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Numero do processo: 10073.002281/2008-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. NETOS. GUARDA JUDICIAL.
A legislação de regência não permite ao sujeito passivo a utilização de deduções relativas a netos em relação aos quais não detenha guarda judicial.
DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA.
Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração.
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. COMPROVAÇÃO.
Se o contribuinte comprova, em sede de recurso, de forma inequívoca, o valor declarado a título de Contribuição à Previdência Privada/FAPI, restabelece-se a dedução pleiteada.
GASTOS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comprová-las.
São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas com instrução devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes.
DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA.
A dedução relativa a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as seguintes deduções: i) dependentes, no valor de R$ 5.616,00; ii) contribuição à previdência privada/FAPI, no valor de R$ 6.267,56; iii) despesas médicas, no valor de R$ 1.440,00; e iv) despesas com instrução, no valor de R$ 4.396,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. NETOS. GUARDA JUDICIAL. A legislação de regência não permite ao sujeito passivo a utilização de deduções relativas a netos em relação aos quais não detenha guarda judicial. DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. COMPROVAÇÃO. Se o contribuinte comprova, em sede de recurso, de forma inequívoca, o valor declarado a título de Contribuição à Previdência Privada/FAPI, restabelece-se a dedução pleiteada. GASTOS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comprová-las. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas com instrução devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA. A dedução relativa a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEPENDENTES. NETOS. GUARDA JUDICIAL. A legislação de regência não permite ao sujeito passivo a utilização de deduções relativas a netos em relação aos quais não detenha guarda judicial. DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. COMPROVAÇÃO. Se o contribuinte comprova, em sede de recurso, de forma inequívoca, o valor declarado a título de Contribuição à Previdência Privada/FAPI, restabelecese a dedução pleiteada. GASTOS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comproválas. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas com instrução devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA. A dedução relativa a despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 22 81 /2 00 8- 09 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 123 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as seguintes deduções: i) dependentes, no valor de R$ 5.616,00; ii) contribuição à previdência privada/FAPI, no valor de R$ 6.267,56; iii) despesas médicas, no valor de R$ 1.440,00; e iv) despesas com instrução, no valor de R$ 4.396,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento formalizada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 16.024,93, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (suplementar), multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/07/2008. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, onde foram glosados os seguintes valores de deduções pleiteadas: (i) dependentes (R$ 12.636,00); (ii) despesas médicas (R$ 5.671,96); (iii) Contribuição à Previdência Privada/FAPI (R$ 6.267,56); e despesas com instrução (R$ 6.594,00). Destacou a autoridade lançadora que o contribuinte não atendeu à intimação, deixando de comprovar os valores declarados. Cientificado do lançamento o interessado apresentou impugnação, instruída com documentação. Em sua defesa, alegou, em síntese, que: os dependentes lançados são filhos, netos, sogro e nora e que Tarcisio é estudante universitário, Lilian é companheira de Tarcisio, sendo Tarcisio e Lilian os pais de Matheus e Davi; o valor da previdência privada/Fapi consta do Comprovante de Rendimentos apresentado; comprova R$ 5.281,00 de despesas médicas, sendo o valor correto a ser glosado R$ 600,00, devido à confusão de datas; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 124 3 são devidas as glosas de despesas com instrução relativas à dependente Lilian, no valor de R$ 2.828,00, sendo os demais valores comprovados; não recebeu a intimação, assim, somente tomou conhecimento da mesma em 04/09/2008; ao final, solicitou a alteração do débito fiscal reclamado. Na sequência, a 6a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora/MG, em decisão unânime, julgou procedente em parte a impugnação (Acórdão DRJ/JFA n° 0932.852, de 09/12/2010, às fls. 60/68), e deste modo, concluiu aquele Colegiado por: a) restabelecer dedução com 02 (dois) dependentes Tarcísio (filho) e Marisele (cônjuge) no valor total de R$ 2.808,00 (= 2 x R$ 1.404,00). Manteve a glosa quanto aos demais dependentes relacionados na infração; b) restabelecer deduções com despesas médicas realizadas com os profissionais Lilian Osório do Amaral, no valor de R$ 40,00, e Maria Adélia Barbosa Matheus, no valor de R$ 360,00, totalizando R$ 400,00. Permaneceu a glosa efetuada com as demais despesas médicas declaradas; c) manter, integralmente, as glosas com despesas com instrução e contribuição à previdência privada. Transcritas, a seguir, as ementas constantes do Acórdão DRJ: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. A relação de dependência deve ser comprovada por documentação hábil, devendo ser mantida a glosa efetuada pela autoridade lançadora se não apresentada na fase impugnatória. Os netos menores de 21 anos somente poderão ser considerados dependentes do contribuinte se ele detiver a guarda judicial. O sogro e a nora somente podem ser considerados dependentes caso o cônjuge e o filho, respectivamente, apresentem declaração em conjunto com o contribuinte. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Deve ser mantida a glosa das despesas de instrução não efetuadas com dependente legal. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas devidamente comprovadas, em nome do contribuinte ou de seus dependentes. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 125 4 DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA e FAPI. Somente são passíveis de dedução as despesas com contribuição à previdência privada, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão a quo em 27/05/2011, nos termos do documento à fl. 74, o contribuinte interpôs em 09/06/2011 o Recurso Voluntário às fls. 86/87 solicitando a reforma do acórdão recorrido com base nos novos elementos de prova colacionados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há no documento recursal qualquer alegação preliminar. Quanto ao mérito, cumpre inicialmente delimitar a matéria que restou em litígio nesta fase recursal: i) glosa da dedução com dependentes – Marcelo Pinto Caramel, Bernardo Pinto Caramel, Otávio Pinto Caramel, César Pinto, Lilian Mariana Ferreira Nogueira, Matheus Ferreira Caramel e Davi Ferreira Caramel, no total de R$ 9.828,00 (=R$ 1.404,00 x 7); ii) glosa da dedução com contribuição à previdência privada/FAPI, no valor de R$ 6.267,56; iii) glosa de despesas médicas (pagamentos efetuados à profissional Maria Adélia Matheus e à Unimed de Volta Redonda, respectivamente nos valores de R$ 1.440,00 e R$ 3.231,96, totalizando R$ 4.671,96); e iv) glosa de despesas com instrução (despesas efetuadas com ACAE Assessoria Educacional Ltda., com a Fundação Oswaldo Aranha, e com a Fundação Educacional Rosemar Pimentel, respectivamente, nos valores de R$ 5.076,00, R$ 3.324,00, e R$ 4.848,00). i) Dedução com dependentes Primeiramente, no que se refere ao pleito do recorrente para que seus netos Matheus Ferreira Caramel e Davi Ferreira Caramel possam figurar como seus dependentes no anocalendário em exame, entendo, assim como destacado no acórdão vergastado, que não há amparo legal para tal deferimento. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 126 5 O art. 35, inciso V, da Lei n° 9.250/95, assim dispõe: “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte.” (grifo nosso) Como se observa, o ordenamento jurídico é claro quanto à necessidade de cumprimento do requisito constante do texto em destaque, qual seja a efetiva obtenção de guarda judicial dos menores, o que não restou comprovado pelo contribuinte para o ano calendário em destaque. Do mesmo modo, não há como ser acatado o pleito do recorrente quanto à Lilian Mariana Ferreira Nogueira, sua nora, visto que tal situação não se enquadra em nenhuma Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 127 6 das hipóteses estabelecidas na legislação de regência (art. 35 da Lei n° 9.250, de 1995) para que possa ser considerada sua dependente. No que se refere a Marcelo Pinto Caramel, Otávio Pinto Caramel e Bernardo Pinto Caramel, filhos do contribuinte, as certidões de nascimento anexadas juntamente com a peça recursal comprovam a questionada relação de dependência, devendo, portanto, ser restabelecido o montante da dedução referente a estes dependentes. Por fim, quanto à dedução relacionada ao sogro do recorrente, Sr. César Pinto, estou em perfilhar idêntico entendimento adotado em diversas decisões deste Egrégio Conselho (citase algumas: Acórdão nº 10617.231, de 04/02/2009 – Recurso nº 164.910 – Processo nº 10120.006346/200611; Acórdão nº 280100.419, de 13/04/2010 – Recurso nº 162.367 – Processo nº 10680.001614/200492; Acórdão nº 10615.105, de 11/11/2005 Recurso nº 147.087 – Processo nº 11516.000859/200203), no sentido de que o pai ou a mãe do cônjuge do declarante, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do declarante, quando o cônjuge esteja igualmente incluído na respectiva declaração de rendimentos. No presente caso, a Sra. Marisele Rigotti Pinto Caramel consta na declaração de rendimentos sob análise como cônjuge dependente do declarante, não havendo nos autos qualquer elemento de prova que venha a afastar o vínculo ali informado, ou ainda, que venha a demonstrar a incomunicabilidade do patrimônio relacionado na referida declaração. Configura se, portanto, nos termos ora analisados, um vínculo de afinidade que permite que o Sr. César Pinto, sogro do recorrente, seja considerado dependente para fins de dedução do imposto apurado na declaração de rendimentos sob exame. Portanto, deve ser restabelecida a dedução com os seguintes dependentes declarados pelo contribuinte: Marcelo Pinto Caramel, Otávio Pinto Caramel e Bernardo Pinto Caramel e César Pinto, totalizando o valor de R$ 5.616,00 (=R$1.404,00 x 4). ii) Dedução com Contribuição à Previdência Privada/FAPI No tocante à contribuição previdenciária privada/FAPI, o contribuinte colacionou ao processo o ‘Comprovante de Rendimentos” emitido pela fonte pagadora Caixa Beneficente dos Empregados da CSN – CBS que informa o valor de R$ 6.267,56, comprovando, desta forma, o montante originalmente declarado pelo contribuinte. Deste modo, tal glosa fiscal deve ser afastada. iii) Dedução com despesas médicas Com relação às despesas médicas questionadas no recurso, considerando que restou demonstrado nos autos a relação de dependência de Marcelo Pinto Caramel, Otávio Pinto Caramel e Bernardo Pinto Caramel (filhos do contribuinte), devem ser restabelecidas as despesas médicas com estes efetuadas no valor total de R$ 1.440,00 (pagas a profissional Maria Adélia Matheus), conforme documentação comprobatória anexada às fls. 13/24. Por outro lado, mantémse a glosa da importância de R$ 3.231,96, relacionada à Unimed de Volta Redonda, vez que se refere a despesas efetuadas por Lilian Mariana Ferreira Nogueira (docs. às fls. 37/39), que não pode ser considerada dependente do recorrente, nos termos da legislação do Imposto de Renda. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.002281/200809 Acórdão n.º 2801002.736 S2TE01 Fl. 128 7 Sendo assim, nessa instância recursal, cabe restabelecer apenas o montante de R$ 1.440,00 a título de dedução com despesas médicas. iv) Dedução de despesas com instrução Conforme destacado no acórdão recorrido, podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto apenas os pagamentos a estabelecimentos de ensino relativo à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Portanto, na espécie em exame, podem ser aceitas para fins de dedução as despesas com instrução efetuadas com a ACAE Assessoria Educacional Ltda. e com a Fundação Oswaldo Aranha, relativas, respectivamente, a Otávio Pinto Caramel e Marcelo Pinto Caramel, na medida em que restou demonstrada pelo contribuinte a relação de dependência destes, como informada na declaração de rendimentos. Todavia, o valor a ser deduzido deve respeitar o limite individual estabelecido pela legislação. Para o anocalendário em questão esse limite é de R$ 2.198,00. Quanto às despesas com instrução declaradas como realizadas com Lilian Mariana Ferreira Nogueira, não acatada como dependente do recorrente, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade lançadora. Restabelecese, portanto, o valor de R$ 4.396,00 (=R$ 2.198,00 x 2), a título de dedução de despesas com instrução. Conclusão Face o acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as seguintes deduções: i) dependentes, no valor de R$ 5.616,00; ii) contribuição à previdência privada/FAPI, no valor de R$ 6.267,56; iii) despesas médicas, no valor de R$ 1.440,00; e iv) despesas com instrução, no valor de R$ 4.396,00. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 10380.001304/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERCEIROS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. DEPENDE DE REQUERIMENTO. NÃO APRECIAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. TAXA SELIC.
Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação do recurso.
A compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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TERCEIROS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. DEPENDE DE REQUERIMENTO. NÃO APRECIAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. TAXA SELIC. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação do recurso. A compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 13 04 /2 00 9- 67 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE MARACANAÚ em face da decisão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como objeto as contribuições devidas, correspondentes à parte de outras entidades (SEST e SENAT), destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais das categorias transportadores autônomos. 3. Pelo que dispõe o Relatório, ff. 44/47, a remuneração dos segurados foi obtida através de informações contidas em arquivos digitais (MANAD – Manual de Arquivos Digitais e SIM – Sistema de Informações Municipais), bem como em notas de empenho e recibos de pagamento. 4. O contribuinte deixou, de apresentar a folha de pagamento dos segurados (servidores e autônomos) e as informações contábeis no formato previsto no MANAD, em dissonância com a intimação contida no Termo de Início do Procedimento Fiscal, ff. 42/45. 5. O levantamento para a constituição do crédito tributário foi realizados da seguinte forma: “FRT – contribuintes individuais (transportadores autônomos)”. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001304/200967 Acórdão n.º 2301003.183 S2C3T1 Fl. 102 3 6. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, nos termos da legislação tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 7. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve em parte o lançamento do débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) nulidade absoluta do processo, sobre o argumento de que o prazo de apenas 30 dias para a apresentação de 8 recursos impossibilita o contraditório e a ampla defesa nos moldes em que devem ocorrer; b) os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não integram o saláriodecontribuição, por não terem natureza salarial; c) a auditoria não poderia ter utilizado como base de cálculo as informações constantes do Sistema de Informações Municipais (SIM), quando o recomendável seria verificar os reais valores nas notas fiscais e nos contratos; d) os valores das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos deveriam ter sido compensados com as contribuições porventura devidas, com base na Instrução Normativa SRP n.º 15 de 2006, procedimento que não foi adotado pela auditoria; e) o termo de parcelamento foi assinado em 2001, com base na medida Provisória 2.187/2001, em que autorizava o INSS a efetuar a retenção dos Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes diretamente do Fundo de Participação dos Municípios, não cabendo o recolhimento das referidas contribuições; f) a competência para descobrir e definir os valores reais devidos e efetuar as respectivas retenções seria do INSS, não podendo o sujeito passivo ser penalizado com multa e juros. 8. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA 2. Aduz o contribuinte que o lançamento deve ser anulado devido ao exíguo prazo concedido para a apresentação de oito recursos (30 dias), o que teria impossibilitado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa: “está claramente caracterizado o cerceamento de defesa pela situação fática, como ocorre nos presentes autos, todo o processo administrativo fica eivado de nulidade absoluta, a qual pode e deve ser conhecida, para anularemse todos os atos do processo, posto que contrários à Constituição Federal (...)”. (f. 94) 3. Ocorre que a legislação que rege o processo administrativo fiscal prevê expressamente o prazo para interposição de recurso, como determina o art. 33 do Decreto n.º 70.235/72, independentemente do número de decisões lavradas contra o contribuinte: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 4 Ademais, compulsando os autos verificase que o contribuinte foi regularmente notificado da decisão, por meio da cópia do Acórdão 0933.990, em 24/05/2011, f. 87, e foi apresentado recurso enfrentando efetivamente a autuação fiscal, em 16/06/2011, f. 88, ou seja, dentro do prazo legal. 5. Dessa forma, esvaziam as argumentações trazidas pelo contribuinte no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001304/200967 Acórdão n.º 2301003.183 S2C3T1 Fl. 103 5 6. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. Do auxíliodoença e auxílioacidente 7. Alega o contribuinte que os valores pagos aos empregados nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou invalidez ou como auxílioacidente não possuem natureza salarial, e, portanto, não integram o saláriodecontribuição. 8. Todavia, constatase que o lançamento restringese às contribuições correspondentes à parte de outras entidades (SEST e SENAT), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais das categorias transportadores autônomos, não fazendo nenhuma menção às rubricas questionadas pelo contribuinte. A própria decisão recorrida já traz esta informação: “isto porque tais valores não foram objeto do presente lançamento, que considerou como base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas os valores pagos a título de frete aos transportadores autônomos, contribuintes individuais”. (f. 81) 9. Desta forma, a insurgência do contribuinte com relação à natureza não salarial das verbas pagas nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado não é cabível, pois não é objeto do lançamento em discussão. Da base de cálculo 10. Sustenta o contribuinte que a auditoria não poderia ter utilizado como base de cálculo as informações constantes do Sistema de Informações Municipais (SIM), quando o recomendável seria verificar os reais valores nas notas fiscais e nos contratos. 11. . Sem razão o contribuinte, pois a auditoria fiscal tem respaldo legal para analisar tais documentos, podendo apurar os valores das contribuições devidas por intermédio da documentação disponível, conforme dispõe o art. 33, § 1º e § 2º, da Lei 8.212/9: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” 12. Além disso, como se observa do relatório fiscal, foram examinados outros documentos que respaldam o lançamento, tais como notas de empenho, notas de liquidação e notas de pagamentos: “a. Arquivos Digitais (MANAD MANUAL DE ARQUIVOS DIGITAIS e SIMSISTEMA DE INFORMAÇÕES MUNICIPAIS); b. Notas de empenho, notas de liquidação e notas de pagamento.” 13. Desse modo, foram devidamente analisados os documentos aptos a demonstrarem as atividades relativas à tributação, bem com aferir o valor do débito previdenciário, não assistindo razão ao contribuinte. Da compensação de valores relativos a mandatos eletivos 14. Segundo o contribuinte, os valores das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos deveriam ter sido compensados com as contribuições porventura devidas, com base na Instrução Normativa SRP n.º 15 de 2006, procedimento este não adotado pela auditoria. 15. Sobre a questão, a decisão de primeira instância afastou os argumentos do recorrente da seguinte forma: “Devese esclarecer que a compensação das referidas contribuições é um procedimento facultado ao contribuinte, nos termos do art. 6º da mencionada IN SRP n.º 15, de 2006, o qual deve seguir rito próprio, não podendo a autoridade administrativa realizalo de ofício por ocasião da constituição do crédito tributário, por falta de previsão legal.” 16. Com efeito, a compensação não pode ser automática e carece de requerimento apropriado, pois é um procedimento realizado pelo contribuinte nos casos de pagamento indevido ou a maior, estando sujeito à revisão fiscal. E, caso haja descumprimento das normas tributárias vigentes, cabe ao fisco notificar o contribuinte nos termos do art. 37 da Lei 8.212/91. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001304/200967 Acórdão n.º 2301003.183 S2C3T1 Fl. 104 7 17. O art.170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe sobre o instituto nos seguintes termos: “Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” 18. Assim, fica caracterizado que o CTN remetenos à existência de previsão legal expressa para que haja a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, não havendo a compensação de forma automática como deseja a empresa, uma vez que a Administração Pública zela pelo princípio da legalidade estrita, segundo o qual deve obediência ao que a lei explicitamente dispõe. 19. Observase que a Instrução Normativa n.º 15 da Secretaria da Receita Federal (SRF) dispõe sobre a compensação, mas em moldes específicos, conforme seu art. 6º: “Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Nova redação dada pela IN RFB Nº 909, DE 14/01/2009). (...).” 20. Bem como, o art. 4º da Portaria 133 de 02/05/2006 estabelece condições à eventual compensação por parte do ente federativo: “O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso de suas atribuições legais e regulamentares, especialmente o art. 131 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, Considerando a Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, que suspende a execução da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, e Considerando que a suspensão da execução determinada pela Resolução nº 26 do Senado Federal produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, de acordo com o § 2º do art. 1º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 (...) Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP; II quando envolver valores descontados, será necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste; e III obedecerá ao prazo prescricional previsto em lei.” 21. Desse modo, deve ser mantida a decisão de primeira instância, em razão do não atendimento aos requisitos legalmente exigidos para a compensação, com rito próprio, que se iniciar com o pedido do contribuinte para compensar seus créditos. Da retenção 22. Conforme as alegações do contribuinte, a competência para descobrir e definir os valores reais devidos e efetuar as respectivas retenções seria do INSS, não podendo o sujeito passivo ser penalizado com multa e juros. 23. Sobre a matéria, não obstante o arrazoado trazido, a decisão recorrida afasta qualquer dúvida acerca do lançamento fiscal de tais valores, de maneira que não há como invalidar o lançamento: “Quanto à retenção do FPM, alardeada pelo impugnante, então prevista no art. 38 da Lei n.º 8.212/91, revogado pela Lei n.º 11.941/2009, cumpre esclarecer que tratavase de retenção de valores objeto de acordo para pagamento parcelado, o que não é o caso das contribuições apuradas no presente lançamento, que sequer foram consideradas bases de cálculo pelo impugnante.”24. Assim, compartilho do mesmo entendimento da decisão a quo, posto que este argumento do contribuinte não merece prosperar. 24. Assim, compartilho do mesmo entendimento da decisão a quo, posto que este argumento do contribuinte não merece prosperar. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 25. A utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.001304/200967 Acórdão n.º 2301003.183 S2C3T1 Fl. 105 9 26. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 27. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...).” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) DA MULTA APLICADA 28. Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem pública. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 29. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 30. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 31. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 32. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 33. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, caso seja mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13502.000928/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
FORNECIMENTO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO - INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
Integram o salário-de-contribuição os valores de assistência médica fornecidos em desacordo com a alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A exigência de que o empregado cumpra uma carência para fazer jus ao benefício da assistência à saúde, exclui deste o direito que a lei determina ser para todos
RETENÇÃO A MAIOR - COMPENSAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS - IMPOSSIBILIDADE
Os créditos oriundos de retenções efetuadas a maior em determinada competência ou estabelecimento somente pode ser utilizado para compensar contribuições destinadas à Seguridade Social. As contribuições destinadas a terceiros não podem deixar de ser recolhidas sob o argumento de que ocorreu compensação com valores decorrente de excesso de retenção.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento as contribuições incidentes sobre os valores de alimentação "in natura" e para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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A exigência de que o empregado cumpra uma carência para fazer jus ao benefício da assistência à saúde, exclui deste o direito que a lei determina ser para todos RETENÇÃO A MAIOR COMPENSAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS IMPOSSIBILIDADE Os créditos oriundos de retenções efetuadas a maior em determinada competência ou estabelecimento somente pode ser utilizado para compensar contribuições destinadas à Seguridade Social. As contribuições destinadas a terceiros não podem deixar de ser recolhidas sob o argumento de que ocorreu compensação com valores decorrente de excesso de retenção. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 09 28 /2 00 9- 21 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento as contribuições incidentes sobre os valores de alimentação "in natura" e para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13502.000928/200921 Acórdão n.º 2402003.205 S2C4T2 Fl. 190 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA e SEBRAE). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 70/87), os fatos geradores observados pela auditoria fiscal são os seguintes: Valores apurados em decorrência da constatação de que parte dos créditos informados pela empresa nas GFIP (saláriofamília e valores retidos) não correspondiam à realidade; Diferenças entre as bases de cálculo apuradas pela empresa na FOPAG (base empresa) e as confessadas em GFIP; Rubricas da FOPAG que a empresa equivocadamente não ofereceu à tributação; Benefícios usufruídos unicamente pelos sócios da empresa (previdência privada e seguro de vida); Benefícios oferecidos pela empresa a seus trabalhadores, mas pagos em desacordo com o que preceitua a legislação: alimentação "in natura" fornecida sem que a empresa possua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e assistência médica cuja cobertura não atende a totalidade de seus trabalhadores. Para efetuar os lançamentos, a auditoria fiscal separou as contribuições nos seguintes códigos de levantamento: Lev GFI – relativo às contribuições cujos fatos geradores foram declarados em GFIP. Neste levantamento foram apropriados os recolhimentos existentes. Lev FPN (Z6) – relativo às contribuições cujos fatos geradores foram apurados nas folhas de pagamento e não foram declarados em GFIP. LEV FP (Z4) – relativo às contribuições incidentes sobre valores não considerados como base de incidência pela autuada, apurados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP. Na análise das folhas de pagamento constatouse que as rubricas denominadas “atestado médico – 161”, e “med 13 sal res – 309”, foram equivocadamente consideradas como não incidentes pela empresa. A própria empresa reconheceu formalmente o equívoco em resposta apresentada a questionamento específico da auditoria. LEV FPG (Z5) – valor resultante da verificação de que parte de créditos informados em GFIP a título de salário família e retenções sofridas não correspondiam à realidade. Neste levantamento também foi lançado os valores incidentes sobre o 13º/2004, em razão de não existir, à época, a GFIP para tal competência. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 LEV AL2 (Z1) E ALI(Z2) – contribuições incidentes sobre valores de alimentação “in natura” fornecida pela empresa, sob a forma de refeições, não declarados em GFIP. A empresa não comprovou estar inscrita no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho. LEV CES (Z3) contribuições incidentes sobre valores de alimentação “in natura” fornecida pela empresa, sob a forma de cestas básicas, não declarados em GFIP. LEV SAU (Z8) – contribuição incidente sobre valores relativas à assistência médica fornecida em desacordo com a legislação. A auditoria fiscal verificou a existência de conta contábil de despesa denominada “assistência médica odontológica farmácia – 311030005” onde estavam registrados pagamentos referentes a plano de saúde oferecido pela empresa aos seus trabalhadores. Acontece que a auditoria constatou que a MCE Engenharia só permite a adesão de trabalhadores ao plano de saúde corporativo após o decurso do prazo de 06 meses de seu ingresso na empresa. Como a empresa possui uma elevada rotatividade trabalhadores em face de sua atividade econômica, esta carência termina por acarretar a exclusão de parte de seus trabalhadores, contrariando o que dispõe a legislação de que a cobertura tem que ser estendida à totalidade dos trabalhadores e dirigentes. LEV PRV (Z7) – contribuição incidente sobre valores de previdência privada fornecida apenas aos sócios, apurados na contabilidade. Como a legislação determina que tal benefício deve ser proporcionado a todos os empregados e dirigentes para que não sofra a incidência de contribuição previdenciária, a auditoria fiscal entendeu por lançar as contribuições devidas. Lev SEG (Z9) – contribuição incidente sobre seguro de vida pago fornecido apenas aos sócios, verificado na contabilidade. A legislação dispõe que os valores relativos a seguro de vida só não sofrerão incidência de contribuição se previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponíveis à totalidade dos empregados e dirigentes, o que não ocorreu, visto que o benefício foi fornecido apenas aos sócios. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. Observase que cada levantamento foi separado em dois grupamentos. O primeiro (FPN, FPG, ...) foi utilizado nas competências em que a situação mais benéfica ao sujeito passivo foi a aplicação da legislação anterior, no caso, multa de mora de 24%. O Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13502.000928/200921 Acórdão n.º 2402003.205 S2C4T2 Fl. 191 5 segundo (Z1, Z2,...) foi utilizado nas competências em que se aplicou a multa atual, de ofício no valor de 75%. O presente lançamento é composto das contribuições patronais apuradas nos levantamentos AL2, ALI, CES, FP, FPG, FPN, SAU e seus reflexos Z1 a Z8. A autuada teve ciência do lançamento em 29/09/2009 e apresentou defesa (fls. 90/93) onde alega que o julgamento da presente autuação depende da análise das provas, fatos e dos argumentos apresentados na impugnação da autuação objeto do processo 13502.000927/200987. A autuada informa que reconhece expressamente a procedência de parte do lançamento, correspondente às rubricas FP, PRV e SEG. No entanto, não concorda com a aplicação da multa de ofício de 75% em algumas competências (levantamentos Z4, Z7 e Z9). Menciona que pretende efetuar o pagamento dos valores relativos às rubricas não questionadas na forma estabelecida pela Lei n° 11.941/09. Pelo Acórdão nº 1528455 (fls. 16/126) a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou a autuação procedente em parte em razão de haver constatado que, nas competências setembro a dezembro de 2004, os valores recolhidos pela impugnante não foram integralmente apropriados, restando uma diferença a apropriar. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 132/168) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Alega que não incide contribuição previdenciária sobre alimentação fornecida “in natura”. Considera não ser possível incluir na base de cálculo os valores pagos a título de assistência médica, exclusivamente em razão da carência de seis meses exigida para o usufruto do benefício, uma vez que a regra é imposta a todos. Argumenta que as diferenças apontadas pela auditoria fiscal decorrem do não reconhecimento de compensações efetuadas. Mantém o inconformismo pela aplicação da multa de ofício em algumas competências e considera que foi efetuada uma retroatividade maléfica da legislação. Posteriormente, a autuada apresentou manifestação (fls. 74/175), a fim de solicitar a aplicação do Parecer PGFN nº 2.117/2011 que trata do fornecimento de alimentação “in natura”. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Cumpre dizer que parte do lançamento não foi contestada pelo contribuinte, referente aos levantamentos a saber: FP relativo às contribuições incidentes sobre valores não considerados como base de incidência pela autuada, apurados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP, no caso, as rubricas denominadas “atestado médico – 161”, e “med 13 sal res – 309”. Quanto aos levantamentos PRV e SEG, previdência privada e seguro de vida fornecidos exclusivamente aos sócios, embora a recorrente tenha mencionado a desistência de contestação, estes não são objeto da presente autuação. A recorrente apresenta seu inconformismo com a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação in natura fornecida aos empregados, sem que a empresa tivesse aderido ao PAT. Assiste razão à recorrente. Contra o lançamento das contribuições incidentes sobre estes valores, a recorrente afirma que a jurisprudência dos Tribunais Pátrios é pacífica no sentido de que o fornecimento de alimentação não enseja a incidência de contribuição previdenciária ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT. Vale observar o Ato Delaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado ato, o fornecimento de cestas básicas e refeições, ou seja, alimentação in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador Assim, relativamente às contribuições incidentes sobre os valores fornecidos a título de cestas básicas e refeições, o lançamento deve ser desconstituído. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13502.000928/200921 Acórdão n.º 2402003.205 S2C4T2 Fl. 192 7 A recorrente questiona a tributação efetuada sobre os valores fornecidos a título de assistência à saúde e alega que o fato de exigir uma carência de seis meses para que o empregado faça jus ao benefício não representa descumprimento à lei, uma vez que todos os empregados só têm acesso ao plano após seis meses. Dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que não integrará o salário de contribuição o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Como se vê a regra criada pela recorrente não encontra respaldo na legislação a qual não apresenta qualquer exceção. Assim, a partir do momento em que alguns empregados não recebem o benefício da assistência à saúde por não contarem ainda com os seis meses de emprego exigidos pela recorrente descaracterizase o contido no comando legal que é claro quando dispõe que a totalidade dos empregados e dirigentes devem ser beneficiados com a assistência médica fornecida pela empresa. Quanto aos levantamentos FPG, originário de diferenças apuradas pela auditoria fiscal na comparação entre folha de pagamento e GFIP e FPN, resultante da verificação de rubricas constantes na folha de pagamento não oferecidas à tributação pela empresa, a recorrente afirma não ser procedente o lançamento. Segundo a recorrente, esta teria créditos de retenção suficientes para compensar os valores decorrentes dos citados levantamentos. Argumenta que a auditoria fiscal reconheceu que os valores retidos em algumas competências era até superior ao devido pela empresa e que tais excedentes poderiam ser utilizados em compensações futuras ou mesmo objeto de restituição. Tal argumentação é impertinente, uma vez que o objeto do presente lançamento são as contribuições destinada aos terceiros, as quais não estão sujeitas à compensação com contribuições retidas. Vale lembrar que as empresas sujeitas à retenção, independente dos valores retidos, devem efetuar o recolhimento integral da contribuição destinada a terceiros, ainda que haja excesso de retenção. Portanto, não procede o inconformismo da recorrente. Cumpre dizer que a auditoria fiscal efetuou parcialmente o aproveitamento das contribuições recolhidas em favor da autuada, no entanto, a decisão de primeira instância já reconheceu o equívoco retificando o lançamento. Assim, o lançamento deve prevalecer. Quanto à multa aplicada, a auditoria fiscal efetuou cálculo que resultou na aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 em algumas competências, porém, em outras foi aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 em sua redação anterior à Medida Provisória nº 449/2008. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Como se vê da leitura do dispositivo, a multa prevista tinha natureza moratória e era devida inclusive no caso no recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Além da multa de mora, a Lei nº 8.212/1991 previa a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, dentre as quais a omissão de fatos geradores em GFIP. A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez dispõe o seguinte: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13502.000928/200921 Acórdão n.º 2402003.205 S2C4T2 Fl. 193 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A Lei nº 9.430/1996 traz disposições a respeito do lançamento de tributos e contribuições cuja arrecadação era da então Secretaria da Receita Federal, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o lançamento das contribuições objeto desta autuação obedeciam as disposições de lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/1991. Depreendese das alterações trazidas pela MP 449/2008, a instituição da multa de ofício, situação inexistente anteriormente. A auditoria fiscal ao fazer as comparações entre multa de mora mais multa por descumprimento de obrigação acessória e multa de ofício de 75% busca amparo no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN que trata das possibilidades de retroação da lei. Tal artigo dispõe os seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (g.n.) O dispositivo em questão não se aplica ao caso, uma vez que a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Assim, devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Aplicase, sim, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela citada Medida Provisória. Além disso, como a contribuição destinada aos terceiros não integra o cálculo da multa do auto de infração por omissão de fatos geradores em GFIP, sequer deveria ter se cogitado em aplicar multa de ofício para este tipo de lançamento. Asseverese que embora a decisão recorrida afirme que somente teria sido aplicada a multa de mora de 24%, não é o que se verifica no Relatório Fiscal e no Relatório Discriminativo Analítico do Débito, onde podese verificar a existência de levantamentos em que se aplicou a multa de ofício de 75%. Há que se ressaltar que a multa de mora, no decorrer do contencioso administrativo era escalonada podendo chegar a 100%, no caso de execução fiscal. Assim, em obediência ao princípio da razoabilidade, a multa deve ser aplicada observandose o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, porém, não deve ultrapassar o percentual de 75% que correspondente à multa de ofício prevista na legislação atual Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13502.000928/200921 Acórdão n.º 2402003.205 S2C4T2 Fl. 194 11 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que sejam excluídos do lançamento as contribuições incidentes sobre os valores de alimentação “in natura” e para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 23034.000236/2005-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2005
DECADÊNCIA PARCIAL.
Em decorrência da Sumula Vinculante nº 08, necessário se faz verificar a decadência de acordo com os prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SEGURADOS VINCULADOS AO REGIME PREVIDENCIÁRIO ITALIANO.
Não incidência sobre a remuneração paga a diretores vinculados ao regime previdenciário de seu país de origem.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
O artigo 15 da Lei nº 9.424/96 prevê que o salário-educação devido pelas empresas tem por base de cálculo o total das remunerações pagas aos segurados empregados.
Numero da decisão: 2301-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, para - no levantamento relativo às deduções efetuadas indevidamente manter a regra decadencial expressa no artigo 150, § 4º, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, para - no levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa manter a regra decadencial expressa no artigo 173, inciso I, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício nas demais questões. Sustentação oral: Alessandro Mendes Cardoso. OAB: 76.714/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2005 DECADÊNCIA PARCIAL. Em decorrência da Sumula Vinculante nº 08, necessário se faz verificar a decadência de acordo com os prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SEGURADOS VINCULADOS AO REGIME PREVIDENCIÁRIO ITALIANO. Não incidência sobre a remuneração paga a diretores vinculados ao regime previdenciário de seu país de origem. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O artigo 15 da Lei nº 9.424/96 prevê que o salárioeducação devido pelas empresas tem por base de cálculo o total das remunerações pagas aos segurados empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, para no levantamento relativo às deduções efetuadas indevidamente manter a regra decadencial expressa no artigo 150, § 4º, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, para no levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa manter a regra decadencial expressa no artigo 173, inciso I, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício nas demais questões. Sustentação oral: Alessandro Mendes Cardoso. OAB: 76.714/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 02 36 /2 00 5- 77 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de processo administrativo de débito lançado pro meio da lavratura da Notificação Para Recolhimento de Débito (NRD) nº 0001146/2006, no valor de R$ 3.802.609,95, decorrente de processo de inspeção realizada pelos técnicos do FNDE junto à empresa em referência, visando à verificação da regularidade do recolhimento das contribuições relacionadas ao SalárioEducação e das aplicações para o Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. Informa o relatório do FNDE que: “2.Conforme Informação nº 549/2006 DINSP/COINS, fls. 137 e 138, os débitos levantados na inspeção foram contestados pela empresa, em virtude dos diretores serem estrangeiros (expatriados), alegandose isenção de contribuição à previdência. Solicitado parecer à Procuradoria, esta alegou impossibilidade de manifestarse, uma vez que os documentos apresentados pela empresa foram redigidos em italianos. 3. Desta feita, considerandose a iminente decadência dos débitos referentes ao exercício de 1996, a Divisão de Inspeção, por meio da Informação acima mencionada, submeteu o caso em questão à CoordenaraGeral de Execução e Operação Financeira, que se manifestou favoravelmente à cobrança dos débito, conforme Despacho à fl. 19.” Relata ainda que: “Assim sendo, vieram os autos a este Setor Apuração de Débitos para que seja efetuada a cobrança dos débitos referentes ao SalárioEducação, provenientes de “renumeração de Diretores” para as competências 01 a 12/1996, 01 a 12/1997, 01 a 12/1998, 01 a 12/1999, 01 a 12/2000, 01 a 12/2001, 01 a 12/2002, 01 a 2003, 01 a 2004, 01 a 12/2005, e deduções indevidas para as competências 02, 03, 05 a 12/1996, 01 a 07 e 12/1997, 01, 06, 07 e 12/11998, 06, 11 e 12/1999, 06 e 12/2000, 06 e 12/2002, 06 e 12/2003, segundo a Informação nº 571/2006DINSP/COINS, FL. 153.” Diante dessas autuações, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando, basicamente, a isenção do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos estrangeiros que prestam temporariamente serviços no país, bem como não se encontrem vinculados à previdência social, bem como a ocorrência decadência. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 23034.000236/200577 Acórdão n.º 2301003.162 S2C3T1 Fl. 3 3 A 13ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou parcialmente procedente a impugnação, cancelando, em parte, o crédito tributário, razão pela qual houve recurso de ofício. O sujeito passivo, devidamente intimado do acórdão, não interpôs recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Submetese a este Conselho a revisão do conteúdo decisório no qual reconheceu a ocorrência de decadência sobre o período de 12/2000 a 03/2005, bem como a não incidência da contribuição de terceiros destinada a FNDE, sobre as parcelas pagas a diretores de empresas vinculados a previdência social da Itália. Diante desse contexto, passo, inicialmente, por se tratar de questão prejudicial ao mérito, a proceder ao reexame da parte da r. decisão a quo que reconheceu a decadência. De acordo com a r. decisão recorrida, dois foram os levantamentos efetuados: i) levantamento relativo às deduções efetuadas indevidamente; e ii) levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa. A autoridade julgadora entendeu por aplicar o prazo previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, declarando decaídas as competências verificadas entre 01/1996 a 11/2001, no que diz respeito ao levantamento às deduções efetuadas indevidamente, haja vista que foi detectado “o adiantamento de parte do recolhimento que a impugnante reputou devido”, além de não existir “nos autos, prova de que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, há que se aplicar a regra do artigo 150, § 4º do CTN.” Em relação ao levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa aplicou o artigo 173, inciso I, do CTN, haja vista que nunca houve recolhimento de salário educação, pois sempre se reputou que esses não estavam vinculados ao regime de previdência nacional. Assim, reconheceu a decadência de 01/1996 a 11/2000, haja vista a ciência do sujeito passivo ter sido realizada em 21/12/2006. Tendo isso presente, tenho que a decisão recorrida seguiu a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 493DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 23034.000236/200577 Acórdão n.º 2301003.162 S2C3T1 Fl. 4 5 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” A meu ver, penso que o levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa também se subsumiria ao artigo 150, § 4º do CTN, haja vista que no período verificado houve recolhimento antecipado de salárioeducação sobre a folha, ainda que parcialmente, restando excluídos os diretores. Contudo, como se está diante de recurso de ofício, o qual objetiva a reforma da decisão recorrida para que seja adotada a tese mais benéfica ao Fisco, não se pode acolher, nesse ponto, a decadência do artigo 150, § 4º, sob pena de incidir na proibição da reformatio in pejus. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1996 a março de 2005 e que a ora recorrente foi intimada da autuação em 21 de dezembro de 2006, de modo geral verificase que a decadência assim se opera: a) levantamento relativo às deduções efetuadas indevidamente: decadência pelo artigo 150, § 4º no período de 01/1996 a 11/2001; e b) levantamento relativo à base salarial de diretores da empresa: decadência pelo artigo 173, inciso I no período de 01/1996 a 11/2000. Ante o exposto o mérito da questão somente será analisado sobre o período não compreendido pela decadência, qual seja, 12/2000 a 03/2005, e em relação aos seguintes diretores: Gianni Coda (01/11/99 a 31/03/02); Piero Grilo (05/05/99 a 30/09/01); Marco Mazzu (01/10/00 a 30/06/01); Sandro Balzano (01/10/00 a 28/02/05); Renato Alfonso (01/04/01 a 31/05/04); Alberto Ghiglieno (01/06/02 a 31/01/04); Roberto Bottoni (01/10/02 a 30/04/04); Fábio D’Amico (01/06/99 a 01/05/05). A decisão recorrida, analisando a documentação anexada aos autos, não pode concluir, de imediato, que os citados diretores estavam vinculados ao regime de previdência italiano. Verificando que no mesmo período desse lançamento o sujeito passivo havia sido fiscalizado pela RFB, solicitou à DRF de Contagem manifestação “acerca do tratamento dado pela fiscalização em relação à filiação previdenciária dos referidos diretores, ou seja, se estão filiados à Previdência Social brasileira ou italiana.” A Delegacia de Contagem juntou documentação bem como Termo de Informação, o qual conclui: “Em atendimento ao despacho de fls. 392 e 393, informamos que obtivemos através do Instituto Nacional do Seguro Social – Gerência Executiva em Contagem/MG, cópia dos Ofícios nº 1.501.14/Nº 028//2005, de 28 de janeiro de 2005, 11.501.14/Nº 066/2007, de 28 de março de 2007 e 11.501.14/Nº 357/2009, de Fl. 494DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 23 de novembro de 2009 nos quais consta que os diretores abaixo relacionados ficaram isentos de contribuição para a Previdência Social Brasileira e filiados à Previdência Social Italiana, conforme previsto no art. 4º do Decreto nº 80.138 de 11/08/1977 (Acordo BrasilItália), conforme segue: Diretor Período Gianni Coda 01.01.2000 a 31.10.2003 Sandro Balzano 01.10.2001 a 30.08.2007 Renato Alfonso Saglimbeni 01.04.2002 a 31.05.2004 Alberto Ghiglieno 01.06.2003 a 31.01.2004 Roberto Bottoni 01.10.2003 a 30.04.2004 Fábio D’Amico 01.06.2009 a 31.05.2009” A decisão recorrida acatou as informações prestadas e verificou, ainda, que no período da autuação em que não foi constatada, em princípio, a isenção, registrou que por meio do Ofício 11.501.14/nº 066/2007, o qual versa sobre transferência com pedido de isenção da aplicação da legislação previdenciária brasileira, conforme Protocolo Adicional ao Acordo de migração ItáliaBrasil, há tabela constante cuja situação dos diretores Sandro Balzano, Renato Alfonso Saglimbeni, Alberto Ghiglieno e Roberto Bottoni é a de prorrogação, revelando, portanto, que já se encontravam filiados ao regime italiano em período anterior. Em relação ao diretores Piero Grilo (05/05/99 a 30/09/01) e Marco Mazzu (01/10/00 a 30/06/01) a fiscalização esclareceu que ambos são diretores administrativo e financeiro, respectivamente, e diretores não empregados, razão pela qual não incide o salário educação, nos termos do artigo 15 da Lei nº 9.424/96. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO e NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 495DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10283.720285/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2006
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA.
Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte,com a norma legal que fundamenta a autuação, nulo por vicio material será o auto de infração, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte,com a norma legal que fundamenta a autuação, nulo por vicio material será o auto de infração, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 85 /2 01 0- 11 Fl. 5549DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício interposto pela turma julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância. " Trata o presente de lançamento efetuado pela Fiscalização Aduaneira onde é feita a exigência de multa no valor comercial de mercadoria saída da Zona Franca de Manaus. No entender da Fiscalização, a atuada internou mercadoria que estava sob a sua custódia, na Zona Franca de Manaus, sem o conhecimento da Aduana. A autuação totalizou, no dia do lançamento, o montante de R$ 21.809.719,00, conforme auto de infração de fls. 0145 e teve como supedâneo os seguintes dispositivos normativos: Decretolei n° 37/1967, artigos 623, 631 e 618 do Decreto 4542/2002 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos) e artigo 83, I da Lei n°4.502/1964. Na descrição dos fatos, a Fiscalização aduz, em síntese, os seguintes argumentos para fundamentar a autuação: 1. A empresa autuada, na condição de depositária, não localizo e não apresentou à fiscalização mercadorias depositadas a titulo de depósito fechado, nem justificou sua devolução através de documentação probatória; 2. Durante procedimento de fiscalização aduaneira na empresa SEMP TOSHIBA observouse uma movimentação significativa de mercadorias entre esta empresa e outras empresas, dentre as quais, a autuada — TRANSPORTES RODRIGO, a titulo de remessa de mercadorias para depósito fechado. Entretanto, nos registros contábeis da SEMP TOSHIBA, livro de registro de inventário, não havia qualquer informação de estoque de mercadorias próprias armazenadas em terceiros, ou seja, seu estoque final de mercadorias em poder de terceiros no final do ano de 2006 foi declarado como sendo ZERO. 0 grande volume de mercadorias envolvidas nas operações chamou a atenção da fiscalização; 3. Somente para a empresa autuada, TRANSPORTES RODRIGO, foram enviadas ao longo do ano de 2006 mercadorias no valor de R$ 194.979.829,00, conforme apontado no Relatório "DIFERENÇAS ENCONTRADAS REMESSA E RETORNO SEMP X TRANSPORTES RODRIGO" (fl. 47). Este fato chamou a atenção, assim, foi expedido o MPF n° 0227600 2009002071, tendo como interessada a empresa TRANSPORTES RODRIGO, com o objetivo de realizar diligências na autuada a fim de se confirmar as informações obtidas; Fl. 5550DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.550 3 4. Em 09/07/2009 a empresa TRANSPORTES RODRIGO tomou ciência desta ação fiscal (fl. 163) e a partir deste momento foi intimada a prestar diversos esclarecimentos a respeito das operações de recebimento e retorno de mercadorias para a SEIVIP TOSHIBA. Vários questionamentos não foram respondidos a contento, e, em tese, diversas irregularidades foram detectadas na operação envolvendo as duas empresas, sendo a maior delas a não localização de R$ 21.809.719,00 em mercadorias, que foram enviadas pela SEMP TOSHIBA à TRANSPORTES RODRIGO e para as quais não há o devido retorno comprovado por documentos hábeis e idôneos, bem como a não justificativa da não localização; 5. A partir de um batimento entre notas fiscais de remessas e de retorno de mercadorias da empresa SEMP TOSHIBA para a TRANSPORTES RODRIGO, detectou a falta do equivalente a R$ 21.809.719,00 (DIFERENÇA APURADA ENTRE SEMP E TRANSPORTES RODRIGO fl. 429), assim, intimou a autuada a prestar esclarecimentos. Destacou alguns trechos dos esclarecimentos prestados: "Sobre as supostas diferenças encontradas pelas autoridades fiscais, nas notas fiscais válidas emitidas pela empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A para a empresa TRANSPORTES RODRIGO LTDA, conseguimos aferir cada nota fiscal emitida no curso do anocalendário de 2006, constante do relatório impresso e nos deparamos com um quantitativo de 101 (cento e uma) notas fiscais que apesar de constarem emitidas pela SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A para a empresa TRANSPORTES RODRIGO LTDA, NA 0 ENCONTRAMOS NOS NOSSOS ARQUIVOS o registro de entradas de nenhuma dessas notas fiscais registrada nos sistemas informatizados da empresa". "Se as notas fiscais constam como emitidas pela SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A para a empresa TRANSPORTES RODRIGO LTDA e não constam dos nossos arquivos informatizados, temos 100% (cem por cento) de convicção que lotam emitidas pois a SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A possui benefícios fiscais da SUDAM e do Governo Estadual, e se deixasse de emitir Notas Fiscais de Saída, teria o seu beneficio fiscal cancelado de plano." "Todavia, se constam como emitidas para a nossa empresa não recepcionamos as mencionadas notas fiscais, algum equivoco existe e somente a SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A pode esclarecer o destino das mercadorias, pois na TRANSPORTES RODRIGO LTDA, as 101 (cento e um) notas fiscais não entraram no nosso depósito fechado. As demais notas de simples remessa foram todas localizadas nos nossos sistemas informatizados." Fl. 5551DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 6. A autuada, embora tenha obtido a permissão para explorar a atividade de depósito fechado, desrespeitou algumas normas expedidas pela Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas, vez que está autorizada a custodiar insumos e produtos acabados e não contêineres; embora intimada, a fiscalizada não apresentou o livro de registro e de inventário, vitais A. validade do ato de autorização. Por último, concluiu que houve o total descumprimento das condições estabelecidas pela SEFAZAM no Ato Declaratório, visto que não há qualquer controle de mercadorias; 7. Tendo em vista que as mercadorias não foram apresentadas, presumese que estas foram introduzidas no mercado nacional de forma irregular, saindo da Zona Franca de Manaus sem o devido processo de internação. Além do mais, como não há notas fiscais que amparem a saída destas mercadorias, emitidas regularmente pela SEMP TOSHIBA, supõese também que estas mercadorias saíram do depósito fechado desacompanhadas das mesmas, incorrendo, neste caso, o depositário no ilícito estabelecido no artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964; (destaquei) 8. Se o depósito fechado recebeu durante o exercício de 2006 mercadorias no valor de R$ 194.979.829,00 e retornou apenas R$ 173.170.110,00 (fl. 47) e a empresa proprietária das mercadorias declarou a inexistência de estoques em poder de terceiro no seu livro de registro de inventário, por dedução óbvia, a diferença entre as entradas e saídas (R$ 21.809.719,00) não retornou. Circularam mercadorias sem o registro documental, ferindo a legislação de pertinência; 9. Que por diversas vezes foi solicitado à interessada manifestar se sobre as diferenças apontadas, bem como a apresentação do livro de registro de inventário, exigido no Ato Declaratório emitido pela SEFAZAM, entretanto, em momento algum houve apresentação de justificativa calcada em documentação fiscal acerca das divergências, apresentando apenas listagem de contêineres (fls. 414/506), listagem esta sem qualquer valor probante para a fiscalização; 10. Entendeu que as irregularidades praticadas pelo contribuinte enquadramse no artigo 39 do DecretoLei n° 288/1967, bem como no artigo 83, I da Lei n° 4.502/1964 e respectivas regulamentações, artigos 618, § 1 0, 623 e 631 do Regulamento Aduaneiro (vigente A. época dos fatos), tendo em vista que as mercadorias não foram localizadas e nem houve comprovação de seu consumo interno (na ZFM), o que se conclui que saíram da Zona Franca de Manaus sem a devida autorização da autoridade aduaneira, infringindo, portanto, tais dispositivos legais, sujeitandose à pena de perdimento e, por não terem sido localizadas, ou já terem sido consumidas, convertese a referida pena em multa na quantia equivalente ao valor comercial das mercadorias. (destaquei); 11. Destaca, ainda, que, embora as mercadorias em questão tenham sido montadas pela empresa SEMI TOSHIBA em território nacional, tratamse de insumos adentrados no território nacional com a suspensão dos tributos incidentes, Fl. 5552DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.551 5 portanto, não nacionalizados, devendo, quando da Zona Franca sair, cumprir o estabelecido no Decreto Lei n° 288/1967, art. 7 0, para então considerarmos estas mercadorias nacionais; (destaquei) 12. Incluiu na condição de devedora solidária, com albergue no artigo 124 do Código Tributário Nacional c/c o parágrafo único, inciso III, do artigo 32 do DecretoLei n° 37/1966, a empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 10. Cientificada pessoalmente da infração em 09/06/2010 (fl. 09), a autuada, TRANSPORTES RODRIGO LTDA apresentou, em 07/07/2010, impugnação, fls. 770/835, alegando, em síntese, o seguinte: I. Preliminarmente, entende que há vícios insanáveis constantes do MPF e Auto de Infração, fato que representa cerceamento do direito de defesa, eis que à margem da Constituição Federal e do Procedimento Administrativo Fiscal; assim, requer a nulidade do Auto de Infração; II. Em sede de mérito, alega que não há qualquer diferença entre as mercadorias remetidas pela empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A à TRANSPORTES RODRIGO LTDA e as mercadorias retomadas da TRANSPORTES RODRIGO LTDA para a SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A; A impugnante detinha como ainda detém, a autorização da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Amazonas para operar como depósito fechado, conforme revelam o Ato Declaratório n° 161/2005DETRUSER/SEFAZ (fls. 211/212), de 24 de maio de 2005 e Ato Declaratório 095/2006 DETRI/SER/SEFAZ (fls1.:213/214). Como se depreende nos mencionados Atos Declaratórios, a impugnante estava autorizada a operar como depósito fechado, armazenando, exclusivamente, mercadorias de terceiros acondicionadas em contêineres; IV. A impugnante mantinha o controle diário das entradas e saídas dos contêineres através dos livros de relação de entradas e saídas de contêineres e livro de registro de inventário, como faz prova com os documentos apresentados à fiscalização (fls. 205/208). A análise da mencionada documentação aliada à informação prestada pela SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A permitem aferir que no final do anocalendário de 2006, a TRANSPORTES RODRIGO LTDA não possuía em seu depósito fechado o valor de R$ 21.809.719,00 (vinte e um milhões, oitocentos e nove mil, setecentos e dezenove reais) em mercadorias depositadas, valor este composto de 101 notas fiscais como aduz a autoridade fiscal que conduziu o procedimento de fiscalização; V. Ressaltase, ainda, que a impugnante recebia da empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A, contêineres lacrados, contendo as mercadorias discriminadas nas notas fiscais de Fl. 5553DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 remessa. Observase, ainda, que no campo dados adicionais e/ou informações complementares, parte inferior das notas fiscais de remessa, constam o número de lacre da SEMI' TOSHIBA e o número do container que acondicionava as mercadorias. Por sua vez, o conteúdo de cada contêiner estava revelado no campo dados do produto, onde constava a respectiva descrição, quantidade e valor. Portanto, a impugnante não tinha acesso ao conteúdo das mercadorias, posto que os contêineres eram todos deposita s devidamente lacrados. Assim, o controle central mantido pela impugnante era exatamente por meio dos contêineres, posto que não se tinha acesso às mercadorias acondicionadas neles, pois todos estavam lacrados, e porque o próprio Ato Declaratório determinava o controle diário de entradas e saídas de contêineres. VI. Entende como precário o controle efetuado pela fiscalização que culminou na diferença apontada, eis que em nenhum momento no mencionado termo de intimação encontrase o número da nota fiscal que ateste a diferença. A autoridade fiscal não comprova de forma clara e cristalina a suposta diferença. Acrescenta que a suposta diferença seja quantificada com a respectiva nota fiscal, observe que h fl. 47, do volume 1, a autoridade em nenhum momento cita o número da Nota Fiscal de remessa da SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A, bem como o número da nota fiscal de retorno da SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A; VII. Com o objetivo de demonstrar que não deu saída a destino incerto e não sabido das mercadorias objeto do presente Auto de Infração, apresenta PLANILHA E CONTROLE DA TRANSPORTES RODRIGO LTDA, fls. 795/796; VIII. A autoridade fiscal que conduziu o procedimento de fiscalização deixou de incluir no RELATÓRIO CONSOLIDADO — DIFERENÇAS ENCONTRADAS — REMESSA E RETORNO — SEMP X TRANSPORTES RODRIGO — remessas emitidas diretamente da SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A para SEMP TOSHIBA ARMAZÉNS GERAIS LTDA, localizada na Rodovia Anhangüera 1(m39, n° 5, IGP A, bairro Jordanésia no Município de CajamarSP, mas que saíram do depósito fechado da TRANSPORTES RODRIGO LTDA; IX. Apesar da obrigação do dever de retornar as mercadorias acompanhadas do documento fiscal competente, a impugnante tinha dúvidas sobre qual documento seria bastante para este mister: a emissão de nota fiscal de retorno ou utilizar a própria nota fiscal de remessa da SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A. A dúvida era pertinente em razão de não haver na legislação estadual dispositivo que evidenciasse a obrigatoriedade de adotar um ou outro procedimento. Inicialmente se optou em retornar as mercadorias acompanhadas de notas fiscais de retorno devidamente emitidas. Posteriormente, a impugnante decidiu adotar o segundo procedimento, vale dizer, fazer acompanhar as mercadorias com as próprias notas fiscais de remessa emitida pela SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A, em Fl. 5554DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.552 7 razão de consulta verbal recebida no plantão fiscal da Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas; X. Afirma que a TRANSPORTES RODRIGO LTDA retornou as mercadorias para a SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A, inicialmente através de notas fiscais de retorno, mas posteriormente, em face da orientação recebida no plantão fiscal da Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas, utilizou as próprias notas de remessa da remetente (SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A); XI. Que o entendimento da fiscalização para concluir pela autuação baseiase apenas em suposições, não apresentando provas de que realmente as mercadorias teriam saído da Zona Franca de Manaus e nem se pode aplicar uma presunção ao caso. Assim, a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus de apresentar provas contundentes, nos termos do Artigo 333, do CPC. As mercadorias poderiam, inclusive, ter sido consumidas na própria Zona Franca de Manaus; XII. Que a fiscalização aduaneira não elencou as hipóteses sujeitas à pena de perdimento às quais se enquadraria a impugnante, fato que torna a autuação passível de nulidade; XIII. Por fim, requer seja declarado nulo o auto de infração por e não incorreu em violação aos preceitos da legislação tributária, bem como por insanável erro de fato cometido quando do levantamento do quantitativo das notas fiscais. Intimada da autuação fiscal em 10/06/2010, a empresa SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A., incluída na demanda na qualidade de devedora solidária, apresentou, em 08/07/2010, impugnação, alegando, em síntese, o seguinte: I. que a autoridade fiscal atribuiu uma indevida solidariedade passiva impugnante, causando um insanável erro de direito, tendo como única saída legal a anulação integral do presente auto de infração; II. Não é cabível a inserção da impugnante na condição de devedora solidária, eis que não se pode ao presente caso aplicar as regras de sujeição passiva tributária constantes dos dispositivos citados na autuação, Artigo 124 do CTN c/c inciso III do artigo 32 do DecretoLei 37/66. Neste contexto, há uma evidente afronta ao artigo 124, inciso II, do CTN, pois ele expõe que só serão solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei, e o texto de lei que a autoridade fiscal autuante indicou como fundamentador da solidariedade é inteiramente discrepante da operação realizada nos presentes autos. Ou seja, a solidariedade pretendida não está designada em lei e, portanto, comprova inequivocamente que o presente auto de infração foi lavrado com erro de direito. III. Ainda quanto à solidariedade argumenta que nem se pode cogitar a aplicação do Artigo 124, I do CTN ao caso, eis que o referido inciso determina a aplicação de solidariedade quando Fl. 5555DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 há interesse comum. A palavra "interesse comum" é um tanto vasta, mas que no caso em comento é facilmente afastada, posto que nas operações de depósito fechado não ha obrigação de recolhimento de imposto por expressa previsão legal (legislação do ICMS e federal), sendo esta última obrigação do somente da impugnante ao efetuar a efetiva saída da mercadoria para o mercado interno; IV. Já em mérito, aduz que não houve diferenças entre as operações realizadas de remessa e retorno entre as empresas autuadas, bem como todas as mercadorias remetidas ao depositário foram devidamente acompanhadas com documentação fiscal idônea e escrituradas, com a respectiva saída decorrente de venda ou outra saída definitiva, com os tributos devidos recolhidos, sendo as operações verificadas e comprovadas mediante a análise dos documentos que serão acostados h. presente; V. A fiscalização ignorou/desconsiderou a análise fática probatória demonstrada pela impugnante no decorrer do processo de fiscalização, posto que em momento algum fez menção à documentação apresentada ou mesmo disponibilizada pela impugnante nas respostas aos termos de intimação n° 083/09 e 005/2010, nas quais verificase a idoneidade das operações (doc. 03). Assim é que a presente autuação se deu pela PRESUNÇÃO de que as operações tratam de produtos contrabandeados em virtude da suposta falta de documentação fiscal idônea que comprove sua destinação, quando em verdade tratase de operações com MERCADORIAS NACIONAIS, cuja matériaprima importada utilizada na industrialização no território nacional foi devidamente internada quando da saída definitiva da Zona Franca de Manaus, com o correspondente recolhimento devido dos tributos, conforme demonstrado pelas Declarações de Cálculo de Internação — DCI'S acostadas (doc. 04); VI. Em linhas gerais, a ora impugnante tem como objeto a industrialização e a comercialização de aparelhos elétricos, eletrodomésticos, eletrônicos e componentes. Para tanto, realiza a importação de insumos para fabricação desses produtos. No decorrer dos seus negócios sociais, remete parte dos seus produtos para o depositário com a finalidade de armazenagem em contêineres; VII.Quando efetua suas vendas no mercado nacional ou remete as mercadorias para armazém de sua propriedade situado em são Paulo ou procede outras operações com natureza de saída definitiva, a impugnante efetua o processo de internação das mercadorias na Zona Franca de Manaus através do recolhimento do imposto de importação, de acordo com o apurado no Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto — DCRE, elaborado para tal finalidade, observado o processo produtivo básico — PPB, procedimento este devidamente acompanhado de notas fiscais de remessa e venda; VIII. Mesmo quando, por algum motivo, o Depositário não tenha emitido a respectiva nota fiscal de retorno, em nada macula a operação, posto que tudo pode ser muito bem Fl. 5556DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.553 9 comprovado através das notas fiscais de saída definitiva (doc. 06), conhecimentos de embarque (doc. 09), romaneios (doc. 10), comprovantes de internação de mercadorias na Zona Franca de Manaus — DCI (doc. 04) e livros registro de entradas e saídas (doc. 18) devidamente registrados e homologados pelo órgão competente. Sobre esse ponto, cumpre ressaltar que em uma reduzida parcela das operações houve notas fiscais de retomo datadas no anocalendário de 2006, as quais somente foram lançadas na escrita fiscal da impugnante no ano subseqüente. Entretanto, a fiscalização desconsiderou a documentação e informações prestadas, o que sobremaneira prejudicou ainda mais a impugnante e o depositário. Se tivesse considerado a operação como um todo, a conclusão que chegaria pelo critério adotado na autuação é a de que não houve saída irregular de mercadorias da Zona Franca de Manaus e nem a diferença apontada; IX. Alerta que por ter sido habilitada pela Alfândega do Porto de Manaus no procedimento simplificado de internação, pode efetuar a internação de mercadorias diretamente do estabelecimento habilitado para destinos fora da Zona Franca de Manaus, com a dispensa de passagem das mercadorias por recinto alfandegado ou autorizado de controle para fins de conferência física ou documental. Exatamente por este motivo fica constatado que em momento algum houve saída de mercadoria da Zona Franca de Manaus sem autorização legal expedida pelas autoridades competentes, desfigurando por completo a tipificação do crime de contrabando; X. Por fim junta vários documentos que segundo sua ótica comprovam a regularidade das operações, eis que detalham as operações realizadas pela impugnante em relação à saída definitiva e/ou movimentação com seu depósito fechado dessas mercadorias, não havendo qualquer fato que posa subsumir a legislação que diz respeito ao contrabando; XI. Alega, ainda, que das 101 (cento e uma) notas fiscais apontadas pela fiscalização, emitidas a titulo de remessa das mercadorias para o depositário, 48 (quarenta e oito), perfazendo o montante de R$ 9.188.528,00 (nove milhões, cento e oitenta e oito mil e quinhentos e vinte e oito reais) foram devidamente canceladas, conforme se infere destas (doc. 15); XII. Entende que não se pode aplicar a pena de perdimento no caso sob exame, posto que não houve nenhum prejuízo ao erário por falta de recolhimento de imposto. Como demonstrado nos presentes autos, a impugnante efetuou a internação de mercadorias da Zona Franca de Manaus com o recolhimento dos impostos incidentes proporcionais ao processo produtivo básico, de acordo com a legislação fiscal e aduaneira de regência; XIII. Diante de todo o exposto, requer: a) seja declarada a inexistência de responsabilidade solidária da impugnante por absoluta ausência de supedâneo, excluindo esta, como Fl. 5557DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 conseqüência, do polo passivo da presente demanda; ou b) seja decretada a nulidade dos autos de infração lavrados, em razão de insanável erro de direito decorrente de capitulação indevida quanto 6. solidariedade passiva da impugnante; c) seja acolhida integralmente a presente impugnação, por tempestiva, bem como seja declarada a nulidade e a improcedência da ação fiscal e o conseqüente arquivamento dos autos; d) por fim, protesta pela posterior juntada de qualquer documento e instrumentos de prova, em atendimento ao principio da verdade material." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu por dar provimento a impugnação declarando a nulidade, por vício material, do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006 PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, a impugnação deverá conter todos os argumentos pertinentes à tese defensória, bem como as provas e fundamentos legais em que se baseia, e ainda, eventual pedido de diligência ou perícia, formulado de acordo com as exigências ali fixadas. A posterior apresentação de prova documental só é admissível nas hipóteses previstas no parágrafo 4° do referido artigo. Assim, não restando configurada nenhuma delas, é incabível o pedido genérico pela produção ulterior de prova. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/12/2006 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. FALTA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Constatada que não há uma escorreita ligação entre os fatos supostamente praticados pelo contribuinte ,com a norma legal que. , fundamenta a autuação, nulo por vicio material será o auto de infração, por ferir requisito essencial na constituição do lançamento, ,nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" Diante dessa decisão, cuja exoneração do sujeito passivo ultrapassou o limite de alçada, foi apresentado pela Turma Julgadora o competente recurso de ofício. Fl. 5558DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.554 11 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A autoridade de primeira instância ao apreciar a impugnação, decidiu por exonerar o lançamento por entender que existiu vício material no trabalho realizado pela Autoridade Autuante. A decisão da turma da primeira instância pode ser assim resumida no trecho abaixo, extraído do voto condutor do Acórdão ora combatido. "Partindose da premissa de que a base legal para a aplicação da multa do art. 83, inciso I, da Lei no 4.502/64, e que a conduta praticada pela autuada foi a internação ilegal de produtos produzidos na Zona Franca de Manaus, penso que não foi claramente demonstrada a subsunção do fato concreto A hipótese de incidência nela contida. Em determinado trecho do relatório (fls. 32/33 — vol 01) o autuante dá a entender que a multa em epígrafe é aplicada em decorrência da comercialização de produto de procedência estrangeira sem nota fiscal, conforme afirma no seguinte trecho, cujos destaques pertencem ao original: "Ainda sobre a penalidade aplicada à comercialização de produto de procedência estrangeira sem nota fiscal, destaca a Lei n°4.502/1964, que diz: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei n° 326, de 1967) I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, confirme o caso; (Redação dada pelo DecretoLei n°400, de 1968)". Observese que os produtos que estariam desacompanhados de nota fiscal, não são de procedência estrangeira, conforme já destacado, mas produzidos na Zona Franca de Manaus com Fl. 5559DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 insumos, estes sim, importados. Portanto, o caso não se amolda ao núcleo do dispositivo legal negritado pelo autuante. De qualquer modo, mais adiante, na conclusão do seu relatório (fl. 44), o fiscal volta a reafirmar que nos termos do art. 39, do DL no 288/67, é considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes, crime punível com o perdimento das mercadorias, nos termos do art. 623, do Decreto n° 4.543, de 26/12/02, vigente à época. Acrescentando que: "Por não terem sido localizadas, ou ainda, por já ter sido dadas a consumo, convertese a referida pena de perdimento em multa de igual valor ao valor comercial das mercadorias, comprovado através de nota fiscal." Assim, inferese que, ao final, a multa aplicada não foi decorrente do entendimento da ocorrência do fato antes epigrafado (entrega ao consumo de produto de procedência estrangeira que tenha entrado no estabelecimento ou dele saído desacompanhado da nota fiscal), mas sim do juízo de que caberia uma conversão da pena de perdimento em multa igual ao valor comercial da mercadoria, imputável pela configuração do crime de contrabando. Neste ponto, é importante frisar que não há previsão legal para tal conversão." A decisão da primeira instância, entendeu que a base legal utilizada para sustentar o lançamento, não encontra correspondência nos fatos apurados pela Fiscalização Aduaneira. A base legal utilizada no lançamento foi o art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. "Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso". Já os fatos apurados pela Fiscalização Aduaneira podem ser assim resumidas, conforme o trecho abaixo extraído do Relatório Fiscal (fls. 35 a 36). "Na prática, tendo em vista que as mercadorias não foram apresentadas, presumese que estas foram introduzidas no mercado nacional de forma irregular, saindo da Zona Franca de Manaus, sem o devido processo de internação. Além do mais, como não há notas fiscais que amparem a saída destas mercadorias, emitidas regularmente pela SEMP Fl. 5560DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10283.720285/201011 Acórdão n.º 3102001.645 S3C1T2 Fl. 5.555 13 TOSHIBA, supõese também que estas mercadorias saíram do depósito fechado desacompanhadas das mesmas, incorrendo, neste caso, o depositário no ilícito estabelecido no artigo 83, inciso I, da Lei no 4.502/1964. No caso em pauta, fica claro que, em tese, quem deu saída de forma irregular nas mercadorias foi o depositário, recaindo sobre este a penalidades impostas. Se o depósito fechado recebeu durante o exercício de 2006 mercadorias no valor de R$ 194.979.829,00 e retornou apenas R$ 173.170.110,00 (fls. 047), e a empresa proprietária das mercadorias declarou a inexistência de estoques em poder de terceiros no seu Livro de Registro de Inventário, por dedução óbvia, a diferença entre as entradas e saídas (R$ 21.809.719,00) não retornaram. Circularam sem o registro documental, ferindo a legislação de pertinência." O Processo Administrativo Fiscal, por obrigação, regese pelo principio da vinculação legal. O art. 10 do Decreto nº 70.235/72 determina as exigências para formalização do Auto de Infração. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O inciso IV, do art. 10 é claro ao exigir para a constituição do Auto de Infração a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. O lançamento ora combatido, teve como base a conversão da pena de perdimento em multa devido a saída de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, utilizando produtos estrangeiros, sem a suposta emissão de Notas Fiscais. Já a base legal utilizada, descreve como punível com a multa no valor da mercadoria, aqueles que entregarem ao consumo produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente. Pela descrição da base legal, fica cristalino que a penalidade é aplicada a produtos estrangeiros, que tenham sido importados irregularmente ou de forma fraudulenta. As mercadorias em discussão Fl. 5561DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 no presente processo, são mercadorias produzidas no País. Apesar de utilizarem insumos estrangeiros e estarem sob o controles da Regime Especial previsto para as empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, estes fatos, não transformam as mercadorias ali produzidas em mercadorias estrangeiras, tampouco há de se falar em importação destes produtos. Ao analisar a razão de decidir da DRJ de vício material, em razão dos fatos apurados não se enquadrarem na tipificação utilizada para sustentar a infração. Aqui vejo claramente o acerto na decisão da primeira instância. O enquadramento legal a sustentar o Auto de Infração é questão de mérito e matéria intrínseca ao Auto de Infração e a sua utilização em desacordo com os fatos apurados, torna materialmente nulo o lançamento realizado. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 5562DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000352/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.195
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. para tramitação conjunta com os processos relativos à obrigação principal.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. para tramitação conjunta com os processos relativos à obrigação principal. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 35 2/ 20 09 -2 6 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000352/200926 Resolução nº 2402000.195 S2C4T2 Fl. 85 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL ATIBAIENSE LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.170.4278, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de elaborar folhas de pagamento com a inclusão do pagamento de valores a título de bolsas de estudos aos dependentes de seus funcionários. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/09/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 70/75), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente processo seja analisado em conjunto com o lançamento principal; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000352/200926 Resolução nº 2402000.195 S2C4T2 Fl. 86 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização. De todos os Autos de Infração indicados no TEAF sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, apenas o presente fora distribuído a este relator, de modo que não foi possível descobrirse o paradeiro dos demais, em especial daquele no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados a segurados empregados por intermédio de cartão premiação. Se o lançamento principal, relativamente a quaisquer dos fatos geradores objeto do presente lançamento vier a ser anulado, por entendimento no sentido de que não incidem as contribuições previdenciárias nos pagamentos que não foram objeto de informação nas GFIP´s, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informálos, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde do Auto de Infração no qual foram lançadas as obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com o dos Autos de Infração principal, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos sejam remetidos a origem e a autoridade competente informe a este Eg. Conselho em qual dos Autos de Infração lavrados foi lançada a obrigação principal que gerou a aplicação da multa não elaboração das folhas de pagamento, objeto do presente AI, bem como para que informe o número do processo administrativo respectivo, fazendo constar de sua resposta, o andamento atualizado com a informação de sua localidade física e se já fora ou não julgado, por fim, fazendo juntar aos autos do presente processo, as decisões porventura já proferidas naquele processo. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901514/2008-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. INDICAÇÃO DE ATO ESTATAL DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
A citação expressa ao ato de oposição estatal na fundamentação do acórdão embargado rende ensejo à rejeição dos embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. INDICAÇÃO DE ATO ESTATAL DE OPOSIÇÃO ESTATAL. A citação expressa ao ato de oposição estatal na fundamentação do acórdão embargado rende ensejo à rejeição dos embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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OMISSÃO. AUSÊNCIA. INDICAÇÃO DE ATO ESTATAL DE OPOSIÇÃO ESTATAL. A citação expressa ao ato de oposição estatal na fundamentação do acórdão embargado rende ensejo à rejeição dos embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 15 14 /2 00 8- 33 Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3403001.527, sob o fundamento de omissão. Alega a embargante que o colegiado reconheceu o direito do contribuinte aplicar a taxa Selic ao valor do ressarcimento, a partir da data de protocolo do pedido, com base no entendimento constante do REsp 1.035.847, mas que não foi indicado o pressuposto de fato estabelecido no referido julgado, consistente no ato de oposição estatal. Alegou que no caso concreto não houve o pressuposto que ensejou o julgado proferido pelo STJ, pois não houve qualquer ato de oposição estatal à utilização do crédito pleiteado pelo contribuinte, sequer mesmo de natureza legislativa. Afirma que o acórdão embargado é omisso, pois não aponta os fundamentos (fáticos) que assemelham o feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a aposentadoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora originária deste processo, passo a relatar os embargos na condição de relator ad hoc. Os embargos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos pelo colegiado. Verificase que ao contrário do alegado pela PFN, no caso concreto existiram atos de oposição estatal de natureza normativa e de efeitos concretos. Os atos normativos foram as Instruções Normativas IN SRF nº 23/97 (art. 2º, § 2º) e 69/2001 (art. 16), citadas na informação fiscal, que deram suporte ao despacho decisório de fl. 851. E o ato de efeitos concretos é o próprio despacho de fl. 851. O voto condutor do acórdão embargado não foi omisso a respeito, pois nas fls. 1076/1077 apontou expressamente a existência do ato de oposição estatal de efeitos concretos, no momento em que a relatora transcreveu os fundamentos do acórdão de primeira instância, os quais remetem ao despacho da autoridade administrativa. Portanto, em se tratando de situação fática idêntica àquela sopesada quando da prolação do recurso repetitivo, é cabível a aplicação da taxa Selic para corrigir o ressarcimento a partir da data de transmissão do pedido até a data da efetiva utilização do crédito. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 3403001.839 S3C4T3 Fl. 4 3 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11020.915071/2009-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 71 /2 00 9- 33 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 101 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 67 a 86) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 58 a 61) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 8 a 44) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 6), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 7). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 22 de abril de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 31.680,04. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 102 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 103 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 104 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 105 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915071/200933 Acórdão n.º 3803003.746 S3TE03 Fl. 106 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15374.906368/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA VALE DO RIO DOCE.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 36 8/ 20 09 -5 9 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.906368/200959 Resolução nº 2202000.321 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, não homologou compensação de crédito no valor de R$1.528.941,48, oriundo de suposto pagamento a maior de IRRF, cujo DARF código 5706, referese ao período de apuração de 16/04/2005, no valor de R$89.848.224,98, com débito de estimativa mensal de IRPJ do mês de junho de 2005. A razão para o indeferimento foi que o pagamento foi totalmente utilizado no próprio período de apuração. A Interessada impugnou o despacho decisório em 03042009, conforme fls.08/22, alegando que: a decisão não contém fundamentação, gerando cerceamento ao direito de defesa; no período de apuração de 16/04/2005, por ocasião da distribuição de JCP aos seus acionistas, recolheu a maior o valor de R$1.862.032,95, DOC.05; informou incorretamente em sua DCTF o valor do débito de IRRF, que deveria ter sido de R$87.986.192,03, conforme se constata pelos DOC.06, 07, 08 e 09; requereu perícia com quesitos e perito apontados às fls.21/22. A DRJ ao apreciar as razões do recorrente, julgou o lançamento procedente nos termos da ementa a seguir: Anocalendário: 2005 CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição/compensação, devendo o contribuinte comproválo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeito o recorrente interpõe recurso voluntário reiterando razões da impugnação, onde aponta os seguintes aspectos: Reitera o argumento de que embora o crédito apontado na Declaração de Compensação totalizar R$. 1.528.941,48, foi detectado que o crédito na realidade monta em R$ 1.862,932,95, valor comprovadamente superior ao apontado anteriormente; Que a origem do crédito seria pagamento a maior de IRRF sobre JCP; Que o recorrente preencheu equivocadamente a DCTF, uma vez que declarou, por equivoco, que o valor devido de IRRF sobre JCP, seria o exato valor que havia sido objeto de recolhimento do DARF. Ocorre que o aludido pagamento, havia sido realizado em valor Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.906368/200959 Resolução nº 2202000.321 S2C2T2 Fl. 4 3 superior ao efetivamente devido. A correta informação que deveria constar na DCTF seria o valor efetivamente apurado daquele tributo, qual seja R$ 87.986.192,03. O requerente requer subsidiariamente, em homenagem ao princípio da eventualidade, que seja anulado o Acórdão da autoridade recorrida, determinando a primeira instância para a realização de pericia contábilfiscal. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.906368/200959 Resolução nº 2202000.321 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Alega o recorrente que preencheu equivocadamente a DCTF, declarando, por equivoco, que o valor devido de IRRF sobre JCP, seria o exato valor que havia sido objeto de recolhimento do DARF. A correta informação que deveria constar na DCTF seria o valor efetivamente apurado daquele tributo, qual seja R$ 87.986.192,03. Inobstante os argumentos do recorrente sejam verossímeis, entendo que ainda não existem provas conclusivas nos autos em prol do argumento do recorrente. Urge registrar que o eventual erro de preenchimento da DCTF devem ser comprovados pelo contribuinte que possui todos os elementos necessários, ou seja a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Quando da apresentação da manifestação de inconformidade o recorrente apresentou alguns documentos para respaldar as suas alegação, entretanto os documentos padecem de limitada materialidade e relevância. Acrescentese, por pertinente, que cabe, ao recorrente apresentar as provas com as quais pretende comprovar suas alegações. Outro ponto que merece destaque é que muitas vezes para eventual verificação da contabilidade e análise da validade das provas produzidas pelo contribuinte em recurso, em certas condições específicas, a autoridade fiscal reúne melhores condições de um análise mais completa e aprimorada, por reconhecer certas particularidades que podem ser desconhecidas pelo julgador. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada quando da impugnação, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 Examine a documentação e argumentos apresentados pelo recorrente quando da impugnação e recurso; 2 – Realize intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.906368/200959 Resolução nº 2202000.321 S2C2T2 Fl. 6 5 3 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre as provas apresentadas, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo.. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 17515.000016/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2005
MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ENUNCIADO Nº 01 DA SÚMULA CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Enunciado nº 01 da Súmula CARF). MEDIDA JUDICIAL LIMINAR. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. PERDA DA EFICÁCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Diante da perda de eficácia de medida liminar anteriormente concedida, afasta-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e em conseqüência, caso ainda não feito com o intuito de prevenção da decadência, procede-se ao lançamento tributário, atividade vinculada e obrigatória. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Descaracterizada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabível a aplicação da multa de ofício diante da falta de seu recolhimento.
Numero da decisão: 3802-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2005 MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ENUNCIADO Nº 01 DA SÚMULA CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Enunciado nº 01 da Súmula CARF). MEDIDA JUDICIAL LIMINAR. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. PERDA DA EFICÁCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Diante da perda de eficácia de medida liminar anteriormente concedida, afastase a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e em conseqüência, caso ainda não feito com o intuito de prevenção da decadência, procedese ao lançamento tributário, atividade vinculada e obrigatória. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Descaracterizada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabível a aplicação da multa de ofício diante da falta de seu recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 00 16 /2 00 9- 61 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 216 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Imagem Centro de Diagnósticos Médico Ltda. contra Acórdão nº 0720.136, de 28 de maio de 2010 (fls. 147 a 150v), proferido pela 2ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC, que manteve os lançamentos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora no valor de R$ 64.779,55. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 25/30 por meio dos quais são constituídos os créditos tributários relativos a Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de oficio e juros de mora, sobre a importação amparada na DI nº 05/12820699, registrada em 25/11/2005 (fls. 01/09). Conforme consta na autuação a interessada impetrou Mandado de Segurança n.° 2005.70.00.0325715 alegando ser indevida a exigência de IPI no contrato de arrendamento mercantil. Através do Agravo de Instrumento n.° 2005.04.01.052557 7 foi determinada a liberação das mercadorias mediante assinatura de termo de fiel depositário pelo importador. A sentença denegou a segurança postulada. O TRF da 4ª Região, julgando a apelação interposta pela interessada, negou provimento ao recurso, tendo o voto sido publicado em 12/12/2007 (Voto às fls. 16/23). O auto de infração foi lavrado após o julgamento da ação judicial no TRF, em 09/03/2009 e a ciência do mesmo se deu em 24/03/2009 (AR de fls. 37). Intimada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 38/68, alegando, em síntese, o que segue: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 217 3 1 Preliminarmente protesta pela nulidade do Auto de Infração por inexistência de infração que justifique sua expedição (carência de objeto) pois o crédito tributário encontrase com a exigibilidade suspensa. 2 Protesta também contra a multa de oficio, haja vista que a Lei n.° 9.430/96, art. 63, §§1º e 2º proíbe a cominação de qualquer multa aos tributos que estão com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar. O fisco tem que aguardar o resultado do processo judicial por desrespeito à determinação legal contida no artigo 62 do Decreto n.° 70.235/72 que dispõe sobre não instauração de procedimento fiscal na vigência de medida judicial. Ainda que houvesse infração estaria devidamente caracterizada a denúncia espontânea efetuada antes de a autoridade ter lavrado auto de infração. 3 Alega nulidade por falta de especificação do dispositivo infringido, cerceando o direito de defesa da impugnante. 4 Também alega nulidade por concomitância do processo judicial com o administrativo, não se tratando de renúncia à via administrativa e sim de litispendência. 5 Protesta pelo sobrestamento do presente processo haja vista a concessão de liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário devendo o mesmo aguardar a decisão judicial definitiva. 6 Repisa que não houve renúncia à via administrativa pois foi o fisco que lavrou o auto de infração após a interposição de medida judicial, devendo ser processada a peça impugnatória sob pena de preterição do direito de defesa. 7 No mérito sustenta com farta argumentação às fls. 49/66 a inexigibilidade de IPI nas operações de arrendamento mercantil por falta de previsão constitucional, pelo principio da seletividade e da nãocumulatividade do IPI e por falta de previsão legal que estabeleça o fato gerador de IPI o desembaraço aduaneiro de mercadoria objeto de arrendamento mercantil internacional. Ao final requer a anulação do Auto de Infração pelas nulidades argüidas, o sobrestamento do processo até o trânsito em julgado da ação, apreciação da impugnação, e no mérito a improcedência do presente auto de infração por todas as inconstitucionalidades e ilegalidades demonstradas. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedentes os lançamentos em acórdão com a seguinte ementa: ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. MEDIDA JUDICIAL VERSUS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Como a constituição de oficio do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa fiscal sua discussão em juízo não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 218 4 substitui o lançamento que deve ser efetuado como medida preventiva da decadência. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio prevista na Lei 9.430/96 é devida na constituição do crédito tributário quando não se configure a situação prevista no art. 151 do CTN. Cientificado do referido acórdão em 10 de agosto de 2010 (fl. 164), o interessado apresentou recurso voluntário em 01 de setembro de 2010 (fls. 165 a 204) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Alega, ainda, nulidade do acórdão recorrido em decorrência de omissão da decisão quanto ao exame de argumentos insertos na defesa. Nas razões de mérito, apresenta, ainda, posicionamentos judiciais recentes. Por fim, requer: a) seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração em razão das ilegalidades da constituição do crédito tributário; b) em não sendo este o entendimento, requer seja reconhecida nulidade da decisão recorrida em razão da omissão quanto ao exame de argumentos insertos na Impugnação; c) ainda, embora sejam evidentes as nulidades apontadas, em assim não se entendendo, requer seja declarada a suspensão/sobrestamento do processo administrativo em tela, em razão de a decisão judicial se sobrepor à administrativa; d) No mérito, requer seja reconhecida a INEXIGIBILIDADE do IPI na operação de arrendamento mercantil em tela, frente aos fundamentos expostos. e) seja vedada a inscrição em dívida ativa, a instauração de ação executiva fiscal, a colocação no rol de devedores da UNIÃO, evitandose assim, constrangimentos e problemas à REQUERENTE. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e estando o crédito tributário lançado dentro do seu limite de alçada, e presentes os demais requisitos de Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 219 5 admissibilidade, conheço parcialmente do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Afastase o conhecimento do mérito da questão por concomitância entre os processos administrativo e judicial consoante a seguir demonstrado. Da concomitância entre os processos administrativo e judicial No presente caso, o mérito da questão – exigibilidade do IPI em operação de arrendamento mercantil – foi submetida pela recorrente à apreciação judicial conforme se extrai da petição inicial juntada às fls.113 a 144 e da leitura do Relatório e do Voto proferido na apelação no MS n.º 2005.70.00.0325715 (fls. 16 a 23). Dessa forma, vêse que a ação judicial destacada possui, neste ponto, objeto coincidente ao do presente processo administrativo. No Direito Brasileiro vigora o Princípio da Unidade de Jurisdição, ou Sistema de Jurisdição Única, segundo o qual a função jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário, de cuja apreciação não pode ser excluída qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito art. 5°, inc. XXXV, da Constituição de 1988: “Art. 5º ......................................... XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” A nossa Constituição não adotou, pois, o sistema de contencioso administrativo de inspiração francesa (dualidade de jurisdição), caracterizado pelo fato de parte das questões relativas à Administração Pública, especialmente as tributárias, serem reservadas à apreciação definitiva de órgãos do Poder Executivo, aos quais são conferidos poderes jurisdicionais. Tratase de regra limitadora do processo administrativo, por decorrência lógica, e dela se infere que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento pode depender de provimento judicial. Assim, em face de reclamação ou recurso administrativo que veiculem pedido idêntico ao formulado em ação judicial, não se lhes dará seguimento, em homenagem ao princípio em comento, sem que isso implique ofensa ao direito de defesa do contribuinte. A opção do sujeito passivo em submeter a controvérsia à tutela hegemônica do Poder Judiciário faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria na esfera administrativa. Sendo prerrogativa inafastável da função jurisdicional dirimir terminativamente os conflitos de interesse, não faz sentido discutir a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias. A eleição da via judicial impõe, como decorrência lógica, o abortamento da instância administrativa. Nesta linha lógica de pensamento, o Decretolei nº 1.737/79 assim dispôs: “Art. 1º ................................. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 220 6 §2º. A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". De maneira semelhante , a Lei nº 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais) estatui que: “Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida , esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” Optando, assim, o contribuinte por discutir em juízo certa matéria tributária, esta escolha importa ou bem na renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa ou bem na desistência do recurso acaso interposto. Nesse mesmo sentido, o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3, de 14/02/96, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT), in verbis: DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto. b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p. ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.). c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN. d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 221 7 (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN. e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). Negrito aposto. Por fim, tal entendimento se encontra também esposado no enunciado nº 1 da Súmula CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sublinhei. Assim, estando em discussão na esfera judicial questão idêntica à posta no presente litígio administrativo – exigibilidade do IPI em operação de arrendamento mercantil – não cabe o seu conhecimento na presente seara. Passemos, pois, à análise das matérias distintas das constantes do processo judicial. Da ausência de nulidade do auto de infração Da inexistência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário e do lançamento como atividade vinculada e obrigatória No presente caso, como já bem destacado pela decisão recorrida, a constituição do crédito tributário se deu após a decisão no TRF que negou provimento à apelação apresentada pela interessada relativa à denegação da segurança reconhecendo a exigibilidade de IPI nas operações a que se refere a importação em tela. Assim, tendo em vista a denegação da segurança e o desprovimento da respectiva apelação, é forçoso concluir que, por ocasião do lançamento tributário, não havia – e ainda não há – qualquer medida judicial suspensiva de sua exigibilidade nos termos do artigo 151 do CTN. No tocante aos efeitos da liminar concedida, o voto proferido por ocasião do julgamento da apelação pelo TRF4 (fls. 16 a 23) bem consigna que, nos termos da Súmula n° 405 do STF, a liminar concedida à impetrante não surte mais eficácia desde a publicação da decisão denegatória da segurança, de forma automática, e sem a necessidade de qualquer provimento outro nesse sentido. Vejase o teor do enunciado: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária." E segue o ilustre Relator “ademais, essa situação é corroborada pela decisão proferida à fl. 219 em que o Magistrado "a quo" recebe o apelo tãosomente no efeito Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 222 8 devolutivo. Em outras palavras, é a sentença que rege a relação fática existente entre as partes desde a intimação. A denegação da segurança e o recebimento do apelo somente no efeito devolutivo impõe, por si só, a necessidade de a impetrante pagar o tributo, depositar o seu montante para elidir a sua exigibilidade ou devolver a mercadoria liberada. Ademais, esclareçase que, mesmo nas hipóteses em que o crédito se encontra com sua exigibilidade suspensa – o que não se apresentava no caso presente por ocasião do lançamento, a constituição do crédito tributário para se evitar a ocorrência da decadência também se imporia como atividade vinculada e obrigatória. Da indicação específica do dispositivo legal infringido A alegação da recorrente de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, pela aventada falta de indicação específica do dispositivo legal infringido também não merece prosperar. A uma, porque está expressamente indicada no corpo do auto de infração a fundamentação legal que serviu de base aos lançamentos efetuados. A duas, porque não há qualquer demonstração de prejuízo por parte da recorrente. Ao contrário, vêse das peças impugnatórias que não só a recorrente tomou ciência das infrações que lhe eram imputadas como apresentou robusta e pertinente defesa. Da multa de ofício Em relação à multa de oficio, dado que o auto de infração foi lavrado em 09/03/2009 após o julgamento da ação judicial no TRF e a ciência do mesmo se deu em 24/03/2009 (AR de fls. 37), a aplicação da referida penalidade se impõe diante da falta de recolhimento do imposto em epígrafe (artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964). Com efeito, embora a interessada estivesse amparada por medida judicial suspensiva de exigência de crédito tributário na ocasião do registro da DI, no momento do lançamento do crédito tributário devido, após decisão judicial, não se configurava mais a situação prevista no art. 151, IV, do CTN. Diante da inteligência do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a recorrente poderia ter recolhido a importância devida dentro do prazo de 30 dias a contar da ciência da decisão judicial, ou ainda, mesmo após este prazo, se espontânea: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2o A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 223 9 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Sublinhei. Como bem destacado pela decisão recorrida, quando o objetivo da efetivação do lançamento é o de prevenir a decadência do crédito tributário, e desde que feito após a suspensão da exigibilidade nas hipóteses do art. 151 do CTN, este será processado sem a exigência da multa de ofício. Entretanto, não é o que ocorre no presente caso em que o lançamento foi efetuado após a decisão judicial que reconheceu como devido o imposto em questão, decisão esta que não tem o condão de manter suspensa a exigibilidade, ao contrário, cassa a liminar antes deferida. Dessa forma, cabível a cobrança da presente multa de ofício. Por todo o exposto, demonstrada a higidez da presente exação tributária, há que ser afastada a preliminar de nulidade do auto de infração. Da ausência de nulidade do acórdão recorrido Por fim, quanto à alegada nulidade da decisão recorrida em razão da omissão quanto ao exame de argumentos insertos na impugnação, também melhor sorte não assiste à recorrente. De fato, uma vez já demonstrada a existência de concomitância entre os processos administrativo e judicial, acertadamente agiu o colegiado julgador a quo ao reconhecer que a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, mesmo anterior ao lançamento, importou renúncia à instância administrativa relativamente ao objeto coincidente, não sendo cabível sua apreciação nesta seara. Rejeitase também, portanto, a presente alegação de nulidade do acórdão recorrido. Da conclusão Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do presente recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 17515.000016/200961 Acórdão n.º 3802001.191 S3TE02 Fl. 224 10 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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