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Numero do processo: 10945.001608/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ILICITUDE MANIFESTA.
Patente a grave ilicitude quando a Fiscalização demonstra efetivamente que a Recorrente é pessoa jurídica em situação irregular, cuja personalidade deve ser desconsiderada, pois tem em seus quadros interpostas pessoas ("laranjas"), sendo gerida por administrador de fato, sem comprovar a origem dos recurso empregados nas operações de comércio exterior.
AUTO DE INFRAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Responde solidariamente pelo crédito tributário apontado no Auto de Infração e por todas as consequências que a Lei previr, a Recorrente, pessoa física, que qualifica-se, conforme demonstrado nos autos, como o administrador de fato de pessoa jurídica, cuja personalidade jurídica foi por ele abusada para encobrir a sua participação e, por outras razões de fato e de direito.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3403-003.332
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ILICITUDE MANIFESTA. Patente a grave ilicitude quando a Fiscalização demonstra efetivamente que a Recorrente é pessoa jurídica em situação irregular, cuja personalidade deve ser desconsiderada, pois tem em seus quadros interpostas pessoas ("laranjas"), sendo gerida por administrador de fato, sem comprovar a origem dos recurso empregados nas operações de comércio exterior. AUTO DE INFRAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Responde solidariamente pelo crédito tributário apontado no Auto de Infração e por todas as consequências que a Lei previr, a Recorrente, pessoa física, que qualifica-se, conforme demonstrado nos autos, como o administrador de fato de pessoa jurídica, cuja personalidade jurídica foi por ele abusada para encobrir a sua participação e, por outras razões de fato e de direito. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ILICITUDE MANIFESTA. Patente a grave ilicitude quando a Fiscalização demonstra efetivamente que a Recorrente é pessoa jurídica em situação irregular, cuja personalidade deve ser desconsiderada, pois tem em seus quadros interpostas pessoas ("laranjas"), sendo gerida por administrador de fato, sem comprovar a origem dos recurso empregados nas operações de comércio exterior. AUTO DE INFRAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Responde solidariamente pelo crédito tributário apontado no Auto de Infração e por todas as consequências que a Lei previr, a Recorrente, pessoa física, que qualificase, conforme demonstrado nos autos, como o administrador de fato de pessoa jurídica, cuja personalidade jurídica foi por ele abusada para encobrir a sua participação e, por outras razões de fato e de direito. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 16 08 /2 00 9- 91 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de instauração de procedimento especial de fiscalização aduaneira determinado pelo Delegado da Secretaria da Receita Federal de Foz do Iguaçu/PR em face da empresa PRIME COMERCIO EXTERIOR LTDA., em que decorre da detecção de fundados indícios da ocorrência da infração tipificada no disposto do Decreto/Lei nº 1.455/1976, Art. 23, inciso V. A Fiscalização relatou inicialmente que a empresa registrou, entre 22/03/2007 e 29/05/2009, 48 (quarenta e oito) declarações de importação (DI's), que totalizaram R$ 900.972,69 (novecentos mil, novecentos e setenta e dois Reais e sessenta e nove centavos) declarando ao Fisco tratarse de importações diretas, supostamente realizadas por sua própria conta e risco conforme verificado na base de dados oficial da RFB. Consignou que a fiscalizada foi selecionada para o procedimento especial de fiscalização aduaneira a partir da detecção de indícios que refletiram a possibilidade de ocorrência de ocultação dos reais adquirentes por meio de interposição fraudulenta da PRIME nas importações registradas em seu nome. A Fiscalização identificou ainda no procedimento como Responsável Solidário pelo crédito lançado o contribuinte Vanderlei dos Santos (CPF n° 903.678.39920) ; em face da sujeição solidária que lhe foi atribuída nos termos do Art. 124 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/1966). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 15 3 Após uma série de providências a Fiscalização chegou as seguintes conclusões: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 16 5 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 17 7 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 18 9 A Recorrente apresentou Impugnação em que alegou o seguinte: a) Que “resta demonstrado no feito tratarse de meras alegações, desprovidas de provas da materialidade, maculando o feito pela ausência do princípio da verdade material”; b) que “não há nos autos do PAF noticia, ou indicação, de ter havido diligência, ou qualquer outro procedimento levado a efeito nos estabelecimentos dos destinatários das mercadorias consideradas”; c) Que “a Autoridade Fazendária não apontou, em sua informação fiscal, haver constatado que aqueles destinatários deixaram de faturar suas vendas, ou as tivesse subfaturado, pelo que pudesse estabelecer nexo de causalidade entre as teorias genéricas expendidas e os fatos reais que se apresentam no presente feito”. d) Que “a falta de materialidade remeteu à presunção que, no caso, deve ser tida com máxima cautela, mormente pelo fato de o feito pretender imputar pena máxima ao administrado”; e) Indagou: “o Agente Fazendário apesar de, acreditase, bem treinado, com curso superior e capacidade de discernimento, vem somar o montante das operações do administrado e comparálo com o valor do capital social daquele, esquecendose de pesquisar e determinar qual o ciclo do negócio do administrado?” (...) “estarseá querendo revogar, ou alterar, as leis da física e da matemática, via ato normativo da administração fazendária?”. f) Que a “Autoridade Fazendária desprezou o principio de lealdade e da boafé, de acordo com o qual a Administração, em todo o transcurso do procedimento, está adstrita a agir de maneira lhana, sincera, ficando, evidentemente, interditos quaisquer comportamentos astuciosos, ardilosos, ou que, por vias transversas, concorram para entravar a exibição das razões ou direitos dos administrados”; g) Que “as alegações que não foram encontrados os sócios nos endereços informados para Receita Federal, e que no local não existe o número instalado no prédio e que os sócios estavam, ausentes, etc., nada vem provar, tanto que a ora impugnante continua instalada à Rua José Maria de Brito, 2690, Jardim Itamaraty , em Foz do Iguaçu, para onde foi endereçado o presente Auto de Infração”; h) Que “as "declarações" obtidas das pessoas que se encontravam no local, do sócio gerente da PRIME e outras, sem que fosse dado o direito ao contraditório, além do mais tirando do seu posto de trabalho o sócio a PRIME, típico de processo ditatorial, nada valem como prova, pois demonstram a voraz pretensão à falsa moralização e punibilidade a qualquer custo engolindo preceitos legais e obsessão por controles fiscais em um modo dissimulado de tirania sobre o contribuinte”. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 i) Indagou também: “o Agente Fazendário, vem destoar da realidade que se apresenta e não quer admitir que as empresas operem utilizandose de ‘capital de terceiros ou recursos de terceiros’?”; j) Que “levandose em consideração que a autoridade discorreu no PAF sobre as modalidades de importações, não apontando quem seriam os terceiros reais importadores, fica patente que as operações são efetivamente próprias da impugnante, não há terceiro adquirente, tampouco encomendante predeterminado, embora não se queira admitir a realidade que se apresenta”. k) Que “também inconsistente como prova de que existem terceiros que estão operando em nome da PRIME pelo fato da mesma não efetuar o recolhimento dos tributos internos, e que isso seria o modus operandi clássico adotado por interpostas pessoas, como já mencionado que são essas pessoas? Simples suposições, presunções, indícios, não valem como prova e se levarmos em consideração as alegações de que a falta de recolhimento de tributos de qualquer empresa seria indicio, presunção de estar operando no lugar de terceiros, então teríamos um verdadeiro caos na arrecadação”; l) que “a autoridade fiscal elegeu erroneamente o Sr. VANDERLEI DOS SANTOS como sujeito passivo solidário, pois o mesmo não é o contribuinte principal no caso a empresa PRIME, não há como ser responsabilizado, em tese, pelo pagamento do tributo, pois a lei não impõe que seja ele solidário no pagamento”; m) Que “o princípio da proporcionalidade constitui um instrumento fundamental no controle de constitucionalidade dos atos normativos (...) como no direito tributário as sanções somente podem ser pecuniárias, estas devem ser limitadas em sua quantidade, sob pena de caracterizar o confisco de bens que, genericamente, é vedado pela Constituição Federal brasileira (...) no caso em questão, constatase ofensa ao Principio da Proporcionalidade, vez que a penalidade pecuniária ultrapassa o razoável”; n) Que “quer parecer, s.m.j., apresentarse no presente feito a figura doutrinária denominada de processo reflexo ou decorrente que depende o seu julgamento do processo principal ou matriz”; Também apresentou Impugnação o Sr. Vanderlei dos Santos, alegando o seguinte: (A) Que “a autoridade fiscal no afã de aplicar punibilidade e da obsessão por controles fiscais, atropelando a legislação pátria como a jurisprudência dominante, vem imputar a terceiro a obrigação tributária que em tese teria que ser honrada pela empresa PRIME COMÉRCIO EXTERIOR LTDA”. (B) Que “a eleição de terceiro responsável é baseada em critérios pragmáticos de pertinência e necessidade para potencialização do pagamento e, necessariamente, o terceiro deverá estar vinculado ao fato jurídico tributário por conta de existência de nexo jurídico ou econômico. (C) Que “a autoridade fiscal elegeu erroneamente o impugnante como sujeito passivo solidário, pois o mesmo não é o contribuinte principal no caso esse seria a empresa PRIME, não há como ser responsabilizado, em tese, pelo pagamento do tributo, pois a lei não impõe que seja e solidário no pagamento. Também não pode ser responsabilizado pelo pagamento do tributo, pois o sujeito passivo, pessoa jurídica, está ativa e devidamente identificada e dela pode ser exigido o pagamento do tributo e, não está provado existir uma ação ou omissão por parte da empresa/sócio com relação ao fato gerador da obrigação”. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 19 11 (D) Que “o princípio da proporcionalidade constitui um instrumento fundamental no controle de constitucionalidade dos atos normativos (...) como no direito tributário as sanções somente podem ser pecuniárias, estas devem ser limitadas em sua quantidade, sob pena de caracterizar o confisco de bens que, genericamente, é vedado pela Constituição Federal brasileira (...) no caso em questão, constatase ofensa ao Principio da Proporcionalidade, vez que a penalidade pecuniária ultrapassa o razoável”. A DRJ, inicialmente, descreve a matriz legal da autuação e do próprio procedimento especial de fiscalização, concluindo que, antes as provas coligidas, que nas importações por conta e ordem a Declaração de Importação respectiva deverá indicar o adquirente, demonstrando a modalidade de importaçãoque está sendo efetuada. Todavia, no caso vertente, as operações de importações foram cursadas como se fosse efetuada por conta própria do importador PRIME. Todavia, permanece desconhecida do Fisco a verdadeira origem dos cabedais empregados para o pagamento das mercadorias, tributos, contribuições e despesas aduaneiras, evidenciando a intenção de ocultar o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas. A PRIME é responsável por ter promovido os despachos em seu nome e o senhor VANDERLEI é responsável por ser o administrador de fato dessa PJ, conduzindo pessoalmente todos os seus negócios. De outra parte, continua a DRJ, a fiscalizada ou o seu administrador de fato (VANDERLEI) jamais poderia ter recusado ao Fisco a demonstração clara e objetiva das origens dos recursos que empregou no pagamento das despesas, encargos e tributos incidentes sobre as operações de importações abrangidas pelo procedimento. Não poderia olvidar que foi a lei tributária/aduaneira que estabeleceu, por força das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/02 no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, o dever legal de demonstrar a origem dos recursos aplicados em operações de comércio internacional para aqueles que tenham disponibilizado recursos para tal fim. Assim agindo, conduzindo direta e pessoalmente as operações do comércio exterior da PRIME bem como sonegando informações que estava legalmente obrigado a fornecer ao Fisco Federal, ocultando os reais adquirentes e beneficiários desse esquema, revela conduta dolosa que demonstra inequivocamente sua participação no núcleo central desse esquema, atuando consciente e diligentemente nos ilícitos apurados, atraindo para si, inarredavelmente, as consequências advindas da responsabilidade pela prática de graves infrações à legislação tributária do país De fato, o real adquirente das mercadorias importadas encontravase oculto, sem nenhum registro de sua identificação nos campos próprios da Declaração de Importação ou dos documentos que instruíram o despacho; pelo contrário, em seu lugar estavam os dados da empresa PRIME, simulando uma compra direta. Conforme exaustivamente demonstrado no procedimento, as operações internacionais foram cursadas sem a devida comprovação da origem regular dos recursos aplicados, tendo lugar a presunção legal estatuída no art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, com as alterações dadas pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 e Medida Provisória n° 497 de 27/07/2010, que definiu como DANO AO ERÁRIO a ocultação do sujeito passivo, do real adquirente, beneficiário ou responsável pela operação mediante fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração esta punida com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em conjunto com o Sr. Vanderlei dos Santos, em que basicamente reiteram o conteúdo de suas Manifestações de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Relatório dos presentes autos é bastante longo porque ele descreve todo o iter realizado pela Fiscalização para iniciar o procedimento especial de fiscalização e, posteriormente, chegar à conclusão de que houve DANO AO ERÁRIO. Ora, as provas não são apenas robustas, elas indicam que a Recorrente, pessoa jurídica, possui em seus quadros interpostas pessoas que não tem a menor noção do desenvolvimento da atividade empresarial, de um lado, ou, por incrível que pareça, que constam nos próprios quadros da empresa. Em verdade, o relatório, reflexo do trabalho da Fiscalização, reflete situação preocupante, para dizer o mínimo, sob o ponto de vista jurídico, passível de uma melhor análise sob a ótica de eventual ocorrência de crime por parte do Recorrente Vanderlei dos Santos. Sob o ponto de vista tributárioadministrativo, em que pesem os inúmeros reclamos dos Recorrentes, totalmente destituídos de provas, não se pode perder de vista que o enquadramento efetuado no presente Auto de Infração seria afastado se, por algum momento, os Recorrentes houvessem apresentado provas efetivas da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não apresentaram! Ora, para a realização das importações diretas, numa situação totalmente regular, os recursos empregados devem ser do importador, que, a seu turno, deve ser capaz de demonstrar a origem legítima dos mesmos assim que intimado para tanto. No presente caso, existe interposição fraudulenta na própria constituição da Recorrente, que possui em seus quadros uma interposta pessoa, que trabalha como segurança, e uma outra que sequer tinha conhecimento que constava nos quadros da referida pessoa jurídica e que, igualmente, trabalha em um supermercado. O que dirá da comprovação da origem dos recursos, que parece algo totalmente distante nos presentes autos, em que salta os olhos a ilicitude e caracterizase, como o dano ao erário, nos termos do disposto no parágrafo 2 , do artigo 23 do Decretolei n 1.455, de 07 de abril de 1976, in verbis: Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10945.001608/200991 Acórdão n.º 3403003.332 S3C4T3 Fl. 20 13 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 14 rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.( Assim, tendo em vista que não houve a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações realizadas pela Recorrente, pessoa jurídica em situação totalmente irregular, em que seus sócios são interpostas pessoas, encobrindo formalmente a intervenção de um administrador de fato, o Sr. Vanderlei dos Santos, há que se negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o Auto de Infração. Importante observar que a própria Recorrente decorre de uma fraude, sendo que sua personalidade jurídica, nos termos do artigo 50 do Código Civil, pode ser desconsiderada pela Autoridade Fazendária, visto que indevidamente utilizada para a prática de ilícitos, tendo em seus quadros interpostas pessoas que ou não tem conhecimento da condição de sócio ou simplesmente emprestam o seu nome, não exercendo a atividade empresarial, realizada de fato pelo Sr. Vanderlei dos Santos. Tendo em vista que a Recorrente é uma mera casca jurídica, em situação irregular, e que restou demonstrado que o Sr. Vanderlei dos Santos é o administrador de fato, configurase, com tranquilidade, o seu interesse pessoal, nos termos do Artigo 121 do Código Tributário Nacional, devendo ele responder solidariamente com a pessoa jurídica Recorrente pelo crédito tributário reclamado. Mediante análise rápida do status da Recorrente, pessoa jurídica, já podese verificar que o Sr. Vanderlei dos Santos é realmente a pessoa física por trás de todo o esquema ilegal, em que importações são realizadas por pessoa jurídica totalmente irregular, cuja personalidade jurídica é abusada de maneira flagrante, sem nenhuma prova da origem dos recursos. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10665.001092/2010-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006, 2007
ATIVIDADE DA EMPRESA. COMERCIALIZAÇÃO DE CARTÕES TELEFÔNICOS.
A comercialização de cartões telefônicos não representa operação de intermediação (remunerada por meio de comissão, agência ou distribuição), tampouco prestação de serviços com a empresa concessionária de telefonia, mas sim operação de revenda de bens; entendido, assim, o cartão telefônico como um bem que veicula um direito à utilização de um serviço de telecomunicação. Integra a receita tributável, para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES a totalidade dos valores percebidos nas operações de revenda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na respectiva norma.
Numero da decisão: 9101-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso especial, vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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COMERCIALIZAÇÃO DE CARTÕES TELEFÔNICOS. A comercialização de cartões telefônicos não representa operação de intermediação (remunerada por meio de comissão, agência ou distribuição), tampouco prestação de serviços com a empresa concessionária de telefonia, mas sim operação de revenda de bens; entendido, assim, o cartão telefônico como um bem que veicula um direito à utilização de um serviço de telecomunicação. Integra a receita tributável, para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES a totalidade dos valores percebidos nas operações de revenda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na respectiva norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso especial, vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 92 /2 01 0- 65 Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.1281 a 1288) interposto pela Fazenda Nacional em 05/04/2013, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 256, de 22/06/2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à natureza jurídica da comercialização de cartões de créditos prépagos para acesso a telefonia móvel. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 140100.770, de 10/04/2012, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. 3. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: "SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. NATUREZA DA OPERAÇÃO A comercialização de cartões telefônicos não representam operações de compra e venda de mercadorias. Isso porque, em verdade, quem compra um "cartão telefônico" não o faz para adquirir uma cártula de plástico ou de papel, mas sim para usufruir do direito a um serviço de telefonia, a ser prestado por uma operadora devidamente autorizada, por meio de concessão pública. Os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia, do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia. SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. BASE DE CÁLCULO Tratandose da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, a remuneração contratada mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples." 4. O voto condutor coloca a questão nos seguintes termos: "... ... alega a Recorrente que não deve apresentar a integralidade dos valores recebidos pela distribuição dos cartões telefônicos à tributação, mas apenas os valores percebidos por essa intermediação ... ... ... a questão posta em debate é saber qual a natureza da atividade exercida pela empresa que realiza a disponibilização de cartões telefônicos das concessionárias de telefonia para consumo perante o usuário final de tal serviço. ... Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 9101001.957 CSRFT1 Fl. 1.309 3 5. O voto condutor traz legislação infralegal, qual seja a resolução ANATEL nº 426, de 09 de dezembro de 2006, segundo a qual: “o serviço telefônico fixo comutado, que compreende “serviço de telecomunicações que, por meio de transmissão de voz e de outros sinais, destinase à comunicação entre pontos fixos determinados, utilizando processos de telefonia”, podem ser prestados no formato póspago, em que o cliente é cobrado pelos serviços prestados mediante faturamento periódico; ou no formato prépago, “mediante a aquisição de créditos” (art. 53)”. Em seguida, transcreve partes da resolução que cuida de duas formas de disponibilização do serviço no formato prépago. 6. Extraise ainda do voto condutor os seguintes trechos: “ Vejase que, segundo a legislação de regência, nos contratos de telefonia fixa, deferese ao cliente, consumidor final, assumir um contrato de adesão perante a Concessionária de Telefonia, mediante o qual esta se compromete a prestar o serviço desde que o Cliente adquira créditos vinculados ao seu terminal. ... Diante do exposto, resta claro que os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia móvel, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia, do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não vejo como a venda de cartões telefônicos podem ser considerados como venda de mercadoria para fins de tributação. Tratase da aquisição de créditos para usufruir de um serviço de telefonia, que será prestado pela respectiva Concessionária. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia. No que toca especificamente à escrituração da Recorrente, que emitiu notas fiscais de venda de mercadorias, ou notas fiscais de manifesto, em que constam, no descritivo, cartões telefônicos, da mesma forma entendo não estarem presentes os requisitos para a tributação como mercadoria. Isso porque a Recorrente agiu corretamente ao escriturar como receita apenas os valores decorrentes da intermediação na venda dos cartões telefônicos, ainda que as notas fiscais utilizadas reportemse à "venda de mercadorias". ... como já se disse, não se trata de venda de mercadorias, como também não se trata propriamente da prestação de um serviço. Na verdade, tratase da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples. ..." 7. A recorrente afirmou que o acórdão diverge da jurisprudência administrativa e trouxe como primeiro paradigma o Acórdão nº 180500.057, de 27/05/2009, oriundo da 5a Turma Especial da 1a Seção do CARF, assim ementado, na parte pertinente: "LUCRO PRESUMIDO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. Integra a receita tributável, para fins de apuração do IRPJ, a totalidade dos valores percebidos nas operações de revenda de cartões telefônicos aos consumidores finais. A contribuinte não firmou contrato de prestação de serviços com a empresa concessionária de telefonia, mas sim contrato de credenciamento para que pudesse comprar os cartões telefônicos e, depois, revendêlos. O campo de incidência do tributo federal é mais amplo que o do ICMS, abarcando operações com uma série de bens e direitos que Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 não são tributados pelo imposto estadual. Embora o cartão telefônico não tenha a característica de uma mercadoria, como as que são normalmente tributadas pelo ICMS, ele representa um direito à utilização de um serviço, direito que é efetivamente comercializado pela recorrente." 8. Transcrevese parte do voto condutor do primeiro acórdão paradigma: "A grande questão a ser solucionada diz respeito à natureza da atividade desenvolvida pela recorrente, quanto aos cartões telefônicos. Cabe decidir se as operações configuram "a distribuição e a representação, por conta de terceiros, de cartões telefônicos", como sustenta a contribuinte autuada, ou se essas mesmas operações caracterizam venda de cartões, como entendeu a fiscalização. ... as normas relativas ao ICMS, assim como as determinações da ANATEL, não podem derrogar as normas federais que disciplinam a tributação pelo IRPJ e pela CSLL. ... Não há dúvidas de que os cartões telefônicos estão sendo, primeiramente, objeto de uma operação de compra e venda realizada entre a concessionária e a recorrente, e, depois, de uma revenda por parte desta última. Todas as restrições relativas a preço final de venda, exclusividade, área geográfica de atuação, forma de comercialização, etc, são decorrentes da legislação ou do próprio contrato de credenciamento, e não modificam a natureza das operações em pauta. Vêse que não há, dentre as "OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE", qualquer previsão de pagamento relacionado a serviços prestados pela recorrente. Aliás, ocorre justamente o contrário, e este seria, então, um contrato em que o prestador é que está obrigado a pagar ao tomador dos serviços, o que não é aceitável Além disso, a compra dos cartões telefônicos pela recorrente, operação que exaustivamente é mencionada nos contratos de credenciamento, afigurase como uma operação definitiva, não havendo qualquer previsão contratual que possa se assemelhar às obrigações alternativas (por parte da recorrente), ou às chamadas operações de consignação por comissão. Tampouco existe a previsão de se restituir à CONTRATANTE os cartões que, embora sem defeito, não tenham sido comercializados pela recorrente. ... É certo que, quanto aos cartões telefônicos, a recorrente não contratou qualquer prestação de serviço com as empresas concessionárias de telefonia. Ela realizou sim um contrato de credenciamento para que pudesse comprar estes cartões e, depois, revendêlos aos chamados consumidores finais, não havendo como deixar de reconhecer os valores dessas vendas no varejo como receita de sua atividade, para fins de incidência dos tributos federais. Quanto à alegada contradição com a legislação estadual, é importante ressaltar que o tratamento dado por um ente tributante não tem o condão de modificar a natureza das operações em tela, de modo a repercutir em outro ente, no caso a União. Além disso, e principalmente, cabe lembrar que o campo de incidência dos tributos federais é mais amplo que o do ICMS, abarcando operações com uma série de bens e direitos que não são tributados pelo imposto estadual. De fato, o cartão telefônico não tem a característica de uma mercadoria, como as que são normalmente tributadas pelo ICMS. Mas ele representa um direito à utilização de um serviço, direito esse que é efetivamente comercializado pela recorrente. ..." 9. Outro acórdão paradigma indicado foi o Acórdão nº 20181.083, de 10/04/2008, oriundo da 1a Câmara do Extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que apresenta a seguinte ementa, na parte que interessa ao caso concreto: Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 9101001.957 CSRFT1 Fl. 1.310 5 "PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas." 10. A Fazenda Nacional pugna pelo cabimento do Recurso Especial da seguinte forma (fl.1285): Há clara divergência jurisprudencial, eis que se trata da mesma situação, qual seja, comercialização de cartões telefônicos e, enquanto a e. Turma a quo decidiu que a tributação não deve incidir sobre a totalidade dos valores da operação de compra e venda de cartões telefônicos, sob o entendimento de que não se trata de venda de mercadorias, mas mera intermediação de venda de créditos telefônicos, os acórdãos apontados como paradigmas, de modo contrário, entenderam que a tributação deve incidir sobre a totalidade dos valores da venda da mercadoria (cartões telefônicos)." (grifos no original) 11. Em síntese, a Recorrente apresenta os seguintes fundamentos para a reforma do acórdão recorrido: a) a decisão ignorou a existência do contrato de venda de produtos, às fls. 210/215, que é expresso em indicar a comercialização de produtos no seu objeto social; b) os cartões telefônicos, primeiramente, são objeto de uma operação de compra e venda e, depois, de uma revenda por parte da recorrida; c) as notas fiscais e a escrituração (fls. 40/130) efetuada pela impugnante estão em perfeita consonância com os contratos; d) não há, dentre as obrigações da TELEMIG CELULAR, qualquer previsão de pagamento relacionado a serviços prestados pela recorrente; e) ocorre o contrário do item "d", e seria, então, um contrato em que o prestador é que está obrigado a pagar ao tomador dos serviços, o que não é aceitável; f) não é possível acatar a mera alegação de pagamento de comissão, destituída de prova, já que sequer foi apresentado comprovante do suposto depósito da impugnante em nome das contratantes; g) as determinações da ANATEL, assim como as normas relativas ao ICMS, não podem derrogar as normas federais que disciplinam os tributos federais. 12. Quando do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial (fls.1296 a 1299), o Presidente da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso, subscrevendo que: "Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. A divergência é patente: no acórdão recorrido entendeuse que a distribuição ao consumidor final dos cartões prépagos para acesso a telefonia celular configura uma etapa da prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia, cuja tributação deverá incidir somente sobre o valor total da comissão auferida pelo distribuidor dos cartões. Por seu turno, nos paradigmas, a decisão foi no sentido de considerar a distribuição dos cartões prépagos como uma operação de compra e venda de mercadorias, o que torna pertinente a incidência da tributação sobre a integralidade do faturamento decorrente da venda dos cartões. " (Grifos no original) Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 13. Conforme Despacho de Encaminhamento (fl.1305) da Agência da Receita Federal do Brasil em Formiga (MG), o Contribuinte deixou de apresentar Contrarrazões no prazo regulamentar. 14. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. A divergência jurisprudencial restou perfeitamente configurada, e foram atendidos todos os demais requisitos que oportunizam o recurso. Dele conheço. 3. A matéria trazida à nossa apreciação diz respeito à natureza jurídica da comercialização de cartões telefônicos, se se trata de compra e venda ou de intermediação (remunerada por meio de comissão, agência ou distribuição). 4. Entendo que assiste razão a recorrente, pelos motivos que passo a expor. 5. A comissão é um instituto jurídico com características próprias e, para ser aplicado, deve atender aos seus requisitos de configuração. Vejamos os arts. 693 a 709 do Código Civil de 2002 (CC02): “Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. Art. 694. O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, sem que estas tenham ação contra o comitente, nem este contra elas, salvo se o comissário ceder seus direitos a qualquer das partes. Art. 695. O comissário é obrigado a agir de conformidade com as ordens e instruções do comitente, devendo, na falta destas, não podendo pedilas a tempo, proceder segundo os usos em casos semelhantes. Parágrafo único. Terseão por justificados os atos do comissário, se deles houver resultado vantagem para o comitente, e ainda no caso em que, não admitindo demora a realização do negócio, o comissário agiu de acordo com os usos. Art. 696. No desempenho das suas incumbências o comissário é obrigado a agir com cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negócio. Parágrafo único. Responderá o comissário, salvo motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, ocasionar ao comitente. Art. 697. O comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa e no do artigo seguinte. Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere, responderá o comissário solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido. ... Art. 701. Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os usos correntes no lugar. Art. 702. No caso de morte do comissário, ou, quando, por motivo de força maior, não puder concluir o negócio, será devida pelo comitente uma remuneração proporcional aos trabalhos realizados. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 9101001.957 CSRFT1 Fl. 1.311 7 Art. 703. Ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o direito de exigir daquele os prejuízos sofridos. Art. 704. Salvo disposição em contrário, pode o comitente, a qualquer tempo, alterar as instruções dadas ao comissário, entendendose por elas regidos também os negócios pendentes. Art. 705. Se o comissário for despedido sem justa causa, terá direito a ser remunerado pelos trabalhos prestados, bem como a ser ressarcido pelas perdas e danos resultantes de sua dispensa. Art. 706. O comitente e o comissário são obrigados a pagar juros um ao outro; o primeiro pelo que o comissário houver adiantado para cumprimento de suas ordens; e o segundo pela mora na entrega dos fundos que pertencerem ao comitente. Art. 707. O crédito do comissário, relativo a comissões e despesas feitas, goza de privilégio geral, no caso de falência ou insolvência do comitente. Art. 708. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das comissões devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores em seu poder em virtude da comissão. Art. 709. São aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre mandato.” 6. A meu ver, várias das relações jurídicas decorrentes do contrato de comissão são inaplicáveis à comercialização de cartões telefônicos. Não obstante, poderseia estar tratando de intermediação, não por comissão, mas por meio de agência ou de distribuição. Entretanto, também nesse caso, a aplicação desses institutos jurídicos também deveria estar de acordo com o delineamento dado pelos arts. 710 a 721 do CC02, a seguir transcritos: “Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Art. 711. Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, na mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o encargo de nela tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de outros proponentes. Art. 712. O agente, no desempenho que lhe foi cometido, deve agir com toda diligência, atendose às instruções recebidas do proponente. Art. 713. Salvo estipulação diversa, todas as despesas com a agência ou distribuição correm a cargo do agente ou distribuidor. Art. 714. Salvo ajuste, o agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência. Art. 715. O agente ou distribuidor tem direito à indenização se o proponente, sem justa causa, cessar o atendimento das propostas ou reduzilo tanto que se torna antieconômica a continuação do contrato. Art. 716. A remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar de ser realizado por fato imputável ao proponente. Art. 717. Ainda que dispensado por justa causa, terá o agente direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao proponente, sem embargo de haver este perdas e danos pelos prejuízos sofridos. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art. 718. Se a dispensa se der sem culpa do agente, terá ele direito à remuneração até então devida, inclusive sobre os negócios pendentes, além das indenizações previstas em lei especial. Art. 719. Se o agente não puder continuar o trabalho por motivo de força maior, terá direito à remuneração correspondente aos serviços realizados, cabendo esse direito aos herdeiros no caso de morte. Art. 720. Se o contrato for por tempo indeterminado, qualquer das partes poderá resolvêlo, mediante aviso prévio de noventa dias, desde que transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente. Parágrafo único. No caso de divergência entre as partes, o juiz decidirá da razoabilidade do prazo e do valor devido. Art. 721. Aplicamse ao contrato de agência e distribuição, no que couber, as regras concernentes ao mandato e à comissão e as constantes de lei especial.” 7. Também nessas hipóteses de agência ou de distribuição, as características específicas desses institutos jurídicos não são atendidas pela comercialização de cartões telefônicos, inclusive o art. 721 do Código Civil diz serem subsidiárias à agência e à distribuição as regras concernentes a comissão. 8. Ademais, estou seguro de que a intermediação (seja por comissão, por agência ou por distribuição) não se presume, deve estar bem estabelecida. Somente a lei poderia criar a figura da comissão, agência ou distribuição presumidas. 9. Na comercialização de cartões telefônicos, a interessada os adquire, tornandoos seus, e os revende por conta própria. Em havendo transferência do domínio e a correspondente contraprestação pecuniária; então, entre a recorrida e a concessionária, existe típico contrato de compra e venda dos cartões telefônicos, o mesmo acontecendo entre a recorrida e seus clientes, estando atendido o enquadramento exigido pelo Código Civil para contrato de compra e venda. Seguem alguns artigos que tratam da matéria: "Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. (...) Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Art. 488. Convencionada a venda sem fixação de preço ou de critérios para a sua determinação, se não houver tabelamento oficial, entendese que as partes se sujeitaram ao preço corrente nas vendas habituais do vendedor. Parágrafo único. Na falta de acordo, por ter havido diversidade de preço, prevalecerá o termo médio. (...) Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. (...) Art. 502. O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição." 10. A legislação tributária, em especial a do Simples Federal (Lei nº 9.317, de 05/12/1996, art. 2º), não prevê que a receita bruta decorrente da comercialização de cartões telefônicos esteja sujeita a dedução de valores específicos (o que representaria uma base de Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 9101001.957 CSRFT1 Fl. 1.312 9 cálculo diferenciada), tampouco há, na apuração da base de cálculo, a exclusão do custo dos bens adquiridos para revenda (o que se aproximaria de uma sistemática nãocumulativa). 11. Assim, há que se concluir da mesma forma que o Acórdão nº 140200.949, de 10/04/2012: 11.1. EMENTA (Excertos): "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ... ATIVIDADE DA EMPRESA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. A base de cálculo para fins de apuração dos tributos pelo SIMPLES é a receita bruta auferida nas operações de venda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na norma." 11.2 Trecho do voto condutor, Conselheiro Antônio José Praga de Souza: "Portanto, é de se concluir que, na sistemática do Simples, a atividade exercida a revenda de cartões telefônicos deve considerar como receita a totalidade dos valores recebidos de seus clientes. Por fim, frisese que tanto a adesão ao Simples, quanto a adoção do Lucro Presumido são prerrogativas do contribuinte que poderia ter adotado a tributação pelo Lucro Real que é a sistemática primária para qualquer empresa apurar o lucro tributável no IRPJ e CSLL. Ao optar pelo Simples, a contribuinte está sujeita a regra geral, qual seja aplicar o percentual de presunção do lucro sobre o valor das receitas operacionais e apurar a base de cálculo tributável." 12. A resolução ANATEL nº 426, de 09/12/2006, utilizada como principal argumento do voto condutor do acórdão recorrido, apenas traz a expressão “mediante a aquisição de créditos”, que foi tomada como suficiente para se entender de que se estaria tratando de intermediação. Não obstante, a palavra aquisição, nesse contexto, também pode ser entendida como compra (duas compras: que estarão presentes na revenda), o que leva a conclusão que essa legislação infralegal, por si só, não é capaz de conduzir à conclusão do a. recorrido. 12.1. Ainda nesse ponto, houve uma equiparação que, a meu ver, parece indevida, é certo que, na telefonia fixa, há contrato entre o cliente e a operadora de serviço, mas esse contrato de prestação de serviço não envolve aquisição de crédito vinculado ao seu terminal. E daí concluir que, na telefonia móvel, por existir a modalidade de aquisição de crédito vinculado ao terminal, necessariamente exista um contrato dessa natureza, não me parece nem um pouco deduzível. 13. Adoto, mutatis mutandis, por bem fundamentado, o voto do Conselheiro André Almeida Blanco, constante do Acórdão nº 1201000.865, de 11/09/2013. " Sustenta a Recorrente que é indevida a exigência do IRPJ sobre a totalidade da receita por ela auferida na venda dos Cartões Telefônicos, uma vez que o valor pago pelo consumidor final remuneraria a prestação de serviço de telecomunicação por terceiro. Por tal motivo, referido valor não integraria a sua receita para determinação do lucro presumido, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não sendo, ainda, receita tributável na apuração do PIS/COFINS. Sustentou que antecipa à concessionária do serviço de telecomunicação o valor de face dos cartões e assemelhados, com desconto cujo valor consiste na sua remuneração, apenas porque a concessionária tem a obrigação legal de antecipar o recolhimento do ICMS quando da mera emissão e entrega aos distribuidores dos cartões indutivos, ficha e assemelhados. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Contudo, não há dúvidas de que os cartões telefônicos estão sendo objeto de uma operação de compra e venda realizada entre a concessionária e a Recorrente, e, depois, de uma revenda por parte desta. ... ... Ou seja, a Credenciada/Recorrente realiza a compra e as Contratantes a venda dos referidos Cartões Telefônicos. Posteriormente, esses Cartões são novamente vendidos aos usuários do serviço de telefonia. Equivocado também o argumento da Recorrente de que o valor de face dos cartões configurariam "receita da prestação do serviço de telecomunicação. Isso porque a receita pelo serviço de telecomunicação já fora auferida antecipadamente, quando da aquisição dos referidos Cartões, os quais dão direito ao uso do serviço. De toda forma, mesmo que o serviço não venha ser prestado pela empresa de telecomunicação, essa já auferiu sua receita quando da venda dos cartões para a Recorrente. Dessa maneira, a aquisição ou não dos Cartões pelo usuário em nada afetará na receita dos serviços de telecomunicação, motivo pelo qual não se sustenta referido fundamento. Frisese, também, que efetivamente não se está tratando de uma operação de compra e venda de uma mercadoria, vez que o Cartão Telefônico representa um direito à utilização do serviço de telecomunicação. Com isso, o que se está transacionando é um direito, qual seja, o direito à utilização do serviço telefônico. Também sem fundamento o argumento de que se trataria de receita de terceiro. Isso porque a Recorrente adquiriu previamente referidos Cartões, sendo que a receita da empresa de telefonia já fora recebida. Os valores da aquisição não irão ser posteriormente repassados àquelas, configurandose, assim, receita própria. Por outro lado, inegável tratarse de um custo da operação da Recorrente, o qual poderia ser utilizado para o cálculo do lucro real. Contudo, tendo em vista a opção da Recorrente pelo lucro presumido, na há que se falar em dedução. A Receita Federal do Brasil, em resposta a Soluções de Consulta sobre o tema, já respondeu: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: RECEITA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. ENQUADRAMENTO. Na revenda de cartões telefônicos, constitui receita da revendedora a totalidade dos valores recebidos de seus clientes, e, por conseguinte, tal receita entra no cômputo do imposto de renda. (SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 361 de 05 de Abril de 2004) ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS INDUTIVOS Integra a receita tributável para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a totalidade dos valores percebidos pelas pessoas jurídicas nas operações de venda de cartões telefônicos indutivos aos consumidores finais. (DECISÃO N° 702 de 28 de Dezembro de 2000) EMENTA: RECEITA. CONCEITO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. ENQUADRAMENTO. Na revenda de cartões telefônicos, constitui receita da revendedora a totalidade dos valores recebidos de seus clientes, e, por conseguinte, tal receita sofre a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento PIS e COFINS , bem como entra no cômputo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Irrelevante, para efeitos da caracterização como receita, o fato de o preço final ao consumidor ser preestabelecido pela concessionária de telefonia ou de a margem de lucro da revendedora ser apenas um percentual sobre o preço final. (DECISÃO N° 353 de 09 de Fevereiro de 2000). ... 1 Oriunda da Divisão de Tributação (Disit) da SRRF 2a Região Fiscal 2 Oriunda da Divisão de Tributação (Disit) da SRRF 4a Região Fiscal 3 Oriunda da Divisão de Tributação (Disit) da SRRF 7a Região Fiscal Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 9101001.957 CSRFT1 Fl. 1.313 11 Dessa maneira, entendo que a operação realizada corresponde a uma compra e venda de um direito de utilização do serviço de telefonia, configurando o valor que a Recorrente pretende ver excluído de tributação como um custo de sua operação." 14. A partir deste estudo e sem adentrar na diferenciação entre mercadoria e bem, firmei convicção de que o cartão telefônico é um bem que veicula um direito à utilização de um serviço de telecomunicação. 15. Considerei válidas (embora com reservas) algumas conclusões do voto do Conselheiro Rafael Correia Fuso no Acórdão nº 1201000.892, de 09/10/2013. " Quanto ao mérito, especificamente quanto à base de cálculo a ser tributada pelas empresas de cartões telefônicos, que interfere tanto na exclusão do contribuinte do Simples Federal e Nacional, quanto na tributação dos anos calendários de 2006 (pelo regime do Simples) e de 2007 (pelo regime do Lucro Real), cumpre investigar aqui alguns requisitos para se checar à conclusão da tributação: (i) se apenas sobre o valor da comissão retida pela empresa distribuidora, com o repasse de valores relativos ao "air time" às empresas de telefonia ou sobre o valor total recebido dos clientes. Para se configurar uma logística ou uma distribuidora, ..., tal modalidade deve estar insculpida em contratos, contabilizada dessa forma, tratada de forma específica em documentos, .... Não existindo essa linguagem nos autos de forma clara em documentos probatórios, a atividade passa a ser considerada como de venda de air time, ou seja, venda de uma mercadoria. Nesse aspecto, a tributação seria sobre o todo (valores recebidos dos consumidores dos serviços de air time). ..." 16. Logo, não é possivel concluir de forma diversa do Acórdão nº 1101000.990, de 10/10/2013, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: "VENDAS DE CARTÕES TELEFÔNICOS. ALEGAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO. Ausente prova da relação contratual mantida com seu fornecedor no período fiscalizado, os valores indicados em notas fiscais de venda caracterizamse como receita bruta para fins de incidência dos tributos sobre o lucro e sobre o faturamento." 17. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, para que seja reformado o acórdão recorrido, restaurandose o teor da decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000752/2007-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/08/2007
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/08/2007 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 07 52 /2 00 7- 51 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 663 2 Relatório Tratamse de autos de infração referentes à multa específica pelo erro na classificação fiscal do equipamento descrito a seguir e às diferenças de tributos incidentes na importação (IPI, COFINS e PIS) decorrentes desse erro. Conforme consta no campo descrição dos fatos e enquadramento legal dos autos de infração o motivo do lançamento é o seguinte: O contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo n.º 22, de 20/08/2004, e levandose em conta também o Acórdão da 1ª Turma da DRJ n.º 6607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando o erro na classificação fiscal, cobrase multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o artigo 84 da MP 245835/2001. A essa multa não se aplica a redução prevista no artigo 6° da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, conforme previsto no artigo 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Em sua impugnação a Recorrente aponta que o auto é nulo porque não contém a devida descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência, contrariando assim o disposto nos incisos III e IV, respectivamente, do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972. No tocante ao mérito, a impugnante aduz que o equipamento importado é utilizado exclusivamente integrado a um sistema denominado OmniSAT, tendo como função propiciar o envio e recebimento de mensagens de texto entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veículos e considerando as regras do sistema harmonizado a classificação adotada está correta, ou seja, a impugnante informa que seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial as Notas 3, 4 e 5, que dispõem sobre a classificação fiscal de combinação de máquinas e define o que deve ser considerado como tal. Conclui que, diante dessas regras e tendo em vista as características técnicas e a destinação funcional da máquina importada, está correta a classificação fiscal utilizada: 8525.20.13. Para reforçar seu entendimento, a impugnante apresenta a definição dada pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL aos serviços vinculados ao MCT, bem como as exigências feitas por esse órgão no tocante à homologação e ao funcionamento desse equipamento, inclusive o recolhimento da Taxa de Fiscalização de Instalação – TFI e da Taxa de Fiscalização de Funcionamento – TFF. Sustenta que essas circunstâncias são suficientes para afastar qualquer dúvida acerca da inaplicabilidade de norma legal direcionada à atividade de radionavegação, que não é mencionada em seu Estatuto Social, nem nos atos que autorizaram a prestação dos referidos serviços. Para comprovar suas afirmações a impugnante juntou laudo técnico emitido pela Universidade de Brasília (UnB), que traz informações que confirmam o enquadramento tarifário adotado pelo importador. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 664 3 Apresentada a impugnação a DRJ converteu o julgamento em diligência para os fins de ser averiguada uma possível concomitância e para complementar as informações existentes, com base nas seguintes determinações: a) providenciar cópia da petição inicial e das decisões já proferidas, relativas aos processos judiciais supra indicados – MS nº 2004.34.00.0066088 e AO nº 005392661.2010.4.01.3400 (caso a Unidade não disponha desses documentos, verificar a possibilidade de obtêlos junto à PFN); b) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao consequente julgamento da presente lide; e c) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. A autoridade preparadora adotou as providências solicitadas e elaborou Informação Fiscal com cerca de 70 páginas na qual reitera os argumentos já apresentados pela fiscalização e traz ainda alguns esclarecimentos adicionais, especialmente sobre a definição da função principal desempenhada pelo MCT e sobre as regras de classificação fiscal aplicáveis ao caso. A impugnante tomou ciência da diligência e de seu resultado e apresentou sua manifestação sobre esses procedimentos apontando que as ações relacionadas não se referem à classificação, mas apenas o direito ao desembaraço do equipamento importado sem óbices das autoridades aduaneira; que os novos elementos trazidos pela fiscalização não devem ser levados em consideração, por sua juntada tardia, contrariando assim ao disposto no art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 e art. 57, § 4o, do Decreto no 7.574/2011. Embora tais dispositivos sejam dirigidos à impugnação, seu conteúdo se aplica com maior razão à fiscalização, tendo em vista o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN); que a matéria ora discutida foi objeto de análise por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), antigo Conselho de Contribuintes, e pela Câmera Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Ambos decidiram em favor da impugnante. Posteriormente, em face de quatro novas autuações, o CARF deu provimento, novamente à unanimidade e no mérito, aos recursos voluntários no 143.883;; 143.902;; 143.903 e 143.905 (processos no 10111.000538/200452;; 10111.000427/200446;; 10111.000462/200465 e 10111.000547/ 200447, respectivamente). Portanto, uma vez que o tema já foi apreciado pela instância máxima do contencioso administrativo, esperase a aplicação de referidos precedentes à hipótese dos presentes autos, de forma a respeitar a segurança jurídica; e, que a Solução de Consulta SRRF/9ª RF nº 361, de 2006, trata de equipamento distinto do MCT, motivo pelo qual não se presta para justificar a manutenção da autuação. A DRJ manteve o auto com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2005 INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos Fl. 664DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 665 4 pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/09/2005 TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das MP nº 2.2002 de 24/08/2001 diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresentou a Recorrente a presente manifestação de inconformidade com base nos mesmos argumentos anteriormente apontados. Após a indicação do presente processo para a pauta a recorrente informou a existência de concomitância com a Ação Ordinária n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília para discutir o mérito dessa e das demais autuações, havendo inclusive obtido liminar favorável determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. É o que importa relatar. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 666 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme informação trazida pela própria Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação Judicial n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília. Naquele processo foi deferida tutela antecipada que tem o seguinte teor, conforme consta do site1 do tribunal: Tratase de pedido de antecipação de tutela em ação sob o rito ordinário, ajuizada por AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S.A., em face da UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando que a ré se abstenha de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação MCT, importado pela Autora, ao fundamento de que a classificação fiscal correta seria a de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul – MCT, bem como seja determinado que a Ré se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança. Como pedido sucessivo, requer seja obstado a prática de quaisquer atos de cobrança, ao menos relativamente às penalidades, notadamente a multa do IPI supostamente recolhidos a menor. Relata que o NCT é um equipamento que permite a comunicação entre os ocupantes do veículo e a central de gestão da frota, normalmente a sede da empresa proprietária dos veículos. Narra que sempre classificou, em suas importações, o equipamento na posição relativa à comunicação, mas vem sendo autuada pela exigência da adoção da classificação fiscal do equipamento na posição de radionavegação, com a respectiva cobrança da diferença dos produtos devidos daí decorrentes, bem como das penalidades aplicadas. Juntamente com a inicial vieram os documentos de fls. 57/2.090. É o relatório. Decido. 1 file:///C:/Documents%20and%20Settings/hp/Meus%20documentos/Downloads/55896167f38310b927333f5c2a6e 6b52.pdf Fl. 666DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 667 6 O deferimento da tutela antecipada requer prova inequívoca, a ponto de convencer o juiz da verossimilhança das alegações, risco de dano irreparável, ou de difícil reparação, caso não concedida no início do processo, nos termos do art. 273 do CPC. De início, constato que o pedido relativo à abstenção de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação – MCT, já foi apreciado no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária (fls.701/762), conforme reconhecido pela própria Autora, à fl. 51. Assim, houve confirmação em sentença da tutela antecipada deferida em sede de agravo de instrumento, sendo que os autos foram remetidos ao TRF 1ª Região, para análise do recurso da União (Fazenda Nacional), conforme movimentação processual. Em relação ao pedido de abstenção relativa aos atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos débitos passados e futuros, verifico ser imprescindível a análise do acervo probatório colacionado pela Autora acerca da classificação fiscal do MCT, se trata de equipamento de comunicação ou de radionavegação. Nesse aspecto, a Autora demonstra que o referido equipamento já foi classificado como de comunicação pelo Conselho de Contribuintes, em acórdãos confirmados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendo que a classificação adotada pelo Fisco é incorreta (fls. 93/254). No mesmo sentido vão os Laudos Periciais da Universidade de Brasília e do Instituto Nacional de Tecnologia – INT (fls. 256/284 e 286/313), bem como as Soluções de Consulta da Receita Federal juntadas às fls. 315 e 317 e mesmo o Manual do Usuário juntado à fl.87. Vislumbro, portanto, a verossimilhança das alegações da parte Autora. Comprovado também o presente o perigo da demora, tendo em vista os prejuízos e constrangimentos decorrentes dos débitos decorrentes da classificação fiscal. Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para suspender a exigibilidade do crédito tributário decorrentes da não adoção pela Autora da classificação fiscal do MCT na posição de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00 da NCM e determinar à Ré que se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos respectivos débitos. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 668 7 Para tanto, deverá haver substituição da referida posição pela 8525.20.13, referente à Resolução Camex nº 42/01; e 8517.62.71, referente às Resoluções Camex nº 43/06 e 94/11. Prejudicada análise, nesse momento processual, do pedido de abster a suspensão do despacho, do desembaraço aduaneiro ou a liberação do equipamento, pois já foram concedidas no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária. Intimese, nos termos do requerido no item a.4, à fl. 53 Após, citese. Brasília (DF), 31 de julho de 2014. CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH Juíza Federal em auxílio à 16ª Vara da SJDF Evidente que tal demanda tem o mesmo objeto do presente processo. Nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), que tem o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 668DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000752/200751 Acórdão n.º 3801004.300 S3TE01 Fl. 669 8 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000663/2002-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 06 63 /2 00 2- 32 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 23/09/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 138.794, prolatandose o Acórdão nº 39200.004, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR EXERCÍCIO: 1998 SUJEITO PASSIVO DO ITR. Posse dos posseiros sem terra, impossibilidade de usar, gozar, dispor ou reaver o imóvel, propriedade descaracterizada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O processo foi encaminhado à PFN – Procuradoria da Fazenda Nacional em 20/01/2009, conforme RM – Relação de Movimentação de fls. 98. A ciência pessoal ocorreu em data não legível (Termo de Intimação de fls. 97). O processo foi devolvido ao CARF em 19/02/2009, de acordo com a RM – Relação de Movimentação de fls. 99. Ao Recurso Especial, datado de 19/02/2009 (fls. 100 a 109), foi dado seguimento, conforme o despacho nº 220000.516, de 24/08/2011 (fls. 110 a 114). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que enquanto não cancelado o registro do imóvel, o seu proprietário, titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título é o sujeito passivo do respectivo ITR, portanto o acórdão recorrido tem de ser revisto. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em data ilegível (fls. 07/11/2013 (Termo de Ciência Eletrônica de fls. 429), o Contribuinte ofereceu, em 04/01/2012, as Contrarrazões de fls. 120 a 207, inserida no e processo com a denominação incorreta de “Impugnação”. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta, em síntese: preliminarmente, a sua intimação foi intempestiva, já que promovida em 23/12/2011, quando a decisão ocorreu em 23/03/2008; ademais, ao Recurso Especial deixouse de juntar as fls. 7 (106 do processo), o que prejudicou a defesa; no mérito, o caso em tela não pode ser tratado por divergência jurisprudencial, já que, conforme informação do INCRA, bem como de acordo com o processo nº 2007.61.11.0049015, que tramitou na 2ª Vara Federal de Marília/SP, o Contribuinte não detém a posse do imóvel desde 1990; além disso, apresenta a declaração de um dos líderes da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10215.000663/200232 Acórdão n.º 9202003.347 CSRFT2 Fl. 5 3 legalização da posse das terras devolutas que hoje compõem o Parque Nacional de Jamanxim/PA. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Preliminarmente, releva notar que a digitalização das peças do processo provocou a desconfiguração de alguns caracteres, o que tornou impossível a verificação da tempestividade, tanto do Recurso Especial como das Contrarrazões, já que a data de ciência das respectivas intimações encontrase ilegível. Destarte, em um primeiro momento a decisão mais acertada seria a de demandar o saneamento dos autos. Entretanto, no presente caso, algumas considerações devem ser sopesadas, a bem da lógica e celeridade processual: tratase de exigência de ITR do exercício de 1998 e a autuação restringese à glosa da APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental (fls. 13 em diante); no acórdão recorrido aceitouse a alegação de ilegitimidade passiva, tendo em vista o conjunto probatório constante dos autos, principalmente a Declaração do Instituto Nacional de Colonização Agrária – INCRA, de 26/04/2006 (fl. 66), no sentido de que “ ... a posse, por se tratar de terras da União, foi invadida por terceiros a partir de 1990 e que estão sendo regularizadas pelo INCRA, em nome de DELSI DAL PAI Processo Administrativo INCRA n° 566/99 e FAVORINO DAL PAI Processo Administrativo n° 565/99, declaração do IBAMA”; a questão da posse do imóvel rural em tela foi discutida no Processo Judicial nº 2007.61.11.0049015, que tramitou na 2ª Vara Federal de Marília/SP; em seu apelo, a Fazenda Nacional limitouse a colacionar as ementas dos paradigmas, sem demonstrar que a situação neles retratada conteria os mesmos elementos probatórios do acórdão recorrido. Assim, ainda que se considerasse tempestivos o Recurso Especial e as Contrarrazões, e que os paradigmas retratariam a mesma situação fática do recorrido – o que se admite apenas para argumentar – a decisão judicial colacionada demandaria o provimento do apelo da Fazenda Nacional, declarandose a definitividade da legitimidade passiva do Contribuinte, aplicandose a Súmula CARF nº 1, de 2006: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ocorre que, considerandose o Contribuinte como o legítimo sujeito passivo da obrigação tributária, o processo teria de retornar à Turma recorrida, para julgamento do mérito, que diz respeito unicamente à glosa de APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental. E nesse passo, tratandose de ITR do exercício de 1998, teria de ser aplicada a Súmula CARF nº 41: “Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Diante do exposto, constatase que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não tem utilidade (interesse de agir), qualquer que seja o posicionamento adotado pela Instância Especial, razão pela qual dele não conheço. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720001/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Mantém-se o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual.
RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IRRF. SÚMULA CARF Nº 12.
A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertá-los a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
É devida a aplicação de multa de ofício, uma vez constatada a omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IRRF. SÚMULA CARF Nº 12. A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertálos a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. É devida a aplicação de multa de ofício, uma vez constatada a omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 01 /2 00 8- 18 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 53 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em auto de infração relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2003, anocalendário 2002 (fls.8 a 12), formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$9.203,15, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até outubro de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$22.564,28. O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação judicial, no valor de R$33.466,00, considerados de natureza remuneratória pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região e, portanto, tributáveis. O contribuinte argumenta em síntese que a própria legislação federal impõe o pagamento do imposto de renda à fonte pagadora, ainda que o tributo não tenha sido retido, como se pode extrair do art. 45, parágrafo único, do CTN, do art. 718 do Regulamento do Imposto de Renda e do art. 103 do Decretolei nº 5.844, de 1943. Refere originalmente falha no procedimento da União, quando não lhe fora informado em folha suplementar, por exemplo, que não teria havido qualquer retenção de imposto sobre os valores efetivamente pagos. Ao mencionar o Parecer Normativo nº 1, de 2002 como respaldo à exigência tributária, ressalta que normas infra legais não poderiam impor deveres além do que a lei expressamente tenha disposto. Finaliza requerendo a improcedência da ação fiscal (fls.2 a 7). É o relatório A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/32, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 54 3 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 02/12/2010 (fl. 50), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 36/40, em 29/12/2010. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. DA CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O próprio recorrente reconhece de forma categórica a omissão de rendimentos apontada pela Fiscalização, sendo devido portanto o crédito tributário neste sentido, argüindo contudo que o valor devido à título de Imposto de Renda Retido na Fonte, deveria ter sido recolhido pela fonte pagadora. O fato é que a recorrente argúi a insubsistência do auto de infração, pois em sua ótica, o valor por ele recebido em ação judicial já teria sofrido a tributação devida pela União e o dispensaria de ofertálos a tributação. Menciona ainda, que seria um excludente de responsabilidade que militaria em seu favor, o fato da fonte pagadora não haver retido o IR quanto aos valores efetivamente pagos a si (recorrente), citando para tanto diversos precedentes que entende, socorrem seu pleito. Referidos precedentes, apesar de mencionarem a responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum mencionam a dispensa do contribuinte de ofertálos a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. Apenas no caso de retenção pela fonte pagadora, que seria o procedimento legalmente correto, caberia ao recorrente, o abatimento do valor retido pela fonte pagadora no saldo de seu IR a pagar. Neste sentido Súmula CARF 12. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 55 4 A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertá los a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. Constatada e reconhecida a omissão de rendimentos, o cerne da questão a ser analisada, é o cabimento da multa aplicada pela fiscalização pela referida omissão. Neste tocante, constatada a omissão, devida é a multa por força de disposição legal (art. 44, inciso I, Lei 9430/96 e alterações). Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000083/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA
Correta a tributação da omissão de receita apurada por meio dos Conhecimentos de Transportes e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas e as receitas informadas na Declaração Simplificada.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1301-001.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA Correta a tributação da omissão de receita apurada por meio dos Conhecimentos de Transportes e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas e as receitas informadas na Declaração Simplificada. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 83 /2 01 0- 03 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 23 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração, relativamente ao anocalendário de 2006, exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do Simples, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 32.252,07 (fl. 283), Contribuição para o PIS no valor de R$ 23.704,27 (fl. 293), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 32.252,07 (fl. 303), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 95.020,69 (fl. 313) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 274.843,64 (fl. 323), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 584.137,44 (fl. 02), em virtude de constatação de diferença de base de calculo dos tributos e contribuições e insuficiência de recolhimento. Conforme Termo de Encerramento (fls. 342/348), a ação fiscal teve inicio no dia 09/11/2009 quando a fiscalizada foi intimada a apresentar, relativamente ao ano calendário de 2006, livros e documentos, tendo ela apresentado o Livro Caixa, Livro Registro de Entradas de Mercadorias, Livro Registro de Saída de Mercadorias, Livro Registro de Apuração de ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência, Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou Serviços e Extratos das contas correntes bancárias movimentadas pela fiscalizada em instituições financeiras. Da análise dos documentos apresentados, conjuntamente com os dados contidos no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRF, a fiscalização constatou que a empresa informou em sua Declaração Simplificada PJ – Simples, relativa ao anocalendário de 2006, uma receita bruta anual de R$ 726.231,84 e, no entanto, de acordo com o Banco de Dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano 2006), sua movimentação financeira teria sido de R$ 5.061.198,88. Foi escriturado no Livro de Registro de Saídas (cópia em anexo, fls. 46 a 89) uma receita bruta anual de R$ 4.375.700,50, cujos valores coincidem com os valores constantes dos conhecimentos de transportes, PROVA MATERIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL. Foi juntada uma amostra dos conhecimentos de transportes às fls. 90 a 155. De posse dos extratos bancários da conta corrente n° 1005606 da agência 1521 do Unibanco e da conta corrente 911990 da agência 0125 do Itaú (fls. 159 a 253), a fiscalização identificou todos os créditos efetuados nestas contas e após excluir os valores decorrentes de empréstimos, transferências de mesma titularidade, estornos e demais créditos não decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela empresa, apurou um montante de depósitos/créditos de R$ 3.959.268,01, cujo montante entendeu ser compatível com a receita bruta apurada e escriturada pela empresa em seu Livro de Registro de Saídas (R$ 4.375.700,50). Estes créditos estão relacionados na planilha 01 em anexo (fls. 330 a 332). Segundo consta, no livro Caixa a fiscalizada não utilizou em sua escrituração o titulo receita para identificação da receita bruta auferida em virtude de suas operações comerciais. Escriturou apenas as saídas e entradas de créditos. As entradas referentes ao ano fiscalizado estão relacionadas na planilha 02 em anexo (fls. 333 a 335) e perfaz um montante Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 de R$ 4.078.258,42 compatível com os créditos efetuados em suas contas correntes (R$ 3.959.268,01). Diante dessas constatações apuradas nos livros caixa e registro de saídas, nos conhecimentos de transportes e ainda nos extratos bancários, a fiscalização conclui que a fiscalizada auferiu em 2006 receita bruta de R$ 4.375.700,50. Assim, a diferença entre este valor e aquele informado na Declaração Simplificada como receita bruta (R$ 726.231,84) foi considerada receita omitida (R$ 3.649.486,66), a qual foi levada à tributação na sistemática do Simples. Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 348/397 alegando, como razões de defesa, o seguinte: 1 – Decadência. Alegou que, nos termos do art. 150, § 4o., do Código Tributário Nacional (CTN), quando da ciência do lançamento já teria ocorrido decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período 01 de janeiro a 28 de fevereiro de 2006. 2 Presunção de omissão de receitas em extratos bancários: Impossibilidade. Alegou que a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, eis que, simplesmente, utilizouse de extratos bancários, sendo que não basta a simples presunção de que houve omissão de receitas, com base em análise perfunctória de extratos bancários, é preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não teria sido feito. Além disso, segundo a impugnante, o lançamento com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência, pois os valores indicados em extrato bancário correspondem sempre, à movimentação do dinheiro, e não à "renda" efetivamente percebida, e exatamente por isso que o E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES já pacificou entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário; Ademais, a fiscalização não apontou quais seriam os créditos que foram excluídos e não apontou o critério que se utilizou para saber quais créditos se referem a atividade comercial da empresa. 3 – Tributação Reflexa – PIS e COFINS Com relação ao PIS e a COFINS alegou que o lançamento é insubsistente, eis que se pautou em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevida a exigência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras (variações cambiais), e que seria inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Além disso, o Sr. Agente Fiscal tomou como base de cálculo o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando o comando do art. 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70. 4 – Multa e juros de mora Contestou a multa aplicada de 75% alegando ter ela caráter confiscatório e alegou que os juros com base na taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 24 5 Por fim, requereu a realização da competente prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP) decidiu a matéria por meio do Acórdão 14 42.130, de 24/05/2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, e não tendo se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Esta regra aplicase também às contribuições sociais em face da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF. OMISSÃO DE RECEITA Correta a tributação da omissão de receita apurada por meio dos “Conhecimentos de Transportes” e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas e as receitas informadas na Declaração Simplificada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. É o relatório. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações iniciais (impugnação) a seguir analisadas. Ressaltese que não foi contestada a decisão com relação à decadência. 1. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS EM EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Neste ponto alega a ora recorrente que “o auto de infração impugnado encontra fundamento, dos valores exigidos, tão somente em mera presunção, eis que, simplesmente, utilizase de extratos bancários”. Colaciona vasta doutrina e jurisprudência como reforço de seus argumentos. Constatase do relatório e voto recorrido que a exigência decorreu das seguintes irregularidades detectadas pela fiscalização (ano calendário de 2006): 1 omissão de receita apurada mediante o confronto entre a receita informada na Declaração Simplificada e a receita apurada pelos conhecimentos de transportes e lançada no Livro de Registro de Saídas; e 2 Insuficiência de recolhimento apurado em decorrência de alteração de alíquota ocasionada pela inclusão da receita omitida. Extraise do voto condutor ora recorrido: A impugnante contestou o lançamento alegando, em síntese, que a fiscalização tomou como base os extratos bancários, sem apresentar provas da suposta omissão, e que a tributação com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência. Conforme se verifica dos autos, a empresa informou em sua Declaração Simplificada PJ – Simples, relativa ao anocalendário de 2006, uma receita bruta anual de R$ 726.231,84 e, no entanto, os valores constantes dos Conhecimentos de Transportes e escriturados no Livro de Registro de Saídas (cópia em anexo, fls. 46 a 89) demonstram uma receita bruta anual de R$ 4.375.700,50. A diferença entre os valores escriturados no Livro de Registro de Saídas e a receita informada Declaração Simplificada é que foi levada à tributação como omissão de receita. Portanto, ao contrário do que foi alegado pela defesa, a tributação não se deu com base na presunção legal de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprova de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim com base em receita auferida e demonstrada por meio dos “Conhecimentos de Transportes” e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas. As argumentações da defesa são totalmente impertinentes, já que o lançamento não se deu com base no extratos bancários. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 25 7 O depósitos bancários em contacorrente, no montante de R$ 3.959.268,01 (já excluídos os valores decorrentes de empréstimos, transferências de mesma titularidade, estornos e demais créditos não decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela empresa) serviram tãosomente para mostrar que há uma compatibilidade com a receita bruta apurada escriturada no Livro de Registro de Saídas (R$ 4.375.700,50) e também com as entradas escrituradas no livro Caixa (R$ 4.078.258,42). Não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova de ter havido erro ou equívoco nos valores constantes nos “Conhecimentos de Transportes” e no Livro de Registro de Saídas, base do lançamento, só resta a conclusão de que de fato houve a omissão de receita nos valores apurados pela fiscalização. De fato, constatase do Termo de Encerramento Fiscal (fls. 340) a seguinte conclusão da fiscalização: DIANTE DAS PROVAS ESCRITURAIS (LIVROS CAIXA E REGISTRO DE SAÍDAS), DA PROVA MATERIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL (CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES) E AINDA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS, A FISCALIZAÇÃO CONCLUI QUE A FISCALIZADA AUFERIU EM 2006 RECEITA BRUTA DE R$ 4.375.700,50. Uma vez que a fiscalizada ei m sua . Declaração Simplificada PJ Simples Ano Calendário 2006 declarou receita bruta de R$ 726.231,84, mas que auferiu receita bruta de R$ 4.375.700,50, a fiscalização apurou omissão de receita no montante de R$ 3.649.486,66 que será tributada na forma da legislação pertinente. [...] o crédito tributário foi apurado de acordo com a sistemática do SIMPLES (arts. .196, 197, 288 do RIR/1999). Evidenciado, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Enfim da análise dos autos se constata que a autoridade lançadora procedeu exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada omissão de receita (diferença entre a Receita informada Declaração Simplificada/Simples e a receita comprovadamente auferida: Livros de Saídas e Conhecimento de Transportes) e, devidamente intimada a autuada não conseguiu elidir a exigência, agiu corretamente a fiscalização tributando a diferença como receita omitida. 2. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. 3. DO AUMENTO DA BASE DE CALCULO DA COFINS E DO PIS. 4. LEI COMPLEMENTAR X LEI ORDINÁRIA. 5. DA INDEVIDA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. Neste tópico, em suma, a recorrente alega que “o lançamento é insubsistente, eis que se pauta em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevida a exigência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras (variações cambiais), razão pela qual a r. decisão de primeiro grau proferida há que ser reformada.” Fl. 525DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Os lançamentos do Programa de Integração Social/PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, considerandose que o lançamento do IRPJ foi mantido, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se manter também as exigências correspondentes de PIS, Cofins e CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Mesmo porque há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. E mais, ressaltese o entendimento consolidado nesta Corte Administrativa acerca da incompetência dos Conselheiros para reconhecer a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante dispõe a súmula CARF n. 2, observese: Súmula CARF n. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 6. DOS JUROS SELIC APLICADOS. 8. DA MULTA CONFISCATÓRIA APLICADA. Insurgese a ora recorrente sobre a incidência da Taxa Selic por entender, em síntese, que lhe falta respaldo jurídico. Aduz, mais, que a multa de ofício aplicada (75%) “ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5o., inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal”. Com relação as argüições de inconstitucionalidade (violação aos princípios do não confisco, da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária), cabe esclarecer que a este órgão colegiado não compete julgar, por exemplo, se o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que estabelece as multas para o lançamento de ofício viola o princípio constitucional do nãoconfisco; ou se a mesma lei contém algum vício devido à adoção, no art. 61, § 3 o , da taxa Selic como juros de mora. A essa instância administrativa cabe, em apertada síntese, verificar a conformidade de atos administrativos ao direito positivo. A competência para declarar inconstitucionalidades é, inclusive, expressamente afastada pelo art. 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 526DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 26 9 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). 75. No Processo Administrativo Fiscal, o julgador não tem competência para negar aplicação a lei ou ato normativo, sob qualquer fundamento, inclusive o de inconstitucionalidade ou ilegalidade, conforme estabelece o art. 7o da Portaria MF n° 58/2006 c/c o art. 116, III, da Lei n° 8.112/1990, in verbis: Portaria MF n° 58/2006, art. 7o: O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Lei 8.112/1990, art. 116: São deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares; Acrescento mais, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora além da previsão em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negarlhe aplicação, a matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.". Assim, da mesma forma que a decisão a quo deixo de conhecer das arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. 9. DA PROVA PERICIAL. Por fim, requer a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores. De se ressaltar que no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Nos expressos termos do citado art. 18 (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/1993) o pedido de realização de perícia/diligência deve ser analisado se é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, verbis: Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. Como se percebe, o dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o Fl. 527DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. Os termos da norma “quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. A perícia, no caso em exame, é absolutamente prescindível e não existe nenhuma justificativa para sua realização, mesmo porque, o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. A título exemplificativo destaco recentes ementas dos seguintes acórdãos com o mesmo entendimento, nesta parte: Acórdão 1101001.015 (Sessão de 04/12/2013) NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. Acórdão nº 1801001.680 (Sessão de 08/10/2013) NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim, com fundamento no artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, mantenho o indeferimento da diligência solicitada. Diante do exposto VOTO por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendose o crédito tributário tal como foi constituído. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 27 11 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002930/98-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
PIS. RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE.
No regime da LC 7/70 a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento sem correção monetária.
MANDADO DE SEGURANÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO.
A autoridade administrativa deve aplicar ao crédito do contribuinte os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte apurar o crédito de PIS levando em conta o critério da semestralidade da base de cálculo e para que o indébito, assim apurado, seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.011522-8. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. No regime da LC 7/70 a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento sem correção monetária. MANDADO DE SEGURANÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO. A autoridade administrativa deve aplicar ao crédito do contribuinte os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte apurar o crédito de PIS levando em conta o critério da semestralidade da base de cálculo e para que o indébito, assim apurado, seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 29 30 /9 8- 91 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS cumulado com compensação, formalizado em 29/05/1998, para o aproveitamento de créditos de PIS originários do mandado de segurança 91.00028312, que declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Conforme despacho da autoridade administrativa, os pagamentos tidos por indevidos foram realizados nos períodos de dezembro de 1989, janeiro a dezembro/1990, janeiro a maio/1991, julho a outubro/1995, conforme demonstrativo da contribuinte de f1.94, mas após ter efetuado os cálculos, considerandose a legislação aplicável na apuração da base de cálculo, excluindose a semestralidade e atualizando os valores a restituir, segundo a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho de 1997, através do Sistema de Cálculos SICALC (fls.118/136), concluiuse pela inexistência do crédito alegado. Por meio do Acórdão 13.821, de 24 de setembro de 2007, a DRJ Salvador considerou a manifestação de inconformidade procedente, pois ocorreu a homologação tácita das compensações. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 24/10/2007, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/11/2007, alegando que houve o descumprimento de ordem judicial transitada em julgado, pois o Judiciário determinou que o recolhimento do PIS se desse com base na LC 7/70, o que não foi observado porque a Receita Federal embasou seu decisum em leis subsequentes, que não se aplicam ao caso concreto. Além disso, o contribuinte informa que impetrou, em 1999, o mandado de segurança 1999.33.00.0115228, no qual obteve o direito à correção monetária devida; expurgos inflacionários; juros compensatórios incidentes sobre valores apurados mensalmente par fins de compensação e juros moratórios. Embora o mandado de segurança não tenha transitado em julgado, solicitou o refazimento dos cálculos e a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Embora a decisão de primeira instância tenha considerado que a compensação foi homologada por decurso de prazo, o contribuinte quer discutir a quantificação de seu crédito, pois não se conforma com a aplicação da legislação superveniente à LC 7/70, que, segundo a autoridade administrativa, alterou os prazos de recolhimento da contribuição. Com isso, o contribuinte contesta implicitamente a não aplicação do critério da semestralidade da base de cálculo do PIS. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.002930/9891 Acórdão n.º 3403003.376 S3C4T3 Fl. 4 3 A questão está pacificada com o advento da Súmula CARF nº 15, in verbis: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Sendo assim, a autoridade administrativa deverá apurar o indébito, ou seja a diferença entre o que foi efetivamente recolhido e aquilo que seria devido pelo contribuinte, observando que os recolhimentos deveriam ter sido efetuados com base no faturamento do sexto mês anterior ao do pagamento, considerando o valor original desse faturamento sem qualquer correção. Em outra linha de argumentação, o contribuinte invoca a sentença proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228, por meio do qual o Judiciário teria lhe assegurado o direito de compensar o PIS com qualquer outro tributo; a correção do indébito pelos expurgos inflacionários; os juros compensatórios e moratórios, tudo conforme sentença juntada com o recurso (fl. 218). Na fl. 209 se pode verificar que o mandado de segurança 1999.33.00.011522 8 está vinculado ao direito reconhecido na Apelação em Mandado de Segurança nº 93.01.05309BA, cujo acórdão encontrase às fls. 11/13. Sendo assim, não há o que julgar quanto a esta matéria, pois se a sentença de fls. 209 a 222 não tiver sido reformada pelas instâncias superiores do Poder Judiciário, só cabe à administração pública cumprila em todos os seus termos, uma vez que no despacho decisório está escrito com todas as letras que a autoridade administrativa aplicou os índices oficiais da Norma de Execução Cosit/Cosar nº 8/1997 (fl. 155). Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada na apuração do indébito a base de cálculo do sexto mês anterior ao do recolhimento, conforme a Súmula CARF nº 15, e para que o indébito seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228. Esclareço que o provimento é parcial porque este acórdão se limitou a reconhecer em tese o direito à semestralidade, ficando a apuração do indébito e o cálculo da compensação a cargo da autoridade administrativa do domicílio do contribuinte. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003487/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Encontra-se apto a figurar no pólo passivo da obrigação tributária o destinatário dos valores recebidos e não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da empresa cedente dos recursos.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PROCURADOR. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Encontra-se apto a figurar no pólo passivo da obrigação tributária o destinatário dos valores recebidos e não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da empresa cedente dos recursos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PROCURADOR. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira.
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INEXISTÊNCIA. Encontrase apto a figurar no pólo passivo da obrigação tributária o destinatário dos valores recebidos e não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da empresa cedente dos recursos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PROCURADOR. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 34 87 /0 0- 81 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 08.292 (fls. 325/332), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração de fls. 273/292, por meio do qual foi lançado o imposto de renda pessoa física (R$73.423,59) e acréscimos legais, sob a acusação de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Marmud Cameli & Cia Ltda, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 305/310, que traz os seguintes pontos de insurgência: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.003487/0081 Acórdão n.º 2102003.126 S2C1T2 Fl. 379 3 Ao apreciar o litígio o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em seu apelo ao CARF (fls. 336/342), inicialmente, o recorrente aduz que a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários é relativa, podendo ser ilidida por evidências e provas pertinentes. Argumenta que restou demonstrado que as movimentações financeiras objeto do lançamento são resultado de prestação de serviços por intermediação em operações de aquisição de aeronaves realizadas, na verdade, pela empresa Mabe Comércio, Importação e Exportação Ltda, da qual o contribuinte era sócio à época dos fatos geradores. Informa que alguns valores passaram por sua conta bancária, mas não é por isso que se pode afirmar que os mesmos não pertenciam à pessoa jurídica Mabe. Conclui que o simples ingresso de recursos da pessoa jurídica em conta bancária da pessoa física não tem o condão de desnaturar a natureza comercial das operações, sendo indevida a tributação da receita bruta como lucro. Entende ser nulo o lançamento, posto que a fiscalização deveria ter alocado os recurso (receitas) na escrita da pessoa jurídica e arbitrado o lucro, uma vez que a natureza dos recursos percebidos adviera do objeto social da mesma ou equiparado a pessoa física à Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 jurídica, diante das evidências concretas da realização de atividade empresarial do administrado. Colaciona jurisprudência administrativa nesse sentido. Subsidiariamente, requer o refazimento da base de cálculo do arbitramento efetuado, pois não há como a fiscalização acusar o contribuinte de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários para, num segundo momento, recusar esses mesmos rendimentos como prova de recursos para cobrir posteriores depósitos/omissões. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuidase de lançamento efetuado sob a acusação de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Marmud Cameli & Cia Ltda, durante o anocalendário de 1995, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, conforme Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal às fls. 273/292. A parte inicial do Termo de Verificação Fiscal relata que a ação fiscal foi iniciada por requisição do Ministério Público Federal, subsidiado por documentos oriundos da CPI do Narcotráfico, cujo repasse à Receita Federal foi autorizado pelo poder Judiciário (fl. 10). A seguir, reportase a todas as intimações dirigidas ao sujeito passivo e terceiros, documentos apresentados e analisados, e manifestações destes durante o procedimento de fiscalização. Na fase procedimental os esclarecimentos prestados pelo contribuinte informam que os valores recebidos da Marmud Cameli destinavamse a pagamentos de despesas da empresa. Do montante de R$743.867,33 (fls. 287), relativo a valores em espécie e depositados em conta bancária do contribuinte, contabilizados pela empresa Marmud Cameli, a fiscalização excluiu R$493.072,40, tendo em vista a sua comprovação, uma parte dada a coincidência entre os pagamentos realizados em nome da empresa e os cheques emitidos pelo contribuinte, e a outra parte por não ter sido comprovado o repasse ao autuado, restando o total de R$250.794,93 cuja destinação não foi identificada. A impugnação apresentada pela defesa tratou especificamente desta infração, sob os seus aspectos fáticos e jurídicos (fls. 305/310). A decisão recorrida analisou minuciosamente todas as questões suscitadas em sede de impugnação (fls. 330/332), relacionadas aos valores repassados pela empresa Marmud Cameli & Cia Ltda ao contribuinte, em dinheiro e via conta bancária, e a destinação de tais recursos para pagamentos de despesas e obrigações da referida empresa, sendo certo que nenhuma questão sobre tal análise foi suscitada em sede de recurso voluntário, razão pela qual nenhum reparo merece a decisão a quo, cujos fundamentos adoto como razões de decidir. Como é cediço, o CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.003487/0081 Acórdão n.º 2102003.126 S2C1T2 Fl. 380 5 submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. (grifei) Em sua peça recursal a defesa traz novas questões ao debate, dissociadas dos fundamentos pelos quais instaurou o contraditório administrativo, que somente serão analisadas por serem matéria de ordem pública, relacionada à regra de incidência e à legalidade da tributação. Em relação ao alegado erro na identificação do sujeito passivo, os registros contábeis da empresa Marmud Cameli & Cia Ltda indicam expressamente o contribuinte como destinatário dos repasses. Excluídos os valores utilizados em pagamentos de despesas e obrigações da referida empresa, a parte excedente corretamente foi incluída na base de cálculo do imposto de renda, já que não houve devolução ou prestação de contas. Nenhum elemento de prova, apto a vincular tais valores à empresa Mabe Comércio, Importação e Exportação Ltda, foi apresentado pela defesa. Na fase procedimental e impugnatória alegouse que os repasses destinavamse a pagamento de “leasing”. Como então tais quantias poderiam se relacionar a atividade empresarial do autuado ou da empresa Mabe, da qual o autuado integrava o quadro societário e que sequer chegou a iniciar suas atividades, consoante informado na peça impugnatória (fl. 302). Nos termos do artigo 3º, § 4º, da Lei 7.713, de 1988, indicado no enquadramento legal da infração (fl. 292), a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Se alguém pode ser indicado como beneficiário dos recursos não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da Marmud Cameli & Cia Ltda, essa pessoa é exatamente o sujeito passivo indicado no Auto de Infração, procurador da referida empresa e destinatário final dos recursos. Não é possível, portanto, alocar os recursos tributados na pessoa física do autuado como receita da pessoa jurídica Mabe ou receita de atividade comercial informal do autuado, por ausência de prova desses fatos. Rejeito, portanto, a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Diferentemente da matéria tratada no recurso voluntário (omissão de rendimento caracterizado por depósito bancário sem origem comprovada), o lançamento em exame referese a omissão de rendimento auferido de pessoa jurídica, sem vínculo empregatício. O ônus de comprovar tal acusação foi devidamente alcançado pela fiscalização, através dos elementos de prova nos autos, oriundos da movimentação bancária do autuado, da escrita contábil da empresa Marmud Cameli & Cia Ltda e outros documentos colhidos durante a fase procedimental. O Termo de Verificação Fiscal é bastante elucidativo acerca dos fatos e fundamento jurídicos que deram suporte ao lançamento, especialmente em relação à omissão de rendimentos decorrentes da prestação de serviços, sem vínculo empregatício, minuciosamente relatado a partir da fl. 280, sendo certo que o recurso voluntário não redargüiu os fundamentos do voto condutor da decisão de primeiro grau, que manteve integralmente o lançamento. Sobre a possibilidade da omissão de rendimentos por depósito bancário em um mês justificar depósitos/omissões posteriores, situação que não se aplica ao lançamento em apreço, que trata de infração diversa, a Súmula CARF nº 30 dispõe que: na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. No caso em tela, o contribuinte não informou em sua DIRPF do exercício de 1996 nenhum rendimento da fonte pagadora Marmud Cameli & Cia Ltda, razão pela qual nenhum ajuste deve ser realizado na base de cálculo. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10950.904971/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 71 /2 01 2- 97 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.721268/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
LUCRO TRIBUTÁVEL. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. INEFICÁCIA DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO.
O arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto. Procede-se ao arbitramento do lucro diante da ausência de escrituração do livro Razão. A apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração não afasta o arbitramento.
Numero da decisão: 1401-001.128
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. INEFICÁCIA DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. O arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto. Procedese ao arbitramento do lucro diante da ausência de escrituração do livro Razão. A apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração não afasta o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 68 /2 00 8- 79 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Karem Jureidini Dias. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.721268/200879 Acórdão n.º 1401001.128 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Cristal Vidros Ltda. contra a decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Belém/PA, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação ofertada pela contribuinte (fls.516/519). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte Cristal Vidros Ltda., a Fiscalização arbitrou o lucro do sujeito passivo para efeito de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sob o fundamento de que: “O sujeito passivo não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas as escriturações dos livros Razão (ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no livro diário) e Registro de Inventário, no anocalendário 2003, ademais, nem se quer possui o livro Razão (apresentou somente o livro Diário).” (fls. 6) Ao final do processo fiscalizatório, foram apurados os créditos tributários relativos ao IRPJ no montante de R$ 376.916,34 bem como ao CSLL no valor de R$ 52.186,32, cuja soma totaliza a monta de R$ 429.102,66. – ano calendário 2003 (fls. 21). Por meio de impugnação, buscou a Impugnante, qualificada como optante pelo lucro real, demonstrar ser o arbitramento medida excepcional, somente cabível diante da impossibilidade de apuração do lucro efetivo do contribuinte, o que afirmou não ser o seu caso (fls. 111/119). Segundo a argumentação pretendida pela Impugnante, seriam suficientes os lançamentos realizados perante o Livro Diário. Sob sua perspectiva, restaria desnecessária a apresentação do Livro Razão, já que mantida a presteza de sua contabilidade. Em acórdão, entendeu por unanimidade a 1ª Turma da Delegacia da Refeita Federal do Brasil em Belém, PA, nos seguintes termos: a) exoneração dos créditos tributários relativos aos 1º, 2º, e 3º trimestres de 2003, alcançados pela decadência; e b) legitimidade do arbitramento realizado pela Fiscalização diante da ausência de escrituração do Livro Razão (art. 530, VI do RIR 99) (f. 507/512). É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. Pretende a Recorrente, na tentativa de afastar a apuração da renda tributável pela sistemática do arbitramento, demonstrar que os documentos por ela juntados foram hábeis a comprovar todos os lançamentos fiscais realizados pela sociedade. Ocorre, no entanto, que essa não é a realidade da documentação fiscal acostada, de forma que bem andou a Fiscalização ao proceder ao arbitramento. O Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, é claro ao dispor quanto à adoção do lucro arbitrado: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.721268/200879 Acórdão n.º 1401001.128 S1C4T1 Fl. 4 5 utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. No ponto, imprescindível ressaltar que não afasta o arbitramento a apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração, por inexistir lançamento condicional. Da análise dos autos, constase a imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte, na medida em que impossibilita a identificação de sua real situação fiscal: a) não observância das normas contábeis de registro de escrituração; e b) não apresentação do Livro Razão. Diante da impossibilidade de aferição direta do fato imponível, o arbitramento não constitui uma alternativa do Fisco, mas sim uma obrigação, já que vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento. Feitas essas considerações, temse que a Fiscalização valeuse do correto sistema de apuração tributária. Diante do exposto, voto pela improcedência do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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