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Numero do processo: 19515.722756/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 2201-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê- Leão) do Auto de Infração.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. INTIMAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE DE OUTRA JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 27. “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. IRPF. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quanto o crédito bancário tiver sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, não é lícito à fiscalização simplesmente presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deve a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 56 /2 01 2- 83 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CTN. ART. 112. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o art. 112 do CTN quando o conjunto probatório é sólido e suficiente para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 256/261, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 220/252 e dos demonstrativos de fls. 253/255, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 11.695.207,53, calculado até 30/11/2012. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitas ao carnêleão; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: DAS PRELIMINARES: 1. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO A autoridade fiscal, em seu procedimento, quebrou o sigilo bancário do fiscalizado de forma ilegal, ferindo nossa Carta Magna, ao intimar o fiscalizado a apresentar os documentos. No Termo de Início de Fiscalização, a autoridade lançadora intimou o contribuinte apresentar os extratos de movimentação bancária do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 das contas correntes e aplicações financeiras (inclusive caderneta de poupança) mantidas pelo fiscalizado na qualidade de titular e cotitular, nas instituições financeiras: Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A. e Banco Bradesco S.A., com base nos artigos 844, 904, 911 e 927 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Os artigos citados em nenhum momento autorizam o agente fiscal intimar o contribuinte entregar seus extratos bancários. A intimação realizada com base nos artigos mencionados é nula, pois a exigência é ilegal. A fiscalização feriu o princípio da legalidade. A tutela da liberdade, da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados constitui garantia assegurada às pessoas físicas e jurídicas, pelo que a invasão da base de dados e informações, sem prévia autorização judicial, pela Receita Federal, configura agressão aos direitos e garantias mencionados. No caso presente é mais terrível, pois a quebra se deu com ameaça de arbitramento dos rendimentos conforme previsto no art. 845, assim como da aplicação da multa agravada, conforme previsto no artigo 959, todos do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. Os artigos 844 e 927 tratam da obrigação do fiscalizado de prestar esclarecimentos ou informações, nunca de apresentar os extratos bancários. A matéria relativa ao sigilo de dados e operações financeiras possui estatura constitucional inserta no rol das garantias individuais, de modo que a sua flexibilização excepcional só pode ocorrer mediante ordem judicial. Cita acórdão do STF no Recurso Extraordinário 389.808. Em virtude do exposto, requer que todos os dados fornecidos pelo fiscalizado sob ameaça de aplicação de penalidades agravadas deve ser extirpada do processo pois fere o que STF já decidiu, sendo, portanto, prova obtida de forma ilícita que não pode ser utilizada para exigência de tributo. Assim, todos os documentos bancários fornecidos pelo fiscalizado devem ser desconsiderados e qualquer exação com base nos mesmos considerada nula. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2. DA INTIMAÇÃO SEM MPFD A autoridade fiscal informa no Termo de Verificação Fiscal que intimou o Sr. Jose Luciano Franco Rezende, conforme Intimação lavrada em 20/09/2012. À leitura deste Termo de Intimação, notamos as seguintes irregularidades: não existe no Termo de Intimação menção da MPFD vinculada e do código de acesso ao sítio da RFB para ciência do contribuinte, conforme previsto no parágrafo único do artigo 4º da Portaria RFB 3014/11; quebra do sigilo fiscal do intimado, com verificação de sua DAA do exercício de 2008, ano calendário de 2007, sem MPF D devidamente emitida, o que constitui infração administrativa gravíssima; o intimado não pertence a área de competência da autoridade fiscal, ferindo portanto o artigo 6º, § 1º da Portaria RFB 3014/11. A intimação lavrada pela autoridade fiscal é totalmente nula por ser ela incompetente para tal ato, conforme legislação de regência. Este fato contaminou todo o procedimento fiscal, conforme artigo 59 do Decreto 70.235/72. Em virtude do exposto, requer que seja cancelada a exação consubstanciada no Auto de Infração. 3. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA O fiscalizado não teve em nenhum momento, dentro do prazo da impugnação, acesso ao processo. A AFRFB intimou contribuintes sem MPFD, e obteve informações que expõe em seu Termo de Verificação Fiscal sem dar ciência ao fiscalizado. Em virtude deste fato, requer o cancelamento da exação. Caso seja negado o pleito, requer também abertura de novo prazo para impugnação e cópia do processo administrativo para ciência de todos os fatos lá relatados. DO MÉRITO: 1. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS CRÉDITOS EM CONTA PROVENIENTES DE PESSOA FÍSICA: A presunção de omissão de receita oriunda dos créditos bancários, na conta do impugnante, foi qualificada pela AFRFB nos seguintes itens: desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda; os créditos na conta bancária do impugnante tiveram como origem remessas por TED do Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda deuse porque os Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 4 5 contratos de mútuos foram desconsiderados, pelos motivos a seguir: Nenhum dos contratos apresentados possui comprovação de registro público; Estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo: a) não houve comprovação da restituição de valores mutuados; b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado; c) não pode ser aceita a realização aparentemente dissimulada de negócios jurídicos, os quais devem ser considerados em face do disposto no art. 116, § único do CTN; d) não comprovada a efetiva transferência entre o suposto mutuante e mutuário e o motivo pelo qual veio este recurso para o seu patrimônio. Os argumentos da AFRFB não podem ser aceitos por ferir a legislação vigente, como veremos a seguir. Alega a fiscalização que os contratos de mútuos não possuem registros públicos. Os artigos 127 e 129 da Lei de Registros Públicos tratam da matéria em questão (cita doutrina); o artigo 129 da LRP relaciona os documentos que estão sujeitos a registro no Registro de Títulos e Documentos para surtir efeitos em relação a terceiros, entre os quais não está relacionado o Contrato de Mútuo. A AFRFB invocou, para desconsiderar os contratos de mútuo, o artigo 221 do Código Civil; a LRP é lei especial a que devemos nos ater para ver a obrigatoriedade dos registros. A segunda alegação da AFRFB é que estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo, tais como: (a) não houve comprovação da restituição do mútuo (art. 586 do CC) e (b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado (art. 591 do CC). A falta de cumprimento dos artigos não descaracteriza o mútuo. O preceito do artigo 591 não determina a exigência de juros tout court, as partes podem ou não pactuálos. O fato de não devolver o mútuo e a falta de cobrança de juros não pode descaracterizar a existência dos mesmos, não tem base legal para isto. Para embasar a descaraterização do mútuo a AFRFB se apoiou, também, no parágrafo único do artigo 116 do CTN. Da simples leitura do texto deste dispositivo legal, depreendese que não é completo em si, que não possui todos os elementos necessários para sua aplicação; tal dispositivo não pode ser aplicado até que adquira sua eficácia técnica (cita doutrina). O parágrafo único do art. 116 do CTN prevê que a competência para desconsiderar será exercida "observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária"; isso significa que, enquanto não for devidamente editada a lei ordinária dispondo a respeito, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 faltará um elemento essencial à aplicabilidade do parágrafo examinado, sendo ilegal o ato administrativo fiscal que, nesse interregno, pretender nele apoiarse. A eventual omissão do legislador não pode ser "superada" pelo agente fiscal, que deve limitarse a aplicar a lei de ofício e não "corrigir" a lei, preenchendo suas eventuais lacunas. Como podemos concluir, a autoridade fiscal feriu o principio da legalidade restrita ao desconsiderar a existência dos mútuos com base em normas legais não aplicáveis ao fato. A AFRFB exigiu o imposto de renda referente aos valores transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar Fazenda Santa Marta da Boa Vista. O depositante dos valores está identificado, que é o Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A origem dos recursos depositados está comprovada pela venda da fazenda. Os depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, em tese, os três créditos em discussão poderiam ter sido imputados ao recorrente como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que esta infração não foi imputada ao recorrente, mas foralhe uma omissão de rendimentos percebidos de pessoa física, pois a autoridade fiscal conhecia o depositante e necessariamente deveria ter investigado a origem da operação junto ao fiscalizado (como o fez), e junto à depositante (como não fez), para esclarecimento da operação. Se a autoridade fiscal tivesse intimado a apresentar a escritura, tudo estaria esclarecido. Mas açodadamente tributou sem obedecer o princípio da investigação. Os valores creditados na conta do fiscalizado nada mais são que um dinheiro da venda da fazenda que deveria ter sido depositado na conta da vendedora, empresa, e não foi. Este procedimento não pode ser fato gerador do imposto de renda no fiscalizado. A verdade real deveria ser pesquisada pela fiscalização. Do ônus investigatório não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Cita julgados do Carf. Houve exigência de duas penalidades utilizando a mesma base de cálculo, uma de 50% e outra de 75%. A jurisprudência administrativa afirma ser incabível a aplicação em duplicidade da multa de ofício vinculada ao imposto e a multa isolada do carnêleão. A infração do possível não recolhimento do carnê leão sobre os rendimentos percebidos de pessoa física, apenada com multa isolada de 75% (sic), foi absorvida pela conduta de não ofertar (na opinião da fiscalização) esses rendimentos à tributação no ajuste anual, pois essa última conduta também é apenada com multa de ofício de 75%. Há, na espécie, bis in idem. Cita jurisprudência administrativa. Pelo que foi exposto, requer à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico do imposto exigido, assim como da multa isolada aplicada por total falta de base legal. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 5 7 2. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA No caso presente, a AFRFB não fez nenhuma investigação nas pessoas jurídicas para constatar a verdade real. Assim, reiteramos todos os nossos argumentos legais elencados quando discorremos no caso de pessoa física identificada anteriormente. Do ônus investigatório acima não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Apenas poderia utilizar a presunção legal de que depósitos de origem não comprovada são rendimentos omitidos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, caso não conhecesse o depositante, situação não ocorrida. Por tudo que foi exposto, requeremos à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico. 3. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA No Termo de Verificação, a AFRFB afirma o seguinte: "Os créditos em que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas, foram considerados como "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA", porque não é possível afirmar se o nome é um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa física." A afirmação da AFRFB é totalmente contraditória: em um momento afirma que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas e assim, porque não é possível afirmar se o nome de um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa jurídica. Pela afirmação da AFRFB, ela não tinha condição de afirmar que se tratava de pagamento de pessoa física ou de pessoa jurídica em uma investigação. Para a consecução de seus objetivos fiscais, a Administração tributária tem o dever de investigar as atividades dos particulares de modo a identificar aquelas que guardam relação com as normas tributárias e, em sendo o caso, proceder ao lançamento do crédito. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais; deve fiscalizar em busca da verdade material, deve apurar e lançar com base na verdade material. O princípio da verdade material governa o procedimento e o processo administrativo; no processo administrativo tributário, a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material. A AFRFB não foi diligente com o objetivo de apurar a verdade material obrigatória para a constituição do crédito tributário. O Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 lançamento está em possível ocorrência do fato gerador e não da prova efetiva de seu fato. O simples crédito bancário é apenas indício. O dever de investigação é do agente fiscal. Com o final das investigações a autoridade fiscal tem todos os elementos para intimar o fiscalizado, em obediência o art. 42 da Lei n° 9.430/96, e apurar a verdade material. A movimentação financeira é o procedimento inicial de análise e não o final, é a partir dela que a auditoria fiscal deve executar os exames pertinentes e as diligências necessárias para atingir o fim colimado. No quadro normativo constante da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento exige (art. 142 do CTN). Cita doutrina. O Artigo 112 do CTN estabelece situações em que a legislação tributária deve sempre ser interpretada em favor do sujeito passivo acusado de cometer infrações à legislação tributária. Outro fato não menos importante que deixou de ser observado pela AFRFB trata da exclusão da base de cálculo dos valores dos rendimentos tributados em sua DAA. O valor de R$ 1.901.725,05 é muito inferior ao valor declarado pelo impugnante em sua DAA do exercício de 2008, anocalendário de 2007, informada nos rendimentos da atividade rural, no valor de R$ 3.040.353,06. O Banco Bradesco, agência 0266, conta 15.5837, fica em São Miguel do Araguaia, GO, onde estão localizadas as fazendas do fiscalizado; esta conta serve somente para albergar toda a movimentação de sua receita rural. Não se pode deixar de constatar que todas as receitas da atividade rural transitaram pela referida conta bancária. Assim, onde estariam valores depositados que não fossem originários da receita da atividade rural? A AFRFB não conseguiu demonstrar este fato. Cita jurisprudência administrativa. 4. DATA DE CONSTITUIÇÃO E DATA DE INÍCIO DE ATIVIDADE A autoridade fiscal desconsiderou os empréstimos realizados pela empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda no valor de R$16.000.000,00 pelos seguintes fatos: l. por ferir o artigo 1.150 do CC/2002, em virtude da data de constituição ser de 19/07/2007 e data de início de atividade 17/06/2007; 2. por ferir o artigo 977 do CC/2002, pois em vários instrumentos de contrato de mútuo apresentados a esta fiscalização é afirmado que Durval Sanches Galo e Arilda Camargo Sanches são casados sob o regime de comunhão total de bens; 3. as quatro notas promissórias em que Durval Sanches Galo promete efetuar pagamentos a Duaril Participações Ltda têm o dia 17/06/2007 como data de emissão, sendo que esta data é a da assinatura da constituição da empresa constante em seu contrato social, anteriormente à data de constituição dessa Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 6 9 empresa que é de 19/07/2007 – afirma a autoridade fiscal que as notas promissórias foram firmadas por uma pessoa jurídica que não existia legalmente; 4. uma vez que o fiscalizado é sócio majoritário da referida empresa, a fiscalização efetuou a intimação da mesma, a qual foi subscrita por seu procurador, no sentido de apresentação de documentos; 5. as notas promissórias não foram registradas em cartório; 6. a empresa não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades. Nenhuma afirmação da fiscalização merece fé por ferir o princípio da legalidade, como veremos a seguir. 1. Afirma a ilustre AFRFB que a empresa feriu o artigo 1.150 do CC/2002 (“O empresário e a sociedade empresária vinculamse ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária.”). A empresa foi devidamente registrada no órgão competente. Entre a data da assinatura do contrato (17/06/2007) e o seu registro pela JUCESP (19/07/2007) temos 33 dias, logo o contrato social foi protocolado para registro dentro do prazo de 30 dias. Transcreve o art. 1.151 do CC/2002 e o art. 36 da Lei nº 8.934/94 para afirmar que, apesar do registro/data da constituição ter sido em 19/07/2007, a sua validade retroage a 17/06/2007, sendo, portanto, totalmente infundadas as afirmações da AFRFB. 2. O contrato ter marido e mulher em regime de comunhão de bens é matéria de direito comercial e civil estranha à autoridade fiscal para desclassificála. 3. A empresa, na data das assinaturas das notas promissórias, era uma pessoa jurídica existente, conforme já foi esclarecido acima. 4. Intimar o fiscalizado, por ser o sócio majoritário da empresa, a entregar documentos desta sem emissão de MPFD fere frontalmente a legislação de regência, sendo, portanto totalmente nula tal intimação e seus efeitos. 5. O registro das notas promissórias há muito não é obrigatório. 6. A afirmação da AFRFB de que a Duaril Participações e Empreendimentos Ltda não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades não se coaduna com declaração do sr. Carlos Alberto Bonini citada no TVF e não tem nenhum embasamento jurídico. Se houvesse constatado esta premissa, a autoridade fiscal deveria protocolizar Representação para Baixa de Ofício Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 do CNPJ; tal procedimento não foi adotado e por este motivo é totalmente descabida a conclusão da AFRFB sobre este fato. Pelo exposto, o impugnante requer: a) prorrogação do prazo da impugnação em virtude de não ter tido acesso à cópia do processo fiscal até a data limite; b) apresentação de peça impugnatória complementar; c) receber e processar a presente impugnação administrativa e anexos, na expectativa de que a final seja conhecida e provida, com a declaração de insubsistência do Termo de Verificação Fiscal e da exação fiscal pelos fatos e direitos elencados na peça exordial; protesta ainda, com base no Art. 38 da Lei 9.784/99, pela inclusão de novos documentos de prova material antes da decisão a ser prolatada. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Tendo o próprio contribuinte apresentado os extratos bancários, não se vislumbra quebra de sigilo bancário. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal estabelecendo efeito vinculante e/ou aplicação “erga omnes” em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. Preliminar afastada. PRELIMINAR. NULIDADE. Não constatada a ocorrência das irregularidades, incorreções ou omissões previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não ficou configurada nulidade. Preliminar afastada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Preliminar afastada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, devem ser mantidos no cálculo do imposto de renda pessoa física os rendimentos tributáveis cuja omissão foi constatada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 7 11 A Lei nº 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. Por se tratarem de penalidades aplicáveis pelo cometimento de infrações distintas, justificase a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 26/06/2013 (fl. 416), Durval Sanches Galo apresenta Recurso Voluntário em 24/07/2013 (fls. 417 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. Quanto à alegada quebra ilegal do sigilo bancário, verifico, pois, que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal, conforme se observa do Termo de Início de Ação Fiscal às fls. 17/18, com ciência à fl. 19 e Intimação às fls. 103/105, com ciência à fl. 106. Com efeito, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Sobre a arguição de ilegitimidade no uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, impende esclarecer que essa questão foi objeto de Súmula deste Conselho. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As decisões judiciais carreadas pela defesa, especificamente o Acórdão do Recurso Extraordinário n° 389.808 do STF, sem caráter erga omnes, não vinculam os julgadores dos processos administrativos fiscais. Portanto, válida a intimação e o uso de informações sobre movimentação financeira para a constituição do crédito tributário. Em relação à alegada nulidade do procedimento fiscal, em razão da ausência do MPFD para o Sr. José Luciano Franco Rezende, assim como quebra ilegal do sigilo fiscal do intimado e, principalmente, pelo fato de o contribuinte não pertence à área de competência da autoridade fiscal, penso que não há como acolhêlos. Pelo que consta dos autos, não ocorreu qualquer irregularidade no procedimento investigatório em questão. Com efeito, nada há que obste a fiscalização de verificar a regularidade dos rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos, de tributação exclusiva ou definitiva. Ao contrário, tem a fiscalização o dever de averiguar se os rendimentos declarados estão ancorados em documentação hábil e idônea, podendo para tanto intimar o contribuinte ou pessoas correlacionadas, sem que seja necessária qualquer formalidade para tanto. De acordo com a legislação vigente (reproduzida nos arts. 927 e 928 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999), todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pela fiscalização no exercício de suas funções, não podendo eximirse de fornecer as informações ou esclarecimentos solicitados. Na verdade, o propósito da presente ação fiscal, consoante disposto no MPF regularmente emitido, foi verificar a regularidade do Imposto de Renda Pessoa Física, no ano calendário 2007, sem qualquer restrição. Para analisar adequadamente a natureza econômica e jurídica dos recursos ingressados nas contas fiscalizadas, deve o fisco ter acesso à totalidade dos extratos bancários, e não apenas a parte que o interessado entenda como necessária, bem como a outros documentos que no curso da fase investigatória se mostrem relevantes para o cumprimento do trabalho fiscal. Além do mais, eventual omissão do Mandado de Procedimento Fiscal, não se mostra suficiente para invalidar ato praticado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência é derivada diretamente da lei, cabendo a ele, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do CTN, ou seja, as espécies normativas hierarquicamente inferiores, como a Portaria SRF nº 1.265/1999 substituída pela Portaria SRF nº 3.007/2001, não poderiam restringir ou modificar a ação da autoridade fiscal, seja mediante critérios temporais, territoriais ou de qualquer outra natureza. Portanto, o MPF é procedimento de controle interno da fiscalização e a não existência deste não torna nulo o lançamento. As intimações feitas ao longo de todo o procedimento fiscal tiveram como objetivo averiguar o correto cumprimento das obrigações Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 8 13 tributárias por parte do contribuinte, não se caracterizando, assim, o alegado vício no procedimento fiscal. Em relação à alegação de que o contribuinte intimado não pertence à área de competência da autoridade fiscal, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado por este Conselho, consoante se infere da leitura da Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Dessarte, rejeitase a nulidade arguida. No que tange à alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da não disponibilização da documentação que alicerçou o lançamento, constato, pois, que o argumento é estéril e não merece acolhimento. Diferentemente do que alega o contribuinte, a autoridade autuante, convencida da materialidade e autoria da infração, pelas provas do procedimento fiscal, poderia ter encerrado este, sem qualquer pecha de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, quer por violação dos princípios da ampla defesa ou do contraditório. Ora, esses princípios constitucionais vigoram, inegavelmente, no âmbito do processo administrativo fiscal. Porém, na fase da autuação, ainda não se tem o processo administrativo fiscal, a lide instaurada, que somente vem a lume quando da Impugnação do lançamento. Com efeito, o contribuinte, para instrumentalizar sua Impugnação e seu Recurso Voluntário, teve acesso aos autos, quando arrostou toda a sua inconformidade. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado, não há que se cogitar cerceamento de seu direito de defesa. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal considerou os créditos aportados na conta corrente do recorrente no valor de R$ 13.082.509,83 (R$ 12.100.000,00 10/07/2007; R$ 500.000,00 16/07/2007 e R$ 482.509,83 16/07/2007) como rendimentos omitidos de pessoa física. A autuante também lavrou a multa isolada decorrente de falta de recolhimento de IRPF devido a título de CarneLeão. Por sua vez, alega o recorrente que os créditos recebidos em sua conta referemse à operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo, ora recorrente, e Duaril Participações e Empreendimento Ltda., uma vez que os valores são provenientes da venda de uma fazenda da empresa de sua propriedade. Assevera, ainda, que “... os valores foram transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar FAZENDA SANTA MARTA DA BÔA VISTA, conforme escrituras públicas de compra e venda, no valor de R$ 1.876.990,00 , livro 107, fls. 127/128 e no valor de R$29.113.010,00, livro 107, fls.129/131, no Cartório de Registro de Imóveis Tabelionato Primeiro de Notas, conforme documento em anexo que tinha como proprietária, também, a DUARIL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA.”. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 De pronto, analisando as peças constantes dos autos, penso que assiste razão ao recorrente. De fato, os créditos aportados na conta bancária do contribuinte referemse à venda de uma fazenda da Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. para José Luciano Franco Rezende (fls. 175/176). Para justificar a entrada do recurso em sua conta pessoal, já que a pessoa jurídica não possuía conta bancária, o recorrente considerou que estes lhe foram emprestados pela pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., empresa da qual o autuado é sócio majoritário, apresentando, para tanto, contrato de mútuo firmado entre ele e a empresa. Intimado pela fiscalização, José Luciano Franco Rezende apresentou esclarecimentos e documentos relativos à operação de compra da fazenda, bem como os comprovantes de depósitos na conta do autuado. De posse de todos os documentos coligidos na ação fiscal, entendeu a autoridade lançadora que o recorrente não fez prova do contrato de mútuo, em razão da ausência dos seguintes elementos: registro público, comprovação da restituição de valores mutuados, ausência de registro na contabilidade e falta de cobrança de juros compatíveis com o mercado. Ora, penso que a questão tratada pela fiscalização não pode se restringir, essencialmente, à formalidade do contrato de mútuo. A bem da verdade, o valor depositado na conta do recorrente referese à venda de uma fazenda da pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., conforme documentos coligidos pela fiscalização, especialmente a contabilidade da empresa, que registra o imóvel rural no valor de R$ 32.500.000,00 (fl. 201). Entendimento semelhante teve a autoridade recorrida quando consignou em sue voto que “A venda da fazenda pela Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. ao Sr. Jose Luciano Franco Rezende e os valores correspondentes guardam coerência com os documentos acostados aos autos e com os depósitos bancários em discussão...”. Nesse caso, como o crédito bancário teve sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, penso que não é lícito à fiscalização presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deveria a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. Com efeito, é imprescindível que se faça uma análise dos documentos e informações coligidas aos autos, para que se conclua pelo cabimento ou não de determinado enquadramento fiscal. Nesse sentido, deve a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, já que no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Assim, como bem preleciona Vitor Hugo Mota de Menezes1, o princípio da verdade material deve ser buscado no processo, desprezandose as presunções tributárias, ficções legais, arbitramentos ou outros procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a verdade objetiva, devendo a autoridade administrativa promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material. Nesta mesma linha, deve ser invocado o voto pelo i. Conselheiro Naury Fragoso Tanaka proferido no Acórdão nº 10247.457 e acolhido por unanimidade por este Conselho: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei 1 MENEZES, Vitor Hugo Mota de. Teoria geral do processo administrativo tributário. In: ANDRADE, Roberta Ferreira de (coord.). Direito processual tributário. Manaus: Fiscal Amazonas, 2002. p. 22. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 9 15 permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto 70.235/1972, verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Consolidouse, nesse sentido, a jurisprudência deste Conselho. Vejase: OMISSÃO DE RECEITAS ATIVIDADE RURAL Não havendo consonância entre o pressuposto fático da autuação e a materialidade dos fatos, é de se cancelar o lançamento de oficio. (Acórdão nº 10422.718 Processo n° 10380.010406/200469) IRPJ. OMISSÃO DE COMPRAS. INFORMAÇÃO DE TERCEIROS A omissão de receita, em todos os casos, não dispensa a prova de sua ocorrência. Indícios colhidos junto a terceiros demandam maior aprofundamento da ação fiscal no sentido de levar ao julgador a convicção de que o ilícito fiscal realmente ocorreu. Recurso de ofício a que se nega provimento. (Acórdão n° 10322476 Processo nº 13807.013368/9917) Assim, em função dos documentos, informações e diligências constantes dos autos, dando conta que a origem dos depósitos na conta do autuado era de fato da venda de uma fazenda, não tem sentido considerar o valor recebido pelo contribuinte como rendimento auferido de pessoa física. Com efeito, o lançamento respaldado em legislação específica não comporta presunção. Isso posto, deve ser afastado o item 2 do Auto de Infração. Em razão do provimento do recurso relativo aos rendimentos recebido de pessoa física, deve ser também afastado o item 4 do Auto de Infração, qual seja, multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica No que tange aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, penso que o lançamento perpetrado pela autoridade lançadora está correto e não carece de reparo. Na Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 verdade, a autoridade fiscal identificou os depositantes e, consequentemente, foi aplicada à espécie a legislação específica prevista na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. Na verdade, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal e não apresentou qualquer prova que pudesse desconstituir o lançamento. Nesse caso, para afastar a autuação, caberia ao autuado a produção de prova em contrário, ou seja, provar que o valor recebido não é decorrente de rendimento omitido. Ante a esses argumentos, entendo que a exigência tributária, nesta parte, deve ser mantida. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega o recorrente que os depósitos bancários são oriundos de receita de atividade rural, uma vez que os valores transitaram por suas contas bancárias. Assevera ainda que “... declarou como receita tributável de atividade agrícola no ano calendário de 2007, a importância de R$ 3.040.353,06, muito superior ao valor apurado pela fiscalização”. No que tange à alegação supra, cumpre esclarecer que a comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, significa dizer que o contribuinte deve apresentar documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve o recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 10 17 (atividade rural) a comprovar vários créditos em conta. Como abordado neste voto, o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre o contribuinte. Ainda há de se levar em conta que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Ademais, compulsandose a Declaração de Ajuste, fls. 04/16, verificase que o contribuinte obteve outros rendimentos que não da atividade rural. Esclareçase ainda que o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Notese que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 referese à comprovação da origem dos depósitos de forma individualizada. Não se trata, portanto, de se apontar possíveis fontes que dariam lastro aos depósitos, é preciso demonstrar a origem imediata dos créditos, isto é, de onde saíram os recursos depositados. Ressaltese que o fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula os autos. No momento em que se invoca o princípio da verdade material, não significa dizer que o dever do ônus probandi é do fisco, pois, como o ônus da prova afeta tanto o fisco como o sujeito passivo, não cabe a qualquer das partes manteremse passiva, apenas alegando fatos que as favorecem sem carrear provas que as sustentem. Com efeito, o recorrente fundamentou sua peça recursal, basicamente, em questões de direito, não se manifestando quanto às questões de fato, deixando de apresentar, nessa fase, as provas da origem dos recursos dos depósitos em suas contas correntes. Por fim, inexistindo dúvida sobre a matéria, incabível se falar nas disposições contidas no art. 112 do CTN. Nessas condições penso que, neste ponto, não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10640.003894/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIRO - FNDE - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - COMPETÊNCIA DA AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
O pagamento de participação nos lucros em desacordo com a lei 10.101, inviabiliza que a referida verba seja excluída do salário de contribuição, razão porque correto o lançamento de contribuição previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO.
Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR.
ARQUIVAMENTO DO ACORDO DE PLR - ENTIDADE SINDICAL - EXIGÊNCIA LEGAL
A exigência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical correspondente a categoria de empregados da empresa é exigência legal, não podendo ser mitigada por mera interpretação do recorrente.
ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR - METAS ESTIPULADAS PARA EXERCÍCIO JÁ ENCERRADO - IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CAPITAL DA EMPRESA.
Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.
Não há que se falar em metas estipuladas se o acordo foi firmado em data posterior ao término do exercício. Impossibilidade de estimulo do empregado a participar do capital, se o exercício já encontra-se encerrado.
FOLHA DE PAGAMENTO - DIFERENÇAS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os fatos geradores da filial 0005 do exercício de 2007 (PLR 2006) e, ainda, votaram pelas conclusões por entenderem que os acordos firmados antes do pagamento das parcelas, mesmo que após o período de apuração a que se referem, não descaracterizam a PLR.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros em desacordo com a lei 10.101, inviabiliza que a referida verba seja excluída do salário de contribuição, razão porque correto o lançamento de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindose natureza salarial a verba PLR. ARQUIVAMENTO DO ACORDO DE PLR ENTIDADE SINDICAL EXIGÊNCIA LEGAL A exigência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical correspondente a categoria de empregados da empresa é exigência legal, não podendo ser mitigada por mera interpretação do recorrente. ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR METAS ESTIPULADAS PARA EXERCÍCIO JÁ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 38 94 /2 00 9- 54 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ENCERRADO IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CAPITAL DA EMPRESA. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Não há que se falar em metas estipuladas se o acordo foi firmado em data posterior ao término do exercício. Impossibilidade de estimulo do empregado a participar do capital, se o exercício já encontrase encerrado. FOLHA DE PAGAMENTO DIFERENÇAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os fatos geradores da filial 0005 do exercício de 2007 (PLR 2006) e, ainda, votaram pelas conclusões por entenderem que os acordos firmados antes do pagamento das parcelas, mesmo que após o período de apuração a que se referem, não descaracterizam a PLR. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. 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SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO : Saláriofamília pago sem observância aos termos previstos na Lei n° 8.213/91 artigo 67. Sendo irregular a compensação de seu valor nas contribuições previdenciárias devidas pela empresa. No presente Auto de Infração está sendo glosada essa compensação e cobrada a contribuição previdenciária devida pelo contribuinte, à época do pagamento desse benefício vide relatório QUADRO C SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO. Nesse relatório estão discriminados os nomes dos Segurados Empregados, a irregularidade observada e o valor pago glosado; 4.2. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei N? 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; 4.3. FOLHA DE PAGAMENTO: A remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, lançadas pela própria empresa, nas Folhas de Pagamentos, RAIS, DIRF, Recibos de Pagamentos, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Recibos de Férias e não declarados em GFIP vide relatório Base de Cálculo Apurada em Folha de Pagamento Patronal + Segurados. As bases apuradas resultaram da conciliação entre Folha de Pagamento, GFIP, RAIS e DIRF. As contribuições apuradas no presente levantamento, foram assim, especificadas: 9.2. Durante a Ação Fiscal, são criados Levantamentos codificados, que servem para conter e agrupar lançamentos de valores devidos, relativos às Bases de Cálculos dos Fatos Geradores de mesma natureza, mantendose os valores originários (valores da época, em moeda da época); 9.3. No presente caso foram criados os Levantamentos: 9 . 3 . 1 . POl PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 06 081012 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2006 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.2. P02 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.3. P03 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 082007 a 112007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.4. P04 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0305060809 2008 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.5. P05 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008; 04 e 05 2009 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% MULTA AGRAVADA; 9.3.6. P06 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 10122006 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.7. P07 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 032007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.8. P08 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 08 a 102007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.9. P09 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO010205 a 102008 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.10. PIO PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9 . 3 . 1 1 . P l l PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM Fl. 924DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 4 5 APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122006 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.12. P12 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.13. P13 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 08 e 102007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.14. P14 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 010205 a 08 10 2008 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.15. P15 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008;010204 e 052009 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% MULTA AGRAVADA; 9.3.16. P16 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 052007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.17. P17 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 062007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.18. P18 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09 e 102007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.19. P19 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0105 a 0709 e 10 2008 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.20. P20 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM Fl. 925DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008; 0102 04 2009 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.21. P21 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09 e 102007 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.22. P22 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 03 e 052008 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.23. P23 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.24. P24 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 03 a 05082006 e 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.25. P25 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 082007 a 112007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.26. P26 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01052008 a 10 2008 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.27. P27 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.28. M i l CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01070911 2006; 01 e 052007 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.29. MI2 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0607122007 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; Fl. 926DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 5 7 9.3.30. MI3 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.31. X01 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 010709112006 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.32. X02 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.33. X03 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06072007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.34. X04 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.35. X05 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09112006 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.36. X06 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.37. X07 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06 e 122007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 9.3.38. X08 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.39. X09 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 112006 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.40. XIO PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.41. XI1 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0607122007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.42. XI2 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.43. X13 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.44. X14 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.45. X15 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122007 ESTABELECIMENTO 000509 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.46. X16 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 6 9 ESTABELECIMENTO 000509 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.47. X17 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0107092006 e 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.48. X18 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06072007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.49. XI9 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.50. FP1 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9 . 3 . 5 1 . FP2 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.52. FP3 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte M U LTA AG RAVADA; 9.3.53. FP4 FOLHA PE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.54. FP5 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 10 e 132005 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 9.3.55. FP6 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 05 a 132005 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.56. SF1 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 112005 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.57. SF4 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 122005 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.58. SF6 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 05 a 122005 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; O cálculo da contribuição dos segurados empregados, foi calculada levando em consideração o limite máximo do salário de contribuição. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o valor das contribuições apuradas para todas as competências posteriores a 12/2008, e devida comparação, das multas até a vigência da Medida Provisória 449/2008 com a multa após a vigência da referida MP, aplicando a mais benigna, conforme demonstrado no relatório do AI. Descreveu, ainda o auditor que para a comparação não consideramos as contribuições destinadas a OUTRAS ENTIDADES e FUNDOS no cálculo da multa de mora e da multa de 75%, pois a infração por não declarar ou declarar com omissão/inexatidão inclui, apenas, as contribuições previdenciárias. Também não considerou, o auditor, na comparação a qualificação e o agravamento da multa (§§ I o e 2o do art. 4 4 da Lei n ° 9.430/96). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/11/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 122 a 135, destacando, que em relação ao salário família glosado, está providenciando ao pagamento da contribuição devida, bem como impugnando os demais levantamentos, por entender serem indevidos. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 492 a 498. Assunto : Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 7 11 A participação nos lucros e resultados paga em desconformidade com a legislação específica implica na sua consideração como saláriode contribuição. Não há que se falar em desconformidade DIRF/GFIP quando a fiscalização pautase em outros documentos como folha de pagamento para embasar o lançamento. Acórdão Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 463 a 468, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Os auditores na verdade emitiram juízo de valor em relação as metas acordadas com os empregados, não tendo focado a análise nas disposições legais, mas sim, nas metas estipuladas, o que lhe é absolutamente vedado. 2. A DRJ não emitiu juízo sobre as metas, no entanto concluir por manter o lançamento sob a alegação de descumprimento dos requisitos formais estipulados na lei de regência da PLR. 3. Verificase, portanto, que a análise deve cingirse aos dispositivos legais e ao que foi indicado como motivo do ato administrativo de lançamento e mantido pela decisão de primeira instância, a saber, a suposta falha na indicação e ou identificação do representante dos empregados na negociação dos acordos e a ausência de registro do documento na entidade sindical. 4. Quanto a representatividade e registro sindical, não há vícios na indicação dos representantes dos empregados: 4.1. as filiais 000509 e 000177, foram efetivados via acordo coletivo; 4.2. os acordos das filiais 000410 e 000258 e 000339, foram negociados por meio de comissão de empregados, sendo assinados e indicada o CPF dos empregados. 5. Destacou que a intenção da lei 10.101 foi permitir o envolvimento dos empregados na elaboração e definição das metas, tendo em vista ser um instrumento de integração entre o capital e trabalho. 6. Identificase a participação dos empregados na definição das metas, sendo que eventuais detalhes formais não podem sobrepor à finalidade da lei, quando atingida a sua essência. 7. Quanto ao registro do instrumento no sindicato, o mesmo serve para conferir publicidade, facilitando o cumprimento dos termos avençados, sendo que sua ausência não altera a natureza do pagamento. Transcreve julgado do STJ a respeito. 8. Além dos ditos aspectos formais o lançamento foi mantido sob a alegação de caráter material de que os valores pagos aos empregados a título de PLR mais teria se assemelhado ao pagamento de prêmio pelo atingimento de metas, do que integração dos empregados ao capital. Devese deixar claro que as razões conferidas sequer foram Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 elaboradas tendo em vista os elementos constantes dos presentes autos, sendo apenas transcrição de declaração de voto de um dos acórdãos citados pelo recorrente. 9. Os auditores fiscais que efetuaram o lançamento, em momento algum descreveram os pagamentos como se não fossem PLR, considerando que as formalidades para que referido pagamento fosse excluído do conceito de salário de contribuição não foram restaram cumpridas. Não poderia o acordão fundamentarse em conclusões tiradas por outro conselheiro, quando do julgamento. 10. Quanto à participação nos lucros, lança os seguintes argumentos: 10.1. O conteúdo dos planos de participação nos lucros foram verificados pela auditoria que não deixou de reconhecer a que título foram pagos os respectivos valores. Tais planos foram negociados por meio de acordo coletivo ou com comissão de empregados (folha 1106). 10.2. Os pagamentos a título de PLR obedeceram estritamente o que determina a Lei 10.101/2001, em seus artigos 2o , §§1° e 2o , e 3o, §2°. 10.3. As regras foram "suficientemente descritas nos programas." (folha 1108) Quanto à divulgação de forma relativa das metas, isto se deu em razão de "que as metas muito têm a ver com estratégias da empresa para reduzir seus custos e atender melhor seus clientes" (folha 1109). Os "instrumentos foram assinados ou pelo representante do sindicato ou pelos membros da comissão ou por ambos" (folha 1109) e "eram amplamente divulgadas pela Impugnante no local de trabalho, conforme se constata pelo documento anexo (cfr. Doe. 04)." Alega também que "nenhuma lei impõe que a negociação seja prévia à apuração dos lucros ou resultados". Colaciona decisões do Conselho de Contribuintes nesse último sentido (folhas l l l O e 1111). 10.4. O texto da CRFB, art. 7o , inciso XI é autoaplicável e, mesmo que não o fosse, as regras da Lei 10.101/2000 tem caráter meramente indicativo. 11. Alega que os valores não lançados em GFIP, apurados a partir de folha de pagamento, RAIS e DIRF, não o foram por não integrarem o saláriodecontribuição (folha 1113). Foram, no entanto, informados na DIRF conforme determinação da Lei 10.101/2000. Do recurso identificase que a PLR não deve constituir salário de contribuição. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 896. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS Inicialmente, vale ressaltar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. DA MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO No recurso em questão, o contribuinte atacou a natureza do pagamento de PLR, discordando da contribuição lançada, por entender não constituir salário de contribuição, contudo, não insurgiuse quanto as bases de cálculo apuradas, nem tampouco, quanto aos levantamentos que descrevem diferenças de Folha de Pagamento não declarados em GFIP, nem fez qualquer menção aos levantamentos de contribuintes individuais. Assim descreveu o auditor em seu relatório: 4.3. FOLHA DE PAGAMENTO: A remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, lançadas pela própria empresa, nas Folhas de Pagamentos, RAIS, DIRF, Recibos de Pagamentos, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Recibos de Férias e não declarados em GFIP vide relatório Base de Cálculo Apurada em Folha de Pagamento Patronal + Segurados. As bases apuradas resultaram da conciliação entre Folha de Pagamento, GFIP, RAIS e DIRF. Dessa forma, em relação aos mencionados fatos geradores, descritos detalhadamente no relatório fiscal, planilhas detalhadas anexas ao lançamento, nos levantamentos constantes do relatório DAD, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de Primeira Instância presumese a concordância da recorrente com a referida decisão. Notese que para os pagamentos pelo programa descrito pela auditoria como PEPR apresentou o recorrente em sua impugnação argumentos de que constituiriam Programa Especial de Participação nos Resultados de indenização compensatória em função da redução do valor do ticketrefeição aos trabalhadores prejudicados, contudo, tais fundamentos restaram afastados pelo órgão julgador, não tendo o recorrente apresentado no recursos, seja os mesmos Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 fundamentos, ou qualquer outro elemento, que consubstanciasse a exclusão dos referidos valores da base de cálculo. Esse programa, foi assim indicado pelo auditor autuante em seu relatório: 4.2.4.6.1.1.3. O pagamento de PEPR 2005 padeceu também dos mesmos vícios: acordo assinado em 01022006, pagamento em janeiro de 2006. O ANEXO I I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS também foi assinado posteriormente ao pagamento. Aqui, a periodicidade é por semestre civil, tendo início no segundo semestre de 2005. A Empresa não apresentou esclarecimentos sobre as diferenças entre PPR e PEPR (com prazo de vigência indeterminado) na Folha de Pagamento é a verba 202 e serve tanto para um programa como para o outro; não apresentou detalhamento da forma de aferição das metas acordadas com comprovação por estabelecimento, setor, departamento e Empregado das metas alcançadas. Pela leitura do item do ANEXO I I , item 5 B, mesmo o Empregado que não tenha atingido a meta, "o PPR a ser pago será proporcional ao número de dias de efetivo trabalho realizado pelo empregado no semestre". A Lei 10.101/2000 é clara ao dizer que para que o trabalhador tenha direito a Participação nos Lucros e Resultados torna se necessário que o mesmo participe de um RESULTADO que se baseie em regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e que tenha o intuito de incentivar a produtividade. Isso, não ocorre aqui. Não atende ao exigido pela Lei sendo o pagamento de Participação no Resultado somente um meio de se remunerar o Segurado Empregado sem o pagamento de Contribuição Previdenciária e sem repercussão nos demais direitos trabalhistas. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou em relação a esses pontos e, portanto, deve ser mantida a Decisão proferida pela DRJ, tanto em relação a FOLHA, como ao Programa PEPR. QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR, que digase constituem a grande parte do crédito lançado, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseados na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, assim descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição: 4.2. P A R T I C I P A Ç Ã O N O S LUCROS OU R E S U L T A D O S Remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei n. 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; Fl. 934DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 9 15 4 . 2 . 1 . A Constituição Federal, nos termos do art. 7 o , inciso X I , assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, que é a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000; 4.2.2. A Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade; 4.2.3. Para que o Segurado Empregado tenha direito à PLR tornase necessário que o mesmo participe de um RESULTADO que se baseie em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tenha o intuito de incentivar a produtividade. 4.2.3.1. Para a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados da empresa, a Lei N9 10.101/2000 estabelece as seguintes condições: a) a PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: > Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da categoria; —• Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: —> índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; > Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.3.2. O instrumento de acordo celebrado deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; 4.2.3.3. Quando o instrumento de negociação for a comissão escolhida pelas partes, a ata elaborada deverá ser assinada pelo representante do sindicato; 4.2.3.4. O item 4.2.3.2. e 4.2.3.3. fazse necessário para garantir a "integração entre o capital e o trabalho" [ i t em 4 . 2 . 2 . ]. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 4.2.3.5. E, é claro, os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.4. POIS BEM: 4 . 2 . 4 . 1 . Através do TIPF, datado de 20 de Fevereiro de 2009, intimamos a Empresa inicialmente para apresentar o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados, junto com outros documentos, como Acordos e Convenções Coletivas. A Empresa não apresentou a documentação exigida relativa ao PLR; 4.2.4.2. Em 15/04/2009 TIF N° 001 foi solicitado Regras de distribuição, periodicidade, vigência e prazos de revisão. A Empresa apresentou parte dos Acordos Coletivos celebrados entre Empresa e Empregados; 4.2.4.3. Em 04/06/2009 TIF N° 002 foi solicitado Acordos e Convenções Coletivas Para Participação nos Lucros Anexo com Detalhamento do Programa Especial de Participação nos Resultados e Programa de Participação nos Resultados. Em caso de comissão escolhida pelas partes Ata dos acordos negociados com a assinatura dos representantes do sindicato da categoria. A Empresa não apresentou nenhum documento novo. E finalmente em 19/06/2009 TIF N° 004, item 2.2. abaixo: 2.2. Prazo: 5 dias Período de apuração: 01/2005 a 05/2009. 2.2.1. PARA TODOS OS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA: A Empresa devera apresentar de forma detalhada através de documento escrito resposta às seguintes questões: 2.2.1.1 Diferenciar PEPR Programa Especial de Participação nos Lucros de PPR Programa de Participação nos Lucros; 2.2.1.2 Os estabelecimentos que celebraram acordo através de COMISSÃO escolhida entre as partes devera apresentar as Atas do processo de escolha dos representantes dos trabalhadores; indicar o representante do sindicato da categoria (cf. art. 2° , I da lei 10.101 de 19 de Dezembro de 2000); Atas das reuniões entre as partes; data do arquivamento da Ata (com assinatura do representante sindical) no Sindicato dos trabalhadores (justificar o não arquivamento se for o caso); 2.2.1.3 Detalhar a forma de aferição das metas acordadas com comprovação por Estabelecimento, setor, departamento e Empregado das metas alcançadas; 2.2.2. PARA O ESTABELECIMENTO 000177: 2.2.2.1 Apresentar o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2006 e 2007. Explicitar se houve Fl. 936DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 10 17 pagamento de PPR sem que esse documento fosse elaborado (se for o caso); 2.2.3. PARA O ESTABELECIMENTO 000339: 2.2.3.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2005, 2006 e 2007. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esses documentos fossem elaborados (se for o caso); 2.2.4. PARA O ESTABELECIMENTO 000410: 2.2.4.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2005. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esse documento fosse elaborado (se for o caso); 2.2.5. PARA O ESTABELECIMENTO 000509: 2.2.5.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2007 e 2008. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esses documentos fossem elaborados (se for o caso); 4.2.4.5 Nenhum dos esclarecimentos e/ou documentos solicitados mencionados no item 4.2.4.4. foi apresentado pela Empresa. CONCLUSÕES DO AUDITOR QUANTO AO PLR DA EMPRESA Face as solicitações procedeu o auditor a análise dos documentos apresentados, concluindo: CNPJ 000177: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . 1 . PPR de 2005: acordo assinado em 01 022006, pagamento em janeiro de 2006 (portanto, antes da assinatura do acordo e do programa). O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O EXERCÍCIO DE 2005 também foi assinado posteriormente ao pagamento; as metas estabelecidas (todas corporativas) já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.1.1.2. Para os anos de 2006 e 2007 a Empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas com comprovação por estabelecimento, setor, departamento e empregado das metas alcançadas. Ou seja, para os anos de 2006 e 2007 embora exista um documento intitulado PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR 20052007 não existe o Fl. 937DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 detalhamento do programa, o que o torna inconsistente, uma vez que inexiste meta, objetivo, vigência; 4.2.4.6.1.2. Acordo coletivo de 20082009 e PPR 2008 2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 2 . 1 . O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008, foi assinado em 25 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O acordo PPR foi firmado entre a Empresa e a COMISSÃO DE PPR CAS JFA, conforme visto nos itens 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos nem os relativos a COMISSÃO, nem o detalhamento do Programa, nem os de aferição das metas acordadas; enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; CNPJ 000258: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . Acordo coletivo 20052007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . 1 . PPR e PEPR de Outubro de 2005 a Setembro de 2006: acordo assinado em 20092006, pagamento em Setembro de 2006. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO OUTUBRO DE 2005 A SETEMBRO DE 2006 também foi assinado na mesma data; as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período quase que 9 7 , 5% transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. A meta t em que ser estabelecida previamente para que os envolvidos possam através de seus esforços atingilas e atender ao espírito da Lei 10.101/2000. Enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.2.1.2. Para o período de I o de Janeiro a 31 de Dezembro de 2007 a empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas. A empresa não esclareceu, mas pela leitura do ANEXO IIIDETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006, assinado em 16 de maio de 2007, o acordo foi repactuado, o período passa de Janeiro a Dezembro de 2006, as metas são diferentes e tudo se repete: nos instrumentos firmados entre a Empresa e a COMISSÃO DO PPR não há assinatura do representante sindical conforme exigência do art. 2 o , inciso I, da Lei 10.101/2000; não consta seu arquivamento na entidade Fl. 938DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 11 19 sindical representante dos trabalhadores da categoria naquela base sindical, não há detalhamento da forma de aferição de metas acordadas; 4.2.4.6.2.2. Acordo Coletivo 2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 2 . 1 . Acordo Coletivo e o Programa de Participação nos Resultados referente o período de JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 apresenta algumas contradições: (a) Acordo Coletivo assinado em 22 de agosto de 2008, na cidade de Goiânia; já o PPR 2008/2009 assinado em março de 2007 (sem precisão de dia) na cidade do Rio de Janeiro; (b) Os representantes dos trabalhadores na COMISSÃO, nas duas oportunidades são diferentes, são COMISSÕES diversas; nada a opor, todavia, notese que o ANEXO I I I citado no item 4.2.4.6.2.1.2. para o período de JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 foi firmado em Goiânia em 16 de maio de 2007 por outra COMISSÃO, também aqui não há nada a opor. Mas devemos registrar as inúmeras COMISSÕES em atuação concomitante sem participação da representação sindical determinada por Lei. 4.2.4.6.2.2.2. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 apresenta os mesmos vícios apontados anteriormente: aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; o acordo PPR foi firmado entre a Empresa e a COMISSÃO DE PPR CASGNA; e conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles esclarecimentos nem os relativos a COMISSÃO, nem o detalhamento do Programa, nem os de aferição das metas acordadas. O ANEXO A do ANEXO I informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiro, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.3. CNPJ 000339: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos. Nada absolutamente nada; 4.2.4.6.3.2. Programa de Participação nos Resultados de 20082009: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 4.2.4.6.3.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR 20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; 4.2.4.6.3.2.3. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.3.2.4. A Empresa apresentou documento (vide anexo GRUPO CNPJ 000339) em que afirma: "O ano de 2008 foi marcado por fortes mudanças e muitos desafios na Brasil Center. Neste cenário, enfrentamos adversidades que não permitiram o alcance dos indicadores operacionais pré definidos para o pagamento do PPR (grifo meu). Apesar do resultado, o presidente do Grupo Embratel, José Formoso Martinez, decidiu pelo reconhecimento de toda equipe BBC..." Assim, embora a empresa não tenha apresentado a forma de aferição das metas, fomos informados que as mesmas não foram alcançadas e que decidiuse pelo pagamento do PPR; 4.2.4.6.4. CNPJ 000410: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e Programa de Participação nos Resultados MAIO/2006 a ABRIL/2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.4.1.2. PPR MAIO/2006 a ABRIL/2007: Acordo firmado em 11 de maio de 2007, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO MAIO/2006 A ABRIL/2007 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.4.1.3. Para o período de maio/2007 a dezembro/2007 a empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas; 4.2.4.6.4.1.5. A empresa não esclareceu, mas pela leitura do ANEXO III DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 sem data de assinatura , o acordo foi repactuado e o período passa de Janeiro a Dezembro de 2006, as metas são diferentes e tudo se repete: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 12 21 não há assinatura do representante sindical, não há arquivamento na entidade sindical, ausência de detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, etc; com a repactuação para o período de janeiro a abril de 2007 continua valido o ANEXO I; 4.2.4.6.4.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.4.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR/20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; e, também, foi assinado em 30 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas; 4.2.4.6.4.2.3. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.5. CNP3 000509. 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . Acordo Coletivo 2006 2007 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2006: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.5.1.2. PPR JANEIRO/2006 a DEZEMBRO/2006: Acordo firmado em Agosto de 2007, pagamento em 2007. Também assinado em agosto de 2007 o ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO/2006 A DEZEMBRO/2006 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.5.1.3. Não foi apresentado documento de Detalhamento do PPR2007; 4.2.4.6.5.2. Acordo Coletivo 2008 2009 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 2 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; o PPR 20082009 não tem data de assinatura foi firmado através da COMISSÃO DE PPR CASRJO: pelo histórico dos outros programas assinados pela empresa é lícito supor que também o tenha Fl. 941DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 sido feito em data posterior a 31 de dezembro de 2008, quando os objetivos e metas já eram por todos conhecidos; Cabe informar que documento com as mesmas características e valores do PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008 e seus anexos foram nos outros estabelecimentos da empresa apresentados em diferentes datas: 25.03.2009;março de 2007;30.03.2009;março de 2009; 4.2.4.6.5.2.2. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério? Aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.6. CNPJ 000681: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e PPR 20052007: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.6.1.2. PPR de 01.07.2005 a 31.12.2005: Programa assinado em 18 de janeiro de 2006. As metas (todas corporativas) a serem alcançadas já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.6.1.3. PPR de 01.01.2006 a 30.06.2006: as metas consideradas estão relacionadas à assiduidade do Empregado pergunto: aonde o estímulo à produtividade e qualidade, exigidos pela Lei e pela Constituição Federal?; 4.2.4.6.6.1.4. O ANEXO I I I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 assinado em 27 de dezembro de 2006 ou seja, as metas estabelecidas não o foram previamente, já estavam para o ano de 2006 superadas e conhecidas. Como a Empresa não fez os esclarecimentos solicitados pela auditoria fiscal, deduzimos que esse ANEXO I I I referese de forma definitiva ao ano de 2006. Para o ano de 2007 continuou valido o acordo anterior: 100% de presença. Aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; Fl. 942DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 13 23 4.2.4.6.6.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR de JANEIRO A DEZEMRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 2 . 1 . Assinado em março de 2009 portanto, as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período já totalmente transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. Verificamos também que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.6.2.2. A Empresa não apresentou vale lembrar mais uma vez os mecanismos de aferição das metas acordadas. Da transcrição notase ter o auditor apontado individualmente em cada um dos acordos apresentados as faltas, o que permitiria ao recorrente, impugnar precisamente cada um daqueles pontos de modo a rechaçar os argumentos apresentados pela autoridade fiscal. DA APRECIAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE PLR No mérito, foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários, pelas razões enfrentadas adiante. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração que ofertam sustentáculo para o lançamento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e que de forma alguma propôs o auditor alterar a natureza dos pagamentos. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de Fl. 944DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 14 25 eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros Fl. 945DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 ou resultados da empresa e dá outras providências, verifica se a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas (ou exigências legais) para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 15 27 A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Conforme descrito pela autoridade fiscal os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES O principal fundamento em praticamente todos os períodos é que: descumprido preceito básico, qual seja: ausência dos pressupostos para tornar legitima a comissão, que seria a participação e assinatura do membro do sindicato no acordo firmado, devem os valores pagos a título de PLR compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Lei 10.101. A participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apoiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados. Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, qual seja participação do representante sindical, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Ademais, observase que no caso concreto, outro preceito da lei 10.101/2000 foi negligenciado, qual seja, art. 2º, § 2º que descreve o necessário arquivamento do instrumento do acordo na entidade sindical dos trabalhadores. Entendo que a alegação que esse fundamento não altera a natureza do pagamento, posto que visa dar mera publicidade ao ato, não merece acolhida. Rebato, ainda o argumento, que tendo sido formalizados diversos acordos com uma comissão de empregados, estaria suprida a falta da assinatura do sindicato. Ora,, a lei é bem clara; se a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros desvinculados do salário, qual seria o objetivo de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, bastaria, o texto constitucional. Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 16 29 Pelo contrário, entendo estar dentro da competência do auditor observar se os acordos firmados encontramse em conformidade com a exigência legal, estando, ainda, dentro de sua competência o lançamento de importâncias que entender devidas, pelo descumprimento dos referidos requisitos legais. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferilas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prémios, gratificações, gorjetas etc. Quanto a participação do sindicato, entendo que não logrou o recorrente em demonstrar a assinatura do mesmo nos acordos firmados diretamente com a comissão de empregados. Segundo o recorrente os acordos com as filiais 0004, 0002 e 0003, contém a assinatura da comissão dos empregados, inclusive com o CPF, mas nada mencionou em relação a participação do sindicato. E relação aos Acordos Coletivos da filial 0005 e 0001, realmente não se exige a assinatura do representante, mas indicou o auditor como motivo para o lançamento a pactuação tardia, como veremos a seguir, bem como não existir meta a ser alcançada, já que eram estipuladas a posteriore, o que pode ser observado ao analisarmos a cópia do acordo trazida pelo recorrente, fl. 2357. Aliás, o auditor já havia descrito em seu relatório que embora exista um documento intitulado Programa de participação nos resultados, não existe o detalhamento do programa e não estabeleceu como requisito descumprido a participação do sindicato. Na maioria dos casos, não esclareceu o recorrente durante o procedimento aspectos inerentes as metas e regras de aferição. O legislador, não criaria exigências para afastar a natureza salarial, se entendesse que as mesmas não interfeririam na natureza do pagamento. Assim, rechaço totalmente o argumento de que o descumprimento de meras formalidades não alterariam a natureza do pagamento feito ao empregado. Notese que o julgador além de citar a ausência do representante sindical, e do arquivamento, como requisito descumprido, também reforçou o argumento trazido pelo auditor de que não há de se admitir que o acordo sela celebrado ex post facto. Quanto a este ponto, nada falou o recorrente. Na verdade, acredito que o mesmo não tenha entendido os fundamentos da autoridade julgadora quando a mesma transcreveu o trecho da declaração de voto de um acordo mencionado pelo próprio recorrente em seu recurso. Bastanos ler o relatório fiscal e a decisão de primeira instância, para identificar que a celebração de acordo de forma tardia, ou seja, após o exercício a que se refere, é que afasta a concepção de que se trata de uma participação nos lucros, tornandoo mero prêmio ou gratificação já que acordado após o exercício a que se refere. Quanto a isso, por diversas vezes mencionou o auditor em seu relatório: 4.2. P A R T I C I P A Ç Ã O N O S LUCROS OU R E S U L T A D O S Remuneração paga, devida ou creditada aos Fl. 949DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei N? 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; (...) 4.2.3.5. E, é claro, os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.4. POIS BEM: (...)Face as solicitações procedeu o auditor a análise dos documentos apresentados, concluindo: CNPJ 000177: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . 1 . PPR de 2005: acordo assinado em 01 022006, pagamento em janeiro de 2006 (portanto, antes da assinatura do acordo e do programa). O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O EXERCÍCIO DE 2005 também foi assinado posteriormente ao pagamento; as metas estabelecidas (todas corporativas) já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.1.2. Acordo coletivo de 20082009 e PPR 2008 2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 2 . 1 . O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008, foi assinado em 25 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. CNPJ 000258: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . Acordo coletivo 20052007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . 1 . PPR e PEPR de Outubro de 2005 a Setembro de 2006: acordo assinado em 20092006, pagamento em Setembro de 2006. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO OUTUBRO DE 2005 A SETEMBRO DE 2006 também foi assinado na mesma data; as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período quase que 97,5% transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. A meta t em que ser estabelecida previamente para que os envolvidos possam através de seus esforços atingilas e atender ao espírito da Lei 10.101/2000. 4.2.4.6.3. CNPJ 000339: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 17 31 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos. Nada absolutamente nada; 4.2.4.6.3.2. Programa de Participação nos Resultados de 20082009: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.3.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR 20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; 4.2.4.6.4. CNPJ 000410: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e Programa de Participação nos Resultados MAIO/2006 a ABRIL/2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.4.1.2. PPR MAIO/2006 a ABRIL/2007: Acordo firmado em 11 de maio de 2007, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO MAIO/2006 A ABRIL/2007 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.4.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.4.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR/20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; e, também, foi assinado em 30 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas; 4.2.4.6.5. CNP3 000509. 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . Acordo Coletivo 2006 2007 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2006: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; Fl. 951DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 4.2.4.6.5.1.2. PPR JANEIRO/2006 a DEZEMBRO/2006: Acordo firmado em Agosto de 2007, pagamento em 2007. Também assinado em agosto de 2007 o ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO/2006 A DEZEMBRO/2006 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.5.2. Acordo Coletivo 2008 2009 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 2 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; o PPR 20082009 não tem data de assinatura foi firmado através da COMISSÃO DE PPR CASRJO: pelo histórico dos outros programas assinados pela empresa é lícito supor que também o tenha sido feito em data posterior a 31 de dezembro de 2008, quando os objetivos e metas já eram por todos conhecidos; Cabe informar que documento com as mesmas características e valores do PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008 e seus anexos foram nos outros estabelecimentos da empresa apresentados em diferentes datas: 25.03.2009;março de 2007;30.03.2009;março de 2009; 4.2.4.6.6. CNPJ 000681: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e PPR 20052007: . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.6.1.2. PPR de 01.07.2005 a 31.12.2005: Programa assinado em 18 de janeiro de 2006. As metas (todas corporativas) a serem alcançadas já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; Assim, esse fundamento, foi trazido pelo auditor em seu relatório, reforçado pelo órgão julgador e não rebatido pontualmente pelo recorrente. Aliás, entendo que o raciocínio do auditor encontrase em consonância com os fundamentos para o pagamento do PLR de forma, desvinculada. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Entendo, ser o requisito pacto prévio – fundamental, assim como descrito no relatório fiscal, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão, a autoridade fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio ao exercícios em que se baseavam os pagamentos, enfatizando que não haveria de se acatar “estipulação de metas”, se as mesmas eram pactuadas de forma tardia.. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 18 33 tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro, ou mesmo no exercício seguinte é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? Assim, não há como considerar como critério “as faltas ao serviço”, se o próprio acordo foi formalizado posteriormente. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, sendo esse fundamento, também suficiente para manutenção do lançamento. DA FALTA DE ARQUIVAMENTO NO SINDICATO Outro ponto trazido pelo auditor para caracterizar a verba como salário de contribuição, foi o fato da empresa não ter cumprido a regra do arquivamento do acordo no sindicato respectivo. Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei: § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. A participação do sindicato (seja na participação do acordo, ou mesmo arquivando o documento resultante), tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas Fl. 953DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente. Ademais, o arquivamento do acordo confere legitimidade, para que o sindicato, agindo em nome dos empregados, ingresso em juízo para cumprimento do acordo, ou mesmo fiscalize se o pagamento e critérios para pagamento tem sido obedecidos. Não desincumbiuse o recorrente também de demonstrar o cumprimento desse requisito, razão pela qual também correto a utilização desse argumento para manutenção do crédito. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado. Por fim, quanto as metas estipuladas, divirjo do entendimento do recorrente de que restaram cumpridas, e que a autoridade julgadora não as apreciou. Na verdade, entendo que o auditor ao apreciar o aspecto material do acordo de PLR, adota entendimento de que o estabelecimento tardio de normas não se coaduna com o pagamento de PLR, mas de mero pagamento de prêmio ou gratificação conforme já abordado nesse voto, vez que quando apresentadas pelo contribuinte, mostraramse pactuadas de forma tardia, o que no seu entender já afasta o cumprimento legal. Por fim, embora em sede de impugnação tenha o recorrente questionado a multa aplicada, nada argumentou a esse respeito em seu recurso, razão pela qual não há o que ser apreciado a esse respeito.Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 954DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.721055/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Numero da decisão: 2201-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721055/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.534 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARIA ELEONORA RIBEIRO CAJAHYBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 55 /2 00 9- 73 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 3 3 Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 197.075,26, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Maria Eleonora Ribeiro Cajahyba apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 14 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.755, decidiram por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Posteriormente, em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, o Colegiado, por meio do Acórdão de Embargos nº 2201001.974, de 23 de janeiro de 2013, acolheu os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.755, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar suscitada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No que tange à alegação de constituição inadequada da exigência, como a matéria se confunde com o mérito, será examinada mais adiante. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e Ministério Público Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões da STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) (grifei) Depreendese da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora. Por fim, cumpre registrar que as decisões administrativas ou judiciais, sem caráter vinculante, não obrigam os julgadores dos processos administrativos fiscais, assim como os pareceres emitidos por ilustres doutrinadores, a exemplo do Dr. Roque Antônio Carrazza e do Dr. Paulo Modesto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10680.015653/2004-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999
PAF - EMBARGOS DECLARATÓRIOS - PRECLUSÃO LÓGICA - ART. 66 DO RICARF
A jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos pré-determinados, de tal forma que uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial, opera-se a preclusão lógica do direito de interpor embargos, não havendo como inverter a ordem processual, para analisar serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual.
Embargos Rejeitados
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 PAF EMBARGOS DECLARATÓRIOS PRECLUSÃO LÓGICA ART. 66 DO RICARF A jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos prédeterminados, de tal forma que uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial, opera se a preclusão lógica do direito de interpor embargos, não havendo como inverter a ordem processual, para analisar serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual. Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 56 53 /2 00 4- 77 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo d. Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção (Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho), por suposta inexatidão material no v. Acórdão nº 340200.449 exarado pela C. 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 205/207) em sede de Recurso Voluntário que, acolhendo o voto de minha relatoria, em sessão de 03/02/10, por maioria de votos (vencida a Cons. Nayra Bastos Manatta, que aplicava o art. 173 do CTN) houve por bem em dar provimento ao recurso, “para reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN”, aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/10/2000 a 31/03/2003 COFINS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 4°. PREVALÊNCIA. LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que os EE. STF e STJ expressamente reconheceram que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4° E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4° e 173" do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, §4° aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.015653/200477 Acórdão n.º 3402002.528 S3C4T2 Fl. 3 3 Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN. Vencida a Conselheira Nayra Bastos Manatta que aplicava o art. 173 do CTN. Nayra Bastos Manatta Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio César Alves Ramos, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira e Leonardo Siade Manzan presentes à sessão.” Sob invocação expressa do art. 66 do RICARF o então Presidente da C. 4ª Câmara manejou os Embargos nos seguintes termos: “O processo em tela, encaminhado à Secat/DRF/BHE/MG para ciência ao contribuinte do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, foi devolvido a este Conselho Administrativo em razão de erro na confecção do acórdão 340200.449, de 03/02/2010, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Consoante informação lançada por aquela Unidade, restou consignado no aresto o resultado “recurso provido em parte”, quando o correto, em sua visão, seria “recurso provido”, eis que abrangeria todo o período discutido, a teor da matéria devolvida pelo recurso voluntário. Revendo os autos, mormente o acórdão em questão, verificase do seu relatório e voto, que, de fato, há a um lapso manifesto, quando não uma contradição, entre a fundamentação e a conclusão do voto condutor, tendo em conta que o recurso voluntário se circunscreveu ao período 01/99 a 12/99, sendo que, no terceiro parágrafo do voto, o Conselheiro relator assevera o seguinte raciocínio: “Nessa ordem de idéias, entendo que a r. decisão recorrida merece reforma, eis que verifico a ocorrência da decadência em relação ao período de 31/01/99 a 31/12/99” (destaques no original). Mais adiante, acentua que o auto de infração foi notificado em 20/12/2004. Na sequência, dá parcial provimento para reconhecer a decadência no período de 31/01/99 a 31/11/99 (sic). Considerando que o mês de novembro só possui 30 (trinta) dias, resta a dúvida se o voto decide que ocorreu a decadência até o mês de novembro/99 ou se alcançou também dezembro/99. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Isto posto e tendo em conta as disposições do art. 66 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/09, determino o encaminhamento destes autos à Presidente da Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara para saneamento da inexatidão material e, em seguida, à Fazenda Nacional para (re)ratificar o recurso especial interposto. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente da Câmara” É o relatório Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios não podem ser conhecidos, por se ter consumado a preclusão lógica para o seu exame. Como é curial e já assentou a Jurisprudência, a jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos prédeterminados, na qual a autoridade de grau superior não pode, estribada apenas em sua preeminência, sem forma, nem figura de juízo, desfazer o ato de grau inferior, mormente, quando este já produziu seus efeitos de direito e foi editado em consonância com a lei (cf. Ac. do STF – Pleno no MS nº 7853GB, em sessão de 19/10/60, Rel. Min. HENRIQUE D'AVILA, EMENT vol. 0044701, pág. 186, publ. in DJU de 21/12/60, ADJ de 17/07/61, pág. 161), operandose a preclusão lógica quando a parte pratica um ato incompatível com outro já praticado. No caso concreto, verificase que o referido processo foi julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara em sede de Recurso Voluntário através do Acórdão nº 430200.449 de 03/02/10, intimado à PGFN em 13/07/10, contra o qual foi interposto Recurso Especial pela PGFN (em 14/07/10 fls. 210/217), que foi admitido em 27/01/11, por despacho do então d. Presidente da 4ª Câmara (fls. 224/225), o que, por si não só implica em exaurimento da jurisdição da referida Câmara que já não pode rediscutir questão já resolvida , como instaura a jurisdição da superior instância (CSRF) remetendolhe a discussão das matérias objeto do Recurso Especial admitido. Assim, uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial da PGFN, não haveria como inverter a ordem processual, para analisar os serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual. Por outro lado, na regulamentação do processo administrativo tributário, a legislação de regência faz clara distinção entre as decisões e despachos nulos de pleno direito – assim considerados aqueles proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 Decreto nº 70.235/72), e cuja nulidade deve ser declarada de ofício pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (art. 61 do Decreto nº 70.235/72) – daqueles cujas “irregularidades, incorreções e omissões” eventualmente ocorridas, por não importarem em nulidade, serão sanadas, somente quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60). Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.015653/200477 Acórdão n.º 3402002.528 S3C4T2 Fl. 4 5 Essa distinção se justifica plenamente, pois enquanto a nulidade processual absoluta decorrente da violação dos direitos de defesa, por consubstanciar “matéria de ordem pública, irrenunciável e assegurada no art. 5º, LV, CR/88”, deve ser “reconhecida, de ofício”, pela autoridade julgadora (tal como ocorre no processo judicial cf. art. 267, § 3º, do CPC), em homenagem aos princípios da eficiência e celeridade processual (arts. 5º inc. LXXVIII e art. 37 da CF/88) constitucionalmente assegurados, as “irregularidades, incorreções e omissões” eventualmente ocorridas, por não importarem em nulidade, somente serão sanadas, quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo ou quando influírem na solução do litígio. No caso concreto, desde logo verificase que a suposta inexatidão material acusada, não trouxe qualquer prejuízo para o sujeito passivo eis que o v. Acórdão embargado é claro em “reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN” Finalmente releva notar que o art. 66 do RICARF, invocado nos embargos expressamente estabelece que “as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma”, o que mais uma vez inviabiliza o exame dos presentes embargos por esse colegiado, sob pena de invasão ou usurpação da competência privativa do presidente da Turma, pois como já assentou a suprema Corte que: “(...) quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração.” (cf. Ac. do STF Pleno no MS nº 21.1172DF,, em sessão de 28/05/92, Rel. Min. Ilmar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94, e in JSTF/Lex vol. 195/135) Por estas razões, preliminarmente entendo que os embargos sequer devem ser conhecidos por se ter consumado a preclusão lógica para o seu exame; se vencido na preliminar de não conhecimento, voto pela rejeição dos embargos, devendo o processo ser remetido à Câmara Superior para exame do Recurso Especial, retomandose o seu rito regular. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000579/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 81.148.697,00 (fls. 0719) com relatório fiscal em anexo. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 00 57 9/ 20 09 -4 7 Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 3 2 I. O procedimento da Receita Federal decorre da operação Dilúvio da Policia Federal e de ordem judicial de folha 285/290. II. O esquema de fraudes era controlado por um grupo de pessoas denominado Grupo Principal, constituído pela impugnante (PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA), pela PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIAL ATACADISTA LTDA e pela RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES. III. As empresas Plena e Principal foram constituídas no mesmo dia 22/07/2004, tendo como única acionista a empresa Ranger. A Plena e a Principal possuíam as mesmas instalações e o mesmo grupo controlador e os mesmos empregados. O patrimônio inicial de ambas as empresas de R$ 152.000.000,00 proveio de uma suposta cisão parcial da empresa Ranger. Tal integralização não foi comprovada, tratandose de artificio contábil com o fim de inflar a capacidade da empresa para realizar operações milionárias. IV. Até 19/05/2006, a Plena não estava habilitada a operar no comércio exterior. Para isso utilizavase de interpostas pessoas. 0 objetivo era fugir da condição de equiparada a estabelecimento industrial para efeitos de IPI, afastar questionamentos acerca da origem dos recursos empregados e da integralização do capital social de R$ 152.000.000,00 e evitar os controles referentes às transações no comércio exterior, controles estes que se tornaram mais rigorosos com o advento da Lei n° 10.637/2002 e da IN SRF n°225/2002. V. Basicamente o esquema fraudulento consistia na compra pelo grupo Principal dos produtos diretamente no exterior para revenda no Brasil. Na seqüência, a empresa orientava seus exportadores a emitir a documentação do despacho de importação no nome das importadoras (tradings) contratadas pela Plena para figurarem como adquirentes dos produtos adquiridos. VI. Grande parte das operações do GRUPO PRINCIPAL pode ser dividida em duas partes. Urna parte era relativa à importação de copiadoras, impressoras multifuncionais da marca Sharp e respectivos suprimentos comercializados pela Plena e outra parte era relativa a produtos eletrônicos como aparelhos de DVD, home theater e televisões de plasma, todos produzidos na China da marca Principal Eletrônicos, comercializados pela Principal. Embora a Plena esteja inserida no grupo Principal, o foco da fiscalização se restringiu a Plena e a sua relação corn a marca Sharp. VII. A despeito da existência de contrato de distribuição exclusivo entre a Sharp Electronics e o grupo Principal, as mercadorias não eram comercializadas entre as empresas, sendo utilizado um complexo esquema de ocultação entre o real vendedor e o real comprador. No decorrer do relatório apresenta a fiscalização o suposto esquema incluía empresas supostamente compradoras e vendedoras, corno tradings no Brasil e outras empresas sediadas no exterior. VIII. A fraude se iniciava no exterior. Documentos apreendidos na "Operação Dilúvio" (Processo 10980.005074/200784) revelam que o grupo Principal, além de utilizar importadoras (tradings) no Brasil, utilizavase também de um esquema fraudulento no exterior para refaturar suas cargas com o apoio de outras empresas de fachada como a Costa Oriental e a 5 Continentes. No caso da empresa Plena, o esquema consistia na aquisição dos produtos Sharp previamente pelo Grupo Principal em Miami e remetidos ao Brasil pela empresa 5 Continentes ou ao Uruguai de onde eram reenviados ao Brasil como uma exportação de outra empresa: Port Capria. Entre os documentos apreendidos na Operação Dilúvio há um contrato Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 4 3 de exclusividade de distribuição da marca Sharp no Brasil através da empresa Ranger e faturas emitidas pela Sharp diretamente para Plena de mercadorias que foram desembaraçadas pelas tradings, provas cabais, portanto, de que as importações foram realizadas por conta e ordem desta última, caracterizando a interposição fraudulenta. IX. 0 esquema consistia basicamente de um exportador A, um exportador fictício B, um importador laranja C e o real adquirente D (empresas Plena e Principal). Estas empresas são listadas em diversos quadros, como o de folha 33. As negociações eram resolvidas entre A e D, sendo que, no entanto, a operação de comércio exterior era praticada por B e C, sendo estas empresas B e C que figuravam no comércio exterior. X. Este modelo busca ocultar o real importador das mercadorias adquiridas 'D') junto a uma empresa no exterior ( A'), também geralmente oculta. Eram estas duas empresas que transacionavam e de fato definiam a transação comercial. XI. Durante a denominada "Operação Dilúvio", os elementos de informação colhidos no local de busca SPC 29 (PRINCIPAL/PLENA) demonstram que as empresas do GRUPO PRINCIPAL (no momento atual PLENA/RANGER, PRINCIPAL DO BRASIL entre outras) e seus proprietários SERGIO EDUARDO ADLER, CPF 082.619.71830 e MAURO LUIZ ZYNGIER, CPF 131.956.36867 com o apoio de seu diretor comercial RUBENS MORANTE BARCELLOS, CPF 157.317.08878 agiram em conluio para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do Grupo Principal através do uso de documentos ideologicamente falsos. XII. Prosseguindo na análise da documentação, aquele grupo especial constatou que os emails trocados entre os diretores da SHARP desaconselhavam a emissão de faturas diretamente da SHARP ELECTRONICS nos EUA para vendas ao Brasil, ao menos até final do ano de 2005, diante dos problemas com a SDB (a falida SHARP DO BRASIL) que continuavam a impactar seus negócios no Brasil. Segundo conclusão do relatório da "Operação Dilúvio", o esquema de ocultação dos reais participantes das operações ora questionadas gerava benefícios tanto aos interessados no Brasil quanto à própria SHARP CORPORATION, que desta forma minimizava os riscos de arresto ou bloqueio judicial de cargas nos portos brasileiros que eventualmente ocorressem em virtude das discussões judiciais, em nosso pais, quanto à titularidade da marca SHARP. XIII. A empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA foi constituída em 22/07/2004 com o capital social de R$ 400.000,00, divididos em 400.000 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal a serem totalmente integralizadas no período de 24 meses da data da constituição. A única acionista era a empresa RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES, CNPJ 05.511.909/000128 e o Diretor Presidente era o Sr. PAULO ALVES URUGA, CPF 054.078.39865. XIV. A empresa RANGER é uma sociedade simples limitada cujo capital é integralmente detido pelas sócias REVERE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.776/000119, e SEA VENTURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.766/000183. XV. Em 30/10/2004, foi formalizado protocolo de cisão parcial da empresa RANGER, cujo patrimônio foi avaliado em R$ 152.081.148,85. Deste valor R$ 152.000.000,00 foram transferidos para as empresas PLENA (R$ 92.000.000,00) e PRINCIPAL (R$ 60.000.000,00). Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 5 4 XVI. Em 26/07/2005, foi realizada Assembleia Geral Extraordinária em que se decidiu pela alteração do Diretor Presidente PAULO ALVES URUGA em favor de LUIZ AUGUSTO PAULINO, alteração de endereço da filial do Espirito Santo e abertura de filial em Brasilia. XVII. Cita a fiscalização uma série de irregularidades A. folha 26 da autuação: a) a empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA apresentou em sua DIPJ ano calendário 2004, ano de sua constituição, os valores de R$ 87.400.000,00 a titulo de ágios em Investimentos e R$ 92.000.000,00 a títulos de outras reservas; b) no anocalendário de 2005, o valor de R$ 92.000.000,00 passou para o capital social integralizado da empresa, não tendo sido identificada a origem destes recursos; c) em pesquisas nos sistemas da Receita Federal, mais especificamente no RADAR/DW Aduaneiro, verificouse que a empresa começou a operar no comércio exterior oficialmente somente no ano de 2006, tendo importado R$ 7.786.790,76 neste ano, R$ 10.320.973,26 em 2007 e R$ 2.921.433,75 em 2008 (até 14/05/2008); d) em pesquisa no IRPJ, verificouse que nas DIPJ apresentadas em 2005, 2006 e 2007 a empresa declara sempre valores na conta ágios de investimentos, sem informar os investimentos e que a partir de 2005 esses valores são a contrapartida para o capital integralizado. Ao final conclui a fiscalização que estão evidenciados os indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira da empresa. XVIII. Tanto a empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA quanto a PRINCIPAL DO BRASIL têm como sócios a SEA VENTURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.766/000183, e REVERE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.776/000119, ambas criadas na mesma data, 21/06/2004, com 50% de participação societária e localizadas no mesmo endereço na Avenida Paulista 14° andar, Sao Paulo. 0 administrador da empresa é LUIZ AUGUSTO PAULINO, CPF 035.415.31886. XIX. As duas empresas sócias da Plena possuem os mesmos sócios MAURO LUIZ ZYNGIER e SERGIO EDUARDO ADLER. XX. Os dois sócios acima citados (MAURO LUIZ ZYNGIER e SERGIO EDUARDO ADLER) eram também sócios da RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES, cujo património foi objeto de protocolo de cisão do capital em favor das empresas PLENA COMERCIAL ATACADISTA (empresa autuada) e PRINCIPAL DO BRASIL. XXI. As empresas RANGER, PLENA E PRINCIPAL são denominadas pela fiscalização como GRUPO PRINCIPAL. XXII. A fiscalização apresenta fluxograma à folha 35. XXIII. Contrato traduzido de fls. 09/83 do Anexo XIX demonstra que as vendas da SHARP ELECTRONICS CORPORATION eram em verdade com o GRUPO PRINCIPAL (RANGER, PRINCIPAL e, em especial, PLENA), conforme folhas 81/135 do mesmo anexo. 0 contrato lista uma série de obrigações a serem cumpridas pela PLENA. XXIV. Conforme documentos juntados aos autos, o GRUPO PRINCIPAL havia assumido através da RANGER a obrigação de efetuar compras semestrais mínimas, sendo que os pedidos deviam ser efetuados cinco meses antes do inicio da produção dos produtos. Tais Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 6 5 obrigações contratuais contrapostas As datas das faturas usadas em despacho já seriam suficientes para demonstrar que todas as supostas compras de produtos SHARP efetuadas pelas "tradings" como MERCOTEX e MTRADING eram mera simulação. Como determina o próprio contrato, as cargas eram faturadas nos EUA para empresas do Grupo Principal como a própria PLENA. XXV. Diversos documentos vinculados ao CP 13 nos quais constam cópias de emails trocados entre funcionários da MERCOTEX e Karina Paganelli, funcionária da PLENA. Como exemplo temos o de fls. 95 do anexo XXV, em que a Sra Patricia, da MERCOTEX, solicita a Sra. Karine, da PLENA, a correção da invoice e packing list referentes ao BL 1102. Ou seja, quem de fato produzia os documentos de desembaraço era a funcionária da PLENA. Além disso, ternos ainda neste anexo, várias DFs, faturas e packing list de operações envolvendo produtos SHARP que demonstram que MERCOTEX e MTRADING cederam seus nomes para as importações (fls. 105/273, anexo XXV). Foram inclusive localizados os pedidos e a confirmação de compra dos produtos SHARP pela PLENA (fls. 111, anexo XXVI), demonstrando que a carga já pertencia ao grupo Principal antes de seu embarque no exterior. No CP 14 há grande quantidade de solicitações de numerário acompanhadas das respectivas cópias dos documentos de transferência bancária do Grupo Principal para as pessoas jurídicas interpostas. No anexo VI, fls. 08/109 e anexo XXVI, fls. 161/164, há diversas faturas emitidas pela SHARP em 2005 cujo destinatário é a empresa PLENA. Estes documentos provavelmente não foram apresentados na ocasião do desembaraço, pois a fiscalizada não estava habilitada a operar no comércio exterior nesta época, estando impossibilitada de registrar Declaração de Importação em seu nome.Concluise, por óbvio, que no desembaraço foram apresentados outros documentos, provavelmente falsos, pois os que instruíram os despachos na aduana deveriam estar em nome das "tradings" que realizavam as importações. XXVI. Além da ocultação do real importador, houve também a ocultação do real exportador. Conforme relatório SPC 29, as vendas para PLENA, antes de chegar no Brasil, eram processadas de SHARP ELECTRONICS para a empresa PELLHAM nos EUA, em nome da qual assinava o Sr. RUBENS BARCELOS. Com relação ao Sr. RUBENS BARCELOS, CPF 157.317.08878, as investigações no curso da operação SPC 29 demonstram que ele se apresentava, ao menos ate dezembro de 2004, como executivo envolvido na distribuição de produtos da SHARP no Brasil e como responsável pela gerência da PLENA, vinculandose através desta também com RANGER ASSESSORIA. Constatase do relatório SPC 29 que a empresa PELLHAN, em nome da qual a SHARP nos EUA faturava as cargas vendidas ao Grupo Principal, era de fato controlada pelo senhor Rubens M. Barcellos, como demonstram as diversas faturas e próformas de faturas onde consta o aceite dele nas compras de PELLHAN junto a SHARP nos EUA. (fls.205/247 do anexo XIX). Portanto, temos que Barcellos, Sergio Adler e Mauro Zyngier tinham atividade comercial em comum na distribuição de produtos da marca SHARP através da PLENA COMERCIAL, sendo que BARCELLOS tinha a propriedade de "PRINCIPAL ELETRONICS", parte essencial da atividade da PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIO ATACADISTA, que se fundamenta na venda a redes varejistas de produtos eletrônicos com a referida marca. Em fls. do Relatório SPC 29 constam diversas informações apontando que este grupo de pessoas já exerciam atividades comerciais anteriores em comum utilizandose de empresas de fachada para importar os produtos que comercializavam, que empregaram o nome de terceiras pessoas para figurar como sócios ou responsáveis de empresa as quais controlavam, todas condutas típicas da ocultação do sujeito passivo. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 7 6 XXVII. Com relação A. venda dos produtos da SHARP para PELLHAN nos EUA cabem outras considerações. Segundo levantamento apontado no Relatório SPC 29 (fls. 11) as cargas vendidas ao Grupo Principal nos EUA eram depois embarcadas através do serviço de empresas de "freight forwarding" que, além dos serviços de logística, emitiam faturas como se fossem as reais exportadoras; a exemplo da empresa 5 CONTINENTES. Portanto, temos a ocultação do real vendedor, a SHARP ELECTRONICS. XXVIII. Emails impressos e o chamado "INTEROFFICE MEMORANDUM" (fls. 103/110 do anexo XIX) tratam de negociações comerciais diretas entre Adler, Zyngier, representando a PLENA e o senhor Edward Fuller, que seria o vicepresidente da SHARP Latina América. XXIX. 0 relacionamento comercial direto entre o Grupo Principal e a SHARP, independente da intermediação de terceiros, é também documentado por diversos relatórios que seguem o arquivo em discussão (anexo XIX, fls. 143) onde temos valores a serem pagos a. SHARP, pela empresa PLENA, números de faturas das vendas realizadas e os valores a elas vinculados e um documento denominado "LETTER OF GUARANTEE OF PLENA COMERCIAL ATACADISTA TO SHARP ELECTRONICS CORPORATION" (anexo XIX, fls. 128) de 16/12/2005 onde constam números de faturas e seus respectivos valores. Portanto, não resta qualquer dúvida que o real negócio entabulado. sempre foi entre PLENA e a SHARP ELECTRONICS. XXX. Observese, ainda, que parecer do escritório F&G CONSULTORIA (anexo XIX, fls. 152/156) consta anexo do email, de 03/12/05, trocado entre os diretores da SHARP que detalha a forma de funcionamento das operações por conta e ordem, bem como as vantagens auferidas por aqueles que violam os termos da legislação de regência (IN/SRF 225/02). 0 parecer chega a afirmar que: "grande parte das importações brasileiras é feita através de "tradings" para evitar o recolhimento de IPI por ocasião da venda no mercado interno". XXXI. Também é claro nos citados emails trocados entre os diretores da SHARP que a emissão de faturas diretamente da SHARP ELECTRONICS nos EUA para vendas ao Brasil era desaconselhada pelos seus advogados diante dos problemas com a SDB (a falida SHARP DO BRASIL) que continuavam a impactar seus negócios no Brasil. XXXII. Entre os documentos encontrados no local de busca SPC 29 também são dignos de nota os chamados "DEBIT MEMO" (anexo XIX, fls. 185/246) onde RANGER aparece faturando serviços de apoio a vendas, marketing, manutenção de show room e outras despesas de promoção de vendas para a SHARP ELECTRONICS. Chama a atenção que tais documentos sejam subscritos por Rubens Barcellos em nome da PELLHAM CORP, empresa sediada nos EUA, fato que leva a crer na existência de acertos financeiros entre os envolvidos diretamente no exterior e fora dos controles normais de câmbio. Tais "DEBIT MEMO" ainda dizem respeito a um desconto de 3% pelo cumprimento da quota de vendas, ou seja, a vinculação entre os envolvidos afetou os valores de transação. Os referidos "DEBIT MEMO" demonstram a estreita relação entre SHARP e o Grupo Principal e o fato de que os mesmos estavam na condição de real comprador e vendedor das operações questionadas respectivamente. XXXIII. Supostas "invoices" de fls. 89/104, anexo XXIII eram produzidas parcialmente no Pais. Como exemplo temos as de n° 0013, 046 e 047, em que os campos "quantidade" e "preço" estão em branco para que fossem preenchidos segundo a conveniência do Grupo Principal. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 8 7 XXXIV. Ainda temos, no CP 2, provas de que o grupo principal não media esforços para a falsificação de documentos, desta vez envolvendo a XOCECO da CHINA. No anexo VI, fls. 190/191, há um conjunto de cópias de emails trocados entre 18 de julho e 15 de agosto de 2006 entre Karina Paganelli (que usa o titulo de Supply Chain Manager da PRINCIPAL/PLENA) e Jeffrey Lee, bem como com outros funcionários que usam o email com a extensão SHARPD1GITAL. Tais emails tratam da compra e nacionalização de 249 aparelhos de televisão LCD de 27 a 32 polegadas exportados pela XOCECO da China. Em 15 de agosto de 2005, quando se encerram os preparativos da importação, a senhora Paganelli determina que as faturas sejam enviadas ao Brasil sem assinatura e sobre tal decisão é questionada por Jeffrey Lee que alega não compreender a razão disto. Juntos a tais emails estão os set's de faturas objeto da discussão, em nome das fachadas SUPPORT IMPORTAÇÃO e RIO LAGOS, sem assinaturas conforme determinou a gerente Paganelli caracterizada, assim, a ocultação do real adquirente e a falsidade ideológica. XXXV. Documento denominado "Processos conduzidos através da trading CLAC de São Paulo" onde a empresa PRINCIPAL/PLENA orienta os procedimentos internos para trazer cargas do Uruguai. Em tal documento consta em destaque a expressão "IMPORTADOR DE FATO E 0 ADQUIRENTE", por óbvio tal alerta foi feito em função da praxe de não se informar quem era o importador de fato e real adquirente por ocasião do des acho fls. 1018, anexo XXI). XXXVI. Prestações de contas do Grupo MDO, que inclui a MTRADING, encontradas em poder da empresa PLENA trazem inclusive dados sobre fechamento de câmbio, o que seria de interesse somente do real comprador (MTRADING) junto ao fornecedor no exterior e não de uma empresa que adquire bens de outra no mercado nacional (PLENA). Em alguns casos tais prestações de contas são seguidas da respectiva nota de saída da MTRADING onde consta o número da DI usada para internação, bem como das faturas forjadas em nome desta importadora de fachada (observese que algumas faturas chegam a mencionar o respectivo PO e o número do BL). Seguem junto as planilhas de custos e cópias das transferências bancárias do Grupo Principal para a importadora de fachada iniciar despacho ou fechar câmbio, conforme CP 12. XXXVII. Documentos intitulados "PROC. MGO" de números 67/05, 442, 571, 572 e 550, sendo que não foi possível ainda identificar a que DI se referem, entretanto, todos contêm faturas em nome de MTRADING de cargas vendidas por SHARP e na maioria deles temos também faturas de mesmo número e descrição de carga onde a transação se dá entre e SHARP e PELLHAN, ou seja, mais elementos a demonstrar a ocultação e a fabricação de faturas para tanto. Mas o elemento de prova mais importante que segue junta tais faturas forjadas é o documento interno da PLENA denominado "Listagem de Posições de Embarque", onde consta explicitamente que esta repassa recursos para que MTRADING proceda ao registro das respectivas DI's, ou seja, MTRADING não opera com recursos próprios e sim com recursos do cliente e real adquirente que é o GRUPO PRINCIPAL. XXXVIII. Email impressos, de janeiro, fevereiro e abril de 2005, onde o diretor do Grupo Principal (RANGER/PLENA e PRINCIPAL), senhor Rubens M. Barcellos, determina a utilização de disponíveis do Grupo para que efetuasse pagamento a SHARP, mas deixando claro que esses recursos devem ser repassados para a MTRAD1NG para que esta efetuasse o fechamento do câmbio. Os recursos utilizados não pertencem a quem se identifica junto a SRF como importador e adquirente. Junto aos emails com as instruções do senhor Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 9 8 Barcellos temos cópias dos respectivos documentos de transferência bancária e para alguns há a previa solicitação de numerário da MTRADING para fechamento de câmbio. XXXIX. Controles de movimentação financeira entre MTRADING e PLENA com destaque para os documentos com o titulo ICMS TRADING onde consta o campo adiantamentos, ou seja, PLENA adiantava valores para que a trading efetuasse pagamentos de ICMS mais um elemento a demonstrar o vinculo como prestadora de serviços de MTRADING e não uma situação real de compra e venda de mercadorias CP 17. XL. Não obstante dez intimações da fiscalização, a contribuinte não apresentou as notas fiscais de 2004 ou sua identificação, as cópias dos livros Diário e Razão 2004, os documentos fiscais que teriam originado os respectivos lançamentos contábeis. Houve também negativa da apresentação dos livros contábeis de 2005 e demais documentos fiscais, tornando se impossível o rastreamento da origem dos recursos que transitaram pela empresa. XLI. Não se deve ignorar também que operações comerciais realizadas posteriormente tiveram como lastro estas operações cuja documentação não foi apresentada pela fiscalizada. XLII. Argumenta as folhas 114124 que foi simulada a incorporação dos valores pela Sea Venture e Revere. Não houve pagamento dos ágios ou ingresso de recursos financeiros nos bancos ou caixa das empresas. Isto significa que o patrimônio liquido da Plena e da Principal, nos itens Capital e Reserva de Lucros, não tem correspondência financeira no Ativo, através de Caixa/Bancos. XLIII. As fls folhas 131132, conclui a fiscalização pelo lançamento da multa de conversão da pena de perdimento, nos termos do artigo 23, inciso V e parágrafos 2° e 3° do DecretoLei n° 1455/1976 (redação dada pela Lei n° 10.637/2002) e artigo 105, inciso VI do Decreto Lei n°37/1966. Intimada (fls. 09 e 13), ingressou a contribuinte As folhas 422423 com pedido de reabertura do prazo de impugnação tendo em vista que, a despeito de pedido prévio, não foi disponibilizada a empresa cópia integral do processo, mas tãosomente das primeiras 134 folhas. Seguem as alegações da empresa autuada/interessada/impugnante. Pedido deferido folha 426. Novamente intimada à folha 427 e 431, apresentou impugnação de folha 433 502. Seguem os argumentos da empresa/contribuinte interessada/autuada/impugnante. 1. A fiscalização estabeleceu um marco divisório com parâmetro na data de 19/05/2006, data em que a impugnante foi habilitada no comércio exterior. Até esta data, entende a fiscalização que a infração foi de ocultação do real importador (art. 23, V, DL 1.455/76), e, após esta data, argüi a fiscalização a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, V. DL 1.455/76). 2. A impugnante não praticava importações por conta e ordem de terceiros. Até estar habilitada nos registros aduaneiros, utilizavase da estrutura da importação por encomenda, conforme ADI n° 7/2002, que determinava que uma importação somente poderia ser considerada corno "por conta e ordem" nas hipóteses em que a trading atuava como prestadora de serviço. Não havia adiantamento de valores por parte da impugnante, e sim pagamento por processos de importação passados, razão pela qual era às vezes devedora das Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 10 9 tradings, sendo que a fiscalização registra â. fl. 58 (tópico "outras provas obtidas"), a existência de haveres da Mtrading contra a impugnante. Em relatório, a fiscalização afirma a necessidade de identificar a quais DIs se referem os numerários, providência lido adotada pelo Fisco. Folha 261 demonstra que os pagamentos se referem a processos antigos. 3. Argumenta que, se as importações prescindiam de recursos da impugnante, nada mais lógico que as mercadorias não fossem desembaraçadas enquanto esses recursos não tivessem sido transferidos. E, se os recursos tivessem sido adiantados, não poderia existir planilha de haveres. Assim, para as operações tidas por conta e ordem, a autuação é manifestamente improcedente. 4. Após a obtenção do Radar, a impugnante passou a importar diretamente (e não mais por encomenda), o que afasta a acusação de interposição fraudulenta, sendo que a fiscalização alega que a pena é devida pelo fato de a empresa se recusar a informar a origem dos recursos que deram suporte às suas operações. 5. Protesta contra a conclusão de que as operações de importação realizadas a partir do ano de 2006, nas quais a autuada figurou como importadora direta ou adquirente em importações por conta e ordem, que a fiscalização concluiu que "somente puderam ser realizadas com o lastro financeiro das operações fraudulentas (interposição) realizadas no nascedouro da sociedade, com a utilização de recursos cuja origem o contribuinte preferiu não revelar". 6. A fim de demonstrar a capacidade financeira, alega a impugnante que: a) as operações de comércio exterior foram realizadas com recursos financeiros obtidos em bancos nacionais Bradesco, Real, Rural, Cruzeiro do Sul e Safra); b) fornecedores internacionais concediam crédito à impugnante, tanto por questões de fomento comercial quanto em razão da relação comercial com a impugnante, sendo que tal linha de crédito foi concedida em 20 de julho de 2006, conforme contrato em anexo; c) diante dos benefícios comerciais que as operações com a marca Sharp poderiam trazer, as tradings muitas vezes concediam crédito à impugnante; d) as próprias atividades desenvolvidas geraram receita, e, conseqüentemente, capital necessário para realização das operações. 7. A nãoapresentação de tradução juramentada dos documentos acostados aos autos importa em cerceamento de defesa; 8. Por exigência da Sharp, a empresa Ranger, já consolidada no mercado, não participou das empresas Plena e Principal, sofrendo uma cisão parcial, vertendo parte de seu patrimônio à impugnante. 9. Não há ilegalidade no fato de as pessoas jurídicas Ranger, Plena e Principal serem dirigidas pelas mesmas pessoas físicas. Muitas das alegações da fiscalização dizem respeito à Principal, e não à impugnante, sendo que eventual irregularidade da Principal importa em erro de sujeição passiva. 10. Em momento algum, a impugnante afirmou que sua capacidade financeira advinha do ágio. Pelo contrário, a impugnante sempre informou que a contabilização do ágio não gerou recursos financeiros, ou que o ágio foi utilizado para realizar as importações. Em verdade, a impugnante expressamente demonstrou que sua capacidade financeira provinha de empréstimos bancários, financiamentos com fornecedores internacionais e das próprias operações mercantis. Ademais, o Fisco não demonstrou que a impugnante somente poderia Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 11 10 realizar as operações de comércio exterior em razão da contabilização do ágio, o que é pressuposto necessário para caracterizar a presunção legal de interposição fraudulenta. 11. Até 20/02/2006, edição da Lei n° 11.281/2006, não havia qualquer regramento editado pela RFB quanto As operações por encomenda. Logo, as regras instituídas na IN SRF n° 634/2006, com base na Lei n° 11.281/2006, somente são aplicáveis a fatos posteriores. Portanto, não há como exigir, por exemplo, que a impugnante tivesse sido mencionada como encomendante nas DIs anteriores a 27/03/2006 (IN SRF n° 634/2006). 12. Solicita A folha 14 da impugnação, a aplicação do artigo 1 0, §3°, da Lei n° 11.281/2006 como regra interpretativa. 13. A pena de perdimento requer que a infração seja grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal, sendo que houve no máximo a não indicação do nome da impugnante nas DIs, que sequer poderia ser exigido anteriormente à Lei n° 11.281/2006. Não havia sequer campo para indicação do encomendante das mercadorias. 14. 0 fato de as vendas não serem realizadas diretamente corn a Sharp Electronics Corporation (SEC) não importa em irregularidade uma vez que a forma como a mercadoria era encaminhada ao Brasil diz respeito exclusivamente ao fabricante no exterior e que a impugnante estaria cumprido o acordo de distribuição firmado. 15. Fato importante é a ausência de subfaturamento, fato reconhecido muitas vezes pelo Fisco. Não houve prejuízo ao Fisco brasileiro. 16. Na medida em que a impugnante era urna das distribuidoras dos produtos Sharp no Brasil, não há qualquer ilegalidade na existência de negociações entre os diretores da Plena e a Sharp Latino América ou na prestação de serviço pela empresa Ranger. 17. Somente a ocultação de real importador é considerada ilegalidade. No ha que se falar em exportador ou "exportador fictício", mas sim no comprometimento da SEC em vender os produtos Sharp e fazêlos chegar, direta ou indiretamente, à impugnante. 18. Não há prova de fraude como conduta ilícita da contribuinte em cada ato inquinado de doloso, fraudulento ou simulado. 19. Não houve adiantamento de recursos para as tradings, mas somente pagamento antecipado pelas mercadorias já importadas (i.e. de importação/desembaraço já concluído). 20. Apesar da multa lançada de 81 milhões, o Fisco possui informação de solicitação de numerário referente ao montante de 12 milhões (vide fl. 135). Não se pode apenar com pena máxima de perdimento com base em levantamento parcial. 21. Este valor de R$ 12 milhões se refere a apenas alguns meses de 2005 e em quase sua totalidade se refere as operações corn a MTRADING. 22. É ilógica a alegação de "esquema de fraude" para obter um proveito de apenas 1,5% ou R$ 250.000,00 (correspondentes a 15% de IPI sobre a margem média de venda de 30% menos 9,65% de PIS e Cofins). Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 12 11 23. Não houve recolhimento de IPI por ausência de previsão legal. Quando a Lei n° 11.281/2006 entrou em vigor, a impugnante passou à condição de equiparada à industrial e passou a recolher automaticamente o tributo. 24. A fiscalização localizou notas fiscais de saída emitidas pela Mtrading contra a impugnante no valor de aproximadamente R$ 23.000.000,00, sendo que foi aplicada pena de perdimento superior a R$ 43.000,000,00 (fl. 178). A diferença de R$ 20.000.000,00 se refere a pedido de outras empresas já que a impugnante não era distribuidora exclusiva dos produtos Sharp. 25. As tradings utilizadas são empresas de renome nacional, estando muitas constituídas há mais de dez anos. Somente urna das tradings está suspensa no CNN e mesmo assim em data posterior aos fatos deste processo. 26. 0 Fisco não comprova fraude na sua alegação de que possui documentos com a fachada SUPPORT que vem a ser parte do esquema de fraude operado através da RIO LAGOS TRADING. Na verdade, se analisado apenas operações corn a MTRADING, não há menção da CARDIN, PORTES, RIO LAGOS, SAB COMPANY, CLAC OU DSBORGES, não obstante todas estas tradings terem sido arroladas como interpostas pessoas no relatório da fiscalização. 27. Indaga como a fiscalização afirma que as faturas e os CTRCs são falsos se sequer conseguiu localizar tais documentos. Não há sequer provas que a impugnante seja a destinatária de todos os bens importados pelas tradings. A impugnante está sendo punida por bens que sequer adquiriu. 28. Não há prova de adiantamento de recursos para as tradings, sendo que, em momento algum, questionase a capacidade financeira das tradings, sendo que as mesmas sequer foram fiscalizadas. A fiscalização não investigou se as tradings eram financiadas pela impugnante, sendo que a fiscalização não fez o mesmo por saber que tal investigação revelaria que as tradings utilizadas são de renome nacional. 29. Argui que o ponto fundamental para anular integralmente o auto de infração é o fato de os pedidos de solicitação de numerário se referirem a operações passadas (importações concluídas). Em nenhum dos documentos anexados pela fiscalização, há prova de que a MERCOTEX não tinha capacidade financeira para regularizar as importações. 30. Apresenta incongruências no levantamento dos contratos de câmbio à folha 463. Por exemplo, Mega que o anexo IV possui apenas cinco contratos de fechamento de câmbio (todos referentes a MTRAD1NG). No tocante às transferências bancárias que a fiscalização alega serem para tais contratos, observase que o de fl. 7 não possui indicação de valor, o de fl. 12 não possui qualquer indicação e o de fl. 13 indica cinco valores, sendo que na DI supostamente referente a tal câmbio ha apenas três valores. 31. Nos documentos anexados no Anexo I, especificamente nas solicitações de remessa de valores, não há menção da DI, tratandose de pagamento de importação já concluída. Logo, não é verdadeira a afirmação que o grupo Principal é a fonte dos recursos da Mercotex. 32. 0 mesmo se afirma em relação Mtrading. Documento de folha 149 do Anexo III se trata de um controle da Mtrading quanto a títulos vencidos de dezembro de 2005. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 13 12 Documento de folha 261 do Anexo I possui o rótulo de numerário para fechamento de câmbio e traz a ressalva "processo antigo Carga já está no estoque". 33. Protesta contra a investigação por amostragem nos contratos de cambio tendo em vista a gravidade da acusação e o valor do lançamento. 34. Afirma que os documentos fiscais foram apreendidos pela Policia Federal. 35. Lista como origem de recursos empréstimos bancários e linha de crédito com o fornecedor estrangeiro no valor de US$ 7,000,000.00, conforme folha 471. Cita também os lucros das operações mercantis (vendas). 36. As folhas 463464, alega que a fiscalização anexa somente cinco contratos de câmbio da Mtrading e levanta fragilidades em relação a estes contratos. Além disso, a fiscalização analisou somente duas operações de câmbio e que, apesar de haver oito tradings, a fiscalização fez prova apenas em relação a Mtrading. 37. Alega que parte da documentação não foi apresentada por conta de apreensão da Policia Federal. Os documentos estão atualmente com a Justiça Federal, sendo que não foi apreciado pedido de restituição dos documentos. 38. As folhas 469 em diante, apresenta elementos acerca do empréstimo junto a bancos nacionais (R$ 35.000.000,00) e a fornecedor estrangeiro (US$ 7.000.000,00). 39. Argui que também obteve lucro com suas operações mercantis, sendo lançado inclusive tributos internos em virtude deste lucro. Tal lucro foi superior a R$ 47.000.000,00 em 2006 e a 17.000.000.00 em 2007. 40. Sobre a formação do ágio, alega que tal operação é licita, que não há relação da contabilização do ágio com as atividades de comércio exterior praticadas e que o Fisco não provou que as operações de comércio exterior somente poderiam ser realizadas em razão da contabilização do ágio. 41. Os documentos encontrados com a empresa (faturas e registros de pagamento) não indicam qualquer irregularidade, pois apenas demonstram o controle paralelo da encomendante em relação às mercadorias importadas, o que é totalmente licito e compreensível. 42. A Sra. Karina Paganelli não é e nunca foi funcionária da PLENA ou da PRINCIPAL, e sim assessora da SHARP e justamente por isso efetuava ajustes em relação aos documentos de responsabilidade da fornecedora estrangeira, conforme folha 148 do Anexo 26. 43. Alega que a fiscalização não indicou em qual das 8000 folhas do processo estão as DIs que justificam a autuação, o que impossibilita a defesa, notadamente em relação às planilhas de fls. 135/195. 44. Defende que nas DIs do processo, os valores aduaneiros são muito inferiores aos registrados na autuação fiscal. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 14 13 45. A aplicação da pena de perdimento representa enriquecimento ilícito da União haja vista os tributos pagos pela trading ou pela própria impugnante após a sua equiparação a estabelecimento industrial. 46. Alega o caráter confiscatório da multa e o principio da proporcionalidade e razoabilidade. 47. As empresas Plena e Principal são empresas distintas e clientes distintos, além de produtos diferenciados. 0 auto de infração contempla muitos negócios que poderia ter sido praticados pela Principal ou outras empresas, jamais a impugnante. No Anexo II, fls. 2/21, foram anexados documentos de titularidade da Principal, sendo citada, inclusive, a mercadoria TV de Plasma, que não poderia fazer parte do portfólio da impugnante. Em outras partes da autuação são citados documentos da Principal. 48. As tradings adquiriram a propriedade das mercadorias e por elas pagaram ao exportador sem qualquer adiantamento por parte da impugnante. Algumas vezes a impugnante efetuou pagamentos antecipados por processo de importação passados, prática comum do comércio exterior, e não desconstituídos nos autos. 49. Sem a vinculação por parte do Fisco dos pagamentos em relação a cada DI, é mera especulação a conclusão de que os pagamentos constituem em antecipação. 50. A Lei n° 11.281/2006 não define como infração por importação por conta e ordem de terceiros a importação para revenda a encomendante prédeterminado. Solicita a procedência da impugnação. Protesta por juntada posterior de documentos. À folha 980, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Em diligência de folha 981, solicitavase: 1) resposta ao questionamento se houve revaloração aduaneira das mercadorias ou se o valor apurado corresponde ao constante nas DIs e Notas Fiscais, 2) a indicação das folhas onde se encontram os documentos citados nas tabelas de folhas 135/195, 3) a elaboração de tabela organizada por trading que informe as DIs objeto da autuação fiscal, a data de registro, o valor registrado em DI, a folha em que se encontram a DI, o valor apurado no auto de infração com a indicação da folha que comprova tal valor. Em resposta à diligência, informa a fiscalização que, com relação ao item 1, a) o valor da autuação se baseia nos valores constantes nas DIs, b) as tabelas organizadas por tradings importadoras, c) a informação de erro em duplicidade apenas para as DIs 05/1335832 8 e 05/05475582 , com a correção às folhas 982/993. Com relação ao item 2, informa que a) as planilhas refletem informações prestadas nas Dls, tendo anexado na contracapa deste processo o CD com os extratos das DIs registradas pela própria PLENA e que foram objeto de autuação por não comprovação de origem. Com relação ao item 3, informa que as planilhas de fis. 145/195 já se encontram, desde a lavratura do auto de infração, organizadas por Trading e demais informações. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 15 14 As folhas 10261034, apresenta a empresa autuada manifestação sobre a diligência. 51. As DIs juntadas corroboram a necessidade de anulação do trabalho fiscal uma vez que as DIs demonstram que foram realizadas importações por tradings, referentes a produtos produzidos pela Sharp. As DIs não provam que a PLENA foi destinatária dos produtos ou que a PLENA adiantou qualquer recurso para as tradings. Não há prova de que a PLENA estava supostamente oculta nas importações. 52. Uma vez que não há exclusividade entre a PLENA e a SHARP, a PLENA não pode ser autuada por toda e qualquer importação que conste a SHARP como exportadora e/ou fabricante. No contrato de folhas 9/30 do Anexo XIX (CP10), constatase que o contrato não era de exclusividade entre as empresas (clausula 2 (a) e (c) de fls. 11). 53. 0 conjunto probatório mínimo necessário para provar vinculação entre a PLENA e as tradings seria: Declarações de importação, contratos de importação entre a PLENA e as tradings, notas fiscais de venda dos produtos importados e comprovantes bancários dos adiantamentos de recursos com vinculação entre os pagamentos x as DIs x notas fiscais de saída. Em vez de tais documentos, a fiscalização apresentou apenas as DIs. 54. Às folha 1031, alega que o valor da autuação fiscal corresponde ao dobro do constante em documentos com relação às tradings MTRADING e MERCOTEX, sendo que para as demais Tradings nada foi dito ou juntado aos autos, não obstante requerimento da DRJ. 55. Lista à folha 1031 quadro com o intuito de demonstrar o descabimento da autuação fiscal. 56. Em nenhum dos documentos anexados não há prova de que as tradings não, tinham capacidade financeira para realizar as importações, sendo que não houve adiantamento de recursos, e sim pagamento por mercadorias já importadas. 57. Diferentemente do afirmado pela fiscalização, os documentos de folhas 113/260 do Anexo IX não demonstram de forma discriminada as operações realizadas pela MTRADING com os respectivos valores. O documento juntado pela fiscalização é apenas um controle gerencial da MTRADING, não sendo documentos fiscal, além de não conter comprovação dos pagamentos. Reitera o pedido de procedência da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, CANCELANDO o crédito tributário no valor de R$ 47.082,86 referente à importação da Trading Portes Importação e Exportação Ltda. Intimada do acórdão supra, em 10.11.2010 inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.12.2010. É o relatório. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 16 15 Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A acusação fiscal tem por cerne o eventual acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação, o que caracterizaria a interposição fraudulenta por parte da Recorrente face a simulação da referida operação. Isto porque, a operação praticada entre a contribuinte e responsável solidária se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto de normas que disciplinam as operações de importação por conta e ordem de terceiros já explicitadas, deveria ter se formalizado como tal, o que não ocorrera no presente caso, restando caracterizado a presunção legal do artigo 27, da Lei nº 10.637/02. Verifico às fls. 05 que são relacionados 42 Anexos como sendo “conjunto de provas”, a partir das quais a fiscalização chegou às conclusões do lançamento de ofício. Verifico que no Termo de Verificação Fiscal, em inúmeras oportunidades, faz se referência aos “CP´s”, onde há inclusive referência escrita à mão por quem analisou em princípio o processo, às folhas específicas dos mencionados anexos. A exemplo, fls. 39 a 60. Esses documentos constituem o conjunto probatório a partir do qual as autoridades aduaneiras concluíram pela fraude ora analisada. Por isso, são igualmente fundamentais para que esse Julgador possa avaliar a fraude fiscal da qual a contribuinte é acusada. Isso posto, voto por converter o presente recurso em Diligência, para que a D. fiscalização digitalize e apense ao presente processo os Conjuntos Probatórios relacionados às fls. 05 e 06. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13851.904682/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO.
O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora.
IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO.
O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 46 82 /2 00 9- 07 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela repartição fiscal de origem, de homologar parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, embora se tenha reconhecido integralmente o direito creditório apontado para a compensação. A interessada identificada em epígrafe pretendia utilizar o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, para quitar os débitos de tributos administrados pela Receita Federal ali especificados, no entanto, o valor do saldo credor alegado, e reconhecido/confirmado pela autoridade competente, é inferior ao valor da soma dos débitos tributários indicados para compensação. O Despacho Decisório recorrido apontou que o direito creditório declarado foi integralmente reconhecido, porém representa valor insuficiente para compensar todos os débitos declarados. Por essa razão foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP em tela. Cientificada da decisão, a interessada protocolou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, cujas razões se resumem essencialmente em alegar que conforme documentos anexados, o saldo credor ao final do trimestre especificado no PER/DCOMP seria suficiente para homologação em valor superior ao que foi reconhecido pela Receita Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado. Por força da Portaria RFB/Sutri nº 2.440, de 30 de novembro de 2012, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/REC, para o julgamento de sua competência. É o relatório.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. O saldo credor solicitado/utilizado no PER/DCOMP com referência ao trimestrecalendário ali especificado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa fiscal competente, porém seu valor é insuficiente para a compensação Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 4 3 de todos os débitos ali indicados. Mantémse a decisão exarada pela repartição fiscal de origem, de homologação apenas parcial da compensação pretendida.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que alega o seguinte: i) a autoridade fiscal cometeu equívoco no encontro de contas, ao não considerar saldo credor de IPI de período anterior; ii) demonstrou com documentos que a homologação total da compensação no valor informado se impõe; iii) não haveria que se falar na aplicação de juros e correção monetária sobre o débito compensado; iv) se fosse admitida tal aplicação, o crédito também deveria ser atualizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre o direito de crédito reconhecido. Está claro no processo que todo o direito creditório solicitado pela contribuinte no PER/DCOMP, com relação ao trimestrecalendáro nele especificado, foi integralmente reconhecido pela autoridade fiscal competente. Porém o valor foi insuficiente para a compensação dos débitos tributários indicados no mesmo PER/DCOMP. Por isto, a compensação declarada foi apenas parcialmente homologada. Como bem esclarecido no acórdão recorrido, a Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB procedeu à análise do PER/DCOMP com base em informações apresentadas pela própria contribuinte e outras constantes de seus sistemas, obtidas de declarações também da contribuinte, após o que, concluiu que o crédito pleiteado era igual ao saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Considerar o saldo credor de período anterior informado na manifestação de inconformidade para fins de homologação da compensação declarada implicaria alteração do valor requerido a título de ressarcimento, logo, retificação do pedido originalmente apresentado. Isto estava vedado pelo art. 77 da IN RFB nº 900, de 2008, que dispunha que a retificação somente poderia ser admitida no caso em que o pedido ainda se encontrasse pendente de decisão administrativa, quando da apresentação de documento retificador para análise pela autoridade originalmente competente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 5 4 Esta vedação encontrase, também, nas demais instruções normativas que trataram ou tratam da matéria, e está amparada no que dispõe o art. 38, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (...)” Assim, o pedido inicial poderia ser retificado ou até cancelado, se atendidas algumas formalidades, em especial, que o requerimento fosse efetuado em documento próprio e apresentado antes de decisão administrativa. No presente caso, a decisão da autoridade competente da RFB foi cientificada à contribuinte, sem que qualquer requerimento de retificação tivesse sido apresentado. Apenas após a ciência do despacho decisório, por meio de manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que o crédito pleiteado deveria ser maior, porque faltara computar saldo credor de período anterior. Naquele momento, o pedido não estava pendente de decisão administrativa, não se admitindo sua retificação. A recorrente não demonstra haver incongruência entre o despacho decisório e os valores constantes do pedido de ressarcimento e. Aceitar os argumentos do recurso voluntário implicaria aceitar pedido de retificação do PER em forma e momento diferentes dos preceituados na legislação. Uma vez que no presente caso todo o valor pleiteado foi deferido, levandose em consideração informações apresentadas pela própria requerente, dar provimento ao recurso implicaria também deferir ressarcimento de valores ultra petita. Incidência de multa e de juros moratórios sobre débitos vencidos. Os débitos que a contribuinte compensou estavam vencidos por ocasião da transmissão do PER/DCOMP. Ao efetuar a imputação do crédito, o Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC detectou diferenças em relação ao cálculo efetuado pela contribuinte, o que deu origem ao valor exigido no DDE. A incidência de acréscimos legais nos pagamentos efetuados em atraso decorre do disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 6 5 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. (destaquei) A imputação do crédito está de acordo com o disposto na Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, conforme os artigos a seguir reproduzidos. Igual entendimento consta no art. 44, caput e § 1º da IN RFB 1.300, de 2012, que sucedeu a IN RFB nº 900, de 2008. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB nº 900, de 2008: “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. ... Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” Atualização monetária no ressarcimento. O ressarcimento não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Não há lei que determine seja o ressarcimento corrigido monetariamente ou acrescido de juros, não se aplicando ao caso o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Por outro lado, diversas instruções normativas que tratam da matéria dispõem ser incabível a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 7 6 Exemplos são o art. 38, §2º, da IN SRF 210, de 2002, o art. 51, §5º, da IN SRF nº 460, de 2004, o art. 83, inc. I, § 5º, da IN RFB nº 1.300, de 2012. São precedentes no âmbito do CARF os seguintes: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetária. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão 20181.500, de 10/10/2008, da 1ª Câmara do 2º CC. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica, consoante Súmula n9 12 do Segundo Conselho de Contribuintes, e outros que, embora sendo necessários ao estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. 1NAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 8 7 da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Como salientado na decisão recorrida, o direito de crédito pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido pela administração tributária. A Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Logo, não se está diante de fatos que, por força do art. 62A do RICARF, ensejariam a reprodução da decisão judicial. Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o pedido de ressarcimento foi integralmente deferido, que a incidência de multa e juros moratórios sobre os débitos vencidos possui previsão legal, que não houve resistência ilegítima do Fisco e que não há previsão legal para atualização monetária de ressarcimento de IPI, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13005.000822/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma .
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 3301-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relator.
FÁBIA REGINA FREITAS - Redator designado.
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas,Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina de Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma . Recurso Voluntário desprovido.
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PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma . Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relator. FÁBIA REGINA FREITAS Redator designado. EDITADO EM: 12/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 22 /2 00 7- 77 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas,Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina de Freitas (Relatora). Relatório O caso em tela cuida de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte para exigir lhe valores a título de Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, acrescidos dos consectários legais, que teriam sido recolhidos a menor no período compreendido entre agosto de 2005 e novembro de dezembro de 2006. Os Relatórios Fiscais das mencionadas autuações e que esclarecem todo o procedimento fiscal adotado no caso dos autos encontrase às fls. 174/179 e 190/195 dos autos. O fator que desencadeou a presente autuação e que, portanto, originou a diferença entre o valor recolhido e o valor efetivamente devido foi o seguinte: A despeito de a empresa, ora recorrente estar adstrita ao regime normal de apuração do PIS e da COFINS, já que é fabricante e importador de refrigerantes e tributada pelo lucro presumido, recolheu as mencionadas contribuições com base no regime especial de apuração do PIS e da COFINS. Ocorre que o recolhimento pela sistemática especial de apuração não veio precedida pela opção do contribuinte pelo regime especial, conforme previsto no art. 5º. Da IN SRF 526/2005, razão pela qual o regime especial não poderia ter sido adotado pela contribuinte, pois desatendido a forma. A contribuinte apresentou Impugnação às fls. 404/415, mediante a qual teceu diversas considerações sobre a autuação. O fundamento principal trazido pela recorrente em sua impugnação voltouse essencialmente à opção pelo regime especial de apuração. A respeito desse ponto a contribuinte reconhece que recolheu as contribuições sob a sistemática especial e que entende ter agido corretamente, a apenas por uma fatalidade "LAPSO" não solicitou ou melhor não realizou ao Termo de Opção. A Delegacia da Receita Federal em Santa Maria, por meio de aresto de fls 556/563, concluiu por desprover a defesa da Recorrente : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 INDUSTRIALIZADORES DE REFRIGERANTES. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica que opta pela apuração do imposto de renda pelo sistema o lucro presumido enquadrase obrigatoriamente no regime cumulativo. Aplica e obrigatoriamente o art. 49 da Lei n° 10.833, de 2003, ao fabricante das bebida nele mencionadas, aí incluídos os refrigerantes classificados na posição 22.02 a TIPI. Alternativamente, é facultado a esses contribuintes optar pelo regime especial previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 INDUSTRIALIZADORES DE REFRIGERANTES. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica que opta pela apuração do imposto de renda pelo sistema do lucro presumido enquadrase obrigatoriamente no regime cumulativo. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.000822/200777 Acórdão n.º 3301002.397 S3C3T1 Fl. 3 3 Aplica–se obrigatoriamente o art. 49 da Lei n° 10.833, de 2003, ao fabricante das bebidas nele mencionadas, aí incluídos os refrigerantes classificados na posição 22.0 da TIPI. Alternativamente, é facultado a esses contribuintes optar pelo regime especial previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls. 580/592), mediante o qual repisa todos os argumentos levantados na impugnação. Quanto ao ponto nodal da presente discussão, reitera a Recorrente que, de fato, recolheu as contribuições com base no regime especial de apuração e, igualmente, não formalizou a opção pelo regime como preconizava a norma. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo resumese no seguinte: É lícito que a contribuinte, mesmo sem formalizar a opção pelo regime especial de apuração do PIS e da COFINS, recolha as contribuições com base nesse benefício? A resposta, no caso em tela, pareceme negativa. Isso porque, como se depreende dos autos, a recorrente é pessoa jurídica fabricante de bebidas, tributada pelo lucro presumido, enquadrandose no art. 49 da Lei 10.833/03. A possibilidade de apuração das contribuições na modalidade especial, analisada pelo acórdão recorrido, está prevista no art. 52 da mesma norma que prevê, in verbis: Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (...) § 1º A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 10.925/04) § 3º A opção prevista neste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o ano calendário subseqüente ao da opção. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 4º Excepcionalmente para o ano calendário de 2004, a opção poderá ser exercida até o último dia útil do mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do mês subseqüente ao da opção, até 31 de dezembro de 2004. § 5º No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 3º e 4º, a Secretaria da Receita Federal divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. Efetivamente, caso a recorrente tivesse feito a opção pelo Regime Especial previsto em lei, não haveria dúvidas de que teria direito à apuração dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS com base nessa sistemática especial. No entanto, conforme reconhece a própria Recorrente, não houve formalização da opção pelo regime especial de apuração para o fim de haver o pagamento das contribuições na forma do art. 52 da Lei 10.833/03. Esta opção, como já previa a lei, foi regulamentada pela IN SRF nº 388, de 28 de janeiro de 2004, que assim dispunha: Art. 1º A pessoa jurídica que proceda a industrialização dos produtos classificados nos códigos 2202 (exclusivamente refrigerante), 2203 (cervejas) e 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas não alcoólicas, para elaboração de bebidas refrigerantes), todos da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, pode optar por regime especial de apuração e pagamento do PIS/PASEP e da COFINS de que trata art 52 da Lei nº 10.833, de 2003, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto. § 1º A opção prevista neste artigo deve ser formalizada por meio de Termo de Opção dirigido a SRF, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o ano calendário subsequente ao da opção. § 2º O Termo de Opção deve ser apresentado em duas vias à unidade da SRF com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da pessoa jurídica, que acolhe a primeira via e devolve a segunda com o registro do respectivo recebimento. A despeito da alegação da Recorrente no sentido de que apenas cometeu um lapso e acabou por não formalizar a opção pelo regime especial, mas que atendeu todos os demais requisitos para a sua inserção no artigo 52 da Lei n° 10.833, entendo que não se trata de se discutir boa fé. O gozo de benesses fiscais passa pelo cumprimento de prazos, formalidades e procedimentos previstos na Lei e nas normas que o regulamentam. A IN 388, que instrumentalizou o benefício previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, apenas regulamentou o que estava na norma principal. Assim sendo, e para que não houvesse qualquer beneficiamento de alguns contribuintes em detrimento de outros, estipulou as regras aplicáveis de forma geral e impessoal. Assim, deixar de observálas em relação a um determinado contribuinte em detrimento dos demais acaba por violar os princípios da legalidade e da isonomia. Não cabe admitir que regras possam ser violadas ou descumpridas e, igualmente, que se admita escusa genérica para justificar descumprimento ou gerar direito não exercido a tempo e modo, conforme o devido processo legal. CONCLUSÃO Diante do exposto, entendo que o recolhimento dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS na forma estabelecida pelo regime especial só poderia ser Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.000822/200777 Acórdão n.º 3301002.397 S3C3T1 Fl. 4 5 exercida caso houvesse sido atendida a formalidade estabelecida para tanto. Não tendo o contribuinte, exercido a formalização dessa opção no prazo legal concedido, não poderá usufruir desse direito. Nesse sentido, VOTO por NEGAR PROVIMENTO o presente recurso do contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10120.723744/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.556
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento nos termos da Portaria CARF nº 01/2012.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 24/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
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GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/BSB nº 0349.470 de 19/10/12 (fls. 1155/1164) exarado pela 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente” a impugnação aos lançamentos originais no valor total de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 23 74 4/ 20 12 -3 5 Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 3 2 R$ 21.321.285,49 relativos a Contribuições de COFINS – NÃO CUMULATIVO (MPF nº 0120100.2012.00420; COFINS R$ 8.230.512,04; juros R$ 3.114.633,03; Multa 75% R$ 6.172.884,06) e para o PIS NÃO CUMULATIVO (MPF nº 0120100.2012.00420; PIS R$ 1.786.887,49; Juros R$ 676.203,23; Multa 75% R$ 1.340.165,64), notificados em 30/03/07 (fls. 207 e 218), que acusaram a ora Recorrente de “insuficiência de recolhimento” das contribuições no período de 31/01/08 a 31/12/08, conforme explicitado no TVF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) nos seguintes termos: “Descrição dos Fatos do Auto de Infração Processo Administrativo: 10120.723744/201235. Contribuinte: Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Boi Brasil Ltda. CNPJ: 04.603.630/000888 A presente ação fiscal teve início com a ciência do contribuinte ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 24/02/2011, fls. 02/05. A ciência ao Termo de Início foi realizada em 01/03/2011. Em síntese foram solicitados do contribuinte os livros contábeis e fiscais, bem como os arquivos digitais da contabilidade e também os arquivos digitais fiscais relativos aos anos calendários 2007 e 2008, que foram os períodos designados a esta fiscalização para verificar a correta apuração do IRPJ/CSLL/PIS e Cofins conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 0120100.2010018010. Como o contribuinte já havia sofrido uma outra ação fiscal para o período de janeiro a dezembro de 2007, foi emitida a Ordem de Novo Exame, fl. 06. Em atendimento ao Termo de Início, o contribuinte apresentou resposta datada de 05/04/2011, fl. 07, na qual informa que todos os documentos e livros fiscais e contábeis estarão à disposição do fisco nas dependências da filial, CNPJ 04.603.630/000888, situada na Rua dos Missionários n° 643, Qd. 31, Lote 22, sala 06, Bairro Rodoviário, GoiâniaGO. Juntamente com esta resposta foi entregue a esta fiscalização a 21a Alteração Contratual a qual contém a consolidação do Contrato Social, fls. 40/48,por meio da qual foi transferida a matriz para a cidade de São Paulo, além de outras alterações. Também foram entregues os seguintes itens: a) Memória de Cálculo da apuração do PIS/Cofins relativa ao ano calendário 2008, sem assinatura do contribuinte, fl. 49; b) Cópia autenticada dos documentos pessoais do Sócio Administrador, Sr. Hélio Barbosa de Araújo, fl. 08/09; c) CD contendo os arquivos contábeis gerados pelo SINCO relativos ao ano calendário de 2008. Na oportunidade foi informado verbalmente pelo contador da empresa, Sr. Uilson Monteiro, que os arquivos contábeis relativos ao ano calendário 2007 haviam sido entregues à Sapac/DRF/GOI. Em 29/04/2011, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal, fls. 50/52, por meio do qual o contribuinte foi informado quanto a divergências encontradas nos arquivos digitais da contabilidade, sendo intimado a Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 4 3 apresentálos corretamente, bem como foi intimado a apresentar diversos itens listados no referido termo. Em 31/05/2011, fl. 53, o contribuinte apresentou entre outros elementos, os Livro Lalur dos anos calendários 2007 e 2008, os balancetes mensais dos referidos anos e um Pen Drive contendo os arquivos da contabilidade referentes aos anos 2007 e 2008. Às fls. 54/71, constam os recibos gerados pelo sistema validador de arquivos digitais SVA, relativos aos arquivos digitais constantes do Pen Drive. Como novamente os arquivos digitais estavam incompletos esta fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 002, de 03/06/2011, fls. 72/73, reintimou o contribuinte a apresentálos, bem como os arquivos de notas fiscais, além de outras solicitações. Em 25/07/2011, fls. 76/77, o contribuinte encaminhou documento no qual consta a entrega dos arquivos digitais da contabilidade, relativo ao período de 01/01 a 30/04/2007, conforme recibos gerados pelo sistema validador SVA, fls. 78/84. Nesta oportunidade informou que os arquivos digitais da escrituração fiscal haviam sido entregues ao Auditor Fiscal Adroaldo Bernardino da Costa, que à época efetuava ação fiscal para apuração da Contribuição Previdenciária, inclusive amparado pelo mesmo Mandado de Procedimento Fiscal desta fiscalização. Nesta mesma data, 25/07/2011, o contribuinte apresentou o documento de fl. 77, no qual informa que a pessoa designada para acompanhar a presente fiscalização é o Contador Sr. Uilson Monteiro de Araújo, CPF n° 121.908.96134. Em 22/09/2011, foi dada ciência ao Contribuinte do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n° 001, fl. 86. Em 17/11/2011, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003, fls. 87/89, o contribuinte foi reintimado a apresentar os arquivos digitais da escrituração fiscal do ano calendário de 2008. Em 16/12/2011, fls. 90/91, o contribuinte entregou 05 Cds com os arquivos digitais de notas fiscais. APURAÇÃO DA COFINS E PIS ANO CALENDÁRIO 2008 Quando do atendimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o contribuinte entregou a esta fiscalização uma planilha com a memória de cálculo do PIS e da Cofins relativa ao ano calendário de 2008, fl. 49. Como esta planilha está um pouco ilegível em função do tamanho da letra utilizada, esta fiscalização efetuou a sua ampliação para facilitar a sua visualização. A ampliação da planilha está às fls. 102/104. Confrontando os dados constantes desta planilha com os valores da apuração constantes dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON entregues pelo contribuinte, fls. 532/839, os valores declarados em DCTF, fls. 840/851, com os valores lançados na contabilidade, balancetes mensais às fls. 852/1023, apuramos diferenças de PIS e Cofins a pagar durante todos os meses do ano calendário 2008. Desta forma elaboramos uma planilha de apuração por mês demonstrando estas diferenças apuradas, fls. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 5 4 309/320. As planilhas foram elaboradas em 3 colunas de valores da apuração, sendo uma o espelho da memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, a outra os valores declarados no DACON e um terceira com os valores apurados por esta fiscalização com base na contabilidade do contribuinte. As diferenças decorrem basicamente de três fatores. Primeiro: há diferenças nos valores da receita de vendas no mercado interno. Os valores constantes dos balancetes mensais são maiores do que os valores registrados na memória de cálculo e no DACON. Segundo, o contribuinte retira mensalmente os valores do ICMS sobre as vendas da base de cálculo do PIS e COFINS e não há permissivo legal para esta dedução. Terceiro na apuração dos créditos das contribuições para fins de calcular a não cumulatividade, o contribuinte se credita integralmente dos valores das compras de matériaprima, a qual se trata basicamente da compra de animais vivos para abate (bovinos). Ocorre que, de acordo com o art. 8°, § 3°, inc. III da Lei 10925/2004 e art. 8°, § 1°, inc. II da IN SRF 660/2006, esta aquisição de animais vivos para abate, quando adquiridos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que exerçam a atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, geram direito a crédito presumido das contribuições no montante de 35% do valor das alíquotas normais sobre o montante das aquisições, ou seja, 0,5775% para o PIS e 2,66% no caso da Cofins. Para separar o valor das aquisições de animais vivos para abate que geram crédito presumido de 35% do valor das demais aquisições de produtos e serviços que geram crédito integral das contribuições, elaborei duas planilhas por mês com estes valores, fls. 105/308. Estes valores foram retirados do razão da conta contábil n° 401010100032 intitulada "compra de matériaprima", fls. 321/519. Assim os valores da planilha intitulada "DEMONSTRATIVO DA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS COM CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS CORRESPONDENTE A 35%", referemse a operações de aquisição cujo direito ao crédito presumido é de 35% da alíquota normal. Constatamos em verificação por amostragem que os lançamentos com histórico que se inicia da seguinte forma: "2000Compra de Matéria prima de...." correspondem a compras de animais vivos, em regra de pessoas físicas. Na outra planilha intitulada "DEMONSTRATIVO DAS AQUISIÇÕES DIVERSAS COM CRÉDITO INTEGRAL DE PIS E COFINS" estão demonstrados os valores dos lançamentos que esta fiscalização entendeu que se referem a aquisições de produtos e insumos que geram crédito integral de PIS e COFINS. As duas planilhas acima citadas estão separadas por mês às fls. 105/308. A título de exemplo, as planilhas do mês de janeiro/2008, fls. 105/120, contém o valor das aquisições com direito ao crédito presumido de 35% no total de aquisições de R$ 9.446.054,15, fl. 111, e um total de aquisições com direito ao crédito integral de PIS e Cofins no valor de R$ 883.126,87, fl. 120. Estas divergências foram demonstradas ao contribuinte por meio do Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 25/01/2012, fls. 98/101, Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 6 5 oportunidade em que foram entregues ao contribuinte todas as planilhas acima citadas. Em 07/02/2012, fls. 521/523, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 25/01/2012, no qual solicita dilação de prazo de 30 dias para que fosse apurado o motivo das divergências apuradas por esta fiscalização. Afirmou, no que chamou de Segundo Fator, que é inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, conforme entendimento do STF no Recurso Extraordinário n° 357950. Por fim ao que o contribuinte chamou de Terceiro Fator, afirma que o crédito presumido de PIS e Cofins corresponde a 60% na aquisição de animais vivos para abate (bovinos), conforme artigo 8°, § 3°, inciso I da Lei 10.925/2004. Em 10/02/2012, fls. 524/526, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal n° 002, cientificado ao contribuinte nesta mesma data, por meio do qual foram feitas algumas observações quanto à solicitação de prorrogação de prazo e que a análise dos argumentos trazidos pelo contribuinte seriam analisados por ocasião do lançamento tributário. Em 27/02/2012, fls. 527/528, o contribuinte apresentou a resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 002, reafirmando que, de acordo com os art. 8° e 9° da Lei 10925/2004 que o crédito presumido do PIS/COFINS sobre aquisições de origem animal é de 60%. Que este entendimento está consolidado no mercado e anexa duas matérias extraídas da internet, fls. 529/531, de entidades que representam o setor e citam a aplicação do crédito presumido de 60%. Analisando as argumentações do contribuinte em relação às planilhas , fls. 309/320, que contém a apuração efetuada por esta fiscalização das diferenças de PIS e Cofins, concluímos que a apuração efetuada nas planilhas estão corretas, pelos seguintes motivos: Primeiro Fator: o Valor das Receitas Mensais de Vendas no Mercado Interno utilizados na planilha por esta fiscalização estão em consonância com os valores registrados na contabilidade. A título de exemplo: o valor das receitas de vendas de janeiro/2008, que consta na planilha de apuração, fl. 309, soma R$ 12.280.725,61 que é o valor registrado na contabilidade na conta 311010100001 "Vendas de Produtos" que está no balancete de Janeiro/2008, fl. 858. Segundo Fator: Dedutibilidade do ICMS sobre vendas da Base de Cálculo do PIS e da Cofins. Na apuração do contribuinte ele efetuou a dedução em todos os meses do ano calendário. Em sua resposta de fls. 521/523, o contribuinte alega que "a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS é inconstitucional.... conforme entendimento do STF no Recurso Extraordinário n° 357950". Na verdade o Recurso Extraordinário citado pelo contribuinte trata da discussão da constitucionalidade da ampliação do base de cálculo do PIS e da Cofins efetuada pelo art. 3° da Lei 9718/98. Outros Recursos que estão no STF tratam especificamente da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Conforme pesquisa efetuada no site do STF existe a Ação Direta de Constitucionalidade — ADC n° 18 proposta pela Presidência da República, que ainda não foi julgada. Portanto esta fiscalização entende que não existe base legal para exclusão do Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 7 6 ICMS da base de cálculo da Cofins não cumulativa prevista na Lei 10833/2003 e do PIS não cumulativo previsto na Lei 10637/2002. Terceiro Fator: Crédito presumido de PIS e Cofins correspondente a 35% do valor das aquisições de boi vivo. O contribuinte em sua resposta, fl 522, ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, afirma que "o enquadramento correto para a apuração do crédito presumido é o artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei 10925/2004, já que a aquisição é de produtos de origem animal. Portanto, o montante do crédito será determinado mediante aplicação sobre o valor da aquisição da alíquota correspondente a 60% e não 35% que é descrito no inciso III deste mesmo artigo...". Posteriormente, em resposta, fl. 527, ao Termo de Constatação Fiscal n° 002 ele reafirma este posicionamento e junta duas matérias extraídas da internet, fls. 529/531, de entidades que representam o setor, que citam a aplicação do crédito presumido de 60%. Quanto a esta afirmação esta fiscalização continua a entender que o crédito presumido na aquisição de animais vivos é o correspondente a 35% sobre o valor das aquisições, conforme dispõe os atos legais abaixo transcritos: Art. 8° da Lei 10925/2004: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso ll do caput do art. 32 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009) (Vide art. 57 da Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n2 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004). Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 8 7 § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis n2s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n2 11.488, de 15 de junho de 2007) .... supressões nossas. Em resumo o artigo prevê que as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana ou animal, caso da fiscalizada, podem se apropriar de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas e também de pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuária e cooperativas de produção agropecuária. Já o § 3° determina o montante do crédito presumido em três situações: 60%, 50% e 35%. Conforme inciso I do § 3°, acima transcrito, o crédito presumido de 60% serão concedidos para as aquisições de produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 (resumindo aos capítulos que interessa à presente discussão) da NBM. Conforme NBM, fls. 1085/1098, o capítulo 2 referese a carnes e miudezas, comestíveis, o capítulo 3 referese a Peixes e Crustáceos e o capítulo 4 referese a Leites e Laticínios (entre outros). O inciso II do § 3° é relativo ao crédito presumido de 50% nas aquisições de soja e seus derivados, o que não é o caso do contribuinte. O inciso III do § 3° estabelece o crédito presumido de 35% sobre as aquisições dos demais produtos. O contribuinte adquire animais vivos da espécie bovina, conforme ele mesmo escreveu em sua resposta à fl. 522. Conforme NBM, fl. 1085, animais vivos do tipo bovino está no capítulo 1 da NBM e portanto sua Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 9 8 aquisição gera crédito presumido na ordem de 35%, conforme interpretação literal do art. 8° da Lei 10.925/2004, acima transcrita. Desta forma esta fiscalização procede ao presente lançamento de ofício para exigência das diferenças apuradas de PIS e Cofins, cujos valores calculados estão demonstrados na planilha de fls. 309/320. ESCLARECIMENTO QUANTO A PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS NO PRESENTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Toda a ação fiscal transcorreu amparada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100.2010018010 com o CNPJ 04.603.630/000101 que era o estabelecimento centralizador (matriz) do contribuinte, cujo endereço era à Rua Capitão João de Godoy, 39, Vila Cruzeiro, São PauloSP. Ocorre que, por meio do Processo Administrativo n° 10120.722219/201201, o Chefe do Serviço de Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em GoiâniaGO – Secat/DRF/GOI, atendendo representação desta fiscalização transferiu o estabelecimento centralizador da empresa para o CNPJ 04.603.630/000888, com endereço à Rua dos Missionários, n° 643, Qd. 31, Lt. 22, Sala 06, Bairro Rodoviário, GoiâniaGO. Para ilustrar estão anexadas cópia da Representação, fls. 1099/1101, do Despacho Secat/DRFGOI, de 03/04/2012, fls. 1102/1103 e Despachos corretivos, fls. 1104/1105. Tendo em vista a mudança do CNPJ do estabelecimento centralizador para o número 04.603.630/000888, houve necessidade de abertura do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100.2012004203 com o único objetivo de que o presente lançamento fosse efetuado no atual estabelecimento centralizador.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 1155/1164 da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF houve por bem “julgar procedente” a impugnação aos lançamentos originais de COFINS e PIS NÃO CUMULATIVOS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 3 1/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. ICMS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Consoante disposto na Lei nº 10.637, de 2002, não há previsão legal para excluir da base de cálculo da contribuição social o ICMS incidente sobre a operação, o qual integra o preço de venda, salvo quando o tributo é cobrado sob a forma de substituição tributária. PROVA. ESCRITURAÇÃO. BALANCETES MENSAIS. Os balancetes mensais consolidam os saldos das contas escrituradas nos livros Diário e/ou Razão, e uma vez elaborados devem ser mantidos em boa guarda e ordem como qualquer demonstrativo contábil, e servem como prova para determinar a ocorrência de um fato econômico, consoante dispõe o art. 923 do RIR/99. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 10 9 As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 3 1/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. ICMS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Consoante disposto na Lei nº 10.833, de 2003, não há previsão legal para excluir da base de cálculo da contribuição social o ICMS incidente sobre a operação, o qual integra o preço de venda, salvo quando o tributo é cobrado sob a forma de substituição tributária. PROVA. ESCRITURAÇÃO. BALANCETES MENSAIS. Os balancetes mensais consolidam os saldos das contas escrituradas nos livros Diário e/ou Razão, e uma vez elaborados devem ser mantidos em boa guarda e ordem como qualquer demonstrativo contábil, e servem como prova para determinar a ocorrência de um fato econômico, consoante dispõe o art. 923 do RIR/99. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) que as Diferenças de Valores da Receita de Vendas no Mercado Interno, o feito fiscal teria desconsiderado os valores informados nos DACON e DCTF, vez que os balancetes elaborados pela empresa sseriam para conferências, e não representam os reais números da movimentação econômica em um Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 11 10 determinado período e a Fiscalização deveria ter examinado a contabilidade da impugnante, e não apenas os balancetes, para verificar se efetivamente ocorreu a diferença entre os valores escriturados e os DACON e DCTF, donde as diferenças lançadas pelo Fisco foram apuradas a partir de documentos imprestáveis (balancetes), razão pela qual devem ser afastadas b) que as Exclusões de Valores de ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins seria matéria em exame no STF, Recurso Especial 240.785, no qual já seriam seis votos favoráveis à inconstitucionalidade da inclusão do valor de ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, razão pela qual o ICMS não deveria não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais em comento porque o valor do ICMS não é abrangido pelo conceito de faturamento, pois nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços para a venda; c) quanto aos Créditos Integrais dos Valores Das Compras de Matéria Prima, no caso concreto, o enquadramento correto para a apuração do crédito presumido seria o do artigo 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925, de 2004, que dispõe o percentual de 60% aplicável sobre as aquisições analisadas pela Fiscalização, sendo que a IN SRF 660, de 2006, determinaria que os créditos presumidos de 60% aplicamse aos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 da NBM, onde está incluída a carne bovina, tal como já proclamado pelo CARF, nas decisões que cita. É o relatório. Voto O recurso reúne as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Entretanto, desde logo constato que a questão de os valores do ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativas encontrase em Processo de Repercussão geral reconhecida em 01/07/10 (DJU nº 154 de 19/08/10 publ. em 20/08/10) no RE nº 606107 (Rel. Ellen Gracie), o que impõe o sobrestamento do julgamento do recurso nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF que expressamente determina que: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Isto posto, com ressalva de minha posição pessoal, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF até que seja proferida decisão definitiva pela Suprema Corte. É como voto. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 12 11 Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11831.007484/2002-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.
A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF.
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.
Numero da decisão: 1301-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 74 84 /2 00 2- 21 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 691 2 (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 692 3 Relatório SL PARTICIPAÇÕES S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULOI/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo/SP – DERAT/SP. Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001 . Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à DRJ SÃO PAULOI(SP) trazendo, em resumo, os seguintes argumentos: a) Que a diferença de R$ 172.116,90, com relação ao imposto na fonte, está resulta da glosa de retenções no valor de R$ 175.293,98, realizadas pela empresa PROMON IP, CNPJ 33.042.953/000171, retenções essas que realmente ocorreram, como se verifica pelos comprovantes de arrecadação por ela fornecidos, dos quais segue cópia em anexo (docs. 2 a 8). Apresenta ainda a cópia do Informe de Rendimentos (doc. 1), com retenções de IRRF no valor de R$176.862,52 e observa que as retenções na fonte foram até maiores do que as declaradas. b) Que, no tocante ao imposto mensal por estimativa, a diferença entre o montante declarado e o considerado correto, pelo Despacho Decisório é de R$ 52.138,25, ou seja, precisamente o valor da antecipação referente ao mês de janeiro do anobase, cuja existência está atestada pelo próprio despacho (subitem 2.13.). A 4ª Turma da DRJSÃO PAULOI(SP) analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1633.868, de 22/09/2011, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. Não tendo sido apurado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente ao IRPJ apurado no AC 2001, em valor diferente do já reconhecido no Despacho Decisório, mantémse a decisão recorrida. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 693 4 Ciente da decisão de primeira instância em 02/12/2011, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 21/12/2011, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: A) Que não obstante a comprovação da retenção e recolhimento do Imposto Retido na Fonte pela empresa PROMON IP, CNPJ 33.042.953/000171, a decisão recorrida indeferiu a solicitação ao argumento de que não restou efetivamente comprovado o recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, na medida em que os DARF’s apresentados não possuíam a identificação do beneficiário dos rendimentos e que, especificamente em relação ao mês de dezembro o DARF apresentado era de R$ 30.000,00 e não de R$ 31.568,54 e, ainda, que os fatos geradores nele informados correspondiam ao mês de janeiro do ano seguinte (2002) e não a dezembro de 2001. B) Que tal decisão é equivocada, pois não existe campo no DARF para a indicação do beneficiário dos rendimentos sujeitos à retenção do IRRF neles (DARFs) recolhidos e que o recolhimento à menor pela fonte pagadora ou com erro na indicação do fato gerador do IRRF (relativo ao mês de dezembro) não impede a compensação pelo beneficiário. C) Que restou comprovada, inclusive com cópias dos livros contábeis da recorrente e da fonte pagadora o registro dos rendimentos e da respectiva retenção na fonte, além do informe de rendimentos apresentado. D) Que, com relação à quitação das estimativas do mês de janeiro de 2001, não encontrou o comprovante do pagamento, em face do lapso de tempo decorrido, o que não afasta o dever da administração tributária considerála, pois tratase de documento em poder dela própria, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/1999. Em 23/12/2011, a recorrente apresentou nova manifestação à autoridade preparadora na qual alega existir, no processo, erro material, sanável de ofício, nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972, consistente na utilização indevida dos créditos pleiteados neste processo, relativo ao saldo negativo do anocalendário 2001, com débitos informados em diversas DCOMP que, não obstante tenham informado inicialmente a utilização de créditos do anocalendário 2001, restaram retificadas tempestivamente com a indicação de compensação de créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. É o Relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 694 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos e requisitos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Tratase de examinar a formação de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, cuja compensação foi pleiteada pela recorrente mediante a apresentação de diversas DCOMP. A autoridade administrativa competente analisou os pedidos, deferindoos parcialmente. O acórdão recorrido, que analisou a manifestação de inconformidade da interessada, houve por bem rejeitála, mantendo o despacho decisório da autoridade administrativa. A querela se dá em torno de dois pontos específicos. O primeiro ponto referese à comprovação do IRRF retido sobre rendimentos pagos pela empresa PROMON IP SA que, segundo a recorrente teria o montante de R$ 175.293,98, sendo suficiente para justificar a diferença de R$ 172.116,90 indeferida pela autoridade administrativa ao argumento de não constarem em DIRF tais valores. A recorrente trouxe aos autos, em sua impugnação, cópia do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls. 373 do eprocesso) indicando a retenção de IRRF no valor de R$ 176.862,52 e, ainda, cópias de DARF’s recolhidos pela fonte pagadora em valores coincidentes com os montantes retidos mensalmente, informados no comprovante de rendimentos, com exceção do mês de dezembro que apresenta diferenças de valor e de indicação do fato gerador. O acórdão recorrido atevese tão somente às cópias de DARF’s apresentadas, questionando sua vinculação aos valores informados no comprovante de rendimentos apresentado e recusando a comprovação. No meu entendimento, equivocase a decisão recorrida pois, a despeito de não existir a possibilidade de vinculação dos DARF’s de recolhimento de IRRF com os beneficiários dos rendimentos pagos, como alega a recorrente, não existe obrigação do beneficiário comprovar o recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. A previsão legal se resume à necessidade de apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, in verbis: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 695 6 Ora, tendo a recorrente apresentado o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, resta comprovada a retenção do IRRF pleiteado nas DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. Assim, impõese reconhecer o direito creditório relativo ao IRRF pleiteado em relação à fonte pagadora PROMON IP SA, limitado ao valor de R$ 172.116,90, consoante pleiteado nas DCOMP apresentadas. O segundo aspecto do recurso referese à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecêlo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder. Quanto a este aspecto, o acórdão recorrido assim se pronunciou: 10.2. IR Mensal Calculado por Estimativa 10.2.1. Segundo a Recorrente, a diferença de R$52.138,25 referese ao valor da antecipação relativo ao mês de janeiro de 2001, cuja existência está atestada pelo próprio despacho (subitem 2.13.). 10.2.2. Seguem excertos do Despacho Decisório: “constatouse que a estimativa de janeiro/2001 foi compensada sem processo com o SNIRPJ de 2000 (fl. 252). A análise desse saldo credor foi realizada no processo n° 11831.001354/200102, cuja cópia do despacho decisório encontrase às fls. 253 a 255 desse processo. Verificouse que esse crédito foi deferido parcialmente no valor de R$1.726.463,25, e que foi utilizado totalmente em outras compensações pleiteadas pelo interessado (fl. 258) ... Segundo a Ficha 11 da DIPJ 2002 (fls. 232 a 235), houve imposto a pagar (linha 11) no mês de janeiro. Constatouse o seguinte: ... o débito de janeiro foi compensado com o SNIRPJ de 2000” (subitens 2.6. e 2.13.1.). (grifei). 10.2.3. Em relação ao IR Mensal calculado por estimativa relativo a janeiro de 2001, temse a tecer o seguintes comentários: 10.2.3.1. na DCTF (fl. 252) foi informado que o débito no código 2362, período de apuração janeiro/2001, no valor de R$52.138,25, foi compensado “sem processo” com SNIRPJ AC 2000; 10.2.3.2. o processo administrativo nº 11831.001354/200102 controla o crédito referente ao SNIRPJ AC 2000 e compensação com débitos nele indicados. Dentre estes débitos, não se encontra o supracitado (código 2362; janeiro/2001), conforme fls. 256 a 258. Observase que o SNIRPJ AC 2000 deferido foi integralmente utilizado na compensação dos débitos que constavam do processo referido; 10.2.3.3. nada foi trazido de modo a comprovar a alegada compensação com a estimativa referente a janeiro de 2001. Ademais, não restou crédito referente ao SNIRPJ AC 2000. Portanto, correta a Autoridade Administrativa ao não considerar tal valor na apuração do saldo negativo do AC 2001. 10.2.4. Como foi utilizado, na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) da DIPJ 2002 (fls. 232 a 235), IRRF de R$1.514.929,50, este é o Fl. 695DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 696 7 valor a ser informado na linha 16 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; fl. 236). Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. Por fim, no que tange à manifestação da recorrente, apresentado mediante petição aditiva ao recurso voluntário, quanto à existência de erro material na vinculação indevida de diversas DCOMP’s à presente análise relativa ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, entendo que tratase de matéria de fato a ser verificada pela autoridade administrativa por ocasião da liquidação do presente acórdão, cabendo a este colegiado manifestarse tão somente sobre as matérias em litígio, ou seja, apenas quanto ao valor do direito creditório a ser reconhecido, o que já foi feito. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 172.116,90 relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e homologar as compensações pleiteadas até o montante do direito creditório reconhecido. Sala de sessões, em 08 de Maio de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 696DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 14041.000156/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000156/200965 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.407 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VIA ENGENHARIA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 56 /2 00 9- 65 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000156/200965 Acórdão n.º 2402004.407 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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