Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10932.720010/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto.
Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.
A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso.
SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016):
"1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo.
2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira.
3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo.
4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional.
6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando).
A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal.
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA.
No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas.
LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE.
Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda).
MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao ano-calendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10932.720010/2015-92
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970588
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.677
nome_arquivo_s : Decisao_10932720010201592.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10932720010201592_5970588.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao ano-calendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7649595
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663346958336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 74; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.464 1 1.463 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720010/201592 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.677 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 10 /2 01 5- 92 Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.465 2 DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.466 3 aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.467 4 APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentálos, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao anocalendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.468 5 Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.469 6 Relatório Tratase dos Recursos Voluntários apresentados, individualmente, pelo sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (efls. 1285/1315) e pelos seguintes responsáveis solidários: DÉBOARA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA (efls. 1319/1344), HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK (efls. 1351/1376) e JACQUES BRODER COHEN (efls. 1377/1399), em face da decisão da DRJ/São Paulo (efls. 1621/1273) que, em 30/05/2016, julgou Impugnações improcedentes: a) ao manter o crédito tributário integralmente, atinente aos Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012; b) ao mater a sujeição passiva solidária (CTN, art. 124, I): Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães. c) ao manter a sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III): Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286). Obs: (i) Consta da decisão recorrida que Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva na instância a quo, a qual não foi conhecida naquela instância. Preclusão administrativa (revelia) quanto à sujeição passiva solidária; Quanto aos fatos, consta do autos: que, 26/03/2015, a fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, regime de apuração pelo lucro arbitrado, imputando as seguintes infrações ao sujeito passivo (efls. 958/1066), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2010, 06/2010, 09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012, 09/2012 e 12/2012 Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.470 7 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2010, 09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012, 09/2012 e 12/2012 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. 0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL (...) Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2011 930.415,13 150,00 28/02/2011 1.820.227,22 150,00 31/03/2011 1.990.632,08 150,00 30/04/2011 1.747.782,36 150,00 31/05/2011 392.519,47 150,00 30/06/2011 568.727,21 150,00 31/07/2011 1.655.648,04 150,00 31/08/2011 2.581.186,61 150,00 30/09/2011 2.230.719,23 150,00 31/10/2011 3.681.731,49 150,00 30/11/2011 3.694.690,33 150,00 31/12/2011 4.311.686,08 150,00 31/01/2012 2.816.590,47 75,00 28/02/2012 3.479.243,01 75,00 31/03/2012 2.955.671,08 75,00 30/04/2012 2.619.633,39 75,00 31/05/2012 2.938.793,98 75,00 30/06/2012 2.808.335,48 75,00 31/07/2012 2.785.049,89 75,00 31/08/2012 2.949.394,53 75,00 30/09/2012 3.041.526,06 75,00 31/10/2012 2.951.751,53 75,00 Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.471 8 30/11/2012 2.739.073,64 75,00 31/12/2012 2.608.624,66 75,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 537 do RIR/99 (...) 0002 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras no anocalendário de 2010, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 100.000,00 150,00 28/02/2010 31.202,00 150,00 30/04/2010 461.431,04 150,00 31/05/2010 208.191,03 150,00 30/06/2010 722.022,33 150,00 31/07/2010 479.890,64 150,00 31/08/2010 616.223,82 150,00 30/09/2010 773.939,27 150,00 31/10/2010 399.581,33 150,00 30/11/2010 301.082,43 150,00 31/12/2010 790.272,48 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 (...) que integra os autos de infração o Termo de descrição dos fatos (efls. 944/957); que, ainda, integra o lançamento fiscal o Termo de Ciência de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal da Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo, de 05/01/2015, no qual estão narrados os fatos (efls.02/34), in verbis: (...) Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.472 9 01. Da autorização judicial de compartilhamento de informações entre a RFB, o Ministério Público Estadual e o GAECO ABC. Por meio do Ofício n° 76/14 GAECO ABC (Anexo I) recebemos a mídia digital contendo cópia do procedimento investigatório criminal n° 07/13 GAECO ABC, bem como do apenso do procedimento relativo à quebra de sigilo telefônica e de dados. Conjuntamente, recepcionamos a cópia da decisão da Excelentíssima Juíza de Direito da 5a Vara Criminal de São Bernardo do Campo (Anexo II) proferida nos autos 301609038.2013.8.26.0564, pela qual deferiu o compartilhamento das informações obtidas naquele feito com a Receita Federal, "uma vez que a investigação aponta suposta fraude em seus sistemas e possível envolvimento de funcionário de seus quadros nos delitos ora investigados". Da investigação criminal resultou até a presente data em duas denuncias crime interpostas na 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo em distribuição por dependência aos autos da medida cautelar n° 2237/13: A primeira elaborada aos 09/09/2014 pelos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Pires e Dr. Kleber Henrique Basso (Anexo III), que constam como denunciados as pessoas naturais de Sr. Jacques Broder Cohen, Sr. Henrique Kertzman Misionschink, Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, Dra. Silvia Regina de Almeida OAB 136529 e Sr. Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos pela pratica dos seguintes fatos delituosos: da organização criminosa (art. 2o da Lei 12.850/13) e da pratica de estelionatos. A denuncia contem reproduções das escutas regulares e autorizadas que denotam a participação de cada qual dos denunciados na atividade delituosa, utilizandose da "Brazilian Landbank" — ora fiscalizada no âmbito tributário, como "palco de destaque" de atuação da organização criminosa. Na segunda denuncia que foi formalizada em 15/12/2014 (Anexo IV) pelos Promotores Dr. Lafaiate Ramos Pires e Dr. Bruno Servello Ribeiro, novamente três daqueles personagens: Sr. Jacques Broder Cohen, Sra. Débora Christian Fachim Nogueira e Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira estão denunciados pela prática de falsos ideológicos e ainda de forma individual o Sr. Jacques Broder Cohen pela prática de exercício ilegal da atividade. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.473 10 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para análise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo prazo de cinco dias de: Sr. Jacques Broder Cohen; Sr. Henrique Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian Fachim Nogueira e do Sr. Marcelo Mareei Fachim Nogueira. O relatório da sentença de forma resumida descreve o minucioso detalhamento que consta da Petição Judicial de Mandado de Busca e Apreensão e Decretação de Prisão Temporária de autoria dos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Ramos Pires e Dra. Mylene Comploier datado de 03/06/2014 (Anexo VI). A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: (...). (...) O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo às empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Uma vez entabulado contrato com a empresa vítima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serrem eivados de dúvida quanto a sua validade. São Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.474 11 provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da dívida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente. (...) 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). Do trabalho de busca e apreensão promovido pela operação conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelo ESPEI (Escritório de Pesquisa e Investigação) e pelo Serviço de Fiscalização desta Unidade (DRF/SBC), os elementos coletados tiveram uma primeira verificação pelos responsáveis pela Busca ocorrida logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso a parte dos elementos físicos apreendidos e que constam das 17 caixas que os acondicionam. (...) No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) 06. Do objeto da ação fiscal e do seu andamento até a redistribuição de atribuição. A ação fiscal inicialmente determinava que fosse examinado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ da pessoa jurídica do ano calendário de 2010. Houve alteração por manter os mesmos indícios da motivação originária e foram incluídos os dos anos calendários subseqüentes: de 2011 e 2012. (...) Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.475 12 07. Do cumprimento espontâneo, mas irregular, das obrigações tributárias principal e acessórias pela contribuinte nos anos calendário de 2010, 2011 e 2012. A Fiscalização constatou irregularidades no preenchimento das três espécies de Declarações de entrega obrigatória pela contribuinte: na DIPJ (Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica), na DCTF (Declaração de Débitos e de Créditos Tributários) e na DACON (Declaração de Apurações de Contribuições Sociais). A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os dados que constam na seguinte tabela: Ano calendário 2010 2011 2012 ANEXO XLIV XLV XLVI Data entrega 30/06/2011 27/06/2012 28/06/2013 N° declaração 1208487 863939 1251260 N° do recibo 05.39.49.94.69 06.32.01.63.55 38.37.90.38.77 Tipo de declaração Lucro Presumido Entregue com certificado digital Sim Forma de Escrituração Contábil Contábil Dados Representante legal Pessoa Jurídica Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.03808 Dados do Responsável Preenchimento Roberto Lippi, CPF 584.089.91868, CRC 1SP080504O0 Receita Bruta 1° Trimestre 0,00 0,00 9.251.504,56 (*) Receita Bruta 2° Trimestre 0,00 0,00 8.366.762,85 (*) Receita Bruta 3o Trimestre 0,00 0,00 8.775.970,64 (*) Receita Bruta 4o Trimestre 0,00 0,00 8.299.449,83 (*) IRPJ a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 179.030,09 IRPJ a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 161.335,25 IRPJ a pagar no 3o Trimestre 0,00 0,00 169.519,41 IRPJ a pagar no 4o Trimestre 0,00 0,00 159.989,00 CSLL a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 99.916,25 CSLL a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 90.361,04 CSLL a pagar no 3° Trimestre 0,00 0,00 94.780,48 CSLL a pagar no 4° Trimestre 0,00 0,00 89.634,06 Ficha 54 — Discriminação da Receita Sem informação 34.693.687,72 Verificase que havia certa habitualidade na conduta da contribuinte em entregar a DIPJ com todos os campos preenchidos com "Zero", sejam os destinados às informações de receitas ou de Apurações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). (...) Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.476 13 Ocorre que a verdade material constatada aponta que estas informações prestadas pela contribuinte são inverídicas, principalmente, frente ao volume de rendimentos por ela auferidos, como será abordado em tópico próprio. (...) O Anexo XLVIII relaciona que para os três anos calendário não foram declarados débitos a título de IRPJ, de CSLL, de PIS/Pasep e de apenas R$ 0,01 (um centavo de real) a título de COFINS no mês de novembro de 2010. As DCTF contemplam apenas débitos declarados de Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de trabalho assalariado para os meses de janeiro a março de 2011, no montante de R$ 54,31 (cinqüenta e quatro reais e trinta e um centavos). Observase insignificância nas retenções de imposto quando se compara com a montante de recursos financeiros movimentados pela contribuinte. As DACON foram entregues para todo o período sob análise conforme indicamos no Anexo II. Contudo, verificase que nas 36 DACON o procedimento "de nada informar" nos campos que se destinam às apurações das contribuições para o PIS, e para a COFINS se repete, ou seja, simplesmente as entregou para não ficar inadimplente com a obrigação de entrega, mas nada presta de informação em relação aos rendimentos auferidos (...), vez que preenche os campos com "ZERO". Sendo assim, os míseros R$ 54,31 (cinqüenta e quatro reais e trinta e um centavos) que declara como débito para o Fisco Federal para os três anoscalendário sob ação fiscal decorrem de valores que reteve de alguns dos seus funcionários, de forma que nada declarou e nada recolheu a título de tributos federais apurados sobre o exercício de sua atividade empresarial neste período. 08. Da falta de apresentação de Livros de Escrituração Contábil e a não convalidação exoficio da opção da contribuinte em realizar a apuração de seu resultado pela modalidade do Lucro Presumido. A contribuinte foi devidamente intimada para que apresentasse os livros de sua escrituração, conforme constam dos Termos lavrados (Anexo XI, datado de 11/09/2013; Anexo XIII, de 30/09/2013; anexo XXVII, de 27/01/2014; e, Anexo XLI, de 25/09/2014). Pelo último está cientificado de que houve a extensão do período sob fiscalização para abranger o período de 01/01/2010 a 31/12/2012. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.477 14 Esclarecemos que a contribuinte optou em apurar seus Resultados para efeito de tributação pela modalidade do Lucro Presumido, conforme constam das três DIPJ que entregou. Esta informação está em descompasso com o adequado procedimento já que nada recolheu a título de IRPJ. A regular opção é manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido (IRPJ) correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, nos termos do § 1 o do artigo 26 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, a entrega destas três DIPJ sob a modalidade do Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por que lhe falta o requisito do pagamento do débito de IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada um dos anos calendário sob exame ou de forma alternativa, (...). E mais, a legislação em vigor lhe permitia realizar uma escrituração simplificada com a adoção do Livro Caixa em substituição da regular escrituração Contábil, desde que a simplificada contemple a escrituração de sua movimentação financeira, mas também por sua opção indica nas DIPJ relativas aos anos calendário de 2011 e 2012 existência de regular escrituração. Ocorre que, até a presente data não cumpriu com a entrega para a Fiscalização de nenhum dos livros que contenham sua escrituração, independente de ser o Livro Caixa ou o Livro Diário. Verificamos que estes livros não estão no rol de elementos apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial. (...) Esclarecemos que a falta de apresentação de sua escrituração impeditivo ao pleno desenvolvimento da auditoria programada para esta ação fiscal, vez que impossibilita a verificação dos fatos contábeis e a identificação das bases tributárias contabilizadas da contribuinte, além de obscurecer a natureza da riqueza que nela ingressou. (...) Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do Livro Diário ou do Livro Caixa (se escrituração simplificada) é uma das hipóteses previstas para a apuração do resultado pela modalidade do Lucro Arbitrado, nos termos dos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), que mantém respaldo no artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o da Lei n° 9.430/96. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.478 15 (...) Diante destas considerações, constatamos que a contribuinte não está apta a apurar o resultado de suas atividades pela modalidade do Lucro Presumido como indicou em sua D1PJ, pelas razões cumulativas: de não ter cumprido com a obrigação principal de pagamento do IRPJ devido no primeiro trimestre de apuração de cada ano calendário; e, de não ter apresentado para a Fiscalização a sua escrituração contábil Livros Diário ou Livros Caixa. 09. Da constatação da efetiva atividade empresarial da contribuinte Esclarecemos que o inicio desta ação fiscal já foi conturbado. A AFRFB Patrícia havia sido impedida de ingressar na empresa em 12/09/2013 portando o segundo Termo lavrado (Anexo XI) para coleta da ciência pessoal de Representante Legal da contribuinte. O seu ingresso no estabelecimento e a ciência pessoal só foi efetivada com a chegada do apoio do Chefe deste Serviço de Fiscalização AFRFB Marcos Antonio que se deslocou para o local. Até a presente data, as manifestações que a contribuinte apresentou para a Fiscalização se resumem em pedidos de postergação no prazo. Só houve a entrega de seu Estatuto Social e de algumas das Alterações do Contrato Social. Nada mais entregou. O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido pelo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII), cuja reintimação ocorreu pelo Termo lavrado em 18/02/2014 (Anexo XXIX). Em atendimento aos preceitos legais disciplinados pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 a Fiscalização lhe requereu que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos financeiros que transitaram nas contas mantidas sob sua titularidade junto às Instituições Financeiras: Citibank, Itaú e Unibanco. Os créditos submetidos à comprovação foram pinçados dos registros que constavam nos respectivos extratos, sendo que foram excluídos aqueles que não representavam ingresso de novas riquezas, como resgate de aplicações ou transferências entre contas do mesmo titular, desde que plenamente reconhecidos pelo histórico da transação. Tais créditos foram regularmente listados em forma individualizada e estavam em anexo ao Termo de Intimação. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.479 16 A falta de atendimento e por conseqüência falta de comprovação por parte da contribuinte torna tais créditos como rendimentos submetidos a regular tributação. O advento da regular Operação de Busca e Apreensão Judicial e do compartilhamento destes elementos para com o Fisco, possibilitou esta Fiscalização conhecer tanto a real atividade desempenhada pela contribuinte bem como a identificação das pessoas naturais que são os seus administradores de fato. Parte das informações de grande significância adveio da regular escuta autorizada judicialmente, cujos trechos de relevância sob o aspecto tributário e sob o aspecto da responsabilização solidária de seus administradores já estão transcritos nas petições judiciais elaboradas no curso do procedimento Judicial e reproduzidos nos conteúdos das Sentenças proferidas Anexos I ao VI, que de forma integral corroboram como elementos de prova deste trabalho de auditoria. No procedimento de verificar os elementos físicos apreendidos, extraímos cópias e as digitalizamos para compor os elementos de prova da Constatação das irregularidades de cunho tributário. Sendo assim, os seguintes Anexos contemplam algumas das naturezas de elementos e/ou documentos apreendidos: Anexo LI Hospital São Domingos Ltda. São 60 páginas em que constam: (...) . Email emitido pelo Sr. Guimarães (se intitula Email emitido como Diretor Executivo) e encaminhado para os diretores do hospital, prestando informações de como deveriam preencher suas DCTF e seus Pedidos de Compensação para utilização de créditos provenientes de processo judicial ligado ao IAA; (...) . Notificação Extrajudicial proposta pelo Hospital em face do Sr. Flávio Borenstein e da "Brazilian LandBank". Relata a impossibilidade técnica e de Ativos não aptos para extinção das obrigações tributárias e requer sejalhe ressarcido o montante de R$ 16.404.764,57 (dezesseis milhões, quatrocentos e quatro mil, setecentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e sete centavos). (...) Anexo LVI Mapas de Controle dos Créditos Aproveitados. (...) alguns dos "clientes" em que constam: nome ou prenome do cliente; ano; valor e o percentual de Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.480 17 deságio pactuados; a efetiva utilização mensal do crédito e o saldo pendente de aproveitamento; e ainda, contem colunas para o valor nominal e o valor já com o deságio remuneração a ser repassada para a "Brazilian Landbank: Para ilustração delas extraímos e a seguir relacionamos: o codinome , o ano, o valor pactuado e o percentual de deságio: TERRACLEAN 2011 R$ 1.200.000,00 30% (dois mapas); KW DO BRASIL 2011 R$ 2.000.000,00 40%; TEK TRADE 2012 R$ 8.000.000,00 25%; SORVETES JUNDIÁ 2012 R$ 5.000.000,0040%; MOABE ENERGIA 2012 R$ 2.000.000,00 30%; GIBELLO & GIBELLO 2012 R$ 200.000,00 30%; FRANCO & BACHOT 2012 R$ 2.000.000,00 50%; LAPA TREINAMENTO 2012 R$ 412.000,00 30%; JAVA SEGURANÇA 2011 R$ 284.000,00 40%; CHRONOS 2012 R$ 2.000.000,00 35%; (...) Anexo LXII Brazilian LandPar Projeto 2014.São 24 páginas onde o Grupo apresenta a nova modalidade de negócios com imóveis a ser implementada.Traz exemplos numéricos de remuneração; perguntas e respostas; empresas alvo de interesse e as que não interessam ao grupo, mas a parte mais significativa para esta Auditoria é que busca empresas com produtos de renome no mercado, mas que passam por dificuldades de fluxo de caixa, logo se desenrola nas entrelinhas a aplicação do planejamento tributário, em que se deixará de recolher os tributos federais, para se aplicar os procedimentos relativos às pretensas compensações (...). (...) A assessoria tributária e jurídica prestada pelo Grupo "Brazilian" é justamente no sentido de promover as fraudes constatadas na utilização de compensações indevidas por se valer de créditos originários ilegítimos ou lastreados em títulos ineficazes para a extinção do credito tributário. (...) Constatamos que a contribuinte tinha no período sob fiscalização como principal atividade a captação de empresas com dificuldades de fluxo de caixa com a finalidade de lhe prestar serviços e orientação de forma viciada, para que utilizassem créditos inexistentes ou ilegítimos ou de natureza não tributária em procedimentos administrativos de Compensação de Débitos perante a Receita Federal. Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade objeto do contrato firmado com seus clientes, caracteriza Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.481 18 se a fraude e a conduta típica do estelionato, na qual as pessoas naturais na qualidade de administradores de direito ou de fato da 'Brazilian LandBank" receberam quantias exorbitantes a titulo de vantagem ilícita e em prejuízo aos clientes. No exercício da ampla astúcia, estes diretores utilizavam a pessoa jurídica regularmente constituída para dar a transparência de regularidade e de capacidade financeira, promovendo inclusive o engodo em sua alteração contratual na qual elevou o seu Capital Social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para os R$ 442.800.000,00 (quatrocentos e quarenta e dois milhões e oitocentos mil reais), contudo, justamente esta Alteração de Contrato Social não foi entregue para a Fiscalização e tão pouco foi encontrada ou verificada no rol de elementos apreendidos. No entanto, a Clausula Segunda da Alteração Contratual datada de 10/11/2011 (fls. 42 do Anexo IX), informa que a integralização do aumento de Capital se deu pelo Título da Dívida Pública emitido pelo Estado da Bahia de n°43.988 ao Portador em 28/01/1913 e de acordo com Lauda de Avaliação em 09/12/2010 mantém valor atualizado de R$ 442.584.121,75 (...). Em circunstancias normais e de validade jurídica teríamos a incidência do Instituto do Ganho de Capital, cuja base de calculo seria a diferença entre o valor de aquisição deste Título e o valor aproveitado como Aumento de Capital Social que foi levado a efeito por meio da Alteração do Contrato Social, porém e diante do entendimento que tal Título não mantém validade jurídica e/ou econômica e que esta operação na realidade só serviu para dar aparência de grandeza e de solidez do Grupo perante "suas presas", foi desprezado seus efeitos pela Fiscalização. 10. Da identificação das pessoas naturais que são os administradores de fato da contribuinte. A regular escuta autorizada judicialmente permitiu identificar que o sócio majoritário Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, não passa de um pessoa "figurativa" e que está ao dispor do Chefe do Grupo Sr. Jacques Broher Cohen, casado ou que mantém relacionamento estável com Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, irmã de Marcelo. A Denúncia Crime interposta por dependência aos autos da Medida Cautelar 2237, da 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (Anexo III com 70 páginas), reproduz as transcrições das escutas captadas e relata com clareza a responsabilidade de cada uma das seis pessoas Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.482 19 naturais denunciadas e o papel que cada qual representava na Organização, visando em conjunto usufruírem de vantagem ilícita por meio da "Brazilian LandBank". Desta forma e com a autorização judicial proferida de compartilhamento de informações entre os Órgãos envolvidos na Operação (Anexo II), ratificamos e aproveitamos do relato que consta da Denuncia Crime retro referida, para responsabilizar as seguintes pessoas naturais como administradores de fato da contribuinte em lide, associados ao administrador de direito Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, RG 285933723, CPF 245.581.03808, residente e domiciliado à Praça Antonio Pinheiro da Costa, 55, apto 113, bloco 4, CEP 09725120, Vila Gonçalves, São Bernardo do Campo/SP, descrevendo apenas uma síntese elucidativa sobre cada qual: 1. Jacques Broder Cohen, RG 3409389, CPF 028.676.498 97, residente e domiciliado à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261, setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Apresentase como o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. O Anexo LXIII demonstra o valor de seu patrimônio. Documento da lavra de sua esposa/companheira Sra. Débora que estava no rol dos elementos apreendidos pela Operação de Busca e Apreensão autorizada judicialmente 2.Henrique Kertzman Misionschnik, RG 1521056/MG, CPF483.644.36600, residente e domiciliado à Rua México, 245, apto 102, CEP 11410350, Pitangueira, Guarujá/SP. Sócio de fato do Sr. Jacques. Realiza manobras para postergar o conhecimento sobre a verdade das ilusórias compensações. Administrava os empregados. Gerenciava pagamentos. Responsável pelo saneamento das pendências com pessoal ou comerciais. 3.Débora Christian Fachim Nogueira, RG 28.593.3723, CPF120.666.12839, residente e domiciliada à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261,setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.483 20 4.Silvia Regina de Almeida, CPF 030.337.78879, OAB 136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74, CEP 09627000, Rudge Ramos,São Bernardo do Campo/SP. Advogada do Grupo. Acompanhava a apresentação do produto nos casos dos créditos ilegítimos ou inexistentes. Elaborava os contratos dos negócios efetivados. Atuava com seus conhecimentos jurídicos no encantamento das "presas", tanto na captação como na manutenção do erro depois de notificados pela Receita Federal da irregularidade nas compensações. 5.Eudes Souza Cardoso Guimarães, RG 257095858, CPF 143.129.20877, residente e domiciliado à Rua Amaro Coutinho, 57, CEP 03896010, Ponte Rasa, São Paulo/SP. Diretor executivo do Grupo Representante comercial comandante. Responsável pela manutenção da vitima da organização criminosa em erro, quando intimada pela Secretaria da Receita Federal. 11. Da apuração do Resultado tributável da contribuinte pela modalidade do Lucro Arbitrado. Diante do fato de que a Fiscalização não convalidou a sistemática de apuração do resultado pelo Lucro Presumido por ela adotada em razão da falta de recolhimento do débito relativo ao primeiro período de apuração de cada qual dos anos calendários, combinado com a falta de entrega dos Livros de sua escrituração contábil, conforme tópico próprio anterior, não resta alternativas para o Fisco Federal senão seguir os ditames legais disciplinados pelos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) apuração pelo Lucro Arbitrado. Nestas circunstancias é requisito fundamental conhecer a real atividade empresarial da contribuinte, vez que a sua Receita Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A real atividade empresarial que foi objeto de desenvolvimento de tópico próprio anterior, lhe enquadra num percentual de 38,6% a ser aplicado sobre a Receita Bruta Conhecida, nos termos do artigo 519 e seus §§ cc artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A Receita Bruta Conhecida foi objeto de dois procedimentos distintos: um para o anocalendário de 2010 e o outro para os subseqüentes 2011 e 2012. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.484 21 Para o anocalendário de 2010 verificouse existência de créditos registrados na movimentação financeira da contribuinte que devidamente intimada não logrou êxito em comproválos, tão pouco apresentou quaisquer manifestações e/ou elementos em relação aos valores individualmente lhe requeridos, caracterizando a hipótese disciplinada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, compilamos os dados que constam do anexo ao Termo de Intimação lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII) e os totalizamos por mês, conforme consta do Anexo LXIV, cujo resultado está na tabela demonstrativa ao final deste tópico em conjunto com os demais valores mensais dos anoscalendário subseqüentes. Para os anoscalendário de 2011 e 2012 constatamos que a contribuinte dispunha destes dados em relatório próprio que foi objeto da Operação de Busca e Apreensão. O Anexo LXV Declaração de Faturamento 2011. É uma declaração formal datada de 30/01/2012 e assinada pela Assistente Administrativa Aline Rosi Rodrigues e pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira. Esclarecemos que todos os elementos apreendidos que especificavam controles financeiros de recebíveis ou de pagamentos efetuados estavam assinados pela Aline, conforme fartamente descrito em tópicos anteriores. Esclarecemos existência de erro material na soma do total anual que consta da declaração que registra R$ 25.605.965,26 enquanto que o valor correto é R$ 25.607.976,25, resultando na diferença a menor de R$ 2.010,99, considerada insignificante sob o aspecto fiscal vez que representa 0,0078% da Receita Bruta Conhecida. O Anexo LXVI Declaração de Faturamento 2012. Também é uma declaração formal datada de 16/01/2013, assinada pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e pelo contador Roberto Lippi. Os dados mensais registrados nesta declaração são fiéis aos valores trimestralmente informados na correspondente DIPJ, nas linhas relativas às receitas submetidas ao percentual de 8% e os signatários são os mesmos que constam como responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI). Esclarecemos que igualmente ao ano de 2011, houve erro material na soma do total anual que consta da declaração de 2012, registra R$ 34.693.687,72 enquanto que o valor correto é R$ 34.695.699,72, resultando na diferença a menor de R$ 2.012,00 e representa 0,0058% da Receita Bruta Conhecida. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.485 22 A tabela a seguir indica os valores mensais da Receita Bruta Conhecida pela Fiscalização para efeitos da apuração do resultado tributável da contribuinte. Período Apuração 2010 2011 2012 janeiro 100.000,00 930.415,13 2.816.590,47 fevereiro 31.202,00 1.820.227,22 3.479.243,01 março 1.990.632,08 2.955.671,08 Total no trimestre 133.212,00 4.743.285,43 9.253.516,56 abril 461.431,04 1.747.782,36 2.619.633,39 maio 208.191,03 392.519,47 2.938.793,98 junho 722.022,33 568.727,21 2.808.335,48 Total no trimestre 1.391.644,40 2.709.029,04 8.366.762,85 julho 479.890,64 1.655.648,04 2.785.049,89 agosto 616.223,82 2.581.186,61 2.949.394,53 setembro 773.939,27 2.230.719,23 3.041.526,06 Total no trimestre 1.870.053,73 6.467.553,88 8.775.970,48 outubro 399.581,33 3.681.731,49 2.951.751,53 novembro 301.082,43 3.694.690,33 2.739.073,64 dezembro 790.272,48 4.311.686,08 2.608.624,66 total no trimestre 1.490.936,24 11.688.107,90 8.299.449,83 total no ano 4.885.846,37 25.607.976,25 34.695.699,72 12. Do reflexo das irregularidades constatas na incidência dos tributos federais. A constatação de que a contribuinte auferiu Receita Bruta Conhecida e que nada declarou a título de débitos para o PIS/Pasep, para a COFINS e para a CSLL em suas DCTF, como também nada recolheu e que não se utilizou de nenhuma outra modalidade de extinção do crédito tributário decorrente da renda auferida, necessário se faz a constituição destes débitos mediante o procedimento ex ofício, razão pela qual estamos requerendo junto a Autoridade Administrativa a complementação desta ação fiscal, para a inclusão das verificações pertinentes as três contribuições retro referidas dentro do mesmo período de apuração do IRPJ. 13. Da responsabilidade solidária das pessoas naturais em relação aos débitos para com a Fazenda Nacional. O Código Tributário Nacional (CTN) disciplina que será contribuinte solidário aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.486 23 Sendo assim, se constitui em devedor solidário na qualidade de sujeição passiva da obrigação jurídica tributária aquele que apresenta interesse comum na situação ou as pessoas expressamente designadas por lei, nos termos do artigo 124 do CTN, Então, para os fins da responsabilização com base na lei vigente, entendese como responsável solidário tanto o sócio de direito bem como as pessoas naturais que mantinham interesse em comum, atuando em nome da pessoa jurídica e com poderes de gestão de fato, independentemente da denominação lhe conferida pela Organização à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Por fim, a lei estabelece ainda que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, com base na documentação probatória especificada em pormenores em cada qual dos tópicos relatados e, principalmente, na DENUNCIA CRIME (Anexo III) que em suma, qualifica e descreva Jacques Broder Cohen, Henrique Kertzman Misionschnik, Débora Christian Fachim Nogueira, Marcelo Fachim Nogueira, Silvia Regina de Almeida e Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos identificados e domiciliados conforme descrevemos no tópico 10 do presente Termo, que agiram em concurso e unidade de desígnios entre si, promoveram, constituíram, financiaram ou integraram, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, assim definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais notadamente estelionatos, sem prejuízo de outras infrações penais. A pedra de toque na caracterização do dolo desta equipe está justamente no fato de que buscavam "presas" em débito para com o Fisco Federal para lhes propor com falso engodo a iludida compensação, vez que utilizavam títulos que não se prestavam para a extinção do crédito tributário, razão pela qual não utilizaram o mesmo remédio no preenchimento das DCTF da "Brazilian LandBank", preferindo adotar o método de nada declarar e nada recolher aos cofres federal. Logo, todos estas seis pessoas naturais serão carreadas na qualidade de responsáveis solidários por sujeição passiva dos débitos tributários a serem constituídos no curso desta ação fiscal. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.487 24 (...) que o crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 24.843.927,09 na data da lavratura dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 (efls. 958/) assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até mês 03/2015) Multa de Ofício Total IRPJ 6.186.576,82 1.715.300,66 6.799.919,75 14.701.797,23 CSLL 1.877.284,50 521.580,86 2.066.543,11 4.465.408,47 Cofins 1.955.504,66 557.644,55 2.152.649,09 4.665.798,30 PIS/Pasep 423.692,68 120.823.00 466.407,41 1.010.923,00 Total 24.843.927,09 que foi imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado de ofício: a) ao sócio: Marcelo Fachim Nogueira, sócio: Enquadramento legal: A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso II, da Lei n° 5.172/66. A partir de 01/01/2000 Artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66. A partir de 01/01/2000 Artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66 b) coobrigados (art. 124, I, CTN): Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.488 25 b) sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III): Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica. Cientes do lançamento fiscal e da imputação da sujeição passiva solidária, o sujeito passivo e os responsáveis solidários, como já mencionado alhures, apresentaram impugnação na instância a quo, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 1261/1273) que, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) Na indigitada impugnação, contribuinte alega, em apertada síntese, preliminarmente, a inexistência de responsabilidade solidária, por não haver descrição de fatos acerca da conduta de cada participante na dita empreitada criminosa, pautandose somente a fiscalização na peça elaborada pelo Ministério Público, o que inquina a referida imputação. Neste sentido, invoca o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como o teor do verbete nº 1 da Súmula do CARF, dispositivo que trata da separação de instâncias administrativa e judicial na apreciação das demandas de natureza tributária envolvendo o fisco federal, e ainda, cita arestos proferidos por aquele tribunal administrativo sobre a matéria. Nas preliminares, aduz ainda o cerceamento do direito de defesa na medida que se buscou conhecer dos documentos bancários, por meio de RMF, sem a devida autorização judicial para tanto, como também não teve a fiscalização qualquer apego em demonstrar, a partir da circularização e cruzamento de documentos comerciais, fiscais e contábeis apreendidos em anterior procedimento cautelar de busca e apreensão, a materialidade das infrações, concluindo, por presunção e sem oportunizar o direito do contribuinte em apresentar suas contrarrazões, pela existência das provas aptas a sopesarem os ilícitos tributários. No mérito, traz à colação a necessidade de autorização judicial para o acesso aos dados bancários, conforme estabelece a decisão proferida no âmbito do RE nº 389808, de 15/12/2010, o que, em seu sentir, obsta a utilização da regular RMF emitida no curso da ação fiscal, fato que contamina ex nunc todos os atos administrativos produzidos, sobejamente o auto de infração ora em exame. No que tange ao arbitramento, contribuinte alega que a medida gravosa não restou suficientemente justificada na exação, posto que não há qualquer menção expressa acerca da desconsideração do lucro presumido apurado no período sob Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.489 26 análise, como ainda a base de cálculo encetada incluiu valores citados em contratos dos quais não participa, o que inquina a base de cálculo considerada, haja vista não serem operações comerciais engendradas por ele. Por derradeiro, insurgese contra a multa qualificada, pois a exação aplicada naquele percentual deve vir sempre acompanhada de acervo probatório idôneo a configurar a conduta típica engendrada pelo contribuinte, e não mero descumprimento aduzido pela não apresentação da escrituração comercial e fiscal. Nesta toada, cita os verbetes nº 14 e 96 da Súmula do CARF. Pelo exposto, pugna pelo reconhecimento da tempestividade da impugnação, preliminarmente pelo afastamento da responsabilidade solidária promovida na demanda, e, no mérito, pela improcedência do lançamento. Alternativamente, subsistindo o entendimento acerca da legalidade do lançamento, pugna pelo afastamento da multa qualificada. Houve também a interposição de impugnação por parte das pessoas naturais arroladas na condição de responsáveis solidários nos termos do art. 124, I, da norma geral tributária. Nesta senda, Silvia Regina de Almeida interpôs referido recurso em 23/04/2016, preliminarmente trazendo à luz o argumento de que não teve qualquer interesse no fato gerador da obrigações tributária, pois era somente funcionária contratada do contribuinte, vínculo que se iniciou em maio de 2011, para desempenhar atividade jurídica, sendo uma espécie de departamento jurídico, escoimandose que qualquer ato voltado para a atividade finalística desenvolvida no período, sendo que no contrato celebrado, além da locação de três salas comerciais pertencentes ao contribuinte, ficou consignada a relação acima mencionada. Destaca que referida relação contratual foi rescindida em 04/03/2013. Alega, com efeito, que jamais praticou qualquer ato para captação de clientes ou efetuado vendas referentes ao objeto social do contribuinte, prestando somente serviços jurídicos, e que participava das reuniões com clientes apenas a pedido da área comercial, atendendo aos clientes e a seus departamentos jurídicos. Nas questões de Direito, esclarece que sua inclusão no pólo passivo da responsabilidade tributária não respeitou aos princípios reitores do processo administrativo e da administração pública, especialmente o princípio da legalidade, que exige a exaustiva demonstração de elementos materiais lógicojurídicos que vinculem sua participação nos injustos, não somente a subsunção a dispositivos legais previstos na norma tributária, e a validade da presunção que, se não confrontada com outros elementos de prova, não pode ser instrumento hábil a fundamentar a imputação, visto que o Direito admite outros meios de provas a serem utilizados. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.490 27 No que se refere à responsabilidade tributária, aduz que este instituto difere da responsabilidade pessoal, sendo imprescindível a demonstração inequívoca de interesse comum no fato gerador, expressão que, a despeito da abstração prevista na norma geral, decorre da participação na realização do fato gerador, que, conjuntamente, deve ter contra si provado tal liame, razão pela qual solicita a exclusão de seu vínculo de responsabilidade solidária com a exação em tela. Débora Christian Fachim Nogueira e Henrique Kertzman Misionschnik, apresentam, nesta ordem, em 01/05/2015 e 05/05/2015, suas impugnações, que, embora em peças apartadas, tem materialmente a mesma fundamentação jurídica – inclusive com redação quase que idêntica, consignando inicialmente que a responsabilidade tributária se baseia unicamente na denúncia formulada pelo Parquet, não havendo qualquer fato novo a vinculálos ao fato gerador, muito menos a comprovação de interesse comum na relação tributária. Relata como fundamento de sua defesa, portanto, que a fiscalização limitouse a descrever aquela imputação. Ausente qualquer vínculo societário formal com o contribuinte, alegam que fazem parte do quadro societário de outra sociedade empresária e que, por ocasião de oitiva junto ao MP/SP, categoricamente afirmam jamais ter participado como sócios do contribuinte, o que comprova a inexistência de interesse comum com o fato gerador que deu ensejo à exação. No mais, tal qual o contribuinte aduz em sua impugnação, pretendem afastar as infrações tributárias pelo fato de haver sido engendrada conduta que cerceou seu direito de defesa, bem como se mostrou desprovida de validade jurídica o arbitramento levado a efeito pela fiscalização, razão pela qual pedem sejam excluídos do polo passivo da demanda e, alternativamente, acaso não seja acatado o pedido supra, a multa qualificada seja objeto de reforma. Jaques Broder Cohen, na mesma linha de dicção dos anteriores, alega a inexistência de qualquer relação que, por desdobramento, implique na responsabilidade tributária que lhe fora imputada pela fiscalização, que se pautou somente na descrição fática aportada no relato formulado no procedimento investigatório. O dito interesse comum, a seu juízo, não restou demonstrado, inquinando, por este turno, qualquer vinculação de seu nome com o crédito tributário. Expõe ainda possíveis nulidades a prejudicarem a validade da autuação, como o cerceamento do direito de defesa amparado pela insuficiente descrição dos fatos ensejadores das infrações capituladas na reprimenda e pela inversão do ônus da prova engendrada na ação fiscal, sem, contudo, haver qualquer previsão legal para tanto. Por fim, insurgese contra o arbitramento do lucro, por não haver descrição suficiente para amparar a adoção desta modalidade de apuração do lucro, bem como pela inexistência Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.491 28 de fatos que conduzam à qualificação da sanção punitiva acoimada ao valor principal dos tributos devidos, ora no que tange ao arbitramento, ora no que concerne à infração encartada como omissão de receitas pela via direta. É o relatório necessário. Passo ao exame. (...) Na sessão de 30/05/2016, a 8ª Turma da DRJ/São Paulo julgou as impugnações improcedentes, mantendo integralmente o crédito tributário lançado de ofício e as sujeições passivas solidárias, cuja ementa e parte dispositiva do acórdão transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentálos, resta imprescindível a aplicação da medida gravosa do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99(Regulamento do Imposto de Renda) OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. COTEJO ENTRE AS DECLARAÇÕES E DEMAIS DOCUMENTOS FISCAIS. NOTAS FISCAIS COMO MEIO DE PROVA DIRETA. No curso da autoria, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON, e notas fiscais regularmente emitidas, se comprovado que contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9430/96. No curso do procedimento fiscal, após a constatação da existência de depósitos bancários em conta de titularidade do contribuinte, cabível a aplicação da presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei 9430/96. Se, após ter sido oportunizado o direito do contribuinte de produzir prova em contrário sobre o origem dos depósitos, não for produzida prova hábil a afastar tal presunção legal, a autoridade administrativa tem o dever de incluir tais valores na base de cálculo do IRPJ e seus reflexos, a título de receitas operacionais. MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL DO ART. 44 DA LEI 9430/96. PERCENTUAL QUALIFICADO ANTE A CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A multa de ofício prevista na norma tributária se aplica em Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.492 29 razão do princípio da legalidade estrita, baliza do Direito Tributário. Constatada a existência da fatos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502/64, que se ligam hodiernamente ao que estabelece o art. 1º1 da Lei nº 8137/90, a qualificação da referida multa deve ser aplicada pela autoridade administrativa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado o interesse comum entre as pessoas envolvidas no fato gerador da obrigação tributária, quer seja mediante a produção de prova no curso da ação fiscal, quer por meio de prova legalmente produzida em procedimento diverso, no jargão jurídico conhecida como prova emprestada, tal responsabilidade deve ser formalizada pela autoridade administrativa, devendo ser observados todas as conseqüências pertinentes a este instituto, especialmente a inexistência do benefício de ordem na cobrança do crédito tributário. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DEFINIDO NO ART. 15 DO DECRETO 70237/72. INTEMPESTIVIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. A apresentação da impugnação administrativa fora do prazo implica no reconhecimento de sua intempestividade, o que, por desdobramento, impõe a não instauração do contencioso administrativo e a preclusão do direito do responsável solidário em apresentar defesa nas fases posteriores da demanda em sede administrativa. No entanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário comunica a todos os citados na ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimemse o contribuinte e os responsáveis tributários solidários para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – à exceção de Henrique Kertzman Misionschnik (impugnação intempestiva) , em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. (...) Nesta instância recursal ordinária, a pessoa jurídica Sujeito Passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e fls. 1285/1315). Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.493 30 Obs: Como não havia nos autos o documento de ciência da decisão recorrida pelo sujeito passivo, e para verificação da tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado, esta Turma na sessão de 12/06/2018, conforme Resolução nº 1301000.601 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, devolveu os autos à unidade de origem da RFB para que juntasse aos autos o comprovante de ciência do sujeito passivo e do responsável solidário EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES (efls.. 1422/1449). Efetuado o saneamento do processo, dada ciência, aberto prazo para recurso (efls. 1451/ 1460), não houve manifestação adicional da Pessoa Jurídica e não houve apresentação de Recurso Voluntário por parte do Sr. EUDES SOUZA CARDOSO. Consta dos autos ciência dos sujeitos passivos solidários: a) MARCELO MARCEL FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1280), e não apresentou Recurso voluntário. b) SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA em 08/06/2016 por via postal AR (e fl. 1281), e não apresentou Recurso Voluntário; c) JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls.1377/1399); d) HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK em 09/06/2016 por via postal AR (efl. 1283), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1351/1376); e) DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1284), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1319/1344).; f) EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES em 14/08/2018 por via postal AR (efl. 1460), não apresentou Recurso Voluntário. Quanto às razões do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, em síntese, são as seguintes: I Das preliminares suscitadas: a) deficiência de fundamentação da decisão da DRJ: que a decisão recorrida, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489 do Novo Código de Processo Civil CP (Lei 13.105/2015); que a decisão da DRJ deve ser anulada, e retorno dos autos para nova decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal. b) da inexistência de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN, em relação aos imputados: que a fiscalização não descreveu objetivamente as condutas individualizadas de cada imputado; que em face da ausência de descrição pormenorizada do interesse comum, requerse, nesse ponto, o acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal; que, na hipótese da sujeição ser mantida, que deve ser limitada ao período em que efetivamente atuou cada um dos imputados. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.494 31 c) cerceamento do direito de defesa: descrição insuficiente dos fatos nos Autos de Infração; que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto às infrações imputadas; que o que há é apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco, obtida pelo compartilhamento dos documentos apreendidos pelo Ministério Público e uma listagem de depósitos fls. 416; que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que a prova utilizada não se sustenta ante a movimentação financeira apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que no caso só teria ocorrido ausência de declaração. 2 Mérito: a) omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada: que deve ser afastada a autuação quanto anocalendário 2010 com base depósitos bancários, por ilegal a quebra do sigilo bancário, acesso sem autorização judicial. b) arbitramento do lucro: que discorda do coeficiente de arbitramento (margem de lucro presumida), base de cálculo; que a descrição dos fundamentos não consta da descrição dos fatos no auto de infração; que não consta qual a razão para o afastamento do lucro presumido e os fundamentos para o lucro arbitrado; que o lançamento fiscal não tem motivação; que a fiscalização não demonstrou os motivos para desconsideração do lucro presumido, limitandose a afirmar que a real atividade da contribuinte é a prestação de Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.495 32 serviços; que não demonstrou a proporção do faturamento entre a prestação de serviços e atividade imobiliária (porção de exploração imobiliária); que desconsiderou todos os empreendimentos imobiliários desenvolvidos pela contribuinte sem fazer qualquer exame ou investigação sua existência, como faz prova o contrato de fls. 856 e seguintes; que a fiscalização não levou em conta os diversos contratos celebrados pela contribuinte de constituição de sociedade em conta de participação para exploração de inúmeros imóveis. b) base de cálculo: que parte dos recursos pertencem a terceiros e não poderiam ser considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes: que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855; que a base de cálculo foi superestimada, e que não tem como comprovar pois os documentos foram apreendidos; porém o fisco tem disponibilidade sobre esses documentos em face do compartilhamento de provas deferido judicialmente. c) multa de 150%: que a qualificação da multa deuse com base em argumentos genéricos; que deuse pura e simplesmente pela falta de declaração e falta de recolhimentos, contrariando não só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e 96; que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício. Por fim, a recorrente pediu: a) a anulação da decisão recorrida, por inobservância do art. 489 do novo CPC; b) exclusão dos responsáveis solidários; c) subsidiariamente, a suspensão, sobrestamento do processo, até que sejam julgadas as ações criminais em curso no Poder Judiciário; d) quanto mérito, a improcedência do lançamento fiscal e, caso não seja improcedente, requer o afastamento da qualificadora da multa. Razões do Recurso Voluntário dos coobrigados: Sr. HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK; Sr. JACQUES BROTER COHEN; Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.496 33 Sra. DÉBORA CHRISTIAN FACHIM|; Embora os recursos tenham sido apresentados individualmente, todos alegaram as mesmas matérias, em síntese: a) preliminares: suscitou as mesmas preliminares já suscitadas pela pessoa jurídica autuada. b) mérito: alegou as mesmas matérias já alegadas pela pessoa jurídica autuada. Por fim, pediu: a) preliminarmente: a nulidade da decisão recorrida, retorno dos autos à primeira instância de julgamento para nova decisão, sob pena de supressão de instância; subsidiariamente, a exclusão da responsabilidade solidária; b) mérito: improcedência do lançamento fiscal e, caso não seja improcedente, o afastamento da qualificadora da multa de ofício. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.497 34 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os Recursos Voluntários do sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (efls. 1285/1315) e dos responsáveis solidários DÉBOARA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA (efls. 1319/1344) e JACQUES BRODER COHEN (efls. 1377/1399) são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade. Portanto, conheço dos recursos. Quanto ao Recurso Voluntário do Sr. HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK (efls. 1351/1376), responsável solidário, embora apresentado tempestivamente, conheço parcialmente, ou seja, não conheço quanto à matéria sujeição passiva solidária por estar preclusa, pois na primeira instância de julgamento o Sr. Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva, a qual sequer foi conhecida pela decisão a quo que, de forma expressa, pronunciou a intempestividade, implicando preclusão (revelia) (efl.1267), in verbis: (...) As impugnações foram interpostas dentro do prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70235/72, razão pela qual devem ser conhecidas, à exceção daquela aviada por Henrique Kertzman Misionschnik, que, apresentada pela via postal, tem como data de entrega 05/05/2015, portanto, fora do prazo recursal definido pelo dispositivo supra, o que, por consectário, implica no reconhecimento de sua intempestividade e no não conhecimento da instauração da fase litigiosa, não obstante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em tela subsistir a todos os envolvidos na ação fiscal. (...) Não apresentaram Recurso Voluntário os responsáveis solidários: SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário; Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.498 35 EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES ciente da decisão a quo em 14/08/2018 por via postal AR (efl. 1460); não apresentou Recurso Voluntário. MARCELO MARCEL FACHIM NOGUEIRA é titular de direito da pessoa jurídica autuada, conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286), ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1280), não apresentou Recurso Voluntário. OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL Conforme relatado, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, unidade DRF/São Bernardo do Campo, constatou que nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, a contribuinte, submetida ao regime do lucro presumido: a) não pagou IRPJ e CSLL e também não recolheu PIS e Cofins; b) apresentou DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011 sem movimento, ou seja, sem faturamento, campos zerados (efls. 685/722). Intimada e reintimada pelo fisco para a apresentar o livro Caixa, razão, Diário e documentos, a contribuinte nada forneceu à Fiscalização. Então, o fisco arbitrou o lucro. Infrações imputadas (exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins): a) omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada (presunção legal, prova indireta, art. 42 da Lei 9.430/96), anocalendário 2010, com multa qualificada (150%) b) omissão de receitas da atividade receita bruta de prestação de serviços em geral, anoscalendário 2011 e 2012, com aplicação de multa de 150% e 75%, respectivamente (prova direta, art. 24 da Lei 9.249/95). Imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado de ofício: a) art. 124, I, do CTN: Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães; b) arts. 124, II e 135, III): Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.499 36 Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica. A decisão a quo julgou as Impugnações improcedentes, ao manter a exigência do crédito tributário e, ainda, manteve a sujeição passiva solidária de todos os imputados (coobrigados). OBJETO DOS RECURSOS APRESENTADOS 3.1Preliminares suscitadas: a) nulidade do lançamento fiscal: descrição insuficiente dos fatos, falta de motivação, cerceamento do direito de defesa. b) nulidade da decisão a quo. fundamentação deficiente, cerceamento do direito de defesa. 3.2 Mérito: a) omissão de receitas depósitos bancários e origem não comprovada, ano calendário 2010, Planilha elaborada pela Fiscalização (efls. 912/913); b) omissão de receitas receitas da atividade de prestação de serviços em geral: anocalendário 2011 Planilha de faturamento, receita bruta, elaborada pela própria contribuinte, de 30/01/2012 (efl. 914); anocalendário 2012 dados da DIPJ. c) arbitramento do lucro base de cálculo: d) multa qualificada (150%). d) sujeição passiva solidária dos imputados (coobrigados). Identificados os pontos controvertidos, passo, primeiro, a enfrentar as preliminares suscitadas. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.500 37 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA O sujeito passivo e os coobrigados suscitaram preliminar de nulidade dos autos de infração, por cerceamento do direito de defesa: descrição insuficiente dos fatos nos autos de infração; que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto às infrações imputadas; que há apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco, obtida pelo compartilhamento dos documentos apreendidos pelo Ministério Público e uma listagem de depósitos fls. 416; que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que a prova utilizada não se sustenta ante a movimentação financeira apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que no caso só teria ocorrido ausência de declaração; que o lançamento fiscal não tem motivação. Rechaço peremptoriamente a alegação de existência de prejuízo à defesa quanto aos fatos imputados nos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Quanto às infrações imputadas, os autos de infração apresentam adequada, precisa, exata, descrição ou narrativa dos fatos, capitulação legal, valor tributável, demonstrativo de base de cálculo, alíquota e valor da exação fiscal apurada, com respectivos demonstrativos de cálculo, em observância ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235 e art. 142 do CTN. Veja. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.501 38 Quanto à infração omissão de receitas receita bruta mensal de prestação de serviços em geral, consta do Auto de Infração do IRPJ (e963/964), in verbis: (...) 0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL O contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a serviços gerais que prestou e nem informou rendimentos na respectiva DIPJ que entregou tempestivamente no anocalendário de 2011, caracterizando omissão de receitas da atividade. Para o período de 2012 embora tenha informado rendimentos na DIPJ, nada recolheu ou declarou em DCTF a título de débitos de tributos federais decorrentes da receita que auferiu. A regular e autorizada judicialmente Operação de Busca e de Apreensão no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas possibilitou verificar e apurar a sua RECEITA CONHECIDA, nos termos da legislação tributária e da modalidade de apuração do resultado pelo Lucro Arbitrado, e de que esta Receita advêm da atividade de prestação de serviços, conforme relato pormenorizado que consta do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado aos 05/01/2015, cuja ciência ocorreu pelo Edital nº 16/2015, publicado no DOU de 13/02/2015, com a documentação probatória que foram carreadas ao Termo em forma de Anexos do I ao LXVII; pelos demais fatos narrados no Termo de Registro de Ocorrências de 09/02/2015 e no Termo de Descrição dos Fatos de 23/03/2015, sendo que todos estes Termos são integrantes dos presentes autos de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2011 930.415,13 150,00 28/02/2011 1.820.227,22 150,00 31/03/2011 1.990.632,08 150,00 30/04/2011 1.747.782,36 150,00 31/05/2011 392.519,47 150,00 30/06/2011 568.727,21 150,00 31/07/2011 1.655.648,04 150,00 31/08/2011 2.581.186,61 150,00 30/09/2011 2.230.719,23 150,00 31/10/2011 3.681.731,49 150,00 30/11/2011 3.694.690,33 150,00 31/12/2011 4.311.686,08 150,00 31/01/2012 2.816.590,47 75,00 28/02/2012 3.479.243,01 75,00 31/03/2012 2.955.671,08 75,00 30/04/2012 2.619.633,39 75,00 31/05/2012 2.938.793,98 75,00 Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.502 39 30/06/2012 2.808.335,48 75,00 31/07/2012 2.785.049,89 75,00 31/08/2012 2.949.394,53 75,00 30/09/2012 3.041.526,06 75,00 31/10/2012 2.951.751,53 75,00 30/11/2012 2.739.073,64 75,00 31/12/2012 2.608.624,66 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 537 do RIR/99 (...) Como dito, os valores tributáveis mensais demonstrativo acima constam do auto de infração IRPJ (efls 963/964) e foram obtidos pela Fiscalização assim: a) quanto ao anocalendário 2011, em Operação de Busca e Apreensão no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial. Portanto, o demonstrativo original, elaborado pela própria fiscalizada BRAZILIAN LANDBANK consta da Planilha Faturamento Bruto 2011, de 30/01/2012, assinada por Aline Rosi Rodrigues e, também, assinada por Marcelo Marcel Fachim Noqueira (efls. 912/913); b) quanto ao anocalendário 2012, transcrição da própria DIPJ que a contribuinte entregou ao fisco (transmitiu eletronicamente à RFB) (efls. 723/745), porém nada pagou, nada recolheu. Quanto à infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada, anocalendário 2010, consta do auto de infração do IRPJ (efl. 965) e autos reflexos (CSLL, PIS e Cofins), in verbis: (...) 0002 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras no anocalendário de 2010, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A regular e autorizada judicialmente “Operação de Busca e de Apreensão” no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas possibilitou verificar que os ingressos em contascorrentes advêm da atividade de prestação de serviços, conforme relato pormenorizado que consta do Termo Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.503 40 de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado aos 05/01/2015, cuja ciência ocorreu pelo Edital nº 16/2015, publicado no DOU de 13/02/2015 e pelos demais fatos narrados no Termo de Ocorrências de 09/02/2015 e no Termo de Descrição dos Fatos de 23/03/2015, sendo que todos estes Termos são integrantes dos presentes autos de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 100.000,00 150,00 28/02/2010 31.202,00 150,00 30/04/2010 461.431,04 150,00 31/05/2010 208.191,03 150,00 30/06/2010 722.022,33 150,00 31/07/2010 479.890,64 150,00 31/08/2010 616.223,82 150,00 30/09/2010 773.939,27 150,00 31/10/2010 399.581,33 150,00 30/11/2010 301.082,43 150,00 31/12/2010 790.272,48 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 (...) Na DIPJ do anocalendário 2010, a contribuinte não declarou faturamento, ou seja, receita bruta mensal e anual valor zerado (efls. 685/722). O demonstrativo de valores tributáveis foi extraído da planilha de depósitos bancários a crédito não justificados pela contribuinte do anocalendário 2010, que discrimina operação de depósito, uma por uma, nª do Banco, nº da Agência, conta corrente, data, valor creditado e histórico (efls. 913/914). Cópia dos extratos bancários fornecidos pelos Bancos, RMF, constam dos autos (efls.427/684). A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Como visto, não tem plausibilidade fáticojurídica a alegação da recorrente de que o lançamento fiscal teria descrição insuficiente dos fatos, falta de motivação, e que a fiscalização ainda não teria demonstrado suficientemente a base de cálculo quanto às infrações imputadas. Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.504 41 Diversamente do alegado pela recorrente, as infrações imputadas estão motivadas, precisamente narradas, descritas nos autos de infração com adequada identificação e demonstração dos Elementos Pessoal, Material, Temporal, Espacial e quantitativo e ainda capitulação legal. Apenas a ausência ou insuficiência de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal das infrações imputadas implicaria vício de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, o que não é o caso. Conforme já dito, os fatos imputados estão apurados, narrados, de forma clara, objetiva e suficiente, com capitulação legal e motivação, o que permitiu ao sujeito passivo e aos responsáveis solidários o pleno entendimento e compreensão da acusação fiscal, não restando comprovado o alegado prejuízo à defesa. Nesse sentido, também são precedentes do CARF, ou seja, pela inocorrência de vício que pudesse macular, inquinar de nulidade o lançamento fiscal, in verbis: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. (Acórdão nº 1402002.522 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 17/05/2017, Paulo Mateus Ciccone Relator). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. (Acórdão nº 1401001.884 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 18/05/2017, Antonio Bezerra Neto–Presidente e Relator). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. (Acórdão nº 2202004.663–2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 07/08/2018, Rosy Adriane da Silva Dias Relatora). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.505 42 legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.(Acórdão nº 2401005.668–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 07/08/2018, Cleberson Alex Friess Relator). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:01/01/2007a30/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art.142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE .INEXISTÊNCIA. Descabida a alegação de nulidade de acórdão constituído por relatório resumido do processo, dispositivo e fundamentação, com o debate de todos os argumentos relevantes apresentados, sem qualquer cerceamento do direito de defesa da contribuinte. (Acórdão nº 3402005.560–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 30/08/2018, Maria Aparecida Martins de Paula Relatora). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Ano calendário:2011 FASE PROCEDIMENTAL. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DE FASE LITIGIOSA. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório.O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 1301003.292–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2018, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade dos autos de infração. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA Os recorrentes alegaram que: que a decisão a quo, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489 do Novo Código de Processo Civil CP (Lei 13.105/2015); Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.506 43 que a decisão da DRJ deve ser anulada, e retorno dos autos para nova decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal (elementos essenciais da sentença, relatório, fundamentos e dispositivo). Não procede a alegação dos recorrentes. A decisão recorrida enfrentou adequadamente as razões fundamentais de defesa suscitadas e analisou as provas, sendo suficiente sua fundamentação. Enfrentou os pontos capitais. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF. Ainda, nesse sentido também transcrevo precedentes do CARF: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2000,2001,2002,2003,2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa de notar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.(Acórdão nº 2402006.599–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 13/09/2018, Mauricio Nogueira Righetti Redator). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2011, 2012, 2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE.INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF.(Acórdão nº 1301003.360–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 19/09/2018, Fernando Brasilde Oliveira Pinto Presidente e Relator). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72. (Acórdão nº 120200.076 — 2ª Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.507 44 Câmara ir Turma Ordinária, sessão de 17/06/2009, Karem Jureidini Dias, Relatora). Como visto, a mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. SIGILO BANCÁRIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ACESSO DO FISCO SEM ORDEM JUDICIAL. Os recorrentes alegaram que deve ser afastada a autuação quanto ano calendário 2010 com base em depósitos bancários, por ser ilegal a quebra do sigilo bancário, acesso sem autorização judicial. Carece de plausibilidade fáticojurídica a pretensão dos recorrentes. Ante negativa da Fiscalizada de fornecer cópias de extratos bancários e por força do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2004, a Receita Federal requisitou, via Requisição de Movimentação Financeira RMF, cópias dos extratos bancários das contas correntes da autuada e, por sua vez, as instituições financeiras forneceram, disponibilizaram as informações de movimentação financeira (efls.427/684). O acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, mediante requisição dirigida aos Bancos, não configura quebra de sigilo bancário, mas sim mero translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Essa transferência direta ou translado de informações acerca da movimentação financeira bancária, sem ordem judicial, ao fisco é constitucional. Nesse sentido, cabe destacar que o Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, na Sessão de Julgamento de 24/02/2016, no RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.314SP, Repercussão Geral, Relator Ministro Edson Fachin, declarou constitucional a legislação de regência do acesso direto do fisco aos dados e informações financeiras de correntistas das instituições financeiras, mediante Requisição de Informação de Movimentação Financeira RMF, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.508 45 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Portanto, o acesso direito do fisco, sem ordem judicial, aos de dados e informações de movimentação financeira bancária da autuada do anocalendário 2010, objeto Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.509 46 do lançamento de ofício, mediante expedição de RMF, deuse com base em legislação de regência declarada constitucional pelo STF, com efeito erga omnes. OMISSÃO DE RECEITAS (LEI 9.430/96, ART. 42). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. ANOCALENDÁRIO 2010 Os recorrentes alegaram que: que parte dos recursos pertencem a terceiros e não poderiam ser considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes: que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855; que a base de cálculo foi superestimada, e que não tem como comprovar, pois os documentos foram apreendidos na operação policial autorizada judicialmente; porém, o fisco tem disponibilidade sobre esses documentos em face do compartilhamento de provas deferido judicialmente. A irresignação dos recorrentes não merece guarida. Primeiro, quanto aos documentos apreendidos pela fisco na operação autorizada judicialmente não constam os livros da escrituração contábil e fiscal conforme narrativa constante do Termo de Constatação Fiscal (efls. 02/34), in verbis: (...) 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). (...) Os elementos de destaque, que devem ser aproveitados como documentação probatória para o regular curso desta ação fiscal no âmbito tributário, foram deles extraídas cópias digitais ou cópias impressas, permanecendo os originais nas respectivas pastas e caixas. Sendo assim, os elementos coletados pela Fiscalização neste rol de documentos apreendidos estarão relacionados em forma de Anexos, cada qual ao seu tempo e no decorrer da narrativa dos fatos e das circunstancias constatadas. No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.510 47 do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Assim, a mera juntada de cópias de instrumentos de contratos não servem de prova de que teria receita de terceiros. Não juntou cópia de nota fiscal de faturamento e nem comprovou que os depósitos seriam coincidentes em datas e valores. Não comprovou a origem dos depósitos. Cópia dos extratos bancários fornecidos pelos Bancos, RMF, constam dos autos (efls.427/684). A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Entretanto, a recorrente nada comprovou. Diversamente do entendimento dos recorrentes, por ter restado não comprovada a origem dos depósitos bancários a crédito nas contas correntes bancárias da autuada, embora intimada a fazêlo, o fisco, por presunção legal, então imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que encerra presunção legal, tem o condão de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não cometeu a infração, ou seja, de que não ocorreu a omissão de receitas. Portanto, é uma presunção legal relativa que pode ser afastada, arrostada, por provas hábeis e idôneas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) da presunção de omissão de receitas. Como dito, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.511 48 bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Veja: Lei n° 8.021/1990: "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações." [revogado] Lei n° 9.430/1996 : "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos pois calcada em legislação revogada. Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.512 49 Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade do fisco provar sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo (ementas de julgados, acórdãos), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.513 50 DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.514 51 contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Ainda, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda da Constituição Federal. Eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, não sendo competência ao CARF o enfrentamento, no mérito, dessa questão, conforme Súmula CARF nº 02, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu desse ônus probatório para afastar a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para afastar, elidir, a omissão de receitas com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. PROVA DIRETA. ANOSCALENDÁRIO 2011 E 2012. Alegaram os recorrentes: que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.515 52 Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855. Não procedem as alegações dos recorrentes, pois a receita bruta própria foi apurada pela própria contribuinte, quanto aos anoscalendário 2011 e 2012. Assim, não cabe objetar os referidos documentos, pois não se aplicam ao caso, conforme já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal e também conforme demonstrado no tópico a seguir: Arbitramento do Lucro. ARBITRAMENTO DO LUCRO ANOSCALENDÁRIO 2010, 2011 E 2012 Nas razões do recurso, alegaram os recorrentes: que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão assim procedeu; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que, no caso, só teria ocorrido ausência de declaração; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; Não procedem os argumentos dos recorrentes. Intimada, diversas vezes, a pessoa jurídica autuada, não apresentou os livros Razão, Diário e Razão e demais documentos à Fiscalização da RFB, quanto aos anos calendário 2010, 2011 e 2012. Veja. A autuada nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 apresentou, entregou, à Receita Federal as DIPJ, informando regime do lucro presumido (efls. 685/745); porém, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal, as DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011 foram entregues ao fisco com as fichas e campos zerados quanto ao faturamento (receita mensal e anual valor R$ 0,00) e não informou apuração dos tributos e contribuições e ainda não houve pagamento algum a título do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins desses anoscalendário. Cópias das DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011, com as Fichas e campos vazios (zerados), sem informar receitas e sem apuração dos tributos e contribuições (efls. 685/722). A contribuinte foi intimada, diversas vezes, no curso do procedimento de fiscalização apresentar, entregar, à Fiscalização extratos bancários, os livros Caixa, Razão, Diário e documentos da escrituração; porém, nada forneceu. As intimações ocorreram nas seguintes datas: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.516 53 a) Termo de Início de Fiscalização, para apresentação dos extratos bancários anocalendário 2010 e outros documentos, de 12/08/2013 (efls. 287/290) b) Termo de Intimação Fiscal nº 02, de 11/09/2013, para apresentação dos extratos bancários, livros Caixa, Diário e Razão e outros documentos (efls. 291/294); c) Termo de Intimação Fiscal nº 03, de 30/09/2013, para apresentação de livros Caixa, Diário e Razão e arquivos digitais (efls. 295/297); d) Termo de Intimação e Ciência Fiscal, de 25/09/2014, para apresentar extratos bancários (efls. 665/672); e) Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e Intimação Fiscal, de 05/01/2015 (efls. 02/34). Conforme já explanado quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal, a Fiscalização apurou a receita bruta: a) do anocalendário 2010 com base nos extratos bancários (movimentação financeira bancária depósitos a crédito em contas correntes não escriturados e de origem não comprovada), conforme matéria já enfrentada no tópico OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA; b) do anocalendário 2011 em documento elaborado pela própria contribuinte, documentos apreendidos em “Operação de Busca e de Apreensão” no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial, conforme já analisado, explicitado, demonstrado, quando da análise da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal; c) do anocalendário 2012, conforme dados de faturamento constantes da própria DIPJ 2013, anocalendário 2012 e já analisados quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal. Conhecida a receita bruta, aplicou a Fiscalização o regime de apuração do Lucro Arbitrado, pois a contribuinte intimada, diversas vezes, não apresentou os Livros Caixa, Diário e Razão e demais documentos da escrituração, como já dito. Diversamente do alegado pelos recorrentes, a Fiscalização demonstrou os valores de receita bruta mensal e anual, quanto aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, conforme demonstrativos já transcritos quando da análise da preliminar de nulidade do lançamento fiscal. Aqui, reproduziremos, novamente, mais adiante, o demonstrativo de receita bruta dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. Receita bruta que serviu para aplicação do respectivo coeficiente de presunção do lucro para esses anos. Quanto ao coeficiente de presunção do lucro arbitrado, a Fiscalização aplicou o coeficiente previsto para receitas de prestação de serviços em geral, para os anos Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.517 54 calendário 2010, 2011 e 201, ou seja, 38,4% (32% x 1,2), pois a Fiscalização apurou que atividade desenvolvida pela autuada, nesses anos, foi de prestação de serviços em geral. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos apurados constante do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, de 05/01/2015, parte integrante do lançamento fiscal, quanto à atividade da autuada (efls. 02/34), in verbis: (...) 01. Da autorização judicial de compartilhamento de informações entre a RFB, o Ministério Público Estadual e o GAECO ABC. Por meio do Ofício n° 76/14 GAECO ABC (Anexo I) recebemos a mídia digital contendo cópia do procedimento investigatório criminal n° 07/13 GAECO ABC, bem como do apenso do procedimento relativo à quebra de sigilo telefônica e de dados. Conjuntamente, recepcionamos a cópia da decisão da Excelentíssima Juíza de Direito da 5a Vara Criminal de São Bernardo do Campo (Anexo II) proferida nos autos 3016090 38.2013.8.26.0564, pela qual deferiu o compartilhamento das informações obtidas naquele feito com a Receita Federal, "uma vez que a investigação aponta suposta fraude em seus sistemas e possível envolvimento de funcionário de seus quadros nos delitos ora investigados". (...) 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para analise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). (...) A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: Tramitam neste juízo medidas sigilosas requeridas após instauração de procedimento investigatório criminal, pelo GAECO, com objetivo de apuração de eventual prática de Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.518 55 crimes de organização criminosa, estelionato, falsidades ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente data, representantes da empresa BLB — Brazilian Landbank Empreendimentos e Representação Comercial Ltda e outras do mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes. (...) Em resumo, depreendese dos autos que a noticia de tais delitos chegou ao conhecimento dos membros do Núcleo por intermédio de declarações prestadas por Luciano das Neves sola, no dia 14 de outubro de 2013. Naquela ocasião, a vitima declarou que Jacques Broder Cohen, que se apresentava como sócio e controlador da empresa acima mencionada, teria mediante ardil induzidoo em erro, com o fim de obter vantagem ilícita em prejuízo alheio. Isto porque teria sido entabulado um contrato entre Luciano e a empresa "BLB", cujo objetivo seria a compensação de tributos a serem recolhidos pelo estabelecimento ELVI COZINHAS INDUSTRIAIS LTDA, de propriedade de Luciano, assim, teria sido oferecido à vítima o serviço de compensação de seus débitos junto ao fisco através da compra de créditos tributários de outras empresas. Após a assinatura do contrato, a vítima efetuou as transferências de valores, no montante de três milhões de reais para a empresa "BLB". Ocorre que, não obstante o pagamento realizado, as dividas fiscais não teriam sido compensadas conforme prometido, suportando a vitima o prejuízo no valor aproximado de oito milhões de reais. Os tais créditos tributários que seriam utilizados como compensação não eram aptos a gerar efeitos junto ao fisco. A vitima declarou ter percebido que caíra em um golpe ao tomar conhecimento de que alguns dos títulos por si adquiridos sequer existiam. Durante a investigação, ao cabo dos períodos da interceptação telefônica e telemática judicialmente deferida, o Ministério Público apurou nomes de outras empresas que teriam sido vítimas das condutas perpetuadas pelos investigados. .... que a empresa GRÁFICA RAMI LTDA pagou por créditos tributários que não serviram para compensação tributária junto à receita Federal. Tal como a Elvi Cozinhas, tal empresa cobra, sem sucesso, a restituição dos valores pagos à "BLB", inclusive através do Termo de Confissão de Dívida no valor de um milhão, novecentos e setenta reais e três centavos, conforme correspondência eletrônica de HENRIQUE KERTZMAN para assinatura de MARCELO FACHIN, interceptada. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.519 56 Quanto a FRANCO BACHOT INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA, constatouse a notificação pela Receita Federal sobre problemas com os créditos utilizados. (...) SUPERMERCADOS ZONI firmou, em 28 de novembro de 2013, contrato com Brazilian Asseis Ltda, no valor de R$ 22.200,00, cujo objeto consistia na cessão, por esta à aquela, de direitos creditórios para compensação tributária. A Brazilian Asseis não cumpriu com sua obrigação contratual. Quando cobrada por SUPERMERCADOS ZONI, o Grupo Brazilian apresentou documentos que comprovariam, em tese, a compensação pactuada: porém, a empresa vítima teria constatado que tais documentos ostentavam uma serie de indícios de falsificação. O Ministério Público apontou fortes indícios da prática do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo à empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Uma vez entabulado contrato com a empresa vitima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serem eivados de dúvida quanto a sua validade. São provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da divida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente. Do resultado da operação de busca e apreensão judicialmente autorizada foram coletadas vasta documentação que comprova todas as condutas retro descritas e cujas cópias digitalizadas foram carreadas para o presente procedimento administrativo e serão devidamente abordadas no decorrer deste Termo. Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.520 57 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). Do trabalho de busca e apreensão promovido pela operação conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelo ESPEI (Escritório de Pesquisa e Investigação) e pelo Serviço de Fiscalização desta Unidade (DRF/SBC), os elementos coletados tiveram uma primeira verificação pelos responsáveis pela Busca ocorrida logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso à parte dos elementos físicos apreendidos e que constam das 17 caixas que os acondicionam. (...) No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) 08. Da falta de apresentação de Livros de Escrituração Contábil e a não convalidação exoficio da opção da contribuinte em realizar a apuração de seu resultado pela modalidade do Lucro Presumido. A contribuinte foi devidamente intimada para que apresentasse os livros de sua escrituração, conforme constam dos Termos lavrados (Anexo XI, datado de 11/09/2013; Anexo XIII, de 30/09/2013; anexo XXVII, de 27/01/2014; e, Anexo XLI, de 25/09/2014). Pelo último está cientificado de que houve a extensão do período sob fiscalização para abranger o período de 01/01/2010 a 31/12/2012. Esclarecemos que a contribuinte optou em apurar seus Resultados para efeito de tributação pela modalidade do Lucro Presumido, conforme constam das três DIPJ que entregou. Esta informação está em descompasso com o adequado procedimento já que nada recolheu a titulo de IRPJ. A regular opção é manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido (IRPJ) correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, nos termos do § I o do artigo 26 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, a entrega destas três DIPJ sob a modalidade do Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por que lhe falta o requisito do pagamento do débito de IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada um dos anos calendários sob exame ou de forma alternativa, do adequado procedimento Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.521 58 na utilização de outro meio de extinção destes débitos inaugurais de cada período. E mais, a legislação em vigor lhe permitia realizar uma escrituração simplificada com a adoção do Livro Caixa em substituição da regular escrituração Contábil, desde que a simplificada contemple a escrituração de sua movimentação financeira, mas também por sua opção indica nas DIPJ relativas aos anos calendários de 2011 e 2012 existência de regular escrituração. Ocorre que, até a presente data não cumpriu com a entrega para a Fiscalização de nenhum dos livros que contenham sua escrituração, independente de ser o Livro Caixa ou o Livro Diário. Verificamos que estes livros não estão no rol de elementos apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial. (...) contador indicado nas DIPJ Sr. Roberto Lippi (...). Sendo assim, verificase existência de escritório de contabilidade que lhe prestava serviços, no entanto permaneceu recalcitrante em deixar de apresentar para a Fiscalização os Livros de Registro de sua Escrituração Contábil Regular (Livros Diário) ou Simplificada (Livros Caixa). Esclarecemos que a falta de apresentação de sua escrituração impeditivo ao pleno desenvolvimento da auditoria programada para esta ação fiscal, vez que impossibilita a verificação dos fatos contábeis e a identificação das bases tributárias contabilizadas da contribuinte, além de obscurecer a natureza da riqueza que nela ingressou. Aliás, deixou de entregar os livros para a Fiscalização não por acaso ou por descuido diante de tantas intimações. A atitude de não entregar a escrituração de cunho obrigatória nos âmbitos da legislação civil e tributária, visa cumprir com o objetivo de criar dificuldades na identificação das pessoas naturais que foram os reais beneficiários dos recursos transitados nas contas mantidas junto às Instituições Financeiras que estão sob sua titularidade. Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do Livro Diário ou do Livro Caixa (se escrituração simplificada) é uma das hipóteses previstas para a apuração do resultado pela modalidade do Lucro Arbitrado, nos termos dos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), que mantém respaldo no artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o da Lei n° 9.430/96. (...) Diante destas considerações, constatamos que a contribuinte não está apta a apurar o resultado de suas atividades pela modalidade do Lucro Presumido como indicou em sua D1PJ, pelas razões cumulativas: de não ter cumprido com a obrigação Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.522 59 principal de pagamento do IRPJ devido no primeiro trimestre de apuração de cada ano calendário; e, de não ter apresentado para a Fiscalização a sua escrituração contábil Livros Diário ou Livros Caixa. 09. Da constatação da efetiva atividade empresarial da contribuinte. Esclarecemos que o inicio desta ação fiscal já foi conturbado. A AFRFB Patrícia havia sido impedida de ingressar na empresa em 12/09/2013 portando o segundo Termo lavrado (Anexo XI) para coleta da ciência pessoal de Representante Legal da contribuinte. O seu ingresso no estabelecimento e a ciência pessoal só foi efetivada com a chegada do apoio do Chefe deste Serviço de Fiscalização AFRFB Marcos Antonio que se deslocou para o local. Até a presente data, as manifestações que a contribuinte apresentou para a Fiscalização se resumem em pedidos de postergação no prazo. Só houve a entrega de seu Estatuto Social e de algumas das Alterações do Contrato Social. Nada mais entregou. O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido pelo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII), cuja reintimação ocorreu pelo Termo lavrado em 18/02/2014 (Anexo XXIX). Em atendimento aos preceitos legais disciplinados pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 a Fiscalização lhe requereu que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos financeiros que transitaram nas contas mantidas sob sua titularidade junto as Instituições Financeiras: Citibank, Itaú e Unibanco. Os créditos submetidos à comprovação foram pinçados dos registros que constavam nos respectivos extratos, sendo que foram excluídos aqueles que não representavam ingresso de novas riquezas, como resgate de aplicações ou transferências entre contas do mesmo titular, desde que plenamente reconhecidos pelo histórico da transação. Tais créditos foram regularmente listados em forma individualizada e estavam em anexo ao Termo de Intimação. A falta de atendimento e por conseqüência falta de comprovação por parte da contribuinte torna tais créditos como rendimentos submetidos a regular tributação. O advento da regular Operação de Busca e Apreensão Judicial e do compartilhamento destes elementos para com o Fisco, possibilitou esta Fiscalização conhecer tanto a real atividade desempenhada pela contribuinte bem como a identificação das pessoas naturais que são os seus administradores de fato. Parte das informações de grande significância adveio da regular escuta autorizada judicialmente, cujos trechos de relevância sob Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.523 60 o aspecto tributário e sob o aspecto da responsabilização solidária de seus administradores já estão transcritos nas petições judiciais elaboradas no curso do procedimento Judicial e reproduzidos nos conteúdos das Sentenças proferidas Anexos I ao VI, que de forma integral corroboram como elementos de prova deste trabalho de auditoria. No procedimento de verificar os elementos físicos apreendidos, extraímos cópias e as digitalizamos para compor os elementos de prova da Constatação das irregularidades de cunho tributário. (...) constatamos que a contribuinte tinha no período sob fiscalização como principal atividade a captação de empresas com dificuldades de fluxo de caixa com a finalidade de lhe prestar serviços e orientação de forma viciada, para que utilizassem créditos inexistentes ou ilegítimos ou de natureza não tributária em procedimentos administrativos de Compensação de Débitos perante a Receita Federal. Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade objeto do contrato firmado com seus clientes, caracterizase a fraude e a conduta típica do estelionato, na qual as pessoas naturais na qualidade de administradores de direito ou de fato da 'Brazilian LandBank" receberam quantias exorbitantes a titulo de vantagem ilícita e em prejuízo aos clientes. (...) 11. Da apuração do Resultado tributável da contribuinte pela modalidade do Lucro Arbitrado. Diante do fato de que a Fiscalização não convalidou sistemática de apuração do resultado pelo Lucro Presumido por ela adotada em razão da falta de recolhimento do débito relativo ao primeiro período de apuração de cada qual dos anos calendários, combinado com a falta de entrega dos Livros de sua escrituração contábil, conforme tópico próprio anterior, não resta alternativas para o Fisco Federal senão seguir os ditames legais disciplinados pelos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) apuração pelo Lucro Arbitrado. Nestas circunstancias é requisito fundamental conhecer a real atividade empresarial da contribuinte, vez que a sua Receita Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A real atividade empresarial que foi objeto de desenvolvimento de tópico próprio anterior, lhe enquadra num percentual de 38,6% a ser aplicado sobre a Receita Bruta Conhecida, nos termos do artigo 519 e seus §§ cc artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.524 61 A Receita Bruta Conhecida foi objeto de dois procedimentos distintos: um para o anocalendário de 2010 e o outro para os subseqüentes 2011 e 2012. Para o anocalendário de 2010 verificouse existência de créditos registrados na movimentação financeira da contribuinte que devidamente intimada não logrou êxito em comproválos, tão pouco apresentou quaisquer manifestações e/ou elementos em relação aos valores individualmente lhe requeridos, caracterizando a hipótese disciplinada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, compilamos os dados que constam do anexo ao Termo de Intimação lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII) e os totalizamos por mês, conforme consta do Anexo LXIV, cujo resultado está na tabela demonstrativa ao final deste tópico em conjunto com os demais valores mensais dos anoscalendário subseqüentes. Para os anoscalendário de 2011 e 2012 constatamos que a contribuinte dispunha destes em relatório próprio que foi objeto da Operação de Busca e Apreensão. O Anexo LXV Declaração de Faturamento 2011. É uma declaração formal datada de 30/01/2012 e assinada pela Assistente Administrativa Aline Rosi Rodrigues e pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira. Esclarecemos que todos os elementos apreendidos que especificavam controles financeiros de recebíveis ou de pagamentos efetuados estavam assinados pela Aline, conforme fartamente descrito em tópicos anteriores. Esclarecemos existência de erro material na soma do total anual que consta da declaração que registra R$ 25.605.965,26 enquanto que o valor correto é R$ 25.607.976,25, resultando na diferença a menor de R$ 2.010,99, considerada insignificante sob o aspecto fiscal vez que representa 0,0078% da Receita Bruta Conhecida O Anexo LXVI Declaração de Faturamento 2012. Também é uma declaração formal datada de 16/01/2013, assinada pelo "sócio de direito " Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e pelo contador Roberto Lippi. Os dados mensais registrados nesta declaração são fiéis aos valores trimestralmente informados na correspondente DIPJ, nas linhas relativas às receitas submetidas ao percentual de 8% e os signatários são os mesmos que constam como responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI). Esclarecemos que igualmente ao ano de 2011, houve erro material na soma do total anual que consta da declaração de 2012, registra R$ 34.693.687,72 enquanto que o valor correto é R$ 34.695.699,72, resultando na diferença a menor de R$ 2.012,00 e representa 0,0058% da Receita Bruta Conhecida. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.525 62 A tabela a seguir indica os valores mensais da Receita Bruta Conhecida pela Fiscalização para efeitos da apuração do resultado tributável da contribuinte. Período Apuração 2010 2011 2012 janeiro 100.000,00 930.415,13 2.816.590,47 fevereiro 31.202,00 1.820.227,22 3.479.243,01 março 1.990.632,08 2.955.671,08 Total no trimestre 133.212,00 4.743.285,43 9.253.516,56 abril 461.431,04 1.747.782,36 2.619.633,39 maio 208.191,03 392.519,47 2.938.793,98 junho 722.022,33 568.727,21 2.808.335,48 Total no trimestre 1.391.644,40 2.709.029,04 8.366.762,85 julho 479.890,64 1.655.648,04 2.785.049,89 agosto 616.223,82 2.581.186,61 2.949.394,53 setembro 773.939,27 2.230.719,23 3.041.526,06 Total no trimestre 1.870.053,73 6.467.553,88 8.775.970,48 outubro 399.581,33 3.681.731,49 2.951.751,53 novembro 301.082,43 3.694.690,33 2.739.073,64 dezembro 790.272,48 4.311.686,08 2.608.624,66 total no trimestre 1.490.936,24 11.688.107,90 8.299.449,83 total no ano 4.885.846,37 25.607.976,25 34.695.699,72 (...) Obs: (i) Quanto ao anocalendário 2010, intimada a comprovar os depósitos bancários a crédito em suas contas bancários, deixou de comprovar a origem demonstrativo dos créditos não comprovados (efls. 912/913); (ii) Quanto anocalendário 2011, demonstrativo de receita bruta faturamento bruto elaborado pela própria contribuinte, data de 30/01/2012, (efl 914) e ajustes da Fiscalização narrados na transcrição acima; (iii) Quanto ao anocalendário 2012, os valores de receita bruta são aqueles informados na DIPJ 2013, anocalendário 2012 (efls. 723/745), pois os tributos e contribuições não foram pagos. Foram lançados de ofício. Os valores do lucro arbitrado para cada trimestre dos anoscalendário 2010, 2011, 2012 estão anexos aos autos do IRPJ e da CSLL. Estão corretos. O Arbitramento do lucro para o IRPJ e a CSLL para esses anos objeto da autuação é definitivo, ainda que fossem apresentados os livros após a lavratura dos autos de infração. No caso, a contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização os livros Caixa, Razão e Diário e documentos de suporte dos registros contábeis e não produziu prova nos autos que pudessem afastar o omissão de receitas. Matéria sumulada pelo CARF, cujo verbete transcrevo: Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.526 63 úmula CARF nº 59 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Assim, deve ser mantido o arbitramento do lucro. Já as contribuições (PIS e Cofins), apuração mensal, sobre a receita bruta mensal, também, seus respectivos valores constam de demonstrativos constantes dos respectivos autos de infração, regime cumulativo. Não há reparo a fazer. Portanto, não há reparo a fazer no lançamento fiscal. MULTA QUALIFICADA (150%): ANOSCALENDÁRIO 2010 E 2011. ANOCALENDÁRIO 2012: MULTA 75%. Alegaram os recorrentes: que a qualificação da multa deuse com base em argumentos genéricos; que se deu pura e simplesmente pela falta de declaração e falta de recolhimentos, contrariando não só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e 96; que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício. Não procedem as alegações dos recorrentes. A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os dados que constam na seguinte tabela. (...): Ano calendário 2010 2011 2012 ANEXO XLIV XLV XLVI Data entrega 30/06/2011 27/06/2012 28/06/2013 N° declaração 1208487 863939 1251260 N° do recibo 05.39.49.94.69 06.32.01.63.55 38.37.90.38.77 Tipo de declaração Lucro Presumido Entregue com certificado digital Sim Forma de Escrituração Contábil Contábil Dados Representante legal Pessoa Jurídica Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.03808 Dados do Responsável Preenchimento Roberto Lippi, CPF 584.089.91868, CRC 1SP080504O0 Receita Bruta 1° Trimestre 0,00 0,00 9.251.504,56 (*) Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.527 64 Receita Bruta 2° Trimestre 0,00 0,00 8.366.762,85 (*) Receita Bruta 3o Trimestre 0,00 0,00 8.775.970,64 (*) Receita Bruta 4o Trimestre 0,00 0,00 8.299.449,83 (*) IRPJ a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 179.030,09 IRPJ a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 161.335,25 IRPJ a pagar no 3o Trimestre 0,00 0,00 169.519,41 IRPJ a pagar no 4o Trimestre 0,00 0,00 159.989,00 CSLL a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 99.916,25 CSLL a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 90.361,04 CSLL a pagar no 3° Trimestre 0,00 0,00 94.780,48 CSLL a pagar no 4° Trimestre 0,00 0,00 89.634,06 Ficha 54 — Discriminação da Receita Sem informação 34.693.687,72 Verificase que havia certa habitualidade na conduta da contribuinte em entregar a DIPJ com todos os campos preenchidos com "Zero", sejam os destinados às informações de receitas ou de Apurações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). (...) A Fiscalização aplicou multa qualificada apenas quanto aos anoscalendário 2011 e 2012, pois a contribuinte ocultou do fisco o faturamento bruta total da empresa desses anos, ou seja, escondeu a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, consta do Termo de Descrição dos fatos, parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) em relação à aplicação da multa exofício, (...), constatamos a caracterização esculpida no § 1 o do artigo 44 da Lei 9.430/96 com as redações posteriores a seguir indicadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II... § 1a O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)". Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.528 65 A legislação em referência atribui a multa de oficio em 150% para os casos de dolo, fraude ou simulação nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. As pessoas naturais que administravam de fato ou de direito a pessoa jurídica sob Fiscalização tinham o pleno conhecimento das obrigações tributárias, tanto é que orientavam a forma de como deveriam proceder nas eivadas compensações negociadas em relação aos preenchimentos das DCTF. Inclusive estava estampado nos meios de divulgação da empresa (mídia e prospectos) a assessoria tributária como uma das atividades empresarial do "Grupo Brazilian". Contudo, mantinham conduta de negligencia em relação ao cumprimento de suas próprias obrigações principal ou acessória. A atividade principal era a de angariar rendimentos justamente daqueles que estavam em situação de inadimplência perante o fisco federal. Logo, a conduta consciente de obter os rendimentos por meio das cessões de créditos que não se prestavam para a finalidade de compensar tributos federais, associada à conduta de nada recolher e de nada declarar a título de débitos decorrentes da renda auferida, caracterizam a qualificação da multa a ser constituída de oficio para os anos calendários de 2010 e de 2011. Pelo fato de ter apresentado a DIPJ relativa ao ano calendário de 2012 com os dados de seus rendimentos e com a apuração do IRPJ e da CSLL, a Fiscalização entende que a conduta possibilitou a RFB verificar que o resultado da apuração informada não estava recolhido e nem declarado, razão pela qual se lançou a multa de oficio de 75%, com respeito ao inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. (...) No caso, ainda consta dos autos que a empresa nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 foi utilizada para lesar clientes, auferiu receitas ludibriando clientes, auferindo vantagens indevidas, praticando em tese vários crimes, inclusive contra a ordem tributária. Todos os integrantes da empresa, titular de direito e administradores de fato, foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo, por vários delitos penais praticados, constam duas ações penais que narraram em detalhes que os integrantes da empresa formaram Quadrilha, crime organizado, investigado pela GAECO, conforme narra o TERMO DE CIÊNCIA, DE ESCLARECIMENTOS, DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL (efls. 02/34), in verbis: (...) 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.529 66 Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para analise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo prazo de cinco dias de: Sr. Jacques Broder Cohen; Sr. Henrique Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian Fachin Nogueira e do Sr. Marcelo Mareei Fachin Nogueira. O relatório da sentença de forma resumida descreve o minucioso detalhamento que consta da Petição Judicial de Mandado de Busca e Apreensão e Decretação de Prisão Temporária de autoria dos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Ramos Pires e Dra. Mylene Comploier datado de 03/06/2014 (Anexo VI). A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: Tramitam neste juízo medidas sigilosas requeridas após instauração de procedimento investigatório criminal, pelo GAECO, com objetivo de apuração de eventual prática de crimes de organização criminosa, estelionato, falsidades ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente data, representantes da empresa BLB — Brazilian Landbank Empreendimentos e Representação Comercial Ltda e outras do mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes. Em resumo, depreendese dos autos que a noticia de tais delitos chegou ao conhecimento dos membros do Núcleo por intermédio de declarações prestadas por Luciano das Neves sola, no dia 14 de outubro de 2013. (...) O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo às empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.530 67 Uma vez entabulado contrato com a empresa vitima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serem eivados de duvida quanto a sua validade. São provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da divida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente (...) Como visto, tratase de empresa cujos donos, administradores de fato e de direito, atuaram fora da lei, auferindo vantagens ilícitas. E assim também agiram contra o fisco apresentando declarações falsas, sem movimento, nos anoscalendário 2010 e 2011, quando a empresa teve vultosa movimentação financeira (receita bruta). E, ainda, nada recolheram de tributos e contribuições federais quanto aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 (sonegação fiscal). Por isso, deve ser mantida a multa qualificada dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Primeiro, as razões do recurso da pessoa jurídica autuada, na parte que trata da defesa dos coobrigados, não conheço, pois a pessoa jurídica no seu recurso não tem legitimidade para defender terceiros, ou seja, as pessoas físicas coobrigadas. Os coobrigados JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls.1377/1399) e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1284), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1319/1344) alegaram, em síntese: da inexistência de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Ainda: Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.531 68 que a fiscalização não descreveu objetivamente as condutas individualizadas de cada imputado; que falta descrição pormenorizada do interesse comum; que, na hipótese da sujeição passiva solidária ser mantida, que deve ser limitada ao período em que efetivamente atuou cada um dos imputados. Obs: Quanto aos demais coobrigados: (i) Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva na instância a quo, a qual não foi conhecida naquela instância. Preclusão administrativa (revelia). Portanto, não conheço do recurso voluntário que apresentou, na parte que trata da sujeição passiva solidária (matéria preclusa); (ii) Eudes Souza Cardoso Guimarães e Marcelo Marcel Fachim Nogueira, embora intimados do lançamento fiscal e da imputação da sujeição passiva solidária, não apresentaram impugnação na primeira instância de julgamento; foram atingidos pelos efeitos da preclusão (revelia). Embora intimados da decisão a quo, não apresentaram recurso voluntário (iii) SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário (preclusão). Portanto, restam para serem analisados apenas os recursos dos coobrigados: JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA. Não procede a irresignação dos recorrentes. O titular de direito da pessoa jurídica autuada BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA é o Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286). Entretanto, o Fisco constatou que a empresa, de fato, foi comandada por uma Quadrilha (organização criminosa), tanto pelo titular de direito quanto pelos administradores de fato, quanto aos anocalendário 2010, 2011 e 2012, e imputou responsabilidade solidária a todos, ou seja, ao titular de direito Marcelo Marcel Fachim Nogueira e aos administradores de fato todos os demais coobrigados imputados. Nesse sentido transcrevo, o item 13 do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal (efls. 02/34), reproduzido no Termo de Descrição dos Fatos (efls. 944/957), que transcrevo, in verbis: (...) 13. Da responsabilidade solidária das pessoas naturais em relação aos débitos para com a Fazenda Nacional. O Código Tributário Nacional (CTN) disciplina que será contribuinte solidário aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Sendo assim, se constitui em devedor solidário na qualidade de sujeição passiva da obrigação jurídica tributária aquele que apresenta interesse comum na situação ou as pessoas Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.532 69 expressamente designadas por lei, nos termos do artigo 124 do CTN. Então, para os fins da responsabilização com base na lei vigente, entendese como responsável solidário tanto o sócio de direito bem como as pessoas naturais que mantinham interesse em comum, atuando em nome da pessoa jurídica e com poderes de gestão de fato, independentemente da denominação lhe conferida pela Organização à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Por fim, a lei estabelece ainda que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, com base na documentação probatória especificada em pormenores em cada qual dos tópicos relatados e, principalmente, na DENUNCIA CRIME (Anexo III) que em suma, qualifica e descreve Jacques Broder Cohen, Henrique Kertzman Misionschnik, Débora Christian Fachim Nogueira, Marcelo Fachim Nogueira, Silvia Regina de Almeida e Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos identificados e domiciliados conforme descrevemos no tópico 10 do presente Termo, que agiram em concurso e unidade de desígnios entre si, promoveram, constituíram, financiaram ou integraram, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, assim definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais notadamente estelionatos, sem prejuízo de outras infrações penais. A pedra de toque na caracterização do dolo desta equipe está justamente no fato de que buscavam "presas" em débito para com o Fisco Federal para lhes propor com falso engodo a iludida compensação, vez que utilizavam títulos que não se prestavam para a extinção do crédito tributário, razão pela qual não utilizaram o mesmo remédio no preenchimento das DCTF da "Brazilian LandBank", preferindo adotar o método de nada declarar e nada recolher aos cofres federal. Logo, todos estas seis pessoas naturais serão carreadas na qualidade de responsáveis solidários por sujeição passiva dos débitos tributários a serem constituídos no curso desta ação fiscal. (...) Em resumo, estamos indicando como responsáveis solidários por sujeição passiva da obrigação tributária devida e ora constituída em desfavor da "Brazilian" as pessoas naturais a seguir indicadas, pelas atitudes e condutas que constam das Denúncias Crime que integram os elementos de prova desta ação fiscal Anexos III e IV do "Termo de Ciência, de Esclarecimentos, ..." e com o relato do Tópico "10 a respeito da Identificação das Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.533 70 Pessoas Naturais", com base no inciso I do artigo 124 do CTN: (...). A Conduta de cada um dos coobrigados está descrita, de forma individualizada, no item 10 já citado, ou seja, do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal (efls. 02/34) e que transcrevo: (...) 10. Da identificação das pessoas naturais que são os administradores de fato da contribuinte. A regular escuta autorizada judicialmente permitiu identificar que o sócio majoritário Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, não passa de um pessoa "figurativa" e que está ao dispor do Chefe do Grupo Sr. Jacques Broher Cohen, casado ou que mantém relacionamento estável com Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, irmã de Marcelo. A Denuncia Crime interposta por dependência aos autos da Medida Cautelar 2237, da 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (Anexo III com 70 páginas), reproduz as transcrições das escutas captadas e relata com clareza a responsabilidade de cada uma das seis pessoas naturais denunciadas e o papel que cada qual representava na Organização, visando em conjunto usufruírem de vantagem ilícita por meio da "Brazilian LandBank". Desta forma e com a autorização judicial proferida de compartilhamento de informações entre os Órgãos envolvidos na Operação (Anexo II), ratificamos e aproveitamos do relato que consta da Denuncia Crime retro referida, para responsabilizar as seguintes pessoas naturais como administradores de fato da contribuinte em lide, associados ao administrador de direito Sr. Marcelo Mareei Fachim Nogueira, RG 285933723, CPF 245.581.03808, residente e domiciliado à Praça Antonio Pinheiro da Costa, 55, apto 113, bloco 4, CEP 09725120, Vila Gonçalves, São Bernardo do Campo/SP, descrevendo apenas uma síntese elucidativa sobre cada qual: 1. Jacques Broder Cohen, RG 3409389, CPF 028.676.49897, residente e domiciliado à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261, setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Apresentase como o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. (...). 2.Henrique Kertzman Misionschnik, RG 1521056/MG, CPF483.644.36600, residente e domiciliado à Rua México, 245, apto 102, CEP 11410350, Pitangueira, Guarujá/SP. Sócio de fato do Sr. Jacques. Realiza manobras para postergar o conhecimento sobre a verdade das ilusórias compensações. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.534 71 Administrava os empregados. Gerenciava pagamentos. Responsável pelo saneamento das pendências com pessoal ou comerciais. 3.Débora Christian Fachim Nogueira, RG 28.593.3723, CPF120.666.12839, residente e domiciliada à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261,setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. 4.Silvia Regina de Almeida, CPF 030.337.78879, OAB 136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74, CEP 09627000, Rudge Ramos,São Bernardo do Campo/SP. Advogada do Grupo. Acompanhava a apresentação do produto nos casos dos créditos ilegítimos ou inexistentes. Elaborava os contratos dos negócios efetivados. Atuava com seus conhecimentos jurídicos no encantamento das "presas", tanto na captação como na manutenção do erro depois de notificados pela Receita Federal da irregularidade nas compensações. 5.Eudes Souza Cardoso Guimarães, RG 257095858, CPF 143.129.20877, residente e domiciliado à Rua Amaro Coutinho, 57, CEP 03896010, Ponte Rasa, São Paulo/SP. Diretor executivo do Grupo Representante comercial comandante. Responsável pela manutenção da vitima da organização criminosa em erro, quando intimada pela Secretaria da Receita Federal. (...) Como visto, essas pessoas agiram mancomunadas, combinadas, ajustadas (ajuste doloso), organização criminosa (quadrilha), cometeram diversos crimes em tese, conforme Denúncias oferecidas ao Poder Judiciário pelo MP (já identificadas no TVF, fatos transcritos no relatório) e também, nesse contexto, cometeram fraude, sonegação fiscal total dos tributos e contribuições dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, conforme art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), e arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. O Sr. Jacques Broder Cohen, de fato, é o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. A Sra. Débora Christian Fachim Nogueira mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, a título de ilustração, transcrevo precedentes deste CARF: Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.535 72 Ementa(s) Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2010, 2011. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comumn as situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art.124,I, c/cart.135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo in teresse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Relator). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos admi nistradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/ 2ªTurma Ordinária, Sessão de 24/03/2015, Relator João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc). SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.536 73 Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro so cietário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controla dor, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado inte resse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3401003.809 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado). Portanto, está caracterizada a sujeição passiva solidária dos recorrentes JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA. Os demais coobrigados foram atingidos pela preclusão, quanto à sujeição passiva solidária, ou seja: Sr. Eudes Souza Cardoso Guimarães, Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e Sra. Silvia Regina de Almeida não apresentaram recurso voluntário (preclusão); Sr. Henrique Kertzman Misionschnik, embora tenha apresentado recurso voluntário, restou não conhecido na parte que tratou de sujeição passiva solidária, pois na primeira instância apresentou impugnação intempestiva, a qual sequer foi conhecida pela decisão a quo que, de forma expressa, pronunciou a intempestividade, implicando preclusão (revelia) na parte atinente à sujeição passiva solidária. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.537 74 Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar preliminares de nulidade suscitadas e no mérito negar provimentos aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada Apenas para divergir no que tange à aplicação da multa qualificada no caso do lançamento por presunção da omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação de origem. Neste caso, o entendimento majoritário do Colegiado é no sentido de que ela seja reduzida para 75%, nos termos da Súumula CARF 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo É como voto. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900137/2017-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-005.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.900137/2017-27
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981520
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.002
nome_arquivo_s : Decisao_13896900137201727.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896900137201727_5981520.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7677168
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663368978432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900137/201727 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.002 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 37 /2 01 7- 27 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10061.634, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.900137/201727 Acórdão n.º 3201005.002 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962497/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.807
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.962497/2008-11
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985899
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.807
nome_arquivo_s : Decisao_10880962497200811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880962497200811_5985899.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7688978
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663370027008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 141 1 140 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962497/200811 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.807 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SOFICAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP) que restou não homologada, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 49 7/ 20 08 -1 1 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.644. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.962497/200811 Resolução nº 3201001.807 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.902872/2013-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS.
Re-análise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito.
Numero da decisão: 1003-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS. Re-análise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.902872/2013-55
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970074
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.440
nome_arquivo_s : Decisao_10640902872201355.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10640902872201355_5970074.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7646861
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663387852800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.902872/201355 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.440 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CACEL COMERCIO DE AUTOMOVEIS CENTRAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ACOSTADA AOS AUTOS. Reanálise de provas. Identificação de comprovante de recolhimento não considerado no cálculo constante no r. acórdão, novo cálculo incluindo o recolhimento devidamente comprovado. Compensação até o limite do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 28 72 /2 01 3- 55 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0267.878, de 12 de abril de 2016, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Foi emitido, em 02/08/2013, despacho decisório nº de rastreamento 057805425, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Fundamentou destacando que pelas características do DARF discriminado na PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade defendendo que ingressou com a declaração de compensação em razão de crédito relativo a pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ do período de apuração de abril/2010. Aduz que no período de apuração de abril/2010 apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 18.458,29, contudo afirma ter recolhido DARF no valor de R$ 26.486,29, código de receita 5993, gerando um crédito no valor de R$ 8.028,67. Declara que a homologação não ocorreu devido a inconformidade nos dados da DCTF do período de 04/2010, destacando ter efetuado a retificação da citada declaração. A DRJ/BHE proferiu acórdão de nº 0267.878, no qual julgou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Preliminarmente, pede a reunião deste processo aos de nºs 10640.902873/201308, 10640.902874/201344; 10640.902869/201331 e 10640.902870/201366, argumentando que a análises desses processos se basearam na composição dos valores levandose em consideração os valores anuais constantes na ficha 11 da DIPJ, devendo, assim, ser efetuada a análise das declarações de compensação de forma conjunta; (ii) No mérito, defende ter efetuado a declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração junho /2011, com crédito de IRPJ, código 5993, decorrente de recolhimento de DARF em 31/05/2010, no valor de R$ 26.486,29. Contudo, verificou que os dados da DIPJ entregue em 2011 e as DCTFs entregues em 2010 apresentavam divergências, estando corretos os valores dispostos na DIPJ. A DCTF de abril de 2010 foi retificada; Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 4 3 (iii) Aduz que pelos demonstrativos apresentados pelo Relator no r. acórdão declarados nas apurações mensais da Ficha 11, da DIPJ/2011 e os recolhimentos efetuados que os valores pleiteados já teria sido abatidos na DIPJ, na realidade, a Recorrente defende que ainda existem valores a serem considerados, isso porque defende que os valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010 estão equivocados na planilha do relator, demonstrando valores inferiores daqueles constantes na DIPJ Por fim, requereu a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou PER/DECOMP nº 39684.33442.280711.1.3.04 6007, informando crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior oriundo de IRPJ, código 5993, período de apuração 30/04/2010, pago através de DARF em 31/05/2010, no valor de R$ 26.486,29. Defendeu em suas razões de recurso que o cálculo efetuado pelo Ilmo. Relator no r. acórdão apresenta equívocos pois divergem da DIPJ/2011 apresentada e dos comprovantes de recolhimentos constantes no processo. A compensação não foi homologada por inexistência do crédito, visto que, pelas características do DARF discriminado na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A DRJ no r. acórdão, fundamentou que o crédito postulado foi utilizado como dedução na apuração anual de IRPJ, para tanto demonstrou que a soma dos valores de IRPJ mensal a pagar apurados na ficha é igual a R$ 433.690,03, assim como o valor deduzido no ajuste anual, o qual só se obtém se computadas as estimativas recolhidas a maior e destaca, ainda, que não teria sido quitado o valor da estimativa do mês de março/2010. Feitas essas considerações, passamos a análise dos argumentos trazidos no recurso voluntário. DA PRELIMINAR DE REUNIÃO DOS PROCESSOS Preliminarmente, a Recorrente pleiteou a reunião deste processo com os de nºs 10640.902873/201308, 10640.902874/201344; 10640.902869/201331; 10640.902870/201366, defendendo que todos foram julgados considerando a composição de valores anuais e devem ser julgados conjuntamente. Os processos mencionados acima são todos do anocalendário 2010 e se baseiam no saldo negativo apurado no período. Todos os processos encontramse pendentes de julgamento e todos foram distribuídos para o mesmo Relator. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 5 4 Em razão do exposto, os processos serão julgados em conjunto, no entanto não devem ser apensados, visto que, embora tratem do mesmo crédito, possuem pedidos distintos. Isto posto, não acolho a preliminar de reunião dos processos, no entanto destaco que todos serão julgados em conjunto numa mesma decisão. DO MÉRITO A grande questão trazida no r. acórdão é o fato de ter a Recorrente utilizado para apuração do saldo negativo do anocalendário 2010 os valores recolhidos a título de estimativa mensal e que, portanto, não faria jus à compensação declarada. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). A Recorrente, nas suas razões recursais, destaca que ainda que seja considerado o cálculo anual, os valores apontados pelo Relator do acórdão de primeira instância não correspondem com os valores recolhidos, bem como comprova a quitação da estimativa do mês de março/2010, que o Relator alegou não ter sido pago. Desde já, importante mencionar que o prejuízo fiscal não afeta os recolhimentos de estimativas, por determinação do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/1996. Ou seja, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa tem a obrigação de recolher a estimativa. A estimativa paga regularmente a título de IRPJ não é tributo, mas antecipação. A data de apuração do imposto de renda pessoa jurídica, no caso anual, é o dia 31/12 de cada ano. Se, conforme destacado no acórdão da DRJ, o valor informado na declaração de compensação tiver sido utilizado para compor o saldo negativo, não há que se falar em compensação separada, do contrário estaria o contribuinte se beneficiando do crédito em duplicidade. A Recorrente não contesta a utilização dos valores indicados a título de estimativas na apuração do saldo negativo anual no seu Recurso voluntário, contudo aponta equívocos nas planilhas indicadas no r. acórdão. Diante desses argumentos, deve reanalisar as provas e informações constantes no processo para identificar se, de fato, os equívocos apontados no recurso aconteceram. A Recorrente aduz erro em relação aos valores recolhidos nos meses de jan/2010; mar/2010; abr/2010; mai/2010 e dez/2010, destacando que o mês de março foi devidamente recolhido aos cofres públicos. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 6 5 A Recorrente diz que os valores corretos são: DADOS DO DARF IRPJ DATA NÚMERO VALORES Mês Vencimento Arrecadação Pagamento Documento DARF's Decisão Diferença jan/10 26/02/2010 25/02/2010 44702128823 010134103534070774 R$18.039,36 R$18.089,36 fev/10 mar/10** 30/04/2010 27/07/2011 59750723424 0101341040065023235 R$36.814,25 R$36.814,25 abr/10 31/05/2010 31/05/2010 47423185329 010134103620145131 R$26.486,96 R$18.458,29 R$8.028,67 mai/10 30/06/2010 30/06/2010 48280690422 010134103659147480 R$72.901,05 R$62.695,30 R$30.205,75 jun/10 30/07/2010 30/07/2010 49394180421 010134103690181829 R$7.484,74 R$7.484,74 jul/10 31/OS/2010 31/08/2010 50142972220 010134103729321777 R$41.766,54 R$41.766,54 ago/10 30/09/2010 30/09/2010 51162793329 010134103762140135 R$36.091,66 R$36.091,66 set/10 29/10/2010 29/10/2010 52289168123 010134103796169971 R$24.559,78 R$24.559,78 out/10 30/11/2010 30/11/2010 52962718427 010134103825132593 R$94.111,77 R$94.111,77 nov/10 30/12/2010 30/12/2010 53926835220 010134103864077936 R$42.712.92 R$42.712,92 dez/10 31/01/2011 31/01/2011 54623408820 010134103898159597 R$39.674,52 R$22.723,06 R$16.951,46 TOTAIS [R$440.693,55] R$350.604,06 R$90.089,49 ** Vlr Total R$40.535,71 DARF R$36.814,25 Per/DComp 37871.39520.210711.1.3.048430 Vlr R$3.721,46 Em harmonia com o critério de análise anual e em conjunto dos pagamentos a maior de IRPJ, código 5993, efls. 175185, determinados sobre a base de cálculo estimada do anocalendário de 2010 adotado na decisão de primeira instância, pelos documentos de comprovação de arrecadação e com dos dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), efls. 85122, e na Declaração do Imposto sobre a Renda na Fonte (DIRF), efls. 123134, é possível verificar o seguinte: AnoCalendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por Dedução de IRRF IRPJ Código 5993 R$ (A) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ (B) Valores Considerados Corretos Débitos no Acórdão da DRJ Total IRPJ Código 5993 R$ (C = A + B) Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 2.697,43 11.784,77 14.482,20 Março 1.597,34 40.535,71 42.133,05 Abril 1.863,46 18.458,29 20.321,75 Maio 2.332,12 62.695,30 65.027,42 Junho 1.860,38 9.144,75 11.005,13 Julho 2.442,28 42.322,42 44.764,70 Agosto 1.475,75 35.836,55 37.312,30 Setembro 2.240,73 24.519,05 26.759,78 Outubro 2.862,01 93.731,91 96.593,92 Novembro 3.138,31 42.853,96 45.992,27 Dezembro 6.574,45 22.723,06 29.297,51 Total 29.084,26 404.605,77 433.690,03 Ficha 12 A Cálculo do IRPJ Anual 01/02 .À Alíquota de 15% + Adicional R$ 433.690,03 Deduções 15.() IRRF 0,00 19.() IR Mensal Pg por Estimativo R$ 433.690,03 21.IRPJ a Pagar 0,00 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 7 6 Ano Calendário de 2010 Mês do Período de Apuração Valores Considerados Corretos Como Débitos no Acórdão da DRJ a Serem Extintos por DARF IRPJ Código 5993 R$ Valores Considerados Corretos como Recolhidos no Acórdão da DRJ IRPJ Código 5993 R$ Valores Recolhidos DARF efls. 162172 IRPJ Código 5993 R$ Número dos Per/DComp Valores Considerados como Pagamentos a Maior Per/DComp IRPJ Código 5993 R$ (B) Número dos Processos de Formalização do Per/DComp Janeiro 0,00 18.089,36 18.089,36 32474.67154.21 0711.1.3.04 2207 18.089,36 10640.902869/ 201331 Fevereiro 11.784,77 0,00 0,00 Março 40.535,71 0,00 36.814,25 26774.85505.21 0711.1.3.04 9210 8.028,67 10640.902870/ 201366 Abril 18.458,29 26.486,96 26.486,96 39684.33442.28 0711.1.3.04 6007 5.296,59 10640.902872/ 201355 Maio 62.695,30 72.901,05 72.901,05 18750.39833.31 0811.1.3.04 1190 10.205,75 10640.902873/ 201308 Junho 9.144,75 7.484,74 7.484,74 Julho 42.322,42 41.766,54 41.766,54 Agosto 35.836,55 36.091,66 36.091,66 Setembro 24.519,05 24.559,78 24.559,78 Outubro 93.731,91 94.111,77 94.111,77 Novembro 42.853,96 42.712,92 42.712,92 Dezembro 22.723,06 39.674,52 39.674,52 06900.72292.31 0811.1.3.04 5159 16.951,46 10640.902874/ 201344 Total 404.605,77 403.879,30 440.693,55 De acordo com o cotejo entre as alegações da Recorrente e o conjunto probatório produzido nos autos temse que no anocalendário de 2010 houve um recolhimento a maior de IRPJ, código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada no valor total anual de R$ 36.087,78, (R$440.693,55 R$404.605,77) que não foi utilizado para fins de formação do saldo negativo ao final do período. Logo o montante anual pleiteado pela Recorrente de R$ 90.089,49 não pode ser conhecido na sua integralidade. Devese reconhecer os valores mensais restrito ao somatório de R$36.087,78, para fins de compensação dos débitos ali confessados até o limite do valor identificado como indébito mensal, de acordo com os processos nºs 10640.902869/201331, 10640.902870/2013 66, 10640.902872/201355, 10640.902873/201308 e 10640.902874/201344: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10640.902872/201355 Acórdão n.º 1003000.440 S1C0T3 Fl. 8 7 em janeiro de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$18.089,36 recolhido em 25.02.2010 formalizado no Per/DComp nº 32474.67154.210711.1.3.042207 e analisado no processo nº 10640.902869/201331; em março de 2010 não há qualquer valor a ser reconhecido pois todo o valor do débito é de R$42.322,42, conforme informado na DIPJ do anocalendário de 2010, efls. 73 110 em abril de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$8.028,67 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 26774.85505.210711.1.3.049210 e analisado no processo nº 10640.902870/201366; em abril de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$5.296,59 recolhido em 31.05.2010 formalizado no Per/DComp nº 39684.33442.280711.1.3.046007 e analisado no processo nº 10640.902872/201355, pois a Recorrente não comprova a circunstância; em maio de 2010 verificase que cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 9.969,75, recolhido em 31.01.2011, formalizado no Per/DComp nº 18750.39833.310811.1.3.041190 e analisado no processo nº 10640.902873/201308, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período; e em dezembro de 2010 verificase que não cabe o reconhecimento do direito creditório no valor de R$16.951,46, recolhido em 25.02.2010, formalizado no Per/DComp nº 06900.72292.310811.1.3.045159 e analisado no processo nº 10640.902874/201344, pois a Recorrente utilizou o remanescente para extinção do IRPJ devido no final do período. Isto posto, voto no negar provimento ao recurso voluntário, pois não há a comprovação do crédito líquido e certo. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000334/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir.
INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos
intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT.
Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.053
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito: 1 — pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos Sá Filho e Maria Teresa Martínez López, quanto: a) aos créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas; e b) aos créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos NT. 2 - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir. INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Recurso negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13826.000334/2002-91
conteudo_id_s : 5981916
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.053
nome_arquivo_s : Decisao_13826000334200291.pdf
nome_relator_s : ANTONIO ZOMER
nome_arquivo_pdf_s : 13826000334200291_5981916.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito: 1 — pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos Sá Filho e Maria Teresa Martínez López, quanto: a) aos créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas; e b) aos créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos NT. 2 - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar
dt_sessao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
id : 7680211
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663394144256
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:47:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:47:37Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:47:38Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:47:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:47:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:47:38Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:47:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:47:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:47:37Z; created: 2009-09-04T11:47:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-09-04T11:47:37Z; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:47:37Z | Conteúdo => • S2-CITI Fl. 1.039 / MINISTÉRIO DA FAZENDA ' e 7, r: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13826.000334/2002-91 Recurso n° 141.083 Voluntário Acórdão n° 2101-00.053 — 1' Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria IPI - RESSARCIMENTO Recorrente COCAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA CANAÃ AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA. Inexiste cerceamento da defesa quando o recurso voluntário apresentado aborda todas as matérias contidas na decisão administrativa. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições que o incentivo visa a ressarcir. INSUMOS UTILIZADOS NA LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. A Lei n9 9.363/96 contempla somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo industrial do produto exportado. Os insumos utilizados na produção de matéria-prima de produção própria não se inserem no campo de incidência do beneficio fiscal, devendo permanecer fora da base de cálculo do ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bruta, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insumos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n° 13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.040 ACORDAM os membros da P câmara i 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito: 1 — pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos Sá Filho e Maria Teresa Martínez López, quanto: a) aos créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas; e b) aos créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos NT. 2 - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar. 0/ de, 41 10 MARCOS CÂNDI O P esi - te ri 4impr firaAjo lb A nbrI 10 3!" ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de relativo ao período de 01/10/1996 a 30/06/2002, apresentado com fundamento na Lei n2 9.363/96. O crédito foi apurado de forma extemporânea e registrado no livro de IPI em junho de 2002, sendo o pedido de ressarcimento formulado em 20/08/2002. A partir do 42 trimestre de 2001, a requerente utilizou-se do regime alternativo previsto na Lei n 2 10.276/2001. A DRF deferiu parcialmente o pleito, considerando prescritos os créditos do ano de 1996 e glosando os insumos adquiridos de pessoas fisicas, os de produção própria de cana de açúcar e aqueles destinados à fabricação de produtos NT (álcool). Houve glosas ou ajustes, também, no valor das exportações e dos combustíveis e energia elétrica, sendo que estes últimos, no período em que a empresa se utilizou do regime alternativo, foram desconsiderados somente na parte que foi utilizada nos setores administrativo, agrícola e na produção de álcool (NT). Irresignada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, informando que, em relação aos valores não-homologados (referentes aos processos n2s 13826.000376/2002-22 e 13830.501193/2004-22), procederá ao devido recolhimento, mas quando se der o certo deferimentoltais valores deverão voltar a compor o total do direito creditório pleiteado. 2 • . Processo n°13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n°2101-00.053 Fl. 1.041 Quanto ao despacho denegatório, alegou que deveria ser anulado por cerceamento do direito de defesa, pois os critérios e números adotados pela fiscalização não lhe dariam suficiente informação para o contraditório, sendo que nem mesmo lhe foi permitido identificar claramente a fundamentação legal do reconhecimento parcial. Com relação ao mérito, contesta a exclusão das aquisições de pessoas fisicas, basicamente porque a SRF não poderia limitar o que a lei teria concedido, bem como a exclusão dos insumos empregados no cultivo da lavoura de cana-de-açúcar e das matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de álcool não tributado, sob pena de corromper o cálculo do beneficio, tanto pela inclusão das vendas deste produto, no mercado interno, que compõe a receita operacional bruta, como pelo disposto na lei, que prevê a inclusão do total de aquisições de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório. Apreciando as razões de inconformidade, a DRJ em Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, em decisão sintetizada assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IN. INSUMOS PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, não-contribuintes do P1S/Pasep e da Cotins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. Embora a venda de produtos NT se incluam na receita operacional bnita, não há base para incluir no cálculo do crédito presumido os insanos empregados no cultivo da matéria prima utilizada em sua fabricação. Solicitação Indeferida" Cientificada da decisão em 22/05/2007, a empresa apresentou, em 21/06/2007, recurso voluntário, com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, ou seja: 1) cerceamento do direito de defesa por ausência de informações suficientes para entender a glosa fiscal; 2) interpretação da Lei n2 9.363/96 relativamente às aquisições de pessoas fisicas - ilegalidade da IN SRF n2 23/97; 3) direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar; e 4) direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos insumos consumidos na industrialização de álcool NT. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para assegurar o direito de considerar, no cômputo do crédito presumido de IPI, todos os valores glosados. É o relatório. 11(- , ' 3 • Processo n° 13826.000334/2002-91 52-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.053 Fl. 1.042 Voto Conselheira ANTONIO ZOMER, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais para sua admissibilidade e conhecimento. As questões objeto do litígio, identificadas no relatório, serão analisadas na ordem de apresentação. 1 — Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Analisando as peças de defesa apresentadas pela recorrente percebe-se que todas as glosas efetuadas pela fiscalização foram perfeitamente identificadas pela empresa, que contra elas apresentou ampla defesa. Desta forma, sendo notória a não ocorrência de cerceamento do direito de defesa, rejeita-se a preliminar. 2 — Da glosa dos insumos adquiridos de pessoas físicas O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória n 2 948, de 23/03/95, convertida na Lei n2 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matérias-primas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n" 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (destaquei) O Crédito Presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratando-se de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a 4 Processo n°13826,000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.043 evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no tato; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos.'.1 Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1 2, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindo-se o legislador ao PIS e à Cotins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrá-las no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar a desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." 2 (destaquei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1 2 da Lei n2 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança esse pagamento especifico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor-exportador. -' Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12!, Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp. 333/334. 2 Teoria Geral do Direito Tributário, 3g , Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. 5 Processo n° 13826.000334/2002-91 52-CITI Acórdão n°2101-00.053 Fl. 1.044 Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei n2 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor-exportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cotins pagas pelo fornecedor de matérias-primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foi-lhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca com o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor não-contribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressalte-se, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 3; que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor-exportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 3 2 da Lei n2 9.363/96, contrariando o principio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de não-contribuintes no cálculo do crédito presumido de IPI, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877-CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 5' Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TITULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. I. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 12 da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito 6 efe Processo n°13826.000334/2002-91 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.053 Fl. 1.045 respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ..." O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5 Região, no AGTR 33341-PE, Processo n 2 2000.05.00.056093-7, que, à certa altura do seu despacho, asseverou: "A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1 2 da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, 'o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. Ora, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n2 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS, PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas fisicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensar-se de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n" 9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofms, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. 3 — Da glosa dos insumos utilizados na produção de cana-de-açúcar Quanto à pretendida inclusão, na base de cálculo do ressarcimento, dos valores relativos à aquisição de insumos aplicados na lavoura de cana-de-açúcar, melhor sorte não assiste à recorrente. 3 Despacho datado de 08/02/2001, 13.1 2, de 06/03/2001. 7 Processo n° 13826.000334/2002-91 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.053 Fl. 1.046 É que o incentivo está adstrito aos insumos utilizados no processo industrial, não se estendendo àqueles utilizados em etapas anteriores do ciclo de produção desses insumos. Sendo assim, qualquer valor despendido na produção de cana-de-açúcar pelo próprio estabelecimento industrial não são admitidos no cálculo do incentivo fiscal, posto que não são gastos que ocorrem no processo industrial mas fora dele. Conseqüentemente, se estas aquisições não tem a ver com a operação de industrialização, não podem ensejar o ressarcimento de crédito presumido. 4— Dos insumos utilizados na fabricação de álcool NT Além dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e daqueles utilizados na produção de cana-de-açúcar, a fiscalização deixou claro que glosou, também, os insumos utilizados na industrialização de álcool vendido no mercado interno, por ser este produto NT. A metodologia de cálculo do crédito presumido não permite que se exclua do cálculo os insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no mercado interno. A não incidência do beneficio sobre estas aquisições se dá pelo percentual de exportação, cuja função é exatamente fazer incidir o ressarcimento somente sobre os insumos utilizados nos produtos exportados. No entanto, a razão da exclusão dos insumos utilizados na fabricação de álcool não se deu porque o álcool foi vendido no mercado interno mas por ele estar classificado na TIPI como produto não-tributado (NT). Neste caso, concordo com o relator da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir, as mesmas razões por ele expendidas no trecho que abaixo transcrevo: "Com relação ao álcool não tributado, vale observar que, embora a distorção apontada pela contribuinte no cálculo da relação percentual RE/ROB seja um fato, as regras para esse cálculo só foram alteradas pela Portaria MF 64/2003, que no parágrafo 12 de seu artigo 3 0, assim dispôs: `§ 12. Para os efeitos deste artigo, considera-se: I - receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo;' (GRIFEI) Ou seja, a partir da publicação do dispositivo acima transcrito, em função do qual foi emitida a IN SRF n°313/2003 as receitas de exportação de produtos NT que permanecem fora do cômputo das receitas de exportação, deixaram de ser incluídas na apuração da receita operacional bruta. Todavia, esse dispositivo só entrou em vi2or em 26/03/2003, não alcançando a apuração do crédito presumido ora tratado, que, conforme o período em destaque, é anterior a esta legislação. Antes dessa data, o entendimento da Receita Federal vinculava- se ao conceito constante da Portaria MF 38/97 (art. 3°, § 15), que definia receita operacional bruta como "o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos 8 .- . Processo n° 13826.00033412002-91 S2-CIT1 Acórdào n.° 2101-00.053 Fl. 1.047 serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". E não há como retroceder essa alteração ao presente pedido. As portarias e as instruções normativas não são atos interpretativos. São normas complementares das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentam, que detalham as disposições legais. No caso em pauta, a portaria ME 64/2003 alterou conceitos envolvidos na apuração do beneficio, trazendo apressa a sua vigência: 'Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - a partir de I° de outubro de 2002, em relação aos ans. 40 e 11; II - a partir de 1° de dezembro de 2002, em relação ao § 14 do art. 30; III - na data de sua publicação, com relação aos demais artigos.' Sendo ato achninistrativo normativo (e não interpretativo) não há como aplicá-la retroativamente. Para admitir a alteração dos conceitos como interpretação, indispensável que houvesse mencão expressa ao dispositivo da portaria anterior que estava sendo interpretado. Tal não ocorreu. Portanto, as alterações introduzidas pela portaria em comento só atingem fatos geradores ocorridos a partir de 26/03/2003." Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala I as Ses ões, em 06 de maio de 2009. e .I A fig i lir(, 41 1 • O R 9 Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13891.720247/2014-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA NOS CÁLCULOS DO PERITO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS.
Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e constante dos cálculos do perito judicial. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa.
Numero da decisão: 2001-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA NOS CÁLCULOS DO PERITO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e constante dos cálculos do perito judicial. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13891.720247/2014-12
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970095
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.127
nome_arquivo_s : Decisao_13891720247201412.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13891720247201412_5970095.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7647055
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663398338560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 114 1 113 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13891.720247/201412 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.127 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IRPF IMPOSTO RETIDO NA FONTE Recorrente MILTON GUSSON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA NOS CÁLCULOS DO PERITO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e constante dos cálculos do perito judicial. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 02 47 /2 01 4- 12 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente à compensação de IRRF. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 17.970,29 para R$ 3.804,99, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescido de multa e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na utilização de valores indevidos na compensação do IRRF por falta de comprovação, como segue: O contribuinte acima identificado foi notificado (fls. 06/15) em razão da Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) – Tributação Exclusiva, na sua Declaração de Ajuste Anual – DAA do Imposto de Renda do exercício 2013, anocalendário 2012. A declaração alterada, ND 08/21.165.323, modelo completo e original, tinha como resultado do ajuste saldo de imposto a restituir de R$ 17.970,29. A alteração acarretou o imposto normal conforme demonstrativo colado a seguir: (...) Notificação de Lançamento (fls. 06/15), conforme excertos colados abaixo, efetuada em virtude de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28: (...) A lide abrange a infração Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28. Esta infração foi apurada em decorrência da reclamatória trabalhista nº 2368/97 (023680062.1997.5.15.0048), VT de Porto Ferreira/SP, em desfavor da Companhia Energética de São Paulo – CESP, onde a autoridade fiscal relatou: "Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR Fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012." Da tributação da atualização monetária e dos juros sobre Rendimento Recebido Acumuladamente (RRA). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 115 3 Neste ponto, a matéria é regida pelo Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: (...) Como se vê, a legislação tributária determina a incidência do IRPF sobre os juros relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial. Esclareçase que a Justiça do Trabalho não é o foro competente para julgar ação judicial relativa a tributos federais. Atentese para os arts. 109, inciso I, e 114 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88): (...) Dos dispositivos transcritos, observase que a CF/88 atribui competências específicas à Justiça Federal e Justiça do Trabalho. As atribuições de uma e de outra não se confundem. Aos juízes trabalhistas cabe processar e julgar especificamente ações acerca de matéria trabalhista. A seu turno, compete aos juízes federais apreciar ações em que a União é parte interessada, como no caso de questões relacionadas às obrigações tributárias. Logo, eventual decisão da Justiça do Trabalho a respeito de tributação federal é ineficaz, não produzindo efeitos no âmbito da Administração Tributária. Como se observa, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e correção monetária. Da tributação do RRA. A matéria é regida pelo artigo 12A da Lei 7.713, de 1988, e regulamentada pela Instrução Normativa RFB Nº 1.127, de 2011 e alterações posteriores, todas consolidadas na Instrução Normativa Nº 1.500, de 2014, que estabelece normas gerais da legislação do IRPF, aqui reproduzida nos trechos pertinentes: (...) As regras estabelecidas pela IN 1.127, de 2011, regulamentando o artigo 12A da Lei 7.713, de 1988, trouxeram uma nova sistemática de cálculo, diferente do tradicional regime de caixa, este último, baseado na tributação incidente na medida dos recebimentos (utilizandose a tabela progressiva do mês de recebimento). Assim, na sistemática de tributação do RRA, o imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva. Fl. 116DF CARF MF 4 Em relação à infração Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, glosa no valor de R$ 21.775,28, temos a seguinte complementação dos fatos na notificação de lançamento: "Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR Fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012." De acordo com planilha de cálculos da reclamatória trabalhista (fls. 43 e 48), datada de 01/09/2010, temos um total geral da condenação de R$ 99.026,23, e um valor de IRRF calculado de R$ 21.775,28, conforme excertos abaixo: (...) Confrontandose o valor contido na Guia de Retirada Judicial nº 187/2012 (R$ 109.525,11), de 05/03/2012, com o valor bruto apurado em 01/09/2010 (R$ 99.026,23), temos uma variação de 10,60%, compatível com a atualização monetária para o período de 18 meses. Além disso, frisese a observação contida na guia de retirada: "não há IR para ser comprovado". Assim, concluímos que o valor calculado de IRRF constante das planilhas não foi efetivamente descontado das verbas pagas, não cabendo a compensação desse na DAA do defendente. Diante de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, para manter o crédito tributário lançado, referente exercício 2013, anocalendário 2012, tratado neste processo. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 3.804,99, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: BASE DE CÁLCULO DA NOTIFICAÇÃO INCORRETA O valor em discussão são os rendimentos recebidos acumuladamente da empresa CESP Companhia Energética de São Paulo, em ação trabalhista junto a Vara do Trabalho de Porto Ferreira, processo judicial 023680062.1997.5.15.0048 RTOrd, em ação de litisconsorte com o Sr. José Gusson. Além da verga trabalhista de R$ 51.668,33, valor este pago a título de complementação de aposentadoria, foram recebidos juros moratórios, os quais entendemos que não são base de cálculo de Imposto de Renda, visto sua natureza indenizatória. O valor bruto reconhecido pelo Juiz do Trabalho foi de R$ 99.026,23, conforme sentença datada de 21.11.2011 sendo que, até a data do saque (Março/2012) tal quantia corrigida era de R$ 109.525,11, ou seja, R$ 51.668,33 de rendimento tributável, e juros de R$ 57.876,78, o qual tem natureza indenizatória. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 116 5 Assim, requerse que o valor tributável a ser reconhecido por esta turma julgadora seja de R$ 51.668,33, e não o valor lançado pelo Auditor Fiscal de R$ 99.026,23. GLOSA DO IRRF O Sr. Relator da DRJ no Recife indeferiu o pedido sustentando em síntese que na Guia de Retirada consta que “não há IR para ser comprovado”, e isto em si obstaria o pleito do recorrente. Pelo princípio da verdade real, podese comprovar que o recorrente sofreu a retenção de R$ 21.775,28, e tal valor deve ser aproveitado ou restituído pelo interessado. Na página 04 da Notificação de Lançamento (folha 10 deste processo), o Auditor Fiscal motivou a glosa com as seguintes informações: (...) O Auditor Fiscal confundiu a informação da Guia de Retirada Judicial que constou que o IRRF não precisava ser comprovado, como se fosse que não foi descontado. Esta interpretação é totalmente diversa do Laudo Pericial, pois na folha 2128 do processo judicial (folha 20 deste processo administrativo) consta que: IRRF – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – Calculado de acordo com a tabela vigente e em conformidade com a Lei 8.541/92, no que tange a sua base de cálculo, bem como o Decreto 3.000/99 em seus artigos 625 e 638. Na sequência, podemos verificar claramente que o Sr. Perito Judicial esclareceu que IRRF é de R$ 21.775,28 (folha 24 deste processo), e que tal responsabilidade pela retenção e recolhimento era da empresa reclamada. Da mesma forma, na folha 43 (folha 213 da ação trabalhista), esta informação é confirmada. Idem a informação contida na folha 48 (folha 2144 da Ação Trabalhista). O entendimento do relator da instância a quo está motivado pela informação registrada na guia de retirada, mas tal informação de que há IR para ser comprovado, significa tão somente que a parte do processo não precisou comprovar o recolhimento, seja porque assim foi dispensada, ou porque o Juiz determinou que parte do valor depositado fosse convertido diretamente em renda da União, o que em si torna desnecessário se comprovar o recolhimento no processo a retenção, já que nesse caso o juiz tem controle da conversão. É comum nestes processos trabalhistas os casos em que o valor da condenação já esteja depositado, e no final o juiz determina o saque de parte do valor para o vencedor, ordena a conversão do IRRF e das verbas previdenciárias em renda da União. No caso em discussão, os valores estavam depositados na conta judicial nº 2700101182053, junto ao Banco do Brasil S.A., Agência Porto Ferreira, e não haveria necessidade de nenhuma das partes comprovar o recolhimento. Fl. 118DF CARF MF 6 Vejamos que o próprio relator da DRJ colou na folha 9 da decisão, (ou folha 88 do processo) a planilha de cálculo extraída do processo de reclamatória trabalhista onde consta o valor do IRRF, que no caso foi de R$ 21.775,28. Além disso consta nesta planilha que a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF de R$ 21.775,28, deverá ser recolhido pela reclamada, que no caso é a empresa CESP – Companhia Energética de São Paulo. Comprova também este fato que o Sr. José Gusson, irmão do recorrente, coautor da Ação de Reclamação Trabalhista em desfavor da CESP, já teve a sua retenção confirmada pela RFB e inclusive já recebeu sua restituição do mesmo exercício. Por tais motivos, entendemos que a glosa do IRRF foi equivocada, e a decisão da DRJ Recife também o foi, motivo pelo qual requeremos o provimento deste Recurso Voluntário, cancelandose o lançamento e reconhecendose direito a restituição, conforme declarado na Declaração de Ajuste Anual. DESPESAS NECESSÁRIAS PARA O RECEBIMENTO DO VALOR Além de que os rendimentos tributáveis recebidos na ação judicial não serem aqueles lançados, este impugnante suportou de seu próprio bolso os honorários advocatícios de 15%, além de honorários periciais, sendo R$ 16.536,98 pagos ao Dr. Humberto Cardoso Filho e mais R$ 1.102,46 de honorários de peritos, pagos também para o mesmo advogado repassar aos respectivos profissionais, conforme recibo juntado na impugnação. Requerse que tais despesas sejam deduzidas da base de cálculo da Notificação lançada. Caso não fossem excluídos tais rendimentos, estes estariam sendo tributados pelo recorrente, e também pelos profissionais citados, e haveria duplicidade de tributação, ou o bis in idem, visto que estaria sendo tributado por dois contribuintes simultaneamente. Entende o recorrente que não resta dúvida quanto ao desembolso dos valores, e nem mesmo dúvida quanto a legalidade da despesa. Desta forma, não se vislumbra qualquer possibilidade para manutenção da base de cálculo lançada, sendo correta somente a quantia de R$ 51.668,33, menos R$ 16.536,98, e menos R$ 1.102,46, ou deveria ser tributado R$ 34.028,89, requerendose o reconhecimento desta base de cálculo. Requereuse a consideração como dedutíveis todas as despesas acima descritas e comprovadas com recibo autêntico, as quais foram necessárias ao custeio do andamento da ação trabalhista. Assim, requerse o cancelamento dos valores lançados do exercício 2013, especialmente pela irrefutável prova de que a base de cálculo correta é de R$ 34.028,89, de que houve a retenção do IRRF de R$ 21.775,28, e os comprovantes exigido pela legislação estão anexos à impugnação, e por todo os motivos anteriormente debatidos, pugnado pela juntada de outros meios de prova, sem exceção. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13891.720247/201412 Acórdão n.º 2001001.127 S2C0T1 Fl. 117 7 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide se limita a comprovação documental do valor de R$ 21.775,28, referente à retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte de rendimentos recebidos por decisão judicial. Portanto, não é foco nem objeto de discussão a competência da Justiça do Trabalho nas questões pertinentes ao que se relaciona com a lide no campo tributário. Assim que desnecessário adentrar aqui em questões de limitação de competência julgadora, ainda mais se tratando de distintas áreas da esfera judicial e administrativa. O resultado da revisão fiscal da Declaração de Ajuste Anual – DAA do Recorrente teve um revés determinado pelo recálculo do Agente Autuador passando de uma restituição apurada pelo Contribuinte na Declaração de R$ 17.970,29, para um imposto a pagar de R$ 3.804,99. Na Declaração de Ajuste Anual Original, entregue pelo Recorrente, foi informado no espaço destinado a “Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular”, os valores recebidos da CETP Cia. Transmissão de Energia Elétrica Paulista, os rendimentos no valor de 99.026,23 e o correspondente imposto retido na fonte no valor de R$ 21.775,28, fl. 64, fiel ao que consta nos documentos oficiais juntados aos autos, como comprovação. A afirmação da Fiscalização é de que não teria havido a retenção do imposto na fonte pelo texto que segue: Regularmente intimado o contribuinte apresentou a guia de retirada judicial 187/2012 informa que não foi descontado IR fonte, corroborado pelas informações do laudo pericial homologado judicialmente verificase que não houve retenção de imposto de renda fonte, pois o valor R$ 109.525,11 recebido pelo contribuinte conforme guia de retirada 187/2012. A afirmativa de que o imposto não teria sido retido está fragilmente ancorada no documento de fl. 49, onde consta, como observação, que o beneficiário da Guia de Retirada Judicial nº 187/2012, de 05/03/2012, que não há IR para se comprovado pelo Recorrente Milton Gusson. Evidente que não carecia de comprovação por parte do Recorrente porque não era ele o obrigado ao recolhimento do IRRF e sim a fonte pagadora dos valores. Equivocada a interpretação Fiscal de que a simples observação, naqueles termos, teria a força de dispensar a retenção e o recolhimento do imposto na fonte que é devido por força da legislação pela fonte pagadora. Além disso, os cálculos do perito judicial não deixam dúvidas da incidência e da obrigação da retenção e recolhimento por quem de obrigação, no caso, a fonte pagadora. É de considerar, também, que a Autoridade Fiscal não afirmou que os recursos oriundos de tal recolhimento não estivessem em seu sistema de Fl. 120DF CARF MF 8 controle de arrecadação, o que pode ser facilmente constatado por uma simples consulta ao sistema da Receita Federal. De outra banda: Na fl. 16 dos autos consta a declaração do advogado do Recorrente que informa ter recebido R$ 16.536,98 de um total bruto de R$ 110.246,58, descontado também o valor de R$ 1.102,46 identificado como serviço do perito dos reclamantes. Na fl. 20, laudo do perito, consta que o IRRF foi calculado de acordo com o que dispõe a legislação, como segue: IRRF – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – Calculado de acordo com a tabela vigente e em conformidade com a Lei 8.541/92, no que tange a sua base de cálculo, bem como o Decreto 3.000/99 em seus artigos 625 e 638. Na fl. 24, laudo do perito, consta o valor do IRRF calculado sobre o total de R$ 99.026,23, composto pelos valores de R$ 51.668,33 de complementação de aposentadoria mais R$ 47.357,90 referente a juros. No quadro de Descrição das verbas que acompanha a Sentença de Liquidação, fls. 37/43, estão demonstrados os valores que compõem a verba destinada ao Recorrente onde consta o valor de IRRF de R$ 21.775,28. Na fl. 48 dos autos, novamente aparecem os valores de principal e juros e o valor do IRRF no Demonstrativo de Cálculo Referente ao Processo, documento este assinado pelo Perito do Juízo Senhor Marcelo Marcos Franco. Assim, pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pelo Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, especialmente quanto ao valor recebido e do IRRF calculado, pela juntada dos documentos judiciais do Tribunal Regional do Trabalho. Documentos esses utilizados para a liberação do valor dos rendimentos e identificação do imposto de renda retido na fonte. Por isso, considera se suficientemente comprovada a exigência da Autoridade Tributante, razão pela qual deve ser excluída a glosa do IRRF no valor de R$ 21.775,28. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário no valor de R$ 3.804,99 e restabelecer a restituição do imposto conforme apurado na DAA apresentada, no valor de R$ 17.970,29. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905584/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10940.905584/2011-14
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975551
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.010
nome_arquivo_s : Decisao_10940905584201114.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10940905584201114_5975551.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7665168
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663411970048
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-08T02:23:03Z; Last-Modified: 2019-03-08T02:23:03Z; dcterms:modified: 2019-03-08T02:23:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-08T02:23:03Z; meta:save-date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-08T02:23:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-08T02:23:03Z; created: 2019-03-08T02:23:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-03-08T02:23:03Z; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-08T02:23:03Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 522 1 521 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.905584/201114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.010 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVO PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente REPINHO REFLORESTADORA MADEIRAS E COMPENSADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 84 /2 01 1- 14 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 523 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 524 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 06117.59669.251007,1.1.098343, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de Cofins não cumulativa, referente ao 3º trimestre de 2007; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 030 2012, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 525 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.981, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 526 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 527 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 528 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 529 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 530 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 531 10 A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fl. 332) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados no processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 532 11 cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo, maquinários e edifícios da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10940.905584/201114 Acórdão n.º 3201005.010 S3C2T1 Fl. 533 12 utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo, maquinários e edifícios da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.917898/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO DO DIREITO DE APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte, comprovação esta cujo ônus é do sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. A apresentação de motivos e provas deve se ater à impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 2202-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO DO DIREITO DE APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte, comprovação esta cujo ônus é do sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. A apresentação de motivos e provas deve se ater à impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.917898/2009-51
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974546
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.037
nome_arquivo_s : Decisao_16327917898200951.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327917898200951_5974546.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7661509
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663430844416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 233 1 232 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.917898/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.037 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PERD/COMP Recorrente HSBC CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. PRECLUSÃO DO DIREITO DE APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte, comprovação esta cujo ônus é do sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. A apresentação de motivos e provas deve se ater à impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 78 98 /2 00 9- 51 Fl. 233DF CARF MF 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 217/228), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 229/230), interposto contra o Acórdão no. 1652.002 da 8a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP – DRJ/SP1 (efls. 190/195), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela recorrente em PER/DCOMP. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/SP1, por bem espelhar os fatos sob análise. Relatório A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 22 a 27 (PER/DCOMP nº 29256.13115. 100205.1.3.046859, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (código de receita 5286) relativo ao período de apuração referente à 4a Semana de Janeiro de 2005. Pelo Despacho Decisório de fls. 16, a contribuinte foi cientificada, em 05/11/2009 (fl. 17), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 126.319,02). Irresignada, a contribuinte apresentou em 07/12/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 05 a 10, alegando que: Em 17/01/2005, a Manifestante efetuou o pagamento de juros sobre uma determinada operação compromissada, cujo lastro eram Notas de Tesouro Nacional série 'd' (NTNd), a um de seus clientes, residente no exterior o HSBC Bank USA National Association, no valor de R$ 833.788,94;. No momento do pagamento, a Manifestante reteve o valor do IRRF incidente sobre tais juros, no valor de R$ 125.068,34, creditando na conta do cliente apenas o valor líquido da operação, qual seja, R$ 708.720,60 (Doc. 73); No dia 26/01/2005, a Manifestante efetuou, então, o pagamento do IRRF incidente sobre a operação (código da receita 5286), no valor de R$ 125.068,34, por meio de DARF de número 7023757199 (Doc. 09); Dias depois, a Manifestante constatou que o pagamento dos juros era indevido e estornou os valores indevidamente creditados ao cliente americano (Doc. 74); Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 234 3 Portanto, houve equivocada consideração da ocorrência de pagamento de juros ao cliente, com indevido cálculo e pagamento do IRRF. Como o valor indevidamente creditado na conta do cliente foi estornado, o recebimento de rendimentos de aplicações financeiras que constitui a hipótese de incidência do IRRF do cliente estrangeiro não ocorreu. Logo, houve pagamento indevido de IRRF; O pagamento, pela Manifestante, de tributo indevido, seguido do estorno dos juros indevidamente creditados na cliente, geroulhe o direito de crédito passível de compensação, no valor original de R$ 125.068,34; Ao proferir o despacho decisório, o Sr. Fiscal identifica o pagamento do DARF, no valor de R$ 125.068,34, mas não compreende o porquê tal pagamento foi indevido; Conforme comprovam os demonstrativos de caixa que ora se apresentam (Docs. 73/74), os quais foram fornecidos pelo próprio cliente, a Manifestante incorreu em erro ao recolher IRRF sobre juros indevidamente pagos e, em seguida, estornados da conta de seu cliente; Não tendo havido o pagamento de rendimentos ao cliente, temse que o fato gerador do IRRF não ocorreu e, portanto, o seu recolhimento foi indevido; A existência de crédito a compensar, provada por meio dos documentos anexos os quais demonstram com precisão as circunstâncias envolvidas na sua geração enseja a revisão do r. despacho decisório; Os documentos que ora se apresentam (Docs. 7374) não deixam dúvidas quanto aos motivos que levaram a Manifestante a realizar o pagamento do tributo, bem como provam que o valor recolhido é indevido; Por fim, a manifestante requer seja a manifestação de inconformidade julgada procedente para reformar o despacho decisório e conseqüentemente homologar a compensação pleiteada. Requer ainda que as intimações sejam feitas nas pessoas de seus procuradores, no escritório profissional cujo endereço indica à fl. 10. Para instruir o processo, foi juntada aos autos a intimação Deinf/SPO/Diort nº 127, de 08/09/2009 (fl. 101/102), por meio da qual foi a contribuinte intimada, em 16/09/2009 (fl. 111), a: 1. Apresentar cópia dos documentos, inclusive os contábeis, que comprovam ser de R$ 167.001,35 o débito de IRRF (Código 5286¬ 01) relativo ao PA 401/2005, com vencimento em 26/01/2005, declarado na DCTF (retificadora/ativa) apresentada em 10/07/2007 sob n° 1000.000.2007.1830285501; 2. Esclarecer as circunstâncias que provocaram o suposto pagamento a maior, na importância de R$ 125.068,34 (crédito original), relativamente ao débito acima. 3. Apresentar comprovação de que o interessado arcou com ônus dos valores pagos indevidamente ou a maior. Fl. 235DF CARF MF 4 Caso o ônus tenha recaído sobre o beneficiário do rendimento, apresentar autorização expressa deste para receber a restituição. 4. Outros documentos que sirvam a comprovar, de forma, efetiva., ser indevido o pagamento utilizado como crédito por meio do Perdcomp acima. Por meio do expediente datado em 05/10/2009 (doc. de fls. 150/153) o representante da interessada registrou a mesma informação contida em sua manifestação, juntando cópia da DCTF retificadora, dos Documentos de Arrecadação e DCTF ref. ao débito informado na PER/DCOMP com a indicação da compensação (fl. 154/162). Consoante despacho de fls. 165/166, o processo foi encaminhado à Diort/DeinfSP para sanear impropriedade detectada relativamente ao documento de substabelecimento de poderes. Saneado, o processo retornou a julgamento. 3. O Voto da 8a. Turma, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir: Voto (...) Conforme relatado, antes da emissão do despacho decisório a contribuinte foi intimada a apresentar cópias de documentos, inclusive contábeis, que demonstrassem que o débito de IRRF (código 5286) relativo ao P.A. 0401/2005, com vencimento em 26/01/2005, fosse de R$ 167.001,35 como declarado em DCTF retificadora e esclarecer as circunstâncias que provocaram o suposto pagamento a maior de R$ 125.068,34, além de comprovar que arcou com o ônus do valor pago indevidamente, ou apresentar a autorização do beneficiário para receber a restituição. Na resposta à intimação às fls. 150/153, a contribuinte apenas explica que fora feito um resgate financeiro em que se apurou IRRF na importância de R$ 292.069,69. Afirmou que “o montante resgatado junto ao fundo de renda fixa foi feito a maior e , conseqüentemente, o IRRF apurado e recolhido (...) foi feito a maior”, mas não explicou, nem apresentou a documentação comprobatória do alegado. Apenas insistiu no argumento de que o valor de R$ 125.068,34 recolhido a título de IRRF (código 5286 – 4a. semana de janeiro de 2005) fora recolhido a maior. Na peça de defesa a contribuinte reportase aos documentos “73 e “74”, os quais demonstrariam o crédito na conta do cliente de R$ 708.720,00 e o estorno dos valores indevidamente creditados ao cliente, entretanto tais documentos sequer foram mencionados no expediente de fls. 150/153. Na realidade, apenas o doc “73” relativo à Demonstrativo de Caixa da segunda quinzena de janeiro de 2005, do Cliente “569615HSBC BANK USA, NACIONAL ASSOCIATION” fora apresentado à fl. 85 do presente processo. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 235 5 A DCTF retificadora apresentada em 10/07/2007, após a entrega da DCOMP ora em análise, por si só nada prova (fls. 180/182). Com efeito, o artigo 147, § 1º, do CTN, estabelece que a aceitação, pela administração fiscal, de retificação da Declaração por iniciativa do contribuinte, de que resulte redução ou exclusão de tributo, está condicionada à comprovação do erro por parte do contribuinte. No presente caso, não trouxe o interessado prova hábil e idônea a justificar o erro alegado (diferença de IRRF sobre estorno de valores indevidamente creditados), que tem natureza de confissão de dívida. E a mera alegação de que determinado valor de IRRF teria sido declarado e recolhido a maior do que o devido, corretamente apurado, está longe de ser suficiente para assegurar a certeza de que, em realidade, tenha sido o caso. Registrese ainda, por oportuno, que nas DIRF original e retificadora apresentadas pela contribuinte relativas às retenções efetuadas no anocalendário de 2005 sequer consta o código 5286 (fls. 183/189). Faltou, assim, a apresentação do(s) documento(s) que comprovasse(m) de forma efetiva ser indevido o pagamento utilizado como crédito por meio do PER/DCOMP. Frisese, a simples alegação de que determinado valor a recolher de IRRF foi inicialmente declarado maior do que o devido, está longe de ser suficiente para assegurar a certeza de que tenha havido pagamento a maior que o devido. Em relação ao documento de fls. 85, que a interessada alega comprovaria a existência do direito creditório, cumpre observar que, o Demonstrativo de Caixa do Cliente “HSBC Bank USA, National Association” apenas registra a entrada de Juros (Recebimento de Juros de NTND), no valor de R$ 708.720,60, no “Caixa ADM” do cliente, ou seja o recebimento dos juros pelo valor líquido (R$ 833.788,94 – R$ 125.068,34). Tal documento prova, ao contrário do que defende a contribuinte, que o cliente recebera os juros pelo valor líquido. Ainda que, por hipótese, a contribuinte houvesse logrado provar a existência do direito creditório reclamado, há de se considerar que, por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte pretensamente retido e recolhido indevidamente ou a maior, deve a interessada ainda comprovar que atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN para que o direito creditório lhe seja reconhecido. Segundo estabelece o aludido art. 166, “a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla”. Hodiernamente, as normas infra legais de regência determinam que, para que o crédito possa ser utilizado na compensação, deve a interessada (fonte pagadora) tomar as providências previstas no art. 8º da IN RFB nº 1300, de 2012 (que guarda correspondência com o art. 8º, da IN RFB nº 900, de 2008); Fl. 237DF CARF MF 6 Art. 8 º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. §2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art.41. (grifos incluídos na transcrição) Contudo, também não consta nos presentes autos que tais medidas foram tomadas pela interessada. Destarte, também por estes motivos, não restou demonstrado que a contribuinte é titular do direito creditório em questão. Na verdade, não restou demonstrado sequer que o recolhimento do IRRF foi feito a maior. Por fim registrese que, em relação ao pleito para que as intimações sejam enviadas ao endereço de seus procuradores, há de se esclarecer que as intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do contribuinte, cujo endereço é determinado conforme as regras do art. 23 do Decreto 70.235/72, com as alterações dadas pela Lei 11.196/2005. No presente caso, conforme prevê o inciso I do § 4º do aduzido dispositivo, a intimação para ciência da decisão proferida deve ser enviada ao endereço cadastral do contribuinte, ou seja, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária”. Logo, no contencioso administrativo, não se acolhe pretensão de envio dos atos ao endereço dos procuradores, visto que ao contribuinte não é permitido eleger endereço diverso daquele informado à “Secretaria da Receita Federal do Brasil” para fins cadastrais. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise. 4. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta, através de seu procurador, os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: a)Da preliminar. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 236 7 alega a tempestividade do recurso; apresenta breve histórico do processo; b) Do mérito. suscita que o Acórdão de Primeira Instância equivocouse ao considerar que a recorrente não teria apresentado documentos que comprovassem a existência do crédito utilizado na PER/DCOMP, uma vez que considera que comprovou o crédito do valor relativo aos juros na conta do cliente e seu posterior estorno; conclui que comprovado o pagamento indevido dos juros ao cliente e seu estorno, por conseqüência houve equívoco no recolhimento do IRRF relativo, sendo então inegável a existência do crédito em seu favor; defende que não houve descumprimento aos requisitos do artigo 166 do CTN, uma vez que não houve transferência do encargo financeiro do tributo, o ônus foi sempre da própria recorrente: já que o crédito relativo a juros na conta do cliente foi indevido, o valor total nunca pertenceu ao cliente, mas sim sempre foi de sua titularidade; ou seja, o direito ao crédito é da própria recorrente, quem arcou com o ônus financeiro do pagamento; conclui que o Acórdão recorrido deve ser reformado tendo em vista a comprovação da existência de crédito objeto da compensação; destaca que houve apresentação de DCTF retificadora, que por si só, comprovaria a existência do crédito pretendido, já que esta corrige o erro cometido na declaração original, onde se indicava que não havia crédito a compensar; infere que o preenchimento incorreto da declaração não pode acarretar a cobrança de tributo indevido nem justificar a não homologação de compensação (transcreve ementas de Acórdãos da DRJ São Paulo e do Conselho de Contribuintes); e das decisões mencionadas conclui que deve prevalecer a verdade material, e conclui que também por esse motivo o Acórdão recorrido deve ser reformado. 5. Requer, por fim, o provimento do recurso com a reforma do Acórdão recorrido, para o fim de julgar extinto por compensação o crédito tributário e colocase à disposição para esclarecimentos, protestando pela produção de provas, inclusive juntada de novos documentos, e requer que as intimações deste feito sejam feitas nas pessoas dos seus procuradores. 6. A recursante junta ainda cópia de Demonstrativo de Caixa, presente às e fls 229/230. Neste ponto deve ser destacado que o documento de fls. 230, denominado pela recursante de "documento 74", foi apresentado apenas na fase Recursal. Entre os documentos anteriormente apresentados pela empresa, como bem ressaltado pela DRJ, consta apenas o denominado "documento 73", às fls. 85 deste processo. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Fl. 239DF CARF MF 8 8 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 10. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho. E mais, tais decisões, ou mesmo respeitáveis citações doutrinárias, não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 11. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando a contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 12. Para que se tenha a compensação tornase necessário que a contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pela contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente da primeira, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 13. O caso em pauta envolve suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que não foi comprovada a existência do crédito pretendido. 14. Encontrase então aqui o ponto nevrálgico da presente lide: verificase nos autos que antes da emissão do despacho decisório foi promovida diligência e a contribuinte foi intimada (efl. 167) a apresentar cópias de documentos, inclusive contábeis, que demonstrassem que o débito de IRRF (código 5286 aplicações em fundos ou entidades de investimento coletivo), relativo ao P.A. 04 01/2005, com vencimento em 26/01/2005, fosse apenas de R$ 167.001,35, como declarado em DCTF retificadora, e também a esclarecer as circunstâncias contábeis e fiscais que provocaram o suposto pagamento a maior de R$ 125.068,34. A declaração original trazia o total de R$ 292.069,69 a ser pago sob a receita 5286, a soma dos dois valores anteriormente referenciados. 15. Como bem explanado pela DRJ, em sua resposta à intimação às fls. 150/153, a contribuinte apenas explica que fora feito um resgate financeiro em que se apurou IRRF na importância de R$ 292.069,69. Não comprovou contabilmente. Apenas afirmou que “o montante resgatado junto ao fundo de renda fixa foi feito a maior e , conseqüentemente, o Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.917898/200951 Acórdão n.º 2202005.037 S2C2T2 Fl. 237 9 IRRF apurado e recolhido (...) foi feito a maior”, não esclarecendo nem apresentando a documentação contábil comprobatória do alegado. 16. A DRJ também ressalta que na peça de defesa a contribuinte reportase aos documentos “73 e “74”, os quais demonstrariam o crédito na conta do cliente de R$ 708.720,00 e o estorno dos valores indevidamente creditados ao cliente; entretanto, apenas o documento “73”, relativo à Demonstrativo de Caixa da segunda quinzena de janeiro de 2005, do Cliente “569615HSBC BANK USA, NACIONAL ASSOCIATION” fora apresentado à e fl. 85 do presente processo, em fase de impugnação. 17. O documento "74" foi apresentado apenas nesta fase recursal, o que pode eiválo do vício da preclusão. Mesmo assim, com sua apreciação, o documento aparenta, em tese, ser um Demonstrativo interpartes, emitido pela própria recursante; não se mostra, certamente, parte de registro contábil/fiscal em livros contábeis cabíveis como Livro Caixa e Livro Diário, não atendendo à legislação pertinente, destituídos portanto das formalidades cabíveis. 18. A recorrente buscou ainda sustentar que o ônus foi sempre por ela suportado e que a DCTF retificadora por si só corrigiria a informação. Mas novamente, a simples alegação com a falta de comprovação fiscal e contábil que fundamentou a retificação, ainda por cima realizada a destempo, não é suficiente para ser aceita como verdade material. 19. A recorrente teve diversas oportunidades de manifestação tempestiva para acostar a documentação pertinente, mas não o fez. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, atestando inclusive a titularidade indubitável do crédito. Sem a comprovação documental, não há como ser comprovada a verdade material dos fatos. 20. Inoportuno ainda o protesto do sujeito passivo sobre sua produção de novos esclarecimentos e provas, uma vez que no processo administrativo os mesmos deve ser apresentados em sede de impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, conforme Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) 21. Por fim, ressaltese que as intimações ao contribuinte são realizadas no endereço tributário eleito pelo sujeito passivo, atualizado pelo mesmo nos bancos de dados da Administração Tributária, conforme destacado pelo artigo 23, inciso II, do Decreto no. 70.235, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, abaixo transcrito: Fl. 241DF CARF MF 10 Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Redação da Lei 9532/97)(grifei) 22. Em complemento, citese a Súmula CARF no. 110, cuja determinação é "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". 23. Dessa forma, sem o sujeito passivo lograr êxito em comprovar fiscal e contabilmente o pagamento indevido ou a maior, integro deve permanecer o Acórdão da DRJ/SP1, e mantémse o crédito tributário. CONCLUSÃO 24. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000255/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.040
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15868.000255/2010-20
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974531
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-001.040
nome_arquivo_s : Decisao_15868000255201020.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 15868000255201020_5974531.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7661160
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663453913088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 532 1 531 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.000255/201020 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301001.040 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto PIS/COFINS, REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 00 25 5/ 20 10 -2 0 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 533 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração de PIS (fls. 348/360) e COFINS (fls. 334/347), do 4º trimestre de 2007. Segundo o auto de infração foi apurado o que se segue: a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool carburante. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do bem destinado à venda, açúcar, produto sujeito à incidência nãocumulativa, tais como: partes, peças e/ou serviços para manutenção de veículos, caminhões, ônibus, maquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus; serviços de construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas, vernizes, diluentes, cimento, etc. transporte de pessoas e de álcool; Tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: incidência não cumulativa sobre receita parcial e/ou de exportação com base na proporção dos custos diretamente apropriados, pelas seguintes razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa e cumulativa, respectivamente. A primeira etapa do processo produtivo é comum a ambos os produtos. Analisando os documentos e arquivos digitais apresentados, constatouse que os valores informados no DACON, não correspondiam a valores apurados com base no método da apropriação direta, já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. O sujeito passivo relacionou as contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos informados nos DACON. Constatase que informou o valor de materiais em estoque, portanto, o método utilizado no DACON não é o de apropriação direta dos custos, já que tal método é caracterizado pelo aproveitamento dos custos no momento da destinação e vinculação com as receitas sujeitas ao regime nãocumulativo e o contribuinte o considerou no momento da aquisição ou contabilização. O sujeito passivo relacionou contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos apropriados nos DACON. Há contas estranhas ao conceito de insumos, como Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 534 3 por exemplo, consultoria, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, seguros. O método de apropriação direta não foi comprovado, portanto, foi utilizado o método de rateio pela proporção da receita. Aplicouse o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos e energia elétrica. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado A interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A Lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: foi apurado crédito em relação a bens adquiridos antes de 01/05/2004; foi apurado crédito de bens diferentes de máquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, microônibus, caminhões, etc.); foi apurado crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. foi apurado crédito de bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo; foi apurado crédito relativo aos bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo, nãocumulativo exportação; Em relação aos bens comuns a produção sujeita ao regime cumulativo, não cumulativo e da exportação foi aplicado o percentual de rateio. d) Créditos presumidos Atividades agroindustriais A interessada calculou crédito integral sobre a cana de açúcar quando o correto seria a apuração de crédito presumido. Deve ser aplicado o rateio por se tratar de insumo comum às receitas sujeitas ao regime cumulativo e ao nãocumulativo. Foi glosado o frete pago à pessoa física. A interessada foi cientificada em 15/07/2010 e apresentou impugnação (fls. 363/379) em 09/08/2010 alegando em síntese: Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Afirma que a fiscalização glosou custos com insumos que são aplicados e consumidos no processo produtivo, bem como não considerou o fato de que é Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 535 4 agroindustrial e que seu processo produtivo se inicia na lavoura e termina na comercialização. Os créditos pleiteados foram constituídos sobre matéria prima e produtos intermediários adquiridos de fornecedores regulares e todos foram submetidos ao processo de industrialização, consumindose ou desgastandose integralmente no decorrer do processo produtivo. Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/COFINS, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e COFINS, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no §12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/COFINS, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Material Intermediário Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, é totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde se tem o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 estão eivadas de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois os bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 536 5 Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornaremse usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento? A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita nãocumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 537 6 O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitandose o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A 16ª Turma da DRJ/RJ1, no Acórdão n° 1263.443, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 538 7 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da COFINS nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 539 8 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. a) Material Intermediário Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que da análise de notas fiscais, constatouse que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados a despesas com manutenção de veículos, caminhões, ônibus, pneus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus etc. e despesas diversas. A Recorrente por sua vez aduz que as suas atividades vão do plantio de cana deaçúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. Descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 540 9 É equivocado o entendimento fiscal de que os gastos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que tal rubrica referese a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não teriam sido diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadrariam no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas, cimento, etc. A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. a.3) Frete A fiscalização glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3°, §3°, da Lei n° 10.833/2003. Aduz também que os fretes teriam sido pagos a pessoas físicas. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 541 10 Conforme tal planilha, a base de cálculo dos créditos foi apurada com base nos valores correspondentes a 1/48 ou 1/24 do valor de aquisição do bem. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: 1/48 de valores referentes a bens adquiridos antes de 01/05/2004, e valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, II, da Lei n° 10.837/2002, art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004; bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, como por exemplo, destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool etc.; bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e nãocumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, mesa alimentadora etc. Diante disso, ficou consignado os motivos das glosas, bem como que a maior parte delas se deu em função da exclusão de bens cujas datas de aquisição não estão compreendidas no período permitido pela legislação. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Há duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 542 11 A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 543 12 Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15868.000255/201020 Resolução nº 3301001.040 S3C3T1 Fl. 544 13 a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo. b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos. c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos. d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas. e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915912/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.774
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.915912/2013-04
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5980585
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.774
nome_arquivo_s : Decisao_10880915912201304.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880915912201304_5980585.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7675300
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663460204544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915912/201304 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.774 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS Recorrente LATICINIOS GEGE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 12 /2 01 3- 04 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.387 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915912/201304 Acórdão n.º 3301005.774 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
