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Numero do processo: 13811.005956/2002-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandez, OAB/DF nº 7.100, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandez, OAB/DF nº 7.100, advogado do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 59 56 /2 00 2- 75 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 13811.005956/200275 Acórdão n.º 9303002.884 CSRFT3 Fl. 410 2 (assinado digitalmente) Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recursos Especiais, interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra Acórdão proferido pela Segunda Câmara Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador. 1NSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP nº1.8587/ 1999 e AD SRF nº 88/99. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SEL1C. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. O acórdão nega o aproveitamento dos créditos referentes aos insumos adquiridos por pessoa física e permite o seu aproveitamento no caso dos insumos adquiridos por cooperativas e afasta a aplicação da taxa selic. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 13811.005956/200275 Acórdão n.º 9303002.884 CSRFT3 Fl. 411 3 As controvérsias suscitadas pelo sujeito passivo se referem à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas e à incidência da taxa Selic sobre os ressarcimentos de créditos presumidos de IPI. Já a Fazenda Nacional recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão dos valores correspondente a aquisição de cooperativas no valor do crédito presumido. Ambas as partes apresentaram contrarazões. É o relatório. Voto Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e devem ser admitidos. Vamos fazer a análise dos dois recursos concomitantemente. Aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização do ressarcimento pela selic. A matéria devolvida ao Colegiado, agora pelo contribuinte, cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 13811.005956/200275 Acórdão n.º 9303002.884 CSRFT3 Fl. 412 4 Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 711DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 13811.005956/200275 Acórdão n.º 9303002.884 CSRFT3 Fl. 413 5 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909597/2012-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909597/201273 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.748 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PER ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente FRANCOBACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 97 /2 01 2- 73 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909597/201273 Acórdão n.º 3801002.748 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000481/2004-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 04 81 /2 00 4- 73 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11020.000481/200473 Acórdão n.º 2801003.614 S2TE01 Fl. 92 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/POA/RS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Através do Auto de Infração foi apurado imposto a restituir no valor de R$ 3.813,77 relativos ao exercício de 2002, em decorrência da alteração dos rendimentos tributáveis e da glosa da dedução indevida da contribuição à previdência oficial e dedução indevida de imposto retido na fonte. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam no referido Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação, fls.1/4, onde esclarece que em 1998 apresentou declaração de ajuste anual tributando o montante de R$ 15.179,03 correspondente a primeira parcela recebida da reclamatória trabalhista movida contra o Lloyds Bank PLC, sendo que sobre tal montante não houve a incidência da contribuição a previdência oficial e nem retenção do imposto na fonte. Argumenta que em 2001 recebeu o saldo da ação trabalhista de R$ 15.853,51, sendo, então, recolhidas as importâncias de R$ 5.776,31 (INSS) e de R$ 9.911,30 (IRRF), conforme documentos em anexo, os quais foram informados na declaração de ajuste do exercício de 2002. Discorda do procedimento adotado pela fiscalização de deduzir a contribuição previdenciária e compensar o imposto retido na fonte proporcionais aos rendimentos efetivamente recebidos no exercício de 2002, uma vez que tais valores foram efetivamente descontados em 2001. Refaz o demonstrativo de cálculo, computando como contribuição previdenciária oficial o total de R$ 1.686,05 e R$ 9.911,30 de IRRF apurando imposto a restituir de R$ 9.849,66. Solicita o cancelamento do Auto de Infração. O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 74/76, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O rendimento tributável bruto é o efetivamente recebido mais o imposto retido na fonte. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11020.000481/200473 Acórdão n.º 2801003.614 S2TE01 Fl. 93 3 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL As deduções permitidas em lei, são aquelas correspondentes aos rendimentos oferecidos à tributação no exercício em questão. IMPOSTO RETIDO NA FONTE É de se manter o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos efetivamente recebidos no anocalendário em questão e incluídos na base de cálculo. Lançamento Procedente Regularmente cientificado daquele Acórdão em 02/02/2009 (fl. 80), o interessado interpôs o recurso de fls. 81/85, no qual, em síntese, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução nº 2801000.277, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal (RE 614.406), o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, 1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de alterações nos valores declarados a título de rendimentos tributáveis, dedução de previdência privada e imposto de renda retido na fonte referentes aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11020.000481/200473 Acórdão n.º 2801003.614 S2TE01 Fl. 94 4 O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11020.000481/200473 Acórdão n.º 2801003.614 S2TE01 Fl. 95 5 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11020.000481/200473 Acórdão n.º 2801003.614 S2TE01 Fl. 96 6 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13971.002017/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO POR PROCESSO APARTADAMENTE. EVENTUAL CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE ADOÇÃO.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.
O fato de, eventualmente, os presentes autos serem conexos a outro processo que atende o requisito do limite de alçada, não tem o condão de ensejar seu conhecimento, tendo em vista que o valor exonerado a ser admitido para fins de aludida análise é aquele inserido em cada processo, consoante preceitua o parágrafo único, do artigo 1o, da Portaria MF n° 03/2008.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO POR PROCESSO APARTADAMENTE. EVENTUAL CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE ADOÇÃO. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. O fato de, eventualmente, os presentes autos serem conexos a outro processo que atende o requisito do limite de alçada, não tem o condão de ensejar seu conhecimento, tendo em vista que o valor exonerado a ser admitido para fins de aludida análise é aquele inserido em cada processo, consoante preceitua o parágrafo único, do artigo 1o, da Portaria MF n° 03/2008. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 20 17 /2 00 8- 21 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13971.002017/200821 Acórdão n.º 2401003.720 S2C4T1 Fl. 61 3 Relatório ASSOCIAÇÃO DOS AGENTES DE SAÚDE DE POMERODE, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração sob n° 37.159.9474, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 05/2005 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 04/06/2008, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 209.147,75 (Duzentos e nove mil, cento e quarenta e sete reais e setenta e cinco centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Com mais especificidade, explicita o fiscal autuante, que a presente autuação se deu em virtude de a contribuinte, ao preencher as GFIP´s, ter utilizado o código FPAS 639, pertinente às entidades isentas de contribuições previdenciárias patronais, informando como devidas, portanto, somente as contribuições atinentes aos segurados empregados, o que não coaduna com a realidade dos fatos, eis que a autuada não observa os requisitos contemplados no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente incisos I e II, e parágrafo único, não se apresentando, assim, como entidade que detém o direito de aludido benefício fiscal. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do procedimento, a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, achou por bem julgar improcedente o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 0714.644/2008, às fls. 104/107, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdencidrias. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91 está condicionada ao atendimento de forma cumulativa dos requisitos previstos no artigo 55 do mesmo diploma legal e ao reconhecimento dessa junto ao Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 INTERMEDIAÇÃO DE MÃO DE OBRA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SIMULADA. Constatada a mera intennediação de mãodeobra por parte da associação, em razão dos serviços . terceirizados terem sido prestados com subordinação direta e pessoalidade dos agentes de saúde ao órgão gestor do SUS, indevida a aplicação de multa, por apresentação de GFIP com valores de contribuição declarados a menor, decorrente da informação equivocada de código FPAS de entidade filantrópica. Lançamento Improcedente” Em observância ao disposto no artigo 366, inciso I, alíena “a”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 29 da Lei n° 11.457/2007 e Portaria MF n° 03/2008, a autoridade previdenciária recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13971.002017/200821 Acórdão n.º 2401003.720 S2C4T1 Fl. 62 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício não deve ser conhecido, como passaremos a demonstrar. Não obstante a legislação invocada pela autoridade julgadora de primeira instância, ao recorrer de ofício da decisão que julgou improcedente o lançamento fiscal, o recurso não merece ser conhecido, em virtude de não alcançar, isoladamente, o limite de alçada imposto pela legislação de regência, senão vejamos: Consoante se positiva da decisão ora guerreada, o recurso de ofício da autoridade fazendária encontrou amparo no artigo 366, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007), c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, que assim prescrevem: “ RPS – Decreto nº 3.048/99 Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001.” Conforme se depreende dos dispositivos legais acima transcritos, o limite de alçada é o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), relativamente aos créditos exonerados em decisão de primeira instância. Por sua vez, ao encaminhar o recurso de ofício a este Colegiado, a autoridade julgadora de primeira instância adotou os seguintes fundamentos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 “ Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO ao Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do art. 366, I, "a", do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação conferida pelo Decreto n° 6.032, de 01 de fevereiro de 2007, combinado com o artigo 29 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 e Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n° 3, de 03 de janeiro de 2008, observando que o processo em questão, ainda que individualmente possua valor inferior ao limite estabelecido, é conexo a matéria julgada no processo n° 13971.0020122008 07, o qual atende os requisitos para tal.” Em outras palavras, em que pese reconhecer que o crédito tributário consubstanciado no presente processo encontrase abaixo do limite de alçada previsto nas normas que regulam a matéria, achou por bem enviar o Recurso de Ofício sob análise, por entender ser conexo à matéria julgada em outro processo, que atenderia os pressupostos para conhecimento. Entrementes, olvidouse do que dispõe o parágrafo único, do artigo 1o, da Portaria MF n° 03/2008, nos seguintes termos: “[...] Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. [...]” Como se observa, a norma legal encimada é por demais enfática ao afirmar que a importância a ser admitida para efeito da eventual interposição de recurso de ofício deve levar em consideração cada processo apartadamente, independentemente de ser ou não conexo a outros autos, que possam vir a atender o requisito do limite de alçada. Na esteira desse entendimento, não merece prosperar a fundamentação do recurso de ofício da autoridade fazendária, pretendendo utilizarse de crédito tributário inscrito em outro processo, ainda que supostamente conexo, para fins de conhecimento de sua peça recursal. Em face do exposto, estando o RECURSO DE OFÍCIO em dissonância com as normas processuais que disciplinam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊ LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003320/2004-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
Não há que se falar d9303-002.895e aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, § 1º da Lei 9.430/96, quando o sujeito passivo não teve a intenção de ocultar o fato gerador do tributo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 33 20 /2 00 4- 11 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que pleiteia a reforma do acórdão nº 220100.003 que deu provimento parcial, por maioria de votos ao recurso voluntário, reduzindo a multa qualificada de 150%, para o valor de 75%. Os demais fatos necessários serão expostos no decorrer do voto. É o Relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A única matéria trazida a esse nobre colegiado é a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, que foi reduzida, em instância inferior, ao valor ordinário de 75%, por não ter vislumbrado, o colegiado, hipótese de sonegação fiscal. De um lado, a autoridade fiscal, que, informando tratarse de uma empresa produtora de açúcar, produto esse tributado pelo IPI à aliquota de 5%, simplesmente agiu como se o referido tributo não existisse, já que, segundo o Fisco, deixou de destacar o valor do IPI nas vendas de açúcar, não cumpriu com as obrigações acessórias relativa ao imposto, não prestou informações relativas ao IPI nas DIPJ, não denunciou qualquer debito relativo ao nas DCTF e não realizou qualquer pagamento do imposto nos anos de 1999, 2000 e de janeiro a setembro de 2001. Ainda segundo o autor do procedimento, com tais condutas a autuada visou impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, o que, no ver do AuditorFiscal geraram ou procuraram gerar evidente prejuízo ao Erário. De outro, a Recorrente, que nega veementemente a intenção dolosa de sonegar/fraudar, já que, primeiro, ingressara em juízo visando se eximir do destaque e pagamento do IPI nas suas vendas de açúcar, e, segundo, que o lançamento efetuado pelo Fisco partiu exatamente de sua escrita contábil e fiscal. Além disso, caberia no caso a aplicação do adagio "in dubio pro reo" previsto pelo artigo 112 do Código Tributário Nacional. O fato está devidamente descrito. Porém não basta simplesmente que este colegiado decida se a reiteração de conduta de não prestar as devidas informações enseja a majoração da multa ora capitulada. Como já dito o fato é conhecido, temos de adentrar na intenção, ou melhor, na prova que houve a intenção de fraude O cerne da discussão passa a ser a presença, ou não, do intuito, do animus, de fraudar, de sonegar. O problema aqui passa a ser a questão da distribuição do ônus da prova. No presente caso é de suma importância a correta a correta análise das provas e de quem tem o ônus de provar. Não é fácil provar a intenção de se praticar algum ato. Assim quem pretende a prova desse tipo de conduta deve se cercar de provas cabais, pois prevalece o princípio da presunção da inocência, ou seja, quem alegar a intenção de outrem em praticar algum ato deve Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10140.003320/200411 Acórdão n.º 9303002.895 CSRFT3 Fl. 423 3 ter o ônus de provar que aquela conduta foi intencional e direcionada com o intuito de lesar, de fraudar. Porém, como há que se perquirir a intenção do agente, as provas deverão ser feitas com base nas condutas praticadas e a consequente presunção da intenção de lesar o fisco. Há que se provar, em primeiro lugar, se a mera falta da prestação das informações ao fisco destaques em notas fiscais e escrituração do RAIPI já nos leva a conclusão de que ocorreu o fato típico previsto em lei e que leva à autoridade a concluir que houve, de fato, sonegação fiscal o que leva a autuação com multa de 150%. O sujeito passivo tem várias ações na justiça para evitar o destaque e pagamento do IPI sobre a saída da canadeaçúcar. No momento da lavratura do auto de infração essas ações estavam em grau de apelação. Todos os levantamentos feitos pela autoridade fiscal foram feitos com base na escrita fiscal do contribuinte, em que pese não terem sido feitos os devidos destaques, apuração e declaração do imposto à RFB. Esses dois fatos citados acima, a meu ver, elidem a cobrança da multa agravada prevista no art. 44, § 1º da Lei Neste caso, a comprovação de que houve o dolo é um ônus do sujeito ativo. Apesar de existir uma presunção total de legitimidade do ato exarado pela autoridade tributária, existe o dever de se demonstrar cabalmente todos os motivos que ensejaram à ocorrência do fato gerador e das hipóteses de aplicação de penalidade. Também corrobora deste entendimento a Doutora e Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que diz que “havendo impugnação ao lançamento tributário não há que prevalecer a presunção em seu favor, visto que sua legitimidade não se encontra no fato de sido emitida por agente competente, mas, em corresponder a um enunciado fático que se enquadra em uma hipótese legal. Para tanto, é preciso que o relato constante do antecedente da norma individual e concreta do lançamento tributário esteja corroborado pelo relato sobre os fatos tributários e que se constituem em meios de prova aceitos pelo direito”. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 A fiscalização fez uma análise e comprovação precisa dos fatos. Mas quanto a intenção, não se passou do campo das presunções, em que pese presunções também serem admitidas como meio de prova. De fato o contribuinte não se furtou a apresentar a documentação necessária a identificação do fato imponível. Realmente houve fatos que ensejassem à presunção de fraude. Mas é necessário mais do meras presunções. Aqui prova irrefutáveis são necessárias e é o fisco que tem de produzilas. Até porque, se houvesse a inversão do ônus da prova, muita das vezes admitida no direito tributário, caberia ao contribuinte a necessidade de provas que não agiu com dolo ou máfé. Todos sabemos que a prova negativa é quase impossível de fazer e que, normalmente, o ônus da prova deve ser do fato positivo e não negativo. Neste caso o ônus probatório é de quem alega. O fisco é quem alegou que houve e clara intenção e fraude e assim deve provar. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10831.006690/99-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/08/1997, 17/09/1997, 29/10/1997, 17/12/1997, 12/01/1998
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTRUSORA DE TUBOS PVC. TEC 8477.20.10
As combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, tal qual reconhecido em laudo técnico da linha para extrusão de tubos PVC, cujos puxadores e bacias de resfriamento desempenham funções complementares à extrusão (função principal), devendo ser classificados, na posição TEC 8477.20.10, conforme Nota 3 da Seção XVI, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSPORTADOR PARA ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA COM CARREGADOR E DESCARREGADOR. TEC 8428.20.90
Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha, tal qual reconhecido em laudo técnico do transportador para alimentação automática, cujos carregador e descarregador desempenham a função determinada de transportador para alimentação automática, classificando-se, portanto, na posição TEC 8428.20.90
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE RECICLAGEM DE MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS. TEC 8477.59.90
Correta a classificação adotada pela Recorrente na posição 8477.59.90, já que a máquina importada reaproveita o material para reintroduzi-lo à linha de produção, atendendo às características da reciclagem.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL MÁQUINAS DE EMBALAGEM DE TUBOS OU BARRAS DE METAL.8428.40.20
A classificação adotada pela Recorrente é perfeitamente aplicável, pois, nada impede que embale tanto tubos de PVC quanto tubos de metal, conforme demonstrado pelos ensaios do INT, sendo mais adequada a classificação adotada pela Recorrente.
DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIA. MISTURADORES.
Correto o benefício tarifário pretendido por tratar-se de aparelho misturador que aglomera o material, inicialmente em pó, transformando-o numa mistura homogênea com grânulos. Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício da ex tarifária pretendida.
Recurso Provido
Numero da decisão: 3101-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/08/1997, 17/09/1997, 29/10/1997, 17/12/1997, 12/01/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTRUSORA DE TUBOS PVC. TEC 8477.20.10 As combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, tal qual reconhecido em laudo técnico da linha para extrusão de tubos PVC, cujos puxadores e bacias de resfriamento desempenham funções complementares à extrusão (função principal), devendo ser classificados, na posição TEC 8477.20.10, conforme Nota 3 da Seção XVI, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSPORTADOR PARA ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA COM CARREGADOR E DESCARREGADOR. TEC 8428.20.90 Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha, tal qual reconhecido em laudo técnico do transportador para alimentação automática, cujos carregador e descarregador desempenham a função determinada de transportador para alimentação automática, classificando-se, portanto, na posição TEC 8428.20.90 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE RECICLAGEM DE MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS. TEC 8477.59.90 Correta a classificação adotada pela Recorrente na posição 8477.59.90, já que a máquina importada reaproveita o material para reintroduzi-lo à linha de produção, atendendo às características da reciclagem. CLASSIFICAÇÃO FISCAL MÁQUINAS DE EMBALAGEM DE TUBOS OU BARRAS DE METAL.8428.40.20 A classificação adotada pela Recorrente é perfeitamente aplicável, pois, nada impede que embale tanto tubos de PVC quanto tubos de metal, conforme demonstrado pelos ensaios do INT, sendo mais adequada a classificação adotada pela Recorrente. DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIA. MISTURADORES. Correto o benefício tarifário pretendido por tratar-se de aparelho misturador que aglomera o material, inicialmente em pó, transformando-o numa mistura homogênea com grânulos. Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício da ex tarifária pretendida. Recurso Provido
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(FORTILIT TUBOS E CONEXÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/08/1997, 17/09/1997, 29/10/1997, 17/12/1997, 12/01/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTRUSORA DE TUBOS PVC. TEC 8477.20.10 As combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, tal qual reconhecido em laudo técnico da linha para extrusão de tubos PVC, cujos puxadores e bacias de resfriamento desempenham funções complementares à extrusão (função principal), devendo ser classificados, na posição TEC 8477.20.10, conforme Nota 3 da Seção XVI, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSPORTADOR PARA ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA COM CARREGADOR E DESCARREGADOR. TEC 8428.20.90 Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classifica se na posição correspondente à função que desempenha, tal qual reconhecido em laudo técnico do transportador para alimentação automática, cujos carregador e descarregador desempenham a função determinada de “transportador para alimentação automática”, classificandose, portanto, na posição TEC 8428.20.90 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 66 90 /9 9- 95 Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.553 2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE RECICLAGEM DE MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS. TEC 8477.59.90 Correta a classificação adotada pela Recorrente na posição 8477.59.90, já que a máquina importada reaproveita o material para reintroduzilo à linha de produção, atendendo às características da reciclagem. CLASSIFICAÇÃO FISCAL MÁQUINAS DE EMBALAGEM DE TUBOS OU BARRAS DE METAL.8428.40.20 A classificação adotada pela Recorrente é perfeitamente aplicável, pois, nada impede que embale tanto tubos de PVC quanto tubos de metal, conforme demonstrado pelos ensaios do INT, sendo mais adequada a classificação adotada pela Recorrente. DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIA. MISTURADORES. Correto o benefício tarifário pretendido por tratarse de aparelho misturador que aglomera o material, inicialmente em pó, transformandoo numa mistura homogênea com grânulos. Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício da ex tarifária pretendida. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário que, sob a apreciação desta Câmara, teve seu julgamento convertido em diligências para que fosse designado novo perito técnico pela repartição de origem, a fim de que pudesse dissipar os conflitos de entendimento havido entre os laudos colacionados aos autos no curso do processo administrativo, conforme voto condutor da Resolução n° 310100.117, de 1o de outubro de 2010, do Ilustre Relator Designado, Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que assim expôs: Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.554 3 “Nesse diapasão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicilio tributário da Recorrente providencie para que um perito que não tenha atuado no processo até o momento responda os quesitos formulados pelo eminente relator, fls. 1314 a 1316; os quesitos formulados pelo ilustre auditorfiscal autuante, fls. 349, 363, 397, 407, 420 e 459, bem como aos eventuais quesitos formulados pela recorrente, à qual deve ser dada oportunidade também para indicar perito de sua confiança, se quiser, para acompanhar as perícias levadas a efeito pelo perito nomeado pela autoridade preparadora. A autoridade fiscal da repartição de origem relatou as providências tomadas, no Termo de Encerramento de Procedimento de Diligência Fiscal, consignando: O Mandado de Procedimento Fiscal n° 08177002012000423 foi emitido com a finalidade especifica de instrução do processo n° 10831.006690/9995 diante da conversão em diligencia do julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal — CARF, resolução n°310100.117 de 01.10.2010, fls. 1430 a 1439. Em 08.02.2012 designei, através da Solicitação de Serviço de Perícia — Eqfis n° 001/2012, lis. 1449 a 1455, o perito credenciado, Eng. Walter Pereira de Carvalho, ... para atender o determinado pelo voto vencedor, fl. 1439. Em 09.02.2012, lavrei Termo de Inicio de Ação Fiscal e de Intimação n° 01, [1 1456 e verso, cuja ciência ocorreu em 14.02.2012, pelo qual a empresa foi cientificada da conversão em diligencia do julgamento do CARF e intimada a, caso houvesse interesse, formular quesitos para serem respondidos pelo pendo designado por esta fiscalização e para indicar perito de sua confiança para acompanhar as perícias. Em 28.02.2012, a empresa MEXICHEN BRASIL protocolou pedido de prorrogação por mais 10 dias para a apresentação dos quesitos complementares à perícia Técnica Eqfis n° 001/2012, fl. 1459. Em 08.03.2012, foi protocolada resposta ao Termo n° 01 de 09.02.2012 com a apresentação dos quesitos complementares formulados pela empresa, indicação de perito técnico para acompanhar a perícia (fls. 1460 a 1465) e tabela comparativa já apresentada nos autos (li s. 1467 a 1471). Em 29.03.2012, o perito designado foi cientificado, através da Solicitação de Serviço de Perícia — Eqfis n°001/2012 — Termo n°02 de 26.03.2012 (fls. 1472 a 1476) dos quesitos formulados c do perito indicado pela empresa MEXICHEM BRASIL. Em 18.06.2012 foi apresentado nesta alfândega laudo técnico parcial produzido pelo perito designado para as Declarações de Importação n os 97/07341718 e 98/00261427 — Adição 002, fls. 1477 a 1494. Em 17.07.2012 foi lavrado o Termo n° 03 Solicitação de Serviço de Felicia — Eqfis n° 001/2012 ao perito através do qual foi intimado a justificar o tempo que já havia transcorrido sem a apresentação completa dos resultados da solicitação do serviço de perícia e, no prazo de 10 dias, apresentar por completo as perícias. ( fl. 1495) Em 23.07.2012, o perito Walter Pereitra de Carvalho foi cientificado do Termo n° 03 de 17.07.2012 (Aviso de Recebimento — AR n° RM126783515BR), fl. 1496, e em 31.07.2012 protocolou justificativa pelo atraso: "O atraso na entrega do Laudo, foi motivado pela demora na entrega das informações solicitadas ao Importador, pois o Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.555 4 último recebimento foi em 11 de julho de 2012, conforme comprovante em anexo" (fls. 1497 e 1498). Em 31.07.2012 também foi protocolado o laudo técnico restante para as Declarações de Importação nos 97/08405639, 97/07342145, 97/09973894 e 97/11829274 — Adição 001, fls. 1499 a 1539. Em 08.08.2012, a empresa MEXICHEN BRASIL foi cientificada dos laudos elaborados pela perícia levada a efeito por perito credenciado e designado através da Solicitação de Serviço de Perícia EQFIS nº 001/2012, recebeu cópia dos laudos juntados ao PAP no 10831.006690/9995 ãs fls. 1477 a 1494 e fls. 1499 a 1539 e foi cientificada do prazo concedido de 30 dias para, caso haja interesse, manifestar sobre os laudos juntados e que findo o prazo estabelecido, com ou sem manifestação, os Autos seriam encaminhados ao CARF para julgamento. (fl. 1541) Em 06.09.2012, a empresa protocolou manifestação acerca da perícia realizada à fl. 1545. Sendo assim, proponho o encerramento desta ação fiscal de diligência para fins de baixa do MPFD no 08177002012000423 e o envio deste processo de n° 10831.006690/9995 a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF uma vez cumprida a determinação da Resolução nº 3101 00.117 da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF. O Perito Designado apresentou um laudo para cada tipo de mercadoria importada, atendendo integralmente ao solicitado, sendo que as conclusões dos laudos serão abordadas no voto. A autuação ocorreu sobre as mercadorias objeto de seis importações, cada qual amparada por sua respectiva D.I., sendo que, para melhor compreensão dos fatos adoto o roteiro do relatório que amparou a Resolução nº 310100.117, que determinou a diligência conforme segue: “Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento de tributos em face de erro de classificação fiscal nas seguintes DIs: i) DI nº 97/09973894 (fls.56/61) registrada em 29/10/1997: Relata a importação de Extrusoras p/ materiais termoplásticos, diam. Rosca 30mm. Classificada pela Importadora na posição 8477.20.10. Enquadrada no “ex”. Tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 0%; O Fisco, em procedimento de revisão aduaneira, entendeu que se trata, na verdade, da importação de linhas de produção de tubos de PVC e não apenas de extrusoras, adotando nova classificação para os produtos no código TEC 8477.80.00. O benefício de redução de alíquota restou excluído. ii) DI nº 97/11829279 (fls. 70/77) registrada em 17/12/1997: Relata a importação de Extrusoras p/ materiais termoplásticos, diam. Rosca 30mm. Classificada pela Importadora na posição 8477.20.10. Enquadrada no “ex”. Tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 0%; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.556 5 O Fisco, em procedimento de revisão aduaneira, entendeu que se trata, na verdade, da importação de linhas de produção de tubos de PVC e não apenas de extrusoras, adotando nova classificação para os produtos no código TEC 8477.80.00. O benefício de redução de alíquota restou excluído. iii) DI nº 97/07341718 (fls. 81/84) registrada em 19/08/1997: Relata a importação de Misturador em aço inoxidável para misturar e granular, com duas velocidades. Classificado pela Importadora na posição TEC 8479.82.10. Beneficiado por “ex”. Tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 0%; A Fiscalização entendeu que se trata de Misturador que não possui a função de granulador, justificando a exclusão da mercadoria do “ex” Tarifário previsto pela Portaria MF nº 10/97, específica para misturador em aço inoxidável para misturar e granular pós, com duas ou mais velocidades. iv) DI nº 97/047342145 (fls. 163/166) registrada em 19/08/1997: Relata a importação de máquina de reciclagem de materiais termoplásticos com capacidade igual ou superior a 500kg/h – modelo 6130 (SIC) (fls. 166). Classificada pela Importadora na posição TEC 8477.59.90. Beneficiada por “ex”. Tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 0%. A Fiscalização entendeu que se trata de máquina para reaproveitamento de materiais termoplásticos e não reciclagem, adotando nova classificação de acordo com o código TEC 8479.82.90. O benefício de redução de alíquota foi excluído. v) DI nº 97/08405639 (fls. 186/189) registrada em 17/09/1997: Relata a importação de Transportador para alimentação automática, com carregador e descarregador. Classificada pela Importadora na posição TEC 8428.20.90. Beneficiada por Ex. Tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 0%. A Fiscalização entendeu que (fls. 13) se tratam de várias unidades e não apenas uma conforme descrito na DI/LI, não possuindo corpo único ou sistema de trabalho sincronizado, possuindo tamanhos e concepções diferentes e não possuindo descarregador automático. O Sr. Auditor Fiscal adotou a classificação 8428.90.90 e o benefício de redução de alíquota foi excluído. vi) DI nº 98/00261427/ 002 (fls. 296/302) registrada em 12/01/1998: Relata a importação de máquinas e aparelhos automáticos para embalar tubos ou barras de metal etc, e descreve a mercadoria como sendo máquina automática para amarrar feixe de tubos rígidos de PVC de até 6m de comprimento. Classificada pela Importadora na posição TEC 8422.40.20. Beneficiada por Ex tarifário que reduz a alíquota do I.I. a 3%. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.557 6 A Fiscalização entendeu que o produto importado não se presta para embalar barras de metal, conforme declarado na DI, servindo apenas para trabalhar com PVC, o que fundamentou a adoção de nova classificação na posição TEC 8422.40.90, ficando excluído o benefício de redução de alíquota do I.I. As alegações trazidas em Recurso Voluntário (fls.1001/1053) são: i) Nulidade do processo administrativo pois o Sr. Auditor Fiscal teria errado ao descrever a mercadoria da DI nº 97/047342145, como sendo do modelo 6130, e não G130 como seria o correto. Este fato teria gerado o cerceamento de defesa da Recorrente; ii) Nulidade do processo, em razão do cerceamento de defesa da Recorrente, pois, a Fiscalização, ao desconstituir a classificação adotada na DI nº 97/07341718, teria deixado de apresentar nova classificação que entendesse mais pertinente; iii) A decisão de primeira instância não levou em conta toda a produção probatória dos autos, desconsiderando laudos favoráveis à Recorrente. iv) No mérito aduz estarem corretas as informações trazidas pelas DI´s objeto da autuação e que, por conta disso, os bens importados fazem jus aos benefícios de “ex” tarifários pleiteados. Alega, portanto, indevidos os créditos lançados pela Autoridade Fiscal, posto não haver diferenças a recolher a título de I.I.; v) A Recorrente afirma que o lançamento em tela foi ilegalmente efetuado, tendo em vista sua realização em sede de revisão aduaneira, o que só seria possível se cumpridos os requisitos dos art´s 145 e 149 do CTN; vi) aduz ainda que erro de direito não permite a revisão do lançamento – mudança de critério jurídico; vii) É indevida a aplicação da multa por falta de licença de importação, pois os bens importados foram satisfatoriamente descritos nas DI´s, bem como, não são devidos a correção monetária, os juros de mora e a multa de ofício aplicada. viii) A recorrente afirma que se houvesse dúvida quanto á correta classificação das mercadorias, seria o caso de se aplicar o art. 112 do CTN. Sob apreciação, a Resolução nº 3011.761, de 05/12/2006, da então 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência com o intuito de melhor esclarecer algumas questões relativas aos fatos e subsidiar o feito de elementos necessários ao deslinde deste processo, determinando que os peritos que já tinham atuado no processo respondessem aos quesitos formulados, a saber: Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.558 7 DI nº 97/08405639: 1 – O carregador e o descarregador têm função própria quando identificados isoladamente e desconectados do transportador? Responder também aos quesitos nº 2 e 3 de fls. 349: 2 – Mencionar se a mercadoria analisada é um “transportador para alimentação automática com carregador e descarregador”? Explique detalhadamente quais funções a mercadoria analisada exerce. Explique. 3 – A mercadoria analisada, em sua característica técnica, função e descrição corresponde à descrita na DI? Esclareça. DI nº 97/07342145: 1 – Qual a descrição científica de uma “máquina de reciclagem”? E quais os processos que deve desempenhar uma máquina de reciclagem de materiais termoplásticos? 2 – “aproveitamento de material termoplástico rejeitada, transformandoo em pó”, deve ser considerado um processo de reciclagem? Quais são os requisitos técnicos que caracterizam a reciclagem? DI nº 97/07341718: 1 – Como se caracteriza o processo de granular? O que é um grânulo? Há, no equipamento, a função granular? Como essa função se desenvolve? DI´s nºs 97/09973894 e 97/11829274: 1 – Considerando que a extrusora processa plástico em altas temperaturas para produzir tubos, e considerando que após a extrusão esse material é ejetado ainda quente, esclareça se a extrusão é completada sem as banheiras de resfriamento. 2 – A extrusão é completda sem que haja a ação de puxadores? 3 – Quais os equipamentos que foram importados sob o amparo das DIs acima mencionadas? DI nº 98/00261427: 1 – Como o manual do exportador indica a função e destinação das máquinas? Há indicação no manual do exportador da destinação específica para tubos de PVC? 2 – Quais componenetes da máquina que indicam que seja específica para PVC e não para METAL (também), ou seja, haveria algum componente que sofreria desgaste desproporcional à vida útil do equipamento se submentido ao procedimento de amarrar apenas feixes de tubos ou barras de metal, respeitado o limite de peso e tamanho? Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.559 8 Intimados, os peritos apresentaram as suas respostas: O Eng. Carlos Alberto Marques Teixeira respondeu à imtimação (fls. 1364) informando estar impossibilitado de responder satisfatoriamente aos quesitos, pois, não mais se encontra exercendo as funções que ao período da emissão dos laudos técnicos. O Eng. Antônio Ferreira Nunes Júnior apresentou suas respostas aos quesitos (fls. 1334/1341), afirmando, em síntese: DI nº 97/07341718: não encontramos nenhuma definição científica do processo granular. Esta parte da resposta bem como a definição de grânulo poderá ser respondida com mais pertinência por um engenheiro ou técnico da área química. Entretanto, em função de nossa longa experiência em exame de máquinas e equipamentos e pela afinidade entre máquina e produto, podemos definir um grânulo como sendo um pequeno grão que corresponde, no ramo de plástico, ao produto conhecido como “pellet” [...] tem normalmente de 2,5 a 3,0 mm de diâmetro [...] DI nº 97/07342145: Quesito 1) Não encontramos descrições científicas para uma “máquina de reciclagem”. A palavra reciclagem tem uma abrangência muito grande. Se falarmos em sistemas ou processos de reciclagem de materiais, a extrema complexidade e a infinidade de situações possíveis, exigiriam um trabalho exaustivo e, por certo, improdutivo, pois não se chegaria a uma definição técnica, uma vez que não se trata de uma operação padrão; Quesito 2) Não. Dependendo da destinação do pó, pode ser, quando muito, uma etapa de um processo de reaproveitamento do plástico. Uma moagem pode ser feita com o intuito de diminuir o volume de resíduos materiais, para transporte ou aterro [...] como já foi dito acima, é toda uma série de procedimentos técnicos, mecânicos e químicos para tornar reutilizável os desperdícios, resíduos e aparas de materiais [...]. DI nº 97/08045639: Quesito 1) Somente foram encontrados carregadores e transportadores, ambos pneumáticos, de diversos tipos, dimensões, concepções, formatos e configurações; Quesito 2 fls. 349) Não. A mercadoria examinada e constituída de segmentos das mais variadas configurações podendo um deles conter apenas tubulação flexível e equipamento de bombeamento para levar a matéria prima de um lugar para outro, e pode ter tubulações em um setor e em outro não. Como a matéria prima é levada de uma parte para a outra passando por máquinas, aparelhos e equipamentos até chegar às extrusoras, às injetoras e às extrusorasgranuladoras, nelas se transformando em produtos sólidos acabados ou semiacabados, fica claro que não existem etapas de descarregamento pneumático do composto (matéria prima); Quesito 3 fls. 349) A característica técnica: funcionamento pneumático, a função: carregamento e transporte correspondem à descrita na DI. Porém, faltou o descarregamento pneumático, conforme já explicado. A descrição da mercadoria também não reflete quantitativamente o material examinado por não termos um carregador com (um) transportador e sim, um sistema complexo de distribuição por meio de transporte pneumático [...]. DI nº 97/0997894 e DI nº 97/11829274: Quesitos 1 e 2) No caso de produção de tubos plásticos é normal a linha de extrusão conter a banheira de resfriamento [...] Devese esclarecer que, apesar das temperaturas às vezes mais, outras vezes menos Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.560 9 elevadas do produto, à saída da extrusora, nem sempre são necessárias banheiras de resfriamento e/ou puxadores. É o caso, por exemplo, de uma extrusora para a produção de filmes [...] tendo uma grande superfície de contato com o ar, resfriamse rapidamente [...]. Quesito 3) Como este assistente técnico não acompanhou a conferência física da mercadoria, sentese impedido de pronunciarse a respeito. Entretanto, baseado nas informações de funcionários encarregados de acompanhar as perícias na empresa, em 1999, este engenheiro emitiu o laudo técnico que relaciona tais equipamentos. DI nº 98/00261427: Quesito 1) [...] O manual do fabricante menciona a apenas a palavra tubos. Porém, a indústria produz máquinas exclusivamente para a indústria de artigos plásticos. A sigla IPM (Italian Plastic Machinery), que precede o nome do fabricante, indica o ramo de atividade do mesmo [...]. Quesito 2) [...] As relações peso/medida, a resistência aos impactos e outros requisitos técnicos, fazem com que as máquinas sejam dimensionadas de acordo com o trabalho delas requerido [...] Portanto, não vemos lógica na possibilidade de uma máquina que foi projetada e construída para trabalhar exclusivamente com artigos plásticos, vir a trabalhar com artigos de metal. O Eng. Francisco Kogos, em seu laudo, respondendo a quesitos diretamente relacionados com a DI nº 97/08405639 (fls. 1380/1382) concluiu: Quesito 1) Sim, o carregador e o descarregador têm função própria quando identificamos isoldamente e desconectados do transportador. Tratase de carregador e descarregador tipo vribratório. Quesito 2) Na ocasião da conferência física a mercadoria estava totalmente desmontada, para facilitar o transporte, tendo constatado que todas as partes e peças vistoriadas, faziam parte de um transportador pneumático, complexo e de grandes dimensões [...] informo que as funções da mercadoria examinada são diversas: carrega, descarrega (na estrusora), dosa, pesa, transporta, armazena, bombeia, seca o pó, para alimentação automática de máquinas que fabricam peças plásticas, sendo que a função principal é a de transportar pneumaticamente pó, para alimentação automática de máquinas extrusoras. Quesito 3) [...] entendo que a mercadoria analisada em sua características técnica, função e descrição corresponde à descrita na DI. Finalmente, o Eng. Juarez Porto Henriques respondeu a três quesitos formulados com base nas dúvidas concernentes à mercadoria importada por meio da DI nº 97/09973894: Quesito 1) A extrusão é completada com as banheiras de resfriamento, não podendo prescindir desse resfriamento, em razão da necessidade de solidificação rápida das moléculas do tubo, evitando deformações e reduzindo o tempo do ciclo produtivo do tubo, após a saída no cabeçote extrusor. Quesito 2) Não, a extrusão é completada com a ação dos puxadores que tracionam o tubo com velocidade sincronizada com a extrusora, deslocando o tubo resfriado da banheira à máquina de corte. Quesito 3) Apenas relaciona o conjunto de peças importas nessa DI. Inobstante, o entendimento deste Relator Originário de que o processo estava maduro para julgamento, o julgamento foi novamente convertido em diligência pela Resolução nº 310100.117, cujo andamento foi relatado acima. É o relatório. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.561 10 Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Vistos, relatados e discutidos os autos, passo a decidir. Conheço do Recurso por ser tempestivo e por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência desta Sessão. Preliminarmente, a alegada nulidade em face do erro na descrição do modelo “G130” que fora indicado pelo fiscal como “6130”, não merece ser acolhida, pois se trata de simples erro de digitação, perfeitamente sanado no transcorrer do processo, e não cerceou o direito de defesa da Recorrente. A segunda questão preliminar de nulidade alegada, aduz que a Fiscalização discordou da classificação adotada pela Recorrente quanto aos misturadores em aço inoxidável para misturar e granular, porém deixou de apontar a classificação que entendeu mais adequada, bem como, deixou de fundamentar seu posicionamento. Contudo, a questão da classificação fiscal atribuída pelo Fisco está na aplicação da “Ex” Tarifária prevista pela Portaria MF nº 10 de 20/01/1997, sob o fundamento da ausência da qualidade de “granular”. Portando, afasto as preliminares de nulidade suscitadas. Como em meu voto originário de mérito realizara uma profunda análise dos laudos trazidos aos autos, bem como das respostas obtidas em diligência, correlacionandoos com os demais elementos probatórios de modo a se possibilitar a formação dos fundamentos do voto, reservome a autonomia para julgador pontos relevantes que compõem a lide. É certo que, com a designação de novo Perito, que elaborou excelente Laudo Técnico para cada produto sob análise, fato que demonstra a prudência da designação de nova diligência, entendo necessário tecer alguns comentários acerca da prova feita pelo Fisco nos autos, ainda que bastasse acolher as conclusões do Perito Eng° Walter Pereira de Carvalho, com referência, no que couber, ao laudo do INT, para solução do litígio. Dentre os laudos apresentados, ocupome do juntado às fls. 349/461 e esclarecimentos de fls. 1334/1341 (Eng. Antônio Ferreira Nunes Jr.) Tratase de laudo pericial que desconsidero para o deslinde do caso, pois deixou de apreciar questões cruciais que deveriam ser respondidas pela perícia. Na resposta ao primeiro quesito formulado, referente à mercadoria declarada pela DI 97/07341718, o laudo aduz, em introdução a suas conclusões, que: Não encontramos nenhuma definição científica do processo granular. Esta parte da resposta bem como a definição de grânulo poderá ser respondida com mais pertinência por um engenheiro ou técnico da área química [...] Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.562 11 Ora, a perícia expõe que o âmbito de sua especialidade não alcança a área química, o que se interpreta como ressalva de eventuais imprecisões que as conclusões possam conter, já que foi expresso em dizer que, além de inexistir uma definição científica para o vocábulo “grânulo”, tal questionamento seria bem respondido apenas por profissional técnico da área química. Portanto, diante de tal declaração, considero imprópria a digressão do que vem a ser um grânulo apenas com base em longa experiência em exame de máquinas e equipamentos. Por princípio, não sendo a área de concentração do Perito, estava desautorizado a prosseguir com a resposta ao quesito. É evidente que, ao julgar um caso em que estão em confronto o interesse público e o direito subjetivo do particular de não se ver oprimido ilegitimamente pelo poderio coercitivo do Estado – como ocorre em toda questão de cunho tributário – o julgador, na imensa maioria dos casos, não pode pautarse na longa experiência em exame de máquinas e equipamentos de quem, de antemão, não se considera apto a pronunciarse sobre matéria técnica. Não é passível de credibilidade um laudo em que o próprio perito declara, expressamente, tratarse de matéria alheia a sua capacitação técnica. Outro aspecto que merece destaque para fundamentar a desconsideração do referido laudo, está no fato de que o laudo não faz constatações, mas digressões, que não lhe conferem credibilidade necessária à exigência do tributo, como se observa na resposta dada ao quesito nº 1 da DI nº 97/07342145: Não encontramos descrições científicas para uma “máquina de reciclagem”. A palavra reciclagem tem uma abrangência muito grande. Se falarmos em sistemas ou processos de reciclagem de materiais, a extrema complexidade e a infinidade de situações possíveis, exigiriam um trabalho exaustivo e, por certo, improdutivo, pois não se chegaria a uma definição técnica, uma vez que não se trata de uma operação padrão [grifamos e destacamos] Diante da delimitação teórica dos processos de reciclagem e a função desempenhada pela máquina, entendo que o Perito Engenheiro estaria habilitado a justificar se a operação é ou não considerada reciclagem. A declaração de que “a extrema complexidade e a infinidade de situações possíveis” afasta a avaliação do solo seguro que o julgador necessita para fazer incidir a norma de classificação fiscal. Outras inconsistência são encontradas no laudo, como na resposta dada aos quesitos nº 2 e 3, referentes à DI nº 97/08045639, quando questionase se a mercadoria analisada é um “transportador para alimentação automática com carregador e descarregador” (nesta oportunidade, o laudo apresentase confuso e inconclusivo, impossibilitando, portanto, sua utilização como instrumento para solucionar a lide), vejamos: Não. A mercadoria examinada é constituída de segmentos das mais variadas configurações podendo um deles conter apenas tubulação flexível e equipamento de bombeamento para levar a matéria prima de um lugar para outro, e pode ter tubulações em um setor e em outro não. Como a matéria prima é levada de uma parte para a outra passando por máquinas, aparelhos e equipamentos até chegar às extrusoras, às injetoras e às extrusorasgranuladoras, nelas se transformando em produtos sólidos acabados ou semiacabados, fica claro que não existem Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.563 12 etapas de descarregamento pneumático do composto (matéria prima [...]A característica técnica: funcionamento pneumático, a função: carregamento e transporte correspondem à descrita na DI. Porém, faltou o descarregamento pneumático, conforme já explicado [grifamos e destacamos] Notese que, num primeiro momento, há manifestação expressa de que não se trata de um transportador (ao responder se se tratava de um transportador equipado com carregador e descarregador automáticos). Ato contínuo, afirma que se trata de um equipamento de bombeamento para levar a matéria prima de um lugar para o outro. Ora, sendo a função de “transporte” o levar um objeto de um lugar para o outro, há uma contradição insuperável na afirmativa inicial. Ainda neste trecho, verificase a seguinte afirmação: fica claro que não existem etapas de descarregamento pneumático do composto. Já, no momento no início da resposta ao terceiro quesito, vêse a afirmação de que a descrição da mercadoria estaria correta se não lhe faltasse a menção ao descarregamento pneumático. Como se vê, na resposta ao segundo quesito encontrase a afirmação expressa de que não existe etapa de descarregamento pneumático no equipamento e, na resposta à questão seguinte, lemos a afirmação de que na descrição feita na DI falta a menção a este descarregador pneumático. O problema está no fato de que se tratam de duas afirmações que se excluem, pois, uma, naturalmente, importaria na inexistência da outra, mas que, no tocante à necessidade posta nos autos, não explicam o fato acerca dos descarregadores pneumáticos. No mesmo sentido, é impreciso o laudo na resposta dada aos quesitos 1 e 2 referentes às DI´s nº 97/0997894 e DI nº 97/11829274, relativas à importação das extrusoras, uma vez que a conclusão leva em conta uma premissa que não se refere ao produto objeto das extrusoras importadas, por trazer exemplo (Devese esclarecer que, apesar das temperaturas as vezes mais, outras menos elevadas do produto, a saída da extrusora, nem sempre são necessárias banheiras de resfriamento e/ou puxadores. É o caso, por exemplo de uma extrusora para produção de filmes plásticos onde um conjunto de calandras extraem e calibram o filme que segue para as bobinadoras (ver: anexo 3). Os filmes, tendo uma grande superfície de contato com o ar, resfriamse rapidamente. As calandras uniformizam as espessuras do filme, atuando como puxadores e calibradoras. For sua vez, as bobinadoras fazem a função equivalente as das máquinas de embalar.) que não se coaduna com as perspectivas das regras de classificação fiscal ou com as perspectivas da elucidação dos fatos técnicos. Finalmente, na resposta aos quesitos formulados para esclarecimentos concernentes às mercadorias importadas pela DI nº 98/00261427, noto, mais uma vez, a fragilidade do laudo, uma vez que deduz, com base no nome da fabricante das máquinas de embalar canos, que se tratam de equipamentos para trabalhar exclusivamente com materiais de plástico: O manual do fabricante menciona a apenas a palavra tubos. Porém, a indústria produz máquinas exclusivamente para a indústria de artigos plásticos. A sigla IPM (Italian Plastic Machinery), que precede o nome do fabricante, indica o ramo de atividade do mesmo O fato é que não vislumbramos uma afirmação cunhada com base na análise técnica da máquina importada propriamente dita, como se espera de um laudo técnico. A Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.564 13 afirmação consignada é insuficiente para certificar se a máquina pode embalar canos de metal sem sofrer avarias decorrentes de uso inadequado. O mesmo ocorre na resposta ao segundo quesito desprovida de lastro técnico suficiente para dar confiabilidade técnica ao laudo, uma vez que exarada sem qualquer constatação ou descrição de exame físico e experimental mínimo: Portanto, não vemos lógica na possibilidade de uma máquina que foi projetada e construída para trabalhar exclusivamente com artigos plásticos, vir a trabalhar com artigos de metal A lógica não resolveu a questão, pois não nos foi respondido se haveria a possibilidade de trocarse o material trabalhado no maquinário, desde que respeitadas as especificações de massa e medidas, sem que houvesse um desgaste desproporcional ao que se espera na utilização dita “normal”. Diante disso, entendo que o laudo pericial de fls. 349/461 e esclarecimentos de fls. 1334/1341 340 não é capaz de trazer certeza necessária para embasar uma decisão para este caso, haja vista a seqüência de omissões e contradições observadas em seu conteúdo. Os mesmos vícios, contudo, não se observam nos laudos emitidos pelos outros peritos juntados às fls. 1380/1382 e às fls. 1386/1395 que responderam a tudo o que lhes fora perguntado. Conclusivo, no entanto, mostrase o laudo elabora do pelo Eng° Walter Pereira de Carvalho, resultado da diligência determinada por esta Câmara pela Resolução n° 310100.117, de 1o de outubro de 2010. Feitas estas ressalvas, passo a apreciar as questões de mérito. A) Declaração de Importação 97/09973894 e 97/11829274 versam sobre a mesma questão. Conforme já salientado, nas referidas DI´s, a Recorrente declarou a importação extrusoras e, a fiscalização, por sua vez, discordou, afirmando que se junto com as extrusoras foram importadas outras máquinas que não são de extrusão (tratam de máquinas independentes, com função própria mesmo que individualizados, sem compor, portanto, uma linha de extrusão. Uma outra premissa que devemos levar em conta é que, tanto a Recorrente, quanto a Fiscalização concordam quanto à posição em que as mercadorias devem ser enquadradas, segundo o Sistema Harmonizado de classificação de mercadorias, ou seja, na posição 8477. Capítulo 84 – MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.565 14 8477 – MÁQUINAS E APARELHOS PARA TRABALHAR BORRACHA OU PLÁSTICO OU PARA A FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DESSE MATERIAIS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES DESTE CAPÍTULO A discussão, portanto, está no plano dos itens e subitens, de modo que a Recorrente, por entender que se trata de uma linha de extrusão, adotada a classificação 8477.20.10 e a Fiscalização, por entender que são máquinas individualizadas que podem muito bem exercer a mesma função caso não esteja acopladas ao conjunto da linha extrusora, adota o código 8477.80.00. 8477.20 – Extrusoras 8477.80 – Outras máquinas e aparelhos. Sabendose que, durante o processo de extrusão, a matériaprima adequada alimenta um canhão dentro do qual uma ou mais roscas o compactam, fundem (no caso de plásticos) e o homogeneíza a matéria prima, que é direcionada a alimentar um cabeçote que dá forma ao produto (acabado ou semiacabado). O cabeçote tem a função de dar a forma desejada ao produto final. Neste ponto inferimos que a extrusora tem a função de homogeneizar matériaprima bem como dar forma ao produto final ou intermediário, e os demais equipamentos importados, complementam a função de homogeneizar e conformar a matéria prima, tendo em vista estarem diretamente ligados ao processo tanto de resfriamento (o material foi aquecido no processo de mistura) bem como por finalizar a extrusão (puxadores). Com isto tudo em mente, para solucionar o caso é imprescindível analisarmos as informações trazidas pelo laudo pericial de fls. 1386/1395, de autoria do Eng. Juarez Porto Henriques. Este perito é conclusivo ao afirmar (fls. 1387) que se trata da importação de 15 linhas de extrusão. Este entendimento é subsidiado pela explicação que dá acerca dos componentes dessa linha de extrusão, afirmando que, tanto a banheira de resfriamento, quanto o puxador são peças essenciais à linha de produção de tubos PVC. Vejamos (fls. 1386): A extrusão é completada com as banheiras de resfriamento, não podendo prescindir desse resfriamento, em razão da necessidade de solidificação rápida das moléculas do tubo, evitando deformações e reduzindo o tempo do ciclo produtivo do tubo, após a saída no cabeçote extrusor. [...] a extrusão é completada com a ação dos puxadores que tracionam o tubo com velocidade sincronizada a extrusora, deslocando o tubo resfriado da banheira à máquina de corte. Do excelente Laudo do Eng. Walter Pereira de Carvalho, que respondeu aos quesitos formulados podemos destacar o seguinte (fls. 1514/1516): Quesitos: 1. Identificar o tipo, modelo, fabricante, pais de origem e ano de fabricação da mercadoria analisada; Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.566 15 Resposta: Identificamos 10 (dez) máquinas extrusoras dos tipos BEX2130 25V, BEX26522V e BEX29025V3, fabricadas por: Battenfeld Extrusionstechnik GMBH, Alemanha, ano de fabricação: 1997. Identificamos as seguintes numerações: 898921 6118 / 6120 /6121 / 6125 / 6127 / 6128 / 6129 ( três máquinas estavam sem placas de identificação ). Segundo a empresa periciada, outras 3 foram transferidas para estabelecimentos em Maceió/AL e Suape/PE, e 2 foram vendidas para o México e Peru. 2. Mencionar se a mercadoria é uma "Extrusora de rosca dupla co rotativa, para trabalhar plástico, diâmetro da rosca inferior ou igual a 300 mm" Explique detalhadamente. Quais funções a mercadoria analisada exerce? Explique. Resposta A máquina extrusora é um dos diversos equipamentos que integra a "linha de extrusão" e tem por finalidade transformar um composto homogêneo de forma não definida (pó ou grânulos) em uma massa plástica que poderá ser modelada por outros componentes. Tal operação é realizada por meio de um processo de mistura, compressão, descompressão e retirada de gazes, através de controle de temperatura. Assim, para extrusão completa ("linha de extrusão") fazse necessário diversos equipamentos (dentre eles a máquina extrusora) além de: cabeçotes (da forma dimensional ao tubo a ser fabricado), ferramentas (as quais garantem a espessura do tubo a ser fabricado), calibradores (os quais garantem a precisão do diâmetro externo do tubo a ser fabricado), banheira de resfriamento (a qual garante a solidificação da massa plástica nas dimensões definidas pelo cabeçote, ferramentas e calibradores), puxadores (sincronizam a velocidade de extrusão da massa fundida com o tubo em seu estado sólido), cortadoras (as quais são responsáveis pelo corte dos tubos nas dimensões requeridas pelas normas correspondentes) e máquinas de acabamento (as quais são responsáveis pelo tipo de acoplamento entre tubos e de tubos com conexões). 3. A mercadoria analisada, em sua característica técnica, função e descrição, corresponde à descrita na DI? Esclareça. Resposta: Sim, as mercadorias descritas na DI correspondem as máquinas extrusoras, conforme resposta do quesito número 2. ... 5. Considerando que a extrusora processa o plástico em altas temperaturas para produzir tubos, e considerando que após a extrusão esse material é ejetado ainda quente, esclareça se a extrusão é completada sem as banheiras de resfriamento. Resposta: Para o funcionamento da máquina extrusora não são necessárias as banheiras de resfriamento. Contudo, para o processo de extrusão estas são de fundamental importância para a produção final do tubo de PVC. ... 7. Quais os equipamentos que foram importados sob o amparo das DI acima mencionada? Resposta: Foram importadas 15 máquinas extrusoras de rosca dupla co rotativa para trabalhar plástico, com diâmetro de rosca inferior ou igual a 300 mm. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.567 16 As respostas aos quesitos traz à baila o quanto disposto no Sistema Harmonizado, em especial as Notas da Seção XVI que trata das “máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação ou reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e de suas partes e peças”, que ao definir a classificação de combinações de máquinas de espécies diferentes estabelece na nota 3 que: “Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto, e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto”. Portanto, tracionadores, bacias de resfriamento e outras máquinas que complementam ou aprimoram a função principal da “extrusora de rosca dupla corotativa, para trabalhar plástico, diâmetro da rosca inferior ou igual a 300 mm conforme, previsto na Portaria MF n° 279 de 04/12/1996, classificamse de acordo com a função principal que caracteriza o conjunto. Assim, apesar de constituído de elementos distintos, as máquinas desempenham uma função determinada, de modo que, o conjunto classificase na posição correspondente à função principal que desempenha, de modo que está adequada a classificação do produto na posição pretendida pela Recorrente, devendo ser classificado, portanto, na posição 8477.20.10. B) Declaração de Importação nº 97/08405639 – Transportadora para alimentação automática Segundo as informações constantes na DI acima, a Recorrente declarou a importação de uma transportadora para alimentação automática, atribuindolhe a classificação, segundo a codificação da TEC, 8428.20.90. 8428.20 – APARELHOS ELEVADORES OU TRANSPORTADORES, PNEUMÁTICOS. 8428.20.90 – OUTROS. A Fiscalização, por sua vez, entendeu as mercadorias importadas encontravamse “separadas por praticamente todos os equipamentos e máquinas [...] sendo várias unidades e não apenas uma conforme descrito na DI, não possuindo corpo único ou sistema de trabalho sincronizado, possuindo tamanhos e concepções diferentes e não possuindo descarregador automático [...]”. E, com base nessas conclusões, classificou as mercadorias segundo o código TEC 8428.90.90, típica de outras máquinas e aparelhos. Mais uma vez emerge a discussão entre a existência de um conjunto de máquinas individualizadas, com funções próprias e independentes do conjunto e a possibilidade de se tratar de um conjunto indissociável, no qual, cada componente executa função essencial, de modo que sua ausência compromete a própria finalidade do maquinário. Para dirimir a questão, valhome do laudo de fls.1381 emitido pelo Eng. Francisco Kogos, no qual, uma informação importantíssima é capaz de direcionar os rumos de nossas conclusões, pois, conforme se observa às fls.1380, na ocasião da conferência física a mercadoria estava totalmente desmontada. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.568 17 Notase, portanto, que a conclusão fiscal, ou seja, de que se tratavam de peças separadas por praticamente todos os equipamentos e máquinas [...] sendo várias unidades e não apenas uma conforme descrito na DI, devese ao fato de que o transportador analisado adentrou desmontado em território nacional. Com isso, apesar de constar neste mesmo laudo (fls.1380) o fato de que as peças analisadas, quando separadas, executam funções próprias, entendo que, no caso em tela, deve ser considerado o conjunto para fins de classificação. Defendo este posicionamento, pois, no mesmo laudo (fls. 1381) o Sr. Perito responsável afirma categoricamente que as mercadorias foram adquiridas em razão de sua função conjunta, pois, tratase: [...] de um equipamento customizado, fabricado conforme o pedido do cliente, com projeto técnico personalizado. O representante legal informou que o importador não possuía desenhos técnicos, uma vez que técnicos do fabricante viriam da Alemanha para montagem, com a responsabilidade de entregar o sistema completo funcionando. Diante disso, o mesmo perito conclui em seu laudo que (fls. 1382): [...] tratase de um transportador pneumático para alimentação automática, com carregador e descarregador, ou, conforme foi mencionado no quesito anterior, um sistema de transportadores [...] logo, entendo que, a mercadoria analisada em sua característica técnica, função e descrição corresponde à descrita na DI. Tratase, como se vê, de laudo conclusivo, não restando qualquer dúvida de que a mercadoria importada é um sistema de transporte para alimentação automática, composto de carregador e descarregador, o que forma um sistema, cuja separação dos componentes descaracteriza a verdadeira função pela qual se fundamenta sua razão de ser. O último laudo trazido aos autos, decorrente da Resolução n° 310100.117, é categórico ao afirmar que (fls. 1500/1501): 2. Mencionar se a mercadoria é um: "Transportador para alimentação automática com carregador e descarregador" Explique detalhadamente. Quais funções a mercadoria analisada exerce? Explique. Resposta: Sim, a máquina é um "Transportador para alimentação automática com carregador e descarregador" e compreende os seguintes módulos: carregadores, transportadores e descarregadores. Os transportadores atualmente utilizados para deslocamento de materiais de baixo peso com pequenas dimensões têm sido largamente utilizados na indústria de uma maneira geral. Estes transportadores exigem diversos componentes pneumáticos para viabilizar o deslocamento dos materiais transportados a um baixo custo, principalmente diante de uma distância acentuada, diferentes elevações e curvas entre os pontos de carregamento e descarregamento do material. Sendo assim, se faz necessário a adoção de silos com compressores e bombas de vácuo para possibilitar a pressurização ou despressurização entre pontos que o material transportado deva ser conduzido, usandose inclusive a aceleração da gravidade para deslocar parcialmente o produto. Desta forma, necessitase também introduzir no transportador componentes desaeradores como filtros, silos, balanças para controle e Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.569 18 dosagem das matériasprimas, que somente funcionam se efetivamente interligados entre si. Disto resulta na impossibilidade de construir um equipamento transportador deste tipo dentro do conceito de corpo único devido às diversas diferenças de alturas geométricas, inclinações e curvaturas que o produto tem que ser submetido, principalmente se considerarmos as enormes distâncias entre o carregamento e o descarregamento do material. No caso em questão a matériaprima chega na unidade fabril do Interessado de três formas, caminhões de tanque, em embalagens ensacadas ou em containers, sempre carregados no transportador em área ventilada e na periferia da construção da fabrica e o seu descarregamento ocorre nas máquinas operatrizes que produzem o produto acabado. Em outros termos: todo "Transportador para a alimentação automática com carregador e descarregador" é uma reunião de equipamentos específicos destinados ao transporte de mercadorias no interior de um parque fabril. Assim, sempre a depender do tamanho e características do local, bem como da necessidade operacional do transporte de mercadorias tais máquinas (transportadores) são elaboradas de forma personalíssima para atender a necessidade da Empresa. Isto posto, concluo que a classificação fiscal adotada pela Recorrente, considerada o conjunto como desempenhando a função de transporte, está adequada à posição 8428.20.90. C) Declaração de Importação n°.:98/00261427 – Máquina para embalar tubos ou barras de metal em atados de peso inferior ou igual a 2.000Kg e cumprimento inferior ou igual a 12 m Mais uma vez, observamos que, tanto a Fiscalização quanto a Recorrente concordam com a posição adotada para o maquinário sob análise, não havendo divergência, portanto, quanto ao código 8422. Ademais, é imperioso ressaltar que sequer há divergência quanto ao item desta posição, posto que ambas adotam o código 8422.40, no qual se inserem outras máquinas e aparelhos para empacotar ou embalar mercadorias (incluídas as máquinas e aparelhos para embalar com película termoretrátil). A discussão surge quanto ao subitem, de modo que a Recorrente entendeu que se trata da codificação 8422.40.20, ou seja, para máquina automática para embalar tubos ou barras de metal, em atados de peso inferior ou igual a 2.000kg e comprimento inferior ou igual a 12 m. O ponto nodal da divergência é de cunho interpretativo, uma vez que a Fiscalização entendeu que, por se tratar de máquina para embalar tubos de PVC, a classificação mais adequada não poderia ser a adotada pela Recorrente pois expressamente se refere a barras de metal. Nessa oportunidade, a Fiscalização adota como correta a classificação 8422.40.90, ou seja, outros. A dúvida portanto está em se determinar se a classificação se dá essencialmente pela função da mercadoria, ou seja, empacotar tubos e barras, ou se a matéria constitutiva dos objetos empacotados também é essencial para a classificação. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.570 19 Para aparar as últimas arestas, os autos foram baixados em diligências, porém, o único laudo pericial que abordou a questão, diante de ser inconclusivo e apresentar informações contraditórias, teve de ser desconsiderado, conforme já discutido. Neste ponto, os quesitos formulados (fls. 1316) resumiamse em uma última tentativa de se constatar, expressamente, se o material constitutivo dos objetos embalados era essencial para a classificação da mercadoria, de modo que, um vez utilizados tubos de PVC, ao invés de metal, haveria alguma conseqüência negativa à maquina durante seu funcionamento. Ocorre que, durante todo o procedimento administrativo a Fiscalização não conseguiu comprovar seu posicionamento, no sentido de que a máquina importada não se classifica na posição adotada pela Recorrente, pois se trata de equipamento diverso do descrito na TEC, ou seja, a Recorrente importou máquina para trabalhar apenas com tubos de plástico e a classificação por ela adotada é pertinente às máquinas para embalar tubos e barras de metal. Quando os autos baixaram em diligência, inclusive, um dos motivos era obter uma resposta que pudesse indicar se a máquina efetivamente importada foi fabricada apenas para PVC ou se ela poderia ser classificada como pretendia a Recorrente. Entretanto, dos três laudos juntados nessa oportunidade, o único que tratou da questão foi desconsiderado, dadas as contradições observadas em seu conteúdo. Inclusive, um dos fundamentos para sua desconsideração está neste ponto, quando seu autor fundamenta suas conclusões na lógica ou, ainda, por simples dedução a partir da denominação do fabricante da máquina. Isto é muito pouco quando se está lidando com exame de natureza pericial, que deve seguir um rigor metodológico mínimo, calcado principalmente na avaliação física do objeto periciando, de modo que, com base nisso, refutamos o laudo em tela. Assim, diante da incapacidade da Fiscalização em comprovar sua pretensão, entendo que o melhor laudo a ser utilizado para fundamentar meu entendimento é o que foi produzido pelo INT, que teve por objeto de análise exatamente a mercadoria importada por meio da DI em tela (fls.923), quando exara taxativamente (fls. 942): No entendimento deste Instituto os tubos não são necessariamente de metal, porém as barras mencionadas na citada posição terão que ser de metal. Entretanto na ocasião da perícia foi ensaiada uma amarração com tubos de aço galvanizado, série pesada, com diâmetro 1” x 3.000 mm, obtendose resultado satisfatório embora o ferramental disponível na máquina fosse para embalar tubos de PVC. O que se deve levar em conta, portanto, em se tratando de classificação fiscal são as características intrínsecas e extrínsecas do objeto classificado, de modo que, no caso em tela, sendo possível sua utilização para embalar tubos de metal, é correta sua classificação na posição adotada pela Recorrente. Ademais, esta conclusão foi obtida por meio de ensaios realizados pelo INT sobre a mesma máquina importada, e não com base em suposições, deduções ou lógica. O laudo trazido na diligência (fla. 1485/1487) corrobora com a conclusão do INT, o que pode ser constatado na resposta dos quesitos: Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.571 20 1. Identificar o tipo, modelo, fabricante e pais de origem da máquina analisada: Resposta: Identificamos 10 (dez) máquinas do tipo IRT 125/N e ELF 75, da marca IPM DI ARGNANI CLAUDIO & CSNC, originárias da Itália e ano fabricação 1997. Com relação ao destino das outras 14 mercadorias importadas no ano de 1998, segundo a empresa periciada, 1 foi sucateada, outras 4 foram transferidas para Suape/PE e Anápolis/GO, outras 6 máquinas foram vendidas à Colômbia, Peru e México, e as demais 3 máquinas foram leiloadas, conforme informações fornecidas na planilha anexa (folha # 4). 2. As mercadorias desembaraçadas são "máquinas automáticas para amarrar feixes de tubos rígidos de PVC? Esclarecer detalhadamente. Resposta: Sim, as máquinas examinadas funcionam de forma automática e conforme constatado quando da perícia realizada atuam no pátio fabril vistoriado exercendo a função de amarração de feixes de tubos rígidos de PVC. 3. As mercadorias desembaraçadas podem ser consideradas como "máquinas ou aparelhos para embalar tubo ou barra de metal? Resposta: Sim, no momento da Perícia as máquinas realizavam amarração de tubos de PVC. Pedimos que fosse ensaiada uma amarração com tubos de aço galvanizado, série pesada, com diâmetro de 1" x 3.000 mm, obtendose resultado satisfatório, razão pela qual concluímos que as mercadorias desembaraçadas prestamse tanto para a amarração de tubos de metal quanto para a amarração de tubos de PVC. ... 5. Como o manual do exportador indica a função e destinavão das máquinas? Há indicação no manual do exportador da destinação especifica para tubos de PVC? Resposta: Conforme documentos apresentados em atendimento ao quesito anterior, a descrição da máquina é assim apresentada: A instalação para cintar os tubos é utilizada para ligar os feixes de tubos. É possível programar a configuração com a qual é feita o feixe, ou seja, o número de tubos por cada fila. Também é possível selecionar o número de ataduras e a sua posição em relação ao feixe. 0 IRT 125 trabalha numa linha de extrusão, mas também pode ser alimentado manualmente; a máquina é composta principalmente por uma série de suportes que posicional oportunamente os tubos e por uma estação de atadura na qual é colocada a respectiva cinta. A terceira parte da máquina é constituída pelo elevador que retira o feixe, levantao e descarregao ao lado da máquina. Deste modo, concluímos que não há qualquer indicação no manual do exportador sobre a destinação das máquinas analisadas, quer seja para tubos de PVC, quer seja para tubos de metal. 6. Quais componentes da máquina que indicam que seja especifica para PVC e não para METAL (também), ou seja, haveria algum componente que sofreria desgaste desproporcional a vida útil do equipamento se submetido ao procedimento de amarrar feixes de tubos ou barras de metal, respeitando o limite de peso e tamanho? Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.572 21 Resposta: Não existem componentes que indicam ser a máquina especifica para amarrar tubos de PVC ou metal. Conforme respostas anteriores, concluímos que as mercadorias periciadas atendem à função tanto de amarrarem tubos de PVC quanto de amarrem tubos de metal, não havendo que se falar em degastes na realização de uma ou outra função. 0 desgaste verificado resulta do desgaste natural das máquinas em razão de sua utilização. Diante do exposto, portanto, entendo corretamente classificada a mercadoria conforme a codificação adotada pela Recorrente. D) Declaração de Importação n°.:97/07342145 – Máquinas de reciclagem de materiais termoplásticos com capacidade igual ou superior a 500 kg/h A Recorrente, em sua Declaração de importação aduziu tratarse de equipamento classificado na posição 8477 da TEC, ou seja, referente a máquinas e aparelhos para trabalhar borracha ou plásticos ou para fabricação de produtos dessas matérias, não especificados nem compreendidos em outras posições deste capítulo, enquadrandoa no item 59 desta posição na TEC, reservado a outras [máquinas] e no subitem 90, também outras. Entendeu, portanto, tratarse o código TEC 8477.59.90 de classificação pertinente à máquina de reciclagem de materiais termoplásticos que importou. Já a Fiscalização, por sua vez, entendeu que a classificação correta seria 8479.82.90, pertinente a: 8479 – MÁQUINAS E APARELHOS MECÂNICOS COM FUNÇÃO PRÓPRIA NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES DESTE CAPÍTULO. 8479.82 – Para misturar, amassar, esmagar, moer, separar, peneirar, homogeneizar, emulsionar ou agitar 8479.82.90 – Outras Este posicionamento fundamentase no fato de que a Fiscalização entende que não se trata de uma máquina de reciclagem de materiais, mas sim de reaproveitamento, estabelecendo a diferença entre ambos no sentido de que a reciclagem se trata de um processo em que o produto já utilizado pelo consumidor final, retorna ao início do processo produtivo, passando por etapas de limpeza e separação e moagem, para posterior reutilização. Afirmando que o reaproveitamento, por sua vez, é o procedimento em que materiais rejeitados durante a produção são recolocados na cadeia produtiva para sua reutilização desde o início. Ocorre que, ao verificar os fundamentos da autuação (fls.15), percebemos que reutilização e reciclagem se confundem, sem contar com o fato de que o processo de reciclagem descrito acima envolve o pressuposto de que a mercadoria chegou ao consumidor final e foi utilizada. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.573 22 Isto posto, somos forçados a indagar: o simples fato de se tratar de um material reaproveitado na indústria, seja porque foi rejeitado, seja porque se consubstancia em excedente ou sobras, não caracteriza a reciclagem do material, que tem que ser moído novamente e reinserido na extrusora? Para resolver a esta indagação e aparar as arestas dela decorrentes, baixamos os autos em diligências, entretanto, o único laudo que tratou do tema teve de ser rejeitado, inclusive neste ponto, pois, quando o Sr. Perito responsável se manifestou sobre o processo de reciclagem não foi conclusivo, ao afirmar que: Não encontramos descrições científicas para uma “máquina de reciclagem”. A palavra reciclagem tem uma abrangência muito grande. Se falarmos em sistemas ou processos de reciclagem de materiais, a extrema complexidade e a infinidade de situações possíveis, exigiriam um trabalho exaustivo e, por certo, improdutivo, pois não se chegaria a uma definição técnica, uma vez que não se trata de uma operação padrão [grifamos e destacamos] Notase, em mais esta oportunidade, que o laudo descartado pecou em não trazer conclusão alguma para o deslinde do caso. Muito pelo contrário, já que aumentou nossas dúvidas quando afirma que não se trata, a reciclagem, de uma operação padrão. Insatisfeito com os resultados obtidos até aqui, iniciei uma pesquisa elementar, buscando minhas primeiras premissas no Dicionário Michaelis De Língua Portuguesa1, no qual verificamos uma forte equivalência entre os termos “reciclar” e “reaproveitar” “re.ci.clar: vtd (re+ciclo+ar2) Proceder à reciclagem, acepção 2; reaproveitar.” re.a.pro.vei.tar vtd (re+aproveitar) Tornar a aproveitar. a.pro.vei.tar vtd, vti, vint (a1 +proveito+ar2) e vpr Tirar proveito: Aproveitou bem as horas vagas. Aproveitou com os conselhos do amigo. O que se faz impensadamente não aproveita. Aproveitouse da experiência própria. vtd e vti 2 Tornar proveitoso, útil ou rendoso. vtd 3 Empregar, utilizar. vtd e vint 4 Tirar proveito indevido ou exagerado; explorar. vpr 5 Lançar mão de, servirse de, valerse de. vpr 6 Prevalecerse de; abusar. vti e vint 7 Dar proveito, ser útil: O seu poder só à opressão e à vaidade aproveitou. Os livros imorais não me aproveitam. Apenas em princípio de amadurecimento esses frutos aproveitarão. Antôn: desaproveitar, desperdiçar, malbaratar.” Assim podemos considerar que reciclar e reaproveitar na acepção do termo seria voltar a utilizar. No entanto, segundo as diferenciações contidas no Laudo Técnico n°.: 027/2000 emitido pelo INT reaproveitar e reciclar tem sentidos diferentes, pois, nele afirmase que “a reciclagem é um reaproveitamento de material, a reciclagem transforma o material 1 Michaelis. Dicionário Prático de Língua Portuguesa.Ed. Melhoramentos Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.574 23 reaproveitado em outro do mesmo tipo, podendo ou não ter a mesma qualidade” e “ reaproveitamento não é uma reciclagem, pois o artefato é aproveitado para alguma outra finalidade que não a original e transformase em algo diferente”. Contudo, lendo estas conclusões do INT sou forçado a concluir que, em essência, não existe uma diferença substancial entre reciclar e reaproveitar, pois, utilizandose da máquina importada, a priori, nada impede que o material “reaproveitado” venha a ser utilizado para produzir um produto final diferente daquele a que estava destinado na primeira vez em que foi rejeitado. Em nada se diferenciando, portanto, da reciclagem, o que, segundo meu entendimento, não traz conseqüências quanto à natureza da máquina importada, pois, ao reaproveitar o material, acaba também por, via de regra, a permitir sua reciclagem, e vice versa. É forçoso relembrar, que a própria Fiscalização inclui em sua autuação a explicação de que a moagem do material é uma das etapas da reciclagem, de modo que, não podemos simplesmente concluir que a moagem feita por esta máquina tenha uma destinação que não seja a reciclagem. No laudo de fls. 1508/1513, trazido na diligência, fornece elementos técnicos esclarecedores para o caso: 2. Mencionar se a mercadoria é uma "Máquina de reciclagem de materiais termoplásticos com capacidade igual ou superior a 500 kg/h". Explique detalhadamente. Quais funções a mercadoria analisada exerce? Explique. Resposta: Sim, tratase de uma máquina de reciclagem de materiais termoplásticos com capacidade igual ou superior a 500 kg/h. Estas máquinas são formadas por micronizadores que recebem o material reaproveitado dos refugos selecionados do processo de produção, granulado com dimensão aproximada de 8 mm, a partir da moagem realizada pelo moinho de facas. Esta montada sob uma base metálica e realiza a redução acentuada do tamanho de suas partículas, devido a exposição forçada deste material granulado ao contato, na periferia do tambor giratório dotado de dentes, com laminas em formato de facas posicionadas radicalmente na parede interna da carcaça, determinam a sua redução de tamanho de partícula para uma dimensão granulométrica máxima de 1,2 mm. Além dos micronizadores formam o conjunto abrangido pela DI acima referida, tubulações para transporte do material, silos intermediários, peneiras e filtros de mangas para retenção de particulados ultrafinos. A função da máquina em análise é de preparar o material refugado na produção por se encontrarem fora de especificação, transformandoos, pela redução de sua dimensão granulométrica, em granulado apropriado a ser reaproveitado na produção de outros produtos. 3. A mercadoria analisada, em sua característica técnica, função e descrição, corresponde à descrita na DI? Esclareça. Resposta: Considerando que a reciclagem a que são submetidos os produtos rejeitados no processo produtivo da Empresa, pela submissão do material reaproveitado a partir da transformação de sua forma para granulado, ao mesmo ciclo de produção ou cadeia produtiva, no presente caso, par a integrar a composição de produtos de mesma natureza, podese afirmar que os itens Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.575 24 abrangidos pela DI formam parte essencial da unidade que realiza o reaproveitamento dos materiais para propiciar a reciclagem dos produtos. ... 5. Qual a descrição cientifica de uma máquina de reciclagem? Quais os processos que devem desempenhar uma máquina de reciclagem de materiais termoplásticos? Resposta: Máquinas de reciclagem realizam a transformação de produtos descartados com a finalidade de reaproveitamento, reutilização deste material. Por certo que não existe uma definição quantitativa do que encerre o processo de reciclagem (a extensão da modificação/transformação do material para que este possa ser considerado como reciclado). Assim, entendemos que, uma vez transformado o material descartado com o objetivo reuso reutilização, em qualquer nível, estáse diante de um processo de reciclagem. Assim no processo produtivo o equipamento em questão tem a finalidade de processar os materiais termoplásticos, para serem reutilizados no processo produtivo, sendo assim, a classificação bem como a descrição adotada pela Recorrente enquadramse ao equipamento importado. E) Declaração de Importação n° 97/0734141718 – Misturadores em aço inoxidável para misturar e granular pós, com duas ou mais velocidades O primeiro ponto que merece destaque nesta oportunidade se refere ao fato de que, tanto a Recorrente quando a Fiscalização concordam com a classificação em que a mercadoria se insere, ou seja, 8479.82.10 (fls.04 e 84). Divergência está, portanto, nas descrições que ambas fazem da mercadoria, muito embora abrangidas pela mesma classificação. 8479 – MÁQUINAS E APARELHOS MECÂNICOS COM FUNÇÃO PRÓPRIA NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES DESTE CAPÍTULO 8479.82 – Para misturar, amassar, esmagar, moer, separar, peneirar, homogeneizar, emulsionar ou agitar. 8479.82.10 – misturadores Isto posto, é natural que, tanto a descrição da Recorrente (fls.84) – Misturadores em aço inoxidável para misturar e granular, com duas velocidades [...] – quanto a descrição da Fiscalização (fls. 16) – conjuntos de misturadores em aço inoxidável com aquecimento e resfriamento para misturar de forma homogênea produtos diversos – satisfaçam a mesma classificação, pois, em ambos os casos vemos a descrição de máquinas para misturar e homogeneizar. A diferença, como se nota, está no fato de que a Recorrente declarou a importação de um misturador e granulador, enquanto que a Fiscalização aduz inexistir a Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.576 25 função granuladora na máquina em questão, fato que traz como conseqüência a exclusão do benefício pleiteado pela Recorrente da ex tarifária introduzida pela Portaria MF nº 10 de 20/01/1997, destinada aos misturadores em aço inoxidável para misturar e granular pós, com duas ou mais velocidades. A descrição da mercadoria proposta pela ex tarifária determina que deve se tratar de um misturador e que este misturador deve misturar e granular. Para ser abrangido por esta exceção tarifária, portanto, deve se tratar de uma máquina que apenas misture e o produto final seja uma mistura granulada. Buscando retirar qualquer dúvida com relação à descrição da mercadoria, principalmente no tocante ao que vem a ser a granulação, os autos foram convertidos em diligências, contudo, o laudo pericial emitido foi, conforme vimos, desconsiderado, diante da fragilidade de seus fundamentos: Não encontramos nenhuma definição científica de processo granular. Essa parte da resposta bem como a definição de grânulo poderá ser respondida com mais pertinência por um engenheiro ou técnico da área química. Os outros dois laudos expedidos na mesma oportunidade não tiveram esta mercadoria como objeto de análise, o que dificulta sobremaneira a busca por uma solução satisfatória para o caso. Entretanto, como se sabe, a conversão do julgamento diligências teve por base o fato de que as provas nos autos eram insuficientes para aparar algumas arestas existentes, de modo que era interessante saber como se caracteriza o processo granular, o que seria um grânulo e se o equipamento efetivamente executa esta função de granulação. Estas arestas persistem, porém, uma noção acerca destas questões já era apontada perfunctoriamente pelos laudos do INT, o que atrelado ao fato de que a Fiscalização na ter logrado comprovar com maior certeza sua pretensão, entendo se tratar de prova suficiente para conduzir meu convencimento final. Nesse contexto, observamos que o Laudo Técnico emitido pelo INT, n°: 050/2003 (fls. 947), concluiu tratarse de máquina com função de granulação: Tendo em vista que os misturadores em análise propiciam a aglomeração dos aditivos e demais elementos adicionados na formulação do produto, no contorno e no interior do particulado da matériaprima, originariamente em pó, conclui este Instituto que o material é misturado, adquirindo dimensões intermediárias entre o estado físico de pó e de grão, constituindose, portado, material granulado, por apresentar dimensões superiores aquelas dos materiais pulverolentos e inferiores aquelas determinadas para os grãos [grifamos e destacamos]. O que o laudo do INT concluiu foi que a máquina em tela proporciona a aglomeração dos aditivos, originariamente em pó, em grânulos, ou seja, pequenos grãos, de modo que não se pode conceber que se trate apenas de um simples misturador que, ao receber Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.577 26 diferentes tipos de pós, entregue uma mistura homogênea em pó. O laudo determina que se tratam de partículas superiores aos materiais pulverolentos. O laudo do Engenheiro designado pelo Fisco em diligência constatou (fl.1478/1480): 2. Mencionar se a mercadoria é um "Misturador em ago inoxidável para misturar e granular pós, com duas ou mais velocidades" Explique detalhadamente. Quais funções a mercadoria analisada exerce? Explique Resposta: Sim, as mercadorias importadas e periciadas tratamse de seis misturadores em ago inoxidável nas suas peças principais e em aço carbono nas partes estruturais, todos com duas velocidades cada, cuja função é receber os pós (resina, aditivos, material reciclado e pigmentos), misturálos por meio de movimento de rotação de suas pás, também em ago inoxidável, homogeneizando a mistura até atingir uma temperatura em torno de 120 graus Celsius devido ao atrito entre os componentes. Tais componentes são então fundindo, aglutinandose e transformandose em uma nova massa homogênea. Esta massa é levada ao resfriador para em seguida ser descarregada em silos do transportador. ... 5. Como se caracteriza cientificamente o processo de granular? O que é um grânulo? Há no equipamento, a função granular? Como essa função se desenvolve? Resposta: Não há normalização técnica especifica definindo o "processo de granular". Logo, tendo em vista que o misturador em análise propicia a aglomeração dos aditivos no contorno e no interior do particulado da matériaprima, originalmente em pó, e após análises realizadas no laboratório do interessado durante a perícia, concluímos que o material misturado adquire dimensões de grão diminuto, podendo ser classificado como grânulos devido as mudanças físico químicas apresentadas na passagem do material entre o misturador. Deste modo, concluise experimentalmente que o misturador em análise também exerce a função de granular. Além disso, mais uma vez valendome da consulta ao Dicionário Michaelis De Língua Portuguesa2 verifico que: “gra.nu.lar 2 vtd (grânulo+ar2) 1 Dar forma de grânulo a. 2 Reduzir a pequenos grãos.” Assim, concluo que a máquina importada pela Recorrente tem a função de granular a matériaprima que processa, entregando uma mistura não só homogênea como também granulada, o que satisfaz a descrição feita pela Recorrente em sua Declaração de Importação, fazendo jus, portanto, à ex tarifária pretendida. No mais, deixo de apreciar as demais questões de direito que envolvem o caso (dentre elas a alegada mudança de critério jurídico e o pleito de exclusão das penalidades) por considerar que, no mérito da classificação fiscal, a Recorrente classificou corretamente as mercadorias importadas. 2 Michaelis. Dicionário Prático de Língua Portuguesa.Ed. Melhoramentos Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10831.006690/9995 Acórdão n.º 3101001.431 S3C1T1 Fl. 1.578 27 Por todo o exposto DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir o crédito tributário constituído por meio do lançamento em tela. LUIZ ROBERTO DOMINGO Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10950.904973/2012-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 73 /2 01 2- 86 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904973/201286 Acórdão n.º 3801004.519 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11070.720107/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de processo administrativo o qual contempla dois Autos de Infração, a saber: 51.014.4470 e 51.014.4489. O Auto de Infração Debcad nº 51.014.4470 corresponde ao lançamento nas competências 01/2009 a 12/2011 das contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .7 20 10 7/ 20 13 -9 3 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11070.720107/201393 Resolução nº 2301000.473 S2C3T1 Fl. 398 2 da comercialização da produção rural do segurado especial, cuja obrigação é subrogada à Cooperativa, nos termos do artigo 25, I e II, c/c o artigo 30, III e IV, todos da Lei nº 8.212/1991. Os valores retidos dos segurados especiais não foram integralmente repassados à Seguridade Social em época própria. O montante do crédito, consolidado em 29/01/2013, é de R$ 48.875.135,01 (quarenta e oito milhões, oitocentos e setenta e cinco mil, cento e trinta e cinco reais e um centavo). O Auto de Infração Debcad nº 51.014.4489 corresponde ao lançamento nas competências 01/2009 a 12/2011 das contribuições destinadas ao SENAR, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, cuja obrigação é subrogada à Cooperativa. Os valores retidos dos segurados especiais não foram integralmente recolhidos em época própria. O montante do crédito, consolidado em 29/01/2013, é de R$ 4.654.774,82 (quatro milhões, seiscentos e cinqüenta e quatro mil, setecentos e setenta e quatro reais e oitenta e dois centavos). A fiscalização relata que o sujeito passivo ajuizou Ação Ordinária nº 2001.71.05.0027940 (Vara Federal de Santo Ângelo/RS), com o objetivo de obter a declaração de inexigibilidade e a repetição dos valores recolhidos a título das contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural, na condição de subrogada. Embora o sujeito passivo tenha obtido êxito no julgamento da ação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Procuradoria Federal Especializada do INSS ajuizou ação rescisória junto àquele tribunal, registrada sob nº 3206, que foi julgada procedente em 08/08/2012 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, que detém o direito de não recolher as indigitadas contribuições. A primeira instância manteve a autuação, o que ensejou a interposição de recurso voluntário reprisando as razões expostas anteriormente. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério A controvérsia suscitada nesses autos diz respeito basicamente acerca da existência ou não do direito à inexigibilidade das contribuições. De um lado o Fisco aponta que esse direito, a despeito de ter sido reconhecido inicialmente nos autos nº 2001.71.05.0027940, o qual tramitou perante a Vara Federal de Santo Ângelo/RS, fora objeto de rescisão em decorrência da Ação Rescisória nº 3206 ajuizada no E. Superior Tribunal de Justiça. Por outro, sustenta o sujeito passivo que a ação rescisória ainda não transitou em julgado e pende de decisão definitiva daquele Tribunal Superior. A fim de verificar a exata correlação da mencionada ação rescisória com o processo originário, o que foi decidido pelo Poder Judiciário, bem como sua extensão e efeitos, penso que o julgamento deve ser convertido em diligência. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11070.720107/201393 Resolução nº 2301000.473 S2C3T1 Fl. 399 3 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade administrativa intime o sujeito passivo a trazer aos autos cópia da petição inicial da ação rescisória, decisões proferidas, bem como certidão de inteiro teor. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10530.004267/2008-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91.
ATUALIZAÇÃO DA MULTA. OBEDIÊNCIA AO ATO NORMATIVO EM VIGOR À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES.
A atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN.
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento pelo reconhecimento do vício material, por erro de capitulação legal, tendo em vista a Portaria que quantificou a multa ser superveniente aos fatos geradores. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. ATUALIZAÇÃO DA MULTA. OBEDIÊNCIA AO ATO NORMATIVO EM VIGOR À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. A atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento pelo reconhecimento do vício material, por erro de capitulação legal, tendo em vista a Portaria que quantificou a multa ser superveniente aos fatos geradores. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. ATUALIZAÇÃO DA MULTA. OBEDIÊNCIA AO ATO NORMATIVO EM VIGOR À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. A atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 42 67 /2 00 8- 05 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento pelo reconhecimento do vício material, por erro de capitulação legal, tendo em vista a Portaria que quantificou a multa ser superveniente aos fatos geradores. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004267/200805 Acórdão n.º 2403002.696 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD nº 37.147.8863, referente ao período 01/2004 a 12/2004, com ciência pelo contribuinte em 31/12/2008, no montante de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). a. A presente autuação é oriunda do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço,notadamente os contribuintes individuais, na qual almeja o recolhimento da obrigações principais a eles atinentes no processo principal o qual este se encontra apenso. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 50/63. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 15 28.215, fls. 105/112, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR. NULIDADE AFASTADA. Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 caracterizam a infração praticada, resta descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa. PRAZO PARA CORREÇÃO DA FALTA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCABIMENTO. Caso a autoridade fiscal já disponha dos elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, ela deve, por dever de ofício e em respeito ao art. 142 do CTN, efetuar o lançamento de imediato. É incabível, por falta de previsão legal, a exigência de primeiro oferecer ao contribuinte prazo para a regularização da infração constatada para depois lavrar a autuação. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA PENALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não comprovada a correção da falta, não há relevação ou atenuação da multa imposta, pois a correção da falta é requisito essencial para a obtenção do benefício fiscal requerido. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos exigidos pelo decreto nº 70.235/72. Desnecessária a perícia quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 117/129, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Resta prejudicada a autuação no que concerne ao preparo de folhas de pagamento atinentes a estagiários e aprendizes; 2. Atenuação da multa e caráter confiscatório; 3. Necessidade de realização de perícia. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004267/200805 Acórdão n.º 2403002.696 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documento de fl. 149, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E ATUALIZAÇÃO DOS VALORES A presente autuação cuida do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, I, cujo deslinde está intimamente relacionado ao processo que se discute a procedência das obrigações principais, nº 10530.004264/200863, o qual também foi submetido à minha relatoria. Tendo em vista que ambos estão sendo julgados concomitantemente na mesma sessão, e que no processo principal está sendo decidido pela manutenção da autuação em virtude da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a contribuintes individuais, assim como para estagiários bolsistas e aprendizes, imperiosa é a manutenção da obrigação acessória, razão pela qual o seu descumprimento acarreta a multa presentemente imputada. Conforme acima narrado, a empresa deixou de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os empregados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social Neste sentido, a empresa violou a obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91, tendo em vista que as folhas de pagamento não abrangeram a totalidade de segurados a seu serviço. É o que se vê: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O descumprimento, art. 225, I, parágrafo 9º do RPS, culminou na aplicação da multa disposta no art. 283, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, in verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. **************************************************** Art. 283. (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; O valor correspondente à imputação da presente multa, se deu pela Portaria MPS/MF nº 77, de 11.03.2008, vigente à época da lavratura do auto de infração em epígrafe. Entretanto, conforme pode ser verificado, a preparação das folhas de pagamento deveria ter sido procedida durante o período 01/2004 a 12/2004, lapso temporal da efetiva ocorrência da omissão. Portanto, temse que os valores a serem aplicados, no concerne à atualização do valor da multa, deve ser feita nos termos da Portaria MPS/MF vigente à época dos fatos, em consonância com o disposto no art. 144 do CTN, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004267/200805 Acórdão n.º 2403002.696 S2C4T3 Fl. 5 7 Inobstante o referido artigo fazer referência à lei, temse que o conteúdo ali contido também se estende às demais espécies normativas que compõem a legislação tributária, claramente definidos no art. 96, a seguir transcrito: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Portanto, deve ser verificada a Portaria Interministerial, que determinou a atualização do valor constante no art. 283, I, “a”, do RPS, em vigor à época da ocorrência do fato gerador, fato o qual enseja o erro de capitulação legal da multa aplicável. Por fim, com relação à extensão da declaração de nulidade, destaquese que o vício em questão é material, por atingir um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in casu, a determinação da matéria tributável. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Portanto, deve ser o presente auto anulado por vício material, ante o erro de capitulação legal da multa aplicável, uma vez que a portaria de atualização da multa é posterior aos fatos geradores. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004267/200805 Acórdão n.º 2403002.696 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, para declarar a nulidade por vício material ante o erro de capitulação legal quanto à multa aplicada. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 10830.915126/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8a Turma da DRJ Campinas (fls. 33/36 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra a não homologação da compensação pleiteada pela mesma, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 12 6/ 20 09 -1 6 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915126/200916 Resolução nº 3802000.267 S3TE02 Fl. 158 2 alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a declaração de compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada em vista da integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito para quitação de outros débitos confessados pela contribuinte. Notificado do teor do despacho decisório o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a não homologação da compensação decorreu de erro na apresentação da DCTF, mas que já providenciara a retificação da aludida declaração. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância de julgamento sob o fundamento base de que o direito creditório alegado e a retificação da DCTF do período careciam de comprovação. Cientificado da referida decisão em 01/05/2012 (fls. 39), a interessada apresentou, em 31/05/2012 (fls. 41), o recurso voluntário de fls. 41/52, onde alega o seguinte: a) que que, por estar sujeita ao regime da nãocumulatividade da contribuição pode descontar créditos calculados em relação a compras efetuadas no mercado interno de produtos destinados à industrialização (CFOP 111); b) que, ao revisar a apuração da contribuição, verificou que não considerara em sua apuração os créditos advindos das aludidas operações; c) que em razão de o equívoco haver sido identificado antes mesmo da entrega da DACON, a nova apuração já teria sido informada na declaração original em comento, o que ocorreu também em relação à DIPJ; d) que a não homologação da compensação decorreu unicamente da ausência de retificação da DCTF; e) que a decisão administrativa denegatória da compensação seria nula por haver sido proferida antes da verificação da validade do crédito apontado ou de intimação da contribuinte para dirimir ocasionais dúvidas a respeito da divergência entre o valor constante na DCTF e o montante consignado na DACON e na DIPJ; f) que os documentos fiscais anexados seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, devendo consequentemente, ser declarado “extinto o débito de IPI, relativo ao mês de setembro de 2006, objeto do processo administrativo n. 10830.915678/200916, consoante o disposto no artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional”; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915126/200916 Resolução nº 3802000.267 S3TE02 Fl. 159 3 g) defende a aplicação do princípio da verdade real. Diante do exposto, requer seja anulada a decisão de primeira instância, reconhecido o direito creditório reclamado e, consequentemente, extinto o débito tributário objeto do processo administrativo nº 10830.915678/200916. Segundo o extrato de fls. 28, o processo nº 10830.915678/200916 diz respeito ao controle do saldo remanescente do IPI de outubro de 2006, o qual encontrase suspenso, nos termos do despacho de fls. 32. O sujeito passivo acosta aos autos comprovantes de recolhimento (fls. 67) – cuja soma dos valores principais (R$ 823.109,66) equivale ao débito declarado na DCTF original –, cópia de fls. da DACON, da DIPJ e da DCTF retificadora (fls. 68/88), bem como de demonstrativos e de cópias de notas fiscais de aquisição de insumos (fls. 89/127). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 01/05/2012 (fls. 39). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 31/05/2012 (fls. 41), tempestivamente, portanto. Muito embora alguns argumentos só tenham sido apresentados nesta instância recursal, deles tomo conhecimento, quer por se referirem a questões de ordem pública – as quais estão dispensadas do requisito do prequestionamento (como a aduzida nulidade da decisão de primeira instância, que no caso presente não restou configurada) –, quer em vista do princípio da efetividade do processo. Tais questões serão abordadas com maiores detalhes quando do julgamento do feito. Concernente ao direito reclamado, importa destacar que a legislação atinente ao regime da incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. Para comprovar o direito creditório reclamado a recorrente acosta aos autos comprovantes de recolhimento (fls. 67) – cuja soma dos valores principais (R$ 823.109,66) equivale ao débito declarado na DCTF original –, cópia de fls. da DACON, da DIPJ e da DCTF retificadora (fls. 68/88), bem como de demonstrativos e de cópias de notas fiscais de aquisição de insumos (fls. 89/127). 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915126/200916 Resolução nº 3802000.267 S3TE02 Fl. 160 4 Segundo o contrato social anexado aos autos, a suplicante tem como objeto social a fabricação, montagem, manutenção, conserto, compra, venda, importação e exportação de vidro para aplicação industrial arquitetura e automóveis, de TINTAS E PRODUTOS químicos para aplicação industrial, agrícola, bem como as respectivas matérias primas, a prestação de serviços para empresas fabricantes desses itens e a representação de terceiros, podendo participar de outras sociedades como quotista ou acionista. A natureza das atividades exercidas pela interessada, diante dos custos e despesas retratados nos documentos anexados, revela, desde já, que existe, ao menos em parte, direito a desconto de créditos do PIS e da COFINS em vista do regime da nãocumulatividade, e, portanto, na mesma proporção, direito ao reconhecimento do crédito pelo pagamento a maior, já que, segundo alega a interessada, o recolhimento da contribuição foi efetuado sem a utilização de nenhum desconto. A recorrente, em seu recurso, aduz que os valores corretos da contribuição teriam sido informados na DIPJ e na DACON declaradas originalmente. Assevera, também, que a documentação acostada aos autos do processo seria suficiente para comprovar a legitimidade do crédito reclamado. De fato, em exame da ficha 25 da DIPJ do anocalendário de 2004, mês de abril, constase que o valor da COFINS a pagar no período é de R$ 659.063,31 (ver fls. 84). Como o débito declarado na DCTF foi de R$ 823.109,66, o crédito em favor do sujeito passivo seria de R$ 164.046,35. O débito a pagar da contribuição também corresponde ao montante declarado na DACON do período (conf. fls. 81). Necessário se faz, porém, comprovar se os montantes declarados na DIPJ e na DACON estão alicerçados na documentação de importação acostada aos autos bem como na escrituração contábil da empresa. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem, frente à escrituração da empresa e à documentação acostada aos autos, bem como diante de outros documentos que porventura entenda necessários, se manifeste sobre a legitimidade do crédito reclamado relativo à COFINS do mês de abril de 2004. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e cientificados o contribuinte e a Fazenda Nacional do resultado da diligência, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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