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Numero do processo: 10218.720091/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Recurso Provido Negado
Numero da decisão: 2102-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi que dava provimento parcial ao recurso para reconhecer uma APP de 85,53 ha e uma área de reserva legal de 2.880,776 ha e José Raimundo Tosta Santos que reconhecia uma área de reserva legal de 1.800,485ha averbada no ano de 1992 e uma APP de 85,53ha reconhecida pelo órgão ambiental estadual. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
(Assinado digitalmente)
Núbia Matos Moura Redatora-designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicálas nos moldes da legislação que a instituiu. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Recurso Provido Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi que dava provimento parcial ao recurso para reconhecer uma APP de 85,53 ha e uma área de reserva legal de 2.880,776 ha e José Raimundo Tosta Santos que reconhecia uma área de reserva legal de 1.800,485ha averbada no ano de 1992 e uma APP de 85,53ha reconhecida pelo órgão ambiental estadual. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 91 /2 00 8- 77 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA 2 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. (Assinado digitalmente) Núbia Matos Moura – Redatoradesignada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento lavrada em 17/11/2008 (fls. 01/04), contra o contribuinte acima qualificado, relativo à Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, Exercício 2003, que exige crédito tributário no valor de R$ 39.974,49, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Vera Cruz”, cadastrado na RFB sob o nº 1.450.4421, com área declarada de 3.600,0 ha, localizado no Município de Rondon do Pará/PA. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante à fl. 02, o contribuinte após regularmente intimado, não comprovou a isenção das áreas declaradas à título de preservação permanente e de utilização limitadas, tendo estas sido glosadas integralmente pela fiscalização, com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável. Os valores declarados e retificados de ofício apresentam o seguinte histórico: ITR PeríodoBase 2003 Declarado fl. 03 Retificação de Ofício 01. Área Total do Imóvel 3.600,0 3.600,0 02. Área de Preservação Permanente 360,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 2.880,0 0,0 04 Área Tributável (01 – 02 – 03) 360 3.600,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 355,0 3.595,0 13. Grau de Utilização 100,0 9,9 19. Alíquota 0,30 8,60 20. Imposto Devido 56,40 16.168,00 Diferença de Imposto (Apu. – Decl.) 16.111,60 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720091/200877 Acórdão n.º 2102003.217 S2C1T2 Fl. 165 3 Cientificado da exigência tributária em 25/11/2008 (fl. 17), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 22/12/2008 (fls. 61/75), acompanhada dos documentos de fls. 78/110, alegando em síntese, o que segue: 1) levandose em consideração aos princípios que norteiam o processo administrativo fiscal, temse que os documentos apresentados demonstram de fato o equívoco cometido pela Autoridade Fiscal e devem ser considerados a fim de que não haja locupletamento ilícito por um, em detrimento do prejuízo de outrem; 2) com a apresentação dos documentos acostados já se tem uma grande redução dos valores exigidos, uma vez que o ITR tem por base de cálculo o “Valor da Terra Nua Tributável” apresenta a forma de cálculo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, §1º, III, IITR/2002, art. 33; IN SRF nº 256, de 2002, art. 33); 3) a Auditora Fiscal utilizou o VTN por hectare do Município para apuração do valor do imóvel em questão, sendo que no ano de 2003 o Valor Total do Imóvel declarado e o Apurado coincidem, e nos exercícios de 2004, 2005 e 2006, sofreram correção; 4) em todos os exercícios objetos do TIF nº 02103/00038/2008, as áreas de “preservação permanente” e de “reserva legal” não foram entendias como áreas não tributáveis do imóvel rural, e compuseram o VTNt; 5) imprescindível a análise desses documentos juntamente com a perícia, caso se entenda necessário, a fim de se apurar se há algo a ser recolhido pelo impugnante, bem como, o quantum devido caso seja constatada alguma diferença; 6) no que se refere à “área de preservação permanente” apresentamse os mesmos documentos remetidos à DRJMarabáPA, quais sejam, a “Licença de Atividade Rural” – LAR nº 201/2007 – Protocolo nº 2007/0000152794, emitida pelo Governo do Estado do Pará, por sua Secretaria de Estado de Meio Ambiente, com validade até 01/10/2012 que ratifica que da área total da propriedade (3.600,97 ha), 85,53 ha representam “Área de Preservação Permanente” e o “Parecer Conclusivo” do Laudo de Vistoria de Desbaste de um Reflorestamento (Levantamento Circunstanciado)” emitido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA do Estado do Pará, descrevendoo; 7) conclui que de acordo com os documentos oficiais emitidos por órgãos do Governo do Estado do Pará, constatase a efetiva existência de área de preservação permanente, a qual, para fins de Justiça e de aplicação da verdade real, não pode ser utilizada na apuração da Terra Nua Tributável utilizada no cálculo do ITR; 8) transcreve o art. 16 da IN SRF nº 60/2001 e informa que a área de utilização limitada se refere à reserva legal; 9) no que se refere à “área de reserva legal”, assim como na situação da “área de preservação permanente”, existe expressa previsão na Licença de Atividade Rural, de que da área total da propriedade (3.600,97 ha), 2.880,776 ha representam “Área de Reserva Legal”; 10) de acordo com a Certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis que trata da propriedade em questão, existe expressa previsão da área de reserva legal e o transcreve; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA 4 11) dos documentos oficiais acostados, resta mais do que comprovado que do total da área do imóvel em questão (3.600,97 ha), atualmente 80%, ou seja, 2.880,776 representam área de RESERVA LEGAL, e não pode ser utilizada na apuração do Valor da Terra Nua Tributável utilizada no cálculo do ITR; 12) sobre a taxa Selic informa que não há uma correta definição e nem tão pouco traz a lei e os critérios para que se chegue à correta fixação do seu percentual, podendo, em última análise, variar ao “sabor do credor” e apresenta manifestação sobre a inconstitucionalidade da adoção da taxa Selic pelo STJ e conclui que a taxa não deve ser aplicada aos débitos fiscais, tendo em vista a sua manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade; 13) entende que a multa aplicada merece redução a patamares que não comprometam o princípio constitucional da vedação ao confisco consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5º, XXII; 14) finalmente, requer que seja declarada a insubsistência do critério de cálculo do ITR, cobrado sem a exclusão de sua base de cálculo de áreas de preservação permanente e reserva legal, ambas desconsideradas pela Auditora Fiscal, bem como, a declaração de inaplicabilidade da taxa SELIC e a redução da multa, pelos seus efeitos confiscatórios. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC) A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720091/200877 Acórdão n.º 2102003.217 S2C1T2 Fl. 166 5 O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0343.488 da 1ª Turma da DRJ/BSB em 08/08/2013 (fl. 146). Sobreveio Recurso Voluntário em 04/09/2013 (fls. 148/162), desacompanhado de documentos, e em suma, alega que: No que se refere à primeira exigência supostamente não cumprida, qual seja, a averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Aduz que o entendimento da Turma é de que tal averbação deve ocorrer ano a ano, levandose em consideração o marco temporal do fato gerador do ITR, e com isso, a última averbação ocorrida em 06/06/2006 não se prestaria a garantir o benefício pleiteado. Ocorre que as normas legais apontadas não permitem tal entendimento, na medida em que determinam somente que é necessário averbação à margem de inscrição da matrícula do imóvel. Com efeito, no exercício de 2003, na pior das hipóteses, ficaria fora da área computável para fins de exclusão do imposto, apenas a área complementar de 30% averbada em 06/06/2006, que viria a totalizar 80% da área total do imóvel Fazenda Vera Cruz. A área equivalente a 50% do total do imóvel efetivamente é área reservada, e com certeza, no mínimo desde 1992, sempre manteve esta condição, e isso é demonstrado de forma inequívoca com a Certidão de fls. 100/105, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis Elcira Oliveira de Rondon do ParáPA que já previa esta situação em 12 de novembro de 1992, e em 06/06/2006 apenas somou a tal área, mais 30% totalizando em 80% do imóvel em área reservada. No que tange à área de preservação permanente argumenta acerca da desnecessidade do ADA. Argumenta sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, se faz necessária a transcrição da legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA 6 inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” Sustenta o recorrente na impugnação que à área de utilização limitada glosada, tratase em realidade de área de reserva legal. A DRJ/BSB, entendeu que para exclusão das áreas de reserva legal da base de cálculo do ITR, estas devem estar averbadas à margem da matrícula do imóvel, se cumprida, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício, e com isso, a última averbação ocorrida em 06/06/2006 não se prestaria a garantir o benefício pleiteado. No presente, sustenta o recorrente que as normas legais apontadas não permitem tal entendimento, na medida em que determinam somente que é necessário averbação à margem de inscrição da matrícula do imóvel. Com efeito, aduz que no exercício de 2003, na pior das hipóteses, ficaria fora da área computável para fins de exclusão do imposto, apenas a área complementar de 30% averbada em 06/06/2006, que viria a totalizar 80% da área total do imóvel Fazenda Vera Cruz. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720091/200877 Acórdão n.º 2102003.217 S2C1T2 Fl. 167 7 Argumenta que a área equivalente a 50% do total do imóvel efetivamente é área reservada, e com certeza, no mínimo desde 1992, sempre manteve esta condição, e isso é demonstrado de forma inequívoca com a Certidão de fls. 100/105, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis Elcira Oliveira de Rondon do ParáPA que já previa esta situação em 12 de novembro de 1992, e em 06/06/2006 apenas somou a tal área, mais 30% totalizando em 80% do imóvel em área reservada. Relativamente às áreas de Reserva Legal, é exigência legal, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8º, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área correspondente fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, no julgamento do EREsp 1027051 – 26/08/2013, a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. In casu, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, através da Matrícula do Imóvel, às fls. 102, onde consta a Averbação n° 007/.1614 da área de reserva legal de 1.800 ha, datada de 28/02/1992, e posteriormente à ocorrência do fato gerador, em fls. 105, há registro de averbação de reserva legal complementar, Averbação nº 014/1.614, datada de 19/06/2006, que informa a averbação de mais 30% da área, totalizando 80% do imóvel com gravame relativo à Reserva Legal, que perfaz 2.880,776 ha, sendo esta Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA 8 averbação antes do início da ação fiscal, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuado. Nesse sentido, o certo é que a última Averbação da Área de Reserva Legal, Av. 014/1.614 (2.880,776 ha), apresentada pelo contribuinte, ocorrida em 19/06/2006, se presta a comprovar a existência de aludida área, afastando de uma vez por todas o entendimento encampado na peça recursal, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Com relação à matéria, cabe transcrever decisão da Câmara Superior deste E. Conselho, no mesmo sentido, acórdão nº 9202003.260 – 2ª Turma, julgado em 29 de julho de 2014: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado.” Ademais, no ato da averbação, que é um ato público, consta o Termo de Responsabilidade do proprietário da Área quanto à manutenção da Reserva Legal. No que tange às áreas de preservação permanente, cabe fazer as seguintes considerações. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de floresta nativa no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico ou outro documento oficial, elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Com efeito, da análise dos autos, verificase que a Autorização de Exploração em Floresta Plantada, constante em fls. 97, expedida pelo Governo do Estado do ParáPA, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720091/200877 Acórdão n.º 2102003.217 S2C1T2 Fl. 168 9 acompanhada do Laudo de Vistoria de Desbaste de Um Reflorestamento (Levantamento Circunstanciado) – fls. 91/97 atesta a existência de 85,53 ha, de APP, e ratifica também, 2.880,776 ha de Área de Reserva Legal. Inclusive, a autorização expedida pelo Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA do Estado do Pará, supre a exigência de ADA uma vez que a respectiva Secretaria exerce função equivalente ao IBAMA em relação ao controle de preservação do meio ambiente. Salientase ainda que a jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. Neste sentido, ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que 'o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA' (REsp 665.123/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 587.429/AL, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2.8.2004. 2. Recurso especial desprovido." (REsp 812.104/AL, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007, p. 296.) Logo, considerando que o contribuinte declarou 360,0 ha APP, deve ser excluído da base de cálculo do ITR, 85,53 ha, efetivamente comprovados através dos documentos supracitados, os quais são hábeis e idôneos à demonstrar a parcela isenta de tributação do imóvel. Por fim, argumenta acerca da natureza confiscatória de multa de ofício aplicada no percentual de 75%, pugnando pela redução da mesma. Inicialmente, destacase que a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. A ponderação quanto à razoabilidade e o efeito confiscatório do inciso I e do § 2º, ambos, do art. 44 da Lei nº 9.430/96 perpassa pela ponderação da constitucionalidade dos referidos dispositivos em face do art. 150, IV da CF/88 e do princípio constitucional implícito da razoabilidade: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.” Em observância ao disposto na Súmula nº CARF nº 2, a presente Corte não possui atribuição para análise da constitucionalidade da legislação. Confirase: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para, excluir da base de cálculo do ITR, 2.880,776 ha de Área de Reserva Legal e 85,53 ha de Área de Preservação Permanente. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, redatoradesignada Com a devida vênia, divirjo do entendimento da ilustre relatora, quanto à glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as quais foram mantidas pela decisão recorrida em razão da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e também pela ausência da averbação da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador do imposto. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720091/200877 Acórdão n.º 2102003.217 S2C1T2 Fl. 169 11 § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. No presente caso, o ITR exigido no lançamento referese ao exercício 2003 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Nesse ponto, importante destacar que o documento intitulado de Autorização de Exploração em Floresta Plantada, fls. 97, expedida pelo Governo do Estado do Pará, não pode ser acatado em lugar do ADA, posto que não há previsão legal para tal. Veja que a redação da lei não traz nenhuma exceção, sendo certo que para usufruir do benefício fiscal é condição necessária e indispensável a apresentação do ADA. Nessa conformidade, deve permanecer a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – redatora designada Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmen te em 19/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 11080.011108/96-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 02/01/1989 a 30/09/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA
Reconhecida a ocorrência de omissão no dispositivo da decisão proferida, que não explicitou a impossibilidade de correção monetária da base de cálculo do PIS calculado na forma da Lei Complementar nº 7/70, deve tal defeito ser corrigido acrescendo às conclusões do voto otiginal a parte negritada na sequência:
(...)
Portanto, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei do momento da ocorrência do fato gerador (Leis nos 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 9.069/95 e MP no 812/94).
(...)
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9303-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, vencido o relator que os rejeitava.
Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto)
JOEL MIYAZAKI - Relator.
Júlio César Alves Ramos - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto)
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 02/01/1989 a 30/09/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA Reconhecida a ocorrência de omissão no dispositivo da decisão proferida, que não explicitou a impossibilidade de correção monetária da base de cálculo do PIS calculado na forma da Lei Complementar nº 7/70, deve tal defeito ser corrigido acrescendo às conclusões do voto otiginal a parte negritada na sequência: (...) Portanto, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei do momento da ocorrência do fato gerador (Leis nos 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 9.069/95 e MP no 812/94). (...) Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, vencido o relator que os rejeitava. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto) JOEL MIYAZAKI - Relator. Júlio César Alves Ramos - Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto)
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 02/01/1989 a 30/09/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA Reconhecida a ocorrência de omissão no dispositivo da decisão proferida, que não explicitou a impossibilidade de correção monetária da base de cálculo do PIS calculado na forma da Lei Complementar nº 7/70, deve tal defeito ser corrigido acrescendo às conclusões do voto otiginal a parte negritada na sequência: (...) Portanto, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei do momento da ocorrência do fato gerador (Leis nos 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 9.069/95 e MP no 812/94). (...) Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, vencido o relator que os rejeitava. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 11 08 /9 6- 26 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 JOEL MIYAZAKI Relator. Júlio César Alves Ramos Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto) Relatório Cuidase de embargos de declaração tempestivamente opostos pela contribuinte que alega que a decisão embargada estaria eivada de omissões e obscuridades, conforme excerto do despacho de admissibilidade (fls. 974 a 977) abaixo reproduzido: Segundo a embargante, existe omissão no julgado, pois embora tenha constado na ementa que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem correção monetária, não constou da fundamentação e nem da conclusão do voto condutor que a base de cálculo do PIS não poderia ser corrigida monetariamente, fato que poderá gerar dúvidas quando da execução do julgado. Ainda segundo a embargante, existe obscuridade no julgado, pois a divergência que foi alegada em relação à semestralidade foi no sentido de determinar o cancelamento da autuação, conforme decidiram os paradigmas anexados, mas o acórdão embargado determinou o recalculo do auto de infração. No entender da recorrente, o acórdão embargado deveria ter aplicado o entendimento divergente e não ter adotado outra solução diferente da jurisprudência assentada. Despacho de admissibilidade de embargos admitiuo apenas com relação à omissão, conforme excerto do despacho abaixo reproduzido: “Bem a propósito as ementas acima reproduzidas. A fundamentação necessária ao deslinde da questão restou sobejamente colocada no acórdão ora embargado, inexistindo a obscuridade apontada, uma vez que o Colegiado não está vinculado a adotar apenas uma das teses postas em julgamento. É inequívoco que o objetivo dos embargos, nesta questão da semestralidade, foi o de provocar o reexame dos fundamentos do acórdão embargado, uma vez que a defesa não se conformou com o recálculo do auto de infração. Em face do exposto, valhome da competência que me foi conferida pelo art. 65, § 3 do RICARF para declarar Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011108/9626 Acórdão n.º 9303002.995 CSRFT3 Fl. 7 3 improcedentes as alegações suscitadas quanto à obscuridade e determinar que o processo seja sorteado a um relator para que seja colocado em pauta com proposta de saneamento da omissão apontada.” Para maior clareza, abaixo reproduzo o acórdão recorrido de relatoria da ilustre conselheira Josefa Maria Coelho Marques da 2a. Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes em sessão de 24 de abril de 2006.: PIS. DECADÊNCIA. CTN. NORMAS. Por ter natureza tributária e não estar entre as contribuições reguladas pela Lei no 8.212, de 1991, aplicamse ao PIS as regras do CTN previstas nos arts. 173, I, e 150, § 4o, dependendo de haver ou não pagamento antecipado. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela UNIVERSAL LEAF TABACOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos os períodos de apuração ocorridos até setembro de 1991, e determinar que a repartição de origem recalcule o crédito tributário mediante o critério da semestralidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento integral ao recurso e o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento parcial apenas para reconhecer a existência do critério da semestralidade. Declarou se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. RELATÓRIO Tratase de recurso especial de divergência (fls. 434 a 457), admitido parcialmente pelo despacho de fl. 662, apresentado contra o Acórdão 20212.281 (fls. 417 a 427), da 2Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: RERRATIFICAÇÃO DE ACORDÃO Confirmada a omissão invocada pela contribuinte, outro Acórdão deve ser proferido na boa e devida forma, examinando as matérias objeto do recurso. PIS DECADÊNCIA A decadência relativa ao direito de constituir crédito tributário somente ocorre depois de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que se extinguiu o direito de o Fisco homologar o lançamento. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dà ensejo ao faturamento. O art. 6° da Lei Complementar 07/70 não se refere à base cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo. FALTA DE RECOLHIMENTO O valor das receitas de exportações de fumo semielaborado integra a base de cálculo da contribuição para o PIS, à Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 luz do disposto no artigo 5o da Lei 7.714/88. TRD JUROS DE MORA Existindo, portanto, expressa previsão legal para a incidência dos juros de mora com base na TRD é dever de a autoridade administrativa observála. Isto decorre da competência vinculada dessa autoridade, estabelecida no parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Recurso negado. Alegou a recorrente que o prazo para lançamento da contribuição seria de cinco anos, nos termos do art. 150, § 42, do CTN, em virtude de ter havido pagamentos; que a receita de exportação de fumo deveria ser excluída da base de cálculo da contribuição; e que a base de cálculo do PIS estaria submetida à semestralidade. O recurso somente foi admitido em relação à decadência e à semestralidade,conforme despachos de fls. 662 e 689 (agravo).' ' Nas contrarazões (fls. 664 a 667), a Fazenda Nacional manifestouse pela impossibilidade de extensão administrativa dos efeitos da única decisão do STJ existente à época, segundo a qual o prazo para lançamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de cinco anos. Ademais, no tocante à semestralidade, alegou que a disposição do art. 6, parágrafo único, da LC n2 7, de 1970, diria respeito a prazo de recolhimento. É o relatório. VOTO Conselheira JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, Relatora. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais. dele se deve tomar conhecimento. No tocante à decadência, devese observar que o acórdão recorrido aplicou o prazo do art. 173,1, do CTN, mas com termo inicial fixado no prazo do art. 150, § 4o, do CTN,na forma da jurisprudência já superada do Superior Tribunal de Justiça. Tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo para extinção do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito é definido pelo CTN, art. 150, § 4o, que, via de regra, o fixa em 5 anos, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, (...) § 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. "(Grifouse) O próprio CTN que foi recepcionado como lei complementar pela CF/1988 — ao fixar o prazo decadencial de cinco anos para as exações submetidas a lançamento por homologação, expressamente ressalva aqueles casos em que o legislador ordinário entender de adotar prazos diferenciados. Assim, havendo prazo específico definido em lei ordinária, vale este; em não existindo, vale a regra geral do CTN. Posteriormente, em consonância com as determinações da Constituição Federal de 1988 acerca da Seguridade Social, foi editada a Lei no 8.212, de 24 de abril de 1991, dispondo sobre sua organização e estabelecendo, quanto ao prazo de decadência de suas contribuições, que: Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011108/9626 Acórdão n.º 9303002.995 CSRFT3 Fl. 8 5 Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II(...) A questão em análise é de se a disposição acima se aplica ao caso do PIS. Em seu art. 11, parágrafo único, "d", a citada lei dispõe que as contribuições sociais sobre o faturamento e o lucro são fontes de financiamento da seguridade social. Tratase de questão relativa ao art. 195 da Constituição, que regula as fontes de financiamento da seguridade social, dentre as quais a Cofins. O PIS, por sua vez, cuja denominação completa é "contribuição para o PIS/Pasep", pode incidir sobre o faturamento, a folha de salários ou as receitas públicas, dependendo da modalidade de incidência a que estiver sujeita a pessoa jurídica contribuinte. Ademais sua destinação é específica, nos termos do art. 239 da Constituição federal, enquanto que as contribuições do art. 195 integram o orçamento geral da seguridade social. Portanto, a Lei ne 8.212, de 1991, não regula o PIS. Em relação ao Decretolei no 2.052, de 1983, art. 3o, não se trata de disposição expressa sobre decadência, mas sobre arbitramento e cobrança. Tal disposição está relacionada com a do art. 10, que estabeleceu o prazo prescricional de 10 anos, contado, da mesma forma que no art. 3o, da data de vencimento da contribuição. Por fim, esclareçase que a tese de que os prazos deveriam ser somados está definitivamente superada, tanto no STJ quanto nos Conselhos de Contribuintes. A referida tese baseavase na falsa premissa de que a expressão "exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", contida no art. 173,1, do CTN, referirseia ao exercício em que "ainda" o lançamento poderia ter sido efetuado. Entretanto, tal interpretação é absurda, uma vez que a decadência referese ao direito de lançar, não podendo um prazo decadencial iniciarse no momento em que outro prazo de decadência, incidente sobre o mesmo direito,se encerra. Dessa forma, são aplicados ao PIS os prazos do Código Tributário Nacional, previstos nos arts. 150, § 4S, ou 173, I, conforme tenha ou não havido pagamentos No presente caso, tratase de lançamento de diferenças apuradas em ação fiscal relativamente a receita de exportação de fumo, existindo pagamentos antecipados, razão pela qual se aplica o art. 150, § 42 do CTN. Tendo o lançamento sido realizado em 21 de outubro de 1996 (fl. 52), relativamente a períodos de apuração de janeiro de 1989 a setembro de 1992,.restaram decaídos os períodos de apuração até setembro de 1991. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Outra questão a ser analisada é qual a base cálculo que deve ser usada para o cálculo do PIS: se aquela correspondente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, entendimento esposado pela recorrente, ou se ela é o faturamento do próprio mês do fato gerador, sendo de seis meses o prazo de recolhimento do tributo, raciocínio aplicado e defendido na motivação do lançamento objurgado. O Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção,1 veio tornar pacífico o entendimento postulado pela recorrente, consoante depreendese da ementa a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO PIS SEMESTRALIDADE BASE DE CÁLCULO CORREÇÃO MONETÁRIA. 1.O PIS semestral estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE art. 3o, letra "a " da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2.Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendose como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 6o parágrafo único da LC 07/70. 3.A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4.Corrigirse a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido." Portanto, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei do momento da ocorrência do fato gerador (Leis nos 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, S.383/91, 8.850/94 e 9.069/95 e MP no 812/94). Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, para declarar decaídos os períodos de apuração até setembro de 1991, e determinar que a repartição de origem recalcule o remanescente do auto de infração aplicando a semestralidade da base de cálculo da contribuição. Voto Vencido Conselheiro Joel Miyazaki Os embargos foram opostos em tempo hábil e admitidos apenas quanto à uma suposta omissão por ter deixado de mencionar os termos “sem correção monetária” na fundamentação e na conclusão. Entendo que embora o recurso deva ser conhecido, não merece ser acolhido conforme veremos em seguida. O critério da semestralidade no cálculo do PIS é matéria por demais conhecida por todos que militam no campo do direito tributário. Tratase de forma de cálculo amplamente discutida em todas as instâncias administrativas e, também, judiciais. Calorosos Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011108/9626 Acórdão n.º 9303002.995 CSRFT3 Fl. 9 7 debates ocorreram em torno da questão, assim, é fato amplamente conhecido que a aplicação do critério da semestralidade significava que a base de cálculo do PIS correspondia ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Por cautela apenas, alguns relatores procuravam deixar bem claro a não correção monetária do faturamento. Tanto que no presente caso, os termos “sem correção monetária” constam da ementa conforme abaixo destacado. PIS. DECADÊNCIA. CTN. NORMAS. Por ter natureza tributária e não estar entre as contribuições reguladas pela Lei n2 8.212, de 1991, aplicamse ao PIS as regras do CTN previstas nos arts. 173, I, e 150, § 42, dependendo de haver ou não pagamento antecipado. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS_corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial parcialmente provido. Além disso, do voto consta como fundamento transcrição de ementa do Resp no. 144.708, rel. Ministra Eliana Calmon de 29/05/2001 do Superior Tribunal de Justiça em que consta claramente a impossibilidade de correção monetária da base de cálculo, abaixo reproduzido e por mim grifado : "TRIBUTÁRIO PIS SEMESTRALIDADE BASE DE CÁLCULO CORREÇÃO MONETÁRIA. 1.O PIS semestral estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE art. 3o, letra "a " da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2.Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendose como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 6o parágrafo único da LC 07/70. 3.A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4.Corrigirse a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido." Com estas considerações voto no sentido de conhecer e REJEITAR os presentes embargos. Joel Miyazaki Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Coubeme a difícil missão de registrar a posição que prevaleceu no colegiado, diferente daquela mantida pelo Conselheiro relator. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 É que não se convenceu a maioria, na linha defendida pelo dr. Joel, que a indicação da ementa de que base de cálculo não deva sofrer correção baste à higidez da decisão proferida. Isso porque não são raros os exemplos em que as unidades preparadoras, em ausências semelhantes, promovem a sua atualização, até porque já constava ela de programas computacionais próprios da SRF. É certo que tal risco está hoje em muito reduzido dada a farta jurisprudência mencionada pelo relator. Ainda assim, considerou o colegiado que, uma vez admitidos pelo reconhecimento da existência da omissão, o que nos cabe, ao colocálos em pauta é precisamente corrigir o defeito reconhecido. Em suma, considerar que não há a omissão deveria implicar a negativa de seguimento da peça manejada. Por esses motivos, votou a Câmara pelo provimento dos embargos de modo a que conste expressamente na decisão proferida que a base de cálculo não deve ser corrigida. Destarte, as conclusões do voto da dra. Josefa passam a: (...) Portanto, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei do momento da ocorrência do fato gerador (Leis nos 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 9.069/95 e MP no 812/94). (...) Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13855.000791/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF.
REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA.
A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte.
Numero da decisão: 3101-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
EDITADO EM: 07/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, (Suplente), (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA. A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA. A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. EDITADO EM: 07/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, (Suplente), (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 07 91 /2 01 0- 49 Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto que, “por unanimidade, não conhecer da impugnação na parte objeto da ação judicial e julgar improcedente a impugnação na parte diversa, mantendo o crédito tributário exigido, conforme fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois da autuação e com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. HORA DA LAVRATURA. A hora da lavratura do auto de infração só é indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador. Impugnação Improcedente O resultado do julgamento decorreu da análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão recorrida: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 2/31, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos períodos de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, exigindo selhe o crédito tributário... A diferença seria decorrente do fato da interessada ter apurado as contribuições com base nas alíquotas de 0,65%, para a Contribuição para o PIS/Pasep, e 3%, para a Cofins, quando, em fimção dos produtos fabricados (autopeças), estaria sujeita às alíquotas diferenciadas de 1,65% e 2,3%, e 7,6% e 10,8%, respectivamente. O enquadramento legal encontrase a fls. 7 e 16, 22 e 31. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 532/541, na qual sustentou que, por se tratar de empresa optante pelo lucro presumido, estaria sujeita às alíquotas aplicáveis a essas empresas, de 0,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 3% para a Cofins. Suscitou ainda nulidades do lançamento, em função da falta de horário da lavratura do auto de infração, bem como falta de fundamentação legal, “ou seja, a ausência de dispositivo legal correspondente à infração e penalidade aplicável (art. 10, IV)”, referindose aos requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Pela petição de fl. 565, a interessada deu a conhecer a impetração de ação judicial (cópia da inicial às fls. 566/583), na qual pretendeu ver reconhecido o direito ao recolhimento das contribuições às alíquotas de 0,65% e 3% (Contribuição para o Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13855.000791/201049 Acórdão n.º 3101001.750 S3C1T1 Fl. 1.067 3 PIS/Pasep e Cofins), sem se submeter às alíquotas diferenciadas previstas no auto de infração. Por meio do memorando de fl. 586, a unidade de origem informou o indeferimento da liminar pleiteada, conforme documentos de fls. 587/609. No memorando de fl. 613, comunicou a denegação da segurança pela sentença de fls. 614/621. Cientificada da decisão de primeiro grau, em 26/07/2010, a Recorrente interpôs recurso, no qual aduz que: a) A decisão recorrida é nula por não ter apreciado todos os argumentos da impugnação; entende que não poderia ser aplicada a renúncia à discussão administrativa pois, isso só ocorre quando a ação judicial tem o mesmo objeto, e não quando se busca diferentes objetivos, ou seja, nestes autos discutise a validade da autuação e no mandado de segurança a recorrente busca o reconhecimento do direito de continuar a recolher o PIS/Pasep e a Cofins com base nas alíquotas de 0,65% e 3%, de forma cumulativa; b) quanto ao mérito, ratifica os argumentos trazidos na impugnação e discutidos também no Poder Judiciário, Mandado Segurança n° 0001687 358.2010.403.6113, junto à 2a Vara Federal de Franca – SP, qual seja de que por ser empresa sujeita ao regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido não está sujeita à majoração de alíquota do PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 01/08/2004, por conta do art. 3º da Lei 10.485/2002, com a redação dada pelo art. 36 da Lei 10.865/2004; c) nulidade do lançamento por não atendimento do art. 10 do Decreto 70.235/72 (hora da lavratura do lançamento). É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Quanto à nulidade do lançamento, por conta da ausência da hora da lavratura do auto de infração, entendo não assistir razão à Recorrente, uma vez que tal ausência não trouxe qualquer prejuízo à validade do lançamento ou à discussão do mérito da demanda. É de argumentarse que, até por economia processual, a considerar o direito de o Fisco constituir novamente o crédito tributário em nova prazo de cinco anos, à luz do art. 173, II, do CTN, o acolhimento o alegado vício formal não traria qualquer benefício às partes ou à solução da lide, o que comprova inocuidade da pretendida anulação. Por conta disso, ratifico “in totum” o entendimento da decisão recorrida. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quanto à nulidade da decisão recorrida, entendo que o fato de não ter apreciado o argumento de mérito trazido pela Recorrente, por conta de reconhecer a renúncia à esfera administrativa pela opção da Recorrente em discutir o mérito em ação judicial, é de se ressaltar que o objeto da decisão judicial contem o cerne da presente lide. É de notarse que a medida judicial tem como pedidos a suspensão dos efeitos da autuação fiscal e a manutenção das alíquotas de 0,65% para o PIS/Pasep e 3% para a COFINS, ou seja, o pronunciamento judicial favorável à contribuinte afetará direta e inexoravelmente o crédito tributário objeto da presente lide. Caso o pronunciamento judicial seja desfavorável à contribuinte ratificando a majoração legal das alíquotas para as contribuições, haverá, da mesma forma direta e inexorável, a manutenção do lançamento e da exigibilidade. Assim, não há como dizer que as demandas são distintas e que não haveria qualquer correlação ou nexo de causalidade entre ela, uma vez que é inegável a coincidência dos pedidos no que tange à relação jurídica de direito tributário que a Recorrente pretende ver reconhecida no processo judicial e neste feito. Desta forma, não há qualquer nulidade na decisão recorrida por reconhecer a renúncia à esfera administrativa por conta do ingresso do Writ para discutir a mesma matéria junto ao Poder Judiciária, cuja decisão deverá prevalecer quando do seu trânsito em julgado, repercutindo seus efeito sobre o crédito tributário aqui discutido: ratificandoo ou excluindoo. Portanto, no que tange à matéria recursal coincidente com o objeto do writ, aplicase a Súmula CARF 01: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13786.720056/2011-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 56 /2 01 1- 05 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 53 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 22), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.10/14, relativo ao anocalendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 15.023,83. * omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$48.031,71 da fonte pagadora Miracema Câmara Municipal. O enquadramento legal encontrase às fls.12 e 14. Inconformado o interessado ingressou com a impugnação de fls.02/03, alegando que: 1. foi acometido de cardiopatia grave (CID X I20.0), conforme declaração de avaliação médicopericial, realizada na Unidade Executiva de Perícia Médica de Miracema – RJ, em 14/09/2006, cuja cópia segue em anexo; 2. para corroborar seu argumento , está juntando à presente peça defensória, o Relatório Cirúrgico expedido pelo Hospital de Clínicas de Niterói, onde estão relatados os procedimentos realizados; 3. a partir de setembro de 2006, passou a ser beneficiado pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº7.713, de 22 de dezembro de 1988, referendada pela Lei nº9.250, de 26 de dezembro de 1995, artigo 30, parágrafo 2º, por ser portador de moléstia grave e porque seus rendimentos de aposentadoria, recebidos do INSS e da Câmara Municipal de Miracema, passaram a ser isentos e não tributáveis; 4. acredita que a Câmara Municipal de Miracema tenha apresentado a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de forma incorreta; 5. para comprovar que não houve informação indevida em sua declaração de ajuste/2009, apresentada em 22/04/2009, está acostando ao presente os comprovantes de rendimentos recebidos pelo INSS (R$ 15.810,37) e pela Câmara Municipal de Miracema ( R$ 48.031,71); 6. diante do exposto, não concorda com a Notificação de Lançamento. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 54 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Cientificado em 27/02/2012 (Fls. 30), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 31 a 35), argumentando em síntese: (...) Ao examinar na Agencia local do INSS o processo de n°. 420802956629, constatou que houve falha técnica, não na expressão física da pericia, mas, na citação do código relativo à doença que provocou o pedido de Isenção; Assim é que, o médico que atestou o estado de saúde do paciente/contribuinte, mesmo afirmando que seu paciente WILLER ROQUE MONTEIRO, era portador de CARDIOPATIA GRAVE (DOENÇA CORONARIANA), naturalmente, por descuido, codificou de forma inadequada a doença que constatara, pois, a codificou com o CID 1.20.0, quando deveria apontar o CID 1.25.5; O código CID 1.20.0 referese à enfermidade Angina Instável, o que não fora anotado nem falado na ocasião do pedido e nem acontece agora; Seguindo o atestado de seu colega, o perito médico do INSS, incorreu no mesmo erro técnico, pois, enquadrou o paciente que examinava na Lei n°. 7.713, de 22/09/1988, em seu artigo 6o, Inciso XIV referendado pela Lei n°. 9.250, de 26/12/1995, Artigo 30, parágrafo 2, mas ele, o Perito, copiando do medico assistente, também codificou a doença com o CID 1.20.0, Código inadequado, face à doença sofrida pelo paciente contribuinte (CARDIOPATIA GRAVE); Contudo, a enfermidade sofrida pelo paciente/contribuinte era mesmo aquela afirmada pelo médico JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CRMRJ 52277/69 CARDIOPATIA GRAVE, tanto que a cirurgia recomendada foi realizada e o médico cirurgião especializado, Dr. Mário Ricardo Amar, CRM 52457114, em seu relatório cirúrgico, afirmou, em duas oportunidades, a existência de LESÃO GRAVE OSTIAL; Alem do mais, nos exames a que fora submetido, (comprovantes em anexo), inclusive o Laudo da Cirurgia, foi constatado no paciente a situação de CARDIOPATIA GRAVE, e, nesta situação, ele vive ainda hoje sob efeitos de medicamentos especiais, realização de exercícios físicos e dieta alimentar. Não pode subir escadas, rampas ou morros, porque se atrapalha com Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 55 4 dificuldades na respiração, passa por disritmia cardíaca e descontrole da pressão arterial; Não pode, pois, o paciente/contribuinte ser penalizado, agora, porque dois médicos o que o assiste e o Perito da Previdência Social, concluíram e escreveram certo seus respectivos trabalhos, mas, INADVERTIDAMENTE anotaram, de forma inadequada, a codificação completamente diferente do que constataram, quando anotaram o CID 1.20.0, onde deveriam ter apontado o CID 1.25.5; Escreveram Cardiopatia Grave e anotaram o Código de Angina Instável; Agora, o médico assistente JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CREMERJ 52.277691 corrigiu o engano cometido no Atestado apresentado ao Setor de Pericia do INSS em 08/09/2006: (...) O médico assistente reconheceu o engano e apresentou em manuscrito a sua posição no caso, face ao ocorrido; Quanto ao médico perito, este não se pronunciou ainda, embora o segurado/contribuinte, fazendo valer o seu direito de justiça, após vários contatos diretos, pediu uma solução, apresentando, agora ao Setor de Pericia Médica do INSS, um requerimento formal apelando por um esclarecimento (cópia anexa); É de todo lamentável o descuido do médico assistente e do Médico Perito, e não será o paciente/contribuinte que pagará pelo mal feito, para cuja ocorrência não contribuiu ou não teve participação; Urge, pois, uma correção para o código CID 1.25.5 (CARDIOPATIA GRAVE); No tocante à exigência do Artigo 30 da Lei n° . 9.250, de 26/12/1995, deve ser entendido que o paciente/contribuinte foi isentado do Imposto de Renda, mediante Laudo Pericial emitido por serviço medico oficial da União (Pericia Médica do INSS) e aceita por parecer emitido pela Procuradora da Câmara Municipal de Miracema, cujo parecer acompanha este recurso; (...) Sabese que o Imposto sobre a renda é um imposto justo, mas não é justo, Ilustríssimos Senhores Julgadores, deixarem de corrigir um erro técnico do médico assistente e do Perito, justificando para tanto, as recomendações constantes do Código Tributário Nacional que segundo a Ilustre relatora proibe interpretações de modo diferente do que está escrito; (...) Anexa em conjunto: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 56 5 • CÓPIA DA INTIMAÇÃO; • CÓPIA DA IDENTIDADE E CPF; • CÓPIA DO LAUDO DE PROCEDIMENTO HEMODINAMICO DO HOSPITAL SÃO JOSE DO AVAI; • CÓPIA DO ATESTADO MEDICO EMITIDO EM 08/09/2006; • CÓPIA DA SOLICITAÇÃO DA CIRURGIA; • CÓPIA DO RELATÓRIO CIRÚRGICO; • CÓPIA DO ATESTADO DE RETIFICAÇÃO DO CID, EMITIDO PELO MÉDICO ASSISTENTE; • CÓPIA DO PARECER JURÍDICO DA CAMARA MUNICIPAL (05 FLS.); • CÓPIA DO REQUERIMENTO PARA PERÍCIA MEDICA, COM PEDIDO DE REVISÃO NO LAUDO MEDICO EXPEDIDO EM 14/09/2006. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que a matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pela Câmara Municipal de Miracema ao longo do anocalendário de 2008, exercício 2009. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser aposentado e portador de cardiopatia grave. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 57 6 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que os proventos recebidos eram de aposentadoria(fls. 8 e 9). Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: “Ab initio”, cabe esclarecer que o interessado acostou aos autos o laudo pericial de fl. 05, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (Gerenciamento de Benefício por Incapacidade – Campos dos Goytacazes/RJ), que assevera que o autuado apresenta a moléstia discriminada na Classificação Estatística Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 58 7 Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ( CID X I20.0), que corresponde à moléstia “ angina instável”. Frisese, no entanto, que a supracitada moléstia não se encontra discriminada entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Cabe ressaltar que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Verificase que por ocasião de seu recurso o contribuinte, na tentativa de fazer prova da moléstia grave tipificada em texto legal anexa às fls. 40 declaração assinada por José de Alencar Barros Higino – CRM. 32.27769, onde referido médico ratifica o código da CID utilizado em laudo anterior; modificandoa de CID I.20.0 para CID I.25.5, sendo este relativo a cardiopatia grave, a qual seria hábil para gerar a isenção pretendida. Ocorre que, o referido documento foi emitido por médico particular e não pertencente ao mesmo médico que lavrou o laudo oficial proveniente do INSS e como tal não se mostra hábil a comprovar o suposto equívoco na capitulação da CID. É forçoso reconhecer que a declaração apresentada não pode ser entendida como um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta feita o recorrente não anexou laudo médico oficial, no qual se vislumbre que o mesmo à época do fato gerador já era portador de moléstia cardiopatia grave, presente entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Deste modo, entendo que o recorrente não logrou êxito em provar que, no ano base de 2008, era portador de cardiopatia grave que desse direito a isenção. Não tendo, portanto, direito à mesma. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 59 8 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 15983.720124/2011-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
A apresentação de documento que não atenda às formalidades legais exigidas caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO. EMPRESAS NÃO INCLUÍDAS NO SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO.
As pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES Nacional sujeitam-se às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas em geral, incidentes sobre a folha de pagamento dos trabalhadores a seu serviço.
Numero da decisão: 2403-002.259
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de documento que não atenda às formalidades legais exigidas caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. EMPRESAS NÃO INCLUÍDAS NO “SIMPLES NACIONAL”. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO. As pessoas jurídicas não optantes pelo “SIMPLES Nacional” sujeitamse às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas em geral, incidentes sobre a folha de pagamento dos trabalhadores a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 24 /2 01 1- 27 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0539.002 da 6 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Dos autos de infração Consoante o relatório fiscal de fls. 30 a 36, o processo acima identificado referese ao lançamento de contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço no período de janeiro a dezembro de 2009. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) A empresa foi excluída do Simples Nacional, no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual os levantamentos foram considerados como NÃO declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 2º) Uma vez excluída do SIMPLES, a empresa devia ter refeito suas GFIP, preenchendo no campo próprio o código “01”, que significa empresa não optante pela referida sistemática, a fim de que restassem informadas as contribuições previdenciárias patronais e as devidas a terceiros; 3º) Não tendo procedido conforme o item anterior – ou seja, tendo a autuada mantido nas GFIP o código “02”, relativo a empresa optante pelo SIMPLES, as contribuições patronais previdenciárias e as destinadas a terceiros restaram não declaradas, o que caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previdenciária (art. 337A do Código Penal brasileiro), a ser objeto de comunicação ao Ministério Público Federal; 4º) Este levantamento enquadrase, para efeito de recolhimento da parte patronal, nos seguintes parâmetros: ▫ CNAEFiscal 85937/ 00 ▫ Código FPAS 5150 (contribuição ao GIILRAT à alíquota de 1%) ▫ Código de natureza jurídica 2062 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ▫ Código de Terceiros 0115 (alíquota de 5,8%) 5º) Considerando as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados os fatos geradores de contribuição previdenciária abaixo discriminados: ▫ Prestação de Serviços Remunerados por segurados empregados; ▫ Prestação de Serviços Remunerados pelos sóciosadministradores como contribuintes individuais; ▫ Serviços que lhes foram prestados por Contribuinte Individual. 6º) As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram lançadas com códigos de levantamento, a seguir: ▫ PL PRO LABORE Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo ao desconto de 11% (onze por cento) sobre a remuneração paga a contribuinte individual (sócio), verificado no Livro Diário sob a denominação de "contacorrente sócios transferência para Alexandre", fls. 02, 04, 08, 09 e Contribuição Patronal (20%), compreendido entre o período de 01 a 12/2009. Aplicada multa de mora de 75%. ▫ CI Contribuinte Individual, Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo ao desconto de 11% (onze por cento) sobre a remuneração paga a contribuinte individual (prestador de serviço), sob a denominação de "Gil gesso" e Contribuirão Patronal (20%), verificada nas competências 11 e 12/2009, constatada no Livro Diário de 2009.Aplicada multa de mora de 75%. ▫ RE Remuneração Folha de Pagamento Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo a Contribuição Patronal (20%), GILRAT (1%) e Terceiros (5,8%) sobre os valores da remuneração constante das Folhas de Pagamento Mensais pagas ao segurados empregados, levantamento considerado para as competências 01 a 13/2009. Aplicada multa de mora de 75%. ▫ AL Alimentação Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo a Contribuição dos Segurados (8%) descontada da remuneração paga aos segurados empregados c a Contribuição Patronal (20%), GILRAT (1%) e Terceiros (5,8%) sobre os valores pagos à título de alimentação verificada nos Livro Diário aos segurados empregados, levantamento considerado para o período de 01 a 05 e 07 a 11/2009. Nota: O levantamento "AL", referese a importâncias pagas pela empresa aos segurados empregados, relativas a alimentação, verificadas no Livro Diário 2009, uma vez que a empresa não é inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT do Ministério do Trabalho. Esse programa beneficia as empresas inscritas com a não Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 4 5 incidência de contribuição previdenciária. Dessa forma, como a empresa não é inscrita no PAT, incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a título de alimentação. 7º) Em decorrência deste procedimento fiscal, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: ▫ DEBCAD 37.318.4131, referente às Contribuições devidas sobre remuneração paga aos segurados empregados (alimentação), contribuinte individual (prestador de serviço gesseiro) e contribuintes individuais (sócios), originadas dos valores que compõem lançamentos no Livro Diário, lançadas no levantamento "AL, PL, Cl" . ▫ DEBCAD 37.318.4107, referente às Contribuições (alíquota = 5,8%) relativas às entidades denominadas terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), originadas dos valores verificados no Livro Diário lançadas no levantamento "RE, AL" . ▫ DEBCAD 37.346.7869, referente às Contribuições Patronais (alíquota = 20%) lançadas no levantamento no Livro Diário "AL, PL, Cl, RE" c as correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Infração laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalhoGILRAT (1%) , originadas dos valores que compõem as folhas' de pagamento e Livro Diário, lançadas no levantamento "AL, RE"; e ▫ DEBCAD 37.318.4123 Código de Fundamento Legal – CFL 38, conforme a seguir discriminado: Descrição sumária da Infração: Deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante da empresa em liquidação judicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Situação Fática: A empresa não apresentou Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, bem como os Livros de Registro de Empregados da matriz CNPJ 03.468.901/000109 e da filial CNPJ 03.468.901/000443. Não foram observadas circunstâncias agravantes. Dispositivo Legal Infringido: Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33 parágrafos 2o e 3, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27.05.2009, combinado com os arts 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 . Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Capitulação da multa aplicada: Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, Alínea " j " e art. 373. Valor da Multa: R$ 15.235,55 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos), conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31.12.2010 (DOU 03.01.2011, retificado em 04.01.2011). Da impugnação Inconformada com os lançamentos retro citados, a empresa impugnouos por meio do expediente anexado às fls. 116 a 120, em que postula o cancelamento dos autos de infração nº 37.318.4107, 37.318.4123, 37.318.4131 e 37.346.7869, mediante as seguintes alegações, em síntese: ▫ Quanto à sua situação em relação ao “Simples” 1º) Ao retomar as suas atividades em janeiro de 2009, constatou que seu pedido, formulado em 28/01/2009, de opção pelo SIMPLES NACIONAL não fora aceito sob o argumento de que havia pendências; 2º) Tais pendências foram integralmente regularizadas, conforme comprovam os DARF's anexos, espelhos das consultas das Inscrições em Divida Ativa; 3º) Em 20/03/2009, através do Processo Administrativo nº 10845.000503/200943 (cópia em anexo), a IMPUGNANTE solicitou sua reinclusão no SIMPLES retroativamente a 01/01/2009 e continuou pagando seus tributos na forma da referida sistemática simplificada; 4º) Até a presente data, o Processo Administrativo nº 10845.000503/200943 não foi julgado, não tendo a IMPUGNANTE notícia sobre seu deferimento ou indeferimento; 5º) Com os pagamentos dos DAS Documento de Arrecadação do Simples efetuados normalmente, em 27/03/2009 foi fornecido à IMPUGNANTE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Certidão ns 001932009¬21200901 (doc. anexo); 6º) Ainda, em 31/08/2009, nova certidão foi emitida: "CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS A TRIBUTOS FEDERAIS E À DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO; 7º) Com a emissão das mencionadas certidões, caracterizouse o foro de veracidade de que a opção ao SISTEMA SIMPLES NACIONAL estava cabalmente satisfeita. Desta forma a IMPUGNANTE continuou a efetuar seus pagamentos nesse Regime Tributário, razão pela qual não foram declarados na GFIP, por ser desnecessário seu preenchimento com relação às Contribuições Patronais de INSS e de Terceiros, utilizandose, destarte, o código referente ao Simples. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 5 7 ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4107 Deve ser tornado sem feito, uma vez que a IMPUGNANTE não estava obrigada aos recolhimentos das contribuições destinadas a terceiros (Sal. Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), bem como os acréscimos legais e demais combinações dessas contribuições, em virtude da sua inscrição no Regime Tributário do Simples Nacional. ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4123 Deve ser considerado improcedente, uma vez que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram tempestivamente entregues, a saber: • Em 15/06/2011, conforme PROTOCOLO DE ENTREGA DE DOCUMENTOS (anexo), assinado por MÁRCIA DE CARVALHO LOPES MOROZETI, e • Em 20/05/2011, entregue diretamente nesta autarquia, conforme PROTOCOLO assinado por ANA MARIA (matricula ns 0598390). ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4131 Deve ser tornado sem efeito, uma vez que A IMPUGNANTE, em virtude da sua inscrição no Regime Tributário do Simples Nacional, não estava obrigada ao pagamento dessas contribuições. ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.346.7869 Deve ser tornado sem efeito, uma vez que se refere a contribuições previdenciárias combinadas com acréscimos legais das empresas não contempladas com o Regime Tributário do Simples Nacional. 8º) Imperioso evidenciar que não houve qualquer omissão ou sonegação, por parte da IMPUGNANTE, não estando desta forma incurso no Crime de Sonegação Fiscal Previdenciária, mesmo porque caracterizada está a sua boafé. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Ao Autos de Infração 37.318.4107; 37.318.4131 e 37.346.7869 estão associados à não inscrição no SIMPLES Nacional. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · O Auto de Infração 37.318.4123 referese a descumprimento de obrigação acessória: deixar de entregar o Livro Diário de 2009 e o Livro Registro de Empregados da matriz e filial. · Cumpriu todas as regras para seu reingresso no SIMPLES Nacional e os Autos de Infração 37.318.4107; 37.318.4131 e 37.346.7869 devem ser cancelados. · Não pode ser punida pela demora do fisco que não julgou ainda o processo 10845.000503/200943 – Reingresso no SIMPLES Nacional. · Obteve CND. · Conforme protocolo, entregou todos documentos solicitados. · Empresa optante pelo SIMPLES Nacional estão desobrigadas do livro Diário. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Para a solução do litígio temos 2 pontos a analisar: a questão do SIMPLES Nacional e a questão da obrigação acessória. SIMPLES NACIONAL Conforme apresentado acima, a empresa foi excluída do SIMPLES Nacional por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil. Não consta contencioso acerca do processo de exclusão. O que temos é um processo onde a recorrente requereu a “inclusão com data retroativa” no Simples Nacional, teve indeferido seu requerimento e manifestou inconformidade. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 6 9 Consultando no COMPROT, no dia 29/08/2013, verifiquei que o processo ainda não foi julgado pela DRJ Campinas. Dados do Processo Número :10845.000503/200943 Datade Protocolo :20/03/2009 Documento de Origem :SIMPLES Procedência : Assunto:INCLUSAO COM DATA RETROATIVA IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado:DUARTE PIRES LTDAME CNPJ :03.468.901/000109 Tipo:Digital Sistemas Profisc:NãoEProcesso :SimSIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem:SERVICO CONTROLE JULGAMENTODRJCPS SP Órgão:SERV ORIENT ANALISE TRIBUTDRFSTSSP Movimentado em:27/09/2012 Sequencia :0010 RM :12186 Situação:EM ANDAMENTO UF:SP A recorrente, neste processo, alega que as pendências que impediam sua permanência no Simples Nacional no ano de 2009 foram integralmente regularizadas, que até a presente data, não houve julgamento do Processo Administrativo nº 10845.000503/200943, relativo à manifestação de inconformidade com o indeferimento do seu pedido de permanência no referido sistema simplificado e que por lhe terem sido fornecidas diversas certidões negativas de débito relativas a contribuições previdenciárias e contribuições destinadas a terceiros, caracterizouse que a opção ao “Simples Nacional” estava satisfeita. Não concordo com a recorrente. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Entendo que quando do lançamento, a empresa não era optante pelo SIMPLES Nacional e tinha como obrigação o recolhimento e declaração das contribuições previdenciárias patronais e para terceiros. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O fisco lançou o Auto de Infração DEBCAD 37.318.4123, por a empresa não ter apresentado o Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, bem como os Livros de Registro de Empregados da matriz CNPJ 03.468.901/000109 e da filial CNPJ 03.468.901/000443. O dispositivo legal infringido, a capitulação e a valoração de multa estão bem descritos. A recorrente informa que entregou todos documentos solicitados e apresenta protocolos de entrega, folhas 173 e 174. Afirma também que por ser optante pelo SIMPLES Nacional estava desobrigada de apresentar o Livro Diário. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, recebido pela empresa via postal em 21/01/2011 (v. AR à fl. 42), a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: · Livro Caixa e Registro de Inventário · Livro Diário · Livro Razão · Registro de empregados O mencionado “Protocolo de Entrega de Documentos”, folha 173, contém registro do Diário e também dos Registro de Empregados, porém, que o recebeu registrou que recebeu documentos “sem conferência”. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 7 11 Outro ponto, que entendo decisivo, é que, quanto ao Livro Diário (considero já resolvida a questão do SIMPLES Nacional), a autuação deuse por não ter apresentado o Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, formalidades legais imprescindíveis. Nada foi dito no recurso quanto às formalidades. Entendo que o documento apresentado não atendia às formalidades legais exigidas, o que caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.003028/2003-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS.
Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-002.101
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 30 28 /2 00 3- 86 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA, com fundamento nos artigos 64, 67 e 68 do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração lavrados contra a empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA para a constituição de crédito relativo ao PIS, referente aos exercícios de 1998 a 2002. Foram arrolados os recorrentes como coresponsáveis solidários pelo pagamento do crédito tributário. Insurgiramse os mesmos contra o acórdão nº 10809.479, proferido pelos membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, quanto à imputação da responsabilidade tributária, negaram provimento ao recurso voluntário. Cientes formalmente do referido acórdão, os recorrentes interpuseram Embargos de Declaração para que fosse sanada omissão no voto. Alegaram que não haviam sido analisadas as provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada exerceu suas funções de gerente da empresa e que a procuração em conjunto para os três recorrentes só aconteceu em momento posterior. Os Embargos opostos foram acolhidos parcialmente para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no referido acórdão, visto que a manutenção da responsabilização tributária dos recorrentes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Devese conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo. PIS – LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do processo matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar rejeitada. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 713 3 A decisão recorrida foi proferida no sentido de responsabilizar os recorrentes uma vez que, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, ficou claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos mesmos. Os recorrentes, nas razões recursais, argumentaram que, enquanto no acórdão recorrido a decisão se deu no sentido de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, nos acórdãos paradigmas concluise que fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos nos quais intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. Em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelos recorrentes responsáveis solidários para que seja reapreciada a discussão sobre a designação responsáveis solidários dos procuradores da pessoa jurídica em detrimento dos sócios da pessoa jurídica. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, que, tendose em vista a responsabilidade solidária por interesse comum, e tendo sido verificado que os sócios de direito eram, na verdade, interpostas pessoas, restou comprovada pela Fiscalização a vinculação da Cometa Distribuidora de Alimentos com os recorrentes, relacionados como sócios de fato, devendo ser mantida, portanto, a decisão recorrida em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Tratase de Recurso Especial de Divergência apresentado por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA em face do acórdão nº 10809.479, na parte em que, no tocante à imputação da responsabilidade tributária, negou provimento ao Recurso Voluntário. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pelos recorrentes, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual os sócios de fato tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. O entendimento proferido no acórdão recorrido foi adotado porque, a partir da análise do conjunto probatório do presente processo, chegouse à conclusão que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos ora recorrentes. No voto do acórdão embargado, a manutenção da responsabilização tributária dos contribuintes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. Foram analisadas as declarações tomadas a Termo, a diligência realizada, os cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelos recorrentes responsabilizados tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas. Dispõe da seguinte forma o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Dessa forma, fica claro que cabe Recurso Especial para analisar interpretação divergente dada à lei, portanto tratase de revisão de matéria de direito. Assim, o Recurso Especial não serve como instrumento para a mera reanálise de provas. Ademais, os cinco acórdãos paradigmas trazidos versam sobre situações fáticas diversas daquela contida no acórdão recorrido, tratando, consequentemente, de conjuntos probatórios distintos do apreciado na decisão recorrida, o que descaracteriza tais acórdãos como paradigmas. Assim é o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) Fl. 763DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 714 5 RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Os acórdãos apresentados chegaram à conclusão diversa da proferida no caso em questão porque em cada um deles há uma situação fática específica, havendo, como decorrência lógica, um conjunto probatório próprio que foi apreciado. Para comprovar isso basta uma breve análise de cada acórdão. Acórdão nº 180100243 PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente, Irrelevantes para a autuação em apreço, que só pode ser ilidida pela apresentação de prova documental que justifique a origem dos recursos depositados em favor da contribuinte no exterior, Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento. No primeiro acórdão paradigma, a situação fática diz respeito à comprovação de origem de depósitos bancários, o que diverge, evidentemente, da situação fática do acórdão recorrido. Assim, foi decidido que a prova documental tem valor probatório superior à prova testemunhal devido à análise dos fatos específicos ocorridos, bem como das provas desse caso. Desse modo, no acórdão acima transcrito houve uma valoração das provas com base nos fatos que ocorreram, assim como também houve valoração no caso do acórdão recorrido, a qual levou à responsabilização tributária dos recorrentes. Portanto, com base no conjunto probatório do presente caso, que é distinto do que embasou a decisão acima transcrita, foi decidido que os contribuintes eram os sócios de fato da empresa, o que acarretou a responsabilidade dos mesmos. Dessa forma, diante da existência de situações fáticas distintas, bem como de conjunto probatório distinto dos acórdãos recorrido e paradigma, não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10196.145 RESPONSABILIDADE PESSOAL – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes Fl. 764DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. Com o segundo acórdão paradigma, os recorrentes pretenderam demonstrar que só é possível a responsabilização de terceiros quando provado que são os verdadeiros sócios, o que, na visão deles, não ocorreu no presente caso. Porém, a partir da análise do conjunto probatório do processo em questão, foi concluído que os mesmos eram os sócios de fato da empresa, o que levou à responsabilização tributária. As situações fáticas de ambos os acórdãos, assim como as provas delas decorrentes, são diversas, sendo tomada cada decisão com base nas provas específicas de cada caso. Contudo, apesar das situações fáticas dos acórdãos paradigma e recorrido serem diferentes, a análise de cada um dos conjuntos probatórios levou a conclusões similares. Acórdão nº 10249.245 SOLIDARIEDADE PASSIVA – INEXISTÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES – LANÇAMENTO CANCELADO – A solidariedade tributária se caracteriza pela existência de interesse jurídico, e não econômico, vinculado a atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Para que exista solidariedade, em matéria tributária, deve haver, numa mesma relação jurídica, duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, situação em que cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo a ocorrência do fato imponível. Fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos com que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. No terceiro acórdão paradigma, os fatos referemse à responsabilização do procurador da pessoa jurídica, e, por meio do conjunto probatório nele existente, foi decidido que o mesmo, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário; Já no acórdão recorrido, através das provas produzidas, ficou demonstrado que os recorrentes eram sócios de fato, e não meros procuradores. Assim, em que pese as decisões serem diferentes, as mesmas partiram de situações e provas também diversas, portanto não restou demonstrada a divergência. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 715 7 Acórdão nº 10705.221 IRPJ/IRFONTE – RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS – A transferência da responsabilidade tributária a terceiros, nos termos do artigo 135 do C.T.N., deve estar embasada em documentos de prova que demonstrem claramente a ocorrência dos pressupostos nele previstos. No quarto acórdão paradigma, os recorrentes, assim como ocorreu no segundo acórdão paradigma, tentam demonstrar que somente podem ser responsáveis terceiros quando claramente provada a ocorrência dos pressupostos do art. 135 do CTN. Ocorre que, para que fosse proferida tal decisão, foi analisado o conjunto probatório desse caso, que é diverso daquele do acórdão recorrido, uma vez que as situações fáticas também são distintas, e, através das provas dos autos, para os julgadores ficou evidente que ocorreram os pressupostos previstos no mencionado artigo, devendo, assim, haver a responsabilização dos mesmos pelo crédito tributário. Portanto, para que seja alterada a decisão que responsabilizou os recorrentes, é necessária uma nova análise de todas as provas do processo, e, como explicado anteriormente, não cabe revisão de provas em âmbito de Recurso Especial. Acórdão nº 120200.198 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DE TERCEIROS, PROCURADORES. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DIRETA INDIVIDUALIZADA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO PRESUMIDO POR FORÇA DE LEI. Quanto à responsabilidade solidária e pessoal dos terceiros envolvidos, procuradores, não trazendo a fiscalização provas diretas e objetivas a corroborar a dolosa participação na infração de presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários, tal caracterização não pode ser mantida apenas em indício isoladamente, com o que se afasta, por essa razão, a possibilidade de responsabilidade tributária, solidária e pessoal, de terceiros, pelo crédito tributário do sujeito passivo. No quinto e último acórdão paradigma, a situação trazida mais uma vez não se assemelha ao caso do acórdão recorrido, visto que tratase de responsabilidade tributária, solidária e pessoal de terceiros pelo crédito tributário do sujeito passivo quando estes forem procuradores, o que restou comprovado que não é a situação dos recorrentes, uma vez que foi concluído que são sócios de fato. Além disso, mais uma vez, o que possibilitou tanto a decisão do paradigma quanto a decisão recorrida foi a apreciação do conjunto probatório de cada um dos casos, que, por sua vez, são distintos. Além disso, o paradigma versa sobre omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, o que é diferente da situação fática da decisão recorrida. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 Ademais, conforme já exposto acima, o art. 67 do Regimento Interno do CARF prevê que “compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”, entretanto, com o acórdão paradigma em questão, os recorrentes trouxeram aos autos acórdão proferido pela mesma turma que proferiu o acórdão recorrido. Notese que a denominação da turma é diversa em razão da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, senão vejamos a redação dos artigos 1º e 2º, II, da MF 41/2009: Art. 1º Fica instalado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme disposto no art. 44, §1 º da Medida Provisória n º 449/2008. Art. 2º Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2 º da Medida Provisória n º 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n º 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: II A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passa a integrar a Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seu colegiado constitui a Segunda Turma Ordinária da referida Câmara; Assim, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passou a ser denominada Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Note que houve alteração de denominação da câmara e não criação de uma nova. Não há, dessa forma, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, requisito de admissibilidade do Recurso Especial. Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, por se tratarem os acórdãos recorrido e paradigmas de representantes de situações fáticas diversas, e sendo necessária unicamente a reanálise de provas para a solução da questão suscitada, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial dos contribuintes. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 767DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 716 9 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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Numero do processo: 11442.000209/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 09 /2 01 0- 71 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11543.001066/2002-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/08/2001
COFINS. PIS/PASEP. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. CARÁTER INTERPRETATIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O instituto da importação por conta e ordem de terceiros somente foi introduzido no universo jurídico pátrio com a publicação da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, por intermédio de seus arts. 77 a 81, normatizada pela Instrução Normativa nº 75/2001, cujos textos, em momento algum, prevêem expressamente tratar-se de normas interpretativas, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual sua eficácia é exclusivamente prospectiva, não podendo retroagir para alcançar fatos jurídicos que lhe são anteriores.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Fez sustentação oral pela recorrente drª Gabriela Pimenta.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Jean Cleuter Simões Mendonça Relator
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
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PIS/PASEP. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. CARÁTER INTERPRETATIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O instituto da “importação por conta e ordem de terceiros” somente foi introduzido no universo jurídico pátrio com a publicação da Medida Provisória nº 2.15835/2001, por intermédio de seus arts. 77 a 81, normatizada pela Instrução Normativa nº 75/2001, cujos textos, em momento algum, prevêem expressamente tratarse de normas interpretativas, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual sua eficácia é exclusivamente prospectiva, não podendo retroagir para alcançar fatos jurídicos que lhe são anteriores. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Fez sustentação oral pela recorrente drª Gabriela Pimenta. Júlio César Alves Ramos – Presidente Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 66 /2 00 2- 76 Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS e da COFINS no valor de R$ 8.016.504.12 (oito milhões, dezesseis mil, quinhentos e quatro reais e doze centavos), supostamente recolhido de modo indevido em operações de importações por conta e ordem de terceiros, nos anos de 1998 a 2001, conforme pedido protocolado em 05/03/2002 (fls.01/10). As fls.2.161 às fls.2.320 contêm vários PER/DCOMPs, cujo objetivo é o aproveitamento do crédito para compensar os débitos do IPI, do PIS e da COFINS de diversos períodos. A Delegacia de origem entendeu que o PIS e a COFINS eram devidos e não reconheceu o direito creditório (fls.1.979/1.985). Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls/ 1.987/1.997), mas DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve o indeferimento ao prolatar acórdão (fls.2.391/2.416) com a seguinte ementa: “COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO – EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo das contribuições devidas pelo importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de setembro. de 2001, o disposto no art. 81 da MP n° 2.15835/2001, atendidos, cumulativamente, os requisitos fixados pelas IN/SRF n's 75/2001 e 98/2001. PIS/COFINS APURAÇÃO – RETROATIVIDADE DA NORMA APLICÁVEL Somente retroagem as normas meramente interpretativas, não possuindo tal característica a norma de caráter material, que estabelece sistemática nova de apuração da contribuição, não prevista até então. PIS/COFINS APURAÇÃO PREVISÃO LEGAL A apuração da contribuição está vinculada ao disposto na norma legal que a rege ao tempo do fato gerador, ainda que haja manifestações infralegais, não vinculantes, em sentido diverso. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.363 3 ATOS ADMINISTRATIVOS – EFEITO VINCULANTE Somente possuem efeito vinculante os atos administrativos expedidos pela SRF com força normativa, ou, ainda, as manifestações de outros órgãos, ratificadas pelo Ministro da Fazenda”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/02/2008 (fl. 2.443) e interpôs Recurso Voluntário em 19/03/2008 (fls. 2.464/2.487), com as alegações resumidas abaixo: 1 A Contribuinte apenas realizou o serviço de nacionalização de mercadoria. A compra foi realizada diretamente da origem ao destinatário, sem que a Contribuinte participasse da cotação de preço. Por isso, não há venda de mercadoria; 2 É inscrita no FUNDAP – Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, que se trata de um programa criado pelo Estado do Espírito Santo, cujo objetivo é o desenvolvimento das exportações e importações pelo Porto de Vitória/ES; 3 Pela Nota COSIT nº 163, de 11 de junho de 2001, e pelo Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional CAT nº 1.316, de 09 de julho de 2001, as empresas inscritas no FUNDAP não vendem mercadoria, mas apenas prestam serviços. Como a citada Nota e o Parecer são interpretativos, eles retroagem, sendo aplicável ao presente caso; 4 Os valores referentes às mercadorias não configuram receita, mas mero ingresso. Sua receita é constituída somente pelo serviço prestado; Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o acórdão da DRJ, reconhecido o direito creditório e homologadas as compensações. O processo foi apreciado pela primeira vez por este Conselho em 27/09/2012, ocasião na qual o julgamento foi sobrestado com base no §1º, do art. 62A, do RICARF, em razão do Recurso Extraordinário nº 635.443, reconhecido como representativo de controvérsia pelo STF, que trata da mesma matéria deste processo (fls.2.362/2.364). Não obstante, com a revogação da norma que ordenava o sobrestamento, os autos retornaram para apreciação do mérito, mesmo sem a decisão definitiva da Suprema Corte. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente faz importação por conta e ordem de terceiro e recolheu, nos anos de 1998 a 2001, o PIS e a COFINS sobre o valor do serviço de importação e sobre o valor da mercadoria. Agora, busca a restituição das contribuições recolhidas sobre os valores das mercadorias, sob a alegação de que o PIS e a COFINS não incidem sobre essa parcela. Portanto, o cerne da questão consiste em saber se o PIS e a COFINS incidem sobre o valor total, isto é, serviço e mercadoria; ou somente sobre o valor do serviço. Como é cediço, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, regulados pela Lei nº 9.718/98. A partir desse julgamento, ficou pacificado que o PIS e a COFINS incidem somente sobre o valor da venda e/ou da prestação de serviço. A partir dessa consideração, cabe saber se a Recorrente efetua venda ou apenas presta serviço. Caso efetue venda de produto importado, o PIS e COFINS incidirão sobre o valor total, mas se apenas faz o serviço de intermediação e a nacionalização da mercadoria, o PIS e a COFINS incidirão somente sobre o valor do serviço. Nessa linha, cabe destacar a definição de importador por conta e ordem de terceiro, disposto no inciso I, §1o, do art. 12, da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002, o qual assim dispõe: “I– entendese por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial”. Muito embora essa norma seja de 2002, portanto posterior aos fatos geradores tratados no processo, ela serve como base para o entendimento da importação por conta e ordem de terceiro, haja vista dar uma definição de uma figura que já existia antes de sua vigência. E, pelo texto, percebese que a importação por conta e ordem de terceiro configurase prestação de serviço e não de venda de mercadoria, pois no momento da importação a mercadoria já está adquirida por outrem, de modo que não há a revenda, mas apenas a intermediação entre o comprador e vendedor e os serviços de desembaraço aduaneiro. A definição dada pela Receita Federal do Brasil, em sua página, não deixa dúvida de que a importação por conta e ordem de terceiro configura prestação de serviço, senão, vejamos: Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.364 5 “A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa – a importadora –, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa – a adquirente –, em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/02 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/02). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem –, que é uma mera mandatária da adquirente. Em última análise, é a adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação. Entretanto, diferentemente do que ocorre na importação por encomenda, a operação cambial para pagamento de uma importação por conta e ordem pode ser realizada em nome da importadora ou da adquirente, conforme estabelece o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. (disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default.asp?Pos= 2&Div=Aduana/ContaOrdemEncomenda/ContaOrdem/ )(grifos nosso) Logo, como a importação por conta e ordem de terceiro é apenas prestação de serviço, o faturamento do importador por conta e ordem de terceiro é o valor apenas da prestação de serviço e não o valor total da mercadoria, de modo que o PIS e a COFINS incidem somente sobre o valor recebido a título da prestação de serviço. Portanto, é indevido o recolhimento do PIS e da COFINS sobre o valor total da mercadoria, de forma que a Recorrente tem direito ao ressarcimento. Ocorre que no caso concreto não há como analisar se a Recorrente tem direito ao ressarcimento, pois, conforme informação constante na fl.1.983 (vol. IX), a delegacia de origem indeferiu o ressarcimento com base em matéria de direito, sem analisar os documentos apresentados pela Contribuinte. Por essa razão, não há como saber se todas as operações no Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 período foram importação por conta e ordem de terceiro, se houve alguma revenda e se , de fato, houve o recolhimento do PIS e da COFINS no montante alegado. Diante dessas informações, é o caso de converter o julgamento em diligência, para que os autos retornem à delegacia de origem, a fim de que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1 No período cuja Recorrente pede o ressarcimento, ela efetuou alguma importação por conta própria e depois revendeu a mercadoria? Quais? 2 Qual o valor do PIS e da COFINS incidentes sobre o valor das mercadorias foram recolhido no período compreendido no pedido de ressarcimento? 3 Diante das considerações feitas pelo ora Relator, qual o valor do PIS e da COFINS recolhido indevidamente no período inscrito no pedido de ressarcimento? Após a conclusão da diligência e elaboração de relatório com a resposta dos quesitos acima, devese intimar a Recorrente para que ela se manifeste acerca do resultado da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias. Vencido esse prazo, os autos devem retornar a este Conselho, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com todo respeito ao entendimento do eminente Conselheiro Relator, entendo dispensável a realização da diligência proposta, haja vista a improcedência prima facie do direito vindicado. Como relatado, a pretensão do recorrente seria reaver o que supostamente recolheu de forma indevida, a título de PIS/PASEP e COFINS, por entender que as disposições dos arts. 77 a 81 da MP 2.15835/2001 aplicarseiam retroativamente, por força do art. 106, I do Código Tributário Nacional. Para melhor balizar a situação, reproduzo o teor daqueles dispositivos, em sua redação original, verbis: Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.365 7 “Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” Já o art. 106, I do CTN prevê que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Como se observa, para que determinada norma legal possa ser qualificada como interpretativa há necessidade expressa de previsão desta eficácia. No caso vertente, em momento algum a Medida Provisória nº 2.15835/2001 ressaltou esta situação jurídica. Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 As normas, de maneira geral, produzem efeitos prospectivos, alcançando apenas os fatos jurídicos ocorridos após sua introdução no sistema legal, sendo a retroatividade exceção a esta regra, razão porque exige estipulação específica de sua ocorrência. O caráter interpretativo de determinada lei tributária, à luz do Código Tributário Nacional, não pode ser presumido, como parece sustentar o recorrente, mas sim, deve ser claro e, principalmente, textual. Demais disso, os preceptivos em comento somente foram regulados pela Secretaria da Receita Federal com a edição da Instrução Normativa nº 75, de 13/09/2001, que trouxe os requisitos e condições para realização de importação por conta e ordem de terceiros, que, por seu turno, não estendeu a sua incidência e aplicação às importações anteriormente realizadas. O próprio art. 80 da MP 2.15835/2001 delegou competência à SRF para “estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro”, o que foi corporificado pelo art. 2º da IN SRF 75/2001. Em minha opinião, a previsão de requisitos e condições para exercício de um direito não se compagina com o caráter interpretativo de uma norma legal, pois não vejo como um comando de lei possa retroagir, como efeito da interpretação, para impor a observância de determinada regra, forma ou modelo. Então, o simples estabelecimento de requisitos e condições para exercício de um direito qualquer afasta por completo a possibilidade de se tratar de “lei interpretativa”. Como decorrência lógica desse raciocínio, a figura da “importação por conta e ordem de terceiros” somente ganhou existência jurídica, no âmbito tributário, com a publicação da MP 2.15835/2001 e a IN SRF 75/2001, não havendo qualquer regulamentação anterior a respaldar a forma de tributação pretendida pelo recorrente. No mais, a questão foi muito bem enfrentada e decidida pela decisão recorrida, motivo pelo qual remeto, como razão de decidir, à fundamentação lá deduzida. Respeitante às colocações acerca da conceituação de receita e sua diferenciação de “mero ingresso” para definir a amplitude do conceito de faturamento, tratase de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (“considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”), porquanto não deduzida em manifestação de inconformidade. Em face de todo o acima exposto, considerando que o período a que se refere o pretenso indébito (01/03/1997 a 31/08/2001) é anterior à eficácia do art. 81 da MP 2.158 35/2001, voto por negar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.366 9 Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19311.000021/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. .Ausente justificadamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que foi substituído pelo Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000021/201020 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 1401001.258 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CONCESSIONARIA DO SISTEMA ANHANGUERABANDEIRANTES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. .Ausente justificadamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que foi substituído pelo Conselheiro Henrique Heiji Erbano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 21 /2 01 0- 20 Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.258 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração por meio do qual a Fazenda Nacional infirma as razões adotadas para o afastamento da multa isolada pelo não recolhimento, a tempo, de estimativas. A decisão embargada adotou, como razão de cancelamento da multa isolada, o fato de ter havido o pagamento antecipado das estimativas com denúncia espontânea, quando na verdade, não teria havido a espontaneidade pedida pela lei. É o relatório. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.258 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os embargos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. Analisando os fundamentos da decisão embargada, vejo que, de fato, não houve espontaneidade na hipótese. De toda sorte, remanesce inatacado o fundamento descrito na decisão embargada – por si só suficiente à manutenção do julgado – no sentido de que “por serem, as estimativas do imposto de renda, antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110)”. Assim, suprimindo as referências à denuncia espontânea a pagamento antecipado, conheço e rejeito os embargos. É como voto. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003225/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 22 5/ 20 05 -6 9 Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido. “Trata o presente feito de auto de infração de COFINS, relativo aos anos calendário de 2000 a 2003 (fls. 66/68). De acordo com o Termo de Verificação (fls. 56/57), foi constatada diferença entre o valor devido e o declarado em DCTF. As disposições legais que embasaram o lançamento encontramse descritas nos referidos termo e auto de infração. Em 30/11/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 66) e, em 29/12/2005, apresentou defesa (fls. 71/84), resumidamente, nos seguintes termos: que a Cofins apurada em junho de 2003 havia sido compensada com créditos de PIS decorrentes de pagamentos a maior nos meses de janeiro a abril de 2003, conforme demonstrado à fl. 73. quanto ao mês de outubro de 2003, constatouse que houve recolhimento a menor e procedeuse ao pagamento da diferença devidamente atualizada, consoante quadro de fl. 74. que a multa de ofício não pode prosperar, pois se configura abusiva e viola os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. no que se refere aos demais valores, que a fiscalização não demonstrou a origem dos mesmos para que a impugnante pudesse aferir a procedência dos referidos valores. Em 29/07/2009, a Votorantim Celulose e Papel S/A, CNPJ 60.643.228/000121, e a Suzano Papel e Celulose S/A, CNPJ 16.404.287/000155, apresentaram petição de fls. 127/128, em que alegam serem as sucessoras da impugnante e solicitando a retificação do processo para constarem como partes interessadas na lide.” Os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRJ, por unanimidade de votos, consideraram procedente, em parte, a impugnação para manter parcialmente o crédito tributário. Intimada em 06/01/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05/02/2010 no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele se conhece. Da Extinção dos Débitos da COFINS das Competências de 01/2001, 02/2001, 02/2003, 04/2003 e 05/2003 Alega a Recorrente que os valores referentes aos períodos de 01/2001, 02/2001, 02/2003, 04/2003 e 05/2003, diziam respeito à majoração da base de cálculo da COFINS levada a cabo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Alega que tais valores estavam com exigibilidade suspensa em face da interposição de Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0173237, o qual teve decisão favorável ao contribuinte, proferida pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 04 de abril de 2006, Recurso Especial nº 692.983/SP, sendo tais débitos extintos definitivamente. Outrossim, alega a Recorrente que os valores supostamente devidos, estão sendo cobrados em duplicidade, uma vez que a Recorrente incorporou a empresas: Cia. Santista de Papel e a Limeira Indústria de Papel de Cartolina. Alega que as divergências da COFINS da extinta Cia. Santista de Papel e Celulose, é objeto do processo administrativo nº 19515.003120/200518, como a suposta divergência de COFINS da extinta Limeira S. Indústria de Papel e Cartolina é objeto do processo nº 19515.003119/200585, sendo que todos os processos inclusive o presente, foram originados do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0819000/00958/05. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Todavia, dos documentos acostados aos autos não há como aferir se os valores discutidos no presente processo, referemse aos mesmos valores discutidos nos demais processos administrativos supracitados, bem como se tais valores estão abrangidos pelo Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0173237. Isto posto, proponho converter o julgamento em diligência, para que sejanos informado se os valores objeto dos seguintes processos referemse efetivamente a valores lançados em duplicidade, ou cujas bases de cálculo desses lançamentos, posteriores, incluiram os mesmos valores lançados, decorrentes de eventual consolidação dessas contas decorrentes da incorporação das companhias acima mencionadas, e que resultaram nesses dois processos adicionais, de nºs: 19515.003120/200518 e 19515.003119/200585. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 5 4 Da Exigência Fiscal referente à Competência de 06/2003. Por fim, alega a Recorrente que a exigência fiscal, especificamente em relação à competência de 06/2003, corresponde à parcela de débito de Cofins, que foi extinta por meio de três Declarações de Compensação – DCOMP´s transmitidas pela Recorrente. Nos termos do artigo 170 do CTN: “A lei, pode nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Posteriormente, sobreveio o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 que autorizou a compensação para quitação de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em conformidade com os artigos supracitados, foi editada a Instrução Normativa nº 21/97, posteriormente revogada pela Instrução Normativa nº 210/2002, que passou a disciplinar acerca da compensação administrativa, nos seguintes termos: “Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2o A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.” Além disso, a Instrução Normativa SRF n° 014, de 14/02/2000), vigente à época dos fatos, dispunha que, somente a DCTF se caracterizava como instrumento de comunicação dos débitos dessa natureza, que não tenham sido pagos, à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. No caso concreto, vêse que a Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380 (fls. 109/115 e 170), por ter sido formalizada antes da data da publicação da MP nº 135/2003, não constitui confissão de dívida. Assim, dada a ausência de declaração constitutiva do crédito tributário, correta a sua formalização por meio do lançamento de ofício, circunstância na qual a Lei n° 9.430/1996 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, exigida juntamente com o tributo não recolhido. Outrossim, cumpre esclarecer que muito embora não haja previsão, nos artigos supra, acerca do lapso temporal para a homologação do pedido de compensação, aplicase no caso o artigo 150, §4º do CTN que prevê o prazo de cinco anos para que a Fazenda Pública se pronuncie acerca homologação do lançamento efetuado pela Recorrente. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, no presente caso a autoridade fazendária teria o prazo de 5 (cinco) anos para homologar expressamente o pedido de compensação, contados a partir da entrega do referido pedido de compensação, prazo este que ainda não se encerrou, uma vez que Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380, foi transmitida em 15/07/2003. Nesse particular, tendo em vista não conter os autos qualquer informação acerca da referida homologação voto no sentido de encaminhar a presente lide à diligência, para que seja informado pela Autoridade Fazendária, quanto à homologação ou não da Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380. Conclusão. Por todo exposto, conheço do recurso e proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam esclarecidos i) a partir da análise dos processos relativos às empresas incorporadas se os lançamentos adotaram separadamente as bases de cálculo de cada uma das empresas separadamente ou se os lançamentos consideraram em momentos distintos as bases de cálculo na recorrente após a consolidação de suas contas contábeis pós incorporação; e ii) se a compensação decorrente da Per/Dcomp no. 33477.30003.150703.1.3.041380 fora homologada e consequentemente seus valores deveriam ou não terem sido considerados para fins de apuração das bases de cálculo adotadas para o lançamento. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2011. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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