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Numero do processo: 18088.000815/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não se reputa nulo o processo administrativo quando ausentes qualquer causa que importe em preterição ao direito de defesa do contribuinte ou incompetência da autoridade administrativa que proferiu o ato.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Numero da decisão: 1301-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nulo o processo administrativo quando ausentes qualquer causa que importe em preterição ao direito de defesa do contribuinte ou incompetência da autoridade administrativa que proferiu o ato. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nulo o processo administrativo quando ausentes qualquer causa que importe em preterição ao direito de defesa do contribuinte ou incompetência da autoridade administrativa que proferiu o ato. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 08 15 /2 01 0- 11 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Verificase que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de ofício no patamar de 150%. De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 606 – 621), apurouse que no anocalendário 2006 a recorrente teria omitido receitas, conclusão esta, baseada na existência de depósitos bancários não contabilizados e cuja origem não fora comprovada. A capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 598 676). Depreendese do mencionado Relatório de Fiscalização, que de posse dos registros lançados no Livro de Apuração do Lucro Real e o cotejo entre a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declaração de Débitos e Créditos Federais (DCTF) constatouse que a contribuinte apresentou as DCTF sem qualquer informação sobre crédito tributário e a DIPJ fora apresentada apenas em 28/10/2010, com registro de apuração de lucro no anocalendário de 2006. Salientou a Fiscalização, no que diz respeito às contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins, que dos valores informados pela contribuinte em atendimento de intimação, deduziuse o que havia sido lançado no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais do mês de janeiro/2006. Os valores assim obtidos foram objeto de lançamento tributário sob a rubrica de omissão de receita por falta ou insuficiência de declaração. Além dos valores obtidos na forma descrita anteriormente, a autoridade fiscal apurou omissão de receita decorrente de falta de escrituração contábil de ingressos oriundos de operações de transporte além de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. Após intimar a contribuinte a justificar a origem dos valores lançados no demonstrativo que lhe fora endereçado, a autoridade fiscal relacionou nas planilhas de folha 617 e 618 os valores que seriam objeto de tributação, sendo que em relação aos depósitos Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18088.000815/201011 Acórdão n.º 1301001.002 S1C3T1 Fl. 3 3 bancários, após excluir créditos decorrentes de resgate de aplicações financeiras, estornos e transferências entre contas da mesma titularidade, elaborouse demonstrativo dos créditos em relação aos quais a contribuinte deveria comprovar a origem quanto às receitas de transporte, a contribuinte fora intimada a apresentar registro contábil correspondente. Verificada pela Fiscalização a intenção dolosa em ocultar da administração tributária a ocorrência dos fatos geradores respectivos, materializada na figura da sonegação, aplicouse multa qualificada de 150%. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 682 – 742), com alegação preliminar de nulidade, porquanto o procedimento administrativo de lançamento não estaria acobertado por Mandado de Procedimento Fiscal, que além de expirado permitia apenas a verificação do IRPJ e da CSLL. No mérito, alegou ser improcedente o método utilizado pela autoridade fiscal, que por arbitramento, presuntivamente considerou depósitos bancários como omissão de receita para utilizálos como substrato do fato gerador do imposto de renda, cuja hipótese de incidência é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que não fora demonstrada. Aduziu que os créditos lançados em conta de depósitos não se prestam para justificar lançamento tributário, conforme prescrito no enunciado da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, cujo texto estabelece que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários", sustentando ser improcedente a constituição do crédito tributário por meio administrativo de lançamento em que a autoridade fiscal apurou presuntivamente a matéria tributável sem demonstrar cabalmente o fato jurídico tributário, mencionando que a autuação afrontou o princípio constitucional da proporcionalidade e que a multa teria feição meramente protelatória. 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 774 a785, julgou procedentes os autos de infração, fundamentando, resumidamente, que não ser caso de reconhecer qualquer nulidade, pois estariam ausentes os pressupostos autorizadores contidos no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, registrando que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle interno da Administração Tributária. No mérito, concluiu que a recorrente não afastou a presunção legal de omissão de receitas, registrando falecer competência aquele órgão julgador para se manifestara cerca da constitucionalidade do quadro legal vigente. Ciente da decisão desfavorável (fl. 796), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (anexo sem paginação), reiterando os mesmo argumentos já relatados e pugnando pro provimento. É o relatório. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Analiso primeiramente a sustentada nulidade, advinda, segunda a recorrente, do fato de o Mandado de Procedimento Fiscal autorizar apenas a auditoria relacionada ao IRPJ e à CSLL, bem como o fato de não ter sido renovado. Neste ponto em particular, bem assentou a decisão recorrida o entendimento segundo o qual o Mandado de Procedimento é instrumento de controle interno da Fiscalização, e no caso em apreço, com maior razão se revela a improcedência dos argumentos da recorrente, ao se verificar que os lançamentos de tributos cuja fiscalização não constaria no MPF originário, foram meros reflexos dos lançamentos de IRPJ, porquanto estes foram baseados em omissão de receitas. Tanto é assim, que o que restar decidido em relação à omissão de receitas, de imediato se aplicará aos lançamentos de PIS e COFINS, porquanto se traduzem, como dito, em meros lançamentos reflexos, situação que por si só afasta qualquer alegação de nulidade. Não bastasse isso, andou bem a decisão recorrida ao concluir que não se configurou nenhuma das hipóteses descritos no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, traduzidas na incompetência do agente fiscalizador ou qualquer forma de preterição ao direito de defesa da contribuinte, razões pelas quais, afasto a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, muito embora se reconheça plausibilidade no que argumenta a recorrente e que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receitas, fato é, que os argumentos da recorrente devem se relevados ao se constatar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal de se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, e tendo em conta que a recorrente apresentou DIPJ “zerada” para o período em questão, está a incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18088.000815/201011 Acórdão n.º 1301001.002 S1C3T1 Fl. 4 5 Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Contudo, ao meu sentir a multa qualificada ao patamar de 150% deve ser reduzida, porquanto a Fiscalização, além da omissão de receitas pura e simples, nada demonstrou que indique o dolo da recorrente, de sorte que aplicase ao presente caso o disposto na Súmula CARF nº 14, cujo teor segue abaixo transcrito: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de 150% ao patamar de 75%. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720121/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 03/07/2009
ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA.
A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO.
A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho Relator
Ângela Sartori Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO. A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de material usado, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Ângela Sartori Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 231 1 230 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720121/201030 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401002.095 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria MULTAS CONTROLE ADMINISTRATIVO E ADUANEIRO Recorrentes BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. DRJ EM FLORIANÓPOLISSC ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. MUDANÇA DE PROPPRIEDADE EM REGIME ESPECIAL DE BEM JÁ IMPORTADO. A mudança de propriedade em regime especial de Repetro para Admissão Temporária não configura importação para que seja necessário se enquadrar a condição de “material usado”, pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação de transferência de propriedade. Inaplicável a multa por declaração inexata. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Ângela Sartori para redigir o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho – Relator Ângela Sartori – Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 21 /2 01 0- 30 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 232 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração cientificado ao sujeito passivo em 31/5/2010 para a exigência de crédito tributário correspondente à “Multa do Controle Administrativo”, no valor de R$ 256.852.089,00, e à “Multa do Setor Aduaneiro”, no valor de R$ 8.561.736,30. O enquadramento legal utilizado pela autoridade lançadora, para a primeira das multas foi o art.706, inciso I, alínea "a" do Decreto n° 6 .759/2009. (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e § 6°, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art.2°), e os arts. 550 e 707 do Decreto n° 6.759/2009. Para a segunda delas, foi o art. 711 e parágrafo l°do Decreto n° 6.759/2009 (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, § 1o e 2o ). Para o Fisco, a autuada promoveu a admissão temporária de Unidade Móvel de Perfuração Marítima (Ocean Quest) sem a Licença de Importação e sem declinar em formulário próprio a sua condição de “material usado”. Na Impugnação, a autuada argumentou que a referida plataforma Ocean Quest fora admitida originalmente no país em maio de 2009 pela empresa Eni Oil do Brasil S/A, operação essa que se dera mediante autorização das autoridades fiscais sob o regime especial aduaneiro de admissão temporária conhecido como Repetro, e que, posteriormente, em 3/7/2009, solicitara para si a transferência da condição de beneficiária, tudo nos termos do disposto no inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 844, de 2008. Dessa forma, entende a Impugnante não ser cabível a aplicação da multa correspondente a 30% do valor aduaneiro que lhe foi aplicada com base na alínea a, do inciso I do art. 706, do Decreto nº 6.759, de 2009, porquanto referido texto legal trata de regime comum de importação e não de regime especial. Ponderou a Impugnante que o parágrafo único do art. 8º da mencionada Portaria Secex nº 25, de 2008, não deixaria dúvida de que a importação de bens amparados pelo Repetro estaria dispensada de licenciamento. Ademais disso, alega a Impugnante que dentre todas as regras que regulam o processo de admissão temporária sob o regime do Repetro não há uma que exija a apresentação de licença de importação, embora a sua emissão não esteja vedada, tanto assim que emitira uma licença de importação para a plataforma em 30/3/2009, com vencimento para 8/7/2009. Entende a Impugnante que o disposto no art. 36 da Portaria Secex nº 25, de 2008, que enquadra as “mercadorias usadas” na modalidade de “licenciamento não automático” também não pode ser aplicado ao caso vertente porquanto não se pode dizer que uma “plataforma” possa ser considerada como “mercadoria objeto de comercialização”. Também alega que por ocasião da Licença de Importação que emitira em março de 2009 informara a condição de “material usado” da referida plataforma. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 4 Por fim, invocou a aplicação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, do interesse público e da eficiência, para cancelar a autuação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC, cancelou a multa que fora lavrada pela falta de Licença de Importação, recorrendo de oficio a este Colegiado, e manteve aquela lavrada por falta de indicação da condição de “usada” da plataforma. Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/07/2009 ADMISSÃO TEMPORÁRIA NO REGIME REPETRO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime especial de admissão temporária, incluído a modalidade Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação". A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. BEM USADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. MULTA. A multa aplicase também ao beneficiário de regimes aduaneiros especiais que omitir ou prestar de forma inexata e/ou incompleta informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à "condição da mercadoria", se esta se enquadrar na condição de "bem usado", deve ser declarada pelo beneficiário do respectivo regime especial na declaração de importação que consubstanciou seu ingresso no território aduaneiro, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No Recurso Voluntário a Recorrente procurou enfatizar seu inconformismo com a imputação de que omitira a condição de “material usado” da plataforma. Argumenta que essa informação constou claramente das Licenças de Importação (LI) nºs 09/08313885 e 09/0595670, bem como que a Declaração de Importação (DI) 09/05741999 fez expressa referência à LI nº 09/08313885. Além disso, que a Declaração Simplificada de Importação (DSI) nº 09/0016764 indica a data de fabricação da plataforma como sendo o ano de 1973, o que, a seu ver, deixaria claro a sua condição de usado. Considera que sua conduta não se amoldaria de forma clara e precisa nos preceitos legais utilizados pela fiscalização para a imposição da multa (art. 69, §§ 1o e 2o da Lei nº 10.833, de 2003). Socorreuse de doutrina e de decisões judiciais na linha de que, para a aplicação de penalidade por infração da legislação tributária, há de se apontar a existência do elemento volitivo relacionado ao agendo do ilícito, o que não teria se dado no presente caso. Cientificada do conteúdo dos autos, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 233 5 Voto Vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Ambos os recursos, o de ofício e o voluntário, preenchem todos os requisitos para admissibilidade e devem ser conhecidos. Recurso de Ofício A DRJ cancelou a multa que fora aplicada pela fiscalização com base no art. 706, inciso I, alínea “a”, cujo teor transcrevo abaixo: Art.706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 169, caput e §6 o , com a redação dada pela Lei n o 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b", e §6 o , com a redação dada pela Lei n o 6.562, de 1978, art. 2 o ); (grifei) A DRJ considerou que, ao aplicar a multa pela falta da licença de importação, o auto de infração invalidou, de forma indevida, a concessão e aplicação do regime especial aduaneiro de admissão temporária que fora deferido pela autoridade competente nos termos do disposto no artigo 18 da IN RFB nº 844, de 2008. Argumentou a instância de piso que: [...] se a LI era determinante para a concessão do regime em tela e esta não foi apresentada por ocasião da sua concessão, então a questão está relacionada ao ato administrativo que o concedeu; no entanto, até que referido ato de concessão venha a ser invalidado ou modificado, sua presunção de legitimidade não pode ser afastada. Assim, depreendese que a autoridade competente para conceder o regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de LI para o ingresso da plataforma "Ocean Quest", à época da concessão.[...] Em relação, de um lado, à dispensa de apresentação da LI para as importações efetuadas sob o regime de admissão temporária, inclusive o Repetro, de que trata o inciso II do art. 8o da Portaria Secex nº 25, de 2008, e, de outro, à sua exigência para a importação de materiais usados, de que trata a alínea “e” do art. 10 da referida norma infralegal, circunstâncias essas presentes no presente caso, a instância de piso considerou não haver um grau de prioridade entre as modalidades “dispensa” e “não dispensa”. Quanto à informação contida no sítio da internet do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e citado no auto de infração, de que a orientação era a de que os materiais usados, ainda que internados sob o regime aduaneiro especial, estavam sujeitos à LI, a DRJ Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 6 considerou que a mesma não fazia parte ainda da legislação de regência à época da concessão dos regimes de que se trata neste processo. Confrontando, desta feita, de um lado, a dispensa de apresentação da LI para as importações efetuadas sob o regime de admissão temporária, inclusive o Repetro, de que trata o inciso II do parágrafo único do art. 8o da Portaria Secex nº 25, de 2008, e, de outro, a que consta do inciso VII da referida Portaria (dispensa de licenciamento as importações de “doações, exceto de bens usados”), concluiu que as importações pelo Repetro comportariam operações com bens novos ou usados. Entendeu ainda a instância de piso que somente com a edição da Portaria Secex nº 10, de 25/5/2010, por meio de seu § 2º do art. 8o, é que surgiu uma regra clara quanto ao assunto em discussão, ou seja, prevaleceria o tratamento administrativo do Siscomex sobre as hipóteses de dispensa de licença de importação. O voto da DRJ considerou que, para os casos de aplicação de multa relacionada à infração administrativa, sua exigência somente se materializaria com o respectivo lançamento de tributo, a teor das regras contidas nos artigos 105, 142 e 144 do Código Tributário Nacional. Por fim, entendeu a DRJ que o dispositivo legal tido pela fiscalização como infringido não se aplica às circunstâncias narradas no auto de infração, que tratou de um regime aduaneiro especial, enquanto a alínea “a”, do inciso I, do art. 706, do Decreto nº 6.759, de 2009, trata de mercadoria desembaraçada no regime comum de importação. Entendo não haver reparo a ser feito na decisão ora recorrida, razão pela qual, nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário A Recorrente indica como prova de que as autoridades fazendárias tiveram conhecimento de que se tratava da importação de “material usado” o documento constante das fls. 159/161, que é um extrato do licenciamento de importação emitido pelo Siscomex, no qual, de fato, no campo “Andamento das Anuências”, há a seguinte anotação, verbis: Andamento das Anuências Anuência 01 Órgão Anuente: DECEX Tratam. Administrativo: MATERIAL USADO Situação: DEFERIDO Data da Situação: 09/04/2009 Data de Validade: 08/07/2009 Andamento da Anuência tem Restrição de Data de Embarque NÃO EXISTE LAUDO PARA ESTA ANUÊNCIA LI: 09/05956700 Registro: 30/03/2009 Situação: Deferido M. de Fátima Souza Matr.: 2270788 Data de Validade: 08/07/2009 Com base na alínea "c" e n o " 1" do Art. 25 da Portaria DECEX n" 08, de 13.05.91, com redação dada pela Portaria MDIC nº 235, de 07.12.06, as importações de bens usados sob o regime de admissão temporária estão dispensadas, respectivamente, do exame de produção nacional e da apresentação do laudo técnico Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 234 7 de vistoria e avaliação. Observamos que, na hipótese de nacionalização, será realizada a análise da importação sob os aspectos de inexistência de produção nacional, vida útil e preço. SECEX7DECEX/CGIM Brasília/DF (09/04/09) (grifos e destaques meus) Todavia, referida informação deixou de constar do documento utilizado ou considerado para fins de controle da importação, qual seja, no campo apropriado da Declaração de Importação, de sorte que, pela engrenagem de funcionamento do Siscomex, não ficou evidenciado para as autoridades fiscais de que se tratara de um material usado a ser objeto da importação em comento, razão pela qual a multa deve ser mantida. Socorrome ainda à argumentação utilizada pela DRJ, cujos excertos peça vênia para reproduzir: Noutro passo, antes de tratarmos da multa por nãoprestação de informação necessária ao controle aduaneiro § I o , do art. 69, da Lei 10.833/2003, convém, para o completo deslinde da questão relativa à sistemática das operações de comércio exterior, iniciar o presente exame pela definição do Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, afirmando se tratar de instrumento que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior (importação/exportação), por meio de um fluxo único, computadorizado, de informações, cujo processamento é efetuado exclusiva e obrigatoriamente pelo respectivo sistema, cuja administração é realizada conjuntamente entre a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o Banco Central do Brasil (Bacen), na condição de órgãos gestores do sistema. O Siscomex tem por finalidade precípua permitir a interligação eletrônica dos exportadores e importadores aos referidos órgãos gestores, a fim de possibilitar a emissão dos documentos indispensáveis ao desembaraço aduaneiro das mercadorias, na exportação e na importação RE, LI e DI. Atuam como integrantes do Siscomex outros órgãos, denominados intervenientes, estes na condição de anuentes, tais como: o Banco do Brasil, o Conselho Nacional de Energia Nuclear (Cnem), o Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), o Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), o Departamento da Polícia Federal (DPF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Brasileiro de Patrimônio Cultural (IBPC), o Ministério da Aeronáutica, o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Exército, o Ministério da Saúde, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e a Secretaria de Produtos de Base (SPB). Os usuários são os demais órgãos da administração direta e indireta, os intervenientes no comércio exterior, as instituições financeiras autorizadas a operar em câmbio, as instituições financeiras autorizadas pela Secex a conceder licença de importação, bem assim, os exportadores, importadores, depositários, transportadores, despachantes. Com vista a atender demanda assaz antiga dos usuários do comércio exterior, o Estado brasileiro, com a implantação do Siscomex, permitiu uma maior agilização dessas operações ao tornar mais eficiente o controle efetuados pelos órgãos envolvidos e ao permitir que as empresas exportadoras e aos demais usuários, realizem o registro, o acompanhamento e o controle das operações, uma vez que esse conjunto de atividades, que antes eram executadas em mídia papel, portanto, de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 8 forma burocratizada e naturalmente demorada, passaram a ser realizadas por um fluxo único de informações informatizadas. Ao que nos interessa, podemos afirmar, portanto, que o despacho aduaneiro de mercadorias, na importação, é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. Logo, toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deve ser submetida a despacho de importação, processado com base em declaração (DI) apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria, que é dividido, basicamente, em duas categorias: o despacho para consumo e o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais. O despacho para consumo é próprio para as mercadorias ingressadas no país que forem destinadas ao uso, pelo aparelho produtivo nacional, como insumos, matérias primas, bens de produção e produtos intermediários, bem como quando forem destinadas ao consumo próprio e à revenda. É o típico despacho que visa a nacionalização da mercadoria importada e a ele se aplica o regime comum de importação. Já o despacho para admissão em regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas especiais tem por escopo o ingresso no país de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão permanecer no regime por prazo certo e conforme a finalidade destinada, sem sofrerem a incidência imediata dos gravames aduaneiros, os quais permanecem suspensos até a extinção do regime; que, entre outros, se aplica para as mercadorias admitidas temporariamente, caso que devam retornar ao exterior após cumprirem a sua finalidade. Portanto, antes de iniciar a importação, a interessada deve sempre verificar se a mercadoria a ser ingressada está sujeita a controle administrativo, pois, em regra, este deve ser efetuado anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior, sob pena de pagamento de multa específica. Nesse contexto, é de ver que a DI deve conter, entre outras informações, a identificação do importador, assim como a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria; deve ser formulada pelo importador ou seu representante legal no Siscomex de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro, apresentando as informações de natureza geral (correspondentes à operação de importação) e de natureza específica (dados comerciais, fiscais e cambiais sobre cada tipo de mercadoria). Logo, o preenchimento correto da DI é que determina a escolha do tratamento aduaneiro a ser aplicado para a mercadoria importada, se o despacho aduaneiro de importação, iniciado pelo registro da DI no Siscomex, não evidenciar plenamente a realidade da operação ou a real natureza da mercadoria por ele ingressada, desvirtuará o controle informatizado realizado pelo sistema e, por conseguinte, implicará num tratamento aduaneiro aplicado equivocado, pois a prestação incompleta ou equivocada dessas informações, que pelo "censo comum" poderia representar "mero erro", efetivamente redunda na ineficácia jurídica da DI, que, a depender do equívoco constatado, poderá acarretar a aplicação, inclusive, da pena de perdimento e conseqüente destinação da mercadoria para um dos fins previstos na legislação. Nesse sentido, as informações indicadas na DI devem efetivamente demonstrar a real situação da operação pretendida, bem como evidenciar plenamente a natureza, especificidade e condição da mercadoria importada, a fim de possibilitar à fiscalização da RFB a correta análise, seja a realizada com base na conferência documental ou na conferência física da mercadoria e aplicar o controle aduaneiro apropriado. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 235 9 Identificada a importância dos elementos que consubstanciam a processo de importação, notadamente a DI processada no Siscomex, trago à colação o disposto no § I o , do artigo 69, da Lei 10.833/2003 e no artigo 84, da MP 2.158/01 Das normas transcritas depreendese que a penalidade deve ser aplicada àquele importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Quanto aos limites definidos no § 2°, do artigo 69, da Lei 10.833/2003, convém fazer um exame minucioso do conteúdo e alcance da expressão "a descrição detalhada da operação'". Na primeira parte o comando indica que as informações de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado "compreendem" "a descrição detalhada da operação". Em seguida, da palavra "incluindo" depreendese que o legislador não buscou especificar ou restringir o conteúdo da referida expressão, mas esclarecer que as hipóteses enumeradas em seus incisos I a V estão igualmente nela abrangidas. Por conseguinte, o referido comando normativo não restringiu seu sentido, pelo contrário, visou, com a inclusão de hipóteses enumeradas, evidenciar sua inserção e integração ao conceito de "descrição detalhada da operação". Não há dúvida que a penalidade em comento é aplicável ao beneficiário de regime aduaneiro especial, conforme evidencia o § I o , do artigo 69, da Lei 10.833/2003. Já o § 2o do referido artigo de lei, faculta, mediante expedição de ato normativo, à RFB estabelecer outras informações que, por ventura, estejam fora do conceito da expressão "descrição detalhada da operação". Foi com esse permissivo legal que a RFB, por meio da IN/SRF 680/2006, determinou que as informações constantes do seu Anexo Único devam ser prestadas pelo importador. Vejamos o que dispõe referida norma complementar: Art. 4o A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. (...) (g.n.) ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado (...) (g.n.) Portanto, considerando que não foi assinalada na DI 09/08497126 a condição de que a plataforma "Ocean Quest" se tratava de "material usado", e sendo essa informação necessária para determinar o procedimento de controle aduaneiro apropriado, cuja análise se faz via Siscomex mediante aferição da respectiva informação, está consentânea com as norma de regência a respectiva exigência, posto que o fato de a referida informação constar na LI 09/08313885 que instruiu a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI 10 DI 09/05741999 registrada pela Eni Oil do Brasil S/A ou constar na LI 09/0595670 0 apresentada pela impugnante, mas não referenciada na DI objeto da presente autuação ou ainda em quaisquer outros documentos, não tem o condão de afastar a obrigação acessória de informar a condição do bem no "campo" apropriado da DI, evidenciando aos sistemas informatizados de controle que se tratava de "material usado". Nego, pois, provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício. Odassi Guerzoni Filho – Relator Voto Vencedor Conselheira Ângela Sartori, designada para elaborar o voto vencedor. Considerando que não foi assinalada na DI a condição de que a plataforma "Ocean Quest" se tratava de "material usado", a DRJ considerou essa informação necessária para determinar o procedimento de controle aduaneiro apropriado, em caso de mudança de propriedade na DI 09/05741999 registrada pela Eni Oil do Brasil S/A. Entendo que a autuação não pode ser mantida porque (i) não houve prestação de informação incorreta ou inexata e (ii) mesmo que se apontasse a não marcação da condição de bem usado como informação incorreta, esta não se caracterizaria como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mudança de PROPRIEDADE em regime especial e não importação definitiva ou importação em regime especial. Neste contexto, importante é a INSRF 680/2006 (anexo único) que prevê a necessidade de assinalar a condição de que a mercadoria se trata de “material usado” na DI em caso de importação e importação em regime especial. No entanto depreendese que tal norma não é aplicável no presente caso, pois tratase de mudança propriedade em regime especial. A IN SRF 680/2006 é clara: “Disciplina o despacho aduaneiro de importação” e não a alteração de propriedade em regime especial, de mercadoria já importada e internada no país, como é o caso, portanto o fato típico que é a importação para aplicação da norma não ocorreu. Ademais, o fato de a Recorrente ter deixado de assinalar a condição “material usado” na Declaração de Importação de transferência de propriedade de regime especial não caracteriza informação incorreta ou inexata porque constava o ano em que o bem foi fabricado e reconstruído sendo fato notório para a própria Receita Federal que o bem era usado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI Processo nº 10725.720121/201030 Acórdão n.º 3401002.095 S3C4T1 Fl. 236 11 Com efeito, tal informação não se configurava como necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, tendo em vista que se tratava de mera transferência de propriedade entre regimes aduaneiros inclusive com menção ao proprietário em regime aduaneiro anterior. Diante do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário. Ângela Sartori (assinado digitalmente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por O DASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digi talmente em 06/03/2013 por ANGELA SARTORI
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Numero do processo: 11070.001773/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao primeiro trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 73 /2 00 9- 42 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 229/230 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 232/233, sob os argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 242/244 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3742ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001773/200942 Acórdão n.º 3803003.689 S3TE03 Fl. 258 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001773/200942 Acórdão n.º 3803003.689 S3TE03 Fl. 259 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901322/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE.
A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão.
Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorim-relatora e Paulo Sérgio Celani.
Redator designado-Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão. Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorim-relatora e Paulo Sérgio Celani. Redator designado-Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.901322/200601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.073 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MAGAVEL MAGARINOS VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão. Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora e Paulo Sérgio Celani. Redator designadoLuciano Lopes de Almeida Moraes. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora. Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, transmitida em 28/07/2003, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse por não homologar a compensação pleiteada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que os créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. O valor do crédito informado foi de R$ 96,86, sendo que o pagamento (indevido ou a maior) discriminado no PER/Dcomp, no valor de R$ 16.665,87, já teria sido utilizado para quitar débitos (2172) relativos ao período de apuração de 31/08/2002, com data de arrecadação em 13/09/2002. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual remete, inicialmente, ao fato de que, no período de fevereiro a novembro de 2002 apurou valores a pagar de PIS e de Cofins superiores aos efetivamente devidos, visto ter considerado na base de cálculo a receita de venda de veículos tributados pelo regime de Substituição Tributária de PIS e de Cofins. Argumenta que, como não existia o Dacon à época, o equívoco só foi notado com a apresentação da DIPJ em junho de 2003, sendo então apresentadas as PER/Dcomp de cada mês que apresentou diferenças de valores e o crédito foi compensado com IRPJ e CSLL devido em julho de 2003. No mérito, alega comprovar o acima relatado anexando os seguintes documentos: planilha detalhada comprovando o recolhimento a maior e a sua correção (documento 1); planilhas dos meses com diferença, demonstrando a base de cálculo considerada na época do recolhimento original do PIS e Cofins (doc. 2 a 6); cópia da DIPJ com a informação nas fichas 19A e 20A, demonstrando os valores realmente devidos ao PIS e Cofins (documento 7); balanços mensais dos meses com a diferença, para demonstrar a receita e as deduções que foram consideradas no Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901322/200601 Acórdão n.º 3201001.073 S3C2T1 Fl. 2 3 preenchimento da DIPJ (documentos 8 a 13); planilha demonstrando a origem das contas do balanço que originaram a Base de Cálculo do PIS e da Cofins realmente devidos (documentos 14 a 19); DCTF do 2º. trimestre de 2003, entregue em 13/08/2003, onde demonstra o valor compensado com o IRPJ (2362) e CSLL (2484) (documento 20). Requer, por fim, a homologação da compensação dos valores devidos.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.337, de 01/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, por meio da qual a recorrente procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Inicialmente, reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. No caso, a recorrente apresenta vários documentos com intuito de comprovar o pagamento a maior efetuado durante o ano de 2002, nos meses de fevereiro, junho, agosto, setembro, outubro e novembro. Porém, não consta que tenha apresentado as DCTF Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 retificadoras relativas ao período em foco, ou seja, o ano de 2002, antes do procedimento de ofício. Consta que a recorrente ter retificado a DCTF relativa ao 2º. trimestre de 2003, onde restaria demonstrado o valor compensado com os seus débitos. Assim sendo, quando houve o rastreamento do pagamento (indevido), conforme o Darf discriminado pela recorrente no PER/Dcomp, observouse que não restavam créditos a compensar. Percebese que a recorrente não teria retificado a(s) DCTF(s) relativa(s) ao período do suposto crédito antes da apresentação do PER/Dcomp transmitido, objeto do Despacho Decisório proferido pela Delegacia. A DCTF é um documento com força de confissão de dívida, onde são declarados os valores dos tributos devidos. A apresentação da Dcomp tem como objetivo a de servir para fins de extinção imediata do débito do sujeito passivo, desde que haja créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida em termos de liquidez quanto de certeza, em razão dos efeitos atribuídos à DCTF. Pois bem, a retificação poderia até produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Destarte, como prescreve o art. 170 do CTN para que os créditos sejam compensados devem gozar de liquidez e certeza. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Voto Vencedor Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Com a devida vênia ao entendimento da Relatora, entendo que a decisão da DRJ está equivocada. Do relatório da DRJ vemos que a recorrente apresentou os documentos que, em tese, suportavam o crédito pleiteado. Como vemos daquela decisão, o pedido foi indeferido nestes termos: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF do período Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901322/200601 Acórdão n.º 3201001.073 S3C2T1 Fl. 3 5 pelo qual afirma ter recolhimentos indevidos ou a maior, é que a contribuinte passaria a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei, evitando assim a não homologação do seu procedimento compensatório. Assim, a retificação poderia produzir efeitos em relação a Dcomp apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Ora, o contribuinte apresentou os documentos que comprovam o seu direito, devendo então a autoridade preparadora, ou julgadora, analisálos e proferir uma decisão de mérito. O fato de não ter retificado uma declaração apresentada não afasta o direito da recorrente. Não é a declaração que comprova o direito da recorrente, mas os documentos e a situação fática. A negativa de conhecimento e análise dos documentos não pode ser validade, sob pena de afronta de princípios constitucionais (devido processo legal, contraditório e ampla defesa), bem como infraconstitucionais, previstos na Lei n.º 9.784/99. A referida Lei n.º 9.784/99, que disciplina o processo administrativo federal, permite a apresentação de provas até o momento do julgamento. No mesmo artigo, somente permite a não apreciação da prova no caso de ilicitude, impertinência ou protelatórias, o que não é o caso: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Vemos então não haver momento de preclusão na apresentação de provas no processo administrativo. Não nos esqueçamos que os arts. 24 a 28 do novo PAF, Decreto n.º 7.574/2011, dispõem que, salvo no caso de provas ilícitas, todas as outras devem ser acatadas: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. O CARF possui diversas decisões favoráveis à análise de documentos apresentados pelos contribuintes em processos administrativos, como é o caso: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 140200381 do Processo 10935004722200640 Data 26/01/2011 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJANOCALENDÁRIO: 2002FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ALEGADO ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE PROVA. PROVA NÃO REALIZADA. DECISÃO MANTIDA. Compete ao contribuinte provar suas alegações, podendo juntar provas em qualquer momento do processo administrativo. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Urn:lex:br:conselho.administrativo.recursos.fiscais;secao.julga mento.1;camara.4;turma.ordinaria.2:acordao:201101 26;140200381 As provas trazidas no processo são suficientes para demonstrar ao menos a fumaça do bom direito da recorrente, motivo pelo qual deveria a administração pública deveria, de ofício, analisar. Lembremos, as provas foram apresentadas junto com a primeira defesa, na forma exigida pelo PAF. Assim, caberia à administração tributária analisálas, não desconsiderálas. Ademais, não devemos nos esquecer que o processo administrativo busca sempre a verdade material e que, existindo a fumaça do direito, este órgão deve buscar esclarecer o caso, como vemos, analogicamente: Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 30238286 do Processo 13127000019200241 Data 06/12/2006 Ementa: SIMPLES. REVISÃO DO ATO DE EXCLUSÃO COM BASE EM PROVAS DOS AUTOS. POSSIBILIDADE. Diante da juntada de documentos que comprovam a aplicabilidade do disposto no Boletim Central Cosit nº 55 de 24 de março de 1997, bem como o atendimento dos requisitos previstos no Ato Declaratório Interpretativo nº 16, de 02 de outubro de 2002, o recurso deve ser provido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Assim, são por todas estas razões que voto por anular a decisão recorrida, para que sejam apreciadas as provas apresentadas pela recorrente e, somente após este momento, seja apreciado o mérito da demanda. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001298/2004-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2000
Ementa: IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUÇÃO REALIZADA APÓS A REALIZAÇÃO DE ACORDO JUDICIAL E RECEBIMENTO DE QUANTIA PARA QUITAÇÃO DO CRÉDITO.
POSSIBILIDADE.
_ Como se depreende das disposições normativas inscritas na Lei nº. 9.430/96, a
dedutibilidade a título de perda exige a inadimplência (total) do devedor por
determinado lapso temporal (variável de acordo com a natureza do crédito) e a
formalização e manutenção de procedimento de cobrança judicial. Se tais
condições estavam presentes em 12.01.2000, poderia o contribuinte deduzir do
resultado as perdas incorridas, vez que adotou todos os procedimentos previstos
na legislação de regência. Mantida a decisão pronunciada pela Delegacia de
Julgamento, a Recorrente seria tributada pelo valor da glosa de dedução da
perda e, concomitantemente, pela recuperação de crédito decorrente do acordo
judicial, o que não se afigura possível.
PRECLUSÃO. DOCUMENTOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. APRESENTAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL.
Considerando que o princípio da verdade real deve nortear o processo administrativo fiscal, este tipo de procedimento não deve adotar regras rígidas de preclusão, no mais das vezes prejudiciais à exata compreensão do fato imponível e à aplicação correta da legislação tributária.
Tendo o contribuinte, no curso do processo administrativo, apresentado os
documentos que provam a inadimplência por determinado período de tempo e
do ajuizamento e manutenção de ações judiciais de cobrança em relação aos
devedores – elementos constitutivos do direito de proceder à dedução, as provas
devem ser consideradas para fins de acertamento do litígio administrativo.
Numero da decisão: 1103-000.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por maioria, nos
termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUÇÃO REALIZADA APÓS A REALIZAÇÃO DE ACORDO JUDICIAL E RECEBIMENTO DE QUANTIA PARA QUITAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. _ Como se depreende das disposições normativas inscritas na Lei nº. 9.430/96, a dedutibilidade a título de perda exige a inadimplência (total) do devedor por determinado lapso temporal (variável de acordo com a natureza do crédito) e a formalização e manutenção de procedimento de cobrança judicial. Se tais condições estavam presentes em 12.01.2000, poderia o contribuinte deduzir do resultado as perdas incorridas, vez que adotou todos os procedimentos previstos na legislação de regência. Mantida a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, a Recorrente seria tributada pelo valor da glosa de dedução da perda e, concomitantemente, pela recuperação de crédito decorrente do acordo judicial, o que não se afigura possível. PRECLUSÃO. DOCUMENTOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. APRESENTAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Considerando que o princípio da verdade real deve nortear o processo administrativo fiscal, este tipo de procedimento não deve adotar regras rígidas de preclusão, no mais das vezes prejudiciais à exata compreensão do fato imponível e à aplicação correta da legislação tributária. Tendo o contribuinte, no curso do processo administrativo, apresentado os documentos que provam a inadimplência por determinado período de tempo e do ajuizamento e manutenção de ações judiciais de cobrança em relação aos devedores – elementos constitutivos do direito de proceder à dedução, as provas devem ser consideradas para fins de acertamento do litígio administrativo.
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PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUÇÃO REALIZADA APÓS A REALIZAÇÃO DE ACORDO JUDICIAL E RECEBIMENTO DE QUANTIA PARA QUITAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. _ Como se depreende das disposições normativas inscritas na Lei nº. 9.430/96, a dedutibilidade a título de perda exige a inadimplência (total) do devedor por determinado lapso temporal (variável de acordo com a natureza do crédito) e a formalização e manutenção de procedimento de cobrança judicial. Se tais condições estavam presentes em 12.01.2000, poderia o contribuinte deduzir do resultado as perdas incorridas, vez que adotou todos os procedimentos previstos na legislação de regência. Mantida a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, a Recorrente seria tributada pelo valor da glosa de dedução da perda e, concomitantemente, pela recuperação de crédito decorrente do acordo judicial, o que não se afigura possível. PRECLUSÃO. DOCUMENTOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. APRESENTAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Considerando que o princípio da verdade real deve nortear o processo administrativo fiscal, este tipo de procedimento não deve adotar regras rígidas de preclusão, no mais das vezes prejudiciais à exata compreensão do fato imponível e à aplicação correta da legislação tributária. Tendo o contribuinte, no curso do processo administrativo, apresentado os documentos que provam a inadimplência por determinado período de tempo e do ajuizamento e manutenção de ações judiciais de cobrança em relação aos devedores – elementos constitutivos do direito de proceder à dedução, as provas devem ser consideradas para fins de acertamento do litígio administrativo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 2 2 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por maioria, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação à Recorrente por descortinar a autoridade lançadora incorreções no procedimento de dedução, como despesas, de perdas no recebimento de créditos, como faculta o art. 9º da Lei nº. 9.430/1996. Nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 28/42), consigna a autoridade lançadora: (a) a instituição financeira não adota com rigor os procedimentos contábeis impostos pelo art. 10 da Lei n° 9.430/96, ou seja, não adota a conta redutora de que trata a lei para registrar as perdas presumidas quando tomadas as respectivas dedutibilidades; (b) para tomar as dedutibilidades, a instituição efetua exclusão na Parte A do LALUR, registrando para fins de controle a respectiva dedutibilidade tomada na parte B do LALUR; (c) a dedutibilidade é tomada por valor consolidado, sendo que o sistema individualizado de controle, que é extra contábil, denominase SISCREL, estando, nesse sistema, inseridos os parâmetros de valor e transcurso de prazo tratados no art. 9° da Lei n° 9.430/96; (d) na escrituração comercial, a instituição observa as imposições das autoridades monetárias quanto à formação e registro da provisão para devedores duvidosos (PDD) e baixas contábeis dos créditos vencidos — créditos em liquidação. Duas situações concretas foram observadas pela autoridade lançadora: (a) diversos contratos de crédito serviram de esteio a deduções por perdas sem que a Recorrente apresentasse documentos comprobatórios de que foram “iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento;” (art. 9º da Lei nº. 9.430/1996); e, (b) em relação a contrato específico (Cédula de Crédito Comercial n° 63/12719), a Recorrente deduziu Fl. 263DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 3 3 a totalidade do valor contratado a despeito de ter registrado a formalização de transação judicial e o recebimento de R$ 1.100.000,00 para quitação integral do valor mutuado. Notificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 54/65), arguindo: (a) quanto à glosa do valor de R$ 1.254.198,80, referente à Cédula de Crédito Comercial n° 63/127/95, a contribuinte procedeu de acordo com o inciso III do § 1°do art. 9º, da Lei n° 9.430/96; (a.1) conforme reconhecido pela fiscalização, o vencimento dessa operação ocorreu em 12/01/1998 (documento de fls.74) e havia procedimento de cobrança judicial, conforme os embargos à execução de 28/09/1998, acostados às fls. 94/130; (a.2) tratandose de crédito com garantia real, a impugnante poderia ter deduzido esse valor já em 12/01/2000, pois todos os requisitos necessários já se encontravam presentes para tal procedimento (garantia real, prazo de vencimento de dois anos e procedimento judicial de cobrança); (a.3) entretanto, a fiscalização tomou a dedutibilidade de tais valores em 31/12/2000, após o acordo judicial para solução de cobrança de várias operações de crédito, que abrangia o valor glosado, ocorrida em 18/12/2000 (fls.88/93), sendo que, com esse acordo judicial houve a materialização da perda ocorrida na operação, a autorizar a dedução dos contratos que já tivessem observado os pressupostos legais, como o contrato cuja receita foi dada como perda e deduzida; (a.4) resta evidente o erro da fiscalização, que parece sugerir que a impugnante deveria ter aguardado um prazo de cinco anos, após estarem preenchidas as condições legais, para adotar o tratamento de perda de crédito. Esse prazo de cinco anos está previsto nos §§1° e 4°, do art.10, da Lei n° 9.430/96, para determinar a obrigatoriedade da manutenção de cobrança judicial e para baixa definitiva de crédito da conta redutora de crédito, sendo que essa última hipótese não gera efeitos fiscais, existindo como forma de controle apenas, já a primeira é inaplicável quando houver acordo homologado por sentença judicial, de acordo com o que prevê o §3°, do art.10, como ocorreu no presente caso; (a.5) no caso em análise houve um acordo judicial, no qual a perda efetiva se materializou, além de estarem previstas as condições do art.9°, da Lei n° 9.430/96, autorizando a contribuinte, desde que observados os parâmetros legais, a tomar a dedutibilidade dos valores outrora tributados; (a.6) ainda que o procedimento da contribuinte estivesse errado, mesmo assim a glosa estaria equivocada, na medida em que deveria ser aplicado o disposto no § 3° do art. 10 da Lei n° 9.430/96, o qual determina que, se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado; (b) quanto aos demais valores glosados pela fiscalização, o motivo da discordância da fiscalização com os procedimentos da contribuinte é a suposta falta de procedimento judicial para a cobrança desses créditos, anterior a 31/12/2000, data da tomada da dedutibilidade das perdas; (b.1) o fato é que tais procedimentos judiciais foram ajuizados pela impugnante, no entanto, por serem antigos, já se encontram arquivados, em sua maioria perante a Justiça Federal de São Paulo, fato que impossibilitou que a impugnante obtivesse cópias das ações judiciais, a tempo de serem apresentadas com a impugnação; (b.2) de fato, a greve do Poder Judiciário paulista, divulgada pelos meios de comunicação e cujos prazos voltaram a correr somente em 13/10/2004 (conforme Provimento n° 890/2004 do Conselho Superior da Magistratura — documento de fls.131), impediu que a impugnante anexasse as peças correlatas para comprovar a cobrança judicial de seus créditos; (b.3) com relação ao crédito glosado de R$1.079.231,21, da empresa Calçados Ortopé S/A, o processo judicial tramita na Comarca de Gramado/RS, perante a justiça estadual daquele estado, o que, igualmente, dificultou a obtenção de cópia; (b.4) esses fatos impossibilitaram que a impugnante pudesse ter acesso e juntar na defesa administrativa, em tempo hábil, os documentos que demonstram o ajuizamento da medida judicial; (b.5) a impugnante solicitou o desarquivamento dos processos judiciais em comento, cujas iniciais serão anexadas aos presentes autos assim que possível, demonstrando que todos os Fl. 264DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 4 4 procedimentos a autorizar a dedução dos valores glosados pela fiscalização foram efetuados pela contribuinte, nos exatos termos da Lei n° 9.430/96; (c) o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 autoriza a impugnante a juntar os documentos necessários para comprovar o teor de suas alegações em momento posterior. A impugnação foi rejeitada e, como consequência, foi o lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) por decisão assim ementada: “IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente.” Da decisão se extrai: “Primeiramente, a contribuinte não esclarece qual o critério de atualização empregado para a correção do valor original do contrato n° 63/127/95. Logo, a impugnante não fornece nenhum subsídio para justificar que um valor original de R$1.057.100,00 tenha dado origem a um lançamento de perda no montante de R$1.254.192,80. Além disso, a cópia da petição de fls.88/93, que propõe um acordo na Ação de Execução n° 1.342/98, demonstra que uma das premissas do lançamento contábil acima descrito encontra se equivocada. Isso porque a contribuinte acordou o recebimento de parte do crédito que lhe era devido, ou seja, o lançamento da totalidade do valor do crédito como perda foi errado. Cumpre observar que o item 1 da referida petição menciona uma quantia de R$ 4.305.228,49, confessada pelos executados por meio do termo de acordo, que não é amparada por qualquer elemento trazido aos autos. Posteriormente a petição esclarece que a contribuinte "aceita o valor de R$ 1.100.000,00 (hum milhão e cem mil reais) para pagamento e quitação total da dívida em discussão nestes autos (Cédulas de Crédito n. 94101, de 26.09.04; 352.5759, de Fl. 265DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 5 5 20.02.95; 453.8560, de 09.06.95; 631127195, de 24.10.95; 726.7967, de 15.05.97, 784.5049, de 17.10.97; e todos os seus respectivos aditivos)". (fls.88/89) Sendo assim, fica claro que o contrato em questão, referente à Cédula de Crédito n° 63/127/95, constou do termo de acordo. Ocorre, no entanto, que a petição relacionou uma série de outras Cédulas, em relação às quais a contribuinte não prestou nenhum esclarecimento contábil. Cabe lembrar que o único lançamento da contabilidade pertinente ao caso em tela, informado pela impugnante às fls. 27, é aquele referente à Cédula de Crédito n° 63/127/95, conforme comprova o documento de fls.74. Resta evidente, desta forma, que a contribuinte não demonstrou a efetiva ocorrência de perda no recebimento de créditos, isso porque, em nenhum momento a impugnante segregou os valores referentes a cada Cédula de Crédito relacionada na petição de fls.88/93, de forma a demonstrar a existência de perda em cada operação.” Recurso voluntário do contribuinte às fls. 168181, reproduzindo os argumentos de impugnação, acompanhada de documentos relativos a ações de execução ajuizadas em relação às operações de crédito questionadas pelo lançamento. É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Analiso individualizadamente as questões tratadas no lançamento e na decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo. Quando à dedutibilidade de perdas em operações de crédito, assim dispõe a Lei nº. 9.430/96: “Art.9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I –em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II –sem garantia, de valor: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 6 6 a)até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b)acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c)superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III –com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde queiniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV –contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no §5º. §2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneasaebdo inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. §3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. §4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. §5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. §6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Art.10.Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I–da conta que registra o crédito de que trata a alíneaado inciso II do § 1º do artigo anterior; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 7 7 II–de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. §1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. §2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. §3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. §4º Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor.” No que concerne à Cédula de Crédito Comercial n° 63.127/95, constatou a autoridade lançadora que, malgrado tenha a Recorrente comprovado a dedutibilidade da perda, observados os requisitos estabelecidos nos arts. 9º e 10, da Lei nº. 9.430/1996, a dedutibilidade foi negada pela Delegacia de Julgamento por ausência de demonstração dos critérios de atualização monetária e pelo recebimento de valor (ainda que inferior ao devido) destinado à satisfação do crédito. Argumenta a Recorrente ter adotado “medida ainda mais favorável à Administração, pois apenas tomou a dedutibilidade de tais valores em 31.12.2000, após o acordo judicial para solução de cobrança de várias operações de crédito, que abrangia o valor glosado, ocorrida em 18 de dezembro de 2000”. Defende a Recorrente que poderia ter lançado o valor da aludida Cédula de Crédito Comercial como perda “já em 12.01.2000”, fazendoo somente em 31.12.2000 de sorte que, se coubesse lançamento seria com base no § 3º do art. 10 da Lei nº. 9.430/96, assim: “§3º. Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior.” Como se depreende das disposições normativas inscritas na Lei nº. 9.430/96, a dedutibilidade a título de perda exige a inadimplência (total) do devedor por determinado lapso temporal (variável de acordo com a natureza do crédito) e a formalização e manutenção de procedimento de cobrança judicial. Se tais condições estavam presentes em 12.01.2000, poderia o contribuinte deduzir do resultado as perdas incorridas, vez que adotou todos os procedimentos previstos na legislação de regência. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 8 8 Mais ainda. Para deduzir esse valor, é porque a Recorrrente já tributou esse mesmo valor no passado. E não se questionou o valor oferecido à tributação, que é o mesmo valor da dedução como perdas, e esta se dá atendidos os requisitos da Lei 9.430/96 como já dito acima. Mantida a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, a Recorrente seria tributada pela recuperação de crédito decorrente do acordo judicial – o que a Recorrente fez – mas também pelo que não recuperou, sendo que se tributou no passado todo o valor que foi deduzido. Isso não se afigura possível. Há que se observar que o acordo judicial é concreta recuperação de prejuízo. Acordo judicial é materialização de recuperação tentada. É espécie de renegociação. Acordo judicial não é desistência da ação judicial. A desistência da ação judicial antes de 5 anos de vencimento do crédito implica tributar todo o valor deduzido como perdas, com encargos (= tratamento como não se pudesse ter sido deduzido o valor), conforme o art. 10, § 1º, da Lei 9.430/96. Acordo judicial é antítese de desistência de ação judicial. Por isso, no acordo judicial, é aplicável o art. 10, § 3º, da Lei 9.430/96: tributase o valor recuperado – recebido e o a receber. Por óbvio, nesse caso, a lei não manda tributar o que não é recuperado, nem é recuperável. Para além, com a extinção da ação judicial por acordo, o que se deve tributar é o valor recuperado da perda anteriormente deduzida, por regime de competência: a diferença é a perda definitiva. No que concerne aos demais contratos cujos valores foram utilizados pela Recorrente para fins de dedução por perdas, a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo está ancorada em duas premissas: (a) a Recorrente não apresentou os documentos necessários à comprovação dos requisitos de dedutibilidade previstos no art. 9º da Lei nº. 9.430/96; e, (b) a apresentação posterior de documentos não poderia ser aceita, dada a aplicação da regra do art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72. Confirase, quanto ao tópico, a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento: “DO PEDIDO DE JUNTADA DE PROVAS Quanto ao protesto de juntada posterior de prova, verificase que, de acordo com o Decreto 70.235/72, art. 15, caberia à impugnante acostar ao processo, no prazo de impugnação, os documentos necessários à sua defesa. O § 4° do art. 16 do mesmo Decreto 70.235/72 (acrescentado pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97) determina que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 9 9 A impugnante alega que não teria juntado os documentos necessários para comprovar suas alegações em função de greve do Poder Judiciário paulista. Todavia, conforme comprova o documento de fls.131, o término da paralisação dos servidores do Poder Judiciário paulista foi deliberado em 27/09/2004, dia anterior à data do Provimento n° 890/2004, sendo que os prazos processuais voltaram a fluir em 13/10/2004. Tendo em vista que a impugnação foi protocolizada em 28/10/2004, ou seja, posteriormente até mesmo à data em que os prazos processuais voltaram a fluir, a alegação da contribuinte é insubsistente. Cabe observar que a paralisação da justiça paulista não alcançou a comarca de Gramado/RS, razão pela qual não havia nenhum óbice para que a contribuinte obtivesse as cópias a que se refere na impugnação. Portanto, o pedido de juntada posterior de provas não tem respaldo legal, pois não demonstrou a requerente se enquadrar em nenhuma das situações previstas no § 4° do art. 16, do Decreto n° 70.235/72.” Manifestei em diversas oportunidades posicionamento no sentido de que o princípio da verdade real deve nortear o processo administrativo fiscal e que, como consequência, este tipo de procedimento não deve adotar regras rígidas de preclusão, no mais das vezes prejudiciais à exata compreensão do fato imponível e à aplicação correta da legislação tributária. Desse modo, tendo o contribuinte, no curso do processo administrativo, apresentado os documentos que provam a inadimplência por determinado período de tempo e do ajuizamento e manutenção de ações judiciais de cobrança em relação aos devedores – elementos constitutivos do direito de proceder à dedução, as provas devem ser consideradas para fins de acertamento do litígio administrativo. Nesse contexto, comprovando a Recorrente, através dos documentos acostados aos autos, o preenchimento das condições que autorizavam a dedutibilidade das perdas, censurável a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001298/200464 Acórdão n.º 110300.680 S1C1T3 Fl. 10 10 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10730.900925/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO.REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem- se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM.
Numero da decisão: 3402-001.887
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 309 1 308 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.900925/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001887 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25/09/2012 Matéria PIS Recorrente CIEN CIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO.REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente). Relatório Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 310 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório do acórdão hostilizado, verbis: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica (06485.99654.310106.1.3.043529)– não homologada de débito de IRPJ (cód. 236201), relativo ao período de apuração de DEZ/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS (cód. 6912), recepcionada pela RFB em 31/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 248/252). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 253). Cientificada da decisão (fl. 259), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01/08), alegando em resumo que: 1. reconhece que parte da compensação efetuada fora indevida, pois usou taxa selic acumulada em percentual incorreto; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03 com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL e CERJ/AMPLA (dois contratos), aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas à Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03), mas equivocadamente foram declaradas como sujeitas à Cofins não cumulativa; 6. ao perceber as falhas retificou sua contabilidade, mas olvidou de retificar sua DCTF; 7. erros de fato no cumprimento de obrigações acessórias não impedem o reconhecimento do direito de crédito, pois houve recolhido a maior; 8. em relação à diferença da contribuição cumulativa recolhida a menor, decidiu adotar a postura excessivamente conservadora de extinguila novamente acrescida de juros e multa de mora. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicitou juntada de novas peças aos autos. A 5ª Turma da DRJRIO II, por intermédio do Acórdão nº 1331.334, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 311 3 de 03/09/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu, após análise dos contratos firmados com empresas fornecedoras de energia, descaber a troca do regime nãocumulativo para o cumulativo, que geraria, em tese, o crédito pleiteado. A inconformada, então, interpôs recurso voluntário ao CARF requerendo, em síntese, a nulidade da decisão da DRJ, pois entendeu que a autoridade julgadora não apreciou todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, vez que ignorou a existência do Ofício nº 1431/2006SFF/ ANEEL. Requereu alternativamente reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações declaradas. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, acolhendo razão do recorrente (inexistência de apreciação do mencionado Ofício), decidiu (fl. 325/329) anular o acórdão recorrido, determinando o proferimento de uma nova decisão de primeira instância, a fim de examinar a aplicabilidade do Ofício SFF/ANELL nº 1431/2006 ao caso em questão. Retornou, então, estes autos ao Colegiado para novo julgamento do contencioso. A 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1339318, de 17/01/2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do caráter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Não sendo caso de exceção, o contrato regido com cláusula de reajuste com base no IGPM, sucedâneo do IPCr. Ofício ANEEL. Irrelevância no domínio de norma tributária. Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 312 4 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, requerendo, em síntese, que as receitas auferidas em decorrência dos contratos com FURNAS, com GERASUL TRACTEBEL e com CERJAMPLA estavam sujeitas à apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, pois foram celebrados antes de 31/10/2003, têm prazo de vigência superior a um ano, têm como objeto o fornecimento de energia e contêm previsão de preço predeterminado: Termina sua petição postulando que sejam consideradas as razões jurídicas nelas expostas para reconhece o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Contudo, a autoridade julgadora de primeira instância assim não entendeu e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal declarado sob o fundamento de que a contribuição é devida pelo regime não cumulativo, inexistindo, portanto, o crédito (indébito) financeiro declarado. Portanto, a pedra angular da lide posta nos autos restringese a decidir se o recorrente deveria apurar o PIS e a Cofins no regime cumulativo ou no regime nãocumulativo. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...).” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência nãocumulativa dispôs: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 313 5 “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...). XI – as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...).” Por sua vez, o art. 15, desta mesma lei, com vigência a partir de 01/05/2004, determinou: “Art. 15. Aplica se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); V – nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 Assim, de conformidade com estes dispositivos, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de bens e/ ou serviços, a preço predeterminado, com prazo superior a 1 (um) ano, a priori, estariam sujeitas à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. A Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho 2006, dispôs sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, in verbis: Do Âmbito de Aplicação Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 314 6 II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Nos termos da legislação supracitada, mantêmse no regime cumulativo as receitas das pessoas jurídicas advindas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de fornecimento de bens a preço predeterminado,. Regressando aos autos, entendo que não há lide sobre três dos quatro requisitos para a exclusão das receitas advindas dos contratos com as FURNAS, com a GERASUL/TRACTEBEL e com a CERJ/AMPLA do regime da nãocumulativida, quais sejam: o fornecimento é de energia um bem sem nenhuma dúvida todos os contratos foram Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 315 7 celebrados antes de 31/03/2003 e com prazos superiores a 1(um) ano. Resta, então, o último requisito que prevê a necessidade do preço ser predeterminado. A primeira instância entendeu que a legislação impõe a inclusão das receitas no regime nãocumulativo quando ocorrer a primeira alteração de preço do fornecimento do bem. No caso em questão, teria ocorrido a partir de 10/2004 nos contratos firmados com FURNAS e GERASUL e a partir de 01/2004 no contrato firmado com a CERJ. A recorrente apresenta o Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL, cujo assunto é uma consulta sobre os ajustes de preços previstos em cláusulas contratuais, para defender que os reajustes praticados não descaracterizaram o preço predeterminado. A Delegacia de Julgamento assim se pronunciou sobre a aplicação do Oficio mencionado e sua relevância na descaracterizava do caráter predeterminado do preço, verbis: O oficio, em geral, é peça de comunicação entre as pessoas jurídicas que não inclui entre as suas finalidades a de revogar, modificar ou alterar regras jurídicas vigentes legitimamente inseridas no contexto jurídico de um ordenamento legal. As normas citadas legais e infralegais determinam completamente a conduta a ser adotada pelos contribuintes, servindo de pauta plena na apreciação administrativa e até mesmo judicial. Assim, se o ofício especificamente citado de algum modo alterou aquelas regras excedeu o seu domínio de atuação, devendo ser rejeitado nesta função, e se apenas ratificou os termos das normas pertinentes tornase irrelevante para a decisão. Pensar de modo contrário violaria não apenas aquelas regras, mas o próprio princípio constitucional da legalidade, insculpido no art. 5º, inciso II, da Carta de 88: (...) Ora, não se reconhece no ofício mencionado – ou qualquer outro – caráter legal, nem força normativa para complementar a legislação de regência da matéria tratada, mormente quando se trata do campo tributário, onde prevalece ainda o principio da legalidade especial, também contemplado na Carta no seu art. 150, § 6º: A regra constitucional acima citada não apenas põe em relevo a segurança jurídica, constituindose em garantia para o próprio contribuinte, como impede eventual discriminação ou favorecimento caso se perpetrasse por meio de atos administrativos (mesmos os normativos), sem falar de ofícios, ou, quem sabe, memorandos ou emails, alterações em dispositivos legais regentes das matérias citadas: “subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão”. E o caso em exame, não há dúvida, implica redução da base de cálculo por meio da permissão da mudança, ao arrepio da lei, do regime da não cumulatividade para o cumulativo, de onde, afinal de contas, decorreria o alegado crédito. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 316 8 De fato, a pretensão heterodoxa de complementar o disposto na Lei por meio de ofício afronta o Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, conforme se depreende do seu art. 100, que autoriza a complementação da legislação tributária, entre outros, mediante atos normativos, excluindo, portanto, atos de mera comunicação: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”. O ofício citado não se subsume em nenhuma destas hipóteses, particularmente naquela contemplada pelo inciso I, pois nem é ato normativo nem fora expedido por autoridade competente na esfera da Administração Pública Direta Federal. Ademais, a expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação: LEI Nº 9.427, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996 (...) Art. 2º. A Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL tem por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. Portanto, completamente estranha às atividades da ANEEL legalmente definidas a função de interpretar, e muito menos a de instituir, regras de natureza tributária. Aliás, o Ofício nem mesmo é da Diretoria da ANEEL, mas da Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira. Por outro lado, ad argumentandum tantum, se examinado o conteúdo do ofício discutido verseá que não corresponde ao que determina a lei a sua conclusão – na interpretação do contribuinte de que o uso do IGPM não descaracteriza o preço predeterminado. O fundamento da conclusão repousa no art. 27, caput e inciso II do § 1º, da Lei nº 9.069/2006. A invocação do dispositivo legitimase na referência do §3º, do Art. 3º, da IN SRF nº 658/2006, antes citado, aqui reproduzido a fim de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 317 9 proporcionar uma visão sistemática do regramento do ponto controverso Instrução Normativa SRF nº 658/2006 “Art.3º. Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. (...) §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. (...) Lei nº 9.069/2006 CAPÍTULO IV Da Correção Monetária “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I – (...) II – aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;” Ora, do primeiro dispositivo destacado (§3º, art. 3º, da IN 658/06) se extraem claramente duas regras: (1) “Não descaracteriza o preço predeterminado o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção”; (2) “Não descaracteriza o preço predeterminado o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995”. Os contratos da contribuinte – acima analisados não se subsumem à primeira regra (custo de produção), pois os ajustes Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 318 10 acordados não se baseiam, muito menos são calculados, com base na contabilidade de custo da empresa, mas em índice geral de preços (no caso o IGPM). Pela mesma razão, também não se subsumem à segunda regra (variação ponderada dos insumos), pois o índice para espelhar a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não pode ser um índice geral de preços de toda a economia (tal como o IGPM), mas um índice necessariamente mais específico, senão no nível de empresa pelo menos no plano setorial. Concluise,portanto, que o tipo de reajuste aplicado nos contratos da contribuinte não se excepcionam da regra contida no §2º, do art. 3º, da IN 658/06. O exame do segundo dispositivo citado acima (art. 27, caput e inciso II do § 1º, da Lei nº 9.069/2006) corrobora a conclusão acima, pois o caput do art. 27 estabelece uma regra geral de correção monetária mediante um índice geral (na época o IPCr), mas a regra derivada do inciso II, § 1º, art. 27, excepciona justamente os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens, prestar ou fornecer serviços para entrega futura. O caso dos autos é regido pela regra geral (caput do art. 27), não pela regra excepcional (inciso II, § 1º, art. 27), porque o IGPM nada mais que um índice geral tal como o IPCr, e, neste sentido, são equivalentes. Notese que o próprio ofício, que ora se analisa, admite que o IGPM seja uma espécie de sucedâneo do IPCr, mais ainda, admite – em consonância com a Lei – que este não se aplica ao caso de venda de bens (ou prestação de serviços) para entrega futura, como acontece na situação dos autos: “Nos termos do dispositivo ora citado, a regra geral é no sentido de que a correção monetária de quaisquer negócios jurídicos seja calculada com base no IPCr (índice de Preços ao Consumidor — série r). Nada obstante, no caso de fornecimento de bens e serviços a serem produzidos, a regra geral não se aplicaria, sendo que o índice de reajuste deveria per calculado/reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a Variação ponderada dos custos dos Insumos utilizados”. No entanto, a Superintendência da ANEEL profere conclusão contraditória e ambígua ao enunciar que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, conseqüentemente, ao art. 109 da Lei nº 11.196/05 e ao § 3º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006. E essa ambigüidade suscitou a interpretação da contribuinte no sentido de que poderia permanecer no regime cumulativo autorizado pela ANEEL, provocando a compensação declarada com crédito indevido, que pensou existir a partir da premissa de que o reajuste nos seus contratos não descaracterizava o caráter predeterminado do preço. Contudo, a interpretação do ofício que o torna útil, revelase quando é referenciado no objeto próprio de regulação da ANEEL: o mercado de energia elétrica. Nesta interpretação Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 319 11 teleológica, o Ofício esclarece que, com a extinção do IPCr, o IGPM poderá ser utilizado nos contratos de fornecimento de energia elétrica para fins de reajuste de preço, nada interferindo, porém, no atributo de predeterminação do preço nos contratos para entrega futura para fins tributários Agora digo eu. Respeito a análise feita pela Delegacia de Julgamento, contudo, discordo da sua conclusão. Conforme dito alhures, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”. Em resposta à consulta foi apresentado o Ofício 1431/2006SFF/ANELL, com a seguinte conclusão: (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...) De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Nos termos da consulta formalizada pela APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. A ANEEL é a agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos. Deste modo, uma Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 320 12 sua resposta oficial sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, sob pena de arranhar a segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Feitas estas considerações, retornando aos autos, constatase que: a) O contrato celebrado com a FURNAS, foi aprovado em 22.06.1998, pela Resolução ANEEL nº 192/98, e que previa na cláusula 28 do contrato reajuste com base na variação do IGPM; b) O contrato o celebrado com GERASUL, também foi aprovado em 22.06.1998, pela mesma Resolução ANEEL n ° 192/98, e que previa na cláusula 28 do contrato reajuste com base na variação do IGPM; c) Os contratos celebrados com a CERJ/AMPLA (i) em 26.06.2002 e (ii) em 21.07.2003, foram aprovados pelo Oficio n° 696/2003SFF/ANEEL, de 04.06.2003, e pelos Despachos ANEEL nos 874/2003 e 445/2004, e que previam na cláusula 12 e na cláusula 15, respectivamente, de cada contrato reajuste com base na variação do IGPM. Portanto, todos os contratos foram aprovados pela ANEEL e possuíam cláusula de reajuste em seu bojo, de sorte que fica evidente que os reajustes praticados foram dentro dos limites previstos na legislação, de forma a não descaracterizar o preço como predeterminado. Assim sendo, não vejo motivos para apurar a Cofins pelo regime da não cumulatividade. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para permitir a apuração do PIS referente ao mês de março de 2005 no regime cumulativo. Os autos devem retornar a Unidade de Origem para que seja apurado um eventual indébito e compensado com os créditos tributários indicados pelo recorrente. É como voto. Sala das Sessões, em 25/09/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.900925/200916 Acórdão n.º 3402001887 S3C4T2 Fl. 321 13 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001303/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO ORIGEM. VALORES TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - DIRPF. INDIVIDUALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE.
De conformidade com a jurisprudência consolidada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, os recursos de origem comprovada, in casu, os rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte em suas DIRPF´s, submetidos, portanto, ao ajuste anual, tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, lastreada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ainda que não ocorra uma confrontação individualizada com cada depósito na conta corrente, sobretudo em homenagem ao princípio da razoabilidade.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO ORIGEM. VALORES TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DIRPF. INDIVIDUALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE. De conformidade com a jurisprudência consolidada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, os recursos de origem comprovada, in casu, os rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte em suas DIRPF´s, submetidos, portanto, ao ajuste anual, tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, lastreada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ainda que não ocorra uma confrontação individualizada com cada depósito na conta corrente, sobretudo em homenagem ao princípio da razoabilidade. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório FIDELCINO PORTEIRO DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 18/04/2007 (AR. fl. 185), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos anos calendário 2002 a 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 178/182, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Curitiba/PR, consubstanciada no Acórdão nº 0615.643/2007, às fls. 204/209, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em 18/08/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210100.682, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, nos termos da Súmula n.° 38 deste CARF. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10935.001303/200737 Acórdão n.º 920202.356 CSRFT2 Fl. 296 3 O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituila. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CHEQUES DEVOLVIDOS E VALORES TRANSFERIDOS ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. Os valores correspondentes a cheques devolvidos e transferências entre contas do mesmo titular devem ser excluídos da base de calculo do tributo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. "A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" (Súmula CARF n. 4). Recurso parcialmente provido.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 258/262, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas durante o processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras do Conselho de Contribuintes a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 10422.432, 10613.447, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, uma vez comprovadas as divergências argüidas. A propósito da pretensa decadência da exigência fiscal, sustenta que o Acórdão recorrido deixou de observar que fora determinado o saneamento do processo, a partir de diligência determinada pelo Conselho, com reabertura do prazo de impugnação, impondo seja adotada a data da ciência desta diligência como da lavratura do auto de infração, na linha que restou decidido no Acórdão paradigma, 10422.432. Por outro lado, pretende sejam considerados, para efeito de comprovação dos depósitos bancários, os recursos informados pelas Declarações de ajuste anual de todos os períodos fiscalizados, cujos valores deveriam ter sido excluídos da base de incidência tributária, segundo vem decidindo este conselho de contribuintes, consoante Acórdãos trazidos à colação, ora admitidos como paradigmas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2ª SJ do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial do Contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10613.447, somente em relação à Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 consideração dos valores submetidos à tributação, informados na Declaração de Ajuste Anual, para efeito de comprovação da origem dos depósitos bancários, consoante se positiva do Despacho nº 2100.00132/2011, às fls. 283/285, ratificado pelo Despacho nº 2100.00132R/2011, de fl. 286, em face de reexame necessário da parte não conhecida (decadência). Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 288/292, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, somente em relação a consideração dos rendimentos declarados nas DIRPF´s, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do então Primeiro Conselho de Contribuintes quanto ao mesmo tema. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 10613.447, ora adotado como paradigma, determina que os recursos informados pelas Declarações de ajuste anual de todos os períodos fiscalizados deveriam ter sido excluídos da base de incidência tributaria, segundo vem decidindo este conselho de contribuintes, ao contrário do que restou decidido na Câmara recorrida. Consoante se infere dos autos, não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Relator do Acórdão recorrido, concluise que a pretensão do contribuinte merece acolhimento, sobretudo por se encontrar em consonância com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. A ilustre autoridade lançadora, ao constituir o crédito tributário, utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...]” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10935.001303/200737 Acórdão n.º 920202.356 CSRFT2 Fl. 297 5 Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Tratase, pois, da conhecida presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário, são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, insculpida no artigo 204 e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, é exatamente neste ponto que se fixa a demanda. Ou seja, mister examinar se as alegações e/ou documentos ofertados pelo contribuinte tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem pretensamente não comprovada. De um lado, a Câmara recorrida não admitiu a pretensão do recorrente, sob o argumento de que os depósitos bancários realizados nas contas do contribuinte devem ser justificados individualmente e não de maneira genérica, a partir de um valor global inscrito da Declaração de Ajuste Anual, entendimento sustentado, igualmente, pela Procuradoria, o que não podemos concordar. De outro, o contribuinte defende que os rendimentos tributáveis informados em sua Declaração de Ajuste Anual devem oferecer amparo à sua movimentação bancária, posicionamento compartilhado por este Conselheiro, como demonstraremos adiante. Com efeito, o que torna digno de realce é que a Câmara recorrida, corroborada pela Procuradoria, pretendem seja aplicada uma regra para a comprovação da origem dos depósitos bancários diametralmente oposta ao entendimento levado a efeito por ocasião da ocorrência do fato gerador do tributo lançado. Explico: Questão de grande controvérsia que permeava os julgamentos administrativos diz respeito à ocorrência do fato gerador do IRPF nos casos de lançamentos a pretexto de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Destarte, enquanto parte da jurisprudência defende que o fato gerador de aludido imposto se perfaz mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos, outra banda dos julgadores administrativos firmou o posicionamento de que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo nestes casos, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Aliás, referida matéria fora objeto de proposta de Súmula, que veio a ser aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Ora, se para efeito de contagem do prazo decadencial devese admitir que o fato gerador do IRPF é complexivo, mormente em se tratando de depósitos bancários, ocorrendo em 31 de janeiro do respectivo anocalendário, na forma que sempre defendeu a Procuradoria, é de se admitir, por ocasião da análise da movimentação bancária do contribuinte, todos os rendimentos tributáveis informados da Declaração de Ajuste Anual, excluindoos da base de cálculo da omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. Em outras palavras, in casu, a apuração do imposto devido deve adotar os rendimentos tributáveis de todo o anocalendário, inseridos nas DAA, para fins de comprovação da origem da movimentação bancária anual do contribuinte. Mais a mais, tal entendimento, além de representar a aplicação de uma mesma premissa, como acima delineado, encontra guarida no princípio da razoabilidade, especialmente se tratando de pessoa física, a qual não tem a obrigação de manter escrita contábil e/ou outros documentos fiscais, notadamente para períodos pretéritos, o que dificultaria e/ou impossibilitaria a confrontação individualizada de cada depósito bancário realizado em suas contas. Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firme e mansa nesse sentido, determinando a exclusão dos rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF, Acórdão n° 920201.828 – Processo n° 19515.004084/200330, Sessão de 25/10/2011 – Unânime) “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10935.001303/200737 Acórdão n.º 920202.356 CSRFT2 Fl. 298 7 Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado.” (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 11/04/2011) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.” (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 10140.000455/200335, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad, julgado em 10/05/2011) Na esteira desse entendimento, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de admitir, para efeito de comprovação da origem dos depósitos bancários do contribuinte, os rendimentos informados em suas Declarações de Imposto de Renda, de fls. 04/16, relativamente ao período objeto da autuação. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10830.014868/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Hipótese em que a recorrente teve sucesso em comprovar o pagamento das despesas médicas com saques realizados em datas e valores compatíveis.
Preliminar rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$19.000,00.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a recorrente teve sucesso em comprovar o pagamento das despesas médicas com saques realizados em datas e valores compatíveis. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 48 68 /2 00 9- 14 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$19.000,00. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 3 a 5, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, para glosar dedução indevida de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.225,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva, onde alegava já ter apresentado os comprovantes das despesas médicas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 68 a 72): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 4 3 DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas realizadas em conformidade com a legislação e cujos pagamentos tenham sido efetivamente comprovados, podendo a fiscalização exigir do contribuinte sob ação fiscal a comprovação do efetivo desembolso do valor pleiteado. Artigo 35, da Lei no 9.250/95 e Artigo 80, §1o, II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto no 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 10/02/2011, a contribuinte apresentou, em 4/3/2011, recurso voluntário, onde: a) pugna pela nulidade da decisão de 1a instância, que não teria analisado os argumentos de sua defesa, em especial o fato de ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, ao contrário do afirmado no lançamento; b) informa que tem 85 anos de idade, e que todas as doenças foram diagnosticadas como crônicas e degenerativas, fato que pode ser comprovado em diligência em sua residência; c) afirma que os recibos médicos se referem a tratamentos realizados domiciliarmente; d) solicita tratamento prioritário por ser idosa. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A contribuinte foi intimada a apresentar o efetivo pagamento dos valores constantes nos recibos emitidos, no ano de 2006, pelos profissionais Fernanda Fagnani de Campos e Fernando Labbate (fl. 6). Em resposta, foram apresentados: a) recibos emitidos pela Dra. Fernanda Fagnani de Campos que totalizavam R$4.000,00 relativos a tratamento odontológico, abaixo discriminados: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 5 4 Fl. Data Valor 28 20/3/2006 1.000,00 31 20/4/2006 1.000,00 50 20/10/2006 667,00 55 20/11/2006 667,00 58 20/12/2006 666,00 4.000,00 b) recibos emitidos pelo Dr. Fernando Labbate que totalizavam R$15.000,00 relativos a sessões de fisioterapia domiciliar, ao custo de R$100,00 cada, abaixo discriminados: Fl. Data Valor 20 30/1/2006 1.200,00 24 28/2/2006 1.000,00 27 30/3/2006 1.500,00 32 29/4/2006 1.300,00 35 30/5/2006 1.500,00 38 30/6/2006 1.300,00 41 30/7/2006 1.200,00 44 30/8/2006 1.500,00 47 30/9/2006 1.400,00 51 30/10/2006 1.000,00 54 30/11/2006 1.500,00 59 20/12/2006 600,00 15.000,00 c) extratos bancários de cada mês do ano de 2006. A notificação de lançamento sob análise decidiu por glosar R$19.000,00 em despesas médicas por falta de comprovação, afirmando que a contribuinte não tinha atendido a intimação até aquela data (fl. 3). Em sua impugnação, a contribuinte afirma que já havia apresentado os comprovantes de despesas médicas (fls. 1 e 2). Analisando os documentos e argumentos do recurso, o julgador de 1a instância manteve o lançamento. Preliminar de nulidade da decisão de 1a instância: Preliminarmente, a recorrente pugna pela a nulidade da decisão de 1a instância, que não apreciou o argumento de que havia apresentado os comprovantes de despesas médicas solicitados, ao contrário do afirmado no lançamento. Entretanto, verifico que o julgador a quo analisou todos os documentos acostados aos autos, e manteve o lançamento por falta de comprovação do pagamento. É verdade que o acórdão recorrido não se deteve para analisar o fato da descrição dos fatos da autuação ter afirmado que a contribuinte não tinha atendido à intimação, quando, na verdade, tinha apresentado diversos documentos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 6 5 Contudo, o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. E não restam dúvidas que a decisão guerreada analisou detidamente os comprovantes acostado aos autos, não possuindo qualquer mácula de nulidade. Desta forma, entendo que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, pelo que rejeito a preliminar de nulidade de decisão de 1a instância suscitada. Despesas médicas: Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 7 6 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 8 7 Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso, a contribuinte foi expressamente intimada a comprovar os pagamentos dessas despesas. E caso os pagamentos fossem em espécie, seria necessário apresentar cópias dos extratos bancários com saques compatíveis em valores e datas com os recibos, bem como uma planilha relacionando os saques aos pagamentos (fl. 6 – itens 1 e 3). Em resposta, foram apresentados extratos bancários sem se fazer qualquer correlação entre os pagamentos e os saques. A decisão recorrida optou por rejeitar a prova apresentada, trazendo uma série de considerações relativas aos recibos apresentados, ao valor das sessões de fisioterapia e à quantidade de sessões, e ao percentual das despesas com relação à receita bruta (32%). Contudo, entendo que, como a única exigência para a comprovação das despesas era a prova do pagamento, caberia à autoridade fiscal e ao julgador de 1a instância a análise dos extratos bancários, mesmo sem a planilha de correlação dos saques e pagamentos. Em especial nas fiscalizações de pessoas físicas, geralmente sem formação jurídica nem assessoria contábil, penso ser apropriado um menor rigor na apreciação das provas. Recordese que, após a análise dos recibos, a exigência da autoridade fiscal se restringiu à comprovação dos pagamentos, especificando que os extratos bancários deveriam ser apresentados no caso de pagamentos em espécie. Assim, não se pode simplesmente deixar de analisar os extratos solicitados com base em argumentos não submetidos à fiscalizada, como fez o julgador a quo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 9 8 Acrescentese que os óbices relativos à quantidade de sessões de fisioterapia e ao valor do tratamento são facilmente superados quando se leva em conta a elevada idade da paciente. Dessa forma, julgo ser necessário a análise dos extratos bancários apresentados em busca de saques que justifiquem os pagamentos. De imediato, esclareço que não penso ser necessário que haja coincidência exata entre datas e valores, pois ninguém é obrigado a efetuar saques em valores exatos dos pagamentos que pretenda realizar em espécie, mas sim compatibilidade entre retiradas e desembolsos. Assim, passo a analisar os recibos e extratos apresentados. a) Dra. Fernanda Fagnani de Campos – R$4.000,00: Em 20/3/2006 foi emitido um recibo de R$1.000,00 (fl. 28), e no extrato de março de 2006 consta um saque com cartão de mesmo valor na mesma data (fl. 30). Em 20/4/2006 foi emitido um recibo de R$1.000,00 (fl. 31), e no extrato de março de 2006 consta um saque com cartão de mesmo valor na mesma data (fl. 34). Em 20/10/2006 foi emitido um recibo de R$667,00 (fl. 50), e no extrato de outubro de 2006 consta um saque com cartão de R$1.000,00 na mesma data (fl. 53). Em 20/11/2006 foi emitido um recibo de R$667,00 (fl. 55), e no extrato de novembro de 2006 consta um saque com cartão de R$1.000,00 na mesma data (fl. 57). Finalmente, em 20/12/2006 foi emitido um recibo de R$666,00 (fl. 58), e no extrato de novembro de 2006 consta um saque com cartão de R$1.000,00 na mesma data (fl. 61). Assim, essas despesas médicas foram comprovadas com saques em valor idêntico ou superior na mesma data de emissão dos recibos, devendose restabelecer sua dedução. b) Fernando Labbate – R$15.000,00: Em 30/1/2006 foi emitido um recibo de R$1.200,00 (fl. 20). No extrato do mês de janeiro de 2006, não existe um saque de mesmo valor na mesma data, mas foi feito um saque de R$1.000,00 em 23/1/2006, outro de R$50,00 em 26/1/2006, e um de R$50,00 e outro de R$150,00 em 30/1/2006 (fls. 22 e 23), suficientes para justificar a despesa. Em 28/2/2006 foi emitido um recibo de R$1.000,00 (fl. 24) e no extrato do mês de fevereiro de 2006 consta um saque de R$1.000,00 em 20/2/2006. Em 30/3/2006 foi emitido um recibo de R$1.500,00 (fl. 27), mas no extrato de março de 2006 não existe um saque equivalente para esse pagamento, em especial porque o saque de R$1.000,00 foi utilizado para comprovar o pagamento à odontóloga nesse mês. Contudo, existem diversos outros saques realizados entre os dias 15 e 30, nos valores de R$180,00, R$770,00, R$50,00, R$50,00, R$240, R$60,00 e R$50, que comprovam um pagamento de R$1.400,00. Os R$100,00 podem ser justificados por sobras de saques do início do mês. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 10 9 Em 29/4/2006 foi emitido um recibo de R$1.300,00 (fl. 31), e no extrato de abril de 2006, entre os dias 24 e 28, constam um saques de R$50,00, R$1.000,00, R$260,00 e R$20,00. Acrescentese que esses saques não foram utilizados para justificar o pagamento da odontóloga no mesmo mês. Em 30/5/2006 foi emitido um recibo de R$1.500,00 (fl. 35). No extrato de maio de 2006 existe um saque de R$1.000,00 em 12/5/2006 e outro de R$500,00 em 22/5/2006. Em 30/6/2006 foi emitido um recibo de R$1.300,00 (fl. 38). No extrato do mês de junho de 2006, entre os dias 20 e 30, foram feitos saques nos valores de R$1.000,00, R$50,00, R$30,00, R$100,00, R$100,00, R$50,00 e R$150,00. Em 30/7/2006 foi emitido um recibo de R$1.200,00 (fl. 41). No extrato do mês de julho de 2006, entre os dias 20 e 30, foram feitos saques nos valores de R$1.000,00, R$100,00, R$102,15, R$20,00 e R$20,00, suficientes para satisfazer a despesa. Isso sem considerar o saque de R$17.500,00 feito em 28/7/2006. Em 30/8/2006 foi emitido um recibo de R$1.500,00 (fl. 44). No extrato do mês de agosto de 2006, entre os dias 21 e 30, foram feitos saques nos valores de R$30,00, R$1.000,00, R$30,00, R$50,00, R$400,00 e R$30,00. Em 30/9/2006 foi emitido um recibo de R$1.400,00 (fl. 47). No extrato do mês de setembro de 2006, entre os dias 19 e 28, foram feitos saques nos valores de R$60,00, R$1.000,00, R$50,00, R$120,00 e R$50,00. A diferença de R$120,00 pode ser justificada como sobras dos saques do início do mês. Em 30/10/2006 foi emitido um recibo de R$1.000,00 (fl. 51), e no extrato de outubro de 2006 consta um saque no valor de R$1.000,00 em 24/10/2006. Acrescentese que esse saque não foi utilizado para justificar o pagamento da odontóloga no mesmo mês. Em 30/11/2006 foi emitido um recibo de R$1.500,00 (fl. 54). No extrato do mês de novembro de 2006, entre os dias 22 e 30, foram feitos saques nos valores de R$50,00, R$50,00, R$180,00, R$150,00, R$20,00, R$50,00, R$30,00, R$500,00 e R$30,00. A diferença de R$440,00 pode ser justificada pela sobra de R$333,00 do saque de R$1.000,00 utilizado para pagar os R$667,00 da odontóloga e em sobras de saques do início do mês. Finalmente, em 20/12/2006 foi emitido um recibo de R$600,00 (fl. 59). Essa despesa pode ser justificada com a sobra de R$334,00 do saque de R$1.000,00 utilizado para pagar os R$666,00 da odontóloga no dia 20, bem com pelos saques de R$262,61 e R$50,00 realizados nos dias 15 e 18. Em suma, em todos os meses existem saques em datas aproximadas aos pagamentos em valores suficientes para justificar os pagamentos. A maior elasticidade na análise dos saques nos meses de março, setembro e novembro se admite pela adequada correlação de todas as outras despesas com os saques. Desta forma, considero também comprovadas essas despesas médicas, pelo que as restabeleço. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.014868/200914 Acórdão n.º 2101002.046 S2C1T1 Fl. 11 10 Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$19.000,00. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.928398/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
SALDO NEGATIVO DE CSLL. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 98 /2 00 9- 39 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 184 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 11.12.2006, fls. 4446, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$2.575,71 referente ao anocalendário de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 14, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$2.549,71 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$4.841,45 CSLL devida: R$2.291,74 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$399,31 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 33529.22349.180505.1.3.034603. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 01, argumentado Conforme mencionado na análise de crédito do despacho decisório as confrontações feitas pela auditora, verificase que foi recolhido R$1.780,59 e estimativas compensadas R$910,46 a titulo de CSLL do referido período, mas de acordo com documentos em nosso poder anexo solicitamos que seja reconsiderado o restante dos pagamentos e retenções fonte não informado no demonstrativo de credito, no valor de R$609,71 ref. Pagamentos efetuados conforme DARF em anexo e R$1.540,69 retenção fonte, assim totalizando R$4.841,45, o valor do referido saldo negativo a ser informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito. Assim constata que a insuficiência do referido crédito apurado pela auditora para a não homologação de tais PER/DCOMP descritos no despacho decisório, trata de um erro de preenchimento do demonstrativo de crédito do referido PER/DCOMP por parte do contribuinte, o preenchimento correto do demonstrativo seria conforme segue xerox em anexo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 185 3 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito: R$4.841,45 Somatório das parcelas de composição do credito na DIPJ R$4.841,45 CSLL devida: R$2.291,74 Valor do saldo negativo disponível: R$2.549,71. Sabemos que procuramos demonstrar a idoneidade do pleito de compensação de Imposto, de nossa empresa, e que sempre se portou com muita integridade tanto na área administrativa quanto operacional, com um profundo comprometimento com todas as suas obrigações, motivo pelo qual, aguarda uma reconsideração do presente despacho, pois os tempos atuais exigem e, por princípios pessoais que incorporam nossas atitudes empresariais sempre procuramos responder por todas as responsabilidades assumidas, inclusive as com o erário. Estamos anexando cópias dos DARF's recolhidos no referido período, cópia do PER/DCOMP com preenchimento correto do demonstrativo (não transmitido) cópia do edital, copia do despacho decisório , que elucidaram o ocorrido, com confiança no espírito de retidão e justiça desta instituição. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0231.768, de 06.04.2011, fls. 106111: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” para reconhecer o valor de R$654,10 a título de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004. Restou ementado ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Notificada em 27.09.2011, fl. 115, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.10.2011, fls. 116, esclarecendo Conforme mencionado na fls. 108 do acórdão, na análise de crédito do despacho decisório as confrontações feitas pela auditora, não se confirmam, contudo, as retenções usadas como dedução na ficha 16 da DIPJ. Mas de acordo com documentos em nosso poder em anexo solicitamos que seja reconsiderado o restante das retenções fonte de R$1.498,69 não informado em DIRF pelas fontes pagadoras, mas foi feito a retenção e o recolhimento pelas mesmas ao contribuinte não podendo ficar com o ônus pela omissão da fonte pagadora. Neste ato o beneficiário do pagamento apresenta o anexo II comprovante anual de retenção fornecido pelas fontes pagadoras, DARF'S das retenções, Notas Fiscais, extrato bancário para comprovação dos recebimentos. Sabemos que procuramos demonstrar a idoneidade do pleito de compensação de Imposto, de nossa empresa, e que sempre se portou com muita integridade tanto na área administrativa quanto operacional, com um profundo comprometimento com todas as suas obrigações, motivo pelo qual, aguarda uma reconsideração do presente Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 186 4 acórdão, pois os tempos atuais exigem e, por princípios pessoais que incorporam nossas atitudes empresariais sempre procuramos responder por todas as responsabilidades assumidas, inclusive as com o erário. Estamos anexando cópias dos DARF's retidos na fonte, comprovantes anual de retenção, cópia do acórdão, que elucidaram o ocorrido, com confiança no espírito de retidão e justiça desta instituição. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 187 5 A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem os pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário 4. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços, entre outros, de limpeza, conservação, manutenção, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte no código 5952 em guia única de CSLL, Cofins e PIS. O valor da CSLL, da Cofins e da PIS é determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. Os valores devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da quinzena subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora dos bens ou prestadora do serviço e devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições5. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Em relação aos valores de retidos na fonte, vale ressaltar que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 14, foi considerado um total de R$2.691,05 a título de recolhimento de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2004 (Planilha de fls. 3539). Por seu turno, na decisão de primeira instância de julgamento consta que o valor de R$654,10 ainda compõe o somatório das deduções, de modo que o saldo negativo de CSLL do período é no valor de R$1.053,41. Assim, o valor objeto de litígio nessa fase recursal é de R$1.498,69, que a Recorrente alega ser oringinário de retenções na fonte de CSLL no anocalendário de 2004. Nesse montante está contido a retenção na fonte de CSLL de R$42,00, código 5952, efetuada pela fonte pagadora Ask do Brasil Ltda, CNPJ 01.127.876/000166, atinente à receita de R$4.200,00, fls. 101102. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 4 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 5 Fundamentação legal: art. 30, art. 31, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 188 6 A Recorrente apresenta nessa fase de recurso o Comprovante Anual de Retenção na Fonte de CSLL no montante de R$1.311,05, código 5952, efetuado pela fonte pagadora Caixa Escolar Maria das Graças Costa, CNPJ 20.105.003/000105, atinente à receita de R$131.105,67, nos termos do art. 30, art. 31, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fl. 125. Restou evidenciado que a fonte pagadora da CSLL na fonte forneceu à Recorrente/Beneficiária o documento comprobatório com indicação da natureza e do montante do pagamento e do tributo retido no anocalendário de 2004. Analisando a questão em sua totalidade, temse os seguintes valores efetivamente comprovados, de acordo com as Tabelas 1 e 2. Tabela 1 – Valores efetivamente recolhidos e retidos a título de CSLL no anocalendário de 2004 Períodos de Apuração Ano 2004 (A) Valores Efetivamente Recolhidos de CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada R$ Fls. 99100 (B) Valores Efetivamente Retidos na Fonte de CSLL (Lei nº 10.833, de 2003) R$ Fls. 101 e 125 (C) Janeiro 25,43 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 Maio 0,00 0,00 Junho 0,00 0,00 Julho 0,00 262,21 Agosto 1.091,67 655,53 Setembro 688,92 262,21 Outubro 79,15 0,00 Novembro 79,56 0,00 Dezembro 427,96 173,10 Total 2.392,69 1.353,05 Tabela 2 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004 a ser reconhecido na segunda instância de julgamento Cálculo da CSLL a Pagar no Anocalendário de 2004 (A) Valores R$ (B) CSLL Devida 2.291,74 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada e Efetivamente Paga (2.392,69) () CSLL Efetivamente Retida na Fonte (1.353,05) (=) CSLL a Pagar (1.454,00) (+) Saldo Negativo de CSLL Reconhecido no Despacho Decisório – Fl. 14 399,31 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 189 7 (+) Saldo Negativo de CSLL Reconhecido na Primeira Instância de Julgamento – Fls. 106111 654,10 (=) Saldo Negativo Remanescente de CSLL a ser Reconhecido na Segunda Instância de Julgamento (400,59) Restou comprovado que a DIRF e o Comprovante Anual de Retenção na Fonte de CSLL apresentados pelas fontes pagadoras foram consideradas, bem como os pagamentos efetuados a título de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada. Assim, cabe razão em parte à Recorrente, para: (a) reconhecer o saldo negativo remanescente de CSLL do anocalendário de 2004 no valor de R$400,59(quatrocentos reais e cinquenta e nove centavos); (b) homologar as compensações efetuadas pela Recorrente até o limite do valor do direito creditório reconhecido. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para: (a) reconhecer o saldo negativo remanescente de CSLL do anocalendário de 2004 no valor de R$400,59 (quatrocentos reais e cinquenta e nove centavos); (b) homologar as compensações efetuadas pela Recorrente até o limite do valor do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.928398/200939 Acórdão n.º 1801001.363 S1TE01 Fl. 190 8 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19647.002123/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE.
A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Inteligência da Súmula n.º 14 do CARF e dos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430/96.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência do crédito tributário lançado.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Inteligência da Súmula n.º 14 do CARF e dos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430/96. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Recurso provido.
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EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Inteligência da Súmula n.º 14 do CARF e dos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430/96. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 21 23 /2 00 9- 54 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19647.002123/200954 Acórdão n.º 2101002.076 S2C1T1 Fl. 178 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 151/166) interposto em 11 de maio de 2010 contra o acórdão de fls. 132/145, do qual o Recorrente teve ciência em 12 de abril de 2010 (fl. 150), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/08, lavrado em 18 de fevereiro de 2009, em virtude de acréscimo patrimonial a descoberto relativo a remessas de recursos ao exterior apuradas no âmbito da denominada operação “CPMI do Banestado”, verificado no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA NEGADA. REMESSAS DE RECURSOS EFETUADAS AO EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos legalmente enviados ao Brasil pela Procuradoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal e fielmente reproduzidos no processo, constituemse em elementos de prova incontestes de que o sujeito passivo efetuou remessas de recursos ao exterior, por meio de uma sub conta mantida ou administrada por uma instituição bancária ou financeira americana. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19647.002123/200954 Acórdão n.º 2101002.076 S2C1T1 Fl. 179 3 Meios de Prova. A prova da infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação de provas. Lançamento por homologação. Decadência. No chamado lançamento por homologação, a autoridade tem cinco anos para homologar o pagamento antecipado pelo contribuinte, contados a partir do fato gerador da obrigação, exceto nos casos em que for comprovado dolo, fraude ou simulação, em que o dies a quo é remetido para o art. 173 do Código Tributário Nacional, uma vez que o ato da autoridade deixa de ser meramente homologatório para se tornar lançamento de ofício, conforme determinado pelo art. 149, VII, do mesmo diploma legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 2003 Juntada Posterior de Provas. No processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no §4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fls. 132/133). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, de maneira a determinar o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que não há, no relatório de ação fiscal de fls. 86/90, uma linha sequer sobre os motivos pelos quais o auditorfiscal qualificou a multa de ofício. Assim, em relação à imputação de multa qualificada na presente hipótese, entendo descabida, na medida em que o “evidente intuito de fraude” não restou demonstrado, em parte alguma, pelo Fisco. De fato, a partir de uma breve análise dos autos, verificase não ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19647.002123/200954 Acórdão n.º 2101002.076 S2C1T1 Fl. 180 4 dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, a teor do que consta do art. 44, §1º, da Lei 9.430/96. Não houve, portanto, a comprovação por parte da fiscalização de qualquer ato do contribuinte que pudesse ensejar a ocorrência de fraude, conluio ou sonegação, tal como previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64. A corroborar o quanto exposto, visando impedir a aplicação indiscriminada de multas qualificadas, sem a necessária comprovação de seu suposto normativo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou o entendimento consubstanciado na Súmula nº 14 no sentido de que “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Nesse sentido, o recurso deve ser provido para desqualificar a multa de ofício. Desqualificada a multa de ofício, incide no caso específico o disposto na parte inicial do artigo 150, §4º. do CTN, segundo o qual o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de 5 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador. Em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19647.002123/200954 Acórdão n.º 2101002.076 S2C1T1 Fl. 181 5 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19647.002123/200954 Acórdão n.º 2101002.076 S2C1T1 Fl. 182 6 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual houve o princípio de pagamento, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Devese acolher, no caso específico, a decadência, pois o lançamento foi efetuado após o decurso desse prazo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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