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5748839 #
Numero do processo: 11543.001595/2003-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ RECONHECIDO EM OUTRO PROCESSO. PROVIMENTO AO RECURSO. HOMOLOGAÇÃO LIMITADA A EVENTUAL SALDO REMANESCENTE NAQUELE PROCESSO. Já tendo sido reconhecido, em outro processo, o direito creditório pleiteado neste, dá-se provimento ao Recurso, homologando-se as compensações pleiteadas até o limite de eventual saldo remanescente naquele processo.
Numero da decisão: 1803-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 422          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Fernando  Ferreira  Castellani,  Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.    Fl. 422DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 423          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 251 a 253):  1­ Em 14/05/2003, às  fls. 01/02,  foi apresentado pelo  interessado Pedido de  Compensação  (formulário  de  papel)  objetivando  compensar  débitos  de  IRPJ  e  CSLL,  referentes  ao  ano­calendário  de  2003,  códigos  5993  e  2484,  com  créditos  oriundos de saldos negativos dos mesmos tributos do ano­calendário de 2000, e, às  fls.  03/04,  Pedido  de  Compensação  (formulário  de  papel)  objetivando  compensar  débitos  do  PIS  referentes  ao  ano­calendário  de  2003,  código  8109,  com  créditos  oriundos de pagamentos efetuados a maior decorrentes de Decisão Judicial.  2­  Após  a  protocolização  do  Pedido  de  Compensação  às  fls.  01/02,  o  interessado  apresentou,  por  meio  eletrônico,  as  seguintes  PER/DCOMP­ RETIFICADORAS  (Pedidos  de  ressarcimento  ou  restituição/declaração  de  compensação):  ∙  fls. 24/28, data da transmissão 28/08/2003 – SALDO NEGATIVO DE  IRPJ ­ CÓDIGO 5993 ­ LUCRO REAL ESTIMATIVA (ano­calendário de 2000).  ∙  fls.  29/31,  data  da  transmissão  28/08/2003  SALDO NEGATIVO DE  CSLL – CÓDIGO 2484 – DEMAIS ESTIMATIVAS (ano­calendário de 2000).  3­  Em  01/10/2003,  às  fls.  16/17,  foi  apresentada  pelo  interessado  nova  retificação  do  Pedido  de  Compensação,  anteriormente  já  retificado  por  meio  eletrônico, desta feita em formulário de papel.  4­  Conforme  despacho  de  fl.  32,  a  análise  do  pedido  de  restituição  de  pagamento  indevido ou a maior e  respectiva declaração de compensação (docs. de  fls. 03/04 e 18/19) foi transferida para o processo nº 15578.000195/2008­96.  5­ O mesmo despacho registra, também, que a análise dos fatos nos autos se  restringirá  aos  Saldos  Negativos  de  IRPJ  e  CSLL  do  ano­calendário  de  2000  e  Declarações de Compensação às fls. 01, 16 e 24 a 31.  6­ Por meio de Despacho Decisório e Parecer Conclusivo nº 1869/2008 (fls.  155/159), a autoridade fiscal da DRF/VITÓRIA­ES, deixou de reconhecer o direito  creditório  referente  aos  saldos  negativos  de  IRPJ  e  de CSLL  e  não  homologar  as  declarações de compensações – PERDCOMP, juntadas às fls. 24 a 31.  7­ No Parecer Conclusivo (fls. 155/158), que embasa o Despacho Decisório  (fl.  159),  são  expostos  detalhadamente  os  procedimentos  de  análise  dos  saldos  negativos  pleiteados  e  as  conclusões  da  DRF/VITÓRIA­ES,  que  a  seguir,  são  expostos resumidamente:  8­ Em relação ao saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2000 (DCOMP  de fls. 24/27), a autoridade fiscal da Derat/Vitória­ES, constatou que o interessado,  no exercício de 2001 (AC 2000), tributou o IRPJ com base no lucro real anual com  recolhimentos por estimativas mensais.  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 424          4 9­ Nos registros contábeis do interessado, constatou­se que o mesmo possuía  como prática o adimplemento das estimativas mensais, seja do IRPJ ou CSLL, em  parte por pagamento e outra por compensação com saldo negativo do mesmo tributo.  10­  Conforme  informações  prestadas  na  DIPJ/2001­AC  2000,  nas  DCTF  trimestrais do AC 2000, DIRF (fls. 86), e, ainda, do exame dos registros contábeis  referentes às estimativas mensais de IRPJ e dos dados constantes do sistema SINAL  –07, constatou­se crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ no ano­calendário de  2000, no valor de R$ 252.056,18, conforme apurado pelo interessado (fl. 42).  11­ Porém, conforme os cálculos efetuados pelo Sistema Apoio Operacional  (NEO­SAPO),  homologado  pela  RFB  para  utilização  em  cálculos  de  compensação/restituição,  o  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  de  2000  foi  totalmente  utilizado nas compensações efetuadas para adimplemento das estimativas dos anos­ calendário de 2001 e 2002,  registrados na contabilidade do interessado. Extrato de  cálculos às fls. 145 a 148.  13­  Em  relação  ao  saldo  negativo  da  CSLL  do  ano­calendário  de  2000  (DCOMP  de  fl.  28/31),  com  base  na  mesma  documentação  e  nos  mesmos  procedimentos,  constatou  a  autoridade  fiscal  da  DRF/VITÓRIA­ES,  o  crédito  decorrente de saldo negativo de CSLL no ano­calendário de 2000, no valor de R$  132.176,44, conforme apurado pelo interessado (fl. 53).  14­  Porém,  conforme  os  cálculos  efetuados  pelo  Sistema  de  Apoio  Operacional  (NEO­SAPO),  homologado  pela  RFB  para  utilização  em  cálculos  de  compensação/restituição, o saldo negativo de CSLL do ano de 2000 foi  totalmente  utilizado nas compensações efetuadas para adimplemento das estimativas dos anos­  calendário de 2001 e 2002,  registradas na contabilidade do  interessado. Extrato de  cálculos às fls. 149 a 152.  15­  Em  suma,  a  autoridade  fiscal  não  reconheceu  o  direito  creditório  e  não  homologou as declarações de compensações PERDCOMP, juntadas às fls. 24 a 31.  16­  Cientificado  do  Despacho  Decisório  à  fl.  166  em  25/08/2008,  o  interessado  apresentou  sua  manifestação  de  inconformidade  em  24/09/2008  (fls.  168/189), alegando que:  ∙  apresentou  declaração  de  compensação  de  créditos  decorrentes  de  saldos  negativos  de  IRPJ  e  de  CSLL,  a  fim  de  extinguir  débitos  posteriores  referentes a esses mesmos tributos federais;  ∙  as  compensações  desses  créditos  não  foram  homologadas,  conforme  despacho decisório;  ∙  a alegação foi a de que o crédito pretendido já havia sido integralmente  utilizado para adimplir tributos relativos aos anos­calendários de 2001 e 2002;  ∙  a decisão não pode ser mantida;  ∙   o  interessado ostentava créditos suficientes a embasar a compensação  requerida;  ∙  diversamente  do  que  afirma  o  Parecer  Conclusivo  e  o  Despacho  Decisório,  as  compensações  realizadas  pelo  interessado  não  se  encontravam  lastreadas apenas e tão­somente em créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e  de  CSLL  apurado  no  ano  de  2000,  embora  os  mesmos,  de  fato,  tenham  sido  utilizados para pagamentos de tributos relativos aos anos de 2001 e 2002;  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 425          5 ∙  requereu  ao  fisco,  em  14/05/2003,  autorização  para  compensar  seus  débitos com créditos tributários apurados em 31/12/2000, instaurando o processo nº  11543.001595/2003­51;  ∙  em  15/05/2003,  entregou  à  SRF  a  DCTF  relativa  ao  1º  trimestre  de  2003, na qual fez referência ao processo nº 11543.001595/2003­51;  ∙  na  sequência,  em  01/10/2003  “retificou”  as  informações  prestadas  no  referido  processo,  instaurando  um  novo  processo  administrativo  nos  moldes  exigidos  pela  legislação  tributária  vigente,  por  meio  do  qual  foram  incluídos  na  declaração de compensação créditos apurados até 31/12/2001;  ∙  as  ditas  operações  restam  assentadas  em  documentos  fiscais  idôneos,  que são juntados aos autos, ao quais os agentes fiscais tinham acesso irrestrito;  ∙  acredita  que  essas  informações  apenas  não  foram  consideradas  na  decisão administrativa questionada pelo fato de, em virtude de lapso, não se retificar  a DCTF, informando à Receita Federal, também por este documento, a existência de  créditos apurados no ano de 2001;  ∙  tal circunstância não nulifica o procedimento de compensação, já que o  interessado  notificou  ao  fisco  que  as  compensações  referidas  no  processo  nº  11543.001595/2003­51 também teriam em consideração créditos apurados no ano de  2001;  ∙  a  ausência  de  retificação  da  DCTF  pelo  interessado  converte­se  em  simples  irregularidade  administrativa,  incapaz  de  tornar  nulo  o  procedimento  administrativo ou de impedir o batimento dos créditos declarados no ano de 2001;  ∙  o princípio da  instrumentalidade das  formas  faz  imposição no  sentido  de  que  somente  se  pronuncie  a  nulidade  de  um  ato  processual  quando  o  vício  apontado vier a ocasionar prejuízo a uma das partes, e isto não ocorreu;  ∙  os débitos compensados já se encontravam extintos quando da prolação  da decisão administrativa, face a decadência do direito do fisco de homologar ou não  a  compensação,  uma  vez  que  foi  apresentada  declaração  de  compensação  em  14/05/2003 e a decisão administrativa questionada foi lavrada em 22/08/2008, pouco  mais de três meses após o encerramento do prazo decadencial;  ∙  na eventualidade de não prevalecer essa  tese, os débitos em tela estão  prescritos nos termos do artigo 174 do CTN;  ∙  assim  sendo, mesmo  que  pudesse  prevalecer  a  tese  segundo  a  qual  a  ausência da homologação da declaração de compensação efetivada pelo interessado  não  induz  à  extinção  dos  créditos  compensados,  não  haveria  como  se  evitar  a  reforma da decisão administrativa, face a prescrição dos créditos por ela visados;  ∙  face a todo o exposto, requer a reforma dos atos objeto da Manifestação  de  Inconformidade,  a  fim  de  que  sejam  integralmente  homologadas  as  compensações efetuadas, de modo a afastar a cobrança do saldo devedor.  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 249):  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 426          6 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ALCANCE.  Os  efeitos  da  homologação  tácita  atingem  apenas  as  declarações  de  compensação  protocolizadas  há  mais  de  cinco  anos,  retroativamente,  a  contar  da  ciência da decisão denegatória. O que não se aplica à situação em análise.  INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL.  Os créditos que não obtiverem homologação da compensação, só poderão ser  exigidos após decisão definitiva e terão 5 anos para cobrança, conforme artigo 174  do CTN.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  SALDO  NEGATIVO  DE  IRPJ  E  CSLL. PEDIDO EM DESACORDO COM LEGISLAÇÃO.  Pedido de Compensação que não está em conformidade com a legislação que  trata da matéria, não pode ser considerado como formulado.  Compensação não Homologada  3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  23/03/2009  (fls.  266),  a  tempo,  em  15/04/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 267 a 283, instruído com os documentos de  fls.  284  a  290,  nele  reiterando  os  argumentos  anteriormente  expendidos  e  aduzindo mais  os  seguintes:  a)  que  remeteu  à  SRF  Per/DComp  retificadora  por  meio  eletrônico,  em  28/08/2003;  b)  que, por meio desse Per/DComp retificador, relatou ao Fisco que também  estaria compensando créditos relativos ao exercício de 2001; e  c)  que, assim, cai por terra o argumento de que se valeu o Fisco quando do  indeferimento  daquela  defesa  administrativa  que,  quanto  ao  particular,  pautou­se,  única  e  exclusivamente,  na  afirmação  de  que  a  DCOMP  retificadora,  apresentada  em  01/10/2003,  já  que,  apresentada  em  formulário  de  papel,  deve  ser  considerada  como  não  formulada,  razão  pela qual os créditos apurados no ano­calendário 2001 não poderiam ter  sido utilizados para a compensação naquele período.  4.  Consta, de fls. 292 a 295, Resolução nº 1803­000.038, de 31/08/2010, desta  Turma, convertendo o julgamento do processo em diligência, cujo atendimento se deu de fls.  405 a 410 (numeração digital – ND).  Em mesa para julgamento.  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 427          7 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  5.  A  diligência  solicitada  por  meio  da  Resolução  nº  1803­000.038,  de  31/08/2010, desta Turma, foi no sentido de que fosse efetuada (fls. 295):  Análise dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos ao ano­ calendário de 2001,  indicados como crédito nas declarações nº  10183.27021.280803.1.7.02­3413 e 27454.15031.280803.1.7.03­ 0216 (fls. 24/31).  6.  Em atendimento, constou do Parecer Fiscal a seguinte conclusão (fls. 409 e  410 – ND, grifou­se):  CONCLUSÃO  36. Por  tudo o que  foi aqui exposto, verifica­se que os créditos  decorrentes  de  saldo  negativo  de  IRPJ  e  CSLL  apurados  no  encerramento dos anos de 2000 e 2001 já foram analisados pelo  Fisco e integralmente reconhecidos.  37.  Os  créditos  oriundos  do  ano  2000  foram  analisados  no  presente processo.  38.  Já aqueles decorrentes do ano­calendário 2001, os  quais o  CARF determinou que fossem aqui analisados, constatou­se que  a análise já foi realizada no processo nº 15578.000194/2008­41.  39.  Com  efeito,  a  diligência  determinada  pelo  CARF  torna­se  desnecessária  diante  da  nova  informação  de  que  o  crédito  impugnado  neste  processo  já  foi  integralmente  reconhecido  no  processo nº 15578.000194/2008­41.  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11543.001595/2003­51  Acórdão n.º 1803­002.457  S1­TE03  Fl. 428          8 Conclusão  7.  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, em face de já terem sido reconhecidos,  no  bojo  do  processo  nº  15578.000194/2008­41,  os  direitos  creditórios  de  R$  40.754,73  de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2001  (fls.  27)  e  de  R$  21.318,47  de  saldo  negativo  de  CSLL  do  ano­calendário  de  2001  (fls.  31),  homologando  as  compensações  pleiteadas até o limite de eventual saldo remanescente naquele processo.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 10920.907752/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 65          1  64  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.907752/2012­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.805  –  3ª Turma Especial   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  COFINS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005  JUROS  DE  MORA.  REDUÇÃO  AUTORIZADA  POR  LEI.  DIREITO  CREDITÓRIO COMPROVADO.  A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no  pagamento  de  débitos  vencidos  até  30  de  novembro  de  2008,  em  razão  do  quê  se  deve  reconhecer  o  direito  creditório  que  havia  sido  indeferido  indevidamente  com  fundamento  no  recolhimento  a  menor  do  referido  acréscimo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº  11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente), Hélcio Lafetá Reis  (Relator), Belchior Melo de Sousa e  João Alfredo  Eduão Ferreira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 52 /2 01 2- 17 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907752/2012­17  Acórdão n.º 3803­006.805  S3­TE03  Fl. 66          2  Trata­se de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ  Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade  manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada.  O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas  a  extinguir  débito  de  sua  titularidade  com  crédito  oriundo  de  pagamento  da  contribuição  efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de  mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  argüiu  que,  em  conformidade  com  os  documentos  comprobatórios  carreados  aos  autos  (Dacon,  DCTF,  PER/DCOMP  e  guias  de  recolhimento),  se  encontrava  comprovada  a  totalidade  do  crédito  declarado.  A  DRJ  Belo  Horizonte/MG  reconheceu  em  parte  o  direito  creditório,  excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor  recolhido  em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem.  Cientificado  da  decisão  em  10  de  junho  de  2014,  o  contribuinte  interpôs  Recurso Voluntário  em  7  de  julho  de  2014  e  requereu  o  reconhecimento  integral  do  direito  creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com  base  nos  benefícios  da  Lei  nº  11.941,  de  2009,  regulamentada  pela  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009.  Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em  que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme  acima  relatado,  controverte­se  nos  autos  acerca  do  não  reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da  inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso,  recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado.  O  Recorrente  alega  que  calculara  os  acréscimos  moratórios  com  base  nos  benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06,  de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem:  LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009  (...)  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907752/2012­17  Acórdão n.º 3803­006.805  S3­TE03  Fl. 67          3  Art.  1o Poderão  ser pagos  ou  parcelados,  em  até  180  (cento  e  oitenta)  meses,  nas  condições  desta  Lei,  os  débitos  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os  débitos  para  com  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional,  inclusive  o  saldo  remanescente  dos  débitos  consolidados  no  Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no  9.964,  de  10  de  abril  de  2000,  no  Parcelamento  Especial  –  PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no  Parcelamento  Excepcional  –  PAEX,  de  que  trata  a  Medida  Provisória  no  303,  de  29  de  junho  de  2006,  no  parcelamento  previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no  parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho  de  2002,  mesmo  que  tenham  sido  excluídos  dos  respectivos  programas  e  parcelamentos,  bem  como  os  débitos  decorrentes  do  aproveitamento  indevido  de  créditos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI  oriundos  da  aquisição  de  matérias­primas,  material  de  embalagem  e  produtos  intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto  sobre Produtos  Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto  no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota  0 (zero) ou como não­tributados  § 1o O disposto neste artigo aplica­se aos  créditos constituídos  ou não,  inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em  fase  de  execução  fiscal  já  ajuizada,  inclusive  os  que  foram  indevidamente  aproveitados  na  apuração  do  IPI  referidos  no  caput deste artigo.  § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser  pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de  2008,  de pessoas  físicas ou  jurídicas, consolidadas pelo  sujeito  passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em  dívida  ativa,  consideradas  isoladamente,  mesmo  em  fase  de  execução  fiscal  já  ajuizada,  ou  que  tenham  sido  objeto  de  parcelamento  anterior,  não  integralmente  quitado,  ainda  que  cancelado por falta de pagamento, assim considerados:  (...)  IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil.   § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as  condições  estabelecidos  em  ato  conjunto  do  Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional  e  do  Secretário  da  Receita  Federal  do  Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da  data de publicação desta Lei, os débitos que não  foram objeto  de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão  ser pagos ou parcelados da seguinte forma:   I  –  pagos  a  vista,  com  redução  de  100%  (cem  por  cento)  das  multas  de mora  e  de  ofício,  de  40%  (quarenta  por  cento)  das  isoladas,  de  45%  (quarenta  e  cinco  por  cento)  dos  juros  de  mora  e  de  100%  (cem  por  cento)  sobre  o  valor  do  encargo  legal;   Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907752/2012­17  Acórdão n.º 3803­006.805  S3­TE03  Fl. 68          4  (...)  PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO  DE 2009  (...)  Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita  Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008,  que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior  ao  da  publicação  da   Lei  n  º  11.941,  de  27  de maio  de  2009  ,  poderão  ser  excepcionalmente  pagos  ou  parcelados,  no  âmbito  de  cada  um  dos  órgãos,  na  forma  e  condições  previstas  neste  Capítulo.   §  1º  Para  os  fins  do  disposto  no  caput,  poderão  ser  pagos  ou  parcelados  os  débitos  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  consolidados  por  sujeito  passivo,  constituídos  ou  não,  com  exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa  da  União  (DAU),  mesmo  que  em  fase  de  execução  fiscal  já  ajuizada, considerados isoladamente:   (...)  VI ­ os demais débitos administrados pela RFB.   (...)  Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos  ou parcelados da seguinte forma:   I  ­  pagos  à  vista,  com  redução  de  100%  (cem  por  cento)  das  multas  de mora  e  de  ofício,  de  40%  (quarenta  por  cento)  das  multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros  de mora e  de  100%  (cem  por  cento)  sobre  o  valor  do  encargo  legal;   (...)  Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do  parcelamento ou do pagamento à vista.  Considerando­se os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de  autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros  de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos  até 30 de novembro de 2008.  No  presente  caso,  tem­se  débito  vencido  em  abril  de  2005  e  recolhido  em  outubro de 2009, encontrando­se, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei.  Sendo  o  valor  do  principal  de  R$  50.387,02  e  os  juros  cheios,  desconsiderando­se  a  princípio  a  redução  autorizada  pela  lei,  de  R$  29.043,07  (conforme  índice de juros de 57,64% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão  embargado, bem como no  site da Receita Federal),  tem­se que, aplicando­se o percentual de  redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 15.973,68, valor esse muito próximo,  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907752/2012­17  Acórdão n.º 3803­006.805  S3­TE03  Fl. 69          5  com diferença de apenas R$ 1,00, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$  15.972,68).  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso,  para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do  pleito creditório formulado.  O  provimento  apenas  parcial  se  deve  ao  fato  de  que  a  imputação  do  pagamento efetuado para fins de homologação da compensação dar­se­á somente no momento  da execução deste acórdão.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                              Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 10805.722367/2013-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. MANUTENÇÃO DE UNIFORME. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE. As verbas pagas a título de manutenção de uniforme não devem ser consideradas como salário de contribuição, conforme art. 28, § 9º,”r” da lei 8212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para desconsiderar a verba paga a título de manutenção de uniformes como salário de contribuição. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 2          1  1  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.722367/2013­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­003.967  –  3ª Turma Especial   Sessão de  20 de janeiro de 2015  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  FTC COMÉRCIO DE AUMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  LEI  10.101/00.  PARTICIPAÇÃO  DOS  TRABALHADORES  NOS  LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.  A  lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das  tratativas  acerca das  regras que nortearão  a participação dos  trabalhadores nos  lucros  ou  resultados,  mas  também  exige  critérios  claros  e  objetivos  quando  da  negociação firmada.  Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em  desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam­se às  contribuições devidas à seguridade social.   MANUTENÇÃO  DE  UNIFORME.  BASE  DE  CÁLCULO.INAPLICABILIDADE.  As  verbas  pagas  a  título  de  manutenção  de  uniforme  não  devem  ser  consideradas como salário de contribuição, conforme art. 28, § 9º,”r” da  lei  8212/91.  Recurso Voluntário Provido em Parte        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para  desconsiderar a verba paga  a título de manutenção de uniformes como salário de contribuição.    assinado digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 23 67 /2 01 3- 07 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 3          2  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.     assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de  Oliveira.     Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 4          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado,  referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de plano de participação nos lucros  sem a observância das exigências legais, verbas pagas a título de manutenção de uniformes de  trabalho  e  diferença  de  alíquota  declarada  e  efetivamente  incidente  sobre  a  atividade  preponderante da empresa. Vejamos excerto do relatório da r. decisão:  1.1. AI DEBCAD nº  51.044.887­9,  consolidado  em 03.09.2013,  referente  à  exigência  de  R$  12.241,25,  em  Contribuições  Previdenciárias  da  Empresa  e  em  Contribuição  para  Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de  Incidência  de  Incapacidade  Laborativa  Decorrente  de  Riscos  Ambientais  do  Trabalho  (GILRAT),  incidentes  sobre  remunerações  indiretas  pagas  pela  contribuinte,  em  desacordo  com a lei, a seus segurados empregados, a título de participação  nos  resultados  e  a  título  de  manutenção  de  uniformes  de  trabalho, cujos valores não foram declarados em GFIP (Guia de  ecolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem  recolhidos à Seguridade Social, nas competências de 01/2010 à  12/2010.  1.2.  AI  DEBCAD  n.º  51.044.888­7,  consolidado  03.09.2013,  referente  à  exigência  de  R$  42.010,91,  em  Contribuição  para  Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de  Incidência  de  Incapacidade  Laborativa  Decorrente  de  Riscos  Ambientais  do  Trabalho  (GILRAT),  referente  à  diferença  de  alíquota  declarada  e  efetivamente  incidente  sobre  a  atividade  preponderante da empresa, cujos valores não foram declarados  em  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social)  e  nem  recolhidos  à  Seguridade  Social,  nas  competências de 01/2010 à 12/2010.  1.3. AI DEBCAD n.º 51.044.889­5, consolidado em 03.09.2013,  referente  à  exigência  de  R$  3.061,37,  em  Contribuições  Destinadas  a  Outras  Entidades  ou  Fundos  (Terceiros),  incidentes sobre remunerações indiretas pagas pela contribuinte,  em desacordo com a  lei, a seus segurados empregados, a título  de  Participação  nos  Resultados  e  a  título  de  manutenção  de  uniformes  de  trabalho,  cujos  valores  não  foram  declarados  em  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social)  e  nem  recolhidos  às  entidades  de  destino,  nas competências de 01/2010 à 12/2010.  1.4.  AI  DEBCAD  n.º  51.044.886­0,  lavrado  em  03.09.2013,  referente à aplicação de multa (Código de Fundamentação Legal  78) no valor de R$ 6.500,00, por descumprimento de obrigação  acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com  omissões/erros  de  informações  referentes  a  contribuições  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 5          4  previdenciárias  incidentes  nas  competências  de  01/2010  à  12/2010.  O r. acórdão – fls 458 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação  apresentada, cancelando a multa aplicada pelo AI DEBCAD 51.044.886­0. Inconformada com  a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte:  ·  A notificação está despida de um dos requisitos necessários para a sua  validação, posto que o I. Agente Fiscal deixou de assinalar o horário  da lavratura deste procedimento fiscal.  ·  O D. Auditor Fiscal fixou de forma errônea os valores devidos a título  de FAP considerando, durante o período compreendido, a alíquota de  3%  (três  por  cento)  para  todos  os  estabelecimentos  da  RECORRENTE,  ao  invés  de  considerar  separadamente  o  respectivo  grau  de  risco  de  cada  estabelecimento.  O  agente  autuante  não  observou  a  atividade  econômica  ou  o  CNAE  preponderante  da  RECORRENTE. De fato, o erro foi causado por informação errada do  próprio  sistema  contábil  da  RECORRENTE,  que  a  enquadrou  no  nível  máximo,  ou  seja,  aplicou  equivocadamente  o  CNAE  preponderante.  ·  Dentre as parcelas que não compõem a remuneração e são excluídas  da incidência previdenciária, estão, entre outras, toda e qualquer verba  indenizatória  (alíneas  d,  e,  e  n),  e  as  verbas  relativas  a  participação  nos lucros ou resulta.dos da empresa (alínea j).  ·  A RECORRENTE, ao contrário da decisão  recorrida, entende que o  dispositivo  legal  aplicável  ao  caso  (art.  28,  §  99,  alínea  "r"  da  Lei  8.212/91) não determina que o uniforme deva ser entregue em espécie  e  não  o  valor  para  sua  aquisição.  Portanto,  a  lei  não  usa  o  termo  entrega  em  espécie,  mas  o  fornecimento  de  valor  correspondente  a  vestuário. Isto quer dizer que o valor pago pelo funcionário pode ser  reembolsado  ou  fornecido  o  valor  que  corresponda  ao  custo  de  um  uniforme.  ·  Requer  o  provimento  do  recurso,  declarando  NULO  os  autos  de  infração  lavrados  e  mantidos  pela  decisão  recorrida,  ou  julgados  improcedentes.  É o relatório.  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 6          5  Voto             Conselheiro Oséas Coimbra            O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.    DA FALTA DO HORÁRIO DA LAVRATURA  O decreto 70235/72 elenca as hipóteses de nulidade:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  (...)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.    A  ausência  de  menção  do  horário  da  lavratura  do  auto  em  nada  afeta  o  mesmo  uma  vez  que  o  resultado  de  tal  conduta  seria  somente  em  relação  ao  prazo  recursal  respectivo.  Como  a  contagem  de  prazo  tem  como  dies  a  quo  o  dia  seguinte  à  lavratura  do  mesmo – independentemente da hora – tal registro torna­se inócuo e não gera prejuízo algum à  defesa.  DA AJUDA DE CUSTO PARA UNIFORME  A ajuda de custo para uniforme foi incluída como base de cálculo, em razão  de a autoridade  fiscal  ter considerado que o pagamento em pecúnia não  seria permitido pela  regra do artigo 28, § 9º, “r” da lei 8212/91. Vejamos.  Como  podemos  notar,  a  previsão  legal  refere­se  a  vestuários  fornecidos  ao  empregado,  não  contemplando  hipótese  de  recebimento  em  dinheiro, motivo  pelo  qual  os  valores  pagos  a  título  de  manutenção  de  uniforme  foram  considerados  integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias  A lei diz que não integra o salário de contribuição:  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 7          6  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  Tenho que a norma legal informa que o valor correspondente a vestuário não  integra  o  salário  de  contribuição.  O  fato  de  o  empregador  pagar  ao  empregado  o  valor  correspondente  para  ser  aplicado  em  vestuário,  não  altera  a  natureza  da  verba.  O  desvirtuamento de  tal conduta – pagamento em pecúnia – poderia sim levar a considerar  tais  valores  como  salário  de  contribuição,  mas  a  auditoria  fiscal  deveria  trazer  elementos  que  demonstrassem o salário indireto daí advindo, o que não aconteceu. Dessa feita, tenho que tais  verbas não devem ser consideradas salário de contribuição.  DA ALÍQUOTA FAP E RAT  O relatório fiscal informa que não houve reenquadramento de FPAS, apenas  cobrança de diferença entre as alíquotas de RAT e FAP utilizadas pela empresa.  A  própria  recorrente  alega  que  houve  erro  nos  seus  lançamentos,  senão  vejamos excerto de sua peça recursal.  ...o erro foi causado por informação errada do próprio sistema  contábil da RECORRENTE, que a enquadrou no nível máximo,  ou seja, aplicou equivocadamente o CNAE preponderante.  A  mera  alegação  de  que  alguns  estabelecimentos  tem  diversa  atividade  preponderante,  sem  a  devida  comprovação  do  alegado,  não  tem  o  condão  de  alterar  o  lançamento.  Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que  desconstituísse o que consta da r. decisão, nessa parte.    DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS  A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI,  referente  à  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados.  Complementando,  a  lei  8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da  empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição.  O  Relatório  fiscal  informa  que  a  participação  nos  lucros,  conforme  convenção,  se  resumiria  ao  pagamento  de  duas  parcelas  de R$ 225,00,  sendo  a  primeira  em  02/2010 e a segunda em 07/2010.    A lei 8.212/91 informa:  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente: (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 8          7  (...)  j) a participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;    O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores  nos lucros ou resultados da empresa, assim traz:  Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre  a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir  descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante  indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos da participação e das regras adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes  critérios e condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  (...)  Art. 3º   ...  §  2o  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição de valores a título de participação nos lucros ou  resultados  da  empresa  em  periodicidade  inferior  a  um  semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.  O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas  pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Não cabe,  na  esfera  administrativa,  avaliar  eventual  inconstitucionalidade  das  leis  em  vigor.  É  o  que  também  expressamente  determina  o  art.  62  do  regimento  do  CARF,  aprovado  pela  portaria  GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Ad  argumentandum  tantum,  o  STJ  já  abordou  a  matéria  sob  o  prisma  suscitado.  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 9          8  TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  DA  EMPRESA.  INADMISSIBILIDADE.  I ­ O artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, instituiu como  direito  do  trabalhador  a  participação  nos  lucros  da  empresa,  desvinculada  de  sua  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A  legislação  aludida  apenas  poderá  regulamentar  a  forma  como  será a participação nos lucros, não podendo, contudo, vincular  tais  valores  à  remuneração,  sob  pena  de  modificar  o  entendimento expresso no dispositivo legal constitucional.  II  ­  A  norma  encimada  é  de  eficácia  plena  na  parte  em  que  desvincula  a  verba  de  participação  nos  lucros  da  empresa  da  remuneração, vedando a cobrança da contribuição social sobre  tais  valores.  No  que  concerne  à  forma  de  participação  nos  lucros  e  na  gestão  da  empresa  tal  norma  constitucional  é  de  eficácia contida, pois dependia de lei para sua implementação.  III  ­  Nesse  panorama,  mesmo  antes  do  advento  da  Medida  Provisória  nº  794/94,  já  era  vedada  a  exigibilidade  da  contribuição  social  incidente  sobre  valores  pagos  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados.  Precedentes:  REsp  nº  283.512/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 31/03/2003,  p. 190 e REsp nº 381.834/RS, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ de  08/04/2002,  p.  153.  IV  ­  Recurso  especial  a  que  se  nega  provimento  Resta  assim  demonstrado  que  a  norma  constitucional  insculpida  no  art.  7°,  inciso XI, é norma de eficácia contida, sendo válida sua implementação pela lei 10.101/00.   Do  que  trazido  aos  autos,  constata­se  não  há  metas  definidas,  tampouco  métodos de aferição destas.  O Min  Luiz  Fux,  relator  do REsp  865489  (2006/0074749­5  ­  24/11/2010),  transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização  de planos de participação.  "Embora com alterações ao  longo do período, as  linhas gerais  da  participação  nos  resultados,  estabelecidas  na  legislação,  podem  ser  assim  resumidas:  a)  deve  funcionar  como  instrumento  de  integração  entre  capital  e  trabalho,  mediante  negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar  vinculado  à  existência  de  resultados  positivos;  c)  necessidade  de  fixação  de  regras  claras  e  objetivas;  d)  existência  de  mecanismos de aferição dos resultados  No RESP º 856.160 ­ PR (2006/0118223­8) da Ministra Eliana Calmon traz  elucidativa manifestação sobre o tema.  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  ISENÇÃO.  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 10          9  1.  Embasado  o  acórdão  recorrido  também  em  fundamentação  infraconstitucional  autônoma  e  preenchidos  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  deve  ser  conhecido  o  recurso  especial.  2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  pressupõe  a  observância  da  legislação  específica  regulamentadora,  como  dispõe a Lei 8.212/91.  3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento  pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de  remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.  4.  Ambas  as  Turmas  do  STF  têm  decidido  que  é  legítima  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  mesmo  no  período  anterior  à  regulamentação  do  art.  7º,  XI,  da  Constituição  Federal, atribuindo­lhe eficácia dita limitada, fato que não pode  ser desconsiderado por esta Corte.  5. Recurso especial não provido.  Vejamos seu voto.  O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir  se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação  nos  lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP  794/94, convertida na Lei 10.101/00,  tem como consequência a  incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...)  Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  deve  observar  os  limites  da  lei  regulamentadora,  no  caso  a MP  794/94  e  a  Lei  10.101/00,  por  força  da  expressa  previsão  do  art.  7º,  XI,  da  Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...)  Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º,  "j",  condicionando  a  fruição  do  benefício  fiscal  em  questão  à  observância da legislação específica. Confira­se(...)  À  luz  da  previsão  legal  acima,  portanto,  não  se  sustenta  o  argumento de que não existe lei determinando a incidência da  contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de  participação nos  lucros ou  resultados  em desacordo com a  lei  específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica  e  são  tratadas  como  remuneração,  assim  entendida  como  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título durante o mês, ou seja, a regra é a  tributação,  afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva.  Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido  pela  recorrente,  torna­se  indispensável  a  observância  da  disciplina  da  lei  específica  acerca  da  forma  que  deve  ser  creditada  a  participação  nos  lucros,  como  bem  decidiu  o  Tribunal  de  origem.  (...)  Diante  disso,  tenho  por  devida  a  contribuição  previdenciária  se  o  creditamento  da  participação  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 11          10  dos  lucros  ou  resultados  não  observou  as  disposições  legais  específicas,  como  estabelece  o  art.  28,  §  9º,  "j",  da  Lei  8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por  isso mesmo, não merece quaisquer reparos    Acórdão  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  de  nº  9202­00.503,  de  relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, aponta importantes considerações, que transcrevo.  O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a  participação  nos  lucros  da  remuneração,  estabeleceu  a  exigência  de  lei  que  disciplinasse  a  forma  desta  participação.  Assim,  as  parcelas  relativas  à  participação  nos  lucros  posteriores  à  edição  da  Medida  Provisória  n°  794/94  devem  observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art.  28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais  valores  do  salário­decontribuição  à  observância  da  legislação  de regência.(...)  A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n°  10.101/00,  nada  mais  representam  do  que  uma  forma  de  se  garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a  qualquer  das  partes  envolvidas  o  direito  a  observar  o  quanto  fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da  lei:  há  uma  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho,  pela  recompensa  com  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  por  parte  do  trabalhador  e  a  empresa  ganha  em  aumento  da  produtividade.  (...)  Assim,  para  a  PLR  ser  paga  de  acordo  com  a  legislação  especifica deve,cumulativamente:  a) Resultar de negociação entre a empresa e  seus empregados,  por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria;  e/ou por convenção ou acordo coletivo;  b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras  e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a  fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras,  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado;  periodicidade  da  distribuição;  período de vigência e prazos para revisão do acordo;  c)  O  resultado  da  negociação  deve  ser  arquivado  na  entidade  sindical dos trabalhadores;   d)  Não  substituir,  nem  complementar  a  remuneração  devida  a  qualquer empregado;  e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou,  no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil;   Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 12          11  f)  Por  fim,  a  legislação  determina  formas  de  resolução  de  impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas  finais.  (...)  Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo  coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir  dos  fundamentos  adotados  pelo  relator  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  ao  concluir  que  foram  atendidas  as  exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação  entre  empregador  e  empregados  constam  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos para revisão do acordo, ni verbis:  Resta patente que, a validar plano de distribuição de lucros, as regras devem  ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem  o  alcance  ou  não  do  que  proposto  e  nada  disso  consta  do PLR acostado,  nem  regras  claras,  tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho.  PROGRAMA  DE  PARTICIPAÇÃO  DE  EMPREGADOS  NOS  LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE.  A  dedutibilidade  dos  valores  pagos  à  título  de  Programa  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  (PLR),  depende  da  adoção  de  regras  claras  e  objetivas,  consignadas  em  acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo  particular adotado através de prévia negociação com comissão  de  trabalhadores,  contando  com  a  participação  do  respectivo  sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/2002­28.  Acórdão  n'  1803­00.467.  1ª  Seção  de  Julgamento.  3ª  Turma  Especial. Sessão de 08 de julho de 2010.  Temos assim que a Participação nos Lucros e Resultados, na forma pactuada,  se desvirtua do que preconizado em lei, ante a ausência de metas e de elementos efetivos de  aferição.   A legislação confere ampla autonomia negocial quando da implementação de  PLR, mas há que existir parâmetros, seja quais forem, e sempre explanados de forma clara e  objetiva, o que não ocorre in casu.  Vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de  salário de contribuição:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 13          12  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   Percebe­se  a  abrangência  do  conceito,  traduzindo  a  preocupação  do  legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que  tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez  que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste  serviço, nos  exatos  termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que  atreladas ao  efetivo  exercício  da  atividade  laboral,  comprovando  sua  natureza  salarial,  inclusive  na  linha  dos  precedentes  jurisprudenciais  já  transcritos  ­  REsp  865489  (2006/0074749­5  ­  24/11/2010)  e  RESP º 856.160 ­ PR (2006/0118223­8) e ainda em recente decisão também da Corte Superior:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  INCIDÊNCIA.  POSSIBILIDADE.  OMISSÃO  QUANTO  À  LEI  DE  REGÊNCIA.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE.  (...)  2.  A  isenção  tributária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  participação nos  lucros ou resultados deve observar os  limites  da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e  a  Lei  n.  10.101/00,  e  também  o  art.  28,  §  9º,  "j",  da  Lei  n.  8.212/91, possuem regulamentação idêntica.  3. Descumpridas  as  exigências  legais,  as  quantias  pagas  pela  empresa  a  seus  empregados  ostentam  a  natureza  de  remuneração,  passíveis,  pois,  de  serem  tributadas.(...)  REsp  1264410  /  PR.  Relator: Ministro  HUMBERTO MARTINS.  DJe  11/05/2012  Tudo de  acordo  com  o  parágrafo  10  do  artigo  214  do Decreto  3.048/1999,  que aprovou o Regulamento da Previdência Social.  Art.214. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)  X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  (...)  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o salário­de­contribuição para todos os fins e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10805.722367/2013­07  Acórdão n.º 2803­003.967  S2­TE03  Fl. 14          13  Por certo que a mera celebração de acordo entre  empregados e empregador  não é suficiente a validar a participação nos lucros como parcela não incidente de contribuição  previdenciária. A lei 10.101/00 elenca os elementos necessários para que a regular celebração  da PLR.  A  inobservância  do  que  prevê  a  lei  no  tocante  a  distribuição  de  lucros  ou  resultados  afasta  tais  verbas  da  regra  excepcional  prevista  na  lei  8.212/91,  art.  28,  §9º,  "j",  devendo ser consideradas como fato gerador de contribuição previdenciária. É o que se extrai  do próprio texto legal.  Em razão das inúmeras irregularidades citadas, onde se demonstrou que não  foram obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00,  , tenho que as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição,  sujeitos assim à contribuição previdenciária.    CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  e,  no  mérito,  dou­lhe  parcial  provimento para desconsiderar a verba paga a título de manutenção de uniformes como salário  de contribuição.      assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.                                Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

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Numero do processo: 10850.907658/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907658/2011­58  Acórdão n.º 3803­006.777  S3­TE03  Fl. 429          2  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.  Relatório  Trata­se de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da  diligência  determinada  por  esta  3ª  Turma  Especial  quando  da  apreciação  do  Recurso  Voluntário  interposto  para  se  contrapor  à  decisão  da  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  manejada  em  decorrência  do  não  reconhecimento do direito  creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição  (PER),  pelo  fato  de  que  o  pagamento  informado  já  havia  sido  integralmente  utilizado  na  quitação de débitos da titularidade do contribuinte.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  requereu  a  plena  restituição, alegando tratar­se de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo  Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que  promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento.  A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a  inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga  omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  e  requereu  o  reconhecimento  do  direito  à  plena  restituição  da  contribuição  calculada  sobre  receitas  estranhas  ao  conceito  de  faturamento,  argüindo  que  a  retificação  de  declaração  não  podia  se  sobrepor  ao  direito  substantivo,  direito  esse  devidamente  comprovado  por meio  de  documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária  do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco.  Ao  apreciar  o  Recurso  Voluntário,  esta  3ª  Turma  Especial  decidiu  por  converter  o  julgamento  em  diligência  à  repartição  de  origem  para  que  a  autoridade  administrativa  auditasse  a  escrituração  contábil­fiscal  da  pessoa  jurídica,  assim  como  os  documentos  fiscais  que  a  lastreiam,  com  vistas  a  se  apurarem  o  faturamento  e  as  demais  receitas  auferidas  no  período,  bem  como  a  contribuição  devida,  tendo­se  em  conta  a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição.  Cumprida  a  diligência,  concluiu  a  repartição  de  origem  que  as  receitas  escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação  de  serviços,  tratando­se,  em  sua  totalidade,  de  receitas  de  origem  financeira,  receitas  essas  estranhas ao objeto social da pessoa jurídica.  Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente  Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, dever­se­ia considerar que ele já havia sido  totalmente  utilizado  na  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  16260.04437.151208.1.3.04­4815,  conforme  demonstrava  o  cálculo  efetuado  no  Sistema  de  Apoio Operacional (SAPO).  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907658/2011­58  Acórdão n.º 3803­006.777  S3­TE03  Fl. 430          3  Foi apensado ao presente o processo nº 10850.722733/2014­55, que cuida da  Declaração de Compensação do crédito controvertido nestes autos.  Cientificado  dos  resultados  da  diligência,  o  Recorrente  destacou  o  reconhecimento  do  crédito  pela  própria  Fiscalização,  o  que,  segundo  ele,  viabilizava  a  homologação da compensação declarada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme  acima  relatado,  controverte­se  nos  autos  acerca  do  pedido  de  restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que  extrapolam  o  conceito  de  faturamento,  com  fundamento  na  inconstitucionalidade  declarada  pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art.  3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  A  referida  inconstitucionalidade  foi  proferida  pelo  STF1  em  julgamento  definitivo  submetido  à  sistemática  da  repercussão  geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil ­ CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do  contido no art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de  29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original  do  art.  195,  I,  “b”,  da  Constituição  Federal,  em  que  se  previa  apenas  o  faturamento  como  hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras  receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo  ano por meio da Emenda Constitucional n° 20.  De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de  cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da  Emenda Constitucional n°  20/1998,  não  teve o  condão  de  convalidar  legislação  anterior  que  previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das  receitas da  pessoa jurídica.  Não  se  pode  olvidar  que  o  termo  faturamento  refere­se  ao  somatório  das  receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido  no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis:                                                              1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário  nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou,  desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF.  2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros.  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907658/2011­58  Acórdão n.º 3803­006.777  S3­TE03  Fl. 431          4  Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois  por  cento  e  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço  de  qualquer  natureza.  (grifei)  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo,  para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição,  o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado  em separado no documento fiscal;  b)  das  vendas  canceladas,  das  devolvidas  e  dos  descontos  a  qualquer título concedidos incondicionalmente.  O  fato  de  o  Supremo  Tribunal  Federal  ter  considerado  o  conceito  de  faturamento  equivalente  ao  de  “receita  bruta”  não  pode  ser  interpretado  como  dilatação  autorizada  do  alcance  de  tais  institutos,  pois  o  termo  “receita  bruta”  foi  considerado  como  coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de  mercadorias e serviços.  A  possibilidade  de  se  tributarem  outras  receitas  somente  passou  a  vigorar  após  a  vigência  da  Emenda  Constitucional  n°  20,  de  1998,  quando  se  incluiu,  dentre  as  hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada.  Dessa  forma, por  força do contido no art. 62­A do Anexo  II  do Regimento  Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da  repercussão  geral  devem  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  de  recursos  no  âmbito  do  CARF,  conclui­se  pelo  direito  do  contribuinte  de  obter  a  restituição  de  recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito  de faturamento.  Tendo  a  repartição  de  origem  confirmado,  em  sede  de  diligência,  que  a  totalidade  do  valor  do  crédito  pleiteado  neste  processo  decorria  da  apuração  da  contribuição  sobre receitas  financeiras,  receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica,  tem­se  por comprovado o direito creditório pleiteado.  Destaque­se que referido crédito já foi totalmente utilizado na Declaração de  Compensação  identificada na planilha de  cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional  (fls.  400  a  402),  declaração  essa  controvertida  no  âmbito  do  processo  administrativo  nº  10850.722733/2014­55, processo esse apensado ao presente processo.  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de  cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907658/2011­58  Acórdão n.º 3803­006.777  S3­TE03  Fl. 432          5                              Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 10950.000514/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/08/2005 a 31/08/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. CREDITAMENTO PELO EXPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. O benefício fiscal do crédito presumido de IPI, previsto nas Leis 9.363/1996 e 10.276/2001, contempla tão somente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza a operação de industrialização conforme definida pela legislação do IPI. Não faz jus ao referido crédito o exportador de produto agrícola in natura adquirido de terceiros. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Relatora, Demes Brito e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral o Dr. Everdon Schlindweiwein. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. [assinado digitalmente] José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 1.283          1 1.282  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.000514/2008­45  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­002.226  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  COFINS. COMPENSAÇÃO  Recorrente  CAMPAGRO INSUMOS AGRÍCOLAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/08/2005 a 31/08/2005  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE  MERCADORIAS  NÃO  SUBMETIDAS  A  PROCESSO  INDUSTRIAL.  CREDITAMENTO PELO EXPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE.  O benefício fiscal do crédito presumido de IPI, previsto nas Leis 9.363/1996  e  10.276/2001,  contempla  tão  somente  o  produtor  exportador,  assim  compreendida  a  pessoa  jurídica  que  realiza  a  operação  de  industrialização  conforme definida  pela  legislação  do  IPI. Não  faz  jus  ao  referido  crédito  o  exportador de produto agrícola in natura adquirido de terceiros.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  os  Conselheiros  Andréa  Medrado  Darzé,  Relatora,  Demes  Brito  e  Nanci  Gama,  que  davam  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento.  Fez  sustentação  oral  o  Dr.  Everdon  Schlindweiwein.   [assinado digitalmente]  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.   [assinado digitalmente]  Andréa Medrado Darzé ­ Relatora.  [assinado digitalmente]     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 05 14 /2 00 8- 45 Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.284          2 José Fernandes do Nascimento – Redator Designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do Nascimento,  Andréa Medrado Darzé,  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Demes  Brito e Nanci Gama.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  da  DRJ  em  Ribeirão Preto que  julgou  improcedente  a Manifestação de  Inconformidade  apresentada,  não  reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender  que, o eventual crédito presumido apurado com base no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com  as  alterações  posteriores),  somente  pode  ser  utilizado  para  dedução da contribuição  devida  em  cada  período  de  apuração,  não  existindo  previsão  legal  para  que  se  efetue  a  sua  compensação ou o seu ressarcimento.   Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os  quais  foram  relatados  com  riqueza  de  detalhes,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  transcrevendo­o abaixo na íntegra:  Trata­se  de manifestação  de  inconformidade,  apresentada  pela  empresa  em  epígrafe,  ante  Despacho  Decisório  de  autoridade  da  Delegacia  da  Receita  Federal em Maringá (fls. 272/275), que indeferiu o pedido de ressarcimento.  A  contribuinte  requereu,  através  de  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento  (PER),  fls.  04/263,  relativamente  ao  3º  trimestre  de  2006,  o  crédito  presumido  de  IPI  de  que  trata  a  Lei  nº  9.363/96,  no  montante  de  R$  1.818.671,73.  O pedido foi totalmente indeferido porque a partir de fevereiro de 2004, com  o  advento  da  não­cumulatividade  do  PIS/Cofins,  é  vedado  às  pessoas  jurídicas  tributadas  pelas  regras  do  Lucro  Real  a  apuração  e  aproveitamento do crédito presumido de IPI.  Por outro lado, constata­se no pedido de ressarcimento que o suposto crédito  presumido  refere­se  aos  anos  de  2002,  2003  e  2004,  o  que  afronta  as  orientações do programa gerador do pedido de ressarcimento. De acordo com  o  art.  16  da  IN  SRF  nº  600/2005,  o  pedido  de  ressarcimento  deve  ser  apresentado para o período em que o suposto crédito foi apurado. O pedido  foi  irregular porque  indicava  tratar­se de crédito apurado no 3º  trimestre de  2006, mas informou dados relativos aos anos 2002, 2003 e 2004.  Regularmente  cientificada,  a  postulante  apresentou  manifestação  de  inconformidade de fls. 307/321, alegando, em resumo, que:   1. É empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, fazendo jus ao  benefício criado pela Lei nº 9.363/96;  2.  Efetuou  o  pedido  de  ressarcimento  do  crédito  presumido dos  períodos  que  vão  do  1º  trimestre  de  2001  ao  1º  trimestre  de  2004,  e  para  tanto  Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.285          3 apresentou,  por  trimestre,  o  DCP,  sendo  que  até  o  3º  trimestre  de  2002  a  apuração dos créditos foi apresentada através da DCTF. 2.1 e nos trimestres  subsequentes através do programa DCP 1.1, conforme determina a legislação;  3. O direito ao crédito  refere­se a período anterior à não­cumulatividade do  PIS/Cofins;  4.  A  autoridade  fiscal  confundiu  o  período  de  apuração  do  crédito  com  o  período de solicitação do mesmo;  5. O fato de não ter solicitado o crédito no período em que adquiriu o direito  não lhe tira o referido direito que prescreve em 10 anos;  6. Escriturou os créditos apurados no 3º  trimestre de 2006, pois  segundo as  normas  contábeis,  não  poderia  refazer  toda  a  sua  escrita  fiscal  de  períodos  anteriores;  7. O pedido de ressarcimento cumpriu a regra estabelecida pelo art. 16 da IN  SRF nº 600/2005, pois refere­se a um único trimestre calendário; não consta  no texto dessa norma que o trimestre calendário não possa conter registros de  créditos  extemporâneos,  os  quais  foram  regularmente  lançados  nesse  trimestre   8. Não poderia apresentar pedidos de ressarcimento para períodos anteriores,  pois o crédito foi escriturado no 3º trimestre de 2006; haveria uma diferença  entre o pedido e o que foi escriturado;  9.  O  procedimento  adotado  está  de  acordo  com  o  Ajuda  do  programa  Perdcomp  –  3.3,  que  orienta  que  “as  informações  relativas  ao  crédito  presumido deverão  ser prestadas  no  trimestre  calendário  em que  os  valores  apurados forem escriturados no Livro RAIPI, independentemente do período  de apuração a que se refiram”.  Por fim, requereu o deferimento integral do ressarcimento, e a homologação  de todas as compensações de débitos a ele vinculadas.   Consta  nos  autos  que  a  interessada  impetrou  Mandado  de  Segurança  (processo  n°  2007.70.03.0036406)  na  Justiça  Federal,  objetivando:  a  determinação  de  que  sejam  impulsionados  os  pedidos  administrativos  de  ressarcimento  de  crédito  presumido;  que  a  União  inclua  na  apuração  do  benefício as aquisições de insumos de pessoas físicas; que inclua na apuração  as  exportação  de  produtos NT;  e  que  os  valores  a  serem  ressarcidos  sejam  corrigidos  pela  SELIC.  Cópia  do  Acórdão  que  deu  provimento  ao  pleito  encontra­se às fls. 326/339.  Em 02/06/2009, a autoridade fiscal proferiu o Despacho de fls. 342/344, no  qual  toma  conhecimento  do  Acórdão,  mas  justifica  que  as  causas  do  indeferimento do ressarcimento não tem relação com a matéria  julgada pelo  Poder Judiciário, encaminhando o processo para a Delegacia de Julgamento,  após ciência à interessada do Despacho prolatado.  Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.286          4 Em 15/12/2010, mediante a Resolução nº 1.459 (fls. 380/383), esta Turma de  Julgamento, por divergir dos motivos do indeferimento do pleito, remeteu o  processo  para  diligência  fiscal,  pois  os  elementos  constantes  dos  autos  não  eram suficientes para apurar a legitimidade dos valores pleiteados de crédito  presumido de IPI dos anos de 2002, 2003 e 2004.  Após procedimento fiscal, os auditores elaboraram o Relatório de Diligência  Fiscal de fls. 1150/1155, com as seguintes conclusões:   1.  Todos  os  valores  informados  nos  DCP’s  como  aquisições  de  insumos  referem­se  exclusivamente  a  compras  de  produtos  agrícolas  para  comercialização (CFOP – 1.12, 1.102, 2.12 e 2.102);  2.  A  receita  bruta  operacional  auferida  pela  requerente  é  composta  exclusivamente  pela  revenda  de  mercadorias  adquiridas  de  terceiros,  conforme DACON e DIPJ; a empresa adquire e revende produtos em natura  (milho, soja e trigo);  3. Toda a exportação refere­se a revenda de produtos adquiridos no mercado  interno;  4. Deixou de comprovar em alguns casos o fim específico de exportação, e  não  excluiu  devoluções  de  vendas  da  comercial  exportadora,  conforme  demonstrado à fl. 1154.  Regularmente cientificada, a requerente manifestou­se às fls. 1159/1187, com  as seguintes alegações:  1. Executa um processo de beneficiamento nos grãos de soja, milho e trigo,  caracterizando­se  como  uma  empresa  produtora  de  mercadorias  nacionais,  fazendo  jus  ao  crédito  presumido de  IPI  previsto  nas Leis  nº  9.363/96  e  nº  10.276/2001;  2. O processo produtivo  consiste  em:  recebimento  e  classificação, descarga  das mercadorias, pré­limpeza dos grãos, secagem, pós limpeza, armazenagem  e controle de qualidade, e expedição;   3.  Os  insumos  (grãos  de  soja,  milho  e  trigo)  adquiridos  de  pessoas  físicas  devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido em respeito ao  Acórdão do TRF da 4ª Região;  4.  Não  satisfeito  com  a  descrição  do  processo  produtivo,  o  agente  fiscal  deveria  ter realizado diligência in loco nos estabelecimentos da contribuinte  para conhecer o processo produtivo;  5.  A  Lei  exige  a  produção  de  mercadorias  nacionais,  e  não  condiciona  o  direito  ao  benefício  à  produção  de  produto  industrializado;  o  processo  produtivo  desempenhado  pela  contribuinte  de  acordo  com  a  legislação  é  equiparado a processo industrial;  Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.287          5 6.  A  fiscalização  não  respeitou  a  decisão  do  TRF4  que  considerou  que  a  receita de exportação abrange os produtos NT;  7.  É  ilegítima  a  restrição  aos  créditos  devido  a  equivocada  utilização  do  CFOP; é mero erro formal que não pode afetar o direito da requerente, que  beneficia o grão de soja e deveria ter utilizado o CFOP relativo a “venda de  produção do estabelecimento”;  8.  Houve  excesso  de  formalismo  da  autoridade  fiscal,  ao  se  ater  ao  equivocado enquadramento do CFOP;  9.  Em  relação  às  exportação  não  comprovadas  constantes  da  Planilha  01  elaborada  pelo  agente  fiscal,  a  não  exportação  nesses  casos  é  responsabilidade da empresa comercial exportadora que se obriga a pagar os  tributos  não  recolhidos  e  o  crédito  presumido  aproveitado  pela  requerente;  nos  casos  da  Planilha  01,  houve  apenas  erro  no  preenchimento  da  data  de  embarque, mas como efetiva exportação, não há prejuízo;  10.  Em  relação  à  Planilha  02,  todos  os  produtos  foram  efetivamente  exportados;  11.  Possui  todos  os  elementos  necessários  para  a  apuração  do  crédito,  cabendo  à  autoridade  fiscal  a  apuração  do  montante  do  crédito  em  conformidade com a lei e o direito.  Por  fim,  a manifestante  requereu  o  reconhecimento  do  direito  creditório;  a  aplicação  da  decisão  judicial  com  a  inclusão  dos  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas;  considerar  o  conceito  amplo  de  receita  de  exportação;  considerar  todas  as  exportações  efetuadas  com  o  fim  específico  de  exportação;  respeito  à  decisão  judicial;  e  correção  dos  créditos  pela  taxa  Selic.  A  DRJ  em  Ribeirão  Preto  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade apresentada, nos seguintes termos:   CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  EMPRESA  PRODUTORAEXPORTADORA.  SIMPLES REVENDA DE PRODUTOS.  A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, não está  contemplada no incentivo fiscal.  Com  efeito,  a DRJ  entendeu  que  como  concluiu  que  não  há  exportação  de  produtos  que  gerem  o  direito  ao  benefício  fiscal,  as  demais  questões  aventadas  no  processo  perderiam seu objeto, tais como (i) a possibilidade de incluir no cálculo a aquisição de insumos  de pessoas físicas;  (ii) a utilização da taxa Selic na correção do valor a  ser  ressarcido;  (iii) a  necessidade de excluir as exportações não comprovadas.  Irresignado, o  contribuinte  recorreu  a  este Conselho, basicamente  repetindo  as razões da Manifestação de Inconformidade.   É o relatório.  Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.288          6 Voto Vencido  Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora.  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme é possível perceber do relato acima, são os seguintes os pontos de  controvérsia  da  presente  lide:  (i)  a  comprovação  de  que  os  produtos  que  a  ora  Recorrente  exportou  foram  submetido  a  processo  produtivo;  (ii)  a  possibilidade  de  incluir  no  cálculo  a  aquisição de insumos de pessoas físicas; (iii) a utilização da taxa Selic na correção do valor a  ser ressarcido; e (iv) a necessidade de excluir as exportações não comprovadas.  Os pontos  (ii) a  (iv),  todavia, não foram enfrentados pela decisão recorrida,  justamente  por  concluir  que  a  Recorrente  não  exportou  produtos  submetidos  a  processo  produtivo. Sendo assim, passemos inicialmente ao enfretamento desta questão.  Antes, todavia, importa deixar consignados alguns pontos incontroversos nos  autos, os quais serão fundamentais para o deslinde do caso na eventualidade de ser superado o  entendimento quanto ao item (i). São eles:  (i) a Recorrente realiza as atividades de recebimento, classificação, descarga  das  mercadorias,  pré­limpeza  dos  grãos,  secagem,  pós­limpeza,  armazenagem, controle de qualidade e expedição.  (ii)  a  Recorrente  a  obteve  medida  judicial,  transitada  em  julgado,  reconhecendo  o  (a)  direito  ao  crédito  presumido  sobre  a  aquisição  de  insumos aplicados na produção de mercadorias não tributadas pelo IPI  (NT),  bem  como  (b)  que  os  valores  relativos  à  aquisição  de  insumos  de  pessoas  físicas  e  cooperativas  devem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  do  crédito presumido.   Pois bem. Pleiteia o ora Recorrente o  reconhecimento do direito  ao  crédito  presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96, relativamente à aquisição, de pessoas físicas,  de  soja,  milho  e  trigo,  os  quais,  segundo  seu  relato,  são  destinados  à  exportação  após  a  realização das seguintes atividades: recebimento, classificação e descarga das mercadorias, pré­ limpeza  dos  grãos,  secagem,  pós­limpeza,  armazenagem  e  controle  de  qualidade  e,  por  fim,  expedição.  Nos  termos  da  referida  lei,  assegura­se  o  direito  ao  crédito  presumido  em  relação  às  aquisições  de  insumos,  assim  definidos  como  matérias  primas,  produtos  intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo. É o que se  depreende do texto do seu art. 1º:  Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30  de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições,  Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.289          7 no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo.  A  referida  lei,  todavia,  não  definiu  expressamente  o  conceito  de  processo  produtivo. Entretanto, não podemos olvidar que o objetivo da presente norma foi  justamente  evitar  a  “exportação  dessas  contribuições”,  embutidas  nos  custos  dos  produtos  comercializados, especialmente porque não existia, à época, a não cumulatividade do PIS e da  COFINS.   A  solução  encontrada,  portanto,  foi  outorgar  um  crédito  presumido  de  IPI  como forma de ressarcimento dessas contribuições, até mesmo para contornar as dificuldades  de caixa do Tesouro Nacional. Nota­se, por conseguinte, que apesar de o creditamento ser na  escrita  do  IPI,  era  feito  a  título  de  ressarcimento  dessas  contribuições,  como  prescrito  expressamente pelo legislador.   Este objetivo  aparece  em  tintas  fortes na Exposição de Motivos da Medida  Provisória nº 948/95, que foi posteriormente convertida na Lei nº 9.363/96:   Permitir  a  desoneração  fiscal  da  COFINS  e  PIS/PASEP  incidentes  sobre os  insumos, objetivando possibilitar a  redução  dos  custos  e  o  aumento  da  competitividade  dos  produtos  brasileiros,  dentro  da  premissa  básica  de  diretriz  política  do  setor, no sentido de que não se deve exportar tributos.  Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em  cascata,  sobre  todas  as  etapas  do  processo  produtivo,  parece  mais  razoável  que  a  desoneração  corresponda  não  apenas  à  última  etapa  do  processo  produtivo,  mas  sim  às  duas  etapas  antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser  elevada para 5,  37%, atenuando ainda mais a  carga  tributária  incidente  sobre  os  produtos  exportados,  e  se  revelando  compatível com a necessidade do ajuste fiscal.  3. Por outro lado, as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional  demonstram  que,  em  lugar  do  ressarcimento  de  natureza  financeira,  melhor  e  de  efeitos  mais  imediatos  será  que  o  exportador  possa  compensar  o  valor  resultante  da  aplicação  das  alíquotas  com  seus  débitos  de  IPI,  recebendo  em  espécie  apenas  a  parcela  que  exceder  o  montante  que  deveria  ser  recolhido  a  esse  título.  Daí  a  opção  pela  concessão  de  um  crédito  presumido  do  IPI  no montante  equivalente  à  aplicação  da alíquota de 5,37% sobre os insumos e material de embalagem  que  compõem  o  produto  exportado,  mantido  o  mesmo  critério  anteriormente  previsto,  ou  seja,  a  parcela  das  aquisições  na  mesma  proporção  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita  operacional bruta do exportador.  Com  efeito,  tanto  o  texto  legal,  como  a  própria  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  que  a  antecedeu,  deixam  claro  que  o  crédito  presumido  é  benefício  garantido ao produtor que promova a exportação de seus produtos, sendo a sua vinculação com  o IPI somente na forma de ressarcimento.   Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.290          8 Assim,  ciente  que  tanto  as  mercadorias  tributadas  pelo  IPI  quanto  as  não  tributadas  estão  submetidas  à  incidência  das  referidas  contribuições,  a  conclusão  é  única:  também estas últimas,  quando exportadas,  geram créditos por meio da  sistemática da Lei n°  9.363/96. Afinal,  reafirme­se,  não  há  o  uso  no  texto  legal  do  signo  industrial,  tampouco  de  produto industrializado. A lei limitou­se a se referir a produtor e processo produtivo.  Portanto, ainda que em tom repetitivo, insisto: o benefício é trazido não para  o contribuinte do IPI, mas para a empresa que seja produtora e contribuinte do PIS e da Cofins,  sendo que o crédito feito na apuração do IPI é mera forma de utilização fixada na lei.   Prova disso é o artigo 4° da Lei n° 9.363/96 determina o  ressarcimento em  dinheiro  nos  casos  de  impossibilidade  de  utilização  do  crédito  presumido  para  compensar  débitos de IPI:  Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do  crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos  Industrializados  devido,  pelo  produtor  exportador,  nas  operações  de  venda  no  mercado  interno,  far­se­á  o  ressarcimento em moeda corrente.  Ao  admitir  o  ressarcimento  em  moeda  corrente  quando  a  empresa  não  consiga compensá­los com o IPI devido, seja por vender mais para o mercado externo, seja por  produzir mercadorias não tributadas por este  imposto, resta confirmada a desvinculação entre  ser  contribuinte  do  IPI,  exportar  produtos,  que  estes  tenham  sofrido  processo  de  industrialização nos termos da legislação do IPI e fazer jus ao crédito presumido. E não podia  ser diferente, pois, concluir que o crédito presumido mantém relação direta com o fato gerador  do IPI é exorbitar o contexto da Lei.  Insisto:  o  que  legislador  fez  foi  limitar  o  direito  ao  crédito  apenas  às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  para  utilização no processo produtivo (não a todo e qualquer insumo) e exigir que essas aquisições  sejam no mercado interno. Nada mais.  Foi  justamente  por  entender  que  não  existem  outros  condicionantes  para  a  outorga  do  presente  crédito  presumido  que  o  Superior  Tribunal  Justiça,  valendo­se  da  sistemática prevista no art. 543­C, do CPC, pacificou, no REsp 993.164, o entendimento de que  até mesmo a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de  pessoas físicas e cooperativas integram a sua base de cálculo.  Com  efeito,  durante  muito  tempo,  o  Fisco  resistiu  ao  reconhecimento  do  crédito nesses casos, sob a justificativa de que seria necessária a incidência das contribuições  na etapa anterior da cadeia para que se pudesse autorizar o crédito presumido. Insistia o Fisco  que se o crédito é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que  a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições, apenas haveria tal direito nos casos  de tributos incidentes nas respectivas aquisições.  Este entendimento, todavia, foi superado, por se tratar de condicionante não  estabelecida pela lei. No referido acórdão ficou consignado o seguinte:  É  que:  (i)  "a  COFINS  e  o  PIS  oneram  em  cascata  o  produto  rural  e,  por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­exportador,  mesmo  não  havendo  Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.291          9 incidência na  sua última aquisição";  (ii)  "o Decreto 2.367/98  ­  Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição  às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes"   Estas razões teleológicas associadas ao próprio texto legal permitem concluir  pela  impossibilidade de  imprimir definição  tão restritiva aos conceitos  jurídicos de “produtor  exportador  de  mercadorias”  e  de  “processo  produtivo”,  como  o  fez  a  fiscalização,  acompanhada da DRJ.  É  bem  verdade  que  o  parágrafo  único  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.363/96  estabeleceu  que  “utilizar­se­á,  subsidiariamente,  a  legislação  do  Imposto  de  Renda  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria­prima, produtos intermediários  e material de embalagem.   Ocorre  que  não  se  pode  definir  produção,  para  o  fim  específico  da  Lei  nº  9.363/96, com base no art. 8º do RIPI, como pretende a fiscalização, tendo em vista que o texto  legal define apenas estabelecimento industrial para fins de incidência do IPI, o que não vem ao  caso. Ademais, não há qualquer passagem no RIPI que defina expressamente o que venha a ser  produção.  O art. 610 do RIPI  se  limita a conceituar o que  sejam “bens de produção”,  dentre eles relacionando, expressamente, as matérias­primas, que é o que de perto interessa no  presente  processo.  A  Lei  nº  4.502/65,  por  sua  vez,  define  estabelecimento  produtor,  nos  seguintes termos:  Art. 3º Considera­se estabelecimento produtor todo aquêle que  industrializar produtos sujeitos ao impôsto.  Parágrafo  único.  Para  os  efeitos  dêste  artigo,  considera­se  industrialização qualquer operação de que resulte alteração da  natureza,  funcionamento,  utilização,  acabamento  ou  apresentação do produto, salvo:  I  ­  o  consêrto de máquinas,  aparelhos  e objetos pertencentes a  terceiros;  Il  ­  o  acondicionamento  destinado  apenas  ao  transporte  do  produto;  III  ­  O  preparo  de  medicamentos  oficinais  ou  magistrais,  manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e  consumidor,  assim  como  a  montagem  de  óculos,  mediante  receita médica.   IV  ­  a  mistura  de  tintas  entre  si,  ou  com  concentrados  de  pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada  em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática  ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas  interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.   Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.292          10  Art  . 4º Equiparam­se a estabelecimento produtor, para  todos  os efeitos desta Lei:  [...]   IV  ­  os  que  efetuem  vendas  por  atacado  de matérias­primas,  produtos  intermediários,  embalagens,  equipamentos  e  outros  bens de produção.  Ora, dispondo o legislador de forma tão clara não há margem para dúvidas: a  Recorrente,  na  qualidade  de  vendedora/exportadora  por  atacado  de  matérias­primas  se  equipara  por  expressa  disposição  legal  a  estabelecimento  produtor,  do  que  se  infere  logicamente que sua atividade é de produção.   Reforça  a presente  linha de argumentação o próprio comando do art. 46 do  CTN,  que  dispõe  expressamente  que mesmo  para  efeitos  de  incidência  do  IPI,  considera­se  industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a  natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo.   Dito  isso,  infere­se que,  excluídas as atividades  relacionadas pelo art. 3º  da  Lei  nº  4.502/65,  todas  as  demais  circunstâncias  fáticas  que  modifiquem  a  natureza  ou  a  finalidade,  ou  o  aperfeiçoe  para  o  consumo  se  enquadram no  conceito  de  industrialização  e,  com maior razão, decorrem de um processo de produção.  Como  bem  pontado  no  Acórdão  202­16.850,  “o  conceito  de  produção  é  lúbrico  na  legislação  do  IPI,  “porém  pode  ser  inferido  do  conceito  de  industrialização  contido no art. 3º do mesmo regulamento”. E mais adiante acrescenta: “ainda na legislação  do  IPI,  verifica­se  que  o  art.  4º,  expressamente,  dispõe  sobre  as  exclusões  do  que  a  lei  considera  industrialização.  Tais  exclusões  são  numerus  clausus,  ou  seja,  a  relação  é  exaustiva, não comporta dilatação”.  Foi  justamente  por  conta  dessas  razões  jurídicas  que  a  Egrégia  Câmara  Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste Conselho firmou entendimento no sentido de que a  fruição do crédito presumido  independe de a mercadoria estar sujeita à  incidência do  IPI, do  que  se  infere,  por  decorrência  lógica,  que  também  é  irrelevante  que  se  trate  de mercadoria  industrializada para fins da legislação deste imposto:    RESSARCIMENTO.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  RELATIVO  AO  PIS/COFINS.  INCIDÊNCIA  DO  IPI.  A  Lei  nº  9.363/96,  em  seu  artigo  1º,  estabelece  que  o  requisito  para  a  fruição  do  direito  ao  crédito  presumido  referente  ao  PIS  e  a  COFINS é a produção e exportação de mercadorias nacionais,  sendo irrelevantes, se cumpridos estes requisitos, que o produto  esteja ou não sujeito ao IPI. Recurso provido. (CSRF/02­01.876,  Segunda Turma, Data da Sessão: 11/04/2005)    De  fato,  transferir  para  o  benefício  fiscal,  cuja  natureza  jurídica  é  de  ressarcimento  da Contribuição  ao  PIS  e  da Cofins,  as  regras  atinentes  ao  IPI  é,  no mínimo,  contornar os dispositivos da norma que o instituiu, restringindo o seu alcance.  Assim , sendo incontroverso nos autos que a Recorrente realiza as atividades  de recebimento, classificação, descarga das mercadorias, pré­limpeza dos grãos, secagem, pós­ Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.293          11 limpeza,  armazenagem,  controle  de  qualidade  e  expedição  e  fixada  a  premissa  que  essas  atividades, no mínimo, aperfeiçoam as matérias­primas para o consumo,  resta evidente que a  Recorrente realiza processo produtivo, fazendo jus ao crédito presumido em questão.  Não  há  qualquer  argumento  jurídico  que  sustente  a  conclusão  da  DRJ  no  sentido  de  que  essas  atividades  não  são  produtivas,  nem  mesmo  na  modalidade  de  beneficiamento.  Tanto  é  verdade  que  o  acórdão  recorrido  se  limitou  a  fazer  esta  afirmação,  sem, contudo, apresentar qualquer dispositivo legal que lhe pudesse dar sustentação.  Aliás,  neste  ponto  é  digno  de  nota  que  estas  conjecturas  sequer  seriam  necessárias no caso concreto. Com efeito, conforme já afirmado, é incontroverso nos autos que  a  Recorrente  a  obteve  medida  judicial,  transitada  em  julgado,  reconhecendo  o  direito  ao  crédito presumido sobre a aquisição de  insumos aplicados na produção de mercadorias  não tributadas pelo IPI (NT). Ou seja, reconheceu­se o direito ao crédito independentemente  de a Recorrente exportar produto industrializado (já que se referiu a mercadoria) e do fato deste  produto ser tributado pelo IPI. Nas razões de decidir, se valeu de outro precedente no qual está  expressamente  consignado que  não  é necessário  ser  industrial,  tampouco que  o  produto  seja  industrializado para a outorga do crédito.   TRIBUTÁRIO.  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI.  LEI  9.363/96.  INSUMOS.  PRODUTOS  PRIMÁRIOS  (PESCADO),  ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. ABRANGÊNCIA. IN/SRF  419/04  e  420/04.  RESTRIÇÃO  INDEVIDA.  [...]  4.  Reconhecimento do direito ao aproveitamento do beneficio tanto  em relação a produtos não  industrializados quanto ao produtor  que não desenvolva atividade industrial.  5. Ilegalidade das restrições de aproveitamento postas na IN/SRF  419/04 (sucessora da IN/SRF 23/97) e 420/04, que exigem que o  vendedor  dos  produtos  seja  pessoa  jurídica  sujeita  às  contribuições  desoneradas.  Assim,  as  aquisições  de  pescado,  fornecido  por  produtor  rural  pessoa  física,  são  admitidas  para  compor a base de cálculo do beneficio. Precedentes. 6. Correção  dos valores, pela SELIC, desde o momento em que poderiam ter  sido  aproveitados  até  o  trânsito  em  julgado.  7. Aproveitamento  do  crédito  presumido  no  abatimento  do  IPI  devido,  na  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita  Federal,  nos  termos do art.  74 da Lei 9.430/96 ou por meio de  ressarcimento em moeda corrente, conforme previsão do art. 4"  da  Lei  9.363/96  (TRF4,  APELAÇÃO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA N" 2006.72.08.005320­ 5, 2" Turma, Juíza VÂNIA  HACK DE ALMEIDA, POR UNANIMIDADE, D.E. 26/06/2008)  Sendo  este  o  conteúdo  da  decisão  judicial,  jamais  poderia  a  autoridade  administrativa se furtar ao seu cumprimento, não reconhecendo o direito ao crédito presumido  no caso concreto, sob o pretexto de que a razão do indeferimento não seria o fato de o produto  exportado ser ou não  tributável pelo  IPI, mas, supostamente, de a empresa  somente revender  produtos, especialmente quando reconhece textualmente que a Recorrente realiza as atividades  de recebimento, classificação, descarga das mercadorias, pré­limpeza dos grãos, secagem, pós­ limpeza, armazenagem, controle de qualidade e expedição.   Com efeito, o que se vê no presente caso é que, a pretexto de afirmar que a  Recorrente  não  provou  que  realiza  processo  produtivo,  está  exigindo,  em  verdade,  que  ela  comprove que  realiza  atividades  de  industrialização  para  fins  de  incidência  do  IPI.  Isso  fica  Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.294          12 muito evidente quando afirma que as atividades realizadas pela Recorrente, não são produtivas,  nem  mesmo  na  modalidade  de  beneficiamento,  quando  se  sabe  que  beneficiamento  é  uma  espécie de atividade industrial, por definição legal.   O que se percebe, portanto, é que a autoridade julgadora de primeira instância  não  concorda  com  a  interpretação  que  foi  atribuída  pelo  Poder  Judiciário  para  definir  os  requisitos para a fruição do crédito presumido em questão. Ocorre que, correto ou equivocado  o  julgamento  do  Poder  Judiciário,  certo  é  que  se  trata  de  comando  de  superior  hierarquia,  cogente para a Administração Pública, que  está obrigada  a cumpri­lo,  independentemente de  sua concordância. E o conteúdo da decisão proferida é muito claro no sentido de reconhecer o  direito  ao  crédito  presumido  sobre  a  aquisição  de  insumos  aplicados  na  produção  de  mercadorias não tributadas pelo IPI (NT). O que se verifica aqui, portanto, é um mero jogo de  palavras (industrialização x produção), na tentativa de se esquivar de uma flagrante violação à  coisa julgado, o que não se pode admitir.  Neste contexto, seja por um argumento, seja por outro, certo é que deve ser  reconhecido  o  direito  da  Recorrente  ao  crédito  presumido  sobre  as  aquisições,  no  mercado  interno de soja, milho e trigo de pessoas físicas.   No que se refere especificamente ao fato de tais aquisições terem sido feitas  diretamente  de pessoas  físicas,  não  bastasse  a  existência de  ordem  judicial  reconhecendo  tal  direito mesmo  nessas  circunstâncias,  não  se  pode  perder  de  vista  que  o  presente  direito  foi  reconhecida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  sob  a  sistemática  prevista  no  art.  543­C,  do  CPC, o que implicaria a sua aplicação no caso concreto, em face do que dispõem o art. 62­A do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Aliás,  é  justamente  por  esta  razão  que  também  reconheço  o  direito  à  utilização  da  taxa  Selic  na  correção  do  valor  a  ser  ressarcido.  Com  efeito,  este  mesmo  precedente  ­  RE  993.164  ­  fixou  o  entendimento  de  que  deve  incidir  correção  monetária,  mediante  aplicação  da  Taxa  Selic,  nos  pedidos  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  na  aquisição de matérias primas de pessoas físicas quando a utilização do crédito é obstada por ato  do  Fisco,  como  ocorre  no  presente  caso.  Sendo  assim  é  cabível  a  sua  aplicação  a  partir  da  transmissão do pedido ressarcimento.  Por fim, quanto à necessidade de excluir da base de cálculos as exportações  não  comprovadas,  também  concordo  com  a  Recorrente  tendo  em  vista  que,  nos  casos  de  comprovada  entrega  de  mercadorias  em  recinto  alfandegado,  a  não  exportação  passa  a  ser  responsabilidade da empresa comercial exportadora. O que o contribuinte tem que comprovar é  a sua exportação direta ou a sua entrega em recinto alfandegado, como o fez a Recorrente.   Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  presente  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  de  a  Recorrente  apurar  crédito  presumido  sobre  as  aquisições, no mercado interno de soja, milho e trigo de pessoas físicas, bem como assegurar a  correção monetária  desses  créditos, mediante  a  aplicação  da Taxa  Selic,  a  partir  da  data  da  transmissão do pedido.      [assinado digitalmente]  Andréa Medrado Darzé  Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.295          13 Voto Vencedor  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado.  Inicialmente,  é  pertinente  esclarecer  que  a  recorrente  foi  favorecida  com  decisão judicial, com trânsito julgado, proferida pelo TRF da 4ª Região (fls. 326/339), que lhe  reconheceu  o  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI  em  relação  à  cadeia  produtiva  “tanto  de  mercadorias tributadas pelo IPI, quanto as não tributadas” (sic).  Logo, para que não se alegue que houve descumprimento de decisão judicial,  ressalta­se que, por  força do referido provimento  judicial, aqui admite­se que a produção e a  exportação  de  produto  não  tributável  (NT)  pelo  IPI  não  impede  à  apropriação  do  crédito  presumido do IPI pelo produtor exportador.  Entretanto, a controvérsia ainda remanesce em relação ao  tipo de receita de  exportação  auferida  pela  recorrente.  Ou  seja,  trata­se  de  receita  de  exportação  de  venda  de  produto  (ainda  que  NT)  por  ela  produzido  ou  trata­se  de  receita  de  revenda  de  produto  adquirido  des  outros  produtores,  no  caso,  de  produtores  rurais?  Em  outras  palavras,  a  recorrente agiu como estabelecimento produtor exportador ou realizou apenas revendedor para  o exterior de produtos adquiridos de terceitos?  Diferentemente  da  Turma  de  Julgamento  de  primeiro  grau,  a  i.  Relatora  entendeu  que  as  atividades  de  “recebimento,  classificação,  descarga  das  mercadorias,  pré­ limpeza dos grãos, secagem, pós­limpeza, armazenagem, controle de qualidade e expedição”,  realizadas  pela  recorrente,  configuravam  atividade  produtiva  de  aperfeiçoamento  (beneficiamento)  das  matérias  primas  para  o  cosumo,  conforme  explicitado  no  excerto  que  segue transcrito:  Assim , sendo incontroverso nos autos que a Recorrente realiza  as  atividades  de  recebimento,  classificação,  descarga  das  mercadorias,  pré­limpeza  dos  grãos,  secagem,  pós­limpeza,  armazenagem,  controle  de  qualidade  e  expedição  e  fixada  a  premissa  que  essas  atividades,  no  mínimo,  aperfeiçoam  as  matérias­primas  para  o  consumo,  resta  evidente  que  a  Recorrente  realiza  processo  produtivo,  fazendo  jus  ao  crédito  presumido em questão.  Com a devida vênia,  ousa­se discordar do  entendimento da nobre Relatora,  pelas razões a seguir explicitadas.  Previamente  à  análise  da  controvérsia,  é  oportuno  analisar  o  significado  e  alcance  jurídico  dos  preceitos  legais  que  veiculam  as  normas  que  estabelecem  as  condições  para utilização do incentivo fiscal em destaque, especialmente, o disposto nos artigos 1º e 2º da  Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a seguir transcritos:  Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de  Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.296          14 dezembro  de  1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim  específico de exportação para o exterior.  Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita operacional bruta do produtor exportador.  § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual  de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo.(Vide Lei  nº 10.637, de 2002)  [...] (grifos não originais)  Nos referidos preceitos  legais, encontram­se definidos o  titular do direito, a  base de cálculo e a alíquota do crédito presumido do IPI. O titular do crédito é a pessoa jurídica  “produtora e exportadora”. Logo, a contrário  senso, não se beneficia do  referido  incentivo  fiscal o exportador não produtor, ou seja,  aquela pessoa  jurídica que  revende o produto para  exterior no mesmo estado em que foi adquirido do produtor nacional.  Por sua vez, a base de cálculo é determinada mediante a aplicação, sobre o  valor total das aquisições de matérias­primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de  embalagem  (ME),  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita operacional bruta do produtor exportador. Portanto, a determinação da base de cálculo  depende de dois elementos essenciais: a) o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) o  valor  da  receita  de  exportação  do  produto  resultante  do  processo  de  produção  dos  referidos  insumos.  Por  fim,  a  alíquota  é  o  percentual  estabelecido  no  referido  diploma  legal.  Porém, como não há controvérsia sobre este ponto, para o deslinde da presente lide,  torna­se  despiciendo qualquer comentário a respeito.  Do exposto e com base numa interpreção combinada dos referidos preceitos  legais, é possível concluir que o direito ao crédito presumido do IPI depende do atendimento,  simultâneo,  das  seguintes  condições:  (i)  que  haja  aquisição  de MP,  PI  e ME,  (ii)  que  estes  insumos sejam aplicados ou utilizados na produção de determinado produto e, por  fim,  (iii)  que  este  produto  resultante  do  processo  de  produtivo  seja  exportado  diretamente  ou  por  intermédio de empresa comercial exportadora.  O  segundo  elemento,  por  constituir  o  cerne  da  controvérsia,  induvidosamente, necessita de uma precisa definição. Para esse fim, o parágrafo único do art.  3º da Lei nº 9.363, de 1996, expressamente, determina a utilização subsidiária da legislação do  IPI, com os seguintes dizeres, in verbis:  Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.297          15 Art.  3º  Para  os  efeitos  desta  Lei,  a  apuração  do  montante  da  receita  operacional  bruta,  da  receita  de  exportação  e  do  valor  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  será  efetuada nos  termos  das  normas  que  regem  a  incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista  o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo  fornecedor ao produtor exportador.  Parágrafo  único.  Utilizar­se­á,  subsidiariamente,  a  legislação  do  Imposto  de  Renda  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria­ prima,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem.  (grifos não originais)  No  âmbito  da  legislação  do  IPI,  os  arts.  3º  e  4º  do  Regulamento  do  IPI,  aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente nos períodos  de  apuração  do  crédito  pleiteado,  de  forma  complementar,  veiculam  os  conceitos,  respectivamente,  de  produto  industrializado  e  de  operação  de  industrialização,  com  os  seguintes termos, ipsis litteris:  Art.  3º  Produto  industrializado  é  o  resultante  de  qualquer  operação  definida  neste  Regulamento  como  industrialização,  mesmo incompleta, parcial ou intermediária.  Art.  4º  Caracteriza  industrialização  qualquer  operação  que  modifique  a  natureza,  o  funcionamento,  o  acabamento,  a  apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para  consumo,  tal  como  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  3º,  parágrafo  único,  eLei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  art.  46,  parágrafo único):  I  ­  a  que,  exercida  sobre  matérias­primas  ou  produtos  intermediários,  importe  na  obtenção  de  espécie  nova  (transformação);  II  ­  a  que  importe  em  modificar,  aperfeiçoar  ou,  de  qualquer  forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a  aparência do produto (beneficiamento);  III ­ a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de  que  resulte  um  novo  produto  ou  unidade  autônoma,  ainda  que  sob a mesma classificação fiscal (montagem);  IV ­ a que  importe em alterar a apresentação do produto, pela  colocação da embalagem, ainda que em substituição da original,  salvo  quando  a  embalagem  colocada  se  destine  apenas  ao  transporte  da  mercadoria  (acondicionamento  ou  reacondicionamento); ou  V ­ a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente  de  produto  deteriorado  ou  inutilizado,  renove  ou  restaure  o  produto para utilização (renovação ou recondicionamento).  Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação  como  industrialização,  o  processo  utilizado  para  obtenção  do  Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.298          16 produto  e  a  localização  e  condições  das  instalações  ou  equipamentos empregados. (grifos não originais)  Com base nos mencionados comandos normativos, para fim de apuração do  crédito presumido do IPI, o conceito de produção equivale ao conceito industrialização, que  consiste na operação que modifica “a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação  ou  a  finalidade  do  produto”,  ou  o  aperfeiçoa  para  consumo.  Sob  mesmo  fundamento,  induvidosamente, o produto exportado que atende os requisitos do incentivo fiscal em apreço  equivale ao produto industrializado conceituado na legislação do IPI.  Em suma, pode­se  asseverar que o direito  ao  crédito presumido do  IPI  fica  condicionado à utilização ou aplicação da MP, do PI e do ME na produção ou industrialização  de produto exportado. Em outras palavras, somente podem ser utilizados como base de cálculo  do  incentivo  fiscal  em  apreço  o  valor  dos  insumos  aplicados  no produto  industrializado  e  exportado. A  contrário  senso,  por  falta  de  previsão  legal,  estão  fora  do  incentivo  fiscal  em  comento,  as  aquisições  de  produtos  exportados  no  mesmo  estado  em  que  adquiridos  de  terceiros, ou seja, sem que sejam submetido a qualquer operação de industrialização, definida  no art. 4º do RIPI/2002.  No  caso  em  tela,  o  produto  aquirido  pela  recorrente  foi  o  mesmo  por  ela  exportado, conforme ficou sobejamente demonstrado nas notas fiscais colacionadas aos autos  (fls.  391/1055),  ou  seja,  a  recorrente  adquire  produtos  in  natura  (milho,  soja  e  trigo)  e  os  revendeu no mesmo estado (in natura). No mesmo sentido, a fiscalização apurou que:  a) os valores  informados nas  linhas 11 a 16 dos Demonstrativos do Crédito  Presumido  (DCP)  apresentados  (fls.  1033/1105)  se  referem  exclusivamente  a  compras  de  produtos agrícolas adquiridos para comercialização (CFOP ­ 1.12,1.102,2.12 e 2.102); e  b)  a  receita  bruta  operacional  auferida  pela  recorrente  era  composta  exclusivamente pela venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros (CFOP ­ 5.12,  5.102, 6.12, 6.102, 5.502 e 6.502), conforme comprovam os Demonstrativos de Apuração das  Contribuições Sociais  ­ Dacon  (  fls.  1106/1133)  e  as Fichas  04A  e  06A das Declarações  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ  (fls.1134/1139),  que  retratam  os  dados extraídos da sua escrituração contábil e fiscal.  Em suma, a fiscalização apurou que a empresa no DCP, na Dacon e na DIPJ  declarava  que  exportava  mercadorias  adquiridas  de  terceiros,  utilizando  os  CFOP  correspondentes  à  revenda  de  produtos,  o  que  indicava  que  não  havia  qualquer  processo  produtivo.  A  recorrente  alegou  a  fiscalização  afirmando  que  se  equivocou  na  escrituração ao adotar os CFOP de revenda e que houve excesso de formalismo da autoridade  fiscal,  que  não  procede,  tendo  em  vista  que  as  informações  foram  prestadas  pela  própria  recorrrente nos referidos Demonstrativos e Declarações e registrados nas notas fiscais e livros  contábeis e fiscais da recorrente. Ademais, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento  idôneo que comprovasse alegado erro da fiscalização.  Também não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização agiu com  excesso  de  formalismo,  pois,  de  fato,  a  fiscalização  apenas  relatou  os  dados  e  informações  consignados na documentação contábil e fiscal emitida pela própria recorrente.  Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.000514/2008­45  Acórdão n.º 3102­002.226  S3­C1T2  Fl. 1.299          17 Com o mesmo entendimento aqui esposado, decidiu a 3ª Turma Ordinária da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção,  conforme  explicitado  no  enunciado  da  ementa  do  julgado  a  seguir  reproduzido:  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  RESSARCIMENTO.  EXPORTAÇÃO  DE  MERCADORIAS  NÃO  SUBMETIDAS  A  PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO.  O  chamado  “crédito  presumido  de  IPI”,  concedido  e  disciplinado  pelas  Leis  nºs  9.363/96  e  10.276/01,  beneficia  tão  somente  o  produtor  exportador,  assim  compreendida  a  pessoa  jurídica  que  realiza  operação  de  industrialização  segundo  os  conceitos definidos pela legislação do IPI.  (CARF, 3ª Seção, 4ª  Câmara,  3ª  Turma Ordinária,  Ac.  3403­001.295,  de  9/11/2011,  rel. Marcos Tranchesi Ortiz)  Com base nessas considerações, fica demonstrado que a totalidade da receita  de exportação auferida pela recorrente foi proveniente da revenda de mercadorias adquiridas de  terceiros,  sem  ser  submetida  a  qualquer  processo  de  industrialização,  conforme  definido  na  legislação do IPI.  Assim,  uma  vez  demonstrado  que  a  receita  de  exportação  auferida  pela  recorrente não lhe assegurava a apropriação do crédito presumido do IPI pleiteado, as demais  questões  suscitadas  pela  recorrente  (créditos  sobre  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas,  atualização  dos  créditos  pela  taxa  Selic  e  exclusão  das  recietas  de  exportação  não  comprovadas)  ficam  prejudicadas,  tornando  despicienda  a  análise  das  correspondentes  alegações.  Por todo o exposto, vota­se por negar provimento ao recurso, para manter na  íntegra o acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 16327.915201/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 871          1 870  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.915201/2009­15  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3802­000.352  –  2ª Turma Especial  Data  12 de novembro de 2014  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  ECONOMUS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.    MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente e Relator.  Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Mércia Helena Trajano  D’Amorim,  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Bruno  Maurício  Macedo  Curi  e  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.    RELATÓRIO    O  interessado  acima  identificado  recorre  a  este  Conselho,  de  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP.  Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão  recorrida, que transcrevo, a seguir:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 15 20 1/ 20 09 -1 5 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915201/2009­15  Resolução nº  3802­000.352  S3­TE02  Fl. 872          2 A  interessada  entregou  via  Internet  a  Declaração  de  Compensação  nº  02037.79352.130808.1.7.04­5404  de  fls.  72  a  77,  na  qual  declara  a  compensação  de  pretenso  crédito  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  –  Lançamento  de  Ofício  (código  de  receita  2960)  relativo  ao  período  de  apuração  indicado  como  ocorrido  em  08/08/1980  (referente  a  vários  fatos  geradores).  Pelo Despacho Decisório de fls. 39 e 71, a contribuinte foi cientificada, em  19/10/2009  (fls.  70),  de  que  “A  partir  das  características  do  DARF  discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  Informados  no  PER/DCOMP”.  Sendo  que  a  utilização do crédito se encontrava assim discriminada:  Número do  Pagamento  Valor Original  Total  Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos  (DB)  Valor Original  Utilizado  3687829978  2.753.612,21  Pr: 16327.001985/2001­37  1.120.446,85      Pr: 16327.002896/2002­99  1.633.165,36               Valor Total  2.753.612,21  Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada,  tendo  sido  a  interessada  intimada  a  recolher  o  débito  indevidamente  compensado (principal de R$ 673.763,84).  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  em  18/11/2009  a Manifestação  de  Inconformidade de fls. 02 a 09. Na peça de defesa, a contribuinte apresenta  os seguintes argumentos:   ­ a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar  e  tem  como  objetivo  instituir  e  administrar  plano  de  previdência  complementar  e,  por  conseguinte,  pagar  aposentadorias  complementares às pagas pela Previdência Social;  ­  tendo  apurado  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior  de  tributos  federais, apresentou, como lhe é  facultado pela legislação  de  regência,  a Declaração  de Compensação de Tributos Federais  n° 02037.79352.130808.1.7.04­5404;   ­ A Manifestante efetuou depósitos judiciais a partir de 05 de abril  de 2000, dos montantes que considerava devidos:  Descrição  Principal  Descrição  Principal  Total  Depósito PIS    Depósito PIS    R$  fev99 a dez00  R$ 701.303,85 jan01 a ago2001  R$ 361.270,78 1.062.574,64  Depósito COFINS    Depósito COFINS    R$  fev99 a dez00  R$ 3.236.786,99 jan01 a ago2001  R$ 1.239,765,87 4.476.552,89          R$  Fl. 872DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915201/2009­15  Resolução nº  3802­000.352  S3­TE02  Fl. 873          3 Total  R$ 3.938.090,84   R$ 1.601.036,65 5.539.127,53  ­  Estes  depósitos  foram  efetuados  nos  autos  do  processo  n°  20006100010173­ 5,  em  trâmite perante a  Justiça Federal de São  Paulo,  tendo  sido  convertidos  em  renda  da  União,  quando  da  adesão da Manifestante à anistia instituída pela MP 2222/01.  ­  Pretendia  com  isso,  a  Manifestante,  liquidar  os  débitos  relacionados  com  o  PIS  e  com  a  COFINS,  deixando  de  recolher  apenas a parcela que pretendia discutir, relativa à conta 4.1;;  ­  Porém,  a  Manifestante.  identificou  divergências  entre  os  montantes  depositados  e  o  efetivamente  devido,  sendo  que,  posteriormente, em 29 de novembro de 2002; efetuou pagamentos a  titulo de PIS e COFINS, beneficiando­se da possibilidade da anistia  ­concedida pela MP 2222/01, scomo dito acima;  ­ Ressalta a Manifestante que estes códigos não são os códigos para  recolhimento de anistia da MP 2222/2001 e sim os códigos para a  anistia  especial  para  os  contribuintes  que  possuíam  discussões  administrativas  e  desejavam  manter  a  discussão  relativamente  à  parte do débito e reconheciam como devido uma outra parte;  ­ A intenção da Manifestante foi a de quitar os débitos relativos ao  PIS  e  à  COFINS  deixando  de  fora  apenas  os  montantes  relacionados  com  os  Reembolsos  (4.1),  cuja  discussão  seria  mantida, como o é até a presente data;  ­  No  entanto,  preocupada  em  atender  ao  prazo  para  adesão  da  anistia,  a  Manifestante  realizou  cálculos  apressados  à  época  do  pagamento,  que  resultaram  num  recolhimento  a  maior  do  que  o  efetivamente devido;  ­ Somente posteriormente, revendo suas bases de cálculo com mais  ­  calma,  identificou  que  o  total  recolhido  na  anistia,  somado  ao  total que já havia sido convertido em renda da União por forca da  desistência  da  ação  n°  20006100010173­5,  superava  em  muito  o  efetivamente devido para o período.  ­  Assim  sendo,  resta  claro  que  a  Manifestante  é  detentora  dos  créditos que foram utilizados para compensação a titulo de PIS de  R$ 718.754,47 e de COFINS de R$ 3.196.466,99, conforme quadros  abaixo:  Descrição PIS  Devido  Depositado  Recolhido  Folha  Total  Devido 96 a dez/00  ­4.971.668,56  701.303,86   89.442,19   Devido jan/01 a ago/01  ­275.770,97  361.270,78       Total  ­5.247.439,53  1.062.574,64  4.814.177,17  89.442,19  718.754,47              Descrição COFINS  Devido  Depositado  Recolhido  Total  Devido 96 a dez/00  ­3.399.825,66  3.236.787,02     Devido jan/01 a ago/01  ­1.272.789,08  1.239.765,87     Total  ­4.672.614,74  4.476.552,89  3.392.528,84  3.196.466,99  ­ A Manifestante cometeu apenas um equivoco formal, pois quando  efetuou o pagamento na GUIA referente à anistia, o fez inserindo o  código errado, o que, em conseqüência, gerou a informação errada  Fl. 873DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915201/2009­15  Resolução nº  3802­000.352  S3­TE02  Fl. 874          4 na ­PER/DCOMP, que também constou este mesmo código errado,  sendo que o crédito compensado é legitimo;  ­  mero  erro  material  na  declaração  não  invalida  a  compensação  efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser.julgada  procedente  a  compensação  efetuada  pela  Manifestante,  com  a.  conseqüente extinção do débito tributário ora imputado ­ Uma vez  demonstrada  a  origem  dos  pagamentos  realizados  a  maior  que  a  Manifestante  pretendeu  compensar,  como  restou  comprovado  acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena  de  afronta  ao  princípio  da  moralidade  administrativa,  tendo  em  vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do  Estado;  ­ os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos,  não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação  tributária,  reportando­se  a  ensinamentos  de  Ives Gandra  da  Silva  Martins e Hugo de Brito Machado;  ­  A  quantia  recolhida  a  título  de  tributo  a  maior,  que  não  era  devida, nem sequer pode  ser  considerada  tomo  receita do Estado,  sob  pena  de  afronta  ao  princípio  da  legalidade  e  da  moralidade  administrativa;  ­ Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode  esta  quantia  a  que  se  pretende  compensar  ser  integrada  ao  patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de  restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário;  ­  Tão  logo  apurado  o  recolhimento  indevido,  esta  parcela  foi  compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação  federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação;  ­  vale  ressaltar  que  se  a  confissão  do  contribuinte  não  estiver  de  acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o  juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não  houve. Assim, se aquele que confessou o  fez em virtude de erro, a  confissão  pode  ser  revogada,  conforme  determina  o  Código  de  Processo Civil em seu artigo 352;  ­  Considerando  que  o  valor  confessado  pela  Manifestante  não  corresponde  às  hipóteses  de  incidência  tributária,  a  confissão  de  dívida  e  conseqüente  pagamento  são  absolutamente  irrelevantes,  não gerando qualquer obrigação  tributária,  prevalecendo os  fatos  verdadeiros sobre o confessado;  ­  Demonstrado  que  o  fato  confessado  não  correspondia  à  hipótese  de  incidência  tributária,  este  não  era  capaz  de  gerar  a  obrigação  tributária  tornando  a  confissão  de  dívida  absolutamente  irrelevante,  o  que  possibilita,deste modo, a compensação pretendida.  O pleito  foi  indeferido, no  julgamento de primeira  instância, nos  termos do  acórdão  DRJ/SP  1  no  16­48.842,  de  25/07/2013,  proferida  pelos  membros  da  8ª  Turma  da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis:  Fl. 874DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915201/2009­15  Resolução nº  3802­000.352  S3­TE02  Fl. 875          5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL­COFINS  Data do fato gerador: 29/11/2002  COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Não  se  reconhece  o  direito  creditório  quando  o  contribuinte  não  logra  comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido  ou a maior.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  O  julgamento  foi  no  sentido  de  indeferir  a manifestação  de  inconformidade  e  não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez.   Ainda  insatisfeito,  o  contribuinte  protocolizou  o  Recurso  Voluntário,  tempestivamente, no qual, basicamente,  reproduz as razões de defesa constantes em sua peça  impugnatória.  Requer  a  reforma  da  decisão  recorrida,  com  objetivo  de  homologar  as  compensações pleiteadas.   Argumenta  que  é  de  se  notar  que  os  valores  declarados  não  existiam  de  fato,  uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na  base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e  da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação  das DCTF.  O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira.  É o Relatório.    VOTO   Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   O presente  recurso é  tempestivo e atende aos  requisitos de admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.   Pois  bem,  como  é  cediço,  a  entrega  de  DCTF,  sem  qualquer  tipo  de  comprovação  que  demonstre  a  divergência  na  apuração  do  débito,  não  é  suficiente  para  comprovar o indébito indicado.  No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo  princípio  da  verdade  material,  a  Recorrente  em  fase  de  Manifestação  de  Inconformidade,  apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS  e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao fato gerador de 29/11/2002.   Agora,  no  texto  do  seu  Recurso  Voluntário,  repisa  um  Demonstrativo,  visando demonstrar  para  a Administração Tributária  a  “base  real”  do COFINS  apurada  pelo  Fl. 875DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915201/2009­15  Resolução nº  3802­000.352  S3­TE02  Fl. 876          6 Recorrente  no  referido  mês,  versando  que  tais  documentos  são  satisfatórios  para  a  comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor  a maior de COFINS para esta competência.  Neste  passo,  não  resta  dúvida  de  que  a  adoção  do  princípio  da  verdade  material  no  processo  administrativo  fiscal  consiste  numa  providência  que  resulta  na melhor  aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida.   Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho  denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado  e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de  despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração.  Com  base  nessas  considerações  e  o  contido  no  recurso  voluntário  da  recorrente  bem  como  devido  às  particularidades  do  caso  concreto  e  antes  do  julgamento  do  mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto  pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos  retornarem à  DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre:  a)  diligenciar,  com  base  nos  dados  registrados  nos  documentos  contábeis  apresentados  (Balancete  Analítico  Consolidado,  referente  ao  fato  gerador  de  29/11/2002  do  COFINS,  e  pronunciar­se  sobre  a  veracidade  dos  cálculos  elaborados  no  demonstrativo  do  COFINS  (recurso  voluntário),  visto  que  os mesmos  foram  trazidos  extemporaneamente  pelo  contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre  a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor,   e  b)  em  seguida,  seja  cientificada  a  recorrente,  para,  querendo,  dentro  do  prazo fixado, manifeste­se sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornem­se  os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento.     (assinado digitalmente)    MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Relator    Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 10209.000730/2005-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/09/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 261          2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano  Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.  Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido:  Trata  o  presente  processo  de  exigência  do  Imposto  de  Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$  166.529,54 objeto do Auto de Infração fls. 02/11.  Segundo  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  a  empresa  em  epígrafe  através  da Declaração  de  Importação  de  no  00/09028018,  registrada  em  22/09/2000,  pleiteou  redução  tarifária  da  alíquota  “ad  valorem”  de  6%,  para  os  produtos  classificados  no  código  NCM  2710.00.31,  que  à  época  era  a  alíquota normal vigente, para a alíquota reduzida de 3% para o  imposto de importação, prevista no Acordo de Complementação  Econômica  nº  39  (ACE  39),  conforme Decreto  de  execução  nº  3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países:  Colômbia,  Equador,  Peru,  Venezuela,  (Países  Membros  da  Comunidade Andina).  Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte:  a) o certificado de origem nº ALD 1001034135, fl.23 emitido na  Venezuela,  em  18/10/2000,  indicou  como  país  de  origem  da  mercadoria, a Venezuela e declarou como empresa exportadora  a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A;   b)  o  certificado  de  origem  registra  em  seu  corpo  como  país  exportador  a  Venezuela,  fazendo  referência  expressa  à  fatura  comercial  nº  1163480,  emitida  pela  empresa  PDVSA  PETRÓLEO Y GAS S/A e não apresentada no despacho;  c) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi  a  de  nº  PIFSB  1026/2000,  fl.  22,  emitida  em  14.11.2000  pela  Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com  sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI;   d) no conhecimento de embarque, fl.21, documento que assegura  a  propriedade  da mercadoria,  esta  foi  consignada  a Petrobras  International Finance Company, logo essa empresa situada nas  Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria;   e)  diante  dos  fatos  e  documentos  apresentados,  a  operação  comercial foi analisada à luz da Resolução nº 252, do Comitê de  Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira  através do Decreto nº 3.325/99.  Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fl.06:  Embora  o  artigo  nono  da  Resolução  nº  252,  do  Comitê  de  Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 262          3 através do Decreto nº 3.325/99 admita que a mercadoria objeto  de  intercâmbio  possa  ser  faturada  por  um  operador  de  um  terceiro  país,  não  se  aplica  ao  caso,  uma  vez  que  não  há  interveniente de um operador, nos  termos da citada Resolução,  mas  a  participação  de  um  terceiro  país  na  qualidade  de  exportador,  na  medida  e  que  uma  empresa  situada  nas  Ilhas  Cayman,  fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto  de preferências tarifárias no âmbito da ALADI.  O  importador,  através  da  correspondência UM­REMAM/ CMB  019/02,  de  19/08/02,  fls.32/34,  confirma  que  adquire  a  mercadoria  da  Venezuela,  revende  para  sua  subsidiária,  a  empresa  Petrobras  International  Finance  Company  e  posteriormente a recompra,  fato que caracteriza a participação  de  um  terceiro  país  na  qualidade  de  exportador,  isto  é,  uma  operação  comercial  entre  uma  empresa  brasileira  e  outra  nas  Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem.  Conclui a fiscalização que a importação não contempla o acordo  tarifário,  seja  em  razão  da  divergência  entre  a  Fatura  Comercial, fl.22 e o Certificado de Origem nº ALD 1001034135,  fl.23,  seja  também  porque  o  produto  foi  comercializado  por  terceiro  país  sem  que  tenham  sido  atendidos  os  requisitos  estabelecidos na legislação vigente.  Cientificado do  lançamento  em 01/09/2005,  conforme  fls.  03,  o  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  exigência,  apresentando  em  14/09/2005 a  impugnação de  fls.  38/57, nos  seguintes  termos a  seguir resumidos em apertada síntese:  ­  inicialmente  se reporta aos  fatos que ensejaram a ação  fiscal  esclarecendo  a  operação  comercial  em  foco,  ou  seja,  Petróleo  Brasileiro S.A – PETROBRAS, através de empresa integrante de  seu  grupo  econômico,  a  Petrobras  International  Finance  Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu querosene  de aviação, produzido na Venezuela, junto à PDVSA – Petróleo e  Gás S/A, empresa sediada no mesmo país, com redução de 80%  da alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de  Complementação Econômica nº 39  (ACE39), conforme Decreto  de execução nº 3.138/99;   ­  destaca  ainda  que  o  envolvimento  das  três  empresas  na  operação  comercial  gerou  a  expedição  de  duas  faturas  comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à  PFICO  e,  a  segunda,  PIFSB,  expedida  pela  PFICO  para  a  Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS. Esclarece que a última  fatura  que  instruiu  a  declaração  de  importação,  fez  referência  expressa à fatura comercial originária (PDVSA);  ­  a  operação  comercial  acima  explicitada  é  conhecida  por  triangulação comercial que consiste numa prática internacional  comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo  para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos;  ­ o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela contendo a  declaração da produtora e exportadora do produto, a PDVSA, e  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 263          4 a  certificação  propriamente  dita,  do  Ministério  da  Indústria  e  Comércio daquele país, assim o Certificado de Origem trouxe a  indicação  da  fatura  comercial  expedida  pela  vendedora,  conforme previsto no artigo 10 da Resolução;   ­ razão alguma assiste ao órgão autuante quanto à suposta falta  de  correspondência  entre  o  Certificado  de  Origem  e  a  fatura  expedida  pela  PFICO,  vez  que  essa  fatura  traz  informações  condizentes  com  aquelas  contidas  no  Certificado,  inclusive  faz  referência  a  ele  em  seu  corpo.  Tudo  em  consonância  com  o  disposto  no  artigo  oitavo  da  Resolução  252,  aprovada  pelo  Decreto nº 3.325, de 30/12/1999;   ­  o  órgão  autuante  ainda  impôs  multa  regulamentar  à  impugnante  alegando  que  mencionada  fatura,  emitida  pela  PFICO,  apresentada  no  despacho  aduaneiro,  não  cumpriu  as  exigências  estabelecidas  no  art.  425,  alíneas  “a”,  “h”,  “i”  e  “m”  do  Regulamento  Aduaneiro,  aprovado  pelo  Decreto  nº  91.030/85;   ­ defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de  redução  tarifária  prevista  em  acordo  firmado  no  âmbito  da  ALADI;  ­  a  PFICO,  sequer  teve  a  posse  da mercadoria  ou  lucrou  com  sua  revenda,  inclusive  o  transporte  da  mercadoria  ocorreu  diretamente  da  Venezuela  para  o  Brasil,  como  demonstram  o  Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque;  ­  ressalta  o  caráter  instrumental  do  Imposto  de  Importação,  enfatizando  que  este  é  um  instrumento  regulador  do  comércio  exterior,  possuindo  assim,  função  extrafiscal  e  não  arrecadatória, como a maioria dos impostos;  ­  nesse  sentido  traz  à  colação  os  dispositivos  da  Constituição  Federal  e  do  Código  Tributário  Nacional  que  regem  o  citado  imposto bem como respeitável doutrina;   ­ discorre sobre a interpretação dos tratados ressaltando que o  autuante  equivocou­se  ao  tentar  interpretar  o  Tratado  de  Montevidéu e suas regras complementares;   ­  analisa  a  Resolução  252  destacando  que  a  conclusão  do  autuante  de  que  “a  certidão  de  origem  é  feita  em  função  da  fatura  comercial  que  acoberta  a  mercadoria”  é  um  grande  e  lamentável  equívoco.  Ao  contrário  do  que  afirma  o  autuante  a  legislação não vincula duas  formas de documentos (Certificado  de Origem e Nota Fiscal), mas tão somente a identidade de seu  conteúdo  representado  pela  descrição  das  mercadorias  e  a  correspondência com a mercadoria efetivamente negociada;   ­ o vínculo que legitima o gozo da preferência tarifária, não é o  desenho  do  formulário  ou  informações  complementares, mas  o  objetivo  de  sua  expedição,  qual  seja,  atestar  que  a mercadoria  negociada tem origem num país participante do Acordo;   Fl. 263DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 264          5 ­ ao permear a autuação cm o art. 129 do Decreto nº 91.030/95,  o que fez o Auditor foi desconsiderar a literabilidade das normas  estabelecidas no Tratado de Montevidéu;   ­ o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425  do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de  previsão  de  procedimento  específico  para  os  casos  de  triangulação comercial, pois na ausência de norma específica, o  importador  apresentou  somente  uma  fatura,  mas  diligenciou  para que no corpo desse documento fossem anotados os números  do certificado de origem e da fatura originária;   ­ o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso,  a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora;   ­  invoca  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  13  de  10/09/2002,  destacando  os  artigos  100,  I  e  106,  I,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  a  fim  de  seja  afastada  a  multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96;  ­  tendo  sido  o  CTN  recepcionado  pela  Constituição  Federal,  argúi  que  a  instituição  de  taxa  de  juros  diferente  daquela  prevista  no  § 1º,  do artigo  161 do CTN,  somente pode  ocorrer  através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da  aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95;  ­ ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição  da  SELIC,  como  taxa  de  juros,  mas  também  na  sua  essência,  uma  vez  que  não  foi  instituída  para  remunerar  a  mora,  assim  requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da  impossibilidade de se utilizar a  taxa SELIC como taxa de  juros  moratórios;  ­ tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de  capital  investido,  quando  o  Fisco  aplica  a  taxa  SELIC  sobre  créditos  em  atraso,  ele  está,  em  verdade  agindo  como  agente  financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de  financiamento, o que carece de sustentação legal;   ­  Ao  final,  com  base  nos  fundamentos  acima  elencados,  a  impugnante  requer  que  o  lançamento  seja  considerado  totalmente  insubsistente  protestando  o  alegado  por  todos  os  meios de prova em direito admitidos;   ­ Cita respeitável doutrina.  Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o  consignado  no  voto  condutor,  decidiu  o  órgão  de  piso  pela  manutenção  parcial  da  exigência,  conforme  se  observa  na  ementa abaixo transcrita:  Assunto: Imposto sobre a Importação II   Data do fato gerador: 22/09/2000   PREFERÊNCIA  TARIFÁRIA  PREVISTA  EM  ACORDO  INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 265          6 É  incabível  a  aplicação  de  preferência  tarifária  percentual  em  caso  de  divergência  entre  Certificado  de  Origem  e  fatura  comercial  bem  como  quando  o  produto  importado  é  comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos  os requisitos previstos na legislação de regência.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Data do fato gerador: 22/09/2000   MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE.  Incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44,  inciso  I,  da Lei  n°  9.430/96,  quando a mercadoria  se  encontra  corretamente descrita na declaração de  importação,  com  todos  os  elementos  necessários  à  sua  identificação  e  enquadramento  tarifário,  em  consonância  com  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF nº 13/2002.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  ARGÜIÇÃO  DE  INSUBSISTÊNCIA  FORMAL  DAS  LEIS.  FORO  ADMINISTRATIVO.  INCOMPETÊNCIA  PARA  ANÁLISE  DO  MÉRITO.  O  processo  administrativo  está  adstrito  à  observação  do  cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à  análise de questões atinentes a supostas incongruências formais  existentes no texto legal ou no processo legislativo.  Lançamento Procedente em Parte.  Após  tomar  ciência  da  decisão  de  1ª  instância,  comparece  a  autuada  mais  uma  vez  ao  processo  para,  em  sede  de  recurso  voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por  ocasião da instauração da fase litigiosa.  Dado  que  o montante  exonerado  é  inferior  ao  limite  fixado  na  Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso  de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou  parcialmente a exigência.  Considerando  que  a  análise  da  fatura  comercial  relativa  à  operação  entre  a  pessoa  jurídica  PDVSA  e  a  Petrobras  International  Finance  Company  (Pifco)  seria  essencial  para  decidir  acerca  do  cumprimento  dos  requisitos  inerentes  à  preferência  tarifária  pleiteada  e  que  o  Sujeito  Passivo  não  foi  intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma  Ordinária,  por  meio  da  Resolução  3102000.142.  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência,  a  fim  de  que  fosse  providenciada a juntada desse documento.  Cumprida tal providência, retornaram os autos para julgamento.  Julgando  o  feito,  o  Colegiado  recorrido  deu  provimento  ao  recurso  voluntário, em acórdão assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II   Fl. 265DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 266          7 Data do fato gerador: 22/09/2000   Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI.  Triangulação.  Cumprimento das Exigências Documentais.  A  apresentação  de  todas  as  faturas  comerciais  atreladas  a  operação  triangular,  permitindo  seu  cotejamento  com  o  certificado  de  origem  que  comprova  o  cumprimento  do  regime  de  origem  da  ALADI,  associada  à  expedição  direta  da  mercadoria  de  país  signatário  daquele  acordo  para  o  Brasil  impõe  a  manutenção  da  preferência  tarifária,  ainda  que  o  faturamento se dê a partir de país não signatário.  Recurso Voluntário Provido  Irresignada, a PGFN apresentou recurso especial de divergência onde discute  da redução tarifária.  O apelo fazendário foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 203  a 205 (autos digital).  Contrarrazões vieram às fls. 212 a 225 (autos digital).   É o Relatório.  Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e,  ao  contrário  do  alegado  nas  contrarrazões  apresentadas pelo  sujeito passivo, não versa  sobre  tese  já  superada pela Câmara Superior de  Recursos Fiscais, visto que na última sessão de  julgamento desta Corte,  por unanimidade de  votos,  prevaleceu  o  entendimento  defendido  pela  Fazenda  Nacional.  A  divergência  jurisprudencial  foi  comprovada,  o  que  completa  os  requisitos  de  admissibilidade do  recurso.  Assim, dele conheço.  A questão trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre  certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido  comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional.   As  importações  efetuadas  ao  abrigo  benefício  de  redução  tarifária  entre  os  países membros da Aladi, para que gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos  estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação.   Dentre  esses  requisitos  apresenta­se  como  essencial  a  comprovação  da  origem  da mercadoria,  que,  nas  importações  realizadas  no  âmbito  da Aladi,  a  comprovação  dessa  origem  dá­se,  exclusivamente,  por meio  do  certificado  de  origem.  Por  conseguinte, O  Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo  de  toda  a  documentação  exigida.  Sendo  que  o  ônus  probatório  da  regularização  documental  compete ao importador.   Fl. 266DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 267          8 Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de  origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime  de tributação utilizado pelo importador.   De outro lado, a teor do artigo 1o do Acordo 91 do Comitê de Representantes  da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução  252 da ALADI, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função  da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria.  PRIMEIRO ­ A descrição dos produtos  incluídos no  formulário  que  acredita  o  cumprimento  dos  requisitos  de  origem  estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a  que  corresponde  ao  produto  negociado,  classificado  de  conformidade  com  a  NALADI/SH,  e  com  a  que  se  registra  na  fatura  comercial  que  acompanha  os  documentos  apresentados  para seu despacho aduaneiro. (Destaquei).  A seu turno, o art. 7º da Resolução 78/ ALADI/ assim dispõe:  Artigo  7º  –  Para  que  as  mercadorias  objeto  de  intercâmbio  possam  beneficiar­se  dos  tratamentos  preferenciais  pactuados  pelos  participantes  de  um  acordo  celebrado  de  conformidade  com  o  Tratado  de  Montevidéu  1980,  os  países  ­  membros  deverão  acompanhar  os  documentos  de  exportação,  no  formulário  –  padrão  adotado  pela  Associação,  de  uma  declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem  que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo  anterior.  Essa  declaração  poderá  expedida  pelo  produtor  final  ou  pelo  exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos  os  casos  por  uma  repartição  oficial  ou  entidade de  classe  com  personalidade  jurídica,  credenciada  pelo  Governo  do  pais  exportador.  É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos  dispositivos  transcritos  linhas acima, é no sentido de  ser  indissociável a vinculação existente  entre o  certificado  de  origem da mercadoria  e  a  fatura  comercial  correspondente. Não  é  por  outro motivo que o formulário­padrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo  próprio  destinado  à  informação  expressa  do  número  da  fatura  a  que  se  relaciona.  Por  conseguinte, cada Certificado de Origem refere­se, exclusivamente, à mercadoria constante da  fatura comercial nele indicada.  Assim, não resta a menor dúvida de ser o vínculo entre certificado de origem  e  a  fatura  comercial  o  que  garante  o  cumprimento  dos  requisitos  fixados  entre  os  Estados  signatários do Acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada.  Aqui, peço licença para transcrever a conclusão da ilustre relatora do acórdão  da DRJ, com as quais comungo.  .......................................................................................................  Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura  comercial  que  acoberta  determinada  partida  de  mercadoria,  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 268          9 objeto de tratamento tributário diferenciado por força de acordo  internacional.  Tanto  assim,  que  o  formulário­padrão  adotado  para  formalizar  a  mencionada  certificação  possui  um  campo  próprio destinado à informação expressa do número da fatura a  que  se  relaciona.  Assim,  o  Certificado  de  Origem  apresentado  ampara  exclusivamente  a  quantidade  de  mercadoria  coberta  pela fatura comercial nele indicada.  15.  Cabe  destacar  que  a  finalidade  única  do  Certificado  de  Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão,  que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os  tratamentos  preferenciais  negociados,  são  efetivamente  originárias  e  procedentes  do  pais  declarante,  e  que  cumprem,  obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes.  Com  efeito,  para  fruição  do  tratamento  tarifário  previsto  é  necessário  que  tal  declaração  acompanhe  a  documentação  de  exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço  aduaneiro.  ........................................................................................................  Esclareça­se,  por  oportuno,  que  não  há  contrariedade  entre  a  posição  aqui  adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n°. 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário  do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia  regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a  necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje  preconizados na Resolução 232 acima citada.  Em  outro  giro,  além  da  apresentação  de  certificado  de  origem  e  fatura  comercial,  em  conformidade  com as normas previstas no  acordo  internacional,  a  importação  das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência.  O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por  certificado  de  origem  emitido,  nos  termos  e  na  forma  prevista  pela  Aladi  é  para  prevenir  operações  comerciais  que,  pela  sua  natureza,  poderiam,  de  modo  ilegítimo,  estender  o  benefício  fiscal às  importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial.  Assim, à exceção de operações em que  intervenha operador de  terceiro país, para que haja o  benefício  fiscal, deve­se demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o  efetivamente  negociado  com  o  emissor  da  fatura  comercial  do  país  produtor,  sendo  considerado exportador, para esse fim, o País­membro da ALADI signatário do Acordo.  Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4o da Resolução ALADI/CR n°  78, de 1987:  QUARTO – Para que as mercadorias originárias se beneficiem  dos  tratamentos  preferenciais,  as  mesmas  devem  ter  sido  expedidas  diretamente  do  pais  exportador  para  o  pais  importador.  Para  esses  efeitos,  considera­se  como  expedição  direta:" (grifei).  a) As mercadorias  transportadas  sem passar  pelo  território  de  algum pais não participante do acordo.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 269          10 b)  As  mercadorias  transportadas  em  trânsito  por  um  ou  mais  países  não  participantes,  com  ou  sem  transbordo  ou  armazenamento  temporário,  sob  a  vigilância  da  autoridade  aduaneira competente nesses países, desde que:  i)  o  trânsito  esteja  justificado  por  motivos  geográficos  ou  por  considerações referentes a requerimentos do transporte;  ii) não estejam destinadas ao comércio, uso, ou emprego no pais  de trânsito; e  iii)  não  sofram,  durante  seu  transporte  e  depósito,  qualquer  operação  diferente  da  carga  e  descarga  ou  manuseio  para  mantê­las em boas condições ou assegurar sua conservação."  De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais  freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações  triangulares.  A  par  dessas  mudanças  nas  relações  comerciais  internacionais,  o  Comitê  de  Representantes da ALADI editou a Resolução 252, que engloba as Resoluções 227, 232 e os  Acordos  nº  25,  91  e  215  do Comitê  de Representantes  da ALADI.  Predita  resolução  trouxe  modificações que permitiram a participação de um operador de um terceiro país, membro ou  não da ALADI, da seguinte forma:  Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada  por um operador de um  terceiro pais, membro ou não membro  da  Associação,  o  produtor  ou  exportador  do  pais  de  origem  deverá  indicar  no  formulário  respectivo,  no  campo  relativo  a  "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração sera  faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação  ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o  que fature a operação a destino."  Na  situação  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  e,  excepcionalmente,  se  no  momento  de  expedir  o  certificado  de  origem não  se  conhecer  o  número  da  fatura  comercial  emitida  por um operador de um  terceiro país,  o  campo correspondente  do  certificado  não  deverá  ser  preenchido.  Nesse  caso,  o  importador  apresentará  à  administração  aduaneira  correspondente  uma  declaração  juramentada  que  justifique  o  fato,  onde  deverá  indicar,  pelo  menos,  os  números  e  datas  da  fatura  comercial  e  do  certificado  de  origem  que  amparam  a  operação de importação.  Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que,  da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes  previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado  de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país.  A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação  de  sociedade  empresária  situada  nas  Ilhas  Cayman,  que  fatura  e  exporta  para  o  Brasil  mercadoria,  para  a  qual  se  pretende  aplicar  preferências  tarifárias  pactuadas  entre  este  e  a  Venezuela,  com base nos Acordos  firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada  operação  triangular  não  foi  respaldada  pelo  Certificado  de  Origem,  para  efeito  de  gozo  da  redução tarifária, como exige a legislação.   Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 270          11 Ressalte­se que não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade ou não  de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional, ao argumento de que se trata  de mera  formalidade.  Em  se  tratando  de  redução  tarifária  no  âmbito  de  acordo  bilateral,  as  regras  são  rígidas  e  devem  ser  atendidas  expressamente,  sob  pena  de  inviabilizar  o  acordo  comercial e econômico entre os países­membros.  De  tudo  que  aqui  foi  exposto,  pode­se  concluir  que  a  importação  realizada  pela impugnante não está amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente,  inaplicável ao caso o  tratamento preferencial pretendido.  Isso porque,  frise­se mais uma vez,  trata­se de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas  Cayman, sem respaldo em certificado de origem  Aqui, mais uma vez,  reverbero as  sábias palavras da relatora da decisão de  primeira instância, a quem rendo as merecidas homenagens, transcrevendo excerto de seu voto:  ........................................................................................................  É  oportuno  esclarecer  que  em  matéria  tributária,  qualquer  situação  excepcional  só  pode  ser  acatada  se  expressamente  prevista na legislação. Observa­se que a Resolução 252 ressalva  a interveniência de um operador de um terceiro país, signatário  ou  não  do  acordo  em  questão.  Entretanto,  à  espécie  dos  autos  não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da  análise  das  peças  processuais,  constata­se  que  não  há  a  interveniência  de  um  operador,  nos  moldes  previstos  na  Resolução retromencionada, mas a participação de uni  terceiro  país  na  qualidade  de  exportador,  na  medida  em  que  uma  empresa  situada  nas  Ilhas  Cayman,  fatura  e  exporta  para  o  Brasil  uma  mercadoria  objeto  de  preferências  tarifárias  no  âmbito da ALADI.  Reitere­se  que  as  normas  que  dispõem  sobre  a  certificação  de  origem,  no  âmbito  na  A  LADI,  trazem,  como  pressuposto  mandamental,  a  origem  da mercadoria  acobertada  pela  fatura  comercial  emitida  pelo  país  exportador,  fato  que  deve  estar  inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o  despacho de importação, tendo em vista que essa documentação  materializa,  enquanto  elemento  probatório  perante  o  país  importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado.  À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas  de certificação de origem, no âmbito da ALADI, verifica­se que,  ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se  enquadrasse  de  fato  como  operadora,  seria  necessário,  nos  termos  da  Resolução  252,  acima  citada,  que  o  produtor  ou  exportador  do  país  de  origem  indicasse  no  Certificado  de  Origem,  na  área  relativa  a  "observações",  que  a  mercadoria  objeto  de  sua  declaração  seria  faturada  por  um  terceiro  país,  identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio  do  operador  ou,  se  no  momento  de  expedir  o  certificado  de  origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida  pelo  operador  de  um  terceiro  país,  o  importador  deveria  apresentar  à  Administração  aduaneira  correspondente  unia  declaração juramentada que justificasse o fato.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 271          12 De  relevo  assinalar  que  a  disposição  normativa  sobre  a  certificação  de  origem  deixa  evidente  que  o  Regime  Geral  de  Origem,  tem  o  escopo  de  assegurar  perante  as  partes  que  a  mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do  país declarante.  Nesse mister, a necessária correspondência entre a o Certificado  de  Origem  e  a  Fatura  Comercial  nele  indicada,  longe  de  ser  mera  formalidade,  tal  como  dispõe  a  defesa,traduz­se  na  essência  material  objetivada  pelo  acordo,  na  medida  em  que  constitui  o  elemento  probatório  da  origem  perante  o  país  importador, conforme já salientado na presente peça.  Com  efeito,  no  caso  em  tela,  o  certificado  de  origem  apresentado,  fl.21,  não  atende  às  exigências  previstas  na  primeira parte do artigo 2° da mencionada Resolução. Também  não  consta  dos  autos  que  o  importador  tenha  apresentado  a  declaração  juramentada  referida  na  legislação.  Atente­se  que,  sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o  Regime  Geral  de  Origem  as  exigências  para  a  certificação,  complementadas  aqui  pela  Resolução  252  do  Comitê  de  Representantes  da ALAD1,  não  cabe  ao  intérprete  decidir  pela  prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de  que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a  própria  literalidade  da  norma,  haja  vista  que  as  regras  que  disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vinculação  do  certificado  de  origem  à  fatura  comercial  que  ampare  a  mercadoria efetivamente pactuada.  Reitere­se  que  para  fazer  jus  à  alíquota  preferencial  acordada  na  esfera  da  ALADI.  a  mercadoria  a  ser  negociada  deverá  atender  a  requisitos  de  natureza  objetiva,  tais  como  aqueles  indicados  nos  artigos  PRIMEIRO  e  QUARTO  da  citada  Resolução  78,  quais  sejam,  o  de  constituir­se  de  produto  efetivamente  fabricado  dentro  do  território  de  um  dos  países  signatários,  e  de  serem  despachados  diretamente  do  país  exportador  para  o  importador  e  ainda  que  a  origem  dessa  mercadoria  seja  formalmente  atestada  por  um  Certificado  de  Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com  o disposto no Capítulo II da mesma • Resolução 78 e no Acordo  91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua  classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador.  Logo,  constata­se  que  é  inequívoca  a  impropriedade  da  operação  realizada  pela  impugnante.  não  repercutindo  na  solução  do  litígio  a  argumentação  trazida  à  colação  na  peça  impugnatória  de  que  tal  operação  teve  o  cunho eminentemente  financeiro.  Assinale­se  que  sendo  essa  argumentação  de  cunho  extra  legal  não  tem o  condão de  convalidar  o  descumprimento  das  normas  que  tratam  do  regime  de  origem,  envolvendo  mercadoria objeto de acordo de redução tarifária.  Qualquer  que  seja  o  motivo  alegado,  seja  para  mera  alavancagem  financeira ou não, vale dizer,  tratando­se de uma  operação  comercial  entre  uma  empresa  brasileira  e  outra  das  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000730/2005­41  Acórdão n.º 9303­003.107  CSRF­T3  Fl. 272          13 Ilhas Cayman,  sem respaldo em certificado de origem, não há,  como  invocar  a  redução  tarifária  prevista  no  Acordo  de  Complementação Econômica n o 39 (ACE 39). porque reside na  essência das normas que disciplinam o  regime de origem,  cuja  observância  entre  os  países­membros  da  ALAD1  se  faz  mister  para  o  implemento  das  preferências  tarifárias,  a  vedação  da  citada operação, dado o caráter cogente da norma que rt vincula  expressamente,  por  meio  do  Certificado  de  Origem,  a  mercadoria ao emissor da fatura.  Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 39, firmado  no  âmbito  da  ALADI,  porque  reside  na  essência  das  normas  que  disciplinam  o  regime  de  origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos  Acordos de regência.  Em  outro  giro,  deve­se  ter  presente  que  a  legislação  do  comércio  exterior  envolve  uma  série  de  controles  a  serem  implementados  pelos  países  participantes,  sendo  os  ritos  e  formas  previstos  nos  acordos  internacionais  imprescindíveis  para  uniformizar  os  procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras  estabelecidas  no  respectivo  acordo.  Em  razão  disso,  torna­se  bastante  restrito  o  campo  de  aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material.  De  outro  lado,  não  se  pode  olvidar  que,  no  presente  caso,  ainda  que  a  empresa  Petrobras  International  Finance  Company  ­  Pifco  se  enquadrasse  de  fato  como  operadora, seria necessário, nos termos da Resolução nº 252, acima citada, que o produtor ou  exportador  do  país  de  origem  indicasse  no  Certificado  de  Origem,  na  área  relativa  a  “observações”, que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país,  identificando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicílio do mesmo,  ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura  comercial  emitida  pelo  operador  de  um  terceiro  país,  o  importador  deveria  apresentar  à  administração alfandegária correspondente uma declaração  juramentada que justifique o fato,  na qual deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de  origem que amparam a operação.o que não ocorreu.  De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado  pela Fazenda Nacional.    Henrique Pinheiro Torres                              Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 10660.724084/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni. RELATÓRIO VALESA AGROPECUÁRIA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e CLAITON OPENHEIMER, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 22/09/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.797.327,12. A autoridade lançadora relata, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 80/124, que a partir da escrituração e extratos bancários fornecidos pela fiscalizada, identificou incompatibilidade entre a movimentação financeira verificada nos anos-calendário 2006 e 2007 e os correspondentes valores declarados e receitas escrituradas em sua contabilidade. Observou, ainda, que nenhum débito fora declarado em DCTF nos semestres dos anos-calendário 2006 e 2007, assim como a DIPJ do ano-calendário 2006 fora entregue com informações zeradas e a do ano-calendário 2007 com valores ínfimos (receita de R$ 417.206,96, comparada com a movimentação financeira de cerca de R$ 10 milhões no período). A contribuinte foi questionada acerca de débitos verificados nas contas bancárias com o fito de permitir à fiscalização identificar qual a atividade desenvolvida pelo contribuinte, analisando o destino do dinheiro que transitou na conta fiscalizada, e depois de concedida parcialmente a prorrogação de prazo requerida, a fiscalizada apresentou esclarecimentos vinculando sua movimentação financeira a atividade de representação comercial, em razão da qual perceberia apenas comissão. Constatando que as pessoas físicas ou jurídicas adquirentes de café de propriedade das empresas Cerealista Carmo Sul e S.A. Silveira teriam promovido depósitos em favor da fiscalizada, e esta os repassara àquelas empresas depois de descontar sua comissão, exigiu documentos complementares destas operações comerciais e da sua correspondente contabilização, destacando a necessidade de identificação dos depositantes dos valores repassados, bem como de documentação bancária do repasse às empresas representadas. Observou, também, que os Livros Diário e Razão estavam escriturados por estabelecimento, não foram registrados e não guardavam correspondência com a movimentação financeira da contribuinte, autorizando o arbitramento dos lucros caso não regularizados. Transcorridos outros 60 (sessenta) dias, a contribuinte se manteve silente acerca das irregularidades em sua contabilidade, e argumentou que os depósitos em sua conta bancária foram promovidos por S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul, ao contrário do que antes observado pela Fiscalização, mas sem apresentar documentos que comprovassem suas alegações. Reintimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, a contribuinte reiterou que os depósitos foram promovidos por aquelas pessoas jurídicas, reportou-se aos contratos de representação comercial e a planilha assinada por seu representante legal, na qual promoveu as correspondentes vinculações, afirmando não possuir notas fiscais de compra e venda porque somente praticaria intermediação, e ressaltando que foi comprovada a origem dos depósitos, de modo que o acréscimo patrimonial deveria ser calculado em razão dos serviços prestados (comissões). Acrescentou que requereu demonstrativos às instituições financeiras, mas ainda não foi atendida. A autoridade lançadora observou que concedeu à contribuinte todas as oportunidades possíveis para comprovação de suas alegações, assim como efetuou diligências (nas quais constatou que a contribuinte indicou registro baixado desde julho/2000 junto ao Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado de Minas Gerais, bem como que Cerealista Carmo Sul e S.A. Silveira não mais atuavam no endereço cadastral, colhendo depoimentos de pessoas que afirmaram desconhecer qualquer atividade com café no domicílio de S.A. Silveira – firma individual de Sérgio Augusto Silveira, falecido em 2007 e detentor de 99% das quotas de Cerealista Carmo Sul Ltda –, constatando inexistentes quaisquer declarações com evidências de atividade em 2006 e 2007), sem que com isso alcançasse esclarecimentos suficientes para comprovação da origem dos depósitos bancários, e neste contexto afirmou-se vinculada à formalização do lançamento com base na presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Discorreu sobre o princípio da verdade material, sobre a dependência fiscal de provas e o dever de colaboração do sujeito passivo, observando que os argumentos/documentos apresentados pelo contribuinte são frágeis e contraditórios, impondo o uso da presunção legal, com conseqüente inversão do ônus da prova. Reportou-se a julgados administrativos, inclusive em casos de factoring, em favor da presunção legal na ausência de justificativas, ressaltando que a CSRF assentou que documentos alienígenas à contabilidade não devem ser aceitos pela fiscalização para comprovar créditos efetuados em conta corrente do contribuinte, inclusive enfatizando os efeitos do princípio contábil da oportunidade. Citou doutrina e manifestações judiciais acerca do dever de prova pelo sujeito passivo. Reportando-se ao conteúdo das planilhas elaboradas pela contribuinte com vistas a vincular os depósitos recebidos de S.A. Silveira ou Cerealista Carmo Sul Ltda a repasses a pessoas físicas ou jurídicas, identificando por diferença a comissão auferida, a autoridade fiscal destacou que a receita mensal de comissões foi uniforme nos meses fiscalizados (R$ 7.808,17 de janeiro/2006 a novembro/2007 e R$ 7.808,29 em dezembro/2007), bem como que houve transferências a pessoas físicas/jurídicas com histórico de empréstimos e financiamentos. Abordando os 91 (noventa e um) cheques apresentados pela fiscalizada, dentre os 372 (trezentos e setenta e dois) requeridos, observou que 77 (setenta e sete) deles eram nominais à autuada e 14 (quatorze) nominais à Cerealista Carmo Sul Ltda. Destacou que a movimentação bancária correspondente aos depósitos e repasses decorrentes da suposta atividade de representação comercial, assim como as receitas daí decorrentes, não foram contabilizadas, de modo que a comprovação apresentada pela contribuinte limita-se a dois contratos de representação comercial e à planilha por ela elaborada. Não foram emitidas notas fiscais de prestação de serviços e em apenas 11 (onze) oportunidades confirma-se que os depósitos foram efetuados por S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda. Concluiu, assim, que a contribuinte não apresentou os documentos necessários para permitir à Fiscalização aplicar o §2o do art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo dever do fiscal autuante considerar como origem não comprovada através de documentação hábil e idônea os depósitos bancários discriminados nos termos encaminhados à fiscalizada, com exclusão daqueles que se refeririam a empréstimos bancários, relacionados na acusação fiscal. Totalizou os depósitos nos montantes anuais de R$ 4.401.129,85 e R$ 5.568.170,20, para 2006 e 2007, respectivamente. O lucro tributável foi arbitrado, em razão de os livros Diário e Razão terem sido escriturados por estabelecimento e apresentados sem registro, além de contemplarem menos de 10% da movimentação financeira dos períodos fiscalizados, assim incidindo nas hipóteses do art. 530, inciso I; II, “a” e “b”; e III, do RIR/99. Considerando o disposto no art. 24, §1o da Lei nº 9.249/95, o arbitramento teve em conta o percentual mais elevado dentre as atividades desempenhadas pela contribuinte. As receitas escrituradas foram adicionadas às receitas presumidas para fins de tributação. A penalidade foi qualificada em razão das justificativas assim sintetizadas no relatório da decisão de 1a instância: V.3 Conclusão acerca da pertinência da Aplicação da Multa Qualificada ... ... na contabilidade apresentada pelo contribuinte não consta escriturado nenhum valor relativo à movimentação financeira que o contribuinte alega ser decorrente da atividade de representação comercial, bem como não consta escriturado nenhuma receita ... de tal atividade (representação comercial). A fiscalizada foi incapaz de apresentar documentos que comprovassem a origem de recursos creditados em suas contas bancárias querendo fazer crer que era decorrente de representação comercial. ... mesmo se admitindo que a movimentação financeira do contribuinte seria decorrente ... de representação comercial, restaria evidenciado que ao longo de dois anos o contribuinte não ofereceu à tributação nenhum valor a tal título. ... o contribuinte também não ofereceu à tributação nem mesmo os valores constantes da sua escrituração a título de receita de prestação de serviços e revenda de mercadoria dispositivos aos anos-calendário de 2006 e 2007. ... percebe-se... que a conduta ... é reiterada afastando-se a hipótese de erro. ... fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos em documento exigido pela lei fiscal e a fraude tem por essência a tentativa de ocultar do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador. Quando ... deixa de escriturar a quase totalidade de sua movimentação financeira fica evidenciado a tentativa de ocultar do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador dos tributos que porventura decorram de receitas da referida movimentação financeira ... fraudando a fiscalização tributária ao deixar de inserir na sua contabilidade tais dados. Diante do exposto, a qualificação da multa é absolutamente oportuna com arrimo no parágrafo 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007 e anteriormente a Lei n° 11.488/2007 com arrimo no inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. (destaques do original) A autoridade lançadora também entendeu que os fatos narrados no tópico relativo à qualificação da multa, configura ação dolosa do sócio administrador da fiscalizada com o fito de não efetuar o recolhimento dos tributos devidos, se subsumindo, portanto, aos dispositivos legais que ensejam a responsabilização do sócio administrador por Auto de Infração lavrado em nome da pessoa jurídica administrada. Observando que, em regra, o patrimônio dos administradores não se comunica com o patrimônio das sociedades administradas, reportou-se ao art. 124, I; 135, III; e 137, II e III, “c”, todos do CTN, bem como a doutrina e jurisprudência acerca do tema, nos termos resumidos no relatório da decisão de 1a instância: VI.3 CONCLUSÃO (... Responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER ...) (...) Exclusivamente com base nessa questão, qual seja, o Sr. CLAITON OPENHEIMER deter 95% de participação no Capital Social de VALESA ..., Pode-se afirmar que há flagrante interesse comum em relação aos fatos apurados pela fiscalização entre o referido senhor e a fiscalizada, a ensejar por si só sua responsabilização ... com arrimo no art. 124, inciso I do CTN. ... essa questão do interesse comum entre o Sr. CLAITON OPENHEIMER e VALESA ... é robustecida pelo fato da fiscalizada ter esvaziado seu patrimônio (não tem mais bens imóveis em seu nome, conforme diligências efetuadas em cartórios) e transferido a maioria dos imóveis em comento ao seu sócio administrador (Sr. CLAITON OPENHEIMER), conforme se verifica das escrituras em anexo. ... cumpre ressaltar que no presente procedimento fiscal, não estamos diante de uma mera inadimplência, todo o contexto apresentado evidencia a prática de atos ao arrepio da legislação tributária, principalmente, a questão relativa a vultosos recursos movimentados em contas correntes de titularidade da fiscalizada sem a devida escrituração contábil, ocultando-os do Fisco e sem pagamento de tributos devidos. ... de acordo com o Contrato Social de VALESA ... sua administração é exercida exclusivamente pelo Sr. CLAITON OPENHEIMER ... ... a responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER, ... também é oportuna com fulcro no art. 135, inciso III do CTN, por ter praticado atos contra a lei e com excesso de poderes, conforme descrito de forma analítica no tópico relativo à qualificação da multa (conduta dolosa da fiscalizada). Isso posto será arrolado como responsável solidário ... o Sr. CLAITON OPENHEIMER, ... sócio administrador da fiscalizada, considerando: > o flagrante interesse comum no objeto da autuação existente entre a fiscalizada (Valesa) e seu sócio administrador (Sr. CLAITON OPENHEIMER), detentor de 95% das quotas do Capital Social, com arrimo no art. 124,1, do CTN; > o fato de ter praticado atos contra lei e com excesso de poderes na administração da fiscalizada, com fulcro no art. 135, III, do CTN. A contribuinte e o responsável tributário apresentaram impugnação conjunta, na qual questionaram o indevido uso de informações a partir da CPMF, alegaram quebra de sigilo sem autorização judicial, afirmaram a decadência das ocorrências verificadas entre 01/01/2006 e 19/09/2006, discordaram da qualificação da penalidade em razão da presunção de omissão de receitas, argüiram a nulidade do lançamento por falta de intimação do responsável para comprovação da origem dos depósitos bancários, e se opuseram à imputação de responsabilidade solidária. Indicaram depósitos bancários com origem comprovada no curso do procedimento fiscal, questionaram outros aspectos da investigação, discordaram do arbitramento dos lucros, afirmaram haver dupla tributação das receitas de prestação de serviço, requereram perícia para infirmar o arbitramento, e pediram também a anulação do arrolamento de bens e da representação fiscal para fins penais. A Turma julgadora rejeitou as argüições de nulidade; afirmou a legalidade do acesso às informações bancárias; defendeu a aplicação do art. 173 do CTN para contagem do prazo decadencial, ante a ausência de pagamentos; validou a responsabilização de Claiton Openheimer e afirmou a desnecessidade de sua intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários; mas excluiu do conjunto de receitas omitidas os depósitos bancários que contavam com a identificação de S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda como depositantes, mantendo o arbitramento dos lucros e indeferindo a perícia requerida. Por maioria de votos, manteve a multa qualificada em razão da conduta dolosa do sujeito passivo, divergindo um dos julgadores, que fez declaração de voto. O acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. 1. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoas físicas ou jurídicas, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados na vigência do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. 3.Comprovada a origem dos depósitos bancários, exclui-se a possibilidade de utilização da presunção baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabendo o aprofundamento das investigações para possível tributação em outras bases legais disponíveis na legislação, a teor do contido no parágrafo segundo do mesmo artigo 42. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A conduta, por dois anos consecutivos, de não registrar na contabilidade a quase totalidade da movimentação financeira de sua titularidade, de não declarar quaisquer receitas em um ano-calendário e de declarar receitas equivalentes a menos de 8% dos rendimentos considerados omitidos no ano-calendário seguinte, demonstra evidente intuito de fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150% . LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da finalidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos exigidos pela legislação. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. ARGÜIÇÃO. A nulidade não pode ser declarada se preenchidos os requisitos previstos na legislação e quando há perfeita compreensão dos atos e termos administrativos demonstrada na peça de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada e/ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Deve, na impugnação, se trazidos todos os elementos de prova necessários à confirmação das alegações contidas na peça de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses excepcionadas pela legislação. Os demonstrativos de depósitos bancários excluídos da exigência e de apuração do crédito tributário remanescente estão juntados às fls. 4087/4111. Como os valores exonerados superaram o limite especificado na Portaria MF nº 3/2008, a decisão foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/2012 (fls. 4212/4214), a contribuinte, juntamente com o responsável tributário Claiton Openheimer, apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 21/12/2012 (fls. 4158/4211). Reiteram que a Fiscalização não poderia efetuar o lançamento utilizando legislação processual já extinta, qual seja, a Lei nº 9.311/96, bem como que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade da Receita Federal ter acesso aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário. Argumentam que a autoridade lançadora fez uso das informações da CPMF para apurar discrepância entre as declarações da pessoa jurídica e as informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal, ao passo que a CPMF foi extinta em 31/12/2007 e não estava mais em vigor desde o início do procedimento fiscal, em 27/04/2010. Invocam o art. 144, §1o do CTN, defendendo que este dispositivo não autoriza o fisco a usar um procedimento previsto em Lei que perdeu a vigência no mundo jurídico, destacando que este Conselho, de forma semelhante, consolidou entendimento contrário ao defendido pela autoridade julgadora. Acrescentam que, motivado por este vício de procedimento, o agente fiscal quebrou o sigilo bancário da fiscalizada sem autorização judicial, pois somente assim poderia constatar a mencionada discrepância de informações e instaurar o conseqüente procedimento fiscal. Reportam-se ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, e observam que o Regimento Interno deste Conselho determina a observância do que ali decidido. Pleiteiam, assim, a declaração de nulidade do lançamento. Invocam a Súmula TFR nº 182, argumentam que a utilização de extratos bancários para formatação do fato gerador ofende o art. 43 do CTN, pois não ocorreu a disponibilidade econômica de renda ou proventos, como inclusive reconhecido em julgados administrativos e judiciais aos quais se reporta. Acrescentam que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não pode eleger “receita ou rendimento” à condição de “renda” que já tem definição em lei complementar, em desrespeito à matriz constitucional do IRPJ e da CSLL. Logo, também por esta razão o lançamento deve ser anulado. Argúem a decadência das ocorrências verificadas até 19/09/2006, destacando que, ao contrário do que exposto na decisão recorrida, às fls. 113 do relatório fiscal encontramos registros e pagamentos de 2006, e afirmando a ausência de dolo, nos termos da declaração de voto juntada à decisão recorrida, com vistas a viabilizar a aplicação do art. 150, §4o do CTN. Reportam-se aos motivos da qualificação da penalidade para destacar que inexiste qualquer prova de dolo, até porque “a tentativa de ocultar da autoridade fato gerador” não está tipificado como atitude dolosa, mormente tendo em conta as Súmulas CARF nº 14 e 25 e os julgados administrativos que citam. Entendem, ainda, que nulos seriam os lançamentos porque o agente fiscal, ao afirmar que Claiton Openheimer teria interesse comum em relação aos fatos geradores autuados, deveria tê-lo intimado pessoalmente a comprovar a origem dos depósitos bancários, na forma da Súmula CARF nº 29, a qual foi equivocadamente interpretada na decisão de 1a instância. Aduzem que não há provas de infringência do art. 124 e 135 do CTN para assim imputar responsabilidade tributária a Claiton Openheimer. Desqualificam como tal o fato de Claiton Openheimer deter 95% do capital social da autuada, e destacam que a Fisalização não identificou ou provou os fatos nos quais poderia se verificar o alegado interesse comum, mormente tendo em conta que no período fiscalizado nenhum patrimônio da pessoa jurídica foi transferido ao responsável. Questionam qual prova, qual escritura, qual imóvel teria sido transferido ao responsável, e reportam-se a julgados administrativos para observar que o agente fiscal confunde interesse jurídico com interesse econômico e que eventual transferência de imóveis, se tivesse ocorrido, caracteriza mero interesse econômico. Acrescentam outras referências a jurisprudência administrativa e judicial, bem como a doutrina, e reiteram que a manutenção da responsabilidade tributária com base no art. 124, I do CTN evidenciará a nulidade do lançamento pelas razões antes alegadas. Quanto à responsabilização com base no art. 135 do CTN, afirmam que também inexiste qualquer descrição de fatos ou prova para sua aplicação. A Fiscalização apenas relata que constatou fatos que configuram excesso de poderes, mas não os indica, limitando-se a fazer referência às justificativas para qualificação da penalidade, na qual não se localizam aquelas ocorrências. Transcrevem várias passagens da acusação fiscal, citam jurisprudência administrativa, destacam que a falta de recolhimento de tributo pela pessoa jurídica não é motivo para responsabilização do sócio administrador e apontam contradições na abordagem fiscal. Observam que a autoridade julgadora de 1a instância afastou a acusação fundada na transferência de imóveis e manteve a imputação de responsabilidade com base em outras razões, mas sem especificar as provas que as suportam, em clara omissão. Finalizam reportando-se às decisões do Superior Tribunal de Justiça contrárias à responsabilização do sócio-gerente em razão de simples falta de pagamento de tributo, e observando a sua obrigatória aplicação por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Ressaltam que a decisão recorrida acolheu a impugnação na parte referente aos depósitos bancários de origem comprovada, mas não identificou quais os demais valores que deveriam permanecer na autuação. Aduzem que a presunção que militava a favor do fisco foi derrubada, não havendo sustentação para ser mantido o lançamento. Reproduzem julgados administrativos que entendem aplicáveis ao caso, e requerem a anulação integral dos lançamentos. Citando o art. 112 do CTN, argumentam que, tendo o agente fiscal partido de uma premissa falsa (origem não comprovada dos depósitos) e desconsiderado toda a operação efetivamente ocorrida, a comprovação da origem e da atividade evidencia que a Fiscalização deveria ter aprofundado as diligências antes do lançamento, na forma exigida em julgados administrativos aos quais se reportam. Observam, também, que uma vez constatada a origem dos depósitos, considerando que a Fiscalização identificou as atividades da fiscalizada, as quais estão estampadas em seu contrato social e em contratos de representação comercial que não foram impugnados pelo Auditor Fiscal, e uma vez demonstrado o fluxo dos recursos, a base de cálculo da exigência deveria ser os valores das comissões recebidas. Ao discordar dos percentuais adotados, a Fiscalização poderia tê-los questionado e aprofundado as diligências, por exemplo, comparando com outras empresas. Contudo, adotou o percentual de 38,4% para apuração do lucro, desconsiderando a atividade de representação comercial consignada em seu contrato social (no qual consta também a atividade de prestação de serviços de beneficiamento de café), da mesma forma procedendo a autoridade julgadora de 1a instância em decisão passível de embargos de declaração. Inferem que a decisão recorrida excluiu cerca de R$ 5.000.000,00 de depósitos bancários com origem comprovada, restando outros R$ 5.000.000,00 vinculados a prestação de serviços de beneficiamento de café, em relação aos quais aduzem que a empresa não tem capacidade e nem máquinas para beneficiamento de café capazes de chegar neste quantum de receita, apresentando os cálculos de sua produção máxima em razão dos equipamentos disponíveis e reportando-se a modelo de máquina da Valesa juntado aos autos. Citam doutrina e concluem ser improcedente o arbitramento. Reafirmando que a decisão recorrida não apontou nos extratos quais os valores que não foram comprovados a origem, destacam que os valores tributados pelo Fisco e depositados por S.A. Silveira e Carmo do Sul decorrem de operações cujas comissões estão especificadas em contrato por tipo de café negociado, indicam operação demonstrada no curso do procedimento fiscal, registram a possibilidade de devolução do café negociado em razão de problemas de qualidade, e observam que a fiscalizada emitiu cheques nominais a ela mesma para repasse a pequenos produtores. Recordam que a Fiscalização partiu de premissa equivocada, da qual resultou inconsistência/erro da base de cálculo, à semelhança de julgados administrativos aos quais se reportam. Concluem que na dúvida deveria ter sido acionado o art. 112 do CTN, que tributo não constitui sanção de ato ilícito e que a presunção promovida pela Fiscalização resultou em lançamentos carecedores de liquidez, certeza e exigibilidade, cuja parte remanescente é incompatível com seus equipamentos e estrutura operacional, a demandar a anulação integral das exigências. Apontam dupla tributação sobre valores de venda de mercadorias e de prestações de serviços de beneficiamento de café que teriam sido devidamente levados à tributação, e indicam as fls. 116 do lançamento fiscal como evidência neste sentido. Por esta razão defendem, com base em julgado administrativo citado, o cancelamento da exigência. Reportam-se à nulidade total dos lançamentos por arbitramento, novamente afirmando a necessidade de aprofundamento das investigações fiscais, reconhecida na decisão recorrida, e indicando julgado administrativo acerca da nulidade do lançamento em caso de erro na construção do lançamento. Subsidiariamente observam que deve ser assegurado o contraditório ao contribuinte em caso de arbitramento, na forma do art. 148 do CTN, reafirmando que não houve acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica/jurídica de renda ou proventos, que foi comprovada a origem dos depósitos e as atividades exercidas pela recorrente e que foi requerida prova pericial para demonstrar sua incapacidade técnica de gerar uma arrecadação de R$ 10 milhões, ou mesmo R$ 5 milhões, concluindo que houve cerceamento ao seu direito de defesa quando tal requerimento foi indeferido. Pedem, assim: a) que seja mantido o acórdão da DRJ/JFA, na parte que exclui os créditos tributários a título de imposto de renda e reflexos; b) que seja excluído o segundo recorrente do presente processo; c) que seja reformada a decisão da DRJ/JFA que manteve parte dos lançamentos, julgado totalmente improcedente o lançamento de imposto de renda e seus reflexos (CSLL; PIS e COFINS); d) se superado o pedido supra, que seja reformado o acórdão da DRJ/JFA por cerceamento do direito de defesa; e) que seja anulado o arrolamento de bens e a representação fiscal (10660.724083/2011-77 10660.724086/2011-19).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni. RELATÓRIO VALESA AGROPECUÁRIA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e CLAITON OPENHEIMER, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 22/09/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.797.327,12. A autoridade lançadora relata, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 80/124, que a partir da escrituração e extratos bancários fornecidos pela fiscalizada, identificou incompatibilidade entre a movimentação financeira verificada nos anos-calendário 2006 e 2007 e os correspondentes valores declarados e receitas escrituradas em sua contabilidade. Observou, ainda, que nenhum débito fora declarado em DCTF nos semestres dos anos-calendário 2006 e 2007, assim como a DIPJ do ano-calendário 2006 fora entregue com informações zeradas e a do ano-calendário 2007 com valores ínfimos (receita de R$ 417.206,96, comparada com a movimentação financeira de cerca de R$ 10 milhões no período). A contribuinte foi questionada acerca de débitos verificados nas contas bancárias com o fito de permitir à fiscalização identificar qual a atividade desenvolvida pelo contribuinte, analisando o destino do dinheiro que transitou na conta fiscalizada, e depois de concedida parcialmente a prorrogação de prazo requerida, a fiscalizada apresentou esclarecimentos vinculando sua movimentação financeira a atividade de representação comercial, em razão da qual perceberia apenas comissão. Constatando que as pessoas físicas ou jurídicas adquirentes de café de propriedade das empresas Cerealista Carmo Sul e S.A. Silveira teriam promovido depósitos em favor da fiscalizada, e esta os repassara àquelas empresas depois de descontar sua comissão, exigiu documentos complementares destas operações comerciais e da sua correspondente contabilização, destacando a necessidade de identificação dos depositantes dos valores repassados, bem como de documentação bancária do repasse às empresas representadas. Observou, também, que os Livros Diário e Razão estavam escriturados por estabelecimento, não foram registrados e não guardavam correspondência com a movimentação financeira da contribuinte, autorizando o arbitramento dos lucros caso não regularizados. Transcorridos outros 60 (sessenta) dias, a contribuinte se manteve silente acerca das irregularidades em sua contabilidade, e argumentou que os depósitos em sua conta bancária foram promovidos por S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul, ao contrário do que antes observado pela Fiscalização, mas sem apresentar documentos que comprovassem suas alegações. Reintimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, a contribuinte reiterou que os depósitos foram promovidos por aquelas pessoas jurídicas, reportou-se aos contratos de representação comercial e a planilha assinada por seu representante legal, na qual promoveu as correspondentes vinculações, afirmando não possuir notas fiscais de compra e venda porque somente praticaria intermediação, e ressaltando que foi comprovada a origem dos depósitos, de modo que o acréscimo patrimonial deveria ser calculado em razão dos serviços prestados (comissões). Acrescentou que requereu demonstrativos às instituições financeiras, mas ainda não foi atendida. A autoridade lançadora observou que concedeu à contribuinte todas as oportunidades possíveis para comprovação de suas alegações, assim como efetuou diligências (nas quais constatou que a contribuinte indicou registro baixado desde julho/2000 junto ao Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado de Minas Gerais, bem como que Cerealista Carmo Sul e S.A. Silveira não mais atuavam no endereço cadastral, colhendo depoimentos de pessoas que afirmaram desconhecer qualquer atividade com café no domicílio de S.A. Silveira – firma individual de Sérgio Augusto Silveira, falecido em 2007 e detentor de 99% das quotas de Cerealista Carmo Sul Ltda –, constatando inexistentes quaisquer declarações com evidências de atividade em 2006 e 2007), sem que com isso alcançasse esclarecimentos suficientes para comprovação da origem dos depósitos bancários, e neste contexto afirmou-se vinculada à formalização do lançamento com base na presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Discorreu sobre o princípio da verdade material, sobre a dependência fiscal de provas e o dever de colaboração do sujeito passivo, observando que os argumentos/documentos apresentados pelo contribuinte são frágeis e contraditórios, impondo o uso da presunção legal, com conseqüente inversão do ônus da prova. Reportou-se a julgados administrativos, inclusive em casos de factoring, em favor da presunção legal na ausência de justificativas, ressaltando que a CSRF assentou que documentos alienígenas à contabilidade não devem ser aceitos pela fiscalização para comprovar créditos efetuados em conta corrente do contribuinte, inclusive enfatizando os efeitos do princípio contábil da oportunidade. Citou doutrina e manifestações judiciais acerca do dever de prova pelo sujeito passivo. Reportando-se ao conteúdo das planilhas elaboradas pela contribuinte com vistas a vincular os depósitos recebidos de S.A. Silveira ou Cerealista Carmo Sul Ltda a repasses a pessoas físicas ou jurídicas, identificando por diferença a comissão auferida, a autoridade fiscal destacou que a receita mensal de comissões foi uniforme nos meses fiscalizados (R$ 7.808,17 de janeiro/2006 a novembro/2007 e R$ 7.808,29 em dezembro/2007), bem como que houve transferências a pessoas físicas/jurídicas com histórico de empréstimos e financiamentos. Abordando os 91 (noventa e um) cheques apresentados pela fiscalizada, dentre os 372 (trezentos e setenta e dois) requeridos, observou que 77 (setenta e sete) deles eram nominais à autuada e 14 (quatorze) nominais à Cerealista Carmo Sul Ltda. Destacou que a movimentação bancária correspondente aos depósitos e repasses decorrentes da suposta atividade de representação comercial, assim como as receitas daí decorrentes, não foram contabilizadas, de modo que a comprovação apresentada pela contribuinte limita-se a dois contratos de representação comercial e à planilha por ela elaborada. Não foram emitidas notas fiscais de prestação de serviços e em apenas 11 (onze) oportunidades confirma-se que os depósitos foram efetuados por S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda. Concluiu, assim, que a contribuinte não apresentou os documentos necessários para permitir à Fiscalização aplicar o §2o do art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo dever do fiscal autuante considerar como origem não comprovada através de documentação hábil e idônea os depósitos bancários discriminados nos termos encaminhados à fiscalizada, com exclusão daqueles que se refeririam a empréstimos bancários, relacionados na acusação fiscal. Totalizou os depósitos nos montantes anuais de R$ 4.401.129,85 e R$ 5.568.170,20, para 2006 e 2007, respectivamente. O lucro tributável foi arbitrado, em razão de os livros Diário e Razão terem sido escriturados por estabelecimento e apresentados sem registro, além de contemplarem menos de 10% da movimentação financeira dos períodos fiscalizados, assim incidindo nas hipóteses do art. 530, inciso I; II, “a” e “b”; e III, do RIR/99. Considerando o disposto no art. 24, §1o da Lei nº 9.249/95, o arbitramento teve em conta o percentual mais elevado dentre as atividades desempenhadas pela contribuinte. As receitas escrituradas foram adicionadas às receitas presumidas para fins de tributação. A penalidade foi qualificada em razão das justificativas assim sintetizadas no relatório da decisão de 1a instância: V.3 Conclusão acerca da pertinência da Aplicação da Multa Qualificada ... ... na contabilidade apresentada pelo contribuinte não consta escriturado nenhum valor relativo à movimentação financeira que o contribuinte alega ser decorrente da atividade de representação comercial, bem como não consta escriturado nenhuma receita ... de tal atividade (representação comercial). A fiscalizada foi incapaz de apresentar documentos que comprovassem a origem de recursos creditados em suas contas bancárias querendo fazer crer que era decorrente de representação comercial. ... mesmo se admitindo que a movimentação financeira do contribuinte seria decorrente ... de representação comercial, restaria evidenciado que ao longo de dois anos o contribuinte não ofereceu à tributação nenhum valor a tal título. ... o contribuinte também não ofereceu à tributação nem mesmo os valores constantes da sua escrituração a título de receita de prestação de serviços e revenda de mercadoria dispositivos aos anos-calendário de 2006 e 2007. ... percebe-se... que a conduta ... é reiterada afastando-se a hipótese de erro. ... fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos em documento exigido pela lei fiscal e a fraude tem por essência a tentativa de ocultar do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador. Quando ... deixa de escriturar a quase totalidade de sua movimentação financeira fica evidenciado a tentativa de ocultar do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador dos tributos que porventura decorram de receitas da referida movimentação financeira ... fraudando a fiscalização tributária ao deixar de inserir na sua contabilidade tais dados. Diante do exposto, a qualificação da multa é absolutamente oportuna com arrimo no parágrafo 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007 e anteriormente a Lei n° 11.488/2007 com arrimo no inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. (destaques do original) A autoridade lançadora também entendeu que os fatos narrados no tópico relativo à qualificação da multa, configura ação dolosa do sócio administrador da fiscalizada com o fito de não efetuar o recolhimento dos tributos devidos, se subsumindo, portanto, aos dispositivos legais que ensejam a responsabilização do sócio administrador por Auto de Infração lavrado em nome da pessoa jurídica administrada. Observando que, em regra, o patrimônio dos administradores não se comunica com o patrimônio das sociedades administradas, reportou-se ao art. 124, I; 135, III; e 137, II e III, “c”, todos do CTN, bem como a doutrina e jurisprudência acerca do tema, nos termos resumidos no relatório da decisão de 1a instância: VI.3 CONCLUSÃO (... Responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER ...) (...) Exclusivamente com base nessa questão, qual seja, o Sr. CLAITON OPENHEIMER deter 95% de participação no Capital Social de VALESA ..., Pode-se afirmar que há flagrante interesse comum em relação aos fatos apurados pela fiscalização entre o referido senhor e a fiscalizada, a ensejar por si só sua responsabilização ... com arrimo no art. 124, inciso I do CTN. ... essa questão do interesse comum entre o Sr. CLAITON OPENHEIMER e VALESA ... é robustecida pelo fato da fiscalizada ter esvaziado seu patrimônio (não tem mais bens imóveis em seu nome, conforme diligências efetuadas em cartórios) e transferido a maioria dos imóveis em comento ao seu sócio administrador (Sr. CLAITON OPENHEIMER), conforme se verifica das escrituras em anexo. ... cumpre ressaltar que no presente procedimento fiscal, não estamos diante de uma mera inadimplência, todo o contexto apresentado evidencia a prática de atos ao arrepio da legislação tributária, principalmente, a questão relativa a vultosos recursos movimentados em contas correntes de titularidade da fiscalizada sem a devida escrituração contábil, ocultando-os do Fisco e sem pagamento de tributos devidos. ... de acordo com o Contrato Social de VALESA ... sua administração é exercida exclusivamente pelo Sr. CLAITON OPENHEIMER ... ... a responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER, ... também é oportuna com fulcro no art. 135, inciso III do CTN, por ter praticado atos contra a lei e com excesso de poderes, conforme descrito de forma analítica no tópico relativo à qualificação da multa (conduta dolosa da fiscalizada). Isso posto será arrolado como responsável solidário ... o Sr. CLAITON OPENHEIMER, ... sócio administrador da fiscalizada, considerando: > o flagrante interesse comum no objeto da autuação existente entre a fiscalizada (Valesa) e seu sócio administrador (Sr. CLAITON OPENHEIMER), detentor de 95% das quotas do Capital Social, com arrimo no art. 124,1, do CTN; > o fato de ter praticado atos contra lei e com excesso de poderes na administração da fiscalizada, com fulcro no art. 135, III, do CTN. A contribuinte e o responsável tributário apresentaram impugnação conjunta, na qual questionaram o indevido uso de informações a partir da CPMF, alegaram quebra de sigilo sem autorização judicial, afirmaram a decadência das ocorrências verificadas entre 01/01/2006 e 19/09/2006, discordaram da qualificação da penalidade em razão da presunção de omissão de receitas, argüiram a nulidade do lançamento por falta de intimação do responsável para comprovação da origem dos depósitos bancários, e se opuseram à imputação de responsabilidade solidária. Indicaram depósitos bancários com origem comprovada no curso do procedimento fiscal, questionaram outros aspectos da investigação, discordaram do arbitramento dos lucros, afirmaram haver dupla tributação das receitas de prestação de serviço, requereram perícia para infirmar o arbitramento, e pediram também a anulação do arrolamento de bens e da representação fiscal para fins penais. A Turma julgadora rejeitou as argüições de nulidade; afirmou a legalidade do acesso às informações bancárias; defendeu a aplicação do art. 173 do CTN para contagem do prazo decadencial, ante a ausência de pagamentos; validou a responsabilização de Claiton Openheimer e afirmou a desnecessidade de sua intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários; mas excluiu do conjunto de receitas omitidas os depósitos bancários que contavam com a identificação de S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda como depositantes, mantendo o arbitramento dos lucros e indeferindo a perícia requerida. Por maioria de votos, manteve a multa qualificada em razão da conduta dolosa do sujeito passivo, divergindo um dos julgadores, que fez declaração de voto. O acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. 1. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoas físicas ou jurídicas, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados na vigência do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. 3.Comprovada a origem dos depósitos bancários, exclui-se a possibilidade de utilização da presunção baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabendo o aprofundamento das investigações para possível tributação em outras bases legais disponíveis na legislação, a teor do contido no parágrafo segundo do mesmo artigo 42. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A conduta, por dois anos consecutivos, de não registrar na contabilidade a quase totalidade da movimentação financeira de sua titularidade, de não declarar quaisquer receitas em um ano-calendário e de declarar receitas equivalentes a menos de 8% dos rendimentos considerados omitidos no ano-calendário seguinte, demonstra evidente intuito de fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150% . LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da finalidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos exigidos pela legislação. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. ARGÜIÇÃO. A nulidade não pode ser declarada se preenchidos os requisitos previstos na legislação e quando há perfeita compreensão dos atos e termos administrativos demonstrada na peça de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada e/ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Deve, na impugnação, se trazidos todos os elementos de prova necessários à confirmação das alegações contidas na peça de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses excepcionadas pela legislação. Os demonstrativos de depósitos bancários excluídos da exigência e de apuração do crédito tributário remanescente estão juntados às fls. 4087/4111. Como os valores exonerados superaram o limite especificado na Portaria MF nº 3/2008, a decisão foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/2012 (fls. 4212/4214), a contribuinte, juntamente com o responsável tributário Claiton Openheimer, apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 21/12/2012 (fls. 4158/4211). Reiteram que a Fiscalização não poderia efetuar o lançamento utilizando legislação processual já extinta, qual seja, a Lei nº 9.311/96, bem como que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade da Receita Federal ter acesso aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário. Argumentam que a autoridade lançadora fez uso das informações da CPMF para apurar discrepância entre as declarações da pessoa jurídica e as informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal, ao passo que a CPMF foi extinta em 31/12/2007 e não estava mais em vigor desde o início do procedimento fiscal, em 27/04/2010. Invocam o art. 144, §1o do CTN, defendendo que este dispositivo não autoriza o fisco a usar um procedimento previsto em Lei que perdeu a vigência no mundo jurídico, destacando que este Conselho, de forma semelhante, consolidou entendimento contrário ao defendido pela autoridade julgadora. Acrescentam que, motivado por este vício de procedimento, o agente fiscal quebrou o sigilo bancário da fiscalizada sem autorização judicial, pois somente assim poderia constatar a mencionada discrepância de informações e instaurar o conseqüente procedimento fiscal. Reportam-se ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, e observam que o Regimento Interno deste Conselho determina a observância do que ali decidido. Pleiteiam, assim, a declaração de nulidade do lançamento. Invocam a Súmula TFR nº 182, argumentam que a utilização de extratos bancários para formatação do fato gerador ofende o art. 43 do CTN, pois não ocorreu a disponibilidade econômica de renda ou proventos, como inclusive reconhecido em julgados administrativos e judiciais aos quais se reporta. Acrescentam que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não pode eleger “receita ou rendimento” à condição de “renda” que já tem definição em lei complementar, em desrespeito à matriz constitucional do IRPJ e da CSLL. Logo, também por esta razão o lançamento deve ser anulado. Argúem a decadência das ocorrências verificadas até 19/09/2006, destacando que, ao contrário do que exposto na decisão recorrida, às fls. 113 do relatório fiscal encontramos registros e pagamentos de 2006, e afirmando a ausência de dolo, nos termos da declaração de voto juntada à decisão recorrida, com vistas a viabilizar a aplicação do art. 150, §4o do CTN. Reportam-se aos motivos da qualificação da penalidade para destacar que inexiste qualquer prova de dolo, até porque “a tentativa de ocultar da autoridade fato gerador” não está tipificado como atitude dolosa, mormente tendo em conta as Súmulas CARF nº 14 e 25 e os julgados administrativos que citam. Entendem, ainda, que nulos seriam os lançamentos porque o agente fiscal, ao afirmar que Claiton Openheimer teria interesse comum em relação aos fatos geradores autuados, deveria tê-lo intimado pessoalmente a comprovar a origem dos depósitos bancários, na forma da Súmula CARF nº 29, a qual foi equivocadamente interpretada na decisão de 1a instância. Aduzem que não há provas de infringência do art. 124 e 135 do CTN para assim imputar responsabilidade tributária a Claiton Openheimer. Desqualificam como tal o fato de Claiton Openheimer deter 95% do capital social da autuada, e destacam que a Fisalização não identificou ou provou os fatos nos quais poderia se verificar o alegado interesse comum, mormente tendo em conta que no período fiscalizado nenhum patrimônio da pessoa jurídica foi transferido ao responsável. Questionam qual prova, qual escritura, qual imóvel teria sido transferido ao responsável, e reportam-se a julgados administrativos para observar que o agente fiscal confunde interesse jurídico com interesse econômico e que eventual transferência de imóveis, se tivesse ocorrido, caracteriza mero interesse econômico. Acrescentam outras referências a jurisprudência administrativa e judicial, bem como a doutrina, e reiteram que a manutenção da responsabilidade tributária com base no art. 124, I do CTN evidenciará a nulidade do lançamento pelas razões antes alegadas. Quanto à responsabilização com base no art. 135 do CTN, afirmam que também inexiste qualquer descrição de fatos ou prova para sua aplicação. A Fiscalização apenas relata que constatou fatos que configuram excesso de poderes, mas não os indica, limitando-se a fazer referência às justificativas para qualificação da penalidade, na qual não se localizam aquelas ocorrências. Transcrevem várias passagens da acusação fiscal, citam jurisprudência administrativa, destacam que a falta de recolhimento de tributo pela pessoa jurídica não é motivo para responsabilização do sócio administrador e apontam contradições na abordagem fiscal. Observam que a autoridade julgadora de 1a instância afastou a acusação fundada na transferência de imóveis e manteve a imputação de responsabilidade com base em outras razões, mas sem especificar as provas que as suportam, em clara omissão. Finalizam reportando-se às decisões do Superior Tribunal de Justiça contrárias à responsabilização do sócio-gerente em razão de simples falta de pagamento de tributo, e observando a sua obrigatória aplicação por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Ressaltam que a decisão recorrida acolheu a impugnação na parte referente aos depósitos bancários de origem comprovada, mas não identificou quais os demais valores que deveriam permanecer na autuação. Aduzem que a presunção que militava a favor do fisco foi derrubada, não havendo sustentação para ser mantido o lançamento. Reproduzem julgados administrativos que entendem aplicáveis ao caso, e requerem a anulação integral dos lançamentos. Citando o art. 112 do CTN, argumentam que, tendo o agente fiscal partido de uma premissa falsa (origem não comprovada dos depósitos) e desconsiderado toda a operação efetivamente ocorrida, a comprovação da origem e da atividade evidencia que a Fiscalização deveria ter aprofundado as diligências antes do lançamento, na forma exigida em julgados administrativos aos quais se reportam. Observam, também, que uma vez constatada a origem dos depósitos, considerando que a Fiscalização identificou as atividades da fiscalizada, as quais estão estampadas em seu contrato social e em contratos de representação comercial que não foram impugnados pelo Auditor Fiscal, e uma vez demonstrado o fluxo dos recursos, a base de cálculo da exigência deveria ser os valores das comissões recebidas. Ao discordar dos percentuais adotados, a Fiscalização poderia tê-los questionado e aprofundado as diligências, por exemplo, comparando com outras empresas. Contudo, adotou o percentual de 38,4% para apuração do lucro, desconsiderando a atividade de representação comercial consignada em seu contrato social (no qual consta também a atividade de prestação de serviços de beneficiamento de café), da mesma forma procedendo a autoridade julgadora de 1a instância em decisão passível de embargos de declaração. Inferem que a decisão recorrida excluiu cerca de R$ 5.000.000,00 de depósitos bancários com origem comprovada, restando outros R$ 5.000.000,00 vinculados a prestação de serviços de beneficiamento de café, em relação aos quais aduzem que a empresa não tem capacidade e nem máquinas para beneficiamento de café capazes de chegar neste quantum de receita, apresentando os cálculos de sua produção máxima em razão dos equipamentos disponíveis e reportando-se a modelo de máquina da Valesa juntado aos autos. Citam doutrina e concluem ser improcedente o arbitramento. Reafirmando que a decisão recorrida não apontou nos extratos quais os valores que não foram comprovados a origem, destacam que os valores tributados pelo Fisco e depositados por S.A. Silveira e Carmo do Sul decorrem de operações cujas comissões estão especificadas em contrato por tipo de café negociado, indicam operação demonstrada no curso do procedimento fiscal, registram a possibilidade de devolução do café negociado em razão de problemas de qualidade, e observam que a fiscalizada emitiu cheques nominais a ela mesma para repasse a pequenos produtores. Recordam que a Fiscalização partiu de premissa equivocada, da qual resultou inconsistência/erro da base de cálculo, à semelhança de julgados administrativos aos quais se reportam. Concluem que na dúvida deveria ter sido acionado o art. 112 do CTN, que tributo não constitui sanção de ato ilícito e que a presunção promovida pela Fiscalização resultou em lançamentos carecedores de liquidez, certeza e exigibilidade, cuja parte remanescente é incompatível com seus equipamentos e estrutura operacional, a demandar a anulação integral das exigências. Apontam dupla tributação sobre valores de venda de mercadorias e de prestações de serviços de beneficiamento de café que teriam sido devidamente levados à tributação, e indicam as fls. 116 do lançamento fiscal como evidência neste sentido. Por esta razão defendem, com base em julgado administrativo citado, o cancelamento da exigência. Reportam-se à nulidade total dos lançamentos por arbitramento, novamente afirmando a necessidade de aprofundamento das investigações fiscais, reconhecida na decisão recorrida, e indicando julgado administrativo acerca da nulidade do lançamento em caso de erro na construção do lançamento. Subsidiariamente observam que deve ser assegurado o contraditório ao contribuinte em caso de arbitramento, na forma do art. 148 do CTN, reafirmando que não houve acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica/jurídica de renda ou proventos, que foi comprovada a origem dos depósitos e as atividades exercidas pela recorrente e que foi requerida prova pericial para demonstrar sua incapacidade técnica de gerar uma arrecadação de R$ 10 milhões, ou mesmo R$ 5 milhões, concluindo que houve cerceamento ao seu direito de defesa quando tal requerimento foi indeferido. Pedem, assim: a) que seja mantido o acórdão da DRJ/JFA, na parte que exclui os créditos tributários a título de imposto de renda e reflexos; b) que seja excluído o segundo recorrente do presente processo; c) que seja reformada a decisão da DRJ/JFA que manteve parte dos lançamentos, julgado totalmente improcedente o lançamento de imposto de renda e seus reflexos (CSLL; PIS e COFINS); d) se superado o pedido supra, que seja reformado o acórdão da DRJ/JFA por cerceamento do direito de defesa; e) que seja anulado o arrolamento de bens e a representação fiscal (10660.724083/2011-77 10660.724086/2011-19).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO  VALESA  AGROPECUÁRIA  COMÉRCIO  E  REPRESENTAÇÕES  LTDA  e  CLAITON OPENHEIMER,  já  qualificados  nos  autos,  recorrem de  decisão  proferida pela  2ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por maioria de  votos,  julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento  formalizado em 22/09/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.797.327,12.  A  autoridade  lançadora  relata,  no Termo de Verificação  Fiscal  de  fls.  80/124,  que  a  partir  da  escrituração  e  extratos  bancários  fornecidos  pela  fiscalizada,  identificou  incompatibilidade entre a movimentação financeira verificada nos anos­calendário 2006 e 2007  e  os  correspondentes  valores  declarados  e  receitas  escrituradas  em  sua  contabilidade.  Observou,  ainda,  que  nenhum  débito  fora  declarado  em  DCTF  nos  semestres  dos  anos­ calendário  2006  e  2007,  assim  como  a  DIPJ  do  ano­calendário  2006  fora  entregue  com  informações  zeradas  e  a  do  ano­calendário  2007  com  valores  ínfimos  (receita  de  R$  417.206,96,  comparada  com  a  movimentação  financeira  de  cerca  de  R$  10  milhões  no  período).  A  contribuinte  foi  questionada  acerca  de  débitos  verificados  nas  contas  bancárias com o fito de permitir à fiscalização identificar qual a atividade desenvolvida pelo  contribuinte, analisando o destino do dinheiro que transitou na conta fiscalizada, e depois de  concedida  parcialmente  a  prorrogação  de  prazo  requerida,  a  fiscalizada  apresentou  esclarecimentos  vinculando  sua  movimentação  financeira  a  atividade  de  representação  comercial, em razão da qual perceberia apenas comissão. Constatando que as pessoas físicas ou  jurídicas adquirentes de café de propriedade das empresas Cerealista Carmo Sul e S.A. Silveira  teriam  promovido  depósitos  em  favor  da  fiscalizada,  e  esta  os  repassara  àquelas  empresas  depois  de  descontar  sua  comissão,  exigiu  documentos  complementares  destas  operações  comerciais e da sua correspondente contabilização, destacando a necessidade de identificação  dos depositantes dos valores  repassados, bem como de documentação bancária do  repasse às  empresas  representadas.  Observou,  também,  que  os  Livros  Diário  e  Razão  estavam  escriturados por estabelecimento, não foram registrados e não guardavam correspondência com  a movimentação  financeira  da  contribuinte,  autorizando  o  arbitramento  dos  lucros  caso  não  regularizados.  Transcorridos outros 60 (sessenta) dias, a contribuinte se manteve silente acerca  das irregularidades em sua contabilidade, e argumentou que os depósitos em sua conta bancária  foram  promovidos  por  S.A.  Silveira  e  Cerealista  Carmo  Sul,  ao  contrário  do  que  antes  observado  pela  Fiscalização,  mas  sem  apresentar  documentos  que  comprovassem  suas  alegações. Reintimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, a contribuinte  reiterou  que os depósitos foram promovidos por aquelas pessoas jurídicas, reportou­se aos contratos de  representação comercial e a planilha assinada por seu representante legal, na qual promoveu as  correspondentes  vinculações,  afirmando não  possuir  notas  fiscais  de  compra  e  venda porque  somente praticaria intermediação, e ressaltando que foi comprovada a origem dos depósitos, de  modo  que  o  acréscimo  patrimonial  deveria  ser  calculado  em  razão  dos  serviços  prestados  (comissões). Acrescentou  que  requereu  demonstrativos  às  instituições  financeiras, mas  ainda  não foi atendida.  A  autoridade  lançadora  observou  que  concedeu  à  contribuinte  todas  as  oportunidades possíveis para comprovação de suas alegações, assim como efetuou diligências  (nas  quais  constatou  que  a  contribuinte  indicou  registro  baixado  desde  julho/2000  junto  ao  Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 4          3 Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado de Minas Gerais, bem como que  Cerealista  Carmo  Sul  e  S.A.  Silveira  não  mais  atuavam  no  endereço  cadastral,  colhendo  depoimentos de pessoas que afirmaram desconhecer qualquer atividade com café no domicílio  de S.A. Silveira – firma individual de Sérgio Augusto Silveira, falecido em 2007 e detentor de  99%  das  quotas  de  Cerealista  Carmo  Sul  Ltda  –,  constatando  inexistentes  quaisquer  declarações  com  evidências  de  atividade  em  2006  e  2007),  sem  que  com  isso  alcançasse  esclarecimentos  suficientes  para  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários,  e  neste  contexto  afirmou­se  vinculada  à  formalização  do  lançamento  com  base  na  presunção  legal  contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Discorreu sobre o princípio da verdade material,  sobre a dependência  fiscal de  provas e o dever de colaboração do sujeito passivo, observando que os argumentos/documentos  apresentados pelo contribuinte são frágeis e contraditórios, impondo o uso da presunção legal,  com conseqüente inversão do ônus da prova. Reportou­se a julgados administrativos, inclusive  em casos de  factoring, em favor da presunção  legal na ausência de  justificativas,  ressaltando  que a CSRF assentou que documentos alienígenas à contabilidade não devem ser aceitos pela  fiscalização para comprovar créditos  efetuados  em conta corrente do  contribuinte,  inclusive  enfatizando os  efeitos do princípio  contábil  da  oportunidade. Citou doutrina  e manifestações  judiciais acerca do dever de prova pelo sujeito passivo.  Reportando­se  ao  conteúdo  das  planilhas  elaboradas  pela  contribuinte  com  vistas  a  vincular  os  depósitos  recebidos  de  S.A.  Silveira  ou  Cerealista  Carmo  Sul  Ltda  a  repasses  a  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  identificando  por  diferença  a  comissão  auferida,  a  autoridade  fiscal  destacou  que  a  receita  mensal  de  comissões  foi  uniforme  nos  meses  fiscalizados  (R$  7.808,17  de  janeiro/2006  a  novembro/2007  e  R$  7.808,29  em  dezembro/2007), bem como que houve transferências a pessoas físicas/jurídicas com histórico  de empréstimos e financiamentos. Abordando os 91 (noventa e um) cheques apresentados pela  fiscalizada,  dentre os 372  (trezentos  e  setenta  e dois)  requeridos,  observou que 77  (setenta  e  sete) deles  eram nominais  à  autuada  e 14  (quatorze) nominais  à Cerealista Carmo Sul  Ltda.  Destacou que a movimentação bancária correspondente aos depósitos e repasses decorrentes da  suposta  atividade  de  representação  comercial,  assim  como  as  receitas  daí  decorrentes,  não  foram  contabilizadas,  de modo  que  a  comprovação  apresentada  pela  contribuinte  limita­se  a  dois contratos de representação comercial e à planilha por ela elaborada. Não foram emitidas  notas fiscais de prestação de serviços e em apenas 11 (onze) oportunidades confirma­se que os  depósitos foram efetuados por S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda.  Concluiu, assim, que a contribuinte não apresentou os documentos necessários  para permitir à Fiscalização aplicar o §2o do art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo dever do fiscal  autuante considerar como origem não comprovada através de documentação hábil e idônea os  depósitos  bancários  discriminados  nos  termos  encaminhados  à  fiscalizada,  com  exclusão  daqueles que se refeririam a empréstimos bancários, relacionados na acusação fiscal. Totalizou  os depósitos nos montantes anuais de R$ 4.401.129,85 e R$ 5.568.170,20, para 2006 e 2007,  respectivamente. O lucro tributável foi arbitrado, em razão de os livros Diário e Razão terem  sido  escriturados  por  estabelecimento  e  apresentados  sem  registro,  além  de  contemplarem  menos  de  10%  da  movimentação  financeira  dos  períodos  fiscalizados,  assim  incidindo  nas  hipóteses do art. 530, inciso I; II, “a” e “b”; e III, do RIR/99. Considerando o disposto no art.  24, §1o da Lei nº 9.249/95, o arbitramento teve em conta o percentual mais elevado dentre as  atividades  desempenhadas  pela  contribuinte.  As  receitas  escrituradas  foram  adicionadas  às  receitas presumidas para fins de tributação.  Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 5          4 A  penalidade  foi  qualificada  em  razão  das  justificativas  assim  sintetizadas  no  relatório da decisão de 1a instância:  V.3 Conclusão acerca da pertinência da Aplicação da Multa Qualificada ...  ... na contabilidade apresentada pelo contribuinte não consta escriturado nenhum valor  relativo  à  movimentação  financeira  que  o  contribuinte  alega  ser  decorrente  da  atividade  de  representação  comercial,  bem  como  não  consta  escriturado  nenhuma  receita ... de tal atividade (representação comercial).  A  fiscalizada  foi  incapaz  de  apresentar  documentos  que  comprovassem  a  origem  de  recursos creditados em suas contas bancárias querendo fazer crer que era decorrente  de representação comercial.  ... mesmo se admitindo que a movimentação financeira do contribuinte seria decorrente  ...  de  representação  comercial,  restaria  evidenciado  que  ao  longo  de  dois  anos  o  contribuinte não ofereceu à tributação nenhum valor a tal título.  ... o contribuinte também não ofereceu à tributação nem mesmo os valores constantes  da  sua  escrituração  a  título  de  receita  de  prestação  de  serviços  e  revenda  de  mercadoria dispositivos aos anos­calendário de 2006 e 2007.  ... percebe­se... que a conduta ... é reiterada afastando­se a hipótese de erro.  ...  fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos em documento  exigido  pela  lei  fiscal  e  a  fraude  tem  por  essência  a  tentativa  de  ocultar  do  conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador.  Quando ... deixa de escriturar a quase totalidade de sua movimentação financeira fica  evidenciado a tentativa de ocultar do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência  do  fato  gerador  dos  tributos  que  porventura  decorram  de  receitas  da  referida  movimentação financeira ... fraudando a fiscalização tributária ao deixar de inserir na  sua contabilidade tais dados.  Diante do exposto, a qualificação da multa é absolutamente oportuna com arrimo no  parágrafo  1°  do  art.  44  da Lei  9.430/96  com a  redação dada pela  Lei  n°  11.488  de  15/06/2007 e anteriormente a Lei n° 11.488/2007 com arrimo no inciso II do art. 44 da  Lei n°. 9.430/96. (destaques do original)  A  autoridade  lançadora  também  entendeu  que  os  fatos  narrados  no  tópico  relativo à qualificação da multa, configura ação dolosa do sócio administrador da fiscalizada  com o  fito de não efetuar o  recolhimento dos  tributos devidos,  se  subsumindo, portanto, aos  dispositivos  legais  que  ensejam  a  responsabilização  do  sócio  administrador  por  Auto  de  Infração  lavrado  em  nome  da  pessoa  jurídica  administrada.  Observando  que,  em  regra,  o  patrimônio  dos  administradores  não  se  comunica  com  o  patrimônio  das  sociedades  administradas, reportou­se ao art. 124, I; 135, III; e 137, II e III, “c”, todos do CTN, bem como  a doutrina e jurisprudência acerca do tema, nos termos resumidos no relatório da decisão de 1a  instância:   VI.3 CONCLUSÃO (... Responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER ...)  (...)  Exclusivamente  com  base  nessa  questão,  qual  seja,  o  Sr.  CLAITON OPENHEIMER  deter 95% de participação no Capital Social de VALESA ...,  Pode­se afirmar que há flagrante interesse comum em relação aos fatos apurados pela  fiscalização  entre  o  referido  senhor  e  a  fiscalizada,  a  ensejar  por  si  só  sua  responsabilização ... com arrimo no art. 124, inciso I do CTN.  Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 6          5 ...  essa  questão  do  interesse  comum  entre  o  Sr.  CLAITON  OPENHEIMER  e  VALESA ... é robustecida pelo fato da fiscalizada ter esvaziado seu patrimônio (não  tem mais bens imóveis em seu nome, conforme diligências efetuadas em cartórios) e  transferido  a  maioria  dos  imóveis  em  comento  ao  seu  sócio  administrador  (Sr.  CLAITON OPENHEIMER), conforme se verifica das escrituras em anexo.  ... cumpre ressaltar que no presente procedimento fiscal, não estamos diante de uma  mera  inadimplência,  todo  o  contexto  apresentado  evidencia  a  prática  de  atos  ao  arrepio  da  legislação  tributária,  principalmente,  a  questão  relativa  a  vultosos  recursos  movimentados  em  contas  correntes  de  titularidade  da  fiscalizada  sem  a  devida  escrituração  contábil,  ocultando­os  do  Fisco  e  sem  pagamento  de  tributos  devidos.  ...  de  acordo  com  o  Contrato  Social  de  VALESA  ...  sua  administração  é  exercida  exclusivamente pelo Sr. CLAITON OPENHEIMER ...  ... a responsabilização do Sr. CLAITON OPENHEIMER, ... também é oportuna com  fulcro no art. 135, inciso III do CTN, por ter praticado atos contra a lei e com excesso  de poderes, conforme descrito de forma analítica no tópico relativo à qualificação da  multa (conduta dolosa da fiscalizada).  Isso  posto  será  arrolado  como  responsável  solidário  ...  o  Sr.  CLAITON  OPENHEIMER, ... sócio administrador da fiscalizada, considerando:  >  o  flagrante  interesse  comum no  objeto  da  autuação  existente  entre  a  fiscalizada  (Valesa) e seu sócio administrador (Sr. CLAITON OPENHEIMER), detentor de 95%  das quotas do Capital Social, com arrimo no art. 124,1, do CTN;   > o fato de ter praticado atos contra lei e com excesso de poderes na administração da  fiscalizada, com fulcro no art. 135, III, do CTN.  A contribuinte e o responsável tributário apresentaram impugnação conjunta, na  qual questionaram o indevido uso de informações a partir da CPMF, alegaram quebra de sigilo  sem autorização judicial, afirmaram a decadência das ocorrências verificadas entre 01/01/2006  e 19/09/2006, discordaram da qualificação da penalidade em razão da presunção de omissão de  receitas,  argüiram  a  nulidade  do  lançamento  por  falta  de  intimação  do  responsável  para  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários,  e  se  opuseram  à  imputação  de  responsabilidade solidária. Indicaram depósitos bancários com origem comprovada no curso do  procedimento  fiscal,  questionaram  outros  aspectos  da  investigação,  discordaram  do  arbitramento dos lucros, afirmaram haver dupla tributação das receitas de prestação de serviço,  requereram perícia para infirmar o arbitramento, e pediram também a anulação do arrolamento  de bens e da representação fiscal para fins penais.  A Turma  julgadora  rejeitou  as  argüições de nulidade;  afirmou a  legalidade do  acesso às informações bancárias; defendeu a aplicação do art. 173 do CTN para contagem do  prazo  decadencial,  ante  a  ausência  de  pagamentos;  validou  a  responsabilização  de  Claiton  Openheimer  e  afirmou  a  desnecessidade  de  sua  intimação  para  comprovação  da  origem  dos  depósitos bancários; mas excluiu do conjunto de receitas omitidas os depósitos bancários que  contavam com a identificação de S.A. Silveira e Cerealista Carmo Sul Ltda como depositantes,  mantendo o  arbitramento dos  lucros  e  indeferindo a perícia  requerida.  Por maioria de votos,  manteve a multa qualificada em razão da conduta dolosa do sujeito passivo, divergindo um dos  julgadores, que fez declaração de voto. O acórdão está assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007   Fl. 4220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 7          6 OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART.  42  DA  LEI  N°  9.430/96.  1.  Evidencia  omissão  de  receitas  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  de  direito  ou  de  fato,  pessoas  físicas  ou  jurídicas, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a  origem dos recursos utilizados nessas operações. 2. A Súmula 182 do extinto Tribunal  Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados na vigência do art. 42, da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  3.Comprovada  a  origem  dos  depósitos  bancários,  exclui­se  a  possibilidade de utilização da presunção baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996,  cabendo o aprofundamento das investigações para possível tributação em outras bases  legais  disponíveis  na  legislação,  a  teor  do  contido  no  parágrafo  segundo  do mesmo  artigo 42.  IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE  A  conduta,  por  dois  anos  consecutivos,  de  não  registrar  na  contabilidade  a  quase  totalidade da movimentação financeira de sua titularidade, de não declarar quaisquer  receitas em um ano­calendário e de declarar receitas equivalentes a menos de 8% dos  rendimentos  considerados  omitidos  no  ano­calendário  seguinte,  demonstra  evidente  intuito de fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150% .  LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em  se  tratando  de  lançamentos  decorrentes  dos  mesmos  pressupostos  fáticos  dos  que  serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem  ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos  ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007   PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  DOUTRINA  E  JURISPRUDÊNCIA.  1.Não  cabe  apreciar  questões  relativas  a  ofensa  a  princípios  constitucionais,  tais  como  da  legalidade,  da  razoabilidade,  do  não  confisco  ou  da  finalidade,  dentre  outros,  competindo,  no  âmbito  administrativo,  tão  somente  aplicar  o  direito  tributário  positivado.  2.A  doutrina  trazida  ao  processo,  não  é  texto  normativo,  não  ensejando,  pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui  legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário  se  não  atendidos  nenhum  dos  requisitos  exigidos  pela  legislação.  4.  As  decisões  administrativas  não  se  constituem  em  normas  gerais,  salvo  quando  da  existência  de  Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007   NULIDADE.  ARGÜIÇÃO.  A  nulidade  não  pode  ser  declarada  se  preenchidos  os  requisitos previstos na legislação e quando há perfeita compreensão dos atos e termos  administrativos demonstrada na peça de defesa.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  o  pedido  quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada e/ou se  o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção  do julgador. Deve, na impugnação, se trazidos todos os elementos de prova necessários  à confirmação das alegações contidas na peça de defesa.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS  APÓS  A  IMPUGNAÇÃO.  PROVA  DOCUMENTAL.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  a  Fl. 4221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 8          7 impugnante  fazê­lo  em outro momento processual,  a menos que  fique demonstrada a  ocorrência de algumas das hipóteses excepcionadas pela legislação.   Os demonstrativos de depósitos bancários excluídos da exigência e de apuração  do  crédito  tributário  remanescente  estão  juntados  às  fls.  4087/4111.  Como  os  valores  exonerados superaram o limite especificado na Portaria MF nº 3/2008, a decisão foi submetida  a reexame necessário.  Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/2012 (fls. 4212/4214), a  contribuinte,  juntamente  com  o  responsável  tributário  Claiton  Openheimer,  apresentaram  recurso voluntário, tempestivamente, em 21/12/2012 (fls. 4158/4211).  Reiteram  que  a  Fiscalização  não  poderia  efetuar  o  lançamento  utilizando  legislação  processual  já  extinta,  qual  seja,  a  Lei  nº  9.311/96,  bem  como  que  o  Supremo  Tribunal Federal afastou a possibilidade da Receita Federal  ter acesso aos dados bancários  sem ordem emanada do Poder Judiciário. Argumentam que a autoridade lançadora fez uso das  informações  da CPMF para  apurar  discrepância  entre  as  declarações  da  pessoa  jurídica  e  as  informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal, ao passo que a CPMF  foi extinta em 31/12/2007 e não estava mais em vigor desde o início do procedimento fiscal,  em 27/04/2010. Invocam o art. 144, §1o do CTN, defendendo que este dispositivo não autoriza  o  fisco  a  usar  um  procedimento  previsto  em  Lei  que  perdeu  a  vigência  no mundo  jurídico,  destacando  que  este  Conselho,  de  forma  semelhante,  consolidou  entendimento  contrário  ao  defendido  pela  autoridade  julgadora.  Acrescentam  que,  motivado  por  este  vício  de  procedimento, o agente fiscal quebrou o sigilo bancário da fiscalizada sem autorização judicial,  pois somente assim poderia constatar a mencionada discrepância de informações e instaurar o  conseqüente  procedimento  fiscal.  Reportam­se  ao  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR, e observam que o Regimento Interno deste Conselho determina a observância do  que ali decidido. Pleiteiam, assim, a declaração de nulidade do lançamento.  Invocam  a  Súmula  TFR  nº  182,  argumentam  que  a  utilização  de  extratos  bancários  para  formatação  do  fato  gerador  ofende  o  art.  43  do  CTN,  pois  não  ocorreu  a  disponibilidade  econômica  de  renda  ou  proventos,  como  inclusive  reconhecido  em  julgados  administrativos e judiciais aos quais se reporta. Acrescentam que o art. 42 da Lei nº 9.430/96  não pode eleger “receita ou rendimento” à condição de “renda” que já tem definição em lei  complementar, em desrespeito à matriz constitucional do IRPJ e da CSLL. Logo, também por  esta razão o lançamento deve ser anulado.  Argúem  a  decadência  das  ocorrências  verificadas  até  19/09/2006,  destacando  que,  ao  contrário  do  que  exposto  na  decisão  recorrida,  às  fls.  113  do  relatório  fiscal  encontramos registros e pagamentos de 2006, e afirmando a ausência de dolo, nos termos da  declaração de voto juntada à decisão recorrida, com vistas a viabilizar a aplicação do art. 150,  §4o do CTN. Reportam­se aos motivos da qualificação da penalidade para destacar que inexiste  qualquer prova de dolo, até porque “a  tentativa de ocultar da autoridade  fato gerador” não  está tipificado como atitude dolosa, mormente tendo em conta as Súmulas CARF nº 14 e 25 e  os julgados administrativos que citam.  Entendem,  ainda,  que  nulos  seriam  os  lançamentos  porque  o  agente  fiscal,  ao  afirmar  que  Claiton  Openheimer  teria  interesse  comum  em  relação  aos  fatos  geradores  autuados, deveria tê­lo intimado pessoalmente a comprovar a origem dos depósitos bancários,  na  forma da Súmula CARF nº 29,  a qual  foi  equivocadamente  interpretada na decisão de 1a  instância.  Fl. 4222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 9          8 Aduzem  que  não  há  provas  de  infringência  do  art.  124  e  135  do  CTN  para  assim imputar responsabilidade tributária a Claiton Openheimer. Desqualificam como tal o fato  de Claiton Openheimer deter 95% do capital social da autuada, e destacam que a Fisalização  não identificou ou provou os fatos nos quais poderia se verificar o alegado interesse comum,  mormente tendo em conta que no período fiscalizado nenhum patrimônio da pessoa jurídica foi  transferido  ao  responsável.  Questionam  qual  prova,  qual  escritura,  qual  imóvel  teria  sido  transferido ao responsável, e reportam­se a julgados administrativos para observar que o agente  fiscal  confunde  interesse  jurídico  com  interesse  econômico  e  que  eventual  transferência  de  imóveis,  se  tivesse  ocorrido,  caracteriza  mero  interesse  econômico.  Acrescentam  outras  referências a  jurisprudência administrativa e  judicial, bem como a doutrina, e  reiteram que  a  manutenção  da  responsabilidade  tributária  com  base  no  art.  124,  I  do  CTN  evidenciará  a  nulidade do lançamento pelas razões antes alegadas.  Quanto à responsabilização com base no art. 135 do CTN, afirmam que também  inexiste qualquer descrição de fatos ou prova para sua aplicação. A Fiscalização apenas relata  que constatou fatos que configuram excesso de poderes, mas não os indica, limitando­se a fazer  referência  às  justificativas para qualificação da penalidade, na qual não  se  localizam aquelas  ocorrências.  Transcrevem  várias  passagens  da  acusação  fiscal,  citam  jurisprudência  administrativa,  destacam  que  a  falta  de  recolhimento  de  tributo  pela  pessoa  jurídica  não  é  motivo para  responsabilização do sócio  administrador  e apontam contradições na  abordagem  fiscal.  Observam  que  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  afastou  a  acusação  fundada  na  transferência  de  imóveis  e  manteve  a  imputação  de  responsabilidade  com  base  em  outras  razões,  mas  sem  especificar  as  provas  que  as  suportam,  em  clara  omissão.  Finalizam  reportando­se  às  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  contrárias  à  responsabilização  do  sócio­gerente  em  razão  de  simples  falta  de  pagamento  de  tributo,  e  observando  a  sua  obrigatória aplicação por força do art. 62­A do Regimento Interno do CARF.  Ressaltam que a decisão recorrida acolheu a impugnação na parte referente aos  depósitos bancários de origem comprovada, mas não  identificou quais os demais valores que  deveriam permanecer na autuação. Aduzem que a presunção que militava a favor do fisco foi  derrubada,  não  havendo  sustentação  para  ser mantido  o  lançamento.  Reproduzem  julgados  administrativos  que  entendem  aplicáveis  ao  caso,  e  requerem  a  anulação  integral  dos  lançamentos.  Citando o art. 112 do CTN, argumentam que,  tendo o agente  fiscal partido de  uma premissa falsa (origem não comprovada dos depósitos) e desconsiderado toda a operação  efetivamente ocorrida, a comprovação da origem e da atividade evidencia que a Fiscalização  deveria  ter  aprofundado  as  diligências  antes  do  lançamento,  na  forma  exigida  em  julgados  administrativos aos quais se reportam.  Observam,  também,  que  uma  vez  constatada  a  origem  dos  depósitos,  considerando  que  a  Fiscalização  identificou  as  atividades  da  fiscalizada,  as  quais  estão  estampadas em seu contrato social e em contratos de representação comercial que não foram  impugnados  pelo  Auditor  Fiscal,  e  uma  vez  demonstrado  o  fluxo  dos  recursos,  a  base  de  cálculo  da  exigência  deveria  ser  os  valores  das  comissões  recebidas.  Ao  discordar  dos  percentuais adotados, a Fiscalização poderia  tê­los questionado e aprofundado as diligências,  por exemplo, comparando com outras empresas. Contudo, adotou o percentual de 38,4% para  apuração do lucro, desconsiderando a atividade de representação comercial consignada em seu  contrato social (no qual consta também a atividade de prestação de serviços de beneficiamento  Fl. 4223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 10          9 de  café),  da  mesma  forma  procedendo  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  em  decisão  passível de embargos de declaração.  Inferem que a decisão recorrida excluiu cerca de R$ 5.000.000,00 de depósitos  bancários  com origem comprovada,  restando outros R$ 5.000.000,00 vinculados  a prestação  de serviços de beneficiamento de café, em relação aos quais aduzem que a empresa não  tem  capacidade e nem máquinas para beneficiamento de café capazes de chegar neste quantum de  receita,  apresentando  os  cálculos  de  sua  produção  máxima  em  razão  dos  equipamentos  disponíveis e reportando­se a modelo de máquina da Valesa juntado aos autos. Citam doutrina  e concluem ser improcedente o arbitramento.  Reafirmando que a decisão recorrida não apontou nos extratos quais os valores  que  não  foram  comprovados  a  origem,  destacam  que  os  valores  tributados  pelo  Fisco  e  depositados  por S.A. Silveira  e Carmo do Sul  decorrem de  operações  cujas  comissões  estão  especificadas em contrato por tipo de café negociado, indicam operação demonstrada no curso  do procedimento fiscal, registram a possibilidade de devolução do café negociado em razão de  problemas de qualidade, e observam que a  fiscalizada emitiu cheques nominais a ela mesma  para repasse a pequenos produtores.   Recordam  que  a  Fiscalização  partiu  de  premissa  equivocada,  da  qual  resultou  inconsistência/erro da base de cálculo, à semelhança de julgados administrativos aos quais se  reportam. Concluem que na dúvida deveria  ter sido acionado o art. 112 do CTN, que tributo  não constitui sanção de ato ilícito e que a presunção promovida pela Fiscalização resultou em  lançamentos  carecedores  de  liquidez,  certeza  e  exigibilidade,  cuja  parte  remanescente  é  incompatível com seus equipamentos e estrutura operacional, a demandar a anulação integral  das exigências.  Apontam  dupla  tributação  sobre  valores  de  venda  de  mercadorias  e  de  prestações  de  serviços  de  beneficiamento  de  café  que  teriam  sido  devidamente  levados  à  tributação, e indicam as fls. 116 do lançamento fiscal como evidência neste sentido. Por esta  razão defendem, com base em julgado administrativo citado, o cancelamento da exigência.   Reportam­se  à  nulidade  total  dos  lançamentos  por  arbitramento,  novamente  afirmando a necessidade de aprofundamento das investigações fiscais, reconhecida na decisão  recorrida,  e  indicando  julgado  administrativo  acerca  da  nulidade  do  lançamento  em  caso  de  erro na construção do lançamento.   Subsidiariamente  observam  que  deve  ser  assegurado  o  contraditório  ao  contribuinte  em  caso  de  arbitramento,  na  forma  do  art.  148  do  CTN,  reafirmando  que  não  houve acréscimo patrimonial ou disponibilidade econômica/jurídica de renda ou proventos, que  foi  comprovada  a  origem  dos  depósitos  e  as  atividades  exercidas  pela  recorrente  e  que  foi  requerida prova pericial para demonstrar sua incapacidade técnica de gerar uma arrecadação de  R$ 10 milhões, ou mesmo R$ 5 milhões, concluindo que houve cerceamento ao seu direito de  defesa quando tal requerimento foi indeferido.  Pedem, assim:  a) que seja mantido o acórdão da DRJ/JFA, na parte que exclui os créditos tributários  a título de imposto de renda e reflexos;  b) que seja excluído o segundo recorrente do presente processo;  Fl. 4224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 11          10 c)  que  seja  reformada  a  decisão  da  DRJ/JFA  que  manteve  parte  dos  lançamentos,  julgado  totalmente  improcedente  o  lançamento  de  imposto  de  renda  e  seus  reflexos  (CSLL; PIS e COFINS);  d)  se  superado  o  pedido  supra,  que  seja  reformado  o  acórdão  da  DRJ/JFA  por  cerceamento do direito de defesa;   e)  que  seja  anulado  o  arrolamento  de  bens  e  a  representação  fiscal  (10660.724083/2011­77 10660.724086/2011­19).        Fl. 4225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.724084/2011­11  Resolução nº  1101­000.140  S1­C1T1  Fl. 12          11 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Consoante consignado à fl. 4215, para ciência do Acórdão nº 09­41.572 da 2a  Turma da DRJ/JFA, fls. 4.112 à 4.152, a ARF/PAR emitiu a Intimação nº 531/2.012, fls. 4157.  Referido documento, por sua fez, indica que segue em anexo, para ciência, cópia do Acórdão  proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, sem qualquer referência  aos documentos de fls. 4086/4111 que instruem, com cálculos, a referida decisão.  Os  recorrentes,  por  sua  vez,  afirmam  desconhecer  quais  depósitos  bancários  subsistiram  com  origem  não  comprovada,  e  constroem  sua  defesa  a  partir  de  inferências  erigidas a partir do crédito tributário mantido.  Por tais razões, necessária se faz a CONVERSÃO do julgamento em diligência  para que nova  ciência  seja promovida em  favor da pessoa  jurídica  autuada e do  responsável  tributário,  encaminhando­lhes  não  só  o  acórdão  de  fls.  4112/4152,  como  também  os  demonstrativos de cálculo que o instruem, juntados às fls. 4086/4111, com reabertura do prazo  de 30 (trinta) dias para eventual complementação de suas razões de defesa.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 4226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10675.720829/2010-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 260          1 259  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10675.720829/2010­23  Recurso nº            Especial do Contribuinte  Resolução nº  9303­000.015  –  3ª Turma  Data  13 de novembro de 2013  Assunto  Repercurssão Geral ­ sobrestamento  Recorrente  BANCO TRIÂNGULO S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  sobrestar  o  julgamento  do  recurso  especial  até  a  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  em  matéria de repercussão geral, em face do art. 62­A do Regimento Interno do CARF. Vencido o  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.    Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente Substituto     Nanci Gama ­ Relatora   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres,  Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Maria  Teresa  Martínez  López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.  Relatório  Trata­se de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela  contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do  art. 3º da Lei 9.718/98.  Contra  a  decisão  da  DRJ  de  origem,  que  negou  provimento  ao  recurso,  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara  a quo.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 82 9/ 20 10 -2 3 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720829/2010­23  Resolução nº  9303­000.015  CSRF­T3  Fl. 261          2 Nessa  oportunidade,  a  Recorrente  interpôs  recurso  especial  e  sustentou  que  a  decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal  Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limite­se  à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita  financeira decorrente das operações bancárias.  O  i.  Presidente  da  1ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF  deu  seguimento  ao  recurso  especial  por  considerar  que  restou  comprovada  a  divergência  jurisprudencial.  Pede  a  Fazenda  Nacional,  em  suas  contrarrazões,  para  que  seja  mantida  a  decisão guerreada.  É o Relatório.  Voto  Conselheira Nanci Gama, Relatora  Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base  de cálculo da contribuição para as financeiras.  Ainda  que  o  pedido  de  restituição  de  PIS  esteja  ancorado  em  ação  judicial  proposta  pela  contribuinte,  transitada  em  julgado,  esta,  reconheceu,  tão  somente  a  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98.   Então  tudo  continua  na  mesma,  pois  sendo  uma  empresa  financeira,  fica  a  critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente  do  pagamento  de  empréstimos  bancários,  spreads,  prêmios,  deságios,  juros  oriundos  da  intermediação  ou  aplicação  de  recursos  financeiros  próprios  ou  de  terceiros,  financiamentos,  colocação  e  negociação  de  títulos  e  valores  mobiliários,  aplicações  e  investimentos,  capitalização etc) integram ou não o faturamento.  A  questão  das  receitas  que  devem  integrar  a  base  de  cálculo  da  contribuição  devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o  Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos  judiciais  em  andamento,  conforme  se  depreende  do  despacho  do  Ministro  Ricardo  Lewandowski, que transcrevo a seguir:  “RE 609096/RS ­ RIO GRANDE DO SUL  RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI  Julgamento: 10/06/2011  Publicação  DJe­115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011  Partes  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720829/2010­23  Resolução nº  9303­000.015  CSRF­T3  Fl. 262          3 RECTE.(S)   : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL  PROC.(A/S)(ES)  : PROCURADOR­GERAL DA REPÚBLICA  RECTE.(S)   : UNIÃO  PROC.(A/S)(ES): PROCURADOR­GERAL DA FAZENDA NACIONAL  RECDO.(A/S)   : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A  ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S)  Decisão  LibreOffice Petição 73745/2010­STF.  Federação  Brasileira  dos  Bancos  –  FEBRABAN  requer  seu  ingresso  neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como  “a  suspensão  de  todos  os  processos  que  tramitam  em  primeiro  e  segundo  graus  de  jurisdição,  que  versem  sobre  a  questão  constitucional debatida nestes autos” (fl. 666).  No caso, trata­se de recursos extraordinários interpostos pela União e  pelo Ministério Público Federal  contra acórdão que entendeu que as  receitas  financeiras das  instituições  financeiras não se enquadram no  conceito  de  faturamento  para  fins  de  incidência  da  COFINS  e  da  contribuição para o PIS.  Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste  recurso. Transcrevo a ementa:  “CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS.  INCIDÊNCIA.  RECEITAS  FINANCEIRAS  DAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054).  É o breve relatório. Decido.  De acordo com o § 6º do art. 543­A do Código de Processo Civil:  “O  Relator  poderá  admitir,  na  análise  da  repercussão  geral,  a  manifestação  de  terceiros,  subscrita  por  procurador  habilitado,  nos  termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”.  Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria:  “Mediante  decisão  irrecorrível,  poderá  o(a)  Relator(a)  admitir  de  ofício  ou  a  requerimento,  em  prazo  que  fixar,  a  manifestação  de  terceiros,  subscrita  por  procurador  habilitado,  sobre  a  questão  da  repercussão geral”.  A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello,  Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF:  “a intervenção do amicus curiae, para legitimar­se, deve apoiar­se em  razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa,  em  ordem  a  proporcionar  meios  que  viabilizem  uma  adequada  resolução do litígio constitucional”.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720829/2010­23  Resolução nº  9303­000.015  CSRF­T3  Fl. 263          4 Verifico  que  a  requerente  atende  aos  requisitos  necessários  para  participar desta ação na qualidade de amicus curiae.  Quanto  ao  pedido  de  suspensão  dos  processos  que  tratam da mesma  matéria  versada  nesses  autos  que  tramitam  em  primeiro  e  segundo  graus, entendo que não merece acolhida.  É que os arts. 543­B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento  de  recursos  extraordinários  interpostos  em  razão  do  reconhecimento  da  repercussão  geral  da matéria  neles  discutida,  e não  de ações  que  ainda não se encontram nessa fase processual.  Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral  da  matéria  aqui  debatida,  os  recursos  extraordinários  que  versam  sobre o mesmo assunto  ficarão  sobrestados,  na origem,  por  força  do  próprio art. 543­B do CPC.  Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de  amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido.  Publique­se.  Brasília, 10 de junho de 2011.  Ministro RICARDO LEWANDOWSKI”  (Grifei)  Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos  demais  feitos  relativos  à mesma questão que  tramitam no Judiciário,  voto no  sentido de que  este  E.  Colegiado  aplique  o  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF  para  sobrestar  o  julgamento  do  recurso  voluntário  até  que  sobrevenha  decisão  definitiva  do  STF  no RE  nº  609.096 (Tema 372).    Nanci Gama  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA

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5749865 #
Numero do processo: 11052.000342/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.196/2005. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.196/2005. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 430          1 429  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11052.000342/2010­11  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3201­001.786  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de outubro de 2014  Matéria  DCOMP  Recorrente  MEGADATA COMPUTAÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005, 2006  MULTA  ISOLADA.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA.  A multa  de  ofício  aplicada  sobre  os  créditos  constantes  em Declaração  de  Compensação  considerada  não  declarada  esta  prevista  no  art.  18  da  Lei  nº  10.833/2003,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  11.051/2004  e  Lei  nº  11.196/2005.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.     Joel Miyazaki ­ Presidente.    Winderley Morais Pereira ­ Relator.    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos  Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais  Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 42 /2 01 0- 11 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA     2 Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    "Trata­se do Auto de Infração às fls.13/17 (e do correspondente  “Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração”, doravante   Termo  de  Constatação,  às  fls.18/20),  lavrado  em  13.07.2010  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro –  I  –  DRF1,  para  exigência  de  multa  isolada,  no  valor  de  R$  559.600,80.  2 Segundo o Termo de Constatação, a multa isolada decorre do  processo administrativo nº 10768.005.773/200587, que se refere  às Declarações de Compensação­Dcomp a seguir  (fls.292/305),  consideradas não declaradas:    ..... lido em sessão    3 O  lançamento  foi  enquadrado no art.18 da Lei nº 10.833, de  2003,  com a  redação dada pelas Leis  nº  11.051,  de  2004,  e nº  11.196, de 2005 (fls.16).  4  O  Auto  de  Infração  veio  instruído  com  os  documentos  de  fls.21/29.  A  ação  fiscal,  oriunda  de Mandado  de  Procedimento  Fiscal­MPF  datado  de  24.06.2010  (fls.4),  foi  encerrada  em  15.07.2010 (fls.28).  5  Inconformado,  o  interessado  apresenta  a  impugnação  de  fls.31/56, descrevendo os fatos que a antecederam (itens 1 e 2 da  impugnação).  6  No  item  3  da  impugnação,  o  interessado  afirma  que  o  lançamento  é  improcedente,  porque  a  multa  lhe  está  sendo  exigida em duplicidade, alegando:  a)  que  as  3  (três)  Dcomps  em  tela  (item  2),  transmitidas  em  19.09.2005,  14.10.2005  e  10.11.2005,  foram  apresentadas  com  base  no  processo  10768.005773/200587,  relativo  a “Pedido  de  Habilitação  de  Crédito  por  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado”;  b)  que,  em  18.01.2006,  “apresentou  nova  Dcomp,  de  nº  15875.80832.180106.1.3.040962, para, entre outros, compensar  os  mesmos  débitos”  das  3  (três)  Dcomps  referidas  na  alínea  anterior,  Dcomp  que,  no  processo  administrativo  nº  15374.001660/200711, a Derat­RJO considerou não declarada,  lavrando,  ato  contínuo,  autos  de  infração  para  constituir  os  tributos  compensados,  e  para  cobrança  da  multa  isolada  de  75%;  c)  que,  “recentemente,  em  29.03.2010,  foi  proferido  despacho  decisório”,  que  considerou  não  declaradas  as  3  (três) Dcomps  referidas na alínea “a” acima, e, “em razão disso, a fiscalização  entendeu  que  o  Auto  deveria  ser  lavrado  para  exigir  da  Impugnante nova multa isolada de 75%”;  d)  interpôs  recurso  sem  efeito  suspensivo  contra  a  decisão  (Derat)  que  considerou  não  declarada  a  Dcomp  15875.80832.180106.1.3.040962, e, com o intuito de suspender a  exigibilidade  dos  débitos  compensados  na  referida  Dcomp,  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11052.000342/2010­11  Acórdão n.º 3201­001.786  S3­C2T1  Fl. 431          3 “impetrou  o  Mandado  de  Segurança  (MS)  nº  2008.51.01.0045153  (doc.05),  depositando  judicialmente  os  valores supostamente devidos (doc.06)”;  e)  uma  vez  que  os  débitos  compensados  na  Dcomp  15875.80832.180106.1.3.040962  “não  haviam  sido  declarados  por meio de DCTF, a SRF lavrou quatro autos de infração para  fins  de  prevenção  de  decadência  (doc.07),  dando  origem  ao  processo 12898.000380/200951”, e  lavrou,  também, autos para  exigir a multa  isolada de 50% do valor do débito compensado,  dando  origem  aos  processos  12898.000381/200903,  12898.000382/200940,  12898.000383/200993  e  12898.000384/200939;  f) “posteriormente, alegando suposto erro material na exigência  da multa isolada no percentual de 50%, a SRFB lavrou autos de  infração complementares para exigir a suposta diferença de 25%  no percentual da multa isolada anteriormente exigida (doc.10), o  que  deu  origem  a  novos  quatro  processos  administrativos  (processos  nº  12898.000452/201001;  12898.000453/201048,  12898.000454/201092 e 12898.000455/201037)”;  g)  “para  aproveitar  os  benefícios  da  Lei  nº  11.941/09,  protocolou  petição  no  mencionado  MS  2008.51.01.0045153  (doc.11),  em  que  requereu  a  conversão  em  renda  do montante  depositado, dele desistindo e renunciando a quaisquer alegações  de direito”;  h)  em  29.12.2009,  protocolou  petição  nos  autos  dos  processos  administrativos 15374.001660/200711 e 12898.000380/200951,  “desistindo  do  recurso  apresentado e  renunciando a  quaisquer  alegações de direito” ;  i) intimado a efetuar o pagamento dos débitos compensados nas  3 (três) Dcomps referidas na alínea “a”, apresentou recurso em  20.04.2010,  demonstrando  a  “impossibilidade  de  exigência  desses débitos”;  j)  como  já  havia  desistido  do  MS  e  renunciado  a  qualquer  alegação  de  direito,  os  débitos  objeto  das  3  (três)  Dcomps,  constantes  do  processo  administrativo  10768.005773/200587,  não poderiam mais ser exigidos;  k) o auto de infração não pode exigir novamente a mesma multa  isolada,  porque  os  débitos  compensados  nas  3  (três)  citadas  Dcomps  também  foram  objeto  da  Dcomp  15875.80832.180106.1.3.040962,  da  qual  a  fiscalização  já  lhe  está  exigindo  multa  isolada  (processos  12898.000381/200903,  12898.000382/200940,  12898.000383/200994,  12898.000384/200939,  12898.000452/201001,  12898.000453/201048,  12898.000454/201092  e  12898.000455/201037).  7 No  item 4  da  peça  de  impugnação,  o  interessado afirma que  houve aplicação equivocada da lei tributária. Sustenta que:  a) a legislação consolidada, vigente à época do fato gerador das  compensações efetuadas (art.74, da Lei nº 9.430, de 1996; art.18  da  Lei  nº  10.833,  com  as  alterações  promovidas  pela  Lei  nº  11.196, de 2005, e o art.90 da Medida Provisória nº 2.15835, de  24.08.2001),  enfeixa  três  situações  distintas,  cuja  correta  compreensão demanda análise conjunta, e da qual resulta que:  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA     4 a1) na compensação que configura confissão de dívida, o débito  é exigido apenas com a multa moratória e os juros de mora;  a2) na compensação que configura confissão de dívida, mas em  que foi caracterizada fraude, sonegação ou conluio, exige­se,  em lugar da multa de mora, a multa isolada, que não configura  hipótese  autônoma  de  infração,  mas  tão­somente  agravante  de  uma única infração: falta de recolhimento de tributo;  c3)  na  compensação  não  declarada,  se  o  tributo  já  tiver  sido  confessado, exigem­se apenas multa moratória e juros de mora;  se  não,  “a  multa  de  ofício  já  seria  normalmente  exigida  do  contribuinte  juntamente  com  o  lançamento  do  tributo  compensado,  por  meio  do  auto  de  infração,  sendo  descabida  qualquer cumulatividade com a multa de ofício isolada”;  b)  o  art.18  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  pretendeu  eliminar  distorções,  e  determinou  “a  aplicação  de  multa  isolada  à  hipótese de  compensação considerada não declarada de débito  anteriormente  confessado pelo  contribuinte;  ou  seja,  pretendeu  igualar  a  hipótese  de  compensação  não  declarada  de  débitos  ainda  não  constituídos  (...)  com  aquela  em  que  os  débitos  já  teriam sido constituídos pelo contribuinte e, portanto, poderiam  ser exigidos apenas com juros moratórios e multa de mora”;  c) uma vez que a SRFB lavrou o auto de  infração constante do  processo nº 12898.000380/200951, “caberia à autoridade fiscal  ter  aplicado  multa  de  ofício  juntamente  com  o  lançamento  do  débito  dos  tributos  compensados,  “sendo  descabida  a  cumulatividade com a multa isolada prevista no art.18 da Lei nº  10.833, de 2003”;  d) a referida multa de ofício somente não foi aplicada porque os  valores  devidos  haviam  sido  depositados  com  juros  e multa  de  mora, nos autos do MS 2008.51.01.0045153, “o fiscal autuante  entendeu que, no caso, deveria ser aplicado o art. 63 da Lei nº  9.430, de 1996”;  e) a fiscalização pretende substituir a multa de ofício por aquela  exigida  isoladamente;  “se  a  multa  de  ofício  aplicável  ao  caso  deve  ser aquela  exigida  juntamente  com o  imposto devido, não  pode  a  fiscalização  desconsiderar  a  legislação  que  demanda  a  não  aplicação  dessa  multa,  e,  por  vias  transversas,  exigi­la  isoladamente”;  f)  o  art.18  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  deve  ser  interpretado  conjuntamente  com  o  art.  63  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  “excluindo  a  possibilidade  de  aplicação  de  multa  isolada  quando  o  contribuinte  tenha  efetuado  o  depósito  das  quantias  discutidas”.  8  No  item  5  da  impugnação,  o  interessado  diz  que  a  multa  isolada  infringe  os  arts.97,  inciso V,  e  113,  do CTN,  alegando  que:  a)  ainda  que  fosse  possível  a  aplicação  da  multa  isolada,  ela  seria totalmente improcedente porque o art.18 da Lei nº 10.833,  de 2003,  infringe o art.97,  inciso V do CTN e o § 1º do art.113  do CTN, porque apenas a multa decorrente de descumprimento  de  obrigação  acessória  é  autônoma  em  relação  à  obrigação  principal, não sendo possível  a  sua aplicação em casos de não  cumprimento desta;  b) “ocorre que, como visto, a multa isolada em exame é devida  pelas mesmas  razões que  levam a  fiscalização a  exigir a multa  de  ofício  juntamente  com a  constituição  dos  débitos  ainda  não  confessados;  ou  seja,  decorrem  do  não­pagamento  de  tributo  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11052.000342/2010­11  Acórdão n.º 3201­001.786  S3­C2T1  Fl. 432          5 indevidamente  compensado  pelo  contribuinte,  e  não  do  descumprimento de eventual obrigação acessória”;  c)  “é  descabida  a  exigência  de  multa  isolada  imposta  pelo  AUTO,  uma  vez  que  a  hipótese  da  impugnante  não  é  de  descumprimento de obrigação acessória, mas de não quitação de  débitos relativos a tributo (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), em razão  de compensação reputada não declarada pela fiscalização”.  9 No item 6 da peça de impugnação, o interessado diz que se a  multa  isolada  fosse  aplicável,  “somente  poderia  ser  de  50%  e  não  de  75%  do  valor  do  tributo  indevidamente  compensado”,  aduzindo que:  a) a  correta  interpretação da  legislação  tributária  determina  a  aplicação de uma multa de 50% e não de 75% sobre o valor do  tributo indevidamente compensado;  b) “de acordo com os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de  1996, os percentuais da multa poderiam ser de 75% ou de 150%  e  seriam  aplicáveis  tanto  à  hipótese  de  multa  isolada  exigida  conjuntamente  com  o  lançamento  do  tributo  devido  como  também naquelas em que ela fosse cobrada de forma isolada”;  c) “com a publicação da MP 303, de 2006, “a redação do § 1º  do  art.44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996  foi  alterada,  não  mais  permitindo  a  conclusão  de  que  as  multas  previstas  no  caput  seriam  aquelas  cobradas  isoladamente  ou  em  conjunto  com  o  tributo devido”;  d) “ou seja, a única previsão de multa isolada prevista no art.44  da Lei nº 9.430, de 1996, passou a ser aquela que estabelecia a  aplicação  de  um  percentual  de  50%  e  não  mais  de  75%”,  constatação  que  ainda  é  mais  evidente  se  considerado  que  a  única menção que a Lei nº 11.051, de 2004, faz à Lei nº 9.430, de  1996, refere­se à multa prevista no inciso II do art.44 da Lei nº  9.430, que, com a edição da MP nº 303, de 2006, passou a ser de  apenas 50%”;  e)  “ocorre  que  apesar  de  a  MP  nº  303,  de  2006,  ter  sido  publicada  após  a  ocorrência  do  fato  gerador  dos  tributos  indevidamente  compensados  ou  da  apresentação  da  Dcomp,  o  art. 106, I, alínea “c”, do CTN, impõe a aplicação retroativa de  lei que comine penalidade menos gravosa ao contribuinte”.  10 O  interessado  encerra  a  impugnação,  pedindo que  “o  Auto  seja considerado totalmente improcedente”.  11 Com a impugnação, vieram os documentos de fls.58/284.  12 Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.292/322, e  a cópia do acórdão nº 42.582, de 30.11.2011, também proferido  nesta Turma (fls.323/333)."      A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a  impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada:    “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  NÃO DECLARADA.  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA     6 É devida a multa isolada se a compensação foi considerada não  declarada.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.”    Cientificada,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário,  repisando  as  alegações  apresentadas na impugnação.     É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    O  recurso  é  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido.  Observando  o  auto  de  infração  verifica­se  que  a  exigência  decorre  de  despacho decisório que considerou não declarada as Dcomps 08872.03105.190905.1.3.045694,  08018.13242.141005.1.3.041658  e  09024.78752.101105.1.3.041220.  A  Recorrente  alega  a  exigência  em  duplicidade,  pois,  a  mesma  multa  também  foi  exigida  na  dcomp  15875.80832.180106.1.3.040962,  que  também  foi  considerada  não  declarada.  Prossegue  a  recorrente  argumentando  que  o  débito  compensado  nas  duas  declarações  são  equivalentes.  Mas, para o deslinde da questão é necessário esclarecer, que o crédito registrados nas Dcomps  em  discussão  advém  de  processos  diversos.  As  primeiras  Dcomps  tiveram  os  créditos  controlados  no  Processo Administrativo  nº  10768.005773/2005­87  e  na  Dcomp  trazida  pela  recorrente os créditos tiveram origem no Processo Administrativo nº 10070.001246/2005­41.  Realmente,  observando  as  declarações  de  compensação,  constata­se  que  os  débitos  informados  são  idênticos,  entretanto,  a  previsão  legal  que  define  a  multa,  por  declaração  considerada  não  declarada,  não  faz  nenhuma  ressalva  quanto  a  existência  de  declarações apresentadas com o mesmo débito compensado. Para que a multa seja aplicada a  única  premissa  legal  é  a  existência  de  compensação  considerada  não  declarada.  Assim,  entendo, que a multa deverá ser exigida, independente da existência de declarações que tratem  dos mesmos débitos, visto que a penalidade incide na declaração considerada não declarada.  Quanto  a  alegação  que  a multa  não  poderia  ser  exigida  concomitantemente  com  a  multa  de  ofício.  Também  nesta  matéria  não  assiste  melhor  sorte  a  recorrente.  A  exigência  dos  tributos  compensados,  com  ou  sem  a  exigência  de  multa  de  ofício,  em  nada  interfere  na  exigência  da multa  por  compensação  considerada  não  declarada. A  legislação  é  cristalina  ao  determinar  a  aplicação  da  multa,  bastando  somente  para  sua  configuração,  a  existência  do  despacho  considerando  a  compensação  não  declarada,  não  fazendo  nenhuma  vinculação a exigência dos tributos.   Por fim, o contribuinte alega o não cabimento da multa por ofensa aos art. 97,  V e art. 113 do CTN.     “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11052.000342/2010­11  Acórdão n.º 3201­001.786  S3­C2T1  Fl. 433          7 ...  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;    .....    Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.”    A suposta irregularidade, alegada pela recorrente, reside no argumento que a  multa isolada somente poderia ser exigida por descumprimento de obrigação acessória e o caso  dos autos é de não compensação de débitos, o que seria descumprimento de obrigação principal  e não acessória.  Entendo  não  assistir  razão  ao  recurso,  a multa  em  discussão  nos  autos  foi  definida  por  lei,  atendendo  o  requisito  previsto  no  art.  97,  V  do  CTN.  Independente  da  obrigação tributária ser principal ou acessória, a Lei determinou a cobrança da multa de 75%  quando a declaração é considerada não declarada.   Diante de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de negar  provimento  ao  recurso  voluntário.       Winderley Morais Pereira                               Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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