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Numero do processo: 13227.900241/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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3402­006.474  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  REGIME  MONOFÁSICO.  AQUISIÇÃO  DE  COMBUSTÍVEIS.  DIREITO  A  CRÉDITO.  FRETE.  REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE.   O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao  crédito  correspondente  aos  produtos  adquiridos  para  revenda,  mas  excetua  textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são  tributados  pela  Contribuições  pelo  regime  monofásico  (artigo  3º,  inciso  I,  alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente  ao  frete  pago  pelo  comprador  do  combustível  para  revenda,  que  compõe  o  custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é  uma  operação  autônoma  em  relação  à  aquisição  do  combustível,  paga  à  transportadora, na sistemática de incidência da não­cumulatividade. Sendo os  regimes  de  incidência  distintos,  do  produto  (combustível)  e  do  frete  (transporte),  permanece  o  direito  ao  crédito  referente  ao  frete  pago  pelo  comprador do combustível para revenda.   CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO.  BENS  DE  PEQUENO  VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS.   Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia,  ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e  hidráulicas)  utilizados  em  construção,  benfeitoria  ou  reforma,  devem  ser  ativados,  independentemente  do  custo  unitário,  tendo  em  vista  a  sua  utilização  conjunta  e  incorporação  ao  imóvel  (artigo  79  e  81,  inciso  II  do  Código Civil).  Dessarte,  os  dispêndios  com materiais  de  construção,  assim  como  se  dá  com  as  benfeitorias,  devem  ser  contabilizados  no  ativo  imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição  ao PIS e COFINS na forma de depreciação.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 41 /2 01 4- 51 Fl. 302DF CARF MF     2 CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  ALUGUÉIS  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  VINCULADOS A BENFEITORIAS.   Os  dispêndios  com  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  destinados  à  realização  de benfeitorias  devem  ser  contabilizados  no  ativo  imobilizado  e,  como  tais,  somente  geram  direito  de  crédito  de  PIS  e  Cofins  na  forma  de  depreciação.  CRÉDITOS  DE  PIS/COFINS.  RESSARCIMENTO.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125.   Por expressa vedação  legal, não  incide atualização monetária sobre créditos  da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da  Lei nº 10. 833, de 2003.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  Colegiado,  por maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento ao Recurso Voluntário para  reverter as glosas  referentes aos gastos com frete na  aquisição de combustíveis para  revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins  de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Diego  Diniz  Ribeiro, Maria  Aparecida Martins  de  Paula, Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Cynthia  Elena  de  Campos,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz  e  Waldir Navarro Bezerra.  Relatório  Trata­se de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte,  sobre  crédito  relativo  à  Contribuição ao PIS e a COFINS.  Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de  detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis:  Trata­se  de Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  de  Jiparaná­RO  (fls.  31),  que  deferiu  parcialmente/indeferiu  o  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte  através  do  PER  n°  22960.36861.280211.1.1 10­6408   Através  do  referido  PER,  o  contribuinte  solicitou  o  ressarcimento de R$ 20.104,61, a  título de Pis Não Cumulativo  Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 334          3 Mercado  Interno  do  período  de  apuração  4º  Trimestre/2010,  com a subsequente compensação de débitos, através de DCOMP,  tendo a RFB reconhecido o crédito de R$ 0,00.  A  diferença  se  de  deu  em  razão  das  glosas  dos  seguintes  créditos:   1.  créditos  indevidos  sobre  gastos  com  frete  na  aquisição  de  combustíveis para revenda;   2.  créditos  indevidos  sobre  gastos  com  a  realização  de  benfeitorias;   3.  créditos  indevidos  sobre  locações  de  máquinas  e  equipamentos utilizados em benfeitorias;   4.  créditos  indevidos  apurados  sobre  a aquisição  de  bens  para  revenda sujeitos à incidência monofásica;   5.  créditos  indevidos apurados sobre a devolução de vendas de  bens sujeitos à incidência monofásica;   As glosas se deram no âmbito de procerdimento auditoria levada  a efeito para apurar os créditos de PIS e Cofins declarados pelo  contribuinte  em  DACON  no  ano  calendário  2010.  As  glosas  foram objeto de Manifestação de Inconformidade nos processos  abaixo discriminados.    Esses processos, por tratarem de matérias conexas, decorrentes  dos  mesmos  fatos,  estão  sendo  julgados  conjuntamente  na  presente sessão.   O  detalhamento  e  a  fundamentação  das  glosas,  bem  como  a  apuração dos saldos credores/devedores de PIS e Cofins, mês a  mês, constam do Relatório Fiscal de fls. 35/216.   A relação das notas fiscais objeto de glosa consta dos Anexos I a  IV.   Fl. 304DF CARF MF     4 Ciente  do  Despacho  Decisório,  o  contribuinte  apresentou  tempestivamente, conforme Despacho de fl. 245, a Manifestação  de Inconformidade de fls. 3/31, alegando em síntese que:  Do direito de crédito:    a  Recorrente  realiza  a  venda  de  gasolinas,  óleo  diesel  e  demais  combustíveis,  sendo  seus  produtos  destinadas  ao  mercado interno e tributados à alíquota zero para PIS e Cofins,  conforme determina a legislação vigente;    a Recorrente, com base no artigo 3º das Leis 10.637/2002  para  PIS  e  artigo  3º  da  Lei  10.833/2003  para  COFINS,  realizou  créditos  sobre  insumos  e  serviços  necessários  a  atividade que exerce. No entanto, cabe ressaltar, que não se  apropriou de créditos  sobre a aquisição de combustíveis,  já  que estes  são  tributados pelo  regime monofásico e não dão  direito a créditos;    considerando que seu produto final é tributado à alíquota  zero, com base no artigo 17 da Lei 11.033/2004 e artigo 16  da  Lei  11.116/2005  a  empresa  protocolou  através  do  programa  Perdcomp  os  pedidos  de  ressarcimento  dos  créditos  vinculados  a  saídas  para  o  mercado  interno,  bem  como  apresentou  para  o  período  a  Dacon  a  fim  de  demonstrar  a  apuração  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  Cofins;   Créditos  indevidos  sobre  gastos  com  frete  na  aquisição  de  combustíveis para revenda:    o agente fiscal  transcreveu toda esta legislação para dizer  que  há  vedação  expressa  para  desconto  de  créditos  sobre  aquisições  de combustíveis  e,  por extensão,  também “não  há  como  permitir  o  desconto  de  créditos  em  relação  ao  frete,  o  qual compõe o custo de aquisição de tais bens (combustíveis)”  (cfe Relatório Fiscal – pg 21);    a redação da norma que exclui os combustíveis da base de  crédito  é  clara. E  com  base  nesta  norma  que a Recorrente  não  tomou créditos de PIS e Cofins  sobre  as  aquisições de  combustíveis.  No  entanto,  em  momento  alguma  qualquer  norma  relativa  ao PIS  e Cofins  disciplinou  qualquer  regra  acerca de custo ou insumos/serviços vinculados;     o  artigo  3º  das  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  autoriza  expressamente  que  as  empresas  submetidas  ao  regime  não  cumulativo poderão creditar­se de “bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços,  na  produção,  na  fabricação de bens ou produtos destinados à venda”;    o  frete  é  um  insumo  necessário  e  imprescindível  para  a  realização  da  atividade  comercial  a  que  se  propõem  a  Recorrente.    o frete é uma operação comercial totalmente independente  da  compra  do  combustível,  tem  fornecedores  distintos  e  Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 335          5 documentos  fiscais  (NFs)  distintos,  de  forma  que  o  pagamento deste serviço independe da operação “compra de  combustível”;     a  Receita  Federal,  através  da  IN  404/2004,  conceituou  insumo para  fins de créditos de Cofins  e atribuiu o  conceito  que  se  aplica  ao  IPI,  pois  conceituou  insumos  apenas  para  empresas  que  realizam  a  fabricação  de  algum  produto.  Ao  editar tal norma, a RFB foi além do seu dever de normatizar,  ao tentar impor um conceito restritivo e oriundo das regras de  IPI,  já  que  o  conceito  estabelecido  pela  IN  remete  à  fabricação ou produção, desgaste e alteração;    a questão já foi  tema de decisões do CARF e de  tribunais  judiciais que em suas decisões entenderam que os créditos de  PIS/Cofins devem abranger todo custo ou despesa necessária  à atividade da empresa;     da  mesma  forma  que  vem  decidindo  o  CARF  e  os  Tribunais,  as  Soluções  de  Consulta  da  Receita  Federal  também  dispõem  neste  sentindo,  reconhecendo  inclusive  o  frete sobre compras como insumo.   Créditos  indevidos  sobre  gastos  com  a  realização  de  benfeitorias:    a empresa trata como benfeitorias as definidas nos §§ 2º e  3º  do artigo  96 do Novo Código Civil,  Lei 10.406,  de 10 de  janeiro de 2002, a saber: “São necessárias as que têm por fim  conservar o bem ou evitar que se deteriore” ou ainda, “podem  facilitar seu uso”;    todas as manutenções e reparos necessários à conservação  das  instalações,  prédio  e  reformas  da  estrutura  física  da  empresa,  necessárias  e  utilizadas  para  realização  da  atividade  fim  da  empresa,  são  lançados  a  título  de  benfeitorias;    o regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 em seu artigo  301,  define  o  tratamento  dado  as  pequenas  despesas  e  dita  que os custos de aquisição cujo valor sejam de até R$ 326,61  ou se de valor maior e que  sua vida útil  seja de até um ano  podem  ser  lançadas  diretamente  como  custos,  sem  serem  imobilizadas;    as  benfeitorias  são  de  valores  inferiores  ao  limite  ou  de  vida  útil  menos  que  um  ano,  foram  lançadas  direto  como  custos no mês incorrido, portanto não sofrem depreciação;    para que funcione adequadamente e o cliente se sinta bem,  constante­mente  são  realizados  benfeitorias  em  todo  o  empreendimento;   Fl. 306DF CARF MF     6   como  há  grande  movimentação  de  veículos  pesados  no  pátio, como o calçamento é a base de lajota, constantemente  são  realizados  reparos  no  pátio  e  nos  muros  que  cercam  o  estabelecimento,  com  a  utilização  de  pó  de  pedra,  areias,  cimentos, brita, etc. e com geração de entulhos;    na área de abastecimento, como já afirmado, caminhões de  grande  porte  circulam  nas  rampas,  constantemente  há  reparos,  com  a  utilização  de  ferragens,  cimento,  brita,  pinturas em geral, sinalizações, troca de telhas da cobertura,  manutenção em forros de PVC, gerando entulhos, etc;     no  que  se  refere  aos  banheiros  destinados  aos  motoristas,  sempre ocorre quebra de pias e vasos sanitários, culminado com  sua  troca,  manutenção  de  chuveiros,  hidráulica,  lâmpadas,  instalações  elétricas,  pisos,  revestimentos,  telhados,  peças  de  reposição  do  aquecimento  solar,  pinturas  em  geral,  etc.  com  geração de entulhos;    esta é a destinação dos materiais adquiridos pela empresa, a  título de benfeitorias, em que são utilizadas na manutenção de  todas  as  instalações  e  que  são  úteis  e  necessárias  para  a  conservação do patrimônio e realização da venda;     estas  pequenas  manutenções/reparos  denominados  benfeitorias  no  caso  em  análise  são  efetuados  sem  projeto  de  execução,  de  forma  que  os  documentos  que  comprovam  sua  realização são as notas fiscais e cupons fiscais de pagamentos de  materiais  e  serviços,  todas  já  apresentados  ao  Auditor  e  integrantes a este processo;    na  verdade,  benfeitorias  são  obras  ou  gastos  realizados  na  coisa  imóvel,  com  a  finalidade  de  conservá­la, melhorá­la  ou  embelezá­la, com o intuito na atividade comercial, em dar boa  aparência  ao  ambiente  e  atrair  o  cliente.  Se  essas  obras  ou  gastos  mudassem  a  natureza  da  coisa  imóvel,  aí  sim  deveria  haver  um  projeto,  não  podendo  então  ser  consideradas  como  benfeitorias  e  sim  como  imobilizações  e  sofreriam  a  depreciação ou a amortização em caso de bens de terceiros;   Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos  utilizados em benfeitorias.    o  Auto  de  Infração  glosou  integralmente  os  valores  dos  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  pagos  à  Pessoas  Jurídicas;     o  art.  3°  inciso  IV  das  Leis  nºs  10.637/2002  (PIS)  e  10.833/2003  (Cofins)  é  expresso  em  admitir  o  desconto  de  crédito  de  de  “aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”;    no entanto, o agente fiscal fundamentou sua glosa no fato de  tais  máquinas  e  equipamentos  terem  sido  alugados  para  realização das benfeitorias em prédios próprios e de terceiros e  nesta condição deveriam estas despesas ter sido imobilizadas e  os  créditos  tomados  através  dos  encargos  e  depreciação  e  amortização;   Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 336          7  a legislação é clara quando autoriza a realização de créditos  sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que pagos à  pessoa jurídica. Somente isso;     a  legislação  que  autoriza  o  lançamento  de  créditos  sobre  aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas  não estabelece qual deverá  ser a  contabilização de  tal  serviço,  tampouco determina o que deve ser imobilizado ou não;   Créditos  indevidos  apurados  sobre  a  aquisição  de  bens  para  revenda sujeitos à incidência monofásica:    a Recorrente  equivocadamente  considerou  como  tributadas  alguns  tipos  de  mercadorias  que  tem  incidência  monofásica  para  PIS  e  Cofins,  conforme  apontou  o  agente  fiscal  em  seu  relatório, no qual relacionou os itens excluídos;    é correta a referida exclusão, se confirmada a tomada de  créditos de produtos monofásicos. Mas também será correta  a análise da base de débitos, já que a Recorrente oferecia a  tributação todos os produtos sobre os quais tomava crédito;     em  momento  algum,  o  Auditor  Fiscal  manifestou­se  no  Relatório Fiscal  acerca  dos  pagamentos  indevidos  efetuados  pela  Recorrente.  Também  não  apresentou  qualquer  demonstrativo  de  cálculo  que  pudessem  contemplar  tais  ajustes;    assim,  para  que  a  glosa  de  tais  itens  esteja  correta  é  preciso que se analisem os tipos de produtos, se monofásicos  ou não e,  também a base de débitos, para que o ajuste seja  correto;     desta  forma,  é  justo  e  correto  que  tais  valores  sejam  revistos,  tanto  em  relação  ao  débito  quanto  em  relação  ao  crédito;    desde já requer­se tal ajuste, para que a empresa não seja  duplamente  prejudicada,  tendo  em  vista  que  o  Despacho  Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito.   Créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de  bens sujeitos à incidência monofásica:     indevidamente  a  recorrente  tomou  créditos  sobre  devolução  de  mercadorias  que  tem  incidência  monofásica  para PIS e Cofins conforme apontou o agente fiscal em seu  relatório, no qual relacionou os itens excluídos;     a  contabilização  dos  créditos  na  devolução  de  vendas  de  mercadorias sujeitas à incidência monofásica é prova de que  a empresa tributou indevidamente esses produtos na saída;   Fl. 308DF CARF MF     8  desta  forma,  é  justo  e  correto  que  tais  valores  sejam  revistos,  tanto  em  relação  ao  débito  quanto  em  relação  ao  crédito;    desde já requer­se tal ajuste, para que a empresa não seja  triplamente  prejudicada,  tendo  em  vista  que  o  Despacho  Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito.   Das compensações.     como  a  Requerente  faz  jus  ao  crédito  na  integralidade  solicitada,  requer  igualmente  na  integralidade  a  homologação  das  compensações  realizadas  e  não  homologadas  ou  homologadas  parcialmente  por  insuficiência  ou  inexistência  de  crédito no Despacho Decisório;   Suspensão da exigibilidade dos débitos:    de acordo com o art. 151, inciso II do CTN, o débito deve ter  sua exigibilidade suspensa;   Ao final, requer a Recorrente.   1. Seja acolhido a presente Manifestação de Inconformidade;   2. Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o  fim  de  Reconhecer  os  créditos  da  Recorrente  de  PIS  NÃO  CUMULATIVO  no  montante  de  20.104,61  referente  ao  4º  Trimestre/2010,  eis  que  apurados  na  forma  da  legislação  em  vigor e de direito;   3.  Que  sejam  incluídos  no  montante  da  base  de  cálculo  de  créditos os  valores  relativos ao  insumo  frete  sobre compras de  mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos  produtos  comercializados  pela  Recorrente,  foram  por  ela  suportados e atendem a condição de Insumo conforme determina  a legislação de regência da matéria.   4.  Que  seja  determinada  a  inclusão  na  base  de  créditos  dos  valores lançados a título de benfeitorias em imóveis próprios e  de  terceiros,  eis  que  atendem  o  conceito  de  benfeitoria  e  a  legislação de regência.   5.  Que  sejam  incluídos  no  montante  da  base  de  créditos  os  valores pagos a título de locação de máquinas e equipamentos  pagos  a  Pessoas  Jurídicas,  eis  que  legítimos,  conforme  comprovam  os  documentos  anexados  pela  Recorrente,  e  que  atendem a legislação de regência da matéria;   6. Que, seja determinada também a revisão da base de cálculo  dos  débitos,  para  o  fim  de  ajustar  os  valores  efetivamente  devidos, já que a Recorrente tributou todos os produtos sobre os  quais tomou crédito, inclusive os supostamente sujeitos a regime  monofásico e da devolução de vendas de tais produtos;   7.  Que  em  relação  a  todos  os  itens  acima  sejam  afastadas  interpretações  equivocadas  e  diversas  das  constantes  nas  Leis  Fl.  30  29  10.633/2002  e  10.833/2003,  eis  que  tais  normas  são  claras e não cabe a agente fiscal criar novas regras;   Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 337          9 8. Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do  crédito  tributário  em  face  das  disposições  do  artigo  151  do  Código  Tributário  Nacional  até  que  seja  proferido  despacho  decisório definitivo;   Sobreveio então o Acórdão da 5ª Turma da DRJ/FOR, negando provimento à  manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos:     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS    Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010  PIS/COFINS.  EMPRESA  DISTRIBUIDORA  OU  REVENDEDORA.  FRETE  NA  AQUISIÇÃO  DE  COMBUSTÍVEIS. Os distribuidores e varejistas de combustíveis,  tributados à alíquota zero de PIS e Cofins nas vendas, em razão  do regime monofásico, não podem creditar­se dos custos de frete  incidentes na compra dos combustíveis.   BENFEITORIAS.  Os  dispêndios  com  benfeitorias,  sejam  elas  necessárias,  úteis ou voluptuárias,  devem ser  contabilizados no  ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito  de PIS e Cofins na forma de depreciação.   BENFEITORIAS.  BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA  ÚTIL  INFERIOR  A  UM  ANO.  Os  materiais  de  construção  adquiridos  em  grande  quantidade  (concreto,  areia,  ferragens,  pisos,  forros  e  revestimentos,  materiais  para  instalações  elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou  reforma,  devem  ser  ativados,  independentemente  do  custo  unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação  ao imóvel (art 43 do CC).   ALUGUÉIS  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  destinados  à  realização  de  benfeitorias  devem  ser  contabilizados  no  ativo  imobilizado  e,  como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na  forma de depreciação.   DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos em que se discute direito  creditório, sua comprovação  incumbe ao contribuinte, que deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência  ou  perícia  a  suprir  deficiência  probatória, seja do contribuinte ou do fisco.  Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, em  que repisa os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Contudo, não  foram  objeto  de  recurso:  i)  a  exclusão  dos  créditos  sobre  bens  para  revenda  sujeitos  à  incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; ii) a exclusão dos créditos sobre  devolução  de  vendas  de  bens  sujeitos  à  incidência monofásica  da Contribuição  ao  PIS  e  da  Fl. 310DF CARF MF     10 COFINS. Ademais,  foi  apresentado  novo  tópico  acerca  do  direito  à  atualização  dos  créditos  pleiteados pela taxa Selic.  É o relatório.  Voto             Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora    Os  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso  voluntário  encontram­se  devidamente preenchidos, de modo que passo a apreciação do mérito.  Mas antes, saliento que este processo está sendo julgado conjuntamente com  os  demais  processos  de  ressarcimento,  bem  como  com  o  auto  de  infração  lavrado  contra  a  Recorrente, sendo que as razões adotadas neste último são aqui aplicadas.  1.  Créditos  indevidos  sobre  gastos  com  frete  na  aquisição  de  combustíveis para revenda  A Recorrente é empresa dedicada preponderantemente ao comércio varejista  de combustíveis e lubrificantes, conforme se depreende do seu Contrato Social e é salientado  pela autoridade lançadora no Relatório fiscal, nos seguintes termos: "a atividade comercial da  contribuinte,  consiste,  resumidamente,  na  revenda  de  combustíveis  e  lubrificantes  (Matriz  –  Vilhena/RO e Filial 1 – Porto Velho/RO), com exceção da Filial 2 – Vilhena/RO, denominada  “Fazenda Batista”, que tem como atividade principal o reflorestamento."  É então dentro desse específico setor da economia que deve ser analisada a  tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS no presente caso.   Pois  bem.  Os  combustíveis  (gasolina,  óleo  diesel,  querosene  de  aviação  e  outros)  a  partir  de  1º  de  julho  de  2000  são  tributados  pelas  referidas  Contribuições  pela  modalidade monofásica, incidindo uma única vez no fabricante ou importador, desonerando a  receita da venda desses produtos nos distribuidores e varejistas.  Como  é  consabido,  a  incidência monofásica  tem  por  objetivo  concentrar  a  incidência  tributária,  de  modo  que  são  aplicadas  aos  produtores  ou  importadores  alíquotas  diferenciadas,  superiores  às  básicas,  enquanto  os  demais  (atacadistas  e  verejistas)  são  tributados à alíquota zero.   Cumpre  destacar  que  a  incidência  monofásica  não  se  confunde  com  o  instituto da substituição tributária, uma vez que nesta última as receitas estão obrigatoriamente  sujeitas ao regime cumulativo, o que não acontece na primeira. Dessa forma, mesmo dentro da  sistemática monofásica,  os produtos  sujeitos às alíquotas diferenciadas poderão estar  sujeitos  ao  regime  cumulativo  ou  não  cumulativo,  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  da  pessoa  jurídica (presumido ou real, respectivamente).   Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 338          11 Ou seja,  a  incidência monofásica não é  exceção à  aplicação do  regime não  cumulativo  e,  consequentemente,  no  desconto  de  créditos  inerente  à  essa  modalidade  de  tributação. 1 Contudo, há regras na legislação que precisam ser observadas.   Quando  ocorre  a  tributação  concentrada  no  início  da  cadeia  produtiva,  não  haverá a apuração de créditos e débitos nas etapas posteriores.  Por isso é que, com relação aos varejistas, acertadamente o artigo 3º, inciso I  das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos  adquiridos para revenda, mas excetua o direito ao crédito da aquisição de combustíveis (dentre  outros produtos), os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º,  inciso I, alínea "b"). Vejamos:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos:         a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei;  Assim,  não  há  dúvida  de  que  não  poderia  a  Recorrente  tomar  crédito  dos  combustíveis que adquire para revenda. E corretamente não o fez.  Tal exceção ao creditamento dos produtos atingidos pela monofasia, contudo,  não  invalida o direito ao crédito  referente ao frete pago pelo comprador do combustível para  revenda. Explico.  Mas  antes  de  tudo,  ressalto  que  não  se  discute  aqui  o  direito  ao  crédito  segundo a regra do artigo 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS),  na condição de insumo necessário.   Com  efeito,  a  discussão  em  torno  do  que  seriam  insumos  para  fins  de  apuração de créditos da não cumulatividade das Contribuições não guarda relação com o caso  dos autos, vez que o inciso II do artigo 3º cuida de hipótese de bens e serviços, utilizados como  insumo, na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados  à venda. Essa, contudo, não é a situação da Recorrente, que pagava o frete na aquisição de bem  destinado  para  a  revenda.  A  revenda,  enquanto  operação  comercial  (como  o  atacado  e  o  varejo),  não  se  confunde com a prestação de  serviços ou  com a produção de bens,  como de  longa data vaticinam a Receita Federal, este Conselho e o Poder Judiciário.   O direito ao crédito do frete referente à compra de mercadorias para revenda,  aplicável  ao  presente  caso  decorre,  isto  sim,  do  próprio  inciso  I  do  artigo  3º  das  Leis  n.  10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS)  Tratando  especificamente  do  frete  de  empresas  varejistas,  a  doutrina  já  se  manifestou  em  diversas  ocasiões,  exatamente  no  sentido  do  seu  resguardo  pelo  supracitado                                                              1 BERGAMINI, Adolpho. et alii. Manual do PIS e da COFINS. São Paulo: Fiscosoft Editora Ltda, 2013, pp. 367 a  369.   Fl. 312DF CARF MF     12 dispositivo legal (inciso I do artigo 3º da Lei n. 10/.833/2003 e 10.837/2002). As palavras de  Marco Aurélio Greco2 sobre o tema são as seguintes:  Assim,  quando  uma  empresa  adquire  para  revenda  determinado  bem  e  contrata  o  respectivo  transporte,  este  faz  parte  indissociável  da  aquisição  a  que  se  refere  o  inciso  "I",  ainda  que  seja  um  dispêndio  separado  do  preço  do  bem  em  sentido técnico.  Realmente,  só  tem  sentido  adquirir  para  revender  se  o  comprador  receber  o  que  comprou,  pois,  sem  isto,  não  poderá  garantir a entrega ao cliente.  Portanto, para quem compra para revenda, o direito ao crédito  de PIS/COFINS sobre o frete pago para que o bem chegue em  seu estabelecimento está abrangido pelo inc. I do art. 3º da Lei  n. 10.833/2003.   A conclusão, de fato, não poderia ser outra. Afinal, o frete compõe o custo de  aquisição do produto, conforme dispõe o artigo 289, §1º do RIR/99, vigente à época dos fatos:   Art.  289.  O  custo  das  mercadorias  revendidas  e  das  matérias­ primas  utilizadas  será  determinado  com  base  em  registro  permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de  acordo  com  o  Livro  de  Inventário,  no  fim  do  período  de  apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 14).  § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação   Nesse  sentido,  a  própria  Receita  Federal  já  se  manifestou  em  algumas  oportunidades  sobre  o  direito  ao  crédito  decorrente  do  frete  contratado  na  aquisição  de  produtos para revenda:  Solução de Consulta Nº 234, de 13 de Agosto de 2007  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  O  contribuinte  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  aos  bens  adquiridos  para  revenda  ou  utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou  produtos  destinados  à  venda.  O  valor  do  frete  incidente  na  compra  destes  bens  integra  o  custo  de  aquisição,  podendo,  portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da  COFINS.  Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833, de 2003, art. 3º; RIR/99, art.  289,§ 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66.  Assunto: Contribuição para o PIS  O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação  aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo                                                              2 PIS e COFINS ­ Fretes pagos para o transporte de Mercadorias. in PEIXOTO, Marcelo Magalhães e MOREIRA  JUNIOR, Gilberto de Castro (coords). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF ­ Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­ Volume 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p 356.  Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 339          13 de  aquisição,  podendo,  portanto,  compor  a  base  de  cálculo  na  apuração dos créditos do PIS.  Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637, de 2002; Lei Nº 10.833, de  2003,arts. 15 e 16; RIR/99, art. 289, § 1º e Instrução Normativa  SRF Nº 247, de 2002, art. 66. (grifamos).  SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 15 de 27 de Fevereiro de 2007  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­Cofins  EMENTA: FRETES NA AQUISIÇÃO Os custos de transporte até  o estabelecimento do contribuinte, pagos ou creditados a pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  integram  custo  de  aquisição  de  mercadorias destinadas à revenda, constituindo base de cálculo  dos créditos a serem descontados das contribuições devidas.  ICMS­SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Para fins de determinação  da base de cálculo da contribuição,  independentemente de qual  seja  o  regime  de  cobrança  desta,  o  contribuinte  substituto  do  ICMS pode excluir da receita bruta o respetivo valor cobrado a  título  de  substituição  tributária  destacado  em  nota  fiscal,  visto  não ter a natureza de receita própria. (grifamos)  Daí é que a própria autoridade fiscal, ao  lavrar o presente auto de  infração,  justificou a glosa no fato de que, por estar o combustível sujeito ao regime monofásico e não  gerar  direito  a  crédito  de PIS  e Cofins  na  aquisição  pelo  revendedor,  do mesmo modo,  não  geraria direito a crédito o frete respectivo, já que compõe o custo de aquisição do combustível.  Ou  seja,  admite  que,  caso  inexistente  a  questão  da monofasia  com  a  vedação  ao  crédito  do  produto,  seria  o  caso  de  se  reconhecer  o  crédito  relativo  ao  frete  contratado  pela  varejista.  Assim, o raciocínio da autoridade é claro: o frete segue a mesma sorte do produto transportado,  no que diz respeito ao direito ao creditamento.   Entretanto,  há  um  erro  na  premissa  adotada  e,  consequentemente,  na  conclusão que se chegou no lançamento tributário. Vejamos.  A  Recorrente  adquire  mercadorias  para  revenda  (combustíveis),  porém  a  empresa  vendedora  não  entrega  os  produtos  no  seu  pátio  ­  mais  especificamente,  em  seus  tanques.  Dessa  forma,  ela  precisa  contratar  serviços  de  fretes  de  outra  pessoa  jurídica  (transportadora) para que o produto chegue até seus estabelecimentos e que possa ser destinado  à venda. Este frete, enquanto receita da transportadora, é tributado pela Contribuição ao PIS e  pela COFINS.   Em  outras  palavras,  no  caso  do  frete  pago  pelo  comprador,  há  duas  notas  fiscais distintas. Uma para a distribuidora e outra para o transportador. A Distribuidora é sujeita  ao regime monofásico, mas o transportador é tributado pelo regime não cumulativo.  Nesses  termos,  fica  evidente  que  o  frete  é  uma  operação  autônoma  em  relação a aquisição do combustível.   Trata­se,  em  verdade,  de  operação  comercial  com  a  transportadora,  na  sistemática  de  incidência  da  não­cumulatividade,  sendo  que,  repita­se,  a  sua  receita  pela  transportadora é tributada pela Contribuições. Veja­se que, efetivamente, a Recorrente contrata  Fl. 314DF CARF MF     14 empresa  transportadora  para  proceder  o  frete,  emitindo  nota  fiscal  específica  para  essa  operação  (distinta daquela  emitida pela distribuidora de combustível),  conforme  informações  constantes do Anexo I do auto de infração.  Tais dispêndios, portanto, são custo de aquisição de serviços de fretes e não  custo de aquisição de combustível. Ou seja, muito embora estejam relacionadas ­ como acima  mencionado,  já  que  o  custo  do  frete  integra  o  custo  de  aquisição  do  bem  para  revenda,  nos  termos do artigo 289, §1º do RIR/99 ­ são operações distintas, com fornecedores distintos, e o  mais  importante,  regimes  de  incidência  distintos.  Dessarte,  devem  ser  analisadas  de  forma  separada no que tange ao direito crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3  Traçada  tal  premissa,  fica  clara  a  conclusão  no  sentido  de  que,  sendo  os  regimes  de  incidência  distintos,  do  produto  (combustível,  no  modelo  monofásico,  pago  ao  distribuidor) e do frete (transporte, na não­cumulatividade, pago à empresa transportadora), não  há que se falar que o destino do crédito do frete segue o mesmo daquele da mercadoria, como  fez a autoridade fiscal ao fundamentar o lançamento tributário. Pelo contrário. Justamente em  razão  da  distinção  de  regimes,  permanece  o  direito  ao  crédito  referente  ao  frete  pago  pelo  comprador do combustível para revenda, nos termos do artigo 3º, inciso I das Leis 10.833/2003  e 10.637/2002, assim como existe para qualquer outro atacadista ou varejista que trabalhe com  produtos tributados na sistemática da não cumulatividade.  Não há na legislação nada que impeça tal creditamento para empresas como a  Recorrente,  já  que  inexiste  critério  de  discrímem,  em  relação  ao  frete,  do  presente  caso  em  comparação com qualquer outra empresa atacadista ou varejista.   Inclusive, o raciocínio aqui empregado é o mesmo daquele adotado em outros  julgamentos deste Conselho a respeito da possibilidade de tomada de crédito das Contribuições  relativamente  ao  frete  de  produtos  não  tributados.  Destaco  a  seguir  passagem  do  voto  da  Conselheira Maysa De Sá Pittondo Deligne, no Acórdão 3402­003.520, a respeito do tema:  "Entretanto, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o direito  ao  crédito  pelo  serviço  de  transporte  prestado  (frete)  não  se  condiciona  à  tributação  do  bem  transportado,  inexistindo  qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao  crédito  se  refere,  APENAS,  ao  bem/serviço  não  tributado  ou  sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º  10.833/2003),  e  não  aos  serviços  tributados  que  possam  ser  a  eles relacionados, como o caso:   "Art. 3º  (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor:  (Redação  dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)   II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela  contribuição.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004)"  (grifei)   Como  evidenciado  pela  fiscalização,  não  se  discute  aqui  a  natureza da operação  sujeita ao crédito  (frete na aquisição de                                                              3 Não  é demais  reavivar  a passagem da doutrina de Marco Aurélio Greco  alhures  transcrita,  que  confirma que  tecnicamente os dispêndios com o produto e com o frete não se confundem: "assim, quando uma empresa adquire  para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se  refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico."  Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 340          15 bens  para  revenda,  tributado  e  assumido  pelo  adquirente).  O  que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do  crédito  em  razão  do  bem  transportado  ser  sujeito  à  alíquota  zero, restrição esta não trazida na Lei.   Nesse sentido, vejam­se outros acórdãos deste E. Conselho:   "(...)  CRÉDITOS.  FRETE  DE  BENS  QUE  CONFIGURAM  INSUMOS.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE  QUE  CONFIGURA  INSUMO,  INDEPENDENTE  DO  BEM  TRANSPORTADO  ESTAR  SUJEITO  À  CONTRIBUIÇÃO. O  frete  de  um  produto  que  configure  insumo  é,  em  si  mesmo,  um  serviço  aplicado  como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de  transporte  não  é  condicionado  a  que  o  produto  transportado  esteja  sujeito  à  incidência  das  contribuições.  Recurso  Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em  Parte"  (Processo  n.º  13971.005212/2009­94  Sessão  de  20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403­003.164.  Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria ­ grifei)   "Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­ Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005  (...)  COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SERVIÇOS  VINCULADOS  A  AQUISIÇÕES  DE  BENS  COM  ALÍQUOTA  ZERO.  CREDITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  É  possível  o  creditamento  em  relação  a  serviços  sujeitos  a  tributação  (transporte,  carga  e  descarga)  efetuados  em/com  bens  não  sujeitos  a  tributação  pela  contribuição."  (Processo  n.º  10950.003052/2006­56.  Sessão  de  19/03/2013. Relator Rosaldo  Trevisan. Acórdão n.º 3403­001.938. Maioria ­ grifei)  A mesma  premissa  adotada pela  fiscalização no  presente  caso,  mantida  pela  decisão  de  primeira  instância,  foi  afastada  com  veemência  e  clareza  pelo  I.  Conselheiro  Relator  Rosaldo  Trevisan  em  seu  voto  no  julgamento  do  último  acórdão  acima  ementado:   "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo  normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram  o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por  força  do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que  inibe o creditamento,  conforme a vedação estabelecida pelo  inciso  II do § 2o do art.  3o  da  Lei  no  10.637/2002  (em  relação  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep),  e  pelo  inciso  II  do  §  2o  do  art.  3o  da  Lei  no  10.833/2003  (em  relação  à  Cofins):  (...)  Contudo,  é  de  se  observar  que  o  comando  transcrito  impede  o  creditamento  em  relação  a  bens  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição  e  serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o  dispositivo  de  serviços  sujeitos  a  tributação  efetuados  em/com  bens  não  sujeitos  a  tributação  (o  que  é  o  caso  do  presente  processo).  Improcedente  assim  a  subsunção  efetuada  pelo  julgador a quo no sentido de que o  fato de o produto não ser  tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados.  Veja­se  que  é possível  um bem não  sujeito  ao pagamento  das  contribuições  ser  objeto  de  uma  operação  de  transporte  Fl. 316DF CARF MF     16 tributada.  E  que  o  dispositivo  legal  citado  não  trata  desse  assunto" (grifei).   Cito ainda no mesmo sentido, os Acórdãos nº 3403­ 001.944, de 09 de março  de 2013 e 3302004.886, de 25 de outubro de 2017.  Por tudo quanto exposto, voto no sentido de reverter as glosas referentes aos  fretes de combustíveis.  2. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias  A glosa aqui tratada se deu porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte se  creditou  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  Cofins  na  aquisição  de  bens  do  ativo  imobilizado  diretamente  sob  forma  de  custo  no  mês  em  que  incorrido,  quando  na  realidade,  deveria  creditar­se na forma de dapreciação futura. De outra parte, Recorrente afirma que as compras  eram destinadas à benfeitorias necessárias à suas atividades e que, como tais, geram direito de  crédito na forma de custos.   Ou seja, a divergência repousa não no direito ao crédito em si, mas na forma  de sua apropriação.   A matéria em discussão é disciplinada pelo artigo 3° das Leis n. 10.637/2002  e 10.833/2003, abaixo transcritos na parte que interessa à solução da presente lide:   Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (...)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI     (...)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  de  terceiros,  quando  o  custo,  inclusive  de  mão  de­obra,  tenha  sido  suportado pela locatária;  (...)  § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre  o  valor:  (...)  Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 341          17 III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens  mencionados nos  incisos VI e VII do caput,  incorridos no  mês;  _________________________  Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (...)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI  (...)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;  (...)  §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:  (...)  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens  mencionados nos  incisos VI e VII do caput,  incorridos no  mês;   Pela  leitura  dos  dispositivos,  vemos  que  existem  duas  formas  de  geração  de  crédito excludentes entre si. Os bens adquiridos como insumos (inciso II) geram direito de crédito  diretamente  sobre o custo  incorrido no mês  (§  1º,  inciso  I). Enquanto  isso, no  caso dos bens do  ativo imobilizado, o direito de crédito se dá na forma de futura depreciação (§ 1º, inciso III).   É certo que o ativo  imobilizado (artigo 179,  inciso  IV da Lei n. 6.404/76)  4  compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade  e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade.  5 Em outras  palavras, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício contínuo  das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles  que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na                                                              4 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...)  IV  –  no  ativo  imobilizado:  os  direitos  que  tenham  por  objeto  bens  corpóreos  destinados  à  manutenção  das  atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações  que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;  5 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198.   Fl. 318DF CARF MF     18 produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o  ativo permanente.  Também  não  há  dúvidas  de  que  as  instalações  prediais  da  empresa  e,  por  conseguinte, as benfeitorias nelas realizadas, se inserem no conceito de ativos imobilizados. Logo,  seus  créditos  de  PIS  e  Cofins  devem,  em  regra,  ser  calculados  sobre  a  depreciação,  conforme  preconiza o citado artigo 3º, §1º, inciso III das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.   Somente seria possível a contabilização de bens ativáveis como custos se o valor  unitário do bem fosse inferior a R$ 326,61 ou se sua vida útil inferior a um ano. No caso de bens  valor unitário  inferior a R$ 326,61, a contabilização como custo depende ainda de que atividade  exercida não exija utilização de um conjunto desses bens. Tudo isso nos termos do artigo 301 do  RIR/99, vigente à época dos fatos aqui tratados. In verbis:  Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não  poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem  adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e  seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não  ultrapasse um ano.  § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do  limite a que  se  refere  este artigo, a  exceção contida no mesmo  não  contempla  a  hipótese  onde  a  atividade  exercida  exija  utilização de um conjunto desses bens.   § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou  das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de  um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado.   Portanto, e como bem posto pela decisão Recorrida, em se tratando de bens  corpóreos adquiridos para a manutenção das atividades da empresa, sua contabilização deverá  ocorrer obrigatoriamente em conta do imobilizado, pouco importando se a aquisição se destina  a  manutenção,  reparo,  ampliação  de  instalações,  com  ou  sem  projetos,  seja  benfeitoria  necessária, útil ou voluptuária.  Ainda sobre o artigo 301 do RIR/99, friso que, conforme se verifica dos autos  e se confirma nas palavras da própria Recorrente, os bens objeto de glosa são em sua grande  maioria materiais de construção (areia, cimento, brita, ferragens, tintas, telhas, forros de PVC,  vasos sanitários, instalações elétricas e hidráulicas, pisos, revestimentos, etc), aos quais não se  aplica a regra do valor unitário prevista no art. 301 do RIR/99,  tendo em vista sua utilização  conjunta e/ou incorporação ao imóvel. É o que concluímos pela jurisprudência administrativa a  respeito da matéria:  ACÓRDÃO  1º  Conselho  de  Contribuintes  n°:  101­93.676  de  07/11/2001   IRPJ.  CUSTOS  E  DESPESAS  OPERACIONAIS.  BENS  DO  ATIVO  DEDUZIDOS  COMO  DESPESAS.  Os  materiais  de  construção  adquiridos  em  grande  quantidade  (concreto,  areia,  ferragens,  pisos,  forros  e  revestimentos,  materiais  para  instalações elétricas e hidráulicas) utilizados na construção de  muros  de  arrimo, benfeitorias  e  reformas, devem  ser  ativados,  independentemente  do  custo  unitário  tendo  em  vista  a  sua  utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC).  Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 342          19 Tal conclusão se alinha com os artigos 79 e 81, inciso II do Código Civil de  2002, os quais esclarecem que não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente  separados de um prédio para nele se reempregarem.  Corroborando  tudo quanto exposto,  temos que permitir que os contribuintes  tomem  crédito  dos  gastos  com  os materiais  para  obras  de  benfeitorias  no momento  em  que  incorrem nessas despesas, significaria conceder o crédito em duplicidade, pois o mesmo será  apropriado também no futuro, via depreciação da benfeitoria que estará contabilizada no ativo  imobilizado, uma vez concluída a obra.   Finalmente,  destaco  que  a  jurisprudência  desse  Conselho  vai  no  mesmo  sentido das razões aqui adotadas, conforme se infere da ementa a seguir colacionada:   Ementa(s)   PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004   PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO  MODERADO  E  DA  AMPLA  DEFESA.  OFENSA.  INOCORRÊNCIA.   Inocorre  ofensa  aos  princípios  da  verdade  material,  do  informalismo  moderado  e  da  ampla  defesa  quando  a  Administração  tributária  atua  em  conformidade  com  a  legislação  tributária, material  e  processual,  bem  como  com  as  informações e os elementos probatórios presentes nos autos.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004   NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.   Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de  valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o  resultado  das  atividades  que  constituem  o  objeto  social  da  pessoa  jurídica,  e  o  direito  ao  creditamento  alcança  todos  os  bens  e  serviços,  úteis  ou  necessários,  utilizados  como  insumos  diretamente  na  produção,  e  desde  que  efetivamente  absorvidos  no  processo  produtivo  que  constitui  o  objeto  da  sociedade  empresária.   MATERIAL  DE  EMBALAGEM.  DIREITO  AO  CRÉDITO.  No  regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da  Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de  bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a  preservação das características do produto vendido.   MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  UTILIZADOS  NA  PRODUÇÃO.  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO.  Os  valores  referentes  a  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  para  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos  empregados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  abarcando  as  peças  de  reposição,  podem  Fl. 320DF CARF MF     20 compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da  contribuição  não  cumulativa,  desde  que  respeitados  todos  os  demais requisitos legais atinentes à espécie.   BENS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  UTILIZADOS  NA  PRODUÇÃO.  BENFEITORIAS.  DEPRECIAÇÃO.  AMORTIZAÇÃO.  DIREITO  A CRÉDITO.   Em  relação  aos  bens  do  ativo  imobilizado,  com  expectativa  de  utilização  no  processo  produtivo  por  mais  de  um  ano,  e  aos  serviços  de  mão  de  obra  e  materiais  da  construção  civil,  comprovadamente prestados por pessoas  jurídicas domiciliadas  no  País,  os  créditos  serão  calculados  com  base  no  valor  do  encargo  de  depreciação/amortização  incorrido  no  período,  observados os demais requisitos exigidos pela lei.   CREDITAMENTO.  BENS  CONSUMIDOS  DURANTE  O  PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS.   Dão  direito  a  crédito  as  aquisições  de  insumos  consumidos  durante o processo produtivo na marcação das matérias­primas  e  dos  produtos  finais  fabricados,  bem  como  na  proteção  das  máquinas  utilizadas  no  setor  produtivo.  (Acórdão  380303.205,  Sessão de 17 de julho de 2012)  Assim,  encaminho  o  meu  voto  no  sentido  de  que,  de  fato,  os  créditos  da  Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já  que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de  depreciação  futura.  Portanto,  deve  ser  mantida  a  glosa  dos  créditos  sobre  gastos  com  a  realização de benfeitorias.  3. Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados  em benfeitorias  A glosa aqui  tratada diz respeito à  locação de caçambas, máquinas e outros  equipamentos utilizados em construção civil.   Com  efeito,  em  resposta  à  intimação  da  Fiscalização,  a  Contribuinte  informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação de realização de  benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulho de tais obras.  Diante  desses  elementos,  entendeu  a  autoridade  fiscal  que  os  dispêndios  integram  os  custos  de  benfeitorias  em  imóvel  próprio  e  de  terceiro,  portanto,  deveriam  ser  contabilizadas  no  ativo  imobilizado,  para  posterior  depreciação,  e  somente  nesta  condição  seriam válidos os créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, com fulcro no artigo 3º, inciso  IV das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2002. É a literalidade do TVF, o qual reproduzo abaixo:  3.4.3  Créditos  indevidos  sobre  locações  de  máquinas  e  equipamentos utilizados em benfeitorias.  Analisando  a  documentação  apresentada,  verificou­se  a  existência  de  valores  referentes  a  locação  de  caçambas,  máquinas e outros equipamentos utilizados em construções civis,  valores  estes  que  foram  informados  no  DACON  na  Linha  6  ­  “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados  de Pessoa Jurídica”.  Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 343          21 Em função disso, intimou­se a contribuinte, por meio do TIF nº  3,  de  08/12/14, para  justificar  em qual  atividade  da  empresa  é  utilizado  o  bem  locado.  Em  resposta,  a  contribuinte  informou  que  tais  bens  foram  locados  para  utilização  na  limpeza  e  preparação da realização de benfeitorias do  imóvel, bem como  na retirada de entulhos decorrentes de tais obras.  O  Art.  3º,  IV,  da  Lei  10.637/2002  e  o  Art.  3º,  IV,  da  Lei  10.833/2003  permitem  o  desconto  de  créditos  apurados  em  relação à  locação de prédios, máquinas  e  equipamentos,  desde  que  pagos  a  pessoas  jurídicas  e  utilizados  nas  atividades  da  empresa.  Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (...)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa;  _______________________________  Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (...)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa;  Entretanto,  em  que  pese  o  permissivo  legal  acima  transcrito,  entendemos  que  tais  gastos  integram  o  custo  das  benfeitorias  realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a  elas atribuído, qual seja, a contabilização no  imobilizado para  posterior  depreciação  ou  amortização.  Com  relação  a  benfeitorias,  a  estas  cotas  de  depreciação  e/ou  amortização  é  que a lei permite a apuração de créditos de PIS e COFINS.  Desse  modo,  pelas  mesmas  razões  expostas  no  tópico  3.4.2  ­  Créditos  indevidos  sobre  gastos  com  a  realização  de  benfeitorias,  foram  glosadas  as  despesas  efetuadas  com  a  locação de bens utilizados na preparação, limpeza e remoção de  entulhos  decorrentes  das  obras  de  benfeitorias  realizadas  pela  contribuinte,  cuja  relação  completa  encontra­se  no  Anexo  III  desse relatório, que resultou nos valores mensais constantes da  tabela abaixo. (...) (grifei)  Fl. 322DF CARF MF     22 Pois bem. É verdade que os valores gastos pela Recorrente com aluguel de  máquinas  e  equipamento  para  a  construção  de  benfeitorias  deve  seguir  a  mesma  sorte  das  obras, ou seja, ser contabilizado no ativo imobilizado.   Isto porque nas normas  contábeis  a  esse  respeito  (NBC TG 27),  segundo o  princípio  do  reconhecimento  dos  custos  de  um  item  do  ativo  imobilizado,  "esses  custos  incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir  item do ativo imobilizado e  os custos incorridos posteriormente para renová­lo, substituir suas partes, ou dar manutenção a  ele" (item 10).   Ademais,  na  parte  de  mensuração  no  reconhecimento  ­  segundo  a  qual  o  reconhecimento  como  ativo  deve  ser mensurado  pelo  seu  custo  ­  está  claro  que  integram  os  elementos do custo "quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e  condição  necessárias  para  o  mesmo  ser  capaz  de  funcionar  da  forma  pretendida  pela  administração"  (item  16,  b). Dentre  os  exemplos  de  custos  diretamente  atribuíveis,  estão  os  "custos de preparação do local" (item 17, b).   Por essas razões, assim como ocorre com os materiais de construção tratados  no  item  anterior,  os  alugueis  de máquinas  e  equipamentos  para  a  edificação  de  benfeitorias  deve  ser  contabilizado  no  ativo  imobilizado  tão  logo  a  obra  seja  finalizada,  iniciando­se  o  período  de  depreciação  fiscal  e,  consequentemente,  o  direito  a  tomada  de  crédito  da  Contribuição ao PIS e da COFINS segundo a legislação sobre o tema, qual seja o inciso VI do  artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com o seu §1º, inciso III.  Com efeito,  a  legislação de  regência da Contribuição  ao PIS e da COFINS  permite  a  apuração  de  créditos  em  relação  a  "máquinas  e  equipamentos"  em  duas  situações  distintas.  A primeira é aquela tratada no inciso IV do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002  e  10.833/2003,  a  qual  versa  sobre  o  aluguel  das  referidas  máquinas  e  equipamentos,  condicionando que os valores pagos a título da locação sejam destinados à pessoa jurídica, para  a  consecução  de  atividades  da  empresa. Aqui,  a  lei  diz  somente  que  os  gastos  com  aluguel  devem  estar  direcionados  à  atividade  da  empresa,  de  modo  que  o  crédito  não  está  necessariamente ligado ao setor fabril ou a prestação de serviços. Portanto, mesmo a despesa  com  aluguel  relativa  à  área  administrativa  das  empresas  ou  aquelas  tidas  por  empresas  comerciais pode gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS (vide Solução de Consulta  DISIT/SRRF  08  n.  492,  de  31  de  dezembro  de  2009  6  e  Acórdão  3301­005.016,  de  28  de  agosto de 20187). Na apropriação de créditos nos termos do inciso IV, estes serão calculados no                                                              6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS.  No cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo regime não­cumulativo podem ser descontados créditos  relativos  ao  valor  dos  aluguéis  de  prédios  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  aí  compreendidas  tanto  suas  atividades  industriais,  comerciais  e  de  prestação  de  serviço,  quanto  suas  atividades  administrativas,  desde  que  esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV e § 3º.  Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS.  No cálculo da Cofins apurada pelo regime não­cumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos  aluguéis  de  prédios  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  aí  compreendidas  tanto  suas  atividades  industriais,  comerciais  e  de  prestação  de  serviço,  quanto  suas  atividades  administrativas,  desde  que  esses  aluguéis  sejam  pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV e § 3º.  7  (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS.  DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.  Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 344          23 momento do dispêndio sobre o valor da locação, sendo que esse montante estará contabilizado  como custo da sociedade.  Já  a  segunda  situação  vem  disciplinada  pelo  inciso  VI  do mesmo  artigo,  o  qual autoriza a apuração de créditos de “máquinas, equipamentos e outros bens  incorporados  ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Aqui, portanto, fala­se em  máquinas e equipamentos que serão contabilizados no ativo imobilizado da sociedade. Nesse  caso, o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, ao estabelecer que as situações que  permitem a sua apuração estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a)  locação a  terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação  de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito  ao  crédito  das  Contribuições,  mas  tão  somente  aqueles  destinados  a  uma  das  três  citadas  finalidades  estabelecidas  pela  lei  (vide  Acórdãos  3301­002.806  e  3102­002.166  deste  Conselho). 8 Apurar­se­á os créditos nos moldes do inciso VI de acordo com a depreciação dos  bens corpóreos adquiridos, contabilizados no ativo imobilizado.  A  decisão  recorrida  estabelece  a  distinção  dos  regimes,  dando  exemplos  didáticos sobre sua aplicação. São seus dizeres:  A  interpretação  integrada  do  art.  3°  das  Leis  nºs  10.637/2002  (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) deve levar à seguinte conclusão: os  aluguéis  de  prédios, máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica, utilizados nas atividades da empresa, são sim, em regra,  passiveis  de  créditos  calculados  a  partir  dos  valores  pagos                                                                                                                                                                                           Se  o  disposto  no  art.  3º,  IV,  da  Lei  10.833/2003,  não  restringiu  o  desconto  de  créditos  da  Cofins  apenas  às  despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  ao  processo  produtivo  da  empresa,  não  cabe  ao  intérprete  restringir  a  utilização  de  créditos  somente  aos  alugueis  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo.(...)  8 A  jurisprudência deste Conselho é  tranquila  a  respeito  do  tema,  conforme é possível  depreender das  ementas  abaixo colacionadas:    Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  PELA  AQUISIÇÃO  DE  BENS  DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O  inciso VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado ­ além de seu emprego para locação a terceiros ­ a  seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou  na  prestação  de  serviços),  não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita  de  bens  necessários  ao  exercício  das  atividades  da  empresa  como  um  todo.  (...)  (Processo  13603.724612/2011­13, Acórdão 3301­002.806)     Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008  (...)  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação  de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso  de edificações e benfeitorias,  e que  foram adquiridos  a partir de 1/4/2004.  (Processo n. 11080.931975/2011­16.  Acórdão 3102­002.166).   Fl. 324DF CARF MF     24 nessas  operações,  desde  que  não  ativáveis,  hipótese  em  que  o  crédito será calculado sobre a depreciação.   À  evidência,  as  máquinas  e  equipamentos  a  que  se  refere  o  inciso  IV,  passiveis  de  crédito,  são  aquelas  utilizadas  nas  atividades operacionais da empresa. Assim, por exemplo, se um  posto  de  gasolina  utiliza  bombas  de  combustíveis  locadas  de  terceiro,  essa  locação  será  contabilizada  como  custo  e,  por  óbvio, poderá ser objeto de crédito de PIS e Cofins, calculado  sobre o valor da locação, na forma do inciso IV.   Por  outro  lado,  se  esse  mesmo  posto  de  gasolina  aluga  andaimes  de  terceiros  para  a  execução  de  uma  obra  de  ampliação de suas instalações, o valor dessa locação deverá ser  contabilizado  no  ativo  imobilizado  e,  por  conseguinte,  não  gerará  direito  de  crédito  de  PIS  e  Cofins  sobre  o  custo  de  locação, mas sobre a depreciação do imóvel.  Traçada  tal  conceituação,  fica  realmente claro que a  fiscalização motivou o  lançamento pelo fato de que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos "integram o  custo  das  benfeitorias  realizadas  e  que,  portanto,  deveriam  ter  o  mesmo  tratamento  a  elas  atribuído,  qual  seja,  a  contabilização  no  imobilizado  para  posterior  depreciação  ou  amortização". Ou seja, atribuiu como fundamento jurídico da autuação o comando do inciso VI  do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.  Desse modo, assim como concluído no item anterior, encaminho o meu voto  no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados  de forma equivocada pela Recorrente,  já que não poderiam ter sido  tomados como custos no  mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a  glosa dos créditos sobre gastos com o aluguel de máquinas para a realização de benfeitorias.  4. Da suspensão da exigibilidade.   Com  relação  ao  pedido  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  constituído  nos  presentes  autos,  com  fundamento  no  art.  151  do  CTN,  o  mesmo  carece  de  objeto, pois atendido está.  5. Correção do valor do crédito pela Taxa Selic   No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic,  trata­se de matéria preclusa,  já que não  foi apresentada em manifestação de  inconformidade.  (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72).  De toda sorte, os artigos 13 e 15,  inciso VI da Lei nº 10.833/2003 colocam  expressa vedação  legal  a  tal  pretensão,  em  relação  tanto  à COFINS como à Contribuição  ao  PIS. Destaco seu conteúdo:  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o,  do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II  do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência de juros sobre os respectivos valores.   Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto: (...)  VI ­ no art. 13 desta Lei.     Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13227.900241/2014­51  Acórdão n.º 3402­006.474  S3­C4T2  Fl. 345          25 Inclusive, tal matéria é objeto da Súmula CARF n. 125, cujo teor transcrevo  abaixo:  No ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS não  cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos  dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.  Portanto,  afasto  a  pretensão  da  Recorrente  sobre  a  correção  dos  créditos  pleiteados pela Taxa Selic.  Dispositivo  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, para cancelar as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis  para revenda.  Thais De Laurentiis Galkowicz                             Fl. 326DF CARF MF

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Numero do processo: 10882.003471/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. O recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3302-006.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nem da petição de e-fls. 258/299 ou dos memoriais/alegações finais solicitados em juntada no dia 24/04/2019. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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3302­006.892  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Recorrente  COMERCIAL MOVEIS DAS NAÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data  do  fato  gerador:  31/01/2006,  28/02/2006,  31/03/2006,  30/04/2006,  31/05/2006,  30/06/2006,  31/07/2006,  31/08/2006,  30/09/2006,  31/10/2006,  30/11/2006, 31/12/2006  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.  O recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias previsto no  artigo 33, do Decreto 70.235/72 não deve ser conhecido.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário, nem da petição de e­fls. 258/299 ou dos memoriais/alegações  finais solicitados em juntada no dia 24/04/2019.    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 34 71 /2 01 0- 25 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10882.003471/2010­25  Acórdão n.º 3302­006.892  S3­C3T2  Fl. 322          2     Relatório  Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo parte do relatório  da decisão de primeira instância :  Trata­se de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito,  Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários  IOF, pelo qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$  3.323.031,07. Auto de Infração às fls. 01 e 87­93.  Menções a fls. refere às da imagem do processo papel do volume  I.  Como mote, a falta de seu recolhimento em face de contrato de  mútuo  financeiro  firmado  com  pessoas  ligadas,  consoante  os  seguintes extratos do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls.  66­85: (...)    Em  02/10/2013,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação  e  procedente  o  lançamento,  nos  termos da ementa abaixo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO,  CÂMBIO  E  SEGUROS  OU  RELATIVAS  A  TÍTULOS  OU  VALORES MOBILIÁRIOS IOF   Data  do  fato  gerador:  31/01/2006,  28/02/2006,  31/03/2006,  30/04/2006,  31/05/2006,  30/06/2006,  31/07/2006,  31/08/2006,  30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006   OPERAÇÕES DE MÚTUO   As  operações  de  crédito  correspondentes  a  mútuo  de  recursos  financeiros  entre  pessoas  jurídicas  sujeitamse  à  incidência  do  IOF  segundo  as  mesmas  normas  aplicáveis  às  operações  de  financiamento  e  empréstimos  praticadas  pelas  instituições  financeiras. Constatada a existência das operações e a  falta de  recolhimento do  tributo correspondente, correta a formalização  da exigência de ofício.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido    Intimado  da  decisão  em  17/10/2013,  consoante  AR  acostado,  a  Recorrente  peticiona  nos  autos,  em  05/11/2013,  por  Cópia  integral  da  coletânea  de  documentos  Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10882.003471/2010­25  Acórdão n.º 3302­006.892  S3­C3T2  Fl. 323          3 denominada  "Dossier  do  Contribuinte".  No  dia  seguinte,  06/11/2013,  é  disponibilizado  o  indeferimento do pedido na caixa postal do contribuinte, o qual é cientificado por decurso de  prazo  em  21/11/2013. Antes  disso,  em  20/11/2013,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso voluntário.  Em 23/08/2017, foi juntada petição de e­fls. 258/299.  Em 24/04/2019, foram juntados memoriais/alegações finais.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator.  Conforme  relatado  anteriormente,  o  recurso  voluntário  interposto  pela  Recorrente foi protocolizado em 20/11/2013, sendo esta data considerada como data de entrega  para fins de exame de admissibilidade do referido recurso.   Todavia,  o  prazo  final  para  interposição  do  recurso  voluntário  era  18/11/2013, segunda­feira, considerando que o contribuinte foi cientificado da decisão de piso  em 17/10/2013, quinta­feira, conforme AR acostado. A planilha abaixo demonstra a cronologia  dos atos procedimentais ocorridos nos autos:  Intimação  Início do prazo  Término do Prazo ­ 30 dias  Protocolo ­ Recurso  17/10/2013 (quinta­feira)  18/10/2013 (sexta­feira)  18/11/2013 (segunda­feira)  20/11/2013 (quarta­feira)    Com relação ao prazo para apresentar recurso voluntário, dispõe o artigo 33  do Decreto nº 70.235/72, a saber:  Art.  33. Da  decisão  caberá  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  com  efeito  suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.  A  contagem  do  prazo  previsto  no  dispositivo  anteriormente  citado,  deve  observar as determinações contidas no artigo 5º do mesmo diploma legal, "in verbis":  Art.  5º Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo  único.  Os  prazos  só  se  iniciam  ou  vencem  no  dia  de  expediente  normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.  Deste modo,  considerando  que  a  Recorrente  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  17/10/2013,  e  somente  apresentou  recurso  voluntário  em  20/11/2013,  depois  de  ultrapassado  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  contados  da  ciência,  conclui­se  pela  intempestividade do referido recurso.  Ante  o  exposto,  voto  por  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário,  por  intempestividade,  bem como da petição  de  e­fls.  258/299 ou  dos memoriais/alegações  finais  solicitados em juntada no dia 24/04/2019.   Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10882.003471/2010­25  Acórdão n.º 3302­006.892  S3­C3T2  Fl. 324          4 (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado                                Fl. 324DF CARF MF

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Numero do processo: 12963.720063/2017-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. RESULTADO CONTÁBIL. CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A existência de diferenças entre os valores de PIS/COFINS declarados em DCTF e na DACON, é perfeitamente natural se a empresa utiliza-se do regime da não cumulatividade na apuração das contribuições devidas. No caso da receita de venda, o montante do PIS e da Cofins calculado sobre essa receita deve ser demonstrado como dedução de vendas. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXCESSO. LIMITE LEGAL. Constatada a existência de pagamento/creditamento de importâncias a título de Juros sobre o Capital Próprio em montante superior ao limite legal permitido, impõe-se a glosa do excesso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Numero da decisão: 1402-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa; i.iii) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de deduções de Contribuições ao PIS e Cofins; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de excesso de juros sobre o capital próprio, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. RESULTADO CONTÁBIL. CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A existência de diferenças entre os valores de PIS/COFINS declarados em DCTF e na DACON, é perfeitamente natural se a empresa utiliza-se do regime da não cumulatividade na apuração das contribuições devidas. No caso da receita de venda, o montante do PIS e da Cofins calculado sobre essa receita deve ser demonstrado como dedução de vendas. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXCESSO. LIMITE LEGAL. Constatada a existência de pagamento/creditamento de importâncias a título de Juros sobre o Capital Próprio em montante superior ao limite legal permitido, impõe-se a glosa do excesso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa; i.iii) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de deduções de Contribuições ao PIS e Cofins; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de excesso de juros sobre o capital próprio, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).

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1402­003.853  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de abril de 2019  Matéria  TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA  Recorrente  TOGNI S/A MATERIAIS REFRATARIOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  TRIBUTOS.  CONTRIBUIÇÕES.  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA.  DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação  do  lucro  real,  segundo  o  regime  de  competência,  não  se  aplicando  tal  regra  para  aqueles  com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei  nº 5.172, de 1996 (CTN).  A  existência  de  depósitos  judiciais  das  exações  questionadas  não  permite  a  dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em  face da legislação atual.  RESULTADO  CONTÁBIL.  CONTRIBUIÇÕES  PIS/COFINS.  REGIME  DA NÃO CUMULATIVIDADE.  A  existência  de  diferenças  entre  os  valores  de PIS/COFINS  declarados  em  DCTF  e  na  DACON,  é  perfeitamente  natural  se  a  empresa  utiliza­se  do  regime  da  não  cumulatividade  na  apuração  das  contribuições  devidas.  No  caso da receita de venda, o montante do PIS e da Cofins calculado sobre essa  receita deve ser demonstrado como dedução de vendas.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXCESSO. LIMITE LEGAL.  Constatada a existência de pagamento/creditamento de  importâncias a  título  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio  em  montante  superior  ao  limite  legal  permitido, impõe­se a glosa do excesso.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ  E  CSLL  SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 72 00 63 /2 01 7- 33 Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.745          2 A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do  IRPJ  e da CSLL, mensalmente  devida  e não  recolhida,  deve  ser  aplicada  à  pessoa  jurídica,  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real,  e  optante  pelo  pagamento do  IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de  cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou  a CSLL mensalmente devidos.  MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos  na  apuração  anual,  e  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  antecipações  mensais,  calculadas  sobre  bases  de  cálculo  estimadas,  têm  hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas.   De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada  por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de  cálculo  estimadas,  é  completamente  autônoma  em  relação  à  obrigação  tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.   A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores  de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e  a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os  tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  aplica­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido ­ CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  colegiado:  i)  por  unanimidade  de  votos:  i.i)  rejeitar  a  arguição  de  nulidade  da  decisão  de  1ª  instância;  i.ii)  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa; i.iii) dar provimento  ao  recurso  voluntário  relativamente  à glosa de  deduções de Contribuições  ao PIS  e Cofins;  i.iv)  negar provimento ao recurso voluntário  relativamente à glosa de excesso de  juros sobre o capital  próprio, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  divergindo  os  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader  Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira  e  Junia Roberta  Gouveia Sampaio.  (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Evandro Correa Dias ­ Relator    Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.746          3 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e  Edeli Pereira Bessa (Presidente).   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC).  Adoto,  em sua  integralidade, o  relatório do Acórdão de  Impugnação nº 07­ 41.542 ­ 6ª Turma da DRJ/FNS, complementando­o, ao final, com as pertinentes atualizações  processuais.  "Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls.1.579 a  1.602,  o  qual  exige  da  Interessada  o  recolhimento  da  importância  de  R$  6.623.909,09, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, a título de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ,  correspondente  aos  anos  calendário  de  2012,  2013,  2014  e  2015,  além  de  Multa  Exigida  Isoladamente, da ordem de R$ 3.932.691,05, (Falta de recolhimento do IRPJ  sobre base de cálculo estimado).   Segundo  consta  no Auto  de  Infração  de  IRPJ,  foram  apuradas  as  seguintes  infrações:  CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS  INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS  Excesso  de  despesas  de  PIS/COFINS,  declaradas  na  Demonstração  do  Resultado,  produzido  pela  não  dedução  dos  respectivos  créditos  da  apuração  não  cumulativa,  conforme  descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     3.479.949,00     75%  31/12/2013     3.424.973,61     75%  31/12/2014     3.237.360,85     75%  31/12/2015     3.374.801,27     75%  Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2015:  Art 6º, § 2º, do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977.  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99  Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.747          4 Art. 3º, § 10, da Lei nº 10.833/2003.  Art. 35 da Lei nº 12.058/2009.  ADIÇÕES  NÃO  COMPUTADAS  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO REAL  INFRAÇÃO:  EXCESSO  DE  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO  Valor  indedutível  de  juros  pagos  ou  creditados  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio  não  adicionado  ao  Lucro  Líquido  do  período,  para  a  determinação  do  Lucro  Real,  conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     3.035.352,37       75%  31/12/2013     899.551,92        75%  31/12/2014     826.099,24       75%  Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2014:  Art 6º, § 2º, do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977.  Art. 9º da Lei nº 9.249/95.  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Arts. 247, 249, inciso I, e 347, do RIR/99  ADIÇÕES  NÃO  COMPUTADAS  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO REAL  INFRAÇÃO:  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  COM  EXIGIBILIDADE SUSPENSA  Valor  de  tributo,  cuja  exigibilidade  encontra­se  suspensa  nos  termos  do  inciso  II  a  IV  do  art.  151  da  Lei  nº5.172/66,  não  adicionado ao Lucro Líquido  do  período,  para  a  determinação  do  Lucro  Real,  conforme  descrito  no  Relatório  de  Auditoria  Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     2.646.864,32     75%  31/12/2013     3.233.580,81        75%  31/12/2014     3.669.740,96       75%  31/12/2015     3.471.907,52       75%  Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.748          5 Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2015:  Art 6º, § 2º, do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977.  Art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995.  Art. 3º da Lei nº 9.249/95.  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Arts. 247, 249, inciso I, e 344, § 1º, do RIR/99  MULTA OU JUROS ISOLADOS  INFRAÇÃO:  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ  SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA  Falta  de  pagamento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  incidente  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  em  função  de  balanços de suspensão ou redução, que foram reconstituídos em  decorrência  da  adição  dos  valores  ajustados  pela  fiscalização,  conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  [...]  Auto de Infração CSLL 1 (fls.1.603 a 1.622)  Decorrente  de  uma  infração  apontada  no  Auto  de  IRPJ,  foi  efetuado  o  lançamento  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  conforme Auto de Infração de fls.1.603 a 1.622, da ordem de R$ 756.859,31,  também acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, além de Multa  Exigida Isoladamente de R$ 1.419.524,23, (Falta de recolhimento da CSLL  sobre base de cálculo estimado).   No Auto de Infração CSLL 1, como lançamento decorrente consta apurada a  seguinte infração:  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  ADIÇÕES  À  BASE  DE  CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL  INFRAÇÃO:  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  COM  EXIGIBILIDADE SUSPENSA  Valor  de  tributo,  cuja  exigibilidade  encontra­se  suspensa  nos  termos  do  inciso  II  a  IV  do  art.  151  da  Lei  nº5.172/66,  não  adicionado ao Lucro Líquido  do  período,  para  a  determinação  do  Lucro  Real,  conforme  descrito  no  Relatório  de  Auditoria  Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     2.646.864,32     75%  31/12/2013     3.233.580,81        75%  Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.749          6 31/12/2014     3.669.740,96       75%  31/12/2015     3.471.907,52       75%  Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012:  Art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995.  Art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art.  2º  da  Lei  nº  7.689/88  com as  alterações  introduzidas  pelo  art. 2º da Lei nº 8.034/90  Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº  9.065/95  Arts. 2º, 13 e 19 da Lei nº 9.249/95  Art. 1º da Lei nº 9.316/96; Art. 28 da Lei nº 9.430/96.  Art. 28 da Lei nº 9.430/96.  Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações posteriores.  Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei  nº 11.727/08.  Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei  nº 11.727/08  Art.  28  da  Lei  nº  9.430/96,  com  redação  dada  pelo  art.  39  da  Medida Provisória nº 563/12.  Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei  nº 12.715/12.  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2015:  Art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995.  Art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art.  2º  da  Lei  nº  7.689/88  com as  alterações  introduzidas  pelo  art. 2º da Lei nº 8.034/90  Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº  9.065/95  Arts. 2º, 13 e 19 da Lei nº 9.249/95  Art. 1º da Lei nº 9.316/96; Art. 28 da Lei nº 9.430/96.  Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações posteriores.  Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei  nº 11.727/08.  Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.750          7 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei  nº 11.727/08  Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei  nº 12.715/12.  MULTA OU JUROS ISOLADOS  INFRAÇÃO:  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE A BASE DE  CÁLCULO  ESTIMADA  Falta  de  pagamento  da Contribuição  Social,  incidente  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  em  função de  balanços  de  suspensão  ou redução, que foram reconstituídos em decorrência da adição  dos  valores  ajustados  pela  fiscalização,  conforme  descrito  no  Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  [...]  Auto de Infração CSLL 2 (fls.1.623 a 1.637)  Decorrente das demais  infrações apontadas no Auto de IRPJ, foi efetuado o  lançamento  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  conforme  Auto  de  Infração  de  fls.1.623  a  1.637,  da  ordem  de  R$  1.645.027,92, também acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora.  No  Auto  de  Infração  CSLL  2,  como  lançamento  decorrente  constam  apuradas as seguintes infrações:  CUSTOS/ DESPESAS OPERACIONAIS/ ENCARGOS  INFRAÇÃO:  CUSTOS/  DESPESAS  OPERACIONAIS/  ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS  Excesso  de  despesas  de  PIS/COFINS,  declaradas  na  Demonstração  do  Resultado,  produzido  pela  não  dedução  dos  respectivos  créditos  da  apuração  não  cumulativa,  conforme  descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     3.479.949,00     75%  31/12/2013     3.424.973,61     75%  31/12/2014     3.237.360,85     75%  31/12/2015     3.374.801,27     75%  Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012:  [...]  Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.751          8 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2015:  [...]  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  ADIÇÕES  À  BASE  DE  CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL  INFRAÇÃO: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS  OU CREDITADOS  Valor  indedutível  de  juros  pagos  ou  creditados  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio  não  adicionado  ao  Lucro  Líquido  do  período,  para  a  determinação  do  Lucro  Real,  conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo.  Fato Gerador    Valor Apurado (R$)    Multa (%)  31/12/2012     3.035.352,37       75%  31/12/2013     899.551,92        75%  31/12/2014     826.099,24       75%  Enquadramento Legal  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012:  [...]  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014:  [...]  Eis o que consta no RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (fls.1.565 a  1.578),  peça  integrante  do  Auto  de  Infração,  onde  se  detalham  as  irregularidades  apontadas,  de  forma  resumida  (eventuais  destaques  são  do  original):  1. Tributos e contribuições com exigibilidade suspensa  Na resposta ao Termo de Intimação 01,  fls. 52­54, após pedido  de  prorrogação  de  prazo,  o  contribuinte  afirmou  que  as  ações  judiciais,  cujos  valores  foram  declarados  como  suspensos  nas  DCTF,  tinham  sido  indeferidas  em  instâncias  superiores  e,  por  essa  razão,  não  foram  relacionadas  nas DIPJ.  Vejamos  trecho  da resposta, fls. 57­62, do mesmo:  “b)  Relativo  ao  questionamento  apontado  de  que  a  signatária  não adicionou na apuração do lucro real os valores informados  na DCTF como depositado judicialmente, tem­se a ponderar que  com referência aos exercícios sociais de 2011 e 2012, o processo  judicial  de  questionamento  fora  indeferido,  em  julgamento  em  câmara  superior,  o  que  justifica  o  motivo  da  não  inclusão  ao  lucro  real  dos  valores  acobertados  de  depósitos  judiciais,  pois  que, no caso, prevalece o abatimento dos impostos considerados  como despesas. (grifamos).”  Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.752          9 A  partir  dessa  resposta,  ficou  evidente  para  fiscalização  a  tentativa do contribuinte em alegar que esta seria uma questão  sem reflexo na apuração do imposto de renda e da contribuição  social.  No  entanto,  não  foram  apresentados  documentos  comprobatórios juntamente com sua resposta.   Assim, o  fiscalizado  foi  intimado a apresentar os comprovantes  do  indeferimento  das  referidas  ações  judiciais  e  também  os  Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), 2011 e 2012, para  confirmação  dos  valores  utilizados  na  apuração  do Lucro  real  no período, fls.90­93.  [...]  O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético,  e,  em  relação  às  ações  judiciais  entregou  apenas  os  depósitos  judiciais,  fls.97­136  e  534­577,  as  planilhas  de  apuração  dos  valores suspensos, e as cópias das DCTF, fls.137­533 e 587­590.  Apesar  de  não  ter  mencionado  em  sua  resposta,  fls.95­95,  a  questão da ação judicial, afirmou à fiscalização que essas ações  judiciais  ainda  continuavam  ativas  e  que  não  haviam  sido  denegadas pelas instâncias superiores.  A  fiscalização  constatou  também  que  o  contribuinte  deu  continuidade  a  esse  procedimento  nos  anos­calendário  2013,  2014 e 2015, sendo a ação fiscal ampliada para inclusão desses  períodos.   O §1º do art.41 da Lei nº 8.981/95, que é reproduzido no art.344  do  RIR/99,  nitidamente,  estabelece  que  os  tributos  e  contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos  incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172/66, não são dedutíveis  na determinação do lucro real, haja ou não depósito judicial. A  SCI nº 9 COSIT, de 18 de junho de 2012, por sua vez, ampliou  esse entendimento também para o inciso 151 do CTN.  Portanto,  não  há  dúvidas  que  o  procedimento  adotado  pelo  fiscalizado  de  não  adicionar  ao  lucro  real  os  tributos  e  contribuições com exigibilidade suspensa, não encontra amparo  na legislação tributária.  Esses  valores  foram  levantados  e  adicionados  de  ofício  à  apuração do lucro real, de acordo com a legislação do Imposto  de  Renda.  Planilhas  extraídas  das  DCTF  foram  juntadas  ao  processo  fls.1441­1456.  Nas DIPJ  dos  anos­calendário  2012  e  2013, fls.686­816, na Ficha 09A – Demonstração do Lucro real –  PJ em Geral, Linha 31 – Tributos com Exigibilidade Suspensa,  pode­se verificar a não adição.  Para os dos anos­calendário 2014 e 2015, a partir da ECF e e­ LALUR, fls.1485­1486 e 1513­1517, Também pode­se confirmar  que não houve adição dos tributos com exigibilidade suspensa.  [...]  2. Despesas não dedutíveis  Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.753          10 Analisando as DCTF entregues pelo fiscalizado e comparando­ as  com  as  DIPJ,  verificamos  diferenças  entre  os  valores  declarados de PIS/COFINS nas DCTF e o valor declarado pelo  contribuinte  em  DIPJ,  reduzindo  o  resultado  do  período  para  apuração do lucro, na Ficha 06­A – Demonstração do Resultado  – PJ em Geral, linhas: 12. (­) Cofins e 13. (­) PIS/Pasep.  Foram  encontradas  diferenças  em  relação aos  anos­calendário  2012, 2013, 2014 e 2015, fls.1457­1472 e 1477­1484, 1487/1488.  Em relação a 2014 e 2015, a comparação  foi  feita com a ECF  entregue no ambiente do SPED.  Essas  diferenças,  conforme  se  constata  nas  DACON  do  contribuinte, tem origem nos créditos da não cumulatividade que  não  foram  deduzidos  das  contribuições  nos  valores  declarados  na  demonstração  do  resultado,  mas  foram  diminuídos  nas  contribuições declaradas nas DCTF.   A legislação que trata da matéria, como o §10 do art.3º da Lei nº  10.833,  o  art.35  da  Lei  nº  12.058/2009,  determinam  que  as  pessoas  jurídicas  submetidas  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa deverão apurar  e  registrar,  de  forma segregada, os  créditos da não cumulatividade que não constituem receita bruta  da  pessoa  jurídica,  servindo  somente  para  dedução  do  valor  devido da contribuição.  Também, o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 3/2007,  no mesmo sentido, segue afirmando que o procedimento técnico­ contábil recomendável para registro desses créditos consiste em  considerá­los como ativo fiscal, no entanto, o contribuinte pode  adotar  procedimento  diverso  desde  que  não  afete  o  Resultado  Fiscal.  [...]   Assim, o fiscalizado foi intimado, através do termo de Intimação  Fiscal nº 05, fls.622­628, a indicar o procedimento adotado para  registro  daquelas  diferenças  relativas  aos  créditos  da  não  cumulatividade  verificados  nos  anos­calendário  2012  a  2015,  bem como as contas contábeis e lançamentos de contabilização.  O  intimado  apresentou  uma  resposta  muito  vaga,  fls.633­664,  aduzindo  uma  série  de  informações  que  sequer  haviam  sido  questionadas na intimação, mas se omitiu em relação à questão  principal  das  diferenças  relativas  aos mencionados créditos  da  não cumulatividade.  Assim, a fiscalização glosou as diferenças encontradas por falta  de comprovação de que houve ajuste, realizado pelo fiscalizado  com vista a evitar reflexo nos resultados. Foram feitas planilhas  demonstrativas  dos  valores  glosados,  juntadas  ao  processo  fls.  1518­1521.  3. Excesso de juros sobre capital próprio  Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.754          11 Analisando  o  LALUR  do  ano­calendário  2012,  fls.  669­677,  a  fiscalização constatou exclusões na apuração do Lucro Real com  a  denominação  “Juros  sobre  capital”,  totalizando  R$  5.338.472,00.  O  contribuinte  foi  intimado,  através  do  termo  de  Intimação  Fiscal  nº  04,  fls.602­604,  a  prestar  os  esclarecimentos  acerca  desses  lançamentos,  inclusive  a  apresentar  as  memórias  de  cálculo  dos  valores  escriturados  como  exclusão  no  LALUR,  acompanhados  dos  documentos  comprobatórios  e  sua  contabilização.  Cabe  destacar  nesse  ponto  que  o  fiscalizado,  em  diversos  momentos  da  auditoria  solicitou  prorrogação  de  prazo  para  atendimento  de  parte  das  intimações,  com o  argumento  de  que  dificuldades  internas  estariam  impedindo o  pronto  atendimento  das  mesmas.  A  fiscalização  foi  sensível  aos  pedidos  do  contribuinte e, na busca da verdade material, dilatou os prazos.  No entanto, o  fiscalizado ao atender as  intimações apresentava  respostas  vagas,  demandando  outros  esclarecimentos.  Isso  aconteceu  também  nessa  questão  dos  Juros  sobre  o  Capital  Próprio.  [...]  Logo,  a  fiscalização  efetuou  sua  verificação  com  base  nas  informações  disponíveis  ao  fisco,  conforme  será  detalhado  a  seguir, e constatou que houve excesso de Juros sobre o Capital  Próprio, deduzidos nos períodos de 2012 a 2015.  [...] As planilhas demonstrativas dos cálculos e ajustes efetuados  pela fiscalização foram juntadas ao processo fls.1522­1543.  [...]  Em 2012 a  fiscalização  identificou que houve erros no LALUR,  na soma dos JCP declarados mensalmente e o valor acumulado;  como  também,  registro de R$ 337.000,00, em setembro, no que  não foi contabilizado. Essas questões foram englobadas na glosa  efetuada  nesse  período.  A  partir  do  saldo  das  contas  do  Patrimônio  Líquido  de  2011,  foram  destacadas  aquelas  consideradas  como  Base  de  Cálculo  do  JCP.  Também  foram  identificadas  as  contas  com  valores  redutores  em  2012,  ajustando­se a Base de Cálculo do JCP tanto no cálculo anual,  como mensalmente, na apuração das Estimativas. Por fim, foram  considerados os limites legais, quanto à dedutibilidade do JCP.  Em  2013  a  fiscalização,  a  partir  do  saldo  das  contas  do  Patrimônio  Líquido  de  2012,  destacou  aquelas  consideradas  como Base de Cálculo do JCP. Também foram identificadas as  contas  com valores  redutores  em 2013, ajustando­se a Base de  Cálculo do JCP tanto no cálculo anual, como mensalmente, na  apuração  das  Estimativas.  Por  fim,  foram  considerados  os  limites legais, quanto à dedutibilidade do JCP.  Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.755          12 Em 2014 a fiscalização, igualmente, a partir do saldo das contas  do Patrimônio Líquido de 2013, destacou aquelas consideradas  como Base de Cálculo do JCP sobre as quais efetuou o cálculo  do  JCP  tanto  o  anual,  como  mensalmente,  na  apuração  das  Estimativas.  Por  fim,  foram  considerados  os  limites  legais,  quanto à dedutibilidade do JCP.  Em 2015 a  fiscalização, outra vez a partir do saldo das contas  do Patrimônio Líquido de 2014, destacou aquelas consideradas  como Base de Cálculo do JCP sobre as quais efetuou o cálculo  do JCP, encontrando­se valores a serem glosados nos meses de  janeiro a maio na apuração das Estimativas.  Foram elaboradas planilhas com os demonstrativos dos valores  apurados e glosados pela fiscalização, tanto na apuração anual  como mensal,  fls.1543,  que  foram usados  para  lançamento  dos  créditos tributários devidos.  [...]  1. Do Lançamento dos Créditos Tributários Devidos  1.1. Dos valores adicionados ao Lucro Real  Os valores mensais dos tributos com suspensão foram obtidos a  partir  das  DCTF­SUSPENSÃO,  fls.  1441­1456,  que  foram  demonstradas nas planilhas juntadas fls.1513­1517.  As  planilhas  demonstrativas  das  diferenças,  provenientes  dos  créditos  da  não  cumulatividade  que  não  foram  deduzidos  na  demonstração  do  resultado,  tanto  anuais  como  mensais  foram  juntadas fls.1518­1521.  Em  relação  ao  excesso  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio,  também  foram  elaboradas  planilhas  com  o  resultado  anual  e  mensal do levantamento feito pela fiscalização, fls.1543.  A demonstração da totalização desses valores mensais encontra­ se na planilha do ANEXO 02 do relatório.  1.2. Lançamentos do IRPJ e CSLL   Os valores referidos acima foram integralmente adicionados na  apuração  reconstituída  do  IRPJ  e  CSLL,  sendo  efetuados  os  lançamentos,  relativo  ao  ano­calendário  2012,  2013,  2014  e  2015, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais.  Foram  considerados  no  lançamento  os  débitos  declarados  em  DCTF, fls.1473­1476.  As  planilhas  totalizadoras  desses  valores  anuais  que  foram  utilizados  no  auto  de  infração  constam  no  ANEXO  01  do  relatório.  A  fiscalização  constatou  que  houve  erro  no  preenchimento  das  DIPJ  dos  anos  calendários  2012  e  2013,  onde  se  verifica  a  opção  pelo  cálculo  da  estimativa  com  base  na  receita  bruta  e  Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.756          13 acréscimos. No lançamento, a fiscalização utilizou a opção e os  dados relativos às apurações mensais registrados no LALUR.  Em  decorrência  da  adição,  os  resultados  mensais  escriturados  pelo contribuinte foram ajustados, acarretando o surgimento de  estimativas  devidas,  e  não  recolhidas,  de  IRPJ  e CSLL.  Assim,  nos  termos da  legislação em vigor,  efetuamos o  lançamento da  multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas.  Para  determinação  das  multas  isoladas  utilizamos  os  valores  apurados  e  registrados  no LALUR dos  anos­calendário  2012 e  2013. Em relação a 2014 e 2015, e­Lalur e e­Lacs extraídos da  Escrituração  Contábil  Fiscal  –  ECF,  fls.1544­1556.  Essa  apuração está demonstrada nas planilhas do ANEXO 03.  [...]    DA IMPUGNAÇÃO   A seguir, a impugnação apresentada, resumidamente:  Da Impugnação ao IRPJ (fls.1.646 a 1.665):  ­  A)  ADIÇÃO  DOS  TRIBUTOS  COM  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA AO LUCRO REAL  Neste  tópico,  a  Impugnante  afirma  que  a  regra  estabelecida  no  parágrafo  primeiro do art.41 da Lei nº 8.981/95 “...prevalece e continua em vigor até a  presente data, EXCETO NO QUE SE REFERE A  ‘DEPÓSITO’ JUDICIAL  DA EXAÇÃO CONTROVERTIDA.”  Que  com  a  publicação  da  Lei  9.703/98,  “as  exações  “depositadas”  judicialmente podem e devem ser deduzidas, para a apuração do lucro real.”  Isto porque entende que, anteriormente a esta lei, os depósitos permaneciam  na CEF até o  fim da demanda  judicial, ocasião em que os depósitos seriam  levantados pelo contribuinte (se vencedor) ou convertidos em renda da União  (se  vencedora),  de  forma  que  tais  depósitos  não  poderiam  mesmo  ser  aproveitados como despesas.  Que este cenário teria sido alterado com a entrada em vigor da Lei 9.703/98,  uma  vez  que  os  depósitos  não  permaneceriam  mais  na  CEF,  sendo  “IMEDIATAMENTE  REPASSADOS  PARA  A  UNIÃO  E  INTEGRAM  A  RENDA DO TESOURO NACIONAL.”  Em suas palavras:  Portanto,  desde  o  advento  da  Lei  9.703/98,  o  contribuinte  que  “deposita”  tributo  para  questionar  sua  legalidade/constitucionalidade,  perde  a  disponibilidade  dos  valores “depositados”, os quais passam a integrar o patrimônio  efetivo da União Federal. Por tal razão, o contribuinte passou a  Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.757          14 poder  aproveitar,  como  despesa,  o  valor  do  tributo  que  já  é  vertido aos cofres federais.  No mais, discorre sobre a validade desta lei, mesmo que ainda em vigor a Lei  8.541/92,  art.7º  e/ou  Lei  8.981,  art.41,  trazendo  excertos  doutrinários  e  decisões judiciais sobre o assunto em debate.   Por fim alegou que:  Como se não bastasse, mesmo que  se  entendesse,  por absurdo,  que  após  a  Lei  9.703/98,  os  “depósitos”  judiciais  continuam  indedutíveis,  certo  é  que  estariam  completamente  desacertados  os valores constantes da autuação.   ­ B) AUTUAÇÃO POR DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS  ­  com  base  no  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  3,  de  29/03/2007,  a  fiscalização  autuou  a  Defendente  por  entender  que  os  valores  correspondentes  aos  créditos  de  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  tomados  pela  contribuinte,  na  aquisição  de  insumos,  inclusive,  produtos  intermediários,  teriam sido aproveitados como despesa,  reduzindo a base de  cálculo do IRPJ e CSLL, nos anos 2012, 2013, 2014 e 2015;  ­ ESTE FATO NÃO OCORREU!  ­ a empresa não usa os valores do PIS, COFINS (e também ICMS), pagos nas  aquisições, para reduzir a base de cálculo da provisão de IRPJ e CSLL, nem  efetivamente reduz a base de cálculo de IRPJ e CSLL com tais valores;  ­  a  defendente,  ao  dar  entrada  nos  produtos  intermediários/insumos  adquiridos,  registra  no  seu  estoque  o  valor  das  notas  fiscais  COM  EXCLUSÃO  do  PIS,  COFINS  (e  ICMS),  cobrados  pelo  fornecedor,  mantendo registrado em estoque o valor líquido;  ­ os valores excluídos da conta de estoque, correspondentes ao PIS e COFINS  (e  ICMS),  são  provisionados  na  conta  de  obrigações  a  pagar  dos  correspondentes  tributos,  para  serem  abatidos  do  provisionamento  PIS,  COFINS (e ICMS), APURADOS NA VENDA;  ­ assim, as alíquotas de PIS e COFINS incidentes, na saída das mercadorias  produzidas,  pela  defendente,  relativas  ao  seu  faturamento,  incidem  sobre  o  valor  final SEM CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS,  que haviam sido excluídos do valor do estoque;  ­ portanto, ao contrário do entendido pela  fiscalização, os créditos de PIS e  COFINS não reduzem o resultado operacional da defendente, não reduzindo  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL,  como  erroneamente  entendido  pela  fiscalização.   ­ C ) SUPOSTO EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO  Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.758          15 ­  a  Fiscalização  autuou  a  Defendente  entendendo  que  ela  reduziu  indevidamente  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL,  mediante  dedução,  em  excesso, de juros sobre o capital próprio, nos anos de 2012, 2013 e 2014;  ­ na forma do art. 9º da Lei 9.249/95, com as alterações posteriores, a pessoa  jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os  juros pagos  ou  creditados  individualmente  a  acionista,  a  título  de  remuneração  pelo  capital  próprio,  calculado  sobre  a  conta  do  patrimônio  líquido  e  limitado  à  variação,  “pro  rata  die”,  da  TJLP,  ficando  condicionado  à  existência  de  lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados ou  reservas  de  lucros,  em montante  igual  ou  superior  a  duas  vezes  os  juros  a  serem pagos ou creditados;  ­ Note­se que, nos  anos  em questão  (2012, 2013 e 2014), NÃO EXISTEM  AS LIMITAÇÕES advindas pela Lei 12.973/14, que entrou em vigor em 1º  de  janeiro de 2015, notadamente as  restrições de consideração de contas de  patrimônio  líquido,  para  efeito  de  remuneração  dos  juros  sobre  o  capital  próprio;  ­ Ora, o patrimônio líquido da Defendente foi de R$ 76.118.000,00 em 31 de  dezembro  de  2012;  R$  78.014.000,00  em  31  de  dezembro  de  2013  e  R$  79.352.000,00  em  31  de  dezembro  de  2014,  (Balanços  publicados,  Doc.  Anexo II);  ­  após  indicar  as variações da TJLP em 2012, 2013 e 2014, alega, por  fim,  que RESPEITOU os limites legais, ou seja, aplicou a título de juros sobre o  capital  próprio,  os  percentuais  da  variação  da  TJLP,  sobre  seu  patrimônio  líquido,  até  o  limite  de  50% dos  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros, de lucros acumulados e reservas de lucros;  ­ assim, não ocorreu o excesso de juros sobre o capital próprio;  ­ D) DA MULTA ISOLADA  ­ que a multa é ilegal, não sendo possível a sua cobrança cumulativa à multa  de ofício, como pretendido no presente caso;  ­ a multa  isolada, como o próprio nome diz, é aplicada ISOLADAMENTE,  quando não existir tributo ou contribuição a ser paga, nos termos dos incisos  II e III do artigo 44 da Lei 9430/96; por fim, solicita a realização de perícias,  indicando perito e os quesitos que entende devam ser examinados."    O Acórdão de Impugnação nº 07­41.542 ­ 6ª Turma da DRJ/FNS considerou  a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.759          16 Tributos.  Contribuições.  Exigibilidade  Suspensa.  Dedutibilidade.  Lançamento de Ofício. Impugnação.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação  do  lucro  real,  segundo  o  regime  de  competência,  não  se  aplicando  tal  regra  para  aqueles  com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei  nº 5.172, de 1996 (CTN).  A  existência  de  depósitos  judiciais  das  exações  questionadas  não  permite  a  dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em  face da legislação atual.  Resultado  Contábil.  Contribuições  PIS/COFINS.  Créditos  Não  Comprovados.  A  existência  de  diferenças  entre  os  valores  de PIS/COFINS  declarados  em  DCTF  e  na  DACON,  é  perfeitamente  natural  se  a  empresa  utiliza­se  do  regime  da  não  cumulatividade  na  apuração  das  contribuições  devidas  (a  pagar). Entretanto, se a alegação de que se tratariam de utilização de créditos  destas contribuições não restou devidamente comprovada, cabível a glosa das  diferenças.  Juros sobre o Capital Próprio. Excesso. Limite Legal.  Constatada a existência de pagamento/creditamento de  importâncias a  título  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio  em  montante  superior  ao  limite  legal  permitido, impõe­se a glosa do excesso.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo  estimada mensal.  A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do  IRPJ  e da CSLL, mensalmente  devida  e não  recolhida,  deve  ser  aplicada  à  pessoa  jurídica,  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real,  e  optante  pelo  pagamento do  IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de  cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou  a CSLL mensalmente devidos.  Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização.  A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos  na  apuração  anual,  e  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  antecipações  mensais,  calculadas  sobre  bases  de  cálculo  estimadas,  têm  hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas.   De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada  por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de  cálculo  estimadas,  é  completamente  autônoma  em  relação  à  obrigação  tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/12/2012, 31/12/2013, 31/12/2014, 31/12/2015  Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência.   Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.760          17 A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores  de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e  a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os  tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  aplica­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido ­ CSLL.    Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário,  em que repisas os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator.   O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo  qual dele conheço.    Preliminar  Alegação de nulidade da decisão de primeira instância pro cerceamento de defesa  O recorrente alega que ocorreu cerceamento de defesa, pelo indeferimento da  prova pericial  tempestivamente requerida, o que em seu entendimento revelou desrespeito ao  direito de ampla defesa e do contraditório.  O requerente requer que seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa,  decretada  nulidade  do  julgamento  e  determinada  a  baixa  dos  autos  em  diligência  para  realização  da  prova  pericial  quanto  ao  reflexo  no  resultado  dos  valores  de  PIS/COFINS  e  alegado excesso de juros sobre capital próprio. Apresenta as seguintes razões:  Na Impugnação, a Recorrente justificou que é empresa industrial  de porte, com milhares de notas fiscais emitidas e recebidas no  período  fiscalizado,  bem  como  documentação  decorrente  do  cumprimento  de  suas  obrigações  acessórias,  o  que  tornaria  impossível,  dentro  das  limitações  próprias  do  Processo  Eletrônico, a juntada de tanta documentação.  Inclusive por tal razão, pediu a Impugnante fosse determinada a  realização de perícia, como expressamente previsto no artigo 38  da  Lei  9784/99,  que  regula  a  tramitação  dos  processos  administrativos federais;  Para  tanto,  a  Impugnante  apresentou,  já  na  impugnação,  seus  quesitos e também seu assistente técnico, tudo do seguinte teor:  [...]  Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.761          18 Os  julgadores de Primeira  Instância  INDEFERIRAM o pedido,  sob  o  fundamento  de  que  existiria  "quadro  probatório  inequívoco  da  situação  fática  e  jurídica  apurados  na  ação  fiscal";  "Data máxima venia", não é assim. A Recorrente, ao dar entrada  nos produtos intermediários/insumos adquiridos, registra no seu  estoque  o  valor  das  Notas  Fiscais  COM  EXCLUSÃO  do  PIS.  COFINS  e  ICMS),  cobrados  pelo  fornecedor,  mantendo  registrado em estoque apenas o valor líquido;  Os  valores  excluídos da  conta de  estoque,  correspondentes aos  tributos PIS e COFINS (e ICMS), são provisionados na conta de  obrigações  a  pagar  dos  correspondentes  tributos,  para  serem  abatidos  do  provisionamento  PIS,  COFINS  (e  ICMS),  APURADOS  NAS  VENDAS.  Assim,  tais  tributos,  que  repercutem,  não  são  aproveitados  como  despesa  operacional,  pela  Recorrente,  mas  apenas  reduzidos,  como  créditos,  dos  mesmos  tributos  incidentes  na  saída  das  mercadorias  e  faturamento.  Assim, as alíquotas de PIS  e COF1NS  incidentes,  na  saída das  mercadorias  produzidas,  pela  defendente,  relativas  ao  seu  faturamento, incidem sobre o valor final SEM CONSIDERAÇÃO  DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS, que haviam sido excluídos  do valor do estoque;  Tal  forma  de  contabilização  DEMANDARIA  E  DEMANDA  PROVA  PERICIAL  TÉCNICA,  para  verificação  da  veracidade  das alegações.  Também no  que  se  refere ao  alegado excesso de  juros  sobre  o  capital próprio, a Recorrente RESPEITOU os  limites  legais, ou  seja,  aplicou,  a  título  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  os  percentuais  da  variação da TJLP  sobre  seu  patrimônio  líquido  ajustado, sem o ajuste de avaliação patrimonial, até o limite de  50%  dos  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  de  lucros acumulados e reservas de lucros.  A prova pericial, no entender da Recorrente, melhor explicaria  tal  procedimento  e  também  demonstraria  que  não  ocorreu  qualquer excesso de juros sobre o capital próprio;  Portanto,  ocorreu  autêntico  cerceamento  de  defesa,  pelo  indeferimento  da  prova  pericial  tempestivamente  requerida,  revelando  desrespeito  ao  direito  de  ampla  defesa  c  do  contraditório, da Recorrente.  Em  face  da  documentação  que  compõe os  autos,  a Turma  Julgadora a quo  não  vislumbrou  a  necessidade  desse  procedimento,  pois  entendeu  que  existe  um  quadro  probatório inequívoco da situação fática e jurídica apurados na ação fiscal, conforme Acórdão  de Impugnação :  Pelo  que  se  extrai  do  quesito  proposto  pelo  impugnante,  este  busca a realização de “[...] perícias contábeis a  fim  identificar  Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.762          19 os valores corretos de lançamento, a teor do que prescreve o art.  16, inciso IV, do Decreto n.o 70.235/72.”  Entretanto, em face da documentação que compõe os autos, não  se  vislumbra  a  necessidade  deste  procedimento,  isso  porque  existe  um  quadro  probatório  inequívoco  da  situação  fática  e  jurídica apurados na ação fiscal.  Ainda com relação à diligencia ou perícia,  tem­se que  consiste  de  um  procedimento  destinado  a  levar  conhecimento  técnico  e  especializado ao julgador, a  fim de comprovar a veracidade de  certo  fato  ou  circunstância,  a  fim  de  auxiliá­lo  em  seu  livre  convencimento.  Isto  posto,  é  indiscutível  que  no  presente  caso,  não há motivos que justifiquem a realização deste procedimento,  pois  estão  presentes  nos  autos  os  elementos  necessários  ao  deslinde das questões de fato e de direito.  Por  definitivo,  é  de  se  esclarecer  que  cabe  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  a  decisão  de  realização  de  diligencia ou perícia, quando esta entendê­la necessária. Este é  o  procedimento  previsto  no  art.  18  do  Decreto  70.235/72,  conforme transcrito:  [...]  Dessa  forma,  com  base  no  dispositivo  citado,  indefiro  o  pedido de perícia apresentado pelo impugnante.  Deduz­se  que  não  houve  cerceamento  de  defesa  no  indeferimento  do  requerimento de prova pericial, pois a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que  essa seria prescindível, pois entendeu que estão presentes nos autos os elementos necessários  ao deslinde das questões de fato e de direito. Esse procedimento teve como base legal o art. 18  do Decreto 70.235/72, in verbis:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Desta forma, voto no sentido de rejeitar a alegação de nulidade da decisão de  primeira instância por cerceamento de defesa.  Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.763          20 Mérito  Legalidade  da  adição  ao  lucro  real  dos  tributos  e  contribuições  com  exigibilidade  suspensas  A primeira questão a ser discutida no presente processo trata da legalidade da  adição ao lucro real dos tributos com exigibilidade suspensa.  A  Fiscalização  observou  que  o  Recorrente  não  adicionou  na  apuração  do  lucro  real  os  tributos  com  exigibilidade  suspensa,  embora  tivesse  declarado  em  sua  DCTF  tributos nessa condição, logo procedeu­se à apuração do lucro real com a adição de ofício dos  referidos tributos, conforme Relatório de Auditoria Fiscal :  O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético,  e,  em  relação  às  ações  judiciais  entregou  apenas  os  depósitos  judiciais,  fls.  97­136,  as  planilhas  de  apuração  dos  valores  suspensos,  e  as  cópias  das DCTF,  fls.  137­533. Apesar  de  não  ter  mencionado  em  sua  reposta,  fls.  95/96  a  questão  da  ação  judicial,  afirmou à  fiscalização que  essas ações  judiciais ainda  continuavam  ativas  e  que  não  haviam  sido  denegadas  pelas  instâncias superiores.  Portanto,  esses  valores  de  tributos  com  exigibilidade  suspensa  declarados  nas  DCTF  do  contribuinte  foram  adicionados  de  ofício pela fiscalização à apuração do lucro real, do acordo com  legislação do Imposto de Renda, sendo efetuados os lançamentos  devidos de IRPJ e CSLL.  [...]  Os  valores  dos  tributos  com  exigibilidade  suspensa  foram  integralmente adicionados na apuração reconstituída do IRPJ e  CSLL,  sendo  efetuados  os  lançamentos,  relativo  ao  ano­ calendário  2011,  com  a  conseqüente  multa  de  ofício  e  os  acréscimos  legais.  Foram  considerados  no  lançamento  os  débitos declarados em DCTF, fls. 538­541.  O  Recorrente  alegou,  em  sua  impugnação,  que,  com  o  advento  da  Lei  9703/98,  os  tributos  com  exigibilidade  suspensa,  desde  que  havendo  o  depósito  judicial,  poderiam ser deduzidos na apuração do lucro real.  A Turma Julgadora a quo julgou improcedente a impugnação, pois entendeu  que a existência de depósito judicial não altera a condição de indedutibilidade dos tributos sob  exigibilidade suspensa:  Notório  que  as  exações  questionadas  (apuradas  no  Auto  de  Infração,  neste  item)  encontram­se  com  a  sua  exigibilidade  suspensa,  portanto,  a  rigor,  não  poderiam  ser  aproveitadas  como  redutoras  (despesas)  do  lucro  líquido  ou,  se  o  fossem,  deveriam ser adicionadas na apuração do Lucro real.  Entretanto,  a  Impugnante,  conforme  relatoriado,  aposta  suas  fichas  na  Lei  nº  9.703/98,  cuja  introdução  no  cenário  jurídico  Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.764          21 nacional  teria  possibilitado,  em  seu  entendimento,  a  dedução  imediata dos valores depositados então judicialmente.  Da leitura destes  instrumentos  legais, não se pode concluir que  valores  devidos  de  exações  questionadas  e  devidamente  depositadas junto ao Poder Judiciário, possam ser consideradas  como despesas e sem qualquer ajuste (adição) na determinação  do lucro real.  O  fato  de  a  União  Federal  já  poder  dispor  de  imediato  dos  valores  depositados  judicialmente  pelos  contribuintes,  não  significa  que  tais  depósitos,  que  representam  tributos  e/ou  contribuições federais em discussão judicial, estejam livres para  o  registro  contábil  em  conta  de  resultado  (despesas),  sem  o  necessário ajuste fiscal.  Absolutamente, não há qualquer incompatibilidade entre as leis  citadas pela Impugnante, sob o argumento de que os dispositivos  pertinentes  que  se  encontram  nas  Leis  8.541/92  (art.8º)  e  Lei  8.981/95  (art.41)  teriam  sido  implicitamente  revogados  com  a  publicação da Lei 9.703, de 1998.  O Recorrente, em seu recurso voluntário, repisa todos os argumentos de sua  impugnação  e  acrescenta  que,  exclusivamente  em  relação  aos  depósitos  judiciais,  existiu  derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95 pelo artigo 1º da Lei 9703/98:  No caso presente, a razão de ser, a "força e o poder", da regra  prevista  no  artigo  41,  parágrafo  primeiro  da  Lei  8991/95,  repetido  no  artigo  344  do  RIR,  é  da  indedutibilidade  do  DEPÓSITO  judicial,  porque,  como  consagrou  o  E.  STJ  na  Jurisprudência  anterior  à  Lei  9703  98,  nos  RRSP  129.665­RS,  STJ,  ln TURMA, DJU 9 3/98 e no RESP ainda mais antigo, de  número  217.562,  NÃO  HAVIA  DISPONIBILIDADE,  PARA  A  UNIÃO,  DOS  VAI  ORES  DEPOSITADOS,  QUE  PERMANECIAM  em  poder  de  terceiro,  no  caso,  CEF,  ainda  vinculados  ao  contribuinte  depositante,  como  previa  o  DL  1737/79;  Com a mudança proporcionada pelo artigo 1º da Lei 9703/98, o  que era DEPOSITO, o que era a guarda por terceiro de dinheiro  que  não  lhe  pertencia,  DEIXOU  DE  EXISTIR.  Os  valores  "depositados" são vertidos ao patrimônio do poder tributante, no  mesmo  prazo  que  também  são  vertidos  os  valores  recolhidos,  razão  pela  qual,  a  partir  dai,  seja  no  "depósito"  seja  no  recolhimento normal ocorre a TRANSFERENCIA do dinheiro do  contribuinte para a União, não havendo, pois, motivos para  se  discriminar as duas situações de resultados idênticos;  Portanto,  EXCLUSIVAMENTE  EM  RELAÇÃO  AOS  "DEPÓSITOS" JUDICIAIS, a partir da vigência da Lei 9703/98,  existiu DERROGAÇÃO da regra anterior, dos artigos 8o da Lei  8541/92 e 41 da Lei 8981/95, pelo artigo 10 da Lei 9703/98;  A derrevogação se deu pela INCOMPATIBILIDADE da Lei nova  com  as  anteriores,  como  previsto  no  artigo  2o,  parágrafo  Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.765          22 primeiro, da LINDB­ LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO  DIREITO BRASILEIRO, (DL 4657/42);     A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro  real é disciplinada nos arts. 7º e 8º da Lei 8.541 de 23 de dezembro de 1992, in verbis:  Art.  7°  As  obrigações  referentes  a  tributos  ou  contribuições  somente  serão  dedutíveis,  para  fins  de  apuração do  lucro  real,  quando pagas.  §  1°  Os  valores  das  provisões,  constituídas  com  base  nas  obrigações de que  trata o caput deste artigo, registrados  como  despesas indedutíveis, serão adicionados ao  lucro líquido, para  efeito de apuração do lucro real, e excluído no período­base em  que a obrigação provisionada for efetivamente paga.  §  2°  Na  determinação  do  lucro  real,  a  pessoa  jurídica  não  poderá deduzir como custo ou despesa o imposto sobre a renda  de  que  for  sujeito  passivo  como  contribuinte  ou  como  responsável em substituição ao contribuinte.  §  3°  A  dedutibilidade,  como  custo  ou  despesa,  de  rendimentos  pagos  ou  creditados  a  terceiros  abrange  o  imposto  sobre  os  rendimentos  que  o  contribuinte,  como  fonte  pagadora,  tiver  o  dever legal de reter e recolher, ainda que o contribuinte assuma  o ônus do imposto.  §  4°  Os  impostos  pagos  pela  pessoa  jurídica  na  aquisição  de  bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados  como  custo  de  aquisição  ou  deduzidos  como  despesas  operacionais,  salvo  os  pagos  na  importação  de  bens  que  se  acrescerão ao custo de aquisição.  § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as  multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória  e  as  impostas  por  infrações  de  que  não  resultem  falta  ou  insuficiência de pagamento de tributo.  Art.  8°  Serão  consideradas  como  redução  indevida  do  lucro  real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, §  5°,  alínea  b,  do  Decreto­Lei  n°  1.598,  de  26  de  dezembro  de  1977,  as  importâncias  contabilizadas  como  custo  ou  despesa,  relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização  monetária  e  as  multas,  juros  e  outros  encargos,  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa  nos  termos do art.  151 da Lei n°  5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial  em garantia.    A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro  real também é tratada no art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro do 1995, in verbis:  Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.766          23 Art.  41.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação do lucro real, segundo o regime de competência.   §  1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  tributos  e  contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos  incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, haja ou não depósito judicial. (grifo nosso)   §  2º  Na  determinação  do  lucro  real,  a  pessoa  jurídica  não  poderá  deduzir  como  custo  ou  despesa  o  Imposto  de Renda de  que  for  sujeito  passivo  como  contribuinte  ou  responsável  em  substituição ao contribuinte.   §  3º  A  dedutibilidade,  como  custo  ou  despesa,  de  rendimentos  pagos  ou  creditados  a  terceiros  abrange  o  imposto  sobre  os  rendimentos  que  o  contribuinte,  como  fonte  pagadora,  tiver  o  dever  legal  de  reter  e  recolher,  ainda  que  assuma  o  ônus  do  imposto.   §  4º  Os  impostos  pagos  pela  pessoa  jurídica  na  aquisição  de  bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados  como  custo  de  aquisição  ou  deduzidos  como  despesas  operacionais,  salvo  os  pagos  na  importação  de  bens  que  se  acrescerão ao custo de aquisição.   § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as  multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória  e  as  impostas  por  infrações  de  que  não  resultem  falta  ou  insuficiência de pagamento de tributo.  § 6o As contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou  receita bruta e sobre o valor das importações, pagas pela pessoa  jurídica  na  aquisição  de  bens  destinados  ao  ativo  permanente,  serão  acrescidas  ao  custo  de  aquisição.    (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)    O Artigo  1º  da  lei  nº  9.703,  de  17  de  novembro  de  1998,  dispõe  sobre  os  depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, in verbis:  Art.  1o Os  depósitos  judiciais  e  extrajudiciais,  em  dinheiro,  de  valores  referentes  a  tributos  e  contribuições  federais,  inclusive  seus  acessórios,  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Ministério  da  Fazenda,  serão  efetuados  na  Caixa  Econômica  Federal,  mediante  Documento  de  Arrecadação  de  Receitas Federais ­ DARF, específico para essa finalidade.  §  1o  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  aos  débitos  provenientes  de  tributos  e  contribuições  inscritos  em  Dívida  Ativa da União.  §  2o  Os  depósitos  serão  repassados  pela  Caixa  Econômica  Federal  para  a  Conta  Única  do  Tesouro  Nacional,  independentemente  de  qualquer  formalidade,  no  mesmo  prazo  Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.767          24 fixado  para  recolhimento  dos  tributos  e  das  contribuições  federais.  §  3o  Mediante  ordem  da  autoridade  judicial  ou,  no  caso  de  depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente,  o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo  litigioso, será:  I ­ devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no  prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for  favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na  forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de  dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou  II ­ transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição,  inclusive  seus  acessórios,  quando  se  tratar  de  sentença  ou  decisão favorável à Fazenda Nacional.  § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão  debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de  restituição.  § 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores  depositados ou devolvidos.    Observa­se, conforme interpretação literal dos arts. 7º e 8º da Lei 8.541/92 e  art. 41 da Lei nº 8.981/1995, que as obrigações referentes a tributos ou contribuições somente  serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas, sendo que essa disposição  não  se  aplica  aos  tributos  e  contribuições  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa,  nos  termos  dos  incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito  judicial.   O  legislador  deixou  claro  que  aplica­se  a  indedutibilidade  dos  tributos  e  contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa,  independentemente da existência ou não do  depósito judicial.  A  lei  º  9.703,  de  17  de  novembro  de  1998,  dispôs  que  os  depósitos  serão  repassados  pela  Caixa  Econômica  Federal  para  a  Conta  Única  do  Tesouro  Nacional,  independentemente  de  qualquer  formalidade,  no mesmo  prazo  fixado  para  recolhimento  dos  tributos  e  das  contribuições  federais,  contudo,  estabeleceu  que  o  valor  depósito  será  transformado  em  pagamento  definitivo,  proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo ou contribuição quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional.  Nota­se que o mero repasse dos depósitos pela Caixa Econômica Federal para  a Conta Única do Tesouro Nacional não os  transforma em pagamento,  sendo necessário que  ocorra a sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional.  O  Recorrente,  embora  tenha  sido  intimado,  não  trouxe  elementos  comprobatórios da existência de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto  mostram­se corretos os lançamentos efetuados através de auto de infração no presente processo  e o Acórdão de Impugnação recorrido.  Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.768          25 Compulsando  o  artigo  1º  da  lei  nº  9.703/98  com  os  arts.  7º  e  8º  da  Lei  8.541/92  e  art.  41  da  Lei  nº  8.981/1995,  verifica­se  que  não  há  nem  contradição  nem  derrogação dos referidos comandos legais.  Logo  rejeita­se  os  argumentos  trazidos  pela  recorrente  pela  dedutibilidade  dos  tributos  e  contribuições  sob  exigibilidade  suspensa, mesmo  havendo  depósitos  judiciais.  Afasta­se ainda a alegação de derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95  pelo artigo 1º da Lei 9703/98.    Da autuação por despesas não dedutíveis  A fiscalização glosou as diferenças encontradas, entre os valores declarados  de PIS/COFINS nas DCTF e o declarado pelo contribuinte em DIPJ/ECF, por falta por falta de  comprovação  de  que  houve  qualquer  ajuste,  realizado  pelo  fiscalizado  com  vista  a  evitar  reflexo nos resultados, conforme Relatório de Auditoria Fiscal:  Analisando as DCTF entregues pelo fiscalizado e comparando­ as  com  as  DIPJ,  verificamos  diferenças  entre  os  valores  declarados  de  PIS/COFINS  nas  DCTF  e  o  declarado  pelo  contribuinte  em  DIPJ,  reduzindo  o  resultado  do  período  para  apuração do lucro, na Ficha 06A ­ Demonstração do Resultado ­  PJ em Geral, linhas: 12. (­) Cofins e 13. (­) PIS/Pasep.  Foram encontradas diferenças em relação aos anos­calendários  2012,  2013,  2014  e  2015,  fls.  1457­1472  e  1477­1484,  1487/1488. Em  relação a 2014  e  2015,  a  comparação  foi  feita  com a ECF entregue no ambiente do SPED.  Essas  diferenças,  conforme  se  constata  nas  DACON  do  contribuinte, têm origem nos créditos da não cumulatividade que  não  foram  deduzidos  das  contribuições  nos  valores  declarados  na  demonstração  do  resultado,  mas  foram  diminuídos  nas  contribuições declaradas nas DCTF.  A legislação que trata da matéria, como o § 10 do art. 3o da Lei  n° 10.833/2003, o art. 35 da Lei n° 12.058/2009, determinam que  as  pessoas  jurídicas  submetidas  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa deverão apurar  e  registrar,  de  forma  segregada, os  créditos da não cumulatividade que não constituem receita bruta  da  pessoa  jurídica,  servindo  somente  para  dedução  do  valor  devido da contribuição.  Também,  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  (ADI)  SRF  n°  3/2007, no mesmo sentido, segue afirmando que o procedimento  técnico­contábil  recomendável  para  registro  desses  créditos  consiste  em  considerá­los  como  ativo  fiscal,  no  entanto,  o  contribuinte  pode  adotar  procedimento  diverso  desde  que  não  afete o Resultado Fiscal.  É  certo  que  a  forma  de  escriturar  essas  operações  é  de  livre  escolha  dos  contribuintes  dentro  dos  princípios  técnicos  da  Contabilidade,  desde  que  não  haja  reflexo  na  apuração  do  resultado.  Porém,  o  contribuinte  é  obrigado  a  manter  os  Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.769          26 comprovantes  da  metodologia  adotada  para  apresentação  ao  fisco,  caso  tenha  que  demonstrar  a  observância  dessas  prescrições.  Assim, o fiscalizado foi intimado, através do Termo de Intimação  Fiscal  n°  05,  fls.  622­628,  a  indicar  o  procedimento  adotado  para registro daquelas diferenças relativas aos créditos da não  cumulatividade  verificados  nos  anos­calendários  2012  a  2015,  bem como as contas contábeis e lançamentos de contabilização.  O  intimado  apresentou  uma  resposta  muito  vaga,  fls.  633­664,  aduzindo  uma  série  de  informações  que  sequer  haviam  sido  questionadas na intimação, mas se omitiu em relação à questão  principal  das  diferenças  relativas  aos mencionados  créditos  da  não cumulatividade.  Em sua impugnação o contribuinte alega que, ao contrário do entendido pela  fiscalização, os créditos de PIS e COFINS não reduzem o resultado operacional da defendente,  não  reduzindo  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL,  como  erroneamente  entendido  pela  fiscalização, explica­se:  ­  a  empresa  não  usa  os  valores  do  PIS,  COFINS  (e  também  ICMS), pagos nas aquisições, para reduzir a base de cálculo da  provisão  de  IRPJ  e  CSLL,  nem  efetivamente  reduz  a  base  de  cálculo de IRPJ e CSLL com tais valores;  ­  a  defendente,  ao  dar  entrada  nos  produtos  intermediários/insumos  adquiridos,  registra  no  seu  estoque  o  valor  das  notas  fiscais  COM  EXCLUSÃO  do  PIS,  COFINS  (e  ICMS),  cobrados  pelo  fornecedor,  mantendo  registrado  em  estoque o valor líquido;  ­ os valores excluídos da conta de estoque, correspondentes ao  PIS  e  COFINS  (e  ICMS),  são  provisionados  na  conta  de  obrigações  a  pagar  dos  correspondentes  tributos,  para  serem  abatidos  do  provisionamento  PIS,  COFINS  (e  ICMS),  APURADOS NA VENDA;  ­ assim, as alíquotas de PIS e COFINS incidentes, na saída das  mercadorias  produzidas,  pela  defendente,  relativas  ao  seu  faturamento, incidem sobre o valor final SEM CONSIDERAÇÃO  DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS, que haviam sido excluídos  do valor do estoque;    A  turma  julgadora  de  primeira  instância  reconheceu  que  a  utilização  de  créditos  de  PIS/COFINS  permite  a  dedução  dos  créditos  na  apuração  do  valor  devido  das  contribuições, entretanto considerou que o contribuinte não apresentou as contas contábeis que  respaldassem  seu  procedimento  e  nem  conseguiu  demonstrar,  por  meio  das  planilhas  apresentadas, que as diferenças apontadas seriam um equívoco fiscal, de modo que se manteve  o  lançamento  das  glosas,  por  falta  de  comprovação  da  existência  de  créditos  de  PIS/COFINS. Transcreve­se excertos da decisão de piso:  Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.770          27 Conforme  relatoriado,  a  Fiscalização  verificou  existência  de  diferenças entre os valores das contribuições de PIS e COFINS  informadas na DCTF e DIPJ, tendo efetuado a glosa relativa às  diferenças  encontradas por  entender que os “...créditos da não  cumulatividade que não  foram deduzidos das contribuições nos  valores  declarados  na  demonstração  do  resultado,  mas  foram  diminuídos nas contribuições declaradas nas DCTF.”   Oportuno reproduzir como  foi apurado o valor  tributável, para  tanto  nos  valemos  de  excerto  do  Relatório  Fiscal,  como,  por  exemplo, os dados do ano calendário de 2012:   Fonte: Demonstrativo Diferença Créditos PIS COFINS  2012  DIPJ (*)  DCTF    DIFERENÇA  COFINS  5.879.171,41  3.019.306,25  2.859.865,16  PIS/Pasep  1.275.592,13   655.508,29   620.083,84  Valor Tributável    3.479.949,00  (*)  Estes  valores  estão  informados  como  redutores  da  Receita  Bruta  na  Ficha  06A  –  Demonstração  do  Resultado  –  PJ  Em  Geral (fls.686/750).  Se  a  empresa  opera,  relativamente  a  estas  contribuições,  no  regime  da  não­cumulatividade,  e  a  Fiscalização  reconhece  tal  procedimento,  natural  que,  para  fins  de  apurar  e  recolher  as  contribuições a pagar, possam os valores informados nas DCTF  apresentarem  valores  inferiores  aos  constantes  nas  DIPJ,  por  força  da  utilização  de  eventuais  créditos  (destas  contribuições)  disponíveis na empresa.   Para  fins  de  apuração  do  lucro  líquido,  entretanto,  forçoso  examinar  se  o  procedimento  de  contabilização  alardeado  pela  Contribuinte  está adequadamente  refletido na  sua apuração do  CMV – Custo das Mercadorias Vendidas.   A Lei nº 10.833 de 2010, citada no Auto de Infração, é bem clara  quanto à utilização do benefício  fiscal. Vejamos alguns de seus  dispositivos:  Art.  2o  Para  determinação  do  valor  da  COFINS  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento).  (Produção  de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)  ]...]  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados em relação a:  [...]  Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.771          28 § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com  este  artigo  não  constitui  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  servindo  somente  para  dedução  do  valor  devido da contribuição.  Então,  os  créditos  das  contribuições  sociais  em  exame  constituem­se  em  uma  dedução  do  valor  devido  das  contribuições,  entretanto,  sendo  por  demais  óbvio  que  permanece intacta a possibilidade de dedução das contribuições  (despesas)  incidentes  sobre  vendas  na  demonstração  do  resultado,  isto  porque  as  contribuições  que  dariam origem aos  créditos não estão computadas no estoque.  A  Fiscalização  solicitou,  por  meio  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  005,  que  a  contribuinte  explicasse  o  porque  destas  diferenças,  entre  os  valores  informados  nas  DCTF  e  na DIPJ,  “acompanhados  de  documentação  hábil  e  idônea  que  a  comprovem, juntamente com a indicação das contas contábeis e  sua contabilização.” [o destaque é da Intimação].  Em atendimento, a Contribuinte esclareceu:  01  ­  Anexo,  lhe  está  sendo  encaminhado  CD  onde  consta arquivo com a demonstração dos valores que  representam  a  apuração mensal  de  PIS  e  COFINS  relativas, essas informações, a 2012 e 2013.  02  ­  Tem  a  prestar  a  informação  de  que  adota  o  sistema  de  não­cumulatividade,  conforme  estabelecido em legislação em vigor, para apuração  de  ambas  as  contribuições  (PIS  e  COFINS),  conforme  constante  de  memória  de  cálculo  que  anexo, lhe estão sendo encaminhadas e que servirão  para  verificação  e  conferência  do  demonstrativo  constante do CD, anexo.  A Fiscalização  partiu  para  a  glosa  das  diferenças,  porque,  em  seu  entendimento,  a  resposta  da  Contribuinte  não  teria  sido  satisfatória:  O  intimado  apresentou  uma  resposta  muito  vaga,  fls.633­664, aduzindo uma série de informações que  sequer haviam sido questionadas na intimação, mas  se  omitiu  em  relação  à  questão  principal  das  diferenças  relativas  aos  mencionados  créditos  da  não cumulatividade.  Assim,  a  fiscalização  glosou  as  diferenças  encontradas por falta de comprovação de que houve  ajuste, realizado pelo fiscalizado com vista a evitar  reflexo  nos  resultados.  Foram  feitas  planilhas  demonstrativas  dos  valores  glosados,  juntadas  ao  processo fls. 1518­1521.  Conforme  reproduzimos  acima,  a  resposta  da  Contribuinte,  aparentemente,  parece  dirigida  ao  que  foi  demandado,  Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.772          29 entretanto, apesar de parcial (pois nada respondeu referente aos  anos de 2014 e 2015), a resposta dada, realmente, não consegue  atingir  ao  demandado  na  intimação  fiscal:  a  explicação  das  diferenças apontadas entre os valores das contribuições de PIS e  de COFINS.  As  planilhas  trazidas  (acostadas  às  fls.633  a  644)  pela  Contribuinte  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  005,  apontam  a  apuração dos  valores mensais  das  contribuições  de  PIS e de COFINS a recolher, de 2012 e 2013, que serviram de  base para as informações na DCTF, entretanto, em uma leitura  atenta das planilhas não se consegue ver nenhuma dedução por  conta de créditos de PIS/COFINS.  Estas  contribuições  assim  apuradas  estão  reproduzidas  nos  Demonstrativo das Diferenças PIS/COFINS mensais (fls.1.520 a  1.521),  elaborada  pela  Fiscalização,  revelando­se  inferiores  àquelas informadas nos respectivos meses na DACON.  Reitere­se,  em  2014  e  2015,  nada  informou  em  atendimento  àquela intimação quanto às diferenças apontadas.  Agora,  em  sede  de  impugnação,  a  Impugnante  simplesmente  descreve,  teoricamente,  o  seu  procedimento  de  contabilização  onde  procura,  com  isto,  demonstrar  que  não  houve  qualquer  afetação  negativa  na  demonstração  do  resultado  dos  anos  calendário de 2012 a 2015.  O  procedimento  contábil  em  questão  (contabilização  dos  estoques  pelos  valores  líquidos  das  contribuições  de  PIS  e  COFINS),  se  assim  conduzido,  apresentará  o  CMV  (custo  de  mercadorias  vendidas)  líquido  das  contribuições,  não  acarretando,  portanto,  redução  indevida  no  resultado.  Entretanto,  como  afirmou  a  Fiscalização,  após  o  recebimento  das  planilhas  da  Contribuinte,  não  há  qualquer  dado  e/ou  esclarecimento  que  explique  as  diferenças  apontadas,  no  que  estou de inteiro acordo.  Reitere­se,  a  utilização  de  créditos  de  PIS/COFINS,  como  estabelecido  no  dispositivo  legal  pertinente,  supra  transcrito,  permite a dedução dos créditos na apuração do valor devido das  contribuições,  entretanto,  a  Contribuinte  não  apresentou  as  contas  contábeis  que  respaldassem  seu  procedimento  e  nem  conseguiu demonstrar, por meio das planilhas apresentadas, que  as diferenças apontadas seriam um equívoco fiscal, de modo que  se  mantém  o  lançamento  das  glosas,  por  absoluta  falta  de  comprovação da existência de créditos de PIS/COFINS.    Observa­se que no resultado do acórdão de primeira instância foi mantido o  lançamento, por maioria de votos, vencidos os julgadores Murillo Lo Visco e Ricardo Rodolfo  Pering que votaram pela improcedência do lançamento relativo a glosa de despesas (excesso)  de Pis/Cofins, com Declaração de Voto apresentada pelo julgador Murillo Lo Visco.   Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.773          30 Na referida declaração de voto entendeu­se que o lançamento é improcedente  quanto às diferenças encontradas, entre os valores declarados de PIS/COFINS nas DCTF e o  declarado  pelo  contribuinte  em DIPJ/ECF,  pois  a  glosa  se  deu  por  "excesso  de  despesas  de  PIS/COFINS,  declaradas  na  Demonstração  do  Resultado".  Ou  seja,  a  Autoridade  Fiscal  claramente entendeu ­ de maneira equivocada ­ que nas linhas da Demonstração do Resultado  referentes às deduções da receita bruta, as contribuições deveriam ser registradas pelo valor já  descontado pelos créditos da não­cumulatividade. Transcreve­se excertos referida declaração:  No  presente  caso,  a  Autoridade  Fiscal  esclarece  que  detectou  "diferenças  entre  os  valores  declarados  de  PIS/COFINS  nas  DCTF  e  o  declarado  pelo  contribuinte  em  DIPJ,  reduzindo  o  resultado  do  período".  Ainda  segundo  a  Autoridade  Fiscal,  o  procedimento  adotado pela Contribuinte  gerou  um  "excesso  de  despesas  de  PIS/COFINS,  declaradas  na  Demonstração  do  Resultado, produzido pela não dedução dos respectivos créditos  da apuração não cumulativa".   Em sua defesa, a Contribuinte alegou que "a empresa não usa os  valores  do  PIS,  COFINS  (e  também  ICMS),  pagos  nas  aquisições, para reduzir a base de cálculo da provisão de IRPJ e  CSLL, nem efetivamente reduz a base de cálculo de IRPJ e CSLL  com tais valores".   Ao apreciar essa matéria, o Relator deixou bastante claro que,  para as pessoas  jurídicas submetidas à não­cumulatividade das  contribuições, é natural que exista diferença entre o valor desses  tributos declarados em DCTF e o que consta como dedução da  receita  bruta  na  Demonstração  do  Resultado,  justamente  por  conta dos créditos da não­cumulatividade. No entanto, o Relator  seguiu  seu  Voto  na  linha  de  que  é  "forçoso  examinar  se  o  procedimento  de  contabilização  alardeado  pela  Contribuinte  está adequadamente refletido na sua apuração do CMV – Custo  das  Mercadorias  Vendidas".  Desse  modo,  considerando  que  a  Contribuinte  não  apresentou  elementos  que  demonstrassem  a  forma  pela  qual  foram  contabilizadas  as  aquisições,  o  Relator  entendeu que o lançamento  fiscal deveria ser mantido quanto a  essa infração.  Não  discordo  do  fato  de  que  possam  existir  repercussões  no  custo,  a  depender  do  procedimento  de  contabilização  das  aquisições. De  fato,  todos  sabemos que, caso o adquirente não  leve  a  estoque  as  compras  pelo  valor  líquido  dos  tributos  recuperáveis, ao serem vendidas as mercadorias (ou os produtos  nos quais foi incorporada matéria­prima adquirida de terceiros),  o  custo  estará  superdimensionado,  justamente  em  valor  equivalente aos créditos da não­cumulatividade.  Mas não é  esse  o  ponto  da minha discordância. Com a  devida  vênia,  quem  trouxe  essa  discussão  de  CMV  aos  autos  foi  o  Relator,  e não a Autoridade Fiscal. Nesse sentido, não se pode  olvidar que, segundo consta no Auto de Infração, a glosa se deu  por  "excesso  de  despesas  de  PIS/COFINS,  declaradas  na  Demonstração  do  Resultado".  Ou  seja,  a  Autoridade  Fiscal  claramente  entendeu  ­  de maneira equivocada a meu ver  ­  que  nas  linhas  da  Demonstração  do  Resultado  referentes  às  Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.774          31 deduções  da  receita  bruta,  as  contribuições  deveriam  ser  registradas  pelo  valor  já  descontado  pelos  créditos  da  não­ cumulatividade.  Inclusive,  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  referindo­se à diferença entre os valores que constam na DCTF  e na DIPJ, a Autoridade Fiscal deixou consignado o seguinte:  Essas diferenças, conforme se constata nas DACON  do  contribuinte,  tem  origem  nos  créditos  da  não  cumulatividade  que  não  foram  deduzidos  das  contribuições  nos  valores  declarados  na  demonstração  do  resultado,  mas  foram  diminuídos  nas contribuições declaradas nas DCTF.  (destaque acrescido)  Trata­se,  claramente,  de  uma  impropriedade.  As  despesas  que  vão a resultado, referentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à  Cofins,  são  registradas  em contrapartida do passivo pelo  valor  resultante  da  aplicação  da  alíquota  sobre  a  base  de  cálculo,  e  não há que se falar em desconto de créditos nesse momento.   Aliás,  os  créditos  da  não­cumulatividade  das  contribuições  (e  também do ICMS), em nenhum momento circulam por contas de  resultado. Em  verdade,  a única  forma de o  valor  referente  aos  créditos  gerados  nas  aquisições  de  mercadorias  e  insumos  integrarem (indevidamente) a Demonstração do Resultado seria  no  custo  (CMV  ou  CPV),  como  decorrência  do  registro  das  compras  em  desconformidade  com  as  práticas  contábeis  encontradas  no  Pronunciamento  Técnico  nº  16  do  Comitê  de  Pronunciamentos Contábeis (CPC 16).   Mas, em nenhum momento a Autoridade Fiscal colocou o custo  (CMV  ou  CPV)  em  perspectiva.  Glosado  não  foi  excesso  de  custo, mas sim excesso de despesa de contribuições. Aliás, além  de  não  ter  feito  qualquer  referência  ao  CMV,  em  nenhum  momento a Autoridade Fiscal indagou a Contribuinte a respeito  dos procedimentos adotados na contabilização das compras.  Sobre  esse  ponto,  cabe  observar  o  seguinte.  A  fiscalização  iniciou em 10/07/2015,  tendo como escopo de  trabalho os anos  de 2011 e 2012. Mas foi apenas por meio do Termo de Intimação  Fiscal  nº  5,  cientificado em 22/08/2017, que  a Contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  as  justificativas  para  as  diferenças  encontradas  entre  o  valor  das  contribuições  declaradas  em  DCTF  e  o  valor  que  consta  como  dedução  de  vendas  na  Demonstração  do  Resultado,  relativamente  aos  anos  de  2012,  2013,  2014  e  2015,  juntamente  com  a  indicação  das  contas  contábeis e sua contabilização. Inclusive, em anexo ao TIF nº 5,  a  Autoridade  Fiscal  fez  constar  planilhas  que  evidenciam  as  diferenças entre deduções da receita bruta e DCTF. Nada sobre  CMV, a exemplo do recorte que trago abaixo:  [...]   Em  resposta  a  essa  intimação,  a  Contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  de  fls.  633  a  664.  De  toda  sorte,  ainda  que  a  Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.775          32 Autoridade  Fiscal  tenha  entendido  que  a  Contribuinte  não  atendeu  efetivamente  à  intimação,  fato  é  que  a  intimação  se  limitou a apresentar uma realidade absolutamente normal para  as  pessoas  jurídicas  submetidas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  das  contribuições.  Exceto  para  os  períodos  em  que inexista qualquer crédito a descontar (o que é absolutamente  improvável  para  uma  empresa  industrial),  sempre  haverá  diferenças entre o valor das contribuições declaradas em DCTF  e o valor que constar como dedução de vendas na Demonstração  do  Resultado.  Esse  é  o  padrão.  Esse  é  o  normal.  Esse  é  o  "conforme a lei".  Portanto, é inegável que a autuação é improcedente nesse ponto  específico.  A  Autoridade  Fiscal  considerou  infracional  uma  realidade  absolutamente normal,  própria de  todas  as  empresas  que  operam  segundo  o  regime  da  não­cumulatividade  das  contribuições em pleno atendimento à legislação comercial e às  normas expedidas pela autoridade contábil do País.  Se estivesse mesmo interessada em saber se os créditos poderiam  estar sendo utilizados de maneira indevida para reduzir o lucro  contábil, a Autoridade Fiscal deveria ter se dedicado a analisar  as  aquisições  e  o  custo.  Não  foi  o  que  fez,  como  espero  ter  esclarecido.  Novamente  com  a  devida  vênia,  ao mencionar  o  CMV  em  seu  Voto,  entendo  que  o  Relator  trouxe  à  luz  aspecto  que  a  Autoridade Fiscal sequer cogitou. Isso sem falar que há diversas  outras hipóteses de geração de  créditos da não­cumulatividade  das  contribuições,  de  modo  que  esse  tema  não  está  restrito  a  mercadorias e  insumos adquiridos de  terceiros e, portanto, não  se limitaria à análise do custo (CMV ou CPV).    Em  sede  de  recurso,  o  recorrente  alega  que  não  aproveitou  como  despesa,  reduzindo a base de cálculo do  IRPJ  e CSLL, nos  anos  2012, 2013,2014 e 2015, os valores  correspondentes  aos  créditos  de  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  tomados  na  aquisição  de  insumos, inclusive, produtos intermediários; explica­se:  Como  já  exposto,  a  Recorrente,  ao  dar  entrada  nos  produtos  intermediários/insumos  adquiridos,  registra  no  seu  estoque  o  valor das Notas Fiscais COM EXCLUSÃO do PIS. COFINS  (e  ICMS),  cobrados  pelo  fornecedor,  mantendo  registrado  em  estoque o valor líquido;  Os  valores  excluídos  da  conta  de  estoque,  correspondentes  ao  PIS  e  COFINS  (e  ICMS),  são  provisionados  na  conta  de  obrigações  a  pagar  dos  correspondentes  tributos,  para  serem  abatidos  do  provisionamento  PIS,  COFINS  (e  ICMS),  APURADOS NAS VENDAS;  Portanto,  ao  contrário  do  entendido  pela  fiscalização,  os  créditos de PIS e COFINS não reduzem o resultado operacional  Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.776          33 da  Defendente,  não  reduzindo  a  base  de  cálculos  do  IRPJ  e  CSLL como erroneamente entendido pela fiscalização.  Apesar de não ler sido deferida a realização da prova pericial,  que iria demonstrar cabalmente tais fatos, DOS CINCO VOTOS  PROFERIDOS NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA,  DOIS FORAM FAVORÁVEIS Á RECORRENTE, NESTE ITEM!  Como  bem  salientado  pelos  votos  vencidos,  é  natural  que  existam diferenças  entre o  valor de PIS  e COFINS, declarados  na  DCTF  e  o  que  consta  como  dedução  da  receita  bruta  na  demonstração  do  resultado,  em  decorrência  dos  créditos  relativos à própria não cumulatividade de tais exações;  Portanto, tendo a  fiscalização autuado por excesso de despesas  de  PIS  e  COFINS  declaradas  na  Demonstração  de  Resultado,  equivocadamente entendeu que a Recorrente não  teria efetuado  a  dedução  dos  créditos  de  tais  exações  incidentes  nas  aquisições;    A  questão  a  ser  solucionada  diz  respeito  ao  registro  das  contribuições  nas  linhas de demonstração do  resultado, ou seja,  se essas deveriam ser  registradas pelo valor  já  descontados pelos créditos da cumulatividade, ou registradas em contrapartida do passivo pelo  valor  resultante  da  aplicação  da  alíquota  sobre  a  base  de  cálculo,  e  não  há  que  se  falar  em  desconto de créditos nesse momento.   Confrontado o Relatório de Auditoria Fiscal com o Acórdão de Impugnação,  verificam­se corretos os argumentos trazidos na Declaração de Voto, pois no caso da receita de  venda, o montante do PIS e da Cofins calculado sobre essa receita deve ser demonstrado como  dedução de vendas e os créditos sobre os estoques vendidos como redutor do custo das vendas,  nesse sentido dispõe a Interpretação Técnica nº 01/04 do Instituto dos Auditores Independentes  do Brasil (IBRACON):  Esses  tributos  devem  ser  registrados  nos  diversos  grupos  de  receitas  e  despesas,  a  fim de  que  os  correspondentes  encargos  reflitam  a  despesa  tributária  relativa  às  transações  que  a  geraram  e,  dessa  forma,  que  a  entidade  apresente  adequadamente  a  margem  bruta,  lucro  operacional,  resultado  financeiro e o resultado não­operacional gerado em seu negócio.  Assim, por exemplo, no caso da receita de venda, o montante do  PIS  e  da  Cofins  calculado  sobre  essa  receita  deve  ser  demonstrado  como  dedução  de  vendas,  os  créditos  sobre  os  estoques  vendidos  como  redutor  do  custo  das  vendas  e  os  créditos sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos  e financiamentos de pessoa jurídica em conta específica redutora  dessas despesas, integrando o resultado operacional.  Notas­se  que  a  Fiscalização  entendeu,  por  equívoco,  que  os  valores  das  contribuições, nas linhas de demonstração do resultado, deveriam ser registradas pelo valor já  descontados pelos créditos da cumulatividade.   Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.777          34 Analisando as DCTF entregues pelo fiscalizado e comparando­ as  com  as  DIPJ,  verificamos  diferenças  entre  os  valores  declarados  de  PIS/COFINS  nas  DCTF  e  o  declarado  pelo  contribuinte  em  DIPJ,  reduzindo  o  resultado  do  período  para  apuração do lucro, na Ficha 06A ­ Demonstração do Resultado ­  PJ em Geral, linhas: 12. (­) Cofins e 13. (­) PIS/Pasep.  Foram encontradas diferenças em relação aos anos­calendários  2012,  2013,  2014  e  2015,  fls.  1457­1472  e  1477­1484,  1487/1488. Em  relação a 2014  e  2015,  a  comparação  foi  feita  com a ECF entregue no ambiente do SPED.  A  partir  dessa  premissa  a  Autoridade  Fiscal  intimou  o  contribuinte  a  comprovar as diferenças entre os valores declarados de PIS/COFINS nas DCTF e o declarado  pelo contribuinte em DIPJ.   Constata­se que não houve, durante o procedimento fiscal, nenhuma análise  tendente  a  verificar  as  aquisições  o  custo  das  mercadorias  vendidas.  Não  houve  nenhum  intimação  a  respeito  dos  procedimentos  adotados  nas  contabilização  das  compras.  Como  assinalado não houve glosa de custos mas sim excesso de despesa de contribuição.  Verifica­se que, como observado na declaração de voto, somente no Acórdão  de  Impugnação  cogitou­se  examinar  se  o  procedimento  de  contabilização,  alegado  pelo  recorrente, está adequadamente refletido na sua apuração do Custo das Mercadorias Vendidas.  Concorda­se  que,  conforme  exposto  na  declaração  de  voto,  a  autuação  é  improcedente  nesse  ponto  específico,  pois  a  Autoridade  Fiscal  considerou  infracional  uma  realidade absolutamente normal, própria de todas as empresas que operam segundo o regime da  não­cumulatividade  das  contribuições  em  pleno  atendimento  à  legislação  comercial  e  às  normas expedidas pela autoridade contábil do País.  Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso  Voluntário, relativamente à glosa de deduções de Contribuições ao PIS e Cofins.    Do excesso de juros sobre capital próprio  O recorrente alega que respeitou os limites legais, ou seja, aplicou, a título de  juros sobre o capital próprio, os percentuais da variação da TJLP, sobre seu patrimônio líquido  ajustado sem a inclusão de reavaliação patrimonial, ate o limite de 50% dos lucros, computados  antes da dedução dos juros, de lucros acumulados e reservas de lucros. Deduz que dessa forma  não  ocorreu  excesso  de  juros  sobre  o  capital  próprio. Apresenta  as  seguintes  razões  em  sua  defesa:    Na  forma  do  artigo  9º  da  Lei  9249/95,  com  as  alterações  posteriores,  a  pessoa  jurídica  pode  deduzir,  para  efeitos  de  apuração  do  lucro  real,  os  juros  pagos  ou  creditados  individualmente a acionista, a título de remuneração pelo capital  próprio,  calculado  sobre  a  conta  do  patrimônio  líquido  e  limitado  à  variação,  "pro  rata  die",  da  TJLP,  ficando  Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.778          35 condicionado  à  existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  ou  reservas  de  lucros,  em montante  igual  ou  superior  a  duas  vezes  os  juros  a  serem pagos ou creditados;  Note­se que, nos anos de 2012, 2013 e 2014 NÃO EXISTEM AS  LIMITAÇÕES advindas pela Lei 12.973/14, que entrou em vigor  em  1º  de  janeiro  de  2015,  notadamente  as  restrições  de  consideração  de  contas  de  patrimônio  líquido,  para  efeito  de  remuneração dos juros sobre o capital próprio;  Mas,  de  todo  modo,  A  RECORRENTE  NÃO  ADICIONOU  AO  PATRIMÔNIO LÍQUIDO, PARA EFEITO DE CÁLCULO DOS  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO,  O  AJUSTE  DE  AVALIAÇÃO  PATRIMONIAL,  CONFORME  ARTIGO  59  DA  LEI 11.941/09!!!!!  De todo modo, como salientado a R. Decisão recorrida, (folhas  20),  existem  DOIS  LIMITES  para  o  cálculo  dos  juros  sobre  o  capita! próprio: VARIAÇÃO DA TJLP SOBRE O PATRIMÔNIO  LÍQUIDO  AJUSTADO,  DA  FORMA  DO  ARTIGO  59  DA  LEI  11.941/09  E  MAIS  LIMITE  DE  50%  DE  LUCROS  ACUMULADOS;  No  caso  da  Recorrente,  nenhum  dos  dois  limites  foi  ultrapassado,  conforme  balanços  publicados  e  juntados  com  a  impugnação;        Observa­se  que  durante  o  procedimento  fiscal,  o  recorrente  apresentou  respostas  vagas  quanto  à  questão  dos  Juros  sobre  Capital  Próprio,  conforme  excertos  do  relatório de auditoria fiscal:  Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.779          36 No  dia  30/06/2017,  o  fiscalizado  tomou  ciência  do  Termo  de  Intimação Fiscal 04, através do qual  foi  intimado a apresentar  documentos  e  esclarecimentos  relativos  a  três  itens,  entre  os  quais  o  Juros  sobre  o  Capital  Próprio.  O  prazo  inicial,  estabelecido para atendimento,  foi de 05  (cinco) dias úteis. Em  11/07/2017,  portanto  após  o  término  do  prazo  estabelecido,  recebemos, por mensagem eletrônica, pedido de prorrogação do  mesmo por mais 05 (cinco) dias. Apesar da extemporaneidade do  pedido,  a  dilação  foi  concedida,  fls.  605.  No  dia  03/08/2017,  mais  de  um  mês  após  o  início  do  prazo  estabelecido,  o  representante  do  contribuinte  compareceu  à  DRF,  apresentou  um  CD  no  qual  afirmava  conter  parte  do  LALUR  2013  e  solicitou verbalmente uma nova prorrogação de prazo, alegando  que esteve impossibilitado de atender a intimação por uma série  de  problemas  internos  na  fiscalizada.  Tendo  em  vista  as  justificativas apresentadas, a fiscalização resolveu conceder uma  nova  prorrogação,  fls.  610,  cientificando  o  fiscalizado  que  o  prazo  não  seria  mais  prorrogado  e  que  o  não  atendimento  implicaria  no  lançamento  dos  créditos  tributários  devidos  com  base nas informações disponíveis ao fisco.  Mesmo  após  todas  essas  prorrogações  concedidas  pela  fiscalização,  no  dia  17/08/2017,  o  fiscalizado  apresentou  uma  resposta, fls. 615­621, que não atendeu aos termos da intimação.  Apenas o  item 01  foi atendido. No dia 21/08/2017,  fls. 629632,  apresentou  informações  parciais  relativas  aos  Juros  sobre  o  Capital  Próprio,  no  entanto,  a  intimação  fazia  referência  ao  período  de  2012  e  o  contribuinte  apresentou  esclarecimentos  relativos  2013.  Portanto  a  intimação  também  não  foi  atendida  nesse ponto.    Na  ausência  de  informações  satisfatórias,  a  fiscalização  efetuou  sua  verificação com base nas informações disponíveis ao fisco e constatou que houve excesso de  Juros sobre o Capital Próprio deduzidos nos períodos de 2012 a 2015, conforme detalhado a  seguir:  A  verificação  fiscal  tomou  por  base  a  escrituração  digital  entregue no ambiente do SPED: Escrituração Contábil Digital­ ECD, FCont, e­Lalur e e­Lacs da Escrituração Contábil Fiscal­ ECF. Também os LALUR dos anos­calendários 2012 e 2013, fls.  669­685,  bem  como  as  respectivas  DIPJ  desses  períodos,  fls.  686­816.  Os  balancetes  com  as  contas  do  Patrimônio  Líquido  foram  extraídos  da  escrituração  digital,  fls.  1489­1500.  Encontramos  alguns casos de diferenças relevantes no transporte de saldos de  um  período  para  outro,  que  foram  ajustados  pela  fiscalização  com  base  nos  dados  das  ECD  e  FCont.  As  planilhas  demonstrativas dos cálculos e ajustes efetuados pela fiscalização  foram juntadas ao processo fls. 1522­1543.  A  fiscalização  confirmou  que  o  registro  da  constituição  dos  Juros  sobre  o  Capital  Próprio  (JCP),  na  escrituração  do  Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.780          37 contribuinte  se  deu  nas  seguintes  contas:  4.05.01.01.03  ­  REMUNERAÇÃO  DE  CAPITAL  (2012  a  2015);  2.01.01.02.36.074  ­DIVIDENDOS  A  PAGAR  (2012);  2.01.01.02.34.076  ­  DIVIDENDOS  A  PAGAR  (2013);  2.01.01.02.43.088  ­  DIVIDENDOS  A  PAGAR  (2014);  2.01.01.07.007  ­DIVIDENDOS A PAGAR  (2015). Extraímos  os  Razões dessas contas e juntamos ao processo fls. 1501­1512.  Em 2012 a  fiscalização identificou que houve erros no LALUR,  na soma dos JCP declarados mensalmente e o valor acumulado;  como também, registro de R$ 337.000,00, em setembro, que não  foi  contabilizado.  Essas  questões  foram  englobadas  na  glosa  efetuada  nesse  período.  A  partir  do  saldo  das  contas  do  Patrimônio  Líquido  de  2011,  foram  destacadas  aquelas  consideradas  como  Base  de  Cálculo  do  JCP.  Também  foram  identificadas  as  contas  com  valores  redutores  em  2012,  ajustando­se a Base de Cálculo do JCP tanto no cálculo anual,  como mensalmente, na apuração das Estimativas. Por fim, foram  considerados os limites legais, quanto à dedutibilidade do JCP.  Em  2013  a  fiscalização,  a  partir  do  saldo  das  contas  do  Patrimônio  Líquido  de  2012,  destacou  aquelas  consideradas  como Base de Cálculo do JCP. Também foram identificadas as  contas  com valores  redutores  em 2013, ajustando­se a Base de  Cálculo do JCP tanto no cálculo anual, como mensalmente, na  apuração  das  Estimativas.  Por  fim,  foram  considerados  os  limites legais, quanto à dedutibilidade do JCP.  Em 2014 a fiscalização, igualmente, a partir do saldo das contas  do Patrimônio Líquido de 2013, destacou aquelas consideradas  como Base de Cálculo do JCP sobre as quais efetuou o cálculo  do  JCP  tanto  o  anual,  como  mensalmente,  na  apuração  das  Estimativas.  Por  fim,  foram  considerados  os  limites  legais,  quanto à dedutibilidade do JCP.  Em 2015 a fiscalização, outra vez, a partir do saldo das contas  do Patrimônio Líquido de 2014, destacou aquelas consideradas  como Base de Cálculo do JCP sobre as quais efetuou o cálculo  do JCP, encontrando­se valores a serem glosados nos meses de  janeiro a maio na apuração das Estimativas.  Foram elaboradas planilhas com os demonstrativos dos valores  apurados e glosados pela fiscalização, tanto na apuração anual  como mensal,  fls. 1543, que foram usados para lançamento dos  créditos tributários devidos.  Ressalta­se  que  na  metodologia  de  cálculo  empreendida  pela  fiscalização  foram  utilizadas  as  informações  da  escrituração  digital  entregue  no  ambiente  do  SPED:  Escrituração Contábil Digital­ECD, FCont,  e­Lalur e e­Lacs da Escrituração Contábil Fiscal­ ECF.  Também  os  LALUR  dos  anos­calendários  2012  e  2013,  fls.  669­685,  bem  como  as  respectivas  DIPJ  desses  períodos.  Nota­se  ainda  que  foram  feitos  ajustes  em  função  da  identificação de erros no LALUR e diferenças nos transportes de saldo.  O  recorrente,  em  seu  recurso  voluntário,  reafirma  que  nenhum  dos  dois  limites  foi  ultrapassado,  conforme  balanços  publicados  e  juntados  com  a  impugnação.  O  Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.781          38 recorrente  apenas  indicou  o  patrimônio  líquido  e  as  taxas  de  juros  (TJLP)  relativamente  aos  anos  em  questão,  objeto  do  lançamento,  informações,  entretanto,  que  não  lhe  ajudam  em  apontar eventuais irregularidades na apuração fiscal.  Verifica­se que recorrente também não contestou explicitamente os cálculos  da  Fiscalização,  limitando­se  a  argumentar  que  teria  obedecido  a  legislação  pertinente  à  matéria e que não  teria havido excesso de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e, ainda, sequer  apresentou os seus cálculos de JCP, no que poderia, de certo ajudar em detectar eventuais erros  na apuração fiscal.  Por  sua vez os Demonstrativos de Juros  sobre o Capital – Anual e Mensal,  relativo  aos  anos  de  2012,  2013,  2014  e  2015  e  o  Demonstrativo  de  Juros  sobre  o  Capital  Glosado,  verifica­se  de  forma  detalhada  toda  a  apuração  feita  pela  Fiscalização,  conforme  relatado na decisão a quo:  Nos Demonstrativos de Juros sobre o Capital – Anual e Mensal,  pode­se  verificar  as  contas  de  patrimônio  líquido  que  foram  utilizadas  [Capital,  Reservas  de  Lucros,  Reservas  de Capital  e  Lucros (Prejuízos) Acumulados], sendo, acertadamente, excluída  da apuração da base de cálculo dos JCP, os valores a título de  Ajuste Avaliação Patrimonial, conforme dispõe o art.59 da Lei nº  11.941/2009.  Como  exemplo,  vejamos  a  apuração  fiscal  relativa  ao  ano  calendário de 2012:  Demonstrativos de Juros sobre o Capital – Anual, fls.1.522  Patrimônio Líquido – Ano de 2012  Valores em Reais  Capital Social  37.890.000,00  Ajuste Avaliação Patrimonial  31.985.900,48  Lucros (Prejuízos) Acumulados   2.620.873,49  Reservas de Lucros   1.985.365,78  Reservas de Capital  73.319,18  Patrimônio Líquido  74.555.458,93  Limite para dedutibilidade fiscal: 50% de Lucros Acumulados e  Reserva de Lucros: R$ 2.303.119,64  Demonstrativo  de  Juros  sobre  o Capital Glosado – Fls.1.543  ­  2012  Valor declarado no LALUR  Apurado  pela  Fiscalização   Valor Glosado  R$ 5.338.472,00  R$ 2.303.119,64  R$ 3.035.532,37 (*)  (*) Valor tributável no Auto de Infração  Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.782          39 Verifica­se, através dos demonstrativos, que o recorrente deduziu valores de  JCP em montante superior aos limites permitidos pela legislação.  Pisa­se  que  a  apuração  realizada  pela  fiscalização  não  foi  objeto  de  questionamentos por parte do recorrente.  Pelas  razões  expostas,  voto  no  sentido  de manter  o  lançamento  referente  à  glosa de excesso de juros sobre capital próprio.    MULTA  ISOLADA.  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO  IMPOSTA  AO  FINAL  DO  ANO­CALENDÁRIO  POR  FALTA  DE  PAGAMENTO  DE  ESTIMATIVAS  MENSAIS DO IRPJ E DO CSLL    Conforme  já  relatado,  os  valores  dos  tributos  com  exigibilidade  suspensa  foram integralmente adicionados, de ofício, na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo  efetuados os lançamentos, relativo ao anos­calendário 2012 a 2015, com a conseqüente multa  de ofício e os acréscimos legais.  Em  decorrência  da  adição,  os  resultados  mensais  escriturados  pelo  contribuinte  foram  ajustados,  acarretando  o  surgimento  de  estimativas  devidas,  e  não  recolhidas,  de  IRPJ  e  CSLL.  Assim,  nos  termos  da  legislação  em  vigor,  efetuou­se  o  lançamento da multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas.  Por  sua  vez,  o  recorrente  alega  que  não  é  possível  a  cobrança  da  multa  isolada cumulativa à multa de ofício:  A  multa  isolada,  como  o  próprio  nome  diz,  é  aplicada  ISOLADAMENTE, quando não existir tributo ou contribuição a  ser  paga,  nos  lermos  dos  incisos  II  e  III  do  artigo  44  da  Lei  9430/96;  Portanto,  como  consta  da  letra  da  Lei,  o  artigo  44  da  Lei  9430/96, na redação da Lei 11.488/07, com muito de indústria,  "data  venia",  apenas  PARCIALMENTE  citada  na  R,  decisão  recorrida,  SOMENTE  SÃO  NORMAS  sobre  o  Lançamento  de  Tributos  e  Contribuições,  mediante  Auto  de  Infração  sem  Tributo!  No  presente  caso,  tendo  sido  aplicada  a multa  sobre  o  tributo  exigido, não cabe a penalidade isolada;  O recorrente colaciona ao seu recurso a ementas de Acórdãos do Conselho de  Contribuinte favoráveis à sua argumentação:  "MULTA  ISOLADA  IMPOSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA  COMA MULTA DE OFÍCIO NORMAL DEVE SER AFASTADA  A  APLICAÇÃO  DA  MULTA  ISOLADA  CONCOMITANTEMENTE  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO  NORMAL,  INCIDENTES  SOBRE  O  TRIBUTO  OBJETO  DO  Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.783          40 LANÇAMENTO"  (E.  CONSELHO  DE  CONTRIBUINTES,  ACÓRDÃO 102­4693).  "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA  CONCOMITÂNCIA  ­  É  INCABÍVEL,  POR  EXPRESSA  DISPOSIÇÃO  LEGAL,  A  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  DA  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  COM  TRIBUTO  E  CONTRIBUIÇÃO  COM  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  ISOLADAMENTE"  (E.  CC ACÓRDÃO 102.46375)  "MULTA ISOLADA ­ CUMULAT1VIDADE COM A MULTA DE  OFICIO  ­  CONTENDO  O  ARTIGO  44,  INCISO  I  DA  LEI  9430/96,  NORMA  QUE  ALBERGA  A  FALTA  GENÉRICA  DE  PAGAMENTO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA,  SUA  APLICAÇÃO  INIBE  A  EFICÁCIA  SIMULTÂNEA DAQUELA CONTIDA  NO  PARÁGRAFO  PRIMEIRO,  INCISO  III  DESSE  ARTIGO  "  (E.  CC Acórdão 104­21094).  O Recorrente invoca a vigência da Súmula 105 desse CARF:  SÚMULA CARF N° 105: A MULTA ISOLADA POR FALTA DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS,  LANÇADA  COM  FUNDAMENTO NO ART. 44 § 1º, INCISO IV DA LEI N° 9.430,  DE 1996, NÃO PODE SER EXIGIDA AO MESMO TEMPO DA  MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE IRPJ  E  CSLL  APURADO  NO  AJUSTE  ANUAL,  DEVENDO  SUBSISTIR A MULTA DE OFÍCIO.    Por fim, defende, nos termos da Portaria MF 383/10, o efeito vinculante das  súmulas do CARF à toda Administração Tributária Federal:  Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010  DOU de 14.7.2010  Atribuem  as  súmulas  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  efeito  vinculante  em  relação  à  administração  tributária federal.  O  MINISTRO  DE  ESTADO  DA  FAZENDA,  no  uso  das  atribuições previstas no art. 87, parágrafo único incisos I e II da  Constituição Federal, e  tendo em vista o disposto no art. 75 da  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, resolve:  Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  CARF,  relacionadas  no  Anexo  Único  desta  Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária  federal.  Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.    Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.784          41 A  questão  a  ser  dirimida  diz  respeito  à  possibilidade  de  serem  aplicadas,  simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa  de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual.  Em  relação  à  possibilidade  de  aplicação  cumulativa  das multas  de  ofício  e  isolada cumpre salientar, preliminarmente, que não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105,  segundo  a  qual  “a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo  tempo da multa  de  ofício  por  falta  de pagamento  de  IRPJ  e CSLL  apurado  no  ajuste  anual,  devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela  referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007,  data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou  significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96, confira­se:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)   b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)   Observa­se que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  dando­lhe  nova  redação,  reduzindo  a  multa  isolada  para  50%;  deixando claro que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga  e não de tributo final não pago.  Ressalta­se que  as bases de cálculo das  citadas multas  foram diferenciadas,  afastando­se, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado  pela  Lei  nº  11.488/2007,  a  base  de  cálculo  da  multa  isolada  pela  falta  de  pagamento  da  estimativa  consiste no valor do pagamento mensal,  no percentual de 50%,  enquanto  a multa  pelo  lançamento de ofício  incide  sobre  a  totalidade ou diferença de  imposto ou  contribuição  nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração  inexata, no percentual de 75%.  Por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais sinalizou  ser  possível  a  cobrança  concomitante  da  multa  de  ofício  com  a  multa  isolada  por  falta  de  Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.785          42 recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº  11.488/2007. Confira­se, por oportuno, o que ficou registrado no Acórdão nº 9101­02.438:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO CSLL  Ano­calendário:2008, 2009  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A  alteração  legislativa  promovida  pela  Medida  Provisória  nº  351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a  possibilidade  de  aplicação  de  duas  penalidades  em  caso  de  lançamento  de  ofício  frente  a  sujeito  passivo  optante  pela  apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta  e  impositiva  ao  firmar  que  "serão  aplicadas  as  seguintes  multas".  A  lei  ainda  estabelece  a  exigência  isolada  da  multa  sobre  o  valor  do  pagamento  mensal  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  negativa  no  ano­calendário  correspondente.  No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105,  eis  que  a  penalidade  isolada  foi  exigida  após  alterações  promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44  da Lei nº 9.430, de 1996.    Diante  do  exposto  e  considerando  que  restou  plenamente  configurado  o  desrespeito do recorrente ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato  gerador  do  presente  feito  é  posterior  ao  advento  da MP  nº  351/2007  (convertida  na  Lei  nº  11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa  isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa.  Conclui­se que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada,  pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face  da alteração  legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº  11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96.    Da apuração reflexa da CSLL    As presentes infrações apuradas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  geram reflexo na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido ­  CSLL, nos termos do art. 2º da Lei n° 7.689/88, combinado com os art. 28 da Lei n° 9.430/96 e  art. 57 da Lei 8981/95.  Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 12963.720063/2017­33  Acórdão n.º 1402­003.853  S1­C4T2  Fl. 1.786          43 Assim  sendo,  por  possuírem  os  mesmos  fundamentos  fáticos,  a  decisão  prolatada  com  relação  ao Auto  de  Infração  do  IRPJ  aplica­se  à Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido ­ CSLL.    Conclusão    Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário, relativamente à glosa de deduções de Contribuições ao PIS e Cofins.    (assinado digitalmente)  Evandro Correa Dias                                  Fl. 1786DF CARF MF

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Numero do processo: 10805.902227/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.005
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.902227/2014­93  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­001.005  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de março de 2019  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  DIAUTO DISTRIBUIDORA DE AUTOMOVEIS VILA PAULA LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado)  para  participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.    Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte acima  identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório  referente à  COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios.   O Despacho Decisório  constante  dos  autos,  emitido  de  forma  eletrônica,  não  homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para  tanto,  pelo  fato  de  o  pagamento  informado  no  DARF  correspondente  haver  sido  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte.   Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao  contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de  que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 22 7/ 20 14 -9 3 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10805.902227/2014­93  Resolução nº  3302­001.005  S3­C3T2  Fl. 3          2 45  dias  a  contar  dessa  disponibilização,  para  o  seu  saneamento,  através  da  transmissão  de  PERDCOMP  retificador,  ou  ainda  de  outras  declarações  retificadoras,  como  DCTF,  DIPJ,  Dacon, Redarf, DIRF, etc.   Contra  a  referida  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte:   ­  Através  de  auditoria  em  seus  controles  internos,  constatou  a  ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração  em  questão,  tendo  apresentado  pedido  de  compensação  do  referido  crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém,  da  retificação  das  demais  Declarações  que  compõem  sua  obrigação  acessória  –  como  DACON  e  DCTF,  nas  quais  o  débito  devido  da  referida contribuição social foi declarado com erro.   ­  Somente  após  o  recebimento  do  Despacho  Decisório  em  comento,  procedeu  à  retificação  das  declarações  DACON  e  DCTF,  conforme  anexadas aos autos, e nas quais  fez refletir o valor a menor devido a  título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez  e certeza restaria então comprovada.   ­ Assim, a Defendente  requer que  seja  julgada procedente a presente  Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da  compensação pleiteada.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada  a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus  do contribuinte a comprovação documental do direito creditório  informado em declaração de  compensação.  Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz  as alegações oferecidas na  impugnação e  aduz que a decisão de primeira  instância  trouxe os  fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação  da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso  voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3302­001.004,  de  28  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10805.902226/2014­49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302­001.004):  Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10805.902227/2014­93  Resolução nº  3302­001.005  S3­C3T2  Fl. 4          3 "O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais  requisitos  de  sua  admissibilidade,  merece  ser apreciado.  Sem  embargo  de  a  recorrente  não  ter  trazido  todas  as  provas  necessárias  à  comprovação  do  seu  direito  na  manifestação  de  inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação  da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o  balancete  de  verificação  e  as  explicações  produzidas  demonstram  continuação  do  esforço  de  comprovar  seu  direito,  todavia  surgiu  apenas verossimilhança do direito da recorrente, nota­se que as provas  trazidas  aos  autos  são  documentos  produzidos  unilateralmente  pela  contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoria­fiscal.   Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência,  para  que  a  unidade  de  origem  do  lançamento  proceda  a  análise  detalhada  dos  lançamentos  contábeis  das  contas  da  escrituração  da  contribuinte  em  que  ocorreram  o  pagamento  a  maior  (receitas  financeiras  oriundas  de  juros,  descontos,  rendimentos  de  aplicação  financeira  e  variações  monetárias  ativas,  bem  como  o  não  aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está  instalada  a  empresa)  e  pronuncie­se,  de  forma  fundamentada,  em  relatório  fiscal  conclusivo  se,  de  fato,  a  contribuinte  tem  direito  ao  crédito pleiteado.  Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência,  com  reabertura  do  prazo  de  30  (trinta  dias)  para  apresentação  de  manifestação  da  recorrente,  no  tocante  às  conclusões  da  diligência  proposta.  Ao  fim  do  prazo,  com  ou  sem  manifestação,  devolva­se  o  processo a este Conselho para a conclusão do julgamento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a  análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que  ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos  de  aplicação  financeira  e  variações  monetárias  ativas,  bem  como  o  não  aproveitamento  de  crédito  sobre  a  depreciação  de  prédio  em  que  está  instalada  a  empresa)  e  pronuncie­se,  de  forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao  crédito pleiteado.  Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura  do  prazo  de  30  (trinta  dias)  para  apresentação  de manifestação  da  recorrente,  no  tocante  às  conclusões da diligência proposta.   Ao  fim  do  prazo,  com  ou  sem  manifestação,  devolva­se  o  processo  a  este  Conselho para a conclusão do julgamento."  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede  Fl. 279DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.906606/2008-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE CANCELAMENTO DE DCOMP. COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRF. Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária de DCOMP, pedido de restituição e de cancelamento de declarações não compete à DRJ ou ao CARF, mas às Delegacias da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte.
Numero da decisão: 1002-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA

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1002­000.651  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  07 de maio de 2019  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  CLEANIC AMBIENTAL COMERCIO E SERVIÇOS DE  HIGIENIZAÇÃO  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2004  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  E  DE  CANCELAMENTO  DE  DCOMP.  COMPETÊNCIA  REGIMENTAL  DAS  DRF.  Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária  de  DCOMP,  pedido  de  restituição  e  de  cancelamento  de  declarações  não  compete  à  DRJ  ou  ao  CARF,  mas  às  Delegacias  da  Receita  Federal  de  jurisdição  fiscal  do  contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar suscitada e não conhecer do recurso.  (assinado digitalmente)  Aílton Neves da Silva ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva  (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.      Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 06 /2 00 8- 05 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.906606/2008­05  Acórdão n.º 1002­000.651  S1­C0T2  Fl. 132          2 Por  bem  sintetizar  os  fatos  até  o  momento  processual  anterior  ao  do  julgamento  da Manifestação  de  Inconformidade  contra  a  não  homologação  da  compensação,  transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/FOR:  "Trata­se  de manifestação  de  inconformidade  interposta  contra  despacho decisório que não homologou compensação declarada  na DCOMP nº 15758.10673.020704.1.3.046005(42/46).  2.  O  contribuinte  requereu  a  compensação  de  seu(s)  débito(s)  com  alegado  crédito  de  pagamento  indevido  de  CSLL  (cód.  6012),  referente ao período de apuração 30/09/2001,  realizado  em  02/07/2004,  no  valor  de  R$7.721,26,  dos  quais  R$1.950,84  são utilizados para extinguir o(s) débito(s)  compensado(s). Por  sua vez, o despacho decisório não homologou a compensação, já  que o referido pagamento não fora localizado nos sistemas.  3.  Cientificado  do  decisório,  o  interessado  apresentou  manifestação de  inconformidade em 30/10/2008  (fls. 02/06),  na  qual  alegou  o  cometimento  de  erro  de  fato  na  informação  da  data  de  pagamento  do DARF  objeto  do  crédito,  já  que  a  data  correta é 31/01/2002.  4. Posteriormente, em 28/12/2009, o administrado ingressou com  a  petição  de  fls.  74/75,  na  qual  requereu  a  'desistência  da  compensação  declarada  nos  autos  do  presente  processo  administrativo'.  Também  assinalou  que  'a  presente  desistência  refere­se  tão  somente  à  Declaração  de  Compensação  já  mencionada,  não  importando  renúncia  ao  direito  creditório  pleiteado no Pedido de Restituição de pagamento indevido'."    A  Manifestação  de  Inconformidade  não  foi  conhecida  pela  DRJ/FOR,  conforme acórdão n. 0828.088 (e­fl. 88), que recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  DCOMP.  PEDIDO DE  CANCELAMENTO. MERO  INSTRUMENTO DE  CONFISSÃO DO DÉBITO. COMPETÊNCIA. DRF.  O pedido  de  cancelamento  da  declaração  de  compensação  transforma­a  em  simples  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  tem  por  único  objeto  o  débito  confessado,  de  modo  que  a  apreciação  do  referido  pleito  de  cancelamento compete, regimentalmente, à Delegacia da Receita Federal do  Brasil.  INOVAÇÃO DO PEDIDO. DCOMP. PER.  Importa em inovação do objeto litigioso a pretensão de convolar declaração  de compensação em pedido de restituição.  O pedido de restituição de tributos deve observar a forma legalmente prevista  do PER, sob pena de se tornar sem efeito.    Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.906606/2008­05  Acórdão n.º 1002­000.651  S1­C0T2  Fl. 133          3 Irresignado,  o  ora Recorrente  apresenta Recurso Voluntário  (e­fls.  102),  no  qual  oferece  argumentos  e  fundamentos  de  fato  e  de  direito  abaixo  sintetizados  (grifos  do  original).   Como preliminar, o Recorrente alega nulidade da decisão por cerceamento do  direito de defesa, consignando que "a DRJ/FOR entendeu ser  incompetente para apreciação  do pedido de desistência da declaração de compensação apresentada, com fulcro no art. 224,  XXII,  da Portaria MF n°  203/12",  entendendo  o Recorrente  que  "Respeitado  tal  dispositivo  legal, uma vez apresentada manifestação de inconformidade e assim instaurado este processo  administrativo fiscal, conclui­se pela legítima competência da DRJ/FOR para apreciação das  matérias alegadas pela Recorrente.  Quanto ao mérito, diz ser "...necessário frisar a inexistência de mudança de  pedido, uma  vez  já  sabido que a declaração de  compensação  corresponde à modalidade de  utilização  de  um  crédito  existente  perante  o  Fisco",  afirmando  que  "o  direito  creditório  da  Recorrente a ser analisado neste processo administrativo fiscal não é matéria nova, mas um  fundamento  inequívoco  da  pretensão  da  Recorrente,  inclusive  corretamente  efetuado  pelo  programa PER/DCOMP".  Aduz  que  "não  renunciou  o  direito  creditório  referido,  mas  tão  apenas  quitou sua obrigação tributária, demandando ainda a análise de seu direito creditório" e que  "... apresentou petição de desistência da compensação declarada, em cumprimento ao art. 13,  §§ 3o e 4° da Portaria Conjunta Procuradoria ­ Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal  do  Brasil  ­  PFN/RFB  n°  6  de  2009,  que  determina  a  desistência  parcial  do  processo  administrativo nos casos de pagamento nos termos da Lei n° 11.941/09".  Salienta  que  "Uma  vez  coerente  perante  a  condição  elencada  no  §4°[da  Portaria  Conjunta PFN/RFB  n°  6  de  2009],  resta­se  claro  o  caráter  parcial  da  desistência  peticionada" e que "... a DRJ/FOR, no v. acórdão, optou por não analisa o crédito existente  neste  processo,  sob  o  frágil  argumento  de  que  não  está  determinado  o  direito  creditório  exigível pela Recorrente, uma vez não apresentado o Pedido de Restituição".  Ao  final  requer  o  acolhimento  do  presente  recurso  para  o  fim  de  análise  e  reconhecimento do direito creditório que entende fazer jus.  É o Relatório do essencial.    Voto               Conselheiro Aílton Neves da Silva ­ Relator  Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação  do Recurso Voluntário, na forma do art. 23­B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno  do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017.  Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10830.906606/2008­05  Acórdão n.º 1002­000.651  S1­C0T2  Fl. 134          4 Demais  disso,  observo  que  o  recurso  é  tempestivo  porém,  não  atende  aos  demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece.   Como  dito  no  preâmbulo,  a  Manifestação  de  Inconformidade  não  foi  conhecida pela DRJ/FOR, sob o argumento de que a competência  regimental para análise da  matéria era da Delegacia da Receita Federal do Brasil.  De  fato,  por  força  do  artigo  224  caput  e  de  seu  inciso  XXII  elencados  na  Portaria MF nº 2031, de 14/05/2012, a competência regimental para apreciação de pedidos de  compensação,  de  restituição  e  de  cancelamento  de  declarações  é  da  Delegacia  da  Receita  Federal de jurisdição fiscal do contribuinte, falecendo às DRJ competência para apreciação de  convolação da declaração de compensação em pedido de restituição, conforme artigo 233 da  mesma Portaria (grifos nossos):   Art.  233.  Às  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento ­ DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e  julgar  em  primeira  instância,  após  instaurado  o  litígio,  especificamente,  impugnações  e  manifestações  de  inconformidade em processos administrativos fiscais:  I ­ de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive  devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades;  II  ­  de  infrações  à  legislação  tributária  das  quais  não  resulte  exigência do crédito tributário;  III  ­  relativos  a  exigência  de  direitos  antidumping,  compensatórios e de salvaguardas comerciais; e  IV  ­  contra  apreciações  das  autoridades  competentes  em  processos  relativos  a  restituição,  compensação,  ressarcimento,  reembolso,  imunidade,  suspensão,  isenção  e  redução  de  alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos  Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado  de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples)  e  pelo  Regime  Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples  Nacional),  e  exclusão  do  Simples  e  do  Simples  Nacional.  Ademais, como bem pontuado no acórdão recorrido, a desistência do pedido  de  compensação  foi  extemporânea,  eis  que  ocorreu  em  data  posterior  à  de  emissão  do                                                              1 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil ­ DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil  de Pessoas Físicas ­ Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ­ ALF e às Inspetorias da Receita Federal  do Brasil  ­  IRF  de Classes  “Especial A”,  “Especial B”  e  “Especial  C”,  quanto  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  inclusive os destinados  a outras  entidades  e  fundos,  compete,  no  âmbito da  respectiva  jurisdição, no que  couber,  desenvolver  as  atividades  de  arrecadação,  controle  e  recuperação  do  crédito  tributário,  de  análise  dos  dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de  comunicação  social,  de  fiscalização,  de  controle  aduaneiro,  de  tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  programação  e  logística,  de  gestão  de  pessoas,  de  planejamento,  avaliação,  organização,  modernização,  e,  especificamente:  (...)  XXII  ­  proceder  à  retificação  de  declarações  aduaneiras,  à  revisão  de  ofício  de  lançamentos  e  de  declarações  apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo;  Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.906606/2008­05  Acórdão n.º 1002­000.651  S1­C0T2  Fl. 135          5 Despacho  Decisório  Eletrônico  de  indeferimento,  em  clara  violação  ao  art.  62  da  Instrução  Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005.  De  outro  lado,  não  ocorre  o  suposto  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  Recorrente  fundado  no  entendimento  de  que  a  DRJ/FOR  seria  competente  para  análise  do  pleito  por  força  do  artigo  224,  XXII,  da  Portaria  MF  n°  203/12.  Isto  porque,  como  visto  alhures,  este  artigo  dispõe  sobre  as  competências  das  DRF  e  não  das  DRJ,  configurando  argumento de natureza sofismática, sendo despiciendas maiores digressões.  Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e por não conhecer  do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso.   (assinado digitalmente)  Aílton Neves da Silva                                Fl. 135DF CARF MF

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Numero do processo: 10120.912601/2009-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES

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ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório  comprovado  de  forma  certa  e  líquida  dará  ensejo  a  compensação  e/ou  restituição do indébito fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Bárbara Santos Guedes ­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Wilson  Kazumi  Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira  Saraiva (Presidente).         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 26 01 /2 00 9- 09 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  de  nº  03­053.184,  de  18  de  julho  de  2013,  da  4ª  Turma  da  DRJ/BSB,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório.  A Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade  contra Despacho  Decisório,  nº  de  rastreamento  848536418,  emitido  em  07/10/2009,  que  não  homologou  a  compensação  declarada  em  razão  de  inexistência  de  crédito  ­  PER/DCOMP  nº  10785.76323.210507.1.3.04­0745.  Destacou,  em  suas  alegações,  que  o  "crédito  em  questão  refere­se  ao  DARF  recolhido  em  28/abr/2006,  no  valor  de  R$536.467,31,  relativo  ao  IRPJ  competência 1º trim/06, pago a maior no valor equivalente a R$85.518,44, tendo em vista que  o débito tributário líquido do período, depois de efetuadas todas as compensações pertinentes,  inclusive com PER/DCOMP, foi de R$450.948,87". Continuou destacando que houve erro na  DCTF original transmitida em 02/mai/06, referente ao mês de mar/06, pois declarou o débito  do IRPJ maior que o realmente devido.  A  DRJ/BSB  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente  e  não  reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano calendário:2006   APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil­fiscal,  baseada  em  documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou  indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples  entrega  de  declaração,  original  ou  retificadora,  por  si  só,  não  tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido  ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  DEVER  DO  JULGADOR.  OBSERVÂNCIA  DO  ENTENDIMENTO DA RFB.  É dever do  julgador observar o entendimento da RFB expresso  em atos normativos.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 4          3 Inconformada  com  a  decisão,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  que, em síntese, destacou:  (i)  A  nulidade  do  despacho  decisório  por  ausência  de  motivação.  Alega  a  Recorrente  que  as  disposições  normativas  informadas  no  Despacho  Decisório  dificulta  ao  contribuinte  compreender  o  porquê  do  não  colhimento  da  compensação,  já  que,  em  suas  palavras,  não  apresenta  razões  jurídicas  suficientemente  claras,  além  de  não  justificar  faticamente e citar artigos genéricos da legislação tributária;  (ii)  Que  os  dispositivos  apontados  no  Despacho  Decisório  como  fundamentação  da  decisão  não  concedem  supedâneo  jurídico  à  não  homologação  realizada,  visto  que  não  dão  suporte  legal  à  rejeição  dos  créditos.  Nas  informações  complementares,  extraídas do sítio da Receita Federal, também não apresenta maiores explicações;   (iii) Em acréscimo à motivação, explica, tem­se a ausência da demonstração  pelo Fisco de quais foram os dispositivos legais afrontados pela autora;  (iv) A nulidade em razão de cerceamento do direito de defesa, com violação  do devido processo legal, uma vez que o Despacho Decisório foi proferido sem explicações e  detalhamento acerca do não reconhecimento dos créditos, impossibilitando o direito de defesa  da contribuinte. Aduz que deveria ser apresentado ao contribuinte o termo de verificação fiscal,  onde se relata os detalhes da fiscalização realizada;  (v)  No  mérito,  requer  a  aplicação  do  princípio  da  verdade  material,  argumentando que a prova documental é  importante para afastar por  completo a negativa de  compensação, devendo ser analisada, sob pena de não o fazendo, privilegiar o formalismo em  detrimento do conteúdo.  (vi) Afirma  que  o  crédito  não  conhecido  se  refere  ao DARF  recolhido  em  28/04/2006, no valor de R$ 536.467,31 ­ IRPJ ­1º trimestre de 2006. O valor correto devido era  de R$ 450.948,87. Aduz que o valor do saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 463.586,42 está  demonstrado  na  DIPJ  2007.  Entende  que  o  motivo  da  não  homologação  da  compensação  decorre  da  DCTF  original  transmitida  em  março  de  2006,  na  qual  constou  erroneamente  o  valor de IRPJ a pagar de R$ 549.104,86;   (vii) Informa que a Recorrente não conseguiu transmitir a DCTF retificadora,  contudo  tal  motivo  não  pode  invalidar  o  crédito  da  Recorrente.  Porém,  foi  realizada  uma  análise  eletrônica,  onde  não  foi  realizada  uma  análise  adequada  da  documentação  do  contribuinte;  (viii)  Defende  que  os  juros  não  podem  ultrapassar  1%  ao  mês  e  a  multa  imposta é improcedente, porque ofende os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e  da  proibição  do  confisco,  tendo  a  Recorrente  realizado  a  compensação  de  boa­fé.  Ainda,  defende a impossibilidade de se computar juros sobre multa.  Por fim, requereu seja o recurso conhecido e provido, a fim de reconhecer a  nulidade ou a total improcedência da não homologação da compensação.  É o Relatório.  Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 5          4 Voto             Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora   O  recurso  é  tempestivo  e  cumpre  com  os  demais  requisitos  legais  de  admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar.  DAS NULIDADES:  DA  SUPOSTA  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO  NO  DESPACHO  DECISÓRIO,  DO  CERCEAMENTO DE  DEFESA  E  DESCUMPRIMENTO  DO  DEVIDO  PROCESSO LEGAL  A Recorrente apresentou DCOMP em razão de pagamento a maior de IRPJ,  aduzindo crédito de R$ 85.518,44. A declaração de  compensação não  foi homologada  sob o  argumento de ausência de crédito.  A  Recorrente,  apresentou  recurso  voluntário  defendendo  que  o  despacho  decisório  seria nulo  em  razão de  ausência de motivação  já que os dispositivos  apontados no  Despacho  Decisório  não  explicam  o  não  reconhecimento  do  crédito,  como  também  não  há  explicações sobre a negativa de homologar a compensação.  Ainda,  destaca  que  deveria  ter  sido  entregue  à  Recorrente  termo  de  verificação  fiscal,  com  os  explicações  detalhadas  dos  motivos  do  não  reconhecimento  do  crédito.  O  Despacho  Decisório,  constante  à  fls  37e  38  dos  documentos  diversos  0  outros  no  e­processo,  ao  contrário  do  alegado  pela  Recorrente  apresenta,  de  forma  bastante  clara,  a  motivação  pela  qual  não  reconheceu  o  crédito  informado  pela  Recorrente  no  PER/DCOMP apresentado, senão vejamos:  No  tópico "Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal" do Despacho  Decisório em comento explica o seguinte:  Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  36.681,69   A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP ACIMA IDENTIFICADO, FORAM localizados um  OU mais pagamentos, ABAIXO relacionados, mas integralmente  utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP.  Já  é  possível,  desde  já,  identificar,  com  clareza,  o  que  motivou  o  não  reconhecimento do crédito, explico. O DARF apontado no PER/DCOMP como possuidor do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  pagar  outros  débitos  do  contribuinte.  Ora,  o  que  o  Despacho Decisório  explica  é  que,  no  caso  em  análise,  o DARF  foi  integralmente  utilizado  para pagar por débito da empresa.  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 6          5 Ainda,  no Despacho  Decisório,  para  evitar  quaisquer  dúvidas  no  tocante  a  qual débito teria sido utilizado o valor do DARF, esclarece, apresentando uma planilha, que tal  DARF  (no  valor  de R$ 536.467,31)  foi  utilizado  para  pagar  débitos  de  IRPJ  (código  3373),  período de apuração 31/03/2006, no valor de R$ 536.467,31.  Novamente,  a  motivação  que  levou  ao  não  reconhecimento  do  crédito  apontado  no  PER/DCOMP  no  despacho  decisório  é  bastante  clara.  O  DARF  objeto  do  PER/DCOMP  foi  utilizado  para  pagar  débito  em  igual  valor,  não  restando  créditos  a  serem  utilizados.  O valor  do  débito  é  informado pelo  próprio  contribuinte  através  da DCTF.  Essa  declaração  serve  para  que  as  empresas  informem  os  tributos  e  contribuições  que  são  apurados. Essa declaração que contem débitos e créditos federais, é, por força de lei, confissão  de  dívida,  conforme  se  depreende  da  leitura  do  §  1º,  art.  5º  do Decreto­Lei  nº  1.224/1984,  abaixo transcrito:  Art.5º  § 1º O documento que  formalizar o  cumprimento de obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para a exigência do referido crédito.  Uma  vez  declarado  em  DCTF  valor  de  imposto  a  ser  pago  no  período,  o  contribuinte estará confessando uma dívida. Qualquer erro ou alteração nesta declaração deve  ser  realizado  através  de  retificação  da  mesma,  do  contrário  torna­se  mais  complicado  o  reconhecimento do crédito.  A  própria  Recorrente  reconhece  em  suas  razões  recursais  que  cometeu  equívoco na DCTF do 1º trimestre de 2006, não tendo realizado a retificação da mesma e, por  isso, tal fato teria obstaculado a identificação do crédito.  A  motivação,  portanto,  é  bastante  compreensível  no  despacho  decisório.  Contudo, a Recorrente também aduz que o enquadramento legal do despacho não é claro para  ajudar a compreender o porquê do não colhimento da compensação.  O  Despacho  Decisório  aponta  como  enquadramento  legal  os  seguintes  artigos:  Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei N° 5.172, de 25 de  outubro de 1966 (CTN), Art, 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro  de 1996  Os artigos acima possuem as seguintes redações:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 7          6 da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  II  ­  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação  da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  Mais  uma  vez,  contrariando  os  argumentos  de  nulidade  levantados  pela  Recorrente,  os  artigos  acima  destacam,  resumidamente,  que  o  contribuinte,  identificando  a  existência de crédito por qualquer razão permitida em lei, poderá utilizá­los na compensação,  devendo  a  autoridade  administrativa  autorizar  a  compensação  quando  identificados  créditos  LÍQUIDOS e CERTOS.  No  caso  dos  autos,  pelas  explicações  acima,  o  crédito  apontado  no DARF  descrito no PER/DCOMP objeto deste processo não se encontrava líquido e certo. É importante  observar  que  os  diplomas  normativos  de  regências  da  matéria,  quais  sejam  o  art.  170  do  Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam  clara  a  necessidade  da  existência  de  direto  creditório  líquido  e  certo  no  momento  da  apresentação  do  PER/DCOMP,  hipótese  em  que  o  débito  confessado  encontrar­se­ia  extinto  sob condição resolutória da ulterior homologação.  A Recorrente ainda defende que a autoridade administrativa deveria entregar  um termo de verificação fiscal, contudo, por todo o exposto acima, tal termo, ainda que devido  (o  que  não  é  o  caso),  não  acrescentaria  ou  alteraria  as  conclusões  constantes  no  Despacho  Decisório.  A  Contribuinte  defende  que  a  autoridade  administrativa  deveria  verificar  todos os documentos da empresa, por  força da verdade material, para negar o crédito, porém  essa foi exatamente o que foi feito pela autoridade tributária.   Com  base  na  DCTF  (declaração  com  força  de  confissão  de  dívida),  a  autoridade em questão verificou que todo o valor do DARF em análise foi utilizado para pagar  débito confessado.  É importante esclarecer que a DIPJ, embora seja um documento importante,  não  comprova  as  alegações  da  Recorrente  por  se  tratar  de  mera  declaração  sem  efeitos  de  Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 8          7 confissão de dívidas,  tendo, pois, efeitos meramente informativos (Instrução Normativa SRF n°  014/2000). Mais  a  frente  tal  tópico  voltará  a  ser  discutido,  quando  se  demonstrará  a  importância  da  documentação contábil­fiscal da empresa para comprovar a existência do crédito.  Por  fim,  em  relação  às  nulidades,  a  Recorrente  defende  ter  havido  cerceamento  do  direito  de  defesa,  com  violação  do  devido  processo  legal,  uma  vez  que  o  Despacho  Decisório  foi  proferido  sem  explicações  e  detalhamento  acerca  do  não  reconhecimento dos créditos, impossibilitando o direito de defesa da contribuinte.   Porém,  por  todo  exposto  acima,  verifica­se  não  ter  havido  cerceamento  de  defesa, primeiro porque o Despacho Decisório constante neste processo aponta, com clareza,  os motivos que  levaram ao não acolhimento da declaração de compensação,  tanto  é verdade  que,  facilmente,  desde  a  manifestação  de  inconformidade,  a  Recorrente  esclarece  o  erro  cometido  na  DCTF.  Na  manifestação  de  inconformidade,  inclusive,  sequer  foi  ventilada  qualquer dificuldade na apresentação da defesa.  A Recorrente foi devidamente notificada das decisões, apresentou suas peças  de  defesa  e  documentos  e  em  nenhum momento  teve  seu  direito  à  defesa  obstaculado,  não  tendo, por conseguinte, havido qualquer ofensa ao princípio do devido processo legal.  Por  todo o que foi exposto acima, não acolho as preliminares constantes no  recurso voluntário.  DO MÉRITO  A Recorrente, no mérito, esclarece que o crédito, objeto da PER/DCOMP ora  em análise, originou­se a partir do DARF recolhido em 28/04/2006, no valor de R$536.467,31,  relativo ao IRPJ ­ 1º trim/06. Afirma que o IRPJ foi pago a maior porque, depois de efetuadas  as  compensações  pertinentes,  era  de R$450.948,87,  gerando,  pois  um  crédito  no  importe  de  R$85.518,44.  A compensação não foi homologada, e, a partir das características do DARF  discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,  tendo o valor recolhido sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,  não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  e  no  recurso  voluntário,  a  Recorrente  destacou  que  cometeu  um  equívoco  na  DCTF  transmitida  em  02/05/2006,  pois  constou erroneamente o valor de IRPJ a pagar de R$ 549.104,86, contudo não conseguiu fazer  a retificação da DCTF supostamente errada.   Em  julgamento  de  primeira  instância,  a  DRJ  não  conheceu  o  direito  creditório da Recorrente devido especialmente à insuficiência para comprovar a existência de  crédito decorrente de pagamento a maior.  A  Recorrente  defende  em  suas  razões  de  recurso  voluntário  que  não  conseguiu retificar a DCTF.  Na r. acórdão, o Relator esclareceu o seguinte em trecho do seu voto:  (...)  Neste  momento  processual,  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 9          8 imprescindível  que  seja  demonstrada  na  escrituração  contábil­ fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos,  a  não  existência  ou  existência  a  menor  do  valor  do  débito  correspondente a cada período de apuração, conforme previsto  no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir:  Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim  definidos  em  preceitos  legais  (Decreto  Lei  nº  1.598,  de  1977, art.  9º,  §1º)..  Em outras palavras, a Recorrente embora não tenha sido capaz de retificar a  DCTF,  no momento  processual  posterior  ao  despacho  decisório,  ela  deixou  de  apresentar  a  documentação hábil para comprovar o crédito.  A  Declaração  de  Compensação  delimita  a  amplitude  de  exame  do  direito  creditório  alegado  pela  Recorrente  quanto  ao  preenchimento  dos  requisitos  de  liquidez  e  de  certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a  lide, qualquer alteração no pedido desnatura o objeto.  Ou  seja,  era  impossível  para  a  autoridade  administrativa,  no  momento  do  Despacho  Decisório,  identificar  o  crédito  que  a  Recorrente  alega  possuir.  Porém,  após  o  despacho decisório, ainda que houvesse a retificação da DCTF, deve o contribuinte apresentar  provas contábil­fiscais para comprovar o crédito.  Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a  lapso  manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no PER/DCOMP podem ser corrigidos de  ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06  de março de 1972.  As  alterações  informadas pela Recorrente  em  relação à DCTF de março  de  2006 não são meros erros  formais. Em verdade, eles alteram significativamente as condições  do  pedido  inicial.  É  importante  registrar  que  a  DCTF  é  confissão  de  dívida,  que  confere  liquidez  e  certeza  à  obrigação  tributária.  Qualquer  alteração  da  DCTF  após  o  despacho  decisório  deve  ser  realizada  munidos  de  documentos  fiscais  suficientes  para  comprovar  eventual erro anterior.   A  determinação  de  apresentar  os  documentos  comprobatórios  da  identificação  de  crédito  anteriormente  não  declarado,  longe  de  ser mero  formalismo,  é  uma  determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966.  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação do erro  em que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10120.912601/2009­09  Acórdão n.º 1003­000.582  S1­C0T3  Fl. 10          9 A  comprovação,  portanto,  é  condição  para  o  reconhecimento  do  crédito  apontado  no  PER/DCOMP  para  casos  na  qual  a DCTF  apresenta  erro,  visto  que  essa  reduz  tributos. A DIPJ, como já comentado acima, não é o meio hábil para comprovar as alegações  do  autor  por  se  tratar  de  mera  declaração  sem  efeitos  de  confissão  de  dívidas  (a  partir  do  exercício de 2000), tendo, pois, efeitos meramente informativos.  Faz­se  necessário  no  mínimo  o  Livro  Diário,  que  é  registrado  na  junta  comercial  com  a  transcrição  do  Balanço,  o  Livro  Razão,  ou  quaisquer  outros  documentos  contábil­fiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito e o conseqüentemente o erro  na DCTF, sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas  pela Recorrente.  O  r.Acórdão  inclusive  foi  bastante  claro  quanto  à  necessidade  de  apresentação  da  escritura  fiscal  da  empresa,  porém  a  Recorrente  não  colacionou  tais  documentos nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário.  Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF, na qual me  filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade,  desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou nenhum  documento contábil­fiscal da empresa ao recurso voluntário.   Outrossim,  é  em  razão  do  princípio  da  verdade  material  que  a  Recorrente  deveria ter colacionado aos autos os documentos contábil­fiscais da empresa, pois a autoridade  fiscal  poderia  ter  efetuado  a  homologação  de  ofício,  uma  vez  identificada  a  correição  das  alegações  da  Recorrente.  O  contrário  ­  homologar  a  compensação  sem  os  documentos  contábeis  indispensáveis,  considerando  apenas  as  declarações  da  DIPJ  ­  não  é  observar  ao  princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e  documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não  pode  ser  identificada  a  liquidez  e  certeza  dos  créditos  em  discussão  nestes  autos  (art.  170  CTN).  Por fim, a Recorrente ainda defende que os juros não podem ultrapassar 1%  ao mês  e  a multa  imposta  ofende  os  princípios  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição do confisco, destacando ainda a impossibilidade de se computar juros sobre multa.  Ocorre que o processo em análise trata exclusivamente da não homologação  do  PER/DCOMP  nº  10785.76323.210507.1.3.04­0745,  discute­se  nestes  autos  se  a  empresa  comprovou  possuir  crédito  líquido  e  certo  passível  de  compensação.  Eventual  cobrança  processo  de  cobrança  não  está  sendo discutida  nestes  autos  e,  por  conseguinte,  esse pleito  é  estranho ao processo.  Isto  posto,  voto  por  não  acolher  a preliminar  de  nulidade  e,  no mérito,  em  negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/BSB.  (assinado digitalmente)  Bárbara Santos Guedes    Fl. 109DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.904484/2017-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014 CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. DISPÊNDIOS COM FRETE. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A transferência de minérios extraídos de minas para a usina onde será beneficiado para que seja obtido o produto final constitui-se em etapa essencial e imprescindível para a manutenção do processo produtivo, mormente quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas. Ademais, é característica da atividade da empresa a produção do próprio insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção ou comprometimento do processo produtivo. Assim, essencial e imprescindível a contratação de frete junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, frete este pago em decorrência do transporte de minerais das minas até a usina onde é obtido o produto final, no caso, minério de ferro beneficiado, caracterizando-se este dispêndio como insumo. Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes de transporte de insumos (matérias-primas) e produtos em elaboração ou semi- elaborados entre estabelecimentos da mesma empresa geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa. DISPÊNDIOS COM FRETE. DE PRODUTOS ACABADOS - MINÉRIO DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE AGUARDANDO EXPORTAÇÃO E TERMINAIS PORTUÁRIOS PARA EXPORTAÇÃO. Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizam-se como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO. Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida. Incluem-se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas. MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO . Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL Incluem-se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execução e prospecção espeleológica. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente
Numero da decisão: 3301-006.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reverter as glosas referentes: fretes de insumos e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da empresa (unidade mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério - usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados à exportação; gastos com insumos na fase de pré-beneficiamento; gastos com o beneficiamento do minério; gastos com insumos por obrigação legal. Vencida a conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI

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ao  processo  produtivo  e  á  prestação  de  serviços  para  a  obtenção  da  receita  objeto  da  atividade  econômica  do  seu  adquirente,  podendo  ser  empregados  direta  ou  indiretamente  no  processo  produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo  produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria  atividade da pessoa jurídica.   Desta  forma,  deve  ser  estabelecida  a  relação  da  essencialidade  do  insumo  (considerando­se  a  imprescindibilidade  e  a  relevância/importância  de  determinado  bem  ou  serviço,  dentro  do  processo  produtivo,  para  o  desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica)  com  o  objeto  social  da  empresa,  para  que  se  possa  aferir  se  o  dispêndio  realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,   Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes  Maia Filho, ao  julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo,  ao  qual  está  submetido  este  CARF,  por  força  do  §  2º  do  Artigo  62  do  Regimento Interno do CARF.   DISPÊNDIOS  COM  FRETE.  FRETE  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  E  DE  PRODUTOS  EM  ELABORAÇÃO  OU  SEMI  ELABORADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  A  transferência  de  minérios  extraídos  de  minas  para  a  usina  onde  será  beneficiado  para  que  seja  obtido  o  produto  final  constitui­se  em  etapa  essencial  e  imprescindível  para  a  manutenção  do  processo  produtivo,  mormente  quando  se  considera  a  distância  que  separa  as  unidades  mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 44 84 /2 01 7- 66 Fl. 1313DF CARF MF     2 Ademais,  é  característica  da  atividade  da  empresa  a  produção  do  próprio  insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção  ou comprometimento do processo produtivo.   Assim,  essencial  e  imprescindível  a  contratação  de  frete  junto  á  terceira  pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa,  frete  este  pago  em  decorrência  do  transporte  de  minerais  das  minas  até  a  usina  onde  é obtido  o  produto  final,  no  caso, minério  de  ferro  beneficiado,  caracterizando­se este dispêndio como insumo.   Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes  de  transporte  de  insumos  (matérias­primas)  e  produtos  em  elaboração  ou  semi­  elaborados  entre  estabelecimentos  da mesma  empresa  geram  créditos  da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa.   DISPÊNDIOS  COM  FRETE.  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ­  MINÉRIO  DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE  NO  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE  AGUARDANDO  EXPORTAÇÃO  E  TERMINAIS  PORTUÁRIOS  PARA  EXPORTAÇÃO.  Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os  minérios  beneficiados,  já  vendidos,  cujo  transporte  é  feito  para  terminais  portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque  para  o  exterior  caracterizam­se  como  produtos  vendidos  cujo  frete  é  suportado pelo vendendor,  onde o  crédito  é  garantido por dispositivo  legal,  neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.  USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE  PRÉ BENEFICIAMENTO.  Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do  terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica  da  atividade  da  recorrente,  tais  gastos  devem  gerar  créditos  para  a  Contribuição  do PIS/PASEP  e COFINS no  sistema da não  cumulatividade,  por  serem  essenciais  para  a  obtenção  da  receita  da  atividade  desenvolvida.  Incluem­se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas.  MINÉRIO  DE  FERRO.  GASTOS  COM  O  BENEFICIAMENTO  DO  MINÉRIO .  Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do  terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica  da  atividade  da  recorrente,  tais  gastos  devem  gerar  créditos  para  a  Contribuição  do PIS/PASEP  e COFINS no  sistema da não  cumulatividade,  por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida  GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL  Incluem­se  nesse  conceito  os  gastos  com  consultoria  ambiental  (com  o  objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são  necessários),  os  gastos  com  prestação  de  consultoria  e  monitoramento  de  vibração  das  cavidades  naturais  existentes  no  terreno  de  lavra  de minérios,  gastos  com  prestação  de  serviços  de  execução  e  prospecção  espeleológica.  Não  se  enquadram  nesse  conceito  os  gastos  com  prestação  de  serviços  de  medicina  do  trabalho  e  segurança,  por  serem  comuns  a  todas  as  empresas,  portanto  não  essencial  e  relevante  para  obtenção  da  receita  vinculada  a  atividade da recorrente       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.289          3 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  dar  parcial  provimento  para  reverter  as  glosas  referentes:  fretes  de  insumos  e  produtos  semi  elaborados  entre  estabelecimentos  da  empresa  (unidade  mineradora  e  complexo  industrial  de  beneficiamento de minério ­ usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já  destinados  à  exportação;  gastos  com  insumos  na  fase  de  pré­beneficiamento;  gastos  com  o  beneficiamento  do minério;  gastos  com  insumos  por  obrigação  legal.  Vencida  a  conselheira  Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos.  Assinado digitalmente  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Ari Vendramini ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa Marques  D'Oliveira,  Salvador  Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir  Gassen e Ari Vendramini (Relator)    Relatório  1.    Os  presentes  autos  tiveram  origem  em  procedimento  de  fiscalização  para  verificação dos créditos da não cumulatividade, relativos a receitas de exportação, objetos dos  PER  –  PEDIDOS  ELETRÔNICOS  DE  RESSARCIMENTO,  aqui  relacionados,  da  Contribuição  para  o PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA e  da COFINS NÃO CUMULATIVA.  Vinculados a tais PER estavam Declarações de Compensação ­DCOMPs, também transmitidas  eletronicamente  pela  ora  recorrente,  sendo  que  para  cada  PER  foi  vinculado  um  processo  administrativo,  como demonstrado  na  tabela. Nestes  autos,  a  recorrente  transmitiu  a PER n°  201158826714101411194906,  visando  o  ressarcimento  de  direito  creditório,  decorrente  da/o  Cofins não cumulativo ­ exportação, do 2 TRIM 2014, no valor de R$ 1.301.120,17.      PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA  PERÍODO DE APURAÇÃO  PER Nº  PROCESSO ADM Nº  1º TRIM 2013  07863.33572.140613.1.1.08­1944  10680.902569/2017­18  2º TRIM 2013  13539.58117.160813.1.1.08­2730  10680.902570/2017­34  1º TRIM 2014  17839.05923.270614.1.1.08­7016  10680.904482/2017­77  2º TRIM 2014  10601.11364.141014.1.1.08­0400  10680.904485/2017­19  3º TRIM 2014  23840.16224.091214.1.1.08­5643  10680.904486/2017­55    COFINS NÃO CUMULATIVA  PERÍODO DE APURAÇÃO  PER Nº  PROCESSO ADM Nº  1º TRIM 2013  22860.92415.140613.1.1.09­0419  10680.902568/2017­65  2º TRIM 2013  27279.46428.160813.1.1.09­7390  10680.902571/2017­89  Fl. 1315DF CARF MF     4 1º TRIM 2014  38881.14812.270614.1.1.09­7662  10680.904483/2017­11  2º TRIM 2014  20115.88267.141014.1.1.09­4906  10680.904484/2017­66  3º TRIM 2014  41431.13586.091214.1.1.09­0731  10680.904487/2017­08    2.    Dos  trabalhos de fiscalização foram formalizados os  lançamentos por autos de  infração,  por  descumprimento  da  legislação  de  regência  dos  tributos,  sendo  glosados  os  créditos  apurados,  sob  a  fundamentação  constante  do Termo  de Verificação  Fiscal  e  tabelas  anexas de fls. 89/116, constantes destes autos digitais. Estes autos de infração são o objeto dos  presentes autos, tendo como reflexos os processos a estes apensados.    3.    Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do  Acórdão da DRJ/JUIZ DE FORA, combatido nestes autos pela recorrente :    Trata­se  de  autos  de  infração  lavrados  contra  a  empresa  acima  identificada, em que foram lançados Cofins, no valor principal de R$  6.483.588,64,  e  PIS,  no  valor  principal  de  R$  1.407.621,21,  acompanhados de juros de mora (calculados até 06/2017) e multa de  ofício 75%. O valor  consolidado do crédito  tributário  corresponde a  R$ 17.104.745,37.  Na “Descrição  dos Fatos  e Enquadramento Legal”, que  acompanha  os autos de infração, a infração apurada está assim discriminada:    Foi emitido Termo de Verificação Fiscal  (TVF) para um conjunto de  PER, abaixo relacionados, em função de procedimento de fiscalização  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias,  pelo  contribuinte  acima  identificado,  relativas  aos  créditos  das  contribuições  para  o  PIS  e  para a COFINS, pelo regime não cumulativo:    O TVF traz que:  // ­ PROCEDIMENTOS INICIAIS DE FISCALIZAÇÃO  (...)  /// ­ FUNDAMENTAÇÃO LEGAL UTILIZADA  (...)    IV­ DOS FATOS APURADOS  (...)  Com  base  nas  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  cotejo  com o seu processo produtivo,  passamos a examinar os  insumos empregados na produção.  Desta  análise,  constatamos  erro  na  adoção  do  conceito  de  insumos e,  consequentemente, na amplitude da base de cálculo dos créditos  com  direito  a  dedução/ressarcimento  na  apuração  de  PIS  e  COFINS na modalidade não cumulativa.  Como  já  descrito,  a  legislação  de  regência  não  assegura  o  direito de apurar crédito  sobre  todo e qualquer custo, despesa  ou  encargo,  ainda  que  necessário  à  atividade  da  pessoa  jurídica.  Para  serem  considerados  insumos,  os  bens  e  os  serviços  devem  ser  aplicados  ou  consumidos  durante  a  fabricação do produto ou a prestação do serviço e, com relação  aos  serviços,  prestados  por  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País. Conclui­se que a condição imposta para o aproveitamento  dos créditos é a aplicação ou consumo, tanto de serviços quanto  de bens, durante o processo produtivo de bem destinado à venda  ou à prestação de serviços.  Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.290          5 Logo,  o  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gere  custo/despesa,  como  pretendeu  o  contribuinte,  mesmo  que  necessário  para  a  atividade da pessoa jurídica, mas somente o que efetivamente se  aplicou ou consumiu diretamente na produção ou fabricação do  produto destinado à venda.  Assim,  elaboramos  planilhas:(Anexos  I,  II,  III,  IV  e  V),  que  passam  a  fazer  parte  integrante  deste  termo,  para  demonstrar  todo procedimento adotado na presente ação fiscal e, sobretudo,  elencar  os  bens  ou  serviços  que,  embora  utilizados  pelo  contribuinte,  devido  às  restrições  impostas  pela  legislação  de  regência,  não  foram  considerados  como  insumos  e,  portanto,  tiveram os respectivos créditos glosados. Não obstante, citamos  e  fazemos  referências  ao  conteúdo  de  cada  anexo,  conforme  segue:  Anexo  I  ­  DEMONSTRATIVO  FORNECEDORES  E  OPERAÇÕES OBJETO DE GLOSA.  Planilha relacionando os fornecedores de produtos ou serviços,  na primeira  coluna, e a descrição dos produtos ou serviços, os quais foram  desconsiderados por esta fiscalização para efeito de geração de  crédito(GLOSA), na segunda coluna.  Como pode  ser  constatado,  na  supramencionada planilha,  são  produtos ou  serviços que não participam diretamente do processo produtivo  do contribuinte: extração e processamento do minério de ferro.  Minério de ferro que é o produto final, que é o objeto de venda e  que  enseja  débito  de  PIS/COFINS,  a  ser  compensado  com  os  respectivos  créditos.  Em  que  pese  serem  produtos  e  serviços  úteis,  tais  como:  consultorias  ambientais  e  outras,  abertura  e  conservação  de  acessos,  projetos,  serviço  de  limpeza  e  apoio  administrativo,  serviço  de  despacho  aduaneiro,  obras  de  infra  estrutura,  movimentação  interna  de  produtos  e  rejeitos  e  transporte  em  território  nacional,  de  mercadoria  destinada  à  exportação.  Cabe destacar aqui, pela relevância, as operações de transporte  ou  remoção  de  produtos,  subprodutos  ou  rejeitos.  Tais  operações  são  posteriores  ao  processo  produtivo,  afastando  o  conceito  de  insumos,  necessário  para  considerá­las  como  geradores  de  crédito.  Quanto  ao  transporte  de  produtos  acabados,  ou  seja,  após  o  término  do  processo  produtivo,  independente  se  entre  o  local  de  produção até  o  estoque,  bem  como  do  estoque  até  o  armazém  portuário  para  futuro  embarque,  essas  operações  não  estão  contempladas  como  ensejadoras de crédito.  Anexo II ­ DEMONSTRATIVO BASE CÁLCULO ­ GLOSAS  Planilha  com  totalizações mensais  de  valores  das  operações  e  respectivos fornecedores, que foram objeto de glosa.  Anexo III ­ DEMONSTRATIVO CÁLCULO GLOSAS CRÉDITO  Planilha  que  se  inicia  com  os  totais  das  bases  de  cálculo,  demonstrados  no  anexo  II,  e  que  segue  com  o  cálculo  das  contribuições  (PIS/COFINS)  glosadas,  rateadas  na  proporção  das receitas auferidas no mercado interno e mercado externo.  Fl. 1317DF CARF MF     6 Anexo  IV  ­  DEMONSTRATIVO  APURAÇÃO,  DEDUÇÕES  E  CONTROLE DO SALDO POSITIVO.  Planilha  com  os  cálculos  dos  débitos  e  créditos  mensais  bem  como a  demonstração das deduções e dos saldos dc cada contribuição.  Anexo  V  ­  DEMONSTRATIVO  SALDOS  NEGATIVOS  DE  CRÉDITO,  LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO.  Demonstração  do  crédito  apurado  na  fiscalização  (coluna D),  que  foi  o  resultado  entre  o  crédito  apurado  pelo  contribuinte  (coluna  B)  e  os  valores  dos  créditos  glosados  (coluna  C),  rateado  na  proporção  das  receitas  do  mercado  interno  e  mercado  externo  (co!unas  E  a  H).  Finalmente  foram  discriminadas as deduções utilizadas pelo  contribuinte  (coluna  I), para se chegar nos valores negativos de créditos, que foram  objeto  de  lançamento  por  meio  de  lavratura  de  Auto  de  Infração(coluna J).  Tais  valores  foram  o  resultado  do  crédito  apurado  pelo  contribuinte,  diminuído  das  glosas  e  das  deduções  efetuadas  pelo contribuinte(B ­ C ­ 1 ).  V— CONCLUSÃO Em função do presente trabalho e decorrente  das  glosas  demonstradas,  considerando  as  deduções  já  efetuadas,  ao  contrário  da  pretensão  do  contribuinte,  restou  saldo a recolher de PIS/COFINS, cujos valores foram objeto de  lançamento por meio de Auto de Infração.   Este  relatório  é  comum  às  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  COFINS  não  cumulativas  e  aos  Per/Dcomp  do  período  fiscalizado,  tendo  em  vista  os  mesmos  elementos  de  prova  e  análise.    A empresa apresenta impugnação, na qual alega que:    II ­ DOS FATOS  (...)  Nos  termos autorizados pela  legislação regente, a Manifestante  acumula créditos de referida Contribuição, uma vez que realiza  exportações do produto por ela explorado  (minério de  ferro) e,  em  virtude  disto,  regularmente  apresenta,  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil  em  Belo  Horizonte  ­  MG,  Pedidos  de  Ressarcimento daquelas contribuições.  (...)  Entretanto,  a  Fiscalização  não  acatou  os  créditos  apropriados  pela  Manifestante,diga­se  desde  já,  por  desconhecimento  da  atividade  desenvolvida,  em  especial  no  que  tange  ao  processo  produtivo empregado para a consecução do seu objeto social.  Neste ponto, importante esclarecer que, paralelamente a análise  do PER/DCOMP em questão, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em Belo Horizonte  ­ MG levou a efeito procedimento de  fiscalização em face da Manifestante que culminou na lavratura  dos  Autos  de  Infração  assentados  no  Processo  Administrativo  Tributário de n° 15504.724.382/2017­13.  Desta  forma,  naquela  oportunidade,  restaram  constituídos  créditos  tributários  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  referentes aos exercícios de 2013 e 2014 ­ período de apuração  que engloba o objeto do presente feito ­ utilizando­se para tanto,  dos  mesmos  argumentos  usados  por  este  Fisco  para  a  não  homologação do Pedido de Ressarcimento em análise.  Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.291          7   Por  conseguinte,  necessário  se  faz  o  apensamento  daquele  processo  administrativo  (n°  15504,724.382/2017­13)  ao  presente  feito,  para  que  não  haja  o  risco  de  serem prolatadas  decisões  divergentes  para  demandas  que  possuem  o  mesmo  objeto.  (...)  II.1  DA  ATIVIDADE  DE  EXTRAÇÃO  E  BENEFICIAMENTO  DO  MINÉRIO  DE  FERRO  E  DOS  PRINCIPAIS  INSUMOS  UTILIZADOS,  (...)  Fase 01 ­ Extração  Nesta  fase,  é  promovida  a  extração  do  minério  de  ferro  na  forma de material  bruto,  também chamado de minério "ROM"  (run of mine) que será executada, principalmente, por meio de  explosivos, retroescavadeiras e tratores.  Logo  após,  é  feito  o  carregamento  dos  caminhões  que  transportarão o minério (ROM) até a planta de beneficiamento  (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído encontra­ se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos  de  beneficiamento.  Fase 02 ­ Beneficiamento  (...)  2.1 ­ Britagem  (...)  2.2 ­ Concentração  (...)  Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por caminhões para o terminai ferroviário.  No terminal, o minério será carregado em trens e levado até os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar  ao  Porto,  finalmente  é  embarcado  em  navios  e  exportado  para  o  comprador  destinatário.  (...)  III ­ DO DIREITO  DO REAL CONCEITO DE INSUMO  (...)  Contudo, a Fiscalização Federal, ao não reconhecer os créditos  da  Manifestante,  restringiu  a  compreensão  do  conceito  de  insumo  para  fins  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS, deixando, assim, de homologar os créditos solicitados para  ressarcimento  no  PER/DCOMP  objeto  deste  processo  administrativo.  A bem da verdade, o que fez a Fiscalização foi estabelecer uma  analogia  direta  entre  o  conceito  de  insumo para  a  sistemática  da Contribuição  ao PIS  e  da COFINS não­cumulativas  com  o  conceito de insumo adotado para o IPI, cujo pressuposto de fato  reside  na  industrialização  de  produtos,  e  cuja  não  cumulatividade  em  nada  se  assemelha  à  aplicada  à  Contribuição do PIS e da COFINS, que tem como pressuposto  de  fato  a  receita,  isso  porque,  o  conceito  de  insumo  adotado  pela  Fiscalização  admite  como  insumos  geradores  de  crédito  Fl. 1319DF CARF MF     8 apenas  as  despesas  com  matérias  primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  intermediários  que  se  incorporem  ao  produto  final  ou, pelo menos, desgastam­se peio  contato  físico  com o produto em fabricação,desconsiderando, inclusive, que o  regime  da  não  cumulatividade  é  voltado  não  apenas  a  produtores  de  bens, mas  também  prestadores  de  serviços,  que  não lidam com despesas dessa natureza.  Porém, tal conceito é muito restrito para fins de preservar a não  cumulatividade do PIS e da COFINS.  É  que,  tratando­se  de  tributo  direto  que  incide  sobre  a  totalidade das receitas auferidas pela empresa, impõe­se que se  permita  a  apuração  de  créditos  relativamente  a  todas  as  despesas  realizadas  junto  a  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  Contribuição,  necessárias  à  obtenção  de  receita.  Assim,  em  matéria  de  PIS  e  COFINS  não  há  como  limitar­se  à  idéia  de  crédito físico, porquanto essas contribuições não se baseiam nas  despesas  necessárias  para  a  produção  ou  fabricação  de  um  produto, mas  sim nas  despesas  necessárias  para a  geração de  receita.  Discorre sobre o tema,  trazendo acórdãos do CARF e decisões  na esfera judicial e finaliza:  Vê­se,  pois,  que  devem  ser  considerados  como  insumos  que  ensejam a apuração de créditos, os gastos relativos a serviços e  bens, cuja aquisição configure dispêndio essencial à exploração  da atividade da pessoa jurídica.  (...)  III2 ­ DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA  MANIFESTANTE.  III2.1­  DOS  BENS  E  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  Segundo as alegações da Fiscalização, a Manifestante não  faz  jus  ao  crédito  de  PIS  sobre  alguns  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  sob  a  alegação  de  que  não  foram  consumidos  diretamente na  extração e produção do minério de  ferro  (lista  em  anexo).  Cita­se,  como  exemplo,  alguns  bens  e  serviços  glosados.  • Transporte de minério de ferro dos terminais até o porto.  •  Transporte  de minério  de  ferro  dos  terminais  até  o  terminal  ferroviário.  • Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos  e rejeitos.  •  Obras  de  infraestrutura  de  mina  (drenagem  das  minas  e  abertura  de  acessos)  e  operações  com  caminhão  pipa,  para  captação e transporte de água.  •  Serviços  de  terraplanagem,  bacias  de  sedimentação  e  drenagem,  • Manutenção  e  limpeza manual  e mecanizada  das  instalações industriais.  • Consultoria ambiental.  •  Serviços  de  perícia  técnica  relacionados  à  segurança  do  trabalho.  Na  verdade,  conforme  já  exposto  em  tópico  específico,  a  Fiscalização  entendeu  por  bem  limitar  o  conceito  de  insumo  para fins de observância à não­cumulativtdade da Contribuição  ao PIS e da COFINS, considerando apenas o crédito  físico, ou  seja, apenas os bens e serviços que se exaurem no contato físico  com o produto em fabricação.  Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.292          9 No entanto, sob pena de inviabilizar a não­cumulatividade eleita  pelo legislador ordinário, o limite até aonde se pode considerar  uma despesa como insumo é a capacidade do insumo em gerar  receita  para  a  empresa.  Repisa­se:  devem  ser  considerados  como  insumos  que  ensejam  a  apuração  do  crédito  os  gastos  relativos  a  bens  e  serviços,  cuja  aquisição  configure  dispêndio  essencial à exploração da atividade da pessoa jurídica.  (...)  III.2.2 ­ DOS TRANSPORTES DO MINÉRIO DE FERRO.  (...)  Vê­se  que  o  inciso  IX  do dispositivo  legal  supracitado,  admite  expressamente  o  creditamento  relativo  aos  custos  com  armazenagem  de  mercadorias  e  com  fretes  na  operação  de  vendas  contratados  junto  a  pessoas  jurídicas  e  desde  que  suportados pelo vendedor.  Neste sentido, a interpretação sistemática da legislação é a que  se impõe no caso, pois trata­se de matéria a ser examinada sob  a  luz  da  não­cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS, e não propriamente sob a luz de exclusões de crédito  tributário.  Assim sendo, o referido inciso IX é extensivo aos bens e serviços  previstos no inciso II do mesmo artigo, o qual prevê o direito ao  crédito  dos  bens  e  serviços  necessários  à  consecução  das  atividades da empresa.  No  caso  das  atividades  desempenhadas  pela  Manifestante,  é  indispensável  o  transporte  de minério  de  ferro  bruto,  retirado  das suas minas, que é um produto ainda em elaboração, para a  planta  de  beneficiamento,  local  em  que  o  processo  produtivo  será concluído.  Ainda,  com  relação  ao  serviço  de  transporte  do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  ou  centros  de  distribuição,  também não há dúvidas quanto à sua essencialidade. Sem esses  transportes,  a  Manifestante  nunca  conseguiria  vender  os  seus  produtos, independentemente se no mercado interno ou externo.  (...)  III.2.2.1  ­  Toniolo  Busnello  S.A  Túneis  Terraplanagens  e  Pavimentação Conforme contratos anexados, a empresa Toniolo  Busnello prestava à Manifestante o serviço de carregamento de  minério  "ROM"­  run  of  mine,  que  é  o  minério  bruto  recém  retirado da mina, até a Usina em que era beneficiado.  Sem  este  transporte  inicial,  não  se  poderia  realizar  o  beneficiamento do minério, interrompendo sua cadeia produtiva  logo no início e, assim,  inviabilizando o objeto social da MMX  Sudeste  Mineração  S/A,  Destarte,  é  incontroverso  que  o  transporte  realizado  pela  Toniolo  Busnello  compõe  a  cadeia  produtiva  empreendida  pela  Manifestante,  sendo  considerado  insumo  nos  termos  da  legislação  que  rege  a  Contribuição  ao  PIS e a COFINS no regime nãocumulativo.(...)  III.2.2.2 ­Mecma  No  período  entre  2011  e  2014,  a  Mecma  Terraplanagem  e  Locação  de  Equipamentos  foi  responsável  pelo  transporte  do  minério  já  beneficiado  até  o  Estoque,  onde  eram  fechados  os  lotes a depender dos pedidos e especificações de cada cliente.  (...)  Fl. 1321DF CARF MF     10 III.2.2.3 ­ Rodoreal Transportes Ltda ME  A  empresa  Rodoreal  Transportes  Ltda  ME  realizava,  às  expensas da  Manifestante, o transporte dos lotes de minério desde o Estoque  até o terminal ferroviário.  É  que,  após  a  separação  do  minério  de  ferro  em  lotes,  de  acordo com a especificação do produto, que se dá no Estoque,  a  Manifestante,  para  realizar  a  venda  do  produto,  precisa  transportá­lo  até  os  terminais  ferroviários,  onde  estão  localizados  os  trens  que  irão  escoar  a  sua  produção  até  o  porto.  Neste  ponto,  importante  salientar  que  o  transporte  realizado  até  o  terminal  ferroviário  também  se  enquadra,  como  demonstrado, na hipótese descrita pelo inciso IX do art. 3o da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  já  que  a  operação  realizada  peia  Rodoreal constitui, nas palavras da  lei, "frete na operação de  venda",  cujo  custo  foi  inteiramente  suportado  pela  Manifestante, conforme contratos anexos. Por consequência, o  valor do serviço deve gerar créditos da não­cumulatividade nos  termos da legislação regente.  III.2.2.4 ­ Terminal Serra Azul Ltda.  Conforme  notas  fiscais  anexas  (juntadas  por  amostragem),  a  empresa  Terminal  Serra  Azul  Ltda"  era  responsável  pela  armazenagem  dos  lotes  de  minério  e,  posteriormente,  pelo  carregamento dos  trens que  realizam o  transporte do produto  comercializado pela Manifestante até o Porto.  Assim  sendo,  sua  atividade  compõe  a  cadeia  de  frete  para  venda,  enquadrando­se no  conceito descrito peio  inciso  IX do  art.  3o  da  Lei  n°  10.833/03,  gerando  crédito  da  não­ cumulatividade a serem apropriados pela Manifestante.  III.2.2.5 ­ MRS Logística S/A  Por  sua vez,  a  empresa MRS Logística  S/A  era  a  responsável  por  transportar,  via  estrada  de  ferro,  os  lotes  minerais,  destinados à exportação, até o Porto onde seriam embarcados  nos navios de carga.  Da mesma forma que os estágios anteriores, esta fase compõe a  cadeia  contínua  de  frete  para  a  venda,  pois  se  fosse  omitida,  seria  impossível  que  a  Manifestante  realizasse  a  venda  ou  exportação de sua produção.  Mais  uma  vez,  cumpre  salientar  que  todo  o  custo  deste  transporte  era  suportado  pela  Manifestante,  atraindo,  sem  dúvida, a incidência da regra do inciso IX do art. 3o da Lei n°  10.833,  de  2003,  que  determina  que  os  custos  envolvidos  na  armazenagem  e  frete  para  venda  gerem  créditos,  caso  da  Manifestante.  (...)  III.2.3  ­  DOS  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  DE  INFRAESTRUTURA DE MINA.  (...)  Ora, para que seja extraído o minério de ferro, é essencial que  se  tenha acesso às minas. Do contrário, a Manifestante sequer  terá condições de iniciar suas atividades.  (..)  Por  certo,  é  entendimento  pacificado  que  a  compreensão  do  conceito de insumo para a não­cumulatividade da Contribuição  ao PIS  e da COFINS deve  ser mais abrangente,  abarcando os  serviços por sua essencialidade ao processo produtivo.  Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.293          11 (...)  III.2.3.1 ­ Transportes Sarzedo Ltda ­ TSL  Como  fica  claro  nos  contratos  aqui  anexos,  a  Transportes  Sarzedo  Ltda  –  TSL  realizava  obras  de  manutenção  de  infraestrutura,  tais  como  limpeza  e  desassoreamento  de  barragens de rejeito de propriedade da Manifestante,  (...)  III.2.3.2  ­  Toniolo  Busnello  S.A  Túneis  Terraplanagens  e  Pavimentação  Em  concomitância  às  atividades  de  transporte  de  minério  "ROM", a Toniolo realizava, também, serviços de infraestrutura  de barragens, como o alteamento de barragem (contrato anexo),  que consiste no reforço das laterais e aumento da altura de uma  determinada barragem de rejeitos.  III.2.3.3  ~  Skavaminas  Mineração,  Construção  e  Transportes  Ltda.  A  empresa  Skavaminas  operava  as  obras  de  manutenção  e  estruturação  direta  de  minas,  realizando,  nos  termos  do  contrato  anexado,  serviços  como  abertura  e  manutenção  de  acessos, a drenagem e a limpeza das minas.    É o relatório    4.    Decidindo  a  matéria  impugnada,  a  DRJ/JUIZ  DE  FORA  exarou  o  Acórdão  assim ementado:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014  APENSAÇÃO DE PROCESSOS.  A  apensação  de  processos  segue,  no  âmbito  da  RFB,  as  hipóteses  previstas  em  norma  administrativa  específica,  dentre  elas:  processo  que  analisa  o  ressarcimento  do  PIS/Cofins  não  cumulativo  ­  exportação  com  o  processo  referente  ao  lançamento  de  ofício  dele  decorrente.  GLOSA DE CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO.  EXPORTAÇÃO  Se a glosa de créditos efetivada pelo Fisco resulta em contribuição a  pagar, mostra­se correto o lançamento realizado.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido    5.    Inconformado  com  tal  decisão,  o  requerente  apresentou  Recurso  Voluntário,  onde  traz,  como  razões  de  defesa  os  mesmos  fundamentos  e  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade  dirigida  á  DRJ,  requerendo  ao  final  que  seja  provido  o  recurso  voluntário  para  que  seja  reformada  a  decisão  combatida,  cancelando­se,  por  consequencia, na totalidade, o auto de infração constante destes autos e qualquer determinação  dele decorrente.    6.    Os autos foram então a mim distribuídos para relatar.    É o relatório.    Fl. 1323DF CARF MF     12 Voto             Conselheiro Ari Vendramini  7.    A  contenda  no  presente  caso  gira  em  torno  da  possibilidade  de  serem  considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em  sendo  considerados  insumos,  se  estes  podem  originar  créditos  a  serem  utilizados  como  determina  a  legislação  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep  e  da  COFINS,  na  sistemática  da  não  cumulatividade.    DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE    8.    No  caso  aqui  em  exame,  trata­se  de  empresa  que  desenvolve,  como  principal  atividade econômica que engloba toda a cadeia de mineração, dentre outras atividades, sendo  que  ás  fls.  153/174  dos  autos  digitais  encontra­se  cópia  de  Ata  de  Assembleia  Geral  Extraordinária, realizada em 28/04/2016, onde se encontra o Estatuto Social da recorrente. No  Artigo 3 do Capítulo I deste Estatuto está estabelecido o seu objeto social :    Artigo  3º.  A  Companhia  tem  por  objeto  a  indústria  e  comércio  de  minérios  em  geral,  em  todo  o  território  nacional,  compreendendo  a  pesquisa, lavra e beneficiamento; a prestação de serviços geológicos;  a importação, exportação e comércio de produtos minerais, químicos e  industriais;  as  atividades  de  transporte  e  de  operação  portuária  de  navegação;  a  comercialização  de  produtos  primários  e/ou  industrializados  (commodities),  no  mercado  interno  e  externo;  bem  como  a  participação  no  capital  de  outras  sociedades  simples  ou  empresárias, qualquer que seja o objeto social. Para atender ao objeto  social da Companhia, esta poderá constituir subsidiárias sob qualquer  forma societária.    9.    Os  seguintes  trechos  extraídos  do  texto  do  Recurso  Voluntário  apresentado  ajudam a delinear as atividades desenvolvidas pela recorrente :      ­  fls.  1.418  dos  autos  digitais  :  Assim  sendo,  para  entender  a  essencialidade de cada bem ou serviço é imprescindível rememorar o  processo  produtivo  empreendido  pela  Recorrente,  processo  este  retratado no esquema fase a fase, a seguir:  Fase 01 — Extração  Nesta fase, é promovida a extração do minério de  ferro na  forma de  material bruto, também chamado de minério "ROM" (run of mine) que  será  executada,principalmente,  por  meio  de  explosivos,  retroescavadeiras  e  tratores.  Logo  após,  é  feito  o  carregamento  dos  caminhões  que  transportarão  o  minério  (ROM)  até  a  planta  de  beneficiamento (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído  encontra­se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos  de  beneficiamento.  Fase 02 — Beneficiamento  Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem  sintetizar, grosseiramente, em:  2.1 — Britagem  A  britagem  corresponde  ao  primeiro  estágio  mecânico  de  fragmentação  de  minérios.  O  controle  da  britagem  é  feito  pelas  operações  de  peneiramento.  Isso  significa  que  o  minério  que  não  Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.294          13 atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais  uma  ou  duas  vezes.  Em  conjunto  com  a  fragmentação,ocorre  a  classificação das partículas de minério por tamanho.  2.2— Concentração  Tem  como  objetivo  distinguir  o  minério  valioso,  chamado  de  concentrado,  e  o  descartável,  conhecido  como  rejeito.  Através  de  diferentes  processos  de  concentração  como  a  "jigagem"  ou  a  separação  magnética,  o  minério  é  separado  e  classificado  em  lotes  diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender  do  fim  a  que  se  destinam  os  lotes.  Neste  momento,  são  realizadas  diversas análises para atestar a qualidade dos lotes.  Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por  caminhões  para  o  terminal  ferroviário.  No  terminal,  o  minério  será  carregado  em  trens  e  levado  até  os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para  o comprador destinatário.     O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA  A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS.     10.    Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da  Não Cumulatividade  para  as  contribuições  sociais,  instituído  no  ordenamento  jurídico  pátrio  pela Emenda Constitucional  nº  42/2003,  que  adicionou  o  §  12  ao  artigo  95  da Constituição  Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova  e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional,  diferentemente  da  sistemática de  não  cumulatividade  instituída  para  os  tributos  IPI  e  ICMS,  que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida  por  legislação  ordinária  e não  pelo  texto  constitucional,  estabelecendo  a Carta Magna que  a  regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário.     11.    Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para  o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde  o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e  serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens  ou produtos destinados á venda.    16.    Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive  presumidos,  para  serem  utilizados  sob  diversas  formas  :  dedução  do  valor das  contribuições  devidas,  apuradas  ao  final  de  determinado  período,  compensação  do  saldo  acumulado  de  créditos  com  débitos  titularizados  pelo  adquirente  dos  insumos  e  até  ressarcimento,  em,  espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas  anteriores.    17.    Por  ser  o  órgão  governamental  incubido  da  administração,  arrecadação  e  fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução  Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela  Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi  considerada excessivamente restritiva, pois aproximou­se do conceito de insumo utilizado pela  sistemática  da  não  cumulatividade  do  IPI  –  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  Fl. 1325DF CARF MF     14 estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o  creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo  produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste  pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para  que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria­prima, produto intermediário, material  de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a  perda de propriedades físicas ou químicas.    18.    Consideram­se,  também, os  insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos  diretamente  no  processo  de  produção  e,  embora  frequentemente  também  sofram  alterações  durante  o  processo  produtivo,  jamais  se  agregam  ao  produto  final,  como  é  o  caso  dos  combustíveis.    19.    Mais tarde, evoluiu­se no estudo do conceito de insumo, adotando­se a definição  de  que  se  deveria  adotar  o  parâmetro  estabelecido  pela  legislação  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica,  que  tem  como  premissa  os  artigos  290  e  299  do  Decreto  nº  3.000/1999  –  Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo  da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou  da  prestação  de  serviços  como  um  todo.  A  doutrina  e  a  jurisprudência  concluíram  que  tal  procedimento  alargaria  demais  o  conceito  de  insumo,  equiparando­o  ao  conceito  contábil  de  custos  e  despesas  operacionais  que  envolve  todos  os  custos  e despesas  que  contribuem para  atividade  da  empresa,  e  não  apenas  a  sua  produção,  o  que  provocaria  uma  distorção  na  legislação instituidora da sistemática.    20.    Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da  não  cumulatividade  para  o  IPI  e  o  ICMS  e  a  sistemática  para  a Contribuição  ao  PIS/Pasep,  verifica­se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas  Fiscais  de  aquisição  dos  insumos,  o  que  permite  o  cotejo  destes  valores  com  os  valores  recolhidos  na  saída  do  produto  ou  mercadoria  do  estabelecimento  adquirente  dos  insumos,  tendo­se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos a saída do  produto  ou  mercadoria  contra  os  valores  submetidos  na  entrada  dos  insumos,  portanto  os  valores  dos  créditos  estão  claramente  definidos  na  documentação  fiscal  dos  envolvidos,  adquirentes e vendedores.    21.    Em  contrapartida,  a  sistemática  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep criou créditos, por  intermédio de  legislação ordinária, que  tem alíquotas variáveis,  assumindo diversos critérios, que, ao final se  relacionam com a receita auferida e não com o  processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao  processo  de  obtenção  da  receita,  seja  ela  de  produção,  comercialização  ou  prestação  de  serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos  ou  valor  dos  tributos  sobre os  quais  se  calculariam os  créditos,  não  estariam destacados  nas  Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação.    22.    Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo,  nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais.    23.    Há  algum  tempo  vem  o  CARF  pendendo  para  a  idéia  de  que  o  conceito  de  insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com  um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca­se a relação  existente  entre  o  bem  ou  serviço,  utilizado  como  insumo,  e  a  atividade  realizada  pelo  seu  adquirente.    Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.295          15 24.    Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou  prestado possa  ser  caracterizado como  insumo para  fins de geração de  crédito de PIS/Pasep,  devem ser levados em consideração os seguintes aspectos :  ­ pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado  especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná­lo viável.  ­ essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço  depende diretamente de  tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço  não seria prestado.  ­ possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o  insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo.    25.    Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido  como  insumo  gerador  de  crédito  de  PIS/Pasep,  é  indispensável  a  característica  de  essencialidade  ao  processo  produtivo  ou  prestação  de  serviço,  para  obtenção  da  receita  da  atividade  econômica  do  adquirente,  direta  ou  indiretamente,  sendo  indispensável  a  comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita.    26.    Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma  posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR,  que  se  tornou  emblemático  para  a doutrina  e  a  jurisprudência,  ao  definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o  conceito na ementa, assim redigida :    TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E  DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE  INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543­C DO CPC/1973  (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).  1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido  no  art.  3o.,  II,  da Lei  10.637/2002  e  da Lei  10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2.  O  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.  3. Recurso Especial  representativo da controvérsia parcialmente conhecido  e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos  à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  relativos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais, materiais de  limpeza e equipamentos de proteção  individual­ EPI.  4.  Sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC/1973  (arts.  1.036  e  seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  Fl. 1327DF CARF MF     16 creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­ cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas  Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido  à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando­se  a imprescindibilidade ou a importância de terminado item ­ bem ou serviço ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Contribuinte.    28.    Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão  por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº  1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as  principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas  ações á nova realidade desenhada por tal decisão.    29.    Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer :    9. Do  voto  do  ilustre  Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia  Filho,  mostram­se  relevantes  para  este  Parecer  Normativo  os  seguintes  excertos:   “39.  Em  resumo,  Senhores  Ministros,  a  adequada  compreensão  de  insumo,  para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  usualmente  denominadas  PIS/COFINS,  deve  compreender  todas  as  despesas diretas e  indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as  que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível  da produção, separar o que é essencial  (por  ser  físico, por exemplo),  do que seria acidental, em termos de produto final.   40. Talvez acidentais  sejam apenas certas circunstâncias do modo de  ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso  das  coisas,  mas  a  essencialidade,  quando  se  trata  de  produtos,  possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo,  penso,  respeitosamente,  mas  com  segura  convicção,  que  a  definição  restritiva proposta pelas  Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004,  da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o  comando  contido  no  art.  3º,  II,  da  Lei  10.637/2002  e  da  Lei  10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'.   41.  Todavia,  após  as  ponderações  sempre  judiciosas  da  eminente  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA,  acompanho  as  suas  razões,  as  quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão)   …………………………………..  10.  Por  sua  vez,  do  voto  da  Ministra  Regina  Helena  Costa,  que  apresentou  a  tese  acordada  pela  maioria  dos  Ministros  ao  final  do  julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos:   “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da  não­cumulatividade no que  tange aos  impostos, a não­cumulatividade  representa  autêntica  aplicação  do  princípio  constitucional  da  capacidade contributiva (...)   Em sendo assim,  exsurge com clareza que, para a devida eficácia do  sistema de não­cumulatividade, é fundamental a definição do conceito  de insumo (...)   (...)   Nesse  cenário,  penso  seja  possível  extrair  das  leis  disciplinadoras  dessas  contribuições  o  conceito  de  insumo  segundo  os  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  importância  de  determinado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.296          17 contribuinte (...)   Demarcadas tais premissas, tem­se que o critério da essencialidade diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente,  o  produto ou o  serviço, constituindo elemento estrutural e  inseparável  do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos,  a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.   Por  sua  vez,  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de  cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos  de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de  proteção  individual  ­  EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego  da  aquisição  na  produção ou na execução do serviço.   Desse modo,  sob  essa  perspectiva,  o  critério  da  relevância  revela­se  mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra  do acórdão)   ……………………….  11.  De  outra  feita,  do  voto  original  proferido  pelo  Ministro  Mauro  Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos:   “Ressalta­se, ainda, que a não­cumulatividade do Pis e da Cofins não  tem  por  objetivo  eliminar  o  ônus  destas  contribuições  apenas  no  processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às  pessoas  jurídicas  industriais,  mas  a  todas  as  pessoas  jurídicas  que  aufiram  receitas,  inclusive  prestadoras  de  serviços  (...),  o  que  dá  maior  extensão  ao  contexto  normativo  desta  contribuição  do  que  aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia  produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor  ou a atividade­fim de determinado prestador de serviço.   (...)   Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...)  é que: 1º ­ O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou  para  viabilizá­los  (pertinência ao processo produtivo); 2º ­ A produção ou prestação do  serviço  dependa  daquela  aquisição  (essencialidade  ao  processo  produtivo);  e  3º  ­  Não  se  faz  necessário  o  consumo  do  bem  ou  a  prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de  emprego indireto no processo produtivo).   Ora,  se  a  prestação  do  serviço  ou  produção  depende  da  própria  aquisição  do  bem  ou  serviço  e  do  seu  emprego,  direta  ou  indiretamente,  na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  surge  daí  o  conceito  de  essencialidade  do  bem  ou  serviço  para  fins  de  receber  a  qualificação  legal de  insumo. Veja­se,  não  se  trata da essencialidade  em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade  em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados  na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são  essenciais  ao  processo  produtivo,  pois  sem  eles  as  máquinas  param.  Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de  produção.   Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no  processo produtivo ou na prestação de  serviço: é preciso que ele seja  essencial.  É  preciso  que  a  sua  subtração  importe  na  impossibilidade  Fl. 1329DF CARF MF     18 mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  obste  a  atividade da empresa, ou  implique em substancial perda de qualidade  do produto ou serviço daí resultante.   (...)   Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da  Lei  n.  10.637/2002,  e  art.  3°,  II,  da Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles  bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do  produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor  do acórdão)   …………………………………….  12.  Já  do  segundo  aditamento  ao  voto  lançado  pelo  Ministro  Mauro  Campbell, insta transcrever os seguintes trechos:   “Contudo,  após  ouvir  atentamente  ao  voto  da  Min.  Regina  Helena,  sensibilizei­me com a  tese de que a essencialidade e a pertinência ao  processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição  legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de  proteção individual ­ EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser  adicionado  o  critério  da  relevância  para  abarcar  tais  situações,  isto  porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em  infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no  voto  da  Min.  Regina  Helena  especificamente  quanto  ao  ponto,  realinhando o meu voto ao por ela proposto.   Observo que  isso em nada  infirma o meu raciocínio de aplicação do  "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação  legal  obsta  a  própria  atividade  da  empresa  como  ela  deveria  ser  regularmente  exercida.  Registro  que  o  "teste  de  subtração"  é  a  própria  objetivação  segura  da  tese  aplicável  a  revelar  a  imprescindibilidade  e  a  importância  de  determinado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.”  (fls  141  a  143  da  íntegra  do  acórdão)   …………………………………………………………………..  13.  De  outra  banda,  do  voto  da  Ministra  Assusete  Magalhães,  interessam particularmente os seguintes excertos:   “É  esclarecedor  o  voto  da  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA,  no  sentido  de  que o  critério da  relevância  revela­se mais  abrangente  e  apropriado  do  que  o  da  pertinência,  pois  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto ou à prestação do  serviço,  integre o processo de produção,  seja pelas  singularidades de cada cadeia produtiva  (v.g., o papel da  água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de  proteção  individual  ­  EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...)   Sendo  esta  a  primeira  oportunidade  em  que  examino  a  matéria,  convenci­me  ­  pedindo  vênia  aos  que  pensam  em  contrário  ­  da  posição  intermediária  sobre  o  assunto,  adotada  pelos  Ministros  REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo  o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado  seus  votos,  para  ajustar­se  ao  da  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão)   Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.297          19 ……………………………………………...  19.  Prosseguindo,  verifica­se  que  a  tese  acordada  pela maioria  dos  Ministros  foi  aquela  apresentada  inicialmente  pela Ministra  Regina  Helena Costa,  segundo a  qual  o  conceito  de  insumos na  legislação  das  contribuições  deve  ser  identificado  “segundo  os  critérios  da  essencialidade ou  relevância”,  explanados  da  seguinte maneira  por  ela própria (conforme transcrito acima):   a)  o  “critério  da  essencialidade  diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”:   a.1)  “constituindo  elemento  estrutural  e  inseparável  do  processo  produtivo ou da execução do serviço”;   a.2)  “ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade e/ou suficiência”;   b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”:   b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”;   b.2) “por imposição legal”.   20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços  que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de  prestação  de  serviço  a  terceiros,  tanto  os  que  são  essenciais  a  tais  atividades  (elementos  estruturais  e  inseparáveis  do processo)  quanto  os  que,  mesmo  não  sendo  essenciais,  integram  o  processo  por  singularidades da cadeia ou por imposição legal.   ……………………………………………………………  25.  Por  outro  lado,  a  interpretação  da Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das  contribuições  afasta  expressamente  e  por  completo  qualquer  necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem­ insumo  com o  bem  produzido  para  que  se  permita  o  creditamento,  como  preconizavam  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  247,  de  21  de  novembro de  2002,  e  a  Instrução Normativa SRF nº  404,  de 12  de  março de 2004, em algumas hipóteses.   ( grifos deste relator)    30.    No âmbito deste colegiado, aplica­se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do  Regimento Interno do CARF – RICARF :    Artigo 62 ­ (…...)   §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito  do CARF.    31.    Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002,  todos  os  bens  e  serviços  essenciais  ao  processo  produtivo  e  á  prestação  de  serviços  para  a  obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados  direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de  realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da  própria atividade da pessoa jurídica    Fl. 1331DF CARF MF     20 32.    Desta  forma,  deve  ser  estabelecida  a  relação  da  essencialidade  do  insumo  (considerando­se  a  imprescindibilidade  e  a  relevância/importância  de  determinado  bem  ou  serviço,  dentro  do  processo  produtivo,  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se  possa  aferir  se  o  dispêndio  realizado  pode  ou  não  gerar  créditos  na  sistemática  da  não  cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep.    A  QUESTÃO  DOS  DISPÊNDIOS  COM  FRETES  DE  INSUMOS  E  PRODUTOS  SEMI  ELABORADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  (  UNIDADE  MINERADORA E COMPLEXO  INDUSTRIAL DE BENEFICIAMENTO DE MINÉRIO  ­  USINA)    30.    Em  exame  nos  presentes  autos  a  possibilidade  de  serem  considerados  como  insumo  os  dispêndios  incorridos  na  contratação  de  fretes  de  matérias­primas  entre  estabelecimentos da mesma empresa e de fretes de insumos e de produtos em elaboração para  transferência entre estabelecimentos da recorrente.    31.    Conforme  se  verifica  do  objeto  social  da  recorrente,  dentre  suas  atividades  temos  a  industrialização,  a  armazenagem,  o  comércio,  a  importação  e  a  exportação  de  produtos químicos, fertilizantes e suas matérias­primas, para uso próprio ou de terceiros e a  pesquisa,  a  lavra,  o  beneficiamento  e  a  industrialização  de  minérios  utilizados  como  matéria­prima na fabricação de fertilizantes de uso próprio ou de terceiros, portanto, os  minerais  desempenham  papel  de  principais  insumos  na  produção  de  fertilizantes,  que  são  extraídos de minas distantes do complexo  industrial, havendo necessidade de seu  transporte,  envolvendo frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da industrialização e produção do  fertilizante para consumo.    32.    Neste diapasão, a recorrente sustenta desenvolver atividade econômica em toda  a  cadeia  de  produção  de  fertilizantes,  sendo  responsável  não  só  pela  fabricação,  como  pela  extração dos minerais que o compõem, sendo ainda responsável pelo beneficiamento de parte  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo,  defendendo  que  as  despesas  com  frete  contratado na aquisição dos  insumos e para as  transferências de matéria­prima das minas de  extração  para  as  unidades  industrializadoras  são  essenciais  para  o  processo  produtivo  e  fabricação do produto final (fertilizante).    33.    Verifica­se, nestes autos, que a extração de minerais ocorre em minas da própria  recorrente, que é produtora dos fertilizantes, sendo que o principal  insumo para a  fabricação  do  seu  produto  são  os  minerais,  sendo  assim  necessários,  imprescindíveis  e  essenciais  á  atividade da empresa, ao processo produtivo e á obtenção da respectiva receita, porque para a  movimentação da matéria­prima até o estabelecimento produtor do fertilizante, é necessária a  contratação de  empresa  para o  transporte da matéria­prima até o  complexo  industrial,  o que  envolve o dispêndio com o  frete  respectivo,  tal  frete, por estar direta  e  imprescindivelmente  ligado ao processo produtivo como um todo, deve ser considerado como insumo.    34.    Constata­se,  ainda, que  a  transferência de matérias­primas  extraídas das minas  para as fábricas constitui­se em etapa essencial do processo produtivo, ainda mais quando se  considera  a  distância  que  separa  as  unidades  mineradoras  dos  complexos  industriais  e  a  diversidade dos locais onde as minas estão situadas.    35.    Por ser característica da atividade da recorrente a produção do próprio insumo,  até  mesmo  como  forma  de  ter  a  segurança  de  não  interrupção  do  processo  produtivo  de  fertilizante,  ou  seu  comprometimento.  Assim,  desta  forma,  mostra­se  imprescindível  a  Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.298          21 contratação  de  transporte  junto  á  terceira  pessoa  jurídica  para  transferência  entre  estabelecimentos da mesma empresa, que envolve o pagamento de frete em decorrência deste  transporte de insumos (minerais) e de produtos semi elaborados (minerais agregados a outros  insumos) das minas até o complexo industrial onde é produzido o fertilizante, inserindo­se no  conceito de insumo.    36.    Em  conclusão,  os  valores  referentes  a  contratação  de  fretes  de  insumos  (matérias­primas) e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da própria empresa , por  serem insumos, geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa,  pois se caracterizam como essenciais e imprescindíveis ao processo produtivo.    B  ­ OS FRETES COM PRODUTOS ACABADOS/BENEFICIADOS  JÁ DESTINADOS Á  EXPORTAÇÃO    37.    Quanto  ao  frete  de  produtos  já  beneficiados  e  vendidos,  ou  seja,  os minérios  beneficiados,  já  vendidos,  cujo  transporte  é  feito  para  terminais  portuários  ou  mesmo  para  armazéns  com  o  objetivo  de  aguardar  o  embarque  para  o  exterior  caracterizam­se  como  produtos  vendidos  cujo  frete  é  suportado  pelo  vendendor,  onde  o  crédito  é  garantido  por  dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (do valo apurado a  pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria  e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor), portanto, somente  resta reverter tais glosas, pois realizadas indevidamente.    38.    A própria recorrente descreve esta fase :    Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por  caminhões  para  o  terminai  ferroviário.  No  terminal,  o  minério  será  carregado  em  trens  e  levado  até  os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para  o comprador destinatário    C ­ OS GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO    39.    Outra  discussão  versa  sobre  a  possibilidade  de  apuração  de  créditos  das  contribuições  na  modalidade  aquisição  de  insumos  em  relação  a  dispêndios  necessários  à  produção de um bem­insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação  de serviço a terceiros (insumo do insumo). Assim, uma das principais novidades plasmadas na  decisão  da  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  testilha  foi  a  extensão  do  conceito de insumos a todo o processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação  de serviços a terceiros    40.    Encontram­se embarcados neste conceito os gastos com a manutenção da infra­ estrutura da mina de minério,  pois  realmente os  serviços de manutenção e melhoramento de  infraestrutura  de mina  revelam­se  indispensáveis  ao  desempenho  das  funções  da mineração,  pois  possibilitam  que  as minas  de  extração  de  ferro  sejam  efetivamente  exploradas. Não  se  poderia  obter  minério  sem  a  realização  de  escavações,  lavra,  manutenção  dos  acessos  existentes e, vale lembrar, a retirada dos rejeitos e saneamento do local de extração    Fl. 1333DF CARF MF     22 40    Por oportuno, reproduzo os dizeres do Parecer COSIT nº 5/2018 :      Assim, tomando­se como referência o processo de produção como um todo, é  inexorável que a permissão de creditamento retroage no processo produtivo  de cada pessoa jurídica para alcançar os insumos necessários à confecção do  bem­insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação  de serviço a terceiros, beneficiando especialmente aquelas que produzem os  próprios  insumos  (verticalização  econômica).  Isso  porque  o  insumo  do  insumo constitui “elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou  da  execução  do  serviço”,  cumprindo  o  critério  da  essencialidade  para  enquadramento no conceito de insumo.    41.    A recorrente esclarece resumidamente tal fase do processo produtivo :     Fase 01 — Extração  Nesta fase, é promovida a extração do minério de ferro na forma de material  bruto,  também  chamado  de  minério  "ROM"  (run  of  mine)  que  será  executada,principalmente,  por  meio  de  explosivos,  retroescavadeiras  e  tratores. Logo após, é feito o carregamento dos caminhões que transportarão  o minério (ROM) até a planta de beneficiamento (usina), uma vez que a área  onde  o  minério  é  extraído  encontra­se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos de beneficiamento    42.    Inserem­se,  portanto,  nessa  fase  os  seguintes  dispêndios  como  geradores  de  crédito     ­ Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos e rejeitos.  ­  Obras  de  infraestrutura  de  mina  (drenagem  das  minas  e  abertura  de  acessos)  e  operações  com  caminhão  pipa,  para  captação  e  transporte  de  água.  ­ Serviços de terraplanagem, bacias de sedimentação e drenagem  ­limpeza e desassoreamento de barragens de rejeito;  ­ serviços de alteamento da barragem de rejeitos  ­ serviços de abertura e manutenção de acessos,  ­ serviços de drenagem e limpeza das minas,  ­ serviços de terraplenagem e drenagem da planta industrial,  ­ serviços de limpeza e manutenção e conservaçao do maquinário pesado    D ­ GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO    42.    A  letra do  inciso  II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº  10.833, de 2003, permitem a apuração de créditos das contribuições “bens e serviços utilizados  como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”.     42.    Mais uma vez nos socorremos do Parcer COSIT nº 5/2018 :    31,A  citação  concomitante  a  “produção”  e  “fabricação”  de  “bens”  ou  “produtos”  mostra­se  muito  relevante  na  interpretação  da  abrangência  da  hipótese  de  creditamento  das  contribuições  pela  aquisição  de  insumos  (ver  também o § 13 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003).   32. Conquanto os termos “produção” e “fabricação” sejam utilizados como  sinônimos  em algumas  normas da  legislação  tributária  federal,  no presente  dispositivo  diversos  argumentos  conduzem  à  conclusão  de  que  não  são  sinônimos, restando a “fabricação de produtos” como hipótese específica e a  “produção de bens” como hipótese geral.   33.  Inexoravelmente,  a “fabricação de  produtos” a  que  alude  o  dispositivo  Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10680.904484/2017­66  Acórdão n.º 3301­006.106  S3­C3T1  Fl. 1.299          23 em comento equivale ao conceito e às hipóteses de industrialização firmadas  na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).   34. Já a “produção de bens” aludida no mencionado dispositivo refere­se às  atividades  que,  conquanto  não  sejam  consideradas  industrialização,  promovem a transformação material de insumo(s) em um bem novo destinado  à  venda  ou  o  desenvolvimento  de  seres  vivos  até  alcançarem  condição  de  serem comercializados.      43.    A recorrente traz em suas razões a descrição dets fase :    Fase 02 — Beneficiamento  Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem  sintetizar, grosseiramente, em:  2.1 — Britagem  A  britagem  corresponde  ao  primeiro  estágio  mecânico  de  fragmentação  de  minérios.  O  controle  da  britagem  é  feito  pelas  operações  de  peneiramento.  Isso  significa  que  o  minério  que  não  atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais  uma  ou  duas  vezes.  Em  conjunto  com  a  fragmentação,ocorre  a  classificação das partículas de minério por tamanho.  2.2— Concentração  Tem  como  objetivo  distinguir  o  minério  valioso,  chamado  de  concentrado,  e  o  descartável,  conhecido  como  rejeito.  Através  de  diferentes  processos  de  concentração  como  a  "jigagem"  ou  a  separação  magnética,  o  minério  é  separado  e  classificado  em  lotes  diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender  do  fim  a  que  se  destinam  os  lotes.  Neste  momento,  são  realizadas  diversas análises para atestar a qualidade dos lotes.    E ­ OS GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL    44.     A  decisão  do  STJ  incluiu  no  conceito  de  insumos  geradores  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  em  razão  de  sua  relevância,  os  itens  “cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço, integre o processo de produção (...) por imposição legal”.     46    .  Daí  se  constata  que  a  inclusão  dos  itens  exigidos  da  pessoa  jurídica  pela  legislação no conceito de insumos deveu­se mais a uma visão do sistema normativo do que à  verificação de essencialidade ou pertinência de tais itens ao processo de produção de bens ou  de prestação de serviços protagonizado pessoa jurídica.    47.    Entretanto,  por  serem  impeditivos  ao  funcionamento  da  atividade  se  descumpridos,  os  itens  exigidos  por  legislação  específica  devem  se  rconsiderados,  por  analogia, como essenciais ao processo produtivo.    48.    Assim,  incluem­se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental  (com o  objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os  gastos  com  prestação  de  consultoria  e  monitoramento  de  vibração  das  cavidades  naturais  existentes  no  terreno  de  lavra  de  minérios,  gastos  com  prestação  de  serviços  de  execuçõ  e  prospecção espeleológica.    Fl. 1335DF CARF MF     24 49.    Não  se  enquadram  nesse  conceito  os  gastos  com  prestação  de  serviços  de  medicina  do  trabalho  e  segurança,  por  serem  comuns  a  todas  as  empresas,  portanto  não  essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente.     Conclusão    37.    Por  todo  o  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  apresentado, para     ­ REVERTER.AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS, POR GERAREM  DIREITO AOS CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE   ­fretes  de  insumos  e  produtos  semi  elaborados  entre  establecimentos  da  empresa  (unidade  mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério ­ usina)  ­ fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados á exportação, pois o  crédito referente a tais gastos são garantidos por texto legal;  ­ gastos com insumos na fase de pré­beneficiamento  ­ gastos com o beneficiamento do minério  ­ gastos com insumos por obrigação legal    ­ MANTER AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS:  ­ serviços de medicina do trabalho e segurança  ­ consultoria,  ­ serviço de mão­de­obra em posto de abastecimento  ­ consultoria em negociação de energia,  ­ prestação de serviço de despacho aduaneiro  ­ consultoria técnica  ­ transporte de equipe de trabalho  ­ mão de obra como motoristas, serviços de limpeza e manutenção elétrica não vinculados ao  processo produtivo  ­ transportes em geral  ­ serviços de apoio administrativo  ­ treinamentos    É o meu voto              Assinado digitalmente  Ari Vendramini ­ Relator                                Fl. 1336DF CARF MF

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7721527 #
Numero do processo: 11516.722572/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não é inquinada de nulidade a decisão de 1º Grau que analisa a impugnação e a lide de forma integral e prolata decisão na qual todos os argumentos suscitados pelas partes foram apreciados e as provas valoradas corretamente, sem desprezar qualquer detalhe relevante e sem se omitir em apreciar o cenário de forma completa, ainda que, pontualmente, possa não ter feito referência a uma específica documentação, mas que acabou por restar ponderada no quadro completo e na decisão final. Ademais, como assente em recentes julgados do Supremo Tribunal Federal, não está o julgador obrigado a abordar todas as questões apontadas pelas partes, desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso dos autos. Nulidade suscitada que não se sustenta. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não está o julgador tributário obrigado a se manifestar sobre argumentos que acerca de matérias inerentes a outras áreas do Direito, cujo teor deve ser buscado no foro competente, não havendo, pois, qualquer nulidade pelo fato de sua não apreciação na instância administrativo-tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Presentes os requisitos que levem à qualificação da multa de ofício, em face da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Inteligência da Súmula CARF nº 72. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme preceituado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude, devendo, entretanto, limitar tal imputação ao período de efetivo exercício da gestão à frente dos negócios da autuada. Responsabilização solidária imputada na forma do artigo 135, III, do CTN, mantida, observado o limite temporal de exercício dos mandatos respectivos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 - art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 - não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. SIMULAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE A EXTERIORIZAÇÃO DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS E A VONTADE REAL E EFETIVA INTENÇÃO DESEJADA. O exame da licitude dos meios empregados conduz necessariamente à apreciação do fato concreto e de sua correspondência com o modelo abstrato (forma) utilizado. Não refletindo a forma a essência do ato praticado, configura-se a simulação, que se caracteriza pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade e a intenção desejadas. Tendo a autoridade fiscal demonstrada a ocorrência de simulação por meio de indícios concretos de que as operações formais não passam de mera aparência ou ocultam outra relação jurídica de natureza diversa, cabe a desqualificação dos negócios simulados, exclusivamente para efeitos fiscais, para recompor o lucro real da contribuinte e nele computar o resultado tributável da pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril, porquanto as duas são, na realidade, uma única empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. Considerando que a pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril emitiu diversas notas fiscais de prestação de serviços em nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre o crédito no regime não cumulativo de PIS (alíquota de 1,65%) e o valor das contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota de 0,65%. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 COFINS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. Considerando que a pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril emitiu diversas notas fiscais de prestação de serviços em nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre o crédito no regime não cumulativo de COFINS (alíquota de 7,6%) e o valor das contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota de 3%. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. CABIMENTO. ARTIGO 61, DA LEI Nº 8.981/1995. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiários sem que seja comprovada a causa para este pagamento, sujeita-se à incidência do imposto de renda retido na fonte, de forma exclusiva, à alíquota de 35%, sobre base de cálculo reajustada, na forma do disposto no § 1º, do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, i.i) rejeitar as arguições de nulidade dos lançamentos e da decisão de primeira instância; i.ii) negar conhecimento às alegações que escapam à seara tributária; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração "insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurada após recomposição do lucro real da Perkons S/A para nele considerar as receitas, custos e despesas da empresa fictícia Helix Brasil S/A"; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário em relação às exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas com amortização de ágio; i.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de créditos de PIS/COFINS; i.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos lançamentos de IRRF; i.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade aplicada sobre as exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, distintas daquelas decorrentes da glosa de amortização de ágio; i.viii) rejeitar a arguição de decadência; i.ix) negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Walter Arvido Schause, Donald Elmar Schause, Samuel Dzintar Schause, Eduardo Augusto Purin Schause e Walter Alberto Mitt Schause; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da glosa de amortização de ágio, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves; e iii) por voto de qualidade: iii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade aplicada sobre as exigências de IRRF; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável Jefferson do Carmo Bruckheimer, em ambas as matérias divergindo os Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, i.i) rejeitar as arguições de nulidade dos lançamentos e da decisão de primeira instância; i.ii) negar conhecimento às alegações que escapam à seara tributária; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração "insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurada após recomposição do lucro real da Perkons S/A para nele considerar as receitas, custos e despesas da empresa fictícia Helix Brasil S/A"; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário em relação às exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas com amortização de ágio; i.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de créditos de PIS/COFINS; i.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos lançamentos de IRRF; i.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade aplicada sobre as exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, distintas daquelas decorrentes da glosa de amortização de ágio; i.viii) rejeitar a arguição de decadência; i.ix) negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Walter Arvido Schause, Donald Elmar Schause, Samuel Dzintar Schause, Eduardo Augusto Purin Schause e Walter Alberto Mitt Schause; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da glosa de amortização de ágio, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves; e iii) por voto de qualidade: iii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade aplicada sobre as exigências de IRRF; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável Jefferson do Carmo Bruckheimer, em ambas as matérias divergindo os Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não é inquinada de nulidade a decisão de 1º Grau que analisa a impugnação e a lide de forma integral e prolata decisão na qual todos os argumentos suscitados pelas partes foram apreciados e as provas valoradas corretamente, sem desprezar qualquer detalhe relevante e sem se omitir em apreciar o cenário de forma completa, ainda que, pontualmente, possa não ter feito referência a uma específica documentação, mas que acabou por restar ponderada no quadro completo e na decisão final. Ademais, como assente em recentes julgados do Supremo Tribunal Federal, não está o julgador obrigado a abordar todas as questões apontadas pelas partes, desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso dos autos. Nulidade suscitada que não se sustenta. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não está o julgador tributário obrigado a se manifestar sobre argumentos que acerca de matérias inerentes a outras áreas do Direito, cujo teor deve ser buscado no foro competente, não havendo, pois, qualquer nulidade pelo fato de sua não apreciação na instância administrativo-tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Presentes os requisitos que levem à qualificação da multa de ofício, em face da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Inteligência da Súmula CARF nº 72. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme preceituado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude, devendo, entretanto, limitar tal imputação ao período de efetivo exercício da gestão à frente dos negócios da autuada. Responsabilização solidária imputada na forma do artigo 135, III, do CTN, mantida, observado o limite temporal de exercício dos mandatos respectivos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 - art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 - não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. SIMULAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE A EXTERIORIZAÇÃO DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS E A VONTADE REAL E EFETIVA INTENÇÃO DESEJADA. O exame da licitude dos meios empregados conduz necessariamente à apreciação do fato concreto e de sua correspondência com o modelo abstrato (forma) utilizado. Não refletindo a forma a essência do ato praticado, configura-se a simulação, que se caracteriza pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade e a intenção desejadas. Tendo a autoridade fiscal demonstrada a ocorrência de simulação por meio de indícios concretos de que as operações formais não passam de mera aparência ou ocultam outra relação jurídica de natureza diversa, cabe a desqualificação dos negócios simulados, exclusivamente para efeitos fiscais, para recompor o lucro real da contribuinte e nele computar o resultado tributável da pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril, porquanto as duas são, na realidade, uma única empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. Considerando que a pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril emitiu diversas notas fiscais de prestação de serviços em nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre o crédito no regime não cumulativo de PIS (alíquota de 1,65%) e o valor das contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota de 0,65%. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 COFINS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. Considerando que a pessoa jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril emitiu diversas notas fiscais de prestação de serviços em nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre o crédito no regime não cumulativo de COFINS (alíquota de 7,6%) e o valor das contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota de 3%. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. CABIMENTO. ARTIGO 61, DA LEI Nº 8.981/1995. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiários sem que seja comprovada a causa para este pagamento, sujeita-se à incidência do imposto de renda retido na fonte, de forma exclusiva, à alíquota de 35%, sobre base de cálculo reajustada, na forma do disposto no § 1º, do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz.

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Acórdão nº  1402­003.751  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de fevereiro de 2019  Matéria  IRPJ e Reflexos  Recorrente  PERKONS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009   NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA.  Não é inquinada de nulidade a decisão de 1º Grau que analisa a impugnação e  a  lide  de  forma  integral  e  prolata  decisão  na  qual  todos  os  argumentos  suscitados pelas partes foram apreciados e as provas valoradas corretamente,  sem  desprezar  qualquer  detalhe  relevante  e  sem  se  omitir  em  apreciar  o  cenário  de  forma  completa,  ainda  que,  pontualmente,  possa  não  ter  feito  referência  a  uma  específica  documentação,  mas  que  acabou  por  restar  ponderada no quadro completo e na decisão final.  Ademais, como assente em recentes julgados do Supremo Tribunal Federal,  não  está  o  julgador  obrigado  a  abordar  todas  as  questões  apontadas  pelas  partes,  desde  que  fundamente  de  forma  suficiente  o  seu  entendimento,  tal  como no caso dos autos.  Nulidade suscitada que não se sustenta.  NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA.  Não está o julgador tributário obrigado a se manifestar sobre argumentos que  acerca  de  matérias  inerentes  a  outras  áreas  do  Direito,  cujo  teor  deve  ser  buscado no foro competente, não havendo, pois, qualquer nulidade pelo fato  de sua não apreciação na instância administrativo­tributária.  NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.  Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e  não  havendo  prova  de  violação  das  disposições  contidas  no  artigo  142  do  CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em  nulidade do lançamento em questão.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO  A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é  devida  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  não  cumprindo  à  administração     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 72 /2 01 1- 11 Fl. 6237DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.238            2 afastá­la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do  CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a  ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a  aplicação da multa qualificada torna­se imperiosa.  DECADÊNCIA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  CONTAGEM  DO PRAZO.  Presentes os requisitos que levem à qualificação da multa de ofício, em face  da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial  rege­se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Inteligência da Súmula CARF nº 72.  SUJEIÇÃO  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE.  SOLIDARIEDADE.  ART. 124, I, DO CTN.  Cabível  a  imputação  de  solidariedade  às  pessoas,  físicas  ou  jurídicas,  com  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  conforme  preceituado  pelo  artigo  124,  I,  do  Código  Tributário  Nacional.  SUJEIÇÃO  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE.  SOLIDARIEDADE.  ARTIGO 135, III, DO CTN.  Cabível  a  imputação  de  solidariedade  às  pessoas,  físicas  que,  agindo  na  condição  de  gestores  de  pessoa  jurídica  de  direito  privado  pratiquem  condutas  que  caracterizem  infração  à  lei  ou  excesso  de  poderes,  como  sonegação  fiscal  e  fraude,  devendo,  entretanto,  limitar  tal  imputação  ao  período de efetivo exercício da gestão à frente dos negócios da autuada.  Responsabilização  solidária  imputada na  forma do artigo 135,  III,  do CTN,  mantida, observado o limite temporal de exercício dos mandatos respectivos.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009   AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  UTILIZAÇÃO  DE  EMPRESA  VEÍCULO.  A amortização do ágio,  como regra geral,  é  indedutível para a apuração do  lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi­ la prevista no art. 386, III, do RIR/99 ­ art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10  da Lei n° 9.718/98  ­  não pode prevalecer quando, para  sua  configuração,  é  utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de  sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser  a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma.  A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante  extinção  da  investida  ou  da  investidora,  e  da  consequente  confusão  patrimonial  entre  elas,  não  pode  ser  admitida  apenas  como  uma  exigência  formal,  mas  deve  ser  considerada  como  um  requisito  de  efetivo  conteúdo  econômico  e  societário,  que  reflita  um verdadeiro  propósito  negocial  e  não  apenas uma opção empresarial dos interessados.  TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.  A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos  385  e  386  do  RIR/99,  exige  a  satisfação  dos  aspectos  temporal,  pessoal  e  material.  Exclusivamente  no  caso  em  que  a  investida  adquire  a  investidora  original  (ou  adquire  diretamente  a  investidora  de  fato)  é  que  haverá  o  Fl. 6238DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.239            3 atendimento  a  esses  aspectos,  o  que  não  ocorre  quando  inserida  no  procedimento  uma  terceira  pessoa  jurídica  com  nítido  caráter  de  empresa  veículo.  SIMULAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE A EXTERIORIZAÇÃO DOS  ATOS  FORMALMENTE  PRATICADOS  E  A  VONTADE  REAL  E  EFETIVA INTENÇÃO DESEJADA.  O  exame  da  licitude  dos  meios  empregados  conduz  necessariamente  à  apreciação do fato concreto e de sua correspondência com o modelo abstrato  (forma)  utilizado.  Não  refletindo  a  forma  a  essência  do  ato  praticado,  configura­se  a  simulação,  que  se  caracteriza  pela  divergência  entre  a  exteriorização  dos  atos  formalmente  praticados  e  a  vontade  e  a  intenção  desejadas.  Tendo a autoridade fiscal demonstrada a ocorrência de simulação por meio de  indícios concretos de que as operações formais não passam de mera aparência  ou ocultam outra relação jurídica de natureza diversa, cabe a desqualificação  dos negócios simulados, exclusivamente para efeitos fiscais, para recompor o  lucro  real  da  contribuinte  e  nele  computar  o  resultado  tributável  da  pessoa  jurídica para a qual foi simulada a transferência da atividade fabril, porquanto  as duas são, na realidade, uma única empresa.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009  PIS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO.  Considerando que a pessoa  jurídica para a qual  foi  simulada a  transferência  da atividade  fabril emitiu diversas notas  fiscais de prestação de serviços em  nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma  única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre  o crédito no regime não cumulativo de PIS (alíquota de 1,65%) e o valor das  contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota de  0,65%.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009  COFINS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO CUMULATIVO.  Considerando que a pessoa  jurídica para a qual  foi  simulada a  transferência  da atividade  fabril emitiu diversas notas  fiscais de prestação de serviços em  nome da interessada, e tendo em vista que essas duas são, na realidade, uma  única empresa, indevido o aproveitamento pela fiscalizada da diferença entre  o crédito no regime não cumulativo de COFINS (alíquota de 7,6%) e o valor  das contribuições por aquela empresa pagas no regime cumulativo à alíquota  de 3%.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009   PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS  OU  PAGAMENTOS SEM CAUSA. CABIMENTO. ARTIGO 61, DA LEI Nº  8.981/1995.  Fl. 6239DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.240            4 A  pessoa  jurídica  que  efetuar  pagamento  a  beneficiários  sem  que  seja  comprovada a causa para este pagamento, sujeita­se à incidência do imposto  de renda retido na fonte, de forma exclusiva, à alíquota de 35%, sobre base de  cálculo  reajustada,  na  forma  do  disposto  no  §  1º,  do  artigo  61,  da  Lei  nº  8.981, de 1995.  LANÇAMENTOS REFLEXOS.  Inexistindo  fatos  novos  a  serem  apreciados,  estendem­se  aos  lançamentos  reflexos o decidido no lançamento matriz.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, i.i) rejeitar  as  arguições  de  nulidade  dos  lançamentos  e  da  decisão  de  primeira  instância;  i.ii)  negar  conhecimento às alegações que escapam à seara  tributária;  i.iii) negar provimento ao recurso  voluntário em relação à infração "insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurada após  recomposição do lucro real da Perkons S/A para nele considerar as receitas, custos e despesas  da empresa fictícia Helix Brasil S/A"; i.iv) negar provimento ao recurso voluntário em relação  às exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas com amortização de ágio; i.v)  negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de créditos de PIS/COFINS; i.vi)  negar provimento  ao  recurso voluntário  relativamente  aos  lançamentos  de  IRRF;  i.vii)  negar  provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade aplicada sobre as  exigências  de  IRPJ,  CSLL,  Contribuição  ao  PIS  e  Cofins,  distintas  daquelas  decorrentes  da  glosa de amortização de ágio;  i.viii) rejeitar a arguição de decadência; i.ix) negar provimento  aos  recursos  voluntários  dos  responsáveis  tributários Walter Arvido  Schause, Donald  Elmar  Schause,  Samuel  Dzintar  Schause,  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  e  Walter  Alberto  Mitt  Schause;  ii)  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  à  qualificação  da  penalidade  aplicada  sobre  os  créditos  tributários  decorrentes  da  glosa  de  amortização  de  ágio,  divergindo  o Conselheiro  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves;  e  iii)  por  voto de qualidade: iii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da  penalidade  aplicada  sobre  as  exigências  de  IRRF;  iii.ii)  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário do responsável Jefferson do Carmo Bruckheimer, em ambas as matérias divergindo  os  Conselheiro  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca Vieira,  Junia  Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, nos termos do relatório e voto que  passam a integrar o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Relator  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges,  Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira,  Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente  Fl. 6240DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.241            5 convocado)  e  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente).  Ausente  o  Conselheiro  Caio  Cesar  Nader  Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.      Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  acima  identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/CTA em sessão de 14 de junho  de 2012  (fls. 5296/5348)1, que  julgou  improcedente a  impugnação apresentada e manteve os  lançamentos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  e  IRRF  perpetrados  pelo  Fisco,  anos­calendário  2006  a  2009,  relativamente  a  glosa  de  despesas  com amortização  de  ágio  e  insuficiência  de  recolhimento (AI – fls. 3466) e pagamentos a beneficiários não identificados no exterior (AI ­  fls.  3579),  bem  como  Recursos  Voluntários  interpostos  pelos  sujeitos  passivos  solidários  Walter  Alberto  Mitt  Schause,  Samuel  Dzintar  Schause,  Eduardo  Augusto  Purin  Schause,  Donald Elmar Schause, Walter Arvido Schause  e  Jefferson  do Carmo Bruckheimer,  listados  pelo Fisco como coobrigados e que  tiveram a  imputação mantida pela decisão de 1º Piso, os  cinco primeiros sobre a integralidade dos débitos tratados nos autos e o último sobre os débitos  com fatos geradores ocorridos até 01/05/2008.  Os autos já foram objeto de apreciação preliminar por este Colegiado através  a hoje extinta 3ª Turma 1ª Câmara da 1ª Sejul que, mediante Resolução nº 1103­000.165, de  27/11/2014, decidiu pela conversão em diligência do julgamento (fls. 5916/5944).  Pela qualificada síntese que fez da lide, valho­me, com eventuais ajustes, do  relatório da citada Resolução, assim estampado:  “Trata­se  de  autos  de  infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  Cofins  e  IRRF,  anos­calendário  2006  a  2010  (...),  sobre  o  qual  incidem  multa  de  ofício  no  percentual de 150% e juros de mora (fls.3.462/3.583).  Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.3.584, 3.586,  3.589,  3.592,  3.595  e  3.598)  em  nome  dos  Srs.  a)  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer, CPF nº 519.361.359­49, b) Walter Alberto Mitt  Schause, CPF nº  610.417.859­68, c) Samuel Dzintar Schause, CPF nº 085.236.229­34, d) Eduardo  Augusto Purin Schause, CPF nº 026.394.829­39, e) Donald Elmar Schause, CPF  nº 033.216.909­00 e, f) Walter Arvido Schause, CPF nº 002.937.509­63.  A  ciência  do  contribuinte  e  responsáveis  tributários  ocorreu  em  22/12/11 (fls.3.465, 3.483, 3.496, 3.530, 3.565, 3.585, 3.587, 3.590, 3.593, 3.596,  3.599).  As infrações foram assim descritas nos campos “Descrição dos Fatos e  Enquadramento Legal”:  IRPJ                                                              1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital  Fl. 6241DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.242            6 CUSTOS,  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS.  DESPESAS  NÃO  PAGAS  E  NÃO  INCORRIDAS.  Despesas  não  necessárias  apuradas conforme relatório fiscal em anexo.   IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO.  Imposto  de  renda  recolhido  a  menor  conforme  relatório fiscal em anexo.  CSLL  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CSLL  OU  DO  ADICIONAL.  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CSLL. O  contribuinte  procedeu  com  inexatidão  à  apuração  da CSLL  devida, conforme relatório fiscal em anexo.  CUSTOS/DESPESAS  OPERACIONAIS/ENCARGOS.  CUSTOS/DESPESAS  OPERACIONAIS/ENCARGOS  NÃO  DEDUTÍVEIS. Despesas não necessárias apuradas conforme relatório  fiscal em anexo.  PIS/COFINS  CRÉDITOS  DESCONTADOS  INDEVIDAMENTE.  CRÉDITOS  DESCONTADOS  INDEVIDAMENTE  NA  APURAÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  O  sujeito  passivo  descontou,  na  apuração  da  contribuição, os créditos da não­cumulatividade abaixo demonstrados,  em desacordo com os preceitos legais.  IRRF  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  OU  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  SOBRE  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  Valor  do  Imposto  de  Renda  na  Fonte,  incidente  sobre  os  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados  no  exterior,  conforme  Termo  de  Verificação e Encerramento de Ação Fiscal e abaixo especificados.”  No  “Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Ação  Fiscal”  (fls.3.397/3.460), a fiscalização consignou, em síntese:  > Trata­se o sujeito passivo de uma sociedade anônima de capital fechado, que  tem  como atividade  preponderante  a  fabricação,  comercialização,  instalação e  locação  de  máquinas  e  equipamentos  eletrônicos  destinados  ao  controle,  fiscalização e gerenciamento de trânsito; e desenvolve softwares e pesquisas nas  áreas  de  eletrônica  e  teleinformática.  Sua  principal  clientela  é  formada  por  órgãos públicos vinculados ao controle e segurança no trânsito;   > Para a adequada compreensão das  irregularidades, é  importante conhecer o  histórico  da  composição  societária  da  fiscalizada,  das  empresas  ligadas  e  das  alterações relacionadas à sede e filiais nas duas últimas décadas;  >  Tem  constituição  e  gestão  familiar,  sob  o  controle  direito  ou  indireto  dos  irmãos  Samuel  Dzintar  Schause,  Walter  Arvido  Schause  e  Donald  Elmar  Schause;   > O  capital  social  encontra­se  assim  distribuído:  DARGOS  Participações  S/A  (33,34%),  LAIME  Participações  S/A  (33,33%)  e  NAUDIN  Participações  S/A  (33,33%);   Fl. 6242DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.243            7 > A DARGOS  tem  como principais  acionistas Patrícia Helena Winter  Schause  (49,99%) e Melissa Andréa Winter Schause (49,98%),  filhas de Samuel Dzintar  Schause, que detém participação residual de 0,03%;  >  A  LAIME  tem  como  principais  acionistas  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  (33,33%), Alessandra Cristina Purin Schause (33,32%) e Luciana Regina Purin  Schause  (33,32%),  filhos  de  Donald  Elmar  Schause,  que  detém  participação  residual de 0,03%;  >  A  NAUDIN  tem  como  principais  acionistas  Walter  Alberto  Mitt  Schause  (33,33%),  Lilian  Margarida  Mitt  Schause  (33,32%)  e  Simone  Andréa  Mitt  Schause  (33,32%),  filhos  de  Walter  Arvido  Schause,  que  detém  participação  residual de 0,03%;  >  As  participações  residuais  de  Samuel,  Donald  e  Walter  Arvido  nas  controladoras  correspondem  a  ações  especiais  classe  B,  reservadas  aos  detentores de poder de mando e gestão na controlada (PERKONS);  >  Samuel,  Donald  e  Walter  constam  como  representantes  das  controladoras  perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo beneficiários da  maior parte dos dividendos por elas distribuídos;  > Walter  Alberto  Mitt  Schause  e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  participam  ativamente  da  administração  e  estão  diretamente  relacionados  a  determinados  eventos narrados;   Participações no exterior   >  A  PERKONS  é  controladora  dos  seguintes  empreendimentos  no  exterior:  Consorcio  Transito  Ciudadano  –  CTC,  no  Peru,  com  participação  de  80%;  PERKONS ANDINA SAC, no Peru,  com participação de 99,99%; e PERKONS  OPERATION, na Colômbia, com participação de 50%;  Histórico societário e sociedades ligadas  > Em 5/3/91, sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada,  foi constituída a Perkons Equipamentos Eletrônicos Ltda, sendo o capital social  assim  composto:  LAPSEN  S/A  (498.437.190  quotas)  e  Walter  Alberto  Mitt  Schause (1 quota);  > Todo o capital da LAPSEN foi integralizado mediante entrega de determinado  imóvel  e  respectivas  benfeitorias,  localizado  à  Rodovia  BR  116,  Km  399,  nº  6.340, Tarumã;  > Conforme contrato  social,  a LAPSEN estava  representada  por  sua  acionista  majoritária, SCHAUSE Participações S/A;  > A LAPSEN ajuizou, em 5/11/90, pedido de concordata preventiva perante a 3ª  Vara de Fazenda Pública de Curitiba (PR), convertido, em 11/8/93, em processo  de falência;  >  Em  18/3/92,  na  primeira  alteração  contratual,  a  LAPSEN  S/A  transfere  498.437.187  quotas  para  a  razão  social  BALTIA  S/A  e  três  quotas  individualizadas para Donald Elmar Schause, Samuel Dzintar Schause e Walter  Arvido Schause;  Fl. 6243DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.244            8 >  BALTIA  S/A,  conforme  DIPJ/2000,  tem  a  totalidade  do  seu  capital  social  integralizado  pelas  seguintes  pessoas  jurídicas:  VERTIGA  Participações  S/A  (33,34%), TRIGONA Participações S/A  (33,33%) e ZOBENS Participações S/A  (33,33%);  >  VERTIGA,  TRIGONA  e  ZOBENS  são  de  propriedade,  respectivamente,  de  Samuel Dzintar Schause, Donald Elmar Schause e Walter Arvido Schause, e suas  respectivas esposas;  >  Em  30/4/92  (data  de  protocolo  na  JUCEPAR  em  18/6/93),  na  segunda  alteração  contratual  da  LAPSEN  S/A,  além  da  transferência  da  sede  para  Antonina  (PR) e constituição de  filial onde  funcionava a matriz, Walter Arvido  Schause  transfere  sua  única  quota  para  BALTIA  S/A,  permanecendo  na  sociedade o seu filho, Walter Alberto Mitt Schause e seus dois irmãos (Samuel e  Donald);  > Em 30/6/93, na  terceira alteração contratual, a LAPSEN S/A retorna para a  Perkons  Equipamentos  Eletrônicos  Ltda  recebendo  da  BALTIA  S/A  96.974.491.103 quotas;  >  Em  1/7/93,  na  quarta  alteração  contratual,  a  LAPSEN  S/A  retira­se  da  sociedade e  tem o capital  restituído por meio do  imóvel  localizado na BR 116,  Km 399, nº 6.340, onde constituíra a sede que havia sido transformada em filial;  >  Em  13/6/97,  na  nona  alteração  contratual,  a  BALTIA  S/A  transfere  a  sua  participação,  por  doação,  a  Walter  Alberto  Mitt  Schause  e  a  Eduardo  Purin  Schause,  que  aos  19  anos  torna­se  cotista  com  1,93%.  Estabeleceu­se  que  a  sociedade seria gerida isoladamente por Walter Alberto Mitt Schause, porém se  ratificou a nomeação dos dirigentes escolhidos na segunda alteração contratual  (Samuel  Dzintar  Schause  e  Donald  Elmar  Schause),  garantindo­lhes  iguais  direitos e poderes;  > Em 7/7/97, conforme décima alteração contratual, o imóvel sito à BR 116, Km  399, nº 6.340, da LAPSEN S/A foi reintegrado ao capital da Perkons pelo valor  de  R$  2.200.000,00;  sendo  R$1.350.000,00  distribuídos  de  comum  acordo  e  gratuitamente aos sócios remanescentes (Walter Alberto Mitt Schause e Eduardo  Augusto Purin Schause); e R$850.000,00 a ser pago no prazo de sete anos;  >  Em  1/12/97,  embora  o  imóvel  compusesse  o  capital  social  da  Perkons,  esta  sociedade,  na  condição  de  locatária,  celebra  um  contrato  de  locação  com  a  Massa Falida da LAPSEN (locadora);  > Em 18/12/97, na décima primeira alteração contratual, foram confirmados nos  cargos de diretoria, por tempo indeterminado, os Srs. Samuel Dzintar Schause e  Donald  Elmar  Schause,  sendo­lhes  garantido  poderes  de  representação  e  administração isoladamente. A sede da Perkons Equipamentos Eletrônicos Ltda  retorna à BR 116, Km 399, nº 6.340;   > Em 16/12/02, a sociedade é transformada em S.A, constando como acionistas  subscritores da Ata de Assembleia Geral de Constituição os Srs. Walter Alberto  Mitt  Schause  (98,07%  de  participação)  e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  (1,93%  de  participação).  Como  diretores  assinaram  Walter  Arvido  Schause,  Samuel Dzintar Schause e Donald Elmar Schause;   Fl. 6244DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.245            9 > Conforme Livro Registro de Ações Nominativas e Registro de Transferência de  Ações  Nominativas,  as  ações  pertencentes  a  Walter  Alberto  Mitt  Schause  e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  foram,  em  17/12/02  e  18/12/02,  doadas  às  sociedades  dos  filhos  dos  Srs.  Samuel  Dzintar  Schause  (DARGOS),  Donald  Elmar Schause (LAIME) e Walter Arvido Schause (NAUDIN);  > As  doações  constam  das DIRPF  de Walter  Alberto Mitt  Schause  e  Eduardo  Augusto Purin Schause. Para justificar a participação, o Sr. Walter Alberto Mitt  Schause  informou­a  no  Quadro  de  Bens  e  Direitos  com  a  correspondente  declaração de uma dívida perante pai e tios no Quadro de Dívidas e Ônus Reais;  >  Em  30/12/02,  na  primeira  Assembleia  Geral  Extraordinária  constam  como  presidente e secretário os Srs. Samuel Dzintar Schause e Donald Elmar Schause;  > Os Srs. Walter Alberto Mitt Schause e Eduardo Augusto Purin Schause nunca  foram os únicos sócios/acionistas de fato do contribuinte;  Falência da LAPSEN e constituição da PERKONS  >A exploração da principal atividade empresarial dos irmãos Donald, Walter e  Samuel  teve  como  entrave  a  falência  da  LAPSEN,  voltada  ao  ramo  da  industrialização  e  comercialização  de  equipamentos  de  fax  e  telex,  que  acumulava uma dívida, atualizada pelo IGPM, de R$22.000.000,00;  > Após cinco meses do pedido de concordata preventiva e quatro meses antes do  pedido de  registro de patente no  INPI do Sistema Eletrônico para Controle de  Velocidade  de  Veículos,  é  constituída  a  PERKONS,  que,  desconsiderada  a  participação simbólica de Walter Alberto Mitt Schause, pertencia à LAPSEN;  >  Os  controladores  da  PERKONS  adotaram  medidas  para  desvinculá­la  da  dívida de sua principal cotista;  > As  alterações  contratuais  para  excluir  a  sede  da PERKONS do  processo  de  falência  da  LAPSEN  não  obteve  sucesso,  conforme  arrecadação  do  bem  determinada pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba (PR);  >  A  recomposição  societária  ocorrida  na  PERKONS  serviu  para  reconduzir  formalmente  aqueles  que  já  eram  os  administradores  de  fato  desde  a  sua  constituição: Donald, Samuel e Walter;  >  O  crescente  faturamento  com  a  inovadora  atividade  de  industrialização  de  lombadas eletrônicas passou a ser parcialmente comprometida com as dívidas da  LAPSEN;  >  credores,  em  diversas  oportunidades,  requereram  a  solidariedade  da  PERKONS pelas dívidas da massa falida;  Unidade industrial da PERKONS  > A partir de 2/1/98, com a reintegração ao capital da PERKONS, o imóvel sito  à BR 116, Km 399, nº 6.340, voltou a ser a sede da sociedade, conforme Décima  Primeira Alteração Contratual. No mesmo  local, passou a  funcionar  também a  filial com CNPJ nº 82.646.332/000293, sendo que a unidade de Antonina (PR) foi  transformada na filial com CNPJ nº 82.646.332/000374;  Fl. 6245DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.246            10 > De acordo com a Décima Sétima Alteração Contratual, de 18/4/02, a  sede é  transferida para a Av. Marginal José de Anchieta, 458, Vila Guarani, Colombo  (PR),  e  a  filial,  fechada;  com  a  transferência  da  sede  e  fechamento  da  filial,  situados  no  mesmo  local  (BR  116,  Km  399,  nº  6.340),  conclui­se  que  a  PERKONS deslocou suas instalações industriais para o novo endereço;  Utilização de pessoa jurídica fictícia no exterior  > Embora  o  contrato  de  locação  do  imóvel  sito  à BR  116, Km  399,  nº  6.340,  houvesse  expirado  em  30/4/02  e,  formalmente,  a  sede  da  PERKONS,  sido  transferida  desde  18/4/02  para  novo  endereço,  os  alugueres  foram  pagos,  de  novembro/2001  a  abril/2003,  por  HELIX  Brasil  S/A,  que  apresentou  à  fiscalização um contrato de locação datado de 30/5/03;  > A HELIX Brasil S/A, criada em 7/11/01, com sede no imóvel sito à BR 116, Km  399,  nº  6.340,  tinha  como  acionistas  a  sociedade  norte­americana  HELIX  Technology and Investiments LLC (99,88%), com sede na cidade de Wilmington  no  Estado  de  Delaware  (EUA),  e  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  (0,12%).  Conforme  DIPJ/2000,  o  quadro  societário  era  o  seguinte:  HELIX  Technology  and  Investiments  LLC  (73,92%),  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  (4,60%),  Richard  Budal  da  Costa  (9,97%),  José Mário  Fonseca  de  Andrade  (7,67%)  e  Jorge Benedito de Miranda (3,84%);  > Antes da criação da HELIX Brasil S/A, Jefferson do Carmo Bruckheimer era  funcionário da PERKONS; Eduardo Augusto Purin Schause, diretor a partir de  2/8/08, é diretor e quotista da PERKONS desde 1997; Richard Budal da Costa é  funcionário  da  PERKONS  desde  2005  e  é  cônjuge  de  Melissa  Andrea  Winter  Schause,  filha de Samuel Dzintar Schause, acionista de um adas controladoras  da PERKONS;  José Mário Fonseca  de Andrade  e  Jorge Benedito  de Miranda  foram  transferidos  da  LAPSEN  para  a  PERKONS  em  1997,  sendo  o  primeiro  diretor;  > Em 2007 e 2008, Eduardo Augusto Purin Schause, Richard Budal da Costa,  José  Mário  Fonseca  de  Andrade  e  Jorge  Benedito  de  Miranda  receberam  gratuitamente  participações  acionárias  da  HELIX,  proporcionando­lhes  rendimentos através da distribuição de lucros;  >  A  HELIX  Brasil  S/A  foi  constituída  por  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  advogado, que detinha poderes de representação outorgados pelo presidente da  HELIX Technology and Investiments LLC e que foi o único diretor por mais de  seis anos, até 1/5/08, quando a procuração foi revogada;  >  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  foi  designado  pela  PERKONS  para  acompanhar a ação fiscal, conforme procurações, sendo também o representante  da HELIX para responder a diligências fiscais ali realizadas;  >  Intimada  pela  fiscalização  a  apresentar  as  demonstrações  financeiras  da  controladora americana, a HELIX Brasil S/A informou que “...eram particulares  da mesma, e não estão acessíveis”; a prestar informações sobre a composição da  diretoria  da  controladora,  declarou  “...que  não  tem  conhecimento  do  quadro  atual  da  atual  Diretoria  de  sua  controladora,  pois  não  têm  acesso  a  tais  informações e documentos estatutários”;  >  Em  visita  ao  imóvel  sito  à  BR  116,  Km  399,  nº  6.340,  o  representante  da  HELIX  Brasil  S/A  informou  à  fiscalização  que  não  havia  correspondências  Fl. 6246DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.247            11 comerciais  trocadas  com  a  diretoria  da  HELIX  Technology  and  Investiments  LLC;  >  É  inverossímil  que  os  diretores  da  sociedade  norte­americana  sejam  desconhecidos da subsidiária brasileira e que com esta não se comunique, tendo  recebido quase R$ 6.000.000,00 de dividendos em dois anos e celebrado contrato  de  “joint  venture”  para  receber  tecnologia  de  uma  sociedade  brasileira  (PERKONS);  >  Pesquisas  realizadas  via  internet  no  Registro  Público  de  alguns  países  e  estados  norte­americanos  indicam:  (a)  Yusik  Baskin,  suposto  presidente  da  HELIX Technology and Investiments LLC, que outorgou pó eres a Jefferson do  Carmo Bruckheimer, é um bielo­russo com cidadania norte­americana, que seria  proprietário  de  empresas  fictícias,  registradas  em  Miami,  Ilhas  Virgens  Britânicas e no Peru, utilizadas na lavagem de dinheiro pelos donos de uma das  principais companhias aéreas que operava no Chile e Peru na década passada;  >  no  Registro  Público  da  Flórida,  Yusik  Baskin  consta  como  sócio/diretor/representante de 31 sociedades, e, no Registro Público do Panamá,  como acionista/diretor de 20 sociedades;  > a outra acionista da HELIX Technology and Investiments LLC, Thays Herrera  de Salas, consta como diretora/acionista/agente de 3.167 sociedades registradas  no  Registro  Público  do  Panamá,  dentre  as  quais  a  Administralt  Management  Corp, que representou a HELIX Technology and Investiments LLC na revogação,  em  1/5/08,  dos  poderes  outorgados  a  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  e  na  procuração para Eduardo Augusto Purin Schause, datada de 2/5/08;  >  há  notícias  de  que  Thays  Herrera  de  Salas  consta  na  Argentina  como  interposta pessoa (“laranja”) de sociedades utilizadas para fraudar a legislação  tributária daquele país;  > em 1/5/02, feriado, data em que os poderes de representação da HELIX Brasil  S/A  foram  retirados  de  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  os  primeiros  16  funcionários  foram  registrados,  todos  oriundos  da PERKONS,  sendo  que,  com  relação a alguns, sequer houve registro da rescisão do contrato de trabalho;  > em 17/11/11, em visita conjunta com a fiscalização do Ministério do Trabalho  às instalações da antiga LAPSEN, da PERKONS até 2002 e onde funcionaria a  HELIX  Brasil  S/A,  sito  à  BR  116,  Km  399,  nº  6.340,  verificou­se:  (a)  que  ali  trabalhavam funcionários dos departamentos de marketing, desenvolvimento de  hardware  e  software  da  PERKONS,  sendo  73  nas  últimas  24  horas;  (b)  havia  funcionários  da  HELIX  Brasil  S/A,  mas  não  registravam  eletronicamente  a  presença;  (c)  conforme  informações  constantes  do  Cadastro  Geral  de  Empregados  e Desempregados  (CAGED),  referentes  ao mês  de maio/2011,  20  funcionários  da  PERKONS  foram  transferidos  para  a  HELIX  Brasil  S/A,  sem  encargos de rescisões contratuais; (d) o Livro da Inspeção do Trabalho mantido  no estabelecimento era o da filial da PERKONS, baixada em 18/4/02, constando  registros da fiscalização do Ministério do Trabalho após 2002; e (e) o cabeçalho  da  Relação  Instantânea  de  Marcações  emitida  pelo  equipamento  de  controle  eletrônico de ponto informa o endereço oficial da PERKONS (Rua Humberto de  Alencar Castelo Branco, 388, Jardim Amélia, PinhaisPR);  Fl. 6247DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.248            12 >  a  transferência  de  trabalhadores  sem  ônus  rescisório  é  característica  de  pessoas de um mesmo grupo empresarial, conforme art.2º, §2º, da Consolidação  das Leis do Trabalho (CLT);  >  a  maioria  de  trabalhadores  da  PERKONS  nas  mesmas  instalações,  as  transferências  sem  ônus  rescisórios  entre  PERKONS  e  HELIX  Brasil  S/A  e  a  manutenção do mesmo livro apresentado à fiscalização trabalhista são fatos que  já demonstram que se tratam de uma única sociedade;  > em que pese ter sido intimado a ir à Divisão de Fiscalização da SRRF – 9ª RF  para  prestar  esclarecimentos,  o  Sr.  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  não  compareceu.  O  Sr.  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  acompanhado  por  sua  advogada, apresentou respostas vazias aos questionamentos da fiscalização;  > os seguinte fatos desqualificam o contrato de “joint venture”, traduzido como  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  celebrado  entre  PERKONS,  a  “off  shore” HELIX Technology and  Investiments LLC e a  subsidiária HELIX Brasil  S/A, registrado no Consulado­Geral do Brasil em Miami sem o comparecimento  de  todas as partes:  (a) não comprovação da  transferência de  tecnologia;  e  (b)  inexistência  de  correspondências  comerciais.  Considerando  a  falência  da  LAPSEN  e  os  pleitos  de  responsabilidade  solidária  da  PERKONS  formulados  pelos credores, no contrato de “joint venture” estabeleceu­se que o acordo não  implicaria  qualquer  responsabilidade  quanto  às  obrigações  de  titularidade  da  PERKONS;  >  no  ano­calendário  2010,  a  HELIX  Brasil  S/A,  mesmo  sendo  credora  da  PERKONS,  a  esta  concedeu  empréstimos  gratuitos  que  totalizaram  R$  34.802.000,00,  conforme  Contrato  de  Mútuo  não  registrado  em  cartório.  Considerando  a  inexistência  de  registro  cartorial,  de  juros  pactuados  e  de  prestação  de  contas,  conclui­se  que  na  realidade  havia  uma  transferência  de  recursos que seriam de uma única sociedade, a PERKONS;  > o contrato de “joint venture” não serve para justificar tal liberalidade, pois é  inverossímil  que  os  irmão  Schause  transfeririam  seu  bem  mais  precioso,  a  tecnologia, para desconhecidos;  >  nos  anos­calendário  2009  e  2010,  a  HELIX  Brasil  S/A  remeteu  R$  5.955.000,00 ao exterior,  tendo como destinatário a  fictícia HELIX Technology  and  Investiments  LLC,  sendo  que  a  primeira  remessa,  de  R$  250.000,00,  teve  como recebedora Brigitte Recoing, na Suíça;  >  na  conta  nº  48.314  (Aluguel  de  Equipamentos),  a  PERKONS  contabilizou  a  título de Despesas Gerais o montante de R$ 61.402.708,75 nos anos­calendário  2006 a 2009, relativas a 22 notas fiscais;  >  nos  anos­calendário  2006  e  2007,  a  HELIX  declarou  os  mesmos  valores  contabilizados  como  despesas  na  PERKONS;  porém,  em  2008  e  2009,  R$  28.865.578,40 deixaram de ser reconhecidos como receitas tributáveis. Caso não  se tratasse de uma simulação, não haveria irregularidade, vez que a PERKONS  apurou IRPJ e CSLL pelo lucro real e a HELIX, com base no lucro presumido;  >  do montante  de  R$  24.887.448,47  contabilizado  em  2008,  a  PERKONS  não  apresentou quitação para R$ 2.613.435,15; e do montante de R$ 15.197.943,25,  contabilizado em 2009, apenas R$ 1.100.000,00 foram pagos (2011);  Fl. 6248DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.249            13 >  em  2010,  a  PERKONS  contabilizou  como  despesas  valores  relativos  a  5  (cinco) notas fiscais emitidas pela HELIX, para as quais não consta pagamento  ou quitação;  >  os  valores  pagos/repassados  pela  PERKONS  à  HELIX  não  guardavam  regularidade  de  quitação,  não  existindo  títulos  de  cobrança  nem  incidência  de  penalidade  por  atrasos  no  pagamento,  mas  obedeciam  a  um  padrão  de  necessidade e conveniência;  >  das  27  notas  fiscais  emitidas  entre  2006  e  2010,  11  não  receberam  até  agosto/2011 quitação, sendo que nas 16 restantes os repasses nunca coincidiram  com o  valor  exato  da  nota  fiscal. Por  exemplo,  o  valor  da NF nº  4358,  de R$  15.149.854,92, foi repassado em 40 parcelas, entre maio/2008 e fevereiro/2010;  >  da  simulação  dos  sócios/administradores  decorreram  os  seguintes  efeitos  tributários:  (a)  redução do  IRPJ e da CSLL, por meio da dedução de despesas  com aluguel de equipamentos da HELIX Brasil S/A, principalmente daquelas sem  o efetivo pagamento, considerando as formas de tributação na PERKONS (lucro  real)  e  na HELIX  (lucro  presumido);  (b)  redução da  contribuição  de PIS  e  da  Cofins, pelo aproveitamento indevido de créditos pelo regime não cumulativo na  PERKONS (1,65% e 7,6%, respectivamente); (c) redução do IRPF devido sobre  a remuneração dos diretores da PERKONS, efetuada a título de Distribuição de  Dividendos na HELIX pelas ações recebidas na forma de “cessão fiduciária”; e  (d) não recolhimento do IRRF sobre as remessas de recursos ao exterior.  Do ágio interno  > Os acionistas que redistribuíram gratuitamente as ações da PERKONS entre  os  filhos  de  Samuel  Dzintar  Schause,  Donald  Elmar  Schause  e Walter  Arvido  Schause constam como sócios de uma “empresa­veículo”, especialmente criada  e  incorporada  em  um  prazo  de  cinco  meses  para  gerar  um  ágio  fictício,  que  ocasionou  uma  amortização,  nos  anos­calendário  de  2006  a  2008,  de  R$  2.703.306,34;  > Em 26/12/02, Walter Alberto Mitt Schause e Eduardo Augusto Purin Schause  constituíram a INTERLAIKIS Participações Ltda, cuja integralização do capital  deu­se  pela  transferência,  por  meio  de  Contratos  de  Cessão  de  Crédito,  de  créditos perante a PERKONS. Antes, aqueles sócios haviam firmado, no mesmo  ano,  contratos  de  mútuo  com  a  PERKONS  cujos  créditos  seriam  recebidos  a  título de resultados (Adiantamento de Lucros);  > Em 30/12/02, a INTERLAIKIS adquire ações da PERKONS pelo valor unitário  de  R$  8,48,  antes  avaliadas  em  R$  1,00,  gerando  uma  reserva  de  ágio  de  R$  6.738.670,00. Este valor foi escriturado na INTERLAIKIS a título de ágio sobre  investimento;  > Em 30/5/03, a PERKONS incorpora a INTERLAIKIS e leva à contabilidade o  saldo de ágio de R$ 5.792.799,14, que passa a ser amortizado;  > A INTERLAIKIS nunca teve atividades operacionais e sua história resume­se a  lançamentos contábeis que ocupam uma única página;  > Os  contratos  de mútuo  celebrados  entre  a  PERKONS  e  seus  acionistas  não  foram  registrados  em  cartório,  inexistindo  transferências  de  numerários.  Fl. 6249DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.250            14 Intimada para disponibilizar à fiscalização os comprovantes dos recebimentos, a  PERKONS não os apresentou;   >  Os  recolhimentos  do  IRRF  (Cód.  8053),  no  montante  de  R$  147.734,00,  supostamente sobre os juros recebidos da PERKONS em razão dos contratos de  mútuo, apenas reforçam a simulação praticada:  >  O  único  benefício  da  transação,  decorrente  da  celebração  de  contratos  de  mútuo  com  sócios/dirigentes  da  fiscalizada,  da  constituição  de  uma  “empresa­ veículo”  capitalizada  com  recursos  oriundos  dos  pretensos  créditos  e  da  aquisição de participação societária com esses créditos, foi a redução ilícita de  tributos;  > Não houve a geração de ágio a partir de um processo de compra e venda de  ativos líquidos entre partes independentes e não relacionadas;  Da multa qualificada  > A multa de ofício proporcional foi aplicada no percentual de 150%, com base  no art.44, II, da Lei nº 9.430/96, c/c arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, tendo em  vista  a  conclusão  fiscal  de  que  a  PERKONS  S/A  e  a  HELIX  Brasil  S/A  constituem­se  em  uma  única  sociedade,  com  administração  comum,  mesmo  espaço  físico,  sendo  aquela  última  um  desmembramento  das  atividades  industriais da primeira; e que se utilizaram de interpostas pessoas no exterior na  constituição de sociedade fictícia, fatos que revelam o evidente intuito de fraude;  Da responsabilidade dos acionistas, administradores e prepostos  > Diante dos eventos narrados,  foram arrolados como responsáveis  tributários  solidários,  com  base  nos  arts.124,  I,  e  135,  II  e  III,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  os  Srs.  Eduardo  Augusto  Purin  Schause, Walter  Alberto Mitt  Schause,  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  Samuel  Dzintar  Schause,  Donald  Elmar Schause e Walter Arvido Schause.  Os lançamentos foram considerados procedentes pela Primeira Turma  da  DRJ  –  Curitiba  (PR),  conforme  acórdão  que  recebeu  a  seguinte  ementa  (fls.5.296/5.348):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário:2006, 2007, 2008, 2009  NULIDADE.  Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  e  não  se  tratar  de  caso  de  inobservância  dos  pressupostos  legais  para  lavratura  do  auto  de  infração, é  incabível  falar em nulidade do  lançamento quando não  houve transgressão alguma ao devido processo legal; o artigo 149,  VII,  do  CTN  outorga  à  administração  a  competência  para  desconsiderar  os  atos  ou  negócios  fictícios,  fraudados,  eivados  de  vício de vontade ou de forma, ou simulados.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário:2006, 2007, 2008, 2009  SIMULAÇÃO.  DIVERGÊNCIA  ENTRE  A  EXTERIORIZAÇÃO  DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS E A VONTADE, A  Fl. 6250DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.251            15 INTENÇÃO DESEJADA.  O  exame  da  licitude  ou  não  dos  meios  empregados  conduz  necessariamente  à  apreciação  do  fato  concreto  e  de  sua  correspondência  com  o  modelo  abstrato  (forma)  utilizado;  se  a  forma  não  reflete  o  fato  concreto,  é  aparente,  estamos  diante  da  simulação,  que  é  caracterizada  pela  divergência  entre  a  exteriorização  dos  atos  formalmente  praticados  e  a  vontade,  a  intenção desejada.  SIMULAÇÃO.  TRANSFERÊNCIA  DA  ATIVIDADE  FABRIL  PARA OUTRA PESSOA JURÍDICA.  Tendo a autoridade  fiscal demonstrada a ocorrência de  simulação  da transferência da atividade fabril para outra pessoa jurídica, por  meio de indícios concretos de que não passa de mera aparência ou  oculta  uma  outra  relação  jurídica  de  natureza  diversa,  cabe  a  desqualificação dos negócios simulados, exclusivamente para efeitos  fiscais, para recompor o lucro real da contribuinte e nele computar  o resultado tributável da pessoa jurídica para a qual foi simulada a  transferência  da  atividade  fabril,  porquanto  as  duas  são,  na  realidade, uma única empresa.  ÁGIO  INTERNO.  FUNDAMENTO  ECONÔMICO  EM  EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO  DOS  SÓCIOS  COM  ELES  MESMOS.  AUSÊNCIA  DE  SUBSTÂNCIA ECONÔMICA.  É  descabida  a  amortização  de  ágio  interno,  com  fundamento  econômico em expectativa de rentabilidade futura, constituído sobre  o  próprio  patrimônio  líquido  da  própria  contribuinte,  pois  não  é  possível  reconhecer  uma  mais­valia  de  um  investimento  quando  originado  de  transação  dos  sócios  com  eles  mesmos,  haja  vista  a  ausência de substância econômica na operação e de não resultar de  um  processo  imparcial  de  valoração,  num  ambiente  de  livre  mercado e de independência entre as duas companhias.  ÁGIO OU DESÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE  FUTURA. LAUDO DE AVALIAÇÃO.  Para que o custo de aquisição da participação societária possa ser  desdobrado  em  valor  de  patrimônio  líquido  e  em  ágio  ou  deságio  com  base  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  é  condição  indispensável  que  à  época  da  aquisição  o  seu  valor  esteja  devidamente  lastreado  em  laudo  fundamentado,  com  a  indicação  dos critérios de avaliação.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SOLIDÁRIA.  ADMINISTRADORES/DIRETORES.  INTERESSE  COMUM  COM  A  SITUAÇÃO  QUE  CONSTITUI  O  FATO  GERADOR.  ATOS  PRATICADOS  COM  EXCESSO  DE  PODERES  OU  INFRAÇÃO DE LEI.  Os administradores/diretores  da  contribuinte  e  da  empresa  para a  qual foi simulada a transferência da atividade fabril devem compor  o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de  terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da  obrigação principal e terem praticado atos com excesso de poderes  ou  infração  de  lei;  tais  administradores/diretores  comandaram  as  operações  e  praticaram  atos  que  possibilitaram  à  contribuinte  Fl. 6251DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.252            16 simular o desmembramento e transferência da atividade fabril para  outra  pessoa  jurídica,  assim  a  amortização  de  ágio  inexistente  constituído sobre o próprio patrimônio líquido da autuada.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário:  2006, 2007, 2008, 2009  DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Caracterizada a existência de dolo,  fraude ou simulação, aplica­se  na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, tendo como  termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.  Aplicável  a  multa  qualificada  de  150%  quando  caracterizada  a  atitude dolosa pela ocorrência de simulação do desmembramento e  transferência  da  atividade  fabril  para  outra  pessoa  jurídica,  pois  esta e a interessada são, na realidade, uma única empresa; também  restou  caracterizada  a  atitude  dolosa  na  amortização  de  ágio  gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, com  utilização  de  empresa  veículo  e  sem  estar  à  época  amparado pelo  indispensável laudo de avaliação com fundamento em rentabilidade  futura.  DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS.  Tratando­se  de  tributações  reflexas  de  irregularidade  descrita  e  analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e  dada à relação de causa e efeito, aplica­se o mesmo entendimento à  CSLL, ao PIS e à Cofins.  PIS. COFINS. CRÉDITO INDEVIDO NO REGIME NÃO  CUMULATIVO.  Considerando  que  a  pessoa  jurídica  para  a  qual  foi  simulada  a  transferência  da  atividade  fabril  emitiu  diversas  notas  fiscais  de  prestação de serviços em nome da interessada, e tendo em vista que  essas  duas  são,  na  realidade,  uma  única  empresa,  é  indevido  o  aproveitamento  pela  fiscalizada  da  diferença  entre  o  crédito  no  regime não cumulativo de PIS (alíquota de 1,65%) e Cofins (7,6%) e  o  valor  das  contribuições  por  aquela  empresa  pagas  no  regime  cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente).  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido  Em  primeira  instância,  afastou­se  a  responsabilidade  tributária  de  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  quanto  aos  créditos  tributários  com  fatos  geradores posteriores a 1/5/08.   O contribuinte, devidamente intimado por via postal (fl.5.388), interpôs  recurso voluntário em 3/8/12 (fls.5.399/5.532), em que sustenta:   Da preliminar de nulidade dos lançamentos  ●  A  fiscalização  não  teria  produzido  provas  que  pudessem  fundamentar  os  lançamentos tributários, que devem ser pautados pela estrita legalidade (art.142  Fl. 6252DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.253            17 do  CTN  e  art.9º  do  Decreto  nº  70.235/72).  O  Termo  de  Constatação  Fiscal  abusaria  de  termos  jocosos,  sarcásticos,  juízos  pessoais,  para  justificar  a  ocorrência  de  simulação  e  fraude,  que  não  poderia  ser  presumida  a  partir  de  indícios. As alegações fiscais, quando muito, poderiam autorizar a conclusão de  que a PERKONS e a HELIX seriam parceiras, fato que nunca foi negado;  ●  A  Administração  Tributária  não  poderia  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  legais,  tampouco desconsiderar a personalidade  jurídica de  empresas  com o intuito de exigir tributos;  ● A legislação brasileira não exigiria que sociedades nacionais mantivessem em  seus  registros  informações  relativas  às  suas  controladoras,  não  havendo  a  obrigatoriedade de a fiscalizada prestá­las;  ●  Poderia  a  RFB  buscar  as  informações  sobre  a  Helix  Technology  na  Investiments  LCC  diretamente  ao  governo  norte­americano  ou  ao  Estado  de  Delaware;  ● Se a Helix Technology na Investiments LCC é uma empresa  fantasma, “...de  onde  teriam  vindo  os  expressivos  valores  aportados  na HELIX  Brasil  por  sua  controladora  nos  últimos  anos?  Destaque­se  que  quando  da  constituição  da  empresa  HELIX  BRASIL  houve  um  aporte  inicial  de  US$  150.000,00  [...],  equivalente  a  R$  372.150,00  [...].  Em  9/5/03,  a  controladora  norte­americana  enviou mais  US$  300.000,00,  o  que  equivalia  na  época  a  R$  888.750,00  [...].  Referidas quantias  ingressaram no país pelas vias  legais do BACEN, conforme  contrato  de  câmbio,  onde  consta  como  pagador  no  exterior  a  HELIX  TECHNOLOGY AND INVESTIMENTS LCC (documentos em anexo)”;  ●  As  provas  de  que  os  diretores  da  Helix  Technology  na  Investiments  LCC  seriam  “laranjas”  teriam  sido  extraídas  de  sites  de  jornais  estrangeiros,  de  desconhecida  reputação,  que  mencionam  a  existência  de  processos  judiciais  envolvendo  empresas  das  quais Yusik Baskin  e  Thais Herrera  de  Salas  seriam  sócios. O fato de tais pessoas físicas constarem em registros públicos da Flórida  como  representantes  de  inúmeras  empresas  também  não  significa  que  sejam  “laranjas” ou que referida prática é ilegal;  Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância  ●  Os  seguintes  argumentos  e  provas  juntadas  com  a  impugnação  foram  ignorados pela DRJ: (a) alegação de ofensa ao art.17 do Estatuto da Criança e  do Adolescente, em razão da exposição, pela fiscalização, da imagem de crianças  sem  a  devida  autorização  dos  pais  ou  responsáveis;  (b)  laudo  fotográfico  das  instalações da sede da PERKONS na cidade de Colombo (PR) e posteriormente  em  Pinhais  (PR),  e  também  da HELIX  BRASIL  S/A,  para  comprovar  que  não  estão estabelecidas em um mesmo endereço; (c) cópias de contas de água, luz e  telefone recentes, de alvará de funcionamento, e de alteração do contrato social  em 18/4/02, que comprovam a existência de uma sede estruturada e compatível  com  suas  finalidades,  situada  à  Av.  Marginal  José  de  Anchieta,  458,  Vila  Guarani,  Colombo  (PR);  (d)  Laudo  de  Fiscalização  de  Processo  Produtivo,  elaborado  pelo  Ministério  da  Ciência  e  Tecnologia,  para  comprovar  que  a  HELIX estava, na época da  fiscalização, à  frente do processo de produção das  lombadas eletrônicas, ou seja, de que houve transferência da atividade fabril da  PERKONS  para  a  HELIX;  (e)  ausência  de  fiscalização  do  estabelecimento  industrial  da HELIX  BRASIL  S/A;  (f)  ilações  acerca  do  propósito  negocial  da  “joint  venture”;  (g)  documentos  comprobatórios  do  propósito  negocial  da  Fl. 6253DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.254            18 transferência do processo de fabricação das lombadas eletrônicas para a HELIX  BRASIL S/A;  (h)  cópias  de  recentes  editais de  licitação  para  comprovar  que o  atual  objetivo  da  PERKONS  é  a  prestação  de  serviços,  não  a  fabricação  de  equipamentos  utilizados  na  fiscalização  de  trânsito;  (i)  decisões  judiciais  que  afastam  a  sucessão  e  responsabilidade  da  PERKONS  sobre  as  dívidas  da  LAPSEN;  (j)  pareceres  de  auditorias  externas,  demonstrações  contábeis,  comprovantes de importação de insumos, relatório de ativo imobilizado, registro  de marca  perante  o  INPI,  balanços  publicados  no Diário Oficial,  e  premiação  concedida pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná e pelo Jornal Indústria e  Comércio do Paraná, comprovam a existência fática da HELIX BRASIL S/A;  Da preliminar de decadência  ● Estariam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até  novembro  de  2006,  com  base  no  art.150,  §4º,  do  CTN,  considerando­se  a  modalidade por homologação;   ● Não teria restado caracterizada a existência de dolo ou simulação;  Do mérito  Da  inexistência  de  simulação.  Violação  ao  princípio  constitucional  da  livre  iniciativa (art.170 da CF) e da segurança jurídica  ● A LAPSEN teria falido porque o principal produto de sua linha de fabricação  era o telex, que se tornou obsoleto;  ●  O  imóvel  situado  à  BR  116  fora  legitimamente  locado  pela  LAPSEN  ao  autuado;  ● Em que pese o processo  de  falência da LAPSEN,  seus  sócios  constituíram a  PERKONS  e  criaram  a  sua  grande  invenção:  lombadas  eletrônicas.  Considerando a demanda emergente, inclusive internacional, pelo produto, fez­se  necessária  uma  reestruturação  funcional,  que  envolveu  a  celebração  com  a  HELIX de um Contrato de Empreendimento Conjunto (Joint Venture);  ● Não poderia a  fiscalização  ignorar a  existência  fática da HELIX Brasil  S/A,  pois  sua  constituição  foi  plenamente  lícita  e  suas  operações,  executadas  de  acordo com as leis brasileiras, sem qualquer omissão ou falta de transparência;  ●  Inexistiria  irregularidade  no  fato  de  a  HELIX  Brasil  S/A  e  a  PERKONS  possuírem mesmo controle acionário,  tampouco de uma apurar seus  resultados  pelo lucro presumido, outra pelo lucro real;  ● Seria  ilógico supor a associação entre as sociedades, pelo  fato de não terem  sido encontradas provas materiais da transferência de tecnologia. A fiscalização  “...ignora  que  a  associação  com  uma  entidade  estrangeira  representou  um  acesso direto a inovações tecnológicas inerentes ao setor de controle de tráfego,  assim  como  conferiu  estrategicamente  um  fator  importante  para  a  internacionalização  das  operações,  como  é  o  caso  dos  projetos  no  Peru,  Colômbia e Chile, além de outros que estão sendo prospectados”;  ●  O  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto  consagraria  a  convergência  de  interesses entre as empresas signatárias, de modo a justificar plenamente que os  pagamentos fossem feitos na medida da necessidade de cada qual;  Fl. 6254DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.255            19 Do  conceito  de  simulação.  Vício  de  vontade  x  vício  de  causa.  Teoria  do  Propósito Negocial  ●  A  transferência  da  atividade  fabril  da  PERKONS  para  a  HELIX  Brasil  S/A  nunca se deu de forma oculta, posto que se encontra refletida em documentação  societária  e  fiscal,  inclusive  no  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  registrado no 1º Registro de Títulos e Documentos, sendo dotada da publicidade  necessária;  ●  Não  estariam  presentes  quaisquer  das  hipóteses  do  art.167,  §1º,  do  Código  Civil, que caracterizam como simulado determinado negócio jurídico, mormente  quando considerado o Contrato de Empreendimento Conjunto;  ●  A  PERKONS  não  emitira  declaração  de  vontade  divorciada  do  real  intuito  negocial, qual seja, o aprimoramento das operações no Brasil e a expansão para  mercados internacionais;  Do  caso  concreto.  O  faturamento  da  HELIX  Brasil  S/A  e  o  Contrato  de  Empreendimento Conjunto (Joint Venture)  ● O fluxo financeiro do pagamento das faturas pela PERKONS à HELIX Brasil  S/A  estaria  plenamente  justificado  à  luz  do  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto, firmado em 1/6/02, sem qualquer vício de vontade ou de causa;   ●  Inexistiria  no  ordenamento  jurídico  vedação  de  administração  coordenada  entre sociedades, que possibilitam redução de custos, aumento de produtividade  e de lucros;  ●  O  principal  propósito  do  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto  seria  possibilitar  a  realização  de  investimentos  das  contratantes  para:  “promover  a  fabricação, comercialização, instalação e prestação de serviços relacionados às  Lombadas Eletrônicas; licenciamento de uso das patentes para a fabricação da  Lombada  Eletrônica  e  transferência  de  tecnologia  a  ela  aplicável;  desenvolvimento  de  projetos  e  pesquisas  de  conhecimento  tecnológico  de  interesse das partes; alocação e readequação de recursos humanos, financeiros e  tecnológicos existentes e futuros conforme plano estratégico conjunto das partes;  redução  dos  custos  de  fabricação  e  operação  das  Lombadas  Eletrônicas  e  produtos  afetos  a  mesma;  inserção  e  colocação  de  produtos  no  mercado  brasileiro”;  ●  Da  atuação  coordenada  decorreu  Contrato  de  Locação  firmado  entre  a  PERKONS e a HELIX Brasil S/A, que legitima o pagamento dos alugueres e as  deduções das despesas;  Da  necessidade  estratégica  de  mercado.  Compromisso  de  exclusividade  recíproca fixada em contrato  ●  Por  questões  estratégicas  de  mercado,  não  interessaria  à  PERKONS  que  a  HELIX  Brasil  S/A,  responsável  pela  fabricação  dos  equipamentos,  pudesse  vender  as  lombadas  eletrônicas  para  a  concorrência,  até  porque  “...o  desenvolvimento  dos  projetos  de  criação,  melhoria  e  atualização  dos  equipamentos continuou sendo realizado pela PERKONS”; o que representaria  grande  risco  de  que  as  inovações  tecnológicas  restassem  compartilhadas  com  concorrentes;  Fl. 6255DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.256            20 ●  No  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto  haveria  uma  cláusula  de  exclusividade e não concorrência;  ●  Os  irmãos  Donald,  Walter  Arvido  e  Samuel  Schause  teriam  cedido  onerosamente  à  HELIX  Brasil  S/A  os  direitos  de  propriedade  industrial  que  detinham  sobre  as  lombadas  eletrônicas,  pelo  valor  total  de  R$  570.000,00,  devidamente registrado no Livro Razão. Tais rendimentos foram tributados por  ganho de capital à alíquota de 15% e constam das declarações de rendimentos  das pessoas físicas;  ● A HELIX Brasil S/A manteria relações contratuais com outras empresas, que  também  manteriam  relações  comerciais  com  a  PERKONS  reguladas  por  instrumentos  particulares  que  asseguram  as  mesmas  garantias  de  não  concorrência e confidencialidade;  Da Racionalidade dos fluxos de pagamentos. Dos prazos concedidos pela ELIX  BRASIL para pagamento das notas fiscais emitidas pela PERKONS. Decorrência  lógica da parceria empresarial existente entre as empresas  ● O  fluxo de pagamentos obedeceria à seguinte  lógica, adotada,  inclusive com  relação  a  outros  clientes:  “...a  PERKONS  loca  o  equipamento  da  HELIX  BRASIL, põe à serviço de um cliente final seu, mas somente realiza o pagamento  quanto efetivamente recebe do seu cliente o pagamento pelo serviço. E como os  clientes  da  PERKONS  são,  quase  que  em  sua  totalidade,  entidades  de  direito  público  (prefeituras,  órgãos  públicos,  fundações públicas  etc.),  é muito  comum  ocorrerem atrasos nos pagamentos”;  ● A postura da HELIX Brasil S/A apenas reforçaria a parceria, com colaboração  mútua, sendo que tal liberalidade nunca foi escondida ou negada;  ●  Relativamente  aos  anos­calendário  fiscalizados,  a  PERKONS  repassou  à  HELIX Brasil S/A o montante de R$ 49.132.134,65;  ● Quanto à ausência de cobrança dos débitos vencidos e de qualquer atualização  monetária,  multa  e/ou  juros  moratórios,  “...tal  prática  também  decorre  da  relação  de  parceria  existente  e,  como  já  dito,  é  muito  usual  que  haja  condescendências entre empresas parceiras, ainda mais quando o há relação de  interdependência  entre  as mesmas.  Isso  não  significa,  de  forma  alguma  que  a  demora  de  pagamento,  em  alguns  casos,  não  tenha  sido  causa  para  ajustes  negociais contínuos entre as empresas durante o curso da parceria. No entanto,  as  boas  relações  políticas  prevaleceram  e  em  muitos  momentos  a  condescendência da HELIX BRASIL para com a PERKONS foi paga através de  concessões  por  parte  desta  ou  participações  diferenciadas  em  outros  negócios.  Enfim,  dentro  dos  limites  da  liberalidade  negocial  ao  qual  estão  afetas,  as  pendências  recíprocas  foram  resolvidas  através  de  políticas  institucionais,  tão  usuais  nos meios  empresariais,  porém,  não  compreendidas  pela Administração  Fazendária”;  ● A não cobrança do cumprimento dos prazos poderia até induzir a presunção de  má gerência da HELIX Brasil S/A, jamais de que tenha havido conluio ou outra  ilegalidade;  ● As despesas da PERKONS com a locação dos equipamentos seria operacional  e necessárias à sua atividade, passíveis de dedução;  Fl. 6256DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.257            21 ● Sem a  captação da  imagem da  infração de  trânsito,  a  seqüência de  serviços  desenvolvidos pela PERKONS, como o processamento e demais atividades;  Da inexistência de mútuos gratuitos. Contrato firmado entre PERKONS e HELIX  Brasil em 22/01/2010. Negócio jurídico válido  ●  Ao  contrário  do  posto  pela  fiscalização,  os  contratos  de  empréstimos  concedidos  pela  HELIX  Brasil  S/A  à  PERKONS  em  2010,  no montante  de  R$  34.802.000,00, não necessitariam ter sido registrados em cartório;  ● Em quase  10  anos  de  parceria  empresarial,  somente  uma  relação  de mútuo  existiu, o que denotaria que referida situação não era usual ou contínua;  ● O contrato de mútuo não teria sido a título gratuito, pois sua cláusula segunda  previa juros de 6% ao ano;  ●  Balanços  da  PERKONS,  acostados  aos  autos,  indicariam  dificuldades  financeiras ao final de 2009,  fato determinante para a captação de recursos de  curto prazo;  ●  As  transferências  de  valores  feitas  pela  HELIX  Brasil  S/A  em  favor  da  PERKONS teriam originado recolhimentos de IOF, no valor de R$ 197.834,34,  devidamente contabilizados;   ●  Caso  a  HELIX  Brasil  S/A  houvesse  exigido  juros  pelos  empréstimos  concedidos,  tais  valores  poderiam  ter  sido  deduzidos  do  lucro  tributável  da  PERKONS, o que diminuiria o IRPJ e a CSLL devidos;  ● Conforme fluxo financeiro relativo ao empréstimo, o valor nominal dos  juros  seria  de  R$58.675,80,  conforme  ficha  financeira,  o  que  perfaz  um  valor  atualizado de R$ 60.492,42,  irrelevante e insignificante quando comparado aos  valores das operações existentes entre as empresas, o que justificaria a postura  condescendente da HELIX Brasil S/A;  ● Em momento algum, a HELIX afirmara à fiscalização que renunciou ao direito  de exigir os juros contratuais, sendo que tais quantias ainda podem ser cobradas  no prazo prescricional;  A questão da cobrança ou não dos juros é questão de estratégia empresarial;  ● Da impossibilidade de constituição do ilícito tributário com base em indícios.  Visita feita à sede das instalações industriais sem que fosse feita vistoria da linha  de produção. Falta de aprofundamento da fiscalização tributária.  ● A fiscalização ignorara o fato de a HELIX Brasil S.A estar estabelecida na BR  116,  Km  399,  nº  6.340,  Tarumã,  Curitiba  (PR),  não  tendo  o  cuidado  de  devidamente vistoriar o local;  ● Ao relatar a visita , a fiscalização teria omitido os seguintes fatos: (a) presença  do  Sr.  Eduardo  Augusto  Purin  Schause,  Diretor  da  Helix  Brasil  S/A;  (b)  37  (trinta e sete) funcionários da HELIX Brasil S/A trabalhando no local; (c) Livro  de Registro de Inspeção Trabalhista exclusivo da Helix Brasil S/A; (d) placa de  sinalização,  indicando  que  no  local  funciona  a  sede  da  HELIX  Brasil  S/A.  Ademais, deixara de vistoriar da linha de produção industrial e de averiguar se  os funcionários eram da HELIX Brasil S/A; de mencionar que os funcionários da  Fl. 6257DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.258            22 PERKONS  e  da  HELIX  Brasil  S/A  atuariam  em  atividades  distintas  e  que  o  patrimônio  da  HELIX  Brasil  S/A  estaria  segregado  do  da  PERKONS;  de  averiguar  os  estoques  de matérias­primas,  insumos ou  produtos  acabados,  que  seriam distintos; e de mencionar que não havia no local diretores da PERKONS;  ●  A  unidade  industrial  seria  operada  por  gerentes  industriais,  almoxarifes,  responsáveis de compras, analistas de planejamento e de controle de produção, e  engenheiros  da  HELIX  Brasil  S/A,  bem  como  funcionários  terceirizados,  de  manutenção e segurança, contratados pela HELIX Brasil S/A;  ●  Os  Auditores­Fiscais  responsáveis  pela  lavratura  dos  autos  de  infração  estiveram na sede da PERKONS, em Pinhais, em 17/11/11, acompanhados de 10  (dez)  Auditores­Fiscais  do  Ministério  do  Trabalho,  e  teriam  omitido  que  na  oportunidade  foram­lhes  apresentados  dados  sobre  o  seu  funcionamento  e  o  contato com funcionários e outros elementos relevantes;  ● Regime de parceira semelhante fora apreciado pelo extinto Primeiro Conselho  de Contribuintes  (acórdão nº  10323.357,  de  23/1/08),  quando  se  concluiu  pela  ausência de simulação e reforçou­se o não aprofundamento da ação fiscal;  Da justificativa negocial da presença de funcionários da PERKONS na sede da  HELIX Brasil em Curitiba. Ausência de prova de que tais funcionários atuavam  na  linha  de  montagem.  Irretroatividade  do  indício.  Impossibilidade  de  se  presumir  com base  em um dia apenas os últimos 10 anos de atuação conjunta  das empresas  ● A própria decisão de primeira instância, não obstante ter reconhecido que, dos  72  funcionários  da  PERKONS  que  cumpriam  expediente  na  sede  da  HELIX  Brasil  S/A  (2/3  do  total  dos  trabalhadores  da  unidade  fabril),  41  eram  dos  setores  de marketing  e  de desenvolvimento  de hardware/software  e  31 da  área  administrativa, concluiu indevidamente que atuariam na produção industrial de  lombadas eletrônicas;  ● Os profissionais da PERKONS que se encontravam na sede não atuariam na  linha de montagem, “...seja pela absoluta ausência de provas nesse sentido, seja  pela presunção de que suas respectivas qualificações técnicas não lhes habilitava  para tanto”;  ●  Conforme  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  caberia  à  PERKONS  fornecer  pessoal  de  apoio  administrativo  para  subsidiar  a  atuação  da  HELIX  Brasil S/A;  ●  Laudo  produzido  pelo Ministério  da  Indústria  e Tecnologia  (fls.4.646/4.665)  atestaria  que  a HELIX Brasil  S/A  controla  a  linha  de  produção  das  lombadas  eletrônicas;  ●  A  indicação,  na  decisão  recorrida,  das  funções  dos  funcionários  da HELIX  Brasil S/A atestaria a qualificação técnica para atuarem no processo produtivo;  ●  O  fato  de  funcionários  da  PERKONS  terem  sido  encontrados  na  sede  da  HELIX  Brasil  S/A  em  17/11/11  não  permitiria  concluir,  mesmo  se  estivessem  atuando  na  linha  de  produção,  que  tal  situação  ocorria  desde  o  início  da  parceria empresarial;  Fl. 6258DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.259            23 ● Os fatos narrados no Termo de Visita e Constatação Fiscal ocorreram no ano  de 2011, que sequer foi objeto de autuação, não podendo comprovar ocorrências  passadas em 10 anos;  ● A situação dos funcionários da PERKONS poderia ter sido averiguada quanto  aos  anos­calendário  2006  a  2010,  pois  os  documentos  estavam  plenamente  acessíveis à fiscalização tributária e trabalhista;  ● A presença de  funcionários da PERKONS na sede da HELIX Brasil S/A não  seria  ilegal ou  irregular, consistindo em prática  comum nos  setores públicos  e  privados,  em  especial  quanto  aos  terceirizados;  além  de  ser  plenamente  justificada em razão do Contrato de Empreendimento Conjunto;  ●  A  fiscalização  trabalhista  não  aplicou  qualquer  penalidade  à  HELIX  Brasil  S/A, tampouco à PERKONS, tendo, após várias visitas, reconhecido a autonomia  jurídica e administrativa das empresas ao lavrar autos de infração distintos;  ● “Para que possa haver uma conjugação entre o equipamento  fabricado e as  necessidades  do  cliente,  é  que  o  diálogo  entre  os  funcionários  do  desenvolvimento e da fabricação precisa ser constante”, havendo, quanto a cada  licitação pública, exigências técnicas específicas;  ●  Conforme  Cadastro  Geral  de  Empregados  e  Desempregados  (CAGED),  em  maio de 2011 a PERKONS mantinha 223 empregados registrados, sendo que, à  exceção dos 72 encontrados na sede da HELIX Brasil S/A, os demais estavam na  sede da PERKONS, em Pinhais, e em outros locais em que tal empresa atua na  fiscalização eletrônica de trânsito;  Do pagamento de parte do aluguel do imóvel da BR 116 pela HELIX Brasil S/A  enquanto a PERKONS ainda era locatária oficial do imóvel  ● Nunca escondera da  fiscalização que  já esteve sediada no atual endereço da  HELIX Brasil S/A, “...bem como de que já foi fabricante de lombadas eletrônicas  e que já foi titular da linha de montagem das lombadas eletrônicas”;  ● A PERKONS compartilhara o mesmo endereço por cerca de 5 meses, até abril  de 2002, período pré­operacional da HELIX Brasil S/A;  ●  “...  a  transição  entre  deixar  de  fabricar  os  equipamentos  e  ceder  a  sua  fabricação para outra empresa parceira não se deu da noite para o dia. Foram  meses  de  negociação prévia  até  que  fosse  firmado  em 1/6/2002  o CONTRATO  DE EMPREENDIMENTO CONJUNTO de  fls.  672/83  e  depois, mesmo  após  a  fundação da HELIX BRASIL S/A, ocorrida em 07/11/2001, ainda demorou mais  algum tempo para que houvesse s  transferência da  tecnologia e do controle da  linha de produção. Tanto é que, conforme comprovam os registros contábeis, a  primeira  lombada  fabricada  pela  HELIX  BRASIL  e  imobilizada  em  seu  ativo  permanente, data de 12/03/2003, ou seja, após 1 ano e quatro meses após a sua  fundação”;  ● A HELIX Brasil S/A, considerando que estava de fato e de direito estabelecida  no mesmo imóvel ocupado pela PERKONS, pagara parte do aluguel devido;  ● O fato de a HELIX Brasil S/A ter firmado contrato de aluguel posteriormente  não implica ilegalidade, considerando que a PERKONS, então locatária, detinha  a posse do imóvel sem vedação de cessão ou sublocação;  Fl. 6259DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.260            24 ● Como restou comprovado no Laudo de Fiscalização do Ministério da Indústria  e Tecnologia, de outubro/2005, o controle e produção das lombadas eletrônicas  estaria  a  cargo  da  HELIX  Brasil  S/A,  “...o  que  comprova  que,  mesmo  que  houvesse confusão entre o período de 17/11/2001 até 18/04/2002, esta confusão  já não mais existia nos anos seguintes”;  Da  prova  produzida  por  autoridades  públicas  que  comprova  a  existência  de  atividade  industrial  na  sede  da  empresa HELIX  Brasil.  Fiscalização  realizada  pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 20/10/2005 – Artigo 30 do Decreto  70.235/72  ●  Finalizada  a  fase  pré­operacional,  a  Helix  Brasil  S/A,  em  julho  de  2002,  inscrevera­se no Programa de Benefícios Fiscais do Governo Federal, previsto  no art.4º da Lei nº 8.248/91, no Decreto nº 3.800/01 e Portaria Interministerial  nº 282/03, do qual decorreram grandes investimentos, autorizados e fiscalizados  pelo  Ministério  do  Desenvolvimento  e  Cidades,  realizados  em  Universidades  Federais com base em acordos de cooperação;  ●  Laudo  de  Fiscalização  do  Processo  Produtivo  Básico,  elaborado  pelo  Ministério  da  Indústria  e Tecnologia  atestaria  que  em 20/10/05  a Helix Brasil  S/A sofreu fiscalização para verificação de cumprimento do Processo Produtivo  Básico  (PPB)  dos  seguintes  produtos:  aparelho  para  medição  e  registro  de  velocidade  de  veículos  automotores  e  aparelho  digital  de  sinalização  de  velocidade para controle de tráfego de automotores. Conforme tal Laudo, a Helix  Brasil S/A utilizaria circuito impresso fornecido por empresa terceirizada e seria  responsável  pela  montagem  final  e  gestão  de  qualidade  dos  produtos  incentivados,  tendo  a  fiscalização  ainda  constatado  que  possuiria  instalação,  recursos humanos e métodos de gestão que superariam as exigências mínimas de  agregação  de  valor  estabelecidos  na  Portaria  Interministerial  MCT/MICT  nº  101/93;  ●  Os  aspectos  técnicos  da  prova  pericial  deveriam  ser  obrigatoriamente  adotados, nos termos do art.30 do Decreto nº 70.235/72;  ●  A  prova  emprestada  no  processo  administrativo  seria  plenamente  aceita,  conforme precedentes do extintos Conselhos de Contribuintes;  Da regularidade da controladora da Helix Brasil S/A (Helix Technology LLC)  ● Em primeira instância, reconhecera­se que os documentos juntados aos autos  pela fiscalização, quanto à acusação de que a Helix Technology and Investiments  LLC seria uma sociedade fictícia, administrada por “laranjas”, teriam reduzido  valor probatório;  ●  A  Helix  Technology  and  Investiments  LLC  estaria  devidamente  inscrita  no  CNPJ (nº 06.939.171/000167) e no CADEMP (nº 538818), nos termos do art.12,  §4º, V, da IN SRF nº 200/2002 (atualmente art. 5º, XV, “a”, item 8 da IN SRF nº  1.183/11). Também cumpriria todas as exigências legais do Estado de Delaware  (EUA), conforme Certidão de Idoneidade (Good Standing), de 19/1/02;  ●  Inexistiriam  ações  judiciais  no  Brasil  quanto  à  Helix  Technology  and  Investiments LLC;  Fl. 6260DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.261            25 ● Certidões  negativas  emitidas  pelo  Poder  Judiciário  brasileiro  afastariam  as  acusações de que os diretores da Helix Technology and Investiments LLC seriam  “laranjas”;  ●  Certidão  emitida  pelo  Ministério  de  Segurança  Pública  da  República  do  Panamá atestaria a inexistência de ações criminais envolvendo Thays Herrera de  Salas em seu país de origem, onde reside;  ●  Relatório  confeccionado  por  Smith  International  Law,  denominado  “Due  Diligence & Public Records Reseach”, acompanhado de certidões emitidas por  órgãos  oficiais  da  Flórida  e  de  Delaware,  inexistiriam  registros  de  infrações  criminais  ou  civis praticadas  por Yusik Baskin  e Thays Herrera  de  Salas,  bem  como envolvendo a Helix Technology and Investiments LLC;  V  Advogados  contratados  na  Argentina  emitiram  relatório,  acompanhado  de  certidões, que comprovaria a inexistência de processo judicial envolvendo Thays  Herrera de Salas naquele país;  V  “...pelos  documentos  constitutivos  da  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTIMENTS  LLC,  acostados  às  fls.4.692  à  4.704,  o  Sr.  Yuzik  Baskin,  representante da empresa, assina como Diretor, sendo que como acionista consta  a empresa TRENMARK ASSOCIATES INC, o que é suficiente para atestar que o  Sr. Yuzik não é e jamais foi sócio ou acionista da HELIX LLC, mas tão somente,  seu diretor presidente”;  Do  IRRF.  Pagamentos  realizados  a  beneficiários  devidamente  dentificados.  Impossibilidade  de  desconsideração  de  personalidade  jurídica.  Remessas  de  lucros feita para o exterior. Beneficiários expressamente indicados nos contratos  de câmbio de fls. 1.1031.050.  ●  Conforme  posto  pela  fiscalização,  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica da Helix Brasil S/A limitar­se­ia a efeitos fiscais, conforme art.149, VII,  do CTN, como ressaltado na decisão recorrida;  ● A Helix Brasil S/A, não obstante ter sido fiscalizada, não foi autuada, de forma  que não pode exercer devidamente os direitos à ampla defesa e ao contraditório  quanto à acusação de que as remessas de lucros por ela remetidas ao exterior em  2009 e 2010 tratar­se­iam de pagamentos a beneficiários não identificados;  ●  Teria  havido  erro  de  sujeição  passiva,  pois  a  PERKONS  não  poderia  ser  responsabilizada pelo não recolhimento do IRPF relativo a remessas realizadas  pela  Helix  Brasil  S/A,  sem  que  antes  houvesse  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica  por  processo  judicial,  nos  termos  do  art.50  do  Código  Civil;  ● No curso da ação fiscal apresentara cópias dos contratos de câmbio, em que  expressamente consta a indicação dos beneficiários;  ● “...com relação à remessa de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais)  realizada  em  25/03/2002,  a  indicação  do  nome  de  BRIGITTE  RECOING  no  documento de fls.1.013 e o país Suíça parecem decorrer de um mero erro formal,  na medida em que o número de autorização ou do certificado FIRCE constante  no referido documento (IA036122) é o que autoriza a remessas de valores entre  as  empresas HELIX BRASIL  e HELIX TECHNOLOGY,  conforme  comprovante  de  fls.1.050.  Logo,  a  indicação  do  número  do  FIRCE  demonstra  que  referida  Fl. 6261DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.262            26 transação foi feita entre as empresas HELIX BRASIL e HELIX TECHNOLOGY,  não havendo que se cogitar de qualquer remessa indevida ou não identificada.”;  ● As remessas estariam devidamente contabilizadas pela Helix Brasil S/A como  remessas  de  lucros  e  dividendos  para  a  sua  controladora,  constando,  ainda,  “...em todos os contratos de câmbio de que referida operação trata da remessa  de ‘OUT. REND. CAP – INV DIRETO – LUCRO DIV BONIFICAÇÕES’”;  ●  Como  se  tratam  de  remessas  de  lucros,  não  se  sujeitaria  ao  pagamento  do  IRRF;  ● A autuação de IRRF não subsistiria também em razão de que os mesmos fatos  ensejaram  a  constituição  dos  créditos  tributários  de  IRPJ/CSLL,  como  já  decidido  administrativamente  (acórdãos  nºs  104­22.169,  104­22.169  e  108­ 09.037);  Da legalidade da amortização do ágio com propósito negocial  ●  O  Pronunciamento  Técnico  CPC  nº  4,  aprovado  pela  Deliberação  CVM  nº  553, de 12/11/08, e pela Resolução CFC nº 1.139, de 21/11/08, apenas poderia  ser aplicado aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008;  ●  A  amortização  da  última  parcela  do  ágio  resultante  da  incorporação  da  INTERLAIKIS  Participações  Ltda,  lastreada  em  laudo,  ocorrera  no  ano­ calendário  2008,  razão  pela  qual  deve  ser  considerada  válida  à  luz  do  Pronunciamento Técnico CPC nº 4 e dos artigos 384 a 386 do RIR/99;  Do não cabimento da multa qualificada de 150%  ● Os indícios que lastrearam a autuação não seriam suficientes para comprovar  o dolo, muito menos a prática dos crimes previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei  nº 4.502/64;  ● As autoridades fazendárias deixaram de comprovar a ocorrência de fraude e  sonegação, não podendo o ilícito decorrer de presunção;  ●  A  não  indicação  precisa  da  conduta  dolosa  impossibilitaria,  inclusive,  a  adequada defesa;   ●  Não  teria  havido  ocultação  das  operações,  pois  as  deduções  das  despesas  foram  devidamente  contabilizadas  e  os  balanços,  publicados  com  parecer  de  auditoria independente;  ● A decisão de primeira instância reconhecera que relativamente à amortização  do ágio, a PERKONS cumprira com as suas obrigações formais;  ● De acordo com o art.112 do CTN, a lei tributária que define infrações deve ser  interpretada favoravelmente ao contribuinte;  ●  De  acordo  com  a  Súmula  CARF  nº  14,  o  intuito  fraudulento  deve  ser  comprovado;  ● Teria caráter confiscatório a aplicação da multa no percentual de 150%, em  dissonância com o art.150, IV, da CF/88.  Fl. 6262DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.263            27 Ao  final,  o  contribuinte  ainda  se  insurgiu  contra  a  responsabilidade  solidária dos acionistas, administradores e prepostos.  Os  responsáveis  tributários  Walter  Arvido  Schause,  Walter  Alberto  Mitt Schause, Donald Elmar Schause, Eduardo Augusto Purin Schause e Samuel  Dzintar Schause, devidamente intimados por via postal em 6/7/12, 5/7/12, 5/7/12,  5/7/12  e  5/7/12,  respectivamente  (fls.5.385/5.387  e  5.389/5.390),  interpuseram  tempestivamente, em 3/8/12, recurso voluntário em conjunto (fls.5.677/5.714), em  que  inicialmente  requerem  o  “...julgamento  conjunto  dos  recursos,  com  o  aproveitamento  das  razões  e  o  empréstimo  das  provas  apresentadas  pela  PERKONS”. Em seguida, sustentam:  ­  Os  autos  de  infração  não  teriam  sido  devidamente  motivados,  pois  os  dispositivos  do CTN,  referentes  à  responsabilidade  tributária,  deixaram de  ser  correlacionados a cada uma das pessoas físicas, o que implicou em cerceamento  a direito de defesa e violação ao contraditório;  ­ O artigo 50 do Código Civil seria inaplicável ao caso, pois a desconsideração  da pessoa jurídica, para alcançar o patrimônio dos acionistas, administradores e  prepostos,  apenas  pode  ser  decretada  pelo  Judiciário,  como  já  decidido  pelo  extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão nº 102­49.191);  ­ O art.1.016 do Código Civil apenas incidiria sobre sociedades simples, que não  correspondem ao tipo societário da PERKONS ou da HELIX Brasil S/A;  ­  O  art.135,  II  e  III,  do  CTN  também  não  serviria  de  fundamento  da  responsabilidade tributária, pois pressuporia a prática de ato ilícito com caráter  doloso,  conforme  precedentes  administrativos  (acórdãos  nºs  105­13069,  204­ 01265 e 1302­000.458);  ­ A fiscalização não imputara aos responsáveis a prática de excesso de poderes,  tampouco descrevera o nexo de causalidade entre a conduta das pessoas físicas e  a  origem  dos  créditos  tributários.  “...na  medida  em  que  uma  sequência  de  operações  comerciais  seria  fruto  de  ‘simulação’,  de  acordo  com  o  Auto  de  Infração, devido à relação comercia fictícia entre a PERKONS e a HELIX Brasil  S/A  (empresas  estas  que  ‘seriam  uma  só’),  cabia  à  fiscalização  identificar,  operação por operação, quais pessoas  físicas  teriam praticado quais atos para  levá­las a cabo”;  ­  Os  administradores  da  PERKONS  não  poderiam  cogitar  a  hipótese  de  desconsideração  da  existência  da  HELIX  Brasil  S/A,  vez  que  se  trata  de  uma  pessoa  jurídica  ativa  regularmente  constituída,  além  do  fato  de  que,  em  determinadas situações, a exemplo do ágio sobre  investimento, a  realização da  operação baseou­se em parecer jurídico de renomada empresa (Deloitte);  ­ O art.124, I, do CTN, contemplaria hipótese de responsabilidade decorrente da  concomitância de pessoas num mesmo polo de relação jurídica privada;  ­ Donald Elmar Schause e Walter Arvido Schause não assinaram o contrato de  Joint  Venture  e  não  participaram da  operação  relacionada  ao  ágio,  tampouco  constaram do fluxograma elaborado pela fiscalização para ilustrar a estrutura e  o  funcionamento da suposta simulação. Ademais, deixaram de ser Diretores da  PERKONS em 2/4/08, como aponta o próprio auto de infração, razão pela qual  não poderiam ser responsabilizados por atos ou operações após  tal data; além  de não serem acionistas desde 2002;  Fl. 6263DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.264            28 ­ Walter Arvido Mitt Schause não seria acionista da PERKONS desde 17/12/02 e  não  fora  citado,  pela  fiscalização,  como  sendo  quem  detinha  o  seu  controle  direto  ou  indireto.  Também  não  consta  do  fluxograma  elaborado  pela  fiscalização para  ilustrar a  estrutura  e o  funcionamento da suposta  simulação.  Quanto  às  relações  com  a  Helix  Brasil  S/A,  “...sempre  pautou  seus  atos  –  a  exemplo  da  assinatura  do  contrato  de  Joint  Venture  na  qualidade  de  representante legal da PERKONS – partindo da premissa que a HELIX BRASIL  é  uma  empresa  legalmente  constituída  e  oficialmente  reconhecida  pelas  autoridades administrativas brasileiras”;  ­  Samuel Dzintar  Schause,  em que  pese  fosse Diretor  da PERKONS durante  o  período fiscalizado (deixou de ser acionista em 2002), não consta do fluxograma  elaborado  pela  fiscalização  para  ilustrar  a  estrutura  e  o  funcionamento  da  suposta simulação, não tendo assinado o contrato de Joint Venture. Além disso,  no auto de infração e na decisão recorrida não teriam sido especificados quais  atos ilícitos, de caráter doloso, teria praticado;  ­  Eduardo  Augusto  Purin  Schause,  durante  o  período  fiscalizado,  não  fora  Diretor  ou  preposto  da  PERKONS,  tampouco  fora  citado  dentre  aqueles  que  detinham  o  controle  direto  ou  indireto  das  ações  de  suas  ações.  Os  atos  e  condutas a ele atribuídos relacionar­se­iam à sua atuação pela Helix Brasil S/A.  “...Quanto  à  sua  participação  na  constituição  da  essoa  jurídica  da  INTERLAIKIS, a qual veio a adquirir ações da PERKONS e, mais tarde, acabou  sendo incorporada por esta, gerando ágio interno, cabe enaltecer que se trata de  operação  com  previsão  e  respaldo  legal  levada  a  efeito  sob  a  orientação  e  parecer jurídico favorável da DELOITTE”.  O  responsável  tributário  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer,  devidamente  intimado  por  via  postal  em  31/7/12  (fl.5.398),  interpôs  tempestivamente  recurso  voluntário  em  9/8/12  (fls.5.716/5.784),  em  que  se  reporta,  quanto  ao  mérito  das  autuações,  a  alguns  argumentos  de  defesa  apresentados  pelo  contribuinte.  Especificamente  quanto  à  imputação  de  responsabilidade tributária, sustentou:  = Cerceamento a direito de defesa a implicar a nulidade da autuação, pois não  seria  possível  extrair  do Termo de Verificação quais  atos  teria  praticado para  ensejar  a  responsabilidade  tributária,  não  tendo havido  a  individualização das  condutas dolosas;  = Não seria acionista da PERKONS e já se desligara do quadro de funcionários  há mais  de  dez  anos,  antes  dos  períodos  de  autuação,  sem  ter  exercido  cargo  diretivo que lhe conferisse poderes de gestão;  =  O  art.10  do  Decreto  nº  70.235/72  exigiria  a  precisa  indicação  dos  fatos  e  dispositivos legais;  = Não manteria  vínculos de natureza  familiar  com os acionistas das  empresas  integrantes  do  grupo  empresarial  controlado  pela  família  Schause,  não  desfrutando de interesse jurídico ou econômico sobre o lucro da atividade;  = O Termo  de Verificação  representaria  ofensa  aos  princípios  da moralidade,  legalidade, impessoalidade e isonomia;  Fl. 6264DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.265            29 =  Conforme  art.158,  §2º,  da  Lei  nº  6.404/76,  a  responsabilidade  pessoal  do  administrador somente se daria a partir de ato irregular de gestão ou praticado  com dolo ou culpa;  =  A  desconsideração  da  pessoa  jurídica  com  base  no  art.50  do  Código  Civil  seria medida privativa de autoridade judicial;  = A decisão recorrida, ao atribuir os fatos geradores da Helix Brasil S/A para a  PERKONS teria inovado quanto à situação de fato narrada pela fiscalização;  = Considerando que não houve a desconsideração da personalidade jurídica, os  diretores  da Helix Brasil  S/A  não  poderiam  ser  responsabilizados  por  créditos  tributários constituídos em face da PERKONS;  = A Receita Federal não estaria desincumbida de comprovar a efetiva prática de  atos de gestão da PERKONS praticados por diretores da Helix Brasil S/A;  =  A  sua  única  relação  com  a  PERKONS  seria  decorrente  da  prestação  de  serviços advocatícios;  = Jamais agira com excesso de poderes ou em desacordo com a lei ou estatuto  social, de forma que não poderia ter sido responsabilizado com base no art.135  do CTN;  = A  responsabilização  estaria  fundamentada  em  juízos  de  presunção  frágeis  e  ilógicos;  = Em razão da situação econômica e financeira da Helix Brasil S/A quando de  sua renúncia ao cargo de Diretor, não se poderia negar que exercera com lisura  a administração da sociedade;  = “... A infração à lei, exigida pelo art.135 para desencadear a responsabilidade  pessoal, somente poderia ser considerada dolosa caso os registros contábeis da  empresa  tivessem sido adulterados ou propositalmente omitidos,  o que não é o  caso dos autos”;  =  Não  teria  havido  indicação  de  quais  pessoas  teriam  interesse  comum  na  situação que constitui o fato gerador, como exige o art.124 do CTN, inexistindo  vínculo jurídico direto entre o responsável oral Recorrente e a PERKONS;  =  Dos  cinco  indícios  apontados  pela  fiscalização  para  comprovar  a  tese  da  simulação,  dois  deles  (concessão  de  empréstimo  sem  juros  à  PERKONS  e  constatação de funcionários da PERKONS na sede da Helix Brasil S/A) referir­ se­iam a fatos apurados após a saída do Recorrente da diretoria da Helix Brasil  S/A;  =  No  período  em  que  era  Diretor  da  Helix  Brasil  S/A  não  teria  havido  transferência  de  ações  em  caráter  fiduciário  a  diretores  da  PERKONS,  nem  pagamentos  de  dividendos  a  membros  do  Conselho  de  Administração  e  acionistas;  =  No  período  em  que  esteve  à  frente  da  Helix  Brasil  S/A,  o  percentual  de  adimplência dos pagamentos à Helix Brasil S/A teria sido de 70%  Fl. 6265DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.266            30 =  A  ausência  de  responsabilidade  quanto  às  operações  de  ágio  estaria  reconhecida no próprio Termo de Verificação e na decisão recorrida, “...pois seu  nome  não  é  citado  ou  vinculado  a  qualquer  das  operações  societárias  que  geraram  a  amortização  do  ágio,  o  que  já  é  suficiente  para  denotar  que  não  praticou  qualquer  ato  capaz  de  ensejar  sua  responsabilidade”.  Quando  da  criação  e  incorporação  da  INTERLAIKIS  já  havia  se  desligado  do  cargo  de  gerente financeiro da PERKONS há mais de um ano. Ademais, a Helix Brasil S/A  não participara de tais operações;  = Não  poderia  ser  responsabilizado  por  uma  penalidade  de  150%,  “...quando  não  há  provas  de  que  tenha  agido  com  dolo  ou  tenha  anuído  ou  praticado  qualquer ato simulado”;  = Por ocasião de sua nomeação como procurador da HELIX Technology teriam  sido  outorgados  poderes  limitados,  específicos  de  representação  societária,  abertura  e  gestão  da Helix Brasil  S/A,  não  tendo  viabilizado  transferências  de  ações para terceiros;  =  Quanto  aos  pagamentos  a  beneficiários  no  exterior,  não  distribuíra,  no  período em que esteve à frente da Helix Brasil S/A, quaisquer dividendos;  =  Durante  a  sua  gestão  na  Helix  Brasil  S/A  “...não  houve  transferência  de  funcionários  [...],  mas  sim  rescisão  perante  PERKONS  e  nova  contratação  perante HELIX BRASIL”, conforme documentação anexa;  = Intimado a comparecer à Receita Federal, prestara todas as informações que  lhe foram solicitadas;  = Enquanto dirigia a HELIX BRASIL S/A, o regime de tributação era pelo lucro  presumido  (regime  de  competência),  não  podendo  ser  responsabilizado  pela  alteração para o regime de caixa.  A  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  apresentou  contrarrazões aos recursos voluntários (fls.5.825/5.886) valendo­se dos seguintes  fundamentos, em resumo:  ►  Não  haveria  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  quando  os  fatos  narrados  amoldam­se  às  infrações  imputadas  e  considerando­se  os  longos  arrazoados  produzidos pelos Recorrentes;  ►  Os  requisitos  do  art.10  do  Decreto  nº  70.235/72  e  das  regras­matrizes  de  incidência teriam sido contemplados pela fiscalização;  ►  Não  se  poderia  falar  em  nulidade  do  acórdão  recorrido,  quando  este  “...analisou  todos  os  pontos  que  se  faziam  necessários  para  a  solução  da  controvérsia,  não  estando  o  julgador  obrigado  a  abordar  todas  as  questões  apontadas  pelas  partes,  desde  que  fundamente  de  forma  suficiente  o  seu  entendimento, tal como no caso dos autos”;  ► Constatada a simulação, a regra aplicável de contagem do prazo decadencial  seria a do art.173, I, do CTN, não se podendo falar em fatos geradores mensais  quanto ao IRPJ;  Fl. 6266DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.267            31 ► Os fatos expostos pela fiscalização demonstrariam a simulação na criação da  Helix  Brasil  S/A  e  a  transferência  a  esta  da  atividade  de  fabricação  das  lombadas eletrônicas da PERKONS;  ► Seria da essência do negócio simulado conferir­se aparência de seriedade e  eficácia, “...pois engendrado para provocar uma ilusão no público”;  ►  Os  artigos  118,  I,  e  149  do  CTN  permitiriam  ao  Fisco  buscar  a  verdade  material  das  circunstâncias,  para  aferir  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  os  sujeitos que o praticaram;  ► “... no âmbito do direito tributário, a conseqüência atribuída ao ato simulado  é  diferente  da  anulabilidade  –  que  opera  efeitos  no  plano  da  validade.  Ela  acontece  no  plano  da  eficácia:  os  atos  simulados  não  têm  eficácia  contra  o  fisco”;  ► Quanto ao ágio interno, não existira materialmente, não podendo subsistir a  despesa a título de amortização, pois as operações societárias foram realizadas  dentro  de  um  grupo  econômico  familiar,  sendo  que  a  estrutura  do  Grupo  Schause, antes e após as operações societárias seriam exatamente a mesma, com  exceção  do  ágio  absorvido  pela  PERKONS.  O  ágio  fora  criado  apenas  no  “papel”,  pois  não  apresenta  substrato  econômico  e  propósito  negocial  que  justifique o seu surgimento. Como confessado pelo contribuinte, a INTERLAIKIS  em  momento  algum  esperou  auferir  rendimentos  futuros  provenientes  da  PERKONS,  tanto  que  se  extinguiu  após  cinco  meses  da  aquisição  das  ações.  Também seriam desconhecidas as motivações que levaram as partes envolvidas a  concretizar o rearranjo societário. No laudo de avaliação econômico­financeira  inexistiria  consideração  quanto  à  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  PERKONS. Não teria havido qualquer pagamento aos acionistas da PERKONS.  Considerando que a INTERLAIKIS e a PERKONS eram controladas pelo Grupo  Schause, “...tem­se claro que, ao promover a aquisição das ações da Perkons S/A  pela  Interlaiks,  o  Grupo  Schause  nada  mais  fez  do  que  cobrar  o  ágio  em  si  mesmo”;  ►  Conforme  exposto  pela  fiscalização,  os  irmãos  Walter  Arvido,  Donald  e  Samuel seriam os verdadeiros “donos” da PERKONS;  ► Quanto a Walter Alberto Mitt Schause e Eduardo Augusto Purin Schause, os  autos  trariam  evidências  de  que  sempre  participaram  ativamente  da  administração da PERKONS;  ► Para a responsabilização com base no art.135 do CTN, a jurisprudência do  Superior  Tribunal  de  Justiça  reconheceria  que  o  ato  ilícito,  praticado  no  exercício da gerência, pode decorrer de ato culposo ou doloso;  ► De acordo com o art.124, I, do CTN, para que uma pessoa passe à condição  de devedor solidário deve haver um interesse comum na situação que constitua  fato gerador, reconhecida como uma pessoa que tira uma vantagem econômica  do ato, fato ou negócio tributado, conforme lição doutrinária de Rubens Gomes  de  Souza,  prestigiada  pela  jurisprudência  os  tribunais.  Sendo  os  membros  da  família Schause os únicos proprietários da autuada, “...não há como admitir que  os  interesses  da  pessoa  jurídica Perkons  fossem divergentes  e  opostos  aos  dos  sócios.  [...]  a  lucratividade  obtida  diretamente  pelos  irmãos  Samuel, Donald  e  Walter  Schause  –  destinatários  finais  de  praticamente  todos  os  dividendos  distribuídos pela Perkons, é  justamente o elo de comunhão legal que  lastreia a  Fl. 6267DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.268            32 imputação da responsabilidade solidária [...] A ‘economia’ fiscal obtida com os  atos  simulados  beneficiou  diretamente  os  irmãos  Donald,  Samuel  e  Walter  Schause, que receberam dividendos em valores muitíssimo maiores do que fariam  jus,  caso  não  tivessem  se  utilizado  de  mecanismo  engenhoso  para  fugir  à  incidência tributária”;  ►  A  qualificação  da  multa  de  ofício,  diante  dos  fatos  comprovados  pela  fiscalização,  que  demonstrariam  a  firme,  consciente,  abusiva  e  sistemática  finalidade de ludibriar o Fisco, justificar­se­ia com base no art.44, II, da Lei nº  9.430/96”.  Após o  relato dos  fatos,  a  então 3ª Turma 1ª Câmara da 1ª  Sejul, mediante  Resolução  nº  1103­000.165,  de  27/11/2014,  decidiu  pela  conversão  em  diligência  do  julgamento (fls. 5916/5944) no qual se requisitou à Unidade de origem:  “Considerando  que  a  procuração,  por  meio  da  qual  a  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENTS  LLC  outorgou  amplos  poderes  de  representação ao Sr. Eduardo Augusto Purin Schause (fls.1.061/1.067),  foi  assinada  por  Thays  Herrera  de  Salas  como  Presidente/Diretora  da  ADMINISTRALT MANAGEMENT CORP., sediada no Panamá, que, por sua  vez, geria a outorgante, faz­se necessário confirmar se esta sociedade existe  de fato e qual o seu quadro societário.  Sem  emitir,  neste  momento,  qualquer  juízo  de  valor  sobre  a  validade  e  eficácia dos  indícios  já apontados pela  fiscalização para comprovar que a  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENTS  LLC  não  existiria  faticamente,  entendo  necessário,  diante  da  informação  acostada  pelo  contribuinte  para  infirmar  a  acusação  fiscal,  colher  elementos  adicionais  para  fins  de  esclarecimento  sobre  a  situação  de  tal  sociedade  norte­ americana, desta feita através dos canais oficiais do Governo brasileiro em  cooperação com autoridades estrangeiras. Tal sociedade estaria sediada em  Wilmington,  Estado  de  Delaware  (EUA)  (1200,  Pennsylvania  Ave,  301),  conforme inscrição no CNPJ (fl.4.666), ou em Miami, Flórida (520, Brickell  Key Drive, Suíte 305), conforme procuração de fls.1.058/1.059.  A realização de diligência ainda se justifica por outras razões.  Vejamos.  Nos  termos  do  “Contrato  de  Empreendimento  Conjunto”  (fls.672/683),  celebrado  em  1º/6/02  entre  a  PERKONS  EQUIPAMENTOS  ELETRÔNICOS,  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENTS  LLC  e  HELIX  BRASIL  S/A,  tais  pessoas  jurídicas  mantiveram  entendimentos  prévios,  inclusive  tendo  celebrado  Protocolo  Preliminar  e  firmado  o  compromisso  de  realizarem  ajustes  futuros  relacionados  às  obrigações  recíprocas. Vejamos:  “[...] Através do presente Instrumento Particular, as PARTES,  acima qualificadas, CONSIDERANDO QUE:  .....  (c)  As  PARTES  já  vinham mantendo  entendimentos  tendo  em  vista  as  perspectivas  e  possibilidades  de  celebrarem Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  que  envolverá  realização  de  Fl. 6268DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.269            33 investimentos,  transferência  de  tecnologia  e  criação  ou  adaptação  de  produtos  e  serviços  para  o mercado  brasileiro,  sendo  que  a HELIX BRASIL  se  constituiu  como a  subsidiária  brasileira da HELIX LLC a finalidade de atuação no mercado  brasileiro;  (d) As  partes  assinaram,  na  data  de  25  de  julho de 2001,  um  “Protocolo  Preliminar  para  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto”,  que  disciplinou  a  análise  que  a  HELIX  fez  da  PERKONS  como  meio  para  identificação  de  seu  parceiro  estratégico para atuação no mercado brasileiro;  (e)  Para  atender  aos  objetivos  do  presente,  assim  como  às  exigências  da  legislação  brasileira  e  americana,  as  PARTES  celebrarão  uma  série  de  contratos  que  especificarão  as  obrigações  reciprocamente  assumidas  entre  si,  as  quais  integram  o  acordo  de  vontades  entre  os  signatários  deste  documento,  que  servirá  como  contrato­base  e  fonte  de  interpretação  para  os  demais  contratos  celebrados  entre  as  PARTES  [...]”  Não  obstante  o  contribuinte  valer­se  do  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto  para  infirmar  a  conclusão  da  fiscalização  relacionada  à  simulação,  deixou  de  carrear  ao  processo  os  seguintes  documentos,  cuja  existência  foi  prevista  naquele  contrato:  correspondências  relativas  às  tratativas  preliminares  com  a  HELIX  BRASIL  S/A  e  a  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENTS  LLC;  Protocolo  Preliminar  para  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto;  e  contratos  subsidiários  com  especificações das obrigações assumidas.  Faz­se  necessário,  portanto,  a  intimação  da  PERKONS  S/A  para  que  providencie  tal  documentação.  No  próprio  recurso  voluntário,  o  contribuinte  informa  que  “...a  transição  entre  deixar  de  fabricar  os  equipamentos e ceder a sua fabricação para outra empresa parceira não se  deu da noite para o dia. Foram meses de negociação prévia até que  fosse  firmado em 1/6/2002 o CONTRATO DE EMPREENDIMENTO CONJUNTO  de fls. 672/83”.  O Recorrente ainda afirma, ao justificar a não cobrança pela HELIX Brasil  S/A  de  débitos  vencidos,  que  a  demora  no  pagamento  teria  ensejado  “ajustes  negociais  contínuos  entre  as  empresas  durante  o  curso  da  parceria”  e  que  “...em  muitos  momentos  a  condescendência  da  HELIX  BRASIL  para  com  a PERKONS  foi  paga  através  de  concessões  por  parte  desta ou participações diferenciadas em outros negócios”. Contudo, deixou  de explicitar, detalhar, quais teriam sido tais ajustes e concessões, além de  não acostar a documentação que os tenha formalizado.  Por  todo o  exposto,  em homenagem ao princípio da verdade material  que  permeia o processo administrativo  tributário  federal, VOTO no  sentido de  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  de  origem  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil:  Fl. 6269DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.270            34 a)  verifique,  pelos meios  institucionais  disponíveis  (v.g.,  através  de Adido  Tributário nos EUA ou por meio de canal diplomático utilizado pela RFB  em  tais  situações),  se  a  certidão  de  fl.4.680,  com  tradução  juramentada  acostada  às  fls.5.534/5.535,  foi  emitida  pelo  Estado  de  Delaware  apenas  com  base  nos  documentos  necessários  à  sua  constituição,  ou  se  a  confirmação de possuir “existência legal” atesta também a existência fática  da  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENTS  LLC,  sediada  em  Wilmington, Estado de Delaware (EUA)  (1200  ,Pennsylvania Ave, 301) ou  em  Miami,  Flórida  (EUA)  (520,  Brickell  Key  Drive,  Suíte  305),  cabendo  realizar diligências para verificar se tal pessoa jurídica funciona ou esteve  em  operação  em  algum  daqueles  endereços,  bem  como,  ainda  que  com  a  cooperação  de  autoridades  norte­americanas,  requerer  a  pertinente  documentação que ateste a composição societária desde a constituição e as  demonstrações contábeis de 2006 a 2010;  b)  intime  a  PERKONS  S/A  para  apresentar  a  documentação  relativa  às  tratativas  prévias  à  celebração do Contrato  de Empreendimento Conjunto  com a HELIX BRASIL S/A e a HELIX TECHNOLOGY AND INVESTMENTS  LLC; o Protocolo Preliminar para Contrato de Empreendimento Conjunto;  e  os  contratos  subsidiários  com  especificações  das  obrigações  assumidas,  previstos no contrato­base;  c) intime a PERKONS S/A a detalhar quais teriam sido os ajustes negociais  contínuos travados com a HELIX BRASIL S/A durante a alegada parceria,  as  concessões  e  participações  diferenciadas  em  outros  negócios,  como  forma  de  justificar  a  não  exigência  pela  HELIX  BRASIL  S/A  de  débitos  vencidos, devendo ser apresentadas as respectivas provas;  d) informe se foi instaurado procedimento com vistas à baixa de ofício ou à  declaração de inaptidão da inscrição da HELIX BRASIL S/A no CNPJ, nos  termos da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19/8/11;  e) elabore relatório circunstanciado sobre as providências acima, podendo  acrescentar  considerações  outras  que  possam  auxiliar  no  deslinde  da  controvérsia;  f) cientifique o contribuinte e responsáveis tributários sobre o resultado da  diligência  para  que  apresentem  manifestações  limitadas  às  considerações  constantes  do  respectivo  relatório,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  conforme  art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11;  g) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento”.  Realizados  os  procedimentos  determinados,  a  Autoridade  Fiscal  elaborou  Relatório  Fiscal  de  Diligência  (fls.  6098/611),  sobre  o  qual,  devidamente  cientificados,  recorrente (fls. 6114/6121 e coobrigados, exceto Jefferson ­ fls. 6170/6180), se manifestaram,  todos  eles  rebatendo  as  conclusões  do  Fisco  e  reforçando  as  proposições  e  alegações  feitas  anteriormente em nível de impugnações e recursos voluntários.  Em  01/03/2018,  tendo  em  vista  que  a  parte  adversa,  Fazenda  Nacional,  não  tomou ciência do referido Relatório Fiscal de Diligência citado, este Relator emitiu Despacho  vazado nos seguintes termos (fls. 6193/6198):  Fl. 6270DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.271            35 “Baixados  os  autos  à  Unidade  de  origem,  foram  realizados  os  procedimentos  determinados,  valendo  destacar  a  seguinte  sequência  cronológica  e  documental,  pertinente e relevante para o que se determinará à frente:  Data  Documento  fls.  Autor  03/08/2012  Recurso Voluntário  5399/5532  Recorrente ­ Perkons  03/08/2012  Recurso Voluntário  5677/5714  Coobrigados ­  Walter,Samuel           Eduardo, Donald e  Walter Arvido  09/08/2012  Recurso Voluntário  5716/5784  Coobrigado ­ Jefferson  29/10/2012  Contrarrazões ao Recurso Voluntário  5825/5886  PGFN  27/11/2014  RESOLUÇÃO nº 1103­000.165 ­ 1ª Câm  ­ 3ª TO  5916/5944  3ª TO ­ 1ª CÂMARA ­  1ª SEÇÃO             DILIGÊNCIA        22/01/2015  Intimação da Fiscalização à Recorrente  5950/5951  Fiscalização ­  Florianópolis  13/02/2015  Resposta da Recorrente à Intimação  5952/6049  Recorrente ­ Perkons  06/07/2015  2ª Intimação da Fiscalização à  Recorrente  6050/6052  Fiscalização ­  Florianópolis  30/07/2015  2ª Resposta da Recorrente à Intimação  6054/6058  Recorrente ­ Perkons  22/10/2015  Relatório Fiscal de Conclusão da  Diligência  6098/6112  Fiscalização ­  Florianópolis  18/11/2015  Manifestação da Recorrente sobre a  Diligência  6114/6121  Recorrente ­ Perkons  09/05/2016  Intimação coobrigados sobre Diligência  6155/6168  Fiscalização ­  Florianópolis  02/06/2016  Manifestação coobrigados sobre a  Diligência  6170/6180  coobrigados ­  Walter,Samuel           Eduardo, Donald e  Walter Arvido               OUTROS DOCS.COLETADOS C/  DILIGÊNCIA        11/02/2015  Ofício nº 27/2015­RFB/Suari/Corin  6076/6081  Coordenador de  Assuntos           Tributários e  Aduaneiros ­ RFB  27/05/2015  MEMO/RFB/ADIRF­WAS nº 15/2015  6060/6075  Adido Tributário e  Aduneiro da           RFB ­ Washington ­  USA  24/09/2015  Memorando nº 234/2015­RFB/Corin  6082/6096  Coordenador de  Assuntos           Tributários e  Aduaneiros ­ RFB  O quadro acima mostra que, APÓS as manifestações da recorrente, dos coobrigados e da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  PARTES  destes  autos,  ocorreram  eventos  altamente relevantes e decisivos para a correta apreciação da  lide,  fruto da conversão  em diligência do julgamento e da coleta de  informações que com ela  foram acostadas,  inclusive documentos sigilosos vindos do Fisco norte­americano.  Fl. 6271DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.272            36 De  todos  esses  procedimentos  e  documentos,  a  recorrente  (mais  de  uma  vez)  e  os  coobrigados foram intimados, tiveram ciência e conhecimento e sobre eles se puderam  se manifestar.  Todavia, no outro pólo dos autos isso não ocorreu, diga­se, a PGFN, também parte nos  autos,  restou  prejudicada,  posto  que  ­  como  mostra  com  todas  as  tintas  o  esquema  cronológico  e  documental  antes  estampado  ­  após  sua  presença  inaugural  nos  autos  (contrarrazões ­ fls. 5825/5886 ­ 29/10/2012), a Procuradoria não mais foi intimada ou  cientificada de quaisquer procedimentos ou resultados de diligências.  Note­se não  se  tratar  de meros documentos  ou manifestações  sem maiores  relevâncias  para o processo, mas, sim, de peças extremamente importantes e até indispensáveis para  a solução do conflito, de modo que, indiscutível, as partes delas devem ter conhecimento  e sobre elas se posicionar.   Exatamente como ocorreu com a recorrente e coobrigados.  E não ocorreu com a Fazenda Pública.  Deste  modo,  em  respeito  ao  princípio  de  igualdade  de  tratamento  entre  os  litigantes,  basilar  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  a  PGFN  deve  ter  acesso  e  vista  aos  autos,  especificamente  aos  documentos  e  manifestações  elencados  no  quadro  sinótico  elaborado, para sobre eles se manifestar, se entender pertinente”.  A PGFN, cientificada, acostou petição (fls. 6200/6205), reportando­se ao teor da  diligência, ratificando manifestação já feita nas contrarrazões e pugnando pela manutenção dos  lançamentos  e  demais  imputações  presentes  no  TVF,  inclusive  a  responsabilização  solidária  dos coobrigados.  Sequencialmente, houve a juntada de outros documentos a pedido da recorrente  (fls. 6211/6230).  É  o  relatório  do  essencial,  naquilo  que  foi  possível  sintetizar,  em  face  dos  milhares de documentos presentes nos autos.                    Fl. 6272DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.273            37     Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator  A tempestividade dos recursos voluntários da recorrente e sujeitos passivos  solidários já foi atestada por ocasião da primeira análise destes autos, pela então 3ª Turma da  1ª  Câmara  da  1ª  Seção  (fls.  5940).  Do  mesmo  modo,  a  representação  processual  dos  demandantes se mostra correta e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram  atendidos, de modo que os recebo e deles conheço.  Como visto ao longo do extenso relatório, trata­se de autos de infração (fls.  3462/3583)  lavrados  contra a  recorrente Perkons S/A, com  inclusão no pólo passivo de seis  pessoas físicas tratadas pelo Fisco como sujeitos passivos solidários com enquadramento legal  nos artigos 124, I, e 135, II e III, da Lei nº 5.172, de 1966, e no art. 1.016 da Lei nº 10.406, de  10 de janeiro de 2002 (Código Civil), conforme descrito no item 9 do Termo de Verificação  Fiscal (fls. 33973460), aos seguintes administradores da Perkons S/A e Helix Brasil S/A:  . Jefferson do Carmo Bruckheimer     CPF nº 519.361.359­49   (fls. 3584/3585)  . Walter Alberto Mitt Schause      CPF nº 610.417.859­68   (fls. 3586/3587)  . Samuel Dzintar Schause       CPF nº 085.236.229­34   (fls. 3589/3590)  . Eduardo Augusto Purin Schause     CPF nº 026.394.829­39   (fls. 3592/3593)  . Donald Elmar Schause       CPF nº 033.216.909­00   (fls. 3595/3596)  . Walter Arvido Schause       CPF nº 002.937.509­63   (fls. 3598/3599)  As infrações consideradas foram as seguintes:  1.  IRPJ e CSLL: a) insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurada  após recomposição do lucro real da Perkons S/A para nele considerar as  receitas, custos e despesas da empresa fictícia Helix Brasil S/A; b) glosa  da  despesa  com  amortização  de  ágio  interno  constituído  pela  empresa  veículo  Interlaiks Participações Ltda. na aquisição de 900.000 ações da  Perkons  S/A,  que  acabou  incorporando  aquela  e  passou  a  amortizar  o  ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido.  2.  PIS  E  COFINS:  aproveitamento  a  maior  de  crédito  no  regime  não  cumulativo  sobre  o  valor  das  notas  fiscais  emitidas  pela  Helix  Brasil  S/A.  3.  IRRF:  lançamento  decorrente  do  pagamento  a  beneficiários  não  identificados no exterior.   Circunscrita a matéria em discussão, passo à análise dos autos.  Inicio pela acusação feita à recorrente e às suas manifestações recursais ao  largo deste processo.  1.  DOS LANÇAMENTOS CONTRA PERKONS S/A  Fl. 6273DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.274            38 1.1  Preliminares  Alega a  interessada  três preliminares,  i) de nulidade dos  lançamentos;  ii)  de nulidade da decisão de primeira instância; e, iii) de decadência.  Sobre a primeira, assenta, dentre outros pontos, que a fiscalização não teria  produzido  provas  que  pudessem  fundamentar  os  lançamentos  tributários,  que  devem  ser  pautados pela estrita legalidade (art.142 do CTN e art.9º do Decreto nº 70.235/72); diz que o  TVF abusaria de  termos  jocosos,  sarcásticos,  juízos pessoais, para  justificar  a ocorrência de  simulação e fraude, que não poderia ser presumida a partir de indícios. As alegações fiscais,  quando  muito,  poderiam  autorizar  a  conclusão  de  que  a  PERKONS  e  a  HELIX  seriam  parceiras,  fato  que  nunca  foi  negado;  mais,  que  a  Administração  Tributária  não  poderia  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  legais,  tampouco  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  de  empresas  com  o  intuito  de  exigir  tributos;  a  legislação  brasileira  não  exige  que  sociedades  nacionais  mantenham  em  seus  registros  informações  relativas  às  suas  controladoras, não havendo a obrigatoriedade de a fiscalizada prestá­las.  Em  suma,  estariam  violados  os  princípios  constitucionais  da  legalidade,  impessoalidade  e moralidade  administrativa,  pois  a  fiscalização  embasou  o  lançamento  em  ilações fantasiosas, alheias ao direito tributário e carentes da tecnicidade e de impessoalidade,  quando  deveria  instruir  o  auto  de  infração  com  provas  contundentes  da  ocorrência  do  fato  gerador do tributo e do dolo por parte da contribuinte.  Divirjo  da  posição  da  recorrente.  As  manifestações  presentes  no  TVF  buscaram  apenas  trazer  os  fatos  investigados  no  curso  da  ação  fiscal  e,  ainda  que  alguns  termos possam ter a conotação suscitada pela defesa, em momento algum servem de eventual  motivação para decretar a nulidade do procedimento, não sendo despiciendo lembrar que não  se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de  1972, verbis:   “Art. 59. São nulos;  I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.”  Comprovadamente,  os  Auditores  que  presidiram  o  procedimento  são  servidores de carreira, integrantes dos quadros da Receita Federal e competentes, no exercício  de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas  funções.  Ora,  sendo,  os  atos  e  termos,  lavrados  por  pessoa  competente,  dentro  da  estrita  legalidade  e  garantido o mais  absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo  legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração.  Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF2  (Decreto nº  70.235,  de  1972),  ratificando  a  inexistência  da  nulidade  pretendida,  pelo  que  se  indefere  o  pleito.                                                              2   Art. 10. O auto de  infração será  lavrado por servidor competente, no  local da verificação da falta, e conterá  obrigatoriamente:    I ­ a qualificação do autuado;    II ­ o local, a data e a hora da lavratura;    III ­ a descrição do fato;  Fl. 6274DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.275            39 Ademais,  ao  reverso  do  entendimento  dos  recorrentes,  os  dois  Relatórios  Fiscais  (TVF  e  de  Diligência),  os  autos  infração,  os  termos  lavrados  e  os  milhares  de  documentos acostados autos permitem uma ampla, detalhada e exaustiva visão daquilo que o  Fisco  imputou aos  autuados  e  responsabilizados,  sem cometimento de qualquer mácula que  pudesse afetar o procedimento.  Mais a mais, na fase litigiosa do procedimento foram observadas as normas  e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, sendo que o enfrentamento das  questões  pela  impugnante  denota  perfeita  compreensão  das  infrações  apuradas  de  ofício.  Demais  disso,  não  se  olvide,  no  período  investigativo  (que  ocorre  durante  o  procedimento  fiscal),  a autoridade  fiscal  tem liberdade de  interpretar os elementos disponíveis para apurar  eventual descumprimento das obrigações tributárias, inclusive mediante indicação de indícios  de  ilícito,  cabendo  aos  órgãos  julgadores,  quando da  apreciação  dos  autos,  a verificação  da  procedência ou não da conclusão fiscal.  Por isso, afasto a preliminar de nulidade dos lançamentos.  Sobre a segunda preliminar, de possível nulidade da decisão de primeira  instância, melhor sorte não lhe socorre.  Assenta  que  argumentos  e  provas  juntadas  com  a  impugnação  foram  ignorados  pela  DRJ,  a  saber,  a)  alegação  de  ofensa  ao  art.17  do  Estatuto  da Criança  e  do  Adolescente, em razão da exposição, pela fiscalização, da imagem de crianças sem a devida  autorização  dos  pais  ou  responsáveis;  b)  laudo  fotográfico  das  instalações  da  sede  da  PERKONS  na  cidade  de  Colombo  (PR)  e  posteriormente  em  Pinhais  (PR),  e  também  da  HELIX BRASIL S/A, para comprovar que não estão estabelecidas em um mesmo endereço;  c) cópias de contas de água, luz e telefone recentes, de alvará de funcionamento, e de alteração  do  contrato  social  em  18/4/02,  que  comprovam  a  existência  de  uma  sede  estruturada  e  compatível com suas finalidades, situada à Av. Marginal José de Anchieta, 458, Vila Guarani,  Colombo (PR); d) Laudo de Fiscalização de Processo Produtivo, elaborado pelo Ministério da  Ciência e Tecnologia, para comprovar que a HELIX estava, na época da fiscalização, à frente  do  processo  de  produção  das  lombadas  eletrônicas,  ou  seja,  de  que  houve  transferência  da  atividade fabril da PERKONS para a HELIX; e) ausência de fiscalização do estabelecimento  industrial da HELIX BRASIL S/A; f) ilações acerca do propósito negocial da “joint venture”;  (g)  documentos  comprobatórios  do  propósito  negocial  da  transferência  do  processo  de  fabricação das lombadas eletrônicas para a HELIX BRASIL S/A; h) cópias de recentes editais  de licitação para comprovar que o atual objetivo da PERKONS é a prestação de serviços, não  a  fabricação de equipamentos utilizados na fiscalização de trânsito;  i) decisões  judiciais que  afastam  a  sucessão  e  responsabilidade  da  PERKONS  sobre  as  dívidas  da  LAPSEN;  (j)  pareceres  de  auditorias  externas,  demonstrações  contábeis,  comprovantes  de  importação  de  insumos, relatório de ativo imobilizado, registro de marca perante o INPI, balanços publicados  no Diário Oficial, e premiação concedida pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná e pelo  Jornal  Indústria  e Comércio  do  Paraná,  comprovam  a  existência  fática  da HELIX BRASIL  S/A.  Ocorre que, no desenvolvimento do seu voto, o Relator de 1º Grau faz uma  análise  pormenorizada  de  todo  contexto  fático  que  envolveu  ação  fiscal,  desde  as  incisivas                                                                                                                                                                                           IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;    V ­ a determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias;    VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.    Fl. 6275DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.276            40 acusações do Fisco (algumas, como reclamado pela recorrente até em tons “jocosos, sarcásticos  e  com  juízos  pessoais”),  passando  pela  apreciação  acurada  e  parcimoniosa  das  arguições  e  provas acostadas pela contribuinte e sujeitos passivos solidários sem se perder um só instante  em tal análise e, mais que isso, sem se omitir em apreciar o cenário de forma completa, ainda  que,  pontualmente,  possa  não  ter  feito  referência  a  uma  específica  documentação, mas  que  acabou por restar ponderada no quadro completo e na decisão final.  Dizendo de outro modo, a decisão recorrida entendeu que o substrato fático­ jurídico  exigido  para  suas  conclusões  mostraram­se  suficientes  para  externar  seu  voto  e  prolatar a decisão.  Demais  disso,  como  assente  em  recentes  julgados  do  Supremo  Tribunal  Federal,  não  está  o  julgador  obrigado  a  abordar  todas  as  questões  apontadas  pelas  partes,  desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso dos autos.  Nesse sentido, destacam­se  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  ADMINISTRATIVO.  (...)  AUSÊNCIA  DE  PRESTAÇÃO  JURISDICIONAL  NÃO  VERIFICADA NA ESPÉCIE. VIOLAÇÃO AO ART. 93, IX, DA  CF.  INOCORRÊNCIA.  REPERCUSSÃO  GERAL  NÃO  ANALISADA  EM  FACE  DE  OUTROS  FUNDAMENTOS  QUE  OBSTAM  O  SEGUIMENTO  DO  APELO  EXTREMO.  DECISÃO  QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.  (...)  5.  O  artigo  93,  IX,  da  Constituição  Federal  resta  incólume  quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia­se  de  forma  clara  e  suficiente  sobre  a  questão  posta  nos  autos,  máxime o magistrado não estar obrigado a rebater, um a um, os  argumentos  trazidos  pela  parte,  quando  já  tiver  fundamentado  sua  decisão  de  maneira  suficiente  e  fornecido  a  prestação  jurisdicional  nos  limites  da  lide  proposta.  Precedentes  desta  Corte:  AI  688410  AgR,  Relator:  Min.  Joaquim  Barbosa,  DJe  30/03/2011;  AI  748648  AgR,  Relator:  Min.  Dias  Toffoli,  DJe19/  11/2010.  (...)  7.  Agravo Regimental  desprovido.  (AI  855982 AgR,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  Primeira  Turma,  julgado  em  18/09/2012,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  DJe193  DIVULG  01102012 PUBLIC 02102012)      Agravo  de  Instrumento.  Conversão  em  recurso  extraordinário  (CPC,  art.  544,  §§  3°  e  4°).  2.  Alegação  de  ofensa  aos  incisos  XXXV  e  LX  do  art.  5º  e  ao  inciso  IX  do  art.  93  da Constituição  Federal.  Inocorrência. 3. O  art.  93,  IX,  da Constituição Federal  exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que  sucintamente,  sem determinar, contudo, o exame pormenorizado  de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os  fundamentos  da  decisão.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para  reconhecer  a  repercussão  geral,  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal,  negar  provimento  ao  recurso  e  autorizar  a  adoção  dos  procedimentos  relacionados  à  repercussão  geral.  (AI  791292  QORG,  Relator(a):  Min.  GILMAR  MENDES,  julgado  em  23/06/2010,  DJe149  DIVULG  12082010  PUBLIC  13082010  EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011,  Fl. 6276DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.277            41 p. 113118 ).  Assim,  em  vista  do  parcimonioso,  cuidadoso,  fundamentado  e  proficiente  acórdão de 1º Grau, as argumentações da  recorrente sobre possível nulidade da decisão de  primeira  instância  não merecem  guarida,  pelo  que  a  rejeito,  ainda mais  porque  a  própria  contribuinte  acabou  por  requerer  a  sua  análise  “em  sede  de  Recurso  Voluntário”  (RV  –  fls.  5423).  Quanto  a  aspectos  intrigantes  aduzidos  pela  recorrente  como  a  alegada  ofensa  ao  art.17 do Estatuto da Criança  e do Adolescente,  em  razão de  possível  exposição,  pela fiscalização, da imagem de crianças sem a devida autorização dos pais ou responsáveis,  devem se circunscrever aos limites da legislação que cuida da matéria e que, por certo, não é a  tributária.  Finalmente,  acerca  da  aventada  preliminar  de decadência,  tendo  em  vista  que sua caracterização passa pela manutenção ou não da multa qualificada, quando se definirá  se  a  contagem  decadencial  sujeita­se  ao  artigo  150,  §  4º,  ou  173,  I,  do  CTN,  o  tema  será  tratado no mérito.  1.2 Mérito  1.2.1 – Dos Lançamentos de IRPJ e de CSLL  1.2.1.1 – 1ª Infração – Redução Indevida nº de IRPJ e de CSLL  (Item 7.1 do TVF (fls. 3448/3450) e Autos de Infração de IRPJ/CSLL (fls.  3466 e 3484, respectivamente)   A Autoridade Fiscal, depois de elaborar detalhado e incisivo TVF relatando  passo  a  passo  a  investigação  havida  na  recorrente  (e  na  empresa  Helix),  bem  como  nas  pessoas físicas às quais foram imputadas as sujeições passivas que aqui também se analisam,  assim resumiu a primeira das infrações:  “A  utilização,  pelos  acionistas/administradores  da PERKONS,  de  empresa  fictícia  no  exterior  possibilitou  a  criação  de  uma  subsidiária,  também  fictícia,  a  HELIX  BRASIL S/A.  PERKONS S/A e HELIX BRASIL S/A atuam como uma única empresa.  Mesmo que a considerássemos como a filial baixada em abril/2002, as notas fiscais  emitidas  pela  HELIX  BRASIL  S/A  não  se  constituem  em  despesas  dedutíveis  no  cálculo do IRPJ e CSLL da fiscalizada PERKONS. Não correspondem a operações  comerciais  normais  e  usuais  e  muito  menos  necessárias.  Representam  uma  simulação.  Assim,  procedemos  à  recomposição  do  Lucro  tributável  da  PERKONS,  conforme  Demonstrativos à  fls. 3249/3254  (anexas a  este Termo),  de  forma que evidencie o  resultado  econômico  do  único  negócio  explorado  pela  contribuinte.  Nesta  recomposição,  feitas a partir da base de cálculo anual do IRPJ (Lucro Real) e da  base de cálculo da CSLL,  informados na DIPJ, nos anos­calendário 2006 a 2009,  são  feitos  os  seguintes  ajustes  para  que  se  obtenha  os  valores  de  IRPJ  não  recolhido e CSLL não recolhida:    Fl. 6277DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.278            42 1.  Adicionados os valores das Notas Fiscais emitidas pela HELIX;    2.  Adicionadas outras receitas obtidas pela HELIX;    3.  Excluídas as Devoluções e os impostos contabilizados pela HELIX;    4.  Excluídos os Custos e Despesas contabilizados pela HELIX;    5.  Ao IRPJ e CSLL devidos após a recomposição foram deduzidos/compensados  a  provisão  para  os  mesmos,  informados  em  DIPJ  da  PERKONS,  bem  como  os  valores declarados/recolhidos trimestralmente pela HELIX.  As  receitas,  custos  e  despesas  da  HELIX  BRASIL  S/A,  consideradas  na  recomposição acima destacada, são os constantes nos balancetes de fls. 3320/3248.  Os  valores  originais  de  IRPJ  não  recolhido,  verificados  nesta  infração  são  os  seguintes”:  Ano­calendário  IRPJ não recolhido  2006     1.517.838,74   2007     702.141,30   2008     5.112.128,84   2009     2.620.317,12   TOTAL     9.952.426,00   Em síntese, o entendimento da Fiscalização ao perpetrar tais lançamentos foi  de que inexistiria a empresa Helix e todas as suas operações, na verdade, foram realizadas pela  recorrente Perkons.  Para melhor compreender este  raciocínio  e verificar  sua procedência,  insta  circular pela acusação, peças de defesa e contrarrazões da PGFN.  De  acordo  com  o  TVF,  os  gestores  da  Perkons  teriam  decidido  dividir  a  atividade  operacional  de  fabricação  das  lombadas  eletrônicas,  para  passar  a  prestar  apenas  serviços de fiscalização eletrônica de trânsito (TVF ­ fls. 3397/3460), tendo sido repassado à  Helix Brasil S/A, que seria a subsidiária brasileira da norte­americana Helix Technology And  Investiments, LLC, offshore3 constituída nos Estados Unidos da América, mais precisamente  na cidade de Wilmington, Estado de Delaware4.                                                              3 Segundo a enciclopédia  livre Wikipédia,  “Offshore é o nome comum dado às empresas e contas  bancárias abertas em  territórios onde há menor  tributação  (em comparação ao país de origem dos  seus  proprietários,  e  geralmente  referidos  como  paraíso  fiscal)  para  fins  lícitos  (mas,  por  vezes,  ilícitos,  quando  estas  ocultam  a  origem  do  dinheiro  seja  por  crime  ou  corrupção).  Essa  empresas  offshore  (em  inglês:  offshore  company)  também  são  chamadas  de  sociedade  extraterritorial  ou  empresa extraterritorial.   Fl. 6278DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.279            43 Porém, no linguajar do Fisco, na realidade toda a operação continuou a ser  explorada  pela  Perkons  posto  que,  efetivamente,  ela  e  a  Helix  Brasil  seriam  uma  única  empresa em face de serem comandadas pelos mesmos acionistas/administradores, trabalharem  com os mesmos funcionários e possuírem o mesmo parque fabril  (no imóvel sito à Rodovia  BR 116, km 399, nº 6.340, Tarumã, Curitiba/PR),  cuja  finalidade maior  seria  sonegar parte  dos tributos que deveriam ser da recorrente, colocando os resultados por esta auferidos fora do  alcance  da  execução  dos  credores  da  ex­controladora  Lapsen  S/A  e  permitir  a  remessa  indevida de recursos para o exterior (remessa de R$ 5.955.000,00 nos anos­calendário 2009 e  2010),  tudo  mediante  a  constituição  e  utilização  da  referida  offshore  cujos  sócios  seriam  Yuzik Baskin e Thays Herrera de Salas, tendo cadastro no CNPJ sob nº 06.939.171/0001­67,  em 01/08/2002.  Para sustentar sua tese de acusação o Fisco desenvolveu, resumidamente, o  seguinte raciocínio5 (a descrição minuciosa encontra­se no TVF):  •  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  (CPF  nº  519.361.359­49)  foi  nomeado  procurador  da  Helix  Technology  –  conforme  procurações  outorgadas por Yuzik Baskin em 22/05/2001 e 13/12/2001 (fl. 1057) –  e  constituiu  a  subsidiária  brasileira Helix Brasil  S/A  em 07/11/2001,  conforme  Ata  da  Assembleia  Geral  de  Constituição  de  Sociedade  Anônima por Subscrição Particular de Capital (fls. 1267/1281), tendo  sido  seu  Diretor  Administrativo  até  25/02/2002,  quando  passou  a  acumular  o  cargo  de  Diretor  Financeiro,  após  a  saída  de  Rogério                                                                                                                                                                                         Dado que a grande maioria dos países que permitem a criação desse tipo de empresa anônima — ou  a  abertura  desse  tipo  de  contas  bancárias  anônimas —  fica  em  ilhas  (tais  como  as  Bahamas,  as  Bermudas, a  ilha de Nevis, a  ilha de Jersey, as  ilhas Cayman, as  ilhas Virgens Britânicas, etc.), por  extensão  de  sentido,  esse  tipo  de  empresa  anônima  ou  de  conta  bancária  anônima  passou  a  ser  chamado de offshore, embora alguns países continentais chamados de onshore, tais como Andorra,  Belize, o Grão­Ducado do Luxemburgo, o Panamá ou mesmo Mônaco, também as permitam, usando  esquemas  legais  diferentes,  porém  de  resultados  equivalentes.  O  termo  vem  dos  tempos  dos  corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem offshore (fora da costa)”.    4 Quando surgem denúncias de crimes financeiros, envolvendo tanto dinheiro público quanto privado,  quase sempre aparecem referências a empresas offshore. A expressão inglesa significa "ultramar",e  também é aplicada para denominar categorias de embarcação marítima e uma técnica de extração de  petróleo  em  águas  profundas.  No  caso  das  empresas,  a  expressão  inicialmente  foi  usada  apenas  para  indicar uma sociedade anônima  implantada  fora do país de origem de seus dirigentes. Com o  tempo,  porém,  o  rótulo  offshore  tomou  características  bem  específicas  e  passou  a  definir  uma  empresa criada em um paraíso fiscal, de forma apenas cartorial, ou seja, ela está registrada em um  país no qual não desenvolve nenhuma atividade. Normalmente o endereço é uma caixa postal ou um  representante especializado em sediar empresas desse tipo. O objetivo da offshore é apenas realizar  operações financeiras no paraíso fiscal, quase sempre com o intuito de escapar da tributação ou de  fazer investimentos no exterior. Mas como estão localizadas em paraísos fiscais, onde as aplicações  de  recursos  sem  origem  comprovada  são  aceitas  e  o  sigilo  bancário  é  garantido,  as  offshore  se  prestam perfeitamente à  lavagem de dinheiro e à sonegação de  impostos. Os paraísos  fiscais mais  utilizados pelos brasileiros, atualmente, são as Ilhas Cayman e as Ilhas Virgens Britânicas. (Boletim  Desafios  do Desenvolvimento  do  IPEA  –  Instituto  de  Pesquisa  Econômica  Aplicada  –  2005  ­  Ano 2 ­ Edição 15 ­ 01/10/2005).     5 Pela  correta  síntese  que  fez  da  acusação  e  dos  argumentos  da  defesa  neste  item,  sirvo­me  do  exemplar voto condutor da decisão recorrida (fls. 5322/5326).    Fl. 6279DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.280            44 Ricardo Bailer, conforme Ata de Assembleia Geral Extraordinária de  25/02/2002 (fls. 1282/1283);  • em 01/05/2008, Jefferson do Carmo Bruckheimer foi substituído por  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  (CPF  nº  026.394.82939),  nomeado  novo procurador da subsidiária brasileira por Thais Herrera de Salas,  na  condição  de  diretora  da  empresa  panamenha  Administralt  Management  Corp.  (fls.  1060/1067),  conforme  Ata  da  Sétima  Assembleia Geral Extraordinária de 21/07/2008 (fl. 1324/1325);  • em 17/11/2011, Jefferson do Carmo Bruckheimer declarou, por meio  do Termo de Depoimento (fls. 1107/1110), que:  .  foi  gerente  financeiro  da  Perkons  S/A  entre  junho/2000  e  junho/2001;  .  não  conhece  pessoalmente  Yusik  Baskin  e  Thays  Herrera  de  Salas,  mas  foi  indicado  procurador  da  Helix  Technology  em  função do vínculo mantido com a interessada;  .  questionado  se  prestou  contas  da  procuração  recebida,  respondeu  que  apenas  apresentou  as  demonstrações  financeiras  da  Helix  Brasil,  as  quais  foram  entregues  pela  Perkons  aos  representantes da Helix Technology;  . não esteve presente, no Consulado do Brasil em Miami/EUA,  na  consularização  da  procuração  outorgada  por  Yusik  Baskin,  nem na da sua revogação por Thays Herrera de Salas;  .  jamais  esteve  na  sede  da  Helix  Technology,  no  Estado  de  Delaware/EUA,  tendo  apenas  comparecido,  uma  vez,  ao  escritório de advogados que representam os  interesses da Helix  Technology, na cidade de Miami/EUA;  .  desconhece  o  fato  de  Yusik  Baskin  constar  como  sócio/representante/diretor  de  30  empresas  no Registro  Público  do Estado da Flórida/EUA (fls. 1541/1570) – todas dissolvidas e  com o mesmo endereço, dentre elas a Multi Corporate Serviços  (registro  às  fls.  1556  e  1575,  que  representou  a  Helix  Technology  na  assinatura  do  contrato  de  “Joint  Venture”  em  12/11/2002)  –  e  de  20  no  Registro  Público  do  Panamá  (fls.  1571/1574),  assim  como  o  fato  de  Thays  Herrera  de  Salas  constar  como  sócia/proprietária/representante  de  mais  de  3000  empresas no Panamá (fls. 1585/1695), dentre elas a Administral  Management  Corp  (que  representou  a  Helix  Technology  na  revogação  em 01/05/2008 da procuração  concedida  a  Jefferson  Bruckheimer);  . desconhece o  fato de Yusik Baskin  e Thays Herrera de Salas  estarem  envolvidos  em  processos  de  investigação  de  fraude  no  Peru e na Argentina, respectivamente;  Fl. 6280DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.281            45 •  na  condição  de  procuradora  jurídica  da  Helix  Brasil  S/A,  Inaia  Nogueira  Queiroz  Botelho  declarou  (fls.  729/736),  em  resposta  ao  Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 726/728), que:  .  não  tem  conhecimento  do  quadro  da  atual Diretoria  da Helix  Technology, pois não  tem acesso a  tais  informações e nem aos  seus documentos estatuários;  .  as  demonstrações  financeiras  da  Helix  Technology  são  documentos  contábeis  particulares  da  mesma  e  não  estão  acessíveis à Helix Brasil;  .  da  leitura  das  traduções  juramentadas  das  procurações  outorgadas  pela  Helix  Technology  em  favor  de  seus  procuradores no Brasil, depreende­se que Yuzik Baskin e Thays  Herrera de Salas ocupavam o cargo de “Diretor único” daquela  empresa;  • Eduardo Augusto Purin Schause (novo procurador e diretor da Helix  Brasil desde maio/2008) possuía 1,93% da quotas do capital social da  Perkons  Equipamentos  Eletrônicos  Ltda.  e  foi  seu  diretor  até  16/12/2002,  quando  a  interessada  foi  transformada  em  sociedade  anônima  com  a  denominação  de  Perkons  S/A,  conforme  Ata  de  Assembleia  Geral  de  Constituição  de  Sociedade  Anônima  por  Transformação de Tipo Societário (fls. 384/389 e 1180/1190);  •  em  30/12/2002,  as  ações  da  Perkons  S/A  pertencentes  a  Walter  Alberto Mitt  Schause  (98,07% do  capital  social)  e Eduardo Augusto  Purin Schause  (1,93%) foram repassadas  a Dargos Participações S/A  (CNPJ  nº  05.579.097/0001­52,  com  33,34%  das  ações),  Laime  Participações  S/A  (CNPJ  nº  05.973.683/0001­87,  com  33,33%)  e  Naudin  Participações  S/A  (CNPJ  nº  05.610.293/0001­42,  com  33,33%),  conforme Livro Registro de Ações Nominativas  e Registro  de  Transferências  de  Ações  Nominativas  (fls.  1506/1540)  e  Ata  da  Assembleia  Geral  Extraordinária  realizada  em  30/12/2002  (fls.  1191/1192), sendo que Eduardo Augusto Purin Schause detém 33,33%  das ações da Laime Participações S/A;  •  as  participações  societárias  da  Helix  Brasil  pertenciam  até  2007  a  Helix  Technology  (99,88%)  e  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  (0,12%);  tendo em vista a exigência prevista no artigo 146 da Lei nº  6.404,  de  1976,  de  que  todos  os  membros  do  Conselho  de  Administração  fossem  obrigatoriamente  acionistas,  a  participação  da  controladora norte­americana foi reduzida para 92,20% em 2008 para  que os 8,80% restantes fossem distribuídos aos seguintes membros do  Conselho  de  Administração  e  da  Diretoria:  Richard  Budal  da  Costa  (3,84%), José Mario Fonseca de Andrade (3,84%) e Eduardo Augusto  Purin Schause (0,12%); ao final de 2009 a Helix Technology detinha  73,92% das ações da Helix Brasil, enquanto os 26,08% pertenciam aos  seguintes  conselheiros  e  diretores:  Richard  Budal  da  Costa  (9,97%),  Fl. 6281DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.282            46 José Mario Fonseca de Andrade (7,67%), Jorge Benedito de Miranda  (3,84%) e Eduardo Augusto Purin Schause (4,60%);  •  os  17,28%  das  ações  ordinárias  nominativas  da  Helix  Brasil  distribuídos  em  2009  foram  cedidos  por  Eduardo  Augusto  Purin  Schause,  na  qualidade  de  titular  de  ações  da  Helix  Brasil  S/A,  por  meio de Termos de Cessão Fiduciária de Ações, de caráter fiduciário,  precário  e  temporário,  a  ele  próprio  (120.000  ações  ordinárias,  à  fl.  1068),  a  Richard  Budal  da  Costa  (260.000  ações  ordinárias,  à  fl.  1071), a José Mario Fonseca de Andrade (200.000 ações ordinárias, à  fl. 1070) e a Jorge Benedito de Miranda (100.000 ações ordinárias, à  fl. 1069);  •  tais  ações  ordinárias  nominativas  proporcionam  expressivo  rendimento de distribuição de lucros da Helix Brasil (fls. 3325/3328),  mas  tais  acionistas  ainda  mantinham  vínculo  empregatício  com  a  Perkons S/A:  .  Richard  Budal  da  Costa  foi  funcionário  da  Perkons  até  02/05/2011,  quando  passou  a  ser  diretor  da  Helix  Brasil,  conforme  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais/CNIS  (fl.  3201), e é casado com Melissa Andréa Winter Schause (filha de  Samuel Dzintar Schause);  . José Mario Fonseca de Andrade foi funcionário da Lapsen S/A  entre  16/11/1987  e  08/06/1993,  tendo  sido  contratado  pela  Perkons  em  01/04/1997,  onde  ocupa  o  cargo  de  diretor  (CBO  1233  e  23910),  conforme  consta  do  CNIS  (fl.  3194)  e  DIRPF  2011 (fls. 3186/3193);   Jorge  Benedito  de  Miranda  foi  funcionário  da  Lapsen  entre  05/05/1975 e 29/11/1997,  tendo sido transferido para a Perkons  em 01/12/1997 como gerente de produção (CBO 1412 e 24220),  conforme consta do CNIS (fl. 3215) e DIRPF 2009 e 2010 (fls.  3202/3214);  • quanto aos funcionários comuns, a autoridade fiscal verificou que:  .  a  Helix  Brasil  registrou  seus  primeiros  16  funcionários  em  01/05/2002,  conforme  relação  do CNIS  (fls.  3329/3348),  todos  oriundos da Perkons;  . em verificação efetuada nas dependências da Helix Brasil  em  17/11/2011,  a  fiscalização  constatou  que  nas  24  horas  que  antecederam  aquela  visita,  73  funcionários  da  Perkons  trabalharam  naquele  local,  conforme  Registro  Eletrônico  de  Ponto (fls. 1097/1106) do estabelecimento matriz da interessada  (CNPJ  nº  82.646.332/0001­02,  localizado  à  Rua  Humberto  de  Alencar Castelo Branco, 388, Pinhais/PR), enquanto da  relação  da  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  de  Informações  à  Fl. 6282DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.283            47 Previdência  Social/GFIP  da  Helix  Brasil  de  setembro/2011  constou que estavam registrados 37 segurados;  . no Cadastro Geral de Empregados  e Desempregados/CAGED  do  mês  de  maio/2011  (fls.  1085/1094)  consta  que  20  funcionários da Perkons  foram transferidos para a Helix Brasil,  tendo  essas  transferências  sido  realizadas  como  código  de  movimento  80/Transferência  de  Saída  (na  Perkons)  e  70/Transferência de Entrada (na Helix Brasil), sem encargos de  rescisões  contratuais,  observando­se  que  a  transferência  sem  ônus  rescisórios  de  trabalhadores  é  característica  típica  de  empresas de um mesmo grupo empresarial, conforme artigo 2º, §  2º, da CLT;  . o Livro de  Inspeção do Trabalho mantido no  estabelecimento  da BR 116, Km 399, nº 6.340 é o da filial da Perkons com CNPJ  nº 82.646.332/0002­93, que funcionava no local até ser baixada  em  25/04/2002,  livro  no  qual  a  fiscalização  do  Ministério  do  Trabalho efetuou seis registros após 2002 (fls. 1074/1084).  • Quanto ao fato de possuírem o mesmo parque fabril (no imóvel sito à  Rodovia  BR  116,  km  399,  nº  6.340,  Tarumã,  Curitiba/PR),  a  autoridade fiscal constatou que:  •  o  imóvel  sito  à  Rodovia  BR  116,  km  399,  nº  6.340,  Tarumã,  Curitiba/PR, havia sido entregue pela Lapsen S/A na integralização do  capital  social  da  Perkons  S/A  em  05/03/1991,  conforme  Contrato  Social  (fls.  1115/1120),  e  no  qual  foi  instalada  a  sua  sede  (fls.  5192/5201);  •  na  tentativa  de  escapar  dos  seus  credores,  a  Lapsen,  que  se  encontrava  em  procedimento  de  falência  requerida  (autos  11.802  de  falência),  se  retira  da  sociedade  em  01/07/1993  e  promove  a  desincorporação desse imóvel do patrimônio da Perkons, conforme 4ª  Alteração  do  Contrato  Social  da  interessada  (fls.  1136/1139)  ;  esse  imóvel foi reincorporado ao patrimônio da interessada em 07/07/1997,  conforme 10ª Alteração do Contrato Social (fls. 1153/1154) e Aditivo  de  Contrato  Particular  (fls.  11561158),  mas  o  aumento  de  capital  decorrente é distribuído entre Walter Alberto Mitt Schause (98,07%) e  Eduardo Augusto Purin Schause (1,93%);  • por determinação do juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba  foi  decretada  a  arrecadação  desse  imóvel  para  garantir  dívidas  da  massa  falida  da  Lapsen  S/A,  conforme  anotação  efetuada  em  24/11/2005  na  matrícula  2.002  do  Registro  de  Imóveis  –  3ª  Circunscrição de Curitiba/PR (fls. 3283/3284);  •  apesar  da  reintegração  desse  imóvel,  a  Perkons  celebrou,  em  01/12/1997,  Contrato  de  Locação  a  Título  Precário  com  a  Massa  Falida de Lapsen S/A (fls. 1465/1468), com validade até 30/04/2002,  para aluguel do pavimento inferior do bloco administrativo, mediante  Fl. 6283DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.284            48 pagamento  mensal  de  R$  500,00,  com  reajuste  anual  com  base  na  variação do IPC/FGV; em 01/10/1998 e 01/01/2000 a Perkons firmou  Termos Aditivos para aumentar a área objeto de locação, que passou a  compreender  o  pavimento  superior  do  bloco  administrativo  (fls.  1469/1470)  e  a  área  fabril  e  terreno  com  frente  para  a  Rua  Afonso  Pena  (fls.  1471/1472),  com  o  valor  total  mensal  ajustado  para  R$  3.000,00;  •  esse  imóvel  –  que  havia  passado  a  abrigar  a  filial  CNPJ  nº  82.646.332/0002­93  em  1993  (filial  mantida  nesse  endereço  até  ser  fechada  em  18/04/2002)  –  voltou  a  ser  o  estabelecimento  sede  da  Perkons  entre  02/01/1998,  conforme  11ª  Alteração  Contratual  (fls.  1159/1161) e 18/04/2002, quando foi transferida para a Av. Marginal  José  de  Anchieta,  458,  Vila  Guarani,  Colombo/PR,  conforme  17ª  Alteração Contratual (fls. 1176/1177);  • contudo, desde novembro/2001 parte do aluguel mensal foi pago pela  Helix Brasil  (fls. 1482/1484), que nesse imóvel  instalou sua sede em  07/11/2001,  conforme  Ata  da  Assembleia  Geral  de  Constituição  de  Sociedade  Anônima  por  Subscrição  Particular  de  Capital  (fls.  1267/1281);  • apenas em 30/04/2003 foi firmado do Contrato de Locação de todo o  imóvel da Rodovia BR 116, km 399, nº 6.340, entre a Massa Falida de  Lapsen  S/A  e  a  Helix  Brasil  (fls.  1051/1054),  mediante  pagamento  mensal de R$ 10.000,00, com reajuste anual com base na variação do  IPC/FGV.  •  Os  equipamentos  fabricados  pela  Helix  Brasil  S/A  foram  locados  para a própria Perkons S/A, que contabilizou tais valores no custo dos  serviços prestados:  •  em  01/06/2002,  a  Perkons,  a Helix  Technology  (representado  pela  Multi Corporate Services, Inc., atualmente dissolvida) e a Helix Brasil  firmaram o Contrato de Empreendimento Conjunto (contrato de “Joint  Venture”,  às  fls.  672/683),  o  qual  dispôs  acerca  da  colaboração  empresarial  das partes  com a  finalidade de  se  atingirem os  seguintes  objetivos:  .  realização  de  investimentos  para  promover  a  fabricação,  comercialização, instalação, manutenção e prestação de serviços  relacionados  às  lombadas  eletrônicas,  seus  componentes,  manufaturados e demais artefatos correlatos ou afins;  .  licenciamento  do  uso  das  patentes  para  a  fabricação  de  lombadas eletrônicas, bem como a transferência de tecnologia a  ela aplicável;  .  desenvolvimento  de  projetos  e  pesquisas  atinentes  ao  conhecimento  tecnológico,  abrangendo  o  incremento  e  o  Fl. 6284DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.285            49 desenvolvimento  de  novos  processos  industriais  e  tecnológicos  aplicáveis às lombadas eletrônicas e suas formas de utilização;  .  alocação  e  adequação  de  recursos  humanos,  financeiros  e  tecnológicos  existentes  e  futuros;  (v)  redução  de  custos  com  a  fabricação  e  operação  das  lombadas  eletrônicas,  bem  como  o  aprimoramento  e  otimização  tecnológica  dos  respectivos  processos industriais;  .  inserção  e  colocação  das  lombadas  eletrônicas  no  Brasil,  mediante  ações  de  desenvolvimento  e  ampliação  do  mercado  existente,  inclusive  através  da  venda  para  a  Administração  Pública;  • A Helix Brasil adquiriu dos irmãos Schause, em 2002, os direitos de  propriedade  industrial  da  lombada  eletrônica  pelo  valor  total  de  R$  570.000,00, pagos parceladamente entre julho/2002 e março/2003 (fls.  4014/4015);  • 99% do faturamento da Helix Brasil decorre do Contrato de Locação  firmado com a interessada em 01/03/2003 (fls. 646/653),com base no  “Acordo de Joint Venture”existente entre as partes, por meio do qual  foram  alugados os  equipamentos  (lombadas  eletrônicas)  relacionados  no Anexos  I  e  II  do  referido  contrato,  cujo  valor mensal  de  locação  correspondente a 6% do valor dos equipamentos;  • a Perkons contabilizou, na conta 48.134 ­ Aluguéis de Equipamentos,  R$  12.667.854,59,  R$  8.649.462,44,  R$  24.887.448,47  e  R$  15.197.943,25  de  notas  fiscais  emitidas  pela  Helix  Brasil  nos  anos­ calendário de 2006 a 2009 (fls. 462 e 468/645), mas esta reconheceu  integralmente em DIPJ (com base no lucro presumido), no regime de  competência,  apenas  os  valores  correspondentes  aos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  enquanto  nos  de  2008  e  2009  reconheceu  R$  4.915.013,32 e R$ 6.304.800,00, respectivamente, com base no regime  de caixa (fls. 1908/2003);  •  inobstante tenha emitido as notas  fiscais para pagamento à vista ou  com  vencimento  inferior  a  30  dias,  a  Helix  Brasil  tinha  saldos  a  receber no montante de R$ 8.019.694,99  (fl. 721), R$ 11.434.986,68  (fl. 722), R$ 19.972.435,15 (fl. 723) e R$ 27.186.880,55 (fl. 724) em  31/12/2006,  31/12/2007,  31/12/2008  e  31/12/2009,  respectivamente;  contudo,  ela  não  tomou  qualquer  providência  para  cobrança  dos  débitos vencidos e nem exigiu qualquer atualização monetária, multa  e/ou juros sobre os pagamentos em atraso, justificando que a cláusula  8.3  do  Primeiro  Aditivo  Contratual,  firmado  em  30/04/2007,  dispõe  em  que  a  Helix  Brasil,  por  liberalidade,  pode  tolerar  qualquer  descumprimento  contratual  por parte  da Perkons,  inclusive  atraso  no  pagamento  dos  valores  mensais  dos  aluguéis;  acrescentou  que  a  cobrança de multa, juros e demais encargos de natureza sancionatória  em  decorrência  do  atraso  no  repasse  dos  pagamentos,  por  conta  da  atuação  conjunta  com  a  Perkons,  nos  termos  do  Contrato  de  Fl. 6285DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.286            50 Empreendimento Conjunto (Joint Venture), seria  incompatível com o  caráter  associativo  da  relação  comercial  estabelecida  com  aquela  empresa, na gestão do empreendimento comum (fls. 667/668);  •  como  a  Helix  Brasil  tinha  situação  financeira  sólida,  conforme  balancetes  (fls.  3228/3248),  ela efetuou empréstimos gratuitos para  a  Perkons  com  base  no  Instrumento  Particular  de  Contrato  de Mútuo  firmado  em  22/01/2010  (fls.  1055/1056),  não  registrado  em  cartório  contrato; no ano­calendário de 2010 foram realizados empréstimos no  montante  de  R$  34.802.000,00,  contabilizados  na  conta  11370003­ Empréstimos  Diversos,  sobre  os  quais  não  cobrou  juros  algum  em  função  de  se  tratar  de  operação  de  curto  prazo  e  em  decorrência  da  parceria  comercial  existente,  inobstante  a  Cláusula  Segunda  do  Instrumento Particular de Contrato de Mútuo previsse juros de 6% ao  ano.  • Por conseguinte, a autoridade fiscal recompôs o lucro real e a base de  cálculo  da CSLL  declarados  pela  interessada  nos  anos­calendário  de  2006  a  2009  para  neles  computar  os  resultados  tributáveis  da  Helix  Brasil S/A (fls. 3249/3252).  Tanto  na  peça  inaugural  de  defesa  (fls.  4163/4267)  quanto  no  recurso  voluntário  (fls.  5399/5532),  a  recorrente  bate­se  veementemente  contra  tal  acusação,  assentando, em resumo:  ●  A  LAPSEN  teria  falido  porque  o  principal  produto  de  sua  linha  de  fabricação era o telex, que se tornou obsoleto;  ● O imóvel situado à BR 116 fora legitimamente locado pela LAPSEN ao  autuado;  ●  Em  que  pese  o  processo  de  falência  da  LAPSEN,  seus  sócios  constituíram  a  PERKONS  e  criaram  a  sua  grande  invenção:  lombadas  eletrônicas. Considerando a demanda emergente,  inclusive  internacional,  pelo  produto,  fez­se  necessária  uma  reestruturação  funcional,  que  envolveu a celebração com a HELIX de um Contrato de Empreendimento  Conjunto (Joint Venture);  ● Não poderia a fiscalização ignorar a existência fática da HELIX Brasil  S/A,  pois  sua  constituição  foi  plenamente  lícita  e  suas  operações,  executadas  de  acordo  com  as  leis  brasileiras,  sem  qualquer  omissão  ou  falta de transparência;  ● Inexistiria irregularidade no fato de a HELIX Brasil S/A e a PERKONS  possuírem  mesmo  controle  acionário,  tampouco  de  uma  apurar  seus  resultados pelo lucro presumido, outra pelo lucro real;  ● Seria  ilógico supor a associação entre  as  sociedades, pelo  fato de não  terem sido encontradas provas materiais da transferência de tecnologia. A  fiscalização  “...ignora  que  a  associação  com  uma  entidade  estrangeira  representou  um  acesso  direto  a  inovações  tecnológicas  inerentes  ao  setor  de  Fl. 6286DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.287            51 controle de tráfego, assim como conferiu estrategicamente um fator importante  para a internacionalização das operações, como é o caso dos projetos no Peru,  Colômbia e Chile, além de outros que estão sendo prospectados”;  ● O Contrato  de Empreendimento Conjunto  consagraria  a  convergência  de  interesses  entre  as  empresas  signatárias,  de  modo  a  justificar  plenamente  que  os  pagamentos  fossem  feitos  na medida da  necessidade  de cada qual;  ● A transferência da atividade fabril da PERKONS para a HELIX Brasil  S/A  nunca  se  deu  de  forma  oculta,  posto  que  se  encontra  refletida  em  documentação  societária  e  fiscal,  inclusive  no  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  registrado  no  1º  Registro  de  Títulos  e  Documentos, sendo dotada da publicidade necessária;  ●  Não  estariam  presentes  quaisquer  das  hipóteses  do  art.167,  §1º,  do  Código  Civil,  que  caracterizam  como  simulado  determinado  negócio  jurídico, mormente  quando  considerado  o Contrato  de Empreendimento  Conjunto;  ●  A  PERKONS  não  emitira  declaração  de  vontade  divorciada  do  real  intuito negocial, qual seja, o aprimoramento das operações no Brasil e a  expansão para mercados internacionais;  ● O fluxo financeiro do pagamento das faturas pela PERKONS à HELIX  Brasil  S/A  estaria  plenamente  justificado  à  luz  do  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  firmado  em  1/6/02,  sem  qualquer  vício  de  vontade ou de causa;   ●  Inexistiria  no  ordenamento  jurídico  vedação  de  administração  coordenada  entre  sociedades,  que  possibilitam  redução  de  custos,  aumento de produtividade e de lucros;  ● O principal propósito do Contrato de Empreendimento Conjunto seria  possibilitar a realização de investimentos das contratantes para: “promover  a fabricação, comercialização, instalação e prestação de serviços relacionados  às Lombadas Eletrônicas; licenciamento de uso das patentes para a fabricação  da  Lombada  Eletrônica  e  transferência  de  tecnologia  a  ela  aplicável;  desenvolvimento  de  projetos  e  pesquisas  de  conhecimento  tecnológico  de  interesse das partes; alocação e readequação de recursos humanos, financeiros  e  tecnológicos  existentes  e  futuros  conforme  plano  estratégico  conjunto  das  partes; redução dos custos de fabricação e operação das Lombadas Eletrônicas  e  produtos  afetos  a  mesma;  inserção  e  colocação  de  produtos  no  mercado  brasileiro”;  ● Da atuação coordenada decorreu Contrato de Locação firmado entre a  PERKONS  e  a  HELIX  Brasil  S/A,  que  legitima  o  pagamento  dos  alugueres e as deduções das despesas;  ● Por questões estratégicas de mercado, não interessaria à PERKONS que  a  HELIX  Brasil  S/A,  responsável  pela  fabricação  dos  equipamentos,  pudesse vender  as  lombadas  eletrônicas para  a  concorrência,  até porque  Fl. 6287DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.288            52 “...o  desenvolvimento  dos  projetos  de  criação,  melhoria  e  atualização  dos  equipamentos continuou sendo realizado pela PERKONS”; o que representaria  grande  risco de que as  inovações  tecnológicas  restassem compartilhadas  com concorrentes;  ●  No  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto  haveria  uma  cláusula  de  exclusividade e não concorrência;  ●  Os  irmãos  Donald,  Walter  Arvido  e  Samuel  Schause  teriam  cedido  onerosamente  à HELIX Brasil  S/A os  direitos  de  propriedade  industrial  que  detinham  sobre  as  lombadas  eletrônicas,  pelo  valor  total  de  R$  570.000,00,  devidamente  registrado  no  Livro  Razão.  Tais  rendimentos  foram  tributados por ganho de  capital  à  alíquota de 15% e constam das  declarações de rendimentos das pessoas físicas;  ●  A  HELIX  Brasil  S/A  manteria  relações  contratuais  com  outras  empresas, que também manteriam relações comerciais com a PERKONS  reguladas  por  instrumentos  particulares  que  asseguram  as  mesmas  garantias de não concorrência e confidencialidade;  ● O fluxo de pagamentos obedeceria à seguinte lógica, adotada, inclusive  com relação a outros clientes: “...a PERKONS loca o equipamento da HELIX  BRASIL, põe à serviço de um cliente final seu, mas somente realiza o pagamento  quanto efetivamente recebe do seu cliente o pagamento pelo serviço. E como os  clientes  da PERKONS  são,  quase  que  em  sua  totalidade,  entidades  de  direito  público (prefeituras, órgãos públicos,  fundações públicas etc.), é muito comum  ocorrerem atrasos nos pagamentos”;  ●  A  postura  da  HELIX  Brasil  S/A  apenas  reforçaria  a  parceria,  com  colaboração  mútua,  sendo  que  tal  liberalidade  nunca  foi  escondida  ou  negada;  ● Relativamente aos anos­calendário fiscalizados, a PERKONS repassou  à HELIX Brasil S/A o montante de R$ 49.132.134,65;  ●  Quanto  à  ausência  de  cobrança  dos  débitos  vencidos  e  de  qualquer  atualização monetária, multa e/ou  juros moratórios, “...tal prática  também  decorre da relação de parceria existente e, como já dito, é muito usual que haja  condescendências entre empresas parceiras, ainda mais quando o há relação de  interdependência  entre as mesmas.  Isso não significa,  de  forma alguma que a  demora  de  pagamento,  em  alguns  casos,  não  tenha  sido  causa  para  ajustes  negociais contínuos entre as empresas durante o curso da parceria. No entanto,  as  boas  relações  políticas  prevaleceram  e  em  muitos  momentos  a  condescendência da HELIX BRASIL para com a PERKONS foi paga através de  concessões por parte desta ou participações diferenciadas em outros negócios.  Enfim,  dentro  dos  limites  da  liberalidade  negocial  ao  qual  estão  afetas,  as  pendências  recíprocas  foram resolvidas através de políticas  institucionais,  tão  usuais nos meios empresariais, porém, não compreendidas pela Administração  Fazendária”;  Fl. 6288DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.289            53 ●  A  não  cobrança  do  cumprimento  dos  prazos  poderia  até  induzir  a  presunção  de  má  gerência  da  HELIX  Brasil  S/A,  jamais  de  que  tenha  havido conluio ou outra ilegalidade;  ●  As  despesas  da  PERKONS  com  a  locação  dos  equipamentos  seriam  operacionais e necessárias à sua atividade, passíveis de dedução;  ●  Sem  a  captação  da  imagem  da  infração  de  trânsito,  a  sequência  de  serviços desenvolvidos pela PERKONS, como o processamento e demais  atividades, inexistiria;  ● Ao  contrário  do  posto  pela  fiscalização,  os  contratos  de  empréstimos  concedidos pela HELIX Brasil S/A à PERKONS em 2010, no montante  de R$ 34.802.000,00, não necessitariam ter sido registrados em cartório;  ●  Em  quase  10  anos  de  parceria  empresarial,  somente  uma  relação  de  mútuo  existiu,  o  que  denotaria  que  referida  situação  não  era  usual  ou  contínua;  ● O contrato de mútuo não  teria sido a título gratuito, pois  sua cláusula  segunda previa juros de 6% ao ano;  ● Balanços  da PERKONS,  acostados  aos  autos,  indicariam dificuldades  financeiras  ao  final  de  2009,  fato  determinante  para  a  captação  de  recursos de curto prazo;  ● As transferências de valores feitas pela HELIX Brasil S/A em favor da  PERKONS  teriam  originado  recolhimentos  de  IOF,  no  valor  de  R$  197.834,34, devidamente contabilizados;   ● Caso  a HELIX Brasil  S/A houvesse  exigido  juros  pelos  empréstimos  concedidos,  tais valores  poderiam  ter  sido deduzidos do  lucro  tributável  da PERKONS, o que diminuiria o IRPJ e a CSLL devidos;  ● Conforme fluxo financeiro relativo ao empréstimo, o valor nominal dos  juros  seria de R$58.675,80,  conforme  ficha  financeira,  o que perfaz um  valor  atualizado  de  R$  60.492,42,  irrelevante  e  insignificante  quando  comparado aos valores das operações existentes entre as empresas, o que  justificaria a postura condescendente da HELIX Brasil S/A;  ● Em momento algum, a HELIX afirmara à fiscalização que renunciou ao  direito de exigir os juros contratuais, sendo que tais quantias ainda podem  ser cobradas no prazo prescricional;  ● Visita feita à sede das instalações industriais sem que fosse feita vistoria  da linha de produção.  ● A fiscalização ignorara o fato de a HELIX Brasil S.A estar estabelecida  na  BR  116,  Km  399,  nº  6.340,  Tarumã,  Curitiba  (PR),  não  tendo  o  cuidado de devidamente vistoriar o local;  Fl. 6289DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.290            54 ● Ao relatar a visita  , a  fiscalização  teria omitido os seguintes  fatos:  (a)  presença do Sr. Eduardo Augusto Purin Schause, Diretor da Helix Brasil  S/A; (b) 37 (trinta e sete) funcionários da HELIX Brasil S/A trabalhando  no local; (c) Livro de Registro de Inspeção Trabalhista exclusivo da Helix  Brasil  S/A;  (d)  placa  de  sinalização,  indicando  que  no  local  funciona  a  sede  da  HELIX  Brasil  S/A.  Ademais,  deixara  de  vistoriar  da  linha  de  produção  industrial  e  de  averiguar  se  os  funcionários  eram  da  HELIX  Brasil S/A; de mencionar que os funcionários da PERKONS e da HELIX  Brasil S/A atuariam em atividades distintas e que o patrimônio da HELIX  Brasil S/A estaria segregado do da PERKONS; de averiguar os estoques  de matérias­primas, insumos ou produtos acabados, que seriam distintos;  e de mencionar que não havia no local diretores da PERKONS;  ● A unidade industrial seria operada por gerentes industriais, almoxarifes,  responsáveis  de  compras,  analistas  de  planejamento  e  de  controle  de  produção,  e  engenheiros  da HELIX Brasil  S/A,  bem como  funcionários  terceirizados, de manutenção e segurança, contratados pela HELIX Brasil  S/A;  ● Os Auditores­Fiscais responsáveis pela lavratura dos autos de infração  estiveram  na  sede  da  PERKONS,  em  Pinhais,  em  17/11/11,  acompanhados de 10 (dez) Auditores­Fiscais do Ministério do Trabalho, e  teriam omitido que na oportunidade foram­lhes apresentados dados sobre  o  seu  funcionamento  e  o  contato  com  funcionários  e  outros  elementos  relevantes;  ●  Regime  de  parceira  semelhante  fora  apreciado  pelo  extinto  Primeiro  Conselho de Contribuintes (acórdão nº 10323.357, de 23/1/08), quando se  concluiu pela ausência de simulação e reforçou­se o não aprofundamento  da ação fiscal;  ● A própria decisão de  primeira  instância,  não  obstante  ter  reconhecido  que, dos 72 funcionários da PERKONS que cumpriam expediente na sede  da HELIX Brasil S/A (2/3 do  total dos  trabalhadores da unidade fabril),  41  eram  dos  setores  de  marketing  e  de  desenvolvimento  de  hardware/software  e  31  da  área  administrativa,  concluiu  indevidamente  que atuariam na produção industrial de lombadas eletrônicas;  ●  Os  profissionais  da  PERKONS  que  se  encontravam  na  sede  não  atuariam  na  linha  de montagem,  “...seja  pela  absoluta  ausência  de  provas  nesse  sentido,  seja  pela  presunção  de  que  suas  respectivas  qualificações  técnicas não lhes habilitava para tanto”;  ●  Conforme  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto,  caberia  à  PERKONS  fornecer  pessoal  de  apoio  administrativo  para  subsidiar  a  atuação da HELIX Brasil S/A;  ●  Laudo  produzido  pelo  Ministério  da  Indústria  e  Tecnologia  (fls.4.646/4.665)  atestaria  que  a  HELIX  Brasil  S/A  controla  a  linha  de  produção das lombadas eletrônicas;  Fl. 6290DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.291            55 ●  A  indicação,  na  decisão  recorrida,  das  funções  dos  funcionários  da  HELIX  Brasil  S/A  atestaria  a  qualificação  técnica  para  atuarem  no  processo produtivo;  ● O fato de funcionários da PERKONS terem sido encontrados na sede da  HELIX  Brasil  S/A  em  17/11/11  não  permitiria  concluir,  mesmo  se  estivessem atuando na linha de produção, que tal situação ocorria desde o  início da parceria empresarial;  ● Os fatos narrados no Termo de Visita e Constatação Fiscal ocorreram  no  ano  de  2011,  que  sequer  foi  objeto  de  autuação,  não  podendo  comprovar ocorrências passadas em 10 anos;  ● A situação dos funcionários da PERKONS poderia ter sido averiguada  quanto  aos  anos­calendário  2006  a  2010,  pois  os  documentos  estavam  plenamente acessíveis à fiscalização tributária e trabalhista;  ● A  presença  de  funcionários  da  PERKONS  na  sede  da HELIX Brasil  S/A  não  seria  ilegal  ou  irregular,  consistindo  em  prática  comum  nos  setores públicos e privados, em especial quanto aos terceirizados; além de  ser  plenamente  justificada  em  razão  do  Contrato  de  Empreendimento  Conjunto;  ●  A  fiscalização  trabalhista  não  aplicou  qualquer  penalidade  à  HELIX  Brasil  S/A,  tampouco  à  PERKONS,  tendo,  após  várias  visitas,  reconhecido a autonomia jurídica e administrativa das empresas ao lavrar  autos de infração distintos;  ● “Para que possa haver uma conjugação entre o equipamento fabricado e as  necessidades  do  cliente,  é  que  o  diálogo  entre  os  funcionários  do  desenvolvimento  e  da  fabricação  precisa  ser  constante”,  havendo,  quanto  a  cada licitação pública, exigências técnicas específicas;  ● Conforme Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED),  em  maio  de  2011  a  PERKONS  mantinha  223  empregados  registrados,  sendo que, à exceção dos 72 encontrados na sede da HELIX Brasil S/A,  os demais estavam na sede da PERKONS, em Pinhais, e em outros locais  em que tal empresa atua na fiscalização eletrônica de trânsito;  ●  Nunca  escondera  da  fiscalização  que  já  esteve  sediada  no  atual  endereço  da  HELIX  Brasil  S/A,  “...bem  como  de  que  já  foi  fabricante  de  lombadas eletrônicas  e que  já  foi  titular da  linha de montagem das  lombadas  eletrônicas”;  ● A PERKONS compartilhara o mesmo endereço por cerca de 5 meses,  até abril de 2002, período pré­operacional da HELIX Brasil S/A;  ●  “...  a  transição  entre  deixar  de  fabricar  os  equipamentos  e  ceder  a  sua  fabricação para outra empresa parceira não se deu da noite para o dia. Foram  meses de negociação prévia até que fosse firmado em 1/6/2002 o CONTRATO  DE EMPREENDIMENTO CONJUNTO de  fls. 672/83 e depois, mesmo após a  fundação da HELIX BRASIL S/A, ocorrida em 07/11/2001, ainda demorou mais  Fl. 6291DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.292            56 algum tempo para que houvesse s transferência da tecnologia e do controle da  linha de produção. Tanto é que, conforme comprovam os registros contábeis, a  primeira  lombada  fabricada  pela  HELIX  BRASIL  e  imobilizada  em  seu  ativo  permanente, data de 12/03/2003, ou seja, após 1 ano e quatro meses após a sua  fundação”;  ●  A  HELIX  Brasil  S/A,  considerando  que  estava  de  fato  e  de  direito  estabelecida no mesmo imóvel ocupado pela PERKONS, pagara parte do  aluguel devido;  ●  O  fato  de  a  HELIX  Brasil  S/A  ter  firmado  contrato  de  aluguel  posteriormente  não  implica  ilegalidade,  considerando que  a PERKONS,  então  locatária,  detinha  a  posse  do  imóvel  sem  vedação  de  cessão  ou  sublocação;  ● Como  restou  comprovado no Laudo de Fiscalização do Ministério da  Indústria  e  Tecnologia,  de  outubro/2005,  o  controle  e  produção  das  lombadas  eletrônicas  estaria  a  cargo  da  HELIX  Brasil  S/A,  “...o  que  comprova que, mesmo que houvesse confusão entre o período de 17/11/2001 até  18/04/2002, esta confusão já não mais existia nos anos seguintes”;  ● Finalizada a fase pré­operacional, a Helix Brasil S/A, em julho de 2002,  inscrevera­se  no  Programa  de  Benefícios  Fiscais  do  Governo  Federal,  previsto no  art.4º da Lei nº 8.248/91, no Decreto nº 3.800/01 e Portaria  Interministerial  nº  282/03,  do  qual  decorreram  grandes  investimentos,  autorizados e fiscalizados pelo Ministério do Desenvolvimento e Cidades,  realizados  em  Universidades  Federais  com  base  em  acordos  de  cooperação;  ●  Laudo  de  Fiscalização  do  Processo  Produtivo Básico,  elaborado  pelo  Ministério  da  Indústria  e Tecnologia  atestaria  que  em  20/10/05  a Helix  Brasil  S/A  sofreu  fiscalização  para  verificação  de  cumprimento  do  Processo Produtivo Básico  (PPB)  dos  seguintes  produtos:  aparelho  para  medição  e  registro  de  velocidade  de  veículos  automotores  e  aparelho  digital  de  sinalização  de  velocidade  para  controle  de  tráfego  de  automotores. Conforme  tal  Laudo,  a Helix Brasil  S/A  utilizaria  circuito  impresso  fornecido  por  empresa  terceirizada  e  seria  responsável  pela  montagem final e gestão de qualidade dos produtos incentivados, tendo a  fiscalização ainda constatado que possuiria instalação, recursos humanos  e métodos de gestão que superariam as exigências mínimas de agregação  de valor estabelecidos na Portaria Interministerial MCT/MICT nº 101/93;  ● Os  aspectos  técnicos  da prova  pericial  deveriam  ser  obrigatoriamente  adotados, nos termos do art.30 do Decreto nº 70.235/72;  ● A prova emprestada no processo administrativo seria plenamente aceita,  conforme precedentes do extintos Conselhos de Contribuintes;  ● Em primeira instância, reconhecera­se que os documentos juntados aos  autos pela fiscalização, quanto à acusação de que a Helix Technology and  Fl. 6292DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.293            57 Investiments  LLC  seria  uma  sociedade  fictícia,  administrada  por  “laranjas”, teriam reduzido valor probatório;  ● A Helix Technology and Investiments LLC estaria devidamente inscrita  no CNPJ (nº 06.939.171/000167) e no CADEMP (nº 538818), nos termos  do  art.12,  §4º, V,  da  IN SRF nº  200/2002  (atualmente  art.  5º, XV,  “a”,  item 8  da  IN SRF nº  1.183/11). Também cumpriria  todas  as  exigências  legais  do Estado de Delaware  (EUA),  conforme Certidão de  Idoneidade  (Good Standing), de 19/1/02;  ●  Inexistiriam ações  judiciais no Brasil  quanto  à Helix Technology  and  Investiments LLC;  ● Certidões negativas emitidas pelo Poder Judiciário brasileiro afastariam  as  acusações de que os  diretores da Helix Technology  and  Investiments  LLC seriam “laranjas”;  ● Certidão emitida pelo Ministério de Segurança Pública da República do  Panamá  atestaria  a  inexistência  de  ações  criminais  envolvendo  Thays  Herrera de Salas em seu país de origem, onde reside;  ●  Relatório  confeccionado  por  Smith  International  Law,  denominado  “Due Diligence & Public Records Reseach”,  acompanhado de  certidões  emitidas  por  órgãos  oficiais  da  Flórida  e  de  Delaware,  inexistiriam  registros  de  infrações  criminais  ou  civis  praticadas  por  Yusik  Baskin  e  Thays Herrera de Salas, bem como envolvendo a Helix Technology and  Investiments LLC;  ● Advogados contratados na Argentina emitiram relatório, acompanhado  de  certidões,  que  comprovaria  a  inexistência  de  processo  judicial  envolvendo Thays Herrera de Salas naquele país;  ●  “...pelos  documentos  constitutivos  da  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTIMENTS  LLC,  acostados  às  fls.4.692  à  4.704,  o  Sr.  Yuzik  Baskin,  representante  da  empresa,  assina  como  Diretor,  sendo  que  como  acionista  consta  a  empresa  TRENMARK  ASSOCIATES  INC,  o  que  é  suficiente  para  atestar que o Sr. Yuzik não é e jamais foi sócio ou acionista da HELIX LLC, mas  tão somente, seu diretor presidente”.  Pois  bem,  embora  a  discussão  tenha  inúmeros  pontos  conflitantes  entre  as  partes  e  as  variáveis  presentes  sejam  as  mais  diversas,  o  tema  central  em  relação  a  esta  infração é a descaracterização que o Fisco fez da Helix e a junção de suas atividades com as  da Perkons, como se fossem uma só empresa.  Para  tal  mister,  elencou  diversos  motivos  (já  exaustivamente  vistos  neste  voto)  e,  em  contraparte  a  defesa  da  recorrente,  igualmente  em  larga  escala,  rebateu  as  conclusões da Fiscalização, ponderações também já tratadas aqui, não havendo necessidade de  repetir o aduzido pelas partes.   Feitas estas colocações, passo à análise do tema.  Fl. 6293DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.294            58 Pois  bem,  penso  que  tomado  isoladamente  um  fato  narrado  pelo  Fisco  ou  mesmo um conjunto deles, sem uma sequência lógica e precisa, com cruzamento e influência  mútua dos atos e atividades praticados por Perkons e Helix, a descaracterização desta última e  a conjunção dos seus resultados como se fora da Perkons se tornaria bastante frágil.  Nessa linha, eventos como um funcionário da Perkons estar trabalhando para  a Helix,  ou  o  fato  de  os  primeiros  16  empregados  registrados  da Helix Brasil  serem  todos  oriundos da Perkons, ou possuírem o mesmo parque fabril, só isso, per si, não me convencem.  Ocorre que, o que se vê nos autos,  é uma profunda  investigação  feita pela  Autoridade  Fiscal  que  exaustivamente  pesquisou,  a  fundo,  todos  os  eventos  envolvendo  as  duas  pessoas  jurídicas,  tendo  trazido  provas,  subsídios  e  indícios  que denotam  a  criação  da  Helix  como  verdadeiro  braço  da  Perkons,  ou, mais  incisivamente,  como  se  fosse  a  própria  Perkons agindo através de uma “EMPRESA” especialmente gestada para isso.  De  fato,  a  sucessão  de  eventos  detectada  pela  Fiscalização  sinaliza  robustamente  para  confirmar  a  confusão  patrimonial  da  recorrente  com  a  Helix,  como  se  tratasse de uma só pessoa jurídica.  Sem necessidade de novas repetições e  importante  lembrar que o comando  desta  empresa  e de  outras  que  o  Fisco  trouxe  aos  autos,  sempre  foram  da  família Schause,  especialmente  os  três  irmãos,  Samuel  Dzintar  Schause,  Walter  Arvido  Schause  e  Donald  Elmar  Schause,  ou  mesmo  através  de  seus  familiares,  como  ocorre  nas  holdings  Dargos,  Laime e Naudin, controladoras da Perkons conforme em 2009, conforme informação na DIPJ  daquele período:    Veja­se, a DARGOS tem como principais acionistas Patrícia Helena Winter  Schause  (49,99%)  e  Melissa  Andréa  Winter  Schause  (49,98%),  filhas  de  Samuel  Dzintar  Schause, que detém participação residual de 0,03%; a LAIME tem como principais acionistas  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  (33,33%),  Alessandra  Cristina  Purin  Schause  (33,32%)  e  Luciana  Regina  Purin  Schause  (33,32%),  filhos  de  Donald  Elmar  Schause,  que  detém  participação  residual  de  0,03%;  a NAUDIN  tem  como  principais  acionistas Walter Alberto  Mitt  Schause  (33,33%),  Lilian  Margarida  Mitt  Schause  (33,32%)  e  Simone  Andréa  Mitt  Schause  (33,32%),  filhos  de  Walter  Arvido  Schause,  que  detém  participação  residual  de  0,03%.  Nesse  fotograma,  há  que  se  ver  o  que  está  por  trás  das  três  holdings  que  compõem  o  capital  social  da  recorrente.  E  esse  raio  X  estampa  claramente  o  histórico  da  composição  societária  da  fiscalizada,  das  empresas  ligadas  e  das  alterações  relacionadas  à  sede e filiais nas duas últimas décadas, tudo convergindo para mostrar que os irmãos Samuel  Dzintar Schause, Walter Arvido Schause e Donald Elmar Schause detêm, de forma direta ou  indireta, o controle da Perkons e de todas as empresas que em torno dela gravitam.  Fl. 6294DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.295            59 Além disso, participam e/ou dirigem outras empresas  (por eles mesmos ou  por familiares), exemplificativamente LAPSEN, SCHAUSE Participações S/A, BALTIA S/A,  VERTIGA Participações S/A, TRIGONA Participações S/A, ZOBENS Participações S/A.  Tudo isso convergindo para o enlace com a Helix, objeto da acusação fiscal.  O  início  deste  alinhamento  remonta  a  22/05/2001,  quando  o  bielo­russo  Yuzik  Baskin,  na  qualidade  de  diretor  da  HELIX  TECHNOLOGY  AND  INVESTMENT  LLC,  nomeou  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  (arrolado  como  sujeito  passivo  solidário  nestes autos) como seu procurador com o fito de incorporar a empresa HELIX BRASIL S/A. e  com poderes para representá­la.  Nesta  operação,  a  composição  societária  da HELIX Brasil  S/A,  criada  em  7/11/01  e  com  sede  no  imóvel  sito  à  BR  116,  Km  399,  nº  6.340,  tinha  como  acionistas  a  sociedade norte­americana HELIX Technology (99,88%), com sede na cidade de Wilmington  no Estado de Delaware (EUA) e Jefferson do Carmo Bruckheimer (0,12%).  Posteriormente  entraram  na  sociedade,  com  a  redução  da  participação  da  HELIX Technology para 73,92%, Eduardo Augusto Purin Schause (4,60%), Richard Budal da  Costa  (9,97%),  José  Mário  Fonseca  de  Andrade  (7,67%)  e  Jorge  Benedito  de  Miranda  (3,84%).  Pesquisas  feitas  pelo  Fisco  no  Registro  Público  da  Flórida,  Yusik  Baskin  consta como sócio/diretor/representante de 31 sociedades, e, no Registro Público do Panamá,  como acionista/diretor de 20 sociedades.  Outras  anotações  da  Fiscalização mostram  que  no  ano­calendário  2010,  a  HELIX  Brasil  S/A,  mesmo  sendo  credora  da  PERKONS,  a  esta  concedeu  empréstimos  gratuitos que totalizaram R$ 34.802.000,00, conforme Contrato de Mútuo não registrado em  cartório, sem a existência de registro cartorial, de juros pactuados e de prestação de contas.  Entre  2009  e  2010,  a  HELIX  Brasil  S/A  remeteu  R$  5.955.000,00  ao  exterior,  tendo  como  destinatário  a HELIX TECHNOLOGY AND  INVESTIMENTS  LLC,  sendo que a primeira remessa, de R$ 250.000,00, teve como recebedora Brigitte Recoing, na  Suíça;  Na conta nº 48.314 (Aluguel de Equipamentos), a PERKONS contabilizou a  título de Despesas Gerais o montante de R$ 61.402.708,75 nos anos­calendário 2006 a 2009,  relativas a 22 notas fiscais; nos anos­calendário 2006 e 2007, enquanto a HELIX declarou os  mesmos valores contabilizados como despesas na PERKONS.  Já em 2008 e 2009, R$ 28.865.578,40 deixaram de ser  reconhecidos como  receitas tributáveis.   A Perkons  adota o Lucro Real,  por  isso,  tais valores,  contabilizados  como  despesas  afetam o  resultado  do  exercício  e,  consequentemente,  os  tributos  calculados  sobre  ele. Já a HELIX assume o Lucro Presumido, ou seja, a criação da Helix Brasil e a celebração  do contrato de parceria se deu com o fito exclusivo de criar despesas na Perkons para reduzir a  base tributável do IRPJ/CSLL.  Fl. 6295DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.296            60 Em suma, embora a recorrente veemente se bata contra as assertivas  feitas  pelo Fisco na investigação, parece­me claro que fatos presentes nos autos mostram fortemente  se estar diante de formação de uma só pessoa jurídica, dentre eles, i) nem a Helix Brasil, nem  sua controladora, a Helix Technology, sequer existiam até pouco  tempo antes da celebração  do indigitado contrato de Join Venture com a recorrente; ii) quando da constituição da Helix  Brasil  em  07.11.2001,  foi  designado  como  seu  diretor,  com  amplos  poderes  gerenciais,  um  funcionário de confiança da Perkons S/A, Jefferson do Carmo Bruckheimer; iii) para substituir  a  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  em  2008  foi  nomeado  uma  das  pessoas  físicas  que  indiretamente  controla  a  Perkons,  (Eduardo  Augusto  Purin  Schause);  iv)  a  partir  de  2008  funcionários da Perkons e membros da família adentraram à sociedade e passaram a integrar o  Conselho  de  Administração,  órgão  maior  da  companhia  e  que  dita  suas  diretrizes;  v)  a  esmagadora maioria da receita da Helix Brasil (99%) é decorrente de serviços prestados para a  Perkons; vi) Perkons pagava a HELIX pela locação de lombadas com atrasos de mais de um  ano, sem que lhe exigissem juros, multa ou qualquer meio de cobrança; vii) em contrapartida,  a HELIX,  sendo credora de milhões de  reais  contra a Perkons,  além de  não proceder  à  sua  cobrança  e  tomar providências para  receber  tais montantes,  ainda  realizou EMPRÉSTIMOS  para Perkons, ou seja, não recebeu o que tinha para receber e mesmo assim lhe concedeu mais  recursos.  Em  relação  a  este  tópico  final  (vi),  veja­se  a  incrível  complacência  da  credora em relação à devedora (TVF ­ fls. 3420):  Segundo o dizer fiscal, “no quadro abaixo relacionamos as notas fiscais emitidas  pela HELIX BRASIL e os períodos de pagamento das mesmas”:  Nota   Valor  Data de   Quitação  Fiscal  R$  Emissão  2006  2007  2008  2009  2010  2011  5454    615.299,48   28/05/2009  Sem nenhum pagamento até 19/08/2011        5550    1.515.473,92   30/06/2009  Sem nenhum pagamento até 19/08/2011        5555    1.523.343,36   31/07/2009  Sem nenhum pagamento até 19/08/2011        5589    1.571.077,78   31/08/2009  Sem nenhum pagamento até 19/08/2011        2    1.587.303,95   30/09/2009  Sem nenhum pagamento até 19/08/2011        3    1.684.259,91   31/12/2009  Sem nenhum pagamento até 19082011                 Há mais (TVF ­ ibidem):  Nota Fiscal  Valor  Mês de emissão   Quitação  4   2.148.915,07   mai/10  NENHUMA  5   2.440.887,18   jun/10  NENHUMA  6   836.531,84   jul/10  NENHUMA  10   840.129,26   ago/10  NENHUMA  12   840.129,26   set/10  NENHUMA      Fl. 6296DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.297            61 Na mesma linha (TVF ­ fls.3421), “diligenciada, através do Termo de Início de  Ação Fiscal, a HELIX apresentou demonstrativos às fls. 721/725 relacionando os valores a receber da  PERKONS. O quadro abaixo relaciona os valores em aberto (devidos pela PERKONS) ao  final dos  períodos de 2006 a 2010”.  HELIX ‐ Contas a Receber da PERKONS  31.12.2006      8.019.694,99   31.12.2007     11.434.986,68   31.12.2008     19.972.435,15   31.12.2009     27.186.880,55   31.12.2010     23.238.474,55   Acresça­se  ainda  a  presença  de  funcionários  da  Perkons  trabalhando  na  HELIX,  sendo  que  estes  empregados  da  recorrente  eram  em maior  número  que  da  própria  HELIX.  Mais, houve  fragmentação da atividade produtiva da  recorrente de modo a  reduzir  a  carga  tributária,  mediante  desdobro  do  processo  produtivo,  parte  fatiada  para  Perkons, parte para a HELIX, tudo dentro do mesmo endereço e parque fabril.  Também  causa  estranheza  a  não  prestação  de  contas  entre  as  empresas,  o  não  relato  de  projetos  em  andamento,  a  transferência  de  tecnologia  para  uma  empresa  estabelecida  em  paraíso  fiscal,  sem  se  saber  (presume­se)  quem  seriam  seus  donos.  Mais  ainda,  a  Helix  Brasil  praticamente  não  possui  quaisquer  outros  clientes  relevantes  além  da  Perkons.  Por  fim,  parece­me  induvidoso  que  um  contrato  de  Joint  Venture  não  justifica,  em  um  contexto  de  relações  negociais  típicas  entre  duas  partes  com  interesses  autônomos e contrapostos, que um dos parceiros fique livre para pagar quando quiser, na  quantia que quiser, sem nenhum tipo de encargo pelos constantes atrasos.  Esse  modus  procedendi  é  típico  de  empresas  e  pessoas  ligadas  umbilicalmente,  não  sendo  crível  que  entidades  autônomas  e  independentes,  em  mundo  negocial  altamente  competitivo  e  capitalista,  possam  se  dar  ao  luxo  de  não  cobrar  o  mais  rapidamente possível  o  que  tem para  receber de outrem e,  havendo  atraso,  não  imputem os  encargos pertinentes.  Se a HELIX, como fartamente demonstrado, deixa de proceder à cobrança  dos vultosos valores que  tem a receber de Perkons, a explicação mais plausível  só pode ser  que se está diante de uma entidade una, de forma que o mesmo patrimônio aproveita a ambas  e o crédito de "a" se contrapõe ao débito de "b". Em outras palavras, o crédito de HELIX  fica  zerado  quando  anteposto  ao  débito  de  Perkons,  de  modo  que,  na  engenharia  desenvolvida, a HELIX não se esforça em receber os valores devidos pela Perkons e esta  não precisa se preocupar em pagar porque ninguém vai lhe cobrar! E por quê? Porque,  no fundo, credor e devedor são uma só pessoa.  Nesse ponto, repita­se o que se disse no início deste voto, um ou dois desses  eventos, isoladamente, podem não significar nada, mas a sua constância e repetição, somados  ao  rol  de  situações  perfilam  para  mostrar  um  cenário  em  que  se  está  diante  de  uma  só  Fl. 6297DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.298            62 empresa, uma só direção, um só comando, ainda que formalmente possam ser aparentemente  independentes.  Por estes motivos, penso que o trabalho fiscal restou robustecido e deve ser  prestigiado em relação a esta primeira infração que concluiu serem Perkons e Helix Brasil, na  verdade, uma única empresa, de forma que correta a recomposição do Lucro Real da Perkons  S/A para nele considerar as receitas, custos e despesas da empresa fictícia Helix Brasil S/A.  Finalmente,  de  extrema  relevância  verificar  as  informações  obtidas  pela  Receita Federal junto ao IRS (Fisco americano),  tudo conforme pedido formulado e resposta  recebida (rol completo de documentos ­ fls. 6076/6078 e 6082/6083).  Por economia processual, e pela incisiva resposta, reproduzo tão somente os  itens 4 e 6 da Resposta do Governo norte­americano, por si só auto­explicativos:      Em face da contundente resposta, a manifestação da recorrente em seu RV  de  que  Helix  Technology  and  Investiments  LLC  cumpriria  todas  as  exigências  legais  do  Estado de Delaware  (EUA),  conforme Certidão de  Idoneidade  (Good Standing),  de 19/1/02  perde  sua  essência,  ou,  quando  muito,  serve  para  confirmar  exatamente  o  descrito  na  resposta do IRS, item 3:    Pelo  exposto,  voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário  em  relação  à  infração  “insuficiência  de  recolhimento  do  IRPJ  e  CSLL  apurada  após  recomposição  do  lucro  real  da  Perkons  S/A  para  nele  considerar  as  receitas,  custos  e  despesas da empresa fictícia Helix Brasil S/A” ­ (Item 7.1 do TVF (fls. 3448/3450) e Autos  de Infração de IRPJ/CSLL (fls. 3466 e 3484, respectivamente).    1.2 Mérito  1.2.1 – Dos Lançamentos de IRPJ e de CSLL  1.2.1.2 – 2ª Infração – Glosa de despesas com amortização de ágio  (Item 7.2 do TVF (fls. 3450) e Autos de Infração de IRPJ/CSLL (fls. 3466 e  3567, respectivamente)   Fl. 6298DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.299            63 Segundo o relatado pelo Fisco no TVF, "a  fiscalizada deduziu como despesas  operacionais  nos  anos­calendário  de  2006  a  2008,  a  título  de  amortização  de  ágio  sobre  investimentos, os seguintes montantes:  Ano calendário   Ágio Amortizado (R$)  2006       1.158.559,80  2007       1.158.559,80  2008        386.186,74  Trata­se,  como  dito,  de  um  ágio  interno,  surgido  na  criação  e  incorporação  de  empresa fictícia, que  teve como único objetivo reduzir as bases  tributáveis do Imposto de Renda da  Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)".  Para  compor  seu  pensamento  e  a  imputação,  descreveu  a  Autoridade  autuante:   "No Termo de Início de Ação Fiscal  (fls 4/6) e no Termo de Intimação Fiscal  001  (fls.  302/304)  a  fiscalizada  foi  intimada  a  apresentar  documentos  que  demonstrassem a origem do Ágio sobre Investimento constante em suas D1PJs  e que comprovassem a liquidação financeira (pagamento) do mesmo.  Em síntese, as respostas apresentadas e constantes às fls 264/266, apresentam o  histórico do ágio com a seguinte sequência;  a) Durante  o  ano­calendário  de  2002,  a Perkons  firmou Contratos  de Mútuo  com seus acionistas/dirigentes, Walter Alberto Mitt Schause e Eduardo Augusto  Purin Schause, (cópias às fls. 313/344);  b)  Através  destes  Contratos  de  Mútuo,  os  citados  acionistas/dirigentes  emprestavam para a Perkons valores que  tinham a receber da mesma a título  de resultados (Adiantamento de Lucros);  c)  Em  26/12/2002,  Walter  Alberto  Mitt  Schause  e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  constituíram  uma  empresa,  INTERLAIKIS  PARTICPACOES  LTDA  (fls.  277/279).  A  integralização  do  capital  desta  empresa  dá­se  pela  transferência dos créditos dos sócios junto à Perkons, através de Contratos de  Cessão de Crédito às fls. 275/276;  d)  Em  30/12/2002,  4(quatro)  dias  após  sua  constituição,  a  INTERLAIKIS  adquire 900.000 ações da PERKONS. Embora o valor nominal da ação  fosse  R$1,00  (um real) e os  sócios da  INTERLAIKIS  fossem diretores/acionistas da  PERKONS,  a  aquisição  ocorre  pelo  valor  unitário  de  R$8,48  (oito  reais  e  quarenta  e  oito  centavos),  gerando  uma  Reserva  de  Ágio  de  R$6.738.670,00  que será, na mesma assembléia, incorporada ao Capital Social da PERKONS;  e) Essa operação gerou o lançamento do ágio sobre investimento, escriturado  na contabilidade da INTERLAIKIS, no valor de R$6.738.670,00 conforme Livro  Diário às fls. 684;  f)  Em  30/05/2003  a PERKONS  incorpora  a  INTERLAIKIS PARTICIPACOES  LTDA,  trazendo  para  sua  contabilidade  o  saldo  de  ágio  (R$5.792.799,14),  Fl. 6299DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.300            64 conforme  razão  às  fls.  301,  que  passa  a  ser  amortizado  como  despesa  operacional pela PERKONS".  Em sua defesa, a recorrente sustenta a correção do seu procedimento tendo  em vista  que  "o Pronunciamento  Técnico CPC  nº  4,  aprovado  pela Deliberação CVM nº  553,  de  12/11/08,  e pela Resolução CFC nº 1.139, de 21/11/08, apenas poderia  ser aplicado aos  exercícios  encerrados a partir de dezembro de 2008" e que, "a amortização da última parcela do ágio resultante  da  incorporação  da  INTERLAIKIS  Participações  Ltda,  lastreada  em  laudo,  ocorrera  no  ano­ calendário 2008, razão pela qual deve ser considerada válida à luz do Pronunciamento Técnico CPC  nº 4 e dos artigos 384 a 386 do RIR/99"..  Penso que razão não lhe cabe.  Como  já  tive  oportunidade  de  me  manifestar  em  outros  julgamentos  envolvendo  a  matéria  “ágio”  (em  processos  por  mim  relatados  (por  exemplo,  Ac.  1402­ 002.336) ou em que participei compondo a banca de julgadores (dentre eles, Acórdão nº 1402­ 001.460, com a redação do voto vencedor do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto),  a presença e dedutibilidade da despesa com amortização de ágio exige  1.  a efetiva aquisição dos controles acionários;  2.  que  o  custo  de  aquisição  seja  superior  ao  patrimônio  líquido  das  participações societárias adquiridas;  3.  haver  fundamento  econômico  baseado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura;  4.  ocorrer o efetivo pagamento da aquisição da participação societária;  5.  haver a incorporação total pela incorporadora da incorporada; e,   6.  extinção da incorporada, via incorporação integral, ainda que reversa.  Aprofundando­se no  tema "ágio", o Conselheiro André Mendes de Moura,  em voto proferido quando do julgamento do Processo nº 12897.000279/2009, assim historiou  o assunto, conforme excertos do Acórdão nº 9101003.543, da 1ª Turma da CSRF, sessão de  04 de abril de 2018, os quais peço vênia para reproduzir e adotar como fundamento de meu  voto, lembrando que a Câmara Superior é o foro competente para harmonizar as dissidências  jurisprudenciais  das  Turmas  Ordinárias  do  CARF,  pelo  que  o  entendimento  exposto  no  referido voto ganha maior relevo.  “Pode­se entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de  um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros).  Tratando­se  de  investimento  decorrente  de  uma  participação  societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado  quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa  jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial.  O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica,  que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial.  Ou  seja,  a  empresa  A  detém  ações  da  empresa  B,  avaliadas  patrimonialmente  em  60  unidades.  A  empresa  C  adquire,  junto  à  Fl. 6300DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.301            65 empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é  a investidora e a empresa B é a investida.  (...)  Ocorre  que  o  legislador,  ao  editar  o  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio  para fins tributários.   Isso  porque  positivou  no  art.  20  do  mencionado  decreto­lei  que  o  denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados:  (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido  e/ou  (3)  no  fundo  de  comércio,  intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997,  autorizaram  a  amortização  do  ágio  nos  casos  (1)  e  (2),  mediante  atendimento  de  determinadas  condições.  Na  medida  em  que  a  lei  não  determinou  nenhum  critério  para  a  utilização dos fundamentos econômicos, consolidou­se a prática de se  adotar,  em  praticamente  todas  as  operações  de  transformação  societária,  o  reconhecimento  do  ágio  amparado  exclusivamente  no  caso  (2):  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo  de aquisição e o valor patrimonial do investimento.  Assim,  voltando  ao  exemplo,  a  empresa  C,  investidora,  ao  adquirir  ações  da  empresa  investida  B  avaliadas  patrimonialmente  em  60  unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço  de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido.  Na  realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill.  E como dar­se­ia o aproveitamento do ágio?  Em duas situações.  Na  primeira,  quando  a  empresa  C  realizasse  o  investimento,  por  exemplo,  ao  alienar  a  empresa  B  para  uma  outra  pessoa  jurídica.  Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades,  apuraria  um  ganho  de  50  unidades.  Isso  porque,  ao  patrimônio  líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio  de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de  capital  seria  a  diferença  entre  150  e  100  unidades,  perfazendo  50  unidades.  Na  segunda,  no  caso  de  a  empresa  C  (investidora)  e  a  empresa  B  (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação,  fusão  ou  cisão),  de  modo  em  que  passem  a  integrar  uma  mesma  universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou,  a empresa C incorpora a empresa B.  Nesse  caso,  o  valor  de  ágio  de  40  unidades  poderia  passar  a  ser  amortizado, para fins  fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando  em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar.  Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.302            66 Naturalmente,  no  Brasil,  em  relação  ao  ágio,  a  contabilidade  empresarial  pautou­se  pelas  diretrizes  da  contabilidade  fiscal,  até  a  edição  da  Lei  nº  11.638,  de  2007.  O  novo  diploma  norteou­se  pela  busca  de  uma  adequação  aos  padrões  internacionais  para  a  contabilidade, adotando, principalmente,  como diretrizes a busca da  primazia  da  essência  sobre  a  forma  e  a  orientação  por  princípios  sobrepondo­se  a  um  conjunto  de  regras  detalhadas  baseadas  em  aspectos  de  ordem  escritural.  Nesse  contexto,  houve  um  realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do  conceito  do  goodwill.  Em  síntese,  ágio  contábil  passa  (melhor  dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor  patrimonial justo dos ativos  (patrimônio líquido ajustado pelo valor  justo dos ativos e passivos).  E  recentemente,  por  meio  da  Lei  nº  12.973,  de  13/05/2014,  o  legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídico­tributário  do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de  novas  regras  para  o  seu  aproveitamento,  que  não  são  objeto  de  análise do presente voto.  Enfim,  resta  evidente  que  o  conceito  do  ágio  tratado  para  o  caso  concreto,  disciplinado  pelo  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinha­se  a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária.  Trata­se,  portanto,  de  instituto  jurídico­tributário,  premissa  para  a  sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica”.  Após  a  digressão  histórica,  o  I.  Conselheiro  tratou,  em  seu  voto,  do  aproveitamento fiscal do ágio.  Veja­se:  “Apesar  de  já  ter  sido  apreciado  singelamente  no  tópico  anterior,  o  destino  que  pode  ser  dado  ao  ágio  contabilizado  pela  empresa  investidora merece uma análise mais detalhada.  Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de  1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica:  (...)  E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos,  as  duas  partes  envolvidas  na  sua  criação:  a  pessoa  jurídica  investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela  que adquiriu a investida, com sobrepreço.  Não  por  acaso,  são  dois  eventos  em  que  a  investidora  pode  se  aproveitar  do  ágio  contabilizado:  (1)  a  investidora  deixa  de  ser  a  detentora  do  investimento,  ao  alienar  a  participação  da  pessoa  jurídica  adquirida  com  ágio;  (2)  a  investidora  e  a  investida  transformam­se  em  uma  só  universalidade  (em  eventos  de  cisão,  transformação e fusão).  Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.303            67 Pode­se  dizer  que  os  eventos  (1)  e  (2)  guardam  correlação,  respectivamente,  com  os  incisos  I  e  II  da  lei  que  dispõe  sobre  as  Sociedades por Ações.  (...)  No primeiro evento, trata­se de situação no qual a investidora aliena  o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a  integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do  ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  A  situação é  tratada pelo Decreto­Lei nº 1.598, de 27/12/1977, arts.  391 e 426 do RIR/99:  (...)  Assim,  o  aproveitamento  do  ágio  ocorre  no  momento  em  que  o  investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação.  (...)  Já  o  segundo  evento  aplica­se  quando  a  investidora  e  a  investida  transformarem­se  em  uma  só  universalidade  (em  eventos  de  cisão,  transformação  e  fusão).  O  ágio  pode  se  tornar  uma  despesa  de  amortização, desde que preenchidos os requisitos da  legislação e no  contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e  a investida.  Contudo,  sobre  o  assunto,  há  evolução  legislativa  que  merece  ser  apresentada.  Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em  fusão,  incorporação  ou  cisão,  atendia  o  disposto  no  art.  34  do  Decreto­Lei nº 1.598, de 1977:  (...)  O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como  perda  de  capital,  é  que  o  acervo  líquido  vertido  em  razão  da  incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado.  Contudo,  para  que  se  consumasse  a  perda  de  capital  prevista  no  inciso  I,  o  valor contábil  deveria  ser maior do que o acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  tal  situação  se  mostraria  viável,  especialmente,  quando,  imediatamente  após  à  aquisição  do  investimento com ágio, ocorresse a operação de  incorporação,  fusão  ou cisão6.                                                              6 A propósito, ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora  Edeli Pereira Bessa, cujos excetos se transcrevem:  Nos  casos  em  que  a  incorporação,  fusão  ou  cisão  ocorre  em  momento  próximo  A  aquisição  do  investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo liquido contábil  que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de  capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o  acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado.  De  outro  lado,  caso  atendido  este  requisito,  qualquer  ágio  apurado  na  aquisição  de  investimentos,  quando esta  fosse seguida de  incorporação da  investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de  Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.304            68 Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto  questionáveis  por  vários  contribuintes,  mediante  aquisição  de  empresas  deficitárias  pagando­se  ágio,  para,  em  logo  em  seguida,  promover a incorporação da investidora pela investida. As operações  ocorriam quase simultaneamente.  E,  nesse  contexto,  o  aproveitamento  do  ágio,  nas  situações  de  transformação  societária,  sofreu  alteração  legislativa.  Vale  transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997 4, que,  posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997.  11.  O  art.  8º  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo  método da equivalência patrimonial.  Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa  a  esse  assunto,  diversas  empresas,  utilizando  dos  já  referidos  "planejamentos  tributários",  vem  utilizando  o  expediente  de  adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação,  com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária,  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo,  de  incorporação  da  empresa lucrativa pela deficitária.  Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não  deixarão  de  acontecer,  mas,  com  certeza,  ficarão  restritos  às  hipóteses de casos reais,  tendo em vista o desaparecimento de  toda  vantagem  de  natureza  fiscal  que  possa  incentivar  a  sua  adoção exclusivamente por esse motivo.  Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI7  ao discorrer, com precisão sobre o assunto:  Anteriormente  à  edição  da  Lei  nº  9.532/1997,  não  havia  na  legislação  tributária  nacional  regulamentação  relativa  ao  tratamento  que  deveria  ser  conferido  ao  ágio  em hipóteses de  incorporação  envolvendo  a  pessoa  jurídica  que  o  pagou  e  a  pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio.  O  que  ocorria,  na  prática,  era  a  consideração  de  que  a  incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do  ágio, independentemente de sua fundamentação econômica.                                                                                                                                                                                         motivos da Lei n° 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias  semelhantes a  esta,  como a  seguir transcrito:  (...)  Neste contexto, as disposições da Lei n° 9.532/97 podem ser interpretados como um instrumento para  evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta  do ativo permanente, não sujeita a amortização:    7 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em  reorganizações societárias  (aspectos  tributários). São Paulo  :  Dialética, 2012, p. 66 e segs.    Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.305            69 (...)  Sendo assim, a partir de 1998, ano em que  entrou em vigor a  Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente  em matéria de  em  matéria  de  dedução  fiscal  do  ágio.  Desde  então,  restringiram­se as hipóteses em que o ágio seria passível de ser  deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com  a  imposição  de  limites máximos  de  dedução  em  determinadas  situações.  Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica  poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do  evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação  ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado  poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica  que lhe seja conferida.  Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista que trabalhou na  edição da MP 1.602, de 1997:  (...)  Na  realidade,  a  Exposição  de Motivos  deixa  claro  que  a motivação  para  o  dispositivo  foi  um  maior  controle  sobre  os  planejamentos  tributários  abusivos,  que  descaracterizavam  o  ágio  por  meio  de  analogias  completamente  desprovidas  de  sustentação  jurídica.  E  deixou claro que se trata de uma despesa de amortização.  E quais foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532,  de 1997?  Primeiro,  há  que  se  contextualizar  a  disciplina  do  método  de  equivalência patrimonial (MEP).  Isso  porque  o  ágio  aplica­se  apenas  em  investimentos  sociedades  coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art.  384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir  uma  atualização  dos  valores  dos  investimentos  em  coligadas  ou  controladas  com  base  na  variação  do  patrimônio  líquido  das  investidas.  As  variações  no  patrimônio  líquido  da  pessoa  jurídica  investida  passam  a  ser  refletidas  na  investidora  pelo  MEP.  Contudo,  os  aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade  investida não  são  computados  na  determinação do  lucro  real  da  investidora. Vale  transcrever  os  dispositivos  dos  arts.  387,  388  e  389  do  RIR/99  que  discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela  investidora.  (...)  Resta  nítida  a  separação  dos  patrimônios  entre  investidora  e  investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A  investida,  pessoa  jurídica  independente,  em  razão  de  sua  atividade  econômica,  apura  rendimentos  que,  naturalmente,  são  por  ela  Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.306            70 tributados.  Por  sua  vez,  na medida  em  que  a  investida  aumenta  seu  patrimônio  líquido  em  razão  de  resultados  positivos,  por  meio  do  MEP  há  uma  repercussão  na  contabilidade  da  investidora,  para  refletir  o  acréscimo  patrimonial  realizado.  A  conta  de  ativos  em  investimentos  é  debitada  na  investidora,  e,  por  sua  vez,  a  contrapartida,  apesar  de  creditada  como  receita,  é  excluída  na  apuração do Lucro Real. Com certeza,  não  faria  sentido  tributar  os  lucros  na  investida,  e  em  seguida  tributar  o  aumento  do  patrimônio  líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros  auferidos pela investida.  E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um  investimento  avaliado  pelo  MEP  por  valor  superior  ou  inferior  ao  contabilizado  no  patrimônio  líquido,  deverá  desdobrar  o  custo  da  aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e  (2) ágio ou deságio. Para  a  devida  transparência  na mais valia  (ou  menor  valia)  do  investimento,  o  registro  contábil  deve  ocorrer  em  contas diferentes:  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o  custo de aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e   II  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença  entre o  custo  de  aquisição  do  investimento  e  o  valor  de  que  trata  o  inciso anterior.  § 1º O valor de patrimônio  líquido e o ágio ou deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante  da  escrituração  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  20,  §  3º).(grifei)  Como  se  pode  observar,  a  formação  do  ágio  não  ocorre  espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu  fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos  Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.307            71 três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ou  inferior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade,  (2)  valor  de  rentabilidade  da  coligada ou  controlada,  com base  em previsão  dos  resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e  outras razões econômicas.  E,  conforme  já  dito,  por  ser  a  motivação  adotada  pela  quase  totalidade  das  empresas,  todos  os  holofotes  dirigem­se  ao  fundamento  econômico  com  base  em  expectativa  de  rentabilidade  futura da empresa adquirida.  Trata­se  precisamente  de  lucros  esperados  a  serem  auferidos  pela  controlada  ou  coligada,  em  um  futuro  determinado.  Por  isso  o  adquirente  (futuro  controlador)  se  propõe  a  desembolsar  pelo  investimento  um  valor  superior  ao  daquele  contabilizado  no  patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser  lastreada  em  demonstração  devidamente  arquivada  como  comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do  RIR/99.  E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de  1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos  de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio  da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão  de  cisão,  fusão  ou  incorporação,  resolveu  o  legislador  disciplinar  a  situação:  Art.  386. A pessoa  jurídica que absorver patrimônio de outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de  1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu  causa;  II  deverá registrar o  valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  III  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à  incorporação,  fusão ou cisão, à razão de um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;  IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes à apuração do  lucro real,  levantados durante  os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.308            72 ou cisão, à  razão de um  sessenta avos,  no mínimo, para cada  mês do período de apuração.(...) (grifei)  Fica  evidente  que  os  arts.  385  e  386  do  RIR/99  guardam  conexão  indissociável,  constituindo­se  em  norma  tributária  permissiva  do  aproveitamento  do  ágio  nos  casos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão  envolvendo o investimento objeto da mais valia.  Definido  que  o  aproveitamento  do  ágio  pode  dar­se  por  meio  de  despesa  de  amortização, mostra­se  pertinente  apreciar  do  que  trata  tal dispêndio.   No  RIR/99  (Decreto­Lei  nº  3.000,  de  26/03/1999),  o  conceito  de  amortização  encontra­se  no  Subtítulo  II  (Lucro  Real),  Capítulo  V  (Lucro  Operacional),  Seção  III  (Custos,  Despesas  Operacionais  e  Encargos).  O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I,  das Disposições Gerais sobre as despesas:  (...)  Para  serem  dedutíveis,  devem  as  despesas  serem  necessárias  à  atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e  serem  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades da empresa.  Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo  Imobilizado)  e  III  (Depreciação  Acelerada  Incentivada),  encontra  previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99  7.  Percebe­se  que  a  despesa  de  amortização  de  ágio  constitui­se  em  espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontra­se submetida ao  regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99.  (...)  No  mundo  real  os  fatos  nascem  e  morrem,  decorrentes  de  eventos  naturais ou da vontade humana.  O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio  social.  (...)  Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do  ágio,  proliferaram­se  situações  no  qual  se  busca,  especificamente,  o  enquadramento da norma permissiva de despesa.  (...)  Tais eventos podem receber qualificação  jurídica e surtir efeitos nos  ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros.  Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.309            73 Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há  norma de despesa que recepcione uma situação criada artificialmente.  As  despesas  devem  decorrer  de  operações  necessárias,  normais,  usuais  da  pessoa  jurídica.  Impossível  estender  atributos  de  normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie,  derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular  operação econômica e financeira da pessoa jurídica.  A  pessoa  jurídica  recebe  tratamento  diferenciado  no  sistema  de  tributação  (com  diferentes  opções  para  apurar  seus  resultados)  porque, essencialmente, tem um efeito multiplicador para a sociedade.  A pessoa jurídica emprega pessoas, contrata fornecedores, movimenta  a economia, multiplica os agentes de produção, e por  isso dispõe de  bases  de  cálculo  e  alíquotas  diferentes  das  aplicadas  para  a  pessoa  física.  Ora,  as  pessoas  jurídicas  devem  fabricar  produtos,  e  não  despesas fictícias.  Admitindo­se uma construção artificial do suporte  fático, consumar­ se­ia  um  tratamento  desigual,  desarrazoado  e  desproporcional,  que  afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que  seria  conferida  a  uma  determinada  categoria  de  despesa  uma  premissa  completamente,  uma  liberalidade  não  aplicável  à  grande  maioria dos contribuintes.  (...)  E  a  norma  em  análise  se  dirige  à  pessoa  jurídica  investidora  originária,  aquela  que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  coordenou  e  comandou  os  estudos  de  rentabilidade  futura  e  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição,  e  à  pessoa  jurídica investida.  Ocorre  que,  em  se  tratando  do  ágio,  as  reorganizações  societárias  empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo.  Como  exemplo,  podemos  citar  situação no  qual  a  pessoa  jurídica A  adquire  com  ágio  participação  societária  da  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  utiliza­se  de  uma  outra  pessoa  jurídica,  C,  e  integraliza  o  capital  social dessa pessoa  jurídica C com a participação societária  que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual  a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C  controla  a  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  sucede­se  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  pessoa  jurídica  B  absorve  patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa.  Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa  jurídica  A  (investidora)  e  a  pessoa  jurídica  B  (investida)  cuja  participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não  há  nenhuma  previsão  para  que  o  ágio  contabilizado  na  pessoa  jurídica  A  (investidora),  em  razão  de  reorganizações  societárias  empreendidas  por  grupo  empresarial,  possa  ser  considerado  "transferido"  para  a  pessoa  jurídica  C,  e  a  pessoa  jurídica  C,  ao  absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o  ágio  cuja  origem  deu­se  pela  aquisição  da  pessoa  jurídica  A  da  pessoa jurídica B.  Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.310            74 Da mesma maneira, encontram­se situações no qual a pessoa jurídica  A  realiza  aportes  financeiros  na  pessoa  jurídica  C  e,  de  plano,  a  pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa  jurídica  B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da  pessoa  jurídica  B,  ou  vice  versa,  a  passa  a  fazer  a  amortização  do  ágio.  Mais  uma  vez,  não  é  o  que  prevê  o  aspecto  pessoal  da  hipótese  de  incidência  da  norma  em  questão. A  pessoa  jurídica  que  adquiriu  o  investimento,  que  acreditou  na  mais  valia  e  que  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição  foi,  de  fato,  a  pessoa  jurídica  A  (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida  com  ágio  foi  a  pessoa  jurídica  B.  Ou  seja,  o  aspecto  pessoal  da  hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a  partir  do  momento  em  que  a  pessoa  jurídica  A  (investidora)  e  a  pessoa  jurídica  B  (investida)  passem  a  integrar  a  mesma  universalidade.  São  as  situações  mais  elementares.  Contudo,  há  reorganizações  envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim  por diante).  Vale  registrar  que  goza  a  pessoa  jurídica  de  liberdade  negocial,  podendo  dispor  de  suas  operações  buscando  otimizar  seu  funcionamento,  com  desdobramentos  econômicos,  sociais  e  tributários.  Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela  norma tributária”.  Para concluir o vigoroso voto:  “Considerando­se  tudo  o  que  já  foi  escrito,  entendo  que  a  cognição  para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos  se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem  formal  estabelecidos  pela norma  encontram­se  atendidos  e,  terceiro,  se  as  condições  do  negócio  atenderam  os  padrões  normais  de  mercado.  A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até  o  momento,  observa­se  que  a  discussão  mais  relevante  insere­se  precisamente  neste momento,  situado antes  da  subsunção  do  fato  à  norma.  Fala­se  insistentemente  se  haveria  impedimento  para  se  admitir  a  construção de  fatos  que  buscam  se  amoldar  à  hipótese  de  incidência  de  norma  de  despesa.  O  ponto  é  que,  independente  da  genialidade da construção empreendida, da reorganização societária  arquitetada  e  consumada,  a  investidora  originária  prevista  pela  norma  não  perderá  a  condição  de  investidora  originária.  Quem  viabilizou a aquisição? De onde vieram os  recursos de  fato? Quem  efetuou  os  estudos  de  viabilidade  econômica  da  investida?  Quem  tomou  a  decisão  de  adquirir  um  investimento  com  sobrepreço?  Respondo: a investidora originária.  Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.311            75 Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar  a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o  ágio  para  a  pessoa  jurídica  C,  ou  (2)  efetuado  aportes  financeiros  (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não  perderá a condição de investidora originária.  Pode­se dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência  de  reorganizações  societárias  empreendidas,  o  ágio  legitimamente  passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez  foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida).  Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e  a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários.  Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de  incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa  jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e  quanto  ao  aspecto  material,  o  encontro  de  contas  entre  a  despesa  incorrida  pela  pessoa  jurídica  A  (investidora  originária  que  efetivamente  incorreu  no  esforço  para  adquirir  o  investimento  com  sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida).  Mostra­se insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico  e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa  operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº  9.532,  de  1997,  promover  uma  interpretação  isolada,  blindada  em  uma bolha  contábil,  e  se  construir  uma  tese no  qual  se  permita  que  fatos  construídos  artificialmente  possam  alterar  a  hipótese  de  incidência de norma tributária.  Caso  superada  a  primeira  verificação,  cabe  prosseguir  com  a  segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja,  se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de  escrituração  prevista  no  art.  20,  §  3º  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977  (1)  existe  e  (2)  se mostra  apta  a  justificar  o  fundamento  econômico  do  ágio.  Há  que  se  verificar  também  (3)  se  ocorreu,  efetivamente, o pagamento pelo investimento.  Enfim, refere­se a terceira verificação a constatar se toda a operação  ocorreu  dentro  de  padrões  normais  de  mercado,  com  atuação  de  agentes  independentes,  distante  de  situações  que  possam  indicar  ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar  repercussão,  inclusive,  na  esfera  penal,  como  nos  crimes  contra  a  ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990”.  (os  destaques  em negrito  são do original  e  em alguns  casos,  acrescidos por  este Relator. O sublinhado é do original).  Em suma, o voto do Conselheiro da CSRF, André Mendes Moura, altamente  elucidativo  e  didático,  veio  a  confirmar  o  que  já  exprimi  antes  neste  voto,  ou  seja,  que  a  amortização do ágio exige: i) a efetiva aquisição dos controles acionários; ii) que o custo de  aquisição  seja  superior  ao  patrimônio  líquido  das  participações  societárias  adquiridas;iii)  haver  fundamento  econômico  baseado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura;  iv)ocorrer  o  efetivo pagamento da aquisição da participação societária; v)haver a incorporação total pela  Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.312            76 incorporadora  da  incorporada;  e,  vi)  extinção  da  incorporada,  via  incorporação  integral,  ainda que reversa.  Voltando  ao  caso  concreto,  vejo  que  os  autos  mostram  não  ter  havido  dispêndio  financeiro algum suportado pela recorrente que pudesse  ter gerado  tal  ágio, o  que, de plano já afeta a sua formação e posterior amortização (dedutível).  Diga­se, o ágio ou deságio deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um  investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes,  independentes  entre  si  e  ocupando  posições  opostas,  tenham  interesse  em  assumir  direitos  e  deveres  correspondentes e proporcionais.  Mais ainda,  imprescindível que haja substrato econômico para a  realização  de  um  investimento,  ou  seja,  é necessário  haver  transação  econômica  que materialize  o  valor de aquisição, ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante, de  modo  que  ocorra  um  dispêndio,  um  gasto  (econômico  ou  patrimonial)  pelo  adquirente  e  o  respectivo  ganho  (também  econômico  ou  patrimonial)  auferido  pelo  alienante.  Inocorrendo  essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar em aquisição, e,  como consequência, no surgimento de ágio.  Na  realidade  fática  do  ágio  aqui  tratado,  o  que  se  tem  é  verdadeiro  ágio  interno ou ágio de si mesmo, posto que não houve aquisição de investimento e circulação  de riquezas novas, como mostra a síntese abaixo:  i)  os acionistas e/ou dirigentes da Perkons, Walter Alberto Mitt Schause e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause,  possuíam  contratos  de  mútuo  abertos e firmados com a recorrente no ano de 2002 alimentando tais  mútuos  com os  valores  que  tinham a  receber  da mesma a  título  de  resultados (Adiantamento de Lucros);  ii)  ou seja, não houve, em momento algum, qualquer aporte financeiro que  viesse  a  compor  o  saldo  do  empréstimo.  Com  isso,  referidos  dirigentes ficaram com crédito em face da empresa;  iii)  no  final  do  ano,  mais  precisamente  em  26/12/2002,  mencionados  gestores,  Walter  Alberto  Mitt  Schause  e  Eduardo  Augusto  Purin  Schause constituíram a pessoa jurídica Interlaikis Participações Ltda.  (ver  fls.  277/279),  integralizando  o  capital  mediante  a  transferência dos créditos dos  sócios  junto à Perkons  (Contratos  de Cessão de Crédito às fls. 275/276), no valor de R$ 7.638,670,00,  sendo R$ 7.491.244,00 e R$ 147.426,00 pelos créditos de Walter e  Eduardo, respectivamente;  iv)  observe­se,  não  houve  aporte  de  qualquer  valor  monetário.  Em  outro  dizer,  inexistiu  desencaixe  financeiro,  apenas  aproveitamento  do  crédito do mútuo.  v)  a  fotografia  do  Diário  da  recém­criada  Interlaikis  Participações  Ltda.  confirma o não aporte financeiro (fls. 684):  Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.313            77   vi)  seguindo,  no  dia  30/12/2002,  somente  quatro  dias  após  a  sua  constituição,  a  Interlaikis  Participações  Ltda.,  igualmente  sem  despender  um  centavo,  adquiriu  900.000  quotas  da  PERKONS  avaliadas por R$ 8,48 cada uma, quando sua valoração nominal era  de R$ 1,00, ou seja, uma mais valia de R$ 7,48 por unidade, valendo  lembrar  que  os  sócios  da  Interlaikis  eram,  concomitantemente,  diretores/acionistas da Perkons;  vii)  para  "pagar"  esta  aquisição,  a  Interlaikis  lançou  mão  do  crédito  que  Walter  e  Eduardo  possuíam  contra  Perkons  e  com  o  qual  integralizaram  o  capital  social  da  Interlaikis  quando  da  sua  constituição  quatro  dias  antes,  no  exato  montante  de  R$  7.638.670,00;  viii) com isso, no mesmo instante, a Interlaikis contabilizou um ágio de R$  6.738.670,00 (R$ 7.638,670,00 ­ R$ 900.000,00);  ix)  e, em 30/05/2003, o quadro se fecha, com a PERKONS incorporando a  Interlaikis,  trazendo para  sua contabilidade  (e  sua dedução  fiscal) o  saldo de ágio (R$ 5.792.799,14 ­ razão às fls. 301):    Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.314            78 Resumindo,  membros  da  família  que  detinham  o  controle  da  Perkons  transformaram saldos de lucros acumulados junto à referida empresa (recorrente) em direitos  creditícios,  aportando­os na constituição de uma novel empresa (Interlaikis),  com capital de  mais de 7 milhões de reais. Quatro dias depois, esta novíssima empresa, sem que tenha feito  sequer uma operação, sem possuir um centavo em seu disponível, adquire 900.000 ações da  Perkons, cujo valor nominal era R$ 1,00, por R$ 7.638.670,00, ou seja, cada ação valendo R$  8,48, com quitação EXATAMENTE com o mesmo crédito que recebeu de Walter e Eduardo  Schause na integralização de seu capital e que tinha como devedor nada mais nada menos que  a própria Perkons!  Assim,  poucos meses  depois,  Perkons  incorpora  Interlaikis  e  o  débito  que  tinha  com  seus  dirigentes  retorna  como  "ativo"  em  forma  de  investimento  com  ágio  (cuja  amortização pretende utilizar como despesa dedutível). Ou seja, em pouco mais de seis meses,  um passivo de R$ 7,6 milhões se transforma em um ativo de R$ 5.792.799,14!  Em  resumo,  como  em  um  passe  de  mágica,  o  mesmo  crédito  que  saiu,  voltou!  E  tudo  isso  com  a  utilização  de  uma  clara  empresa  veículo,  de  efêmera  existência e mediante o "nascimento" de um ágio para o qual não houve dispêndio financeiro  algum e criado intramuros dentro de uma mesma estrutura empresarial e envolvendo empresas  sob o controle da família Schause.  Ora,  estando  os  mesmos  sujeitos  ocupando  as  posições  de  alienante  e  de  adquirente, sem a intervenção de qualquer  terceiro, não há que se cogitar que essa operação  possa proporcionar alguma variação patrimonial aos seus participantes.  Não  houve  dispêndio  de  qualquer  espécie  de  recurso  financeiro,  a  negociação não foi  realizada em um ambiente de  livre  iniciativa (pois as partes contratantes  representavam  o  interesse  do  mesmo  sujeito:  Grupo  Schause);  a  operação  não  se  fez  em  condições de livre mercado, mas sim dentro do mesmo grupo econômico.  Mais,  operação  sem  qualquer  substrato  econômico,  sem motivação  e  sem  demonstração de qual a expectativa de rentabilidade futura do investimento pretendido.  De  fato,  a  suposta mais valia  registrada pela  recorrente nada mais  é que o  que  se  conhece  como  “ágio  interno”  ou  “ágio  de  si  mesmo”  (hipótese  em  que  há  uma  reavaliação espontânea de uma participação societária dentro de um grupo empresarial), sendo  que  essa  “mais  valia”  gerada  sem  a  participação  de  partes  independentes  e  que  tem  como  decorrência  dessa  reavaliação  um  montante  fictamente  criado,  passa  a  ser  aproveitada  fiscalmente pela própria pessoa jurídica reavaliada. Em resumo, a pessoa jurídica reavalia seu  patrimônio,  gerando  um  registro  de  ágio  que,  momentos  após,  passa  a  ser  amortizado  e  deduzido das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL.  Oportuna  a  dissertação  da  Conselheira  Edeli  Pereira  Bessa,  hoje  nesta  2ª  Turma da 4ª Câmara, mas, à época, participante da bancada de julgadores da extinta 1ª Turma  da  lª Câmara da 1ª Seção no voto  condutor do Acórdão nº 1101­000.968 quando asseverou  não  ser  necessário  “que  a  lei  expresse  claramente  a  necessidade  de  o  ágio  ser  formado  em  aquisições  com  a  intervenção  de  terceiros.  Este  requisito  integra  a  essência  do  ágio  por  rentabilidade  futura.  Sem  terceiros,  a  rentabilidade  futura  somente  passa  a  gerar  efeitos  patrimoniais para investidora e investida quando ela efetivamente for auferida”.  Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.315            79 Ainda neste voto, a Relatora lembra que na forma da legislação que trata da  matéria,  “somente  há  aquisição  quando  há  intervenção  de  terceiro  e  efetiva  transmissão  de  propriedade do direito”.  Nessa  linha  de  raciocínio,  vislumbro  que  o  intuito  das  reestruturações  societárias  aqui  apresentadas  foi  apenas  criar  um  ágio  meramente  artificial  para  posterior  dedução fiscal de sua [despesa de] amortização.   Aplicável,  em  tudo,  as  lições  do  Professor  Marco  Aurélio  Greco  (in  Planejamento Tributário,  2ª Edição, Dialética,  pg.  123),  "A questão  fundamental  é  saber  como  devemos  enxergar  a  realidade,  pois  ela  comporta  mais  de  uma  perspectiva.  Pode  ser  vista  fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em  relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme  inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos  ao  final,  só  no  final  entendemos  o  significado  real  de  tudo  o que aconteceu. Esta  é  uma pergunta­ chave  porque  fotograficamente  determinada  opção  pode  ser  plenamente  protegida  e  até  mesmo  querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento  para um planejamento inaceitável".  Assim, estando­se diante de ágio de si mesma, ou ágio interno, posto referir­ se a investimento já detido e sendo o ágio gerado em operações internas do grupo empresarial,  evidencia­se que  a  recorrente não  se  reveste da  característica de  investidora  original na  exata acepção do termo, ou seja, aquela que – efetivamente ­ acreditou na mais valia do  investimento,  coordenou  e  comandou  os  estudos  de  rentabilidade  futura  e  – mais  que  tudo – teria desembolsado os recursos para a aquisição.  É pacífica a jurisprudência do Colegiado nesta linha:  OPERAÇÕES  SOCIETÁRIAS  ENTRE  EMPRESAS  LIGADAS  E  CONTROLADAS  POR  SÓCIO  COMUM.  AVALIAÇÃO  UNILATERAL  DE  PATRIMÔNIO.  ÁGIO  INTERNO. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA INDEVIDA.  O  ágio  somente  pode  ser  admitido  quando  decorrente  de  transações  envolvendo  partes  independentes,  condição  necessária  à  formação  de  um  preço  justo  para  os  ativos  envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no  bojo  de  transações  entre  entidades  sob  o  mesmo  controle  societário,  não  é  possível  reconhecer  uma  mais­valia  no  investimento,  pois  não  resulta  de  um  processo  imparcial  de  valoração,  num  ambiente  de  livre  mercado  e  de  independência  entre  as  empresas.  O  ágio  gerado  internamente  não  tem  consistência  econômica  ou  contábil,  configurando  geração  artificial  de  resultado,  cujo  registro  contábil  é  inadmissível.  Nessa  situação,  a  despesa  com  a  amortização  do  ágio  é  indedutível.  (Ac.  1301­002.562  –  Sessão de 15/08/2017 – Relator ­ Fernando Brasil de Oliveira  Pinto)  ÁGIO  INTERNO.  FALTA  DE  SUBSTÂNCIA  ECONÔMICA. INDEDUTIBILIDADE.  O ágio  nascido  de  operações  entre  empresas  integrantes  do  mesmo grupo econômico é indedutível da base de cálculo do  Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.316            80 IRPJ, dada a ausência de substância econômica. . (Ac. 1301­ 002.415 – Relator – Roberto Silva Junior)  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  EMPRESAS  DE  MESMO  GRUPO  ECONÔMICO.  INDEDUTIBILIDADE.  A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida  quando  este  surge  em  negócios  entre  partes  independentes,  condição  necessária  à  formação  de  um  preço  justo  para  os  ativos  envolvidos.  Nos  casos  em  que  seu  aparecimento  acontece  no  bojo  de  negócios  entre  entidades  sob  o  mesmo  controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil,  o que obsta que se admitam suas consequências  fiscais.  (Ac.  1301­002.233  –  Relator  –  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro)  ÁGIO  INTERNO.  AMORTIZAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Inadmissível  a  formação  de  ágio  por  meio  de  operações  internas,  sem  a  intervenção  de  partes  independentes  e  sem  o  pagamento  de  preço  a  terceiros.  (Ac.  1101­000.968 – Relatora – Edeli Pereira Bessa)  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  EMPRESAS  DE  MESMO  GRUPO  ECONÔMICO.  INDEDUTIBILIDADE.   Incabível  a  formalização  do  ágio  como  decorrência  de  operação  societária  realizada  entre  empresas  de  mesmo  grupo  econômico,  pela  inexistência  da  contrapartida  do  terceiro  que  gere  o  efetivo  dispêndio.  .  (Ac.  1402­001.278  –  Relator – Leonardo de Andrade Couto)  ÁGIO  INTERNO.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RECONHECIMENTO  CONTÁBIL. A  ausência  de  um  efetivo  dispêndio  (sacrifício  patrimonial)  por  parte  da  investidora  pelas  participações  subscritas em operações com empresas controladas revelam a  falta de substância econômica das operações o que impede o  seu  registro  e  reconhecimento  contábil,  pois  não  há  efetiva  modificação  da  situação  patrimonial.  (Acórdão  nº  1302001.108 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11  de junho de 2013 – Relator)  Por  fim,  trago  a  manifestação  expressa  pela  CVM  no  Ofício­ Circular/CVM/SNC/SEP  nº  01/2007,  item  20.1.7,  plenamente  pertinente  e  que mostra  com  clareza a impropriedade do chamado ágio interno, conforme excerto abaixo:  “Não  é  concebível,  econômica  e  contabilmente,  o  reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma  transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto  de  vista  formal,  os atos  societários  tenham atendido à  legislação  aplicável  (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista  econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente  seria  concebível  se  realizada  entre  partes  independentes,  conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses  Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.317            81 que não  a  essência  da  transação,  condições  essas  denominadas  na literatura internacional como “arm’s length”.  Portanto,  é  nosso  entendimento  que  essas  transações  não  se  revestem  de  substância  econômica  e  da  indispensável  independência entre as partes, para que seja passível de registro,  mensuração e evidenciação pela contabilidade”. (negritou­se)  Mesmo alinhamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis  (CPC), por  meio da Orientação Técnica OCPC 02/2008, item 50, verbis:  “É  importante  lembrar  que  só  pode  ser  reconhecido  o  ativo  intangível  ágio  por  expectativa  de  rentabilidade  futura  se  adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou  mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido  de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada  completamente sua reavaliação”. (negrito acrescido)  Assim,  pelo  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário em relação a esta infração, glosa de despesas com amortização de ágio, mantendo a  decisão recorrida e os lançamentos pertinentes.  DOS LANÇAMENTOS DE CSLL  A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes  determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999:  Art.  248.  O  lucro  líquido  do  período  de  apuração  é  a  soma  algébrica  do  lucro  operacional,  dos  resultados  não  operacionais,  e  das  participações,  e  deverá  ser  determinado  com observância dos preceitos da lei comercial (Decreto­Lei  nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e  Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º).  Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado  das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto  da pessoa jurídica (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 11).  De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das  receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999).  Da  interpretação  sistemática  destes  dispositivos,  extrai­se  que  somente  poderão  reduzir  o  lucro  líquido  as  despesas  operacionais  que  preencham  os  requisitos  previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que,  dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido  que  é,  também,  a  base  de  cálculo  da  CSLL,  com  os  ajustes  previstos  na  sua  legislação  específica.  Mesmo considerando que as despesas, no presente caso, possam ter natureza  não  operacional,  cabe  lembrar  que  o  que  as  torna  indedutíveis  da  base  de  cálculo  da  Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância  da legislação comercial, visto que esta impõe que o ponto de partida para se chegar à base de  cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis.  Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.318            82 Ora,  segundo  o  Princípio  da  Entidade,  um  dispêndio  produzido  de  forma  equivocada não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de despesas  inexistentes  implica  inobservância  do  princípio  contábil  da  entidade,  devendo  ensejar,  também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e também da  CSLL.  Como  consequência,  dispêndios  glosados  afetam  o  próprio  resultado  do  exercício, diga­se, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º  da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990.  Mais  a  mais,  o  art.  13,  da  Lei  nº  9.249/951,  quando  trata  das  despesas  indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações  de  dedutibilidade  se  aplicam  independentemente  do  disposto  no  art.  47  da  Lei  nº  4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99.  Assim,  pela  vinculação  e  nexo  entre  as  glosas  efetuadas  para  fins  de  apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, voto por negar provimento ao recurso  também em relação a tal matéria.  Pelas  razões  expostas,  igualmente  encaminho  meu  voto  no  sentido  de  NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à CSLL.    1.2 Mérito  1.2.2 – Dos Lançamentos de PIS e de COFINS  1.2.2.1 – Glosa de créditos indevidos de PIS e COFINS  (Item 7.3 do TVF (fls. 3450) e Autos de Infração de PIS/COFINS)   Sobre  esta  infração,  discorre  a  Autoridade  Fiscal,  em  suma,  que  os  lançamentos destas duas contribuições têm vinculação direta com a infração de IRPJ descrita  no TVF ­ item 7.1 e cuida do entendimentos de que Perkons e HELIX são uma única empresa.  Com isso, mantendo­se a imputação acima referida, os lançamentos de glosa  de  créditos  de  PIS  e  de  COFINS,  por  decorrência,  mostram­se  irretocáveis  e  devem  ser  mantidos igualmente.  Assim,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  à  glosa  de  créditos  de  PIS/COFINS,  mantendo  os  lançamentos  de  R$  672.445,61 e R$ 3.095.019,70, respectivamente (valores originais).   1.2 Mérito  1.2.3 – Dos Lançamentos de IRRF  1.2.3.1 – IRRF sobre pagamentos a beneficiário não identificado  (Item 7.4 do TVF (fls. 3452/3453) e Autos de Infração de IRRF)   Aduz  a  Fiscalização  que  “a  PERKONS,  através  da  razão  social  HELIX  DO  BRASIL  S/A,  remeteu  R$  5.955.000,00  a  beneficiários  não  identificados  no  exterior  nos  anos­ Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.319            83 calendário de 2009 e 2010. Os recebedores destes valores, destacados nos contratos de câmbio às fls.  1013/1046,  são  uma  pessoa  física  na  SUÍÇA  e  a  empresa  fictícia  utilizada  pelos  acionistas/administradores nos EUA”.    Sobre  esta  imputação  do  Fisco,  define  o  artigo  61,  da  Lei  nº  8981/1995  (artigo 674, do RIR/1999:  Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  trinta  e  cinco  por  cento,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado,  ressalvado o disposto em normas especiais.   §  1º  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que  trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.   §  2º  Considera­se  vencido  o  Imposto  de  Renda  na  fonte  no  dia  do  pagamento da referida importância.   § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido,  cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual  recairá o imposto.  Deste modo, para haver a  incidência do  IRRF de que trata o dispositivo, é  preciso:  1.  haver o pagamento;  2.  a beneficiário não identificado; ou,  3.  que não tenha causa; ou,  4.  não  comprovada  a  operação,  quando  feito  a  terceiros  ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não.  Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.320            84 No caso dos autos, houve o pagamento e identificação dos beneficiários, ao  menos formalmente, conforme se vê no TVF (fls. 3435/3436), que aponta ter havido remessa  de R$ 250.000,00 para a Suíça,  tendo como favorecida “uma desconhecida” de nome Brigitte  Recoing e as demais remessas (em cinco vezes, totalizando R$ 5.705.000,00) destinaram­se à  HELIX TECHNOLOGY AND INVESTMENTS, braço internacional do grupo em Delaware.  Porém,  ainda  que  haja  a  identificação  dos  beneficiários,  resta  saber  se  existiria causa nestas remessas   Tratando do tema, a recorrente argumenta:  Ø  que  as  transferências  efetuadas  ocorreram  licitamente,  através  de  contratos de câmbio formalizados no Banco do Brasil (fls. 1013/1049);  Ø que  as  remessas  consideradas  no  auto  de  infração  têm  beneficiários  devidamente identificados;  Ø que as  remessas  estariam devidamente  contabilizadas pela Helix Brasil  S/A  como  remessas  de  lucros  e  dividendos  para  a  sua  controladora,  constando,  ainda,  “...em  todos  os  contratos  de  câmbio  de  que  referida  operação  trata da remessa de ‘OUT. REND. CAP – INV DIRETO – LUCRO  DIV BONIFICAÇÕES”;  Ø que, como se trata de remessas de lucros, não se sujeitaria ao pagamento  do IRRF;  Ø que  a  autuação  de  IRRF  não  subsistiria  também  em  razão  de  que  os  mesmos  fatos  ensejaram  a  constituição  dos  créditos  tributários  de  IRPJ/CSLL, como já decidido administrativamente.  Pois  bem,  em  primeiro  lugar,  soa  estranha  a  remessa  feita  a  Brigitte  Recoing,  “uma  desconhecida”,  nas  palavras  do  Fisco.  De  qualquer  modo,  isto  acaba  por  se  tornar irrelevante em face do aduzido pela própria recorrente de que se trataria de “remessa de  lucros”,  por  isso,  isentas  de  tributação  nos  termos  do  art.  10  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995.  Assim,  em  razão  do  quanto  já  discorrido  neste  voto,  sendo  recorrente  e  HELIX uma única pessoa jurídica, pela simulada transferência da atividade fabril para a Helix  Brasil S/A,  inexistia  lucro a  ser distribuído, de  forma que não se pode distribuir o que  não existe.  Nessa  linha,  não  sendo  lucros,  e  não  sendo  comprovado  o motivo  de  tais  remessas  nem  sua  causa  (ainda  que  haja  identificação  de  quem  recebeu  o  benefício),  tais  remessas  só  podem  ter  sido  feitas  a  outro  título  e  sem  nenhuma  causa,  portanto,  sujeitos  à  tributação do IRRF, com ajuste da base de cálculo.  Nessa linha a jurisprudência pacificada no CARF:  PAGAMENTO SEM CAUSA OU PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO  NÃO IDENTIFICADO.  A  pessoa  jurídica  que  efetuar  pagamento  à  beneficiário  não  identificado  ou  não  comprovar  a  operação  ou  a  causa  do  Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.321            85 pagamento efetuado, sujeitar­se­á à incidência do imposto de renda  retido na fonte (Ac. 1401­003.055 ­Sessão de 13/12/2018)  Dito  isto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  em  relação aos lançamentos de IRFONTE.  DA MULTA QUALIFICADA E DA DECADÊNCIA SUSCITADA  Sobre  a  qualificação  da multa  de  ofício,  elevando­a  a  150%,  ainda  que  a  recorrente  bata­se  longamente  contra  tal  exasperação,  penso  que,  sem  nenhuma  dúvida,  os  requisitos para sua aplicação estão fortemente presentes nos autos.  De  fato,  conforme  provam  os  documentos  coligidos  na  ação  fiscal  e  os  relatos  do  TVF,  as  partes  praticaram  diversos  atos  simulados,  todos  com  o  fim  único  de  ludibriar o Fisco, para pagar menos tributo.   A  sucessividade  de  atos  demonstra  a  ação  abusiva  e  sistemática  da  contribuinte em burlar o cumprimento da obrigação fiscal.  Assim, o que se vê nos autos é a prática de atividade  ilícita comprovada e  detalhadamente descrita no TVF, observada a partir da realização de diversos atos simulados,  tudo visando reduzir a tributação federal.  Mais,  a  conduta  dolosa  de  buscar  diminuir  o  efetivo  valor  da  obrigação  tributária, com o conseqüente pagamento a menor dos tributos devidos, em evidente prejuízo  ao erário.  Do  mesmo  modo,  a  vontade  consciente,  já  que  realizada  de  forma  sistemática,  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, tudo de  forma ofensiva aos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4502, de 1964, levando a majoração da multa  de ofício na forma do que dispõe o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, não se podendo perder  de  vista  que,  segundo  a  teoria  finalista  da  ação,  adotada  pelo  nosso  Código  Penal  (Parte  Geral), art. 18­I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria deste  ramo do direito, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre  quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual  (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado).  No caso, não se trata de presunção de dolo, mas sim da existência de dolo  direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida nos procedimentos típicos descritos  nos artigos já citados da Lei nº 4.502/1964, implicando redução ou supressão de tributos.  Deste modo, presentes os  requisitos exigidos por  lei para a exasperação da  multa de ofício ao patamar de 150%, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho do Fisco, pela  sua procedência.  Com isso, a contagem do fluxo decadencial subsume­se ao artigo 173, I, do  CTN, ou seja, flui a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado e não à regra do artigo 150, § 4º, como quer a recorrente.  A respeito, a matéria já se encontra sumulada neste Colegiado:  Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.322            86 Súmula  CARF  nº  72:  Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial rege­se pelo art. 173, inciso I, do CTN.  Cabe verificar, assim, se houve a decadência arguida.  Com relação ao IRPJ e CSLL, cujos fatos geradores se fixam no último dia  do período,  sendo 31/12/2006 o mais  antigo deles  e  considerando a  contagem  imposta pelo  artigo 173,  I, do CTN, e  tendo em conta que a ciência fez­se em 22/12/2011, não há que se  falar em decadência.  Já  o  PIS  e  a  COFINS  têm  a  contagem  decadencial  medida mensalmente,  sendo  que  o  mais  antigo  período  lançado  foi  março/2006.  Considerando  que  a  contagem  decadencial  flui  a  partir  de  01/01/2007,  o  prazo  fatal  para  lançamento  seria  31/12/2011.  Ocorrendo a ciência em 22/12/2011, não houve decadência.  Finalmente, sobre os  lançamentos de IRRF, há Súmula em vigor, de modo  que a matéria encontra­se resolvida:  Súmula CARF nº 114  O  Imposto  de  Renda  incidente  na  fonte  sobre  pagamento  a  beneficiário  não  identificado,  ou  sem  comprovação  da  operação  ou  da causa, submete­se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do  CTN.  Sendo os pagamentos realizados a partir de 2009, não houve decadência.  Desse  modo,  enfrento  e  afasto  a  preliminar  de  decadência  suscitada  pela  recorrente,  isto  porque,  consoante  visto  nos  autos,  inequívoca  a  presença  de  dolo  nos  atos  praticados pela recorrente que acabaram por elevar a multa de ofício ao índice de 150%.  DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA   . Walter Alberto Mitt Schause      CPF nº 610.417.859­68   (fls. 3586/3587)  . Samuel Dzintar Schause       CPF nº 085.236.229­34   (fls. 3589/3590)  . Eduardo Augusto Purin Schause     CPF nº 026.394.829­39   (fls. 3592/3593)  . Donald Elmar Schause       CPF nº 033.216.909­00   (fls. 3595/3596)  . Walter Arvido Schause       CPF nº 002.937.509­63   (fls. 3598/3599)  Os responsáveis solidários Walter Arvido Schause, Donald Elmar Schause,  Samuel  Dzintar  Schause,  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  e  Walter  Alberto  Mitt  Schause  apresentaram  recurso voluntário  em petição  conjunta  argumentando que o Auto de  Infração  teria deixado de demonstrar quais atos concretos teriam sido dolosamente praticados por cada  uma das pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários.  Consoante defendem, o Termo de Verificação Fiscal não minudenciaria os  atos que cada pessoa física autuada teria praticado, onde residiria o dolo de cada uma delas e  de que maneira a obrigação tributária teria resultado desses atos, o que tornaria improcedente  a atribuição de responsabilidade solidária levada a efeito pelo fisco.  Como ficará demonstrado no presente tópico, contudo, não assiste razão aos  recorrentes no seu pleito de exclusão do pólo passivo das exações.  Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.323            87 Ao  se  realizar  uma  leitura  da  íntegra  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  é  possível  retirar  com  muita  facilidade  os  elementos  que  levaram  a  fiscalização  a  atribuir  responsabilidade  solidária  a  vários  membros  da  família  Schause  pelo  crédito  tributário  lançado, senão vejamos.  Na ação fiscal efetuada, constatou­se que a Perkons S/A é uma empresa com  constituição  e  gestão  familiar,  sendo  os  irmãos  Walter  Arvido  Schause,  Donald  Elmar  Schause, Samuel Dzintar Schause detentores, direta ou  indiretamente, do controle das ações  da companhia. Quanto ao ponto, a fiscalização demonstrou que tais pessoas físicas, conquanto  possuam  participações  residuais  nas  empresas  controladoras  da  Perkons,  são  detentoras  de  “ações especiais classe B, especialmente reservadas para os detentores do poder de mando e  gestão na controlada (Perkons)”.  Além  disso,  os  irmãos  Walter  Arvido  Schause,  Donald  Elmar  Schause  e  Samuel  Dzintar  Schause  seriam  ainda  os  beneficiários  da  maior  parte  dos  dividendos  distribuídos pelas  sociedades controladoras,  empresas não operacionais que  têm como única  atividade participar como sócias da Perkons.  Para  a  fiscalização,  portanto,  os  irmãos Walter  Arvido,  Donald  e  Samuel  seriam os verdadeiros “donos” da Perkons.  Especificamente  quanto  a  Samuel  Schause  e  Donald  Schause,  o  TVF  demonstra claramente que tais pessoas, independentemente das alterações sociais promovidas  ao  longo da existência da Perkons, sempre permaneceram como seus diretores, com todos e  iguais poderes do sócio­gerente para representar e administrar isoladamente a sociedade.  Quanto  aos  responsáveis Walter Alberto Mitt  Schause  e Eduardo Augusto  Purin Schause,  a  fiscalização  traz várias  evidências de que  se  cuida de pessoas que  sempre  participaram ativamente da administração da Perkons.  No  que  concerne  à  fraudulenta  criação  do  ágio  fictício, Walter  Alberto  e  Eduardo  Augusto  têm  uma  participação  ativa  e  determinante  desde  as  primeiras  ações  tomadas para dar vida aos rearranjos societários que culminaram no aproveitamento do ágio  pela  Perkons.  Nesse  sentido,  não  se  perca  de  vista  que  os  dois  eram  os  únicos  sócios  da  Perkons na época em que foram forjados os contratos de mútuo avençados com a Perkons e  sucessivamente cedidos nas operações societárias realizadas com vistas à amortização do ágio.  A par dessa descrição e a respeito do papel de cada responsável solidário na  condução dos negócios da Perkons S/A, como já visto, encontra­se assentado ao longo de todo  o  trabalho  de  fiscalização  que  a  criação  da  pessoa  jurídica  Helix  Brasil  S/A,  bem  como  o  contrato  de  Joint  Venture  celebrado  com  a  recorrente,  seriam  típicos  negócios  jurídicos  simulados,  realizados com o  intuito de fraudar a  tributação por meio da criação de despesas  fictícias na contabilidade da Perkons S/A.  Relativamente  à  amortização  indevida  do  ágio  criado  por  ocasião  da  aquisição de ações da Perkons pela Interlaiks, está demonstrado, além de qualquer dúvida, que  os rearranjos societários que redundaram na incorporação da Interlaiks pela Perkons também  foram todos realizados de maneira fraudulenta e artificial, com vistas exclusivamente a gerar  uma indevida economia de tributos na Perkons.  Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.324            88 Sobre a  imputação com base no artigo 135,  III, do CTN, o sócio­gerente é  responsável,  não  por  ser  sócio,  mas  por  haver  exercido  a  gerência,  resultando  a  sua  solidariedade pelos débitos tributários da pessoa jurídica da prática de ato ilícito.  Diga­se, não basta o fato de a pessoa jurídica ser devedora de tributo, sendo  necessário que a dívida não tenha sido paga em razão de ato ilícito, praticado pelo dirigente da  pessoa jurídica.  Por outro lado, é a ilicitude que permite sua responsabilização, ilicitude esta  que deve ter sido praticada durante o exercício da gerência.  No  caso  dos  presentes  autos  as  ilicitudes  cometidas  pelos  recorrentes  na  administração da Perkons S/A foram demonstradas à saciedade pela fiscalização.  Nesse toada, não se pode perder de vista que as pessoas jurídicas, conquanto  possuam personalidade distinta dos seus sócios, não agem nem praticam atos jurídicos por  si sós, mas por meio de seus administradores e sócios.  Sendo  a  vontade  da  pessoa  jurídica,  em  verdade,  a  expressão  da  vontade  majoritária de seus sócios e dirigentes, por óbvio que todas as simulações, fraudes e infrações  imputadas  pela  fiscalização  foram  concretizadas  por  seus  sócios  e  administradores,  sobre  quem deve recair a responsabilidade solidária pelos débitos tributário da pessoa jurídica.  Em relação à tipificação com fundamento no artigo 124, I, do Códex, no que  interessa ao presente processo,  tem­se que a responsabilidade  tributária  solidária exsurge  quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o  contribuinte,  arcando,  independentemente  deste,  com  o  pagamento  integral  do  crédito  tributário.  Segundo  a  previsão  do  inciso  I  do  mencionado  dispositivo,  ocorre  a  solidariedade  quando  os  sujeitos  estão  na  mesma  relação  obrigacional.  Neste  caso,  há  um  interesse  comum  das  pessoas  que  participam  da  situação  que  origina  o  fato  gerador  para,  conseqüentemente,  passarem  à  condição  de  devedores  solidários.  Não  é  necessária  a  previsão em lei, pois o CTN explicitou uma situação geral.  O conceito de “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da  obrigação  principal”  não  é  revelado  somente  pelo  interesse  econômico  no  resultado  ou  no  proveito da situação que constitui o  fato gerador da obrigação principal, mas pelo  interesse  jurídico,  que  diz  respeito  à  realização  comum ou  conjunta  da  situação  que  constitui  o  fato  gerador.  O  interesse  jurídico  revela­se  através  de  uma  atitude  voltada  ao  atendimento de uma necessidade, seja ela, econômica, moral ou social.  Enfim,  no  interesse  comum  as  pessoas  interessadas  são  ligadas  por  circunstâncias fáticas externas formadoras de solidariedade, ou seja, há entre elas uma  consciência de grupo, ainda que tácita.  No caso dos autos, os membros da Família Schause arrolados como sujeitos  passivos  solidários,  alegam  no  recurso  voluntário,  em  síntese,  que  não  haveria  nenhuma  pertinência na aplicação do art. 124, I, do CTN ao caso dos autos.  Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.325            89 Com a devida vênia, discordo deste entendimento.  Realmente,  os  membros  da  Família  Schause  eram  e  são  os  únicos  proprietários  da  autuada,  de  modo  que  não  há  como  admitir  que  os  interesses  da  pessoa  jurídica Perkons fossem divergentes e opostos aos dos sócios.  Em  outra  linha,  é  certo  que  as  pessoas  jurídicas  possuem  personalidade  distinta dos  seus  sócios,  contudo,  também é  certo  que  estas pessoas  jurídicas não agem e  praticam atos jurídicos por si sós, mas os realizam por meio de seus administradores e  sócios. A vontade da pessoa jurídica é, em verdade, a expressão da vontade majoritária  de seus sócios e dirigentes.  Concretamente, consta do TVF que todos os atos de reorganização societária  (especialmente  pertinentes  quanto  à  glosa  da  amortização  do  ágio)  foram  deliberados  e  aprovados  em  Assembleia  Geral  Extraordinária  e,  ao  que  consta,  nenhum  dos  recorrentes  discordou das propostas apresentadas à votação, donde se deduz que todos anuíram aos atos  praticados.  Da mesma  feita,  no  que  concerne  ao  simulado  contrato  de  Joint  Ventuere  firmado com a empresa de fachada Helix Brasil S/A, também não existe registro de nenhum  tipo de oposição quanto à sua celebração.  Assim,  a  lucratividade  obtida  diretamente  pelos  irmãos  Samuel,  Donald  e  Walter Schause  –  destinatários  finais  de  praticamente  todos  os  dividendos  distribuídos  pela  Perkons, é justamente o elo de comunhão legal que lastreia a imputação da responsabilidade  solidária.   O  interesse  comum entre  a Perkons  e os membros  da  Família Schause  no  fato  gerador  dos  tributos  lançados  é  revelado  pela  economia  que  obtiveram  por  meio  das  simulações apontadas pela fiscalização.  A “economia” fiscal obtida com os atos simulados beneficiou diretamente os  irmãos Donald, Samuel e Walter Schause, que receberam dividendos em valores muitíssimo  maiores do que fariam jus, caso não tivessem se utilizado de mecanismo engenhoso para fugir  à incidência tributária.  Portanto, a atribuição da responsabilidade solidária com base no art. 124, I,  do CTN se aplica devidamente ao caso dos verdadeiros controladores da autuada, os  irmãos  Donald, Samuel e Walter Schause.  O  outro  coobrigado  arrolado  pelo  Fisco  foi  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer CPF nº 519.361.359­49 ­ (fls. 3584/3585) que ofertou recurso individual.  Neste  caso, o  fato  concreto  é que o  imputado exercia  importante  cargo de  gestão  no  grupo,  inclusive  sendo  o  procurador  que  participou  da  esquematização  e  formalização da HELIX TECHNOLOGY AND INVESTIMENTS LLC e era o representante  de Perkons e HELIX BRASIL, ou seja, gestor, ainda que não acionista.  Pelo  exercício  destas  funções  gerenciais,  recebeu  salários  e  dividendos,  conforme  informado no TVF  (fls.  3457)  e,  nestas  condições,  enquanto  à  frente  das  pessoas  jurídicas envolvidas,  tinha poderes de mando e  agiu,  como  já mostrado neste voto, diversas  Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.326            90 vezes em desconformidade com a lei, impondo sua fixação no pólo passivo da demanda com  suporte no artigo 135, II e III, do Estatuto Tributário.  Registre­se,  porém,  que  sua  responsabilização  deve  ater­se  ao  período  em  que Jefferson do Carmo Bruckheimer foi nomeado procurador da HELIX TECHNOLOGY e  constituiu  a  HELIX  BRASIL  S/A  em  07/11/2001,  tendo  sido  seu  diretor  até  01/05/2008,  como, aliás, já decidido pela Turma a quo.  Todavia, quanto à sua inclusão como corresponsável em face do artigo 124,  I, do CTN, penso que a imputação não procede, tendo em conta que, apesar dos comprovados  poderes de que dispunha como gestor de alto nível do grupo, dele não era sócio ou acionista e  presumivelmente não  tinha o necessário e  imprescindível “interesse comum na situação que  constitua o  fato gerador da obrigação principal”  exigido pelo  referido dispositivo  legal para  caracterizar a responsabilização.  Desse modo, afasto a imputação feita a Jefferson do Carmo Bruckheimer  CPF nº 519.361.359­49 baseada no artigo 124, I, do Códex.  Resumindo,  i)  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  conjunto  apresentado  pelos  responsáveis  solidários  Walter  Arvido  Schause,  Donald  Elmar  Schause,  Samuel  Dzintar  Schause,  Eduardo  Augusto  Purin  Schause  e Walter  Alberto Mitt  Schause,  mantendo, com base nos artigo 124, I e 135, III, do CTN, suas imputações no pólo passivo da  obrigação;  e,  ii)  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  do  coobrigado  Jefferson  do  Carmo  Bruckheimer  para  afastar  a  imputação  no  artigo  124,  I,  do  CTN,  mantendo, porém sua inclusão no pólo passivo com fulcro no artigo 135, II e III, do Estatuto  Tributário,  restringindo  a  imputação  à  data  de  sua  saída  do  grupo  empresarial,  no  caso,  01/05/2008.  CONCLUSÃO  Assim, em face do relatado, voto no sentido de i) NEGAR PROVIMENTO  aos  recursos  voluntários  da  recorrente,  pessoa  jurídica,  Perkons  S/A;  ii)  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Walter Arvido Schause,  Donald Elmar Schause,  Samuel Dzintar Schause, Eduardo Augusto Purin Schause  e Walter  Alberto  Mitt  Schause,  mantendo,  com  base  nos  artigo  124,  I  e  135,  III,  do  CTN,  suas  imputações no pólo passivo da obrigação; e, iii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso  voluntário do coobrigado Jefferson do Carmo Bruckheimer, afastando a imputação fincada no  artigo 124, I, do CTN e mantendo a do artigo 135, II e III, do mesmo Diploma, restringindo a  imputação à data de sua saída do grupo empresarial, no caso, 01/05/2008.    É como voto.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone      Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 11516.722572/2011­11  Acórdão n.º 1402­003.751  S1­C4T2  Fl. 6.327            91                           Fl. 6327DF CARF MF

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Numero do processo: 13005.901002/2012-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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1003­000.606  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  11 de abril de 2019  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  TRANSPORTES STEIN LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008  PER/DCOMP.  COMPROVAÇÃO  DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  INEXATIDÃO MATERIAL.  O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.  Somente  podem  ser  corrigidas  de  ofício  ou  a  pedido  as  informações  declaradas  no  caso  de  verificada  a  circunstância  objetiva  de  inexatidão  material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos  da RFB.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carmen  Ferreira  Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson  Kazumi Nakayama.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 10 02 /2 01 2- 61 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 48          2 A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  26124.72793.310809.1.3.04­1441,  em 31.08.2009, e­fls. 04­09, utilizando­se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto  de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, do segundo trimestre do ano­calendário de 2008  no  valor  de R$1.717,74  contido  no DARF de R$7.215,67  recolhido  em  31.07.2008  apurado  pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  para  compensação  dos  débitos  ali  confessados.  Consta  no  Despacho  Decisório  Eletrônico,  e­fl.  10,  que  as  informações  relativas ao reconhecimento do direito creditório  foram analisadas das quais se concluiu pelo  indeferimento do pedido:  A análise do direito creditório está  limitada ao valor do "crédito original na  data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 1.717,74.  A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...]  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada. [...]  Enquadramento Legal: Art.  165  da Lei  nº  5.172,  de 25  de  outubro  de  1966  (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Cientificada,  a  Recorrente  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade.  Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 16­52.242, de 31.10.2013,  e­fls. 35­40:   DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO.  A  mera  alegação  da  existência  do  crédito,  desacompanhada  de  elementos  cabais  de  prova  quanto  aos  motivos  determinantes  das  alterações  nos  débitos  declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a  decisão não homologatória de compensação.  DESPACHO  DECISÓRIO.  AUSÊNCIA  DE  SALDO  DISPONÍVEL.  MOTIVAÇÃO.  Motivada  é  a  decisão  que,  por  conta  da  vinculação  total  de  pagamento  a  débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível  para fins de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Notificada  em  06.11.2013,  e­fls.  41­42,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  19.11.2013,  e­fl.  43,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que:  Tendo  em  vista  o  não  reconhecimento  ao  direito  creditório  que  a  empresa  TRANSPORTES STEIN LTDA, CNPJ: 91.267.773/0001­94 tem perante a Receita  Federal  do  Brasil  por  pagamentos  efetuados  a maior  relativo  a  1RPJ  e  CSLL  do  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 49          3 primeiro  e segundo  trimestre de 2008 conforme constata­se  através da DIPJ/2009,  ano  base  2008  e  DARFs  liquidados,  exarada  pelos  acórdãos  retro  mencionados,  firmados na sessão de 31/10/2013, referentes aos processos nºs 13005.901002/2012­ 61,  13005.901003/2012­14  e  13005.901004/2012­51,  através  da  presente  vimos  ratificar nossa manifestação de inconformidade pela decisão tomada, visto que, não  foi  concedido  à  empresa,  a  oportunidade  de  regularizar  sua  situação  mediante  entrega de DCTF retificadora.  Como  já  foi  dito  em  expediente  anterior,  apenas  precisamos  de  autorização  para retificar a DCTF do primeiro semestre de 2008.  Feito  este  procedimento,  ficará  claro  para  a Receita  Federal  que  a  empresa  TRANSPORTES  STEIN  LTDA  tem  toda  a  razão  para  ter  procedido  na  compensação dos valores constantes dos Per Dcomps nºs   40105.07337.311008.1.3.04­4390  09589.74000.311008.1.3.04­0472  26124.72793.310809.1.3.04­1441  38370.10849.310809.1.3.04­9133  32704.37616.291009.1.3.04­0217  Ratificando  nossas  afirmativas,  reafirmamos  que  os  valores  alocados  na  DCTF do primeiro semestre de 2008 precisam ser retificados de modo a demonstrar  o crédito pleiteado e compensado através dos Per Dcomps já elencados.  Concernente ao pedido expõe que:  Isto posto, solicitamos reformarem a decisão tomada, permitindo­nos proceder  na Retificação  da DCTF de modo  a  equalizar  as  informações  prestadas  de  acordo  com a DIPJ/2009, homologando também os créditos compensados.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente discorda do procedimento fiscal.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 50          4 pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento  se  submete  ao  rito  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de março  de  1972,  inclusive  para  os  efeitos  do  inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de  13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da  Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003).  O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art.  51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995).  Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  a  Recorrente  deve  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Os diplomas normativos de  regências da matéria, quais sejam o art. 170 do  Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam  clara  a  necessidade  da  existência  de  direto  creditório  líquido  e  certo  no  momento  da  apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar­se­ia extinto sob  condição resolutória da ulterior homologação.  Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a  lapso  manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da  Requerente.  O  erro  de  fato  é  aquele  que  se  situa  no  conhecimento  e  compreensão  das  características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os  erros  de  escrita ou  de  cálculos. A Administração Tributária  tem o  poder/dever  de  revisar  de  ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido  na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde  o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de  fato, desde que devidamente comprovado.   O  conceito  de  erro material  apenas  abrange  a  inexatidão  quanto  a  aspectos  objetivos,  não  resultantes  de  entendimento  jurídico,  como  um  cálculo  errado,  a  ausência  de  palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou  a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 51          5 material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32  do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art.  149 do Código Tributário Nacional). Por  inexatidão material  entendem­se os pequenos  erros  involuntários,  desvinculados  da  vontade  do  agente,  cuja  correção  não  inove  o  teor  do  ato  formalizado,  tais  como  a  escrita  errônea,  o  equívoco  de  datas,  os  erros  ortográficos  e  de  digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica  disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria.  Cabe  a  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da  liquidez  e  da  certeza do  valor  de  direito  creditório  pleiteado.  Para  que  haja  o  reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior  de  tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados  informados  em  todos os  livros de  escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem como os  documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170  do Código Tributário Nacional).  Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova  a  favor do  sujeito passivo dos  fatos nela  registrados  e  comprovados por  documentos hábeis,  segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei,  por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.  A  Recorrente  tem  o  ônus  de  instruir  os  autos  com  documentos  hábeis  e  idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o  disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto­Lei nº 486, de  03  de  março  de  1969,  que  preveem,  em  última  análise,  "que  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que se refiram."  Sobre  a  possibilidade  de  retificação  da  DCTF  depois  da  transmissão  do  Per/DComp  e  da  ciência  do  despacho  decisório,  o  Parecer  Normativo  Cosit  n°  2,  de  28  de  agosto de 2015, prevê:  Conclusão   22. Por todo o exposto, conclui­se:  a)  as  informações  declaradas  em  DCTF  ­  original  ou  retificadora  ­  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas  à  RFB  em  outras  declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§  6o do art. 9o da IN RFB n°1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir  sobre  o  indébito tributário;  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 52          6 b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a  retificação  se  dê  depois do  indeferimento do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,respeitadas  as  restrições  impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010;  c)  retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada manifestação de  inconformidade  tempestiva  contra  o  indeferimento  do  PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a DRJ  poderá  baixar  em  diligência  à DRF. Caso  se  refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder.  Caso  haja  questão  de  direito  a  ser  decidida  ou  a  revisão  seja  parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide,  sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do  sujeito passivo;  d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise  por parte da RFB,  conforme art.  9°­A da  IN RFB n° 1.110, de  2010,  e  que  tenha  sido  objeto  de  PER/DCOMP,  deve  ser  considerado  no  julgamento  referente  ao  indeferimento/não  homologação  do  PER/DCOMP.  Caso  o  procedimento  de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja  lide  tenha  o  mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado  para a  revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de  retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua  retificação, o processo do recurso contra  tal ato administrativo  deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo  fiscal  referente  ao  direito  creditório,  cabendo  à  DRJ  analisar  toda a  lide. Não ocorrendo  recurso contra a não homologação  da  retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado  de  sua  análise  à  DRJ  para  que  essa  informação  seja  considerada  na  análise  da  manifestação  de  inconformidade  contra  o  indeferimento/não­homologação  do  PER/DCOMP;  e) a não retificação da DCTF pelo  sujeito passivo  impedido de  fazê­la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB  n°  1.110,  de  2010,  não  impede  que  o  crédito  informado  em  PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros  meios;  f)  o  valor  objeto  de  PER/DCOMP  indeferido/não  homologado,  que  venha a  se  tornar disponível depois de  retificada a DCTF,  não  poderá  ser  objeto  de  nova  compensação,  por  força  da  vedação contida no inciso VI do § 3o do art. 74 da Lei n° 9.430,  de 1996; e   g)  Retificada  a  DCTF  e  sendo  intempestiva  a  manifestação  de  inconformidade,  a  análise  do  pedido  de  revisão  de  ofício  do  PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 53          7 do  sujeito  passivo,  observadas  as  restrições  do  Parecer  Normativo n° 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53.  No  presente  caso,  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  Per/DComp foi  identificada  a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não  restando  crédito disponível para compensação.   Verifica­se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados.  As  informações  constantes  na  peça  de  defesa  não  podem  ser  consideradas,  pois  não  foram  produzidos  no  processo  elementos  de  prova  mediante  assentos  contábeis  e  fiscais  que  evidenciem as alegações ali constantes (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do  art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe­se que não foram carreados  aos  autos pela Recorrente os dados  essenciais  a  produzir um conjunto probatório  robusto da  liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.   Consta no Acórdão da 4ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 16­52.242, de 31.10.2013,  e­fls. 35­40, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância  de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999):  5.1.  Nesses  termos,  a  compensação  deve  ser  implementada  pelo  sujeito  passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações  relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação  de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda  que sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  5.2. Destarte, a Declaração de Compensação por intermédio do PER/DCOMP  se presta a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública,  por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre  os  pretensos  créditos  e  os  respectivos  débitos  a  serem  extintos,  ao  passo  que  à  Administração  Tributária  compete  a  sua  necessária  verificação  e  validação.  Confirmada  a  existência  do  crédito  pleiteado,  sobrevém  a  homologação  e  a  consequente extinção dos débitos vinculados.  6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos para o Imposto sobre a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  e  apontou  o  documento  de  arrecadação  (DARF)  como  origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação  dos  dados  informados  pela  Insurgente  foi  realizada  também  de  forma  eletrônica,  tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fls. 10).  6.1. O  referido DD  aponta  como  causa  da  não  homologação  o  fato  de  que  foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos informados no PER/DCOMP.  6.2.  Assim,  o  exame  das  declarações  prestadas  pela  própria  interessada  à  Administração  Tributária  revelou  a  inexistência  do  pretenso  crédito  declarado  e  requerido para compensação.  6.3.  Em  suma,  os  motivos  da  não  homologação  residiram  nas  próprias  declarações  e  documentos  produzidos  pela  Insurgente.  Estes  foram,  portanto,  a  prova e o motivo do ato administrativo.  7.  O  Contribuinte  questiona  o  Despacho  Decisório,  que  não  homologou  a  compensação, afirmando possuir crédito líquido e certo em face da Fazenda Pública.  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 54          8 Para  sustentar  esta  afirmação  alega  que  houve  erro  de  informação  que  deveria  ter  sido  regularizado mediante  entrega  de DCTF  retificadora do 1º  semestre de 2008.  Além  disso,  alega  também  que  se  encontra  impedido  de  proceder  tal  retificação.  Junta, às fls. 15/31, rascunho de DCTF retificadora.  7.1.  Quanto  à  DCTF  do  1º  semestre  de  2008,  verifica­se,  nos  sistemas  informatizados da RFB, que, de  fato,  só  foi  transmitida a original  em 25/08/2008.  Confirma­se, portanto, que sequer a DCTF retificadora foi transmitida.  7.2.  Registre­se  que,  a  DCTF  é  instrumento  de  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito  tributário,  conforme  legislação de regência (art. 5.º do Decreto­lei nº 2.124/84, e Instruções Normativas  da RFB que dispõem sobre a DCTF).  7.3. Por oportuno, observe­se ainda que, nos termos do artigo 170 do Código  Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada  mediante existência de créditos  líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda  Pública.  8. E, no entanto, cabe apontar que mesmo a elaboração de DCTF retificadora,  não é, por si só, suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantém­se,  nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado (ou seja,  do  pagamento  indevido,  conforme  definido  no  art.  165  do  CTN),  por  meio  da  apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial, entre outros, os  Livros  Diário  e  Razão,  em  obediência  ao  disposto  no  art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72.  8.1. Observe­se,  ainda,  que,  em consonância  com a  legislação acima citada,  consta  das  “Orientações  para  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade”  (disponível  ao Contribuinte  a  partir  da  ciência  da  não  homologação  do  crédito  no  sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil), a instrução de que a manifestação  de  inconformidade  deve  mencionar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por  exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de  forma indevida.  8.2. Verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito,  pela Autoridade Administrativa, cumpre ao autor a comprovação do direito alegado,  cuja  negativa  restou  demonstrada  no Despacho Decisório,  conforme  dispõe  o  art.  333 do Código Processual Civil: [...]  8.3.  Ou  seja,  no  presente  caso,  caberia  ao  Contribuinte  indicar  os  motivos  fáticos  que  ensejaram  a  redução  do  IRPJ  devido,  bem  como  demonstrar  documentalmente a correção das alterações a serem feitas na referida DCTF original  do 1º semestre de 2008.  8.4.  Ademais,  conforme  o  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72,  o  prazo  para  apresentação  de  provas  documentais  visando  a  esclarecer  eventual  equívoco  consubstanciado  em  ato  da  Administração  finda  no  mesmo  prazo  para  a  apresentação  da  Manifestação  de  Inconformidade,  precluindo  o  direito  de  o  Contribuinte fazê­lo em outra oportunidade.  9. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao  convencimento  quando  da  apreciação  das  provas  trazidas  aos  autos,  consoante  previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13005.901002/2012­61  Acórdão n.º 1003­000.606  S1­C0T3  Fl. 55          9 9.1.  Nessas  circunstâncias,  não  comprovado  o  erro  cometido  no  preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração  dos  valores  declarados  não  pode  ser  acatada,  pelo  que  se  mantém  correta  a  não  homologação da compensação requerida.  No  que  tange  ao  resultado  do  julgamento  em  outros  procedimentos,  vale  ressaltar  que  a  cada  processo  autônomo,  como  é  o  caso  dos  presentes  autos,  prevalece  o  princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua  convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).  Tem­se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição  Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de  janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II  do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015).   Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                Fl. 55DF CARF MF

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Numero do processo: 16542.000585/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IRPF MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO INÍCIO DA VIGÊNCIA – Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de cardiopatia grave. In casu, estabelece-se o empeço da vigência na data do diagnóstico constante no laudo médico do paciente.
Numero da decisão: 2101-001.850
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2004  IRPF  ­ MOLÉSTIA GRAVE  ­  ISENÇÃO  ­  INÍCIO DA VIGÊNCIA – Os  proventos  de  aposentadoria  ou  pensão  por  moléstia  grave  são  isentos  do  imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial,  ser  portadora de cardiopatia grave. In casu, estabelece­se o empeço da vigência  na data do diagnóstico constante no laudo médico do paciente.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.   LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente.     GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta  Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de  Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage    Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 33/36) interposto em 18 de novembro de  2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em     Fl. 48DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 Florianópolis (SC), (fls. 26/29), do qual o Recorrente teve ciência em 12 de novembro de 2009  (fls.31), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 10/14, lavrado  em 27 de outubro de 2008, em decorrência de omissões de rendimentos tributáveis, no valor de  R$ 154.239,94, recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano­calendário de 2004.    O acórdão teve a seguinte ementa:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF   Exercício: 2004  DISPENSA DE EMENTA  Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10  de novembro de 2004.  Impugnação Improcedente  Sem crédito em Litígio.    Não  se  conformando,  o  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  em  18  de  novembro de 2009 (fls. 33/36), onde argumenta, em síntese, que:   a) Quanto a existência de cardiopatia grave desde abril/2000, em que pese ter  havido  um  atestado  médico  que  pode  ter  levado  o  fiscal  a  imaginar  que  “tornou­se  grave  apenas em julho/2008, é completo equívoco;  b) Que o  laudo pericial  foi  apresentado ao  fisco  em 18/05/2009 declarando  que a cardiopatia grave foi diagnosticada por seu médico, desde o mês de abril de 2000.  Por  fim,  requer  seja  declarada  insubsistente  a  decisão  da  6ª  Câmara  e  consequentemente a improcedência do lançamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  Versam  os  presentes  autos  sobre  lançamento  no  qual  foi  constatado,  na  Declaração Retificadora entregue em 30/09/2008, omissão de rendimentos tributáveis no valor  de R$ 154.239,94, recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano­calendário de 2004,  sendo  alterado  o  imposto  a  restituir  declarado  de  R$  3.630,52,  já  restituído  por  conta  das  informações  anteriormente  prestadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  original,  entregue  em  22/03/2005.  Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16542.000585/2009­17  Acórdão n.º 2101­001.850       S2­C1T1  Fl. 2          3 De seu lado, insiste o recorrente sustentando que é portador de moléstia grave  desde  abril  de  2000,  consequentemente,  seus  rendimentos  não  poderiam  ser  alcançados  pela  tributação.  Portanto, a única questão em debate consiste em saber se a condicionante da  isenção, ou seja, a comprovação da moléstia grave, foi feita a contento e na forma da Lei, de  modo a desconstituir a exigência e, via de conseqüência, validar o imposto a restituir pleiteado  na declaração retificadora do recorrente.  A autoridade recorrida, ao argumento de que o documento de fls. 15, não se  prestaria à comprovação da data de  início de vigência para os  fins da  isenção do  imposto de  renda pleiteado  como  sendo abril  de 2000,  caminhou pela manutenção da exigência,  eis que  não  estariam  atendidos  os  requisitos  ensejadores  benefício,  vez  que  o  contribuinte  àquela  época, apresentava­se “apenas com insuficiência cardíaca e hipertensão arterial”.  O  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  n°  10,  de  16  de  maio  de  1996,  ao  disciplinar a matéria estabelece que:  "I — a  isenção a que se  referem os  incisos XII e XXXV do  art. 5° da IN SRF n° 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data  em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.)  Grifo nosso.  No  presente  processo,  o  laudo  médico  (fl.  15)  identifica  a  data  em  que  a  doença  foi  contraída,  em  que  pese  apontar  o  diagnóstico  através  de  médico  assistente  do  interessado. O laudo médico não contradiz o fato, identifica o fato. Ora, a menção no referido  documento oficial de que a cardiopatia grave foi diagnosticada pelo médico do paciente, desde  o mês de abril do ano de 2000, legitima a realidade insofismável da data em que a doença fora  contraída; admitir o contrário seria tornar o documento inservível ao que se propõe, posto que  conteria  uma  declaração  incorreta,  sem  estar  lastreada  em  exames  e  avaliações  confiáveis.  Ressalte­se que não é competência da autoridade  fiscal opinar  sobre provável data em que a  moléstia grave foi contraída, por ser essa atribuição privativa dos profissionais da medicina.  Destarte,  com  as  presentes  considerações  e  diante  da  suficiência  da  prova  documental trazida aos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso.    Gilvanci  Antônio  de  Oliveira  Sousa  ­  Relator                           Fl. 50DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4   Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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