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Numero do processo: 13896.910138/2012-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo.
Numero da decisão: 3003-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 38 /2 01 2- 75 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 192 2 Relatório Tratasede De claração de Compensação (DCOMP) nº 21916.63775.200412.1.3.040660 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 9.771,68, referente ao período de apuração (PA) de dez/07. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERD/COMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu acórdão N.º 0947.501 cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 193 3 declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 194 4 Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 195 5 Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 196 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 197 7 aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF O Paracer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13896.910138/201275 Acórdão n.º 3003000.071 S3C0T3 Fl. 198 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.720236/2012-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO SÚMULA CARF Nº 49
O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Entendimento pacificado na Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 1001-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO SÚMULA CARF Nº 49 O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Entendimento pacificado na Súmula Carf nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO SÚMULA CARF Nº 49 O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Entendimento pacificado na Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 72 02 36 /2 01 2- 22 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13976.720236/201222 Acórdão n.º 1001001.094 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 27 a 32) interposto contra o Acórdão nº 0945.956, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 21 a 23), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de lançamento, no valor de R$ 4.650,80, relativo a multa por atraso na entrega da(o) DASN referente a(o) AC 2011. A contribuinte apresentou impugnação pedindo o cancelamento da multa, em resumo, sob o argumento de estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário com base nos mesmos fundamentos aduzidos na Impugnação. É o relatório. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13976.720236/201222 Acórdão n.º 1001001.094 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A interpretação do art. 113 do CTN mostra que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores distintos e independentes, sendo que o simples fato de não observar a obrigação acessória constitui o fato gerador da obrigação principal de pagar a respectiva penalidade pecuniária. A penalidade em discussão está expressamente prevista em lei, conforme enquadramento legal constante do lançamento, vinculando toda a Administração Pública, em face do princípio constitucional da legalidade. Registrese não cabe na esfera administrativa a apreciação de aspectos ligados à constitucionalidade de dispositivos legais plenamente eficazes. Assim, constatado o atraso no adimplemento da obrigação acessória, lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, a exigência da multa independe de culpa ou dolo do sujeito passivo. O atraso na entrega da(o) DASN é ostensivo, evidente por si só, sendo desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Como incentivo ao contribuinte que entrega a(o) DASN após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa aplicada é reduzida à metade, havendose que se observar, sempre, o valor mínimo legal, tal qual estabelecido no art. 7º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 10.426/2002 e procedido no lançamento. O instituto da denúncia espontânea, versado no artigo 138 do CTN, não se aplica às multas por atraso na entrega de Declaração, Demonstrativo e Escrituração Digital, consoante entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13976.720236/201222 Acórdão n.º 1001001.094 S1C0T1 Fl. 5 4 Essa matéria encontrase também pacificada no âmbito do Poder Judiciário. A título exemplificativo, cito manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional nº 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União – DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido." Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001095/99-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO EM DCOMP.
DÉBITOS DE TERCEIROS.
A conversão dos pedidos de restituição/compensação em declaração de compensação (DCOMP), introduzida pela lei n° 10.637/2002 alcança apenas os débitos próprios, mas não os de terceiros. Precedentes.
Ementa: IRRF. COMPROVAÇÃO.
Demonstrada pelos sistemas da Receita Federal o recolhimento de IRRF pela instituição pagadora, há de se reconhecer o respectivo crédito em favor do contribuinte, não obstante discrepância inicial constante da DIRF da referida instituição pagadora.
Numero da decisão: 1103-000.415
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes.
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO EM DCOMP. DÉBITOS DE TERCEIROS. A conversão dos pedidos de restituição/compensação em declaração de compensação (DCOMP), introduzida pela lei n° 10.637/2002 alcança apenas os débitos próprios, mas não os de terceiros. Precedentes. Ementa: IRRF. COMPROVAÇÃO. Demonstrada pelos sistemas da Receita Federal o recolhimento de IRRF pela instituição pagadora, há de se reconhecer o respectivo crédito em favor do contribuinte, não obstante discrepância inicial constante da DIRF da referida instituição pagadora.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-02-13T18:04:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-02-13T18:04:31Z; Last-Modified: 2012-02-13T18:04:32Z; dcterms:modified: 2012-02-13T18:04:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1cfe1174-250c-4169-affb-fa31f4492e1b; Last-Save-Date: 2012-02-13T18:04:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-02-13T18:04:32Z; meta:save-date: 2012-02-13T18:04:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-02-13T18:04:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-02-13T18:04:31Z; created: 2012-02-13T18:04:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2012-02-13T18:04:31Z; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-02-13T18:04:31Z | Conteúdo => SI-CIT3 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13804.001095/99-24 Recurso n° 163730 Voluntário Acórdão no 1103-00.415 — la Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente SRL EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida 5' TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ DE SAO PAULO/SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO EM DCOMP. DÉBITOS DE TERCEIROS. A conversão dos pedidos de restituição/compensação em declaração de compensação (DCOMP), introduzida pela lei n° 10.637/2002 alcança apenas os débitos próprios, mas não os de terceiros. Precedentes. Ementa: IRRF. COMPROVAÇÃO. Demonstrada pelos sistemas da Receita Federal o recolhimento de IRRF pela instituição pagadora, há de se reconhecer o respectivo crédito em favor do contribuinte, não obstante discrepância inicial constante da DIRF da referida instituição pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P Camara / 3' turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes. ALOYSIO, DA SILVA - Presidente ERIC MORAES DE CA TRO E SILVA - Relator 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervásio Nicolau Recketenvald, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata e Eric Moraes de Castro e Silva. 2 Processo n 0 13804.001095/99-24 SI-Cl T3 Acórdão n.° 1103-00.415 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou improcedente pedidos de Restituição cumulado com Compensação de débitos de terceiros apresentados em 1999 referente IRPJ retidos na fonte sobre rendimentos financeiros e juros sobre o capital próprio dos anos de 1997 1998. A decisão recorrida indeferiu o pedido originário com base em três fundamentos: a) a impossibilidade de homologação de débitos de terceiros, que não haveriam se transformado em Declaração de Compensação (DCOMP), por força da lei n° 9.430/96, art. 74; b) Os Pedidos de Compensação não convertidos em DCOMP não têm sua exigibilidade suspensa, razão pela qual já podem, de logo, serem inscritos em Divida Ativa; c) A Recorrente não comprovou que a após a cisão parcial ocorrida continuou com o crédito do IRPJ objeto do pedido originário. Inconformado, vem o contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 432/451 aduzir, em preliminar, a homologação tácita dos pedidos de compensação, alegando que h época do seu pedido originário havia a previsão de compensação com débitos de terceiros, nos termos do então art. 73 da lei n° 9.430/96 e da Instrução Normativa n° 21/97. Neste sentido, aduz que apenas com a Instrução Normativa n° 41/2000, de 10/04/2000 foi vedada a compensação com créditos de terceiros, sem prejudicar os pedidos feitos anteriormente àquela data, como asseverava o art. 1° da referida IN n° 41/2000. Ainda na preliminar da homologação tácita, sustenta o Recorrente que, por lei, a vedação de compensação com débitos de terceiros só foi introduzida pela lei n° 10.637/2002, que ao conferir nova redação ao art. 74 da lei n° 9.430/96 trouxe esta vedação de forma expressa, além de converter os pedidos ainda pendentes, como era o seu, em DCOMP. Assim, conclui que, por ter protocolado seus pedidos em 26/02/1999 e 29/06/1999, mas ter sido intimado da decisão denegatória apenas em 21/06/2005, homologados tacitamente estariam as suas pretensões. No mérito, vem a Recorrente aduzir que o seu crédito do IRPJ do ano de 1997, no valor original de R$ 416.340,07 foi reconhecido pela DIORT As fls. 264 e que os créditos dos meses de junho a dezembro de 1998, referentes aos juros sobre capital próprio, também se encontram comprovados, já que " a própria Receita Federal obteve, em seu sistema (lis. 111), a comprovação de que houve o efetivo pagamento do IRE pelo Banco Inter American Express S/A, possuindo, portanto, elementos próprios e suficientes para demonstrar de maneira inquestionável o CREDITO EXISTENTE' (FLS. 445). Por fim, quanto a manutenção dos apontados créditos na titularidade da Recorrente, após a cisão parcial ocorrida em 1998, vem a Recorrente alegar que, se havia tal dúvida, a mesma só poderia ser referente aos créditos de junho/1998, data em que se deu a cisão, sendo inconteste o crédito de dezembro/1998, já que surgido após a referida cisão. Neste diapasão, sustenta também a Recorrente que a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 22/06/98, que deliberou sobre a sua cisão parcial, "traz como anexo o Laudo de Avaliação e o Instrumento de Justificação e Protocolo de Cisão (fls. 118 e 121), que indicam como único ativo a ser cindido os 'Dividendos a Receber' no valor de R$ 23.000.001,00", para em seguida resumir sua defesa nos seguintes termos: .0-- "52. Logo, apenas do exame da Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 22/06/98 e seu Anexo, duas importantes conclusões podem (na verdade deveriam) ser tiradas: (i) levando-se em consideração apenas a data da AGE que aprovou a cisão — 22/06/98 — o crédito do imposto a restituir ou a recuperar de junho de 1998 não foi objeto da cisão; (ii) levando-se em consideração a data do balanço tomado com base para a elaboração do laudo de cisão — 31/05/98 — e que os juros sobre o capital próprio foram pagos em 30/06/98 (data posterior a cisão) — o crédito do imposto a restituir ou a recuperar de junho de 1998 também se refere à data posterior à cisão da Recorrente. 53. Desta forma, tanto o crédito de .1RF de 30/06/98 quanto o crédito de 31/12/98 pertencem à sociedade remanescente da cisão, uma vez que ambos foram originados posteriormente a cisão (22/06/98)" (11s. 447). Com tais considerações pede a procedência do presente Recurso Voluntário, com a consequente homologação dos seus pedidos. o relatório. 4 Processo n° 13804.001095/99-24 SI-CI T3 Acórdao n.° 1103-00.415 Fl. 3 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 1. Preliminar: Da Homologação Tácita. A questão que ora se coloca é se os pedidos de compensação com débitos de terceiros protocolados pela Recorrente em 26/02/1999 e 29/06/1999 foram convertidos em DCOMPS com o advento da n° 10.637/2002 e, consequentemente, poderiam ser tacitamente homologados com o transcurso de 5 anos, nos termos do § 4 0 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Nesse sentido, importa analisar a referida nova redação do art. 74 e do seu § 4°, da lei no 9.430/96, introduzido pela lei n° 10.637/2002, que estabeleceu a conversão dos Pedidos de Compensação então pendentes em DCOMPS, conferindo-lhes a possibilidade de homologação tácita pelo decurso de 5 anos, nos seguintes termos, verbis: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei le 10.637, de 2002) ,¢ 4" Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n" 10.637, de 2002) Na ótica deste Relator, a conversão dos "pedidos de compensa cão pendentes de apreciação pela autoridade administrativa", prevista no § 40 supra, só pode ser admitida com uma interpretação harmônica com o disposto no caput do art. 74, isto 6, só podem ser convertidos em DCOMPS aqueles pedidos de compensação que formulavam a extinção de débitos do próprio contribuinte, pois apenas tais débitos são previstos no caput da citada norma. Nesse sentido já se posicionou a jurisprudência deste Tribunal Administrativo, nos termos dos arestos abaixo transcritos: IRE - ANOS: 1995 a 1998 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO - CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INOCORRÉNCIA - O § 4° do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1° do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação. (1° Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 105-16.343 em 02.03.2007) IRF - Ano(s): 1999 Normas Gerais de Direito Tributário - Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE - A sistemática relacionada a Declaração de Compensação, inclusive a conversão de pedidos de compensação efetuados ainda no antigo regramento, só se aplica as compensações de débitos próprios, motivo pelo qual aos pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n.° 21, de 1997, é aplicável o regramento antes vigente. (1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara /ACÓRDÃO 107-09.564 em 13.11.2008) Pelo exposto, rejeito a preliminar de homologação tácita. 2 — Mérito: Da Comprovação da Titularidade dos Créditos. No mérito, necessário a identificação da existência dos créditos de IRRF relativos aos anos de 1997 e 1998, para, se existentes tais créditos, decidir se em relação aos créditos de 1998 os mesmos ainda seriam titularizados pela Recorrente, já que a mesma foi objeto de cisão no referido ano de 1998. 2.1. Créditos ano-calendário de 1997. Em relação aos créditos do ano de 1997, pede este relator vênia para transcrever as assertivas postas pelo contribuinte no seu Recurso Voluntário: 29. "No ano de 1997 a Recorrente recebeu rendimentos financeiros sobre os quais a fonte pagadora reteve e recolheu o Imposto de Renda no valor de R$ 416.340,07, conforme informado na linha 15 da ficha 08, à pág. 08 da Declaração de Rendimentos, entregue em 28/04/98. 6 Processo n° 13804.001095/99-24 SI-C1T3 Acórddo n.° 1103-00.415 Fl. 4 30. Em 26/09/99, a Recorrente ingressou com pedido de restituição (Processo n° 13804.000605/99-73 fls 262 dos autos) acompanhado de pedido de compensação com débito de terceiros (Processo n° 16327.000362/99-99 —fls. 98 do autos), ocasião em que o valor atualizado pela taxa Selic, equivalia a R$ 536.079,47. 31. Saliente-se que a própria DIORT, às fls. 264, identificou o crédito no valor de R$ 536.079,47, como remanescente do ano-calendário de 1997, fazendo referência fls. 262 dos autos sem apontar quaisquer irregularidades" (fls. 443, original com destaque). Como visto, a Recorrente entende que a Administração Fiscal reconheceu a existência de crédito do IRF do ano de 1997, no valor de R$ 536.079,47. Nas palavras da Recorrente, "a própria DIORT, as fls. 264, identificou o crédito no valor de R$ 536.079,47, como remanescente do ano- calendário de 1997, fazendo referência cis fls. 262 dos autos sem apontar quaisquer irregularidades". Contudo, analisando o despacho referendado pela DIORT às fls. 263/265, aquela não é a conclusão que se extrai do referido despacho, que quanto ao ano-calendário de 1997 assim se pronuncia, verbis: "0 contribuinte informou no curso da diligência que solicitou restituição/compensação do mesmo período objeto deste processo no de le 13804.000605/99-73; contudo, não foi possível à DEFIC identificar a origem dos créditos do citado processo, no valor de R$ 536.079,47. Nesta equipe, verificou-se tratar do ano-calendário de 1997 conforme cópia do pedido anexado ás fls. 262" (fls. 264) Com se percebe, em momento algum, neste processo, se reconheceu a existência dos supostos créditos do ano-calendário de 1997. 0 despacho acima transcrito, na realidade, apenas identificou que havia um pleito de restituição/compensação de créditos do ano-calendário de 1997 e que esta pretensão foi esboçada num processo diferente do presente, no caso o Pedido de Restituição n° 13804.000605/99-73. Consequentemente, é impertinente no presente Processo Administrativo n° 13804.001095/99-24 se discutir a existência de supostos créditos do ano-calendário de 1997, que foram objetos do processo n° 13804.000605/99-73. Em outras palavras, a existência dos créditos de IRF do ano-calendário de 1997 flea vinculada ao que for decidido no processo n° 13804.000605/99-73, não podendo este colegiado sobre eles se manifestar, por flagrante falta de competência e, não menos importante, para que se evite eventuais decisões contraditórias. Não é por outra razão que a decisão recorrida sequer enfrenta a suposta existência de créditos restituiveis/compensáveis relativas ao ano-calendário de 1997, analisando, apenas, questões relativas aos supostos créditos surgidos no ano-calendário de 1998. Assim, deixo de conhecer a parte do pedido formulada do Recurso Voluntário referente à homologação das compensações feitas com base em créditos do ano-calendário de 1997 formalizadas no Pedido de Restituição n° 13804.000605/99-73, por serem estranhos ao presente processo. ' 2.2. Créditos Ano-calendário de 1998. Os alegados créditos do ano-calendário de 1998 são referentes ao IRF incidente sobre o pagamento feito pelo Banco Inter American Express SA relativos a juros sobre o capital próprio, pagos em junho/1998 (R$ 187.500,00 — fls. 18) e em dezembro/1998 (R$ 637.500,00 —fls 19). A decisão recorrida não reconhece tais retenções como crédito do contribuinte por supostas divergências entre as DIRFs apresentadas pelo Banco Inter American Express e a DIPJ/99 da Recorrente. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: "26. De fato, observa-se primeiramente, que a contribuinte e a fonte pagadora dos juros sobre capital próprio são empresas ligadas. Essa empresa, Banco Inter American Express S.A., supostamente, pagou juros sobre capital próprio para a contribuinte, no valor total de R$ 5.500.000,00, no ano calendário de 1998. Desse pagamento, teria sido retido e recolhido o valor de R$ 825.000,00 a titulo de IRRF, valor esse que gerou o saldo negativo de IRPJ na DIPJ de 1999, ano-base 1998 e motivo do Pedido de Restituição dells. 01. 27 Já os Pedidos de Compensação versam sobre a compensação desse suposto crédito com débitos do mesmo Banco Inter American Express S.A. 28. Ocorre que, embora as empresas sejam ligadas, fato evidenciado pela anexação ao processo da ata de assembléia do Banco Inter American Express S.A (fls. 20 a 26), a contribuinte não logrou apresentar qualquer DARF de recolhimento do IRFF, supostamente recolhido pelo Banco Inter American, em beneficio da empresa SRL. 29. A DIRE apresentada pelo Banco Inter American, relativa ao ano calendário de 1998, indica a contribuinte como beneficiária de um valor total de R$ 118.107,62, pagos em janeiro de 1998, conforme mostra a tela do Sistema DIRE para o ano- calendário de 1998 (lis. 419). 30. Por outro lado, a titulo de IRRF, constam no Sistema Sinal 08 da SRF, dois recolhimentos de IRRF por parte do Banco Inter American, que não coincidem nem em valores nem em datas com o declarado na DIRE (lls. 111). 31. A diligencia apontou recolhimento de IRFE por parte do Banco Inter American, constantes nos sistemas da SRF (fls. 111), cujo valor recolhido confere com os constantes na ficha 43 da DIPJ/99, ano calendário 1998 (fls. 420 e 421), apresentada pelo Banco Inter American, que distribuiu, a titulo de juros sobre capital próprio o valor total de R$ 11.000.000,00, divididos em duas parcelas de R$ 5.500.000,00 que foram pagas a SRL Participações Ltda e a Bankpar Participações Ltda., retendo R$ 1.6500.000,00 de IRRF, mas que está em desacordo com a DIRE apresentada". V8-se que, apesar da discrepância inicial da DIRF apresentada pelo Banco, a decisão recorrida, no item 31 supra, deixa claro que diligência procedida pela SRF apurou que os valores informados pelo mesmo Banco na sua DIPJ/99 a titulo de IRRF (R$ 1.650.000,00 - fls. 420 e 421) são os mesmos valores apontados pelo Sistema Sinal 08 da SRF como IRRF retidos em favor da contribuinte no ano de 1998 (R$ 1.650.000,00 — fls. 111). Consequentemente, se havia uma discrepância entre os valores da DIRF apresentada pelo Banco, tal diferença restou afastada pela diligência procedida pela autoridade de piso, que zy 8 Processo n° 13804.001095/99-24 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-00.415 Fl. 5 comprovou que efetivamente houve recolhimento de IRRF no ano-calendário de 1998 em favor da Recorrente, o que implica no reconhecimento do crédito objeto deste processo. 2.2.1 — Titularidade do Crédito IRRF/98. Reconhecida a existência do crédito IRFF/98, recolhidos em junho e dezembro de 1998„ importa apreciar se o mesmo ainda seria de titularidade da Recorrente, já que a mesma passou por cisão em junho/1998. A decisão recorrida entende que não há nos autos elementos que comprovem a titularidade do crédito em favor da Recorrente. t o que se percebe da leitura abaixo: "34. Conforme apontado pelo Despacho Decisório, a empresa não atendeu corretamente o requerido na diligência efetuado, tendo apresentado apenas balancete do período compreendido entre 01/01/1998 e 11/06/1998, e razão para o período 01/01/1998 a 31/12/1998, deixando de demonstrar o período de 23/06/1998 a 31/12/1998. 0 fato parece evidenciar haver alguma confusão na contabilidade da empresa, por não ser capaz de separar os assentamentos contábeis após a empresa ter sido cindida, talvez pelo fato de a parcela cindida ter sido incorporada por outra empresa dos mesmos sócios da emprea cindida, a SRL Comércio e Participações Ltda. 35. Essa evidente promiscuidade contábil, evidenciada inclusive na DIPJ apresentada que abrangeu todo o ano fiscal de 1998, impede, para efeitos de direitos creditórios que se constante se, após a cisão, a empresa remanescente detém saldo credor do IRPJ, pois não se sabe se esse saldo credor foi resultado de apua cão da empresa após a cisão ou se o saldo credor resultou por ter sido considerado todo o exercício fiscal de 01/01/1998 a 31/12/1998" (fls. 429). A recorrente ataca frontalmente os fundamentos da decisão vergastada. Na sua ótica, se dúvida há quanto a titularidade dos créditos, a mesma só poderia pairar sobre o IRRF relativo a junho/98 (mês em que houve a cisão), jamais em relação a dezembro/98, quando a Recorrente já estava cindida. De fato, 11á de se reconhecer como correta a alegação da recorrente em relação ao mês de dezembro/98. Se após a cisão ocorrida em junho/98 foi pago JCP, com a devida retenção do IRPJ em favor da contribuinte, não há como se ter dúvidas que tais créditos são da Recorrente. Mesmo raciocínio deve ser aplicado em relação aos créditos de junho/1998. Assim, verifica-se que a cisão ocorreu em 22/06/98, como aprovado na Ata da Assembléia Extraordinária (fls. 113 e 114). Contudo, a retenção do IR feita pelo Banco Inter American em favor da Recorrente se deu em 08/07/199, conforme extrato do Sistema Sinal 08 (fls. 111), mesma prova aceita para a comprovação da existência do crédito. Assim, na ótica deste Relator há de se reconhecer a existência do crédito do IRRF referente ao ano-calendário de 1998 e que este é titularizado pela Recorrente. Pelo exposto, voto por julgar parcialmente procedente o presente Recurso Voluntário para reconhecer a existência de crédito tributário em favor da Recorrente referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte no ano-calendário de 1998, devendo o referido crédito ser utilizado para a compensação dos débitos apontados nos pedidos de compensação anexo ao presente feito. Por não se objeto deste CO 9 processo administrativo, deixo de apreciar a questão relativa aos créditos de IRRF do ano-calendário de 1997. É como voto. Sala de Sessões, 23 de fevereiro de 2011. Eric Moraes de Castro e Silva - Relator. 10
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001726/2006-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002
DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial.
Numero da decisão: 3001-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de tomar conhecimento e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Recorrente KOPRINTER GRÁFICA E EDITORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de tomar conhecimento e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 26 /2 00 6- 37 Fl. 139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório De acordo com a síntese constante do v. acórdão recorrido, verificase que "o contribuinte acima identificado teve contra si lavrado Auto de Infração, fls. 03/18, para exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 184.500,00, em decorrência da constatação da falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). 0 lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 11. Consta no Relatório da Atividade Fiscal, fls. 32/36, que não houve, até a data da lavratura do auto de infração, apresentação das DIF Papel Imune correspondentes ao 2°, 3° e 4° trimestres de 2002. 0 termo final considerado, para fins de imposição da penalidade, foi a data da lavratura do auto de infração". E prosseguiu a autoridade recorrida em seu relato (fls. 107), verbis. Do lançamento o interessado foi cientificado em 21/03/2006, conforme Aviso de Recebimento na fl. 94. Inconformado, apresentou, tempestivamente, impugnação ao lançamento, em 24/03/2006, fls. 40/42, firmada por procurador (instrumento de procuração na fl. 43), instruída com os documentos das fls. 44/91, alegando que, ao contrário do que consta no Relatório da Atividade Fiscal, houve manifestação quando do recebimento do Termo de Intimação Fiscal da fl. 19, tendo apresentado o documento das fls. 56/58, onde consta que, em 25/10/2002, apresentou pedido de cancelamento do registro especial para aquisição de papel imune. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. A decisão recorrida acolheu parcialmente a pretensão impugnatória para reduzir de R$ 184.500,00 para R$ 7.500,00 o montante do crédito tributário objeto do auto de infração que originou a presente demanda, basicamente, pelos seguintes fundamentos (fls. 110/111), verbis. 4.1 Como se pode constatar, a penalidade, que antes se aplicava por friescalendário de atraso (conforme prescrita no citado art. 57 da MP no 2.15835/2001), agora está fixada em R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas, independentemente do no de meses em atraso no cumprimento da obrigação acessória, com redução de 50% no caso de procedimento espontâneo. 4.2 Tratandose de processo administrativo pendente de julgamento, é forçoso aplicar ao caso o principio da retroatividade benigna, estatuído no art. 106 do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: ................................................(omissis)........................................ c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11080.001726/200637 Acórdão n.º 3001000.686 S3C0T1 Fl. 3 3 4.3 Assim, no presente caso, tratandose de microempresa, a aplicação da multa pela falta de apresentação da DIF — Papel Imune fica limitada a R$ 2.500,00 por declaração, sem redução de 50%, _visto não se tratar de procedimento espontâneo. Verificase que, até a data da lavratura do auto de infração, não foram apresentadas as declarações, correspondentes ao 2°, 3° e 4° trimestres de 2002. Nessa situação, o auto de infração totaliza R$ 7.500,00 (03x2.500,00), que é o valor a ser exigido, pela aplicação da retroatividade benigna antes referida. 5. Face ao exposto, voto no sentido de que seja julgado procedente, em parte, o lançamento de oficio, para cancelar parte da multa, no valor de R$ 177..000,00, reduzindose a exigência do crédito tributário la*adopara R$ 7. 500,00. Intimada da decisão singular em 05.11.2009 (fls. 118/122), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário em 23.11.2009 (fls. 124/31), insurgindose contra a cobrança de 3 vezes o valor da multa, por entender que, na hipótese dos autos, operouse o que se conhece em direito como infração de natureza continuada, afirmando a propósito (fls. 126/127), verbis: 8. Soa no apontado art. 1°, § 4° da lei de regência que o não cumprimento da obrigação acessória apontada sujeitará a pessoa jurídica á. multa de R$ 2.500,00 em se tratando de micro e pequenas empresas, 'independentemente do n° de meses em atraso, no cumprimento da obrigação acessória' (item 4.1, julgado administrativo). 9. A recorrente, em 25 de outubro de 2002, articulou pedido de cancelamento do registro especial para aquisição de papel imune, como enfatizado. Significa dizer que, pelo menos, a obrigação vencida em 12/2002. restou prejudicada. Na verdade, o ato implicou em afirmar que não ha 'a operações sujeitas à imunidade neste período. 10. Exatamente por isto, o auto de infração representa excesso de exação. .......................................(omissis)........................................... 13. Ontologicamente, as infrações administrativas são semelhantes às obrigações penais. Assim, se, na seara penal, vários atos constituemse em crime continuado, o mesmo acontece na esfera administrativa, onde reiterados atos são uma única infração (art. 71, CP). 14. Bem por isso, escreve VLADMIR PASSOS DE FREITAS que '0 intérprete deve socorrerse das normas de Direito Penal e dos princípios gerais do direito." Por isso, afirma que as hipóteses previstas no art. 23 do Código Penal estendemse ao direito administrativo. Reafirma, assim, a existência no direito administrativo da infração única, embora composta de atos seriados (in Direito Administrativo e Meio Ambiente, p. 67). Fl. 141DF CARF MF 4 15. Mais se acentua, ainda, a ocorrência da infração continuada quando a hipótese narrada revela uma conduta negativa. Prossegue citando do STJ no sentido de que "as infrações às medidas administrativas destinadas ao controle de preços, quando sucessivas, não autorizam multas autônomas" (fls. 128).; e conclui que a IN SRF 71/2001 não tem força legislativa para instituir a obrigação de apresentar a DIFPapel Imune (Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune), posto que baixada em desarmonia com o art. 5ºII, da Constituição Federal (fls. 129/131), para finalizar requerendo o provimento do seu apelo. É o relatório Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo, posto que a empresa teve ciência da decisão singular em 05.11.2009 (fls. 118/122), ingressou com Recurso Voluntário em 23.11.2009 (fls. 124/31), e o apelo veio assinado por representante legalmente constituído, preencheu os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recurso Voluntário circunscrevese na apreciação da legalidade da multa de R$ 2.500,00 de forma continuada por descumprimento de 3 apontadas infrações administrativas, sustentando que tal multa, se cabível, incidiria uma única vez, e não três como constante da decisão recorrida.. Entende o recorrente que o descumprimento de norma acessória ocorreu de forma continuada e, aplicandose subsidiariamente, os princípios que regem o direito penal, somente uma vez poderá incidir a multa sobre fato repetitivo, citando precedentes do STJ que, a seu sentir, agasalha sua tese. A autoridade recorrida, entretanto, aplicou 3 vezes a mesma multa, ao fundamento de que a empresa deixou de apresentar as declarações correspondentes ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2002. "Nessa situação, o auto de infração totaliza R$ 7.500,00 (3 x 2.500,00), que é o valor a ser exigido, pela aplicação da retroatividade benigna antes referida" (fls. 111). A retroatividade benigna já foi deferida ao contribuinte, com fundamentoe na regra insculpida no inciso II, § 4º, art. 1º, da Lei Federal nº 11.945, de 04 de junho de 2009, que passou a prescrever penalidade menos severa para a infração que deu causa ao lançamento objeto dos autos. Por espelhar a jurisprudência majoritária no âmbito das diversas DRJs e deste Colegiado, relevante transcrever os itens 3.5, 3.6 e 3.7 do v. Acórdão recorrido (fls. 109), verbis. 3.5 Passando ao caso concreto, constatase que o interessado possuía registro especial para realizar operações com papel imune, como se vê no Ato Declaratório Executivo no 104, de 24 de maio de 2002, cópia na fl. 23, estando, por este motivo, obrigado ã apresentação da DIF — Papel Imune, mesmo não tendo realizado qualquer operação com papel imune. 3.6 Embora não conste, no Relatório da Atividade Fiscal, qualquer menção ao documento da fl. 56, no qual o contribuinte Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.001726/200637 Acórdão n.º 3001000.686 S3C0T1 Fl. 4 5 requer o cancelamento de sua inscrição no registro especial para aquisição de papel imune, observase que o mesmo foi considerado, quando da lavratura do auto de infração. A partir da data da declaração da inscrição no registro especial, 24/05/2002 (2° trimestre de 2002), até a data da apresentação do pedido de cancelamento da inscrição, 25/10/2002 (4° trimestre de 2002), havia obrigatoriedade da apresentação da DIF — Papel Imune. Constatada a falta de apresentação, o interessado foi intimado (fl. 19) a apresentar unicamente as declarações correspondentes aos trimestres em que permaneceu com a inscrição ativa no registro especial. Notese que a intimação foi emitida em 03/01/2005, não constando nela exigência quanto ãs declarações posteriores ao 4° trimestre de 2002. 3.7 Assim, constatada a falta de apresentação das declarações, correto o procedimento da DRF/Porto Alegre, ao exigir, por meio de auto de infração, a multa correspondente, conforme determina a legislação de regência, acima referida. Oportuno também transcrever a ementa dos Acórdãos nºs 20403437 e 202 18.526, proferidos respectivamente em 04.09.2008 e 22.11.2007, pelos antigos Conselhos de Contribuintes (antecessores do CARF), quanto segue. Acórdão n° 20403437 — Data da Sessão: 04/09/2008 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n°20218526 — Data da Sessão: 22/11/2007 Ementa: DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, 6S. 2°, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF — papel imune por meio da Instrução Normativa n° 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso negado. Fl. 143DF CARF MF 6 Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002962/2006-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter as glosas se o contribuinte não consegue comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$14.314,00, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que deu provimento parcial em menor extensão, para restabelecer apenas as despesas de e-fls. 133/136, cujos pagamentos estão efetivamente comprovados através dos cheques com coincidência de valores e proximidade de datas constantes dos extratos.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter as glosas se o contribuinte não consegue comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA LUCIA DA SILVA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter as glosas se o contribuinte não consegue comproválas ou justificálas, por meio de documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 29 62 /2 00 6- 15 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 222 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$14.314,00, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que deu provimento parcial em menor extensão, para restabelecer apenas as despesas de efls. 133/136, cujos pagamentos estão efetivamente comprovados através dos cheques com coincidência de valores e proximidade de datas constantes dos extratos. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/10), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$1.030,80 para saldo de imposto a pagar de R$5.124,08. A notificação noticia deduções indevidas de despesas médicas e com instrução, consignando à falta de atendimento à intimação. Impugnação Cientificada à contribuinte em 20/11/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 30/11/2006, à fl. 2/54 dos autos, na qual a contribuinte informa que atendeu à intimação, requerendo o cancelamento da autuação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgoua procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 113/121): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MEDICAS. Mantémse o lançamento relativo às despesas médicas quando não ficou evidenciada a efetividade dos pagamentos correspondentes, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 223 3 Somente são passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$1.998,00. O colegiado de primeira instância restabeleceu parte da despesa médica informada com Unimed Juiz de Fora, no valor de R$1.201,33. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 3/6/2009 (fl. 124), a contribuinte, em 2/7/2009 (fl.125), apresentou recurso voluntário, às fls. 125/216, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida teria inovado na motivação de lançamento, ao consignar a ausência de indicação do beneficiário nos recibos apresentados. Se entendesse necessário, caberia à autoridade julgadora ter convertido o julgamento em diligência. a intimação não teria especificado como deveria se dar a comprovação do efetivo pagamento, tendo ela entendido que bastaria a juntada dos recibos. somente na falta dos recibos, poderia lhe ser exigida a apresentação de cheque nominativo. os extratos anexados ao seu recurso demonstrariam cheques e saques utilizados para pagamentos das despesas declaradas. no tocante à despesa com instrução, indica a juntada de comprovante de pagamento e documentos atinentes ao seu doutorado. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 224 4 Despesas com instrução A teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. Nesse tocante, a decisão de piso consigna: Em relação à despesa com instrução declarada como paga à AWU Gilberto P. Santos, CPF 127.051.87715, no valor de R$ 815,00, cabe observar o disposto no art. 81 do Decreto 3.000, de março de 1999, a seguir transcrito. ... Assim, tendo em vista tratarse de pagamento à pessoa física, não a estabelecimento de ensino, como prevê a legislação e, tendo em vista, que os documentos apresentados (fls. 51 a 53) não trazem identificado que tipo de serviço foi prestado e pago com tais documentos (ensino? Ensino médio, superior?) e nem o beneficiário de tal serviço, tal dedução não será aceita, mantendose a glosa respectiva. Em complemento aos comprovantes de pagamento de fls. 52/54, a recorrente indica a juntada de cópias do seu diploma de doutorado e da ata de sessão de exame de sua tese (fls. 183/188). Entretanto, tais documentos não se revelam hábeis a demonstrar a que título foram efetuados tais pagamentos, de forma a certificar que seriam dedutíveis, na forma da legislação citada e consignada na autuação. Comprovam que a recorrente recebeu seu título, mas remanesce a questão: qual foi o serviço pago? ensino, material, intermediação para estudo no exterior? Essa prova não foi trazida aos autos. Assim, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter a glosa. Despesas médicas Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 225 5 Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 226 6 A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, além de reclamar de que não fora informada de quais seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Também se insurge quanto ao que seria, no seu entendimento, uma inovação no lançamento pela DRJ, ao apontar a ausência de beneficiário dos tratamentos nos recibos juntados. Quanto ao fato de a intimação não especificar os documentos a serem apresentados, a contribuinte poderia ter consultado a autoridade fiscal em caso de dúvida tanto no curso da ação fiscal como também para instruir sua impugnação. Agora, em seu recurso, indica a juntada de seus extratos bancários, demonstrando de forma inequívoca que tem conhecimento das provas a serem produzidas. Quanto à ausência de beneficiário, indicada pela decisão de piso, entendo que não se trata de inovação, porque, a teor da descrição dos fatos na notificação de lançamento (fl.7), os documentos não teriam sido apreciados pela autoridade autuante. Se o lançamento teve como motivação a falta de apresentação de documentos e eles estão sendo analisados pela primeira vez, a autoridade julgadora não estará inovando ao apontar a ausência de requisito formal. Não obstante, acerca da indicação de beneficiário, cabe observar o que dispõe a Solução de Consulta Interna Cosit n.º 23, de 30 de agosto de 2013, publicada em 10 de fevereiro de 2014: “Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.” No caso, embora tenha indicado a ausência de beneficiário para fundamentar a manutenção das glosas de parte das despesas, o colegiado de primeira instância deixou de apontar indícios que justificariam tal exigência. Dessa feita, nesse tocante, entendo que os recibos não podem ser rejeitados por esse motivo. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 227 7 Entretanto, é de se observar que a decisão recorrida consigna outras motivações para manutenção de parte das glosas, como se extrai dos trechos a seguir reproduzidos: ... 4) Waleria Belcavello Guedes, no valor de R$ 894,50. Tratase de serviço prestado por dentista cujo beneficiário identificado é Leonardo da Silva Costa, não sendo este dependente na declaração do interessado, tal dedução não será aceita. ... 9) Ceta Enfermeiros, no valor de R$ 42,00. Comprovante anexado aos autos à fl. 15. Não havendo previsão na legislação para dedução com enfermeiro, tal não será aceito. ... 11) Unimed, no valor de R$ 6.114,20. Tendo em vista os documentos das fls. 20, 98 e 99, concluise que pode ser deduzido o valor de R$ 1.201,33, pagamento para o próprio declarante, já que o interessado não tem dependentes declarados. Quanto ao documento de fl. 21, não tendo a Unimed, quando intimada, se referido a esses valores, tais não serão aceitos, ademais não estão discriminados os beneficiários. Além de os comprovantes apresentados não atenderem ao disposto no art.80 incisos I, II e/ou III, conforme analisado anteriormente; o interessado foi intimado pela fiscalização a comprovar o efetivo pagamento com as despesas médicas pleiteadas como dedução em sua declaração, o que não fez, apresentando tão somente notas fiscais e recibos. (destaques acrescidos) A motivação para manutenção da glosa foi também a falta de comprovação do efetivo pagamento, exigido no curso da ação fiscal, além de falta de previsão legal (enfermeiro) e despesa efetuada com não dependente (Waleria Guedes e Unimed). Em relação à despesa com enfermeiro e com a profissional Waleria, a recorrente nada argumenta ou junta a sua defesa. Dessa feita, as glosas dessas despesas devem ser mantidas, uma vez que, de fato, não existe previsão legal para dedução de despesas com enfermeiro e aquelas efetuadas com beneficiários não informados como dependentes na declaração de ajuste. Em relação à Unimed, a recorrente junta ao seu recurso às fls. 178/179. Documentos de similar teor já constavam às fls. 21/22, 94/95 e 100/101 e o colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer a dedução da importância de R$1.201,33, comprovadamente expendida em favor da recorrente, conforme correspondência emitida pela Unimed (fl.100). No tocante ao documento de fl. 21, a decisão consigna que a Unimed não fez menção a esses valores e o documento não discrimina os participantes do plano. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 228 8 Os documentos juntados ao recurso não sanam a deficiência apontada na decisão recorrida no tocante ao documento emitido pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, uma vez que a nova declaração juntada também não identifica os participantes do plano de saúde. Por seu turno, a declaração de fl. 179 ratifica a decisão de primeira instância, apontando que somente o montante de R$1.201,33 estaria vinculado à recorrente. No tocante à comprovação mediante recibos, como exposto acima, esses documentos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 229 9 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, intimada a apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas (fl.12), a recorrente juntou, na fase impugnatória, os recibos de fls. 14/50. Agora, em seu recurso, foram juntados extratos, recibos e declarações (fls.133/179 e 189/216). Quanto aos recibos e declarações, não se prestam a fazer a prova exigida, como exposto ao longo deste voto. Resta analisar os extratos. Vejamos. Os extratos de duas contas bancárias demonstram que a recorrente efetua saques a medida que proventos são depositados em suas contas, conforme abaixo se demonstra: SAQUES BANCO DO BRASIL SAQUES BANESPA DATA VALOR FL DATA VALOR FL 07/jan 720,00 192 09/fev 270,00 199 27/fev 2.306,54 204 03/mar 490,00 200 29/mar 2.447,61 205 abril 450,00 201 27/abr 2.413,08 206 maio 525,00 202 26/mai 2.101,60 207 03/jun 528,00 191 25/jun 1.910,00 208 05/jul 780,00 193 26/jul 251,80 209 06/ago 300,00 194 26/jul 3.200,00 209 23/ago 200,00 194 26/ago 1.900,00 211 06/set 450,00 195 28/set 1.845,00 212 06/out 630,00 196 26/out 1.855,00 213 05/nov 500,00 197 26/nov 3.221,11 214 08/nov 370,00 197 21/dez 869,56 215 07/dez 890,00 198 27/dez 1.981,00 215 30/dez 2.765,00 215 Esses documentos evidenciam que a contribuinte efetuava saques com regularidade, sendo de se acatar sua alegação de que os pagamentos se dariam em espécie. Além desses, foram anexados os extratos de uma terceira conta, os quais consignam compensação de cheques em data/valor coincidentes com algumas das despesas declaradas (fls. 133/136). Dessa feita, cabe restabelecer as seguintes despesas declaradas: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200615 Acórdão n.º 2002000.595 S2C0T2 Fl. 230 10 Centro Odontológico Digital R$322,00 (fls. 14/15 e 174/177) Raquel da Silva Costa R$3.500,00 (fls.17/19 e 154/160) Danielle de Castro R$348,00 (fls. 20 e 189/190). A declaração de fl.189 supre as falhas apontadas pela decisão recorrida no tocante ao registro no órgão de classe e endereço da profissional. Leandro Loures R$702,92 (fls. 23/25 e 150/153). Embora tenha declarado R$904,76, os documentos comprobatórios juntados, seja na impugnação seja no recurso, somam R$702,92, como já consignara a decisão recorrida. Erica de Souza R$5.000,00 (fls.27/38 e 161/173) José Pedrosa R$1.800,00 (fls.39/41 e 133/136) Marco Gasparetto R$640,00 (fls.42/45 e 137/141). A declaração de fl.137 supre a falha apontada pela decisão de piso quanto ao registro do profissional no órgão de classe. Maria Inez de Barros R$2.000,00 (fls. 47/50 e 142/149) Repisese que serão mantidas as glosas efetuadas com terceiro não informado como dependente, com a profissional Waleria Guedes, com enfermagem (Ceta Enfermeiros) e com plano de saúde, pela falta de identificação dos beneficiários nas declarações apresentadas (fls. 22 e 178), além da diferença de R$201,84, não comprovada, com o profissional Leandro Loures. Ainda em relação ao plano de saúde, ressalto que o valor comprovado por meio do documento de fl.179, de R$1.201,33, já foi acatado pelo colegiado de primeira instância. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer despesas médicas no valor de R$14.314,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903917/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.664
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
1.0 = *:*
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 17 /2 01 3- 01 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.594.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903917/201301 Acórdão n.º 3402005.664 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000113/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea se enquadram na presunção legal de omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-003.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea se enquadram na presunção legal de omissão de receitas.
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Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea se enquadram na presunção legal de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 13 /2 00 7- 10 Fl. 581DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 14751.000113/200710 Acórdão n.º 1301003.475 S1C3T1 Fl. 582 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 15 a 44 para exigência de crédito tributário referente aos fatos geradores de 31/05/2004 a 3 l/ 12/2004, adiante especificado: Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES descritas em cada auto de infração. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos autos de infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: 1 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. Nos anos de 2004 e 2005 foram escriturados no livro de Apuração do ICMS da empresa os faturamentos, respectivamente, de R$ 168.382,07 e RS 229.284,55. Como sua movimentação bancária, nas contas n° 22.0108, agência 17299 do Bradesco e n° 5.0079233, agência 1183 do Banco Real, apresentava valores Superiores aos escriturados nos livros fiscais, a empresa foi intimada a comprovar a origem e a correlação dos valores creditados com as vendas escrituradas nos livros fiscais. Destaca o autuante que dos créditos nas contas foram excluídos os valores decorrentes de estorno, retorno de cheques emitidos e devolvidos, resgate de aplicação e as transferências originadas em contas de mesma titularidade. A respeito dos históricos de crédito representativos de transferências bancárias, depósitos em cheque e em dinheiro, operação desconto cheque(OPER DESC CHEQ), operação desconto ORPAG e venda cartão de crédito, conforme relato do autuante nas fls. 46 a Sl, após a verificação dos argumentos da contribuinte quanto a cada uma desses lançamentos nas contas bancárias, foram considerados valores não comprovados de receitas. Fl. 583DF CARF MF 4 Não foram considerados como créditos valores lançados em duplicidade tendo em vista a sistemática do banco de antecipar a venda por cartão de crédito, conforme planilha às fls. 486 a 490. Nas folhas 491 a 498 a fiscalização relacionou todos os valores de créditos nas contas correntes da empresa que não foram comprovados/escriturados. Na fl. 499 os valores considerados omitidos estão consolidados por mês. Cabe destacar que a empresa foi excluída do Simples a partir de 01/01/2005 conforme Ato Declaratório Executivo n° 38 de 11/09/2006, tendo em vista ter excedido o limite para permanência no sistema como microempresa. 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Decorrente da apuração da infração de diferença de base de cálculo também foi apurada a insuficiência de recolhimento do SIMPLES. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 520 a 538, na qual questiona integralmente os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: _ Afirma que informou durante a fiscalização que as operações registradas nas contas correntes como “TRANSF ENTRE ANGENC. CHEQUE” e “TRANS ENTRE AGEN DINH” se referiam a operações da empresa M. Vestuário Infantil Ltda e da Incantos Móveis Ltda sediada em Natal, porém, esclarece que todas as operações deste histórico são da M. Vestuário Infantil Ltda. » Reafirma que as duplicatas apresentadas são títulos que provam o pagamento efetuado pela autuada para a M. Vestuário Infantil Ltda e que esta empresa já declarou este fato em documento. Alega que já ficou devidamente comprovado que os valores depositados em sua conta corrente são oriundos de transferências de recursos da empresa M. Vestuário Infantil Ltda, porém como esta empresa obteve tais recursos não é da competência da contribuinte demonstrar. O §5° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 destaca exatamente este entendimento que cabe ao responsável pelo depósito provar sua origem. Ressalta que no extrato da conta da empresa M. Vestuário Infantil Ltda não há depósitos de cheques ou mesmo dinheiro significando que tais valores foram transferidos para a conta da autuada. Com relação aos pagamentos de títulos da M. Vestuário Infantil Ltda efetuados com recursos das contas correntes da autuada, alega que a falta de coincidência de valores e datas é uma recomendação do Bradesco, afim de diminuir o custo com a emissão de um cheque para vários pagamentos. A prova de que os valores foram quitados com recursos da conta da autuada está na autenticação mecânica, onde consta a identificação da agência onde os titulos foram quitados., no caso Agência 1729 em João Pessoa. Assim, diante dos fatos requer a contribuinte que sejam excluídos da tributação os valores do histórico “TRAN S ENTRE AG. CHEQUE” e “ TRANS ENTRE AG. DINHEIRO” listados às fls. 525 a 531. Em outro ponto requer a contribuinte que sejam excluídos os cheques devolvidos listados às fls. 531 a 353. A Turma de Julgamento da DRJ julgou procedente em parte a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 14751.000113/200710 Acórdão n.º 1301003.475 S1C3T1 Fl. 583 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea se enquadram na presunção legal de omissão de receitas. Deverão ser excluídos dos depósitos considerados como receita omitida, em face da falta de comprovação de sua origem, os valores que foram devolvidos, em face de os mesmos não representarem efetivamente entrada de numerário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo, os valores expurgados da base de calculo do auto de infração pela decisão de primeira instancia dizem respeito a cheques devolvidos que não haviam sido considerado como estorno de créditos. Ciente da decisão, a interessada ingressou com recurso voluntário (fls. 577) refutando apenas determinados aspectos da decisão de primeira instancia, mais precisamente que os créditos efetuados na contacorrente 220108, mantida pela recorrente na agência 1729 do Banco BRADESCO, sob os históricos “TRANS. ENTRE AGENC. CHEQUE" e “TRANS. ENTRE AGEN. DlNH", referemse ao faturamento do empresa M. Vestuario infantil Ltda. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Fatos Consta deste processo os autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição do INSS no SIMPLES, referente ao ano calendário de 2004. Foram tributados os valores de receitas de vendas omitidos da declaração e da contabilidade da empresa. A fiscalização confrontou os valores declarados pela contribuinte com extratos bancários das contas nos Bancos Bradesco e Real. Foram relacionados os valores creditados nas contas bancárias nos demonstrativos das fls. 64 a 77 anexos ao Termo de Intimação Fiscal da tl. 63, no qual a fiscalização requer a comprovação destes valores. Após analisar os argumentos da contribuinte em relação aos valores creditados em suas contas e considerando a falta de comprovação a fiscalização consolidou nas fls. 491 a 498 os créditos bancários não comprovados. Cheques devolvidos Os valores relativos a cheques devolvidos já foram expurgados da base de calculo do auto de infração pela decisão de primeira instancia pois não haviam sido considerados como estorno de créditos. Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário (fls. 577) a Recorrente apenas refutou determinados aspectos da decisão de primeira instancia, mais precisamente que os créditos efetuados na contacorrente 220108, mantida pela recorrente na agência 1729 do Banco BRADESCO, sob os históricos “TRANS. ENTRE AGENC. CHEQUE" e “TRANS. ENTRE AGEN. DlNH", referemse ao faturamento do empresa M. Vestuario infantil Ltda. As transferências de numerário efetuadas com a M. Vestuario Infantil Em relação a este quesito, defende a Recorrente que os créditos efetuados na contacorrente 220108, mantida pela recorrente na agência 1729 do Banco BRADESCO, sob os históricos “TRANS. ENTRE AGENC. CHEQUE" e “TRANS. ENTRE AGEN. DlNH", referemse ao faturamento do empresa M. Vestuário infantil Ltda (cuja pessoa física sócia majoritária coincide com a Recorrente). Adoto as razões constantes do voto condutor de primeira instancia visto que refletem meu convencimento acerca da questão: Fl. 586DF CARF MF Processo nº 14751.000113/200710 Acórdão n.º 1301003.475 S1C3T1 Fl. 584 7 Estes fatos alegados pela impugnante já foram objeto de análise pela fiscalização, assim cabe destacar a opinião do fiscal autuante a respeito desta alegação da empresa: Fl. 49 I ° parágrafo “As transferências a que se refere o item 3.1 acima não foram feitas de conta para conta, o que possibilitaria a identificação da origem, mas, na verdade, foram depósitos feitos na conta da fiscalizada, porém efetuados em agências diversas daquela onde mantém suas operações bancárias. Esta primeira análise do autuante, junto com a explicação acima a respeito da presunção legal e o ônus da prova, denotam que para que fiquem devidamente demonstrados os valores depositados a créditos na conta da empresa seria imprescindível a apresentação de provas da origem deste numerário. Apesar de se referir a transferências o histórico na verdade demonstra o depósito de valores na conta da autuada em outras agências diversas da qual mantém sua conta corrente, ou seja, não são as verdadeiras “transferências entre contas”. São na verdade depósito em cheque e dinheiro. Este fato a contribuinte não contesta. Fl. 49 2° parágrafo Não foram apresentadas provas de que os créditos provindos dessas outras agências na conta da fiscalizada foram originados do caixa das duas empresas citadas. Não existem, como os próprios responsáveis pela fiscalizada admitem no documento às fls. 78 a 90, registros contábeis, ou mesmo livro caixa, dessas empresas registrando esses depósitos, ainda que em conta de terceiros, como, ademais não existem registros contábeis, nem sequer livro caixa, da fiscalizada. Fl. 49 5 °e 6°parágrafo A fiscalizada alega que, nos extratos bancários das empresas M Vestuário Infantil Ltda (fls. 137 a 159) e Incantus Móveis Ltda de Natal (fls. 160 a 189), somente constam créditos provenientes de vendas feitas por meio de cartão de crédito. Quer com isso provar que os valores das vendas à vista, em cheque ou dinheiro, foram aqueles transferidos para sua conta bancária. Data vênia, o que os citados extratos provem é que as vendas com cartão de crédito fl›ram creditadas nas contas neles indicadas, e somente isso. Não se pode inferir desses extratos o destino dos valores das vendas em cheque ou dinheiro, muito menos que foram depositados na conta da fiscalizada. Realmente o simples fato de uma empresa, no caso a M. Vestuário Infantil Ltda, apresentar em suas contas correntes, registradas, apenas valores de vendas advindos de cartão de crédito, não prova e nem conduz a um entendimento de que os valores recebidos por vendas realizadas em cheque ou dinheiro tenham sido depositadas na conta da empresa autuada. A alegação da empresa autuada deveria estar respaldada em documentos que pudessem comprovar o efetivo depósito de valores em suas contas bancárias efetuados por terceiros. Sem a comprovação de que estes depósitos foram efetuados por terceiro não cabe a aplicação do §5° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que impõe a comprovação por parte de terceiro apenas nos casos em que ficar comprovado que os valores creditados pertencem realmente aos terceiros, o que não é o caso do presente processo, pois não ficou comprovada a participação deste terceiro. Fl. 49 último parágrafo. Fl. 587DF CARF MF 8 Por outro lado, não há como reconhecer força probante às cópias dos boletos bancários sacadas contra as empresas de Recife e Natal que a fiscalizada apresentou as fls. 190 a 326, pois não foi demonstrado que eles foram liquidados com recursos originados das contas da fiscalizada. Antes, pelo contrário, a fiscalização constatou que nenhum desses boletos foi pago com recursos extraídos das contas bancárias ri” 22. 0108, ag, I 7299 do Bradesco e 5. 007923 3 da ag. 1183 do banco real, cujos extratos seguem às fls. 429 a 485. Não há, dentre os 190 boletos apresentados, nenhum para o qual haja correspondente lançamento a débito das citadas contas coincidente em valor e data. Realmente, novamente temos que concordar com a fiscalização, o simples fato de boletos bancários da empresa M. Vestuário Infantil Ltda serem pagos na mesma agência que a contribuinte tem sua conta corrente, no caso agência 1729 do Bradesco, não prova que estes títulos foram pagos com valores da conta corrente da autuada e nem a utilização conjunta desta. Cabe destacar que a falta de coincidência entre os valores e as datas dos pagamentos contribui para que a alegação da contribuinte ñque desprovida de elementos comprobatório, não importando se os pagamentos foram realizados em conjunto conforme alega a impugnante. Os documentos apresentados pela fiscalizada não representam nem indícios para que somados possam se transformar em provas, pois não conseguem ligar as operações realizadas por terceiros e sua conta corrente. Ainda, cabe esclarecer que a empresa M. Vestuário Infantil Ltda tem como proprietário o mesmo sócios da empresa autuada, assim, uma declaração efetuada por esta empresa não é documento próprio a comprovar qualquer alegação, pois não é produzida por um terceiro na interessado no litígio. Portanto, diante dos elementos presentes no processo cabe referendar o entendimento da fiscalização e da decisão de primeira instancia de que os históricos de lançamento da nomenclatura de “TRANSFERÊNCIAS ENTRE AGÊNCIAS CHEQUE E TRANSFERÊNCIAS ENTRE AGENCIA DINHEIRO” são depósitos da autuada sem a devida comprovação. Nesse sentido trago à colação a Súmula nº 32 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 14751.000113/200710 Acórdão n.º 1301003.475 S1C3T1 Fl. 585 9 Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 589DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915066/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 50 66 /2 00 9- 38 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10880.915066/200938 Acórdão n.º 3401005.466 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) indeferido por meio do Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (sucessora de LABORATÓRIO AMERICANO DE FARMACOTERAPIA S.A.) que: (a) o montante demandado resulta de pagamento a maior, mas, por lapso, não foi retificada a correspondente DCTF; (b) em razão de ser do ramo de farmacêuticos e cosméticos, está sujeita tanto ao regime não cumulativo, quanto àquele previsto no art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha); (c) apesar de declarar em DACON o valor devido correto, com deduções, efetuou pagamento pelo valor total, apresentando DCTF retificadora, alocando parte do pagamento indevido ao PER/DCOMP constante no presente processo; e (d) privilegiar aspectos formais em detrimento do efetivo direito de crédito, além de contrapor decisões administrativas, enseja enriquecimento sem causa da União. Junta à manifestação a seguinte documentação pertinente: DACON, planilha de apuração de PIS/COFINS e DCTF. Requer, por fim, sejam as intimações feitas no endereço dos advogados, sob pena de nulidade absoluta. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08030.295. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”, reiterando que devem as intimações ser remetidas ao escritório de advocacia, sob pena de nulidade absoluta. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10880.915066/200938 Acórdão n.º 3401005.466 S3C4T1 Fl. 4 3 3401005.460, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690054/200995, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.460): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sobre a demanda por intimação no endereço do advogado, “sob pena de nulidade absoluta”, destaquese que a intimação, nos processos tributários, como o presente, é regida pelo disposto no Decreto no 70.235/1972, que não contempla a intimação no endereço de advogado do contribuinte, tema que é assentado neste tribunal administrativo a ponto de recentemente ensejar a edição de súmula: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Expurgada essa discussão inicial do contencioso, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10880.915066/200938 Acórdão n.º 3401005.466 S3C4T1 Fl. 5 4 relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403 002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito existe, e deriva do art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha). Para provar o alegado, junta tabelaresumo de receitas auferidas, DACON de setembro/2006, DARF de pagamento, planilha de apuração da base de cálculo, e DCTF retificadora referente a setembro/2006 datada de 09/12/2009. Por certo que tal documentação é insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, o que fez com que a instância de piso, diante da carência probatória, indeferisse o direito, chegando a sugerir o que deveria ter a demandante carreado aos autos: “Portanto, no presente caso, caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon (...), por si só não pode ser considerado como Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10880.915066/200938 Acórdão n.º 3401005.466 S3C4T1 Fl. 6 5 elemento de prova. Tanto a DCTF original quanto o Dacon foram apresentados tempestivamente, assim permanece a dúvida: em qual dos dois documentos foram informados os valores corretos? Daí porque, entendo que, no presente caso, o contribuinte deveria ter apresentado cópia de documentos da escrituração (livro Razão, por exemplo), para efetivamente demonstrar o erro supostamente cometido. Destarte, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da defesa, mantendose, pois, o despacho decisório da autoridade local que originou o presente litígio.” (grifo nosso) Até entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. No entanto, mesmo depois de ter seu pleito rechaçado na instância de piso, com a expressa revelação dos motivos pelos quais se entendeu haver carência probatória, com indicação exemplificativa da documentação que poderia provar o alegado, decidiu a recorrente manter postura inerte, de simplesmente endossar que possui o crédito, reproduzindo a manifestação de inconformidade, sem apresentar novos documentos, e acrescentando tópico no qual sustenta que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 E faltou com seu dever de colaboração duplamente a recorrente: primeiro, pelo pedido de crédito alçado em documentação que, por lapso, não corrigiu, nem comprovou, ao 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10880.915066/200938 Acórdão n.º 3401005.466 S3C4T1 Fl. 7 6 apresentar sua manifestação de inconformidade; e, segundo, por insistir em sua peça recursal na não comprovação, mesmo tendo a instância de piso indicado expressamente as razões do indeferimento e que documentos, exemplificativamente, deveria a postulante ter carreado aos autos. A demanda derradeira para “...provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário” opera como um desejo de, na segunda instância do contencioso administrativo, permitirse à empresa a apresentação de provas que ela própria tinha o dever de apresentar desde o início da contenda, sob pena de indeferimento do crédito, como aqui exposto, e opõese ao que reza o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, visto que não se está mais, no caso, diante de nenhuma das situações previstas em suas alíneas. Concluise, então, que a empresa postulante ao crédito efetivamente não se desincumbe de seu dever de comproválo, cabendo a este colegiado, consequentemente, a manutenção da decisão de piso, com a negativa do direito de crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 861DF CARF MF
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Numero do processo: 16062.720039/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
DÉBITOS GARANTIDOS. CONCEITO E ALCANCE. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA REGULAMENTAR.
A multa regulamentar prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/1964, em virtude de distribuição de lucros aos sócios, pressupõe que a pessoa jurídica, no momento da distribuição, tenha débitos sem garantia inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial, sendo incabível nos casos de débitos em cobrança administrativa.
Os débitos garantidos previstos art. 32 da Lei n. 4.357/1964 restringem-se àqueles inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial, nos termos da Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN.
As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do CTN, não se confundem com as garantias do art. 183 e ss. do CTN c/c art. 9°. da Lei n. 6.830/80.
SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO.
A adesão a parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do CTN, mesmo após o ajuizamento do débito inscrito em Dívida Ativa da União, e, se ocorrida em momento anterior à constituição do lançamento, este prejudica.
Numero da decisão: 2402-006.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Relator), Mauricio Nogueira Righetti e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 16/1/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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CONCEITO E ALCANCE. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA REGULAMENTAR. A multa regulamentar prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/1964, em virtude de distribuição de lucros aos sócios, pressupõe que a pessoa jurídica, no momento da distribuição, tenha débitos sem garantia inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial, sendo incabível nos casos de débitos em cobrança administrativa. Os débitos garantidos previstos art. 32 da Lei n. 4.357/1964 restringemse àqueles inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial, nos termos da Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do CTN, não se confundem com as garantias do art. 183 e ss. do CTN c/c art. 9°. da Lei n. 6.830/80. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. A adesão a parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, VI, do CTN, mesmo após o ajuizamento do débito inscrito em Dívida Ativa da União, e, se ocorrida em momento anterior à constituição do lançamento, este prejudica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Relator), Mauricio Nogueira Righetti e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 00 39 /2 01 6- 28 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 780 2 negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 16/1/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acórdão nº 1543.718 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Salvador/BA, fls. 733 a 741: Tratase de impugnação ao auto de infração de fls. 2/6, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, correspondente aos anoscalendário 2012 e 2013, para exigência da multa regulamentar prevista no art. 32 da Lei nº 4.357, de 1964, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, no valor de R$ 7.463.415,16, sendo R$ 1.889.722,76 referente ao ano calendário 2012, e R$ 5.573.692,40, referente ao anocalendário 2013. Conforme a descrição dos fatos, em procedimento de auditoria interna de DCTF efetuado na pessoa jurídica Via Veneto Roupas Ltda (CNPJ 47.100.110/000199), cujo sujeito passivo supracitado é sócio administrador, foi verificada a distribuição de lucros referentes aos anos calendários 2012 e 2013, estando a referida pessoa jurídica em débito com a Fazenda Nacional, distribuição esta que é vedada pela legislação tributária. Verificada a infração foi aplicada ao contribuinte a multa prevista no art. 32 da Lei nº 4.357, de 1964, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, por ter recebido lucros distribuídos por pessoa jurídica em débito com a Fazenda Nacional, nos períodos autuados. O valor da multa é de 50% (cinquenta por cento) da importância indevidamente recebida pelo contribuinte, sócio administrador da empresa. A Distribuição de Lucros foi informada pela pessoa jurídica em suas declarações (DIPJ e ECF) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 781 3 Integram o auto de infração os documentos de fls. 8/601. É o relatório. Na impugnação de fls. 609/638, o contribuinte, representado por seus procuradores, alega, em síntese, que: discorda do lançamento, pois o auto de infração é nulo por não ter observado as exigências do art. 142 do CTN, e, no mérito, impõe a cobrança de multa isolada em patamares claramente confiscatórios; a falta de descrição detalhada dos fatos que ensejou a autuação constitui vício material que torna absolutamente improcedente o lançamento, além de configurar cerceamento de defesa do impugnante. Nem se alegue que a “descrição do fato” e a “capitulação legal da infração” indicados na peça de autuação seriam motivação suficiente; há divergência entre os valores dos dividendos distribuídos e informados pelo impugnante na DIRPF e os declarados na DIPJ e ECF pela empresa do qual é sócio, denotando a iliquidez e incerteza da autuação; o auto de infração foi lavrado por autoridade incompetente, pois o auditor atuante exerce suas funções na Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos e o domicílio do contribuinte é no Município de São Paulo, o que torna a Delegacia da Receita Federal desta cidade a competente para fiscalizar seus documentos fiscais e, se for o caso, lavrar o auto de infração. E não se alegue que o agente autuante tenha adquirido esta competência por ter sido, no âmbito do processo de auditoria interna da DCTF retificadora enviada pelo impugnante, o primeiro servidor público a tomar conhecimento da infração à legislação tributária, pois a formalidade do art. 12 do Decreto nº 70.235/73 não foi atendida; quanto ao mérito, observase que o art. 32 da Lei nº 4.357/64 não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, por ofensa aos princípios da livre iniciativa, da segurança jurídica, do devido processo legal e do contraditório. A distribuição de dividendos é ato perfeitamente lícito, previsto nas leis comerciais, e decorre unicamente da decisão dos sócios de uma atividade empresarial bemsucedida repartir entre si os resultados positivos da empreitada, tornandose ilegal qualquer norma que tente frear ou limitar o exercício deste direito; a vedação contida no art. 32 da Lei nº 4.357/64 é limitada aos programas empresariais de pagamento de bonificações e participação de lucros e não se estende à distribuição de lucros e dividendos. A documentação anexada à impugnação comprova que os valores recebidos pelo impugnante ao longo de 2012/2014 têm natureza de dividendos distribuídos pela empresa da qual o impugnante era sócio e administrador; os débitos tributários nãogarantidos indicados no auto de infração não impediam a distribuição dos dividendos ao Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 782 4 autuado, pois aqueles débitos tributários não haviam sido sequer inscritos em dívida ativa, muito menos executados judicialmente, o que impossibilitava a prestação de garantia idônea por parte da devedora principal. A vedação prevista na Lei nº 4.357/64 é voltada às pessoas jurídicas que possuam débitos tributários já executados, e por qualquer motivo, não garantidos; os débitos tributários nãogarantidos indicados no auto de infração foram incluídos no REFIS da Copa, conforme documentação anexada, o que retira por completo o prejuízo causado ao erário e desqualifica a imposição da multa objeto da presente autuação, Tudo restou regularizado com a adesão ao REFIS; a multa objeto do auto tem caráter confiscatório, por ser desproporcional em relação à infração que se pretendia coibir, e absorver o patrimônio do contribuinte impugnante; resta caracterizado o “bis in idem”, na cobrança de uma mesma multa sobre a mesma infração para a empresa e o sócio, pois a distribuição e o recebimento irregular de dividendos são duas faces indissociáveis da mesma moeda, que devem ser apenados uma única vez obviamente na figura da sociedade. O impugnante transcreve excertos de doutrina e jurisprudência, que no seu entender embasam e justificam as suas alegações. Ao final, requer a apresentação de todas as provas em direito admitidas e a anulação do auto de infração. Ao julgar a impugnação, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos a ementa consignada no Acordão nº 1543.718: NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal realizada se não restaram violados quaisquer incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal. MULTA REGULAMENTAR. É devida a multa de 50% sobre o valor distribuído aos sócios quando houver débito não garantido, nos termos do art. 32 da Lei 4.357/64, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. Cientificado da decisão, em 9/11/17, segundo o Termo de Ciência de fl. 776, o contribuinte, por meio de sua advogada (procuração de fl. 642), interpôs o recurso voluntário de fls. 749 a 775, em 1/12/17, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235, de 6/3/72, no qual traz as seguintes alegações: II) PRELIMINARES II) NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL DO LANÇAMENTO Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 783 5 Este lançamento só poderá ser considerado formalmente válido se as regras do artigo 142 do CTN forem rigorosamente observadas, sob pena de o mesmo ser declarado nulo de pleno direito. [...] A falta de descrição detalhada dos fatos que ensejou a autuação constitui vício material que torna absolutamente improcedente o lançamento realizado por infração, que determinam tais indicações como requisito de validade do lançamento, além de configurar cerceamento de defesa do Recorrente. [...] Portanto, concluise que o lançamento se deu em verdadeira afronta ao art. 142 do CTN, o que justifica o reconhecimento de sua nulidade, não podendo produzir qualquer efeito no mundo jurídico a fim de compelir o Recorrente a recolher aos cofres públicos os valores nele consignados. II.2) AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUTORIDADE ADMINISTRATIVA INCOMPETENTE Observase que o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Sr. Waldemar Guedes de Oliveira Neto, o qual exerce suas funções na Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos. Ora, o domicílio do Recorrente se localiza no bairro de Vila Gertrudes, próximo ao Morumbi, no Município de São Paulo, o que torna a Delegacia da Receita Federal desta cidade a competente para fiscalizar seus documentos fiscais e, se for o caso, constituir o débito tributário através da lavratura de Autos de Infração. De onde se conclui, até por raciocínio lógico, que a Unidade da Receita Federal de São José dos Campos não poderia, em hipótese alguma, praticar atos tendentes à constituição de créditos tributários em nome da Recorrente, por não possuir competência funcional para tanto. III) MÉRITO III.1) O ART. 32 DA LEI Nº 4.357/64 NÃO FOI RECEPCIONADO PELA CF/1988 OFENSA AOS PRINCIPIOS DA LIVRE INICIATIVA, DA SEGURANÇA JURÍDICA, DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Conforme destacado nos tópicos introdutórios desta impugnação, a presente autuação cobra a multa prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/64, imposta ao Recorrente sob o argumento de que ele teria recebido, entre os anos de 2012 e 2014, os dividendos pagos por empresa que se encontrava em situação de inadimplência com a Receita Federal. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 784 6 Como se vê, a regra veda a distribuição de lucros por parte daquelas empresas devedoras do fisco federal e impõe duas multas para os que não observarem esta conduta, a primeira dirigida à pessoa jurídica, e a segunda, aos seus respectivos sócios, diretores e administradores (que é o objeto desta impugnação). Ora, se esta previsão legal fazia sentido na Constituição Federal anterior (o que é altamente discutível), à luz dos princípios que passaram a reger e iluminar o ordenamento jurídico após 1988, é inegável que ela não reúne a mínima condição de subsistência. [...] Por tudo isso, pelo notório desrespeito aos princípios da liberdade econômica, da ampla defesa e do contraditório perpetrados pelo art. 32 da Lei n° 4.357/64, deve a presente Impugnação ser acolhida integralmente para o fim de cancelar o Auto de Infração, de modo o que o mesmo não gere nenhum efeito. III.2) A VEDAÇÃO CONTIDA NO ART. 32 DA LEI N° 4.357/64 É LIMITADA AOS PROGRAMAS EMPRESARAIS DE PAGAMENTO DE BONIFICAÇÕES E PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E NÃO SE ESTENDE À DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DIFERENCIAÇÃO CONCEITUAL APLICÁVEL AO CASO PRESENTE Caso V. Sa. ultrapasse o exame do tópico anterior, o Recorrente pugna pelo cancelamento do Auto de Infração sob o argumento de que, pelo rigor da lei, não há vedação para a distribuição de dividendos por parte das empresas inadimplentes com suas obrigações tributárias. III.3) OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS NÃOGARANTIDOS INDICADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPEDIAM A DISTRIBUIÇÃO DOS DIVIDENDOS AO AUTUADO Caso V. Sa. não concorde com os tópicos anteriores, o Recorrente requer o cancelamento deste Auto de Infração pois os débitos tributários contraídos pela empresa da qual ele era sócio, e que supostamente impediam a distribuição de dividendos, não haviam sido sequer inscritos em dívida ativa, muito menos executados judicialmente, o que impossibilitava a prestação de garantia idônea por parte da devedora principal. III.4) OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS NÃOGARANTIDOS INDICADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO FORAM INCLUÍDOS NO REFIS DA COPA FALTA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO Caso V. Sa. ultrapasse o tópico anterior, o Recorrente requer o cancelamento integral do presente Auto de Infração pois os débitos tributários contraídos pela Autoridade Fiscal e relacionados na peça acusatória foram todos incluídos no REFIS da COPA, o que retira por completo o prejuízo causado ao Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 785 7 erário e desqualifica a imposição da multa objeto da presente autuação. III.5) O CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA OBJETO DO AUTO Como visto nos tópicos anteriores, cobrase aqui a multa prevista no art. 32, alínea "b", §1°, inc. II, da Lei n° 4.357/1964. Contudo, a despeito da sua previsão legal, a aplicação desta penalidade não merece prosperar. Na vigência da Constituição Federal anterior, o Supremo Tribunal Federal já pacificara a possibilidade de se reduzir a multa moratória, mesmo se prevista em lei, quando evidente seu caráter confiscatório e desproporcional em relação à infração que se pretendia coibir. (Grifos no original) É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Tendo em vista que o Recorrente repete, ipsis litteris, as alegações da sua impugnação, sem trazer qualquer razão nova, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: Da alegação de nulidade do auto de infração O contribuinte alega nulidade do auto de infração, pelos motivos que expõe ao se defender da infração referente à multa regulamentar. A arguição de nulidade nos remete, inicialmente, às exigências para a validade do auto de infração, preconizadas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal, “in verbis”: Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 786 8 Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração ora impugnado e o relatório fiscal que o acompanha (fls.595/602) atendem a todas as prescrições do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e descreve adequadamente os fatos que deram suporte ao lançamento, mencionando os procedimentos realizados durante o curso da ação fiscal e as irregularidades apuradas. Além disso, verificase que foram apontadas as disposições legais infringidas e determinada a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal. Não obstante, ainda que omissões dessa natureza tivessem ocorrido, elas não seriam suficientes para eivar de nulidade o Auto de Infração em comento. O próprio Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos, e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem O contribuinte alega nulidade do auto de infração, pelos motivos que expõe ao se defender da infração referente à multa regulamentar. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 787 9 Da leitura dos dispositivos legais anteriormente transcritos, depreendese que somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades não importariam nulidade. Simplesmente deveriam ser sanadas se capazes de prejudicar o contribuinte ou se influíssem na solução do litígio, circunstância que não se verificou nos autos, conforme se esclarece a seguir. O impugnante também alega que o auto de infração é nulo porque foi lavrado por autoridade incompetente, pois o auditor atuante exerce suas funções em Delegacia da Receita Federal diversa daquela em que o contribuinte tem o domicílio. A simples leitura do § 2º do art. 9º Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito, mostra que não assiste razão ao contribuinte: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 788 10 § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Quanto à alegação de que há iliquidez e incerteza da autuação em razão de divergência entre os valores dos dividendos distribuídos e informados pelo impugnante e aqueles declarados pela empresa do qual é sócio, também não assiste razão ao impugnante, visto que os valores declarados pela empresa referentes à distribuição de lucros para o contribuinte relativos aos anoscalendário 2012 (DIPJ 2013, Ficha 61A, fl. 391) e 2013 (DIPJ 2014, Ficha 61A, fl. 464), coincidem com os valores declarados pelo próprio contribuinte como recebido da Via Veneto Roupas Ltda., nas suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2013 (fl. 524) e 2014 (fl. 551) na rubrica “Rendimentos isentos e não tributáveis”. Como já mencionado antes, o auto de infração foi lavrado por AFRFB, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal. Verificase, ainda, pelo exame do processo, que foram atendidas todas as exigências legais supracitadas, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito ao contraditório e ampla defesa, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Tendo o contribuinte ingressado com a impugnação e demonstrando de forma clara e inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal, percebe se que teve pleno conhecimento do ilícito tributário e pôde exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa e também ao contraditório, estando obedecido o devido processo legal. Corrobora tal conclusão o conteúdo da impugnação apresentada, que contestou cada ponto da imposição fiscal, insurgindose não só quanto às questões preliminares, mas com relação ao mérito da autuação em si. Afastase, assim, a alegação de nulidade. Do Mérito Quanto ao mérito o contribuinte alega a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei nº 4.357, de 1964 e que a vedação contida no referido artigo é voltada às pessoas jurídicas que possuam débitos tributários já executados, e por qualquer motivo, não garantidos contida, além de não se estender à distribuição de lucros e dividendos. Alega ainda: que os débitos tributários não garantidos indicados no auto de infração foram incluídos no REFIS da Copa, o que retira por completo o prejuízo causado ao erário e desqualifica a imposição da multa; que a multa tem caráter confiscatório, por ser desproporcional em relação à infração que se pretendia coibir, e absorver o patrimônio do Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 789 11 contribuinte impugnante; e que a cobrança de uma mesma multa sobre a mesma infração para a empresa e o sócio configura um “bis in idem”, pois a distribuição e o recebimento irregular de dividendos são duas faces indissociáveis da mesma moeda, que devem ser apenados uma única vez, obviamente na figura da sociedade. Cabe observar que as decisões judiciais citadas pelo contribuinte não fazem coisa julgada sobre aqueles que não são partes, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e das que foram objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417/2006. Quanto à doutrina transcrita, cumpre observar que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Ressaltese, ainda, que as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade não podem ser apreciadas na esfera administrativa porque são prerrogativas exclusivas do Poder Judiciário, pelo princípio constitucional da unicidade da jurisdição. No que concerne à aplicação da multa regulamentar objeto do auto de infração, devese ter em mente que a obrigação de pagar tributo decorre de uma norma jurídica. A não realização do comportamento devido, ou seja, o não cumprimento de tal dever, implica em prejuízo a toda a sociedade. A infração à ordem jurídica não se confunde com as demais normas de conduta, cujo cumprimento não é obrigatório. A inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Ressaltese que em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória a sanção em exame, quando é sabido que, nas limitações ao poder de tributar, o que a Constituição veda é a utilização de tributo com efeito de confisco. Esta limitação não se aplica às sanções, que atingem tãosomente os autores de infrações tributárias plenamente caracterizadas, e não a totalidade dos contribuintes. No caso presente, a aplicação da multa regulamentar decorreu de expressa previsão legal. O citado normativo dispõe, in verbis: Art. 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 790 12 a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A alegação de que a referida lei não se estende à distribuição de lucros e dividendos a sócios não tem qualquer cabimento, pois o pagamento de participação no lucro da empresa a sócios nada mais é do que a distribuição de lucros e os dividendos representam uma parcela do lucro. Também a alegação de que a vedação prevista na referida lei é voltada às pessoas jurídicas que possua débitos tributários já executados e não garantidos, assim como a alegação de que os débitos não garantidos indicados no auto de infração teriam sido incluídos posteriormente no REFIS da Copa, e portanto, não houve prejuízo ao erário, não podem ser acolhidas, pois não encontram qualquer amparo legal. A multa foi aplicada porque a autoridade autuante demonstrou claramente que o contribuinte estava em débito não garantido, no momento da distribuição de lucros, para com a União, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal. O contribuinte, por sua vez, não apresentou qualquer documentação e/ou comprovação que permitisse inferir que, no momento da distribuição de lucros, a empresa não possuía os débitos indicados pela Fiscalização. Quanto à alegação de que o art. 32 da Lei 4.357, de 16/7/64, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988, complementamos as razões de decidir da decisão de primeira instância, esclarecemos que este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 2, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 791 13 Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo quanto à aplicação da multa prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/64. O referido dispositivo legal, com a redação dada pela Lei n. 11.051/2004, prescreve de forma direta a aplicação de multa, conforme segue: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 792 14 O comando legal acima é reverberado no art. 889 do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 889. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão (Lei nº 4.357, de 1964, art. 32): I distribuir quaisquer bonificações a seus acionistas; II dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos. Com o advento do Decreto n. 9.580/2018, que aprovou o novo regulamento do imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a matéria abrigouse no art. 1.018, verbis: Art. 1.018. As pessoas jurídicas que, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto sobre a renda no prazo legal não poderão: I distribuírem quaisquer bonificações a seus acionistas; ou II darem ou atribuírem participação de lucros a seus sócios ou quotistas, e a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos. § 1º a inobservância do disposto no caput acarretará multa que será imposta (Lei nº 4.357, de 1964, art. 32, § 1º e § 2º): I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a cinquenta por cento das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e II aos diretores e aos demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a cinquenta por cento dessas importâncias. § 2º A multa a que se refere os incisos I e II do caput fica limitada a cinquenta por cento do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (grifei) De plano, verificase que não há óbice à distribuição de dividendos, vez que o impedimento legal, repercutido no RIR99 (vigente à época dos fatos) e no RIR/2018 (atualmente em vigor), restringese apenas ao pagamento de bonificações e participação nos lucros, no qual se enquadra o caso em apreço. Outrossim, merece destaque a expressão "débito não garantido" consignada no caput do art. 32 da Lei n. 4.357/64, com a redação dada pela Lei n. 11.051/2004, considerandose que, em sua versão original (1964) este dispositivo é anterior ao CTN, o que remete a sua leitura à luz deste, bem assim da CF/88. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 793 15 A teor do art. 32 da Lei n. 4.357/64, é razoável entenderse que as garantias dos débitos são aquelas elencadas no art. 9°. da Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN, que pressupõem duas condições: a inscrição do débito em dívida ativa e que este débitos estejam em execução judicial. Na esfera administrativa inexiste instituto com força bastante a caracterizar garantia do débito, tendo em vista que o arrolamento de bens e direitos, previsto nos art. 64 e 64A da Lei n. 9.532/97 e disciplinado no plano infralegal atualmente pela Instrução Normativa RFB n. 1.565/2015, não implica em qualquer gravame ou restrição ao uso, alienação ou oneração dos bens e direitos do contribuinte, mas apenas, por meio de registro nos órgãos competentes, possibilita o acompanhamento do patrimônio suscetível de ser indicado como garantia de crédito tributário e a representação para a propositura de medida cautelar fiscal. O Parecer PGFN/CAT n. 1265/2006, ao abordar o tema, assim se pronuncia: [...] 16. Em outras palavras, o caput do art. 32 da Lei nº 4.357, de 1964, referese a contribuintes pessoas jurídicas inadimplentes, que não são beneficiárias de moratória, que não depositaram integralmente o valor do débito, que não estejam discutindo administrativamente a questão, que não detenham liminar em mandado de segurança ou em qualquer outro provimento judicial, que não tenham débitos parcelados e que não tenham implementado a penhora que nos dá conta o art. 206 do mesmo CTN. Ampliese o rol com pessoas jurídicas beneficiárias de parcelamentos que não demandem garantia, a exemplo do Parcelamento Especial (Paes). [...] 19. É entendimento exegético consolidado que o débito para com o fisco obstaculiza a livre distribuição de benesses, por parte da pessoa artificial devedora. E ainda, o sentido de débito suporta nuances circunstanciais, a exemplo de suspensão, a propósito da realização fática das instâncias vislumbradas no art. 151 do CTN. O portador de certidão positiva com efeitos de negativa é devedor que se beneficia da suspensão da exigência, dado que o direito brasileiro não consagra a odiosa cláusula do solve et repete. [...](grifei) Da leitura do inteiro teor do Parecer PGFN/CAT n. 1265/2006, reproduzido no que interessa à presente análise, peço vênia para observar que o referido documento não elucida o conceito e o alcance de "débito garantido" na esfera administrativa, nem muito menos os procedimentos a serem efetivados pelo devedor para o mister. Com efeito, as circunstâncias elencadas no referido Parecer, à exceção da penhora, dizem respeito às hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151 do CTN, que não se confundem com as garantias previstas no art. 9°. da Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 794 16 Na espécie, foi constituído crédito tributário em desfavor do Recorrente consubstanciado na multa prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/1964 em virtude de distribuição de rendimentos de participações nos AC 2012 e 2013 por pessoa jurídica com débitos não garantidos à qual aquele se vincula. Consta dos autos que os débitos que motivaram a presente autuação, foram constituídos pela própria pessoa jurídica à qual se vincula o Recorrente mediante confissão de dívida em DCTF. A respeito, assim se pronuncia a decisão recorrida: [...] Conforme a descrição dos fatos, em procedimento de auditoria interna de DCTF efetuado na pessoa jurídica Via Veneto Roupas Ltda (CNPJ 47.100.110/000199), cujo sujeito passivo supracitado é sócio administrador, foi verificada a distribuição de lucros referentes aos anos calendários 2012 e 2013, estando a referida pessoa jurídica em débito com a Fazenda Nacional, distribuição esta que é vedada pela legislação tributária. Verificada a infração foi aplicada ao contribuinte a multa prevista no art. 32 da Lei nº 4.357, de 1964, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, por ter recebido lucros distribuídos por pessoa jurídica em débito com a Fazenda Nacional, nos períodos autuados. O valor da multa é de 50% (cinquenta por cento) da importância indevidamente recebida pelo contribuinte, sócio administrador da empresa. A Distribuição de Lucros foi informada pela pessoa jurídica em suas declarações (DIPJ e ECF) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Integram o auto de infração os documentos de fls. 8/601. [...] Também a alegação de que a vedação prevista na referida lei é voltada às pessoas jurídicas que possua débitos tributários já executados e não garantidos, assim como a alegação de que os débitos não garantidos indicados no auto de infração teriam sido incluídos posteriormente no REFIS da Copa, e portanto, não houve prejuízo ao erário, não podem ser acolhidas, pois não encontram qualquer amparo legal. A multa foi aplicada porque a autoridade autuante demonstrou claramente que o contribuinte estava em débito não garantido, no momento da distribuição de lucros, para com a União, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal. O contribuinte, por sua vez, não apresentou qualquer documentação e/ou comprovação que permitisse inferir que, no momento da distribuição de lucros, a empresa não possuía os débitos indicados pela Fiscalização. [...] De se observar que não consta dos autos qualquer informação denunciando que, no momento da distribuição de lucros, a pessoa jurídica, à qual se vincula o Recorrente, respondesse por débitos não garantidos inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial. Bem ao contrário, as informações de apoio para emissão de certidão (efls. 474/486) informam débitos, referentes aos AC 2006, 2012, 2013, 2014 e 2015, em cobrança administrativa (controlados pelo sistema SIEF), débitos com exigibilidade suspensa (controlados pelo sistema SIEF), débitos com exigibilidade suspensa por parcelamento Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 795 17 excepcional (PAEX RFB), débitos com exigibilidade suspensa na PGFN (SIDA) e débitos com exigibilidade suspensa (PAEXPGFN). Outrossim, as inscrições em Dívida Ativa da União n. 80 5 13 00993780 (e fls. 487/489) e n. 80 5 13 01138778 (efls. 490/492) referemse a débitos de natureza trabalhista já extintos. Por sua vez, a inscrição em Dívida Ativa da União n. 80 7 14 01390503 (efls. 493/495) diz respeito a débitos de PIS e encontrase ajuizada e parcelada (Lei n. 12.996/14), portanto, com a exigibilidade do crédito tributário suspensa (art. 151, VI, do CTN). É dizer, no momento da distribuição dos lucros, a pessoa jurídica à qual se vincula o Recorrente, não respondia por débitos não garantidos inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial. É cediço que a efetiva garantia, nos termos exatos do art. 9°. da Lei n. 6.830/80 e do art. 183 e ss. do CTN, ocorre na execução judicial, verbis: Lei n. 6.830/80: Art. 9º Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: I efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; II oferecer fiança bancária; II oferecer fiança bancária ou seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) III nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou IV indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública. § 1º O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do respectivo cônjuge. § 2º Juntarseá aos autos a prova do depósito, da fiança bancária ou da penhora dos bens do executado ou de terceiros. § 2o Juntarseá aos autos a prova do depósito, da fiança bancária, do seguro garantia ou da penhora dos bens do executado ou de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) § 3º A garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro ou fiança bancária, produz os mesmos efeitos da penhora. § 3o A garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, produz os mesmos efeitos da penhora. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 796 18 § 4º Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. § 5º A fiança bancária prevista no inciso II obedecerá às condições préestabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. § 6º O executado poderá pagar parcela da dívida, que julgar incontroversa, e garantir a execução do saldo devedor. Lei n. 5.172/66 CTN: Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a que se refiram. Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que corresponda. Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. Art. 185. Presumese fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em fase de execução. Art. 185. Presumese fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados pelo devedor bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida em fase de execução. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) Art. 185A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 797 19 especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar seá ao valor total exigível, devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005 Considerandose que os débitos que deram suporte à autuação em litígio não se encontravam na condição de débitos não garantidos inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial, vez que parte deles se encontrava em cobrança administrativa e parte com exigibilidade suspensa na RFB e na PGFN, conforme informado nos autos, não se vislumbra como a pessoa jurídica devedora à qual o Recorrente vinculase deveria proceder para garanti los, vez que a iniciativa para o mister é da Administração Tributária, inclusive mediante inscrição em Dívida Ativa da União e respectiva execução judicial. Como já se viu, o art. 32 da Lei n. 4.357/1964 não conceitua nem define o alcance de "débito garantido". Outrossim, também não esclarece os procedimentos a cargo do contribuinte para efetivar tal garantia quando o débito ainda encontrase em cobrança administrativa e sem execução judicial em curso. É oportuno destacar que o CARF é, em sua essência, um tribunal administrativo da cidadania fiscal, do que decorre, quando da análise das questões que lhe são submetidas, a apreciação sistêmica da legislação/normas correlatas ao melhor desfecho do litígio. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que a expressão "débitos garantidos" consignada no art. 32 da Lei n. 4.357/1964 restringese aos débitos garantidos inscritos em dívida ativa da União em execução judicial, na forma prevista na Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN, não abrangendo os débitos em cobrança administrativa. Coaduna com esse entendimento a vedação imposta pelo STF, nos termos dos Enunciados de Súmula n. 70, 323 e 547, à coação indireta para a cobrança de tributos na esfera administrativa: Súmula 70 É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula 323 É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. Súmula 547 Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 798 20 Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais. Desta forma, a imposição da multa prevista no art. 32 da Lei n. 4.357/1964 pressupõe que a pessoa jurídica, no momento em que distribuiu lucros aos sócios, tenha débitos sem garantia inscritos em Dívida Ativa da União em execução judicial nos termos da Lei n. 6.830/80 c/c art. 183 e ss. do CTN, sendo incabível nos casos de débitos em cobrança administrativa. Nesse sentido, resgato jurisprudência recente do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 28/02/2002 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. ART. 32 DA LEI 4.357/64. POSSIBILIDADE. A vedação à distribuição dos lucros e/ou bonificações somente é aplicável aos casos em que há débito executado judicialmente e que não tenha sido garantido pela pessoa jurídica. (Acórdão n. 2803004.087 3ª. Turma Especial Sessão de Julgamento de 11 fevereiro de 2015) (grifei) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. MULTA POR DISTRIBUIÇÃO IRREGULAR DE PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. A multa regulamentar prevista em Lei em caso de distribuições de quaisquer bonificações ou participações de lucros aos acionistas, sócios ou quotistas de pessoa jurídica que estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal não se caracterizou no presente caso. O contribuinte quando da lavratura do auto de infração já estava com o débito garantido e na época da distribuição dos lucros, o processo estava em trânsito para a execução do débito, de modo que não havia instruções suficientes no referido processo para que o contribuinte garantisse o débito naquele momento, tendo o feito posteriormente na primeira oportunidade, não configurando eventual prejuízo ao erário público. Além disso, o presente processo versa sobre Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16062.720039/201628 Acórdão n.º 2402006.859 S2C4T2 Fl. 799 21 distribuição de dividendos, e não de bonificação ou participações nos lucros. (grifei) Ademais, consta dos autos que a pessoa jurídica à que se vincula o Recorrente, antes do lançamento em lide, aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n. 12.996/14 (REFIS da Copa) com a inclusão dos débitos apurados no lançamento em litígio, fato não contestado pela instância de piso. Nesse contexto, não obstante o entendimento acima esposado, é forçoso admitirse, também, que resta prejudicado o lançamento em apreço por perda de objeto, vez que o parcelamento é hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, forte no art. 151, VI, do CTN. Nesse contexto fático, e considerandose a vinculação entre o Recorrente e a pessoa jurídica que distribuiu os lucros, do que decorreu a autuação em apreço, concluise, pelas razões acima delineadas, que resta prejudicado o lançamento em litígio, impondose o seu cancelamento. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 799DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720391/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/2009-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EPP????? Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 91 /2 00 9- 83 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10280.720391/200983 Acórdão n.º 1201002.381 S1C2T1 Fl. 3 2 segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, parcialmente, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.376, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.720405/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.376): "Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10280.720391/200983 Acórdão n.º 1201002.381 S1C2T1 Fl. 4 3 Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), in verbis: Igualmente, quanto à Lei 8.393/1991, haveria a necessidade da prévia transmissão da Declaração de Compensação (artigo 21, § 1º) , como explicitado pelo acórdão recorrido: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10280.720391/200983 Acórdão n.º 1201002.381 S1C2T1 Fl. 5 4 O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Atualmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10280.720391/200983 Acórdão n.º 1201002.381 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
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