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Numero do processo: 11831.000014/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 00 14 /2 00 9- 11 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11831.000014/200911 Acórdão n.º 2102002.803 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 48 a 50 O sujeito passivo do lançamento insurgese contra o lançamento de fls. 05 e seguintes, emitido em 08/12/08, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2005/AC2004, que glosou os valores pleiteados na declaração de ajuste a título de dedução de despesas médicas. Totalizando R$ 13.015,00 de deduções glosadas; conforme descrito à fl.06. Na impugnação apresentada às fls. 01 e seguintes (e em razão dos documentos de fls.34 a 44 Recibos de Eliane Araújo) se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, que seja julgada procedente a presente impugnação para culminar na restituição do imposto de renda pago a maior (reduzido) em função do lançamento de ofício. É o relatório. Ainda, nesse relato cumpre registrar que o contribuinte não foi inicialmente intimado a apresentar os comprovantes das despesas referentes a Eliana Araújo Nogueira do Vale que foram glosadas, cujo saneamento se deu pela intimação da DRJ, de fl. 32 e Intimação de fl. 33. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não foram feitas provas suficientes do pagamento das despesas médicas declaradas e glosadas, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 55 a 107, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em síntese que os recibos e cheques apresentados comprovam o seu direito a dedução das despesas glosadas. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11831.000014/200911 Acórdão n.º 2102002.803 S2C1T2 Fl. 12 3 É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, para que fique caracterizada que a despesa é passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11831.000014/200911 Acórdão n.º 2102002.803 S2C1T2 Fl. 13 4 A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado. Nesse sentido, para comprovar a efetividade das despesas juntou os recibos e cópias de cheques cuja apreciação me permitiu elaborar as seguintes tabelas: Analisando os valores envolvidos das despesas, condições particulares do contribuinte e especialmente as provas apresentadas e indicadas na tabela acima, concluo que os documentos citados, trazem substância e provam as despesas declaradas. Cumpre esclarecer que o fato de alguns cheques não terem sido localizados, até é esperado em função do tempo transcorrido e não maculam o conjunto probante. Destarte, superadas as motivações do indeferimento anterior que ensejaram a sucumbência e o direito recursal exercido pelo contribuinte, concluo pelo restabelecimento das respectivas glosas. CONCLUSÃO Pelo exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11831.000014/200911 Acórdão n.º 2102002.803 S2C1T2 Fl. 14 5 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908888/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 88 /2 00 9- 51 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.143, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908888/200951 Acórdão n.º 3802001.830 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908888/200951 Acórdão n.º 3802001.830 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Eg. CARF. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
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Numero do processo: 10805.900802/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, por unanimidade de votos, não homologou o crédito tributário. A Recorrente recolheu o PIS pelo regime não cumulativo (Lei 10.637/2002), apresentou PERDCOMP para a compensação de PIS recolhido a maior e apresentou DCTF retificadora após a prolação do despacho decisório. A ementa do acórdão da DRJ/Campinas é a seguinte: DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 80 2/ 20 08 -7 5 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900802/200875 Resolução nº 3202000.175 S3C2T2 Fl. 54 2 Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito não pode ser admitido. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão central é fato de a Recorrente ter retificado DCTF após a prolação de despacho decisório, sendo que, com isso, teria realizado recolhimento a maior de tributo. O artigo 9º da IN RFB 1.110/2010 permite a retificação de DCTF a qualquer momento antes da remessa do débito para a PGFN, senão vejamos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900802/200875 Resolução nº 3202000.175 S3C2T2 Fl. 55 3 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal Ora, a forma não pode prevalecer sobre a essência. Pelo que consta dos autos, pareceme que o ponto central do litígio decorre da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720401/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2009, 2010
DEDUÇÕES. DEPENDENTE.
Não comprovada a relação de dependência é dever manter as glosas das deduções a ela relativas.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES.
Só são dedutíveis as despesas médicas ou de hospitalização pagas pela contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 4.000,00 do ano-calendário 2006, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2009, 2010 DEDUÇÕES. DEPENDENTE. Não comprovada a relação de dependência é dever manter as glosas das deduções a ela relativas. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES. Só são dedutíveis as despesas médicas ou de hospitalização pagas pela contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte.
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DEPENDENTE. Não comprovada a relação de dependência é dever manter as glosas das deduções a ela relativas. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES. Só são dedutíveis as despesas médicas ou de hospitalização pagas pela contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 4.000,00 do anocalendário 2006, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 01 /2 01 1- 19 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 228 2 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/CTA (Fls. 184), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 224) resultante de ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0910200/00924/11 para verificação das obrigações pertinentes ao IRPF nos anoscalendário de 2006, 2008 e 2009, exigindose R$ 9.282,77 de imposto, além de multa de R$ 7.632,37 e juros de mora de R$ 2.334,33, totalizando R$ 19.249,47, em virtude da glosa de dedução de despesas médicas, de instrução e com dependentes, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 1223). 2. Compulsando os autos verificase, no Relatório de Ação Fiscal (fls. 1223), que o Auto de Infração foi lavrado em virtude de: a) falta de comprovação da relação de dependência do filho Gustavo Mendes Fabro, que possuía mais de 21 anos nos anos calendário 2006 e 2008; b) glosa do valor de R$ 5.080,00 de despesas médicas declaradas como pagas ao dentista Luciano Moraes dos Santos, pelo fato dos 5 recibos apresentados não atenderem aos requisitos legais (nome do paciente) e por não ter sido comprovada a efetiva transferência de recursos ao profissional; c) glosa do valor de R$ 3.000,00 de despesas médicas declaradas como pagas ao fisioterapeuta Wagner de Freitas, por não ter sido comprovado o efetivo pagamento; d) glosa do valor de R$ 60,00 declarados como pago a Associação Bauruense de Combate ao Câncer, uma vez que o documento apresentado, recibo de doação, é inapto para comprovar despesa médica; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 229 3 e) glosa do valor de R$ 20.843,34 decorrente de falta de apresentação de documentos comprobatórios, conforme tabela abaixo reproduzida: ANO BENECIFIÁRIO VALOR 2007/2006 LÍLIAN PEDROSO ASSOLARI 4.004,00 2007/2006 ELAINE M DE OLIVEIRA ANTUNES 4.000,00 2009/2008 UNIMED COOP. TRAB MEDICO 1.898,09 2009/2008 PRISCILA LARANJO FERNANDES 280,00 2009/2008 ADRIANA APARECIDA LEVATTI 3.250,00 2010/2009 UNIMED NORTE PIONEIRO 2.391,25 2010/2009 KADHIDJA ZIEMMER MAGALHÃES 5.020,00 TOTAL 20.843,34 3. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação (fls. 107110), tempestiva segundo a unidade de origem (fl. 182) alegando que: a) os extratos bancários que apresenta (conta corrente 11.9717 do Banco do Brasil – jan/2006 a dez/2009) comprovam o efetivo pagamento dos serviços de saúde e que os recibos acostados são “integralmente verossímeis”, pois os saques foram em valores superiores aos desembolsos feitos aos profissionais; b) as glosas da Unimed não merecem ser mantidas pois os documentos apresentados totalizam os valores declarados; c) seu filho Gustavo efetivamente cursou a faculdade, e apresentará, a posteriori, documento de conclusão do curso junto à Universidade Estadual do Paraná; d) “as glosas foram totalmente ilegais, devendo ser anuladas a qualquer tempo, mesmo pela administração pública, levandose em conta o princípio da autotutela”; e) é devida a declaração de nulidade do auto de infração, considerando os vícios de ilegalidade demonstrados, transcrevendo acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 3.1. Conclui requerendo “a anulação do auto de infração e de todo o Processo Administrativo Fiscal e seus efeitos danosos ao patrimônio desta contribuinte, considerando as provas das deduções, ora juntadas.” 3.2. Anexa, em seguida: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 230 4 a) documento inominado emitido pela Sicredi e assinado pela Gerente de Negócios (fl. 122); b) documento Para Fins de Declaração de Imposto de Renda, sem signatário (fl. 123); c) documento com informações complementares relativas ao ano 2009 extraído do “Sistema Sicredi” (fl. 124); d) declaração da fisioterapeuta Kadhija Ziemmer Magalhães informando que recebeu da impugnante, em espécie, o valor de R$ 5.020,00 no ano 2009, por 10 sessões de Pilates/RPG (fl. 125); e) 5 recibos emitidos em 2008 por Luciano M. Santos, cirurgião dentista, totalizando R$ 5.080,00 (fls. 126/127); f) 3 recibos emitidos em 2008 por Wagmar de Freitas, fisioterapeuta, totalizando R$ 3.000,00 (fls. 128/129); g) 6 recibos emitidos em 2008 por Adriana Aparecida Levatti, por sessões de RPG no cônjuge da contribuinte, totalizando R$ 3.250,00 (fls. 129/130); h) 10 recibos emitidos em 2006 por Elaine M. de Oliveira Antunes, fisioterapeuta, totalizando R$ 4.000,00 (fls. 131135); i) extratos bancários de conta corrente de titularidade da impugnante, relativos aos anos 2006, 2008 e 2009 (fls. 136– 181). Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É válido o lançamento que observa os pressupostos legais e não incorre nas situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Mantémse o lançamento decorrente de glosa de dedução com dependente quando o contribuinte não apresenta documento capaz de comprovar a relação de dependência. PROVAS DOCUMENTAIS. IMPUGNAÇÃO. FASE INSTRUTÓRIA. PRAZO. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária prevê que a prova das despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual seja feita por meio de Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 231 5 documentos que demonstrem a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. Cientificada em 20/01/2012 (Fls. 199), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/02/2012 (fls. 200 a 205), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Segundo o que constam nos autos, do que foi autuado, a contribuinte entregou para a fiscalização somente documentos relativos aos dependentes, as despesas com instrução de 2008, e as despesas médicas com Associação Bauruense, e com os profissionais Luciano Morais dos Santos e Wagner de Freitas, todos do ano 2008. Já por ocasião da impugnação, a contribuinte anexou diversos novos documentos, tais como recibos, declarações e extratos bancários. Por seu turno, a fiscalização e a DRJ, com relação a algumas despesas, trataram de exigir a comprovação do efetivo pagamento. Também observo que a DRJ percebeu que não houve impugnação de algumas glosas; in verbis: Em que pese a alegação genérica de nulidade do auto de infração como um todo, verificase que a impugnante não se manifestou ou apresentou documentos relativos à glosa de R$ 1.600,00 de despesa com instrução, de R$ 60,00 doados à Associação Bauruense de Combate ao Câncer, de R$ 4.004,00 declarados como pagos a Lílian Pedroso Assolari e de R$ 280,00 declarados como pagos a Priscilla Laranjo Fernandes. (pág. 187 dos autos) Permanecem em litígio, portanto, as glosas com o suposto dependente e as glosas de algumas despesas médicas. Quanto ao suposto dependente Gustavo Mendes Fabro, a glosa foi mantida pela DRJ em razão de o mesmo constar com mais de 21 anos em 2006 e em 2008. Com objetivo de justificar a dependência, a recorrente anexou em seu recurso um atestado emitido pela Universidade Estadual do CentroOeste, informando que Gustavo Mendes Fabro concluiu o curso de medicina veterinária no ano de 2011. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 232 6 A legislação de regência assim determina: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Da leitura do dispositivo acima depreendese que o maior até 24 anos tem que estar cursando estabelecimento de ensino superior, ou escola técnica, no ano base em que foi declarado dependente, para assim ser considerado. Contudo, o documento apresentado não comprova que maior Gustavo Mendes Fabro estava efetivamente cursando medicina veterinária nos anos de 2006 e 2008. Assim, por ausência de provas cabais da relação de dependência, é dever manter a glosa relativa a Gustavo Mendes Fabro. Quanto as despesas médicas, que se exigiu a comprovação do efetivo pagamento de todas, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e a decisão da DRJ, e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, há nos autos evidências fartamente apontadas pela fiscalização em seu Relatório Fiscal para o não aproveitamento dos recibos e declarações para a produção de provas do efetivo pagamento das despesas médicas. Logo, entendo que há nos autos elementos que permitiam a fiscalização, e a DRJ, afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 233 7 Neste ponto, percebo que a recorrente anexou à sua impugnação o seu extrato bancário, que, por sua vez, mereceu acurado estudo do julgador da DRJ. Embora o relator que elaborou o estudo do extrato bancário tenha sido vencido na DRJ, entendo que a razão está no seu voto. Razão pela qual adoto integralmente o mesmo nos seguintes quesitos: Ao proceder a análise dos documentos, verificase que, referente ao anocalendário 2006, a impugnante, apresentou 10 recibos, autenticados por servidor público, no valor de R$ 400,00 cada um, totalizando os R$ 4.000,00 declarados como pagamento efetuado a Dra. Elaine de Oliveira Antunes, fisioterapeuta. Tais recibos não foram apresentados durante a ação fiscal e, por este motivo, as despesas foram consideradas indedutíveis por falta de comprovação. 11.1. Realizando o cotejamento dos valores constantes dos recibos e dos saques efetuados no ano 2006, conforme extratos bancários apresentados, extraise o seguinte: Como se pode constatar, de fato os valores sacados são compatíveis em datas e valores com os constantes dos recibos Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 234 8 apresentados, comprovando o efetivo desembolso das despesas por parte da impugnante. 11.3. Assim, o conjunto probatório (recibos + extratos bancários) mostrouse suficiente para comprovar as despesas médicas no valor de R$ 4.000,00 pagas a profissional Elaine de Oliveira Antunes no ano 2006, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo do imposto. (...) 12.1. No que concerne a estes últimos recibos citados, emitidos por Adriana Aparecida Levatti, é de se destacar que, utilizando se da competência conferida no Regimento Interno da RFB, o Delegado da Delegacia da RFB em Londrina, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 007, de 1º/3/11, declarou inidôneos, para todos os efeitos tributários, os recibos de tratamento de fisioterapia emitidos por ADRIANA APARECIDA LEVATTI, CPF 822.562.68934, no período entre 01/01/2005 a 31/12/2008, tendo em vista o contido na Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz – Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001622/201003. 12.2. Assim, para que estas despesas sejam consideradas dedutíveis é necessário comprovar a efetividade da prestação dos serviços e do desembolso dos valores pagos, em consonância com o disposto no art. 2º do referido Ato Declaratório e com a Súmula Carf nº 40, abaixo transcritos: Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 007, de 1º/03/11 Art. 2º Ficam ressalvados os casos em que os tomadores dos serviços comprovem a efetividade de sua prestação e do desembolso dos valores pagos, por qualquer meio de prova admitido no direito. Súmula Carf nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (...) 12.4. Da análise da tabela, verificase saques em datas e valores coincidentes com os apresentados nos recibos inidôneos emitidos por Adriana Aparecida Levatti. 12.5. Porém, ao se verificar a resposta à intimação (fls. 31 a 38), prestada pela contribuinte no curso da ação fiscal, constatase diversas inconsistências com os dados constantes do recibos e extratos agora apresentados, quais sejam: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 235 9 a) Informa o extravio dos recibos, porém os apresenta em conjunto com os extratos bancários na impugnação; b) Informa que o tratamento fisioterápico “de coluna devido à sobrecarga de peso” foi a ela destinado, porém nos recibos consta a informação de que os valores foram provenientes de sessões de RPG realizadas no cônjuge da impugnante, Edson Pereira Fabro; c) Informa que os pagamentos foram realizados ora em dinheiro, ora em cheque, porém em nenhum momento apresenta ou indica os cheques; d) Informa que os “pagamentos eram feitos de forma periódica e sempre no fim de cada mês”, porém dentre os 6 recibos apresentados há um com data de 13/03 e outro com data de 18/04. 12.6. Portanto, diante do exposto, concluise que a efetividade dos serviços prestados não foi demonstrada em nenhum momento e, como se tratam de recibos declarados inidôneos, seria necessária a comprovação concomitante tanto da efetividade do pagamento quanto da prestação do serviço médico, como dispõem as normas antes citadas (parágrafo 12.2). 12.7. Assim sendo, considerase indedutíveis as despesas declaradas como pagas a Adriana Aparecida Levatti, por falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados. (...) Por fim, a impugnante apresentou, além do extrato bancário, declaração assinada por Kadhidja Ziemmer Magalhães (fl. 125), datada de 18/8/2011, informando o recebimento de R$ 5.020,00 em espécie no decorrer do anocalendário 2009, divididos em 10 parcelas, por sessões de Pilates/RPG. 13.1. Esta declaração não tem valor probatório, visto que extemporânea. Para fazer prova destas despesas é necessário apresentação dos recibos ou notas fiscais da época da prestação dos serviços. 13.2. Deste modo, concluise pela desnecessidade de proceder a análise dos extratos referentes ao ano 2009, pois não há nos autos documentos hábeis indicando datas e valores a serem com eles confrontados. 13.3. Portanto, o valor de R$ 5.020,00 declarado como pago a fisioterapeuta Kadhidja Ziemmer Magalhães, Crefito não informado, no ano 2009 é indedutível. (...) A contribuinte declarou, a título de pagamento do plano de saúde Unimed Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 78.953.023/000108, os seguinte valores: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 236 10 (...) 14.1. Na ocasião da intimação, durante a ação fiscal, a contribuinte não apresentou documentos comprobatórios relativos a essas despesas. 14.2. Na impugnação apresenta os documentos de fls. 122 a 124. 14.2.1. Tratamse, aparentemente, de relatório extraído de um sistema, de nome “Sicredi”, “demonstrando débitos de convênios de assistência médica junto a UNIMED”, nas palavras da impugnante. 14.2.2. Tais documentos não têm o condão de comprovar o pagamento das despesas médicas com o plano de saúde, pois não há como afirmar que foram emitidos pela Unimed e não indicam o nome dos beneficiários do plano, informando, na verdade, débitos junto a Unimed. 14.3 Do exposto, concluise que as despesas médicas com plano de saúde nos anos 2008 e 2009 são indedutíveis, por falta de comprovação.(doc páginas 189 a 194 dos autos) Quanto as despesas médicas com os profissionais Luciano M. Santos e Wagmar de Freitas, percebo que a fiscalização as glosou em razão da falta de indicação do paciente nos recibos emitidos e por falta de comprovação do efetivo pagamento. Assim, embora a contribuinte tenha comprovado o pagamento, através dos seus extratos bancários, permanece pendente o esclarecimento de paciente dos tratamentos médicos. Esclareço que tal dúvida é altamente pertinente; haja visto que o tratamento pode ter sido realizado na pessoa que foi indevidamente indicada como dependente da contribuinte. Razão pela qual entendo pela manutenção das glosas das despesas médicas relativas aos profissionais Luciano M. Santos e Wagmar de Freitas Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$4.000,00, do anocalendário 2006. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11634.720401/201119 Acórdão n.º 2801003.320 S2TE01 Fl. 237 11 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 18471.001949/2002-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999
PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - ARTIGO 150, § 4º DO CTN. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO QUE CONSITUI CONFISSÃO DÍVIDA.
A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre, mas existe declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário, é o constante na regra especial contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o caput do artigo 62-A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 9101-001.750
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999 PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - ARTIGO 150, § 4º DO CTN. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO QUE CONSITUI CONFISSÃO DÍVIDA. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre, mas existe declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário, é o constante na regra especial contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o caput do artigo 62-A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente).
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ARTIGO 150, § 4º DO CTN. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO QUE CONSITUI CONFISSÃO DÍVIDA. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre, mas existe declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário, é o constante na regra especial contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 49 /2 00 2- 16 Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice – Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 1205/1213) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25 de junho de 2007 e pelo Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Os Recorrentes insurgiramse contra o acórdão nº 10809.108 (fls. 1179/1200) por meio do qual os membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência dos fatos geradores do 1º e 2º trimestres do ano calendário de 1997 e, no mérito, negaram provimento ao recurso. O acórdão recorrido foi assim ementado: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DECADÊNCIA O prazo de decadência das contribuições de seguridade social é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no art. 150, § 4°, do CTN, que é lei complementar de normas gerais, não se lhes aplicando o art. 45 da Lei n° 8.212/91. IRPJ — PIS DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Decadente a exigência do IRPJ e PIS para os fatos geradores acontecidos até 31 de agosto de 1997, quando a ciência da autuação pelo interessado ocorreu em 12/09/2002. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — CONFRONTO ENTRE DADOS DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS E A CONTABILIDADE Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas informadas no Livro de Apuração de ICMS em confronto com aquele escriturado e lançado nas DIRPJ apresentadas ao Fisco Federal, mormente quando elas não são contestadas pela autuada. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO A falta de apresentação pela fiscalizada do livro Registro de Inventário impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 18471.001949/200216 Acórdão n.º 9101001.750 CSRFT1 Fl. 260 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n° 02 do 1° Conselho de Contribuintes. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFÍCIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. PIS — CSL COFINS — LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência acolhida. Recurso negado.” A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial insurgindose contra a parte que excluiu a exigência do IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, relativamente aos fatos geradores do 1º e 2º trimestres de 1997, em razão da decadência. Em suas razões recursais argumentou que: (i) quanto à decadência da CSLL e da COFINS, o acórdão negou vigência ao artigo 45, da lei 8.212/91, e (ii) quanto à decadência do IRPJ, o entendimento adotado diverge da jurisprudência mantida pelo Conselho de Contribuintes, que sustenta que nos casos em que há lançamento de ofício, a regra aplicável é aquela do artigo 173, I, do CTN. Nesse ponto trouxe como paradigma o acórdão CSRF/0103.103: “IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de oficio, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional.” (Acórdão CSRF/0103.103). (iii) quanto ao PIS, o entendimento adotado diverge da jurisprudência mantida pelo Conselho de Contribuintes, que declarou legítimo o prazo decadencial previsto no artigo 45 da lei 8.212/95 para lançamento do PIS . Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Trouxe como paradigma o acórdão 20307.352 e esclareceu que, em que pese não constar na ementa, a decisão se refere a auto de infração que exigia do contribuinte o pagamento de PIS. O acórdão foi assim ementado: “NORMAS PROCESSUAIS — DECADÊNCIA O Decreto Lei n° 2.049/83, bem como a Lei n° 8.212/90, estabeleceram o prazo de 10 anos para a decadência do direito de a Fazenda Pública formalizar o lançamento das contribuições sociais. Além disso, o STJ pacificou o entendimento de que o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN somente se inicia após transcorrido o prazo previsto no art. 150 do mesmo diploma legal. Preliminar rejeitada.” (Acórdão 20307352) Argumentou, em síntese, que o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, do CTN. Ademais, contestou a decadência do direito do Fisco em constituir crédito tributário relativo à CSLL e COFINS, afirmando que o acórdão recorrido contrariou e negou vigência ao artigo 45 da lei 8212/91. E em relação ao PIS, sustentou que o acórdão recorrido divergiu do entendimento de outras câmaras deste Conselho que aplicam o prazo decadencial do art. 45, da lei 8.212/91. Assim, argumentou que o direito do Fisco de apurar e constituir seus créditos relativos às contribuições extinguese em 10 (dez) anos nos termos do artigo 45 da Lei 8.212/91. Por fim, requereu o provimento do recurso para que seja afastada a decadência dos lançamentos apontados pelo acórdão recorrido. Em sede de exame de admissibilidade do Recurso Especial, o presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 1224/1225 negou seguimento ao recurso em relação às contribuições, em razão da edição da súmula Vinculante 08, do STF que declarou inconstitucional o dispositivo legal suspostamente contrariado, e deu seguimento ao recurso na parte relacionada à decadência do IRPJ, para aplicação da regra prevista no artigo 173 do CTN, pois caracterizada a divergência jurisprudencial. Da decisão que deu parcial seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional não foi interposto agravo. O Contribuinte deixou de apresentar contrarrazões e apresentou Recurso Especial (fls. 1231/1241) contra a parte do acórdão que manteve o arbitramento do lucro em razão da falta de escrituração do livro de registro e inventário, afirmando que o entendimento adotado é divergente do por outra Câmara. Trouxe como paradigma o acórdão 05203 da DRJ de Campinas, o acórdão 166714 da DRJ de São Paulo. Foi negado seguimento ao Recurso do Contribuinte (fls. 1311/1312), pois os acórdãos acostados como paradigma foram proferido pela DRJ de Campinas e São Paulo, não caracterizando a divergência jurisprudencial, já que o artigo 67 do RICARF prevê que o acórdão deve ser de outra Câmara, turma especial ou da própria CSRF. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 18471.001949/200216 Acórdão n.º 9101001.750 CSRFT1 Fl. 261 5 Em reexame de admissibilidade (fls. 1315/1316) foi mantida a decisão que negou seguimento ao Recurso do Contribuinte. Assim, a questão pendente de análise é unicamente relativa à decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo ao IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre consignar que a questão pendente de análise é unicamente relativa à decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo ao IRPJ. O caso em tela trata de infrações ocorridas nos anos de 1997 e 1998, cujo auto de infração foi lavrado em 09/09/2002. Desse modo, cumpre a análise da regra que deverá reger o prazo decadencial aplicável ao lançamento tributário para exigência do IRPJ: o artigo 173, inciso I, ou o artigo 150, §4°, ambos do CTN. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). A interpretação literal do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. Nesse contexto encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia do débito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. No caso ora em análise temos que: i) cuida de tributo sujeito ao lançamento por homologação; ii) houve apresentação de declaração prévia; iii) os fatos geradores ocorreram nos anos calendário de 1997 e 1998; iv) a lavratura do auto de infração se deu em 09/09/2002. Em relação ao mencionado período não foi possível encontrar nos autos comprovantes de pagamento. Entretanto, em relação ao ano de 1997 foi acostada aos autos a Declaração de Rendimento e, em relação ao ano de 1998 foi acostada a DIPJ. Assim, cumpre verificar se as declarações apresentadas constituíam confissão dívida. A legislação aplicável no período era o Decreto 2124/84, que dispunha em seu artigo 5º: “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.” Posteriormente, com base no referido DecretoLei, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, no seguinte sentido: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 18471.001949/200216 Acórdão n.º 9101001.750 CSRFT1 Fl. 262 7 da Fazenda nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União.” Cumpre observar que até o anocalendário 1997, exercício 1998, a declaração de rendimentos da pessoa jurídica era chamada DIRPJ. A partir do anocalendário 1998, exercício 1999, foi introduzida a DIPJ, instituída pela IN SRF nº 127, de 30/10/98. Conforme redação dos artigos transcritos, os saldos a pagar de impostos e contribuições, informados na DCTF ou na Declaração de Rendimentos, não eram passíveis de lançamento de ofício, posto que qualquer uma das duas declarações constituía meio próprio de confissão de dívida. A partir do anocalendário 1999, exercício 2000, a DIPJ deixou de constituir confissão de dívida, o que passou a ser feito somente por meio da DCTF, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000: “O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Da redação transcrita, foi retirada a expressão “e jurídicas”, referindo se à declaração de rendimentos. Assim, nos termos da IN SRF nº 14/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram a ter caráter de confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. Portanto, do exposto, tendo em vista que foram apresentadas a DIRPJ (1997) e DIPJ (1998), bem como que estas constituíam confissão de dívida, a regra decadencial aplicável é aquela do artigo 150, §4º, do CTN. No caso concreto, tendo em vista que (i) os fatos geradores ocorreram nos anos de 1997 e 1998, (ii) o contribuinte era optante pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral e (iii) que o auto de infração foi lavrado em 09/09/2002, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, verificouse a decadência do direito de constituição de crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 1997. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910810/2010-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 37 1 36 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910810/201006 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.793 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAGGA AUTO PECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 10 /2 01 0- 06 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910810/201006 Acórdão n.º 3801002.793 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511413 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 19787.12927.250107.1.3.046902 (doc. de fls. 812). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.559,61, representado por Darf recolhido em 15/03/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 29/02/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 14/05/2004; que o mesmo foi recolhido em 13/02/2004 no valor de R$ 3286,61; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 727,00, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910810/201006 Acórdão n.º 3801002.793 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910810/201006 Acórdão n.º 3801002.793 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 29/02/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910810/201006 Acórdão n.º 3801002.793 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13055.000122/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1991 a 28/02/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERROS.
Uma vez constatado erro por ocasião do Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica.
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até o início da vigência da MP nº 1.212/95.
Embargos de Declaração Acolhidos e Providos.
Numero da decisão: 3302-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERROS. Uma vez constatado erro por ocasião do Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até o início da vigência da MP nº 1.212/95. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 01 22 /2 00 1- 00 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 3302002.441 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de PIS referente ao período de apuração de janeiro de 1991 a setembro de 1995, recolhido com fulcro nos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, e ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, recolhido com fulcro na MP nº 1.212/95. Indeferido o pedido, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, que restou indeferida pela DRJ/POA e, não se conformando, a empresa apresentou Recurso Voluntário, que restou provido parcialmente, conforme se constata no resultado do julgamento constante do Acórdão nº 20178.979, de 08/12/2005, abaixo transcrito. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso: I) pelo voto de qualidade, para admitir as compensações de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, nos termos do voto da RelatoraDesignada. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva e José Antonio Francisco, que consideram a decadência do direito à compensação no prazo de 05 (cinco) anos do pagamento, e, em segunda votação, os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto (Relator), Walber José da Silva, Roberto Velloso (Suplente) e Rogério Gustavo Dreyer, que davam provimento em razão da tese dos cinco anos mais cinco. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte; c II) por unanimidade de votos, quanto à semestralidade da base de cálculo. Ao proferir o voto vencedor e formalizar o Acórdão, a Conselheira designada para redigir o voto vencedor, Josefa Maria Coelho Marques, apresentou embargos de declaração alegando obscuridade no resultado do julgamento quanto à decadência do direito de pleitear a restituição, posto que o voto vencedor é claro quanto a ocorrência da decadência de todo o período pleiteado pela recorrente. Alega a embargante a existência de erro no resultado do julgamento ao dar provimento parcial ao recurso, pelo voto de qualidade, “para admitir as compensações de outubro de 1995 a fevereiro de 1996”, quando não há pedido de compensação nos autos. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 3302002.441 S3C3T2 Fl. 4 3 A Fazenda Nacional tomou ciência do referido acórdão e, tempestivamente, apresentou embargos de declaração alegando a ocorrência de contradição entre o resultado do julgamento (dar provimento parcial) e o voto vencedor (negar provimento). O Presidente da Turma de Julgamento, em sede de exame de admissibilidade, reconheceu a procedência das alegações quanto a existência de obscuridade, erro e contradição no acórdão embargando e deu seguimento a ambos os Embargos de Declaração, nos termos do Despacho nº 3302132, de 01/11/2013. Os Embargos de Declaração foram incluídos em pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os Embargos de Declaração atendem aos requisitos legais, dele se conhece. Como relatado, existe obscuridade no resultado do julgamento do acórdão embargado que decidiu, pelo voto de qualidade, admitir as compensações de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 e os votos vencidos tratam de decadência e não de compensação. Existe erro no resultado do julgamento que tratou de compensação, quando esta matéria não foi objeto do litígio. Existe ainda contradição entre o resultado do julgamento (dar provimento parcial ao recurso) e a parte dispositiva do voto vencedor (negar provimento ao recurso). De fato, as matérias postas em votação foram duas: 1) decadência do direito de a empresa interessada pleitear a restituição do PIS e 2) semestralidade da base de cálculo do PIS, na vigência da Lei Complementar nº 7/70. A segunda matéria (semestralidade da base de cálculo do PIS) somente poderia ser votada na hipótese da Câmara julgadora dar provimento, mesmo que parcial, ao recurso da empresa na primeira matéria (decadência). Se foi reconhecido a semestralidade da base de cálculo, é porque a Câmara de Julgamento reconheceu que parte do pedido não decaiu ou, então, porque também errou ao julgar questão de mérito, na hipótese de ter declarado a decadência para todo o período objeto do pedido de restituição. Ademais, existe a contradição entre o resultado do julgamento e a parte dispositiva do voto vencedor, conforme acima apontado. Portanto, não sendo possível identificar como a Câmara Julgadora votou a questão da decadência, deve a Turma de Julgamento embargada sobre essa matéria se pronunciar. O pedido de restituição foi apresentado no dia 22/06/2001, portanto, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, que considera de 05 (cinco) anos do pagamento Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 3302002.441 S3C3T2 Fl. 5 4 antecipado o prazo para pleitear a restituição de tributo ou contribuição lançado por homologação. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, julgou extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Esta matéria foi apreciada e decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sessão do Pleno, realizada no dia 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621 para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Esta decisão do STF, embora se refira a “ações ajuizadas”, entendo que, pelo princípio da equidade, aplicase também aos processos administrativos de pedidos de restituição. Por isto mesmo, para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, deverá ser adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça quanto à contagem do prazo para pleitear restituição de tributos, previsto no art. 168, I, do CTN, ou seja, referido prazo contase da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento efetuado e objeto do pedido de restituição. No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa de pagamento antes da apresentação do Pedido de Restituição. Consequentemente, pelo entendimento do STJ, que adoto, o prazo para pleitear a restituição contase da data da homologação tácita. E, por esta regra, não ocorreu a extinção do direito da Recorrente de pleitear a restituição porque a homologação tácita mais remota de pagamento efetuado, objeto do pedido de restituição, ocorreu no dia 05/07/2001, relativo ao pagamento realizado no dia 05/07/1991, e o pedido de restituição foi apresentado no dia 22/06/2001, antes do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, a que se refere o art. 168 do CTN. O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento do valor a restituir pleiteado. O valor a restituir deve ser apurado pela autoridade da Receita Federal do Brasil, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir. Sobre a chamada semestralidade da base de cálculo do PIS, até o início da vigência da Medida Provisória no 1.212/95, ratifico a decisão do acórdão embargado posto que o Pleno e as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais consolidaram o entendimento dos extintos Conselhos de Contribuintes, nos termos da Súmula CARF no 15 (Portaria MF nº 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 3302002.441 S3C3T2 Fl. 6 5 383/2010), abaixo transcrita, de que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao do vencimento, sem correção, incidindo a alíquota de 0,75%. Súmula CARF no 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6o da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Ante o exposto, acolho o presente Embargos de Declaração, porque tempestivos, e doulhes provimento para reconhecer o direito de a empresa interessada pleitear a restituição dos valores objeto de seu Pedido de Restituição e declarar que o indébito deve ser calculado pela DRF com observância da semestralidade da base de cálculo do PIS. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.000540/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
BOVESPA. BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. SOCIEDADE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep corresponde a sua receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Numero da decisão: 3201-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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BOVESPA. BM&F. SOCIEDADE CORRETORA. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo da Cofins é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 BOVESPA. BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. SOCIEDADE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep corresponde a sua receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 40 /2 01 0- 21 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, a ementa do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário apresentado pela recorrente: 1. DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, incidentes sobre a venda de ações nas ofertas públicas iniciais (IPO) da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., ocorridas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. 1.1. Da desmutualização da Bovespa e da BM&F No Termo de Verificação Fiscal (fls. 66 a 82), relata a fiscalização que convencionouse chamar de desmutualização o conjunto de alterações societárias efetuadas no ano de 2007 pelas quais a Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e a Bolsa de Mercadorias e Futuros — BM&F, ambas associações civis sem fins lucrativos, transferiram seu patrimônio e suas atividades para as sociedades anônimas Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A., respectivamente. Acrescenta a fiscalização que o patrimônio da Bovespa e da BM&F (associações civis) era dividido em títulos patrimoniais, de propriedade das corretoras associadas. Com a desmutualização, as corretoras deixaram de ser detentoras dos títulos patrimoniais das associações civis sem fins lucrativos Bovespa e BM&F e receberam, em troca dos títulos patrimoniais, ações das sociedades anônimas Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. Na ocasião da desmutualização da Bovespa (agosto/2007), a contribuinte era detentora de 14 títulos patrimoniais, pelos quais recebeu 9.894.668 ações da Bovespa Holding S.A., no valor total de R$21.963.251,94. Em relação à desmutualização da BM&F (outubro/2007), a contribuinte era detentora, à época, de 2 títulos de corretora de mercadorias, 1 de membro de compensação e 1 de sócio efetivo, o que lhe valeu a atribuição, em troca dos títulos patrimoniais, de 14.767.640 ações da BM&F S.A., no valor total de R$14.767.640,00. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 483 3 Informa a fiscalização que as ações foram contabilizadas pela contribuinte em contas do ativo permanente/investimentos. 1.2. Das ofertas públicas iniciais (IPO) Relata a fiscalização que, complementarmente à desmutualização, foram realizados, no mesmo ano de 2007, os processos de IPO (Initial Public Offering) das duas sociedades anônimas, por meio dos quais os acionistas ofertaram uma parte previamente definida de suas ações ao público em geral, efetivando a abertura de capital das duas empresas. Informa a fiscalização que, em 25/09/2007, a contribuinte outorgou procuração à Bovespa Holding S.A. (fls. 51 a 53), pela qual a autorizou a ofertar na IPO até 3.356.673 ações de sua titularidade, que correspondem a 30% das ações recebidas no processo de desmutualização. Em 30/10/2007, as 3.356.673 ações da Bovespa Holding S.A. detidas pela contribuinte foram vendidas na IPO pelo valor unitário de R$23,00, que resultou no total de R$77.203.479,00. Deduzindose o custo de R$7.485.380,79, restou um lucro de R$69.718.097,54, que não foi incluído pela contribuinte nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Em relação à BM&F, relata a fiscalização que, em 17/08/2007, ou seja antes da desmutualização, a contribuinte assinou um contrato, denominado "Instrumento Particular de Assunção de Obrigações" (fls. 35 a 47), pelo qual se comprometia, de forma irrevogável e irretratável, a vender 10% das ações que lhe seriam atribuídas ao investidor estratégico General Atlantic e 25% das ações na IPO. Em outras palavras, a contribuinte se comprometeu a vender 35% das ações que receberia, antes mesmo de recebêlas. Na IPO da BM&F S.A., as ações foram vendidas pelo valor unitário de R$20,00, em dois lotes: o lote principal em 30/11/2007 e o lote suplementar (green shoe) em 07/12/2007. Em 16/11/2007, ou seja, poucos dias antes da IPO propriamente dita da BM&F S.A., o fundo de investimentos General Atlantic (investidor estratégico) adquiriu 10% das ações pelo valor unitário de R$11,09. Na tabela abaixo, encontramse discriminadas as vendas de ações da BM&F S.A. de titularidade da contribuinte: Data Qtde ações Valor da venda (R$) Custo ( R $ ) Despesas com comissões (R$) Lucro (R$) 16/11/2007 1.476.764 14.736.627,96 1.476.764,00 414.099,25 12.845.764,71 30/11/2007 3.210.357 64.207.140,00 3.210.357,00 1.946.709,26 59.050.073,74 07/12/2007 481.553 9.631.060,00 481.553,00 293.142,39 8.856.364,61 20/12/2007 Valor complementar líquido, recebido pela venda de 16/11/2007 1.591.711,03 Alega a fiscalização que esses rendimentos não foram incluídos pela contribuinte nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 1.3. Da incidência de PIS e de COFINS A fiscalização sustenta que a contribuinte, na qualidade de corretora de valores, é tributada pelo PIS e pela COFINS nos termos da Lei n° 9.718/98. Acrescenta que os artigos 2º e 3º dessa lei determinam que as contribuições incidem sobre a receita bruta das pessoas jurídicas, sendo permitidas as exclusões previstas no §2° do art. 3º dessa lei. Alega a fiscalização que as receitas auferidas na venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. devem ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Argumenta que não se aplica ao caso a exclusão prevista no art. 3º , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98, que permite a exclusão da receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Inicialmente, alega que ações não são bens, são direitos, não estando portanto abrangidas pelo referido dispositivo legal. Ainda que sejam consideradas bens, entende a fiscalização que as ações vendidas nas duas ofertas públicas iniciais devem ser classificadas no ativo circulante e não no ativo permanente, como fez a contribuinte. A fiscalização argumenta que o art. 179 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S.A.) determina que devem ser classificados no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente (inciso I); e no ativo permanente/investimentos, as participações permanentes em outras sociedades (inciso III). Acrescenta que o Parecer Normativo CST n° 108, de 31/12/1978, esclarece o conceito de "participações permanentes em outras sociedades": "7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos — caso haja interesse de permanência — ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. " Portanto, conclui a fiscalização que, para classificar contabilmente as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. recebidas no processo de desmutualização, é preciso verificar qual era a intenção da contribuinte em relação a elas no momento em que as recebeu. Caso a intenção fosse mantêlas Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 484 5 em caráter permanente, deveriam ser classificadas no Ativo permanente; caso contrário, deveriam compor o ativo circulante. No caso das ações vendidas nas IPO, ressalta a fiscalização que a contribuinte tinha clara intenção de alienálas. Conforme já descrito neste relatório, mais de; um mês antes da IPO, a contribuinte outorgou procuração à Bovespa Holding S.A. para que a mesma adotasse os procedimentos necessários para realizar a oferta pública, autorizando a venda de 30% de suas ações. Em relação à BM&F S.A., a contribuinte se obrigou a vender 35% das ações que receberia na desmutualização antes mesmo de recebêlas. Portanto, as ações recebidas na desmutualização destinadas à venda nos processos de IPO deveriam ter sido contabilizadas no ativo circulante e não no ativo permanente como fez a contribuinte. Assevera a fiscalização que a própria Bovespa orientou as corretoras nesse sentido, conforme exposto no Ofício Circular n° 225/2007 (fls. 48 a 50): "Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores conta do COSIF n° 2.1.4.10). Em contrapartida à sua opção: registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n" 1.3.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n°2.1.5.10), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. " Portanto, conclui a fiscalização que as receitas decorrentes da venda das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. nos processos de IPO não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da COFINS nos termos do art. 3º , §2°, inciso IV da Lei n° 9.718/98, pois não configuram venda de bens do ativo permanente. A fiscalização também sustenta que as receitas em questão compõem o resultado operacional da contribuinte. Argumenta que o art. 11 do Decretolei n° 1.598/77 estabelece que "será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica." Alega a fiscalização que a compra e venda de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 ações de carteira própria constitui objeto social da contribuinte (art. 3o do estatuto social) e, portanto, compõe o resultado operacional. A tabela a seguir resume os ganhos líquidos mensais auferidos pela contribuinte com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. nos processos de IPO, sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS. Ganho líquido mensal (R$) Out/2007 Nov/2007 Dez/2007 BOVESPA Venda em 30/10 69.718.097,54 BM&F Venda em 16/11 12.845.764,71 Venda em 30/11 59.050.073,74 Venda em 07/12 8.856.364,61 Valor complementar recebido em 20/12 pela venda efetuada em 16/11 1.591.711,03 Soma 69.718.097,54 71.895.838,45 10.448.075,64 1.4. Dos autos de infração Em decorrência dos fatos acima descritos, foram lavrados autos de infração para a constituição dos créditos tributários abaixo discriminados: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/98; art. 1° da Medida Provisória n° 2.158/2001; art. 179 da Lei n° 6.404/76; art. 2o , inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o , 10 e 26 do Decreto n° 4.524/2002. 988.403,06 Juros de Mora (até 30/04/2010) Art. 61, § 3o , da Lei n° 9.430/96 240.391,74 Multa Proporcional Art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450/85; art.2° da Lei n° 7.683/88; art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 741.302,28 TOTAL 1.970.097,08 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/98; art. 1° da Medida Provisória n° 2.158/2001; art. 179 da Lei n° 6.404/76; art. 2o , inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o , 10 e 26 do Decreto n° 4.524/2002. 6.082.4.80,45 Juros de Mora (até 30/04/2010) Art. 61, § 3o , da Lei n° 9.430/96 1.479.333,89 Multa Proporcional Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91; art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 4.561.860,32 TOTAL 12.123.674,66 2. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 485 7 Cientificada das autuações em 27/05/2010 (fls. 55 e 61), a contribuinte apresentou, em 28/06/2010, a impugnação de fls. 88 a 121, acompanhada dos documentos de fls. 122 a 355. Inicialmente, a impugnante ressalta a tempestividade da impugnação e requer, em atenção ao princípio da economia processual, a reunião do presente processo com o processo n° 16327.000539/201004, que trata dos lançamentos de IRPJ e CSLL incidentes nas operações de desmutualização. Esclarece ainda que apresentou impugnações idênticas nos dois processos, abrangendo todas as matérias em discussão. A impugnação encontrase estruturada da seguinte forma: I. A TEMPESTIVIDADE II. ESCLARECIMENTO INICIAL III. O OBJETO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO IV. OS FATOS 4.1. O processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F 4.2. Venda de parte das ações da BOVESPA HOLDING S.A. c da BM&F S.A. V. A IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 5.1. Venda das ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F Não incidência do PIS e da COFINS 5.1.1. Títulos Patrimoniais Bens do Ativo Permanente 5.1.2. Títulos patrimoniais Mesma natureza das ações 5.1.3. A vedação de tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas auferidas na venda de bens do Ativo Permanente 5.2. Desmutualização da BOVESPA e da BM&F Não incidência de IRPJ e CSLL 5.2.1. Preliminarmente A decadência 5.2.2. Comprovantes do custo de aquisição dos títulos patrimoniais 5.2.3. A não incidência do IRPJ e CSLL no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F 5.2.3.1. Inaplicabilidade do artigo 17 da Lei n° 9.532/97 ao caso concreto 5.2.3.2. Atualização dos títulos patrimoniais – Natureza jurídica de equivalência patrimonial 5.2.3.3. Violação do princípio da irretroatividade das leis Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 8 5.3. Impossibilidade de aplicação de multas de ofício, isolada e juros de mora 5.3.1. O artigo 100 do CTN e a inexigibilidade da multa de ofício de 75% e dos juros de mora 5.3.2. Impossibilidade de aplicação de multa isolada VI. AS CONCLUSÕES E O PEDIDO A seguir, apresentamos, em síntese, os argumentos trazidos na impugnação. 2.1. Venda das ações da Bovespa Holding S.A. c da BM&F S.A. – Não incidência do PIS e da COFINS (subitem 5.1. da impugnação) A impugnante alega ser correto seu procedimento de classificar no ativo permanente todas ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. recebidas no processo de desmutualização. Alega que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F (associações civis sem Fins lucrativos) foram adquiridos com caráter de continuidade, pois a propriedade dos títulos patrimoniais constituía requisito essencial para que pudesse exercer suas atividades nas citadas bolsas. Argumenta que o valor dos títulos patrimoniais era atualizado periodicamente em virtude dos resultados operacionais das bolsas, recebendo o mesmo tratamento das participações societárias avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, em virtude do disposto no art. 23 do Decretolei n° 1.598/77, com a alteração do art. I o do Decretolei n° 1.648/78. Acrescenta que esse entendimento foi manifestado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB na Solução de Consulta n° 13/97. A impugnante sustenta que as ações recebidas no processo de desmutualização têm a mesma natureza jurídica e contábil dos títulos patrimoniais das antigas associações civis. Ressalta que não adquiriu os títulos patrimoniais com a intenção de vendê los, tanto é assim que permaneceu com os títulos patrimoniais por muitos anos e reconheceu os ganhos decorrentes desses títulos por equivalência patrimonial. Argumenta que o Cosif e o Parecer Normativo CST n° 108/78 determinam que a intenção de permanência ou não dos investimentos em participações societárias se manifesta no momento da aquisição, mediante sua inclusão no ativo permanente ou no ativo circulante. Alega que, na desmutualização, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações em valor equivalente. Ou seja, a impugnante continuou a deter o mesmo quinhão no patrimônio das entidades. Ressalta que a única diferença relevante, naquele momento, consistiu na possibilidade de alienar seu investimento, de natureza permanente, para outros investidores no âmbito das operações de IPO, e não mais a um grupo restrito de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 486 9 compradores, como ocorria quando se tratava da negociação dos títulos patrimoniais. A impugnante ressalta que, na Solução de Consulta SRRF/7ªRF n° 36/2006, a autoridade administrativa decidiu que a mera intenção de alienar participação societária classificada no ativo permanente não altera sua classificação como receita não operacional, sendo que a receita decorrente da venda não estaria sujeita à tributação pelo PIS e pela COFINS. Alega a impugnante que as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. se originaram de investimentos realizados há mais de 25 anos, não podendo sua venda ser tributada pelo PIS e pela COFINS, pois se trata de bens do ativo permanente. Argumenta que tal exclusão encontrase prevista no art. 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98. 2.2. Desmutualização da BOVESPA e da BM&F Não incidência de IRPJ e CSLL (subitem 5.2. da impugnação) Inicialmente, a impugnante alega que a matéria discutida na impugnação deve ser conhecida pela Delegacia de Julgamento, pois é diversa da constante dos mandados de segurança n° 2008.61.00.0011666 (IRPJ e CSLL incidentes na desmutualização da BM&F) e n° 2008.61.00.0011642 (IRPJ e CSLL incidentes na desmutualização da Bovespa). Preliminarmente, alega decadência do direito do Fisco de exigir o IRPJ e a CSLL sobre a atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F ocorrida antes de 2004, visto que o prazo decadencial, previsto no art. 150, §4°, do CTN, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Argumenta que declarou anualmente o valor atualizado de seus títulos patrimoniais e que, anteriormente à fiscalização de que trata o presente processo, nunca houve qualquer questionamento a esse respeito. A impugnante também alega que a fiscalização considerou custo de aquisição zero para alguns títulos. Todavia, esclarece que adquiriu, em 15/07/1985, títulos patrimoniais da BM&F das categorias sócio efetivo, membro de compensação e corretora de mercadorias no valor original de 12.000 ORTNs, equivalentes a R$465.187,36, conforme documentos de fls. 339 a 343. Conclui, assim, que os valores de IRPJ e de CSLL exigidos pela fiscalização devem ser reduzidos em respeito ao princípio da verdade material. A impugnante sustenta ser indevida a exigência de IRPJ e de CSLL nas operações de desmutualização da Bovespa e da BM&F. Alega que não auferiu nenhum ganho de capital nessas operações, pois o valor das ações recebidas da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. foi idêntico ao valor dos títulos patrimoniais detidos na Bovespa e na BM&F respectivamente. Argumenta que a substituição dos títulos patrimoniais se Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 10 equipara a uma permuta sem torna, pois houve a pura e simples substituição dos títulos por ações, sem nenhum acréscimo patrimonial. A impugnante alega que é indevida a aplicação ao caso do art. 17 da Lei n° 9.532/97, pois o dispositivo legal se refere a devolução de patrimônio, que constitui fato jurídico distinto do ocorrido na desmutualização. A impugnante argumenta, com base na Solução de Consulta n° 7/2002, que a simples transformação de uma associação civil sem fins lucrativos em sociedade com fins lucrativos não enseja a incidência tributária. Alega que às entidades sem fins lucrativos aplicase o art. 22 da Lei n° 9.249/95, que determina que, na devolução dos valores investidos, somente haverá ganho de capital se a devolução se der por valor de mercado, inexistindo qualquer ganho se a devolução for feita pelo valor contábil, como ocorreu no presente caso. Sustenta a impugnante que os títulos patrimoniais têm o mesmo tratamento tributário dispensado às participações societárias avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, por força do art. 23 do Decretolei n° 1.598/77, com a alteração do art. I do Decretolei n° 1.648/78. Acrescenta que estava obrigada, em razão das regras do Cosif e da Portaria MF n° 785/77, a avaliar os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F pelo método da equivalência patrimonial. Argumenta que a Portaria MF n° 785/77, os artigos 225 c 389 do RIR/99 e o art. 32 da Lei n° 8.981/95 reconhecem expressamente que as variações positivas decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser excluídas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A impugnante também alega que a própria RFB, na Solução de Consulta 13/97, manifestou o entendimento de que a reserva de atualização dos títulos patrimoniais teria a mesma natureza de equivalência patrimonial, devendo receber o mesmo tributário. A impugnante conclui, assim, que o valor correspondente à atualização "Os títulos patrimoniais não poderia sofrer a incidência do IRPJ e da CSLL no processo de desmutualização da Bovespa e da BM&F. Ad argumentandum, a impugnante alega que a Lei n° 9.532/97 teve eficácia somente a partir de 01/01/1998. Assim, o IRPJ e a CSLL não podem ser exigidos em relação às atualizações dos títulos patrimoniais ocorridas antes dessa data, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade das leis. 2.3. O artigo 100 do CTN e a inexigibilidade da multa de ofício de 75% e dos juros de mora (subitem 5.3.1 da impugnação) A impugnante alega que, à época da venda das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., havia o entendimento pacífico das autoridades administrativas, corroborado pelo art. 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98, de que não haveria a incidência do PIS e da COFINS na venda de bens do ativo permanente. Da mesma forma, em relação ao IRPJ e à CSLL, Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 487 11 existia uma Solução de Consulta da Receita Federal determinando que a avaliação dos títulos patrimoniais deveria ser feita pelo método da equivalência patrimonial. Argumenta que seu procedimento estava em plena consonância com a prática reiterada das autoridades fiscais. Assim, com base no art. 100 do CTN, requer que sejam excluídas a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados com base na taxa Selic. 2.4. Impossibilidade de aplicação de multa isolada (subitem 5.3.2 da impugnação) A impugnante também se insurge contra a exigência de multa isolada sobre as estimativas mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas. Sustenta que as multas isoladas não podem ser aplicadas cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44,1, da Lei n° 9.430/96. A corroborar seu entendimento, cita diversas decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2.5. Do pedido Ante o exposto, a impugnante requer a reunião deste processo administrativo com o processo n° 16327.000539/201004, além do acolhimento integral da impugnação e do cancelamento integral dos autos de infração. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 17/03/2011, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das bolsas de valores, subscritas pela contribuinte com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Ã O PARA O P I S / PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 12 Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das bolsas de valores, subscritas pela contribuinte com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 CONEXÃO. REUNIÃO DE PROCESSOS. Autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Tratandose de processos relativos a fatos distintos, ainda que ocorridos dentro do mesmo contexto, incabível a reunião de processos, mormente se, no caso concreto, é verificado que cada autuação tem fundamento próprio, existência autônoma e a decisão a ser proferida não depende da decisão de outro processo. MATÉRIA IMPERTINENTE AO CONTENCIOSO. Não há que se discutir ou apreciar alegações da impugnante relativas a procedimentos fiscais que não são pertinentes ao litígio do caso concreto por estarem contidos e serem objetos de outro processo administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 6/4/11, tendo protocolado seu recurso voluntário em 5/5/11, com os argumentos abaixo sintetizados. Aduz que os valores auferidos em decorrência da venda de bens (ações) constantes do Ativo Permanente da recorrente jamais poderiam ser tributados pelo PIS e pela COFINS, pois as naturezas jurídica e contábil desses títulos patrimoniais, mesmo depois de substituídos por ações em decorrência do processo de desmutualização, sempre foram de investimento permanente, com o objetivo de permitir a consecução de suas atividades, bem como produzir renda. No presente caso, os títulos patrimoniais se enquadrariam nas participações permanentes voluntárias em outras sociedades, pois foram adquiridos pela recorrente com caráter de continuidade, com o objetivo de permitir a consecução de suas atividades. Esclarece que no processo de desmutualização, que acarretou a transferência de ativos da BOVESPA e da BM&F para a BOVESPA HOLDING S.A. e BM&F S.A., era necessário para abrir o capital dessas Bolsas e realizar a Oferta Inicial de Ações ("IPO"). Ou seja, foi feita uma reorganização societária que culminou na substituição de títulos patrimoniais em ações, sem que isso implicasse em qualquer alteração na natureza do investimento feito pela recorrente. Ora, como resultado do processo de desmutualização, a Recorrente continuou a ter um investimento na BOVESPA e da BM&F, investimento detido há mais de 15 (quinze) anos. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 488 13 Após o processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, tais títulos foram substituídos por ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A., mas a natureza contábil continuou a mesma, sendo que a única diferença existente era que as ações poderiam ser negociadas em Bolsa, enquanto os títulos patrimoniais não. Em outro ponto, alega que o acórdão estaria confundindo a receita auferida na venda dessas ações com a receita relativa às operações diariamente realizadas pela recorrente. A receita auferida na venda dessas ações foi em decorrência de uma oportunidade de vender bens do seu Ativo Permanente. Já a receita operacional, seja decorrente de negociações de títulos e valores mobiliários por conta própria, seja de terceiros, é totalmente distinta. Afirma que a receita operacional da Recorrente é preponderantemente obtida por meio de corretagens cobradas dos seus clientes. A Fiscalização entende que, pelo fato do objeto social da recorrente constar a possibilidade de negociar títulos e valores mobiliários por conta própria, significaria dizer que a venda das ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A. seriam caracterizadas como receitas operacionais, alegação essa que não pode ser admitida. Aduz que o COSIF prevê que a intenção de permanência ou não dos investimentos em participações societárias se manifesta no momento da aquisição, mediante sua inclusão no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, ou registro no Ativo Circulante. E foi essa a forma contábil que a recorrente adotou, quando adquiriu os títulos originalmente, que depois foram substituídos por ações. Contesta ainda a afirmação de que o Ofício Circular n° 225/2007, emitido pela BOVESPA, o qual orienta os seus associados como devem contabilizar tais ações, pode ser considerado como uma norma contábil. Ora, como constou do próprio v. acórdão recorrido, esse Ofício Circular n° 225/2007 não faz parte da legislação tributária e não vincula os contribuintes aos termos desse documento. Além disso, a conta contábil "Ações e Cotas", do Ativo Permanente, é muito clara ao prever que lá devem ser contabilizadas as ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A. Defende que não se pode admitir que os compromissos firmados pela Recorrente em alienar determinada quantidade de ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A no processo de IPO resultem na descaracterização de sua classificação como ativos permanentes, razão pela qual o ganho de capital auferido em tais operações não está sujeito à tributação pelo PIS/COFINS. Isso porque a mera intenção ou obrigação de vender um ativo permanente não altera a natureza contábil de referido ativo, implicando a sua classificação como ativo circulante. Afirma a impossibilidade de tributação, pelo PIS e pela COFINS, das receitas auferidas em decorrência da venda de parte de suas ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A., tendo em vista serem bens do Ativo Permanente da recorrente. Salienta ainda que em novembro de 2005, o Pleno do C. Supremo Tribunal Federal ("STF"), ao julgar os Recursos Extraordinários ("REs") n°s 346.084/PR, 357950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 30 da Lei n° 9.718/98, consolidando seu entendimento de que a contribuição ao PIS e a COFINS somente podem incidir sobre o faturamento, entendido como o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ainda que delas não seja expedida uma fatura. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 14 Dessa forma, não haveria qualquer dúvida a respeito da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98 (que dispunha sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre quaisquer receitas, independentemente de sua classificação contábil), que deve ser reconhecida no presente caso. Portanto, a receita auferida pela recorrente em decorrência da alienação de ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A. é não operacional e, portanto, não deve estar sujeita à incidência do PIS e da COFINS. Vale esclarecer que o artigo 3º, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, se destinava, indistintamente, a todas as pessoas jurídicas, independentemente de sua atividade. Assim, se tal dispositivo é inconstitucional, o é para todos os contribuintes brasileiros, não se admitindo que o seja para as empresas comerciais e prestadoras de serviços e não o seja para as instituições financeiras. Vale destacar que, diferentemente do que consta do relatório de fiscalização, corroborado pelo v. acórdão recorrido, a natureza jurídica das receitas da recorrente não se modifica em função do seu objeto social. Ou são financeiras, como é o caso, ou são de prestação de serviços ou de venda de mercadorias, não podendo ser admitida mais de uma classificação jurídica ao mesmo tempo. Por fim, tecer algumas considerações acerca da improcedência e ilegalidade da imposição da multa de ofício de 75%, bem como dos juros de mora aplicados. Aduz que o artigo 100 do CTN determina que entre as normas complementares à legislação tributária se encontram as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, sendo que a observância dessas normas exclui a possibilidade de imposição de multas ou cobrança de juros de mora. Recorda que à época da venda das ações da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A., havia o entendimento pacífico das autoridades administrativas, corroborada pelo artigo 30, §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98, de que não haveria a incidência do PIS e da COFINS na venda de bens do Ativo Permanente. Assim sendo, ante o que determina o artigo 100 do CTN, e tendo a recorrente agido à época dos fatos geradores objeto do lançamento ora contestado em conformidade com o entendimento e as práticas reiteradamente observadas pelas DD. Autoridades Fiscais requer, na hipótese de se entender devido o valor do principal ora exigido, o que se admite a título argumentativo, que sejam excluídas a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados com base na Taxa SELIC. Por fim, a recorrente pleiteia seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário e o cancelamento integral da exigência contribuições, multas e juros consubstanciada nos Autos de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 489 15 O presente auto de infração tem por objeto a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas obtidas com a alienação de ações nas ofertas públicas iniciais (IPO) da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A, ações estas recebidas pela contribuinte em decorrência do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A BM&F e a Bovespa eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, regidas por seus respectivos estatutos e pelos artigos 53 e seguintes do Código Civil, com seus patrimônios representados por títulos de propriedade detidos pelos associados. Tais títulos, representativos do patrimônio daquelas entidades, eram exigidos das sociedades corretoras e das distribuidoras de valores mobiliários para que pudessem operar no mercado de capitais por meio da BM&F e da Bovespa. Em 2007, seguindo a estruturação de mercado global, e com o objetivo de permitir a obtenção de lucro com as suas atividades, ambas as Bolsas decidiram pelo processo de desmutualização. Com a desmutualização, a Bovespa e a BM&F deixaram de ser associações sem fins lucrativos, transformandose em sociedades por ações. Tal fato ocasionou grandes mudanças nas suas estruturas societárias. A desmutualização da Bovespa, formalizada em 28/8/2007, foi iniciada com entrega da participação societária da Bovespa Serviços na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) para a Bovespa, em razão da redução do capital da Bovespa Serviços com devolução aos acionistas. A Bovespa foi então objeto de operação de cisão parcial, com a incorporação das parcelas cindidas na Bovespa Holding S/A e na Bolsa de Valores de São Paulo (BVSP). A Bovespa Holding, sociedade criada com o fim de concentrar as participações societárias na BVSP e na CBLC, formalizou a incorporação das ações da BVSP e da CBLC, tornandose, assim, controladora integral de ambas as sociedades. Foi ainda constituída a Bovespa Supervisão de Mercados (BSM), associação sem fins lucrativos, criada com objetivo de analisar, supervisionar e fiscalizar o mercado de forma independente. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços. Já a desmutualização da BM&F foi efetivada em 20/9/2007, de forma semelhante a da Bovespa: foi formalizada a cisão parcial da BM&F Associação, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades – BM&F Holding S/A e BM&F Serviços S/A, com a posterior incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 16 Em consequência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Em relação a recorrente, constatase que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F que possuía eram contabilizados no ativo permanente, conta investimento, por força do Plano Contábil das Instituições Financeiras (COSIF). Quando ocorreu a chamada desmutualização a recorrente recebeu ações da Bovespa Holding e da BM&F Holding em substituição aos referidos títulos, e as contabilizou também no ativo permanente. Complementarmente a desmutualização, a Bovespa Holding e a BM&F Holding realizaram processos de Oferta Pública Inicial – IPO, por meio dos quais os acionistas ofertaram uma parte previamente definida de suas ações ao público em geral, efetivando a abertura de capital das duas empresas. A recorrente, em 25/09/2007, outorgou procuração à Bovespa Holding S.A., pela qual a autorizou a ofertar na IPO até 3.356.673 ações de sua titularidade, que correspondem a 30% das ações recebidas no processo de desmutualização. Tais ações foram efetivamente vendidas na IPO, em 30/10/2007. Em relação à BM&F, a recorrente, em 17/8/2007, assinou um contrato, denominado "Instrumento Particular de Assunção de Obrigações", pelo qual se comprometia, de forma irrevogável e irretratável, a vender 10% das ações que lhe seriam atribuídas para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), bem como 25% das ações na IPO. Em 16/11/2007, o General Atlantic adquiriu as ações pactuadas. Já no IPO da BM&F S.A., as ações foram vendidas em dois lotes: o lote principal em 30/11/2007 e o lote suplementar (green shoe) em 07/12/2007. E são justamente estas operações que geraram a autuação. A contribuinte, entendendo que as receitas com as vendas destas ações não seriam atingidas pela Cofins e pelo PIS, dado as ações estarem contabilizadas em seu ativo permanente, não as submeteu a tributação. Já o Fisco, entendendo serem devidas as contribuições, efetuou o lançamento dos tributos não recolhidos. A controvérsia, portanto, se prende a definição dos efeitos jurídicotributários advindos do processo de desmutualização da Bovespa e da BM&F, especificamente em relação à incidência de PIS e Cofins sobre as vendas das ações das sociedades incorporadoras do patrimônio das Bolsas, recebidas em substituição aos títulos patrimoniais que possuía. Antes de adentrarmos na objetivamente na lide, mostramse necessários alguns esclarecimentos. Inicialmente, afirmase que o Direito pátrio não permite que associações civis sem fins lucrativos realizem operações societárias próprias de sociedades. O artigo 44 do Código Civil dispõe que são pessoas jurídicas de direito privado as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada. As associações civis, como eram a Bovespa e a BM&F, caracterizamse, segundo conceito estabelecido pelo Código Civil, pela união de pessoas para fins não Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 490 17 econômicos. As normas referentes as associações restaram definidas na Livro I, Título II deste Código, particularmente em seu capítulo 2. Já as sociedades empresariais tem suas prescrições definidas no Livro II do Código Civil e na Lei nº 6.404/76. Quanto às operações societárias, estas podem ser conceituadas como mutações no tipo ou estrutura da sociedade empresária. São diferenciadas em quatro tipos, quais sejam: transformação, incorporação, fusão e cisão. Esclarecese ainda que a estrutura adotada pela sociedade é determinante para definição da legislação a ser aplicada. Quando tem por sujeito uma sociedade anônima, essa operações seguem a disciplina da Lei nº 6.404/76 (artigos 220 a 234). Quando envolvem outra espécie societária, tais transformações são regidas pelo Código Civil (artigos 1.113 a 1.122). Como exceção, temos a cisão total, que, diante da omissão do Código Civil, é regida pela Lei 6.404/76 independentemente da espécie societária envolvida. A Lei 6.404/76 trata da cisão em seu artigo 229, nos seguintes termos: Cisão Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléia geral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 18 § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) (grifo nosso) Na cisão, uma sociedade empresária transfere para outra, ou outras, constituídas para esta finalidade ou já existentes, parcelas de seu patrimônio, ou a totalidade dele. Neste ponto, merece destaque o disposto no caput deste artigo, que restringe a possibilidade de realizar a operação de cisão às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade. Ressaltese que o legislador nem poderia ter feito diferente, sob pena de subverter a própria natureza jurídica da associações. As sociedades – simples ou empresárias – têm como elemento de origem um contrato entre os sócios. Este contrato os vincula em direitos e obrigações recíprocos. Os direitos consistem na divisão dos lucros; as obrigações, no aporte de bens, valores ou direitos ao patrimônio social. Nas associações, diferentemente, não há este contrato plurilateral. Os associados vinculamse ao estatuto, que formaliza a atuação da associação segundo as finalidades que objetiva. E é justamente esta natureza inteiramente diversa das associações em relação as sociedades que impede a adoção das mesmas operações societárias. Por este motivo, para que uma associação modifique sua natureza e se transforme em uma sociedade é imprescindível a interrupção de sua personalidade jurídica. Tal entendimento é corroborado pela leitura da legislação civil. O Código Civil, como já explicitado, não permite as associações a adoção de operações societárias, mas estabelece em seu art. 61 as regras para o caso de dissolução destas: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (grifo nosso) Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 491 19 A leitura da previsão lançada no art. 1.113 do Código Civil, também reforça a conclusão da necessidade de extinção das associações civis sem finalidades de lucro (BV e BMF), na medida em que, ao permitir a transformação, silencia quanto a estas modalidades de pessoas jurídicas, reportandose tão somente às sociedades. A restrição a prática das operações societárias é prevista de forma mais explícita no artigo 23 da IN nº 88/2001 do DNRC, órgão responsável por estabelecer e consolidar, com exclusividade, as normas e diretrizes gerais do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins: Art. 23. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais. (grifo nosso) Por fim, é necessário um esclarecimento acerca do art. 2.033 do Código Civil. Este dispositivo não possibilita a utilização da operação cisão às associações; ele apenas se destina a definir qual a lei a ser aplicada em caso de conflito de normas. Assim, este artigo apenas reafirma que as modificações dos atos constitutivos destas pessoas jurídicas regemse pelo Código Civil – situação que, no tocante as associações, está prevista no artigo 61. Aplicandose o entendimento acima a lide, temos que, ao final do processo de reestruturação pela qual passou a Bovespa e a BM&F, as associações civis sem fins lucrativos obrigatoriamente foram parcialmente dissolvidas, sendo constituídas em seu lugar sociedades anônimas. A luz deste entendimento, resta agora verificarmos as consequências jurídico tributárias da conversão de títulos patrimoniais dos associados em ações ordinárias da Bovespa Holding S/A e BM&F Holding S/A. Salientase que, do ponto de vista tributário, os fatos são tributados abstraindose de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Prosseguindo, temos que, conforme previsto no artigo 61, já transcrito, não é permitida a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa, sendo permitido, contudo, a restituição aos associados das contribuições destes à associação. E é justamente desta restituição que estamos tratando neste processo. Em que pese a denominação dada pela requerente, materialmente o que ocorreu foi que, com a desmutualização, as associações sem fins lucrativos Bovespa e BM&F foram parcialmente dissolvidas, sendo extintos seus títulos patrimoniais. Tal fato, embasado no §1º do artigo 61 do Código Civil, resultou na restituição do patrimônio aos seus respectivos associados. E os títulos patrimoniais foram devolvidos ao respectivo patrimônio dos associados na forma de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, novas sociedades constituídas em decorrência do processo de desmutualização. Não se trata, portanto, de uma mera transformação dos títulos patrimoniais em ações das novas companhias. Nem poderia ser, dada a natureza jurídica de um ser completamente diferente da natureza jurídica do outro. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 20 Tal entendimento, inclusive, já se encontra pacificado no âmbito dos TRFs da 3ª e 2ª Região, que analisaram a incidência de imposto de renda e da contribuição social sobre lucro líquido sobre valor correspondente a atualização de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F que foram convertidos em ações. As ementas abaixo transcritas deixam claro este entendimento: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “desmutualização”, deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de desmutualização trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da desmutualização. [...] Recurso desprovido. (AC 2008.51.01.0065590, TRF2, 2ª Turma, 9/8/2012, relator Theophilo Miguel)(grifo nosso) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRPJ. CSSL. BOVESPA – BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO, BM&F – BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 13, DE 10/11/97, PROFERIDA ANTERIORMENTE À LEI 9.532 DE 10/12/97. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO FAZENDÁRIO, QUE SE CONFORMA À LEI VIGENTE APLICÁVEL À HIPÓTESE. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I. As Bolsas de Valores, nos termos da Lei 6.385/76 são órgãos integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários, voltandose à realização do interesse geral do mercado. Conquanto pessoas jurídicas de direito privado, exercem serviço público. Constituídas originariamente como associações sem fins lucrativos colaboradoras com o poder público, assembléias gerais extraordinárias vieram de aprovar a “desmutualização” das Bolsas, acarretando a conversão dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos Agravantes, em ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. II. A noticiada “desmutualização” alterou a situação jurídico tributária então existente, ensejando a incidência fiscal, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 492 21 [...] VI. Agravo a que se nega provimento. (AG 2007.03.00.1051159, TRF3, 4ª Turma,8/5/2008, Rel. Salette Nascimento MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSSL. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". TÍTULOS PATRIMONIAIS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. PORTARIA MF 785/77. DECRETOLEI 1.109/70. CTN: ART. 111. LEI 9.532/97, ART. 17. 1. Com a operação de "desmutualização" das Bolsas, ocorrida no ano de 2007 em que as mesmas deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos e passaram a se constituir em sociedades anônimas, ocorreu a substituição dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos impetrantes por ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, alterando a situação jurídicotributária então existente. 2. De fato, superando o biênio inicial de vigência do NCC não mais se viabilizaria a transformação de entidades associativas em sociedades, ante o silêncio do seu art. 1.113, quanto àquelas, destinadas a extinção, nos casos da espécie, facultado o retorno das contribuições vertidas ao patrimônio associativo (NCC: art. 61, §§ 1º e 2º), o que se operou através da substituição dos títulos patrimoniais dos associados pelas ações das novas sociedades, estas com e aquelas sem finalidade lucrativa. 3. Hipótese em que opera efeitos a previsão do art. 177 e § 2º da Lei nº 6.404, de 1976, desde sua redação original, exsurgindo as conseqüências tributárias advindas dos novos lineamentos civis, sem que necessário perquirir acerca da validade das deliberações sociais tomadas em prol da "desmutualização" operada. [...] 8. Apelo da União e remessa oficial a que se dá provimento. (AC nº 000812150.2008.4.03.6100/SP, TRF3, 3ª Turma, 6/12/2012, Rel. Roberto Jeuken) (Grifo nosso) Interessante trazer a este processo, em relação ao último acórdão citado, excerto do voto vista proferido por Marcio Moraes, no qual é tratada a possibilidade ou não de uma associação civil ser cindida/transformada em sociedade: [...]De nossa parte, entendemos por despicienda tal discussão. Isso porque, considerandose as especificidades que cercam a "desmutualização" da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo Bovespa e da Bolsa Mercantil e de Futuro BM&F, qualquer entendimento que se adote extinção ou transformação das associações a conclusão será idêntica, qual seja, a de que houve, efetivamente, a devolução dos seus patrimônios aos associados. Explicase. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 22 Admitindose a possibilidade de transformação de uma associação em pessoa jurídica de natureza diversa no caso, sociedade anônima a consequência lógica é a dissolução da primeira (associação), na medida em que deixa de subsistir, dando lugar a uma pessoa jurídica totalmente distinta. Nesse contexto, é que devem ser observadas as disposições do artigo 61 do Código Civil, segundo o qual: "Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. (...)." Assim, dissolvida a associação, seja pela sua extinção, seja por sua transformação, o destino do seu patrimônio deve ser aquele, legalmente, previsto, conforme dispositivo supratranscrito, não se podendo admitir destinação distinta. Percebase que, a se entender em sentido contrário, haveria possibilidade de burla, com manifesta ofensa ao ordenamento jurídico, na medida em que, para se dar destino diverso ao patrimônio da associação, bastaria a convolação desta em sociedade comercial que, sabese, possui livre disposição do seu patrimônio. Forçoso, assim, concluir que, por ocasião da chamada "desmutualização", houve a efetiva devolução aos associados dos patrimônios das associações das quais faziam parte, na forma de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, a legitimar a incidência das exações, nos precisos termos da Lei nº 9.532/97[...] Em sendo esta a situação constante dos autos, claro está que a transformação de associação sem fins lucrativos para sociedade anônima ensejou na modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos. As ações da Bovespa Holding SA. e da BM&F Holding SA. que foram recebidas pela recorrente tem natureza distinta dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F. São novos bens que ingressaram no patrimônio da recorrente, inexistindo a alegada continuidade em relação aos títulos patrimoniais. Em consequência, tratandose de novos bens ou direitos, a escrituração das ações recebidas não deve, necessariamente, continuar sendo feita no Ativo Permanente, assim como eram escriturados os títulos patrimoniais. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 493 23 Tal entendimento também encontra amparo em decisões do TRF da 3ª Região, como a citada abaixo: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade [...] 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 24 13. Apelação improvida. (Apelação Cívil nº 000870605.2008.4.03.6100/ SP, TRF 3, 3ª Turma,5/7/2012, Rel. Rubens Calixto) (grifo nosso) Ultrapassada a análise da desmutualização das Bovespa e da BM&F e da aquisição das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, passase a análise da forma correta de escrituração destes ativos. Constatase aplicável a espécie o disposto no artigo 179 da Lei nº 6.404/1976: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Tal dispositivo foi analisado pelo Parecer Normativo CST nº 108/1978, que teceu as seguintes considerações, com as quais filiamse este conselheiro: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza '. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 494 25 não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. Assim, em decorrência deste dispositivo, mostrase correto o enquadramento dado pela recorrente em relação a seus títulos patrimoniais, dado estes serem necessários para o exercício de sua atividade de operar nas Bolsas. Em relação às ações recebidas em decorrência da desmutualização, contudo, a conclusão depende da verificação de outros fatos. A legislação dispõe de duas alternativas para a escrituração destas ações: no ativo circulante, caso se tratem de direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, ou em investimentos, caso se tratem de participações permanentes em outras sociedades. A primeira informação importante para a lide é a da extinção da regra que exigia das corretoras, para operarem no mercado, a propriedade de títulos patrimoniais ou ações das Bolsas. Em não sendo a titularidade das ações exigida para que a recorrente exercese suas atividades, mostrase fundamental a análise do aspecto volitivo destas aquisições; devese perquirir, portanto, qual a intenção da recorrente no momento em que efetuou a escrituração das ações em sua contabilidade. Retornandose aos fatos trazidos aos autos, temos anexado à fl. 39 documento denominado “Instrumento Particular de Assunção de Obrigações”, celebrado entre a Associação Civil BM&F e a requerente em 17/8/2007, no qual a requerente se compromete, de forma irrevogável e irretratável, a alienar 35% das Ações que a ela forem atribuídas em decorrência do processo de desmutualização da BM&F, sendo 10% destinado para determinado Investidor Estratégico (General Atlantic) e os demais 25% em IPO realizado após a conclusão do processo de desmutualização. Ressaltese que, por este contrato, era permitido aos detentores de títulos patrimoniais a decisão entre alienálas ou não, tendo a recorrente decidido pela alienação destas ações. Posteriormente, em novembro e dezembro de 2007, efetivouse a venda de 35% das ações da recorrente, em conformidade com o previsto no compromisso firmado pela recorrente. Já às fls. 55 temos anexada procuração outorgada pela recorrente, datada de 25/9/2007, concedendo à Bovespa Holding SA. diversos poderes, entre eles os de: (i) praticar todos os atos necessários à obtenção de registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Companhia, escriturais e nominativas, sem valor nominal, inclusive no que se refere à distribuição, Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 26 alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia adicionais, conforme previsto no artigo 14, § 2°, da Instrução CVM 400 ("Ações Adicionais"), e à outorga de opção de lote suplementar, conforme prevista no artigo 24 da instrução CVM 400 ("Lote Suplementar") ("Oferta"): (ii) atuar na negociação e acompanhamento dá formação do preço por ação ordinária no âmbito da Oferta, por meio de procedimento de coleta de intenções de investimento ("Bookbuilding"). ficando, desde logo, autorizada a realizar a Oferta de até 3.356.673 ações ordinárias de emissão da Companhia de titularidade do Outorgante, incluídas nesse montante eventuais Ações Adicionais (Hot Issue) e de um eventual Lote Suplementar (Green Shoe), conforme artigos 14, §2° e 24 da Instrução CVM 400 ("Ações Ofertadas"), desde que o preço por ação ordinária de emissão da Companhia seja fixado no Bookbuilding em, no mínimo, R$ 14,50 (quatorze reais e cinqüenta centavos. Constatase que a quantidade de 3.356.673 ações destinadas ao IPO da Bovespa Holding S. A. corresponde a 30% das ações recebidas pela recorrente no processo de desmutualização. Tais ações foram efetivamente vendidas em 30/10/2007. Em sendo estes os fatos, temos que a recorrente, ao receber as ações da BM&F e da Bovespa, claramente tinha o intuito de alienálas, pelo menos nos percentuais acima relatados. Em sendo estes os elementos trazidos aos autos, mostrase incorreta a escrituração procedida pela recorrente destas ações no ativo permanente investimentos, dado não se tratarem de participações permanentes em outras sociedades, mas sim de ações adquiridas com a intenção de venda. Desta forma, a escrituração contábil correta destas ações é no ativo circulante. Ressaltese que foi anexado, à fl. 52, ofício circular emitido pela Bovespa informando sobre as assembléias que deliberaram pela nova estrutura da Bovespa, bem como sobre a forma como será procedida a conversão dos títulos patrimoniais da Bovespa em ações de emissão da Bovespa Holding SA. Neste ofício, a Bovespa, em sintonia com o entendimento exposado neste voto, assim orienta a forma de contabilização desta ações: Com o propósito de orientálos quanto à conversão dos títulos patrimoniais da BOVESPA e das ações de emissão da CBLC, em ações de emissão da BOVESPA Holding S.A., exemplificamos a seguir os lançamentos contábeis que poderão ser efetivados na contabilidade das associadas da BOVESPA e acionistas da CBLC. 1) Detentores de Títulos Patrimoniais da BOVESPA Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores – conta do COSIF n° 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 495 27 a) registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou b) manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n° 2.1.5.10.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Diante do exposto, concluise que a recorrente, ao fim do processo de desmutualização da Bovespa e da BM&F, obteve ações com a intenção de negociálas em curto período, tendo efetivado a venda desta ações ainda no mesmo exercício de sua aquisição. Assim, como já explicitado, a escrituração contábil correta destas aquisições é no Ativo Circulante, e não no Ativo Permanente, como procedido pela recorrente. Recordase que, para efeitos tributários de caracterização do fato gerador, a luz do artigo 118, I e II do CTN, os fatos são tributados abstraindose de sua legitimidade formal. Assim sendo, verificarseá a adequação dos fatos ora tributados de acordo com a materialidade destes, independentemente da forma como foram escriturados pela recorrente em sua contabilidade. Dito isto, resta claro que não se está desconsiderando os negócio jurídicos praticados pela recorrente, mas sim atribuindo os efeitos de acordo com o previsto na legislação tributária. Como relatado, as receitas obtidas pela recorrente com a venda das ações foi considerada pela autoridade fiscal como passíveis de tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins, de acordo com o previsto nos artigo 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Tributase, segundo estes dispositivos, o faturamento das pessoas jurídicas, compreendido este como a receita bruta operacional auferida, ou, de forma mais específica, como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Assim temos que o conceito de faturamento, para fins de tributação do PIS e da Cofins, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, No caso concreto, tratase a recorrente de sociedade corretora de valores mobiliários e, de acordo com o art. 3º de seu Estatuto Social, tem por objeto exercer as atividades típicas de sociedade corretora, conforme prescrito no art. 2° do Regulamento Anexo à Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 1.655. de 26.10.1989. Dentre as atividades que constituem o objeto da recorrente, previstas no art. 3o de seu Estatuto Social, destacase a definida em seu inciso IV: Art. 3o. A companhia tem por objeto: [...] Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 28 IV comprar e vender títulos mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; (grifo nosso) Constatase, desta forma, que a compra e venda de ações de carteira própria constitui objeto social da recorrente. Como consequência, a alienação das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holdinsg SA. pertencentes a recorrente caracteriza as receitas decorrentes destas operações como receitas brutas operacionais. Em outras palavras, como a compra e venda de ações por conta própria se inclui entre as atividades da recorrente, a receita foi percebida em decorrência de atividade típica, de forma que o resultado financeiro positivo destas operações de compra e venda se caracteriza como receita bruta/faturamento da recorrente. Seguindo com o raciocínio, diante da natureza das receitas auferidas pela recorrente, concluise que as mesmas sujeitamse à incidência do PIS e da Cofins. Cabe realçar que este colegiado tem proferido decisões com o mesmo entendimento, como a abaixo colecionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. (Ac 3202000.711,23/4/2013, 3ª Seção, 2ª Cam,2ª TO, rel. Luís Eduardo Garrossino Barbieri) A recorrente contesta a inclusão destas receitas em sua base de cálculo baseada em decisões judiciais de efeito vinculante, que afastariam a incidência sobre receitas financeiras. Em atenção ao alegado, esclarecese que o STF, no julgamento dos Recursos Extraordinários n°s 346.084/PR, 357950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, definiu que a base Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.000540/201021 Acórdão n.º 3201001.480 S3C2T1 Fl. 496 29 de cálculo do PIS e da Cofins corresponde ao faturamento das empresas, definindo este como restrito a suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Em decorrência deste entendimento foi declarada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliava a base de cálculo da contribuição sem prévio respaldo constitucional. Quanto ao Auto de Infração objeto deste processo, o mesmo tem por fundamento o caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, que definem a base de cálculo contribuições com base no seu faturamento. Tais dispositivos não foram declarados inconstitucionais pela Suprema Corte. Desta forma, a discussão sobre a inclusão das receitas operacionais auferidas pela recorrente no conceito de faturamento para fins de incidência do PIS e da Cofins não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não interferindo no processo em julgamento. A recorrente defende ainda o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora, com base no art. 100 do CTN, sob a alegação de que, na época da venda das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., havia o entendimento pacífico das autoridades administrativas de que não haveria a incidência do PIS e da COFINS na venda de bens do ativo permanente. Em que pese o alegado, restou definido neste julgado que as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A foram indevidamente escrituradas no ativo permanente; a receita com as vendas destas ações são tributadas pelo PIS e pela Cofins devido a se caracterizarem como receita bruta operacional. Não se trata, portanto, de uma mudança de entendimento frente a uma prática reiterada da administração – qual seja a de incidir o PIS e a Cofins sobre as vendas de bens do ativo permanente. As vendas do ativo permanente permanecem não se sujeitando a tributação destas contribuições. Desta forma, não se está diante de uma situação que permita a aplicação do art. 100 do CTN, mostrandose correta a exigência da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI 30 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10850.906250/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 25 0/ 20 11 -6 9 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906250/201169 Resolução nº 3803000.393 S3TE03 Fl. 310 2 O crédito que se pretende compensar na declaração de compensação destes autos encontrase em discussão no processo administrativo nº 10850.906016/201131, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão deste processo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa não homologara a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906250/201169 Resolução nº 3803000.393 S3TE03 Fl. 311 3 Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 27 de junho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26 de julho do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, bem como a homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906250/201169 Resolução nº 3803000.393 S3TE03 Fl. 312 4 argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; k) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 1999 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906250/201169 Resolução nº 3803000.393 S3TE03 Fl. 313 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Consta da Declaração de Compensação o nº do Pedido de Restituição (PER) em que o crédito fora pleiteado, pedido esse em discussão no processo administrativo nº 10850.906016/201131, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão. Como o encaminhamento dado ao processo nº 10850.906016/201131 foi de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se confirmar o direito creditório pleiteado, a este processo deve ser dada a mesma destinação, pois que dependente do resultado que se apurar naqueles autos. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a este processo sejam juntados os resultados da diligência determinada no processo nº 10850.906016/201131, devendo ambos os autos serem reunidos para julgamento em conjunto. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos, devidamente reunidos, retornarem a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15889.000123/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Incabível a arguição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente, sem preterição do direito à ampla defesa e ao contraditório.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Tendo ficado demonstrada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, fica o contribuinte sujeito ao recolhimento da diferença de imposto em relação ao apurado na declaração de ajuste anual.
CARNÊ-LEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnê-leão) sujeita o contribuinte ao pagamento da multa de 50% do valor do imposto não recolhido.
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DOLO
A conduta do contribuinte de não antecipar o recolhimento do carnê-leão durante o ano-calendário, não caracteriza a ação dolosa, não sendo aplicável à qualificação da multa de ofício. Para imposição da multa qualificada é necessário que reste comprovado o dolo do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator), GUSTAVO LIAN HADDAD e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que, além disso, excluíram da exigência as multas isoladas do carnê-leão do ano-calendário de 2007. Designado para redigir o voto vencedor quanto à manutenção das multas isoladas do carnê-leão do ano-calendário de 2007, o Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc.
EDITADO EM: 19/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, EDUARDO TADEU FARAH, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Incabível a arguição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente, sem preterição do direito à ampla defesa e ao contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tendo ficado demonstrada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, fica o contribuinte sujeito ao recolhimento da diferença de imposto em relação ao apurado na declaração de ajuste anual. CARNÊ-LEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnê-leão) sujeita o contribuinte ao pagamento da multa de 50% do valor do imposto não recolhido. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DOLO A conduta do contribuinte de não antecipar o recolhimento do carnê-leão durante o ano-calendário, não caracteriza a ação dolosa, não sendo aplicável à qualificação da multa de ofício. Para imposição da multa qualificada é necessário que reste comprovado o dolo do contribuinte.
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INOCORRÊNCIA. Incabível a arguição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente, sem preterição do direito à ampla defesa e ao contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tendo ficado demonstrada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, fica o contribuinte sujeito ao recolhimento da diferença de imposto em relação ao apurado na declaração de ajuste anual. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnêleão) sujeita o contribuinte ao pagamento da multa de 50% do valor do imposto não recolhido. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. DOLO A conduta do contribuinte de não antecipar o recolhimento do carnêleão durante o anocalendário, não caracteriza a ação dolosa, não sendo aplicável à qualificação da multa de ofício. Para imposição da multa qualificada é necessário que reste comprovado o dolo do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator), GUSTAVO LIAN HADDAD e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que, além disso, excluíram da exigência as multas isoladas do carnêleão do anocalendário de 2007. Designado para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 23 /2 01 0- 50 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 redigir o voto vencedor quanto à manutenção das multas isoladas do carnêleão do ano calendário de 2007, o Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. EDITADO EM: 19/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, EDUARDO TADEU FARAH, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Versa este processo sobre a exigência de crédito tributário relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2007 e 2008, conforme auto de infração de fls. 92 a 98 e demonstrativos de fls. 99 a 107. Foi lançado o imposto no valor de R$ 67.848,40, acrescido de juros de mora de R$ 9.044,75 (calculados até 30/04/2010), multa de ofício qualificada no valor de R$ 101.772,59 e multa isolada no valor de R$ 33.402,68, resultando no montante de R$ 212.068,42. Trata a autuação de: (i) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e (ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A exigência fiscal é fundamentada na inconsistência entre a renda declarada pela Contribuinte e os valores declarados por beneficiários de seus serviços (fisioterapia e/ou acupuntura). O Termo de Verificação Fiscal aponta que a Contribuinte auferiu mais renda do que aquela reportada em sua Declaração de Ajuste Anual, quando cotejado os recibos que essa Contribuinte emitiu para pacientes (beneficiários) dos seus serviços de fisioterapia e/ou acupuntura. No curso da fiscalização tanto a Contribuinte quanto os beneficiários dos serviços que reportaram tais valores em suas Declarações de Ajuste Anual como despesas médicas, foram notificados a apresentar os comprovantes das informações prestadas. A Contribuinte ainda informou durante a fiscalização que os pagamentos foram efetuados “em espécie”. Após a análise da documentação apresentada, a fiscalização concluiu que a Contribuinte omitiu rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, no montante de R$ 111.140,00 e R$ 159.635,00, para os anoscalendário 2007 e 2008, respectivamente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000123/201050 Acórdão n.º 2201001.711 S2C2T1 Fl. 3 3 Como a Contribuinte não antecipou o recolhimento do IRPF com base no carnê leão, a fiscalização aplicou a multa isolada de 50% por falta de antecipação mensal do imposto, conforme disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Além disso, aplicou multa de ofício qualificada de 150% por entender que o fato de a Contribuinte omitir rendimentos recebidos reiteradamente durante 24 meses, configura crime contra a ordem tributária. A Contribuinte apresentou Impugnação em 30/06/2010 (fls. 121 a 128), com os seguintes argumentos: · Auto de infração ausência de relatórios dos tributos mensais a serem recolhidos constituição do crédito tributário nulidade – impugnação. Ao descrever as rendas supostamente omitidas, a fiscalização trouxe um relatório em que consta somente os valores das multas e o fato gerador, não especificando o valor do tributo que deveria ser recolhido mensalmente através do carnêleão, fato este que impede o conhecimento da impugnante do valor mensal a ser contestado. Destarte, tal conduta do Fisco impede o direito de defesa da impugnante ante a ausência de clareza do auto de infração impugnando, que deixou de mencionar o valor mensal do tributo a ser recolhido. Além disso, também deixou o Sr. AuditorFiscal de informar qual foi a tabela progressiva utilizada nos respectivos meses de competência, bem como em quais alíquotas foram tributados aqueles valores, deixando, inclusive de mencionar o fundamento legal utilizado para a tabela progressiva daquele exercício. Como se isso não bastasse, não há no auto de infração demonstrativo pormenorizado do suposto débito, inclusive se houve compensação do imposto de renda pago na declaração de ajuste dos respectivos exercícios, ou seja, R$ 703,86 no exercício 2008 e R$ 654,43 no exercício 2009. · Da ausência de informações de recebimento de serviços prestados pela autuada Lei 12.249/2010 máfé não configurada afastabilidade da aplicação de multa A Lei 12.249/2010 altera o art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e estabelece que "a multa só deverá ser aplicada nos casos em que seja comprovado pela Receita Federal dolo ou máfé do contribuinte no preenchimento da declaração tributária". A autuada se destaca nos serviços relacionados à fisioterapia, e não em obrigações fiscais, como a entrega de declaração de ajuste anual; para isso, passava tal obrigação fiscal para o seu contador, Sr. Antonio. Considerando que a impugnante entregou todos os documentos solicitados pela fiscalização, declarando os como verdadeiros, não há que se conjeturar a existência de máfé, tendo em vista que, se assim agisse, não teria apresentado os documentos, muito menos declarandoos como verdadeiros. Diante disso, não é lícita a aplicação de multa sobre o tributo deixado de recolher por omissão de rendimentos se não comprovada a máfé ou o dolo da autuada, fatos estes ausentes no presente caso, tendo em vista que a mesma não está tumultuando o procedimento fiscal; pelo contrário, está colaborando para toda a apuração dos fatos, com a apresentação tempestiva dos documentos solicitados pelo Fisco. Destarte, cuidase de presunção jaris tantum, ou seja, passível de prova contrária; no entanto, há uma inversão do ônus da prova, cabendo única e exclusivamente ao Fisco comprovar a existência de máfé ou dolo da impugnante. · Multa confiscatória afronta ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade O valor de R$ 101.772,59 a título de multa é demasiadamente excessivo, com caráter exclusivamente confiscatório, colidindo frontalmente com os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. É flagrante a desproporcionalidade da multa aplicada, tendo em vista que supera quase em dobro o valor do crédito principal, tornandose o acessório mais gravoso que o principal. Tratase de um abuso dos agentes fiscais, conduzindo a impugnante ao estado de insolvência, sendo que não é essa a finalidade da multa, tendo em vista que ela deve ser aplicada como forma de desestimular o inadimplemento, mas não de enriquecer ilicitamente o ente público. Destarte, na eventual hipótese de aplicação de multas, o que se admite só para argumentar, ela deve ser reduzida abaixo do débito tributário, sob pena de configurar caráter confiscatório e ilegal. · Da ausência de informações de recebimento de serviços prestados pela autuada máfé não configurada ausência de responsabilidade criminal – princípio constitucional da presunção de inocência Como já dito, a autuada não é especialista em realização de atividades fiscais, passando as informações necessárias para se contador informar à Receita Federal. E, ainda, a Lei n° 8.137/90, que dispõe sobre as infrações tributárias, exige a configuração do dolo para eventual persecução penal, fato Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 este não ocorrido no presente caso, conforme já argumentado acima. Portanto, qualquer responsabilidade criminal dever ser rechaçada, pelos motivos de fato e direito expostos. A 4ª Turma da DRJ/SP2 manteve o lançamento, conforme ementa do acórdão abaixo transcrita (fls. 139 a 151): NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Incabível a arguição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente, sem preterição do direito à ampla defesa e ao contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tendo ficado demonstrada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, fica o contribuinte sujeito ao recolhimento da diferença de imposto em relação ao apurado na declaração de ajuste anual. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnêleão) sujeita o contribuinte ao pagamento da multa de 50% do valor do imposto não recolhido. MULTA QUALIFICADA. A conduta reiterada do contribuinte de não recolher o carnêleão durante vinte e quatro meses seguidos, e ainda de ocultar nas declarações de ajuste anual quase a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, caracteriza a ação dolosa necessária à qualificação da multa de ofício. A Contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo (fls. 188 a 195), no qual reitera os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia, redatora ad hoc. Conheço do recurso, pois é tempestivo e goza dos demais requisitos de admissibilidade. 1. Nulidade do Lançamento – Cerceamento de Defesa A Contribuinte alega que a fiscalização não especificou o valor do tributo que deveria ser recolhido mensalmente através do carnêleão, o que lhe impediria o conhecimento do valor mensal a ser contestado. Complementa que a fiscalização não informou qual foi a tabela progressiva utilizada em cada mês, nem as alíquotas utilizadas. Acrescenta, ainda, que não foi informado o fundamento legal para a utilização da tabela progressiva do exercício. Alega a Contribuinte que tais fatores lhe cercearam o direito de defesa. Em que pese entendimento da Contribuinte, esse não deve prevalecer. Isso porque as informações que a Contribuinte alega terem sido omitidas, constam do Termo de Verificação, como pode ser depreendido do Acórdão proferido pela DRJ: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000123/201050 Acórdão n.º 2201001.711 S2C2T1 Fl. 4 5 “Os valores mensais devidos a título de carnêleão estão discriminados nos Demonstrativos de Apuração da Multa Exigida Isoladamente (Carnê Leão). Tais demonstrativos encontramse às fls. 100/101, para o anocalendário 2007, e às fls. 104/105, para o anocalendário 2008. Podese ver, por exemplo, à fl. 100, que o valor do imposto devido no mês de janeiro de 2007 é R$ 673,81; no mês de fevereiro de 2007 é R$ 1.309,06, e assim por diante. (...) Novamente não tem razão a impugnante. Nos Demonstrativos de Apuração da Multa Exigida Isoladamente (CarnêLeão), acima citados, há a indicação da alíquota utilizada, mês a mês, no cálculo do imposto, bem como a descrição da forma de apuração do imposto, feita em conformidade com as tabelas progressiva mensais vigentes nos anoscalendário 2007 e 2008 Essas tabelas progressivas foram aprovadas pelo art. I o da Lei n° 11.482, de 31/05/2007, o qual foi citado no auto de infração, à fl. 96, e serve também de fundamento (conforme consta em seu parágrafo único), para a aplicação da tabela progressiva anual. Por fim, não procede também a alegação da impugnante de que não há o demonstrativo pormenorizado do débito e da compensação do imposto já pago. Tais demonstrativos são apresentados às fls. 99 a 107. Conforme consta à fl. 99, houve, sim, a compensação do imposto pago relativo à DIRPF 2008, no valor de R$ 703,86. Da mesma forma, consoante se constata à fl. 103, também houve a compensação do imposto pago relativo à DIRPF 2009, no valor de R$ 654,43.” Desta feita, não resta configurado cerceamento de defesa da Contribuinte. 2. Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física No tocante à omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, ao se analisar a documentação apensada aos autos, bem como a documentação e argumentação trazida pela Contribuinte, verificase que de fato ocorreu a referida omissão, especialmente quando cotejados os comprovantes recebidos pelos beneficiários dos serviços (fisioterapia e/ou acupuntura) prestados pela Contribuinte e a renda que essa última reportou em suas Declarações de Ajuste Anual. Ademais, a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, não produziu provas ou argumentos que justificassem a inconsistência entre a renda declarada e os comprovantes de recebimento (recibos) expedidos aos beneficiários dos seus serviços (fisioterapia e/ou acupuntura). Sendo assim, resta caracterizada a omissão de rendimentos pela Contribuinte. 3. Multa Isolada – CarnêLeão Conforme verificado, a Contribuinte falhou ao não antecipar o pagamento do IRPF na modalidade carnêleão. Com vistas a coibir essa conduta, qual seja, o não recolhimento antecipado de IRPF na modalidade carnêleão, a legislação tributária estabeleceu uma penalidade isolada, aplicável, independente de o imposto ter sido pago ou não. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Nesta linha, a alínea “a” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Portanto, em face de a Contribuinte não ter antecipado o IRPF na modalidade carnêleão durante o anocalendário, é devida a multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal. 4. Multa Qualificada A fiscalização qualificou a multa de ofício por entender que o fato de a Contribuinte omitir rendimentos recebidos reiteradamente durante 24 meses, configura crime contra a ordem tributária. Em que pese o entendimento da fiscalização, mantido pela DRJ, parece que esse não deve ser a melhor interpretação dos fatos. Isso porque a caracterização de um crime contra a ordem tributária implica na caracterização e comprovação de dolo. Ou melhor, deve restar comprovado que o contribuinte teve a intenção deliberada de sonegar imposto. Compulsando os autos, a fiscalização não logrou êxito em comprovar a intenção da Contribuinte em não pagar o imposto. Em face dos fatos autuados no processo, não parece que a Contribuinte utilizou de meios e artifícios escusos para sonegar imposto. Sua conduta parecer ter resultado de um erro, um equívoco, quando da apuração do imposto de renda. Um erro escusável, por desconhecimento ou esquecimento, talvez, que não deve ser punido com pena qualificada. Neste sentido, a qualificação da multa deve ser afastada. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia redatora ad hoc. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000123/201050 Acórdão n.º 2201001.711 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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