Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17883.000046/2007-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário: 2003
SERVIÇOS HOSPITALARES.
A Lei 9.249/95 não especificou o que pode ser considerado como serviço hospitalar sendo objetiva ao conceder o benefício aos prestadores de serviços hospitalares, neste sentido, qualquer atividade médica, pessoal ou instrumental em pról da saúde humana está encartada no favor fiscal da redução da alíquota”.
Numero da decisão: 1803-000.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. A Lei 9.249/95 não especificou o que pode ser considerado como serviço hospitalar sendo objetiva ao conceder o benefício aos prestadores de serviços hospitalares, neste sentido, qualquer atividade médica, pessoal ou instrumental em pról da saúde humana está encartada no favor fiscal da redução da alíquota”.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 17883.000046/2007-18
conteudo_id_s : 5702311
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.818
nome_arquivo_s : Decisao_17883000046200718.pdf
nome_relator_s : Marcelo Fonseca Vicentini
nome_arquivo_pdf_s : 17883000046200718_5702311.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
id : 6691733
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950115663872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 218 1 217 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000046/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180300.818 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria Imposto de Renda Recorrente INST. DE UROLOGIA E NEFROLOGIA V.REDONDA LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. A Lei 9.249/95 não especificou o que pode ser considerado como serviço hospitalar sendo objetiva ao conceder o benefício aos prestadores de serviços hospitalares, neste sentido, qualquer atividade médica, pessoal ou instrumental em pról da saúde humana está encartada no favor fiscal da redução da alíquota”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Selene Ferreira de Moraes Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Fonseca Vicentini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 219 2 Relatório INSTITUTO DE UROLOGIA E NEFROLOGIA DE VOLTA REDONDA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no Rio de Janeiro – RJ interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tendo em vista a clareza e correção do Relatório da DRJ, adoto o mesmo: “O processo trata de Auto de Infração (fls.72/78), lavrado em 28.03.2007, no âmbito da Delegacia de Volta Redonda/RJ, por meio do qual é exigido o crédito tributário no total de R$84.557,57, relativo ao primeiro trimestre de 2005. ... No auto de infração (fls.72/78), a infração apurada e o enquadramento legal são assim dispostos: APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO Aplicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, quando o correto seria de 32% conforme termo de constatação. Enquadramento legal: RIR/99, art.518 e 519. Enquadramento legal da multa e dos juros de mora: art..44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; art.61, §3º, da Lei n°9.430/96. O Termo de Constatação Fiscal n°0002 (fls.71) descreve a forma como transcorreu a fiscalização: De acordo com o termo de constatação lavrado em 20032007 verificamos que o contribuinte não se enquadrava na alíquota de 8% (coeficientes aplicável sobre a receita bruta) nos termos do art.27 da Instrução Normativa SRF n°480 de 15.12.2004 com a publicação da IN/SRF 539 de 25042005 no DOU 2742007 entendemos que o contribuinte passou a ter direito de utilização da alíquota de 8%. Ante ao exposto, concluímos que no primeiro trimestre de 2005 o contribuinte utilizou indevidamente a alíquota de 8% e o correto seria a alíquota de 32% fato determinante para a constituição do crédito tributário. OBS. As notas fiscais emitidas pelo contribuinte descrevem serviços médicos prestados, não identificamos guia ou documento semelhante a internação, as atividades da empresa não são no local informado a Receita Federal, o horário de funcionamento não é 24:Hs, não realiza serviços de laboratório e de radiologia, os leitos são para atendimento não são leitos para internação e o CNAE utilizado não é o correto. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 220 3 O interessado foi cientificado, via postal (fls.70), em 30.03.2007. Inconformado, apresentou impugnação de fls. 80/92, em 27.04.2007, alegando, em síntese, que: a. É tempestiva a impugnação; b. O interessado é sociedade simples limitada, tendo como atividade a prestação de serviços profissionais na área de saúde; c. Recolhe seus tributos pela sistemática do lucro presumido e utiliza o percentual de 8% (oito por cento), fixado no caput do art.15, da Lei n° 9.249/95, para apuração da base de cálculo do IRPJ; d. A fiscalização reputou que não seria cabível a utilização deste percentual, uma vez a) não teria identificado nas notas fiscais emitidas pela impugnante serviços de internação, b) as atividades não seriam exercidas no local conhecido pela SRF, c) não haveria funcionamento 24 (vinte e quatro) horas por dia, d) não prestaria serviços de laboratório, radiologia e não possuiria leitos próprios para internação e, e) utiliza código CNAE incorreto; e. É direito do interessado, a utilização do percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. Cita a legislação aplicável: art. 15, da Lei n° 9249/95, o art.516, do RIR/99, art.519, §1°, do RIR/99, e a IN 306/2003 que passou a definir serviços hospitales como: "aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, com estrutura fisica condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Portaria GM n° 1.884/1994, do Ministério da Saúde.". Essa IN esteve em vigor no período de 03.04.2003 a 29.12.2004. f. As normas complementares, criadas pela União após a IN 306/2003, tiveram somente o condão de restringir ilegalmente a aplicação do percentual de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ pelas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares; g. É ilegal a restrição aos serviços hospitalares prestados por sociedades simples. Cita os seguintes diplomas normativos como ilegais: O Ato Declaratório Interpretativo n°18/2003, que restringiu a utilização do uso do percentual de 8% somente aos estabelecimentos assistenciais de saúde, constituídos por empresários ou sociedades empresárias, restringindo igualmente aos serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes ao exercício da atividade intelectual, de natureza cientifica dos profissionais envolvidos, não poderiam ser considerados como hospitalares; Fl. 226DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 221 4 A IN 480/2004, que no art.27, previa a necessidade de cinco leitos, para internação, além do funcionamento por 24 horas e disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, além da utilização do código no CNAE 85111; h. Quanto aos leitos, afirma o interessado que "a fiscalização verificou que os mesmos existem, mas consignou que os mesmos não poderiam atender a uma internação propriamente dita. Ora Exa., leito é onde o paciente pode deitar, ser examinado e permanecer para receber o tratamento adequado. Neste caso está claro que havendo os leitos e sendo necessário permanecer por mais de um dia, o paciente lá ficaria, tanto assim que se verificaram serem leitos, não simples macas. Sendo leitos, não há como negar que a internação pode ocorrer se e quando necessária"; i.Em relação a exigência de atendimento 24 horas por dia, assinala que este requisito sempre foi atendido por ela. Isto porque, os serviços estão disponíveis, tanto assim que os empregados da Impugnante são contratados em caráter de plantão, estando alcançáveis a qualquer hora do dia ou da noite, no dia que for. Exatamente por isto, telefones de contato são disponibilizados pela Impugnante em suas dependências e os sócios e empregados podem ser acionados a qualquer instancia. Contudo, os serviços são prestados na medida em que demandados, mas é certo que estão disponibilizados pela Impugnante tal como exigia a IN SRF n°460/2004"; j.No que se refere à disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia defende que tais serviços são prestados nas dependências da impugnante, nos moldes do que determina a IN SRF n°460/2004. Salienta que "é equivocada a assertiva constante da autuação no que tange à prestação de serviços pela Impugnante em local outro que não o conhecido pela SRF. Ora, no contrato social da Impugnante consta o endereço de sua filial, pelo que não se pode afirmar que o local era desconhecido"; k. Quanto ao último requisito, não atendimento do código no CNAE, lembra que "embora tenha se equivocado, deste erro meramente formal não faz surgir para o Fisco o direito de cobrar quantia indevida. Tratase de mero equívoco, mas que em nada altera a natureza dos serviços prestados pela Impugnante, muito menos extingue o direito a utilização do percentual em apreço". 1. A Lei n° 9.249/95 estabeleceu o percentual de 8% para apuração do lucro presumido para as EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS HOSPITALARES por essa razão, não poderia ter seu alcance afetado por outra norma de hierarquia inferior; m. A IN SRF n°480/2004 e o Ato Declaratório Interpretativo n°18/2003 não poderiam restringir o alcance da aplicação dos percentuais previstos pela Lei n° 9249/95; Fl. 227DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 222 5 n. Havendo a Lei n° 9.249/95 previsto que as empresas prestadoras de serviços hospitalares submetemse ao percentual de 8% para apuração da base de cálculo do lucro presumido, é vedado aos atos normativos dela decorrentes assegurarem a fruição somente a sociedades empresárias ou empresários. o. Cita o voto proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.2967, quanto à dimensão negativa da reserva constitucional de lei "traduz a noção de que nas matérias reservadas à lei está proibida a intervenção de outra fonte diferente de lei." p. Conclui que os atos normativos IN SRF n° 480/2004 e o Ato Declaratório Interpretativo n° 18/2003 exorbitam seus poderes, pois criam óbices não previstos na Lei n° 9.429/95; q. Por ser o interessado SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA prestadora de serviços hospitalares a União não lhe pode retirar o direito de utilizar o percentual de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ; r. Absurda a aplicação de normas infralegais para a exigência do IRPJ supostamente devido pela impugnante, quando na verdade, o que se observa é que jamais teve a IN SRF n°460/2004 o condão de regulamentar o artigo 15, da Lei n°9.249/95; s. Traz a Decisão proferida pelo STJ, de 14.11.2006, que deu provimento ao Recurso Especial n° 870.254/2006, enquadrando no conceito de serviços hospitalares aqueles prestados pelas empresas de serviços odontológicos. O relator, ministro Falcão, quanto à redução do coeficiente aplicável à base de cálculo do IRPJ, de 32% para 8%, alinhouse ao entendimento consolidado pela Primeira Turma do STJ, verbis: "...a exclusão dos serviços médicoshospitalares do âmbito de compreensão do termo "serviços em geral", constante em tal dispositivo, deixa claro que "toda e qualquer atividade médica, pessoal ou instrumental, em prol da saúde humana, está encartada no favor fiscal da redução de alíquota" (REsp n° 673.033/2005)"; t. O entendimento do STJ é novamente trazido a lume na tentativa de corroborar a possibilidade das sociedades não empresárias, prestarem serviços hospitalares e calcularem a base de cálculo com o coeficiente de 8%. Nesse sentido, foram colacionadas decisões em que enquadram sociedades civis prestadoras de serviços de diagnóstico de imagens e etc, no conceito de "atividades hospitalares"; u. Entende que: "...a definição de "serviço hospitalar" para fins tributários deve observar a essência da prestação, sem consideração de elementos externos, como local, subordinação, autonomia. Então, aos serviços que demandem rotinas, procedimentos, equipamentos, espaço fisico, pessoal altamente especializado e demais características das atividades vinculadas Fl. 228DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 223 6 à saúde da pessoa não se pode rejeitar o rótulo de "hospitalares". Colaciona o entendimento do Conselho de Contribuintes proferido no Acórdão n°10195.117, parte a seguir reproduzida: "A interpretação do julgador deve se vincular a lei, e para proceder a aplicação consentânea ao Direito deve considerar todos os fatos da realidade operacional da atividade desenvolvida pela contribuinte"; v. O interessado, sendo sociedade simples limitada, "não pode ter seu direito a utilizar o percentual de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ, com base na IN SRF 480/2004"; Por fim requer: declarar a improcedência do lançamento referente ao IRPJ decretando a insubsistência, a anulação e o cancelamento do referido Auto de infração. A impugnação juntou cópias dos seguintes documentos: procuração, identidade, 6a.alteração contratual. Em resposta a impugnação do contribuinte, a DRJ proferiu decisão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS DE COMPLEMENTAÇÃO DIAGNOSTICA E TERAPÊUTICA. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que atende aos requisitos legais para fazer jus ao coeficiente de 8% na determinação do lucro presumido. Lançamento Procedente” Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega preliminarmente que que a decisão da primeira instância é nula por ter sido proferida sem abranger todos os argumentos expostos na impugnação. Quanto ao mérito, reitera argumentos da impugnação e pede que seja decretada nula a decisão de primeira instância, ou caso ultrapassada a preliminar, no mérito, pugna pela reforma in totum da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 224 7 Voto Conselheiro Marcelo Fonseca Vicentini O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme se observa no relatório, a controversa reside na possibilidade do contribuinte calcular o imposto de renda pela alíquota de presunção de 8% ao invés de 32%, por prestar ou não serviços hospitalares. O contribuinte alega preliminarmente em seu recurso voluntário que a decisão recorrida deixou de analisar os fatos e argumentos expostos pelo recorrente na impugnação bem como não foi observado o princípio da motivação. Neste ponto não assiste razão ao contribuinte, visto que o relatório da decisão recorrida é extremamente detalhado e o voto rebate os argumentos trazidos na impugnação e traz os elementos que justificam a decisão, neste sentido não acolho a preliminar do recurso voluntário. Quanto ao mérito, afirma o contribuinte que a Lei 9.249/95 não especificou o que pode ser considerado como serviço hospitalar sendo objetiva ao conceder o benefício aos prestadores de serviços hospitalares. Colaciona uma série de julgados que corroboram seus argumentos. Esclarece que ao longo do tempo, diversas instruções normativas se prestaram a esclarecer o alcance do disposto no art. 15 da Lei 9.249/95 tendo sido adotados diversos critérios diferentes e extensões diferentes. Esclarece ainda que diversamente do que consta da autuação, atende os requisitos da IN 480, exceção feita ao último requisito relativo ao código CNAE, visto que não está classificada na classe 85111 atividades de atendimento hospitalar, mas sim na classe 85.146/99 Outras atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, mas que se trata de mero erro formal. Assiste razão ao contribuinte, conforme consta de decisão do Ministro Luiz Fux colacionada nos autos “qualquer atividade médica, pessoal ou instrumental em pról da saúde humana está encartada no favor fiscal da redução da alíquota”. Demonstrou o contribuinte, inclusive por meio de fotos, que possui leitos (12 conforme termo de constatação fiscal), possui enfermeiros, médicos, que realiza cirurgias, enfim, que de fato realiza serviço hospitalar. Ademais, a própria fiscalização afirmou que o contribuinte teria direito a calcular o imposto de renda utilizando alíquota de presunção de 8% a partir da publicação da instrução normativa nº 539/2005, o que demonstra a compatibilidade dos serviços prestados pelo contribuinte e o que buscou abranger o art. 15 da Lei 9.249/95. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 225 8 Neste sentido, reproduzo decisão do Superior Tribunal de Justiça, RESP 1116399/BA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplicados consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no Resp 951.251PR, o eminente Ministro Fl. 231DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 17883.000046/200718 Acórdão n.º 180300.818 S1TE03 Fl. 226 9 Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Fonseca Vicentini Relator Fl. 232DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000913/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12259.000913/2008-49
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5711212
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.919
nome_arquivo_s : Decisao_12259000913200849.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 12259000913200849_5711212.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6716889
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950121955328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 175 1 174 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12259.000913/200849 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.919 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Recorrente CONTRASTE ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 09 13 /2 00 8- 49 Fl. 175DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12259.000913/200849 Acórdão n.º 2301004.919 S2C3T1 Fl. 176 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, fls. 31/35, o levantamento tem origem na caracterização como segurada empregada de PATRICIA ALVES DE MEDEIROS, considerada pela notificada como microempresaria, por verificados os requisitos da relação obrigatória para com a Previdência Social de segurada empregada, definidos no art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91, com o emprego subsidiário do art. 3° da CLT. 2.1. Acrescenta o autor do lançamento que a segurada, em 28/07/2004, constituiu a firma individual PATRÍCIA ALVES DE MEDEIROS, a qual passou a emitir a partir da competência 09/2004, mensalmente e em ordem seqüencial, notas fiscais de prestação de serviços em informática para a notificada, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividadefim da notificada. 2.2. O auditor notificante informa, como evidenciado pelos documentos de fls. segurada recebe participação nos lucros da notificada, sendo remunerada pela moda "Premium Card". Acrescenta que ela recebe também remuneração a titulo de Alimentação e Transporte e é obrigada a cumprir horário de trabalho na contratante, conforme doc. fls. 39. 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° Fl. 177DF CARF MF 4 09352474F00, de fls. 21, e seus complementares, de fls. 22/24, compatível com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12259.000913/200849 Acórdão n.º 2301004.919 S2C3T1 Fl. 177 5 Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A autoridade administrativa não comprovou a habitualidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; Da Situação Fática o notificante não juntou aos autos as notas fiscais de prestação de serviços necessárias à comprovação de que sua emissão tenha sido mensal e seqüencial. Da ilegalidade dos procedimentos adotados pela fiscalização ante todo o procedimento fiscal (mais de quatro meses), em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe 'para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a Fl. 179DF CARF MF 6 adoção do métod6 de aferição indireta, com fundamento no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei 8.212/91 reproduzido na defesa; Da violação ao art. 112 do CTN deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12259.000913/200849 Acórdão n.º 2301004.919 S2C3T1 Fl. 178 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 181DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12259.000913/200849 Acórdão n.º 2301004.919 S2C3T1 Fl. 179 9 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 183DF CARF MF 10 Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar o mérito. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, a segurada é titular de firma individual prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) a segurada percebia participação nos lucros ou resultados juntamente com os segurados formalmente inscritos como empregados da recorrente; d) a suposta prestadora de serviço não possui outros segurados, todos os serviços são prestados diretamente pela titular A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: o segurado é empregado da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12259.000913/200849 Acórdão n.º 2301004.919 S2C3T1 Fl. 180 11 Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através da titular, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Outro fato, descrito ainda no relatório, demonstra a pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele sem o auxílio de outros empregados fornecidos pela sua suposta empresa. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004707/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado que não houve a omissão de rendimentos que motivou a autuação, deve ser excluída esta infração.
APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DECLARANTE COM MAIS DE 65 ANOS. COMPROVAÇÃO.
São isentos até o limite legal os proventos de aposentadoria pagos a contribuinte com 65 anos ou mais.
Declarante que comprova ter mais de 65 anos no ano calendário está albergado por esta isenção.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE E DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Somente são dedutíveis da DIRPF os dependentes definidos em Lei. Correta a glosa de dedução de dependente e respectivas despesas de instrução com Neta da qual o declarante não detém a guarda judicial.
Numero da decisão: 2202-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos de R$ 10.413,20.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO. Comprovado que não houve a omissão de rendimentos que motivou a autuação, deve ser excluída esta infração. APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DECLARANTE COM MAIS DE 65 ANOS. COMPROVAÇÃO. São isentos até o limite legal os proventos de aposentadoria pagos a contribuinte com 65 anos ou mais. Declarante que comprova ter mais de 65 anos no ano calendário está albergado por esta isenção. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis da DIRPF os dependentes definidos em Lei. Correta a glosa de dedução de dependente e respectivas despesas de instrução com Neta da qual o declarante não detém a guarda judicial.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.004707/2002-39
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5707043
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.739
nome_arquivo_s : Decisao_11080004707200239.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 11080004707200239_5707043.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos de R$ 10.413,20. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6702388
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950139781120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 221 1 220 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.004707/200239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.739 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRPF omissão de rendimentos Recorrente INDIO BRUM VARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO. Comprovado que não houve a omissão de rendimentos que motivou a autuação, deve ser excluída esta infração. APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DECLARANTE COM MAIS DE 65 ANOS. COMPROVAÇÃO. São isentos até o limite legal os proventos de aposentadoria pagos a contribuinte com 65 anos ou mais. Declarante que comprova ter mais de 65 anos no ano calendário está albergado por esta isenção. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis da DIRPF os dependentes definidos em Lei. Correta a glosa de dedução de dependente e respectivas despesas de instrução com Neta da qual o declarante não detém a guarda judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos de R$ 10.413,20. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 47 07 /2 00 2- 39 Fl. 221DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de auto de infração em face do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 1999, anocalendário de 1998, tendo sido exigido crédito tributário suplementar referente ao imposto sobre a renda de pessoa física, no valor de R$ 10.111,00, multa de ofício no valor de R$ 8.033,25 e juros de mora calculados até 31/03/2002. A infração apurada pela Fiscalização foi omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal no total de R$ 10.413,20, conforme informado em DIRF, dedução indevida da dependente Leilane da Silva Vargas e das despesas com instrução informadas no valor de R$ 1.700,00; glosa do valor de R$ 25.910,00 informado como despesa em livro caixa, por falta de comprovação e alteração na dedução do IRF, para inclusão do valor de R$ 42,38 relativo ao IRF sobre rendimentos recebidos da CEF. O Contribuinte apresentou impugnação alegando, em resumo, que o valor de R$ 10.413,20 foi declarado como provento de aposentadoria recebido do INSS. Que se a CEF declarou em DIRF este valor como seu rendimento, o fez de forma equivocada pois era mera repassadora dos proventos, face convênio existente à época. Que a CEF não paga proventos a seus aposentados, sendo essa uma atribuição da FUNCEF para aqueles que tem direito à complementação, que não é o seu caso. Afirma, ainda, que não detém a guarda judicial de sua neta Leilane, mas é ele quem suporta seus gastos e despesas com instrução. Junta documentos comprobatórios de suas despesas do livro caixa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou procedente em parte a impugnação, para aceitar a comprovação de parte das despesas do livro caixa, reduzindo o valor glosado de R$ 25.910,00 para R$ 8.644,43 e mantendo as demais exigências. Acórdão às fls. 180/185 dos autos, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. NETA. Somente poderá haver a dedução como dependente e das respectivas despesas com instrução da neta de quem o contribuinte detenha a guarda judicial. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11080.004707/200239 Acórdão n.º 2202003.739 S2C2T2 Fl. 222 3 ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Somente as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos anistiados políticos, civis ou militares, recebidas a partir de 29 de agosto de 2002, ó que são isentas do imposto de renda. APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MAIORES DE 65 ANOS. São isentos até o limite legal os rendimentos provenientes de aposentadoria, somente se o contribuinte tiver no mínimo 65 anos. Cientificado dessa decisão em 01/04/2010 (fl. 188), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19/04/2010 (fls. 189/192 e comprovante às fls. 212), no qual alega em síntese: prescrição do débito com base na súmula vinculante nº 8 do STF e na declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, articulados com o art. 173, I do CTN que explicitam o prazo de prescrição quinquenal; decadência do débito, face RE 560.626 do STF que fixou em cinco anos o prazo de decadência para lançamento de tributos; com relação ao ano de seu nascimento esclarece que houve erro na renovação de sua carteira de identidade na SSP pois em vez de constar o ano de 1928, constou 1938. Que constatou o erro também em sua carteira da OAB. Afirma que já tinha 70 anos no ano calendário de 1998; que requereu há mais de 15 anos a transformação de sua aposentadoria por tempo de serviço em aposentadoria especial de anistiado, já que teve o mandato eletivo cassado 20 dias após assumir a Câmara de Vereadores e suspensos seus direitos políticos por 10 anos; com relação à neta incluída como sua dependente, informa ser seu provedor e que houve somente um desconto de despesas escolares. Junta cópia de passaporte, CIC, certidão de nascimento e outros documentos para comprovar os equívocos em sua data e nascimento (fls. 202/204). Por fim pede a prescrição e o cancelamento da dívida objeto do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 223DF CARF MF 4 Da Preliminar A arguição de decadência ou de prescrição não merece guarida. A súmula vinculante nº 8 do STF e a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 dizem respeito às contribuições previdenciárias, cuja decadência até então era regida pela lei específica de custeio da Seguridade Social. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é aquele previsto no Código Tributário Nacional CTN. Em havendo pagamento antecipado do tributo (ainda que parcial), aplicase o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º do CTN); inexistente referido pagamento, ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I do CTN). O auto de infração em questão referese a Imposto sobre a renda de pessoa física , anocalendário de 1998, lavrado em 15/02/2002 (fls. 76), com ciência do sujeito passivo em 28/03/2002 (AR de fls. 132), portanto antes do decurso do prazo de cinco anos de que dispunha a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário. Nos termos do art. 174 do CTN, a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. O presente crédito tributário ainda pende de decisão definitiva, porquanto não ultrapassou todas as instâncias de julgamento administrativo. Por força do art. 151 do CTN, o crédito está com sua exigibilidade suspensa, face interposição do tempestivo recurso voluntário. Portanto, não assiste razão ao recorrente neste ponto. Do Mérito A decisão da DRJ não acolheu como isentos do IRPF os proventos de aposentadoria percebidos pelo contribuinte no ano de 1998 ao argumento de que ele não teria os 65 anos exigidos na legislação. Em sede recursal o interessado traz aos autos documentos que comprovam os equívocos em sua data e nascimento, donde se extrai que seu nascimento ocorreu em 1928. Os documentos merecem fé pois autenticados à vista dos originais. Portanto, o autuado contava com 70 anos no ano de 1998. A diligência solicitada pela DRJ com circularização de informações junto à CEF e o INSS (fls. 146/169), comprova que o contribuinte percebeu rendimentos de aposentadoria do INSS no ano de 1998 dos quais R$ 10.413,20 foram declarados em DIRF pela CEF. Como os proventos de aposentadoria foram integralmente declarados como percebidos do INSS, descabe a cobrança dos R$ 10.413,20 lançados como omissão de rendimentos percebidos da CEF. Esta informação, somada à idade do beneficiário dos rendimentos, leva à conclusão diversa daquela exarada na decisão da DRJ, pois o valor de R$ 10.413,20 foi declarado pelo contribuinte como proventos de aposentadoria e pode ser aceito como parcela isenta de aposentadoria de declarante com mais de 65 anos. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11080.004707/200239 Acórdão n.º 2202003.739 S2C2T2 Fl. 223 5 As glosas de deduções com dependente devem ser mantidas, visto não existir o vínculo legal de dependência entre o autuado e a neta. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos de R$ 10.413,20. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.909848/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório até o limite apurado em diligência.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.909848/2009-45
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5720388
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.605
nome_arquivo_s : Decisao_10855909848200945.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10855909848200945_5720388.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório até o limite apurado em diligência. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 23/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6750881
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950146072576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.909848/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.605 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2017 Matéria IRPJ Recorrente LAPONIA SUDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório até o limite apurado em diligência. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 98 48 /2 00 9- 45 Fl. 518DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase da não homologação de compensação cujo crédito se origina de suposto pagamento indevido/a maior do IRPJ, referente à 1ª quota do 1º Trimestre de 2006, recolhido em 28/04/2006, no valor de R$ 170.789,91 e cujo débito é do IRPJ relativo ao 1° Trimestre de 2008, vencido em 30/06/2008. Reiterase a reprodução elucidativa do relatório proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.113, constante às fls.78: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/48, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2007, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 449.183,37, referente ao 1° trimestre de 2006, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; b) no Doc 2, DCTF de março de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de junho de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento do IRPJ do 1° trimestre de 2006, 1a quota, no valor de R$ 170.789,91, recolhido em 28/04/2006; e) o PER/Dcomp referese à compensação de R$ Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10855.909848/200945 Acórdão n.º 1201001.605 S1C2T1 Fl. 3 3 24.442,68, relativo à diferença apurada de R$ 146.347,23 e o valor efetivamente pago de R$ 170.789,91, 1ª cota do IRPJ do 1° trimestre de 2006, compensando o saldo de R$ 30.712,23 (R$ 24.442,68 do crédito original acrescentado de R$ 6.269,55, referente à taxa Selic acumulada de 25,65%). Ao final, requer a homologação do crédito. É o relatório.” Na oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme representado pela seguinte ementa (fls. 77): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/04/2006 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Entendeuse que, apesar das informações contidas em DIPJ/2007, DCTF e DARF apontarem para o pagamento a maior do tributo, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar plenamente seu direito creditório, pois“ Tal fato, todavia, resumese à seara do indicio, vez que tanto as declarações, como o pagamento, são manifestações da própria contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita contábil e fiscal, não surtem o efeito desejado.”. Complementouse que “os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado”. Frisouse que a ora recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com este escopo. Votouse, então, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Fl. 520DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Em suma, o ora recorrente pugna pela prevalência do princípio da verdade material e pede vênia para a juntada de documentos contábeis que, “embora declarados necessários para comprovação da existência do crédito tributário em litígio, não foram requisitados pelo julgador de 1ª Instância, a despeito do que determina a legislação de regência”. Disto, conclui demonstrando o entendimento jurisprudencial do CARF afirmando a possibilidade de apresentação a qualquer tempo dos documentos como prova. Requer a procedência do recurso para que se proceda o cancelamento do lançamento fiscal resultante da negativa de provimento à impugnação apresentada. Resolução nº 1802000.250 – 2ª Turma Especial Houvese por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “ (...) para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às fls. 69 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ o montante de R$ 522.451,41, resultando em três cotas no montante de R$ 174.150,47, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. (...) Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220) de R$ 522.451,41 para o retificado de R$449.183,37 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 1° Trimestre, no valor de R$ 64.518,97 (Comprovantes de Rendimento fls. 137/145) e a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 8.749,06. (...) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10855.909848/200945 Acórdão n.º 1201001.605 S1C2T1 Fl. 4 5 Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que sejam apurados o montante de imposto de renda retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, bem como, seja atestado quanto ao valor utilizado como abatimento do IRPJ devido a título de PAT, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 64.518,97 e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 1° Trimestre de 2006, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal; A recorrente também deverá demonstrar o cálculo do montante utilizado a título de PAT, com os documentos que entender cabíveis a fim de satisfazer o alegado direito creditório no montante de R$ 8.749,06. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito Neste momento processual, a resolução da lide limitase a análise dos documentos presentes nos autos. Veja, a DRJ/RPO reputou a ausência de robustez do conjunto probatório como a causa principal para o não reconhecimento do crédito alvo da compensação, diante da total insegurança quanto a determinação de sua liquidez e certeza. Fl. 522DF CARF MF 6 O recorrente alega, em suma, que não fora provocado a apresentar sua documentação contábil de modo pormenorizado, mas o fez oportunamente quando da apresentação de seu recurso voluntário. Quanto ao oferecimento das provas neste momento processual, de fato, assiste razão o recorrente, sob a égide do princípio da verdade material. Afinal, o que se busca aqui, é a verdade dos autos, que será muito mais refinada conforme o maior número de evidências, indícios e provas forem colhidas. Devese percorrer, até o último instante processual, novos elementos capazes de formar a convicção do julgador, para que o atingimento da justiça seja pleno. Ademais, a Resolução nº 1802000.250 – 2ª Turma Especial do CARF determina a conversão do julgamento em diligência a fim de provocar uma análise aprofundada da documentação trazida aos autos, de modo inédito, e ainda instiga o contribuinte a trazer, especificamente, as notas fiscais que comprovem as retenções de IRRF e, no que concerne ao PAT deduzido, quaisquer provas capazes de demonstrar o cálculo do benefício fiscal gozado. Sem mais delongas, a fiscalização (SEORT), em atendimento ao pedido de diligência, intimou o contribuinte a apresentar os documentos e concluiu, após análise minuciosa, o seguinte: “(...) Requereu prorrogação de prazo para atendimento. Foi deferida. Atendeu parcialmente à intimação, apresentando “comprovantes de Informes de Rendimentos do 1º Trimestre de 2006”. Requereu novo prazo para apresentação de notas fiscais, pois seria “um grande montante de notas fiscais de todas as filiais e nosso arquivo morto fica em cada filial”. Foi mais uma vez atendido. Em nova manifestação, atendendo conjuntamente às intimações de nos. 27 e 28, o contribuinte apresentou Notas Fiscais de saída, justificandose, nos seguintes termos: “[...]não conseguimos levantar todos os documentos, pois alguns já foram descartados por já ter se passado o período de 5 anos.” Por um lapso, o contribuinte foi intimado a apresentar notas fiscais emitidas pelas fontes pagadoras. Com razão, não atendeu à intimação. Para atender plenamente à demanda do julgador, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo correlacionando as notas fiscais emitidas com os valores de retenção na fonte. Neste mesmo ato, foi lhe dada ciência de relatório com a relação das notas fiscais anteriormente apresentadas, inclusive mencionando que algumas se encontravam ilegíveis. Foi requisitada a apresentação das notas fiscais porventura ainda não disponibilizadas ou ilegíveis. Quanto aos comprovantes de retenção apresentados, estes foram confrontados com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) transmitidas pelas fontes pagadoras. Como resultado, temos que o valor total das retenções no primeiro trimestre de 2006, período sob análise, atingiu R$ 63.351,66. A diferença para o montante que se pretendia ser comprovado (R$ 64.518,97) referese a um comprovante de retenção emitido pela Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10855.909848/200945 Acórdão n.º 1201001.605 S1C2T1 Fl. 5 7 pessoa jurídica CONSORCIO NACIONAL VOLVO S/C LTDA, CNPJ 74.118.381/000144, no valor de R$ 1.167,31 para o mês de fevereiro de 2006, cujo beneficiário não é o contribuinte em foco mas sim a pessoa jurídica LAPONIA VEICULOS SOROCABA LTDA, CNPJ 45.040.789/000657. Em resposta à última intimação lavrada, o contribuinte relacionou as retenções ao número de notas fiscais emitidas. Como já relatado, na documentação anteriormente apresentada havia notas fiscais ilegíveis. Outras não foram encaminhadas. As informações prestadas foram confrontadas com as notas fiscais disponibilizadas. Como resultado, temos que, dos R$ 63.351,66 informados em DIRF, foram passíveis de verificação R$ 57.149,88 (neste valor estão relacionados os destaques em Notas Fiscais e as operações que não necessitam de emissão de tal documento, como rendimentos de aplicações financeiras). O detalhamento tanto do confronto dos comprovantes de retenção com as DIRF, quanto do confronto da informação prestada pelo contribuinte com as notas fiscais por ele apresentadas, pode ser verificado no demonstrativo “RETENÇÕES NA FONTE – 1ºTRIM 2006”, parte integrante desta Informação Fiscal. Já quanto ao valor informado a título de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o contribuinte apresentou planilha detalhando sua constituição (processo 10855.909848/200945: fls. 5023; 10855.909849/200990: fls. 5001; 10855.909852/200911: 5145; 10855.909870/200959: 4689). Porém, mesmo reintimado, não apresentou documentação comprobatória que a suportasse.(...)” Retrocedendo ao cerne da discussão levantada pela DRJ/RPO, de fato deve se ter como premissa que as documentações fiscais trazidas pelo recorrente são dotadas de presunção relativa de veracidade, ou seja, invertem o ônus probante para a fiscalização, mas, ressaltese, são passiveis de serem ilididas a qualquer tempo. O fisco demonstrou a inconsistência/insuficiência das informações e requereu o suporte contábil e comercial que atribuísse veracidade absoluta às informações ali declaradas pelo contribuinte. O contribuinte, por sua vez, teve a oportunidade de fazêlo e de fato o fez, em relação a uma parte significativa de seu direito creditório. Dito isto, peço vênia para adotar o racional norteado pela SEORT em sua análise como razão para decidir. Conforme já explanado no relatório, a diferença do valor constante em DCTF como devido para o tributo IRPJ de R$ 522.451,41 para o valor retificado de R$449.183,37, referese ao IRRF relativo ao 1° Trimestre, no valor de R$ 64.518,97 e a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 8.749,06. Tal informação tornase perceptível e clara a partir da análise da DIPJ/2007, evidenciando e atestando o Fl. 524DF CARF MF 8 aproveitamento do crédito de IRRF no 1º trimestre de 2006, bem como o gozo do benefício fiscal neste período. Especificamente quanto ao IRRF, a SEORT, primeiramente confrontou os valores contidos nos comprovantes de rendimentos com as DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras. Apurouse uma diferença de R$ R$ 1.167,31, o que culminou na suficiência do crédito de R$ 63.351,66. Ocorre que, em nova confrontação, agora das retenções com as notas fiscais emitidas e trazidas aos autos, apurouse nova diferença, que limitou o valor do crédito efetivamente comprovado no montante de R$ R$ 57.149,88 Veja, a condução da construção do conjunto probatório guiado pela fiscalização fora irretocável. Provocou a apresentação de documentos relacionados, mas de origens diversas, ou seja, trouxe aos autos tanto a escrituração contábil, quanto a comercial, as informações fiscais e ainda obteve meio de prova com o lastro de terceiro (DIRFs). Há total completude de informações, as quais, confrontadas, apontam para a validade de todas as informações trazidas pela SEORT e pelo reconhecimento do direito creditório em exatos R$ R$ 57.149,88. Superado este ponto, passase a análise da dedução do PAT. O recorrente, em resposta a intimação, trouxe uma memória de cálculo, às fls. 502 e 503. De fato, os cálculos ali realizados estão corretos: multiplicouse i) as quantidades de refeição realizadas pelo ii) custo médio das refeições, limitados a R$ 1,99, (resultado do custo máximo por refeição admitido para o cálculo do incentivo, R$ 2,49, menos a participação de 20% cobrável do trabalhador, ou seja, R$ 0,50). Somados todos os valores do período atingiu se o total de R$ 8749,06, que está dentro do limite legal para o aproveitamento do benefício fiscal de 4% do IRPJ apurado (15%, sem adicional, = 317.070,84*4%= 12682,83). Apesar dos cálculos estarem de acordo com a legislação, não fora possível apurar, com documentações concretas, a origem dos números, ou seja, a efetiva identificação da quantidade de refeições e o custo médio das mesmas. Mesmo sendo reiteradamente intimado para apresentar qualquer documentação que suportasse a memória de cálculo, o recorrente não o fez. Há total unilateralidade na comprovação trazida aos autos, razão esta que deve culminar na impossibilidade de reconhecimento dos valores deduzidos como PAT, no montante de R$ 8.749,06. Com a exclusão de apenas R$ 57.149,88, referente ao IRRF, o total de IRPJ efetivamente devido seria de R$ 465.301,52. Dividindo esse valor em três quotas iguais, atingirseia o valor de R$ 155.100,50 para cada quota. Subtraindo o valor da 1ª quota de fato paga, no total de R$ 170.789,91, pelo valor devido de IRPJ, haveria um crédito de R$ 15.689,41. Por fim, a atualização deste valor, aplicando o percentual de 25, 65%, acrescentaria a monta de R$ 4.024,33, para totalizar o crédito atualizado em R$ 19.713,74. O débito alvo da compensação, relativo ao 1º Trimestre de 2008, era de R$ 30.145,49. Resta patente que o crédito apurado é insuficiente na compensação do total do débito constante em PER/DCOMP. Conquanto, reconhecese o direito creditório no total de R$ 19.713,74, capaz de compensar parcialmente os débitos. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10855.909848/200945 Acórdão n.º 1201001.605 S1C2T1 Fl. 6 9 Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, CONCEDERLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo parcialmente o direito creditório do até o limite apurado em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 526DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721757/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. VERIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE
É dever daquele que paga ou credita qualquer valor a título de remuneração pelo trabalho, reter e recolher o imposto sobre a renda retido na fonte. A ausência de tal retenção e consequente recolhimento, implica na penalidade prevista na lei. É dever da autoridade lançadora comprovar que houve o pagamento ou creditamento do valor devido a título de remuneração.
Numero da decisão: 2201-003.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezzera que dava provimento parcial, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizaram sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687 e pela Fazenda Nacional, a Procuradora Raquel Godoy.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. VERIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE É dever daquele que paga ou credita qualquer valor a título de remuneração pelo trabalho, reter e recolher o imposto sobre a renda retido na fonte. A ausência de tal retenção e consequente recolhimento, implica na penalidade prevista na lei. É dever da autoridade lançadora comprovar que houve o pagamento ou creditamento do valor devido a título de remuneração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.721757/2011-59
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5690115
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.438
nome_arquivo_s : Decisao_16327721757201159.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 16327721757201159_5690115.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezzera que dava provimento parcial, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizaram sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687 e pela Fazenda Nacional, a Procuradora Raquel Godoy. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6666505
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950211084288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 738 1 737 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721757/201159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.438 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Recorrente BANCO VOTORANTIM S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. VERIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE É dever daquele que paga ou credita qualquer valor a título de remuneração pelo trabalho, reter e recolher o imposto sobre a renda retido na fonte. A ausência de tal retenção e consequente recolhimento, implica na penalidade prevista na lei. É dever da autoridade lançadora comprovar que houve o pagamento ou creditamento do valor devido a título de remuneração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezzera que dava provimento parcial, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizaram sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687 e pela Fazenda Nacional, a Procuradora Raquel Godoy. Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 57 /2 01 1- 59 Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 739 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1639.946 10a Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a sua impugnação. O lançamento em questão referese à multa isolada por falta de retenção ou recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF As infrações constatadas na ação fiscal e que deram ensejo à lavratura em tela foram minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal e podem, conforme excerto do relatório da decisão a quo, ser assim sintetizadas: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 68/76), foi realizada diligência na empresa Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA, CNPJ 01.170.892/000131, a fim de se verificar o motivo da desproporcionalidade dos lucros distribuídos aos sócios desta sociedade e eventuais reflexos tributários. Constatou a fiscalização que a Votorantim Corretora é uma sociedade limitada com os seguintes sócios: Banco Votorantim S/A (autuado), detentor de 99,98% das cotas do capital; EVO Empreendimentos e Participações LTDA, CNPJ 04.530.785/0001 65, detentor de 0,02% do capital. Observou que a EVO Participações é uma empresa cujos cotistas são diretores do Banco Votorantim e de outras empresas financeiras do grupo. Eleitos pela Assembléia do Banco Votorantim como diretores estatutários, passaram a figurar, pouco depois, como cotistas da EVO Participações, passando a receber dividendos desta, sendo que a única receita da EVO, no período fiscalizado, foi resultante da participação societária que possuía na Votorantim Corretora. Pelos fatos apresentados, concluiu a autoridade lançadora que: a) O Banco Votorantim S/A, no período fiscalizado, era uma sociedade anônima fechada, que tinha como principal acionista a Votorantim Finanças S/A com 99,94% do capital; b) O Banco Votorantim S/A resolveu ceder, no período de 2007 e 2008, R$60.861.266,00 de seus dividendos a que teria direito, pela sua participação na Votorantim Corretora, em favor da empresa EVO Participações; c) A empresa EVO Participações declarou, como receita na DIPJ, somente sua participação na Votorantim Corretora, cujos dividendos a que teria direito totalizariam R$14.234,00, no período de 2007 e 2008, não fosse a vontade "expressa do sócio" Banco Votorantim em transferir R$ 60.861.266,00 para a EVO. d) A EVO Participações tinha como sócios cotistas apenas diretores estatutários do Banco Votorantim S/A e outras empresas do ramo financeiro do grupo. Pouco tempo depois de eleitos como diretores, pela Assembléia da CIA, figuraram como Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 740 3 cotistas da EVO. Estes diretores não eram controladores do Grupo Votorantim. A EVO não prestou serviço algum ao Banco Votorantim, nem tampouco à Votorantim Corretora; e) Os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora foram pagos na mesma época, ou próxima, da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) atribuído aos empregados; f) Ficou evidente que a "expressa vontade" do Banco Votorantim S/A, ao ceder seus dividendos, objetivou gratificar seus diretores pelo trabalho e os lucros que estes geraram para este grupo financeiro, e não fazer simplesmente uma doação à empresa EVO, que não contribuiu em nada para o resultado obtido, a não ser receber os dividendos desproporcionais e repassar aos cotistas pessoas físicas diretores do Banco Votorantim. Cientificado do acórdão da DRJ em 11/07/2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/08/2012, alegando, em síntese, que: A decisão da primeira instância é nula, nos termos do artigo 146 e 149 do CTN, uma vez que o acórdão aprimorou o auto de infração ao tratar o abuso de direito, previsto no TVF, como abuso de forma. É nulo o auto de infração por ser baseado em presunções, além de o Auditor Fiscal não ter citado qual o dispositivo infringido pela conduta do recorrente. Não há prova sobre o cometimento de qualquer ato ilícito. É ilegal a inversão do ônus da prova proposta pelo fisco, uma vez que cabe a quem acusa comprovar o alegado, sendo o auto de infração baseado apenas em “achismo”. Não cabe ao recorrente provar que não se enquadra nas teses levantadas pela RFB. A sua ampla defesa foi prejudicada, uma vez que não encontra motivação ou fundamento jurídico para rebater, não tendo conhecimento do que realmente está sendo acusado. A distribuição desigual de lucros é plenamente regular, pois está prevista no Contrato Social da Votorantim Corretora, além de não encontrar qualquer barreira legal para o referido repasse. É arbitrária a decisão da DRJ que não considerou a vontade das partes como suficiente para provar o motivo da distribuição desigual. A EVO Participações Ltda detinha papel importante no conglomerado econômico, fato que justifica a distribuição de lucros desigual. Nem todos os cotistas da EVO participações Ltda são diretores da recorrente, sendo necessário que todos os cotistas da EVO sejam diretores da recorrente para comprovar a tese defendida pela RFB. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 741 4 Colacionou julgado do CARF à fl. 519, onde afirma que o fisco não pode alegar abuso de direito quando as ações do contribuinte estão de acordo com as previsões legais, tratandose de planejamento tributário. Não ocorreu simulação, e caso assim se considere, cabe ao fisco provar tal fato. Colaciona outros julgados do CARF às fls. 531 e 532. Caso o objetivo fosse realmente gratificar os diretores, teria considerado os valores como remuneração para serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Houve equívoco por parte da instância de piso em considerar que as gratificações pagas diretamente não seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, uma vez que os diretores são empregados e suas gratificações plenamente dedutíveis, sendo mais vantajoso pagar a gratificação diretamente. Não deveria estar no polo passivo do presente processo, uma vez que não existe obrigação tributária. Os valores pagos aos cotistas da EVO participações que não são diretores da recorrente não podem compor a base de cálculo da multa e do juros isolados. Não deve haver a aplicação de juros moratórios sobre a multa de ofício. Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração nos termos dos argumentos acima. Após ciência das razões recursais, a PGFN apresentou contrarrazões aduzindo, em síntese, que: A interpretação literal proposta pela recorrente não é a melhor forma de fazer justiça no caso concreto. Devendo ser feita através do sentido implícito de cada norma em consonância com os princípios constitucionais. A mera legalidade, por si só, não enseja a validade dos atos, uma vez que os mesmos, embora legais, não representam o real sentido das normas. A recorrente não apresentou qualquer critério para a distribuição desigual, apenas a “vontade do sócio majoritário”. O conjunto fático leva a conclusão de que a distribuição desigual objetivou, na verdade, gratificar os diretores da recorrente sem o pagamento dos tributos devidos. Qualquer direito é limitado, não podendo o direito de autoorganização validar atos que, embora lícitos, não cumprem o fim para qual foram realizados, objetivando apenas a redução da carga tributária. A renúncia do lucro sem qualquer motivo vai contra todos os fins empresariais. A decisão da DRJ não é nula, uma vez que os fatos analisados foram os mesmos, tanto pelo Auditor, como pela DRJ, mudando apenas os termos. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 742 5 A melhor interpretação da lei garante a aplicação de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Considerações Iniciais Os fatos geradores objeto do presente lançamento já foram discutidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por ocasião da análise da incidência de contribuições sociais previdenciárias, nos termos do acórdão 230004.133, da 3ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, da lavra do Conselheiro Mauro José Silva. Preliminarmente Da nulidade da decisão recorrida. Inocorrência A recorrente pugna pela nulidade da decisão de piso alegando que houve inovação no acórdão ao tratar o abuso de forma previsto no TVF como abuso de direito. Acerca da nulidade preceituam os artigos 59 e 60, do Decreto 70235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (…) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nos termos da legislação acima colacionada, não vislumbro qualquer motivo para a nulidade do acórdão da DRJ. Em julgamento consubstanciado no acórdão 10421.675, este Conselho, através da relatoria de Nelson Malmann admite a confusão entre os conceitos de abuso de direito e abuso de forma: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 743 6 "A teoria do abuso de direito conduziu à noção de abuso de forma, figuras intimamente relacionadas, e por vezes utilizadas como sinônimos." Assim, temse o abuso de forma como espécie do abuso de direito, razão pela qual não procede o argumento da recorrente de que o Acórdão a quo teria inovado em seus argumentos ao tratar o caso como abuso de direito ao passo que a fiscalização falou em abuso de forma. Cumpre ressaltar que, independente do título, os fatos avaliados para a lavratura do auto de infração foram os mesmos utilizados no julgamento do acórdão de piso, portanto, não deve prosperar a tese de inovação trazida pela recorrente, devendo, pois, ser afastada a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. Da nulidade do auto de infração. Inocorrência É mister se ter em mente que a presente lide versa sobre fatos que violaram o sentido da lei, e não a sua literalidade. Ainda sobre as nulidades, a recorrente aduziu a nulidade do Auto de Infração, basicamente por não restar comprovado qualquer ato ilícito, o que prejudica a sua defesa e faz do ato, um ato baseado apenas em “achismo”. Insta salientar, contudo, que em princípio a ausência de uma afronta direta à lei não prejudica a defesa, uma vez que o sujeito passivo se defende dos fatos e não de artigo da lei. Nesse sentido é o entendimento deste Conselho, nos termos do julgado abaixo: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa. (Nº Acórdão: 3202000.450, Data da Sessão: 28/02/2012, Segunda Câmara/Terceira Seção De Julgamento) Os fatos que infringiram o sentido da lei estão presentes no Auto de Infração e foram amplamente debatidos pela contribuinte, DRJ e PGFN. Portanto, não vislumbro qualquer prejuízo à defesa da recorrente capaz de acarretar a nulidade do Auto de Infração. Legitimidade do polo passivo Insta salientar que, ao contrário do alegado pela recorrente, existe liame subjetivo entre os fatos apontados e o sujeito passivo, uma vez que a distribuição desigual dos lucros está sendo encarada como pagamentos feitos pela recorrente, daí a legitimidade de sua inclusão no polo passivo do presente procedimento. Mérito O ponto fulcral da presente lide gira em torno da análise da distribuição desigual de lucros entre a Evo participações e o Banco Votorantim, buscandose conhecer se houve ou não afronta ao sentido da lei. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 744 7 O presente caso é um exemplo típico de situação que a recorrente pretende seja reconhecida a prevalência da forma, sob a perspectiva da autoorganização, em relação à substância econômica , empresarial ou extratributária. Porém, tal enfoque não é mais aceitável após a Constituição de 1998, conforme podemos observar das lições de Marco Aurélio Greco em excelente artigo no qual o autor, para criticar o formalismo no Direito Tributário, faz imperdível escorço histórico sintético a respeito de como o tema do planejamento tributário foi e vem sendo tratado na doutrina e na jurisprudência administrativa: "(...), a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias que, com propriedade, foram consideradas meramente "de papel". A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de auto organização ao surgimento de "montagens jurídicas" sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária." ( Cf. GRECO, Marco Aurélio. Crise do formalismo no Direito Tributário brasileiro. Revista da PGFN. Ano I, Número ,I, 2011, p. 14) Os conceitos de abuso de forma e de direito são amplamente debatidos no mundo jurídico, conforme doutrina a seguir: "...negócios jurídicos que não tenham nenhuma causa real distinguível, a não ser sua finalidade tributária, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo." ( Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 153). É pacífico o entendimento deste Conselho no sentido da invalidez dos negócios abusivos com o fim exclusivo de reduzir a carga tributária. Na jurisprudência deste CARF encontramos exemplo de casos nos quais houve requalificação jurídica dos fatos ao se verificar que a forma não se mostrava coerente com os objetivos buscados. Vejamos: Acórdão 10421.675 SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 745 8 conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. O enfoque dado pelo Acórdão a quo na noção de abuso de direito que, segundo a recorrente, seria uma inovação em relação ao que havia sido anotado pela fiscalização abuso de forma não é capaz de gerar nulidade do julgamento de primeira instância, uma vez que a própria doutrina confunde os conceitos, tratandoos até mesmo o primeiro, abuso de direito, como gênero que engloba o segundo, abuso de formas. Nesse sentido a lição de Ricardo Lobo Torres: "O problema fundamental a se examinar e o da distinção entre a simulação e o abuso de direito, neste compreendidas as suas diversas espécies (fraude à lei, ausência de propósito mercantil, abuso de forma, dissimulação do fato gerador abstrato etc.)" (Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Planejamento tributário elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier: 2012, p. 126) Independente da capitulação dada aos fatos, o que temos é um conjunto de atos, em princípio legais, mas que quando analisados em conjunto caracterizam abuso, por visarem apenas a redução da carga tributária, não realizando o seu fim sócioeconômico. Neste sentido, vale trazer à baila os ensinamentos de Hermes Marcelo Huck: "(…) o uso de formas jurídicas com a única finalidade de fugir ao imposto ofende a um sistema criado sobre as bases constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 328) " (...) uma relação jurídica sem qualquer objetivo econômico, cuja única finalidade seja de natureza tributária, não pode ser considerada como comportamento lícito." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 329) (…) ainda que o comportamento do contribuinte se apresente permeado num negócio permitido pelo direito privado, o fim nele perseguido poderá ser considerado ilícito se a forma jurídica adotada visar tão só a burla da norma tributária." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 41) No caso que se cuida temos uma empresa detentora de 0,02% da sociedade (Evo Participações), ficando com 75% do lucro, enquanto a empresa detentora dos outros 99,08% ficou com apenas 25% do lucro. Tal fato, por si só, gera uma estranheza, tendo em vista que não é comum uma empresa ceder tanto dos seus lucros, sem uma contraprestação aparente. Em uma análise mais apurada, constatase que os diretores do Banco Votorantim Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 746 9 compõem a maior parte dos cotistas da Evo Participações. A cessão de lucros ocorreu na mesma época ou próxima da participação dos lucros, o que o que aponta para a intenção de gratificar os diretores. Os fatos acima narrados têm aparência de legalidade, porém, quando se correlacionam, depreendese que visam única e exclusivamente a redução da carga tributária. Registrese que a forma como a distribuição e o pagamento foram feitos deixaramo fora do campo de incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte e da contribuição previdenciária. Tais pagamentos, também, não são dedutíveis no IRPJ, nos termos do artigo 303, do Decreto 3.000/99, abaixo transcrito: Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3º, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Como dito alhures, os atos têm aparência de legalidade, porquanto baseados na literalidade da lei, porém, quando analisados em conjunto perdem a sua licitude, por não exercerem o seu fim econômico ou social, nos termos do dispõe o art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Cumpre ressaltar que o dispositivo legal supra transcrito enquadrase perfeitamente nos conceitos de abuso de direito ou abuso de forma, uma vez que ambos os institutos constituemse em atos legais, porém, com descumprimento de sua finalidade. Destarte, se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de outro, então o negócio formalizado é um ato ilícito que não tem reconhecido seus efeitos tributários. Nesse caso, correta a requalificação jurídica dos fatos realizada pela fiscalização. Dos sócios de outras empresas Assiste razão ao recorrente quanto ao seu pedido da retirada dos valores pagos aos sócios da Evo que não são diretores da recorrente, uma vez que as empresas as quais fazem parte não foram fiscalizadas. Desse modo, devem ser expurgados os valores pagos aos sócios da Evo e que não figuram como diretores do Banco Votorantim. Incidência do juros de mora ao total do crédito tributário Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 747 10 Acerca da aplicação do juros de mora sobre a multa, prevê a súmula número 5 do CARF: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A referida súmula, assim como os julgados abaixo transcritos sanam qualquer dúvida quanto a validade da aplicação do juros de mora a multa aplicada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 748 11 Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. (destaquei). (Acórdão 1402002.065, relatoria de Leonardo de Andrade Couto). De todo o exposto, não prospera o argumento do recorrente quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para a exclusão dos valores pagos aos sócios da empresa EVO que não são diretores da recorrente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese o costumeiro acerto do ilustre Relator, ouso, com o máximo respeito, dele discordar. Não se pode admitir o lançamento como efetuado. Explico. Tratase de lançamento tributário de imposto de renda retido na fonte, logo mister algumas considerações sobre o tema. Cediço que o imposto sobre a renda incide sobre aquilo que a lei, e somente ela, define como renda. Tal afirmação peremptória, em que pese a inúmera doutrina sobre tal conceito, decorre da simples determinação constitucional que a somente a lei complementar disporá sobre os fatos geradores, base de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados na Carta da República (artigo 146, III, "a"). Tal missão coube ao Código Tributário Nacional, que explicitou no artigo 43: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." (negritamos) Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 749 12 Inegável, portanto, exceto por aqueles que constroem teorias apartadas do direito constitucional e do direito positivo, que o imposto sobre a renda incide sobre o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Simples assim! Ora, da definição acima cabe a inferência direta: contribuinte do imposto é aquele que aferiu renda, por ter incidido no fato gerador. Correto, mas não só esse. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Desse ponto não pode, no tributo em tela, a Autoridade Lançadora se afastar. Cediço que o lançamento tributário deve, sob pena de incidir em vício, respeitar as disposições codicistas e também as constantes na lei de regência do procedimento fiscal federal, Decreto nº 70.235/72. São disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional quanto aos requisitos do lançamento de ofício, que a Autoridade Administrativa: verifique a ocorrência do fato gerador, identifique o sujeito passivo, determine a matéria tributável, quantifique o tributo devido e, quando for o caso, aplique a penalidade cabível. Tais determinações praticamente se repetem no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 750 13 Vejamos como procedeu, quanto à identificação do sujeito passivo o Auditor Fiscal autuante (fls. 68 e seguintes): Através do MPF 0816600.2010.00553 , proposto pelo setor de programação desta DEINF, foi realizada diligência na empresa Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA , CNPJ 01.170.892/000131 , a fim de se verificar o motivo da desproporcionalidade dos lucros distribuídos aos sócios desta sociedade e eventuais reflexos tributários. 2.2 A Votorantim Corretora é uma sociedade limitada cujos sócios são as empresas: Banco Votorantim S/A : detentor de 99,98% das cotas do capital; EVO Empreendimentos e Participações LTDA , CNPJ 04.530.785/000165 : detentor de 0,02% do capital. 2.3Não obstante os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora se deram da seguinte forma nos anos calendários 2007 e 2008: valores em reais 2.4 Verificouse que a empresa EVO Participações é uma empresa cujos cotistas são diretores do Banco Votorantim e de outras empresas financeiras do grupo . Eleitos pela Assembléia do Banco Votorantim 2.5 Diante desse quadro a Votorantim Corretora foi intimada a discriminar os valores pagos aos sócios cotistas da sociedade e esclarecer o motivo da distribuição desproporcional dos lucros 75% para EVO Participações detentora de 0,02% das cotas; 25% para o Banco Votorantim detentor de 99,98% das cotas . 2.6 Em resposta a esta intimação o contribuinte discriminou os valores e datas dos pagamentos a título de distribuição de lucros para cada cotista , conforme descrito acima noitem 2.3 deste Termo de Verificação Fiscal. Segue a resposta afirmando "que a Fiscalizada,além de possuir amparo em expressa disposição do seu contrato social para a distribuição desproporcional de seus lucros, também possui respaldo legal nos artigos 1.007 e 1.008 doCCB, que tratam da distribuição de lucros aos sócios. " Cita ainda em seu favor Solução deConsulta n° 92/02 da 7a. Região fiscal e jurisprudência administrativa fiscal Acórdão n°10613305 do antigo Conselho de Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 751 14 Contribuintes , cujos pareceres e decisões "caminham no sentido do reconhecimento da possibilidade de distribuição desproporcional de lucros entreos sócios, desde que o Contrato social franqueie aos sócios tal possibilidade. " 2.7A Votorantim Corretora finaliza a resposta afirmando "que realizou a distribuição desproporcional de seus lucros, no período de 01.06 a 12.09, por expressa vontade de seus sócios, devidamente consignada nas atas de reuniões de sócios anexas à presente, com basena faculdade prevista no parágrafo segundo da Cláusula 8a. , do seu Contrato Social, que encontra fundamento leal nos artigos 1.007 e 1.008 do CCB. " (...) 2.11Pelos fatos apresentados podese concluir: a)O Banco Votorantim S/A , no período fiscalizado , era uma sociedade anônima fechada, que tinha como principal acionista a Votorantim Finanças S/A com 99,94%do capital; b) O Banco Votorantim S/A resolve ceder , no período de 2007 e 2008, R$ 60.861.266,00 de seus dividendos a que teria direito, pela sua participação na Votorantim Corretora, em favor da empresa EVO Participações; c) A empresa EVO Participações declara na DIPJ como receita somente sua participação na Votorantim Corretora , cujos dividendos a que teria direito totalizaria R$ 14.234,00 no período de 2007 e 2008, não fosse a vontade "expressa do sócio" Banco Votorantim em transferir R$ 60.861.266,00 para EVO. d)A EVO Participações tem como sócios cotistas apenas diretores estatutários doBanco Votorantim S/A e outras empresas do ramo financeiro do grupo. Quando eleitos pela Assembléia da CIA como diretores, pouco tempo depois figuram comocotistas da EVO. Estes diretores não são controladores do Grupo Votorantim. A EVOnão prestou serviço algum ao Banco Votorantim nem tampouco a VotorantimCorretora; e) Os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora são pagos na mesma época, ou próxima, da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) atribuído aos empregados; f) Fica evidente que a "expressa vontade" do Banco Votorantim S/A , ao ceder seus dividendos, objetivou gratificar seus diretores pelo trabalho e os lucros que estes geraram para este grupo financeiro, e não fazer simplesmente uma doação à empresa EVO , que não contribuiu em nada para o resultado obtido , a não ser receber os dividendos desproporcionais e repassar aos cotistas pessoas físicas diretores do Banco Votorantim. 2.12Caso o Banco Votorantim S/A não se utilizasse da pessoa jurídica da EVO para gratificar seus administradores , e o fizesse através das folhas de pagamento, não se consideraria desonerado do recolhimento das contribuições previdenciárias e Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 752 15 da retenção imposto na fonte do beneficiário da gratificação como rendimento do trabalho. Além disso, o Banco Votorantim não poderia aproveitar esta despesa (gratificação a diretores) como dedutível conforme legislação do Imposto de Renda (IR). Notase que a tributação sobre gratificações a administradores é bastante onerosa para quem paga e para quem recebe. Ressalte se que nas competências 03/2008 e 09/2008 valores pagos a título de gratificações a estes mesmos diretores figuraram nas folhas de pagamento, sendo que a empresa declarou e recolheu todos tributos incidentes regularmente , considerando corretamente estas remunerações variáveis como não dedutíveis para efeito de IR." A leitura atenta do trecho extraído do relatório fiscal demonstra inequivocamente que a multa aplicada pelo Fisco decorre da ausência de retenção do imposto sobre a renda incidente na visão da Autoridade Lançadora sobre valores pagos a título de remuneração. Em que pese a discussão sobre o mérito da questão, enfrentada no voto do ilustre Relator, o que me causa profunda estranheza é a imputação dessa multa decorrente do descumprimento do dever de efetuar a retenção do imposto sobre a renda da pessoa física àquele que não pagou, não transferiu, não determinou a transferência, não se apropriou do valor que supostamente, repito foi entregue a terceiro. Efetivamente um sujeito passivo, na exata acepção do adjetivo passivo segundo o Houaiss, aquele sem iniciativa, indiferente posto que nada, repito nada fez com relação à obrigação tributária surgida com o pagamento de uma renda a outrem. Recordemos o comando legal, artigo 7 da Lei 7.713/ Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. § 1º O imposto a que se refere este artigo será retido por ocasião de cada pagamento ou crédito e, se houver mais de um pagamento ou crédito, pela mesma fonte pagadora, aplicarseá a alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos ou creditados à pessoa física no mês, a qualquer título. Ora, a simples leitura do dispositivo legal é suficiente para inferirse que o imposto sobre a renda retido na fonte é devido por aquele que paga ou credita o rendimento. Simples assim! Voltemos à imputação fiscal: 2.19A multa aplicada neste Auto de Infração referese a falta de retenção por parte do contribuinte do Imposto de Renda Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 753 16 relativo a estas gratificações atribuídas aos administradores , cujos pagamentos ocorreram através da distribuição de lucros cedidos pelo Banco Votorantim à EVO Participações caracterizados nesta fiscalização como rendimento do trabalho excluindo destes valores os 0,02% das cotas de capital que a EVO teria direito como cotista. A base de cálculo utilizada está na planilha no anexo I deste Termo denominado Base de Cálculo Multa e Juros Isolados, cujos dados foram fornecidos pelo contribuinte" Claríssima a confusão realizada pela Autoridade Lançadora. Quem é o contribuinte? Quem aferiu o lucro e realizou a distribuição que no entender da Fiscalização se deu de forma errônea ou aquele que teria direito a essa participação e dela abriu mão? Verifico, com base no documento acostado às folhas 11 a 1, que o contribuinte mencionado no último parágrafo da transcrição acima é a Votorantim Corretora, que efetivamente distribuiu os lucros. Ora, pelo exposto pelo Auditor Fiscal em seu relatório, quem deixou de receber a participação, o Banco Votorantim, é o Contribuinte, posto que ele reitero na tese esposada pelo Fisco foi que remunerou seus diretores com esse valor. A prevalecer esse entendimento, esposado não só pela Autoridade Lançadora, como também pela decisão de piso e pelo Relator, o trânsito desses valores nunca, reitero, nunca passou pelo Contribuinte, Banco Votorantim. Por óbvio, que não poderia ser a este, que efetivamente foi passivo, indiferente, sem relação nenhuma com esse pagamento, imputada multa por descumprimento de uma obrigação tributária decorrente do pagamento ou creditamento de valores, que como visto, não ocorreu. Sobre o tema, com razão, assim se manifesta o Recorrente (fls 511): "Dessa breve explanação, já salta aos olhos que a D. Autoridade fiscal, além de fazer de tábua rasa todo ordenamento pátrio, ignora a inexistência de relação jurídicotributária que seja hábil à formação da prestação exacional ora exigida e, ainda, forçosamente coloca a Recorrente no pólo passivo dessa inexistente obrigação, tudo para tentar justificar seu ânimo arrecadatório. Ora, D. Julgadores, como pode a Recorrente ser sujeito passivo de obrigação inexistente? Oom isso, vêse que o raciocínio da D. Autoridade Administrativa não fecha, isto é, seus argumentos não justificam, nem forçosamente, o lançamento fiscal ora impugnado. Pelo contrário, a cada ponto do AI que se analisa, agravase a sua insubsistência. Portanto, claro está que a Recorrente não poderia figurar no pólo passivo da exigência pretendida, por ausência da necessária subsunção tributária, do que decorre mais uma insubsistência evidente do AI, que impõe o seu Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 754 17 cancelamento, reformandose integralmente o acórdão ora recorrido." (grifei) Importa ressaltar que não há nem na imputação fiscal, nem nas decisões proferidas nenhum afastamento do fluxo financeiro ocorrido, ou seja, não se discute que os valores foram efetivamente pagos na visão do Recorrente a título de distribuição de lucros, na opinião do Fisco, a título de remuneração disfarçada de diretores pela empresa que auferiu o lucro, ou seja, pela Votorantim Corretora. Ao longo de todo o Relatório Fiscal, seja na parte da descrição fática (com os trechos relevantes acima reproduzidos), seja no direito aplicável (fls 73 e seguintes), não há uma única linha que descreva que o fluxo financeiro ocorrido tenha tido a participação da Recorrente, sujeito passivo eleito pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento tributário. No mesmo sentido da exata delimitação da relação do responsável com o fato tributário, caminha a doutrina. Comentando sobre a importância da correta identificação do sujeito passivo como responsável tributário e os limites de sua eleição pelo legislador, Maria Rita Ferragut (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, Noeses, pg 37), esclarece: "Esses limites fundamentamse na Constituição e são aplicáveis com a finalidade de assegurar que a cobrança do tributo não seja confiscatória e atenda a capacidade contributiva, pois, se qualquer pessoa pudesse ser obrigada a pagar tributos por conta de fatos praticados por outras, com que não detivesse qualquer espécie de vínculo (com a pessoa ou com o fato), o tributo teria grande chances de se tornar confiscatório, já que poderia incidir sobre o patrimônio do obrigado e não sobre a manifestação de riqueza ínsita ao fato constitucionalmente previsto. Se o vínculo existir, tornase possível a preservação do direito de propriedade e do não confisco" Mister realçar: o imposto sobre a renda na fonte é devido pela pessoa jurídica que paga ou credita a renda ou provento à pessoa física. Somente a fonte pagadora, somente que pagou ou creditou a renda à pessoa física, por ter acesso a grandeza tributável a renda auferida é que não irá dispor de seu patrimônio para arcar com o tributo devido por outrem. Não se pode admitir a imputação da multa pela ausência da retenção do IRPF àquele que não pagou ou creditou renda ou provento de qualquer natureza à pessoa física, posto que não estava obrigado a tal retenção. Com essa constatação, mister reconhecer o vício no lançamento tributário, vício de natureza material, posto que não houve a verificação do fato gerador tributário, uma vez que não houve pagamento ou creditamento de renda ou proventos de qualquer natureza pelo sujeito eleito como passivo pela Autoridade Lançadora. Conclusão Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.721757/201159 Acórdão n.º 2201003.438 S2C2T1 Fl. 755 18 assinado digitalmente Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720177/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS.
Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito da PIS e COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte.
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS. Uma vez que os produtos vendidos pelas cooperativas agroindustriais para a Recorrente sofreram incidência do PIS e da COFINS, às alíquotas regulares (artigos 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.883/03), há que se admitir o creditamento, a fim de preservar o princípio da não-cumulatividade.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar a glosa dos créditos por aquisições de mercadorias por cooperativas, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas a relatora e a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que negavam provimento aos créditos de aquisições de mercadorias por cooperativas. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira para redação do voto vencedor.
Fez sustentação oral o Dr. Flavio de Hara Sanches, OAB/SP 192.102.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito da PIS e COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS. Uma vez que os produtos vendidos pelas cooperativas agroindustriais para a Recorrente sofreram incidência do PIS e da COFINS, às alíquotas regulares (artigos 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.883/03), há que se admitir o creditamento, a fim de preservar o princípio da não-cumulatividade. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10845.720177/2010-28
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713173
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.200
nome_arquivo_s : Decisao_10845720177201028.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10845720177201028_5713173.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar a glosa dos créditos por aquisições de mercadorias por cooperativas, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas a relatora e a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que negavam provimento aos créditos de aquisições de mercadorias por cooperativas. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira para redação do voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Flavio de Hara Sanches, OAB/SP 192.102. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6723121
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950220521472
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-22T11:26:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-22T11:26:25Z; Last-Modified: 2017-03-22T11:26:25Z; dcterms:modified: 2017-03-22T11:26:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:84bde6c5-3f38-44f4-a763-a7f83a298793; Last-Save-Date: 2017-03-22T11:26:25Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-22T11:26:25Z; meta:save-date: 2017-03-22T11:26:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-22T11:26:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-22T11:26:25Z; created: 2017-03-22T11:26:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2017-03-22T11:26:25Z; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-22T11:26:25Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.720177/201028 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.200 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente Outspan Brasil Importação e Exportação Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito da PIS e COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS. Uma vez que os produtos vendidos pelas cooperativas agroindustriais para a Recorrente sofreram incidência do PIS e da COFINS, às alíquotas regulares (artigos 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.883/03), há que se admitir o creditamento, a fim de preservar o princípio da nãocumulatividade. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar a glosa dos créditos por aquisições de mercadorias por cooperativas, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas a relatora e a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que negavam provimento aos créditos de aquisições de mercadorias por cooperativas. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira para redação do voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Flavio de Hara Sanches, OAB/SP 192.102. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 77 /2 01 0- 28 Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 11 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A empresa pleiteou o ressarcimento de Cofins exportação relativo ao 1º trimestre de 2008 no montante de R$ 4.368.570,19. Houve a desconsideração dos créditos pleiteados, pois a auditoria acusou que os créditos do café teriam sido adquiridos de pessoas físicas e não de pessoas jurídicas (noteiros), afirmação que teve por base as operações Tempo de Colheita, Broca e Robusta. A auditoria apontou também a glosa de créditos em razão de não incidência da contribuição na aquisição de cooperativas. Em apertada síntese, as lides neste processo administrativo são as seguintes: a existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS/Cofins, a comprovação da participação da Recorrente nesse esquema, a glosa de créditos em razão de não incidência da contribuição na aquisição de cooperativas e a atualização monetária do montante de ressarcimento. A 14ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão nº 1455.998, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 12 3 Acolho o relatório da decisão recorrida para análise dos pormenores do caso em comento: Em 31/10/2008 a contribuinte já identificada nos autos apresentou Pedido de Ressarcimento de Cofins exportação relativo ao 1º trimestre de 2008 (fls. 05/07 – a numeração referese sempre à da versão digitalizada dos autos) no montante de R$ 4.368.570,19. Ao direito de crédito solicitado, a contribuinte vinculou declarações de compensação (fls. 08/94). Pedidos de ressarcimento em relação ao crédito de PIS e Cofins exportação também foram apresentados pela contribuinte em relação a outros trimestres de apuração, cujo direito de crédito pleiteado foi igualmente utilizado em declarações de compensação. Consta dos autos que a interessada, julgando excessiva a demora da Administração na apreciação do pleito, impetrou Mandado de Segurança (processo nº 00057791.2011.4.03.6104) tendo obtido decisão (fl. 104) que determinou à autoridade fiscal a adoção das providências necessárias para análise e apreciação dos pedidos de ressarcimento no prazo de noventa dias. Diante da medida judicial, abriuse procedimento fiscal para apurar o direito creditório pleiteado e a possibilidade de ressarcimento. Às fls. 550/553, a autoridade responsável juntou o Termo de Encerramento de Ação Fiscal relatando o resultado dos trabalhos de auditoria. Registrou diversas inconsistências verificadas nos arquivos digitais apresentados pela contribuinte, entre esses e as notas fiscais analisadas por amostragem. Também anotou a fiscalização que a interessada deixou de exibir a documentação exigida pela fiscalização a fim de aferir as aquisições que teriam gerado os créditos pleiteados. Acrescentou serem conhecidos fatos gravíssimos envolvendo fraudes no mercado de café como fora amplamente divulgado pela imprensa, com a constatação da interposição artificiosa de empresas noteiras com o fim de gerar créditos inflados de PIS e de Cofins, o que justificaria a necessidade da apresentação dos documentos solicitados desde o início dos trabalhos de auditoria. A autoridade sublinha que: Antes de conceder os créditos pleiteados, há que se verificar se os negócios ocorreram mesmo, se existem os fornecedores e outras investigações, por isso, após a apresentação de um arquivo digital que espelhe com exatidão os valores pleiteados nas PER/DCOMP citados há que se verificar com a comprovação da entrega do produto e os efetivos pagamentos, além de outras diligências junto a intermediários e fornecedores para verificar em que condições ocorreram os negócios. Dos 875 fornecedores pessoas jurídicas, 91 NÃO ESTÃO ATIVOS, ou seja: ou são empresas INAPTAS, ou INATIVAS, ou SUSPENSAS. Tais fornecedores correspondem a 25% do crédito pleiteado. Além disso, dos fornecedores remanescentes, mais de 50% não tiveram nenhum recolhimento de PIS e Cofins. Se não recolheram nada, como podem ter vendido o produto com a incidência da contribuição gerando direito a crédito para o contribuinte? Antes de se conceder os créditos pleiteados há que se ter a certeza da existência e, em que condições se deram os negócios efetuados. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 13 4 Diante disso e da impossibilidade de prosseguimento da auditoria por força da sentença exarada no Mandado de Segurança nº 0000577.91.2011.4.03.6104, que estabelece um prazo de 90 (noventa) dias para a apreciação das PER/DCOMP acima mencionadas, encerro a presente fiscalização sem uma conclusão a respeito da liquidez e certeza dos créditos postulados nas PER/DCOMP. Os autos foram então encaminhados ao Serviço de Orientação e Análise Tributária para prosseguimento. Aquele Serviço, por seu turno, pronunciouse no despacho decisório de fls. 573/577, não reconhecendo o direito de crédito pleiteado e não homologando as compensações vinculadas tendo em vista a impossibilidade de apreciação conclusiva da procedência do crédito pleiteado no prazo estipulado na decisão judicial. Notificada do despacho decisório em 13/10/2011, em 04/11/2011, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 240/250) em que ao fim pleiteia a reforma do despacho para que se retome a fiscalização que a seu ver, já estava adiantada, informando o juízo federal acerca da continuidade dos trabalhos ou que, alternativamente, seja anulado o despacho decisório e se aguarde a fila de fiscalização, independente de ação judicial, quando então será retomada a auditoria já em andamento. Conforme despacho de encaminhamento de fl. 668, os autos retornaram à unidade de origem que elaborou novo despacho decisório, fls. 1.887/1.890, com base em relatório fiscal encartado às fls. 1.644/1.868, elaborado ao fim dos trabalhos de auditoria. No citado documento, assim se pronunciou a autoridade responsável: De acordo com as conclusões do Ilmo. Sr. Auditor Fiscal, responsável pela ação fiscal, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza assegurados, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente, conforme muito bem detalhado no referido relatório. As irregularidades mencionadas foram investigadas e comprovadas, em decorrência de ações conjuntas da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal denominadas “TEMPO DE COLHEITA”, “BROCA” e “ROBUSTA”. Tais operações tiveram por objetivo investigar diversos "atacadistas" de café na Região Sudeste, pessoas jurídicas “laranjas”, constituídas apenas com o fito de encobrir os verdadeiros fornecedores do café, pessoas físicas, e burlar a administração tributária, pela produção de créditos integrais das contribuições do Pis e da Cofins, os quais, de outro modo, seriam créditos presumidos, consistentes em 35% do crédito cheio. As "empresas" envolvidas no esquema apresentam características semelhantes, ou seja, são inexistentes de fato, já que, a despeito dos montantes negociados do café e da receita gerada, seus estabelecimentos e empregados não condizem com os valores comercializados, não entregam as declarações exigidas pela RFB, tais como Dirpj, Dacon, ou Dctf, ou se apresentam como inativas ou entregam as declarações com valores de receita quase zerados ou mesmo zerados. Além disso, não recolhem os tributos ou, o fazem em montantes diminutos, totalmente em desconformidade com a magnitude do negócio realizado. Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 14 5 Entre outros fatos e testemunhos, foi comprovado que, nas notas fiscais emitidas, o nome do verdadeiro produtor/vendedor era identificado, tratandose de pessoa física. Como fartamente comprovado nas operações desencadeadas, a contribuinte não só utilizouse do esquema, como também tinha pleno conhecimento de seu funcionamento, participando e lucrando com a fraude, da qual resultou créditos indevidos, todos glosados mas, diante da evidência de se tratar de venda de produto por pessoa física, o Ilmo. Sr. Auditor Fiscal, responsável pela conferência dos créditos e sua procedência, concedeulhe o crédito presumido, previsto no art. 15 da Lei nº 10.925/2004. [...] Ressaltese que a mudança na conceituação do crédito altera o dispositivo legal em que é inserido, cujo reflexo incide no montante do crédito e na sua utilização ou seja: enquanto as compras feitas de pessoas jurídicas são remetidas ao inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, gerando um crédito à alíquota de 1,65% sobre a integralidade da fatura, o crédito presumido reduzse a 35% do crédito básico e, a despeito da exportação das mercadorias, só dava direito, na época dos fatos, a descontar a própria contribuição, não podendo ser ressarcido ou compensado com outros tributos. Além da restauração dos créditos decorrentes da máfé da contribuinte, foram glosados outros, obtidos pela compra de café de cooperativas, que se submetem a uma legislação especial [...] Como regra geral, as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição ao Pis e da Cofins, não dão direito ao crédito, conforme estabelecido nos art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (Redação dada pela Lei n° 10.865/2004): […] Desta feita, de acordo com os esclarecimentos contidos no referido Termo de Constatação Fiscal, os créditos oriundos de cooperativas foram ajustados de ofício, de forma a refletir a legislação de regência. Ademais, devido às declarações delas obtidas de que, parte efetivamente excluiu da base de cálculo do Pis e da Cofins, a parcela ou a totalidade da receita transferida aos cooperados, e, diante do indevido aproveitamento integral dos créditos pela contribuinte, eles foram glosados. [...] Assim sendo, diante do acima exposto, em combinação com o resultado da ação fiscal, foram feitos os ajustes de ofício, de forma a conformar os créditos de Pis/Pasep e Cofins com as Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003 [...] O texto do despacho consolida em demonstrativo o montante do crédito passível de ressarcimento (tabela de fl. 1.889) e propõe o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado. Notificada do teor do despacho decisório em 05/04/2013, em 03/05/2013 a contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 2.203/2.239 na qual alega que segue. Como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito presumido reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas, percentual esse glosado no despacho decisório. Quanto ao mérito, inicia expondo o objeto de sua atividade econômica. Identificase como empresa comercial que atua no mercado de café realizando operações de compra e venda no mercado interno e externo. Por conta das Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 15 6 operações no mercado externo, acumula créditos de PIS e Cofins não cumulativos calculados sobre as aquisições que realiza junto a pessoas jurídicas, pessoas físicas e cooperativas. A respeito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas quando, no entender da fiscalização, teriam sido efetuadas diretamente de pessoas físicas, a interessada assim resume seus pontos de discordância: Em que pese o longo trabalho da fiscalização e de provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, é fora de dúvida que a Requerente, especificamente, não praticou crime algum. A Requerente tem total interesse em ver apuradas as condutas dos agentes envolvidos nos prováveis ilícitos, pois sua atividade econômica depende de pessoas lícitas e jurídicas regularmente habilitadas para produzir e comercializar o café. Veremos, assim, em detalhes, a resposta contundente a todos os pontos levantados pela fiscalização, para ao final concluirmos que a Requerente: i) sabia que o setor tinha pessoas jurídicas de idoneidade duvidosa; ii) que não sabia exatamente quem seriam estas pessoas jurídicas; iii) que realizava pesquisa de tudo que estava ao seu alcance, tal como regularidade de inscrição perante o CNPJ, SINTEGRA, certidões negativas (exemplificativamente, Doc. 4); iv) que jamais participou destas sociedades ou teve vantagens econômicas decorrentes da interposição destas empresas na cadeia do café, o que sequer é sugerido no Termo de Verificação, muito ao reverso, atesta que o dinheiro é direcionado para a PJ fornecedora, que após transfere para seus sócios que nada tem há ver com a Requerente; v) que o preço pago pelo café era de mercado e nunca sequer se cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada (Doc. 6); vi) que ao pagar o preço cotado para o café estava embutido o PIS e a COFINS, de forma que houve a despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros; vii) que a falta de pagamento de PIS e COFINS por fornecedores não implica em ausência do direito de crédito ao adquirente; vii) que a falta de pagamento de PIS e Cofins por fornecedores não implica ausência do direito de crédito ao adquirente – o crédito se dá pelo custo de aquisição e não pela comprovação do pagamento na operação anterior da cadeia comercial; viii) que se há falta de pagamento de tributo pelo fornecedor, a Receita Federal e a Procuradoria dispõem de meios próprios de cobrar tais tributos, incluindo a execução fiscal e a desconsideração da personalidade jurídica em caso de irregularidades, e jamais de glosar o crédito do exportador ao final da cadeia comercial; ix) inclusive há cobrança de PIS e COFINS de algumas fornecedoras (Doc. 5), o que indica que a glosa é indevida, já que isso implica em enriquecimento ilícito do erário. No corpo da manifestação de inconformidade, a defesa detalha cada um desses pontos. Na visão da autuada, o exame do caso condicionase à compreensão das peculiaridades e complexidades que vê na cadeia de produção e venda de café. Assim, no intuito de rebater as conclusões da ação fiscal, das investigações policiais e da denúncia apresentada pelo Ministério Público, apresenta a contribuinte o panorama e os atores que atuam na cena do mercado cafeeiro. Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 16 7 Entre esses personagens, aborda o trabalho do chamado maquinista. Diz que o maquinista realiza operações de beneficiamento no café adquirido do produtor e que sua atividade não se caracteriza como atividade rural, devendo se constituir como pessoa jurídica. Alega que o maquinista não se confunde com o produtor rural como a seu ver parece ter sido o entendimento da autoridade policial. Há ainda figura do atacadista, intermediário que adianta recursos para os produtores durante a safra e aceita negócios de baixos volumes, o que muitas vezes seria inviável paras as indústrias e grandes empresas exportadoras. Esse atacadista negocia lotes maiores com os exportadores e torrefadores. Acrescenta que o café objeto das operações investigadas pela Polícia Federal em Colatina – ES era do tipo conillon e portanto era quase que integralmente destinado ao mercado interno, não se aplicando as conclusões daquela investigação ao pedido de ressarcimento em exame. Diante desse quadro, contesta o uso, na esfera fiscal, de provas ainda não apreciadas pelo Poder Judiciário e cuja interpretação revela desconhecimento da intrincada cadeia comercial do mercado do café. Procura explicar que não são os exportadores que visitam, negociam e compram o café de cada um dos produtores rurais. A safra muitas vezes é vendida para os intermediários, maquinistas, etc, antes de até mesmo serem plantadas. É usual o adiantamento de dinheiro aos produtores, o que retira a possibilidade de compra direta dos exportadores perante os produtores rurais, sem que isso, contudo, afaste a necessidade de que as empresas exportadoras tenham conhecimento de quem produziu o café que está sendo comprado. Seria imprudente, por parte do exportador, não saber a procedência e não realizar as análises técnicas do café de forma a conhecer a exata qualidade do produto que comercializa. Ao fim do tópico resume por que o entendimento das especificidades do mercado de café afasta as conclusões das autoridades policiais e fiscais: a) Não se pode afirmar que, necessariamente, a pessoa jurídica que comercializa com a Requerente seja de "fachada". Dificilmente seria possível à indústria exportadora adquirir todo o café de que precisa apenas e diretamente dos produtores rurais, e até onde a Requerente tinha conhecimento de detalhes das empresas das quais adquiriu o café, as mesmas eram operacionais e regulares perante os órgãos públicos. É plenamente normal que um corretor negocie o café de um determinado produtor rural, em estágio no qual esse café que já não é de propriedade nem deste produtor, nem do corretor, sendo naquele momento, de direito e de fato, já de propriedade de uma empresa cerealista. São negócios jurídicos lícitos e usuais ao mercado de café, decorrente da classificação brasileira do produto e o seu concorrido e tradicional mercado de compra e venda. b) Não se concluiu pela falsidade ideológica das notas fiscais de pessoas jurídicas em virtude de nelas constar indicação do produtor rural de origem. Este fato não implica na desconsideração dos negócios jurídicos subjacentes. Não se trata, por exemplo, da compra de soja, em que a origem do grão não tem influência para o restante da cadeia comercial. Aqui existe toda uma sofisticada análise e prova do produto, que respalda o seu preço com base em sua origem, sua qualidade e tipo do café. Basta visitar a bolsa do café em Santos para desmistificar estas premissas. Se existe empresa de fachada seria necessário, a nosso ver, realizar esta prova do ponto de vista do direito comercial, e sem Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 17 8 repercussão para o adquirente que com ela transaciona licitamente (sem dolo de favorecimento indevido). Expostos os argumentos contra a desconsideração de créditos porque calculados sobre café que, no entender da auditoria teria sido adquirido de fato de pessoas físicas e não de pessoas jurídicas, a interessada prossegue expondo a repercussão em termos de recolhimento de PIS e Cofins das constatações resultantes do trabalho de fiscalização. No seu entender, está sendo penalizada por eventual falta de recolhimento verificada nos elos anteriores da cadeia comercial: O que se pode inferir do trabalho de fiscalização, tal como refletido no trabalho policial, é que no inadimplemento do PIS/COFINS de algum dos elos da cadeia comercial, todos estão sendo responsabilizados, quando, na realidade, isso depende sempre da demonstração do dolo ou máfé do adquirente, que se beneficie do ato simulado, o que não foi demonstrado na Ação em curso. A situação fiscal dos fornecedores da Outspan, conquanto pesquisada pela Requerente, não lhe dizia respeito. Jamais houve sequer alegação de que a Requerente tenha sido financeiramente favorecida pela conduta de seus fornecedores. Quanto ao crédito de PIS/COFINS, como visto, é decorrência de lei e jamais poderia ser entendido como artifício. Isso se daria no caso de inexistência de exportação ou simulação de compra e venda, sendo que tais ocorrências foram atestadas pela fiscalização que nesse passo validou a compra e venda dos grãos. Quanto à realização da operação mercantil, recebimento do café, e efetiva exportação, a própria Receita Federal do Brasil, em apurada fiscalização concluiu pela efetividade das operações, conforme acima reproduzido. O que legitima o crédito integral do PIS e da COFINS é a despesa incorrida pela Requerente, que ao quitar pelo valor de mercado as mercadorias cobradas mediante nota fiscalfatura da pessoa jurídica, tem embutido no preço o valor das referidas contribuições. Assim, que vantagem tem a adquirente se pagou pelos créditos que apropriou legitimamente em sua escrita? Só se houvesse devolução de parte do dinheiro ou preço pelas mercadorias, o que jamais nem sequer foi cogitado pela fiscalização. A fim de comprovar sua boafé argumenta que ao tempo dos delitos apontados sequer teria se apropriado de créditos decorrentes da compra de café de pessoas jurídicas, coisa que só veio a fazer extemporaneamente, sendo, no caso incabível a imputação de dolo. Finalizados os argumentos dirigidos contra a glosa de créditos porque, segundo a auditoria, teriam sido calculados a maior já que as aquisições de café foram realizadas de fato com pessoas físicas e não de pessoas jurídicas, a interessada aborda outro motivo para a glosa de créditos: a anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, nos termos do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Afirma que a compra e venda de café está sujeita ao recolhimento do PIS e da Cofins sendo fato que as cooperativas e as vendas de café estão sujeitas ao recolhimento desse tributo ainda que permitida a exclusão da base de cálculo. Ademais, acrescenta, não há previsão para que o comprador avalie a situação de cada fornecedor investigando, a cada operação, a sujeição ao pagamento dessas contribuições. Em relação às vendas cujas notas fiscais continham anotação de suspensão de PIS e Cofins, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 18 9 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não podem se dar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Dessa forma e depois de transcrever legislação pertinente conclui que: A lei ao estender o benefício do crédito presumido criou, em contrapartida, a vedação de que se efetuasse a venda com suspensão na operação seguinte. Como se vê das notas fiscais apresentadas pela fiscalização, todas procederam a redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Ou seja, houve tratamento do café. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. Informase ainda que foram apensados ao presente, além do processo nº 15983.720081/201341 que avaliou a repercussão das citadas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” sobre o direito de crédito demando pela contribuinte, também os processos nº 15983.720142/201290 e 15983.720140/201381 que tratam de representação fiscal para fins penais. Extrato do processo nº 10845.723438/201142 (fls. 2.246/2.251), procedimento que controla os débitos compensados com o direito de crédito discutido no presente, demonstra que o valor reconhecido de R$ 320.990,28 foi considerado na consolidação dos valores devidos, conforme inclusive indicado em despacho de fl. 2.252. Em seu Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da impugnação, bem como critica a decisão de primeira instância, alegando que esta se trata de mera reprodução do trabalho da fiscalização. Tece os argumentos abaixo: · O perfil da empresa não condiz com as indevidas presunções que motivaram as glosas de PIS/COFINS. · Não é possível desconsiderar os negócios jurídicos da Recorrente, uma vez que não há normatização sobre o procedimento previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN. Ainda que admitida a aplicação desse dispositivo, deveria haver procedimento próprio. · Não houve indicação de quem seriam os produtores rurais. · Nulidade por presunção da culpa da Recorrente. · Impossibilidade de retroação de efeitos da declaração de inidoneidade e de presunção de inidoneidade. · A fiscalização não se ateve às especificidades da cadeia de produção e venda do café, por isso a Recorrente trouxe grande arrazoado para explicar as relações entre os personagens do setor, do ponto de vista comercial e civil. · A circunstância de o remetente das mercadorias estar em situação irregular perante o fisco não pode de forma alguma afetar o direito do adquirente. · Se o café foi entregue, processado e exportado, então o crédito é legítimo. · É devido o crédito nas compras de fornecedores posteriormente declarados como inidôneos. · Realizava pesquisa de tudo que estava ao seu alcance, tal como regularidade da inscrição perante o CNPJ, SINTEGRA, certidões negativas, sendo tal precaução Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 19 10 totalmente legítima e jamais levada a efeito para fins outros que não a tentativa de evitar transacionar com as empresas inidôneas que pudessem existir. · Jamais participou dessas sociedades ou teve vantagens econômicas decorrentes da interposição destas empresas na cadeia do café, o que sequer é sugerido no Termo de Verificação, muito ao reverso, atesta que o dinheiro é direcionado para PJ fornecedora, que após transfere para seus sócios que nenhum relacionamento têm com a Recorrente. · O preço pago pelo café era de mercado e nunca sequer se cogitou em repassar os "lucros" obtidos por estas empresas referidas como de fachada. · Ao pagar o preço cotado para o café estava embutido o PIS e a COFINS, de forma que houve o custo que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros, inclusive este crédito de PIS/COFINS gerava reflexos em seu resultado, pelo que se pagou enorme quantia de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro. · A glosa de créditos é indevida, pois implica em enriquecimento sem causa do erário. · Sabendo ou não da conduta ilícita de terceiros, o fato é que, antes mesmo do PIS/COFINS, diversas empresas foram constituídas e entraram neste negócio de compra e venda de café, de forma que a Recorrente jamais conseguiria adquirir a mercadoria apenas de produtores rurais, dado o volume de café que necessita exportar. · É devido o crédito de compras de sociedades cooperativas. · Todas as glosas são indevidas. Ao final, requer: · O reconhecimento dos créditos de PIS/COFINS apurados na compra de fornecedores posteriormente declarados como inidôneos pela RFB, bem como no caso de cooperativas. · A homologação das compensações. · Aproveitamento imediato dos créditos presumidos, parte incontroversa dos autos. Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral. · Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um dos bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. · A aplicação da retroação da lei mais benigna em matéria processual, sendo que a fiscalização deferiu o crédito presumido no lugar do integral e justamente o ano de 2008 foi objeto de previsão nova contida na Lei 12.350/2010, art. 56A, sendo mais eficiente, célere e econômico aproveitarse para fins de creditamento nestes autos. · Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2008, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. · No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. É o relatório. Fl. 2542DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 20 11 Voto Vencido Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Aproveitamento ressarcimento de crédito presumido Quanto ao pleito da Recorrente de imediato ressarcimento dos créditos presumidos reconhecidos no Despacho Decisório em relação aos quais não mais haveria disputa administrativa, não merece reparo a decisão de piso, uma vez que à época do pedido de ressarcimento destes autos não havia previsão legal de ressarcimento/compensação dos créditos presumidos apurados de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 prescreve que os créditos presumidos devem ser aproveitados na dedução do valor da própria contribuição apurada. Alega a Recorrente que o imediato ressarcimento seria possível de acordo com o disposto no art. 56A da Lei nº 12.350/2010, que deve ter aplicação retroativa. Entendo que não. O art. 56A da Lei nº 12.350/2010, alterado pela Lei nº 12.431/2011 estabeleceu prazos para o aproveitamento dos créditos que não têm aplicação a este caso concreto: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 21 12 § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Preliminar de cerceamento de defesa Alega a empresa que houve cerceamento de defesa, com os seguintes argumentos: Ocorre que todas as alegações da autoridade policial foram repetidas na auditoria fiscal e agora se repetem na decisão de primeira instância, sem se levar em conta as robustas explicações da ora Recorrente que levam a desfazer a conclusão da ementa acima reproduzida. Chega até mesmo a ser supressão de instância, dado que não houve propriamente um julgamento de primeira instância, e sim a chancela do ato policial que tratou de levantar dúvidas. Reitera em várias passagens de seu recurso voluntário, que a fiscalização utilizou de presunções para supostamente demonstrar a participação da Recorrente na fraude. Entendo que não houve presunção, uma vez que tanto a fiscalização, quanto a DRJ analisaram os documentos anexados aos autos, para formação da convicção acerca da ocorrência e qualificação dos fatos. Não verifico outras nulidades na decisão de primeira instância, bem como consta nos autos que a empresa teve acesso a todos os depoimentos e documentos, tendo exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, pela manifestação de inconformidade e recurso voluntário. A decisão de piso analisou as provas acostadas aos autos, justificando o seu acolhimento para a manutenção de todas as glosas de crédito. O que pretende o recorrente é a reforma do julgado da DRJ, questão de mérito que será analisada a seguir. Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de PseudoAtacadistas, notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” Os elementos utilizados para construção do quadro fáctico geral das glosas e dos autos de infração decorrem de provas colacionadas a partir das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, e das operações BROCA e ROBUSTA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. As glosas dos créditos básicos de PIS e Cofins tiveram como fundamento a simulação de operações de compra de café de produtores rurais (pessoas físicas), mediante a Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 22 13 utilização de pessoas jurídicas fictícias, inexistentes de fato, com o fim específico de simular as compras como se fossem destas, com vistas a gerar créditos das contribuições. Do exame do Termo de Verificação Fiscal extraise que as operações simuladas foram provadas por meio de documentos, depoimentos e declarações das pessoas físicas e jurídicas que integraram o esquema fraudulento. A fiscalização demonstrou que as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais, em valores elevados, não tinham capacidade financeira nem espaços físicos que permitissem tais operações, sendo que a maioria delas era inativa perante a RFB. As notas fiscais, a documentação contábil, os depoimentos, todo o material anexado ao processo fiscalizatório comprovam a operação simulada na compra do café, ou seja, foram colocadas fraudulentamente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do café, as empresas atacadistas (noteiros) que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS/Cofins em sua integralidade. Após a análise dos documentos apresentados pela Oustpan na auditoria, verificouse o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS vinculados à receita de vendas de empresa comercial exportadora com fins específicos de exportação, tendo como base aquisições de café de pessoas jurídicas irregulares (empresas pseudoatacadistas), as quais foram declaradas INAPTAS pela Receita Federal do Brasil, devido à comprovação de sua inexistência de fato, e de outras que apresentam vários indícios de serem também pseudo atacadistas. Foi constatado em diligências nas empresas, que nenhuma delas possuía armazéns ou depósitos, nenhum funcionário contratado e nenhuma estrutura logística. Foram desconstituídas inúmeras empresas (noteiras) fornecedoras: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A DRJ resumiu de forma precisa o que destes autos consta, com o propósito de verificar a participação da Recorrente no esquema: O conjunto de provas é constituído de uma série de documentos que permitem traçar um quadro em alta resolução de como operavam os envolvidos e que praticamente esgota todas as facetas envolvidas no esquema. Entre a documentação coligida destacamse depoimentos traduzidos a termos e prestados pelos Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 23 14 principais atores do mercado de café: produtores rurais, maquinistas, motoristas de transportadores e corretores; transcrição e análises de comunicações trocadas via MSN, travadas entre diretores da fiscalizada e corretores e agentes; laudos de exames realizados nos arquivos eletrônicos dos computadores apreendidos nas operações, inspeção de documentos fiscais de compra e venda de café expedidos pelos produtores rurais pessoas físicas e pelas pessoas jurídicas intervenientes, confirmações de compra e notas de corretagem, romaneios de pesagem quando da descarga do café em armazéns. Também foi avaliada a situação fiscal das empresas tidas por vendedoras de café às exportadoras mediante análise da correspondente movimentação bancária, dos valores de tributos declarados e pagos, do corpo funcional, instalações físicas, condições econômicas dos sócios formais. A DRJ reproduziu documentos e depoimentos diversos para comprovação do esquema, bem como confirmações de pedidos, notas fiscais, fotos e trechos de conversas no MSN de Fabrício Tristão, gerente de compras da Outspan, que comprovam a ciência e a participação da Recorrente no esquema de fraude do café. Quanto aos diálogos do comprador da Outspan, reproduzoos abaixo: Diálogo e entre Cláudio Assis e Fabrício Tristão file://P:\ExportV 00000FTK\ HQ00QFTK\2Q8021.xml No dia 16/07/2009, no diálogo estabelecido entre Cláudio Assis e Fabrício Tristão, ambos da OUTSPAN, este manifestou a preocupação das pessoas no interior com a implantação da nota fiscal eletrônica, a partir de 01/09/2009. Fabrício argumenta que "o modelo de firmas laranjas, que foi uma solução/adaptação a nova lei estará teoricamente falido", no que Cláudio Assis concorda que com a nota fiscal eletrônica vai mudar muita coisa. Fabrício diz que o mercado não irá conseguir repassar para o produtor toda a conta tributária, e sinaliza que haverá vantagens iniciais para quem está com a conta de PIS/COFINS "gorda". E que as cooperativas teriam vantagem inicial, muito grande. Assim sendo, Cláudio Assis diz que o "pessoal de Minas vai sofrer". ... No dia 03/08/2009, Fabrício retorna com o assunto da nota fiscal eletrônica. Assevera para Cláudio que o assunto no interior é "NFe pois todos operam com as laranjas ... aí já viu .... ninguém sabe o q vai acontecer a partir de setembro, mas tenho uma dúvida q queria tirar c vc '." Fabrício pergunta se todas as empresas laranjas operam no regime de 100% de transferência dos créditos na venda, o que Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 24 15 confirma Cláudio Assis. Então, Fabrício pergunta se as laranjas podem virar cerealistas e equilibrar as contas do PIS/COFINS. Cláudio diz que não pode. Mais adiante, Fabrício pergunta se há compra de empresa cerealista de filial da OUTSPAN. Cláudio responde que há várias. Fabrício retruca: "são empresas mesmo ou são laranjas?'. Claudio responde: "não sei ao certo. Vou ver e te respondo". Ou seja, o Sr. Fabrício Tristão, gerente de compras da Oustpan, tinha pleno conhecimento do uso artificial de empresas de fachada no negócio de compra e venda de café. Importante salientar que a transcrição desses diálogos estabelecidos via MSN e extraídos dos computadores apreendidos na operação estão na íntegra reproduzidos nos documentos que integram o processo nº 15983.720081/201341, apensado aos presentes autos. Nos diálogos estabelecidos entre Geneval e Fabrício Tristão, entre Fabrício e Alexandre Carvalho entre Fabrício e Vivek Amar Amarnani, este último diretor e administrador da Oustpan, fica patente que não só havia conhecimento desse esquema por parte dos condutores da Outspan como também deliberadamente dele lançava mão a empresa: Na conversa de Fabrício com Geneval, da OUTSPAN no dia 01/09/2009, Fabrício relata que as pessoas estão comentando que não há nenhuma firma laranja com nota eletrônica, pelo menos, segundo Fabrício, não apareceu oferecendo para o pessoal do interior. ....... No dia 10/09/2009, Geneval fala para Fabrício que Vivek teria dito para Lucas que está liberando a compra com firmas de fachada com notas eletrônicas. Fabrício não recomenda guiar café pela firma do Carlinhos Pianzolli e pergunta quais as empresas que a OUTSPAN estava usando que ficaram, com notas eletrônicas, no que Geneval diz que somente a Mundial, e acrescenta que o pessoal daquela região não trabalha com eles. .... No diálogo entre Alexandre L Carvalho e Fabrício Tristão (file://D:\Export\.00000FTKVH0000FTK\179938.xml) de 05/11/2008, Fabrício diz para Alexandre L Carvalho que as firmas laranjas estão diminuindo: F uma coisa aqui as firmas laranja estão diminuindo, pelo menos por enquanto e andamos bloqueando algumas, e me mandaram uma nota da P.A. de CRISTO lá de Barra de S. Francisco (ES) esta empresa tem ai tbém, não tem? Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 25 16 A sim, eles tem filial mineira F ah ta! A O pomar é grande F Esta é internacional, rsrs A rsrsrs Em 18/02/2009, em conversa eletrônica entre Vivek e Fabrício Tristão file://D:\Export\ 00000FTKV H0000FTK\60797.xml) Fabrício comenta com Vivek que e "a Miranda Café (maior laranja q já teve) qdo estava em atividades tomou uma multa de 100 milhões". O analista do diálogo registrado no equipamento informa ainda: O Fabrício comentou com Vivek que esteve com Marcelo Neto (então presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória CCCV, e diretor da Tristão) e confirmou a existência de pesadas multas nas empresas NICCHIO SOBRINHO/ RIO DOCE/ GIUCAFÉ . E acrescentou que "acredita q isto é apenas o início e q ações de prisão/confisco poderão acontecer". E finaliza dizendo que independentemente destas operações [autuações da Receita] TRISTÃO/REAL, CAFÉ continuaram comprando normalmente seguindo aqueles procedimentos de consulta e tal [Sintegra], pelo menos por enquanto usando as firmas laranjas mesmo". Vivek agradece a Fabrício pelas informações. Aponto outros depoimentos importantes como de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, e em especial a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Casa do Café Corretora. Entendo que as reproduções de depoimentos feitas pela DRJ, nas efls. 2307 2334, são suficientes para a comprovação da ciência e participação da Recorrente no esquema de fraude, por isso entendo não ser necessário reproduzilas novamente neste momento, uma vez que não há fatos novos trazidos no Recurso Voluntário. As provas são robustas, afastando qualquer alegação feita pela Recorrente de uso da presunção por parte da fiscalização. Então, pelo o que consta dos autos, a autoridade fiscal demonstrou que as aquisições de pessoas jurídicas por parte da Recorrente em nome das comprovadas empresas de fachada foram usadas para dissimular as reais aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), por isso acertadamente, foram glosados os créditos integrais COFINS (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; pois o correto é a apropriação dos créditos presumidos de percentual de 35% do crédito básico. Por isso, sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, deve ser mantida a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pela Recorrente. Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 26 17 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a Outspan tem direito ao respectivo crédito presumido. Por conseguinte, foi necessária e obrigatória a recomposição dos saldos dos créditos decorrentes das operações fiscalizadas, a base de cálculo dos créditos a serem descontados foi reajustada de integral para presumido. Reclama a Recorrente que as declarações de inaptidão de empresas não podem retroagir. Sobre a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato, que é o caso das noteiras, a IN 748/2007, no art. 34, vigente à época dos fatos prescrevia: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: III inexistente de fato; ou Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 27 18 § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e De acordo com os dispositivos supracitados, para os créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição delas. Por isso, não procede o argumento da Recorrente. Entendo que o recurso voluntário não logrou êxito em desconstituir a decisão ora recorrida, concluindose pela procedência da glosa dos créditos. Glosa dos créditos por aquisições de mercadorias de Cooperativas Quanto ao direito de aproveitamento do crédito de compras de cooperativas, a empresa alega que: (i) a decisão recorrida confunde os institutos da isenção, não incidência, suspensão e alíquota zero com a hipótese de exclusão da base de cálculo. (ii) em razão dessa confusão, ignora o fato de que a sociedade cooperativa de produção que exerce atividade agroindustrial deve estornar os créditos básicos dos art. 3, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003 apropriados sobre os bens, serviços (energia elétrica, depreciação, entre outros), assim como outros insumos, vinculados às receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização da produção do cooperativado. (iii) o art. 16 da Lei n. 11.116/2005 prevê o ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS acumulado, ao final de cada trimestre do anocalendário, decorrente, tão somente, de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência (e não a hipótese de exclusão de base de cálculo). (iv) e, por se tratar de hipótese de exclusão da base de cálculo, a Receita Federal entende que estas, "nos termos do art. 11 da IN SRF n. 635, de 2006, não configuram a situação em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento". (v) Por consequência, o crédito ordinário, ao ser estornado pelas sociedades cooperativas, integra o custo agregado do Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 28 19 produto cooperado, destinado à comercialização para o mercado interno e externo. A título complementar, da mesma forma, o crédito presumido acumulado previsto no art. 8 da Lei 10.925/2004, ainda que mantido, resta inutilizado, uma vez que não pode ser compensado e ressarcido em espécie, integrando também o custo agregado do produto do cooperado. Os art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004, prescrevem que as aquisições de bens não sujeitas ao pagamento da contribuição ao PIS e da Cofins não permitem a apuração de crédito na sistemática da nãocumulatividade. É o caso da aquisição das Cooperativas. Por sua vez, o art. 15 da MP nº 2.158, de 2001 permite que as receitas referentes às vendas efetuadas pelas cooperativas e cujo valor seja repassado aos cooperados sejam excluídas da base de cálculo das contribuições: MP 2158, de 2001 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; A glosa dos créditos oriundos de fornecedores cooperativas de produtores rurais decorreu do fato de parte das cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados, com base no art. 15, I, da MP nº 2.158/2001 ou, emitirem as notas fiscais com a informação “suspensão do PIS e COFINS”. Está correta a glosa nesses dois casos, por imperativo legal. Quanto à outra parte das cooperativas que tinham regime misto de algumas vendas com origem em mercadorias adquiridas de não cooperados e de cooperados, acertadamente a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, a partir da análise do DACON respectivo. Já o argumento de que o art. 3º, §2º, da Lei nº 10.637/2002, não se aplicaria ao café, não se sustenta, pois, como bem ressaltou a DRJ, "ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas." Também não merece prosperar os argumentos quanto às glosas de aquisição de cooperativas, como bem fundamenta a DRJ, cujas razões aqui acolho como fundamentos de decidir nos termos da Lei: Diz a defesa que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 29 20 de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. Para avaliar o dissenso nesse tópico, é necessário, em primeiro lugar ter presente que, na sistemática da não cumulatividade de PIS e de Cofins, não é possível, via de regra, a apuração de créditos sobre bens que não se sujeitaram à incidência das contribuições na dicção do §2º, art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Essa vedação decorre da própria filosofia que embasa o regime não cumulativo: impedir o denominado efeito cascata mediante a concessão da possibilidade de apuração de créditos sobre as aquisições. Obviamente se ao valor da aquisição não se incorporou a contribuição em razão de permissivo legal, não há motivo para a apuração de crédito, uma vez que nessa situação já não existe originalmente a sobreposição da tributação nas etapas da cadeia comercial. Esta é a situação aqui tratada e, nesse passo, foi correta a conduta da fiscalização em não admitir créditos sobre aquisições que não sofreram tributação de PIS e Cofins na venda, já que referentes a repasses de receitas provenientes de produtos que foram entregues por associados da cooperativa. Muito importante, é a análise procedida pela auditoria em relação às cooperativas fornecedoras da Outspan. As sociedades foram intimadas a informarem a natureza de suas operações com os associados e terceiros. Responderam ainda se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. As correspondentes respostas estão presentes no processo administrativo nº 15983.720081/201347. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela iniciada às fls. 21.180 Vejase pelas respostas que, de fato, algumas das cooperativas afirmam realizar cumulativamente as atividades de beneficiamento de café e nesses casos, as receitas de venda do café trabalhado sofrem a incidência de PIS e Cofins, vedada a suspensão da contribuição prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, a teor da exceção prevista no §1º, II daquele dispositivo às vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º. Assim, as saídas de café dessas cooperativas que fazem o blend, embora não passíveis de suspensão, tem suas receitas excluídas da base de cálculo por conta da autorização específica às cooperativas, sendo vedada a apuração de créditos pelo contribuinte adquirente. Outras porém, afirmam não realizar as atividades que levam à obtenção da mistura e que dão saídas com suspensão de PIS e de Cofins, em ambos os casos, não houve incidência das Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 30 21 contribuições, quer pela exclusão de valores da base de cálculo das cooperativas, quer pela saída efetuada diretamente com suspensão. Nesse contexto, foi correta a conduta adotada pela autoridade fiscal que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente. Vale ressalvar que no caso das cooperativas de produção agropecuária a autoridade considerou a possibilidade de geração de créditos presumidos nos termos da legislação. Portanto, não há reparos a serem feitos no trabalho de auditoria fiscal. Atualização monetária Não cabe a atualização monetária ou incidência de juros sobre o aproveitamento de créditos, com fundamento nos arts. 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 21 de fevereiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 31 22 Voto Vencedor Peço vênia para discordar da ilustre Conselheira Relatora, no que concerne à manutenção da glosa de créditos integrais de PIS e COFINS, calculados sobre os valores das compras de café beneficiado de cooperativas agroindustriais. No Termo de Verificação Fiscal (TVF fl. 1.857), consta que os créditos foram glosados, porque a cooperativa agroindustrial exclui os valores repassados aos cooperados das suas bases de cálculo de PIS e COFINS, de acordo com o disposto o art. 15 da MP n° 2.158/01 (reproduzido no voto da Conselheira Relatora). Com isto, incorreria na vedação ao creditamento do inciso II do § 2° do art. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, que dispõe que não podem ser registros créditos derivados de compras não sujeitas ao pagamento das contribuições. Entretanto, não há dispositivo legal que desonere a venda de café beneficiado da cooperativa agroindustrial para a Recorrente das incidências regulares do PIS e da COFINS, sob o regime nãocumulativo, às alíquotas de 1,65% e 7,6%, nos termos dos artigos 1° e 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. A exclusão de receita das bases de cálculo do PIS e da COFINS, prevista nos artigos 15, da MP n° 2.158/01 e 11 da IN n° 635/06, decorre do modus operandi adotado pelas cooperativas. Conforme conceito explanado pela própria fiscalização no TVF (fl. 1.857), a cooperativa agroindustrial recebe o café não beneficiado do cooperado. Aplica os processos de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separam por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Em seguida, comercializa o produto. Nos termos do caput e dos §§ 2° e 4° do art. 3° da IN n° 635/06, a cooperativa agroindustrial é responsável pelo recolhimento do PIS e da COFINS devidos sobre as vendas destes produtos, descontados dos créditos registrados pelo cooperado. A apuração deve ser efetuada de acordo com as disposições legais a que estariam sujeitas as cooperadas, caso estivessem comercializando por conta própria. E, sobre vendas de café beneficiado, há tributação normal, não incidindo a suspensão prevista nos artigos 2° e 3° da IN n° 660/06, aplicável tão somente ao café não submetido a processo industrial e tratado como insumo. Neste contexto, é natural que a cooperativa agroindustrial, ao apurar o PIS e COFINS incidentes sobre suas receitas próprias, exclua da base de cálculo os valores repassados às suas associadas, os quais foram objetos de recolhimento em separado, conforme descrito no parágrafo anterior. Desta forma, tendo em vista que os produtos vendidos pelas cooperativas agroindustriais para a Recorrente sofreram incidência do PIS e da COFINS, às alíquotas Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 10845.720177/201028 Acórdão n.º 3301003.200 S3C3T1 Fl. 32 23 regulares (artigos 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.883/03), há que se admitir o creditamento, a fim de preservar o princípio da nãocumulatividade. Vale destacar que esta turma proferiu decisão no mesmo sentido, por meio do Acórdão n° 3301003.099, de 28 /09/16, da relatoria do Conselheiro Valcir Gassen. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720406/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada.
Numero da decisão: 2202-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13748.720406/2012-62
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700101
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.669
nome_arquivo_s : Decisao_13748720406201262.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 13748720406201262_5700101.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6688360
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950229958656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 213 1 212 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.720406/201262 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.669 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente EULER ALVES MATHEUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseiase em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 04 06 /2 01 2- 62 Fl. 213DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2010, ano calendário de 2009, por falta de comprovação de despesas médicas, no valor de R$ 97.297,40 resultando na diferença de imposto a pagar de R$ 26.756,78 a ser acrescido de multa de ofício de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, até a data de regularização. A Notificação de Lançamento, fls. 38/42, motivou as glosas da seguinte forma: a) por falta de identificação do paciente nos comprovantes dos prestadores Ines Villar de Sousa Paradeda, Centro de Imagem Buco Maxilo Facial, Reinaldo José Gallo, Diocleciano Marcos da Silva, Maurício Celidônio Ielpo, Maria Lucia Vellutini Pimentel; b) por não apresentação de documentação da prestadora Maria de Fátima Lago Alvte; c) por falta de previsão legal, para os serviços de Leonardo Haus; d) por falta de comprovação do pagamento à Bradesco Saúde S/A e OMINT Serviços de Saúde. Inconformado o contribuinte apresentou impugnação parcial, relativamente à glosa de R$ 96.085,80 e anexou, dentre outros, documentos relativos aos pagamentos à Omint Serviços de Saúde Ltda., do declarante e de suas dependentes, Olívia Alves Matheus e Ângela Alvarez Matheus (fls. 14/16); pagamentos à Bradesco Saúde, relativos ao declarante e às suas dependentes (fls. 17) e recibos de prestação de serviços prestados por Inês Villar de Souza Paradeda (fls. 18/21). A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 116/120, nos seguintes termos: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13748.720406/201262 Acórdão n.º 2202003.669 S2C2T2 Fl. 214 3 Analisando os documentos trazidos aos autos na fase impugnatória em conjunto com aqueles apresentados em procedimento de malha, concluise que: Em relação às despesas declaradas como pagas a Bradesco Saúde (R$ 23.897,16) e Omint Serviços de Saúde (R$ 71.288,64), os documentos anexados não são suficientes para justificar a dedução dos valores. Nos documentos apresentados em procedimento de malha, consta que o estipulante dos planos de saúde é uma pessoa jurídica, e não o próprio contribuinte. O contribuinte não comprovou que foi o responsável pelo pagamento dos planos de saúde, e, como somente são dedutíveis as despesas cujo ônus tenha sido do próprio contribuinte, a glosa deve ser mantida. Em relação ao prestador Leonardo Haus (R$ 710,00), a glosa deve ser mantida, pois não há previsão legal para dedução de nutricionista. Em relação às demais despesas (Inês Vilar de Souza Paradela, Centro de Imagem Maxilo Facial, Reinaldo José Galo, Deocleciano Marcos da Silva, Mauricio Celidonio Ielpo, Maria Lucia Vellutini Pimentel), a glosa foi realizada em razão da ausência de identificação do paciente. Na impugnação, o contribuinte anexou os mesmos documentos já anteriormente apresentados emitidos por Inês Vilar de Souza Paradela e não trouxe documento algum referente aos demais prestadores. Portanto, não supriu a exigência apontada pela autoridade lançadora. Ademais, nos documentos apresentados em procedimento de malha constam alguns comprovantes de reembolso de plano de saúde. Entretanto, não foi anexado aos autos um demonstrativo anual para verificação de todas as despesas reembolsadas no ano. Sem essa informação, impossível concluir qual valor a que o contribuinte tem direito à dedução em sua DIRPF. Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento. Cientificado dessa decisão por via postal em 12/05/2015, (A.R. de fls. 123), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 11/06/2015 (fls. 124/129), alegando em síntese: • que o Colegiado põe em dúvida a idoneidade dos documentos apresentados, supondo que os serviços não foram prestados ao contribuinte ou a seus dependentes e/ou os valores não tenham sido pagos de fato aos prestadores dos serviços, porém, não solicita outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado, embora os comprovantes apresentados contenham todos os requisitos legais exigidos; Fl. 215DF CARF MF 4 • que a I. Relatora conclui que as declarações apresentadas pela Bradesco Saúde e Omint Serviços de Saúde não são suficientes para demonstrar que os pagamentos foram realizados pelo contribuinte e justificar a dedução dos valores em sua DIRPF, o que contradiz totalmente o documentos emitido pelas operadoras de planos de saúde, que são claros e objetivos, conforme se comprova nas cópias que anexa. Aduz que em todos os anos anteriores e posteriores a esse recurso, foram apresentadas e aceitas declarações emitidas pelas administradoras de plano de saúde no mesmo padrão das ora apresentadas. Afirma que não criou nenhum novo documento; • que todos os recibos emitidos pela profissional Inês Villar de Souza Paradeda identificam que o tratamento foi prestado ao próprio contribuinte e estão revestidos de todos os requisitos legais exigidos, razão pela qual discorda da glosa e reapresenta no recurso, os recibos já acostados na impugnação; • traz argumentos com relação às demais glosas (de Leonardo Haus, Centro de Imagem Buco Maxilo Facial, Reinaldo José Gallo, Deocleciano Marcos da Silva Pegado e Maria Lúcia Vellutini Pimentel), que, por não terem sido impugnadas, tiveram o crédito tributário correspondente transferido para outro processo, conforme se vê no extrato do processo às fls. 45. Ao final requer o restabelecimento das despesas médicas. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos e declarações de despesas médicas pagas pelo declarante aos planos de saúde Bradesco Saúde S/A e Omint Serviços de Saúde Ltda. e à profissional Inês Villar de Souza Paradeda, cujos valores somaram R$ 96.085,80. I Planos de Saúde Com relação à Bradesco Saúde S/A, o recorrente apresenta a mesma declaração que vem apresentando à fiscalização desde o atendimento à intimação (fls. 85, 17 e 152), na qual está descrito: Para efeito de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, informamos abaixo o valor pago pelo senhor durante o anobase de 2009, relativo ao somatório das mensalidades do seu seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar e de seus dependentes no seguro. No demonstrativo de segurados da apólice, se lê: Euler Alves Matheus R$ 7.965,72 Angela Alvarez Matheus R$ 7.965,72 Olivia Alves Alves Matheus R$ 7.965,72 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13748.720406/201262 Acórdão n.º 2202003.669 S2C2T2 Fl. 215 5 Total Pago R$ 23.897,16 Da mesma forma, com relação ao pagamento à Omint Serviços de Saúde Ltda, em que apresenta as mesmas declarações já apresentadas às fls. 14/16, 86/88 e 153/155, as quais atestam o recebimento das cotas mensais dos planos de Assistência à Saúde, no exercício de 2009, do Sr. Euler e das suas duas dependentes, discriminando os valores mensais e o total de cada uma que somou R$ 23.762,88. Na Notificação de Lançamento a fiscalização motivou a glosa destas despesas na falta de comprovação do pagamento e, no Acórdão da DRJ, creio que por equívoco, constou que o estipulante dos planos de saúde é uma pessoa jurídica, e não o próprio declarante, o que não se confirma pelos documentos dos autos. A decisão de primeira instância afirma que o contribuinte não comprova que foi o responsável pelo pagamento dos planos de saúde. Verificase que no Termo de Intimação Fiscal de fls. 35, foram exigidos do contribuinte, além de comprovantes de dependência, os comprovantes originais e cópias das despesas médicas e de despesas com planos de saúde, com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente). Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Em atenção ao devido processo legal, as exigências da Administração devem ser formalizadas por meio de intimação, a fim de dar conhecimento ao administrado daquilo que o fisco pretende examinar, proporcionandolhe a possibilidade de atendimento, antecipadamente à constituição do crédito tributário. Caberia à Autoridade Fiscal, ao pretender examinar a prova do efetivo pagamento das despesas, desde o início do procedimento de revisão da declaração, intimar a contribuinte a apresentar documentação neste sentido. Pelos elementos dos autos verificase que o notificado não foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas com planos de saúde. Todo ato administrativo deve ser motivado (art. 50 da Lei nº 9.784/1999). A motivação expressa as razões e os fundamentos do ato. Portanto, o procedimento para a comprovação dos pagamentos não seguiu o curso normal (intimação do interessado quanto aos Fl. 217DF CARF MF 6 documentos que a autoridade pretendesse examinar) descabendo a glosa das despesas por essa motivação. Cito a jurisprudência que vem sendo observada neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido As declarações firmadas pelos planos de saúde trazem a identificação e CNPJ da administradora do plano e contém informações suficientes para comprovar a despesa, indicando nome e CPF do beneficiário, do responsável pelo pagamento e quais os valores aportados no ano de 2009. Assim, tenho como comprovada a despesa, afasto a exigência de comprovação do pagamento por falta de intimação e a glosa da despesa com planos de saúde no valor de R$ 95.185,80. II Dos pagamentos à Inês Villar de Souza Paradeda A glosa da despesa com esta prestadora de serviços foi motivada na falta de identificação do paciente no respectivo comprovante do pagamento. O recorrente alega que todos os recibos emitidos pela profissional identificam que o tratamento foi prestado ao próprio contribuinte e que estaria reapresentando no recurso, os recibos já acostados na impugnação. Examinando os recibos de prestação de serviços prestados por Inês Villar de Souza Paradeda, apresentados quando do atendimento à Intimação (fls. 89/90), quando da Impugnação (fls. 18/21) e em sede de recurso (fls. 156/157) constatase que não são os mesmos recibos. Os de fls. 89/90 e 18/21 efetivamente não contém a identificação do paciente. Já os recibos de fls. 156/157 contém esta informação. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13748.720406/201262 Acórdão n.º 2202003.669 S2C2T2 Fl. 216 7 desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Percebese que o contribuinte buscou comprovar que os serviços odontológicos da Dra. Inês Villar de Souza Paradeda foram prestados a ele próprio e à sua dependente, Ângela Alvares Matheus. Não o fez da melhor forma, pois a "troca" dos recibos pode colocar em dúvida sua veracidade, porém, considerando a informalidade que pauta o relacionamento pacienteodontólogo, entendo ser compreensível e aceitável que o profissional, ao invés de elaborar uma declaração para atestar que aqueles recibos que emitiu se referem a serviços prestados a determinado paciente, faça a substituição dos documentos por novos, com todas as informações exigidas. Deste modo, com base na legislação, critérios e princípios expostos, há que se considerar eficazes os recibos apresentados em sede de recurso voluntário, que somados, perfazem R$ 900,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003196/2005-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
Numero da decisão: 9202-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para: a) quanto às competências cuja obrigação principal não foi alcançada pela decadência, promover a soma das multas, limitando-as, caso mais benéfico ao contribuinte, ao percentual de 75%; b) quanto às competências cuja obrigação principal foi alcançada pela decadência, reduzir multa ao valor previsto no art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 35464.003196/2005-34
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700379
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.434
nome_arquivo_s : Decisao_35464003196200534.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 35464003196200534_5700379.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para: a) quanto às competências cuja obrigação principal não foi alcançada pela decadência, promover a soma das multas, limitando-as, caso mais benéfico ao contribuinte, ao percentual de 75%; b) quanto às competências cuja obrigação principal foi alcançada pela decadência, reduzir multa ao valor previsto no art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6688638
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950233104384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.003196/200534 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.434 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ATENTO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para: a) quanto às competências cuja obrigação principal não foi alcançada pela decadência, promover a soma das multas, limitandoas, caso mais benéfico ao contribuinte, ao percentual de 75%; b) quanto às competências cuja obrigação principal foi alcançada pela decadência, reduzir multa ao valor previsto no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 31 96 /2 00 5- 34 Fl. 659DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402002.553, proferido pela 2º Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212 de 1991 c/c os artigos 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, que consiste na apresentação da GFIP sem a devida inclusão de todos os fatos geradores, no valor de valor de R$ 2.848.895,04 (dois milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, oitocentos e noventa e cinco reais e quatro centavos), conforme Relatório Fiscal de fls. 19/20. Tal infração se deu no período de 04/99 a 08/2004 e a cientificação do sujeito passivo se deu em 27/12/2004. O Contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação, fls. 33/65, arguindo a nulidade do Auto de Infração em função de cerceamento de defesa e desatendimento às normas legais para a sua constituição. Alegou ser impossível a fiscalização lançar valores relativos às contribuições previdenciárias decorrentes de reclamatórias trabalhistas. Arguiu, ainda, a inconstitucionalidade da contribuição de 15% incidente sobre as notas fiscais emitidas pelas cooperativas e que os valores pagos a título de valetransporte, assistência médica, auxílio alimentação, PLR e planos de incentivos, os quais não deveriam ser inclusos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Decisão de Notificação, de fls. 396/427, julgou procedente a autuação e explicitou ponto a ponto a manutenção do lançamento. Às fls. 436/504, o Contribuinte apresentou Recurso sustentando cerceamento de defesa e desatendimento às normas legais para a sua constituição e reiterou as demais alegações da defesa. A Delegacia da Receita Federal apresentou suas contrarrazões às fls. 508/532 sustentando a manutenção da decisão recorrida. À fl. 549, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento determinou a realização de diligência, para que os autos ficassem sobrestados na repartição de Fl. 660DF CARF MF Processo nº 35464.003196/200534 Acórdão n.º 9202004.434 CSRFT2 Fl. 10 3 origem até o trânsito em julgado das NFLD´s, nas quais foram lançadas as obrigações principais. Recebidos os autos na repartição de origem, fora elaborada resposta no sentido de que todas as NFLD´s correlatas já haviam sido objeto de julgamento, motivo pelo qual retornaram os autos para julgamento da Turma Ordinária. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 581/588, concedeu parcial provimento ao recurso, para que fosse excluída do lançamento a multa aplicada em face da não informação em GFIP dos fatos geradores objeto da NFLD 35.566.6871, bem como, para que fosse efetuado o recálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 590/600, alegando que o paradigma firma entendimento diverso do Acórdão recorrido, no sentido de ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35 A da Lei 8.212/91, em virtude de haver o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 603/606, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, entendendo haver divergência jurisprudencial, pois, conforme entendeu a Câmara a quo, nas situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP, aplicase o art. 32A da Lei 8.212/91, mas, havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I da Lei 9430/96. Já o Acórdão paradigma considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em virtude de haver o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 615/621, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212 de 1991 c/c os artigos 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, que consiste na apresentação da GFIP sem a devida inclusão de todos os fatos geradores, no valor de valor de R$ 2.848.895,04 (dois milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, oitocentos e noventa e cinco reais e quatro centavos), conforme Relatório Fiscal de fls. 19/20. Tal infração se deu no período de 04/99 a 08/2004 e a cientificação do sujeito passivo se deu em 27/12/2004. Fl. 661DF CARF MF 4 O Acórdão recorrido concedeu parcial provimento ao recurso, para que seja excluída do lançamento a multa aplicada em face da não informação em GFIP dos fatos geradores objeto da NFLD 35.566.6871, bem como, para que efetuado o recálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no sentido de que o paradigma firma entendimento diverso do Acórdão recorrido, entendendo legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, por haver o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a Fl. 662DF CARF MF Processo nº 35464.003196/200534 Acórdão n.º 9202004.434 CSRFT2 Fl. 11 5 multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Observese que o tema tem sido amplamente debatido neste tribunal administrativo, quando se trata de aplicação das referidas multas para descumprimento de obrigações principais ou acessórias ou até mesmo de ambas conjuntamente, sendo oportuno o esclarecimento. Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto, a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Fl. 663DF CARF MF 6 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) _______________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 35464.003196/200534 Acórdão n.º 9202004.434 CSRFT2 Fl. 12 7 Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. São estas as conclusões de direito. Passando ao caso dos autos, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. Fl. 665DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para: a) quanto às competências cuja obrigação principal não foi alcançada pela decadência, promover a soma das multas, limitandoas, caso mais benéfico ao contribuinte, ao percentual de 75%; b) quanto às competências cuja obrigação principal foi alcançada pela decadência, reduzir multa ao valor previsto no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720082/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE INCENTIVO.
Deve ser mantida a glosa da dedução de incentivo quando não demonstrado o atendimento aos requisitos previstos na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado..
Numero da decisão: 2402-005.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Deve ser mantida a glosa da dedução de incentivo quando não demonstrado o atendimento aos requisitos previstos na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado..
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13227.720082/2011-61
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5707066
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.709
nome_arquivo_s : Decisao_13227720082201161.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 13227720082201161_5707066.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6703022
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950275047424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 47 1 46 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720082/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.709 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente EVI NUNES DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Deve ser mantida a glosa da dedução de incentivo quando não demonstrado o atendimento aos requisitos previstos na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 82 /2 01 1- 61 Fl. 48DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13227.720082/201161 Acórdão n.º 2402005.709 S2C4T2 Fl. 48 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2009 (fls.10/13). O lançamento decorreu da glosa do valor de R$ 1.909,31, indevidamente deduzido a título de dedução de incentivo, correspondente à diferença entre o valor declarado e o valor das doações informadas em Declaração de Benefício Fiscal (DBF) pelas entidades beneficiárias das doações (R$0,00). O contribuinte apresentou impugnação (fls 4/6), alegando, em síntese, que efetuou diretamente a fundo de assistência da criança e do adolescente, sendo regular a dedução. Na revisão do lançamento efetuada pela autoridade foi mantida a exigência (fls. 19/21), sendo no mesmo sentido a decisão da DRJ/BHE (fls. 34/37) No recurso voluntário interposto em 27/3/2015, o contribuinte defendeu que não pode ser prejudicado por eventuais falhas na irregularidade da escrituração da entidade beneficiária, a qual "encontrase em pleno funcionamento", ou por ser benevolente com a entidade mantenedora de menores. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante bem explicado pelo recorrido, para que o contribuinte possa fazer uso da dedução dos valores relativos a doações na DAA, é necessário que as doações tenham sido efetuadas diretamente aos fundos de assistência da criança e do adolescente que são controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Os fundos de assistência devem emitir comprovante em favor do doador, especificando o nome, o número de inscrição no CNPJ ou no CPF do doador, a data e o valor efetivamente recebido em dinheiro, além do número de ordem do comprovante, o nome, o número de inscrição no CNPJ, o endereço do emitente, e ser firmado por pessoa competente para dar a quitação da operação. Essas contribuições devem ser depositadas em conta específica por meio de documento de arrecadação próprio (Lei nº 9.250/95, art. 12, inciso I; Decreto nº 3.000/99, art. 102; Instrução Normativa SRF nº 258/02). O recibo apresentado à fl. 6 não supre a necessidade de atendimento às exigências legais acima referidas, sendo oportuno salientar que a instância a quo procurou, ainda, confirmar o valor em foco na Declaração de Benefício Fiscal, sem êxito. Nesse prumo, não prospera o argumento do contribuinte de que estaria sendo prejudicado pela falha na escrituração da entidade, pois se pretendia deduzir do imposto de renda os valores que visava doar para instituições do gênero, deveria ter verificado antes se a entidade beneficiária era controlada por Conselho Municipal, Estadual ou Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos termos do inciso I do art. 12 da Lei nº 9.250/95, e, além disso, cumpria as demais exigências normativas Ademais, foi salientado pela autoridade lançadora, com razoabilidade, que sequer era possível afirmar que o recibo em tela fora emitido por pessoa competente, pois nele não consta o nome nem a função exercida na entidade, pelo signatário.. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721297/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.234
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.721297/2012-40
conteudo_id_s : 5682963
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-000.234
nome_arquivo_s : Decisao_16327721297201240.pdf
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 16327721297201240_5682963.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6655691
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950276096000
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-14T17:45:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-02-14T17:45:25Z; Last-Modified: 2017-02-14T17:45:25Z; dcterms:modified: 2017-02-14T17:45:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-02-14T17:45:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-02-14T17:45:25Z; meta:save-date: 2017-02-14T17:45:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-02-14T17:45:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-02-14T17:45:25Z; created: 2017-02-14T17:45:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2017-02-14T17:45:25Z; pdf:charsPerPage: 974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-14T17:45:25Z | Conteúdo => S1-C2T1 Fl. 1 1 S1-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721297/2012-40 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201-000.234 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de janeiro de 2017 Assunto IRPJ Recorrente ITAU UNIBANCO HOLDING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar,Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 2 2 Relatório 2.21. O Recorrente, supra qualificado, entregou por via eletrônica os PER/DCOMP relacionados de fls. 04 a 33,nos quais pleiteia as compensações de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao período de apuração findo em 31/12/2006. 2. No Despacho Decisório de fls. 779 a 800, a autoridade fiscal consigna, em síntese, o seguinte: 2.1 O presente processo analisa PER/DCOMP com crédito de "Saldo Negativo do IRPJ" apurado na DIPJ 2007, Ano-Calendário 2006, no valor de R$ 135.803.100,68 (informado nos PER/DCOMP) ou de R$ 135.718.891,48 (informado na DIPJ retificadora ativa) para a compensação de débitos. 2.1.1 Tal crédito, foi informado na ficha 12B da DIPJ 2007, resumidamente, da seguinte maneira 2.2 Na DIPJ retificadora, entregue em 31/05/2010 (nº 1564057) verifica-se o registro de lançamento de ofício tratado no processo 16327.720.327/2011-10, no qual, segundo sistema SAPLI (fls. 38), houve a alteração do lucro real declarado na ficha 09B de R$ 222.304.834,21 para R$ 238.784.594,70. No mesmo processo consta a redução do saldo negativo de R$ 135.718.891,48 para R$ 131.598.951,37, conforme "Demonstrativo de .Compensação de Valores" do Auto de Infração (fls. 743). 2.3 Com relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte o contribuinte aproveitou parte do crédito relativo ao IRRF JCP (código 5706) do qual era beneficiário para compensar com débitos de IRRF sobre JCP que o mesmo tinha que recolher e constava também na DIRF como beneficiário de IRRF sob o código 3426, conforme tabela resumo abaixo: Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 3 3 2.3.1 As fontes pagadoras e de retenção pagaram e/ou compensaram os débitos informados. O valor recebido a título de JCP foi oferecido à tributação, conforme se observa na linha 37 da ficha 06B da DIPJ (fls. 37) 2.3.2 Do exposto comprova-se a existência de IRRF em nome do Recorrente, no valor total de R$ 154.191.440,91, insuficiente para suportar a dedução de IRRF no valor de R$ 154.197.395,59 efetuada no ajuste anual do IRPJ da DIPJ 2007. 2.4 Os débitos do IRPJ Estimativa informadas na DIPJ correspondem a compensações registradas no sistema SIEF(fls. 66 a 73), no valor total de R$ 1.198.809,84, as quais foram homologadas, conforme telas de fls. 69 a 73. 2.5 No cálculo do IRPJ Estimativa referente ao mês de dezembro (fls. 44) o Recorrente informou a dedução de R$ 35.867.638,05 como "Imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital"e no cálculo da CSLL estimativa do mesmo período (fls. 51) a dedução de R$ 3.250.940,01 a este título. Na ficha 34 e 35 da mesma DIPJ (fls. 53 a 60) o contribuinte informou as empresas, lucros disponibilizados e o imposto, alegadamente pago, incidente sobre tais lucros, conforme tabela resumo abaixo: 2.5.1 O Recorrente foi Intimado através dos Termos de Intimação 134/2012 a apresentar a comprovação documental dos Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital auferidos no exterior e os registros contábeis probatórios da inclusão destes valores no Lucro Real apurado em 31/12/2006. Em resposta à intimação foi apresentada planilha com as empresas controladas contendo lucro bruto, imposto alegadamente pago e lucro liquido (fls. 108); planilhas denominadas “REP – conciliação acumulada – 31/12/2006” (fls. 111 a 152); planilha com Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 4 4 saldo da conta COSIF 7323.000.000.0005 “Receitas de ajustes – Investimentos no exterior” (fls. 109) e cópias dos balancetes (fls. 153 a 157). 2.5.4 Com relação aos comprovantes dos lucros das empresas do grupo Chile Holdings o Recorrente apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 162/165 e cópias digitalizadas de péssima qualidade das "Declaracion Mensal Y Pago Simultâneo de Impuestos Formulário 29" e cópias digitalizadas dos formulários 22 “ Impuestos anuales a la Renta”( fls. 328/525). Ambos os formulários foram obtidos pela internet, sendo que os formulários 29 contem carimbo do com as informações “Servicio de Impuestos Internos – www.sii.cl” e “Recibida e Pagadas por Internet”. Os valores mensais do IR pago no exterior de fls. 162/163 corresponde à soma do campo 62 do formulário 29 denominado PPM Neto Det., já o valor anual no mesmo demonstrativo deveria representar o valor do campo 20 dos formulários 22. Através de pesquisa realizada no sítio do "Servicio de Impuestos Internos" do Chile, no endereço http://www.sii.cl/formularios/form.htm percebe-se que o Formulário 29 é utilizado para a Declaração e Pagamento Mensal de IVA (Imposto sobre o valor agregado). Os formulários que tratam do imposto de renda são o 22 e o 22.1. Nos formulários apresentados não foi possível identificar os lucros disponibilizados auferidos pelas empresas do grupo Chile Holding, sendo só possível verificar a base de cálculo sobre a qual incide o imposto sobre a renda no campo 18 do formulário 22. Apesar de intimado a comprovar documentalmente os lucros auferidos no exterior, na moeda local e a sua conversão para Reais, o Recorrente restringiu sua resposta com a apresentação dos formulários 22 e 29, de forma que não foi possível verificar e comprovar o valor dos lucros disponibilizados pelas empresas do grupo Chile Holdings no ano de 2006. 2.5.4 Sobre a comprovação dos lucros das empresas localizadas no Uruguai (BKB Uruguay, Boston Directo, Oca Casa Financiera e Oca S/A) o Recorrente apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 164/165 e cópias digitalizadas das "Declaración de Impuestos Formulário 2/176" mensais, que contêm marca de recibo indicando “total”, e das “Declaracion Jurada Y Pago – Formulário 2/149” anuais, que referem-se, entre outros impostos, ao “Impuesto a Las Rentas de Industria y Comercio” IRIC (fls. 526 a 740). A base de cálculo do IRIC anual é informada no campo 155 do formulário 2/149 e o imposto é calculado com a aplicação da alíquota de 30% sobre este campo. Apesar de intimado o Recorrente não apresentou demonstrativo com a conversão dos valores dos Lucros auferidos de Pesos Uruguaios para Reais. Utilizando-se a taxa média informada pelo contribuiNte às fls. 164/165 (11,24) resultaram nas divergências apontadas no quadro abaixo: Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 5 5 2.5.4 Não foi apresentado nenhum documento probatório referente aos lucros auferidos pela Itaú Holding Cayman. 2.6 Com relação aos comprovantes de pagamento dos impostos apurados no exterior, o Recorrente não apresentou nenhum documento reconhecido pelo órgão arrecadador e nem pelo Consulado da Embaixada brasileira no país de incidência do imposto, conforme determina o § 2º do artigo 26 da Lei 9.249/95. O Recorrente apresentou legislações tributárias do Uruguai (fls. 208/230) e do Chile (fls. 231/320); A Lei n° 9430/96 determina a possibilidade de dispensa da obrigação a que se refere o § 2° do art. 26 da Lei n° 9.249/1995, quando se comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital faça previsão expressa da incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. 2.6.1 Os valores dos impostos pagos no exterior constantes dos demonstrativos de fls. 162 a 165 foram obtidos pela soma dos valores dos campo 062 – PPM Neto Det dos formulários 29 (fls. 328/525) para as empresas do Chile e pela soma dos campos 34 dos formulários 2/176 (fls. 526/740) para as empresas do Uruguai. Tomando por base os demonstrativos de fls. 162 a 165 e comparando com os valores constantes nos formulários 22 do Chile e nos formulários 2/149 do Uruguai, utilizando a taxa média de conversão dos mesmos demonstrativos, obtêm-se divergências nos impostos anuais apurados, a maior nos demonstrativos, de R$ 13.820.979,99 para as empresas do Grupo Chile Holdings e de R$ 868.998,44 para as empresas do Uruguai, conforme visto nas planilhas de fls. 789 e 790. Como os valores dos demonstrativos serviram de base para o cálculo do imposto pago no exterior informado na DIPJ 2007, observa-se um aproveitamento indevido no Brasil na monta destas divergências. 2.7 A compensação do imposto pago no exterior com aquele devido no Brasil tem como base legal o artigo 26 da Lei 9.249/2005, o artigo 16, I da Lei 9.430/96 e é regulamentada pela instrução Normativa SRF nº 213/2002. 2.8 O cálculo da compensação do imposto de renda pago no exterior com o imposto de renda e a CSLL devidos no Brasil, utilizando-se das regras dispostas nos artigos 13, 14 e 15 da IN SRF nº 213/2002, se devidamente comprovadas, foram calculadas e poderiam ser utilizadas conforme planilhas de fls. 773 e 778, nas quais se verifica que o limite compensável para o ano de 2006 seria de R$ 35.867.638,05 e R$ 3.250.940,01 para a CSLL. Assim, mesmo ignorando a Lei e a legislação que regulam a compensação do imposto pago no exterior, ainda assim restaria indevida a utilização de R$ 2.311.382,18 para compensar débito de IRPJ em 2008, conforme consta na resposta da intimação 134/2012, item 6 (fls. 109). 2.9 Com base em todo o analisado e do saldo negativo declarado na ficha 12 B da DIPJ 2007, chegou-se à seguinte tabela: Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 6 6 3. Em razão do acima descrito foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor original de R$ 95.725.458,64, relativo ao saldo negativo do ano-calendário 2006. 3.1 Desta feita foi proposto e decidido: pela homologação expressa das Declarações de compensação constantes dos PER/DCOMP nº 33146.02693.280207.1.3.023051 e 06950.55832.140307.1.3.021530 até o limite do crédito reconhecido pela homologação por disposição legal, prevista no § 5º do artigo 74 da Lei 9.430/96, dos saldos não compensados dos débitos informados nos PER/DCOMP nº 06950.55832.140307.1.3.021530 e 29583.79692.300307.1.3.024859 e pela não homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 36454.70988.150208.1.3.022849, 09014.67359.020311.1.7.029103, 17069.36482.250411.1.7.023557 e 31033.57283.150611.1.7.029034. 4. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 17/04/2013, conforme AR (Aviso de Recebimento) de fls. 819. 5. Irresignado, o Recorrente apresentou, em 17/05/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 862 a 876, informando e alegando, em síntese, o seguinte: 5.1 Transmitiu os PERDCOMPS n°s 30650.03217.060207.1.3.023674 (original) e 17069.36482.250411.1.7.023557 (retificador), visando o reconhecimento do crédito do Saldo Negativo de 1RPJ ano-calendário de 2006 no valor original de R$ 135.718.891,48 e foi surpreendido pela prolação do despacho decisório reconhecendo parcialmente o Saldo Negativo pleiteado no valor de R$ 95.725.458,64, restando não homologada uma parcela de R$ 39.993.532,84. Embora conste no despacho decisório a Homologação total das compensações n°s 06950.55832.140307.1.3.021530 e 29583.79692.300307.1.3.024859, foram mantidos saldos em cobrança relacionados a esses pedidos, nos valores de R$ 1.880.605,40, R$ 1.858.377,63 e R$ 581.039,51 (fls. 799). 5.2 Sobre a homologação tácita dos PERDCOMPs nº 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849: Levando em consideração que tais compensações só foram analisadas pela RFB a partir do recebimento do despacho decisório, cuja intimação ocorreu em 17/04/2013, resta patente o decurso de prazo para a homologação nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96, ou seja a Receita Federal do Brasil possuía prazo de 5 (cinco) anos para fiscalizar os pedidos de compensação da Manifestante e, eventualmente, indeferir o crédito pleiteado, entretanto, só realizou tal procedimento em abril de 2013. É de se salientar que a própria RFB reconhece a homologação das compensações transmitidas no ano de 2007 (conforme fls. 799 dos autos), mas mantém saldos dos débitos em cobrança e, não bastasse isso, ainda houve o Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 7 7 recebimento da carta cobrança nº 43 na qual são exigidos os débitos relativos, inclusive, às compensações homologadas. Assim, o despacho decisório deve ser reformado em razão da homologação tácita do crédito levado a efeito pela Manifestante nos PERDCOMPs n°s 06950.55832.140307.1.3.021630, 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849. 5.3 Da leitura do despacho decisório, percebe-se que não foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 39.993.532,84 decorrentes, principalmente, da não confirmação do imposto pago no exterior (R$ 35.867.638,05) e da redução do saldo negativo em decorrência do crédito tributário constituído no processo nº 16327.720327/201110 (R$ 4.119.940,11). O que não merece prosperar 5.4 Sobre a comprovação do imposto pago no exterior: O manifestante apurou como imposto pago no exterior o montante de R$ 41.429.960,24 e utilizou R$ 35.867.638,05 para deduzir do imposto apurado no Brasil, conforme informado na ficha 11 da DIPJ 2007. 5.4.1 No item 35 do despacho decisório a fiscalização afirma que o Recorrente, apesar de intimado, não apresentou a comprovação documental dos lucros auferidos pelas empresas do grupo Chile Holdings, na moeda local e a sua conversão para Reais, de maneira que não foi possível verificar e comprovar o valor dos lucros disponibilizados pelas empresas do grupo em 2006, entretanto o lucro dessas empresas foi devidamente tributado para fins de apuração do Lucro Real, conforme demonstrativo abaixo: 5.4.1.1 A empresa Chile Holdings foi adquirida quando da aquisição do grupo Bank Boston em maio de 2006. Assim, o resultado acima refere-se tão somente ao período compreendido entre maio e dezembro de 2006. 5.4.2 No item 40 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que, apesar de intimado, o Recorrente não apresentou a comprovação documental dos lucros auferidos pelas empresas localizadas no Uruguai, na moeda local e a sua conversão para Reais, no entanto parece que a RFB extrapola os requisitos fixados na legislação ao tentar, numa análise fria dos formulários, encontrar correlação entre o lucro adicionado no lucro real e o declarado nas obrigações estrangeiras, isto porque a legislação (artigo 26 da Lei 9.249/95 e IN 213/02) só exige a tributação do lucro no exterior e os comprovantes de recolhimento no exterior reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador. Além disso considerando que o resultado tributado se refere ao período compreendido entre maio e dezembro de 2006, os valores informados a título de “Renda Anual Fiscal” se referem a todo o ano-calendário de 2006. Ressalta-se ainda que as divergências ora identificadas não foram objeto de questionamento ao manifestante no decorrer da fiscalização. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 8 8 5.4.3 No item 41 do despacho decisório há informações de que foram encontradas divergências entre o Resultado Fiscal Anual (Lucro), declarado nos Formulários 2149 (Fisco Uruguaio) e o valor do Lucro declarado nas fichas 35 da DIPJ 2007 e na resposta a Intimação (carta de fls. 108). Com relação a este assunto esclarece-se que foi compensado o imposto pago no exterior para as seguintes empresas localizadas no Uruguai: Banco Itau Uruguay S/A (ExBKB Uruguay) (R$ 10.707.786,57), Oca Casa Financeira (R$ 287.642,65) e Oca S/A (R$ 5.398.325,35), foram apresentados os comprovantes de imposto pagos no Uruguai (IRIC e/ou IRAE, às fls. 304 a 510) e apresenta-se o demonstrativo abaixo que comprova a tributação dos lucros dessas empresas na base de cálculo do IRPJ: 5.4.4 No item 42 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que não houve a comprovação documental do lucro auferido pela Itau Holding Cayman, entretanto para a legislação vigente (lei n° 9.249/95), os comprovantes de recolhimento e as disposições legais do país de origem, são suficientes para a compensação do imposto pago no exterior com o Imposto de Renda devido no Brasil não estabelecendo, como requisito para a compensação, a comprovação da relação entre o imposto recolhido e devido. 5.5 Nos itens 43 e 49 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que as cópias digitalizadas dos Formulários 29 e 22 não comprovam os pagamentos dos impostos incidentes no Chile sobre os Lucros Disponibilizados, no que, primeiramente, cumpre esclarecer que nesses formulários, são declarados os PPM (Pagos Provisionales Mensuales) e o Impuesto de la Renta de Primeira e Segunda Categoria respectivamente. Conforme disposto no “Decreto Ley nº 824” o imposto declarado e pago ao longo do ano de 2006 é informado no formulário 29 e segundo consta no sítio da internet do “Servicio de Impuestos Internos”, tais pagamentos são deduzidos do imposto de renda apurado ao final do ano, tal como ocorre no Brasil. Também no mesmo diploma legal o “Impuesto de la Renta” é declarado no formulário 22, o qual informa, além do imposto recolhido ao longo do ano, o imposto pago ao final do período. Foram anexadas as legislações do Chile e do Uruguai, em atendimento ao disposto no artigo 16, § 2º da Lei 9.430/96 e nos formulários apresentados consta carimbo do Fisco chileno com informação de tributo recolhido pela internet razões pelas quais resta demonstrada a comprovação do pagamento dos impostos incidentes sobre lucro. 5.6 Nos itens 48 e 49 do despacho decisório a fiscalização afirma que foram encontradas grandes divergências entre os valores, em Pesos Chilenos, do Imposto de Renda Anual declarado nos Formulários 22 e os valores informados como pagos no Demonstrativo de fls. 162/163 o que demonstraria o aproveitamento indevido no Brasil de imposto, alegadamente pago pelas empresas do Grupo Chile Holdings, no valor estimado de R$ 13.820.979,99. Tais divergências tiveram origem no cruzamento entre os formulários F29 e F22, isto porque no Formulário F22 (campo 36), o contribuinte preenche o valor do imposto recolhido no mês de dezembro, a título de antecipação e o Fisco entendeu que deveria ser preenchido com o valor do imposto recolhido durante todo o ano calendário. Além disso a RFB não considerou o tributo objeto de restituição por parte da Receita Federal Chilena que foram recolhidos pelo Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 9 9 Manifestante, sem contar que a RFB ultrapassou os limites e critérios para a utilização do IR pago no exterior ao apontar divergências de apuração fiscal que não é de sua competência. 5.7 Nos itens 50 e 56 do despacho decisório o Fisco afirma que as cópias digitalizadas dos Formulários 2176 e 2149 das empresas localizadas no Uruguai não comprovam os pagamentos dos impostos incidentes sobre os Lucros Disponibilizados, no entanto, segundo informação do sítio da internet do Fisco Uruguaio, a liquidação dos impostos se dão por meio de declaração do contribuinte realizada por meio dos formulários apresentados, de forma que fica comprovado o pagamento dos impostos no Uruguai. 5.8 Nos itens 55 e 56 do despacho decisório consta terem sido encontradas divergências para a empresa OCA, localizada no Uruguai, entre o valor, em Pesos Uruguaios, do Imposto de Renda Anual declarado no Formulário 2/149 e o valor informados como pago no Demonstrativo fls. 164/165; o que comprovaria um aproveitamento indevido no Brasil de imposto, alegadamente pago pela empresa OCA, no valor estimado de R$ 868.998,44. No "formulário 2/149" são declaradas todas as antecipações de imposto (IRIC) que constam no "formulário 2/176". Ocorre que, o total antecipado informado pela empresa OCA no "formulário 2/149" divergiu da soma das antecipações do formulário 2/176, contudo a RFB aqui também ultrapassou os limites e critérios para a utilização do IR pago no exterior, conforme já explicado anteriormente. 5.9 Sobre a compensação integral do imposto alegadamente pago no exterior, desrespeitando os limites estabelecidos pela legislação, conforme mencionado no item 65 do despacho decisório, os esclarecimentos e documentação apresentadas nos itens anteriores rechaçam tais apontamentos. 5.10 Sobre a indevida redução do saldo negativo: Outro motivo que levou a autoridade fiscal a homologar parcialmente o crédito pleiteado pelo Manifestante foi a redução do Saldo Negativo de 2006, efetuada de ofício pela RFB, em razão da constituição de crédito tributário levado a efeito nos autos do processo administrativo n° 16327.720327/201110, cujo auto de infração foi lavrado para a exigência de multa isolada, por suposta falta de recolhimento das estimativas de CSLL e IRPJ do período de dezembro de 2006 e 2007, bem como a exigência de CSLL pela suposta ausência de tributação sobre receitas decorrentes de investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. O processo está em discussão junto ao CARF, razão pela qual tal parcela (R$ 4.119.940,11) não poderia ser reduzida do Saldo Negativo do ano de 2006 até o encerramento da lide. Ressalte-se que no referido processo a Receita Federal verificou todos os pagamentos efetuados no exterior e não glosou nenhum deles, o que corrobora com todo o aqui alegado. 5.11 Por fim, requer seja reformado o despacho decisório com a consequente homologação da compensação e também o cancelamento da carta cobrança 43/2013, emitida nos autos do processo administrativo nº 16327.720441/201323, no qual se exige débitos dos pedidos de compensação em tela. Protesta ainda pela juntada dos documentos anexos e de outros que se fizerem necessários. Da decisão da DRJ/SPI Através do acórdão n. 16-51.813 de 17/10/13, a 8. Turma da DRJ/SPI, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 10 10 Recurso Voluntário Diante da decisão desfavorável, foi apresentado Recurso Voluntário através do qual a Recorrente ratificou suas alegações expostas em Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, portanto, merece ser conhecido. Resumo dos fatos O objeto do presente processo é o pedido de compensação do saldo negativo do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 135.718.891,48, cuja análise da Receita Federal resultou no Despacho Decisório da DEINF que reconheceu apenas o valor de R$ 95.725.358,64. Assim, resta em discussão o valor de R$ 39.993.532,84 que é composto por valores de imposto pago no exterior (R$ 35.867.638,05) e redução de ofício do saldo negativo no montante de R$ 4.119.940,11 em razão de cumprimento de decisão proferida nos autos do processo n. 16327.720327/2011-10. Mérito Como já destacado no relatório, o objeto de discussão nos autos se refere à compensação do saldo negativo de IRPJ de 2006 no valor de R$ 135,7 milhões, no qual fora reconhecido pela DEINF/SP apenas o valor de R$ 95,7 milhões. O valor em litígio, portanto, se refere a exatos R$ 39.993.532,84 que pode ser dividido em duas partes distintas: i-) imposto pago no exterior no valor de R$ 35.867.638,05 e ii-) redução de ofício do saldo negativo no valor de R$ 4.119.940,11, decorrente de lançamento efetuado com base no que fora decidido nos autos do processo n. 16327.720327/2011-10. Do Imposto Pago no Exterior Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 11 11 A Recorrente efetuou a dedução no Brasil de parte (R$ 35.867.638,05) do imposto de renda pago por suas subsidiárias estabelecidas no Chile e no Uruguai, cujo valor total é de R$ 41.429.960,24. O valor compensado de R$ 35.867.638,05 foi declarado na ficha 11 da DIPJ da Recorrente, conforme consta nos autos. A Receita Federal no Brasil não reconheceu os mencionados recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai em razão de ausência de comprovação não somente dos lucros auferidos por tais empresas em 2006, mas também dos recolhimentos efetuados. Neste ponto, me parece que a questão é mais fática que jurídica, ou seja, o que deve ser aqui avaliado é se, realmente, estão nos autos as comprovações necessárias para o aproveitamento do imposto pago no exterior. Para uma análise completa dos créditos discutidos, é necessário se fazer uma análise de cada item no Despacho Decisório combatido pela ora Recorrente. Primeiramente, cabe enfrentar o item do despacho decisório relacionado à alegada ausência de comprovação dos lucros auferidos pelas empresas controladas pela Chile Holdings em 2006. Em análise deste este ponto, pude localizar nos autos do processo (fls 934 e seguintes), os devidos registros tanto em Livro Diário quanto em Balanço das Demonstrações Financeiras da empresa Chile Holdings que é a entidade que consolida o resultados de suas subsisdiárias. Conforme documentos de fls. 923, o resultado da empresa Chile Holdings, o lucro líquido antes do IR no valor R$ 104.477.671,89, bem como, o montante do imposto de renda de R$ 28.293.349,28 e, por fim, o lucro líquido do período no montante de R$ 76.184.322,61 foram devidamente informados na Ficha 35 da DIPJ/06. Assim, pela documentação acostada, me parece não restar dúvidas acerca do oferecimento dos lucros auferidos pela empresa Chile Holdings e controladas à tributação. Na seqüência, cabe avaliar o ponto do Despacho Decisório relacionado à alegação de que não houve comprovação dos lucros auferidos pelas empresas estabelecidas no Uruguai na moeda local e a correspondente conversão em Reais. A discussão aqui se refere à correlação direta entre os valores de lucro informados nas declarações uruguaias e o valor do lucro adicionado para fins de apuração do Lucro Real no Brasil. Aqui, a ora Recorrente traz informação de que o valor oferecido à tributação no Brasil se refere tão somente ao período compreendido entre os meses de maio e dezembro de 2006, momento posterior à aquisição das empresas no Uruguai, ao passo que os montantes informados como Renda Anual Fiscal na declaração uruguaia se refere a todo o ano de 2006 (janeiro a dezembro), o que explica a divergência. Além da explicação matemática trazida pela Recorrente aos autos, que justifica a diferença encontrada entre os valores declarados no Uruguai (período integral de 2006) e no Brasil (período parcial - maio a dezembro), me parece que a exigência de demonstração desta Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 12 12 correlação direta de valores não possui fundamento legal, o que indica desrespeito ao Princípio da Legalidade. Isso porque, o art. 26 da Lei n. 9.249/95 e a Instrução Normativa 213/02, trazem como condições para utilização do imposto pago no exterior apenas a i-) tributação do lucro da empresa no exterior para fins de IRPJ/CSLL e ii-) comprovação dos recolhimentos devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador local. Tenho convicção de que não há dispositivo legal que obrigue o contribuinte a demonstrar aos fisco brasileiro a correlação direta entre os valores constantes nas obrigações acessórias estrangeiras e o valor informado no Brasil, não podendo tal alegação servir de base para glosa da utilização do imposto pago no exterior. Ainda com relação às empresa sediadas no Uruguai, consta no Despacho Decisório ora combatido que foram encontradas divergências entre o Resultado Fiscal Anual declarado no Formulário 2149 (Uruguai) e o valor do lucro declarado na ficha 35 da DIPJ/06. Informa a Recorrente que compensou imposto pago no Uruguai pelas empresas Banco Itau Uruguay S/A (BKB Uruguay), Oca Casa Financeira e Oca S/A e traz aos autos (fls 304 a 510), os devidos comprovantes de recolhimento. Em sede de Impugnação, a ora Recorrente traz quadro que demonstra os lucros apurados pelas mencionadas empresas uruguaias. Também me parece, neste ponto, que restou comprovada a tributação do lucro no Uruguai e o devido registro em DIPJ, restando aqui pendente a análise da validade dos comprovantes de recolhimento apresentados. Cabe ressaltar, a Recorrente juntou aos autos a versão traduzida das legislações tributáveis do Chile e do Uruguai, aplicáveis ao caso em questão em sede de Recurso Voluntário, não obstante tais legislações já tivessem sido apresentadas à autoridade fiscal , contudo, no idioma local. Em suma, me parece até aqui que a ora Recorrente demonstrou fortes evidências de que cumpriu as exigências legais para aproveitamento do imposto pago no exterior (Chile e Uruguai), pois, apresentou: i-) declarações do Chile (Formulário 22 - anual e 29- estimativas) e Uruguai (Formulários 2149- anual e 2176- estimativas); ii-) transcrição das demonstrações financeiras das empresas no exterior em Livro Diário e Balanço no Brasil; iii-) registro dos lucros das empresas no Chile e Uruguai em DIPJ (fichas 34 e 35) e iv-) legislação tributária do Chile e do Uruguai aplicável ao IRPJ e v-) comprovantes de recolhimento. Contudo, restou ainda, dúvida acerca da validade dos comprovantes de recolhimento (Uruguai e Chile) apresentados, vez que não haviam sido autenticados pelo consulado do Brasil em tais jurisdições e, este foi um fator explorado com ênfase na decisão da DRJ ora Recorrida. Neste sentido, não obstante os comprovantes já houvessem sido juntados aos autos por ocasião da Impugnação, veio a ora Recorrente apresentar em momento posterior à apresentação do Recurso Voluntário, os comprovantes de recolhimento devidamente consularizados, o que reforça seus argumentos no sentido de efetiva comprovação do que fora pago no exterior. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.721297/2012-40 Resolução nº 1201-000.234 S1-C2T1 Fl. 13 13 Dada a importância de tais documentos para final comprovação das evidências que já haviam sido trazidas aos autos e em homenagem à busca da verdade material tão valorizada neste Conselho, entendo que tais documentos devam ser considerados para fins de julgamento por esta turma. Contudo, em razão da grande quantidade de documentos (comprovantes de recolhimento) e do fato de se encontrarem em moeda estrangeira, entendo que seria temeroso que tal processo de verificação das provas para fins de comprovação integral do imposto pago no exterior e aproveitado pela Recorrente fosse efetuado pelos Conselheiros desta turma. Assim, julgo necessário um trabalho de verificação completa e detalhada pela Delegacia de origem, de forma que seja apontado, de forma taxativa, que os comprovantes apresentados são equivalente e suficientes aos imposto compensado no Brasil. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem faça a análise dos comprovantes dos recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai, apresentados na forma consularizada pela Recorrente e apresente relatório conclusivo acerca da correspondência e suficiência de tais recolhimentos com o imposto utilizado no Brasil no ano-calendário de 2006. O encaminhamento proposto para diligência deve se realizar de forma vinculada aos processos administrativos 16327.720527/2012-53. Após, intime-se a Recorrente para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e retornem os autos para análise por esta Turma de Julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator Fl. 1193DF CARF MF
score : 1.0
