Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16682.900802/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do Fato Gerador: 28/09/2007
COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza-se como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ por estimativa, mas sem a dedução daquele excedente.
A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Súmula CARF nº 84.
Numero da decisão: 1302-001.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
EDITADO EM: 04/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do Fato Gerador: 28/09/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. O pagamento a maior de estimativa caracteriza-se como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ por estimativa, mas sem a dedução daquele excedente. A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Súmula CARF nº 84.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16682.900802/2010-18
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374447
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.457
nome_arquivo_s : Decisao_16682900802201018.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16682900802201018_5374447.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5597826
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029792374784
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-08-04T19:14:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-08-04T19:14:22Z; Last-Modified: 2014-08-04T19:14:22Z; dcterms:modified: 2014-08-04T19:14:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d7e61fd6-e025-429e-96cb-d04be8e5da6a; Last-Save-Date: 2014-08-04T19:14:22Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-08-04T19:14:22Z; meta:save-date: 2014-08-04T19:14:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-08-04T19:14:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-08-04T19:14:22Z; created: 2014-08-04T19:14:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2014-08-04T19:14:22Z; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-08-04T19:14:22Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 226 1 225 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900802/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.457 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente RIO POLÍMEROS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 28/09/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. O pagamento a maior de estimativa caracterizase como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ por estimativa, mas sem a dedução daquele excedente. A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Súmula CARF nº 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 02 /2 01 0- 18 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900802/201018 Acórdão n.º 1302001.457 S1C3T2 Fl. 227 3 Relatório RIO POLÍMEROS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação – DCOMP n° 33594.63164.301107.1.3.049467, por meio da qual a contribuinte, ora recorrente, fez uso de pagamento indevido ou a maior de IRPJ verificado no período de apuração encerrado em 31/08/2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 33594.63164.301107.1.3.049467, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 28/09/2007 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 881.981,89 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 881.981,89 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 594.158,13 O crédito teria origem no DARF recolhido em 28/09/2007, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 881.981,89. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, nº de rastreamento 880539014, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 881.981,89. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ” Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF nº 600/2005, art. 74 da Lei nº 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/09/2010, fls. 11. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 21/10/2010, fls. 12/26, alegando: I – Do inequívoco direito à compensação a compensação não foi homologada ao argumento de que o montante oriundo de recolhimento indevido ou a maior que o devido, a título de estimativa de IRPJ e CSLL, somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ e da CSLL devidos no final do período de apuração, em 31 de dezembro, em razão do disposto no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. o litígio é restrito à possibilidade de compensação de valores pagos indevidamente ou a maior que o devido a título de estimativa de IRPJ e CSLL; não se discute a compensação dos montantes que foram apurados e que são devidos conforme a sistemática de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL, prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/96. conforme se infere da Ficha 11 da DIPJ/2008 e DCTF, o valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de agosto de 2007 é de R$ 1.712.631,75, quitado com o DARF no valor de R$ 9.000.000,00, porém, fez outro recolhimento de estimativa no valor de R$ 881.981,89. a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN SRF nº 900/2008, em vigor quando o despacho decisório foi proferido. a IN SRF nº 900/2008, que regula e interpreta a legislação relativa à compensação tributária, diferentemente do que constava na IN SRF nº 600/2005, não veda a compensação de valores pagos indevidamente a título de débito de estimativa de IRPJ e CSLL. esta norma complementar da legislação tributária deveria ter sido observada nos termos do artigo 106, I do CTN. além de ter revogado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, a IN SRF nº 900/2008 trata juridicamente o pagamento indevido de estimativa como efetivo indébito tributário, sua real natureza jurídica, com incidência da regra do artigo 106, II, “b” do CTN. também deixou de classificar a compensação do indébito como sendo uma infração, aplicandose o artigo 106, II, “a” do CTN. II – A inexistência do fundamento legal para o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. o despacho decisório está fundamentado no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que não possui base legal. tendo que (1) o artigo 2º da Lei nº 9.430/96 define como débito de IRPJ e CSLL um valor exato a ser recolhido mensalmente, com imposição de penalidade pelo não pagamento, e (2) sendo que somente este montante poderá ser deduzido do imposto devido no final do exercício, certamente que os valores recolhidos além do apurado conforme legislação configurase Pagamento Indevido ou Maior a ensejar a sua restituição, nos termos do art. 165, I do CTN. ou seja, a legislação do IRPJ e CSLL vincula a utilização de saldo negativo apenas os valores efetivamente devidos a titulo de estimativa, não havendo vinculação ao saldo negativo de valores pagos a maior. o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 viola as disposições do artigo 2º da Lei nº 9.430/96 e do artigo 165 do CTN. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900802/201018 Acórdão n.º 1302001.457 S1C3T2 Fl. 228 5 III – Da improcedência do processo de cobrança correlato em razão da inexistência de débito a ser exigido do contribuinte. no caso de não reconhecimento do direito creditório, cabe o cancelamento da cobrança do processo correlato nº 16682.901008/201083. tanto o crédito quanto o débito compensado são estimativas de IRPJ do mesmo período. com a aplicação do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, por decorrência lógica, é improcedente a cobrança, já que o valor da estimativa indevidamente pago deverá ser utilizado para o abatimento do imposto apurado no final do exercício, como determina a segunda parte do citado artigo. a diferença entre reconhecer a utilização do crédito quando da realização da compensação, ou somente para a dedução no final do exercício, nos termos do artigo 10, influencia apenas no cumprimento das normas pertinentes ao Regime de Estimativa Mensal, mas não no valor do imposto devido no exercício, que no caso será o mesmo. o recolhimento de R$ 881.981,89 a título de estimativa de IRPJ do mês de agosto/2007 é incontroverso; a aplicabilidade do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 apenas tem o condão de (1) reconhecer a realização deste pagamento a título de estimativa no mês de outubro de 2007 (objeto da compensação pleiteada), o qual será abatido do valor apurado ao final do exercício; ou (b) reconhecer este pagamento como estimativa paga a maior no mês de agosto de 2007, igualmente compensável com os débitos decorrentes da apuração do imposto no final desse ano de 2007. ou seja, recolheu na integralidade os valores que eram devidos a título de estimativa no exercício de 2007, não havendo qualquer débito a ser imputado; sendo inequívoco o recolhimento de R$ 881.981,89 a título de estimativa de IRPJ no exercício de 2007, seja como se der o reconhecimento do crédito (quando da compensação em outubro ou no final do exercício), o presente processo de cobrança deve ser extinto por inexistir débito a ser pago. é incabível a cobrança das estimativas após o final do anocalendário, conforme artigos 15, 16 e 49 da IN SRF nº 93/97. Cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual repisa os argumentos apresentado quando da inconformidade, insistindo nos seguintes argumentos: O entendimento de que a Declaração de Compensação não poderia ser homologada sem a comprovação cabal de que o pagamento de estimativas foi indevido ou a maior não merece prosperar, já que restou comprovado nos autos, através da DIPJ, DCTF mensal de agosto/2007 e das guias de arrecadação, a ocorrência de um pagamento a maior de valores a título de estimativa de IRPJ. Por via de dúvidas, a Recorrente apresentou Balancete referente ao mês de agosto/2007, nos termos do artigo 230, do RIR/99, que comprova o Lucro Líquido apurado no mês em questão. Além disso, a Recorrente argumenta estar equivocado o entendimento da D. Turma Julgadora de 1ª Instância, que homologou o crédito apenas parcialmente, sob o Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 argumento de que os créditos foram utilizados em duplicidade na composição do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, considerando que o que aconteceu, em verdade, fora um mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP nº 37103.44284.220909.1.07.02 3050; O argumento principal utilizado em sua defesa sobre a questão da duplicidade no aproveitamento de crédito recai sobre o fato de que um mero erro de fato no preenchimento da DCOMP não teria o condão de afastar o seu direito creditório, ainda mais, porque restou comprovado a composição do saldo negativo e, consequentemente, a existência do crédito tributário em questão. Por fim, a discussão pairou também sobre a atualização do indébito pela Taxa Selic desde o momento do recolhimento indevido. Segundo a Recorrente, não havia o que se discutir acerca da compensação dos montantes que foram apurados e que são devidos conforme a sistemática de cálculo das Estimativas do IRPJ e CSLL, prevista no artigo 2º da Lei 9.430/96. Ademais, salientou ser indiscutível a aplicação da Taxa Selic com fulcro no artigo 39, §4º, da Lei 9.520/1995, o qual estabelece que o termo a quo da incidência da Taxa Selic seria a data do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900802/201018 Acórdão n.º 1302001.457 S1C3T2 Fl. 229 7 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. Para análise do presente, refaço um breve histórico dos fatos, os quais já foram por mim reconstituídos quando da apreciação do Recurso Voluntário do mesmo contribuinte, protocolizado no PAF nº 16682.900801/201065, também de minha relatoria, pois entendo serem estes relevantes para a formação da convicção do julgamento: 28/09/2007, a interessada efetuou os seguintes pagamentos a título de IRPJ devidos por estimativa, relativo ao mês de agosto/2007, código 2362, totalizando R$11.348.819,64: R$ 9.000.000,00 R$ 1.466.837,75 R$ 881.981,89 03/10/2007, apresentou DCTF mensal do mês de agosto/2007, declarando débito de IRPJ deste mês, no valor de R$ 11.348.819,64, vinculando os três pagamentos efetuados. 30/11/2007, retificou a DCTF alterando o débito de IRPJ do mês de agosto/2007 para o valor de valor de R$ 1.712.631,75, vinculando os três pagamentos efetuados, mas aproveitando somente o crédito do pagamento no valor de R$ 9.000.000,00 (fls, 105), conforme quadro abaixo: Período Apuração Código Receita Data Vencimento Valor Principal Valor Multa Valor Juros Valor Total DARF Valor Pago Débito 31/08/2007 2362 28/09/2007 881.981,89 0,00 0,00 881.981,89 0,00 31/08/2007 2362 28/09/2007 1.466.837,75 0,00 0,00 1.466.837,75 0,00 31/08/2007 2362 28/09/2007 9.000.000,00 0,00 0,00 9.000.000,00 1.712.631.75 30/11/2007 apresentou a DCOMP n° 33594.63164.301107.1.3.049647, objeto deste processo, pretendendo compensar o crédito relativo ao pagamento recolhido a maior, no valor de R$ 881.981,89, relativo ao recolhimento efetuado no mesmo valor. O débito a ser compensado é da estimativa de IRPJ, do mês de outubro/2007, no valor de R$ 599.683,80, com vencimento em 30/11/2007. 24/06/2008, apresentou DIPJ/2008, informando a estimativa devida de IRPJ para o mês de agosto de 2007 no valor de R$ 1.712.631,75, apurando saldo negativo de IRPJ de R$ 2.713.470,37. 26/08/2009, apresentou DIPJ/2008 retificadora, mantendo a estimativa de IRPJ no valor de R$ R$ 1.712.631,75, e reduzindo o saldo negativo de IRPJ para R$ 1.837.320,24, em razão da exclusão do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 876.150,13, do imposto devido no final do período. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 18/06/2009 apresentou DCOMP nº 11635.65776.180609.1.3.020828, retificada pela DCOMP nº 37103.44284.220909.1.7.023050, aproveitando o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 1.837.320,24. Atualmente, a análise da DCOMP está aguardando o julgamento das DCOMP referenciadas, na composição de suas estimativas, como é a DCOMP do objeto do presente recurso. Compulsando os documentos juntados aos autos, verifico que o pagamento de R$ 881.981,89 não está vinculado a qualquer débito de IRPJ por estimativa, portanto todo este valor resta disponível para aproveitamento como crédito a favor do contribuinte. Em outras palavras, ficou evidenciado nos autos que o pagamento em questão (DARF às fls. 41) não está vinculado a qualquer débito e que a própria DCTF apresentada pelo contribuinte vincula ao pagamento de IRPJ Estimativa de agosto de 2007, apenas o pagamento no valor de R$ 9.000.000,00, conforme documento de fls. 105. No entanto, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que assim determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ou seja, quer o dispositivo acima que qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, que é determinado em observância ao artigo 2º da Lei nº 9.430/96, fosse utilizado apenas para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. Relevante notar que durante a vigência da referida Instrução Normativa n° 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito só seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Contudo, no modesto entendimento deste julgador, o débito por estimativa tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecidos pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido, passível de restituição ou compensação de imediato. Nesse sentido, transcrevese a ementa do Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900802/201018 Acórdão n.º 1302001.457 S1C3T2 Fl. 230 9 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO.ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFBnº 900/2008. (Acórdão CARF nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) Corroborando o entendimento acima, peço vênia para transcrever os fundamentos utilizados na Solução de Consulta Interna n° 19 – Cosit, onde: O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Quanto à natureza jurídica das instruções normativas, são atos que têm por função complementar e normatizar a legislação tributária, enquadrandose no art. 100, inciso I do CTN. Têm, também, esses atos, natureza interpretativa, explicitando o sentido e alcance dos atos legais. Nessa acepção, embora se enquadre na categoria de atos normativos, não possuem natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídicotributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Ressaltese que não se aplica à espécie o art. 2º da LICC – Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 – dispositivo este que trata de vigência e revogação das leis no tempo –, uma vez que as normas legais interpretadas, que dispõem sobre estimativa/restituição/compensação, permaneceram inalteradas, mas de mudança de interpretação quanto às regras a serem adotadas no caso de pedido de Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 10 restituição/compensação, quando o crédito do contribuintes decorrer de pagamento indevido a título de estimativa. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, é de se responder à interessada que, havendo pagamento em valor superior ao débito efetivamente apurado, realizado após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, caracterizase como pagamento indevido ou a maior, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Assim, tendo sido o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada exarado em 06/09/2010, a nova interpretação quanto a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL trazida pelo art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, deveria ter sido adotada pela recorrida, aplicadose automaticamente ao pedido de compensação formulado. A matéria tratada nestes autos foi objeto inclusive de Súmula neste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84 – Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, razão pela qual entendo por fundamentado o meu voto quanto a este tema. Assim sendo, restando incontroverso que o pagamento indevido ou a maior de estimativa caracterizase como indébito, mister se faz analisar se o crédito alegado pelo contribuinte revestese da liquidez e certeza necessárias para que a compensação pleiteada seja homologada. É importante ressaltar que o órgão a quo aduziu que o indébito em questão fora utilizado duas vezes pelo contribuinte, conforme transcrição do acórdão da DRJ/RJ1 abaixo: Ocorre que, da análise da DCOMP de nº 37103.44284.220909.1.7.023050, apresentada para aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, fls. 140/151, constato que o crédito pleiteado de pagamento a maior, no valor de R$ 881.981,89, também foi utilizado para composição do crédito a ser utilizado na compensação (Ficha Pagamentos – item 10 fls.07 da DCOMP). Em outras palavras, a interessada apresentou duas Declarações de Compensação para utilização do mesmo crédito do pagamento de estimativa de IRPJ, código 2362, recolhido em 28/09/2007, no valor de R$ 881.981,89, a saber: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900802/201018 Acórdão n.º 1302001.457 S1C3T2 Fl. 231 11 1) DCOMP nº 33594.63164.301107.1.3.049467, objeto do presente; e 2) DCOMP n° 37103.44284.220909.1.7.023050, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007. Entretanto, aqui concordo com as argumentações trazidas pela recorrente em sede de Recurso Voluntário. A DCOMP n° 37103.44284.220909.1.7.023050 apresenta mero erro formal no seu preenchimento no que tange à formação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2007 (mês agosto de 2007), o que pode ser facilmente comprovado pelos outros documentos trazidos aos autos. No que tange as estimativas de agosto de 2007 (IRPJ), a recorrente considerou tão somente o valor de R$ 1.712.631,15 na composição do saldo negativo, conforme documento de fls. 58. Ademais, na DCTF (fls. 101) foi considerado somente o valor de R$ 1.837.320,24 como saldo negativo de 2007, que seria a diferença entre os impostos recolhidos por estimativa durante o anocalendário 2007 e o valor do IRPJ devido ao final deste mesmo período. Como o valor que compôs a estimativa de agosto de 2007 foi o de R$ 1.712.631,15, não pode ter o contribuinte utilizado o mesmo crédito duas vezes, mas outrossim, o que houve foi um erro no preenchimento da DCOMP de n° 37103.44284.220909.1.7.023050, o que, ao meu ver, não seria motivo suficiente para a não homologação das compensações pleiteadas. Assim, comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, uma vez que os comprovantes dos recolhimentos foram trazidos aos autos (fls 41), não vejo óbice ao atendimento do pleito formulado pelo contribuinte. Em se tratando de indébito tributário, na forma do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei 9.532/97, deve o mesmo ser atualizado à taxa SELIC desde o momento do recolhimento indevido – mais precisamente a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior ao da compensação e de 1% no mês em que esta estiver sendo efetuada. Por todo o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 594.158,13, devidamente atualizado pela taxa SELIC e homologar a compensação pleiteada. É como voto. Sala de Sessões, 30 de julho de 2014. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 12 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903096/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PROVAS. PREJUDICIALIDADE SUPERADA. NOVA DECISÃO.
Uma vez superada a questão considerada prejudicial à análise do material probatório produzido na primeira instância, deve a Delegacia de Julgamento enfrentar o mérito, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem à apuração efetiva do direito creditório.
Numero da decisão: 3803-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PROVAS. PREJUDICIALIDADE SUPERADA. NOVA DECISÃO. Uma vez superada a questão considerada prejudicial à análise do material probatório produzido na primeira instância, deve a Delegacia de Julgamento enfrentar o mérito, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem à apuração efetiva do direito creditório.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13896.903096/2009-11
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5382552
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.297
nome_arquivo_s : Decisao_13896903096200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13896903096200911_5382552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5633675
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029799714816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 83 1 82 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903096/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.297 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente CAMPARI DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 FATURAMENTO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. De acordo com decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), submetida à regra da repercussão geral, é inconstitucional o alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999, no sentido de tributar outras receitas auferidas pelo sujeito passivo que extrapolam o conceito de faturamento ou receita bruta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PROVAS. PREJUDICIALIDADE SUPERADA. NOVA DECISÃO. Uma vez superada a questão considerada prejudicial à análise do material probatório produzido na primeira instância, deve a Delegacia de Julgamento enfrentar o mérito, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem à apuração efetiva do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 30 96 /2 00 9- 11 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903096/200911 Acórdão n.º 3803006.297 S3TE03 Fl. 84 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar o encaminhamento dos autos à DRJ Campinas/SP, para fins de julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da não homologação da compensação declarada, no valor de R$ 39.091,13, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que o indébito decorrera do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999, considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilhas por ele elaboradas, do DARF e de parte do livro Razão Geral. O acórdão da DRJ Campinas/SP, em que não se reconheceu o direito creditório, foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903096/200911 Acórdão n.º 3803006.297 S3TE03 Fl. 85 3 produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Pagamento Indevido ou a Maior. Recolhimento vinculado a débito Confessado. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacou o julgador de piso que, uma vez não acolhidas as razões de direito do contribuinte, perderam a finalidade os elementos de prova trazidos aos autos. Cientificado da decisão em 7 de dezembro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 4 de janeiro de 2013 e requereu o reconhecimento do direito à compensação, arguindo que, em razão da inconstitucionalidade declarada pelo STF em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, relativamente ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, este Colegiado encontravase obrigado a reproduzir tal entendimento, dada a regra do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de Declaração de Compensação não homologada que, segundo o Recorrente, amparase em valor recolhido a maior da contribuição, apurada que fora sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Campinas/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 9 de outubro de 2012, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903096/200911 Acórdão n.º 3803006.297 S3TE03 Fl. 86 4 sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal da declaração de compensação. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903096/200911 Acórdão n.º 3803006.297 S3TE03 Fl. 87 5 mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte à compensação de indébitos decorrentes de recolhimentos a maior da contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do livro Razão Geral, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a receitas financeiras, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Referido livro restou não analisado pela Delegacia de Julgamento, em razão do fato de que, uma vez não acolhidas as razões de direito do contribuinte, teriam perdido a finalidade os elementos de prova então trazidos aos autos. No entanto, uma vez superada nesta instância a questão então considerada prejudicial, deve a Delegacia de Julgamento, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, enfrentar o mérito relativo ao eventual recolhimento a maior da contribuição decorrente do alargamento da base de cálculo, cuja inconstitucionalidade declarada pelo STF ora é reproduzida neste voto. Nesse contexto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para determinar à DRJ Campinas/SP que, uma vez superada a questão prejudicial relativa à inconstitucionalidade da exação, se analisem as provas então carreadas aos autos e se enfrente o mérito da presente controvérsia, observandose o teor do presente voto, sem prejuízo da realização de eventuais diligências que se mostrarem necessárias à efetiva apuração do direito Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.903096/200911 Acórdão n.º 3803006.297 S3TE03 Fl. 88 6 creditório, tendo por base a escrituração contábilfiscal do sujeito passivo, bem como os documentos fiscais que a lastreiam. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003315/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se definitiva a decisão recorrida
Numero da decisão: 2102-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da intempestividade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros xxxxxx
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se definitiva a decisão recorrida
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.003315/2008-81
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5371970
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-003.012
nome_arquivo_s : Decisao_11516003315200881.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 11516003315200881_5371970.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da intempestividade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros xxxxxx
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5584210
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029817540608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 49 1 48 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.003315/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.012 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente NEWTON CARNEIRO AFFONSO DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornandose definitiva a decisão recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da intempestividade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros xxxxxx Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 15 /2 00 8- 81 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 04/09, onde se ajustou o valor a restituir de R$5.680,16 para R$1.094,07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, correspondente à omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$1.856,23, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRPF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$59,23. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$15.035,85, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/03, por meio da qual alegou, em suma, que: os rendimentos de aluguéis apurados como omitidos pela fiscalização decorreram da locação dos seguintes imóveis: "01 – Rua Marechal Deodoro – Curitiba – PR, locatário Luis Enrique Riveros Rivas – CPF: 009.133.45918 rendimento R$4.110,85 (quarto mil, cento e dez reais e oitenta e cinco centavos); e 02 — Rua Tabapua. 956 São Paulo, locatário Adriano Clemente Faceio CPF n° 282.924.37819 — rendimento R$10.925,00 (dez mil, novecentos e vinte e cinco reais)". os rendimentos de aluguéis apurados como omitidos pela fiscalização foram integralmente informados na declaração de ajuste anual entregue por sua esposa, Sra. Neusa Feitosa Affonso da Costa, CPF n° 176.484.04885, cujos rendimentos somados geraram imposto de R$1.184,57 já anteriormente recolhido; Fl. 50DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.003315/200881 Acórdão n.º 2102003.012 S2C1T2 Fl. 50 3 a legislação tributária permitiria que os rendimentos produzidos pelos bens comuns de um casal sejam inteiramente declarados em nome de um dos cônjuges; teria omitido por esquecimento os rendimentos recebidos do Serviço Social do Comércio – SESC, no valor de R$1.856,23, e que o imposto devido pertinente a esta omissão deveria ser descontado de sua restituição; por fim, postula pelo cancelamento do lançamento fiscal. Em acórdão proferido pela DRJ/FNS, foi considerada como não impugnada a omissão dos rendimentos de trabalho recebidos pelo “Serviço Social do Comércio SESC”, encontrandose fora do presente litígio e sujeitandose aos procedimentos previstos no art. 17 do Decreto n° 70.235/1972. Quanto à parcela impugnada do lançamento, os integrantes da 5ª Turma da DRJ/FNS decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo se o crédito tributário exigido, tendo em vista a ausência de documentação comprobatória quanto as alegações do Contribuinte, conforme voto do il. Relator, que assim se manifestou: (…) Sucede que, compulsando os autos, constatase que o Interessado, além de não ter apresentado nenhuma prova de que é casado em comunhão de bens com a Sra. Neusa Feitosa Affonso da Costa (ex.:certidão de casamento), também não apresentou nenhuma prova de que os rendimentos de aluguéis apurados como omitidos na presente notificação se referem a locação dos imóveis indicados porele (ex.: declaração da imobiliária, cópia do contrato de locação, etc), e que estes (imóveis indicados) são efetivamente bens comuns do casal (ex.: certidão do registro de imóveis). (…) O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 30/31, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, apresentando diversos documentos, e ressaltando ainda que: não teria sido intimado pela fiscalização à apresentar escrituras dos imóveis, certidão de casamento e/ou quaisquer outros documentos; reconhece que omitiu por esquecimento os rendimentos recebidos do Serviço Social do Comércio – SESC, no valor de R$1.856,23, e que o imposto devido pertinente a esta omissão deveria ser descontado de sua restituição; diante do relatado e comprovado com os documentos apresentados junto ao referido recurso, o Contribuinte postula a restituição do valor de R$5.228,93 referente a DIRPF 2006/2007; e, por fim, pleiteou o cancelamento do débito fiscal reclamado. Às fls. 47 dos autos consta despacho da DRF em Florianópolis, por meio do qual é certificada à intempestividade do recurso interposto, mas determinada a remessa dos autos a este Conselho para apreciação. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Antes de analisar a matéria em discussão nestes autos, há que se analisar se o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte preenche os requisitos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Tal artigo prevê o prazo de 30 dias para a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (sem grifos no original) No caso em exame, o Recorrente fora intimado da decisão recorrida em 02.05.2011, segundafeira (cf. AR de fls. 29), razão pela qual o prazo para a apresentação de seu Recurso Voluntário findaria em 01.06.2011, uma quartafeira. No entanto, o recurso de fls. 30/31 foi apresentado somente em 07.06.2011, ou seja, após o término do prazo preclusivo para a sua apresentação. Por outro lado, o art. 42 daquele mesmo Decreto estabelece que: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Assim, o recurso é intempestivo e não pode ser conhecido por este Conselho, tendo a decisão de primeira instância se tornado definitiva, nos termos das normas acima transcritas. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 52DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.003315/200881 Acórdão n.º 2102003.012 S2C1T2 Fl. 51 5 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001317/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa.
LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO.
O lançamento de ofício não se confunde com o auto-lançamento ou com o lançamento espontâneo.
É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator.
EDITADO EM: 27/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO. O lançamento de ofício não se confunde com o auto-lançamento ou com o lançamento espontâneo. É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15983.001317/2010-02
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372374
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.841
nome_arquivo_s : Decisao_15983001317201002.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15983001317201002_5372374.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator. EDITADO EM: 27/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5588425
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029819637760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.001317/201002 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.841 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria Multa de ofício Recorrente JOSÉ CARLOS BLANCO POUSADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO. O lançamento de ofício não se confunde com o autolançamento ou com o lançamento espontâneo. É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 17 /2 01 0- 02 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATORRelator. EDITADO EM: 27/08/2014 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.320.2776, no montante de R$ 27.786,03 (vinte e sete mil e setecentos e oitenta e seis reais e três centavos), consolidado em 27 de dezembro de 2010, tendo como sujeito passivo José Carlos Blanco Pousada [fl. 32, v. 1]. Conforme Relatório Fiscal [fls. 40 e 41, v. 1], o lançamento corresponde às contribuições dos segurados, referente ao percentual de 8% do salário de contribuição aferido, no valor de R$ 188.313,55, na competência de 11/2009. "Tratase de obra de construção civil pessoa física, inicialmente de propriedade de Carlos Blanco Ramil, sendo transferido em 26/05/2009, ao seu filho José Carlos Blanco Pousada, conforme consta da averbação do Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente, matrícula 126536, ficha 03, Livro n° 2, da qual foi concluída em 18/04/2007, conforme Carta de Habitação 241/07. O início da obra foi em 26/10/2005, conforme consta do Alvará n° 306/05, Plano 307, Processo n° 36.966/2005 e seu término deuse em 18/04/2007, conforme Carta de Habitação n° 241/07”. “A Agência em Praia Grande encaminhou o processo n°18404.001554/200993 em 08/09/2010, informando que não foi recolhido e/ou parcelado o valor aferido referente ao ARO 414749, e analisando o processo enviado, consta dos autos Termo de Juntada fls. 115 a 119, onde consta requerimento solicitando novo cálculo para o pavimento inferior, com área destinada a garagem, e não depósito como constava da planta original. Constatamos que a planta apresentada às fls. 116, é idêntica da inicialmente apresentada às fls. 11, sendo que esta última, apresenta alteração feita manualmente, não podendo ser considerada conforme determina legislação, sem a devida aprovação pelo órgão competente, a Prefeitura Municipal de São Vicente”. O contribuinte, por meio da Guia da Previdência Social GPS, efetuou pagamento no valor de R$ 15.065,08. Não pagou o valor de R$ 22.276,73 por considerar um equívoco da fiscalização [fl. 50 e 75, v. 1]. José Carlos Blanco Pousada, cientificado da notificação, apresentou, em 25 de janeiro de 2011 [fl. 52, v. 1], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese, [fls. 52 a 62, v. 1] que a multa de ofício aplicada e os juros SELIC não eram devidas: “[...] No mérito, que seja julgado improcedente o Auto de Infração, já que não contesta o valor da Contribuição Previdenciária (8% do segurado) incidente sobre a construção Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 civil, e sim, a multa de ofício aplicada e os juros SELIC, vez que não foi recolhida anteriormente por que o contribuinte não tem competência para efetuar o cálculo, por aferição indireta, da Contribuição, já que esta, segunda a Lei no 8.212/91 e a Instrução Normativa 971/09, cabe exclusivamente a Receita Federal do Brasil fazer”. “Os cálculos das contribuições previdenciárias incidentes na construção civil estão regulados na Lei n°. 8.212/91 (artigo 33 e §§ 4o e 6o) e na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n°. 971/09 (artigo 335 e ss.) e podem ser pagas à medida que a obra vai sendo realizada ou ao seu final, pelo método da aferição indireta, método este escolhido pelo IMPUGNANTE”. “Ora, diz também à legislação que, caso o contribuinte opte por recolhêlas pelo método de aferição indireta, caberá EXCLUSIVAMENTE à Receita Federal do Brasil, efetuar o seu cálculo, cabendo ao interessado fornecer os documentos e informações necessárias ao seu cálculo”. “Oportuno esclarecer, que o IMPUGNANTE concorda com o novo cálculo da Contribuição Previdenciária incidente sobre a construção civil pelo método de "aferição indireta". Por isso, em 19/01/2011 (conforme prazo estabelecido no § 2o do artigo 340 da IN n°. 971/2009) recolheu em favor da União GPS com o código de receita 4200 a importância total de R$ 15.065,08 (quinze mil sessenta e cinco reais e oito centavos) referente à Contribuição Previdenciária (8% do segurado)”. O contribuinte alega que não houve razoabilidade e proporcionalidade na aplicação da multa. Ainda na defesa, requer o agrupamento deste processo administrativo com os autos de infração no 37.320.2768 e no 37.320.2784, com o julgamento de todos na mesma data devido à conexão [fl. 62, v. 1]. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, em 26 de agosto de 2011, no acórdão no 0534.865 – 9a Turma da DRJ/CPS, manteve o crédito tributário exigido [fls. 78 a 85], concluindo que: “De plano, cabe destacar que o contribuinte apresenta impugnação parcial e não contesta que os fatos geradores ocorreram e tampouco os valores apurados pelo auditor fiscal a título de base de cálculo mas sim a multa de ofício aplicada e os juros de mora. O mesmo apresenta comprovante de pagamento, fl.77, correspondente à parte não contestada (apenas o valor principal, sem juros mora e multa de ofício)”. José Carlos Blanco Pousada recebeu o ofício em 24 de outubro de 2011 e, em 17 de novembro de 2011, apresentou recurso voluntário repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação. Eis uns trechos: “Do OBRIGATÓRIO trabalho fiscal, em vez de receber o valor a ser recolhido a título de contribuição previdenciária (visto que o RECORRENTE não poderia legalmente fazer o cálculo) resultaram três Autos de Infração, de números, respectivamente, 37.320.2768, 37.320.2776 (ora combatido) e 37.320.2784 que Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 4 5 foram objeto de IMPUGNAÇÕES tempestivas, nos termos da Lei. Dessa forma, em face da evidente identidade entre o presente processo administrativo e os demais, supracitados, requerse, desde já, a conexão entre os mesmos até o julgamento final dos Recursos Voluntários apresentados em face dos Al's retro mencionados, evitandose, com isso, decisões conflitantes”. “O RECORRENTE não se conformando com a atitude da autoridade lançadora, recolheu em favor da União o valor da contribuição previdenciária, através da GPS com o código de receita 4200 a importância total de R$ 15.065,08 (quinze mil sessenta e cinco reais e oito centavos) incidente sobre a construção civil (8% do segurado) calculado pelo método de "aferição indireta", conforme prazo estabelecido no § 2o do artigo 340 da IN n°. 971/2009 e apresentou IMPUGNAÇÃO tempestiva no que tange a incidência de multa de ofício e juros moratórios”. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. I PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 5 7 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. II REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO Pelo que consta dos autos, o contribuinte compareceu à unidade de atendimento da RFB em Praia Grande, em 11/11/2009, para atender solicitação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, conforme correspondência fl.8, datada de 16 de outubro de 2009, e apresentou a Declaração de Informações sobre Obras – DISO, para regularizar a obra em questão, o que resultou na emissão do respectivo ARO, com valores apurados para a competência de 11/2009. Não concordando com os cálculos, o contribuinte teria apresentado novos elementos através do requerimento protocolado em 14/12/2009, e, segundo o mesmo, compareceu novamente diversas vezes à unidade para obter os novos cálculos. Ainda, de acordo com os elementos constantes dos autos, especificamente do relatório fiscal, fl.40/41, a Agência em Praia Grande encaminhou o processo da DISO, em 08/09/2010, à DRF em Santos, informando que não foi recolhido e/ou parcelado o valor aferido ao ARO 414749. A autoridade autuante, relata que, analisando o processo enviado, consta dos autos requerimento solicitando novo cálculo para o pavimento inferior, com área destinada a garagem e não depósito como constava da planta original, termo de juntada fls. 115 a 119, onde constatou que a planta de fl.116, seria idêntica à inicialmente apresentada às fls.11, sendo que esta última apresenta alteração feita manualmente, não podendo ser considerada sem a devida aprovação pelo órgão competente, a Prefeitura Municipal de São Vicente. Ainda, de acordo o relatório fiscal, foi emitido o Termo de Início de Procedimento Fiscal, solicitando documentos referentes à obra, e com a ciência do proprietário foi esclarecido que a alteração de área somente poderia ser considerada com a devida aprovação da Prefeitura Municipal de São Vicente. Nesse diapasão, foilhes apresentado novo projeto arquitetônico Processo n° 03172/10, Alvará 45/10 Plano n° 92 de 26/02/2010, agora constando ser o pavimento inferior garagem e o cálculo foi elaborado conforme critérios previstos na legislação, artigo 338 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, com base na área e enquadramento da obra. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 Neste contexto, o contribuinte questiona a imediata emissão do Auto de Infração, com multa de ofício e juros moratórios, sem lhe oportunizar a possibilidade do recolhimento espontâneo, conforme, segundo o mesmo as instruções que tratam da matéria. Em que pese esses argumentos, cumpre destacar de plano que, o lançamento é o ato administrativo vinculado que promove na apuração do valor devido a título de tributo, apurandose a base de cálculo, aplicandose a alíquota correspondente na legislação, conforme as peculiaridades de cada fato gerador. Dito isso, peço licença aos i. Conselheiros para acolher como razões de decidir os argumentos constantes do acórdão recorrido. Dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Tratase de um poderdever, portanto, à autoridade administrativa não é dado decidir sobre a conveniência ou a oportunidade da constituição do crédito tributário. Sua conduta, como de resto a de qualquer outro servidor, está pautada pelo princípio da indisponibilidade dos bens públicos. Exatamente por isso, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória. E ainda, no que se refere à alegação do contribuinte de que a Administração já disponha dos elementos necessários à apuração dos valores, em nada macula o lançamento, uma vez que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Este entendimento está pacificado na jurisprudência administrativa, conforme se verifica na Súmula CARF nº 46 (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42): O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. É certo que o lançamento foi realizado de acordo com o ARO 414749 retificado em 15 de dezembro de 2010, fls 29/30, e segundo consta do próprio relatório fiscal, o débito referese à competência de 11/2009, conforme lançamento do ARO original, de acordo com o disposto no inciso I, § 2º, art. 344, da IN RFB 971/2009. Portanto, nenhum reparo no que se refere ao lançamento do débito, uma vez que, os valores foram apurados nos termos da legislação e de acordo com os elementos constantes do processo de regularização de obra e outros posteriormente apresentados. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 6 9 Dito isto, verificase que o Auto de infração foi devidamente emitido, portanto, tendo o respectivo crédito sido apurado através de lançamento de ofício, impõese, nos termos da legislação a aplicação da multa de ofício. E, conforme explicitado no auto de infração, o fundamento legal da exigência da multa de ofício foi a Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009.Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, uma vez regularmente constituído o crédito, através de lançamento de ofício correta a aplicação da multa de ofício III INCONSTITUCIONALIDADE E SELIC Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] IV MULTA Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. V DISPOSITIVO Portanto, em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de multa de mora limitada a 20%. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RelatorRelator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 8 13 O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001317/201002 Acórdão n.º 2301003.841 S2C3T1 Fl. 9 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 16 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado dig italmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000995/00-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1888 a 31/10/1995
Ementa:
DECADÊNCIA. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. ART.62-A do RICARF. Os recolhimentos e a protocolização do pedido de restituição foram anteriores a edição da Lei Complementar nº 118/2005. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4ª, segunda parte, da LC nº 118/2005, o novo prazo de cinco anos somente alcançará os pedidos efetivados a partir de 09 de junho de 2005. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1888 a 31/10/1995 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. ART.62-A do RICARF. Os recolhimentos e a protocolização do pedido de restituição foram anteriores a edição da Lei Complementar nº 118/2005. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4ª, segunda parte, da LC nº 118/2005, o novo prazo de cinco anos somente alcançará os pedidos efetivados a partir de 09 de junho de 2005. Recurso negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10820.000995/00-28
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375737
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-003.091
nome_arquivo_s : Decisao_108200009950028.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 108200009950028_5375737.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5604274
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029839560704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 477 1 476 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10820.000995/0028 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.091 – 3ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria PIS Recorrente Fazenda Nacional Recorrida SQUIÇATO & CIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1888 a 31/10/1995 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. ART.62A do RICARF. Os recolhimentos e a protocolização do pedido de restituição foram anteriores a edição da Lei Complementar nº 118/2005. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4ª, segunda parte, da LC nº 118/2005, o novo prazo de cinco anos somente alcançará os pedidos efetivados a partir de 09 de junho de 2005. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 95 /0 0- 28 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Nas fls. 437/449 Recurso Especial, admitido pelo despacho nº 340000.641 fl. 451, se insurgindo contra acórdão emanado da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que por maioria de votos, afastou a decadência do direito à Restituição do PIS, e com o seguinte conteúdo: DECADÊNCIA. PRAZO DE RESTIUTIÇÃO. 10 ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. O prazo para a restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos contados do fato gerador. O art. 3º da LC 118/05 só é aplicável aos fatos geradores ocorridos após o início de sua vigência. A Fazenda Nacional fundamenta suas razões sob o argumento de que o prazo prescricional para a restituição de indébito deve ser contado a partir do pagamento indevido, isto mesmo após o advento da LC nº 118/05. No caso dos autos, entende que a Contribuinte pleiteou restituição fora do tempo hábil uma vez que protocolou o pedido em 30.06.2000 para recolhimentos que ultrapassaram no tempo o prazo de cinco anos haja vista que o último deles se deu em junho de 1995. Portanto a razão maior do insurgimento além do prazo de cinco anos diz respeito ao termo inicial da decadência entendendo a Recorrente tratarse este, do pagamento indevido e não do fato gerador. Sem contra razões. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso encontrase articulado dentro dos preceitos exigidos para admissibilidade dele tomo conhecimento. O pedido de restituição de que trata este Recurso foi protocolizado em 30.06.2000 (fl. 001) referente aos períodos de apuração de agosto de 1990 a outubro de 1995, portanto anteriormente à edição da Lei Complementar nº 118/2005. Essa norma tem natureza constitutiva e não interpretativa e por isto tem seus efeitos válidos apenas para fatos geradores futuros, assim sendo, o alcance dos períodos base Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000995/0028 Acórdão n.º 9303003.091 CSRFT3 Fl. 478 3 ora em discussão deve atingir retroativamente o prazo de dez anos a contar da formalização fato inconteste que abrange o período em questão. Tudo isto porque quando do advento da LC nº 118/2005 estava consolidado o entendimento da Primeira Seção do E. STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para restituição ou compensação era de dez anos contados do fato gerador, com a aplicação combinada dos arts. 150,§ 4º, 156, VII e 168, I do CTN. Este entendimento se coaduna com os precedentes adotados pelo E. STJ, o que me faz, com esteio no art. 62A do RICARF, negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 14 de agosto de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.904751/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.904751/2009-15
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5383802
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.800
nome_arquivo_s : Decisao_10920904751200915.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10920904751200915_5383802.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5640037
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029841657856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.904751/200915 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3801000.800 – 1ª Turma Especial Data 19 de agosto de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 04 75 1/ 20 09 -1 5 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.904751/200915 Resolução nº 3801000.800 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Em 11/05/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 03 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 123.652,25 referente ao 1º trimestrecalendário de 2005, reconheceu R$ 14.144,79, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 08450.27524.120505.1.3.011703. Motivos da redução do valor pleiteado: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil e com cópias às fls. 04/06. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 20/05/2009, conforme comprovante de fl. 17, apresentou, em 15/06/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 02, subscrita pelo representante legal, em que, em síntese, sustenta que o valor de R$ 176.391,24, que consta do PER/DCOMP como saldo credor no período anterior no mês de janeiro de 2005, se refere a “Ressarcimento de Créditos” e não a “Estorno de Créditos”. Por fim, requer que seja recebida e acatada a manifestação de inconformidade e deferido o PER/DCOMP, com o cancelamento do termo de intimação correspondente ao Despacho Decisório. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO PARCIALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR INFERIOR AO VALOR PLEITEADO. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.904751/200915 Resolução nº 3801000.800 S3TE01 Fl. 4 3 Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento parcialmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é inferior ao valor pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP,, o valor de R$ 176.391,24 foi informado na linha “ Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Aduz que do montante de R$ 177.907,72 considerados como débito de IPI pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 01/2005 que o valor de R$ 176.391,24 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período 01/2005 era de R$ 176.391,24, e não R$ 147.941,54, como apurou a fiscalização. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.904751/200915 Resolução nº 3801000.800 S3TE01 Fl. 5 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início, a recorrente sustentou em preliminar a nulidade do despacho decisório. Em um exame preliminar não se vislumbra essa nulidade, que será analisada em toda a sua extensão por ocasião do julgamento do processo. Como visto acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi tãosomente que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial da escrita fiscal, realizada nos limites do sistema informatizado (batimento entre os dados da apuração do IPI fornecidos pela recorrente). Assim, por ocasião do despacho decisório eletrônico não se analisou efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente se tornou viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, na qual, ela descreve de maneira convincente a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De imediato, ressaltase que o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI está previsto no art. 11 da Lei 9.779/99: Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.(grifouse) Cabe, mais, acrescentar que o exame do pedido de ressarcimento e da compensação de débitos depende da aferição da liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). Posto, em tese, o direito da contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. A interessada sustenta que o saldo credor do período de janeiro de 2005 era de R$ 176.391,24, e não R$ 147.941,54, como apurou a fiscalização. Apresentase bom o direito da recorrente. Neste sentido, os dados do Livro Registro de Apuração do IPI e os demais documentos colacionados são indícios de prova de seu direito e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento do PER/DCOMP não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.904751/200915 Resolução nº 3801000.800 S3TE01 Fl. 6 5 Por outro lado, o reconhecimento dos créditos de IPI requer um exame criterioso do processo produtivo e dos documentos fiscais e contábeis. Assim, em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar eventual direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em discussão; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001021/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.001021/2010-66
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5369348
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.181
nome_arquivo_s : Decisao_15586001021201066.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 15586001021201066_5369348.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5567435
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029844803584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001021/201066 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.181 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria SALÁRIO INDIRETO: CESTA BÁSICA SEM PAT. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS Recorrente COMERCIAL PLAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 21 /2 01 0- 66 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001021/201066 Acórdão n.º 2402004.181 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2006 a 04/2007. O Relatório Fiscal (fls. 22/28) informa que: 1. os fatos geradores apurados foram as despesas com o fornecimento de auxílio alimentação para os segurados empregados, contabilizadas na conta n° "522112 PROGRAMAS DE ALIMENTAÇÃO", conforme discriminado no RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS (RL), fls. 11/14, e nos anexos I e II (fls. 117/120); 2. no estabelecimento matriz a empresa fornecia aos seus empregados TICKETS ALIMENTAÇÃO, denominados VISA VALE, adquiridos da empresa Cia. Brasileira de Soluções e Serviços (levantamento VAI VISA VALE ALIMENTAÇÃO); 3. no estabelecimento 0002 a alimentação era fornecida “através de empresas no PAT que forneciam refeições aos funcionários” (levantamento ARI ALIMENTAÇÃO RESTAURANTE); 4. no estabelecimento 0004 "a empresa mandou confeccionar TICKET REFEIÇÃO, conforme NF 6739 (...) e entregou estes TICKETS aos funcionários que faziam refeições em restaurantes que posteriormente emitiam Notas Fiscais para o recebimento dos valores da empresa" (CAI CUPON ALIMENTAÇÃO); 5. tendo se constatado não estar a empresa cadastrada no PAT no período do presente débito, e ter efetuado os pagamentos através de auxílio, de forma habitual, por intermédio de cupons, tickets e empresas de alimentação (restaurantes não cadastrados no PAT), isto é, não fornecendo a alimentação "in natura", tais importâncias passaram a se revestir de natureza salarial. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/09/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/58), alegando, em síntese, que: 1. o fornecimento de alimentação "in natura", através de empresas terceirizadas, conveniadas ao PAT, está em conformidade com o programa de alimentação aprovado pelo MTE, consoante disposição literal da regra contida na Lei 8.212/1991; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2. os pagamentos efetuados através de tickets, pelo fato de não estar a empresa cadastrada no PAT, também não autoriza a incidência da contribuição previdenciária, uma vez que tais valores não possuem natureza salarial, conforme julgados do TRF da 5a Região; 3. no TST também é pacífico que, em havendo previsão expressa em convenção coletiva, determinando o fornecimento de tíquete alimentação, não haverá natureza remuneratória na verba, consoante julgados daquela Corte. Desse modo, todos as convenções coletivas vigentes à época dos fatos prevêem não só o pagamento através de tíquete, como também determinam a natureza não remuneratória dessas importâncias, segundo comprovado pela documentação juntada aos autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1236.266 da 12a Turma da DRJ/RJOI (fls. 135/140) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Agência da Receita Federal do Brasil (ARF) em Cachoeiro de Itapemirim/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001021/201066 Acórdão n.º 2402004.181 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no item “4.5” do Relatório Fiscal (fls. 109/116, processo 15586.001019/201097), informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001021/201066 Acórdão n.º 2402004.181 S2C4T2 Fl. 5 7 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para que sejam excluídos em sua integralidade os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721812/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 11/05/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Sendo o prazo para a interposição do Recurso Voluntário de 30 (trinta) trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não se conhece de recurso voluntário manejado pelo contribuinte depois de transcorrido o prazo legal.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.428
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2009 a 11/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Sendo o prazo para a interposição do Recurso Voluntário de 30 (trinta) trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não se conhece de recurso voluntário manejado pelo contribuinte depois de transcorrido o prazo legal. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.721812/2011-18
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5379172
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.428
nome_arquivo_s : Decisao_13971721812201118.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13971721812201118_5379172.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5613859
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029927641088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 283 1 282 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721812/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.428 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria ADUANEIRO Recorrente FOCO INFORMATICA LTDA ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 11/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Sendo o prazo para a interposição do Recurso Voluntário de 30 (trinta) trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não se conhece de recurso voluntário manejado pelo contribuinte depois de transcorrido o prazo legal. Recurso Voluntário não conhecido. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 18 12 /2 01 1- 18 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.721812/201118 Acórdão n.º 3402002.428 S3C4T2 Fl. 284 3 Relatório Versa o processo de auto de infração aduaneiro, em meio ao controle das importações e circulação de mercadorias estrangeiras no mercado interno, que culminou na aplicação da multa regulamentar prevista no Decreto 6.579/2009, art. 704,no valor de R$ 241.970,76 (duzentos e quarenta e um mil, novecentos e setenta reais e setenta e seis centavos). A fiscalização descreveu, preliminarmente, que a investigação fiscal neste caso foi determinada a partir de ocorrências anteriormente constatadas nesta mesma empresa, apuradas em 18/05/2011, em cumprimento àquela época a Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), posteriormente convertido em MPFFiscalização (MPFF). Daquela ação fiscal, naquela ocasião, resultou a apreensão de mercadorias de origem estrangeira introduzidas irregularmente no país, avaliadas em R$ 102.359,00, procedentes na maior parte da China (notebooks, netbooks, câmeras fotográficas, telefone celular, placas de vídeo), mas também de outras origens, apreendidas memórias para câmeras e computadores procedentes de Taiwan, bem como HD’s vindos da República da Coréia. Naquela ação, as mercadorias de procedência estrangeira, sem comprovação de regular entrada na empresa, foram encontradas expostas a venda ou armazenadas no depósito da empresa. Em continuidade a ação fiscal, diante de evidências de vendas de equipamentos e produtos de procedência estrangeira, sem comprovação de regular entrada na empresa, configurada a hipótese prevista na Lei 4.502/64, art.83, I, c/a redação dada pelo Dl 400/68, art.1o, c/c o disposto na Lei 10.833/2003, art.81, V, fezse o lançamento da Multa Regulamentar no valor de R$ 241.970,76. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do despacho decisório, o interessado apresentou, tempestivamente, impugnação em 26/10/2011, cujos argumentos, por bem delineados pela instancia a quo de julgamento, merecem aqui serem transcritos: 1. Conquanto possua o ente fiscal prerrogativas para coibir a prática de ilícitos tributários, podendo aplicar penalidades, todavia, em se tratando de pena não pode subsistir a ilegalidade do ato diante de presunção ou de alegação sem prova irrefutável da prática ilícita. 2. Não se pode olvidar que os esmerados auditores fiscais ao diligenciar os registros contábeis da ora impugnante encontraram 1 (uma) nota fiscal, n° 58, de 02/março/2009, emitida pela E.S.E Costa &Cia.Ltda, CNPJ no 09.066.512/000125, domiciliada em Maringá/PR.. Alegaram que essa empresa não fora localizada no endereço apontado, onde funcionava outra empresa, além de apurarem que para ela Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 inexistia movimentação financeira no SIMPLES Nacional. Entretanto, não se pode corroborar isto, visto que consta no sítio da Receita Federal o n° de inscrição do CNPJ da referida empresa, tendose que ela se encontra ativa, o que comprova sua existência, conforme doc 02 que se junta. 3. A impugnante deuse ao desejo de identificar a origem dos produtos, ainda que apenas para parte deles se prova por nota fiscal. Mas, os auditores fiscais requereram comprovantes detalhados da negociação, exempli gratia, correspondência comercial, pessoa de contato, telefone, etc. A ora impugnante justificou a impossibilidade de fazêlo, que não cabe ficar sujeita a informações não oficiais, que a apresentação do documento fiscal identifica, por si só, a origem da mercadoria adquirida. 4. Digase, de passagem, que todos os produtos identificados na relação como sem nota de entrada, foram adquiridos da empresa emitente daquela nota fiscal acima referida. Cumpre salientar que a ora impugnante, ao deixar de exigir a nota fiscal dos produtos adquiridos, não incorreu na ilicitude enquadrada. Ademais, não existe qualquer prova de que tais produtos adquiridos tenham origem estrangeira, ou tenham entrado no país de forma ilegal. 5. Salientase, neste particular, que no item especificado como RELAÇÃO DE MERCADORIAS CONTIDAS NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA SEM AMPARO DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA, nem em qualquer outro do procedimento fiscal, não se encontra delineada a origem (estrangeira) do país de fabricação dos produtos. A fiscalização não logrou provar serem de fabricação estrangeira os produtos constantes das notas fiscais de saída. O fato de não haver registro de entrada dessas mercadorias vendidas, não faz necessariamente presumir que tais produtos tenham origem ilegal, nem que sejam de origem estrangeira. 6. O fato de, em procedimento fiscal anterior, haverse encontrado no estabelecimento da ora impugnante algumas mercadorias de origem estrangeira, sem nota fiscal de origem, também não autoriza a presunção de que todos os produtos revendidos no período entre janeiro/2009 e maio/2011 tenham a mesma origem estrangeira. Tratase de mera presunção, e o auto de infração carece de alicerce para apontar a ilegalidade suposta. 7. No caso, a presunção labora em favor da impugnante, eis que demonstrou que os produtos foram adquiridos e se originaram da empresa E.S.E Costa &Cia Ltda, ut nota fiscal no 58. Em apoio cita o entendimento jurisprudencial transcrito à fls.212/213. No caso em apreço, a ora impugnante prova parcialmente que adquiriu os produtos de terceira empresa, e se algum ilícito foi cometido, se é que foi, foi aquela fornecedora dos produtos. Indicada a identificação do local onde adquiriu as mercadorias objeto da investigação, não compete mais à ora impugnante provar que sejam lícitas ou não. 8. Nada obstante, o fato de inexistir nota fiscal de entrada (ainda que tenha apresentado alguma), não está correto o Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.721812/201118 Acórdão n.º 3402002.428 S3C4T2 Fl. 285 5 enquadramento legal aplicado ao lançamento. Se a ora impugnante obrou em erro ao adquirir produtos sem a nota fiscal (de entrada), é certo que os vendeu com nota fiscal (de saída). Assim, recolheu os tributos devidos pela receita auferida com a venda, fato que deve ser considerado. Agindo assim estava de boafé, já que a sonegação fiscal se operou pelo fornecedor da mercadoria. 9. Ad argumerntandum tantum, ainda que o RIPI, art.413, alínea “b”, exija que o produto comercializado seja descrito no documento fiscal, ali não consta a obrigatoriedade de identificar o país de origem do produto, mesmo que sua série possa remeter ao país fabricante. E, ainda, quando seja ele estrangeiro, não é ilegal o seu comércio em território nacional. 10. A boafé da ora impugnante é a pedra de sal da presentequaestio, e ainda que tenha errado na aquisição sem nota, vendeu os produtos emitindo nota fiscal de saída, o que não teria feito se a intenção fosse burlar o fisco. Vejase o entendimento jurisprudencial sobre isso na transcrição ás fls.214/215. 11. Na mesma alheta, vejase o disposto no Pergaminho Tributário Nacional (CTN), art.112 e incisos. Se algum ilícito cometeu a ora impugnante, não foi o de colocar irregularmente à venda produto estrangeiro, a uma, porque não restou provado serem de origem estrangeira os produtos comercializados identificados no presente procedimento; a duas, porque se os produtos eram estrangeiros, ainda que isso não se tenha provado, quem o internalizou foi outra pessoa jurídica identificada, pela ora impugnante, à fiscalização; e a três, a multa aplicada mostrase exagerada e desproporcional, que supera em 2 (duas) vezes o capital social da empresa. Não se olvide, que o confisco é prática abominada no sistema tributário nacional, infringindo a Carta Magna, art.150, IV, conforme assentado na doutrina de Vitório Cassone e jurisprudência (ver fls. 217/222). 12. Em sendo diferente o entendimento da autoridade julgadora, o que se admite apenas para argumentar, pugnase que seja arbitrada, de forma razoável e proporcional, a multa no quantum de até 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido na operação de aquisição dos produtos não registradas. 13. Por fim, lembra que a ora impugnante é empresa de pequeno porte que tem assegurado tratamento diferenciado na CF/88, visando sua permanência na economia, não merecendo ser reduzida a pó, ou ser levada à bancarrota por ação fiscal desproporcional. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive mediante depoimento pessoal dos auditores fiscais, e das testemunhas arroladas em seguida, às fls.224, bem como provas periciais e documentais que ora se junta e que oportuna tempore for permitida a juntada. Nesse termos pede deferimento de sua impugnação. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 DO JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA Distribuído o processo à 6ª Turma da Delegacia de Julgamento em Recife (DRJ/REC), a mesma julgou a Impugnação Improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, proferindo o Acórdão 1143.947, datado de 25/11/2013, cuja ementa restou assim consignada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 11/05/2011 CONTROLE ADUANEIRO. MERCADORIA DE ORIGEM ESTRANGEIRA. AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO. REGISTROS DE SAÍDA SEM AMPARO DE REGISTROS DE ENTRADA NO ESTABELECIMENTO COMERCIAL. MULTA REGULAMENTAR. Para as mercadorias especificadas, de procedência estrangeira, embora haja o registro de saída do estabelecimento mediante nota fiscal emitida pela autuada, não há o correspondente registro, mediante nota fiscal, das respectivas entradas no mesmo estabelecimento comercial. A entrega a consumo de mercadorias de origem estrangeira para as quais inexistem registros de entrada acobertados por nota fiscal configura hipótese infracional prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64, reproduzida no Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/2009, art.704). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inicialmente a DRJ refuta a tese arguida pelo contribuinte acerca da infração a princípios constitucionais fundamentais (proibição de confisco, razoabilidade e proporcionalidade da exigência), corroborando o entendimento ainda de que os mecanismos de controle de constitucionalidade passam necessariamente pelo Poder Judiciário e que o julgador administrativo de primeira instância deve pautarse pelo entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil, expresso em atos normativos. Quanto ao pedido do contribuinte de provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive mediante depoimento pessoal dos auditores fiscais e das testemunhas arroladas, bem como eventuais provas periciais, afirma que, nos termos da legislação regente, por ocasião da apresentação da peça impugnatória, diferentemente do que ocorre no processo civil, não cabe protestar genericamente por apresentar posteriormente novas provas, ou anunciar para depois a apresentação de eventuais quesitos que se pretenda submeter a perito, ou, ainda, uma posterior explicitação de razões para requerer laudo técnico, enfim, nada disso é admitido na regra geral do PAF. Sendo raras, e peculiaríssimas, as exceções possíveis, não vindo a caso as exceções estritamente delineadas nas leis processuais tributárias. Não bastasse esse argumento, segundo a DRJ, o pleito não atenderia os requisitos legais exigidos para a formulação de qualquer perícia ou diligência, seja pela omissão de qualquer Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.721812/201118 Acórdão n.º 3402002.428 S3C4T2 Fl. 286 7 motivo plausível que a pudesse justificar, seja pelos demais requisitos legais também não atendidos. Ressaltou, em conformidade com o disposto no art. 18 do Decreto no 70.235/72 (PAF), que a autoridade julgadora pode e deve rejeitar o pedido de perícia quando já estejam nos autos todos os elementos necessários ao julgamento da lide. Quanto ao mérito, rebatendo os argumentos do contribuinte, fundamenta em síntese que a norma que serviu de base aos lançamentos em foco prevê diferentes hipóteses infracionais, sendo que o lançamento se deu a partir da constatação de que a empresa deu saída a mercadorias de origem estrangeira por meio de notas fiscais de sua emissão, sem que houvesse em seus livros fiscais o devido registro da correspondente entrada dessas específicas mercadorias.Traz à tona a soma de indícios reunidos nestes autos, apurados pela fiscalização, para concluir serem de procedência estrangeira as mercadorias saídas do estabelecimento comercial da ora impugnante, sem haver o devido registro das respectivas entradas. Quanto à arguição de o valor da multa aplicada contrariar o princípio constitucional que veda o confisco. Digase, primeiramente, que o valor da penalidade especificada, equivalente ao valor da mercadoria, consta expressamente do texto legal, e quando o agente fiscal constate a concretização da hipótese infracional prevista, deve aplicar a multa como prevista, que sua atuação funcional é vinculada.Os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da proibição de confisco são dirigidos diretamente ao legislador, e diante da formal vigência das leis que fundamentam a exigência objeto do presente processo, aprovadas pelo Poder Legislativo e sancionadas pelo Poder Executivo, pressupõese sua constitucionalidade, fugindo à competência da autoridade julgadora administrativa examinar arguição de inconstitucionalidade de lei formalmente vigente, consoante com os termos previstos no art. 26A do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal Federal). DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA Cientificado do Acórdão da DRJ/REC em 11/12/2013, conforme AR de fls. 254 (numeração eletrônica – n.e.), o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 20/01/2014,repisando os mesmos argumentos já utilizados em sede de impugnação, os quais, por brevidade e respeito à síntese, não serão reprisados. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, numerado até a folha 283(duzentos e oitenta), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. No que tange aos pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, verificase não estar presente àquele atinente à tempestividade. Isto porque, conforme constou do Relatório, a Recorrente foi cientificada do Acórdão recorrido em 11/12/2013, conforme AR de fls. 254, e apresentou seu Recurso Voluntário em 20/01/2014, de modo que fêlo após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias da ciência da decisão. Sabidamente o prazo recursal no âmbito do processo administrativo tributário está regulado no art. 33, do Decreto nº 70.235/72, nos seguintes termos: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Em arrazoado coerente sobre o papel do julgador administrativo no exame dos pressupostos de admissibilidade, assim como dos efeitos da intempestividade na formação da lide, peço vênia para trazer à baila trecho extraído do bem lançado voto do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do julgamento do Processo nº 15374.003012/200112, nesta mesma Turma: “O direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subsequente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: ´requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)´. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.721812/201118 Acórdão n.º 3402002.428 S3C4T2 Fl. 287 9 Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae.” Assim sendo, ausente um dos pressupostos recursais, deixase de analisar as demais questões postas em lide, sejam aquelas passíveis de conhecimento de ofício, sejam aquelas suscitadas pela Recorrente, já que do não conhecimento, importa efetivamente não prolatar qualquer juízo quanto ao objeto da lide. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002031/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA - ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA - ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.002031/2006-10
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372718
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.260
nome_arquivo_s : Decisao_10675002031200610.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10675002031200610_5372718.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5589373
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029945466880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 139 1 138 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.002031/200610 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.260 – 2ª Turma Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMILA PIVA RIBEIRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 20 31 /2 00 6- 10 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório CAMILA PIVA RIBEIRO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 14/08/2006 (AR fl. 61), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Ouro Verde”, localizado no município de Presidente Olegário/MG, inscrita na RFB sob nº 24588270, conforme peça inaugural do feito, às fls. 53/59, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.304/2007, às fls. 77/81, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 11/03/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210100.429, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 ITR – EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO – ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – RESERVA LEGAL ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) – A exigência do ADA para efeito de exclusão da base de calculo do ITR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, assim entendidas as áreas de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passiveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, fezse valer a partir do exercício 2001. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.002031/200610 Acórdão n.º 9202003.260 CSRFT2 Fl. 140 3 AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS – OBRIGATORIEDADE A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/ possuidor é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua pratica é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de calculo para apuração do ITR. Assim, deve ser considerada como Área de Reserva Legal aquela constante da averbação feita em prazo legal. Recurso Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 103/111, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30238.844, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, respectivamente, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Infere que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Aduz que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 210000.499/2010, às fls. 114. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.002031/200610 Acórdão n.º 9202003.260 CSRFT2 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação (Acórdão n° 30238.844), bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação da averbação tempestiva da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da reserva legal para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e, bem assim, as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos pela recorrente é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal a margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se verifica dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.002031/200610 Acórdão n.º 9202003.260 CSRFT2 Fl. 142 7 Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o benefício fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.002031/200610 Acórdão n.º 9202003.260 CSRFT2 Fl. 143 9 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a averbação à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce e se apresenta determinante ao deslinde da controvérsia, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Matrícula do Imóvel, às fls. 09 verso, onde consta a Averbação n° 135.595 da área de reserva legal de 460,2766 ha, datada de 12/03/2002, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal, parcialmente em relação à área declarada (460,2766 ha), apresentada pela contribuinte, ocorrida em 12/03/2002, se presta a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas o entendimento encampado na peça recursal, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal de 460,2766, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 contribuinte, ainda que a averbação tenha ocorrido a destempo (pós fato gerador), impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000124/2010-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.130
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência nos termos do voto vencedor, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira.
(Assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(Assinado digitalmente)
Fábio Nieves Barreira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16643.000124/2010-40
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5379708
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.130
nome_arquivo_s : Decisao_16643000124201040.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 16643000124201040_5379708.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência nos termos do voto vencedor, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. (Assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (Assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5618684
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029980069888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000124/201040 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1103000.130 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 11 de fevereiro de 2014 Assunto IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente CITROVITA AGRO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência nos termos do voto vencedor, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. (Assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva– Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator (Assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 12 4/ 20 10 -4 0 Fl. 6610DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2228/2287 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 2203/2217), que apresentou a seguinte ementa: NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. MÉTODO PVA. PREÇOPARÂMETRO. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. Na apuração do preçoparâmetro com base no método PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro), poderão ser deduzidos apenas os tributos que guardem semelhança com o ICMS, o ISS, a COFINS e o PIS/PASEP. CÁLCULO DOS PREÇOSPARÂMETRO. DADOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Tendo sido considerados na apuração dos preçosparâmetro dados informados pela própria contribuinte, improcede a alegação de que a fiscalização teria se utilizado de informações sigilosas, implicando cerceamento do direito de defesa. Não se verificando qualquer irregularidade nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preçosparâmetro, há que se admitilos como corretos. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO.EQUÍVOCO ADMITIDO PELA CONTRIBUINTE. A apuração dos preços praticados foi efetuada com base em dados informados pela própria contribuinte, que admitiu haver adicionado em duplicidade o frete internacional nos seus cálculos. Não se verificando qualquer irregularidade nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preços praticados, há que se admitilos como corretos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Dos Fatos. Na ação fiscal em debate verificouse a apuração do cumprimento das regras de preços de transferência dos produtos exportados no decorrer dos anos de 2002 a 2005. O processo administrativo nº 16561.000147/200769 referese ao anocalendário de 2002, o de nº 16561.000147/200840 aos anoscalendário de 2003 a 2004. Os presentes autos tratam do anocalendário de 2005. Fl. 6611DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 4 3 No decorrer do procedimento fiscal, constatou a autoridade fiscal que a contribuinte exportou suco de laranja nas seguintes modalidades: Suco de Laranja Concentrado Congelado, Especial; Suco de Laranja Concentrado Congelado, Orgânico; Suco de Laranja Concentrado Congelado, Conservado; Suco de Laranja Concentrado Congelado, extraído com água; Suco de Laranja Concentrado Congelado, Polpa Baixa e Suco de Laranja Concentrado Congelado, Padrão. Procedeu a Fiscalização com a análise da apuração efetuada pela contribuinte para encontrar o preço praticado médio e o preço parâmetro. O preço praticado médio das exportações para pessoas vinculadas no exterior apurado pela contribuinte ficou em US$695,06 (R$1.626,92). Ao analisar como a fiscalizada calculou o preço praticado médio, a autoridade tributária constatou que o valor foi apurado na modalidade "custo e frete", conforme se pode deduzir a partir da compilação das informações presentes em todos os despachos de exportação de suco de laranja registrados em 2005 (fl. 728) e o quadro de fl. 729 (que sumariza as exportações de suco de laranja destinadas a países da América do Sul). Por sua vez, no que concerne ao preço parâmetro, a recorrente, ao apurar os preços de transferência na exportação, adotou o método Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro, disciplinado no artigo 18, § 3º , inciso II, da Lei n° 9.430/96, no qual consolidou todos os produtos exportados em uma única memória de cálculo. Ao analisar o cálculo ultimado pela contribuinte (fls. 37/72 e 77/83), constatou o Fisco que o preço líquido de venda no atacado do suco de laranja exportado foi determinado no valor de US$863,96. Tal valor foi encontrado a partir de deduções que estariam amparadas pelos artigos 15 e 24 da IN SRF n° 243/2002, referentes a tributos, fretes e outras despesas, dispêndios que foram informados nas planilhas descritivas das revendas realizadas no mercado atacadista do país de destino das mercadorias. Sobre tal valor, foram aplicados os redutores de margem de lucro (15%) e despesa de frete de US$143,49, resultando em um preço parâmetro (PVA) no montante de US$590,88 (R$1.383,06) (fl. 80). Nesse contexto, a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar as deduções utilizadas para o cálculo do preço parâmetro, tendo a empresa apresentado documentação referente a despesas incorridas com o transporte internacional, com o transporte local e com tributos incidentes na importação. Como resultado da auditoria empreendida, foram identificadas pela autoridade fiscal duas divergências, referentes ao frete e dedução de tributos. Quanto ao frete, constatou a autoridade autuante o seguinte: Na última memória de cálculo fornecida, foi descontado o valor de U$143,49, que é a média de alguns fretes internos selecionado pela contribuinte. Contudo, essa despesa encontrase discriminada nas planilhas de vendas da Votorantim Europa – VTE e, consequentemente, já havia sido levada em conta, pela própria empresa, na obtenção do preço média de venda líquido. No que concerne aos tributos, ao apreciar os documentos apresentados pela contribuinte, verificou a autoridade fiscal que as operações conduzidas pela VTE sofreram incidência de tributação do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) e tributos aduaneiros, Fl. 6612DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 5 4 enquanto que as revendas efetuadas pela Votorantin International North América VINA foram gravadas apenas com tributos aduaneiros. Assim, a Fiscalização desconsiderou as deduções atinentes ao frete (U$143,49) e aos tributos aduaneiros, uma vez que o § 1º do artigo 24 da IN SRF n° 243/2002 definiu que os tributos que podem ser diminuídos do preço do produto no país destino são "aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições Cofins e PIS/Pasep". Ou seja, caberia dedução apenas do IVA. Em decorrência da análise efetuada, a Fiscalização segregou as exportações e as revendas por bens idênticos e elaborou novos cálculos de preços praticados e preçosparâmetro (PVA), tomando como referência declarações de exportação e demonstrativos amparados por documentos probatórios elaborados pela contribuinte, adotando, para a conversão da receita de exportação, a taxa de câmbio vigente na data de embarque da mercadoria, averbada no SISCOMEX (conforme disposto no artigo 22 da IN SRF n° 243/2002 e na Portaria MF n° 356/88) e, para as receitas das revendas, a taxa de câmbio divulgada pelo BACEN para a data da transação no exterior. Nesse contexto, foi apurada a diferença a ser ajustada na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relativamente às exportações de Suco de Laranja Concentrado Congelado, Padrão e de Suco de Laranja Concentrado Congelado, Polpa Baixa, conforme quadro a seguir. Produto Preço Praticado (R$) Preço Parâmetro PVA (R$) Qtde. exportada (TON) Ajuste (R$) FCOJ Padrão 1.661,20 2.008,19 82.617,49 28.667.342,65 FCOJ Polpa Baixa 1.607,24 2.076,27 3.452,31 1.619.230,29 TOTAL 30.286.572,94 Foi efetuado o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL (Autos de Infração de fls. 1027/1038 e Termo de Verificação e Encerramento de fls. 725/731), com fulcro no art. 19 da Lei nº 9.340, de 1996 e no art. 240 do RIR/99, com a multa proporcional de 75%, cuja ciência foi dada à contribuinte em 21/06/2010. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 1059/1103 (IRPJ) e 1301/1345 (CSLL), que foram apreciadas pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I, em sessão realizada no dia 20/10/2010. O Acórdão nº 1627.179, às fls. 2203/2217, julgou a impugnação improcedente, decisão que foi cientificada à contribuinte em 16/02/2011 (“AR” de fl. 2221). Foi interposto Recurso Voluntário em 18/03/2011 de fls. 2228/2287, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Preliminar. Nulidade da Decisão Recorrida. Falta de Motivação do Ato Administrativo. Discorre a recorrente que a decisão da DRJ é ato administrativo e deverá como tal estar devidamente motivado conforme previsão no art. 50 da Lei nº 9.784, de 1998. Contudo, no presente caso, a decisão incorreu em vicio insanável de falta de motivação, vez que não analisou argumento aduzido pela contribuinte, no sentido de que, caso não fosse reconhecido que nenhum ajuste deveria prevalecer com relação ao preço praticado em virtude Fl. 6613DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 6 5 da existência de margem de divergência expressamente consignada pela legislação, o ajuste promovido deveria ser infinitamente menor do que o apurado pelo Fisco. Ou seja, restou demonstrado que o cálculo efetuado pela fiscalização estava equivocado, contudo, a DRJ não analisou o argumento apresentado pela defesa. A não apreciação dos pontos suscitados pela contribuinte implica em cerceamento ao direito de defesa e, por consequência, nulidade da decisão recorrida. Preliminar. Controle de Legalidade dos Atos Administrativos. O princípio da legalidade deve ser observado no âmbito do processo administrativo. A exigência de tributos deverá ocorrer tão somente por intermédio de LEI. Ocorre que, no caso concreto, a IN SRF nº 243, de 2002, em seu artigo 24, § 1º, desbordou o artigo 19, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Isso porque a lei estabelece que ao apurar o PVA – Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro, podem ser deduzidos os tributos incluídos no preço. Por outro lado, a instrução normativa dispõe que os tributos seriam aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições COFINS e PIS/PASEP. A Fiscalização, ao afastar as deduções referentes aos tributos aduaneiros, valeuse do disposto na IN, quando deveria terse amparado na lei, que não estabelece nenhuma discriminação quanto aos tributos que poderiam ser deduzidos. Em situação semelhante, o Conselho de Contribuintes analisou situação no qual a Lei nº 9.430, de 1996, não estabelecia qualquer vedação para a utilização do método PRL na importação, ao passo que a IN/SRF nº 38, de 2001, vedava o seu uso. Ao apreciar a questão, o tribunal afastou a vedação prevista na instrução normativa, visto que desbordava dos limites legais. Do Direito. Da Impossibilidade de Serem Glosados os Valores Descontados do Preço, a Titulo de Taxa Antidumping e Tributos Aduaneiros. Da Violação ao Controle de Legalidade Previsto no Art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999. Não Aplicação da Lei ao Caso Concreto pela Autoridade Fiscal. Discorre novamente a recorrente sobre a matéria exposta no tópico anterior, qual seja, que a autoridade fiscal valeuse do previsto no art. 24, § 1º da IN SRF nº 243, de 2002, dispositivo que, ao discriminar que os tributos dedutíveis na apuração do método PVA seriam aqueles que guardariam semelhança com o ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins, teria desbordado do artigo 19, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, que predica que poderiam ser deduzidos os tributos incluídos no preço. Da Adição em Duplicidade do Frete Internacional Na Composição do Preço Médio das Mercadorias. Foi desconsiderado pela Fiscalização as despesas referentes ao frete internacional, que argumentou que a contribuinte já teria efetuado o desconto de tal valor. Ocorre que no caso em tela a recorrente cometeu um equívoco quando a realizado do cálculo para apuração do preço médio das mercadorias, no que tange ao desconto do frete. Foi efetuado o cálculo partindo da Receita Líquida (“Net Sales”), ao invés de ter partido da Receita Bruta (“Gross Sales”). Contudo, apesar o equívoco, nenhum ajuste deveria ter sido efetuado, vez que os novos valores apurados de forma correta não atingiram o percentual de 5%, ou seja, estavam dentro dos limites da margem de divergência prevista no art. 38 da IN/SRF nº 243, de 2002. E, ainda que se fosse desconsiderar a margem de divergência, o ajuste ao preço de transferência seria pequeno, e não o montante apurado pelo Fisco, conforme quadro demonstrativo de fl. 2258. Fl. 6614DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 7 6 Das Distorções Inerentes à Sistemática de Apuração de Preços de Transferência Adotada Pela Legislação Pátria. O art. 100 do CTN dispõe que as convenções internacionais são consideradas como normas a serem observadas em nosso ordenamento jurídico. Assim, a Convenção Modelo da OCDE deve ser observada pela legislação brasileira no que tange às previsões dos preços de transferência. Ocorre que o Brasil regulamentou o tema por meio da Lei nº 9.430, de 1996, diploma que enveredou por caminho diverso do adotado pela OCDE. A sistemática adotada pela legislação pátria valese de presunções ou ficções e destoa do padrão internacionalmente aceito. Das Distorções Verificadas no Cálculo dos Preços Efetuado pelo D. Fiscal Autuante. A Fiscalização valeuse de cálculos obscuros, nos quais não há identificação precisa e pormenorizada dos valores descontados para a apuração tanto do preço praticado quanto do preço parâmetro (PVA). Ao contrário do que aduz a decisão da DRJ, a autoridade autuante não se utilizou de quaisquer dados informados pela Recorrente, vez que as planilhas de fls. 734/745 e 771/1024 foram elaboradas pela própria Fiscalização. Também incorreu em grave equívoco o Fisco ao desconsiderar as deduções dos tributos aduaneiros. A Lei nº 9.430, de 1996 objetivou evitar distorções e consagrar a igualdade nas condições comerciais entre os países no comércio internacional, tanto que, autorizou a dedução dos gastos incorridos com a exportação dos bens, como o frete, recolhimento de tributos no exterior e a taxa antidumping, do preço médio dos produtos, para que se torne possível a concorrência com as mercadorias internacionais. E, ainda que se pudesse considerar a assertiva que só caberia a dedução dos tributos que guardasse semelhança com o ISS, ICMS, PIS/Pasep e Cofins, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal não devem prosperar, vez que, ao se analisar as planilhas acostadas aos autos de infração, constatase que os valores recolhidos a título de tributos estão representados em sua totalidade, sem a devida segregação. Faltou transparência por parte do Fisco, o que impediu a defesa de refutar os cálculos apresentados. Valeuse a autoridade autuante da utilização de secret comparables na apuração do preço parâmetro, conduta que não se pode permitir. Da Impossibilidade da Cobrança da Multa no Percentual de 75%. As multas não revelam natureza punitiva, mas sim de tributo “disfarçado”, o que viola o princípio da proporcionalidade, razoabilidade e nãoconfisco. Da Impossibilidade de Utilização da Taxa SELIC como Índice de Juros de Mora. Não cabe a aplicação da SELIC com índice para os juros de mora, sistemática que fere, de maneira cabal e inequívoca, o preceituado no artigo 161, § 1º do CTN, bem assim no artigo 192, § 3º da Constituição Federal, e que se trata de taxa remuneratória, a exemplo do que ocorre com a TR e a TRD, e não de forma de cálculo de juros moratórios. Dos Pedidos. É imperiosa a reforma de decisão recorrida, pelas seguintes razões: (i) é nulo o v. acórdão recorrido, em virtude da falta de motivação, o que acarreta, inequivocamente, no cerceamento do direito de defesa da Recorrente, nos termos do artigo 59, II, do Decreto n.° 70.235/72; Fl. 6615DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 8 7 (ii) é imperioso o controle de legalidade pela Administração Pública, devendo ser analisada a aplicação da legislação tributária ao caso concreto por esse E. Conselho, notadamente no que concerne à glosa dos valores deduzidos do cálculo do preço parâmetro, a título de taxa antidumping e tributos aduaneiros, que teve como fundamento a IN 243/02 e não a lei n.° 9.430/96, o que não se pode admitir; (iii) a restrição dos tributos que podem ser deduzidos do cálculo do preço médio pelo art. 19, §3°, II, da Instrução Normativa n.° 243/02, violou, inequivocamente, o princípio da legalidade, consagrado pelo art. 97, II, do Código Tributário Nacional e norteador do processo administrativo tributário, o que não se pode permitir; (iv) a autoridade fiscal não seguiu o critério de transparência — norteador do Acordo de Valoração Aduaneira, assim como do instituto dos preços de transferência, pelas razões acima esposadas quando da elaboração dos cálculos para apurar o preço médio, não sendo possível inferir qual tributo teria sido recolhido, bem como o montante por cada um deles. A ausência de transparência resulta no cerceamento de defesa da Recorrente que, ao não ter conhecimento acerca do tributo que teria sido/recolhido, tampouco o valor, não consegue refutar os cálculos elaborados pelo Fisco, tendo a sua defesa prejudicada. Ademais disso, a falta de transparência e, consequentemente, o prejuízo da elaboração da defesa pela Recorrente, também se revelou no que tange à utilização do secret comparables para apuração do preço parâmetro, o que não se pode admitir. (v) não deve prevalecer o adicional a título de frete, tendo em vista que os novos cálculos apresentados pela Recorrente demonstram que não foi atingido o percentual de 5%, previsto no art. 38 da Instrução Normativa n.° 243/02, estando dentro dos limites da margem de divergência. Entretanto, ainda que se desconsiderasse a margem de divergência, apenas um pequeno ajuste adviria no cálculo dos preços de transferência, jamais podendo atingir o valor perpetrado pelo DD. Fiscal autuante, posto que não condizentes com a realidade. (vi) deverá ser afastada a aplicação da multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96 (75%), por afrontar os mais comezinhos princípios do direito, notadamente da proporcionalidade e da razoabilidade. (vii) caso se entenda pela procedência da autuação, que seja afastada a aplicação da taxa SELIC. Em 12/09/2012, foi apresentada pela recorrente petição de fls. 6438/6446, no qual aduz que solicitou à KPMG a elaboração de estudo acerca dos preços de transferências praticados pela empresa. O resultado da análise foi no sentido de que a recorrente estaria desobrigada, no ano de 2005, de promover o ajuste nos preços de transferência, uma vez que não estaria sujeita ao arbitramento previsto no artigo 14 da Instrução Normativa 243/2002 em virtude de o preço de exportação praticado ser superior à 90% do preço médio de venda dos mesmos bens praticados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, sob semelhantes condições de pagamento. Enfim, caso não seja dado provimento ao recurso, requer realização de diligência para a análise dos cálculos apresentados. É o relatório. Fl. 6616DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Em razão da correlação entre os pontos levantados pela recorrente referentes a preliminares e mérito da autuação, o presente voto conduzirá a apreciação das matérias em conjunto. Procedimento da Autuação Fiscal. Apuração dos Preços Praticados e Preços Parâmetro. Discorre a recorrente que a regulamentação dos preços de transferência disposta na Lei nº 9.430, de 1996, ao valerse de presunções e ficções, teria enveredado por caminho diverso do preconizado pela OCDE e, nesse contexto, destoaria do padrão internacionalmente aceito. Reclama ainda a defesa que a autoridade autuante teria se valido de cálculos obscuros, utilizandose de secret comparables para a apuração do preço parâmetro, prejudicando o entendimento da autuação, e que a dedução dos tributos prevista no art. 19, §3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, para a apuração do preço parâmetro com base no PVA, não se restringe apenas aos similares ao ICMS, ISS, PIS e Cofins, vez que o diploma legal referese a tributos, sem qualquer distinção. Passo para a apreciação do mérito. A princípio, cumpre breve síntese sobre a normatização dos preços de transferência no Brasil. Diante do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem desenvolvendo mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. Fl. 6617DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 10 9 No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja exposição de motivos (transcrita na obra Preços de Transferência No Direito Tributário Brasileiro, de Luís Eduardo Schoueri), mereceu as seguintes considerações: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. Nesse contexto, no Brasil, há que se observar o que predica a Lei nº 9.430, de 1996, que trata dos preços de transferência nas operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Diante do contexto normativo apresentado, a Fiscalização procedeu com a apuração efetuada pela recorrente para calcular o preço parâmetro e o preço praticado. Quanto ao preço parâmetro, intimou a contribuinte a apresentar as memórias de cálculo relativas às operações sujeitas às regras de preços de transferência. Na resposta de fls. 28/32, a fiscalizada informou que o método utilizado era o PVA – Preço de Venda no Atacado no Destino. Em documento encaminhado ao Fisco de fls. 75/83, a contribuinte ratificou a opção pelo método PVA, previsto no art. 19, § 3º, inciso II, da lei em debate: Receitas Oriundas de Exportações para o Exterior Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. (...) § 3º Verificado que o preço de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomandose por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro PVA: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, Fl. 6618DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 11 10 diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado; Ocorre que a Fiscalização, ao analisar a apuração realizada pela recorrente, encontrou as seguintes divergências: (1) o valor de frete internacional foi utilizado em duplicidade, primeiro na apuração do preço líquido médio, e, em seguida, foi deduzido na apuração do preço parâmetro, ocasionando uma redução artificial do PVA; (2) na apuração do preço parâmetro, foi descontado do preço de revenda, além do IVA permitido pela legislação, valores referentes a tributos aduaneiros (imposto de importação e direito antidumping). No que concerne ao frete, manifestouse a recorrente na peça de defesa: No caso em tela, no entanto, a impugnante cometeu um equívoco quando da realização do cálculo para apuração do preço médio das mercadorias, no que tange ao desconto do frete, visto que efetuou esse cálculo partindo da Receita Líquida ("Net Sales"), ao invés de partir da Receita Bruta ("Gross Sales"). A explicação mostrase esclarecedora. A receita líquida é encontrada a partir da receita bruta deduzida do frete e outros dispêndios. E o preço parâmetro, a partir da média dos preços de venda (divisão da receita líquida pela quantidade de produtos), diminuídos os tributos previstos na legislação e margem de lucro presumida. Contudo, o procedimento adotado pela recorrente para apurar o preço parâmetro foi, a partir da receita líquida, deduzir os tributos, a margem de lucro e o frete. Por isso a explicação da recorrente: só poderia ter deduzido o valor do frete na apuração do preço parâmetro se tivesse tomado como referência a receita bruta. Há que se observar que, não obstante a recorrente ter admitido expressamente o equívoco, no sentido de incluir em duplicidade o valor do frete, logo em seguida reclamou pela incidência do art. 38 da IN SRF nº 243, de 2002, norma que trata de safe harbour, aspecto que será apreciado no próximo item do presente voto. Em relação aos tributos deduzidos do preço de revenda, há que se observar o que dispõe o art. 24 da IN SRF nº 243, de 2002, tratou sobre o tema: Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro (PVA) Art. 24 . A receita de venda nas exportações poderá ser determinada com base no método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro (PVA), definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado. Fl. 6619DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 12 11 § 1º Consideramse tributos incluídos no preço, aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições Cofins e PIS/Pasep. § 2º A margem de lucro a que se refere este artigo será aplicada sobre o preço bruto de venda no atacado. § 3º Aplicamse aos preços a serem utilizados como parâmetro, por este método, os ajustes a que se referem os arts. 15 a 18. Protesta a recorrente que a instrução normativa teria extrapolado os limites da legalidade, ao detalhar os tributos do qual faz referência o art. 19, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há que se falar em qualquer irregularidade no § 1º do art. 24 da IN SRF nº 243, de 2002. O cálculo do preço parâmetro, no caso, o PVA, vem justamente apurar o preço da mercadoria produzida no mercado interno do país de destino, e, por isso, toma como parâmetro inicial o preço de revenda no mercado atacadista, reduzido da margem de lucro de 15% e dos tributos incidentes na operação. A especificação dos tributos dedutíveis no mercado interno do país de destino, como aqueles que guardam semelhança como o ICMS (no caso de mercadorias), ISS (no caso de serviços), PIS e Cofins, não é por acaso. São precisamente tributos que gozam de imunidade ou isenção nas operações de exportação no Brasil. Ou seja, na formação do preço para exportação, em linhas gerais, a legislação brasileira permite ao exportador excluir o ICMS, o ISS, o PIS e o Cofins. Assim, na equiparação entre o preço praticado pelo exportador brasileiro, que goza, em regra geral, de exclusões de ICMS, o ISS, o PIS e o Cofins, e o preço parâmetro (PVA), que leva em consideração o preço de revenda no mercado interno do país destino reduzido da margem de lucro e dos tributos, a legislação especificou que tais tributos são precisamente os que guardam semelhança com os que o exportador brasileiro tem o benefício de imunidade ou isenção. Entender ao contrário implicaria em tornar a comparação do preço praticado e do preço parâmetro distorcida. Diante do contexto apresentado, o preço parâmetro apurado é comparado com o preço efetivamente praticado pelo exportador, para verificar se não houve manipulação artificial do preço entre partes vinculadas na operação de exportação. Portanto, não há reparos a fazer na decisão da DRJ, ao manter o entendimento da autoridade autuante, que decidiu desconsiderar as exclusões dos tributos aduaneiros efetuados pela recorrente. Por sua vez, a autoridade autuante, diante das inconsistências encontradas na apuração do preço parâmetro, resolveu, acertadamente, proceder com uma nova apuração, valendose das informações prestadas pela própria recorrente. Para o preço parâmetro, foram utilizados demonstrativos fornecidos pela contribuinte no decorrer da ação fiscal, e para o preço praticado, a apuração valeuse das declarações de exportação (DDE) prestadas pelo sujeito passivo. A decisão da DRJ/São Paulo I apresenta análise minuciosa do procedimento adotado pela Fiscalização: Fl. 6620DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 13 12 Com relação ao produto FCOJ Polpa Baixa, o cálculo do preço parâmetro, no valor de R$ 2.076,27, foi efetuado a partir das planilhas de fls. 734/745, fornecidas pela contribuinte (a fiscalização apenas acrescentou as 3 últimas colunas, para transformar os valores expressos em dólares para reais), as quais foram sintetizadas à fl. 730. Observese que: • nas referidas planilhas de fls. 734/745 não se verificam quaisquer a título de IVA ("VAT" "Value Added Tax"), que seriam passíveis de dedução, nem a título de tributos aduaneiros ("Duty"), não passíveis de dedução; • na apuração do preçoparâmetro (fl. 730), a fiscalização: • deduziu os valores a título de frete internacional ("Freight"), inclusive os relativos às exportações para o Japão (que não constaram das planilhas de fls. 734/745; • não deduziu nenhum valor a título de IVA simplesmente porque a contribuinte nada informou a esse título. Com relação ao produto FCOJ Padrão, o cálculo do preçoparâmetro, no valor de R$ 2.008,19, foi efetuado a partir das planilhas de fls. 771/1024, fornecidas pela contribuinte (a fiscalização apenas acrescentou as 3 últimas colunas, para transformar os valores expressos em dólares para reais), as quais foram sintetizadas às fls. 746/748. Observese que: • nas referidas planilhas de fls. 771/1024 constam os valores a título de IVA ("VAT" "Value Added Tax") e frete internacional ("Freight"), passíveis de dedução, e a título de tributos aduaneiros ("Duty"), não passíveis de dedução; • na apuração do preçoparâmetro (fls. 746/748): • não foram consideradas as vendas efetuadas pela VTC para a VINA Votorantin International North América, por serem empresas coligadas; • não foram deduzidos os valores a título de tributos aduaneiros ("Duty"), por não serem passíveis de dedução; • foram deduzidos todos valores de IVA informados pela contribuinte (a contribuinte informou valores a esse título apenas com relação a vendas efetuadas pela VTE Votorantin Europa, conforme síntese à fl. 747); • foram deduzidos os valores a título de frete ("Freight"), sendo que os fretes constantes das planilhas das revendas promovidas pela Votorantrade foram considerados no cálculo do preço praticado, fls. 749/770, conforme informado pela fiscalização à fl. 748. A autoridade autuante elaborou demonstrativos no qual resta consolidada a apuração para o FCOJ Padrão, do preço praticado (fl. 770numeração dos autos em papel) e do Fl. 6621DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 14 13 preço parâmetro (fl. 748numeração dos autos em papel) e para o FCOJ Polpa Baixa, do preço praticado (fl. 733numeração dos autos em papel) e do preço parâmetro (fl. 730numeração dos autos em papel). Mostrase, portanto, improcedente o protesto da recorrente ao aduzir que a Fiscalização não teria se pautado pela transparência. Pelo contrário, o procedimento fiscal mostrouse correto e minucioso, o que permitiu apurar com precisão o preço praticado e o preço parâmetro e a adequada apreciação da incidência da legislação referente aos preços de transferência no caso concreto. Regras de Safe Harbour. Não incidência. Protesta a recorrente pela incidência de duas regras referentes ao que a doutrina denomina “safe harbour”. A obra Preços de Transferência No Direito Tributário Brasileiro, de Luís Eduardo Schoueri, mostrase bastante didática ao discorrer sobre o conceito: 12.1.1. No Glossário da International Fiscal Association, a expressão safe harbour é utilizada para designar um padrão objetivo ou medida, tal como um intervalo, porcentagem ou valor absoluto, que pode ser utilizado pelo contribuinte como uma alternativa a uma regra baseada em fatores subjetivos ou em fatos e circunstâncias incertos. 12.1.2. No contexto dos preços de transferência, as exigências administrativas de um safe harbour podem ir desde uma total exoneração da obrigação de atender às normas nacionais de preços e transferência, até a obrigação de atender a diversos deveres instrumentais (por exemplo: exigência de o contribuinte estabelecer seus preços de transferência por um método mais simplificado, ou de dar informações específicas etc,) como condição para fazer jus ao safe harbour. 12.1.3. O safe harbour pode ter o efeito de excluir determinadas transações do escopo de aplicação das normas de preços de transferência (por exemplo, mediante a definição de patamares mínimos), ou de permitir que a elas se apliquem regras mais simplificadas (por exemplo, fixando faixas nas quais os preços ou lucros devem encaixarse). 12.1.4. Os objetivos gerais das regras de safe harbour, em matéria de preços de transferência, são: simplificação das exigências feitas aos contribuintes para determinação dos preços de transferência; conferir certeza aos contribuintes de que seus preços de transferência serão aceitos pela Administração; e simplificar a atividade da própria administração. No caso concreto, inicialmente a recorrente reclama pela incidência da norma prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243, de 2002: Margem de Divergência Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco Fl. 6622DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 15 14 por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Protesta a recorrente que, apesar de ter incorrido em equívoco ao efetuar apuração do preço médio das mercadorias e incluído o valor do frete em duplicidade, estaria amparada pela margem de divergência de cinco por cento do preço parâmetro comparado com o constante dos documentos de exportação, qual seja, o preço praticado. Não é o que se observa no caso concreto. Na apuração efetuada pela Fiscalização, foi calculado, como já dito, o preço praticado com base nas DDE apresentadas pela recorrente, para o FCOJ Padrão o valor de R$1.661,20 e para o FCOJ Polpa Baixa, o montante de R$1.607,24. O preço parâmetro para o FCOJ Padrão foi de R$2.008,19 e para o FCOJ Polpa Baixa de R$2.076,27. Já a recorrente apurou o preço parâmetro (PVA) no montante de R$1.383,06 (US$590,88). Como se pode observar, a diferença entre os valores apurados encontrase bem acima da margem de divergência de cinco por cento admitida pela legislação. No que concerne á planilha acostada pela contribuinte, ao apresentar a impugnação de fls. 1296, observase que a apuração apresentada referente ao preço praticado encontrase bastante próximo ao que foi apurado pela autoridade autuante. Aplicandose o câmbio de R$2,3878, o preço praticado calculado pela contribuinte foi de R$1.634,45, e o da autoridade fiscal de R$1.661,20 (FCOJ Padrão) e R$1.607,24 (FCOJ Polpa Baixa). Entretanto, a divergência reside precisamente na apuração do preço parâmetro. E, como já dito no tópico anterior, não há reparos a fazer no procedimento da Fiscalização para calcular o PVA, que se valeu das informações fornecidas pela própria recorrente. Tampouco há que se falar que a decisão da primeira instância não teria apreciado a questão. Basta observar a fl. 2216 para constatar que a DRJ apreciou o ponto suscitado na impugnação, inclusive transcrevendo o art. 38 da IN SRF nº 243, de 2002. Enfim, após a interposição do recurso voluntário, apresentou a recorrente petição de fls. 6438/6446, no qual requer a aplicação de outra norma de safe harbour, prevista no art. 19, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, e no art. 14 da IN SRF nº 243, de 2002: Receitas Oriundas de Exportações para o Exterior Art. 14 . As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Discorre a recorrente que, no anocalendário de 2005, o preço de exportação praticado pela empresa teria sido superior a noventa por cento do preço médio de venda dos mesmos bens no mercado brasileiro, sob semelhantes condições de pagamento. Para comprovar o alegado, acosta estudo elaborado pela KPMG. No relatório elaborado pela empresa de consultoria, é apresentada informação no qual as vendas no mercado interno do produto FCOJ no anocalendário de 2005 teriam sido Fl. 6623DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 16 15 no valor de R$1.593.157,61, para 1.349,96 toneladas, perfazendo um valor líquido unitário de R$1.180,15. Por sua vez, o preço praticado em exportações com pessoas vinculadas teria sido de R$1.659,04, o que abrigaria a recorrente no safe harbour em debate. Ou seja, alega a recorrente que o preço praticado nas exportações para empresas vinculadas seria superior a 40% (quarenta por cento) do preço destinado para vendas no mercado interno. Ao apreciar o ponto, há que se observar as condições impostas pela legislação, quais sejam, preço médio praticado na venda de bens, produtos idênticos ou similares, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Não há nenhuma evidência de que os preços tratados correspondem à totalidade do produto FCOJ no mercado interno. O relatório da KPMG consolida um valor de R$1.593.157,61 de vendas. Na DIPJ do anocalendário de 2005, verificase que a recorrente declarou um valor de R$45.916.714,75 a título de Receita de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria (Ficha 06A – Demonstração de Resultado – PJ em Geral, fl. 7). Tampouco se mostra possível apreciar as condições de pagamento em que se deram as vendas no mercado interno. Não se pode olvidar também que a recorrente, no decorrer da ação fiscal, em mais de uma oportunidade, informou que o método de apuração utilizado era o PVA – Preço de Venda no Atacado no Destino, como se pode observar nos documentos de fls. 28/32 e 75/83. Não pode a recorrente alegar desconhecimento da legislação. Foi intimada pela Fiscalização a informar o método de apuração, e respondeu que seria o PVA, sem nenhuma menção a qualquer natureza de safe harbour. Na fase contenciosa, apresentou impugnação, no qual em nenhum momento discorreu sobre a incidência do art. 14 da IN SRF nº 243, de 2002. Ao interpor o recurso voluntário, tampouco tratou do assunto. Relevase de caráter protelatório apresentar petição no qual requer a incidência de safe harbour que não foi arguido em nenhum momento do processo. E mais: apresentando um relatório de uma empresa de consultoria extremamente sintético, no qual discorre sobre apenas um dos produtos da autuação, com um valor de vendas internas significativamente inferior ao que consta na DIPJ, e sem detalhar as condições de pagamento negociadas. Como se pode observar, não foi atendida nenhuma condição estabelecida pela legislação. Da mesma maneira, o pedido de diligência, para que sejam analisados os documentos, soa desarrazoado e protelatório. No presente momento processual, caberia à recorrente, diante de todo o contexto, apresentar provas contundentes e suficientes para provar a sua alegação. A recorrente pretende se desobrigar de produzir prova, restando caracterizada conduta não recepcionada pelo processo administrativo tributário. Em relação aos protestos da recorrente quanto à multa proporcional de 75%, que afrontaria princípios constitucionais, e da taxa SELIC aplicada aos juros de mora, não merecem guarida. As Súmulas do CARF mostramse esclarecedoras: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 6624DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 17 16 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Fábio Nieves Barreira Conforme Edmar Oliveira Andrade Filho (Imposto de renda das empresas – CSLL, Operação de Hedge, Preço de Transferência, Planejamento Tributário, Reorganizações Societárias, Aspectos Contábeis e Jurídicos, São Paulo: Atlas, 10ª ed., 2013, pp. 568/569): “De acordo com o art. 240 do RIR/99, as receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ou com pessoa com sede ou domicílio em país de tributação favorecida ficam sujeitas ao arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, for inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Essa é uma regra que dispõe sobre as condições em que caberá a aplicação das demais regras sobre arbitramento, que, todavia, não alcança as operações referidas no art. 19A da Lei nº 9.430/96, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei nº 12.715/12. Logo, após certificarse de que está sujeito ao arbitramento, o contribuinte deverá calcular o valor do eventual ajuste aditivo na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o qual será determinado por um dos quatro métodos previstos pela lei.” Assim, conforme as lições acima, a condição ao arbitramento é o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, seja inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. A recorrente diz que essa condição não foi implementada, razão pela qual não estava obrigada a observar o art. 14, da IN SRF nº 243/02 (fls. 6439). Para comprovar o seu direito, a recorrente trouxe laudo da KPMG (fls. 6.438/6.500): “No entanto, para que nenhuma dúvida pairasse acerca de seu correto procedimento, solicitou à KPMG — renomada empresa de auditoria Fl. 6625DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16643.000124/201040 Resolução nº 1103000.130 S1C1T3 Fl. 18 17 a elaboração de estudo acerca dos preços de transferências praticados pela Recorrente. O resultado da minuciosa análise procedida nos documentos da empresa foi no sentido de que a Recorrente estava desobrigada, no ano de 2005, de promover o ajuste nos preços de transferência, uma vez que não estaria sujeita ao arbitramento previsto no artigo 14 da Instrução Normativa 243/2002 em virtude de o preço de exportação praticado pela Recorrente é. superior à 90% do preço médio de venda dos mesmos bens praticados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, sob semelhantes condições de pagamento.” Todavia, o laudo técnico exibido pela recorrente não faz prova absoluta do seu direito, em que pese constituirse em forte indício daquilo que alega. Conforme a doutrina abalizada e jurisprudência deste Conselho, o processo administrativo é orientado princípio da verdade material: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE PARA CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário, mormente quando sua tese de defesa não é acolhida e destinase a refutar entendimento da decisão de primeira instância. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” (Relator Rodrigo da Costa Possas, Proc. nº 10814.017735/9677). Por essa razão, é dever o aprofundamento da dilação probatória, com a finalidade de se verificar a verdade dos fatos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal encarregada do procedimento: i) seja o contribuinte intimado a provar que o preço de exportação dos seus produtos, no período, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro; (ii) elabore relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária; (iii) entregue cópia do relatório à contribuinte; (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento; e (v) por fim dêse vista da douta Procuradoria. (Assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Fl. 6626DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
