que seguem anexos à impugnação. o) Alega estar apresentando, ainda, os extratos bancários das instituições, relativos às épocas em que os contratos de mútuo teriam sido celebrados, excluídos aqueles que não foram localizados pro se referirem a períodos já atingidos pela decadência, não obstante tenha juntado “cópia de razão analítico, onde estão descritos o nome do mututante, o cheque entregue à pessoa jurídica mutuaria, com o número e nome do banco sacado e o respectivo valor”. p) Quanto à alegação da fiscalização de que os 124 recibos apresentados, para fins de comprovação de devolução de contratos de mútuo, os quais foram acompanhados de “slips” de contabilidade, denominados “cópias de cheques”, em datas coincidentes com os créditos bancários, cuja força probatória teria sido Fl. 10687DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.688 7 negada pelo fato de serem padronizados, justifica por se tratarem de operações idênticas; e por ser comum e usual que empresas e profissionais se utilizem de modelos padronizados. q) Afirma não haver qualquer contradição entre o que consta dos recibos (quitação referente unicamente à amortização do principal, sem renúncia dos juros e demais acréscimos), com o informado pelas mutuarias, que confirmaram terem pago aos mutuantes apenas parte do principal, sem juros ou outras vantagens. r) Referese ao fato de que alguns dos depósitos alusivos aos cheques emitidos para fins de devolução de contrato de mútuo corresponderem a depósitos efetuados alguns dias antes da data de emissão para alegar não haver inconsistência. Aduz ser comum a feitura do cheque antes da data da emissão, e o eventual depósito antes dessa data, vez que o cheque é ordem de pagamento à vista. s) Referese a dúvidas suscitadas pela fiscalização quanto à confiabilidade dos contratos de mútuo, por não terem sido levados a registro público; e por terem sido assinados pelo interessado, na qualidade de mutuante e representante da mutuaria, simultaneamente. t) Referese às dúvidas suscitadas pela fiscalização quanto à inexistência da informação concernentes aos juros emergentes dos contratos de mútuo, sob a alegação de que tal decorre do fato de que não teriam sido pagos tais juros, não havendo, pois, a hipótese de incidência de IRRF. u) Afirma que os anoscalendários de 2006 e 2007 já foram atingidos pela decadência; ao passo que o anocalendário de 2009 não foi objeto da ação fiscal. v) Aduz que os alegados estouros de caixa não foram objeto de procedimentos fiscais pertinentes, ferindo o devido processo legal. w) Referese à afirmação da fiscalização de que os contratos de mútuo, subscritos exclusivamente pelo cônjuge, veiculariam abuso de poder, por não terem sido assinados em conjunto com o Diretor Superintendente, conforme previsto nos estatutos sociais, de modo que seriam nulos e inaptos para justificar os créditos bancários; para concluir tratarse de ato anulável, de modo que caberia aos dirigentes interessados pleitear judicialmente o desfazimento do negócio jurídico. Não obstante, afirma que os negócios em questão teriam sido convalidados por ocasião da prestação de contas anual, devidamente aprovadas, inclusive pelo Diretor Superintendente. Aduz que, em matéria tributária, o que importa é a efetividade da operação. x) Contesta a alegação da fiscalização de que a falta de apropriação dos juros vincendos, emergentes dos contratos de mútuo, implicaria em vícios formais, a impedir a aceitação da escrituração utilizada como meio de prova, vez que isso equivaleria a desconsiderar a escrituração de uma pessoa jurídica imune, sem que isso tenha implicado prejuízo algum ao fisco. Fl. 10688DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.689 8 Assevera que “toda a exposição feita nos TVF’s de ambos os processos, no que concerne aos procedimentos contábeis, cabe consignar, máxima vênia, que as observações ali relatadas, são aplicáveis às pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo lucro real, hipótese diversa das pessoas imunes, cuja obrigatoriedade de escrituração cingese ao que dispõe o artigo 14, inciso III, do Código Tributário Nacional”. z) Em vistas das teses defensivas elencadas, considerando, ainda, a jurisprudência administrativa dominante, que afasta a incidência de multa qualificada em lançamento de omissão de rendimentos fundada em presunção legal, requer o afastamento da exacerbação da penalidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazêlo. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o intuito de sonegação, fraude ou conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 09/03/2015, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 1946 e segs., em 02/04/2015, o recurso voluntário, em que, após pugnar pelo reconhecimento da tempestividade do mesmo e consequente suspensão do crédito tributário, apresentou os principais fatos do processo e repisou os argumentos defendidos na impugnação, inovando, no entanto, em relação ao que, em apertada síntese, segue abaixo: 1. Preliminar Fato relevante e superveniente: Alega o Recorrente que o Fisco, ao fiscalizar a Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), teria comprovado de forma cabal a origem dos depósitos provenientes das devoluções de mútuo, com coincidência de datas e valores levados a débito nas contas bancárias da FMU e crédito nas contas bancárias do recorrente. Tal fato, por si só, afastaria de planos a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.439/96. Os mesmos valores teriam sido tributados nas pessoas físicas do recorrente e sua esposa (também sujeita a fiscalização e lavratura de auto de infração em base semelhante PAF nº 19515.722828/201373) e, poucos dias depois, na pessoa Fl. 10689DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.690 9 jurídica mutuária, esta com base nos arts. 674 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto nº 3.000/1999 RIR/ 99, os quais preveem tributação exclusiva na fonte, com incidência única e definitiva, nos termos do PAF n.º 19515.723069/201366. Desta forma, tendo havido tributação exclusiva na fonte por pessoa jurídica, com base nos artigos 674/675 do RIR/99, seria descabida a tributação em desfavor das pessoas físicas e o agravamento da penalidade aplicada. Ato contínuo, na sessão de julgamento realizada em 09/05/2017, os membros deste Colegiado converteram o julgamento do presente feito em diligência, nos seguintes termos, em síntese: Alega o Recorrente que o Fisco, ao fiscalizar a Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), teria comprovado de forma cabal a origem dos depósitos provenientes das devoluções de mútuo, com coincidência de datas e valores levados a débito nas contas bancárias da FMU e crédito nas contas bancárias do recorrente. Tal fato, por si só, afastaria de planos a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.439/96. Os mesmos valores teriam sido tributados nas pessoas físicas do recorrente e sua esposa (também sujeita a fiscalização e lavratura de auto de infração em base semelhante PAF nº 19515.722828/201373) e, poucos dias depois, na pessoa jurídica mutuária, esta com base nos arts. 674 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto nº 3.000/1999 RIR/ 99, os quais preveem tributação exclusiva na fonte, com incidência única e definitiva, nos termos do PAF n.º 19515.723069/201366. Desta forma, tendo havido tributação exclusiva na fonte por pessoa jurídica, com base nos artigos 674/675 do RIR/99, seria descabida a tributação em desfavor das pessoas físicas e o agravamento da penalidade aplicada. A primeira vista, faz sentido o pleito do contribuinte, no entanto, com vistas a confirmar suas alegações mister se faz obtenção de cópia integral do processo mencionado, qual seja PAF n.º 19515.723069/201366. Às fls. 2.251 a 10.626 foi acostado aos presentes autos cópia do PAF 19515.723069/201366. Cientificado dos termos da Resolução 2402000.609, o contribuinte trouxe aos autos: (i) Recibo de Adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) (fls. 10.631); (ii) Anexo Único – Requerimento de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo (fls. 10.636); (iii) Petição de Desistência Parcial do Recurso Voluntário (fls. 10.637). Fl. 10690DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.691 10 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Da Admissibilidade e Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente pelas razões abaixo demonstradas. Em face do parcelamento de parte dos débitos do processo, deve ser aplicada regra disposta no art. 78, §§ 2º e 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Assim, não conheço da parte do recurso voluntário no que tange ao débito no valor principal de R$ 845.562,04, apurado pela Unidade de Origem nos autos do PAF 19515.722828/201373 em face do Acórdão nº 2402005.593 (vide fls. 10.641), que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente à contribuinte Labibi Elias Alves da Silva (esposa do Sr. Edevaldo Alves da Silva, ora Recorrente), em decorrência dos mesmos fatos e valores objeto do presente processo. Do Mérito Fl. 10691DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.692 11 No que tange ao mérito da acusação fiscal, esclareçase inicialmente que o contribuinte foi fiscalizado em conjunto com sua mulher, Sra. LABIBI ELIAS ALVES DA SILVA, CPF/MF n2 038.170.26854, para comprovação da origem dos seus depósitos bancários, no ano de 2008. Com exceção da Conta Santander nº 010306535, na qual foi apurado um único depósito sem comprovação da sua origem, no valor de R$ 70,11, todas as contas bancárias fiscalizadas são conjuntas e foram examinadas simultaneamente. Os valores considerados tributáveis foram somados ao final de cada mês, e os totais mensais foram divididos por dois, atribuindose a cada cônjuge o montante tributável correspondente a 50%, conforme se infere das tabelas abaixo reproduzidas, extraídas do TVF objeto do presente PAF (fls. 1.560): Fl. 10692DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.693 12 Como se vê, os mesmos valores, decorrentes, por sua vez, dos mesmos fatos, foram objeto de dois autos de infração. Um, lavrado em desfavor do contribuinte ora Recorrente, que deu origem ao presente processo 19515.722669/201315, e outro, em nome de sua esposa, LABIBI ELIAS ALVES DA SILVA, que deu origem ao PAF nº 19515.722828/2013.73. As autuações lavradas em desfavor do Recorrente e sua mulher foram embasadas, pois, nos mesmos fatos, pelo que as razões de fato e de direito deduzidas nas fases impugnatória e recursal, bem como a documentação apresentada, foram as mesmas, conforme sinalizado pelo próprio contribuinte desde a impugnação. Neste contexto, tendo o Recurso Voluntário objeto do PAF 19515.722828/20137 já sido apreciado por este Colegiado em 19/01/2017, nos termos do Acórdão nº 2402005.593, e estando as conclusões deste relator em consonância com aquelas constantes no referido acórdão, adoto os fundamentos daquele julgado, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: Devoluções de contratos de mútuo Segundo a autoridade lançadora a contribuinte informou que o seu cônjuge manteve com a FMU e ACE, entidades a ele ligadas, nas quais figurava, à época e atualmente, como presidente e ela como diretora, contratos de mútuo, em que Edevaldo seria o mutuante. Parte dos depósitos teria sido justificada como devoluções desses empréstimos. Para não acatar esta justificativa, o fisco mencionou que os históricos dos lançamentos bancários não identificam o depositante, além de que não houve a Fl. 10693DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.694 13 apresentação dos extratos bancários das mutuárias, nem outro documento hábil a possibilitar a verificação da coincidência de valor e data dos depósitos, de modo a comprovar cabalmente a origem destes. Acerca dos 124 recibos firmados por Edevaldo e apresentados para justificar a origem dos depósitos, a auditoria afirmou que, apesar de emitidos com data e valor coincidentes com os depósitos, não seriam hábeis a comprovar a quitação dos mútuos pelas seguintes razões: são documentos padronizados, mesmo emitidos por duas entidades distintas; foram assinados pelo interessado e não há como verificar a época em que foram produzidos; são omissos quanto à conta bancária onde foi feito o crédito, bem como quanto à forma de quitação (cheque, transferência bancária, espécie, etc.); trazem contradição ao afirmar que o mutuante não renuncia aos acréscimos de juros e demais encargos, todavia, as mutuárias informam que pagaram apenas o principal; também não identificam os contratos a que se referem. Para autoridade lançadora, os documentos a que a contribuinte se referiu como "cópias de cheques" não são documentos bancários, mas papéis produzidos pelas empresas mutuárias, além de que há várias divergências entre os mesmos e os extratos bancários, conforme relatado no item 5.3.2.2 do TVF. Concluise então que não se prestariam a comprovar os depósitos. Segundo o fisco, a contribuinte apresentou como prova para justificar os depósitos, 32 instrumentos particulares de mútuo, com juros fixos de 1,5% a.m., com prazos variando de 4 meses a 1ano, os quais teriam sido celebrados no período de junho de 2006 a novembro de 2008. Nos documentos aparecem a contribuinte como mutuante e as entidades FMU e ACE na qualidade de mutuárias. Para o fisco, tais instrumentos de contrato não teriam aparência de fidedignos. Afirma que apesar de pactuados num lapso de 2 anos apresentam a mesma forma de digitação, inclusive a fonte, além de conterem idênticas cláusulas, a exceção do valor e do prazo. Não apresentam testemunhas e nenhuma autenticação que pudesse indicar a data em que foram assinados. As únicas firmas reconhecidas são da autuada e do seu cônjuge, que assinaram como mutuantes e representante das mutuárias. Quanto aos juros fixados, a auditora menciona que, malgrado a grande variação da taxa de juros de mercado no período de 2006 a 2008, todos os contratos preveem a mesma taxa de 1,5% a.m. Por outro lado, não foi localizado qualquer indício de pagamento de juros no período de vigência dos contratos, seja na contabilidade das mutuárias ou retenção de imposto de renda sobre tais quantias. A autoridade lançadora menciona também que a contribuinte foi intimada a vincular cada depósito ao respectivo pagamento de mútuo, todavia, não atendeu a esta solicitação, tendo entregue planilha mencionando apenas os contratos e os pagamentos, sem fazer a vinculação. O fisco então fez simulação dos pagamentos Fl. 10694DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.695 14 com os contratos mais antigos, tendo verificado excesso de pagamentos para as duas mutuárias, conforme demonstrado no item 5.3.2.3, alínea "b", do TCF. Considerando que o estatuto da FMU prevê a assinatura do Diretor Superintendente em todos os documentos que importem em obrigações para a entidade, a falta de assinatura deste nos contratos de mútuo em destaque também é motivo para não aceitação dos documentos como comprobatórios dos depósitos efetuados em nome dos contribuintes. No item 5.3.2.4 do TVF há ainda a indicação de desconformidade contábil no registro dos mútuos, posto que não se lançou os juros a vencer, desrespeitando se, assim, o Princípio Contábil da Competência. Concluise que a escrituração contábil apresentada conteria vícios, impedindo que fosse aceita como prova em favor da contribuinte, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto nº 3.000/1999 RIR/ 99. Por fim, mencionase que os próprios fiscalizados são quem assinam os termos de abertura e encerramento dos livros fiscais apresentados, além de que as entidades mutuárias deixaram de atender a intimações efetuadas em diligência fiscal, procurando dificultar o acesso aos arquivos contábeis em meio magnético. Feito este apanhado dos principais fatos ocorridos durante o procedimento de fiscalização, já é possível apreciar se cabível a aplicação do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 sobre os depósitos que teriam sido justificados como quitação de empréstimos. A meu ver sim, posto que não houve a perfeita vinculação dos depósitos às supostas parcelas de amortização de mútuos. Como bem narrado no relato do fisco, nos extratos bancários relativos às contas fiscalizadas não é identificado o depositante, além de não terem sido apresentados os extratos bancários das entidades FMU e ACE, de forma a vincular as saídas de suas contas correntes com os créditos nas contas da contribuinte. Aliado a isso há toda uma apreciação dos documentos exibidos pela autuada, onde todas as inconsistências relatadas, pelo menos durante o procedimento fiscal, não traziam confiabilidade suficiente para a comprovação da justificativa alegada. É cediço que a partir de 01/01/1997 a disciplina da tributação dos depósitos bancários passou a ser dada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (alterado pela Lei n.º 9.481/1997), que traz a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 10695DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.696 15 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Observase que o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram por instituições financeiras em nome do contribuinte, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertesse em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Tratase assim de uma presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Fl. 10696DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.697 16 Todavia, a presunção legal somente é afastada quando são carreados elementos probatórios que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta corrente. Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. Passando ao caso concreto, verificasse que o sujeito passivo não conseguiu com os documentos apresentados durante a ação fiscal demonstrar inequivocamente a existência dos mútuos e que os depósitos identificados nos seus extratos bancários estariam vinculados a pagamentos efetuados pelas supostas mutuárias. A falta de prova da saída dos recursos das contas das entidades FMU e ACE, aliada a não coincidência entre os valores devidos e as quantias depositadas é ponto crucial, que me leva ao entendimento de que não houve naquele momento a cabal comprovação da origem dos depósitos. Diante disso, é perfeitamente aplicável o dispositivo indicado pelo fisco para fundamentar a autuação na parte que se quis justificar os depósitos como pagamentos de mútuos. Assim, devo passar ao momento posterior à fiscalização, ou seja, ao contencioso administrativo, de modo a verificar se as provas carreadas com a defesa foram suficientes para afastar a presunção legal corretamente utilizada pela autoridade fiscal. A DRJ, baseandose nas evidências apresentadas pelo fisco, concluiu ser procedente o lançamento no que toca à infração decorrente de omissão de rendimentos pela falta de comprovação da origem dos depósitos que o sujeito passivo alegou serem devoluções de contratos de mútuo. Embora no recurso tenham sido apresentados extratos bancários das entidades FMU e ACE e cópias de demonstrativos contábeis, que indicariam a saída dos recursos destas para as contas da autuada, o órgão recorrido firmou o entendimento que a causa jurídica para os pagamentos não restou suficientemente comprovada em razão da fragilidade probatória relacionada aos contratos de mútuo. Assim, conclui a DRJ que não basta comprovar a transferência financeira, sendo necessária a indicação de uma causa jurídica consistente, o que não teria conseguido trazer aos autos a contribuinte. Em relação aos depósitos efetuados pela FMU, em sede de recurso o sujeito passivo trouxe como fato relevante e superveniente a fiscalização empreendida Fl. 10697DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.698 17 pela RFB nesta entidade, onde teria ficado comprovado de forma cabal a origem dos depósitos provenientes de devoluções de mútuo. Afirma que nesta ação fiscal, concluída menos de um mês após o encerramento daquela que deu ensejo à lavratura ora apreciada, as devoluções de mútuo foram novamente tributadas na pessoa jurídica mutuária com base nos arts. 674 e 675 do RIR/99, que preveem a tributação exclusiva na fonte, conforme o PAF n.º 19515.723069/201366. Tal fato implicaria na insubsistência da autuação combatida nos presentes autos. Coincidentemente este processo foi julgado por essa mesma Turma, na sessão ocorrida em 14/06/2016, tendose concluído que os pagamentos para a quitação de supostos mútuos efetuados pela autuada, seu cônjuge e os filhos Edson e Eduardo, deveriam sofrer a tributação do imposto de renda na fonte, por falta de comprovação da causa do pagamento. Considerandose que a tributação naquele processo incluiu os mesmos depósitos efetuados em nome da autuada e de seu cônjuge e que compõe este processo, entendo que não pode subsistir os valores aqui lançados. Isto porque a tributação feita com base no art. 674 do RIR/99 é feita exclusivamente na fonte. Peço licença, para transcrever o voto trazido na ocasião pelo I. Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, o qual fundamenta com maestria esta impossibilidade de tributação em duplicidade nestes casos: " 3 Dupla incidência Segundo a recorrente, o Relatório Fiscal informa que as devoluções de mútuo, supostamente consideradas como remunerações pagas sem causa, já haviam sido tributadas nas pessoas físicas que receberam ditas devoluções, de forma que, no seu entender houve dupla tributação do imposto de renda. Nesse contexto, ela entende que devem ser excluídas da tributação do IRRF as importâncias já submetidas à tributação nas pessoas físicas, sob pena de dupla tributação e flagrante ofensa à ordem jurídicotributária brasileira. Contudo, e ao contrário do que alega a recorrente, não devem ser excluídas da incidência do IRRF as importâncias alegadamente tributadas nas pessoas físicas. O art. 674 do Regulamento (art. 61 da Lei nº 8.981/1995), cuja redação segue abaixo, estabelece que a tributação é feita exclusivamente na fonte pagadora, e não no beneficiário do pagamento, o que exclui a plausibilidade da tese invocada no recurso. Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). Fl. 10698DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.699 18 §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2ºConsiderase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Na dicção do inc. I do art. 83 do Regulamento, os rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva nem mesmo compõem a base de cálculo do imposto na declaração do contribuinte. Entretanto, é indubitável que os alegados pagamentos sem causa não poderiam ser tributados nas pessoas físicas a título de depósitos ou créditos sem comprovação de origem, pois a referida origem estaria evidenciada nestes autos (operações de mútuo ou pagamentos sem causa), faltando o suporte fático do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Nesse contexto, a existência de pagamento sem causa atrai a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora, e não nas pessoas dos contribuintes, de forma que o lançamento feito nas pessoas dos contribuintes poderia estar equivocado, mas não o contrário." Conclusão 1 Feitas essas considerações, encaminho para que sejam excluídas da base de cálculo os valores relativos aos depósitos efetuados pela FMU em contas bancárias de titularidade da autuada e seu cônjuge. Esses valores podem ser obtidos na coluna "Valor" do Anexo IIB (fls. 7.683/7.689) do PAF n.º 19515.723069/201366, de onde devem ser computados como dedução da base de cálculo o montante equivalente a 50% das quantias depositadas nas contas de Labibi Elias e Edevaldo Silva, posto que no lançamento sob apreciação foram computados os rendimentos auferidos apenas por Labibi, que figurava como cotitular das contas bancárias, conforme exposto acima. Em relação aos depósitos efetuados pela ACE, observase que o sujeito passivo para comprovar a alegada devolução de mútuo juntou os extratos da entidade onde constam débitos relativos a emissão de cheques em todas as datas indicadas pelo fisco, a exceção dos depósitos efetuados em 15/08/2008, onde do extrato somente é possível inferir que os débitos a conta da ACE ocorreram antes do dia 18/08/2008. Foram providenciados também documentos para comprovar a entrega dos recursos pelos mutuários nas contas da mutuante. Apresentamse registros na contabilidade da ACE, bem como extratos bancários da autuada e de seu marido, com a saída do numerário correspondente. Fl. 10699DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.700 19 A meu ver essa documentação não é hábil a comprovar o alegado, posto que não permite verificar a qual empréstimo corresponde uma dada devolução. É que não houve a juntada dos registros contábeis da entidade referentes aos supostos pagamentos dos mútuos. Essa necessidade fica muito evidente quando nos deparamos com a afirmação do TVF de que não há uma correspondência entre as quantias pagas e aquelas devolvidas, havendo um excesso de pagamentos em relação aos supostos mútuos. É de se ressaltar que esse argumento do fisco, apresentado no afã de dar mais substância as suas conclusões foi mencionado no TVF, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa da autuada, posto que esta teve a plena oportunidade de se contrapor a conclusão da autoridade fiscal. É bom que se diga que a recorrente aponta que os valores emprestados seriam superiores aos devolvidos, todavia, isso ocorreu porque foram inseridos no seu demonstrativo supostos mútuos efetivados após 15/08/2008, data a partir da qual não houve mais nenhuma inclusão na base de cálculo do lançamento de depósitos não comprovados relativos a repasses que na defesa comprovouse terem sido feitos pela ACE. Assim, não havendo como se comprovar a correspondência entre os depósitos e os contratos de mútuo, há de prevalecer a presunção de omissão de rendimentos. Depósitos efetuados por familiares Aproveito para transcrever quadro utilizado no próprio recurso para apresentar as parcelas tributadas que o sujeito passivo tentou justificar como depósito efetuados por familiares. Para o depósito efetuado em 14/01/2008, o próprio fisco já indicou no TVF que reconhecia a origem, mas não o acatava pelo fato do contribuinte mencionar que Fl. 10700DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.701 20 se tratava de aquisição de direitos creditórios relativos a contratos de mútuos que o fisco entendeu não terem sido comprovados. É o que se infere do seguinte trecho do arrazoado fiscal: Como se percebe, desde a fase de apuração que o fisco já demonstrava saber origem do depósito, não tendo aceitado por entender que lhe faltaria a causa jurídica da transferência. A justificativa do contribuinte também restou afastada pela DRJ, pelo mesmo entendimento da autoridade lançadora, como se pode ver do excerto do voto condutor do acórdão: "k) Quanto à alegação de que os créditos bancários originários de devolução de mútuo não somariam R$ 16.860.022,00, conforme consignado no termo de Verificação Fiscal, e sim R$ 11.220.022,39; cuja diferença de R$ 5.640.000,00 corresponde a depósito efetuado por seu filho Edson Elias Alves da Silva, em 14/01/2008, de modo que a origem teria sido comprovada como operações familiares, essa tese também não merece acolhida. Com efeito, o afastamento da presunção de omissão de rendimentos requer a prova, estreme de dúvidas, da natureza jurídica do crédito bancário, de modo a aferir tratarse ou não de rendimentos tributáveis, o que não ficou demonstrado. Por oportuno, registrese, ainda, que a inclusão desse crédito no rol daqueles analisados sob o enfoque da justificativa de que teriam origem em devolução de mútuo decorreu do fato de que o contribuinte justificou, no curso da ação fiscal, tratarse de pagamento efetuado pelo filho em vista da aquisição de direitos creditórios que o sujeito passivo teria em face da FMU (vide Termo de Verificação Fiscal às fls. 1077), em vista dos contratos de mútuo já referidos. Com efeito, se a fiscalização não admitiu verossímil as provas apresentadas pelo sujeito passivo, alusiva aos referidos contratos de mútuo, fato corroborado nesse voto; estes não se prestariam, também, a esclarecer a natureza jurídica do crédito bancário relativo ao depósito efetuado pelo filho." Ao meu ver para esse depósito tem razão à recorrente, posto que não caberia a presunção instituída no art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, uma vez que o já citado dispositivo é aplicável aos casos em que o fisco não tem como ter certeza de onde se originou o depósito questionado. No momento que o sujeito passivo identifica o depositante, é de se imputar, se cabível, a ocorrência da infração de omissão de rendimento recebido de pessoa física ou jurídica. Fl. 10701DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.702 21 Esse entendimento expressei aqui na reunião do mês passado, quando proferi voto no processo n.º 13864.000242/201065, expressando a seguinte diretriz interpretativa: " Uma primeira questão que se revela essencial para o deslinde desse ponto do recurso diz respeito à possibilidade do fisco fundamentar o lançamento na omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários não identificados nas situações em que durante a apuração tomase conhecimento das pessoas que efetuaram os depósitos em conta bancária do sujeito passivo. Entendo que esse matéria há de necessariamente apreciada, posto que embora o sujeito passivo não a tenha suscitado diretamente com pedido de reclassificação de rendimentos, é inconteste que foi manifestado o seu inconformismo contra a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/1996. A meu ver, havendo a identificação do(s) depositante(s), há de se investigar a causa do pagamento, que se não for acatada pelo fisco dará ensejo a lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica. Observese que no caso sob enfoque, o TCF apresenta expressamente que houve a identificação dos depositantes, mediante extratos bancários e declaração do Sr. Valdécio Aparecido Costa, suposto comprador do imóvel, que inclusive, informou a operação na sua DIRPF. Eis o que afirmou a autoridade lançadora: "Relativo a alienação cópia reprográfica autenticada do ´Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Imóvel´ de 07/02/2007 referente transferência de Mario Fumio Aoki para Valdecio Aparecido por R$ 3.000.000,06 (fls. 411 a 415). Apresentouse também cópia reprográfica autenticada de ´Declaração´, emitida, extemporaneamente, pelo Comprador `Valdecio Aparecido Costa´ em 14/09/2009 (fls 416) onde se atesta a efetivação desta transação. Cabe ressaltar, que a assinatura contida na ´Declaração´ teve ´firma reconhecida´ em cartório somente em 19/10/2009. Além disto, apresentouse copias: de folhas de extratos bancários contendo depósitos pertinentes ao caso, além de "Comprovante de Inscrição no CNPJ" das empresas 'NSA FOODS Comercio de Alimentos Ltda´, ´NSA Vale Comercio de Alimentos Ltda´,' NSA Comercio de Alimentos SJC Ltda´ e , 'Comprovante de Inscrição no CPF´ e ´Situação Cadastral´ de Valdécio Aparecido Costa (fls. 417 a 431)." (grifos originais) Nesse sentido, a rigor não há o que se falar em depósitos de origem não comprovada, posto que o fisco tinha conhecimento dos nomes das pessoas físicas e jurídicas que efetuaram os depósitos em conta corrente pertencente ao autuado." Conclusão 2 Fl. 10702DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.703 22 Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo o valor do depósito efetuado por Edson Elias Alves da Silva, em 14/01/2008, na quantia de R$ 5.640.000,00. Quanto aos demais depósitos a solução a ser dada é diferente. Posto que para os mesmos não havia a efetiva comprovação da origem dos depósitos por faltar o comprovante da saída da conta dos depositantes. Vêse que nesses casos, o fisco se vê impossibilitado de classificar o rendimento sendo obrigado a se valer da presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430/1996. Nesta situação, caberia ao sujeito passivo apresentar no bojo do contencioso fiscal a comprovação da origem, bem como da causa jurídica do pagamento, de modo a afastar a presunção relativa em que se apoiou o lançamento. Se não há a comprovação da natureza do depósito durante o procedimento fiscal, porém, durante o contencioso o sujeito passivo apresenta os documentos pertinentes, pode o órgão julgador acatar ou não esta documentação. Caso entenda que não há justificativa aceitável para a origem do crédito bancário, deve manter o lançamento, uma vez que o sujeito passivo não conseguiu afastar a presunção relativa de omissão. Se, ao revés, concluir que as provas atestam a causa do depósito, o lançamento há de ser declarado improcedente. Neste caso, vejo que foram apresentados na defesa e no recurso declarações dos depositantes, acompanhadas dos extratos das contas bancárias dos depositantes, afastando assim, a falta de origem, todavia, não houve a justificativa de que título os valores foram transferidos. Conclusão 3 De se concluir que o lançamento deva ser mantido em relação aos depósitos efetuados pelos filhos, todavia, há de ser afastado para os depósitos que tiveram origem em contas correntes da própria autuada, posto que não há de se fazer incidir imposto de renda da pessoa física sobre transferências entre contas correntes com mesma titularidade. Afastese, portanto, da base de cálculo os seguintes depósitos: Demais valores Fl. 10703DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.704 23 Quanto aos demais depósitos que o sujeito passivo insiste se referirem à devolução de valores repassados a empregados e depósitos por conta de terceiros, não há como afastálos da tributação, posto que não foi trazido na defesa ou no recurso sequer a comprovação da sua origem, devendo prevalecer a presunção adotada pelo fisco. Com efeito o fisco agiu dentro das balizas legais ao considerar como não comprovados depósitos de pequena valor, isto porque, como bem se disse na decisão atacada, a legislação aplicável não autoriza a fiscalização excluir valores inferiores a R$ 1.000,00, do computo da infração, quando a soma destes com os demais depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 superem R$ 80.000,00. Neste caso, não se pode aí falar em excessivo rigor tributário, mas sim que o fisco mantevese fiel às normas de regência. Multa qualificada A justificativa do fisco para aplicação da multa qualificada no patamar de 150% do imposto não recolhido foi a prática de fraude, pelo fato do sujeito passivo haver tentando justificar a origem dos depósitos com contratos de mútuos supostamente fraudulentos. O contribuinte adverte que não houve a cabal demonstração pelo fisco da ocorrência de conduta dolosa tendente a suprimir ou retardar o pagamento de tributo, o que afastaria a imposição da multa exacerbada. A DRJ manteve a multa qualificada ao argumento de que o fisco teria conseguido demonstrar a ocorrência de simulação nos contratos de mútuo. Afirmase no acórdão recorrido que a imposição da penalidade qualificada está em perfeita consonância com o § 1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Fl. 10704DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.705 24 Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera recusa do fisco em aceitar as provas apresentados para comprovar a origem dos depósitos não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observese que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. Concordo com o sujeito passivo quando afirma que a mera divergência de entendimento quanto a validade de um documento do qual não se comprova falsidade não justifica a acusação do dolo. Isso por que, pelo que pude inferir dos autos, as omissões de rendimentos caracterizadas pela existência de depósitos de origem não comprovada em conta bancária em nome da autuada foram impugnadas mediante documentos e alegações que, embora não acatados pelo fisco e em parte por este julgador, estão, no meu sentir, longe de poderem dar a convicção de que ali ocorreu conduta dolosa tendente a esconder do fisco o fato gerador. De se ressaltar que a juntada de extratos bancários para comprovar o empréstimo e o seu pagamento, além dos registros contábeis apresentados, não nos permite concluir que ali tenha havido falsidade intencional ou mesmo conduta deliberada de ludibriar o fisco. Fl. 10705DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.706 25 É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.82708/ 03/2016) Mesmo se verificando que os contratos de mútuo apresentados não serviram para afastar a imposição na sua totalidade, devese considerar que para haver a imposição da multa qualificada, há de se demonstrar que a conduta teve caráter doloso, como é o caso de declarações de rendimentos ínfimos em relação ao apurado pelo fisco. Não deve prevalecer a qualificação, todavia, quando o sujeito passivo apresenta justificativas plausíveis para a origem dos valores depositados, que deixam de ser acatadas pelo fisco em razão do entendimento da falta de força probatória dos elementos trazidos pelo contribuinte. É essa a situação dos autos. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Quadro resumido das exclusões na base de cálculo Em resumo devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, conforme Conclusões 1, 2 e 3 expostas no presente voto: a) Os valores pagos pela FMU a título de devolução de mútuo para o Autuado e sua cônjuge, os quais devem ser verificados conforme fundamentação acima; b) O depósito de R$ 5.640.000,00, efetuado em 14/01/2008, por Edson Elias; c) Os depósitos efetuados pela própria cônjuge do Recorrente nas contas bancárias fiscalizadas, conforme o quadro acima apresentado. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, excluindo da base de cálculo os valores mencionados na fundamentação constante do voto acima, além de reduzir a multa ao patamar de 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 10706DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.707 26 Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Em que pese as, como usual, muito bem articuladas razões de decidir do Relator, peço licença para delas dissentir no que toca à exclusão da base de cálculo, do valor do depósito efetuado por Edson Elias Alves da Silva, em 14/01/2008, na quantia de R$ 5.640.000,00. Em suma, entendeu o relator que uma vez identificado o depositante, não haveria mais que se falar em omissão de rendimentos por depósito de origem não comprovada, mas sim, se fosse o caso, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e jurídica. É o que se extrai dos excertos a seguir: A meu ver, havendo a identificação do(s) depositante(s), há de se investigar a causa do pagamento, que se não for acatada pelo fisco dará ensejo a lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica. [...] Nesse sentido, a rigor não há o que se falar em depósitos de origem não comprovada, posto que o fisco tinha conhecimento dos nomes das pessoas físicas e jurídicas que efetuaram os depósitos em conta corrente pertencente ao autuado." Não vejo dessa forma. Como é sabido e consabido, o artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece uma presunção relativa de omissão de rendimentos, com relação aos valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, seu § 2º traz um dever a ser observado pelo Fisco, uma vez comprovada a origem do recurso pelo intimado, no sentido de que referidos valores, sempre que sujeitos à tributação, deverão se submeter às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Percebase, com isso, que a lógica do dispositivo, quando analisado conjuntamente a seu § 2º é no sentido de que a inversão do ônus da prova, no que toca à comprovação da origem do recurso, passa pela identificação, pelo titular da conta, do depositante (origem em sentido estrito) chegando à sua causa/natureza. Feito isso, passa a competir à autoridade autuante, aí sim, o correto enquadramento da natureza do recurso comprovada, é dizer, se de rendimentos isentos, ou mesmo já tributados na DIRPF, sujeitos à tributação exclusiva (ganho de capital, por exemplo) Fl. 10707DF CARF MF Processo nº 19515.722669/201315 Acórdão n.º 2402006.793 S2C4T2 Fl. 10.708 27 ou ao ajuste anual, observandose, por certo, as regras específicas na espécie, como por exemplo no caso da atividade rural. Assim sendo, penso que a mera identificação do depositante, se pessoa jurídica ou física, não seria o suficiente para exigir um diferente enquadramento da infração imputada pelo Fisco, para que passasse a constar, como entende o relator, "omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica." Ademais, à omissão de rendimentos tributáveis, que é o cerne da autuação, tanto proveniente de depósitos de origem não comprovada, quanto proveniente de pessoa física, é dado a elas, a rigor, o mesmo tratamento, no caso dos autos, no que diz respeito à apuração do imposto (base de cálculo, período de apuração e alíquota), não se justificando, a meu ver, a relevância que se pretende dar ao sustentado equívoco no enquadramento. Percebase, as constatações, os fatos, os fundamentos e conclusão foram minunciosamente descritos no relatório fiscal, não deixando qualquer margem de dúvida quanto à infração apurada pelo Fisco como sendo omissão de rendimentos tributáveis, cujo ponto de partida recaiu sobre depósitos cuja origem, em seu sentido mais amplo, não foi comprovada pelo autuado. Nesse sentido e neste ponto, reputo correto o lançamento. Ante o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso quanto a esse tema. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 10708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723601/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. INTELIGÊNCIA DO §4º DO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
A interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, mormente em atenção à conjunção coordenativa ativa utilizada, deixa claro que, para fins de intimação, poderá ser utilizado tanto a via postal, quanto a via eletrônica, desde que autorizada pelo sujeito passivo.
REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC/73. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tal entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF.
INSUFICIÊNCIA DE SALDO. MÚTUOS COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser este um salário indireto, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica insuficiência de saldo.
DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. DESCONTOS REALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório.
MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANUTENÇÃO.
Diante do descumprimento de obrigação acessória, mantém-se o lançamento das referidas penalidades.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Considera-se existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do grupo, impõe-se a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2202-004.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar conhecimento ao recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. por intempestividade, admitindo os recursos dos responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ricardo Chiavegatto de Lima e Wilderson Botto (suplente convocado), que conheciam também do recurso do mencionado contribuinte. Acordam ainda, por voto de qualidade, em conhecer da documentação apresentada no recurso voluntário a respeito das divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Rorildo Barbosa Correia, que não a conheciam, e também quanto a esse ponto, acordam, por maioria de votos, em rejeitar proposta de diligência destinada à verificação dessa documentação pela fiscalização, proposta essa formulada pelo conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, na qual este restou vencido junto com o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Quanto ao mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores associados ao aviso prévio, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores vinculados ao incentivo aposentadoria, à insuficiência de saldo - mútuos, e às divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos: os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento quanto ao incentivo aposentadoria; o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negou provimento no que tange aos mútuos; e os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento no tocante às divergências entre folha de pagamento e GFIP. Designada a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira para redigir o voto vencedor com relação ao conhecimento do recurso do contribuinte Oi Móvel S.A.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Rorildo Barbosa Correia, não votou no que diz respeito ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte, por já haver a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias proferido seu voto na reunião de outubro de 2018.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. INTELIGÊNCIA DO §4º DO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. A interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, mormente em atenção à conjunção coordenativa ativa utilizada, deixa claro que, para fins de intimação, poderá ser utilizado tanto a via postal, quanto a via eletrônica, desde que autorizada pelo sujeito passivo. REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC/73. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tal entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. MÚTUOS COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser este um salário indireto, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica insuficiência de saldo. DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. DESCONTOS REALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANUTENÇÃO. Diante do descumprimento de obrigação acessória, mantém-se o lançamento das referidas penalidades. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Considera-se existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do grupo, impõe-se a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.723601/2013-88
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5952391
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.845
nome_arquivo_s : Decisao_10166723601201388.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10166723601201388_5952391.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar conhecimento ao recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. por intempestividade, admitindo os recursos dos responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ricardo Chiavegatto de Lima e Wilderson Botto (suplente convocado), que conheciam também do recurso do mencionado contribuinte. Acordam ainda, por voto de qualidade, em conhecer da documentação apresentada no recurso voluntário a respeito das divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Rorildo Barbosa Correia, que não a conheciam, e também quanto a esse ponto, acordam, por maioria de votos, em rejeitar proposta de diligência destinada à verificação dessa documentação pela fiscalização, proposta essa formulada pelo conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, na qual este restou vencido junto com o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Quanto ao mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores associados ao aviso prévio, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores vinculados ao incentivo aposentadoria, à insuficiência de saldo - mútuos, e às divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos: os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento quanto ao incentivo aposentadoria; o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negou provimento no que tange aos mútuos; e os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento no tocante às divergências entre folha de pagamento e GFIP. Designada a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira para redigir o voto vencedor com relação ao conhecimento do recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Rorildo Barbosa Correia, não votou no que diz respeito ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte, por já haver a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias proferido seu voto na reunião de outubro de 2018.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7578570
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416250023936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.115 1 2.114 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723601/201388 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.845 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente OI MÓVEL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. INTELIGÊNCIA DO §4º DO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. A interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, mormente em atenção à conjunção coordenativa ativa utilizada, deixa claro que, para fins de intimação, poderá ser utilizado tanto a via postal, quanto a via eletrônica, desde que autorizada pelo sujeito passivo. REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC/73. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tal entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. MÚTUOS COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 01 /2 01 3- 88 Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.116 2 Diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser este um salário indireto, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica “insuficiência de saldo”. DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. DESCONTOS REALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANUTENÇÃO. Diante do descumprimento de obrigação acessória, mantémse o lançamento das referidas penalidades. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Considerase existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.117 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar conhecimento ao recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. por intempestividade, admitindo os recursos dos responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ricardo Chiavegatto de Lima e Wilderson Botto (suplente convocado), que conheciam também do recurso do mencionado contribuinte. Acordam ainda, por voto de qualidade, em conhecer da documentação apresentada no recurso voluntário a respeito das divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Rorildo Barbosa Correia, que não a conheciam, e também quanto a esse ponto, acordam, por maioria de votos, em rejeitar proposta de diligência destinada à verificação dessa documentação pela fiscalização, proposta essa formulada pelo conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, na qual este restou vencido junto com o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Quanto ao mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores associados ao aviso prévio, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores vinculados ao incentivo aposentadoria, à insuficiência de saldo mútuos, e às divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos: os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento quanto ao incentivo aposentadoria; o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negou provimento no que tange aos mútuos; e os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento no tocante às divergências entre folha de pagamento e GFIP. Designada a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira para redigir o voto vencedor com relação ao conhecimento do recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Rorildo Barbosa Correia, não votou no que diz respeito ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte, por já haver a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias proferido seu voto na reunião de outubro de 2018. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.723601/201388, em face do acórdão nº 0129.076, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), em sessão realizada em 24 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte e demais empresas solidárias. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.118 4 “I – DO LANÇAMENTO O presente processo referese a Autos de Infração relativos à obrigações principais e acessórias, incluindo os seguintes debcad’s: Conforme se extrai dos relatórios que o compõem, os Autos de Infração relativos ao lançamento de obrigação principal, referemse aos estabelecimentos 05.423.963/000111, /000200, /000383, /000464, /000545, /000626, /000707, /000898, /000979, /001002, /001193 e /001274. As contribuições foram lançadas sob os seguintes levantamentos: Registra ainda o Relatório Fiscal às fls. 05 a 29 as informações a seguir explicitadas. Quanto à constituição do grupo econômico registra que: a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica da empresa OI S/A, CNPJ: 76.535.764/000143, exercício 2010, anocalendário 2009 (anexo V), relaciona na ficha 62 – Participação Permanente em Coligadas e Controladas, as empresas controladas pela OI S A. com base na informação constante da DIPJ, considerou as empresas a seguir como componentes do Grupo OI e, portanto, solidariamente responsáveis pelo crédito previdenciário resultante deste procedimento fiscal as empresas: BRASIL TELECOM CELULAR SA (CNPJ: 05.423.963/000111), OI S/A (CNPJ: 76.535.764/000143), BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA (CNPJ: 02.934.071/000197), BRASIL TELECOM CALL CENTER S/A (CNPJ: 04.014.081/000130) BRT CARD SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA (CNPJ: 10.213.810/000180) e BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A (CNPJ: 04.714.634/000167); BRASIL TELECOM Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.119 5 COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA (CNPJ: 02.041.460/000193); VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A (CNPJ: 01.859.295/0001 19); tendo ficado evidente a interligação dessas empresas e sua subordinação a um comando centralizado, no caso em questão o controle acionário exercido pela empresa OI S/A, concluise que elas integram Grupo Econômico, estando, portanto, solidariamente obrigadas entre si, relativamente aos créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas, conforme previsto no inciso II do artigo 124 do Código Tributário e na Lei 8.212/91, em seu Art. 30, inciso IX; os documentos referidos nas considerações acima, cadastro do Grupo OI e DIPJ 2010/2009, compõem o conjunto de provas do Anexo V. Quanto às razões da constituição do crédito previdenciário informa que: o sujeito passivo é obrigado a recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados que lhe prestam serviços, conforme determina a Legislação Previdenciária; da análise da documentação, verificouse que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre as seguintes rubricas: Quanto ao fato gerador AVISO PRÉVIO INDENIZADO informa que: pela análise da Folha de Pagamento, identificou fato gerador de contribuição previdenciária sob a denominação de Aviso Prévio Indenizado, rubrica da folha de pagamento com o código 3310 e Dif Aviso Prévio Indenizado código 3311 (anexoVI); o aviso prévio indenizado é base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), com a revogação da alínea "f" do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999, pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009; as bases de cálculo referentes ao pagamento de aviso prévio indenizado foram discriminadas no Levantamento: AP – AVISO PRÉVIO INDENIZADO. Quanto ao pagamento de INDENIZAÇÃO informa que: Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.120 6 verificou a ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária, Indenização (código 2770) e Dif Indenização (Código 2771), pago aos empregados da empresa, sem oferecer tais remunerações à tributação (anexo VII); em esclarecimentos prestados em 21 de janeiro de 2013 (anexo IV) a empresa BRASIL TELECOM CELULAR informa que a rubrica indenização referese a: pagamentos de indenizações de incentivo a aposentadoria de natureza salarial que fizemos a colaboradores. Essas indenizações foram levadas a tributação do Imposto de Renda (IRRF) e das Contribuições Previdenciárias (INSS Patronal e Retido) e FGTS. Entretanto, pela análise da folha de pagamento em formato MANAD que tais rubricas estão definidas com o código 8 – não é base para Previdência Social e não sofreram incidência de contribuições previdenciárias em GFIP; o inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999 enumera de forma exaustiva os tipos de indenização que não estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias e que o legislador excluiu da incidência das contribuições previdenciárias o valor pago a título de incentivo à demissão, com intuito excluir as verbas pagas como indenização ou compensação pela perda do vínculo empregatício, já que o empregado seria demitido, perdendo assim o seu emprego; já no caso de incentivo à aposentadoria, não há o que se falar em indenização, pois a aposentadoria é um direito de todo trabalhador e não uma penalidade que necessite ser recompensada, recebendo o empregado, uma gratificação para aposentarse, por mera liberalidade do empregador; a própria empresa confirma a natureza salarial das indenizações de incentivo pagas aos seus colaboradores nos esclarecimentos prestados em 21/01/2013. as bases de cálculo referentes ao pagamento de indenizações para incentivo à aposentadoria foram discriminadas no Levantamento: ININDENIZAÇÕES. Quanto ao pagamento de INSUFICIÊNCIA DE SALDO relata que: pelo exame das folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte, verificou o pagamento, a segurados empregados, da rubrica designada Insuficiência de Saldo, código 100 (anexo VIII); a empresa informou em esclarecimentos prestados em 02/10/2012 (anexo IV) tal benefício se refere a “Valor adiantado ao empregado quando o total de descontos é maior que o total de proventos nos cálculos rescisórios”; o pagamento de Insuficiência de Saldo é concedido aos empregados por liberalidade, quando o total de descontos dos empregados supera os proventos a que ele teria direito na sua na rescisão do contrato de trabalho; alguns empregados devolveram os montantes recebidos a título de Insuficiência de Saldo à empresa BRASIL TELECOM Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.121 7 CELULAR por meio da rubrica de desconto código 102 – Dev Insuficiência Saldo Rescisão, entretanto, a grande maioria não devolveu à empresa os valores recebidos como Insuficiência de Saldo; em análise às bases de cálculo dos segurados que receberam Insuficiência de Saldo, verificase que os descontos que excedem os proventos são oriundos de empréstimos contraídos pelos empregados junto à BRASIL TELECOM CELULAR, por meio da rubrica código 6060 – Desc Empréstimo BT Quitação; quando a empresa realiza um desconto “fictício”, por estar materialmente impossibilitada de realizar este desconto, e depois perdoa a dívida, assumiu o ônus que caberia ao empregado, pois o perdão da dívida não é mera formalidade contábil, mas a exclusão de um passivo do trabalhador, o que lhe proporciona ganhos patrimoniais; o inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, determina que o fato gerador da contribuição previdenciária não é apenas o pagamento ao trabalhador, mas também o crédito realizado a seu favor; no caso concreto, com a remissão da dívida, é concedido um crédito ao empregado, que tem natureza remuneratória, pois representa um ganho patrimonial ao trabalhador; as bases de cálculo referentes ao pagamento de Insuficiência de Saldo (código 100) foram deduzidas dos valores devolvidos pelos empregados por meio da rubrica Dev Insuficiência Saldo Rescisão (Código 102) e foram discriminadas no Levantamento: IS – INSUFICIÊNCIA DE SALDO. Quanto ao pagamento de DIVERGÊNCIAS FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP relata que: do confronto entre folha de pagamento e GFIP, foram identificados pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP; os valores considerados pela fiscalização, referentes às divergências apontadas acima, discriminados por trabalhador, encontramse no anexo IX. as divergências Folha x GFIP foram agrupadas no levantamento FP – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP Quanto ao pagamento de REEMBOLSO EDUCACIONAL relata que: pelo exame da contabilidade da BRASIL TELECOM CELULAR, foi verificado o custeio de despesas com educação, designada pela fiscalizada como “Reembolso Educacional”, registradas na conta 310354000 – Treinamento Sem. Técnicos e Congressos (anexo XII); além da conta contábil supracitada, foram identificados pagamentos de despesas com educação para a Faculdade UPIS – União Pioneira de Integração Social na conta contábil 0310336100 – Publicidade e Propaganda. Foram solicitados por Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.122 8 meio do TIF nº 09 documentos de caixa referentes a esses lançamentos (anexo XII); a empresa prestou esclarecimentos em 09/04/2013 (anexo IV) e informou que a conta 310354000 Treinamento Sem. Técnicos e Congressos é “utilizada para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional”; foram apresentados pela empresa Regulamentos (anexo XII) que confirmam o pagamento de cursos de graduação e pós graduação aos empregados: Concessão de Incentivo à Conclusão de Graduação; Concessão de Pós Graduação; pela informação prestada pela empresa concluise que os empregados são beneficiados com o custeio de diversos cursos educacionais, dentre eles idiomas, graduação, pósgraduação, cursos, seminários e palestras; a empresa foi intimada por meio dos TIF nº 03, 04, 07 e 09 (anexo I) a apresentar os documentos contábeis que originaram os lançamentos contábeis extraídos das contas 310354000 – Treinamento Sem. Técnicos e Congressos e 0310336100 – Publicidade e Propaganda; a empresa foi instada por meio dos TIF nº 09 e 11 (anexo I), a apresentar relação de beneficiários, com Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação; em resposta a empresa apresentou planilha com relação de colaboradores com total consolidado no valor de R$ 4.948,24, o que diferiu consideravelmente daquele registrado na contabilidade, de R$ 919.291,59 (anexo IV); na relação de colaboradores apresentada foram elencados somente os trabalhadores que sofreram descontos por meio da rubrica 1482 – Dev Pós Graduação; a BRASIL TELECOM CELULAR não informou que tipo de educação foi ofertada aos demais trabalhadores não relacionados na planilha nem tampouco, apresentou os comprovantes/notas fiscais referentes aos lançamentos contábeis mencionados no item 54 do presente relatório; como a empresa deixou claro que financia a seus empregados cursos de idiomas, graduação e pósgraduação, que são despesas educacionais não alcançadas pela isenção prevista no §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, considerou essas despesas como base de cálculo das contribuições previdenciárias; para apurar a base de cálculo a fiscalização excluiu os valores de educação dos históricos contábeis que continham as empresas Conceitual Capacitação Empresarial e WG7 Consultoria e Treinamento, por serem empresas que tem como atividade fim a capacitação e treinamento de funcionários por meio de cursos, seminários e congressos; todos os históricos contábeis com nomes de empregados da empresa foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias e o valor do desconto referente à Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.123 9 rubrica 1482 – Dev Pós Graduação foi deduzido de suas remunerações; além dos históricos com nomes de pessoas físicas, foram levantados como reembolso educacional os valores pagos às empresas Berlitz Centro de Idiomas S/A e UPIS – União Pioneira de Integração Social, pois são empresas que oferecem, respectivamente, cursos de idiomas e graduação/pósgraduação; a BRASIL TELECOM CELULAR não apresentou comprovantes/notas fiscais referentes a despesas com a UPIS solicitadas por meio do TIF nº 09 (anexo I); os valores referentes ao custeio de despesas com educação não foram declarados em GFIP, portanto, não foram considerados pela empresa como base de cálculo das contribuições previdenciárias; o gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas, de pósgraduação e reembolso educacional de seus empregados é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que os valores despendidos com referido benefício, embora relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº. 8.212/91, que prevê parcela não integrante do salário de contribuição do segurado. Portanto, deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. para que o valor despendido com educação não integre o saláriodecontribuição, devem ser atendidos, de forma cumulativa, os requisitos estabelecidos pela legislação, quais sejam: a) plano educacional que caracterize o oferecimento de educação básica ou de cursos de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício não pode substituir parcela salarial e, c) disponibilidade de acesso a todos os empregados. Em se tratando de norma de exceção que confere isenção tributária, deve ser interpretada restritivamente. o valor concedido aos empregados a título de ressarcimento de despesas com custeio de cursos de pósgraduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de contribuições previdenciárias, sendo considerado salário in natura e, portanto, na qualidade de salário indireto, integra o saláriode contribuição do segurado empregado para fins de incidência das contribuições previdenciárias. as bases de cálculo referentes ao reembolso educacional foram discriminadas nos seguintes Códigos de Levantamento: ED2 – Educação Individualizada Por Empregado (contribuição dos segurados empregados calculada de acordo com a faixa salarial) e ED3 Educação Não Individualizada Por Empregado (contribuição dos segurados empregados calculada pela alíquota de 8%). DA MULTA APLICADA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO Registra que foram aplicadas as multas no lançamento de ofício, conforme disposições expressas, respectivamente, nos artigos Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.124 10 32A e 35A da Lei n. 8.212/1991, incluídos pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o período lançado é 01/2009 a 12/2009. Considerando que não houve recolhimento e nem declaração em GFIP das contribuições previdenciárias apuradas nos levantamentos AP, IN, IS, FP, ED2 e ED3, foi aplicada a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE OS FATOS GERADORES Informa que em razão da situação verificada configurar, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000, foi emitida representação fiscal para fins penais por sonegação de contribuição previdenciária. Informa que a relação de coresponsáveis está discriminada no Relatório de Vínculos em anexo. DOS ELEMENTOS EXAMINADOS Os elementos que serviram de base para as análises constantes do presente levantamento foram as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, escrituração contábil digital em formato SPED transmitida à RFB e os documentos apresentados pelo contribuinte. DO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 51.027.8450 – AI CFL 30 Relata que a Folha de Pagamento da BRASIL TELECOM CELULAR foi elaborada em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social no período de 01 a 12/2009, uma vez que nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa não constaram os seguintes pagamentos realizados a segurados obrigatórios da previdência social: Reembolso Educacional – Levantamentos ED2 e ED3, período de 01/2009 a 12/2009. Ressalta que os pagamentos acima não fizeram parte da Folha de pagamento e nem foram declarados em GFIP, tendo a fiscalização consideradoos como sendo fatos geradores de contribuições previdenciárias e os créditos previdenciários resultantes foram devidamente apurados. Registra que foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n. 8.212/1991 e alterações posteriores e no art. 283, inciso I, letra “a” e no art. 373 do RPS, atualizado por meio do Art. 8° da Portaria MF/MPS nº. 15, de 10 de janeiro de 2013 (1.717,38), elevado em duas vezes em razão da circunstância agravante de reincidência genérica, conforme prevê o inciso IV do art. 292 do Decreto n. 3.048/1999, totalizando o valor de R$ 3.434,76. DO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 51.027.8469 – AI CFL 34 Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.125 11 Informa que a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos no período de 01/2009 a 12/2009, uma vez que não foram contabilizadas em títulos próprios de forma discriminada como rubricas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias as remunerações pagas a segurados empregados constantes dos levantamentos AP, IN, IS, ED2 e ED3, infringindo, assim, o disposto no art. 32, II da Lei n. 8.212/1991, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17, do RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999. Registra que foi aplicada a multa prevista no art. 283 do RPS, atualizado por meio do Art. 8° da Portaria MF/MPS nº. 15, de 10 de janeiro de 2013 (17.173,58), elevado em três vezes em razão da circunstância agravante de reincidência específica, conforme prevê o inciso IV do art. 292 do Decreto n. 3.048/1999, totalizando o valor de R$ 51.520,74. DO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 51.027.4347 – AI CFL 38 Relata que no decorrer do procedimento fiscal verificouse que a BRASIL TELECOM CELULAR deixou exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 solicitados por meio do TIF no 09, conforme elencado no subitem 80.1 do Relatório Fiscal, infringindo assim a Lei n° 8.212/1991, art. 33, §§ 2° e 3° c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Registra que foi aplicada a multa prevista no art. 283 do RPS, atualizado por meio do Art. 8° da Portaria MF/MPS nº. 15, de 10 de janeiro de 2013 (R$ 17.173,58), elevado em três vezes em razão da circunstância agravante de reincidência específica, conforme prevê o inciso IV do art. 292 do Decreto n. 3.048/1999, totalizando o valor de R$ 51.520,74. DO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 51.027.4355 – AI CFL 59 Relata que a BRASIL TELECOM CELULAR não arrecadou mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais referentes às seguintes rubricas no período de 01 a 12/2009: • Aviso Prévio Indenizado (levantamento AP); • Indenização de Incentivo à Aposentadoria: (levantamento IN); • Insuficiência de Saldo na Rescisão (levantamento IS); • Reembolso Educacional (levantamentos ED2 e ED3). Menciona que os fatos geradores relacionados acima não foram considerados, pela empresa, como rubrica integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias e não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Informa que os créditos previdenciários correspondentes às contribuições devidas pelos segurados e não descontadas pela empresa, citadas no item acima, integram o Auto de Infração – Debcad n° 51.0 27.8442. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.126 12 Registra que foi aplicada a multa prevista no art. 283, I, “g” do RPS, atualizado por meio do Art. 8° da Portaria MF/MPS nº. 15, de 10 de janeiro de 2013 (R$ 1.717,38), elevado em duas vezes em razão da circunstância agravante de reincidência genérica, conforme prevê o inciso IV do art. 292 do Decreto n. 3.048/1999, totalizando o valor de R$ 3.434,76. DAS PROVAS Registra que foram entregues ao contribuinte em mídia digital (CD) os seguintes anexos do presente Auto de Infração: ANEXO I: Termos apresentados ao contribuinte TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal; TIF n° 01 a 11 – Termos de Intimação Fiscal; TEPF – Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal; ANEXO II Atos Constitutivos, procurações e documentos pessoais dos responsáveis legais; ANEXO III Recibos de Entrega de Arquivos Digitais; ANEXO IV Respostas, do contribuinte, aos Termos de Intimação; ANEXO V Documentos Grupo OI – Cadastro CNPJ e DIPJ; ANEXO VI – Planilha Beneficiários Aviso Prévio Indenizado; ANEXO VII – Planilha Beneficiários Indenização; ANEXO VIII – Planilha Beneficiários Insuficiência de Saldo; ANEXO IX – Planilha Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP; ANEXO X Planilha Contribuição dos Segurados; ANEXO XI – Planilha Beneficiários Reembolso Educacional; ANEXO XII – Planilhas Contas Contábeis Reembolso Educacional II DA CIENTIFICAÇÃO DA DEVEDORA PRINCIPAL E DAS DEVEDORAS SOLIDÁRIAS A empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A foi notificada dos Autos de Infração lançados mediante entrega pessoal em 22/05/2013, conforme assinaturas apostas às fls. 35, 86, 105, 112, 119 e 126. Na mesma data 22/05/2013 também mediante entrega pessoal, por meio dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA nº 01 a 07 (fls. 133 a 146), foram cientificadas do lançamento as empresas solidárias: BRASIL TELECOM CELULAR AS (CNPJ: 05.423.963/000111), OI S/A (CNPJ: 76.535.764/000143), BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA (CNPJ: 02.934.071/000197), BRASIL TELECOM CALL CENTER S/A (CNPJ: 04.014.081/000130) BRT CARD SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA (CNPJ: 10.213.810/000180) e BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A (CNPJ: 04.714.634/000167); BRASIL TELECOM COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA (CNPJ: 02.041.460/000193); VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A (CNPJ: 01.859.295/000119). Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.127 13 III DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, em conjunto com as devedoras solidárias, apresenta impugnação protocolada em 21/06/2003 (carimbo às fls. 545), por intermédio do instrumento de fls. 545 a 579, acompanhado dos anexos de fls. 580 a 1068. A defesa aduz em síntese o que se segue. Dos Responsáveis Solidários. Da Impossibilidade De Inclusão Reclama que a autoridade fiscal não comprovou a existência de confusão patrimonial, utilização dos mesmos empregados ou ainda sucessão de fato para caracterizar a solidariedade, baseandose apenas na comprovação de que são empresas do mesmo grupo econômico para responderem solidariamente pelas supostas dívidas tributárias, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 e art. 124, II, do CTN. Discute que o legislador ordinário não pode simplesmente escolher como contribuinte pessoa que seja completamente alheia à relação econômica que se pretende tributar, devendo existir sempre uma vinculação da mesma com o fato gerador. Argumenta que o comando do art. 30, IX, da Lei 8.212/91 deve ser interpretado com parcimônia, de modo que a responsabilização solidária de empresas do mesmo grupo econômico por débitos previdenciários deve ser precedida da prova de que ambos concorreram para a prática do fato gerador, ou ainda que há intenção deliberada de impedir a cobrança da dívida. Cita julgado do CARF nesse sentido. Considerando que não foi comprovada que as outras pessoas jurídicas citadas concorreram para a prática do fato gerador, ou que existe confusão patrimonial com a Impugnante, ou ainda a sucessão de fato, deve ser cancelada a responsabilização solidária das mesmas. Da Ilegalidade Da Representação Para Fins Penais Contesta que os fatos verificados não configuram nem mesmo "em tese" o crime de sonegação previdenciária, afirmando que para a verificação do tipo penal, não basta o inadimplemento de contribuição previdenciária, sendo necessário que o sujeito passivo atue com dolo para evitar que o Fisco descubra a ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu no seu caso, segundo entende, pois o inadimplemento decorreu justamente da controvérsia quanto à incidência da lei tributária sobre as verbas em questão. Ressalta que a prova disso é que a autuação sequer teve multa majorada. Aduz que de outra feita, o tipo penal será utilizado como forma de sanção política, coagindo os contribuintes a recolherem tributos que consideram indevidos e Direito Penal não pode se presta para fins arrecadatórios. Requer o cancelamento da representação para fins penais em razão da total inadequação do fato típico à conduta realizada pela empresa Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.128 14 Da Exclusão De Diretores Como CoDevedores Reputa que devem ser mantidos como coresponsáveis apenas aqueles que efetivamente desempenhavam funções na empresa 14 Brasil Telecom Celular S/A no período fiscalizado: janeiro/2009 a dezembro/2009 e pede a exclusão das pessoas físicas (1) LUIZ FRANCISCO TENORIO PERRONE; (2) FRANCISCO AURELIO SAMPAIO SANTIAGO;(3) RICARDO KNOEPFELMACHER; e (4) PAULO NARCELIO SIMOES AMARAL, da qualidade de coresponsáveis na representação penal lavrada pelo suposto crime de sonegação previdenciária. Do Mérito Da Hipótese De Incidência Das Contribuições Previdenciárias Defende que a legislação constitucional e infraconstitucional determinou que as contribuições previdenciárias patronais devem incidir exclusivamente sobre os rendimentos pagos em virtude do trabalho, ou seja, de natureza salarial e conclui que as parcelas que não tenham natureza contraprestacional estão fora do âmbito de incidência das citadas contribuições. Discorre que nem todas as parcelas econômicas pagas pelo empregador aos seus empregados possuem caráter remuneratório, pois há diversos casos em que o pagamento se faz a título indenizatório/compensatório ou assistencial Afirma que a própria Lei 8.212/91 se encarregou de excluir expressamente do salário de contribuição (base de cálculo das contribuições previdenciárias) diversas verbas, seja por (i) se tratarem de parcelas que não ostentam natureza salarial (hipótese em que a lei apenas repete o que está implícito na CF/88), (ii) seja para induzir os empregadores a concederem certos benefícios a seus funcionários. Do Aviso Prévio Indenizado Defende que o aviso prévio indenizado não tem natureza salarial (remuneratória), pois os valores recebidos pelo empregado não remuneram qualquer trabalho, e também não é parcela de caráter habitual (pois só é pago uma vez) , não havendo que se falar em incidência da contribuição previdenciária. Entende que se trata de indenização pela não observação do direito do trabalhador de ser previamente notificado da demissão. Cita jurisprudências administrativa e judicial sobre o assunto. Ressalta que nem mesmo a Lei ordinária poderia determinar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, pois isso implicaria violação ao art. 195, I, a, da CF/88 e que a norma prevista no art. 214, §9°, inciso V, alínea “f” do Regulamento da Previdência Social apenas explicitava uma determinação que já estava prevista na Lei 8.212/91 e no art. 195 da CF/88. Conclui pela ilegalidade do lançamento impugnado no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.129 15 Da Indenização Por Incentivo À Aposentadoria. Relata que criou um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) que também incentivava a aposentadoria de seus funcionários (Plano de Incentivo à Aposentadoria PIA), do qual decorrem as indenizações. Defende que os planos de desligamento voluntário acarretam a dispensa sem justa causa com o pagamento de todas as verbas rescisórias e uma indenização que serve de compensação pela perda do emprego, e que em razão do seu nítido caráter indenizatório, as parcelas recebidas pelo empregado em decorrência do seu desligamento voluntário foram expressamente excluídas do salário de contribuição conforme disposições do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 5 da Lei nº 8212/91. Afirma que o CARF já consolidou seu entendimento quanto à natureza indenizatória da verba recebida em programa de incentivo à aposentadoria para fins de incidência do IRPF e entende que a caracterização da verba como indenizatória importa na não incidência tanto do IRPF quanto das contribuições sociais. Explana que não se pode considerar o incentivo à aposentadoria como salário, também ante à ausência do requisito da habitualidade exigido no art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a indenização é paga uma única vez dentro de um mesmo contrato de trabalho, enquadrandose nas disposições do item 7 da alínea "e" do § 9o do artigo 28. Cita jurisprudências e doutrinas nesse sentido e conclui que não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias sobre as indenizações para incentivo à aposentadoria. Do Reembolso Educacional Defende que a própria lei determina que o valor pago pela empresa para a educação do funcionário não se caracteriza como salário indireto, citando o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91. Destaca que a Fiscalização não levantou dúvidas quanto à disponibilização do plano educacional à totalidade dos funcionários da Impugnante e não considerou que não estariam vinculados às atividades da empresa ou estavam sendo utilizados em substituição ao salário. Argumenta que considerar que apenas o pagamento aos empregados de cursos de natureza tecnológica estariam excluídos do salário de contribuição é uma interpretação restritiva do art. 28, §9°, alínea “t”, da Lei 8.212/91 e que a norma legal não faz essas ressalvas. Defende que o dispositivo é claro ao afirmar que os planos educacionais que disponibilizem "cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa" estão excluídos do salário de contribuição, não havendo necessidade de o curso estar incluído no art. 39 da Lei 9.394/96 (cursos tecnológicos) e não no seu art. 43 (educação superior em geral). Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.130 16 Menciona que o CARF proferiu 03 acórdãos de idêntico teor (2401 001.829, 2401001.830 e 2401001.831) que corroboram com a argumentação da Impugnante. Cita acórdão em que a CSRFCâmara Superior de Recursos Fiscais considerou que cursos de MBA (Master in Business Administration) pagos pela empresa a seus funcionários se caracterizam como curso de capacitação e qualificação para fins de isenção da contribuição previdenciária Conclui que a Fiscalização não apontou qualquer violação às exigências legais (disponibilização a todos os funcionários e ausência de substituição de parcela salarial), e requer o cancelamento da autuação neste ponto é medida que se impõe. Dos Empréstimos Corporativos (Insuficiência De Saldo). Relata que tem um programa pelo qual concede empréstimos corporativos aos seus funcionários sob a forma de mútuo e que posteriormente esses valores são devolvidos de forma parcelada mediante descontos em folha e que quando um funcionário que tomou empréstimo junto à Impugnante é desligado sem pagar todas as parcelas do contrato de mútuo, a empresa opta por não fazer o desconto integral do saldo devedor nas verbas rescisórias e continuar cobrando o empréstimo como acordado. Contesta que, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o saldo devedor não é perdoado e continua cobrando administrativamente a dívida de modo que não há como considerar que houve "perdão de dívida" e muito menos liberalidade do empregador. Frisa que a própria Fiscalização comprovou a devolução dos empréstimos por parte dos empregados. Entende que a parcela em questão tem a natureza de pagamento decorrente de contrato de mútuo, dívida de natureza eminentemente contratual (e não trabalhista), sobre a qual não incide a contribuição previdenciária já que não pretende remunerar o labor. Reclama que o agente fiscal deveria ter comprovado que a dívida dos funcionários foram formalmente perdoados, ou que a empresa reconheceu a perda por inadimplência relativa a esses valores e afirma que isso não foi feito. Entende que isso acarreta a improcedência da autuação neste ponto, que está a transferir indevidamente o dever de prova ao contribuinte, o que demonstra a ausência de comprovação clara e segura da ocorrência do fato gerador. Conclui que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a existência de salário indireto relativo a esta rubrica, e por conseqüência, a ocorrência do fato gerador, gerando a insubsistência da autuação relativamente a este ponto. Da Divergências Entre Folhas De Pagamento e GFIP Afirma que os valores indicados pela autoridade fiscal no Anexo IX do lançamento, constam, de fato, na folha de pagamentos da empresa vinculados a seus empregados. Entretanto afirma que Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.131 17 foram declarados na folha de pagamentos como redutores dos vencimentos a que os empregados teriam direito e não o contrário, pois não se tratam de pagamentos feitos a funcionários, mas de descontos sofridos pelos empregados pelos mais diversos motivos (como faltas). Cita como exemplo os funcionários Danielly da Silva Gomes Oliveira e David Justino Gusmão e afirma que os mesmos valores incluídos pelo Fisco no salário de contribuição se referem a descontos por faltas, que foram abatidos das verbas rescisórias dos mesmos funcionários. Informa que junta aos autos os mesmo documentos referentes à esse desconto para os outros funcionários indicados no Anexo IX. Afirma que os descontos sofridos pelos funcionários não podem ser considerados como remuneração (já que reduzem os vencimentos), razão pela qual este item da autuação também deve ser cancelado. Da Contribuição Previdenciária a Cargo Dos Segurados e Das Multas Pelo Descumprimento De Obrigações Acessórias Defende que demonstrada a improcedência da autuação pela ausência de inclusão das rubricas: aviso prévio indenizado, incentivo à aposentadoria, reembolso educacional, insuficiência de saldo e das divergências entre folhas de pagamento e GFIP no salário de contribuição, também deve ser cancelado o lançamento no tocante à falta de retenção das contribuições a cargo do segurado sobre esses valores. Afirma que da mesma forma, as multas constituídas pelo suposto descumprimento de obrigação acessória têm como premissa a existência de obrigação principal, uma vez que as infrações apontadas pela Fiscalização decorrem justamente da natureza jurídica das rubricas por ela glosadas na NFLD: AI 51.027.8450 CFL 30 Deixar de prepara folhas de pagamento de acordo com os padrões da RFB por ter excluído a rubrica aviso prévio indenizado; AI 51.027.8469 CFL 34 Deixar de lançar na contabilidade de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o valor descontado e o montante recolhido a cargo da empresa, por não ter incluído as rubricas autuadas na NFLD em comento no salário de contribuição; AI 51.027.4347 CFL 38 Deixar de apresentar documentos relativos ao reembolso de educação solicitados pela Fiscalização; AI 51.027.4355 CFL 59 Deixar de arrecadar mediante desconto em folha a contribuição dos segurados sobre as rubricas autuadas na NFLD em comento; Assim, verificada a inexistência de obrigação principal, a consequência lógica é o cancelamento do lançamento por descumprimento de obrigação acessória, pois nenhum erro teria sido cometido na elaboração da contabilidade, GFIP ou no desconto em folha. Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.132 18 Requer a total procedência da presente impugnação, para cancelar integralmente a exigência tributária nos termos da fundamentação. Protesta pela juntada posterior de documentos nos termos do art.16, §5° do Decreto 70.235/1972. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelas ora recorrentes, mantendose assim o crédito tributário lançado. A contribuinte e demais solidários, inconformados com o resultado do julgamento, apresentaram recurso voluntário, às fls. 1120/1165, onde reiteram as alegações expostas em impugnação. Ainda, acompanha o recurso voluntário os seguintes documentos: à fl. 1240 (comprovante de adesão ao DTE); às fls. 1242/1521 a “Relação da Folha de Pagamento”, de abril, maio, junho e julho de 2009. Às fls. 1524/1723 juntaramse as relações de folha de pagamento de julho de 2009. As relações de julho, fevereiro e janeiro de 2009 foram juntadas às fls. 1726/1925. Os meses de fevereiro, março, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro tiveram a “Relação da Folha de Pagamento” juntada às fls. 1928/2112. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator 1.Tempestividade Conforme Despacho de encaminhamento de fl. 2214 é referido que: "O débito foi levantado na empresa principal, sendo que possui vários solidários, que não receberam ciência do Acórdão de Impugnação. Por um lapso, foi enviada ciência apenas para o devedor principal, recebida em 01/08/2014, da qual não apresentou recurso no prazo legal. Foi enviada carta cobrança em 28/10/2014, da qual apresentou Recurso em 24/11/14, no qual assegura considerar notificados os solidários e requer que o mesmo seja considerado tempestivo. Ao CARF para conhecimento e manifestação." Em recurso voluntário a contribuinte OI MÓVEL S/A alega a nulidade da ciência por via postal, haja vista ser optante do Domicílio Tributário Eletrônico. Em anexo ao recurso, promove a juntada, à fl. 1240, do comprovante de adesão ao DTE. Assim, sendo a contribuinte optante do DTE, entendo por indevida a intimação da contribuinte por meio postal, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário interposto em 24/11/2014. Por oportuno, transcrevo a declaração de voto do Conselheiro Luis Flávio Neto, nos autos do acórdão 9101002.443, de 21 de setembro de 2016: O art. 23, § 5o, do Decreto n. 70.235/72, resguardou a utilização do domicílio eletrônico para as hipóteses em que o contribuinte o tenha eleito expressamente. A adoção do endereço postal, em linha com o art. 127, II, do CTN, passou a ser utilizado na Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.133 19 hipótese de silêncio do particular quanto à adesão aos meios eletrônicos de comunicação. No caso dos autos, o contribuinte expressamente elegeu como domicílio fiscal o seu endereço eletrônico, nos precisos termos do art. 127, caput, do CTN, de forma que as notificações quanto aos assuntos de seu interesse deveriam passar a ser realizadas neste. Concretizada a eleição do endereço eletrônico, a administração fiscal deve restringir as intimações a este endereço. Por obediência ao § 2o do art. 127 do CTN, a administração fiscal apenas pode recusar essa escolha do contribuinte, com o direcionamento de notificações a outro endereço (postal), caso o endereço eletrônico eleito impossibilitasse ou dificultasse a atividade fiscal. Obviamente isso não ocorre nos autos, pois o endereço eletrônico é justamente o que gera menos onerosidade ao fisco, com menos custos, dispêndio de mão de obra, bem como maior agilidade e praticabilidade à administração fiscal. Estes fundamentos já são suficientes para que se constate a nulidade de intimações realizadas ao contribuinte a endereços diversos de seu domicílio eletrônico expressa e regularmente eleito. No entanto, vale ainda observar que a Portaria MF n. 527/2010, que regulou a forma como as intimações eletrônicas devem ser realizadas em face do contribuite, por reconhecer as normas jurídicas vigentes no sistema, relegou os meios físicos de intimação às hipóteses em que o contribuinte não tenha aderido ao domicílio eletrônico. Merece destaque o art. 4o do aludido ato do Ministério da Fazenda: Art. 4o A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Inexistindo a autorização prevista no § 1º e não sendo realizada a intimação nos termos do inciso II do caput, o órgão do MF deverá realizála por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ao endereço do sujeito passivo, com prova de recebimento, conservandose o comprovante de entrega em meio físico, após a sua respectiva digitalização e juntada ao processo eletrônico, observado o disposto no § 3º do art. 1º desta Portaria. Notese que o art. 4o, § 3o, da Portaria MF n. 527/2010, restringiu a adoção de intimações postais às hipóteses em que contribuinte não tenha optado pelo domicílio eletrônico, encontrase perfeitamente em linha com a norma do art. 127 do CTN: i) o contribuinte possui o direito de “eleger” o seu domicílio fiscal e, caso seja eleito o endereço eletrônico (eCAC), a Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.134 20 Portaria MF n. 527/2010 regula como se dará a respectiva intimação pelo meio eletrônico, única forma que se mostra necessária ou mesmo possível nesse ambiente digital desenvolvido pela administração fiscal (eCAC); ii) na falta de eleição expressa de qualquer domicílio, deverá ser considerado o endereço físico, para o qual as intimações poderiam ser enviadas pela via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento. A Portaria MF n. 527/2010 também está em consonância com o art. 23, § 3o, do Decreto n. 70.235/72. Na ausência de eleição expressa de domicílio eletrônico e, assim, com a adoção do endereço físico do contribuinte, não há ordem de preferência em relação à via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio. Por sua vez, na hipótese de eleição expressa pelo domicílio eletrônico, embora nenhuma ordem de preferência seja imposta, é suficiente ou mesmo tecnicamente possível que as notificações ocorram apenas mediante intimações eletrônicas no ambiente do eCAC. Pelos fundamentos expostos, portanto, é necessário reconhecer que as intimações postais, encaminhadas ao endereço físico do contribuinte após a expressa eleição pelo domicílio eletrônico, devem ser considerados nulas. Nas oportunidades em que o contribuinte, notificado via postal, cumpriu o seu direito de defesa com a apresentação de recursos, podese compreender superada a referida nulidade (Decreto n. 70.235/72, art. 59, §3o). No entanto, a intimação postal quanto ao julgamento da DRJ padece de insanável nulidade, não podendo ensejar a preclusão recursal em face do contribuinte, sob pena de cerceamento de seu direito de defesa perante este Tribunal." Deste modo, o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 2. Da Composição do Saláriodecontribuição 2.1 Aviso Prévio Indenizado O tema já foi objeto de julgamento no STJ em sede de recurso repetitivo no REsp. nº 1.230.957/RS, no qual se concluiu pela não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado. Entendeuse que os valores não se referiam a contraprestação pelo trabalho, e sim que eram pagos a título de indenização ao empregado que não recebeu o aviso prévio. Eis a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.135 21 A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. (...) Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Uma vez que o julgamento ocorreu conforme as regras do art. 543C do CPC/1973, o entendimento deve ser replicado no âmbito deste e.CARF, nos termos dos arts. 45, VI, e 62, § 1º, II, 'b', ambos do Anexo II ao RICARF. Como consequência, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. 2.2 Pagamento de Incentivo à Aposentadoria A legislação previdenciária trata dessa matéria em seu artigo 29, §8º, “e”, “5”, da Lei 8.212/91, asseverando claramente que não integram o salário de contribuição as Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.136 22 importâncias recebidas a título de incentivo à demissão. A referida norma também não colocou qualquer ressalva ao formato estabelecido pela empresa aos planos oferecidos. Vejamos o teor o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 5. recebidas a título de incentivo à demissão; Assim, entendo que as verbas indenizatórias decorrentes de adesões ao Programa de Incentivo à Aposentadoria devem ter o mesmo tratamento jurídicotributário dispensado ao PDV, conforme restou decidido no acórdão 2801001.513 (Rel. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, julgado em 14/04/2011). Ademais, outros julgados deste Conselho já consideraram a natureza indenizatória de tal rubrica, os quais podemos citar: acórdão nº 2801001.285, 10423199 e 10246770, cujas ementas estão transcritas no recurso voluntário interposto pelos recorrentes. Deste modo, entendo por afastar o lançamento fiscal em relação a rubrica em questão. 2.3 Reembolso Educacional Este Conselho, em processo similar ao ora em exame, teve acórdão proferido (acórdão nº 2401004.472, julgado em 16/08/2016), cujo voto do ilustre Relator Rayd Santana Ferreira, compartilho do entendimento, razão pela qual adoto como minhas razões de decidir. "Como se observa, a contribuinte instada a se manifestar sobre o pagamento do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das informações solicitadas, deixou de esclarecer qual o tipo de ensino disponibiliza aos beneficiários do Reembolso Educacional. Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com cursos de idiomas e cursos de pósgraduação, não especificou quais as condições para o seu pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte seja afastada a tributação sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas, graduação, pós graduação, inscrições em cursos, seminários, palestras, entre outros, estando completamente equivocado o auditor e a DRJ, uma vez que tais valores despendidos pela autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias, conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores. Constatase que a contribuinte, ao invés de melhor aclarar a demanda, colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.137 23 simplesmente traz à colações questões de direito periféricas, que em nada contribuem para o deslinde da controvérsia. Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins de não incidência dos tributos ora lançados. [...] Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal, que dá a entender que cursos de pósgraduação e de idiomas não estariam abarcados pela norma isentiva em comento, por não se caracterizarem como educação básica e/ou capacitação profissional, entendimento que foge à própria essência da verba sub examine, o certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se, de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991. Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional ofertado pela contribuinte aos seus funcionários. Assim, considerando que as recorrentes não ofereceram elementos se aferir se, de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991, impõese a manutenção do lançamento neste tocante. 2.4 Insuficiência de saldo. Mútuos. Alega o recorrente que quanto um empregado que tomou empréstimo é desligado junto à contribuinte, sem, contudo, pagar todas as parcelas do contrato de mútuo, a empresa opta por não fazer o desconto integral do saldo devedor nas verbas rescisórias. Ocorre que, não há como defende a Fiscalização, um perdão da dívida, por liberalidade do empregador. Há, em verdade, contratos de mútuos não finalizados, o qual a contribuinte pode cobrar a dívida, seja judicial ou administrativamente. Valores de mútuo não fazem parte da hipótese de incidência de contribuição previdenciária, por não compor o salário de contribuição. Ademais, para configuração de salário indireto, necessário que a Fiscalização efetivamente demonstrasse que haveria o perdão da dívida no momento da rescisão, o que demonstraria que todo empregado que é desligado ganharia de bônus o perdão da dívida. Porém, inexiste esta demonstração por parte da fiscalização. Deste modo, diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser um salário indireto, entendo pelo provimento do recurso neste tocante, devendo ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica “insuficiência de saldo”. 3. Das Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.138 24 A Fiscalização considerou que existiam valores informados na folha de pagamentos da contribuinte que teriam como beneficiários seus empregados, mas que não foram declarados na GFIP. Sustenta a contribuinte que, de fato, os valor indicados no Anexo IX constam na folha de pagamentos da empresa vinculados a seus empregados, entretanto, aduz que a Fiscalização “não se deu conta que não se tratam de pagamentos feitos a funcionários, mas, ao contrários, de descontos sofridos pelos empregados pelos mais diversos motivos (como faltas)”. Para provar o alegado, a empresa juntou com a impugnação documentos referentes a esse desconto para os outros funcionários indicados no Anexo IX do Auto de infração (fls. 807/1068, doc. n° 04 da impugnação). A DRJ, por sua vez, entendeu pela improcedência da impugnação neste tocante, pois não teria a contribuinte demonstrado o que alega. Diante disso, em recurso voluntário apresentam os recorrentes documentos para provar o que alegam, qual seja, a folha de pagamento analítica, com a indicação das rubricas relativas aos valores glosados pela fiscalização, onde ao meu entender, resta comprovado que as divergências decorrem de descontos sofridos pelos empregados. Assim, não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. 4. Da Contribuição Previdenciária a Cargo dos Segurados e das Multas pelo Descumprimento de Obrigações Acessórias. Consoante voto ora apresentado, temse por ratificando a improcedência das rubricas lançadas como saláriodecontribuição, relativas ao reembolso educacional, razão pela qual deve ser mantida às contribuições a cargo dos segurados sobre tal rubrica e afastada dos demais, nos termos da fundamentação acima. No entanto, as multas por descumprimento de obrigação acessória (AI 51.027.8450 CFL 30; AI 51.027.8469 CFL 34; AI 51.027.4347 CFL 38; AI 51.027.435 5 CFL 59), devem ser mantidas, diante do entendimento pela incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica reembolso educacional. 5. Sujeição passiva solidária. A solidariedade decorre de lei específica, vez que o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, citado no relatório fiscal, dispõe que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente pelas obrigações tributárias, conforme reproduzido: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Assim, temse que considera existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.139 25 Caracterizada a existência do “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. Como se pode perceber, em que pese o entendimento diverso das recorrentes, a solidariedade no lançamento que se analisa não é decorrente de suposto interesse comum das empresas envolvidas, mas da aplicação de solidariedade prevista em lei específica. Deste modo, configurada a existência de grupo econômico, entendo por manter a responsabilidade solidária. 6. Representação fiscais para fins penais. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf editou a seguinte súmula: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Sendo a referida Súmula de observância obrigatória neste Conselho, não há como este colegiado se pronunciar sobre as questões alegadas pelos recorrentes sobre a matéria suscitada. 7. Relatório de vínculos. Os recorrentes pedem, em nomes de terceiros, que sejam excluídas as pessoas físicas do relatório de vínculos. Além da impossibilidade de se pleitear direito alheio, temse que a questão já foi tratada pela DRJ de forma clara, vejamos: “No que diz respeito à responsabilização dos dirigentes da empresa é de se notar que o fato dos diretores da Impugnante constarem do anexo do Auto de Infração denominado “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”, não significa que sejam solidariamente responsáveis pelos valores levantados pela auditoria fiscal, contra a pessoa jurídica. Consta do citado anexo que ele “...lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente”. As referidas informações por si só, porém, são incapazes de imputar de responsabilidade tributária ou inclusão dos aludidos administradores no pólo passivo do lançamento tributário sob análise, em que não consta ter sido aplicado o art. 135, inciso III do Código Tributário Nacional.” Ademais, importa citar o disposto na Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.140 26 informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante disso, carece de razão os recorrentes. 8. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência das contribuições previdenciárias, inclusive parte segurado, sobre as rubricas “aviso prévio indenizado”, “incentivo à aposentadoria”, “insuficiência de saldos” e sobre os descontos (“divergência entre folhas de pagamentos e GFIPs"). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada De início, registro que, no caso em apreço, não há dúvidas de que a recorrentecontribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância. O cerne da discussão, portanto, diz respeito à obrigatoriedade de intimação no domicílio fiscal eletronônico, o qual teria sido supostamente eleito como único meio apto para o recebimento de intimações. Com a devida vênia aos que entendem de forma contrária, a interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 demonstra a clara opção legislativa pela multiplicidade de domicílios para fins de intimação. Isto porque, o supramencionado dispositivo põe, ao meu aviso, de forma inequívoca que, para tal fim, considerase domicílio do sujeito tributário, I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (destaques deste voto) As conjunções coordenativas aditivas, à exemplo da empregada no § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, expressam a ideia de acréscimo/adição. Em outras palavras, seguramente é possível afirmar que o contribuinte pode ser intimado não só pela via postal, como também pelo endereço eletrônico. Ainda que tivesse sido empregada uma conjunção coordenativa alternativa, outro não seria o entendimento. É que, para fins de intimação, seria considerado domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal ou o endereço eletrônico. A intimação, portanto, poderia se dar em quaisquer destas formas. Sob um aspecto teleológico, o que se almeja com a intimação é que, seguramente, tenha sido o contribuinte cientificado do ato. Para que seja aventada ofensa aos princípios da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório, precisaria ser demonstrado que o contribuinte não ficou a par da decisão. No caso ora sob escritínio, conforme já frisado e repisado, inconteste que a ora recorrentecontribuiinte tomou, em 01.08.2014, pleno conhecimento do acórdão proferido pela DRJ, quando do envio da intimação para o endereço Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10166.723601/201388 Acórdão n.º 2202004.845 S2C2T2 Fl. 2.141 27 postal que ela havia fornecido. Se assim é, não há que se cogitar quaisquer nulidades por ofensa a princípios basilares de nosso ordenamento jurídico. Assim, renovadas as vênias, não conheço do recurso da recorrente contribuinte por sua manifesta intempestividade. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada Fl. 2141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915293/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2002
DCTF. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. DCTF RETIFICADORA APÓS DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF.
DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
Não se há de ter como pagamento indevido, DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito o utilizado para quitar débito confessado em DCTF, sem outras provas em sentido contrário.
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Art. 16, §4º do PAF E A CASUÍSTICA.
Diante da situação do caso concreto, não há razão para se aceitar a juntada posterior de prova.
Numero da decisão: 3401-005.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, e, na análise da peça recursal, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. DCTF RETIFICADORA APÓS DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Não se há de ter como pagamento indevido, DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito o utilizado para quitar débito confessado em DCTF, sem outras provas em sentido contrário. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Art. 16, §4º do PAF E A CASUÍSTICA. Diante da situação do caso concreto, não há razão para se aceitar a juntada posterior de prova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.915293/2008-82
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950461
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.456
nome_arquivo_s : Decisao_10880915293200882.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10880915293200882_5950461.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, e, na análise da peça recursal, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7575831
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416262606848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 301 1 300 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915293/200882 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401005.456 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2018 Matéria PER/DCOMP PIS (EMBARGOS) Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado JS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. DCTF RETIFICADORA APÓS DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Não se há de ter como pagamento indevido, DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito o utilizado para quitar débito confessado em DCTF, sem outras provas em sentido contrário. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Art. 16, §4º do PAF E A CASUÍSTICA. Diante da situação do caso concreto, não há razão para se aceitar a juntada posterior de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, e, na análise da peça recursal, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 93 /2 00 8- 82 Fl. 301DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do Acórdão nº 3803003.970 – 3ª Turma Especial, de piso (efls. 143) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 09653.49000.310304.1.3.04.0240) em 31/03/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 5/9). Nesta declaração pretende o contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 9, no valor total de R$ 1.785,10, com supostos créditos (R$ 1.433,70), decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 1.949,40 (código de receita: 8109), com período de apuração 30/11/2002, recolhido em 13/12/2002. Apreciando o pedido formulado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório nº 783798457 (fls. 1), no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo contribuinte às fls. 9. Cientificado em 29/08/2002 (fls. 4) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de 30/09/2008 (fls. 10), com a juntada de documentos de fls. 12/50 (cópia da DCTF – 4º trimestre de 2002 retificadora, enviada em 23/09/2008; cópia do Despacho Decisório; cópia PER/DCOMP; cópias autenticadas da alteração e da consolidação do contrato social da requerente e dos documentos do representante), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Que os valores referentes ao período de 11/2002 foram recolhidos a maior gerando direito a compensar. Que o Despacho Decisório foi expedido por constar na respectiva DCTF dados que deveriam ter sido corrigidos e que, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.915293/200882 Acórdão n.º 3401005.456 S3C4T1 Fl. 302 3 de fato, o foram, posteriormente, por meio de DCTF retificadora. Assim, como os débitos foram devidamente compensados, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e homologada a compensação declarada. Conclusos foram os autos para julgamento pela 13ª Turma da DRJ/SP1, que por meio do Acórdão nº 1631.378, de 11/05/11 (fl. 52), proferiu decisão que se encontra resumida nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep. Data do fato gerador: 30/11/2002. ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado, em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Entendeu o voto condutor que os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte, sendo a prova e o motivo do ato administrativo e que a impugnante declinou da iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado, o que as presumem legítimas. Fl. 303DF CARF MF 4 Esclareceu o voto condutor que a elaboração da DCTF retificadora a posteriori não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte, havendo nesses casos a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio de apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial, entre outros, os Livros Diário e Razão, em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, adiantando, inclusive, da impossibilidade de apresentação de documentação probante hábil e idônea em outro momento posterior ao da apresentação da manifestação de inconformidade. Concluiu o acórdão hostilizado que não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação requerida. Ciente do teor da decisão de primeira instância em 02/06/11, por meio de AR, em face da mesma a contribuinte protocolou o recurso voluntário em data que não se consegue precisar, quando alegou sucintamente que cometera erro de fato no preenchimento da DCTF original, ao indicar o valor maior do que o devido no período de apuração de 30/11/02, quanto ao débito de PIS (cód. 8109). Esclareceu a recorrente que procedeu à correção do equívoco por meio de DCTF retificadora, que apresentou como meio de prova juntamente com a manifestação de inconformidade, quando logrou haver demonstrado de maneira inequívoca a existência do direito creditório, trazendo elementos probatórios de seu direito. Não obstante tenha apresentado a DCTF retificadora em momento posterior ao despacho decisório que não homologara a compensação, invocou a aplicação do princípio da verdade material ao caso vertente, reivindicando a realização de diligência com vistas à apuração da origem do crédito averiguado pela contribuinte, mencionando em seu favor jurisprudência do próprio CARF. Protestou, ainda, pela juntada de outros documentos e demonstrativos (DACON, DIPJ, Livro Diário e Razão, DCTF’s, DARF’s e outros documentos), relacionados ao período relativo ao crédito apurado (novembro/2002), que comprovam o direito alegado. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido, o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações realizadas através do Per/DComp em questão. (Negritos do Relator). A 3ª Turma Especial deste Conselho, por meio do Acórdão nº 3803003.970, decidiu pela intempestividade do recurso interposto, motivo pelo qual o mesmo não foi conhecido (efl. 143). Por conseguinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia, encarregada de executar o acórdão proferido, despachou propondo nova apreciação pelo Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.915293/200882 Acórdão n.º 3401005.456 S3C4T1 Fl. 303 5 CARF, pois entendeu que o recurso foi tempestivo, considerando que a contribuinte foi cientificada no dia 02/06/2011 e protocolizou o recurso no dia 01/07/2011. O despacho foi recebido pelo CARF como Embargos Inominados contra o Acórdão nº 3803003.970, o qual foi acolhido para sanar o equívoco cometido, determinando, assim, novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento, acolhendose os embargos. Inicialmente, esclarecese que, quando se trata de PER/DCOMP, cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. In casu, a contribuinte declarou débitos de PIS/PASEP, os quais pretende compensar com crédito oriundo de pagamento a maior via DARF no valor de R$ 1.949,40. Segundo o Despacho Decisório, em seu 3º campo, o pagamento a maior (crédito) indicado no PER/DCOMP fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 30/11/2002 e Código de Receita 8109. A Recorrente sustenta que cometeu erro material ao informar na DCTF débito maior do que o devido e que, para comprovar tal erro e, consequentemente, o direito creditório, anexou aos autos DCTF retificadora, enviada em 23/09/2008. Pois bem. A DCTF retificadora enviada pelo contribuinte em 2008 e anexada aos autos quando da juntada da Manifestação de Inconformidade deve ser recebida como prova, sendo irrelevante o fato de já ter sido proferido Despacho Decisório, pois se busca a verdade material, no presente caso, se a contribuinte possui ou não o direito creditório pleiteado, este, aliás, é o entendimento que prevalece neste CARF. Fl. 305DF CARF MF 6 Por outro, conforme inicialmente esclarecido, nos casos de PER/DCOMP, o ônus probatório compete ao contribuinte, e a simples apresentação de DCTF retificadora não possibilita concluir pela existência do direito creditório. Para tanto a Recorrente deveria ter acostado aos autos, também, documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Ademais, a Recorrente protesta pela juntada de outros documentos e demonstrativos (DACON, DIPJ, Livro Diário e Razão, DCTF’s, DARF’s e outros documentos), relacionados ao período relativo ao crédito apurado (novembro/2002), que comprovam o direito alegado. Ora, se retificou a DCTF posteriormente ao Despacho Decisório, deveria juntar a existência do crédito que diz possuir, por meio dos aludidos documentos, mas preferiu apenas protestar pela produção da prova. Não merece amparo o referido requerimento nesta fase processual, considerando as peculiaridades do caso em apreço, com fundamento no art. 16 do Decreto 70.235/72. Citase: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A jurisprudência deste E. Tribunal até flexibilizou o texto seco da norma acima, permitindo, como se disse, sobrevenham documentos que comprovem a existência do crédito. Esta flexibilização tem a ver com a verdade real, porém, não bastando apenas a DCTF retificadora, mas sim, para que o elo informativo do crédito se feche, imprescindíveis que documentos hábeis e idôneos o lastreiem. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.915293/200882 Acórdão n.º 3401005.456 S3C4T1 Fl. 304 7 A Recorrente não demonstrou este zelo, ônus que lhe cabe, inclusive por força do artigo 373, I do CPC/2015. Com estas razões, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001433/2004-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10240.001433/2004-45
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948243
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.356
nome_arquivo_s : Decisao_10240001433200445.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10240001433200445_5948243.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7570753
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416278335488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.001433/200445 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.356 – 2ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NILTON ARAGÃO DE ARAÚJO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 14 33 /2 00 4- 45 Fl. 199DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.772 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 05 de abril de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 155: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS. A dedução de honorários advocatícios e despesas administrativas do total de rendimentos recebidos em virtude de ação judicial requer não só a comprovação dos pagamentos, mas também a juntada de documentos que possibilitem estabelecer o vínculo entre esses pagamentos e ação judicial que levou à percepção do rendimento. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 166 a 171, da decisão integrativa do acórdão recorrido, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 183 a 186, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 9202007.356 CSRFT2 Fl. 3 3 recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 407 e seguintes, pleiteando a manutenção do acórdão recorrido, considerando a existência de vício material do lançamento. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 192, requerendo, em síntese a manutenção da decisão recorrida, considerando a nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, nesse Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: Fl. 201DF CARF MF 4 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 9202007.356 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902700/2016-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.558
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.902700/2016-37
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955704
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.558
nome_arquivo_s : Decisao_13851902700201637.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13851902700201637_5955704.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7585703
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416282529792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902700/201637 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.558 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de novembro de 2018 Assunto PIS/COFINSPEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ROMANOVA PRODUTOS E ALIMENTOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 70 0/ 20 16 -3 7 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13851.902700/201637 Resolução nº 3402001.558 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13851.902700/201637 Resolução nº 3402001.558 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13851.902700/201637 Resolução nº 3402001.558 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921011/2012-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.921011/2012-05
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950408
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.027
nome_arquivo_s : Decisao_12448921011201205.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 12448921011201205_5950408.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7574799
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416296161280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.921011/201205 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3003000.027 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GAN RIO APOIO NUTRICIONAL GANUTRE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 10 11 /2 01 2- 05 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 3 2 das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins no valor de R$ 27.130,20, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 19/10/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em fevereiro de 2011, tomou conhecimento de que estava tributando a Cofins de forma incorreta, ou seja, com alíquota superior a zero dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, contrariando a Lei 10.147/2000, por se tratar de produtos manipulados; que imediatamente apurou o montante do crédito que teria direito e começou a compensar este crédito com os débitos de outros tributos apurados no meses subsequentes, através do DACON; que entretanto se equivocou em não efetuar também a retificação da DCTF do mesmo período de apuração, ocasionado o não reconhecimento do crédito. Solicita o direito de retificar a DCTF para que possa compensar o recolhimento efetuado indevidamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), no acórdão n° 02050.433, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 510DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto a origem do direito creditório e a relativização da confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, apresentando documentação que entende hábil a comprovar o seu direito e pleiteando ainda a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, período de apuração de 30/09/2007, no valor histórico de R$ 27.130,20, decorrente da tributação equivocada dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, os quais estariam sujeitos ao benefício fiscal previsto no art. 2º da Lei 10.147/2000, e, portanto, deveriam sofrer aplicação da alíquota zero, não obstante a ausência de retificação em DCTF. Sem embargo, antes de tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Quanto a ausência de retificação da respectiva DCTF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Quanto ao mérito, a Recorrente informa que exerce as atividades de "manipulação, dispensação e comercialização de fórmulas farmacêuticas e produtos nutricionais e a exportação e importação de produtos farmacêuticos, correlatos, alimentos e suplementos alimentares...". alegando que, por realizar as atividades de comercialização varejista de medicamentos não importados e a manipulação de medicamentos para a venda Fl. 512DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 6 5 direta a consumidores finais, não estaria enquadrada no conceito de industrialização pela legislação pátria, fazendo jus ao benefício fiscal concedido pelo artigo 2o da Lei n° 10.147/2000, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS sobre a venda dos produtos classificados nos códigos especificados. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, assim dispõe: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. [...] (grifouse) Para verificar o enquadramento no conceito de industrialização, no caso, devemos nos socorrer do disposto no inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 7 6 Art. 5º Não se considera industrialização: [...]VI a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso III, e DecretoLei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5º, alteração 2ª); [...] (grifouse) A Recorrente trouxe aos autos como documentação comprobatória para embasar o seu direito amostras de Notas Fiscais em que verificase a venda de medicamentos por ela manipulados basicamente para clínicas e hospitais. Nos termos do inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, para não ser industrialização, a manipulação deve ser para venda direta ao consumidor com receita médica. Nesse caso, entendo “consumidor” como o consumidor final da medicação, o cliente em tratamento que fará uso da(s) substância(s) contida(s) no produto manipulado. Logo, em sentido contrário, se a venda não se dá para o consumidor final, mas para clínicas ou hospitais, como no caso, está caracterizada a industrialização. Assim, a atividade do contribuinte na venda de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 é considerada industrial na aludida situação e enquadrase no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, sendo tributado pela Cofins com alíquotas positivas e não com alíquota zero prevista no art. 2º do referido dispositivo legal. Nesse sentido, segue ementa da Solução de Consulta nº 48 Cosit: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITO PRESUMIDO. A manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos é considerada industrialização, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, que apenas alcança os produtos nele citados, estão submetidos ao regime concentrado de tributação da Cofins e, consequentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Desde que atendidas as condições previstas no art. 3º, I e II, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, a manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos gera direito ao crédito presumido ali previsto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, arts. 1º, 2º e 3º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 5º, VI. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 8 7 No mais, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e amostras de Notas Fiscais, porém sem nenhum documento hábil, idôneo e suficiente que os embasassem. As declarações retificadas, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 12448.921011/201205 Acórdão n.º 3003000.027 S3C0T3 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000229/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:12/12/2005
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador:12/12/2005 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.000229/2010-12
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954976
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.230
nome_arquivo_s : Decisao_11128000229201012.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11128000229201012_5954976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7584696
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416300355584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000229/201012 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.230 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador:12/12/2005 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 29 /2 01 0- 12 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.512, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.000229/201012 Acórdão n.º 3302006.230 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
