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Numero do processo: 15771.726619/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/12/2015
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.374
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 66 19 /2 01 5- 89 Fl. 375DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.374 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726619/2015-89 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Procedente em Parte. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 376DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.374 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726619/2015-89 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 377DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.374 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726619/2015-89 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001498/2006-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS NÃO-CUMULATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 125.
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-009.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS NÃO-CUMULATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 125. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-23T18:53:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-23T18:53:52Z; Last-Modified: 2019-08-23T18:53:52Z; dcterms:modified: 2019-08-23T18:53:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-23T18:53:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-23T18:53:52Z; meta:save-date: 2019-08-23T18:53:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-23T18:53:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-23T18:53:52Z; created: 2019-08-23T18:53:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-23T18:53:52Z; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-23T18:53:52Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16707.001498/2006-12 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-009.114 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIDA - CENTRAL DE INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS NÃO-CUMULATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 125. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 14 98 /2 00 6- 12 Fl. 1242DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.114 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16707.001498/2006-12 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (e-fls. 1.225 a 1.231) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403-003.414 (e-fls. 1.187 a 1.194) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 12 de novembro de 2014, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. A decisão foi rerratificada pelo Acórdão n.º 3301-002.871 (e-fls. 1.214 a 1.223), que acolheu os embargos de declaração do Sujeito Passivo, para admitir a incidência de correção monetária sobre o crédito de PIS/Pasep não-cumulativo a ser ressarcido. Os julgados foram assim ementados: Acórdão nº 3403-003.414 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 40 DA LEI 10.865/2004. IN 446/2004. Se em relação à operação de aquisição não foi aplicada a suspensão da incidência, por falta de preenchimento dos requisitos legais habilitação do comprador como empresa preponderantemente exportadora, emissão de declaração pelo comprador ao vendedor e informação da suspensão na nota fiscal, tal operação encontra-se sujeita à regular incidência da contribuição, de maneira que tem o vendedor de recolher a contribuição sobre a receita daquela operação e tem o comprador de tratar a operação de aquisição como hipótese ordinária de creditamento, na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002. Recurso provido. Acórdão nº 3301-002.871 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitir-se-á embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 1243DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.114 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16707.001498/2006-12 PIS/PASEP. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS, CUJA UTILIZAÇÃO FOI IMPEDIDA PELA FAZENDA. POSICIONAMENTO DO STJ. Nos casos em que a Administração Fazendária obstaculiza a utilização de créditos tributários, é cabível a incidência dos juros Selic. Aplicável o entendimento do STJ, exarado por meio do Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.035.847/RS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DIREITO CREDITÓRIO OUTRORA RECONHECIDO. Considerando que os embargos de declaração são restritos à análise da omissão no acórdão, deverá ser mantido o entendimento anteriormente proferido pelo colegiado concernente à questão não contestada, no sentido de reconhecer o direito creditório vislumbrado pela interessada, todavia, sem a incidência da taxa SELIC. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos opostos pela interessada, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Francisco José (relator) e Andrada, que davam parcial provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira. Não resignada com o julgado, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (e-fls. 1.225 a 1.231) suscitando divergência jurisprudencial com relação à atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos de PIS e COFINS não-cumulativos a serem ressarcidos. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3201-002.052 e 3402- 002.832. O recurso especial foi admitido, nos termos do despacho s/n.º (e-fls. 1.233 a 1.234), de 22 de junho de 2016, proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CAF, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. Devidamente cientificada (e-fl. 1.239), a Contribuinte não apresentou contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Fl. 1244DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.114 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16707.001498/2006-12 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a Fazenda Nacional insurge-se quanto à possibilidade de correção monetária, pela taxa SELIC, dos créditos de PIS e COFINS do regime da não-cumulatividade a serem ressarcidos. A controvérsia dos presentes autos, portanto, relativa à impossibilidade de aplicação de correção monetária no ressarcimento dos créditos de PIS e COFINS não- cumulativos restou sedimentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no enunciado da Súmula CARF nº 125, in verbis: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 203-13.354, de 07/10/2008; 3301-00.809, de 03/02/2011; 3302-00.872, de 01/03/2011; 3101-01.072, de 22/03/2012; 3101-01.106, de 26/04/2012; 3301-002.123, de 27/11/2013; 3302-002.097, de 21/05/2013; 3403-001.590, de 22/05/2012; 3801- 001.506, de 25/09/2012; 9303-005.303, de 25/07/2017; 9303-005.941, de 28/11/2017. (grifou-se) Fl. 1245DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.114 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16707.001498/2006-12 Nos termos do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, as súmulas aprovadas pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus membros. Por essa razão, deve ser reformado o acórdão recorrido, dando-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e aplicando a Súmula CARF n.º 125. Diante do exposto, dá-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1246DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.725098/2015-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2011
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face das áreas de preservação permanente está condicionado à apresentação do respectivo ADA antes do início da ação fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. REGISTRO DE IMÓVEIS. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 122.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face das áreas de reserva legal está condicionado à sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de ADA.
Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).(Vinculante ., conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 2003-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face das áreas de preservação permanente está condicionado à apresentação do respectivo ADA antes do início da ação fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. REGISTRO DE IMÓVEIS. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 122. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face das áreas de reserva legal está condicionado à sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de ADA. Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).(Vinculante ., conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 50 98 /2 01 5- 61 Fl. 130DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 46.457,71, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2011, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação do valor da terra nua (fls. 03/06). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, o que segue (fls: 22/23): 1. reconhece o equívoco quanto ao valor da terra nua declarado, apresentando laudo de avaliação, cujos valores estão abaixo daqueles arbitrados pela fiscalização, razão por que requer a revisão da auttuação; 2. por ter sido declarado antes do Laudo de Avaliação, o crédito apurado não condiz com a realidade local, nem com o tamanho da terra, estando em desacordo com o valor do imóvel no período; 3. o imóvel foi declarado com a dimensão errada de 400,0 ha, e não com a de 540,9 ha, apurada após o mapeamento de georreferenciamento; 4. o lançamento deve ser anulado para não onerálo sem motivação; 5. se põe à disposição, caso a RFB entenda seja necessário a realização de diligência, para fins de comprovação das alegações e laudo apresentado; Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou procedente em parte a pretensão externada por meio de mencionada contestação, de cuja decisão se extrai (fls. 71/81): 1. improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59 do mesmo Decreto; 2. reconheceu o erro das dimensões declaradas do imóvel rural, de 400,0 ha para 540,9 ha, restando mantida as medidas originais, porque favoráveis ao recorrente; 3. acatou o valor da terra nua, conforme laudo de avaliação apresentado; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 107 3 4. negou a exclusão do ITR incidente sobre suposta áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas, por falta de cumprimento do requisito legal da protocolização, em tempo hábil, do requerimento para o IBAMA expedir o respectivo ADA as reconhecendo como de interesse ambiental; 5. negou a exclusão do ITR incidente sobre suposta área de reserva legal, por falta de cumprimento dos requisitos legais da protocolização, em tempo hábil, do requerimento para o IBAMA expedir o respectivo ADA a reconhecendo como de interesse ambiental, bem como da averbação tempestiva da sua natureza de reserva legal à margem da matrícula do imóvel; 6. reconheceu a desnecessidade da realização de perícia, pois os autos já contêm os elementos suficientes para a formação da convicção. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que segue sintetizado (fls: 100/101): 1. a obrigatoriedade da exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) não era de conhecimento do contribuinte, apesar de constar na instrução do manual de preenchimento da DITR; 2. foi induzido a erro pelo programa da DITR, que permitiu a transmissão da declaração sem o referido ADA; 3. que, pelo princípio da verdade material, a existência da área coberta por floresta nativa está comprovado mediante laudo de avaliação emitido por profissional dotado de competência legal para tanto; 4. que, segundo a definição de fato gerador no CTN, materializada a presença da área coberta por floresta nativa com o laudo de avaliação, a falta do ADA não faz prova da sua não existência; 5. consta nos autos, que, atualmente, tem o ADA informando a área coberta de floresta nativa, motivo por que, se ali está até o momento, é porque antes também estava; É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 18/10/2017 (fls. 99), e a Peça recursal foi recebida em 16/11/2017 (fls. 100), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Fl. 132DF CARF MF 4 Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Delimitação da lide Consoante visto no Relatório, o recorrente logrou êxito parcial perante o julgamento de primeira instância, restando a lide apenas quanto à exclusão das áreas classificada como de preservação permanente e de Reserva Legal da incidência do ITR, por falta de apresentação tempestiva do ADA e da comprovação da averbação à margem da inscrição de matrícula do respectivo imóvel no cartório competente respectivamente. Mérito Previamente à apreciação de mencionada contenda, vale contextualizar os suportes fáticos relevantes para presente decisão, quais sejam: 1. reportado procedimento fiscal se refere ao exercício de 2011 (fls. 03); 2. a ciência do Termo de Início de Fiscalização se deu em 05/06/2015 (fls. 11); 3. o ADA foi emitido em 29/09/2017 (fls. 103). Posta assim a questão, passo à análise da lide suscitada. O enfrentamento da controvérsia atinente ao prazo para apresentação do ADA requisito indispensável para o gozo do benefício fiscal objeto deste julgamento fica facilitado quando explorado o aspecto da extrafiscalidade do ITR, o que se buscou privilegiar no presente estudo. Superada essa questão, passaremos à análise propriamente do mencionado Imposto por meio da subsunção dos fatos apresentados nos autos aos preceitos estabelecidos pela legislação que trata do assunto. Contextualização do Imóvel Rural no Ordenamento Constitucional Brasileiro A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 108 5 III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Fl. 134DF CARF MF 6 Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 109 7 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Fl. 136DF CARF MF 8 Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 110 9 tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 138DF CARF MF 10 Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo contribuinte traz dois aspectos distintos, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ecológico por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 111 11 e a acessória. A primeira trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Fl. 140DF CARF MF 12 Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...} Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 112 13 compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Prazo de apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Em tais termos, estritamente vinculados aos limites legais impostos, asseveram que, a partir do exercício de 2007, o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro de cada anocalendário, conforme se discorrerá na sequência. O Decreto regulamentar e a previsão legal Nos termos do já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. [...] A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Fl. 142DF CARF MF 14 Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Por oportuno, vale consignar que tanto o IBAMA quanto a RFB amparados na legislação supracitada vinham deliberando a obrigatoriedade da apresentação do correspondente ADA, em até seis meses, contados do término do prazo fixado para a entrega da DITR. Confirmase: IN SRF nº 256, de 2002: Art. 9º [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. No entanto, a partir do exercício de 2007, o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro de cada anocalendário, conforme IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I (com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 113 15 2008); IN RFB nº 746, de 2007, art. 10, c/c IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002: Art. 9º [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente;(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Ante o exposto, para o exercício de 2009, o prazo para apresentação do ADA se expirou em 30.09.2009, data final para a entrega da DITR/2009, de acordo com a IN RFB nº 959, de 2009 c/c a IN IBAMA nº 05, de 2009, já transcrita acima. Confirase: Fl. 144DF CARF MF 16 IN RFB nº 959, de 2009: Art. 5º Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Art. 6º A DITR deve ser apresentada no período de 10 de agosto a 30 de setembro de 2009: Área de Reserva Legal Além da comprovação do interesse ambiental reconhecido mediante ADA expedido pelo IBAMA, o gozo do mencionado benefício fiscal relativamente à Área de Reserva Legal, está condicionado à comprovação da averbação à margem da inscrição de matrícula do respectivo imóvel no cartório competente. Vide Decreto nº 4.382, de 2002 (Regulamento do ITR). Confirmase: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. A propósito, citada averbação em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do ADA comprovando o interesse ambienta da referida Área de Reserva Legal, conforme Súmula CARF nº 122. Confirmase: Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Apresentação prévia de documentos Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, apenas reforça que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da apresentação da DITR, não eximindo o contribuinte da posterior obrigação de provar o cumprimento tempestivo das condições impostas para o gozo das isenções atinentes à APP (apresentação tempestiva do ADA) e à reserva legal (averbação no registro de imóveis). Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 114 17 ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A propósito, em se tratando de tema não pacificado neste Conselho, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, Fl. 146DF CARF MF 18 referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 75, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 115 19 correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Buscando facilitar a compreensão precedente, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas aplicáveis. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Fl. 148DF CARF MF 20 Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 116 21 II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos quatro tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável e área efetivamente utilizada), depreendese que os benefícios fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A imprescindível apresentação tempestiva do ADA Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção do benefício fiscal em controvérsia quando o ADA ou o seu requerimento não for protocolizado, em até 30 de setembro do correspondente exercício, no IBAMA ou órgão conveniado, implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e II, e 75 do CTN. Ademais, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: 1. o gozo do referido benefício fiscal está legalmente condicionado à protocolização do ADA no IBAMA ou órgão conveniado (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); 2. citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizada no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazo de apresentação do ADA; Fl. 150DF CARF MF 22 7. as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 75 e 111). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA por meio de ato administrativo de autoridade competente. Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. APP (exigência de ADA) e ARL (exigência de averbação) O recorrente argumenta que a presença da floresta nativa está comprovada mediante laudo de avaliação emitido por profissional dotado de competência legal para tanto, razão por que a falta do ADA não pode afastar o gozo do benefício fiscal almejado. Ademais, alega ele que desconhecia a obrigatoriedade da citada exigência, apesar de constar na instrução de preenchimento da DITR, sendo, inclusive, induzido a erro pelo programa gerador da Declaração, o qual permitiu a transmissão da declaração sem o referido ADA. A esse respeito, conforme se discorreu precedentemente, a materialidade em si da efetiva existência das reportadas áreas não está em debate, mas tão somente o cumprimento tempestivo dos imprescindíveis requisitos formais, caracterizados pelos seus respectivos reconhecimentos, de forma específica e individualizada, mediante a exibição tempestiva do ADA ou, ao menos, do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado, assim como da averbação retrocitada. O efeito da intenção do agente no acometimento de infração tributária Visto o que se discorreu, como também pelo ditame presente no art. 136 do CTN, que patrocina ser a intenção do agente, em regra, irrelevante para a caracterização da infração tributária, não procede a alegação do recorrente no sentido de que não teve intenção de errar, mas foi induzido pelo programa DITR, já que desconhecia mencionada obrigação. Confirase: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim sendo, ausente o cumprimento das condições imposta para o gozo das isenções atinentes à APP (apresentação tempestiva do ADA) e à reserva legal (averbação no registro de imóveis) na apuração do ITR, fica afastado o atendimento da pretensão do recorrente, mantendo as supostas áreas de preservação permanente e de reserva legal incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10530.725098/201561 Acórdão n.º 2003000.126 S2C0T3 Fl. 117 23 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso interposto. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.006087/2005-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA
intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
Acata-se o VTN indicado em laudo apresentado pelo contribuinte, desde que emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA e que contenha elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.137
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso para retificar a área total do imóvel para 16.291,09 ha, reconhecer a área de preservação permanente de 908,992 ha e reduzir o VTN do imóvel para R$ 1.612.166,26.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Acata-se o VTN indicado em laudo apresentado pelo contribuinte, desde que emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA e que contenha elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 240 1 239 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.006087/200502 Recurso nº 338.461 Voluntário Acórdão nº 210201.137 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria ITR Área de preservação permanente e arbitramento do VTN Recorrente BOINVEST PASTORIL AGRÍCOLA E INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Acatase o VTN indicado em laudo apresentado pelo contribuinte, desde que emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA e que contenha elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso para retificar a área total do imóvel para 16.291,09 ha, reconhecer a área de preservação permanente de 908,992 ha e reduzir o VTN do imóvel para R$ 1.612.166,26. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 241 2 Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra BOINVEST PASTORIL AGRÍCOLA E INDUSTRIAL LTDA, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Água Verde II, com 16.000,0 ha (NIRF 5.521.1461), relativo ao exercício 2001, no valor de R$ 1.018.075,21, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2005. A infração imputada à contribuinte no Auto de Infração, fls. 06, foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão dos seguintes fatos: (i) glosa total da área de preservação permanente (14.457,0 ha), por falta de comprovação da existência da área e também pela não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA); e (ii) arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 103.120,00 (R$ 6,44/ha) para R$ 2.041.600,00 (R$ 127,60/ha), em virtude da nãoapresentação de laudo que comprovasse o valor declarado. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 26/39, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/CGE nº 0410.706, de 10/11/2006, fls. 99/108. Naquela oportunidade, decidiuse, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/12/2006, Aviso de Recebimento (AR), fls. 112, a contribuinte apresentou, em 10/01/2007, recurso voluntário, fls. 114/122, trazendo as alegações a seguir resumidas: É ilegal a tributação de áreas já gravadas como de utilização limitada por ato do órgão ambiental federal, eis que são isentas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 242 3 O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou, reconhecendo a ilegalidade da exigência do ADA. Contrariamente a conclusão esposada na decisão recorrida o Laudo de Avaliação apresentado na impugnação atende aos requisitos exigidos. A negativa da DRJ deuse sob o pretexto, apenas, de que os elementos amostrais pesquisados foram insuficientes. A afirmação não é verdadeira, visto que no item VII.2 do Laudo questionado são indicadas 6 (seis) fontes de pesquisas para determinação do valor apurado. A área do imóvel supera a de muitos países e obviamente dificulta comparações exatas ou diretas. Isso, contudo, não impediu a determinação de valor feita com fulcro em dados, inclusive oficiais, como a Secretaria Estadual de Fazenda, Prefeitura Municipal e as outras fontes indicadas, as quais, ressaltese, nenhuma foi refutada na decisão recorrida. Os valores da terra apurados na tabela SIPT jamais poderiam ser aplicados a fatos geradores ocorridos anteriormente a publicação da portaria que a regulamentou, mas somente a fatos geradores ocorridos posteriormente, em respeito ao princípio da irretroatividade. Em 15/12/2008, a contribuinte, alegando a existência de novos documentos indispensáveis para a solução do litígio, apresentou nova petição, fls. 167/180, nos termos a seguir resumidos: Área do imóvel, área de preservação permanente e área de reserva legal: O imóvel em questão é resultante do desmembramento de uma área de 39.416,00 ha, conforme se verifica na matrícula nº 28.318, fls. 52. Cumpre informar, ainda, que o imóvel, então matriculado sob o nº 28.318, era denominado Fazenda da Água Verde Parte A e possuía área de 16.000,00 ha. Após georeferenciamento, foi constatado que o sobredito imóvel possui uma área de 16.291,09 ha, de sorte que foi realizada a retificação de área junto ao respectivo Cartório de Imóveis. O imóvel passou a ser denominado Fazenda São José da Água Verde II, vindo a gerar a matrícula nº 40.159, de 27/06/07. Nos termos do demonstrativo de apuração do imposto sobre a propriedade territorial rural, observase que foi declarado que o imóvel possuía área total de 16.000 ha, sendo 14.457,0 ha de preservação permanente. Não obstante, o declarante, ao assim proceder laborou em erro de preenchimento da declaração, uma vez que pelos documentos acostados a esta petição, as áreas do imóvel estão assim distribuídas: a) Área do Imóvel: 16.291,09 ha; b) Área de Preservação Permanente: 908,99 ha; c) Área de Reserva Legal: 16.291,09 ha; d) Área de Preservação Permanente dentro da Reserva Legal: 908,99 ha. O laudo técnico ora anexado referese à época do fato gerador e foi firmado por profissional habilitado engenheiro florestal , bem como confeccionado nos moldes exigidos pela legislação de regência, possibilitando ao julgador a perfeita visualização dessas áreas. De sorte que, comprovada a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se excluílas da base de cálculo do ITR, independentemente da apresentação do ADA e da averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 243 4 Salientese ainda, que após toda essa constatação, a requerente apresentou o Ato Declaratório Ambiental informando a existência dessas áreas no imóvel. Ademais, as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante. Valor da Terra Nua: Em laudo técnico de avaliação, que preenche os requisitos da ABNT, a Fazenda Santa Bárbara, vizinha da fazenda objeto da autuação, que possui idênticas características, teve sua terra nua de 22.728,0 ha avaliada em R$ 1.478.243,52, o que correspondia, a R$ 65,04/ha. Caso não aceito o laudo de avaliação juntado, deve então o VTN do imóvel ser atribuído com base na Tabela de Preços de Terras do Incra. Cabe frisar ainda, que a própria Receita Federal recomendou, para o exercício 2006, ano base 2005, que os produtores utilizem a Tabela de Preços do Incra quando do preenchimento da DITR, conforme se vê no ofício encaminhado pelo Delegado da Receita Federal de Cuiabá ao Presidente do Sindicato Rural de Cuiabá (MT). É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 244 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, vale dizer que a petição apresentada pela contribuinte em 15/12/2008, assim como os documentos que a acompanharam, serão aqui analisados em obediência aos princípios da verdade material e da ampla defesa. Pois muito bem. A defesa afirma que laborou em erro quando do preenchimento da declaração, uma vez que após georeferenciamento restou comprovado que as áreas do imóvel estão assim distribuídas: a) Área do Imóvel: 16.291,09ha; b) Área de Preservação Permanente: 908,99ha; c) Área de Reserva Legal: 16.291,09ha; d) Área de Preservação Permanente dentro da Reserva Legal: 908,99ha. De fato, verificase da certidão da matrícula nº 40.159, fls. 181, que o imóvel possui área total de 16.291,09 ha, e não de 16.000,00 ha, conforme declarado. Assim, deve a área total do imóvel ser retificada para fins de cálculo do imposto devido. Quanto às áreas de reserva legal e de preservação permanente devese observar que a contribuinte apresentou ADA, fls. 184, em 28/11/2008, onde indica área de preservação permanente de 908,992 ha e área de reserva legal de 16.291,094 ha. Com relação à área de reserva legal, cumpre destacar que não consta averbação junto à matricula do imóvel. Como se vê, a apresentação do ADA não se deu dentro do prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, conforme fixado na Instrução Normativa SRF nº 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1 de setembro de 1997, e alterações posteriores. Entretanto, no que diz respeito ao prazo para a apresentação do ADA, a conclusão que se impõe é de que a Lei nº 6.938, de 1981 de fato não fixou prazo para a sua apresentação, sendo descabida a exigência fixada mediante Instrução Normativa. Certo é que a apresentação do ADA, ainda que extemporâneo deve ser acatado para fins de fruição do benefício fiscal. Contudo, fazse necessária a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Tal entendimento segue a jurisprudência desta Turma, destacandose sobre o assunto o voto proferido no Acórdão 210200.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo da questão para ao final concluir que comprovada a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. No presente caso, a contribuinte havia declarado inicialmente somente área de preservação permanente de 14.457,0 ha. Entretanto, na petição, apresentada em 15/12/2008, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 245 6 a defesa esclarece que a área de reserva legal coincide com a área total do imóvel e que dentro desta está contida a área de preservação permanente de 908,992 ha. Tais esclarecimentos são coincidentes com as informações prestadas no ADA. E mais, a contribuinte juntou aos autos laudo técnico que confirmam estas informações. Assim, devese acatar para fins de cálculo do imposto devido a área de preservação permanente de 908,992 ha. No que concerne à área de reserva legal, importa observar a determinação contida no parágrafo 8º do art. 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965: §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Segundo a legislação acima transcrita, inferese que áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Nessa conformidade, considerando que no registro do imóvel em questão não se encontra averbada nenhuma área de reserva legal, não há como se acatar a pretensão da recorrente de ver reconhecida a totalidade do imóvel como área de reserva legal. Por fim, devese analisar o arbitramento do VTN. Em sua Declaração de ITR, exercício 2001, a contribuinte informou VTN de R$ 103.120,00 (R$ 6,44/ha), considerando a área de 16.000,0 ha. Durante o procedimento fiscal foi intimada a apresentar laudo técnico de avaliação, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica (ART), devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 116533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tal intimação não foi atendida pela contribuinte. Na falta da apresentação do referido laudo, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do VTN, para R$ 2.041.600,00 (R$ 127,60/ha), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), extrato, fls. 14. Na impugnação, a contribuinte apresentou laudo, fls. 54/71, acompanhado da devida ART, fls. 53, onde o perito concluiu que o valor médio para área normal de pantanal é de R$ 98,96. Entretanto, o VTN apurado para o referido imóvel foi de R$ 152.695,28, que corresponde a multiplicação da área aproveitável de 1.543,0 ha por R$ 98,96. O VTN de R$ 152.695,28 não pode ser acatado. O laudo não justifica, se quer demonstra, como chegou a área aproveitável de 1.543,0 ha e, de mais a mais, o VTN é o valor de mercado da área total do imóvel e não apenas da área aproveitável. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 246 7 Por outro lado, a própria contribuinte na petição apresentada em 15/12/2008, solicita que o VTN do imóvel seja calculado na base de R$ 65,04/ha, conforme apurado em laudo de imóvel vizinho ao seu ou, alternativamente, que seja utilizado valor constante em tabela do Incra, fls. 234/237. Na mencionada tabela constam valores mínimo, médio e máximo de VTN, para o município de Cáceres, onde está localizado o imóvel, de R$ 36,00, R$ 48,00 e R$ 90,00, respectivamente, para o caso de imóveis localizados em planície, sendo que para imóveis localizados em planalto a cotação dos valores passa para R$ 225,00, R$ 540,00 e R$ 1.200,00, respectivamente. Nesse ponto vale observar que, conforme informado no laudo técnico, fls. 205, o imóvel situase na planície do pantanal matogrossense. Por outro lado, vale destacar que no laudo apresentado, juntamente com a impugnação, para chegar ao valor médio para área normal de pantanal de R$ 98,96, o perito baseouse nas seguintes informações: Fonte de pesquisa Valor por hectare (R$) Secretaria de Fazenda de MS 90,00 Prefeitura Municipal de Cáceres (MT) 88,78 Terraplan – Consultoria e ASS. Técnica Agropecuária 100,00 Imobiliária Brasil Ltda 75,00 Oferta Correio do Estado 130,00 Oferta Correio do Estado 110,00 Valor médio por hectare 98,96 É bem verdade, que o referido laudo não traz nenhum dado de mercado, efetivamente utilizado, conforme determina a norma ABNT, entretanto, dentre as fontes utilizadas chama a atenção as duas informações trazidas de anúncios de jornal, que circularam em 2001. Tais valores de R$ 130,00 e R$ 110,00, que poderiam inclusive estar um pouco acima do valor de mercado, são bons parâmetros na ausência de dados de mercado efetivamente utilizados. Observase, ainda, que o valor médio por hectare, apurado no referido laudo, aproximase do valor máximo estipulado na tabela do Incra, para áreas de planície, que é de R$ 90,00. Nessa conformidade, devese acolher o VTN de R$ 98,96/ha, conforme apurado no laudo apresentado pela contribuinte, de sorte que o VTN do imóvel para fins de cálculo do imposto devido deve ser de R$ 1.612.166,26 (16.291,09 ha multiplicado por R$ 98,96). Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para retificar a área total do imóvel para 16.291,09 ha, reconhecer a área de preservação permanente de 908,992 ha e reduzir o VTN do imóvel para R$ 1.612.166,26. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.006087/200502 Acórdão n.º 210201.137 S2C1T2 Fl. 247 8 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720392/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2012
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN.
O lapso de tempo para a constituição de créditos tributários das contribuições previdenciárias é regido pelo Código Tributário Nacional, sendo que, na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontra-se equivocado.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.
A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma.
TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, forma-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados.
CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS. CONTRIBUINTE DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
As contribuições recolhidas por meio de documento de arrecadação identificado com o CNPJ de determinada pessoa jurídica não podem ser aproveitadas no lançamento fiscal efetuado contra outro contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco.
PROVAS. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CO-RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES E ADMINISTRADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88.
O crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da pessoa jurídica autuada. Conforme Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2202-005.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2012 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. O lapso de tempo para a constituição de créditos tributários das contribuições previdenciárias é regido pelo Código Tributário Nacional, sendo que, na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontra-se equivocado. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, forma-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS. CONTRIBUINTE DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. As contribuições recolhidas por meio de documento de arrecadação identificado com o CNPJ de determinada pessoa jurídica não podem ser aproveitadas no lançamento fiscal efetuado contra outro contribuinte. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. PROVAS. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CO-RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES E ADMINISTRADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. O crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da pessoa jurídica autuada. Conforme Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2012 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. O lapso de tempo para a constituição de créditos tributários das contribuições previdenciárias é regido pelo Código Tributário Nacional, sendo que, na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontrase equivocado. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 92 /2 01 5- 81 Fl. 14739DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.740 2 Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, formase o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS. CONTRIBUINTE DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. As contribuições recolhidas por meio de documento de arrecadação identificado com o CNPJ de determinada pessoa jurídica não podem ser aproveitadas no lançamento fiscal efetuado contra outro contribuinte. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. PROVAS. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CORESPONSABILIDADE DOS DIRETORES E ADMINISTRADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. O crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da pessoa jurídica autuada. Conforme Súmula CARF nº 88, “a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente Fl. 14740DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.741 3 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11634.720392/201581, em face do acórdão nº 0654.554, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 26 de outubro de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração abaixo relacionados, lavrados contra a empresa acima e referentes ao período de 01/2010 a 05/2012: AI DEBCAD nº 51.059.1000: compreende as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. Valor total deste AI, na data da sua lavratura: R$ 6.444.172,48 (fl. 3). AI DEBCAD n° 51.059.1019: compreende a contribuição da empresa (20%), inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GILRAT ajustado). Valor total deste AI, na data da sua lavratura: R$ 19.474.519,63 (fl. 41); AI DEBCAD nº 51.059.1027: compreende a contribuição destinada a Entidades e Fundos denominados Terceiros (5,8%). Valor total deste AI, na data da sua lavratura: R$ 5.033.643,16 (fl. 95); 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 142 a 232 e nos demais anexos que acompanham os Autos de Infração (DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, fls. 4 a 38, 42 a 92 e 96 a 139, e FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 39, 40, 93, 94, 140 e 141, entre outros). 3. Segundo extensa explanação constante do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, durante o procedimento fiscal foram constatadas evidências que levaram à conclusão de que a empresa, ora autuada, utilizouse de Fl. 14741DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.742 4 interpostas pessoas jurídicas, enquadradas no Simples Nacional, para a contratação de segurados empregados utilizados na execução de atividades administrativas e operacionais da empresa, “com vistas a ocultar a ocorrência de contribuições previdenciárias.” 4. Foram contratadas, segundo a fiscalização, as seguintes empresas interpostas: Cobratudo Cobranças Ltda. Cobrafácil Cobranças Ltda. Cobrasempre Cobranças Ltda. Cobraqui Cobranças Ltda. Montabem Montagem de Móveis Ltda. Montamil Montagem de Móveis Ltda. Garantemais Garantias e Serviços Ltda. Roneli Cobranças e Montagens Ltda. Roma cobranças e Montagens Ltda. Luca Cobranças e Montagens Ltda. 5. Tendo em vista a conduta adotada pela empresa, visando a ocultar “a ocorrência da obrigação tributária principal”, aplicouse a multa de ofício de 75% em dobro. 6. Também foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), a qual segue no processo nº 11634.720393/201526, visto ter sido constatada, em tese, a prática das seguintes condutas: Apropriação Indébita Previdenciária, Sonegação de Contribuição Previdenciária e crime Contra a Ordem Tributária. 7. Cientificado do lançamento, em 26/11/2015, segundo Aviso de Recebimento (AR) de fl. 3.682, o contribuinte, por meio de seus advogados (vide procuração de fl. 14.504), ingressou com a impugnação1 de fls. 14.424 a 14.502, em 28/12/2015, alegando, em síntese, que: a) a fiscalização não pode “exigir da Impugnante, enquanto contratante desta mão de obra [terceirizados contratados], as contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de salários, pois esse procedimento de cobrança do tomador do serviço só é previsto pela legislação previdenciária em caso de reclamatória trabalhista (art. 43 da Lei n.º 8.212/1991) e sobre o valor da respectiva condenação judicial. O crédito nestas situações só pode ser exigido da empresa que terceirizou o serviço e, eventualmente, implicar em responsabilidade solidária da contratante. Do contrário existiria bis in idem no recolhimento Fl. 14742DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.743 5 das contribuições sobre a mesma remuneração, além de se exigir o tributo de quem não praticou o fato gerador”; b) deve ser anulada a exigência fiscal por falta, nos autos, de documentos e provas relacionadas às empresas que se alegou serem “interpostas pessoas”; c) “o problema suscitado pelo Fiscal diz respeito exclusivamente a opção das terceirizadas pelo regime de recolhimento do Simples Nacional, tendo em vista que se o regime de tributação fosse outro é provável que não houvesse questionamento por parte da fiscalização. Então se o problema é a opção pelo regime do Simples Nacional a autuação é completamente nula, por vício material, tendo em vista a eleição equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária [...], sendo que quem praticou o fato gerador das contribuições foram as empresas terceirizadas. [...] Se a fiscalização entendeu que as empresas optaram pelo Simples Nacional indevidamente, deveria ter descaracterizado essa opção, por meio de processo administrativo, para então exigir dela, na condição de sujeito passivo. A Impugnante na condição de contratante de serviços, não tem qualquer ingerência no regime de tributação de empresas contratadas, posto que cada pessoa jurídica é independente e responsável por seus atos. [...] Portanto, resta comprovada a nulidade da autuação, posto que a Impugnante jamais poderia ter sido enquadrada como sujeito passivo direto da obrigação, posto que não participou da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias em questão”; d) os lançamentos devem ser declarados nulos, “pois mesmo que se considere a ora Impugnante como sujeito passivo das contribuições previdenciárias, o crédito deveria ter sido constituído em relação a cada estabelecimento (filial e matriz), não podendo ser constituído o crédito integralmente em face do estabelecimento matriz da Móveis Romera”; e) inexistiu fraude ou simulação. “As empresas terceirizadas desempenhavam duas atividades distintas [das atividades da empresa ora autuada]: serviços de cobrança e montagem de móveis.” Além do mais, “as atividades de cobrança dos clientes da Impugnante não configuram sua atividadefim, podendo ser terceirizada, já que constitui uma atividade acessória posterior a realização da venda do produto. [...] No que tange à montagem de armários, cozinha, móveis, sofás, hacks, etc. é entendimento do TST que essa atividade não constitui o objeto fim da empresa de comercialização de móveis. [...] Não existe uma evidência sequer no processo ou informação que indique que as empresas tenham sido criadas com a finalidade de burlar o teto de faturamento do Simples Nacional. Portanto, não procede a acusação da fiscalização”; f) “o fato de os sócios das empresas terceirizadas serem funcionários ou exfuncionários da Impugnante ou de outras empresas não torna a terceirização ilegal. O que importa para Fl. 14743DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.744 6 esta análise é se a atividade desenvolvida era ou não a atividadefim da Impugnante”; g) contra a alegação da fiscalização de que a estrutura das empresas terceirizadas era pequena para comportar seus empregados, esclarece que ter “estrutura física simplificada não significa que a empresa não existia na prática. [...] Pela natureza das atividades terceirizadas fazia mais sentido que os funcionários ficassem em locais próximos de onde surgirá a demanda do serviço a ser executado do que ficar lotado na sede das empresas terceirizadas.” Além do mais, “os cartões ponto das empresas terceirizadas não foram juntados ao processo administrativo, inviabilizando o exercício do contraditório e ampla defesa, o que deveria gerar nulidade da autuação por deficiência de fundamentação.” A fiscalização também não instruiu os autos com os “documentos fornecidos pelas terceirizadas” aos quais a Impugnante não tem acesso, o que inviabiliza, também, o exercício da ampla defesa e do contraditório; h) “o Sr. Paulo Goulard era o contador e diretor financeiro da Impugnante na época e prestava serviço de contabilidade para estas empresas, de forma que as obrigações acessórias podem sim ter sido transmitidas de sua máquina e preenchidas por ele ou por algum funcionário subordinado a ele, como o caso do Sr. Wilsomar Forbeci. Agora este fato não pode significar presunção ou sequer indício de que as empresas terceirizadas não desenvolviam regularmente essa atividade”; i) “os argumentos invocados [pela fiscalização] não justificam o enquadramento dos terceirizados como segurados obrigatórios da Impugnante, posto que a observância dos parâmetros de salário e função decorrem de exigência legal da legislação trabalhista e, portanto, não podem justificar ou fundamentar o enquadramento dos terceirizados como segurado obrigatório”; j) não estão configurados os requisitos previstos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, pois a fiscalização não demonstrou a subordinação dos terceirizados à Móveis Romera. Além do mais, “quanto ao argumento do Fiscal de que a data de admissão, função salário, escala, jornada de trabalho e alterações de cargos e salários são iguais na ficha de registro de emprego da Romera e das empresas terceirizadas isso ocorreu porque houve transferência de diversos funcionários da terceirizada para a Impugnante, sem rescisão do contrato de trabalho”; k) a fiscalização considerou algumas reclamatórias trabalhistas de terceirizados, nas quais os advogados pediram o reconhecimento do vínculo de emprego com a Móveis Romera, porém, não considerou as reclamatórias em que esse vínculo não foi reconhecido; l) “os sócios das pessoas jurídicas desconsideradas pela fiscalização recebiam prólabore em suas empresas. Mesmo assim o Fiscal os enquadrou como segurados obrigatórios da Fl. 14744DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.745 7 ora Impugnante, mesmo não existindo qualquer relação de trabalho entre eles e a Impugnante. [...] Assim, deve ser cancelada a exigência fiscal em relação ao prólabore recebido pelos sócios nas pessoas jurídicas relativos aos serviços prestados a elas, especialmente aqueles que não possuíam vínculos com a Impugnante concomitantemente”; m) “o Fiscal com base no §2º do artigo 229 do Decreto n.º 3.048/1999 descaracterizou a relação de terceirizado existente entre a Impugnante e os funcionários das terceirizadas, invocando aplicação do princípio da primazia da realidade sobre a forma (“g“ do item 44 do Relatório) e dispositivos da legislação trabalhista (“h“ e “i” do item 44 do Relatório).” Acontece, porém, que o “auditor fiscal não tem competência para analisar a relação existente entre a Impugnante e os terceirizados. Esta competência cabe exclusivamente a Justiça do Trabalho, que no desenvolvimento de sua atividade não tem reconhecido existir vinculação direta entre os terceirizados e a Impugnante”; n) pelas razões expostas na impugnação, é inaplicável o § 2º do artigo 229 do Decreto nº 3.048, de 1999; o) inexiste a subordinação, a pessoalidade e a nãoeventualidade apontadas pela fiscalização; p) “seja em razão da inaplicabilidade ao caso da multa majorada [150%], seja em função de sua inconstitucionalidade, deve ser afastada sua aplicação no âmbito administrativo”; q) “considerando que restou demonstrado [na presente impugnação] que não houve nenhuma espécie de fraude ou simulação, não se aplica a parte final do § 4º do artigo 150 do CTN, tal como fez a fiscalização”, restando, pois, decadentes as contribuições referentes ao período de janeiro a outubro de 2010; r) “requerse sejam considerados todos os valores recolhidos pelas empresas no Simples Nacional, em relação a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP e ISS. Subsidiariamente, acaso não se acolha este pedido, que seja determinado o aproveitamento das contribuições previdenciárias relativas a CSLL, PIS, COFINS, CPP no abatimento, vez que são contribuições previdenciárias previstas no inciso I do artigo 195 da CR/88”; s) “requerse o cancelamento integral do DEBCAD nº 51.0591.000, exonerando integralmente a exigência fiscal”, visto que a retenção foi feita pelas empresas do Simples Nacional; t) caso o DEBCAD nº 51.0591.000 não seja cancelado, requerse a compensação da contribuição relativa ao prólabore dos sócios (contribuinte individual) com as contribuições exigidas no presente DEBCAD, sob pena de se configurar bis in idem; u) “considerando que as empresas terceirizadas fizeram a retenção da contribuição do segurado obrigatório de que trata o Fl. 14745DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.746 8 artigo 20 da Lei n.º 8.212/1991 e do contribuinte individual (pró labore de sócios), conforme artigo 4º da Lei n.º 10.666/2003, promovendo o respectivo recolhimento aos cofres públicos, não há que se cogitar, em relação a estas duas contribuições, a prática de qualquer ato relativo a fraude, dolo ou simulação, posto que a terceirização não implicou em nenhuma falta de recolhimento de créditos previdenciários”, não cabendo, portanto, a majoração da multa em 150%; v) é inconstitucional a cobrança do INCRA, haja vista sua base de cálculo não estar contemplada pela Constituição Federal, conforme Repercussão Geral que está sendo discutida pelo STF (RE nº 630.898); x) “quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do FAP pelo Supremo Tribunal Federal, devem ser reconhecidos seus efeitos em relação a presente exigência fiscal, como o cancelamento do crédito tributário decorrente da majoração indevida da alíquota do RAT”; y) “a fiscalização não anexou ao processo as folhas de pagamento com detalhamento do que compôs a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por se tratar de informação de terceiros não se pode exigir da Impugnante prévio conhecimento da mesma. O fiscal solicitou a informação completa da folha de pagamento das empresas terceirizadas, na qual há detalhamento do funcionário e verbas que compõe a remuneração e não anexou ao processo. Depois pediu um resumo mensal dessa mesma folha de pagamento e utilizou este resumo para realizar a autuação, sem realizar qualquer segregação. Assim, fica impossível, a partir dos dados constantes na lavratura dos autos de infração, identificar quais verbas foram tributadas pelo agente autuante, inclusive segregar as verbas para as quais houve reconhecimento judicial de que não existe relação jurídica tributária entre a Autuada e a União, reconhecida por decisão judicial [não incidência da contribuição sobre o terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e auxílio doença nos 15 primeiros dias]”. Dessa forma, “considerando que não houve segregação de quaisquer valores nos autos de infração, é de rigor o reconhecimento de sua nulidade integral”; z) “deve ser afastada a incidência dos juros de mora a serem calculadas sobre a multa de ofício lançada em todos os DEB Cad’s”, por não haver previsão legal para essa incidência, pois, em seu entendimento, fazendo um leitura combinada do art. 3º do CTN com o art. 161, do mesmo código, e com o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, conclui que os juros de mora incidem somente sobre “tributos e contribuições”, e não sobre as penalidades; a.a) deve ser declarada nula a coresponsabilidade por inexistência de prática de conduta infracional à lei ou ao contrato social, prevista no art. 135, III, do CTN, bem como ausência de individualização de conduta imputável a qualquer dos sócios; Fl. 14746DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.747 9 a.b) “encontrase pacificado tanto na doutrina como na jurisprudência do C. STJ que os sócios que não exercem funções de gestão da empresa autuada não podem ser responsabilizados pelo simples fato de integrarem o seu quadro societário, tendo em vista o poder de gerência é um condicionante expresso para a aplicação da regra estabelecida no art. 135, III, do CTN”. 8. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, foi distribuído o presente processo a esta DRJ de Curitiba/PR, para julgamento da impugnação. 9. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento realizado, mantendo na integralidade o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 14604/14660, reiterando as alegações expostas em impugnação, bem como alega nulidade da decisão de primeira instância. Em anexo ao recurso voluntário, promoveu a juntada de documentos, às fls. 14661 a 14708, tais como telas do CD SAFIS Sistema de Auditoria Fiscal e do eCAC, bem como extratos das contribuições da empresa, do período em questão. Ainda, à fl. 14709, foram juntados arquivos não pagináveis. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da alegação de nulidade da decisão de primeira instância. Alegou a recorrente em impugnação que a falta da juntada destes documentos impede a Recorrente de exercer seu direito de ampla defesa e contraditório, pois fica impossibilitada de verificar se o lançamento foi feito conforme a lei, se os documentos dão subsídio às conclusões do agente fiscal, quais rubricas da folha de pagamento foram autuadas ou compuseram a base de cálculo, se os valores autuados se referem a pessoas que trabalharam como terceirizadas da Recorrente, se foram respeitas as isenções legalmente previstas, enfim, controlar a legalidade do ato administrativo e principalmente a motivação do auto de infração. Esse prejuízo, ao seu entender, restou demonstrado na impugnação as fls. 3698 dos autos. A decisão recorrida afastou essa alegação nos itens 53 a 57 (fls. 14573), argumentando que os documentos mencionados pela Recorrente estariam juntados as fls. 1592/1962; 875/1592 do PAF. Fl. 14747DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.748 10 Argumenta a autuada que tais documentos somente foram juntados aos autos somente no dia 27/11/2015, dois dias após o AR ter sido postado e um dia após o AR ter sido recebido. Refere que de acordo com o termo de fls. 3680 no dia 27.11.2015 as cópias foram anexadas por apensamento. Requer seja declarada a nulidade da decisão recorrida (art. 59, II do DL 70.235/1972), vez que anexados documentos probatórios do suposto ilícito ao processo administrativo fiscal após a intimação da Recorrente para apresentar impugnação, declarando se nula a intimação ocorrida em 26.11.2015 (art. 60 DL 70.235/1972), para que nova intimação seja formalizada, observandose o devido processo legal, a fim de que a Recorrente possa exercer o seu direito a ampla defesa e contraditório. Sem razão a contribuinte. Ocorre que à fl. 3680 dos autos há termo de apensação, onde foram juntados por apensação a este processo o de nº 11634.720393/201526 (processo que trata da representação fiscal para fins penais), vejamos: Ainda, aduz a contribuinte “que as fls. 3861 existe despacho propondo ciência do contribuinte após a anexação ocorrida no dia 27.11.2015, mas a intimação foi postada no dia 25.1.2015 [sic], antes da instrução integral do processo, o que corrobora o quanto alegado pela ora Recorrente”. Sem razão, novamente. O despacho de fl. 3861 não propõe ciência do contribuinte da anexação. Transcrevo, por oportuno, os termos do mencionando despacho: TENDO EM VISTA O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL PROPONHO O ENCAMINHAMENTO DO PRESENTE À DRF CURITIBA, APÓS CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE, COM O RETORNO O AVISO DE RECEBIMENTO DJ 59437658 7 BR, PARA AGUARDAR A MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE E DEMAIS PROCEDIMENTOS DE SUA ALÇADA. Ou seja, pelo texto acima está claro que, após a ciência da contribuinte, a qual se dará com o retorno do AR, os autos devem ser encaminhados à DRF/Curitiba para aguardar manifestação do contribuinte e demais procedimentos de sua alçada. Fl. 14748DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.749 11 Assim, não verifico existir qualquer nulidade da decisão de primeira instância em afastar alegações da autuada pelo argumento que os documentos estariam juntados nos autos, às fls. 1592/1962; 875/1592. Da alegação de decadência Alega a recorrente que não teria havido “nenhuma espécie de fraude ou simulação” e, por consequência, não caberia a aplicação da “parte final do § 4º do artigo 150 do CTN”, razão pela qual estariam decadentes as contribuições referentes ao período de janeiro a outubro de 2010. Assim estabelece o art. 150, 4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Todavia, o art. 173, também do CTN, assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, quando presentes as condutas previstas na parte final do § 4º do art. 150 do CTN (dolo, fraude ou simulação), temse por atraída a regra do art. 173, inciso I do CTN. No caso em tela, segundo documentado pela fiscalização, o contribuinte teria agido com dolo para reduzir, indevidamente, o montante das contribuições devidas, mediante a contratação de empresas interpostas enquadradas no Simples Nacional. Fl. 14749DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.750 12 Na fiscalização também foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), a qual segue no processo nº 11634.720393/201526, tendo em vista a configuração, em tese, da prática de crimes de Apropriação Indébita Previdenciária, de Sonegação de Contribuição Previdenciária e de crime Contra a Ordem Tributária. Portanto, diante desse quadro, temse clara a subsunção dos fatos à norma consignada na parte final do § 4º do art. 150 do CTN, e, consequentemente, atraída a regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal, restando, pois, improcedente a defesa quanto à alegação de decadência. Da exigência das contribuições e da prática do fato gerador Segundo a contribuinte, a fiscalização não lhe pode exigir os créditos devidos por terceiros, mas, no máximo arrolálo como responsável solidário, alegando que, do contrário existiria bis in idem no recolhimento das contribuições sobre a mesma remuneração, além de se exigir o tributo de quem não praticou o fato gerador. Além do mais, sustenta que se o problema é a opção pelo regime do Simples Nacional, a autuação é completamente nula, por vício material, tendo em vista a eleição equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária, sendo que quem praticou o fato gerador das contribuições foram as empresas terceirizadas. Conforme se observa nas razões do lançamento, consignadas no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 142 a 232, a fiscalização não deslocou o polo passivo da obrigação tributária principal do terceirizado para o tomador dos serviços, mas sim desconsiderou uma relação jurídica criada para disfarçar uma situação fática e enquadrou os pseudoterceirizados como empregados, de fato, da empresa ora autuada, nos seguintes termos: VIII. CONCLUSÕES E EVIDÊNCIAS 44. Evidências que levam a conclusão de que as EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS,são empresas interpostas, utilizadas somente para contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários e fiscais. As prestações de serviços foram efetuadas por pessoas físicas enquadradas, para fins previdenciários, como segurados empregados da empresa autuada, MÓVEIS ROMERA LTDA, pretendendo assim, atingir com o procedimento fiscal a averiguação do correto recolhimento das contribuições previdenciárias, e neste caso em particular, apenas adequar a situação encontrada à realidade dos fatos, visto que foram preenchidos os requisitos da alínea "a" do inciso I do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991: a) prestação de serviços em caráter contínuo (não eventual); b) subordinação; c) mediante remuneração. a) Em relação ao contrato de trabalho, os aspectos meramente formais não podem prevalecer, ante a situação fática verificada. De fato, as empresas prestadoras de serviço para a MÓVEIS ROMERA LTDA, aqui relacionadas, não podem ser consideradas como verdadeiras empregadoras. Fl. 14750DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.751 13 b) Como se sabe, o processo de terceirização, em apertada síntese, significa a transferência de determinadas atividades do empreendimento econômico para empresas especializadas que poderão desempenhálas com mais eficiência e a um custo menor para a empresa contratante. c) A legislação brasileira consagrou a possibilidade de terceirização de serviços de vigilância (Lei n° 7.102/83). A contratação de trabalhador temporário, por empresa interposta, também é tolerada, na forma e nos limites da Lei n° 6.019/74. d) Com o advento do Enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho passouse a admitir a contratação de serviços especializados (qualquer um) ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta (item III do E. 331). [...] Importa saber que os serviços prestados pelos funcionários das empresas "Prestadoras de Serviços" compreendemse, à toda evidência, na atividadefim da empresa Móveis Romera Ltda, porquanto constituem parte fundamental e indispensável das operações componentes de seu objeto social. Como se vê, o espaço concedido ao fenômeno da terceirização não é absoluto, restringindose à atividademeio da empresa, isto é, por assim dizer, aquele serviço que não faz parte do processo criador do produto final do empreendimento. e) Desta forma, atendidos os pressupostos acima, não há como desconhecer o vinculo empregatício entre a empresa autuada e os segurados empregados das empresas prestadoras de serviços (interpostas pessoas). f) Os fatos acima descritos evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos mesmos podemos concluir que a empresa Moveis Romera Ltda, utilizou empresas prestadoras de serviços optantes pelo SIMPLES NACIONAL (empresas interpostas), para contratar funcionários com redução de encargos previdenciários. g) Nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática e não a incorretamente formalizada: o denominado principio da primazia da realidade sobre a forma. Por esse principio a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal utilizado para documentar o contrato, pois as circunstâncias e o cotidiano na relação empregatícia podem ser diferentes do que foi documentado, podendo por isso gerar mais obrigações e direitos entre as partes. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma. h) Com fundamento nesse principio foram considerados os vínculos empregatícios dos funcionários das empresas Prestadoras de Serviços, diretamente com a empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. Essa decisão tem igual fundamento nos artigos Fl. 14751DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.752 14 9° e 444 da Consolidação das Leis do Trabalho abaixo descritas: Art, 9a Serão nulos do pleno direito os atos praticados com o objetivo do desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Art. 444 As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livro estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. i) Pela leitura dos artigos supra, obtemos a fundamentação legal para considerar o vinculo empregatício dos funcionarios das empresas Prestadoras de Serviços com a empresa MÓVEIS ROMERA LTDA, urna vez que as mesmas foram utilizadas com o intuito exclusivo de não recolher integralmente as contribuições sociais destinadas a Seguridade Social (parcela patronal e terceiros — outras entidades), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. j) A guisa de finalização, cabe aduzir que o entendimento jurisprudencial sobre o tema esta pacificado no enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho, a seguir mencionado: N° 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade I A CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES POR EMPRESA INTERPOSTA É ILEGAL, FORMANDOSE O VINCULO DIRETAMENTE COM O TOMADOR DOS SERVIÇOS, SALVO NO CASO DE TRABALHO TEMPORARIO (LEI Nº 6 019. DE 03.01.1974). [...] k) A relação de emprego não é aferida apenas pelos elementos formais existentes nos contratos, mas pela realidade fática da execução do serviço. Para caracterizar o vinculo empregatício, não há necessidade de uma subordinação mais rigorosa, bastando que o trabalhador se coloque à disposição do empregador, dele recebendo ordens. [...] m) Em face do exposto, cremos plenamente fundamentada A CONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATlCIO ENTRE A EMPRESA MOVEIS ROMERA LTDA E OS FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. n) De acordo com o artigo 114 do Código Tributário Nacional (Lai 5.172/1966), é situação tipificada na Lei 8212/91 como fato gerador das contribuições sociais o exercício da atividade remunerada por segurado obrigatório da previdência social. Fl. 14752DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.753 15 Os fatos geradores das contribuições previdenciárias em tela são os pagamentos de remunerações efetuados pelos serviços prestados. Em face da constatação pela fiscalização da irregular terceirização de serviços prestados a empresa, foi procedido o enquadramento dos segurados empregados das empresas prestadoras de serviços (interpostas pessoas) como segurados empregados da Móveis Romera Ltda, sendo assim, cobradas todas as contribuições previdenciárias devidas sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a estes segurados. (§ 2° do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 229: [...] § 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preencha as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29.11.99). 44.1. EXISTÊNCIA DO VÍNCULO DE SEGURADO EMPREGADO a) À luz da legislação previdenciária, é cristalina a relação de emprego mantida entre a empresa autuada e os segurados empregados que exercera suas funções nas dependências da própria empresa, como demonstrado no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, que preceitua como segurado empregado "aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração". Portanto, verificase que as contribuições estão sendo exigidas do real empregador, ou seja, da empresa autuada, a qual contratou, mediante empresas interpostas, segurados que se amoldam ao conceito de empregado. Dessa forma, concluise por improcedente a alegação de que estaria sendo exigido do autuada créditos devidos por terceiros. Quanto à alegação de bis in idem, vejamos a lição de Bernardo Ribeiro de Moraes (MORAES, Bernardo Ribeiro. Compêndio de Direito Tributário, 5ª ed., Primeiro Volume, Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 283), referido já pela decisão de piso, in verbis: São elementos configurativos do “bis in idem” os seguintes: a) uma única entidade tributante. As exigências fiscais partem de uma única entidade tributante; b) identidade de causa jurídica. As exigências fiscais são decorrentes da ocorrência de um único fato da respectiva obrigação,”in idem” quer dizer "sobre o mesmo" fato; Fl. 14753DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.754 16 c) identidade de contribuinte. O sujeito passivo das exigências fiscais é um único, sendo o contribuinte da primeira exigência fiscal o mesmo da segunda; d) duas normas jurídicas. O “bis in idem” exige a presença de duas normas jurídicas, que deverão recair (incidir) sobre o mesmo fato. Conforme se observa na doutrina transcrita acima, bis in idem é a cobrança de tributos diversos de um contribuinte, em decorrência de um mesmo fato gerador, pelo mesmo ente político, em razão da incidência de duas normas legais distintas. Contudo, no caso em tela, segundo se infere da defesa, alega a empresa autuada que estaria ocorrendo bis in idem em razão da fiscalização estar cobrando dela as mesmas contribuições devidas pelas empresas terceirizadas, porém, não está ocorrendo tal situação, visto que a cobrança é apenas da empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. Além do mais, convém observar que a contribuição patronal de 20%, devida pelas empresas “terceirizadas” enquadradas no Simples Nacional, está substituída por um recolhimento único incidente sobre a receita bruta, ou seja, o fato gerador é a aquisição de receita. Já no caso da autuada, o fato gerador é o pagamento de remuneração aos segurados empregados. Logo, além dos contribuintes não serem os mesmos, os fatos geradores também não são os mesmos. Ainda, importa referir que as empresas enquadradas no Simples Nacional são dispensadas do recolhimento da contribuição destinada às Entidades e Fundos denominados Terceiros e da contribuição referente ao SAT/RAT/GILRAT. Por fim, segundo apontado pela fiscalização, o desconto da contribuição dos segurados empregados, registrados nas empresas terceirizadas, teria sido efetuado, mas não o seu recolhimento. Vide o seguinte excerto da RFFP (Processo nº 11634.720393/201526): 1 APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA 1.1 Descrição dos Fatos O contribuinte ora fiscalizado, efetuou os descontos das contribuições previdenciárias, destinadas à Seguridade Social, dos segurados empregados registrados nas empresas COBRAFÁCIL COBRANÇAS LTDA EPP, COBRAQUI COBRANÇAS LTDA EPP, COBRASEMPRE COBRANÇAS LTDA EPP, COBRATUDO COBRANÇAS LTDA EPP, GARANTEMAIS GARANTIAS E SERVIÇOS LTDA EPP, MONTABEM MONTAGEM DE MÓVEIS LTDA EPP, MONTAMIL MONTAGEM DE MÓVEIS LTDA EPP, RONELI COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA EPP, ROMA COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA EPP e LUCA COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA EPP, e deixou de efetuar o recolhimento desses valores no prazo legal estabelecido, como é de sua responsabilidade. Provas documentais, elementos de direito e fatos, demonstram que esses segurados empregados, possuíam todos os elementos caracterizadores da relação de emprego com a MOVEIS ROMERA LTDA, como pode ser verificado no Relatório do Processo Administrativo Fiscal Fl. 14754DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.755 17 anexo. Tal constatação se deu no curso da Auditoria Fiscal, sendo apurado através das folhas de pagamento mensais. O fato ocorreu no período de 01/2010 a 05/2012. Portanto, improcede a alegação de bis in idem, suscitada em preliminar. Ademais, por tais razões, também descabe a alegação de que a autuação teria que ser lavrado em face das empresas “terceirizadas”. Do lançamento em face da empresa autuada em face da matriz. Segundo a recorrente devem ser declarados nulos os lançamentos, sustentando que mesmo que seja considerada a autuada como sujeito passivo das contribuições previdenciárias, o crédito deveria ter sido constituído em relação a cada estabelecimento (filial e matriz), não podendo ser constituído o crédito integralmente em face do estabelecimento matriz. Antes de considerações outras, insta esclarecer que em matéria de processo administrativo tributário não há que se falar em nulidade quando não estão presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por outro lado, havendo irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não implicarão nulidade e poderão ser sanadas, como determina o art. 60 do mesmo Decreto, se o sujeito passivo restar prejudicado: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Dessa forma, no caso presente, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade administrativa competente e não se encontrando presente pressuposto algum dos dispostos no art. 59 transcrito, não há que se falar em nulidade do processo administrativo, afastandose de plano sua ocorrência, devendose analisar a conformidade do lançamento em cotejo com a matéria discutida especificamente pela empresa autuada, sanando irregularidades, acaso existentes. Quanto ao lançamento na matriz, cabe replicar o já exposto pela decisão de piso, onde é explicado que a fiscalização não lançou contribuições referentes a empregados como se de suas filiais fossem, em razão de que, segundo se observa no Anexo III do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 241 a 271, os segurados qualificados pela fiscalização como empregados da autuada eram (formalmente) empregados das empresas terceirizadas, contratadas pela MÓVEIS ROMERA LTDA., e não empregados de suas filiais. Dessa forma, na qualificação desses segurados como empregados da autuada, correto o lançamento das contribuições na matriz. Fl. 14755DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.756 18 Rejeitase a preliminar, portanto. Das atividades terceirizadas Alega o recorrente ter inexistido fraude ou simulação, uma vez que as empresas por ele terceirizadas teriam prestado serviços de montagem e cobrança e que tais atividades não configuram atividadefim da empresa autuada, “já que constitui uma atividade acessória posterior a realização da venda do produto.” Alega, também, ser entendimento do TST que montagem de armários, cozinha, móveis, sofás, hacks, etc. não constitui o objeto fim da empresa de comercialização de móveis. Observase, no presente caso, alguns serviços prestados pelas “terceirizadas” coincidem com a atividadefim da empresa autuada ou são necessários para que esta atinja seu objeto social. A possibilidade de terceirizar a atividadefim foi já apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (ADPF 324 e RE 958252, julgado em 30.08.2018), onde aprovouse a seguinte tese de repercussão geral no Recurso Extraordinário: “É licita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante”. No entanto, diante da realidade dos fatos sobre os quais se discorreu, demonstra que o vínculo empregatício dos empregados das “terceirizadas” se fez, efetivamente, com a empresa autuada, dada a existência de elementos caracterizadores da relação laboral (pessoalidade, habitualidade, subordinação hierárquica e remuneração). Desse modo, ainda que lícito terceirizar a atividadefim, verificase que, no caso concreto, a autuada fez a terceirização de forma simulada, tão somente para fins de economia fiscal. Segundo demonstrado pela fiscalização, a pessoalidade e a subordinação direta se fizeram presentes. A pessoalidade é inquestionável (os empregados prestaram pessoalmente os serviços, conforme atestam os cartões ponto, fls. 1592 a 1962). Vejamos, então, o que diz a fiscalização sobre a subordinação (fl. 224): A subordinação é o aspecto da relação de emprego visto pelo lado do empregado, enquanto o poder de direção é a mesma acepção vista pelo lado do empregador. Isso quer dizer que o trabalhador empregado é dirigido pelo empregador. Se o trabalhador não é dirigido pelo empregador, mas por ele próprio, não se pode falar em empregado, mas em autônomo ou outro tipo de trabalhador. A subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação restou configurada pelo controle continuo da autuada, das atividades desenvolvidas pelos empregados, tal como registro de ponto. A subordinação deve ser entendida como "sob as ordens do empregador", ou seja, prestação de labor com exclusividade ao reclamado, SUJEIÇÃO A HORÁRIO, submissão a ordens do empregador, mediante fiscalização hierárquica e/ou jurídica e sujeito ao poder disciplinar e/ou diretivo de quem o contratou. Na lição da Sérgio Pinto Martins, "Subordinação é o estado de Fl. 14756DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.757 19 sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens". Traz a fiscalização, ainda, a seguinte observação (fl. 193): 39.2. CARTÕES PONTO (Registros Diários de Entrada e Saída de Empregados) a) Os segurados empregados que constavam em folhas de pagamento das empresas interpostas (SIMPLES) eram, na realidade, lotados nas filiais da Móveis Romera Ltda, identificados através dos registros de ponto diários apresentados pelas empresas, constando Cidade, Estado e número das diversas filiais da Romera. b) Os segurados empregados apesar de constarem nas folhas de pagamento das empresas interpostas, na realidade estão lotados em diversas filiais da Móveis Romera Ltda, conforme pode ser verificado nos registros de ponto. Logo, faziam parte da estrutura organizacional e, conseqüentemente, as atividades por eles desempenhadas eram essenciais à política administrativa/produtiva/econômica da empresa autuada e estavam subordinados às orientações e determinações administrativas da Móveis Romera Ltda. 39.3. TRANSFERÊNCIA DE SEGURADOS EMPREGADOS DAS EMPRESAS INTERPOSTAS (SIMPLES) PARA FOLHA DE PAGAMENTO DA EMPRESA MÓVEIS ROMERA LTDA. a) PARA CORROBORAR QUE AS EMPRESAS FORNECEDORAS DE MÃO DE OBRA, INSCRITAS NO SIMPLES NACIONAL, SÃO INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS, EM MAIO DE 2012, A MÓVEIS ROMERA LTDA ASSUMIU TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS DESSAS EMPRESAS E PASSARAM A CONSTAR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO DE SUAS DIVERSAS FILIAIS, LOCALIZADAS EM CIDADES E ESTADOS ONDE OS MESMOS JÁ ESTAVAM ANTERIORMENTE LOTADOS, CONFORME CONSTA NOS REGISTROS DE PONTO, EXERCENDO AS MESMAS FUNÇÕES E COM MESMO SALÁRIO E SEM NENHUMA ALTERAÇÃO CONTRATUAL. ESSAS TRANSFERÊNCIAS FORAM EFETUADAS SEM RESCISÃO DE CONTRATO, SENDO QUE A MÓVEIS ROMERA LTDA ASSUMIU OS ENCARGOS TRABALHISTAS DE TODOS OS EMPREGADOS. (VIDE ANEXO III TRABALHADORES DAS EMPRESAS INTERPOSTAS TRANSFERIDOS PARA MÓVEIS ROMERA LTDA). (Caixa alta no original) Por todo o exposto, estão presentes a pessoalidade e a subordinação na prestação laboral. Também não procede a alegação de que não existiria, no presente processo, uma evidência ou informação capaz de indicar que as empresas “terceirizadas” teriam sido criadas com a finalidade de burlar o teto de faturamento do Simples Nacional. Fl. 14757DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.758 20 Ao contrário do que afirma a recorrente, no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal consta um rol extenso de evidências, as quais, em conjunto, são, sim, capazes de demonstrar que as empresas “terceirizadas” teriam sido criadas com a clara intenção de reduzir as obrigações tributárias. A DRJ de origem bem destacou das evidências, as quais devem ser novamente referidas neste voto. A presente fiscalização abarcou o período de 01/01/2010 a 31/05/2012. Em maio de 2012, todos os empregados das terceirizadas foram transferidos para a empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. e continuaram exercendo as mesmas funções, com o mesmo salário e sem nenhuma alteração contratual (foram mantidas a mesma função, o mesmo salário, a mesma escala, a mesma jornada de trabalho, a mesma lotação nas filiais, etc.). Acrescentese que essas transferências foram efetuadas sem rescisão de contrato de trabalho e que a MÓVEIS ROMERA LTDA. assumiu os encargos trabalhistas de todos os segurados empregados, “passando a recolher contribuições previdenciárias sem a redução prevista para empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL”; “Os segurados empregados apesar de constarem nas folhas de pagamento das empresas interpostas, na realidade [estavam] lotados em diversas filiais da Móveis Romera Ltda, conforme pode ser verificado nos registros de ponto. Logo, faziam parte da estrutura organizacional e, consequentemente, as atividades por eles desempenhadas eram essenciais à política administrativa/produtiva/econômica da empresa autuada e estavam subordinados às orientações e determinações administrativas da Móveis Romera Ltda.”; Entre maio e julho de 2012 todas as empresas terceirizadas tiveram seu CNPJ baixado por extinção; As empresas terceirizadas, quando da sua constituição, tiveram, em seu quadro de sócios, familiares do Senhor Antônio Carlos Romera, que é um dos sócios da MÓVEIS ROMERA LTDA., e uma das empresas terceirizadas teve como sócio o senhor Paulo de Tarso Goulart, que também é sócio da MÓVEIS ROMERA LTDA. Vide demonstrativo elaborado pela fiscalização, presente no item 21.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 170): 21.2. Empresas constituídas antes de 2009 A COMERCIAL DEMOVEIS VIS ATON LTDA. Sócios: Antônio Carlos ROMERA e Paulo de Tarso Goulart B COMERCIAL DEMOVEIS CAIRO LTDA. Sócios: João ROMERA Neto e Paulo de Tarso Goulart C COMERCIAL DE MÓVEIS CIDADE DOS PÁSSAROS L TDA. Fl. 14758DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.759 21 Sócios: Rosângela Cristina Costa H. ROMERA e Anunciata Luiza MENEGON ROMERA D COMERCIAL DE MÓVEIS RICARO L TDA. Sócios: Rosângela Cristina Costa H. ROMERA e Ricardo ROMERA E INDÚSTRIA DE MÓVEISJOTAPEA L TDA. Sócios: Paulo de Tarso Goulart e Rosemeire de Ávila Goulart (esposa de Paulo T Goulart) FANTÔNIO CARLOS ROMERA & CIA. LTDA. Sócios: Antonio Carlos ROMERA e Angelo MENEGON Neto G GARANTEM AIS GARANTIAS E SERVIÇOS SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Sócios: Fabiane ROMERA e Paulo de Tarso Goulart Posteriormente ocorreu a saída de sócios parentes dos sócios da empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. e ingresso, na sociedade, de segurados empregados da empresa autuada ou de empresas do “Grupo econômico”; Segundo consulta efetuada na contabilidade das terceirizadas e no Departamento de Trânsito do Paraná, essas empresas “não [possuíam] móveis, utensílios, máquinas, equipamentos ou veículos suficientes para atender a execução de atividades empresariais conforme a quantidade de segurados empregados registrados no seu quadro de pessoal.” Verificase, também, que todas essas empresas tinham sede em Sabáudia/PR, embora tivessem “empregados trabalhando em praticamente todo o Brasil,” sem contabilizar despesas com veículos, viagens, estadias, combustíveis, alimentação de empregados e outras despesas gerais de locomoção; “A MÓVEIS ROMERA LTDA. vinha trabalhando com diversas empresas de pequeno porte e sempre que o crescimento da empresa requeresse a contratação de novos segurados empregados, havia a constituição de novas interpostas pessoas jurídicas, em razão do acompanhamento necessário para que as empresas de pequeno porte não excedessem em cada ano calendário o limite de receita bruta [...] previsto na Legislação das Microempresas. É o que ocorreu com as empresas ROMA COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA (08/2009), RONELI COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA (08/2009) e LUCA COBRANÇAS E MONTAGENS LTDA (O3/2011)”; Segundo constatado pela fiscalização, o “último endereço de todas as interpostas pessoas jurídicas constantes no Contrato Social ou Alteração de Contrato Social [foi]: Av. Campos Sales, n° 571, S/Loja Jardim Nova Itália Município de SABAUDIA/PR. Município de pequeno porte focalizado próximo ao Municipio de ArapongasPr (sede administrativa da Móveis Romera Ltda)”, sendo que em visita efetuada nesse endereço, na Fl. 14759DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.760 22 data de 04/11/2014, foi constatada a existência de pequeno estabelecimento de dois pavimentos, sendo que “uma das salas existentes no pavimento superior foram utilizadas pelas empresas interpostas. Estabelecimento de pequeno porte, sem estruturas que comportassem os segurados empregados registrados nas empresas do SIMPLES e os equipamentos necessários para execução das atividades constantes no objeto social das empresas”; Todas as Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (GFIPs) das empresas terceirizadas apresentam no campo INFORMAÇÕES DO RESPONSÁVEL os dados da empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. (nome, CNPJ, endereço, telefone, “email”, etc.). Além do mais, todas essas declarações foram enviadas do mesmo MACAddress (O "Mac Address" é o endereço físico associado à interface de comunicação que conecta um dispositivo à rede. O MAC é um endereço "único", não havendo duas portas com a mesma numeração. É usado para controle de acesso em redes de computadores) da MÓVEIS ROMERA LTDA.; A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) de todas as empresas (MÓVEIS ROMERA LTDA. e as terceirizadas), dos anoscalendário de 2010 e 2011, foram preenchidas pelo mesmo responsável (vide item 36 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 190 e 191); A fiscalização colaciona no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (item 41, fls. 194 a 197) informações sobre 8 (oito) reclamatórias trabalhistas de empregados das terceirizadas, nas quais os reclamantes deixam claro que a relação laboral destes era, de fato, com a MÓVEIS ROMERA LTDA.; Analisando os valores contabilizados e as Notas Fiscais de Serviços emitidas contra a MÓVEIS ROMERA LTDA., observa se que praticamente a totalidade da receita operacional das empresas interpostas (SIMPLES) proveio da MÓVEIS ROMERA LTDA., que também arcou totalmente com o valor do Custo de Mão de Obra Direta. Cada um desses indícios, quando considerados isoladamente, até podem guardar uma certa consonância com as normas tributárias, e isso ao autuada busca apontar em sua defesa, porém, quando em conjunto, esse rol de indícios demonstra de forma bastante contundente a clara a intenção da empresa autuada de fragmentar suas atividades em empresas menores, enquadradas no Simples Nacional, com vistas à redução da carga tributária, em especial, das contribuições destinadas à Seguridade Social. Dessa forma, improcede, também, a alegação da recorrente de que não existiria, no presente processo, uma evidência ou informação capaz de indicar que as empresas terceirizadas teriam sido criadas com a finalidade de burlar o teto de faturamento do Simples Nacional. Fl. 14760DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.761 23 Ainda, sustenta a recorrente: que não seria ilegal o fato de os sócios das empresas terceirizadas serem funcionários ou exfuncionários da autuada; que a estrutura física simplificada das terceirizadas não significaria que essas empresas não teriam existido; que a transmissão das declarações da mesma máquina e pela mesma pessoa não significa presunção ou indício de que as empresas terceirizadas não desenvolveram regularmente suas atividades; que os argumentos invocados pela fiscalização não justificam o enquadramento dos terceirizados como segurados obrigatórios da autuada, posto que a observância dos parâmetros de salário e função decorrem de exigência legal; que a fiscalização teria considerado algumas reclamatórias trabalhistas de terceirizados, nas quais os advogados pediram o reconhecimento do vínculo de emprego com a MÓVEIS ROMERA LTDA., mas que não teria considerado as reclamatórias em que esse vínculo não foi reconhecido. De fato, conforme já mencionado, se cada uma dessas situações fosse analisada isoladamente, poderia até não configurar uma ilegalidade, porém, as conclusões obtidas pela fiscalização advém do conjunto desses procedimentos adotados pela empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. e não apenas de uma situação específica. Portanto, alegar a legalidade ou a falta de óbices legais à prática dessa ou daquela conduta não tem o condão de afastar as conclusões da fiscalização, haja vista a robustez do conjunto probatório em favor do lançamento. Da alegada falta de documentos nos autos Requer a recorrente a nulidade do lançamento, alegando a falta, nos autos, de documentos e provas relacionadas às empresas que se alegou serem interpostas pessoas. Alega também que não foi promovida a juntada dos cartõesponto das empresas terceirizadas, bem como as folhas de pagamento com “detalhamento do funcionário e verbas que compõe a remuneração”, o que permitiria verificar se a fiscalização segregou a parte referente ao terço constitucional de férias, ao aviso prévio indenizado e ao auxílio doença nos 15 primeiros dias, haja vista a não incidência da contribuição sobre essas verbas. Em que pese o alegado, compulsando os autos, observase que foram sim, trazidos à baila, os cartõesponto dos empregados das “terceirizadas” (fls. 1592 a 1962), além do que, constam nos autos diversos outros documentos das terceirizadas, tais como contratos de constituição das pessoas jurídicas, balancetes de verificação da contabilidade, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Registro de Empregados, etc. Também consta nos autos uma cópia do relatório global da folha de pagamento das terceirizadas (fls. 875 a 1.592), com informação do total pago aos empregados, mês a mês e com discriminação de cada verba. Cabe observar, ainda, que no rodapé dessa folha de pagamento, a qual se refere ao período de 01/01/2010 a 31/05/2012, consta a observação de que foi emitida pela própria autuada (MÓVEIS ROMERA LTDA.), entre 10/11/2014 e 22/04/2015. Portanto, para que pudesse emitir esse relatório, é inegável que a autuada possui as informações referentes aos terceirizados, ou seja, é inegável que a autuada tem acesso às informações das “terceirizadas”. Alega a autuada, ainda, que a decisão recorrida indeferiu este pedido de nulidade ao argumento de que o fiscal teria alegado que as empresas terceirizadas haviam retido e não recolhido a contribuição dos empregados e prólabore (fls. 14.566, item 28). Com a devida venia, essa conclusão é absurda, pois o trecho transcrito foi extraído do PAF de representação para fins penais (PAF 11634.720393/201526) e não do relatório de fiscalização Fl. 14761DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.762 24 do AI 51.0591.000, no qual se pretende exigir da Recorrente o recolhimento da contribuição previdenciária dos empregados e de prólabore que já foram recolhidas pelas empresas terceirizadas. Entendo que inexiste nulidade, seja do processo administrativo fiscal, seja da decisão recorrida, quanto a informação de que as empresas “terceirizadas” não terem realizado o recolhimento da contribuição previdenciária (parte segurados) constar nos autos do processo em apenso, de nº 11634.720393/201526 (representação fiscal para fins penais) e ser mencionada da decisão recorrida. Ademais, o CD que se encaminha aos contribuintes para ciência do auto de infração não tem que conter obrigatoriamente uma cópia integral do processo, inexistindo qualquer previsão legal para que assim se proceda. Entendo que inexiste nulidade o CD não conter documentos que estavam no processo e que poderiam ser consultados pelo contribuinte, seja diligenciando na Receita Federal do Brasil, seja pela consulta pela internet ao eCAC. Dessa forma, temse por afastada a alegação nulidade, pelo alegado prejuízo à defesa por falta de documentos nos autos, haja vista que demonstrado estarem nos autos tais documentos. Da competência para realizar o lançamento. Quanto ao enquadramento dos empregados das “terceirizadas” como empregados da empresa autuada, alega a recorrente que o AuditorFiscal não teria competência para analisar a relação existente entre a MÓVEIS ROMERA LTDA. e os terceirizados, e que essa competência caberia exclusivamente a Justiça do Trabalho. A questão gravita, antes da análise de qualquer permissivo legal, em torno dos princípios do direito, dentre os quais se destaca o da prevalência da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, o qual informa o processo administrativo tributário. Ao contrário do que entende a autuada, a autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos, quando eivados de vícios, sendo tal poder decorrente da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Tal prerrogativa encontra respaldo, inclusive, no Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 14762DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.763 25 *** Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) *** Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. *** Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Na seara previdenciária, o artigo 33, caput, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, atribui à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais, sendo que tais atividades envolvem o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, segundo dispõe o § único do art. 142 do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a efetiva matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Assim, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados, restando evidente a possibilidade de o AuditorFiscal desconsiderar atos e fatos e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Dessa forma, pode o Fisco, com respaldo na legislação, desconsiderar o vínculo formalmente existente entre trabalhadores de determinada categoria ou empresa e efetuar o enquadramento como segurados previdenciários da empresa para os quais efetivamente prestam os serviços, nos termos do art. 229 e § 2º c/c art. 9º, caput e inciso I, do Decreto n.º 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS): Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: Fl. 14763DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.764 26 (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do “caput” do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ademais, a competência do AuditorFiscal da RFB em nada se confunde com a da Justiça Trabalhista, cabendo lembrar, inclusive, que o disposto no art. 114 da Constituição Federal não representa impedimento a que se proceda ao enquadramento correto dos segurados da Previdência Social, pois, conforme se verifica no entendimento exarado pela Justiça Federal, a competência do Juiz do Trabalho não exclui a do AuditorFiscal, uma vez que a caracterização realizada pela auditoria sobre a qualificação de segurado empregado não mira o reconhecimento de direitos trabalhistas, mas apenas a exigência de contribuições previdenciárias. É o que se extrai dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1 O ente fiscal possui competência para reconhecer vínculo empregatício para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, o que não interfere na esfera reservada ao Juízo Trabalhista, nem implica reconhecimento de direitos decorrentes da relação de emprego. 2 Demonstrada a presença dos requisitos elencados no art. 3º da CLT, deve ser reconhecida a existência do vínculo de emprego, sendo devidas as contribuições previdenciárias. (TRF4, APELREEX 2002.70.00.0376588, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 11/01/2012) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CTN, ART. 173, I. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. TRABALHADOR AUTÔNOMO. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO EMPREGATÍCIA PELA FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, PARA FINS DE COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. (...) 8. A fiscalização previdenciária possui poderes para investigar a situação fática que configure relação empregatícia, apenas com o objetivo de caracterizar o fato gerador da contribuição previdenciária, não implicando o reconhecimento de vínculo para fins trabalhistas. Os fiscais do INSS atuam na sua esfera de competência, que é independente da trabalhista, inexistindo qualquer vinculação entre ambas. (TRF4. AC – processo nº 2001.04.01.0053870 RS, Primeira Turma, Relator Joel Ilan Paciornik, publicado no DE em 13/05/2008) Assim, é lícito à fiscalização reconhecer a existência de relação de emprego com a finalidade de constituir e cobrar tributos e demais exigências legais, sem que tal procedimento acarrete a usurpação da competência institucional da Justiça do Trabalho. Fl. 14764DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.765 27 Ao proceder desta forma, a fiscalização somente enquadra a relação verificada no ordenamento jurídico, para fins de regularização das contribuições devidas à Previdência Social, na forma do que determina a legislação de regência, em nada invadindo a competência da Justiça do Trabalho, conforme alega a recorrente. Também não significa que a fiscalização “decretou” a inexistência de uma empresa ou pessoa jurídica, mesmo porque para tanto seria necessário provimento judicial. De fato, não houve desconsideração jurídica das empresas, mas tãosomente, para fins tributários, deuse a prevalência da essência sobre a forma, com vistas à real identificação do sujeito passivo. Em última análise, buscouse alcançar a verdade material. Das condições caracterizadoras da relação de emprego Alega a recorrente que não estariam configurados os requisitos previstos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, pois a fiscalização não teria demonstrado a subordinação dos “terceirizados” à empresa autuada. Alega também a inexistência da pessoalidade e da nãoeventualidade apontadas pela fiscalização. Pois bem, as presenças de subordinação e pessoalidade já foram apreciadas neste voto, tendo sido demonstrado que estas se fizeram presentes na relação entre os “terceirizados” e a empresa autuada. Com relação à nãoeventualidade, é patente, tanto na doutrina quanto na legislação, que o trabalho nãoeventual é caracterizado por se prolongar no tempo, não podendo ser episódico, ocasional ou fortuito, além do mais, deve estar relacionado, direta ou indiretamente, a uma necessidade permanente da empresa. O art. 9º, § 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, assim dispõe: § 4º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Ora, considerando que a atividade principal (permanente) da autuada é a venda de móveis (montados), as atividades de montagem e cobrança desses móveis são, obviamente, atividades de necessidade permanente da autuada e com relação direta as suas atividades normais, além do mais, tais atividades foram prestadas de forma contínua, durante todo o período de existência das “terceirizadas”. Portanto, diante desse quadro, temse por afastada, também, a alegação de que a nãoeventualidade não estaria caracterizada na prestação laboral dos terceirizados à empresa autuada. Do enquadramento dos sócios das terceirizadas como empregados da autuada Alega a recorrente que os sócios das pessoas jurídicas desconsideradas pela fiscalização recebiam prólabore em suas empresas, porém, mesmo assim, a fiscalização os enquadrou como segurados obrigatórios da autuada, mesmo não existindo qualquer relação de trabalho entre eles e a autuada. Por tais razões, entende a recorrente que deve ser cancelada a exigência fiscal em relação ao prólabore recebido pelos sócios nas pessoas jurídicas relativos Fl. 14765DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.766 28 aos serviços prestados a elas, especialmente aqueles que não possuíam vínculos com a autuada concomitantemente. Em que pese as razões apresentadas, estas não se amoldam aos fatos, ou seja, aos documentos probatórios que deram suporte ao lançamento. Primeiramente, conforme apontado pela fiscalização (fl. 194), os sócios das terceirizadas encontravamse registrados nas Fichas de Registro dos Empregados das “terceirizadas”, as quais trazem informações essenciais a caracterizar tais segurados como empregados. Dessa forma, os elementos deixam claro que houve sim uma relação de trabalho entre esses sócios e a empresa MÓVEIS ROMERA LTDA. Em segundo lugar, todos os sócios enquadrados como empregados já foram empregados da empresa autuada e boa parte deles, após o encerramento das atividades das “terceirizadas”, voltaram a trabalhar na MÓVEIS ROMERA LTDA. como empregados. Portanto, correto o procedimento fiscal adotado ao enquadrar os sócios das terceirizadas também como empregados da empresa autuada. Da multa aplicada (150%). Alega a recorrente que a multa qualificada, em percentual de 150%, além de ser inconstitucional, é inaplicável ao caso em questão, e, portanto, deve ter a sua aplicação afastada. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, há que se observar que tal alegação não se presta na esfera administrativa, conforme Súmula CARF nº 02. Sobre a qualificação da multa, vejamos o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 14766DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.767 29 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifouse) Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30/11/1964, assim estabelecem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Observase, dentre as hipóteses capituladas nos dispositivos transcritos acima emerge, em comum, a figura jurídica do dolo. E, na forma antes demonstrada, a conduta específica e concreta da empresa autuada, em relação às suas obrigações fiscais, teve a intenção de reduzir o montante de tributos devidos, mediante expedientes destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade. Segundo demonstrado pela fiscalização, a autuada utilizouse de interpostas pessoas jurídicas, enquadradas no Simples Nacional, para contratação de segurados empregados, utilizados na execução de suas atividades administrativas e operacionais, com vistas a ocultar a ocorrência de contribuições previdenciárias. Inclusive, em razão desse fato, foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP). Portanto, temse por correta a qualificação da multa de ofício, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Base de cálculo das contribuições previdenciárias terço constitucional de férias, ao aviso prévio indenizado e ao auxílio doença nos 15 primeiros dias Fl. 14767DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.768 30 Aduz a recorrente que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do recurso especial n.º 1.230.957, em sede de recurso repetitivo, decidiu que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e auxílio doença nos 15 primeiros dias. Refere, ainda, que no RE n.º 611.505 o Supremo Tribunal Federal entendeu que não existe repercussão geral na discussão da incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio doença nos 15 primeiros dias. Assim, compreende que a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ tornase definitiva em relação à matéria. Requer a autuada, por força da alínea “b” do inciso I do §1º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, Portaria n.º 343/2015, devem ser excluídas da base de cálculos do lançamento fiscal os valores pagos a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e auxílio doença nos 15 primeiros dias. Verifico que a contribuinte não fez prova do que alega, pois deixa de identificar, seja em impugnação, ou no recurso voluntário ora em análise, que houve a incidência de tributação sobre tais rubricas, limitandose a alegar que “certamente foram incluídos na base de cálculo”, mesmo havendo nos autos a cópia do relatório global da folha de pagamento das terceirizadas (fls. 875 a 1.592), o que lhe permitiria apontar a base de cálculo que entende correta, porém não o fez. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, deve ser negado o recurso neste tocante. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Das contribuições previdenciárias recolhidas pelo regime do Simples Nacional por terceiros A recorrente postula que todos os valores recolhidos pelas empresas “terceirizadas” e referentes ao Simples Nacional (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP, ISS e contribuições previdenciárias), bem como as retenções sofridas e as contribuições retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais, sejam considerados no lançamento efetuado. Ocorre que carece de legitimidade ativa ao sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento do direito creditório, quando alheio à lide, não é competência da autoridade julgadora, mas da autoridade tributária, aplicandose o rito típico da espécie. Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem ser aproveitados para compensação com débitos de contribuição previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 14768DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.769 31 A Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 possui vedação expressa da compensação de contribuições previdenciárias com valores recolhidos indevidamente para o SIMPLES/Simples Nacional: Art. 44. (...) § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Tal posicionamento foi mantido no art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012: Art. 56. (....) §6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Portanto, pelas normas acima expostas não é possível acolher o pedido da recorrente para aproveitamento de valores referentes ao Simples Nacional recolhidos no CNPJ de outras empresas, bem como o aproveitamento das citadas retenções. O valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional deve ser submetido ao pedido de restituição. Em igual compreensão a ora exarada, cito o acórdão CARF nº 2301005.368, julgado em 03/07/2018, relator João Maurício Vital, onde pelo voto de qualidade foi negado o aproveitamento dos pagamentos ao Simples por terceiras pessoas jurídicas. Improcede, portanto, o recurso voluntário neste tocante. Da alegação de inconstitucionalidade do INCRA e do FAP Alega a recorrente a inconstitucionalidade do INCRA e do FAP, porém este Conselho é incompetente para apreciar alegações de inconstitucionalidade, conforme Súmula CARF nº 02, que assim dispõe: Súmula CARF nº 02 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Alega a recorrente que deve ser afastada a incidência dos juros de mora a serem calculadas sobre a multa de ofício lançada em todos os DEBCad’s, por não haver previsão legal para essa incidência, pois, em seu entendimento, fazendo um leitura combinada do art. 3º do CTN com o art. 161, do mesmo código, e com o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, Fl. 14769DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.770 32 conclui que os juros de mora incidem somente sobre “tributos e contribuições”, e não sobre as penalidades. No entanto, a Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória aos Conselheiros do CARF, em sentido contrário ao pretendido pela recorrente, dispõe o seguinte: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Deste modo, não dever acolhido o recurso neste tocante. Do Relatório de Vínculos Alega o recorrente que deve ser declarada nula a corresponsabilidade por inexistência de prática de conduta infracional à lei ou ao contrato social e por não individualização da conduta imputável a qualquer dos sócios. Em que pese o alegado, na presente ação fiscal não houve a imputação de corresponsabilidade dos sócios, mas apenas a emissão de uma lista de pessoas de interesse da administração previdenciária, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, a qual está consignada no Relatório de Vínculos de fl. 274. Nessa lista, inclusive, foram relacionados sócio, sóciosadministradores e contadores. Sobre esse relatório, insta destacar o disposto na Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, a indicação não atribui, de imediato, responsabilidade às pessoas indicadas, tendo apenas finalidade informativa. Carece de razão a autuada, portanto. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 14770DF CARF MF Processo nº 11634.720392/201581 Acórdão n.º 2202005.262 S2C2T2 Fl. 14.771 33 Fl. 14771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721717/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-006.484
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para corrigir o erro material cometido na anotação do resultado na Ata e na folha de rosto do Acórdão.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 15771.726692/2015-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/12/2015
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.375
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 66 92 /2 01 5- 51 Fl. 429DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726692/2015-51 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Procedente em Parte. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 430DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726692/2015-51 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 431DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.375 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.726692/2015-51 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915782/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para analisar os DARF supostamente recolhidos em duplicidade e a documentação acostada à Manifestação de Inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no Recurso Voluntário, para verificar a existência do direito creditório pleiteado, e elaborar relatório conclusivo sobre conclusões dela advindas, manifestando-se objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para analisar os DARF supostamente recolhidos em duplicidade e a documentação acostada à Manifestação de Inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no Recurso Voluntário, para verificar a existência do direito creditório pleiteado, e elaborar relatório conclusivo sobre conclusões dela advindas, manifestando-se objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche Relatório Refere-se o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, supostamente retida indevidamente pela recorrente. Por economia processual e por bem sintetizar a realidade dos fatos reproduzo o Relatório da decisão de piso (destaques no original): “1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 15824.54464.111109.1.3.04-7230 em 11/11/2009 (fls. 02/05 (observe-se que os números de folha mencionados no presente processo referem-se sempre à numeração digital), pleiteando a compensação de débitos de CIDE do período de apuração de 10/2009, com créditos de CIDE (código de receita 8741) no valor original de R$ 38.221,38, decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 06/02/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 78 2/ 20 12 -1 1 Fl. 146DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 2. Observe-se que o crédito informado na DCOMP em análise foi inicialmente utilizado nas DCOMP nº 05826.10218.141009.1.7.04-0863 (fls. 41/45), e nº 02502.77612.141009.1.3.04-2514, objeto dos processo administrativo, respectivamente, nº 10880-917.773/2010-01 e 10880.909359/2012-81. 3. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06, emitido em 01/03/2012, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 4. Cientificada da decisão em 15/03/2012 (fl. 07), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 12/04/2012 (fls. 11/13) alegando, em síntese, que: 4.1 A empresa recolheu em duplicidade a CIDE referente a janeiro 2009, e utilizou o recolhimento indevido para compensação de débitos com base no artigo 170 do CTN e artigo 74 e parágrafos 1º e 2º da Lei nº 9.430/1996. 4.2 A Inconsistência que ocasionou a não homologação da Per/Dcomp 15824.54464.111109.1.3.04-7230 se deu devido a um erro de informação na DCTF janeiro 2009, onde foi informado o débito total de R$ 1.553.869,36, sendo os débitos corretos em Janeiro/2009 apenas de R$ 776.934,68. O saldo de débito informado a maior foi decorrente de pagamentos em duplicidade dos Darf R$ 218.414,06 e R$ 558.520,62 (Doc. IV). 4.3 Esse crédito já foi objeto de Despacho Decisório, cuja manifestação de inconformidade protocolada encontra-se em análise no processo nº 10880- 917.773/2010-01”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/São Paulo-SP) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Ano-calendário: 2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de CIDE originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 147DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 Em 03/11/2015, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 078 a 143) 1 , no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade e contesta a decisão de 1ª Instância, alegando adicionalmente, em síntese, que: a) teria incorretamente realizado o pagamento da CIDE devida em duplicidade por meio do recolhimento em duplicidade de DARFs correspondentes ao mesmo período de apuração, mesmo tributo e mesmo vencimento, com uma diferença de apenas 10 dias entre eles; b) também reproduziu o erro no preenchimento da DCTF referente ao mês de janeiro de 2009 que apura a CIDE incidente sobre as operações de remessa ao exterior, a título de serviço de manutenção, tendo declarado o valor de recolhimento, e não o valor do efetivamente devido em razão das remessas; c) o erro no preenchimento da DCTF somente foi verificado quando foi cientificada do despacho decisório denegatório, tendo promovido em seguida a retificação da DCTF; e d) o simples fato de ter fornecido informações equivocadas em sua DCTF, as quais foram devidamente corrigidas anteriormente ao julgamento de primeira instância e que não importaram em prejuízo aos cofres públicos, não é suficiente para desconsiderar a existência do crédito tributário, sob pena de se violar o princípio da verdade material. E tomando essas razões, o espera a reforma da decisão proferida com a consequente homologação da compensação pretendida e o cancelamento da cobrança atrelada ao processo administrativo em epígrafe, protestando assim pela juntada de documentos que se fizerem necessários. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche - Relator Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 2 . 1 Todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. 2 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 148DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito O litígio em tela versa sobre o inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a solicitação de compensação efetuada em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. A discussão nos autos se inicia com Manifestação de Inconformidade pelo indeferimento, em Despacho Decisório de 01/03/2011 (doc. fls. 006), de solicitação formalizada na Declaração de Compensação n o 15824.54464.111109.1.3.04-7230, de 11/11/2009 (doc. fls. 002 a 005), sob os fundamentos de que, da análise do direito creditório original na data da transmissão do PER/DCOMP, foram identificados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. O apelo foi considerado improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, por se entender que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem os quais não pode ser restituído ou utilizado em compensação, e que, faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fundamentou-se a decisão nos seguintes termos (fls. 067 – destaques nossos): “18. Cumpre lembrar, que nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). 19. A defesa não acostou aos autos, juntamente com a manifestação de inconformidade, documentos, livros fiscais e contábeis, objetivando respaldar a retificação efetuada. Desta forma, torna-se inconsistente a afirmação de que a contribuinte possui crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP, tendo em vista que o crédito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. 20. Portanto, descabe cogitar a respeito de homologação de compensação, em face da falta de demonstração de crédito líquido e certo do sujeito passivo.”. Em seu Recurso Voluntário, o recorrente mantém a sustentação de ocorrência de pagamento a maior devido a recolhimento, em duplicidade, de dois DARF correspondentes ao II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 149DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 mesmo período de apuração, mesmo tributo e mesmo vencimento, com uma diferença de apenas 10 dias entre eles, erro reproduzido em DCTF ao ter declarado o valor de recolhimento, e não o valor do efetivamente devido em razão das remessas. Argumenta nesse sentido que (fls. 081): Os DARF recolhidos foram destacados, nos seguintes termos: Na busca da demonstração da ocorrência do erro, a recorrente trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls. 029 a 060), além de cópias das DCTF original e retificadora e das DCOMP que utilizou para compensar o indébito, cópia dos supostos DARF pagos indevidamente, complementando esses documentos com novos elementos de prova em Recurso Voluntário, os quais entende comprovar o equívoco. Destaque-se inicialmente que há larga jurisprudência deste E. Conselho no sentido de que a retificação da DCTF, ainda que após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito, desde que esteja acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Também existe farta jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido e ainda que prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5 o do Decreto-Lei n o 2.124, de 1984 3 ) e que a compensação de débitos tributários somente pode 3 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decreto-lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 150DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN 4 ); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4 o , do Decreto n o 70.235, de 1972 5 ); iii) no art. 373 da Lei no 13.105/20156, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Não obstante, esse E. Tribunal tem flexibilizado o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do PER/DCOMP tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas em recurso voluntário tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4 o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ou se consubstanciem (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já possam apontar para a provável veracidade da pretensão creditória. Verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo, é papel do julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto-lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 151DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 Esta Turma também tem entendido que é possível acolher provas apresentadas nesta instância recursal, mas para tanto é determinante o comportamento do sujeito passivo, ou seja, uma vez ciente dos motivos pelos quais as provas até então por ele coligidas não foram consideradas suficientes para seu desiderato, é seu o esforço de sanar tais lacunas probatórias. Em síntese, deve o interessado agir de forma proativa, empenhando-se antecipadamente em provar o direito que alega deter, para que torne-se, inclusive, cabível aventar o novel princípio da cooperação que atualmente tem redação implementada pelo Novo Código de Processo Civil – Lei n o 13.105 de 16.03.2015, cujo artigo 6 o afirma que “todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Compulsando o que consta dos autos, tem-se que o recorrente apresentou, juntamente com sua Manifestação de Inconformidade, documentos os quais, no seu entender, seriam suficientes para sanar a irregularidade apontada no Despacho Decisório denegatório, considerados insuficientes como elemento de prova pela decisão recorrida. Da mesma forma, o sujeito passivo, ao apresentar o presente Recurso Voluntário, também agiu de forma proativa, a meu sentir, quando apresentou elementos que acredita iriam suprir as lacunas deixadas em sede de julgamento de primeira instância. Nesses termos, com a finalidade de harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Ressalte-se que diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Quanto à solicitação de que todas as comunicações e notificações relativas ao presente processo administrativo sejam encaminhadas não somente para o seu estabelecimento, mas também para o escritório de sua advogada subscrita, sob pena de nulidade, saiba a recorrente que o Decreto n o 70.235/72 não traz qualquer previsão nesse sentido, sendo tal pretensão sem amparo. Indefere-se assim o pedido feito no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono ou advogado. Em observância às normas regentes, elas são feitas por via pessoal, postal ou endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo nos termos do Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , com a redação que lhe foi dada pela Lei n o 11.196/2005. Conclusões Diante do exposto, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto n o 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a Unidade de Origem (DERAT/São Paulo-SP) analise, em conjunto, os DARF supostamente recolhidos em duplicidade e a documentação acostada à Manifestação de Inconformidade, complementada pelos documentos apresentados no Recurso Voluntário, para verificar a existência do direito creditório pleiteado. Fl. 152DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3001-000.257 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.915782/2012-11 Também, se assim desejar, intime o sujeito passivo para apresentar outros elementos de prova que entenda necessário para evidenciar a existência do direito creditório utilizado na compensação dos débitos tributários declarados no PER/DCOMP. Desta forma, devem os presentes autos retornar para a DERAT/São Paulo-SP, para atendimento da diligência determinada. Outrossim, findada esta, deverá a autoridade competente elaborar relatório conclusivo sobre os fatos dela advindos, manifestando-se objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este Colegiado, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900427/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
Numero da decisão: 9303-009.001
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação por restituição de pagamento indevido ou a maior relativo a créditos originários de pagamento COFINS. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 27 /2 00 9- 21 Fl. 215DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.001 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900427/2009-21 O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, informando que é fabricante de tintas, vernizes, esmaltes e lacas, sendo parte de suas vendas destinadas para Zona Franca de Manaus - ZFM. A empresa, equivocadamente realizou pagamentos indevidos das contribuições no tocante a tais vendas, pois, com base no art. 4º do Decreto-lei nº 288/1967, elas equivalem à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro em termos de efeitos fiscais; por isso buscou a restituição e utilização desses créditos para compensação. A 3ª Turma da DRJ/CPS exarou o acórdão nº 05-29.717, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, basicamente, por não haver competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre eventual inconstitucionalidade de lei e não haver previsão legal de desoneração, à época dos fatos geradores, das contribuições que se alega serem indevidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, retomando os argumentos da impugnação e ainda que não foi intimada pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Adicionalmente, afirma que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.403, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face dos acórdãos paradigmas nº 3401-002.249 e nº 9303-002.648, fundamentando que as contribuições apuradas e recolhidas pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na ZFM, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação, em franca dissonância com o acórdão recorrido, o qual aduzia que as receitas das vendas de mercadorias destinadas à ZFM, no período de apuração em discussão, não eram isentas ou imunes de PIS e Cofins. O recurso teve seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dei-lhe seguimento. A Fazenda Nacional foi cientificada desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.998, de Fl. 216DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.001 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900427/2009-21 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.900420/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.998): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Apesar de, na qualidade de presidente de câmara, ter admitido o recurso no despacho de e-fls. 223 a 234, nova análise, mais aprofundada, na qualidade de relator, me permitiu perceber que as situações fáticas dos acórdãos paradigmas não eram as mesmas do acórdão recorrido, para realização dos cotejamentos com a legislação aplicável. Ocorre que o acórdão nº 3401-002.249 era relativo a período de apuração de 01/11/2003 a 30/11/2003 e o acórdão nº 9303-002.648 abrange período de apuração de 01/01/2001 a 31/01/2001, ambos posteriores a novembro de 2000. Tomando apenas a ementa do acórdão nº 9303-002.648, à e-fl. 165, já se pode observar: ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Na parte do voto deste acórdão, transcrita no recurso especial de divergência, às e-fls. 165 e 166, se tem a seguinte explanação: “O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha (...). Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.0372-4, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: (...) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Fl. 217DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.001 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900427/2009-21 Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. O fato gerador da contribuição cuja restituição se controverte neste processo é do período de 01/08/2000 a 31/08/2000, portanto, não cabe a apreciação da divergência, haja vista que os paradigmas se referiam a períodos distintos ao do acórdão a quo, cuja legislação incidente para solução do litígio era também distinta. Havendo falha nesse teste de aderência entre os arestos paradigmas e o acórdão recorrido, não há divergência comprovada, e por isso voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903292/2015-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.972, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 32 92 /2 01 5- 33 Fl. 122DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.629 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.903292/2015-33 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.629 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.903292/2015-33 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 124DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.629 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.903292/2015-33 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
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