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Numero do processo: 14041.000476/2005-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2003
NORMAS PROCESSUAIS. RECONHECIMENTO PROCEDÊNCIA EM PARTE DO LANÇAMENTO. PAGAMENTO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO DARF. POSSIBILIDADE.
Tendo a contribuinte reconhecido a procedência parcial do lançamento, ou seja, a omissão de rendimentos relativamente a parte de sua movimentação bancária, procedendo o respectivo recolhimento do tributo devido, c/c os acréscimos legais, impõe-se determinar a apropriação dos valores devidamente pagos, sob pena de bis in idem.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RECONHECIMENTO PROCEDÊNCIA EM PARTE DO LANÇAMENTO. PAGAMENTO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO DARF. POSSIBILIDADE. Tendo a contribuinte reconhecido a procedência parcial do lançamento, ou seja, a omissão de rendimentos relativamente a parte de sua movimentação bancária, procedendo o respectivo recolhimento do tributo devido, c/c os acréscimos legais, impõese determinar a apropriação dos valores devidamente pagos, sob pena de bis in idem. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 76 /2 00 5- 91 Fl. 685DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório REGINA MARCIA PENA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 03/06/2005 (doc. fl. 145), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao anocalendário 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 129/137, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.119/2007, às fls. 190/196, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em 03/02/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2201 00.531, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14041.000476/200591 Acórdão n.º 9202003.457 CSRFT2 Fl. 343 3 Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 286/297, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. De início, quanto a não aceitação da retificação da contabilidade e DIPJ da empresa em que a contribuinte figura como sócia, para fins de comprovação da origem de parte dos depósitos bancários ora tributados, defende ter contrariado entendimento consagrado pelo Acórdão nº 10248.360, ora adotado como paradigma, o qual admitiu aludido procedimento, mesmo ocorrido após o início da ação fiscal na contribuinte pessoa física (sócia), de maneira a justificar a origem da movimentação bancária. Em defesa de sua pretensão, traz à colação excertos dos Acórdãos confrontados, objetivando demonstrar a divergência de entendimentos para a mesma situação fática, concluindo que a decisão recorrida está equivocada ao manter o lançamento, ignorando a retificação da declaração por parte da pessoa jurídica e as repercussões desse fato no julgamento da presente lide. Assevera que o início da ação fiscal na pessoa física (sócia) da empresa, não tem o condão de rechaçar o benefício da denúncia espontânea da pessoa jurídica, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, devendo ser admitidas as retificações promovidas na sua contabilidade e DIPJ, com o correspondente recolhimento do imposto devido, para fins de demonstrar a origem de parte dos valores que circularam nas contas bancárias da contribuinte, recebidos a título de distribuição de lucros, como vem sustentando desde o início da fiscalização. Relativamente os valores recolhidos mediante DARF, contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, notadamente à não apropriação da importância quitada, defendendo que malfere a jurisprudência administrativa traduzida nos Acórdãos paradigmas nºs 10708.815 e 19700.041. A corroborar sua pretensão, argumenta que a decisão recorrida se apega à (desnecessária) explicação da origem dos depósitos no valor de R$ 7.050,00, recebido a título de aluguéis e, evidentemente, não declarados na DIRPF, para afastar o seu pleito, visando aproveitar (deduzir) tal importância do crédito tributário lançado. Acrescenta que os decisórios paradigmas acatam o pagamento, total ou parcial, do crédito tributário lançado de ofício, comprovado com apresentação do DARF, o que se vislumbra na hipótese vertente, estando o Acórdão hostilizado maculado por equívoco Fl. 687DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 de interpretação, passível, inclusive, de reconhecimento de ofício, uma vez que acaba por compelir a contribuinte a recolher tributo já pago. Alega que CONCORDOU com o lançamento do imposto sobre os depósitos que totalizam R$ 7.050,00, identificados nos autos, e recolheu o imposto, mais juros e multa proporcional, devendo ser deduzidos da exigência fiscal, mormente em homenagem aos princípios da legalidade e do enriquecimento sem causa da União, acrescidos, agora, do princípio da moralidade administrativa. Explicita que, em relação a tais depósitos, a contribuinte não se defendeu, simplesmente, acatou o lançamento e recolheu o crédito tributário correspondente. Tanto assim é, que do DARF de fl. 188 consta a indicação de "Auto de Infração MPF 0110100/00555/04", e de 2904, como código de receita, que corresponde a lançamento de ofício. Logo o recolhimento é pertinente aos presentes autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Contribuinte, somente em relação ao aproveitamento do valor pago mediante DARF, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.390/2011, às fls. 321/326, ratificado pelo Despacho n° 9202 00.390, às fls. 327/328, da lavra do Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Contribuinte, exclusivamente em relação ao aproveitamento do valor pago mediante DARF, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, senão vejamos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14041.000476/200591 Acórdão n.º 9202003.457 CSRFT2 Fl. 344 5 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes, o que ocorrera na hipótese dos autos. Por sua vez, em sede de impugnação, a contribuinte reconheceu a procedência parcial do feito, relativamente aos depósitos no montante de R$ 7.050,00, os quais seriam oriundos de rendimentos de aluguéis que deixaram de ser informados na respectiva DIRPF. Dessa forma, a autuada promoveu o recolhimento dos tributos incidentes sobre tal importância, com os devidos acréscimos legais, mediante DARF. A autoridade julgadora de primeira instância rechaçou integralmente a pretensão da contribuinte sob os seguintes fundamentos: "[...] Rendimentos de Aluguel A contribuinte enumera sete depósitos, que somam R$ 7.050,00, e argumenta que são oriundos de aluguéis recebidos, sendo que recolheu, após a ciência do Auto de Infração, o correspondente imposto. Anexou cópia do Darf à tl. 188. Importa deixar claro que a legislação de regência preconiza que a prova deve ser calcada em documentos hábeis e idôneos. No caso em tela, uma simples cópia de Darf não se presta a comprovar o pretenso rendimento de aluguel, haja vista que não foi trazida aos autos, por exemplo, cópia do contrato de locação, identificação do bem locado, recibo ou declaração firmada pelo locatário. Logo, o valor de R$ 7.050,00 deve ser mantido na infração apurada. [...]" Igualmente, a Turma recorrido não acolheu o pleito da contribuinte, deixando de considerar o recolhimento efetuado, o fazendo sob o manto dos seguintes fundamentos: "[...] Por fim, solicita a recorrente à exclusão do valor de R$ 7.050,00, relativo a recebimentos de alugueis, posto que, em 01/07/2005 efetuou recolhimento de R$1.664,07, a título de Fl. 689DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 imposto de renda sobre alugueis recebidos, conforme DARF carreado à fl. 188. Novamente não há como acolher a pretensão da suplicante. Da análise da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, fls. 5 a 7, verificase que em momento algum foi informado o valor de R$ 7.050,00 a título de alugueis. Em verdade, verificase que não há nos autos prova de que o aludido valor referese a alugueis recebidos. Portanto, neste ponto, não há reparos a ser efetuado ao lançamento. [...]" Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos decisórios paradigmas nºs 10708.815 e 19700.041, os quais deduziram/apropriaram do crédito tributário os valores confessados e recolhidos pelo contribuinte. A fazer prevalecer sua tese, argumenta que a decisão recorrida se apega à (desnecessária) explicação da origem dos depósitos no valor de R$ 7.050,00, recebido a título de aluguéis e, evidentemente, não declarados na DIRPF, para afastar o seu pleito, visando aproveitar (deduzir) tal importância do crédito tributário lançado. Acrescenta que os decisórios paradigmas acatam o pagamento, total ou parcial, do crédito tributário lançado de ofício, comprovado com apresentação do DARF, o que se vislumbra na hipótese vertente, estando o Acórdão hostilizado maculado por equívoco de interpretação, passível, inclusive, de reconhecimento de ofício, uma vez que acaba por compelir a contribuinte a recolher tributo já pago. Alega que CONCORDOU com o lançamento do imposto sobre os depósitos que totalizam R$ 7.050,00, identificados nos autos, e recolheu o imposto, mais juros e multa proporcional, devendo ser deduzidos da exigência fiscal, mormente em homenagem aos princípios da legalidade e do enriquecimento sem causa da União, acrescidos, agora, do princípio da moralidade administrativa. Explicita que, em relação a tais depósitos, a contribuinte não se defendeu, simplesmente, acatou o lançamento e recolheu o crédito tributário correspondente. Tanto assim é, que do DARF de fl. 188 consta a indicação de "Auto de Infração MPF 0110100/00555/04", e de 2904, como código de receita, que corresponde a lançamento de ofício. Logo o recolhimento é pertinente aos presentes autos. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase em descompasso com a jurisprudência deste Colegiado, como passaremos a demonstrar. Com efeito, como restou bem claro desde a defesa inaugural, a contribuinte não tem o intuito de justificar a origem dos depósitos bancários no montante de R$ 7.050,00, mas, sim, reconheceu a procedência da exigência fiscal relativamente à aludida movimentação financeira e procedeu o recolhimento da importância que entendeu devida, aplicando os respectivos acréscimos legais. Em outras palavras, não se pretende afastar a tributação procedida em relação à importância encimada, a pretexto de ter, eventualmente, havido a indicação da origem de tais Fl. 690DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14041.000476/200591 Acórdão n.º 9202003.457 CSRFT2 Fl. 345 7 depósitos, qual seja, rendimentos recebidos por conta de aluguéis, mesmo porque esses valores não foram informados na DIRPF e, por conseguinte, não sofreram a tributação devida. Assim, a pretensão da recorrente repousa exclusivamente em apropriar/deduzir do crédito tributário a quantia recolhida mediante DARF, de fl. 188, o qual encontrase vinculado a este processo. Aliás, sequer se contesta a procedência do feito. Pelo contrário, a contribuinte tanto reconhece a procedência desta parte da exigência que entendeu por bem efetuar o respectivo pagamento, mantendo seu insurgimento somente quanto os outros valores tributos, tendo, inclusive, obtido êxito parcial em sua empreitada no Acórdão recorrido, que admitiu a origem de parte dos depósitos tributados. Ora, não se pode desconsiderar um recolhimento realizado nos autos do processo atinente ao crédito sob análise, determinando que a contribuinte protocolize pedido de restituição relativamente a tal importância, mormente quando representa reconhecimento e desistência da discussão quanto a esta parte. A rigor, como muito bem sustentado pela recorrente, se não tivesse explicitado se tratar de rendimentos advindos de aluguéis e simplesmente realizado o pagamento de parte da exigência fiscal, talvez não houvesse tanta discussão quanto ao tema, o que implica dizer que tal indicação da origem não se prestou à justificar os depósitos e afastar a tributação, mas, sim, uma alegação en passant, sem qualquer intuito de atacar o lançamento. Na esteira desse entendimento é de se restabelecer a ordem legal no sentido de apropriar o valor consignado na DARF, de fl. 188, independentemente se pertinente a rendimentos recebidos de aluguéis, sob pena de incorrer em bis in idem. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência deste Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, tão somente para determinar seja apropriada a importância recolhida pela contribuinte nos autos do processo, mediante DARF, de fl. 188, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 691DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10935.906444/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/04/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/04/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 44 /2 01 2- 13 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.892, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 25924.52670.180612.1.2.047187, rastreamento nº 041907792, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 29.079,55, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2011, efetuado em 25/04/2011, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906444/201213 Acórdão n.º 3802002.742 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/04/2011 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906444/201213 Acórdão n.º 3802002.742 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906444/201213 Acórdão n.º 3802002.742 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906444/201213 Acórdão n.º 3802002.742 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10980.017604/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RRA. DECISÃO JUDICIAL. JULGAMENTO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO NO RESP Nº 1.118.292. ART. 62-A DO RICARF.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, consoante entendimento assentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.292 sob o rito do art. 543-C do CPC, vinculante por força do art. 62-A do RICARF.
PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E LEGALIDADE. CRITÉRIO JURÍDICO MAIS BENÉFICO AO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO EM RAZÃO DE RECURSO REPETITIVO.
Supera-se a interpretação literal do art. 146 do CTN quando se trata de modificação no critério jurídico do lançamento mais benéfica ao contribuinte, especialmente quando a decorrente preservação da legalidade do ato frente à observância de decisão em sede de recurso repetitivo não é empecilho para a efetividade do princípio da proteção da confiança.
OBSERVÂNCIA EM CONCRETO DO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. DEVER DE CAUTELA DO JULGADOR.
O respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo ao recorrente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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DECISÃO JUDICIAL. JULGAMENTO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO NO RESP Nº 1.118.292. ART. 62A DO RICARF. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, consoante entendimento assentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.292 sob o rito do art. 543C do CPC, vinculante por força do art. 62A do RICARF. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E LEGALIDADE. CRITÉRIO JURÍDICO MAIS BENÉFICO AO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO EM RAZÃO DE RECURSO REPETITIVO. Superase a interpretação literal do art. 146 do CTN quando se trata de modificação no critério jurídico do lançamento mais benéfica ao contribuinte, especialmente quando a decorrente preservação da legalidade do ato frente à observância de decisão em sede de recurso repetitivo não é empecilho para a efetividade do princípio da proteção da confiança. OBSERVÂNCIA EM CONCRETO DO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO REFORMATIO IN PEJUS. DEVER DE CAUTELA DO JULGADOR. O respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus impõe dever de cautela por parte do julgador, no sentido que esteja suficientemente claro que a aplicação da norma jurídica no caso concreto não implique prejuízo ao recorrente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 76 04 /2 00 8- 18 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 30.666,73, relativo ao anocalendário 2005 (fls. 94/100). O processo foi distribuído para julgamento a ser realizado, inicialmente, pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Contudo, em sessão de julgamento datada de 10/7/2012, foi exarada por aquela Turma a Resolução nº 220200.254, determinando o sobrestamento do processo. Passo a reproduzir, com a devida vênia, o Relatório constante nessa Resolução, o qual bem descreve o conteúdo do litígio posto nos presentes autos: Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 9, o autuante esclarece que: • no anocalendário 2005, o contribuinte auferiu rendimentos em decorrência da ação judicial 2701/00 movida contra R.M.B LTDA., no total de R$ 779.422,94, sendo: o R$714.431,98 total retirado pelo autor em 01/12/2005; o R$54.509,44 total de imposto de Renda recolhido em DARF em 01/12/2005; o R$10.481,52 valor devido pelo empregado ao INSS recolhido em GPS. • com base nos cálculos periciais constante às fls. 269 a 288 do processo trabalhista, apurouse que, para fins de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual, 45,37% dos rendimentos eram isentos (FGTS sobre verbas da ação, FGTS da contratualidade, férias vencidas, aviso prévio, multa do art. 477 e seguro desemprego) e, 54,63%, tributáveis (R$425.785,51 = R$779.422,94 x 54,63%); • do total das despesas com advogado (R$178.701,82), foi considerada dedutível a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis (R$97.621,77); Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 142 3 • por fim, foi adicionando a base de cálculo do ajuste anual o valor de R$328.163,74 (diferença entre os rendimentos tributáveis e a parcela dos honorários advocatícios correspondentes). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 7, instruída com os documentos de fls. 8 a 81, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 94 verso e 95): Cientificado do lançamento por via postal, em 13/11/2008 fl. 93, o contribuinte apresentou, em 15/12/2008, por intermédio de procuradores fl. 12, a impugnação de fls. 01 a 07, acompanhada dos documentos de fls. 08 a 81, acatada como tempestiva pelo órgão de origem fl. 93. Alega, baseado no ADI SRF n° 05, de 27 de abril de 2005, que a totalidade dos R$ 121.484,88 recebidos a título de férias e respectivo terço adicional deveria ser considerada isenta e não somente os R$ 80.392,54 reconhecidos pelo lançamento. Ressalta que a sentença decorreu de reconhecimento de vínculo empregatício e, assim, não houve o gozo de férias no período laboral. Pleiteia também a isenção da parcela de R$ 38.125,00, referente ao reembolso de despesas de quilometragem, afirmando que, por ser reembolso, não poderia ser caracterizada como acréscimo patrimonial. Cita jurisprudência para corroborar sua tese. Afirma que a dedução dos honorários advocatícios deve ser integral, alegando não haver previsão legal específica autorizando sua divisão entre rendimentos isentos e tributáveis. Cita decisão administrativa favorável a seu pleito. Elabora demonstrativo onde considera que 63,51% dos rendimentos recebidos seriam isentos, obtendo R$ 284.411,43 de rendimentos "sujeitos à trib. Normal", os quais, após a dedução de R$ 178.701,82 de honorários advocatícios, resultaria em R$ 105.709,61 de rendimentos tributáveis. Admite a possibilidade de omissão de R$ 74.021,58, afirmando que esse valor implicaria saldo de IR a restituir. Insurgese contra a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, citando decisão administrativa contrária à sua aplicação. Finaliza solicitando o cancelamento da exigência e o reconhecimento de direito creditório relativo ao IRPF/2006 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 06 30.844 (fls. 94 a 100), de 22/03/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento expressamente não contestada pelo contribuinte. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. Os valores recebidos em reclamatória trabalhista, segundo disposição expressa na legislação vigente, são tributáveis de acordo com a sua natureza, com base na análise de mérito das verbas devidas efetuada na justiça trabalhista e discriminada nos autos. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO PROPORCIONAL. Dos rendimentos recebidos acumuladamente e tributáveis no ajuste anual poderá ser deduzido o valor proporcional das despesas com honorários advocatícios, desde que comprovadamente pagas pelo contribuinte e sem indenização. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola a presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no ato jurídico do lançamento tributário e se reportaria a evento futuro de cobrança, sobretudo quando o próprio impugnante reconhece haver dispositivos legais disciplinando a matéria, que prevalecem sobre a jurisprudência argüida. A decisão a quo considerou isentas as férias pagas em dobro e proporcionais, acompanhadas dos respectivos terços constitucionais, refazendo os cálculos do valor tributáveis sujeito ao ajuste anual (fl. 98). O relator esclarece, ainda, que parte da omissão de rendimentos (R$ 74.021,58) foi considerada não impugnada (fl. 95). Irresignado, o contribuinte interpôs em 10/5/2011, tempestivamente, recurso voluntário, reiterando seu entendimento acerca do caráter isento do reembolso de quilometragem e da dedutibilidade integral dos honorários advocatícios, argumentos que, caso acatados, redundariam em saldo de imposto de renda a restituir. Pugnou, também, a não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício (fls. 118/131). O processo foi sobrestado nos termos da já mencionada Resolução nº 2201 000.102, sendo decidido então que o caso versava sobre matéria acerca da qual havia repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, a saber, rendimentos recebidos acumuladamente por pessoa física e constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, aplicandose, por conseguinte, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF). Com a revogação desses parágrafos pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545, de 18 de novembro de 2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído em 15/5/2014 a este Conselheiro. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 143 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo a sua apreciação. A matéria em tela é tormentosa e ainda controversa no seio das Turmas que compõem a 2ª Seção do CARF, merecendo, conseqüentemente, ser sua análise realizada no devido passo. Dos regimes de apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Breve escorço histórico pode evidenciar, sem maior estorvo, que o regime geral tradicionalmente abraçado pelo direito pátrio para o IRPF foi o denominado regime de caixa, desde o início de sua regulamentação com a edição do Decreto nº 16.581, de 4 de setembro de 1924: Art. 7º. Os rendimentos liquidos, produzidos no territorio nacional, são tributaveis na base dos realmente percebidos no anno immediatamente anterior ao exercicio financeiro em que o imposto é devido, observado o disposto neste capitulo (art. 31 da lei n. 4.625, de 31 de dezembro de 1922, e art. 3º da lei n. 4783 de 31 de dezembro de 1923). (...) §2º. Na determinação da base serão computados todos os rendimentos liquidos, percebidos no anno considerado, inclusive os originarios em apocha anterior. Nos ulteriores Decreto nº 17.390, de 26 de julho de 1926 (art. 41), Decreto Lei nº 4.178, de13 de março de 1942 (art. 22) e DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (art.22), foi repetida a orientação supra, sem quaisquer exceções. O regime de competência adveio no ordenamento tãosomente com a edição da Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, mais precisamente mediante o disposto nos seus arts. 7º1 e 14. Posteriormente, esse regime teve como supedâneo legal o art. 19 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, o qual parcialmente transcrevo: 1 Lei nº 154, de 25/11/1947. Art 7º Poderão ser redistribuídos, pelos exercícios financeiros a que se referirem, para efeito do pagamento do impôsto de renda, os rendimentos do trabalho recebidos cumulativamente, em virtude de sentenças judiciais ou administrativas. Parágrafo único. Para efeito da aplicação do disposto neste artigo, não corre a prescrição qüinqüenal, de que trata a legislação do impôsto de renda. Art 14. Executamse da regra do art. 22, parágrafo único do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, os honorários de advogado referentes a cada causa ou serviços prestados durante mais de um ano civil, recebidos em uma ou mais prestações, e que serão considerados proporcionalmente, para o efeito do cálculo do impôsto de renda, em tantos anos base quantos forem os da duração da causa ou serviço. Igualmente se procederá com relação aos honorários ou salários profissionais, como os dos médicos, engenheiros ou arquitetos, em cada serviço que Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Art. 19. Para efeito de tributação poderão ser distribuídos por mais de um exercício financeiro os rendimentos recebidos acumuladamente em determinado ano: I Como remuneração de trabalhos ou serviços prestados em anos anteriores e em montante que exceda de 10% (dez por cento) dos demais rendimentos do contribuinte no ano do recebimento, se o recebimento acumulado resultar: a) de anterior incapacidade financeira do devedor para pagá los; b) de disputa judicial ou administrativa sôbre o respectivo pagamento; c) de estipulação contratual prevendo o recebimento acumulado ou final, nos casos de honorários ou remunerações dos profissionais liberais; (...). Essa lei teve como última referência regulamentar o art. 521 do Decreto nº 85.450, de 4 de dezembro de 1980 (RIR/80), que dispunha que “os rendimentos pagos acumuladamente serão considerados nos meses a que se referirem”. Importante mudança ocorreu, entretanto, com a introdução do sistema de bases correntes mensais dado o advento da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. A inovação aconteceu com a substituição do sistema de apuração anual do imposto de renda pelo ajuste mensal do tributo, o que levou o legislador a estabelecer, buscando coerência com esse ordenamento, o regime de caixa para todos os rendimentos recebidos, inclusive os de modo acumulado, conforme explicitado no art. 12 desse diploma2: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Essa sistemática vigorou somente para o anocalendário de 1989, sendo retomado o tradicional ajuste anual do imposto, com a possibilidade de antecipações mensais, a partir da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. No entanto, o art. 12 da Lei nº 7.713/88 permaneceu incólume, afastando a aplicação do regime de competência para o IRPF. A respectiva mudança regulamentar veio com o Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/94), que revogou de modo expresso o RIR/80 pelo seu art. 3º, e prescreveu, em seu art. 61, caput, que “no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária”. Somente com a publicação da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 12A na Lei nº 7.713/88, é que passou a existir, por força das modificações ali incluídas, novo regime de apuração para os rendimentos recebidos acumuladamente, o qual se aproxima em vários aspecto do regime de competência. dure mais de doze meses, e também em relação ao prêmio ou vintena do testamenteiro nos inventários que não se encerrem dentro de um ano. Ainda assim se procederá com as pensões, salários ou vencimentos totais ou em partes, devidos em mais de um exercício, se recebidos após habilitação ou pleito demorado, observandose as demais prescrições regulamentares que não contrariem o disposto neste artigo, sendo que, em todos êsses casos, para o pagamento do impôsto não correrá o prazo prescricional estabelecido na lei fiscal. 2 Registrese que as disposições em contrário quedaram expressamente revogadas por força do art. 58 da referida lei. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 144 7 Vale lembrar que, indo ao encontro da sistemática de caixa para o imposto de renda, tratou o art. 46 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, de regrar o respectivo regime de retenção na fonte: Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento. Concluise, desse breve retrospecto históriconormativo, que decorrer do período compreendido entre o advento do art. 12 da Lei nº 7.713/88 e a publicação da Lei nº 12.350/10, inexistiu regramento legal que amparasse o cômputo do imposto de renda pessoa física pelo regime de competência. Complementando essa conclusão, merecem ser referidos dois pontos. Primeiro, que a Lei nº 7.713/88 continua em pleno vigor, inclusive no tocante ao seu art. 12, não havendo sido proferida decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que a tenha expurgado do ordenamento ou lhe dado interpretação divergente da imediatamente apreendida pela leitura do seu enunciado, em que pese a existência de repercussão geral sobre o tema tendo como paradigmas os Recursos Extraordinários nº 614.332/AM e 614.406/RS. Segundo, que inexiste atualmente ato administrativo da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) com força normativa e cogente, que prescreva como deve ser o posicionamento dos órgãos do Ministério da Fazenda acerca da questão. O Ato Declaratório PGFN nº 1, publicado em 14/5/2009, e que estabelecia a aplicação do regime de competência na espécie, com supedâneo no Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331, de 26 de outubro de 2010, editado em razão dos já mencionados Recursos Extraordinários em repercussão geral no STF. Dito isso, cabe passar a análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria, e de suas conseqüências para os julgamentos deste colegiado. Do STJ e da decisão em sede de recurso repetitivo. Não obstante os termos da legislação acima referida, o STJ, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, vem entendendo que deve ser aplicado o regime de competência no caso de rendimentos recebidos acumuladamente em face de decisão judicial, devendo o cálculo do imposto considerar os meses aos quais se referirem tais rendimentos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Mediante pesquisa realizada em 30 acórdãos3 desse Tribunal, sendo o mais antigo publicado em 4/9/2003 (REsp nº 538.137), e o mais recente publicado em 24/6/2014 (REsp nº 1420607), pôdese apreender a existência das teses jurídicas centrais que ampararam esse posicionamento. Tais acórdãos versaram, em sua maioria (16), sobre questões previdenciárias, mas há também número significativo trazendo casos envolvendo servidores públicos (7) e relações trabalhistas (7). Desde já cabe adiantar a conclusão de que as ratio decidendi a seguir sumarizadas, que justificaram a não incidência do regime de caixa nos respectivos casos concretos foram aplicadas, indistintamente, a essas diferentes situações. Eis as razões de convencimento: 1) Ato ilegal da fonte pagadora (29 acórdãos): a fonte pagadora, ao não pagar tempestivamente os valores devidos, teria cometido ato ilícito em virtude do qual o contribuinte não poderia ser penalizado. Mais grave ainda se delineia a situação no caso da fonte pagadora ser o Estado, beneficiário último da arrecadação da exação, por restar violado o princípio geral do direito segundo o qual a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza. 2) Violação de princípios constitucionais: isonomia (24 acórdãos), legalidade (22 acórdãos), e capacidade contributiva (6 acórdãos). 3) Violação de princípios gerais do direito: vedação ao enriquecimento sem causa (21 acórdãos) e razoabilidade (5 acórdãos). 4) Equidade no direito tributário (22 acórdãos). 5) Harmonização dos arts. 12 da Lei nº 7.713/88 c/c o art. 521 do Decreto nº 85.450/80 – já revogado, observese (26 acórdãos) e 46 da Lei nº 8.541/92 (11 acórdãos) com os fundamentos acima aludidos. Não cabe aqui aprofundar o mérito ou analisar mais detalhadamente cada um dos fundamentos supra. O escopo é mais modesto. Pretendeuse apenas verificar a eventual existência de relação entre o tipo de matéria fática subjacente à causa (previdenciária, trabalhista ou administrativa) e as correspondentes ratio decidendi presentes nas decisões, de maneira a conformar alguma espécie de critério de julgamento em função daquela variável. No levantamento realizado, entretanto, constatouse que essas razões de decidir são utilizadas de modo múltiplo e intercambiável nos acórdãos examinados, os quais, por sua vez, se retroalimentam mutuamente com vistas à formação dos respectivos precedentes. Nos casos em que os rendimentos acumulados tinham origem trabalhista por exemplo, os acórdãos dos REsp nº 759.183/SC e nº 704.845/PR os fundamentos da decisão em nada 3 Foram pesquisados os seguintes Recursos Especiais, aqui identificados pelo seu número e data de publicação: 1ª Turma: 583.137 (4/9/2003), 492.247 (3/11/2003), 424.225 (19/12/2003), 505.081 (6/4/2004), 719.774 (4/4/2005), 617.081 (29/5/2006), 789.029 (14/5/2007), 901.945 (16/8/2007), 1.047.343 (4/2/2009), 2ª Turma: 659.008 (14/3/2005), 723.196 (30/5/2005), 399.949 (7/4/2006), 383.309 (7/4/2006), 783.724 (25/8/2006), 759.183 (19/3/2007), 899.576 (22/3/2007), 897.314 (28/2/2007), 852.333(4/4/2008), 704.845 (16/9/2008), 1.075.700 (17/12/2008), 1.119.133 (20/9/2010), 1.420.607 (24/6/2014) 5ª Turma: 613.996 (15/6/2009). E, ainda, as seguintes decisões: AgRg REsp: 1.055.182 (1/10/2008), 641.531 (21/11/2008), 1.069.718 (25/5/2009), 1.023016 (21/9/2009), 1.049.109 (9/6/2010). AgRg no Ag 1.079.439 (7/12//2009) e AgRg no AREsp 41.782 (7/3/2012). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 145 9 diferiam, em sua essência, dos casos em que se tratava de revisão de benefícios previdenciários. Apenas havia uma escolha pessoal do relator do voto condutor por este ou aquele precedente, o qual poderia ser a decisão de um caso em que as verbas controvertidas provinham, v.g., de diferenças de URP, ou, ainda, de outro no qual os valores decorriam de reclamatória trabalhista. Bem demarcada essa constatação, cabe frisar, noutro giro, que a jurisprudência reiterada do STJ sobre o tema culminou na prolação da decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção segundo o rito firmado no art. 543C (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. A controvérsia fática ali tratada versou, consoante descrito pelo Ministro Relator, sobre o modo de cálculo do imposto de renda retido na fonte pelo INSS, incidente sobre os valores recebidos com atraso e acumuladamente a título de benefício previdenciário Podem ser identificadas diretamente as seguintes ratio decidendi na decisão: ato ilegal da administração (mora indevida do INSS) e violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Além disso, há referência a cinco precedentes daquele tribunal, sendo que um abordou rendimentos de origem administrativa (AgRg no Ag nº 1.079.439/SP) e nos restantes as verbas eram decorrentes de matéria previdenciária (REsp nº 901.945/PR, nº 897.314/PR, nº 783.724/RS, nº 617.081/PR e AgRg no Resp nº 641.531/SC). Perscrutando os respectivos precedentes desses recursos especiais, pôde ser verificado que suas fundamentações abarcam praticamente todas as teses jurídicas mais acima assinaladas como principais razões para o afastamento do regime de caixa na incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Notese, também, que ambos os precitados Resp nº 783.724/RS e AgRg no REsp nº 641.531/SC fazem referência explícita ao precedente contido no REsp nº 383.309/SC, o qual versou sobre importâncias pagas em decorrência de ação trabalhista. Temse, dessa maneira, que os precedentes da decisão em sede de recurso repetitivo abrangem varias situações de fato, no tocante à natureza dos rendimentos sujeitos à tributação. Trilhando essa senda, o próprio STJ vem aplicando, em julgados posteriores, as conclusões do indigitado paradigma para todas as decisões em que seja enfrentado o tema da incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, independentemente da natureza das verbas percebidas – vejase, nesse sentido o AgRg no Ag nº 1.049.109/RS e o AgRg no REsp nº 434.044/SP. Do exposto, fica difícil sustentar posição segundo a qual o entendimento firmado no REsp nº 1.118.429/SP estaria adstrito ao caso de percepção de rendimentos Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 acumulados vinculados a questões de natureza previdenciária, pois a tese ali desenvolvida não se particulariza em função dessa qualidade. Com efeito, desde o julgamento dos acórdãos que estabeleceram o paradigma abraçado naquela decisão, a saber, os REsp nº 538.137/RS (Rel. Ministro José Delgado, DJe de 4/9/2003 – precatórios), nº 492.217/RS (rel. Ministro Luis Fux, DJe de 3/11/2003 – revisão benefícios previdenciários) e nº 424.225/SC (Rel. Ministro Teori Zavascki, DJe 19/12/2003 – sentença trabalhista), temse que o tipo de rendimento recebido por força de decisão judicial não se revela motivo determinante para a afirmação dos precedentes formados. Calha destacar que a exegese dos precedentes, no intuito de se extrair a norma geral criada no julgamento realizado sob o rito de recursos repetitivos, deve ser efetuada de maneira sistemática, conforme costumam demandar os enunciados legislativos, ainda que respeitando os aspectos individuais dos casos abordados. Abraçar entendimento em prol da interpretação literal do julgado configura se assim, com a devida vênia das posições em sentido contrário, desarrazoado, pois não se pode entender que o STJ, apenas no julgamento do REsp nº 1.118.429/SP, e contrariamente a toda a jurisprudência que lhe antecedeu e que lhe foi subsequente, pretendeu limitar a aplicabilidade da multifacetada ratio decidendi ali erigida aos casos que versam sobre rendimentos de origem previdenciária, tal e qual um ponto fora da curva hermenêutica. Isso posto, concluo comungando do entendimento de que a tese jurídica assentada no REsp nº 1.118.292/SP é a de que os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, independentemente da natureza das verbas sujeitas à percepção intempestiva, devem sofrer a incidência do imposto de renda levandose em consideração as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido adimplidos. Da aplicação do precedente do STJ. Reza o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 1.118.292/SP, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverá ser reproduzida por esta Turma do CARF no julgamento do presente recurso voluntário. Em outras palavras, a norma jurídica geral, consolidada no precedente em recurso repetitivo, deverá ser aplicada no julgamento da matéria devolvida à apreciação deste Colegiado. Sob esse prisma, a aplicação do entendimento do STJ nessas situações implica em efetiva mudança de critério jurídico no lançamento. O lançamento se pautou no art. 12 da Lei nº 7.713/88 para fins de disciplinar a incidência e o modo de cálculo do imposto de renda, em interpretação literal do enunciado legal. Já a decisão em recurso repetitivo afastou interpretação do gênero, com base em princípios constitucionais e gerais do direito, bem como nas ratio decidendi mais acima enumeradas, prescrevendo que o cálculo do tributo leve em conta os meses a que se referirem os rendimentos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 146 11 Em outras palavras, as definições de alíquota aplicável e faixas de isenção do imposto devem seguir dispositivos legais diversos dos utilizados na apuração do lançamento vergastado, consubstanciando real modificação de critério jurídico, dada a mudança na valoração jurídica dos fatos, a ser realizada em função da cogente aplicação do paradigma judicial. Nesse contexto, é essencial ser verificado se esse novo critério jurídico posiciona o contribuinte em situação mais favorável do que a resultante do lançamento questionado. Explico. Não constitui o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN) em óbice para aplicação de novo critério jurídico a lançamento já constituído, conforme razões aduzidas em voto de minha relatoria no Acórdão nº 2802002.925, no qual restei vencido por maioria. Sintetizo aqui tais razões, fazendo remissão ao mencionado julgado para sua eventual consulta em maior detalhe: a finalidade do art.146 do CTN é a proteção da confiança e da boafé do contribuinte frente à mudanças promovidas pela administração que lhe forem desfavoráveis; no caso contrário, inexiste razão jurídica suficiente para que não se aplique novo critério mais consentâneo com o princípio da legalidade; essa exegese tem sólido respaldo doutrinário4, e, ainda que não examinada a matéria de maneira mais aprofundada no âmbito do Judiciário, as decisões existentes que a abordam, ainda que tangencialmente, não revelam entendimento dissonante ver, nesse sentido, as decisões do STJ no REsp nº 810.565/SP e nos EDCl nº 1.174.900/RS; e do STF no AI nº 29.603; o inciso I do art. 145 do CTN prevê expressamente a possibilidade que o lançamento seja alterado em sede de recurso administrativo, não limitando o caráter ou a amplitude dessa mudança; a aplicação da norma jurídica firmada nos termos do art. 543C pelo STJ é de aplicação cogente pelo CARF, por força do art. 62A do RICARF, em prestígio ao princípio da legalidade, da qual aquele sodalício é o guardião constitucional, e aos princípios da duração razoável do processo e da eficiência. 4 Nas obras de alguns dos justributaristas mais respeitados, tais como Sacha Calmon Navarro Coelho, Luciano Amaro, Alberto Xavier, Hugo de Brito Machado, Aliomar Baleeiro e Ricardo Lobo Torres, é pacífico o entendimento de que o art. 146 do CTN é norma voltada para a administração, com a finalidade de proteger o contribuinte frente a mudanças interpretativas daquela que lhe sejam desfavoráveis. Ricardo Lobo Torres registra (Revista da Procuradoria Feral, Rio de Janeiro, 1995, p. 180), inclusive, que tal artigo teve inspiração no direito germânico, que em sua nova versão, estampada no art. 176 do Código de 1977, regra que "na anulação ou alteração de ato de lançamento notificado, não pode ser considerado em detrimento do contribuinte o fato de 1 a Corte Constitucional Federal declarar a nulidade de uma lei, em que até então se baseava o lançamento; 2 um tribunal superior federal não aplicar uma norma em até então se baseava o lançamento, por considerála inconstitucional; 3 terse alterado a jurisprudência de um tribunal superior a qual havia sido aplicada pela autoridade fiscal nos lançamentos anteriores". Salientese, ainda, que no caso de mudanças para critérios jurídicos mais favoráveis, os poucos autores que enfrentaram explicitamente a questão, até o ponto em que este Relator pôde aferir, são uníssonos em compartilhar do entendimento de que a vedação do art. 146 não se aplica. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Ressalvese que a jurisprudência administrativa ainda não definiu, segundo critérios objetivos, uniformes e científicos, em que medida é possibilitada a alteração do lançamento em razão de decisão proferida no curso do contencioso administrativo tributário federal, motivo pelo qual se entende, com o devido respeito a opiniões em sentido diverso, que as pontuais decisões que trataram do tema não se traduzem em fundamento suficiente para afastar a aplicação dos precedentes do STJ consagrados em recurso repetitivo, conforme as normas de regência acima referidas impõem. Mister é salientar, entretanto, que a aplicação de novo critério jurídico nos julgamentos administrativos, ainda que sob a guarida de decisão prolatada sob o rito dos recursos repetitivos, deve ser realizada em harmonia com os princípios regentes da teoria geral do processo, em particular com o da proibição do reformatio in pejus, a seguir definido nas argutas palavras de Freddie Didier Jr5: Ocorre a reformatio in pejus quando o órgão ad quem, no julgamento de um recurso, profere decisão mais desfavorável ao recorrente, sob o ponto de vista prático, do que aquela contra a qual se interpôs o recurso. Não se permite a reformatio in pejus em nosso sistema, Tratase de princípio recursal não expressamente previsto no ordenamento, mas aceito pela quase generalidade dos doutrinadores. (grifei) Nesse rumo, deve o julgador, diante de um caso concreto, verificar se a aplicação da norma definida em abstrato pelo STJ coloca o recorrente, efetivamente, em situação jurídica mais favorável do que a anteriormente por ele detida. Em outras palavras, e passando mais especificamente à matéria examinada, ainda que em tese o critério jurídico definido pelo STJ no REsp nº 1.118.292/SP se configure mais favorável aos contribuintes, é necessário que, quando de sua aplicação a um determinado litígio, seja verificado com a devida acuidade se o resultado, na prática, se revela mais benéfico ao contribuinte, sob pena de violação ao indigitado princípio, positivado na seara administrativa nos termos do parágrafo único do art. 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 6 Se do exame do processo evidenciarse que o referido paradigma consubstanciase em norma mais favorável ao recorrente, cabe a aplicação dessa norma, cabendo determinar o retorno dos autos à repartição de origem para que seja realizado o recálculo do imposto de renda considerandose as tabelas e alíquotas vigentes à época em que originalmente devidos os rendimentos recebidos acumuladamente. Noutro giro, se for constatado, de maneira razoável e devidamente justificada, que a situação do contribuinte na prática resulte desfavorável frente a definida no lançamento, ou ainda, a impossibilidade de se chegar a uma conclusão mais clara esse respeito, dada a insuficiência de elementos probatórios nos autos, deve ser aquele cancelado, por restar inviabilizada a alteração no seu critério jurídico sem prejuízo para o autuado, não cabendo tampouco a manutenção da exação em desacordo com os parâmetros fixados pelo STJ. 5 JÚNIOR, Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil, Volume 3. Salvador: JusPodium, 2014. 12ª edição, p. 77. 6 Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.017604/200818 Acórdão n.º 2802003.110 S2TE02 Fl. 147 13 Vale lembrar que, anteriormente a 1997, houve períodos em que na tabela progressiva do Imposto de Renda de Pessoa Física vigoravam alíquotas máximas maiores do que a vigente desde 1999, 27,5%. A título de ilustração, lembrese que em 1995 e 1996 a alíquota máxima para o cálculo do imposto era de 35%, e que no decorrer da década de oitenta do século passado elas chegaram a patamares superiores a 50%. Na espécie, ainda que da autuação e da decisão atacada tenha restado incontroverso que a contribuinte auferiu rendimentos acumuladamente decorrente de ação judicial, temse, conforme documentos de fls. 42 a 74, que parte desses rendimentos eram atinentes aos anos de 1995 e 1996, quando, consoante retro mencionado, as alíquotas máximas eram superiores às vigentes quando da percepção final dos valores. Existe, dessa forma, dúvida razoável a impedir a formação da convicção de que a aplicação do entendimento do STJ tenha por consequência situação efetivamente mais favorável ao contribuinte frente ao regime de caixa, que pautou o lançamento, motivo pelo qual entendo deva ser cancelada a exigência, formalizada tendo por esteio norma jurídica incompatível com a consagrada no julgamento do Resp nº 1.118.292/SP. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16062.000163/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.477
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 00 01 63 /2 00 9- 44 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 12/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 15/12/2005, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço nas competências de 10/2004 a 07/2005 e 10/2005. O relatório fiscal de fls. 22/26, diz que os fatos geradores relativos ao presente levantamento foram declarados pela notificada nas GFIP's e os recolhimentos havidos foram devidamente apropriados conforme o RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 13 a 15. Após a impugnação, DecisãoNotificação exarada pela Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos/SP, colacionada às fls. 74/81, julgou o lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão acima referida, através de Aviso de Recebimento confirmado às fls. 85, lhe sendo concedido o prazo para quitação do débito ou apresentação do recurso voluntário. O prazo expirou em 07/04/2006, o evento foi cadastrado no sistema SICOB conforme fls. 86/88 e foi emitido o Termo de Trânsito em Julgado, fls.90 e Ofício para inclusão no CADIN fls. 91. O contribuinte foi cientificado, conforme Aviso de Recebimento de fls. 92. Após a remessa do processo à Procuradoria do INSS para inscrição em dívida ativa, a notificada apresentou recurso intempestivo, conforme protocolo de fls. 100, informando que obteve decisão judicial favorável à interposição do recurso sem o depósito prévio de 30%, do valor do débito. A Procuradoria retornou o processo à fase administrativa, porque a competência para apreciar o recurso é da autoridade administrativa. Nas razões recursais a recorrente alega: a) a nulidade da NFLD por não demonstrar o cálculo dos juros; b) a nulidade da NFLD porque não há discriminação dos meses em que se utilizou a SELIC e dos meses em que a taxa de juros foi de 1%; c) que a aplicação da SELIC é inconstitucional; d) que a contribuição para autônomos e terceiros é inconstitucional; e) que os valores recolhidos em GPS não foram considerados; f) que inocorreu o delito previsto no artigo 168A do DecretoLei 2.818/40, com a redação do §1º, da Lei n.º 9.983/00; g) que é inexigível a contribuição sobre o 13º salário e por fim requer a improcedência da NFLD ou o desconto das parcelas pagas. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000163/200944 Acórdão n.º 2302003.477 S2C3T2 Fl. 181 3 É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo da DecisãoNotificação de fls. 74/81, em 08/03/2006, fls.85, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 08/03/2006, fruindo até 07/04/2006. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 12/09/2007, conforme documento e protocolo de fls. 100, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Ainda é de se ver que às fls.94, dos autos consta o Aviso de Recebimento onde a notificada foi informada do termo do Trânsito em Julgado e da Inscrição no CADIN. A ação judicial interposta pela notificada, visava o oferecimento de recurso voluntário sem a garantia de instância e isto lhe foi deferido. Entretanto, é patente que a notificada não interpôs Recurso Voluntário, no prazo legal ou seja até trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, muito pelo contrário o Recurso Voluntário da empresa foi Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000163/200944 Acórdão n.º 2302003.477 S2C3T2 Fl. 182 5 interposto apenas em 12/09/2007. Totalmente fora do prazo legal,.o que impede o seu conhecimento. Não há que se falar em desobediência à decisão judicial, posto que esta apenas deferiu a interposição do recurso sem a comprovação do depósito recursal, mas a admissibilidade do recurso pelo cumprimento do requisito de admissibilidade frente á tempestividade é da autoridade administrativa, na forma do artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Pelo exposto, Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730619/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.198
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por GDK S/ª contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrente (CSLL), alcançando fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 30 61 9/ 20 11 -8 3 Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 3 2 A fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007, conforme tópico VI do Termo de Verificação Fiscal. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, conforme tópico V do Termo de Verificação Fiscal. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração, conforme tópico IV.1 do Termo de Verificação Fiscal. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008, conforme tópico IV.2 do Termo de Verificação Fiscal. Dedução indevida de despesas não comprovadas A primeira das infrações acima está relatada no item VI do Termo de Verificação, onde a fiscalização afirma que, da análise da documentação apresentada, constatou que a “GDK” não comprovou a totalidade dos custos e despesas, tendo sido glosados valores contabilizados nas contas de despesas: “1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica” e “1198 – Material de Consumo”. Registra o TVF que os valores glosados por falta de apresentação das notas fiscais ou outros documentos comprovadores da realização e da essencialidade da despesa, que se encontram discriminados em planilhas anexas ao AI, foram os seguintes: Happyday Turismo Ltda. – conta 15763: Ano de 2006: R$ 336.143,16 Ano de 2007: R$ 257.925,33 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697: Ano de 2006: R$ 266.353,41 Ano de 2007: R$ 67.382,38 Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, A segunda infração, conforme relatado no item V do TVF, corresponde à glosa, feita pela fiscalização, ao diferimento de parcela do lucro, no ano de 2007 até a realização da receita, referente a 6 obras em contratos com entidades governamentais (conforme memória de cálculo apresentada pela “GDK”). A autoridade fiscal informa ter constatado que não houve segregação da apuração dos resultados dos contratos na contabilidade e, além disso, os próprios resultados estão inflados, pois não foram considerados todos os custos e despesas que deveriam estar a eles apropriados. Aponta impossibilidade de verificação dos cálculos apresentados, bem como da confirmação do resultado individual de cada obra, e diz que os relatórios gerenciais Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 4 3 apresentados (extracontábeis) não confirmaram a correção dos valores excluídos, ao contrário, demonstraram resultados majorados, implicando diferimento maior que o de direito. Explica o TVF que: (...) a contribuinte não individualizou os registros contábeis (nem em contas auxiliares) por contrato ou obra, o que impossibilitou a reconstituição ou a apuração dos resultados do contrato, não cumprindo os requisitos postos pela legislação fiscal para excluir da tributação parcela do lucro proporcional à receita não recebida das entidades governamentais. A “GDK” declarou que utilizou como critério de avaliação do andamento da obra a execução física (medição), avaliada em laudo técnico, que é uma das alternativas previstas no item 5 da IN SRF nº 21/79. Verificouse, porém, que não foram computados nas obras específicas custos e despesas relevantes, de forma que os resultados passíveis de diferimento estavam majorados; – o art. 407, I, do RIR/99 determina que devem ser computados os custos de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração. O item 6 da IN SRF nº 21/79 esclarece que os custos computáveis na apuração do resultado são: custos diretos e indiretos (matéria prima, mão de obra direta e os custos gerais de fabricação) incorridos na construção ou produção, ou na prestação de serviços, inclusive os custos preliminares, tais como os de preparo de projetos, necessários à execução, incorridos após a contratação, o custo total orçado ou estimado e seus reajustes. A IN SRF 21/79 e os arts. 407 a 409 do RIR/99 fundamse no art. 10 do Decretolei nº 1.598/77; – em razão da inobservância desses procedimentos pela “GDK”, fezse necessária reconstituição do lucro real, considerandose os ajustes do lucro passível de cálculo de diferimento, o que fizemos no próximo tópico (V.4). Pelos cálculos demonstrados a seguir, é passível de exclusão no anocalendário de 2007 o valor de R$4.778.541,78, em contraposição aos R$26.480.779,27, valor efetuado pela contribuinte. Essa alteração provoca glosa de exclusões na apuração do lucro real de 2007, de R$22.095.702,86, e ajuste nas adições na apuração do resultado fiscal de 2008 no montante de R$19.339.346,27, quando parte do montante excluído no ano anterior foi adicionado;” Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração. A terceira infração acima apontada está relatada no item IV.1 do TVF, e corresponde à postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio Carioca/GDK, sendo líder a Carioca. O objetivo do consórcio era a execução das obras e serviços de reparo e reabilitação de dutos, sob o regime de empreitada total por preços unitários, dos serviços contratados pela Petrobrás. Explica o TVF que, de acordo com o balancete emitido pelo Consórcio Carioca/GDK, em 2006 o empreendimento gerou R$ 41.465.321,44 de receitas da execução de obras, cabendo à “GDK”, 50%, ou seja, R$ 20.732.660,72. Informa que esses dados estão corroborados: (i) pelo Relatório Gerencial emitido pela “GDK”, relativo à obra 712 – São Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 5 4 Paulo, que corresponde ao consórcio Carioca/GDK, (ii) pelo Balancete da contabilidade do consórcio e (iii) pelo Balancete geral da “GDK”, que correlaciona o registro em sua contabilidade de sua participação no consórcio. Diz que a “GDK” informou que reconheceu naquele ano receitas de R$ 19.801.899,33, e afirmou que adotou critério diverso do adotado pelo consórcio para reconhecêlas: enquanto os consórcios teriam utilizado a relação percentual entre o custo incorrido e custo orçado, da IN 21/1979, a “GDK” utilizou laudos de medição. Já os custos e demais contas patrimoniais, apropriavaos pelos balancetes dos consórcios, na proporção pactuada; Reproduz resumo comparativo demonstrando a apropriação de receitas, nos anos calendário em que se desenvolveu a execução do empreendimento, registrando observação de que o contribuinte, por meio do Termo de Entrega de Documentos nº 09/2011, de 28/07/2011, esclareceu que, erroneamente, considerou no faturamento desse consórcio as notas fiscais nº 390, de 05/01/2007, 522, de 13/02/2007, e 1.420, de 06/03/2008. Assim, o faturamento considerado pela “GDK”, relativo ao Consórcio Carioca/GDK, em 2006, foi de R$ 18.988.206,67, e não de R$ 19.801.899,33, como registrado contabilmente, evidenciando postergação, para o ano de 2007, de R$ 1.744.454,05. Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008 A quarta infração está relatada no item IV.2 do TVF, e corresponde a postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio OSBAT II, firmado entre a “GDK” e a “Camargo Corrêa”, com participação de cada parte na proporção de 50% nos direitos e obrigações na execução dos serviços de reabilitação do duto OSBAT DN operado pela Transpetro. Informa o TVF que foi constatado que a “GDK” não computou exatamente 50% das receitas do consórcio que lhe cabiam em 2007. Conforme Balancete do Consórcio OSBAT II, as receitas decorrentes de serviços no país alcançaram R$ 172.843.747,55. Logo, caberia à “GDK” o montante de R$ 86.421.873,78 (50%). Ocorre que foi contabilizado pela “GDK” o valor de R$ 80.766.102,09, havendo, portanto, uma diferença de R$ 5.655.771,69. Apresenta comparativo dos balancetes da “GDK” e do Consórcio OSBAT II, nas óticas da empresa e do consórcio; Registra o TVF que, intimada a explicar a diferença, a “GDK” informou apenas que “o Consórcio reconhecia as receitas por critério distinto do utilizado pela “GDK”, e que, para manter o mesmo critério das demais obras, as receitas do Consórcio OSBAT II foram faturadas e registradas diretamente por ela, GDK, através das medições, conforme previsto na legislação”. Ressalvou que apenas os custos foram consolidados na contabilidade da “GDK” pelo Balancete do consórcio. Quanto às receitas, a fiscalização diz ter identificado lançamentos que totalizaram receita bruta de R$ 80.766.102,09; Instada a demonstrar a apropriação das receitas durante o período de execução do contrato, o contribuinte apresentou resumo comparativo de como foram apropriadas as receitas, nos anos posteriores ao que se desenvolveu a execução do empreendimento. Esse resumo, segundo a fiscalização, evidenciou a postergação, para o ano de 2008, de receitas de competência de 2007, no montante de R$ 5.655.771,69. A “GDK” diferiu o resultado obtido na realização do Consórcio OSBAT II – OS 711, na proporção da receita não recebida (não realizada). Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 6 5 Ressalta o TVF que a contabilidade da empresa registra recuperação de custos no montante de R$ 21.596.798,91, ressalvado no resumo comparativo. Essa recuperação proveio de custos e despesas incorridos pela empresa na execução do empreendimento, mas que foram controlados em outros centros de custos. Esses custos influenciaram no resultado da obra, mas não foram computados na apuração do resultado dela, embora tenham sido no resultado global da empresa. Como esses custos não foram contemplados na demonstração do resultado do consórcio, mas sua recuperação foi, e o lucro diferível dessa obra teria ficado indevidamente majorado. Impugnação A interessada apresentou impugnação tempestiva, que se encontra assim resumida pelo julgador de primeira instância: “ O Sr. Fiscal iniciou seus trabalhos em 06/08/2010 e concluiu em 15/09/2011, emitindo mais de treze termos de intimação e continuidade fiscal, tendo solicitado mais de quatro mil documentos fiscais, que comprovassem a efetiva prestação de serviços, equivalente a R$ 77.844.845,17, para no fim glosar, de dois fornecedores, um montante de despesa de R$ 927.804,28, nos períodos base de 2006 e 2007, e discordar de procedimentos de apuração das obras de consórcio e diferimento de contratos com entidades governamentais, produzindo um extenso e tautológico relatório, de vinte páginas e cento e quarenta itens, trazendo eventos posteriores para fatos passados, como por exemplo, no item 70 do relatório, quando se refere à Deliberação CVM nº 576/2009, que é uma norma para exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010, enquanto o período fiscalizado era de 2006 e 2007. Além do mais, a CVM é uma autarquia que regula e disciplina as sociedades de capital aberto, ou seja, aquelas que têm ações transacionadas na bolsa de valores, que não é o caso vertente, pois a GDK é uma sociedade de capital fechado, isto é, seu capital não é negociado em mercado; Verificase, no item 64 do relatório, que o Sr. Fiscal teve dificuldade de entender os termos do relatório enviado pela Contribuinte, no “Termo de Entrega de Documentos nº 042011” (doc. 02, anexo), no qual se demonstra que havia sim segregação da apuração dos resultados por contrato. Ao contrário do que ele afirma, os relatórios não são extracontábeis, pois são extraídos diretamente do sistema contábil Hércules, já que os lançamentos contábeis que envolvem despesas e receitas, enfim, as contas de resultado, só podiam ser efetuados com a indicação de um centro de custos. Os relatórios foram obtidos na função de relatórios gerenciais, mas a informação está contida na contabilidade societária. No item 74, o Sr. Fiscal afirma: “Observamos que a contabilidade apresentada não individualizou os lançamentos, nem apurou os resultados por contrato/obra”. É lamentável tal afirmação. Quer o Sr. Fiscal afirmar que os valores apresentados são uma obra de ficção?; No item 75, melhor sorte não cabe ao Sr. Fiscal quando diz: “Entretanto esses dados não puderam ser verificados e confirmados na escrita contábil. Quanto aos custos e despesas, a planilha de cálculo se limitou a apresentar os valores que teriam sido incorridos, não indicando as contas contábeis que estavam registrados”. A Autuada elaborou uma memória de cálculo com base em valores extraídos de relatórios contábeis que foram entregues à fiscalização através do “Termo de Entrega de Documentos nº 52011”, inclusive um DVD contendo: i) composição do aluguel interno cobrado em dezembro de 2007 para todas as obras selecionadas; ii) relatório gerencial demonstrando o resultado de 2007, por obra; e iii) NF 16656 da Kidde Brasil, que estava pendente de apresentação. Demonstramse todas as contas Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 7 6 dos centros de custos, despesas e receitas que tiveram movimento no exercício, assim como o resultado de todos os centros de custos (doc. 03, anexo); Quanto ao item 76: “o plano de contas que acompanhou os arquivos digitais continha a conta denominada 4044 – Gerencial, que se desdobra na conta 4067 – Obras, que por sua vez estava desdobrada em subcontas com denominação de diversas obras. Porém, nos arquivos apresentados, essas subcontas não continham nenhum registro e os saldos estavam zerados (vide balancete extraído dos arquivos digitais), a Autuada atendeu ao solicitado pelo Sr. Fiscal, em consenso e por sugestão deste, através de relatório alternativo, extraído do sistema utilizado na época e até mesmo em planilha excel, conforme “Termo de Entrega de Documentos nº 072010” (doc 04, anexo). Em relação ao item 79: “Essa constatação não foi obtida diretamente da escrituração contábil, que não permitiu observação nesse nível de detalhe, repisese, e sim de Relatórios Gerenciais (extracontábeis) apresentados posteriormente pela Contribuinte”, a afirmação não é verdadeira. Os relatórios são extraídos da contabilidade e foram entregues ao Sr. Fiscal durante a fiscalização, e não “posteriormente”, e que tais relatórios são extracontábeis, conforme demonstrado anteriormente. Quanto ao item 80, parece que o Sr. Fiscal não entendeu o conteúdo do relatório; Em referência aos itens 94 a 96, em que o Sr Fiscal procura refutar evidências, referindose a “A uma e A duas”, é lamentável sua falta de entendimento do que seja um sistema contábil. Realmente, consta do centro de custo 3.1.1.06 os valores de R$ 435.307,03 e R$ 857.095,28, mas, como está claro, tais valores são do Custo de Produtos Vendidos OS 300C, conta 3.1.1.06.005 (doc. 05, anexo), sendo, portanto, verificado apenas um equívoco no centro de custo do lançamento contábil. No curso da fiscalização, ficou demonstrada a dificuldade do Sr. Fiscal de compreender as explicações dadas, o que fica provado na redação do item 104, diante da entrega do “Termo de Entrega de Documentos nº 022011” (doc. 06, anexo). Foi explicado ao Sr. Fiscal que alguma demora em atendêlo derivava da descontinuidade do sistema Hércules – WK, usado em 2006 e 2007, sendo que a fiscalização começou em 2010, como provado no “Termo de Entrega de Documentos nº 022010”, bem como correspondência da própria empresa (doc. 07, anexo); A Autuada, por trabalhar preponderantemente para pessoas jurídicas de direito público, ou empresas sob seu controle, empresa públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias, a exemplo da Petrobrás, tributa seus resultados através do art. 409 do RIR/1999, que manda excluir as receitas não recebidas, impondo o simultâneo diferimento dos custos correspondentes. Esta faculdade é exercida na parte “A” do LALUR e controlada na parte “B”, para ser adicionada quando do seu recebimento. Esse diferimento atinge os contratos de curto e longo prazo, sendo apurado por contrato. A parcela excluída é computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita é recebida. Diante do exposto, verificase que a Autuada tem sua escrituração contábil obedecendo ao Decretolei nº 1.598/1977, consagrado no art. 251 do RIR/1999, e é mantida com observância das disposições legais, fazendo prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis e idôneos. É respeitado também o Princípio da Competência, consubstanciado no regime recomendado pela legislação comercial das sociedades por ações, que foi encampado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real, ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal; A autuada agiu, durante todo o procedimento fiscal, com lisura, transparência e boa fé. Em nenhum momento criou qualquer espécie de embaraço à fiscalização o que Fl. 4516DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 8 7 configura circunstância atenuante, a recomendar revelação de sonegação tributária. A autuada apenas recolheu os tributos devidos dentro da liberdade que a Constituição Federal lhe faculta, o que é um direito líquido e certo, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º da Carta Magna. Essa proteção visa proporcionar segurança aos cidadãos, no caso, os contribuintes, de um modo geral, respeitando tudo aquilo que se adquiriu e se patrimonializou em um tempo que a própria lei vigente lhe facultava tal benefício; O Sr. Fiscal demonstra em seu relatório querer conduzir a Autoridade Julgadora de que a autuada estivesse sempre imbuída do animus de sonegar. Nada mais distante da realidade. Verificase, na autuação, que no anocalendário de 2006 não resultou crédito tributário. O Sr Fiscal adicionou o valor de R$ 602.496,57, referente à glosa de despesa, e R$ 1.744.454,05, do entendimento divergente quanto à apuração do resultado das obras de consórcio, no total de R$ 2.346.950,62. Consoante “Demonstração da Compensação de Prejuízos Fiscais”, esse valor foi compensado com o prejuízo operacional existente, no montante de R$ 81.289.603,93, remanescendo um prejuízo fiscal de R$ 78.942.653,31, antes da compensação. Inexplicavelmente, desse valor foi deduzido o “Prejuízo Não Operacional”, de R$ 6.515.544,48, passando seu prejuízo fiscal para R$ 72.427.108,83; Para o ano calendário de 2007, o Sr. Fiscal manteve o referido prejuízo fiscal, adicionou R$ 28.076.782,26, sendo R$ 325.307,71 de glosa de notas fiscais de fornecedores; R$ 22.095.702,86 de divergência de entendimento quanto à forma de diferimento do lucro nos contratos com entidades governamentais; e R$ 5.655.771,69 também de divergência quanto à apuração das receitas de consórcio. Nesse mesmo quadro é compensado prejuízo fiscal, no limite de 30%, resultando em uma base de cálculo de IRPJ e CSLL de R$ 17.353.419,64, valor este não explícito no quadro, mas constante nos autos de infração de ambos os tributos. Nesse ponto, informese que a Autuada goza de benefícios fiscais da ADENE, de redução do imposto de renda e adicionais de 75%. Ora, se a Autuada tivesse apurado, em 2007, lucro real positivo, teria usado o incentivo fiscal a que tem direito. Para o anocalendário de 2008, a Autuada havia apurado um lucro real de R$ 8.009.444,67, sobre os quais pagou os devidos tributos, conforme planilha de apuração e ficha da DIPJ (docs. 10 e 10A, anexos), que, após os ajustes do Sr. Fiscal, passou a ser prejuízo de R$ 16.985.673,29; O cerne da questão está na apropriação e diferimento do resultado das obras de consórcio e na forma de diferimento do lucro nos contratos com pessoas jurídicas de direito público, ou empresa sob seu controle, etc. A Autuada fez toda a sua apuração na forma estabelecida na IN 21/1979, contrato a contrato, com procedimento uniforme dentro do mesmo critério escolhido durante toda a execução do contrato (doc. 11, anexo). A fiscalização, invocando os arts. 407 e 409 do RIR/99 quer tomar o todo pelo particular, encontra um percentual genérico de 8,69% (lucro bruto dividido pela receita bruta), aplicandoo sobre todos os contratos e conclui por uma glosa de exclusão no valor de R$ 22.095.702,86. Ora, o art. 407 cuida da tributação dos contratos de produção em longo prazo, prevendo duas hipóteses de apuração: i) segundo a percentagem da execução física, avaliada em laudo técnico de medição e; ii) segundo a percentagem que o custo incorrido representar sobre o custo total orçado ou estimado. A opção pelo critério de avaliação do andamento deve ser exercida em relação a cada contrato, mas o critério escolhido deverá ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato; Vejase que o art. 409 trata do diferimento do lucro até a sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 e 408, permitindose que, para efeito de apurar o lucro líquido do períodobase, a pessoa poderá Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 9 8 transferir, para resultados de exercícios futuros, parcela do lucro computado no resultado do períodobase. Diante de qualquer análise, não se encontra respaldo para que a Autoridade Fiscal tome lucro bruto sobre receita bruta para definir percentual de diferimento sobre todos os contratos, afinal, cada contrato tem uma realidade própria. Isto não tem base legal. Além do mais, se tivesse havido postergação de tributo, deveria ser cobrada a multa de 20% e os juros de mora pela taxa SELIC, mas não o próprio tributo, como bem define o art. 273 do RIR/99. Deve ser considerado ainda que no ano calendário subsequente houve lucro real e pagamento de tributos devidos. Por fim, lembre se que não se pode tomar período de postergação de balanço em balanço encerrado em 31/12 de cada ano, pois a Autuada apurava seu resultado em base estimada, com antecipação, redução ou suspensão do IRPJ e da CSLL; A mesma divergência de interpretação ocorre com as receitas do “Consórcio Reabilitação de Dutos Sudeste – OS 712” e do “Consórcio OSBAT – OS 711”, cujos valores glosados foram R$ 1.744.454,05, para o períodobase de 2006, e R$ 5.655.771,69, para 2007. Verificase, nos contratos (docs. 12 e 13, anexos), que a “GDK” não era a empresa líder. Através das peças constantes dos documentos (docs. 14 e 15, anexos), está demonstrado que a Autuada reconheceu todas as receitas ao longo do consórcio, em consonância com todos os demais contratos de todas as obras, mediante a emissão de cada fatura e com base na progressão física da obra. Já a empresa líder do consórcio apropriou ao resultado a receita, bem como custos e despesas ao longo do período de construção, à medida da evolução financeira das obras (método POC), medindose o percentual de custos incorridos em relação aos custos orçados. Não existe obrigatoriedade das consorciadas praticarem exatamente igual a apuração dos resultados do consórcio, mesmo porque cada consorciada não está obrigada a ter o mesmo regime de tributação. Pode, por exemplo, uma apurar seu resultado pelo lucro real e outra pelo presumido, não cabendo ao Sr. Fiscal querer autuar o contribuinte pelo exercício de uma faculdade legal; A Autuada disponibiliza cópia da documentação (docs. 16 e 17, anexos) provando os pagamentos efetuados à Happyday Turismo Ltda. e Versegur – Vera Cruz Seg. Vigilância Ostensiva, sendo: 1) Happyday: R$ 200.074,70 (2006) + R$ 130.442,74 (2007) = R$ 330.517,44 2) Versegur: R$ 189.249,42 (2006) + R$ 16.714,44 (2007) = R$ 198.963,86 A Autuada solicita que lhe sejam deferidos todos os meios de prova admitidos em Direito, indicando, de logo, a juntada posterior de novos documentos e, face ao exposto, vem requerer: a) recomposição do prejuízo fiscal do período base de 2006, no sistema SAPLI; b) reconhecimento do resultado do período base de 2007, de prejuízo fiscal, e da CSLL; c) julgamento simultâneo do auto de IRPJ e da CSLL, por se tratar do mesmo processo e; d) julgar totalmente improcedente o auto de infração ora discutido. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 3.675 a 4.341.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em salvador julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 10 9 As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. RECEITAS RECONHECIDAS E NÃO RECEBIDAS. DIFERIMENTO DO LUCRO. Nos contratos de empreitada ou fornecimento celebrados com entidades governamentais, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro computado no resultado, proporcional à receita considerada nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período, devendo computála no cálculo do lucro real do período base em que a receita for recebida. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. LUCRO DIFERIDO. PERCENTUAL DE DIFERIMENTO. O diferimento do lucro correspondente à parcela das receitas não recebidas dentro do período base está condicionado à segregação dos resultados de cada contrato/obra na contabilidade, admitindo se, contudo, diante da total impossibilidade de apuração do percentual de diferimento, por obra, e no caso de empresa cujas atividades sejam assemelhadas, a utilização de um percentual médio resultante da razão entre o lucro bruto total e o total das receitas operacionais. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita ou de reconhecimento de lucro constitui fundamento para lançamento de imposto quando dela resulta redução indevida do lucro real ou postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior àquele em que seria devido. CONSÓRCIO PARA A EXECUÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS. Consoante regras fixadas em contrato, é de responsabilidade de uma das consorciadas, definida como líder, a elaboração da contabilidade do consórcio, obrigando se todas a reconhecer contabilmente suas receitas, custos e despesas de conformidade com o percentual de participação de cada uma no empreendimento e computálos no resultado do respectivo período de apuração, não cabendo às consorciadas utilizar critério de reconhecimento das receitas diverso daquele empregado pelo consórcio. AJUSTE DO PREJUÍZO FISCAL DECLARADO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais declarados pela pessoa jurídica devem ser ajustados pelos valores tributáveis apurados em ação fiscal, cabendo ainda a compensação dos prejuízos de exercícios anteriores, no limite legal de 30% do lucro real ajustado. REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA ADENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 11 10 Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de lançamento decorrente de idênticos fatos geradores, há que se dar a ele o mesmo entendimento dado ao lançamento de IRPJ, observandose ainda que a base de cálculo negativa acumulada em exercícios anteriores deve ser utilizada para reduzir em até 30% a base de cálculo apurada em cada período base tributado. Ciente da decisão em 07 de março de 2014 (fls. 4415), a interessada ingressou com recurso em 04 de abril (fls. 4416). Na peça recursal, contesta pontualmente assertivas contidas no voto condutor e aduz que, diante das conclusões aqui expostas devese prosseguir com os mesmos argumentos já colocados na impugnação, ...” reeditando as razões então apresentadas e o pedido, que inclui perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, o litígio envolve acusação de cometimento de quatro infrações (Dedução indevida de despesas não comprovadas; Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais; Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração e Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008), sendo que para a infração 1, entendo necessário converter o julgamento em diligência, pelo fato da apresentação pela recorrente de uma série de documentos que merecem uma análise por parte da autoridade autuante, senão vejamos: Infração 1: A fiscalização glosou despesas operacionais em razão da falta de apresentação dos respectivos documentos comprobatórios, nos seguintes valores: Beneficiário Conta 2006 2007 Happyday Turismo Ltda. 15763 336.143,16 257.925,33 Versegur Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva 47697 266.353,41 67.382,38 TOTAL 602.496,57 325.307,71 Em sua impugnação o sujeito passivo apresentou parte da documentação reclamada, referente a pagamentos feitos à empresa “Happyday” (fls. 4.209 a 4.311), nos valores de R$ 200.074,70 em 2006, e R$ 130.442,74 em 2007, e pela empresa “Versegur” (fls. Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 12 11 4.312), nos valores de R$ 182.249,4 em 2006 e R$ 16.714,44 em 2007, implicando um total de R$ 382.324,12, em 2006, e R$ 147.157,18, em 2007. A decisão recorrida manteve a glosa mesmo para os documentos apresentados. Justifica o julgador: “No caso dos documentos apresentados no decorrer da ação fiscal, alguns foram admitidos, mas muitas das notas fiscais relacionadas nas planilhas fiscais anexas às intimações não foram entregues, bem como não houve qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços e de sua necessidade. Já em relação à documentação juntada à peça impugnatória, observase que nada de relevante foi acrescentado. Os documentos concernentes à “Happyday” são, na sua grande maioria, “Faturas de Serviços/Duplicatas” e não Notas Fiscais de Prestação de Serviços, que seriam, em última análise, os documentos apropriados para suportar esses gastos. Tais despesas, de modo geral, referemse a hospedagens e passagens aéreas, em nome de pessoas não identificadas, não havendo qualquer informação a respeito de possível vínculo que mantinham com a empresa. As poucas Notas Fiscais de Prestação de Serviços anexadas tratam de “Consultoria e Assessoria Administrativa”, ou seja, uma discriminação bastante vaga, sem nenhuma descrição do serviço que efetivamente teria sido realizado. Notase também a existência de gastos com a aquisição de bens do ativo imobilizado que, obviamente, não se enquadram no conceito de despesas operacionais. Quanto aos dispêndios realizados com a “Versegur”, a Impugnante juntou algumas notas fiscais relativas a “Serviços prestados de vigilância”, sendo que algumas delas não conferem em datas e valores com a planilha que elaborou (fl. 4.312). Ademais, não restou comprovado que tais notas fiscais não são as mesmas já apresentadas e acatadas pelo agente fiscal durante o procedimento fiscal e que, portanto, as respectivas despesas integraram os montantes tributados de ofício”. No recurso, contrapõe a Recorrente: (i) o Sr. fiscal, à época da fiscalização, aceitou documentos idênticos aos anexados à impugnação; (ii) na ocasião não foram apresentados todos os comprovantes apenas por falta de localização; (iii) os contratos com a Happyday não foram na modalidade de fornecedora direta de serviços, mas na modalidade de intermediadora, que emite passagens, meios de hospedagem, etc., e tem como receita a comissão recebida dos fornecedores. Nessa modalidade, não há, para a agência de turismo, obrigação de emissão de nota fiscal das passagens, hospedagem, etc., mas apenas sobre os valores das comissões cobrados. Contudo, emite fatura/duplicada de todos os gastos com as referidas despesas. O voto condutor, ao afirmar que “dos documentos apresentados no decorrer da ação fiscal, alguns foram admitidos, mas muitas das notas fiscais relacionadas nas planilhas fiscais anexas às intimações não foram entregues, bem como não houve qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços e de sua necessidade, afirma algo que não consta do TVF. Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 13 12 O TVF registra que a glosa deuse por falta de apresentação de documentos, nada registrando quanto à falta de comprovação da efetividade dos serviços e de sua necessidade. É óbvio que, se os documentos não foram apresentados no curso da ação fiscal, o auditor não poderia ter apreciado a questão da “efetividade e necessidade” do serviço. Mas em relação aos documentos apresentados no curso da fiscalização, não há qualquer menção de algum não ter sido aceito por falta de comprovação da efetividade do serviço, ou por ele ser considerado desnecessário. Especificamente para essas despesas glosadas, a ação fiscal desenvolveuse da seguinte forma: Inicialmente, o contribuinte foi intimado (Intimação fl. 127) a apresentar toda a documentação contábil que embasou os lançamentos contábeis do mês de dezembro de 2006 das seguintes contas contábeis de CUSTOS/DESPESAS: 1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica, 1101 Aluguel de Máquinas e Equipamentos, 1198 Material de Consumo, 125629 Mão de Obra, 2677 Passagens e Hospedagens, 1212 Despesas Diversas, 125664 Serviços Prestados e 125658 Subempreiteiros. O segundo passo foi a intimação fls. 135, para apresentar os documentos originais que deram suporte aos lançamentos extraídos do razão das contas 1034 (serviços prestados por pessoa jurídica) e 336 (Fornecedores) constantes dos anexos ao termo. Consignou a autoridade fiscal que os documentos originais relativos aos lançamentos enumerados no Anexo 1 (que se referem ao mês de dezembro de 2006) não foram encontrados entre os disponibilizados pela empresa para verificação, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 15/10/2010. Dos lançamentos relacionados nos anexos, há um da Happyday, em 22/12 no valor de R$ 20.000,00, e quatro da Versegur, no valor de R$ 6.595.303,65 cada, sendo 2 em 21/12/2006 e 2 em 31/12/2006. Pela intimação de fls. 155 a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos originais que deram suporte aos lançamentos extraídos do razão das contas 1034 (serviços prestados por pessoa jurídica) e 336 (Fornecedores) constantes dos Anexos 1, 2 e 3 do Termo, ainda não entregues. Entre os documentos relacionados encontramse dois da Versegur (R$ 45.611,70, em 26/12/2006 e R$ 14.726,00, em 21/12/2006) e um da Happyday (R$ 20.000,00 em 22/12/2006). Isso permite inferir que os quatro documentos da Versegur, no valor de R$ 6.595.303,65 cada, foram apresentados. Pela intimação de fls. 166 foi determinado a contribuinte a apresentação de toda a documentação que embasou os lançamentos contábeis da conta 1044 Serviços prestados pela Pessoa Jurídica, especialmente das empresas Câmbio Time Assessoria, VersegurSegurança, Inter Náutica Indust. Happyday Turismo Ltda. Docas da Bahia, Cia Brasileira de Soluções e Serviços, De Delisa Plásticos e Líder Alimentos. Na intimação seguinte, de fls. 173, a autoridade fiscal registra: “Através da intimação de 15/06/2011 solicitamos a apresentação de toda a documentação fiscal dos fornecedores referidos nos tópicos 1 a 4 abaixo. Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 14 13 A relação das notas fiscais não apresentadas está anexada a este Termo. O não atendimento ensejará a glosa das correspondentes despesas. 1 De Delisa Plásticos – conta 13882: (...) 2 Companhia Brasileira de Soluções e Serviços – conta 152262 (...) 3 Companhia das Docas (...) 4 Happyday Turismo Ltda. conta 15763 4.1 2006 R$ 568.962,95 4.2 2007 – R$ 496.873,95 5 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697 4.1 2006 R$ 1.623.880,81 4.22007 R$ 523.249,93”(destaquei) Da Happyday foram relacionados 159 lançamentos relativos ao ano de 2006, e da Versegur 187 lançamentos relativos ao ano de 2006 e 68 relativos ao ano de 2007. Não foi anexada a relação dos lançamentos do ano de 2007 da Happyday, apenas o total da despesa a eles relativa. A contribuinte apresentou parte dos documentos e foi lavrado o auto de infração glosando as despesas relativas aos documentos não apresentados, relacionados às fls. 53/60. Para a Happyday foram relacionados para glosa 93 lançamentos em 2006 (R$ 336.143,16) e 63 em 2007 (R$ 257.925,33), e para a Versegur, 34 em 2006 (R$ 266.353,41) e 7 em 2007 (R$ 67.383,38). Com a impugnação a contribuinte juntou, para a Happyday, 45 documentos de 2006 e 20 documentos de 2007, e para a Versegur, 19 documentos de 2006 e 2 documentos de 2007 (docs. 16 e 17). Portanto, temse que: 1 A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios de todos os lançamentos de despesas pagas às pessoas jurídicas Happyday e Versegur. 2 Após a apresentação dos documentos, a fiscalização constatou que deixaram de ser apresentados os relativos a parte dos lançamentos, conforme a seguir: Ano beneficiário Quantidade Valor total 2006 Happyday 159 568.962,95 2006 Versegur 187 1.623.880,81 2007 Happyday ? 496.873,95 Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 15 14 2007 Versegur 68 523.249,93 3 Atendendo a intimação para apresentar os documentos faltantes (que a fiscalização indicou individualizadamente), sob pena de glosa da despesa contabilizada, a contribuinte trouxe documentação relativa a parte dos lançamentos, remanescendo sem comprovação os lançamentos abaixo, que ensejaram o auto de infração: Ano Beneficiário Quantidade Valor total 2006 Happyday 93 336.143,16 2006 Versegur 34 266.353,41 2007 Happyday 63 257.925,33 2007 Versegur 7 67.382,38 Daí se infere que a fiscalização acatou todas as despesas para as quais foram apresentados os documentos, não tendo questionado a efetividade dos serviços ou sua necessidade. A glosa deuse, apenas, pela não apresentação dos documentos. De acordo com o que dispõe o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a impugnação o contribuinte deve apresentar as provas que possuir para desconstituir a acusação. No caso, tendo sido glosadas as despesas por falta de apresentação da documentação, cabia a contribuinte, na impugnação, juntar os documentos que possuía, como fez. Em relação à Happyday Turismo, que presta os serviços de aquisição de passagens e estadias para a contribuinte, a fiscalização intimou para a apresentação de toda a documentação. Constatando a falta de apresentação completa, relacionou os lançamentos para os quais não fora apresentada a documentação. Para o ano de 2006, por exemplo, de um universo de 159 documentos pedidos, totalizando R$ 568.962,65, a contribuinte apresentou 66, comprobatórios de despesas no montante de R$ 66.232,79. Para o ano de 2007, em que a fiscalização intimou para apresentação dos documentos referentes a R$ 496.873,95, a contribuinte apresentou documentos correspondentes a R$ 238.948,62. Em relação aos documentos apresentados, a fiscalização não duvidou da efetividade e a necessidade dos serviços, glosando apenas os valores correspondentes à documentação faltante. Em relação à Versegur, alega o julgador que “não restou comprovado que tais notas fiscais não são as mesmas já apresentadas e acatadas pelo agente fiscal durante o procedimento fiscal e que, portanto, as respectivas despesas integraram os montantes tributados de ofício”. Os documentos trazidos com a impugnação (relação às fls. 4312) estão identificados na relação que integrou o Termo de Intimação de fls. 173, como documentos não apresentados em atendimento à intimação anterior (para apresentar todos os documentos), com a advertência que sua não apresentação ensejaria a glosa das correspondentes despesas. O fato de esses documentos integrarem a relação das despesas glosadas (fls. 58/59 dos autos), obviamente, significa que eles não foram apresentados à fiscalização. No Doc. 17 (fls. 4.312), no qual a contribuinte relaciona os documentos que estão sendo juntados com a impugnação, há cinco notas fiscais nas quais foi aposta a observação (manuscrita) indicando que o valor era líquido. Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 16 15 Na relação dos lançamentos cujos documentos comprobatórios foram pedidos com a intimação de fls. 173 (e cuja não apresentação motivou a glosa) essas notas fiscais constam com as seguintes indicações (fls. 190): Data Crédito Histórico 28/04/2006 14.435,26 OVLR REF NF 2854 VERSEGUR 28/04/2006 6.678,34 OVLR REF NF 2853 VERSEGUR 28/04/2006 2.821,90 OVLR REF NF 2850 VERSEGUR 28/04/2006 47.531,13 OVLR REF NF 2869 VERSEGUR 28/04/2006 2.906.01 OVLR REF NF 2843 VERSEGUR Referidas notas fiscais, emitidas pela Versegur e juntadas à impugnação, estão anexadas às fls. 4315 a 4319. Logo, a vista dos documentos apresentados pela contribuinte por ocasião de sua impugnação/recurso, entendo salutar baixar o processo em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados posteriormente ao procedimento fiscal, intimando a contribuinte para, se querendo, venha aos autos se manifestar acerca da conclusão da presente diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001447/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10510.720341/2011-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
GFIP. RETIFICADORA. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SE DÁ PELA GPS, SENDO A GFIP MERO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VERIFICADA DIFERENÇA ENTRE O QUE DECLARADO E O QUE RECOLHIDO E O QUE CONSTA DOS DEMAIS DOCUMENTOS DA EMPRESA, COMO FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE A SOMENTE A RETIFICAÇÃO DA GFIP É INÓCUA, POIS ALÉM DESSA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIO SE FAZ RECOLHER A DIFERENÇA APURADA. COMPENSAÇÃO. PROMOVIDA VIA GFIP APROVEITADA. AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS A FAVOR DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO SÃO INSTITUTOS COM PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS, ESTANDO FORA DO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, BEM COMO A COMPETÊNCIA PARA ANALISAR TAIS PEDIDOS E DA DRF, SENDO INADEQUADO E INCOMPATÍVEL COM O PAF TAL MEDIDA. NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para:
I determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levando-se, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos - nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta.
II - determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerando-se o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.296.911-9 e 37.296.912-7, para o período de 01/2007 a 11/2008. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 GFIP. RETIFICADORA. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SE DÁ PELA GPS, SENDO A GFIP MERO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VERIFICADA DIFERENÇA ENTRE O QUE DECLARADO E O QUE RECOLHIDO E O QUE CONSTA DOS DEMAIS DOCUMENTOS DA EMPRESA, COMO FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE A SOMENTE A RETIFICAÇÃO DA GFIP É INÓCUA, POIS ALÉM DESSA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIO SE FAZ RECOLHER A DIFERENÇA APURADA. COMPENSAÇÃO. PROMOVIDA VIA GFIP APROVEITADA. AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS A FAVOR DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO SÃO INSTITUTOS COM PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS, ESTANDO FORA DO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, BEM COMO A COMPETÊNCIA PARA ANALISAR TAIS PEDIDOS E DA DRF, SENDO INADEQUADO E INCOMPATÍVEL COM O PAF TAL MEDIDA. NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levando-se, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos - nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. II - determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerando-se o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.296.911-9 e 37.296.912-7, para o período de 01/2007 a 11/2008. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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INFORMAÇÃOES INCORRETAS OU OMISSAS; REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO; SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT/ADICIONAL; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS DAL; REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS E TERCEIROS. Recorrente HABITACIONAL EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 GFIP. RETIFICADORA. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SE DÁ PELA GPS, SENDO A GFIP MERO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VERIFICADA DIFERENÇA ENTRE O QUE DECLARADO E O QUE RECOLHIDO E O QUE CONSTA DOS DEMAIS DOCUMENTOS DA EMPRESA, COMO FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE A SOMENTE A RETIFICAÇÃO DA GFIP É INÓCUA, POIS ALÉM DESSA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIO SE FAZ RECOLHER A DIFERENÇA APURADA. COMPENSAÇÃO. PROMOVIDA VIA GFIP APROVEITADA. AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS A FAVOR DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO SÃO INSTITUTOS COM PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS, ESTANDO FORA DO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, BEM COMO A COMPETÊNCIA PARA ANALISAR TAIS PEDIDOS E DA DRF, SENDO INADEQUADO E INCOMPATÍVEL COM O PAF TAL MEDIDA. NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 03 41 /2 01 1- 60 Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 651 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I – determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levandose, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. II determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.296.9119 e 37.296.9127, para o período de 01/2007 a 11/2008. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 652 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.296.9097, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9119, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal e de Diferenças de Acréscimos Legais DAL, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9127, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuintes individuais – parte descontada do trabalhador, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9135, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 96 a 100, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 108 e 109. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 04/02/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 02, e, ainda, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 04; 39 e 66. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, petições com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 204 a 208; 209 a 213; 214 a 217; 218 a 221, recebidas, em 04/03/2011, conforme carimbo de recepção, de fls. 204; 209; 214 e 221, estando acompanhada dos documentos, de fls. 222 a 1.165. As impugnações foram considerados tempestivas, fls. 1.166 a 1.169; 1.170. Consta, as fls. 1.172 e 1.173, respectivamente, Termo de Apensação (1), informado a juntada por apensação a esses autos, do processo 10510.720482/200182 e do processo 10510.720483/201127, em 27/04/2012 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0827.163 6ª, Turma DRJ/FOR, em 09/10/2013, fls. 1.177 a 1.186. A impugnação ao lançamento 37.296.9097 foi considerada procedente e o crédito anulado, as demais foram consideradas improcedentes e os créditos mantidos em sua totalidade. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 05/11/2013, conforme AR, de fls. 1.193. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 653 4 Irresignado o contribuinte impetrou três Recursos Voluntários, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.195 a 1.206; 1.207 a 1.217 e 1.218 a 1.228, recebidas, em 04/12/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 1.195; 1.207 e 1.218, acompanhada dos documentos, de fls. 1.229 a 1.233. As razões recursais para os três créditos são as que seguir constam, sendo que esses serão julgados de forma conjunta. Mérito. · que a empresa sempre atendeu de forma solicita aos pedidos do fisco, fornecendo todas as informações e entregando todos os documentos, não tento o intuito de lesar ou fraudar, o que demonstra a sua boa fé; · que a empresa enviou as GFIP’s e as retificou algumas vezes, mas que as declarações retificadoras não foram processadas pelo órgão fiscal, possuindo a empresa recorrente crédito suficiente para compensar o débito surgido; · que a recorrente centralizou todos os recolhimentos de matrícula CEI no CNPJ da matriz, o que, também, foi feito pelo fisco no procedimento fiscal, sendo que desta forma não existe débito para os anos de 2006 e 2007, mas sim créditos a compensar em períodos subsequentes; · que o presente crédito advém de diferenças nos recolhimentos – parte declarada e não recolhida e outra parte não declarada e não recolhida, porém a recorrente promoveu a retificação das GFIP’s, sendo que essas não foram processadas pelo fisco e nem atualizadas pelo agente fiscal, o que causou as divergências; · que não deve prevalecer a alegação de perda da espontaneidade, pelo envio das GFIP’s retificadoras após o início da fiscalização em virtude do princípio da verdade material, sendo aplicável esse princípio em qualquer fase do processo, segunda a jurisprudência, cita e transcreve diversas doutrinas, requerendo a recorrente prazo de 90 dias para a juntada de documentos que cita, diz, ainda, que os tribunais pátrios já adotam o princípio da verdade material, cita TJMG; TCU; CARF, devendo o CARF conhecer das retificações e reconhecer o direito creditório, inclusive, em razão das compensações pleiteadas, cita decisão do 1º CC; CSRR, respeitandose sempre o princípio da legalidade, sendo necessário a reforma do acórdão recorrido; · que não pode prosperar a assertiva do acórdão guerreado que as compensações dos anos de 2006, 2007 e 2008 devem ser requeridas junto ao setor competente; · que o artigo 17, da IN RFB 1.300/2012 permite ao contribuinte solicitar a restituição, das contribuições retidas em nota fiscal de cessão de mão de obra em PER/DCOMP, se não o fizer em GFIP, Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 654 5 sendo a restituição por PER/DCOMP uma faculdade e não obrigação, neste caso a recorrente fez a solicitação em GFIP, não devendo subsistir o acórdão recorrido; · Dos pedidos e requerimentos: a) que o auto de infração n° 37.296.9119; 37.296.9127 e 37.296.9135, sejam fulminados, face ao crédito disponível da recorrente, sendo esse suficiente para compensar os débitos; b) requer a abertura de prazo para apresentar as retificações realizadas e não processadas pela RFB. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 1.238. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 1.238. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 07, fls. 1.239. Consta dos autos após a distribuição destes, ao presente Conselheiro Relator, os Termos de Análise de Solicitação de Juntada, de fls. 1.240; 1.243; 1.246; 1.249; 1.252, que supostamente pretendiam juntar aos autos os anexos, nº’s 29 a 37; 38 a 44; 21 a 28; 13 a 20; 07 a 12, respectivamente, todavia em razão dos arquivos estarem em branco e vazios rejeitei a juntada. Consta, também, após a distribuição destes autos, ao presente Conselheiro Relator, o Termo de Análise de Solicitação de Juntada, de fls. 1.255, que requeria a juntado dos documentos de fls. 1.256 a 1.563, anexos nº 01 a 06, ao presente feito, o que foi aceito, fls. 1.564 e 1.565. É o Relatório. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 655 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os recursos voluntário são tempestivos e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade eles merecem ser apreciados, o que o será feito de forma conjunta. Delimitação da lide. Não está em discussão nesses autos o ano de 2006, uma vez que o presente lançamento reportase, exclusivamente, ao ano de 2007 e 2008. Assim sendo, nenhuma alegação sobre esse ano será analisada por se constituir em hipótese de divórcio ideológico. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Outrossim, não cabe ao presente processo administrativo fiscal discutir direito a compensação ou restituição, uma vez que o papel deste processo é atender ao que determinado pelo artigo 145, I c/c o artigo 149, e seus incisos, todos, da Lei 5.172/66. Qualquer alegação de compensação ou restituição deve ser promovida junto à autoridade competente da DRF e pelo meio processual adequado, que não é o presente processo administrativo fiscal. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 656 7 Mérito. No que tange a alegação de boa fé e atendimento das solicitações do fisco, nada mais fez a recorrente do cumprir com o seu dever legal, uma vez que a boa fé é presumida e no outro caso se desatender as solicitações do fisco ficaria a recorrente sujeita as sanções determinadas em lei. Nem uma nem outra situação são capazes de alterar a situação do lançamento. O suposto não processamento pela RFB de GFIP’s retificadoras enviadas após o início do procedimento fiscal é irrelevante para o deslinde da questão, qual seja a existência de diferenças a recolher, em razão de duas situações: a) declaração a menor de base de cálculo; b) omissão total da base de cálculo, conforme consta do Anexo II – Segurado Não Declarados. A razão para a irrelevância da apresentação de supostas GFIP’s retificadoras é muito simples. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP como o próprio nome esclarece, para fins de Previdência Social é um documento meramente informativo declaratório, ou seja, este documento não se presta a promover o recolhimento da contribuição social previdenciária, ou da contribuição para terceiros, ou qualquer outra contribuição para a previdência social. O documento que possui natureza arrecadatória é a Guia de Recolhimento da Previdência – GPS. A GFIP foi usada para verificar se todos os trabalhadores constantes da folha de pagamento e da contabilidade foram devidamente informados ao fisco, caso isso ocorra o valor apurado de recolhimento à previdência social pelo sistema SEFIP será idêntico ao da GPS, o que comprovará o recolhimento total das contribuições e provavelmente o fisco nada encontrará de diferenças. Mas, em caso contrário, ou seja, o fisco verifica que falta trabalhadores a serem declarados em GFIP e/ou, ainda, que a base de cálculo dos trabalhadores declarados foi subdimensionada, sugiram diferenças e desta forma, estando o valor apurado para recolhimento à previdência social pelo sistema SEFIP idêntico ao da GPS recolhida, ficará comprovada ter havido recolhimento parcial ou a menor, das contribuições e provavelmente o fisco encontrará diferenças foi o que acorreu, no caso em questão, é o consta do REFISC, fls. 97, que abaixo transcrevo, bem como está evidenciado no Anexo II – Segurado Não Declarados, fls. 115 a 138. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 657 8 Assim sendo, as supostas retificações em GFIP em nada alteram o lançamento, pois apenas o recolhimento adicional, via GPS, das diferenças apuradas na suposta GFIP retificadora poderia regularizar a questão e desde que efetuado tal recolhimento antes do início do procedimento fiscal. No presente caso, não há provas de tal recolhimento, nos presente autos, bem como após o início do procedimento fiscal não é mais lícito ao contribuinte promover tal recolhimento, pois afastada está a denúncia espontânea. O agente fiscal deixou claro os procedimentos utilizados no levantamento fiscal e o próprio contribuinte confirmou que, também, fez uso do mesmo procedimento aplicado pelo fiscal. Ocorre que o fiscal encontrou diferenças nos recolhimentos em razão da declaração e recolhimento parcial das contribuições que elencou, bem como em razão da omissão total de recolhimento para outros trabalhadores, o que já foi supramencionado. A situação de divergência mencionada fica clara quando se lê o campo observação do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 158 a 168. Além disso, o agente fiscal consignou que utilizou todos os créditos a favor do contribuinte, apropriandoos nos respectivos lançamentos, o que pode ser verificado no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, de fls. 10 a 20, bem como no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, 21 a 29. TABELA VALOR NOTAS FISCAIS APRESENTADAS X VALOR APROPRIADO PELO FISCO. COMPETÊNCIA VALOR APRESENTADO CONTRIBUINTE VALOR APROPRIADO PELO FISCO RADA OBSERVAÇÃO Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 658 9 01/2007 R$ 100.016,69 R$ 136.870,31 FISCO 02/2007 R$ 137.332,10 R$ 134.041,37 CONTRIBUINTE 03/2007 R$ 119.463,21 R$ 112.319,14 CONTRIBUINTE 04/2007 R$ 273.975,17 R$ 250.051,06 FLS.699; 702; 704; 705; 707 a 709; 711 a 713. NOTAS. CONTRIBUINTE 05/2007 R$ 55.186,13 R$ 55.1816,14 IGUAL 06/2007 R$ 162.159,52 R$ 162.159,52 IGUAL 07/2007 R$ 191.387,26 R$ 191.387,27 IGUAL 08/2007 R$ 45.156,84 R$ 25.906,84 FLS. 834; 838; 844 a 847; CONTRIBUINTE 09/2007 R$ 9.404,84 R$ 9.404,84 IGUAL 10/2007 R$ 10.5720,28 R$ 105.720,28 FISCO 11/2007 R$ 12.949,73 R$ 16.045,14 FISCO 12/2007 R$ 81.198,23 R$ 81.198,24 IGUAL 01/2008 R$ 62.961,71 R$ 62.961,73 IGUAL 02/2008 R$ 54.622,53 R$ 54.622,53 IGUAL 03/2007 R$ 57.082,29 R$ 57.082,29 IGUAL 04/2007 R$ 61.177,00 R$ 61.177,01 IGUAL 05/2008 R$ 51.965,59 R$ 53.045,00 FISCO 06/2008 R$ 88.724,49 R$ 88.724,48 IGUAL 07/2008 R$ 26.738,55 R$ 45.310,57 FISCO 08/2008 R$ 48.262,79 R$ 48.262.78 IGUAL 09/2008 R$ 15.691,99 R$ 15.691,99 IGUAL 10/2008 R$ 2.899,95 R$ 2.899,95 IGUAL 11/2008 R$ 6.046,53 R$ 6.046,52 IGUAL Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 659 10 12/2008 R$ 4.459,20 R$ 4.459,20 RDA, FLS. 19 NÃO CONSTA DE NENHUM DOS TRÊS LANÇAMENTOS Da comparação acima podemos constatar, o que a seguir descrevo: · competência 02/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O Fisco considerou duas notas, uma no valor de R$ 7.484.18 e outra no valor R$ 31.068,20 não apresentadas pelo contribuinte. Entretanto, o contribuinte juntou as notas nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, que não consta do RDA e RADA para essa competência; · competência 03/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O Fisco considerou uma nota no valor de R$ 23.924,11 não apresentada pelo contribuinte. Entretanto, o contribuinte juntou as notas nº 781, de 01/0/2007 com destaque de R$ 31.068,20, porém tal nota foi utilizada pelo fisco na competência 02/2007. · competência 04/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O contribuinte juntou a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707, que não consta do RDA e RADA para essa competência; · competência 08/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O contribuinte juntou a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, que não consta do RDA e RADA para essa competência. Não havendo por parte do fisco impugnação quanto a veracidade e validade das notas apresentadas pelo contribuinte devem estas serem apropriadas pelo fisco, uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento não é da contratada prestadora dos serviços, mas sim da contratante – tomadora dos serviços. Assim sendo, as notas a seguir elencadas devem ser apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme critério adotado pela fiscalização, considerandose, ainda, a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. Não existe nos autos provas de que o contribuinte tenha crédito a compensar com o fisco. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 660 11 O presente lançamento e o, respectivo, processo administrativo fiscal não são os meios adequados para a determinação da existência de eventual direito compensatório que pensa se o contribuinte detentor, tal pretensão deve obedecer, o que é determinado pelo artigo 89, da Lei 8.212/91 c/c o 247, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 e demais normas que regulam a matéria. A questão da perda da espontaneidade e da aplicação da verdade material são irrelevantes, no presente caso, pois como foi alhures supramencionada a retificação das GFIP’s, caso tenha ocorrido são irrelevantes, uma vez que essas não se constituem em forma de pagamento das contribuições e uma vez lançados os valores entendidos pelo fisco como devidos em razão da apuração de diferenças não recolhidas e verificadas na documentação da empresa, somente o recolhimento das diferenças ou a prova da inexistência dessas diferenças seriam capazes de modificar o quadro e não a apresentação de GFIP retificadora, mormente, quando essa visa excluir a tributação após o lançamento, artigo 147, parágrafo único, da Lei 5.172/66. Não existe direito creditório a ser reconhecido no presente PAF, pois essa não é a função dos presentes autos, apenas a autoridade local da DRF é competente nos termos da lei a reconhecer qualquer tipo de direito crédito, devendo o contribuinte caso se entenda detentor de tal tipo de direito manejar o procedimento adequado junto à autoridade competente. As retificações das GFIP não atribuem ao contribuinte nenhum tipo de direito creditório, pois a função da retificação é apenas corrigir supostas informações prestadas de forma omissa ou incorreta e nada mais, pois a GFIP não se presta a recolhimento de contribuição previdenciária. No que tange as supostas compensações pleiteadas, caso o contribuinte recorrente esteja se referindo as que fez via GFIP e que o agente lançador informou estarem incluídas na base de cálculo do Auto de Infração 37.296.9090 por terem sido informadas incorretamente, este situação, também, é irrelevante nesse caso Verificase da leitura do REFISC e da análise dos Discriminativos de Débito – DD, de fls. 05 a 09; 40 a 42; 67 a 69, que não houve glosa das compensações realizadas, mas sim que tais compensações por terem sido promovida de forma incorreta foram incluídas no computo do valor do auto de infração de obrigação acessória. Contudo, conforme consta, as fls. 139 a 142, Anexos III; IV; V e VII, a multa por descumprimento de obrigação acessória, que foi efetivamente aplicada foi a do Código de Fundamentação Legal – CFL.78, por ser a mais benéfica e que não incluía em seu cálculo a questão da compensação. Não fosse suficiente a DRJ/FOR, quando da prolação de seu acórdão anulou o Auto de Infração 37.296.9090 e assim a questão da inclusão das compensações na base de cálculo é despicienda. Além disso, podese verificar no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 144 a 159, documento de Exclusão – DEBCAD 09.479.7574, nas competências 05/2007; 06/2007; 08/2007; 09/2007; 11/2007; 13º/2007; 04/2008; 05/2008; 07/2008; 11/2008; 12/2008 e 13º/2008 promoveu o aproveitamento das compensações efetuadas e verificadas regulares pela fiscalização. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 661 12 Tanto a compensação como o pedido de restituição são facultativos, pois o contribuinte não é obrigado a fazêlos e se resolver fazêlo pode optar por aquele que melhor atenda aos seus interesses, relativamente a contribuição social previdenciária ou até mesmo pode necessitar dos dois se entender pela compensação e essa não for total. Mas, isso não afeta em nada o que decido pela DRJ e muito menos o presente lançamento, pois ficou claramente demonstrado a existência de valores não declarados e assim não adimplidos, pois não oferecidos à tributação, bem como que a compensação efetivada em GFIP foi aproveitada pelo agente lançador, segundo consta dos documentos, anteriormente, mencionados. Não cabe ao CARF fixar prazo para que o contribuinte apresente este ou aquele documento, pois os autos caminha e se desenvolve dentro do devido processo legal e esse está estabelecido pelo Decreto 70.235/72, que em seu artigo 16, parágrafo 4º, regula o momento de apresentação de provas pelo contribuinte. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 04/02/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 12/2008,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 108 e 109. Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, relativamente, aos DEBCAD’s 37.296.9119 e 37.296.9127, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois já se encontrava em vigor. O presente acórdão não reconhece nenhuma espécie de direito creditório à recorrente, pois essa não é a finalidade deste PAF e nem este órgão tem competência na forma que apresentado para tal análise, todo e qualquer direito creditório que a recorrente se julgue detentora deve ser requerido junto à autoridade competente, ou seja, DRF origem, nos presentes autos cabe ao CARF apenas a análise da regularidade do lançamento e nada mais. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 662 13 Expostos os argumentos acima rejeito todos os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial para: I – determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levandose, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. II determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD’s 37.296.9119 e 37.296.9127, para o período de 01/2007 a 11/2008. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13888.001904/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2005
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 19 04 /2 00 7- 41 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 18.647 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.927.3351. Eis a ementa da decisão a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA FALTA APLICADA. A multa aplicada deve ser relevada quando houver a correção da falta, a primariedade do infrator, a inocorrência de circunstancias agravantes e o pedido efetuado dentro do prazo de impugnação. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA COMETIDA. A correção de parte das ocorrências abrangidas pela autuação enseja a relevação parcial, relativamente ocorrência na qual esta se deu. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM MULTA PARCIALMENTE RELEVADA Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls.273/276, para afirmar que jamais deixou de recolher as contribuições na sistemática do Simples e que foi surpreendida com a exclusão deste regime tributário, sem ter sido sequer formalmente comunicada do ato de exclusão. Diante desta situação, sustenta, atrasou a entrega da DCTF, todavia, não pode ser penalizada, haja vista que somente ficou ciente da existência de débitos quando procurou a RFB e foi comunicada da exclusão do Simples. Alega que a falta de comunicação da exclusão do Simples representa afronta ao seu direito de defesa. Pede a reforma da decisão da DRJ, com cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.001904/200741 Acórdão n.º 2401003.676 S2C4T1 Fl. 562 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 20/05/2008, fl. 270, e data de protocolização da peça recursal em 20/06/2008, fl. 273. Portanto não deve ser conhecido. Eis que o prazo fixado no Decreto n.º 70.235/1972, que disciplina o contencioso administrativo tributário de exigência de tributos administrados pela RFB, fixa em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 23034.023742/99-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/06/1999
RECURSO NÃO CONHECIDO
Não deve ser conhecido Recurso Voluntário quando houver desistência expressa, consubstanciada em documento assinado e protocolado pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.468
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela desistência expressa do contribuinte em recorrer.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela desistência expressa do contribuinte em recorrer. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 37 42 /9 9- 52 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD n.º 262/1999, fls.19/22,lavrada pelo Ministério da Educação em 15/03/2000 e cientificada ao sujeito passivo em 23/03/2000, através de registro postal, fls.23, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o constante dos autos, o contribuinte sofreu inspeção dos técnicos do Programa Integrado de Inspeção cm Empresas e Escolas PROINSPE, fls. 02/12, onde foi apurado débito de salárioeducação nas competências 01/1998, 04/1998 a 13/1998 e 01/1999 a 06/1999, por irregularidade nos recolhimentos e/ou na aplicação de recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. A entidade apresentou defesa tempestiva alegando a nulidade Notificação devido à falta de cumprimento de requisitos formais para a constituição do crédito, que ajuizou ação visando a declaração da inexistência de relação jurídica com o FNDE, a qual foi parcialmente deferida e autprizada compensação e que foram lançados valores já recolhidos. O processo foi encaminhado à procuradoria para parecer acerca dos efeitos da ação judicial e Informação da Procuradoria Geral do FNDE às fls. 63/64, dá conta de que a ação interposta pela notificada teve decisão definitiva no Tribunal Regional Federal a favor da autarquia, sendo legítima a cobrança dos débitos existentes. Após o deferimento parcial da defesa apresentada, conforme Informação n.º 710/2003GEARC, de 25/02/2003, fls. 84/88, o valor do débito foi retificado na competência 12/1998. A empresa foi cientificada da decisão em 12/03/2013. Inconformada com a decisão, apresenta tempestivamente recurso voluntário, fls. 93/110, onde oferece bem como garantia de instância, aduzindo que aderiu ao REFIS e que por esta razão, desistiu expressamente de impugnar/recorrer do presente processo, conforme requerimento de desistência do recurso protocolado na Superintendência do INSS em Minas Gerais, fls. 112, reiterando nas razões recursais que este processo está parcelado no REFIS, que por este motivo a Notificação deve ser cancelada porque é vedado o bis in idem. Por fim, diz que vem cumprindo rigorosamente o acordo do REFIS, que quando da inclusão o Comitê Gestor não se manifestou contra a inclusão deste débito, mas se não foi incluído, o deve ser agora. Requer a sua exclusão do Cadastro de Inadimplentes do FNDE. Frente aos bens oferecidos para serem arrolados, o processo foi enviado à Procuradoria Federal do FNDE, que se pronunciou contra a aceitação do arrolamento em substituição ao depósito recursal para garantia de instância, devendo o contribuinte ser cientificado e lhe aberto prazo para efetuar o depósito, pagar ou parcelar o débito. O contribuinte se manifesta novamente às fls. 163/164, reiterando que desistiu do recurso relativo ao presente processo, bem como das ações judiciais interpostas, a fim de incluir os débitos no REFIS, colacionando às fls. 165, o termo de desistência e às fls. 166, declaração do Chefe do Serviço de Arrecadação da Agência da Previdência Social em Belo Horizonte/MG, conformando a formalização do pedido de desistência do recurso referente ao processo em questão. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.023742/9952 Acórdão n.º 2302003.468 S2C3T2 Fl. 221 3 Ofício do FNDE às fls. 170, endereçado à Coordenação de Recuperação de Créditos do INSS, pergunta se os valores foram incluídos no REFIS. Em resposta, Ofício da Divisão de Planejamento e Controle de Recebimentos Especiais, fls. 173, traz que: "...Assim sendo, esclarecemos que não constam em nossos sistemas, débitos no período em questão, que contemplem a rubrica FNDE Salário Educação, incluídos no REFIS." O contribuinte foi cientificado da informação prestada e se manifestou conforme segue: Em resposta ao ofício n°0000108/200!5, datado de 02 de março do ano em curso, relativamente a crédito do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, levantamento efetuado por técnico do Programa Inspeção em Empresas e Escolas PROINSPE, que apontou débito desta empresa no valor de R$665.322,77 (seiscentos s sessenta e cinco mil, trezentos e vinte e dois reais e setenta centavos), é a presente para informar o seguinte: face a Integrado de 01) Em 27 de maio de 2003, a Coordenação Geral de de Cobrança e do SME Divisão de Inspeção do FNDE Arrecadação, encaminhou Ofício de noi549/2003/GEARC à PRODEMGE, informando acerca da notificação para recolhimento de débito n°262/1999, objeto do processo n<>23034.023742/9952, cujo objeto era, também, o que consta da presente Informação ora atacada 02) Em 02 de julho de 2003, a PRODEMGE protocola, junto à Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, ofício requerendo a suspensão do prazo concedido para pagamento, tendo em vista o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, não ter processado, de forma própria, a inclusão dos débitos discutidos em processo administrativo n° 23034.023742/9952 e dos processos judiciais n°s. 1999.38.00.0408650 e 1999.38.00.0410Í0177, face à desistência dos mesmos, conforme exigência para adesão REFIS. Entretanto, daquele protocolo (02/07/2003) até a presente data, a PRODEMGE não obteve resposta ao seu requerimento, sendo certo, portanto, que a presente cobrança não deva prosperar, sobretudo porquê, o assunto presente é o mesmo atacado anteriormente. 04) Anexo, cópias do ofício protocolizado em julho de 2003 e da declaração firmada pelo Instituto do Seguro Social INSS, Agência da Previdência Social. 05) Requer, à luz do exposto: a) a suspensão do prazo de pagamento do débito apurado, face ao não atendimento à consulta anteriormente formalizada; e, b) resposta e posicionamento da Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME aos termos do ofício Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 protocolizado em 02/07/2003 em 05 (cinco) dias úteis, a contar do recebimento deste, sob pena da PRODEMGE se ver obrigada a tomar as medidas acauteladoras e judiciais cabíveis na proteção de seus interesses. Os autos foram novamente enviados à Procuradoria Federal do FNDE, que em função da edição da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, se manifestou pela transferência do processo para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o enviou a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devido à existência de recurso sem apreciação. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.023742/9952 Acórdão n.º 2302003.468 S2C3T2 Fl. 222 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Compulsando os autos é de se ver que, embora o processo tenha sido enviado a este Colegiado para a apreciação do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, os documentos acostados demonstram e o próprio contribuinte repete nas razões recursais, que expressamente desistiu de discutir este processo administrativo, assim como desistiu das ações judiciais interpostas, visando a inclusão dos débitos no REFIS. Às fls. 112, temos a formalização do pedido de desistência do andamento deste processo, protocolado na Agência da Previdência Social de Belo Horizonte/MG, que é juntado novamente às fls. 163 e às fls. 166, consta declaração do INSS, em 01/07/2003, atestando que houve a desistência dos processos administrativo e judiciais. Desta forma, se vê que houve desistência do recurso interposto, conforme requerimento protocolado, e neste caso, é de ser observado o que dispõe art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que em seu parágrafo 3º, estabelece hipóteses em que se configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, frente à desistência do recurso voluntário interposto, não há o que ser apreciado por este Colegiado em atenção ao disposto pelo artigo 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria 256/2009: Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A questão superveniente à desistência do recurso, quanto à inclusão ou não do débito relativo a este processo administrativo no parcelamento, mais especificamente no REFIS, ou que o INSS não formalizou o referido parcelamento, não são da competência deste Colegiado, que se limita a apreciação do recurso, inexistente no presente caso, frente à expressa desistência, pelo contribuinte. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Caso o débito relativo às contribuições devidas para o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação não tenha sido incluído em parcelamento, cabe ao órgão competente da Receita Federal do Brasil prosseguir com os procedimentos de cobrança, já que está exaurida a via administrativa, frente à desistência do recurso. Pelo exposto, Voto por não conhecer do recurso voluntário, frente à desistência do contribuinte em recorrer. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10920.000112/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
REPRESENTANTE COMERCIAL. CONTRIBUINTE INDIVUDUAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Por estar inserido na categoria de contribuinte individual, o representante comercial, sofrerá sobre a sua renda que auferir a incidência da contribuição previdenciária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE.
1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado.
2. Em caso de operação legal, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de75%.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's n.º 37.284.374-3 e 37.281.376-0, para excluir a multa qualificada e agravada, frente a não comprovação da conduta dolosa. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD n.º 32.284.373-5, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 REPRESENTANTE COMERCIAL. CONTRIBUINTE INDIVUDUAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por estar inserido na categoria de contribuinte individual, o representante comercial, sofrerá sobre a sua renda que auferir a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Em caso de operação legal, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de75%. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's n.º 37.284.374-3 e 37.281.376-0, para excluir a multa qualificada e agravada, frente a não comprovação da conduta dolosa. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD n.º 32.284.373-5, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 REPRESENTANTE COMERCIAL. CONTRIBUINTE INDIVUDUAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por estar inserido na categoria de contribuinte individual, o representante comercial, sofrerá sobre a sua renda que auferir a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Em caso de operação legal, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de75%. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 12 /2 01 1- 01 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's n.º 37.284.3743 e 37.281.3760, para excluir a multa qualificada e agravada, frente a não comprovação da conduta dolosa. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD n.º 32.284.3735, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3743, consolidado em 25/02/2011, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., no valor de R$ 2.838.197,84 (dois milhões, oitocentos e trinta e oito mil, cento e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos), referente às contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no caso representantes comerciais, e SAT/RAT incidente sobre as remunerações aos segurados empregado, no período de 01/01/2006 a 31/12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3751, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., consolidado em 25/02/2011, no valor de R$ 1.575.868,12 (Um milhão, quinhentos e setenta e cinco mil, oitocentos e sessenta e oito reais e doze centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 4 3 Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3760, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., consolidado em 25/02/2011, no valor de R$ 172.141,41 (Cento e setenta e dois mil, cento e quarenta e um reais e quarenta e um centavos), referente à contribuição de responsabilidade da empresa devida aos terceiros conveniados da Previdência Social (FNDE, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). E mais, tratase do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD N° 37.284.3735, no valor de R$ 30.471,40 (trinta mil quatrocentos e setenta e um reais e quarenta centavos) referente à multa decorrente da omissão de declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informação ã Previdência) das contribuições ora lançadas, fundamento legal AI 68. Ressaltese que o Auto de Infração DEBCAD nº 37.284.3751 foi desentranhado do presente processo e abrigado no processo nº 10920.001636/201110, tendo em vista que o mesmo foi impugnado intempestivamente. Entendeu a Autoridade responsável pelo lançamento, com base nos elementos fáticos colhidos, se tratar de Grupo Econômico de Fato entre a empresa Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e a ora recorrente, uma vez que a primeira foi criada como apêndice da última, que elas possuem suas “sedes” no mesmo endereço, que possuem o mesmo controle familiar e, ainda, que fora constatado que a “Agroterra” não tinha atividade e receitas próprias. Sendo assim, o fisco responsabilizouas solidariamente pelos débitos previdenciários ora apurados. Ademais, o fisco caracterizou os representantes comerciais que atuaram para a empresa como contribuintes individuais, tendo em vista que nos contratos de representação comercial, entregues pela Autuada, restou evidenciado que os vínculos de trabalho deramse com pessoas físicas representantes comerciais e não com empresas de representação. Segundo relatório fiscal, não foi identificado na GFIP declaração de nenhum contribuinte individual durante o período fiscalizado, ou seja, a empresa nada recolheu, nem declarou à previdência social acerca dos pagamentos aos referidos trabalhadores. No que concerne às multas, aponta a Autoridade Fiscal que foi feita comparação mensal entre a soma da multa de mora, prevista no art. 35, inciso II da Lei 8.212/91, e a da multa de oficio, prevista no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91 (somada à multa do art. 32ª, inciso I da mesma lei, quando aplicável), e que para as competências em que a multa de oficio (75%) foi a mais benéfica, não houve aplicação concomitante de autuação por descumprimento de obrigação acessória (AIOA68). Esclarece, ainda, que dada por deixar de atender a intimação fiscal e pela prática de fraude e sonegação fiscal foram aplicadas a multa agravada (aumentada em 50%) e a multa duplicada ou qualificada (150%), respectivamente. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 5 4 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os pagamentos legalmente considerados como salário de contribuição, para fins previdenciários, compõem a base de cálculo da contribuição à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUTÔNOMO/CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PAGAMENTO A REPRESENTANTE COMERCIAL PESSOA FÍSICA. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas, pela empresa, a qualquer título, durante o mês, aos autônomos/contribuintes individuais. Lei nº 8.212/91, art. 22, incisos I e II, art. 30, inciso I, alínea “b”. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte às condições que propiciaram a majoração da multa de ofício, pela caracterização do dolo, mantém se a multa qualificada no percentual de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) Preliminarmente, há que ser considerado que o julgamento parcialmente procedente aos embargos à execução, que tratava do DEBCAD 37.284.3751, no que tange aos pagamentos “extra folha” vem corroborar os argumentos expostos no presente recurso; b) É descabida a pretensão de enquadrar como relação de trabalho a relação existente entre a empresa e os representantes comerciais. Da análise das cláusulas dos contratos de representação comercial constatase que este é de natureza unicamente mercantil. Ademais, as pessoas físicas estão Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 6 5 devidamente inscritas no conselho de representantes comerciais. Sendo assim, deve o lançamento correspondente aos representantes comercias ser cancelado; c) Os lançamentos, efetuados sob a presunção de pagamento “extra folha” para os empregados, devem ser afastados e excluídos da presente autuação. Estes encontramse em consonância com os ditames legais, mais especificamente com os arts. 28 e 30 da Lei 8.212/91. O pagamento, considerado pelo Auditor Fiscal como sendo “extra folha”, de motoristas e ajudantes, nada mais é do que aumento salarial ocorrido no ano de 2010, como reconhecimento pelo aumento do faturamento da empresa em 2009. Contudo, os documentos que comprovam tal alegação não foram trazidos ao processo posto que estes foram consumidos pelo fogo no sinistro relatado nos autos, e sendo assim, há que prevalecer a presunção de boa fé e legalidade (in dúbio pro contribuinte); d) Não merece prosperar a manutenção da multa qualificada aplicada contra a recorrente, uma vez que a recorrente teve grandes dificuldades em apresentar a integralidade das informações solicitadas, em razão do caso fortuito ocorrido, mas em nenhum momento atuou de forma a fraudar à lei ou sonegar os tributos devidos; e) Deve ser afastada a multa agravada, com base no art. 44, § 2° da Lei 9.430/96, pois, a recorrente não deixou de apresentar a documentação solicitada, mas tão somente incorreu em atraso em entregála. Isto em virtude da dificuldade de contatar os diversos representantes comerciais que possuíam contratos à época do período fiscalizado, para solicitarlhes cópias dos contratos, já que as vias pertencentes à recorrente haviam sido destruídas no incêndio. Ademais, o posicionamento de afastar a multa agravada também foi adotado pela decisão judicial prolatada nos autos dos embargos à execução fiscal n° 501617288.2012.404.7201. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da existência de grupo econômico Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 7 6 O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da corresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existe funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as corresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 8 7 Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, posto que enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Dos Pagamentos aos Representantes Comercias A principal alegação da Recorrente com o intuito de rebater o lançamento em relação aos pagamentos realizados aos representantes comerciais é que entre a empresa e as pessoas físicas dos representantes comerciais havia relações contratuais, inexistindo, pois, quaisquer vínculos trabalhistas. Ocorre que, em verdade, vêse da análise dos autos que o lançamento foi realizado pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre os pagamentos realizados aos representantes comercias, estes enquadrados na categoria de contribuintes individuais. É cediço que o representante comercial por prestar serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma empresa ou mais de uma, sem relação de emprego é considerado contribuinte individual para a Previdência Social, entendimento pacífico na jurisprudência e evidenciado pelo julgado abaixo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTANTE COMERCIAL. Enquanto contribuinte individual, o representante comercial, mesmo que empresário ou titular de firma individual, sofre sobre a sua renda a incidência da contribuição previdenciária. (TRT5 RECORD: 272008120085050019 BA 002720081.2008.5.05.0019, Relator: EDILTON MEIRELES, 3ª. TURMA, Data de Publicação: DJ 22/04/2009) Sabese, também, que a partir de abril/2003, toda empresa que celebra contrato com representante comercial através de contratos mercantis, como a Recorrente, é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária dele como contribuinte individual, mediante desconto na remuneração a ele paga ou creditada corresponde a 11% (onze por cento) do total da remuneração. Entretanto, a ora Recorrente além de não comprovar o pagamento da contribuição a seu cargo, não efetuou as retenções da contribuição previdenciária dos representantes comerciais a seu serviço, contribuintes individuais conforme dispõe o artigo 4º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003. Assim sendo, embora não haja uma relação de emprego, como defendido pela Recorrente, persiste para esta a obrigação do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações devidas/creditadas aos representantes comerciais pessoas físicas contratados, posto que, como enquadrados na categoria de contribuintes individuais, são segurados obrigatórios do RGPS, logo correto o lançamento. Insta ainda esclarecer que a Solução de Consulta nº 38/2009, levantada pela Recorrente nas laudas de seu recurso, não se aplica ao caso concreto, haja vista que a solução Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 9 8 se refere aos representantes comerciais que exercem as suas atividades por conta própria, assumindo o risco do negócio, o que não se pode verificar nos documentos acostados aos autos. Da existência de comissão extra folha para motoristas e ajudantes Quanto à questão ora tratada, a Recorrente reafirma a principal alegação levantada na impugnação por ela apresentada, de que o a existência de pagamento de salário ou comissão “extra folha” para motoristas e ajudantes da empresa não passou de mera presunção do Fisco, defendendo o acréscimo salarial verificado pelo Fisco se deu em virtude do incremento no faturamento de 2008 para 2009, o que não se desincumbiu de provar. Ocorre que, o autuante motiva o relatório fiscal citando em seu relatório fiscal os acórdãos das reclamatórias trabalhistas movidas em face da Recorrente onde se atestam a ocorrência da existência de salário extra folha para motoristas e ajudantes da empresa, a exemplo do julgado colacionado no acórdão de impugnação e reproduzido abaixo: Processo n° RT 6427/2008 — 3a Vara do Trabalho de Joinville SC Processo no RO 6427/2008 — la Câmara Autor: Adillcio Luiz Salvador Réu: Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e outros Período do vinculo com AGROTERRA, conforme GFIP: 05/2006 a 07/2008 "(...) ACÓRDÃO (...) Mérito 1 — INTEGRAÇÃO DO SALÁRIO EXTRAFOLHA Na causa de pedir aduziu o reclamante, motorista carreteiro, que laborava como motorista de caminhão de dois eixos, cujo contrato de trabalho perdurou no interregno de 22/05/2006 até 07/04/2008, quando foi dispensado sem justa causa elas reclamadas. Aduziu que sua última e maior remuneração foi na base de R$ 651,00 mensais em folha, percebendo, ainda, comissões extrafolha, correspondente a 0,7% do valor das cargas transportadas, que lhe rendia uma remuneração total média de R$ 1.000,00. (...) Acolho em parte o pedido do autor para determinar a integração do salário extrafolha que fixo em R$ 350,00, para fins de gerar reflexos no FGTS (..). (...) Ao contrário do entendimento expresso no primeiro grau, da leitura dosdepoimentos exsurge que a par de haverem "duas folhas", uma escrita a lapis na qual estava lançado o valor correto, e também uma folha normal, que também assinavam (...) o declarante declarou expressamente que recebia apenas cópia do recibo normal. Por sua vez a testemunha de nome Adúlcio Luiz Salvador, ouvida a convite do autor, declarou que "recebiam um salário fictício que servia apenas para desconto do INSS e do valetransporte, havendo um outro recibo no qual estava corretamente marcado o valor pago" e que "não era o valor constante dos recibos juntados aos autos pelas reclamadas o valor que o depoente efetivamente recebia". Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 10 9 Processo n° RT 6427/2008 — 3ª Vara do Trabalho de Joinville SC Processo no RO 6427/2008 — 1ª Câmara Autor: Adúlcio Luiz Salvador Réu: Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e outros Período do vinculo com AGROTERRA, conforme GFIP: 05/2006 a 07/2008 "(...) MÉRITO 1. Comissão extrafolha Pretende o autor reverter decisão de primeiro grau que não acolheu sua tese de perceber comissões, como motorista, no percentual de 0,7% do valor das cargas transportadas, que teriam sido pagas sem transito em seus contracheques. (...) Assim, considerando os indícios favoráveis ao autor, cuja prova nestes casos é eminentemente testemunhal, reformo a decisão de primeiro grau, reconhecendo o pagamento de comissão extrafolha, cujo valor arbitro em R$ 150,00 mensais. (...).” Assim, não há que falar em presunção, pois, para o caso em tela, a comprovação da existência de pagamento de comissão extra folha foi obtida através de vários elementos de prova, sobretudo, com as diversas ações trabalhistas movidas por exempregados da Recorrente. Por oportuno, cabe ressaltar que embora a Recorrente tenha alegado e até mesmo comprovado a ocorrência de sinistro que destruiu todos os seus arquivos, não poderia olvidar de tentar comprovar as suas alegações ainda que através de provas indiretas ou de quaisquer outro meio de prova que atestem os fatos/situações por ela alegados para combater as alegações e provas apontadas pelo Fisco. Da Multa em Relação aos Debcads 37.284.3743 e 37.284.3760 Entendeu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC que a autoridade fiscal, ao contrário do que alega a Autuada, agiu com acerto ao aplicar multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre as contribuições lançadas, posto que, com base no artigo 44, inciso I, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996, devese aplicar a referida multa quando se configurar uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e, segundo o teor do acórdão de impugnação, restou evidenciado nos autos a ocorrência da Fraude prevista no artigo 72, bem como, da Sonegação prevista no artigo 71, desta lei. No que concerne ao agravamento da multa em 50% (cinqüenta por cento), fora imposta pelo agente fiscal em face do não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, das intimações fiscais por entender que a ocorrência do sinistro alegado pela Recorrente, por si só, não afastaria a obrigação da Recorrente de atender às intimações fiscais no prazo definido pelo Fiscal, posto que, existiam outros meios de provas capazes de atender ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, que não só as provas diretas. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 11 10 Em sua defesa, alegou a Recorrente que deve ser afastada a multa qualificada, bem como a agravada, ambas com base no art. 44 da Lei 9.430/96, pois, a Recorrente não deixou de apresentar a documentação solicitada, mas tão somente incorreu em atraso em entregála. Isto em virtude da dificuldade de contatar os diversos representantes comerciais que possuíam contratos à época do período fiscalizado, para solicitarlhes cópias dos contratos, já que as vias pertencentes à Recorrente haviam sido destruídas no incêndio (sinistro) ocorrido na sede da empresa. De fato, pelos documentos acostados aos autos aliados às razões e provas apresentadas em sessão pelos patronos da Recorrente, constatouse não só a ocorrência do sinistro como a extensão de seus danos que, dentre outras situações, realmente impossibilitou o cumprimento pela empresa do prazo dado pela autoridade fiscal para apresentação de documentos para esclarecimentos. Ademais, é cediço que para caracterização da fraude/sonegação é necessário que a ação entendida como “fraudulenta” tenha se operado conscientemente, visando dolosamente beneficiarse de maneira irregular. Assim sendo, não tendo o agente fiscal se certificado de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, não se mostra plausível a aplicação da multa qualificada posto que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, devendo ser evitada, ao máximo, a imputação da penalidade. Não se pode perder de vista, também, que a interpretação aqui defendida também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as ações nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social. Avulta de todo o exposto, a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado, de maneira inequívoca, o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 12 11 evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Assim, ante a efetiva ocorrência de sinistro que dificultou a defesa pela Recorrente e impossibilitou o cumprimento do prazo posto pela autoridade fiscal, devem ser afastadas tanto a qualificação quanto o agravamento da multa imposta à Autuada. Da Multa Aplicada por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.284.3735. Omissão em GFIP. No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 13 12 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 14 13 Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito em relação aos DEBCADS 37.284.3743 e 37.284.3760, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO afastando a qualificação e agravamento da multa aplicada; e, em relação ao DEBCAD n° 37.284.3735, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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