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Numero do processo: 18088.000226/2010-33
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.
Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.841
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. 1. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. 2. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 26 /2 01 0- 33 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a serviço do contribuinte, nas competências de 01/2005 a 08/2007 e 12/2007, incluindo o décimo terceiro salário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de julho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A empresa é obrigada a recolher as contribuições devidas para terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso INTEMPESTIVO, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, reitera em todos os seus termos a impugnação Total apresentada ao Auto de Infração, relativamente ao DEBCAD nº 37.272.7379 e documentos apresentados com a mesma. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 5 4 No mais, antes de falar em pagamento parcelamento pela manutenção da imposição de penalidade, requer a peticionária, a Revisão do Ato Cancelatório de isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos em anexo, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, como é o caso da peticionária. O embasamento legal do pedido se dá em virtude de que desde o ano de 2001 até a presente data, a entidade gozou e goza dos benefícios de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, não havendo razão para recolhimento da penalidade imposta. Pelo exposto, requer a Vossa Excelência, a Revisão do Ato Cancelatório da Isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos anexos, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, anulando destarte o auto de imposição de penalidade, bem como os valores nele estampados, por ser media de direito e de JUSTIÇA. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, verbis: 1 – Dado ciência ao contribuinte do Acórdão nº 14.30.042, em 20/08/2010, a empresa apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, protocolado em 28/10/2010, na DRFB – Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, juntado às folhas 090 a 114, referente ao AI DEBCAD nº 37.272.7379. Vêse, portanto, que o contribuinte não foi diligente quanto ao prazo para interposição do Recurso Voluntário, situação que atrai o instituto da perempção. Desse modo, não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, conforme acima explicitado, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso aviado pelo contribuinte, tendo em vista a intempestividade. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001364/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Em relação aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2201-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao valor de R$ 154.061,73 e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
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DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 64 /2 00 7- 10 Fl. 9690DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 valor de R$ 154.061,73 e excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 169/187Volume 1, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 265.456,03. A fiscalização apurou: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de trabalho com vínculo empregatício; Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrente de trabalho sem vinculo empregatício; Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 330/334), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Preliminarmente, com fulcro nos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pede se a apreciação e manifestação sobre as informações prestadas anteriormente que ensejaram a presente autuação, bem como os documentos acostados na oportunidade, cujos termos insertos são invocados e reiterados na presente peça, independente de transcrição juntada. Faz breve resumo dos fatos. Da Ocupação Profissional do Impugnante Fl. 9691DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 3 3 É pessoa física e, na condição de profissional autônomo, atua na área de Administração de Imóveis de Terceiros. No exercício dessa ocupação profissional, no ano de 2002, ocorreu grande movimentação financeira nas contas correntes de sua titularidade, advindas de depósitos, referentes a pagamentos de aluguéis, condôminos, IPTU, ou seja, movimentos alusivos a contratos locatícios, o que não se confunde com remuneração sobre a qual deveria incidir o IR. Da forma de remuneração do impugnante Salienta que embora a movimentação financeira sobre a administração de contratos de locação e seus encargos passasse pela conta de sua titularidade, a ele cabia apenas a administração, ou seja, receber dos devedores, retirar a taxa de administração correspondente, ou seja, sua remuneração, e transferir para seus clientes a devida diferença. Da Documentação Comprobatória sobre as transferências havidas na conta Conforme documentos já acostados, restou demonstrada a comprovação das alegações, por meio de contratos de locação/administração firmados com seus clientes. O que pode ser corroborado ainda por meio de livrocaixa, o que pede, desde já, seu acolhimento, com conseqüente apreciação para desconstituição da infração em comento. Da comprovação da movimentação financeira e necessário acolhimento do LivroCaixa A ora impugnada autuou com base no demonstrativo da sua movimentação bancária, havia no período de janeiro a dezembro de 2002. Contudo, este instrumento, por si só, não pode ser utilizado como base para apuração do IR, segundo pacífica jurisprudência do Tribunal Regional Federal, pois não há como prosperar a autuação fiscal levada a efeito somente com base em informações colhidas em extratos bancários, eis que não revelam necessariamente a renda auferida por pessoa física ou jurídica (TRF1, AC 1997.01.00.0433596/BA). Por esta razão, e por questão de justiça, há de ser analisado e acolhido o seu LivroCaixa, sobre o período em discussão, o qual junta, pois das informações insertas, dessaise a realidade da movimentação financeira nas contas de sua titularidade, pois, como dito, é corretor de imóveis. Recebe diversos depósitos nas suas contas, cabendolhe apenas, a título de remuneração, a quota parte destinada à administração desses imóveis, sobre a qual, quando for o caso, é que deveria incidir os consectários legais, tais como o IR. A apreciação do LivroCaixa tende a apontar para a correta fonte de recursos, evitando a cobrança em excesso, o que há de ser apurada, com conseqüente retificação do lançamento. Destaca ainda que o LivroCaixa, por se tratar de documento Fl. 9692DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 hábil e idôneo, que comprova contabilmente a origem dos recursos do impugnante, é prova inequívoca que descaracteriza a presunção legal de liquidez e certeza da cobrança em comento, que é uma presunção relativa. Se há que se falar em multa, deve incidir apenas sobre a diferença de imposto apurado, sobre o real rendimento do impugnante, e não sobre a movimentação financeira havida em contas de sua titularidade, pois a própria origem de toda a movimentação restou demonstrada nas informações anteriormente prestadas, que culminaram na presente notificação, principalmente nesta fase, onde junta o LivroCaixa. Temse que, uma vez apresentado o LivroCaixa, mesmo após os trabalhos fiscalizatórios, a existência deste carreou para si elementos necessários para desconstituir, em parte, a presunção juris tantum de verdade em que se fundamentou a fiscalização para erigir o lançamento de ofício, pois ali se encontra toda a sua movimentação diária e mensal. Os documentos já anexados nos autos, como contratos, procurações, demonstrativos dos recolhimentos do carnêleão e, agora, o LivroCaixa, demonstram efetivamente a fonte sobre a qual deverá ser feito o lançamento do imposto, desconstituindo assim eventuais omissões de rendimentos de trabalho, razão pela qual há de ser reconsiderada a própria multa isolada arbitrada pela impugnada. Requer o acolhimento da defesa e dos documentos; a apreciação dos documentos apresentados anteriormente e respectivas informações; a desconstituição e revisão do auto de infração, com conseqüente acolhimento do LivroCaixa e eventual lançamento suplementar com base nas informações insertas neste documento, requerendo assim nova apuração. A 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E PESSOA FÍSICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de ofício é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do Imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. Impugnação Improcedente Fl. 9693DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 4 5 Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 08/10/2009 (fl. 1120), Rodolfo Rodrigues de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 06/11/2009 (fl. 1121), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo: a) o acolhimento do presente recurso e documentos no efeito suspensivo e devolutivo; b) a apreciação dos documentos apresentados anteriormente e respectivas informações, requer ainda sejam consideradas partes integrantes da presente impugnação em todos os seus termos; c) a desconstituição e revisão do auto de infração em epígrafe com conseqüentemente acolhimento do livro caixa e eventual lançamento suplementar com base nas informações insertas neste documento, requerendo assim, nova apuração. d) A anulação do auto de infração que originou esse processo, dada inexistência de autorização judicial pela quebra do sigilo fiscal/bancário do Recorrente. O processo em apreço foi julgado em 19 de janeiro de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220100.053, decidiram converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique: i a autenticidade dos documentos juntados; ii as despesas incorridas a título de livro caixa, com base nas informações constantes dos autos; iii demais providências que a autoridade fiscal entender pertinente para esclarecer os fatos em litígio. Concluída a diligência, deve ser lavrado relatório circunstanciado, dele dandose ciência ao contribuinte para, se for o caso, manifestarse no prazo de 05 (cinco) dias. Concluída a diligência, a Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília/DF elaborou relatório de fls. 9668/9686. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas Fl. 9694DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 e de multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão, relativamente ao anocalendário de 2002. Em sua peça recursal alega o suplicante que é corretor de imóvel e sua movimentação bancária é procedente dessa atividade, portanto deve a fiscalização considerar as despesas incorridas lançadas no livro caixa, conforme faz prova os inúmeros documentos juntados aos autos. Assevera, ainda, que retirava a taxa de administração correspondente e transferia a diferença para seus clientes. Por fim, afirma que não houve autorização judicial para a quebra de sigilo bancário/fiscal. No que tange à alegação de quebra ilegal de sigilo bancário/fiscal, cumpre esclarecer que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal. Com efeito, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Ante a esses argumentos, não há como prosperar a suscitada preliminar. No mérito, alegou o suplicante que para obter o rendimento apurado pela autoridade fiscal incorreu em diversos custos, conforme vasta documentação carreada aos autos. Da análise dos autos, decidiu o Colegiado por converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifestasse em relação aos documentos juntados pelo recorrente. Concluída a diligência, a autoridade fiscal elaborou Relatório de Diligência, fls. 9668/9686, verbis: 2.A AUTENTICIDADE DOS DOCUMENTOS JUNTADOS (...) Relativamente à idoneidade dos documentos comprobatórios das despesas lançadas em livro caixa, isto é, se realmente se tratam de despesas incorridas devidamente comprovadas, ou se existiria documento comprobatório "forjado" ou "esquentado", conforme análise realizada pela fiscalização da RFB, aparentemente seriam documentos idôneos. A fiscalização não encontrou elementos que levassem à suspeição de fraude ou de não idoneidade, nem motivos para duvidar da boafé do contribuinte quanto à elaboração do livro caixa e escrituração das despesas nele mencionadas a partir da documentação comprobatória das mesmas. 2.B DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA 2.B.1 Despesas Deduzidas Indevidamente Diversas despesas lançadas no livro caixa estão lá dispostas indevidamente, possuem comprovantes irregulares ou não são autorizadas pela legislação. Assim, estão sendo propostas glosas no livro caixa apresentado, em especial relativamente a despesas não passíveis de dedução, conforme legislação vigente, despesas sem correlação com a atividade exercida e também despesas cujos comprovantes não são hábeis para sua comprovação. Fl. 9695DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 5 7 I Despesas Profissionais/Residenciais (...) Portanto, levando em conta, a fiscalização da RFB, de que o imóvel em questão era, no anocalendário 2002, utilizado tanto para a atividade profissional do contribuinte como também para sua residência, conforme dispõe a legislação, em especial o Parecer Normativo CST n° 60/1978, admitese apenas dedução de quinta parte de despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas, impostos, telefone, telefone celular, condomínio. Assim, sugere a fiscalização da RFB que todas as despesas telefônicas em nome do contribuinte, despesas de condomínio, luz e água, escrituradas no livro caixa anocalendário 2002 (fls. 890 a 947) e devidamente comprovadas, sejam admitidas, porém, apenas em sua minta parte, devendo ser indeferida a dedução integral dos valores. Despesas com Telefone, Água, Energia e Condomínio Glosa de 4/5 do Valor (...) Quanto às despesas telefônicas em nome de terceiros, lançadas no livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), aparentemente sem qualquer relação com o contribuinte, sugere a fiscalização a não aceitação das mesmas. Essas pessoas não aparecem nas listas de pagamento de funcionários apresentadas pelo contribuinte (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606), isto é, não se tratam de empregados do contribuinte. Supondo que se tratem de familiares do contribuinte, não se admite, simplesmente por tal fato, a dedução de despesas. Conforme legislação relativa ao assunto, não é admissível dedução de despesas realizadas com terceiros, por exemplo, pagamento de suas contas telefônicas; não são admitidas despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente; conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Salientese ainda que, aliado ao fato da titularidade de terceiros, a "classe" de grande parte de tais contas telefônicas é "Residencial", conforme constante do próprio corpo das faturas respectivas (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa ano calendário 2002 às fls. 948 a 1.606), o que descaracteriza por completo trataremse de linha utilizadas para a atividade profissional do contribuinte. Despesas Telefônicas de Terceiros Glosa Integral (...) II Despesas com Contadores, Advogados e Assessoria Jurídica Fl. 9696DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Quanto às despesas constantes do livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947) com contadores, advogados e assessoria jurídica, entende a fiscalização da RFB, não devem ser consideradas como dedutíveis. As despesas lançadas em livro caixa com advogados/assessoria jurídica trazem apenas simples recibos como forma de comprovação, sem numeração, digitados em processador de texto (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Não foi apresentada nenhuma nota fiscal de serviço ou documento fiscal equivalente. Relativamente a algumas dessas despesas há comprovantes de pagamentos, porém, quando apresentados, observase tratarse de comprovantes de depósito bancário de cheques (em sua maior parte), mas sempre em conta bancária de terceiros, isto é, pessoa diversa do advogado/assessor jurídico em questão. Ainda, quanto a algumas dessas despesas, com advogados/assessoria jurídica, consta apenas o simples recibo mencionado, não tendo sido apresentado qualquer comprovante de pagamento (cheque nominal, comprovante bancário, etc). Quanto às despesas lançadas em livro caixa relativas honorários de contadores, foram apresentados, na tentativa de comprovação, boletos bancários, sem, entretanto, qualquer indicativo de tratarse de pagamento a profissional contábil (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). O boleto é emitido em nome de pessoa que não se sabe quem seja. Não consta do corpo do boleto a indicação do serviço prestado ou do produto adquirido. Não foi apresentada qualquer nota fiscal de serviço ou documento fiscal equivalente. Por fim, tanto relativamente aos serviços de advocacia/assessoria jurídica quanto aos serviços de contabilidade, lançados pelo contribuinte em seu livro caixa anocalendário 2002, não foram apresentados contratos de prestação de serviços. Sem tais contratos, não se pode precisar a natureza das despesas com advogados/assessoria jurídica, se seriam efetivamente relacionadas à atividade profissional do contribuinte, se seriam relacionadas a causas pessoais, se realmente existiu prestação de serviço nesse sentido; sem contrato de prestação de serviços de contabilidade não há como se afirmar que os boletos bancários apresentados sejam relativos a honorários de contabilidade, e se a pessoa indicada no boleto bancário tratase realmente de contador, e que este tenha prestado, de fato, os serviços de contabilidade, ou ainda, não se pode afirmar que efetivamente tenham sido prestados serviços de contabilidade. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2°, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas Fl. 9697DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 6 9 Não tendo comprovado as despesas com advogados/assessoria jurídica e com contadores, sugere, a fiscalização da RFB, que tais despesas sejam desconsideradas do livro caixa ano calendário 2002, não podendo ser abatidas das receitas. Despesas com Advogados/Assessoria Jurídica/Contadores Glosa Integral (...) III Despesas Desconsideradas Devido à Falta de Comprovantes Hábeis para Tanto III.1 Despesas com "Correio Braziliense" As despesas escrituradas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), com Correio Braziliense não podem ser utilizadas para dedução das receitas, conforme entendimento da fiscalização da RFB. Essas despesas, normalmente com o histórico, no livro caixa, de "Pg Despesas Diversas S/A Correio Braziliense", trazem como comprovantes, apresentados pelo contribuinte, apenas canhotos de boletos bancários, sem qualquer indicação de que se trate de despesas com jornais ou serviços prestados pelo jornal ou ainda que se trate de despesas relativas ao contribuinte ou por ele pagas (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, ano calendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Do canhoto de boleto bancário constam apenas alguns números em alguns campos, como número do documento, agência, vencimento e valor. Não há como se saber ao que se refere o pagamento, pois não há nenhuma identificação, nem do contribuinte, nem de quem vendeu o produto/prestou o serviço, nem do produto/serviço adquirido, sendo que sequer se sabe se se trata de operação de compra e venda. Inclusive, salientese, muitas vezes sequer consta, no canhoto do boleto bancário, a autenticação bancária de que tenha ocorrido o pagamento respectivo. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. Despesas com Correio Braziliense Glosa Integral (...) III.2 Boletos Bancários Utilizados como Comprovantes A maior parte das despesas da escrituradas no livro caixa, ano calendário 2002 (fls. 890 a 947), com as empresas Direct Line, Fl. 9698DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Eletec Divulgação, HSN Informática, Irca Consultoria, LC Relógios de Ponto, Multi Soft e Work Solution Informática, foi comprovada por meio de apresentação de boletos bancários (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Tais boletos trazem o nome da empresa, na condição de "cedente", e do contribuinte, como "sacado", porém, não identificam o serviço prestado/produto adquirido, isto é, a despesas realizada, de modo que não é possível saber se se trata de despesa dedutível relativamente à atividade profissional do contribuinte, não há como saber se se enquadram como despesas de custeio, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Quanto às despesas relacionadas abaixo não foram apresentadas notas fiscais de venda de produto ou serviço nem contratos esclarecendo que tipo de relação houve para que tivesse sido gerado, e pago, boleto bancário pelo contribuinte. Importante informar que, relativamente ao "histórico" das despesas mencionadas, constante do livro caixa, muitas vezes há referência à determinada "NP', isto é, nota fiscal, que representa, por excelência, o documento comprobatório para a fiscalização, sendo que, porém, não houve apresentação das mesmas. Salientese que muitos dos boletos, em especial relativos a pagamentos para a empresa LC elogios de Ponto, não trazem sequer identificação do contribuinte. Tratase apenas de um boleto bancário pago à citada empresa, porém, não se conhece o serviço prestado, o produto vendido, nem o adquirente dos mesmos, isto é, o boleto foi pago, porém, contém vários campos sem preenchimento, constando apenas o nome da empresa e autenticação bancária relativa ao pagamento realizado. Também há casos em que se percebe o preenchimento do boleto, porém, de forma ilegível, de modo que não se pode reconhecer as partes que eventualmente teriam transacionado. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. (...) III.3 Despesas Comprovadas com Simples Recibos Duas despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), com as empresas Direct Line e SG Confecções e Uniformes Profissionais, foram comprovadas com simples recibos (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Não foi apresentada nenhuma nota fiscal de prestação de serviço ou venda de produto, inclusive, não foram apresentados quaisquer Fl. 9699DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 7 11 comprovantes de pagamento (cheque nominal, comprovante bancário, etc). Salientese, a despesa relativa à Direct Line, observase, no corpo do recibo, referese a pagamento da "Proposta n° 154/02", nada mais constando. O que significa o pagamento de 'proposta'? É proposta relativa a quê? Por que tal proposta não foi anexada? Como visto, não se pode aceitar o documento como sendo comprobatório da despesa, pois não se conhece a natureza da mesma, não se sabe se de fato serviria às despesas de custeio do contribuinte, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2°, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. Despesas Comprovadas com Simples Recibos Glosa Integral (...) IV Despesas Lançadas em Duplicidade/Despesas sem Comprovante Por fim, algumas despesas foram lançadas em duplicidade no livro caixa anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), devendo as mesmas ser desconsideradas, sendo que também há algumas despesas lançadas sem apresentação de comprovante por parte do contribuinte, que igualmente devem ser desconsideradas, não podendo ser abatida das receitas. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2º, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. (...) 2.B.2 Demais Despesas Lançadas em Livro Caixa, Ano Calendário 2002 Relativamente às demais despesas escrituradas em livro caixa, anocalendário 2002, DIRPF exercício 2003, verificada a documentação apresentada pelo contribuinte, entende a fiscalização que as mesmas se encontram devidamente comprovadas. 3 DESPESAS LANÇADAS EM LIVRO CAIXA, ANO CALENDÁRIO 2002 Fl. 9700DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Considerando as observações constantes do item 2 deste relatório, devese deduzir, do total de despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), DIRPF Exercício 2003, anocalendário 2002 (fls. 427 a 434), as despesas ali indevidamente lançadas, de forma que o total de despesas do livro caixa, para o período em questão, ficaria alterado da seguinte forma: Mês Desp Escrituradas (A) Desp Indevidas (B) Total (AB) Jan R$ 23.930,61 R$ 7.911,32 R$ 16.019,29 Fev R$ 24.494,18 R$ 8.114,24 R$ 16.379,94 Mar R$ 26.995,62 R$ 7.805,10 R$ 19.190,52 Abr R$ 28.706,87 R$ 11.546,34 R$ 17.160,53 Mai R$ 23.897,85 R$ 9.522,31 R$ 14.375,54 Jun R$ 29.196,27 R$ 11.655,14 R$ 17.541,13 Jul R$ 26.582,40 R$ 8.340,59 R$ 18.241,81 Ago R$ 21.127,50 R$ 7.170,66 R$ 13.956,84 Set R$ 25.378,90 R$ 11.967,93 R$ 13.410,97 Out R$ 25.814,96 R$ 6.900,81 R$ 18.914,15 Nov R$ 17.398,48 R$ 2.641,58 R$ 14.756,90 Dez R$ 23.037,88 R$ 11.443,52 R$ 11.594,36 Total R$ 296.561,52 R$ 105.019,54 R$ 191.541,98 4 OMISSÃO DE RECEITAS ANOCALENDÁRIO 2002 Conforme o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal relativos à omissão de rendimentos apurada quanto ao contribuinte no anocalendário de 2002 (fls. 848 a 867), considerando os rendimentos do contribuinte ali apurados, e considerando também as despesas lançadas em livro caixa ano calendário 2002 item anterior deste relatório ("3 Despesas Lançadas em Livro Caixa, AnoCalendário 2002") , demonstra se os valores de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, relativamente aos quais deve ser apurado o imposto de renda pessoa física assim como a ausência de recolhimento de carnes leão respectivos: Mês Rendim. recebidos PF Despesas Livro Caixa Omissão Rendimentos PF Jan R$ 30.348,00 R$ 16.019,29 R$ 14.328,71 Fev R$ 29.146,88 R$ 16.379,94 R$ 12.766,94 Mar R$ 33.041,53 R$ 19.190,52 R$ 13.851,01 Abr R$ 31.743,16 R$ 17.160,53 R$ 14.582,63 Mai R$ 34.783,70 R$ 14.375,54 R$ 20.408,16 Jun R$ 34.158,06 R$ 17.541,13 R$ 16.616,93 Jul R$ 30.128,93 R$ 18.241,81 R$ 11.887,12 Ago R$ 27.770,99 R$ 13.956,84 R$ 13.814,15 Set R$ 31.612,97 R$ 13.410,97 R$ 18.202,00 Out R$ 29.847,36 R$ 18.914,15 R$ 10.933,21 Nov R$ 21.427,77 R$ 14.756,90 R$ 6.670,87 Dez R$ 11.594,36 _ Total R$ 334.009,35 R$ 191.541,98 R$ 154.061,73 Do exposto, verificase que a análise efetuada pela autoridade fiscal do livro caixa, fls. 890/944pdf, bem como dos documentos juntados, fls. 945/1606pdf, foi bastante criteriosa e, nesse sentido, só resta concordar com os argumentos despendidos pela autoridade fiscal acrescentando que: a) Todos os documentos não acatados pela fiscalização com o motivo “apresentação de simples recibo” e “apresentação de boleto bancário” referemse a produtos ou serviços fornecidos por pessoas jurídicas, as quais estão obrigadas à emissão de nota fiscal e/ou contrato de prestação de serviços. Além do mais, a descrição do boleto bancário não possibilita a identificação da natureza do pagamento efetuado e, portanto, não há como Fl. 9701DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 8 13 considerálo como despesa dedutível, uma vez que não há como saber se o gasto realizado se enquadra como despesas de custeio, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. b) Em alguns casos, verificase que os documentos juntados não comprovam de forma indubitável a veracidade das despesas escrituradas em livro Caixa, já que não descreve claramente o serviço prestado; não informa a identificação do emitente do recibo (em nome da pessoa jurídica); ou não informa/comprova, inequivocamente, a data e o pagamento. Nesses casos, como os documentos juntados não comprovam a natureza do pagamento, não é possível enquadrar como despesa de custeio. c) Constatamse, ainda, despesas sem qualquer correlação com atividade profissional do contribuinte e totalmente ilegíveis. Assim, como a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas representou o valor de R$ 334.009,35, e as despesas de livro caixa apurada pela autoridade fiscal corresponde a R$ 191.541,98, a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas representou o montante de R$ 154.061,73. No que toca à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, decorrente do mesmo fato (omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão), penso não ser possível cumular as referidas penalidades, pois até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, não havia previsão legal para a essa incidência cumulativa. Esse entendimento é pacifico neste Órgão, consoante a ementa da CSRF: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Assim, em relação ao anocalendário 2002, devese excluir da exigência a multa isolada do CarnêLeão. Ressaltese que o contribuinte se insurge contra todo o lançamento de ofício, que incluiu, por obvio, a multa de ofício isolada, portanto, o entendimento do Colegiado foi no sentido de enfrentar o item 03 do Auto de Infração, qual seja, falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 154.061,73, bem como excluir da exigência a multa isolada do CarnêLeão. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 9702DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 9703DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.001327/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/09/2000, 30/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001
CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08.
Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos.
CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3202-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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DECADÊNCIA PARA LANÇAR. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/09/2000, 30/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 27 /2 00 6- 21 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de impugnação (fls. 78/104 e 324/34 9) da ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA., supra qualificada, apresentada em face dos Autos de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 68/69) e de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (11s. 74/75). Conforme consta no Termo de Verificação (fls. 62/64), a empresa ABB Alstom Power Brasil Ltda. (CNPJ 03. 215.403/000146), amparada em liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2000.61.03.002395 7 (3ª Vara da Justiça Federal em São José dos Campos/SP), procedeu aos cálculos e declarou a Cofins com base na LC n° 70/91 (Faturamento) e PIS com base na LC n° 7/70 (Faturamento), em vez de apurar referidas contribuições com base na Lei n° 9.718/98 (Receita Bruta). O processo judicial encontravase aguardando apreciação dos Embargos de Declaração opostos em face de decisão prolatada em Recurso Extraordinário julgado no Supremo Tribunal Federal. Entretanto, ainda que recolhidos e declarados com base no Faturamento, os recolhimentos das referidas contribuições sociais apresentaram divergências entre os valores contabilizados e os declarados e pagos nos meses de março/200, setembro/2000 e de dezembro/2000 a março/2001 (fls. 65 e 71). A ABB Alstom Power Brasil Ltda. foi incorporada pelo interessado em março de 2001. Ante o constatado, foram lavrados o Auto de Infração de Cofins (fls. 68/69) no valor de R$ 2.881.697,79, já incluídos os juros de mora calculados até 30.06.2006 e a multa de ofício de 75%, e o Auto de Infração de PIS (fls. 74/75), no valor de R$ 624.367,77, igualmente incluindo os juros e a multa. Tendo sido cientificado da exigência em 07.07.2006 (11s. 68 e 74), ocontribuinte apresentou em 08.08.2006 a Impugnação de fls. 78/104 (Cofins) e 324/349 (Cofins), alegando, em apertada síntese: • preliminarmente, que decaiu o direito de o Fisco efetuar o lançamento em função do decurso do prazo de cinco anos previsto no S 4% do art. 150, do CTN; • no mérito, que as diferenças apuradas pela fiscalização decorrem do fato de ter a fiscalizada procedido à apuração do PIS e da Cofins devidos no período de março/2000 a março/2001 com base nas notas fiscais emitidas no período, muito embora tenha feito a escrituração das receitas provenientes de seus contratos de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001327/200621 Acórdão n.º 3202001.274 S3C2T2 Fl. 1.110 3 empreitada, de longo prazo, nos termos da legislação do Imposto de Renda (art. 407 do RIR/99), ou seja, com o reconhecimento mensal de parcela do preço total do contrato como receita, independentemente de ter sido faturada; • tal procedimento, contudo, não acarretou prejuízos ao Fisco, uma vez que na totalidade do período autuado (março/2000 a março/2001) o PIS e a Cofins apurados ficaram em valor maior que o escriturado; • houve postergação do recolhimento da contribuição relativa a março/2000 para abril/2000 (denúncia espontânea), restando descabida a multa cominada, nos termos do art. 138 do CTN; • e, a partir de abril/2000, inclusive, houve a antecipação da tributação da contribuição que, se apurada nos moldes da legislação contábil e do imposto de renda, seria devida nos períodos de apuração de setembro e dezembro de 2000 e janeiro a março de 2001; • requer, assim, seja cancelado o presente lançamento. A DRJSão Paulo I/SP julgou procedente a impugnação (efls. 1.052/1.055), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Chegam os autos a este Colegiado para julgamento, em razão de interposição de recurso de ofício. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, tratase de apreciação de recurso de ofício, interposto pelo órgão julgador a quo, em razão de haver exonerado o sujeito passivo em montante superior ao seu limite de alçada. A lide cingese tão somente à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publica lançar o crédito tributário relativo ao PIS, visto que a matéria de fundo encontrase sob apreciação do Poder Judiciário. No tocante ao prazo decadencial, é remansosa a jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, no sentido de adotar o prazo limite de cinco anos, estabelecido no CTN, em face da Súmula Vinculante nº. 08 do STF. Referida Súmula passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como para a Administração Pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos. Por ela, foram reduzidos os prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias para cinco anos, diferente dos 10 anos preconizados na Lei Ordinária 8.212/1991: “São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial do prazo quinquenal previsto no CTN. O art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal e a decisão daquela Corte deve ser aqui adotada, independentemente das convicções pessoais dos julgadores. Esta é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo, versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento por parte do contribuinte (art. 150, §4º do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, nos casos de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, do CTN). O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001327/200621 Acórdão n.º 3202001.274 S3C2T2 Fl. 1.111 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso em questão, a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, utilizandose do disposto na Súmula Vinculante STF nº 08, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212/91, entendeu que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS seria de 5 anos, contados a partir da data do fato gerador, tendo em vista que a contribuinte teria efetuado o pagamento parcial daquelas contribuições. Afirmou aquela autoridade: “No presente caso, os fatos geradores ocorreram entre março de 2000 e março de 2001, e o contribuinte havia recolhido o PIS e a Cofins apenas parcialmente (fls. 46/60). Portanto, o lançamento ocorrido em 07.07.2006 (fls. 68 e 74) é totalmente extemporâneo, pois já havía expirado o prazo decadencial de cinco anos para que o Fisco pudesse constituir o respectivo crédito tributário.” De fato, os Demonstrativos de Apuração constantes dos Autos de Infração deixam claro a existência de pagamento parcial. Assim, tendo havido antecipação de pagamento em relação a todos os períodos glosados pela Fiscalização, o dies a quo do prazo de 5 anos é a data da ocorrência do fato gerador. Deste modo, temse atingidos pela decadência todos os períodos autuados, vez que o fato gerador mais recente data de 31/03/2001, sendo que a ciência do auto de infração se deu em 07/07/2006, quando, então, o prazo decadencial já se havia esgotado em 31/03/2006. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10935.906439/2012-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/04/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/04/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 39 /2 01 2- 01 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.887, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 19637.03098.180612.1.2.045859, rastreamento nº 041907727, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.313,32, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/03/2011, efetuado em 25/04/2011, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906439/201201 Acórdão n.º 3802002.737 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/04/2011 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906439/201201 Acórdão n.º 3802002.737 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906439/201201 Acórdão n.º 3802002.737 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906439/201201 Acórdão n.º 3802002.737 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11080.008033/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. Recurso Voluntário Provido em Parte
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE ENERGIA ELÉTRICA (COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIAELÉTRICA e COMPANHIA ESTADUAL DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 80 33 /2 00 7- 56 Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 31/05/2007. O lançamento constitui crédito sobre diferenças de valores não retidos pela contratante de serviço mediante cessão de mão de obra na construção civil. A decisão recorrida excluiu parte dos valores lançados por reconhecer: vigência de tutela antecipada afastando a retenção, de recolhimentos parciais, inclusão indevida na base de cálculo de equipamentos e material, retenção indevida sobre execução de obra por empreitada total, serviços de elaboração de projeto. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Acórdão: Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999 SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. SERVIÇOS TOMADOS, NECESSÁRIOS AO FUNCIONAMENTO DA EMPRESA. REDUÇÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA. EXECUÇÃO DE OBRA POR EMPREITADA TOTAL. PRESTADORA DE SERVIÇOS AMPARADA POR MEDIDA JUDICIAL. SERVIÇO NÃO SUJEITO À RETENÇÃO. VALOR MÍNIMO PARA RECOLHIMENTO. Os serviços necessários ao funcionamento normal da empresa, ainda que eventuais/periódicos, a exemplo de serviços de manutenção, configuramse nas hipóteses de cessão de mãode obra. Reduz a base de cálculo de incidência da retenção de contribuição quando ficar configurada a utilização de materiais e/ou equipamentos. Na contratação de execução de obra por empreitada total, fica afastada a exigência da retenção do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 1991. Não é possível a exigência de retenção da tomadora de serviços no período que a prestadora estiver amparada por medida judicial. Na elaboração de projetos de construção civil não se aplica o instituto da retenção de contribuições previdenciárias. Quando o valor a ser retido for inferior ao limite mínimo permitido para recolhimento em GUIA, fica a contratante dos serviços dispensada de efetuar a retenção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Acórdão n.º 2402004.294 S2C4T2 Fl. 3.725 3 d) No tocante à possível existência de liminares impeditivas de retenção, em relação às contratadas Empresa Brasileira de Engenharia S/A e Instaltec Instalações Elétricas Ltda., a fiscalização manteve o lançamento, porque, muito embora tenha intimado o sujeito passivo, o mesmo não acrescentou quaisquer documentos, além dos já apresentados nas impugnações anteriores, que permitissem verificar a vigência das referidas liminares. Cabe esclarecer que a defesa não junta a decisão proferida em Mandado de Segurança n° 98.00191291, referente à Empresa Brasileira de Engenharia S/A, mas apenas o Pedido junto à Justiça Federal no Rio de Janeiro. Assim, como também não foi possível verificar no "Site" daquele Juízo a liminar concedida, somos por acompanhar o pronunciamento fiscal e indeferir a exclusão das contribuições não retidas em relação à retrocitada prestadora de serviços. Agora, em relação à empresa Instaltec Instalações Elétricas Ltda., os documentos juntados em defesa, incluído o Despacho que concedeu a liminar, combinados com a consulta processual ao "Site" da Justiça Federal no Rio Grande do Sul (fls. 3060/3061), permitem conhecer da decisão em Mandado de Segurança e da vigência da liminar (concessão de liminar / tutela antecipada em 04.06.1999 e sentença concedida em 16.05.2000). Desse modo, considerando a concessão de liminar a partir de 04.06.1999, devemos excluir, em relação à prestadora de serviços Instaltec Instalações Elétricas Ltda., a nota fiscal n° 2954, emitida em 11.06.1999, uma vez que não era possível exigir da empresa tomadora dos serviços, ora autuada COMPANHIA ESTADUAL DE ENERGIA ELÉTRICA, a retenção do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 1991, quando da vigência de medida judicial. Contra a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais que não foram acolhidas pela decisão recorrida, em síntese: Da análise técnica contábil feita pela CEEEGT e CEEED, analisando o crédito tributário mantido, em confronto com a defesa apresentada anteriormente, depreendese que o Órgão Julgador deixou de analisar diversos documentos outrora acostados pela defesa, anexos 2 a 4 (trazemos neste momento apenas as tabelas já apresentadas na Impugnação administrativa, que, na época, foram relacionados juntamente com os devidos documentos comprobatórios), conforme a seguir exemplificamos: a) A retenção da contribuição previdenciária da Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) foi afastada por decisão judicial (liminar) a partir da competência fevereiro/1999, conforme já argumentado e comprovado nas peças de defesa e informações anteriores. No entanto, estamos juntando, novamente, os Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 documentos remetidos pela 17a Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ, determinando o cumprimento da liminar concedida, bem como do andamento processual (Anexo 2). Desta forma, não havia outra atitude a ser tomada pela CEEE, senão atender a determinação judicial, quanto ao não recolhimento ou retenção do valor correspondente aos 15% sobre as notas fiscais emitidas pela EBE. Notese, as Companhias não podem negarse a cumprir uma ordem emanada pelo Poder Judiciário. Cumpre exaltar que, tendo a CEEE sido oficiada pelo Juízo competente a não realizar determinada conduta, uma vez não cumprida a exigência, estaria praticando o crime tipificado no artigo 330 do Código Penal Brasileiro, desobediência à ordem judicial, podendo ser penalizada com a imposição de multa. Desta forma, resta cristalino que estas Companhias não podem ser compelidas ao recolhimento da contribuição social incidente sobre as notas fiscais emitidas pela EBE, ou por qualquer outra empresa que possui determinação judicial no sentido contrário. b) A retenção da contribuição previdenciária da empresa Instaladora Elétrica CRE Ltda. (IEC) foi realizada e os respectivos recolhimentos foram efetuados, conforme devidamente demonstrado na Impugnação de Lançamento e seus anexos, protocolada no dia 04/07/2008 (vide novamente a referida tabela no Anexo 3). c) Entre as retenções das demais empresas, verificase que o Órgão Julgador não considerou, ainda, outros valores constantes às folhas do Anexo 4, também já juntadas quando da Impugnação Administrativa. Essa turma converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 2402 000.378 elas seguintes razões: “Sob fundamento de que não foram trazidas provas sobre a vigência de tutela antecipada para que a contratada EBE não se submetesse à retenção e a impossibilidade de consulta pela internet, a decisão recorrida manteve os valores lançados. Acontece que foi juntada no recurso voluntário decisão judicial encaminhada à recorrente para que não efetuasse a retenção, fls. 3.195 em diante. Reitera também a recorrente que teria demonstrado os recolhimentos em relação às contratadas IEC e demais empresas indicadas nos anexos 3 e 4” Em resposta, a fiscalização informa que promoveu retificações, mesmo antes da diligência, quando comprovado nos autos os fatos alegados pelo recorrente. O lançamento foi reduzido de R$ 105.711,81 para R$ 51.255,67. Quanto à decisão judicial anexou o acórdão com trânsito em julgado em desfavor do contribuinte, fls. 3.579 e seguintes. O recorrente reitera que a Empresa Brasileira de Engenharia S/A – EBE estava amparada por medida liminar e que os demais levantamentos também deveriam ser retificados pelas seguintes razões: serviço prestado nas próprias dependências dos contratados, natureza do serviço não sujeita a retenção e fornecimento de material e equipamentos. É o Relatório. Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Acórdão n.º 2402004.294 S2C4T2 Fl. 3.726 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito De acordo com a informação fiscal, somente não foram retificados os levantamentos para os quais o recorrente não logrou demonstrar os fatos alegados: serviço prestado nas próprias dependências dos contratados, natureza do serviço e fornecimento de material e equipamentos. Ainda que oportunizado ao recorrente após a última diligência, os documentos juntados em seus anexos (contratos e notas fiscais de serviços) não são suficientes como contraprova dos fatos fundamentados pela fiscalização. Como exemplos: a nota fiscal às fls. 3630 discrimina serviço de instalação de rede elétrica e o contrato às fls. 3636 também discrimina como objeto o serviço de mão de obra para restabelecimento de energia elétrica. Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.008033/200756 Acórdão n.º 2402004.294 S2C4T2 Fl. 3.727 7 Quanto a empresa contratada “Empresa Brasileira de Engenharia S/A EBE”, constato que a decisão liminar cuja cópia é juntada às fls. 3311 beneficiou outras empresas. A EBE não consta como autora da ação judicial. Somente o acórdão que reformou a sentença, fls. 3667, de fato identifica como parte processual a empresa EBE; contudo, não é possível dele identificar a existência de medida liminar favorável e o respectivo período de vigência, a fim de que fosse cumprido o artigo 177 da IN SRP nº 03/2005: Art. 177. Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, observar seá o seguinte: I na hipótese de a decisão judicial se referir à empresa contratada mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, não sujeita à aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços serão exigidas da contratada; Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos da informação fiscal às fls. 3579 e seguintes. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000582/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão.
AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ESCRITURA. DOCUMENTO COM FÉ-PÚBLICA.
A escritura é uma prova que goza de fé pública quando lavrada em cartório. A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos.
Numero da decisão: 2201-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201-001.901, de 20/11/2012, complementar o parágrafo que restara incompleto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2006, 2007 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. AQUISIÇÃO/ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ESCRITURA. DOCUMENTO COM FÉPÚBLICA. A escritura é uma prova que goza de fé pública quando lavrada em cartório. A sua nulidade requer declaração judicial que assim a conceitue, não podendo a autoridade administrativa descartar um documento que reúna requisitos de prova plena, e muito menos desconstituir essa prova com meros argumentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201001.901, de 20/11/2012, complementar o parágrafo que restara incompleto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 05 82 /2 00 9- 51 Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Alega a Embargante, em linhas gerais, que no voto condutor do Acórdão n° 2201001.901, de 20/11/2012, não consta a fundamentação completa no item 3.5, ou seja, o Conselheiro Relator não completou o parágrafo. Pois bem, relativamente à arguição supra, cumpre transcrever o item 3.5 do voto condutor (fl. 1184): 3.5 — Pela não comprovação da transferência de recursos entre empresas, referente a compra do lote de terras rural denominado "terra Preta" em dez/2005. (...) Sustenta a fiscalização que o único documento comprobatório apresentado em relação a operação foi a escritura publica datada de 21 de dez/2005, por outro lado em sua Impugnação a Contribuinte traz além da escritura a certidão do cartório de registro de imóveis (fls. 406). Em caso semelhante do próprio contribuinte este E. Conselho decidiu que seria necessário desconstituir a presunção de veracidade do documento de Entendo que a fé pública dos documentos trazidos somente sede lugar quando comprovada mediante prova robusta de sua falsidade, o que não foi demonstrado pela fiscalização. Desta forma entendo que razão assiste à Contribuinte. De fato, da análise do excerto transcrito verificase que o Relator foi omisso, pois deixou de complementar a fundamentação que levou o Colegiado a dar provimento ao recurso, nessa parte. Isso posto, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio de Despacho, acolheu os Embargos e solicitou a reinclusão dos autos em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 2201002.562 S2C2T1 Fl. 3 3 Os embargos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade. No que tange à operação envolvendo a compra do lote de terras denominado "Terra Preta" em dez/2005, reproduzo, de antemão, trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 235/236: 19 Compra do lote de terras rural denominado "Terra Preta" em dez/2005 Apesar das considerações formuladas pelo contribuinte no que tange eventual valorização da área rural em evidência, temos que não foi comprovado, conforme solicitado na intimação datada de 20 de maio de 2008, a transferência de recursos entre as empresas. ii. Em tempo, cabe trazer algumas ponderações ao negócio firmado, em tese, entre as empresas: a. o único documento comprobatório apresentado em relação a operação foi a escritura publica datada de 21 de dez/2005; b. A Scoobydoo do Brasil Agrosilvopastoril Ltda, 03.113.136/000104 possui, dentre seus sócios, o sr. Walter Vogel. c. Ora, percebemos, na própria escritura publica, que o Sr. Walter Vogel, sócio administrador de ambas, as representa na suposta negociação efetivada, assinando pelas duas empresas. iii. Logo, constituímos o crédito tributário de IRF Imposto de Renda na Fonte sobre a saída de recursos da empresa sem a devida comprovação da operação, ajustando a base de cálculo BC, perfazendo o valor total de R$4.615.384,62, com o fato gerador no dia 21 de dez/2005. Em relação à matéria supra, o voto condutor do acórdão embargado caminhou no seguinte sentido (fls. 1183/1184): 3.5 — Pela não comprovação da transferências de recursos entre empresas, referente a compra do lote de terras rural denominado "terra Preta" em dez/2005. A operação foi registrada no livro razão o pagamento de R$ 3.000.000,00 em 20 de dezembro de 2005. (fls 112 do anexo 1) Sustenta a fiscalização que o único documento comprobatório apresentado em relação a operação foi a escritura publica datada de 21 de dez/2005, por outro lado em sua Impugnação a Contribuinte traz além da escritura a certidão do cartório de registro de imóveis (fls. 406). Em caso semelhante do próprio contribuinte este E. Conselho decidiu que seria necessário desconstituir a presunção de veracidade do documento de Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Entendo que a fé pública dos documentos trazidos somente sede lugar quando comprovada mediante prova robusta de sua falsidade, o que não foi demonstrado pela fiscalização. Desta forma entendo que razão assiste à Contribuinte. Pelo que se vê, o Relator, referendado pelo Colegiado, entendeu que em razão da escritura pública, do registro da operação no livro razão (fls. 112 anexo 1), bem como da certidão do Cartório de Registro de Imóveis (fls. 406), a operação de compra do lote de terras denominado "Terra Preta" restou comprovada, sendo que, para desconstituir os documentos trazidos pela recorrente, deveria a autoridade fiscal carrear aos autos prova robusta de sua falsidade. Com efeito, a jurisprudência do CARF é firme nesse sentido. Vejase: GANHO DE CAPITAL — VALORES DE AQUISIÇÃO E VENDA — Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância. (Processo n°.: 10940.000931/9847 Acórdão n°.: 10611.852) AQUISIÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO PÚBLICO Deixa de prevalecer a data, forma e valor da alienação constantes da Escritura Pública de Compra e Venda, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse de forma diversa. (Processo nº: 10925.000147/200463 Acórdão nº: 104 21.643) Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201001.901, de 20/11/2012, complementar o parágrafo que restara incompleto. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13830.002391/2005-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004
CIGARRO. SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSÁVEL PELO RECOLHIMENTO DO IPI. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA REGULAMENTAR.
O estabelecimento que vender ou expor à venda produtos sem o selo de controle, quando obrigatório, sujeita-se ao pagamento do IPI e acréscimos legais, na qualidade de responsável, assim como, de multa regulamentar não inferior a R$ 1.000,00.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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F. DA SILVA MERCEARIA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 CIGARRO. SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSÁVEL PELO RECOLHIMENTO DO IPI. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que vender ou expor à venda produtos sem o selo de controle, quando obrigatório, sujeitase ao pagamento do IPI e acréscimos legais, na qualidade de responsável, assim como, de multa regulamentar não inferior a R$ 1.000,00. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 23 91 /2 00 5- 99 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 05/12/2005, lavrado para ara exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da apreensão de cigarros sem o selo de controle. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou o seguinte, in verbis: Eu Mário Ferreira da Silva com sede e estabelecimento na rua Amador Bueno, 794 CEP 17.527622 MaríliaSP, CNPJ. 06.192.014/00130 por seu representante legal não se conformando com o auto de infração acima referido, lavrado pelo Sr. Respeitosamente no prazo legal com amparo no que dispõem o art. 15 do Dec 70.235/72 venho atravez dessa carta apresentar minha impugnação pelos motivos de fato e de direito que seguem (art:16 . inciso TI do dec. 70.235/72): Os cigarros que estavam em meu poder não estavam a venda, esses 8 maços de cigarros eram do meu consumo, os policiais entraram na minha residência para ver se achavam mais, porém não havia, porque os mesmos eram de meu consumo próprio, eu Havia acabado de comprálos por isso os mesmo se encontravam em cima do balcão. Venho por meio desta pedir a impugnação do processo. N° 13830002.339/200532 Sem mais a declarar Termino e espero a apreciação do Sr delegado de receita federal. Marília,, 28 de dezembro de 05. Empresa MFD Silva Mercearia M.E. Fone: (014)34324676. A 3ª Turma da DRJ Belém, julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/11/2004 CIGARRO. SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSÁVEL PELO RECOLHIMENTO DO IPI. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que vender ou expor à venda produtos sem o selo de controle, quando obrigatório, sujeitase ao pagamento do IPI e acréscimos legais, na qualidade de responsável, assim como, de multa regulamentar não inferior a R$ 1.000,00. Impugnação Improcedente. Regularmente notificado daquele Acórdão em 06/12/2011, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 41, em 04/01/2012, no qual reprisou os argumentos de impugnação e informou que não tem condições de pagar a multa. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13830.002391/200599 Acórdão n.º 3403003.346 S3C4T3 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O único argumento do contribuinte é que os cigarros se destinavam a consumo próprio e que só estavam em cima do balcão porque tinha acabado de adquirilos. Este relator trabalha na área de julgamento de processos há mais de 20 anos e em todos os processos em que existem apreensões de bebidas e de cigarros sem o selo de controle, uma das alegações padrão é exatamente essa, no sentido de que os produtos não estavam expostos à venda porque eram para consumo próprio. Entretanto, a leitura do boletim de ocorrência policial de fl. 17, verificase que a apreensão foi feita em sede de investigação policial dos crimes de contrabando e falsificação. Inclusive o Sr. Mário Ferreira da Silva, consta do referido termo como indiciado. Tendo vista as circunstâncias em que ocorreu a apreensão, não há como acolher a alegação de que os cigarros eram para consumo próprio. O art. 499, do RIPI/2002, estabelece que a venda ou a mera exposição à venda de produtos sem o selo de controle ou com emprego de selo já utilizado, deve ser punida com a multa igual ao valor do produto, não inferior a R$ 1.000,00. No caso dos autos, como o valor dos cigarros era inferior a R$ 1.000,00, a fiscalização aplicou a multa mínina. No que concerne à falta de capacidade financeira para o pagamento da multa, o argumento não pode ser levado em consideração. Caso contrário todos o utilizariam para se furtar ao pagamento dos tributos devidos. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 48DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13149.000022/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
Os honorários advocatícios, pagos pelo contribuinte, sem indenização, devem ser deduzidos para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira e reconhecer a dedução de despesa com previdência privada, no valor de R$ 2.420,81, para fins de cálculo do imposto devido.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios, pagos pelo contribuinte, sem indenização, devem ser deduzidos para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira e reconhecer a dedução de despesa com previdência privada, no valor de R$ 2.420,81, para fins de cálculo do imposto devido. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 9. 00 00 22 /2 00 7- 11 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13149.000022/200711 Acórdão n.º 2102003.184 S2C1T2 Fl. 125 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra TANIA MARA QUIRINO DE SOUZA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 06/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 24.608,00, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/05/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no valor total de R$ 74.469,24, assim discriminado: Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde diz que de fato incorreu na omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura de Barra do Garças, mas solicita a dedução da contribuição a previdência privada, no valor de R$ 2.420,81 e quanto à omissão de rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira esclarece que o lançamento deixou de considerar as despesas com honorários advocatícios, no valor de R$ 39.886,00. Considerando que a impugnação foi parcial, a autoridade de jurisdição da contribuinte transferiu para o processo 10183.003331/200739, a parte do crédito tributário que entendeu não impugnada, no valor de R$ 1.016,83 (principal). Seguiuse o julgamento de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0417.268, de 08/04/2009, fls. 68/72, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da referida decisão, por via postal, em 11/05/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 76, a contribuinte apresentou, em 25/05/2009, recurso voluntário, fls. 77/80, onde reitera e repisa os mesmos argumentos da impugnação. Conforme Resolução nº 2102000.133, de 14/05/2013, fls. 121/123, o julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13149.000022/200711 Acórdão n.º 2102003.184 S2C1T2 Fl. 126 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a decisão de primeira instância, não andou bem quando considerou matéria não impugnada a omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura de Barra do Garças, deixando de se pronunciar acerca da solicitação da contribuinte de ver reconhecida a dedução de contribuição a previdência privada, no valor de R$ 2.420,81. Veja que de fato a contribuinte reconheceu que incorreu na omissão de rendimentos, contudo, carece de apreciação o pedido de reconhecimento da dedução, posto que tal fato tem influencia direta no valor do imposto devido. Assim, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, passase ao exame da questão. Quando da apresentação da impugnação a contribuinte apresentou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda na Fonte, fls. 22, do qual resta comprovado o pagamento de contribuição a previdência privada, no valor de R$ 2.420,81. Verificase, ainda, da Declaração de Ajuste Anual, fls. 19, que tal valor não foi deduzido pela contribuinte. Logo, devese reconhecer, para fins de cálculo do imposto devido, a dedução de contribuição a previdência privada, no valor de R$ 2.420,81. Já no que concerne à omissão de rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira, no valor de R$ 39.886,00, a contribuinte esclareceu na impugnação e no recurso que o lançamento deixou de considerar as despesas com honorários advocatícios, no valor de R$ 39.886,00. Para comprovar a referida despesa a contribuinte juntou aos autos, quando da apresentação da impugnação, o recibo, fls. 23, do qual se infere que a recorrente teve gastos com honorários advocatícios, relativos ao processo nº 1.054/01, no anocalendário 2004, no valor total de R$ 49.500,00. A decisão recorrida não acolheu a referida despesa sob a seguinte fundamentação: As argumentações da impugnante não procedem, porquanto essas vieram sem os documentos que comprovassem as suas alegações, como: a cópia da sentença trabalhista ou a cópia do acordo homologado judicialmente e o contrato de prestação de serviços dos advogados. No recurso, a contribuinte juntou aos autos cópia de Termo de Avença, fls. 110/112, ajustados entre as partes envolvidas no processo judicial trabalhista nº 1.054/2001, onde são partes a contribuinte e a Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira, onde consta assinatura dos seguintes advogados em nome da contribuinte: Antonio Marmo Mota e Mario Augusto Tavares. Consta, ainda, dos autos o Comprovante de Rendimentos Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13149.000022/200711 Acórdão n.º 2102003.184 S2C1T2 Fl. 127 4 Pagos e de Imposto de Renda na Fonte, fornecido pela Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira, donde se infere que os rendimentos recebidos são decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho e que os rendimentos tributáveis, inclusive férias, perfaz a quantia de R$ 203.502,42. Tudo a indicar que os honorários advocatícios, no valor de R$ 49.500,00 pagos aos advogados Antonio Marmo Mota, Mario Augusto Tavares e Rones Ricardo Vieira foram necessários para a percepção dos rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira, no valor de R$ 203.502,42. Por outro lado, considerando que da Notificação de Lançamento se infere de forma cristalina que os rendimentos considerados omitidos, decorrem daqueles informados em Dirf, no valor de R$ 203.502,42 e que deste valor o rendimento considerado omitido de R$ 39.886,00 é inferior às despesas com honorários advocatícios, devese cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos da Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira e reconhecer a dedução de despesa com previdência privada, no valor de R$ 2.420,81, para fins de cálculo do imposto devido. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904219/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 8 1 7 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904219/201261 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.593 – 3ª Turma Especial Data 15 de outubro de 2014 Assunto Compensação Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 21 9/ 20 12 -6 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.868, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópía de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904219/201261 Resolução nº 3803000.593 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 18471.001858/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/2000
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM PARCELAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
O pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de dívida e evidencia a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, implicando na ausência de litígio administrativo em relação ao débito parcelado, disposição regimental (artigo 78, § 2º, RICARF).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. Sustentação oral: Marcelo Rodrigues de Siqueira. OAB: 106.133/MG.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 384 1 383 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001858/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.170 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/2000 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM PARCELAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. O pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de dívida e evidencia a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, implicando na ausência de litígio administrativo em relação ao débito parcelado, disposição regimental (artigo 78, § 2º, RICARF). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. Sustentação oral: Marcelo Rodrigues de Siqueira. OAB: 106.133/MG. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 58 /2 00 8- 76 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001858/200876 Acórdão n.º 2301004.170 S2C3T1 Fl. 385 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou procedente a impugnação apresentada e manteve em parte o Crédito Tributário. 2. A fiscalização lavrou o Auto de Infração Debcad nº 35.605.9264 em razão de a empresa ter apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados de construção civil pela empresa construtora: M. M SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ 01.116.690/000101, em cumprimento ao contrato 161.2.065.993, de acordo com o artigo 30, VI da Lei 8.212/1991, nas competências 11/1999 a 01/2000 e 03 a 11/2000. O crédito engloba as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa (para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e aquelas destinadas ao financiamento do Seguro por Acidente de Trabalho – SAT. 3. A contribuinte tomou ciência da autuação em 14/10/2003, e apresentou impugnação de fls. 52/60. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro (RJ) não acolheu a pretensão da contribuinte, em acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/2000 SOLIDARIEDADE ENTRE TOMADOR E PRESTADOR DOS SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços art. 30, VI da Lei 8.212/1991, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. RETIFICAÇÃO DO VALOR LANÇADO Uma vez apresentados, ainda que parcialmente, documentos elisivos da responsabilidade solidária relativa à construção civil, abatemse do lançamento os valores vinculados a tais documentos, nos termos do art. 145, I do Código Tributário Nacional e nos moldes dos atos normativos do INSS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 4. Cientificada pessoalmente da decisão em 24/11/2012 (fls. 284), a contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 11/12/2012 (fls. 288/301), trazendo argumentos para a não manutenção do lançamento fiscal. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001858/200876 Acórdão n.º 2301004.170 S2C3T1 Fl. 386 3 5. Em petição protocolizada dia 17/09/2014 (fls. 386/392), o recorrente postula a desistência total do recurso em virtude da inclusão do débito no Programa REFIS. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001858/200876 Acórdão n.º 2301004.170 S2C3T1 Fl. 387 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE 1. Compulsando os autos, verificase que o sujeito passivo apresentou pedido de adesão ao Programa REFIS, com confissão irretratável da dívida.: “Inicialmente, cumpre verificar que o débito discutido nos presentes autos está enquadrado no permissivo legal instituído pelo art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014, o que permite a essa requerente aproveitarse das condições estabelecidas para a adesão para quitação , por meio do REFIS”. (f.386) [...]. “Apresenta a desistência, de forma irrevogável, da impugnação e/ou recurso ofertados neste processo administrativo fiscal, renunciando a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda o mesmo.” (f. 392) 2. Concluise, assim, que inexiste litígio a ser apreciado por esta Turma de Julgamento, haja vista que, o recorrente aderiu ao parcelamento disciplinado pelas Leis nº 11.941/2009 e Lei nº 12.249/2010, nele incluindo o débito oriundo do lançamento objeto do presente processo. 3. Sobre a matéria, o Regimento Interno do CARF (RICARF) estabelece que: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação: “§ 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. ( Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ).” Fl. 511DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001858/200876 Acórdão n.º 2301004.170 S2C3T1 Fl. 388 5 4. O parcelamento configura confissão irretratável da dívida, demonstrando a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF. 5. Dessa forma, o mérito das alegações suscitadas no recurso voluntário não pode ser objeto de apreciação por esta Turma de Julgamento. CONCLUSÃO. 6. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário pela desistência do contribuinte, em função da adesão ao parcelamento disciplinado pelas Leis nº 11.941/2009 e Lei nº 12.249/2010. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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