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Numero do processo: 10580.722360/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. ADVOGADO. DESNECESSIDADE DA JUNTADA DE DOCUMENTAÇÃO CIVIL DO ADVOGADO. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. CASSAÇÃO
O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Não se pode considerar irregular a representação processual pela simples ausência de documentação civil de identificação do mandatário advogado.
Numero da decisão: 2201-002.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. ADVOGADO. DESNECESSIDADE DA JUNTADA DE DOCUMENTAÇÃO CIVIL DO ADVOGADO. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. CASSAÇÃO O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Não se pode considerar irregular a representação processual pela simples ausência de documentação civil de identificação do mandatário advogado.
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. ADVOGADO. DESNECESSIDADE DA JUNTADA DE DOCUMENTAÇÃO CIVIL DO ADVOGADO. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. CASSAÇÃO O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Não se pode considerar irregular a representação processual pela simples ausência de documentação civil de identificação do mandatário advogado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 60 /2 00 8- 00 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 3 a 16) por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no qual se apurou o Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, no valor de R$ 351.913,21, com a multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os juros de mora. O contribuinte apresentou a impugnação subscrita por procurador (fls. 86/91), alegando, como resumido no relatório da decisão recorrida, a nulidade do auto de infração pela ausência de regular intimação ao contribuinte; o efeito confiscatório relativo à exigência da multa e dos juros aplicados; e a não observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade ao se considerar como renda o valor total de todos os depósitos bancários nas contas do contribuinte durante o ano de 2005. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), por unanimidade de votos, decidiram não conhecer da impugnação, tendo em vista que teria sido assinada por procurador, sem que fosse apresentado documento que comprovasse a assinatura do outorgado. Cientificado em 31 de julho de 2012, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 27 de agosto, no qual rebate a decisão de primeira instância alegando: a) Regularidade da impugnação – o processo administrativo seria regido por uma série de princípios que, em regra, zelam pela economia processual, a ampla defesa e o contraditório. E, que o contribuinte, por meio de advogado constituído, cumpriu todos os requisitos legais descritos no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A autoria do ato processo somente seria exigível se houvesse dívida de autenticidade dos mesmos, situação que não correspondem ao caso. Também, que os documentos não foram solicitados por ocasião da entrega da impugnação, e sim em momento posterior, quando o documento não estava em poder do contribuinte. Por fim, que a exigência não decorre de lei; e b) Ausência de intimação válida para a juntada do documento de identidade, uma vez que estando o contribuinte representado por advogado, a este deveria ser enviada a intimação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Nestes auto, a questão a ser analisada é de natureza eminentemente procedimental. A autoridade preparadora considerou que a simples juntada do mandato, sem o acompanhamento do respectivo documento de identificação civil da advogada não seria Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.722360/200800 Acórdão n.º 2201002.576 S2C2T1 Fl. 3 3 suficiente para dar seguimento à impugnação. Em função disso, expediu a Intimação Sacat/DRF/SDR nº 20/2009 solicitando as cópias, simples acompanhadas das originais ou autenticadas, do documento de identidade do contribuinte e de sua procuradora. E, diante da ausência de resposta, encaminhou os autos para apreciação na primeira instância. Causa estranheza o fato de o contribuinte ter ignorado a intimação da DRF em Salvador, pois, na forma do art. 4º da Lei nº 9.784, de 1999, é dever do administrado perante a Administração prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, uma vez que a demanda estava associada fundamentalmente à segurança jurídica do processo, perquirindo sobre a regularidade instrumental da representação processual. O recorrente argui, em suma, que o processo administrativo é regido por princípios que zelam pela economia processual, a ampla defesa e o contraditório; que cumpriu todos os requisitos legais descritos no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; e que a exigência não decorre de lei. Noutra linha, que a autoria do ato processo somente seria exigível se houvesse dívida de autenticidade dos mesmos e que tais documentos não foram solicitados a procuradora no momento da apresentação da impugnação, e sim ao contribuinte que não detinha a identidade exigida. Assim, como havia advogado legalmente constituído, a este deveria ser enviada a intimação. Em relação às intimações, o art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), estabelece que elas, no decorrer do contencioso administrativotributário federal, serão direcionadas sempre ao sujeito passivo. Não há previsão legal para intimação do patrono ou procurador. Entretanto, vale observar que o processo administrativo fiscal é sustentado, entre outros, pelo princípio do formalismo moderado, devendo ser dele afastadas as exigências de caráter excessivamente burocráticas. Cabe exigir apenas as formalidades que sejam necessárias para assegurar a licitude do procedimento, tornando o processo administrativo mais fácil ao contribuinte. O formalismo moderado é tratado, mesmo que de forma implícita, na Lei n.º 9.784, de 1999, no art. 2º, parágrafo único, incisos VIII e IX, e art. 22, parágrafos 2º e 3º, a seguir transcritos: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX – adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; [...] Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. [...] Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. § 3º A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo. Ainda, o processo administrativo deve privilegiar a boa fé, validando as declarações dos administrados. Assim, em linha de princípio, não se pode asseverar a irregularidade da capacidade postulatória do mandatário na peça impugnatória, quando não há outros atos conflitantes na defesa dos interesses do contribuinte. Desta forma, privilegiando os princípios da formalidade moderada e da boa fé, voto em DAR provimento ao recurso para anular a decisão da DRJ, determinando que a impugnação seja conhecida, devendo ser proferida outra decisão como entender de direito a instância a quo. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12157.000258/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2002
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO.
Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindo-se Termo de ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Além disso, até o advento da Lei nº 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a ciência por via eletrônica apenas acontece validamente por decurso de prazo, devendo prevalecer em relação ao termo de abertura (PA nº13864.720116/2012-92) .
COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE FORMALIZADA EM DCTF. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
Apenas a partir da edição da IN SRF nº 323/2003, que adicionou o parágrafo 6º ao art. 21 da IN SRF nº 210/2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Antes disso, a compensação poderia ser concretizada diretamente na DCTF.
Na compensação declarada em DCTF, da mesma forma como ocorre na DCOMP, os débitos são confessados pelo contribuinte, de maneira que a não homologação do lançamento autoriza a cobrança direta do débito confessado, sem a necessidade de lançamento.
Na vigência da sistemática de compensação anterior à edição da Lei nº 10.833/2003, o prazo para a homologação da compensação confunde-se com o prazo decadencial para a homologação do lançamento, pois consubstanciavam o mesmo ato.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2002 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO. Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindo-se Termo de ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Além disso, até o advento da Lei nº 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a ciência por via eletrônica apenas acontece validamente por decurso de prazo, devendo prevalecer em relação ao termo de abertura (PA nº13864.720116/2012-92) . COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE FORMALIZADA EM DCTF. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Apenas a partir da edição da IN SRF nº 323/2003, que adicionou o parágrafo 6º ao art. 21 da IN SRF nº 210/2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Antes disso, a compensação poderia ser concretizada diretamente na DCTF. Na compensação declarada em DCTF, da mesma forma como ocorre na DCOMP, os débitos são confessados pelo contribuinte, de maneira que a não homologação do lançamento autoriza a cobrança direta do débito confessado, sem a necessidade de lançamento. Na vigência da sistemática de compensação anterior à edição da Lei nº 10.833/2003, o prazo para a homologação da compensação confunde-se com o prazo decadencial para a homologação do lançamento, pois consubstanciavam o mesmo ato. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO. Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindose Termo de ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Além disso, até o advento da Lei nº 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a ciência por via eletrônica apenas acontece validamente por decurso de prazo, devendo prevalecer em relação ao termo de abertura (PA nº13864.720116/201292) . COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE FORMALIZADA EM DCTF. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Apenas a partir da edição da IN SRF nº 323/2003, que adicionou o parágrafo 6º ao art. 21 da IN SRF nº 210/2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Antes disso, a compensação poderia ser concretizada diretamente na DCTF. Na compensação declarada em DCTF, da mesma forma como ocorre na DCOMP, os débitos são confessados pelo contribuinte, de maneira que a não homologação do lançamento autoriza a cobrança direta do débito confessado, sem a necessidade de lançamento. Na vigência da sistemática de compensação anterior à edição da Lei nº 10.833/2003, o prazo para a homologação da compensação confundese com o prazo decadencial para a homologação do lançamento, pois consubstanciavam o mesmo ato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 02 58 /2 00 7- 96 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de processo administrativo fiscal que tramita amparado em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 000454515.2009.4.03.6100, cuja sentença determinou “JULGO PROCEDENTE pedido para determinar à autoridade coatora que atribua efeito suspensivo ao recurso interposto contra a decisão de não convalidação, com a consequente suspensão da exigibilidade e da prescrição dos débitos objeto da inscrição em dívida ativa n. 80.7.09.00010775 (P.A. 12157.000258/200796) até julgamento do recurso interposto, com anotação no sistema informatizado.” (fl. 619). A informação do referido julgamento foi encaminhada por despacho do Procurador da Fazenda Nacional (fl. 629), o qual determina que se encaminham “os presentes autos à Equipe de Análise de Tributos Diversos/EQITDDERATSãoPauloSP (EQITDCódigo COMPROT 01.163493), para análise da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, à qual foi atribuído efeito suspensivo pelo Poder Judiciário” e que “Se a análise solicitada tiver que ocorrer em outra divisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil, peço o bom préstimo para o devido encaminhamento”, cuidandose em seguida de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ (fl. 630). Na origem, o presente processo foi aberto para o controle de débitos de PIS relativos aos períodos de apuração de 12/2000 a 07/2002 declarados em DCTF como compensados com créditos de PIS oriundos de decisào judicial já transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 95.00294060. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Pulo/DRF, depois de promover a fiscalização do contribuinte, proferiu a decisão de fls. 444/451, cujo entendimento é resumido na seguinte ementa: Período de Apuração: 12/00 a 02/01, 10/01 a 07/02 (débitos do PIS8109) EMENTA: PIS/PASEP. RESTITUICÃO E COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS N° 2.445/88 E N° 2.449/88. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DA LEI COMPLEMENTAR N° 7/70. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12157.000258/200796 Acórdão n.º 3403003.444 S3C4T3 Fl. 688 3 SEMESTRALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Consoante teor de título judicial, os recolhimentos referentes à contribuição ao PIS/Pasep dos períodos de apuração pleiteado devem ser regidos pela sistemática da Lei Complementar n° 7/70 e alterações posteriores. A partir da Lei n° 7.691/88, não mais subsiste o lapso de 6 (seis) meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, resultando na inexistência de quantum a restituir. A conclusão da decisão da DRF foi, pois, de que “não reconheço o direito creditório alegado e, em conseqüência, não convalido as compensações” (fl. 450). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 464/479), cujos fundamentos foram bem resumidos pelo acórdão da DRJ, conforme trecho do relatório que transcrevo abaixo (fls. 633/634): Pela “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE” de fls. 464/479 (...), insurgese a Contribuinte contra a decisão de nãoconvalidação alegando e discorrendo, em síntese, no sentido: de que impetrou, em 23 de março de 1995, o Mandado de Segurança 95.00294060, pelo qual se insurgiu contra os Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 e requereu a tutela de seu direito de recolher a Contribuição ao PIS nos termos da Lei Complementar n° 7/70 e, ainda, de compensar, com os devidos acréscimos legais, os valores indevidamente recolhidos a título de PIS com parcelas vincendas da mesma contribuição e com a COFINS; de que logrou obter decisão final em 09/10/2000, no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que lhe assegurou o direito de recolhimento do PIS na forma da Lei Complementar 7/70, bem como de compensação de seus créditos com parcelas vincendas apenas a título de PIS, na forma da disciplina legal então vigente; de que, de posse do provimento jurisprudencial acima mencionado, protocolou perante a Receita Federal do Brasil o Pedido de Restituição que recebeu o n° 13811.000640/200114 e procedeu à compensação de seus créditos sem formalizar qualquer requerimento, tal como estabelecido à época pelo artigo 14 da Instrução Normativa SRF 21/97; de que, uma vez julgado tal pedido de restituição/compensação no processo que recebeu o n° 12157.000258/200796, acabou por ter ciência de decisão de não convalidação das compensações efetuadas, advinda da Equipe de Análise de Processos de Tributos Diversos – DERAT; de que as compensações efetuadas foram homologadas tacitamente, pelo decurso do prazo de mais de cinco anos, contados dos respectivos fatos geradores, estando já extintos, Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 seja pela decadência (art. 150, § 4º, do CTN), seja pela prescrição (art. 174 do CTN), os créditos tributários cuja cobrança pretende a fiscalização lançar contra a Recorrente; de que, sendo evidente a decadência do direito do Fisco, exsurge como consequência imediata, conforme estabelecido pelo artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional, a extinção dos créditos tributários pretendidos, estando total e definitivamente inviabilizada a cobrança de qualquer valor; de que, como o Fisco não constituiu o lançamento tributário no prazo legal, a cobrança informada na decisão proferida pela Fiscalização, que será lançada contra a Recorrente, deve ser, de pronto, cancelada; de que, ainda que não fosse pela decadência, temse que os valores pretendidos pelo Fisco também não podem ser exigidos pelos efeitos da prescrição, caso se adote a linha de entendimento que tem prevalecido perante o Superior Tribunal de Justiça; e de que, caso se entenda que pelo fato da Recorrente ter declarado as suas compensações em DCTF estaria descartada a necessidade da constituição do crédito tributário pelas autoridades fiscais, há de se reconhecer, então, que os créditos tributários em questão ainda assim, estariam extintos, não mais pela decadência, mas sim, neste turno, pela prescrição; e de que, uma vez constituídos os créditos tributários de PIS pela entrega das DCTF's, passou a fluir a contagem prescricional, conforme estabelecido pelo artigo 174 do Código Tributário Nacional, sendo de cinco anos o prazo para a cobrança dos respectivos créditos tributários. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ), por meio do Acórdão nº 1637.606, de 12 de abril de 2012 (fls. 631/638), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. NÃO APLICÁVEL EM HIPÓTESE DE NÃO LANÇAMENTO. Tratandose a decisão impugnada de ato de não convalidação, não de Auto de Infração ou de Notificação de Lançamento, não é de se falar, na espécie, de decadência do direito de lançar. PRESCRIÇÃO.INOCORRÊNCIA. Não havendo transcorrido 5 anos entre a data de publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro 2003, e a ciência da decisão de nãoconvalidação de compensações, descabe cogitar da prescrição de crédito tributário que era passível de lançamento considerando a total ou parcial não aceitação do procedimento compensatório por parte das autoridades a quo até a entrada em vigor dessa medida. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12157.000258/200796 Acórdão n.º 3403003.444 S3C4T3 Fl. 689 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, entendeu a DRJ que “Os débitos em causa, levados a encontro de contas por autocompensação, não estavam definitivamente constituídos até a entrada em vigor do art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro 2003, posto que até então era necessária sua constituição pelo Lançamento considerando a total ou parcial não aceitação do procedimento compensatório por parte das autoridades a quo. Como a data da publicação dessa medida provisória é 31.10.2003, não havia transcorrido 5 anos quando a Contribuinte tomou ciência da decisão de não convalidação, a qual ocorreu em 17 de outubro de 2008 (fl. 453), daí não cabendo se falar em prescrição (art. 174 do CTN)” (fl. 638). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 642/656), por meio do qual reitera a sua alegação de homologação tácita das compensações apresentadas em DCTF, realizadas com fundamento no art. 66 da Lei nº 8.383/91 e no art. 14 da IN SRF nº 21/97, reclamando a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, frisando que a decisão que lhe recusou a compensação apenas lhe foi notificada em 17/10/2008 (fl. 453), passados muito mais de 5 anos desde a última compensação, formalizada 14/11/2002 (fls. 564/565). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 29/06/2012 (fl. 642). A ciência do acórdão da DRJ aconteceu pelo acesso do contribuinte ao sítio da RFB, conforme Termo de Abertura de Documento emitido em 18/05/2012 (fl. 640). Ocorreu, no entanto, que também foi emitido Termo de Ciência por Decurso de Prazo pelo mesmo sistema informatizado, em 05/06/2012 (fl. 641), certificando que “foi dada ciência ao contribuinte” em relação ao mesmo Acórdão da DRJ, estabelecendo como data de disponibilização dia 17/05/2012 e fixando como data de ciência por decurso de prazo o dia 01/06/2012 (fl. 123). Diante desta confusão de datas, causada pelo próprio sistema, entendo que se deve conceder ao contribuinte a interpretação que lhe assegura o direito de defesa, promovendo a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para a interposição do recurso voluntário a partir da data certificada pelo Termo de Ciência expedido pela Administração. Além disso, antes do advento da Lei nº 12.844/2013 a ciência por via eletrônica só ocorria por decurso de prazo, tendo sido esta Lei publicada no DOU de 19/07/2013 (PA nº13864.720116/201292) . Por ser tempestivo e por conter razões de reforma do acórdão da DRJ,, conheço do recurso voluntário. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Tratase de compensação de tributos de mesma espécie, PIS com PIS, que foram concretizadas em DCTF (fls. 535/566) cujos créditos são oriundos de ação judicial, cuja decisào já havia transitado em julgado na época. No que se refere ao direito aplicável, sabese que apenas a partir da edição da IN SRF nº 323, de 24 de abril de 2003, que adicionou o parágrafo 6º ao art. 21 da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Na redação anterior da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, embora não se exigisse a apresentação do Pedido de Compensação para a compensação entre tributos da mesma espécie, tal compensação tinha de ser materializada e demonstrada por meio da DCTF. Na compensação declarada em DCTF, os débitos são confessados pelo contribuinte, de maneira que a não homologação do lançamento ali declarado, autoriza a cobrança direta do débito confessado, sem a necessidade de lançamento. A DCTF consubstancia o próprio lançamento por homologação, pois nela consta a informação quanto à apuração do débito e quanto aos créditos que liquidam tal débito, seja na forma de recolhimento, seja na forma de compensação (com ou sem DARF). O adiantamento sujeito à homologação, com efeito, pode ser tanto um recolhimento como uma compensação, estando caracterizada, em qualquer hipótese, o lançamento por homologação. Assim, antes da criação da Declaração de Compensação (DCOMP) e de sua sistemática específica de homologação das compensações, as compensações eram concretizadas em DCTF, integrando e configurando o próprio lançamento por homologação, na forma do art. 150 do CTN. Assim, o Fisco tinha e mesmo prazo de homologação tácita do lançamento, independente da forma do adiantamento, seja por recolhimento ou por compensação. Em situações ordinárias, portanto, ultrapassado o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN para a homologação tácita, ou seja, desde a data da ocorrência do fato gerador até a data em que se promove a exigência do tributo, seja por meio de lançamento, seja por meio do executivo fiscal, restaria tacitamente homologado o lançamento e, também, a compensação que o integrava, não podendo a Administração Tributária revisar o lançamento, restando extinto o crédito tributário na forma do art. 156, VII, do CTN. Devese fazer a expressa ressalva de que, se os critérios para a determinação dos créditos apresentados no lançamento por homologação ainda estivessem submetidos ‘a definição em discussão judicial, então o prazo para a homologação apenas teria início com o trânsito em julgado da ação. Esta, frisese, era a realidade anterior à introdução do art. 170A do CTN, pela LC nº 104/2001, a partir do que passou a ser vedada a compensação baseada em crédito ainda em discussão judicial. Confirase a respeito desta hipótese, o Acórdão nº 3403 002.647 (PA 10820.000889/200891, j. 27/11/2013). Mas a ressalva não se aplica ao presente caso concreto, em que o crédito apenas foi utilizado depois do trânsito em julgado da ação judicial. Nesta situação, a partir da compensação consubstanciada na forma de lançamento por homologação, ou seja, do momento em que apresentada a DCTF que Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12157.000258/200796 Acórdão n.º 3403003.444 S3C4T3 Fl. 690 7 formalizou o lançamento por homologação, o Fisco tinha o prazo de 5 anos, na forma fo art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, para discordar e promover a exigência ou constituição do crédito tributário. Entendo, por isso, que no presente caso houve a extinção do crédito tributário pela homologação tácita do lançamento consubstanciado nas DCTFs. Forte nestas razões, voto pelo provimento do recurso. (assinatura digital) Ivan Allegretti Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern A não confirmação da compensação fez com que os débitos declarados na DCTF se tornassem inadimplidos. Nesse sentido, de acordo com o disposto no parágrafo único do artigo 22 da INSRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, vigente à época dos fatos, os mesmos deveriam ter sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida Ativa da União. A questão da necessidade de lançamento, nestes casos, trilhou um caminho tumultuado, desde a edição do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Nesta trajetória, o assunto foi objeto de reiteradas decisões judiciais e de parecer da PGFN, firmandose o entendimento de que os débitos declarados pelo contribuinte dispensariam o lançamento de ofício, para fins de posterior inscrição em dívida ativa. Este entendimento foi expresso pela Secretaria da Receita Federal no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000, nos seguintes termos: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento.” O caput do art. 1º da IN SRF nº 77, de 1998, referiuse apenas ao saldo a pagar, porém o parágrafo único estendeu o posicionamento da SRF para o valor total do tributo declarado, nos casos de compensação indeferida. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN nº 991, de 11 de maio de 2001, também manifestou o entendimento de que a confissão de dívida de que trata o DecretoLei nº 2.124, de 1984, alcança o valor total do débito declarado e não apenas o saldo a pagar, como ressalta de suas conclusões, constantes do trecho abaixo transcrito: “15. A título de conclusão, podemos afirmar: a) a declaração e confissão de dívida tributária, hoje efetuada no âmbito da Secretaria da Receita Federal por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, guarda conformidade com a ordem jurídica em vigor, sendo plenamente válida para viabilizar a inscrição em Dívida Ativa e a cobrança judicial, se for o caso, b) a sistemática de cobrança do “saldo a pagar”, mediante inscrição em Dívida Ativa e os conseqüentes a partir daí, é juridicamente escorreita, representando, inclusive, um aperfeiçoamento desejável pela redução, em tese, de inconsistências de várias ordens; c) não há necessidade, a rigor não é juridicamente válida, a formalização ou constituição de crédito tributário já revelado no âmbito da sistemática da declaração e confissão de dívida na modalidade do “saldo a pagar”; d) a Secretaria da Receita Federal pode, e deve, alterar o montante do “saldo a pagar”, sem afronta ao débito devido (“débito apurado”), se identificar de ofício fatos relevantes para tanto, devidamente contemplados na legislação tributária.” Este disciplinamento, no que se refere especificamente àqueles casos em que há alteração do saldo a pagar (e não do tributo devido), foi alterado pelo art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, verbis: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” (destaquei) A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no parecer antes citado, ao mesmo tempo em que conclui pelo nãocabimento do lançamento dos valores declarados como “Saldo a pagar”, afirma, também, que este valor deve ser alterado pela Secretaria da Receita Federal sempre que houver fatos relevantes para tanto. As hipóteses previstas no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, (pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade) enquadramse, sem dúvida, na categoria de “fatos relevantes” citados pela PGFN, aptos a ensejar a alteração do “Saldo a pagar” declarado pelo contribuinte. Entretanto, com o advento deste novo prescritivo legal, nos Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12157.000258/200796 Acórdão n.º 3403003.444 S3C4T3 Fl. 691 9 casos em que o pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade informados nas DCTF forem indevidos ou não comprovados, o entendimento da SRF e da PGFN ficou superado e o lançamento passou a ser efetuado. Este comando legal prevaleceu até a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, cujo art. 18, na redação que lhe dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, disciplinou de modo diferente o lançamento de ofício aplicável às hipóteses de não homologação de compensação, verbis: “Art.18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” (negrito na transcrição) Portanto, entre 24/01/2001 e 30/10/2003, n que diz respeito a débitos confessados, o Fisco tinha à sua disposição dois procedimentos alternativos. Ou encaminhava os diretamente para inscrição em dívida, conforme determinava o art. 22 da INSRF n° 210, de 2002, ou, abandonando a via executiva da DCTF, exigiaos por meio da autuação, sem muita de ofício, já que não se pode conceber que oE, 17/10/2008, data da lavratura do Despacho Decisório, no entanto, o lançamento de débitos declarados já não era mais possível. E a possibilidade de a Fazenda alterar o autolançamento representado pela confissão em DCTF já havia decaído, por qualquer regra que se considere. Assim, acompanho o relator pelas suas conclusões e também nego provimento ao recurso. (assinatura digital) Alexandre Kern Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11516.008171/2008-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2007
PREVIDENCIÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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INTEMPESTIVIDADE. Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebêlo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 81 71 /2 00 8- 59 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Li o Relatório a quo , compulsei com os autos, e tendo corroborado seus termos, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo: “Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n°: 37.001.2402. emitido contra o Município de Antonio Carlos Prefeitura Municipal, no valor de R$ 5.908.24 (cinco mil novecentos e oito reais e vinte e quatro centavos), consolidado em 12/12/2008. referente às contribuições da empresa (cotaparte patronal) incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, não declarados em GFIP. no período de 01/2003 a11/2007. O lançamento referese à diferença verificada entre a contribuição devida e a contribuição recolhida, em virtude do confronto dos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais com as respectivas guias de recolhimento, conforme discriminada em planilha às fls. 25/26 do relatório fiscal DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 22/12/2008, o Autuado impetrou defesa tempestiva em 21/01/2009, com as seguintes alegações, em síntese: a prescrição qüinqüenal para as ocorrências anteriores a 22 de dezembro de 2003, nos moldes da Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal; quanto aos pagamentos efetuados ao médico perito Dr. Antônio Carlos Trevisol Bittencourt, alega que, como esse profissional já contribuía com o teto máximo, não se fazia necessária a retenção da contribuição previdenciária; requer que seja diligenciado o INSS para comprovação de que Antonio Carlos Trevisol Bittencourt efetivamente contribuía com o teto máximo do INSS. Requer, por fim, o cancelamento da autuação. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.53, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Brasília – DF DRJ/BSB, em 29 de junho de 2010, exarou o Acórdão n° 03.37750, concedendo provimento. Parcial. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.65. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11516.008171/200859 Acórdão n.º 2403002.670 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Datado de 25/08/2010, às fls 64, colacionaramse despacho dando conta de que na referida data fora juntado Aviso de Recebimento AR, que, por impossível, sequer teria sido entregue, verbis: “ Florianópolis 25 de Agosto de 2010 JUNTADA DE AVISO DE RECEBIMENTO Nesta data, juntei ao presente processo O Aviso de Recebimento n° AR 720027148 RL Recebido em 28/08/2010.” Na mesma fl.64, o Aviso de Recebimento – AR tem o carimbo dos Correios com data de 20/08/2010. Entretanto, no registro escrito à mão pelo recebedor, rasura grosseira adulterou o número 20 para 28 ( 0 > 8 ). Busca no sítio dos Correios informa que o n° AR720027148RL é inválido. Com efeito, no despacho de fls.72, consta que o contribuinte acima identificado apresentou recurso voluntário intempestivo. Às fls.65, a Recorrente protocolizou Recurso Voluntário em 22/09/2010. Recebida a intimação do Acórdão em 20/08/2010, sextafeira, fez precluso o Recurso em 21/09/2010. Assim, corroborando o sobredito despacho, declaro intempestivo o Recurso. Portanto, dele não tomo conhecimento Desse modo, corroborando o sobredito despacho, declaro intempestivo o Recurso. Portanto, dele não tomo conhecimento. CONCLUSÃO Não conheço do recurso por INTEMPESTIVO É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724768/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
Recurso voluntário negado.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário: a) por voto de qualidade, em negar provimento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda; e b) por maioria de votos, em negar provimento quanto às demais questões. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luciano Giacomet, OAB/PR nº. 29.376.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Recurso voluntário negado. Recurso de ofício negado.
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PIS.MULTA Recorrente UNIMED CURITIBA SOCIEDADE COOPERATIVA DE MÉDICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011 COFINS. BASE DE CÁLCULO. A receita referente a comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011 PIS. BASE DE CÁLCULO. A receita referente a comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo do PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Recurso voluntário negado. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 47 68 /2 01 2- 81 Fl. 6477DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário: a) por voto de qualidade, em negar provimento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda; e b) por maioria de votos, em negar provimento quanto às demais questões. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luciano Giacomet, OAB/PR nº. 29.376. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos calendário de 2007 a 2011, no valor total de R$ 63.744.347,28, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que exige R$ 31.891.065,08 de PIS, R$ 23.918.298,88 de multa de ofício e R$ 7.934.983,32 de juros de mora, calculados até 06/2012, em decorrência da constatação de insuficiência de recolhimento da contribuição, relativa aos períodos de apuração de 06/2007 a 12/2011, uma vez que foram oferecidas à tributação somente as receitas relativas aos atos não cooperados, tendo como enquadramento legal o art. 8º, I, da Lei nº 9.715/1998; art. 3º da Lei nº 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da MP nº 2.15835/2001, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/2005, pelo art. 7º da MP nº 451/2008, e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/2009; e art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Cientificada regularmente do lançamento em 27/06/2012, a interessada, por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnação, em 23/07/2012, enfatizando a impossibilidade de tributação dos atos cooperativos, assim definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, e que o E. Superior Tribunal de Justiça também pacificou o entendimento de que o ato cooperativo não pode ser tributado. Ressalta que por se tratar de cooperativa que atua como operadora de planos de assistência à saúde, devidamente Fl. 6478DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10980.724768/201281 Acórdão n.º 3202001.303 S3C2T2 Fl. 6.478 3 registrada na ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar sob nº 304701, faz jus a deduções da base de cálculo do PIS. Assim é que os arts. 1º, § 2º, da Lei nº 10.676, de 2003, e 10, caput, da IN SRF nº 635, de 2006, asseguram às sociedades cooperativas a dedução da base de cálculo do PIS os valores destinados aos fundos previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1972, no caso, Fundo de Reserva e o Fates – Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Também o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1997, permite a exclusão da base de cálculo das coresponsabilidades cedidas e das provisões técnicas por ela registradas em sua contabilidade: provisão de risco e provisão para eventos ocorridos e não avisados – PEONA. Transcreve os conceitos técnicos utilizados nesse dispositivo apresentados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, em resposta à consulta formulada pela Unimed do Brasil. Cita ementa de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf e dos E. Tribunais Regionais Federais das 4ª e 5ª Regiões decidindo nesse sentido. Por fim, contesta a cobrança de juros sobre a multa de ofício, haja vista a ausência de previsão legal. Em decorrência das alegações apresentadas pela interessada, o processo retornou à unidade de origem para que fossem confirmados os valores destinados aos Fundo de Reserva e o Fates – Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, e valores de coresponsabilidades cedidas e das provisões técnicas (provisão de risco e provisão para eventos ocorridos e não avisados – PEONA), contestados na impugnação. Em atendimento à diligência proposta, foi emitido o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, cientificada à contribuinte e oportunizandolhe o prazo para contestação acerca dos demonstrativos de deduções que instruíram a diligência fiscal, havendo, por parte da interessada, a reiteração do contido na impugnação anterior. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/CTA n.º 0643.510, de 11/9/2013 (fls. 6441 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da contribuição é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Fl. 6479DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Além da exclusão da base de cálculo das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), pelas cooperativas em geral, é permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde os ajustes relativos à exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; à dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; à dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e à dedução do valor de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Correta a exigência dos juros de mora, em percentuais equivalentes à taxa Selic, calculados sobre o valor das contribuições devidas, posto que feita com amparo em expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face da exoneração de parte significativa do crédito tributário, a DRJ recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 6460/6469, por meio do qual aduz, depois de relatar os fatos: A questão posta nos autos deve ser analisada à luz do art. 79 da Lei n.º 5.764, de 1971. O Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento de que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS. É ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício (reproduz ementas de decisões do CARF). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento destinouse a exigir o PIS não recolhido em períodos de apuração compreendidos no período de junho de 2007 a dezembro de 2011. Segundo afirmou a Recorrente à fiscalização, foram oferecidos à tributação somente as receitas derivadas de atos não cooperativos. Fl. 6480DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10980.724768/201281 Acórdão n.º 3202001.303 S3C2T2 Fl. 6.479 5 No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 5530/5538, a fiscalização fundamentou a autuação sob a alegação de que as cooperativas perderam a isenção da Cofins a partir de 30 de junho de 1999, em face da revogação do art. 6º da Lei Complementar n.º 70, de 1991, pelo art. 93, inciso II, alínea “a”, da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001. Sustenta que os valores e as receitas que poderiam ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, estabelecidos pelo art. 15, incisos I a V, da MP n.º 2.15835, de 2001, são restritos às cooperativas de produção em relação às operações realizadas com os associados, não sendo aplicáveis às cooperativas de trabalho, como seria o caso da Recorrente. Contestado o lançamento, a instância a quo determinou a realização de diligência, a fim de que a unidade de origem verificasse se existiam parcelas a deduzir da base de cálculo da contribuição. Realizada a diligência, verificouse que as algumas deduções não haviam sido consideradas pela fiscalização, de modo que foram propostos novos valores para o lançamento, o que restou acatado na decisão recorrida, daí o recurso de ofício. Tratase especificamente de despesas com intercâmbio entre planos e com valores destinados à constituição dos Fundos de Reserva e de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), o que encontra amparo nos arts. 10 e 17 da IN RFB n.º 635, de 2006, que se transcrevem apenas para ilustrar: Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas em geral Art. 9º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas, pode ser ajustada pela exclusão: I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), quando cobrado do vendedor dos bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário; V das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingressos de novas receitas; VI das receitas decorrentes da venda de bens do ativo permanente; e VII dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta de Participação (SCP). Fl. 6481DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Art.10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. §1º É vedado deduzir da base de cálculo das contribuições de que trata o caput os valores destinados à formação de outros fundos, inclusive rotativos, ainda que com fins específicos e independentemente do objeto da sociedade cooperativa. §2º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, podem efetuar somente as exclusões gerais de que trata o art. 9º, não se lhes aplicando a dedução prevista no caput. (...) Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas de médicos Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9º e 10, pela: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. §1º As glosas dos valores, de que trata o inciso I do caput, devem ser decorrentes de auditoria médica dos convênios e planos de saúde nas faturas, em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados. §2º As disposições dos incisos II a IV do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001 Correta, portanto, a decisão recorrida ao aceitar as deduções propostas na diligência (o total dos valores a deduzir foram encartados nas planilhas que acompanham o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 6425/6428). No recurso voluntário, a Recorrente insiste que a matéria deve ser analisada à luz da Lei n.º 5.764, de 1971, que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas, em cujo art. 79 dispõe: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas Fl. 6482DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10980.724768/201281 Acórdão n.º 3202001.303 S3C2T2 Fl. 6.480 7 cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (g.n.) Vêse que a Recorrente – uma cooperativa de trabalho – sustenta que as receitas tributadas no lançamento derivariam de atos cooperativos, de forma que, observado o disposto no parágrafo único supra, não haveria incidência do PIS. Como se passa a demonstrar, não lhe assiste razão. É que, analisandose as planilhas acostadas ao Termo de Intimação de fls. 5282/5283, constatase que a receita tributada pela fiscalização originase justamente da venda de planos de saúde (p.ex., COBERTURA ASSIST. PREÇO PREESTABELECIDO), que, como se sabe, integra a base de cálculo do PIS/Cofins, com as deduções previstas em lei e já consideradas por ocasião da diligência. Embora a Recorrente pareça sustentar entendimento diverso, tais atos inequivocamente qualificamse como atos não cooperativos e sujeitamse à tributação pelo PIS e pela Cofins. O fundamento para a exigência, encontrase também na própria Lei n.º 5.764, de 1971, que dispõe, em seus arts. 86 e 87, o seguinte: "Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei." "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". (...) Não é por outro motivo que o legislador inseriu, por meio da MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013, com caráter de interpretação, o § 9ºA no art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, segundo o qual, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despedidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Ora, se se permitiu a dedução dos custos de utilização pelos beneficiários do plano, independentemente desses beneficiários serem ou não seus, é porque a receita daí decorrente – recebida em face da venda dos planos de saúde – integra a base de cálculo do PIS/Cofins da cooperativa. A título exemplificativo, eis algumas ementas de decisões deste Colegiado Administrativo que comungaram com o mesmo entendimento: Fl. 6483DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 COFINS CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para a COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. A receita referente a comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da COFINS por tratarse de prestação de serviços. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3102001.712, de 29/1/2013). IRPJ, CSLL – ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS – DISCRIMINAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante não paga simplesmente preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. ((CARF, 1ª Seção, 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 1103 00.587, de 24/11/2011). OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE.NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Existindo previsão legal expressa no sentido de que as atividades desenvolvidas pelas operadoras de planos de saúde constituem prestação de serviços, a receita proveniente destas atividades incluise no faturamento, constituindo base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. (CARF, 3ª Seção, ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403001.785, de 27/9/2012). No que concerne à exigência dos juros Selic sobre a multa de ofício, há previsão legal para a sua cobrança. Vejamos: Art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, Fl. 6484DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10980.724768/201281 Acórdão n.º 3202001.303 S3C2T2 Fl. 6.481 9 calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (g.n.) E a multa de ofício, é sabido, decorre do não pagamento do tributo. Conforme estabelece o art. 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa compõem, juntos, o crédito tributário, sobre o qual os juros deverão incidir. Também adotando esse mesmo entendimento, transcrevemse as seguintes ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça e do próprio CARF: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010). TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009). JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 6485DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 6486DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11610.010562/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF nº. 36.531.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF nº. 36.531. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão Preto (fls. 442 e seguintes): Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 19/28 em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 10 56 2/ 20 01 -9 9 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.010562/200199 Resolução nº 3202000.314 S3C2T2 Fl. 641 2 períodos entre abril a junho de 1997, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.093.124,16. O enquadramento legal encontrase às fls. 23 e 25. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/6, na qual denunciou a arbitrariedade das autoridades responsáveis pelo lançamento, que deixaram de efetuar diligências para verificar, no período em questão, a existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário e optaram por lançar os valores, com a imposição de penalidade, por meio de peça fiscal genérica e imotivada, sem que a empresa fosse previamente intimada a apresentar documentos. Alegou que parte dos açúcares comercializados pela impugnante estão abrangidos pela Instrução Normativa SRF n° 67, de 1998, que reconheceu serem isentas as saídas de determinados tipos de açúcar, no período de 06/07/1995 a 16/11/1997 (abrangendo todo o período objeto da autuação). Estaria a interessada ainda amparada por liminar (posteriormente ratificada por sentença concessiva da segurança) nos autos do Mandado de Segurança n° 96.00113238, o que implicaria na suspensão da ação fiscal e exclusão dos valores lançados a título de multa e juros, o que pleiteou nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 63 e ADN CST n° 1/97. A ementa do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.010562/200199 Resolução nº 3202000.314 S3C2T2 Fl. 642 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A fundamentação a decisão recorrida é a seguinte: A petição inicial da referida ação judicial, apresentada por cópia às fls. 29/48, traz como impetrantes “COPERSUCAR COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CANA, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO LTDA. e COMPANHIA UNIÃO Dos REFINADORES DE AÇÚCAR E CAFÉ, ambas com sede na Rua Borges de Figueiredo, 237, São Paulo, inscritas no C.G.C.M.F. sob os ns. 61.149.589/000189 e 61.095.048/0001 15 (...)” (fl. 29). Assim, ela estava amparada pela liminar concedida no aludido processo judicial, devendo o lançamento ser mantido apenas para prevenção da decadência, excluindose a multa de oficio a teor do disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a não incidência de IPI prevista na Instrução Normativa SRF n° 67, de 1998, temos: Art. 30 Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saidas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI. Art. 4o Para fins de identificação do tipo de açúcar saído dos estabelecimentos industriais deverão ser adotadas as especificações técnicas contidas na Resolução IAA N° 2.190, de 30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários tipos de açúcares de produção direta das usinas e refinarias autônomas do País. É de se observar que a impugnante é companhia que tem por objetivos “a produção, intermediação, industrialização, comercialização e exportação de: açúcar, álcool, café, produtos alimentícios em geral e seus derivados”, entre outros. Assim, dos débitos por ela declarados na DCTF do segundo trimestre de 1997, a título de IPI, não é possível inferir qual seria o valor correspondente às saídas de açúcares abrangidos pela referida Instrução Normativa, e nem mesmo se tais valores chegaram a ser declarados. Uma vez editada a Instrução Normativa SRF n° 67, caberia à autuada retificar sua DCTF, excluindo o IPI referente a tais saídas, caso compusessem o débito confessado, o que não foi feito. Em seu recurso, a Recorrida anteriormente denominada COMPANHIA UNIÃO DOS REFINADORES DE AÇÚCAR E CAFÉ, impetrou o Mandado de Segurança n° 9600113238, cuja sentença lhe foi favorável, conforme trecho abaixo transcrito: Diante do exposto, por tudo o mais que dos autos consta e considerando a extinção do processo sem julgamento do mérito em relação a parte do pedido (fls. 493 e 523/524) julgoo PROCEDENTE EM PARTE para deferilo Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.010562/200199 Resolução nº 3202000.314 S3C2T2 Fl. 643 4 somente quanto à CIA UNIÃO DOS REFINADORES DE AÇÚCAR E CAFÉ e em relação aos produtos não abrangidos pela instrução normativa n° 67/98 e para esses mesmos produtos que tiverem sido comercializados a partir de 31/ 12/96 e relativos à safra de 96/97, para, em relação às suas respectivas operações de saída do estabelecimento da impetrante CONCEDER A SEGURANÇA. Julgo extinto o processo sem julgamento do mérito em relação à COPERSUCAR COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CANA, Açúcar e Álcool, nos termos do artigo 267, V do Código de Processo Civil. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região da conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI SOBRE AÇÚCAR DECRETO 420/92 SAFRA 96/97 SUPERADAS AS PRELIMINARES DE INADEQUAÇÃO DA VIA DO "MANDAMUS" E DA ILEGITIMIDADE ATIVA PARA A CAUSA. NENHUM VICIO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA TRIBUTAÇÃO GUERREADA. JULGAMENTO DA AIAMS PELO C. ÓRGÃO ESPECIAL DESTA CORTE. IMPROVIMENTO AO APELO E AO REEXAME. CONCESSÃO DA SEGURANÇA. I. Cuidandose de questões predominantemente jurídicas, da interpretação dos ditames constatase revelase o mandamus a via adequada. 2. Guardando a parte autora pertinência subjetiva, na relação material, com a tributação discutida, irrelevante se revela a fiscalização da n¿`io repercussão, pois papel do Estado (CTN, artigo I95): inocorrente, assim, a ilegitimidade ativa ad causam do aqui apelado. 3. Ao plano de um histórico legislativo, a envolver as Leis 7.798/99 e 8.393/91, assim como o Decreto 420/92, bem assim a Portaria 04/92, nenhum malferimento se extrai da conduta fiscal alvejada. Constitucionalidade, pois, do mecanismo de cobrança do IPI sobre o debatido açúcar: nuclearmente, nem uniformidade geográfica, nem seletividade descumpridas. 4. Julgamento proferido na AIAMS n° I76622/SP, por parte do E. Órgão Especial desta C. Corte, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 2° da L. 8.393/9I. Nos termos do art. 176, do Regimento Intemo desta Corte, improvidos o apelo e reexame e concessão da segurança. A decisão supra transitou em julgado, conforme certidão de objeto e pé juntada com o recurso voluntário (fls. 514/515). A Recorrente juntou aos autos, por meio de petição protocolada em (fls. 88 e seguintes), ampla documentação que demonstra os tipos de açúcares por ela comercializados no período (cópia exemplificativa de algumas notas emitidas), demonstrando que as operações realizadas eram de açúcares do tipo refinado (amorfo, em sua grande maioria, e granulado, em minoria), cuja não incidência do IPI foi reconhecida pela Instrução Normativa SRF n° 67/98. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.010562/200199 Resolução nº 3202000.314 S3C2T2 Fl. 644 5 Ocorre, no entanto, que a própria petição diz expressamente que “Sem prejuízo do mais amplo poder de fiscalização das autoridades competentes, a suplicante anexa à presente cópia exemplificativa de algumas notas emitidas (encontrandose o restante, em razão do grande volume, à disposição das autoridades), que comprova ter sido comercializado, na quase totalidade dos casos, o açúcar da marca ´União´, que é do tipo refinado amorfo”. Diante do fato de terem sido juntadas cópias exemplificativas de notas fiscais emitidas no período de autuação, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique a documentação da Recorrente referente ao período autuado (livros, notas fiscais de saída, etc.) e produza relatório pormenorizado a fim de confirmar quais os tipos de açúcares que foram por ela comercializados no período da autuação. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10245.003789/2008-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
INSUBSISTÊNCIA DE DÍVIDA. PERDÃO DE JUROS EM CONTRATO DE MÚTUO. OUTRAS RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. RECUPERAÇÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A DESPESAS. SUBMISSÃO NO PERÍODO DO INCORRIMENTO DA DESPESA AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO.
Exclui-se da base de cálculo do lucro presumido, para determinação da CSLL, as receitas relativas ao perdão das dívidas de juros, quando os valores recuperados correspondentes às despesas de juros se refiram a período no qual o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido. (IN SRF nº390/2004, art. 88, III, "g")
Numero da decisão: 9101-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso especial do contribuinte. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), este ultimo em relação à CSLL.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Perdão de dívida de juros. Recorrente SHADOW SILVOPASTORIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 INSUBSISTÊNCIA DE DÍVIDA. PERDÃO DE JUROS EM CONTRATO DE MÚTUO. OUTRAS RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. RECUPERAÇÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A DESPESAS. SUBMISSÃO NO PERÍODO DO INCORRIMENTO DA DESPESA AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. Excluise da base de cálculo do lucro presumido, para determinação do IRPJ, as receitas relativas ao perdão das dívidas de juros, quando os valores recuperados correspondentes às despesas de juros se refiram a período no qual o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido. (Lei nº 9.430/1996, art. 53; RIR/99, art. 521, §3º) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 INSUBSISTÊNCIA DE DÍVIDA. PERDÃO DE JUROS EM CONTRATO DE MÚTUO. OUTRAS RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. RECUPERAÇÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A DESPESAS. SUBMISSÃO NO PERÍODO DO INCORRIMENTO DA DESPESA AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. Excluise da base de cálculo do lucro presumido, para determinação da CSLL, as receitas relativas ao perdão das dívidas de juros, quando os valores recuperados correspondentes às despesas de juros se refiram a período no qual o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido. (IN SRF nº390/2004, art. 88, III, "g") Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 37 89 /2 00 8- 05 Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso especial do contribuinte. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), este ultimo em relação à CSLL. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.1092 a 1095) interposto pelo Contribuinte em 18/10/2012, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à consideração como receitas financeiras do valor relativo à remissão de juros incidentes sobre contratos de mútuo contraídos em moeda estrangeira, na apuração do Lucro Presumido. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 180100.951, de 10/04/2012, por meio do qual a 1a Turma Especial da 1a Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, cancelando os créditos tributários formalizados nos Autos de Infração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 3. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: "MÚTUO. DESCONTO DE JUROS. INCLUSÃO NA RECEITA BRUTA. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, devem [ser] incluídos na receita bruta, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem." 4. Extraise do voto condutor os seguintes trechos: "... A Recorrente ajustou o contrato de mútuo ... em 11.10.2000 no valor principal de US$70.000,00 com juros de mora a 12% ao ano para implemento em parcelas nos valores US$25.200,00, US$26.880,00 e US$6.421,20 vencíveis respectivamente em 11.10.2005, 11.10.2008 e 11.10.2011. Entretanto, de acordo com o cálculo de ofício dos juros de mora corretos temse os valores US$25.200,00, US$42.000,00 e Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.136 3 US$25.200,00 vencíveis respectivamente em 11.10.2005, 11.10.2008 e 11.10.2011. Restou esclarecido que tais divergências são originárias da remissão parcial dos juros de mora, cujo fato pode ser comprovado pelos documentos enviados pelo Banco Central do Brasil S/A (BACEN), mediante a análise das correspondências do credor datada de 24.05.2004, fl. 137, e da Recorrente de 26.12.2006, fl. 136. A Recorrente, entretanto, não escriturou os valores dos juros de mora como provisão na conta do Passivo Exigível nos Livros Razão de modo que, por ocasião do perdão dos mesmos, não houve o registro da baixa da quantia da obrigação nesta conta nem a sua contrapartida na conta de receitas financeiras. Por ocasião da extinção da exigibilidade da obrigação de pagar os juros, ocorrida em 24.05.2004, a empresa deveria ter reconhecido como receitas financeiras juros calculados até aquela data, e nos meses seguintes, os juros que seriam incorridos em cada período, o que não ocorreu. A remissão dos juros pelo credor constitui um acréscimo patrimonial da Recorrente de acordo com expressa determinação legal, e representa receita financeira tributável que não foi oferecida a tributação. Por esta razão, os valores detalhados por contrato foram lançados como omissão de receita com os devidos acréscimos legais. ... Além disso, a Recorrente reconhece que de fato teve em seu favor o desconto de juros incidentes sobre obrigações contraídas em moeda estrangeira no ano calendário de 2000, cujos vencimento da operações foi posterior ao encerramento do período de apuração, ou seja, 2004 e 2005, fls. 136137, cujos valores correspondentes não foram incluídos na receita bruta para fins de apuração do lucro presumido. Embora defenda a tese de que não houve a ocorrência do fato gerador dos tributos, a legislação determina que este valor deve [ser] incluído na receita bruta, podendo ser rateados pelos períodos a que competirem. ... ..." 5. A Recorrente afirmou que o acórdão diverge da jurisprudência administrativa e trouxe como paradigma o Acórdão nº 110300.472, de 26/05/2011, oriundo da 3a Turma da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, assim ementado, na parte pertinente: " Ementa: LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. PERDÃO DE JUROS INCORRIDOS. No regime do lucro presumido, os juros incorridos não reduzem a base de cálculo do tributo, como despesa, e, portanto, quando perdoados, os valores a eles relativos (juros) não devem ser computados como receita." 6. Em exame do acórdão paradigma, percebese que o entendimento é tratado e defendido apenas no parágrafo da afirmação que restou vazada na ementa antes transcrita. 7. A Recorrente apresenta as seguintes razões recursais para cabimento e reforma do acórdão recorrido: "... A autoridade administrativa entende fato gerador a renúncia unilateral dos juros contratados pela recorrente, por meio de contrato de mútuo, eis que se trata de "receita financeira". ... Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 E a divergência se dá quanto à renúncia unilateral dos juros pela recorrente, que, de acordo com o paradigma, não se configura em omissão de receita, como determina o art. 282 do Decreto n.° 3.000/99. ... Sobre a caracterização da renúncia unilateral dos juros como "receita financeira", fica evidente a divergência entre as Eg. Turmas Julgadoras. O paradigma decide que ela não se caracteriza como receita financeira, dado o regime de tributação da pessoa jurídica, idêntico ao da recorrente. É oposta completamente a interpretação do acórdão recorrido! Embora a Eg. Turma afirme, a lei tributária não define a operação como "receita financeira". A opção pela tributação do lucro presumido deve ser respeitada pela autoridade administrativa e, neste regime, a operação não acarreta em redução da base de cálculo. E, se não afeta a base de cálculo, não há se falar em matéria tributável! ... ... que prevaleça a interpretação ... de que ... ao aplicar o art. 282 do Decreto n.º 3.000/99, a renúncia unilateral de juros ... não se constitui em "receita financeira", de modo que nunca houve omissão de receitas ... ..." (grifos no original) 8. Quando do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial (fls.1123 a 1126), o Presidente da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso. 9. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls.1128 a 1131), na qual não levantou preliminar de conhecimento, citou precedente a seu favor (Acórdão nº 10197.057, de 16/12/2008) e defendeu, da seguinte forma, a configuração dos juros perdoados como receita financeira para fins de apuração do lucro presumido: "Para efeito do IRPJ e reflexo (CSLL), em qualquer caso resta configurado o acréscimo patrimonial quando a contribuinte está submetida ao regime do Lucro Presumido, sendo obrigatória a adição, ao lucro presumido apurado com base na receita bruta de faturamento, de outras ou das demais receitas auferidas. Na hipótese em análise, em que a situação retratada decorre da insubsistência de obrigação financeira (perdão dado pelo credor), a pessoa jurídica, que obteve o perdão da obrigação financeira (conta de passivo), deve, em contrapartida, lançar em conta de resultado o respectivo valor como receita financeira ou outras receitas (acréscimo patrimonial). Com efeito, considerando que a recorrente encontrase submetida ao regime do lucro presumido, os arts. 521 e 528 do RIR/99 determinam a obrigatoriedade da adição das outras receitas ou demais receitas, inclusive, receitas financeiras (perdão de juros) ao lucro presumido apurado, por se tratar de acréscimo patrimonial, nos termos do art. 43 do CTN." 10. É o relatório. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.137 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Houve divergência jurisprudencial e foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele tomo conhecimento. 3. Não obstante, de início, fazse necessário esclarecer que a real divergência de interpretações não é em relação à natureza da receita (classificação como receita financeira ou outro tipo de receita), mas sim em relação ao fato de a remissão de juros incidentes sobre contratos de mútuo contraídos em moeda estrangeira ser ou não ser receita; e, conseqüentemente, compor a base de cálculo na apuração do Lucro Presumido. 3.1. Isto se dá porque o acórdão paradigma, em momento algum, para firmar seu entendimento, sequer fez menção à natureza da receita, tanto na parte pertinente da ementa como no voto condutor. 3.2. Tendo em vista que o acórdão recorrido afirma que o perdão de juros é receita e é receita financeira1; somente no caso de o paradigma ter entendido que esse perdão é receita2, mas não é receita financeira, é que a divergência jurisprudencial seria quanto eventual classificação. 3.3. Encerrando o esclarecimento, informo que a natureza da receita não terá nenhum impacto quanto aos Autos de Infração em julgamento, pois, para o IRPJ (e para a CSLL), conforme se constata dos artigos que tratam da base de cálculo, essa discussão é inócua. Somente para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, no regime de apuração não cumulativa, que não é o caso, é que se torna importante para fins de enquadramento no Decreto nº 5.442, de 09/05/2005. 4. Delimitado o escopo da divergência de interpretações da lei tributária, passo à matéria. 5. Transcrevo partes do arts. 521 e 528 do RIR/99: "Subtítulo IV Lucro Presumido Capítulo II GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o 1 Embora não esteja expresso na ementa, o texto da ementa corresponde ao art. 373 do RIR/99, que compõe a Subseção I Receitas e Despesas Financeiras. Ademais, a classificação como financeira ficou clara no voto condutor. 2 Lêse ao final da ementa do acórdão paradigma: "..., os valores a eles relativos (juros) não devem ser computados como receita". Portanto, o que não é receita, não é receita financeira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (...) § 2º Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serão adicionados à base de cálculo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3º , inciso III). § 3º Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 53). (...). Capítulo V OMISSÃO DE RECEITA Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º)." 6. Os arts. 521 e 528 do RIR/99 determinam a obrigatoriedade da adição das outras receitas ou demais receitas (sejam elas receitas financeiras ou não), ao Lucro Presumido apurado, por ser tratar de acréscimo patrimonial, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, há previsão para inclusão na base de cálculo de quaisquer tipo de receitas, o que conduz a discussão para o enquadramento do perdão de juros como receita, a ocasionar acréscimo patrimonial. 7. O tema em julgamento já foi apreciado pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), na 1a Câmara, e restou ementado nos seguintes termos pelo Acórdão 10197.057, de 16/12/2008, da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anos calendário: 1995 e 1997.Ementa: PERDÃO DE DÍVIDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita tributável o valor correspondente ao perdão de dívida concedido à empresa." 8. Também a 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio da 2a Turma Especial, já se debruçou sobre a matéria, em acórdãos ementados com a seguinte redação no que tange ao contexto: "OMISSÃO DE OUTRAS RECEITAS. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS EM CONTRATO DE MÚTUO. INSUBSISTÊNCIA DE DÍVIDA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita tributável, devendo ser adicionada ao lucro presumido, o valor correspondente ao perdão de juros passivos." Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.138 7 9. Trago aqui os sólidos fundamentos assentados pelo voto vencedor dos Acórdãos nº 1802001.617, nº 1802001.618, ambos de 10/04/2013, e pelo voto condutor do Acórdão nº 1802001.295, de 04/07/2012, todos da 2a Turma Especial da 1a Seção do CARF e do Conselheiro Nelso Kichel, onde restou contraditado e refutado o único argumento do Acórdão paradigma3. "... OMISSÃO DE OUTRAS RECEITAS. PERDÃO DE JUROS PASSIVOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ANOSCALENDÁRIO 2004, 2005, 2006 e 2007. Em relação à natureza jurídica das receitas (perdão de juros passivos), passo ao largo dessa discussão doutrinária, se "Receitas Financeiras" ou apenas "Outras Receitas Operacionais", pois tal distinção é irrelevante para resolução da lide. Para efeito do IRPJ e reflexo (CSLL), em qualquer caso, está configurado o acréscimo patrimonial, pois a Contribuinte, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, estava submetida ao regime do Lucro Presumido, sendo obrigatória a adição ao lucro presumido, apurado com base na receita bruta de faturamento, de outras ou das demais receitas auferidas, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL. ... 1) Lançamento do IRPJ e reflexo (CSLL): Diversamente do alegado pela Contribuinte, a lei tributária, quando instituiu o regime do Lucro Presumido, não fixou os coeficientes de presunção do lucro de forma aleatória, segundo a natureza econômica da atividade desenvolvida pelos contribuintes (venda de mercadoria comércio ou prestação de serviços). Pelo contrário, partindo de parâmetros definidos cientificamente, houve consideração, em termos médios, do nível máximo plausível de despesas que são necessárias para geração de riquezas novas, de acordo com a natureza da atividade econômica empreendida pelos contribuintes: venda de mercadoria (comércio) ou prestação de serviços. A contrário sensu, então a diferença entre a receita bruta faturada e as despesas, é o Lucro Presumido, ou seja, o coeficiente de presunção do lucro, fixado legalmente, segundo a natureza econômica da atividade desenvolvida pelos agentes econômicos: venda de mercadoria (comércio) ou prestação de serviços. Logo, como visto, as despesas foram levadas, sim, em consideração pela lei, em termos médios, para cada tipo de atividade econômica (venda de mercadoria ou prestação de serviço), quando da fixação do respectivo coeficiente de presunção do lucro. A título ilustrativo, para atividade de comércio em geral, considerando, em termos médios, o nível máximo plausível de despesas para essa atividade econômica, a lei presume, em relação à receita bruta faturada, que pelo menos 8% (oito por cento) da receita faturada seja riqueza nova (acréscimo patrimonial), fixando, por conseguinte, o coeficiente de presunção do lucro em 8% (oito por cento). 3 Qual seja, o de que, no regime do lucro presumido, os juros incorridos não reduzem a base de cálculo do tributo, como despesa, e, portanto, quando perdoados, os valores a eles relativos (juros) não devem ser computados como receita. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Isso significa, por presunção, que 92% da receita bruta de faturamento, na atividade de comércio em geral, é despesa consumida. Já, em relação à atividade prestação de serviços em geral, presumese que 68% (sessenta e oito por cento) das receitas faturadas são consumidas pelas despesas, sendo a diferença de 32% (trinta e dois por cento) o Lucro Presumido, geração de riqueza nova (acréscimo patrimonial). Por isso, a lei tributária fixou o coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento) para atividade de prestação de serviços em geral. Restringindose apenas a essas duas atividades, resta evidente que, no regime do Lucro Presumido, a contrário sensu, as despesas, também, são consideradas (presumidas). Porém, isso não é tudo! A questão da definição legal do coeficiente de presunção do lucro para cada atividade econômica (venda de mercadoria comércio ou prestação de serviços) leva em conta o lucro líquido presumido, em relação às receitas de faturamento (não leva em conta as receitas de outra natureza e respectivas despesas). Vale dizer, quanto às receitas de natureza diversa do faturamento (ganhos de capital, receitas financeiras, juros ativos, valores recebidos a título de multas, perdão obtido de dívidas etc), tais receitas não se submetem ao Lucro Presumido, devem ser adicionadas pelo valor líquido ao Lucro Presumido. Tanto os ganhos de capital, quanto as receitas financeiras e outras receitas, são adicionadas ao Lucro Presumido pelo valor líquido (Receita da operação, menos despesa da operação). Diante do exposto, atendose excluivamente à situação concreta dos presentes autos, consta que, relativamente ao empréstimo de moeda contraído pela Recorrente (contrato de mútuo), houve o perdão dos juros remuneratórios pelo mutuante e que deveriam ser amortizados pela mutuária, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. Vale dizer: houve perdão dessa obrigação financeira (juros passivos) pelo credor mutuante. Insubsistência de dívida. Nessa situação, contabilmente a pessoa jurídica beneficiária, que obteve o perdão da obrigação financeira (obrigação conta de passivo), deve, em contrapartida, lançar em conta de resultado o respectivo valor como receita financeira ou outras receitas, pois é um acréscimo patrimonial. Já, para efeito do IRPJ da CSLL (no âmbito do Lucro Presumido), o perdão de juros (perdão de dívida dado unilateralmente pelo credor mutuante) é uma receita diversa do faturamento (receita do devedor mutuário = insubsistência de dívida, insubsistência de juros passivos), e deve ser adicionado ao Lucro Presumido pelo valor líquido (receita, menos despesa). Como não há despesa para o devedor mutuário no ato de perdão de dívida pelo credor mutuário, a receita é o próprio valor da dívida perdoada (insubsistência de dívida). Como a Recorrente, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, estava submetida ao regime do Lucro Presumido, os arts. 521 e 528 do RIR/99 determinam a obrigatoriedade da adição das outras receitas ou demais receitas, inclusive receitas financeiras (obtenção de perdão de juros passivos), ao Lucro Presumido apurado, por ser tratar de acréscimo patrimonial, nos termos do art. 43 do CTN. ... Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.139 9 Por conseguinte, ... no âmbito do regime de tributação do Lucro Presumido, a legislação de regência impõe a obrigatoriedadade de adição, ao Lucro Presumido, de outras receitas (receitas diversas do faturamento, inclusive receitas financeiras), abarcando o perdão de juros passivos, que configuram acréscimo patrimonial. ..." 10. A 1a Turma Ordinária (TO) da 4a Câmara da 1a Seção do CARF também já se manifestou sobre o assunto e decidiu pelo enquadramento do perdão de juros como receita, embora tenha entendido por bem apreciar a natureza dessa receita, segundo se verifica dos Acórdãos unânimes nº 1401001.113 e nº 1401001.114, ambos de 11/02/2014, tendo por relator o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. Reproduzse a ementa: "PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente." 11. Do tratado elaborado pelo voto condutor, considero relevante transcrever alguns pontos: "... Não importa aqui se o perdão é total ou parcial como é o caso. Ainda estamos a falar de remissão de dívida, uma vez que os juros seguem o principal e se o principal é dívida, os juros também o são. ... ... é uma inverdade afirmar que não há benefício econômico algum a renúncia de juros vencidos ou vincendos, afinal a empresa recebeu um empréstimo e pagálo sem encargos financeiros algum é, sim, um benefício econômico. Bem se vê que seu discurso foi proferido com uma visão de grupo econômico onde uma empresa do grupo empresta a outra empresa do mesmo grupo e assim dentro do grupo econômico seus efeitos se anulariam. Porém, o ângulo a ser analisado a questão aqui é outro: é contábil/fiscal e não econômico no sentido largo desta palavra. Devese ver os fatos contábeis dentro de uma empresa particular, respeitando os princípios contábeis, principalmente o princípio da entidade. ... Ora, uma vez acordado o mútuo todos os seus parâmetros foram bem definidos: prazo para pagamento, juros etc. Não há incerteza quanto a fato futuro que possa se imputar a utilização de qualquer "condição". Uma vez definido o início e o término do empréstimo, ou seja seus termos, o montante de juros a se despender já está previamente definido. No caso, de acordo com o Principio da Competência, considerase realizada a receita, entre outros, nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, como foi o caso. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Sendo assim, quando ocorre o perdão da dívida, automaticamente aquele passivo que desaparece se transforma em um acréscimo patrimonial, motivo pelo qual deve ser acrescido como um todo (juros incorridos e a incorrer) como outras receitas não operacionais na base de cálculo do lucro presumido. ... Por fim4, não cabe aqui o argumento de que por estar no regime do lucro presumido não se apropriou as despesas com juros e, portanto, não faria sentido a apropriação de receita no perdão da dívida. Ora, no lucro presumido o lucro por ficção é presumido e por decorrência o custo é também presumido indiretamente. Sendo esse o caso, não há que se falar em falta de apropriação dessas despesas uma vez que ficticiamente elas já estariam, sim, apropriadas nesse regime de tributação. Portanto, não assiste razão à Recorrente e o perdão dos juros, no caso, compõe base de cálculo dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, posto que caracterizaremse como "outras receitas operacionais" e não foram oferecidas à tributação. ..." 12. Examinado as leis tributárias a respeito da questão, encontrei ocorrência em que ficou evidente a definição de perdão de juros como receita que produz acréscimo patrimonial, refirome à Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Esta Lei, entre outras disposições, altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concede remissão nos casos em que especifica. Um dos casos especificados de remissão consiste no perdão parcial de juros. 12.1. O parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, determinou a exclusão, da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, das receitas decorrentes da parcela equivalente à redução do valor dos juros em decorrência do disposto nos arts. 1º a 3º da mesma Lei. "Art. 4º ... Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei." 12.2. Se não for esta a interpretação correta a ser dada ao dispositivo legal citado, chegaremos a três possibilidades: 1a) a de que o parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 2009, é letra morta, 2a) a de que foi ampliado o benefício com a autorização legal da dedução (aqui entendido como exclusão de algo que não a integrava), da base de cálculo dos tributos, da parcela dos juros perdoados; 3a) a de que a aplicação deste dispositivo é limitada ao lucro real. 12.3. As duas primeiras possibilidades são contraditórias em si mesmas, em desacordo com os princípios gerais de direito ou com a sistemática da própria Lei nº 11.941, de 2009, devem, portanto, ser afastadas. A terceira possibilidade vai de encontro à regra basilar de hermenêutica jurídica: onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete fazêlo (“ubi lex non distinguit, nec interpres distinguere debet”). Logo, a partir dessa análise, não há como não reconhecer que a redução parcial (ou total) de juros seja receita. Ademais, a data do nascimento 4 Momento em que contraditou o argumento solitário do paradigma. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.140 11 desta Lei no ordenamento jurídico não deve ser tomada para referência para aplicação deste entendimento, apenas confirma que é antiga a certeza da tributação. 12.4. A recente Solução de Consulta COSIT nº 21, de 06/11/2013, publicada na forma do art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16/09/2013, examinou o parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 2009, embora na esfera do lucro real (o que não interfere na análise), e assentou o seguinte entendimento: 12.4.1. Parte pertinente da ementa: "LUCRO REAL. REDUÇÃO DE MULTA E JUROS. LEI Nº 11.941, DE 2009. A receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, nos termos do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009." 12.4.2. Excertos da decisão: "10.1. Ao prescrever esse dispositivo que “não será computada na apuração da base de cálculo” dos tributos nele arrolados a parcela relativa à redução do débito tributário, depreendese que ele se refere a uma receita, sujeita a registro contábil, o que deflui da formação da base de cálculo desses tributos. 10.2. Para estabelecer a origem dessa receita, “equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal” ..., há que se ter em mente o contexto contábilfiscal que imediatamente antecede (no caso em pauta) o pagamento à vista do débito tributário. Nesse momento, o montante dos valores relativos ao tributo e seus acréscimos legais (calculados até essa data) estará registrado em contas do passivo (pressupõese, para estudo, contas exclusivas para o débito a ser liquidado); realizado o pagamento (com a redução de multa e juros), a importância a ele correspondente será lançada a débito das correspondentes contas de passivo (e a crédito de caixa/bancos). Os saldos remanescentes nessas contas, por evidente, constituirão a parcela de que ora se cuida. Na sequência, as contas que registrem os saldos serão zeradas, mediante lançamentos a débito, em contrapartida a contas de receita. 10.3. Vale comentar que a redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida. O perdão de dívidas, consabidamente, configura receita para a pessoa jurídica devedora e caracteriza o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso II, e § 1º, do CTN, pois se está diante de um acréscimo patrimonial – resultante da diminuição de um passivo. Essa receita, igualmente, integra a base de cálculo da CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988) e, em princípio, da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002) e da Cofins (art. 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). 12.5. Também corrobora a interpretação aqui defendida, o Ato Declaratório SRF nº 85, de 27/10/1999, que dispõe sobre a renegociação das dívidas do crédito rural nos termos da Lei nº 9.138, de 29/11/1995, pois se aplica o que foi dito ao parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 2009. Seguem os artigos do ato: "Art. 1º A redução do montante a ser recebido pela instituição financeira, proveniente da renegociação de dívidas originárias de crédito rural, autorizadas pela Lei Nº 9.138, de 1995, conforme parâmetros estabelecidos na Resolução Nº 2.471, de 1998, do Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Conselho Monetário Nacional, é dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Art. 2º Na hipótese do artigo anterior, a pessoa jurídica devedora registrará a parcela correspondente à redução de sua dívida como receita financeira." (Grifouse) 13. Na ciência contábil, temse que o desaparecimento de uma obrigação, sem o surgimento de outro passivo, ou o desaparecimento de um ativo de igual ou maior valor caracteriza a realização de uma receita. Com efeito, é o que se extrai da Resolução CFC nº 750, de 29/12/1993, no dispositivo5 a seguir transcrito: "Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. ... § 3º As receitas consideramse realizadas: ... II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; ..." 14. No mesmo sentido a Resolução CFC nº 7746, de 16/12/1994: "2.6.3 – Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade ... Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes. ..." 15. In casu, vêse claramente que quando há extinção de uma obrigação (passivo), sem o desaparecimento concomitante de um bem ou direito (ativo), de igual ou superior valor, é inegável a ocorrência de um acréscimo patrimonial. Logo, a remissão da dívida há de ser reconhecida como receita, o que repercute no lucro líquido positivamente. 15.1. A tal fato dáse o nome de “insubsistência do passivo” ou “insubsistência ativa” (desaparecimento de uma obrigação), que é um fato modificativo aumentativo do patrimônio (aumento de disponibilidade de recursos – acréscimo patrimonial – sem obrigação comutativa). Ou seja, o perdão de um passivo importa em aumento do patrimônio líquido da empresa agraciada. O lançamento contábil é o seguinte: D Juros a pagar (conta de passivo extinção da dívida) 5 Embora o art. 9º da Resolução CFC nº 750, de 1993, tenha recebido nova redação pela Resolução CFC nº 1.282, de 2010, tal fato se deve a questões relativas ao Princípio da Competência, e não porque o que é receita tenha deixado de sêlo. 6 Revogada pela Resolução CFC nº 1.282, de 2010, sendo válida a mesma observação da nota de nº 5. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.141 13 C Insubsistência ativa (conta de resultado receita em “sentido amplo”) 15.2. Sobre o conceito de Insubsistência Ativa, ensina Ricardo J. Ferreira7 o seguinte: 13.7 Insubsistências e superveniências Insubsistência Passiva “Insubsistência” é a condição de algo que deixa de existir, que desaparece. O vocábulo “passiva” tem o sentido de “negativa” ou “que causa efeito negativo", que não se confunde com a expressão “do passivo" (das obrigações, do passivo exigível). Logo, a insubsistência passiva é relativa àquilo que, ao deixar de existir, provoca efeito negativo sobre o patrimônio. A mercadoria perdida em um incêndio, por exemplo, é uma insubsistência passiva. Não se trata, porém, de uma insubsistência do passivo. Como o que deixou de existir foi um bem, com a perda da mercadoria, houve insubsistência do ativo. Portanto, a conta Insubsistências Passivas é de despesa (de natureza devedora). Insubsistência Ativa Por analogia, “insubsistência ativa” é quando algo que deixou de existir provoca o aumento do patrimônio, vale dizer, significa “o efeito positivo de algo que deixou de existir". Exemplo: a prescrição de uma dívida, que é uma insubsistência do passivo. A conta Insubsistências Ativas é de receita (de natureza credora). (...) 16. Uma vez que tal acréscimo patrimonial advém de uma receita, depreendese que foi concretizado um fato que influenciará na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois houve aumento do lucro líquido (ou redução do prejuízo contábil). 16.1. Perdoada a dívida sem o pagamento dos juros, tal valor ficará disponível à empresa, que poderá empregálo da forma que melhor lhe aprouver. A disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial é fato gerador do imposto de renda, tal como previsto no art. 43, II, do CTN, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...) 16.2. Destarte, é irrefutável o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade) por parte da devedora, que é a presente recorrente, do qual há o inexorável surgimento de capacidade contributiva objetiva. Isso posto, o perdão de uma dívida de juros é fato gerador do imposto de renda. 17. Pelo entendimento como receita, encontramse os seguintes pronunciamentos da RFB: 7 in Contabilidade Básica, Editora Ferreira, 8ª ed., 2010, p. 181. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Solução de Consulta nº 17 SRRF01/Disit "REMISSÃO DE DÍVIDA. INCIDÊNCIA DE IRPJ, CSLL, PIS/PASEP E COFINS. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente." DECISÃO Nº 297 de 21/12/2000 SRRF06 EMENTA: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. Solução de Consulta nº 306 SRRF09/Disit O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como “outras receitas operacionais”. Solução de Consulta nº 31 SRRF10/Disit "LUCRO REAL. PERDÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO DE SÓCIO. Constitui receita da pessoa jurídica devedora a importância correspondente ao perdão de dívida, não havendo previsão legal para sua exclusão do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real." 18. Não obstante tudo o que se disse (que foi necessário dizer para solucionar a divergência de entendimentos sobre a polêmica de ser ou não ser receita), há que se apreciar outra importante questão, qual seja: se essa receita de perdão de dívida de juros (que, como visto, quando auferida é fato gerador do imposto de renda) está ou não submetida a tributação do IRPJ e da CSLL na apuração com base no lucro presumido. 18.1. Para isso, fazse necessário transcrever o art. 53 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. 18.2. Este artigo encontrase no § 3º do art. 521 do RIR/99, já reproduzido no item 5, ou seja, encontrase dentro do artigo que trata de outras receitas. O conteúdo é exatamente o mesmo nas duas redações da legislação. 19. Os aludidos art. 53 da Lei nº 9.430/1996 e § 3º do art. 521 do RIR/99 tratam de recuperação de valores a título de custos, despesas e perdas. Ocorre que a recuperação de valores necessariamente pressupõe que tais valores foram incorridos/reconhecidos anteriormente. 19.1. No caso sob exame seriam dois lançamentos contábeis: o primeiro no momento em que a despesa com juros foi incorrida, e o segunda no momento em que foi recuperada, a saber: Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.142 15 a) no momento X0 contabilizase a despesa com juros, em contrapartida a juros a pagar: D Despesa com juros (conta de resultado despesa incorrida) C Juros a pagar (conta de passivo) b) no momento X1 contabilizase recuperação da despesa com juros, em contrapartida a juros a pagar: D Juros a pagar (conta de passivo pela extinção da dívida) C Insubsistência ativa (conta de resultado recuperação de despesa com juros, espécie de receita) 19.2. O mencionado art. 53, a meu ver, é uma norma de “compensação” do lucro presumido no momento X1, à vista do ocorrido no momento X0. De acordo com ela, a recuperação de despesas (Insubsistência Ativa receita em “sentido amplo”) deverá compor o lucro presumido no momento X1, exceto se: a) “o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real”. Nesse caso, se o lucro real no momento X0 não foi reduzido pela contabilização da despesa incorrida, então não há necessidade de se tributar no Lucro Presumido a Insubsistência Ativa no momento X1. b) “se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado”. Aqui, ainda que em X0 a despesa tenha sido contabilizada, isso em nada interferiu na apuração do IRPJ daquele período, já que o contribuinte foi tributado com base no Lucro Presumido ou Arbitrado. Assim, no momento X1, a Insubsistência Ativa também não deverá compor o Lucro Presumido. 19.2.1. Relativamente a letra "b" acima há que se evidenciar que sempre a despesa é levada em consideração para fins de apuração do Lucro Presumido, tendo em vista que, nesta sistemática de apuração do lucro, a consideração da dedução das despesas dáse por presunção (como visto no item 9) ou ficção (vide item 11). Assim, na realidade, o contrário do argumento do Acórdão paradigma é que opera em favor da recorrente e não o próprio argumento. 19.3. Afasto aqui a argumentação de que o início do referido art. 53, ao se utilizar da expressão da "os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas,...", exige que essa recuperação de valor tenha que se dar mediante o ingresso de recursos no Caixa/Banco da empresa. Essa argumentação é improcedente, pois não há, neste dispositivo legal, qualquer restrição à forma de recuperação de valor ou vinculação ao regime de caixa, podendo ocorrer sim por meio de extinção da dívida (redução ou baixa da conta do passivo Juros a Pagar). 19.4. Isso posto, no caso do perdão dos juros, se o contribuinte foi tributado em X0 com base no lucro real, é necessário verificar se ofereceu, ou não, a despesa com juros naquele período. E se foi tributado em X0 pelo Lucro Presumido ou Arbitrado, não pode haver tributação de IRPJ Lucro Presumido em X1. 20. Ressalto que o fato do perdão de juros ser uma recuperação de despesa não interfere na sua natureza de receita. Entendo que a recuperação de despesa é uma espécie do Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 gênero receita, e esse entendimento é corroborado pelo Regulamento do Imposto de Renda ao incluir o art. 53 da Lei nº 9.430/1996 no § 3º do seu art. 521, que trata de outras receitas. 21. O art. 53 da Lei nº 9.430/1996, a meu juízo, especialmente na suas exceções (salvo se), não é uma norma que impede a incidência do tributo, mas sim uma norma que retira da tributação que ordinariamente ocorreria (assemelhase a uma exclusão da base de cálculo), ou seja, a incidência ocorre (dáse a insubsistência ativa ou do passivo, caracterizase a receita, apresentase o aumento patrimonial e configurase o fato gerador do imposto de renda), mas o valor deixa de ser tributado por força da norma de exclusão (por ser um tipo de receita específico, qual seja, recuperação de despesa). 21.1. Repiso, portanto, que o racional de "deverão ser adicionados ... salvo" é exclusão da apuração e não nãoincidência, porque é uma disposição que vem a evitar a adição que ocorreria normalmente, ou seja, seriam adicionados (entram na base de cálculo); mas, somente por imposição da norma, deixam de sêlo (retirase da base de cálculo). 22. Enfrento agora a questão da aplicação dos mesmo entendimento à CSLL. 22.1. É evidente que o art. 53 da Lei nº 9.430/1996, textualmente referese apenas ao imposto de renda. A interpretação literal deste dispositivo levaria a conclusão de que haveria a tributação da CSLL, em razão de estar configurado o auferimento da receita/renda e da ausência de previsão normativa expressa que libere da tributação. 22.2. Ocorre que, como entendo ser o aludido art. 53, nas suas ressalvas, uma regra de exclusão da base de cálculo, então não estou obrigado a aplicar o art. 111 do CTN, podendo então adotar a integração por analogia, segundo o comando do art. 108 do próprio CTN. 22.3. Embora a integração por analogia neste caso seja discutível, ela é defensável, e estou tranqüilo para adotála muito em razão do que dispõe o art. 88, III, "g", da Instrução Normativa (IN) SRF nº 390, de 30/01/2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, firmando a posição da Secretaria da Receita Federal do Brasil pela sua aplicabilidade. Seção II Da Base de Cálculo Art. 88. A base de cálculo da CSLL em cada trimestre, apurada com base no resultado presumido ou arbitrado, corresponderá à soma dos seguintes valores: ... III os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I, auferidos no mesmo período de apuração, inclusive: ... g) os valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado ajustado, ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado presumido ou arbitrado; 23. No caso concreto, os valores recuperados das despesas de juros, relativos às receitas do perdão das dívidas de juros, são vinculados a período no qual o contribuinte estava Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 9101002.052 CSRFT1 Fl. 1.143 17 submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido; devendo ser, portanto, excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por força do art. 53 da Lei nº 9.430/1996 (RIR/99, art. 521, §3º), e da IN SRF nº 390/2004, art. 88, III, "g". Insubsistentes, conseqüentemente, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL. 24. Por todo o exposto, voto por DAR provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. 25. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10660.001266/2009-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO.
A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 12 66 /2 00 9- 04 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório SUELI LINDALVA FONSECA DE VILHENA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 24/07/2009 (AR fl. 35), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissões de rendimentos apuradas com base em glosas de deduções indevidas de despesas médicas e odontológicas, em relação ao anocalendário 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 4a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, consubstanciada no Acórdão nº 0930.908/2010, às fls. 41/43, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 1a Câmara, em 29/09/2011, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210101.276, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente não é suficiente para comproválas. Recurso negado.” Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 9202003.527 CSRFT2 Fl. 110 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 75/80, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10615.429 e 280200.198, ora adotados como paradigmas, impõe que uma vez apresentados recibos de prestação de serviços e declaração dos prestadores de serviços, invertese o ônus da prova, cabendo ao fiscal provar que os serviços não foram prestados. Ressalta que a legislação de regência exige tão somente que a comprovação das despesas médicas através de recibos firmados por profissional habilitado, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ, descrevendo os serviços prestados, na linha do que restou decidido nos Acórdãos paradigmas, os quais manifestaramse no sentido de ser incabível a glosa das despesas médicas com base na alegação da falta de comprovação do pagamento, ou com base em qualquer outro argumento, mormente quando existe declaração do beneficiário confirmando a prestação dos serviços e o recebimento em espécie. Acrescenta inexistir nos dispositivos legais aplicáveis à espécie quaisquer outras exigências adicionais para comprovação das despesas e o respectivo pagamento nos casos de os prestadores de serviços terem qualquer tipo de parentesco com o contribuinte, situação que, igualmente, segue a regra geral inscrita na legislação para fins de comprovação da efetividade de tais despesas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos decisórios paradigmas, a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N/2012, às fls. 96/99. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 101/105, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do recurso especial, como já robustamente demonstrado nos autos, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no decorrer do anocalendário sob análise. Uma vez intimada a comprovar a efetividade e pagamento de tais serviços, a autuada, no entendimento da fiscalização, não logrou comproválos, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura da presente notificação de lançamento. Com mais especificidade, a autoridade lançadora procedeu às glosas das despesas em comento em face da ausência de comprovação do efetivo pagamento, não aceitando a tese de ter sido realizado em moeda corrente. Por seu turno, a Turma recorrida, em síntese, entendeu por bem corroborar a pretensão fiscal, sob o argumento de que os documentos apresentados pela contribuinte, associados com a declaração de um dos prestadores de serviços e, bem assim, o fato de um destes ser filha da recorrente, seriam suficientes a justificar a glosa das despesas deduzidas, procedida pela autoridade lançadora. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10615.429 e 280200.198, ora adotados como paradigmas, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos paradigmas, impõe que uma vez apresentados recibos de prestação de serviços e declaração dos prestadores de serviços, invertese o ônus da prova, cabendo ao fiscal provar que os serviços não foram prestados. Ressalta que a legislação de regência exige tão somente que a comprovação das despesas médicas através de recibos firmados por profissional habilitado, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ, descrevendo os serviços prestados, na linha do que restou decidido nos Acórdãos paradigmas, os quais manifestaramse no sentido de ser incabível a glosa das despesas médicas com base na alegação da falta de comprovação do pagamento, ou com base em qualquer outro argumento, mormente quando existe declaração do beneficiário confirmando a prestação dos serviços e o recebimento em espécie. Acrescenta inexistir nos dispositivos legais aplicáveis à espécie quaisquer outras exigências adicionais para comprovação das despesas e o respectivo pagamento nos casos de os prestadores de serviços terem qualquer tipo de parentesco com o contribuinte, situação que, igualmente, segue a regra geral inscrita na legislação para fins de comprovação da efetividade de tais despesas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 9202003.527 CSRFT2 Fl. 111 5 Conforme se depreende dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, em nosso entendimento, apresentase em descompasso com a legislação de regência, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas e odontológicas, deverão ser comprovadas, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. In casu, a contribuinte no decorrer da ação fiscal fora intimada em uma única oportunidade a comprovar as despesas deduzidas do seu imposto de renda, tendo apresentado os respectivos recibos e Declaração de um dos prestadores de serviços, os quais não foram acolhidos pela fiscalização, que assim se pronunciou ao lavrar a notificação de lançamento: “[...] DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ ********22.600,00, indevidamente deduzido.a titulo de Despesas Médicas; por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8. , inciso II, alínea e §§ 2.' 3. , da Lei n. 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF .n." 15/2001, arts; 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS' FATOS. Glosa por falta de comprovação de efetivo pagamento: 043.796.26601 MELYSSA FONSECA DE VILHENA FELIX 07 14.250,00 972.925.75668 SANDRO LUCIO OLIVEIRA GADSEM 07 8.350,00 [...]” Observese, que a exigência pretendida pela fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, qual seja, a existência de cheques nominativos e/ou extratos bancários é contemplada pela legislação de regência de maneira alternativa. Em outras palavras, estabeleceu o legislador que tais provas deverão ser exigidas na falta de documentação comprobatória da prestação e pagamento dos serviços médicos e/ou outros. Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 9202003.527 CSRFT2 Fl. 112 7 fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Declaração de um dos prestadores de serviços, sua filha, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. Ora, com a devida vênia ao nobre Conselheiro subscritor do voto condutor do Acórdão recorrido, estabelecer requisitos adicionais nos casos de os prestadores de serviços possuírem qualquer grau de parentesco com o contribuinte ou mesmo em razão do valor da despesa, além de não ter sido objeto da acusação fiscal, não encontra lastro na legislação de regência, não cabendo ao aplicador e/ou intérprete da lei conferir estabelecer exigências que não decorre de sua literalidade. Mais a mais, repitase, a autoridade lançadora nada declinou a respeito do grau de parentesco ou valor da despesa, não levantando qualquer suspeita em razão desses fatos, o que reforça a tese de tais questões não se prestarem a amparar a pretensão fiscal. É bem verdade, que o artigo 73 do RIR/1999 autoriza a autoridade lançadora, a juízo próprio, refutar os comprovantes apresentados pela contribuinte. Entrementes, tal procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando a fiscalização quais os motivos que a levaram a não admitir as provas ofertadas pela autuada. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “DESPESAS MÉDICAS RECIBOS Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados. Recurso provido.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 159.160 – Acórdão n° 10249.020, Sessão de 24/04/2008) (grifamos) “IRPF DESPESAS MÉDICAS GLOSAS INDEVIDAS Meros indícios, relevantes, é certo, para desencadear uma investigação fiscal, que deveria centrarse nos profissionais emitentes dos recibos, não podem, por si sós, fundamentar a glosa de despesas médicas consubstanciadas em recibos revestidos dos requisitos legais. Não é lícito opor à presunção legal uma presunção simples, mas tãosó provas consistentes. Recurso provido.” (6ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 119.009 Acórdão n° 10610.967, Sessão de 15/09/1999) “DESPESAS MÉDICAS RECIBO IDÔNEO Não existindo fundado receio quanto à legitimidade dos recibos comprobatórios de despesas dedutíveis, tais instrumentos deverão ser aceitos como meios de prova. Recurso provido” Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 8 (4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 145.606 – Acórdão n° 10421.833, Sessão de 17/08/2006) (grifamos) Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a efetividade e pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, os profissionais médicos ou outros a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos/odontológicos não foram prestados tão somente porque não houve apresentação de cheques nominativos na totalidade das despesas médicas ou extratos bancários, o que fora comprovado exclusivamente por recibos e Declaração. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova (beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quatitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.001266/200904 Acórdão n.º 9202003.527 CSRFT2 Fl. 113 9 Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: “ Com a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa.” (CARVALHO, Paulo de Barro. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário. In: SHOUERI, Luís Eduardo – cood. – Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firme e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, mormente quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incerteza. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10706.229 – Sessão de 22/03/2001) “[...] IRPF – PRESUNÇÕES – Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem às expressamente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis à sua sustentação. [...]” ( 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10416.433 – Sessão de 08/07/1998) “IRPF ATIVIDADE RURAL CONDOMÍNIO RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber a cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso provido.” ( 2ª Câmara do 1º Conselho Contribuintes – Acórdão nº 10244022, Sessão de 08/12/1999) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de justificar a não aceitação da comprovação das despesas médicas/odontológicas com base em recibos e uma Declaração, notadamente quando sequer indicou qualquer motivo capaz de macular a Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 10 idoneidade de aludidos documentos, não se pode cogitar na manutenção da glosa procedida pela fiscalização. Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112, do Códex Tributário, que assim preconiza: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Partindo dessas premissas, uma vez comprovada pela contribuinte a prestação dos serviços médicos/odontológicos mediante recibos e uma Declaração, sem que a fiscalização tenha levantado qualquer suspeita ou se aprofundado na análise das provas apresentadas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar as glosas procedidas pelo fiscal autuante. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.683967/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 83 96 7/ 20 09 -5 5 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 239 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.135/149 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 119/131) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 25/05/2007 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 08071.12167.250507.1.3.049328 (fls.03/05), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA abril/2007, data de vencimento 31/05/2007, assim especificado: principal: R$ 243.576,28; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total : R$ 243.576,28. b) crédito utilizado: a contribuinte pleiteou o aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 164.534,10 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 29/02/2004, DARF valor de R$ 286.641,46 (valor original), data do recolhimento 31/03/2004 (efl. 55). Crédito original na data da transmissão da DCOMP R$ 286.641,46. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 29/02/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 286.641,46. Pagamento integralmente vinculado/consumido pelo débito declarado. Por isso, o despacho decisório da DERAT /São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico – Derat/São Paulo, de 23/10/2009 (efl. 07), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 286.691,46. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 240 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/11/2009 (efl.11), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2009 (efls. 13/27), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente ao anocalendário 2004, por estar submetida ao regime de apuração do lucro real anual, antecipou pagamentos do IRPJ e da CSLL, a título de estimativa mensal; que, nesse anocalendário 2004, realizou operações de exportação para clientes situados na américa latina; que a receita de exportação é imune da CSLL pela Constituição Federal (art. 149, § 2º, I), conforme redação dada pela EC nº 33/2001; que, em 09/08/2004, buscou a aplicação dessa imunidade, prevista constitucionalmente, para a CSLL sobre as receitas de exportação, impetrando Ação de Mandado de Segurança Preventivo (efls. 71/115), Processo Judicial nº 2004.61.00.0220237, sendo deferida liminar, em 26/08/2004, pelo TRF/3ª Região para todo o período do ano alendário 2004 e anos seguintes, inclusive com efeito retroativo de janeiro a julho/2004, suspendendo a exigibilidade de eventual constituição de crédito tributário pelo fisco (efls. 57/63); que, a partir da obtenção dessa liminar, excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação; que, entretanto, antecipara recolhimentos da CSLL – estimativa mensal dos meses anteriores à concessão da liminar sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL; que na DCOMP, objeto dos autos, utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da CSLL – estimativa mensal do PA fevereiro/2004 (pagamento indevido, ocorrido antes da obtenção da liminar, sobre as receitas de exportação); que, porém, a DERAT/São Paulo não deferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação; que, diversamente do entendimento do Fisco, tem direito de refazer os débitos informados da CSLL – estimativa mensal dos PA de janeiro/2004 a julho/2004 (períodos anteriores à obtenção da liminar); que, como já dito, a liminar foi concedida em 26/08/2004, nos autos de Agravo de Instrumento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Agravo sob n° 2004.03.00.048485 7 (efls. 57/63); Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 241 4 que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (efl. 65/69); que não efetuou o pagamento do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, pois utilizou direito creditório para extinguilo mediante DCOMP, atinente a pagamento indevido ou maior da CSLL –estimativa mensal do PA fevereiro/2004, em face desse provimento jurisdicional que amparou a não cobrança da CSLL do anocalendário 2004 acerca de receitas de exportação (pagamento indevido ou maior de CSLL – estimativa mensal sobre receitas de exportação); que o débito da CSLL informada na DCOMP não homologada está sendo cobrado, com multa e juros de mora; que, entretanto, a compensação tributária configura modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, arts. 156, II e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, como visto, a lei autoriza a compensação tributária de débitos vencidos ou vincendos, com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; que, existindo lei disciplinando o procedimento de compensação tributária, o Fisco não pode obstaculizar a concretização dessa forma de extinção do crédito tributário; Por fim, com base nessas razões da manifestação de inconformidade, a Contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado, homologação da compensação tributária, extinção do débito confessado na DCOMP e arquivamento dos autos. A 5ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acordão de 17/11/2010 (efls. 119/131), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. O crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. O crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 242 5 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 04/01/2011 (efl. 134), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/02/2011 (efls. 135/151), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, como já aduzido na primeira instância de julgamento, impetrou, preventivamente, Ação de Mandado de Segurança – processo n° 2004.61.00.022.0237 – para exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2004; que por meio de decisão liminar do TRF/3ª Região, proferida em 26/08/2004, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2004.03.00.0484857, restou garantida, judicialmente, a suspensão da exigibilidade dessa exação fiscal quanto às receitas de exportação do anocalendário 2004 e seguintes, resguardando a contribuinte de eventual lavratura de auto de infração pelo fisco (e fls.57/63); que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (efls. 65/69); que excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação, quanto ao anocalendário 2004 e seguintes; que os valores da CSLL, que haviam sido recolhidos pelo regime de estimativa nos meses anteriores à concessão da liminar, foram objeto de pedido de restituição/compensação tributária; que, para sua surpresa, nos presentes autos, o Fisco indeferiu o direito creditório pleiteado e a compensação tributária informada, sob os seguintes argumentos: a) ausência de trânsito em julgado da decisão judicial; b) não comprovação de que os créditos utilizados tratavam de CSLL sobre exportação; c) impossibilidade de utilização de crédito relativo à antecipação de pagamento por estimativa mensal, mas apenas do saldo negativo apurado no final do anocalendário. que, diversamente do entendimento do Fisco, a decisão recorrida não merece prosperar, pelo seguinte: a) o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago espontaneamente, quando indevido ou a maior, seja qual for a modalidade do seu pagamento (CTN, art. 165); Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 243 6 b) o procedimento de compensação encontrase regulado, disciplinado no art. 74 da Lei nº 9.430/96; c) o direito creditório pleiteado foi apurado em consonância com a legislação tributária, sendo utilizado na compensação tributária para extinção de débito tributário; d) apenas no encerramento do anocalendário 2004, a Recorrente excluiu as receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, porque, desde 26 de agosto de 2004, detinha uma medida liminar que garantia tal direito; e) diversamente do entendimento do Fisco, não houve afronta ao artigo 170 do CTN, pois o direito creditório foi apurado e utilizado após a obtenção da liminar e, ainda, após o encerramento do anocalendário 2004; f) restou consignado na decisão recorrida que não produzira prova (em sua manifestação de inconformidade) quanto às receitas de exportação que foram excluídas da base de cálculo da CSLL. No entanto, tal argumentação ou fundamentação da decisão ora atacada também não merece prosperar; que no processo administrativo fiscal aplicase o princípio da verdade material; que, por conseguinte, se o Fisco tem dúvida da existência do direito creditório pleiteado, então, que a fiscalização efetue diligência fiscal; g) o fisco, até agora, desconsiderou em absoluto a realidade dos fatos; que se encontram em poder da fiscalização (DIPJ, DCTF e autos do Processo Administrativo n° 12157.000757/200945) que comprovam, evidentemente, a validade e conferência dos valores objeto da restituição/compensação efetuada pela recorrente; que os valores aqui pleiteados são oriundos da exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2004, sendo assim, todas as declarações apresentadas pela recorrente, relativas as suas informações fiscais (DIPJ e DCTF) demonstram a composição desses valores, além das informações contidas na planilha anexa ao Recurso Voluntário (efl.169); h) não obstante, a medida liminar que garantiu a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL foi cassada em setembro de 2010, razão pela qual a Recorrente efetuou o pronto recolhimento de todos os valores que, ate então, se encontravam suspensos (inclusive foram recolhidos, novamente, de forma inadvertida, os valores da CSLL – estimativa mensal relativos aos meses do anocalendário 2004 anteriores à concessão da liminar revogada vide documento em anexo ao Recurso Voluntário – efls. 171/233), mormente quanto ao PA fevereiro/2004; que a comprovação desses recolhimentos encontrase também acostada nos autos do processo administrativo n° 12157.000757/200945, o qual tratou exclusivamente dos valores objeto da ação judicial n° 2004.61.00.022.0237; i) todos os cálculos da composição dos valores aqui discutidos já se encontram em poder da própria fiscalização (DIPJ, DCTF e autos do Processo Administrativo n° 12157.000757/200945), motivo pelo qual deve ser reformado a respeitavél decisão recorrida, em respeito ao princípio da verdade material dos fatos; j) se não autorizada a restituição/compensação dos valores aqui em discussão, a Recorrente se sujeitará a uma dupla exigência da CSLL sobre as receitas de exportação no ano calendário de 2004, mormente quanto ao PA fevereiro/2004, conforme DARF – recolhimento de 31/03/2004 (efl. 55) de que trata o despacho decisório (efl. 07), razão pela qual é imperiosa a reforma da respeitável decisão recorrida; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 244 7 k) possibilidade de utilização de crédito de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior na DCOMP. No que tange às alegações da autoridade fiscal no sentido de que a Instrução Normativa n° 600, de 2005, vigente à época das compensações, vedava tais procedimentos, da mesma forma não merecem guarida tais alegações, pois a vedação imposta pela legislação em referência encontravase em total discordância com Código Tributário Nacional e com a Lei n° 9.430, de 1996; que, por isso, foi revogada. Por fim, como visto, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório suscitado, não pelo fundamento inicial invocado pagamento indevido ou a maior sobre as receitas de exportação, mas sim pela duplicidade de pagamento da CSLL do PA fevereiro/2004 e, por conseguinte, que seja homologada a compensação tributária informada. É o relatório Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 245 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Quando da transmissão da DCOMP, em 25/05/2007 (fls. 03/05), o fundamento da razão de pedir do direito creditório era pagamento indevido ou a maior de CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004, sob a alegação que, quando da apuração do débito desse período, foram computadas na base de cálculo da CSLL as receitas de exportação que seriam imunes dessa exação fiscal. Vale dizer, a Recorrente informou compensação tributária, sob condição resolutória: a) crédito informado: utilização, aproveitamento, do pretenso crédito no valor de R$ 164.534,10 (valor original), referente pagamento indevido ou maior de CSLL – Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA fevereiro/2004. Valor do DARF, recolhimento, de R$ 286.641,46 (valor original), data de arrecadação 31/03/2004; d) débito confessado: para quitação do débito da CSLL – Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA abril/2007, valor do principal R$ 243.576,28. O direito creditório (crédito demandado), entretanto, estava sub judice, quando da transmissão da DCOMP, em 25/05/2007, pois a Recorrente detinha, como visto no relatório, provimento jurisdicional provisório (primeiro, uma liminar e, depois, uma sentença de mérito reformável) que asseguravam a suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário que fosse constituído de ofício acerca da CSLL sobre as receitas de exportação do anocalendário 2004 e seguintes, em face de demanda, deduzida em juízo, que tencionava o reconhecimento de imunidade às receitas de exportação. Como a liminar foi deferida em 26/08/2004, com efeito a partir de janeiro/2004 (ou seja, com efeito retroativo), os recolhimentos da CSLL – Estimativa Mensal anteriores à concessão da liminar ocorrerram sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Por isso, nos presentes autos, a Recorrente pediu na DCOMP o aproveitamento de suposto pagamento indevido ou maior de CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004 (período de apuração anterior à concessão da liminar). O despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009 (efl. 07), denegou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido (data de arrecadação 31/03/2004 está totalmente vinculado e consumido pelo débito da CSLL confessado na DCTF do PA fevereiro/2004. Entretato, não consta dos autos cópia da DCTF e da DIPJ relativamente a esse período de apuração. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 246 9 Na sequência, em face de Manifestação de Inconformidade manejada pela contribuinte, a DRJ/São Paulo I, conforme Acórdão de 17/11/2010 (fls 119/131), denegou o direito creditório, pelos seguintes fundamentos: a) ausência de trânsito em julgado da decisão judicial, na data de transmissão do declaração de compensação; b) não comprovação de que os pretensos créditos utilizados tratavam de CSLL sobre exportação; c) impossibilidade de utilização de pretenso crédito relativo à antecipação de pagamento por estimativa mensal, mas apenas do saldo negativo apurado no final do ano calendário. Inconformado com a decisão a quo, a Recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a reforma da decisão recorrida, argumentando nas suas razões: que a liminar, que estava amparando a exclusão da receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro do anocalendário 2004, foi revogada em setembro/2010, ou seja, antes da sessão de julgamento do Acórdão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I que é de 17/11/2010, quando julgou a manifestação de inconformidade improcedente (efls. 119/131); (Obs: a Contribuinte não juntou cópia aos autos da decisão judicial que revogou a liminar, nem informou se desistiu da demanda judicial); que, não obstante, existe pagamento em duplicidade da CSLL (estimativa mensal) do PA 29/02/2004, e que não se justifica a denegação do crédito pleiteado e a não homologação da compensação informada/efetuada, nos presentes autos. Ou seja: A Recorrente argumentou nos autos que, em face da revogação da liminar de imediato, efetuou o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal dos períodos que estavam com exigibilidade suspensa desde 2004, inclusive teria efetuado, novamente, o recolhimento do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004, conforme cópia do DARF – data de arrecadação 29/10/2010 (e fl. 171). (Obs: ocorre que o 1º pagamento do PA Fevereiro/2004 já havia sido feito, antes da obtenção da liminar, sobre a base de cálculo cheia, integral, daí a duplicidade de pagamento desse PA). Como visto, a Recorrente invoca pagamento em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004, pois, além da arrecadação de 29/10/2010 – cópia do DARF (fl. 171), o despacho decisório alude a outro recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004 – data de arrecadação 31/03/2004 (efls. 07 e 55). Por conseguinte, o fundamento do pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório, no caso, pelas razões do recurso, seria pagamento indevido ou a maior (duplicidade de pagamento) do débito do PA fevereiro/2004 (Obs: porém, quando da apresentação da DCOMP o fundamento, a razão de pedir do aproveitamento do crédito foi por pagamento indevido da CSLL sobre Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 247 10 as receitas de exportação que seriam não tributadas pela CSLL, em face de liminar obtida na Justiça Federal somente após a realização do pagamento , cuja decisão teria efeito retroativo). Não obstante, compulsando os autos, observase falhas de instrução processual que não permitem, neste momento, ao julgador a formação de convicção quanto ao mérito da lide (aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado), pois: a) falta confirmação dos alegados recolhimentos da CSLL relativo ao PA fevereiro/2004 (se houve ou não a alegada duplicidade); b) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal do anocalendário 2004 acerca de qual seria o débito apurado da CSLL do PA fevereiro/2004; c) não há cópia da DCTF e da DIPJ. d) não há documentos da situação atual da demanda judicial. A Contribuinte sequer juntou aos autos cópia decisão que revogou a liminar. Tornase necessário, por conseguinte, o saneamento do processo (instrução complementar). Assim, em face do princípio da verdade material e da Súmula CARF nº 84, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos à DERAT/São Paulo, para a fiscalização: a) intimar a Contribuinte para, à luz da escrituração contábil/fiscal do ano calendário 2004, comprove pagamento em duplicidade do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004; b) intimar a Contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão judicial que revogou a liminar que amparava a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro/2004; c) intimar a Contribuinte para informar nos autos, fornecer documentos atualizados, da situação atual do processo judicial em que discute a suposta imunidade da CSLL para receitas de exportação, a partir do anocalendário 2004; (se há recurso pendente de apreciação e em qual Tribunal, se desistiu da lide, se há decisão transitada em julgado etc). (em qualquer caso, além de comprovar a situação atual do processo, juntar também cópia da decisão que revogou a liminar, juntar cópia da peça recursal pendente de apreciação ou julgamento, se há decisão de mérito transitada em julgado, juntar cópia dessa decisão). d) juntar aos autos cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004; e) juntar cópia da DCTF do período de apuração fevereiro/2004. Por fim, concluída a diligência fiscal, a fiscalização da DERAT/SP deverá: 1) lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados, expondo, caracterizando: a) se houve, ou não, pagamento indevido ou em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2004; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.683967/200955 Resolução nº 1802000.562 S1TE02 Fl. 248 11 b) na hipótese de existência de pagamento indevido ou em duplicidade relativo ao PA fevereiro/2004, existia ou não o crédito utilizado na DCOMP na data da transmissão da DCOMP; c) se, eventualmente, o crédito alegado nas razões do recurso passou a existir apenas algum tempo após a entrega da DCOMP, ou seja, a origem do crédito é posterior à transmissão da DCOMP, verificar também se está disponível para aproveitamento, redução do débito objeto dos autos e, quanto à demanda judicial da Contribuinte, caracterizar a situação atual. 2) intimar a Contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultados, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para apresentar razões de defesa. Transcorrido o lapso temporal com ou sem manifestação da Contribuinte, retornem os autos a este CARF, para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13888.004133/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
COMPETÊNCIA 09/2004. CONTRIBUIÇÕES SOBRE OS SUBSÍDIOS DOS VEREADORES.
Na decisão de primeira instância determinou-se a exclusão das parcelas remuneratórias recebidas pelos vereadores para o período de 01 a 18 de setembro de 2004, posto que à lei que reintroduziu a exação, tornou-se eficaz somente a partir do dia imediatamente posterior.
VEREADORES. VÍNCULO CONCOMITANTE COM A PREFEITURA E A CÂMARA MUNICIPAL. FILIAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS DUAS ATIVIDADES.
Se o vereador cumula o exercício do mandato eletivo com outra atividade remunerada no Poder Executivo não vinculada a regime próprio de previdência social, é filiado ao RGPS por cada um dos vínculos.
ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO RAT.
Até a competência 05/2004 a alíquota da contribuição destinada ao custeio dos benefícios relacionados à incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) era 1% para os órgãos da administração pública em geral, passando a partir da competência seguinte para o patamar de 2%, conforme alteração promovida no Anexo V do RPS pelo Decreto n.º 6.042/2007.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. COMPETÊNCIA 09/2004. CONTRIBUIÇÕES SOBRE OS SUBSÍDIOS DOS VEREADORES. Na decisão de primeira instância determinouse a exclusão das parcelas remuneratórias recebidas pelos vereadores para o período de 01 a 18 de setembro de 2004, posto que à lei que reintroduziu a exação, tornouse eficaz somente a partir do dia imediatamente posterior. VEREADORES. VÍNCULO CONCOMITANTE COM A PREFEITURA E A CÂMARA MUNICIPAL. FILIAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS DUAS ATIVIDADES. Se o vereador cumula o exercício do mandato eletivo com outra atividade remunerada no Poder Executivo não vinculada a regime próprio de previdência social, é filiado ao RGPS por cada um dos vínculos. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO RAT. Até a competência 05/2004 a alíquota da contribuição destinada ao custeio dos benefícios relacionados à incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) era 1% para os órgãos da administração pública em geral, passando a partir da competência seguinte para o patamar de 2%, conforme alteração promovida no Anexo V do RPS pelo Decreto n.º 6.042/2007. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 41 33 /2 00 8- 24 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004133/200824 Acórdão n.º 2401003.786 S2C4T1 Fl. 230 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 21.993 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.194.1482. A lavratura referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações (subsídios) pagas pelo ente público autuado aos detentores de mandatos eletivos (vereadores). Os valores foram verificados mediante análise das folhas de pagamento e da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, esta declarada após o início da ação fiscal. Cientificado do lançamento em 26/09/2008, o Município Autuado apresentou defesa, cujas alegações foram acatadas em parte pelo órgão de primeira instância. A DRJ acolheu a alegação de que para a competência 09/2004 somente há incidência de contribuições a partir do dia 19, data em que a Lei n.º 10.887/2004 passou a produzir os efeitos tributários. Os demais argumentos foram afastados. Contra esta decisão foi interposto recurso, no qual, em apertada síntese, o sujeito passivo alegou que: a) a autoridade administrativa deve apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade dos dispositivos utilizados pelo fisco para fundamentar o lançamento; b) a Lei n.º 10.887/2004 permitiu a cobrança da contribuição sobre a remuneração dos detentores .de mandato eletivo, desde que não vinculados ao regime próprio de previdência , entrou em vigor a partir de 19 de setembro de 2004, por força do disposto no artigo 195, § 6° da Constituição Federal, por isso as contribuições lançadas somente poderiam ser exigidas para os fatos geradores ocorridos do dia 19 de setembro em diante e não para a toda a competência 09/2004; c) há nos autos declaração da Municipalidade indicando que os vereadores que eram servidores municipais já contribuíam para o RGPS por esse vínculo, descabendo o lançamento de contribuição sobre suas remunerações na condição de exercentes de mandato eletivo; d) conforme determinação da Lei n.º 10.666/2003 e dos Decretos n.º 6.042/2007 e n.º 6.577/2008, a alíquota da contribuição para o RAT é 1%; e) o recurso seja recebido no efeito suspensivo; Ao final pediu que o AI seja declarado insubsistente. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inconstitucionalidade da contribuição lançada Para enfrentar a alegada inconstitucionalidade da alínea "j" do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, acrescentado pela Lei n.º 10.887/2004, é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo Fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004133/200824 Acórdão n.º 2401003.786 S2C4T1 Fl. 231 5 Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da incidência de contribuição sobre as remunerações dos vereadores. Contribuições relativas à competência 09/2004 Não tem razão de ser a insurgência da recorrente quanto à incidência de contribuições sobre a totalidade dos subsídios dos vereadores na competência 09/2004, posto que a DRJ reduziu a base de cálculo, excluindo a remuneração proporcional ao período de 01 a 18/09, por entender que somente a partir do dia 19, data em que a Lei n.º 10.887/2004 passou a produzir efeitos, seriam exigíveis as contribuições lançadas. Segurados com duplo vínculo com o RGPS Foi acostada à defesa, fls. 146, Certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Mombuca, que atesta que Gamalier Correia Pinto, Ivan Bianch e Walter Aparecido Martins de Moraes são servidores municipais e recolhem por esses vínculos as contribuições previdenciárias. Com esteio nesta prova, a recorrente afirma que na base de cálculo do lançamento não poderia constar os subsídios que as referidas pessoas recebem pelo exercício do cargo de vereador. Esse argumento encontrase dissociado do que dispõe a legislação previdenciária. Vejamos que dispõe a Lei n.º 8.212/1991 sobre o tema: `Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: §2.º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma dela.. Assim, ainda que sobre as remunerações dos servidores sob questão pelo seu vínculo com a Prefeitura haja incidência de contribuições previdenciárias, o subsídio que recebem da Câmara não pode ficar de fora da tributação. Isso porque de acordo com a alínea "j" do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela lei n.º 10.887/2004, os exercentes de mandado eletivo, não vinculados a regime próprio de previdência, são obrigatoriamente vinculados ao RGPS na condição de segurados empregados. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A Declaração acostada à defesa não deixa dúvidas de que as pessoas recebem os proventos como servidores e os subsídios pelo exercício da vereança, o que é permitido pela Constituição Federal. Assim, o exercício concomitante das duas atividades remuneradas albergadas no RGPS, filia as citadas pessoas a este regime previdenciário pelos dois vínculos, sendo, portanto, devidas as contribuições patronais da Câmara de Vereadores na sua integralidade. Alíquota do SAT/RAT Baseado na Lei n.º 10.666/2003 e nos Decretos n.º 6.042/2007 e n.º 6.577/2008, a recorrente assevera que a alíquota da contribuição destinada ao custeio dos benefícios relacionados à incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e de 1%. Vejamos. Verificando as disposições da Lei n.º 10.666/2003 sobre a contribuição ao RAT, observamos que esse diploma trata apenas do adicional para financiamento da aposentadoria especial (art. 1.º e §§) e aplicação do FAP Fator Acidentário Previdenciário (art. 10). Considerandose que a demanda não envolve segurados sujeitos a condições especiais de trabalho, não há o que se falar em utilização de acréscimo de alíquota para financiamento da aposentadoria especial. Quanto ao FAP este passou a ser aplicado somente a partir de 01/2010, portanto, em período que não coincide com aquele do lançamento. Assim, não há o que se falar em aplicação da Lei n.º 10.666/2003 para justificar a redução da alíquota RAT. O Decreto n.º 6.042/2007, publicado em 13/02/2007, este sim alterou o anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, onde está listada a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. A partir da produção dos efeitos tributários do citado Decreto, competência 06/2007, a atividade da recorrente passou a ser codificada com o CNAE 84116/00, cuja alíquota correspondente é de 2%. Anteriormente, para os órgãos do poder público, utilizavase o CNAE 75116, cuja alíquota para o RAT era 1%, conforme redação original do Anexo V do RPS. Analisando o Discriminativo Analítico do Débito DAD, verificase que o fisco aplicou a alíquota para a contribuição ao RAT, como a seguir: a) 09/2004 a 05/2007: 1%; e b) 06/2007 a 05/2008: 2% (conforme alteração do Anexo V do RPS pelo Decreto n.º 6.042/2007) Por fim, cabe acrescentar que o Decreto n.º 6.577/2008 em nada alterou a forma de cálculo da contribuição em tela, apenas tendo determinado a postergação do início de aplicação do FAP como fator de correção das suas alíquotas. Assim, descabe o argumento de que o fisco teria adotado alíquota inadequada para o cálculo da contribuição destinada ao custeio dos benefícios relacionados à incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT). Os autos demonstram que não houve o erro apontado no recurso. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004133/200824 Acórdão n.º 2401003.786 S2C4T1 Fl. 232 7 Por fim, o efeito suspensivo que é dado ao recurso decorre da legislação tributária, não havendo necessidade de requerimento do sujeito passivo nesse sentido. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10665.721292/2011-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF.
A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
Numero da decisão: 3403-003.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 12 92 /2 01 1- 19 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 27/05/2011 (fls. 2 a 14, com ciência em 07/06/2011 fl. 80)1 para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de janeiro a novembro de 2008, acrescido de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 3.589.981,96). A apuração resulta de revisão de declaração, a partir de cotejo entre valores declarados na DIPJ e em DCTF. Narrase na autuação que após o início da fiscalização (em 25/04/2011), e a constatação da divergência, a empresa foi intimada a se manifestar 19/04/2011 (fls. 15/16), não apresentando qualquer justificativa (limitandose a anexar o Livro de Registro de apuração do IPI fls. 17 a 32 e a DIPJ fls. 33 a 80). A empresa apresenta sua impugnação em 06/07/2011 (fls. 83 a 116), argumentando, em síntese, que: (a) é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI; (b) há impossibilidade jurídica de se exigir a Taxa SELIC a título de juros moratórios; (c) que “a obrigação tributária não tem caráter contratual, pelo que, se apresentada com erro, este pode e deve ser corrigido”, não existindo proibição à retificação de declarações com incorreção; e (d) que a multa de ofício é confiscatória. Em 04/10/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 139 a 147), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que a impugnante: (a) apresenta peça de defesa genérica, apenas com teses jurídicas, sem adentrar no mérito da questão central do auto de infração, que é a existência de débitos informados na DIPJ/2009 e não confessados em DCTF nem pagos; (b) alega trazer planilha demonstrativa dos valores corretos (fl. 107), mas nem se dá ao trabalho de juntar tal documento, como se vê no próprio informe de documentos anexados (fl. 117); (c) nada afirma nem comprova em relação ao mérito da autuação. Em relação ao ICMS na base de cálculo do IPI, em que pese não haver certeza se tem alguma relação com a autuação, a DRJ afirma que a fiscalização é vinculada pelo dispositivo legal que rege a matéria (art. 47, II, “a” do Código Tributário Nacional CTN), com a interpretação trazida pelo Parecer Normativo CST no 39/70. Da mesma forma, não podem ser afastados os comandos legais do art. 161 do CTN (c/c art. 13 da Lei no 9.065/1995 e art. 61, § 3o da Lei no 9.430/1996), que, como vem entendendo pacificamente a jurisprudência administrativa, consolida o cabimento da utilização da Taxa SELIC a título de juros de mora; e do art. 80 da Lei no 4.502/1964, que trata da multa de ofício. Cientificada do acórdão da DRJ em 17/10/2013 (cf. AR à fl. 151), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 01/11/2013 (fls. 153 a 159), reiterando o teor da impugnação, a trazendo as seguintes “razões adicionais e explicativas”: (a) “deve ser observada a capacidade contributiva do contribuinte”; e (b) “na apuração dos débitos de IPI no período fiscalizado, o fisco incluiu na base de cálculo, (sic) o valor destacado nas notas fiscais a título de ICMS”, e “se esse tributo integra o valor da operação, e, portanto, do faturamento, claro que está sendo tachado (sic) na cobrança do referido tributo (IPI)”, ocorrendo “a repudiada e inconstitucional cobrança de tributos sobre tributo”. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10665.721292/201119 Acórdão n.º 3403003.402 S3C4T3 Fl. 171 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo, é de se destacar a impressionante desconexão entre a defesa e a autuação. O auto de infração, recordese, foi lavrado porque havia débitos informados na DIPJ/2009 e não confessados em DCTF nem pagos. E a empresa foi intimada a se manifestar sobre a divergência, não tendo apresentado qualquer explicação. Em verdade, no estágio em que se encontra o processo, após a impugnação, a decisão de piso e o recurso voluntário, a empresa continua a não apresentar nenhuma justificativa para a divergência. A DRJ já destacou que os argumentos da empresa na impugnação passavam ao largo do mérito da autuação, sendo genéricos, em tese. Para que se tenha uma ideia, até o presente momento, sequer se sabe se a divergência se deve à inclusão ou não de ICMS na base de cálculo do IPI. E caso se deva, o que não ficou em momento nenhum provado, é absolutamente improcedente a afirmação recursal de que “na apuração dos débitos de IPI no período fiscalizado, o fisco incluiu na base de cálculo, (sic) o valor destacado nas notas fiscais a título de ICMS”. O que fez o fisco foi exigir exatamente as quantias declaradas pela empresa em sua DIPJ, e jamais retificadas (pelo menos, não se informa nos autos o protocolo de qualquer pedido de retificação). Ao rol de argumentos genéricos e em tese apresentados ao julgador de piso, agregase em sede recursal outros dois: a observância da capacidade contributiva (sabese lá por que motivo) e a inconstitucionalidade da cobrança de ICMS na base de cálculo do IPI. E continua a não haver justificativa para a divergência, nem apresentação da prometida planilha demonstrativa. Assim, pouco resta a discutir nos autos. Todas as matérias submetidas à instância de piso e a este colegiado já se encontram sumuladas, podendo ser sintetizadas as razões de julgamento nos textos das Súmulas no 2 e no 4 deste CARF. A eventual inconstitucionalidade da inclusão de ICMS na base de cálculo do IPI prevista em norma legal, a defendida confiscatoriedade da multa de ofício legalmente estabelecida, e a sugerida violação da norma legal de incidência ao princípio da capacidade contributiva não merecem análise na via administrativa: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E a questão referente à possibilidade de aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora encontrase igualmente assentada: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
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