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7686273 #
Numero do processo: 15374.901700/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1201-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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1201­002.871  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de março de 2019  Matéria  PERDCOMP  Recorrente  O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002  PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.  Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com  valores  referentes  a  créditos  diversos  daquele  indicado  no  documento  de  compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Neudson  Cavalcante  Albuquerque,  Allan Marcel Warwar  Teixeira,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Gisele  Barra  Bossa,  Breno  do  Carmo  Moreira  Vieira  (Suplente  Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior      Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 00 /2 00 8- 16 Fl. 111DF CARF MF     2 Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  n°  28143.01672.121103.1.3.04­ 4117 transmitida em 12/11/2003, (e­fl. 03), através da qual o contribuinte pretende compensar  débitos  de  sua  responsabilidade  com  crédito  proveniente  de  pagamento  indicado  como  indevido em 28/06/2002: DARF com período de apuração 31/05/2002, código de receita 2484,  Estimativa mensal de CSLL, valor do principal R$ 3.560,77.  O  pedido  foi  indeferido,  conforme  Despacho  Decisório  n°  757788235,  de  24/04/2008  (e­fl.  03),  que  analisou  as  informações  e  reconheceu  que  o  pagamento  (n°  1269993581)  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débito  de  estimativa  mensal  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP. A  contribuinte  apresentou manifestação  de  inconformidade  (e­fl.  12)  na  qual  alegou  que  ao  Final  do  Exercício  foi  efetuado  o  balanço  anual  onde  se  apurou  o  CSLL  tributável  em  valor  inferior  aos  valores  antecipados,  gerando  saldo  negativo  de  CSLL  compensável. O litígio foi assim relatado pelo Acórdão Recorrido (e­fl. 41):  3.  Inconformada,  a  Interessada  apresentou,  em  30/05/2008,  a  Manifestação de Inconformidade de fls. 11/12, com anexos de fls.  13/32, na qual alega o seguinte:  “O  BICHO  COMEU  BIJOUTERIAS  LTDA,  inscrita  no  CNPJ  sob  o  número  31.523.566/0001­21  estabelecida  na  Av.  Rio  Branco,  45  Sala  1105  a  1109,  Centro,  Rio  de  Janeiro, RJ ­ Cep 20.090­ 003, vem muito respeitosamente  apresentar  a  sua manifestação  de  inconformidade  com  o  despacho decisório com rastreamento número 757788235  de 24/04/2008, pelos fatos abaixo relacionados:  1  ­No  ano  calendário  de  2002  o  contribuinte  optou  pelo  recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição  Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA.  2 ­ Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa  com base na receita bruta, conforme legislação em vigor,  no  total  nominal  de  R$  29.491,38  (cópias  das  guias  em  anexo).  3 ­ Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa  com base na receita bruta, conforme legislação em vigor,  no  total  nominal  de  R$  22.868,56  (cópias  das  guias  em  anexo).  4  ­  Ao  Final  do  Exercício  foi  efetuado  o  balanço  anual  onde  se  apurou  o  Lucro  Real  Anual  tributável  de  R$  79.067,93  que  gerou  um  IRPJ  de  R$  11.875,51  (Ficha  06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003.  5 ­ Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano  calendário  a  importância  de  R$  22.868,56  (cópias  das  guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no  Lucro Real  anual  foi  de R$ 7.116,11  (Ficha  17  da DIPJ  2003),  foi  gerado  um  CRÉDITO  nominal  para  o  contribuinte de R$ 15. 752,45.  6  ­  Com  o  crédito,  o  contribuinte  teria  02  caminhos  a  seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado  a maior  b)  faria  compensação  através  da PER/DCOMP.  Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja,  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.901700/2008­16  Acórdão n.º 1201­002.871  S1­C2T1  Fl. 112          3 compensou  os  recolhimentos  efetuados  a  maior  no  ano  calendário de 2003.  7 ­ Assim o recolhimento de R$ 3.631,63 efetuado através  do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 é vencimento  em  28/06/2002  e  recolhido  em  01/07/2002  foi  parcialmente  usado  para  compensar  o  débito  do  CSLL  sobre  lucro  presumido  do  período  de  apuração  Setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003, conforme  PER/DCOMP número 19042. 39390.121103.1.3. 04­6721  transmitido em 12/11/2003.  8  ­  A  empresa  esclarece  que  o  recolhimento  de  R$  3.631,63  citado  no  item  7  acima,  refere­se  às  quitações  abaixo,  conforme  PER/DCOMP  25255.40263.2  71  103.  1.3. 04­0136, PER/DCOMP 19042.39390.121103. 1.3.04­ 6721  e  PER/DCOMP  2814301672.121103.1.3.04­4117,  não constando em nosso poder qualquer outro debito que  vinculasse tal recolhimento.  (...)  9 ­ No despacho decisório não foi mencionado o débito em  que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento  do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 e vencimento  em 28/06/2002 no valor de R$ 3.560, 77, arrecadado em  01/07/2002 com valor total de R$ 3. 631,63. "  A  manifestação  foi  analisada  pela  Delegacia  de  Julgamento  (Acórdão  12­ 27.830 ­ 9ª Turma da DRJ/RJ1, e­fl. 41), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta  é  que  cometeu  um  equívoco  ao  preencher  o  PER/DCOMP,  pois  indicou  como  crédito  um  DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava (visava o saldo negativo de CSLL purado  no  ajuste  anual)  e  que  a  contribuinte  requer  direito  de  retificar  a  PERDCOMP via  processo  administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Sustenta a decisão que a retificação da  PERDCOMP só é permitida antes de instaurado o litígio administrativo (IN SRF n° 900, de 30  de dezembro de 2008.).  Cientificada  em  16/01/2010  (e­fl.  49),  a  Interessada  interpôs  recurso  voluntário, protocolado em 09/02/2010 (e­fl. 51), em que aduz:  O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob  o numero 31.523.566/0001­21, estabelecida na Av. Rio Branco,  45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ ­ Cep 20.090­ 003,  representada  pelo  seu  representante  legal  Alvaro  Fiães  Inácio,  não  se  conformando  com  os  termos  do  acórdão  em  referência,  vem  muito  respeitosamente  apresentar  RECURSO  AO CARF, pelos motivos a seguir:  1) No ano calendário de 2003 a empresa optou pelo sistema de  apuração  pelo  Lucro  Real  Anual,  utilizando  balancete  de  suspensão  ou  redução,  ficando  demonstrado  que  em  todos  os  meses do ano calendário de 2003 a empresa teve base de cálculo  do IRPJ e da CSLL negativa. (folhas 7 a 15 do DIPJ 2004 ­ ano  calendário de 2003­em anexo).  Fl. 113DF CARF MF     4 2)  Conforme  a  DCTF  do  3°  trimestre  de  2003  (de  julho  a  setembro/2003),  em  anexo,  não  existe  débito  algum  declarado  nesse período.  3) Desta forma, o débito de Estimativa mensal de CSLL (código  2484­1), período de apuração de agosto de 2003, vencimento em  30/09/2003, no valor de R$ 537,70 é INEXISTENTE, ficando sem  efeito  a  Declaração  de  Compensação  n°.28143.01672.12110313.04­4117.  4) Assim NÃO PROCEDE a  cobrança  do  débito  de Estimativa  mensal de CSLL (código 2484­1), período de apuração de agosto  de 2003, vencimento em 30/09/2003, no valor de R$ 537,70.  5) Com os motivos acima expostos, o contribuinte vem requerer:  >  Que  seja  considerada  sem  efeito  a  Declaração  de  Compensação n°.28143.01672.121103.1.3.04­4117.   > A REVISÃO do ACÓRDÃO,   > O CANCELAMENTO DA RESPECTIVA COBRANÇA.        Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  O recurso ao CARF é tempestivo. Passo a analisar seu conhecimento.  O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua  responsabilidade  com  crédito  proveniente  de  pagamento  indicado  como  indevido  referente  a  Darf do período de apuração código 2362 (estimativa mensal). Com relação à possibilidade de  que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar  pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na  essência  entendeu  ser  incabível  compensar  os  débitos  informados  em  declaração  de  compensação  com  valores  referentes  a  créditos  diversos  (saldo  negativo  da  CSLL)  daquele  indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente  seu conteúdo.  No  caso  presente  o  que  se  pretendeu  foi  modificar,  após  a  apreciação  do  direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Trata­se de outro pedido, e a  retificação nesta  condição é vedada pela  legislação. Se há  algum outro  recolhimento  indevido,  cabe  destacar  que  depois  de  proferida  a  decisão  administrativa  não  se  admite  a  retificação  da  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.901700/2008­16  Acórdão n.º 1201­002.871  S1­C2T1  Fl. 113          5 declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da  IN RFB n° 900, de 30/12/2008,  in  verbis:  Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a  Declaração  de  Compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem  pendentes  de  decisão  administrativa  à  data  do  envio  do  documento  retificador  e,  observado  o  disposto  nos  arts.  78  e  79  no  que  se  refere  à  Declaração de Compensação.  Observo  que  o  recorrente  traz  em  seu  recurso  voluntário  argumento  novo,  não apresentado à primeira instancia: o de que utilizou balancetes de suspensão ou redução em  todos os meses do ano calendário de 2003; que teriam resultado em base de cálculo do IRPJ e  da  CSLL  negativas  em  cada  mês.  Mas  à  primeira  instância  alegou  que  o  saldo  negativo  somente  foi  apurado  no  ajuste  anual.  Nas  palavras  do  contribuinte  em  sua manifestação  de  inconformidade:   4  ­  Ao  Final  do  Exercício  foi  efetuado  o  balanço  anual  onde  se  apurou  o  Lucro  Real  Anual  tributável  de  R$  79.067,93  que  gerou  um  IRPJ  de  R$  11.875,51  (Ficha  06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003.  5 ­ Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano  calendário  a  importância  de  R$  22.868,56  (cópias  das  guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no  Lucro Real  anual  foi  de R$ 7.116,11  (Ficha  17  da DIPJ  2003),  foi  gerado  um  CRÉDITO  nominal  para  o  contribuinte de R$ 15. 752,45.  Apela  agora  a  recorrente  à  apuração  refletida  em  DCTF  que  teria  sido  apresentada  em  02/09/2008  (após  à  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  de  30/05/2008). Desta forma, segundo o prescrito pelo art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e seu §  4º, tal argumento não pode aqui na segunda instância administrativa ser analisado.  Por fim, requer o recorrente a desconsideração da própria PERDCOMP e de  qualquer  cobrança  do  débito  declarado.  Mas  tal  pleito  deveria  dirigir­se  às  unidades  administrativas de cobrança, e não ao CARF. Isto porque o pleito não compõe o litígio. Este se  iniciou com a manifestação de inconformidade contra a negativa de reconhecimento do crédito  e indeferimento da compensação conseqüente.   Deve­se  destacar  que  a  petição  de  fls  74/80  não  se  constitui,  em  seu  teor,  razões  complementares  ao  recurso  voluntário,  mas  resumo  dos  argumentos  já  trazidos  na  manifestação de inconformidade e no recurso voluntário.   Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa               Fl. 115DF CARF MF     6                   Fl. 116DF CARF MF

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7670759 #
Numero do processo: 11065.721728/2011-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 3002-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T2  Fl. 442          1 441  S3­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.721728/2011­00  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3002­000.634  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  21 de fevereiro de 2019  Matéria  IPI. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.  Recorrente  EMBALAGEM CARTON PACK LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.  Nos  termos  do  §  5º,  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  o  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega  da  declaração  de  compensação.  Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se  falar em homologação tácita.        Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões  (Relatora)  e Carlos  Alberto da Silva Esteves.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 17 28 /2 01 1- 00 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11065.721728/2011­00  Acórdão n.º 3002­000.634  S3­C0T2  Fl. 442,5            2 Por economia processual,  adoto o  relatório da decisão da DRJ, às  fls. 418 dos  autos:  Trata  o  presente  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho  Decisório  que  parcialmente  homologou  as  compensações  declaradas,  em  razão  de  glosas de créditos efetuadas pela fiscalização.  Tempestivamente  apresentou  sua manifestação  de  inconformidade  alegando  basicamente que  teria ocorrido a homologação, por decurso de prazo, da apuração  mensal do IPI, conforme legislação e jurisprudência citadas, rezumindo suas razões  como se segue:    O contribuinte  juntou, com a manifestação de  inconformidade, documentos de  constituição  e  representação  da  empresa,  de  identificação  do  procurador  e  documentos  contábeis (fls. 385/413).  Ao  analisar  o  caso,  a  DRJ  entendeu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  conforme  decisão  que  restou  assim  ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  MATÉRIA NÃO CONTESTADA.  Considera­se  como  não  contestada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente questionada.  DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.  O  prazo  para  não  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.  IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.  Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11065.721728/2011­00  Acórdão n.º 3002­000.634  S3­C0T2  Fl. 443            3 Em  pedidos  de  ressarcimento  de  IPI,  cuja  discussão  se  refere  a  direito  de  crédito a  favor do sujeito passivo e não  a constituição de crédito  tributário,  não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I,  do Código Tributário Nacional.  Em  seus  fundamentos,  o  acórdão  (fls.  417/421)  consignou  não  terem  sido  contestadas  as  glosas  de  créditos  não  ressarcíveis,  tornando  a matéria  definitiva  em  âmbito  administrativo. Consignou,  também, o não acolhimento da arguição de decadência do direito  do  fisco  de  revisar  as  compensações,  o  que  teria,  supostamente,  levado  à  homologação  da  compensação,  sob  o  fundamento  de  que  a  PERDCOMP  foi  retificada  em  22/01/2010  e  a  ciência do Despacho decisório se deu em 11/05/11.  O órgão  julgador  esclareceu que não corre,  no  caso, prazo decadencial  para o  Fisco. Explicou que,  como o  credor nesta  situação é o  contribuinte,  contra ele  corre o prazo  decadencial de pleitear ressarcimento. Assim, uma vez apresentado o pleito, inicia­se o prazo  prescricional  para  o  Fisco  homologar  o  procedimento.  Entendeu  não  ter  se  operado  nem  a  decadência para o contribuinte, nem a prescrição para o Fisco, julgando improcedente, assim, a  peça defensiva.  O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 31/10/2014 (vide Termo de  ciência  à  fl.  426 dos  autos)  e,  insatisfeito  com o  seu  teor,  interpôs,  em 03/11/2014, Recurso  Voluntário (fls. 428/438).  Em seu recurso, o contribuinte alegou que, caso se adote a data da retificação da  PERDCOMP  para  contagem  do  prazo  decadencial,  isto  só  pode  se  dar  em  relação  à  parte  alterada na declaração. Arguiu a violação à ampla defesa e ao contraditório, afirmando não ter  acesso à declaração inicialmente enviada, e pugnando, por isso, pela conversão do julgamento  em diligência para que a autoridade preparadora junte aos autos a primeira declaração enviada.  No mérito, o contribuinte  insistiu no argumento de  ter ocorrido decadência do  crédito tributário, alegando que o IPI enquadra­se na hipótese de lançamento por homologação,  prevista  no  artigo  150  do  CTN.  Reiterou,  assim,  os  termos  da  sua  impugnação  relativas  ao  tema.   Pediu,  ao  fim,  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  seja  juntada,  pela  autoridade  preparadora,  a  declaração  enviada  inicialmente,  bem  como  pediu  o  reconhecimento dos alegados créditos e a homologação das compensações.   Não juntou novos documentos em seu recurso.  Os autos, então, vieram­se conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte.   Voto             Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora:  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11065.721728/2011­00  Acórdão n.º 3002­000.634  S3­C0T2  Fl. 443,5            4 Consoante  acima  relatado,  o  contribuinte  arguiu  preliminarmente  que  teria  havido  violação  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  visto  que  não  teve  acesso  à  declaração  inicialmente enviada. Sendo assim, requereu a conversão do julgamento em diligência para que  fosse juntada aos autos, pela autoridade preparadora, a referida declaração.  Entendo  que  não  assiste  razão  ao  recorrente.  Ora,  considerando  que  a  declaração  inicial  fora  transmitida  pelo  próprio  contribuinte,  não  restam  dúvidas  que  este  possui acesso à declaração e pleno conhecimento quanto ao seu conteúdo, apresentando­se no  mínimo desarrazoado o pleito de que este documento seja anexado aos autos pela autoridade  preparadora. Ademais, verifica­se que esta declaração consta dos autos, às fls. 02 e seguintes,  tendo em vista que foi justamente ela que deu origem ao presente processo. Sendo assim, não  há que se falar em violação à ampla defesa e ao contraditório do contribuinte no presente caso.   Não bastasse a inexistência da violação arguida, verifica­se que a diligência  requerida se apresenta completamente desnecessária à solução da presente contenda, visto que  já se encontra anexada aos autos, pelo que deverá ser indeferida.   Ultrapassada  essa  questão  preliminar,  passo  à  análise  do  único  argumento  constante do Recurso Voluntário remanescente de discussão.  Como  se  viu  acima,  as  glosas  de  créditos  não  ressarcíveis  não  sofreu  contestação  por  parte  do  contribuinte,  o  que  tornou  a  matéria  definitiva  em  âmbito  administrativo.  Permaneceu  em  julgamento,  portanto,  tão  somente  o  argumento  atinente  à  homologação tácita da compensação apresentada.  Em  que  pese  a  alegação  da  Recorrente  de  que  teria  se  configurado  a  decadência  no  caso  vertente,  concordo  com  os  esclarecimentos  feitos  pela  DRJ  na  decisão  recorrida em que faz uma correta distinção entre as hipóteses  relacionadas à decadência e as  hipóteses  relacionadas  à  homologação  tácita.  A  seguir,  transcrevo  passagem  da  decisão  recorrida nesse sentido:  Quanto  à  alegada  decadência  do  direito  do  Fisco  de  revisar  o  crédito  pleiteado, a requerente parece confundir a apreciação de direito creditório vinculado  a  compensação  de  débitos  com  o  lançamento  de  tributo  pela  Administração  Tributária.  Para  esclarecer  a  aparente  confusão,  há  que  se  compreender  a  decadência  aplicada  no  âmbito  tributário.  O  instituto  da  decadência  tem  por  objetivo  último  garantir  a  estabilidade  jurídica,  impedindo  que  direitos  permaneçam  latentes  ad  eternum  no  plano  do  dever­ser  e  possam  se  materializar  a  qualquer  momento,  invocados pelos  seus  titulares, produzindo efeitos para os  sujeitos do pólo passivo  desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subseqüentes. Assim,  a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do pólo ativo  de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo pré­determinado.  Ou  seja,  a  decadência  sempre  atua  contra  o  credor.  No  caso  da  relação  obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o pólo ativo, o credor, e,  portanto, a decadência atua contra ela, impedindo­a de constituir o crédito tributário  pelo  lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado no art. 150,  inciso  IV, e no art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional ­ CTN.  Ocorre  que,  no  caso  do  ressarcimento  do  saldo  credor  de  IPI  e  de  sua  utilização  para  compensação  de  tributos  federais,  a  situação é  inversa. A primeira  Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11065.721728/2011­00  Acórdão n.º 3002­000.634  S3­C0T2  Fl. 444            5 relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestre­ calendário é tal que a contribuinte é o pólo ativo e o Fisco o pólo passivo. Para essa  situação  também  existe  um  prazo  decadencial  estabelecido,  porém  é  o  prazo  de  cinco  anos  do  art.  1o  do  Decreto  no  20.910,  de  06/01/1932,  consoante  o  Parecer  Normativo CST n° 515, de 10 de  agosto de 1971. E  esse prazo decadencial  corre  contra o  titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu  direito  dentro desse  prazo  por meio  da  formalização do  correspondente  pedido de  ressarcimento,  sob  pena  de  perda  do  direito.  No  presente  caso,  os  pedidos  foram  feitos  dentro  do  prazo,  portanto  não  ocorreu  a  decadência  do  direito  ao  ressarcimento,  o  que  não  interfere  na  necessária  análise  da  liquidez  e  certeza  do  crédito pleiteado.  Superada  a decadência do direito  creditório da  contribuinte pela  formulação  do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que  pretende a utilização desse crédito, no  todo ou em parte, para quitação de  tributos  federais,  o  prazo  estabelecido  pelo  sistema  normativo  para  garantir  a  estabilidade  jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto  no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzido pelo art.  17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Esse prazo, por seu turno, corre  contra a Administração Tributária,  tem natureza prescricional e refere­se ao direito  de  cobrar  a  eventual  diferença  a  maior  entre  o  tributo  compensado  e  o  crédito  reconhecido em favor da contribuinte. Também esse prazo não decorreu in albis na  situação em tela, conforme já analisado.  No  caso  dos  presentes  autos,  portanto,  em  que  se  analisa  pedido  de  compensação,  é  certo  que  a  situação  a  ser  apreciada  diz  respeito  à  ocorrência  ou  não  da  homologação  tácita,  ou  seja,  ao  prazo  que  a Receita Federal  teria  para  apreciar  o  pedido  de  compensação apresentado,  sob pena deste  ser considerado  tacitamente homologado. E, como  esclarecido  acima,  este  prazo  encontra  previsão  no  §  5º,  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/1996,  in  verbis:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  (...).  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação.   Nesse contexto, o prazo que a Receita Federal dispõe para analisar o pedido  de compensação apresentado é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da compensação.  E, consoante também corretamente analisou a DRJ  in casu, não houve a sua  configuração.  Isso  porque,  extrai­se  dos  autos  que  a  PERDCOMP  em  referência  fora  transmitida  em  04/07/2006,  tendo  sofrido  retificação  em  22/01/2010.  Logo,  tendo  o  contribuinte  tomado  ciência  do  despacho  decisório  em  11/05/2011,  não  há  que  se  falar  em  homologação tácita, seja esta contada da data da retificação realizada (22/01/2010), ou mesmo  da transmissão da DCOMP originalmente realizada (04/07/2006).  Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11065.721728/2011­00  Acórdão n.º 3002­000.634  S3­C0T2  Fl. 444,5            6 Por  outro  lado,  tampouco  subsiste  o  argumento  do  Recorrente  de  que,  em  casos  de  retificação  da  DCOMP,  apenas  o  montante  retificado  não  seria  atacado  pela  homologação  tácita.  Ora,  uma  vez  retificadas  as  informações  anteriormente  enviadas,  não  restam  dúvidas  que  o  prazo  de  apreciação  por  parte  da  Receita  Federal  para  fins  de  homologação tácita tem novo termo inicial, pois é a partir daquele momento que ela passa a ter  conhecimento das novas informações prestadas pelo contribuinte, para que possa validá­las ou  não.   Da conclusão  Com  fulcro  nas  razões  supra  expedidas,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar apresentada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora                             Fl. 447DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.903733/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.153
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

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3402­006.153  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Recorrente  ELASTIM COMERCIO DE BORRACHAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/11/1999  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO  DE  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO Nº 70.235/1972.  Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas  por  constar  perante  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  a  utilização  integral  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  é  ônus  do  Contribuinte  apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu  direito creditório, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código de Processo  Civil.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra  (Presidente),  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Cynthia  Elena  de  Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 37 33 /2 00 9- 30 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.903733/2009­30  Acórdão n.º 3402­006.153  S3­C4T2  Fl. 0          2 Relatório    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  16­29.932,  proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por  unanimidade  de  votos  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade,  mantendo  a  decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida.  Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora  em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os  seguintes argumentos:  i) Com  fulcro na Lei 9.430/96 e  alterações posteriores,  apresentou diversos  pedidos  de  compensação  de  créditos  tributários  oriundos  de  pagamento  indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos  tributários decorrentes de suas atividades empresariais;  ii)  O  agente  administrativo  limitou­se  a  lançar  um  despacho  padronizado  indeferindo  as  compensações  sob o  argumento de que não existia o  crédito  perseguido pelo contribuinte;  iii)  Em  nenhum  momento  foi  propiciado  à  Recorrente  a  oportunidade  de  demonstrar  o  seu  crédito,  se  limitando  a  Autoridade  Administrativa  a  consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco;  iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro)  que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo  contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro  de contas.";  v)  O  objeto  do  presente  processo  administrativo  é  justamente  garantir  ao  contribuinte  a  oportunidade  de  demonstrar  a  liquidez  e  certeza  de  seus  créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está  sendo  permitido  ao  contribuinte  demonstrar  o  seu  crédito  e  usa­se  a  falta  dessa  prova para indeferir o pedido.  É o relatório.  Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.903733/2009­30  Acórdão n.º 3402­006.153  S3­C4T2  Fl. 0          3   Voto               Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­006.148,  de  25  de  fevereiro  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.686726/2009­68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402­006.148):    "Pressupostos legais de admissibilidade  Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como  o  preenche  os demais  requisitos  de admissibilidade,  resultando  em seu conhecimento.  Mérito  Da análise dos autos,  constata­se que o objeto principal  deste  litígio  se  resume  ao  ônus  da  prova  sobre  o  direito  creditório perseguido pela Contribuinte.  Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito  e  inconstitucionalidade  do  artigo  3°,  §  2°,  inciso  III  da  Lei  9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que  não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada  em razões recursais.  Em  síntese,  o  argumento  principal  da  parte  em  Manifestação  de  Inconformidade  e  Recurso  Voluntário  versa  sobre  a  conclusão  da  Autoridade  Administrativa  pela  inexistência  do  crédito  "sem  sequer  solicitar  ao  contribuinte  qualquer  documento  capaz  de  comprovar  ou  não  a  existência  e  suficiência do crédito utilizado na compensação".  A  Contribuinte  havia  requerido  em  Manifestação  de  Inconformidade  a  anulação  do  despacho  decisório  e  a  determinação  para  que  a  Autoridade  Fiscal  efetuasse  as  diligências necessárias para comprovar a origem e a existência  do  crédito  utilizado  nas  compensações  ou,  alternativamente,  a  homologação da compensação efetuada.  Por  sua  vez,  a  Autoridade  Julgadora  de  Primeira  Instância  salientou  que  a  compensação  que  se  pretende  é  a  proveniente  de  lançamento  por  homologação,  em  que  o  Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.903733/2009­30  Acórdão n.º 3402­006.153  S3­C4T2  Fl. 0          4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído  e  efetua  a  compensação,  incumbindo  ao  Fisco  verificar  se  o  encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante  o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991.  Com  efeito,  em  razão  da  busca  pela  verdade  material,  sempre  deverá  prevalecer  a  possibilidade  de  apresentação  de  todos  os  meios  de  provas  necessários  para  comprovação  do  direito pleiteado.   Constata­se  que  a  Recorrente  instruiu  tanto  a  manifestação  de  Inconformidade  quanto  o  Recurso  Voluntário  apenas  com  o  instrumento  de  procuração,  identificação  da  procuradora,  cópias  das  decisões  recorridas,  identificação  dos  sócios proprietários e atos constitutivos da empresa.   No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de  contrapor  a  constatação  de  utilização  dos  créditos  declarados  para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a  Recorrente  em  nenhum  momento  anexou  aos  autos  quaisquer  documentos  e/ou  planilhas  de  apuração,  tampouco  apresentou  retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou  seja,  não  há  nos  autos  sequer  um  indício  da  existência  de  tal  crédito.  Aplica­se  o  artigo  373,  inciso  I  do  Código  de  Processo  Civil,  que  atribui  o  ônus  da  prova  ao  autor  quanto  ao  fato  constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16,  § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  9303007.218,  proferido  pela  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais1.  Com isso, está correta a decisão de primeira instância.  Dispositivo  Ante  o  exposto,  conheço  e  nego  provimento  ao  Recurso  Voluntário.    Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.                                                                1 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS   Data do Fato Gerador: 20/04/2007    DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.    Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir junto  à  Fazenda  Nacional  para   que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.   Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.903733/2009­30  Acórdão n.º 3402­006.153  S3­C4T2  Fl. 0          5 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 73DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.000545/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL Legítima a não homologação da compensação de crédito cuja certeza e liquidez não restarem comprovadas. Por outro lado, a parcela do crédito reconhecida por meio de diligência fiscal deve ser homologada. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A compensação de débito não declarado em DCTF, que não tenha sido objeto de lançamento de ofício e desde que formalizada antes de qualquer medida de fiscalização instaurada contra o sujeito passivo, pode ser feita com o benefícios de não incidência de multa moratória previsto no artigo 138 do CTN (denúncia espontânea).
Numero da decisão: 1201-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para: (i) reconhecer, para efeitos de Saldo Negativo de IRPJ ano calendário 2008, os créditos provenientes do IR pago no Chile e Uruguai, respectivamente nos montantes de R$ 10.944.934,17 e R$ 20.230.339.86, POR UNANIMIDADE; (ii) por conseqüência do item (i), reduzir proporcionalmente a base de cálculo da multa isolada objeto do processo apenso nº 16327.721247/2013-43, POR UNANIMIDADE; e (iii) afastar a cobrança da multa de mora de R$ 3.405.752,82 objeto de cobrança no processo apenso nº 16327.000627/2010-06, POR MAIORIA. Vencidos os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Lizandro Rodrigues de Sousa e Efigênio de Freitas Jùnior. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.000545/2009­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­002.770  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  ITAU UNIBANCO HOLDING S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008  COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL  Legítima  a  não  homologação  da  compensação  de  crédito  cuja  certeza  e  liquidez não restarem comprovadas.  Por outro lado, a parcela do crédito reconhecida por meio de diligência fiscal  deve ser homologada.  COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  A compensação de débito não declarado em DCTF, que não tenha sido objeto  de lançamento de ofício e desde que formalizada antes de qualquer medida de  fiscalização  instaurada  contra  o  sujeito  passivo,  pode  ser  feita  com  o  benefícios  de  não  incidência  de multa moratória  previsto  no  artigo  138  do  CTN (denúncia espontânea).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao  RECURSO VOLUNTÁRIO para: (i) reconhecer, para efeitos de Saldo Negativo de IRPJ ano  calendário 2008, os créditos provenientes do IR pago no Chile e Uruguai, respectivamente nos  montantes  de  R$  10.944.934,17  e  R$  20.230.339.86,  POR  UNANIMIDADE;  (ii)  por  conseqüência do item (i), reduzir proporcionalmente a base de cálculo da multa isolada objeto  do  processo  apenso  nº  16327.721247/2013­43,  POR  UNANIMIDADE;  e  (iii)  afastar  a  cobrança  da  multa  de  mora  de  R$  3.405.752,82  objeto  de  cobrança  no  processo  apenso  nº  16327.000627/2010­06,  POR  MAIORIA.  Vencidos  os  conselheiros  Allan  Marcel  Warwar  Teixeira, Lizandro Rodrigues de Sousa e Efigênio de Freitas Jùnior.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 45 /2 00 9- 10 Fl. 2144DF CARF MF     2 Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli ­ Relator.  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Neudson Cavalcante  Albuquerque,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Allan  Marcel  Warwar  Teixeira,  Gisele  Barra  Bossa,  Efigênio  de  Freitas  Junior,  Breno  do  Carmo  Moreira  Vieira  (Suplente  convocado),  Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).    Relatório  Trata­se  de  processo  administrativo,  apensado  aos  processos  nºs  16327.000627/2010­06 (multa de mora) e 16327.721247/2013­43 (multa isolada de 50% sobre  os  débitos  cuja  compensação  não  foi  homologada),  decorrente  de  compensações  de  débitos  tributários próprios (cf. fls. 65/100) com crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ, referente ao  ano­calendário de 2008, no valor originário de R$297.641.892,94.  O crédito foi demonstrado no PER/DCOMP nº 01746.94867.300109.1.3.02­ 1211  (fls.  31/36),  que  foi  retificado  pelo  PER/DCOMP  nº  19135.49648.260411.1.7.02­2013  (fls. 94/100).   De acordo com o PER/DCOMP retificador, o crédito pleiteado decorre de:  (i) IR pago no exterior no montante de R$63.046.071,42;  (ii) IRRF (código 5706) no valor de R$317.598.637,49;  (iii) estimativa de IRPJ relativa a fevereiro/2008 no valor de R$667.802,32;  (iv) estimativa de janeiro/2008 compensada com Saldo Negativo de período  anterior, no valor de R$360.506,86 (PER/DCOMP nº 36454.70988.150208.1.3.02­2849).  Além disso, a contribuinte  transmitiu,  em 06/01/2009, outros PER/DCOMP  (fls. 698/732), visando liquidar outros débitos com crédito relativo a IRRF sobre juros sobre o  capital próprio.  Em seguida (em 07/07/2010), a contribuinte protocolizou petição de fls. 38.  Informa erro no preenchimento desses outros PER/DCOMP, uma vez que a origem do crédito  não seria de IRRF sobre JCP, mas sim de Saldo Negativo de IRPJ ­ AC 2008 e esclarece que  não  foi  possível  efetuar  a  retificação  por  meio  eletrônico,  razão  pela  qual  encaminhou  os  formulários de Declaração de Compensação em papel (fls. 50 a 56).  Por  meio  de  despacho  decisório  (fls.  754/777),  a  autoridade  a  quo  se  manifestou no seguinte sentido:  (i)  pela  inaplicabilidade  da  denúncia  espontânea  em  relação  aos  débitos  compensados  após  o  vencimento  legal  e,  conseqüentemente,  exigiu  a  multa  de  mora  correspondente;  Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 3          3 (ii)  pelo  deferimento  da  petição  de  fl.  38,  com  substituição  para  todos  os  efeitos legais, dos PER/DCOMP às fls. 698/732, pelas Declarações em Papel às fls. 50/56;  (iii)  pela  existência  e  suficiência  do  crédito  de  IR­Fonte  de  R$ 317.598.637,49, bem como da estimativa de janeiro/2008 (de R$ 360.506,86);   (iv) que o crédito de estimativa de fevereiro/2008 seria de R$ 531.355,57, e  não R$ 667.802,32 (diferença, portanto, de R$ 136.446,75); e  (v)  pela  improcedência  da  compensação  do  imposto  pago  no  exterior  no  montante de R$ 63.046.071,42.  Como resultado dessa análise,  a parte dispositiva do despacho decisório  foi  assim redigida:    DECISÃO  Diante  do  exposto,  com  fundamento  no  Regimento  Interno  da  RFB aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de  2010,  e  nos  termos  do  disposto  no  art.  74  da  Lei  n°  9.430,  de  1996, APROVO a proposição apresentada e DECIDO:  RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório  contra a  Fazenda Nacional  relativo ao Saldo Negativo de IRPJ apurado  na  DIPJ  2009,  ano­calendário  de  2008,  às  fls.  118  por  Itaú  Unibanco Holding  S/A, CNPJ  nº  60.872.504/0001­23,  no  valor  original de R$234.459.374,77, sobre o qual deverão incidir juros  equivalentes à taxa SELIC, conforme legislação em vigor;  DEFERIR  a  petição  de  fls.  38  do  processo  principal  16327.000545/2009­10,  com  substituição  para  todos  os  efeitos  legais, dos PER/DCOMP às fls. 698/732, pelas Declarações em  Papel às fls.50/56;  COBRAR  Multa  de  Mora,  conforme  relatório  de  fls.  750/753,  pela compensação em atraso, do débito informado na Petição às  fls. 04 do processo apensado 16327.000627/2010­06, através do  PER/DCOMP 01750.93296.290110.1.3.02­ 2020 às fls. 05/08 do  processo apensado;  HOMOLOGAR PARCIALMENTE  as  compensações  informadas  nos  PER/DCOMP  relacionados  no  item  5  deste  Despacho  Decisório, vinculadas ao crédito aqui analisado, nos  termos do  disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, conforme relatório de fls.  750/753;    Cientificada  do  despacho  decisório,  a  interessada  apresentou,  tempestivamente,  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  792/804),  acompanhada  dos  documentos de fls. 805/898. Alega, em síntese, que:  Fl. 2146DF CARF MF     4 (i) preencheu os requisitos concernentes ao instituto da denúncia espontânea  prevista no art. 138 do CTN, devendo ser afastada a cobrança da multa de mora na hipótese de  compensação, na linha da jurisprudência do STJ;  (ii) que a estimativa de fevereiro/2008, no valor de R$667.802,32, foi quitada  com os benefícios da anistia, não havendo fundamento legal para considerar apenas o valor de  R$531.355,58;  (iii)  é  correta  a  compensação  do  imposto  pago  no  exterior  em  2006  e  em  2007,  visto  que  a  matéria  ainda  se  encontra  em  discussão  administrativa  nos  processos  de  números 16327.721297/2012­40 e 16327.720527/2012­53, respectivamente;  (iv) os lucros das empresas domiciliadas no Chile e Uruguai, assim como os  pagamentos do IR, foram sim comprovados, conforme documentos anexados; e  (v) deve ser cancelada a multa isolada em face da comprovação da totalidade  do crédito declarado.  Em  Sessão  de  24  de  Julho  de  2014,  a  10a  Turma  da  DRJ/SPO  proferiu  o  Acórdão  (fls.  910/940),  o  qual  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  parcialmente  procedente, reconhecendo a parcela de R$ 136.446,75 do total do crédito pleiteado.  A ementa da decisão possui a seguinte redação:    SALDO  NEGATIVO.  ESTIMATIVA  PAGA  COM  OS  BENEFÍCIOS DA LEI Nº 11.941/2009.  A  estimativa  de  IRPJ  paga  com  a  redução  de  encargos  moratórios  prevista  no  art.  1º,  §3º,  inciso  I,  da  Lei  nº  11.941/2009 pode ser integralmente utilizada na composição do  saldo negativo do período.  IMPOSTO  DE  RENDA  PAGO  NO  EXTERIOR.  COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  Na  apuração  do  IRPJ,  apenas  são  dedutíveis  os  valores  do  imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital  auferidos  no  exterior  quando  atendidos  cumulativamente  os  seguinte  requisitos  legais:  (i)  adição  da  receita  auferida  no  exterior  ao  lucro  real  apurado  no  Brasil;  (ii)  observância,  na  compensação, do limite do imposto de renda incidente no Brasil  sobre  as  referidas  receitas;  (iii)  comprovação  do  recolhimento  em documento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e  pelo  Consulado  da  Embaixada  Brasileira  no  país  em  que  o  imposto  for  devido,  salvo  se  se  restar  comprovado  que  a  legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de  capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido  pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO.  Nos  termos  do  que  dispõe  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  a  juntada  de  documentos  deverá  ser  feita  por  ocasião  da  impugnação  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  momento  Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 4          5 posterior, salvo nos casos expressamente previstos no art. 16 do  Decreto nº 70.235/72.  PRODUÇÃO  DE  EFEITOS  LEGAIS.  DOCUMENTOS  REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO.  Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições  da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos  Municípios,  os  documentos  em  língua  estrangeira  deverão  ser  legalizados  pelo  Serviço  Consular  no  país  de  emissão,  traduzidos  para  o  português  por  tradutor  juramentado  e  registrados no Registro de Títulos e Documentos.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  DÉBITOS  COMPENSADOS.  INAPLICABILIDADE.  Não  se  considera  ocorrida  a  denúncia  espontânea  quando  o  sujeito  passivo  compensa  o  débito  confessado,  mediante  apresentação de Declaração de Compensação.    O contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em 22/08/2014  (fl.  955)  e  interpôs Recurso Voluntário  em 23/09/2014  (fls. 958/980), por meio do qual reitera suas alegações de defesa, rebate pontos específicos da  decisão de primeira instância e anexa documentos complementares.  Os  autos,  então,  foram  encaminhados  para  julgamento,  tendo  o Colegiado,  mediante Resolução 1101­000233 (fls. 1.579/1.594), requerido diligência nos seguintes termos:    Diante  do  exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  determinar  a  CONVERSÃO  DO  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  de  forma  que  os  presentes  autos  retornem  à  Delegacia  de  origem  e  aguardem  o  resultado  das  diligências  determinadas  nos  autos  dos  processos  administrativos  16327.721297/2012­40 e 16327.720527/2012­53, para que então  retorne  juntamente  aos  processos  acima  mencionados  para  julgamento por esta turma.    Não obstante o pedido de diligência, houve elaboração de Informação Fiscal  (fls. 1.655/1.670) que analisou o valor dos créditos disponíveis no AC 2008 e provenientes do  Chile  e  Uruguai,  manifestação  da  qual  a  contribuinte  se  manifestou  às  fls.  1.678/1.682,  questionando apenas o resultado apurado relativo ao Uruguai.  Às  fls.  1.788/1.807  foram  juntados  os  Relatórios  Fiscais  acerca  das  diligências  efetuadas  nos  autos  dos  processos  administrativos  16327.721297/2012­40  e  16327.720527/2012­53.  Em  seguida  foram  anexadas  nova  Informação  Fiscal  (fls.  1.810/1.868),  relativa  à  análise  do  Saldo Negativo  do AC  2013,  bem  como Manifestação  da  contribuinte  sobre a conclusão fiscal (fls. 2.101/2.103).  Fl. 2148DF CARF MF     6 É o relatório.    Voto             Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciá­lo.  Conforme visto, a parte do crédito não homologado diz respeito (i) à falta de  comprovação  do  imposto  pago  no  exterior  e deduzido  do  IRPJ  devido no AC  2008;  e  (ii)  à  imputação de multa de mora ao débito liquidado via compensação com o benefício do artigo  138 do CTN.    Imposto pago no exterior  Chile  Com relação ao IR proveniente do Chile, o relatório fiscal de fls. 1.655/1.670  assim concluiu:    Foram submetidos a auditoria os documentos fiscais e contábeis  relativos ao ano­calendário 2008, acostados pelo contribuinte e  aceitos pelo Conselho Administrativo Fiscal, como fidedignos.  Constam  das  Demonstrações  Financeiras  (Demonstração  do  Resultado, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e  Demonstração de Fluxo de Caixa a apuração de Lucro Líquido  na ordem de R$ 143.599 (em milhares de reais).  Na DIPJ foi declarado a título de Lucro Líquido o Valor de R$  143. 598.610,04.  Restou comprovado e confirmado em auditoria  (demonstrativos  de pagamentos de antecipações e apuração anual, acostados ao  processo)  o  pagamento  do  Imposto  de  Renda  no  montante  de  10.944.934,17. Muito embora tenha o contribuinte informado na  DIPJ  o  valor  de  R$  32.411.310,40,  na  peça  recursal  fez  referência ao mesmo valor apurado pela RFB. Vejamos:  [...]  De  fato,  o  contribuinte  efetuou  pagamentos  mensais  (pagos  provisionais)  no  montante  de  R$  32.411.310,40,  contudo  no  ajuste  anual,  em  regra,  apurou  imposto  em  valor  inferior  ao  montante antecipado, o que lhe garantiu direito a devolução do  valor pago a maior que o devido.  O pedido de devolução do pagamento a maior que o devido no  Chile  é  feito  em  campo  próprio  da  Declaração  de  Anual  –  Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 5          7 Formulário  22,  não  havendo  necessidade  de  utilização  de  documento específico, como ocorre no Brasil (PER/DCOMP).  [...]  Faz­se oportuno informar que o valor de R$ 10.944.934,17 pago  pela controlada Itau Chile Holding, encontra­se dentro do limite  estabelecido  pela  legislação  brasileira  como  passível  de  utilização como antecipação do devido na declaração de ajuste  anual da controladora Brasileira, conforme determina o art. 14,  § 9º e seguintes da IN SRF 213/2002.    Em  suas manifestações,  a  Recorrente  não  questiona  o  cálculo  em  questão,  cálculo este que a meu ver também não merece nenhum reparo.  Dessa  forma,  reconheço  o  IR  proveniente  do  Chile,  no  montante  de  R$ 10.944.934,17, como parcela que compõe o Saldo Negativo objeto das compensações ora  em análise.    Uruguai  No tocante ao IR relativo ao Uruguai, assim se manifesta a diligência:    Restou  comprovado  e  confirmado  o  pagamento  do  Imposto  de  Renda  no  montante  de  R$  21.090.466,66  (valor  consolidado).  Este  valor  é  superior  ao  declarado  na DIPJ  pelo  contribuinte.  Verificou­se  que  houve  erro  nessa  informação,  pois  foram  informados apenas os valores recolhidos a título de antecipação  mensal,  sem  considerar  que  houve  pagamentos  adicionais  a  título de Imposto de Renda, no ajuste anual.  [...]  Em obediência à disposição contida no artigo 14 §9° e seguintes  da IN SRF 213/2002 realizamos os cálculos dos limites do valor  passível  de  utilização  como  antecipação  do  devido  no Brasil  e  constatamos  que  do  montante  efetivamente  pago  (R$ 21.089.466,66)  o  contribuinte  poderá  utilizar  o  valor  de  R$ 20.246.929,53  (sic  ­  vide  tabela).  O  cálculo  foi  elaborado  com base na regra da possibilidade de consolidação dos valores  pagos  no  exterior,  quando  se  tratar  de  empresas  estabelecidas  em um mesmo país. O resultado é o que segue:    Fl. 2150DF CARF MF     8     Se  ao  invés  da  regra  de  consolidação  se  tivesse  aplicado  a  da  individualidade o contribuinte poderia utilizar como antecipação  o valor de R$ 16.360.162,13, tendo em vista a relação que se faz  entre  o  lucro  disponível  x  valor  do  IR  pago  individualmente,  pelas Pessoas Jurídicas. Vejamos o cálculo:        A contribuinte, por sua vez, muito embora tenha informado em sua DIPJ (fls.  206/211) valor inferior aos dos cálculos em questão (declarou R$ 15.580.813,37 de IR pago no  Uruguai  e  R$ 80.987.718,12  de  lucro),  passou  a  sustentar  que  teria  direito  de  computar  R$ 21.096.989,14 de IR, sendo o lucro correto de R$ 93.609.558,64.  Ocorre,  porém,  que  não  há  justificativa  e  comprovação  dos  motivos  que  teriam levado a alteração do lucro proveniente do Uruguai, o que impede o presente Julgador  acatar a existência de mero erro ou equívoco nas informações declaradas na DIPJ.  Ademais,  os  documentos  tendentes  a  apurar  o  efetivo  lucro  daquele  País  foram  exaustivamente  analisados  pela  autoridade  diligenciante,  que  acabou  validando  as  informações dos lucros prestadas na DIPJ.  Dessa  forma,  acato  o  montante  reconhecido  na  diligência,  qual  seja,  de  R$ 20.230.339.86.    Do IR pago no exterior em 2006 e 2007  Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 6          9 Quanto aos saldos oriundos de anos anteriores (2006 e 2007), além do fato do  resultado das diligências  ter  sido no sentido contrário ao que advoga a Recorrente,  concordo  com a decisão da DRJ de que não houve comprovação da liquidez e certeza desses indébitos.  Ocorre,  entretanto,  que  em  se  tratando de  compensação,  a  comprovação  da  liquidez e certeza da totalidade do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpreta­ se do 170 do CTN abaixo transcrito, sob pena de indeferimento do pedido.    “Artigo 170 ­ A lei pode, nas condições e sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei.    Posto  isso,  não  reconheço  crédito  de  exercícios  anteriores  a  2008  que  seja  passível de utilização nesse processo administrativo.    Da denúncia espontânea na compensação tributária  De início, cumpre observar que a própria autoridade fiscal alega que o débito  de  CSLL  "compensado  espontaneamente"  não  foi  declarado  em  DCTF  e  nem  lançado  de  ofício, fato este que afasta a aplicação da Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça STJ  (O  benefício  da  denúncia  espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo).  Registrada a ressalva, verifica­se que a discussão gira em torno da aplicação  ou  não  da  dispensa  de  multa  moratória  na  hipótese  de  compensação  tributária,  ou  seja,  da  aplicabilidade da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) na liquidação de débito por meio  de compensação formalizada após o vencimento legal, mas antes de iniciada qualquer medida  de fiscalização.  Trata­se, na verdade, de  tema que ainda é norteado de insegurança  jurídica,  afinal há verdadeira  instabilidade  jurisprudencial  e doutrinária  acerca do  gozo do direito dos  benefícios  advindos  da  denúncia  espontânea  na  liquidação  de  tributo  em  mora  via  compensação.  Para  tanto,  não  se  pode  perder  de  vista  que  a  compensação,  ainda  que  sob  condição resolutória de sua ulterior homologação, assim como o pagamento, constituem causas  de extinção do crédito tributário.  Também não pode ser desprezado o fato de que a legislação prescreve que o  débito cuja compensação (ou parte dela) não for homologada deve ser cobrado de ofício com  multa de mora e multa isolada.  Fl. 2152DF CARF MF     10 Há,  portanto,  uma  conseqüência  legal  específica  ao  tributo  indevidamente  compensado, assim como existe à  insuficiência do pagamento, situações estas que ensejam o  lançamento de ofício, sem prejuízo da exigência de juros e multas.  Esse  procedimento,  porém,  não  produz  efeitos  no  que  diz  respeito  à  espontaneidade do sujeito passivo, que pode optar por liquidar o débito em mora por meio de  pagamento ou compensação, sem que esta escolha lhe traga o ônus de atrair a multa moratória.  Dito de outros modos: a compensação, para efeitos de denúncia espontânea, é equiparada ao  pagamento.  Nesse  contexto, me  curvo  à  tese  na  qual  considera  aplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea  em  situação  como  a  presente,  em  conformidade  com  o  voto  do  I.  Conselheiro Luis Flávio Neto, proferido em Sessão da CSRF ocorrida em 07/08/2018 e que ora  transcrevo (Acórdão n° 9101­003.687):    O  presente  caso  exige  que  se  compreenda  a  hipótese  de  incidência do art. 138 do CTN, especialmente quanto à exigência  de extinção do crédito tributário por meio de "pagamento" ou de  "compensação".  O art. 138 do CTN possui a seguinte redação:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontanea  da  infraçao,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuracao.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontanea  a  denuncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalizac,ao,  relacionados  com  a  infracao.  O  núcleo  da  presente  discussão  consiste  em  saber  se  o  termo  "pagamento", adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado),  tem  o  sentido  restritíssimo  de  "quitação  em  dinheiro"  ou  se  contempla acepção mais ampla de adimplemento, abarcando, no  caso, a compensação tributária.  De  início,  é  necessário  observar  que  o  legislador  nem  sempre  utiliza  o  vocábulo  "pagamento"  no  sentido  de  quitação  em  dinheiro,  valendo­se  deste  em  sua  acepção  mais  ampla  de  adimplemento.  É  o  que  se  verifica  em  variados  exemplos  colhidos  tanto de  leis ordinárias  como de  leis  complementares,  conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si  do art. 138 do CTN.  Primeiramente, note­se a redação do art. 150 do CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.    Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 7          11 Note­se que o CTN utilizou a dicção "antecipar o pagamento" no  sentido  de  antecipar  o  adimplemento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Não  há  dúvidas  que  o  contribuinte,  mediante  declaração  e  compensação  regularmente  levadas  a  termo,  irá  consumar  o  típico  "lançamento  por  homologação"  tutelado pelo art. 150 do CTN.  Nesse  sentido,  merecem  destaque  os  seguintes  julgados,  proferidos  pela  Primeira  e  Segunda  Turma  do  STJ,  que  consideram  indiferente  o  adimplemento  dar­se  mediante  pagamento  em  dinheiro  ou  compensação  tributária  para  a  incidência do art. 150 do CTN:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI  9.430/96. MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS: LEI 10.637/02 E  LEI  10.833/03.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  NOV/1998.  INDEFERIMENTO  ADMINISTRATIVO  DA  COMPENSAÇÃ.  MAI/05.  TRANSCURSO  DE  PRAZO  SUPERIOR  AO  QUINQUENIO  LEGAL.  ART.  150,  §4o,  DO  CTN.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO.  1. No caso concreto, o crédito  tributário  foi constituído na data  do protocolo do pedido de compensação (10/11/1998), por forca  do  §4o  do  art.  74 da Lei n.  9.430/96. Logo,  como até maio de  2005, a Administração não havia se manifestado sobre o referido  pleito, ocorreu a homologação tácita prevista no §4o do art. 150  do CTN.  2. Recurso especial provido.  (STJ,  REsp  1320994/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONCALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  14/10/2014,  DJe 22/10/2014)  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  ICMS.  LANÇAMENTO  SUPLEMENTAR.  CREDITAMENTO  INDEVIDO.  PAGAMENTO  PARCIAL.  DECADÊNCIA. TERMO  INICIAL. FATO GERADOR. ART.  150, § 4o, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento  suplementar de tributo sujeito a homologação recolhido a menor  em  face de creditamento  indevido é de cinco anos contados do  fato  gerador,  conforme  a  regra  prevista  no  art.  150,  §  4o,  do  CTN.  Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  1.199.262/MG,  Rel.  Ministro Benedito Goncalves, Primeira Seçao, DJe 07/11/2011;  AgRg  no REsp  1.238.000/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell  Marques,  SEGUNDA  TURMA,  DJe  29/06/2012.  2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  REsp  1318020/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONCALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 15/08/2013, DJe 27/08/2013)  Prosseguindo  a  análise  ora  empreendida,  verifica­se  que  o  mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9o, § 2°, da  Lei  n.  9.532/97.  Esse  enunciado  prescritivo  estabelece,  em  seu  caput,  que,  "à  opção  da  pessoa  jurídica,  o  saldo  do  lucro  inflacionário acumulado,  existente no último dia útil dos meses  de  novembro  e  dezembro  de  1997,  poderá  ser  considerado  realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento".  Fl. 2154DF CARF MF     12 Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua  manifestação  mediante  o  adimplemento  do  tributo  correspondente,  em  quota  única.  Não  há  sinais  de  que  o  legislador procurou  se  referir a quitação em dinheiro, mas  sim  às  hipóteses  que  legitimamente  conduzam  ao  adimplemento  da  obrigação, como é o caso da compensacão.  Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1a Turma  da CSRF, em julgamento recente sobre o tema:  Assunto:  Normas  Gerais  de  Direito  Tributário  Ano­calendário:  2003, 2004  SALDO  ACUMULADO  DE  LUCRO  INFLACIONÁRIO.  REALIZAÇÃO  INTEGRAL  EM  COTA  ÚNICA.  COMPENSAÇÃO.  À  opção  da  pessoa  jurídica,  o  saldo  do  lucro  inflacionário  acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro  e  dezembro  de  1997,  poderia  ser  considerado  realizado  integralmente  e  tributado  à  alíquota  de  dez  por  cento  (Lei  n.  9.532/1997,  art.  9°).  Exercício  da  opção  mediante  o  adimplemento do valor correspondente. A regular compensação,  assim como a regular quitação em dinheiro, era meio hábil para  o exercício da opção. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo ao  lucro  inflacionário diferido é contado do período de  apuração de sua efetiva realização.  (CSRF, 9101­002.352, 14/06/2016)  Adentrando  no mérito  do  presente  recurso,  verifica­se  que,  tal  como se dá com os outros dispositivos citados,  incluindo o art.  150  do CTN,  embora  o art.  138  do CTN,  textualmente  adote  o  termo  "pagamento",  não  procura  restringir  o  instituto  da  denúncia  espontânea  às  hipóteses  de  quitação  em  dinheiro,  requerendo  o  adimplemento  em  sentido  amplo,  o  que  inclui  a  compensação tributária.  A  Nota  Técnica  n.  1  COSIT,  de  18.01.2012,  posteriormente  cancelada  pela  Nota  Técnica  no  1  COSIT,  de  12.06.2012,  chegou a reconhecer de ofício,  com o propósito de colocar  fim  aos  litígios  sobre  a matéria,  o  sentido  amplo  de  "pagamento",  para  abrager  hipóteses  de  adimplemento  como  a  "compensacao", in verbis:  "18.  Com  relação  à  aplicabilidade  da  denúncia  espontânea  na  compensação  de  tributos,  não  se  pode  perder  de  vista  que  pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam  a  mesma  natureza  jurídica,  seus  efeitos  são  exatamente  os  mesmos:  a  extinção  do  crédito  tributário.  Como  consequencia, a  compensação  também é  instrumento apto a  configurar a denúncia espontânea.  18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio  de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de  agosto  de  1991,  conferiu  à  compensação  o  mesmo  tratamento  dado  ao  pagamento  para  efeito  de  redução  das  multas  de  lançamento de oficio.  Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 8          13 18.2  Essa  equiparação  do  pagamento  e  compensação  na  denúncia  espontânea  resulta  da  aplicação  da  analogia,  prevista  como  método  de  integração  da  legislação  pelo  art.  108,  I,  do  CTN.  18.3  Dessa  forma,  respondendo  às  indagações  formuladas  nas  letras h e i do item 3 desta Nota Técnica:  a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua  a  compensação  desse  débito  na  Dcomp,  sendo  os  atos  de  confessar  e  compensar  concomitantes,  aplicasse  o  mesmo  raciocínio  previsto  no  item  10,  ou  seja,  neste  caso  resta  configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.  O  entendimento  esposado  pela  Nota  Técnica  n.  1  COSIT,  de  18.01.2012 não merece reparo.  Vale  observar  que  a  compensação  efetuada  pelo  contribuinte  possui  efeito de pagamento,  sob  condição  resolutória.  Significa  dizer  que,  se  porventura  a  compensação  não  vier  a  ser  homologada,  perderá  a  eficácia  a  denúncia  espontânea,  com a  exigência do débito tributário com a multa.  Não  obstante  tratar­se  de  matéria  controversa,  seja  neste  Conselho ou no e STJ, é  importante observar as decisões deste  Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente  voto.  A  Primeira  e  a  Segunda  Turma  do  STJ  apresentam  precedentes  em  que  aplicam  a  norma  do  art.  138  do  CTN  de  forma  que  o  termo  "pagamento"  assuma  a  acepção  de  "adimplemento". Conforme a  interpretação  levada a  termo  nos  julgados  a  seguir,  há  denúncia  espontânea  mediante  o  adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal,  independentemente  deste  se  dar  mediante  pagamento  em  dinheiro ou compensação.  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PRESENÇA  DE  OMISSÃO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ACOLHIDOS  COM  EFEITOS  INFRINGENTES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  RECONHECIMENTO.  TRIBUTO  PAGO  SEM  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO  ANTERIOR  E  ANTES  DA  ENTREGA  DA  DCTF  REFERENTE  AO  IMPOSTO DEVIDO.  1.  A  decisão  embargada  afastou  o  instituto  da  denúncia  espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos  autos,  tratada  pelas  instancias  ordinárias,  refere­se  a  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  tendo  os  ora  embargantes  recolhido  o  imposto  no  prazo,  antes  de  qualquer  procedimento fiscalizatório administrativo.  2.  Verifica­se  estar  caracterizada  a  denúncia  espontânea,  pois  não  houve  constituição  do  crédito  tributário,  seja  mediante  declaração  do  contribuinte,  seja  mediante  procedimento  fiscalizatório  do  Fisco,  anteriormente  ao  seu  respectivo  pagamento,  o  que,  in  casu,  se  deu  com  a  compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada  possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja,  a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco,  em  procedimento  homologatório,  verificar  algum  erro  na  Fl. 2156DF CARF MF     14 operação  de  compensação.  Nesse  sentido,  o  seguinte  precedente:  AgRg  no  REsp  1.136.372/RS,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO,  PRIMEIRA  TURMA,  DJe  18/5/2010.  3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o  pagamento  do  tributo  antes  de  qualquer  procedimento  administrativo,  cabível  a  exclusão  das  multas  moratórias  e  punitivas.  4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos.  (STJ,  EDcl  no  AgRg  no  REsp  1375380/SP,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  20/08/2015,  DJe  11/09/2015)  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  COMPENSAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  557  DO  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL.  INOCORRÊNCIA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA  OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO.  1. Fundada a decisão  na  jurisprudência dominante do Tribunal,  não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial  com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil.  2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o  pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação  de  vários  créditos,  mediante  declaração  à  Receita  Federal,  antes  da  entrega  das  DCTFs  e  de  qualquer  procedimento  fiscal,  as  multas  moratórias  ou  punitivas  devem  ser  excluídas.  3. Agravo regimental improvido.  (STJ,    AgRg    no    REsp    1136372/RS,    Rel.    Ministro   HAMILTON  CARVALHIDO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em 04/05/2010, DJe 18/05/2010)  O  mesmo  entendimento  tem  sido  adotado  por  este  Tribunal  administrativo,  como  se  observa  desta  recente  decisão  da  1a  Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção:  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  NÃO  DECLARADO.  DCOMP.  COMPENSAÇÃO  HOMOLOGADA.  DENÚNCIA  ESPONTNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA  DE  MORA.  STJ.  RECURSO  REPETITIVO.  REPRODUÇÃO  NO CARF.  Extinto,  por  meio  de  Declaração  de  Compensação  homologada,  Crédito  tributário  antes  não  declarado  à  administração  tributária,  resta  caracterizada  a  denúncia  espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional,  com  exclusão  da  multa  de  mora  segundo  interpretação  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  julgamento  de  recursos  repetitivos,  de  aplicação  obrigatória  no  âmbito  do  CARF.  (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014)  Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas  às  hipóteses  de  pagamento  em  dinheiro:  a  norma  de  denúncia  espontânea  incide  igualmente  em  face  de  outras  hipóteses  em  que  haja  equivalente  adimplemento,  como  é  o  caso  da  regular  compensação  tributária.  Não  se  trata  de  interpretacao  ampliativa ou  restrintiva, mas de  reconhecimento do ambito de  incidência  prescrito  pelo  legislador.  Nao  há  que  se  falar,  por  conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN.  Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009­10  Acórdão n.º 1201­002.770  S1­C2T1  Fl. 9          15   Nesse  sentido,  afasto  a  cobrança  da multa  de mora  formulada  no  processo  apenso  nº  16327.000627/2010­06,  por  considerar  aplicável  o  artigo  138  do  CTN  (denúncia  espontânea) nas compensações formalizadas pelo contribuinte.    Conclusão  Pelo  exposto  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO para:   (i)  reconhecer,  para  efeitos  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ  2008,  os  créditos  provenientes  do  IR  pago  no  Chile  e  Uruguai,  respectivamente  nos  montantes  de  R$ 10.944.934,17 e R$ 20.230.339.86; e   (ii) por consequencia do item (i) acima, reduzir proporcionalmente a base de  cálculo da multa isolada objeto do processo apenso nº 16327.721247/2013­43; e  (iii)  afastar  a  cobrança  da  multa  de  mora  de  R$ 3.405.752,82  objeto  de  cobrança no processo apenso nº 16327.000627/2010­06.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli                                   Fl. 2158DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.653306/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 642          1 641  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.653306/2016­24  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3201­005.115  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de fevereiro de 2019  Matéria  Embargos de declaração  Embargante  RELATOR  Interessado  RAIZEN ENERGIA S.A    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido  ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  Embargos Declaratórios  interpostos,  sem  efeitos  infringentes,  para  adequar  a  fundamentação  do  voto  transcrito  no  acórdão  embargado  ao  que  restou  decidido  em  sede  de  Embargos  no  processo nº 19311.720238/2016­45.     (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 06 /2 01 6- 24 Fl. 642DF CARF MF     2 Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  interpostos  tempestivamente  pelo  conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201­004.209, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma  da 2ª Câmara desta 3ª Seção.  Conforme  suscitado,  houve  uma  contradição  entre  os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  embargado  e  a  sua  parte  dispositiva,  especificamente  quanto  à matéria  relativa  à  glosa  de  créditos  presumidos  oriundos  de  aquisição  de  cana  de  açúcar  de  pessoa  jurídica "não agroindustrial".  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Com  efeito,  o  acórdão  embargado  incorreu  numa  inequívoca  contradição,  uma  vez  que,  na  decisão  nele  transcrita,  proferida  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  19311.720238/2016­45,  não  obstante  negado  provimento,  na  integralidade,  ao  Recurso  de  Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, manteve­se a redação original do voto levado à  sessão  de  julgamento  que  lhe  dava  provimento  quanto  ao  direito  aos  créditos  presumidos  oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto  em que a matéria é apreciada:  Discordamos,  no  entanto,  quanto  ao  entendimento  em  relação  aos  créditos  presumidos  oriundos  de  aquisição  de  cana  de  açúcar  de  pessoa  jurídica  ͞"não  agroindustrial".  Não  obstante  admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de  a  empresa  vendedora  não  desenvolver  atividade  agropecuária  não  impediria  o  creditamento,  uma  vez  não  haver  qualquer  exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que  ensejariam  o  crédito  presumido  em  tela,  a  verdade  é  que  somente a aquisição da cana­de­açúcar efetuada junto a pessoa  jurídica  ou  cooperativa  de  produção  que  exerça  atividade  agropecuária  dá  direito  à  apuração  e  à  dedução  do  crédito  presumido de que  trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o  que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao  menos  quanto  a  esta  matéria,  divergimos  do  voto  acima  reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de  sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento.     Todavia,  durante  o  julgamento  do  processo  nº  19311.720238/2016­45,  modificamos  o  nosso  entendimento  e  passamos  a  adotar  a  decisão  proferida  pela DRJ  com  relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que,  Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054  e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os  créditos  apurados  foram  glosados,  são  produtores  de  cana­de­ açúcar,  conforme  critério  adotado  AUTORIDADE  FISCAL  da  DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal  atividade.   Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a  partir  da  relação  das  pessoas  jurídicas,  de  cujas  compras  os  créditos  apurados  foram  glosados,  também  apontam  possuir,  além  do  CNAE  relacionado  pela  AUTORIDADE  FISCAL  da  Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.653306/2016­24  Acórdão n.º 3201­005.115  S3­C2T1  Fl. 643          3 DRF/Jundiaí,  CNAE  relacionado  à  atividade  agroindustrial  ou  agropecuária.   Além disso  a  informação que  consta no CNAE não é  por  si  só  suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade  agropecuária.   Errada, portanto, a acusação  fiscal nessa questão, devendo ser  cancelada essa glosa.    Ante  o  exposto,  voto  por  ACOLHER  os  Embargos  Declaratórios  interpostos,  sem efeitos  infringentes,  sem efeitos  infringentes, para adequar a  fundamentação  do  voto  transcrito  no  acórdão  embargado  ao  que  restou  decidido  em  sede  de  Embargos  no  processo nº 19311.720238/2016­45.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                      Fl. 644DF CARF MF

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7689079 #
Numero do processo: 10880.931174/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.

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3301­005.813  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de fevereiro de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  ICATEL­TELEMATICA SERVICOS E COMERCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA  Para  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  possa  ter  convalidados  os  atributos  de  liquidez  e  certeza,  deve  o  declarante  apresentar  documentos  e  razões  probatórias  de  seu  direito  creditório,  para  que  este  possa  ser  reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada.  DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS  Reputam­se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos  e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por  pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora.  Uma  vez  retificada  a  DCTF  para  pleitear  compensação  com  o  crédito  nascente,  devem estar  as  razões  de  defesa  acompanhadas  de  documentação  que comprove a liquidez e certeza do crédito.  DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA  Não  é  líquido  e  certo  crédito  decorrente  de  pagamento  informado  como  indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  como  utilizado  integralmente  para  quitar  débito  informado  em  DCTF,  sendo  que  deve  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  homologou  a  compensação,  amparada  em  informações  prestadas  pelo  sujeito  passivo  e  presentes  nos  sistemas  internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA  NÃO  HOMOLOGADA.  CAUSA  E  EFEITOS  Somente  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  sendo  que  compensação  é  procedimento  facultativo  através  do  qual  o  sujeito     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 11 74 /2 01 3- 34 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 3          2  passivo se  ressarce de valores pagos  indevidamente, ou  recolhidos a maior,  deduzindo­os das  contribuições devidas  à Fazenda Nacional. Não atendidas  as  condições  estabelecidas  na  legislação  tributária,  e  não  comprovado  atributos  essenciais  do  crédito,  como  a  liquidez  e  certeza,  a  compensação  pretendida  não  será  homologada  pela  Administração  Pública,  com  a  consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior  ,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen,  Marco  Antonio  Marinho Nunes e Ari Vendramini.  Relatório  Tratam  os  presentes  autos  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  do  Acórdão DRJ  nº  04­044.575,  que manteve  o  decidido  no Despacho Decisório  Eletrônico,  o  qual  não  homologou  a  compensação  declarada  na  DCOMP  –  Declaração  de  Compensação,  transmitida pela recorrente, por inexistência do crédito alegado.  Irresignada  com a  decisão,  a  requerente  apresentou Recurso Voluntário  ora  em apreço, trazendo as seguintes alegações:  ­ alega que retificou a DCTF para ajustar a apuração de COFINS do período,  de onde surgiu o crédito utilizado, sendo que o ajuste da DCTF foi realizado  nos  estritos  termos  da  legislação  tributária  aplicável,  amparada  na  também  retificada DACON, trazida aos autos.  ­  apontou  os  subsídios  técnicos  do  crédito  compensado,  entretanto  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  afastou  os  efeitos  jurídicos  das  declarações  retificadoras  por  entender  que  deveria,  os  ajustes  estar  calcados  em  documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos.  ­  defende  que  até  onde  se  sabe,  o  ordenamento  pátrio,  não  traz  uma  lista  específica de  documentos  aptos  a  assegurar  de  forma definitiva  a  certeza  e  liquidez de crédito oriundo de declarações  retificadoras, mas  certo  é que,  a  fiscalização  possui  à  sua  disposição  diversos  recursos  para  averiguação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  à  ela  submetido.  Nesse  aspecto,  poderia  inclusive  ter  submetido  a  DCTF  retificadora  ao  procedimento  de  auditoria  interna, na busca da origem do crédito pleiteado.  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 4          3  ­ cita o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 onde destaca a possibilidade de  retificação da DCTF após apresentação da PER/DCOMP, ou mesmo depois  da  emissão  de  despacho  decisório  que  indefere  o  pedido,  citando  também  Acórdão  CARF  neste  sentido,  concluindo  que  não  há  razão  para  a  manutenção  da  decisão  de  não  homologação,  pois  foram  apresentados  os  fundamentos e critérios adotados pela recorrente na comprovação da certeza  e liquidez do crédito.    Anexa ao recurso cópia do Parecer Normativo COSITnº 2, de 2015.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.811,  de  27  de  fevereiro  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.931172/2013­45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301­005.811):  "Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal  razão conheço do recurso.  Para  o  deslinde  da  questão,  dois  aspectos  devem  ser  analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da  compensação na esfera tributária.  1­  O  DIREITO  AO  CRÉDITO  E  SUA  COMPROVAÇÃO  A  decisão  de  piso  já  enfrentou  a  questão  com  muita  clareza,  como  aqui  reproduzimos  trecho  do  voto  do  ilustre  julgador :  O  indeferimento  do  pedido  de  restiutição  em  questão  se  deu  devido  a  existência,  no  momento  do  processamento  eletrônico, de débito declarado em DCTF correspondente  ao  valor  do  DARF  pago  para  o  tributo  e  período  em  questão.  Assim,  o  Despacho  Decisório  de  não  homologação  foi  emitido  com  base  nas  informações  prestadas pela própria interessada. A retificação da DCTF  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 5          4  e  do  DACON  ocorreu  após  a  ciência  do  Despacho  Decisório.  Apesar  de  o  sujeito  passivo  mencionar  “a  devida  apresentação  de  toda  a  documentação  necessária  para  comprovar”  e  “cabal  comprovação”,  a  manifestação  de  inconformidade veio acompanhada tão somente de cópias  de  DCTF  e  DACON. Nada mais.  O  sujeito  passivo  não  trouxe  aos  autos  nenhum documento  comprobatório,  não  explica a origem dos supostos créditos. Apenas proclama  um direito genérico.  A  simples  retificação  de  declarações  para  alterar  valores  originalmente  declarados,  desacompanhadas  de  documentação  hábil  e  idônea,  não  é  suficiente  para  modificar  o  Despacho  Decisório.  Para  o  reconhecimento  em  favor  da  contribuinte,  é  necessário  que  restem  plenamente  caracterizados  os  atributos  de  certeza  e  liquidez  do  direito  creditório  pleiteado.  Ou  seja,  o  crédito  pretendido  deve  ser  comprovado  por  meio  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  bem como pelos documentos que a respalde.  De  acordo  com  o  §  11  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  aplica­se  ao  presente  processo  o  rito  estabelecido  no  Decreto nº 70.235/72, o qual determina:  “Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III ­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  Enquanto  no  lançamento  de  ofício  incumbe  à  autoridade  fiscal  provar  a  ocorrência  do  ilícito  (§  1º  do  art.  38  do  Decreto  n.º  7.574/2011),  nos  casos  de  restituição  e  compensação é  atribuição do  interessado a demonstração  da efetiva existência do direito creditório pretendido  O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os  processos  administrativos  fiscais  no  âmbito  da  Receita  Federal do Brasil dispõe:  “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha  legado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no  art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).”  A recorrente apenas acrescenta que efetivou os ajustes em  DCTF e DACON para comprovar a liquidez e certeza do crédito,  sem  trazer  aos  autos  nenhuma  informação  sobre  a  origem  do  crédito,  tratando­se  de  COFINS  NÃO  CUMULATIVA,  a  que  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 6          5  receita está vinculada e qual o motivo do ajuste dos valores, qual  seria  o  motivo  do  ajuste,  quais  valores  estavam  informados  incorretamente e porquê.  Além  disso,  não  traz  aos  autos  documentos  que  comprovem tal erro, para que se justifique o pagamento a maior  do tributo, tampouco traz informações sobre a contabilização de  tais valores e suas correções.  Portanto,  correta  a  decisão  de  piso  ao  afirmar  que  não  existe  a  comprovação  de  liquidez  e  certeza  do  crédito,o  que  impede a operacionalização da compensação pleiteada.  2  –  A  OPERACIONALIZAÇÃO DA  COMPENSAÇÃO  NA ESFERA TRIBUTÁRIA  O  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  com  suas  várias  alteracões, estipula que :  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  §  1o  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na  qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados e aos respectivos débitos compensados.  (…)  § 14. A Secretaria da Receita Federal ­ SRF disciplinará o  disposto  neste  artigo,  inclusive  quanto  à  fixação  de  critérios  de  prioridade  para  apreciação  de  processos  de  restituição, de ressarcimento e de compensação.  Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74  da  Lei  nº  9.430/1996,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  emitiu  Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB  nº 1.717/2017, que assim dispõe :  Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o  crédito  decorrente  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos administrados pela RFB,  ressalvada  a  compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo.  §  1º A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada,  pelo  sujeito  passivo,  mediante  declaração  de  compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na  impossibilidade  de  sua  utilização, mediante  o  formulário  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 7          6  Declaração  de  Compensação,  constante  do  Anexo  IV  desta Instrução Normativa.   Art.  66.  A  compensação  declarada  à  RFB  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do procedimento.  Parágrafo  único. A  declaração  de  compensação  constitui  confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a  exigência dos débitos indevidamente compensados.  Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles  declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos  Federais,  instrumento  onde  o  contribuinte  declara,  como  confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua  extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por  parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial.  A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei  nº  2.124,  de  13/06/1984  representa  confissão  de  dívida  dos  débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial,  consolidado  na  Súmula  STJ  nº  436,  de  que  a  entrega  de  declaração  em  que,  a  exemplo  da  DCTF,  o  contribuinte  reconhece  débito  fiscal  “constitui  o  crédito  tributário,  dispensada  qualquer  outra  providência  neste  sentido  por  parte  do  fisco”,  portanto,  se  a  autoridade  administrativa,  segundo  critérios de aprofundamento por ela definidos  e após  eventuais  batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em  DCTF como compatível  com o do  efetivamente devido, pode, a  partir  dos  elementos  de  que  internamente  já  dispõe,  decidir  o  direito  à  restituição  (e,  por  decorrência,  à  compensação)  por  comparação  entre  o  valor  pago  do  tributo  e  o  correspondente  montante  declarado  em  DCTF,  sendo  dispensável,  dado  o  caráter confessional da DCTF, a  intimação do requerente para  prestar esclarecimentos ou apresentar provas.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  emitiu  o  Parecer  Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata  da  situação  em  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  apresenta  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  Ressarcimento,  Reembolso  ou  Declaração  de  Compensação  –  PER/DCOMP,  envolvendo crédito de pagamento  indevido ou a maior, sendo o  pedido  indeferido  em  razão  de  o  pagamento  estar  totalmente  alocado  a  débito  confessado  em  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais  (DCTF)  sem que  esta  tenha  sido  retificada,  decisão  contra  a  qual  o  interessado  apresenta  manifestação  de  inconformidade,  assim  dispôs  sobre  o  cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP :  10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito  passivo  dá  conhecimento  à  autoridade  administrativa  da  ocorrência  do  fato  jurídico­tributário  e  informa  o  pagamento  do  valor  correspondente  ao  tributo.  Como  se  depreende da sua própria denominação, é uma declaração  contendo débitos e créditos tributários federais.   Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 8          7  (...)   10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decreto­lei nº 2.124, de  13  de  junho  de  1984,  “o  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do  referido  crédito”.  Trata­se  de  confissão  extrajudicial  da  existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353  do atualmente vigente Código de Processo Civil  (CPC)  ­  Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por  isso é  título  executivo.  Conforme  decidido  pelo  STJ  em  sede  de  recursos repetitivos.   (...)   10.5.  Desse  modo,  por  se  tratar  de  uma  confissão  de  dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele  cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá  de  alterar  essa  confissão  se  entender  que  pagou  um  valor  indevido, para então poder requerer um pedido  de restituição ou apresentar uma DCOMP. Trata­se de  simetria  de  formas.  Fazendo  uma  analogia,  é  a  mesma  situação  daquela  contida  no  art.  352  do  CPC,  pois  ali  também depende de uma atuação de quem fez a confissão  para ela poder  ser  revogada. No presente caso, a atuação  do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração  que  constituiu  o  crédito  tributário  perante  o  Fisco,  conforme  item  10.  Inclusive  o CARF  já  decidiu  que  o  crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido  e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF:  INDÉBITO  PLEITEADO  DECLARADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA   Enquanto  não  retificada  a  DCTF,  o  débito  ali  espontaneamente  confessado  é  devido,  logo,  valor  utilizado  para  quitá­lo  não  se  constitui  formalmente  em  indébito,  sem  que  a  recorrente  promova  a  prévia  retificação da declaração. (Acórdão nº 1302­001.571, Rel.  Cons.  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  25  de  novembro  de  2014).  DCTF  RETIFICADORA  APRESENTADA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  EFEITOS.  A  DCTF  retificadora  apresentada  após  a  ciência  da  contribuinte  do  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  compensação  não  é  suficiente  para  a  comprovação  do  crédito  tributário  pretendido,  sendo  indispensável  à  comprovação  do erro  em que  se  funde  o  que não ocorreu.   NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.   Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 9          8  Não  é  líquido  e  certo  crédito  decorrente  de  pagamento  informado  como  indevido  ou  a  maior,  se  o  pagamento  consta  nos  sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  como  utilizado  integralmente  para  quitar  débito  informado  em DCTF  e  a  contribuinte  não  prova  com  documentos  e  livros  fiscais  e  contábeis  erro  na  DCTF.(Acórdão  nº  3801¬002.926,  Rel.  Cons.  Paulo  Antonio  Caliendo  Velloso  da  Silveira,  Sessão  de  25/02/2014).   18.1.  Se  a  retificação  da  DCTF  ocorrer  depois  do  Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da  manifestação  de  inconformidade,  dentro  da  livre  convicção  para  análise  das  provas  no  caso  concreto,  o  julgador  administrativo  pode  verificar  que  as  razões  do  sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do  crédito  decorreu  da  falta  de  retificação  prévia  da DCTF.  Evidentemente  que,  nessa  hipótese,  o  despacho  decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não  homologou a compensação estava correto, pois o valor  do  pagamento  da  DCTF  não  estava  disponível  (vide  item 10.5). (...)   20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da  não homologação da compensação é ato jurídico perfeito  e foi corretamente proferido,  já que, de fato, na data de  sua  emissão,  o  crédito  declarado  no PER/DCOMP não  se apresentava para a autoridade administrativa  líquido  e  certo.  O  foco  da  questão  aqui  tratada  não  deve  ser  a  formalidade  e  efetividade  de  um  ato  da  autoridade  administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo –  retificar  sua  DCTF  –  em  momento  que  ainda  lhe  é  permitido pela norma e que confirme ato por ele também  praticado  anteriormente  (a  compensação  ou  o  pedido  de  restituição)  quando  já  fora  objeto  de  análise  pela  autoridade administrativa.      A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF  são  de  absoluta  responsabilidade  do  declarante,  e  podem  ser  retificados,  como  admite  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º :  Art. 9º A alteração das  informações prestadas em DCTF,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos vinculados.  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 10          9  Desta  forma,  para  alterar  os  dados  declarados,  como  débitos  indevidos  ou  inexistentes,  obrigatoriamente  deve­se  informar  á  Secretaria  da  Receita  Federal,  através  da  DCTF  RETIFICADORA,  para  que,  ao  efetivar  o  cruzamento  de  informações,  no  caso  em  exame,  de  valores  declarados  em  DCTF  e  valores  declarados  em  DCOMP,  sejam  compatíveis  para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou  emitir despacho não homologando a compensação, com a devida  fundamentação.  É o que acontece no caso presente, a recorrente efetivou a  retificação  da  DCTF,  entretanto,  não  apresentou  provas  da  liquidez  e  certeza  do  crédito,  o  que  o  torna  inaceitável  para  operacionalização da compensação declarada.  Assim,  no  cruzamento  de  informações  prestadas  pela  recorrente,  na  DCTF  e  na  DCOMP,.  O  sistema  de  registro  eletrônico  da  Secretaria  da  Receita  Federal  detectou  que  o  recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente  e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento.  Por  este  motivo,  o  fundamento  da  não  homologação  da  compensação  foi  o  de  haver  um  ou  mais  pagamentos  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  par  compensação  dos débitos informados no PER/DCOMP.  Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o  pagamento  indevido  foi  vinculado,  como  crédito,  a  valor  de  débito  confessado  em  DCTF,  extinguindo,  portanto,  o  débito,  não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em  sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para  o  devido  encontro  de  contas  no  instituto  da  compensação,  nos  termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº  10.406/2002 ­ Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo  credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem­se,  até  onde  se  compensarem;  Art.  369.  A  compensação  efetua­se  entre  dívidas  líquidas,  vencidas  e  de  coisas  fungíveis.)  e  do  artigo 170 do Código Tributário Nacional  (Lei nº 5.172/1966 ­  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública.),  por  faltar  ao  crédito  os  atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não  mais  existia  á  época  da  transmissão  da  DCOMP,  restando  o  débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional.    Restou,  pois,  á  recorrente,  a  retificação  da DCTF,  para  alterar  a  vinculação  do  débito  ao  crédito  que  se  pretenda  compensar.  Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o  direito á compensação de crédito, faltando­lhe liquidez e certeza.  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.931174/2013­34  Acórdão n.º 3301­005.813  S3­C3T1  Fl. 11          10  Quanto  á  homologação  e  operacionalização  da  compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás  Delegacias  da  Receita  Federal,  unidades  jurisdicionantes  dos  requerentes/declarantes.   Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado para não reconhecer o direito creditório  e  também não  reconhecer o direito á  compensação pretendida,  porquanto não comprovada, por meio de documentação hábil e  idônea,  a  desvinculação  do  crédito  reconhecido,  através  de  retificação da DCTF, faltando ao crédito os atributos de liquidez  e certeza."    Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                                      Fl. 181DF CARF MF

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Numero do processo: 11070.720033/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO APRESENTADO. LAUDO TÉCNICO. DOCUMENTOS INFORMATIVOS. NÃO SUBSTITUI O ADA. O laudo técnico bem como outros documentos informativos não suprem a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referentes a processos judiciais ainda não transitados em julgado não vinculam o julgamento na esfera administrativa. LEGALIDADE. OBRIGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DO ADA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA. Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar o contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja, entrega do ADA. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO.LEGALIDADE. Está correto o procedimento fiscal de exigir juros calculados com base na taxa Selic, contados desde a data do vencimento do tributo não pago pela contribuinte.
Numero da decisão: 2202-005.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento integral. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA

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2202­005.028  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2019  Matéria  ITR  Recorrente  PARTICIPAÇÕES CORBEILLE SOCIEDADE SIMPLES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2005  ITR.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL.  OBRIGATORIEDADE.  NÃO  APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO.  Para  efeito  de  exclusão  da  área de  preservação  permanente  na  apuração  da  base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos  pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o  Ato Declaratório Ambiental ­ ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar  após a entrega da DITR.  ITR.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL.  NÃO  APRESENTADO.  LAUDO  TÉCNICO.  DOCUMENTOS  INFORMATIVOS.  NÃO  SUBSTITUI  O  ADA.  O  laudo  técnico  bem  como  outros  documentos  informativos  não  suprem  a  falta  da  entrega  tempestiva  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  para  excluir  as  áreas  de  preservação  permanente  da  incidência  da  tributação  do  ITR.  JURISPRUDÊNCIAS.  NÃO  TRANSITADO  EM  JULGADO.  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.  A  doutrina,  as  decisões  administrativas  e  a  jurisprudência  referentes  a  processos  judiciais  ainda  não  transitados  em  julgado  não  vinculam  o  julgamento na esfera administrativa.  LEGALIDADE. OBRIGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DO ADA. PRINCÍPIO  DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA.   Não  cabe  aplicar  o  princípio  da  verdade  material  para  desobrigar  o  contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja, entrega do ADA.  TAXA DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO.LEGALIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 00 33 /2 00 7- 47 Fl. 182DF CARF MF     2 Está  correto  o  procedimento  fiscal  de  exigir  juros  calculados  com  base  na  taxa  Selic,  contados  desde  a  data  do  vencimento  do  tributo  não  pago  pela  contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  vencido  o  conselheiro  José  Alfredo  Duarte  Filho,  que  lhe  deu  provimento integral.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson. ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rorildo Barbosa Correia ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Marcelo  de  Sousa  Sáteles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correa,  José Alfredo Duarte  Filho  (suplente  convocado),  Leonam  Rocha  de  Medeiros  e  Ronnie  Soares  Anderson.  Ausente  a  conselheira  Andréa  de  Moraes  Chieregatto.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  nº  04­18.274  proferido  pela  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campo  Grande/MS ­ DRJ/CGE, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário  correspondente  ao  Imposto  Territorial  Rural  ITR,  exercício  2005,  acrescido  da multa  e  dos  juros  de mora,  totalizando  o  valor  de R$  181.199,72,  referente  ao  imóvel  rural  denominado  Fazenda  Santa Madalena,  com  área  total  de  1.076,70  ha., NIRF  2.902.615­6,  localizado  no  município de Santo Antônio das Missões/RS (fls. 135/142 e 146/167).  Do Lançamento Tributário  No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da  DRJ/CGE (fl. 136) mencionou o seguinte:  Contra  a  interessada  supra  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento  e  respectivos  demonstrativos  de  fls.  95  a  98,  por  meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005,  acrescido  de  juros  moratórios  e  multa  de  ofício,  totalizando  o  crédito  tributário  de  R$  181.199,72,  relativo  ao  imóvel  rural  denominado Fazenda Santa Madalena, com área total de 1.076,7  ha., NIRF 2902615­6, localizado no município de Santo Antônio  das Missões/RS.  Constou  da  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  96)  a  citação  da  fundamentação  legal  que  amparou  o  lançamento  e  as  seguintes  informações,  em  suma:  que,  regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a isenção  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11070.720033/2007­47  Acórdão n.º 2202­005.028  S2­C2T2  Fl. 183          3 para a área de preservação permanente declarada. Instruíram o  lançamento os documentos de fls. 01 a 94.  Regularmente  intimada  do  lançamento,  a  contribuinte  apresentou  impugnação (fls. 114/133) que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 135/142).  Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento  Quando da  verificação  do  caso  em  tela,  a Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS apreciou o lançamento nos seguintes termos (fls.  142):  "Por  todo o  exposto,  estando demonstrado que não há nos  autos  elementos  suficientes  para  infirmar  o  lançamento  impugnado,  voto  no  sentido  de  julgá­lo  procedente.",  conforme  ementas a seguir transcritas (fls. 135):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL        Exercício: 2005  ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO.  Para  a  exclusão  da  tributação  sobre  áreas  de  preservação  permanente  e  reserva  legal  é  necessária  a  comprovação  da  existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e cumprimento de  exigências  legais,  como  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  ­ ADA ao  Ibama e averbação da reserva legal  junto  ao Registro de Imóveis.  VALOR DA TERRA NUA.  A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado  pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação  que justifique reconhecer valor menor.  Lançamento Procedente    Do Recurso Voluntário   A  empresa  Participações  Corbeille  Sociedade  Simples  Ltda,  devidamente  intimada da decisão da DRJ/CGE, em 18/08/2009, conforme Aviso de Recebimento ­ AR (fl.  145), apresentou, em 17/09/2009, recurso voluntário (fls. 146/167).   Da Área de Preservação Permanente ­ APP  Em sede de  recurso voluntário, a  recorrente  se  insurgiu contra a decisão da  DRJ/CGE, afirmando que não há necessidade de Ato Declaratório Ambiental para comprovar a  área de preservação permanente (149/159) bem como alegou o seguinte:   14.  Como  se  pode  notar,  primeiramente,  o  artigo  nada  dispõe  acerca da obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental a ser  apresentado junto ao IBAMA, conforme está sendo exigido pela  Autoridade  Administrativa  permitindo­se  assim  a  exclusão  da  sua  base  de  cálculo  de  área  de  preservação  permanente  sem  necessidade do ADA.(fl. 150)  Fl. 184DF CARF MF     4 15. Ainda neste sentido, a exigência do ADA prevista no artigo  17­O, § 1°, da Lei n° 6.938/81 (redação da Lei n° 10.165/ 2000),  bem como no artigo 9°, § 3°, inciso I, da IN SRF n° 256/ 2002,  restou fulminada com a edição da Medida Provisória n" 2.166­ 67/01, diploma normativo que introduziu o § 7° ao artigo 10 da  Lei n° 9.393/ 96 e que, de forma explícita, dispensou quaisquer  espécies  de  prévias  comprovações  da  condição  de  área  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal  para  efeitos  de  cálculo do critério quantitativo do ITR, conforme se depreende:  (fls. 150/151).  Da Necessidade de Observância ao Princípio da Verdade Material  Alegou  também  a  necessidade  de  observância  do  Princípio  da  Verdade  Material, afirmando que o fisco deve se nortear por premissas seguras e estribadas no efetivo  contexto, como demonstrado pelo documentos acostados no processo (fls. 159/164).  34. Portanto, a atuação do Fisco deve se nortear por premissas  seguras e estribadas no efetivo contexto tático, o que no presente  caso  é  demonstrado  pelos  documentos  acostados,  laudos  técnicos, fotografias tiradas via satélite e mapa com demarcação  de  área  de  matas,  não  havendo  que  se  falar  assim  na  obrigatoriedade  de  protocolo  do  ADA  no  IBAMA  para  verificação  de  área  de  preservação  permanente,  situação  esta  perfeitamente assegurada pelo princípio da verdade material, da  estrita legalidade e da segurança jurídica, pilares fundamentais  de nosso estado de direito.(fl. 160)  Dos Juros  A  Recorrente  ainda  alegou  que  considera  indevida  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  pois  "Conforme  se  pode  constatar  pela  natureza  jurídica  da  referida  taxa,  a  SELIC  possui natureza remuneratória e não indenizatória, própria dos juros de mora." (fls. 164/166).  Da Jurisprudência e Acórdãos   Para  corroborar  os  seus  argumentos,  sobre  a  desnecessidade  de  Ato  Declaratório  Ambiental,  a  observância  do  Princípio  da  Verdade  Material  e  a  indevida  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  a  recorrente  ainda  apresentou,  ao  longo  do  seu  recurso,  além  da  legislação correlata, doutrina, jurisprudências do STJ e do STF bem como acórdãos de decisões  proferidos pelo CARF.  Do Pedido  Ao final, a Recorrente requer que (fl. 166/167):  58.  Por  todo  o  exposto,  é  o  presente  para  requerer  seja  dado  integral  provimento  ao  presente Recurso,  com  a  reforma  do  v.  acórdão  recorrido,  para  que  seja  julgado  improcedente  o  lançamento  referente  ao  Imposto  Territorial  Rural  ­  ITR,  exercício  de  2005,  relativo  ao  imóvel  “Fazenda  Santa  Madalena”,  tendo  em  vista  a  necessidade  de  observância  ao  princípio  da  verdade  material  e,  consequentemente,  a  desnecessidade  de  Ato  Declaratório  Ambiental  para  comprovação  da  área  de  preservação  permanente,  uma  vez  os  documentos  juntados  atestam  e  demonstram  cabalmente  a  natureza  das  áreas  de  preservação  permanente  excluídas  da  base de cálculo do imposto.  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11070.720033/2007­47  Acórdão n.º 2202­005.028  S2­C2T2  Fl. 184          5 É o relatório.  Voto             Conselheiro Rorildo Barbosa  Correia ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.  De acordo com os autos, a recorrente contestou o acórdão com a decisão da  DRJ/CGE alegando a desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental, que deve ser observado o  Princípio da Verdade Material  e que  foi  indevida a  aplicação da  taxa SELIC. Assim, Diante  desta contestação, aprecia­se:  Da Área de Preservação Permanente ­ APP  No  tocante  à  exclusão das  áreas de preservação ambiental  da  incidência  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­ITR,  cabe  observar  os  requisitos  estipulados  para tal exoneração previstos na alínea 'a', no inciso II, no §1º, e no art. 10, da Lei nº 9.393/96,  que até 18 de julho de 2013, apresentava a seguinte redação:  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  (...)  II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:   a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei nº 4.771, de 15 de  setembro de 1965,  com a  redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;  Assim,  ao  analisar  a  composição  da  base  de  cálculo  para  apuração  do  ITR  nos  termos  do  art.  10  da  Lei  nº  9.393/96  é  possível  concluir  que  podem  ser  excluídas  da  tributação  as  áreas  protegidas  e  de  interesse  de  preservação  ambiental,  como  área  de  preservação permanente ­ APP e área de reserva legal ­ ARL, nos termos da referida lei.  Todavia,  para  efeito  de  exclusão  da  área  de  preservação  permanente  na  apuração da base de cálculo do  ITR, além de preencher os  requisitos  legais estabelecidos na  Lei nº 4.771/65, o contribuinte deveria protocolar o ADA junto ao  IBAMA no prazo de seis  meses após a entrega da DITR/2005, para dessa forma, fazer jus à desoneração do ITR .  No que  tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e  apresentado pelos declarantes de imóveis  rurais obrigados ao  ITR, pode­se afirmar que é um  documento  de  cadastro,  junto  ao  IBAMA,  das  áreas  de  interesse  ambiental  que  integram  o  conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural  reduzir o  Imposto Territorial  Fl. 186DF CARF MF     6 Rural  –  ITR,  com  a  exclusão  da  área  de  Preservação  Permanente  ­  APP  da  base  tributária,  efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração ­ DIAT/ ITR.  Além dos mais, cabe frisar que para usufruir da redução do ITR, por exclusão  da  base  de  cálculo  de  APP,  a  contribuinte  deveria,  obrigatoriamente,  apresentar  o  ADA  ao  IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17­O, da Lei nº 6.938 de  31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000).   Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  com base  em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)  § 1º­A. A Taxa de Vistoria a que se  refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165,  de 2000)  §  1º  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de  27/12/2000.  Do  mesmo  modo,  o  Decreto  nº  4.382  de  19  de  setembro  de  2002,  que  regulamenta  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação  e  administração  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ITR,  no  inciso  I,  do  parágrafo  3º,  art.  10,  também  tratou  da  obrigatoriedade  de  apresentar  o  ADA  para  efeito  da  exclusão  da  área  tributável,  as  áreas  correspondentes à de preservação permanente.  Art.  10.  Área  tributável  é  a  área  total  do  imóvel,  excluídas  as  áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II):  I ­ de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro  de  1965  ­ Código Florestal,  arts.  2º  e  3º,  com a  redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º);  (...)  § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel  rural a que se refere o caput deverão:  I  ­  ser  obrigatoriamente  informadas  em  Ato  Declaratório  Ambiental ­ ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Renováveis  ­  IBAMA,  nos  prazos  e  condições  fixados  em  ato  normativo  (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17­O, §  5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de  dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original).  No mesmo sentido, observa­se que o parágrafo 1º  ­ A,  art. 17­O, da Lei nº  6.938 de 31 de agosto de 1981 (incluído pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000) prevê a necessidade  de pagamento de uma taxa de vistoria ao IBAMA. Contudo, caso haja a realização de vistoria e  não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento  de ofício do tributo resultante da desoneração.  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11070.720033/2007­47  Acórdão n.º 2202­005.028  S2­C2T2  Fl. 185          7 À vista disso, o questionamento da recorrente afirmando que a exigência do  ADA foi fulminada com edição da Medida Provisória nº 2.166­67/01, que introduziu o § 7° ao  artigo  10  da Lei  n°  9.393/96,  em  que:  "de  forma  explícita,  dispensou  quaisquer  espécies  de  prévias comprovações da condição de área de preservação permanente e de reserva legal para  efeitos de cálculo do critério quantitativo do ITR, conforme se depreende" (fl. 150,  item 15),  não  merece  prosperar,  uma  vez  que,  com  uma  análise  mais  cuidadosa  na  interpretação  do  referido  §  7°,  nota­se  que  a  contribuinte  não  precisava  comprovar  previamente  a  existência  desta área, quando da apresentação à RFB da DIAT/2005, todavia, não estava desobrigada de  comprovar  tal  área  ou  qualquer  outra  informação  declarada,  quando  fosse  intimada  pela  Autoridade Fiscal para fazê­lo, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/96.  Dessa  forma,  em  análise  do  presente  caso,  entendo  que  a  recorrente  não  atendeu  aos  requisitos  legais,  quando  deixou  de  apresentar,  para  efeito  de  desoneração  do  ITR/2005  e  em  relação  à  área  de  preservação  permanente  ­ APP,  o ADA no prazo  definido  pelas normas regulamentares.   Assim  sendo,  entendo  que  a  pessoa  jurídica  Participações  Corbeille  Sociedade  Simples  Ltda  não  faz  jus  à  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ITR  da  área  correspondente à preservação permanente ­ APP pleiteada no presente processo.  Observância ao Princípio da Verdade Material  Quanto  à  alegação  da  recorrente  de  que  há  necessidade  de  observância  do  Princípio da Verdade Material e que o fisco deve se nortear por premissas seguras e estribadas  no  efetivo  contexto,  afirmando:  "o  que  no  presente  caso  é  demonstrado  pelos  documentos  acostados, laudos técnicos, fotografias tiradas via satélite e mapa com demarcação de área de  matas, não havendo que se  falar assim na obrigatoriedade de protocolo do ADA no  IBAMA  para  verificação  de  área  de  preservação  permanente",  entendo  que  tal  alegação  não merece  prosperar, pois a recorrente pretendeu se eximir de uma obrigação legal, apresentar o ADA no  prazo definido pela legislação, invocando o princípio da verdade material.  Inclusive,  cabe  ressaltar  que  a  obrigatoriedade  de  apresentar  o  ADA,  para  efeito da exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente,  está previsto no Decreto nº 4.382 de 19 de  setembro de 2002, que  regulamenta a  tributação,  fiscalização,  arrecadação  e  administração  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ITR.  Dessa forma, para se obter a exclusão das áreas de preservação permanente  da  incidência  do  ITR,  a  recorrente  deveria  cumprir  o  que  determina  as  normas  no  que  diz  respeito a entrega do ADA para usufruir tal isenção. Entretanto, os documentos acostados aos  autos não  tem o  condão de substituir a entrega  tempestiva do ADA, exatamente por  falta de  previsão legal. Aliás, por se tratar de norma que confere isenção, a interpretação da norma que  determina a obrigatoriedade do ADA deve ser realizada nos termos do artigo 111, II, do CTN,  que não permite interpretação extensiva.  Neste  contexto,  entendo  que  o  princípio  da  verdade  material  confere  ao  julgador administrativo maior  liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou  determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário, mas não  permite ao  julgador, deixar de exigir um documento em que sua entrega seja obrigatória por  lei.  Fl. 188DF CARF MF     8 Da Jurisprudência e Acórdãos de Decisões Administrativas  De  acordo  com  o  art.  100,  inciso  II,  do  Código  Tributário  Nacional,  as  decisões  administrativas  para  se  tornar  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das  convenções internacionais e dos decretos, necessita de lei que lhe atribua eficácia.   No  presente  caso,  as  decisões  administrativas  trazidos  aos  autos  não  estão  amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as  referidas decisões não têm efeito vinculante.  Todavia, no âmbito administrativo, se for o caso, cabe ao Conselheiro do CARF  observar, no julgamento dos recursos, as súmulas aprovadas pelas Turmas e pelo Pleno da CSRF.  Já em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que  os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105,  de  16  de  março  de  2015),  somente  obrigam  as  partes  envolvidas,  uma  vez  que  a  sentença  judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Entretanto, cabe ao  conselheiro  do  CARF  o  dever  de  observância  obrigatória  de  decisões  definitivas  proferidas  pelo  STF  e  STJ,  após  o  trânsito  em  julgado  do  recurso  afetado  para  julgamento  como  representativo da controvérsia.   Isto  posto,  entendo  que  a  doutrina,  as  decisões  administrativas  e  a  jurisprudência  trazidos  aos  autos  pela  recorrente  não  vinculam  este  julgamento  na  esfera  administrativa.  Dos Juros  O questionamento da recorrente que considerou ser  indevida a aplicação da  taxa SELIC, também não prospera, uma vez que para a aplicação da taxa Selic existe previsão  legal,  como  bem  analisado  está  na  decisão  proferida  pela  1ª  Turma  da  DRJ/CGE,  a  qual  reproduzo.   Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo  161,  caput  e § 1°,  dispôs que o  crédito  tributário não pago no  vencimento,  qualquer  que  fosse  o  motivo  da  falta,  seria  acrescido  de  juros  de mora,  calculados  à  taxa  de  1%,  se  a  lei  não  dispuser  de  modo  diverso.  Visto  que  a  lei  pode  dispor  de  modo diverso e adotar outro percentual a título de juros e que a  Lei n.° 9430/1996 prevê em seu artigo 61, § 3°, a utilização da  taxa  SELIC  para  cálculo  dos  juros  de  mora,  está  correto  o  procedimento fiscal de exigir juros calculados com base na taxa  Selic, contados desde a data do vencimento do tributo não pago  pela contribuinte.  Decisão  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso .  (assinado digitalmente)  Rorildo Barbosa Correia                Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11070.720033/2007­47  Acórdão n.º 2202­005.028  S2­C2T2  Fl. 186          9                     Fl. 190DF CARF MF

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Numero do processo: 13826.000398/2003-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/11/1995 a 28/02/1996 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos “cinco mais cinco”, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador.
Numero da decisão: 9303-008.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­008.103  –  3ª Turma   Sessão de  20 de fevereiro de 2019  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AMADO & SOARES LTDA ­ ME     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 30/11/1995 a 28/02/1996  INDÉBITO.  TRIBUTO.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.  A  contagem  do  quinquênio  prescricional,  para  repetição/compensação  de  indébitos  tributários  decorrentes  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  por  força  do  disposto  no  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  no  RE  nº  566.621,  para  os  pedidos  protocolados  até  a  data  de  09/06/2005,  deve  ser  feita  pela  tese  dos  “cinco  mais  cinco”,  cinco  anos  para  a  homologação  tácita  e  mais  cinco  para  a  prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em negar­lhe provimento.     (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama,  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos,  Demes  Brito,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Vanessa  Marini Cecconello.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 03 98 /2 00 3- 73 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13826.000398/2003­73  Acórdão n.º 9303­008.103  CSRF­T3  Fl. 293          2 Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  tempestivamente  pela  Fazenda  Nacional  contra  o  acórdão  nº  292­00.039,  de  21/11/2008,  proferido  pela  Segunda  Turma  Especial do antigo Segundo Conselho de Contribuintes.  O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte  para  afastar  a  decadência,  de  fato  prescrição,  e  reconhecer o seu direito de repetir/compensar os indébitos pleiteados, para as competências de  30/11/1995 a 28/02/2006, nos termos da seguinte ementa:  "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 08/12/1995 a 10/01/1997  PRESCRIÇÃO DO DIREITO A RESTITUIÇÃO.  Quando  se  pleiteia  direito  decorrente  da  declaração  de  inconstitucionalidade  da  MP  n°  1.212/95,  por  violação  ao  principio  da  anterioridade  ­  que  afastou  sua  aplicação  no  período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996 ­ o  prazo  prescricional  de  5  anos  para  os  pedidos  de  restituição  começa a contar da publicação da decisão do STF na ADIn n°  1.417­0/DF,  em  16/08/1999.  Assim,  o  direito  à  restituição  dos  valores pagos com base na referida MP podia ser exercido até  16/08/2004.  PRAZO  DE  RECOLHIMENTO.  ANTERIORIDADE  NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS.  Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração  da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n° 9.715/98. Aplica­se  aos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o  disposto na LC n° 7/70, nos termos da IN SRF n° 6/2000.  BASE  DE  CALCULO.  SEMESTRALIDADE.  SÚMULA  N°  11,  DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.  Até fevereiro de 1996, a base de calculo do PIS, nos  termos do  parágrafo  único  do  art.  6°  da  LC  n°  7/70,  corresponde  ao  faturamento  do  sexto  mês  anterior  ao  de  ocorrência  do  fato  gerador,  sem  correção  monetária  até  a  data  do  respectivo  vencimento  (Primeira  Seção  do  STJ,  Resp  n°  144.708­RS  e  Súmula 11, do 2° CC), sendo a alíquota de 0,75%.  Deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da  diferença  entre  o  valor  por  ele  recolhido  e  o  valor  que  seria  efetivamente devido nos termos da LC n° 7/70."  Intimada  dessa  decisão,  a  Fazenda Nacional  interpôs  recurso  especial,  com  base  no  artigo  7°,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  aprovado  pela  Portaria  MF  n°  147/07,  então  vigente,  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida,  para  reconhecer  a  prescrição  do  direito  de  o  contribuinte  pleitear/compensar  os  indébitos  tributários,  defendendo  a  contagem  do  prazo  prescricional  quinquenal,  a  partir  da  data de extinção do crédito  tributário pelo pagamento, ou seja, nos  termos dos arts. 165,  I,  e  168, I, do Código Tributário Nacional (CTN).  Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13826.000398/2003­73  Acórdão n.º 9303­008.103  CSRF­T3  Fl. 294          3 Por meio do Despacho de Admissibilidade às  fls. 278­e/279­e, o Presidente  da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional.  Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do  despacho da sua admissão, o contribuinte não se manifestou.  Em síntese é o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator.  O  recurso  apresentado  pela  Fazenda  Nacional  atende  ao  pressuposto  de  admissibilidade e deve ser conhecido.  A matéria em discussão se restringe à prescrição do direito de o contribuinte  repetir os indébitos decorrentes dos pagamentos a maior do PIS referentes às competências de  30/11/1995 a 28/08/1996, efetuados nos termos da MP nº 1.212/1995, em relação aos valores  devidos nos termos da LC nº 7/1970.  O Código Tributário Nacional  (CTN),  art.  165,  c/c  o  art.  168,  que  trata  do  prazo  prescricional  da  ação  para  se  repetir/compensar  crédito  financeiro  contra  a  Fazenda  Nacional, assim dispõe:  “Art.  165. O  sujeito  passivo  tem direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  […].  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipóteses  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;  [...].”  Nos termos destes dispositivos legais, o prazo de cinco anos para se verificar  a prescrição do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/  ou  a maior,  deveria  ser  contado  a  partir  da  extinção  do  crédito  tributário  pela  homologação  tácita.  Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13826.000398/2003­73  Acórdão n.º 9303­008.103  CSRF­T3  Fl. 295          4 No entanto, no julgamento do RE nº 566.621, que tratou da aplicação do art.  3º  da  Lei  Complementar  (LC)  nº  118,  de  9  de  fevereiro  de  2005,  que  deu  interpretação  ao  inciso I do art. 168 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), sobre a ocorrência da extinção do crédito  tributário,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF) decidiu que  aquele  artigo  somente  se  aplica às  ações  (pedidos) de  restituição,  ajuizadas (protocoladas) a partir de 9 de junho de 2005.  Assim, em face dessa decisão e do disposto no § 2º do art. 62 do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (RICARF),  c/c  decisão do Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  REsp  nº  1.012.903/RJ,  para  os  pedidos  de  restituição  protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita,  se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador  e,  conequentemente,  o  prazo  prescricional  qüinqüenal  para  se pedir  a  restituição  de  indébito  decorrente de pagamento  indevido e/ ou maior deve ser  contado a partir da data da extinção  tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo  Superior Tribunal de Justiça (STJ).  Os  indébitos  tributários  em  discussão,  nesta  fase  recursal,  decorreram  dos  pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos mensalmente a partir de 30/11/1995  a 28/02/1996, recolhidos entre as datas de 08/12/1995 e 08/03/1996.  O pedido  de  restituição  foi  protocolado  na data  de 08  de  outubro  de  2003,  conforme prova a data no carimbo de seu protocolo às fls. 02­e.  Assim, contando­se o quinquênio, segundo a tese dos "cinco mais cinco", na  data de  protocolo  do  pedido,  em 08/10/2003,  o direito  de  o  contribuinte  repetir  os  indébitos  pleiteados, para  as competências de novembro de 1995 a  fevereiro de 1996, ainda não havia  prescrito. Para o fato gerador mais antigo, ocorrido em 30/11/1995, a data limite expiraria em  30/11/2005.  Contudo,  conforme  demonstrado  e  provado.  o  pedido  foi  protocolado  em  08/10/2003. (fls. 02­e).  À  luz  do  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas               Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13826.000398/2003­73  Acórdão n.º 9303­008.103  CSRF­T3  Fl. 296          5               Fl. 296DF CARF MF

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7706161 #
Numero do processo: 13896.902310/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.858
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­001.858  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de março de 2019  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  CATHO ONLINE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira,  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de  Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.    Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente  a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada  pela contribuinte.  Segundo  o  despacho  decisório,  as  compensações  não  foram  homologadas  em  razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta,  encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos.  No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF  retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados  pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 31 0/ 20 16 -4 1 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 3          2  fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003,  estando  sujeitas,  portanto,  ao  regime  NÃO  CUMULATIVO  de  apuração  do  PIS  e  do  COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que,  por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos.  Na manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  contribuinte,  após  resumo  dos  fatos,  esclarece  que  houve mudança  no  controle  acionário  da  empresa  e  que,  em  razão  disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz  que teria  identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins  de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF.  A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não  abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção  de  emprego  para  seus  clientes.  Aduz,  ainda,  que  o  seu  site  na  internet  “é  somente  uma  ferramenta  online  que  permite  ao  assinante  consultar  vagas,  enviar  currículos  e  acessar  demais  conteúdos  aí  disponibilizados”  sem  “qualquer  garantia  de  colocação  profissional”  nem  “qualquer  cobrança  relacionada  a  essas  atividades.”  Em  suma,  conforme  afirma,  “simplesmente  disponibiliza  conteúdo na  Internet  aos Assinantes  e  não  desenvolve qualquer  atividade de intermediação.”  Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou  empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma  004/95,  aprovada  pela  Portaria  nº  148,  de  1995,  item  3,  letras  ‘e’  e  ‘f’  do  Ministério  das  Comunicações.  Objetivando  o  acesso  às  informações  especializadas  que  são  disponibilizadas,  afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus  clientes, os Assinantes.”  Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra.  Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra  seus bancos de dados: currículos e vagas.”  Chama a atenção para o  contido no  inc. XXV do art.  10 da Lei nº 10.833, de  2003  e  diz  que  conforme  Solução  de  Consulta  nº  309,  de  2011,  “a  RFB  confirmou,  expressamente,  que,  para  o  contribuinte  aplicar  o  regime  cumulativo  dessas  contribuições  sociais,  basta  exercer  apenas  uma  das  atividades  mencionadas  no  inciso  XXV  citado  anteriormente.”  Na  seqüência,  diz  que  se  deve  destacar  “que  a  simples  não  homologação  das  declarações  retificadoras  não  é  fato  que,  por  si  só,  é  capaz  de  fundamentar  a  não  homologação das compensações realizadas.”  Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido  por  erro  “mas  sim  pelo  correto  enquadramento  legal  da  situação  ora  analisada”.  Se  houve  erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a  revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório.  Ao  final,  requer  a  reforma  do  despacho  decisório  e  a  homologação  das  compensações.  Subsidiariamente  requer  o  cancelamento  do  despacho  decisório  em  face  da  Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 4          3  impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o  alegado por  todos os meios de prova  e  informa que “não  está questionando  judicialmente  a  matéria discutida nestes autos.”  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  do  contribuinte  e  não  reconheceu  o  direito  creditório.  Inconformada  a  contribuinte,  apresentou  recurso  voluntário  no  qual  repisa  mesmos  argumentos  pleiteados  em  manifestação  de  inconformidade  para  o  deferimento  integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido:  i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à  origem, para que  (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos  limites objetivos da  lide  fixados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  na  manifestação  de  inconformidade;  ou  (b)  subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo­ lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão,  tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do  Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988;  ii.  Na  eventualidade  da  superação  da  preliminar  acima,  seja  reformado  o  v.  acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração:  a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de  lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN;  b.  da nulidade do  r.  despacho decisório,  por carência de motivação, por  ter  se  baseado em  termo de verificação  fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes  autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235;  c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da  inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e  da  COFINS,  com  a  consequente  homologação  da  declaração  de  compensação,  sob  pena  de  contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833;  d.  eventualmente,  caso  se  entenda  que  a  requerente  se  encontra  submetida  ao  regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário  passível de cobrança, sob pena de bis in idem.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 5          4  3201­001.853,  de  26  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  13896.720975/2016­38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201­001.8539):  "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade,  razão pela qual dele tomo conhecimento.  Antes  de  adentrar  ao  exame  do  Recurso  apresentado,  cumpre  esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma,  nos  termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343, de 09 de junho de 2015:  Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas  e  destas,  também  eletronicamente,  para  os  conselheiros,  organizados  em  lotes,  formados,  preferencialmente,  por  processos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  de mesma matéria  ou  concentração  temática,  observando­  se  a  competência  e  a  tramitação prevista no art. 46.   § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento  em  idêntica  questão  de  direito,  o  Presidente  de  Turma  para  o  qual  os  processos  forem  sorteados  poderá  sortear  1  (um)  processo  para  defini­lo  como paradigma,  ficando os  demais  na  carga da Turma.   §  2º  Quando  o  processo  a  que  se  refere  o  §  1º  for  sorteado  e  incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em  nome do Presidente da Turma, dos demais processos  aos quais  será aplicado o mesmo resultado de julgamento.  Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro  o  relatório  e  voto  apenas  deste  processo,  ou  seja,  o  entendimento  a  seguir  externado  terá  por  base  exclusivamente  a  análise  dos  documentos, decisões e recurso anexados neste processo.  Feito  tal  esclarecimento,  passa­se  ao  exame  das  razões  de  Recurso.  A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza  jurídica  de  seus  serviço,  de  intermediação  para  atividades  de  internet,  enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido  no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que  consta  do  dossiê  nº  10010.014822/0216­04,  formalizado  para  análise  das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento  de requalificação.  De  fato,  concluiu  o  procedimento  fiscal  que  os  serviços  prestados  pelo  contribuinte  não  poderiam  ser  qualificados  como  serviços  de  internet  (art.  10, XXV  e  art.  15, V,  da Lei  nº  10.833/03),  mas  sim de  intermediação, mantendo­os no  regime de apuração não­ cumulativo.  Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 6          5  A  principal  matéria  em  litígio  envolve  a  rejeição  pela  autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das  atividades  da  recorrente  e  a  mudança  para  o  regime  cumulativo  de  apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins.  Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a  que  se  submete  as  receitas  das  atividades  desenvolvidas  pela  Catho  para  apuração  e  recolhimento  continuava  a  ser  o  da  não  cumulatividade,  pois  não  se  tratam  de  serviços  de  informática  (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do  art.  10,  XXV,  da  Lei  nº  10.833/03  uma  vez  que  a  atividade  seria  a  prestação  de  serviços  de  intermediação  ao  profissional  que  busca  se  posicionar no mercado de trabalho.  Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida  subsuma­se à  sistemática da apuração cumulativa deve­se comprovar  que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados  no referido dispositivo da Lei 10.833/03.  Pois  bem,  compulsando  os  autos,  em  especial  os  termos  e  demais  peças  que  constam  do  dossiê  nº  10010.014822/0216­04  verifica­se  que  em  momento  algum  a  contribuinte  fora  intimada  a  comprovar  a  natureza  de  suas  receitas.  Ao  contrário,  a  intimação  limitou­se a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na  requalificação das receitas, como se vê:    De  ressaltar,  contudo, que o  fundamento  para  o  indeferimento  do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas  pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como  sujeitas à apuração cumulativa.  O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento  e  não  homologação  das  compensações  exarados  no  despacho  decisório.  Evidenciou­se  naquela  decisão  que  o  sítio  da  internet  da  Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de  trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos.   Poder­se­ia concordar com os argumentos daqueles julgadores  conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem  a  possibilidade  da  contribuinte  fazer  prova  de  que  determinadas  atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo.  Veja­se o excerto do voto condutor do acórdão recorrido:  É  possível  concluir,  portanto,  que  algumas  de  suas  receitas  podem  estar  sujeitas  à  apuração  cumulativa  das  contribuições,  ensejando,  assim,  a  real  possibilidade  de  enquadramento  da  empresa  na  modalidade  de  apuração  mista  das  contribuições  Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 7          6  (circunstância  que,  sendo  eficazmente  comprovada,  pode  evidenciar  um  possível  erro  no  preenchimento  da  DCTF  original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser  corrigido  via  DCTF  retificadora  –  pode  vir  a  ser  acatado  administrativamente  irá  depender  da  apresentação  de  provas  (conforme  estabelece  o  §1º  do  art.  147  do  CTN),  baseadas  na  escrituração  contábil/fiscal  do  período  analisado,  ou  seja,  da  apresentação  de  provas  capazes  de  demonstrar,  sem  possibilidade  de  dúvida,  quais  receitas  foram  efetivamente  auferidas  nos  períodos  sob  análise  e  a  que  tipo  de  serviço/atividade  elas  se  vinculam.  Ressalte­se  que,  para  fazer  jus  à  apuração  cumulativa,  deve­se  comprovar  que  as  receitas  advêm  efetivamente  da  prestação  de  serviços,  no  caso,  de  informática (tal como listado no  inc. XXV do art. 10 da Lei nº  10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim  enquadradas,  devem  ser  passíveis  de  segregação,  com  vistas  à  correta  tributação.  Sem  que  tais  comprovações  existam  nos  autos, inviável será o deferimento do pleito.  Resta  claro  que  no  mérito  a  decisão  recorrida  reconheceu  a  possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta  até  então  não  determinada  pela  autoridade  fiscal  e  se  insere  nas  situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ­ PAF prevê regra de  exceção  para  a  apresentação  extemporânea  de  conjunto  probatório  após a impugnação (manifestação de inconformidade):  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão  preparador  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  em  que for feita a intimação da exigência.  [...]Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir.  [...]§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13896.902310/2016­41  Resolução nº  3201­001.858  S3­C2T1  Fl. 8          7  Assim,  entendo  que  os  autos  devam  retornar  à  unidade  preparadora  para  apreciação  do  Laudo  Técnico  apresentado  pela  Recorrente.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  a  fim  de  que  a  autoridade  preparadora  analise  o  Laudo  Técnico  colacionado  aos  autos  pela  Recorrente  e  identifique  as  atividades  cujas  receitas  inserem­se  no  regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e  inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário,  deverá  intimar  a  Recorrente  para,  ainda  no  curso  da  diligência,  apresentar  outros  documentos  e/ou  esclarecimentos  a  respeito  do  litígio.  Ao  término  do  procedimento,  deve  elaborar  Relatório  Fiscal  sobre  os  fatos  apurados  na  diligência,  sendo­lhe  oportunizado  manifestar­se  sobre  a  existência  de  outras  informações  e/ou  observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos.  Encerrada  a  instrução  processual,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada para manifestar­se no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual,  sem  ou  com  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos  serem  devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento.  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo  Técnico  colacionado  aos  autos  pela  Recorrente  e  identifique  as  atividades  cujas  receitas  inserem­se no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V  do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente  para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a  respeito do litígio.  Ao  término  do  procedimento,  deve  elaborar  Relatório  Fiscal  sobre  os  fatos  apurados  na  diligência,  sendo­lhe  oportunizado  manifestar­se  sobre  a  existência  de  outras  informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos.  Encerrada  a  instrução  processual,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  findo  o  qual,  sem  ou  com  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos  serem  devolvidos  a  este  Colegiado  para  continuidade  do  julgamento.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza    Fl. 547DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.725414/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Trata-se de retorno de diligência (Resolução nº 1302-000.493, de 18/05/2017), determinada por esta Turma, previamente ao julgamento do Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 03-63.871, de 29 de setembro de 2014, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, registrando-se a seguinte Ementa: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO. INDEDUTIBILIDADE. O custo financeiro de empréstimos repassados em conta corrente para outras empresas do mesmo Grupo econômico, não pode ser apropriado pela repassante, por não se enquadrar no conceito de necessidade, violando os pressupostos da normalidade e da usualidade das despesas. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA PRODEIC. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores contabilizados a título de crédito presumido de ICMS no âmbito do Programa PRODEIC que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se. portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica refletiu na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Em relação aos empréstimos concedidos pela recorrente às suas coligadas e controladas, a fiscalização, com base na escrituração contábil digital da recorrente (fls. 662/1371), registrou as seguintes conclusões (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário de IRPJ e CSLL, fls. 1372/1399): a) a recorrente obtinha empréstimos perante instituições financeiras (capital de giro, cheque especial PJ, conta garantida etc.), com o objetivo de emprestar para suas empresas coligadas e controladas; b) a recorrente pagava os encargos financeiros cobrados pelas IF sobre os empréstimos (valor médio dos juros pagos: R$1.903.742,21); c) não eram cobrados juros das coligadas e controladas; d) os empréstimos para as coligadas e controladas eram concedidos pela recorrente em valores superiores àqueles obtidos perante instituições financeiras (valores médios): i. empréstimos obtidos em Instituições Financeiras (IF): R$4.353.956.529,50 ii. empréstimos concedidos às empresas ligadas: R$5.595.290.574,81 e) a fiscalização concluiu que as despesas de empréstimos obtidos perante IF não eram necessárias. Pois, os respectivos recursos não eram aplicados na manutenção da fonte produtora de renda da recorrente, eram emprestados às suas empresas coligadas e controladas. Registrou, ainda, que os valores emprestados pela recorrente às empresas ligadas eram muito superiores aos valores obtidos de IF. Salientou que, se emprestava às suas empresas ligadas valores superiores aos captados no mercado, não eram necessárias as despesas de juros de empréstimos de IF. Por esses motivos, a fiscalização considerou indedutíveis tais despesas de juros e recompôs a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, adicionando os respectivos valores. Além da exigência de IRPJ e CSLL, a fiscalização lavrou autos de infração específico para a cobrança de IOF sobre os empréstimos concedidos pela recorrente a suas empresas coligadas e controladas, a qual está sendo discutida em outro processo administrativo. A DRJ manteve tal entendimento da DRF. A Recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 08/10/2014 (fl. 1599). Interpôs recurso voluntário, em 06/11/2014 (fls. 1601/1655). A sustentou que, juntamente com suas empresas coligadas e controladas, formariam um grupo econômico, nos quais seria comum a utilização de repasses às empresas integrantes para a consecução de seu objeto. Afirma que, não havia empréstimo (mútuo), mas contrato conta corrente. Pois, era a recorrente quem dava os comandos em relação à aplicação dos recursos. Caso fosse empréstimo, os mutuários teriam livre escolha para a utilização dos recursos. Salienta que, eram necessários os empréstimos de IF para que suas coligadas e controladas pudessem produzir e comercializar seus produtos. Em seu entendimento, os juros de empréstimos de IF deveriam ser considerados despesas dedutíveis. O segundo ponto, diz respeito a valores relativos ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), sobre o qual a Recorrente sustenta que constituiriam subvenção para investimento. Sendo assim, poderiam ser apropriadas na apuração do lucro real como despesas dedutíveis. A fiscalização registrou que os valores de subvenção haviam sido empregados no fluxo financeiro da empresa. Concluiu que não haveria aplicação, especificamente, em implantação, expansão, modernização ou diversificação de empreendimento econômico. A Recorrente, por sua vez, alegou que a contrapartida consistiu, exatamente, na: (a) instalação de Parque Industrial para fabricação de silos, secadores, transportadores, armazéns metálicos, tubos para fases, telhas galvanizadas, tubos industriais, etc.; e (b) geração de 300 empregos diretos e 200 empregos indiretos. Nesse ponto, portanto, esta Turma verificou que havia a necessidade de a recorrente comprovar o valor de seu investimento - valor do ativo fixo, tendo em vista que, o Acórdão da DRJ reconheceu que teria havido efetivo investimento. Sendo assim, caberia a comprovação do respectivo valor. Dessa forma, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, retornando-se os autos à DRF, para que: a) a recorrente fosse intimada a comprovar o valor de seu investimento - valor do ativo fixo; b) após, a DRF deveria indicar se o valor da subvenção seria maior ou menor que o valor do investimento; e c) em sequência, deveria ser intimada a recorrente para que se manifestar. A diligência foi regularmente cumprida. A DRF juntou Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1671/1676) concluindo que a Recorrente não teria comprovado a realização do investimento pactuado nos termos da cláusula segunda do Termo de Acordo firmado com o Estado de Mato Grosso, em 05/11/2007. Registrou, assim, que teria ficado prejudicada a verificação se o valor da subvenção seria maior ou menor que o valor do investimento. A Recorrente manifestou-se sobre o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1682/1689). Para demonstrar que realizou investimento, ressaltou informações já apresentadas em sua Impugnação e no Recurso Voluntário, com base nas quais afirma que realizou investimento no valor de R$22.672.027,43, constituído em ampliação, modernização e efetivação de seu Parque Industrial. Registra que esse capital adveio do Programa Fiscal - PRODEIC que teria proporcionado a desoneração da Recorrente, via crédito presumido. Para demonstrar assertividade de suas afirmações, indica as notas fiscais e documentos contábeis juntados aos autos no decorrer da fiscalização. É o relatório.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Trata-se de retorno de diligência (Resolução nº 1302-000.493, de 18/05/2017), determinada por esta Turma, previamente ao julgamento do Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 03-63.871, de 29 de setembro de 2014, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, registrando-se a seguinte Ementa: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO. INDEDUTIBILIDADE. O custo financeiro de empréstimos repassados em conta corrente para outras empresas do mesmo Grupo econômico, não pode ser apropriado pela repassante, por não se enquadrar no conceito de necessidade, violando os pressupostos da normalidade e da usualidade das despesas. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA PRODEIC. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores contabilizados a título de crédito presumido de ICMS no âmbito do Programa PRODEIC que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se. portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica refletiu na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Em relação aos empréstimos concedidos pela recorrente às suas coligadas e controladas, a fiscalização, com base na escrituração contábil digital da recorrente (fls. 662/1371), registrou as seguintes conclusões (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário de IRPJ e CSLL, fls. 1372/1399): a) a recorrente obtinha empréstimos perante instituições financeiras (capital de giro, cheque especial PJ, conta garantida etc.), com o objetivo de emprestar para suas empresas coligadas e controladas; b) a recorrente pagava os encargos financeiros cobrados pelas IF sobre os empréstimos (valor médio dos juros pagos: R$1.903.742,21); c) não eram cobrados juros das coligadas e controladas; d) os empréstimos para as coligadas e controladas eram concedidos pela recorrente em valores superiores àqueles obtidos perante instituições financeiras (valores médios): i. empréstimos obtidos em Instituições Financeiras (IF): R$4.353.956.529,50 ii. empréstimos concedidos às empresas ligadas: R$5.595.290.574,81 e) a fiscalização concluiu que as despesas de empréstimos obtidos perante IF não eram necessárias. Pois, os respectivos recursos não eram aplicados na manutenção da fonte produtora de renda da recorrente, eram emprestados às suas empresas coligadas e controladas. Registrou, ainda, que os valores emprestados pela recorrente às empresas ligadas eram muito superiores aos valores obtidos de IF. Salientou que, se emprestava às suas empresas ligadas valores superiores aos captados no mercado, não eram necessárias as despesas de juros de empréstimos de IF. Por esses motivos, a fiscalização considerou indedutíveis tais despesas de juros e recompôs a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, adicionando os respectivos valores. Além da exigência de IRPJ e CSLL, a fiscalização lavrou autos de infração específico para a cobrança de IOF sobre os empréstimos concedidos pela recorrente a suas empresas coligadas e controladas, a qual está sendo discutida em outro processo administrativo. A DRJ manteve tal entendimento da DRF. A Recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 08/10/2014 (fl. 1599). Interpôs recurso voluntário, em 06/11/2014 (fls. 1601/1655). A sustentou que, juntamente com suas empresas coligadas e controladas, formariam um grupo econômico, nos quais seria comum a utilização de repasses às empresas integrantes para a consecução de seu objeto. Afirma que, não havia empréstimo (mútuo), mas contrato conta corrente. Pois, era a recorrente quem dava os comandos em relação à aplicação dos recursos. Caso fosse empréstimo, os mutuários teriam livre escolha para a utilização dos recursos. Salienta que, eram necessários os empréstimos de IF para que suas coligadas e controladas pudessem produzir e comercializar seus produtos. Em seu entendimento, os juros de empréstimos de IF deveriam ser considerados despesas dedutíveis. O segundo ponto, diz respeito a valores relativos ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), sobre o qual a Recorrente sustenta que constituiriam subvenção para investimento. Sendo assim, poderiam ser apropriadas na apuração do lucro real como despesas dedutíveis. A fiscalização registrou que os valores de subvenção haviam sido empregados no fluxo financeiro da empresa. Concluiu que não haveria aplicação, especificamente, em implantação, expansão, modernização ou diversificação de empreendimento econômico. A Recorrente, por sua vez, alegou que a contrapartida consistiu, exatamente, na: (a) instalação de Parque Industrial para fabricação de silos, secadores, transportadores, armazéns metálicos, tubos para fases, telhas galvanizadas, tubos industriais, etc.; e (b) geração de 300 empregos diretos e 200 empregos indiretos. Nesse ponto, portanto, esta Turma verificou que havia a necessidade de a recorrente comprovar o valor de seu investimento - valor do ativo fixo, tendo em vista que, o Acórdão da DRJ reconheceu que teria havido efetivo investimento. Sendo assim, caberia a comprovação do respectivo valor. Dessa forma, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, retornando-se os autos à DRF, para que: a) a recorrente fosse intimada a comprovar o valor de seu investimento - valor do ativo fixo; b) após, a DRF deveria indicar se o valor da subvenção seria maior ou menor que o valor do investimento; e c) em sequência, deveria ser intimada a recorrente para que se manifestar. A diligência foi regularmente cumprida. A DRF juntou Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1671/1676) concluindo que a Recorrente não teria comprovado a realização do investimento pactuado nos termos da cláusula segunda do Termo de Acordo firmado com o Estado de Mato Grosso, em 05/11/2007. Registrou, assim, que teria ficado prejudicada a verificação se o valor da subvenção seria maior ou menor que o valor do investimento. A Recorrente manifestou-se sobre o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1682/1689). Para demonstrar que realizou investimento, ressaltou informações já apresentadas em sua Impugnação e no Recurso Voluntário, com base nas quais afirma que realizou investimento no valor de R$22.672.027,43, constituído em ampliação, modernização e efetivação de seu Parque Industrial. Registra que esse capital adveio do Programa Fiscal - PRODEIC que teria proporcionado a desoneração da Recorrente, via crédito presumido. Para demonstrar assertividade de suas afirmações, indica as notas fiscais e documentos contábeis juntados aos autos no decorrer da fiscalização. É o relatório.

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1302­000.708  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de janeiro de 2019  Assunto  DILIGÊNCIA. INCENTIVO FISCAL. SUBVENÇÃO. LC 160/2017.  CONTAS DE RESERVA  Recorrente  BIMETAL INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Suplente  Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio  Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)  Relatório  Trata­se de retorno de diligência  (Resolução nº 1302­000.493, de 18/05/2017),  determinada por esta Turma, previamente ao julgamento do Recurso Voluntário interposto face  ao Acórdão nº 03­63.871, de 29 de setembro de 2014, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que,  por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, registrando­se a  seguinte Ementa:  ASSINTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2009  DESPESAS  FINANCEIRAS  DE  EMPRÉSTIMO  REPASSADO. INDEDUTIBILIDADE.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .7 25 41 4/ 20 13 -2 1 Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10183.725414/2013­21  Resolução nº  1302­000.708  S1­C3T2  Fl. 3          2 O  custo  financeiro  de  empréstimos  repassados  em  conta  corrente  para  outras  empresas do mesmo Grupo econômico, não pode ser apropriado pela repassante,  por não  se  enquadrar no  conceito de necessidade, violando os pressupostos da  normalidade e da usualidade das despesas.  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTOS.  PROGRAMA  PRODEIC.  INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.  Os valores contabilizados a título de crédito presumido de ICMS no âmbito do  Programa  PRODEIC  que  não  possuam  vinculação  com  a  aplicação  específica  dos  recursos  em  bens  ou  direitos  referentes  à  implantação  ou  expansão  de  empreendimento  econômico  não  se  caracterizam  como  subvenção  para  investimentos,  devendo  ser  computados  na  determinação  do  lucro  real.  Os  recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não  atrelados  ao  investimento  na  implantação  ou  expansão  do  empreendimento  projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias  das  subvenções  para  custeio,  não  se  confundindo  com  as  subvenções  para  investimento,  e  devem  ser  computados  no  lucro  operacional  das  pessoas  jurídicas, sujeitando­se. portanto, à incidência do imposto sobre a renda.  LANÇAMENTO DECORRENTE.  Por  se  tratar  de  exigência  reflexa  realizada  com  base  nos  mesmos  fatos,  a  decisão  de mérito  quanto  ao  lançamento  do  imposto  de  renda  pessoa  jurídica  refletiu na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.  Em  relação  aos  empréstimos  concedidos  pela  recorrente  às  suas  coligadas  e  controladas,  a  fiscalização,  com  base  na  escrituração  contábil  digital  da  recorrente  (fls.  662/1371),  registrou  as  seguintes  conclusões  (Demonstrativo  Consolidado  do  Crédito  Tributário de IRPJ e CSLL, fls. 1372/1399):  a)  a  recorrente  obtinha  empréstimos  perante  instituições  financeiras  (capital  de  giro,  cheque  especial  PJ,  conta  garantida  etc.),  com  o  objetivo  de  emprestar  para  suas  empresas coligadas e controladas;  b) a recorrente pagava os encargos financeiros cobrados pelas IF sobre os empréstimos  (valor médio dos juros pagos: R$1.903.742,21);  c) não eram cobrados juros das coligadas e controladas;  d) os empréstimos para as coligadas e controladas eram concedidos pela recorrente em  valores superiores àqueles obtidos perante instituições financeiras (valores médios):  i.  empréstimos  obtidos  em  Instituições  Financeiras  (IF):  R$4.353.956.529,50  ii.  empréstimos  concedidos  às  empresas  ligadas:  R$5.595.290.574,81  e)  a  fiscalização  concluiu que as despesas de empréstimos obtidos perante IF não eram necessárias. Pois,  os respectivos recursos não eram aplicados na manutenção da fonte produtora de renda  da recorrente,  eram emprestados às  suas empresas coligadas e controladas. Registrou,  ainda,  que  os  valores  emprestados  pela  recorrente  às  empresas  ligadas  eram  muito  superiores  aos  valores  obtidos  de  IF.  Salientou  que,  se  emprestava  às  suas  empresas  ligadas valores superiores aos captados no mercado, não eram necessárias as despesas  de juros de empréstimos de IF.   Por esses motivos, a fiscalização considerou indedutíveis tais despesas de juros  e recompôs a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, adicionando os respectivos valores.  Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 10183.725414/2013­21  Resolução nº  1302­000.708  S1­C3T2  Fl. 4          3 Além  da  exigência  de  IRPJ  e  CSLL,  a  fiscalização  lavrou  autos  de  infração  específico  para  a  cobrança  de  IOF  sobre  os  empréstimos  concedidos  pela  recorrente  a  suas  empresas  coligadas  e  controladas,  a  qual  está  sendo  discutida  em  outro  processo  administrativo.  A DRJ manteve tal entendimento da DRF.  A  Recorrente  foi  intimada  do  Acórdão  recorrido,  em  08/10/2014  (fl.  1599).  Interpôs recurso voluntário, em 06/11/2014 (fls. 1601/1655).  A  sustentou  que,  juntamente  com  suas  empresas  coligadas  e  controladas,  formariam um grupo econômico, nos quais seria comum a utilização de repasses às empresas  integrantes para a consecução de seu objeto.   Afirma que, não havia empréstimo (mútuo), mas contrato conta corrente. Pois,  era  a  recorrente  quem  dava  os  comandos  em  relação  à  aplicação  dos  recursos.  Caso  fosse  empréstimo, os mutuários teriam livre escolha para a utilização dos recursos.   Salienta que, eram necessários os empréstimos de IF para que suas coligadas e  controladas pudessem produzir e comercializar seus produtos. Em seu entendimento, os juros  de empréstimos de IF deveriam ser considerados despesas dedutíveis.  O  segundo  ponto,  diz  respeito  a  valores  relativos  ao  Programa  de  Desenvolvimento  Industrial  e  Comercial  de  Mato  Grosso  (PRODEIC),  sobre  o  qual  a  Recorrente sustenta que constituiriam subvenção para investimento. Sendo assim, poderiam ser  apropriadas na apuração do lucro real como despesas dedutíveis.  A fiscalização registrou que os valores de subvenção haviam sido empregados  no  fluxo  financeiro  da  empresa.  Concluiu  que  não  haveria  aplicação,  especificamente,  em  implantação, expansão, modernização ou diversificação de empreendimento econômico.  A Recorrente, por sua vez, alegou que a contrapartida consistiu, exatamente, na:  (a)  instalação  de  Parque  Industrial  para  fabricação  de  silos,  secadores,  transportadores,  armazéns metálicos, tubos para fases, telhas galvanizadas, tubos industriais, etc.; e (b) geração  de 300 empregos diretos e 200 empregos indiretos.  Nesse  ponto,  portanto,  esta  Turma  verificou  que  havia  a  necessidade  de  a  recorrente comprovar o valor de seu investimento ­ valor do ativo fixo, tendo em vista que, o  Acórdão  da  DRJ  reconheceu  que  teria  havido  efetivo  investimento.  Sendo  assim,  caberia  a  comprovação do respectivo valor.  Dessa forma, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência,  retornando­se os autos à DRF, para que:  a) a recorrente fosse intimada a comprovar o valor de seu investimento ­ valor do ativo  fixo;  b)  após,  a DRF deveria  indicar  se o valor da  subvenção seria maior ou menor que o  valor do investimento; e c) em sequência, deveria ser intimada a recorrente para que se  manifestar.  Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10183.725414/2013­21  Resolução nº  1302­000.708  S1­C3T2  Fl. 5          4 A diligência foi regularmente cumprida. A DRF juntou Relatório de Diligência  Fiscal  (fls.  1671/1676)  concluindo  que  a  Recorrente  não  teria  comprovado  a  realização  do  investimento  pactuado nos  termos  da  cláusula  segunda  do Termo de Acordo  firmado  com o  Estado  de  Mato  Grosso,  em  05/11/2007.  Registrou,  assim,  que  teria  ficado  prejudicada  a  verificação se o valor da subvenção seria maior ou menor que o valor do investimento.  A  Recorrente  manifestou­se  sobre  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal  (fls.  1682/1689). Para demonstrar que realizou investimento, ressaltou informações já apresentadas  em  sua  Impugnação  e  no  Recurso  Voluntário,  com  base  nas  quais  afirma  que  realizou  investimento  no  valor  de  R$22.672.027,43,  constituído  em  ampliação,  modernização  e  efetivação  de  seu  Parque  Industrial.  Registra  que  esse  capital  adveio  do  Programa  Fiscal  ­  PRODEIC que teria proporcionado a desoneração da Recorrente, via crédito presumido. Para  demonstrar  assertividade  de  suas  afirmações,  indica  as  notas  fiscais  e  documentos  contábeis  juntados aos autos no decorrer da fiscalização.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Rogério Aparecido Gil ­ Relator   Por  ocasião  da  designação  da  referida  diligência,  verificou­se  que  o  recurso  voluntário era  tempestivo e que a  recorrente  estava  regularmente  representada. O  recurso  foi  conhecido.  Observa­se que há dois pontos específicos a serem apreciados: a) a conclusão da  DRJ quanto à indedutibilidade de despesas financeiras; e b) a não caracterização de subvenção  para investimento, relativa ao programa de incentivo fiscal PRODEIC.   Previamente ao exame do primeiro ponto (despesas financeiras), verifico que há  a necessidade de  se colher  informação essencial  para a análise do segundo ponto  (incentivos  fiscais do PRODEIC). Assim, posso diretamente ao segundo ponto.  Benefícios Fiscais. PRODEIC   Com  relação  às  conclusões  do  acórdão  recorrido  de  que  não  teria  havido  investimento, mediante  a  aplicação  da  subvenção  advinda  do Programa  de Desenvolvimento  Industrial  e  Comercial  de  Mato  Grosso  (PRODEIC),  verifica­se  que  a  questão  pode  ser  resolvida  com  base  nas  normas  instituídas  pela Lei  Complementar  nº  160  de  07/08/2017,  sobre convênio que permite aos Estados e ao Distrito Federal deliberar  sobre a  remissão dos  créditos  tributários,  constituídos  ou  não,  decorrentes  das  isenções,  dos  incentivos  e  dos  benefícios fiscais ou financeiro­fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g”  do  inciso  XII  do  §  2o  do  art.  155  da  Constituição  Federal  e  a  reinstituição  das  respectivas  isenções, incentivos e benefícios fiscais ou financeiro­fiscais.  No caso, verifica­se que o Convênio ICMS nº 190, publicado em 18/12/2017,  incluiu a adesão do Estado de Mato Grosso, no que diz respeito aos referidos benefícios fiscais  do PRODEIC.  Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 10183.725414/2013­21  Resolução nº  1302­000.708  S1­C3T2  Fl. 6          5 Em  consulta  ao  site  da  Secretaria  de  Estado  da  Fazenda  do  Mato  Grosso  (SEFAZ  MT),  http://www5.sefaz.mt.gov.br/­/9433106­incentivos­fiscais,  observa­se  que  a  Recorrente está indicada na Linha 37 da Relação Preliminar dos Contribuintes e Enquadrados  no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Mato Grosso (PRODEIC).  O Estado de Mato Grosso, em atendimento a Lei Complementar nº 160/2017 e  ao Convênio ICMS 190/2017 que convalida e permite a reinstituição de benefícios e incentivos  fiscais  concedidos pelos Estados,  por meio de  atos normativos,  sem a devida autorização do  Conselho  Nacional  de  Política  Fazendária  (Confaz),  a  Secretaria  de  Fazenda  (Sefaz)  disponibilizou para consulta pública a lista das empresas que receberam incentivos fiscais:  Objetivou­se oportunizar que as empresas beneficiadas por atos concedidos em caráter  individual,  entre  elas  a Recorrente,  participem de  forma  transparente,  do  processo  de  verificação do inventário. Informa que, sendo assim, os contribuintes poderão solicitar a  inclusão de seus dados na listagem preliminar ou indicar possíveis atos que concedam  benefícios fiscais e que não estejam na relação publicada.  Para sugerir a inclusão de dados na lista é preciso requerer, por meio de formulário, a  alteração.  O  requerimento  deverá  ser  encaminhado  pelo  Sistema  Integrado  de  Protocolização e Fluxo de Documentos Eletrônicos (E­process), até o dia 25 de junho.  Todos os procedimentos a serem observados no processo e verificação da lista constam  na Portaria nº 093, publicada no DOE desta terça­feira (19).  (...)  Relação  preliminar  ­  Programa  de  Desenvolvimento  Industrial  e  Comercial  de  Mato Grosso (...)  Nesse contexto, vale destacar que a LC nº 160/2017, nos termos de seu art. 9º,  incluiu  nas  disposições  do  art.  30  da  Lei  nº  12.973/2014  os  §§  4º  e  5º,  que  os  incentivos  e  benefícios fiscais ou financeiro­fiscais relativos ao ICMS são considerados subvenções para  investimento,  devendo  tal  previsão  ser  aplicada,  inclusive,  aos  processos  administrativos  e  judiciais em curso.  Observa­se, portanto, o caráter interpretativo do art. 9º da LC nº 160/2017, pois  esse  dispositivo  considerou  como  subvenções  para  investimento,  todo  e  qualquer  benefício  fiscal de ICMS concedido pelos Estados, nos termos da constituição federal, para todos os fins,  inclusive tributário. Dessa forma, entendo que é devida a aplicação retroativa dos seus efeitos,  por força do art. 106, I, do CTN.  Ainda  assim,  verifica­se  que para  ser devida  a  exclusão  das  subvenções  de  investimento  na  apuração  do  lucro  real,  é  necessário  que  estejam  registradas  como  reserva de  incentivos  fiscais e  sejam utilizadas somente para:  (i) absorção de prejuízos,  após a absorção total das demais reservas de lucros e (ii) para aumento de capital social  (art. 30, incs. I e II, da Lei nº 12.973/2014).  Analisando­se  as  escritas  contábeis  da  recorrente,  relativas  a  essa  matéria,  verifica­se que houve a juntada dos seguintes documentos:  a) fls. 47 e 48 – Razão da Conta nº 4111501 – Receitas de Subvenções do PRODEIC –  apresenta valores a crédito  referentes a receitas de: subvenções de ICMS incentivado;  Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10183.725414/2013­21  Resolução nº  1302­000.708  S1­C3T2  Fl. 7          6 compensação de ICMS a recuperar; transferência de saldos das entradas; compensação  de ICMS crédito entradas;  b) fls. 49/651 – Razão da Conta nº 2130313 – ICMS a recolher (FILIAL) – apresentas  valores a crédito referentes a valor ICMS de clientes (valores a recolher e valores sobre  vendas), como NEC Brasil S.A., Metal Alfa Ltda., Nokia Siemens Network, Claro S.A.,  ZopOne  Engenharia,  Tim  Celular  S.A.,  Tim  Nordeste  S.A.,  Vivo  S.A.,  Enecol Mat.  Elet. Etc.  Nota­se  que,  tais  escritas  contábeis  permitem  verificar  os  valores  das  subvenções em questão (agora consideradas subvenções para investimento). Portanto, por meio  delas seria possível chegar­se ao valor a ser excluído na apuração do lucro real.  Todavia,  não  há  nos  autos  evidências  de  que  as  subvenções  tenham  sido  mantidas  registradas  como  reserva  de  incentivos  fiscais  e  que  só  foram  utilizadas  na  (i)  absorção de prejuízos, após a absorção total das demais reservas de lucros e (ii) para aumento  de capital social (art. 30, incs. I e II, da Lei nº 12.973/2014).  Nesse  sentido,  ainda  não  há  como  se  concluir  a  respeito  da  pretensão  da  recorrente, neste ponto.  Assim,  voto  por  converter  novamente  o  julgamento  em  diligência  para  determinar que os autos  sejam devolvidos  à origem para que a DRF proceda à  intimação da  recorrente para que comprove nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, no prazo  de 15 dias, o atendimento às referidas disposições do art. 30, incs. I e II, da Lei nº 12.973/2014,  redação dada pelo art. 9º da LC nº 160/2017.  O  primeiro  ponto  do  recurso  voluntário,  específico  sobre  despesas  financeiras  decorrentes de contratos de mútuos entre empresas ligadas, deverá ser apreciado após o retorno  da diligência.  (documento assinado)  Rogério Aparecido Gil  Fl. 1700DF CARF MF

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