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Numero do processo: 19991.000435/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS FÁTICOS ADMITIDOS PELA DRF/ORIGEM, PELA DRJ. NULIDADE.
Não havendo motivação e sequer justificativa fática para a alterações de valores constantes no julgamento da DRF/Origem, não pode a DRJ, mesmo julgando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, alterar desfavoravelmente valores reconhecidos anteriormente pelas próprias autoridades fazendárias, devendo-se, portanto, reconhecer a nulidade da Decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusuive, determinando o retorno à DRJ para prolação de novo acórdão.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS FÁTICOS ADMITIDOS PELA DRF/ORIGEM, PELA DRJ. NULIDADE. Não havendo motivação e sequer justificativa fática para a alterações de valores constantes no julgamento da DRF/Origem, não pode a DRJ, mesmo julgando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, alterar desfavoravelmente valores reconhecidos anteriormente pelas próprias autoridades fazendárias, devendose, portanto, reconhecer a nulidade da Decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusuive, determinando o retorno à DRJ para prolação de novo acórdão. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 04 35 /2 00 8- 22 Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS nãocumulativo, exportação, relativo ao 4 trimestre de 2005, seguido de apresentação de DCOMP, objetivando a compensação dos débitos declarados pelo contribuinte com o crédito ora perseguido. A DRF/Poços de Caldas expediu decisão em que homologa apenas parcialmente o crédito no valor de R$ 8.682,52 e homologa as compensações até o limite do crédito reconhecido. Decidiu a DRJ que tem razão a autoridade administrativa no tocante à afirmação de que no cálculo do percentual de rateio proporcional não se pode incluir as receitas de exportação registradas no código CFOP 7501 (exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação), visto que tais aquisições não foram gravadas da contribuição, não se encontrando lançadas na linha 01 da Ficha 6 da DACON. Assim, considerando a relação de exportação apresentada pela Recorrente, o percentual de rateio proporcional passa a ser o seguinte: OUT/2005 79,29% NOV/2005 85,65% DEZ/2005 64,45% Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 19991.000435/200822 Acórdão n.º 3403003.345 S3C4T3 Fl. 7 3 A Decisão afastou a glosa de créditos de mercadorias adquiridas reputando que elas foram recebidas e vendidas pela Recorrente, o que faz com que ela tenha direito aos créditos pleiteados. A Decisão também afastou a glosa do crédito relativo às aquisições efetuadas de cooperativas, visto que elas passaram a estar sujeitas regularmente ao PIS, outorgando o crédito básico. De acordo com a Decisão, a previsão contida no inciso III, do parágrafo 1 do artigo 8 da Lei 10.925/2004, não se aplica ao caso em análise, visto que o crédito originase das aquisições para revenda e não para utilização como insumo na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, de modo que a cooperativa não pode usufruir de tal benefício. Relativamente aos pagamentos efetuados a corretoras de mercadorias, a Recorrente alega que destinaramse a aquisições de insumos e bens para revenda, não trazendo, no entanto, nenhum elemento suficiente a comprovar tal alegação, vez que não apresenta as notas fiscais referentes às citadas aquisições, de modo que a glosa deve permanecer. No tocante ao crédito presumido, a DRJ decidiu que o parágrafo 10 , do artigo 25 da Lei n 10.684/2003 instituiu o referido benefício, o qual foi alterado pelo artigo 8 da Lei n 10.925/2004, que em seu parágrafo 6 , relativamente ao café, definiu o que se entende por produção, descrevendo uma série de atividades cumulativas para que o contribuinte faça jus ao benefício. E a Decisão arremata que para ter direito ao benefício a empresa precisa ela própria produzir o café que revende, considerando a realização cumulativa das atividades constantes no parágrafo 6 , motivo pelo qual a Recorrente não poderia reivindicar o crédito presumido para a agroindústria. Assim, a Decisão refaz a ficha 06 da DACON para os meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 2005, apontando como créditos apurados no trimestre o valor de R$ 51.202,76 decorrentes de receita no mercado interno, e de R$ 174.382,24 decorrentes de receita no mercado externo. A Decisão ressalva, ainda, que o crédito relativo à receita no mercado interno só pode ser usado para desconto da contribuição apurada no período, podendo o saldo ser aproveitado em períodos subsequentes. E quanto a aplicação da multa de mora e da taxa SELIC, a Decisão registra que foram cobrados com base no artigo 61 e seus parágrafos da Lei n 9.430/1996. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações contidas em sua Manifestação de Inconformidade, mas acrescente relevantes pontos a seguir descritos. Defende a Recorrente que a decisão seria nula, uma vez que houve redução do crédito relativo ao mercado externo de dezembro de 2005 sem nenhuma justificativa. E essa redução se deu em relação à Decisão da DRF que havia apontado um valor de R$ 3.600.907,20 para R$ 1.976.528,62. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Segundo a Recorrente tal Decisão teria incorrido em nulidade por reduzir o crédito anteriormente reconhecido, sem nenhum fundamento, e sem, ao menos, garantir à Recorrente o direito à manifestação, com base no artigo 18 do Decreto n 70.235/1972, Ainda, de acordo com a Recorrente, haveria cerceamento ao direito de defesa em razão da omissão da autoridade julgadora em se manifestar sobre seu pedido de diligência. A Recorrente reforça ainda que efetuou o pagamento de aquisição de café junto a corretoras, juntando documentos que comprovariam os pagamentos em quantias relevantes por ela feito relativos à compra de café. Ressalta que ainda que a DRJ tenha afastado a glosa em relação à suposta inidoneidade de determinados fornecedores da Recorrente, foi mantida a glosa dos valores referentes aos pagamentos efetuados às empresas OUTSPAN BRASIL E SERTRADING COMÉRCIO, relativamente às notas fiscais 1131, 1132, 1204 e 119, sendo que tais operações foram devidamente comprovadas e contaram com pagamento por parte da Recorrente. A Recorrente ainda advoga que faria jus ao crédito presumido por manter produção terceirizada, em que adquire o café e o encaminha para beneficiamento pelo ARMAZÉNS GERAIS SUL MINEIRO. Importante ressaltar que após a expedição do Acórdão n 09.24.125 (fls. 1284), com a intimação ao Recorrente, a Autoridade Fazendária proferiu um novo Acórdão alegando que foi omissa em relação à Decisão anterior, abrindo prazo para que a Recorrente apresentasse um novo Recurso Voluntário (fls. 1369), em que ela, basicamente, repisou toda a sua argumentação quando do primeiro Recurso Voluntário. Este 2 Recurso Voluntário foi alçado ao CARF, que anulou, por conseguinte, o 2 Acórdão, determinando a validade do primeiro julgamento proferido e a intimação da Recorrente, reabrindo o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, substituir ou produzir acréscimos à sua peça recursal. Portanto, o que está prestes a ser julgado é a única Decisão, até então, válida no presente processo, que consiste justamente no denominado primeiro acórdão sob o n 09 24.125, contra o qual a Recorrente apresentou em seguida, tempestivamente, Recurso Voluntário, devidamente relatado acima. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Inicialmente, abordando as preliminares abordadas pela Recorrente, afasto a alegação de nulidade da decisão por cerceamento ao direito de defesa fundamentada na ausência de disposição acerca do pedido de diligência formulado pela Recorrente. Isso porque, a ausência de manifestação, pela autoridade Julgadora, nesse tipo de processo, em que o ônus da prova cabe ao Recorrente, não induz a anulabilidade e Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 19991.000435/200822 Acórdão n.º 3403003.345 S3C4T3 Fl. 8 5 sequer nulidade, eis que as provas devem ser produzidas pela Recorrente, cabendolhe o dever de provar o quanto alegado em seu pedido. A realização ou não de diligência é ato que fica ao critério da autoridade julgadora, não estando adstrita ao reclamo da Recorrente, que, de antemão, deve produzir toda a prova documental de seu crédito. Por outro lado, a Recorrente aponta que o Acórdão, em relação ao mês de Dezembro de 2005 reduziu os valores que haviam sido reconhecidos pela DRF Origem relativamente às receitas no mercado externo de R$ 3.600.907,20 para R$ 1.976.528,62, mesmo tendo julgado parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. E tal redução se deu sem nenhuma justificativa constante na Decisão ou, ainda, sem que a Recorrente tenha formulado pedido expresso em seu desfavor, o que, em meu pensar, constitui verdadeiro cerceamento ao direito de defesa da Recorrente maculando todo o Acórdão proferido. Como se tal não bastasse, nos termos do Recurso Voluntário, ao que tudo indica, apesar de ter afastado a glosa sobre notas fiscais supostamente consideradas não inidôneas, a Recorrente alega que a Decisão passou ao largo de notas fiscais emitidas pela empresa Outspan Brasil e Sertrading, o que, de fato, poderia ser retificado por este CARF, mas indica claramente que a Decisão está marcada por equívocos, tanto que chegou a ser retificada pela Autoridade Julgadora, como se tal fosse possível, o que gerou a prática de inúmeros outros atos processuais. Assim, diante da ausência de clareza de tal reforma na decisão da DRF/Origem, pela DRJ, em prejuízo à Recorrente, sem qualquer tipo de motivação ou justificativa fáticojurídica, me parece que a melhor medida a ser adotada no presente processo é efetivamente a anulação da Decisão proferida pela DRJ e a anulação de todos os atos posteriores, viciados pela Decisão. Desta feita, a autoridade julgadora deverá proferir novo Julgamento, devidamente fundamentado, tendo a oportunidade de corrigir os equívocos cometidos, de modo que o processo possa seguir o seu curso regular. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade apontada, determinando a anulação do Acórdão 0924.125 e de todos os atos praticados posteriormente. É como voto. (assinado eletronicamente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13971.001667/2002-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
INCENTIVOS FISCAIS. OPÇÃO FEITA EM DECLARAÇÃO ORIGINAL. NÃO PERDE O DIREITO À OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS, O CONTRIBUINTE QUE APRESENTA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.
Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva com a opção pelo incentivo tenha sido apresentada no exercício respectivo
Numero da decisão: 9101-002.018
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 INCENTIVOS FISCAIS. OPÇÃO FEITA EM DECLARAÇÃO ORIGINAL. NÃO PERDE O DIREITO À OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS, O CONTRIBUINTE QUE APRESENTA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva com a opção pelo incentivo tenha sido apresentada no exercício respectivo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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OPÇÃO FEITA EM DECLARAÇÃO ORIGINAL. NÃO PERDE O DIREITO À OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS, O CONTRIBUINTE QUE APRESENTA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva com a opção pelo incentivo tenha sido apresentada no exercício respectivo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 67 /2 00 2- 64 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 72/75) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cuida o presente processo de inconformidade com o indeferimento, por meio do Despacho Decisório de fls. 39/42, do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, fls. 01 e 04, relativo às opções por investimento no FINOR e FINAM constante da DIPJ/1999 (ND 1175858), retificadora, apresentada em 24/04/2001, fl. 14. O indeferimento foi motivado pela entrega de declaração retificadora após o término do exercício de competência e com valores referentes às aplicações diferentes daqueles informados na original. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180300.422 de fls. 68/70 proferido pelos membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, os quais, por unanimidade de votos, deram provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS COM REDUÇÃO DE VALORES. Não perde o direito opção pela aplicação em incentivos fiscais no FINOR e no FINAM o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual originais, desde que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivo transcritos na retificadora.” Foi consignado no voto condutor do acórdão recorrido que, no caso, a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais foi feita tempestivamente, por ocasião da entrega da declaração de rendimentos e que apesar da apresentação de declaração retificadora, esta não pode ser compreendida como retratação ou alteração da opção anteriormente exercida, isto porque a retificadora tem a mesma natureza da declaração retificada, substituindoa integralmente, conforme artigo 19 da Medida Provisória 199026 de 14/12/1999, sucessivamente reeditada até a Medida Provisória 2.18949, de 23/8/2001. Além disso, suscitou o artigo 4º da lei 9.532/97, que teve vigência até 24/08/00, o qual dispõe que a opção pelo incentivo é irretratável. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13971.001667/200264 Acórdão n.º 9101002.018 CSRFT1 Fl. 187 3 E, nesse contexto, concluiu no sentido de que foi equivocado o fundamento que sustentou o indeferimento do incentivo, qual seja o Ato Declaratório Normativo CST 26/1985, pois este não poderia restringir o prazo para a retificação da opção pela aplicação incentivada. A Fazenda Nacional afirmou a existência de divergência jurisprudencial quanto ao entendimento do acórdão recorrido e trouxe como paradigma o acórdão 10809.111, cuja ementa segue transcrita: "INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA, COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. PAF — REVISÃO DA NEGATIVA DO DIREITO A FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL — 0 despacho do PERC só será favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da OEA, caso este contribuinte esteja com situação regular perante a SRF, isto é, se estiver em condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa nos termos da IN n. 93, de 26/1/93, na data do despacho". (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n. 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PERC. Tratando de incentivo fiscal, cabe ao próprio concedente estabelecer as regras pertinentes ao procedimento". Em suas razões recursais afirmou que não há que se reconhecer o direito à opção para aplicação em incentivos fiscais à pessoa jurídica que apresenta declaração retificadora fora do exercício de competência, ainda que conste imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente e mesmo que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício correlato. Afirmou que, no caso, houve, entre a declaração original e a retificadora, alteração dos valores a serem aplicados nos mencionados incentivos, já que os valores dos incentivos transcritos na retificadora, apresentada fora do exercício competente, ficaram reduzidos em relação aos constantes na declaração original, em evidente afronta às determinações existentes no que tange às regras para usufruir dos incentivos fiscais disponibilizados aos contribuintes. Com efeito, considerando o efetivo descumprimento das regras para opção pela aplicação nos incentivos fiscais FINOR e FINAN, constante de diversos normativos Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 expedidos pela Administração Tributária, necessária se mostra a reforma do acórdão em tela no sentido de vedar a opção irregular do contribuinte. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 82/85) foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 88/90 alegando, preliminarmente, ausência de divergência jurisprudencial, pois o principal argumento que norteou o acórdão recorrido (Art. 19 da Medida Provisória 2.18949 de 23.08.2001, segundo o qual a retificação de declaração terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, e o disposto no Art. 4° da Lei 9.532 de 1997 segundo o qual a opção por aplicação do imposto em investimentos regionais é irretratável e inalterável) não foi o mesmo que norteou o acórdão paradigma. No mérito, afirmou ser acertado o acórdão recorrido, uma vez que a retificadora, mesmo apresentada após o exercício, não é capaz de restringir o direito do Contribuinte pela opção ao investimento regional. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão cingese à análise da possibilidade de opção dos incentivos FINOR e FINAM constante da DIPJ/1999, cuja retificadora foi apresentada em 24/04/2001. Dispunha o artigo 4º da lei 9.532/97 (que vigorou até 20/08/2000) “Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada.” De acordo com o dispositivo legal transcrito, a pessoa jurídica deveria exercer sua opção para aplicação em incentivos fiscais na declaração de rendimentos, mediante a indicação do fundo em que pretendia investir. E, realizada a opção, esta seria irretratável, ou seja, não poderia sofrer qualquer influência com a apresentação de Declaração retificadora. Nesse ponto, cumpre lembrar o que dispunha o ato normativo CST 26/85, que fundamentou o indeferimento do incentivo: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13971.001667/200264 Acórdão n.º 9101002.018 CSRFT1 Fl. 188 5 “1. Não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais especificados nos artigos 503 a 510 do RIR/80, a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente.” Da simples leitura do ato transcrito, extraise que este não se presta a justificar o indeferimento, isto porque, o ato declaratório pressupõe a opção pelo incentivo em declaração entregue fora do prazo ou declaração retificadora, o que não é o caso dos autos, em que a opção foi exercida na declaração original entregue dentro do prazo previsto em lei. Vejase que a única possibilidade de aplicação do ato declaratório acima, se daria caso o contribuinte não tivesse feito a opção pela aplicação no incentivo fiscal na declaração original entregue dentro do prazo regulamentar e, resolvesse utilizarse do incentivo por ocasião da entrega da declaração retificadora fora do exercício de competência, o que não é o caso dos presentes autos. Cumpre, ainda, observar que não existe dispositivo legal que estabeleça que a retificação da declaração faz com que a pessoa jurídica perca o direito à opção formalizada na declaração originária. E, relativamente à natureza da Declaração retificadora, temos a Medida Provisória 2.18949 de 23 de agosto de 2001: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Assim, o caso dos autos, não permite a aplicação do ato normativo CST 26/85, pois a declaração original foi apresentada tempestivamente. Outrossim, a alteração do valor da aplicação foi no sentido de reduzir o investimento, não representando alteração da opção. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: “OPÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS (FINOR) — RETIFICAÇÃO DA DIPJ — AD(N) SRF/COSIT 26/85 E PARECER COSIT 31/02 INDEFERIMENTO — IMPROCEDÊNCIA — A retificação de DIPJ realizada em outro exercício não obsta o direito à fruição de Incentivo fiscal oportunamente feito na DIPJ primitivamente entregue pelo contribuinte, sendo inaplicável à espécie, pois, as diretrizes do AD(N) SRF/COSIT 26/85.” (Processo 13973.000153/0084. Ac 10708823) “IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — ALTERAÇÃO DE VALORES — Não perde o direito à opção pela aplicação em Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 incentivos fiscais no FINOR, o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a título de imposto e parte a título de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser considerada uma aplicação com recursos próprios.” (Processo 16327.002422/200247. Ac 10195794) Diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 16682.720467/2013-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Esteve presente ao julgamento o Dr. Oscar Sant Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 46 7/ 20 13 -1 9 Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 10 ___________ RELATÓRIO Esta lide tratase de impugnação ao Auto de Infração de COFINS e de PIS referente ao período março a dezembro de 2008, no valor total R$ 45.073.732,43 (incluso multa de oficio de 75% e juros), para COFINS no valor de R$ 9.785.744,53 (incluso multa de 75% de oficio e juros) para o PIS, fls. 1797 a 1821 e seguintes. Autos de Infrações lavrados por insuficiência de recolhimento das contribuições sociais conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 1759 a 1789), onde argumentou: As respostas as intimações foram realizadas por cartasresposta explicativa, que considerou a receita da atividade empresarial, os valores das receitas contratuais apropriados nas contas contábeis 511550003 recuperações propaganda cadastro, 51150007 propagandas cartas, 52010001Descontos Incondicional Baixa de Preço, 52010015 Desconto Incondicional Quebra, 61030001 Descontos Obtidos fornecedores/outro (explicações da empresa e lançamentos contábeis crédito de propaganda e débito de despesas préoperacionais sintetizados no relatório às fls. 1763 a 1781: PROPAGANDACADASTRO com as despesas com propaganda não ocorre propriamente rateio, mas aplicação de percentual fixo de 1% descontado do pagamento dos fornecedores; PROPAGANDACARTAS apresentou parte dos documentos e não respondeu integralmente à intimação; DESCONTO INCONDICIONAL BAIXA DE PREÇO justificou como descontos financeiros em operações já efetivadas junto a seus fornecedores / abatimento nas faturas relativas a operações subsequentes descontos negociados com clientes por email ou até contato telefônico – anexou alguns a título exemplificativo; DEMAIS CONTAS DE DESCONTOS INCONDICIONAIS / QUEBRA e OBTIDOS FORNECEDORES/OUTRO – os de quebra são descontos para suportar eventuais perdas/danos, ressarcidos por meio de descontos financeiros, abatidos das faturas, por conveniência dos fornecedores, e a outra conta se refere a ganhos financeiros decorrentes de antecipação de duplicatas, e reembolsos de sua controlada B2W. Em geral, não apresentou os contratos referentes aos acordos, tratando deles a título exemplificativo, mas apresentou contratos padrões de rateio e de campanha publicitária e de bonificações, entre outros; Os fornecedores pagam para a fiscalizada uma remuneração para que os produtos ou mercadorias apareçam em anúncios publicitários; A fiscalizada tenciona parecer que esses valores referem se a uma recuperação de custos ou despesas, essa cobrança não corresponde a custos de confecção do material, vez que os valores são pagos pelos fornecedores, tendo como base de cálculo, percentuais sobre o volume das notas fiscais emitidas a fiscalizada. A requerente informa ainda, que tem natureza credora sobre a conta 51150007 – Propaganda cartas onde se registra gastos com contratação de serviços de propaganda e marketing, junto aos fornecedores, mas não se apresentou nenhum demonstrativo de rateio dessas despesas. Alega também que os registros contábeis efetuados em Descontos Incondicionais são mercadorias bonificadas pelos fornecedores; Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 11 3 Desconto Incondicional Baixa de Preço, remuneração cobrada do fornecedor pela “garantia de escoamento da produção do fornecedor, bem como a possibilidade de proporcionar um crescimento das vendas dos mesmos”; Havendo ou não avarias nas mercadorias nas dependências da empresa, será cobrado do fornecedor o desconto registrado como Desconto Incondicional Quebra; Embora não ocorram avarias em todos os produtos dos fornecedores, eles continuam a efetuar esse pagamento a contribuinte, por força de acordo comercial; A fiscalizada tenta caracterizar recuperação dos custos dos descontos contratados sob as avarias, fato este que não procede; Informa, também, que os créditos a títulos de Descontos Obtidos Fornecedores/Outro são referentes de antecipação de duplicatas junto a fornecedores, títulos de reembolso de despesas financeiras com sua controlada B2W, acordo comercial de desconto financeiro por antecipação de pagamento em 11.98%, concedido por um fornecedor; Se tais descontos apresentam como redução no custo aquisitivo das mercadorias as notas fiscais apresentariam tal situação; No caso não temos redução no preço da mercadoria e sim no valor a ser pago posteriormente, colocando por terra o passivo por valor menor que o da dívida original sem extinção do ativo, teremos uma receita realizada; Todo o valor cobrado não tem documentação fiscal, mas são recebidos em carteira através de boleto/cobrança bancária ou desconto no pagamento; É dado ao fornecedor a possibilidade de efetuar o pagamento através das chamadas bonificações. A Recorrente apresenta impugnação após ser cientificada fls. 1.797 alegando (fls. 1871 a 1901): A impugnante não deixou de apresentar as receitas da tributação. Foram usados dois critérios pela fiscalização 1 utilizar todo saldo credor contábil como receita e 2 presumir que a receita é operacional e tributável, implicam em nulidade do lançamento de oficio; Uma vez que a autoridade lançadora não descreve o que pretende, ou pela falta de determinação da matéria tributável, de forma liquida e certa, o lançamento de oficio encontrase com vícios, o que leva a anulação do ato; Deixa de oferecer, a impugnante, a tributação suposta receitas sem identificação de sua origem sendo elas meras diferenças aritméticas; Saldo contábil credor não representa incidência tributária; Não há como ter lançamento contábil em controle de custos sem prova de que se recebeu, auferiu, arrecadou, etc. quantia não oferecida a tributação; Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 12 4 O lançamento não apresenta liquidez e certeza exigidos pelo CTN no artigo 142 e Decreto 70.235/72, artigo 10 e 59, inciso II, com a violação aos Princípios da Ampla Defesa e do contraditório, pilares do processo administrativo tributário; Conforme análise dos itens acima concluise pela decretação de nulidade absoluta do procedimento fiscal, com anulação dos atos que lhe dão causa; Independentemente do tipo de veiculação de propaganda a impugnante recupera parte e não a totalidade de suas despesas, inegável a receita e oferecimento a tributação; A impugnante concorda com os valores de registro nas contas de recuperação de PropagandaCadastro e PropagandaCarta, mas não concorda com os critérios da apuração adotado pela autoridade lançadora e nem valores apurados, eis que encontramse materialmente incorretos; Apresentamse demonstrativos de apuração dos valores recuperados com as despesas de propaganda onde identificase matéria tributável e está o ônus do fisco de provar a veracidade dos fatos; Na linha “ Total Demais Receitas” o valor é a base de cálculo da DACON Ficha 17 B, linha 02 no período de março a dezembro de 2008; Anexa planilhas com discriminação os valores da memória de cálculo do PIS e da COFINS e a conciliação dos valores tributados e contabilizados; Abrangendo as demais contas, e sob a argumentação de renegociação de faturas ou a novação de obrigações, implica em percepção de receita tributável ao PIS/PASEP e COFINS, segunda pretensão fiscal; Em nenhuma das quatro contas restantes, não há que se falar em auferimento de receita, mas em novação ou renegociação das obrigações fato que não se encontra na hipótese de incidência tributária das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS; Houve equivoco conceitual nos lançamentos referentes a renegociação de obrigações em receitas, motivado pela base tributária apurada nnos lançamentos no valor de R$ 270.000.000,00 em receitas não oferecidas a tributação; A impugnante não está recebendo quantia nova mas deixando de pagar as obrigações em razão da novação, renegociação ou mesmo perdão parcial das obrigações mas sim redução do endividamento e das obrigações a serem pagas aos fornecedores; As pretensas receitas apuradas pela autoridade lançadora, possuem natureza financeira enquanto representativas de outros resultados operacionais; Com o Decreto n 5.442/2005, as receitas auferidas pela pessoa jurídica tributada pela contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS com base em regime nãocumulativo são tributáveis em alíquota zero. Cita, a impugnante, legislação, doutrinas e jurisprudências. Requer a inconformada: Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 13 5 Anulação dos lançamentos relativos a contribuição para o financiamento na Seguridade Nacional – COFINS, Seja julgado improcedente os lançamentos, o cancelamento dos créditos tributários de contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, referente ao ano calendário 2008, multas de lançamento de oficio de 75% e juros; Protesta pela posterior juntada de documentos. Segundo a DRJ (fls. 1963 a 1976), a contribuinte revelase contra o Auto de Infração de COFINS (e de PIS), que constituem crédito tributário com multa de oficio. Relata o julgador que em preliminar alegase que a matéria tributável não se encontra precisa, liquida e certa, o lançamento de oficio contem vicio implicando sua nulidade por cerceamento de defesa. No mérito alega valores registrados nas contas contábeis, 51150003, 51150007, representam recuperação de custo, ingresso/arrecadação de recursos no seu patrimônio, não concordando com os critérios de apuração nem com os valores apurados, encontrandose materialmente incorretos. As contas 52010001, 52010012, 52010015 e 61030001, diz não auferir receita mas sim novação ou renegociação de obrigações fato este, que não está na hipótese de incidência tributária das contribuições de PIS/PASEP e COFINS. As receitas contábeis, apuradas nas contas, são de natureza financeira enquanto representativas de outro resultado operacional, com a publicação do Decreto n 5.442/05 as receitas auferidas por pessoa jurídica tributada pelo PIS/PASEP e COFINS terão alíquota zero, se no regime da nãocumulatividade. Alega a contribuinte, e, preliminar, cerceamento de defesa, pois o auto de infração não teria descrito a matéria tributável de forma precisa, liquida e certa. Segundo a DRJ não assiste razão a impugnante, vez que a Fiscalização claramente apontou as contas na contabilidade da contribuinte onde, a seu ver, estariam registradas receitas que não foram incluídas nas bases de cálculo das Contribuições. Solicitou mediante Termos de Intimação explicações sobre as referidas contas e, na sequência, apurou matéria tributável. A própria Recorrente produziu prova robusta e precisa para cada receita incluída na base de cálculo. Quanto ao Mérito, assim decidiu a DRJ (fls. 1971 a 1976) A – contas 51150003 e 51150007 A contribuinte, ao ser citada para a apresentação de documentação fiscal, das contas PropagandaCadastro e PropagandaCartas, afirma que as contas são de natureza credora. Admite a impugnante, na sua contestação, que os valores representam receita mas não concorda com os critérios de apuração e nem com os valores apurados. No entanto, em relação à conta 51150007 PropagandaCartas, a Impugnante não apresentou nenhum critério com base em custos incorridos para cobrar dos seus fornecedores os valores exigidos a fim de caracterizálos como recuperação de gasto. Com relação a PropagandaCadastro (conta 51150003) há um percentual que incide sobre o faturamento dos fornecedores sem que houvesse correlação entre o valor exigido e os gastos com a divulgação dos produtos no interior da loja. Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 14 6 Não há prova que tais receitas tenham sido, tributadas ou declaradas. O critério utilizado, pela fiscalização, foi o de incluir o valor total de cada conta, em cada mês, nas bases de cálculo dos tributos respectivos, pois a Impugnante não se desincumbiu de tal prova. A impugnante reconhece a natureza tributável nas contas citadas, mas que teriam sido já tributados. Alega a impugnante que os valores do item “Demais Receitas” do Dacon, fls. 1884, foram tributadas espontaneamente, mas não há valor relacionado entre as contas mencionadas e os valores registrados. Ademais alega a contribuinte, que os valores registrados no DACON nº estão discriminados por conta contábil, fls.305/313”, na lista de contas não estão inclusas as duas, 51150003 e 51150007, mesmo tendo uma linha grupo propaganda sem especificação por contas e com valores incompatíveis com as duas contas em questão. A DRJ conclui que não assistiria razão à Impugnante nesse ponto. B – contas 52010001, 52010012, 52010015 e 61030001 A contribuinte afirma que as contas 52010001,52010012, 52010015 e 61030001, tem valores registrados que resultam em novação e depois afirma que são receitas financeiras não sendo tributáveis em nenhuma das razões mencionadas. A argumentação sobre novação foi apenas e tão somente discorrer sobre o instituto e, a nova obrigação contraída se fez sem anexar documentos para amparar acordo entre as partes. Houve carência de prova, por parte da contribuinte, para sustentação de sua tese, além de acrescer nova tese a da novação, também sem provar. Levandose em conta os registros contábeis e as explicações da auditoria fiscal, verificase que as contas mencionadas (52010001,52010012, 52010015 e 61030001) são receitas passíveis de tributação pelas contribuições ao PIS e da COFINS. A contribuinte admite registros a credito na rubrica contábil, “Desconto Incondicional – Baixa de Preço”, são decorrentes de “operações já efetivadas junto a seus fornecedores”. Esta conta é de natureza credora para isso representa receita tributável de PIS e COFINS, vez que a receita independente de sua denominação ou classificação contábil para ser inclusa na base de cálculo da contribuição. Não integram a base de cálculos dos tributos os descontos incondicionais concedidos, mas o caso não trata nem de descontos concedidos nem de descontos incondicionais. Neste caso representam descontos condicionais obtidos em benefício do contribuinte, após efetivação da venda. Esta característica encontrase em todas as contas listadas. O registro contábil efetuado a crédito na rubrica contábil nº 52010015, representam valores tributáveis, portanto são valores auferidos e pertencentes ao potencial domínio da tributação de PIS e COFINS. Os valores da conta n 61030001 – Desconto obtidos Fornecedores/Outros, são valores obtidos após a venda efetivada, para tanto depende de evento posterior, antecipação de Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 15 7 duplicatas, assim são receitas auferidas e pertencentes, ao domínio da tributação do PIS e da COFINS. Não há que se falar em novação em nenhum dos casos apresentados, para tanto não se fala em autorização de exclusão das receitas das bases de cálculos das contribuições de PIS e COFINS. Por ser desconto condicionado, obtidos através de fornecedores, representando ganhos extras de recitas, internas ao campo de incidência das contribuições, conformidade as leis n 10.637/02 e 10.833/03. No entanto, o segundo argumento da Impugnante, de que tais receitas qualificamse como financeiras e, assim, são tributáveis com alíquota zero contemplase como válido pela legislação. A própria fiscalização transcreve a pergunta nº 139 do “Perguntas e Respostas – Pessoa Jurídica”. Dessa forma, a DRJ julgou procedente em parte a Impugnação, entendendo como receitas financeiras as referentes às contas 52010001, 52010012, 52010015 e 61030001 (todas referentes a DESCONTOS INCONDICIONAIS), o que impactou no lançamento nos montantes representados à fl. 1976, demandando reexame necessário via recurso de ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reitera os argumentos constantes na Impugnação, insistindo na nulidade do auto de infração que não teria sido devidamente fundamentado e que, portanto, implicaria nulidade absoluta. Aduz que por não descrever o que efetivamente pretende ou pela falta de determinação da matéria tributável o lançamento de ofício conteria vício insanável. Quanto ao mérito, a Recorrente estampa em seu Recurso Voluntários valores que teriam sido incluídos na DACON, alegando que tais valores fariam parte das contas Propaganda Custo e Propaganda Cadastro que demonstrariam que tais valores já teriam ingressado na apuração do PIS e da COFINS. E, por fim, a Recorrente defende a manutenção da decisão da DRJ quanto ao reexame necessário, arguindo que o desconto concedido teria natureza de receita financeira. É o Relatório. Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 16 8 VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Afasto a preliminar arguida. Não há nulidade e sequer cerceamento de defesa. A Fiscalização apontou as contas segundo as quais caracterizarseiam como receita, tendo descrito a sua classificação contábil e intimado a Recorrente para apresentar justificativas sobre a sua tributação ou não. Tratandose o Auto de Infração de exigência de PIS e COFINS no regime não cumulativo, a exigência se deu, no presente caso, sobre valores que comprovadamente não teriam sido tributos, embora enquadrados contabilmente como receita, vez que receita é a base de cálculo das Contribuições ao PIS e COFINS nesse regime. Portanto, diversamente do alegado pela Recorrente, não vejo como a Fiscalização não teria fundamentado o Auto de Infração nem apurado a matéria tributável, vez que as contas sobre as quais a Fiscalização se baseou estão devidamente evidenciadas. A prova de que a receita já havia sido tributada ou declarada compete à Recorrente, que no curso da Fiscalização não se desincumbiu de fazêla. A Fiscalização, verificando a existência de contas contábeis que não teriam sido incluídas na apuração intimou a Recorrente a apresentar o descritivo dos valores, sendo que a Recorrente não forneceu justificativa juridicamente razoável para a não tributação ou justificativa de que tais valores já teriam sido comprovadamente tributados. E a Recorrente, como apontado pela DRJ, defendeuse de cada item das contas tributadas, apresentando sua argumentação, de modo que efetivamente não houve cerceamento ao direito de defesa. Aliás, diante da preliminar da Recorrente não posso deixar de observar que ela, na realidade, acaba por alegar diversas matérias de nulidade, tais como ausência de motivação, ausência de matéria tributável, cerceamento ao direito de defesa, ausência de critério, sem, contudo, fazer a devida prova de tais argumentos que ora afasto. O mérito do Recurso Voluntário reside na tributação das contas indicadas pela letra A – contas 5115003 (propaganda cadastro) e 51150007 (propagandacartas), que, segundo a Recorrente, teriam natureza credora. Ou seja, nunca poderiam registrar uma receita, na visão da Recorrente. O simples fato de serem contas “credoras” nada reflete sobre a tributação do PIS e da COFINS, inclusive porque o lançamento de uma receita se faz mediante um Débito em conta de ativo e um Crédito em conta de receita. O registro de uma receita sempre decorre do registro de um crédito na conta. O perdão de uma dívida, por exemplo, decorre de um débito na conta de obrigações e de um crédito em conta de receita, de modo que o argumento utilizado pela Recorrente, em verdade, não lhe aproveita. Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16682.720467/201319 Resolução nº 3403000.592 S3C4T3 Fl. 17 9 Por outro lado, alegou a Recorrente que tais contas registrariam tanto valor descontado dos fornecedores relativos a serviços de comunicação, com a recuperação de gastos com a contratação de serviços de propaganda e marketing. Ora, ambas as contas, na realidade, retratam o oposto de uma despesa, seja pelo desconto de valores de fornecedores de uma despesa de comunicação, seja pela recuperação de despesa de propaganda. O oposto de uma despesa qualificase matemática e contabilmente como uma receita e justamente o porquê a conta foi qualificada como uma conta credora. Não há, pois, justificativa para a não tributação desses valores pelo PIS e COFINS, pois eles se referem a recuperações de despesas próprias da Recorrente junto aos seus clientes, consistindo, pois, em ingresso tributável pelas Contribuições ao PIS e à COFINS. A Recorrente, por sua vez, alega que tais valores já teriam sido incluídos na apuração do PIS e COFINS e reitera tal ponto em seu Recurso Voluntário, inclusive estampado sua DACON, mas a verdade é que não conseguiu demonstrar efetivamente que tais valores já teriam sido tributados. Não verifiquei nenhuma prova, muito menos um demonstrativo de apuração dos valores incluídos na DACON, que demonstrasse com clareza que os valores dessa conta já teriam sido tributados, circunstância que, de fato, colocaria por terra o Auto de Infração, fundado na exigência do PIS e da COFINS sobre tais valores. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Relativamente ao Recurso de Ofício, que se insurge contra o enquadramento dos descontos como receita financeira, entendo que a Decisão de primeira instância foi um tanto quanto econômica no tema, considerando todas as formas de descontos como receita financeira. Porém, o que se verifica nos autos, seja no Termo de Verificação Fiscal, seja na própria Decisão da DRJ, é que há diversas formas de desconto, e ainda um não enquadramento como desconto incondicional e sequer como desconto condicional, sendo que ao que parece há hipóteses de descontos concedidos em diferentes lapsos temporais, o que, em meu pensar, precisa ser melhor aclarado. Assim, fazse importante que o julgamento do Recurso de Ofício seja convertido em diligência para que a DRJ identifique claramente todas as hipóteses de descontos classificadas como receitas financeiras e as relacione, identificando suas características descritivas e agrupandoas, e intimandose a Recorrente para, se desejar, prestar esclarecimentos quanto aos descontos objeto da discussão, fazendo expressa referência aos documentos nos autos, para que o processo possa, após, retornar a julgamento pela Terceira Turma, da Quarta Câmara, da Terceira Seção do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13971.000959/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/03/2010
MULTA ISOLADA. IMPUGNAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITOS ESPECIAIS.
Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, as peças devem ser reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente.
Numero da decisão: 3201-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ e determinar a apensação deste processo ao Processo Administrativo nº 13971.003293/2009-98, a fim de que a impugnação e a manifestação de inconformidade sejam julgados simultaneamente, na forma do art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto que não anulava a decisão da DRJ.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 750 1 749 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000959/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.778 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria MULTA ISOLADA IPI Recorrente INDUSTRIAL E AGRICOLA RIO VERDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/03/2010 MULTA ISOLADA. IMPUGNAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITOS ESPECIAIS. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, as peças devem ser reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ e determinar a apensação deste processo ao Processo Administrativo nº 13971.003293/200998, a fim de que a impugnação e a manifestação de inconformidade sejam julgados simultaneamente, na forma do art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto que não anulava a decisão da DRJ. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 59 /2 01 0- 90 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Industrial e Agrícola Rio Verde Ltda., doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 1430.623, de 26/08/2010, proferido pela 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de impugnação contra a multa isolada, no montante de R$ 1.639.804,52, imputada à ora recorrente por ter informado na PER/DCOMP n° 22378.77287.281105.1.3.017403 créditos inexistentes de fato. A autuação teve como fundamento o Despacho Decisório, prolatado nos autos do processo administrativo n° 13971.003293/200998, no qual restou constatado que a empresa apresentou declaração de compensação indicando crédito inexistentes no período informado e que a informação inserida na Dcomp era inverídica. dado que o crédito informado como sendo do 4° trimestre de 2002 se referia, na verdade, a notas fiscais de 1989 a 1999. De acordo com o Termo de Verificação de Infração nº 1/10, restou constatado que as notas fiscais que davam suporte ao crédito usado para compensação na Dcomp continham a mesma data de emissão e de entrada (10/10/2002), sendo a metade proveniente de um único fornecedor, cujo sóciogerente é o atual gerente da empresa (autuada). Em procedimento de fiscalização, a análise do livro de registro de apuração do IPI demonstrou que as notas fiscais informadas com a mesma data de emissão e de entrada eram, na realidade, notas fiscais referentes a aquisições ocorridas no período compreendido entre os anos de 1989 e 1999 (mais de 5 anos anteriores ao pedido). Verificouse, ainda, que os valores totais das notas fiscais e os valores do IPI destacados nas notas de aquisição foram alterados na transcrição para a Dcomp. O fato resultou na aplicação da multa isolada, calculada à alíquota de 150%, conforme consta do Demonstrativo da Multa Isolada, anexo às fls. 488 e 194, com fundamento no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 (com suas alterações posteriores) c/c o artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pelo fato de a empresa ter promovido a extinção de débitos de forma indevida inserindo dados falsos sobre as operações realizadas no 4° trimestre de 2002, simulando a existência de créditos para o período no montante de R$ 1.556.704,69. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3201001.778 S3C2T1 Fl. 751 3 Observese que o valor de compensações não homologadas monta em R$ 1.093.203,01. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Os dispositivos legais que embasaram a presente autuação encontravamse revogados e/ou alterados quando da lavratura do presente auto de infração e não há menção aos dispositivos legais que vinculam o agravamento da multa, tornando nula a autuação, por total desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa, tendo em vista o evidente erro/ausência na fundamentação legal aplicada. O artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, restou revogado/alterado pela MP n° 351/2006, convertida na Lei n° 11.488/2007 e atualmente dispõe sobre a multa de 50% exigida isoladamente; 2. A presente autuação tem como origem a análise efetuada na Dcomp entregue em 28/11/2005 (processo administrativo n° 13971.003293/200998, no qual não houve a constituição de nenhum crédito tributário, eis que não há despacho decisório não homologando as compensações, mas apenas um relatório da auditoria fiscal. Somente após a constituição do crédito tributário é que qualquer penalidade poderia ter sido aplicada, inclusive a multa agravada. "Para exigir a presente multa, deveria a Receita Federal ter efetuado o lançamento e notificado a empresa dandolhe ciência de que não homologava a compensação informada na Perdcomp constituindo, desta forma, validamente, o crédito tributário, nos termos do caput do art. 145 do CTN"; 3. Não ocorreu fraude, equivocandose o Fisco no uso do termo. A aplicação da multa agravada supõe a inexistência de qualquer dúvida quando aos fatos, pois a lei exige que externe perante hipótese de "evidente" intuito fraudulento (ardiloso, de máfé, que veicule em engano ou busque o engodo). Se o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, agindo na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido não se trata de fraude, mas de divergência de qualificação jurídica dos fatos. A impugnante não agiu com dolo, posto que apenas utilizouse de credito que, diante do entendimento jurisprudencial e doutrinário, que (sic) seria passível de aproveitamento. O fato de ter inserido notas fiscais na declaração entregue à Receita Federal, com datas de emissão diversas das que efetivamente existentes não configura fraude, tendo em vista que tal fato ocorreu por orientação (verbal) da própria fiscalização, pois o sistema não aceitava a inclusão das reais datas, fazendo com que o contribuinte fosse obrigado a lançar datas fictícias. O fato não altera em nada a verificação dos créditos, que poderiam ser utilizados da mesma forma se tivessem sido possível (sic) lançá los em suas reais datas (1989 a 1999); Fl. 752DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 4. Ademais, todo o procedimento de apuração do crédito teve por base o processo judicial n° 2000.72.05.0008104, no qual o Tribunal Regional Federal da 4a Região concedeu à impugnante o direito ao crédito, conforme acórdão em anexo, não havendo dolo, porquanto o credito era totalmente legitimo; 5. A multa aplicada é excessivamente onerosa, devendo seu percentual ser diminuído a valores corretos e justos e não tornarse mais um empecilho na vida do contribuinte. Sendo de natureza fiscal (tributária), tem efeito de confisco, contrariando os princípios Constitucionais. No caso, a multa corresponde a grande parcelado patrimônio do contribuinte, tornando o confisco evidente. A equidade merece a consideração do direito tributário, como utilizável pela autoridade competente para aplicar a legislação, encontrando justaposição com o conceito de justiça. Com isso, temse que existem casos em que se faz necessário abrandar o texto da lei por meio da equidade, que é, a justiça amoldada à especificidade de uma situação real. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 16/03/2010 MULTA ISOLADA. INFORMAÇÃO INVERIDICA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL QUALIFICADO. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, comprovado pela inserção de informação inverídica em declarações de compensação, visando à extinção dos débitos, enseja a aplicação da multa de oficio qualificada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3201001.778 S3C2T1 Fl. 752 5 Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Por uma questão de ordem, e sem adentrar no exame dos argumentos trazidos à baila pela Recorrente, merece registro o fato de que a multa isolada aqui discutida teve origem no despacho decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, o qual foi proferido no Processo Administrativo nº 13971.003293/200998. O referido despacho decisório, por sua vez, motivou a apresentação de manifestação de inconformidade, a qual aparentemente está em vias de ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). É o que se depreende da tela do Comprot abaixo reproduzida: Dados do Processo Número : 13971.003293/200998 Data de Protocolo : 21/08/2009 Documento de Origem : SCC2237877287 Procedência : Assunto : COMPENSACAO DE TRIBUTOS FEDERAIS ASSUNTOS TRIB DIVERS Nome do Interessado : INDUSTRIAL E AGRICOLA RIO VERDE LTDA CNPJ : 86.325.339/000264 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem : SERV CONTROLE DO JULGAMENTODRJRPOSP Órgão : DEL REC FED JULGAMENTORIBEIRAO PRETOSP Movimentado em : 29/06/2012 Sequencia : 0003 RM : 12427 Situação : EM ANDAMENTO Fl. 754DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 UF : SP De acordo com o art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e a impugnação quanto ao lançamento das respectivas multas isoladas devem ser decididas simultaneamente. Confirase: Art. 18 ... ... § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Logo, percebese que o comando legal acima transcrito não foi observado no caso concreto, e, por conseguinte, configurouse um vício processual a ser sanado. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que anular a decisão da DRJ e determinar a apensação deste processo ao Processo Administrativo nº 13971.003293/200998, a fim de que a impugnação e a manifestação de inconformidade sejam julgados simultaneamente, na forma do art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 755DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000786/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1999 a 28/02/2006
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO - INAPLICABILIDADE DO PEDIDO CONSIDERANDO QUE A SUSPENSÃO É INERENTE AO PRÓPRIO PROCESSO DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO
Não há o que ser apreciado quanto a suspensão da exigibilidade, considerando que durante a fase de contencioso administrativo, encontra-se o processo suspenso, tanto em relação as obrigações acessórias como principais.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP.
PRECLUSÃO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA ÉPOCA PRÓPRIA - APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO.
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de suspensão do crédito; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral: Dr. Pedro Henrique Braz Siqueira, OAB/DF nº 37996.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1999 a 28/02/2006 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO - INAPLICABILIDADE DO PEDIDO CONSIDERANDO QUE A SUSPENSÃO É INERENTE AO PRÓPRIO PROCESSO DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Não há o que ser apreciado quanto a suspensão da exigibilidade, considerando que durante a fase de contencioso administrativo, encontra-se o processo suspenso, tanto em relação as obrigações acessórias como principais. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. PRECLUSÃO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA ÉPOCA PRÓPRIA - APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Recurso Voluntário Negado
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1999 a 28/02/2006 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO INAPLICABILIDADE DO PEDIDO CONSIDERANDO QUE A SUSPENSÃO É INERENTE AO PRÓPRIO PROCESSO DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Não há o que ser apreciado quanto a suspensão da exigibilidade, considerando que durante a fase de contencioso administrativo, encontrase o processo suspenso, tanto em relação as obrigações acessórias como principais. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 07 86 /2 00 7- 59 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA ÉPOCA PRÓPRIA APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de suspensão do crédito; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral: Dr. Pedro Henrique Braz Siqueira, OAB/DF nº 37996. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000786/200759 Acórdão n.º 2401003.788 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.012.0213 , em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como a parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados nas folhas de pagamento e GFIP. O lançamento compreende competências entre o período de 03/1999 a 02/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 56 e seguintes a empresa é filiada ao SINDEPRESTEM Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de MãodeObra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo, que impetrou os seguintes Mandados de Segurança, sendo lavradas as seguintes notificações de débito durante o mesmo procedimento fiscal: NFLD 37.012.0230 Mandado de Segurança 2000.61.00.0190872 referente ao SESC/SENAC, período de 06/2000 a 02/2006, NFLD 37.012.0248 Mandado de Segurança 2002.61.00.0068650 referente ao INCRA, período de 05/2002 a 02/2006 e NFLD 37.012.0221 Mandado de Segurança 2001.61.00.0105368 referente ao RAT, período de 09/2001 a 02/2006. O crédito foi apurado com o objetivo de evitar que os valores, que estão sendo objeto de discussão judicial, sejam atingidos pela decadência. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no 12/07/2006.. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 65 a 67, alegando unicamente: " A nulidade do lançamento, começa no fato de que houve erros no processamento das referidas folhas de pagamento, bem como das GFIPs, os quais estão sendo corrigidos pela empresa e com os quais concordam os valores lançados em sua contabilidade, que não foram verificados pela auditoria, pois alguns livros encontravamse extraviados e o último não havia sido registrado. A fiscalização deixou de esclarecer como apurou os valores levantados, impedindo a empresa de se defender adequadamente. Portanto solicita uma refiscalização da empresa para a verificação de sua contabilidade e nulidade do presente lançamento." O processo foi baixado em diligência, fls. 71, para que a autoridade fiscal se manifestasse acerca dos erros contábeis argumentados pela empresa. Em resposta a autoridade fiscal emitiu informação na qual indica que os valores lançados correspondem exatamente aos valores constantes de FOPAG e GFIP, tendo inclusive apropriado as GPS e retenções sofridas. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 78 a 83. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. NFLD. FORMALIDADES LEGAIS.GFIP A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos ern lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço artigo 30, I, alínea "b" da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 e alterações posteriores. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto artigo 33, caput, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 10.256, de 09/07/2001, e artigo 37, caput do mesmo diploma legal. A declaração de dados constantes da GFIP e do arquivo SEFIP correspondente, referentes ao FGTS e à contribuição previdenciária, instituída pela LC 110/201, eqüivale à confissão de dívida dos valores dela decorrentes e constituem créditos passíveis de execução de dívida ativa. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 89 e seguintes. Em síntese requer o recorrente: 1. Decadência parcial do crédito; 2. Inconstitucionalidade da contribuição destinada a terceiros, mais precisamente INCRA; 3. Inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE; 4. Inconstitucionalidade da taxa SELIC; 5. Diante de tudo quanto fora arrazoado e considerandose que se demonstrou à saciedade os equívocos que comprometem de forma insanável a decisão da impugnação, requerse SEJA DADO PROVIMENTO TOTAL AO PRESENTE RECURSO, para reformar a decisão atacada, anulandose o lançamento tendo em vista que a recorrida não logrou comprovar as infrações apontadas, de modo que o lançamento fica ilegal e inconstitucional. Em julgamento no ambito do CARF foi no sentido que fosse anulada a decisão de primeira instância, Acórdão 240200.948, considerando que a empresa não foi cientificada da diligência, antes da decisão de primeira instância, fls. 153 a 156. Devidamente cientificado o recorrente não se manifestou. Foi proferida nova decisão de primeira instância, declarando a improcedência da impugnação, mas excluindo do lançamento os fatos geradores até 06/2001 para o levantamento FP Empresa e até 11/2000, para o levantamento FP terceiros, fls. 168 a 179. Foi apresentado recurso, fls. 202 e seguintes, onde alega: 6. A suspensão da exigibilidade do crédito em casos de apresentação de reclamações e recursos administrativos. 7. A extinção da contribuição ao INCRA; 8. Não sujeição da requerente a contribuição ao SEBRAE; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000786/200759 Acórdão n.º 2401003.788 S2C4T1 Fl. 4 5 9. Nulidade da cobrança em razão das discussões judiciais; 10. Eventual saldo devedor decorrente das compensações apresentadas em DCTF, realizadas pelo recorrente a luz da lei 8383, são meramente declarações de compensação forma de pagamento ou declaração de quitação dos débitos mediante compensação, que se presume válida. 11. Requer seja o recurso recebido, suspendose a exigibilidade, oportunidade em que espera o provimento total, reformando a decisão recorrida, anulandose o lançamento tendo em vista que a recorrida não logrou êxito em comprovar as supostas infrações. Seja acolhido o recurso para que se determine a ilegalidade/inconstitucionalidade das contribuições para o GILRAT e destinadas a terceiros. Caso não seja dado provimento integral, espera relevação de multa e juros. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 228. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES DA SUSPENSÃO Quanto a suspensão da exigibilidade não há o que ser apreciado nessa oportunidade, considerando que durante a fase de contencioso administrativo, encontrase o processo suspenso, tanto em relação as obrigações acessórias como principais. Da mesma forma, não a o que apreciar com relação a correlação com ações judiciais em curso, tendo em vista que no lançamento não foram lançadas as contribuições objeto de ação judicial, conforme podemos identificar no próprio relatório fiscal, senão vejamos: Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 56 e seguintes a empresa é filiada ao SINDEPRESTEM Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de MãodeObra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo, que impetrou os seguintes Mandados de Segurança, sendo lavradas as seguintes notificações de débito durante o mesmo procedimento fiscal: NFLD 37.012.0230 Mandado de Segurança 2000.61.00.0190872 referente ao SESC/SENAC, período de 06/2000 a 02/2006, NFLD 37.012.0248 Mandado de Segurança 2002.61.00.0068650 referente ao INCRA, período de 05/2002 a 02/2006 e NFLD 37.012.0221 Mandado de Segurança 2001.61.00.0105368 referente ao RAT, período de 09/2001 a 02/2006. O crédito foi apurado com o objetivo de evitar que os valores, que estão sendo objeto de discussão judicial, sejam atingidos pela decadência. Com relação a decadência, não se insurgiu o recorrente expressamente acerca da decadência aplicada pelo julgador de primeira instância. Ademais, mesmo tratandose de questão de ordem pública, entendo não existir nada a ser alterado em relação a esse tema, considerando entender que o julgador analisou de forma correta a aplicação do art. 150, §4 do CTN, quando tratou de diferença de contribuições. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito o recorrente ataca várias inconstitucionalidades e ilegalidades, bem como tratarse de compensação não devidamente apropriada. Primeiramente, convém observar os termos da impugnação apresentada, que delimita a apreciação do recurso, uma vez que, salvo tratarse de matéria de ordem publica, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000786/200759 Acórdão n.º 2401003.788 S2C4T1 Fl. 5 7 ocorrerá preclusão do direito a discutir matéria não impugnada na época oportuna. Não havendo o recorrente impugnado na época oportuna a existência de compensação, ou mesmo inconstitucionalidades, não poderá fazêlo no recurso, face a preclusão. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. As alegações quanto ao valores lançados foram enfrentado no julgamento de primeira instância,não tendo o recorrente insurgidose a respeito da questão nem apresentado qualquer novo documento que demonstrasse equivoco nos valores lançados, considerando inclusive que os mesmo tomaram por base as FOPAG E GFIP do recorrente. Quanto a questão de compensação declarada em DCTF, além de não haver impugnando oportunamente, não possui o argumento correlação com o lançamento, vez que as informações de compensação (se fosse o caso), deveria constar em GFIP, razão pela qual não há o que ser apreciado a respeito. Por fim, em relação a supostas ilegalidades e inconstitucionalidades, mesmo que devidamente impugnado, não caberia a este colegiado a apreciação da questão. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os dispositivos descritos na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Mesmo considerando todo o arrazoado e indicação de jurisprudência de tribunais que tratam da matéria, não há como afastar a aplicação de lei por parte deste Órgão de Julgamento. Neste sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto a cobrança de juros SELIC, como da MULTA MORATÓRIA, seguiram a legislação previdenciária, não sendo constatado qualquer vício quanto a sua aplicação e inviável qualquer discussão respeito do tema, considerando que a matéria foi suscitada apenas na fase recursal, como acima mencionado. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da decisão proferida, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, além de não terem sido suscitados oportunamente, são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto PELO CONHECIMENTO DO RECURSO para rejeitar a preliminar de suspensão do crédito e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720120/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka - Relator
EDITADO EM: 17/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 20 /2 00 8- 19 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10640.720120/200819 Acórdão n.º 9202003.419 CSRFT2 Fl. 187 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 161/167) em face do Acórdão n° 220201.616 (efls. 149/158), que decidiu, “pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso.” O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 ... VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte.” (efl. 149) A Recorrente apontou como paradigma os Acórdãos n.os 210201.405 e 210200.609, que restaram assim ementados: Acórdão 210201.405 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ... VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10640.720120/200819 Acórdão n.º 9202003.419 CSRFT2 Fl. 188 3 O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR ABNT 146533. ... Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Processo Administrativo nº 10183.006014/200511). Acórdão 210200.609 “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 ... ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE A CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte.” (Processo Administrativo nº 10680.006851/200521). O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 178/180, não tendo sido apresentadas contrarrazões pelo contribuinte, conforme se infere da informação prestada à efl. 184. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10640.720120/200819 Acórdão n.º 9202003.419 CSRFT2 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 178/180. Conforme se extrai do recurso, enquanto o acórdão recorrido decidiu que o arbitramento do VTN pela fiscalização com base no SIPT somente deve prevalecer quando o VTNm utilizado teve por base o levantamento por aptidão agrícola, o primeiro acórdão paradigma entendeu que “podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR”. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10640.720120/200819 Acórdão n.º 9202003.419 CSRFT2 Fl. 190 5 §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10640.720120/200819 Acórdão n.º 9202003.419 CSRFT2 Fl. 191 6 Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, conforme bem observou o relator do acórdão recorrido, “o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 06, é calculado sem aptidão agrícola” (efl. 157). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 15374.963895/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 38 95 /2 00 9- 61 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 3 de abril de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 33989.95747.170507.1.3.047025 (fls. 02 a 06), transmitido em 17/05/2007 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 04/2007. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao COFINS, relativo ao período 04/2006, no valor total de R$ 444.580,03, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 255.698,39. À fl. 07 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 10/11/2009 (fl. 192), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 10 a 25), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963895/200961 Acórdão n.º 3801003.602 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10410.008073/2007-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
SEST E SENAT. FRETEIRO AUTÔNOMO.
Incide contribuição destinada a SEST e SENAT sobre a remuneração de freteiros autônomos.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF tem natureza de controle interno da atividade fiscal. Eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.800
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. SEST E SENAT. FRETEIRO AUTÔNOMO. Incide contribuição destinada a SEST e SENAT sobre a remuneração de freteiros autônomos. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF tem natureza de controle interno da atividade fiscal. Eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. SEST E SENAT. FRETEIRO AUTÔNOMO. Incide contribuição destinada a SEST e SENAT sobre a remuneração de freteiros autônomos. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 80 73 /2 00 7- 56 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF tem natureza de controle interno da atividade fiscal. Eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1122.388 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. Com base na decisão no MS n.° 97.00051471, foi excluído o levantamento "FP4 — FP RURÍCOLA NÃO GFIP". Conclusão Diante de todo exposto, voto pelo afastamento das preliminares suscitadas e, no mérito pela procedência parcial do crédito previdenciário consignado na NFLD em tela, excluindose do lançamento as rubricas "Empresa" e "SAT/RAT" constantes do Levantamento "FP4 — FP RURÍCOLA NÃO GFIP". O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O LANÇAMENTO Trata o presente processo administrativo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — N'FLD identificada pelo DEBCAD n.° 37.003.1881, a qual foi posteriormente cadastrada no sistema de protocolo da Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o número de processo constante nos dados identificadores acima. De acordo com o relatório de trabalho da auditoria fiscal, são objeto do lançamento em questão as seguintes contribuições patronais: a) para financiamento da Seguridade Social incidente sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, b) para financiamento da Seguridade Social incidente sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais, C) para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — P.AT; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 d) destinadas a outras entidades e fundos: SalárioEducação, SENAR, SEST/SENAT. Acrescenta o auditor notificante que em razão dos fatos geradores contemplado na NFLD sob enfoque não terem sido declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP houve o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, haja vista a omissão verificada consistir, em tese, delito tipificado na Lei n.° 8.212/1991 e no Código Penal. A seguir o agente do fisco passa a descrever os fatos geradores de contribuição e os itens de apuração (levantamentos) onde os mesmos foram agrupados. Posso resumir essa descrição: a) Levantamentos CI2 e CI3: dizem respeito ás remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa_ Os valores constam de planilhas anexadas e se encontram também demonstrados no Relatório de Lançamentos (fls. 61/85), b) Levantamentos FP4, FP5 e FP6 contemplam as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, estando demonstradas em planilhas e no Relatório de Lançamentos (lis, 61/85); C) Levantamento FR2 inclui às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos (fretistas) que prestaram serviço a empresa. Os valores constam de planilha anexada e se encontram também demonstrados no Relatório de Lançamentos Lfls. 61,85); d) Levantamento SEN, utilizado para o cálculo da contribuição ao SENAR, inclui apenas as remunerações dos segurados empregados que laboraram do setor rural da agroindústria fiscalizada no período de 03 a 10/2001. O auditor especifica a documentação de que se valeu para efetuar a apuração do crédito previdenciário, menciona a apropriação dos recolhimentos apresentados pela contribuinte e a dedução dos valores repassados aos segurados a titulo de saláriofamília e saláriomaternidade. Acrescenta, ainda, que a base legal que dá suporte ao lançamento corista do relatório "Fundamentos Legais do Débito — FLD . Foram anexadas, por amostragem, cópias de folhas de pagamento apresentadas pela empresa fiscalizada. A IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento por via postal com aviso de recebimento AR, fl. 236, o sujeito passivo apresentou em 11/01/2008, impugnação, fls. 237/269, na qual alega em síntese: a) que a sua defesa é tempestiva; b) extinto o MPF por decurso de prazo, posto que não houve ciência de prorrogação do mesmo, a autoridade fiscal já não Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 4 5 mais se encontrava revestida da competência para lavrar o lançamento; C) mesmo que se considere válido o lançamento sem cobertura de MPF, ainda assim o auditor era incompetente, posto que o crédito fiscal não poderia ser lançado pela mesma autoridade responsável pelo cumprimento do MPF extinto; d) com a extinção do MPF, somente poderia haver exame da documentação da empresa, com a determinação expressa da autoridade hierarquicamente superior, o que efetivamente não ocorreu; e) o lançamento das contribuições concernentes ao período compreendido entre 01/2000 e 12/2001 foi equivocado, uma vez que ultrapassa o qüinqüênio decadencial previsto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional — CTN; f) a exigência de contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados do setor rural no período de 03/2001 a 10/2001 é ilegal, posto que contraria decisão judicial transitada em julgado exarada no bojo do Mandado de Segurança nº 97.0051471, impetrado na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Alagoas. Junta documentação comprobatória dessa afirmação; g) são nulos os lançamentos a titulo de contribuição para o SEST; SENAT, uma vez que a defende não é sujeito passivo da obrigação tributária instituída na Lei n.° 8.706/1993, nem mesmo na condição de responsável pelo recolhimento das contribuições dos transportadores autônomos que lhe prestaram serviço; h) a fundamentação legal constante nos incisos III e IV do art. 22 da Lei n.° 8.212/1991 não se presta a embalar o lançamento fiscal, posto que nos citados dispositivos não há referência ao fato gerador da obrigação tributária, mas tãosomente á base de cálculo e à alíquota. Traz posicionamento do STF que embasa esse argumento; i) há necessidade de perícia contábil para se segregar da base de cálculo utilizada na apuração do crédito os valores remuneratórios das quantias indenizatórias, posto que os demonstrativos e documentos colacionados pela auditoria não permitem a correta visualização das parcelas incidentes e não incidentes de contribuições sociais, para tal indica os • quesitos a serem solucionados e o seu assistente técnico; j) não pode se sujeitar a contribuição prevista no art. 1.°, inciso II, da Lei Complementar n.° 8411996, posto que não é Cooperativa de Trabalho. Para corroborar seu entendimento apresenta julgado do STF; k) a impugnante não utilizou qualquer expediente fraudulento para omitir valores lançados pela fiscalização, assim deve ser cancelada a Representação Fiscal n.° 10410,008353/200764, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 haja vista não haver amparo legal que justifique a mencionada providência, Por fim, passa a requerer: a) a anulação do lançamento atacado; b) o deferimento do pedido de perícia; C) que o presente processo seja julgado conjuntamente com as demais NFLD lavradas na mesma ação fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia. · Vícios formais – MPF. · Inexigibilidade do SENAR, período 03 a 10/2001 por força de ordem judicial transitada em julgado. · Decadência. · Inexistência de substituição tributária nas contribuições para SEST e SENAT. · Vícios no artigo 22, III e IV da lei 8.212/91. Nulidade. · Competências 01 e 02/2000, vícios no lançamento. Lei Complementar 84/1996. · Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, conforme o CTN. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O processo registra a existência de recolhimentos. O período do lançamento é de 01/2000 a 05/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 13/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. Observo que outras questões apontadas no recurso referentes ao período decadente não serão analisadas visto a extinção do crédito pelo reconhecimento da decadência. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Lei 8.212/91 – VÍCIOS. A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 431DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 6 9 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF Fl. 432DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A recorrente aponta vícios quanto ao MPF e requer a nulidade do lançamento. Não concordo com o pleito. Para a decretação da nulidade, é necessário a constatação do prejuízo, o que não constato. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF tem natureza de controle interno da atividade fiscal. O CARF tem decidido que eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido CERCEAMENTO DE DEFESA INDEFERIMENTO DA PERÍCIA. A recorrente entende ter havido cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia contábil para demonstrar que foram incluídos valores de natureza indenizatória na base de cálculo considerada pela fiscalização. Não concordo com a recorrente. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos e neste caso, a prova documental carreada aos autos era suficiente para o esclarecimento da questão. A perícia deve ser deferida apenas quando a prova do fato depender de conhecimento técnico especial, hipótese inocorrente nos autos. A Empresa não apresentou nenhum aspecto inédito evidenciado após a auditoria fiscal, cuja apreciação requeira exame especial ou técnico. Não constam da peça defensiva elementos que justifiquem a peritagem, o que torna desnecessária a perícia solicitada. Nesse sentido, cabe observar o ensinamento dos ilustres Doutrinadores: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 7 11 "Vale destacar que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora e, apenas ela pode avaliar sua pertinência para a solução da lide. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outra forma mais simples. Por esta razão, freqüentemente, as autoridades de primeira instância têm indeferido as solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não seriam necessárias à solução do litígio ou já estariam contempladas nos autos. Na verdade, grande parte dos requerimentos de perícia no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de dados constantes da escrita fiscal do contribuinte, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal antes da lavratura do auto de infração. Apenas seria necessário o reexame por outro especialista se bem demonstrada a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios." (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Marco Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez, Dialética, p. 195) O voto condutor da decisão recorrida, com o qual concordo, reportou sobre a apresentação das bases de cálculo e sobre o fato de a recorrente não ter trazido evidências da inclusão de verbas indenizatórias nas bases de cálculo. Não posso concordar com tal pretensão. Tanto o relatório fiscal quanto os demais anexos que acompanham a NFLD trazem os elementos necessários á correta compreensão, mormente os relativos ás bases de cálculo utilizadas no lançamento. O Discriminativo Analítico do Débito — DAD, fls. 04/48, apresenta para cada competência os valores lançados. No relatório de trabalho da auditoria, são descritos os fatos geradores e as fontes onde foram colhidas as quantias sujeitas à tributação, com indicação inclusive de planilhas onde estão tabulados os dados componentes da apuração. Ha ainda o Relatório de Lançamentos, fls. 61/85, que contempla individualmente cada valor de base de cálculo lançado. Não se contentando, o agente do fisco colacionou cópias de folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte. Assim, entendo que foram disponibilizados elementos suficientes para que o perfeito entendimento da NFLD, de modo que o direito de • defesa da notificada pudesse ser exercido na sua plenitude. Sem contar que o sujeito passivo, utilizandose de sua documentação, poderia trazer aos autos evidencias de que houve excesso de tributação em razão de inclusão na base de cálculo Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 de quantias indenizatórias, A mera suposição quanto á existência de erros da auditoria, sem a indicação de qualquer indício nesse sentido,não justificam sequer solicitação de diligência fiscal para esclarecimentos adicionais, quanto mais a realização de perícia. O pedido sob análise, posto que desprovido de qualquer justificativa consistente, soa a esse julgador, mais como um artifício protelatório de que um meio processual necessário ao esclarecimento de situação controvertida, esse sim passível de ser solucionado mediante a realização de perícia técnica. Entendo, portanto, que não cabe o acatamento de tal pretensão, posto que os elementos constantes nos autos são suficientes para que se chegue a uma conclusão satisfatória sobre a lide tributária sob enfoque. SEST E SENAT A recorrente questiona, apontando a falta de respaldo em lei, da tributação em favor de SEST e SENAT argumentando não ser empresa transportadora e sim produtora e comercializadora de derivados de cana de açúcar. A tributação incidiu sobre a remuneração de transportadores autônomos. Não concordo com a recorrente. O Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito fundamenta o lançamento na Lei 8.706/93 e no Decreto 1.007/93 409 TERCEIROS SEST/SENAT (FPAS 620) CONTRIBUICAO DO TRANSPORTADOR AUTONOMO RECOLHIDA PELA EMPRESA 409.02 Competências: 0112000 a 12/2000, 0112001 a 1212001, 0112002 a 1212002, 01/2003,a1212003, 0112004 a 1012004 Lei n. 8.706, de 14.09.93, art. 7, II, parágrafos 1, e 2., combinado com o art. 94 da Lei n. 8.212, de 24.07.91 (com a redacao dada pela MP n. 1.5234, de 05.02.97, e reedicoes posteriores ate a MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Decreto n. 1.007, de 13.12.93 (com as alteracoes dadas pelo art. 1. do Decreto n. 1.092, de 21.03.94), art. 1., 1,"b", II,"b", art. 2., II, paragrafo 3., art. 3., paragrafo 1,; Regulamento da Organizacao e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.92, art. 99; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 274, paragrafo 1. (com a redacao dada Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 8 13 pelo Decreto n. 4.032, de 26.11.01). A PARTIR DE 28.10.2004 Lei n. 8.706, de 14.09.93, art. 7., II, paragrafos 1. e 2.; Decreto n. 1.007, de 13.12.93 (com as alteracoes dadas pelo art. 1. do Decreto n. 1.092, de 21.03.94), art. 1., I, "b"', II, "b", art. 2., II, paragrafo 3., art. 3., paragrafo 1.; 409 TERCEIROS SEST/SENAT (FPAS 620) CONTRIBUICAO DO TRANSPORTADOR AUTONOMO RECOLHIDA PELA EMPRESA 409.03 Competências : 11/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 0112006 a 0512006 Lei n. 8.706, de 14.09.93, art. 7., II, paragrafos 1. e 2.; Decreto n. 1.007, de 13.12.93 (com as alteracoes dadas pelo art. o 1., do Decreto n. 1.092, de 21.03.94), art. 1., I, "b", II, "b", art. 1, II, paragrafo 3., art. 3., paragrafo 1. A Lei 8.706/93 prevê a contribuição incidente sobre os transportadores autônomos. Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1 ° de janeiro de 1994, serão compostas: 1 pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre ,montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Sen, iço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III pelas receitas operacionais; IV pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou Internacionais. § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos 1 e 11 deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 § 2° As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. O decreto 1.007/93, que regulamentou a Lei 8.705/1993 traz as seguintes disposições: Art.1º As contribuições compulsórias previstas nos incisos I e I1 do art. 7° da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, são devidas a partir de 1 ° de janeiro de 1994 às entidades e nos percentuais abaixo indicados: I ao Serviço Social do Transporte (Sest): a) 1,5% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; b) 1,5% calculado sobre o salário de contribuirão previdenciária. dos transportadores rodoviários autônomos; II ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat): a) 1,0% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; b) 1,0% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomo. Art. 2°Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remunerarão paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. § 3º As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) nelas ressoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar serviços a pessoas físicas. Art. 3° A arrecadação e fiscalização das contribuições compulsórias de que trata este decreto serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao Sest e ao Senat, por meio de convênios. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 2403002.800 S2C4T3 Fl. 9 15 § 1º As contribuições referidas neste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência até a competência 11/2002, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN e determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.914600/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.544
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 46 00 /2 00 9- 22 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914600/200922 Acórdão n.º 3402002.544 S3C4T2 Fl. 314 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 02/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 04/08). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 11), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte tomou ciência do despacho em 03/04/2009, conforme se verifica no AR de fl. 10 e apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 13/16) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o COFINS, no montante de R$85.248,28, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$82.403,22. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 04/08), no valor de R$2.845,06 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.781 (fls. 115 a 117), de 14/10/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 02 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 122 a 127. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo o recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$2.845,06. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de COFINS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 149 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914600/200922 Acórdão n.º 3402002.544 S3C4T2 Fl. 315 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 156, na data de 29/10/2013, às fls. 162 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 302, não houve manifestação do contribuinte sobre o resultado da diligência. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 306 (trezentos e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914600/200922 Acórdão n.º 3402002.544 S3C4T2 Fl. 316 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13502.001004/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/07/2003, 20/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por motivo de desistência do processo.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por motivo de desistência do processo. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 10 04 /2 00 8- 61 Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de Auto de Infração (fls. 253/255) e Demonstrativos (fls.256/258), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI pertinente aos fatos geradores de 10/07/2003, 20/07/2003,30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003. 0 enquadramento legal prevê infração aos artigos: 34, inciso II, 122, 127, 130,179, 181 a 189, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso III do Decreto n°4.544, de 2002 — RIPI/2002. Segundo o autuante, no Termo de Verificação Fiscal de fls.244/252, a empresa Trikem S/A, CNPJ n°13.558.226/000154 foi incorporada em janeiro de 2004, pela empresa Braskem S/A. tendo escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI, entre o 3° decêndio de agosto de 2002 e o mês de dezembro de 2004, créditos que foram considerados indevidos. Descreve o auditor fiscal que no primeiro procedimento foi verificado que o contribuinte escriturou no LRAIPI, no mencionado período, créditos oriundos de ação judicial da antiga Trikem S/A, Mandado de Segurança tombado sob o n° 2000.33.00.0170083, sem decisão definitiva, cuja pretensão, era o aproveitamento de créditos acumulados do IPI, decorrente de entradas de matériasprimas isenta, não tributadas ou tributadas A alíquota zero, nos últimos 10 anos, bem como créditos decorrentes das futuras aquisições de matériasprimas sujeitas a idêntico tratamento do IPI, para compensação com débitos futuros do mesmo imposto, por saídas de produtos tributados ou de tributos e contribuições administrados pela RFB. 0 TRF da l a Região deu provimento A apelação da impetrante, tendo a União manejado Recurso Extraordinário n°420.8458. Em 06/08/2007, foi publicado Despacho da lavra do Ministro do STF Carlos Ayres Brito, dando provimento ao Recurso Extraordinário da União, razão pela qual a partir desta data se tornaram devidos os valores do IPI não recolhido, tendo a empresa recomposto sua escrita e apurado o IPI a partir de agosto de 2002, retificado as DCTF e providenciado o pagamento do IPI. Em face da reforma pelo STF, a empresa declarou o valor efetivamente utilizado pela empresa como "saldo credor no período anterior", referente ao 1° decêndio de janeiro/2003, de R$602.488,18, este, corroborado pela fiscalização(fls.04/10). No segundo procedimento, o autuante verificou o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao mês de janeiro/2003, protocolizado sob o n°13502.000407/200389, em 15/04/2003. E, como a sistemática do crédito presumido não prevê o pedido de apenas um mês, examinou o 1°T/2003, observando que o crédito de janeiro, R$1.798.935,77, foi registrado no 1ºdec. de fevereiro; o crédito de fevereiro, R$2.474.894,09, foi registrado no 1° dec de março e o crédito de março, R$1.763.437,33, registrado no 3° dec do mesmo mês, totalizando um crédito presumido total de R$6.037.267,19. Que, por meio do Termo de encerramento de diligência, e demonstrativos, foi apurado que o contribuinte tem direito a Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.001004/200861 Acórdão n.º 3201001.790 S3C2T1 Fl. 1.560 3 crédito presumido de IPI de R$469.675,67 (jan12003), R$277.288,02 (fev.2003) e R$964.014,34 (março/2003), perfazendo um total de R$1.710.978,04 (1° trimestre/2003). Foram anexados ao processo cópias do Termo de encerramento de diligencia e demonstrativos, Despacho Decisório DRF CCI n°0061/2008 e Parecer SARAC/DRF/CCI n°0025/2008, fls.11/29. No terceiro procedimento, computouse os saldos apurados (excluídos os créditos de ação judicial sem decisão definitiva), e os novos valores apurados de crédito presumido resultando saldo a pagar de R$671.971,81, referente ao 3° dec de fevereiro de 2003, valor lançado de oficio no Auto de infração, processo 13502.000238/200891, cópias dos autos de fls.30/39. A fiscalização foi estendida para todo o ano de 2003. Foram expedidos termos de intimação n°003, de 20/03/2008, ciência em 25/03/2008 (fls.40/41). Anexado o MPF de prorrogação (fl.02). termo de intimação n°004, lavrado em 02/05/2008, ciência em 05/05/2008 (fls.75/76). Da documentação apresentada pela fiscalizada verificou o autuante que as exportações da empresa provêem dos estabelecimentos CNPJ 13558.226/000154; 13558.226/0006 69; 13558.226/001045; 13558.226/001398. E como as exportações do crédito presumido relativo ao 1° T/2003, anteriormente analisada, levou em consideração apenas as exportações realizadas pela matriz (13.558.226/0001 54), refez todo o cálculo do crédito presumido do ano de 2003, para considerar a exportação dos quatro estabelecimentos exportadores. 0 fiscalizado pleiteia o crédito presumido do IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS/Cofins, conforme instituído pela Lei 10.276/2001, regulamentada IN SRF 69/2001 e modificações introduzidas pela Lei n°10.637/2002, por meio do PERDCOMP 16579.06863.100703.1.1.011760 (2°T/2003), no valor de R$5.828.274,95. O crédito de abril de R$3.377.760,56 foi registrado no 3°dec abril, o crédito de maio, R$1.917.757,94, foi registrado no 3° dec de maio e o crédito de junho, R$532.756,44, foi registrado no 3° dec de junho. Foram anexadas ao processo as cópias das DCP do 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de apuração de 2003, fls.77/109. 0 contribuinte declara que não está litigando judicialmente ou administrativamente o crédito presumido de IPI e não efetuou a transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da mesma empresa no período de abril a dezembro/2003, fl.110. 0 contribuinte fiscalizado produz diversos produtos químicos, conforme descrição de fls.44/45, classificação fiscal NCM 29032100; 39041010 e 39053000, tributados pelo IPI, respectivamente, A aliquota zero, 5% e 5%, conforme TIPI, aprovada pelo Decreto n°2.092, de 11/12/1996, Decreto n°3.777, de 23/03/2001 e Decreto n°4.070, de 28/12/2001. Parte da produção é destinada ao exterior. O auditor menciona a legislação tributária que ampara as MP, PI e ME adquiridos no mercado interno, para utilização no processo de industrialização, o direito de creditamento constante Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 do art.1° da Lei n°10.276/2001, art.147 do Decreto n°2.637, de 25/03/1998, com redação atual pelo artigo 164 do Decreto n°4.544, de 26/12/2002, RIPI/2002 e PN CST 65/79. Dos insumos apresentados pelo contribuinte, o auditor fiscal excluiu da base de cálculo do crédito presumido: vapor, água clarificada, Água desmineralizada, nitrogênio gasoso e ar de instrumento classificada em "UTILIDADES" — 410101003014 (fls.123/172), porque estes, embora consumidos ou gastos no processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem sofreram ou exerceram diretamente ação no produto industrializado. Foram excluídos ainda dos custos os produtos contabilizados conjuntamente de modo a impedir sua individualização, os "aditivos e produtos químicos", conta contábil 410101004001 e "outras matérias primas", conta contábil 410101001030, tendo em vista que o § único do art.13 da IN SRF 69/2001 dispõe que o sistema de apuração deverá permitir a perfeita identificação dos insumos. Afirma ainda o autuante que de acordo com as informações contidas na "descrição do processo produtivo", de fls. 46/55, os insumos soda cáustica e gás natural além de fazerem parte do processo produtivo também são usados no tratamento dos efluentes, que não são considerados no cálculo do crédito presumido. Intimado a esclarecer os consumos individualizados relativamente ao processo produtivo e tratamento de efluentes, o contribuinte afirmou que do total consumido no processo produtivo apenas 0,008% de soda cáustica e 0,015% de gás natural são usados no tratamento de efluentes. Sendo assim, foram considerados os consumos desses insumos conforme informado pelo contribuinte (fls.173/176). Foram considerados, segundo o autuante, para efeito de composição da base de cálculo do crédito presumido os seguintes insumos: eteno, propeno, embalagens, sal, soda cáustica, HCL, gás natural, EDC e energia elétrica. A partir de agosto/2003 o contribuinte mudou o critério de escrituração especialmente nas contas "outras matérias primas" e "utilidades", sendo encontradas divergências entre os valores informados pelo contribuinte e o apurado nesta fiscalização. Em cumprimento ao disposto no art.1°, §3°, inciso II da Lei 10.276/2001, o valor do mês de janeiro foi apropriado respeitando o limite de 80% da receita bruta operacional. Esclarece o auditor que no cálculo os insumos foram considerados segundo as notas fiscais de entrada, no Livro Registro de Entradas, sem qualquer irregularidade, apuradas as parcelas do ICMS sobre os insumos A alíquota de 16,85% sobre a totalidade dos insumos consumidos. Em relação A Receita de Exportação foram consideradas as notas fiscais de saída para o exterior apresentadas pelo contribuinte, consolidadas em planilhas e devidamente comprovadas (fls.177/206), conforme consultas ao sistema SISCOMEX e os Registros de Exportação. Quanto ao crédito básico relativo ao art.11 da Lei n°9.779, de 1999, não constatou nenhuma irregularidade nos valores encontrados pelo contribuinte. Na planilha de apuração do ano de 2003, anexa à f1.10, constam valores estornados pelo contribuinte: R$3.704.606,85 (1° dec de abril), R$4.752.550,61 (1° dec julho), R$925.768,38 (saldo negativo de setembro, no 3° decendio de setembro) e Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.001004/200861 Acórdão n.º 3201001.790 S3C2T1 Fl. 1.561 5 R$2.346.70.7,25 (3° dec de dezembro, saldo negativo de dezembro, coluna compensações). A parcela excluída em 2002 no valor de R$79.119.848,62 (fl.209), referente a estoques de produtos em elaboração e acabados, mas não vendidos, foi adicionada à base de cálculo do crédito presumido no 1° Trimestre, correspondente ao 1° Trimestre em que houve exportação (art.12 da IN SRF n°69/2001). A parcela excluída em 31/12/2003 no valor de R$89.513.747,53 (fls.210/234), informado pelo fiscalizado referente aos insumos, MP, PI e ME, bem como energia elétrica e combustíveis utilizados em produtos em elaboração e acabados, mas não vendidos, poderá ser adicionado A base de cálculo do crédito presumido no 1° Trimestre, em que houver exportação (art.12 da IN SRF n°69/2001). Apurado o crédito presumido seguindo a Lei n°10.276/2001, IN SRF n°69/2002 e modificações introduzidas pela Lei n°10.637/2002 e Parecer CSI n°65/79 a fiscalização apurou um crédito presumido de R$4.139.104,71 (1° trimestre de 2003), R$3.543.542,40 (2° trimestre/2003), R$1.388.617,65 (3° trimestre/2003) e o saldo negativo de R$1.048.435,80 (4° trimestre 2003). Ao substituir os valores escriturados pelo contribuinte a titulo de crédito presumido de IPI, de janeiro a dezembro/2003, constantes da planilha de fl.241, pelos valores ora apurados pela fiscalização, constantes da planilha de fl.242, surgem saldos de IPI a pagar, objeto de lançamento do presente Auto de Infração (planilha de fl.243), conforme planilha que discrimina. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 25/06/2008 (fl. 254) e apresenta em 25/07/2008 a impugnação de folhas 262/303, sendo essas as suas razões de defesa: • A nova exigência não merece prosperar uma vez que os valores lançados pela fiscalização são fruto de apuração equivocada do crédito presumido de IPI relativo ao ano de 2003; • Partiram de premissas falhas, pois foram indevidamente excluídos da base de cálculo do crédito presumido de IPI insumos efetivamente consumidos ao longo do processo produtivo, seja porque não foram computadas ao longo do processo produtivo, ou porque não foram computadas para fins de cálculo da receita total de exportação, as notas fiscais de exportação emitidas por todos os estabelecimentos da impugnante; • Os valores excluídos da base de cálculo do crédito presumido são utilizados no processo fabril da impugnante, e deixar de considerálos é violar o objetivo precípuo da lei instituidora do beneficio, conforme jurisprudência e doutrina que transcreve; • As normas não admitem interpretação restritiva, ou exclusão ao arbítrio das autoridades fazendárias. Houve incorreta interpretação as normas de regência do IPI; • Os produtos utilizados atenderam aos requisitos do RIPI/2002, são imprescindíveis ao processo produtivo, não cabendo a exigência do Parecer CST n°65/79, que fundamentou a decisão ora guerreada, pois todos os insumos glosados são de fato utilizados no processo produtivo, Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 como produtos intermediários, tais como vapor, água clarificada, água desmineralizada, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, aditivos e produtos químicos, Irganox 1076 e Edenol — D8; Irganox EM 1141 e Cupferron Q — 1300, hidro quinona e Irganox 245m Tego Antifoam KS53, Carbonato de sódio, vermiculita, outras matérias primas; • Houve erro no valor da receita de exportação considerada no período pelo autuante, pois a receita advém de outros estabelecimentos da empresa, não só da matriz, alterando assim o cálculo presumido; • O autuante somente se baseou em planilha fornecida pela impugnante, sem confrontar com os LRAIPI e nos Livros de Saida. Relativamente aos meses de agosto, outubro, novembro e dezembro de 2003, inexiste informação quanto a venda para o exterior das filiais de CNPJ 13.558.226/001045 e 13.558.226/001398, enquanto nos livros consta tal registro, como será demonstrado; • A fiscalização entendeu que em agosto/2003, 11.206, não houve venda pelas filiais ao exterior, mas ao analisar o LRAIPI, doc. 04 e o Livro Registro de Saída, doc. 05, a impugnante escriturou nos livros no 3agosto/2003, vendas no montante de R$831.092,38 e R$7.177.463,06 para as filiais 0010 e 0013, respectivamente; • O mesmo com relação a outubro/2003, mas consta no LRAIPI, doc. 06 e o Livro Registro de Saída, doc.07, que a impugnante escriturou nos livros no 1outubro/2003, vendas no montante de R$152.967,33 e no 2outubro/2003, o valor de R$618.544,87 totalizando no mês R$1.538.537,50 para a filial 0010. Quanto a filial 0013, conforme doc.08 e 09, para o 1 e 310/2003, houve registro de vendas de R$272.948,02 e R$6.310.022,54, o que perfaz no mês R$6.582.970,56. Assim, deve ser refeito o cálculo para computar como receita de exportação no mês de outubro, R$13.139.695,71 para os 4 estabelecimentos; • Em novembro, conforme docs. 10 e 11, na filial de CNPJ 0010, houve registro no 311/2003 de vendas para o exterior de R$990.646,48 e no estabelecimento 0013, saídas no 311/2003 no valor de R$12.618.910,48, conforme docs.12 e 13, assim cabe considerar o total de vendas das duas filiais no montante de R$13.609.556,96, para as filiais. Ao invés de considerar a REx dos 4 estabelecimentos no valor de R$5.652.342,41 cabe reconsiderar para R$19.261.899,37 no cálculo do crédito presumido do IPI; • Em dezembro, conforme docs. 12 e 13, na filial de CNPJ 0010, houve registro nos 1 e 212/2003 de vendas para o exterior de R$570.862,42 e R$890.598,83, totalizando R$1.551.461,25, respectivamente, e no estabelecimento 0013, a empresa auferiu de receita da exportação o total de R$13.361.036,56 correspondente as vendas nos 2 e 312/2003 nos valores de R$6.403.720,49 (doc.16) e R$6.957.316,07 (doc.17), respectivamente, totalizando mas a titulo de receita de R$14.912.497,81. Assim, cabe reconsiderar como REx para os 4 estabelecimentos o valor de R$18.319.487,74 no cálculo do crédito presumido do IPI; Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.001004/200861 Acórdão n.º 3201001.790 S3C2T1 Fl. 1.562 7 • A busca da verdade material encontra guarida na doutrina pátria, como se observa das transcrições de posicionamentos e jurisprudência; • Assim, requer a improcedência do julgado e protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, na busca da realização do principio da verdade material, visando demonstrar que não houve qualquer infração legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada : “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/07/2003, 20/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem conceituados na legislação tributária podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A exigência da multa de oficio e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Lançamento Procedente" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação e trazendo novos argumentos sobre a questão da comprovação das averbações e saídas para o exterior das mercadorias exportadas pelas suas filiais. A Recorrente promove um detalhamento mensal par ao período de agosto/2003 a dezembro/2003 (fls. 901 a 923), para comprovar a suas alegações apresenta relatórios e informações referentes a escrituração da Recorrente e consultas ao sistema SISCOMEX (fls. 943 a 1149). Em 15/08/2014 a Recorrente veio aos autos e apresentou pedido de desistência do Recurso Voluntário, em atendimento ao art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013. É o Relatório. Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente é necessário proceder a análise da admissibilidade dos recursos voluntário e de ofício. Conforme se depreende da leitura do relatório, antes da análise do Recurso pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a Recorrente apresentou pedido de desistência do recurso administrativo. Sendo assim, com a desistência do recurso voluntário não existe o litígio a ser apreciado neste Conselho. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência apresentado pela Recorrente. Winderley Morais Pereira Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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