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Numero do processo: 10880.932166/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/10/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 66 /2 01 3- 13 Fl. 74DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.410 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932166/2013-13 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 75DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.410 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932166/2013-13 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 76DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.410 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932166/2013-13 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 77DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.410 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932166/2013-13 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 78DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.410 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932166/2013-13 Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.901731/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 60 a 66) interposto contra o Acórdão nº 09- 35.998, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 53 a 57), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .9 01 73 1/ 20 09 -8 5 Fl. 291DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.647 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901731/2009-85 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo de PER/Dcomp Retificadora, de n° 20573.63664.240308.1.7.04-5455 (fls. 2 a 7), na qual busca-se a compensação de débitos de IRPJ e CSLL, período de apuração 4o trimestre/2007, nos valores, respectivamente, de R$ 10.075,37 e RS 1.081,51, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, período de apuração 3 o trimestre/2006, DARF no valor de RS 26.625,42. A DRF/CFN/MG, em 07/10/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 13), atestando que "... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp". Inconformada, a contribuinte apresenta sua manifestação, alegando, em síntese (fl. 16): - Que, a empresa efetuou pagamento "a maior" de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, código 2372, no período de Janeiro de 2005 a Dezembro de 2006 e 1º trimestre de 2007, conforme p/anilha em anexo, gerando um crédito de pagamento a maior no valor de R$101.593,79. - Que, a empresa entregou as respectivas DCTF 'S com os valores que foram pagos à época, ou seja, "a maior", não procedendo posteriormente às Retificações devidas. - Que, no oportuno, a empresa entregou as DCTF'S Retificadoras (em anexo) referente ao primeiro e segundo semestres de 2006, podendo aí constatar o valor do crédito do contribuinte, que foi compensado." O acórdão de primeira instância rechaçou os argumentos da Interessada sob o fundamento de que esta não teria apresentado provas que demonstrassem a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise explicando que o seu direito ao crédito surge do equívoco que cometeu a utilizar o coeficiente de 32%, ao invés de 12%, para a determinação de seu Lucro Presumido, em razão da atividade de serviço de obra com fornecimento de materiais. Para comprovar o alegado, junta uma série de novos documentos e demonstrativos. Fl. 292DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.647 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901731/2009-85 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP (fl. 03 a 13) apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o recolhimento que ampararia o crédito a ser utilizado já teria sido integralmente alocado para quitação de outro débito. Por sua vez a Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, vez que alega prestar serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ªRF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/2007-97 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120). Por oportuno, replico a conclusão da mesma: "(...) Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento)." Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente trouxe em seu recurso diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Fl. 293DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.647 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901731/2009-85 Os contratos apresentados (fls. 146 a 265) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com as Prefeituras Municipais de Coronel Fabriciano/MG, Baixo Guandu/ES e Piúma/ES, incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, prédios e demais componentes da infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a Paróquia São Sebastião / Comunidade Santa Rita, em Coronal Fabriciano/MG, para a construção de um prédio anexo. Dos contratos citados pode-se depreender que há o dever de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente, havendo, inclusive, menção expressa na maioria deles. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (arquivo-fl.276) e Razão Analítico (arquivo-fl.277) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. Os Livros Diários e Razão apresentados mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo do Recurso Voluntário e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Fl. 294DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.647 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901731/2009-85 Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.911012/2015-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NECESSÁRIA RETIFICAÇÃO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO ALEGADO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Diante da não retificação da DCTF para retratar o valor alegado como correto e a ausência de elementos probatórios hábeis a comprovar o alegado pelo contribuinte, não se reconhece o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1302-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12448.911014/2015-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NECESSÁRIA RETIFICAÇÃO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO ALEGADO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Diante da não retificação da DCTF para retratar o valor alegado como correto e a ausência de elementos probatórios hábeis a comprovar o alegado pelo contribuinte, não se reconhece o direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12448.911014/2015-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NECESSÁRIA RETIFICAÇÃO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO ALEGADO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Diante da não retificação da DCTF para retratar o valor alegado como correto e a ausência de elementos probatórios hábeis a comprovar o alegado pelo contribuinte, não se reconhece o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12448.911014/201575, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 91 10 12 /2 01 5- 86 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 12448.911012/201586 Acórdão n.º 1302003.680 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por LUBRU CONSTRUÇÕES LTDA contra acórdão que indeferiu a manifestação de inconformidade. A empresa apresentou PER/DCOMP na qual pleiteia compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débitos nela declarados. O despacho decisório proferido pela DRF/RJ1 não homologou a compensação porque identificou que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação dos débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a empresa alegou, em síntese, que: o crédito utilizado para compensação advém de imposto pago mediante DARF, em que não foi deduzido o imposto retido na fonte, conforme informado em sua DIPJ; a multa isolada de 50% sobre o débito objeto da declaração de compensação não homologada é ilegal/inconstitucional; e ao final, pugna pela reforma da decisão, pela suspensão da exigibilidade do crédito principal e da multa, bem como protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito. A DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde repete os mesmos argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12448.911012/201586 Acórdão n.º 1302003.680 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.675, de 13/06/2019, proferido no julgamento do Processo nº 12448.911014/2015 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.675): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, a empresa não apresentou qualquer argumento para contestar os fundamentos da decisão recorrida. Apenas repetiu as razões já expostas na manifestação de inconformidade. Por concordar com o que foi prolatado na instância a quo, reproduzo os fundamentos daquela decisão, na parte que efetivamente apreciou as alegações contidas na manifestação de inconformidade, na esteira do que prevê o art. 57, § 3º, do RICARF: No caso dos autos, constatase, em consulta aos sistemas informatizados da RFB (fl. 66/67), que somente foi entregue pela interessada uma DCTF, original, que se encontra ativa e, de acordo com a referida Declaração, não há excesso de pagamento relativamente ao débito de IRPJ em questão. Ademais, não foram juntados aos autos documentos que comprovem o erro no preenchimento da DCTF e no valor recolhido aos cofres públicos. E, em se tratando de dedução de IRRF tal como alega a interessada, seriam imprescindíveis, além da juntada de cópia de livros fiscais / contábeis, a exibição de comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras dos rendimentos, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, e, ainda, a comprovação da tributação das receitas correspondentes, a teor do que dispõe o inciso III do art. 231 do Decreto nº 3000/1999 (RIR/1999). Somente para argumentar, cumpre registrar que, conforme Relatório extraído do Sistema DIRF/RFB (fl. 68), foi apresentada DIRF apenas com código de receita 1708 e não com código de receita 6256 tal como declarado pela interessada na Ficha 57 – Demonstrativo do Imposto de Renda, CSLL e Contribuição Previdenciária Retidos na Fonte da DIPJ 2011 (fl. 52). Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12448.911012/201586 Acórdão n.º 1302003.680 S1C3T2 Fl. 5 4 Deixase de apreciar as arguições acerca da inaplicabilidade da multa com fundamento no § 18, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, e inciso I, § 1º do artigo 45, da IN RFB nº 1300/2012, por não versar o caso dos autos sobre tal exigência. Por fim, no que tange à pretensão da interessada de que as intimações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao endereço de seu patrono, esta não merece acolhida por falta de previsão legal, pois, nos termos do art. 23, II e § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, as mesmas devem ser enviadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. À vista de todo o exposto, considerando que os fundamentos do Despacho Decisório nº de rastreamento 108892329 são coerentes com a DCTF apresentada pela interessada e considerando, ainda, que não foi comprovado o erro alegado na manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, concluo pela ausência de liquidez e certeza do crédito que é objeto do presente. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910664/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.640
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2013 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.910664/201628 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.640 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria Intempestividade Recorrente UGHINI S A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2013 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 64 /2 01 6- 28 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910664/201628 Acórdão n.º 3402006.640 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912395/2016-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.975
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 95 /2 01 6- 49 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912395/2016-49 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912395/2016-49 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912395/2016-49 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912395/2016-49 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.975 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912395/2016-49 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.661904/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 19 04 /2 01 2- 43 Fl. 83DF CARF MF 2 (...) CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou o Recurso Voluntário para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.308, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.661882/201211. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.308): "A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/COFINS e foi utilizado para compensar débitos de PIS/COFINS por meio do PER/DCOMP, transmitido antes da análise do pedido de restituição.. A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e viceversa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.661904/201243 Acórdão n.º 3401006.322 S3C4T1 Fl. 3 3 introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindose este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindose o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 85DF CARF MF 4 Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000757/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2008
NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE AS PRINCIPAIS TESES DE DEFESA. DESCABIMENTO.
É descabida a decretação de nulidade do acórdão de primeira instância quando a decisão apreciou as principais questões de defesa listadas na impugnação, mediante exposição das razões que formaram o convencimento do julgador administrativo, cuja fundamentação do voto, mesmo que sucinta em alguns pontos, é capaz de justificar racionalmente a deliberação do colegiado.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTRAPOLAÇÃO DOS LIMITES DE INVESTIGAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
De acordo com os documentos que instruem os autos, não há que se falar em extrapolação dos limites da investigação fiscal definidos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Além do mais, à época da execução do procedimento de auditoria, o documento constituía-se em um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente fazendário.
PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÕES DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM PRESUNÇÕES. DESCABIMENTO.
O procedimento fiscal levado a efeito não se revela arbitrário, nem expressa a aplicação injustificada da presunção em lei para fundamentar o lançamento de ofício, quando, após devidamente intimado, o sujeito passivo deixa de exibir os documentos que dão suporte aos registros contábeis, ou apresenta a documentação de maneira deficiente, autorizando o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova.
TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA.
Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com empresa individual optante pelo Simples, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal não optante pelo regime diferenciado de tributação. O conjunto probatório aponta no sentido da artificialidade da terceirização dos serviços complementares ligados à revenda de automóveis, atuando os trabalhadores sob um comando único na prestação de serviços em prol da empresa principal, concessionária de veículos automotores, que se responsabiliza pelo risco da atividade econômica das demais, num cenário de improvável autonomia empresarial, em que ocorre o pagamento habitual de obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias das empresas prestadoras de serviços.
GUELTAS. PAGAMENTOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. CARÁTER DE REMUNERAÇÃO.
As denominadas gueltas pagas ao trabalhador de forma habitual por terceiro alheio ao vínculo empregatício, com o objetivo de estimular a venda de determinado produto que mantém relação com as atividades laborais do empregado, assemelham-se às gorjetas e, portanto, possuem natureza salarial e integram o salário-de-contribuição.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, autoriza o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. É cabível a exclusão da base de cálculo do lançamento de ofício quando o conjunto probatório é suficiente para negar a natureza remuneratória aos registros contábeis listados pela autoridade tributária.
Numero da decisão: 2401-006.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) levantamento AFN: retificações da base de cálculo, conforme Tabela 1 do voto; b) levantamento C02: redução da base de cálculo, conforme Tabela 2 do voto; c) levantamentos C31, C32, C33, C34 e C35: redução da base de cálculo, conforme Tabelas 3 a 7 do voto, respectivamente; d) levantamento C37: redução da base de cálculo, conforme Tabela 8 do voto; e e) exclusão dos levantamentos AFP, C03, C10 e C36.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE AS PRINCIPAIS TESES DE DEFESA. DESCABIMENTO. É descabida a decretação de nulidade do acórdão de primeira instância quando a decisão apreciou as principais questões de defesa listadas na impugnação, mediante exposição das razões que formaram o convencimento do julgador administrativo, cuja fundamentação do voto, mesmo que sucinta em alguns pontos, é capaz de justificar racionalmente a deliberação do colegiado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTRAPOLAÇÃO DOS LIMITES DE INVESTIGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. De acordo com os documentos que instruem os autos, não há que se falar em extrapolação dos limites da investigação fiscal definidos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Além do mais, à época da execução do procedimento de auditoria, o documento constituíase em um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente fazendário. PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÕES DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM PRESUNÇÕES. DESCABIMENTO. O procedimento fiscal levado a efeito não se revela arbitrário, nem expressa a aplicação injustificada da presunção em lei para fundamentar o lançamento de ofício, quando, após devidamente intimado, o sujeito passivo deixa de exibir os documentos que dão suporte aos registros contábeis, ou apresenta a documentação de maneira deficiente, autorizando o lançamento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 57 /2 00 8- 10 Fl. 7043DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.044 2 importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com empresa individual optante pelo Simples, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal não optante pelo regime diferenciado de tributação. O conjunto probatório aponta no sentido da artificialidade da terceirização dos serviços complementares ligados à revenda de automóveis, atuando os trabalhadores sob um comando único na prestação de serviços em prol da empresa principal, concessionária de veículos automotores, que se responsabiliza pelo risco da atividade econômica das demais, num cenário de improvável autonomia empresarial, em que ocorre o pagamento habitual de obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias das empresas prestadoras de serviços. GUELTAS. PAGAMENTOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. CARÁTER DE REMUNERAÇÃO. As denominadas gueltas pagas ao trabalhador de forma habitual por terceiro alheio ao vínculo empregatício, com o objetivo de estimular a venda de determinado produto que mantém relação com as atividades laborais do empregado, assemelhamse às gorjetas e, portanto, possuem natureza salarial e integram o saláriodecontribuição. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, autoriza o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. É cabível a exclusão da base de cálculo do lançamento de ofício quando o conjunto probatório é suficiente para negar a natureza remuneratória aos registros contábeis listados pela autoridade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 7044DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.045 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) levantamento AFN: retificações da base de cálculo, conforme Tabela 1 do voto; b) levantamento C02: redução da base de cálculo, conforme Tabela 2 do voto; c) levantamentos C31, C32, C33, C34 e C35: redução da base de cálculo, conforme Tabelas 3 a 7 do voto, respectivamente; d) levantamento C37: redução da base de cálculo, conforme Tabela 8 do voto; e e) exclusão dos levantamentos AFP, C03, C10 e C36. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1437.694, de 23/05/2012, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 6.111/6.134): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2008 Debcad: 37.212.8009 DECADÊNCIA. Ocorrendo o recolhimento parcial de contribuição, o início da contagem do prazo qüinqüenal da decadência será definido pela ocorrência da homologação do crédito, de acordo com o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Fl. 7045DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.046 4 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ATO DECLARATÓRIO Nº 3/2011. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser excluído do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições incidentes sobre as parcelas de auxílio alimentação in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados (Ato Declaratório PGFN nº 3/2011). TRANSFERÊNCIA IRREGULAR DE EMPREGADOS PARA REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Caracterizada a situação de transferência de segurados empregados para interpostas empresas com a finalidade de irregular redução de contribuição previdenciária, os empregados deverão ser considerados como se fossem empregados da principal, prevalecendo a realidade dos fatos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. Empréstimos realizados entre empresa e sócios deverão ser contabilmente comprovados com a entrada do valor posteriormente devolvido, em caso contrário, presumese a ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A discussão de ilegalidade de lei não é apropriada nesta esfera administrativa, por falta de competência. PERÍCIA. A realização de perícia será deferida desde que haja fatos com complexidade técnica que a justifique. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Relatório Fiscal que o processo administrativo é composto do Auto de Infração (AI) nº 37.212.8009, abrangendo as competências de 12/2002 a 01/2008, referente à contribuição previdenciária a cargo da empresa e aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (fls. 779/925). Segundo o agente lançador, os fatos geradores correspondem às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais verificadas a partir de folhas de pagamentos e escrituração contábil. Em decorrência da apresentação deficiente de documentação, uma parte do valores foi apurada por aferição indireta, nos termos do § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. O crédito tributário compreende o lançamento incidente sobre diversos pagamentos avaliados como de natureza remuneratória que deixaram de ser oferecidos à tributação. Fl. 7046DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.047 5 Além disso, a fiscalização procedeu à caracterização do vínculo em nome da pessoa jurídica autuada com respeito a trabalhadores formalmente registrados nas seguintes empresas individuais: (i) Marina Tomoe Ogata Kodama ME, CNPJ 04.071.124/000110 (MARINA) (ii) Marcos Baldassa ME, CNPJ 03.659.088/000146; (BALDASSA) (iii) José Roberto de Souza Monte Alto ME, CNPJ 03.658.542/000144 (JOSÉ ROBERTO) As empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO optaram pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal) e, a partir de julho/2007, pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). A autoridade lançadora concluiu que se tratavam de interpostas pessoas, ocorrendo a prestação dos serviços pelos empregados diretamente para a empresa principal, ora autuada. Para efeito de constituição do crédito tributário, a autoridade fiscal distribuiu as bases de cálculo do lançamento em diferentes grupos, denominados de levantamentos, conforme a origem e natureza dos fatos geradores, representados pelos 53 (cinquenta e três) códigos a seguir indicados: AB, AFM, AFN, AFP, AFR, JRA, JRN, JRQ, MAA, MAE, MAN, MBN, MBQ, PRN, UIE, UIN, C01 a C37. A ciência do lançamento deuse no dia 30/12/2008, com apresentação de impugnação dentro do prazo legal (fls. 02 e 1.613/1.660). Previamente à decisão de primeira instância, os autos foram remetidos à fiscalização, em dois momentos, para manifestação sobre os elementos de prova juntados pela impugnante (fls. 5.434/5.439 e 5.867/5.868). O agente lançador pronunciouse sobre a documentação dos autos, tendo opinado pela retificação parcial da exigência fiscal, em pontos específicos do auto de infração (fls. 5.456/5.467 e 5.870/5.872). Por sua vez, nas duas oportunidades a empresa autuada manifestouse sobre o resultado da diligência fiscal. Em síntese, afirmou que a despeito da farta documentação apresentada, com mais de 5 (cinco) mil folhas, pouca coisa a autoridade fiscal acolheu como prova de suas alegações de improcedência dos valores lançados, visto que rejeitou a ausência de natureza salarial (fls. 5.471/5.483 e 5.875/5.893). A empresa autuada foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/09/2012, com protocolo de recurso voluntário no dia 02/10/2012, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 6.135/6.136 e 6.138/6.200): Fl. 7047DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.048 6 (i) a decisão recorrida é nula, porquanto deixou de analisar e avaliar os argumentos mais relevantes de defesa e o respectivo suporte documental apresentado no processo administrativo; (ii) a fiscalização abrangeu outras pessoas jurídicas distintas do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), extrapolando a autorização contida no documento; (iii) o princípio da verdade material restou ignorado pela fiscalização e decisão de primeira instância, tendo em vista os documentos apresentados aptos a comprovar a inexistência de relação jurídica tributária da recorrente com respeito às contribuições lançadas; (iv) na hipótese de considerar irregular o planejamento tributário realizado pela recorrente, que se deu a partir da terceirização de determinados serviços complementares ligados à revenda de automóveis, caberia a apuração correta da base de cálculo das contribuições, assim como o aproveitamento dos recolhimentos efetuados pelas empresas nas quais registrados os trabalhadores; (v) o lançamento foi efetuado com base em presunções, na medida em que o agente fiscal utilizou para fins de base de cálculo valores referentes a registros contábeis de natureza diversa de salário ou remuneração pelo trabalho, como no caso de transferências para as empresas contratadas, a título de ajuste comercial; (vi) há ilegitimidade passiva da recorrente para responder por créditos tributários pertencentes às empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO que lhe prestaram serviços, como se fossem seus estabelecimentos operacionais; (vii) na hipótese de irregularidade fiscal nas empresas prestadoras de serviços, o procedimento adequado seria a prévia exclusão do regime do Simples/Simples Nacional e o lançamento das respectivas contribuições em nome dessas pessoas jurídicas, jamais, contudo, caberia imputar a responsabilização tributária por dívidas de terceiros à recorrente; (viii) a existência nos livros contábeis da recorrente de lançamentos em contas de despesas com relação a pagamentos de viagens, verbas salariais, folhas de pagamento e retenção de imposto de renda para segurados empregados das empresas prestadoras de serviços é explicado por um procedimento de encontro de contas, ao final de cada mês, para apuração dos Fl. 7048DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.049 7 valores finais, o que poderia ser elucidado e comprovado por intermédio de realização de perícia contábil, a qual, no entanto, foi indeferida pelo órgão julgador de primeira instância; (ix) a fiscalização ao recusar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços deixou de observar a norma insculpida no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN), que impõe como condição necessária para a desconsideração dos atos e negócios o atendimento dos procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária; (x) há equívocos nas ocorrências e nos períodos trabalhados apurados pela autoridade fiscal relativamente às pessoas físicas Ediva de Moura, Isabel Endres, Alan Patrick Lopes, Andrea Martins da Silva, Gustavo R. Gomes e Vanessa Keila Tozatto; (xi) o valor arbitrado na competência 01/2008, no montante de 10 (dez) salários mínimos, com relação ao pró labore dos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, devido à falta de apresentação de documentos, não está compatível com os patamares verdadeiramente auferidos, os quais podem ser obtidos a partir dos dados disponíveis no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil; (xii) o Levantamento C01 diz respeito a incentivos pagos pelos bancos conveniados para a promoção de venda de financiamentos, oferecidos aos funcionários das empresas a título de gratificação pecuniária, que não se revestem de natureza salarial, pois são pagamentos oriundos de terceiras pessoas; (xiii) o Levantamento C02 contém valores retirados de conta contábil relacionada a devoluções e pagamentos de empréstimos cedidos e efetuados em nome da pessoa jurídica MARINA, descabendo a interpretação que equivalem a pagamentos a título de prólabore para a sócia Marina Tomoe Ogata Kodama; (xiv) o Levantamento C03 contém valores relativos a operações de empréstimos com a pessoa jurídica Prisma Tintas de Jaboticabal Ltda, não sendo correta a interpretação que equivalem a pagamentos a título de prólabore para o sócio em comum Marcos Takeo Ogata; (xv) os Levantamentos C05 e C06 contêm lançamentos equivocadamente atribuídos pela fiscalização como sendo pagamentos de prólabore e/ou remuneração a segurado empregado; Fl. 7049DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.050 8 (xvi) o Levantamento C08 contém lançamentos referentes à venda de veículo e serviços ao sócio Kioschi Ogata, devidamente adimplido pelo comprador, razão pela qual não podem ser considerados prólabore; (xvii) os Levantamentos C09 e C10 não se referem a pagamento de remuneração, porquanto dizem respeito a valores de operações de empréstimos concedidos ao funcionário Tsikassi Ogata, os quais foram adimplidos a seu modo e tempo; (xviii) os Levantamentos C14, C15, C16 e C17 são referentes a pagamentos de comissões aos segurados empregados registrados nas empresas prestadoras de serviços, indevidamente lançados em nome da recorrente, conforme razões antes mencionadas; (xix) os Levantamentos C18, C19 e C20 contêm lançamentos de comissões pagas a terceiros e pagamentos a pessoas que não pertencem ao quadro funcional da empresa, não possuindo natureza salarial; (xx) o Levantamento C26 é concernente a empréstimos efetuados à empresa pelo sócio Marcos Takeo Ogata, não se revestindo os valores listados de pagamento a título de pró labore; (xxi) o Levantamento C27 contém valores retirados de conta contábil relacionada a devoluções e pagamentos de empréstimos cedidos e efetuados em nome da pessoa jurídica JOSÉ ROBERTO, descabendo a interpretação de equivalência com pagamentos a título de remuneração do funcionário José Roberto de Souza; (xxii) os Levantamentos C28, C29 e C30 representam despesas operacionais da recorrente, contabilizados com histórico equivocado, em nada se equiparando com remuneração paga a segurados; (xxiii) os Levantamentos C31, C32, C33, C34 e C35 dizem respeito a pagamentos efetuados pela recorrente às empresas prestadoras de serviços quando do acerto de contas entre as partes; e (xxiv) os Levantamentos C36 e C37 são referentes a diversas operações de capitação de recursos com o propósito de financiar o capital de giro da recorrente, por meio de obtenção de crédito junto a instituições financeiras, através de descontos de títulos emitidos por funcionários, sócios ou prestadores de serviços, devidamente quitados na época própria. Fl. 7050DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.051 9 Na sequência dos atos processuais, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência pela Turma, por intermédio da Resolução nº 2401000.439, de 22/01/2015, com a finalidade de análise pela autoridade lançadora dos documentos trazidos pelo contribuinte em suas manifestações em sede de impugnação e recurso voluntário, especialmente quanto a dúvidas vinculadas aos Levantamentos C02, C03, C26, C27, C36 e C37 (fls. 6.655/6.670). Novamente, a autoridade fiscal procedeu ao reexame das cópias dos documentos acostados aos autos na fase do contencioso administrativo, concluindo, ao final, pela insuficiência do conjunto probatório para demonstrar os fatos alegados pela recorrente (fls. 6.674/6.749). Oportunizado o contraditório, a recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência fiscal (fls. 6.760/6.813). Em seu ponto de vista, o agente fiscal esquivouse de cumprila, ao deixar de analisar integralmente a documentação, limitandose a relacionar os documentos, porém sem vinculálos às acusações fiscais. Após reforçar pontos específicos do conjunto probatório carreado aos autos, destacando os principais aspectos de fato e direito favoráveis a sua linha argumentativa, requereu a prevalência das provas produzidas pelo contribuinte, que confirmam a inexistência de natureza remuneratória no tocante aos valores apurados pela autoridade fiscal no auto de infração. Ao constatarse que a relatora originária do recurso voluntário não mais fazia parte do colegiado, os autos foram redistribuídos para um novo relator designado mediante sorteio (fls. 6.817). Nesse cenário, restou inevitável a reavaliação do conjunto probatório carreado aos autos pelas partes, a fim de verificar a necessidade de coleta de documentos e/ou esclarecimentos adicionais para a decisão do julgador sobre as matérias controvertidas submetidas à segunda instância. Depois de um juízo perfunctório, adequado à fase processual em andamento, considerei a plausibilidade das alegações da recorrente para afastar ao menos parte do lançamento fiscal, havendo, contudo, a necessidade de nova conversão do julgamento em diligência, para fins de intimação da autuada para trazer aos autos elementos complementares para subsidiar a decisão no recurso voluntário, pertinentes, em especial, aos Levantamentos C31 a 35 e C37 (fls. 6.840/6.848). Feita a intimação do sujeito passivo, a empresa recorrente providenciou a juntada de documentos e a prestação de esclarecimentos adicionais, conforme solicitado na Resolução nº 2401000.681, de 05/07/2018 (fls. 6.857/6.863 e 6.865/7.038). Em sua petição, a autuada mais uma vez faz a defesa da legalidade da terceirização de serviços, cuja implantação teve como objetivo alcançar uma "economia tributária" de natureza lícita, e também acredita que logrou demonstrar no processo a consistência dos lançamentos em livro diário quando em confronto com os documentos que lhe dão suporte. É o relatório. Fl. 7051DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.052 10 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto A fim de evitar decisões despedidas de congruência em face da empresa recorrente, estão sendo julgados em conjunto os recursos voluntários relativos aos processos nº 18008.000757/200810, 18088.000758/200856, 18088.000759/200809, 18088.000764/2008 11 e 18088.000767/200847, os quais foram formalizados no mesmo procedimentos fiscal, com base nos mesmos elementos de prova. Preliminares a) Nulidade da decisão de primeira instância Inicialmente, a recorrente pugna pela nulidade do acórdão de primeira instância, pela falta de apreciação de argumentos de defesa contra o lançamento efetuado, pleiteando o retorno dos autos à instância de origem para que outra decisão seja proferida, sob pena de prejuízo à ampla defesa e contraditório. Segundo assevera a petição recursal, a decisão de piso deixou de manifestarse sobre as principais teses de defesa do sujeito passivo, carecendo o acórdão recorrido da imprescindível motivação para justificar a manutenção do lançamento tributário. A decisão de primeira instância menosprezou os milhares de documentos acostados aos autos, bem como recusou os fundamentos de mérito, ficando evidente a omissão na análise do caso concreto. Pois bem. Não é verdade que é o acórdão recorrido simplesmente ignorou o suporte documental probante que foi produzido durante a fase do contencioso administrativo, até porque converteu, em duas oportunidades, o julgamento em diligência, com a finalidade de prévia manifestação pelo agente lançador a respeito da documentação juntada aos autos pelo contribuinte, ofertandose o contraditório à empresa autuada, previamente à decisão de primeira instância. Fl. 7052DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.053 11 Nesse cenário, a decisão de piso atacou as questões principais deduzidas pela recorrente, na ocasião impugnante, expondo as razões que formaram o convencimento do julgador, cuja fundamentação, mesmo que, em alguns pontos, possa ser classificada de sucinta, é capaz de justificar racionalmente a decisão que considerou parcialmente procedente a impugnação. Em verdade, a recorrente busca rediscutir a matéria já decidida no acórdão vergastado, na parte que lhe foi desfavorável, o que é, de fato, cabível através da via recursal eleita. Todavia, tal discordância é matéria que deve ser avaliada no mérito do recurso voluntário, sendo inviável retroceder o processo administrativo para a prolatação de nova decisão pela instância inaugural, ainda mais quando mínimas as chances de alteração do resultado do julgamento no âmbito da RFB. Dito de forma mais específica, a empresa autuada aponta na petição recursal que a decisão recorrida não se manifestou sobre os seguintes fundamentos de defesa: (i) ilegitimidade da recorrente, eis que o lançamento se deu sobre pagamentos de terceiros a funcionários de outras pessoas jurídicas (e não de sua própria); (ii) nulidade do lançamento efetuado com base em presunções e indícios; e (iii) nulidade do lançamento fiscal, pois fundado em provas ilícitas. No intuito de realçar que a decisão de piso não permaneceu inerte sobre as questões postas pela impugnante, embora em sentido diverso ao ponto de vista do autuado, reproduzo trechos do acórdão recorrido (fls. 6.128/6.130): (...) A fiscalização enquadrou os empregados das empresas Marina, Marcos Baldassa e Jose Roberto [CNPJ: 04.071.124/0001 19 MARINA TOMOE OGATA KODAMA ME ; CNPJ: 03.659.088/0001 46 MARCOS BALDASSA ME; CNPJ: 03.658.542/000144 JOSÉ ROBERTO DE SOUZA MONTE ALTO ME, respectivamente] como empregados da autuada. A fiscalização narrou os seguintes fatos, que justificam este enquadramento: (...) A autuada não concordando com este enquadramento, argumenta que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica de outras empresas sem comprovar qualquer irregularidade desrespeitando o princípio constitucional do devido processo legal; que a existência das duas empresas no mesmo endereço não é vedada por lei, e se justifica por logística e estratégia comercial, sendo uma forma lícita de redução de custos; e que as empresas prestadoras de serviço não estão domiciliadas no mesmo endereço fiscal da impugnante. Fl. 7053DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.054 12 O conjunto dos fatos descritos pela fiscalização não deixam dúvidas de que a autuada visando obter vantagens tributária, transferiu parte de seu quadro de segurados para as empresas Marina, Marcos Baldassa e José Roberto, optantes do sistema simplificado de arrecadação. Assim, a fiscalização corretamente fez prevalecer a essência dos fatos sobre as formalidades, enquadrando estes empregados, como se fossem empregados da autuada. Não houve desconsideração das personalidades jurídicas dessas outras empresas, como alegado pela autuada, mas apenas o enquadramento dos empregados das três empresas, criadas com o nítido objetivo de diminuir sua carga tributária, como sendo empregados da autuada para fins de apuração das contribuições sociais devidas. (...) As alegações no sentido de que a presunção de retirada pelos sócios feita pela fiscalização somente seria possível se comprovada a ocorrência de um fato gerador, inexistência, recusa ou imprestabilidade da escrituração é completamente incoerente com a realidade dos fatos, uma vez que no RF está demonstrado todo o lançamento nos Livros Razão da autuada que fundamentaram o presente Auto de Infração. (...) Em essência, a profunda irresignação da recorrente acerca da realização de um lançamento fiscal que estaria moldado em presunções, indícios e/ou provas ilícitas está associada à questão da delimitação, no presente caso, a quem cabe o ônus probatório dos fatos, assim como a valoração sobre o conjunto fáticoprobatório que instrui o processo administrativo. São matérias que, naturalmente, contêm um viés interpretativo, além de possibilitar ao julgador atribuir uma maior ou menor força axiológica como prova em relação a cada um dos documentos juntados. Penso que tais questões, portanto, estão vinculadas ao mérito da autuação fiscal e da própria decisão combatida, e não acerca da existência de vícios de nulidade do acórdão recorrido. Tendo em conta os motivos expostos, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância. b) Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Reclama a fiscalizada que o acórdão recorrido foi omisso na análise das alegações da empresa com respeito à extrapolação da autorização contida no MPF, haja vista que o agente fazendário incluiu no procedimento fiscal outras pessoas jurídicas diferentes daquelas mencionadas no documento. Fl. 7054DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.055 13 Pois bem. O recurso voluntário almeja dar aos fatos uma dimensão maior que a realidade, ao sugerir que a auditoria tributária estendeuse a sujeitos passivos distintos da recorrente. De pronto, é necessário lembrar que a ciência do início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade não só da empresa sob fiscalização, como também dos demais envolvidos nas infrações verificadas (art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). No caso em apreço, no curso do procedimento fiscal o agente fazendário identificou, a partir de elementos de convicção, que os trabalhadores registrados e incluídos em folhas de pagamento pelas empresas prestadoras de serviços MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO desempenhavam, na realidade, suas atividades como segurados empregados da recorrente. Segundo a fiscalização, a autuada utilizouse do vínculo formal dos trabalhadores com as prestadoras com a finalidade de valerse dos benefícios fiscais da opção pelo regime de tributação simplificado. O procedimento fiscal pautouse, entre outros aspectos, no aprofundamento do exame da situação dos trabalhadores, considerando o conjunto de atividades laborais exercidas em ambiente compartilhado, no qual não se percebia uma separação nítida entre as empresas, inclusive com a constatação de sócios e/ou funcionários com vínculo em comum e de pagamentos pela empresa principal de despesas de pessoal relacionadas aos segurados registrados nas prestadoras. Nesse cenário, não consta, como já destacado pela decisão de piso, que a fiscalização intimou as empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO para apresentação de documentos ou que foi lavrado auto de infração em nome dessas mesmas pessoas jurídicas. O que se percebe é a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da veracidade dos lançamentos na contabilidade da empresa fiscalizada, sinalizando que a ação fiscal foi desenvolvida com a finalidade única de verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome da recorrente, não havendo que se falar, dessa feita, em extrapolação dos limites da investigação definidos no MPF. Por derradeiro, cabe esclarecer que a jurisprudência administrativa mais recente consolidou o entendimento de que o MPF constitui à época da execução do procedimento de auditoria em análise um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente fazendário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício na hipótese de constatação do descumprimento de obrigação tributária. 1 Logo, mais uma vez, sem razão a recorrente. 1 Entre outros, o Acórdão nº 9303005.852, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgamento na sessão de 17/10/2017. Fl. 7055DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.056 14 Mérito a) Lançamento efetuado com base em presunções A recorrente argumenta que o lançamento fiscal está apoiado em meras presunções e/ou indícios, na medida em que tomou como base de cálculo os valores de transferências bancárias registradas em contas contábeis, os quais não representam pagamentos de salários a empregados, tampouco comprovam que são remunerações por serviços prestados pelas pessoas físicas. Nesse contexto, segundo a tese de defesa, a autoridade lançadora deixou de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, imprescindível para a constituição do crédito tributário. Pois bem. Em primeiro lugar, a linha de defesa do sujeito passivo confundese com a matéria de fundo da autuação fiscal, analisada oportunamente. De mais a mais, não há impedimento para utilização de presunções para a criação de obrigações tributárias pela autoridade fiscal, garantida, evidentemente, a ampla defesa e o contraditório na fase contenciosa administrativa. Tal como as provas diretas, igualmente as provas indiretas conferem certeza jurídica bastante no âmbito tributário. A presunção em direito tributário admite prova em contrário, de modo que a inexistência dos fatos indiciários, a falta de causalidade jurídica entre fato indiciário e fato presumido ou mesmo a gravidade, precisão e concordância dos indícios são aspectos probatórios que devem ser apreciados e valorados pela autoridade julgadora no momento próprio do exame do mérito. 2 A par disso, há um aspecto de fundamental importância para a delimitação do ônus probatório no caso sob exame. É que regularmente intimada, a recorrente deixou de apresentar diversos documentos e/ou esclarecimentos à autoridade tributária sobre os fatos objeto da auditoria tributária, conforme descrito no item 2.4 do Relatório Fiscal (fls. 539/535 e 795/796). A omissão não foi pouca. Entre outros, a fiscalizada não apresentou a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis relativos às operações de empréstimos efetuados por sócios, funcionários e/ou terceiros para captação de recursos financeiros, tais como cópias de cheques, recibos de saques e contratos, e comprovantes de crédito em conta, assim como o detalhamento dos beneficiários de pagamentos, quando o histórico do registro contábil não descrevia com clareza o destinatário e a finalidade do desembolso. É dever da empresa apresentar à fiscalização todos os documentos e livros pertinentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Caso contrário, a lei autoriza o lançamento de ofício, cabendo à empresa o ônus da prova que é indevida a importância lançada. 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no direito tributário. 2ª ed., São Paulo : Editora Quartier Latin, 2005, pág. 139/141. Fl. 7056DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.057 15 Nesse sentido, confirase o art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, reproduzido nos arts. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) Regulamento da Previdência Social RPS Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Em contraposição, a recorrente assevera que foi vítima de sinistro, provocado por vendaval seguido de chuva forte, que resultou em danos nas suas instalações físicas, descrito em boletim de ocorrência e publicação em jornais, o que dificultou a apresentação de certos documentos exigidos pela autoridade fiscal (fls. 1.772/1.775). Segundo as datas indicadas nas fls. dos autos, o extravio da documentação aconteceu após iniciada a ação fiscal (fls. 529/530). A eventual dificuldade de exibir livros e/ou documentos não equivale a deixar de apresentar, segundo comunica a fiscalização, todos os comprovantes que lastreiam o histórico dos lançamentos de determinadas contas contábeis em um período de cinco anos. Fl. 7057DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.058 16 Caberia à empresa demonstrar, no mínimo, o esforço na reconstrução da documentação ao longo dos 10 (dez) meses que durou o procedimento fiscal. Aparentemente, ao aproximarse do término da fiscalização e, principalmente, depois de recebido o auto de infração, a recorrente começou a adotar medidas concretas para a obtenção da respectiva documentação (fls. 1.703/1.768). De qualquer modo, o extravio de documentos não implica a dispensa da comprovação dos fatos contábeis, através de documentação hábil e idônea dos lançamentos na sua contabilidade. Continua o ônus probatório a cargo da empresa, inclusive podendo apresentar a prova documental após a impugnação, caso demonstrada a impossibilidade de sua exibição oportuna, por motivo de força maior (art. 16, § 4º, alínea "a", do Decreto nº 70.235, de 1972). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, porém desde que comprovados os registros nos livros diários e razão por meio de documentos dotados de força probante, segundo sua natureza (art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Em outras palavras, os registros contábeis prevalecerão se acompanhados de documentação idônea dos fatos neles descritos. Destarte, o procedimento levado a efeito no contribuinte não se revela arbitrário, nem expressa a aplicação injustificada da presunção em lei para fundamentar o lançamento efetuado. b) Ilegitimidade Passiva A recorrente sustenta que a autoridade fiscal, de forma totalmente arbitrária, realizou o lançamento da obrigação tributária de responsabilidade de terceiros em seu nome, agindo, assim, ao arrepio da lei. No caso concreto, não haveria previsão na legislação para a responsabilidade tributária por débitos previdenciários pertencentes a outras empresas que lhe prestaram serviços e que estão devidamente constituídas, no caso MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. Pois bem. Respeito o ponto de vista da recorrente, porém não compartilho dele. Com base nos princípios da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, com desconsideração do vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Federal e/ou Simples Nacional, desde que demonstrado que os trabalhadores efetivamente prestaram serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. O liame tributário decorre da lei. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a Fl. 7058DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.059 17 fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário de acordo como se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. Ao verificar o desvirtuamento dos elementos constitutivos da obrigação tributária, no critério pessoal ou quantitativo, a fiscalização pode afastar o vínculo pactuado e lançar o crédito tributário correspondente à relação jurídica efetivamente existente com o verdadeiro tomador de serviços. Com relação ao procedimento fiscal realizado, ao contrário do pretendido na peça recursal, tornase irrelevante para o lançamento a aplicação do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. A regra do parágrafo único do art. 116 do CTN é uma autêntica norma antielisiva, que permite à autoridade fiscal requalificar os atos e negócios particulares quando o sujeito passivo ultrapassa abusivamente os limites aceitáveis da interpretação jurídica, por meio da dissimulação da hipótese de incidência, também chamada de fato gerador abstrato, e não do fato concreto. Quero dizer, embora os fatos correspondam à realidade, há um abuso na subsunção da norma ao fato. Na hipótese dos autos, o fingimento ocorreu, segundo a fiscalização, no que concerne ao fato concreto acontecido, porque os trabalhadores das empresas optantes pelo Simples/Simples Nacional, a despeito do vínculo formal com elas, prestavam serviço à empresa fiscalizada, que exerce a atividade econômica preponderante. Diante da natureza dos fatos descritos pela auditoria tributária, os quais apontam para a figura da simulação, o presente lançamento de ofício prescinde da aplicação da norma antielisiva, já que encontra fundamento na própria atribuição legal do lançamento de ofício, a teor do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 7059DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.060 18 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. De qualquer modo, esclarecese que os recentes precedentes da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem se alinhado ao entendimento de que, no âmbito da legislação federal, a norma antielisiva do parágrafo único do art. 116 do CTN é dotada de eficácia imediata. 3 Nada impede a sua regulamentação, para conferir clareza e uniformidade de aplicação, porém a existência de legislação sobre o processo administrativo tributário assegura ao sujeito passivo a ampla defesa e o contraditório na hipótese de lançamento de tributos federais. De mais a mais, os requisitos essenciais da relação empregatícia decorrem da situação jurídica reconhecida pelas empresas prestadoras de serviços, as quais elaboravam a documentação correlata dos trabalhadores na condição de segurados empregados. O procedimento da autoridade lançadora foi tão somente redirecionar o vínculo tributário para a empresa principal, ora recorrente, uma vez que considerada o verdadeiro tomador dos serviços daqueles empregados. Por tais razões, não agiu o agente fazendário em descompasso com a lei tributária, através de conduta destituída de embasamento jurídico e sem qualquer indício de prova, como alega a recorrente, haja vista que a autoridade lançadora descreveu inúmeras evidências que os trabalhadores vinculados às pessoas jurídicas optantes pelo regime do Simples Federal/Nacional laboravam, na realidade, para a empresa fiscalizada. O procedimento do agente tributário não resultou na desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços, a qual se mantém produzindo os efeitos que lhe são próprios, inclusive para fins de recolhimento dos tributos incidentes sobre as suas receitas, mas tão somente declarou a ineficácia da interposição dos empresários para determinar o sujeito passivo da obrigação tributária no que tange à prestação de serviços pelos trabalhadores. Em síntese, ao negar eficácia à interposição das empresas na relação laboral, deuse ensejo à caracterização da sujeição passiva tributária em nome da pessoa jurídica autuada com relação à prestação de serviços pelos segurados vinculados formalmente às empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. Por sua vez, a responsabilidade pelas contribuições patronais não exige o prévio procedimento de representação para a exclusão do Simples/Simples Nacional das empresas prestadoras de serviço. A exclusão do regime simplificado, com lançamento das contribuições previdenciárias patronais e as destinadas a outras entidades em cada uma das empresas prestadoras, relativamente aos segurados a elas vinculados, é medida que se impõe quando a 3 Entre outros, o Acórdão nº 9101003.447, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 06/03/2018. Fl. 7060DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.061 19 fiscalização constata a existência de um grupo econômico de fato entre as empresas envolvidas, a partir da prática artificial de criação de empresas para concentrar a mão de obra necessária às atividades empresariais, com o propósito de usufruir irregularmente os benefícios tributários do regime simplificado de pagamento de tributos. As empresas optantes pelo Simples/Simples Nacional e a empresa principal são incluídas no polo passivo do auto de infração, porquanto todas integrantes do grupo econômico de fato com base no instituto da responsabilidade solidária (art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). Não ocorre o redirecionamento da sujeição passiva pelo agente lançador com respeito à prestação de serviços. É distinta a situação fática apontada pela fiscalização, posto que o agente tributário procura demonstrar, por meio da linguagem de provas, que o real vínculo existente com os trabalhadores das microempresas optantes pelo regime tributário simplificado se dá com a empresa principal, contra a qual é efetuado, exclusivamente, o lançamento de ofício das contribuições patronais. Passo ao exame de mérito da atribuição da sujeição passiva à empresa recorrente. Em minha avaliação, o conjunto fáticoprobatório carreado aos autos pelo Fisco é consistente e convergente o suficiente para vincular diretamente à recorrente os segurados das empresas prestadoras, atestando a sua condição de verdadeiro tomador de serviços prestados pelos trabalhadores. É certo que, de forma isolada, os indícios trazidos pela fiscalização não se prestam a comprovar o vínculo direto de prestação de serviços à empresa principal pelos trabalhadores da MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. Porém, o conjunto de tais indícios, mesmo que observadas as ressalvas da recorrente quanto à possibilidade da terceirização lícita de serviços, é dotado de seriedade e convergência, ganhando, ao final, força probante. Pela importância axiológica como prova, destaco os seguintes elementos coletados pela autoridade lançadora, corroborado pelos dados e documentação que acompanham os autos (fls. 780/795): (i) a constatação do funcionamento das empresas MARINA e BALDASSA no mesmo prédio da recorrente, na cidade de Taquaritinga (SP). A sede da empresa JOSÉ ROBERTO localizase no mesmo local da filial da recorrente no município de Monte Alto (SP); (ii) a fiscalização foi atendida, inicialmente, pelo Sr. João Carlos Pavarina, que se identificou como gerente da recorrente, embora registrado como funcionário da empresa MARINA; (iii) a empresa MARINA tem como titular a sócia e diretora da recorrente, Sra. Marina Tomoe Ogata Kodama; Fl. 7061DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.062 20 (iv) o titular da empresa BALDASSA, Sr. Marcos Baldassa, mantém vínculo de trabalho com a empresa JOSÉ ROBERTO, enquanto o titular da empresa JOSÉ ROBERTO, Sr. José Roberto de Souza, é funcionário da empresa MARINA; (v) a principal atividade da recorrente é a venda de veículos novos e usados, ao passo que as empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO atuam na prestação de serviços de funilaria, mecânica e pintura de veículos. Entretanto, a empresa principal não possui vendedores de veículos relacionados em suas folhas de pagamento, diferentemente das microempresas optantes pelo Simples, cujas folhas de pagamento incluem os trabalhadores que exercem a função de vendedores, inclusive com pagamentos de comissões pelas vendas efetuadas; (vi) os empregados das empresas prestadoras de serviços, MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, adotam os mesmos uniformes com a identificação da empresa principal, ora recorrente; (vii) ao longo dos anos de 2003 a 2007, a escrituração contábil da recorrente, a partir da análise dos livros diários, apresentou inúmeros lançamentos em contas de despesas relacionados a viagens, adiantamentos de salários, férias, rescisões, horas extras, comissões e convênio farmácia, referentes a pagamentos destinados a segurados empregados com vínculo formal nas empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO; (viii) no período fiscalizado, a autoridade tributária também identificou lançamentos na contabilidade da recorrente cujo histórico apontava para pagamentos de folhas de salários, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), imposto de renda retido na fonte e impostos do Simples, relativos às empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO; e (ix) a elaboração e apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (GFIP) da empresa principal, ora recorrente, e das suas prestadoras de serviço era feito pela mesmo funcionário registrado na empresa MARINA. A minha convicção sobre a verdadeiro empregador decorre não só do conjunto fáticoprobatório carreado ao processo administrativo pela autoridade fiscal, conforme acima descrito, mas também pela linha argumentativa utilizada pela recorrente para contraporse à acusação fiscal. Fl. 7062DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.063 21 Com efeito, a autuada passa convenientemente ao largo de questões importantes, alheia a fatos identificados no procedimento investigativo, a exemplo da inexistência no seu quadro de funcionários de pessoas contratadas para a venda de veículos automotores, que representa a atividade econômica principal, os quais constam das folhas de pagamento das prestadoras. Recordo que a empresa recorrente dedicase ao comércio varejista de veículos novos e usados, peças e acessórios para automóveis, na condição de concessionária da Fiat (fls. 1.662/1.668). A fim de refutar o vínculo tributário, a autuada explica que fez a opção pela terceirização do comércio de peças novas e usadas para automóveis, bem como a prestação de serviços de funilaria, pintura e mecânica, desenvolvendo, a partir de então, apenas a atividade empresarial de venda de veículos, no mesmo endereço das demais, em decorrência de questões de logística e estratégia comercial. Evidentemente, é legítima a decisão comercial de organizar e planejar suas atividades de modo a reduzir custos, exercendo ou não diretamente certas atividades operacionais, inexistindo óbice que sejam executadas por outras empresas, desde que configurada uma verdadeira independência entre as pessoas jurídicas, afastando a confusão patrimonial e/ou financeira, quando a empresa principal assume de maneira sistemática o pagamento de despesas que seriam das prestadoras optantes pelo regime tributário favorecido, independentemente do faturamento. Quanto aos pagamentos destinados/vinculados aos segurados das empresas prestadoras, a autuada procura justificar os lançamentos em sua contabilidade como parte de um procedimento rotineiro de encontro de contas. Expõe que uma vez apresentadas as notas fiscais dos serviços prestados, a recorrente realizava adiantamentos para os pagamentos das obrigações das prestadoras. Ao final do cada mês, providenciavase o denominado encontro de contas para apuração dos valores finais. Para fins de elucidar a sistemática que figurava na relação comercial entre as empresas envolvidas, a recorrente solicitou uma perícia contábil nos seus livros diários, a qual acabou indeferida pelo órgão de julgador de primeira instância. Em primeiro lugar, a perícia contábil não se destina a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. De outra parte, o pagamento de despesas trabalhistas e tributárias relacionadas a segurados que mantém vinculo com terceiros não pode ser classificada como uma prática contábil comum e legal, tendo em vista o princípio da entidade. Mesmo na hipótese de empresas com atividades econômicas interligadas, como ora se cuida, os pagamentos das obrigações das prestadoras devem estar registrados na respectiva escrituração contábil, e não nos livros da empresa principal. Com base na narrativa fiscal, cabe reforçar que os empresários individuais, titulares da empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, ostentavam, simultaneamente, a condição de sócio da autuada ou mantinham vínculo formal de trabalho com um dos outros prestadores de serviços, o que evidencia a artificialidade da terceirização de atividades. Fl. 7063DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.064 22 A rotina de acertos e adiantamentos periódicos, mediante procedimento de encontro de contas e pagamentos de obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias em nome das empresas optantes pelo Simples/Simples Nacional, apenas corrobora a confusão financeira, patrimonial e contábil existente entre os envolvidos, num cenário de improvável autonomia empresarial das prestadoras. Evidenciase, dessa feita, que os trabalhadores atuavam sob um comando único na prestação de serviços em prol do exercício das atividades da empresa principal, ora autuada, de maneira tal que os elementos carreados ao processo administrativo conduzem, inevitavelmente, à manutenção da sujeição passiva. Esclareço à recorrente que o pleito de dedução dos valores já descontados dos trabalhadores empregados das prestadoras de serviços e recolhidos em guia própria será analisado no processo que trata do lançamento específico das contribuições a cargo dos segurados (Processo nº 18088.000758/200856). c) Levantamentos específicos Encerra a peça recursal contestações específicas contra determinados levantamentos do auto de infração, que passo a apreciálas, separadamente. Antes, contudo, tendo em conta o arcabouço de folhas juntado aos autos pela recorrente, é mister dizer que o ato de provar não é sinônimo de colocar à disposição do julgador administrativo uma massa de documentos, sem a preocupação de fazer a conexão segura, em datas e valores, entre a documentação apresentada e os lançamentos contábeis listados pela autoridade tributária. AFM AFERIÇÃO MARINA TOMOE ME Este levantamento fiscal diz respeito a remunerações arbitradas, mediante aferição indireta, referente a segurados empregados registrados na empresa MARINA, em que não ocorreu a apresentação das folhas de pagamento à autoridade tributária, nas competências 01 e 02/2003 (fls. 797/798). O recurso voluntário solicita a exclusão da base de cálculo com relação aos valores das remunerações atribuídas a Ediva de Moura e Isabel Endres, nas competências de 01/2003 e 02/2003, respectivamente (fls. 248/249). Contudo, a decisão de piso reconheceu, em grau definitivo, a decadência do crédito lançado até a competência 11/2003 (fls. 6.111/6.134). Mesmo que indiretamente o pleito da recorrente já restou atendido pelo acórdão de primeira instância. AFN AFERIÇÃO FUNC NÃO REGISTRADOS O levantamento fiscal é concernente às remunerações arbitradas, mediante aferição indireta, referentes a segurados não registrados pelas empresas, os quais foram identificados a partir de históricos de lançamentos contábeis que continham o pagamento de verbas de natureza salarial (fls. 798/800). Fl. 7064DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.065 23 Quanto a Alan Lopes e Alan Patrick, a fiscalização efetuou o arbitramento da remuneração nas competências 12/2005 a 01/2008 e 01/2006, respectivamente. No entanto, tratase do mesmo trabalhador, Alan Patrick Lopes, com salário base de R$ 396,00 e vínculo de emprego no período de 08/2005 a 02/2006 (fls. 6.598/6.599). Logo, cabe a exclusão/retificação da base de cálculo, com relação ao levantamento AFN, conforme abaixo (fls. 255/260): (i) redução da base de cálculo de Alan Lopes, competências 12/2005, 01/2006 e 02/2006: R$ 396,00, R$ 396,00 e R$ 495,00, respectivamente; 4 (ii) exclusão da base de cálculo para Alan Lopes, nas competências 03/2006 a 01/2008; e (iii) exclusão da base de cálculo para Alan Patrick, na competência 01/2006. No tocante à Andrea Martins da Silva, a fiscalização realizou o arbitramento da remuneração nas competências de 01/2003 a 05/2006, por haver pagamento de rescisão na competência 06/2006. Contudo, a segurada manteve vínculo de emprego no período de 05/2006 a 06/2006, com salário de R$ 758,00 (fls. 6.601). Logo, cabe a exclusão da base de cálculo, com relação ao levantamento AFN, no valor de R$ 500.00, nas competências 12/2003 a 04/2006 (fls. 249/256). Até a competência 11/2003, a decisão de piso reconheceu a decadência do crédito tributário lançado. Quanto a Gustavo R. Gomes, a fiscalização efetuou o arbitramento da remuneração nas competências de 01/2003 a 07/2007, por haver pagamento de rescisão na competência 08/2007. Contudo, o segurado manteve vínculo de emprego no período de 07/2007 a 08/2007, com salário de R$ 400,00 (fls. 6.603). Logo, cabe a exclusão da base de cálculo, com relação ao levantamento AFN, no valor de R$ 500.00, nas competências 12/2003 a 06/2007, e a redução da base de cálculo na competência 07/2007, para o valor de R$ 400,00 (fls. 249/259). A decisão de piso já reconheceu a decadência do crédito tributário lançado até a competência 11/2003. Por fim, quanto à Vanessa Keila Tozatto, o agente fiscal efetuou o arbitramento da remuneração nas competência 02/2006 a 01/2008, por haver pagamento de encargos trabalhistas na competência 01/2006. Todavia, a segurado manteve vínculo de emprego no período de 12/2005 a 01/2006, com salário de referência de R$ 424,50 (fls. 6.605). Logo, cabe a exclusão da base de cálculo, com relação ao levantamento AFN, o valor de R$ 500.00, nas competências 02/2006 a 01/2008 (fls. 256/260). Em síntese, as exclusões e retificações das bases de cálculo correspondentes ao Levantamento AFN AFERIÇÃO FUNC NÃO REGISTRADOS estão resumidas conforme Tabela 1: 4 Na competência 02/2006, a base de cálculo compreende o salário + décimo terceiro trabalhado, proporcional ao período de 08/2005 a 02/2006. Fl. 7065DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.066 24 Tabela 1 AFN AFERIÇÃO FUNC NÃO REGISTRADOS (fls. 249/260) Nome do trabalhador Base de cálculo: exclusão Base de cálculo: redução Alan Lopes Competências 03/2006 a 01/2008 p/ R$ 396,00, R$ 396,00 e R$ 495,00, respectivamente, nas competências 12/2005, 01/2006 e 02/2006. Alan Patrick Competência 01/2006 Andrea Martins da Silva Competências 12/2003 a 04/2006 Gustavo R Gomes Competências 12/2003 a 06/2007 p/ R$ 400,00, na competência 07/2007 Vanessa Keila Tozatto Competências 02/2006 a 01/2008 AFP AFERIÇÃO PRO LABORE Neste levantamento, a fiscalização procedeu ao arbitramento de prólabore relativo aos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, na competência 01/2008, no valor individual de 10 (dez) salários mínimos, pois a autuada deixou de apresentar os livros diário e razão. Eis a sua descrição (fls. 800): AFP AFERIÇÃO PRO LABORE, referente a prólabore, aferido indiretamente, na competência 01/2008. Formalmente intimada para apresentar o Livro Diário e Razão de 01/2008, a empresa não o fez. Então, foi definida uma remuneração de 10 salários mínimos para cada sócio MARCOS TAKEO OGATA e MARINA TOMOE OGATA KODAMA , pois foram encontrados lançamentos contábeis referentes a pagamentos efetuados aos mesmos, além daqueles listados em folha de pagamento, no período para o qual a empresa apresentou o Livro Diário e Razão (01/2003 a 12/2007). O recurso voluntário refuta a constituição do crédito tributário, porque a contribuição previdenciária sobre o valor do prólabore da competência 01/2008 foi corretamente declarada e recolhida, segundo afirma, nos exatos patamares auferidos pelos sócios. Pois bem. A recorrente trouxe aos autos uma cópia da GFIP da competência 01/2008, entregue em 07/02/2008, em que foi incluída a remuneração do sócio Marcos Takeo Ogata, no valor de R$ 3.500,00 (fls. 7.018/7.025). Embora a empresa já se encontrava sob procedimento fiscal, a apresentação dessa GFIP foi espontânea, dentro do prazo fixado pela legislação tributária (fls. 529/530). Fl. 7066DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.067 25 Entendo, assim, pela improcedência do arbitramento de prólabore com respeito ao sócio Marcos Takeo Ogata. A partir da leitura da motivação do lançamento fiscal, verificase que a autoridade tributária permaneceu silente e nada explica no relatório fiscal sobre o critério de aferição utilizado, as razões pelas quais adotou um patamar de dez salários mínimos, equivalente a R$ 3.800,00 mensais, para cada um dos sócios. O único esclarecimento do agente lançador foi que localizou pagamentos aos sócios na contabilidade da empresa não incluídos nas folhas de pagamento, no período em que apresentados os livros contábeis. Realmente, o Levantamento C21, com base na Conta 410210015, contém valores pagos como prólabore, os quais, segundo a fiscalização, não foram relacionados em folhas de pagamento e/ou GFIP (fls. 843). Ocorre que o histórico de lançamento na conta contábil acima não contempla pagamentos a título de prólabore à sócia Marina Tomoe Ogata Kodama, mas somente ao sócio Marcos Takeo Ogata. À vista disso, para a sócia Marina Tomoe Ogata Kodama, a autoridade fiscal não indicou os elementos que demonstrem a efetiva retirada mensal de prólabore, na competência 01/2008, tampouco apresentou uma base de cálculo devidamente justificada para efetivar o arbitramento no valor de dez salários mínimos. Logo, cabe excluir do auto de infração os valores correspondentes ao levantamento AFP AFERIÇÃO PRO LABORE (fls. 260). C01 LANÇAMENTOS CONTA 33030010002 Nesse caso, cuidase, segundo o agente fazendário, de pagamentos aos segurados empregados a título de comissões pelas vendas de financiamento de veículos. Eis a descrição fiscal (fls. 801/804): C01 LANÇAMENTOS CONTA 3303010002 referente a comissões pagas aos funcionários por venda de financiamentos de veículos (TAC Taxa de Abertura de Crédito). Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis efetuados na conta 3303010002 REPASSE TAC BANCO FIAT, os quais estão relacionados na tabela abaixo. A contribuição dos segurados empregados foi calculada utilizando a alíquota de 8%. O apelo recursal opõese à exigência fiscal com a justificativa de que os valores recebidos pelos funcionários que atuam nas vendas não são remunerados pela empresa recorrente, e sim pagos pelos bancos conveniados, os quais são terceiros que oferecem aos seus segurados empregados um prêmio/gratificação pecuniária pela venda de produtos dessas instituições financeiras (financiamento de veículos). Segundo a recorrente, a prática conhecida na área trabalhista como "guelta" não possui natureza salarial. Fl. 7067DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.068 26 Pois bem. A parcela denominada "guelta" paga ao trabalhador de forma habitual por terceiro alheio ao vínculo empregatício, com o objetivo de estimular a venda de determinado produto que mantém relação com as atividades do empregado, assemelhase às gorjetas, possuindo natureza remuneratória. Confirase a redação do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) (Destaquei) Sob a ótica do direito tributário, é irrelevante o pagamento da verba por terceiros, porque a lei não impõe tal restrição para inclusão como remuneração do trabalhador. O valor percebido pelo empregado também contribui para que desenvolva com mais estímulo suas atividades habituais de venda de veículos automotores, para a qual foi contratado pela empresa, alinhandose perfeitamente com os objetivos do empregador, ora recorrente, que estão direcionados ao incremento do resultado operacional do comércio varejista de automóveis novos e/ou usados. De mais a mais, a empresa empregadora, no caso em apreço, intervém no processo de bonificação, pois, além de consentir com a prática, realiza a intermediação do pagamento do prêmio ao trabalhador, registrando, inclusive, os valores em conta específica da sua contabilidade. Tal linha de raciocínio, inclusive, está em consonância com a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9202003.879, julgado na sessão de 12/04/2016, cuja ementa copio abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de Fl. 7068DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.069 27 contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e § 9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido C02 LANÇAMENTOS CONTA 2102010004 Segundo o agente fiscal, cuidase de valores de pagamentos a título de pró labore disponibilizados à sócia da empresa, Marina Tomoe Ogata Kodama, verificados a partir do exame da contabilidade da recorrente. Confirase a descrição do levantamento fiscal (fls. 804/816): C02 LANÇAMENTOS CONTA 2102010004 referente à pagamentos efetuados à sócia MARINA TOMOE OGATA KODAMA. Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2102010004 MARINA TOMOE OGATA KODAMA. Segundo o representante da empresa, os pagamentos referemse à devolução de empréstimos e valores cedidos previamente pela sócia à empresa. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos que comprovariam esta alegação, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como prólabore. A recorrente contesta o lançamento fiscal com a alegação que os valores lançados na conta contábil dizem respeito a devoluções e pagamentos de empréstimos, provenientes da empresa MARINA, para fins de incorporação ao fluxo de caixa da empresa fiscalizada, tratandose de operações financeiras efetuadas entre pessoas jurídicas. Em síntese, a defesa alega que os lançamentos contábeis não podem se qualificar como remuneração à sócia Marina Tomoe Ogata Kodama, diante das provas existentes nos autos. Pois bem. A documentação juntada ao processo administrativo demonstra, por meio de cópias de extratos bancários e contratos, que a empresa individual MARINA, ou sua titular, Marina Tomoe Ogata Kodama, efetivou operações de empréstimos em seu nome, assumindo obrigações perante as instituições financeiras (fls. 1.901/2.115). Com base em alguns exemplos, mantida correlação em valor e data, os documentos também mostram a saída de numerário da conta bancária da empresa recorrente, através de cheques e/ou transferências bancárias, e, no mesmo dia, o adimplemento de uma ou mais parcelas dos empréstimos pelo devedor. Por outro lado, é incontestável o grau de precariedade da demonstração do efetivo ingresso desses valores a título de empréstimos obtidos por terceiros no patrimônio da empresa recorrente, União Taquaritinga, mediante a comprovação da transferência de numerário entre as partes envolvidas. Fl. 7069DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.070 28 As planilhas acostadas à impugnação detalham dados relacionados aos empréstimos e lançamentos no livro diário. Porém, em nenhum caso, comprovam o crédito dos valores para a recorrente, pela emissão de cheque, transferência entre contas, extrato bancário ou lançamento contábil (fls. 1.857/1.899). De modo análogo, as planilhas e as cópias dos extratos da contabilidade assinalam o lançamento de valores a título de empréstimos a débito na conta caixa da recorrente e a crédito na respectiva conta de obrigação no passivo em nome da empresa individual, todavia sem lastro em documentação hábil e idônea para demonstrar que houve, efetivamente, o fluxo financeiro em decorrência da entrega pelo cedente do dinheiro ao destinatário do empréstimo (fls. 5.518/5.552). Tão somente por ocasião do recurso voluntário, a recorrente conseguiu trazer aos autos um acanhado conjunto de 3 (três) exemplos em que logrou evidenciar a vinculação entre a entrada de valores associados a empréstimos e a correlação, em datas e valores, com a posterior saída de numerário para pagamento à empresa individual. Para tanto, indicou lançamentos específicos na sua contabilidade, respaldados por comprovantes de transferência eletrônica de fundos e/ou cópias de cheques tendo como favorecido a própria recorrente (fls. 6.607/6.616). A deficiência na produção da prova do ingresso dos recursos em caixa corrobora o que foi escrito linhas atrás, a respeito da existência de uma perturbadora confusão patrimonial e financeira entre a recorrente e as denominadas prestadoras de serviços, em que as despesas correntes de uma são quitadas pelas outras, ausente a necessária separação entre obrigações de entidades distintas, com desprezo à transparência nos controles de receitas e despesas incorridas pela sociedade empresarial. Ao longo do tempo, o histórico de lançamentos na Conta 2102010004 mantém um padrão uniforme de descrição, relacionado a pagamentos de empréstimos, referência a valores e número de parcelas, em condições e frequência variáveis durante os meses, algumas vezes com lançamentos idênticos, funcionando, aparentemente, como um conta corrente entre a recorrente e a empresa individual. Contudo, em que pese a aparência de verdade nas alegações da recorrente, os elementos de prova são insatisfatórios para demonstrar que os valores são decorrentes unicamente da sistemática de captação de recursos financeiros para o fluxo de caixa da pessoa jurídica autuada. Com efeito, o número de registros a débito na Conta 2102010004, ao longo do período de 2004 a 2007, alcançam mais de 180 repasses com histórico de quitação total ou parcial de empréstimo e/ou mútuo, que somados ultrapassam o montante de R$ 650.000,00 (fls. 804/816). Para efeito de convencer que a entrada do numerário estava na mesma conta contábil, lançada a crédito, seria razoável a empresa recorrente indicar o correspondente histórico, correlacionandoo com as saídas para quitação, sem prejuízo da exibição dos documentos que lhe dão lastro. À vista disso, é inviável aceitar como válida tão minguada prova documental juntada pela recorrente como evidência dos empréstimos e/ou mútuos para fins de estender a comprovação da natureza dos pagamentos a todo e qualquer valor lançado pela autoridade Fl. 7070DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.071 29 tributária, extraído da Conta 2102010004, decidindo, ao final, que a integralidade dos lançamentos na contabilidade não possui a natureza de pagamento a título de prólabore. Por certo a produção da prova material, em tese, não representaria maiores dificuldades para a recorrente, na medida em que vinculada a operações realizadas com quotista da sociedade, mesmo que revestida da condição de empresário individual, titular da empresa MARINA. É inequívoco também que MARINA é uma empresa de natureza individual e, como tal, não há distinção patrimonial com a figura do empresário, haja vista que a empresa nada mais é do que a própria pessoa natural no exercício da atividade empresarial. Em razão de uma ficção tributária, o resultado da atividade pela pessoa física é tributado como uma pessoa jurídica (fls. 1.685/1.694). Em tais circunstâncias, a escrituração mantida desacompanhada da demonstração dos fatos nela registrados, como ora se apresenta, justifica a qualificação dos lançamentos não comprovados por documentação hábil e idônea como retribuição pelo trabalho de Marina Tomoe Ogata Kodama, denominado de prólabore, na condição de sócio gerente da recorrente. Portanto, diante do conjunto probatório apresentado pela autuada, apenas é cabível a exclusão do auto de infração em relação aos seguintes valores correspondentes ao Levantamento C02 LANÇAMENTOS CONTA 2102010004, conforme Tabela 2, que restou comprovada a natureza de devolução de empréstimo (fls. 6.607/6.616): Tabela 2 C02 LANÇAMENTOS CONTA 2102010004 (fls. 266/274) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 10/11/2005 34786 2.116,00 05/12/2005 39540 5.500,00 16/12/2005 39788 5.500,00 08/05/2006 64521 3.000,00 16/05/2006 63531 5.000,00 02/06/2006 69196 3.000,00 23/01/2007 2299 6.000,00 06/02/2007 5543 3.500,00 27/02/2007 2716 3.500,00 27/02/2007 2733 5.000,00 16/04/2007 6415 5.500,00 29/05/2007 7342 3.500,00 C03 LANÇAMENTOS CONTA 2102010005 De acordo com o agente fazendário, tratase de pagamentos a título de pró labore ao sócio Marcos Takeo Ogata, por meio de outra pessoa jurídica da qual também é sócio quotista, verificados no exame da contabilidade. Reproduzo abaixo a descrição do levantamento (fls. 816/817): C03 LANÇAMENTOS CONTA 2102010005 referente à pagamentos efetuados à empresa PRISMA TINTAS DE JABOTICABAL, a qual pertence ao sócio MARCOS TAKEO OGATA. Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram Fl. 7071DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.072 30 identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2102010005 PRISMA TINTAS JABOTICABAL. Segundo o representante da empresa, os pagamentos referemse à devolução de empréstimos e valores cedidos previamente pelo sócio MARCOS TAKEO, através de sua outra empresa, PRISMA TINTAS, à empresa UNIÃO VEÍCULOS. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos que comprovariam esta alegação, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como prólabore. Alega a empresa recorrente que os valores na conta contábil correspondem a operações de empréstimos realizadas entre pessoas jurídicas, e somente por ter o mesmo sócio em comum, Marcos Takeo Ogata, os lançamentos foram qualificados como sendo pagamentos a título de prólabore. Pois bem. Inicialmente, a documentação juntada ao processo administrativo demonstra a emissão de diversos cheques à recorrente, em montantes variáveis, pela pessoa jurídica Prisma Tintas Jaboticabal Ltda, comprovada por cópias de extratos bancários (fls. 2.121/2.153). De outra parte, os documentos não comprovam a que título se deram tais remessas de valores à autuada. Não é possível confirmar, com base nos elementos acostados aos autos, a natureza de operações de empréstimos entre as partes, tampouco que os lançamentos na Conta 2102010005 são relativos a devoluções dos empréstimos cedidos pela pessoa jurídica Prisma Tintas Jaboticabal Ltda. Com relação aos valores apurados pela fiscalização, as planilhas e as cópias dos extratos da contabilidade assinalam o lançamento de valores a título de empréstimos a débito na conta caixa da recorrente e a crédito na respectiva conta de obrigação no passivo em nome da empresa Prisma Tintas Jaboticabal Ltda, porém desprovido de documentação hábil e idônea para revelar, efetivamente, o fluxo financeiro em decorrência da entrega pelo cedente do dinheiro ao destinatário do empréstimo (fls. 5.554/5.562). Apesar da sobredita valoração do conjunto probatório carreado ao processo administrativo, é necessário fazer uma reflexão sobre o lançamento fiscal. É verdade que a falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, autoriza o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. Todavia, o que a lei possibilita é o lançamento de ofício por arbitramento da base de cálculo, não a mera conduta de arbitramento do próprio fato jurídico tributário. Este último demanda o respaldo em evidências diretas ou indiretas (utilização de métodos indiciários). Nesse cenário normativo, os pagamentos realizados a outra pessoa jurídica, em que existe sócio em comum com a remetente do dinheiro, no caso a empresa recorrente, não implica concluir, pelo só fato da vinculação da pessoa física com as duas sociedades empresariais, pela existência de pagamento a título de remuneração pelo trabalho do sócio quotista. Fl. 7072DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.073 31 No mínimo, é o que se espera do agente fiscal, algum elemento de conexão, inclusive por meio de diligência na empresa Prisma Tintas Jaboticabal Ltda, para lançar mão da suspeita fundada que o desembolso efetuado pelo pagador é destinado, na verdade, à pessoa física do sócio, e não à pessoa jurídica. Quando a autoridade lançadora se vale de presunção "hominis" não está livre do dever probatório. Entretanto, o levantamento fiscal foi motivado unicamente pela existência de sócio em comum, Marcos Takeo Ogata, e a falta de exibição dos comprovantes que davam lastro às operações entre pessoas jurídicas descritas no livro diário. Logo, cabe excluir do auto de infração os valores correspondentes ao levantamento C03 LANÇAMENTOS CONTA 2102010005 (fls. 274/275). C05 LANÇAMENTOS CONTA 1102010374 C06 LANÇAMENTOS CONTA 1102010374 B Nessa parte, o recurso voluntário contesta a incidência da tributação sobre 2 (dois) lançamentos contábeis no valor de R$ 40.000,00 (lançamento 3507) e R$ 912,73 (lançamento 15424), respectivamente, referentes aos dias 03/02/2005 e 20/05/2003 (fls. 818/819). Com relação à quantia de R$ 40.000,00, vinculada ao Levantamento C05, o apelo recursal alega a venda de um automóvel à pessoa física Marina Tomoe Ogata Kodama, cujo valor foi lançado equivocadamente como prólabore. Deveras, a nota fiscal nº 60503, emitida em 03/02/2005, atesta a aquisição pela sócia de uma veículo Pálio, no valor de R$ 40.000,00 (fls. 2.173). Porém, não há comprovação do efetivo pagamento do preço do bem pela pessoa física, por intermédio de algum meio idôneo de prova, tampouco foi identificado o registro contábil do ônus financeiro pela beneficiária, o que sinaliza para o recebimento de remuneração indireta, a qual incide a contribuição previdenciária (art. 28, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991). Desse feita, a empresa recorrente não se desincumbiu do ônus probatório em contrário com respeito ao lançamento. Quanto ao pagamento destinado ao Sr. João Mariano Júnior, com fato gerador em 20/05/2003, referente ao levantamento C06, encontrase excluído do auto de infração devido ao reconhecimento da decadência em primeira instância até a competência 11/2003, inclusive. C08 LANÇAMENTOS CONTA 1102011940 De acordo com a fiscalização cuidase de compras efetuadas pelo sócio Kioschi Ogata, identificadas no exame da contabilidade, para as quais não houve comprovação do pagamento. Confirase a descrição do levantamento (fls. 821): C08 LANÇAMENTOS CONTA 1102011940 referente a compras efetuadas pelo sócio KIOSCHI OGATA, para as quais Fl. 7073DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.074 32 não houve comprovação, por parte da empresa, através de documentos, de que teriam sido efetivamente pagas. As compras foram identificadas em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 1102011940 KIOSCHI OGATA. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos que comprovariam o pagamento efetuado pelo sócio, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como prólabore. Aduz a recorrente que os lançamentos contábeis, nas datas de 29/05/2003 e 03/09/2003, referemse à venda de veículo e serviços efetuados ao proprietário, Kioschi Ogata, devidamente adimplido pela pessoa física. Pois bem. Embora de forma indireta, o pleito da recorrente já foi atendido pela decisão em primeira instância, dado o reconhecimento da decadência pelo colegiado até a competência 11/2003, inclusive. C09 LANÇAMENTOS CONTA 1102012936 C10 LANÇAMENTOS CONTA 2102010001 A fiscalização descreve que os valores lançados na Conta 1102012936 são referentes a compras efetuadas pelo segurado empregado Tsikassi Ogata, identificadas no exame da contabilidade, para as quais a empresa autuada deixou de comprovar os pagamentos das mercadorias pelo trabalhador (fls. 821/825). Já os lançamentos na Conta 2102010001 são decorrentes de devoluções de empréstimos ao mesmo empregado, em que não houve a comprovação da natureza da operação entre as partes (fls. 826). Por sua vez, defendese a recorrente afirmando que os registros contábeis nessas contas, conforme os documentos de prova, não possuem a natureza de remuneração ao funcionário Tsikassi Ogata. Pois bem. Quanto o Levantamento C09 LANÇAMENTOS CONTA 1102012936, o recurso voluntário não contém argumento específico para desconstituir o lançamento fiscal, o qual considerou que o segurado empregado auferiu no período remuneração indireta. É verdade que a empresa autuada alegou a existência de uma atividade de venda e compra de veículos usados, mediante parceria entre a recorrente e o seu funcionário, razão pela qual carreou aos autos cópias de notas fiscais referentes às saídas de peças e acessórios para automóveis adquiridos pelo empregado Tsikassi Ogata (3.735/3.772). Entretanto, não conseguiu certificar a ocorrência dos pagamentos dessas mercadorias pelo trabalhador, tampouco a indicação dos lançamentos contábeis a eles associados nos livros diários da empresa. Também não há nos autos prova documental, acompanhada de explicações em datas e valores, que os pagamentos dos diversos produtos automotivos recebidos pelo Fl. 7074DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.075 33 empregado efetivouse na forma de acertos entre as partes, em razão da prévia entrega de numerário decorrente da celebração de contratos de mútuo. Em contrapartida, no que se refere ao Levantamento C10 LANÇAMENTOS CONTA 2102010001, o agente lançador já havia se manifestado favoravelmente ao pleito da empresa fiscalizada (fls. 5.870/5.871). Levandose em consideração à apresentação de cópias de contratos e cheques, além da indicação dos registros contábeis, restou demonstrado de modo satisfatório que os valores lançados na aludida Conta 2102010001 estão vinculados à devolução de empréstimos efetuados à recorrente pelo empregado Tsikassi Ogata (fls. 3.716/3.734 e 5.568/5.573). Logo, cabe a exclusão do auto de infração em relação aos valores correspondentes ao levantamento C10 LANÇAMENTOS CONTA 2102010001 (fls. 290). 5 C14 LANÇAMENTOS CONTA 4103010001 C15 LANÇAMENTOS CONTA 4103010002 C16 LANÇAMENTOS CONTA 4103010003 C17 LANÇAMENTOS CONTA 4103010004 C18 LANÇAMENTOS CONTA 4103010005 C19 LANÇAMENTOS CONTA 4103010006 C20 LANÇAMENTOS CONTA 4103010007 De acordo com a fiscalização, os 7 (sete) levantamentos são compostos por valores referentes a pagamentos de comissões a funcionários, conforme descrição dos respectivos históricos dos lançamentos na escrita contábil, cujos trabalhadores atuam na atividade comercial de venda (fls. 832/843). A pessoa jurídica recorrente questiona a legalidade da constituição do crédito tributário lançado de ofício, com o argumento que os Levantamentos C14 a C17 dizem respeito a parcelas recebidas pelos segurados que mantinha vínculo formal com as prestadoras de serviços, MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. A sujeição passiva da empresa recorrente com respeito aos trabalhadores registrados nas prestadoras de serviços é matéria superada, dado que abordada de maneira fundamentada em tópico anterior deste voto, concluindose procedente a vinculação dos segurados empregados diretamente à recorrente, diante do conjunto probatório carreado ao processo administrativo. Na sequência do apelo recursal a recorrente assegura que os Levantamentos C18 a C20 abrangem dispêndios que não possuem natureza salarial, eis que relacionados a comissões pagas a terceiros, gratificações pecuniárias por contratos de crédito e pagamentos efetuados a pessoas alheias ao seu quadro funcional. 5 A decisão de piso já excluiu parte dos valores do Levantamento C10 Conta 2102010001 (fls. 6.132). Fl. 7075DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.076 34 Como justificado em outro tópico deste voto, a "guelta" possui natureza remuneratória. Assim como os valores pagos por terceiros adquirentes de automóveis, os valores repassados pelas instituições bancárias aos vendedores de veículos, devido à captação de clientes para contratos de financiamento, devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Sobre a existência de lançamentos vinculados a pessoas que não integram o quadro funcional da empresa, o apelo recursal está desacompanhado de comprovação dos fatos alegados com documentos, além de não exteriorizar os registros contábeis a que se referem, o que impossibilita qualquer avaliação de mérito. Finalmente, não é demais reforçar que a parcela paga a título de comissão de venda ao trabalhador possui indubitável natureza remuneratória, em razão de destinarse à retribuição do trabalho prestado pelo segurado empregado, com incidência das contribuições previdenciárias e contribuições reflexas devidas a terceiros. C26 LANÇAMENTOS CONTA 2102010003 Segundo o agente fazendário, cuidase de diversos pagamentos tendo como beneficiário o sócio Marcos Takeo Ogata, identificados a partir do exame da escrituração contábil, para os quais considerouse valores de prólabore. Confirase a descrição do levantamento (fls. 860/861): C26 LANÇAMENTOS CONTA 2102010003 referente a pagamentos efetuados ao sócio MARCOS TAKEO OGATA. Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2102010003 MARCOS TAKEO OGATA. Segundo o representante da empresa, os pagamentos referemse a devolução de empréstimos e valores cedidos previamente pelo sócio à empresa. Formalmente Intimada para que apresentasse os documentos que comprovariam esta alegação, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como prólabore. Para efeito de contestação, a recorrente diz que os documentos apresentados nos autos comprovam que os lançamentos contábeis referemse a devoluções de empréstimos efetuados pelo sócio Marcos Takeo Ogata. Pois bem. A documentação juntada ao processo administrativo, consistente de cópias de contratos e extratos bancários, corrobora a afirmação de defesa que o sócio da empresa Marcos Takeo Ogata efetivou operações de empréstimos em seu nome, assumindo obrigações perante as instituições financeiras (fls. 4.598/4.633). A recorrente alega que os valores obtidos pelo sócio eram repassados a ela. Inexplicavelmente, porém, não é capaz de comprovar a efetiva entrada do dinheiro no caixa da pessoa jurídica. Fl. 7076DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.077 35 É verdade que a partir das folhas do livro diário da pessoa jurídica é possível verificar a existência de lançamentos com históricos de empréstimos cedidos pelo sócio Marcos Takeo Ogata, em valores compatíveis com os montantes contratados. Todavia, os registros contábeis não estão respaldados pelos respectivos documentos comprobatórios, convergentes em valores e datas, tais como cópias de cheques, recibos de depósito ou transferência eletrônica de fundos, com origem na conta bancária do sócio Marcos Takeo Ogata. É de verse que a recorrente não comprova, mediante documentação hábil e idônea, que recebeu do sócio quotista os valores que contabilizou a título de devolução de empréstimos na Conta 2102010003. Em princípio, a produção de tal evidência não resultaria em dificuldades para a defesa. Ao não haver a demonstração do prévio repasse de valores ao caixa da sociedade empresarial por parte do seu sócio Marcos Takeo Ogata, provenientes de empréstimos efetuados pela pessoa física junto a instituições bancárias, não há como concordar com o pedido da defesa nos sentido de que os lançamentos na Conta 2102010003 representam o reembolso daqueles empréstimos. Na falta de prova em contrário, correto o entendimento no sentido de que os valores contabilizados devem ser considerados como remuneração pelo exercício das atividades de gestão do sócio Marcos Takeo Ogata, passíveis de incidência de contribuição previdenciária. C27 LANÇAMENTOS CONTA 2102010006 De acordo com autoridade lançadora, os valores identificados na conta contábil foram considerados como remuneração recebida pelo empregado José Roberto de Souza. Confirase a descrição do levantamento (fls. 861/863): C27 LANÇAMENTOS CONTA 2102010006 referente a valores pagos a funcionário. Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2102010006 JOSE ROBERTO DE SOUZA M.ALTO. Segundo o representante da empresa, os pagamentos referemse à devolução de empréstimo: e valores cedidos, previamente, pelo funcionário JOSE ROBERTO DE SOUZA. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos que comprovariam esta alegação, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como remuneração do empregado. A petição recursal assevera que os lançamentos contábeis são referentes a pagamentos e devoluções de empréstimos captados pela empresa JOSÉ ROBERTO em benefício da recorrente e, por isso, não dizem respeito a pagamentos de salários ao funcionário José Roberto de Souza. Fl. 7077DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.078 36 Pois bem. A situação em apreço guarda semelhança com a avaliação feita no Levantamento C02, que se refere aos pagamentos destinados à empresa individual MARINA, com histórico de devolução de empréstimos. Assim como lá, aqui a documentação carreada ao processo administrativo comprova satisfatoriamente, por meio de cópias de extratos bancários e contratos, que a empresa individual JOSÉ ROBERTO efetivou operações de empréstimos em seu nome, assumindo, em consequência, obrigações pecuniárias perante as instituições financeiras (fls. 4.635/4.739). Contudo, o material probatório não é capaz de confirmar a existência de empréstimos cedidos pela empresa JOSÉ ROBERTO, ou seu titular, à pessoa jurídica União Taquaritinga. Em outros dizeres, a documentação acostada ao processo administrativo é desprovida da demonstração do efetivo ingresso desses valores a título de empréstimos obtidos por um terceiro no patrimônio da empresa recorrente, mediante a comprovação da transferência de numerário entre as partes envolvidas. Como dito há algumas linhas, a deficiência na produção da prova de ingresso do dinheiro em caixa é indicativo da miscelânea patrimonial e financeira existente entre a pessoa jurídica União Taquaritinga e as denominados prestadores de serviços, MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, em que as despesas correntes de uma são quitadas pelas outras, ausente a imprescindível separação entre obrigações de entidades distintas, com desprezo ao controle transparente de receitas e despesas. Tendo em conta o peculiar cenário de organização empresarial, cumpre reforçar que JOSÉ ROBERTO é uma empresa de natureza individual e, como tal, não existe distinção patrimonial com a figura do empresário, haja vista que a empresa nada mais é do que a própria pessoa natural no exercício da atividade empresarial. Por força de uma ficção contida na lei tributária, o resultado da atividade com fins de lucro desenvolvida pela pessoa física é tributado como uma pessoa jurídica (fls. 1.695/1.701). A contabilidade mantida desacompanhada da confirmação dos fatos nela registrados, como ora se apresenta, não auxilia a produção da prova a favor das alegações do sujeito passivo. Dessa feita, não há ressalva a fazer no procedimento fiscal, tampouco no acórdão recorrido, os quais reputaram os lançamentos contábeis não comprovados por documentação hábil e idônea como pagamentos em retribuição à prestação de serviços pelo segurado empregado José Roberto de Souza, o qual foi considerado vinculado à empresa recorrente. C28 LANÇAMENTOS CONTA 4101010055 C29 LANÇAMENTOS CONTA 4101010054 C30 LANÇAMENTOS CONTA 4101010054 B Fl. 7078DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.079 37 Segundo a constatação fiscal, são valores localizados pela autoridade tributária na escrituração contábil da empresa fiscalizada, referentes a (i) pagamentos a segurados empregados, com históricos de lançamentos, entre outros, como abono pecuniário, rescisões de contrato, horas extras, adiantamentos e diferenças de salários, comissões e incentivos; e (ii) retiradas de prólabore da sócia Marina Tomoe Ogata Kodama (fls. 863/865). Com a finalidade de contestar o trabalho do agente fazendário, afirma a recorrente que (fls. 6.196): Os lançamentos descritos no relatório do representante da fiscalização nestas contas foram contabilizados com histórico diverso da realidade. Tratase de erro formal de histórico de lançamento, pois todos os fatos lançados referemse a despesas operacionais da Recorrente, em nada se equiparando com remuneração de qualquer espécie relacionada a funcionários. Pois bem. As alegações sobre a ocorrência de erro no histórico de lançamento da contabilidade estão apenas no plano das palavras, eis que completamente desprovidas de suporte em documentação hábil e idônea com o propósito de revelar os fatos que pretende fazer prevalecer nos autos. Como sabido de todos, alegar e não provar os fatos é o mesmo que deixar de contestálos, razão pela qual deve ser mantido o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal. Reforço a observação de que o ato de provar não equivale a colocar à disposição do julgador uma massa de documentos, sem a preocupação de fazer a conexão segura, em datas e valores, entre a documentação apresentada e os lançamentos contábeis listados pelo agente fiscal. C31 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 C32 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 B C33 LANÇAMENTOS CONTA 2101010288 C34 LANÇAMENTOS CONTA 2101010366 C35 LANÇAMENTOS CONTA 4101010049 De acordo com o Relatório Fiscal, devido à recusa de apresentação de documentos que davam suporte aos registros da contabilidade, a autoridade tributária considerou os valores lançados a débito nas contas acima como pagamentos a título de pró labore a sócio (C31) ou remuneração a segurados empregados (C32 a C35). Para melhor compreensão da motivação do lançamento fiscal, transcrevo a íntegra da descrição do agente fazendário (fls. 865/889): Fl. 7079DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.080 38 C31 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 referente a pagamentos efetuados aos sócios, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificadas em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 4101010047 SERVIÇO P. JURÍDICA. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos referentes aos pagamentos, a empresa não o fez, de forma que não restou outra alternativa à fiscalização senão proceder ao lançamento dos valores como prólabore. (...) C32 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 B referente a valores pagos a funcionários, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 4101010047 SERVIÇOS P. JURÍDICA. A contribuição dos segurados empregados foi calculada utilizando a alíquota de 8%. (...) C 33 LANÇAMENTOS CONTA 2101010288 referente a valores pagos a funcionários, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 21010100288 MARCOS BALDASSA TAQUARITINGA. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos referentes aos lançamentos efetuados nesta conta, a empresa não o fez. Assim, como no histórico dos lançamentos contábeis há referência a pagamentos de verbas salariais aos funcionários, foram considerados como sendo remuneração. (...) C34 LANÇAMENTOS CONTA 2101010366 referente a valores pagos a funcionários, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 21010100366 JOSE ROBERTO DE SOUZA ME. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos referentes aos lançamentos efetuados nesta conta, a empresa não o fez. Assim, como no histórico dos lançamentos contábeis há referência a pagamentos de verbas salariais aos funcionários, foram considerados como sendo remuneração. Fl. 7080DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.081 39 (...) C35 LANÇAMENTOS CONTA 4101010049 referente a valores pagos a funcionários, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 4101010049 SERVIÇO P. JURÍDICA M. ALT. Formalmente intimada para que apresentasse os documentos referentes aos lançamentos efetuados nesta conta, a empresa não o fez. Assim, como no histórico dos lançamentos contábeis há referência a pagamentos de verbas salariais aos funcionários, foram considerados como sendo remuneração. Lançado no CNPJ 66.125.857/000308, da filial de Monte Alto, pois a conta contábil referese a esta filial. No recurso voluntário, a pessoa jurídica recorrente afirma que os lançamentos contábeis supramencionados dizem respeito a valores a pagar e a desembolsos efetuados, quando do acerto do contas, por serviços prestados pelas empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. Para efeitos de provar a sua versão dos fatos, a recorrente anexou cópias das notas fiscais de serviços emitidas pelas prestadoras, esclarecendo que, muitas vezes, não há coincidência exata entre os lançamentos contábeis e os valores dos documentos fiscais apresentados, levandose em consideração a utilização de mecanismo de antecipação dos pagamentos das verbas trabalhistas e tributárias devidas pelas microempresas que lhe prestavam serviços (fls. 4.741/4.893). Posteriormente, em resposta à solicitação do colegiado, a recorrente reapresentou cópias de notas fiscais emitidas pelas empresas, MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, as quais já se encontravam juntadas mas que estavam ilegíveis, acompanhadas de planilhas para melhor detalhamento dos lançamentos contábeis, numa tentativa de vinculação das notas fiscais a um ou mais registros da contabilidade, de maneira a tornar mais clara a rotina de pagamentos (fls. 6.865/6.882 e 6.895/6.949). Pois bem. Observase que o lançamento de ofício decorreu da falta de apresentação à fiscalização dos documentos que corroboravam os registros contábeis feitos nas contas. Não só. O agente fazendário também explica que os históricos dos lançamentos contábeis, no caso dos Levantamentos C32 a C35, faziam alusão a pagamentos de verbas de natureza salarial. Com efeito, nos históricos dos lançamentos contábeis, conforme detalhado nas tabelas elaboradas pela fiscalização, é fácil verificar a menção, entre outros, a pagamentos de adiantamentos, salários, comissão, horas extras, férias e serviços prestados por pessoa física, o que levanta dúvidas sobre a natureza dos lançamentos nas contas. De outra parte, há outros tantos lançamentos com referência ao histórico de pagamentos de notas fiscais e prestação de serviços de oficina pelas empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO. Fl. 7081DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.082 40 Como antes dito, a falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, autoriza o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. A autoridade fazendária não expressa o entendimento de que a atividade de comercialização de peças novas e usadas para automóveis, bem como a prestação de serviços de funilaria, pintura e mecânica, não eram desenvolvidas pelas empresas individuais MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, mediante a colaboração de trabalhadores formalmente registrados. Efetivamente, o agente fazendário não afirmou a ausência de prestação de serviços a clientes, tampouco a inexistência de faturamento das microempresas em decorrência do exercício de atividade econômica. Com relação aos funcionários nelas registrados, a fiscalização tão só atribuiu o vínculo dos trabalhadores diretamente com a empresa principal, ora recorrente, que foi considerada a verdadeira tomadora dos serviços prestados por essas pessoas físicas. Haja vista os fatos narrados pela autoridade lançadora, bem como o conjunto probatório juntado aos autos, não é plausível que a escrituração da recorrente está envolta em uma completa simulação de lançamentos contábeis em destaque, ou seja, que todos os registros da contabilidade relacionados às empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, em valores e datas variáveis ao longo dos meses, equivalem, na realidade, a pagamentos disfarçados a título de remuneração pela atividade laboral de empregados e sócios. Ocorre que a passividade do fiscalizado na apresentação de documentos comprobatórios da veracidade dos dados registrados na sua escrituração contábil, mesmo que possa ser parcialmente atenuada pelo extravio resultante de fenômeno da natureza, é conduta reprovável, porque despreza o dever de colaboração do sujeito passivo com a atividade fiscalizatória, autorizando o uso de métodos legalmente previstos para identificação da matéria tributável. No entanto, a conduta fiscal de aferição indireta da base de cálculo não está livre de observar parâmetros de razoabilidade. Reputar todos os lançamentos contábeis como fato gerador de contribuição previdenciária, indistintamente, é determinação severa, que conduz, no caso concreto, a uma extrapolação do bom senso e, na sequência, acarreta um ônus probatório excessivo ao sujeito passivo, pois lhe impõe a comprovação individualizada da natureza dos lançamentos para afastar a tributação, numa estrita identidade de valores, tal como se pronunciou a autoridade fiscal e o acórdão de primeira instância. O conjunto probatório dos autos como um todo, mesmo numa verificação por amostragem, aliado às circunstâncias da motivação do lançamento fiscal, é hábil e suficiente para demonstrar o "modo operandi" adotado pela empresa recorrente, em relação às Contas 4101010047, 4101010047 B, 2101010288, 2101010366 e 4101010049, cujos registros contábeis, ao menos na sua maior parte, não são concernentes à retirada a título de prólabore ou a pagamentos de funcionários. Ao ponto de vista acima, faço a ressalva quanto a pagamentos com referência a verbas salariais de funcionários, os quais, como ressaltei, chamaram a atenção da autoridade tributária. Fl. 7082DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.083 41 Não se trata, por óbvio, de delimitação da natureza jurídica do fato gerador em função da simples análise da nomenclatura do histórico dos lançamentos contábeis, mas sim exigir a comprovação de fatos, por meio documentação hábil e idônea, quando há suspeita legítima a respeito da sua natureza remuneratória e omissão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. As justificativas de defesa confirmam a natureza remuneratória desses valores com histórico de parcelas salariais. Todavia, a recorrente explica que os pagamentos foram realizados a título de adiantamento de salários, rescisões ou outra vantagem remuneratória, cujo trabalhador constou das folhas de pagamento e GFIP da empresa individual, sendo, portanto, objeto de autuação fiscal em duplicidade, na medida em que as importâncias pagas são integrantes da base de cálculo das folhas de pagamento das empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, fazendo parte de outros levantamentos do mesmo auto de infração (fls. 6.868/6.882). Há uma aparência de verdade na justificativa de pagamento fracionado das notas fiscais emitidas pelas empresas individuais, ocorrido para fins de acertos financeiros feitos ao longo de meses, mediante os quais a União Taquaritinga, ora recorrente, de maneira habitual providenciava o desembolso antecipado de numerário para efetuar a quitação de parcelas de natureza salarial devida aos trabalhadores, tais como adiantamento de salários, vales, comissões e rescisão de contrato de trabalho. Contudo, diversamente do que sugere o discurso da recorrente, a análise comparativa mostra que não há, necessariamente, uma equivalência entre os lançamentos contábeis e os dados das folhas de pagamento das empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, restando clara a existência de divergência de valores, o que pode significar, em especial no caso de adiantamentos, vales, comissões etc, a omissão de valores nas folhas de pagamento das remunerações pagas aos trabalhadores (fls. 3.803/4.568, 6.865/6.882 e 6.895/6.949). A rotina de fragmentação dos pagamentos, por causa do corriqueiro procedimento de antecipações salariais e acertos financeiros parceladamente, acaba dificultando, ao final, a comprovação dos fatos que a autuada pretende fazer preponderar no processo administrativo. Em outras palavras, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório, estando os autos desprovidos de evidências convincentes no sentido de que o pagamento de verbas salariais mencionado nas contas contábeis, em todos os casos, é exatamente aquele incluído em folha de pagamento e GFIP. À vista disso, em prol da aproximação com a verdade material, cabe a exclusão dos lançamentos contábeis que, segundo minha avaliação da prova, não dizem respeito à retirada de prólabore ou a pagamento de segurados empregados, ou, mesmo que referentes a verbas de natureza salarial, a inclusão na base de cálculo das folhas de pagamento restou satisfatoriamente confirmada. Fl. 7083DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.084 42 Deverá ser procedida à exclusão dos valores listados nas Tabelas 3 a 7, correspondentes aos Levantamentos C31 a 35 (fls. 357/384): 6 Tabela 3 C31 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 (fls. 357/362) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 03/12/2003 35449 3.000,00 01/03/2004 43570 1.030,00 10/09/2004 62829 1.601,74 05/12/2003 35733 2.714,64 03/03/2004 43787 250,00 20/09/2004 63766 1.500,00 05/12/2003 35736 1.081,00 05/03/2004 44040 1.100,00 30/09/2004 64892 652,31 08/12/2003 35855 5.000,00 05/03/2004 44042 300,00 30/11/2004 71051 70,00 15/12/2003 36521 3.000,00 05/03/2004 44045 2.000,00 10/01/2005 779 2.097,90 30/12/2003 37972 3.100,00 05/03/2004 44058 2.147,93 24/01/2005 2153 1.621,94 05/01/2004 38676 600,00 19/03/2004 45325 453,00 04/02/2005 3660 20,00 07/01/2004 38916 243,90 24/03/2004 45740 971,15 04/02/2005 3661 850,00 07/01/2004 38917 3.014,93 24/03/2004 45741 788,67 10/02/2005 3874 2.041,20 07/01/2004 38926 2.097,00 23/04/2004 48525 1.545,00 14/02/2005 4227 200,96 08/01/2004 39033 800,00 30/04/2004 49274 1.810,81 22/02/2005 5096 10.000,00 08/01/2004 39033 1.260,00 30/04/2004 49274 595,81 22/02/2005 5109 4.000,00 12/01/2004 39301 383,00 11/05/2004 50337 824,93 03/03/2005 6260 144,00 13/01/2004 39434 4.448,33 14/05/2004 50695 120,08 13/04/2005 10644 2.348,00 14/01/2004 39546 3.834,87 17/05/2004 50852 94,12 14/04/2005 10760 2.000,00 15/01/2004 39651 1.500,00 17/05/2004 50858 157,37 29/04/2005 12332 2.137,86 16/01/2004 39766 2.000,00 07/06/2004 53006 858,00 29/04/2005 12344 2.000,00 23/01/2004 40363 2.657,08 08/06/2004 53143 505,00 20/05/2005 14756 2.257,00 27/01/2004 40603 5.550,34 21/06/2004 54399 830,00 24/05/2005 15107 2.000,00 30/01/2004 40952 93,00 23/06/2004 54716 5.000,00 22/06/2005 18311 1.884,93 09/02/2004 41742 21.660,00 29/06/2004 55326 1.326,00 23/06/2005 18397 2.000,00 09/02/2004 41831 11.000,00 07/07/2004 56251 978,40 30/06/2005 19268 389,32 13/02/2004 42283 958,02 15/07/2004 57005 294,08 17/08/2005 24848 750,00 26/02/2004 43137 7.421,35 23/08/2004 60905 850,00 08/02/2006 46764 477,86 6 A decisão de primeira instância reconheceu, em grau definitivo, a decadência do crédito lançado até a competência 11/2003, inclusive. Fl. 7084DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.085 43 Tabela 4 C32 LANÇAMENTOS CONTA 4101010047 B (fls. 363/368) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 08/01/2004 39030 180,00 29/10/2004 67998 3.257,31 24/03/2005 8516 437,25 10/02/2004 41945 360,29 10/11/2004 69157 3.622,79 31/03/2005 9142 1.046,34 13/02/2004. 42283 247,06 10/01/2005 779 1.222,50 10/11/2005 34804 1.430,45 18/02/2004 42609 2.495,27 10/01/2005 847 1.598,00 22/11/2005 35942 568,00 21/09/2004 63882 1.383,00 10/02/2005 3874 680,54 23/01/2006 48234 4.824,56 23/09/2004 64116 405,99 21/02/2005 4970 2.000,00 16/03/2006 54848 50,00 30/09/2004 61877 2.891,94 08/03/2005 6731 13.799,56 03/04/2006 59800 50,00 27/10/2004 67695 220,00 09/03/2005 6867 4.414,38 17/05/2006 63561 303,00 09/10/2006 81935 28.000,00 Tabela 5 C33 LANÇAMENTOS CONTA 2101010288 (fls. 368/376) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 10/01/2005 779 915,00 02/12/2005 44537 4.653,90 10/05/2006 63089 889,72 31/01/2005 2902 4.005,11 12/12/2005 39668 1.887,55 08/06/2006 70330 7.133,65 02/02/2005 3393 1.100,00 12/12/2005 39689 20,83 12/06/2006 68837 77,28 04/02/2005 3613 3.341,03 13/12/2005 44689 9.669,53 12/06/2006 68835 164,13 10/02/2005 3874 596,21 14/12/2005 38730 27,60 12/06/2006 68838 7,12 10/02/2005 4090 12.300,95 20/12/2005 39880 907,13 13/06/2006 69149 55,00 17/02/2005 4633 205,53 27/12/2005 40017 1.025,95 13/06/2006 69150 50,00 24/02/2005 5376 3.858,33 27/12/2005 40019 827,36 14/06/2006 69215 50,00 25/02/2005 5515 1.251,00 09/01/2006 48104 246,00 21/06/2006 69268 280,00 28/02/2005 5753 4.051,62 09/01/2006 48104 286,00 21/06/2006 69324 132,50 03/03/2005 6257 2.300,00 09/01/2006 48104 1.252,00 30/06/2006 69393 766,00 07/03/2005 6601 3.299,74 09/01/2006 48104 524,00 30/06/2006 69396 50,00 10/03/2005 6956 687,83 09/01/2006 48104 353,00 30/06/2006 69398 50,00 11/03/2005 7138 1.305,80 09/01/2006 48104 197,00 05/07/2006 72666 4.000,00 04/04/2005 9591 59,89 09/01/2006 48104 201,00 05/07/2006 72667 1.000,00 11/04/2005 10315 745,27 09/01/2006 48104 270,00 08/07/2006 73243 540,00 27/04/2005 11883 92,93 09/01/2006 48104 663,00 17/07/2006 72939 2.000,00 29/04/2005 12330 341,62 09/01/2006 48104 702,00 20/07/2006 73031 3.000,00 29/04/2005 12332 1.242,05 09/01/2006 48104 76,53 20/07/2006 73031 3.000,00 06/05/2005 13222 1.460,00 10/01/2006 47220 2.000,00 31/07/2006 73219 3.100,00 06/05/2005 13247 3.670,43 11/01/2006 46582 822,80 31/07/2006 73221 4.000,00 06/05/2005 13275 1.701,00 25/01/2006 47728 6.431,40 01/08/2006 75744 180,00 06/05/2005 13275 1.683,00 03/02/2006 54651 1.750,00 07/08/2006 76413 4.000,00 Fl. 7085DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.086 44 Tabela 5 (Continuação) C33 LANÇAMENTOS CONTA 2101010288 (fls. 368/376) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 06/05/2005 13275 487,00 08/02/2006 57293 6.956,51 07/08/2006 76414 1.000,00 21/05/2005 14852 697,24 13/02/2006 53511 964,13 07/08/2006 76420 1.109,98 23/05/2005 14966 14.385,13 17/02/2006 54800 963,82 10/08/2006 76505 2.000,00 08/06/2005 16735 6.931,00 17/02/2006 54810 335,25 21/08/2006 76065 1.000,00 14/06/2005 17359 1.000,00 20/02/2006 50208 110,00 21/08/2006 76734 3.000,00 11/07/2005 20481 1.419,23 20/02/2006 55171 3.284,67 21/08/2006 76734 3.000,00 12/07/2005 20644 9.800,00 20/02/2006 57439 11.471,00 23/08/2006 77145 103,00 12/07/2005 20645 6.000,00 21/02/2006 55175 197,25 26/08/2006 76849 3.100,00 12/07/2005 20646 2.100,00 24/02/2006 57228 3.810,99 30/08/2006 76938 1.411,89 08/08/2005 23775 6.639,09 03/03/2006 54941 294,60 05/09/2006 79014 4.000,00 08/08/2005 23811 9.100,00 07/03/2006 53524 3.872,65 11/09/2006 79114 2.000,00 19/08/2005 25266 4.792,00 08/03/2006 53532 1.000,00 11/09/2006 79496 1.002,42 20/08/2005 25302 4.917,00 08/03/2006 57850 1.719,00 13/09/2006 79466 1.610,76 06/09/2005 27172 3.717,46 10/03/2006 54768 5.987,00 15/09/2006 79468 454,31 08/09/2005 27358 7.243,00 10/03/2006 54841 775,00 20/09/2006 79321 3.000,00 12/09/2005 27724 4.575,26 10/03/2006 55214 507,24 25/09/2006 79374 1.000,00 19/09/2005 28515 265,00 21/03/2006 53232 110,00 02/10/2006 86349 103,00 19/09/2005 28516 600,00 28/03/2006 55004 145,00 09/10/2006 81681 1.740,00 10/10/2015 31085 1.250,80 28/03/2006 55005 1.709,00 10/10/2006 81024 2.000,00 07/10/2005 30874 3.719,21 07/04/2006 59856 416,48 16/10/2006 81083 1.500,00 26/10/2005 32974 130,00 07/04/2006 59862 1.850,00 20/10/2006 81234 3.000,00 31/10/2005 33442 4.568,71 07/04/2006 65091 9.056,06 25/10/2006 81401 1.000,00 04/11/2005 34188 437,00 10/04/2006 60177 744,19 30/10/2006 81494 1.500,00 07/11/2005 34387 6.596,00 10/04/2006 61501 775,00 13/11/2006 85141 790,00 10/11/2005 34804 1.326,62 12/04/2006 61502 1.750,00 06/12/2006 86726 5.000,00 14/11/2005 35158 379,04 24/04/2006 60062 60,00 11/12/2006 87369 1.188,85 14/11/2005 35159 461,72 24/04/2006 65280 10.361,87 13/12/2006 86935 1.007,88 22/11/2005 35942 238,00 27/04/2006 61436 368,00 18/12/2006 87012 1.920,97 22/11/2005 35942 212,00 28/04/2006 60110 60,00 20/12/2006 87137 668,58 22/11/2005 35942 212,00 05/05/2006 64514 300,00 21/12/2006 87158 6.000,00 24/11/2005 36254 16.800,00 09/05/2006 63716 180,00 Fl. 7086DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.087 45 Tabela 6 C34 LANÇAMENTOS CONTA 2101010366 (fls. 377/382) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 07/01/2005 618 4.522,48 18/08/2005 25076 210,00 07/08/2006 76414 3.000,00 11/01/2005 984 70,00 31/08/2005 26288 150,00 07/08/2006 76414 3.000,00 12/01/2005 1127 50,00 31/08/2005 26291 4.444,29 07/08/2006 76420 1.081,09 24/01/2005 2154 9.032,00 02/09/2005 26749 305,50 08/08/2006 76465 170,00 31/01/2005 2908 963,00 15/09/2005 28209 373,50 09/08/2006 76928 694,67 10/02/2005 3915 1.397,00 30/09/2005 30065 4.690,60 10/08/2006 76505 4.000,00 11/02/2005 4090 5.744,00 06/10/2005 30802 347,00 10/08/2006 76505 3.000,00 11/02/2005 4090 6.955,05 11/10/2005 31270 9.700,00 10/08/2006 76522 1.000,00 10/03/2005 6956 745,46 18/10/2005 31951 927,70 11/08/2006 76960 644,11 14/03/2005 7318 408,42 10/11/2005 34851 9.550,00 14/08/2006 76580 3.000,00 14/03/2005 7333 109,00 16/11/2005 35341 26.500,00 24/08/2006 76825 1.000,00 15/03/2005 7470 27,33 22/11/2005 35942 212,00 11/09/2006 79113 1.000,00 21/03/2005 8013 12.570,00 22/11/2005 35942 212,00 11/09/2006 79114 3.000,00 31/03/2005 9142 1.192,62 06/12/2005 40163 81,00 11/09/2006 80164 10.000,00 07/04/2005 9995 3.574,03 08/12/2005 44688 7.405,06 12/09/2006 79185 3.000,00 11/04/2005 10315 763,14 12/12/2005 39668 1.834,15 13/09/2006 79202 1.883,00 18/04/2005 11105 216,00 15/12/2005 39774 27,33 15/09/2006 79469 393,75 29/04/2005 12330 381,74 20/12/2005 39880 964,49 21/09/2006 79337 1.000,00 29/04/2005 12332 1.176,88 20/12/2005 39880 1.555,03 25/09/2006 79374 1.000,00 06/05/2005 13275 173,00 21/12/2005 40371 4.343,56 02/10/2006 80849 1.000,00 06/05/2005 13275 3.175,00 21/12/2005 40378 1.400,00 05/10/2006 81867 200,00 06/05/2005 13275 972,27 23/01/2006 48234 4.866,50 13/10/2006 81060 5.000,00 10/05/2005 13583 3.812,64 03/07/2006 72461 2.000,00 16/10/2006 81083 2.000,00 16/05/2005 14200 9.757,00 10/07/2006 72782 1.000,00 20/10/2006 81233 2.000,00 07/06/2005 16614 3.563,64 10/07/2006 72783 4.000,00 20/10/2006 82085 450,00 08/06/2005 16719 10.000,00 10/07/2006 72783 3.000,00 23/10/2006 81347 2.000,00 17/06/2005 17783 2.055,00 10/07/2006 74545 980,66 23/10/2006 81347 1.200,00 04/07/2005 19688 2.000,00 12/07/2006 72865 3.000,00 24/10/2006 83562 1.000,00 07/07/2005 20225 977,00 18/07/2006 72974 400,00 30/10/2006 81494 1.000,00 07/07/2005 20228 3.582,46 19/07/2006 73020 4.000,00 01/11/2006 84203 2.398,00 05/08/2005 23577 3.602,06 20/07/2006 73031 2.000,00 10/11/2006 85134 10.000,00 08/08/2005 23791 372,50 20/07/2006 73040 400,00 13/11/2006 85194 18.000,00 08/08/2005 23800 5.874,67 24/07/2006 73087 1.000,00 17/11/2006 85195 5.000,00 10/08/2005 24039 1.201,86 01/08/2006 76301 3.000,00 24/11/2006 87821 724,02 10/08/2005 24068 105,90 03/08/2006 91825 10.000,00 05/12/2006 85165 5.000,00 21/12/2006 87157 6.000,00 Fl. 7087DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.088 46 Tabela 7 C35 LANÇAMENTOS CONTA 4101010049 (fls. 382/384) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 08/02/2006 46773 4.947,88 14/03/2006 54807 187,50 24/04/2006 65280 5.442,36 08/02/2006 46778 1.000,00 21/03/2006 60136 534,15 10/05/2006 63089 840,53 08/02/2006 50407 1.223,00 22/03/2006 54917 5.389,69 22/05/2006 65362 6.024,11 08/02/2006 50422 3.818,26 30/03/2006 53765 2.000,00 25/05/2006 64035 46,75 08/02/2006 57293 7.500,00 04/04/2006 59815 55,00 08/06/2006 70330 654,56 09/02/2006 46792 292,00 07/04/2006 59855 115,00 09/06/2006 69098 100,00 14/02/2006 54663 609,90 07/04/2006 65091 8.340,92 09/06/2006 69203 2.913,43 14/02/2006 54673 452,00 18/04/2006 61524 1.119,32 12/06/2006 68835 75,06 14/02/2006 54957 126,00 24/04/2006 60056 100,00 12/06/2006 68837 261,55 14/06/2006 69216 50,00 C36 LANÇAMENTOS CONTA 2101140001 Segundo a autoridade lançadora, correspondem a valores pagos a funcionários, identificados a partir dos lançamentos contábeis. Confirase, nas palavras da autoridade tributária, a motivação do lançamento (fls. 889/910): C36 LANÇAMENTOS CONTA 2101140001 referente a valores pagos a funcionários, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2101140001 ADIANTAMENTO DE CLIENTES. A despeito da denominação "adiantamento de clientes", a recorrente explica que a Conta 2101140001 destinase a lançamentos contábeis relativos à captação de recursos junto a instituições financeiras, por meio de cheques emitidos por funcionários, colaboradores e empresas, no qual há tão somente circulação de papéis e não ocorre a aquisição de acréscimo patrimonial pelos emitentes dos títulos. Por meio de pessoas jurídicas e físicas parceiras, a recorrente recebia cheques e realizava o desconto desses títulos junto a instituições financeiras. Na data de vencimento, a recorrente depositava os valores na conta de quem forneceu os empréstimos, a fim de cobrir o seu montante. Pois bem. Aqui também, a falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, levou ao lançamento da importância considerada devida pela autoridade fiscal, com inversão do ônus da prova. Diante da omissão da empresa fiscalizada em atestar a natureza dos lançamentos contábeis por documentos hábeis, o agente fazendário considerou dezenas e dezenas de Fl. 7088DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.089 47 lançamentos na Conta 2101140001 como sendo importâncias percebidas a título de remuneração por segurados empregados. Não se preocupou o agente lançador, contudo, em expressar o raciocínio que justificava a desconfiança sobre a totalidade dos lançamentos contábeis na conta, até porque os valores e históricos da contabilidade não são hábeis, numa primeira avaliação, para deduzir a natureza salarial em relação aos registros. Ao compulsar a tabela reproduzida pela autoridade fiscal, percebese que os lançamentos contábeis nessa conta possuem, na sua maioria, valores expressivos a cada mês, distribuídos em um ou mais registros, apresentando oscilações significativas para um mesmo nome associado ao pagamento, o que não se mostra conciliável, tendo em vista a remuneração mensal dos segurados e as funções exercidas, com a classificação de percepção de verbas salariais pelos funcionários (fls. 3.803/4.568). Por sua vez, a empresa recorrente apresentou vários exemplos de cheques nominais a ela emitidos por funcionários, empresas e clientes, corroborado por dados extraídos do diário geral, os quais revelam a entrada de recursos para a empresa fiscalizada e, na contrapartida, a saída em devolução do respectivo numerário, embora nem sempre operações de idêntica expressão monetária, é verdade, porém compatíveis em datas e valores (fls. 6.346/6.542 e 6.619/6.640). Em análise dos documentos carreados aos autos pela recorrente, a própria fiscalização, em distintos casos, confirma o prévio ingresso de valores a crédito na Conta 2101140001 com o mesmo montante de saída de numerário, enquanto que, em outros cotejos efetuados, fez objeção à comprovação dos fatos, sob alegação de falta de coincidência entre os valores de entrada e saída (fls. 6.703/6.710). No caso em apreço calha repetir o que foi dito no tópico precedente. O procedimento de arbitramento da base de cálculo do lançamento fiscal em razão da falta de apresentação de documentação hábil e idônea não escapa a parâmetros de razoabilidade para a conduta do agente público. Considerar todos os lançamentos de uma determinada conta contábil como fato gerador de contribuição previdenciária, indistintamente, pela só falta de apresentação de documentos, é medida demasiadamente rigorosa, que conduz, no caso concreto, a uma extrapolação do bom senso e, na sequência, resulta em ônus probatório desmoderado ao sujeito passivo, pois lhe exige a comprovação individualizada da natureza dos lançamentos para afastar a tributação, tal como se pronunciou a autoridade fiscal e a decisão de primeira instância. À vista disso, entendo que as cópias dos documentos apresentados ao longo do processo administrativo, mesmo que não se refiram a todos os lançamentos nessa conta contábil, são suficientes para exteriorizar a inexistência de fato gerador de contribuição previdenciária, porquanto as saídas não apontam para o pagamento de remuneração a funcionários. Em situações de tal envergadura, nas quais a quantidade de registros na contabilidade é grande, a auditoria contábil é feita pela fiscalização, via de regra, a partir de técnicas de amostragem, com vistas a certificarse da natureza dos valores que foram contabilizados. Fl. 7089DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.090 48 Da mesma maneira, é razoável que a avaliação do caso concreto também ocorra mediante verificação por amostragem, a despeito da vasta documentação acostada aos autos pela recorrente, como já salientado, não acobertar a comprovação de todos os lançamentos na Conta 2101140001. Ademais disso, na atual fase processual é inoportuno um aprofundamento individual da natureza dos lançamentos contábeis com base, por exemplo, no histórico da operação, porque a fiscalização assim não procedeu. Logo, cabe excluir do auto de infração os valores correspondentes ao levantamento C36 LANÇAMENTOS CONTA 2101140001 (fls. 385/414). 7 C37 LANÇAMENTOS CONTA 2101140001 B Como último levantamento, a fiscalização lançou valores a título de pagamento de prólabore aos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, apurados a partir da escrituração contábil. A seguir, reproduzo o que restou consignado pela autoridade tributária (fls. 910/924): C37 LANÇAMENTOS CONTA 2101140001 B referente a valores pagos aos sócios aos sócios MARCOS TAKEO OGATA e MARINA TOMOE OGATA KODAMA, as quais não foram declaradas em GFIP nem relacionadas em folha de pagamento, identificadas em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 2101140001 ADIANTAMENTO DE CLIENTES. Segundo o Sr. João Carlos Pavarina, tratase de cheques que os sócios teriam cedido à empresa para esta poder gerar fluxo de caixa. Como não foram apresentados à fiscalização os documentos para comprovação do alegado, estes pagamentos foram considerados remuneração dos sócios e lançados como prólabore. As ponderações da recorrente seguem a mesma linha de defesa do tópico anterior, justificando que os lançamentos contábeis têm origem na captação de recursos para utilização como capital de giro, não existindo aquisição de créditos por parte dos emitentes dos cheques prédatados (fls. 6.883/6.894). Pois bem. Mais uma vez o lançamento de ofício decorreu da falta de apresentação à fiscalização dos documentos que corroboravam os registros contábeis feitos na conta. A autoridade fiscal avaliou todos os lançamentos contábeis como remuneração aos sócios na forma de prólabore, indistintamente, numa clara tentativa de compelir a empresa fiscalizada a apresentar na fase litigiosa a documentação comprobatória dos fatos registrados na sua contabilidade. 7 A decisão de piso já excluiu alguns valores do Levantamento C36 Conta 2101140001 (fls. 6.133). Fl. 7090DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.091 49 Independentemente da perda de documentos, em razão de forte chuva que atingiu as instalações onde se localizavam os arquivos da empresa, percebese claramente a desorganização contábil da pessoa jurídica, uma vez que numa mesma conta agrupa lançamentos relacionados e não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Com efeito, nessa conta há diversos lançamentos referentes a pagamentos a pessoas jurídicas, tal como Prisma Tintas Jaboticabal Ltda, responsável pelo fornecimento de tintas para os serviços de funilaria e pintura da concessionária, que mesmo tendo o sócio Marcos Takeo Ogata em comum não se mostra adequado classificálos como prólabore, na falta de elementos de convergência para apontar a natureza de remuneração a contribuinte individual (fls. 6.332/6.338). A autoridade tributária também adicionou na base de cálculo do auto de infração lançamentos de ajustes contábeis decorrentes de procedimento de conciliação, sem movimentação financeira, pelo só fato de que integram os registros da Conta 2101140001 B, (fls. 6.799/6.801). Sob outra perspectiva, no entanto, constatamse múltiplos lançamentos contábeis que deixam transparecer um histórico de pagamentos a título de retirada de pró labore aos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, não havendo a comprovação do oferecimento desses valores à tributação da contribuição previdenciária (por exemplo, fls. 923/924). Em relação aos pagamentos a empresa MARINA, conforme já assinalado em outro momento, em que não há distinção patrimonial com a figura do empresário, haja vista que a empresa nada mais é do que a própria pessoa natural no exercício da atividade empresarial, há necessidade de apresentação de prova idônea para demonstração da sua natureza, afastando a possibilidade de recebimento de prólabore pela sócia Marina Tomoe Ogata Kodama. Nesse cenário, a partir do conjunto de provas que a recorrente conseguiu trazer aos autos, acompanhado das respectivas explicações dos fatos registrados no suporte documental, é possível afirmar com segurança que a conta contábil é composta de lançamentos de naturezas distintas, alguns comprovadamente de caráter não remuneratório, não se confundindo com retirada de prólabore, e outros tantos em que há a necessidade de demonstração da efetiva natureza. Com relação ao presente levantamento fiscal, portanto, a juntada de documentos por amostragem é fator que inviabiliza a extensão de uma natureza não remuneratória dos lançamentos contábeis a toda e qualquer operação. Desse modo, sou favorável a exclusão dos seguintes valores correspondentes ao Levantamento C37, conforme Tabela 8, cujos lançamentos contábeis, segundo minha avaliação das provas dos autos, não se assemelham á retirada de prólabore pelos sócios da empresa recorrente (fls. 414/433): 8 8 A decisão de primeira instância reconheceu, em grau definitivo, a decadência do crédito lançado até a competência 11/2003, inclusive. Fl. 7091DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.092 50 Tabela 8 C37 LANÇAMENTOS CONTA 210114001 B (fls. 414/433) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) Data Lançamento Valor (R$) 01/12/2003 35181 3.000,00 06/04/2005 9825 6.000,00 29/11/2005 36851 10.000,00 09/12/2003 35980 4.800,00 06/04/2005 9892 3.500,00 29/11/2005 36852 960,00 09/12 /2003 35981 4.800,00 13/04/2005 10610 5.200,00 29/11/2005 36853 1.500,00 09/12/2003 35982 2.400,00 22/04/2005 11483 9.000,00 30/11/2005 37107 14.970,00 09/12/2003 35983 3.050,00 25/04/2005 11670 6.400,00 05/12/2005 39530 18.600,00 09/12/2003 35984 4.950,00 27/04/2005 11885 9.500,00 19/12/2005 39853 52.000,00 22/12/2003 37198 15.000,00 29/04/2005 12326 3.530,00 26/12/2005 39972 7.202,89 15/03/2004 44831 1.530,00 05/05/2005 13096 5.050,00 24/01/2006 46507 7.202,89 15/03/2004 44848 2.270,00 16/05/2005 14212 6.700,00 23/02/2006 57226 7.202,89 05/04/2004 46900 3.000,00 20/05/2005 14780 12.070,00 24/03/2006 55235 7.202,89 07/04/2004 47165 1.149,00 24/05/2005 15126 2.500,00 31/03/2006 55064 2.200,00 04/05/2004 49655 2.000,00 06/06/2005 16446 32.640,00 03/04/2006 58634 3.400,00 31/05/2004 52313 4.311,23 06/06/2005 16455 222,00 05/04/2006 58746 3.000,00 31/05/2004 52314 4.900,00 13/06/2005 17189 30.150,00 10/04/2006 58937 1.000,00 31/05/2004 52327 4.900,00 13/06/2005 17195 5.200,00 24/04/2006 59533 7.202,89 31/05/2004 52328 338,77 04/07/2005 19677 1.300,00 24/04/2006 59538 4.250,00 30/06/2004 55645 8.304,43 04/07/2005 19678 6.700,00 27/04/2006 61437 1.942,73 04/11/2004 68523 17.878,96 05/07/2005 19877 1.200,00 28/04/2006 61526 5.276,91 27/12/2004 73695 3.000,00 05/07/2005 19881 378,24 11/05/2006 63219 1.500,00 28/01/2005 2697 14.857,00 22/07/2005 21861 6.400,00 11/05/2006 63477 6.000,00 04/02/2005 3616 6.000,00 10/08/2005 24088 43.520,00 11/05/2006 63480 9.000,00 14/02/2005 4231 5.200,00 25/08/2005 25618 3.000,00 22/05/2006 63961 4.250,00 07/03/2005 6609 6.000,00 25/08/2005 46606 29.882,08 24/05/2006 64012 7.202,89 14/03/2005 7306 5.200,00 26/09/2005 29318 6.532,57 26/06/2006 69837 13.000,00 14/03/2005 7358 14.500,00 26/09/2005 29319 3.000,00 30/06/2006 69101 500,00 15/03/2005 7474 2.500,00 17/10/2005 31915 4.520,00 30/06/2006 69101 500,00 15/03/2005 7475 4.900,00 14/11/2005 35139 11.367,17 04/07/2006 74979 11.000,00 15/03/2005 7476 4.900,00 16/11/2005 35327 4.630,00 04/07/2006 74979 11.000,00 15/03/2005 7477 4.000,00 28/11/2005 36592 3.000,00 22/08/2006 76772 18.800,00 15/03/2005 7478 2.598,00 29/11/2005 36817 7.000,00 01/01/2007 17574 177.870,25 15/03/2005 7479 4.000,00 29/11/2005 36847 2.827,40 31/08/2007 20603 58.951,37 21/03/2005 8015 1.375,00 29/11/2005 36848 3.500,00 31/08/2007 20605 125.000,00 22/03/2005 8179 6.400,00 29/11/2005 36849 5.000,00 31/08/2007 20607 220.000,00 05/04/2005 9695 5.000,00 29/11/2005 36850 3.000,00 31/08/2007 20610 180.000,00 Fl. 7092DF CARF MF Processo nº 18088.000757/200810 Acórdão n.º 2401006.656 S2C4T1 Fl. 7.093 51 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para exclusão/retificação dos seguintes levantamentos fiscais: (a) Levantamento AFN: exclusão/redução da base de cálculo, conforme Tabela 1; (b) Levantamento AFP: exclusão total; (c) Levantamento C02: redução da base de cálculo, conforme Tabela 2; (d) Levantamento C03: exclusão total; (e) Levantamento C10: exclusão total; (f) Levantamentos C31, C32, C33, C34 e C35: redução da base de cálculo, conforme Tabelas 3 a 7, respectivamente; (g) Levantamento C36: exclusão total; e (h) Levantamento C37: redução da base de cálculo, conforme Tabela 8. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 7093DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19791.000199/2004-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 13/08/2002
REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. REIMPORTAÇÃO NECESSÁRIA. FORÇA MAIOR. INOCORRÊNCIA.
O sujeito passivo não conseguiu demonstrar que a omissão na reimportação dos equipamentos exportados, no regime de exportação temporária, tenho decorrido de "força maior". Não existia nenhum fator que teria impedido o contribuinte de promover a reimportação necessária dos equipamentos exportados temporariamente.
Numero da decisão: 9303-008.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REIMPORTAÇÃO NECESSÁRIA. FORÇA MAIOR. INOCORRÊNCIA. O sujeito passivo não conseguiu demonstrar que a omissão na reimportação dos equipamentos exportados, no regime de exportação temporária, tenho decorrido de "força maior". Não existia nenhum fator que teria impedido o contribuinte de promover a reimportação necessária dos equipamentos exportados temporariamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 79 1. 00 01 99 /2 00 4- 77 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 310200.263, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do Fato Gerador: 13/08/2002 FORÇA MAIOR. EXCLUDENTE. Comprovado nos autos que houve fato imprevisível, inevitável e insuperável, quanto aos efeitos incidentes sobre a obrigação tributária, deve ser entendido tratarse de hipótese de força maior, afastando a exigência fiscal.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que não está configurada a força maior, porquanto, o contribuinte fundamentou seu pleito em prorrogação contratual, que não estava ainda efetivada, não se tratando de mera ausência de prova, mas do direito em si, que não foi implementado na forma exigida pela legislação. E que, descumpridos os requisitos e prazos do regime especial em foco, plenamente aplicável o art. 72, inciso II, da Lei 10.833/2003. Em Despacho às fls. 162 a 163, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · No dia 15/01/2002, o Brasil e o Paraguai firmaram um Ajuste Complementar Acordo de Cooperação Técnica, com o objetivo de desenvolver as áreas de formação profissional em ambos os países; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 4 3 · O Senai assinou com o Centro de Formação Profissional Paraguaio um contrato de comodato de equipamentos necessários ao desenvolvimento das novas atividades naquele país; · No dia 13/08/2002, foi concedido o regime de exportação temporária de bens, pelo prazo de 1 ano, com o fito de enviar equipamentos para uso exclusivo junto ao Centro de Formação Profissional no Paraguai; · Como o prazo para exportação estava se esgotando o regime foi prorrogado até 14/01/2004; · O recorrido solicitou o elastecimento do prazo até a data final do contrato; no entanto, o acordo foi renovado somente em 05/03/2004, pois dependia apenas do Ministério das Relações Exteriores para aprovar a renovação do instrumento que mantinha com o Governo da República do Paraguay – que somente ocorreu após o indeferimento do pedido de prorrogação do regime de exportação temporária e a respectiva autuação; · São as razões para a negativa do recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com o Despacho de Admissibilidade: “Tratase de recurso especial por contrariedade à lei tempestivamente apresentado pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/20071, em face do Acórdão nº 310200.263, de 21/05/2009, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do Fato Gerador: 13/08/2002 FORÇA MAIOR. EXCLUDENTE. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 5 4 Comprovado nos autos que houve fato imprevisível, inevitável e insuperável, quanto aos efeitos incidentes sobre a obrigação tributária, deve ser entendido tratarse de hipótese de força maior, afastando a exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido. Salientese que, embora o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/20092, nos termos do artigo 4° do RICARF, os recursos interpostos contra acórdãos proferidos em sessões de julgamento ocorridas até 30/06/2009 serão processados de acordo com o previsto no Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). O Recurso é tempestivo, a decisão foi por maioria de votos (restaram vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento), e a sessão de julgamento é anterior a 30/06/2009. Além disso, a Fazenda Nacional expôs em seu recurso os elementos que, no seu entender, comprovariam o descumprimento dos requisitos e prazos do regime aduaneiro em foco, o que justificaria a aplicação da penalidade estabelecida no art. 72, II, da Lei 10.833, de 2003. [...]” Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, antecipo o meu entendimento concordando com o exposto pelo relator do acórdão recorrido – o que, peço licença para transcrever o seu entendimento: “[...] Deve ser ressaltado que a fiscalização reconheceu a importância da atividade desenvolvida pelo recorrente, inclusive prorrogando o prazo para a apresentação de documento indispensável, contudo, quando o recorrente mostrouse incapacitado de fornecer o documento exigido pela legislação fiscal, corretamente foi penalizado com multa cabível. Por outro lado, o fato da impossibilidade de apresentação do documento decorrer de fatores externos ao contribuinte é relevante, quando observase que o terceiro in casu é a UniãoFederal, sendo certo que as negociações diplomáticas entre Estados Fl. 184DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 6 5 configura (sendo fato do príncipe, pois lhe falta a característica de geral) força maior. É bastante ilustrativa, neste ponto, a decisão transcrita pelo recorrente (fls. 90/91), pois reflete caso bastante semelhante ao presente em decisão que restou não recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Regido. Transcrevo: EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. REGIME DE EXPORTA CÃO TEMPORÁRIA. PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DO PRAZO CONCEDIDO PARA RETORNO DO BENS APRESENTADO APÓS O FINAL DO LAPSO TEMPORAL CONCEDIDO. INDEFERIMENTO. 1. Embora o retorno das mercadorias remetidas ao exterior ao amparo do regime de exportação temporária deva ocorrer dentro do prazo concedido pela autoridade concedida, sob pena de descaracterização do benefício alfandegário e sujeição dos bens ao recolhimento de tributos pela sua entrada no território nacional devidos, na hipótese dos autos, a impetrante demonstrou que, por motivos de força maior, não procedeu ao retorno dos equipamentos enviados ao exterior dentro do aprazado. Além disso, o pedido de prorrogação apresentado na esfera administrativa, indeferido por ser intempestivo, sem levar em consideração quaisquer dos fundamentos .fáticos levantados pela Autora em seu favor. 2. A par da legalidade, outros princípios norteiam a conduta do administrador. Dentre estes está o da proporcionalidade, pelo qual "as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que seja realmente demandado para cumprimento da .finalidade do interesse público a que estão atreladas" (Celso Antônio Bandeira de Mello (in Curso de Direito Administrativo, 5" edição pg. 56). 3. Assim, considerandose a anterior concessão do benefício de exportação temporária, a ocorrência de fatos supervenientes e o posterior pedido de prorrogação do regime, todas essas circunstâncias evidenciando a boafé da Impetrante, mostrase desarrazoada a cobrança de tributos pelo retorno do maquinário ao território nacional, como se de nova importação se tratasse. (TRF4, AMS 2002.70.08.0001712, Segunda Turma, Relator Dirceu de Almeida Soares, DJ 23/04/2003) [...] Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 7 6 0 fato ocorrido no presente caso foi imprevisível, inevitável e insuperável quanto aos efeitos incidentes sobre a execução da obrigação tributária, portanto, está caracterizado com clareza uma situação excludente da obrigação, qual seja, caso de força maior. [...]” Sendo assim, vêse claro que o sujeito passivo não concorreu diretamente para o atraso na prorrogação dos ajustes que justificariam a concessão do regime especial de exportação motivo de força maior como bem esclarece a decisão recorrida e os fatos tratados. Eis que dependia apenas do Ministério das Relações Exteriores aprovar a renovação do instrumento que mantinha com o Governo da República do Paraguai. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento ao seu recurso. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com base nas razões que seguem, peço vênia para discordar da decisão proposta pela i. Relatora do processo. Conforme narrativa dos autos, equipamentos de informática foram exportados em caráter temporário para o Paraguai, com base em contrato de comodato firmado sob a égide do Acordo de Cooperação Técnica mantido entre o Brasil e o País vizinho, com o objetivo de desenvolver as áreas de formação profissional nos dois países. O Regime de Exportação Temporária por meio do qual foi autorizada pretensão do contribuinte foi concedido em 13/08/2002, e o termo final para reimportação dos bens, após prorrogação do Regime, expirou em 26/02/2004, data na qual o contribuinte solicitou nova prorrogação que foi indeferida. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 8 7 Uma vez que os bens não retornaram ao Brasil no prazo determinado, foi lançada a multa de 5% do preço normal da mercadoria submetida ao Regime, conforme prevê o art. 72, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, a seguir transcrito. Art. 72. Aplicase a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e II – 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Embora o procedimento da Fiscalização Federal tenha observado detidamente o disposto na legislação tributária, a empresa alega que não lhe pode ser imputada responsabilidade pela infração, já que os fatos se deram em circunstâncias tais que denotam a ocorrência do evento conhecido como motivo de força maior, uma vez que a União Federal não teria levado a efeito as tratativas diplomáticas para prorrogação do Programa, o que, mais tarde, acabou acontecendo. A força maior, como é de sabença, tem como elementos nucleares a imprevisibilidade e a inevitabilidade de fato que impede a execução do pactuado ou, em matéria tributária, impede a observância das disposições legais de regência. No particular, conforme relata o próprio contribuinte em sede de contrarrazões, temse que, com base no Ajuste Complementar do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre Brasil e Paraguai, o SENAI/PR assinou, com o Centro de Formação Profissional Paraguaio, contrato de comodato de equipamentos destinados à execução de programa de desenvolvimento das áreas de formação profissional nos dois países. Para Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 9 8 execução do Programa, os equipamentos objeto do contrato de comodato deveriam ser transferidos ao Centro de Formação Profissional Paraguaio, sediado no país vizinho. Como se sabe, equipamentos nacionais não podem deixar o país sem a aquiescência da autoridade tributária/aduaneira, o que motivou a solicitação, pelo contribuinte, de concessão do Regime de Exportação Temporária dos bens para o Paraguai. Em um primeiro momento, o Regime foi concedido por um ano, do que resultava a obrigação de promover o retorno dos bens ao pais até 13/08/2003. Contudo, implementado o Programa, constatouse que as atividades não se encerrariam nesse prazo, razão pela qual foi solicitada e concedida a prorrogação do Regime até 14/01/2004. O contrato de comodato, contudo, se encerrava em 15/05/2004, o que fez com que a entidade solicitasse nova prorrogação. Para tanto, como é de praxe e, ainda mais, determinado pela legislação tributária, a Fiscalização Federal exigiu a apresentação dos documentos com os quais a requerente pudesse demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos que justificavam a prorrogação do Regime por mais um período. Um dos documentos solicitados foi a prorrogação do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação BrasilParaguai. A entidade, no entanto, ainda não dispunha desse documento, pois a renovação do Acordo terminou acontecendo somente em 05/03/2004. É precisamente neste ponto que, no entendimento do contribuinte, encontrar seia a circunstância que caracteriza o motivo de força maior. Conforme defende, tratase de uma situação sobre o qual não tinha nenhuma ingerência, pois a prorrogação dependia de uma iniciativa da própria União Federal representada, no caso, pelo Ministério das Relações Exteriores. Com todo o respeito à opinião da i. Relatora do processo e aos argumentos expendidos pela contrarrazoante, pareceme que há uma flagrante inversão da perspectiva sob a qual a situação está sendo analisada. A obrigação legal a que estava submetido o contribuinte, no caso concreto, não era a de prorrogar a execução do Programa e/ou a do Regime de Exportação Temporária, mas a de reimportar os bens até a data de encerramento do Regime. Quanto a isso, não se sabe Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19791.000199/200477 Acórdão n.º 9303008.571 CSRFT3 Fl. 10 9 da ocorrência de nenhum evento que tenha impedido ou dificultado a tomada de iniciativa por parte do contribuinte. Com efeito, por mais nobre que fossem as ações praticadas no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica mantido entre o Brasil e o Paraguai, que motivou a exportação temporária dos bens, fato é que a legislação tributária determinava condições para a sua execução (tanto é que o pleito foi, desde o início, submetido ao crivo da autoridade competente), condições estas que não podem ser deliberadamente negligenciadas pelo livre arbítrio do administrado e, nem mesmo, por discricionariedade da Administração. Portanto, uma vez que encerrado o prazo de vigência do Regime, o contribuinte estava obrigado a promover a reimportação dos bens, dever sob o qual, como já disse, não se interpôs nenhum obstáculo. Afora isso, é de se anotar ainda que, no caso em apreço, pareceme impossível determinar até que ponto o próprio contribuinte também foi responsável pela morosidade na prorrogação do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Brasil Paraguai, já que tratase de uma iniciativa em todo dependente da gestão posta em prática perante os órgãos competentes. A esse respeito, também necessário lembrar que a decisão que denegou o último pedido de prorrogação do Regime de Exportação Temporária estava sujeita a recurso hierárquico. Contudo, o contribuinte eximiuse de interpôlo, evidenciando, assim, total responsabilidade até mesmo em relação à extinção inoportuna do Regime. Com base nas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.723367/2017-43
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. NÚMERO DE MESES ABRANGÊNCIA SOBRE O 13º SALÁRIO.
Para comprovar o número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) faz-se necessário a apresentação de documentos atinentes à ação judicial correspondente. O 13º salário, representando a um mês, integra o cálculo para apuração dos rendimentos, nos termos dos arts. 36, § 2º e 37, § 1º, da IN RFB 1.500, de 29/10/2014.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS QUE PODERÃO SER EXCLUÍDAS DA BASE DE TRIBUTÁVEL.
No caso de RRA, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzida a despesa com ação judicial necessária ao recebimento dos rendimentos, inclusive os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, sem indenização, na exata dicção do art. 12-A, § 2º, da Lei nº 7.713/88.
Somente poderão ser excluídas da base tributável do RRA as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública e as contribuições destinadas a Previdência Social, nos termos do art. 12-A, § 3º, da Lei nº 7.713/88.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O processo administrativo não é via própria para discussão da ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis. Enquanto vigentes, as normas legais devem ser aplicadas, principalmente em se tratando da Administração Pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2003-000.113
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para considerar no RRA o número de 193 meses, devendo, por conseguinte, ser promovido o respectivo ajuste no imposto de renda pessoa física, ano-calendário 2012, exercício 2013.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. NÚMERO DE MESES ABRANGÊNCIA SOBRE O 13º SALÁRIO. Para comprovar o número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) fazse necessário a apresentação de documentos atinentes à ação judicial correspondente. O 13º salário, representando a um mês, integra o cálculo para apuração dos rendimentos, nos termos dos arts. 36, § 2º e 37, § 1º, da IN RFB 1.500, de 29/10/2014. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS QUE PODERÃO SER EXCLUÍDAS DA BASE DE TRIBUTÁVEL. No caso de RRA, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, podendo ser deduzida a despesa com ação judicial necessária ao recebimento dos rendimentos, inclusive os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, sem indenização, na exata dicção do art. 12A, § 2º, da Lei nº 7.713/88. Somente poderão ser excluídas da base tributável do RRA as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública e as contribuições destinadas a Previdência Social, nos termos do art. 12A, § 3º, da Lei nº 7.713/88. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O processo administrativo não é via própria para discussão da ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis. Enquanto vigentes, as normas legais devem ser aplicadas, principalmente em se tratando da Administração Pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 33 67 /2 01 7- 43 Fl. 217DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para considerar no RRA o número de 193 meses, devendo, por conseguinte, ser promovido o respectivo ajuste no imposto de renda pessoa física, anocalendário 2012, exercício 2013. Francisco Ibiapino Luz Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2012, exercício de 2013, onde apurouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, que importou no ajustamento do imposto a restituir declarado de R$ 84.218,28, para imposto a restituir ajustado no valor de R$ 70.585,79, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos (fls. 12/23). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0843.672, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza DRJ/FOR (fls. 119/124), transcrito a seguir: Contra o contribuinte, acima identificado, foi emitida Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 59/69, relativo ao anocalendário de 2012, exercício de 2013, para formalização da redução do imposto a restituir declarado de R$ 84.218,28 para imposto a restituir ajustado de R$ 70.585,79. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 61/63, foram: Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19985.723367/201743 Acórdão n.º 2003000.113 S2C0T3 Fl. 218 3 Inconformado com a exigência do crédito tributário, a qual tomou ciência em 10/07/2017, fl. 70, o representante legal do contribuinte apresentou impugnação em 24/07/2017, fls. 03/06, com as alegações abaixo: Fl. 219DF CARF MF 4 Aos autos foram anexados os documentos de fls. 06/49. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para ajustar o número de meses do RRA de 137 meses, reconhecidos pela fiscalização, para 178 meses, de acordo com as planilhas apresentadas nos autos, majorando o imposto a restituir ajustado do exercício de 2013, de R$ 70.585,79, para R$ 83.164,42. Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 14/08/2018 (fls. 130), o contribuinte interpôs, em 23/08/2018, recurso voluntário (fls. 134/159), reiterando as alegações lançadas na impugnação e complementando com outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: II. SÍNTESE DO LITÍGIO: Em 24/07/2007, o Espólio Recorrente protocolou Impugnação, demonstrando que o valor apurado pelo Fisco a título de restituição estava incorreto, porque: a) o valor do imposto de renda não poderia ter sido calculado sobre o valor do ITCMD (R$ 11.081,76), uma vez que o ITCMD não gerou acréscimo patrimonial para o Espólio e sim para o Estado do Paraná; b) o número correto de meses do RRA é 194 (cento e noventa e quatro, conforme comprova a planilha judicial que deu Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19985.723367/201743 Acórdão n.º 2003000.113 S2C0T3 Fl. 219 5 origem ao crédito previdenciário recebido pelo Espólio, em vez dos 137 meses lançados pelo Fisco. Entretanto, não obstante a clareza desses argumentos, a 1ª Turma da DRJ/FOR entendeu que é devida a incidência de imposto de renda sobre o ITCMD, porque não há previsão legal para a sua dedução. Além disso, a 1ª Turma da DRJ/FOR incorreu em erro material, considerando apenas 178 meses no período do RRA, em vez dos 194 meses devidos. III. DO MÉRITO – III.I) DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A INCLUSÃO DO ITCMD NA BASE DE CÁLCULO DO IR: o ITCMD geral acréscimo patrimonial tão somente par ao estadomembro tributante, mas o art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal estabeleceu a imunidade recíproca, vedando os entes federados de instituírem imposto uns sobre os outros. Concluise, portanto, que a decisão recorrida incorreu em dupla inconstitucionalidade. Primeiro porque determinou a incidência do IR sobre o ITCMD, afrontando diametralmente a imunidade recíproca; e, segundo, porque exigiu que o contribuinte, que não teve acréscimo patrimonial nenhum, fosse responsabilizado por esse pagamento, em irremediável violação ao princípio da legalidade. III.2) DO ERRO MATERIAL QUANTO AO NÚMERO DE MESES DO RRA: O período de dez/1995 a set/2010 compreende 178 meses, entretanto também precisam ser consideradas as parcelas referentes aos 13º salários do de cujos, que somam mais 16 meses (período de 1995 a 2010), totalizando os 194 meses indicados na Impugnação. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para que o ITCMD pago seja excluído da base de cálculo do IR e também seja considerado no RRA o período de 194 meses, ao invés dos 178 meses deferidos, em face do erro material detectado. Instrui a peça recursal, dentre outros, com o laudo pericial judicial, onde se apurou os valores devidos na Ação Ordinária nº 220144.2000, que tramitou na 13ª Vara Cível da Comarca de Curitiba/PR (fls. 148/159). Em 10/09/2018, peticiona nos autos solicitando à DRF, o trâmite prioritário do processo, os termos do art. 71 da Lie nº 10.741/03, uma vez que a inventariante, Sra. Idalina Fabrício Santana, possuir 65 anos, oportunidade em que requer o levantamento dos valores incontroversos nos autos (fls. 165/167). Em 07/11/2018, reitera o pedido formulado, mediante autorização para que o Banco do Brasil efetue o crédito dos valores a restituir integralmente na conta da inventariante, ou, subsidiariamente, promova a distribuição do valor a ser restituído, de acordo com cotaparte que os herdeiros legalmente fazem jus (fls. 172/179). Em 02/04/2019, direciona os pedidos acimas ao CARF, requerendo a adoção de providências cabíveis no sentido de autorizar o levantamento dos valores incontroversos, bem como a inclusão do processo em pauta de julgamento, tendo em vista que a viúvainventariante Fl. 221DF CARF MF 6 tem prioridade no julgamento por ser idosa e portadora de doença grave, nos termos do art. 1.048, I, do CPC/15 (fls. 211/216). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Insurgese, o Recorrente, contra a decisão que julgou procedente em parte a impugnação, para ajustar o número de meses do RRA para 178 meses, de acordo com as planilhas apresentadas nos autos, majorando o imposto a restituir ajustado do exercício de 2013, para R$ 83.164,42, mantendose o ITMCD na base de cálculo do imposto de renda do anocalendário de 2012, exercício de 2013. Alega que a DRJ/FOR incorreu em dupla inconstitucionalidade, ao manter a incidência do imposto de renta sobre o ITCMD, afrontando a imunidade recíproca, e violando o princípio da legalidade, por ter sido responsabilizado pelo aludido pagamento, porquanto não teve nenhum acréscimo patrimonial a justificar a manutenção da glosa. Alega, ainda, a ocorrência de “erro material” no julgado de piso, porquanto, pelos cálculos judiciais elaborados, a decisão de piso não computou as parcelas alusivas ao 13º salário, totalizando em 194 meses e não nos 178 deferidos. Pois bem. Em relação a exclusão do ITCMD da base de cálculo do montante dos rendimentos tributáveis, sem razão o Recorrente. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19985.723367/201743 Acórdão n.º 2003000.113 S2C0T3 Fl. 220 7 Assim prevê os §§ 2º e 3 º, incisos I e II, do art. 12A da Lei nº 7.713/88: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) (...) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Logo, as despesas passíveis de dedução estão elencadas nos dispositivos acima transcritos, dentre os quais não restou contemplado o imposto sobre transmissão causa mortis e doação ITCMD, daí correta a decisão recorrida neste ponto, diante da inexistência de previsão legal para dedução, razão pela qual mantenho a glosa efetuada. Nada obstante, no que tange as supostas inconstitucionalidades e ilegalidades aventadas em sede recursal, temse que a análise da validade da lei, diante de eventual ofensa a princípio constitucional, escapa ao exame da Administração Tributária, cabendo ao Poder Legislativo revêla, e ao Judiciário declarar sua ilegitimidade e extirpála do sistema positivado. Destarte, resta à autoridade fiscal somente aplicar a lei, sendo o lançamento por ele realizado ato procedimental obrigatório a que está plenamente vinculado, sob pena de responsabilização funcional. Fl. 223DF CARF MF 8 Ademais, como sabido, este CARF – órgão revisor dos atos praticados pela Administração Tributária – não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta, aliás, já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro giro, em relação ao “erro material” apurado na decisão recorrida se considerou no cálculo 178 meses ou invés de 194 meses, tendo sido desprezados os 16 meses relativos aos 13º salários recebidos no período de 1995 a 2010 – entendo que razão parcial assiste ao Recorrente. No que tange ao 13º salário em relação ao RRA, a IN RFB nº 1.500, de 29/10/2014 (que revogou a IN SRF nº 15, de 6/02/ 2001), assim prevê nos arts. 36, § 2º e 37, § 1º: Art. 36. Os RRA, a partir de 11 de março de 2015, submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015) (...). § 2º Os rendimentos a que se refere o caput abrangem o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes. Art. 37. O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 1º O décimo terceiro salário, quando houver, representará em relação ao disposto no caput a 1 (um) mês. Logo, deverão ser observados no cálculo o período de 193 meses (178 + 15), relativo ao período de dezembro/2015 a setembro/2010, ao teor da planilha de fls. 154/158, trazida pelo próprio Recorrente, urgindo a reforma da decisão recorrida no particular. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 19985.723367/201743 Acórdão n.º 2003000.113 S2C0T3 Fl. 221 9 Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para considerar no RRA o número de 193 meses, devendo, por conseguinte, ser promovido o respectivo ajuste no imposto de renda pessoa física, anocalendário 2012, exercício 2013. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721999/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL.
Segundo consta da Solução de consulta COSIT 220, Por força do art. 19, inciso II, da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, conjugado com o Ato Declaratório PGFN nº 5, de 3 de maio de 2016, segue-se que a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-006.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. Segundo consta da Solução de consulta COSIT 220, Por força do art. 19, inciso II, da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, conjugado com o Ato Declaratório PGFN nº 5, de 3 de maio de 2016, seguese que a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 99 /2 01 1- 00 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 418 2 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ROSILDA ULIANO EFFTING, contra o Acórdão n.º 0731.833 (efls. 69, e seguintes), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O Acórdão recorrido assim dispõe: "Tratase de Auto de Infração (AI) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte, no qual foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 2.141,09, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, cujo valor consolidado em 19/10/2011 corresponde a R$ 4.741,48, referente ao anocalendário 2006, conforme Auto de Infração e Demonstrativos às fls. 17 a 27. Mostra o Auto de Infração que o lançamento fiscal decorreu da omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) – CNPJ 83.599.191/000187, no valor de R$ 36.587,88, classificado indevidamente como isento por moléstia grave. Relata a autoridade de fiscal que a ALESC encaminhou Ofício comunicando a cessação do benefício da aposentadoria da contribuinte, em virtude de perícia médica promovida pela Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina, em que se constatou a insubsistência dos motivos da incapacidade laborativa. No que concerne a contribuinte a conclusão da Junta Médica foi de que se encontra em plena capacidade laborativa, conforme laudo de fls. 11e 12. A autoridade fiscal arrolou a legislação que trata dos requisitos para isenção do imposto de renda (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e, diante dos fatos que indicaram não estar presente a moléstia grave apta ao benefício fiscal, foi solicitado à fonte pagadora (ALESC) cópia dos comprovantes de rendimentos, sobre os quais efetuou o lançamento fiscal, reclassificando os rendimentos antes isentos, para tributáveis de aposentadoria, percebidos de pessoa jurídica". Após o julgamento de improcedência da impugnação, a recorrente apresenta Recurso Voluntário com sensível argumentação sobre o crédito fiscal exigido, alegando em suma: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 419 3 A recorrente é servidora aposentada da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina ALESC. Que houve erro na transferência da Declaração de Imposto de Renda, feita por seu cônjuge, já falecido, na qual teria enviado como valores isentos do imposto de renda. Que possui os requisitos necessários para o benefício da isenção. Que impetrou mandado de segurança obtendo liminar favorável contra ato da ALESC que revogou a condição de incapacidade laborativa, dando conta que a doença que lhe acometia não seria mais impedimento para seu retorno ao trabalho (cardiopatia grave). Por fim, em seu recurso pede para que seja cancelada a exigência. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. DA ISENÇÃO DO IR PLEITEADA Alega a recorrente que é portadora de moléstia grave (cardiopatia grave), e que deveria ter a concessão do benefício da isenção do Imposto de Renda, pois os valores são provenientes de aposentadoria compulsória e possui requisito legal auferido por moléstia grave. Juntou diversos documentos da comprovação da doença acometida. Inicialmente peço vênia, no que tange à liturgia formalista do julgamento, para tecer alguns breves comentários em razão do recurso da recorrente, pois em palavras "sensíveis" narra fatos e situações delicadas, bem como apresenta a comprovação deles como o óbito de seu cônjuge e seu descente (filho). Os fatos descritos podem sensibilizar a quem está julgando tais casos. Nesse sentido, cabe mencionar que deles, apesar de infelizes, com descrições das fatalidades de doença acometida, bem como dos óbitos de seus familiares, em verdade o que necessariamente é imprescindível na demanda é saber se a recorrente possui as condições legais para a concessão do benefício da isenção pleiteada. De fato, pode sensibilizar tal circunstâncias, como seres empáticos da vida humana, declaradamente a saber que também possuímos as mesmas condições de mortalidade. Entretanto, a função do julgador está adstrito ao dever legal de cumprimento da sua função com a legislação e normas em vigor. Nesse sentido, a avaliação do conjunto fático probatório deve ser feita pela convicção do intérprete de forma sistemática, diante do que lhe é apresentado, sem o afastamento da aplicação da Lei, em especial na seara fiscal, que por muitas vezes as provas quando analisadas de forma isolada não tem o condão de convencer e oportunizar conclusão diferente daquela de quando são avaliadas de maneira conjunta e harmônica. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 420 4 Com isso, perseguindo no julgamento da demanda, verificase que o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: Com isso, perseguindo no julgamento da demanda, verificase que o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). Somado a isso, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: … XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose). Segundo consta das informações dos autos, a contribuinte foi aposentada por invalidez no ano de 1982 por ser portadora de cardiopatia grave (CID 394.1/1), e que reavaliada pela Junta Médica Oficial da Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina restou constatado que apresenta capacidade laborativa, não estando comprovado o quadro de incapacitada que originou a aposentadoria. É o que indicam as informações de fls. 07 e seguintes. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 421 5 Conforme se verificam das informações juntadas e laudos, penso que a recorrente possui razão em seu pleito por duas circunstâncias, motivos ou direito que lhe assiste, conforme passo a analisar. A primeira delas é em razão dos laudos e suas datas. A recorrente foi aposentada por invalidez em 1982. A Assembléia Legislativa em 2011, ou seja, somente 29 anos depois, entendeu ser necessária a revogação da sua aposentadoria. Alega que foi concedido a referida por invalidez por meio de um laudo pericial médico inadequado, sendo atestado por meio de um oftalmologista que teria identificado a moléstia grave da paciente. Informações pela Gerência de Perícia Médica, da Secretaria de Estado de Administração da Diretoria de Saúde do Servidor Público do Estado de Santa Catarina (efl. 11, e seguintes). Por outro lado, com o intuito de combater a informação levantada pelo órgão público, a recorrente obtém, no mesmo ano de 2011, outro laudo médico, emitido por órgão oficial, especificamente pelo Médico Perito do INSS, atestando a cardiopatia grave (fl. 67). Portanto, mesmo período que o órgão contratante teria dito ser possível o retorno da servidora ao serviço. Nesse sentido, a matéria, no que tange aos requisitos para o usufruto da isenção em tela, já se encontra sumulada no CARF, assim descrito: Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifouse. Assim, a recorrente possui um laudo no período de 1982 atestando a moléstia grave, e outro laudo de 2011 atestando também a moléstia grave, e que combate o laudo que informou que a contribuinte interessada não teria a isenção, ou seja: apresentou informação contrária sobre aquela que descaracterizou sua doença. Assim, pela interpretação razoável, entendo que a recorrente possui o benefício da isenção. Portanto, entendo que a recorrente fez prova da doença que lhe acometia no período em que foi definida como "sem moléstia". Por segundo que, a concessão do benefício da isenção por moléstia grave, segundo entendimento jurisprudencial deve mantida, independente de relativa melhora, por se considerada doença sem cura integral, uma vez que: "reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial, ou a comprovação de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de imposto de renda prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88”. (RMS 32.061/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 20.8.2010). Nesse sentido, transcrevo o entendimento do STJ, in verbis: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 422 6 "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA. PORTADOR DE NEOPLASIA MALIGNA. COMPROVAÇÃO. CONTEMPORANEIDADE. DESNECESSIDADE. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. 1. Na hipótese dos autos, não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada, evidenciando que uma vez reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial, ou a comprovação de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de Imposto de Renda. 2. Outrossim, notase que o entendimento do Tribunal de origem está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça ao estabelecer a desnecessidade da contemporaneidade dos sintomas da doença para reconhecimento da isenção do imposto de renda. 3. Por fim, o acolhimento da pretensão recursal demanda o reexame do contexto fáticoprobatório, mormente para avaliar se a parte recorrida é portadora da doença, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. Recurso Especial não provido". (REsp 1655056/RS, T2 Segunda Turma , Ministro Rel. Herman Benjamin, publicado no DJe em 25/04/2017). Com o tema sendo pacificado no poder judiciário, a Fazenda em adequação de entendimento sobre o caso, respondeu à Solução de Consulta COSIT 220, Por força do art. 19, inciso II, da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, conjugado com o Ato Declaratório PGFN nº 5, de 3 de maio de 2016, concluindo que, uma vez tomado pela doença maligna a vítima não precisa de novos laudos atestando a moléstia, conforme se transcreve das normas citadas: "Solução de Consulta COSIT 220/2017. "CONCLUSÃO 22. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao consulente que em razão do acolhimento, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça sobre a espécie, concluise que a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade". Ato Declaratório PGFN nº 5, de 3 de maio de 2016 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 423 7 Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 701/2016, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 17 de novembro de 2016, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade”. (destaques acrescidos) Isto posto, considerando o disposto no artigo 62, §1º, inciso II, alínea c, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343, de 2015, e que a recorrente foi acometida de moléstia grave tipificada em lei no ano de 2001, é de se reconhecer que os rendimentos objeto da autuação são isentos. Este Conselho vem proferindo decisões nesse sentido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS OU DA RECIDIVA DA ENFERMIDADE. ATO DECLARATÓRIO PGFN. O STJ pacificou entendimento no sentido de que a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos da aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação de recidiva da enfermidade. Por decorrência, a PGFN editou o Ato Declaratório nº5, de 2016, para enunciar e sintetizar a orientação jurisprudencial pacífica, que deve ser observada pela Administração Tributária" . Processo 13602.720286/201681, Processo 13602.720286/2016 81, Conselheira Relatora Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, julgado em 25/09/2018). Diante das informações prestadas pela recorrente e das provas trazidas aos autos, entendo ser o caso deferir o pedido da recorrente. A prova em matéria tributária deve ser feita pelo contribuinte. O fisco de posse da informação de que a recorrente teria perdido o benefício da aposentadoria por invalidez, exigiu naturalmente o imposto retroativo, uma vez que a interessada foi acusada de não preencher os requisitos da Isenção de imposto de renda. Assim, diante das informações prestadas pela recorrente e das provas trazidas aos autos, entendo ser o caso deferir o pedido da recorrente, pois o atestado indicado anteriormente dava conta de moléstia grave permissiva da isenção do IR, e que, posteriormente, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 424 8 a contribuinte conseguiu comprovar, por meio de laudo pericial oficial, que as informações prestadas pelo órgão público responsável pela contratação da interessada estaria equivocado DO REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF Pretende a impugnante seja a Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2006 retificada, por entender que houve equívoco quando do envio da Declaração de Ajuste Anual do ano de 2006, quando foi informado serem os rendimentos isento; A decisão de piso assim se posiciono: Entendo que não se pode acolher os argumentos. Pelo que se denota do pedido, pretende a impugnante o cancelamento da exigência fiscal, mediante apresentação de Declaração Retificadora, utilizandose do benefício da denúncia espontânea. Inicialmente, no que tange ao equívoco que alega ter incorrido, quando informou serem os rendimentos isentos, destaco que a responsabilidade pelo preenchimento e envio da declaração é do contribuinte do imposto de renda e, havendo erro no seu preenchimento, a legislação permite sua retificação, porém, desde que dentro dos prazos fixados. Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Quaisquer Natureza, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art.787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 7º). [...] Art.789. O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limites e condições para dispensar pessoas físicas da obrigação de apresentar declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º, §2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 25): [...]. Pretendesse corrigir sua Declaração de Ajuste Anual, deveria fazêla antes de qualquer procedimento fiscal, conforme facultado pela legislação, como se demonstra: Medida Provisória n° 2.189, de 24/08/2001: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 425 9 Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001: Retificação da Declaração de Ajuste Anual Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, Substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. Instrução Normativa SRF nº 579, de 08/11/2005: Art. 5º A declaração retificadora não será aceita quando: I for apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do art. 7º, inciso I e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; II alterar matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, com vistas a reduzir seu valor, nos termos do art. 145 da Lei n.º 1 .172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); III for apresentada após o prazo de entrega, cujo objeto seja a troca de modelo, conforme disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O Código Tributário Nacional (CTN) ao tratar da retificação de declaração do contribuinte, estipula critérios que devem observados, dentre os quais não ter sido notificado do lançamento fiscal, nestes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 426 10 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Outrossim, no que se refere a denuncia espontânea, importa transcrever o art. 138 do CTN, para que se faça uma análise adequada da questão em lide": Nesse sentido, verifico que o princípio do formalismo modero pode ser aplicado ao presente caso. Explico. Numa situação hipotética, em que a recorrente não tivesse solicitado a retificação da declaração de imposto de renda, em situação semelhante, teria ela recebido a intimação para responder ao presente débito fiscal. Nesse caso, em análise de provas, e tendo seu direito favorável, com provas idôneas, seria deferido o pleito para obter o direito à isenção do IR pretendida. Na presente situação dos autos não poderia ser diferente, caso o julgador entender que o direito está comprovado. Notase que não se está afastando norma impositiva, mas um dos princípios do processo administrativo fiscal é justamente a busca pela verdade real, onde a verdade deve se sobrepor aos fatos apresentados. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11516.721999/201100 Acórdão n.º 2301006.009 S2C3T1 Fl. 427 11 Fl. 86DF CARF MF
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