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Numero do processo: 10783.917630/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 17 63 0/ 20 09 -5 5 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 227 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.142/146 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 122/125) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente em parte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (apenas ajustou, corrigiu os valores dos débitos). Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 23/07/2009, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 12528.56452.230709.1.3.042352 (efls. 63/67), informando compensação tributária: débitos informados no valor de R$ 2.258,05, assim especificados: PIS/PASEP, código de receita 8109, PA junho/2009, data de vencimento 24/07/2009, valor R$ 402,09; Cofins, código de receita 2172, PA junho/2009, data de vencimento 24/07/2009, valor R$ 1.855,96. crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 2.021,71: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2008 (2º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 31/07/2008, valor original R$ 54.703,91. Saldo de crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 23.194,68. Obs: DCOMP que tratam do mesmo crédito: nº 24777.67575.130109.1.3.045004 (retificada) nº 12971.92503.221009.1.7.042348 (retificadora) transmissão de 22/10/2009 (efls. 68/74); nº 41892.37288.300409.1.3.043361 transmissão em 30/04/2009 (efls. 75/80). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 05, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 23.194,68. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 228 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/10/2009 (efl. 91), a Contribuinte, em 18/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/04), juntando ainda documentos de efls. 05/112, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao direito creditório: que efetuou pagamento do IRPJ/1ª cota, no valor de R$ 54.703,91, do PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008), data de recolhimento 31/07/2008, código de receita 2089; que em 06/10/2008 confessou na DCTF primitiva débito do IRPJ/2º trimestre/2008, no valor de R$ 164.111,73 (efls. 33/43); que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida DCTF primitiva; que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, anocalendário 2008, com IRPJ a pagar/2º trimestre, no valor de R$ 7.622,55 e não R$ 164.111,73 (efls. 44/50); que em 23/10/2009 transmitiu a DCTF retificadora do 2º trimestre/2008, reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55 (efls. 51/55); que, destarte, essa 1ª cota do IRPJ/2º trimestre/2008 foi paga a maior, no valor de R$ 47.081,37. que o crédito, por conseguinte, existe. 2) Em relação aos débitos confessados na DCOMP: que, conforme DCTF primitiva transmitida em 05/10/2009 do 1º semestre/2009: o débito da Contribuição para o PIS, PA junho/2009, foi de R$ 358,19 e o débito da Cofins do PA junho 2009 foi de R$ 1.653,60 (efls. 55/62 e efls. 93/107); que, por conseguinte, tornase necessário a correção dos valores dos débitos (PIS e Cofins) informados na DCOMP, para os valores confessados na DCTF. Obs: pediu, ainda, retificação da DCOMP nº 41892.37288.300409.1.3.043361 para a DCOMP nº 24777.67575.130109.1.3.045004 ;que utilizam o mesmo crédito (duplicidade); que aquela DCOMP é indevida, pois os débitos são inexistentes; que no processo nº 10783.916739/200975 o crédito não foi reconhecido (essas DCOMP não são objeto da lide dos presentes autos). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 229 4 Por fim, com base nessas razões, a Contribuinte pediu na instância a quo o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção dos débitos pela homologação da compensação. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando a DCTF retificadora que reduziu o débito do IRPJ do 2º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55, julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, tendo retificado os débitos, porém não reconheceu o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 22/09/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 122), in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM OUTRO PROCESSO. Uma vez já tendo sido o direito creditório analisado em outro processo, não cabe apreciálo novamente na mesma instância de julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. Uma vez inexistente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, deixam se de homologar as compensações por ele declaradas. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. Constatado o erro material cometido pelo contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, com relação ao valor do débito a compensar, cumpre autoridade julgadora retificálo, de oficio, a fim de evitar cobrança manifestamente indevida. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Sem Crédito em Litígio (...) Obs: quanto ao crédito, no mérito, a matéria já foi enfrentada pela DRJ nos autos do processo nº 10783.921810/200931, denegando o direito creditório, cuja cópia da decisão consta (efls. 116/120). Ciente do decisum objeto deste processo em 12/03/2013 (efl. 140), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/03/2013 (efls. 142/145), juntando ainda os documentos de efls.146/165, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 230 5 que houve erro de fato quanto à apuração do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva do 2º trimestre/2008 (origem do crédito pleiteado). Ou seja: quando da entrega da DCTF primitiva, foi calculado o IRPJ do 2º trimestre/2008 com coeficiente de presunção do lucro de 32%. O coeficiente corretoé 8%, conforme DIPJ apresentada e DCTF retiticadora; que, para comprovar a base tributável do 2º trimestre/2008, juntou aos autos dos Processos nº 10783.916738/200921 e 10783.917629/200921, os seguintes elementos de prova: cópias de folhas do livro Diário quanto à receita bruta de serviços do 2º trimestre/2008 = R$ 2.599.455,12 (receita acumulada do 1º semestre/2008 no valor de R$ 5.151.360,29 – R$ 2.551.95,17 receita bruta de serviços do 1º trimestre/2008; cópias do livro Registro de Serviços (ISS) com a receita bruta de serviços dos meses de abril, maio e junho/2008, no valor de R$ 2.120.801,35; planilha de cálculo do IRPJ/2º trimestre com coeficiente de 8% (R$ 7.622,54) e 32% (R$ 163.589,85); cópias do livro Diário – lançamento da provisão do IRPJ/2º trimestre/2008, no valor de R$ 48.157,84, calculado pelo coeficiente de 8%, e IRRF pessoas jurídicas (R$ 35.226,62), IRRF instituições financeiras (R$ 2.541,56) e IRRF Órgão Público (R$ 2.767,12); inclusão de diferença na base de cálculo – valor tributável de R$ 478.653,77 (R$ 2.120.801,35 + R$ 478.653,77) = R$ 2.599.455,72. Por tudo que foi exposto, a Contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção dos débitos confessados, mediante homologação da compensação. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 231 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A questão central da lide diz respeito se o direito creditório pleiteado tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN, para quitação dos débitos informados/confessados na DCOMP objeto dos autos. A propósito dos requisitos do crédito objetado contra o fisco para encontro de contas (compensação tributária), transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente busca o reconhecimento do direito creditório relativo ao PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008), uma vez que teria pago a maior o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 232 7 Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 2º trimestre/2008 seria de R$ 7.622,55. Porém, efetuou recolhimento do IRPJ em DARF – 1ª cota/2º trimestre/2008 no valor de R$ 54.703,91. Por consequinte, teria efetuado pagamento a maior de imposto no valor R$ 47.081,36 = (R$ 54.703,91 – R$ 7.622,55). Entretanto, a decisão recorrida não acatou a DCTF retificadora, com base na seguinte argumentação: a) que, em 06/10/2008, a Contribuinte confessara na DCTF imposto a pagar do PA – 1º trimestre/2008 no valor de R$ 164.111,73 (que o pagamento é inferior ao débito confessado, inexistindo crédito a ser deferido); b) que a DCTF retificadora foi transmitida apenas em 23/10/2009 (após a data de ciência do despacho decisório), reduzindo o imposto do PA – 1º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55; c) que, nessa situação de redução de tributo pela DCTF retificadora (após ciência do despacho decisório que denegou o crédito pleiteado e passou a exigir os débitos confessados na DCOMP), é necessário comprovação do motivo, da razão, dessa redução de imposto pela Contribuinte; d) que, eventual existência de erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, não foi comprovado nos autos, pois a Contribuinte não juntara cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo que denegou o direito creditório, alegando: a) que ocorreu erro de fato em relação ao débito do imposto confessado na DCTF primitiva, relativo ao PA – 2º trimestre/2008, pois confessara o imposto a pagar na DCTF primitiva pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas de prestação de serviços, quando o correto é apuração do imposto com coeficiente de presunção do lucro de 8%, conforme DIPJ respectiva; b) que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ; c) que, para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, nesta instânica recursal, também não justificou, não comprvou, a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre as receitas de prestação de serviços para efeito de apuração do IRPJ, e não 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato não há como admitir como válida a DCTF retificadora. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ impõe a aplicação do coeficiente de 32%, inclusive paa a CSLL. e 12% (Lei nº 9.249/95, arts. 15 e 20). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 233 8 Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004); a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem osarts. 27 e 29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (grifei) (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 234 9 Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CAF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão, nem comprovação, de que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O PA do imposto é anterior a essa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto às receitas de serviços do anocalendário 2008, a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas = prestação de serviços em geral. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 235 10 Além disso, não consta dos autos que, no anocalendário 2008, a Recorrente, desde o início do ano, estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Há dúvida plusível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais. Sem esses elementos de prova, está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como visto, para formação da convicção do julgador, e em observância do princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação de provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 2º trimestre/2008 – pagamento da 1ª cota. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória, no sentido de que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a origem ou natureza da receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas = prestação de serviços em geral; b) intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do anocalendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos, espedidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o alegado erro de fato e o direito creditório pleiteado, sua liquidez e certeza; d) intimar a Recorrrente a comprovar o valor exato dos débitos confessados DCOMP; e) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo (com demonstrativos, planilhas), se a Recorrente no anocalendário 2008 (respectivos trimestres) auferiu receitas de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, discriminando as receitas de serviço hospitalar e de consultas médicas, pois as receitas de consultas médicas possuem o mesmo tratamento de prestação de serviços em geral, ou seja, é inaplicável o coeficiente reduzido de presunção do lucro, demonstre o valor de eventual direito creditório (crédito) do IRPJ quanto ao 2º trimestre/2008 e se disponível para utilização para a compensação dos débitos confessados na DCOMP; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/200955 Resolução nº 1802000.531 S1TE02 Fl. 236 11 f) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13896.002288/2010-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação - verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.
Numero da decisão: 1801-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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E CONFECÇÃO DE ROUPAS LTDA, JOSÉ CARLOS DA PIEDADE NUNES e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 22 88 /2 01 0- 41 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.512 2 (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0406 e 37, a Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício a partir de 01.07.2007 mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT nº 37, de 21.10.2010, em virtude de não manter o Livro Caixa e ainda ultrapassar o limite da receita bruta no anocalendário de 2007, fl. 38 (art. 3º, art. 28, art. 29, art. 30 e art. 31 da Lei Complementar nº123, de 14 de dezembro de 2006). Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 9298 com a exigência do crédito tributário no valor de R$246.498,92, a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, referente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 7991. A Recorrente deixou de apresentar o Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária, e as notas fiscais relativamente à receita da atividade de venda de mercadorias, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 7992. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas seguintes administradoras: na Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 726883 e 939940; na Redecard S/A, fls. 220387 e 943993; Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.513 3 na Visanet, fls. 388719; no Banco Bankpar S/A, fls. 893934 e 10841120; no American Express S/A, fls. 164219; e no Cielo S/A, fls. 784890 e 9961080. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 720725, 891892, 941942 e 994995 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de julho a dezembro do anocalendário de 2007, fls. 1535 e 11251145 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 11501184. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e incisos II e III do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 99104 a exigência do crédito tributário no valor de R$126.193,81 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 105111 com a exigência do crédito tributário no valor de R$76.157,24 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 112118 com a exigência do crédito tributário no valor de R$351.495,51 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores José Carlos da Piedade Nunes, fl. 123 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 126, ambos cientificados por via postal, respectivamente, em 26.03.2011, fls. 124125 e em 05.03.2011, fl. 1155. Esse procedimento se fundamenta nas informações constantes na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo, fls. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.514 4 11901192 e dados constantes nos registros internos da RFB, fls. 11871189 (inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional). Instauração do Litígio Exclusão do Simples Nacional Cientificada por via postal, em 04.11.2010, fl. 46, apresenta manifestação de inconformidade, em 26.11.2010, fls. 4853. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal informando que: Sendo assim, douto julgador, a exclusão do Regime Simples Nacional é, como será demonstrado, nula de pleno direito, por padecer de vício insanável: o cerceamento da defesa do contribuinte. Expliquese: a exclusão do Regime Especial de Tributação Simples Nacional é a sanção mais grave dentre as existentes para essa sistemática de tributação, devendo ser aplicada somente em casos extremos e devidamente resguardados os direitos do contribuinte. No caso em comento, o processo administrativo foi instaurado como um mero instrumento de produção de provas contra o contribuinte, não tendo sido oportunizado ao mesmo o direito de se manifestar sobre o que vinha sendo acusado. Enquanto aguardava que lhe fosse oportunizado o direito de defesa, constitucionalmente salvaguardado, foi surpreendido com o ADE informando sobre a sua exclusão do Simples. Como se isso não bastasse, constatou que a exclusão havia sido aplicada de forma retroativa, ou seja, estaria excluído da sistemática especial de tributação desde o dia 01/07/2007. Mas esse absurdo será tratado em tópico seguinte. Nos ateremos, por enquanto, aos vícios do processo administrativo e da penalidade aplicada. Como é cediço, ao sujeito passivo da obrigação tributária e da relação processual administrativa deve ser dada a oportunidade de contestar e se defender de todos os fatos que lhe estão sendo imputados. Até por questão de lógica, a penalidade só pode e só deve ser aplicada, se cabível, no final do processo, quando devidamente constatado que o contribuinte encontravase em falta com o Fisco, de alguma forma. Mas não foi bem isso que ocorreu. O já mencionado ADE teve como fito a aplicação da penalidade mais severa para os casos envolvendo supostas irregularidades fiscais, Sem ter sequer se manifestado nos autos do processo administrativo epigrafado, o contribuinte se viu numa situação de vulnerabilidade, até por sua hipossuficiência em relação ao Fisco Federal. Seu direito de defesa foi violenta e flagrantemente violado e, no jargão jurídico "cercear a defesa mata a autuação". [...] Diante de todo o exposto, requer a defendente, em sede de preliminar, a nulidade total do processo administrativo fiscal e do ADE, haja vista o direito de defesa da empresa autuada ter sido flagrantemente violado pela não oportunização do direito de se manifestar sobre o que lhe estava sendo imputado no processo administrativo 13896.002288/201041. Em relação à quebra do sigilo bancário defende a tese de que: Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.515 5 Como já esclarecemos, o processo administrativo epigrafado, oriundo de Representação Administrativa da SRFB, foi concebido sob o fito de reunir supostas provas contra o contribuinte, não tendo sido ao mesmo oportunizado o direito de defesa, constitucionalmente assegurado. Muito embora tenha atendido a todos os pedidos dos r. auditores fiscais com a apresentação de documentos, o contribuinte teve seu sigilo bancário violado de forma arbitrária e ilegal. [...] Como é cediço, as movimentações financeiras de qualquer empresa pessoas jurídicas devem ser incluídas no conceito de sigilo, assegurada pela própria Constituição Federal. Tratase do sigilo bancário, desdobramento da proteção aos dados e à intimidade, prevista no artigo 5º, X e X II da CF. [...] Desta feita, não pode ser outra a conclusão senão a de considerar inconstitucional a quebra do sigilo bancário do contribuinte, pelo que entendemos por correta a desconsideração dos relatórios resultantes da aludida quebra de sigilo, por se tratar de prova ilícita. [...] Como podemos perceber, já encontrase sedimentado o entendimento de que, também no âmbito do processo administrativo tributário, não podem ser admitidas provas ilícitas nem provas delas derivadas, sob pena de desrespeito absoluto aos postulados do Estado Democrático de Direito e às garantias individuais dos contribuintes. Concluindo, temos que é insofismável a ilicitude dos relatórios de movimentação bancária relativa às operações com cartão de crédito pelo que pugnamos pela total desconsideração das mesmas e consequentemente pela nulidade do ADE que determinou a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com a imediata reinclusão do mesmo na sistemática de tributação por Regime Especial. [...] Pertinente aos efeitos retroativos da exclusão do Simples Nacional, suscita que: A empresa contribuinte foi excluída do Simples Nacional de forma retroativa, devendo os efeitos dessa exclusão retroagirem até o dia 01 de julho de 2007. A conseqüência prática dessa exclusão retroativa é extremamente temerosa para o contribuinte, uma vez que dela decorrerá um passivo tributário de grande monta, impossível de ser cumprido pelo contribuinte. Ademais, a exclusão retroativa do Simples Nacional fere algumas garantias constitucionais fundamentais. do contribuinte, a exemplo do direito adquirido (CF, artigo 5o, XXXVI), bem como a irretroatividade da lei tributária, salvo para beneficiar o contribuinte. A empresa não recebeu qualquer notificação ou intimação da SRFB durante os anos de 2007, 2008 e 2009. Ora, douto julgador, se a autoridade administrativa permitiu que a empresa operasse durante todos esses anos à luz da sistemática do Simples Nacional, está configurada uma situação de fato, que não importa em ilícito. [...] Portanto, muito embora a exclusão do Simples, de modo geral, seja ilegal, a exclusão retroativa representa verdadeiro absurdo. Se a exclusão tivesse embasamento legal, e considerando que o ADE que determinou a exclusão da Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.516 6 empresa do Simples data de 21 de outubro de 2010, seus efeitos deviam ser operados no mundo dos fatos somente a partir de novembro de 2010. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, e considerando: a) o cerceamento de defesa no processo administrativo fiscal de n° 13896.002288/201041, uma vez que foi aplicada a penalidade mais severa sem que o contribuinte tivesse sequer sido ouvido ou à ele oportunizado direito de se manifestar sobre o que lhe estava sendo imputado; b) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida a quebra de sigilo; c) a ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão de forma retroativa do Simples Nacional; O contribuinte vem, respeitosamente à presença de V. Sa. para requerer a NULIDADE do ADE DRF/BRE/SECAT n° 37/2010, com a imediata reinclusão no Regime Especial de Tributação Simples Nacional. Caso V. Sa. assim não entenda, que considere os efeitos da exclusão somente a, partir do mês de dezembro de 2009, por ser medida da mais lídima justiça. Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento. Instauração do Litígio Autos de Infração Cientificada em 05.03.2011, fl. 122, a Recorrente apresentou a impugnação em 01.04.2011, fls. 133142. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal informado que: Ocorre que barreiras de ordem formal e material se contrapõem à autuação consubstanciada no processo epigrafado, pelo que não merece guarida o lançamento tributário, devendo o mesmo ser julgado improcedente em todos os seus termos. Em relação à quebra do sigilo bancário defende a tese de que: Conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal MPF [...] o contribuinte foi intimado para apresentar demonstrativo contendo o resumo mensal dos valores recebidos pela empresa através de repasses de administradoras de cartões de crédito e débito, o que foi de pronto atendido. Não obstante o atendimento à solicitação fiscal, o fiscal alega ter observado "falhas que caracterizaram a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras dos cartões", pelo que emitiu para as mesmas "Solicitação de emissão de informações sobre movimentação financeira". Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.517 7 Assim, restou cristalinamente comprovado que a empresa teve seu sigilo quebrado no curso do processo administrativo de fiscalização. Como é cediço, as movimentações financeiras de qualquer empresa pessoas jurídicas devem ser incluídas no conceito de sigilo, assegurada pela própria Constituição Federal. Tratase do sigilo bancário, desdobramento da proteção aos dados e à intimidade, prevista no artigo 5º, X e XII da CF. [...] Desta feita, não pode ser outra a conclusão senão a de considerar inconstitucional a quebra do sigilo bancário do contribuinte, pelo que entendemos por correta a desconsideração dos relatórios resultantes da aludida quebra de sigilo, por se tratar de prova ilícita. [...] Desse modo, tornase clara a relevância desse dispositivo constitucional, pois ele representa uma verdadeira garantia ao cidadão contra a ação persecutória do Estado. Portanto, trazendo à baila a Teoria dos frutos da árvore envenenada, segundo a qual as provas decorrentes das provas ilícitas são contaminadas pela ilicitude destas últimas, devendo ser igualmente desconsideradas no âmbito do processo. [...] Como podemos perceber já se encontra sedimentado o entendimento de que, também no âmbito do processo administrativo tributário, não podem ser admitidas provas ilícitas nem provas delas derivadas, sob pena de desrespeito absoluto aos postulados do Estado Democrático de Direito e às garantias individuais dos contribuintes. Concluindo, temos que é insofismável a ilicitude dos relatórios de movimentação bancária relativa às operações com cartão de crédito pelo que pugnamos pela total desconsideração das mesmas no âmbito do processo administrativo epigrafado. Relativamente à justificativa da quebra de sigilo, ressalta que: No Termo de Verificação Fiscal (MPF 0812800.2010.000570/05), o auditor fiscal, no Item 1, no qual descreve o procedimento fiscal, afirma que "tendo analisado os extratos fornecidos pelo contribuinte, anexados às folhas 09 a 536, esta fiscalização observou faltas que caracterizaram a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras dos cartões, conforme previsão do art. 3o do Decreto 3.724/2001, bem como constatou a necessidade do seu cotejamento com os dados arquivados nessas instituições, tendo resultado na emissão da 'Solicitação de Emissão de Informações Sobre Movimentação Financeira', anexada às fls. 537 a 540". [...] Assim, não havendo previsão legal para a referida solicitação de emissão de informações sobre movimentação financeira às operadoras e administradoras de cartão de crédito, mais uma vez resta incontroversa a nulidade das provas obtidas por este meio, que devem ser desconsideradas sob pena de nulidade de todo o processo administrativo. Pertinente à nulidade do Auto de Infração, suscita que: No Termo de Verificação Fiscal (MPF 0812800.2010.000570/05) o auditor fiscal foi claro ao afirmar, no item 5, que " os pagamentos efetuados na sistemática do Simples Nacional não foram considerados para efeito de abatimento dos valores devidos na sistemática do lucro arbitrado”. Justifica tal ato através da Resolução Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.518 8 CGSN 39/2008, que preconiza que não haverá compensação entre créditos relativos a tributos abrangidos pelo Simples Nacional enquanto não houver regulamentação específica do CGSN. [...] Nesse passo, não se pode olvidar a nulidade do auto de infração lavrado, porquanto ilíquido, pois pretende abranger em seu montante valor já pago pelo contribuinte e reconhecido pela própria autoridade fazendária. Diante disso, pugna a empresa pela nulidade do auto de infração, com sua conseqüente extinção e arquivamento. A respeito do arrolamento de bens dos sócios destaca que: Como já dito anteriormente, foram lavrados termos de arrolamento de bens e direitos em desfavor dos sócios da empresa ora defendente. Através do mesmo, vários imóveis e veículos encontramse verdadeiramente indisponíveis patrimonialmente para os sócios. [...] Ademais, temos que o arrolamento de bens ainda na seara administrativa constitui verdadeira afronta ao devido processo legal e aos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que, inexistindo decisão administrativa não há crédito fiscal exigível e definitivamente constituído. Por este motivo o CTN, em seu artigo 151, III prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos casos de reclamação ou recurso administrativo. Nesses casos, não há certeza sequer sobre existência do crédito tributário. [...] Assim, não merece guarida o arrolamento de bens dos sócios, por todos os motivos acima expostos, quiçá da sócia quotista, que, sem praticar nenhum ato de gestão na sociedade viuse numa situação de total indisponibilidade patrimonial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, e considerando: a) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida – a quebra de sigilo sem autorização judicial; b) a inexigibilidade do crédito tributário, porquanto ilíquido e não definitivamente constituído; c) a ilegalidade e inconstitucionalidade do arrolamento e indisponibilidade dos bens dos sócios da empresa; A empresa defendente, por meios de seus sócios, vem requerer a anulação do auto de infração, por conter vícios formais e materiais, com sua conseqüente extinção e arquivamento. Requer, ainda, a desoneração de todos os bens dos sócios. Caso V. Sa. assim não entenda, que considere os mandamentos jurisprudenciais no sentido de vedação à responsabilização patrimonial do sócio meramente quotista, desonerando os bens arrolados da Sra. Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes. Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.519 9 A Recorrente em 16.06.2011 apresenta aditamento à impugnação, fls. 1238 1241. A respeito da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada suscita que: Destarte, então, não se afigura pertinente, “ad argumentandum tantum”, não obstante o mais, a multa qualificada de 150% aplicada pela fiscalização autuante, tanto em relação ao principal quanto aos reflexos, nos exatos termos do acórdão n° 10319.697, prolatado pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, quando assim consignado em relação à penalidade qualificada em se tratando de autuação fiscal abrangendo operações com cartões de crédito [...]. Assim, reiterado o mais, impõese, senão o reconhecimento e declaração de insubsistência da autuação fiscal principal e seus reflexos dada intima relação de causa e efeito que os atinge, então a redução da multa indevidamente qualificada em 150%. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0534.066, de 22.06.2011, fls. 12751315: “Impugnação Procedente em Parte”, porque “impõe se a exclusão das parcelas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que integram os DARF recolhidos sob código 3333 (Simples Nacional), identificadas nos sistemas informatizados (Sief) para os períodos autuados, conforme pesquisa juntada no arquivo “Documentos Diversos DARF”. Restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consolidamse administrativamente as matérias não expressamente impugnadas no prazo legal, quais sejam: motivos da exclusão do Simples (inexistência de Livro Caixa, excesso de receita), falta de emissão de documento fiscal de venda, omissão de receitas, redução indevida de tributos, forma de tributação adotada na autuação, penalidade aplicada. PETIÇÃO INTEMPESTIVA. Não prospera a pretensão do contribuinte de, por meio de petição intempestivamente apresentada, veicular novas razões de impugnação, se ultrapassado o prazo para manifestação contra as infrações que lhe foram imputadas e não configuradas as hipóteses em que complementações são admitidas. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que foi o contribuinte regularmente cientificado do ato declaratório de exclusão e do auto de infração e seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais de tal forma a lhe ser assegurado o direito de questionar a exclusão e as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. Não se cogita de ofensa ao princípio constitucional da ampla Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.520 10 defesa e contraditório enquanto não instaurado o litígio, que, na espécie, inaugurase com a manifestação de inconformidade e com a impugnação. DESCONSIDERAÇÃO DE PAGAMENTOS. SANEAMENTO. A desconsideração de pagamentos efetuados na modalidade do Simples constitui irregularidade que em nada afeta a validade do lançamento, classificandose dentre aquelas previstas no citado art. 60 do Decreto 70.235/72 e exigindo somente o seu saneamento, que se processa, em sede de julgamento, mediante declaração da parcial procedência do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a indispensabilidade de obtenção de informações junto a instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o que ensejou a emissão de RMF Requisição de Movimentação Financeira pela autoridade administrativa competente, não se cogita de ilegalidade da prova obtida. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte infringiu hipóteses impeditivas para usufruir o benefício, é admitida pela Lei que institui a sistemática. INEXISTÊNCIA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Constatadas hipóteses legais de exclusão do Simples Nacional, cuja ocorrência não foi afastada pela defesa, mantémse a exclusão regularmente formalizada pela autoridade competente da unidade jurisdicionante do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Não afastada a constatação fiscal de omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito, mantêmse as correspondentes exigências de IRPJ e tributação reflexa de CSLL, PIS e COFINS. PAGAMENTOS EFETUADOS NA MODALIDADE DO SIMPLES NACIONAL. Excluemse do lançamento de ofício as parcelas correspondentes a Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.521 11 IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, integrantes de recolhimentos anteriores ao início do procedimento, efetuados na modalidade do Simples Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Notificada em 28.07.2011, fl. 1322, a Recorrente apresentou em 26.08.2011, fl. 1348, o recurso voluntário, fls. 13251347, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta: De início importa focar a questão da quebra do sigilo operadoras dos cartões de crédito, matéria por demais debatida, tendo cuidado o julgador de registrar doutrina e jurisprudência, também do Poder Judiciário a seu favor. [...] Nesta altura o tema dispensa repetições. É o do momento. Relação entre o faturamento declarado e o pagamento pelas empresas de cartões de crédito. Em sendo menor aquele a conclusão resulta em acusação de omissão de receita com a cobrança do IRPJ e seus reflexos. [...] Ainda valese sempre o Fisco Federal do entendimento que envolvendo a questão matéria de cunho constitucional, vedado se apresenta aos órgãos julgadores administrativos DRJ e CARF concluírem em contrário ao entendimento do Fisco. Aliás, tema Sumulado no CARF. [...] Resta evidente que cabe ao STF a última palavra com referência à matéria — ilegalidade da quebra de sigilo bancário , ai se enquadrando as administradoras de cartões de crédito, na forma como acontecido. No que toca à multa de ofício proporcional qualificada, argui que: Rejeitou a decisão recorrida analisar a reclamação quanto a qualificação da multa porque a matéria se encontrava preclusa. Não pode prevalecer a questão. A multa incide sobre o principal, este se encontra questionado, como então concluir estar a matéria preclusa? Como fica o sempre lembrado mais maltratado princípio da verdade material. [...] Então, merecer ser revisto o tema preclusão, para no caso, mesmo que por hipótese absurda alguma coisa venha a ser decidida devida pela Recorrente, a multa aplicada não possa ultrapassar o percentual de 75%. Pertinente aos valores apurados, suscita que: Os valores apontados pelo Fisco não encontram embasamento legal, tendo a Recorrente desde o primeiro momento questionado os números. Por isso a revisão se impõe sob pena de cerceamento ao direito de defesa desde logo reclamado. No que diz respeito à solidariedade aduz que: O que se tem, portanto, segundo as palavras do Fisco, é que a responsabilidade das pessoas físicas do sócios estaria escorada no CTN, onde: em se tratando de pessoas naturais (sócios) art. 124,1 e 135, III do CTN; [...] Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.522 12 Postas estas considerações tornase [...] evidente que a acusação fiscal dirigida aos sócios é decididamente inepta, não só por apresentar fatos arrimados em simples subjetivismos, como por valerse de fundamentação legal imprópria, inadequada e inservível à sua sustentação. E esta imprestabilidade ainda persistiria, mesmo que a incriminação fosse real e verdadeira, o que não ocorre. [...] O que se tem, portanto, é que o Auto de Infração, inspirado no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", com prestígio apenas da legislação complementar, ante a inexistência de norma da legislação ordinária, é [...] inepto, não podendo sustentar qualquer acusação. Mas ainda que assim não fosse a questão não se alteraria, uma vez que o Fisco emprega o dispositivo da legislação complementar (CTN, art. 124, I para as pessoas jurídicas) com sentido diverso do que nele se contém e para situações nele não contempladas. Com efeito, o Fisco faz a responsabilidade dos Impugnantes derivar do art. 124, I do CTN, a título de um suposto interesse comum na "situação que constitua fato gerador da obrigação principal" [...] Considerando que a solidariedade é reclamada em uma só peça lançamento de ofício contra a pessoa jurídica, os seus sócios arrolados como pessoas físicas na qualidade de responsáveis solidários, fazem suas as razões de recurso voluntário, neste ato representados pelo mesmo procurador. Conclui: Posto isto, merece ser declarado nulo o lançamento. Em não sendo este o entendimento da Câmara, pelo menos há que se reconhecer a redução da multa qualificada de 150% para 75% e exclusão da solidariedade com baixa do arrolamento [...]. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 25.06.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 13731378), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.523 13 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente se insurge contra a exclusão e seus efeitos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que não escriturar o Livro Caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e ainda no caso de a pessoa jurídica aufira, no anocalendário anterior, receita bruta superior a R$2.400.000,001. Consta na Representação Fiscal de Exclusão do Simples Nacional, fls. 0406, cujas informações estão comprovadas nos autos: 1) EXCLUSÃO DE OFÍCIO EM DECORRÊNCIA DA FALTA DE LIVRO CAIXA Em atendimento ao "TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO MPF 0812800.2010.000570/01" o CONTRIBUINTE apresentou carta com data 05/05/2010, cuja cópia segue anexa, informando que a empresa não possuía livros DIÁRIO ou CAIXA de 2007, por estar enquadrada no sistema SIMPLES nesse período. Através do "TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.000570/QT, cientificado em 27/07/2010, cuja cópia segue anexa ao presente, o CONTRIBUINTE foi reiteradamente intimado a apresentar os livros DIÁRIO ou CAIXA, tendo sido alertado de que o art. 7, §1, da Lei 9.317/1996, que trata do SIMPLES, bem como o art. 26, §2, da Lei Complementar 123/2006, que trata do SIMPLES NACIONAL, estabelecem que as empresas enquadradas no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL devem manter o Livro CAIXA, contendo o registro de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, assim como a documentação que serviu de base para a escrituração. O CONTRIBUINTE deixou de apresentar os Livros DIÁRIO ou CAIXA até a presente data, incorrendo na hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, prevista no art. 29, Inciso VIII, da Lei Complementar 123/2006 e 1 Fundamentação legal: art. 3º, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei Complementar nº 123, 14 de dezembro de 2006, art. 12 da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.524 14 regulamentada no art. 5, Inciso VIII, da RESOLUÇÃO CGSN 15/2007, cujo teor transcrevese na sequência. RESOLUÇÃO CGSN 15/2007 Art. 5° A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; A exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL por falta de livro CAIXA surte efeitos a partir do próprio mês em que verificada a falta, ou seja, a partir de 01/07/2007 para o caso em tela, bem como se estende para os três anos calendários seguintes, conforme estabelecido no art. 6, Inciso VI da Resolução CGSN 15/2007, cujo teor transcrevese na sequência. Resolução CGSN 15/2007 Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese da alínea 'a' do inciso II do caput do art. 3o, a partir de 1° de janeiro do anocalendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso; [...] VI nas hipóteses previstas nos incisos II a X, XIII e XIV do art. 5°, a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo regime diferenciado e favorecido do Simples Nacional pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes; 2) EXCLUSÃO DE OFÍCIO RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE PARA OPÇÃO O CONTRIBUINTE apresentou a declaração "DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA SIMPLES PJSI 2008/2007", de número RFB 2330962, relativa aos períodos de 01/01/2007 a 30/06/2007, e a declaração "DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL DASN 2008/2007", relativa aos períodos de 01/07/2007 a 31/12/2007, nas quais foram informadas as receitas brutas mensais constantes da tabela da sequência, cujos valores enquadramse nos limites estabelecidos na legislação para opção pelos sistemas Simples e Simples Nacional. No entanto, no curso da fiscalização verificouse que o contribuinte omitiu em suas declarações expressiva parcela das receitas de vendas efetuadas através de administradoras de cartões de débito e crédito, cujos valores seguem transcritos na tabela da sequência [em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 7991]. Período Receita Bruta [...] Total Vendas DSPJ e DASN Cartões de Crédito Jan/07 26.420,20 169.419,70 Fev/07 S9.447.67 274.338,31 Mar/07 87.425,18 425.804,22 Abr/07 96.769,19 376.351,61 Mai/07 195.875,12 568.927.86 Jun/07 223.384.02 457.198,47 SOMA 1º Sem. 2007 669.121,38 2.272.040,17 Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.525 15 Jul/07 88.020,22 389.419,65 Ago/07 102.009,02 450.678,47 Set/07 124.218,69 447.364.63 Oul/07 100.094.24 484.804.02 Nov/07 92.722,63 471.858,85 Dez/07 145.320.88 801.051,75 SOMA 2º Sem. 2007 652.385,68 3.045.177,37 SOMA EM 2007 1.321.507,06 5.317.217,54 Observase que o contribuinte auferiu em 2007, através de vendas com cartões de débito e crédito, receitas de R$5.317.217,54, valor expressivamente superior ao limite para opção pelo Simples Nacional, de valor R$2.400.000,00, motivo pelo qual deveria ter comunicado obrigatoriamente sua exclusão do sistema para o ano calendário de 2008, por força do art. 3, Inciso II, alínea a, da Resolução CGSN 15/2007, e art. 12, inciso I, da Resolução CGSN 04/2007, cujos teores transcrevem se na sequência. Resolução CGSN 15/2007 Art. 3° A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer na hipótese do inciso I do art. 12 da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007; Resolução CGSN 04/2007 Art. 12. Não poderão recolher os Impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Diante do exposto, cabe também proceder à exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional no ano calendário 2008, pela falta de comunicação de exclusão obrigatória, prevista no art. 29, Inciso I, da Lei Complementar 123/2006 e regulamentada no art. 5, Inciso I, da Resolução CGSN 15/2007, cujo teor transcreve se na sequência. Resolução CGSN 15/2007 Art. 5° A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Por essa razão, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional a partir de 01.07.2007 mediante Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT nº 37, de 21.10.2010, em virtude de não manter o Livro Caixa e ainda ultrapassar o limite da receita bruta no ano calendário de 2007, fl. 38. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.526 16 A norma que trata da matéria especifica que o ato da exclusão do Simples é declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente de prestação de serviço profissional expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por termo da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a ME ou a EPP excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, por opção, os efeitos dessa exclusão darse ão a partir de 1º de julho de 20072. No presente caso a exclusão com efeito retroativo a 01.07.2007 apresenta exatidão. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, em especial pela falta de análise das razões de defesa constantes na peça de aditamento à impugnação. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça impugnatória por ter sido alcançada pela preclusão4. O Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT nº 37, de 21.10.2010 e os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. 2 Fundamentação legal: Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.527 17 Temse que a Recorrente apresentou novas razões de defesa no aditamento à peça impugnatória em 16.06.2011 às fls. 12381241, a respeito da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Sobre a questão consta no Voto condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0534.066, de 22.06.2011, fls. 12751315: Quanto à petição protocolizada em 16/06/2011, apresentada em nome da pessoa jurídica a título de aditivo à impugnação, não prospera a pretensão de, por meio dela, veicular novas razões e inovar na defesa ao incluir matéria não questionada tempestivamente, qual seja, a penalidade aplicada. Isto porque o Decreto nº 70.235/72, ao regular o processo administrativo fiscal, estabelece prazo certo para o interessado se manifestar contra as infrações que lhe são imputadas, e ainda disciplina as hipóteses em que complementações são admitidas [...]. Assim, as razões ofertadas na petição de 16/06/2011 submetemse à preclusão processual e deveriam ter sido ofertadas no prazo peremptório previsto na legislação em vigor. Logo, a este órgão julgador incumbe apreciar, tão só, a impugnação de 01/04/2011. É o que se procede a seguir. Inicialmente, cumpre consignar que, na peça de defesa, não refutam expressamente os interessados as constatações fiscais de omissão de receitas e de falta de emissão de notas ou cupons fiscais e redução indevida de tributos. Também nada opõem à penalidade aplicada. Consolidamse, portanto, no âmbito administrativo, as matérias para as quais não apresentados tempestivamente questionamentos específicos. Limitam se a questionar a ocorrência de quebra de sigilo bancário, a desconsideração de pagamentos efetuados na sistemática do Simples e o arrolamento de bens dos sócios – matérias a seguir apreciadas. No presente caso, de fato a matéria referente à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada foi alcançada pela preclusão por não ter sido expressamente questionada na peça impugnatória em 01.04.2011 ou dentro do prazo legal que expirou em 06.04.2011. Também em sede recursal essa matéria não pode ser analisada por já ter sido alcançada pela preclusão em sede de primeiro grau de julgamento. Ademais, embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.28.002010000570, fls. 120122, Termo de Início de Fiscalização, fls. 0809, e 128131, Termo de Intimação, fls. 1214, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 13171324) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de suas alegações. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.528 18 A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador5. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal 5 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.529 19 correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal6. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo7. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade8, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. 7 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 8 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.530 20 Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. O lançamento fundamentase na omissão de receitas omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas administradoras na Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 726883 e 939940, na Redecard S/A, fls. 220387 e 943993, na Visanet, fls. 388719, no Banco Bankpar S/A, fls. 893934 e 10841120, no American Express S/A, fls. 164219 e no Cielo S/A, fls. 784890 e 9961080. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 720725, 891892, 941942 e 994995 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de julho a dezembro do anocalendário de 2007, fls. 1535 e 11251145 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 11501184. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados nos Demonstrativos, fls. 11431184, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2007 Mês (A) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) Julho 88.020,22 512.477,21 Agosto 102.009,02 618.262,88 Setembro 124.218,69 654.990,68 Outubro 100.094,24 649.620,53 Novembro 92.722,63 622.680,20 Dezembro 145.320,88 1.076.839,78 Total 652.385,68 3.482.485,60 Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.531 21 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 7982, cujas informações estão comprovadas nos autos: De acordo com o art. 24 da Lei 9.249/95, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Tendo em vista que a legislação do SIMPLES FEDERAL, baseada na Lei 9.317/1996, não prevê hipóteses de desenquadramento de ofício aplicáveis ao caso sob análise, esta fiscalização procederá à tributação da receita omitida, no período 01/01/2007 a 30/06/2007, nos montantes relacionados na coluna I da tabela do item 2 do presente termo, dentro do próprio regime do SIMPLES FEDERAL, em consonância com o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95. Diante do exposto esta fiscalização procede à lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO DO SIMPLES FEDERAL formalizado no processo 13896.000295/201190, relativo aos períodos de apuração de 01/01/2007 a 30/06/2007, cabendo esclarecer que os itens intitulados "001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS OMITIDAS" procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS incidentes sobre as receitas omitidas, enquanto que os itens "002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO" procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS recolhidos com insuficiência sobre as próprias receitas declaradas, em função do reposicionamento destas dentro da tabela de alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente aponta argumentos contra o arrolamento de bens dos sócios. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação principal, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. A despeito de não ser o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma pessoa que possua interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e não comporta benefício de ordem 9. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto10. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas administradoras: no Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 579636, na Redecard S/A, fls. 70238 e 639689, na Visanet, fls. 239568, no Banco Bankpar S/A, fls. 888969, no American Express S/A, fls. 1369 e no Cielo S/A, fls. 692885. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira 9 Fundamentação legal: art. 124 e art. 125 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação lega: inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.532 22 (RMF), fls. 569578, 637638, 690691 e 886887 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 974994 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 999 1033. Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores José Carlos da Piedade Nunes, fl. 1151 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 1154, ambos cientificados por via postal, respectivamente, em 26.03.2011, fls. 11521153 e em 05.03.2011, fl. 1155. Esse procedimento se fundamenta nas informações constantes na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo, fls. 10391041 e dados constantes nos registros internos da RFB, fls. 10251038 (inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional). Nesse sentido, os sócios e administradores José Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes incorreram em procedimentos ilícitos visando encobrir a obrigação tributária. Por essa razão, são responsáveis em virtude do não cumprimento do dever normativo para assegurar o funcionamento normal da pessoa jurídica. Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos. Atinente ao termo de arrolamento de bens como medida acautelatória de defesa do crédito tributário, o AFRFB, na atribuição do exercício da competência da RFB pode proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, no caso em que o valor do crédito tributário de sua responsabilidade exceda a R$500.000,00 até 29.11.2011 e a partir de 30.11.2011 no valor de R$2.000.000,00 e ainda seja superior a 30% (trinta por cento) do patrimônio conhecido. Este procedimento deve recair sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário. A partir da data da notificação do Termo de Arrolamento de Bens, o proprietário dos bens e direitos arrolados, ao transferilos, alienálos ou onerálos, deve comunicar o fato à RFB, sob pena de ficar autorizado o requerimento de medida cautelar fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Esses autos seguem rito especial e ficam na repartição de origem aguardando a declaração definitiva do crédito tributário até sua configuração de título executivo11. Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos. Atinente ao termo de arrolamento de bens como medida acautelatória de defesa do crédito tributário, o AFRFB, na atribuição do exercício da competência da RFB pode proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, no caso em que o valor do crédito tributário de sua responsabilidade exceda a R$500.000,00 até 29.11.2011 e a partir de 30.11.2011 no valor de R$2.000.000,00 e ainda seja superior a 30% (trinta por cento) do patrimônio conhecido. Este procedimento deve recair sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário. A partir da data da notificação do Termo de Arrolamento de Bens, o proprietário dos 11 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.533 23 bens e direitos arrolados, ao transferilos, alienálos ou onerálos, deve comunicar o fato à RFB, sob pena de ficar autorizado o requerimento de medida cautelar fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Esses autos seguem rito especial e ficam na repartição de origem aguardando a declaração definitiva do crédito tributário até sua configuração de título executivo12. No presente caso, o arrolamento de bens está formalizado no processo 13896.000293/201109, fls. 1381508, que se encontra no Serviço de Acompanhamento Tributário/DRH/BRE/SP desde 21.03.201113, nos estritos termos normativos, em conformidade com o art. 37 da Constituição Federal. Verificase pelo conjunto probatório produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 16.. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. 12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 13 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=13896000293201109> . Acesso em 05 fev.2014. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.534 24 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator designado. A divergência de entendimentos se estabeleceu quanto à preclusão apontada pela d. DRJ, acerca das alegações veiculadas em razões aditivas de impugnação, posteriormente ao prazo regulamentar. A Turma julgadora de 1ª Instância e a d. Relatora neste Colegiado, assentaram a inadmissibilidade das alegações feitas fora do prazo mas antes da decisão da DRJ – pela suposta impropriedade da qualificação da multa de ofício. Tenho que a solução deve ser diversa, sendo viável e necessária a manifestação acerca das razões de impugnação adicionais. Para a boa apreensão dos elementos dos autos, vale recapitular alguns dados: a impugnação contra o auto de infração foi protocolizada em 1º de abril de 2011 (fl. 132 e s. dos autos), subscrita pelos sócios da pessoa jurídica; no pedido, requer “a anulação do auto de infração, por conter vícios formais e materiais, com sua conseqüente extinção e arquivamento”; em 16 de junho de 2011, a contribuinte apresenta “aditivo à impugnação”, em que consigna razões pelas quais busca a “redução da multa indevidamente qualificada em 150%”. Desta feita, a peça veio assinada por advogado constituído posteriormente à impugnação original; em 22 de junho de 2011, a DRJ ora recorrida julgou a impugnação, mantendo o lançamento, e asseverando a impossibilidade de apreciar a “petição intempestiva” apresentada na forma já referida. Sobre o tempo e o modo em que devem ser praticados os atos de impugnação no processo administrativo fiscal federal, eis o que prescreve o Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.535 25 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A única menção à “preclusão” nos dispositivos acima que regem o processo de impugnação na presente seara – está inscrita no parágrafo 4º, e dirigese à “prova documental”. O legislador adotou ênfase específica quanto à limitação temporal no que tange à juntada de documentos. E logo em seguida, indicou as exceções ao limite alocado dentro do prazo de trinta dias. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.536 26 Quanto as alegações em si, o artigo 17 dispõe que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Portanto, não adotou aquela limitação imposta ao conjunto probatório carreado pelo sujeito passivo. E, no caso ora analisado, não há que se dizer “não impugnada” a matéria relativa à qualificação da multa, pois foi “expressamente contestada pelo impugnante”. Resta definir se as razões aditivas, que vieram aos autos antes da apreciação da DRJ, mereceriam ou não apreciação daquele d. Colegiado. Cabe realizar breve apontamento quanto ao instituto da preclusão, e de seu perfil no processo administrativo tributário. A preclusão tem importante função nos processos judicantes, atuando no estabelecimento de etapas pré ordenadas, orientando a sequência dos atos para um resultado útil, válido e seguro. Ela estabiliza o contraditório, assegurando para as partes litigantes e ao julgador, a “não surpresa”. Prestase a evitar que alguma das partes seja prejudicada pela indefinição quanto aos limites dos atos processuais. Assim, sempre que se avalia o estabelecimento de preclusão em alguma etapa processual, deve ser identificada a possibilidade de prejuízo para algum dos agentes do processo. Na hipótese destes autos, haveria prejuízo para alguma das partes do processo de verificação da legalidade do lançamento, com a complementação das razões de defesa anteriormente à apreciação da DRJ? Tenho que, além de não haver limitação legal mais específica (como aquela aposta no caso da prova documental), a complementação das razões de impugnação, antes do julgamento pela 1ª Instância, não prejudica o Fisco, nem o julgador administrativo. É que na fase de impugnação (em sentido estrito, antes do recurso voluntário) ainda não há efetivo contraditório, no sentido clássico em que a preclusão e a paridade de armas viriam à baila em termos fundamentais. O sujeito ativo na relação tributária disponibiliza, por força da norma constitucional e nos termos da lei, o processo de impugnação de titularidade do sujeito passivo, cabendo à administração tributária realizar o crivo da legalidade do lançamento. O Prof. Alberto Xavier comenta nos seguintes termos o perfil peculiar da fase de impugnação: O que acaba de se afirmar é válido para o processo administrativo tributário federal no seu conjunto, pois o modelo em causa opera de pleno na segunda instância que se desenvolve perante os Conselhos de Contribuintes, dotados de imparcialidade orgânica de segundo grau. Todavia, na primeira instância, mesmo após a criação das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, não se vislumbra com nitidez a posição da Administração como parte em sentido processual, diferenciada do órgão de julgamento. A primeira instância parece, pois, dever ainda ser concebida nos moldes de um recurso hierárquico impróprio, num processo de uma só parte e em que a Administração fiscal ativa, o órgão de lançamento, assume a posição de simples autoridade recorrida. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1801001.863 S1TE01 Fl. 1.537 27 (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, Alberto Xavier, Ed. Forense, 1ª edição, p. 133, com destaques que não constam do original) Na conformação do processo de impugnação, a todos interessa a amplitude de cognição dos possíveis vícios do ato administrativo. Não há utilidade, nem eficiência administrativa, na condução de crédito indevido, ilegal ou nulo, ao processo judicial de cobrança forçada. Por isso que, na leitura do artigo 17 do regulamento do PAF, não vejo porque extrair limitação que o legislador não impôs, quanto à complementação tempestiva (porque anterior à decisão) das alegações de defesa. Aliás, tendo como preceito central a busca da verdade material, este E. Conselho por diversas vezes admitiu a juntada de documentos já em fase recursal, quando esses documentos se revelem claramente hábeis a infirmar a validade do lançamento, mesmo que fora das hipóteses das duas alíneas do parágrafo 4º. E, digase, mesmo quando já atua no feito a Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo suficiente que lhe seja concedido prazo para manifestarse quanto ao teor dos documentos. Desse modo, considerando que as razões adicionais de impugnação não implicam potencial de prejuízo para o Fisco, apreendendo a regência do princípio da verdade material no PAF, e ponderando a relevância das alegações em tela, relativas à qualificação da multa de ofício (com a majoração do débito contra o contribuinte e o encaminhamento de ação criminal contra o mesmo), não se afigura acertada a r. decisão recorrida naquilo em que deixou de apreciar tais razões de defesa, por suposta intempestividade. Assim, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905790/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 57 90 /2 00 8- 68 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905790/200868 Acórdão n.º 3802002.408 S3TE02 Fl. 155 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que homologou em parte a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, diante da inexistência de comprovação do crédito que a sustentaria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No tocante à origem do direito de crédito, o interessado alegou ter recolhido a contribuição ao PIS nos regimes nãocumulativo e monofásico utilizando o código de receita único para ambos (6912). Porém, ao rever seus procedimentos de apuração, constatou que, na verdade, deveria têlos segregado, adotado o código 81092, em Darf separado, para o regime monofásico. Assim, diante da impossibilidade de efetuar o Redarf, teria sido orientado pela Receita Federal a transmitir PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) visando compensar a diferença a maior recolhida sob o código de receita 6912 com o débito do regime monofásico. Ao transmitir a declaração de compensação, entretanto, o contribuinte teria informado os valores originais, sem os acréscimos legais. Tal fato implicou a homologação parcial da compensação, com a exigência dos acréscimos legais (juros e multa) do débito do regime monofásico informado no PER/Dcomp. A DRJ, por sua vez, entendeu que não haveria prova do direito de crédito e que, ademais, o valor do débito foi informado no PER/Dcomp pelo próprio interessado, documento este que, nos termos do art. 26, § 4º, da Instrução Normativa nº 600/2005, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos compensados. O Recorrente, nas razões de fls. 71 e ss., expõe novamente a origem de seu direito de crédito, sustentando que a DRJ não poderia ter considerado a Dcomp uma confissão absoluta de dívida. Após destacar que os regimes cumulativo e monofásico são técnicas de apuração de um mesmo tributo, alegou ter havido erro da empresa ao eleger o instituto da compensação para corrigir o equívoco na apuração. Isso porque o crédito se confundia com o débito, de sorte que não teria havido compensação. Alega que o mero erro de fato e o descumprimento de obrigação acessória não pode ensejar a desconsideração de seu direito, já que possui toda a documentação comprobatória do crédito, que, por sua vez, é anexada à petição recursal. Aduz que, de acordo com o princípio da verdade material, a Administração tem o dever de observar a realidade factual apresentada nos autos; que não haveria qualquer mora do sujeito passivo, porquanto o valor devido foi liquidado tempestivamente. Por fim, não estaria correta a imputação efetuada pela Receita Federal, porquanto não haveria previsão legal para a utilização do crédito informado para liquidar multa e juros inaplicáveis; e que o valor do Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905790/200868 Acórdão n.º 3802002.408 S3TE02 Fl. 156 3 crédito informado deveria ter sido atualizado pela Selic acumulada. Requerer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 07/02/2012 (fls. 152), interpondo recurso em 16/03/2012 (fls. 71). Tratase, assim, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido, nos termos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972. Votase, assim, pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001077/2002-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/1997 a 30/06/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO.
Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/05/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração. Recurso Voluntário Provido.
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CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Cancelase o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 10 77 /2 00 2- 39 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Contra a interessada acima identificada, foi lavrado o auto de infração às fls. 13/24, exigindolhe crédito tributário referente à contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor R$ 4.800,13 (quatro mil e oitocentos reais e treze centavos) (R$4.719,84+R$80,19), e mais as cominações legais incidentes sobre os fatos geradores dos meses de competência de maio e junho de 1997. Segundo o auto de infração, as liquidações indicadas na respectiva DCTF não foram comprovadas, ou seja, as compensações informadas teriam sido efetuadas com amparo em processo administrativo inexistente no Profisc. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que o processo informado existe e tramitou na DRF em Ribeirão Preto conforme comprovam as cópias reprografadas em anexo (docs. 02 a 08). Ressaltou, ainda, que no demonstrativo de pagamentos cadastrados (doc. nº 08) encontramse mencionados os pagamentos ora exigidos. Por meio do parecer à fl. 34, a Saort em Ribeirão Preto concluiu que os débitos, objeto do auto de infração, não foram abrangidos pela compensação deferida por meio do processo administrativo nº 10840.000482/9784 indicado na DCTF. Assim, o remeteu para a Sacat daquela DRF para prosseguimento. Recebidos os autos, a Sacat proferiu o Parecer/Despacho Decisório às fls. 35/36, determinando o prosseguimento da cobrança do crédito tributário sob o argumento de que efetuou consulta no sistema conta corrente e não encontrou pagamentos que quitassem os débitos, objeto do auto de infração em discussão. Cientificada daquele despacho decisório, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 39/44, requerendo o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação inicial, ou seja, compensação dos débitos exigidos com amparo em processo administrativo e, ainda, que no demonstrativo de pagamentos em anexo (doc. 08) encontramse mencionados os pagamentos dos valores ora exigidos. Os autos foram então baixados em diligência à DRF em Ribeirão Preto, SP, para que ela informasse se os pagamentos efetuados em 30/06/1997, 31/07/1997 e 29/08/1997, estampados na cópia Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 12 3 do Demonstrativo de Pagamentos Cadastrados, à fl. 62, e o saldo credor das imputações (fl. 60 e fl. 62), no total de R$ 4.800,13 (quatro mil e oitocentos freais e treze centavos), estão disponíveis no sistema conta corrente e, caso positivo, porque não foram utilizados na compensação do crédito tributário impugnado. Em atendimento à diligência, aquela DRF informou que os referidos pagamentos se encontravam disponíveis e, efetuadas a alocações deles aos débitos do auto de infração em discussão, remanesceram os saldos devedores constantes do extrato de processo à fl. 92, nos valores de R$ 1.257,42 e R$ 80,19 correspondentes ao principal, além da respectiva multa de ofício no percentual de 75,0 %. Cientificada desses saldos e intimada a recolhêlos, decorrido o prazo regulamentar de trinta dias, a interessada não se manifestou. Assim, os autos retornaram a esta 1ª Turma de Julgamento para prosseguimento. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo transcrita: DÉBITOS DECLARADOS. DCTF. AUDITORIA INTERNA. PAGAMENTOS VINCULADOS NÃOLOCALIZADOS. Os débitos declarados e vinculados a pagamentos não localizados, mediante auditoria interna na respectiva Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), estão sujeitos a lançamento de ofício. DÉBITOS DECLARADOS PAGAMENTOS PENDENTES. ALOCAÇÃO. Os pagamentos comprovados e pendentes de alocação são passíveis de utilização na liquidação de crédito tributário constituído em face de auditoria interna em (DCTF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1997, 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de ofício do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTFs. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou uma petição denominada manifestação de inconformidade com os cálculos. Alega que nos demonstrativos de fls. 109 e 110, foi praticado um equívoco na apuração do saldo a compensar, o qual foi reconhecido no corpo do Acórdão. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 13 4 Esclarece que o montante de pagamento reconhecido pelo colegiado no montante de R$ 4.196,38, é inferior ao citado nas razões de voto, ou seja, o crédito da requerente é representada pela quantia de R$ 4.800,13. Pontua que o equívoco foi efetuado nos demonstrativos de fls. 110, no qual estão alocados os valores que a requerente tem direito, ou seja por R$ 246,13, R$ 1.516,00, R$ 1.518,00 e R$ 1.520,00, os quais sem qualquer fundamento ou motivo são alterados, respectivamente, para R$ 246,13, R$ 1.422,14, R$ 1.288,30 e R$ 1.239,81; Insiste que as referidas alterações deram origem as diferenças de valores a recolher, quando, de fato, pelas próprias razões do voto do Acórdão seriam inexistentes. A Delegacia de origem conheceu desta petição como recurso voluntário e encaminhou o processo ao CARF para julgamento. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a DRJ de Ribeirão Preto examinasse a alegação de erro material nos cálculos. A DRJ de Ribeirão Preto analisou o processo e considerando que os cálculos de fls.109/110, foram efetuados pela DRF/POR, encaminhou o processo mediante despacho àquela Delegacia, para as seguintes providências: 1) elaborar demonstrativo onde seja informado o motivo de terem sido amortizados somente os valores de R$1.422,14, R$1.288,30 e R$1.239,81, em vez dos valores constantes no demonstrativo de fl. 62, quais sejam, R$1.516,00; R$1.518,00 e R$1.520,00; 2) dar ciência à Contribuinte; e 3) retornar os autos a esta DRJ, caso necessário. Após idas e vindas entre as citadas Delegacias, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto atendeu o solicitado na Resolução e informou que: na realização das alocações descritas às fls. 95/96 não foi considerada a exclusão da multa de ofício aplicada, conforme acórdão de fls. 110 a 113, daí a diferença apontada pelo contribuinte e pelo CARF às fls. 121 a 123 e 136 a 138, respectivamente. visando a correção do equívoco acima, foram desalocados os pagamentos em questão, corrigidos os débitos no sistema Sief e realocados os pagamentos, o que resultou na suficiência dos mesmos com extinção total dos débitos controlados no presente processo (fls. 149/150). A contribuinte foi cientificada do despacho da Delegacia de origem, não tendo se manifestado no prazo concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, foi constituído de ofício o crédito referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 4.800,13 (quatro mil, oitocentos reais e treze centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. A recorrente desde a impugnação sustenta que os débitos objeto do auto de infração foram extintos pelo instituto da compensação, segundo processo administrativo 10840.000482/9784. Neste ponto, a interessada tem razão. Essa matéria foi objeto da diligência fiscal. É de se ver, portanto, que a delegacia de origem manifestou no sentido de que ocorreu um erro nas alocações, uma vez que não foi considerada a exclusão da multa de ofício aplicada, conforme decidido pela DRJ de Ribeirão Preto. Sanado o erro, constatouse que as compensações foram suficientes para a extinção total dos débitos controlados no presente processo (fls. 149/150). O extrato do sistema SIEF ratifica a extinção dos débitos. Nos termos do disposto no art. 156, IV, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a compensação extingue o crédito tributário. “Art. 156. Extinguem o crédito tributário II – a compensação; (...)” Em remate, o lançamento de ofício deve ser cancelado porque a administração reconheceu a prévia extinção, por meio de compensação, dos valores exigidos em auto de infração. Ante ao exposto, voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário e determinar o cancelamento do auto de infração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 15 6 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.001875/00-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/01/2000
IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - CRÉDITO PRESUMIDO - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03)
Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório ou da compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao Recurso Voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/01/2000 IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório ou da compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao Recurso Voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 75 /0 0- 56 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 58/61) contra o Acórdão DRJ/REC nº 08.042 de 07/05/04 constante de fls. 45/54 exarado pela 5ª Turma da DRJ de Recife PE que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/19, mantendo o Despacho Decisório (fls. 13) e respectiva informação fiscal (fls. 12) da DRF de Sobral CE, que indeferiu a compensação de débitos do Pis e da Cofins, vencidos em 15/01/2000, com créditos apurados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LTDA, cujo ressarcimento foi solicitado por intermédio dos processos administrativos n° 13308.000156/9964 e 13308.000174/9946 (pedido de compensação às fls. 01). O r. Despacho Decisório (fls. 12/13) da DRF de Sobral CE, conclui pela glosa do crédito, seguintes fundamentos: “INFORMAÇÃO FISCAL Através do presente processo, a empresa acima identificada pretende compensar débitos do Pis e da Cofins, vencidos em 15/01/2000, com créditos apurados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LTDA, cujo ressarcimento foi solicitado por intermédio dos processos administrativos n° 13308.000156/99 64 e 13308.000174/9946 (pedido de compensação às fls. 01). De acordo com o disposto no art. 74 da Lei na 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a compensação de tributos ou contribuições declarada à Secretaria da Receita Federal, pelo sujeito passivo, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (tal tratamento foi estendido aos pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, conforme previsto no § 4° do citado art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996). Assim sendo, cumprenos avaliar a correção do procedimento de compensação informado pela interessada. Com esse objetivo, procedemos à verificação da origem dos créditos utilizados no Pedido de Compensação de fls. 01 e constatamos que: (1) os pedidos de ressarcimento formulados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LIDA foram unificados em decorrência da juntada Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 3 3 do processo n° 13308.000174/9946 ao processo n° 13308.000156/9964 (vejase cópia da informação anexada às fls.11); (2) os referidos pedidos foram indeferidos pela autoridade administrativa competente, conforme se verifica na cópia do Despacho Decisório juntada às fls. 04/07 do presente processo. Diante desses fatos, o procedimento de compensação sub exame não pode ser homologado. Isto posto, só nos resta propor que o sujeito passivo seja comunicado da nãohomologação da compensação informada, bem como intimado a efetuar o pagamento dos débitos correspondentes, no prazo de trinta dias, conforme estabelecido no art. 22 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002. À consideração superior. Sobral 5 de junho de 2003. ... DESPACHO DECISÓRIO Com base na Informação Fiscal supra, que aprovo, e no uso da competência prevista no art. 227, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, declaro não homologada a compensação dos débitos informados no quadro 5 do Pedido de Compensação de fls. 01 (Pis vencido em 15/01/2000, no valor de R$ 3.176,38; e Cofins vencida em 15/01/2000, no valor de R$ 17.664,58). Em cumprimento ao disposto no art. 22 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, intimo a interessada a efetuar o pagamento dos débitos em questão, no prazo de trinta dias, contado da ciência deste Despacho. ORDEM DE INTIMAÇÃO Encaminhese o processo ao Sorat para: a) cientificar a interessada, facultandolhe o direito de apresentar manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, no prazo de trinta dias, contado da ciência deste Despacho; b) demais providências a seu cargo, especialmente no que se refere ao encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida Ativa da União, caso não ocorra o pagamento ou o parcelamento no prazo acima estipulado (Parágrafo único do art. 22 da INSRF n° 210, de 2002).” Por seu turno, a r. decisão de fls. 45/54 da 5ª Turma da DRJ de Recife PE, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/19, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 mantendo o Despacho Decisório (fls. 13) da DRF de Sobral – CE, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/01/2000. Ementa: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. Indeferido o pedido de ressarcimento do contribuinte supostamente detentor do crédito, inviabilizase a compensação com débitos de terceiros. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 58/61) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da r. decisão pela não apreciação de matéria constitucional, indeferimento de perícia e não apreciação de todos os créditos; b) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita;; c) impossibilidade de limitação do crédito, vez que o art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003 não veda o crédito de despesas com serviços terceirizados nem produtos afetos ao processo produtivo dos produtos que fabrica. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 10/08/05, através da Resolução nº 20400.065 (fls. 82/86) a C. 4ª Câmara do antigo 2º CC, acolhendo proposta da ínclita Relatora (Cons. Nayra Bastos Manatta), por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência, para que fossem tomadas as seguintes providências: a) informar se realmente os débitos do processo n° 13308.000156/9964 foram transferidos para o processo n° 13308.000195/200174 e qual o objeto deste processo, se pedido de ressarcimento do crédito objeto do processo anterior; b) em caso afirmativo, informar qual a situação do processo n° 13308.000195/200174 e aguardar a decisão definitiva do referido processo de restituição, anexando cópia da decisão final; c) verificar se, nos moldes definidos pela decisão final proferida no processo n° 13308.000195/200174, existe crédito possível de ser usado na compensação hora pleiteada, elaborando demonstrativo dos cálculos; d) elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários; e) intimar a contribuinte para que esta refaça o pedido de compensação indicando como origem dos créditos o processo n° 13308.000195/200174, já que o pedido objeto do presente processo foi formulado em 11/02/2000, o indeferimento do pedido objeto do processo n° 13308.000156/99 64 deu se em 22/08/2001; e a transferência dos débitos daquele processo para o para o de n° 13308.000195/200174 deuse em 08/11/2001; e f) dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo, manifestese sobre o mesmo. No atendimento à diligência solicitada, a SAORT da DRF de Sobral CE (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) certifica que: “RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros. No caso, a Canindé Calçados, CNPJ 00.765.760/000190, autorizou a utilização de créditos Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 4 5 requeridos por meio do processo nº 13308.000156/9964 para compensar débitos da interessada (fls. 4/7). Indeferida a compensação pleiteada (fls. 15/16), a interessada interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 18/22), a qual foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 48/57). Interposto, então, Recurso Voluntário (fls. 61/70), o Segundo Conselho de Contribuintes baixou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 20400.065, de 10/08/2005, para que fossem tomadas as seguintes providências (fls. 85/89): 1. informar se realmente os débitos do processo nº 13308.000156/9964 foram transferidos para o processo nº 13308.000195/200174 e qual o objeto deste processo, se pedido de ressarcimento do crédito objeto do processo anterior; 2. em caso afirmativo, informar qual a situação do processo nº 13308.000195/200174 e aguardar a decisão definitiva do referido processo de restituição, anexando cópia da decisão final; 3. verificar se, nos moldes definidos pela decisão final proferida no processo nº13308.000195/200174, existe crédito possível de ser usado na compensação hora pleiteada, elaborando demonstrativo dos cálculos; 4. elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários; e 5. intimar a contribuinte para que esta refaça o pedido de compensação indicando como origem dos créditos o processo nº 13308.000195/200174, já que o pedido objeto do presente processo foi formulado em 11/02/2000, o indeferimento do pedido objeto do processo nº 13308.000156/9964 deuse em 22/08/2001; e a transferência dos débitos daquele processo para o de nº 133308.000195/200174. Por meio de Informação Fiscal datada de 03/03/2008 (fls. 97/99), e que passa a integrar o presente Relatório de Diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, unidade jurisdicionante do contribuinte Canindé Calçados Ltda, informou que: a) os débitos do processo nº 13308.000156/9964 foram, de fato, transferidos para o processo nº 13308.000195/200174; b) o processo nº 13308.000156/9964 se refere a pedido de ressarcimento de IPI, cujos períodos de apuração estão abrangidos nos pedidos formulados no processo nº 13308.000195/200174, embora em valores diferenciados; e c) o processo nº13308.000195/200174 encontravase em fase de julgamento na DRJ, não tendo, desta feita, decisão administrativa definitiva naquela data. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Isto posto, passo a prestar as informações solicitadas pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF): Item 1 – Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, por meio da Informação Fiscal de folhas 97 a 99; Item 2 – Anexei, às folhas 100/103, cópia do Acórdão nº3403001.923 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27/02/2013, prolatado pelo CARF no processo nº 13308.000195/200174, que indeferiu o Recurso Voluntário interposto pela Canindé Calçados Ltda. Portanto, não foi reconhecido crédito algum naquele processo. A interessada naquele processo tomou ciência da decisão em 23/05/2013 e não se manifestou. Assim sendo, referido Acórdão tornouse definitivo na esfera administrativa; Item 3 – Conforme item anterior, não foi reconhecido crédito algum no processo nº 13308.000195/200174; Item 4 – Prejudicado. Item 5 – O contribuinte será intimado para refazer o pedido. É o que temos a informar. Sobral, 25 de novembro de 2013.” É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Realmente, a diligência solicitada, não contraditada pela ora Recorrente certifica que: “(...) Isto posto, passo a prestar as informações solicitadas pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF): Item 1 – Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, por meio da Informação Fiscal de folhas 97 a 99; Item 2 – Anexei, às folhas 100/103, cópia do Acórdão nº3403001.923 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27/02/2013, prolatado pelo CARF no processo nº 13308.000195/200174, que indeferiu o Recurso Voluntário Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 5 7 interposto pela Canindé Calçados Ltda. Portanto, não foi reconhecido crédito algum naquele processo. A interessada naquele processo tomou ciência da decisão em 23/05/2013 e não se manifestou. Assim sendo, referido Acórdão tornouse definitivo na esfera administrativa; Item 3 – Conforme item anterior, não foi reconhecido crédito algum no processo nº 13308.000195/200174; Item 4 – Prejudicado.” Diante da inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão definitiva no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Assim não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório. Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.911542/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se infundado o argumento indicado na lavratura do ato administrativo.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fernando Cleto julgou-se impedido.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase infundado o argumento indicado na lavratura do ato administrativo. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fernando Cleto julgouse impedido. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 15 42 /2 00 9- 11Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 19706.26312.161106.1.3.044377, cujo fundamento indicado foi a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado e atribuiu a não homologação da compensação a um equívoco no preenchimento na DCTF, esclarecendo que já havia providenciado a sua retificação para adequação à compensação aviada, asseverando que o direito creditório decorria de indébito de IOF. Foram juntadas cópias do comprovante de arrecadação, PERDCOMP e DCTF retificadora. A DRJ Campinas/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não foram juntados elementos suficientes a demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, bem assim, que, tratandose de tributo retido pelo contribuinte na condição de responsável, não houve comprovação da assunção do encargo financeiro. Em recurso voluntário o contribuinte esclareceu que o crédito se referia a IOF incidente sobre operações sujeitas a alíquota zero (art. 33, § 2º, II do Decreto nº 4.494/2002) promovidas na conta “Corp Referenciado DI – Fundo de Investimento”, com liquidação de suas operações pela Câmara de Custódia e Liquidação, sendo que os clientes do fundo de investimento, quando do resgate de suas quotas, fizeramno pelo valor bruto, o que demonstraria que o contribuinte requerente arcou com os ônus financeiros da indevida incidência do tributo. Pugnou também pela observância do princípio da verdade material, citando jurisprudência administrativa. Na oportunidade o contribuinte colacionou alguns demonstrativos, extratos e documentos contábeis que, em tese, corroborariam suas alegações. Na sessão de julho/2013, mediante Resolução nº 3401000.736, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 11/11/2013, a DIORT/DEINF/SPO confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, manifestouse ratificando as informações e conclusões lançadas no despacho. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.911542/200911 Acórdão n.º 3401002.629 S3C4T1 Fl. 11 3 Sem maiores delongas, destacase da diligência realizada que o direito creditório é proveniente de recolhimento a maior de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, relativamente a período de apuração de abril/2005, devido à cobrança do imposto a clientes sujeitos à alíquota zero, nos termos do art. 33, § 2º do Decreto nº 4.494/2002. Pelo que se constata do despacho elaborado pela DIORT/DEINF/SPO não há contestação, por parte da Administração Tributária, acerca do direito pleiteado, do que se pode inferir o reconhecimento do indébito, montando o crédito em discussão, segundo resposta constante do item “d”, em R$ 1.673.831,70 (um milhão, seiscentos e setenta e três mil, oitocentos e trinta e um reais e setenta centavos), consoante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF retificadora. Também restou consignado, à luz dos elementos coligidos ao processo, que o crédito não fora totalmente absorvido pela vinculação de outras compensações ou mesmo alocado a outras formas de extinção do crédito tributário, como pagamento, por exemplo, resultando a não homologação das compensações de inconsistências dos dados informados pelo contribuinte, ora recorrente, em suas declarações entregues à RFB. O crédito utilizado para compensação, segundo o despacho em comento, é suficiente para liquidar os valores compensados na DCOMP tratada neste processo. Portanto, da análise das provas carreadas aos autos, confirmase a ausência do motivo indicado como fundamento da não homologação da compensação, mostrandose improcedente o despacho decisório eletrônico exarado, como defendeu o recorrente. Inexistindo maiores indagações a respeito da questão levantada, cumpre à unidade preparadora controlar o montante do crédito apurado, considerando que, a partir da planilha apresentada pelo contribuinte, há outras declarações de compensação eletrônicas (DCOMP) atreladas a este mesmo direito creditório, com o escopo de evitar a utilização de crédito em montante superior àquele efetivamente devido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.720578/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. .
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 78 /2 01 2- 56 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. . Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 282 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010. Data da lavratura dos Autos de Infração: 19/03/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/03/2012 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.000.5241, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, constantes nas folhas de pagamento porém não declaradas nas correspondentes GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/25. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.000.5209, CFL 78, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a resenha fiscal, as GPS pagas em período anterior ao início da ação fiscal foram consideradas no caso de declaração prévia em GFIP ou à medida que a empresa declarou os respectivos fatos geradores em atendimento à intimação fiscal. Conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, os valores recolhidos foram aproveitados primeiramente para as contribuições declaradas em GFIP antes do início da ação fiscal. Serviram de base para o levantamento do crédito tributário, dentre outros, os seguintes documentos: folhas de pagamento em meio digital, resumo das folhas de pagamento em meio papel, GFIP, Guias da Previdência Social – GPS e arquivos digitais da contabilidade. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 98/130. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1649.296 – 12ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 191/202, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/09/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 205. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 220/262, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade por cerceamento de defesa. Aduz que a Fiscalização, ao não relacionar pormenorizadamente a origem das supostas remunerações elencadas no Relatório de Lançamentos, inviabilizou toda e qualquer contestação relativa aos valores; · Que o Auto de Infração encontrase fundamentado em mera presunção, eis que se limitou a apurar valores supostamente pagos aos empregados a título de remuneração, sem discriminar a origem e a natureza destes; · Que a Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT) é inconstitucional, por violar o art. 150, I, da CF/88; · Que a multa de Ofício tem caráter confiscatório e carecedora de proporcionalidade à conduta praticada pelo Recorrente; · Que a multa moratória deve ser reduzida ao limite de 20% tendo em vista o fenômeno da retroatividade benigna, diante das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009 · Que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos lançamentos tributários. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 283 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/09/2013. Havendo sido o recurso voluntário postado no correio no dia 17 de outubro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Aduz que a Fiscalização, ao não relacionar pormenorizadamente a origem das supostas remunerações elencadas no Relatório de Lançamentos, inviabilizou toda e qualquer contestação relativa aos valores. Afirma o Autuado que o Auto de Infração encontrase fundamentado em mera presunção, eis que se limitou a apurar valores supostamente pagos aos empregados a título de remuneração, sem discriminar a origem e a natureza destes. Defende ainda que a multa moratória deve ser reduzida ao limite de 20%, tendo em vista o fenômeno da retroatividade benigna, diante das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 284 7 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE. Pondera o Recorrente que a Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT) é inconstitucional, por violar o art. 150, I, da CF/88. De outro eito, afirma o Autuado que a multa de Ofício tem caráter confiscatório e é carecedora de proporcionalidade à conduta praticada pelo Recorrente. Por derradeiro, alega o Recorrente que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo, em geral, do Poder Legislativo, ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 285 9 Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 286 11 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10730.900906/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 06 /2 00 9- 81 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de Cofins (cód. 217201), relativo ao período de apuração de dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 2172) do período de 07/04, recepcionada pela RFB em 13/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 266 e seguintes). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 271). Cientificada da decisão (fl. 275), em 04/03/09, a contribuinte apresentou, em 03/04/09, Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) alegando, em resumo, que: 1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL, CERJ/AMPLA e SAMARCO, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao Pis e a Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); 6. na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 3 3 7. equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao Pis/Cofins nãocumulativa; 8. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de retificar a DCTF; 9. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; 10. não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer reconhecimento de direito creditório no valor de R$345.344,28 e a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fls. 279/287). Os autos foram baixados em diligência (fls. 298/299) para a Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada contrato no período de apuração do crédito;(2) discriminar e quantificar em tabela específica, quando houver, o crédito relativo a cada contrato. A Delegacia de origem, então, informou (fl. 392 e seguintes) que a receita bruta somada à receita recebida no mês em exame (07/04) diminuída da receita diferida resultava no total de R$ 46.658.671,83, equivalendo ao que fora informado pela contribuinte como submetida ao regime cumulativo. A Delegacia, porém, registrou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte. Cientificada, a contribuinte aditou sua Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em resumo, que: 1. a diligência constatou que as receitas vinculadas aos contratos no período equivalem ao valor das receitas consideradas no regime cumulativo; 2. divergiu, porém, do total retido, pois a requerente não conseguiu localizar os documentos comprobatórios; 3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu direito creditório. Pede o reconhecimento do direito creditório no valor remanescente, homologando sua compensação.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade e reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do acórdão supra em 11.06.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.07.2012. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente, faço referência às duas causas de nulidade invocadas pelo contribuinte. A primeira, quanto aos termos da IN no. 21/79, conquanto interessante a observação do conceito de contrato prédeterminado com entidades governamentais, não creio que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei. A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória são os proferidos pelo Ministério da Fazenda e seus órgãos, e ainda assim dentro de certos parâmetros. Afasto portanto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição do PIS/COFINS com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu de forma contrária, ou seja, que estava correta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, as receitas provenientes de contratos predeterminados estão sujeitas ao regime cumulativo, no seguinte sentido: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 4 5 posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...)” Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003”. Tal determinação aplicase ao PIS, conforme redação dada pela Lei nº 10.865/04: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (...)” No mesmo sentido, são as prerrogativas prescritas nos artigos 2º e 3º da IN/SRF nº 658/2006: “Do Regime de Incidência Art. 2 º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção do regime cumulativo, devese preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para um período superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. Também, conforme relatado no acórdão proferido pela DRF do Rio de Janeiro, consta dos autos que o Recorrente firmou contratos de fornecimentos de energia elétrica com 05 (cinco) empresas, sendo que da análise desses contratos os i. julgadores elaboraram o seguinte quadro: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 5 7 CONTRATO FURNAS GERASUL (Tractebel) CERJ (Ampla) SAMARCO COELCE (fl. dos autos) (43) (101) (160) (240) (254) Bem / serviço En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica Data 05/05/98 20/10/99 26/06/02 30/09/03 14/10/02 Prazo 20 anos 20 anos 20 anos 30/09/03 a 31/12/06 01/01/03 a 31/12/04 Preço PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u De todo exposto, o ponto crucial para dirimir a controvérsia, provém da definição de contrato a preço predeterminado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, supracitado prescreve que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada. Vimos que dispor acerca dos “reajustes de preços” o legislador referese, apenas a reajustes comuns aplicados a quaisquer contratos, de forma genérica, de forma a melhor refletir a variação dos custos de produção e custos dos insumos utilizados. Assim, aplicandose os índices do mercado, caracterizado está o atendimento da exigência do parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa variação prescrita na legislação. Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, os i. julgadores entenderam que, devido aos contratos serem ajustados anualmente, pelos reais índices inflacionários, no caso o IGPM, a partir desse reajuste a Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da nãocumulatividade, pois teria ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime cumulativo. Não compartilho desse entendimento, pois o reajuste de preços realizados anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”. Conforme exposto pelo i. Conselheiro relator Ivan Allegretti, em seu voto proferido no acórdão nº 3403002.248: “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume.” (CARF – Acórdão nº 3403002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão 23.05.2013) Neste sentido, o Judiciário sem exceção, tem reconhecido o direito dos contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. MAS 200561000030246. DJ 06/12/2007) “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 6 9 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço preestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou impedir que os contratos por preços predeterminados usufruíssem do regime da cumulatividade, por entender que a mera atualização monetária acarretaria a mudança no preço, entendimento do qual não compartilho. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Ademais, conforme exposto pela Recorrente, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006SFF/ANEEL, no seguinte sentido: “ (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...)” De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Assim, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que é agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Finalizando, considerando que o Despacho Decisório na sua origem não analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento parcial para autorizar a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, sujeita à devida valoração do crédito efetivamente existente. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Como relatado, a empresa Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia 15/03/04. Processado o pedido, o Delegado da DRF em Niterói constatou que o DARF informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido de restituição foi indeferido. Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para reconhecer originalmente o direito ao crédito pleiteado, fundamentou sua decisão exclusivamente no fato do DARF estar integralmente alocado a débito declarado em DCTF. Para tomar essa decisão, a autoridade competente da RFB não precisou conhecer das razões que levaram a empresa Recorrente a pleitear a restituição. O fato de não existir pagamento disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E assim o fez. Não se conformando com a decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe as razões que a levaram a cometer referido erro. Além disso, e principalmente, aduz a empresa interessada as razões que a levaram a efetuar recolhimento a maior de PIS. Diz a recorrente que o pagamento indevido ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita. Tendo em vista as razões que levaram ao indeferimento do pedido, essas alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou. Sendo único o fundamento fático para o indeferimento do pedido (Darf alocado a débito regularmente declarado), qualquer outro fato que eventualmente tenha acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo. Portanto, enganase a decisão recorrida quando afirma que a questão central do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante, limitouse apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item da diligência pedida relativo ao crédito. Tal item basicamente traduziase em enfrentar a questão central do contencioso, a de definir o regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas Tal matéria não foi apreciada e nem decidida pelo Delegado da DRF em Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição. Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência. Além de ter decidido, originalmente, pedido de restituição, a Turma de Julgamento deixou de apreciar as razões da empresa interessada sobre os motivos que a levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF onde consta o débito que o pagamento foi alocado. Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói para o Delegado apurar a existência de indébito, à luz das alegações trazidas pela empresa interessada e das providencias que entendesse necessárias. Ou seja, afastado o óbice do Despacho Decisório, apurarseia a eventual existência de pagamento indevido. Alias, esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3302002.365, de 26/11/2013 (Processo nº 10650.900486/200923) e 3302 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/200944). Portanto, o entendo que deverseia afastar o motivo de indeferimento do pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF apure a eventual existência de pagamento indevido. Havendo pagamento indevido, seria o mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada, conforme o caso. Estas são as razões pelas quais não posso acompanhar o Ilustre Relator, já que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a razão do indeferimento do pedido de restituição e determinar que o Delegado da DRF em Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902238/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 38 /2 01 2- 82 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 62 2 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 15/07/2002, relativo ao período 01/06/2002 a 30/06/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 65 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 66 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 14041.000739/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173, I, do CTN. Precedentes.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
Tendo o contribuinte sido intimado diversas vezes para comprovar as insconsistências apontadas em sua DIRPF, sem que tivesse apresentado documentação que corroborasse suas alegações, não há de se falar em cerceamento de defesa. Preliminar afastada. Precedentes.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes.
GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Não tendo sido declarada pelo contribuinte a alienação de bem imóvel e tendo sido identificado ganho de capital na operação, calculado nos termos da IN 84/01, é devida a tributação definitiva a título de imposto de renda. Precedentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
MULTA QUALIFICADA.
Não tendo sido comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude à ordem tributária, não resta autorizada a aplicação de multa de ofício qualificada. Precedentes
Numero da decisão: 2202-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO ÀS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75% no Item 2 do Auto de Infração (Ganho de Capital de Bens e Direitos). Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173, I, do CTN. Precedentes. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o contribuinte sido intimado diversas vezes para comprovar as insconsistências apontadas em sua DIRPF, sem que tivesse apresentado documentação que corroborasse suas alegações, não há de se falar em cerceamento de defesa. Preliminar afastada. Precedentes. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Não tendo sido declarada pelo contribuinte a alienação de bem imóvel e tendo sido identificado ganho de capital na operação, calculado nos termos da IN 84/01, é devida a tributação definitiva a título de imposto de renda. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 07 39 /2 00 7- 24 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 25 2 Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. MULTA QUALIFICADA. Não tendo sido comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude à ordem tributária, não resta autorizada a aplicação de multa de ofício qualificada. Precedentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO ÀS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75% no Item 2 do Auto de Infração (Ganho de Capital de Bens e Direitos). Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Procedimento Fiscal Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 26 3 O recorrente foi intimado em 29/12/2006 (fl.21, vide fls. 11 do processo em arquivo PDF), 09/03/2007 (fl. 24 vide fls. 14 do processo em arquivo PDF), reintimado em 08/06/2007 (fl.26 vide fls. 16 do processo em arquivo PDF) e 16/06/2007 (fl.30, vide fls. 20 do processo em arquivo PDF), por Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 19/20, 22/24, 26/27 e 29, vide fls. 9/10, 13/14; 16/17 e 19 do processo em arquivo PDF), para prestar informações, a fim de se verificar a omissão de rendimentos tributáveis relacionado (i) a variação patrimonial a descoberto, (ii) a depósitos bancários sem comprovação de origem e (iii) a ganho de capital na alienação de bens imóveis, no exercício de 2003, anocalendário de 2002. Diante das intimações, o contribuinte prestou esclarecimentos (fls.36 – 149, vide fls. 26/139 do processo em arquivo PDF) em 20/07/2007, encaminhando a documentação que embasou às DIRPF dos anoscalendário 2002 e 2005, a saber: alguns comprovantes de rendimentos (fls. 37 – 43 / 51 56, vide fls.27 33; 4146 do processo em arquivo PDF) e de despesas médicas (fls.45, vide fls.35 do processo em arquivo PDF), recibos de doação que teria feito a sua filha (fls. 50, vide fls. 40 do processo em arquivo PDF), empréstimo que teria tomado de sua irmã (fl. 48, vide fls. 38 do processo em arquivo PDF), contrato de financiamento de Imóvel do Banco Itaú (fl. 5657, vide fls. 46/47 do processo em arquivo PDF), Escritura Pública de aquisição de bem imóvel (fl. 43 – 44, vide fls. 33/34 do processo em arquivo PDF) e cópia de inventário de seu pai (fls. 108 149, vide fls. 98/139 do processo em arquivo PDF). A fim de comprovar as alegações do contribuinte e confirmar a legitimidade dos documentos apresentado, foi determinada a intimação da irmã do contribuinte (Sra. Mônica Patrícia Moreira Lopes), fls.153 e fl.155 (vide fls. 143/145 do processo em arquivo PDF), para se manifestar e comprovar informações acerca do alegado empréstimo que teria feito a seu irmão. Em resposta no dia 28/05/2007 (fl. 156, vide fls. 146 do processo em arquivo PDF), encaminhou à administração tributária (fls. 159 180, vide fls. 149/170 do processo em arquivo PDF) ‘recibos’ que justificariam a operação. Também, a filha do contribuinte (Sra. Adriana Mallab Moreira Lopes – fls. 181/185, vide fls. 171/175 do processo em arquivo PDF) foi intimada para prestar esclarecimentos quanto às doações que teria recebido, com o intuito de subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte, não havendo manifestação. A partir de acesso à Declaração de Operações Imobiliárias (DOI), conforme informado à fl. 273 (vide fls. 263 do processo em arquivo PDF), foi encontrado registro de alienação de imóvel pelo contribuinte em março de 2012, cuja propriedade jamais foi declarada em DIRPF. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 27 4 Assim, para confirmar as informações constantes na DIRPF e na DOI, foi diligenciada a intimação de Paulo Octávio Investimentos Imobiliárioa Ltda. (fls. 186/188, vide fls. 176/178 do processo em arquivo PDF), da Sra. Maria Cristina Boner Leo (fl. 213/215, vide fls. 203/205 do processo em arquivo PDF) e do Sr. Antonio Bruno di Giovanni Basso (fls. 216/217, vide fls. 206/207 do processo em arquivo PDF), a fim de se verificar a situação do imóvel adquirido pelo contribuinte em 2002 (apto 606 da SQN 311 – Bloco F – Brasília; informado na DIRPF de fl. 18, vide fls. 08 do processo em arquivo PDF) e do imóvel por ele alienado no mesmo ano (apto 202 da SQN 316 Bloco F Asa Norte Brasília/DF; não informado em DIRPF), tendo sido apresentado: (i) matrícula do imóvel e outros documentos, referente ao imóvel adquirido pelo contribuinte em 21/08/2002 (fls. 201/212 e 224/238, vide fls. 191/202 e 214/228 do processo em arquivo PDF), e (ii) escritura de pública de compra e venda referente ao imóvel alienado pelo contribuinte, em 15/03/2002 (fls. 218/225, vide fls. 208/215 do processo em arquivo PDF trazida novamente às fls. 253/254, vide fls. 243/245 do processo em arquivo PDF), pelo valor de R$ 180.000,00. Em 18/05/2013 (fl. 239, vide fls. 229 do processo em arquivo PDF), a RFB oficiou a Sra. Oficiala do 2° Ofício de Registro de Imóveis do DF para encaminhar cópia autenticada da matrícula do imóvel alienado pelo contribuinte (apto 202 da SQN 316 Bloco F Asa Norte Brasília/DF), trazida às fls. 241/244 (vide fls. 231/234 do processo em arquivo PDF), e, cópia autenticada da escritura pública de permuta, datada de 29/05/1991, trazida às 247/249 (vide fls. 237/239 do processo em arquivo PDF), constando em ambos os documentos como valor do imóvel quando da aquisição “Cr$ 6.500.000,00”. Auto de Infração Após análise da documentação encaminhada à RFB e os esclarecimentos apresentados, o Auditor Fiscal entendeu por bem lavrar auto de infração (fls. 265/276, vide fls. 255/266 do processo em arquivo PDF), constituindo crédito tributário total de R$ 606.919,43, pois em 2002, houve: (i) acréscimo patrimonial a descoberto no mês de julho/02 decorrente do “excesso de aplicação sobre origens, não respaldados por rendimentos declarados e/ou comprovados” (fl. 266, vide fls. 256 do processo em arquivo PDF); (ii) ganho de capital e sonegação de imposto decorrente da alienação de imóvel (situado à SQN 316, bloco F, apto. 202 na Asa Norte, Brasília/DF) em março/02; e (iii) depósitos em conta bancária em nome do contribuinte e movimentada por ele, sem que tenha apresentado documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados nessas operações (fl. 267, vide fls. 257 do processo em arquivo PDF). Sobre os valores do imposto devido a título de IRPF foram acrescidas multas de (a) 75% em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos com origem não comprovada e (b) 150% em relação ao ganho de capital A explicação detalhada dos fatos apurados e critérios utilizados no lançamento estão presentes no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto (fls. 270/276 vide fls. 260/266 do processo em arquivo PDF). A justificativa para a autuação, de acordo com o TVF foi: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 28 5 Em 2002 foram efetuados depósitos em conta bancária em nome do contribuinte e movimentada por ele, para os quais o Sr. Getúlio Américo Moreira Lopes não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos depósitos; Houve variação patrimonial a descoberto no mês de julho de 2002; Houve sonegação de imposto sobre o ganho de capital na alienação do imóvel à SQN 316, bloco F, apto. 202 na Asa Norte, Brasília/DF no mês de março de 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Foi extraída dos extratos do Itaú, banco no qual o contribuinte fez movimentações bancárias consideráveis em 2002, a relação de depósitos anexa ao termo de intimação n° 003. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer resposta, foram considerados todos os depósitos constantes do anexo do termo de intimação n° 003 como de origem não comprovada foi efetuado o respectivo lançamento de oficio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Com o objetivo de verificar se houve variação patrimonial a descoberto durante o ano 2002, a tabela às folhas 169 a 178 DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL foi preenchida com as informações que foram obtidas, ou pela declaração anual de ajuste do contribuinte, ou por documentos entregues pelo fiscalizado, ou por terceiros, ou por consulta aos sistemas da SRF. Da análise da tabela, a fiscalização não considerou como origens, e que com isso poderiam justificar a variação patrimonial no mês de julho de 2002, os valores consignados na declaração anual de ajuste do Sr. Getulio Américo Moreira Lopes (folhas 05 A 07), já que apesar de intimado e reintimado, o mesmo não apresentou qualquer documento que viesse a comprovar tais origens: LUCROS E DIVIDENDOS RECEBIDOS R$ 238.287,60 IRPF/2002 RESTITUIÇÃO/RESIDUO NA DECLAR.2002/EMPREST. R$ 1.249.539,78 Da mesma forma, foi desconsiderado o valor de R$ 785.360,35, proveniente de empréstimo declarado, feito junto à irmã do fiscalizado, MONICA PATRICIA MOREIRA LOPES, pois: Os documentos que ambos apresentaram como comprovação do empréstimo e dos pagamentos do empréstimo foram os recibos As folhas 32, 45 a 50, 94 a 99 e 101 a 105. Ambos foram intimados e reintimados a apresentar provas do efetivo fluxo de recursos entre o tomador e o emprestador, mas não o fizeram; Ao se consultar a DCPMF (declaração sobre movimentação financeira) da Sra. Mônica Patricia, podese verificar que a movimentação bancária anual da mesma sequer se aproxima do valor supostamente emprestado R$ 785.360,35; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 29 6 Nos extratos bancários apresentados pelo fiscalizado não consta nenhum deposito ou pagamento que coincide com valores e datas declarados nos recibos. tomador e o emprestador não concordam quanto A data do suposto empréstimo, pois na declaração de bens e direitos da DIRPF exercício 2003, a Sra. Mônica Patricia informa que o empréstimo foi efetivado em 30/06/2002 enquanto o Sr. Getúlio informa em sua DIRPF exercício 2003, que o empréstimo se consumou em 30/12/2002. Além disso, ambos afirmam haver um contrato, que não foi apresentado a esta fiscalização. No recibo de empréstimo apresentado por ambos, quem assina é o emprestador, e não o tomador como é esperado, e além disso, é informado que os pagamentos serão conforme cronograma anexo, cronograma esse, que não foi apresentado nem pelo tomador, nem pelo emprestador dos recursos. No recibo é informado que o empréstimo foi feito "durante" o ano de 2002, sem especificar em que data, e é datado de "dezembro de 2002". Mesmo que considerado o empréstimo como efetivamente realizado na data em que o fiscalizado declara em sua DIRPF exercício 2003 e no recibo assinado pela Sra. Mônica Patricia, o excesso de aplicações sobre os recursos no mês de julho se manteria. Em relação à doação que o fiscalizado afirma em sua DIRPF exercício 2003, ter feito em favor de sua filha Adriana Mallab Moreira Lopes, não há nenhum documento que comprove a efetiva realização da doação, a não ser um recibo de doação assinado pelo próprio doador. Por esse motivo também não foi considerada tal doação na confecção da tabela de variação patrimonial As folhas 169 a 178. Pelos fatos expostos, lançamos o valor de R$ 226.206,16 como rendimento omitido, caracterizado por variação patrimonial a descoberto. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Da análise da documentação obtida, ficou claro para esta fiscalização que ocorreu o fato gerador para a apuração de imposto alienação de bem imóvel com ganho de capital. (...) Ganho de Capital Apurado = 180.000,00 28.496,81 = R$ 151.503,19 (...) Portanto, o valor utilizado como base para a apuração do imposto sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos no auto de infração foi o calculado acima. DAS MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFICIO Em relação á omissão de rendimentos na alienação de bens e direitos, implicaram na aplicação da multa de oficio com o percentual de 150% , pois o contribuinte propositalmente ocultou ao fisco a posse do imóvel à SQN 316, bloco F, Apto 202, Asa Norte em Brasília/DF, já que em nenhuma das DIRPF que o mesmo entregou e que estão atualmente disponíveis para consulta tal imóvel é declarado. Da mesma forma, quando da alienação do mesmo, se absteve de recolher o imposto sobre o ganho de capital auferido com a venda. No curso desta fiscalização, questionado de forma direta e objetiva sobre tal alienação no termo de intimação fiscal n° 001 (folhas 11 e 12) e termo de reintimação fiscal n° 002 (folha 14), preferiu não fornecer qualquer informação, o Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 30 7 que acaba por caracterizar embaraço à fiscalização e sonegação fiscal (artigo 71 da lei 4.502 de 1964). Para os demais lançamentos, a multa de ofício aplicada é de 75 % sobre o imposto apurado. Impugnação Intimado em 26/09/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento do crédito tributário nas fls. 212/234 (vide fls. 276/289 do processo em arquivo PDF), em 23/10/07. Aduziu em síntese, preliminarmente a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e decadência. No mérito alegou a ausência de acréscimo patrimonial a descoberto, tendo em vista que comprovado documentalmente, assim como restou comprovado o grau de parentesco das pessoas envolvidas, sustentanto a informalidade de permeia negócios feitos com parentes próximos. Ainda, suscitou a vedação do lançamento do crédito tributário, única e exclusiva com base em depósitos bancários, em vista da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e do artigo 9º, do Decreto – Lei 2.471/88. Por fim, postulou, ainda, o cancelamento de “multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais decorrentes do lançamento principal (sic)” (fl. 234; vide fl. 298 do processos em arquivo PDF) não foi juntado qualquer documento com a impugnação. Decisão da DRJ A DRJ (fls. 237 – 258, vide fls. 301/322 do processo em arquivo PDF), por maioria de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito julgou procedente o lançamento. Os fundamentos alinhados pelos julgadores foram: a) quanto à decadência, pela aplicação do artigo 173, I do CTN, pois não houve antecipação de pagamento do IR durante o anocalendário de 2002, conforme a DIRPF do contribuinte. Portanto, rejeitouse a preliminar arguida; b) no que toca ao cerceamento de defesa, não merecem prosperar as alegações do contribuinte, pois teve em todos os momentos acesso aos elementos da autuação, tal como foi oportunizado tempo hábil para impugnar todas as manifestações e alegações da fiscalização, estando em perfeita consonância com o processo administrativo fiscal; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 31 8 c) em referência à posterior juntada de documentos e perícia, será somente admitida nos casos excepcionados pelo § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, consequentemente, não estando corroboradas nenhumas das situações postas, foi indeferido o pedido; c) relativamente ao mérito, no Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade lançadora, está registrado que não foram considerados como origens os valores de R$ 238.287,60, R$ 1.249.549,78 e R$ 785.360,35, os quais, respectivamente, corresponderiam a “lucros e dividendos recebidos” e “restituição/resíduos na DIRPF/2002 e empréstimo” obtido com a irmã do autuado. Todavia, uma vez que não comprovadas as alegações pelo contribuinte, não houve reparo no lançamento efetuado; d) no que diz respeito ao ganho de capital a autoridade lançadora, ao constatar a alienação de bem adquirido em 1991 e não declarado pelo contribuinte, aplicou corretamente a legislação de regência para corrigir o custo de aquisição até a data da alienação do imóvel, e, em consequência, apurar o Ganho de Capital na operação. Por isso, mantida a infração; e) alusivo aos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o depósito bancário cujo titular da movimentação, pessoa Física ou Jurídica, regularmente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, tornase sujeito à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos, enquadrandose perfeitamente na situação que configura ocorrência de fato gerador do IRPF, conforme o art. 43 do CTN, portanto não assiste razão ao contribuinte; f) por fim, quanto à multa de ofício de 75% e juros aplicados, a legislação permite sua incidência, não havendo amparo legal a pretensão do contribuinte. Recurso Voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/04/09 (fl. 269; vide fl. 333 do processo em arquivo PDF), o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 274 292; vide fls. 338/356 do processo em arquivo PDF), reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 32 9 O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Decadência Como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme pressupõe o artigo 150 do CTN. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Sendo assim, a autoridade fiscal, nos termos do § 4º do referido artigo, goza de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, de 12/08/2009, recurso este representativo da controvérsia (art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ), que “o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre” (grifo nosso): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 33 10 contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como visto, entendeu o STJ que, para as hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não houve qualquer antecipação de pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. A contrário sensu, nos casos em que houver qualquer antecipação de pagamento, a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, que, em relação ao IRPF, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 34 11 Diante do advento da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A1 Sendo assim, a partir do julgamento do RESP nº 973.733/SC, a orientação por ele dada passou a ser de observância obrigatória também por esse Conselho e apenas confirmou o entendimento que já vinha sendo adotado pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica no julgado abaixo: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerasse ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/0400.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo, Sessão de 19/06/2007, CSRF). No mesmo sentido, aplicando a orientação agora pacificada pelo STJ, já vinha asism se manifestando a 1ª Turma da 2ª Câmara: Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 35 12 anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação do lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Acórdão 2201001.859. (Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe, Sessão de 16/10/2012, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária). No caso dos autos, como bem destacado pela decisão da DRJ e como se verifica da DIRPF juntada pelo recorrente às fls. 16/18, não houve, no anocalendário de 2002, qualquer antecipação a título de imposto de renda, quanto ao IRPF sujeito ao ajuste anual . Neste caso, consoante os julgados acima, para fins de verificação de decadência, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do CTN, o qual determina que “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Assim, referindose a autuação ao IRPF exercício de 2003, ano calendário 2002, e tendo o contribuinte sido notificado em 26/09/2007 (fl. 277; vide fl. 267 do processo em arquivo PDF), verificase não ter se operado a decadência, não prosperando, portanto, a preliminar suscitada, quanto ao IRPF sujeito ao ajuste anual. Passase agora à análise do ganho de capital que, como bem se sabe, é sujeito à tributação exclusiva (até o último dia do mês seguinte à data do recebimento do ganho de capital), em regime separado dos demais rendimentos oferecidos ao ajuste anual. Conforme se conclui do auto, não houve por parte do recorrente qualquer comprovação no sentido de antecipação, mesmo que parcial, do tributo devido, sendo que nem mesmo houve a declaração da venda do imóvel, não sendo possível, portanto, aplicar a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, em vista da inexistência de pagamento antecipado. Diante disso, imperioso se faz a aplicação, também no caso do ganho de capital, da regra prevista no já referido art. 173, I, do CTN. Esse é o entendimento deste Conselho, conforme se percebe da decisão abaixo transcrita: DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (CARF. 1ª Turma Especial. Segunda Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 36 13 Seção de Julgamento. Acórdão 280102.958. Rel. Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Julg. 13/03/13) Como o ganho de capital in casu foi apurado em 15/03/2002, o prazo para recolhimento encerraria em 30/04/2002, podendo o tributo ser lançado a partir de 01/05/2002, tendo, portanto, se iniciado a contagem do prazo decadêncial em 01/01/2003 (primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual ele poderia ter sido lançado). Logo, o prazo final para o lançamento se encerraria em 31/12/2007, não havendo que se falar em decadência, no caso, quanto ao lançamento do IR devido em face do ganho de capital, haja vista que a notificação ocorreu em 26/09/2007. Diante disso, afasto a preliminar suscitada. Cerceamento de Defesa O contribuinte pretende a nulidade do lançamento, em vista do alegado cerceamento de defesa, uma vez que, no seu entender, tendo apresentado toda a documentação solicitada a RFB, seria responsabilidade da autoridade fiscalizadora averiguar junto às instituições financeiras mantenedoras das contascorrente do fiscalizado, as informações que achar necessárias. O artigo 15 do Decreto 70.235/72 prevê que a impugnação será “formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar”, sendo dever do contribuinte apresentar as provas necessárias para ilidir as dúvidas da fiscalização. Diante do referido, no que toca à alegação de cerceamento de defesa, a prova cabal de que tal não se verificou no caso dos autos advém: de três intimações do contribuinte para se manifestar acerca das solicitações de informações por parte da fiscalização (fls. 21, vide fls. 11 do processo em arquivo PDF, fl. 24 vide fls. 14 do processo em arquivo PDF e fl.26 vide fls. 16 do processo em arquivo PDF); bem como da apresentação tempestiva da impugnação conhecida e analisada, na qual o recorrente revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendoa, sem, contudo, ter juntado qualquer documento novo, o mesmo ocorrendo quando da interposição do recurso voluntário. Além do mais, desde a notificação do contribuinte até a data do presente julgamento já se passaram mais de 6 anos, tempo suficiente para o levantamento de informações e juntada de documentos. Em casos como este, em que é dado ao contribuinte amplo conhecimento dos fatos que lhes estão sendo imputada, assim como acesso aos autos e prazo suficiente para comprovar suas alegações, é cediço o entendimento desse Conselho no sentido de que não há de se falar em cerceamento de defesa, juntandose, por amostragem, o julgado abaixo: Processo nº 10640.004075/200843 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 37 14 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.278 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALTAMIR DE SOUZA GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é medida excepcional, que deve ser deferida somente quando demonstrada pelo requerente a necessidade, o cabimento e os quesitos necessários a sua realização. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). EXAÇÃO CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. SÚMULA CARF Nº 4. Arguição de confisco, inaplicabilidade da Taxa SELIC e demais pontos que demandem a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo vigente e válido não cabem a este Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não há que se falar nem em cerceamento de defesa, nem na necessidade de quaisquer outras diligências no presente caso, não merecendo prosperar tal alegação em sede preliminar. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 38 15 Como muito bem referido pela DRJ, são tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não tiver sua origem justificada. Para esclarecer as imprecisões das declarações do contribuinte, o art. 806 do Decreto 3.000/99 autoriza a autoridade fiscal a “exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio”. Diante disso, como já relatado, foi intimado o recorrente, por diversas vezes, para que comprovasse as inconsistências verificadas em sua DIRPF. Contudo não logrou êxito em comprovar o acréscimo patrimonial a descoberto, sujeitandose, na forma do artigo 807 do mesmo Decreto 3.000/992. Com base na análise da documentação apresentada pelo contribuinte e demais provas carreadas aos autos, foi elaborado pela fiscalização demonstrativo mensal de variação patrimonial a descoberto, tendo sido verificado acréscimo patrominial de “R$ 226.206,16” no mês de julho/02 (fl. 256; vide fl. 246 do processo em arquivo PDF). Diante das informações constantes na DIRPF do exercício de 2003 (fls. 16/18), acerca de recebimentos de valores a título de (i) “lucros e dividendos”, no total de R$ 238.287,60, (ii) “IRPF 2002 restituição/resíduo na declar 2002/emprest”, no total de R$ 1.249.549,78, e (iii) empréstimo tomado de sua irmã (Sra. Mônica), no total de R$ 785.360,35, foi o recorrente intimado e reintimado para comprovar as origens de tais valores. Entretanto, para não dizer que não houve qualquer mínima comprovação, o máximo que o recorrente fez foi trazer um documento firmado por sua irmã (Sra. Mônica Patricia Moreira Lopes), sem qualquer elemento dotado de fé pública que comprovasse a data de assinatura de tal documento, no qual resta referido, simplesmente, que (i) se trataria de “Empréstimo”, (ii) no valor de “R$ 785.360,35”, (iii) “no ano de 2002 a ser quitada conforme cronograma anexo” (fl. 48; vide fl. 38 do processo em arquivo PDF), cabendo destacar que não foi juntado nem o referido ‘cronograma’, nem qualquer comprovação da transferência do valor dito emprestado. Ora, quanto à efetiva comprovação do referido empréstimo, obviamente que, por se tratar de hipótese de recursos transferidos entre familiares, não há de se exigir um 2 Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 39 16 formalismo contratual, por exemplo. Todavia, as informações prestadas pelo contribuinte devem ser suficientemente hábeis a demonstrar que a operação ocorreu. Na declaração do recorrente consta que o empréstimo teria sido tomado em 30/12/2002, mas na demonstração dos extratos da sua conta corrente não foi possível vislumbrar a entrada deste valor, seja na data informada, seja no período da aquisição de novo imóvel (em meados daquele ano), a qual teria justificado o empréstimo em questão. Ainda, para que não pairem dúvidas, no que toca ao empréstimo, mais especificamente, foi constatado pela fiscalização, ao consultar a DCPMF (declaração sobre movimentação financeira) da Sra. Mônica Patricia, que a movimentação bancária anual da mesma sequer se aproxima do valor supostamente emprestado R$ 785.360,35; Inclusive, nos extratos bancários apresentados pelo fiscalizado não consta nenhum deposito ou pagamento que coincide com valores e datas declarados nos recibos tomador. Além disso, a emprestadora não concorda, nem mesmo, quanto a data do suposto empréstimo, pois na declaração de bens e direitos da DIRPF exercício 2003, a Sra. Mônica Patricia informa que o empréstimo foi efetivado em 30/06/2002 enquanto o Sr. Getúlio informa em sua DIRPF exercício 2003, que o empréstimo se consumou em 30/12/2002, como já referido. Por fim, ambos afirmam haver um contrato, que não foi apresentado a esta fiscalização. De outra parte, quanto aos “lucros e dividendos” e aos valores declarados como decorrentes de “IRPF 2002 restituição/resíduo na declar 2002/emprest” não houve sequer referência a eles pelo contribuinte, em qualquer de suas manifestações, quanto mais comprovação de suas origens. Por conta disso, acertadamente, no meu ver, os valores informados na DIRPF, cujas origens não foram minimante comprovadas, não podem ser considerados como justificativa para o expressivo acréscimo patrimonial do contribuinte apurado em julho/02, devendo ser mantida a tributação sobre tais valores. Em casos como o dos autos, em que devidamente apurado e comprovada a existência de acréscimo patrominial, sem que o contribuinte tenha comprovado a sua origem, há reitarados julgados desse Conselho no sentido da tributação de tais valores a título de IRPF, citandose, por amostragem, o seguinte e recente julgado: ACÓRDÃO 2102002.510 2ª SEÇÃO – 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA MATÉRIA: IRPF, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 40 17 DATA DA PUBLICAÇÃO: 14/10/2013 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Em razão da negativa de recebimento da correspondência encaminhada ao contribuinte (e recusada por um preposto seu), correta é a sua intimação através de edital, diante da falta de êxito na intimação via Correios. MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Camara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. O lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas deve considerar valores que tenham sido efetivamente pagos à pessoa física autuada, sob pena de não restar comprovada a omissão, e por isso mesmo não poder prevalecer o lançamento assim fundamentado. IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. Sendo assim, quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, entendo que deve ser mantida a autuação. Ganho de Capital na Alienação de Bens Imóveis Relativamente à alienação de bens e direitos, prevê o art. 21 da Lei nº 8.981/95 que “o ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento”. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 41 18 A fim de verificar as transações imobiliárias envolvendo o contribuinte em questão no ano de 2002, foi realizada pela fiscalização pesquisa junto à Declaração de Operações Imobiliárias (DOI), conforme informado à fl. 273 (vide fl. 227 do arquivo em PDF), tendo sido identificada a alienação de imóvel que esta em seu nome desde 1991, o qual, contudo, não constava em qualquer das suas últimas DIRPF, não tendo, igualmente, sido declarada tal operação na DIRPF em questão. A partir de informações acerca (i) do valor pelo qual o contribuinte adquiriu o referido imóvel em 1991 – Cr$ 6.500.000,00 , conforme contrato de permuta, em que tal lhe foi transferido (fls. 248 249, vide folha 238 – 239 do arquivo em PDF) e na matrícula do imóvel (fls. 242, vide fl. 232 do arquivo em anexo) –, e (ii) do valor pelo qual o imóvel foi alienado em 2002 – R$ 180.000,00, conforme contrato de compra e venda (fl. 253 – 254, vide fls. 243 244 do arquivo em PDF) –, a fiscalização, após a atualização do valor do bem pelos critérios previstos na IN 84/2001, verificou um ganho de capital na alienação equivalente a R$ 151.503.19 (fl. 274, vide fls. 264 do processo em arquivo PDF). Em sua defesa, limitandose a referir que não teria informado a alienação por entender que não houve ganho de capital na operação, suscita, inicialmente, a decadência para o lançamento do tributo, eis que o ganho de capital seria submetido à tributação exclusiva de IR e teria decorrido mais de 5 anos entre a data da alienação (em março de 2002) e a notificação (em setembro de 2007). Ainda que assim não seja, alega o recorrente a improcedência da autuação e a ausência de ganho de capital, pelo fato de o cálculo da fiscalização não ter considerado o valor atualizado do bem. Quanto à suscitada decadência, digase que, embora, de fato, a operação seja submetida à tributação exclusiva, no caso em tela, justamente por não ter havido qualquer pagamento/antecipação de tributo em relação à tal operação, aplicase, também aqui, a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos termos fundamentados anteriormente. Em caso idêntico, assim já decidiu esse Conselho: ACÓRDÃO 280101.562 2ª Seção – 2ª Câmara – 1ª Turma Especial Julgado em 12/05/2011 Publicado em 27.03.2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EMENTA Exercício: 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAIS IRREGULARIDADES. O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 42 19 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. Considerando que os rendimentos declarados e omitidos transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, é plausível que os rendimentos que restaram confessados sejam excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminares rejeitadas. Pedido de diligência indeferido. Recurso voluntário provido em parte. Superada a alegação de decadência, merece ser analisado o argumento de que os valor do imóvel alienado não teria sido devidamente atualizado pela fiscalização. Neste ponto, como bem destacado pela decisão da DRJ, e diversamente do alegado pelo contribuinte, para fins de verificação de efetivo ganho de capital na alienação em questão, por se tratar de imóvel adquirido antes de 31/12/1991, foi adotada pela fiscalização a “Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos”, trazida no anexo único da IN 84/2001, que tem justamente a função de evitar distorções e tributação indevida. Entendendo pela legitimidade e possibilidade de adoção do critério de atualização previsto na IN 84/2001 e seu anexo único, assim já se manifestou a Receita Federal, no Processo de Consulta nº43/08, emanado da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, em 01/02/2008: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 43 20 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Ementa: CUSTO DE AQUISIÇÃO Mercado de Renda Variável. Ações Adquiridas em Dezembro de 1985. Considerase custo de aquisição das ações adquiridas em dezembro de 1985, o valor de mercado em 31 de dezembro de 1991, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. Para os bens adquiridos até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e os bens adquiridos entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição corresponde ao valor de aquisição até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a aplicação da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante do Anexo Único à Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001. Bonificações No caso de ações recebidas em bonificação, em virtude de incorporação, ao capital social da pessoa jurídica, de lucros ou reservas, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa, exceto em relação aos lucros apurados nos anoscalendário de 1994 e 1995, caso em que as ações bonificadas terão custo zero. Apuração do Ganho Na apuração do ganho líquido auferido na alienação de ações negociadas em bolsa de valores, o custo de aquisição corresponde à média ponderada dos custos unitários. Pelos fundamentos acima, também quanto à apuração de ganho de capital decorrente de alienação de imóvel, não informado pelo contribuinte, entendo que deva ser mantida a autuação. Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, foram identificados diversos depósitos em montantes consideráveis (conforme totais mensais detalhados à fl. 267), os quais, contudo, não foram Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 44 21 declarados na DIRPF, e, menos ainda, tiveram sua origem minimamente comprovada ou justificada. Em sua defesa, o recorrente limitase a sustentar que, tão somente os depósitos bancários não poderiam representar rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda, pois não teria sido demonstrado cabalmente pela fiscalização o acréscimo patrimonial que justificaria a incidência do tributo. Em impugnação o contribuinte referiu, ainda, que o TFR sumulou (Súmula 182) entendimento com esta exata interpretação e determinava o arquivamento de processos administrativos relativos a débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Ocorre que, esquecese o contribuinte de referir que a aludida súmula foi editada antes de 1996, quando ainda não estava em vigor o art. 42 da Lei n° 9.430/96 acima transcrito, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97. Dessa forma, como bem sustentado no acórdão da DRJ, a partir da edição da Lei 9.430/96 dúvidas mais não há acerca da possibilidade, sim, de ser determinada a incidência de IR toda vez que a fiscalização se deparar com a existência de “valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No caso dos autos, a aplicação de tal dispositivo é inquestionável, pois, como já dito, sequer houve mínima justificativa ou rasa comprovação quanto à origem do considerado valor de depósitos realizados na conta do contribuinte no ano de 2002, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 45 22 É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de omissão de rendimentos quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão como dolosa quando a renda for decorrente de esquemas fraudulentos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ também no tocante à tributação dos rendimentos omitidos, apurados a partir de depósito em contas bancárias sem comprovação de origem. Quanto às Multas Aplicadas Em face da autuação lavrada, foram aplicadas multas de ofício a ordem de 75% em relação à variação patrimonial e aos depósitos sem comprovação de origem, e de 150% em relação ao ganho de capital na venda de imóvel, por entender ter havido, neste caso, embaraço à fiscalização e sonegação, diante da ausência de prestação de informações pelo recorrente. Em seu recurso, pugna o contribuinte pelo cancelamento de “multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais decorrentes do lançamento principal (sic)” (fl. 292; vide fl. 356 do processo em arquivo PDF). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 46 23 De plano antecipo meu entendimento, no sentido de manutenção da multa de ofício no patamar de 75%, pois tal é a multa mínima prevista para caso como o dos autos, não cabendo a esse Conselho analisar se tal é abusiva ou confiscatória, conforme reiterados julgados, dos quais se colhe o exemplo abaixo: MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos.Contudo, entendo que deva ser analisado pelo Colegiado a aplicação de multa qualificada, fixada pela fiscalização relativamente ao ganho de capital decorrente da alienação do imóvel informada.(19515.002955/200461, Conselheiro Pedro Anana Jr., 1º Conselho de Contribuintes Quarta Câmara) Por outro lado, como já sumulado por esse Conselho, “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (súmula 14). A aplicação duplicada da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/96, justificada em “sonegação fiscal” (como ocorreu no caso em questão), somente tem lugar quando a conduta do contribuinte estiver assim tipificada. E, no tocante à sonegação, sua tipificação está no art. 71, da Lei 4.502/64 que determina ser sonegação “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.”. No caso dos autos, embora não tenha, de fato, declarado a existência de tal em suas DIRPFs, nem a sua alienação, o recorrente sustenta que tal agir se deu por entender que, na operação, de fato, não teria sido apurado tal ganho e, inclusive, suscita erro no cálculo da fiscalização, pois esta não teria atualizado o valor do imóvel devidamente. (fls. 350, 353). Dessa forma, não vislumbro, a rigor, evidente intuito de sonegação ou fraude na conduta adotada do contribuinte, que desde o início justificou (ainda que de maneira rasa) o motivo pelo qual havia deixado de declarar a venda do imóvel em comento. Ademais, entendo que a autoridade fiscalizadora se furtou de demonstrar o dolo do contribuinte, apenas presumindoo baseada na sua omissão frente ao conhecimento de fato relevante. (fls. 264, 265). Sendo assim, compreendo que deve ser parcialmente provido o recurso voluntário, para que a multa aplicada seja reduzida ao patamar de 75% também em relação ao ganho de capital decorrente da alienação de imóvel. Isso posto, voto pela PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 47 24 (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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