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7649799 #
Numero do processo: 11080.735706/2017-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T2  Fl. 99          1 98  S2­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.735706/2017­16  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2002­000.782  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF  Recorrente  RENI ELSSO TOSCHI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2016  IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF.  Do  imposto  apurado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  somente  pode  ser  deduzido  o  imposto  de  renda  efetivamente  retido  pela  fonte  pagadora,  devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que  relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencida  a  conselheira  Cláudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa Develly Montez que lhe deu provimento.    (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll ­ Relatora    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 57 06 /2 01 7- 16 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11080.735706/2017­16  Acórdão n.º 2002­000.782  S2­C0T2  Fl. 100          2   Relatório  Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  (e­fls.  04/07)  lavrada  em  nome  do  sujeito passivo acima  identificado, decorrente de procedimento de revisão de  sua Declaração  de Ajuste Anual do exercício 2016 (e­fls. 43/60), onde se apurou a Compensação Indevida de  Imposto de Renda Retido na Fonte ­ IRRF de R$ 4.459,97 referente à fonte pagadora Santos e  Pellin Comércio de Móveis Ltda ­ ME.  O contribuinte apresentou impugnação (e­fls. 02/03, 08/09), cujas alegações  foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (e­fls. 67/68):  ­ que o valor contestado refere­se ao imposto de renda retido na  fonte  informado no comprovante de rendimentos fornecido pela  fonte pagadora;  ­  que  os  rendimentos  correspondentes  foram  devidamente  oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual.  ­ que apresenta as informações relativas ao contrato de aluguel  e  afirma  que  contratou  a Guarida  Imóveis  para  administração  do aluguel, sendo esta responsável pelas retenções do imposto de  renda;  ­ que informa 50% dos rendimentos recebidos de aluguéis e sua  esposa  Leda  Dalberto  Toschi  os  outros  50%,  de  modo  que  a  totalidade dos rendimentos são tributados;  ­  que  foi  efetuada  a  retenção  do  imposto  de  renda,  conforme  mencionado no informe de rendimentos;  ­  que  comprovado  que  recebeu  o  valor  líquido  do  aluguel  é  incabível a glosa do imposto de renda na Declaração de Ajuste  Anual;  ­ que uma vez retida pelo locatário o valor do imposto de renda  retido, não há que se falar em responsabilidade do locador;  ­  que  os  valores  informados  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  estão em conformidade com a legislação em vigor, não havendo,  portanto, as divergências apuradas pela fiscalização;  ­ Traz à colação jurisprudência a seu favor.  ­ Solicita a prioridade do Estatuto do Idoso.  A impugnação foi julgada procedente em parte pela 6ª Turma da DRJ/BSB, a  qual restabeleceu o IRRF de R$ 3.559,33 (e­fls. 66/70).  Cientificado  do  acórdão  de  primeira  instância  em  19/04/2018  (e­fls.  75),  o  interessado  ingressou  com  Recurso  Voluntário  em  16/05/2018  (e­fls.  78/81)  com  os  argumentos a seguir sintetizados.  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11080.735706/2017­16  Acórdão n.º 2002­000.782  S2­C0T2  Fl. 101          3 ­ Apresenta breve descrição das fases processuais.  ­  Insurge­se  contra  a  o  reconhecimento  da  solidariedade  entre  as  partes  da  relação jurídica de locação no tocante ao adimplemento de obrigação tributária não cumprida  pela empresa que efetuava o pagamento do aluguel à pessoa física após a retenção da quantia  correspondente ao Imposto de Renda.  ­  Expõe  que,  conforme  se  verifica  nos  documentos  de  retenção,  está  comprovado que o valor referente ao  Imposto de Renda foi devidamente retido pela empresa  locatária,  sendo  incabível  a  glosa  na  sua  declaração  de  ajuste  anual. Defende  que,  uma  vez  retida pelo  locatário  a  quantia  devida  a  título  de  Imposto  de Renda,  não  há  que  se  falar  em  responsabilidade  do  locador  para  recolhê­la  aos  Cofres  Públicos.  Apresenta  jurisprudência  sobre o assunto.  ­ Destaca que, além dos comprovantes de retenção enviados pela imobiliária  administradora  das  locações  anexados  à  impugnação,  juntou  ao  recurso  os  comprovantes  de  depósito bancário dos valores líquidos.    Voto             Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll ­ Relatora   O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.  No  caso  em  tela  a  decisão  recorrida manteve  parcialmente  a  compensação  indevida  de  IRRF  apurada  no  lançamento  por  considerar  insuficientes  os  documentos  comprobatórios  apresentados  pelo  sujeito  passivo,  conforme  se  extrai  dos  excertos  a  seguir  reproduzidos (e­fls. 69/70):  Em  sede  de  impugnação,  o  contribuinte  juntou  aos  autos  o  comprovante de rendimentos da  fonte pagadora Santos e Pellin  Comércio  de  Móveis  Ltda,  bem  como  a  documentação  da  administradora de imóveis (fls. 16­38).  Inicialmente é  importante ressaltar que os documentos emitidos  pela administradora de imóvel são insuficientes para comprovar  a retenção do imposto de renda.  O  comprovante  de  rendimentos  da  fonte  pagadora  Santos  e  Pellin Comércio de Móveis Ltda informa o IRRF de R$ 7.118,66  (fl. 16).  A  fonte  pagadora  não  apresentou  a  Dirf  em  nome  do  contribuinte.  Portanto, será considerado o imposto de renda retido na fonte de  R$ 7.118,66.  Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.735706/2017­16  Acórdão n.º 2002­000.782  S2­C0T2  Fl. 102          4 Como o contribuinte informa 50% dos rendimentos de aluguéis,  o imposto de renda retido na fonte corresponderá a R$ 3.559,33.  Em  seu  Recurso  Voluntário  o  contribuinte  reitera  que  os  documentos  fornecidos  pela  administradora  de  Imóveis  Guarida  são  suficientes  para  a  comprovação  do  IRRF pleiteado e apresenta extratos bancários com o intuito de demonstrar o  recebimento do  aluguel líquido em alguns meses.  Deve­se  esclarecer,  contudo,  que  a  compensação  de  IRRF  somente  é  permitida  se os  rendimentos  correspondentes  forem  incluídos na base de  cálculo do  imposto  apurado na Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção  emitido em seu nome pela fonte pagadora, nos termos do art. 87 do Regulamento do Imposto  de Renda ­ RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, o que não se verifica no presente caso.   Ressalte­se  que  a  responsabilidade  pela  retenção  do  imposto  de  renda  pertence  à  fonte  pagadora  e  não  à  administradora  de  imóveis,  cabendo  a  ela  fornecer  o  respectivo comprovante. Os documentos acostados aos autos não são hábeis a demonstrar, de  maneira inequívoca, que os rendimentos declarados para a Santos e Pellin Comércio de Móveis  correspondem ao valor bruto recebido a titulo de aluguel e que este, de fato, sofreu a retenção  de imposto de renda informada.   Importa  salientar  que  o  que  está  sendo  analisado  neste  processo  é  a  comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora e não o recolhimento do mesmo após  a sua retenção, ao contrário do que parece entender o recorrente.  Assim,  diante  da  ausência  de  comprovante  de  retenção  emitido  pela  fonte  pagadora e de DIRF apresentada pela mesma, e tendo em vista que a empresa foi baixada em  2016 conforme consulta  ao  sítio da RFB, não  sendo possível  a  realização de diligência para  confirmar as  informações fornecidas pela administradora de imóveis, não há reparos a serem  feitos na decisão recorrida.  Por  todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito,  negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll                                 Fl. 106DF CARF MF

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7688032 #
Numero do processo: 10314.010750/2005-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 12/04/2003 RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O reconhecimento e a concessão de isenção ou redução de imposto são condicionados à comprovação pelo importador de que, no momento da importação, os tributos e contribuições federais estavam quitados, a não ser que lei disponha expressamente em sentido contrário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. INOCORRÊNCIA. Não cabe a restituição do imposto quando não está caracterizado o pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável.
Numero da decisão: 3002-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 12/04/2003 RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O reconhecimento e a concessão de isenção ou redução de imposto são condicionados à comprovação pelo importador de que, no momento da importação, os tributos e contribuições federais estavam quitados, a não ser que lei disponha expressamente em sentido contrário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. INOCORRÊNCIA. Não cabe a restituição do imposto quando não está caracterizado o pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável.

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3002­000.666  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  20 de março de 2019  Matéria  IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. RESTITUIÇÃO.  Recorrente  CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 12/04/2003  RECONHECIMENTO E CONCESSÃO DE ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE  IMPOSTO.  COMPROVAÇÃO  DE  QUITAÇÃO  DE  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  NO  DESPACHO  ADUANEIRO  DE  IMPORTAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE.   O  reconhecimento  e  a  concessão  de  isenção  ou  redução  de  imposto  são  condicionados  à  comprovação  pelo  importador  de  que,  no  momento  da  importação, os  tributos e contribuições  federais  estavam quitados, a não ser  que lei disponha expressamente em sentido contrário.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  RECOLHIMENTO  A  MAIOR  QUE  O  DEVIDO. INOCORRÊNCIA.  Não  cabe  a  restituição  do  imposto  quando  não  está  caracterizado  o  pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária  aplicável.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente e Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  da  Silva Esteves, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões  e  Larissa Nunes Girard  (Presidente).  Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 07 50 /2 00 5- 22 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 306          2 Relatório  Trata este processo de solicitação de retificação da Declaração de Importação  (DI) nº  03/0309449­5,  para  fins  de  aplicação  da  redução  de 40% do  Imposto  de  Importação  (II),  prevista  na  Lei  nº  10.182/2001,  uma  vez  que  no  momento  do  despacho  aduaneiro  a  fiscalização  aduaneira  não  aceitou  o  tratamento  tributário  requerido  porque  o  contribuinte  estava impossibilitado de apresentar certidão negativa em decorrência da existência de débitos,  tendo sido a mercadoria desembaraçada com pagamento integral do imposto. A solicitação de  retificação da DI está acompanhada de pedido de restituição de II no valor de R$ 717,61 (fls. 3  a 6).   Os  pedidos  foram  instruídos  com  cópia  da  DI,  do  comprovante  de  importação, do conhecimento de carga, da fatura, da nota fiscal de entrada, de livros contábeis,  do  contrato  de  câmbio,  do  Ofício  Decex/CGME/Setel  nº  17/2005  e  de  documentos  de  constituição e representação da empresa (fls. 7 a 34).  A  Inspetoria  de  São  Paulo  indeferiu  o  pedido  de  retificação  porque  o  benefício  foi  solicitado  após  encerrado  o  despacho  de  importação  e,  segundo  eles,  inexistia  disposição  legal  específica  para  a  sua  concessão  sem  a  anuência  da  Secretaria  de Comércio  Exterior (Secex) ­ fls. 36 a 39.  O  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  na  qual  alegou  que  foi  compelida  a  recolher o  tributo  integralmente,  por não  ter CND à  época do despacho  aduaneiro, mas que havia solicitado; que já havia se habilitado perante a Secex e, portanto, era  detentora  do  direito  à  redução  de  40%;  que  era  ilegal  a  exigência  de Certidão Negativa  de  Débitos  a  cada  importação;  que  a  Administração  teria  acesso  a  esses  dados,  devendo  providenciá­los de ofício, em atendimento ao previsto no art. 37 da Lei nº 9.784/1999; e que a  Secex era incompetente para autorizar retificação de DI (fls. 41 a 58).  A  IRF/São  Paulo  determinou  o  arquivamento  do  processo  por  intempestividade,  com  base  no  entendimento  de  que  o  pedido  de  retificação  de  DI  estava  regido  pela  Lei  nº  9.784/1999,  que  prevê  prazo  de  10  dias  para  interposição  de  recurso.  O  contribuinte entrou com recurso administrativo à decisão e, diante de uma segunda negativa,  teve  provido  mandado  de  segurança  que  determinou  à  Administração  que  recebesse  e  processasse  regularmente uma série de manifestações de  inconformidade semelhantes, dentre  elas a deste processo. A IRF/São Paulo providenciou revisão no despacho decisório, para fins  de saneamento dos autos, e encaminhou o processo para julgamento em primeira instância.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo  proferiu  o  Acórdão nº 17­21.879, por meio do qual negou provimento com os seguintes fundamentos: i) o  tratamento  tributário  previsto  na  Lei  nº  10.182/2001,  conhecido  por  Regime  Automotivo,  consiste  em  benefício  fiscal  de  caráter  misto,  vinculado  à  qualidade  do  importador  (caráter  subjetivo)  e  à  destinação  do  bem  (caráter  objetivo),  motivo  pelo  qual  deve  o  contribuinte  provar que atende às condições para sua fruição; ii) a exigência das CNDs tem amparo no art.  60 da Lei nº 9.069/1995, não se aplicando ao caso a solução Cosit de dispensa de CND, porque  proferida  para  mercadorias  isentas  ou  tributadas  à  alíquota  zero  (caráter  exclusivamente  objetivo); e  iii) que a regularidade  fiscal deve ser comprovada a cada  importação, não sendo  suficiente a habilitação inicial ao benefício (fls. 124 a 136). O Acórdão foi assim ementado:  Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 307          3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 12/04/2003   PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  RECOLHIMENTO  A  MAIOR  POR  NÃO  UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI  10.182/2001  (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO  CREDITÓRIO  TENDO  EM  VISTA  A  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  REGULARIDADE  QUANDO  AOS  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  FEDERAIS  À  ÉPOCA  DO  FATO  GERADOR.  Conforme art.  165  da  Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  (Código  Tributário  Nacional),  cabe  restituição  de  tributos  recolhidos  indevidamente  ou  a  maior  que  o  devido.  Não  caracterizado  o  recolhimento  como  indevido  ou  a maior  que  o  devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo.  APRESENTAÇÃO DE CNDs  POR OCASIÃO DO DESPACHO  ADUANEIRO  DE  MERCADORIA  BENEFICIADA  POR  ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO.  A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  benefício  fiscal  de  caráter  subjetivo  (vinculado  à  qualidade  do  importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação  da mercadoria  quanto  à  qualidade  do  importador),  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica  condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou  jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo  cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho  de 1995.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  A  recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  140  a  153),  no  qual  argumentou  que  precisa  atender  apenas  e  tão  somente  os  requisitos  previstos  na  Lei  nº  10.182/2001 e que a exigência da CND a cada importação é ato arbitrário e ilegal, pois a Lei nº  9.069/1995  aplica­se  apenas  à  concessão  ou  reconhecimento  do  benefício  fiscal,  não  sendo  necessária  sua  reapresentação  a  cada  operação  de  importação  para  a  fruição  do  aludido  benefício;  que  é  inconcebível  exigir  que a  recorrente  apresente CND nos períodos nos quais  está  impossibilitada,  uma vez que  já preencheu  os  requisitos para usufruir  do benefício;  que  compete à Administração providenciar as certidões de ofício, em atendimento ao previsto no  art.  37  da  Lei  nº  9.784/1999;  e  juntou  jurisprudência  do  STJ  no  sentido  da  ilegalidade  da  exigência de CND no desembaraço aduaneiro de drawback.   O  Recurso  teve  julgamento  no  CARF,  mas  o  acórdão  foi  redigido  por  conselheiro ad hoc,  tendo em vista que  relatora deixou o Conselho sem formalizar seu voto.  Decidiu­se por  anular os  atos processuais  a partir do  acórdão  recorrido,  inclusive  (fls.  170 a  174). O Acórdão nº 3101­000.498 foi assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 308          4 Data do fato gerador: 12/04/2003   PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  FEDERAL.  PRINCÍPIOS  ESPECÍFICOS.  PRINCÍPIO  DA  LEGALIDADE.  PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.  Em  face  do  princípio  da  legalidade,  é  dever  da  autoridade  administrativa a busca da verdade material, independentemente  da versão oferecida pelas partes.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE.  SUPRESSÃO DE  INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA.  As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem  ao  contribuinte  o  direito  de  ver  apreciada  toda  a  matéria  litigiosa  em  duas  instâncias.  Supressão  de  instância  é  fato  caracterizador  do  cerceamento  do  direito  de  defesa.  Nula  é  a  decisão maculada com vício dessa natureza.  Processo Anulado.  Em cumprimento ao que foi decidido no CARF, a DRJ/São Paulo determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  preparadora  verificasse,  em  seus próprios bancos de dados, a existência de tributos e/ou contribuições federais não quitados  à época do fato gerador do imposto de importação objeto da lide (fls. 177 a 183).  Da  diligência  resultou  a  informação  de  que  não  era  possível  verificar  a  existência  de  tributos  e  contribuições  federais  não  quitados  à  época  do  fato  gerador,  mas  apenas no momento presente (fls. 215 e 216).  Cientificado  da  diligência,  o  interessado  argumentou  que,  na  ausência  de  comprovação de que  era devedor  e  em não  sendo apontado nenhum óbice para que pudesse  fruir de benefício legalmente previsto, o pleito deveria ser deferido (fls. 240 a 246).  A  DRJ/São  Paulo  proferiu  nova  decisão  (fls.  265  a  280),  em  que  não  reconheceu o direito creditório por entender que a certidão negativa de débito é exigência legal  para fins de concessão da redução do imposto e não havia sido apresentada pela recorrente, que  confessou ter débitos no momento do despacho. Em relação ao ônus probatório, apontou que  neste caso deve o contribuinte fazer prova do que pleiteia, estando tal condição expressa no art.  60 da Lei nº 9.069/1995. O Acórdão nº 16­079.642 foi assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Data do fato gerador: 12/04/2003   REGIME  AUTOMOTIVO.  DESPACHO  ADUANEIRO  MERCADORIAS  BENEFICIÁRIAS  DA  SEM  MENCIONADA  REDUÇÃO.  Pleito da restituição do valor que entende recolhido a maior.  Ao  beneficiário  de  uma  redução  do  tipo  objetivo/subjetivo  ou  misto cabe o ônus da prova de sua regularidade junto à Fazenda  Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 309          5 Pública,  mediante  apresentação  de  uma  Certidão  Negativa  de  Crédito.  A própria Lei impede a inversão do ônus da prova.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 05.09.2017,  conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante às fl. 285, e protocolizou seu  recurso em 28.09.2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 286.  Em  seu  Recurso  Voluntário  (fls.  288  a  301),  a  recorrente  argumenta  que  sempre  atendeu  aos  requisitos  para  aproveitamento  do  benefício;  que  a  exigência  da CND a  cada importação é ato ilegal, pois não consta essa exigência do rol dos arts. 5º e 6º da Lei nº  10.182/2001; que a localização de documentos e informações sob sua responsabilidade é dever  da Administração, não se tratando de inversão do ônus da prova; que obteve decisão favorável  recentemente em outro processo de restituição semelhante; e, por fim, que deve ser aplicado ao  caso  o  que  foi  decidido no  julgamento  do REsp nº  1.041.237/SP,  objeto da Súmula 569,  no  sentido  de  que  é  indevida  a  exigência  de  nova  certidão  negativa  de  débito  no momento  do  desembaraço, se já apresentada quando da concessão do regime de drawback.  É o relatório.  Voto             Conselheira Larissa Nunes Girard ­ Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade,  inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele  tomo conhecimento.  Diferentemente dos demais processos do contribuinte sobre a mesma matéria  que se julga conjuntamente, é ponto crucial neste caso a confissão do  interessado de que, no  momento  do  despacho  aduaneiro,  estava  impossibilitado  de  emitir  certidão  negativa  pela  existência de débitos.  Uma vez  estabelecido que o  contribuinte  estava positivado no momento do  desembaraço  aduaneiro,  situação  informada  e  confirmada  por  ele  em  suas  diversas  manifestações ao longo deste processo, o cerne da discussão que vai se travar reside em definir  se  a  apresentação  da  certidão  negativa  a  cada  operação  de  importação  é  condição  para  a  aplicação da redução do imposto.   A redução de alíquota do  imposto de importação prevista na Lei nº 10.182/  2001,  específica  para  partes  e  peças  de  veículos,  decorre  das  condições  gerais  estabelecidas  para o Regime Automotivo por meio da Lei nº 9.449/1997, que fixa o teto da redução de partes  em peças  em até 90%. Com a publicação da Lei nº 10.182/2001,  a  redução  ficou  fixada  em  40%. Portanto, deve ser entendida dentro desse contexto.  Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 310          6 O  Regime  Automotivo  segue  uma  sistemática  bastante  frequente  nos  benefícios fiscais concedidos na área aduaneira: ser composto de duas fases.   A  primeira,  de  habilitação  do  operador  ao  regime,  consiste  em  demonstrar  para o órgão competente que o importador atende aos requisitos para se utilizar do benefício –  essa fase diz respeito, usualmente, ao atendimento a uma condição de caráter subjetivo. Esse  órgão competente pode ser a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ou a própria Secretaria  da Receita Federal.  No  nosso  caso  específico,  deve  ser  demonstrado,  por  exemplo,  que  o  importador é fabricante ou montador de veículos ou, quando fabricante de autopeças, que mais  de  cinqüenta  por  cento  do  seu  faturamento  líquido  anual  é  decorrente  da  venda  desses  produtos,  destinados  à  montagem  e  fabricação  de  veículos.  Cumpridos  os  requisitos  para  habilitação junto à Secex, o importador está apto a pleitear a redução de imposto sob o amparo  da Lei nº 10.182/2001 quando  fizer  a  importação de autopeças,  apenas. Uma outra empresa,  que não fosse habilitada nesta primeira fase, jamais poderia sequer pleitear a redução que ora  se discute, pois o Siscomex não permitiria a indicação de redução do II com este fundamento.  Pelo exposto, vê­se que estar habilitado não significa a aquisição automática  e perene da redução do imposto, independentemente da operação em curso, pois o atendimento  das demais condições será aferido posteriormente, a cada entrada de mercadoria, o que nos leva  à segunda fase, que compreende o reconhecimento e a concessão do benefício.  Na  segunda  fase,  que  ocorre  durante  o  despacho  aduaneiro,  caberá  ao  importador demonstrar para a Receita Federal que faz jus aos demais requisitos para o efetivo  gozo do benefício fiscal. A fiscalização vai observar não somente os requisitos definidos na lei  que instituiu o benefício fiscal como, por exemplo, verificar que não se trata de partes e peças  para  motocicleta,  não  contempladas  pela  Lei  nº  10.182/2001,  como  também  os  requisitos  gerais, definidos na legislação aduaneira e aplicáveis a qualquer isenção ou redução, salvo se  lei específica expressamente dispensar o seu atendimento.   A concessão da  redução, como consequência do  reconhecimento do direito,  se expressa pelo desembaraço aduaneiro. É o momento em que a fiscalização aduaneira atesta  que o importador atendeu ao previsto tanto na lei específica, que instituiu o benefício, quanto  na legislação aduaneira, e pode dispor do bem pagando um tributo menor.  Tal  afirmação  tem  suporte  no  Decreto  nº  4.543/2002  (Regulamento  Aduaneiro  –  RA/2002),  vigente  à  época  dos  fatos,  do  qual  transcrevo  a  parte  relativa  a  reconhecimento e concessão da isenção ou da redução:  Do Reconhecimento da Isenção ou da Redução  Art.  120.  O  reconhecimento  da  isenção  ou  da  redução  do  imposto  será  efetivado,  em  cada  caso,  pela  autoridade  aduaneira,  com  base  em  requerimento  no  qual  o  interessado  faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento  dos  requisitos  previstos  em  lei  ou  em  contrato  para  sua  concessão (Lei no5.172, de 1966, art. 179).  §  1o  O  reconhecimento  referido  no  caput  não  gera  direito  adquirido e será anulado de ofício, sempre que se apure que o  beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições  Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 311          7 ou  não  cumprira  ou  deixou  de  cumprir  os  requisitos  para  a  concessão do benefício (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, § 2o).  §  2o  A  isenção  ou  a  redução  poderá  ser  requerida na  própria  declaração de importação.  § 3o O requerimento de benefício fiscal incabível não acarreta a  perda de benefício diverso.  § 4o O Ministro de Estado da Fazenda disciplinará os casos em  que  se  poderá  autorizar  o  desembaraço  aduaneiro,  com  suspensão do pagamento de  impostos,  de mercadoria objeto de  isenção  ou  de  redução  concedida  por  órgão  governamental  ou  decorrente  de  acordo  internacional,  quando  o  benefício  estiver  pendente  de  aprovação  ou  de  publicação  do  respectivo  ato  regulamentador (Decreto­lei no 2.472, de 1988, art. 12).  Art.  121.  Na  hipótese  de  não  ser  concedido  o  benefício  fiscal  pretendido,  para  a  mercadoria  declarada  e  apresentada  a  despacho aduaneiro, serão exigidos o imposto correspondente e  os acréscimos legais cabíveis.  Art. 122. As disposições desta Seção aplicam­se, no que couber,  a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do  imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. (grifado)  Entendo que os artigos do RA/2002 não deixam dúvida sobre a correção do  entendimento  aqui  exposto.  Creio  ser  mais  do  que  suficiente  para  rechaçar  a  interpretação  confusa trazida pela recorrente em seu recurso.   Prosseguindo, para verificar quais seriam as condições a serem atendidas para  a  aplicação  da  redução,  vamos  novamente  nos  socorrer  do  RA/2002,  que  dispõe  longa  e  minuciosamente  sobre  o  tratamento  a  ser  dado  às  isenções  e  reduções  do  imposto  de  importação nos seus arts. 113 a 211.  Da  Seção  I  ­  Das  Disposições  Preliminares,  do  Capítulo  de  Isenções  e  Reduções do Imposto do RA/2002, transcrevemos:  Art.  113.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária que  dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto  de importação (Lei no 5.172, de 1966, art. 111, inciso II).  Art.  114.  A  isenção  ou  a  redução  do  imposto  somente  será  reconhecida quando decorrente de lei ou de ato internacional.  Art. 115. Os bens objeto de  isenção ou de  redução do  imposto,  em decorrência de acordos internacionais  firmados pelo Brasil,  terão  o  tratamento  tributário  neles  previsto  (Lei  no  8.032,  de  1990, art. 6o).  Art.  116.  O  tratamento  aduaneiro  decorrente  de  ato  internacional aplica­se  exclusivamente à mercadoria originária  do país beneficiário (Decreto­lei no 37, de 1966, art. 8o).  § 1o Respeitados os critérios decorrentes de ato internacional de  que o Brasil seja parte, tem­se por país de origem da mercadoria  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 312          8 aquele  onde  houver  sido  produzida  ou,  no  caso  de mercadoria  resultante  de material  ou  de mão­de­obra  de mais  de  um  país,  aquele  onde  houver  recebido  transformação  substancial  (Decreto­lei no 37, de 1966, art. 9o).  § 2o Entende­se por processo de transformação substancial o que  conferir nova individualidade à mercadoria.  Art.  117.  Observadas  as  exceções  previstas  em  lei  ou  neste  Decreto,  a  isenção  ou  a  redução  do  imposto  somente  beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em  navio de bandeira brasileira (Decreto­lei no 37, de 1966, art. 17,  e Decreto­lei no 666, de 2 de julho de 1969, art. 2o).  Art.  118.  A  concessão  e  o  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  benefício  fiscal  relativo  ao  imposto  ficam  condicionados  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física  ou  jurídica,  da  quitação  de  tributos  e  contribuições  federais  (Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 60).  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  às  importações  efetuadas  pela União,  pelos Estados,  pelo Distrito  Federal, pelos Territórios e pelos Municípios. (grifado)  Especificamente  dos  arts.  118  e  119  acima,  extraímos  que  a  concessão  de  qualquer  isenção  ou  redução  é  condicionada  à  comprovação  de  regularidade  fiscal,  de  inexistência  de  similar  nacional  e  de  transporte  do  bem  importado  em  navio  de  bandeira  brasileira, a menos que a lei disponha de forma diversa.  Em consonância com o ordenamento jurídico, a Lei nº 10.182/2001 apontou  expressamente  quais,  dentre  os  requisitos  gerais,  não  seriam  aplicados  na  matéria  por  ela  disciplinada, in verbis:  Art.  5º  O  Imposto  de  Importação  incidente  na  importação  de  partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados  e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em:  .......................................................................................................  §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do Decreto­Lei no 37, de 18 de  novembro de  1966,  e no Decreto­Lei  no 666,  de  2 de  julho  de  1969, não se aplica aos produtos  importados nos  termos deste  artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir  de 7 de janeiro de 2000. (grifado)  O § 2º acima refere­se à inexistência de similar nacional e ao transporte sob  bandeira brasileira. Assim, dos três requisitos do regramento geral para concessão de redução,  dois  foram  expressamente  excluídos  pela  Lei,  restando  incólume  a  exigência  de  prova  de  quitação dos tributos e contribuições federais para a concessão da redução.   A  corroborar  esse  entendimento,  temos  que  o  próprio  RA/2002,  ao  dispor  sobre  a  redução  de  alíquota  da  Lei  nº  10.182/2001,  elencou  tão  somente  a  dispensa  de  similaridade e de bandeira brasileira. Seguem os trechos pertinentes:  Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 313          9 Art.  136.  É  concedida  a  redução  de  quarenta  por  cento  do  imposto  incidente  sobre  a  importação  de  partes,  peças,  componentes,  conjuntos  e  subconjuntos,  acabados  e  semi­ acabados,  e  pneumáticos,  destinados  exclusivamente  aos  processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes  de (Lei no 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o e § 1o):  ........................................................................................................  Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade:  .......................................................................................................  XII ­ bens importados com a redução do imposto a que se refere  o art. 136 (Lei no 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o e §  2o).  ........................................................................................................  Art. 210. Respeitado o princípio de reciprocidade de tratamento,  é  obrigatório  o  transporte  em  navio  de  bandeira  brasileira  (Decreto­lei no 666, de 1969, art. 2o):  ...................................................................................................  § 3o São dispensados da obrigatoriedade de que trata o caput:  I  ­  bens  doados  por  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  sediada no exterior; e  II  ­  partes,  peças,  componentes,  conjuntos  e  subconjuntos,  acabados  e  semi­acabados,  e pneumáticos, beneficiados  com a  redução do imposto a que se refere o art. 136 (Lei no 10.182, de  2001, art. 5o).  Dessa  forma,  entendo  estar  demonstrada  a  improcedência  do  argumento  de  que a exigência de CND a cada importação seria ilegal por não constar da Lei nº 10.182/2001 e  que, deve sim, ser apresentada a cada operação de importação para a concessão do benefício.  Quanto  ao  argumento  de  aplicação  ao  caso  do  REsp  nº  1.041.237/SP  e  da  Súmula  569,  que  definem  como  ilícita  a  exigência  de  CND  no  momento  do  despacho  de  importação  de mercadorias  amparadas  por  drawback,  por  certo  que  seriam  vinculantes  para  este Colegiado se tratassem da mesma matéria deste processo. Contudo, tais decisões referem­ se a um regime aduaneiro especial, modalidade para a qual não há as mesmas exigências que a  legislação impôs para a concessão de isenção e de redução de imposto. No regime aduaneiro  especial,  por  regra  geral  o  importador  deve  apresentar  um  termo  de  responsabilidade  no  despacho de importação. Inexiste a obrigação de apresentar CND, nem de se aferir a existência  de similar nacional ou transportar sob bandeira brasileira. Drawback e redução de imposto são  institutos diferentes.   Tanto  é  assim  que  apenas  um  mês  após  a  prolação  do  acórdão  acima,  o  mesmo ministro  relator  decidiu  no  sentido  que  se  adota  neste  voto,  afirmando,  inclusive,  o  direito de a Fazenda reter a mercadoria até que seja provada a regularidade fiscal. O REsp ao  qual me  refiro, REsp  nº  1.074.121/SP,  apesar  de  também não  tratar  de  redução  de  imposto,  Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 314          10 pode  aqui  ser  aplicado,  porque  refere­se  a  isenção,  instituto  para  o  qual  a  legislação  da  tratamento similar à redução de imposto. Transcrevo sua ementa:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  OMISSÃO  ­  ART.  535  DO  CPC.  INOCORRÊNCIA.  IMPORTAÇÃO.  MERCADORIA  ISENTA  DE  IMPOSTO.  DESEMBARAÇO.  EXIGÊNCIA  DE  CND.  RETENÇÃO  DE  MERCADORIA.  MECANISMOS  LEGAIS  PARA  CONCESSÃO  DE  ISENÇÃO  E  OBRIGAR  A  QUITAÇÃO  DE  TRIBUTOS.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRINCÍPIO  DA  LEGALIDADE.  1.  A  isenção  legal  prevista  no  regramento  da  Lei  8.032/90,  quanto  ao  imposto  de  importação,  sofre  condicionamentos  especiais  para  sua  concessão,  frente  às  disposições  trazidas  pelas Leis 8.036/90, 8.212/91 e, principalmente, a Lei 9.069/95,  no art. 60, in verbis:  “A concessão ou reconhecimento de qualquer  incentivo ou  benefício  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física  ou  jurídica,  da  quitação  de  tributos  e  contribuições  federais”.  2. O princípio da legalidade  informa que a exigência da CND  pela autoridade fiscal para comprovar a regularidade tributária  e  conceder  o  benefício  isentivo,  ainda  que  em  detrimento  do  desembaraço  aduaneiro,  encontra  amparo  no  art.  194  e  parágrafo único, da Norma Geral Tributária, in verbis:  “Art.  194.  A  legislação  tributária,  observado  o  disposto  nesta  Lei,  regulará,  em  caráter  geral,  ou  especificamente  em  função  da  natureza  do  tributo  de  que  se  tratar,  a  competência  e  os  poderes  das  autoridades  administrativas  em matéria de fiscalização da sua aplicação.  Parágrafo  único.  A  legislação  a  que  se  refere  este  artigo  aplica­se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou  não,  inclusive às que gozem de  imunidade tributária ou de  isenção de caráter pessoal.”  3.  O  Código  Tributário  Nacional  privilegia  e  confere  mecanismos que possibilitem a administração fiscalizar e aplicar  o  regramento  fiscal,  objetivando  o  pagamento  dos  tributos,  diante do regular exercício de competências que as autoridades  administrativas recebem da legislação tributária.  4.  A  prova  de  regularidade  fiscal  é  exigida  somente  dos  interessados  para  a  habilitação  em  licitações,  convênios,  acordos,  ajustes  etc.,  celebrados  por  órgãos  e  entidades  da  Administração, bem como para obtenção de favores creditícios,  isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços  ou quaisquer outros benefícios a serem concedidos. (Precedente  RESP 833.992/DF, julgado em 07.10.2008, DJ. 29.10.2008).  Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10314.010750/2005­22  Acórdão n.º 3002­000.666  S3­C0T2  Fl. 315          11 5.  O  acórdão  recorrido,  em  sede  de  embargos  de  declaração,  que  enfrenta  explicitamente  a  questão  embargada  não  enseja  recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC.  6. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um,  os  argumentos  trazidos  pela  parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.  7. Recurso Especial desprovido.  Por  fim,  o  contribuinte  traz  alegações  sobre  ônus  da  prova  e  o  dever  de  a  Administração  providenciar  as  informações  de  que  dispõe,  mas,  frente  à  admissão  de  que  estava  positivado,  entendo  que  não  faz  sentido  discutir  a  matéria.  A  única  informação  que  interessa  produzir  já  está  nos  autos,  desde  o  início.  Sem mencionar  que  está  pacificado  no  CARF  que  o  ônus  probatório  nos  processos  de  restituição,  ressarcimento  e  compensação  pertence ao interessado.   Registro que o relator não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos  trazidos  pela  recorrente,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  Conclusão  Em não  tendo  sido  atendido  requisito  indispensável  para  o  reconhecimento  do  direito  à  redução  do  imposto  de  importação,  concluo  pela  inexistência  de  pagamento  indevido e pela improcedência do pedido de restituição.  Com essas considerações, nego provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard                              Fl. 339DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.001006/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE VERIFICAÇÃO DA FALTA. LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta. 2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal. 3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE VERIFICAÇÃO DA FALTA. LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/1972 preleciona que o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta. 2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada, mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal. 3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.

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lavrado no local da verificação da falta.   2. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato  gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a infração foi praticada,  mas sim onde ela foi constatada pelo agente fiscal.  3. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em  que  foi  constatada  a  infração,  ainda  que  fora  do  estabelecimento  do  contribuinte.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  LEI  COMPLEMENTAR  105/2001.  REQUISITOS  OBJETIVOS.  TRASLADO  DO  DEVER  DE  SIGILO  DA  ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL.  RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.   1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão  geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos  objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não  sendo inconstitucional.   2.  O  §  2º  do  art.  62  do  RICARF  determina  que  as  decisões  de  mérito  proferidas  pelo  Supremo,  com  repercussão  geral,  deverão  ser  reproduzidas  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  IMPOSTO  DE  RENDA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO  DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.  O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente  em  demonstrar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  em     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 06 /2 00 7- 15 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 580          2 instituição  financeira.  O  consequente  normativo  resultante  do  descumprimento  desse  dever  é  a  presunção  de  que  tais  recursos  não  foram  oferecidos à tributação, tratando­se, pois, de receita ou rendimento omitido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira  ­ Presidente     (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Paulo  Sergio  da  Silva,  Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e  Gregorio Rechmann Junior.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  de  decisão  que  julgou  improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído  em  face  de  alegada  omissão  de  rendimentos,  decorrente  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de  documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão:  Exercício: 2003, 2004   LOCAL DA VERIFICAÇÃO DA FALTA.  É legitima a lavratura de Auto de Infração fora do domicilio do  fiscalizado.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DO  NEXO CAUSAL.  A  Lei  n°  9430/96,  que  teve  vigência  a  partir  de  01/01/1997,  estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente  quando  o  titular  da  conta  bancária  não  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 581          3 dos  valores  depositados  em  sua  conta  de  depósito  ou  investimento.  O ônus legal desta comprovação cabe ao contribuinte, que detêm  o  conhecimento  das  operações  financeiras,  que  deram  origem  aos créditos porventura ocorrido na sua conta­bancária.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EXTENSÃO.  As  decisões  administrativas,  inclusive  as  proferidas  pelo  Conselho  de  Contribuintes,  e  as  judiciais,  a  exceção  daquelas  proferidas  pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  não  têm  caráter  de  norma  geral,  razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em relação  em  relação a  qualquer  outra ocorrência senão Aquela objeto da decisão.  APRESENTAÇÃO DE PROVAS  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira­se  a fato ou a direito superveniente ou destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidas aos autos.  O  sujeito  passivo  foi  intimado  da  decisão  em  03/09/2009,  através  de  correspondência com aviso de recebimento  (fl. 487 do pdf)  e  interpôs  recurso voluntário em  14/09/2009 (fls. 489 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes de teses de defesa:   ­ a lavratura do auto fora do domicílio do fiscalizado é ilegal;  ­ o auditor ignorou a Súmula 182 do TFR e constituiu o crédito  com base em mera presunção;  ­ o arbitramento da base de cálculo baseado em depósitos não é  prova absoluta;   ­  não  houve  pesquisa  ou  investigação  que  demonstrasse  preocupação em provas os  fatos alegados,  citando­se o art.  5º,  incs. LV e LVI, da Constituição Federal;  ­  deve ser comprovado o nexo causal entre o depósito  e o  fato  omissão de receita.  Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 582          4 1.  Conhecimento  O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal  de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser  conhecido.  2.  Do local da lavratura do auto  O recorrente afirma que a lavratura do auto fora do seu domicílio seria ilegal.  Todavia, o art. 10 do Decreto 70235/72 preleciona que o auto de infração será  lavrado no local da verificação da falta. Veja­se:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  Ao contrário  do  que  alega  o  recorrente,  o  local  de  verificação  da  falta  não  significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, tampouco a localidade em que a  infração foi praticada ou onde reside o sujeito passivo, mas sim onde ela  foi constatada pelo  agente  fiscal.  Isto  é,  a  verificação  da  ilegalidade  pode  ocorrer  dentro  da  própria  repartição,  sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 6. Veja­se:  Súmula CARF nº 6: É  legítima a  lavratura de auto de  infração  no  local  em  que  foi  constatada  a  infração,  ainda  que  fora  do  estabelecimento do contribuinte.  Ademais,  entendo  não  ter  havido  cerceamento  ao  direito  de  defesa  do  contribuinte,  sobretudo  porque  a  ação  fiscal  foi  conduzida  por  servidor  competente,  que  concedeu­lhe  os  prazos  legais  para  a  apresentação  de  documentos  e  prestação  de  esclarecimentos;  a  autuação  foi  devidamente motivada  e  foi  concedido  ao  sujeito  passivo  o  prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato  gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do  sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa  e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.  Nesse contexto, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada.  3.  Da ilicitude da prova  Ainda  que  de  forma  não  categórica,  o  recorrente  sugere  que  o  auto  de  infração estaria lastreado em prova ilícita.  Sem  razão  o  contribuinte.  O  §  2º  do  art.  62  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF ­ determina que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na  sistemática dos arts. 543­B e 543­C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC vigente,  deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Até pelo uso do verbo  (deverão),  vê­se  que  se  trata  de  norma  cogente,  de  aplicação  obrigatória  por  parte  deste  Conselho.   Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 583          5 Essa  matéria,  reiteradamente  debatida  no  Judiciário  e  no  CARF,  foi  solucionada  definitivamente  pelo  STF  por  ocasião  do  julgamento  do  RE  601.314,  com  repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos:   Tema  225  ­  a)  Fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  ao  Fisco  sem  autorização  judicial,  nos  termos  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001;  b)  Aplicação  retroativa  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua  vigência.  Como  se  vê,  o  citado  tema  trata  exatamente  da  matéria  suscitada  pelo  recorrente.  Naquele  recurso  extraordinário,  a  Suprema  Corte  decidiu  que  "o  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois  realiza  a  igualdade  em  relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece  requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a  ementa do julgado:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se  traduz  em  um  confronto  entre  o  direito  ao  sigilo  bancário  e  o  dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e  de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à  luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade  em  seu  duplo  compromisso,  a  autonomia  individual  e  o  autogoverno  coletivo.  2.  Do  ponto  de  vista  da  autonomia  individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de  personalidade  que  se  traduz  em  ter  suas  atividades  e  informações  bancárias  livres  de  ingerências  ou  ofensas,  qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.  3.  Entende­se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida  da  capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a  um  Estado  soberano  comprometido  com  a  satisfação  das  necessidades  coletivas  de  seu Povo.  4. Verifica­se  que  o Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros  constitucionais,  ao  exercer  sua  relativa  liberdade  de  conformação  da  ordem  jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para  a  requisição  de  informação  pela  Administração  Tributária  às  instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados  a  respeito  das  transações  financeiras  do  contribuinte,  observando­se  um  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária  para  a  fiscal.  5.  A  alteração  na  ordem  jurídica  promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Fl. 583DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 584          6 Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental da norma em questão. Aplica­se, portanto, o artigo  144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em  relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito ao  sigilo bancário,  pois  realiza a  igualdade em  relação  aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva,  bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever  de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em  relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão  geral:  “A Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo  em  vista  o  caráter  instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”.  8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314,  Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno,  julgado em  24/02/2016,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  DJe­198  DIVULG  15­ 09­2016 PUBLIC 16­09­2016)  Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada:  O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  apreciando  o  tema  225  da  repercussão  geral,  conheceu  do  recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco  Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto  ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese:  “A  Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo  em  vista  o  caráter  instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”,  vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente,  justificadamente,  a  Ministra  Cármen  Lúcia.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Plenário,  24.02.2016.  A  análise  do  tema,  da  ementa  e  do  acórdão  do  recurso  extraordinário  demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em  sendo  assim,  deve  ser  aplicado  o  art.  62,  §  2o,  do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  343/2015, para desprover o recurso neste tópico.  4.  Dos depósitos bancários de origem não comprovada  Neste ponto, o recurso voluntário reafirma as seguintes teses de defesa:  ­ o auditor ignorou a Súmula 182 do TFR e constituiu o crédito  com base em mera presunção;  ­ o arbitramento da base de cálculo baseado em depósitos não é  prova absoluta;   Fl. 584DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 585          7 ­  não  houve  pesquisa  ou  investigação  que  demonstrasse  preocupação em provas os  fatos alegados,  citando­se o art.  5º,  incs. LV e LVI, da Constituição Federal;  ­  deve ser comprovado o nexo causal entre o depósito  e o  fato  omissão de receita.  Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento.   O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente  em demonstrar, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos creditados em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  em  instituição  financeira.  O  consequente  normativo  resultante do descumprimento desse dever  é  a presunção de que  tais  recursos não  foram oferecidos à tributação, tratando­se, pois, de receitas ou rendimentos omitidos.   Tal  disposição  legal  é  de  cunho  eminentemente  probatório  e  afasta  a  possibilidade  de  acatar­se  afirmações  genéricas  e  imprecisas.  A  comprovação  da  origem,  portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração  e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.   O  §  3º  do  citado  artigo,  ao  prever  que  os  créditos  serão  analisados  individualizadamente,  corrobora  a  afirmação  acima  e  não  estabelece,  para  o  Fisco,  a  necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado.   A título ilustrativo, segue o texto da regra:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  §2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 585DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 586          8 calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971)  §4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  §  5o  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação  dada pela Lei nº 10.637, de 2002)  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Redação  dada pela Lei nº 10.637, de 2002)  O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º  acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF  nº 612.  A não comprovação da origem dos  recursos viabiliza a aplicação da norma  presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de  acordo  com  a  regra  legal,  não  é  que  os  depósitos  bancários,  por  si  só,  caracterizam  disponibilidade de  rendimentos, mas  sim os depósitos  cujas origens não  foram comprovadas  em processo regular de fiscalização.   Expressando­se  de  outra  forma,  o  sujeito  passivo  pode  comprovar  que  o  recurso  é  atinente  a  venda  de  imóveis  ou  recebimento  de  pró­labore  e  lucros,  etc.  Não  o  fazendo,  aplica­se  o  consequentemente  normativo  da  presunção,  com  a  consequente  constituição do crédito tributário dela decorrente.   O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.                                                              1 Art. 4º Os valores a que se  refere o  inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.  2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório  não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem ser considerados na presunção da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  no  caso  de  pessoa  física.  Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.001006/2007­15  Acórdão n.º 2402­007.112  S2­C4T2  Fl. 587          9 O Superior  Tribunal  de  Justiça  reconhece  a  legalidade  do  imposto  cobrado  com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo, não havendo que se cogitar de violação  ao disposto no art. 5º, incs. LV e LVI, da Constituição Federal:  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS  DE  OFENSA  AO  ART.  535  DO  CPC.  SÚMULA  284/STF.  IMPOSTO  DE  RENDA.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ART.  42 DA  LEI  9.430/1996.  LEGALIDADE. DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  INCIDÊNCIA  DO ART. 173, I, DO CTN.  [...]  4.  A  jurisprudência  do  STJ  reconhece  a  legalidade  do  lançamento  do  imposto  de  renda  com  base  no  art.  42  da  Lei  9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de  comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de  que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  DJe  28.10.2014;  AgRg  no  AREsp  81.279/MG,  Rel.  Ministro  Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012).  [...]  (AgRg  no  AREsp  664.675/RN,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  05/05/2015,  DJe  21/05/2015)  Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da  Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do  imposto  lançado com base em extratos  bancários  (EDcl  no  AgRg  no  REsp  1343926/PR,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  04/12/2012,  DJe  13/12/2012  e  REsp  792.812/RJ,  Rel.  Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242).   Portanto, e também neste particular, o recurso deve ser desprovido.   5.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  e  negar  provimento  ao  recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci                            Fl. 587DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.720751/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratando-se de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito.
Numero da decisão: 1402-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: Marco Rogério Borges

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1402­003.754  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de fevereiro de 2019  Matéria  PIS/COFINS ­ APLICAÇÃO REFLEXA  Recorrente  IUPAR ­ ITAU UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO.   Tratando­se de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações  autuadas  em  outro  processo,  dito  principal,  cumpre  aplicar  no  julgamento  deste  o  princípio  da  decorrência,  repercutindo  a  mesma  decisão  daquele  quanto ao mérito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone manifestou interesse  em apresentar declaração de voto.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  MARCO ROGÉRIO BORGES ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 51 /2 01 4- 15 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 634          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca  Vieira,  Evandro  Correa  Dias,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  (Suplente  Convocado)  e  Edeli  Pereira  Bessa.  Ausente  o  conselheiro  Caio  Cesar  Nader  Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.      Relatório  Trata  o  presente  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  proferida  pela  3a  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Belém ­ PA, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte em  epígrafe.    Da autuação:  Trata o presente processo de Autos de Infração de Contribuição para o PIS e  de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente aos períodos de  apuração compreendidos nos anos calendários 2009 a 2012.  Por  bem  retratar  a  descrição  dos  eventos  que motivaram  a  autuação  fiscal,  transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo:  Do Termo de Verificação Fiscal nº 01/2013.00657­0, fls. 427/441, extraímos  os seguintes excertos:  “O Estatuto Social da fiscalizada estabelece que: “Art. 3º­ A Companhia tem  por  objeto  social  exclusivo  a  titularidade  e  o  exercício  do  controle  acionário  da  sociedade denominada Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A. (“ITAÚ UNIBANCO”),  a  qual  está  inscrita  no  CNPJ  sob  o  nº  60.872.504/0001­23,  devendo  manter,  de  forma  direta  e  em  caráter  permanente,  a  propriedade  de  ações  representativas  de,  pelo menos, 51% das ações com direito a voto de emissão do ITAÚ UNIBANCO.  Parágrafo  único­  A  Companhia  não  poderá  desenvolver  qualquer  outra  atividade,  nem  deter  participação  em  qualquer  outras  sociedade,  que  não  aquela  referida  no  caput deste artigo.”  “Observa­se  que  conforme  documento CRT­UAF­272/2014,  de  22/07/2014,  houve  a  alteração  da  denominação  da  Itaú  Unibanco  Banco  Múltiplo  para  Itaú  Unibanco Holding (CNPJ 60.872.504/0001­23).”  “Dessa forma, depreende­se que a fiscalizada atende ao conceito de empresa  holding pura.”(grifo no original)  “No  caso  de  uma  holding  “pura”,  a  receita  básica  operacional  é  oriunda  de  resultado de equivalência patrimonial,  juros sobre o capital próprio, dividendos ou  lucros  recebidos  de  empresas  nas  quais  tem  participação  societária.  Dessa  forma  Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 635          3 uma holding “pura” pode ter como receita operacional juros sobre o capital próprio,  recebidos de empresas nas quais tem participação societária.”  “A empresa holding está sujeita à incidência das Contribuições ao PIS/PASEP  e  à  COFINS  sobre  a  totalidade  das  receitas  auferidas,  observando­se  as  normas  pertinentes a essas contribuições. Observamos que, conforme o art. 22,  inciso VII,  do Decreto nº 4.524/02, para efeito de apuração da base de cálculo de PIS/PASEP e  COFINS  podem  ser  excluídos  da  receita  bruta  os  resultados  positivos  das  participações societárias.”  “Portanto,  se  a  holding  for  “pura”,  não  haverá  base  de  cálculo  para  PIS/PASEP e COFINS, exceto no caso de juros sobre o capital próprio recebidos de  empresas  nas  quais  tem  participação  societária.  Nesse  caso,  a  holding  como  beneficiária  deve  considerar  esses  juros  como  receita  financeira,  estando  sujeita  a  tributação  do  PIS  e  COFINS,  de  acordo  com  o  Artigo  1º,  §  único,  inciso  I  do  Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, os Artigos 1º, 2º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/02  e os Artigos 1º, 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/03. ”(grifo no original)  “Podemos  inferir  que  no  presente  caso  temos  uma  situação  inusitada,  visto  que  a  fiscalizada  tem  como  objetivo  o  exercício  do  controle  da  Itaú  Unibanco  Holding,  na  qual  tem  investimento  direto,  do  qual  deveriam  resultar  os  frutos  intrínsecos  a  esse  investimento,  todavia  em  razão  de  entendimentos  entre  particulares não  transitou pela fiscalizada uma parte desses  frutos,  relativa a ações  entregues  para  a  integralização  de  seu  capital  sobre  as  quais  foram  impostos  gravames.  Em  especial,  em  razão  dessas  convenções  particulares,  não  transitaram  pela  fiscalizada  as  receitas  relativas  aos  Juros  sobre Capital  Próprio  referentes  às  ações objeto de gravame,  cuja natureza é  intrínseca à das  receitas de uma holding  pura. Esses juros foram pagos diretamente aos beneficiários do gravame, o que tem  evidente  efeito  tributário, pois  a  empresa deixou de  recolher os  tributos  elencados  acima”  (...)  “Fica  claro  que,  para  fins  tributários,  os  contribuintes  dos  rendimentos  advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que  efetua o pagamento. E não poderia ser diferente, afinal, como o próprio nome já diz,  trata­se de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas. Seria  uma  espécie  de  equiparação  de  tratamento  dado  aos  recursos  de  terceiros,  isto  é,  seria como remunerar o custo de oportunidade dos valores empregados na empresa  em  detrimento  de  qualquer  outra  aplicação  destes  mesmos  recursos.  Em  outras  palavras, a lei atribui a sujeição passiva dos tributos incidentes sobre as receitas de  JCP aos titulares, sócios e acionistas da pessoa jurídica pagante. No presente caso,  apesar da fiscalizada ter apenas a nua­propriedade das ações gravadas, conferida por  meio de instrumento particular, era ela a acionista da pessoa jurídica que efetuou o  pagamento e não as pessoas físicas e jurídicas usufrutuárias de direitos econômicos  em  razão  de  gravame.  Assim  sendo,  os  instrumentos  particulares  de  reserva  de  usufruto  e  outras  avenças  firmados  entre  a  fiscalizada  e  os  seus  acionistas  não  podem ser opostos ao Fisco para alterar a sujeição passiva da obrigação tributária,  nos termos do art 123 do Código Tributário Nacional.”    Da Impugnação:  Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 636          4 Inconformada  com  a  autuação,  a  recorrente  apresentou  impugnação,  a  qual  aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido:  Regularmente  intimada,  com  ciência  pessoal  em  21  de  agosto  de  2014,  a  interessada apresentou, em 19 de setembro de 2014, a impugnação de fls. 460/474,  informando  e  alegando,  inicialmente,  acerca  da  estruturação  da  IUPAR  –  Itaú  Unibanco Participações:   (...) “decorreu da associação entre os antigos controladores do Itaú (GRUPO  ITAÚ) e os antigos controladores do Unibanco (GRUPO MOREIRA SALLES), em  razão  da  qual  houve:  a)  a  unificação  das  atividades  dos  dois  conglomerados  financeiros, sob o controle indireto do ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A. (ITAÚ  UNIBANCO  HOLDING)  e  b)  a  unificação,  nessa  holding,  de  todo  o  quadro  acionário das antigas instituições financeiras.”  (...)  “os  dois  grupos  aportaram  ações  votantes,  de  emissão  do  ITAÚ  UNIBANCO HOLDING, que totalizaram 51% do seu capital votante, sendo que o  controle da IUPAR, Impugnante, foi partilhado entre os dois grupos, passando cada  um a deter 50% do capital votante dessa companhia.”  (...) “a Impugnante se destinou apenas ao exercício do controle compartilhado  do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, sendo esse seu objeto exclusivo, suas acionistas  integralizaram  seu  capital mediante  aporte  tão­somente  da  nua­propriedade  e  dos  direitos de voto de parte das ações conferidas à Impugnante. Os direitos patrimoniais  (ou seja, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio) sobre  essa parcela de ações do  ITAÚ UNIBANCO HOLDING foram objeto de usufruto  instituído pelas acionistas da Impugnante, de modo que o aporte das ações ao capital  desta contemplou apenas a nua­propriedade e o direito de voto, e não os  referidos  direitos  patrimoniais  Outra  parcela  de  ações  foi  conferida  sem  a  instituição  do  usufruto, de modo que, apenas em relação a essa parcela, a Impugnante adquiriu a  titularidade  tanto dos direitos políticos quanto dos direitos patrimoniais. ”(grifo no  original)  Sobre os direitos políticos e direitos patrimoniais das ações, cita que, no caso  de propriedade plena de ações, o titular detém: o poder de dispor das ações, podendo  vendê­las  ou  de  outro  modo  transferi­las  para  terceiros;  o  direito  de  votar  nas  assembléias gerais e o direito de fruir os frutos produzidos pelas ações (dividendos e  juros sobre o capital próprio). Com o instituto do usufruto se dá a fragmentação do  direito de propriedade, a propriedade­nua e a propriedade­fruto, sendo prevista esta  possibilidade na Lei das S.A e afirma:   “No caso concreto,  os dividendos  e  juros  sobre o  capital próprio declarados  pelo  ITAÚ  UNIBANCO  HOLDING,  relativamente  às  ações  gravadas  com  o  usufruto, foram distribuídos por essa companhia para os seu legítimos titulares, que  são as usufrutuárias, e não a  Impugnante, que detém apenas a nua­propriedade e o  direito de voto das ditas ações”  Em  seguida,  traz  a  razão  econômica  e  jurídica  do  aporte de  ações  gravadas  com usufruto:  “As  acionistas  da  Impugnante  estruturaram­na  para  o  exercício  do  controle  compartilhado do ITAÚ UNIBANCO HOLDING.”  “Para isso, ela necessitaria, obviamente, deter ações ordinárias de emissão do  Itaú (às quais é conferido o direito de voto), em quantidade suficiente para garantir o  controle daquela instituição financeira (51%). Para que, por seu turno, as acionistas  Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 637          5 da Impugnante pudessem exercer, indiretamente, o controle compartilhado do ITAÚ  UNIBANCO  HOLDING,  era  necessário  que  elas  (acionistas  da  Impugnante)  detivessem cada uma metade do capital votante da Impugnante.”  “Dado que a Impugnante não possui nenhuma outra atividade, no seu objeto  social, além dessa, restrita ao exercício do poder de controle do ITAÚ UNIBANCO  HOLDING,  ela  não  necessita  de  recursos  financeiros  elevados  (que  seriam  necessários  caso  ela  atuasse  como  veículo  de  investimento  de  suas  acionistas  em  outras  atividades,  direta  ou  indiretamente,  por  meio  de  outras  subsidiárias,  que  viesse a criar ou financiar mediante investimentos de capital).”  “Por isso, suas acionistas não precisaram efetuar aportes mais volumosos de  recursos (ou direitos patrimoniais que dessem à Impugnante o direito a dividendos e  juros  sobre o capital próprio). Para  realizar satisfatoriamente seu objeto  social, era  imprescindível à  Impugnante  ­  isto  sim  ­ deter 51% dos direitos de voto do  ITAÚ  UNIBANCO HOLDING. ”(grifo no original)  “Os  frutos  das  ações  podiam  ficar  ­  como  em  parte  ficaram  efetivamente  ­  com as acionistas da Impugnante que ­ ao aportar nela ações de emissão do ITAÚ  UNIBANCO  HOLDING  ­  instituíram  o  usufruto  dos  direitos  patrimoniais  sobre  parte das ações.”  “Observa­se  que  a  razão  econômica  descrita  harmoniza­se  com  a  razão  jurídica. Juridicamente, a  Impugnante  foi estruturada para instrumentar o exercício  do  controle  compartilhado  do  ITAÚ  UNIBANCO  HOLDING  (para  o  que  era  necessária  a  titularidade,  pela  Impugnante,  de  51%  das  ações  votantes  dessa  instituição  financeira).  Economicamente,  não  havia  sentido  em  transferir  para  a  Impugnante  o  direito  aos  frutos,  dado  que  eles  não  seriam  necessários  para  o  desenvolvimento do objeto social da Impugnante. ”(grifo no original)  Alega,  posteriormente,  que  o  artigo  123  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, citado na autuação, não se enquadra na presente situação e afirma:  (...) “normas legais definidoras de responsabilidade tributária são imperativas,  cogentes, não podendo, portanto, ser afastadas pela vontade dos indivíduos. .”(grifo  no original)  “Resulta  evidente  que  o  discutido  art.  123  do  CTN  nada  tem  a  ver  com  a  criação  do  direito  real  de  usufruto,  como  nada  tem  a  ver  com  a  transferência  da  propriedade de mercadorias, entre outros tantos negócios jurídicos mediante os quais  se transferem ou se instituem direitos reais.”(grifo no original)  “A  aplicação  do  art.  123  do  CTN  não  pode  dar­se  com  abstração  da  titularidade  dos  bens,  direitos  ou  frutos  que  componham  a  hipótese  legal  de  incidência. Obrigação tributária só nasce se e quando ocorrer fato gerador relativo ao  bem ou direito ou fruto a eles pertinentes e será sujeito passivo quem mantiver com  a situação concreta um dos vínculos previstos no art. 121 do CTN. Identificado esse  sujeito passivo, é ele que não poderá ser "substituído" por outra pessoa, em razão de  convenções particulares. ”(grifo no original)  Sustenta  ainda,  sobre o  artigo 123 do CTN, que não existe disposição  legal  que  defina  como  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária  atinente  ao  PIS  ou  à  COFINS  o  nu­proprietário  de  ações,  sendo  assim,  é  impossível  firmar  convenção  que modifique essa inexistente definição legal.  Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 638          6 Passa  a  defender,  então,  que  os  frutos  de  bens  gravados  pelo  usufruto  não  pertencem ao nu­proprietário:  “Atente­se  para  que,  no  caso,  o Autuante,  ao  atribuir  a  condição  de  sujeito  passivo para a Impugnante (nua­proprietária), entendeu que as receitas (juros sobre o  capital próprio) seriam dela, Impugnante. Ou seja, pressupôs que os frutos (objeto do  usufruto) pertenceriam ao nu­proprietário (e não às usufrutuárias).”  “Com  isso,  o  Autuante  agrediu  a  própria  materialidade  do  fato  gerador.  Cassou  o  direito  das  usufrutuárias  (direito  patrimonial  atinente  às  ações  objeto  do  usufruto) e atribuiu esse direito à  Impugnante, que jamais  foi dele  titular. Ou seja,  ignorou a materialidade efetiva e criou outra. Criou outro fato gerador: recebimento  de  juros  sobre  o  capital  próprio  pela  Impugnante,  que,  em  razão  de  "convenção  particular"  (de  que  ela  nem  participou)  teria  transferido  para  outra  pessoa  (as  usufrutuárias) a responsabilidade pelo pagamento do tributo de que ela seria sujeito  passivo.”  “Imagine­se o caos que haveria se os devedores de frutos (alugueis de bens, p.  ex.)  tivessem que  ir  atrás dos  nus­proprietários  (dos bens  locados),  para  atribuir  a  eles os valores de tais  frutos sob pena de ­  fiscalmente  ­ serem acusados de  terem  pago mal ou de, eventualmente,  terem errado na aplicação de eventuais normas de  incidência tributária.”  “Para mais uma vez  evidenciar­se o  absurdo da pretensão  fiscal,  figure­se  a  hipótese de o nu­proprietário de ações ser uma pessoa física que tenha instituído o  usufruto a favor da pessoa jurídica. A tese do Autuante (de atribuir os juros sobre o  capital próprio ao nu­proprietário)  levaria ao  resultado de considerar o  rendimento  como fiscalmente pertencente à pessoa física e não à pessoa jurídica,  recusando­se  os tributos devidos pela pessoa jurídica e cobrando­se os devidos pela pessoa física  (que, nessa insólita situação, nem existiriam pois, para pessoa física, a incidência é  apenas a do imposto de renda exclusivo na fonte).”  “Em suma, descabe fundamento à pretensão fiscal, dado que: a) os juros sobre  o  capital  próprio  nunca  pertenceram  ao  nu­proprietário  das  ações;  b)  por  isso  mesmo, a Impugnante, nua­proprietária, não abriu mão de nenhuma receita que a ela  pertencesse;  c)  sendo  a  responsabilidade  inerente  aos  usufrutuários,  não  cabe  a  aplicação do art. 123 do CTN (a não ser na hipótese ­ que não é a dos autos ­ de os  usufrutuários transferirem para outrem o ônus fiscal).”  Insurge­se ainda contra a fiscalização, alegando que foi  invocado o artigo 9º  da  Lei  nº  9.249/95.  Afirma  novamente  que  no  caso  do  usufruto,  a  propriedade  é  desmembrada em duas partes, gerando dois direitos reais: o da nua­propriedade e o  da  propriedade  fruto,  e  que  no  presente  caso,  todos  os  procedimentos,  como  arquivamento e averbação do instrumento do usufruto foram apresentados no curso  do procedimento fiscal e não foram questionados pela Fiscalização.  Sendo assim, aduz o impugnante, que nas assembléias gerais, vota quem tiver  direito de voto e nas distribuições de lucro recebe dividendo ou juros sobre o capital  próprio quem tiver esse direito.  E cita:  “Nem o art. 123 do CTN nem o art. 99 da Lei 9.249/95 permitem ignorar a  realidade concreta, que foi a transferência (apenas) da nua­propriedade de ações para  a IUPAR, com o direito de voto, e a permanência do direito patrimonial sobre essas  ações com as acionistas da IUPAR.”  Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 639          7 Apresenta  decisão  administrativa  sobre  os  efeitos  tributários  de  usufruto  de  ações.  E ainda no mérito, traz o Parecer CST 16/72, que afirma esclarecer o alcance  do artigo 123 do CTN.  Por fim, questiona a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alega que a  Lei nº 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de  multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora, e não sobre o  valor da multa de mora. Assim, se os juros de mora não incidem sobre a multa de  mora, não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício.  Sustenta  que  o  artigo  164  do  CTN,  ao  tratar  de  crédito  tributário,  separa  claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161,  caput, do CTN e por consequência, não são aplicáveis à multa de ofício os juros de  1% ao mês, referidos no parágrafo 1º do artigo 161 do CTN.  Carreia aos autos algumas decisões administrativas.  E requer seja reconhecida a improcedência do auto de infração.    Da decisão da DRJ:  A ementa da decisão é a seguinte:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  judiciais  e  administrativas  relativas  a  terceiros  não  possuem  eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que  tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  INSTRUMENTO  PARTICULAR.  ALTERAÇÃO  DA  SUJEIÇÃO  PASSIVA. INOPONIBILIDADE AO FISCO.  Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações tributárias correspondentes.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA FINANCEIRA. PIS.  INCIDÊNCIA.   Incide PIS sobre as  receitas de  juros sobre o capital próprio, pois estes  tem  natureza  de  receitas  financeiras  e  não  estão  amparados  pelas  exclusões  previstas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 640          8 Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  INSTRUMENTO  PARTICULAR.  ALTERAÇÃO  DA  SUJEIÇÃO  PASSIVA. INOPONIBILIDADE AO FISCO.  Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações tributárias correspondentes.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA FINANCEIRA. PIS.  INCIDÊNCIA.   Incide COFINS sobre as receitas de juros sobre o capital próprio, pois estes  tem natureza de  receitas  financeiras  e não  estão  amparados pelas  exclusões  previstas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.     Do Recurso Voluntário:  Tomando  ciência  em  16/03/2015  (fl.  564)  da  decisão  a  quo,  a  recorrente  apresentou  recurso voluntário em 14/04/2015  (fl. 566), que em síntese,  repisa as alegações e  argumentos já apresentados na sua peça impugnatória, dos quais destaco abaixo:  a)  direitos  políticos  e  direitos  patrimoniais  das  ações:  no  usufruto,  fragmenta­se o direito de propriedade, de modo que os atributos a ela inerentes (dispor e fruir)  são conferidos a pessoas diversas, tendo estas direito real à dita propriedade­nua ou à chamada  propriedade­fruto.  O  usufruto  também  é  possível  no  caso  de  ações  de  emissão  de  sociedade,  conforme artigo 40; 169, § 2°; 171, § 5°, todos da Lei das S/A.  O proprietário­pleno das ações pode, como ocorreu no caso concreto, aportar  na  companhia  a  propriedade­nua  das  ações  mais  o  direito  de  voto,  reservando  para  si  a  propriedade­fruto (usufruto dos direitos patrimoniais: dividendos e JCP).  Por essa razão, o Itaú Unibanco Holding pagou juros sobre o capital próprio  para os usufrutuários, seus legítimos beneficiários, e não para a recorrente, detentora apenas da  nua­propriedade e o direito de voto.  b)  objetivo de criação da IUPAR ­ o controle partilhado do Itaú Unibanco  Holding: a estruturação da recorrente decorreu da associação entre os antigos controladores do  Itaú e os antigos controladores do Unibanco, o que resultou: a) na unificação das atividades dos  dois  conglomerados  financeiros,  sob o  controle  do  Itaú Unibanco Holding; b) na unificação,  nesta holding, de todo o quadro acionário das instituições financeiras antes pertencentes a cada  um dos referidos grupos.  Acordou­se,  também,  que  o  controle  do  Itaú  Unibanco  Holding  seria  compartilhado entre os dois grupos. Por conseguinte, os dois grupos aportaram na recorrente  (IUPAR) ações ordinárias, de emissão do Itaú Unibanco Holding, que totalizaram 51% do seu  capital votante, sendo que o controle da IUPAR foi partilhado entre os dois grupos, passando  cada um a deter 50% do capital votante dessa companhia.  Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 641          9 c)  razão  econômica  e  razão  jurídica  do  aporte  de  ações  gravadas  com  usufruto: o objeto social da recorrente é restrito e exclusivo, ou seja, controle compartilhado do  Itaú Unibanco Holding, para cujo exercício a  recorrente necessitava apenas que as acionistas  transferissem  para  ela  ações  votantes  em  quantidade  suficiente  para  que  ela  detivesse  o  controle daquela instituição.  Como o objeto  social  era  restrito  ao  exercício do  controle,  não havia  razão  para  que  os  acionistas  transferissem  para  a  autuada  os  direitos  patrimoniais  das  ações  aportadas, mas apenas o direito de voto. Os direitos patrimoniais das ações não pertencem e  nunca  pertenceram  à  recorrente,  pois  nunca  foram  conferidos  a  ela.  Por  essa  razão,  o  Itaú  Unibanco Holding distribuiu os respectivos dividendos e juros sobre o capital próprio para as  usufrutuárias e não para a recorrente.  d)  a validade formal e a prova da existência do usufruto: a fiscalização, em  nenhum  momento,  questionou  a  validade  formal  ou  jurídica  da  instituição  do  usufruto,  tampouco foi cogitado abuso. Logo, não foi motivo da autuação a alegação de abuso de forma  ou de direito. A prova do usufruto foi entregue durante a ação fiscal.  e)  o artigo 9° da Lei n. 9.249/95: os juros sobre capital próprio devem ser  pagos  ao  titular  do  direito,  geralmente  ao  proprietário­pleno  das  ações,  quando  sobre  estas  inexiste o usufruto. Na distribuição de lucros, recebe dividendos ou JCP quem tem esse direito.  A companhia, obviamente, não pode ignorar a existência do usufruto e atribuir direitos a quem  não seja o seu titular legítimo.  O artigo 9° da Lei n. 9.249/95 regula o tratamento tributário dos juros sobre o  capital próprio. Todavia, não imputa efeitos fiscais a quem não é o recebedor dos rendimentos,  tampouco estabelece que o proprietário­nu, sem direito aos JCP, fictamente os recebe para fins  de tributação.  f)  o artigo 123 do CTN ­ seu conteúdo e alcance: o CTN não permite que,  por convenção particular, uma pessoa que  legalmente  seria devedora de  tributo,  transfira  sua  obrigação para outra pessoa e obrigue o Fisco a respeitar tal transferência e cobrar o tributo do  cessionário da obrigação. A transferência de responsabilidade poderá valer entre as partes, mas  não é oponível ao Fisco.  g)  o artigo 123 do CTN não se aplica a hipótese dos autos: a aplicação do  artigo  não  pode  dar­se  com  abstração  da  titularidade  dos  bens,  direitos  ou  frutos  que  componham  a  hipótese  legal  de  incidência.  Se  alguém  é  nu­proprietário  e  está  despido  dos  frutos patrimoniais que o bem pode produzir, não pode o Fisco atribuir a ele  fato gerador de  tributo praticado por outra pessoa (usufrutuário).  Se  o  usufrutuário  é  a  pessoa  que  realiza  o  fato  gerador  (recebimento  dos  frutos do bem), será ele o sujeito passivo das contribuições, não podendo o artigo 123 do CTN  ser utilizado para transferir a responsabilidade para outrem.  A  recorrente  nem  foi  instituidora,  nem  beneficiária  do  usufruto;  aliás,  nem  figurou como parte no negócio jurídico de criação do gravame. Com o aporte, apenas recebeu a  nua­propriedade e direito a voto. A sujeição passiva do PIS e da Cofins decorrem de lei, e não  de eventual convenção entre a autuada e as usufrutuárias das ações.  Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 642          10 h)  o auto agride a materialidade do fato gerador: o lançamento, ao atribuir a  sujeição passiva à recorrente, entendeu que os juros sobre o capital próprio seriam dela. Com  essa conclusão, agrediu a materialidade do fato gerador, pois cassou o direito das usufrutuárias  e o atribuiu à recorrente, que nunca os recebeu.   i)  jurisprudência do CARF: existe precedente do Carf, corroborando a tese  da recorrente (acórdão 1103­001.123).  j) o Parecer Normativo CST 16/72: a Receita Federal também já reconheceu  a eficácia  tributária da reserva de direito  real de usufruto, no Parecer Normativo CST 16/72,  que, inclusive, esclareceu o alcance do artigo 123 do CTN.  l) por fim, defende a não incidência de juros sobre a multa de ofício.    É o relatório.    Voto               Conselheiro Marco Rogério Borges ­ Relator    O  recurso voluntário  foi  apresentado pelo  contribuinte  tempestivamente,  do  qual tomo conhecimento.    Da questão inerente ao processo 16327.721155/2014­44­ IRPJ  Encontra­se nos autos, às  folhas 627 e seguintes, Resolução da 3ª Seção de  Julgamento  deste  CARF  (Resolução  nº  3401­001.329,  sessão  de  29/01/2018)  em  que  há  declínio  de  competência  a  esta  1ª  Seção,  por  conta  de  que  o  presente  processo  (16327.720751/2014­15) é reflexo do processo 16327.721155/2014­44, considerado o processo  principal.  Nas suas razões para tal resolução, consta o seguinte:  Conforme  se  depreende  do  termo  de  verificação  fiscal,  a  fiscalização  teve  início  para  verificar  a  regularidade  do  recolhimento do IRPJ, da CSL, do PIS e da Cofins, conforme se  depreende do trecho abaixo transcrito:  No  Termo  de  Intimação  n°  03,  o  contribuinte  foi  intimado  a  "Demonstrar  que  os  Recebimentos  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio,  relativos  às  ações  sobre  as  quais  não  foram  impostos  Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 643          11 gravames,  no  período  em  referência,  foram  oferecidos  à  tributação do IRPJ e CSLL, bem como do PIS e da COFINS."  A acusação  fiscal  da  existência  de  adições  não  computadas  na  apuração  do  lucro  real,  para  fins  de  apuração  de  IRPJ,  e  de  insuficiência de adições à base de cálculo ajustada, para fins de  apuração  da  CSL,  foi  tratada  no  Processo  Administrativo  Federal n° 16327.721155/2014­44, distribuído, conforme extrato  de  andamento  processual,  à  relatoria  do  Conselheiro  Paulo  Mateus Ciccone,  integrante  da  2a Turma da  4a Câmara da  1a  Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais em 15/09/2016:  (...)  Em  sessão  de  10/04/2017,  foi  proferido  o  Acórdão  CARF  n°  1402­002.445,  que,  por  maioria  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencido  o  relator,  sendo  designado  como  redator  do  voto  vencedor  o  Conselheiro  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto, e cuja ementa abaixo se transcreve:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  USUFRUTUÁRIOS.  TITULARES  DOS  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  INEXISTÊNCIA  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS PELA NUA­PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES.  Em  virtude  da  reserva  de  usufruto  dos  direitos  econômicos,  a  titularidade  dos  rendimentos  provenientes  dos  JCP  é  dos  usufrutuários  das  ações,  razão  pela qual  não  há  que  se  falar no  reconhecimento de receitas dos JCP pela nua­proprietária.  USUFRUTO.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  TRIBUTAÇÃO.  INTERPRETAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  No  caso  dos  rendimentos  pagos  ou  creditados  a  título  de  juros  sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao  instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica  remeter  o  intérprete  aos  efeitos  típicos  decorrentes  do  direito  privado.  Ao  se  realizar  o  cotejo  entre  o  presente  processo  e aquele  que  culminou com o acórdão acima referenciado, e como se denota  dos  próprios  memoriais  apresentados  pelo  representante  da  contribuinte  ora  recorrente,  os  autos  de  infração  referentes  ao  IRPJ  e  à  CSL  e  aqueles  referentes  ao  PIS  e  à  Cofins  têm  idênticos  pressupostos  de  fato,  voltando­se,  inclusive,  aos  mesmos períodos de apuração:  Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 644          12     Verifica­se  nos  autos  que  o  presente  processo  (16327.720751/2014­15)  é  reflexo do processo 16327.721155/2014­44.  Ambos os processos decorrem do mesmo procedimento de fiscalização, sob o  MPF nº 08.1.66.00­2013.00657­0,  tendo a mesma autoridade  fiscal  autuante,  e exatamente  a  mesma situação fática no mérito, mudando apenas que houve a formalização de dois processos  administrativos:  um  de  IRPJ/CSLL  (processo  16327.720751/2014­15)  e  um  de PIS/COFINS  (16327.721155/2014­44).  Da  leitura de ambos os TVF verifica­se que ambas as  fiscalizações  tiveram  exatamente os elementos de prova coligidos durante o procedimento fiscal e amealhados como  instrução probatória para a fundamentação de ambas autuações fiscais.  Por  uma  circunstância  de  seguirem  passos  processuais  distintos,  acabou  o  processo  de  IRPJ/CSLL  (16327.720751/2014­15)  sendo  julgado  anteriormente.  Quando  o  processo  reflexo  (o  presente  processo  16327.721155/2014­44)  esteve  apto  a  análise  e  julgamento, e vislumbrou­se esta vinculação entre ambos os processos,  já havia uma decisão  prolatada naquele.  Diante deste preâmbulo para demonstrar que ambos os processos (o presente  (16327.721155/2014­44)  e  o  de  IRPJ/CSLL  (16327.720751/2014­15)  estão  umbilicalmente  interligados, devendo o de PIS/COFINS ser considerado reflexo do de IRPJ/CSLL.  Tal questão está regrada no art. 6º do anexo II do Ricarf:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:  §1º Os processos podem ser vinculados por:  I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;  II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e  III  ­  reflexo,  constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de  prova, mas referentes a tributos distintos.  (...)  Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 645          13 Para  esclarecer  a  amplitude  material  do  §1º  deste  artigo  6º,  recorre  ao  excertos  do  voto  do  i.  conselheiro  André  Mendes  de  Moura,  relator  do  acórdão  nº  9101­ 002.755:  Faço  a  distinção,  amparado  no  conceito  empregado  pelo  RICARF, valendo­se de exemplos.  Nos  processos  reflexos,  há  uma  autuação  fiscal  principal,  por  exemplo,  de  IRPJ,  acompanhada  de  reflexos  de  CSLL,  PIS  e  Cofins,  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  constituídos  em  um  mesmo  procedimento  fiscal.  No  processo  reflexo,  a  decisão  do  processo  principal  tem  repercussão  direta  nos  reflexos.  A  vinculação  por  decorrência  ocorre  quando  há  obrigatoriamente  um  processo  principal  e  demais  processos  acessórios,  que  tiveram  origem  a  partir  do  processo  principal.  Tanto  que  se  o  julgamento  do  processo  principal  afastar  a  autuação,  automaticamente  os  processos  acessórios  perdem  o  objeto. Por exemplo: (1) processo principal trata de exclusão do  SIMPLES,  e o acessório de auto de  infração  lavrado em  razão  da  exclusão  da  empresa  do  regime  especial;  (2)  processo  principal trata da suspensão ou perda de imunidade/isenção, e o  acessório  de  auto  de  infração  lavrado  em  razão  da  suspensão/perda  do  benefício;  (3)  processo  principal  trata  de  autuação fiscal que altera o ajuste anual do imposto, alterando a  apuração  de  saldo  negativo,  e  o  acessório  de  declaração  de  compensação que se utilizou de saldo negativo que, em razão da  autuação fiscal, teve seu valor diminuído ou extinto.  Na decorrência, duas são as características principais: (1) não é  prático (para não dizer que é impossível) fazer o julgamento do  processo acessório antes do julgamento do processo principal e  (2) o decidido no principal tem repercussão direta nos processos  decorrentes. Qual a praticidade em julgar os autos de  infração  de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins se tais lançamentos tiveram origem  em uma suspensão de imunidade ainda pendente de julgamento?  Na  realidade,  a  vinculação  por  reflexão  e  decorrência  tem  muitas  semelhanças,  principalmente  por  disporem  de  um  processo  principal  precisamente  definido,  e  de  processo(s)  acessório(s) cujo julgamento tem uma estreita dependência com  o principal.  Enfim, a conexão ocorre quando se tem um suporte fático X e um  enquadramento  legal  Y  que  é  idêntico,  ou  para  vários  sujeitos  passivos (A, B, C, D, E ...), ou para o mesmo sujeito passivo em  anos­calendário  diferentes  (AC1,  AC2,  AC3...).  Naturalmente,  são  formalizados  vários  processos,  mas  as  autuações  fiscais  (suporte  fático  e  enquadramento  legal)  são  as  mesmas,  diferenciando­se,  em  linhas  gerais,  o  sujeito  passivo  e  o  ano­ calendário.  Como  exemplo,  pode  ser  um  auto  de  infração  de  glosa  de  despesas, com o mesmo suporte fático, de uma mesma empresa,  Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 646          14 com  os  mesmos  fatos  e  elementos  de  prova,  formalizado  em  processos  diferentes,  cada  qual  para  um  ano­calendário  (AC1,  AC2, AC3 e AC4). Ou, o auto de infração de glosa de despesas,  com o mesmo suporte  fático, mas  lavrado em face de empresas  que  desenvolvem  a mesma  atividade  econômica  e  tiveram  uma  interpretação  idêntica  da  legislação  tributária,  ou  seja,  processos com sujeitos passivos A, B, C, D e E. Ainda, processo  de  reconhecimento  de  direito  creditório  que  se  utilizou  do  crédito X  para  compensar  débitos D1, D2, D3, D4 e D5,  cada  qual em um processo diferente.  O que  se observa nos processos por conexão é que não há um  processo  que  pode  ser  classificado  como  o  principal.  O  julgamento  pode  ser  dar  em  qualquer  um  dos  processos.  Pode  ser  julgado  o  processo  AC3,  sem  prejuízo  nenhum  para  os  demais. Ou o processo contra o sujeito passivo D, ou o processo  tratando  da  compensação  do  débito  D2.  Na  realidade,  os  processo por conexão são aqueles que podem ser reunidos para  julgamento em lotes, ou na sistemática dos repetitivos. Pode­se  escolher qualquer um dos processos para julgamento, e aplicar  a  decisão  para  os  demais.  Tal  procedimento,  obviamente,  não  pode ser adotado para os reflexos ou decorrentes, tendo em vista  a existência de um processo principal.  Dada e explicação acima dos conceitos envolvidos nos 3 tipos de processos  vinculados  ­  conexão,  decorrência  e  reflexo,  resta  evidenciado  que  o  presente  processo  é  reflexo,  nos  termos  o  inciso  III  do  §1º  art.  6º  do  anexo  II  do Ricarf. Tem a mesma matéria  fática e jurídica do processo principal de IRPJ/CSLL.  Note­se  que  se  ambos  os  processos  ­  do  presente  processo  e  o  principal  ­  tivessem sido seguidos os mesmos passos processuais, deveriam ter sido julgados em conjunto,  conforme a melhor prática processual. E se assim fosse, o julgado no processo reflexo teria a  mesma sorte do processo principal.  Tal  vinculação  decisória  decorre  do  chamado  princípio  da  decorrência,  consagrado  neste  Conselho,  por  razões  lógicas  e  jurídicas.  Não  é  dado  a  dois  colegiados  distintos  de  igual  hierarquia,  proferir  decisões  distintas  sobre  os mesmos  fatos  e  período  de  abrangência, cabendo um deles declinar da competência, nos termos do art. 6º do anexo II do  Ricarf, ou por economia processual, adotar a mesma decisão anteriormente proferida.  Resta,  portanto,  quanto  ao  cerne  da  discussão  aqui  suscitada,  para  dar  provimento integral ao recurso voluntário, nos termos do acórdão 1402­002.445.    (assinado digitalmente)  Marco Rogério Borges      Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 647          15               Declaração de Voto    Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.    CONSIDERAÇÕES INICIAIS  Discute­se neste procedimento (processo 16327.720751/201415), a exigência  de  contribuições  de  PIS  e COFINS  reflexos  dos  autos  de  infração  de  IRPJ  formalizados  no  Processo nº 16327.721155/2014­44, este sob relatoria deste Conselheiro.  Levado a  julgamento em 10/04/2017,  foi prolatada decisão consubstanciada  no Ac. 1402­002.445,  restando vencido este Conselheiro que pugnava pela  improvimento do  recurso  voluntário  e  mantença  integral  da  decisão  recorrida  e  dos  lançamentos,  sendo  designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.  Naquela  oportunidade,  expressei meu  entendimento  de que  o  procedimento  realizado  pela  recorrente  de  não  reconhecer  a  receita  dos  JCP  pagos/creditados  pela  Itaú  Unibanco Holding S/A se mostrava indevido, pelo que a ação fiscal se revelou correta.  Peço vênia para reproduzir, visando melhor aclarar meu ponto de vista sobre  a matéria, o voto que proferi naquela oportunidade, restringindo ao ponto focado (JCP).  Para melhor  compreensão do  tema,  impende  rever  a  evolução histórica  dos  JCP, ainda que de forma resumida.  Já  antecipadamente  à  sua  entrada  no  mundo  jurídico,  ocorrida  pela  Lei  nº  9.249,  de  26/12/1995,  art.  9º,  autores  de  contabilidade  faziam  referência  a  uma  forma  de  remuneração do capital, ressaltando, todavia (certamente tolhidos pela legislação tributária que,  à época, interferia de forma desmedida na ciência contábil), sua não aceitação como “despesa”,  esta entendida para fins fiscais.  Nesse  contexto,  pouco antes da promulgação da mencionada Lei, A. Lopes  de Sá e A. M. Lopes de Sá1, escreviam (destaques não são do original):  “JUROS SOBRE CAPITAL – Valor  que  deve  apresentar o  interesse ou  compensação  do  capital  aplicado  em  uma  empresa,  e  que,  segundo  algumas  teorias,  deverá  ser  incluído  no  custo  de  um  produto  (teoria  de  economistas  e  de  raríssimos  contabilistas);  despesa  figurativa  que  representa o valor que renderia um capital aplicado.                                                              1 in “CUSTO” – Dicionário de Contabilidade – 9ª Ed. – São Paulo – Atlas, 1995 – pgs. 273/274)  Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 648          16 A  inclusão  do  valor  dos  juros  sobre  o  capital  como  fator  de  custeio  é  bastante discutida ainda, por efeito de confusões que se estabelecem em  nossa doutrina.  Os juros sobre o capital não devem ser incluídos como fator de custo de  operação,  mas,  apenas,  extraordinariamente,  para  efeito  de  estudos  de  rentabilidade do capital e não de sua reditibilidade”.  De  se  ver  que  o  tema  era  quase  um  tabu,  sendo  entendido mais  como  um  assunto afeto aos economistas que aos contabilistas, muito provavelmente pelo engessamento  que a legislação tributária, mormente do IR, exercia sobre a Contabilidade e os profissionais da  área.   Muito a propósito:  “A imputação dos juros sobre o capital próprio ao custo é matéria discutida em Contabilidade e  a maior parte de nossos melhores autores concorda em não admitir tal como custo, pois julga  que isto é mais um problema de Economia que de Contabilidade”.2  Nesse  caminhar,  foi  necessária  a  devida  permissão  legislativa  para  que  o  assunto mudasse de cenário, ganhando a forma e a dimensão de hoje, o que se fez pela Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 9º, cuja redação atual é a seguinte:  Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro  real,  os  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas  do  patrimônio  líquido  e  limitados  à  variação,  pro  rata  dia,  da  Taxa  de  Juros  de  Longo Prazo ­ TJLP.  § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a  serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)   § 2º Os  juros  ficarão  sujeitos à  incidência do  imposto de  renda na  fonte à  alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.   § 3º O imposto retido na fonte será considerado:   I  ­  antecipação  do  devido  na  declaração  de  rendimentos,  no  caso  de  beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real;   II  ­  tributação  definitiva,  no  caso  de  beneficiário  pessoa  física  ou  pessoa  jurídica  não  tributada  com  base  no  lucro  real,  inclusive  isenta,  ressalvado  o  disposto no § 4º;   § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)   §  5º  No  caso  de  beneficiário  sociedade  civil  de  prestação  de  serviços,  submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto­Lei nº 2.397, de  21  de  dezembro  de  1987,  o  imposto  poderá  ser  compensado  com  o  retido  por  ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários.                                                              2 ibidem – pg. 120 – destaque acrescido pela Relatoria  Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 649          17  §  6º  No  caso  de  beneficiário  pessoa  jurídica  tributada  com  base  no  lucro  real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por  ocasião  do  pagamento  ou  crédito  de  juros,  a  título  de  remuneração  de  capital  próprio, a seu titular, sócios ou acionistas.   § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de  remuneração do capital próprio, poderá ser  imputado ao valor dos dividendos de  que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do  disposto no § 2º.   § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será  considerado  o  valor  de  reserva  de  reavaliação  de  bens  ou  direitos  da  pessoa  jurídica,  exceto  se  esta  for  adicionada  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido. (Vide  Medida  Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)   § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)   § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)   § 11. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)  Importante verificar que o artigo 35 dispôs que referida Lei entraria em vigor  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1.996,  oportunidade  em  que  também  passou  a  viger  outro  dispositivo (art. 10)3 que excluiu da  tributação do  IR, os  lucros e dividendos calculados com  base nos  resultados das pessoas  jurídicas,  em quaisquer de  suas  formas  de  apuração  (Lucros  Real, Presumido ou Arbitrado).  A conjugação destes dois dispositivos (arts. 9º e 10) mostra que a intenção do  legislador  foi  a de  permitir  que os  empreendedores  e  investidores  nos  capitais  das  empresas  mantivessem tais investimentos nas próprias pessoas jurídicas de que participassem recebendo,  em contrapartida, remuneração por tal aplicação, ao invés de buscarem tais frutos no mercado  financeiro.   Em  outras  palavras,  os  JCP  nada  mais  são  e  representam,  que  a  compensação do capital investido por alguém, pessoa física ou jurídica, em uma empresa.   Nesta trilha, não só se isentaram os “lucros” da tributação, como se permitiu  que sobre o Capital e outras contas do Patrimônio Líquido se calculassem e pagassem JCP aos  detentores  de  ações,  quotas  ou  participações  societárias  (ou  mesmo  empreendedores  individuais) permitindo, ainda, a reaplicação de tais montantes ao próprio Capital, aumentando  a base de cálculo dos Juros.  Tudo  isso  sem  olvidar  que  a  lei  trouxe  uma  tributação  extremamente  favorecida  no  caso  de  beneficiárias  pessoas  físicas  (15%  de  IRRF,  ao  invés  de  27,5%  na                                                              3 Art.  10. Os  lucros ou  dividendos  calculados  com base  nos  resultados  apurados  a partir  do mês de  janeiro de  1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não  ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda  do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.      Parágrafo  único.  No  caso  de  quotas  ou  ações  distribuídas  em  decorrência  de  aumento  de  capital  por  incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros,  o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista.    Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 650          18 Declaração de ajuste anual) e o fato de as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real poderem  deduzir tais montantes das bases imponíveis de IRPJ e CSLL (geralmente 34%).  Neste hiato, imprescindível lembrar o contexto existente no Brasil quando a  Lei nº 9.249/1995 foi promulgada.  Até 1995 existia no País a Correção Monetária dos Balanços (CMB), sistema  pelo  qual  os  saldos  credores  ou  devedores  da  CMB  (confronto  entre  contas  do  Ativo  Permanente e Patrimônio Líquido), resultavam em, i) lucro inflacionário, sobre o qual o tributo  devido  poderia  ser  diferido  para  pagamento  quando  de  sua  realização,  ou,  ii)  despesas,  dedutíveis in actu.  Extinta  a  Correção  Monetária  com  o  advento  do  Plano  Real,  a  CMB  foi  também expurgada do sistema contábil e fiscal.  Com isso, dado que às obrigações junto a terceiros, assim como às aplicações  financeiras  continuaram  sendo  imputados  juros,  com  evidente  desequilíbrio  patrimonial  e  reflexos  tributários  caso  as  contas  do  Patrimônio  Líquido  não  seguissem  sendo  igualmente  atualizadas  pelo  mesmo  critério,  o  legislador  acenou  com  o  surgimento  da  figura  aqui  analisada, ou seja, a dos Juros sobre o Capital Próprio, calculados com base na variação pro  rata  dia  da  Taxa  de  Juros  de  Longo  Prazo  (TJLP)  e  sobre  contas  previamente  definidas,  permitindo  a  remuneração,  a  título  de  “juros”,  ao  sócio,  acionista  ou  empreendedor  individual.   Surge daí a condição legal para seu pagamento, condicionada à existência  de lucros antes da dedução dos próprios juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros em  montante  igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos  ou  creditados,  pagamento que a lei determina seja feito a titular, sócios ou acionistas (art. 9º, caput)4.  Para melhor  compreensão  dos  pressupostos  ensejadores  do  nascimento  dos  Juros  sobre  o  Capital  Próprio  no  ordenamento  jurídico,  fundamental  que  se  perscrute a  exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/1995, origem do artigo 9º da Lei 9.249/1995  (atrás  reproduzido),  quando  se  perceberá  que  a  intenção  de  permitir  a  dedução  dos  JCP  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  que  realiza  o  pagamento  ou  crédito  dos  Juros  sobre  o  Capital Próprio foi baseada no princípio da isonomia, isto porque, antes da referida alteração  legislativa, as pessoas jurídicas que possuíam capital financiado de terceiros podiam deduzir os  juros  desse  tipo  de  empréstimo  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  não  havendo,  entretanto,  previsão  legal  para  a mesma  dedução  no  caso  de  investimento  com  capital  próprio.  Veja­se  o  que  diz  a  exposição  de  motivos  do  Projeto  de  Lei  nº  913/1995  (depois Lei nº 9.249/1995) em relação ao artigo 9º:  “A  permissão  da  dedução  de  juros  pagos  ao  acionista  até  o  limite  proposto  [variação  da  Taxa  de  Juros  de  Longo  Prazo  –                                                              4 Art. 9º A pessoa  jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do  lucro  real, os  juros pagos ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa  de Juros de Longo Prazo ­ TJLP.    Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 651          19 TJLP],  em  especial,  deverá  provocar  um  incremento  das  aplicações produtivas nas empresas brasileiras,  capacitando­as  a  elevar  o  nível  de  investimentos,  sem  endividamento,  com  evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao  crescimento  sustentado  da  economia.  Objetivo  a  ser  atingido  mediante a adoção de política  tributária moderna e compatível  com  aquela  praticada  pelos  demais  países  emergentes,  que  competem com o Brasil na captação de recursos  internacionais  para investimentos”.   O  deputado  Antonio  Kandir,  relator  do  PL  nº  913/1995,  destacou  seu  entendimento a respeito do que viria a ser o artigo 9º, da Lei:  “A medida visa a  estimular o autofinanciamento das  empresas,  pela redução da diferença de tratamento que a atual legislação  confere  ao  capital  próprio  e  ao  capital  de  terceiros.  Como  se  sabe,  os  juros  sobre  empréstimos  (capital  de  terceiros)  são  dedutíveis  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  enquanto  os  encargos  implícitos  sobre  a  parcela  do  capital próprio não podem ser deduzidos.  Com  isso,  a  empresa  que  se  financia  de  formas  preponderante  com empréstimos de terceiros tem a vantagem comparativa com  outra empresa do mesmo porte, que opera no mesmo setor, mas  que prefira financiar­se com capital próprio, pois que a primeira  deverá pagar menos imposto de renda do que a segunda. (...) Os  encargos  implícitos  sobre  o  capital  próprio  consistem  no  seu  custo  de  oportunidade,  vale  dizer,  no  custo  equivalente  ao  quanto renderia se aplicado no mercado financeiro”.   O que o legislador buscou, portanto, foi criar um ambiente propício para que  se  aumentasse  o  autofinanciamento  das  empresas,  gerando  aumento  em  sua  liquidez,  sem  endividamento, mediante  a  formação  de  capitais  próprios, de  seus  acionistas  ou  sócios,  em  detrimento do uso dos empréstimos.  Situação que se sintetiza na brilhante lição de Marco Aurélio Greco5 “Neste  contexto  é  que  aparece  a  figura  das  opções  fiscais,  que  serão  figuras  criadas  pelo  ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que  delas se utilize, conforme a sua conveniência”.  Postas estas premissas, pode­se afirmar que no Brasil o legislador optou por  permitir uma forma mista de remuneração do capital para os investidores, a saber:  i)  dividendos; e,   ii)  juros sobre capital próprio, destacando­se, TODAVIA, que essa divisão  não  é  meramente  acadêmica  ou  didática,  pois  dela  resultam  efeitos tributários diferentes, conforme se verá adiante.                                                              5 Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei tributária – Dialética – 1998 – São Paulo.   Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 652          20 Esclareça­se: ainda que tenham por fim remunerar o capital dos investidores,  lucros e JCP têm contornos legais e tributários opostos, bem ao revés do entendimento de  alguns de que os JCP possuem natureza de dividendos.  Sobre os efeitos tributários antagônicos dos JCP e dos dividendos, a definição  da  Procuradora  Federal  Tarsila  Ribeiro  Marques  Fernandes  em  artigo  apresentado  na  rede  mundial de computadores no dia 05/06/20136 é extremamente pertinente:  “Os dividendos são uma parte dos lucros de uma empresa que é dividida  entre  os  acionistas.  Nesse  sentido,  pessoas,  físicas  ou  jurídicas,  que  possuem  ações,  títulos  ou  fundos  mútuos,  podem  receber  dividendos  de  tais  investimentos. Cabe  esclarecer  que  tanto  os  dividendos  quanto  os  juros  sobre  capital  próprio  são  formas  de  remuneração  do  investidor,  com  uma  grande  diferença  tributária,  uma  vez  que  o  pagamento  dos  dividendos não confere à pessoa jurídica o direito à dedução do imposto  de  renda,  uma  vez  que  há  isenção  do  imposto  de  renda  para  o  beneficiário.  (...)  Quaisquer valores pagos a título de dividendos como forma de remunerar  os acionistas não são tributados, razão pela qual os investidores recebem  integralmente os valores distribuídos (...) diferentemente do que acontece  no Brasil em relação aos juros sobre capital próprio, que é considerado,  como visto anteriormente, um custo dedutível da apuração do seu lucro  real para fins de tributação do imposto de renda”.   Muito  a  propósito,  veja­se  o  posicionamento  do Ministro Mauro Campbell  Marques,  expresso  no  REsp  1.200.492/RS,  Primeira  Seção,  julgado  em  14/10/2015  (DJe  22/02/2016), cujo teor espanca quaisquer dúvidas acerca da diferença entre os institutos:  “Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo  dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido,  para  fins  tributários  sua  semelhança acaba aí,  havendo uma  série  de  tratamentos  distintos  na  legislação  que  evidencia  a  diferença de sua natureza jurídica, a saber:  “LUCROS OU DIVIDENDOS:  ­ Em relação ao beneficiário: não estão sujeitos ao imposto de  renda na  fonte pagadora nem  integram a base de cálculo do  imposto de renda do beneficiário (art. 10, da Lei n. 9.249/95)  – Em relação à pessoa jurídica que paga: não são dedutíveis  do lucro real (base de cálculo do imposto de renda).  – Obedecem necessariamente ao disposto no art. 202, da Lei  n. 6.404/76 (dividendo obrigatório).                                                              6 Tarsila Ribeiro Marques Fernandes – Procuradora Federal­ Graduada em Direito pela UFPE – Pós­Graduada em  Direito Público – artigo disponível no site www.conteudojuridico.com.br  Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 653          21 – Têm limite máximo  fixado apenas no estatuto social ou, no  silêncio deste,  o  limite dos  lucros não destinados nos  termos  dos arts. 193 a 197 da Lei n. 6.404/76.  – Estão condicionados apenas à existência de lucros (arts. 198  e 202, da Lei n. 6.404/76).  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO:  – Em  relação ao  beneficiário:  estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto de renda na fonte na data do pagamento do crédito ao  beneficiário (art. 9º, §2º, da Lei n. 9.249/95).  – Em relação à pessoa jurídica que paga: quando pagos são  dedutíveis do lucro real (art. 9º, caput, da Lei n. 9.249/95).  –  Podem,  facultativamente,  integrar  o  valor  dos  dividendos  para  efeito  de  a  sociedade  obedecer  à  regra  do  dividendo  obrigatório (art. 202, da Lei n. 6.404/76).  – Têm como limite máximo a variação da TJLP (art. 9º, caput,  da Lei n. 9.249/95).  –  Estão  condicionados  à  existência  de  lucros  no  dobro  do  valor dos  juros a serem pagos ou creditados  (art. 9º, §1º, da  Lei n. 9.249/95)”.  Dizendo  de  modo  mais  claro,  enquanto  lucros  e  dividendos  estão  fora  da  tributação  do  IR  quando  distribuídos,  os  JCP  submetem­se  a  toda  uma  sistemática  de  imposição  tributária  (na  fonte,  de  forma  exclusiva,  quando  os  recebedores  forem  pessoas  físicas),  como  antecipação,  se  beneficiários  pessoas  jurídicas,  além  de  seu  caráter  de  dedutibilidade na fonte pagadora (PJ com regime de tributação pelo Lucro Real).  Resumidamente pode­se afirmar com segurança que:  i)  lucros  e  dividendos  significam  a  participação  do  sócio/acionista/empreendedor individual no resultado  positivo da atividade empresarial; e,  ii)  JCP  revestem­se de nítidos e  indiscutíveis contornos de “remuneração  do  capital  investido  dos  acionistas/sócios”,  ou,  no  dizer do deputado Antonio Kandir, relator do Projeto  que se transformou na Lei nº 9.249/1995:    “os  encargos  implícitos  sobre  o  capital  próprio  consistem  no  seu  custo  de  oportunidade,  vale  dizer,  no  custo  equivalente  ao  quanto  renderia  se  aplicado  no  mercado  financeiro”.   Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 654          22 Nesta  linha é que o Código Civil de 2002, por seu artigo 1.0077 ÚNICA E  TÃO  SOMENTE  cuidou  de  permitir  que  os  lucros  pudessem  ser  distribuídos  de  forma  desigual  às  participações  dos  sócios/acionistas  no  capital, NÃO  FAZENDO  QUALQUER  REFERÊNCIA EM RELAÇÃO AOS JCP (sempre lembrando que, quando da promulgação  da Lei nº 10.406/2002, os JCP já existiam no ordenamento legal há sete anos, de modo que, se  fosse intenção do legislador equiparar ambos institutos, o teria feito naquela oportunidade).  Contextualmente,  enquanto  o  Código  Civil  permite  distribuição  desproporcional  dos  lucros,  os  Juros  sobre  o  Capital  Próprio,  por  sua  nítida  natureza  compensatória do investimento realizado e seu claro caráter de “custo de oportunidade”, só  podem  ser  calculados  sobre  o  Capital  e  na  EXATA  PROPORÇÃO  da  participação  dos  investidores no referido capital, sob pena de completo desvirtuamento do instituto.  Mal comparando, mas bem comparando,  imagine­se uma sociedade de dois  sócios, “A” e “B”, na qual o primeiro detenha 20% do capital e o segundo os restantes 80%. Se  ambos deliberarem que os JCP serão pagos meio a meio, ou seja, 50% para cada um, como é  que “A” (que só tem 20%) poderá habilitar­se a receber 50% de juros sobre o capital próprio  se o capital próprio que possui é apenas 20%? Como poderá receber juros sobre um capital  que não detém?!   Um verdadeiro absurdo sob o ângulo da própria lógica jurídica e cotidiana.  Pois  bem,  feitas  estas  digressões,  vejamos  como  se  comportariam  tais  premissas no caso de o beneficiário do pagamento ou crédito dos JCP não ser o proprietário  das ações, mas o usufrutuário delas.  Que  o  usufruto  é  matéria  afeta  ao  Direito  Civil  e  frequenta  nosso  ordenamento jurídico há mais de uma centena de anos (cf. Código de 1916), é absolutamente  pacífico.  Que, como largamente assentado pela  recorrente, o usufruto se constitui em  direito real (Código Civil de 2002, artigo 1.225, IV), também induvidoso.  Como é induvidoso que o usufruto pode recair sobre bens móveis ou imóveis,  de  um  patrimônio  inteiro  ou  parte  dele8,  que  se  estende  aos  acessórios  da  coisa  e  seus  acrescidos9  e  que  sua  transferência  não  se  pode  dar  por  alienação,  sendo  lícito  ceder­se  seu  exercício por título gratuito ou oneroso10.                                                              7  Art.  1.007.  Salvo  estipulação  em  contrário,  o  sócio  participa  dos  lucros  e  das  perdas,  na  proporção  das  respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção  da média do valor das quotas.  8 Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002.  Art. 1.390. O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou  imóveis, em um patrimônio  inteiro, ou parte deste, abrangendo­lhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades.  9 Art.  1.392.  Salvo  disposição  em  contrário,  o  usufruto  estende­se  aos  acessórios  da  coisa  e  seus acrescidos. (ibidem)  10 Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder­se  por título gratuito ou oneroso. (ibidem)    Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 655          23 Certo  ainda  que  o  usufrutuário  tem  direito  à  posse,  uso,  administração  e  percepção dos  frutos  (CC/2002, artigo 1394) e,  em caso de  título de crédito com usufruto, o  detentor do usufruto terá direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas (ibidem,  artigo 1395).  Com  este  cenário  estampado  parece  ter  razão  a  recorrente  quando  pugna,  exaustivamente, que os beneficiários dos JCP pagos/creditados seriam os usufrutuários e não  os proprietários das ações, de modo que os lançamentos exigindo o reconhecimento da receita  na contribuinte autuada não fariam sentido e, por isso, deveriam ser cancelados.  Em que pese a sempre brilhante argumentação do patrono da recorrente em  todas as peças que produz, ouso dela discordar.  É certo, como dito antes, que ao usufruto e aos usufrutuários aplicam­se as  normas expressas na legislação civil.  Também é certo que, na forma dos artigos 109 e 110 do CTN11, os princípios  gerais de direito privado podem ser utilizados no âmbito do direito para pesquisa de definição,  conteúdo  e  alcance  dos  seus  institutos,  conceitos  e  formas,  “mas  não  para  definição  dos  respectivos efeitos tributários” e que a legislação tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo  e o alcance de  institutos, conceitos e  formas de direito privado” e, desta  forma, “definir ou  limitar  competências tributárias”.  Todavia  (e  aí me parece  residir a  grande divergência de  raciocínio  entre  as  partes em combate), não houve pelo lado do Fisco, como quer fazer entender a recorrente, uma  interpretação equivocada da legislação tributária, ao contrário, a Autoridade Fiscal única e tão  somente  assumiu  legislação própria e  específica da  seara  tributária  (e não de natureza civil),  aplicando­a ao caso concreto. Ou seja, não desvirtuou nem modificou nem alterou conceitos e  formas de direito privado para imputar obrigações tributárias.  Exatamente ao inverso. Os conceitos eram fechadamente de matéria fiscal,  expressos  na  Lei  nº  9.249,  de  1996,  de modo  que  impensável  supor  que  a  lei  civil  (direito  privado),  por  um  de  seus  institutos,  “usufruto”  possa  ser  fundamento  para  afastar  regra  de  natureza específica e voltada ao Direito Tributário (ramo de direito público).  Isso porque,  como antes  já  relatado, os  JCP  surgiram no Brasil  com cunho  estritamente  fiscal,  tanto  que  sequer  dele  cuida  a  lei  societária  (Lei  nº  6.404/1976),  sempre  lembrando que a lei nº 9.249/1996 (JCP) foi editada 20 anos após a dita Lei das S/A que, diga­ se, já sofreu inúmeras alterações, ampliações e revogações, sem que JAMAIS este tópico tenha  sido a ela incorporado pelo legislador.                                                              11 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam­se para pesquisa da definição, do conteúdo  e do alcance de seus  institutos,  conceitos e  formas, mas não para definição dos  respectivos efeitos  tributários.  Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e  formas  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal,  pelas  Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir  ou limitar competências tributárias.    Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 656          24 Em  síntese,  como  bem  apontado  pela  Procuradoria  Fazendária  em  suas  contrarrazões, “os JCP não estão previstos em normas de direito privado, mas em norma específica  tributária”,  de  forma  que  se  está  diante  de  um  instituto  com  faceta  exclusiva  do  Direito  Tributário, impondo concluir que, regidos os JCP unicamente pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de  1996,  encontram­se a  salvo de que um  instituto privado possa vir  a  lhes modificar o  regime  jurídico tributário.  Mais  a mais,  o  fato  de  a  Lei  nº  6.404/1976  fazer  referência  ao  usufruto  e  permitir pagamento de dividendos aos usufrutuários de ações em nada modifica o quadro aqui  estampado, muito ao contrário o reforça, isto porque na referida lei só se tratou de dividendos,  em nenhum momento de “juros sobre capital próprio”.  Enfaticamente, “os juros sobre o capital não ostentam o mesmo caráter jurídico  dos  dividendos”  (Edmar  Oliveira  Andrade  Filho).  Ainda  nas  palavras  do  renomado  autor,  “aqueles  remuneram  os  investidores  em  razão  da  indisponibilidade  dos  recursos  enquanto  os  dividendos os remuneram pelo sucesso do empreendimento”.12 (negritou­se).  Fábio Konder Comparato13 leciona:  “Os  juros  calculam­se  sobre  quantia  fixa  (principal),  em  função  do  tempo  decorrido. Os dividendos, embora calculados sobre quantia fixa, só podem ser pagos com os resultados  positivos obtidos na exploração empresarial, resultados esses cuja variação não está ligada à fluência  do tempo”.  Para Umberto Navarrini e G. Fagella (in “Das Sociedades Comerciais – v.2 –  Rio de Janeiro – José Konfino – 1950 – fls. 532 – citado por Edmar Oliveira Andrade Filho ­  obra citada – fls. 448):  “A  oposição  entre  dividendos  e  juros  é  aqui  marcada  de  maneira  decidida:  os  primeiros  representam o  lucro  da  sociedade,  os  outros  deveriam  representar a  compensação pelos  riscos que os SÓCIOS correm”. (destaquei).  Ou  seja,  SEMPRE  E  SEMPRE,  os  juros  remuneram  o  capital  investido  pelos  acionistas,  sócios  ou  empreendedor  individual.  Os  dividendos  são  parte  do  lucro  obtido.  Para  que  estes  existam  é  necessário  que  o  resultado  seja  positivo.  Para  que  aqueles  sejam  pagos/creditados,  basta  a  existência  de  valores  positivos  no  Patrimônio  Líquido  da  sociedade sobre o qual serão calculados.  Se os dividendos têm previsão na norma societária (por exemplo, artigos 26,  42,  111,  118,  da  Lei  nº  6.404/1976)  e  o  usufruto  e  usufrutuário  são  destacados  no  mesmo  diploma legal (artigos 40, 114) e, mais especificamente ainda, o artigo 205 prevê pagamento  de  dividendos  a  usufrutuários14,  na  legislação  que  cuida  dos  JCP  (Lei  nº  9.249,  de  26  de                                                              12 Edmar Oliveira Andrade Filho – in Imposto de Rendas das Empresas – 10ª Ed. Atlas – SP – 2013 –  fls. 447/448     13 Direito Empresarial – São Paulo – Saraiva – 1990 ­ fls. 164­165)    14 Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de  declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação.  Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 657          25 dezembro de 1995) não se vê UMA ÚNICA CITAÇÃO, por mínima que seja, de que os  juros  possam  ser  pagos  a  “usufrutuários”. Muito  diversamente,  a  redação  do  artigo  9º  é  claríssima  no  sentido  de  determinar  a  remuneração  do  investidor  que  aportou  recursos  na  pessoa  jurídica,  ou  seja,  aquele  que  retirou  recursos  próprios  e,  acreditando  no  empreendimento  do  qual  participa,  deixou  de  aplicá­lo  em  outros  investimentos  e  carreou­os à própria empresa.  Veja­se (destacado):  Art.  9º  A  pessoa  jurídica  poderá  deduzir,  para  efeitos  da  apuração  do  lucro real, os  juros pagos ou creditados  individualizadamente a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação,  pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo ­ TJLP.  Na trilha da jurisprudência deste Colegiado (Ac. n° 101­96.692)   IRPJ  —  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  —  Os  juros  sobre capital próprio investido pela sociedade em outra empresa  não  têm  natureza  de  lucro  ou  dividendo,  mas  de  receita  financeira.  Regime  jurídico  tributário  diferenciado.  Os  juros  recebidos em decorrência de aplicação capital próprio em outra  pessoa jurídica compõem a base de cálculo do IRPJ. (grifamos)  Foi  vista  antes,  a  exposição  de  motivos  que  compôs  o  PL  nº  913/1995,  posteriormente Lei nº 9.249/1995. Veja­se abaixo a exposição de motivos quando da conversão  do PL na própria Lei:    10. Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos do capital, o Projeto introduz  a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a  dedução dos  juros pagos aos acionistas, até o  limite da variação da Taxa de Juros de Longo prazo  ­  TJLP;  compatibiliza  as  alíquotas  aplicáveis  aos  rendimentos  provenientes de  capital  de  risco  àquelas  pela  qual  são  tributados  os  rendimentos  do mercado  financeiro;  desonera  os  dividendos;  caminha  na  direção  da  equalização  do  tratamento  tributário  do  capital  nacional  e  estrangeiro;  e  revoga  antiga  isenção do imposto de renda incidente sobre a remessa de juros para o exterior, prevista no Decreto­Lei  nº 1.215, de 1972 (arts. 9º a 12, § 2º do art. 13, art. 28, e inciso I do art. 32), a fim de que não ocorra  qualquer  desarmonia  no  tratamento  tributário  que  se  pretende  atingir.  Igualando­se,  para  esse  fim,  o  aplicador nacional e estrangeiro.   11. A permissão de dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá  provocar  um  incremente  das  aplicações  produtivas  nas  empresas  brasileiras  capacitando­as  a  elevar  nível  de  investimentos,  sem  endividamento,  com  evidentes  vantagens  no  que  se  refere  à  geração  de  empregos  e  ao  crescimento  sustentado  da  economia.  Objetivo  a  ser  atingido mediante  a  adoção  de  política  tributária  moderna  e  compatível  com  aquela  praticada  pelos  demais  países  emergentes,  que  competem com o Brasil na capacitação de recursos internacionais para investimento.                                                                                                                                                                                               Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 658          26 O Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial nº 1.169.202 –  SP, que tratou do direito de voto relativamente a ações objeto de usufruto vidual (usufruto em  função de herança), adotou posição que não destoa da acima esposada. Confira­se excerto do  voto da Ministra Nancy Andrighi:  “(...)  Acrescente­se  a  isso  o  fato  de  que  o  nu­proprietário  permanece  acionista,  inobstante o usufruto, e sofre os efeitos das decisões tomadas nas assembléias em  que o direito de voto é exercido”. (grifou­se)  Em  resumo,  pela  literal  definição  do  artigo  9º,  da  Lei  nº  9.249,  de  26/12/1995, os JCP devem se pagos ao acionista. Mesmo que constituído o usufruto sobre as  ações, o nu­proprietário permanece sendo o acionista. É a ele, então, que devem ser pagos  os  juros,  tendo  em  vista  a  relação  jurídica  travada  no  âmbito  tributário.  Não  ao  usufrutuário.    Neste  momento,  permito­me  voltar  aos  dizeres  dos  artigos  109  e  110  do  CTN, olhando­os agora sob novo enfoque.  Se não é permitido subverter as normas, conteúdo e alcance dos institutos de  direito privado  (Direito Civil)  para definir  os  respectivos  efeitos  tributários  e  se  a  legislação  tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e  formas de  direito privado” para “definir ou limitar competências tributárias”, a mão inversa sofre a mesma  ou até maior  restrição, diga­se, não é possível,  como quer a  recorrente,  amparar­se  em  conceitos  e  definições  de  caráter  privado  (usufruto  e  usufrutuários)  para  obter  um  benefício que a lei fiscal, ou seja, lei tributária, NÃO CONCEDEU.  Ora,  como  exaustivamente  visto,  os  JCP  não  fazem  parte  do  arcabouço  de  normas de direito privado, mas, sim, norma de específica vigência na área tributária, ou seja, a  celeuma  envolve  instituto  exclusivo  da  esfera  do  direito  tributário,  de  tal  forma  que  regidos  exclusivamente pelo que foi disposto no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996, não se permite que  instituto de natureza privada possa modificar seu regime jurídico.  Por  todos  estes  pontos,  plenamente  relevantes  e  pertinentes  a  remessa  ao  artigo  123  do CTN  (ratificada  pela  decisão  recorrida),  posto  que  aplicável  tal  dispositivo  ao  caso  sob  análise,  valendo  registrar  os  argumentos  expressos  pelo  voto  condutor  do  acórdão  recorrido acerca da matéria:  “Sobre a aplicação da norma constante do art. 123 do CTN ao caso  dos  autos,  o  impugnante  a  entende  equivocada.  Defende  que  os  juros  sobre o capital próprio consistem em direito do usufrutuário. Os juros a  ele  pertenceriam  desde  o  pagamento  ou  crédito  inicial.  Dito  de  outra  forma, não  teria havido a  transferência do  encargo  fiscal. Consoante  já  demonstrado à saciedade, a lei tributária determina o contrário, ou seja,  que o pagamento ou crédito dos juros se dá em favor do acionista, que é o  nu­proprietário.  Dessa  forma,  a  operação  engendrada  pelo  impugnante  redundou na transferência do encargo fiscal do sujeito passivo legalmente  eleito (acionista/nu­proprietário) para terceiro (usufrutuário).   Passo seguinte é a interpretação da regra insculpida no art. 123 do  CTN.Seria  a  regra  circunscrita  às  convenções  que  tenham  por  objeto  a  definição  de  quem  será  o  responsável  pelo  pagamento  do  tributo?  Ou  também  seria  aplicável  às  convenções  que  não  tivessem  esse  objeto  de  Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 659          27 forma explícita, mas que atingissem o efeito da transferência do encargo  fiscal?  Entendo  que  a  segunda  hipótese  é  aquela  que  consta  da  regra.  Repriso a norma:  “Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias  correspondentes.”  A meu  juízo,  a  expressão “relativas à  responsabilidade” deve  ser  entendida como “relacionadas com a responsabilidade”. O fim colimado  pela  norma  é  vedar  que  ajustes  privados  alterem  a  definição  legal  do  sujeito passivo. No caso do autos, a convenção particular (usufruto) não  possui  por  objeto  específico  a  responsabilidade  pelo  pagamento,  mas  imprime  alteração  na  sujeição  passiva,  segundo  o  entendimento  do  impugnante  (os  juros  sobre o capital  próprio pertencem ao usufrutuário  desde o seu pagamento ou crédito inicial). Sob esse ângulo, a aplicação  do art. 123 do CTN ao caso dos autos se apresenta correta”.  Resumindo,  é  impensável  que  uma  norma  cogente  e  de  observância  compulsória, advinda do Poder Público, possa ter seus contornos e responsabilidades alteradas  meramente  por  uma  convenção  entre  partes  privadas  e  assim  modificar  o  sujeito  passivo  previamente fixado por lei.  No  caso  concreto,  a  se  aceitar  tal  tese  estar­se­ia  modificando  o  sujeito  passivo  eleito  pela  lei  fiscal  (Lei  nº  9.249/1995),  ou  seja,  o  ACIONISTA,  proprietário  das  ações,  substituindo­o  pelo  “usufrutuário”,  figura  jurídica  advinda  do  direito  privado  e  não  citada na norma legal em momento algum.  Em  síntese,  nenhuma  convenção  ou  negócio  entre  particulares  pode  servir  como fundamento para alterar o que foi definido na legislação tributária. O entendimento dado  pela recorrente à matéria levaria à substituição da sujeição passiva tributária, em clara violação  ao que dispõe o art. 123 do CTN e art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996.  Seria o mesmo que aceitar, por exemplo, que um acordo de natureza privada  pudesse determinar ao Poder Público Municipal que  lançasse o  IPTU de um imóvel contra o  “inquilino” deste imóvel e não contra o “proprietário”, só porque no contrato de locação estaria  definido que o ônus financeiro deste tributo correria por conta do citado inquilino.  Claro que este tipo de contrato existe e é bem comum (o inquilino arcar com  o ônus do IPTU do imóvel alugado), mas ele só tem valor entre as partes, ou seja, o morador  geralmente reembolsa o montante do imposto ao proprietário que faz o pagamento do tributo  ao município, na qualidade de contribuinte que é.  Ou  seja,  o  IPTU  é  lançado  contra  o  proprietário  e  não  em  desfavor  do  inquilino, não sendo possível alterar­se o sujeito passivo eleito pela lei, posto que inadmissível  opor acordo de cunho privado aos ditames da legislação tributária, conforme literal disposição  do artigo 123 do CTN.  Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 660          28 Por  fim,  entendo  carecer  razão  à  recorrente  quanto  às  alegações  de  que  o  Fisco  teria questionado a criação da empresa IUPAR ou que o usufruto sobre as ações  tenha  sido feito irregularmente.  Na  verdade,  o  que  o  Fisco  questionou  foi  a  interpretação  das  normas  tributárias  pela  autuada,  com  a  consequente  apuração  dos  tributos  que  a  contribuinte  estava  obrigada a recolher aos cofres públicos, tidos como feitos de modo irregular, jamais interferir  em procedimentos de natureza privada e privativa do sujeito passivo.  Em  linguajar  diverso,  o  que  a  Autoridade  Fiscal  suscitou  foram  os  efeitos  tributários que a contribuinte pretendeu conferir às receitas provenientes de JCP.  Neste eito, absolutamente irrelevante a afirmação da recorrente de que “se os  acionistas  não  tivessem  aportado  ações  na  Recorrente,  os  tributos  que  o  Fisco  perceberia  seriam  menores” (destaque no original).  Não  se  trata  de  que  os  tributos  devidos  e  recolhidos  sejam  “maiores”  ou  “menores”. Trata­se, sim, da correta aplicação da norma jurídica.  Neste  panorama,  por  tudo  o  que  se  viu  até  agora,  é  possível  chegar­se  à  inevitável pergunta:  ­  “Os  usufrutuários  das  ações,  acionistas  da  recorrente,  estariam  impedidos, de receber os benefícios dos JCP?”  Ou, mudando os dizeres do questionamento, “pode o Fisco intrometer­se em  contratos de natureza estritamente privadas e celebrados por particulares, desqualificando­ os?”  Em ambos os casos a resposta, certamente, é NÃO!  O  que  o  Fisco  pode,  sim,  é  exigir,  à  vista  da  estrita  obediência  aos  regramentos  legais  que  permeiam  a  legislação  tributária,  que  tais  pagamentos  de  JCP  –  exclusivamente  sob  o  ângulo  do  direito  fiscal,  sejam  à  referida  legislação  subordinados.  Só  isso.  Não se trata de invasão indevida a atos praticados por particulares e contratos  de natureza privada, mas de submeter tais acordos aos perímetros da lei.  Concretamente, nada, mas nada mesmo! poderia  impedir que os acionistas  da  IUPAR  fossem  remunerados  pelo  pagamento  de  JCP,  mas  não  na  categoria  de  “usufrutuários” como pretendido, recebendo pagamentos feitos pela empresa da qual a IUPAR  é  a  acionista  (e  não  eles,  usufrutuários),  no  caso,  Itaú  Unibanco  Holding  S/A,  mas,  sim,  recebendo  os  benefícios  dos  juros  quando  pagos  pela  recorrente,  IUPAR,  na  qualidade  de  acionistas que são desta sociedade e não daquela (Itaú Unibanco Holding S/A) .  Neste  cenário,  a  recorrente  receberia,  como  acionista  que  é  da  Itaú  Unibanco Holding S/A, os JCP pagos pela sua investida e, subsequentemente, se entendesse  viável,  calcularia  e  pagaria  juros  sobre  o  capital  próprio  para  seus  acionistas  (no  caso,  as  pessoas  físicas/jurídicas)  que  compõem  sua  estrutura  societária,  e  aí  não  mais  como  USUFRUTUÁRIOS, mas como ACIONISTAS.   Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 661          29 Esquematicamente:  1.  Itaú Unibanco Holding S/A pagaria JCP à sua acionista IUPAR  2.  IUPAR pagaria JCP a seus acionistas pessoas físicas/jurídicas  Neste fotograma simbólico, o Fisco não poderia impedir, criar obstáculos ou  impor óbices ao procedimento.  Com este singelo e elementar procedimento estariam atendidas as legislações  fiscais e societárias e o questionamento do Fisco inexistiria.    Assumindo postura diferente, ainda que por razões de manter o controle das  decisões na empresa investida (o que é bastante lógico sob o ponto de vista societário), tenha  sido engendrada  toda a engenharia que estampa  sua estrutura social,  a verdade é que acabou  por atrair para si o ônus de enfrentar a legislação fiscal, visto ter esta outra dimensão além das  que se relacionam com o direito privado, exatamente por envolver o interesse público.  Neste  patamar,  reforce­se,  ainda  que  sob  o  enfoque  civil,  comercial  e  societário  não  haja  o  que  opor  ao  acordado  e  decidido  pela  recorrente  em  sua  vida  social  privada,  debaixo  da  ótica  fiscal  o  regramento  tem  outra  configuração,  tanto  que  permitiu  à  Autoridade Fiscal perpetrar os lançamentos ora analisados.  Voltando  um  pouco  atrás,  tivesse  a  recorrente  procedido  como  assentado  neste  voto,  diga­se,  tivesse  ela  tivesse  recebido  os  JCP da  investida  (Itaú Unibanco Holding  S/A) e posteriormente pago os  JCP a  seus  acionistas  (agora não mais  como usufrutuários)  e  nada seria questionado.  Ocorre que, na verdade, este modus operandi traz um “problema”: aumento  da carga tributária, nem sempre – ou quase nunca! – interessante para os contribuintes.  Realidade observada com perspicácia por Hiromi Higuchi et alli15:   “A  vantagem  fiscal  do  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  próprio  desaparece quando a beneficiária é pessoa jurídica, por vários motivos.  A pessoa jurídica, na redistribuição de juros sobre o capital próprio, terá  que  observar  as  condições  de  dedutibilidade,  nem  sempre  possíveis  de  serem cumpridas.   A redução para zero das alíquotas de PIS e COFINS incidentes sobre as  receitas financeiras, de que trata o Decreto nº 5.164, de 2004, substituído  pelo  Decreto  nº  5.442,  de  2005,  excluiu  do  benefício  os  juros  sobre  o  capital próprio. Com isso, as empresas tributadas pelo lucro real pagam  PIS e COFINS de 9,25% sobre a receita recebida.  Se a beneficiária dos juros sobre o capital próprio for tributada pelo lucro  presumido, além de pagar o PIS e a COFINS de 3,65%, os juros recebidos  entram na base de cálculo de IRPJ e CSLL a título de outros rendimentos,  sem aplicação dos percentuais de presunção do lucro, ou seja, 15% mais  9% sem a incidência do adicional.                                                              15 Hiromi Higuchi, Fabio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyoki Higuchi – Imposto de Renda das Empresas –  Interpretação e Prática – 35ª Ed. – IR Publicações Ltda. – São Paulo – 2010 – fls. 119/120        Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 662          30 Em  alguns  grupos  empresariais,  entre  a  pessoa  jurídica  produtiva  e  a  pessoa  física  investidora  encontram­se  duas  ou  três  pessoas  jurídicas  meramente investidoras. Nesta hipótese, o aumento de ônus tributário de  9,25% ocorre em cada pagamento na cadeia de participação societária  porque  a  pessoa  jurídica  que  paga  os  juros,  a  despesa  financeira  não  gera nenhum crédito de PIS e COFINS”. (destacou­se).  Concluindo, o beneficiário dos JCP pagos/creditados é o acionista que detém  a  nua­propriedade  das  ações,  ainda  que  gravadas  com  cláusula  de  usufruto  e  não  os  usufrutuários, sendo inaplicável perfilar institutos jurídicos diferentes (dividendos e juros sobre  capital próprio) como se fossem simétricos, primeiro porque um é destacado do lucro e exige  resultado positivo para que possa ser distribuído e o outro é remuneração de recursos próprios  do  investimento  feito  pelo  acionista;  depois  porque  suas  bases  legais  são  diferentes,  os  dividendos e os eventuais usufrutos gravados sobre ações sustentando­se na Lei nº 6.404/1976  e os JCP com fulcro em Lei Fiscal de caráter específico que não se refere, em momento algum,  à possibilidade de os pagamentos serem feitos a “usufrutuários”.  De  outro  lado,  acordos  entre  partes  não  podem  ser  opostos  ao  Fisco  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  relativamente  às  obrigações  tributárias  correspondentes (CTN, art. 123) sendo tais acordos, como o próprio nome diz, nada mais que  res inter alios16 e como tal devem ser tratados.  Assim,  não  reconhecida  pela  recorrente  a  receita  dos  JCP  pagos/creditados  pela Itaú Unibanco Holding S/A, correta a imputação feita pela Fiscalização, exigindo o IRPJ e  a CSLL devidos".  Entretanto,  como  dito  no  preâmbulo  desta  “Declaração  de  Voto”,  as  argumentações  expostas  por  este Conselheiro  restaram  vencidas  pelo Colegiado  que  pugnou  pelo provimento do RV interposto e afastou os lançamentos.  Entretanto,  ainda que assim  seja, meu pensamento permanece  incólume em  relação ao que consta naquele processo e ­ principalmente ­ acerca da matéria lá trazida.    DO CASO CONCRETO  Feitas estas ponderações, volto ao caso concreto, dizendo  respeito à análise  dos  lançamentos  de  PIS/COFINS,  reflexos  dos  de  IRPJ  presentes  no  Processo  nº  16327.721155/2014­44, acima citado.  Neste  momento,  em  razão  de  se  estar  diante  de  situação  fática  e  jurídica  consumada  e  que  se  reporta  integralmente  ao  presente  naquele  processo  (nº  16327.721155/2014­44),  do  qual  este  (processo  nº  16327.720751/201415)  é  mero  reflexo  e  sendo os  lançamentos  lá expostos exonerados por decisão da maioria do Colegiado  (vencido  este Conselheiro, então Relator), óbvio que as  imputações de PIS e COFINS aqui analisadas  devem seguir o mesmo caminho do que foi decidido em relação ao processo principal (IRPJ),  guardando com ele a necessária coerência.                                                              16 Coisa entre terceiros    Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16327.720751/2014­15  Acórdão n.º 1402­003.754  S1­C4T2  Fl. 663          31 Mais  a mais,  caso  tivessem sido  ­  como geralmente  são  ­,  juntados  em um  único  processo,  a  decisão  aplicada  ao  IRPJ,  por  evidente,  alcançaria  automaticamente  os  reflexos presentes nos mesmos autos, nem havendo necessidade de julgamento apartado.  Desse modo e pelo exposto, neste julgamento ­ ainda que, repito, mantenha,  em relação ao mérito, o mesmo entendimento que expressei e estão  traduzidos no Ac. 1402­ 002.445  ­  acompanhei  o  Relator  e  a  Turma  Julgadora  para  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Estes os argumentos que entendo serem necessários para esclarecer a minha  posição.  É como voto.    (documento assinado digitalmente)  PAULO MATEUS CICCONE       Fl. 663DF CARF MF

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7656990 #
Numero do processo: 10783.902380/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 122          1 121  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10783.902380/2013­35  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­001.773  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de fevereiro de 2019  Assunto  DILIGÊNCIA.  Recorrente  BRAZIL TRADING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Larissa  Nunes  Girard  (suplente  convocada)  e  Waldir  Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram  apresentados os DACON e DCTF retificadores.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos  e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído  pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 38 0/ 20 13 -3 5 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10783.902380/2013­35  Resolução nº  3402­001.773  S3­C4T2  Fl. 123          2 Relatório  Trata­se  de  pedido  de  compensação  relacionado  a  crédito  de  pagamento  indevido ou a maior de PIS Não cumulativo  (código de receita 6912)  relativo ao período de  apuração de 31/12/2009.  Após  a  transmissão  de  despacho  decisório  não  homologando  a  compensação  pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não  cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando  que  os  débitos  de  PIS  originariamente  informados  em  DCTF  foram  revisados  e  reduzidos,  ensejando  em  pagamento  indevido  ou  a  maior  no  período.  Como  comprovante,  apresentou,  dentre outros documentos, cópia da DCTF e DACON retificadores.  Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, em acórdão  ementado nos seguintes termos:    "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/01/2010  NULIDADE. PRESSUPOSTOS.  Ensejam a  nulidade  apenas  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.  RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE PROVAS.  A  retificação  de  declaração  já  apresentada  à  RFB  somente  é  válida  quando  acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no  preenchimento da declaração original (art. 147 § 1º, do CTN)  DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO.  Cabe à contribuinte, no momento da apresentação da manifestação de inconformidade,  apresentar todos os documentos que comprovem os fatos alegados.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido" (e­fl. 74)    Intimada desta decisão em 28/03/2016 (e­fl. 89), a empresa apresentou Recurso  Voluntário em 25/04/2016 (e­fls. 91/102) alegando, em síntese:  (i)  preliminarmente,  a  nulidade  do  despacho  decisório,  face  a  ausência  de  motivação expressa para a não homologação da compensação pleiteada;  (ii)  no  mérito,  a  necessidade  de  reconhecimento  do  crédito,  devidamente  respaldado pela retificação dos documentos fiscais (DCTF e DACON). Sustenta  a  possibilidade  de  retificação  da  DCTF  para  refletir  os  dados  do  DACON  mesmo  após  a  transmissão  do  PER/DCOMP  (Parecer  Normativo  COSIT  n.º  2/2015), indicando a possibilidade da conversão do processo em diligência para  confirmar a validade das informações.  Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento.  É o relatório.      Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10783.902380/2013­35  Resolução nº  3402­001.773  S3­C4T2  Fl. 124          3 Voto  Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne.  O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo, contudo,  pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito  pleiteado pelo sujeito passivo.  Como  se  depreende  dos  presentes  autos,  a  Recorrente  entende  que  seria  suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do  seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam  analisados  os  documentos  contábeis  e  fiscais  necessários  à  confirmar  a  validade  das  informações constantes do DACON.  Uma  vez  que  o  contribuinte  trouxe  documentos  que  sugerem  a  existência  do  crédito  (DACON e DCTF retificadores),  entendo pela necessidade da conversão do processo  em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de  documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade.  Diante  dessas  considerações,  à  luz  do  art.  29  do  Decreto  n.º  70.235/721,  proponho  a  conversão  do  presente  processo  em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  de  origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES):  (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis  entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito  tomado pelo  contribuinte  informado  em  seu DACON retificador  (notas  fiscais  emitidas,  as  escritas  contábil  e  fiscal  e  outros  documentos  que  considerar  pertinentes).  Importante  que  sejam  anexados  aos  autos  o  DACON  e  a  DCTF  originais,  com  os  esclarecimentos  pela  empresa  de  quais  informações  foram  modificadas na apuração do PIS devido no mês  (comparação entre o DACON  original e o DACON retificador).  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  conclusivo  considerando  os  documentos  e  esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte  no  DACON  retificador  estão  de  acordo  com  sua  contabilidade,  veiculando  análise  quanto  à  validade  do  crédito  informado  pelo  contribuinte  e  a  possibilidade de seu reconhecimento no presente processo.  Concluída  a diligência  e  antes do  retorno do processo  a  este CARF,  intimar a  Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30  (trinta) dias.  É como proponho a presente Resolução.  (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne.                                                              1  "Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar as diligências que entender necessárias."  Fl. 124DF CARF MF

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Numero do processo: 13502.001217/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1995 a 30/04/1995 DECISÃO DEFINITIVA. ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA O TRIBUTO. QUESTIONAMENTO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento em outros órgãos da administração federal far-se-á de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo, falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscuti-la, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). RENOVAÇÃO DE LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. CARACTERIZAÇÃO. A alteração da qualificação jurídica, consubstanciada na mudança do enquadramento legal do fato jurídico tributário quando da renovação de lançamento autorizada pelo competente órgão julgador que administra o tributo, configura conduta vedada pelo CTN (art. 146). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. ART. 173, I E II, DO CTN. OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. Transcorrido o quinquênio decadencial previsto na regra geral do art. 173, I, do CTN, em face do lançamento substituto, há se reconhecer o advento da decadência. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN.
Numero da decisão: 2402-006.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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2402­006.973  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de fevereiro de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  CARAÍBA METAIS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1995 a 30/04/1995  DECISÃO DEFINITIVA. ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA  O  TRIBUTO.  QUESTIONAMENTO  EM  SEDE  DE  RECURSO  VOLUNTÁRIO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.   O  julgamento em outros órgãos da administração federal  far­se­á de acordo  com  a  legislação  própria,  ou,  na  sua  falta,  conforme  dispuser  o  órgão  que  administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.  Existindo  decisão  definitiva  exarada  por  órgão  colegiado  da  administração  federal  que  administra  o  tributo,  falece  competência  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscuti­la, pois não cabe a  este  atuar  como  instância  revisora  das  decisões  exaradas  pelo Conselho  de  Recursos da Previdência Social (CRPS).  RENOVAÇÃO  DE  LANÇAMENTO.  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO. CARACTERIZAÇÃO.  A  alteração  da  qualificação  jurídica,  consubstanciada  na  mudança  do  enquadramento  legal  do  fato  jurídico  tributário  quando  da  renovação  de  lançamento  autorizada  pelo  competente  órgão  julgador  que  administra  o  tributo, configura conduta vedada pelo CTN (art. 146).  PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. LEI  COMPLEMENTAR 128/2008. ART. 173, I E II, DO CTN. OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO SUBSTITUTO.  Transcorrido o quinquênio decadencial previsto na regra geral do art. 173, I,  do CTN,  em  face  do  lançamento  substituto,  há  se  reconhecer  o  advento  da  decadência.  As  regras  de  decadência  de  créditos  de  natureza  tributária  (incluídos  as  contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 17 /2 00 7- 11 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 330          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Mauricio  Nogueira  Righetti  e  Denny  Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luís  Henrique  Dias  Lima,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Paulo  Sérgio  da  Silva,  Wilderson  Botto  (Suplente  Convocado),  Maurício  Nogueira  Righetti,  Renata  Toratti  Cassini,  Gregório  Rechmann  Júnior  e  Denny Medeiros da Silveira.  Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário (e­fls. 158/188) em face do Acórdão n. 15­ 27.441  ­  6ª.  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Salvador  (BA)  ­  DRJ/SDR (e­fls. 144/151) ­ que julgou improcedente a impugnação (e­fls. 106/125) e manteve  o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ­ DEBCAD  n. 37.054.698­9  ­ consolidado e constituído em 30/01/2007  ­ no valor  total de R$ 9.432,66  ­  Competências: 03/1995 a 04/1995 (e­fls. 02/34), com fulcro nas contribuições sociais devidas à  Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do  art.  22,  II,  da  Lei  n.  8.212/91,  todas  decorrentes  do  instituto  da  responsabilidade  tributária,  conforme discriminado no Relatório Fiscal de e­fls. 64/76.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  (e­fls.  64/77),  a  NFLD  ­  DEBCAD  n.  37.054.698­9,  em  litígio,  substituiu  a  NFLD  ­  DEBCAD  n.  35.897.493­3,  de  30/12/2005,  declarada  nula  pela  Decisão­Notificação  (DN)  n.  04.401.4/0189/2006,  de  18/07/2006,  em  virtude  de  equívoco  no  relatório  "Fundamentos  Legais  do Débito". A NFLD  ­ DEBCAD  n.  35.897.493­3,  por  sua  vez,  tinha  sido  lavrada  em  substituição  à  NFLD  ­  DEBCAD  ­  n.  32.615.836­7  (processo  n.  18050.002253/2008­53),  de  18/12/1998,  cientificada  à CARAÍBA  METAIS em 21/01/1999, anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social  (CRPS)  ­  órgão colegiado na  época  responsável pelo  controle de  legalidade das decisões  em  processo de  interesse dos beneficiários  e contribuintes da Seguridade Social  ­  nos  termos do  Acórdão n. 2035, de 02/09/2003.  O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório  Fiscal  (e­fls.  64/77),  em  virtude  da  utilização  de  prestação  de  serviços  remunerados  de  construção  civil  realizados  por  pessoas  físicas  vinculadas  à  empresa  PAVTEST  PAVIMENTAÇÃO TERRAPLANAGEM E ESTUDOS LTDA. ­ CNPJ 15.130.388/0001­12 ­  entre  03/1995  a  04/1995,  havendo  por  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  a  Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 331          3 remuneração  aferida  através  das  notas  fiscais  referentes  às  atividades  de  construção  civil  emitidas pela retrocitada empresa.  O  lançamento  em  lide  foi  efetuado  em  face  da CARAÍBA METAIS S/A  ­  CNPJ  15.224.488/0001­08  (contribuinte  fiscalizado)  e  da  empresa  PAVTEST  PAVIMENTAÇÃO TERRAPLANAGEM E ESTUDOS LTDA. ­ CNPJ 15.130.388/0001­12.  Devido à ausência, nos autos, da NFLD ­ DEBCAD n. 35.897.493­3 (com o  respectivo relatório fiscal); a Decisão­Notificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006;  a NFLD  ­ DEBCAD n.  32.615.836­7,  de  18/12/1998  (com  o  respectivo  relatório  fiscal);  e  o  Acórdão  n.  2035,  de  02/09/2003,  da  lavra  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  (CRPS), que decretou a nulidade desta última, foi solicitado, nos termos da Resolução n. 2402­ 000.639 (e­fls. 263/266), que fossem juntados os referidos documentos, no que foi atendida (e­ fls. 290/322).  A  empresa  PAVTEST  PAVIMENTAÇÃO  TERRAPLANAGEM  E  ESTUDOS LTDA. ­ CNPJ 15.130.388/0001­12 ­ não se manifestou nos autos.  Em  relação  a  essa  empresa,  é  denunciado  no Relatório Fiscal  (e­fls.  64/76)  que se encontra com situação cadastral ativa junto à Administração Tributária Federal:    Sem contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator.  O Recurso Voluntário (e­fls. 158/188) já foi conhecido pelo Colegiado.  Passo à análise.  Inicialmente,  é  oportuno  resgatar  o  entendimento  do  órgão  julgador  de  primeira  instância,  consolidado  no  Acórdão  n.  15­27.441  (e­fls.  144/151)  e  sumarizado  na  ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1995 a 30/04/1995  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM.  A  ausência  de  fiscalização  prévia  do  prestador  do  serviço  não  tem  o  condão  de  extinguir  o  crédito  tributário  devidamente  lançado  e  cientificado  ao  tomador  do  serviço,  isso  porque  a  responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem.  Impugnação Improcedente  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 332          4 Crédito Tributário Mantido  Em face da decisão  recorrida, a Recorrente  interpôs Recurso Voluntário  (e­ fls.  158/188)  aduzindo,  em  apertada  síntese,  preliminar  de  decadência,  e,  no  mérito,  inexistência de responsabilidade solidária e de cessão de mão­de­obra.    Da Preliminar de Decadência  A  discussão  acerca  de  decadência  inicia­se  com  a  anulação  do  lançamento  consubstanciado  na  NFLD  ­  DEBCAD  n.  32.615.836­7,  de  18/12/1998,  pelo  Conselho  de  Recursos da Previdência Social (CRPS) ­ órgão colegiado na época responsável pelo controle  de  legalidade  das  decisões  em  processo  de  interesse  dos  beneficiários  e  contribuintes  da  Seguridade Social ­ nos termos do Acórdão n. 2035, de 02/09/2003 (e­fls. 297/301).  A NFLD ­ DEBCAD n. 32.615.836­7 foi substituída pela NFLD ­ DEBCAD  35.897.493­3, que também foi anulada, agora mediante decisão exarada no âmbito da Decisão­ Notificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006 (e­fls. 313/322).  A  NFLD  ­  DEBCAD  35.897.493­3  foi  então  substituída  pela  NFLD  ­  DEBCAD n. 37.054.698­9, objeto do mérito deste litígio.  De  plano,  cabe  destacar  que  a  decisão  abrigada  no  Acórdão  n.  2035,  de  02/09/2003 (e­fls. 297/301) ­ de cujo teor a Recorrente tomou conhecimento e contra ela não se  insurgiu  ­ é definitiva, de mérito,  e  transitou  em  julgado na  esfera administrativa, não sendo  passível, assim, de qualquer tipo de discussão ou revisão suscitada por questionamento em sede  de  recurso  voluntário,  vez  que  falece  competência  ao Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  (CARF)  para  o  mister.  por  tratar­se  de  instâncias  de  mesmo  nível  horizontal,  sem  qualquer  hierarquia  entre  elas.  Nesse  sentido,  cabe  resgatar  o  art.  38  do  Decreto  n.  70.235/1972, verbis:  Art.  38.  O  julgamento  em  outros  órgãos  da  administração  federal far­se­á de acordo com a legislação própria, ou, na sua  falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo.(grifei)  É dizer, não há que se rediscutir a natureza do vício (formal ou material) que  fundamentou  a  anulação  da  NFLD  ­ DEBCAD  n.  32.615.836­7  ­  lavrada  em  18/12/1998  ­,  prevalecendo assim a natureza de vício formal expressamente indicada no decisum do CRPS,  incidindo, destarte, a regra do art. 173, II, do CTN, consoante determinado naquela decisão.  Todavia,  e  apenas  por  amor  à  argumentação,  destaco  o  teor  do Acórdão  n.  2035, de 02/09/2003 (e­fls. 297/301) ao tratar da NFLD ­ DEBCAD n. 32.615.836­7, verbis:  [...]  Conforme  já  relatado,  trata  a  presente  NFLD,  lavrado  em  21  JAN  99,  de  Contribuições  Sociais  destinadas  ao  custeio  da  Previdência Social e Terceiros, parcela empresa (Empresa/SAT)  e empregados,  incidente sobre a remuneração da mão­de­obra  cedida  à  Recorrente  através  da  contratação  de  prestação  de  serviços e a ela imputado por solidariedade, vide Art. 31, da Lei  8.212/91. O débito é referente as competências 03 e 05.95 e foi  apurado  com  base  em  nota  fiscal  de  serviço,  tudo  conforme  consta do Relatório Fiscal.  Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 333          5 Cabe informar que contra a Recorrente foram lavradas diversas  NFLD's com o mesmo objeto e que foram julgadas pela 2' e 4a  CaJ/CRPS, que proferiram decisões divergentes. Tendo em vista  se  tratarem  de  processos  conexos,  foi  determinado  pelo  Presidente  do  CRPS,  que  todos  os  processos  fossem  encaminhados à 2a CaJ/CRPS.  [...]  Conforme  já  vinha  se  manifestando  a  2ª  CaJ/CRPS  é  notório,  obstante  não  constar  do  presente  o  TEAF  da  ação  fiscal  anterior,  que  no  que  diz  respeito  a  solidariedade,  se  trata  de  retroação  de  fiscalização  no  período  de  02.93  a  10.95.  Tal  conclusão é corroborada pelas manifestações do INSS, que não  só  deixam  de  rebater  tal  acertiva  (sic),  como  tenta  motivar  a  refiscalização nos seguintes termos ­ processo conexo:  [...]  Assim temos um contribuinte que foi  fiscalizado pelo INSS e na  ocasião  nenhum  crédito  foi  constituído,  restando  a  ele,  tão  somente a comprovação de estar agindo dentro dos termos da lei  e  recolhendo  corretamente  as  contribuições  fiscalizadas  pelo  INSS  ­  tal  situação  impossibilitou,  inclusive,  a  correção  de  eventuais  erros  ou  omissões  do  contribuinte.  Aí,  de  uma  hora  para outra, tal estabilidade é alterada, não sendo apresentada a  menor justificativa ao contribuinte para tal atitude e quando a 2ª  CaJ/CRPS buscou alguma explicação, restou tão somente que o  ato  decorre  apenas  de  prerrogativa  e praxe  do  INSS  ­  nenhum  comprovação  de  fraude,  falta  funcional  da  autoridade  ou  omissão de ato ou formalidade essencial foi apresentada.  Por tudo o que foi acima exposto, não vejo melhor decisão que  anular  a  NFLD  em  pauta,  visto  que  lavrada  em  flagrante  desrespeito aos direitos do Contribuinte.  CONCLUSÃO  Face  ao  exposto,  voto  no  sentido  conhecer  do  Pedido  de  Revisão  e  ANULAR  o  acórdão  n.°  04/02341/2002,  da  4ª  CaJ/CRPS  e ANULAR A NFLD em pauta,  cabendo ao  INSS  verificar a oportunidade de adotar os procedimentos  eferentes  refiscalização e assim efetuar novo lançamento. (grifei)  Assim, da leitura do Acórdão CRPS n. 2035, de 02/09/2003 (e­fls. 297/301)  resta  evidenciado  que  a NFLD  ­ DEBCAD n.  32.615.836­7  ­  lavrada  em  18/12/1998  ­  teve  como fundamento  legal a responsabilidade tributária por cessão de mão de obra (art. 31  da Lei n. 8.212/1991),  tendo sido anulada, oportunizando­se, todavia, ao INSS proceder a  novo  lançamento,  o  que  pressupõe  a  aplicação  do  art.  173,  II,  do  CTN,  vez  que  caracterizado,  ainda  que  não  conste  expressamente  do  decisum,  vício  formal,  restando  afastada qualquer possibilidade de rediscussão da sua natureza.  Com  lastro no decisum  acima  resgatado, a autoridade  lançadora,  constituiu,  em 30/12/2005,  a NFLD  ­ DEBCAD 35.897.493­3, declarada nula pela Decisão­Notificação  Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 334          6 (DN)  n.  04.401.4/0189/2006,  de  18/07/2006,  em  virtude  de  equívoco  no  relatório  "Fundamentos Legais do Débito", vez que, nos termos daquela decisão:  [...]  44.  Não  obstante  o  crédito  previdenciário  estar  regularmente  descrito  no  Relatório  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  REFISC  e  os  documentos  anexados  comprovem  a  existência  do  Fato  Gerador,  constata­se  que  os  AFPS  se  equivocaram  ao  fundamentá­lo,  no  relatório  Fundamentos  Legais do Débito ­ FLD (fls. 30), no Art. 31 da Lei 8.212/91.  [...]  47.  Uma  vez  que  a  fundamentação  registrada  no  sistema  informatizado da Previdência está incorreta e não é passível de  alteração,  constata­se  a  presença  de  vício  formal  insanável,  devendo  ser  decretada  a  nulidade  da  presente  NFLD,  a  qual  deverá  ser  objeto  de  novo  lançamento,  com  a  fundamentação  correta (Art. 30, VI, da Lei 8.212/91).   [...](grifei)  Ao  fim  e  ao  cabo,  a  Decisão­Notificação  (DN)  n.  04.401.4/0189/2006,  de  18/07/2006, determina a emissão de NFLD substitutiva, que veio a se materializa na NFLD ­  DEBCAD n. 37.054.698­9, objeto do mérito deste litígio.  Em  face  da  decadência,  é  relevante  destacar  os  esclarecimentos  da  decisão  recorrida, que bem elucidam os fatos:  [...]  14.  A  CARAÍBA  METAIS  S.A.  foi  cientificada  da  NFLD  substituída  DEBCAD  n°  32.615.836­7  (Processo  n°  18050.002253/2008­53),  de  18/12/1998,  em  21/01/1999,  então  não foram alcançados pela decadência para a mesma os fatos  geradores  lançados nesta NFLD,  03/95  a  04/95,  na  contagem  do  prazo  decadencial  deste  primeiro  período.  Não  há  que  se  falar em decadência frente ao segundo período de cientifícação  de NFLD,  haja  vista  que  o Acórdão  de  nulidade  n°  2035,  no  qual  constava  o  registro  expresso  de  que  tal  decisão  resguardava os direitos da Administração Tributária no que se  referia ao prazo decadencial previsto no art. 173,  II, do CTN,  data  de  02/09/2003,  e  a  ciência  da  NFLD  DEBCAD  n°  35.897.493­3  se  deu  em  30/12/2005.  Também  não  houve  decadência  no  período  compreendido  entre  a  Decisão­ Notifícação n° 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006, que anulou  a NFLD DEBCAD n° 35.897.493­3, de 21/12/2005, e a ciência  desta NFLD  em  30/01/2007,  haja  vista  que,  na  forma  do  art.  173, inciso II, do CTN, não se passaram 5 anos da data em que  se  tornou definitiva a decisão que anulou, por  vício  formal,  o  lançamento anteriormente efetuado.  [...](grifei)  Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 335          7 Não  há  notícia  nos  autos,  nem  mesmo  qualquer  referência  no  recurso  voluntário  em  apreço,  de  que  a  Recorrente  tenha  se  insurgido  contra  a  Decisão­Notificação  (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006, o que a confere, também, caráter definitivo, sob a  manta da coisa julgada administrativa.   Com  espeque  na  Decisão­Notificação  (DN)  n.  04.401.4/0189/2006,  a  autoridade  lançadora,  constituiu  em  30/01/2007  a  NFLD  ­  DEBCAD  n.  37.054.698­9  (lançamento substituto em litígio), dentro, portanto, do lapso temporal de cinco anos previsto  no  art.  173,  II,  do  CTN,  com  fundamento  legal  na  responsabilidade  tributária  de  proprietário de obra de construção civil (art. 30, VI, da Lei n. 8.212/91):    De  se  observar  que  o  lançamento  consignado  na  NFLD  ­  DEBCAD  n.  35.897.493­3  (lançamento  substituto  anulado)  também  teve  fundamentação  legal  na  responsabilidade  tributária de proprietário de  obra de  construção  civil  (art.  30, VI,  da  Lei n. 8.212/91), conforme informado já no primeiro parágrafo da Decisão­Notificação (DN)  n. 04.401.4/0189/2006, que o anulou:  Trata­se  de  lançamento  de  crédito  previdenciário  contra  as  empresas acima identificadas, no montante de R$ 9.020,14 (nove  mil,  vinte  reais  e  quatorze  centavos),  consolidado  em  21  de  dezembro  de  2005,  relativo  à  responsabilidade  solidária  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 336          8 decorrente  da  contratação  de  serviços  de  construção  civil,  conforme preceitua o Art. 30, IV da Lei 8.212/91.     Ocorre  que  o  lançamento  abrigado  na  NFLD  ­  DEBCAD  n.  32.615.836­7  (lançamento  original  substituído)  teve  por  fundamentação  legal  responsabilidade  solidária  por cessão de mão de obra (art. 31 da Lei n. 8.212/1991), conforme consta expressamente no  Acórdão n. 2035, de 02/09/2003 (e­fls. 297/301), acima reproduzido, bem assim no respectivo  relatório fiscal (e­fls. 290/296), verbis:      Ora, nesse contexto, há de se  reconhecer, sem muito esforço cognitivo, que  desde o primeiro lançamento substituto (NFLD ­ DEBCAD n. 35.897.493­3), que foi anulado,  ocorreu  evidente  alteração  da  qualificação  jurídica  consubstanciada  na  mudança  do  enquadramento  legal  do  fato  jurídico  tributário,  vez  que  o  lançamento  abrigado  na NFLD  ­  DEBCAD n. 32.615.836­7 (lançamento original substituído) lastreava­se na responsabilidade  solidária com fundamento na cessão de mão de obra (art. 31 da Lei n. 8.212/1991), e o seu  sucessor (NFLD ­ DEBCAD n. 35.897.493­3) na responsabilidade solidária de proprietário  de obra de construção civil (art. 30, VI, da Lei n. 8.212/91).  Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13502.001217/2007­11  Acórdão n.º 2402­006.973  S2­C4T2  Fl. 337          9 Nesse  contexto,  considerando­se  que  a NFLD  ­ DEBCAD  n.  35.897.493­3  constituiu­se em 30/12/2005 e refere­se às competências 03/1995 a 04/1995 é forçoso admitir­ se que já fora alcançado pela decadência, observando­se a regra geral do art. 173, I, do CTN.  Não obstante, conforme já informado, foi constituído em 30/12/2007 o lançamento consignado  na NFLD ­ DEBCAD n. 37.054.698­9 (lançamento substituto em litígio).  É dizer, ocorreu, no caso concreto, renovação do lançamento original (NFLD  ­  DEBCAD  n.  32.615.836­7),  autorizada  pela  decisão  do  CRPS,  por  outros  lançamentos  substitutos,  ambos  com  fundamento  jurídico distinto,  confrontando vedação do CTN em seu  art. 146.  Nessa perspectiva, o lançamento substituto em litígio (NFLD ­ DEBCAD n.  37.054.698­9 ­ fundamentação legal no art. 30, VI, da Lei n. 8.212/1991), da mesma forma que  a NFLD  ­ DEBCAD n.  35.897.493­3,  nada  tem  a  ver  com  o  lançamento  original  ­ NFLD  ­  DEBCAD  n.  32.615.836­7  (fundamentação  legal  no  art.  31  da  Lei  n.  8.212/1991),  cuja  substituição foi autorizada pelo CRPS, caracterizando­se, isso sim, um novel lançamento que já  nasceu fulminado pela decadência (da mesma forma que a NFLD ­ DEBCAD n. 35.897.493­ 3),  observando­se  a  regra  geral  do  art.  173,  I,  do  CTN,  vez  que  se  refere  às  competências  03/1995 a 04/1995 e foi constituído apenas em 30/01/2007.  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e­ fls.  158/188)  e  DAR­LHE  PROVIMENTO,  em  virtude  do  advento  da  decadência  do  lançamento.    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima                            Fl. 337DF CARF MF

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Numero do processo: 15586.720585/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 MULTA QUALIFICADA. Se devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica.
Numero da decisão: 3201-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/2012-48. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­004.887  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. COFINS.  Recorrente  CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008  NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.  O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância de determinado item ­ bem ou serviço ­ para o desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte  (STJ,  do  Recurso  Especial nº 1.221.170/PR).  DESPESAS.  FRETES.  TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE.  PRODUTOS  INACABADOS  E  INSUMOS.  ESTABELECIMENTOS  PRÓPRIOS,  CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.  As  despesas  com  fretes  para  a  transferência/transporte  de  produtos  em  elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte  integram  o  custo  de  produção  dos  produtos  fabricados/vendidos  e,  consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do  valor apurado sobre o faturamento mensal.  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.  Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não  cumulativo,  como  serviços de  logística,  respeitados os demais  requisitos da  Lei.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008  NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.  O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância de determinado item ­ bem ou serviço ­ para o desenvolvimento     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 85 /2 01 2- 63 Fl. 10374DF CARF MF     2 da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte  (STJ,  do  Recurso  Especial nº 1.221.170/PR).  DESPESAS.  FRETES.  TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE.  PRODUTOS  INACABADOS  E  INSUMOS.  ESTABELECIMENTOS  PRÓPRIOS,  CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.  As  despesas  com  fretes  para  a  transferência/transporte  de  produtos  em  elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte  integram  o  custo  de  produção  dos  produtos  fabricados/vendidos  e,  consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do  valor apurado sobre o faturamento mensal.  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.  Os  serviços  de  capatazia  e  estivas  geram  créditos  de  PIS,  no  regime  não  cumulativo,  como  serviços de  logística,  respeitados os demais  requisitos da  Lei.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE.  O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer­se, na realização de  sua  atribuição  legal,  de  qualquer  método  de  fiscalização  não  vedado  por  norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008  MULTA QUALIFICADA.  Se  devidamente  comprovado  nos  autos  que  a  conduta  do  contribuinte  se  subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502,  de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da  legislação específica.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  apenas  para  aplicar  aqui  o  que  foi  decidido  no  julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/2012­48.   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.    Fl. 10375DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.375          3 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima  Macedo,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.  Relatório  Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte  acima  identificada,  constituindo  crédito  tributário  decorrente  das  Contribuições  para  o  Programa de  Integração Social  ­ PIS e para o Financiamento da Seguridade Social  ­ Cofins,  com origem nos fatos geradores ocorridos em maio e junho de 2007, com multa de ofício de  150% e juros de mora.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  passamos  a  transcrever  o  Relatório da decisão de primeira instância administrativa:  Trata  o  presente  processo  de  Pedidos  de  Ressarcimento  e  Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos relativos ao  PIS  e  a  Cofins  não  cumulativos  associados  a  operações  de  exportação, referentes aos 1º  trimestre de 2005 até 4º  trimestre  de 2008.  A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 4.420/4.431,  com  base  no  Parecer  SEFIS/DRF/VIT  nº  081/2012  em  fls.3.772/3.915,  decidindo  reconhecer  em  parte  o  direito  creditório pleiteado e homologar parcialmente as compensações  declaradas.  Em  decorrência  da  decisão  proferida  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  anexado  em  fls.20/31  do  processo  apenso  nº  15586.720516/2012­48 (na verdade, 15586.720483/2012­50), no  valor  total  de  R$  14.995.407,63,  relativo  à  multa  isolada  decorrente de compensação indevida, apurada sobre o valor do  débito  indevidamente  compensado  (períodos  de  06/2007  a  05/2012  COFINS,  e  períodos  de  06/2007  a  06/2009  PIS)  e  multa  aplicada  em  decorrência  de  compensação  não  homologada ( período de 05/2012).  Igualmente  em  decorrência  do  despacho  decisório  antes  referido  foi  lavrado Auto de  Infração anexado às  fl.12/21,  do  processo  apenso  15586.720585/2012­63,  no  valor  total  de  R$  271.725,82  (PIS)  e R$ 1.255.165,51  (COFINS),  em virtude da  falta  de  recolhimento  das  contribuições  nos  períodos  de  apuração 05/2007 e 06/2007.  No Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 081/2012 consta consignado, em  resumo, que:  1)  Com  base  na  legislação  da  contribuição  ao  PIS  e  COFINS  apurados  sobre  o  regime  da  não  cumulatividade,  o  crédito  passível  de  utilização  na  compensação  de  outros  tributos  e  contribuições é o apurado após a dedução de débitos da própria  contribuição, e mais, o crédito deve ser decorrente de operações  Fl. 10376DF CARF MF     4 de  mercadorias  para  o  exterior  ou  de  vendas  a  empresa  comercial exportadora, com o fim específico de exportação;  2) Durante o procedimento  fiscal, a  fiscalização  tomou ciência,  mediante  grande  divulgação  pela  mídia,  da  operação  “Ouro  Negro”,  deflagrada  em  2011  pelo  Núcleo  de  Repressão  às  Organizações  Criminosas  e  a  Corrupção  –  NUROC/ES,  no  combate ao bilionário esquema de sonegação fiscal envolvendo  a  comercialização  ilegal de carvão vegetal,  no norte do  estado  do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo usadas várias empresas  laranjas  para  emissão  de  notas  fiscais  “frias”,  tendo  como  beneficiárias  as  Siderúrgicas,  grandes  adquirentes  do  carvão  vegetal;  3) Diante desses fatos, o Delegado da Receita Federal do Brasil  em  Vitória/ES,  solicitou  ao  Delegado  Chefe  do  NUROC/ES  a  relação das empresas investigadas nos autos da operação Ouro  Negro, envolvidas em atividades ilícitas na área tributária, bem  como,  os  depoimentos,  as  diligências  e  demais  documentos  vinculados, juntamente com a cópia da autorização judicial que  franqueou  o  acesso  a  Receita  Federal  do  Brasil  aos  referidos  documentos;  4)  De  posse  das  1ªs  vias  das  notas  fiscais,  sobre  as  quais,  a  fiscalizada,  nos  sistemas  informatizados  da  RFB  e  nas  provas  contidas nos Inquéritos Policiais, ficou constatado que a pessoa  jurídica  efetuou  aquisições  de  carvão  vegetal  de  empresa  constituída  por  sócio  inexistente  de  fato,  ou  seja,  em  nome  de  pessoa fictícia, de empresas constituídas por interposta pessoa e  de  empresas  que  se  encontram  em “situação  irregular”  com o  fisco federal, dentre outras situações;  5) As irregularidades foram divididas em três etapas:  5.1)  Primeira  Etapa:  aquisição  de  carvão  vegetal  de  empresa  constituída em nome de pessoa fictícia. Empresa criada em nome  de  pessoa  física  inexistente,  com  nítido  objetivo  de  sonegação  fiscal e geração de créditos tributários para terceiros;  5.2) Segunda Etapa: aquisições de  carvão vegetal de  empresas  constituídas  em  nome  de  interpostas  pessoas  popularmente  conhecidos  como  laranjas. Pessoas humildes que  cederam seus  dados pessoais,  com ou  sem  contraprestação  em dinheiro,  com  vista ao acobertamento dos reais proprietários da empresa, com  evidente  objetivo  de  sonegação  fiscal  e  geração  de  créditos  tributários para terceiros;  5.3) Terceira Etapa: aquisições de  carvão vegetal de empresas  que se encontram em situação  irregular com o  fisco federal, as  quais  constam  no  cadastro  da Receita Federal  do Brasil  como  inapta, inativa, sem nenhum recolhimento ou com recolhimentos  irrisórios  ou  ainda  cuja  movimentação  financeira  é  totalmente  incompatível com a receita bruta informada;  6) Com  base  nos  documentos  apresentados,  consta  que  a CBF  Indústria  de  Gusa  adquiriu  carvão  vegetal  da  empresa  Jayr  Souza  Oliveira  –  ME  (CNPJ  09.483.406/000147)  e  filiais,  constituída em 01/04/2008. Somente nesse ano, a empresa emitiu  Fl. 10377DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.376          5 R$ 649.653,84 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal para  a CBF;  7) O Relatório Final do Inquérito Policial nº 013/2011 concluiu  que a Jayr Souza Oliveira – Me é a principal empresa envolvida  no esquema de sonegação  fiscal da máfia do carvão no Estado  do Espírito Santo. Referida empresa foi constituída em nome de  uma pessoa fictícia. Verificou­se que o número do documento de  identidade  em  nome  de  Jayr  Souza Oliveira  é  falso. O  número  pertence ao RG de uma mulher de nome Karla Rios Sabia;  8)  Com  a  prisão  preventiva  de  Marcelo  Meirelles  Muniz,  até  então  conhecido  como  Jayr  Souza  Oliveira,  novos  fatos  foram  trazidos  ao  Inquérito  Policial  nº  013/2011,  entre  os  quais  se  destaca  a  confirmação  de  que  Marcelo  é  o  verdadeiro  responsável  pela  empresa  Jayr  Souza  Oliveira  –  ME  e  de  ter  utilizado documentos falsos para a abertura da mesma e filiais;  9) No citado depoimento, Marcelo Meirelles Muniz confessa de  maneira  cristalina  que  sua  participação  na  empresa  é  meramente  figurativa,  pois  recebia  uma  contraprestação  em  dinheiro  de  R$  1.000,00  a  R$  2.000,00  por  mês  para  se  fazer  passar pela pessoa de Jayr Souza Oliveira;  10) Diligência realizada pelo NUROC/ES no endereço comercial  da  Jayr­ME  em  Conceição  da  Barra/ES  (foto  nos  autos),  comprova que a empresa não possui patrimônio e nem tampouco  capacidade operacional para a realização de seu objeto social.  Tais  fatos,  obviamente,  já  eram  de  se  imaginar,  em  razão  do  quadro societário ser constituído por “sócio inexistente de fato”;  11)  A  empresa  de  energia  do  Espírito  Santo  informa  que  não  consta  no  cadastro  de  seus  clientes  o  endereço  cadastral  de  Jayr­ME.  Além  disso,  pesquisas  aos  sistemas  da  RFB,  mostram  que  o  capital  social  registrado  pela  JAYRME  é  incompatível  com  as  expressivas movimentações realizadas pela empresa em 2008;  12) Não restam dúvidas de que a empresa Jayr Souza Oliveira –  ME  é  uma  empresa  constituída  em nome de pessoa  fictícia,  ou  seja,  inexistente no mundo real, com evidente  intuito de lesar o  fisco e gerar créditos tributários para terceiros;  13)  A  firma  individual  J.A.S.  da  HORA  COMÉRCIO  DE  CARVÃO  VEGETAL  –ME,  CNPJ  08.757.953/000100,  foi  constituída  em  10/04/2007,  em  nome  do  senhor  José  Augusto  Santos  da Hora, CPF  011.552.42580,  com  sede  à Av. Central,  1.181 A, Por do Sol, Mucuri/BA;  14) A abertura da empresa ocorreu após a criação das Leis que  instituíram  os  créditos  da  não  cumulatividade  do  Pis  (Lei  nº  10.637/2002)  e  da Cofins  (Lei  nº10.833/2003).  Somente  para  a  CBF  emitiu  R$  2.307.520,43  de  notas  fiscais  de  vendas  de  carvão vegetal no período de 2007 e 2008;  Fl. 10378DF CARF MF     6 15)  Apesar  da  expressiva  receita  bruta  de  vendas  auferidas,  apresentou DIPJ com receita “zerada” em 2007, não apresentou  DIPJ  em  2008  e  não  recolheu  nenhum  centavo  aos  cofres  públicos  nesse  período.  Além  disso,  declarou  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social)  com  a  condição  Sem  Movimento  no  período  de  01/2007  a  12/2008.  Esta  situação  declarada pela própria “empresa” quer dizer que ela nunca teve  empregados,  comercializou  produtos  rurais  ou  qualquer  outro  fato que a obrigasse informar à previdência social;  16)  Mediante  depoimento  do  senhor  José  Augusto  Santos  da  Hora,  na  Operação  Ouro  Negro,  o  mesmo  confessa  de  forma  bastante  clara  que  sua  participação  na  empresa  é  meramente  figurativa. Corroborando com suas declarações, verificamos nos  sistemas  da  RFB  que  não  possui  capacidade  sócio­econômica  compatível  para  ser  proprietário  de  fato  de  uma  empresa  que  movimenta milhões de reais;  17) Não restam dúvidas de que o senhor José Augusto Santos da  Hora  cedeu  seus  dados  pessoais  para  constituição  da  empresa  J.A.S. da Hora Comércio de Carvão Vegetal – ME, sendo usado  como “laranja”;  18) Diante do exposto, conclui­se que a empresa J.A.S. da Hora  Comércio de Carvão Vegetal – ME foi constituída por interposta  pessoa,  com  objetivos  claros  de  lesar  o  fisco  e  gerar  créditos  tributários  para  terceiros,  tendo  em  vista  que  não  recolheu  nenhum centavo aos cofres públicos;  19)  A  firma  individual  G.A  Matos  Indústria  &  Comércio  de  Carvão  Vegetal,  CNPJ  05.459.646/000155,  foi  constituída  em  30/12/2002,  em  nome  de  Gildato  Ancelmo  Matos,  CPF  142.073.38500, com sede a Rua Pedreira Franco, 679A, Centro,  Mucuri/BA. Somente para a interessada emitiu R$ 849.861,55 de  notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2006 e  2007;  20)  Apesar  da  expressiva  receita  bruta  de  vendas  auferidas,  recolheu  valores  irrisórios  aos  cofres  públicos.  Não  declarou  DIPJ em 2006 e apresentou DIPJ com receita irrisória em 2007.  Além disso, não declarou nenhum empregado na GFIP;  21)  A  DRF/Itabuna,  em  procedimento  de  diligência  fiscal,  no  período de 13 a 15/02/2012, compareceu no domicilio  fiscal da  empresa  G.  A.  Matos,  onde  “em  tese”  deveria  funcionar  a  empresa,  ocasião  em  que  teve  contato  com  o  responsável  pela  empresa  senhor  Gildato  Ancelmo  Matos,  onde  o  mesmo  confessou  que  foi  usado  como  “laranja”  na  constituição  da  empresa G. A. Matos;  22)  Corroborando  com  suas  declarações,  foi  verificado  nos  sistemas  da  RFB  que  o  mesmo  não  possui  capacidade  sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma  empresa que movimenta milhões de reais. Não restam dúvidas de  que o senhor Gildato Ancelmo Matos cedeu seus dados pessoais  para  constituição  da  empresa G.  A. Matos,  sendo  usado  como  “laranja”;  Fl. 10379DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.377          7 23) Conclui­se que a empresa G. A. Matos Indústria e Comércio  de Carvão  Vegetal  – Me  foi  constituída  por  interposta  pessoa,  com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários  para terceiros, tendo em vista que recolheu valores irrisórios;  24)  A  firma  Forno  e  Carvão  Comércio  e  Indústria  de  Carvão  Ltda,  CNPJ  06.155.658/000159,  foi  constituída  em  15/03/2004  com sede a Faz. Chapada, S/N, Ribeirão do Meio, Aracruz/ES,  tendo  como  sócios  o  senhor  Antonio  Carlesso  (admitido  na  sociedade  em  18/11/2004)  e  a  senhora  Edinea  Terezinha  Morellato Carlesso (admitida na sociedade em 29/06/2006);  25) Interessante observar que a empresa foi aberta logo após a  criação  das  Leis  que  instituíram  os  créditos  da  não  comulatividade do Pis  (Lei nº 10.637/2002) e da Cofins  (Lei nº  10.833/2003).  Somente  para  a  CBF  emitiu  R$  1.180.489,75  de  notas fiscais de vendas de carvão vegetal em 2005;  26)  Apesar  da  expressiva  receita  bruta  de  vendas  auferidas,  apresentou DIPJ em 2005 com receita bruta de vendas irrisória  e  não  recolheu  nenhum centavo  aos  cofres  públicos a  título  de  impostos e contribuições federais nesse período. Além disso, não  declarou nenhum empregado na GFIP;  27)  Conforme  consta  no  Inquérito  Policial  nº  013/2011,  instaurado pelo NUROC/ES, o sócio administrador da empresa  senhor  Antônio  Carlesso  –  CPF  nº  317.697.30710,  prestou  esclarecimentos  nos  autos  da  operação  “Ouro  Negro”  e  basicamente  confirmou  sua  participação  na  qualidade  de  “laranja” da empresa Forno e Carvão;  28)  Corroborando  com  as  constatações  realizadas  pela  Autoridade Policial, observa­se nos sistemas da RFB que o sócio  administrador  da  empresa  não  possui  capacidade  sócio­ econômica  compatível  para  ser  sócio  de  fato  de  uma  empresa  que movimenta milhões de reais. Diante do exposto, não restam  dúvidas  de  que  quadro  societário  da  empresa Forno  e Carvão  Comércio  e  Indústria  de Carvão  Ltda,  a  partir  de  18/11/2004,  passou  a  ser  constituída  por  interposta  pessoa,  com  objetivos  claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros;  29) A firma individual J. Azevedo do Espírito Santo – ME, CNPJ  07.879.420/000139,  foi  constituída  em  20/02/2006  em  nome  de  José  Azevedo  do  Espírito  Santo,  CPF  nº  244.494.74600,  com  sede  a  Fazenda  Colorado,  S/N,  Cristal  do  Norte,  Pedro  Canário/ES  e  com  uma  filial  em  Conceição  da  Barra/ES.  Somente  para  a CBF  emitiu R$  384.197,47  de  notas  fiscais  de  vendas de carvão vegetal no período de 2006 a 2008;  30)  Apesar  da  expressiva  receita  bruta  de  vendas  auferidas,  apresentou DIPJ em 2006 com receita “zerada”, não declarou  DIPJ em 2007 e recolheu valores irrisórios aos cofres públicos  nesse  período.  Em  2008  embora  tenha  confessado  débitos  insuficientes  na  DASN,  no  entanto,  também  não  recolheu  nenhum centavo aos cofres públicos;  Fl. 10380DF CARF MF     8 31) No  depoimento  do  senhor  José Azevedo  do Espírito  Santo,  extraído  do  Inquérito Policial  nº  020/2011,  da Operação Ouro  Negro, o mesmo confessou claramente que sua participação na  empresa  é  meramente  figurativa,  pois  recebia  uma  contraprestação em dinheiro de 01 salário mínimo por mês, por  ter cedido seus dados pessoais;  32) Corroborando com seu depoimento, verificamos nos sistemas  da RFB que o  titular da empresa não possui capacidade sócio­ econômica  compatível  para  ser  proprietário  de  fato  de  uma  empresa que movimenta milhões de reais. Diante do exposto não  restam dúvidas de que a empresa J. Azevedo do Espírito Santo –  ME  foi  constituída  por  interposta  pessoa,  com  objetivos  claros  de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo  em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos;  33)  A  firma  individual  Pedro  Octávio  da  Ros­ME,  CNPJ  05.893.812/000127,  foi  constituída  em  18/09/2003  em  nome  de  Pedro  Octávio  da  Ros,  CPF  nº  379.742.38704,  com  sede  em  Conceição  da  Barra/ES,  com  uma  filial  em  Montanha/ES.  Somente  para  a CBF  emitiu R$  375.059,95  de  notas  fiscais  de  vendas de carvão vegetal em 2008;  34) Apresentou Declaração anual do Simples Nacional (DASN),  no entanto, não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos em  2008.  É  importante  ressaltar  que  a  confissão  de  impostos  e  contribuições através da DASN é uma estratégia utilizada para  não  se  chegar  aos  verdadeiros  donos,  já  que  a  empresa  e  seu  titular  de  direito  não  possuem qualquer  patrimônio passível  de  execução fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN;  35)  As  investigações  realizadas  pelo  NUROC/ES  operação  “Ouro  Negro”,  no  combate  a  máfia  do  carvão  vegetal,  comprovou que o proprietário de fato da empresa Pedro Octavio  da  Ros  –  ME  não  é  o  senhor  Pedro  Octávio  da  Ros  e  sim  o  senhor Paulo José Gava;  36) No depoimento prestado pelo senhor Pedro Octávio da Ros,  no  inquérito  policial,  o  mesmo  confessou  claramente  que  sua  participação  na  empresa  é  meramente  figurativa,  pois  recebia  uma  contraprestação  em  dinheiro  de  R$  1.500,00  (mil  e  quinhentos  reais)  por  mês,  por  ter  cedido  sua  empresa  e  seus  dados pessoais;  37)  Corroborando  com  seu  depoimento,  foi  verificado  nos  sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade  sócio­econômica  compatível  para  ser  proprietário  de  fato  de  uma empresa que movimenta milhões de reais;  38)  Cumpre  informar  que  o  senhor  Paulo  José  Gava  foi  indiciado  nos  autos  do  Inquérito  Policial  nº  016/2011,  instaurado pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro  Negro”,  devido  seu  envolvimento  na  comercialização  ilegal  de  carvão vegetal no Estado do Espírito Santo e sul do Estado da  Bahia;  39) Não restam dúvidas de que a empresa Pedro Octávio da Ros  ME foi constituída por interposta pessoa, agindo com objetivos  claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros,  Fl. 10381DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.378          9 tendo  em  vista  que  não  recolheu  nenhum  centavo  aos  cofres  públicos.  40)  A  empresa  Comercial  de  Carvão  Hikari  Ltda  ME,  CNPJ  74.026.774/000128,  foi constituída em 06/01/1994 com sede em  Caravelas/BA  e  com  uma  filial  em  Belmonte/BA,  tendo  como  sócio  desde  a  sua  abertura  o  senhor  José Wellington Benedito  Guedes Filho, CPF: 844.637.08591. Somente para a CBF emitiu  R$ 11.616.466,79  de  notas  fiscais  de vendas  de  carvão  vegetal  no período de 2005 a 2008;  41)  Apesar  da  expressiva  receita  bruta  de  vendas  auferidas,  apresentou DIPJ com receita “zerada” e não recolheu nenhum  centavo  aos  cofres  públicos  no  referido  período. Não  declarou  nenhum empregado na GFIP, o que por si só já é uma situação  atípica,  ou  seja,  uma  empresa  sem  empregados  movimentar  milhões de reais;  42)  Conforme  informações  constantes  no  Inquérito  Policial  nº  025/2011,  instaurado  pelo  Delegado  Chefe  da  NUROC/ES  operação  “Ouro  Negro”,  o  senhor  José  Wellington  foi  usado  como interposta pessoa “laranja” na constituição da empresa e  que o responsável de fato é o senhor Marciano Vescovi Sacani;  43) Além disso, observase nos sistemas da RFB que o titular da  empresa  não  possui  capacidade  sócio­econômica  compatível  para  ser  proprietário  de  fato  de  uma  empresa  que  movimenta  milhões de reais;  44) Mediante  tais  fatos,  não  restam  dúvidas  de  que  a  empresa  Comercial de Carvão Hikari Ltda foi constituída por interposta  pessoa,  agindo  com  objetivos  claros  de  lesar  o  fisco  e  gerar  créditos  tributários  para  terceiros,  tendo  em  vista  que  não  recolheu  nenhum  centavo  aos  cofres  públicos.  É  importante  mencionar que o senhor Marciano Vescovi Sacani foi indiciado  nos  Inquéritos  Policiais  nº  013/2011  e  025/2011,  instaurados  pelo Delegado Chefe  da NUROC/ES  operação  “Ouro Negro”,  devido  seu  envolvimento  na  comercialização  ilegal  de  carvão  vegetal no Estado do Espírito Santo  e  sul do Estado da Bahia,  sendo  indiciado  inclusive  pelo  crime,  em  tese,  contra  a  ordem  tributária;  45) A relação comercial entre a CBF e a empresa Comercial de  Carvão Hikari Ltda foi objeto de investigação pelo NUROC/ES e  consta no Inquérito Policial nº 025/2011;  46)  Além  das  empresas  anteriormente  listadas,  cite­se  que  os  principais  fornecedores de carvão vegetal da CBF Indústria de  Gusa S/A, praticamente nada  recolheram aos  cofres públicos a  título  de  contribuições  para  o  Pis  e  para  a  Cofins.  A  maioria  desses  fornecedores,  apesar  de  emitirem  notas  fiscais,  encontramse em situação irregular junto a RFB;  47)  No  Inquérito  Policial  nº  016/2011,  inúmeras  conversas  telefônicas  foram  monitoradas,  entre  as  quais,  devem  ser  destacadas  àquelas  que  pontuaram  evidências  do  envolvimento  Fl. 10382DF CARF MF     10 da CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de  carvão  vegetal,  através  do  seu  Gerente  de  Compras  senhor  Thiciano da Ross Rosa. Chama atenção as conversas realizadas  com  o  responsável  pela  movimentação  financeira  da  empresa  JAYR –ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus.  48) De acordo com o teor dos diálogos ficou evidenciado que o  senhor  Ricardo  Carvalho  Nascimento  (Diretor  da  CBF)  e  o  senhor  Thiciano  da Ross Rosa  (Gerente  de Compras  da CBF),  tinham conhecimento  do  esquema  ilícito  referente à  compra  de  carvão vegetal adquirido pela CBF;  49)  Nos  Inquéritos  Policiais  ficou  também  evidenciado  que  Thiciano  da  Ross  Rosa  e  Uelinton  Spinassé  de  Jesus  (responsável  pela  movimentação  financeira  da  empresa  JAYR­ ME)  se  uniram  para  que  o  carvão  de  origem  duvidosa  fosse  adquirido pela CBF;  50)  Por  tudo  que  consta  nos  Inquéritos  Policiais  instaurados  pelo  NUROC/ES,  a  Autoridade  Policial  decidiu  pelo  indiciamento  dos  senhores  Ricardo  Carvalho  Nascimento  (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras  da  CBF)  e  Fabrício  Baptista  (ex­funcionário  da  CBF  que  trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da  empresa  em  junho  de  2009)  pela  prática,  em  tese,  de  diversos  crimes,  dentre  eles,  crime  contra  a  ordem  tributária,  tipificado  no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137,  de 1990 (na forma continuada);  51)  Não  restam  dúvidas  de  que  a  CBF  Indústria  de  Gusa  S/A  (adquirente  de  carvão  vegetal)  tinha  conhecimento  e  se  beneficiou  do  esquema  ilícito  de  aquisição  de  carvão  vegetal  realizado  com  empresa  constituída  por  pessoa  fictícia,  nos  moldes da JAYR­ME e constituídas por interpostas pessoas, que  praticamente  não  recolheram  nada  aos  cofres  públicos,  portanto, a CBF não pode ser considerada adquirente de boafé;  52) As informações disponíveis não deixam margem à dúvida de  que  o  senhor  Jayr  Souza  Oliveira  não  existe  no  mundo  real,  portanto,  não  poderia  ser  o  titular  de  fato  do  empreendimento  denominado  Jayr  Souza Oliveira–ME,  tratando­se,  na  verdade,  de  um  caso  de  simulação  de  negócio  jurídico  com  objetivo  de  lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros;  53)  O  mesmo  ocorrendo  com  os  fornecedores  constituídos  por  sócios  laranjas.  Empresas  criadas  em  nome  de  terceiros  com  objetivo de acobertar os  seus  reais  proprietários,  com evidente  intuito  de  sonegação  fiscal  e  geração  de  créditos  tributários  para terceiros;  54) Dessa forma foram excluídos da base de cálculo dos créditos  do Pis e da Cofins às aquisições adquiridas da JAYR­ME, cujo  titular  já  foi  identificado  neste  parecer  como  fictício  e  das  demais  empresas  constituídas  por  interpostas  pessoas  e  que  se  encontram em situação irregular no cadastro da RFB, sob pena  de  patrocinar  o  enriquecimento  sem  causa  em  detrimento  dos  cofres públicos. As  referidas  glosas  encontramse  discriminadas  no Anexo I deste Parecer;  Fl. 10383DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.379          11 55) A  contribuinte  buscou  valer­se  de  créditos  de Pis  e Cofins  referente às aquisições de insumos pagos ou creditados a pessoa  física, o que é vedado pela legislação, conforme previsto no art.  3º, § 2º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003;  56) As  referidas aquisições  foram excluídas da base de cálculo  dos créditos do Pis e da Cofins e encontramse relacionadas no  Anexo II deste parecer;  57)  Ao  analisar  o  documentário  fiscal  dos  insumos  adquiridos  pela CBF e o  seu  efetivo pagamento,  foi  constatado aquisições  realizadas  com  pessoas  jurídicas,  com  emissão  de  nota  fiscal,  tendo como beneficiários dos pagamentos pessoas físicas;  58) Os documentos apresentados pela CBF não foram suficientes  para  justificar  o  fato  do  insumo  ter  sido  comprado  com  um  fornecedor  e  efetuado  o  pagamento  a  uma  pessoa  física.  Nas  referidas  aquisições  não  restou  comprovado  pela  CBF  quem  foram  os  efetivos  vendedores.  As  referidas  aquisições  foram  excluídas da base de  cálculo dos  créditos do Pis  e da Cofins  e  estão relacionadas no Anexo III deste parecer;  59) A contribuinte também buscou valer­se de créditos de Pis e  da Cofins referente às aquisições de insumos de sucata de ferro,  sucata  de  ferro  gusa  e  sucata  de  aço,  cujo  crédito  a  partir  de  01/03/2006 passou a ser vedado pela legislação. Com a vigência  do art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005, essas aquisições passaram  a  não  gerar mais  direito  ao  crédito  do  Pis  e  da Cofins.  Essas  aquisições  foram  excluídas  da  base  de  cálculo  dos  créditos  do  Pis e da Cofins e estão discriminadas no Anexo IV deste parecer;  60) A contribuinte considerou como insumo de “carvão vegetal”  com  direito  a  crédito  de  Pis  e  Cofins,  as  despesas  de  fretes  relativas às transferências internas entre estabelecimentos. Esses  fretes  se  referem  a  deslocamentos  entre  estabelecimentos  da  própria CBF,  relativos ao  envio da matériaprima de uma  filial  para  outra.  Notese  que  aqui  não  há  que  se  falar  em  frete  vinculado à compra, tampouco de frete relacionado à operação  de venda de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003;  61)  Nessas  transferências  não  há  vínculos  jurídicos  estabelecidos  entre  a  CBF  e  terceiros  (compradores  ou  vendedores  da  matéria­prima/produto).  Os  produtos  são  transportados  entre  as  filiais  da  CBF  com  notas  de  simples  remessa  emitidas  pela  própria  CBF.  Ou  seja,  não  tratam  de  insumos diretos, serviços aplicados ou consumidos na produção  ou fabricação do produto, como define o art. 8º, §4º, I, “b”, da  IN  SRF  nº  404,  de  2004,  nos  termos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  nº  10.833,  de  2003.  Tais  despesas  foram  excluídas  da  base  de  cálculo  dos  créditos  do  Pis  e  da  Cofins  e  se  encontram  discriminadas no Anexo V deste parecer;  62) A contribuinte descontou créditos apurados sobre os gastos  contabilizados  na  conta  de  despesas  comerciais  3.3.2.02.0015  Combustíveis e Lubrificantes. No entanto, de acordo com as Leis  nºs  10.637,  de  2002  e  10.833,  de  2003,  as  aquisições  de  Fl. 10384DF CARF MF     12 combustíveis somente geram direito ao credito de Pis e da Cofins  se aplicados diretamente como insumo no processo produtivo;  63) O conceito de insumo consta no art. 66, § 5°, I, da IN SRF nº  247,  de 2002,  introduzido pela  IN SRF nº  358,  de  2003. Desse  modo,  para  haver  o  direito  a  credito,  não  é  suficiente  que  tenham  sido  adquiridos  combustíveis  e  lubrificantes.  É  necessário  que  essa  aquisição  seja  para  uso  como  insumo.  Assim, as despesas comerciais com combustíveis, informadas na  conta  3.3.2.02.0015  Combustíveis  e  Lubrificantes,  foram  afastadas da base de cálculo do crédito da contribuição para o  Pis e para a Cofins e as mesmas encontram­se discriminadas no  Anexo VI deste parecer;  64) A contribuinte pelo fato de efetuar venda de gusa em estado  líquido e fazer uso de serviços de escolta, informou despesas de  escolta relacionadas à comercialização dos produtos. A análise  da  legislação  mostra  que  os  gastos  com  armazenagem  e  frete  passaram  a  dar  direito  ao  desconto  de  crédito  do  Pis  e  da  Cofins com o advento da Lei nº 10.833/2003;  65)  Nota­se,  que  o  contribuinte  incluiu  dentre  os  serviços  de  armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não  encontram  previsão  legal.  É  imperativo  afirmar  que  cabe  a  interpretação  literal  (restritiva)  do  dispositivo  supra  citado.  Desta  forma,  estas  despesas  foram  excluídas  da  base  de  cálculo  dos  créditos  de  PIS  e  da  COFINS  e  as  mesmas  encontram­se discriminadas no Anexo VII deste Parecer;  66)  A  contribuinte  informa  despesas  de  serviços  de  embarque.  Nesta conta são registrados os serviços referentes ao embarque,  a  movimentação  do  produto  acabado  no  entreposto  para  embarque nos navios,  conforme  informado pelo  contribuinte. A  análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e  frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS e da  COFINS com o advento da Lei nº 10.833, de 2003;  67) Nota­se, que da mesma forma do item anterior o contribuinte  incluiu  dentre  os  serviços  de  armazenagem  e  frete,  outros  serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É  imperativo  afirmar  que  cabe  a  interpretação  literal  (restritiva)  do  dispositivo  supra  citado. Desta  forma,  estas  despesas  foram  excluídas da base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS e  as  mesmas  encontram­se  discriminadas  no  Anexo  VIII  deste  Parecer;  68)  Conforme  o  inciso  II,  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116/2004,  o  saldo  credor  do  Pis  e  da  Cofins  vinculado  a  vendas  não  tributadas  no  mercado  interno,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  calendário,  poderá  ser  utilizado  para  fins  de  compensação ou ressarcimento. Neste sentido, o sujeito passivo  pode  solicitar  o  ressarcimento  do  saldo  credor  por  ventura  apurado, desde que o faça para cada trimestre­calendário;  69)  No  presente  processo  administrativo  foi  solicitado  o  ressarcimento/compensação  de  saldo  credor  apurado  no  1º  Trimestre de 2005 ao 4º Trimestre de 2008. Após a análise dos  créditos  pleiteados,  foram  efetuadas  às  glosas  dos  créditos  Fl. 10385DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.380          13 indevidamente  apurados  pela  contribuinte  e  confeccionados  o  Demonstrativo de Apuração do PIS Não Cumulativo,  constante  no  anexo  IX  deste  Parecer  e  o Demonstrativo  de Apuração  da  COFINS Não Cumulativa, constante no anexo XI deste Parecer,  onde se encontram detalhados os  créditos pleiteados,  as glosas  efetuadas  pela  fiscalização  e  finalmente  o  crédito  reconhecido  em cada trimestre;  70) Em virtude de fatos mencionados neste Parecer (aquisições  de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de pessoa  fictícia  e  interpostas  pessoas)  configurarem,  em  tese,  crime  contra ordem tributária, tipificado nos incisos I, II e IV do artigo  1º  e  inciso  I  do  artigo  2º  ambos  da  Lei  nº  8.137,  de  1990,  foi  formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, mediante  processo  administrativo  protocolizado  sob  o  nº  15586.720517/201202, em cumprimento ao disposto no artigo 1º  do Decreto nº 2.730, de 1998 e artigos 1º e 4º da Portaria RFB  nº 2.439, de 2010 (com as alterações promovidas pela Portaria  RFB nº 3.182, de 2011);  71) As  glosas  realizadas  resultaram no  não  reconhecimento  de  parcela dos créditos pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento e  Declarações de Compensação envolvendo a existência, em tese,  de  dolo  ou  indícios  veemente  dessa  circunstância  no  aproveitamento de  crédito  integral decorrente de aquisições de  empresas  constituídas  em  nome  de  pessoa  fictícia  e  por  interpostas  pessoas,  o  que  resultou  na  aplicação  de  multa  isolada  conforme  dispositivo  legal,  referentes  ao  período  de  01/2005 a 12/2008;  72)  Os  valores  e  o  devido  enquadramento  legal  estão  discriminados  no  Auto  de  Infração  lavrado  e  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  constantes  no  Processo  Administrativo  nº  15586.720516/201250,  o  qual  foi  devidamente  apensado  a  este  Processo,  para  fins  de  julgamento  simultâneo,  segundo  o  disposto no art. 66, §6º da IN RFB nº 900, de 2008 e na Portaria  RFB nº 666, de 2008.  No  Relatório  de  Fiscalização  do  processo  nº  15586.720585/201263,  anexo  ao  Auto  de  Infração  (fls.3/9  e  12/21 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em  resumo, que:  1)  A  fiscalização  elaborou  os  Demonstrativos  de  Apuração  do  Pis  e  da  Cofins,  compilados  com  base  no  Parecer  Sefis  nº  081/2012  constante  no  processo  nº  15586.720483/201248.  Nestes  Demonstrativos  foram  discriminadas  as  glosas  procedidas  na  base  de  cálculo  dos  créditos a  descontar,  de  tal  sorte  que  não  foi  possível  homologar,  em  sua  totalidade,  os  Per/Dcomps apresentados pela CBF Indústria de Gusa S/A, por  insuficiência de créditos;  2) Nos meses em que restou comprovada a falta/insuficiência de  recolhimentos de PIS/COFINS não cumulativos (saldo devedor),  resultado  da  recomposição  dos  créditos  a  descontar  e  que  não  Fl. 10386DF CARF MF     14 foram  atingidos  pelo  instituto  da  decadência,  procedeu­se  o  devido lançamento de ofício;  3)  As  diferenças  mensais  apuradas  e  lançadas  de  ofício  decorreram  na  grande  maioria  das  glosas  de  aquisições  de  carvão  vegetal  de  empresas  constituídas  em  nome  de  pessoa  fictícia, laranjas e que se encontram em situação irregular com o  fisco  federal.  Importante ressaltar que o  insumo carvão vegetal  representou  94%  (noventa  e  quatro  por  cento)  do  valor  das  glosas realizadas pela fiscalização;  4) Em consulta aos sistemas  informatizados da Receita Federal  do Brasil, foi verificado que o contribuinte não efetuou nenhum  recolhimento de Pis não cumulativo (código 6912) e Cofins não  cumulativa (código 5856), no ano calendário 2007;  5) O aproveitamento integral de créditos de Pis e da Cofins não  cumulativos  com  base  em  aquisições  de  carvão  vegetal  realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e  interpostas  pessoas,  demonstra  que  a  apuração  dos  créditos  constituídos pela CBF Indústria de Gusa S/A se deu com dolo ou  indícios  veemente  dessa  circunstância,  conforme  demonstrado  no  Parecer  Sefis  nº  081/2012  (constante  no  processo  nº  15586.720483/201248);  6) Sendo assim, sobre o saldo devedor de Pis e Cofins decorrente  das  glosas  realizadas  pela  fiscalização,  cabe  ser  aplicada  a  multa  qualificada  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  nos  termos do §1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; No Relatório  de Fiscalização do processo nº 15586.720516/201250, anexo ao  Auto de Infração – Multa Isolada (fls.3/19 e 20/31 do processo  apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que:  1) Ocorrendo  a  não  homologação  da  compensação  declarada  pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a  prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502,  de 1964, o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida  Provisória nº 2.15835/ 2001,  limitar­se­á à  imposição de multa  isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado;  2)  O  aproveitamento  integral  dos  créditos  de  Pis  e  da  Cofins  não­cumulativos  com  base  em  aquisições  de  carvão  vegetal  realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e  interpostas  pessoas,  demonstra  que  a  apuração  dos  créditos  constituídos  pela  CBF  se  deu  com  dolo  ou  indícios  veemente  dessa  circunstância,  conforme  relatado  no  Parecer  Sefis  nº  081/2012 (processo nº 15586.720483/201248). Assim, no caso de  compensação  não  homologada  e  comprovada  a  falsidade  da  declaração, as penalidades aplicáveis estão previstas no caput e  parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003;  3) Importante ressaltar que o insumo carvão vegetal representou  94%  (noventa  e  quatro  por  cento)  do  valor  total  das  glosas  realizadas pela fiscalização;  4) Após o reconhecimento do crédito pelo Delegado da Receita  Federal  do  Brasil  em  Vitória­ES,  o  Serviço  de  Controle  e  Arrecadação  Tributária  (SECAT)  desta  DRF  efetuou  a  conciliação  dos  créditos  apurados  pela  fiscalização  com  os  Fl. 10387DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.381          15 débitos,  objeto  de  declarações  de  compensação  –  DCOMP’s  apresentadas  pela  CBF  Indústria  de  Gusa  S/A,  resultando  em  débitos  indevidamente  compensados  (NÃO  HOMOLOGADOS),  sobre os quais a  fiscalização aplicou a multa  isolada de 150%  que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme planilha  de  débitos  indevidamente  compensados  por  declaração  de  compensação, cujos demonstrativos encontram­se no anexo I e II  deste termo;  5)  No  Auto  de  Infração,  a  multa  isolada  calculada  sobre  as  compensações  não  homologadas  é  lançada  de  forma  consolidada  por  data  de  referência  que  é  o  momento  da  apresentação  da  compensação  indevida,  a  saber:  data  da  transmissão  da  DCOMP  –  que  consta  no  próprio  número  de  identificação do documento;  6) Com relação à decadência dos créditos tributários, o “dies a  quo” para lançamento de ofício da multa isolada na hipótese de  compensação  não  homologada  ou  não  declarada  é  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  a  declaração  de  compensação  tenha  sido  apresentada,  nos  termos  do  art.  173,  inciso I, da Lei nº 5.172, de 27 de outubro de 1996 (CTN);  7)  O  contribuinte  apresentou  em  02/05/2012  a  declaração  de  compensação  retificadora  nº  17654.37687.020512.1.7.091211,  compensando  créditos  de  Cofins  referente  ao  3º  trimestre  de  2008,  ou  seja,  após  a  vigência  da  Lei  nº  12.249,  de  2010.  A  recomposição  dos  créditos  da  Cofins  resultou  no  RECONHECIMENTO  PARCIAL  dos  créditos  pleiteados  nos  Per/Dcomp,  referente  ao  3º  trimestre  de  2008,  o  que  gerou  a  aplicação de multa isolada conforme dispositivo legal;  8) Em  conformidade  com o  art.  62  da  Lei  nº  12.249,  de  2010,  foram  estabelecidas  multas, mediante  alteração  da  redação  da  Lei nº 9.430, de 1996;  9)  Com  a  edição  da  referida  Lei,  as  situações  sujeitas  à  aplicação de multa isolada passaram a ser as seguintes:  9.1) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito  não validado quando não for homologada a compensação;  9.2) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito  objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido;  10)  As  multas  estabelecidas  pela  Lei  nº  12.249,  de  2010,  mediante a inclusão dos §§º 15 ao 17 no art. 74 da Lei nº 9.430,  de  1996,  devem  ser  aplicadas  relativamente  às  declarações  ou  aos  pedidos  de  ressarcimentos  entregues  a  partir  da  data  da  publicação desta Lei, ou seja, a partir de 14 de junho de 2010,  inclusive;  11)  Quaisquer  declarações  de  compensação  ou  pedidos  de  ressarcimento,  retificadores  ou  não,  entregues  na  vigência  da  Lei nº 12.249, de 2010, estarão sujeitos à aplicação das multas  por  ela  previstas.  A  interessada  pleiteou,  por  meio  de  Dcomp,  Fl. 10388DF CARF MF     16 créditos da não cumulatividade da COFINS após o dia em que  passou a surtir os efeitos do citado dispositivo legal;  12)  Após  a  recomposição  dos  créditos  a  descontar,  restou  comprovado  o NÃO RECONHECIMENTO  do  valor  do  crédito  pleiteado nesta Dcomp. Neste sentido, foi aplicada multa isolada  de  100%  (cem  por  cento)  sobre  a  parcela  de  crédito  não  homologada,  em  virtude  da  apuração  dos  créditos  da  Cofins  pleiteados pela CBF terem sido constituídos com evidente intuito  de  dolo  ou  indícios  veemente  dessa  circunstância,  conforme  demonstrado  no  Parecer  Sefis  nº  081/2012  (constante  no  processo nº 15586.720483/201248);  13)  Em  decorrência  dos  fatos  relatados,  foi  efetuado  o  Lançamento de Ofício mediante  lavratura do Auto de  Infração,  resultando  no  crédito  tributário  no  valor  de  R$  14.995.407,63  (quatorze  milhões,  novecentos  e  noventa  e  cinco  mil,  quatrocentos e sete reais e sessenta e três centavos);  14) Todos os elementos de prova que fundamentaram a emissão  do presente Auto de Infração encontram­se anexados aos autos  do  processo  administrativo  nº  15586.720483/201248.  Por  essa  razão, e tendo­se em vista o disposto na Portaria RFB nº 666, de  2008, bem como §6º do art. 66 da Instrução Normativa RFB 900,  de 2008,  foi  realizada a apensação deste processo ao processo  acima mencionado, para fins de julgamento simultâneo.  A  contribuinte  foi  cientificada  do  Despacho  Decisório  em  20/06/2012  (fl.  4.432/4.435),  e  dos  Autos  de  Infração  em  12/07/2012,  e  apresentou,  em  19/07/2012,  Manifestação  de  Inconformidade (fl. 4.477/4.550) e as Impugnações aos Autos de  Infração em 10/08/2012 (fls. 12.052/12.107 e 22.270/22.302). Na  Manifestação de Inconformidade alega, em síntese que:  1)  A  Fiscalização  não  deu  ao  caso  o  tratamento  adequado,  deixando  de  examinar  devidamente  os  fatos  e  provas  (documentos  fiscais  apresentados  pela  Impugnante)  que  demonstram a liquidez e certeza do crédito requerido;  2)  A  quase  totalidade  dos  créditos  requeridos  nos  PER/DCOMP´s,  originalmente  apurados  no  período  compreendido  entre  o  1º  trimestre  de  2005  e  o  4º  trimestre  de  2008, não podem mais ser glosados. Tais créditos foram obtidos  a partir da atividade de apuração do PIS e da COFINS realizada  pela  impugnante  no  referido  período,  atividade  esta  que  se  considera  tacitamente  homologada  depois  de  cinco  anos  dos  respectivos fatos geradores;  3) Como esses fatos geradores aperfeiçoaram­se nos respectivos  meses de  cada ano objeto da  fiscalização, o presente despacho  decisório não poderia glosar os créditos apurados no período de  janeiro de 2005 a  junho de 2007, considerando ser o despacho  de 14/06/2012 e a ciência do impugnante de 20/06/2012;  4)  A  contribuinte  apresentou  à  Fiscalização  inúmeras  notas  fiscais  de  aquisição  de  carvão  vegetal,  bem  como  os  comprovantes  bancários  de  pagamento  aos  respectivos  emitentes,  o  que  demonstra  que,  efetivamente,  houve  o  desembolso  para  a  quitação  do  aludido  insumo  adquirido.  Fl. 10389DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.382          17 Mesmo diante disso, percebe­se que 58,00% do crédito pleiteado  foi  glosado, malgrado  tenha  sido  apresentada  a  documentação  fiscal que lhe deu origem;  5)  Portanto,  há  pontos  da  atividade  fiscalizatória  que  ficaram  sem  a  devida  justificação,  mormente  se  considerado  que  a  atividade  fiscal é vinculada e, no caso em tela,  ignorou­se, por  completo,  o  teor  do  parágrafo  único  do  art.  82  da  Lei  n.9.430/96;  6) Estando a atividade fiscal vinculada às determinações da lei,  não  poderia  o  Auditor  Fiscal  ter  deixado  de  analisar  os  documentos fiscais que lhe foram apresentados, sob o argumento  da sua inidoneidade, pois o único requisito exigido pela lei para  o creditamento é o de que haja a comprovação da aquisição dos  insumos  e  do  seu  pagamento,  o  que  foi  feito  pelo  interessado.  Desse modo, ao ignorar a existência dos aludidos documentos, a  Autoridade  Administrativa  negou  vigência  ao  parágrafo  único  do  art.82  da  Lei  nº  9.430/96,  o  que  lhe  cabia  aplicar  incondicionalmente  no  exercício  da  sua  competência  administrativa;  7) Mesmo considerando inidônea a documentação fiscal que lhe  foi  apresentada,  cabia  ao  Auditor  Fiscal,  por  expressa  determinação  legal,  tão  somente  verificar  se  a  Impugnante  comprovou  a  aquisição  e  o  pagamento  dos  insumos,  eis  que  a  irregularidade das empresas emitentes das notas fiscais já é uma  condição  fática  considerada  pelo  parágrafo  único  do  citado  art.82, comprovação essa feita à saciedade;  8) Aliado à estranheza desse procedimento fiscal, ainda há outro  dado que expõe a ilogicidade da glosa dos créditos do PIS e da  COFINS no caso sub examine: a escolha da amostragem, como  técnica de  inspeção  fiscal,  impede a não homologação  total  do  direito creditório fiscalizado;  9) Não pode a Administração Tributária se valer de presunções  ou de meros indícios, colhidos por meio de análise de amostras,  para imputar uma suposta conduta dolosa à Impugnante e, com  isso,  contaminar  todas  as  demais  notas  fiscais  por  elas  apresentadas  (porém não analisadas)  e glosar a  totalidade dos  créditos correlatos;  10) Ao considerar que uma nota fiscal (colhida por amostragem)  emitida por determinada empresa fornecedora de carvão vegetal  inidônea,  desconsiderou  (e  glosou)  a  totalidade  dos  créditos  apurados  pela  interessada  sobre  todas  as  demais  notas  fiscais  emitidas;  11) A constante busca pela verdade material constitui o regime  jurídico  administrativo.  É  conseqüência  do  princípio  da  legalidade, mas também da própria natureza da atividade estatal  administrativa:  como  esta  se  desenvolve  em  um  “regime  de  administração” –que é aquele em que alguém age em nome de  outrem,  é  dizer,  para  outrem  –  ela  está  jungida  a  atender  otimamente os fins dos próprios administrados;  Fl. 10390DF CARF MF     18 12) Como a DRFVitória/ ES acabou por não analisar vários dos  documentos  apresentados  pela  impugnante,  difícil  afastar  a  nulidade  de  sua  investigação,  por  desrespeito  ao  princípio  em  tela,  nulidade  esta  que  espalha  seus  efeitos  para  o  despacho  decisório guerreado;  13)  A  eventual  conduta  dolosa  praticada  por  terceiros,  que  venderam o carvão vegetal à Impugnante, não pode ser utilizada  para afastar a sua condição de adquirente de boa­fé, mormente  quando  a  Autoridade  Fiscal  não  apresenta  elementos  contundentes que comprovam a participação do contribuinte na  prática do ato destinado a fraudar o Fisco;  14)  Com  base  em  provas  indiciárias  colhidas  nos  inquéritos  policiais,  especialmente  escutas  telefônicas  autorizadas  judicialmente,  a  polícia  chegou  ao  nome  de  Thiciano  da  Ross  Rosa, que ocupava o cargo de gerente de compras na usina da  Impugnante,  suspeito  de  ser  um dos “cabeças” do  esquema de  comércio ilegal de carvão vegetal e sonegação fiscal. Várias são  as ligações telefônicas interceptadas pela polícia em que apenas  o sr. Thiciano aparece realizando operações com os suspeitos de  integrarem  a  quadrilha,  especialmente  com  a  pessoa  apontada  de ser o seu chefe( de nome Uelinton Spinassé de Jesus), que não  pertence aos quadros de empregados da pessoa jurídica;  15) E foi com suporte exclusivamente nessas escutas telefônicas  e  reportagens  jornalísticas  que  a Fiscalização desconsiderou  a  condição  de  adquirente  de  boa­fé  da  Impugnante  e  glosou  a  totalidade do crédito apurado sobre as notas fiscais emitidas por  164  empresas  que  lhe  forneciam  carvão  vegetal.  Ou  seja,  a  fiscalização utilizou­se, para glosar os créditos da  Impugnante,  de  fatos  apurados  em  investigações  policiais  preliminares,  cabendo  salientar  que,  em  relação  a  tais  investigações,  ainda  não  há  sequer  denúncia  oferecida  por  parte  do  Ministério  Público;  16) Os elementos indiciários que embasaram a desconsideração  da Impugnante como adquirente de boa­fé não têm esse condão,  inexistindo  sequer  indícios  de  que  a  interessada,  ou  seus  diretores, tivessem conhecimento da operação ilegal de venda de  carvão vegetal por meio de notas fiscais “frias”;  17)  Com  efeito,  inquérito  policial  é  um  procedimento  de  instrução  provisória  e  preparatória,  destinado  a  reunir  os  elementos  necessários  à  apuração  da  prática  de  uma  infração  penal e da sua autoria (art. 4º do Código de Processo Penal);  18) Ainda que fosse legítima a utilização de trechos de inquéritos  policiais como elemento de prova para a glosa dos créditos de  PIS  e  COFINS,  no  caso  concreto  o  inquérito  utilizado  pela  fiscalização não se presta a tal fim. É que retrata fatos e escutas  telefônicas  ocorridas  em  2010/2011  e  os  créditos  glosados  referem­se ao período de 2005 a 2008;  19)  Com  efeito,  a  operação  policial  “Ouro  Negro”  foi  deflagrada em 2011, ou seja, os elementos colhidos por meio dos  inquéritos  policiais  instaurados  são  bastante  posteriores  ao  período  no  qual  foram  apurados  os  créditos  do  PIS  e  da  COFINS(2005 a 2008), objeto de glosa da Fiscalização;  Fl. 10391DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.383          19 20)  Quando  da  apuração  dos  créditos  pela  interessada,  as  empresas fornecedoras de carvão mencionadas no Parecer Sefis  possuíam inscrição vigente, eficaz e válida no CNPJ/SINTEGRA.  E ainda que já tivessem sido declaradas inaptas naquela época,  os efeitos da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos para  a Impugnante, como já dito, estariam elididos pela comprovação  do pagamento e recebimento das respectivas mercadorias;  21) Em verdade, a Administração Federal, até a presente data,  não  cuidou  de  declarar  a  inaptidão  dos  fornecedores  da  Impugnante. E, se não o fez, não pode exigir a glosa dos créditos  relativos às aquisições destes fornecedores, ao argumento de que  seriam inidôneos. Com efeito, nos termos do parágrafo único do  art.3º  da  Portaria  MF  nº  187/93,  a  glosa  apenas  pode  se  legitimar  após  a  respectiva  declaração  de  inidoneidade  pelo  Poder Público;  22) Não pode a Fiscalização Federal exigir que a  Impugnante,  para a apuração dos seus créditos do PIS e da COFINS,  tenha  conhecimento  (  o  que  seria,  na  prática,  impossível)  das  irregularidades contábil e fiscal do fornecedor;  23) É inquestionável  ter ocorrido a efetiva aquisição do carvão  vegetal das  pessoas  jurídicas  fornecedoras,  o  que  se  comprova  não apenas pelas notas fiscais de compra, mas também por meio  do registro contábil dos  referidos documentos nos  livros fiscais  pertinentes  (Livro  de  Registro  de  Entradas  do  ICMS,  Livro  Razão  etc.)  e  pelos  comprovantes  de  pagamento  aos  fornecedores,  documentos  estes  já  entregues  à  fiscalização  e  solenemente ignorados por esta;  24)  Nunca  é  demais  relembrar  que,  nos  termos  das  Leis  nº  10.637/02 e nº 10.833/03, o crédito é calculado sobre o valor da  aquisição  de  insumos.  Isto  é,  ocorrendo  a  aquisição  é  desimportante,  para  fins  de  tomada  do  crédito,  a  regularidade  fiscal, contábil e cadastral do fornecedor;  25)  Corroborando  o  exposto  e  sepultando  definitivamente  qualquer entendimento em contrário, a própria Lei nº 9.430/96,  em  seu artigo 82, parágrafo único, preceitua que a declaração  de  inaptidão  de  determinada  pessoa  jurídica  fornecedora  de  bens  e  serviços  não  se  aplicará  aos  adquirentes,  para  fins  de  desconsideração da idoneidade dos documentos fiscais emitidos,  quando  estes  comprovarem  a  efetivação  do  pagamento  respectivo  preço  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  e  mercadorias ou utilização dos serviços;  26) Os pagamentos realizados pela Impugnante a pessoas físicas  em  nada  desvirtuam  o  fato  de  que  as  aquisições  se  deram  de  pessoas  jurídicas produtoras de carvão vegetal. Os documentos  fiscais  comprovam  cabalmente  que  a  Impugnante  adquiriu  o  carvão  vegetal,  utilizado  como  insumo  em  sua  produção,  de  pessoas  jurídicas. Observese  que  todos  os  registros  de  entrada  do  carvão  foram  feitos  em nome das  citadas pessoas  jurídicas,  não  existindo  qualquer  recibo  de  venda  emitido  pelas  pessoas  físicas referidas no Parecer da Fiscalização;  Fl. 10392DF CARF MF     20 27) Os comprovantes de pagamento em nome de pessoas físicas  não  são  suficientes  para  deturpar  a  natureza  da  aquisição  e  a  origem dos créditos  tributários. O pagamento é apenas um dos  elementos da compra;  28)  As  notas  fiscais  dos  fornecedores,  aliadas  aos  registros  contábeis, demonstram, com clareza meridiana, que a relação de  compra  e  venda  se  aperfeiçoou  plenamente.  O  pagamento  realizado  em  nome  de  pessoas  físicas  não  desnatura  essa  relação;  29)  Não  pode  o  Fisco  simplesmente  desconsiderar  tais  pagamentos, porque, embora atípicos, são perfeitamente válidos,  e viciam a relação principal. Trata­se de dois negócios jurídicos  distintos:  (a)  aquisição  de  carvão  vegetal  de  pessoa  jurídica  e  (b)  cessão  do  crédito  da  pessoa  jurídica  a  pessoas  físicas.  É  certo  que  a  obrigação  foi  adimplida  em  relação  à  pessoa  jurídica vendedora;  30) Foram glosados ainda os créditos apurados pela Impugnante  sobre a aquisição (a) de combustível, (b) serviço de escolta, (c)  transporte de insumos entre os estabelecimentos da Impugnante,  (d) serviço de movimentação de produto acabado/embarque e (e)  aquisição  de  desperdícios,  resíduos  ou  aparas,  que  constituem  insumos extremamente necessários à consecução das atividades  da  empresa,  quais  sejam,  a  produção  e  a  exportação  do  ferro  gusa;  31) As já citadas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, em seu art.3º,  incisos  II  e  IX,  atribuem  aos  contribuintes  o  direito  de  se  creditarem por  todas  e quaisquer despesas  relativas aos  custos  de armazenamento e transporte de mercadoria contratados junto  a terceiros;  32) É  inegável que o legislador  federal pretendeu, para  fins de  plena  efetividade  da  não  cumulatividade  prevista  constitucionalmente  para  o  PIS  e  para  a  COFINS,  que  todo  o  ônus  envolvido  na  aquisição  de  combustível  e  dos  serviços  de  frete,  armazenamento,  escolta  e  movimentação/embarque  das  mercadorias,  desde  que  a  cargo  do  vendedor,  fossem  hábeis  à  concessão do crédito. Não se poderia esperar menos porque, ao  fim  e  ao  cabo,  essa  despesa  é  parte  do  próprio  custo  da  mercadoria a ser vendida;  33) O Despacho Decisório não reconheceu o direito ao crédito  previsto na legislação em tela, porque as despesas com escolta,  combustível  e  movimentação  do  produto  acabado/embarque  foram lançadas contabilmente na conta de despesas comerciais  com frete e armazenagem, tendo o Auditor Fiscal entendido que  inexiste previsão legal para tal;  34) As  referidas  despesas nada mais  são  do  que  despesas  com  frete  realizado  por  conta  própria  do  vendedor,  sem  a  contratação de um serviço de terceiro. Nesse sentido, ainda que  sejam despesas  incorridas na  etapa de  comercialização,  todo e  qualquer  custo  que  essa  logística  demande  deve  ser  entendido  como passível de gerar créditos;  Fl. 10393DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.384          21 35)  Ainda  que  sob  uma  denominação  diferente,  meramente  contábil,  as  despesas  incorridas  pela  Impugnante  com  combustível, escolta, movimentação e embarque se traduzem em  despesa  de  frete,  cujo  crédito  encontra­se  expressamente  autorizado pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03;  36) Tomandose as despesas com escolta, frise­se que se trata de  despesa obrigatória. Diante da alta periculosidade, o ferro­gusa  em  estado  líquido  só  pode  ser  transportado  com  escolta  especializada. De forma alguma, tal gasto é um preciosismo da  contribuinte,  senão  despesa  inarredável  para  o  transporte  do  produto fabricado, que constitui a sua atividade­fim;  37)  Com  relação  ao  transporte  de  insumos  entre  estabelecimentos da contribuinte, é evidente que se trata de custo  de produção do produto  final,  e desta  forma, gera o direito ao  creditamento;  38) No tocante aos desperdícios, resíduos ou aparas industriais,  a  própria  RFB  entende  que  são  mercadorias  e,  portanto,  as  receitas  decorrentes  da  sua  venda  compõem  o  faturamento  da  empresa  e,  conseqüentemente,  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  De  igual  modo,  sua  aquisição  deve  ensejar,  para  os  adquirentes, o direito ao crédito das referidas contribuições;  39) Assim, restando comprovado que todas as despesas com (a)  combustível; (b) transporte de insumos entre estabelecimento da  contribuinte; (c) serviço de escolta; (d) serviço de movimentação  de  produto  acabado/embarque  e  (e)  aquisição  de  desperdícios,  resíduos ou aparas são necessárias ao exercício da atividade da  Impugnante,  as  glosas  dos  créditos  relativos  a  essas  despesas  devem ser anuladas;  40) Solicita Perícia e/ou Diligência Fiscal para o exame de toda  a  documentação  relativa  à  apuração  do  crédito  no  período  de  2005 a 2008;  41) Por todo o exposto, requer:  41.1)  Preliminarmente,  o  reconhecimento  da  decadência  do  direito do Fisco Federal de glosar os créditos de PIS e COFINS  apurados no período de janeiro de 2005 a maio de 2007, visto o  disposto no art.150 e § 4º, do CTN;  41.2) nulidade do Despacho Decisório face a falta de análise da  documentação apresentada; 41.3) No mérito, reconhecimento do  crédito relativamente às despesas/insumos sob pena de violação  ao  princípio  da  verdade material. Na  Impugnação apresentada  contra  o  lançamento  de multa  isolada  formalizado  em  auto  de  infração  (processo  nº  15586.720516/201250,  em  apenso),  a  empresa alega, em síntese, que:  1) Diante da suposta conduta dolosa da Impugnante, o Auditor  Fiscal  aplicou  sobre  os  débitos  indevidamente  compensados(não­homologados)  a  multa  qualificada  de  150%  ou, ainda, a multa qualificada de 100% (esta  sobre os créditos  Fl. 10394DF CARF MF     22 nãohomologados,  objeto  de  PER/DCOMP´s  posteriores  à  publicação da Lei nº 12.249/10);  2)  A  Fiscalização,  contudo,  não  deu  ao  caso  o  tratamento  adequado, deixando de examinar devidamente os fatos e provas  (documentos  fiscais  apresentados  pela  Impugnante)  que  demonstram  a  liquidez  e  a  certeza  do  crédito  requerido  e,  conseqüentemente,  a  impossibilidade  de  não  homologação  dos  PER/DCOMP´s apresentados e aplicação da multa isolada;  3)  Como  se  vê  do  relatório  fiscal  que  embasa  este  Auto  de  Infração,  quase  todos  os  PER/DCOMP´s  não  homologados  ou  homologados  parcialmente  sofreram  a  incidência  da  multa  isolada de 150%, com base no art.18 da Lei nº 10.833/2003;  4) O lançamento da multa isolada em questão só tem cabimento  quando  a  não  homologação  dos  pedidos  de  compensação  decorrer  da  comprovada  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo sujeito passivo, ou seja, da prática concreta e demonstrada  de um ilícito, doloso, por parte do contribuinte;  5) No caso, contudo, vale reafirmar que a idoneidade das notas  fiscais  que  ensejaram  a  apuração  do  crédito  pela  Impugnante  não  pode  ser  utilizada  como  fundamento  para  lhe  imputar  a  prática de uma conduta dolosa, pois o parágrafo único do art.82  da Lei nº 9.430/96 mantém a sua condição de adquirente de boa­ fé e, por via de conseqüência, o seu direito ao creditamento, uma  vez comprovado o pagamento do preço respectivo;  6)  Uma  vez  comprovada  a  aquisição  e  recebimento  do  carvão  vegetal,  bem  como  o  respectivo  pagamento  feito  aos  fornecedores,  impossível  aplicar  à  Impugnante  a multa  isolada  prevista no art.18 da Lei nº 10.833/03, não só em razão do fato  de que os créditos apurados devem ser mantidos, deferindo­se as  compensações  requeridas  (o  que  é  objeto  de  discussão  no  processo  nº  15586.720483/201248),  mas  também  pelo  fato  de  que  o  citado  dispositivo  legal  somente  prevê  a  aplicação  da  multa  isolada  nas  hipóteses  em  que  restar  comprovada  a  falsidade da declaração prestada pelo contribuinte;  7)  Além  disso,  a  multa  de  150%  aplicada  sobre  os  PER/DCOMP´s  não  homologados  (ou  homologados  parcialmente),  transmitidos  antes  da  vigência  da  Lei  nº  12.249/10, deve ser reduzida ao patamar de 100%, em razão do  princípio  da  retroatividade  da  lei  benigna,  previsto  no  art.106,  inciso II, alínea “c” do CTN;  8) Conforme narrado no relatório fiscal, em 14 de junho de 2010  foi publicada a Lei nº 12.249, que acrescentou os parágrafos 15,  16 e 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, instituindo a aplicação  de multa isolada sobre o valor do crédito objeto de declaração  de  compensação  não­homologada,  independentemente  da  existência de dolo por parte do contribuinte. Assim, ao contrário  do  previsto  no  art.18  da  Lei  nº  10.833/03  –  que  determina  a  aplicação  da  multa  isolada  somente  nas  hipóteses  de  comprovada falsidade da declaração de compensação – a atual  redação do art.74 da Lei nº 9.430/96 (em seus parágrafos 15 a  17)  prevê  aplicação  de multa  isolada  em qualquer  hipótese  de  não  homologação  das  declarações  de  compensação  Fl. 10395DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.385          23 apresentadas.  Apenas  o  percentual  da  multa  é  que  poderá  variar, dependendo da existência de conduta dolosa ou não por  parte  do  contribuinte:  inexistindo  falsidade  da  declaração,  a  multa será de 50% sobre o valor do crédito, existindo falsidade,  ela será aplicada no percentual de 100%;  9) Uma vez que ambos os diplomas regulam a mesma situação  fática,  qual  seja,  a  aplicação  de  multa  isolada  quando  a  declaração de compensação não for homologada e houver dolo  do contribuinte na sua apresentação, resta claro que, se mantida  a  multa  qualificada  aplicada  contra  a  Impugnante,  o  que  se  admite  para  argumentar,  deve  ser  ela  reduzida  ao  patamar  de  100% por ser mais benéfico à Impugnante;  10) Sobre o crédito nãohomologado objeto do PER/DCOMP mº  17654.37687.020512.1.7.091211,  correspondente  a  R$  21.417,47,  foi  aplicada  pela  Fiscalização  a  multa  isolada  de  100%, que atingiu o idêntico valor de R$ 21.417,47. Contudo, ao  analisar os anexos do presente Auto de Infração, percebe­se que  o Auditor Fiscal,  equivocadamente,  fez  incidir  sobre o  referido  crédito não homologado a multa  isolada de 150%. Com isso, a  multa lançada atingiu o montante de R$ 32.126,21 e não os R$  21.417,47  apontados  no  relatório  fiscal  que  embasa  o Auto  de  Infração.  Se  mantida  a  multa  qualificada  (100%),  deve  ser  retificado  o  valor  da  penalidade  aplicada  sobre  o  referido  PER/DCOMP;  11) Ademais, verifica­se nos Anexos I e II que o valor da multa  aplicada em relação aos créditos do PIS (R$ 2.631.063,89) e da  COFINS  (R$  12.342.926,09)  totaliza  a  importância  de  R$  14.973.989,98,  ao  passo  que  o  crédito  tributário  informado  no  relatório  fiscal  e  lançado  neste  Auto  de  Infração  soma  o  montante  de  R$  14.995.407,63,  ou  seja,  exatamente  R$  21.417,65  a  mais  do  que  o  informado  nas  planilhas  que  compõem os citados anexos;  12)  Conclui­se,  portanto,  que  além  de  ter  aplicado  equivocadamente a multa de 150% sobre o crédito de COFINS  constante no PER/DCOMP nº 17654.37687.020512.1.7.091211,  o  Auditor  Fiscal  lançou  a  penalidade  em  duplicidade:  uma  no  valor de R$ 32.126,21 (150%) e outra no valor de R$ 21.417,65  (100%).  Flagrante,  portanto,  o  erro  cometido,  que  deverá  ser  sanado na hipótese de manutenção da multa qualificada objeto  desta  autuação.  Na  Impugnação  apresentada  contra  o  lançamento  pela  falta  de  recolhimento  das  contribuições  formalizado  mediante  auto  de  infração  (processo  nº  15586.720585/201263, em apenso), a empresa alega, em síntese,  que:  1) O presente lançamento, nos períodos de apuração 05/2007 e  06/2007, é resultante do Despacho Decisório proferido nos autos  do processo nº 15586.720483/201248, com homologação parcial  de Declarações de Compensação, diante glosa de créditos;  2)  Na  sistemática  do  lançamento  por  homologação,  se  transcorridos  cinco  anos  do  fato  gerador  sem a  prática  do  ato  Fl. 10396DF CARF MF     24 homologatório  pela  autoridade  fiscal,  dá­se  a  homologação  tácita, que é, ressalte­se mais uma vez, da atividade perpetrada  pelo  contribuinte.  Ou  seja,  passado  o  qüinqüênio  legal,  as  operações  praticadas  pelo  sujeito  passivo  (para  quitação  da  obrigação  tributária)  não  podem  ser  mais  fiscalizadas/questionadas,  eis  que  verdadeiramente  petrificadas  pela consumação da homologação tácita;  3)  Por  isso,  independentemente  da  data  em  que  foram  transmitidos os PER/DCOMP´s pela Impugnante e das datas em  que foram apurados os créditos de PIS e COFINS glosados pela  Fiscalização, o crédito tributário lançado neste Auto de Infração  encontra­se  extinto  pela  decadência.  Como  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  aperfeiçoaram­se  nos  respectivos  meses de cada ano objeto da  fiscalização, ou seja, em maio de  2007  e  junho  de  2007,  o  presente  lançamento,  efetivado  em  12/07/2012,  somente  poderia  abranger  eventuais  créditos  tributários  de  PIS  e  COFINS  do  período  de  julho  de  2007  em  diante;  4) Não  bastasse  a  indevida  glosa  dos  créditos  a  que  fazia  jus,  que deu ensejo à apuração de um suposto saldo devedor de PIS e  COFINS  a  ser  quitado  pela  Impugnante,  o  Auditor  Fiscal  aplicou sobre o crédito tributário lançado a multa qualificada de  150%,  por  presumir  que  os  créditos  de  PIS  e  COFINS  informados  nos  PER/DCOMP´s  não  homologados  foram  constituídos  “com  dolo  ou  indícios  veemente  dessa  circunstância...”;  5)  A multa  qualificada  deve  ser  reduzida  ao  patamar  de  75%,  nos  termos  do  art.44,  I,  da  Lei  nº  9.430/96,  diante  da  comprovação  de  que  a  Impugnante  não  incorreu  nas  hipóteses  previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502,64 e, portanto, não  agiu de forma dolosa;  6)  Inobstante  a  vasta  argumentação  tecida  anteriormente,  o  artigo  82,  parágrafo  único  da  Lei  nº  9.430/96,  que  mantém  a  condição  de  adquirente  de  boa­fé  do  contribuinte  que,  embora  tenha  apurado  créditos  sobre  notas  fiscais  comprovadamente  inidôneas, comprova a aquisição/recebimento das mercadorias e  o seu efetivo pagamento aos fornecedores.    A 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  e  as  impugnações  apresentadas,  proferindo  o  Acórdão  DRJ/RJI  n.º  12­58.313,  de  08/08/2013  (fls.  32547  e  ss.),  assim  ementado:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008  GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA.  Não  há  como  confundir  a  proibição  de  constituição  do  crédito  tributário,  presente  no  CTN,  que  trata  da  decadência,  com  proibição  de  apuração  dos  créditos  provenientes  da  não  Fl. 10397DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.386          25 cumulatividade do PIS e da COFINS, com o objetivo de verificar  a correção do valor solicitado em ressarcimento. Não encontra  respaldo nas normas que regem a matéria a impossibilidade de  glosa  de  créditos  indevidos  com  vistas  a  apuração  dos  saldos  solicitados em ressarcimento ou declaração de compensação.  AMOSTRAGEM  Ao  realizar  os  trabalhos  de  fiscalização  a  ele  atribuídos,  o  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode  valer­se  de  qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou  administrativa, inclusive da auditoria por amostragem.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  Os  serviços  caracterizados  como  insumos  são  aqueles  diretamente  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  do  produto.  Despesas  e  custos  indiretos,  embora  necessários à realização das atividades da empresa, não podem  ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no  regime da não cumulatividade.  USO  DE  INTERPOSTA  PESSOA.  INEXISTÊNCIA  DE  FINALIDADE  COMERCIAL.  DANO  AO  ERÁRIO.  COMPROVADO.  Negócios  efetuados  com  pessoas  jurídicas,  artificialmente  criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem  qualquer  finalidade  comercial,  visando  reduzir  a  carga  tributária  no  contexto  da  não  cumulatividade  do  PIS/Cofins,  além de simular negócios  inexistentes para dissimular negócios  de fato existentes, constituem dano ao Erário e  fraude contra a  Fazenda  Pública,  rejeitando­se  peremptoriamente  qualquer  eufemismo de planejamento tributário.  FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO  ILÍCITO.  Comprovada  a  existência  de  simulação/dissimulação  por  meio  de  interposta  pessoa,  com  o  fim  exclusivo  de  afastar  o  pagamento  da  contribuição  devida,  é  de  se  glosar  os  créditos  decorrentes  dos  expedientes  ilícitos,  desconsiderando­se  os  negócios fraudulentos.  MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO.FRAUDE.  A multa  de ofício  qualificada  deve  ser aplicada quando ocorre  prática  reiterada,  consistente  de  ato  destinado  a  iludir  a  Administração  Fiscal  quanto  aos  efeitos  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  mormente  em  situação  fraudulenta,  planejada e executada mediante ajuste doloso.  DECADÊNCIA.LANÇAMENTO.  Comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  o  interregno  decadencial  deve  ser  computado  na  forma  Fl. 10398DF CARF MF     26 determinada pelo art. 173, I, do CTN, isto é, conta­se o prazo de  5(cinco)  anos  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  MULTA  ISOLADA  SOBRE  O  VALOR  DE  DÉBITOS  INDEVIDAMENTE COMPENSADOS.  Aplica­se  a  multa  isolada  de  150%  sobre  o  valor  do  débito  indevidamente  compensado  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração apresentada pelo sujeito passivo.  MULTA  ISOLADA  SOBRE O VALOR DE CRÉDITO OBJETO  DE  PEDIDO  RESSARCIMENTO  INDEFERIDO  OU  INDEVIDO.  Aplica­se  a  multa  isolada  de  100%  sobre  o  valor  do  crédito  objeto  de  Ressarcimento  quando  se  comprove  falsidade  no  pedido apresentado pelo sujeito passivo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.  32797 e ss., por meio do qual alega, em síntese, os mesmos argumentos já declinados em sua  primeira peça de defesa.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso  deve ser conhecido.  A  Recorrente  apresentou  inúmeros  pedidos  eletrônicos  de  ressarcimento/compensação, por meio dos quais requer créditos de PIS/Cofins não cumulativos  associados a operações de exportação, com origem no período que vai do 1º trimestre de 2005  até o 4º trimestre de 2008.  Em face do deferimento parcial, a fiscalização lavrou autos de infração para  exigência de multa isolada e das contribuições não recolhidas, formalizados, respectivamente,  nos processos de nº 15586.720483/2012­50 e 15586.720585/2012­63, o ora em julgamento.  Como os fatos dos decorrem os autos de infração são exatamente os mesmos  apreciados  no  processo  administrativo  nº  15586.720483/2012­48,  passamos  a  reproduzir,  no  presente, os votos vencido e vencedor neste proferidos, para, somente ao depois, enfrentarmos  os argumentos que lhe são particulares:  Em síntese, foram glosados créditos sobre a aquisição de carvão  vegetal,  combustíveis  e  lubrificantes,  resíduos  ou  aparas  (sucatas),  serviços  de  escolta,  transporte  de  insumos  entre  os  Fl. 10399DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.387          27 estabelecimentos  e  no  embarque  e  movimentação  do  produto  acabado e embarque nos portos.  Antes de ingressar nas razões de defesa, cabe pontuar que parte  significativa  dos  créditos glosados  tem origem na  aquisição  de  carvão vegetal (95% das glosas), utilizado na produção de ferro­ gusa,  o  produto  elaborado  pela  Recorrente.  O  fundamento  adotado  pela  fiscalização  para  efetuar  as  glosas  de  carvão  vegetal deve­se à apuração de práticas criminosas por algumas  siderúrgicas, entre as quais a Recorrente, e podem ser resumidas  nos  seguintes  parágrafos  extraídos  do  PARECER  SEFIS  Nº  081/2012, acostado às fls. 3772:    "20.  Durante  o  procedimento  fiscal,  tomamos  conhecimento  através da imprensa, da operação “Ouro Negro” deflagrada em  2011 pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a  Corrupção – NUROC/ES, no combate ao bilionário esquema de  sonegação fiscal envolvendo a comercialização ilegal de carvão  vegetal,  no  norte  do  estado  do  Espírito  Santo  e  sul  da  Bahia,  sendo usadas  várias  empresas  laranjas para  emissão de notas  fiscais  “frias”,  tendo  como  beneficiárias  as  Siderúrgicas,  grandes adquirentes do carvão vegetal.  (...)  As  investigações  apontam  que,  as  madeiras  eram  furtadas  de  áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio  de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia.  Quinze  pessoas  presas  e  um  rombo  que  ultrapassa  R$100  milhões aos cofres da Receita Federal. O saldo é decorrente uma  organização  criminosa  que  roubava  madeira  em  alguns  municípios  do  Norte  do  Estado  e  Sul  da  Bahia,  e  sonegava  impostos. As prisões ocorreram nesta terça­feira (5), através da  "Operação Ouro Negro"  deflagrada  pelo Núcleo  de Repressão  ás Organizações Criminosas e a Corrupção (Nuroc).  Entre  os  presos  estão  empresários,  contadores  e  "laranjas"  do  município  de  João  Neiva  e  também  da  Bahia.  Jordano  Gasperazzo,  delegado  do  Nuroc,  informou  que  a  quadrilha  movimentava  cerca  de  R$  1,6  milhões  por  mês.  Além  desses,  outras  18  pessoas  são  alvos  de  investigação  por  suposto  envolvimento  com  a  quadrilha.  Foram  apreendidos  celulares,  computadores, notas fiscais e seis carros de luxo, sendo um com  placa de Linhares e cinco de João Neiva.  As  investigações  apontam  que,  as  madeiras  eram  furtadas  de  áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio  de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia. Após o  furto a  carga era direcionada as empresas constituídas por "laranjas",  pessoas  que  emprestavam  seus  nomes  a  troco  de  dinheiro  ou  droga, conforme o delegado.  Fl. 10400DF CARF MF     28 As  madeiras  após  transformadas  em  carvão  eram  "vendidas"  com  "notas  frias"  a  empresa  Jayr  Souza  Oliveira  ­  ME,  que  repassava  as  siderúrgicas  localizadas  no  Estado,  na  Bahia  e  Minas Gerais, sem gerar dívida proveniente da arrecadação de  ICMS.  A  sonegação  fiscal  acontece  no  momento  que  a  empresa  capixaba,  por  exemplo,  a  Jayr  Souza  Oliveira  ME,  vende  o  carvão  pelo  mesmo  valor  de  compra  da  primeira  operação.  Deste  modo,  a  empresa  zera  o  seu  crédito  junto  a  Receita  Federal, e não acumula nenhum débito, uma vez que, o produto é  vendido pelo valor comprado.  Entenda o esquema passo a passo 1º ­ Pessoas de baixa renda,  usuários  de  droga  e  pessoas  criadas  a  partir  de  documentos  falsos,  no  Sul  da  Bahia,  eram  convencidas  a  entrarem  no  esquema,  abrindo  empresas  "laranjas". Como  recompensa  elas  recebiam dinheiro ou drogas. O pagamento variava de R$ 500 a  R$ 50, dependendo da situação financeira de cada um, explicou  Gasperazzo.  2º  ­  As  empresas  situadas  na  Bahia  emitiam  notas  fiscais  de  venda  de  carvão  vegetal  ou  insumo  para  empresas  capixabas.  Estas,  por  sua  vez,  emitiam  notas  fiscais  de  venda  de  carvão  para usinas da Bahia, Minas Gerais e ES. Sendo a Jayr Souza  Oliveira ­ ME, a empresa "cabeça" em solo capixaba.  Nomes e participação na quadrilha, segundo o Nuroc:  (...)  22. Dentre as matérias publicadas pela imprensa, destacamos a  que diz respeito do envolvimento da empresa CBF Indústria de  Gusa  S/A,  no  esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  comercialização ilegal de carvão vegetal, através do seu Diretor,  senhor  Ricardo  Carvalho  Nascimento  e  do  seu  Gerente  de  Compras,  senhor  Thiciano  da  Ross  Rosa  cujas  reportagens  transcrevemos abaixo.  11/11/2011 às 15h46 ­ Atualizado em 11/11/2011 às 16h54  Diretor de siderúrgica capixaba é preso acusado de participação  na máfia do carvão do Norte do ES Folha Vitória Redação Folha  Vitória  O  diretor  de  uma  siderúrgica  foi  preso  acusado  de  participação na máfia do carvão, na última quarta­feira (11), pelo  Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção  (Nuroc).  Ricardo  Carvalho  Nascimento,  de  33  anos,  atua  na  siderúrgica  CBF, localizada em João Neiva, e seria responsável pela compra  de  R$  107.608.00,00  em  carvão  vegetal  de  16  empresas  capixabas e da Bahia, com indícios de irregularidades.  De  acordo  com  as  investigações  do  Nuroc,  as  empresas  que  forneciam milhões de reais em carvão vegetal para a siderúrgica  CBF,  possuíam  somente  existência  jurídica,  ou  seja,  em  documentos,  tendo endereços  falsos,  sócios  que não existem ou  não  são  encontrados.  Além  disso,  as  empresas  foram  constituídas com uso de documentos falsos.  Fl. 10401DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.388          29 Ainda  segundo  as  investigações,  elas  forneciam  grandes  quantidades  de  carvão  e  não  possuíam  autorização  para  produzir  ou  comercializar  o  vegetal.  Outra  irregularidade  constatada  é  que  as  empresas  forneciam  carvão  vegetal  em  quantidade  absurdamente  acima  de  sua  capacidade,  tendo  em  vista  os  poucos  fornos  de  carvão  vegetal  que  possuía  registrados.  A polícia ainda identificou que pequenos e médios produtores de  carvão  vegetal  capixabas  e  baianos  eram  forçados  a  vender  a  produção  na  ilegalidade,  com  notas  fiscais  de  determinadas  empresas que faziam parte do esquema de acobertamento para a  siderúrgica CBF.  As  investigações apontam para um esquema que  funcionava no  Espírito Santo a cerca de dez anos e trazia retornos financeiros  milionários  para  poucos  empresários  do  ramo  da  siderurgia.  Tudo isso, à custa do trabalho de regime familiar de centenas de  pessoas de baixa renda que produzem carvão vegetal em fornos  artesanais no norte do ES e sul da Bahia.  Outras  duas  siderúrgicas  capixabas  estão  sob  investigação,  também  pela  compra  de  milhões  de  reais  em  carvão  vegetal  produzido na  ilegalidade e sem procedência da madeira usada.  Novos mandados  de  prisão  podem  ser  expedidos  nos  próximos  dias em desfavor dos responsáveis pelas empresas.  (...)  TV  Vitória  denunciou  máfia  do  carvão  com  exclusividade  A  máfia do carvão no Norte capixaba e Sul da Bahia foi denunciada  pela  TV  Vitória  com  exclusividade.  A  matéria  mostrou  como  funcionava uma das maiores organizações criminosas do Estado,  abordando  exploração  infantil,  trabalho  escravo,  trafico  de  drogas  em  um  universo  quase  infinito  de  crimes.  Só  em  sonegação fiscal a polícia calcula que em dez anos o prejuízo aos  cofres públicos federal e estadual pode superar R$ 1 bilhão.  A  operação,  intitulada  Ouro  Negro,  identificou  ao  todo  5.824  crimes cometidos pela máfia do carvão. Entre eles, formação de  quadrilha,  crime  ambiental,  lavagem  de  dinheiro,  homicídios,  entre  outros.  Com  tantos  delitos  a  polícia  ainda  não  em  como  calcular uma pena para os suspeitos. Seis policiais civis da Bahia  também  podem  estar  envolvidos  no  esquema.  "Infelizmente  existem  indícios  claros  da  conivência  de  servidores  policiais  nesse esquema", completou o delegado.  A operação continua em andamento. Ao todo 357 pessoas foram  presas  em  dez  meses  de  trabalho.  De  acordo  com  o Nuroc,  as  investigações revelaram o maior esquema de sonegação  fiscal e  comercialização de produtos de procedência ilícita descoberto no  Espírito Santo.  (...)  Fl. 10402DF CARF MF     30 Na  terceira  fase  da  Operação  Ouro  Negro,  comandada  pelo  Núcleo  de  Repressão  às  Organizações  Criminosas  e  à  Corrupção (Nuroc) do Espírito Santo, foram presas, 18 pessoas  acusadas  de  causarem  um  rombo  de mais  de  R$  1  bilhão  aos  cofres  públicos  estaduais  e  federais.  As  prisões  começaram  acontecer  no  último dia 11  de  outubro,  nos municípios de Vila  Velha,  Serra  e  Cariacica,  na  região  metropolitana  de  Vitória  (ES),  João Neiva, Conceição da Barra, São Mateus e Pedro Canário,  no norte do Espírito Santo, Belo Horizonte (MG), além de outras  prisões  cumpridas  no  extremo  sul  da  Bahia,  na  cidade  de  Mucuri,  no  distrito  de  Posto  a  Mata  no  município  de  Nova  Viçosa e em Teixeiras de Freitas.  Essa  á  a  terceira  fase  da  Operação  Ouro  Negro,  comandada  pelo  delegado  Jordano  Bruno  Leite,  titular  do  Núcleo  de  Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc),  da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Espírito Santo,  que tem por objeto combater as máfias do carvão e da madeira  instaladas no extremo norte do Espírito Santo e no extremo sul  da Bahia.  A  primeira  fase  da  operação  começou  com a  identificação das  quadrilhas  que  furtavam  madeira  de  eucalipto  de  empresas  privadas  para  serem  usadas  em  carvoarias  e  cerrarias,  causando  prejuízos  mensais  acima  de  R$  2  milhões,  e  movimentado  uma  complexa  rede  criminosa  envolvida  com  homicídios, assaltos e tráfico de drogas. Nesta fase foram presas  e indiciadas mais de 140 pessoas por diversos crimes como furto  qualificado,  homicídios,  pose  de  arma  de  fogo,  receptação,  roubo de veículos, crimes ambientais, dentre outros.  A  segunda  fase  da  operação  foi  dirigida  às  carvoarias  clandestinas  e  atravessadores  de  carvão  vegetal  produzido  clandestinamente  para  siderúrgicas.  Foi  feito  mapeamento  de  quarenta e cinco carvoarias no extremo norte do Espírito Santo  e no extremo sul da Bahia, que agiam na ilegalidade, comprando  madeira furtada, isso quando os próprios carvoeiros furtavam a  madeira.  Nesta  fase,  foram presos  e  indiciados mais  de  noventa  pessoas  por  crimes  de  receptação  qualificada,  furto  qualificado,  formação de quadrilha, sonegação fiscal.  Crimes  ambientais  etc..  Apenas  uma  das  quadrilhas  movimentava mais de R$ 20 milhões por ano em carvão vegetal  produzido de forma clandestina. No desenrolar da operação, 17  veículos  foram  judicialmente  resgatados,  24  pessoas  físicas  e  jurídicas tiveram contas bancárias bloqueadas.  (...)  Como o esquema funcionava Segundo o delegado Jordano Bruno  Leite, titular do Nuroc, o esquema funcionava da seguinte forma:  As  empresas  baianas  emitiam  notas  fiscais  de  venda  de  carvão  vegetal  ou  insumos  para  sua  produção  para  as  empresas  capixabas,  e  estas  emitiam  notas  fiscais  de  venda  de  carvão  vegetal  para usinas da Bahia, Minas Gerais  e Espírito Santo. O  Fl. 10403DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.389          31 esquema  de  emissão  de  notas  “frias”  teria  duas  finalidades:  a  primeira,  a  de  acobertar  a  venda  do  carvão  vegetal  produzido  com  madeira  furtada  de  empresas  que  plantam  eucalipto  no  extremo norte capixaba e no extremo sul baiano; a segunda seria  a acumulação de créditos tributários para as grandes siderúrgicas  adquirentes de carvão vegetal.  “Laranjas”  –  No  momento  em  que  as  empresas  “laranjas”  emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal para empresas  capixabas, as empresas baianas passavam a ser responsáveis pelo  recolhimento  do  ICMS das  operações  de  venda,  o  que  acabava  não  se  consumando  e  gerando  prejuízos  aos  cofres  públicos  e  evasão tributária. Além disso, a empresa capixaba que comprava  o  carvão  dessas  empresas  fantasmas  acumulava  créditos  tributários.  Em  seguida,  a  empresa  capixaba  vendia  neste  momento  carvão  para  usina  da  Bahia,  e,  pelo  mesmo  valor  de  compra da primeira operação, a  empresa  capixaba  zerava o  seu  crédito  com  a  Receita  Estadual,  sem  acumular  nenhum  débito,  pois  o  carvão  era  vendido  pelo  mesmo  valor  da  primeira  operação.  Esquema sonegou mais de R$ 1 bi em 10 anos  É  o maior  caso  de  rombo  fiscal  já  descoberto  no  Estado.  Com  esta dinâmica, a usina que adquiria o carvão vegetal da empresa  capixaba  ficava  com  o  crédito  tributário  gerado  na  primeira  operação de venda do carvão – da empresa “laranja” baiana para  a  empresa  “laranja”  capixaba.  Passado  algum  tempo,  a  quadrilha  abandonava  as  empresas  baianas  com  enormes  dívidas  fiscais,  e,  em  seguida,  destruíam  qualquer  vestígio  que  pudesse  ligar  as  empresas  aos  seus  integrantes.  Com  este  esquema, foram acumulados milhões de reais em créditos fiscais  para as grandes usinas compradoras de carvão vegetal.  De  Acordo  com  as  investigações  do  Nuroc,  Receita  Federal  e  Secretaria de Estado da Fazenda, a principal empresa envolvida  no esquema de sonegação era Jayr Souza Oliveira ME, que teria  recebido  milhões  de  reais  em  notas  fiscais  de  entrada  das  empresas “laranjas” constituídas na Bahia e no Espírito Santo.  Cerca  de  60  caminhões  pertencentes  à  quadrilha  circulavam  todos  os  dias  entre  o  Espírito  Santo,  Bahia  e  Minas  Gerais  transportando carvão  ilegal com notas  fiscais “frias” em nome  da empresa Jayr.  Quatro  mil  viagens  de  caminhões  Foram  identificadas  pelo  menos  quatro mil  viagens  de  caminhões  carregados  de  carvão  vegetal  com  notas  da  empresa  Jayr,  com  toda  movimentação  sendo feita sem qualquer recolhimento de impostos. A estimativa  prevista de lucro anual era da ordem de R$ 20 milhões por ano,  e o esquema funcionou pelo menos dois anos. Foram financiados  veículos de alto valor comercial em nome da empresa e também  foram realizados empréstimos bancários. Assim, e empresa Jayr  Souza  Oliveira Me  acumulou  dívidas  superiores  a  R$  200  mil  junto a instituições financeiras. A empresa havia sido constituída  Fl. 10404DF CARF MF     32 com documento de identidade falso e devem aos cofres públicos  estaduais cerca de R$ 10 milhões.  As  seguintes  empresas  foram  usadas  como  “laranjas”  para  abastecer  a  empresa  Jayr  com  créditos  tributários  e  esta  os  repassava  para  as  siderúrgicas:  R.  Pereira  Thomaz, G.  Santos  Matos  Carvão  Vegetal.  Cid  Ferreira  Machado  Me,  Forno  e  Carvão Comércio  e  Indústria  de Carvão Ltda, Brazilian Trade  Export  Ltda,  New  Star  –Indústria,  Comércio,  Exportação  e  Transportes Ltda., e Rosana Gomes Nascimento.  Segundo  levantamentos  preliminares,  essas  empresas  devem  mais de R$ 100 milhões em impostos para a Receita Federal e ao  Fisco  do  Estado  do  Espírito  Santo.  Os  valores  teriam  sido  repassados através de notas fiscais “frias” para as siderúrgicas.  (...)  Até agora, cinco siderúrgicas – uma baiana, uma mineira e três  capixabas  –  aparecem  como  as  maiores  beneficiárias  do  esquema criminoso e seus representantes foram denunciados por  centenas de crimes fiscais e de receptação. Um representante de  siderúrgica capixaba já respondia a ação penal por receptação  do carvão produzido com madeira de procedência ilícita.  Principais  investigados  que  tiveram  mandados  de  prisão  preventiva decretados:  Thiciano Rosa – diretor de compra de carvão vegetal da CBF  INDÚSTRIA  DE  GUSA  S/A;  Paulo  José  Gava,  conhecido  como  Barão  do  Carvão;  José  Benso  Maciel,  responsável  por  carvoarias  pertencentes  à  quadrilha; Sérgio Antônio Ferreira,  era sócio e parceiro de Paulo Gava; Liliane Ferraz de Oliveira  Barcellos,  responsável  por  adquirir  carvão  vegetal  clandestino  na Bahia para a quadrilha; Elberton Ferreira Alves, investigado  por  fornecer  carvão  e  crédito  tributário  para  empresas  do  Espírito Santo; Adaiton Figueiredo de Melo, parceiro de Paula  Gava, em uma das empresas que pertencia ao esquema.  (...)  ENVOLVIMENTO  DA  CBF  INDÚSTRIA  DE  GUSA  S/A  NO  ESQUEMA  DE  COMPRA  ILEGAL  DE  CARVÃO  VEGETAL  297. O senhor Marcelo Meirelles Muniz, nos autos da operação  “Ouro  Negro”,  declarou  em  depoimento  ao  NUROC/ES,  que  cedeu  sua  fotografia  e  assinatura  para  se  passar  pela  pessoa  fictícia  de  Jayr  Souza  Oliveira.  Declarou  ainda  que  o  senhor  Uelinton  era  encarregado  de  fazer  a  movimentação  financeira  da empresa Jayr Souza Oliveira – Me.  298.  No  Inquérito  Policial  nº  016/2011,  inúmeras  conversas  telefônicas  foram  monitoradas,  entre  as  quais,  destacamos  àquelas  que  pontuaram  evidências  do  envolvimento  da  CBF  Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de carvão  vegetal, através do seu Gerente de Compras senhor Thiciano da  Ross Rosa. Chamamos atenção para conversas realizadas com o  responsável  pela movimentação  financeira  da  empresa  JAYR  –  ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus.  Fl. 10405DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.390          33 299.  Abaixo  transcrevemos  trechos  das  conversas  telefônicas  monitoradas  pelo  NUROC/ES,  autorizadas  judicialmente,  envolvendo o senhor Thiciano da Ross Rosa.  (...)  300. De acordo com o teor dos diálogos acima ficou evidenciado  que o senhor Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF) e  o senhor Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF),  tinham conhecimento  do  esquema  ilícito  referente à  compra  de  carvão vegetal adquirido pela CBF.  301.  Nos  Inquéritos  Policiai  ficou  também  evidenciado  que  Thiciano  da  Ross  Rosa  e  Uelinton  Spinassé  de  Jesus  (responsável  pela  movimentação  financeira  da  empresa  JAYR­ ME)se  uniram  para  que  o  carvão  de  origem  duvidosa  fosse  adquirido pela CBF.  (...)  302.  Por  tudo  que  consta  nos  Inquéritos  Policiais  instaurados  pelo  NUROC/ES,  a  Autoridade  Policial  decidiu  pelo  indiciamento  dos  senhores  Ricardo  Carvalho  Nascimento  (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras  da  CBF)  e  Fabrício  Baptista  (ex­funcionário  da  CBF  que  trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da  empresa  em  junho  de  2009)  pela  prática,  em  tese,  de  diversos  crimes,  dentre  eles,  crime  contra  a  ordem  tributária,  tipificado  no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137,  de 1990 (na forma continuada).  303. Não  restam dúvidas de  que a CBF  Indústria  de Gusa  S/A  (adquirente  de  carvão  vegetal)  tinha  conhecimento  e  se  beneficiou  do  esquema  ilícito  de  aquisição  de  carvão  vegetal  realizado  com  empresa  constituída  por  pessoa  fictícia,  nos  moldes da JAYR­ME e constituídas por interpostas pessoas, que  praticamente  não  recolheram  nada  aos  cofres  públicos,  portanto,  a CBF  não  pode  ser  considerada  adquirente  de boa­ fé.”    Diante  desse  quadro,  a  fiscalização  intimou  a  Recorrente  a  apresentar,  para  o  período  de  1º  trimestre  de  2005  até  4º  trimestre  de  2008,  as  notas  fiscais  de  aquisição  de  carvão  vegetal  (a  intimação,  segundo  se  registrou,  foi  feita  por  amostragem  em  face  da  grande  quantidade  de  notas),  acompanhadas dos respectivos comprovantes pagamentos.  Constatou­se que a Recorrente adquiriu, de empresa constituída  por sócio inexistente de fato (nome de pessoa física fictícia), de  empresas constituídas por interpostas pessoas e de empresas que  se  encontram  em  “situação  irregular”  no  cadastro  da  Receita  Federal  (inapta,  inativa,  sem  nenhum  recolhimento  de  tributos  ou  com  recolhimentos  irrisórios;  a  partir  da  fl.  3812,  passa  a  descrever  as  irregularidades  de  cada  umas  dessas  empresas,  Fl. 10406DF CARF MF     34 acompanhada de  farto conjunto probatório das  irregularidades  constatadas).  Ao final, após informar do indiciamento, pela autoridade policial  competente,  dos  senhores  Ricardo  Carvalho  Nascimento  (Diretor  da  Recorrente),  Thiciano  da  Ross  Rosa  (Gerente  de  Compras da Recorrente) e Fabrício Baptista (ex­funcionário da  Recorrente),  pela  prática,  em  tese,  de  diversos  crimes,  registra  que,  da  base  de  cálculo  dos  créditos  do  PIS/Cofins,  foram  excluídas as aquisições realizadas à empresa cujo sócio inexistia  de  fato,  as  realizadas  a  empresas  constituídas  por  interpostas  pessoas  e,  também,  as  realizadas  àquelas  que  se  encontravam  em  situação  irregular  perante  o  cadastro  da  RFB.  Também  foram glosados: a) as aquisições de carvão vegetal realizadas a  pessoas físicas (o que seria vedado pela legislação do PIS/Cofins  não cumulativo); b) as aquisições realizadas a pessoas jurídicas,  com  emissão  de  nota  fiscal,  mas  tendo  como  beneficiários  dos  pagamentos  pessoas  físicas;  c)  as  aquisições  de  insumos  de  sucata  de  ferro,  sucata  de  ferro  gusa  e  sucata  de  aço,  cujo  crédito,  a  partir  de  01/03/2006,  passou  a  ser  vedado  pela  legislação;  d)  os  gastos  com  fretes  nas  transferências  internas  entre  estabelecimentos  da  própria  Recorrente  (esta  considerou  como insumo de carvão vegetal); e) os gastos contabilizados na  conta  de  despesas  comerciais  3.3.2.02.0015  ­  Combustíveis  e  Lubrificantes  (segundo  a  fiscalização,  só  se  fosse  insumo  da  produção); f) gastos com serviços de escolta; e, finalmente, g) os  serviços  referentes  ao  embarque,  à  movimentação  do  produto  acabado no entreposto para embarque nos navios.  O primeiro argumento de defesa direciona­se a atacar a higidez  do  procedimento,  ao  fundamento  de  que  a  fiscalização,  ao  efetuar a análise dos documentos por amostragem (algumas das  notas emitidas pelas "empresas" fornecedoras, mas não de todas  as por esta emitidas), ter­se­ia desconsiderado, de conseguinte, a  totalidade dos créditos apurados pela interessada sobre todas as  demais notas fiscais emitidas.  Também  sustenta  que  a  fiscalização  baseou­se  em  prova  emprestada, frágil e que não admite o exercício do contraditório  e da ampla defesa.   Nada há de equivocado no procedimento.  Não há norma que obrigue a  fiscalização a proceder à análise  de toda a documentação contábil e/ou fiscal de um contribuinte,  quando parte dela já indica, pela irregularidade que contém, que  a infração se estende a todo o resto. É o que ocorre com as notas  fiscais  requeridas,  emitidas  pelas  mesmas  "empresas"  (assim,  mais uma vez, entre aspas) cujas ilegalidades pululam nos autos,  uma  das  quais,  sublinhe­se,  "dirigida"  por  um  fantasma,  uma  pessoa física de existência apenas espectral.  A propósito, amostragem sequer meio de prova é, mas método,  forma de  conhecer  a  totalidade  de  algo, mediante  a análise  de  parcela dele (conhecer a população pela análise dos indivíduos).  Prova,  por  seu  turno,  é  coisa  diferente:  é  o  meio  de  se  demonstrar  a  verdade  de  um  fato.  No  caso  em  exame:  os  Fl. 10407DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.391          35 depoimentos,  as  diligências,  a  documentação  apreendida,  as  fotos etc.  Repise­se também aqui, por necessário, o que a respeito se disse  no  acórdão  recorrido:  a  Recorrente  não  impugnou  "um  item  sequer,  dentre  os  glosados,  que  demonstrasse  que  o  resultado,  mesmo que realizado por amostragem, tenha sido marcado pela  incerteza. Mais ainda, não demonstrou ou apontou valores  que  deixaram de ser considerados pela autoridade fiscal, que tenham  causado  prejuízo  no  cálculo  do  direito  creditório  pleiteado.  Frise­se, tendo permanecido apenas no campo da argumentação,  a contribuinte pôs por terra a argüição de invalidade da decisão  e  do  trabalho  fiscal,  ainda  mais  que,  a  partir  da  ciência  do  Despacho  Decisório,  teve  a  oportunidade  de  se  manifestar  e  indicar possíveis mal feitos da fiscalização que teriam invalidado  o  trabalho  de  auditoria". A  utilização  de  prova  emprestada  de  outro  processo  administrativo,  policial  ou  judicial,  ademais,  nada tem de ilegal, quando ao contribuinte é oferecido, na esfera  administrativa,  a  possibilidade  de  contraditar  as  provas  coletadas e oferecer as suas razões de defesa. É o que ocorre no  caso em exame.   Também não há que se aventar da aplicação do disposto no art.  82 da Lei nº 9.430, de 19961.  Obviamente,  o  legislador  teve  o  claro  desiderato  de  não  prejudicar o adquirente de boa­fé, de modo que ao contribuinte  assim enquadrado não se possa vir a exigir o conhecimento da  situação  fiscal  de  todas  as  pessoas  jurídicas  com  as  quais  se  relacionar  comercialmente,  como  se  lhe  fosse  possível  a  onisciência  própria  das  divindades.  Não  é  o  caso,  porém,  da  Recorrente,  conforme  acima  demonstrado,  tanto  que  foram  indiciados, pela autoridade policial, um de seus diretores, o seu  gerente  de  compras  responsável  pela  aquisição  de  carvão  vegetal e um de seus ex­funcionários,  todos, segundo se afirma,  envolvidos nos ilícitos. Aplicá­lo, portanto, seria premiar a mais  deslavada ilicitude.  Entende  a  Recorrente  que  as  provas  carreadas  aos  autos  somente  podem  servir  de  comprovação  dos  ilícitos  a  partir  do  início  de  sua  coleta  pela  autoridade  policial,  como  se  não  se  pudesse olhar para o passado das "empresas" envolvidas. Nada  mais  equivocado.  A  depender  de  sua  natureza,  as  irregularidades  constatadas  podem,  sim,  servir  para  exigência  dos  tributos não  recolhidos ou para a glosa, como no caso, de  créditos  de PIS/Cofins  não  cumulativos,  antes mesmo do  início  da  investigação  policial,  da  autoridade  fazendária  ou  —  destaque­se aqui porque especialmente contestado no recurso —                                                              1 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos  tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro  Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta.   Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  em  que  o  adquirente  de  bens,  direitos  e  mercadorias  ou  o  tomador  de  serviços  comprovarem  a  efetivação  do  pagamento  do  preço  respectivo  e  o  recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.    Fl. 10408DF CARF MF     36 da declaração de inidoneidade da pessoa jurídica, uma vez que  podem  ser,  no  caso  em  exame,  de  tal  importância,  que  não  contaminem  apenas  operações  isoladas  ou  a  partir  de  determinada  data,  mas  todas  as  que  com  aquelas  foram  realizadas.  Os  pagamentos  realizados  a  pessoas  físicas,  não  obstante  acobertadas  por  notas  fiscais  emitidas  pelas  "empresas"  envolvidas,  também  não  podem  ensejar  o  creditamento  pretendido,  especialmente porque,  como destacado no Parecer,  foram  insuficientes  as  justificativas  para  o  fato  do  insumo  ter  sido  comprado  de  um  fornecedor  e o  respectivo  pagamento  ter  sido efetuado a uma pessoa  física. Não se paga a quem não se  deve,  sob  pena  de  se  pagar  duas  vezes.  Se  o  pagamento  foi  realizado  a  uma  pessoa  física,  é  porque  cabia  a  esta  o  valor  pago. E se cabia a esta o valor pago, não cabe à Recorrente, por  expressa vedação legal, o crédito de PIS/Cofins correspondente.  As  demais  glosas  que  resta  examinar  são  as  seguintes:  a)  os  gastos  com  fretes  nas  transferências  de  matéria­prima  entre  estabelecimentos  da  própria  Recorrente;  b)  os  gastos  contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 ­  Combustíveis e Lubrificantes; c) gastos com serviços de escolta;  e,  finalmente,  d)  os  serviços  referentes  ao  embarque,  à  movimentação  do  produto  acabado  no  entreposto  para  embarque nos navios.  Correta,  ainda,  a  glosa  de  créditos  com  gastos  com  fretes  nas  transferências  de  matéria­prima  entre  estabelecimentos  da  própria Recorrente (segundo a fiscalização, foram considerados  como insumo ­ carvão vegetal), uma vez que, no nosso entender,  não podem compor a base de cálculo dos créditos de PIS/Cofins  reclamados.  Aqui  não  se  trata  de  transporte  de  produtos  em  elaboração,  para  que  seja  submetido  a  posterior  processo  de  industrialização  por  outro  estabelecimento  da  mesma  pessoa  jurídica, mas da própria matéria­prima.   Todavia, como este não é o entendimento dos demais integrantes  da  Turma,  passamos  a  adotá­lo,  por  economia  processual  e  apreço  ao  princípio  da  colegialidade.  Confiram­se,  a  respeito,  ementas de acórdãos proferidos por esta Turma e pela 3ª Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  CSRF,  que  o  reproduz:  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAIS  DO  CONTRIBUINTE.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO.POSSIBILIDADE.  Os  fretes  e  dispêndios  para  transferência  de  insumos  entre  estabelecimentos  industriais  do  próprio  contribuinte  são  componentes  do  custo  de  produção  e  essenciais  ao  contexto  produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no  regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.  (Acórdão nº 3201­004.053, de 24/07/2018).    Fl. 10409DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.392          37 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008  DESPESAS.  FRETES.  TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE.  PRODUTOS  INACABADOS  E  INSUMOS.  ESTABELECIMENTOS  PRÓPRIOS,  CRÉDITOS.  POSSIBILIDADE.  As  despesas  com  fretes  para  a  transferência/transporte  de  produtos  em  elaboração  (inacabados)  e  de  insumos  entre  estabelecimentos  do  contribuinte  integram o  custo de produção  dos  produtos  fabricados/vendidos  e,  consequentemente,  geram  créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado  sobre o faturamento mensal.  (Acórdão nº 9303­007.283, de 15/08/2018).    Contudo,  somente  se  pode  admitir  a  concessão  do  crédito  no  caso em que não tenha havido a glosa do crédito de PIS/Cofins  correspondente  à  aquisição  da  matéria­prima  transportada,  já  que a esta umbilicalmente inter­relacionada. A razão é evidente  e dispensa maiores comentários.  Já  os  gastos  contabilizados  na  conta  de  despesas  comerciais  (3.3.2.02.0015  ­  Combustíveis  e  Lubrificantes)  e  aqueles  despendidos  com  serviços  de  escolta,  porque  não  aplicados  na  produção,  não  podem  ser  considerados  insumos.  É  intuitivo,  tratando­se  de  pessoa  jurídica  que  se  dedica  à  produção  de  ferro­gusa, nem por hipótese os gastos assim realizados podem  se  apresentar  com  a  natureza  de  insumo,  admitindo­se,  por  hipótese,  no  segundo  caso,  se  a  Recorrente,  por  exemplo,  se  dedicasse  ao  transporte  de  valores2.  Não  é  a  sua  atividade,  porém.  Pelo  mesmo  motivo,  concordamos  com  a  glosa  de  créditos  oriundo dos gastos com os serviços decorrentes do embarque e  da  movimentação  do  produto  acabado  no  entreposto  para  os  navios, em comunhão, aliás, com o entendimento esposado pela  a 3ª CSRF:  PIS.  SERVIÇOS  DE CAPATAZIA  E  ESTIVAS.  CRÉDITOS DA  NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  Os  serviços de  capatazia e  estivas por não  serem utilizados no  processo produtivo,  não geram créditos de PIS no regime não­ cumulativo, por absoluta falta de previsão legal.  (Acórdão nº 9303­004.383, de 08/11/2016)                                                              2 O art.  3º  das Leis  nº 10.637, de 2002,  e 10.833, de 2003, delimitaram o  conceito de  insumos  àqueles bens  e  serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é  dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço  prestado ao tomador.  Fl. 10410DF CARF MF     38 Por fim, há ainda que se enfrentar o fato da impossibilidade de  gerar  créditos  as  aquisições  de  insumos  de  sucata  de  ferro,  sucata de ferro gusa e sucata de aço.  Com  efeito,  conforme  lembrado  no  aqui  mencionado,  tal  creditamento passou a ser vedado a partir de 01/03/2006 (art. 47  da Lei nº 11.196, de 20053), de modo que não cabe às instâncias  administrativas  afastar  a  sua  aplicação  ao  fundamento  de  sua  incompatibilidade com o Texto Constitucional4.  Ante  o  exposto,  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  apenas  para  conferir  o  direito  ao  crédito  sobre  as  despesas com fretes para o transporte de matéria­prima entre os  estabelecimentos  da  Recorrente,  desde  que  não  glosado  o  crédito correspondente à aquisição do insumo transportado.  Voto vencedor  Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado  O  presidente  incumbiu­me  de  redigir  o  acórdão  na  parte  pertinente aos gastos de capatazia e estiva.  Os gastos com logística, na operação de aquisição de  insumos,  geram  direito  a  crédito  por  comporem  o  conceito  contábil  de  custo de aquisição de mercadoria5.  Os  gastos  logísticos  para  movimentação  de  insumos,  internamente  ou  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  inserem­se no contexto de produção do bem, porque inerentes e  relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem  gerar  direito  de  crédito,  na  esteira  do  Resp  1.221.170/PR,  que  tramitou  sob  o  regime  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do  CPC),  e  que  vincula  o  Carf  (art.  62,  §2º,  do  Anexo  II  do  Regimento Interno).  No  caso  dos  gastos  logísticos  na  venda,  entendo  que  estão  abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete  na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo  3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos  cuja  semântica  abrange  a  movimentação  das  cargas  na  operação de venda.  Assim,  tais  dispêndios  logísticos  estão  inseridos  no  direito  de  crédito,  respeitados  os  demais  requisitos  da  Lei,  como,  por                                                              3 Lei nº 11.196, de 2005 ­ Art. 47. Fica vedada a utilização do crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3o  da  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  o  inciso  II  do  caput  do  art.  3o  da  Lei  no  10.833,  de  29  de  dezembro de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de  ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente  nas  posições  39.15,  47.07,  70.01,  72.04,  74.04,  75.03,  76.02,  78.02, 79.02  e  80.02  da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  – TIPI,  e  demais  desperdícios  e  resíduos metálicos  do Capítulo  81 da  Tipi.  4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  5  11.  O  custo  de  aquisição  dos  estoques  compreende  o  preço  de  compra,  os  impostos  de  importação  e  outros  tributos  (exceto os  recuperáveis perante o  fisco), bem como os custos de  transporte,  seguro, manuseio e outros  diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos  e  outros  itens  semelhantes  devem  ser  deduzidos  na  determinação  do  custo  de  aquisição.  (Redação  dada  pela  Resolução CFC nº. 1.273/10)  Fl. 10411DF CARF MF Processo nº 15586.720585/2012­63  Acórdão n.º 3201­004.887  S3­C2T1  Fl. 10.393          39 exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas  pelo Pis e Cofins.  (assinatura digital)  Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado.    As matérias que resta apreciar, porque particulares ao presente litígio, são as  seguintes: a) decadência e b) aplicação da multa qualificada.  Ambas  são,  como  se  passa  a  demonstrar,  absolutamente  improcedentes  e  podem ser enfrentadas em conjunto.  Sustenta a Recorrente a sua condição de adquirente de boa­fé, de modo que a  multa de ofício a ser aplicada, na remota possibilidade de manutenção do lançamento, deveria  ser de 75%, não se 150%.  Contudo,  no  caso  ora  em  julgamento,  a  fiscalização  demonstrou  que  a  aplicação  da  multa  qualificada  se  assentou  em  fatos  documentalmente  comprovados  e  inequívocos, que  foram não  apenas  perpetrados  pela Recorrente, mas  também por  ela,  engendrados  com  a  só  finalidade  de  reduzir  o  pagamento  de  tributos  federais.  Tanto  que  pessoas a ela ligadas (diretores e ex­funcionário) foram indiciados pela prática de vários  delitos.  Tais fatos foram muito bem explanados no PARECER SEFIS Nº 081/2012,  parte  dos  quais  repisados  no  presente  voto  e  não  diretamente  contestados  pela  Recorrente,  e  são  determinantes  à  qualificação  da  multa  de  ofício,  uma  vez  que,  deliberadamente,  a  Recorrente  utilizou­se  de  créditos  lastrados  em  notas  fiscais,  ideologicamente  falsas,  emitidas por pessoa  jurídica com sócio  inexistente de  fato  (a própria  pessoa física era fictícia), por empresas constituídas por interpostas pessoas e por empresas que  se  encontravam em  “situação  irregular”  no  cadastro  da Receita  Federal  (inapta,  inativa,  sem  nenhum  recolhimento  de  tributos  ou  com  recolhimentos  irrisórios),  o  que,  a  nosso  juízo,  tipifica a sonegação, a fraude e o conclui, nos moldes em que preconizam os arts. 71 a 73 da  Lei n.º 4.502, de 19646.  Absolutamente  correta,  portanto,  a  aplicação  da  multa  no  percentual  de  150%.  E, por via de consequência, considerando o disposto no art. 150, § 4º, c/c o  art. 173, I, do CTN e dolosa a conduta perpetrada pela Recorrente, ainda não havia decaído o  direito da Fazenda Pública na data da ciência do lançamento (12/07/2012), visto que o termo  inicial do prazo decadencial, para os meses de maio e junho de 2007, somente ocorreu no 1º dia  útil de 2008, extinguindo­se somente em 2013.                                                              6  Art  .  71.  Sonegação  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária:          I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;          II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito  tributário correspondente.          Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.          Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou  jurídicas, visando qualquer dos  efeitos referidos nos arts. 71 e 72.    Fl. 10412DF CARF MF     40 Por derradeiro, cabe observar que as alegações de incompatibilidade vertical  entre o diploma legal que instituiu a multa qualificada e a Constituição Federal não podem, à  míngua de competência, ser aqui apreciadas por este Colegiado administrativo (Súmula n.º 2  do CARF).  Pelo  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  o  recurso  voluntário,  para  que,  mantido  tudo  o  mais,  aplique­se  aqui  o  que  decido  no  julgamento  do  processo administrativo nº 15586.720483/2012­48.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                                       Fl. 10413DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.904976/2008-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea que comprove sua liquidez e certeza, nos termos no art. 170 do CTN. A DIPJ não se presta à tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral e que não está sujeita à revisão da Administração. Ademais, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de CSLL, o direito de compensação está condicionado a que o contribuinte apresente, inequivocamente, as parcelas que compõe o seu direito creditório no PER/DCOMP, devendo este coincidir com o que fora informado na DIPJ.
Numero da decisão: 1003-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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1003­000.523  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  13 de março de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  CRIOS INDUSTRIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2003  COMPENSAÇÃO.  PERDCOMP.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  CRÉDITO  DISPONÍVEL. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.  O  reconhecimento  de  direito  credito  creditório  dá­se  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea  que  comprove  sua  liquidez  e  certeza,  nos  termos  no  art.  170  do  CTN.  A DIPJ  não  se  presta  à  tal  comprovação  por  tratar­se  de  prestação  de  informações  unilateral  e  que  não  está  sujeita  à  revisão  da  Administração.  Ademais,  na  hipótese  de  a  origem  do  direito  creditório  ser  saldo  negativo  de  CSLL,  o  direito  de  compensação  está  condicionado  a  que  o  contribuinte  apresente,  inequivocamente,  as  parcelas  que compõe o seu direito creditório no PER/DCOMP, devendo este coincidir  com o que fora informado na DIPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça ­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 49 76 /2 00 8- 86 Fl. 205DF CARF MF     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Presidente),  Bárbara  Santos  Guedes  e Mauritânia  Elvira  de  Sousa Mendonça. Ausente  justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.  Relatório    Trata­se de recurso voluntário contra Acórdão de nº 06­27.131, proferido pela  1ª  Turma  da  DRJ/CTA,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  Recorrente, não homologando a compensação declarada.  Fazendo  uma  breve  retrospectiva,  tem­se  que  a  Recorrente  transmitiu  a  declaração  de  compensação  n°  2553870421.290704.I.3.03­2208  (fls.  l2­17),  em  29/07/2004,  informado utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de CSLL do exercício de  2004, ano­calendário de 2003, no valor de R$ 1.564,24.  Após  a  transmissão  do  PER/DCOMP,  foram  emitidos  os  Termos  de  Intimação  de  fls.  37  e  39,  oportunizando  a  Recorrente  a  apresentar  explicações  acerca  das  divergências encontradas em suas declarações, bem como, se fosse o caso, retificá­las.  Como a Recorrente não adotou nenhuma providência no  tocante à  correção  das  divergências  apontadas  entre  a  PER/DCOMP  e  DIPJ,  a  compensação  efetuada  não  foi  homologada, conforme Despacho Decisório de fls. 01, in verbis:  Analisadas  as  Informações  prestadas  no  documento  acima  Identificado,  não  foi  possível  confirmar  a  apuração do  crédito,  pois  o  valor  Informado  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica  (DIPJ) não corresponde  o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP.  Valor  original  do  Saldo  negativo  Informado  no  PER/DCOMP  Com demonstrativo de Crédito: RS 1.554,24  Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 1.523,52  Diante  do  exposto,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada no PER/DCOMP acima Identificado.  Cientificada,  a Recorrente  interpôs Manifestação de  Infoncormidade,  às  fls.  10,  alegando  a  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  conforme  transcrito a seguir:  "Aduz  o  Despacho  Decisório,  que  ao  ser  analisado  o  PER/DCOMP  referente  ao  período  de  apuração  do  crédito  do  Exercício  2004  ­  01/01/2003  a  31/12/2003,  saldo  negativo  de  CSLL, processo em epígrafe, não  foi possível a confirmação da  apuração  do  credito,  sendo  que  o  saldo  negativo  da  CSLL  informado  na  DIPJ  não  corresponde  ao  informado  no  PER/DCOMP.  De fato, ao ser preenchido o PER/DCOMP equivocadamente foi  transcrito incorretamente o saldo negativo da CSLL, ao invés de  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10980.904976/2008­86  Acórdão n.º 1003­000.523  S1­C0T3  Fl. 3          3 informar o valor correto de RS 1.523,52,  foi  informado o valor  incorreto de R$ 1.564,24.  Para  sanar  as  incorreções,  com  anterioridade  ao  Despacho  Decisório, tratou de elaborar DIPJ/RETIFICADORA 2004 Ano­ calendário 2003 entregue em 16/08/2006, não sendo possível a  alteração de dados do PER/DCOMP entregue com incorreções.  À  vista  de  todo  exposto,  demonstrado  o  erro  de  fato,  espera  e  requer seja acolhido o presente para o fim de assim ser decidido,  reconsiderando­se  o  Despacho Decisório  da  não  homologação  da compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado.  Por  sua  vez,  a  DRJ/CTA,  ao  apreciar  a  dita  Manifestação  de  Inconformidade,  entendeu por bem julgá­la improcedente, não reconhecendo o direito creditório em discussão. A decisão  restou assim ementada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­CSLL   Ano­calendário: 2003   PER/DCOMP.  SALDO NEGATIVO DE CSLL.  DIVERGÊNCIA  ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP.  NÃO­HOMOLOGAÇÃO.  A única via admissível para a efetuação de compensação é por  meio  da  entrega  da  respectiva  declaração,  a  qual  deve,  obrigatoriamente.  (a)  seguir  as  regras  de  preenchimento  estabelecidas  pela  RFB;  c  (b)  informar  os  créditos  que  foram  utilizados  naquela  declaração  de  compensação.  Portanto,  em  cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do § 14 do art.74  da Lei n“ 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório  ser  Saldo  Negativo  de  CSLL,  o  direito  de  compensação  do  contribuinte está condicionado a que informe,  inequivocamente,  as parcelas que compõe seu direito creditório; no PER/DCOMP,  idêntico valor de Saldo Negativo de CSLL em relação ao que foi  informado na DIPJ   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  Recorrente,  basicamente,  reproduziu  os  argumentos  aduzidos  em  sua  manifestação  de  inconformidade  e  requereu:  "Face  ao  exposto,  requer  se  digne Vossa Senhoria,  com o devido respeito, homologar a compensação efetuada, no  valor  (principal) até o montante de R$ 1.523,52, reconhecendo o direito da requerente parcialmente  ao  crédito  objeto  de  pedido  de  restituição  e  compensação  neste  valor  referente  a  saldo  negativo de CSLL do ano­calendário 2003, DIPJ 2004 ­ haja vista que foi apresentada DIPJ  retificadora e elaborados pedidos de restituição e compensação, apesar do equívoco cometido  com relação ao preenchimento do valor do saldo negativo de CSLL no PER/Dcomp".  É o relatório.  Fl. 207DF CARF MF     4 Voto               Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora.    Compulsando  os  autos,  verifico  que  o  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência,  razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciá­lo.    Em suas razões recursais, a Recorrente, busca a reforma do acórdão recorrido  visando à homologação da compensação efetuada, todavia, não houve, por parte da Recorrente,  a comprovação de fosse líquido e certo o crédito pleiteado para a compensação.    Todavia, no presente caso, a Recorrente informou valor divergente de Saldo  Negativo  de  Imposto  sobre  a Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  no  PER/DCOMP  e  na DIPJ,  gerando incoerências. Tal discrepância acarretou a referida não homologação da compensação  declarada.    Neste  contexto,  fora  concedida  à  Recorrente  a  oportunidade  para  que  houvesse  a  retificação  das  ditas  divergências.Contudo,  a  Recorrente  não  tomou  nenhuma  medida corretiva no sentido de regularizar sua Declaração de Compensação de acordo com as  normas de regência no âmbito da Receita Federal.    Na verdade,  é  do  contribuinte  o  ônus  de  instruir  os  autos  com documentos  hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas.     Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código  Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto­Lei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem,  em  última  análise,  "que  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição  dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram."    Ademais, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de  CSLL,  o  direito  de  compensação  está  condicionado  a  que  o  contribuinte  apresente,  inequivocamente, as parcelas que compõe o seu direito creditório no PER/DCOMP, devendo  este coincidir com o que fora informado na DIPJ  Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10980.904976/2008­86  Acórdão n.º 1003­000.523  S1­C0T3  Fl. 4          5   Ora,  em  um  processo  de  restituição,  ressarcimento  ou  compensação,  é  o  contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer  por  pedido  de  restituição  ou  ressarcimento,  quer  por  compensação,  incumbindo­lhe,  na  qualidade de autor, demonstrar seu direito.    Nesta senda, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos  e  certos,  inclusive,  harmônicos  com  todos  os  registros  e  declarações  do  interessado,  não  podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas.    Logo,  levando­se em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser  líquido  e  certo  (art.  170  do  CTN1),  consoante  já  exposto,  conclui­se  que  não  deve  haver  homologação da compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato  ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em  declarações ou demonstrativos por ele entregues.     Neste  ponto,  por  entender  que  as  considerações  realizadas  pela  DRJ,  no  acórdão de piso, são irretocáveis, colaciono parte de seu texto como fundamento deste voto:    "(...)  5. Originalmente o contribuinte transmitiu DIPJ/2004, AC 2003,  em  28/06/2004  (fls.42­44),  apresentando  Saldo  a  Pagar  de  CSLL, no valor de R$ 1.030,22.  6. Em 22/07/2006 foi expedido o Termo de Intimação de fls. 37,  onde  a  DRF/Curitiba  informou  ao  interessado  que  “Não  foi  saldo  negativo  da  DIPJ  e  sim  contribuição  social  a  pagar".  Assim. tendo me vista que no PER/DCOMP foi postulado. como  Crédito, Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 2.553,74 e na  DIPJ,  ao  contrário,  constou  Saldo  a  Pagar,  o  contribuinte  foi  solicitado  a  “retificar  a  DIPJ  correspondente  ou  apresentar  PER/DCOMP  retificador  indicando  corretamente  o  período  de  apuração  do  saldo  negativo  e,  se  for  o  caso,  corrigindo  o  detalhamento do crédito utilizado na sua composição". E ainda.  foi  esclarecido  que  "Outras  divergências  entre  as  informações  do PER/DCOMP. da DIPJ e da DCTF do período deverão  ser  sanadas  pela  apresentação  de  declarações  retificadoras  no  prazo  estabelecido  nesta  intimação."  Do  referido  Termo  de  Intimação o contribuinte tornou ciência em 03/08/2006 (fls. 38).                                                              1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Fl. 209DF CARF MF     6 7. Em 16/08/2006, foi transmitida a DIPJ retificadora de fls. 45­ 47,  alterando­se  o  valor  do  Saldo  a  Pagar  anterior  de  R$  1.030,22,  para  um  Saldo  Negativo  de  R$  1.523,52,  tendo  em  vista que passou a ser mencionado na Linha 41, da Ficha 17 (fls.  45),  o  valor da CSLL Mensal Paga por Estimativa, no  total de  R$  2.553,74.  Na  discriminação  das  parcelas  de  Estimativa,  Ficha 16 (fls.47), constaram as seguintes parcelas:    8.  Considerando  a  persistência  de  diferença  entre  o  Saldo  Negativo de CSLL declarado no PER/DCOMP (R$ 1.564,24) em  relação ao agora constante na DIPJ retificadora (R$ 1.523,52),  a  empresa  foi  novamente  destinatária  de  Termo  de  Intimação,  em  29/08/2007  (fls.  39).  Desta  feita.  a  DRF/Curitiba  informou  que  " O valor do  saldo negativo  informado na PER/DCOMP é  diferente  do  apurado  na  DIPJ.  (...)  DIPJ.  Valor  do  Saldo  Negativo R$ 1.523,52. PER/DCOMP. Valor do Saldo Negativo:  R$  2.553,74".  Assim,  o  órgão  fiscal  registrou:  "Solicita­se  retificar  a  DIPJ  correspondente  ou  apresentar  PER/DCOMP  retificador  indicando  corretamente  o  valor  do  saldo  negativo  apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento  do  crédito  utilizado  na  sua  composição.  Outras  divergências  entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do  período deverão  ser  sanadas pela apresentação de declarações  retificadoras  no  prazo  estabelecido  nesta  intimação".  E,  no  desfecho,  a  DRF/Curitiba  asseverou:  "fica  o  sujeito  passivo  acima  identificado  INTIMADO a  sanar  a  (s)  irregularidade  (s)  apontada  (s)  no  quadro  4,  no  prazo  de  20  dias  contados  da  ciência desta Intimação. Não sanada (s) a (s) irregularidade (s)  apontada  (s)  no  prazo  estipulado,  o  PER/DCOMP  em  análise  poderá  ser  indeferido/não­homologado".  A  empresa  tomou  ciência do Termo de Intimação em 12/09/2007 (fls. 40).  9. Não consta nos autos, e nem nos  sistemas informatizados da  Receita  Federal,  a  notícia  de  alguma  providência  que  o  interessado tenha tomado em relação ao disposto neste segundo  Termo de Intimação.  10.  Verifica­se  da  Manifestação  de  Inconformidade,  que  0  contribuinte  reconhece  INCORRETO  o  valor  de  R$  1.564,24  mencionado no PER/DCOMP (fls 10),  como Saldo Negativo de  CSLL, sendo que o valor CORRETO seria R$ 1.523,52. Segundo  esta assertiva, o próprio interessado estaria reconhecendo que o  Direito Creditório invocado no seu PER/DCOMP não é correto.  Mas, em não sendo correto o valor e  tendo ele sido intimado a  proceder  a  retificação  do  PER/DCOMP,  conforme  Termo  de  Intimação de fls.39, porque não o fez?  11.  Ademais,  há  reconhecimento  expresso  que  o  valor  CORRETO  seria  R$  1.523,52,  constante  de  sua  DIPJ.  Entretanto,  referido  Saldo  Negativo  é  resultante  do  confronto  Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10980.904976/2008­86  Acórdão n.º 1003­000.523  S1­C0T3  Fl. 5          7 entre  o  valor  da  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido  Total  (R$  1.030,22)  e  o  total  da  CSLL  Mensal  Paga  por  Estimativa (R$ 2.553,74). Tudo conforme fls. 45, que é a Ficha  17  da  DIPJ/2004  (AC  2003).  Ocorre  que  este  valor  de  R$  2.553,74  esta  incorreto,  considerando  as  parcelas  mensais  de  Estimativa declaradas na Ficha 16, fls. 17­ 17 ­vº. É que o total  de tais parcelas monta em RS 2.360,31, conforme detalhado no  quadro  do  item  7  acima,  e  não  em  RS  2.553,74.  Portanto,  a  basear­se  no  somatório  das  parcelas  mensais  de  Estimativa,  declaradas  na  Ficha  16,  a  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido Total (RS 1.030,22) deveria sofrer cotejo com o referido  valor de R$ 2.360,31, 0 que resultaria em um Saldo Negativo de  R$ 1.330,09 na DIPJ. Assim, também na DIPJ há dúvida quanto  a  certeza  do  Saldo Negativo  indicado  como CORRETO,  de R$  1.523,52.  12. O direito  creditório que o  contribuinte alega possuir,  neste  caso, é Saldo Negativo de CSLL. Este,  como sabido, resulta da  comprovação  de  que  parcelas  de  antecipações  realizadas  efetivamente  pelo  contribuinte,  como  estimativas,  retenções  na  fonte  e  outras,  não  utilizadas  para  outras  finalidades,  são  maiores que a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Total.  Como  cediço,  se  a Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido  Total  for  maior  que  as  antecipações  realizadas,  restará  ainda  CSLL a Pagar. Ao contrário, se as antecipações, não utilizadas  para  outras  finalidades,  forem  em  maior  valor  que  a  Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Total, restará Saldo  Negativo a favor do contribuinte.  13. Portanto, deve existir certeza e liquidez sobre as parcelas de  antecipações  e  sobre  a  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido Total,  para  que  do  cotejo  entre  os  dois,  se maiores  as  primeiras,  possa  emergir  direito  creditório  também  líquido  e  certo,  requisito  primeiro  para  o  pleito  de  restituição/compensação.  14.  O  cálculo  da  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido  Total e as parcelas que concorreram para a formação do Saldo  Negativo  ou  CSLL  a  Pagar,  se  demonstra  na  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica ­ DIPJ, daí  a  importância  de  sua  estrita  correção  e  a  exata  concordância  com  os  dados  de  outras  declarações. O  Saldo  Negativo,  assim  apurado,  que  no  presente  caso  foi  de  R$  1.523,52  (ainda  que  haja a dúvida apontada no item II acima), deverá ser levado ao  PER/DCOMP,  conforme  instruções  do  Programa  Gerador  PER/DCOMP, verbis:  1)  Valor  do  Saldo  Negativo:  Informar  o  valor  do  .saldo  negativo  de CSLL  apurado  no  período  a  que  se  refere  0  crédito  objeto  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  ou  a  Declaração  de  Compensação.  conforme  informado  na  Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica (DIPJ).(Grifei)  Fl. 211DF CARF MF     8 15. Mas, em vez de assim fazê­lo, o contribuinte informou o valor  de R$ 1.564,24 no PER/DCOMP, como Valor do Saldo Negativo  (fls.  06).  Mais  ainda,  tendo  a  oportunidade  de  retificar  tal  divergência, quedou­se inerte.  16. Nesses lindes. mais que se vê do mister de não pairar dúvidas  acerca das diversas informações e dados, que compõe o direito  creditório do interessado, devendo ser eles precisos e conformes.  Cabe ao pleiteante, do direito, cuidar pela correta apresentação  de  dados  e  elementos,  para  que  o  órgão  fiscal  possa  ter  condições  de  aferir  a  exatidão  do  crédito  postulado,  até  o  seu  último centavo. A incerteza trazida pela diferença apontada pela  Receita Federal, para a qual o interessado não tomou nenhuma  providência  corretiva,  macula  a  certeza  e  liquidez  do  suposto  credito alegado.  17.  Ainda  que  as  inconsistência  já  bastasse  para  elidir  a  pretensão  do  interessado,  registre­se  novamente  que  o  contribuinte  foi  intimado  e  cientificado  de  tal  diferença  e  lhe  requerido  que  a  compusesse,  por  retificação  de  um  dos  elementos discordantes,  e mesmo assim o  interessado nada  fez.  Era  um  ônus  a  que  o  contribuinte  não  poderia  ter  dado  as  costas, mas ao revés, bem cumpri­lo.  18.  Plácido  e  Silva  conceitua  o  vocábulo  ônus,  afirmando  que  "[...] na significação técnico ­ jurídica, entende­se todo encargo,  dever ou obrigação que pesa sobre uma coisa ou uma pessoa, em  virtude do que esta obrigada a respeitá­la ou a cumpri­los. É o  gravame” (Silva. 2002. p. 573).  19. O ônus estabelece um dever subjetivo que vigora no âmbito  pessoal  do  indivíduo,  ou  seja,  do  interessado  em  dar,  fazer  ou  não  fazer  determinada  coisa.  No  caso  de  não  ser  observado  o  ônus que incumbia à parte, as conseqüências negativas somente  lhe atingem.  Aqui,  o  sujeito  é  quem  decide  com  ampla  liberdade  acerca  do  cumprimento  do  seu  encargo,  eis  que  as  conseqüências  decorrentes da inobservância atingem a si.  20.  A  norma  inaugural  do  direito  de  compensação  em  nosso  ordenamento jurídico e o Código Tributário Nacional (CTN ­ Lei  n° 5.172/66), que, em seu art. 170, determina o seguinte:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda pública.   Parágrafo  único.  Sendo  vincendo  o  crédito  do  sujeito  passivo, a  lei determinará, para os efeitos deste artigo, a  apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar  redução maior  que  a  correspondente  ao  juro  de  1%  (um  por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da  compensação e a do vencimento.  Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10980.904976/2008­86  Acórdão n.º 1003­000.523  S1­C0T3  Fl. 6          9 21.  Percebe­se,  como  é  de  todos  sabido,  que  o  direito  de  compensação  tributária  aparta­se  radicalmente  do  instituto  congênere próprio do direito privado. No Direito Civil, havendo  duas  pessoas  reciprocamente  credoras  e  devedoras  em  dívidas  líquidas,vencidas  e  de  coisas  fungíveis  entre  si  (da  mesma  natureza),  as  suas  obrigações  se  extinguem  automaticamente,  independentemente  de  qualquer  procedimento  ou  pronunciamento.  Invocada  no  bojo  de  ação  judicial,  o  juiz  apenas declara a compensação já acontecida. Tudo conforme os  seguintes artigos do Código Civil (Lei n° 10.406/02):  Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e  devedor uma da outra,  as duas obrigações  extinguem­se.  até onde se compensarem.  Art. 369. A compensação efetua­se entre dívidas líquidas.  vencidas e de coisas fungíveis.  22.  Já  no  Direito  Tributário,  não  há  espaço  para  qualquer  compensação  automática.  Conforme  o  art.  170  do  CTN,  o  contribuinte só terá direito a compensar se, c apenas se, (a) a lei  estabelecer  esse  direito;  (b)  se  forem  atendidas  as  condições  estipuladas  diretamente  pela  lei,  ou  as  condições  cuja  estipulação  a  lei  delegue  às  autoridades  administrativas  competentes; e, ainda, (c) sob as garantias estipuladas pela lei.  23.  O  direito  a  efetivação  da  compensação  encontra­se  agasalhado, hoje, no art. 74 da Lei n" 9.430/96, com as diversas  alterações que veio a sofrer, in litteris:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  §  1o  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na  qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados e aos respectivos débitos compensados.  (...)  § 14. A Secretaria da Receita Federal ­ SRF disciplinará o  disposto  neste  artigo,  inclusive  quanto  à  fixação  de  critérios  de  prioridade  para  apreciação  de  processos  de  restituição, de ressarcimento e de compensação.  24.  Como  se  pode  observar,  a  lei  expressamente  confere  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  hoje  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras  sobre a compensação estabelecidas no art. 74.  Fl. 213DF CARF MF     10 25. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que  a  compensação poderá ser  efetuada exclusivamente mediante a  entrega de declaração em que constem as informações relativas  aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.  26.  Portanto,  a  única  via  admissível  para  a  efetuação  de  compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a  qual  ­deve,  obrigatoriamente,  (a)  seguir  as  regras  de  preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o § 14, acima;  e  (b)  informar  os  créditos  que  foram  utilizados  naquela  declaração de compensação, conforme 0 § I°.  27.  Ao  aprovar  o  programa  gerador  de  PER/DCOMP,  a  RFB  aprova  concomitantes  instruções  de  preenchimento  que  são  cogentes  ao  contribuinte.  Na  esteira  da  letra  "a",  do  item  anterior,  só  têm  direito  à  compensação  os  contribuintes  que  efetuarem o preenchimento  correto do PER/DCOMP, conforme  as regras estabelecidas pela RFB.  28. As instruções de preenchimento do PER/DCOMP, referentes  à PASTA CRÉDITO, assim estabelecem (item 6.4):  As  Fichas  acima  serão  disponibilizadas  pelo  Programa  PER/DCOMP na primeira utilização do Crédito de Saldo  Negativo  de CSLL.  Nessas  Fichas  devem  ser  informados  todos os recolhimentos. retenções e/ou compensações que  contribuíram  para  formar  o  referido  saldo  negativo  de  IRPJ. ou seja, o total dos valores deduzidos na sua DIPJ e  não  somente  até  o  limite  do  Valor  do  Saldo  Negativo.  (Grifei)  29. Na  Ficha  “Saldo  negativo  de CSLL",  como  já  reproduzido  neste voto retro dentro da ficha 6.4, lê­se o seguinte  1) Valor  do  Saldo Negativo:  Informar  o  valor  do  saldo  negativo de CSLL apurado no período a que se  refere o  crédito  objeto  do Pedido Eletrônico  de Restituição ou  a  Declaração  de  Compensação,  conforme  informado  na  Declaração  de  Informações  Econômica  ­  Fiscais  da  Pessoa Jurídica (DIPJ). (grifei)  30. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e  do § 14 do art. 74 da Lei n“ 9.430/96, na hipótese de a origem  do  direito  creditório  ser  saldo  negativo  de  IRPJ,  o  direito  de  compensação  do  contribuinte  esta  condicionado  a  que  informe  no  PER/DCOMP  idêntico  valor  de  saldo  negativo  de  IRPJ  em  relação  ao  que  foi  informado  na  DIPJ,  e  não  paire  dúvidas  acerca  da  liquidez  e  certeza  das  parcelas  que  compuseram  referido direito creditório.  31.  No  presente  caso,  o  contribuinte  informou  valores  divergentes de parcelas de Estimativa e Saldo Negativo de CSLL  no  PER/DCOMP  e  na  DIPJ.  intimado  a  tomar  providências  corretivas,  olvidou  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  de  fls.  39  e  nada providenciou".    Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10980.904976/2008­86  Acórdão n.º 1003­000.523  S1­C0T3  Fl. 7          11 Que  fique  claro:  o  crédito usado em compensação deve  estar disponível  na  data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo, nos termos do  art. 170 do CTN, naquele momento, o que não se deu aqui antes as divergências apontadas e  não corrigidas, impossibilitando a comprovação de crédito informado nos PER/DCOMP.    Lado outro, ainda que se  tratasse de erro de fato, aquele erro, por exemplo,  que se  situa no  conhecimento e compreensão das características da  situação  fática  tais  como  inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos, é certo que  cabe à Recorrente o ônus de sua prova (art. 147 do CTN2), e, como já foi dito, isso não ocorreu,  mesmo tendo sido ofertada tal oportunidade à Recorrente.     Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de NEGAR PROVIMENTO  ao Recurso  Voluntário,  mantendo  o  não  reconhecimento  do  direito  creditório  em  questão,  e,  por  conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada.    (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça                                                              2 Art.  147. O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando um ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis à sua efetivação.                              Fl. 215DF CARF MF

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Numero do processo: 16561.720127/2017-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório NOVARTIS BIOCIENCIAS S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12-98.345 proferido pela 15ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e reflexo de CSLL, lavrado em 14/12/2017, em procedimento de Fiscalização levado a efeito pela DEMAC/SPO, AC 2012 (a partir de setembro), com ciência no Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). O procedimento fiscal teve por objeto a verificação das operações de Preço de Transferência originariamente praticadas pela empresa ALCON LABORATORIO DO BRASIL LTDA, CNPJ 60.412.327/0001-00, incorporada pela Impugnante em setembro de 2012. Assim, o procedimento fiscal deu origem a duas autuações distintas no mesmo AC 2012 para o IRPJ e para a CSLL: uma antes (até agosto de 2012) e a outra depois do evento de incorporação da ALCON pela Impugnante (de setembro até o final de 2012). Este processo trata da autuação do 2º período. Não obstante este processo tratar da 2a. parte de 2012, isto é, após o evento de incorporação, observei que o TVF permanece fazendo referência às operações da ALCON em separado das demais operações da NOVARTIS, ora Impugnante. Para ALCON, foram apresentados cálculos para: - 310 itens sujeitos ao método PRL20 (comercialização); e - 31 para itens sujeitos ao PRL60 (produção). Para a INOVARTIS, foram apresentados cálculos para: - 73 itens pelo método do PRL20; e - 31 para o método PRL60. Ao longo da fiscalização, 19 itens foram mudados nas apurações na INOVARTIS do PRL20 para o PRL60. Os métodos de Preço de Transferência visam a calcular o Preço Parâmetro ou de Referência, isto é, o preço até aonde é admissível a sua dedução do lucro para fins de tributação do IRPJ e da CSLL, quando o pagamento é destinado a um beneficiário vinculado. Além disso, estabelece critério para determinação do denominado Preço (ou Custo) Praticado. Uma diferença positiva entre estes preços (Preço Praticado - Preço Parâmetro) significa que o contribuinte pagou além do aceitável, nos termos da legislação, para partes vinculadas, devendo tal diferença, multiplicada pela quantidade consumida, ser adicionada ao Lucro Líquido para fins de tributação do IRPJ e da CSLL. Quanto às atividades principais da Impugnante, informa o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que são a fabricação e comércio, inclusive importação e exportação e distribuição de produtos farmacêuticos, especialidades biológicas e dietéticas, quimioterápicas, oftálmicas, entre outros assemelhados. A ALCON (incorporada pela Impugnante) teria por objeto, entre outras atividades, a fabricação, comércio e distribuição de produtos farmacêuticos, em especial, oftálmicos. O crédito tributário deste processo importa em R$ 166.048.097,58, totalizado a partir dos valores de R$ 122.094.189,40, a título de IRPJ, e de R$ 43.953.908,18, a título de CSLL, conforme demonstrativos abaixo: Em síntese, a autuação de que trata este processo decorre do descumprimento, em tese, de 3 (três) regras de ajuste de preço de transferência, conforme relatado pela autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal (TVF): (i). A falta de inclusão do Imposto de Importação – II no cálculo do Preço Praticado nos produtos sujeitos ao método PRL20; (ii). Utilização indevida do PRL20 (itens destinados ao comércio) para determinados itens quando deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens destinados à produção); (iii). Cálculo do Preço Parâmetro em desacordo com o preconizado pela IN SRF 243/02 no método do PRL60. As três infrações foram acima foram impugnadas. Além disso, a Impugnante contestou os seguintes pontos nos cálculos feitos pela autoridade autuante, completando-se assim o rol de controvérsias suscitadas neste processo: (iv). A autoridade autuante deduziu indevidamente do Preço Parâmetro tributos que não teriam incidido em algumas operações, especificamente: iv.1) ICMS na venda de medicamentos (CERTICAN, MIACALCIC e MYFORTIC) para órgãos públicos, isentos pelo Convênio 87/2002; e iv.2) PIS e COFINS na venda de medicamentos da chamada Lista Positiva (Decreto nº 3803/2001), os quais são isentos destas contribuições. (v). A autoridade autuante teria deixado de excluir do cálculo da margem de 20% as vendas canceladas (Anexo 03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS). (vi). Haveria erro na transposição do valor da base de cálculo apurada no Termo de Verificação e a efetivamente transposta para o Auto de Infração. (vii). O método de proporção do valor agregado previsto na IN SRF 243/2002 seria ilegal. As infrações encontram-se consolidadas no corpo do Auto de Infração, divididas pelos resultados apurados na Alcon e na Novartis: INFRAÇÕES DETALHADAS (i) Falta de inclusão do Imposto de Importação – II no cálculo do Preço Praticado nos produtos sujeitos ao método PRL20 Como consequência da falta de inclusão do Imposto de Importação no cálculo do preço praticado pelo método PRL20, a autoridade autuante procedeu à apuração dos ajustes de preço de transferência com as seguintes providências: a) Excluíram-se as parcelas do consumo que tiveram sua origem em aquisições do mercado interno e em importações de não vinculadas, restando somente as parcelas de produtos importados de vinculadas; b) Consolidaram-se, por produto, as quantidades, e os valores FOB convertidos para R$, e as parcelas de frete, seguro e do Imposto de Importação; c) Somaram-se, por produto, aos valores FOB convertidos em R$ os valores de frete, seguro e Imposto de Importação (CIF+II); d) Calculou-se o preço praticado unitário por produto, dividindo o valor “CIF + II” pela quantidade consumida do produto; Os preços praticados estão discriminados no Anexo 02A Cálculo dos Preços Praticados ALCON (fls. 614 a 622). (ii) Utilização do PRL20 (itens destinados ao comércio) para determinados itens quando deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens aplicados à produção) Segundo a autoridade autuante, o método PRL20 só pode ser aplicado para produtos importados e revendidos sem qualquer agregação de valor no País. Esta afirmação decorreria do art. 12 da IN SRF/243/02: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: (...) IV - de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput [PRL 60] será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. O sentido da regra acima mencionado seria colocar em mesmo patamar produtos estrangeiros e nacionais de mesma natureza. Se o produto será apenas revendido, presume-se uma margem de lucratividade de 20%. Se o insumo importado for aplicado à produção, presume-se a margem de 60% (conseqüentemente, o preço parâmetro será menor, resultando maior tributação). Esta margem pode ser alterada por meio de pedido fundamentado à Administração Tributária, conforme arts. 32 a 35 da IN SRF nº 243/2002. Informa ainda a Fiscalização, acerca da importância da aposição da marca e do rótulo como elementos fundamentais para a comercialização de remédios, o seguinte: No caso específico da indústria farmacêutica, há um elemento adicional a ser considerado na escolha do método de ajuste de Preços de Transferência, que é o rígido controle da agência reguladora responsável pela produção e distribuição desses produtos no país, a ANVISA. (...)Ou seja: a embalagem contendo todas as informações relativas ao medicamento, destacando a Marca, mas não apenas essa, é o que, em última análise permite a comercialização dos produtos importados no mercado nacional. Medicamento sem marca ou quaisquer outros elementos previstos na legislação sujeitam o produto, ipso facto, a desconfiança sobre sua autenticidade e eficácia. Não há, portanto, a mínima possibilidade de os produtos farmacêuticos serem comercializados sem o acréscimo desses elementos essenciais, notadamente a aposição da marca. Está-se falando, assim, de um novo bem, diverso daquele importado, ainda que o princípio ativo seja o mesmo em ambos. Princípio ativo sem aposição de marca e acondicionado a granel é, na melhor das hipóteses, um estoque de produtos intermediários. Uma mudança no produto que o transforme, de insumo ou estoque em produto disponível para venda não pode ser considerada uma mudança ínfima ou desprezível mas, sim, uma mudança fundamental, essencial. Ou seja, entre os elementos fundamentais que justificam a aplicação do PRL60 para medicamentos, além da aposição da marca, estaria também o cumprimento das exigências regulatórias da ANVISA. Além desses elementos, outros 2 (dois) foram identificados pela Fiscalização como justificantes para a aplicação do PRL60 para remédios: 1. Os custos reduzidos de transporte, manuseio e risco: ao importar os produtos ainda inacabados, seja na forma de componentes ou mesmo parcialmente embalados, o contribuinte incorre em menores custos de transporte e manuseio, além de menores riscos de deterioração dos produtos. 2. A terceirização da fabricação dos medicamentos: no caso presente, o contribuinte subcontrata empresa terceirizada para efetuar todas as etapas necessárias para tornar o produto apto ao consumo final (empresa ANOVIS: http://www.anovis.com.br/). Para realizar essas etapas exige-se uma unidade fabril, sujeita a controles e auditorias internos e externos, regulatórios e de conformidade. Se a NOVARTIS pudesse realizar as etapas de agregação de valor sem uma planta produtiva, assim o teria feito. Isso é mais um elemento que descaracteriza a mera revenda de produtos importados, exigindo do contribuinte a utilização do método PRL60 ou equivalente. Assim, a etapa de agregação nacional comporta evidentes economias para o contribuinte no que tange à movimentação internacional dos produtos, além de se caracterizar como atividade de produção de um novo bem, realizado por terceiro qualificado para tal. Portanto, baseado no entendimento acima exposto, diversos itens importados tiveram seus preços parâmetros migrados de ofício do método PRL20 para o PRL60, rejeitando-se as explicações da Impugnante no sentido de sustentar o PRL20. Essencialmente, as explicações apresentadas pela Impugnante à Fiscalização tratavam de serem os produtos EXJADE, RITALINA acabados. Contudo, mesmo para estes produtos, entendeu a Fiscalização que seria aplicável a Solução de Consulta Cosit nº 5 de 2006, que prescreve o PRL60 para casos semelhantes a este. No caso específico do GLIVEC, não foi também aceito o método do Preço sob Cotação na Importação (PIC), pleiteado pela Impugnante no curso do procedimento fiscal. O não acatamento deste método pela Fiscalização deu-se sob o fundamento de insuficiência nos documentos apresentados pela Impugnante. Entre estes, relata o TVF: A ausência de documentos de importação ou de aquisição; Prova de não vinculação dos envolvidos na negociação; e Outros. Também foi rejeitada aplicação do PRL20 para o GLIVEC, tendo sido aplicado pela Fiscalização o PRL60. No caso da migração do PRL20 para o PR60 para os itens em geral, os ajustes foram feitos apenas quando a diferença atingia os 5%, como previsto no art. 38 da IN 243/2002. A diferença encontrada era multiplicada pela quantidade de itens para encontrar o total a ser adicionado ao Lucro Líquido. (iii) Cálculo do Preço Parâmetro em desacordo com o preconizado pela IN SRF 243/02 no método do PRL60 para os itens adquiridos pela NOVARTIS No caso dos itens que já tinham tido seus preços parâmetros calculados pelo PRL60 pela Impugnante, os cálculos foram refeitos segundo a metodologia determinada pela IN 243/2002 e a diferença encontrada também foi adicionada o Lucro Líquido pela Fiscalização. A metodologia do PRL60 prevista na IN 243/2002 foi aplicada para os itens da ALCON, mas não teria sido aplicada pelos itens adquiridos pela NOVARTIS por parte da Impugnante. Essencialmente, a metodologia excluiu o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%. Para encontrar o Preço Parâmetro, informa ainda o TVF a adoção dos seguintes procedimentos: a) para cada insumo, multiplicou-se a relação insumo-produto, informada pelo contribuinte, em relação a cada bem produzido, pela quantidade vendida do bem produzido e assim obteve-se a quantidade utilizada de determinado insumo importado em cada bem produzido; b) a seguir, multiplicou-se essa quantidade utilizada de insumo importado pelo preço praticado na importação (que representa o custo unitário de importação de determinado insumo) e assim encontramos o custo total do insumo importado no bem produzido; c) dividindo-se o custo total do insumo importado pelo custo total de produção do bem produzido encontramos o percentual de participação do insumo no custo do bem produzido; d) multiplicou-se então esse percentual de participação do insumo no custo do bem produzido pelo valor líquido das vendas e encontramos a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido; e) A margem de lucro foi obtida mediante a aplicação do percentual de sessenta por cento (60%) sobre a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido. f) O preço parâmetro foi encontrado subtraindo-se o valor da margem de lucro do valor da participação do bem importado no preço do bem produzido; g) Nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, são gerados preços parâmetros distintos para cada bem final produzido. Desta forma, apuramos o preço médio ponderado, dividindo a somatória dos preços parâmetros pela quantidade total de insumo utilizada na produção. O detalhamento dos cálculos dos preços parâmetros pelo método PRL60 é mostrado no Anexo 04A - Preços parâmetro pelo PRL 60 ALCON. IMPUGNAÇÃO A Impugnante, em síntese, pleiteia o reconhecimento da nulidade ou improcedência da autuação em razão das seguintes alegações: A Fiscalização não poderia ter migrado o produto GLIVEC do método PIC, eleito pela Impugnante, para o método PRL60 (Termo de Constatação de fls. 383), em razão do disposto no art. 20-A da Lei 9.430/96 (necessidade de intimação prévia para, no prazo de 30 dias, o contribuinte apurar o ajuste por outro método) ; Haveria diversos erros de direito na apuração das bases de cálculo autuadas; O simples acondicionamento de produtos em embalagens primárias ou secundárias, como feito pela Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação de preço de transferência. No caso ainda dos produtos RITANINA e EXJADE, o PRL60 foi indevidamente aplicado pela Fiscalização por haver para estes apenas a aposição de rótulo na embalagem de transporte. Tais produtos são revendidos nas mesmas embalagens primárias e secundárias em que são importados, não lhes devendo ser aplicável, por conseguinte, o PRL60 (mas, sim, o PRL 20); As disposições da IN 243/02 acerca do cálculo do preço parâmetro pelo PRL60 excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais. Os valores de frete, seguro e tributos aduaneiros – entre os quais, o Imposto de Importação – não devem ser incluídos no cálculo dos preços praticados para fins de apuração dos ajustes no PRL. Indevida desconsideração do método PIC para o produto GLIVEC Alega a Impugnante que, nos termos do § 2º, inciso III, do art. 20-A da Lei 9.430/96, deveria ter sido previamente intimada pela Fiscalização a apresentar os elementos que considerou úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro pelo PIC para o Glivec. Alega ainda que a Fiscalização assim não fez pois, com a proximidade do termo final do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário ora discutido, não havia tempo hábil para intimar a Impugnante e, assim, optou por simplesmente lavrar os autos de infração desconsiderando o pedido de substituição dos métodos. Apresentado pela Impugnante em atendimento à intimação do Termo de Constatação de fls. 383 e seguintes. Erros na apuração das bases de cálculo autuadas (b.1) Erro na apuração do preço parâmetro pelo PRL60: consideração das quantidades de produtos importados/estoque inicial como quantidades de produto revendidas A Fiscalização teria apurado o custo dos produtos e mercadorias vendidas, nos métodos PRL, em desacordo com os valores efetivamente incorridos, como reclama a seguinte passagem da Impugnação: Sem amparo em qualquer previsão legal, em vez de considerar efetivamente o número total das operações de revenda dos produtos importados, a D. Fiscalização houve por bem considerar, para fins de determinação do preço parâmetro no PRL60, as quantidades de produtos importados e em estoque no início do período de apuração (identificadas nas planilhas de cálculo como “Qtde praticado”). (b.2) Erro na apuração do preço parâmetro quanto ao Glivec: dedução de contribuições que não incidiram efetivamente sobre as operações de revenda O Glivec (cujo princípio ativo é o Mesilato de Imatinibe) está listado no Anexo do Decreto 3.803/01 (a chamada “Lista Positiva” do Ministério da Saúde). O referido Decreto lista os medicamentos que fazem jus ao regime especial de PIS e COFINS disposto no art. 3º da Lei 10.147/00. Referido regime especial concede créditos presumidos equivalentes aos valores de PIS e COFINS apurados nas vendas dos medicamentos da Lista Positiva por importadores e estabelecimentos industriais. Em outras palavras, o crédito de valor equivalente ao PIS e COFINS apurados sobre a operação de saída acaba por anular a incidência do PIS e da COFINS nas operações com medicamentos da Lista Positiva. Este efeito de anular a incidência do PIS e da COFINS é levado em consideração pelas Autoridades Reguladoras para o fim de determinar os preços máximos de comercialização dos medicamentos da Lista Positiva. Deste modo, em razão do crédito presumido previsto no art. 3º da Lei 10.147/00, o PIS e a COFINS não podem ser repassados no valor das operações de revenda. (b.3) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor de ICMS no cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002 Alguns dos medicamentos importados objeto da autuação seriam revendidos para órgãos da Administração Pública Direta Federal, Estadual e Municipal, fazendo jus à isenção do ICMS prevista pelo Convênio ICMS nº 87, celebrado em 28 de junho de 2002 (“Convênio 87/02”, anexo doc. 03). Este seria o caso dos medicamentos MIACALCIC, MYFORTIC e CERTICAN. Para comprovar tal alegação, juntou amostra de Notas Fiscais às fls. 413 e 456 e 383 a 398. Alega ainda que, ao ser intimada a manifestar-se sobre os cálculos feitos pela Fiscalização, informou o erro e apresentou apurações do preço parâmetro com a dedução do ICMS corrigida. A Fiscalização teria recusado os cálculos por entender não ter sido devidamente demonstrada a incorreção, basicamente por terem sido apresentadas algumas poucas das Notas Fiscais como meio de prova das alegações. Contudo, reclama a Impugnante que a Fiscalização poderia ter acesso à totalidade das Notas Fiscais por meio do SPED. Por não o ter feito e por ter ignorado o apontamento feito pela Impugnante, o Auto de Infração deve ser reputado nulo ou, pelo menos, que sejam refeitos os cálculos para expurgar o efeito do ICMS sobre a apuração do preço parâmetro de determinados itens. (b.4) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: consideração dos valores de mercadorias devolvidas na base de cálculo da margem de lucro de 20% A Fiscalização teria deduzido do Preço Parâmetro no PRL20 margem maior do que a aplicável, pois não excluiu as devoluções de vendas. Embora não esteja expressamente previsto que a média aritmética do valor das operações deve abater as devoluções, este procedimento decorreria logicamente do próprio método de apuração de preços. Exemplifica o erro cometido pela Fiscalização apontando trecho do Anexo 03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS o registro do medicamento Miacalcic. Informa que a Fiscalização teria calculado margem de 20% sobre o valor bruto de R$ 2.649.147,33., tendo encontrado R$ 529.829,47. Prossegue nos apontamentos: Já no "valor presente” de referido produto, considerou o valor das devoluções, uma vez que R$2.206.813,67 correspondem a R$2.649.147,33 subtraídos dos R$435.176,80 considerados a título de ICMS e de R$7.156,86 de devoluções. E conclui: Em outras palavras, a D. Fiscalização descontou o valor das devoluções no cálculo do preço líquido de vendas - desconto este que faz diminuir o preço parâmetro apurado e, por consequência, o valor dos supostos ajustes devidos; e, de outro lado, calculou a margem de 20% sem descontar as devoluções. Ao calcular a margem de 20% desta forma, diminuiu de forma indevida o valor do preço parâmetro e, por conseguinte, apurou ajustes de preços de transferência inexistentes do ponto de vista da legislação aplicável. Assim, pleiteia a nulidade do lançamento em razão do erro na base de cálculo. (b.5) Erro por uso de base de cálculo diversa da apurada A Fiscalização teria ainda apurado incorretamente o IRPJ e a CSLL por ter transposto bases de cálculo informadas no TVF não coincidentes com as constantes no Auto de Infração. No TVF, as bases de cálculo informadas constariam da seguinte passagem: Contudo, no Auto de Infração, a Base de Cálculo seria outra: Alega a Impugnante que, ao utilizar a base de cálculo diversa daquela apontada no TVF, sem explicar os motivos pelos quais assim procedeu, a Fiscalização a impediu de exercer amplamente seu direito de defesa, porque não tem como contradizer base de cálculo cuja origem desconhece. Insubsistência dos motivos para desqualificar a aplicação do método do PRL20 O simples acondicionamento de produtos em embalagens primárias ou secundárias, como feito pela Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação de preço de transferência No caso mais específico dos produtos RITALINA e EXJADE, o PRL60 foi indevidamente aplicado pela Fiscalização por haver para estes apenas a aposição de rótulo na embalagem de transporte. Tais produtos são revendidos nas mesmas embalagens primárias e secundárias em que são importados, não lhes devendo ser aplicável, por conseguinte, o PRL60. A inconformidade da Impugnante pela desclassificação do método PRL20 para PRL60 é manifestada para os 19 produtos listados a seguir, entre eles o GLIVEC (GLIVE FCT), cujo método inicial seria o PIC: Não seria necessário, segundo a Impugnante, experiência farmacêutica para se concluir que se trata de medicamentos importados acabados, prontos para o uso (ainda que dependentes de acondicionamento para fins de comercialização). Para todos os itens da tabela, entende a Impugnante que deveria ser aplicado o método do PRL20 em vez do PRL60. Ilegalidade das disposições da IN 243/02 para apuração do PRL60 As disposições da IN 243/02 acerca do cálculo do preço parâmetro pelo PRL60 excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais. Segundo a Impugnante, o modo legalmente correto de se apurar o PRL60 se daria com a seguinte fórmula: A fórmula correta, acima exposta, é deduzida do art. 18, II, d, 1, da Lei 9.430/96, com uma pequena correção no texto: suprime-se a preposição “d” na seguinte passagem: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Mas não seria necessária a correção da preposição, pois se poderia chegar ao mesmo entendimento por meio de esforço interpretativo não significativo, como diz a Impugnante: Apesar de se convir como conveniente a exclusão da letra “d” para se considerar a plenitude gramatical do citado dispositivo, há de se considerar que, mesmo sem a exclusão, o esforço interpretativo para se chegar a fórmula acima citada não é significativo, tendo sido até mesmo este o posicionamento da Receita Federal, conforme disposto no art. 12 da IN 32/01 – anterior a Instrução Normativa n° 243/02. O art. 12 da IN 32/01, ao invés de excluir a letra “d”, optou por inserir preposições para cada um dos elementos que deveriam ser deduzidos do Preço de Venda, produzindo o mesmo resultado prático propugnado acima. Confira-se: “Art. 12 (...) § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerando-se, para este fim: I - preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II - margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País.” Sucede que, após um ano e poucos meses da edição da IN 32/01 a Receita Federal do Brasil editou a IN 243/02, que revogou a anterior e pretendeu alterar substancialmente os critérios de cálculo do PRL60, sem que tivesse havido qualquer alteração na matriz legal (alínea d, 1, do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96). Aponta ainda a Impugnante um efeito circular provocado pela regra contida na IN 243/02, na medida em que, se repetido para um mesmo produto, encontraria preços parâmetros sempre menores, tomando por base aqueles já encontrados pela primeira aplicação do método. A referida sistemática da IN 243/02 acabaria por tornar mais vantajoso, para as empresas multinacionais, alocar todas as etapas de produção de seus bens para unidades fabris localizadas fora do Brasil. A própria RFB, em Solução de Consulta, teria admitido expressamente que a IN 243/02 teria inovado no cálculo do Preço de Transferência, tornando explícita a ilegalidade do procedimento. As Medidas Provisórias 478/09 e 563/12 teriam reconhecido a necessidade de legalizar critérios de cálculo antes não previstos em lei, conforme se depreende pela exposição de motivos. Por fim, a própria Lei 12.715/2012 determinou que as alterações nos critérios de apuração do preço parâmetro pelo método PRL entrariam em vigor apenas em 01.01.2013, para respeitar o princípio da anterioridade tributária. Se houve necessidade de determinar a observância do princípio da anterioridade tributária, reconheceu o Poder Legislativo que de fato a introdução de tais critérios representaria majoração de tributos. Fretes, Seguros e Imposto de Importação não se sujeitam a Preços de Transferência Ocorre que as despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros, dentre eles o II, não estão sujeitas ao controle de preços de transferência. Isso porque os fornecedores de frete e seguro não são pessoas vinculadas à Impugnante, ou seja, são custos que não podem sofrer influência em função da posição comercial da Impugnante. Os valores de frete, seguro e tributos aduaneiros – entre os quais, o Imposto de Importação – não devem ser incluídos no cálculo dos preços praticados para fins de apuração dos ajustes no PRL. Com a Lei 12.715/12, o dispositivo passou a determinar que, para fins de cálculo do preço parâmetro pelo PRL, os valores de frete, seguro e tributos não devem ser integrar o custo (isto é, devem ser excluídos do custo para fins do cálculo). Mesmo a redação anterior prevendo que o frete, seguro e tributos não devem integrar o custo, tal interpretação não pode ser adotada, sob pena de considerar despesas como frete, seguro e Imposto de Importação como sujeitas a ajuste de preço de transferência. Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício Não haveria que se falar que, de acordo com o art. 113, § 1o, do CTN, as multas de ofício também fariam parte da obrigação principal, uma vez que (i) referida norma trata das obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii) já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde com a obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo (vide art. 3º do CTN). Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgou-a parcialmente procedente, excluindo da base de cálculo dos autos de infraçãoR$ 156.022,00 decorrentes de erro material na transposição dos valores apurados no TVFe R$ 1.298.420,78 decorrentes da retificação do cálculo do PRL20 para as operaçõesNovartis, não havendo interposição de recurso de ofício em razão de o crédito tributário cancelado não alcançar o limite de alçada (tributo e multas) de R$ 2.500.000,00. O contribuinte foi intimado da decisão em 06 de junho de 2018 (fl. 2256), apresentando recurso voluntário de fls. 2494-2565 em 06 de julho de 2018 (fl. 2257). Em resumo: I. Nulidades dos autos de infração I.a. Teria havido erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: sem qualquer fundamentação jurídica, a Fiscalização teria adotado um valor como média ponderada de operações de revenda (descontando-se deste cálculo as devoluções de mercadoria) e um valor diferente de base para apuração da margem de 20% (sem descontar as devoluções). Aduz que o voto vencido da decisão recorrida deixa claro que sequer é possível identificar o porquê de tal divergência, pois não constam maiores detalhes sobre o tema no Termo de Verificação Fiscal, concluindo que não se trataria de erro de fato, e sim de erro de direito, o que levaria à impossibilidade de alteração do lançamento por parte das autoridades julgadoras. Argumenta ainda que o voto vencedor não se limitou a fazer um mero ajuste em erro material, mas sim inserindo um novo critério no lançamento (devolução das exclusões também para a base de cálculo da margem de 20%); I.b. Erro na apuração do preço parâmetro pelo PRL60: consideração das quantidades de produtos importados/estoque inicial como quantidades de produtos revendidos – desconsideração do estoque final. A Fiscalização, ainda que se apoiando em demonstrativos elaborados pela própria Recorrente, considerou que a quantidade de produtos importados no período, somada ao estoque inicial, deveria seria igual à quantidade de produto revendido, desconsiderando o estoque final de cada um dos produtos sujeitos à ajuste no método PRL60. Argumenta a Recorrente que se trata de erro de direito no lançamento, não podendo ser realizado qualquer ajuste, e que o fato de os demonstrativos terem sido por ela elaborados não possui o condão de transformar em legal o lançamento realizado em desacordo com a lei, sendo obrigação do Fisco, a teor do que dispõe o art. 142 do CTN, a verificação dos fatos e a realização do lançamento; I.c. Indevida desconsideração do método PIC pra o produto Glivec: segundo a Recorrente, a autoridade fiscal desconsiderou o método PRL20, apresentando os cálculos que entendia devido no método PRL60, e intimou o contribuinte a apresentar cálculo ou método alternativo no prazo de 30 dias. Aduz que, ao contrário do afirmado pela decisão de primeira instância, o contribuinte se manifestou, entre outras coisas, pela utilização do método PIC, apresentando os cálculos correspondentes (fls. 409-412). Após essa manifestação, os autos de infração foram lavrados, tendo sido mantido o lançamento referente ao ajuste do produto Glivec com base no método PRL60 sob a justificativa de que o contribuinte não havia apresentado documentos comprobatórios para utilização do método PIC. Argumenta ainda que o art. 20-A da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 51 da Lei nº 12.715/12, teria entrado em vigor na data de sua publicação, sendo obrigatória a intimação do contribuinte para apresentar cálculo sobre método alternativo na hipótese de a Fiscalização ter desconsiderado o método inicialmente escolhido pelo contribuinte, e que §2º, inciso III, do citado art. 20-A da Lei 9.430/96, determina que a Fiscalização poderá adotar quaisquer dos métodos previstos na legislação de preços de transferência caso o contribuinte deixe de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, quando solicitados pelaautoridade responsável pelo procedimento fiscal, sendo que não teria havido qualquer solicitação prévia de apresentação de outros elementos ou documentos além do próprio cálculo. Por essas razões, pugna pela nulidade do lançamento, ou, caso não acolhido seu pleito, que seja cancelada a exigência ao menos em relação ao ajuste do produto Glivec porquanto a Fiscalização deveria ter aceito o cálculo pelo método PIC, e, caso assim não se decida, que seja acatado o cálculo pelo método PIC com base naqueles apresentados pela Fiscalização e nos documentos acostados ao recurso voluntário que comprovariam que o preço parâmetro determinado pelo método PIC é menor do que o preço médio praticado nas importações do produto Glivec, ou seja, seja cancelada a exigência por não haver que se falar em ajuste em relação a tal produto; I.d. Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor de ICMS no cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002. Aduz que diversas vendas foram realizadas para órgãos da Administração Pública Direta, fazendo jus à isenção de ICMS prevista pelo Convênio ICMS 87, ou seja, não poderia ter sido deduzido ICMS sobre os valores dessas vendas para fins de determinação do preço parâmetro. Essa informação teria sido por ela fornecida à Fiscalização antes da lavratura do auto de infração, mas a autoridade fiscal entendeu que não houve comprovação das operações realizadas sob essa égide. A Recorrente argumenta que a Fiscalização tinha acesso ao Sped e poderia ter feito essa verificação. Argumenta ainda que anexou à impugnação demonstrativo com todas as vendas realizadas para órgãos públicos e as respectivas notas fiscais, mas a DRJ entendeu que tais informações não seriam suficientes, havendo necessidade de uma nova memória de cálculo incluindo a identificação dos destinatários das vendas e subtotalizando os valores por item, entre outras exigências. Aduz que embora discordasse de tal entendimento, elaborou nova planilha e anexou ao presente recurso com a abertura do recálculo do preço parâmetro sem a indevida inclusão do ICMS nos casos abrangidos pelo Convênio 87/02 cujas informações são corroboradas pelas notas fiscais já juntadas aos autos (fls. 773-2110). Por fim requer a nulidade da exigência, e, em caso contrário, que ao menos seja realizado o recálculo dos preços parâmetros para fins de apuração dos ajustes com base no PRL20 para excluir os montantes de ICMS que não correspondem ao imposto que efetivamente incidiu sobre as operações de revenda; I.e. Erro na apuração do preço parâmetro quanto ao Glivec: dedução de contribuições que não incidiram efetivamente sobre as operações de revenda. Argumenta que a Fiscalização se equivocou ao deduzir valores de PIS e Cofins para determinação do preço parâmetro pelo método PRL60 que efetivamente não incidiram nas operações listadas na denominada “Lista Positiva” do Ministério da Saúde (Anexo do Decreto 3.803/01). Explica que nesse regime especial são concedidos créditos presumidos equivalentes aos valores de PIS e COFINS apurados nas vendas dos medicamentos da Lista Positiva por importadores eestabelecimentos industriais. Com esse mecanismo, argumenta que há uma anulação da incidência de PIS e Cofins na operação, sendo que as autoridades reguladores desconsideram o valor dessas contribuições para o fim de determinar os preços máximos de comercialização dos medicamentos da Lista Positiva. Requer, assim, a anulação dos autos de infração, ou, se não acatado seu pedido, que ao menos seja recalculado o preço parâmetro a partir da exclusão do PIS e Cofins não incidentes nas citadas operações; II. Insubsistências dos motivos para desqualificar a aplicação do método PRL20. Alega que o produto importado “Foraseq” citado pela Fiscalização para demonstrar a agregação de valor, no Brasil, seria o que passa pelo processo de acondicionamento mais complexo. Para diversos outros produtos os procedimentos adotados seriam mais simples, tais como mera aposição de selo de controle em embalagem já pronta ou acondicionamento em embalagem secundária de produto já importado em embalagem primeira (por exemplo, cartela ou blister). Cita que nos casos dos produtos Ritalina e Exjade, a única atividade após a importação seria a rotulagem das embalagens de transporte (que sequer configuraria industrialização, nos termos do art. 4º, IV, do Decreto nº 7212/2010). Acrescenta que mesmo as fotos obtidas pela Fiscalização evidenciam que os produtos ali ilustrados já são importados com a marca, o nome comercial do medicamento e demais informações requeridas pela ANVISA para comercialização no País. Aduz que não é possível associar produção a qualquer atividade que agregue valor ao bem importado, até porque a atividade de revenda também agrega valor a bens importados (tanto que o preço da mercadoria no ponto de varejo é maior do que o a mercadoria antes do desembarque no porto). II.a. Critério legal para determinação da aplicação do PRL20 e do PRL60: aduz que a Lei nº 9.430/96, ao introduzir o método PRL60 condicionou à aplicação dos produtos importados na produção, e que nos produtos importados em que houve a desqualificação do PRL20, o percentual de participação do bem importado para fins de determinação do preço parâmetro seria muito alto, beirando, em geral, os 100%, concluindo que o valor agregado a tais produtos após a importação seria mínimo, compatível com atividades de revenda. Aduz ainda que produção tem significado próximo ao de industrialização, mas, especialmente em se tratando de legislação tributária federal, os dois termos não podem ser confundidos. Argumenta que para a palavra produção impõe a utilização do insumo em um processo produtivo no qual serão utilizados outros produtos que, em conjunto com o primeiro, passarão por um processo de trabalho redundando em um novo produto, e que, portanto, produção seria um gênero da industrialização, se aproximando do conceito de transformação (inciso I do art. 4º do Decreto 7.212/10), e não se confundindo com as atividades de acondicionamento ou reacondicionamento (inciso IV do art. 4º do Decreto 7.212/10); II.b. Inocorrência de aplicação à produção dos produtos para os quais o PRL20 foi desqualificado: aduz que os medicamentos importados já contêm a marca Novartis, são os mesmos produtos revendidos no Brasil, prontos para uso, sendo que alguns já chegariam ao Brasil, inclusive, com o nome comercial, a identificação do princípio ativo, a dosagem contida na embalagem, o número do lote e a data de vencimento; II.b. Ilegalidade das disposições da IN 243/02 para apuração do PRL60: questiona a legalidade da referida instrução normativa no que diz respeito à proporcionalização do valor dos insumos importados em relação ao preço praticado e a inclusão frete, seguro e tributos no preço parâmetro; III.c. Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício. Em 14 de dezembro de 2018 o contribuinte apresentou petição e documentos (fls. 2571-3493) anexando cópia apostilada das faturas de vendas do produto Glivec para terceiros não relacionados ao grupo Novartis e cópia da tradução juramentada dessas faturas, argumentando que tal documentação deu suporte para o cálculo do preço parâmetro pelo método PIC (no recurso voluntário foram apresentadas cópias da faturas de vendas do produto Glivec acompanhada da respectiva tradução juramentada - fls. 2260-2304 -, bem como cálculo do preço parâmetro pelo método PIC para o mesmo produto com base nessas faturas - fl. 2490). É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório NOVARTIS BIOCIENCIAS S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12-98.345 proferido pela 15ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e reflexo de CSLL, lavrado em 14/12/2017, em procedimento de Fiscalização levado a efeito pela DEMAC/SPO, AC 2012 (a partir de setembro), com ciência no Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). O procedimento fiscal teve por objeto a verificação das operações de Preço de Transferência originariamente praticadas pela empresa ALCON LABORATORIO DO BRASIL LTDA, CNPJ 60.412.327/0001-00, incorporada pela Impugnante em setembro de 2012. Assim, o procedimento fiscal deu origem a duas autuações distintas no mesmo AC 2012 para o IRPJ e para a CSLL: uma antes (até agosto de 2012) e a outra depois do evento de incorporação da ALCON pela Impugnante (de setembro até o final de 2012). Este processo trata da autuação do 2º período. Não obstante este processo tratar da 2a. parte de 2012, isto é, após o evento de incorporação, observei que o TVF permanece fazendo referência às operações da ALCON em separado das demais operações da NOVARTIS, ora Impugnante. Para ALCON, foram apresentados cálculos para: - 310 itens sujeitos ao método PRL20 (comercialização); e - 31 para itens sujeitos ao PRL60 (produção). Para a INOVARTIS, foram apresentados cálculos para: - 73 itens pelo método do PRL20; e - 31 para o método PRL60. Ao longo da fiscalização, 19 itens foram mudados nas apurações na INOVARTIS do PRL20 para o PRL60. Os métodos de Preço de Transferência visam a calcular o Preço Parâmetro ou de Referência, isto é, o preço até aonde é admissível a sua dedução do lucro para fins de tributação do IRPJ e da CSLL, quando o pagamento é destinado a um beneficiário vinculado. Além disso, estabelece critério para determinação do denominado Preço (ou Custo) Praticado. Uma diferença positiva entre estes preços (Preço Praticado - Preço Parâmetro) significa que o contribuinte pagou além do aceitável, nos termos da legislação, para partes vinculadas, devendo tal diferença, multiplicada pela quantidade consumida, ser adicionada ao Lucro Líquido para fins de tributação do IRPJ e da CSLL. Quanto às atividades principais da Impugnante, informa o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que são a fabricação e comércio, inclusive importação e exportação e distribuição de produtos farmacêuticos, especialidades biológicas e dietéticas, quimioterápicas, oftálmicas, entre outros assemelhados. A ALCON (incorporada pela Impugnante) teria por objeto, entre outras atividades, a fabricação, comércio e distribuição de produtos farmacêuticos, em especial, oftálmicos. O crédito tributário deste processo importa em R$ 166.048.097,58, totalizado a partir dos valores de R$ 122.094.189,40, a título de IRPJ, e de R$ 43.953.908,18, a título de CSLL, conforme demonstrativos abaixo: Em síntese, a autuação de que trata este processo decorre do descumprimento, em tese, de 3 (três) regras de ajuste de preço de transferência, conforme relatado pela autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal (TVF): (i). A falta de inclusão do Imposto de Importação – II no cálculo do Preço Praticado nos produtos sujeitos ao método PRL20; (ii). Utilização indevida do PRL20 (itens destinados ao comércio) para determinados itens quando deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens destinados à produção); (iii). Cálculo do Preço Parâmetro em desacordo com o preconizado pela IN SRF 243/02 no método do PRL60. As três infrações foram acima foram impugnadas. Além disso, a Impugnante contestou os seguintes pontos nos cálculos feitos pela autoridade autuante, completando-se assim o rol de controvérsias suscitadas neste processo: (iv). A autoridade autuante deduziu indevidamente do Preço Parâmetro tributos que não teriam incidido em algumas operações, especificamente: iv.1) ICMS na venda de medicamentos (CERTICAN, MIACALCIC e MYFORTIC) para órgãos públicos, isentos pelo Convênio 87/2002; e iv.2) PIS e COFINS na venda de medicamentos da chamada Lista Positiva (Decreto nº 3803/2001), os quais são isentos destas contribuições. (v). A autoridade autuante teria deixado de excluir do cálculo da margem de 20% as vendas canceladas (Anexo 03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS). (vi). Haveria erro na transposição do valor da base de cálculo apurada no Termo de Verificação e a efetivamente transposta para o Auto de Infração. (vii). O método de proporção do valor agregado previsto na IN SRF 243/2002 seria ilegal. As infrações encontram-se consolidadas no corpo do Auto de Infração, divididas pelos resultados apurados na Alcon e na Novartis: INFRAÇÕES DETALHADAS (i) Falta de inclusão do Imposto de Importação – II no cálculo do Preço Praticado nos produtos sujeitos ao método PRL20 Como consequência da falta de inclusão do Imposto de Importação no cálculo do preço praticado pelo método PRL20, a autoridade autuante procedeu à apuração dos ajustes de preço de transferência com as seguintes providências: a) Excluíram-se as parcelas do consumo que tiveram sua origem em aquisições do mercado interno e em importações de não vinculadas, restando somente as parcelas de produtos importados de vinculadas; b) Consolidaram-se, por produto, as quantidades, e os valores FOB convertidos para R$, e as parcelas de frete, seguro e do Imposto de Importação; c) Somaram-se, por produto, aos valores FOB convertidos em R$ os valores de frete, seguro e Imposto de Importação (CIF+II); d) Calculou-se o preço praticado unitário por produto, dividindo o valor “CIF + II” pela quantidade consumida do produto; Os preços praticados estão discriminados no Anexo 02A Cálculo dos Preços Praticados ALCON (fls. 614 a 622). (ii) Utilização do PRL20 (itens destinados ao comércio) para determinados itens quando deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens aplicados à produção) Segundo a autoridade autuante, o método PRL20 só pode ser aplicado para produtos importados e revendidos sem qualquer agregação de valor no País. Esta afirmação decorreria do art. 12 da IN SRF/243/02: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: (...) IV - de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput [PRL 60] será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. O sentido da regra acima mencionado seria colocar em mesmo patamar produtos estrangeiros e nacionais de mesma natureza. Se o produto será apenas revendido, presume-se uma margem de lucratividade de 20%. Se o insumo importado for aplicado à produção, presume-se a margem de 60% (conseqüentemente, o preço parâmetro será menor, resultando maior tributação). Esta margem pode ser alterada por meio de pedido fundamentado à Administração Tributária, conforme arts. 32 a 35 da IN SRF nº 243/2002. Informa ainda a Fiscalização, acerca da importância da aposição da marca e do rótulo como elementos fundamentais para a comercialização de remédios, o seguinte: No caso específico da indústria farmacêutica, há um elemento adicional a ser considerado na escolha do método de ajuste de Preços de Transferência, que é o rígido controle da agência reguladora responsável pela produção e distribuição desses produtos no país, a ANVISA. (...)Ou seja: a embalagem contendo todas as informações relativas ao medicamento, destacando a Marca, mas não apenas essa, é o que, em última análise permite a comercialização dos produtos importados no mercado nacional. Medicamento sem marca ou quaisquer outros elementos previstos na legislação sujeitam o produto, ipso facto, a desconfiança sobre sua autenticidade e eficácia. Não há, portanto, a mínima possibilidade de os produtos farmacêuticos serem comercializados sem o acréscimo desses elementos essenciais, notadamente a aposição da marca. Está-se falando, assim, de um novo bem, diverso daquele importado, ainda que o princípio ativo seja o mesmo em ambos. Princípio ativo sem aposição de marca e acondicionado a granel é, na melhor das hipóteses, um estoque de produtos intermediários. Uma mudança no produto que o transforme, de insumo ou estoque em produto disponível para venda não pode ser considerada uma mudança ínfima ou desprezível mas, sim, uma mudança fundamental, essencial. Ou seja, entre os elementos fundamentais que justificam a aplicação do PRL60 para medicamentos, além da aposição da marca, estaria também o cumprimento das exigências regulatórias da ANVISA. Além desses elementos, outros 2 (dois) foram identificados pela Fiscalização como justificantes para a aplicação do PRL60 para remédios: 1. Os custos reduzidos de transporte, manuseio e risco: ao importar os produtos ainda inacabados, seja na forma de componentes ou mesmo parcialmente embalados, o contribuinte incorre em menores custos de transporte e manuseio, além de menores riscos de deterioração dos produtos. 2. A terceirização da fabricação dos medicamentos: no caso presente, o contribuinte subcontrata empresa terceirizada para efetuar todas as etapas necessárias para tornar o produto apto ao consumo final (empresa ANOVIS: http://www.anovis.com.br/). Para realizar essas etapas exige-se uma unidade fabril, sujeita a controles e auditorias internos e externos, regulatórios e de conformidade. Se a NOVARTIS pudesse realizar as etapas de agregação de valor sem uma planta produtiva, assim o teria feito. Isso é mais um elemento que descaracteriza a mera revenda de produtos importados, exigindo do contribuinte a utilização do método PRL60 ou equivalente. Assim, a etapa de agregação nacional comporta evidentes economias para o contribuinte no que tange à movimentação internacional dos produtos, além de se caracterizar como atividade de produção de um novo bem, realizado por terceiro qualificado para tal. Portanto, baseado no entendimento acima exposto, diversos itens importados tiveram seus preços parâmetros migrados de ofício do método PRL20 para o PRL60, rejeitando-se as explicações da Impugnante no sentido de sustentar o PRL20. Essencialmente, as explicações apresentadas pela Impugnante à Fiscalização tratavam de serem os produtos EXJADE, RITALINA acabados. Contudo, mesmo para estes produtos, entendeu a Fiscalização que seria aplicável a Solução de Consulta Cosit nº 5 de 2006, que prescreve o PRL60 para casos semelhantes a este. No caso específico do GLIVEC, não foi também aceito o método do Preço sob Cotação na Importação (PIC), pleiteado pela Impugnante no curso do procedimento fiscal. O não acatamento deste método pela Fiscalização deu-se sob o fundamento de insuficiência nos documentos apresentados pela Impugnante. Entre estes, relata o TVF: A ausência de documentos de importação ou de aquisição; Prova de não vinculação dos envolvidos na negociação; e Outros. Também foi rejeitada aplicação do PRL20 para o GLIVEC, tendo sido aplicado pela Fiscalização o PRL60. No caso da migração do PRL20 para o PR60 para os itens em geral, os ajustes foram feitos apenas quando a diferença atingia os 5%, como previsto no art. 38 da IN 243/2002. A diferença encontrada era multiplicada pela quantidade de itens para encontrar o total a ser adicionado ao Lucro Líquido. (iii) Cálculo do Preço Parâmetro em desacordo com o preconizado pela IN SRF 243/02 no método do PRL60 para os itens adquiridos pela NOVARTIS No caso dos itens que já tinham tido seus preços parâmetros calculados pelo PRL60 pela Impugnante, os cálculos foram refeitos segundo a metodologia determinada pela IN 243/2002 e a diferença encontrada também foi adicionada o Lucro Líquido pela Fiscalização. A metodologia do PRL60 prevista na IN 243/2002 foi aplicada para os itens da ALCON, mas não teria sido aplicada pelos itens adquiridos pela NOVARTIS por parte da Impugnante. Essencialmente, a metodologia excluiu o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%. Para encontrar o Preço Parâmetro, informa ainda o TVF a adoção dos seguintes procedimentos: a) para cada insumo, multiplicou-se a relação insumo-produto, informada pelo contribuinte, em relação a cada bem produzido, pela quantidade vendida do bem produzido e assim obteve-se a quantidade utilizada de determinado insumo importado em cada bem produzido; b) a seguir, multiplicou-se essa quantidade utilizada de insumo importado pelo preço praticado na importação (que representa o custo unitário de importação de determinado insumo) e assim encontramos o custo total do insumo importado no bem produzido; c) dividindo-se o custo total do insumo importado pelo custo total de produção do bem produzido encontramos o percentual de participação do insumo no custo do bem produzido; d) multiplicou-se então esse percentual de participação do insumo no custo do bem produzido pelo valor líquido das vendas e encontramos a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido; e) A margem de lucro foi obtida mediante a aplicação do percentual de sessenta por cento (60%) sobre a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido. f) O preço parâmetro foi encontrado subtraindo-se o valor da margem de lucro do valor da participação do bem importado no preço do bem produzido; g) Nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, são gerados preços parâmetros distintos para cada bem final produzido. Desta forma, apuramos o preço médio ponderado, dividindo a somatória dos preços parâmetros pela quantidade total de insumo utilizada na produção. O detalhamento dos cálculos dos preços parâmetros pelo método PRL60 é mostrado no Anexo 04A - Preços parâmetro pelo PRL 60 ALCON. IMPUGNAÇÃO A Impugnante, em síntese, pleiteia o reconhecimento da nulidade ou improcedência da autuação em razão das seguintes alegações: A Fiscalização não poderia ter migrado o produto GLIVEC do método PIC, eleito pela Impugnante, para o método PRL60 (Termo de Constatação de fls. 383), em razão do disposto no art. 20-A da Lei 9.430/96 (necessidade de intimação prévia para, no prazo de 30 dias, o contribuinte apurar o ajuste por outro método) ; Haveria diversos erros de direito na apuração das bases de cálculo autuadas; O simples acondicionamento de produtos em embalagens primárias ou secundárias, como feito pela Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação de preço de transferência. No caso ainda dos produtos RITANINA e EXJADE, o PRL60 foi indevidamente aplicado pela Fiscalização por haver para estes apenas a aposição de rótulo na embalagem de transporte. Tais produtos são revendidos nas mesmas embalagens primárias e secundárias em que são importados, não lhes devendo ser aplicável, por conseguinte, o PRL60 (mas, sim, o PRL 20); As disposições da IN 243/02 acerca do cálculo do preço parâmetro pelo PRL60 excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais. Os valores de frete, seguro e tributos aduaneiros – entre os quais, o Imposto de Importação – não devem ser incluídos no cálculo dos preços praticados para fins de apuração dos ajustes no PRL. Indevida desconsideração do método PIC para o produto GLIVEC Alega a Impugnante que, nos termos do § 2º, inciso III, do art. 20-A da Lei 9.430/96, deveria ter sido previamente intimada pela Fiscalização a apresentar os elementos que considerou úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro pelo PIC para o Glivec. Alega ainda que a Fiscalização assim não fez pois, com a proximidade do termo final do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário ora discutido, não havia tempo hábil para intimar a Impugnante e, assim, optou por simplesmente lavrar os autos de infração desconsiderando o pedido de substituição dos métodos. Apresentado pela Impugnante em atendimento à intimação do Termo de Constatação de fls. 383 e seguintes. Erros na apuração das bases de cálculo autuadas (b.1) Erro na apuração do preço parâmetro pelo PRL60: consideração das quantidades de produtos importados/estoque inicial como quantidades de produto revendidas A Fiscalização teria apurado o custo dos produtos e mercadorias vendidas, nos métodos PRL, em desacordo com os valores efetivamente incorridos, como reclama a seguinte passagem da Impugnação: Sem amparo em qualquer previsão legal, em vez de considerar efetivamente o número total das operações de revenda dos produtos importados, a D. Fiscalização houve por bem considerar, para fins de determinação do preço parâmetro no PRL60, as quantidades de produtos importados e em estoque no início do período de apuração (identificadas nas planilhas de cálculo como “Qtde praticado”). (b.2) Erro na apuração do preço parâmetro quanto ao Glivec: dedução de contribuições que não incidiram efetivamente sobre as operações de revenda O Glivec (cujo princípio ativo é o Mesilato de Imatinibe) está listado no Anexo do Decreto 3.803/01 (a chamada “Lista Positiva” do Ministério da Saúde). O referido Decreto lista os medicamentos que fazem jus ao regime especial de PIS e COFINS disposto no art. 3º da Lei 10.147/00. Referido regime especial concede créditos presumidos equivalentes aos valores de PIS e COFINS apurados nas vendas dos medicamentos da Lista Positiva por importadores e estabelecimentos industriais. Em outras palavras, o crédito de valor equivalente ao PIS e COFINS apurados sobre a operação de saída acaba por anular a incidência do PIS e da COFINS nas operações com medicamentos da Lista Positiva. Este efeito de anular a incidência do PIS e da COFINS é levado em consideração pelas Autoridades Reguladoras para o fim de determinar os preços máximos de comercialização dos medicamentos da Lista Positiva. Deste modo, em razão do crédito presumido previsto no art. 3º da Lei 10.147/00, o PIS e a COFINS não podem ser repassados no valor das operações de revenda. (b.3) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor de ICMS no cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002 Alguns dos medicamentos importados objeto da autuação seriam revendidos para órgãos da Administração Pública Direta Federal, Estadual e Municipal, fazendo jus à isenção do ICMS prevista pelo Convênio ICMS nº 87, celebrado em 28 de junho de 2002 (“Convênio 87/02”, anexo doc. 03). Este seria o caso dos medicamentos MIACALCIC, MYFORTIC e CERTICAN. Para comprovar tal alegação, juntou amostra de Notas Fiscais às fls. 413 e 456 e 383 a 398. Alega ainda que, ao ser intimada a manifestar-se sobre os cálculos feitos pela Fiscalização, informou o erro e apresentou apurações do preço parâmetro com a dedução do ICMS corrigida. A Fiscalização teria recusado os cálculos por entender não ter sido devidamente demonstrada a incorreção, basicamente por terem sido apresentadas algumas poucas das Notas Fiscais como meio de prova das alegações. Contudo, reclama a Impugnante que a Fiscalização poderia ter acesso à totalidade das Notas Fiscais por meio do SPED. Por não o ter feito e por ter ignorado o apontamento feito pela Impugnante, o Auto de Infração deve ser reputado nulo ou, pelo menos, que sejam refeitos os cálculos para expurgar o efeito do ICMS sobre a apuração do preço parâmetro de determinados itens. (b.4) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: consideração dos valores de mercadorias devolvidas na base de cálculo da margem de lucro de 20% A Fiscalização teria deduzido do Preço Parâmetro no PRL20 margem maior do que a aplicável, pois não excluiu as devoluções de vendas. Embora não esteja expressamente previsto que a média aritmética do valor das operações deve abater as devoluções, este procedimento decorreria logicamente do próprio método de apuração de preços. Exemplifica o erro cometido pela Fiscalização apontando trecho do Anexo 03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS o registro do medicamento Miacalcic. Informa que a Fiscalização teria calculado margem de 20% sobre o valor bruto de R$ 2.649.147,33., tendo encontrado R$ 529.829,47. Prossegue nos apontamentos: Já no "valor presente” de referido produto, considerou o valor das devoluções, uma vez que R$2.206.813,67 correspondem a R$2.649.147,33 subtraídos dos R$435.176,80 considerados a título de ICMS e de R$7.156,86 de devoluções. E conclui: Em outras palavras, a D. Fiscalização descontou o valor das devoluções no cálculo do preço líquido de vendas - desconto este que faz diminuir o preço parâmetro apurado e, por consequência, o valor dos supostos ajustes devidos; e, de outro lado, calculou a margem de 20% sem descontar as devoluções. Ao calcular a margem de 20% desta forma, diminuiu de forma indevida o valor do preço parâmetro e, por conseguinte, apurou ajustes de preços de transferência inexistentes do ponto de vista da legislação aplicável. Assim, pleiteia a nulidade do lançamento em razão do erro na base de cálculo. (b.5) Erro por uso de base de cálculo diversa da apurada A Fiscalização teria ainda apurado incorretamente o IRPJ e a CSLL por ter transposto bases de cálculo informadas no TVF não coincidentes com as constantes no Auto de Infração. No TVF, as bases de cálculo informadas constariam da seguinte passagem: Contudo, no Auto de Infração, a Base de Cálculo seria outra: Alega a Impugnante que, ao utilizar a base de cálculo diversa daquela apontada no TVF, sem explicar os motivos pelos quais assim procedeu, a Fiscalização a impediu de exercer amplamente seu direito de defesa, porque não tem como contradizer base de cálculo cuja origem desconhece. Insubsistência dos motivos para desqualificar a aplicação do método do PRL20 O simples acondicionamento de produtos em embalagens primárias ou secundárias, como feito pela Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação de preço de transferência No caso mais específico dos produtos RITALINA e EXJADE, o PRL60 foi indevidamente aplicado pela Fiscalização por haver para estes apenas a aposição de rótulo na embalagem de transporte. Tais produtos são revendidos nas mesmas embalagens primárias e secundárias em que são importados, não lhes devendo ser aplicável, por conseguinte, o PRL60. A inconformidade da Impugnante pela desclassificação do método PRL20 para PRL60 é manifestada para os 19 produtos listados a seguir, entre eles o GLIVEC (GLIVE FCT), cujo método inicial seria o PIC: Não seria necessário, segundo a Impugnante, experiência farmacêutica para se concluir que se trata de medicamentos importados acabados, prontos para o uso (ainda que dependentes de acondicionamento para fins de comercialização). Para todos os itens da tabela, entende a Impugnante que deveria ser aplicado o método do PRL20 em vez do PRL60. Ilegalidade das disposições da IN 243/02 para apuração do PRL60 As disposições da IN 243/02 acerca do cálculo do preço parâmetro pelo PRL60 excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais. Segundo a Impugnante, o modo legalmente correto de se apurar o PRL60 se daria com a seguinte fórmula: A fórmula correta, acima exposta, é deduzida do art. 18, II, d, 1, da Lei 9.430/96, com uma pequena correção no texto: suprime-se a preposição “d” na seguinte passagem: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Mas não seria necessária a correção da preposição, pois se poderia chegar ao mesmo entendimento por meio de esforço interpretativo não significativo, como diz a Impugnante: Apesar de se convir como conveniente a exclusão da letra “d” para se considerar a plenitude gramatical do citado dispositivo, há de se considerar que, mesmo sem a exclusão, o esforço interpretativo para se chegar a fórmula acima citada não é significativo, tendo sido até mesmo este o posicionamento da Receita Federal, conforme disposto no art. 12 da IN 32/01 – anterior a Instrução Normativa n° 243/02. O art. 12 da IN 32/01, ao invés de excluir a letra “d”, optou por inserir preposições para cada um dos elementos que deveriam ser deduzidos do Preço de Venda, produzindo o mesmo resultado prático propugnado acima. Confira-se: “Art. 12 (...) § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerando-se, para este fim: I - preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II - margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País.” Sucede que, após um ano e poucos meses da edição da IN 32/01 a Receita Federal do Brasil editou a IN 243/02, que revogou a anterior e pretendeu alterar substancialmente os critérios de cálculo do PRL60, sem que tivesse havido qualquer alteração na matriz legal (alínea d, 1, do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96). Aponta ainda a Impugnante um efeito circular provocado pela regra contida na IN 243/02, na medida em que, se repetido para um mesmo produto, encontraria preços parâmetros sempre menores, tomando por base aqueles já encontrados pela primeira aplicação do método. A referida sistemática da IN 243/02 acabaria por tornar mais vantajoso, para as empresas multinacionais, alocar todas as etapas de produção de seus bens para unidades fabris localizadas fora do Brasil. A própria RFB, em Solução de Consulta, teria admitido expressamente que a IN 243/02 teria inovado no cálculo do Preço de Transferência, tornando explícita a ilegalidade do procedimento. As Medidas Provisórias 478/09 e 563/12 teriam reconhecido a necessidade de legalizar critérios de cálculo antes não previstos em lei, conforme se depreende pela exposição de motivos. Por fim, a própria Lei 12.715/2012 determinou que as alterações nos critérios de apuração do preço parâmetro pelo método PRL entrariam em vigor apenas em 01.01.2013, para respeitar o princípio da anterioridade tributária. Se houve necessidade de determinar a observância do princípio da anterioridade tributária, reconheceu o Poder Legislativo que de fato a introdução de tais critérios representaria majoração de tributos. Fretes, Seguros e Imposto de Importação não se sujeitam a Preços de Transferência Ocorre que as despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros, dentre eles o II, não estão sujeitas ao controle de preços de transferência. Isso porque os fornecedores de frete e seguro não são pessoas vinculadas à Impugnante, ou seja, são custos que não podem sofrer influência em função da posição comercial da Impugnante. Os valores de frete, seguro e tributos aduaneiros – entre os quais, o Imposto de Importação – não devem ser incluídos no cálculo dos preços praticados para fins de apuração dos ajustes no PRL. Com a Lei 12.715/12, o dispositivo passou a determinar que, para fins de cálculo do preço parâmetro pelo PRL, os valores de frete, seguro e tributos não devem ser integrar o custo (isto é, devem ser excluídos do custo para fins do cálculo). Mesmo a redação anterior prevendo que o frete, seguro e tributos não devem integrar o custo, tal interpretação não pode ser adotada, sob pena de considerar despesas como frete, seguro e Imposto de Importação como sujeitas a ajuste de preço de transferência. Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício Não haveria que se falar que, de acordo com o art. 113, § 1o, do CTN, as multas de ofício também fariam parte da obrigação principal, uma vez que (i) referida norma trata das obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii) já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde com a obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo (vide art. 3º do CTN). Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgou-a parcialmente procedente, excluindo da base de cálculo dos autos de infraçãoR$ 156.022,00 decorrentes de erro material na transposição dos valores apurados no TVFe R$ 1.298.420,78 decorrentes da retificação do cálculo do PRL20 para as operaçõesNovartis, não havendo interposição de recurso de ofício em razão de o crédito tributário cancelado não alcançar o limite de alçada (tributo e multas) de R$ 2.500.000,00. O contribuinte foi intimado da decisão em 06 de junho de 2018 (fl. 2256), apresentando recurso voluntário de fls. 2494-2565 em 06 de julho de 2018 (fl. 2257). Em resumo: I. Nulidades dos autos de infração I.a. Teria havido erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: sem qualquer fundamentação jurídica, a Fiscalização teria adotado um valor como média ponderada de operações de revenda (descontando-se deste cálculo as devoluções de mercadoria) e um valor diferente de base para apuração da margem de 20% (sem descontar as devoluções). Aduz que o voto vencido da decisão recorrida deixa claro que sequer é possível identificar o porquê de tal divergência, pois não constam maiores detalhes sobre o tema no Termo de Verificação Fiscal, concluindo que não se trataria de erro de fato, e sim de erro de direito, o que levaria à impossibilidade de alteração do lançamento por parte das autoridades julgadoras. Argumenta ainda que o voto vencedor não se limitou a fazer um mero ajuste em erro material, mas sim inserindo um novo critério no lançamento (devolução das exclusões também para a base de cálculo da margem de 20%); I.b. Erro na apuração do preço parâmetro pelo PRL60: consideração das quantidades de produtos importados/estoque inicial como quantidades de produtos revendidos – desconsideração do estoque final. A Fiscalização, ainda que se apoiando em demonstrativos elaborados pela própria Recorrente, considerou que a quantidade de produtos importados no período, somada ao estoque inicial, deveria seria igual à quantidade de produto revendido, desconsiderando o estoque final de cada um dos produtos sujeitos à ajuste no método PRL60. Argumenta a Recorrente que se trata de erro de direito no lançamento, não podendo ser realizado qualquer ajuste, e que o fato de os demonstrativos terem sido por ela elaborados não possui o condão de transformar em legal o lançamento realizado em desacordo com a lei, sendo obrigação do Fisco, a teor do que dispõe o art. 142 do CTN, a verificação dos fatos e a realização do lançamento; I.c. Indevida desconsideração do método PIC pra o produto Glivec: segundo a Recorrente, a autoridade fiscal desconsiderou o método PRL20, apresentando os cálculos que entendia devido no método PRL60, e intimou o contribuinte a apresentar cálculo ou método alternativo no prazo de 30 dias. Aduz que, ao contrário do afirmado pela decisão de primeira instância, o contribuinte se manifestou, entre outras coisas, pela utilização do método PIC, apresentando os cálculos correspondentes (fls. 409-412). Após essa manifestação, os autos de infração foram lavrados, tendo sido mantido o lançamento referente ao ajuste do produto Glivec com base no método PRL60 sob a justificativa de que o contribuinte não havia apresentado documentos comprobatórios para utilização do método PIC. Argumenta ainda que o art. 20-A da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 51 da Lei nº 12.715/12, teria entrado em vigor na data de sua publicação, sendo obrigatória a intimação do contribuinte para apresentar cálculo sobre método alternativo na hipótese de a Fiscalização ter desconsiderado o método inicialmente escolhido pelo contribuinte, e que §2º, inciso III, do citado art. 20-A da Lei 9.430/96, determina que a Fiscalização poderá adotar quaisquer dos métodos previstos na legislação de preços de transferência caso o contribuinte deixe de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, quando solicitados pelaautoridade responsável pelo procedimento fiscal, sendo que não teria havido qualquer solicitação prévia de apresentação de outros elementos ou documentos além do próprio cálculo. Por essas razões, pugna pela nulidade do lançamento, ou, caso não acolhido seu pleito, que seja cancelada a exigência ao menos em relação ao ajuste do produto Glivec porquanto a Fiscalização deveria ter aceito o cálculo pelo método PIC, e, caso assim não se decida, que seja acatado o cálculo pelo método PIC com base naqueles apresentados pela Fiscalização e nos documentos acostados ao recurso voluntário que comprovariam que o preço parâmetro determinado pelo método PIC é menor do que o preço médio praticado nas importações do produto Glivec, ou seja, seja cancelada a exigência por não haver que se falar em ajuste em relação a tal produto; I.d. Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor de ICMS no cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002. Aduz que diversas vendas foram realizadas para órgãos da Administração Pública Direta, fazendo jus à isenção de ICMS prevista pelo Convênio ICMS 87, ou seja, não poderia ter sido deduzido ICMS sobre os valores dessas vendas para fins de determinação do preço parâmetro. Essa informação teria sido por ela fornecida à Fiscalização antes da lavratura do auto de infração, mas a autoridade fiscal entendeu que não houve comprovação das operações realizadas sob essa égide. A Recorrente argumenta que a Fiscalização tinha acesso ao Sped e poderia ter feito essa verificação. Argumenta ainda que anexou à impugnação demonstrativo com todas as vendas realizadas para órgãos públicos e as respectivas notas fiscais, mas a DRJ entendeu que tais informações não seriam suficientes, havendo necessidade de uma nova memória de cálculo incluindo a identificação dos destinatários das vendas e subtotalizando os valores por item, entre outras exigências. Aduz que embora discordasse de tal entendimento, elaborou nova planilha e anexou ao presente recurso com a abertura do recálculo do preço parâmetro sem a indevida inclusão do ICMS nos casos abrangidos pelo Convênio 87/02 cujas informações são corroboradas pelas notas fiscais já juntadas aos autos (fls. 773-2110). Por fim requer a nulidade da exigência, e, em caso contrário, que ao menos seja realizado o recálculo dos preços parâmetros para fins de apuração dos ajustes com base no PRL20 para excluir os montantes de ICMS que não correspondem ao imposto que efetivamente incidiu sobre as operações de revenda; I.e. Erro na apuração do preço parâmetro quanto ao Glivec: dedução de contribuições que não incidiram efetivamente sobre as operações de revenda. Argumenta que a Fiscalização se equivocou ao deduzir valores de PIS e Cofins para determinação do preço parâmetro pelo método PRL60 que efetivamente não incidiram nas operações listadas na denominada “Lista Positiva” do Ministério da Saúde (Anexo do Decreto 3.803/01). Explica que nesse regime especial são concedidos créditos presumidos equivalentes aos valores de PIS e COFINS apurados nas vendas dos medicamentos da Lista Positiva por importadores eestabelecimentos industriais. Com esse mecanismo, argumenta que há uma anulação da incidência de PIS e Cofins na operação, sendo que as autoridades reguladores desconsideram o valor dessas contribuições para o fim de determinar os preços máximos de comercialização dos medicamentos da Lista Positiva. Requer, assim, a anulação dos autos de infração, ou, se não acatado seu pedido, que ao menos seja recalculado o preço parâmetro a partir da exclusão do PIS e Cofins não incidentes nas citadas operações; II. Insubsistências dos motivos para desqualificar a aplicação do método PRL20. Alega que o produto importado “Foraseq” citado pela Fiscalização para demonstrar a agregação de valor, no Brasil, seria o que passa pelo processo de acondicionamento mais complexo. Para diversos outros produtos os procedimentos adotados seriam mais simples, tais como mera aposição de selo de controle em embalagem já pronta ou acondicionamento em embalagem secundária de produto já importado em embalagem primeira (por exemplo, cartela ou blister). Cita que nos casos dos produtos Ritalina e Exjade, a única atividade após a importação seria a rotulagem das embalagens de transporte (que sequer configuraria industrialização, nos termos do art. 4º, IV, do Decreto nº 7212/2010). Acrescenta que mesmo as fotos obtidas pela Fiscalização evidenciam que os produtos ali ilustrados já são importados com a marca, o nome comercial do medicamento e demais informações requeridas pela ANVISA para comercialização no País. Aduz que não é possível associar produção a qualquer atividade que agregue valor ao bem importado, até porque a atividade de revenda também agrega valor a bens importados (tanto que o preço da mercadoria no ponto de varejo é maior do que o a mercadoria antes do desembarque no porto). II.a. Critério legal para determinação da aplicação do PRL20 e do PRL60: aduz que a Lei nº 9.430/96, ao introduzir o método PRL60 condicionou à aplicação dos produtos importados na produção, e que nos produtos importados em que houve a desqualificação do PRL20, o percentual de participação do bem importado para fins de determinação do preço parâmetro seria muito alto, beirando, em geral, os 100%, concluindo que o valor agregado a tais produtos após a importação seria mínimo, compatível com atividades de revenda. Aduz ainda que produção tem significado próximo ao de industrialização, mas, especialmente em se tratando de legislação tributária federal, os dois termos não podem ser confundidos. Argumenta que para a palavra produção impõe a utilização do insumo em um processo produtivo no qual serão utilizados outros produtos que, em conjunto com o primeiro, passarão por um processo de trabalho redundando em um novo produto, e que, portanto, produção seria um gênero da industrialização, se aproximando do conceito de transformação (inciso I do art. 4º do Decreto 7.212/10), e não se confundindo com as atividades de acondicionamento ou reacondicionamento (inciso IV do art. 4º do Decreto 7.212/10); II.b. Inocorrência de aplicação à produção dos produtos para os quais o PRL20 foi desqualificado: aduz que os medicamentos importados já contêm a marca Novartis, são os mesmos produtos revendidos no Brasil, prontos para uso, sendo que alguns já chegariam ao Brasil, inclusive, com o nome comercial, a identificação do princípio ativo, a dosagem contida na embalagem, o número do lote e a data de vencimento; II.b. Ilegalidade das disposições da IN 243/02 para apuração do PRL60: questiona a legalidade da referida instrução normativa no que diz respeito à proporcionalização do valor dos insumos importados em relação ao preço praticado e a inclusão frete, seguro e tributos no preço parâmetro; III.c. Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício. Em 14 de dezembro de 2018 o contribuinte apresentou petição e documentos (fls. 2571-3493) anexando cópia apostilada das faturas de vendas do produto Glivec para terceiros não relacionados ao grupo Novartis e cópia da tradução juramentada dessas faturas, argumentando que tal documentação deu suporte para o cálculo do preço parâmetro pelo método PIC (no recurso voluntário foram apresentadas cópias da faturas de vendas do produto Glivec acompanhada da respectiva tradução juramentada - fls. 2260-2304 -, bem como cálculo do preço parâmetro pelo método PIC para o mesmo produto com base nessas faturas - fl. 2490). É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 3.494          1 3.493  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16561.720127/2017­80  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1301­000.666  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de março de 2019  Assunto  IRPJ ­ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA  Recorrente  NOVARTIS BIOCIENCIAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Silva  Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 12 7/ 20 17 -8 0 Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.495            2 Relatório  NOVARTIS BIOCIENCIAS S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33  do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12­98.345 proferido pela  15ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a  impugnação apresentada.  Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão  de primeira instância, complementando­o ao final:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  de  IRPJ  e  reflexo  de  CSLL,  lavrado em 14/12/2017, em procedimento de Fiscalização levado a efeito pela DEMAC/SPO,  AC 2012 (a partir de setembro), com ciência no Domicílio Tributário Eletrônico (DTE).  O procedimento fiscal teve por objeto a verificação das operações de Preço de  Transferência  originariamente  praticadas  pela  empresa  ALCON  LABORATORIO  DO  BRASIL  LTDA,  CNPJ  60.412.327/0001­00,  incorporada  pela  Impugnante  em  setembro  de  2012.  Assim, o procedimento fiscal deu origem a duas autuações distintas no mesmo  AC 2012 para o IRPJ e para a CSLL: uma antes (até agosto de 2012) e a outra depois do evento  de incorporação da ALCON pela Impugnante (de setembro até o final de 2012). Este processo  trata da autuação do 2º período.  Não obstante este processo tratar da 2a. parte de 2012, isto é, após o evento de  incorporação, observei que o TVF permanece fazendo referência às operações da ALCON em  separado das demais operações da NOVARTIS, ora Impugnante.     Para ALCON, foram apresentados cálculos para:  ­ 310 itens sujeitos ao método PRL20 (comercialização); e  ­ 31 para itens sujeitos ao PRL60 (produção).  Para a INOVARTIS, foram apresentados cálculos para:  ­ 73 itens pelo método do PRL20; e  ­ 31 para o método PRL60. Ao longo da fiscalização, 19 itens foram mudados  nas apurações na INOVARTIS do PRL20 para o PRL60.    Os métodos de Preço de Transferência visam a calcular o Preço Parâmetro ou de  Referência,  isto  é,  o  preço  até  aonde  é  admissível  a  sua  dedução  do  lucro  para  fins  de  tributação do IRPJ e da CSLL, quando o pagamento é destinado a um beneficiário vinculado.  Além disso, estabelece critério para determinação do denominado Preço (ou Custo) Praticado.  Uma diferença positiva entre estes preços (Preço Praticado ­ Preço Parâmetro) significa que o  contribuinte  pagou  além  do  aceitável,  nos  termos  da  legislação,  para  partes  vinculadas,  Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.496            3 devendo  tal  diferença,  multiplicada  pela  quantidade  consumida,  ser  adicionada  ao  Lucro  Líquido para fins de tributação do IRPJ e da CSLL.  Quanto às atividades principais da Impugnante, informa o Termo de Verificação  Fiscal (TVF) que são a fabricação e comércio, inclusive importação e exportação e distribuição  de produtos farmacêuticos, especialidades biológicas e dietéticas, quimioterápicas, oftálmicas,  entre outros  assemelhados. A ALCON (incorporada pela  Impugnante)  teria por objeto,  entre  outras atividades, a fabricação, comércio e distribuição de produtos farmacêuticos, em especial,  oftálmicos.  O crédito tributário deste processo importa em R$ 166.048.097,58, totalizado a  partir dos valores de R$ 122.094.189,40, a  título de IRPJ, e de R$ 43.953.908,18, a  título de  CSLL, conforme demonstrativos abaixo:          Em síntese, a autuação de que  trata este processo decorre do descumprimento,  em  tese,  de  3  (três)  regras  de  ajuste  de  preço  de  transferência,  conforme  relatado  pela  autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal (TVF):     (i).  A  falta  de  inclusão  do  Imposto  de  Importação  –  II  no  cálculo  do  Preço  Praticado nos produtos sujeitos ao método PRL20;    (ii). Utilização indevida do PRL20 (itens destinados ao comércio) para determinados  itens quando deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens destinados à produção);    (iii). Cálculo do Preço Parâmetro em desacordo com o preconizado pela IN SRF  243/02 no método do PRL60.  Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.497            4   As  três  infrações  foram  acima  foram  impugnadas.  Além  disso,  a  Impugnante  contestou  os  seguintes  pontos  nos  cálculos  feitos  pela  autoridade  autuante,  completando­se assim o rol de controvérsias suscitadas neste processo:      (iv). A autoridade autuante deduziu indevidamente do Preço Parâmetro tributos que  não teriam incidido em algumas operações, especificamente:  iv.1) ICMS na venda de medicamentos (CERTICAN, MIACALCIC e MYFORTIC)  para órgãos públicos, isentos pelo Convênio 87/2002; e  iv.2) PIS e COFINS na venda de medicamentos da chamada Lista Positiva (Decreto  nº 3803/2001), os quais são isentos destas contribuições.    (v). A autoridade autuante teria deixado de excluir do cálculo da margem de 20% as  vendas canceladas (Anexo 03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS).    (vi). Haveria erro na transposição do valor da base de cálculo apurada no Termo de  Verificação e a efetivamente transposta para o Auto de Infração.    (vii). O método de proporção do valor agregado previsto na IN SRF 243/2002 seria  ilegal.    As  infrações  encontram­se  consolidadas  no  corpo  do  Auto  de  Infração,  divididas pelos resultados apurados na Alcon e na Novartis:          INFRAÇÕES DETALHADAS  Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.498            5   (i) Falta de inclusão do Imposto de Importação – II no cálculo do Preço Praticado nos produtos  sujeitos ao método PRL20    Como  consequência  da  falta  de  inclusão  do  Imposto  de  Importação  no  cálculo do preço praticado pelo método PRL20, a autoridade autuante procedeu à apuração dos  ajustes de preço de transferência com as seguintes providências:  a) Excluíram­se as parcelas do consumo que tiveram sua origem em aquisições  do  mercado  interno  e  em  importações  de  não  vinculadas,  restando  somente  as  parcelas  de  produtos importados de vinculadas;  b) Consolidaram­se, por produto, as quantidades, e os valores FOB convertidos  para R$, e as parcelas de frete, seguro e do Imposto de Importação;  c) Somaram­se, por produto, aos valores FOB convertidos em R$ os valores de  frete, seguro e Imposto de Importação (CIF+II);  d) Calculou­se o preço praticado unitário por produto, dividindo o valor “CIF +  II” pela quantidade consumida do produto;  Os  preços  praticados  estão  discriminados  no  Anexo  02A Cálculo  dos  Preços  Praticados ALCON (fls. 614 a 622).         (ii)  Utilização  do  PRL20  (itens  destinados  ao  comércio)  para  determinados  itens  quando  deveria ter sido aplicado o método do PRL60 (itens aplicados à produção)    Segundo a autoridade autuante, o método PRL20 só pode ser aplicado para  produtos  importados  e  revendidos  sem  qualquer  agregação  de  valor  no  País.  Esta  afirmação  decorreria do art. 12 da IN SRF/243/02:    Art.  12.  A  determinação  do  custo  de  bens,  serviços  ou  direitos,  adquiridos  no  exterior,  dedutível  da determinação do  lucro  real  e  da  base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do  Preço  de  Revenda  menos  Lucro  (PRL),  definido  como  a  média  aritmética  ponderada  dos  preços  de  revenda  dos  bens,  serviços  ou  direitos, diminuídos:  (...)  Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.499            6 IV ­ de margem de lucro de:  a)  vinte  por  cento,  na  hipótese  de  revenda  de  bens,  serviços  ou  direitos;   b)  sessenta  por  cento,  na  hipótese  de  bens,  serviços  ou  direitos  importados aplicados na produção.   (...)  §  9º  O  método  do  Preço  de  Revenda  menos  Lucro  mediante  a  utilização  da  margem  de  lucro  de  vinte  por  cento  somente  será  aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor  ao  custo  dos  bens,  serviços  ou  direitos  importados,  configurando,  assim,  simples  processo  de  revenda  dos  mesmos  bens,  serviços  ou  direitos importados.   § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput [PRL  60] será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados  aplicados à produção.   O  sentido  da  regra  acima mencionado  seria  colocar  em mesmo  patamar  produtos  estrangeiros  e  nacionais  de  mesma  natureza.  Se  o  produto  será  apenas  revendido,  presume­se uma margem de lucratividade de 20%.  Se o insumo importado for aplicado à produção, presume­se a margem de  60%  (conseqüentemente,  o  preço  parâmetro  será  menor,  resultando  maior  tributação).  Esta  margem  pode  ser  alterada  por  meio  de  pedido  fundamentado  à  Administração  Tributária,  conforme arts. 32 a 35 da IN SRF nº 243/2002.  Informa ainda a Fiscalização, acerca da importância da aposição da marca  e do rótulo como elementos fundamentais para a comercialização de remédios, o seguinte:  No  caso  específico  da  indústria  farmacêutica,  há  um  elemento  adicional a ser considerado na escolha do método de ajuste de Preços  de  Transferência,  que  é  o  rígido  controle  da  agência  reguladora  responsável  pela  produção  e  distribuição  desses  produtos  no  país,  a  ANVISA.  (...)Ou seja: a embalagem contendo todas as informações relativas ao  medicamento, destacando a Marca, mas não apenas essa, é o que, em  última análise permite a comercialização dos produtos  importados no  mercado  nacional.  Medicamento  sem  marca  ou  quaisquer  outros  elementos  previstos  na  legislação  sujeitam  o  produto,  ipso  facto,  a  desconfiança sobre sua autenticidade e eficácia. Não há, portanto, a  mínima  possibilidade  de  os  produtos  farmacêuticos  serem  comercializados  sem  o  acréscimo  desses  elementos  essenciais,  notadamente a aposição da marca.  Está­se  falando,  assim,  de  um  novo  bem,  diverso  daquele  importado,  ainda  que  o  princípio  ativo  seja  o mesmo  em ambos. Princípio  ativo  sem  aposição  de marca  e  acondicionado  a  granel  é,  na melhor  das  hipóteses, um estoque de produtos  intermediários. Uma mudança no  produto que o transforme, de insumo ou estoque em produto disponível  Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.500            7 para  venda  não  pode  ser  considerada  uma  mudança  ínfima  ou  desprezível mas, sim, uma mudança fundamental, essencial.   Ou  seja,  entre  os  elementos  fundamentais  que  justificam  a  aplicação  do  PRL60  para medicamentos,  além  da  aposição  da marca,  estaria  também o  cumprimento  das  exigências regulatórias da ANVISA.  Além  desses  elementos,  outros  2  (dois)  foram  identificados  pela  Fiscalização como justificantes para a aplicação do PRL60 para remédios:  1. Os custos reduzidos de transporte, manuseio e risco: ao importar os  produtos ainda  inacabados,  seja na  forma de componentes ou mesmo  parcialmente embalados, o contribuinte incorre em menores custos de  transporte  e  manuseio,  além  de  menores  riscos  de  deterioração  dos  produtos.  2. A terceirização da fabricação dos medicamentos: no caso presente,  o contribuinte subcontrata empresa terceirizada para efetuar todas as  etapas  necessárias  para  tornar  o  produto  apto  ao  consumo  final  (empresa  ANOVIS:  http://www.anovis.com.br/).  Para  realizar  essas  etapas  exige­se  uma  unidade  fabril,  sujeita  a  controles  e  auditorias  internos  e externos,  regulatórios e de  conformidade. Se a NOVARTIS  pudesse  realizar  as  etapas  de  agregação  de  valor  sem  uma  planta  produtiva,  assim  o  teria  feito.  Isso  é  mais  um  elemento  que  descaracteriza  a  mera  revenda  de  produtos  importados,  exigindo  do  contribuinte a utilização do método PRL60 ou equivalente.  Assim, a  etapa de agregação nacional  comporta  evidentes  economias  para  o  contribuinte  no  que  tange  à  movimentação  internacional  dos  produtos, além de se caracterizar como atividade de produção de um  novo bem, realizado por terceiro qualificado para tal.    Portanto,  baseado  no  entendimento  acima  exposto,  diversos  itens  importados  tiveram  seus  preços  parâmetros  migrados  de  ofício  do  método  PRL20  para  o  PRL60, rejeitando­se as explicações da Impugnante no sentido de sustentar o PRL20.  Essencialmente,  as  explicações  apresentadas  pela  Impugnante  à  Fiscalização tratavam de serem os produtos EXJADE, RITALINA acabados. Contudo, mesmo  para estes produtos, entendeu a Fiscalização que seria aplicável a Solução de Consulta Cosit nº  5 de 2006, que prescreve o PRL60 para casos semelhantes a este.   No caso específico do GLIVEC, não foi também aceito o método do Preço  sob Cotação na Importação (PIC), pleiteado pela Impugnante no curso do procedimento fiscal.  O não  acatamento  deste método pela Fiscalização  deu­se  sob  o  fundamento  de  insuficiência  nos documentos apresentados pela Impugnante. Entre estes, relata o TVF:  ­  A ausência de documentos de importação ou de aquisição;  ­  Prova de não vinculação dos envolvidos na negociação; e  ­  Outros.  Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.501            8 Também  foi  rejeitada  aplicação  do  PRL20  para  o  GLIVEC,  tendo  sido  aplicado pela Fiscalização o PRL60.  No  caso  da migração  do  PRL20  para  o  PR60  para  os  itens  em  geral,  os  ajustes foram feitos apenas quando a diferença atingia os 5%, como previsto no art. 38 da IN  243/2002. A diferença encontrada era multiplicada pela quantidade de  itens para  encontrar o  total a ser adicionado ao Lucro Líquido.    (iii)  Cálculo  do  Preço  Parâmetro  em  desacordo  com  o  preconizado  pela  IN  SRF  243/02  no  método do PRL60 para os itens adquiridos pela NOVARTIS  No  caso  dos  itens  que  já  tinham  tido  seus  preços  parâmetros  calculados  pelo PRL60 pela  Impugnante, os cálculos foram refeitos segundo a metodologia determinada  pela  IN  243/2002  e  a  diferença  encontrada  também  foi  adicionada  o  Lucro  Líquido  pela  Fiscalização.  A  metodologia  do  PRL60  prevista  na  IN  243/2002  foi  aplicada  para  os  itens da ALCON, mas não teria sido aplicada pelos itens adquiridos pela NOVARTIS por parte  da Impugnante.   Essencialmente,  a  metodologia  excluiu  o  valor  agregado  no  País  e  a  margem de  lucro de 60%. Para encontrar o Preço Parâmetro,  informa ainda o TVF a adoção  dos seguintes procedimentos:  a)  para  cada  insumo,  multiplicou­se  a  relação  insumo­produto,  informada pelo  contribuinte,  em  relação a  cada bem produzido,  pela  quantidade vendida do bem produzido e assim obteve­se a quantidade  utilizada de determinado insumo importado em cada bem produzido;  b)  a  seguir,  multiplicou­se  essa  quantidade  utilizada  de  insumo  importado pelo preço praticado na importação (que representa o custo  unitário de importação de determinado insumo) e assim encontramos o  custo total do insumo importado no bem produzido;  c) dividindo­se o  custo  total  do  insumo  importado pelo custo  total  de  produção do bem produzido encontramos o percentual de participação  do insumo no custo do bem produzido;  d) multiplicou­se então esse percentual de participação do  insumo no  custo do bem produzido pelo valor líquido das vendas e encontramos a  participação do bem importado no preço de venda do bem produzido;  e) A margem de lucro foi obtida mediante a aplicação do percentual de  sessenta  por  cento  (60%)  sobre a  participação do  bem  importado  no  preço de venda do bem produzido.  f) O preço parâmetro foi encontrado subtraindo­se o valor da margem  de lucro do valor da participação do bem importado no preço do bem  produzido;  g)  Nos  casos  em  que  determinado  insumo  importado  é  aplicado  na  produção  de  diversos  bens  finais,  são  gerados  preços  parâmetros  Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.502            9 distintos  para  cada  bem  final  produzido.  Desta  forma,  apuramos  o  preço médio ponderado, dividindo a somatória dos preços parâmetros  pela quantidade total de insumo utilizada na produção.  O  detalhamento  dos  cálculos  dos  preços  parâmetros  pelo  método  PRL60  é  mostrado  no  Anexo  04A  ­  Preços  parâmetro  pelo  PRL  60  ALCON.    IMPUGNAÇÃO  A  Impugnante,  em  síntese,  pleiteia  o  reconhecimento  da  nulidade  ou  improcedência da autuação em razão das seguintes alegações:  a)  A Fiscalização não poderia ter migrado o produto GLIVEC do método PIC, eleito pela  Impugnante, para o método PRL60  (Termo de Constatação de  fls. 383),  em razão do  disposto no art. 20­A da Lei 9.430/96 (necessidade de intimação prévia para, no prazo  de 30 dias, o contribuinte apurar o ajuste por outro método) ;  b)  Haveria diversos erros de direito na apuração das bases de cálculo autuadas;  c)  O  simples  acondicionamento  de  produtos  em  embalagens  primárias  ou  secundárias,  como feito pela  Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação  de  preço  de  transferência.  No  caso  ainda  dos  produtos  RITANINA  e  EXJADE,  o  PRL60  foi  indevidamente  aplicado  pela  Fiscalização  por  haver  para  estes  apenas  a  aposição  de  rótulo  na  embalagem  de  transporte.  Tais  produtos  são  revendidos  nas  mesmas embalagens primárias e secundárias em que são importados, não lhes devendo  ser aplicável, por conseguinte, o PRL60 (mas, sim, o PRL 20);  d)  As  disposições  da  IN  243/02  acerca  do  cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  PRL60  excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais.  e)  Os  valores  de  frete,  seguro  e  tributos  aduaneiros  –  entre  os  quais,  o  Imposto  de  Importação  –  não  devem  ser  incluídos  no  cálculo  dos  preços  praticados  para  fins  de  apuração dos ajustes no PRL.    (a) Indevida desconsideração do método PIC para o produto GLIVEC  Alega a Impugnante que, nos termos do § 2º, inciso III, do art. 20­A da Lei  9.430/96,  deveria  ter  sido  previamente  intimada  pela  Fiscalização  a  apresentar  os  elementos  que  considerou  úteis  à  verificação  dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro  pelo  PIC  para o Glivec.  Alega ainda que a Fiscalização assim não fez pois, com a proximidade do  termo  final  do  prazo  decadencial  para  o  lançamento  do  crédito  tributário  ora  discutido,  não  havia tempo hábil para intimar a Impugnante e, assim, optou por simplesmente lavrar os autos  de infração desconsiderando o pedido de substituição dos métodos.  Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.503            10 Apresentado pela  Impugnante em  atendimento  à  intimação do Termo de  Constatação de fls. 383 e seguintes.    (b) Erros na apuração das bases de cálculo autuadas  (b.1)  Erro  na  apuração  do  preço  parâmetro  pelo  PRL60:  consideração  das  quantidades  de  produtos importados/estoque inicial como quantidades de produto revendidas  A Fiscalização teria apurado o custo dos produtos e mercadorias vendidas,  nos  métodos  PRL,  em  desacordo  com  os  valores  efetivamente  incorridos,  como  reclama  a  seguinte passagem da Impugnação:  Sem  amparo  em  qualquer  previsão  legal,  em  vez  de  considerar  efetivamente  o  número  total  das  operações  de  revenda  dos  produtos  importados, a D. Fiscalização houve por bem considerar, para fins de  determinação  do  preço  parâmetro  no  PRL60,  as  quantidades  de  produtos  importados  e  em  estoque  no  início  do  período  de  apuração  (identificadas nas planilhas de cálculo como “Qtde praticado”).    (b.2) Erro na apuração do preço parâmetro quanto ao Glivec: dedução de contribuições que não  incidiram efetivamente sobre as operações de revenda  O Glivec (cujo princípio ativo é o Mesilato de Imatinibe) está  listado no  Anexo do Decreto 3.803/01 (a chamada “Lista Positiva” do Ministério da Saúde). O referido  Decreto lista os medicamentos que fazem jus ao regime especial de PIS e COFINS disposto no  art. 3º da Lei 10.147/00.  Referido  regime  especial  concede  créditos  presumidos  equivalentes  aos  valores  de  PIS  e  COFINS  apurados  nas  vendas  dos  medicamentos  da  Lista  Positiva  por  importadores e estabelecimentos industriais.  Em  outras  palavras,  o  crédito  de  valor  equivalente  ao  PIS  e  COFINS  apurados  sobre  a  operação  de  saída  acaba por  anular  a  incidência  do PIS  e  da COFINS  nas  operações com medicamentos da Lista Positiva.  Este  efeito  de  anular  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  é  levado  em  consideração pelas Autoridades Reguladoras para o fim de determinar os preços máximos de  comercialização dos medicamentos da Lista Positiva.  Deste  modo,  em  razão  do  crédito  presumido  previsto  no  art.  3º  da  Lei  10.147/00, o PIS e a COFINS não podem ser repassados no valor das operações de revenda.    (b.3) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor de ICMS no  cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002  Alguns  dos  medicamentos  importados  objeto  da  autuação  seriam  revendidos  para  órgãos  da  Administração  Pública  Direta  Federal,  Estadual  e  Municipal,  fazendo  jus  à  Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.504            11 isenção  do  ICMS  prevista  pelo  Convênio  ICMS  nº  87,  celebrado  em  28  de  junho  de  2002  (“Convênio 87/02”, anexo doc. 03).  Este seria o caso dos medicamentos MIACALCIC, MYFORTIC e CERTICAN.  Para comprovar tal alegação, juntou amostra de Notas Fiscais às fls. 413 e 456 e 383 a 398.  Alega ainda que,  ao  ser  intimada a manifestar­se  sobre os  cálculos  feitos pela  Fiscalização,  informou o erro  e apresentou apurações do preço parâmetro com a dedução do  ICMS corrigida.  A Fiscalização teria recusado os cálculos por entender não ter sido devidamente  demonstrada a incorreção, basicamente por terem sido apresentadas algumas poucas das Notas  Fiscais como meio de prova das alegações.  Contudo,  reclama  a  Impugnante  que  a  Fiscalização  poderia  ter  acesso  à  totalidade  das  Notas  Fiscais  por  meio  do  SPED.  Por  não  o  ter  feito  e  por  ter  ignorado  o  apontamento feito pela Impugnante, o Auto de Infração deve ser reputado nulo ou, pelo menos,  que  sejam  refeitos  os  cálculos  para  expurgar  o  efeito  do  ICMS  sobre  a  apuração  do  preço  parâmetro de determinados itens.    (b.4) Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: consideração dos valores de mercadorias  devolvidas na base de cálculo da margem de lucro de 20%  A  Fiscalização  teria  deduzido  do  Preço  Parâmetro  no  PRL20  margem  maior do que a aplicável, pois não excluiu as devoluções de vendas.  Embora não esteja expressamente previsto que a média aritmética do valor  das operações deve abater as devoluções, este procedimento decorreria logicamente do próprio  método de apuração de preços.  Exemplifica o erro cometido pela Fiscalização apontando trecho do Anexo  03N – Cálculo Preços Parâmetros PRL20 NOVARTIS o registro do medicamento Miacalcic.  Informa  que  a  Fiscalização  teria  calculado  margem  de  20%  sobre  o  valor  bruto  de  R$  2.649.147,33., tendo encontrado R$ 529.829,47. Prossegue nos apontamentos:  Já  no  "valor  presente”  de  referido  produto,  considerou  o  valor  das  devoluções,  uma  vez  que  R$2.206.813,67  correspondem  a  R$2.649.147,33 subtraídos dos R$435.176,80 considerados a título de  ICMS e de R$7.156,86 de devoluções.  E conclui:  Em  outras  palavras,  a  D.  Fiscalização  descontou  o  valor  das  devoluções no cálculo do preço líquido de vendas ­ desconto este que  faz diminuir o preço parâmetro apurado e, por consequência, o valor  dos supostos ajustes devidos; e, de outro lado, calculou a margem de  20% sem descontar as devoluções.    Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.505            12 Ao calcular a margem de 20% desta forma, diminuiu de forma indevida  o  valor  do  preço  parâmetro  e,  por  conseguinte,  apurou  ajustes  de  preços  de  transferência  inexistentes  do  ponto  de  vista  da  legislação  aplicável.   Assim, pleiteia a nulidade do lançamento em razão do erro na base de cálculo.    (b.5) Erro por uso de base de cálculo diversa da apurada   A Fiscalização teria ainda apurado incorretamente o IRPJ e a CSLL por ter  transposto bases de cálculo informadas no TVF não coincidentes com as constantes no Auto de  Infração.  No TVF, as bases de cálculo informadas constariam da seguinte passagem:      Contudo, no Auto de Infração, a Base de Cálculo seria outra:      Alega a Impugnante que, ao utilizar a base de cálculo diversa daquela apontada  no  TVF,  sem  explicar  os motivos  pelos  quais  assim  procedeu,  a  Fiscalização  a  impediu  de  exercer  amplamente  seu direito de defesa, porque não  tem como contradizer base de cálculo  cuja origem desconhece.  (c)  Insubsistência dos motivos para desqualificar a aplicação do método do PRL20  Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.506            13 O simples acondicionamento de produtos em embalagens primárias ou secundárias,  como feito pela Impugnante, não configura produção, no sentido dado pela legislação de preço  de transferência  No  caso  mais  específico  dos  produtos  RITALINA  e  EXJADE,  o  PRL60  foi  indevidamente aplicado pela Fiscalização por haver para estes apenas a aposição de rótulo na  embalagem de  transporte. Tais produtos  são  revendidos nas mesmas  embalagens primárias  e  secundárias em que são importados, não lhes devendo ser aplicável, por conseguinte, o PRL60.  A  inconformidade  da  Impugnante  pela  desclassificação  do  método  PRL20  para  PRL60  é manifestada  para  os  19  produtos  listados  a  seguir,  entre  eles  o  GLIVEC  (GLIVE  FCT), cujo método inicial seria o PIC:                                  N ão  seria  necessári o,  segundo  Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.507            14 a  Impugnante,  experiência  farmacêutica  para  se  concluir  que  se  trata  de  medicamentos  importados  acabados,  prontos  para  o  uso  (ainda  que  dependentes  de  acondicionamento  para  fins de comercialização).  Para  todos  os  itens  da  tabela,  entende  a  Impugnante  que  deveria  ser  aplicado  o  método do PRL20 em vez do PRL60.    (d)  Ilegalidade das disposições da IN 243/02 para apuração do PRL60    As  disposições  da  IN  243/02  acerca  do  cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  PRL60  excedem os limites previstos na Lei 9.430/96, sendo, por conseguinte, ilegais.  Segundo a Impugnante, o modo legalmente correto de se apurar o PRL60 se daria  com a seguinte fórmula:    A fórmula correta, acima exposta, é deduzida do art. 18,  II, d, 1, da Lei 9.430/96,  com uma pequena correção no texto: suprime­se a preposição “d” na seguinte passagem:  1.  sessenta  por  cento,  calculada  sobre  o  preço  de  revenda  após  deduzidos  os  valores  referidos  nas  alíneas  anteriores  e  do  valor  agregado  no  País,  na  hipótese  de  bens  importados  aplicados  à  produção;”  Mas  não  seria  necessária  a  correção  da  preposição,  pois  se  poderia  chegar  ao  mesmo  entendimento  por  meio  de  esforço  interpretativo  não  significativo,  como  diz  a  Impugnante:  Apesar de se convir como conveniente a exclusão da letra “d” para se  considerar  a  plenitude  gramatical  do  citado  dispositivo,  há  de  se  considerar que, mesmo sem a exclusão, o esforço interpretativo para se  chegar  a  fórmula  acima  citada  não  é  significativo,  tendo  sido  até  mesmo  este  o  posicionamento  da Receita Federal,  conforme  disposto  no art. 12 da IN 32/01 – anterior a Instrução Normativa n° 243/02. O  art. 12 da IN 32/01, ao invés de excluir a letra “d”, optou por inserir  preposições para cada um dos elementos que deveriam ser deduzidos  do Preço de Venda, produzindo o mesmo resultado prático propugnado  acima. Confira­se:    Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.508            15 “Art.  12  (...)  §  11. Na hipótese  do  parágrafo  anterior,  o  preço  a  ser  utilizado  como  parâmetro  de  comparação  será  a  diferença  entre  o  preço  líquido  de  venda  e  a  margem  de  lucro  de  sessenta  por  cento,  considerando­se, para este fim:  I ­ preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do  bem  produzido,  diminuídos  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  dos  impostos  e  contribuições  sobre  as  vendas  e  das  comissões  e  corretagens pagas;  II  ­  margem  de  lucro,  o  resultado  da  aplicação  do  percentual  de  sessenta  por  cento  sobre  a média  aritmética  dos  preços  de  venda  do  bem  produzido,  diminuídos  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  dos  impostos  e  contribuições  sobre  as  vendas,  das  comissões  e  corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País.”  Sucede  que,  após  um  ano  e  poucos  meses  da  edição  da  IN  32/01  a  Receita Federal do Brasil editou a IN 243/02, que revogou a anterior e  pretendeu alterar  substancialmente os  critérios de cálculo do PRL60,  sem que tivesse havido qualquer alteração na matriz legal (alínea d, 1,  do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96).  Aponta  ainda  a  Impugnante  um  efeito  circular  provocado  pela regra contida na IN 243/02, na medida em que, se repetido para um mesmo  produto,  encontraria  preços  parâmetros  sempre  menores,  tomando  por  base  aqueles já encontrados pela primeira aplicação do método.  A referida sistemática da IN 243/02 acabaria por tornar mais  vantajoso, para as empresas multinacionais, alocar todas as etapas de produção  de seus bens para unidades fabris localizadas fora do Brasil.  A  própria  RFB,  em  Solução  de  Consulta,  teria  admitido  expressamente  que  a  IN  243/02  teria  inovado  no  cálculo  do  Preço  de  Transferência, tornando explícita a ilegalidade do procedimento.  As Medidas Provisórias 478/09 e 563/12 teriam reconhecido  a  necessidade  de  legalizar  critérios  de  cálculo  antes  não  previstos  em  lei,  conforme  se  depreende  pela  exposição  de  motivos.  Por  fim,  a  própria  Lei  12.715/2012  determinou  que  as  alterações  nos  critérios  de  apuração  do  preço  parâmetro  pelo  método  PRL  entrariam  em  vigor  apenas  em  01.01.2013,  para  respeitar  o  princípio  da  anterioridade  tributária.  Se  houve  necessidade  de  determinar a observância do princípio da anterioridade tributária, reconheceu o  Poder  Legislativo  que  de  fato  a  introdução  de  tais  critérios  representaria  majoração de tributos.    (e)  Fretes, Seguros e Imposto de Importação não se sujeitam a Preços de Transferência  Ocorre que as despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros, dentre eles o II,  não estão sujeitas ao controle de preços de transferência. Isso porque os fornecedores de frete e  seguro  não  são  pessoas  vinculadas  à  Impugnante,  ou  seja,  são  custos  que  não  podem  sofrer  influência em função da posição comercial da Impugnante.  Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.509            16 Os valores de frete, seguro e tributos aduaneiros – entre os quais, o Imposto de  Importação – não devem ser incluídos no cálculo dos preços praticados para fins de apuração  dos ajustes no PRL.  Com  a  Lei  12.715/12,  o  dispositivo  passou  a  determinar  que,  para  fins  de  cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  PRL,  os  valores  de  frete,  seguro  e  tributos  não  devem  ser  integrar o custo (isto é, devem ser excluídos do custo para fins do cálculo).  Mesmo  a  redação  anterior  prevendo  que  o  frete,  seguro  e  tributos  não  devem  integrar o custo, tal interpretação não pode ser adotada, sob pena de considerar despesas como  frete, seguro e Imposto de Importação como sujeitas a ajuste de preço de transferência.    (f)  Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício  Não haveria que se falar que, de acordo com o art. 113, § 1o, do CTN, as multas  de ofício também fariam parte da obrigação principal, uma vez que (i) referida norma trata das  obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii)  já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde  com  a  obrigação  principal,  pois  é  decorrente  de  uma  sanção  pelo  não  pagamento  do  tributo  (vide art. 3º do CTN).  Analisando a impugnação apresentada, a  turma julgadora de primeira instância  julgou­a  parcialmente  procedente,  excluindo  da  base  de  cálculo  dos  autos  de  infração  R$  156.022,00  decorrentes  de  erro  material  na  transposição  dos  valores  apurados  no  TVF  e  R$  1.298.420,78  decorrentes  da  retificação  do  cálculo  do  PRL20  para  as  operações  Novartis,  não  havendo  interposição  de  recurso  de  ofício  em  razão  de  o  crédito  tributário  cancelado não alcançar o limite de alçada (tributo e multas) de R$ 2.500.000,00.   O  contribuinte  foi  intimado  da  decisão  em  06  de  junho  de  2018  (fl.  2256),  apresentando  recurso  voluntário  de  fls.  2494­2565  em  06  de  julho  de  2018  (fl.  2257).  Em  resumo:  I. Nulidades dos autos de infração  I.a. Teria havido erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: sem qualquer  fundamentação  jurídica,  a  Fiscalização  teria  adotado  um  valor  como  média  ponderada  de  operações de revenda (descontando­se deste cálculo as devoluções de mercadoria) e um valor  diferente de base para apuração da margem de 20% (sem descontar as devoluções). Aduz que o  voto vencido da decisão recorrida deixa claro que sequer é possível identificar o porquê de tal  divergência, pois não constam maiores detalhes sobre o tema no Termo de Verificação Fiscal,  concluindo  que  não  se  trataria  de  erro  de  fato,  e  sim  de  erro  de  direito,  o  que  levaria  à  impossibilidade de alteração do  lançamento por parte das autoridades  julgadoras. Argumenta  ainda que o voto vencedor não se  limitou a  fazer um mero ajuste em erro material, mas  sim  inserindo  um  novo  critério  no  lançamento  (devolução  das  exclusões  também para  a  base  de  cálculo da margem de 20%);  I.b.  Erro  na  apuração  do  preço  parâmetro  pelo  PRL60:  consideração  das  quantidades de produtos importados/estoque inicial como quantidades de produtos revendidos  – desconsideração do estoque final. A Fiscalização, ainda que se apoiando em demonstrativos  Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.510            17 elaborados  pela  própria Recorrente,  considerou  que  a  quantidade de  produtos  importados  no  período,  somada  ao  estoque  inicial,  deveria  seria  igual  à  quantidade  de  produto  revendido,  desconsiderando o estoque final de cada um dos produtos sujeitos à ajuste no método PRL60.  Argumenta  a  Recorrente  que  se  trata  de  erro  de  direito  no  lançamento,  não  podendo  ser  realizado qualquer ajuste, e que o fato de os demonstrativos terem sido por ela elaborados não  possui o condão de transformar em legal o lançamento realizado em desacordo com a lei, sendo  obrigação  do  Fisco,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.  142  do  CTN,  a  verificação  dos  fatos  e  a  realização do lançamento;  I.c.  Indevida desconsideração do método PIC pra o produto Glivec: segundo a  Recorrente, a autoridade fiscal desconsiderou o método PRL20, apresentando os cálculos que  entendia devido no método PRL60,  e  intimou o contribuinte  a  apresentar  cálculo ou método  alternativo no prazo de 30 dias. Aduz que, ao contrário do afirmado pela decisão de primeira  instância,  o  contribuinte  se  manifestou,  entre  outras  coisas,  pela  utilização  do  método  PIC,  apresentando os cálculos correspondentes (fls. 409­412). Após essa manifestação, os autos de  infração  foram  lavrados,  tendo  sido  mantido  o  lançamento  referente  ao  ajuste  do  produto  Glivec  com  base  no  método  PRL60  sob  a  justificativa  de  que  o  contribuinte  não  havia  apresentado documentos comprobatórios para utilização do método PIC. Argumenta ainda que  o art. 20­A da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 51 da Lei nº 12.715/12, teria entrado em  vigor na data de sua publicação, sendo obrigatória a intimação do contribuinte para apresentar  cálculo  sobre método  alternativo  na  hipótese  de  a  Fiscalização  ter  desconsiderado  o método  inicialmente  escolhido  pelo  contribuinte,  e  que  §2º,  inciso  III,  do  citado  art.  20­A  da  Lei  9.430/96,  determina  que  a  Fiscalização  poderá  adotar  quaisquer  dos  métodos  previstos  na  legislação de preços de transferência caso o contribuinte deixe de oferecer quaisquer elementos  úteis  à  verificação  dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro, quando  solicitados pela  autoridade  responsável  pelo  procedimento  fiscal,  sendo  que  não  teria  havido  qualquer  solicitação prévia de apresentação de outros elementos ou documentos além do próprio cálculo.  Por essas razões, pugna pela nulidade do lançamento, ou, caso não acolhido seu pleito, que seja  cancelada  a  exigência  ao  menos  em  relação  ao  ajuste  do  produto  Glivec  porquanto  a  Fiscalização deveria ter aceito o cálculo pelo método PIC, e, caso assim não se decida, que seja  acatado  o  cálculo  pelo método PIC  com base  naqueles  apresentados  pela Fiscalização  e  nos  documentos  acostados  ao  recurso  voluntário  que  comprovariam  que  o  preço  parâmetro  determinado  pelo método  PIC  é menor  do  que  o  preço médio  praticado  nas  importações  do  produto Glivec, ou seja,  seja cancelada  a exigência por não haver que se  falar em ajuste em  relação a tal produto;  I.d. Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20: exclusão indevida do valor  de ICMS no cálculo do preço parâmetro de produtos isentos nos termos do Convênio 87/2002.  Aduz  que  diversas  vendas  foram  realizadas  para  órgãos  da  Administração  Pública  Direta,  fazendo jus à isenção de ICMS prevista pelo Convênio ICMS 87, ou seja, não poderia ter sido  deduzido ICMS sobre os valores dessas vendas para fins de determinação do preço parâmetro.  Essa  informação  teria  sido  por  ela  fornecida  à  Fiscalização  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração,  mas  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  não  houve  comprovação  das  operações  realizadas sob essa égide. A Recorrente argumenta que a Fiscalização tinha acesso ao Sped e  poderia  ter  feito  essa verificação. Argumenta ainda que anexou à  impugnação demonstrativo  com todas as vendas realizadas para órgãos públicos e as respectivas notas fiscais, mas a DRJ  entendeu  que  tais  informações  não  seriam  suficientes,  havendo  necessidade  de  uma  nova  memória de cálculo incluindo a identificação dos destinatários das vendas e subtotalizando os  valores por  item, entre outras exigências. Aduz que embora discordasse de  tal  entendimento,  elaborou  nova  planilha  e  anexou  ao  presente  recurso  com  a  abertura  do  recálculo  do  preço  Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.511            18 parâmetro sem a indevida inclusão do ICMS nos casos abrangidos pelo Convênio 87/02 cujas  informações são corroboradas pelas notas fiscais já juntadas aos autos (fls. 773­2110). Por fim  requer a nulidade da exigência, e, em caso contrário, que ao menos seja realizado o recálculo  dos preços parâmetros para  fins de apuração dos ajustes com base no PRL20 para excluir os  montantes  de  ICMS  que  não  correspondem  ao  imposto  que  efetivamente  incidiu  sobre  as  operações de revenda;  I.e.  Erro  na  apuração  do  preço  parâmetro  quanto  ao  Glivec:  dedução  de  contribuições que não incidiram efetivamente sobre as operações de revenda. Argumenta que a  Fiscalização  se  equivocou  ao  deduzir  valores  de  PIS  e  Cofins  para  determinação  do  preço  parâmetro  pelo  método  PRL60  que  efetivamente  não  incidiram  nas  operações  listadas  na  denominada  “Lista  Positiva”  do Ministério  da  Saúde  (Anexo  do Decreto  3.803/01).  Explica  que nesse regime especial são concedidos créditos presumidos equivalentes aos valores de PIS  e  COFINS  apurados  nas  vendas  dos  medicamentos  da  Lista  Positiva  por  importadores  e  estabelecimentos  industriais.  Com  esse  mecanismo,  argumenta  que  há  uma  anulação  da  incidência de PIS e Cofins na operação, sendo que as autoridades reguladores desconsideram o  valor dessas contribuições para o fim de determinar os preços máximos de comercialização dos  medicamentos da Lista Positiva. Requer, assim, a anulação dos autos de  infração, ou, se não  acatado seu pedido, que ao menos seja recalculado o preço parâmetro a partir da exclusão do  PIS e Cofins não incidentes nas citadas operações;  II. Insubsistências dos motivos para desqualificar a aplicação do método PRL20.  Alega  que  o  produto  importado  “Foraseq”  citado  pela  Fiscalização  para  demonstrar  a  agregação  de  valor,  no  Brasil,  seria  o  que  passa  pelo  processo  de  acondicionamento  mais  complexo. Para diversos outros produtos os procedimentos adotados seriam mais simples, tais  como mera  aposição  de  selo  de  controle  em  embalagem  já  pronta  ou  acondicionamento  em  embalagem secundária de produto já importado em embalagem primeira (por exemplo, cartela  ou  blister).  Cita  que  nos  casos  dos  produtos  Ritalina  e  Exjade,  a  única  atividade  após  a  importação  seria  a  rotulagem  das  embalagens  de  transporte  (que  sequer  configuraria  industrialização, nos termos do art. 4º, IV, do Decreto nº 7212/2010). Acrescenta que mesmo  as fotos obtidas pela Fiscalização evidenciam que os produtos ali ilustrados já são importados  com  a  marca,  o  nome  comercial  do  medicamento  e  demais  informações  requeridas  pela  ANVISA para comercialização no País. Aduz que não é possível associar produção a qualquer  atividade  que  agregue  valor  ao  bem  importado,  até  porque  a  atividade  de  revenda  também  agrega valor a bens importados (tanto que o preço da mercadoria no ponto de varejo é maior do  que o a mercadoria antes do desembarque no porto).  II.a. Critério legal para determinação da aplicação do PRL20 e do PRL60: aduz  que  a Lei nº  9.430/96,  ao  introduzir o método PRL60 condicionou  à  aplicação dos produtos  importados na produção,  e que nos produtos  importados  em que houve a desqualificação do  PRL20,  o  percentual  de  participação  do  bem  importado  para  fins  de  determinação  do  preço  parâmetro  seria muito alto, beirando, em geral, os 100%, concluindo que o valor agregado a  tais  produtos  após  a  importação  seria mínimo,  compatível  com  atividades  de  revenda. Aduz  ainda que produção tem significado próximo ao de industrialização, mas, especialmente em se  tratando de legislação tributária federal, os dois termos não podem ser confundidos. Argumenta  que para a palavra produção impõe a utilização do insumo em um processo produtivo no qual  serão utilizados outros produtos que, em conjunto com o primeiro, passarão por um processo  de  trabalho  redundando  em um novo produto,  e que,  portanto,  produção  seria um  gênero da  industrialização, se aproximando do conceito de transformação (inciso I do art. 4º do Decreto  Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.512            19 7.212/10),  e  não  se  confundindo  com  as  atividades  de  acondicionamento  ou  reacondicionamento (inciso IV do art. 4º do Decreto 7.212/10);  II.b. Inocorrência de aplicação à produção dos produtos para os quais o PRL20  foi desqualificado: aduz que os medicamentos importados já contêm a marca Novartis, são os  mesmos  produtos  revendidos  no Brasil,  prontos  para uso,  sendo que  alguns  já  chegariam  ao  Brasil, inclusive, com o nome comercial, a identificação do princípio ativo, a dosagem contida  na embalagem, o número do lote e a data de vencimento;  II.b.  Ilegalidade  das  disposições  da  IN  243/02  para  apuração  do  PRL60:  questiona a legalidade da referida instrução normativa no que diz respeito à proporcionalização  do valor dos  insumos  importados  em  relação ao preço praticado e  a  inclusão  frete,  seguro  e  tributos no preço parâmetro;   III.c. Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício.  Em  14  de  dezembro  de  2018  o  contribuinte  apresentou  petição  e  documentos  (fls.  2571­3493)  anexando  cópia  apostilada  das  faturas  de  vendas  do  produto  Glivec  para  terceiros não relacionados ao grupo Novartis e cópia da  tradução  juramentada dessas  faturas,  argumentando  que  tal  documentação  deu  suporte  para  o  cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  método PIC (no recurso voluntário foram apresentadas cópias da faturas de vendas do produto  Glivec acompanhada da respectiva tradução juramentada ­ fls. 2260­2304 ­, bem como cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  método  PIC  para  o  mesmo  produto  com  base  nessas  faturas  ­  fl.  2490).  É o relatório.  Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.513            20 Voto  Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O recurso voluntário, além de tempestivo, preenche os demais pressupostos para  sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço.  A exigência diz respeito a autos de infração de IRPJ e de CSLL decorrentes de  ajustes de preço de transferência.  Além da discussão sobre a correição do cálculo elaborado pela  fiscalização na  utilização  do  método  PRL20,  houve  ainda,  para  outros  produtos,  a  desclassificação  dos  métodos originalmente utilizados pelo contribuinte e a adoção, de ofício, do método PRL60.  A Recorrente aponta uma série de supostos equívocos da autoridade fiscal que  redundariam na nulidade do lançamento.  Ocorre  que,  se  superadas  essas  arguições,  há  pontos  que,  a  meu  ver,  demandariam  a  realização  de  diligência  para  que  o  julgamento  pudesse  ser  realizado  a  contento.  Particularmente,  em  situações  como  essas,  entendo  que  as  preliminares  não  devem ser analisadas antes da realização da diligência, uma vez que o § 5º do art. 63 do Anexo  II  do  RICARF  determina  que  aso  de  resolução  ou  anulação  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância,  as  questões  preliminares,  prejudiciais  ou  mesmo  de  mérito  já  examinadas  serão  reapreciadas  quando  do  julgamento  do  recurso,  por  ocasião  do  novo  julgamento.  Não  faria  sentido, por exemplo, a rejeição das arguições de nulidade quando da conversão do julgamento  em  diligência,  para,  no  retorno  dos  autos,  reiniciar­se  a  discussão  e  o  debate  sobre  essas  mesmas preliminares.  Com efeito, a meu sentir, a melhor leitura que se deve fazer desse dispositivo é  que, nos casos em que o relator, em seu voto,  rejeitar as preliminares e avança no mérito do  julgamento, mas, em sessão, o colegiado entende ser o caso de conversão do  julgamento em  diligência,  faz  sentido  o  julgamento  das  preliminares  arguidas  em  recurso,  mas,  em  caso  diverso,  quando  o  relator  já  expõe  seu  convencimento  de  que  há  necessidade  de  diligência,  torna­se despiciendo o julgamento das preliminares, sob pena de se permitir que o mesmo tema  seja rediscutido e julgado em diversas ocasiões.  Pois bem, passo discorrer  sobre os pontos que entendo que devam ser alvo de  diligência.  Erro na apuração do preço parâmetro pelo PRL60  Conforme relatado, a Fiscalização, apoiada em demonstrativos elaborados pelo  contribuinte, acabou não levando em consideração o estoque final de produtos em que foram  utilizados os insumos importados, ou seja, considerou que a quantidade de produtos importados  no período, somada ao estoque inicial, deveria seria igual à quantidade de produto revendido.  Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.514            21 A fim de que, ao final do exame do presente recurso, possam ser estabelecidos  os  valores  exatos  que  redundariam  a  partir  da  exclusão  dos  estoques  finais  dos  produtos  revendidos  (com  insumos  sujeitos  ao  ajuste  do  PRL60),  permitindo,  inclusive,  que  o  contribuinte possa analisar e contraditar os cálculos elaborados pela Fiscalização, entendo que  o julgamento deva ser convertido em diligência a fim de que a unidade de origem recalcule os  preços parâmetros objeto do presente  lançamento,  replicando esse novo preço praticado para  fins do preço parâmetro1, e os respectivos valores de ajustes a título de preço de transferência,  excluindo­se  o  saldo  do  estoque  final  dos  produtos  em  que  houve  utilização  dos  insumos  importados  e  sujeitos  ao  ajuste  do  PRL60,  apresentando,  ao  final,  eventual  novo  cálculo  do  ajuste  pelo  método  do  PRL60,  inclusive  aqueles  que  por  ventura  devam  ser  exonerados  na  presente exigência.    Indevida desconsideração do método PIC pra o produto Glivec  Alega  a  Recorrente  que  a  autoridade  fiscal  desconsiderou  o  método  PRL20,  apresentando os  cálculos que  entendia devido no método PRL60,  e  intimou o  contribuinte  a  apresentar  cálculo  ou  método  alternativo  no  prazo  de  30  dias.  Aduz  que,  ao  contrário  do  afirmado pela decisão de primeira instância, o contribuinte se manifestou, entre outras coisas,  pela utilização do método PIC, apresentando os cálculos correspondentes (fls. 409­412). Após  essa  manifestação,  os  autos  de  infração  teriam  sido  foram  lavrados  utilizando­se  o  método  PRL60  para  o  ajuste  do  produto  Glivec  sob  a  justificativa  de  que  o  contribuinte  não  havia  apresentado documentos comprobatórios para utilização do método PIC.   Argumenta ainda a Recorrente que o art. 20­A da Lei nº 9.430/96,  introduzido  pelo  art.  51  da  Lei  nº  12.715/12,  teria  entrado  em  vigor  na  data  de  sua  publicação,  sendo  obrigatória  a  intimação  do  contribuinte  para  apresentar  cálculo  sobre método  alternativo  na  hipótese  de  a  Fiscalização  ter  desconsiderado  o  método  inicialmente  escolhido  pelo  contribuinte, e que §2º, inciso III, do citado art. 20­A da Lei 9.430/96, o qual determina que a  Fiscalização  poderá  adotar  quaisquer  dos  métodos  previstos  na  legislação  de  preços  de  transferência caso o contribuinte deixe de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro,  quando  solicitados  pela  autoridade  responsável  pelo  procedimento  fiscal,  sendo  que  não  teria  havido  qualquer  solicitação prévia de apresentação de outros elementos ou documentos além do próprio cálculo.   Por essas razões, pugna pela nulidade do lançamento, ou, caso não acolhido seu  pleito,  que  seja  cancelada  a  exigência  ao  menos  em  relação  ao  ajuste  do  produto  Glivec  porquanto  a Fiscalização deveria  ter aceito o  cálculo pelo método PIC,  e,  caso  assim não  se  decida, que seja acatado o cálculo pelo método PIC com base nos cálculos apresentados pela  Fiscalização e nos documentos acostados ao recurso voluntário que comprovariam que o preço  parâmetro  determinado  pelo  método  PIC  é  menor  do  que  o  preço  médio  praticado  nas  importações do produto Glivec, ou seja, seja cancelada a exigência por não haver que se falar  em ajuste em relação a tal produto.                                                              1  O  §  4º  do  art.  12  da  IN  SRF  243/2002  determina  que  no  cálculo  do  PRL  (60  ou  20)  sejam  consideradas  operações de revenda realizadas no período de apuração, verbis:   Art. 12.  [...]  §  4º Para  efeito  desse método,  a média  aritmética  ponderada do  preço  será  determinada  computando­se  as  operações  de  revenda  praticadas  desde  a  data  da  aquisição  até  a  data  do  encerramento  do  período  de  apuração.  Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.515            22 Em relação a esse ponto, assim dispõe o art. 20­A da Lei nº 9.430, de 1996, com  a redação dada pelo art. 51 da Lei nº 12.715, de 2013:  Art.  51. A Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a  vigorar  acrescida dos seguintes arts. 20­A e 20­B:   "Art.  20­A. A partir do ano­calendário de 2012, a opção por um dos  métodos  previstos  nos  arts.  18  e  19  será  efetuada  para  o  ano­ calendário  e  não  poderá  ser  alterada  pelo  contribuinte  uma  vez  iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método  ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela  fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo  para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo  com qualquer outro método previsto na legislação.   § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método  eleito pela pessoa jurídica.   §  2o  A  autoridade  fiscal  responsável  pela  verificação  poderá  determinar  o  preço  parâmetro,  com  base  nos  documentos  de  que  dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando  o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput:   I ­ não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do  preço  praticado  nem  às  respectivas  memórias  de  cálculo  para  apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido;   II  ­  apresentar  documentos  imprestáveis  ou  insuficientes  para  demonstrar  a  correção  do  cálculo  do  preço  parâmetro  pelo  método  escolhido; ou   III  ­  deixar  de  oferecer  quaisquer  elementos  úteis  à  verificação  dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro,  pelo método  escolhido,  quando solicitados pela autoridade fiscal.   §  3o  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  do  Ministério  da  Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput."   [...]  Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo  efeitos:   I ­ em relação aos arts. 15 a 23, a partir de sua regulamentação, até 31  de dezembro de 2015; e   II ­ em relação aos arts. 40 a 44 e 62, a partir de sua regulamentação.   § 1o Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1o de janeiro de 2013.   §  2o  Os arts.  53 a 56 entram  em  vigor  no  1o (primeiro)  dia  do  4o (quarto)  mês  subsequente  à  data  de  publicação  da Medida  Provisória no 563, de 3 de abril de 2012, produzindo efeitos a partir de  sua regulamentação, à exceção:   Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.516            23 I  ­  da  nova  redação  dada  ao §  15 e  ao  novo §  23  do  art.  8o da  Lei  no 10.865,  de  30  de  abril  de  2004,  que  entram  em  vigor  na  data  de  publicação desta Lei;   II ­ do disposto no inciso III do caput do art. 7o e no § 3o do art. 8o da  Lei no 12.546, de 14 de dezembro de 2011, que entra em vigor em 1o de  janeiro de 2013;   [...]  Pois bem, nesse ponto, entendo assistir razão à Recorrente: o art. 20­A da Lei nº  9.430/1996, introduzido pelo art. 51 da Lei nº 12.715/2012, passou a viger de imediato, sem a  vacatio  legis  determinada  aos  arts.  48  a  50  do  mesmo  diploma  legal  (o  §  1º  do  art.  78  determina que os arts. 48 a 50 somente produziriam efeito a partir de 1º de janeiro de 2013).  Veja­se  que  a  própria  autoridade  fiscal  autuante  intimou  o  contribuinte  ao  desclassificar  o  método  por  ele  eleito  originalmente  para  o  ajuste  de  diversos  insumos  (PRL20),  concedeu  o  prazo  de  30  dias  para  que  o  contribuinte  se  manifestasse  sobre  os  cálculos ou apresentasse o cálculo por outro método alternativo, ou seja, aplicando o disposto  no art. 51 da Lei nº 12.715/2012 ainda no decorrer do próprio ano de sua edição. Por oportuno,  reproduz­se excerto do Termo de Constatação Fiscal nº 2 (fls. 383­398):    À fl. 387 dos autos (último linha da planilha do denominado Anexo 1), consta o  ajuste segundo o método e cálculo elaborado pela autoridade fiscal (PRL60) em decorrência da  desclassificação do método PRL20.  Em 13/11/2017 o contribuinte foi cientificado do Termo de Constatação Fiscal  nº 2, apresentando no prazo previsto no art. 20­A da Lei nº 9.430/96 resposta de fls. 409­412,  incluindo  em  seu  item  III  o  cálculo  alternativo  de  ajuste  para  o  Glivec  pelo  método  PIC  (arquivo não paginável, conforme termo de anexação de fl. 457), segundo o qual não haveria  ajuste de preço de transferência em relação a esse produto. Nesse ponto, incorreta a decisão de  primeira instância ao afirmar que o contribuinte não houvera se manifestado a esse respeito.  Pois bem, segundo consta à fl. 489 ­ página 19 do Termo de Verificação Fiscal­,  a  Recorrente  não  teria  apresentado  a  documentação  por  ela  utilizada  como  suporte  para  determinação do preço praticado,  e haveria  ainda  ausência de documentos de  importação ou  Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.517            24 aquisição, e de prova da não vinculação dos envolvidos na negociação, entre outros elementos  necessários.  Ocorre que o contribuinte, em nenhum momento, foi intimado a apresentar essa  documentação,  mas  tão  somente  cálculo  ou  método  alternativo  ao  PRL60  ante  à  desconsideração do método originalmente adotado pelo contribuinte (PRL20).  E, como bem abordado pela Recorrente em sua peça recursal, o § 2º do art. 20­A  da lei nº 9.430/96, determina que, após desconsideração do método inicialmente adotado pelo  contribuinte, e transcorrido o prazo de 30 dias da intimação ao contribuinte para que pudesse  escolher  um  novo método,  a  autoridade  fiscal  responsável  pelo  procedimento  fiscal  poderia  determinar o preço parâmetro com os documentos que dispusesse no caso de o contribuinte, no  prazo para cumprimento da intimação, não apresentasse os documentos que dariam suporte à  determinação  do  preço  praticado  nem  às  respectivas memórias  de  cálculo  para  apuração  do  preço parâmetro, segundo o método escolhido, ou deixar de oferecer quaisquer elementos úteis  à  verificação  dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro,  pelo  método  escolhido,  mas  somente quando solicitados pela autoridade fiscal.   Compulsando os  autos,  resta  evidente  que  a  autoridade  fiscal  não  solicitou  ao  contribuinte os documentos que deram suporte aos cálculos com base no método PIC, sendo  somente oportunizada tal possibilidade após a lavratura dos autos de infração.  Nesse cenário, entendo que os documentos acostados aos autos até o momento  devam ser analisados pela autoridade fiscal designada a cumprir a presente diligência, a fim de  que sejam aferidos os cálculos apresentados pela Recorrente com base no método PIC para o  produto  Glivec,  salientando  que  outros  documentos  poderão  ser  solicitados  pela  autoridade  fiscal durante o procedimento de diligência.     Erro na apuração do preço parâmetro do PRL20  Para  a  Recorrente,  a  Fiscalização  teria  se  equivocado  ao  excluir  o  valor  de  ICMS no  cálculo  do  preço  parâmetro  de  produtos  isentos  nos  termos  do Convênio  87/2002.  Argumenta que diversas vendas foram realizadas para órgãos da Administração Pública Direta,  fazendo jus à isenção de ICMS prevista pelo Convênio ICMS 87, ou seja, não poderia ter sido  deduzido ICMS sobre os valores dessas vendas para fins de determinação do preço parâmetro.    Essa informação teria sido por ela fornecida à Fiscalização antes da lavratura do  auto de infração, mas a autoridade fiscal entendeu que não houve comprovação das operações  realizadas sob essa égide. A Recorrente argumenta que a Fiscalização tinha acesso ao Sped e  poderia  ter  feito  essa verificação. Argumenta ainda que anexou à  impugnação demonstrativo  com todas as vendas realizadas para órgãos públicos e as respectivas notas fiscais, mas a DRJ  entendeu  que  tais  informações  não  seriam  suficientes,  havendo  necessidade  de  uma  nova  memória de cálculo incluindo a identificação dos destinatários das vendas e subtotalizando os  valores por  item, entre outras exigências. Aduz que embora discordasse de  tal  entendimento,  elaborou  nova  planilha  e  anexou  ao  presente  recurso  com  a  abertura  do  recálculo  do  preço  parâmetro sem a indevida inclusão do ICMS nos casos abrangidos pelo Convênio 87/02 cujas  informações são corroboradas pelas notas fiscais já juntadas aos autos (fls. 773­2110).   Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 16561.720127/2017­80  Resolução nº  1301­000.666  S1­C3T1  Fl. 3.518            25 Nesse ponto, registro que discordo da Recorrente de sua conclusão no sentido de  que  a Fiscalização  deveria  ter,  de  ofício,  acessado  todas  as  notas  fiscais,  via Sped,  a  fim de  verificar que não houve a incidência de ICMS nas operações em questão, uma vez que a prova  compete a quem faz a alegação.  Por outro lado, a Recorrente anexou ao seu recurso voluntário os arquivos não  pagináveis denominados “Miacalcic_Preço Parametro.xlsx”, “Myfortic_Preço Parametro.xlsx”  e “Certican_Preço Parametro.xlsx” como arquivos, com a abertura nota a nota do recálculo do  preço parâmetro sem a indevida inclusão do ICMS nos casos abrangidos pelo Convênio 87/02,  tal  qual  afirmado  pela  DRJ  como  informações  necessárias  ao  deferimento  do  pleito  da  Recorrente.   Ante a esse fato, entendo que deva ser realizada diligência pela autoridade fiscal  a  fim  de  verificar  se  os  dados  constantes  nas  planilhas  estão  em  consonância  com  as  notas  fiscais  já apresentadas (fls. 773­2110), bem como se os cálculos elaborados pelo contribuinte  estão corretos, apresentando, ao final, eventual novo cálculo do ajuste pelo método do PRL20,  inclusive aqueles que por ventura devam ser exonerados na presente exigência.    CONCLUSÃO  Por  essas  razões,  entendo  que  os  autos  não  se  encontram  em  condições  de  julgamento, devendo ser diligência a fim de que a autoridade fiscal designada:  (i) dê ciência desta resolução à autuada, fornecendo­lhe cópia;  (ii) elabore Relatório de Diligência2 abordando os pontos tratados neste voto.  Para  tanto,  e  havendo  necessidade,  a  autoridade  fiscal  poderá  intimar  o  contribuinte  a  apresentar  documentos  complementares  e  esclarecimentos  adicionais  antes  de  elaborar o relatório ora requerido.  Poderá  ainda  a  autoridade  fiscal  apresentar  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários à melhor análise de tais fatos.   Ao  final,  o  Recorrente  deverá  ser  cientificado  do  resultado  da  diligência,  abrindo­se  prazo  de  30  dias  para  que,  querendo,  manifeste­se  sobre  seu  conteúdo  (art.  35,  parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011).   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                                              2 Decreto nº 7.574, de 2011:  Art. 36. [...]  § 3o  Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida  de sua realização escusar­se de cumpri­las.     Fl. 3518DF CARF MF

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7680405 #
Numero do processo: 13007.000127/2003-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida. A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC). Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.130
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:47:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:47:25Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:47:26Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:47:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:47:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:47:26Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:47:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:47:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:47:25Z; created: 2009-09-04T11:47:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2009-09-04T11:47:25Z; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:47:25Z | Conteúdo => S2-CITI • Fl. 917 4701 . .. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 13007.000127/2003-61 Recurso n° 154.080 Voluntário Acórdão n° 2101-00.130 — 1' Câmara! 1 Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria COMPENSAÇÃO DE IPI Recorrente BRASKEM S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 13/04/2003 a 19/04/2003 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do r CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 .- 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo o Processo e 13007.000127/2003-61 52-CIT1.. Acórdão n.° 2101-00.130 FI.918 art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara 1 1 turma ordinária do segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Mardnez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, negar pro -* • s ento ao recurso. Design. 4 o o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. i -. "" \ ) CAI* MARCOS tik DIDO / P .... 4 • I • a b, C dirO rikilli 11 11P-- • 1 31 - 0 Nir OMER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento e deixou de homologar a Declaração de Compensação apresentada em 24 de abril de 2003, para quitação de débito de IRRF incluído em DCTF, relativo ao período de apuração de 13/04/2003 a 19/04/2003, vencimento em 2 • Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 919 24/04/2003, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 01/08/1999 a 31/08/1999, amparada em decisão judicial obtida por meio de Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS, doc. fls.01/02. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IPI para compensação com débitos do próprio IPI,ainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do CTN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do crédito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalmente alega que: interpretação equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, que a decisão judicial obtida transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CTN, multa de mora, juros mora e da multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o • creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. 3 Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 920 Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, alíquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de oficio se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCTF, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de dívida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de dívida, suficiente para exigir os créditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quantum devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade e, bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caso específico. Portanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislação aplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de divida. Neste caso entendo, salvo melhor juízo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o cerne da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma -respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 60 ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considerada confissão dívida. Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da • - norma introduzida no sistema jurídico: 4 Processo rr 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 921 "6. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da Ml' No 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7. Cotejando o texto da MP No 66, de 2002, com o da MP no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo 6' ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentânea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9. Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da Ml' no 135, de 2003, constituem-se confissão dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco norteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. 1°', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFFtEDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limond, V.2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser - divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídico, não permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a regra geral, pois se assim não fosse estaria em risco a segurança jurídica. Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que aplica-se a lei tributária vigente e não Processo tr 13007.000127/2003-61 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 922 aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da irretroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fimdamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere princípio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o princípio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroação, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração e/ou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão dívida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de dívida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se for o caso inscrever em divida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da DCTF, afasta a decadência relativamente à dívida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em dívida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observada, no caso deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declarar o crédito tributário e ao mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal apu . do na contabilidade, cujo saldo resultante deste encontro de contas é igual a zero. 6 Processo n• 13007.00012712003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 923 Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tomar certo e líquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de dívida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extraí do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSL4L. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. (.) 1- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago [...]. 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciada no fato de que o crédito declarado em DCTF foi objeto de compensação pelo contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme atestado pelo acórdão de fls, de maneira que cabe, em conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscaL Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após o referido procedimento, é que será possível a constituição do crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp 327.626/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NE77'0, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 64 I .448/RS, Rd Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 01/02/05 e REsp n° 328.727/PR, Rei Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, D. 1 de 30/08/04. (AgRg no RESP 801.0691R5, Min. Francisco Falcão, la Turma. DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM DIVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 1 — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, 7 Processo e 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 924 não há porque se falar em confissão de divida suficiente a inscrição em dívida ativa. (RESP 419.476/RS, Min. João Otávio Noronha, 2a Turma, DJU 02.08.2006)". Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certamente pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Derzi, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a dívida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora, 5e esse ato dá eficácia ao ato de lancamento. apresenta-se como ato de controle de legalidade. E os atos de controle de legalidade nada podem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (.„) Por tais razões. entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realizacão do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violacão do devido processo legal." (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Dívida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de divida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valores de aquisição dos insumos isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. • Processo n°13007.000127/2003-61 S2-CITI Ao5rdão n.° 2101-00.130 Fl. 925 O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e alíquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os créditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de futuras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições futuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentencial à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aás cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do CTN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições Muras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Súmula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em liminar. Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de compensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do art. 170-A, introduzido no C \, 9 Processo n°13007.000127/2003-61 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.130 Fl. 926 ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO KRAKOWIAK: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" I. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 2. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. 164.739-SP, Rel. Min. Eliana Calmon, I° Seção, DJ, 1, 12.02.01). Deste modo, pacificado no ámbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazida pelo art. 170.A do CTN" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do CIN, Revista Dialética de Direito Tributário., vol. 68,pág. 82)." Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de IPI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, alíquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de 1P1 como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuracão do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débito de tributo distinto, portanto, além dos limites traçado no comando sentenciai. 10 Processo e 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão o.' 2101-00.130 Fl. 927 Por essa razão sou inclinado a negar provimento ao apelo da recorrente em relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários de natureza distinta daquela que restou autorizada. Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 30 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3 0 do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." n "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. 11 Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 928 Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compensação de crédito. A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública. Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice para o sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão ,1 legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. Extrai-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". 12 Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão o.° 2101-00.130 Fl. 929 Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar a qualidade de confissão de dívida e de instrumento hábil para exigir o pagamento de débito informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por meio de carta de cobrança. Também reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de s Ido devedor, uma vez que o débito declarado foi objeto de compensação, está despid. da condição de confissão de dívida, impondo a constituição do crédito tributário por meio • e lançamento, ri • a compensação em razão de ter sido .da co • - bito d- contribuição e e stos de natureza : •stinta. É COM* voo. Sala das Se .ões, em 07 de ma e de 2009. • DOMINGO DE SÁ FILHO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de dívida, porque apresentada antes da vigência da Ml' n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de 3. 13 Processo rr 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 930 auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 62 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "56° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. ss 7. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de divida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de divida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. 14 Processo e 13007.000127/2003-61 S2-CIT1 i Acórdão n.• 2101-00.130 Fl. 931 Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, dei 3/06/1984, verbis: "Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita FederaL § I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito. corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da divida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, ,..;er quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: - "Art. I° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. i . 15 Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CIT1 • Acórdão n.• 2101-00.130 Fl. 932 Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF res 11, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em divida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONS7ITUIDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. I. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, 16 Processo n° 13007.000127/2003-61 S2-CITI Acórdão ri.° 2101-00.130 Fl. 933 também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidadejiscal se outros créditos não existirem. 4.Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÉNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. 1. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negafiva ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CIN. 3. Recurso especial não provido." 17 Processo n0 13007.000127/2003-61 52-C1T1r Acórdão rt.° 2101-00.130 Fl. 934 • . Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINL StRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutó ria de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, if 2°, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 dà--ie--- Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." ON- 18 Processo n• 13007.000127/2003-61 S2-CI TI• Acórdão o.° 2101-00.130 A. 935 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35. de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. .1 § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. 14 " O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base nestp instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.83312003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. IfrO art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu -. art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 92 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) L-Iii 19 Processo n°13007.000127/2003-61 S2-CITI e Acórdão n.° 2101-00.130 Fl. 936 §. 10. Da decisão que julgar improcedente a manilistação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833. de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto na 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso Hl do art. 151 da Lei re 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n9 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade , tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas -neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 20 Processo e 13007.00012712003-61 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.130 P1937 Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em Der F. Sal. das Se- ses,emo7demaiode2009. '• n0 IMER 21 Page 1 _0104900.PDF Page 1 _0105000.PDF Page 1 _0105100.PDF Page 1 _0105200.PDF Page 1 _0105300.PDF Page 1 _0105400.PDF Page 1 _0105500.PDF Page 1 _0105600.PDF Page 1 _0105700.PDF Page 1 _0105800.PDF Page 1 _0105900.PDF Page 1 _0106000.PDF Page 1 _0106100.PDF Page 1 _0106200.PDF Page 1 _0106300.PDF Page 1 _0106400.PDF Page 1 _0106500.PDF Page 1 _0106600.PDF Page 1 _0106700.PDF Page 1 _0106800.PDF Page 1

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