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Numero do processo: 10283.901889/2008-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS.
A impugnação deve estar instruída cm todos os documentos e provas que possam comprovar as alegações de defesa. Não tem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados.
Numero da decisão: 1802-002.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ESTIMATIVA MENSAL . LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual da C S L L . ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída cm todos os documentos e provas que possam comprovar as alegações de defesa. Não tem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 89 /2 00 8- 34 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 2 Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.901889/200834 Acórdão n.º 1802002.347 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de processo sobre declaração de compensação n. 06007.14671.261004.1.3.049653, em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa CSLL, 2484, no valor de R$ 235.663,25. De acordo com a DCOMP, o crédito teria sido originado pelo recolhimento via DARF, em 30/06/2003, de R$ 302.709,44, ou seja, os originários R$ 235.663,25, mais encargos. Verificase que o despacho decisório não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. A autoridade fiscal assim se manifestou: “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alterando o quanto declarado na DCOMP, além de apresentar também extrato de sua DIPJ 2003, exercício 2002, bem como vários outros DARF e DCOMP, e passou a alegar que: * apresentou valor recolhido 31/01/2003 a título de estimativa de CSLL, apuração 31/12/2002= R$ 1.546.558,01; * valor recolhido 30/06/2003 a título de estimativa de CSLL, apuração 31/12/2002= R$235.663,25; * total recolhido= R$ 1.782.221,26, *valor compensado DCOMP 42403.52886.261004.1.3.046987= R$ 1.238,04 (débito CSLL dez/2002); *valor apurado em DIPJ CSLL a pagar = R$ 1.490.988,00; crédito apurado= RS 292.471,30; *valor compensado DCOMP 07632.062153.291004.1.3.040480= R$ 56.808,05; *crédito a compensar= R$ 235.663,25;” Ou seja, aduziu o contribuinte ter havido equívoco no preenchimento da DCOMP originária deste processo administrativo, a qual aponta ter sido o pagamento indevido feito via DARF; Aduziu, ainda, que esse equívoco não pode servir de supedâneo para a negativa da homologação do crédito; que no processo administrativo a autoridade deve conhecer novas provas ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes, até o final do processo; que a boa fé da Recorrente é inconteste; que de acordo com o artigo 37 da Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 4 Constituição Federal a Administração Publica é regida, dentre outros, pelos Princípios da Moralidade e da Eficiência. A 1ª Turma de Julgamento decidiu por unanimidade indeferir a solicitação, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO C S LL Data do fato gerador: 31/12/2002 P A G A M E N T O INDEVIDO O U A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL . LIQUIDEZ DO CRÉDITO. F A L T A D E COMPROVAÇÃO. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual da C S L L . PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NORMAS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A aplicação do princípio da verdade material deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e às determinações legais específicas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Turma Julgadora fundamentou sua decisão nos seguintes aspectos: Da Existência do Pagamento Indevido ou a Maior. Dedução na DIPJ. Com relação à existência ou não do direito creditório, assim se manifestou a DRJ: “A unidade de origem, no Despacho Decisório, afirma que o pagamento indicado na DCOMP está integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Esse, por sua vez, diz que o débito de estimativa CSLL dezembro/2002 foi declarado incorretamente na DCTF, estando correto o valor declarado na DÍPJ. Na D1PJ/2003 consta a informação de débito estimativa CSLL dezembro/2002 de R$ 1.490.988.00. Todavia, não restou comprovado que foi esse o valor da estimativa CSLL dezembro/2002 levado ao cálculo da CSLL (Ficha 17). Nesse sentido, verificamos que o somatório das estimativas CSLL informadas na DIPJ (Ficha 16 fls.51/54) perfaz R$ 29.920.812,58, enquanto que à Ficha 17 temos "CSLL Mensal Paga Por Estimativa" de R$ 30.247.294.28 (fl.74), donde podemos concluir que os pagamentos a maior de estimativas CSLL. embora não constantes da Ficha 16, foram adicionados para fins de informação à Ficha 1 7 da DIPJ/2003. razão pela qual fica patente a inexistência do direito creditório pleiteado.” Do Princípio da Verdade Moral A Turma Julgadora asseverou que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.901889/200834 Acórdão n.º 1802002.347 S1TE02 Fl. 4 5 aos autos pelos interessados. Assim, a autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Por outro lado, aduz que a autoridade administrativa não é livre para desconsiderar imposições previstas na legislação tributária a respeito de limitações à compensação tributária. Dos Princípios da Moralidade e da Eficiência Entende a Turma Julgadora que referidos princípios não foram violados no presente caso. Ademais entende que não há descumprimento do Princípio da Moralidade o fato do não reconhecimento do direito creditório face a informação incorreta do contribuinte à RFB. Das decisões Judiciais e Administrativas Citadas Aduz que as jurisprudências colacionadas pelo sujeito passivo não constituem normas complementares do Direito Tributário e que não podem ser estendidos genericamente a outros casos, aplicandose sobre a questão em análise e vinculam apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Da Petição de Intimação no Endereço Comercial do Procurador Indefere ante a carência de amparo legal que o sustente o pedido. Da Prova dos Fatos Alegados e da Suspensão da Exigibilidade Entende que o recorrente não comprovou a liquidez do direito creditório alegado. Declarou suspensa a exigibilidade dos débitos em função da manifestação de inconformidade apresentada. Com base em todo o exposto, negouse provimento à impugnação, nos termos da ementa incluída acima. RECURSO VOLUNTÁRIO Recorre a empresa Moto Honda da Amazônia Ltda em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação. Assevera que se cuida de declaração de compensação dos valores supostamente recolhidos indevidamente a título de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSSL) PER / DCOMP n.° 06007.14671.261004.1.3.049653, no valor originário de R$ 235.663,25 (duzentos e trinta e cinco mil seiscentos e sessenta e três reais e vinte e cinco centavos). Reitera os termos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade e afirma que o valor em referência não se subsume a DCTF, vez que fora erroneamente informado, ao passo que ao invés de indicar o valor apurado na DIPJ, foi indicado o valor do DARF recolhido, fato que gerou a presente não conformidade. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 6 Acrescenta que no momento da confecção da DCOMP fora utilizado a opção pagamento indevido ou a maior, em vez de saldo negativo de CSLL, o qual está comprovado na Ficha 17 da DIPJ, fato este que gerou o equivoco na avaliação / decisão em questão. Reproduz os valores informados conforme a seguir descritos: Valor recolhido em DARF Em 31/01/2003: R$ 1.546.558,01 Em 30/06/2003: R$ 235.663,25 Total : R$ 1.782.221,26 Valor Compensado DCOMP 42403.52886.261004.1.3.046987 R$ 1.238,04 DCOMP 07632.062153.291004.1.3.040480 R$ 56.808,05 Valor Apurado em DIPJ R$ 1.490.988,00 Crédito a Compensar R$ 235.663,25 Entende que dos valores supra descritos e da análise conjunta da PER/DCOMP , DIPJ e DARF é forçoso reconhecer a origem do crédito, razão pela qual jamais poderia ser negado o crédito pleiteado. Assevera que ainda que se admita a suposta diferença entre as fichas 16 e 17 consoante explicitado pela Turma Julgadora, o crédito a compensar seria ainda maior. Afirma que inexiste prejuízo aos cofres da Fazenda Nacional e que o equívoco no preenchimento da DCTF e DCOMP não impedem o aproveitamento do crédito, menciona e reproduz o art. 32 do Decreto n. 70.235/72. Repete que a correção do erro material pode ser feita a qualquer tempo e que o lapso cometido pela Recorrente não traduz ao Fisco razão para a não compensação, em decorrência lógica do Princípio Administrativo da Verdade Material dos Fatos. E ainda que o procedimento administrativo deve estar ajustado com o Princípio da Eficiência da Administração Pública e com a boa fé na relação com o contribuinte. Conclui estar patente a liquidez e origem do crédito compensado sem prejuízo ao Erário Federal, e que comprovado o erro material, deve este Conselho afastálo e reconhecer o direito do contribuinte. Requer o provimento do recurso a fim de que seja reconhecida a compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo de CSSL. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.901889/200834 Acórdão n.º 1802002.347 S1TE02 Fl. 5 7 Esse é o relatório. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/01/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 11/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Moto Honda da Amazônia Ltda em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação. De acordo com o que consta dos autos, a Recorrente incorreu em erro no preenchimento tanto na DCTF quanto no PER/DCOMP. Na primeira declaração, errou ao informar o valor recolhido no DARF, ao passo que deveria ter indicado o valor apurado na DIPJ. Na segunda errou ao utilizar a opção pagamento indevido ou a maior, em vez de saldo negativo de CSLL. Pois bem, segundo a unidade de origem que apreciou a PER/DCOMP, o pagamento indicado na declaração está integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. O Recorrente afirma que o débito de estimativa CSLL referência Dezembro/2002 foi declarado incorretamente na DCTF e que o valor correto está declarado na DIPJ. Verificase que na DIPJ/2003, especificamente na Ficha 16, consta a informação de débito estimativa de CSLL base de dezembro/2002 de R$ 1.490.988,00. Relativamente aos demais meses, vejamos os valores informados a título de estimativa de CSLL: DIPJ 2003 CSLL A PAGAR Jan 1.892.763,54 Fev 2.201.204,27 Mar 1.946.614,24 Abr 2.494.060,89 Mai 2.683.226,72 Jun 1.790.824,97 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 8 Jul 2.768.529,60 Ago 2.118.433,10 Set 3.690.313,88 Out 3.680.035,72 Nov 3.163.817,56 Dez 1.490.988,00 TOTAL 29.920.812,49 Verificase que a somatória das estimativas de CSLL informadas na DIPJ (Ficha 16), totaliza a quantia de R$ 29.920.812,49. Mais adiante, analisando da DIPJ na Ficha 17 – Calculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, verificamos que o valor informado de CSLL Mensal Paga por Estimativa monta a quantia de R$ 30.247.294,28. Deste desencontro de informações, concluiu o Julgador da DRJ Manaus: “que os pagamentos a maior de estimativas da CSLL, embora constantes da Ficha 16, foram adicionados para fins de informação á Ficha 17 da DIPJ/2003, razão pela qual fica patente a inexistência do direito creditório pleiteado”. Na razões deste Recurso Voluntário, sobre esta antinomia de valores, o Recorrente se limita a dizer: Noutra banda, ainda que admitíssemos a suposta diferença entre as fichas 16 e 17 consoante explicitado pela Turma Julgadora, o crédito a compensar, por consequência lógica, seria maior. É certo que não se trata de suposta diferença de valores e sim de real diferença dos montantes apontados na DIPJ referente a estimativa de valores mensais da CSLL. Ou seja, o contribuinte equivocadamente preenche a DCTF incorretamente e afirma que o valor correto referente a estimativa mensal da CSLL dezembro/2002 deve ser considerada segundo informação da DIPJ. São, pois, três questões a enfrentar. A primeira delas tem de ver se é possível superar o grande número de equívocos levados a efeito pelo contribuinte quando do preenchimento da DCOMP que originou o presente processo e para a qual a autoridade fiscal não reconheceu a existência do crédito. Ora, em nome da verdade material , há de se superar tal óbice, buscandose analisar a argumentação trazida pelo contribuinte em sua defesa e, depois, repetida em recurso, qual seja, a de que recolheu indevidamente valores de estimativa de CSLL em janeiro e junho de 2003. Tais recolhimentos indevidos, após efetuados alguns abatimentos por compensações outras que não aquelas objeto deste processo, teriam feito com que remanescesse um crédito a compensar de R$ 235.663,25. Porém, há de se concluir haver incongruência de valores na documentação apresentada o que, aliás, já foi detectado e afirmado pela autoridade fiscal, o que torna inviável a comprovação Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.901889/200834 Acórdão n.º 1802002.347 S1TE02 Fl. 6 9 sobre se, realmente, os valores declarados são realmente estimativa de CSLL de dezembro/2002, ou mesmo se são valores formadores de saldo negativo. Sendo assim, partilho do entendimento da DRJ Manaus, de que o contribuinte não conseguiu provar a liquidez do direito creditório alegado. Pelo exposto, entendo que não assiste razão ao recorrente, e voto pelo não provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. É o meu VOTO. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 29/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10660.720105/2007-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA DECRETO ESTADUAL CRIANDO A APA E LAUDO DO INSTITUTO DE FLORESTAS. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de interesse ecológico, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Decreto Estadual a criando, ratificada por Laudo de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas atestando que o imóvel rural encontra-se totalmente ali encravado, os quais suprem a necessidade de ato específico, ainda que não apresentado ADA, impõe-se o reconhecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA DECRETO ESTADUAL CRIANDO A APA E LAUDO DO INSTITUTO DE FLORESTAS. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de interesse ecológico, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Decreto Estadual a criando, ratificada por Laudo de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas atestando que o imóvel rural encontrase totalmente ali encravado, os quais suprem a necessidade de ato específico, ainda que não apresentado ADA, impõese o reconhecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 01 05 /2 00 7- 43 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório GEPEL RURAL SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, emitida em 19/12/2007 (AR fl. 208), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2005, incidente sobre o imóvel rural denominado “Nova Boa Vista”, localizado no município de SapucaiMirim/MG, inscrita na RFB sob nº 49296795, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/05, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 26.496/2008, às fls. 212/226, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 16/04/2012, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102 01.913, sintetizados na seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA são áreas de declarado interesse ecológico e devem ser excluídas para fins de cálculo do ITR devido. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DO ITR E DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.720105/200743 Acórdão n.º 9202003.465 CSRFT2 Fl. 292 3 Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DITR e do ADA. Recurso Voluntário Provido” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 261/268, com arrimo nos artigos 7o, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 39100.032 e 30236.783, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, uma vez imporem que a comprovação da existência das áreas de utilização limitada (interesse ecológico) para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Contrapõese ao entendimento do decisum guerreado, aduzindo para tanto que as áreas de utilização limitada são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de utilização limitada está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu à protocolização tempestiva do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. No que tange ao ato do “órgão competente, federal ou estadual”, reconhecendo a área de interesse ecológico, na forma que exige a legislação de regência, argumenta que referida área deverá ser declarada de maneira específica, não sendo aceita a declaração de natureza geral, razão pela qual se o imóvel rural estiver dentro da área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 específico de órgão competente para a área da propriedade particular, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a Turma recorrida acolheu a pretensão da contribuinte, afastando a tributação sobre o imóvel objeto do lançamento, com arrimo no Decreto Estadual de Minas que criou a APA Fernão Dias, na qual estaria inserida a propriedade da contribuinte. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Turmas/Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N/2013, de fl. 269. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 277/287, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos decisórios paradigmas trazidos à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2005, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Em defesa de sua pretensão, relativamente ao ato do “órgão competente, federal ou estadual”, reconhecendo a área de interesse ecológico, na forma que exige a legislação de regência, argumenta que referida área deverá ser declarada de maneira específica, não sendo aceita a declaração de natureza geral, razão pela qual se o imóvel rural estiver dentro da área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente para a área da propriedade particular, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a Turma recorrida acolheu a pretensão da contribuinte, afastando a tributação sobre o imóvel objeto do lançamento, com arrimo no Decreto Estadual de Minas que criou a APA Fernão Dias, na qual estaria inserida a propriedade da contribuinte. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.720105/200743 Acórdão n.º 9202003.465 CSRFT2 Fl. 293 5 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto à área de interesse ecológico, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de interesse ecológico decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de interesse ecológico, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de utilização limitada, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.720105/200743 Acórdão n.º 9202003.465 CSRFT2 Fl. 294 7 permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 In casu, o que torna ainda mais digno de realce é que a área de interesse ecológico fora devidamente reconhecida como tal mediante ato do Poder Público, mais precisamente Decreto do Estado de Minas Gerais n° 38.925, de 17 de junho de 1997, c/c Laudo de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas, às fls. 147/149, como restou devidamente demonstrado no Acórdão recorrido, de onde peço vênia para transcrever o seguinte excerto: “[...] Ao contrário do entendimento exarado na decisão recorrida, temse que o Laudo de Vistoria, exarado pelo IEF, atestando que a totalidade do imóvel está localizada dentro da APA Fernão Dias e o Decreto de criação da referida APA (Decreto do Estado de Minas Gerais nº 38.925, de 17 de junho de 1997), suprem o requisito da legislação tributária, no que se refere a ato do órgão competente estadual ou federal. Ressalte se que a lei fala em ato e não em ato específico. [...]” Como se verifica dos autos, a materialidade da área de interesse ecológico é incontroversa, sendo reconhecida pela própria autoridade julgadora de primeira instância e, bem assim, pela recorrente no bojo de sua peça recursal, os quais não acolheram o pleito da contribuinte simplesmente em face de aspectos formais. Extraise daí a controvérsia posta nestes autos, a qual passaremos a contemplar com mais especificidade, de maneira a reconhecer o direito da contribuinte, adotando como fundamento os seguintes fatos. De um lado, o artigo 10º, § 1º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.393/96, lastro do entendimento da recorrente, corroborado pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância, de fato, exige a ampliação das restrições de uso da área declarada de interesse ecológico, como segue: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. […] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...]” De outro, a alínea “c” do mesmo Diploma Legal contempla situação em que as áreas imprestáveis para qualquer uso, declaradas de interesse ecológico por ato do Poder Público, estão fora do campo de incidência do ITR, in verbis: “[...] c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10660.720105/200743 Acórdão n.º 9202003.465 CSRFT2 Fl. 295 9 de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; [...]” In casu, restando incontroversa a materialidade da área de interesse ecológico, reconhecida por órgão competente do Poder Público, somente o aspecto das restrições de uso poderiam determinar a manutenção do feito, na linha do entendimento da recorrente. Entrementes, não podemos compartilhar com esse entendimento, em face dos motivos abaixo delineados. A uma, ao revés do sustentado pela recorrente, o lastro da decisão hostilizada não fora simplesmente a existência de Decreto Estadual criando a APA sob análise. Ao contrário, a nobre relatora subscritora do voto condutor do Acórdão recorrido é por demais enfática ao afirmar que, além da existência de referido Decreto, a autuada trouxe à colação Laudo de Vistoria do Instituto de Florestas do Estado, de fls. 147/149, atestando que a totalidade do imóvel está localizada dentro da APA Fernão Dias que, juntamente com o Decreto, suprem o requisito da legislação tributária no que se refere a ato do órgão competente estadual ou federal, ressaltando que a lei fala em ato e não em ato específico. Mais a mais, constatase do Laudo de Vistoria do IEF estar mais do que comprovado que a área objeto da autuação encontrase absolutamente encoberta por mata atlântica, o que por si só inviabiliza a sua utilização por parte da contribuinte, além de contemplar as restrições de uso. A duas, porque, igualmente, restou devidamente demonstrado que o próprio relevo da área, por demais irregular, ondulado e bastante montanhoso, além da mata absolutamente fechada em sua grande parte, restringe por sua própria “natureza” (condição) a sua utilização. Em outras palavras, a restrição de uso de referida área, além de constar do Laudo de Vistoria do IEF, é inerente à própria condição geológica, impedindo a sua utilização por parte da contribuinte. Ou seja, a declividade e/ou irregularidade do relevo do imóvel objeto da exigência fiscal, encravado na Mata Atlântica, não permite, por si só, a sua utilização, ou seja, lhe atribui restrição absoluta, rechaçando de uma vez por todas a pretensão fiscal. A jurisprudência deste Colegiado, que se ocupou do tema, analisando imóvel rural, igualmente, inserido na Mata Atlântica, sob as mesmas condições e fatos, acolheu o pleito da contribuinte, mesmo não estando delimitada a restrição de uso, consoante se positiva do julgado com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO. REQUISITO LEGAL. EXIGÊNCIA CUMPRIDA. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 No caso, o contribuinte protocolou junto ao IBAMA, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador deste lançamento, pleito para reconhecimento de que seu imóvel rural é área de interesse ecológico. Na resposta, emitida quase cinco anos após o pedido inicial, que foi reiterado por duas vezes, o órgão ambiental declara que toda a propriedade representa área de interesse ecológico. Está cumprida, pois, a exigência do artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, de modo que tal área deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF – Processo n. 11020.001822/200517, Acórdão n. 9202001.629, Unânime) Partindo dessas premissas, impõese reconhecer aludida área de interesse ecológico, para fins de não incidência de ITR, decretando, por conseguinte, a improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.000662/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. REQUISITOS PARA APLICAÇÃO VÁLIDA DA PRESUNÇÃO. Sem a intimação prévia com a identificação individualizada de cada crédito bancário, do dia da operação, histórico e valor, para que o titular da conta bancária possa comprovar através de documentação hábil e idônea a origem deste, não é possível aplicar validamente a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.973
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Nome do relator: José Raimundo Tostas dos Santos
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. REQUISITOS PARA APLICAÇÃO VÁLIDA DA PRESUNÇÃO. Sem a intimação prévia com a identificação individualizada de cada crédito bancário, do dia da operação, histórico e valor, para que o titular da conta bancária possa comprovar através de documentação hábil e idônea a origem deste, não é possível aplicar validamente a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) _________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 62 /2 00 5- 11 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 1320.258 (fl. 166), proferido pela 7ª Turma da DRJ São Paulo II, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física relativo ao anocalendário de 2000, em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$58.894,48 (cinqüenta e oito mil, oitocentos e noventa e quatro reais e quarenta e oito centavos), já acrescido de multa de oficio de 75% sobre o valor do principal e de juros de mora calculados até 29/04/2005. O procedimento fiscal teve inicio em 04/02/04, com a ciência pelo contribuinte da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, de fls. 08, e do Termo de Intimação n° 01/2004, de fls. 09/15, no qual a autoridade fiscal requereu uma série de documentos comprobat6rios da origem dos rendimentos que possibilitaram as operações relacionadas nos itens 1 a 08 daquele Termo. No decorrer da ação fiscal, foram emitidos, ainda, os Termos de Intimação de n's 02/2004 a 06/2004, de fls. 17/28, no período de 10/03/04 a 22/11/04, e os Termos de Intimação, de fls. 32 , de 15/03/05, e fls. 35, de 14/03/05. No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 115/116, esclarece a autoridade fiscal que o contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar extratos das contas correntes e/ou de investimentos, contudo alegou que estava tendo dificuldades para atender ao solicitado junto as instituições financeiras. Acrescenta o auditor autuante que baseado nas declarações relativas Contribuição Provisória de Movimentação Financeira — CPMF de que o contribuinte teve movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados no ano base de 2000, foi providenciada, nos termos do art. 6 °. da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3724/2001, a solicitação de informações por meio de Requisições de Movimentação Financeira — RMF encaminhadas para o Banco Itaú S/A, Bradesco S/A e Previbank Corretora. Com base nestes elementos apresentados pelas referidas instituições financeiras, o contribuinte foi intimado a apresentar justificativa esclarecendo a origem dos recursos creditados, sendo aceitos apenas em parte os documentos apresentados. Também não foi acatada pela fiscalização a alegada origem da "venda" de cotas da Dagara Fomento Mercantil LTDA, uma vez que, conforme contrato social, ocorreu uma aquisição, ou seja, integralização do capital social em 20/12/00. Foi elaborada pela fiscalização planilha demonstrativa dos depósitos, comparandoos com as origens de recursos efetivamente comprovados, ficando demonstrada a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário de 2000, o que ensejou a lavratura do Autode Infração, de fls. 141/145, tendo como fundamento o art. 42 da Lei 9.430/96 e art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda —RIR/99. Devidamente cientificado do lançamento, em 12/05/2005, apresentou o autuado impugnação tempestiva, de fls. 150/160, regularmente instruída, argumentando, em síntese, que: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000662/200511 Acórdão n.º 2102002.973 S2C1T2 Fl. 236 3 Da nulidade da autuação Ausência de fundamentação legal para quebra de sigilo bancário O art. 6°. da Lei Complementar n° 105/2001 estabelece que o acesso aos registros bancários de qualquer contribuinte não é regra a ser cumprida, mas exceção que pode ser adotada somente quando houver procedimento administrativo em curso e quando tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. O art. 3°, §§ 5° e 6° do Decreto 3.724/01 dispõe que a Requisição de Movimentação Financeira será expedida com base em relatório circunstanciado, que deverá conter a motivação proposta que demonstre com precisão e clareza tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o principio da razoabilidade. O auditor fiscal, sem qualquer fundamentação, alegando apenas a existência de indícios, sem ao menos determinálos, procedeu à quebra de sigilo fiscal do contribuinte e a partir dai tentou justificar a glosa tributária, não trazendo aos autos a fundamentação. A Lei Complementar está eivada de inconstitucionalidade, mas o que se deseja focar neste particular é que a quebra de sigilo bancário, com ausência da necessária e devida fundamentação, é ato nulo de pleno direito, eivado de vicio insanável, matéria pacificada pelo STF. Não fornecimento de documento essencial No decorrer da fiscalização, o contribuinte peticionou em nome do direito constitucional à ampla defesa, para que lhe fosse fornecida cópia da representação, da justificativa ou da fundamentação de que se valeu a fiscalização para acessar seus dados bancários, a teor do art. 6° da LC 105/2001, mas a resposta do fisco se resumiu na entrega da autuação e conseqüente lançamento, cerceando o direito do contribuinte à ampla defesa. (Transcreve jurisprudência). Da irretroatividade da lei Para quebra do sigilo bancário, o auditor fiscal se valeu de uma lei promulgada em 2001, estendendo seus efeitos retroativamente ao ano de 2000, em desacordo com a doutrina e com o que vem prescrito no art. 101 do CTN. A retroatividade de uma lei é excepcional e deve estar expressamente consagrada no texto. Não existe retroatividade tácita nem retroatividade como ato administrativo vinculado. Fora a excepcionalidade prevista em lei que a LC 105 não consagra, o que existe é abuso do poder que não pode produzir efeitos. No mérito Não há dispositivo de lei que obrigue os contribuintes a pautarem sua vida financeira no controle mensal de gastos e recebimentos. Nas relações pessoais, nem todos os depósitos se presumem rendimento e não é por outra razão que a quebra do sigilo bancário não pode ser a regra, nem pode ser desprovida de fundamentação. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 A variação do patrimônio a descoberto há de ser anual e não mensal, pois este é o regime a que se sujeitam as pessoas jurídicas, não as pessoas físicas. Dividir por doze a renda anual do contribuinte pessoa física é criar situação ficta, não prevista em lei. Tanto é assim que o RIR exige do contribuinte saldo bancário em 31 de dezembro e não mês a mês. A quase totalidade das pessoas físicas está suscetível a movimentar recursos de terceiros, assim como eventuais depósitos e saques efetuados reciprocamente nas contas de marido, mulher e filhos no cotidiano familiar. A mensalização por média é criação do fisco, é aplicação analógica da metodologia do regime tributário das pessoas jurídicas, aplicada injustamente as pessoas físicas, por não se apoiar em expresso texto legal. O Fisco não chegou as suas conclusões a partir de sinais ostensivos de riqueza, pois o contribuinte possui patrimônio pequeno declarado. A suposta omissão de rendimentos não chega ao dobro do valor dos rendimentos tributáveis lançados na declaração de ajuste anual. Sobre a planilha fiscal, considerando o mês de janeiro a titulo de exemplo, questiona se o agente fiscal considerou eventuais saldos do mês anterior, registrando que não foi considerada receita legitima de 11.250,00 do PREVIBANK no mês de fevereiro de 2000 constante da citada planilha. A questão traduz incerteza, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN. Reproduz jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Na fase procedimental, o contribuinte apresentou planilha com origem para R$ 233.655,06, contra uma suposta movimentação bancária de R$ 227.683,04, no entanto o Fisco argüiu que o primeiro valor foi lançado pelo contribuinte como venda de cotas na sociedade, o que na verdade era compra, donde se deve deduzir o valor de R$ 66.500,00 e não somálo. Mesmo que se admitisse o erro do contribuinte, o valor a descoberto foi apurado de forma errada, pois também foi considerado o rendimento de R$ 11.250,00 no mês de fevereiro de 2000, originário do Previbank. Se considerada a mensalização, o valor a descoberto seria o total dos depósitos (227.682,34) menos o total das origens (187.839,45) que resultaria em R$ 39.842,89 e não o valor apurado de R$ 87.537,66. Além do erro do Fisco, também deve se considerar que a analogia com a pessoa jurídica é inaplicável, a forma de acesso aos dados bancários é ilegal e não há certeza da ocorrência do fato gerador, portanto não há omissão de rendimentos, nem patrimônio a descoberto. Por fim, requer o sujeito passivo a anulação do lançamento, seja com base nas preliminares ou nas razões de mérito. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000662/200511 Acórdão n.º 2102002.973 S2C1T2 Fl. 237 5 Anocalendário: 2000 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, conforme disposto no art. 42 da Lei 9.430/96. EXTRATOS BANCÁRIOS SOLICITADOS ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Nos termos da Lei Complementar n° 105/2001, é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. APLICAÇÃO DA LEI. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente A ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, na forma do art. 144, §1 °. do CTN. Lançamento Procedente Da decisão a quo o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 181/211), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento, pelas razões apresentadas em sede de preliminares ou pelas razões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que a exigência tributária em litígio está alicerçada no artigo 42 da Lei n.º 9.430/1996, a seguir transcrito, com as alterações posteriores Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifos acrescidos). Como se vê, por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário em conta de depósito ou de investimento foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000662/200511 Acórdão n.º 2102002.973 S2C1T2 Fl. 238 7 Na tributação em exame o legislador entendeu que há lógica, concordância e certeza entre o fato presuntivo (depósito bancário sem origem comprovada) e o fato presumido (omissão de rendimentos), na esteira dos argumentos expostos por Hugo de Brito Machado (Imposto de Renda – Estudos, Editora Resenha Tributária, pág. 123), que convém trazermos à baila: 5.6. Realmente, a existência de depósito bancário em nome do contribuinte, ... é indício que autoriza a presunção de auferimento de renda. Cabe então ao contribuinte provar que os depósitos tiveram origem outra, que não seja tributável. Pode ser que decorra de transferências patrimoniais (doações e heranças), por exemplo, de rendimentos não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, ou mesmo de rendimentos tributáveis auferidos Há muito tempo, relativamente aos quais extinto já esteja, pela decadência, o direito de a Fazenda Pública fazer o lançamento do tributo, nos termos do art. 173 do Código Tributário Nacional. Ao contribuinte cabe o ônus da prova, que pode ser produzida antes ou durante o procedimento do lançamento, impedindo que este se consume, e pode até ser produzida depois, em ação anulatória. 5.7. Isto não significa considerar rendimentos os depósitos bancários. Tais depósitos são indícios, isto é, são fatos conhecidos que autorizam a presunção de existência de rendimentos, fatos sobre cuja existência se questiona. Ordinariamente a disponibilidade de dinheiro decorre de auferimento de renda. Por isso a existência de disponibilidade de dinheiro autoriza a presunção de auferimento de renda. Tudo de pleno acordo coma teoria das provas. A obtenção de renda presumida a partir do crédito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si tal presunção legal fazer a prova em contrário. Confirase o que dispõem os artigos 333 e 334 do Código de Processo Civil, aplicáveis subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. (grifos acrescidos). A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da Lei nº 9.430 de 1996, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base na presunção de omissão de rendimento caracterizada por depósito bancário sem origem comprovada, quando o contribuinte, devidamente intimado, não lograr êxito em comprovar a origem dos depósitos ou investimentos, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). ( Acórdão nº CSRF/0400.029, de 21.06.2005) DEPÓSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Segunda Câmara, Acórdão10248982, Data da Sessão: 23/04/2008.) DEPÓSITO BANCÁRIO. A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada. (Oitava Câmara, Acórdão 10809736, Data da Sessão: 19/09/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal. (Ac 10613329). TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. (Ac 106 13188 e 10613086). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000662/200511 Acórdão n.º 2102002.973 S2C1T2 Fl. 239 9 No âmbito do contencioso administrativo fiscal, a fim de consolidar o entendimento acima transcrito sobre a matéria, foi editada a Súmula CARF de nº 26, restando inteiramente superada a jurisprudência colacionada no recurso voluntário, que tem suporte em legislação anterior à edição da Lei nº 9.430, de 1996. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. No presente caso, constatase que a autoridade fiscal não cumpriu o requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que o crédito bancário sem origem comprovada possa ser tomado com renda presumida. De fato, não foi feita a intimação prévia com a identificação individualizada de cada crédito bancário (dia da operação, histórico e valor) para que o titular da conta bancária comprovasse através de documentação hábil e idônea a origem deste. A intimação que mais se aproxima de tal propósito seria a de fl. 35, da qual o contribuinte tomou ciência em 18/03/2005. Contudo, os diversos créditos, com diferentes históricos foram totalizados pelo montante diário, não foram excluídos os estornos nem os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), considerando o limite anual de R$80.000,00 (oitenta mil reais). A norma é bastante clara em determinar que os créditos devem ser analisados individualizadamente e que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O lançamento apurou a omissão de rendimento a partir da diferença entre o montante dos créditos bancários versus as origens de recurso no ano calendário de 2000, procedimento válido para a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, que tem suporte na Lei nº 7.713, de 1988. Com efeito, se a comprovação da origem não se reportar a cada depósito especificamente, não será possível aferir se tal crédito foi submetido às normas específicas de tributação, ou se este resulta de transferência de conta do mesmo titular, ou se o valor do crédito dispensa a comprovação da origem. Daí porque não é possível fazer exclusões sem a indicação precisa de qual depósito teve sua origem comprovada. É comum a defesa argüir, de forma genérica, que auferiu rendimento, obteve empréstimo ou alienou patrimônio etc. É preciso apontar qual depósito referese a determinado evento e apresentar documentos hábeis e idôneos do fato. No presente caso, consoante Termo de Verificação Fiscal, às fls. 115/117, os totais mensais dos créditos bancários foram deduzidos dos rendimentos anuais recebidos de pessoa jurídica dividido por 12 meses, dos rendimentos recebidos de pessoa física, dos valores relativos a bens alienados, do crédito relativo a amortização de empréstimo, de retiradas da Previnbank e dinheiro em espécie declarado. Ou seja, não é possível saber qual crédito bancário teve sua origem comprovada, de modo a aplicar validamente a presunção sobre os créditos sem a comprovação da origem. Em conclusão, entendo que a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser validamente aplicada ao presente caso. Percebese que se Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 pretendia, a rigor, efetuar levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, como evidencia a intimação de fls. 32/34, da qual o contribuinte tomou ciência em 29/03/2005. Contudo, o lançamento em exame trata da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal no Auto de Infração (fl. 142). Restam prejudicadas as análises das demais questões ventiladas pelo contribuinte, ante a conclusão ora exposta. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10803.720033/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. DECADÊNCIA.
Omissão de rendimentos, fato gerador sujeito a ajuste anual, que se consuma ao final do ano-calendário. Embora se trate de lançamento por homologação, na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é disciplinado pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA.
São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA.
Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada.
Numero da decisão: 2201-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Acompanhou o julgamento o Dr. Julio Cesar Soares, OAB/DF 29.266.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
ODMIR FERNANDES - Relator.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora designada.
EDITADO EM: 07/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena CottaCardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. DECADÊNCIA. Omissão de rendimentos, fato gerador sujeito a ajuste anual, que se consuma ao final do ano-calendário. Embora se trate de lançamento por homologação, na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é disciplinado pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada.
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DECADÊNCIA. Omissão de rendimentos, fato gerador sujeito a ajuste anual, que se consuma ao final do anocalendário. Embora se trate de lançamento por homologação, na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é disciplinado pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando o contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Acompanhou o julgamento o Dr. Julio Cesar Soares, OAB/DF 29.266. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente ODMIR FERNANDES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 33 /2 01 1- 49 Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora designada. EDITADO EM: 07/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF dos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 reativo a omissão de rendimentos recebido por intermédio de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%. Auto de Infração (fls. 1456/1462) com a apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelo recebimento de recursos por intermédio da interposta pessoa de Walter Flamengo Salles. Consta do Termo de Verificação de Infração de fls. 1458 a 1462, que o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por simulação, em face do recebimento de rendimentos com infração à lei, os quais foram depositados nas conta correntes da interposta pessoa de WALTER FLAMENGO SALLES, e os informou em sua declaração como supostos empréstimos, recebidos das empresas BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n° 05.927.775/000120 (atualmente com situação cadastral inapta, por prática irregular de comércio exterior, com efeitos a partir de 14/02/2005 Processo n° 10314.005235/200792), e COMTEC COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA., CNPJ n° 07.047.790/0001400 (com situação cadastral suspensa, por inexistência de fato, a partir de 05/08/2010 Processo n° 10803.000022/201068), interpostas empresas comandadas e gerenciadas por CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL, integrantes do Grupo K/E e verdadeiros sujeitos passivos, participantes do esquema fraudulento de importação investigado no bojo da Operação Persona, deflagrada em conjunto pela Receita Federal, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração de fls. 1463 a 1610, anexo ao auto de infração. Esclarece a Fiscalização que CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL respondem, cada um, por 50% (cinquenta por cento) da receita omitida apurada. Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, das contas mantidas em nome de Walter Flamengo Salles (fls. 317, 347, 364, 387/388, 420/421). Notificação do lançamento em 14.07.2011 (AR fls. 1626). Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Acórdão n.º 2201002.340 S2C2T1 Fl. 3 3 Impugnação a fls. 1630/1647. Decisão recorrida a fls. 1685/1704 com ciência em 04.04.2012 (AR fls. 1710) manteve a autuação por entender comprovado o recebimento de rendimentos com a utilização da interposta pessoa. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se oporem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anos calendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 1712/1736) protocolado em 03.05.2012, sustenta, em síntese: 1) Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; 2) Falta de intimação do Recorrente para identificar a origem dos depósitos bancários; 3) Erro na eleição do sujeito passivo pela falta de comprovação de os valores das contas de Walter Flamengo Salles redundaram em renda tributável ao Recorrente; 4) Inexistência dos pressupostos para a qualificação da penalidade. Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES 4 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes – Relator. Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF levada a efeito após a realização da operação Persona com a Polícia Federal, o Ministério Público, a Receita Federal e o Judiciário, com acusação de descaminho, importação e exportação fraudulentos realizados pelo Recorrente, Auditor aposentado da Receita Federal e Cid Guardiã Filho (Kiko), entre outros, que detinham o controle de fato, de diversas empresas operadas por intermédio de interpostas pessoas (laranjas). Sustenta o Recorrente nas razoes de recurso: i. Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; ii. Falta de intimação do Recorrente para identificar a origem dos depósitos que seriam do autuado; iii. Erro na eleição do sujeito passivo; iv. Inexistência dos pressupostos para a qualificação da penalidade. Comprovam os autos a existência de diversas empresas e grande estrutura empresarial destinada à prática de descaminho, importação e exportação fraudulenta, simulação de diversas empresas comandadas, entre outros, por Cid Guardia Filho (Kiko) e o Recorrente – Ernani Bertino Maciel (E). Ambos foram condenados pela Justiça Federal juntamente com outros participantes em razão do esquema criminoso de importação e exportação fraudulentas. A acusação cuida especificamente da omissão de rendimentos recebido pelo Recorrente por intermédio de interposta pessoa de Walter Flamengo Salles, sócio formal das empresas Brastec Tecnologia e Informática Ltda. e Comtec Com. e Dist. de Prod. Eletro Eletrônicos Ltda. As empresas Brastec e Comtec eram geridas pela empresa Cider Assessoria Empresarial Ltda., mediante contrato de prestação de serviços de gestão empresarial, sociedade esta de titularidade de Cid Guardia Filho (Kiko) e o Recorrente Ernani Bertino Maciel (E), integrantes do denominado Grupo K/E. Está comprovado nos autos que Walter Flamengo Salles, sócio formal da empresa Brastec, não detinha o poder de gerencia, conhecimento dos negócios, capacidade econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais, embora tenha sido ele, pelo que consta dos autos, quem de fato constituiu a empresa Brastec. Fato sintomático foi Walter desconhecer o desenvolvimento das atividades da filial existentes em outro Estado. Feita esta breve explicação, passo ao exame da Decadência. No entender do Recorrente estão extintas as exigências do período de janeiro de 2005 a junho de 2006, uma vez que se trata de lançamento por homologação, formalizado após o decurso do prazo previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Acórdão n.º 2201002.340 S2C2T1 Fl. 4 5 Tratase, de fato, de lançamento por homologação do IRPF, com fato gerador complexivo e continuado, que somente se completa no final do exercício de cada exercício, mediante o ajuste anual. Ao contrário do que pensa o Recorrente, o fato gerador do IRPF, salvo expressa exceção, não é mensal, mas anual e o lançamento somente se torna possível no primeiro dia do ano seguinte. Pois em, cuidandose de lançamento por homologação, com pagamento (não se comprova, mas o Recorrente autuado é Auditor aposentado da Receita Federal e com certeza possui pagamento do imposto retido na fonte, com ajuste anual), o prazo decadencial se inicia no dia seguinte a ocorrência do fato gerador, na forma da jurisprudência pacificada pelo C. STJ, REsp 973.733 – SC, submetido ao rito do recurso repetitivo, no AgRg no REsp nº. 1.203.986 – MG e nos ED no REsp. 674.497 – PR, de aplicação obrigatória por este Conselho, a ter do art. 62A, do Regimento Interno. Nestes autos temos outro aspecto, há acusação de fraude e simulação do recebimento do rendimento por intermédio de interposta pessoa, o que por si só desloca a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN). Com isso, o termo inicial da decadência, para examinarmos o exercício mais remoto (período 2005), na existência de pagamento de parcela do tributo, é o dia 01.01.2006. Sem pagamento e existência de dolo ou fraude, teríamos o termo inicial do prazo o dia 01.01.2007, para o exercício de 2005. A notificação do lançamento ocorreu em 14.07.2011 (AR fls. 1.626), sem se operar lapso temporal superior aos cincos anos, considerando a existência da fraude pela simulação pela interposta pessoa. Caso mantida a exigência e desconsiderada a interposta pessoa é necessário voltar ao exame da decadência. Nulidade do lançamento e erro na eleição do sujeito passivo Sustenta o Recorrente em seguida nulidade do lançamento pela falta da prévia notificação do Recorrente para explicar a origem da omissão dos rendimentos como exige o art. 42, da Lei 9.430, de 1996, por se tratar de depósitos bancários, apurados na conta de Walter Flamengo Salles, e erro na eleição do sujeito passivo. Explica e comprova o Recorrente que na mesma operação fiscal feita a Cid Guardia Filho (Kiko) a autuação fiscal realizouse por omissão de rendimento dos depósitos bancários, com prévia notificação do sujeito passivo, na forma do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, para explicar a origem dos rendimentos. Essas duas prejudiciais erro na eleição do sujeito passivo e nulidade pela falta da prévia notificação para explicar a origem dos rendimentos omitidos, confundemse com mérito da autuação e assim devem ser apreciadas e decididas. Está comprovado nos autos que Cid Guardia Filho (Kiko) e o Recorrente detinham o controle de diversas empresas e eram sócios da empresa Cider Assessoria Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES 6 Empresarial Ltda. e, por intermédio de contrato de prestação de serviços, a Cider administrava a empresa Brastec Tecnologia e Informática Ltda. A decisão recorrida não reconheceu a nulidade da autuação, pela falta da prévia intimação, por entender que a autuação não decorre da presunção legal de os depósitos bancários constituírem renda tributável, se não justificado, mas de os depósitos serem rendimento do Recorrente em razão de os recursos depositados na conta bancária de Walter Flamengo Salles, pertencerem a empresa Brastec, sob a gerencia e administração do Recorrente. De fato, é necessário frisar que a autuação não se fez na modalidade da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com a necessária inversão do ônus da prova de que cuida o art. 42, da Lei 9.430, de 1996, por essa razão não há necessidade a prévia intimação para explicar a origem dos depósitos objeto da autuação, embora tenham sido os depósitos bancários feitos na conta de Walter Flamengo Salles pelas empresas, que motivaram a autuação sobre 50% desses depósitos. Em resumo, a autuação não se fez pela existência dos depósitos bancários na conta de Walter Flamengo Salles, sócio formal da empresa Brastec, mas de rendimento dele recebido e omitido. Intimado explicar a origem dos depósitos bancários na sua conta Walter responde que corresponder a empréstimo da empresa Brastec e junta contrato de mutuo. Os relatórios de fiscalização, não contrariados, explicam que não se comprovou a efetividade da operação de mutuo entre as empresas e Walter Flamengo Salles. De fato, a autuação não acusa o Recorrente da presunção pela omissão dos depósitos bancários, cuidase de tributar 50% dos saques bancários feitos por Walter Flamengo Salles, na sua conta, em razão da sociedade Cider entre Cid e o Recorrente, controlar a empresa Brastec, de titularidade formal de Walter. A origem na autuação são os depósitos bancários existentes na conta de Walter, feitos pela empresa Brastec. Esses valores, segundo a autuação, teriam sido repassados ao Recorrente. Esta é, em síntese, a presunção extraída pela fiscalização pela permitir a autuação. Na matéria de fundo, vemos que os autos comprovam que todo o contato, as ordens e o comando para da empresa Brastec, gerida formalmente por Walter Flamengo Salles, eram dadas por Cid Guardia Filho (Kiko), sócio da empresa Cider. Walter Flamengo Salles não tinha contato o Recorrente e o conhecia pouco, conforme revelam os autos. Vemos que a acusação por interposta pessoa se deu exclusivamente pelos indícios de que os saques dos depósitos bancários, feitos por Walter Flamengo Salles, na sua conta bancaria, decorreram – pro presunção serem receitas da empresa Brastec. Esses indícios, de a movimentação das contas bancárias de Walter Flamengo Salles pertencer ao Recorrente, não autorizam com firmeza firmar juízo de valor e presumir a existência da omissão de rendimentos apenas em razão de o autuado, junto com Cid Guardiã Filho (Kiko), controlar a empresa Brastec por intermédio da empresa Cider, Há indícios, repetimos, mas esses índicos não são suficientes para firmar presunção segura de que 50% dos saques na conta de Walter Flamengo, pertencer ao autuado e ele ser acusado da omissão de rendimentos. Não se sabe sequer se seriam rendimentos tributáveis. Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Acórdão n.º 2201002.340 S2C2T1 Fl. 5 7 Walter Flamengo Salles juntou os extratos bancários de suas contas. Não satisfeita, a fiscalização requisitou a movimentação bancaria, ficha de abertura das contas, cheques, ordens de pagamento, procuração e quem as movimentava. Nada se obteve além dos mesmos extratos fornecidos por Walter. Os saques foram feitos basicamente em dinheiro, mas não se obteve cópia dos cheques, das ordens de pagamento ou da existência de procuração. A presunção para permitir convicção ao julgador exige seja corroborado por outros elementos de prova, ainda que de forma indiciária, mas suficientes e seguros. Vários indícios podem configurar prova, mas aqui, na omissão de rendimentos, temos apenas os indícios extraídos pelo fato de o Recorrente, junto com Cid, sócios da empresa Cider, controlar a empresa Brastec, sob a titularidade formal de Walter. Foram aprendidas, é certo, agendas e passagens aéreas do Recorrente com apontamentos das empresas, entre elas a Brastec, mas não há vinculação segura – ainda que indiciários repetimos , de os depósitos bancários existentes na conta de Walter pertencer ao Recorrente. Não há sequer prova de o Recorrente ter dado alguma ordem para Walter agir ou fazer pagamentos a terceiros em nome do autuado. As ordens, conforme revelam os autos, eram dadas por Cid (Kiko) a Walter. Ante o exposto, pelo meu voto, por não vislumbrar elementos firmes e seguros de provas, ainda que indiciários, conheço e dou provimento ao recurso para cancelar a autuação. Assinado digitalmente Odmir Fernandes Relator Voto Vencedor Conselheira Nathália Mesquita Ceia, Redatora designada. Em que pese o bem elaborado voto do nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao mérito, em especial por entender que houve omissão de rendimentos passíveis de tributação por parte do Contribuinte em face da utilização de interposta pessoa e, por consequência, restando aplicável a multa qualificada de 150%. Insurgese o Contribuinte em face de lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa de Sr. Walter Flamengo Salles, que é sócio formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo Contribuinte, Sr. Ernani Bertino Maciel. O Contribuinte alega que: (i) ocorreu decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; (ii) houve falta de intimação do Contribuinte para identificar a origem dos depósitos; (iii) houve erro na sujeição passiva, pois não há qualquer prova da retirada de valores das contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles que tenham beneficiado o Contribuinte e (iv) resta incabível a multa qualificada, pois não restou comprovada simulação, bem como a fiscalização não apontou as origens e o destinos dos valores depositados nas contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES 8 A decisão da DRJ manteve a autuação pela existência de diversos indícios de que os recursos financeiros que transitaram pela conta bancária do sócio formal da BRASTEC, Sr. Walter Flamengo Salles era feita por conta e ordem de seu administrador de fato, Sr. Ernani Bertino Maciel, identificado como o efetivo responsável pelo comando e controle do Grupo K/E uma rede de interposta empresas exportadoras, importadores e distribuidoras. O Contribuinte pleiteia a decadência do direito do Fisco lançar o tributo referente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2005 a junho de 2006, por se tratar de imposto por homologação, sendo aplicável a regra do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), bem como que houve falta de sua intimação para justificar os depósitos bancários na conta do Sr. Walter Flamengo Salles. Além disso, o Contribuinte sustenta que os depósitos bancários não são de suas contas bancárias, mas de terceiro, Sr. Walter Flamengo Salles, por isso houve erro de sujeição passiva, bem como alega que não houve comprovação de que os depósitos nas contas bancárias do Sr. Walter Flamengo Salles foram usufruídos em seu benefício. No tocante à decadência, como a contagem do prazo decadencial pode ser distinta em razão de se manter (ou não) a qualificação da multa de ofício, trato inicialmente do mérito para então depois, adentrar na decadência. 1. Ausência de Intimação O Contribuinte se insurge pelo fato de não ter sido intimado para comprovar a origem dos depósitos e, por isso, pleiteia a nulidade do Auto de Infração. Pois bem. A autuação fiscal não decorreu de omissão de rendimentos por depósito bancário (art. 42 da Lei nº 9.430/96). A autuação não cuida de omissão de rendimentos por depósitos bancários, mas sim dos depósitos bancários feitos na conta de Sr. Walter Flamengo Salles pelas empresas. Foram os valores desses depósitos bancários que motivaram a autuação sobre 50% levada a efeito nestes autos, na qualidade de rendimentos tributáveis recebidos por interposta pessoa. Em suma, a autuação se fez pela existência dos depósitos bancários na conta de Sr. Walter Flamengo Salles, sócio formal da empresa Brastec. Intimado Sr. Walter Flamengo Salles pela explicar a origem dos depósitos bancários explicou tratarse de empréstimos da empresa Brastec, juntando contrato de mútuo. Desta feita, o titular da conta bancária – Sr. Walter Flamengo Salles – foi devidamente intimado e prestou esclarecimentos acerca da origem dos depósitos. Porém, não se registrou comprovação efetiva da origem desses depósitos. Logo, como o Auto de Infração não decorreu da aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e também como o titular da conta bancária – Sr. Walter Flamengo Salles – foi devidamente intimado para prestar esclarecimentos, a presente autuação não apresenta vícios que lhe ensejariam a nulidade. 2. Rendimentos Tributáveis – Interposta Pessoa Da instrução probatória trazida aos autos verificase que: Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Acórdão n.º 2201002.340 S2C2T1 Fl. 6 9 · Sr. Walter Flamengo Salles, sócio formal da Brastec, não possui recursos econômicos e experiência em atos de comércio. · Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio da Brastec não detinha poder de mando e gerência da sociedade, embora constituída por ele. · a BRASTEC não apresenta capacidade operacional (estrutura física e de pessoal) para efetuar o montante das operações realizadas. · Os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do Sr. Ernani Bertino Maciel em conjunto com seu sócios Sr. Cid Guardia Filho, sócio da empresa Cider. Em face do exposto, entendo restar comprovado que o Sr. Walter Flamengo Salles age como interposta pessoa do Contribuinte, em uma estrutura que objetiva a omissão de rendimentos tributáveis do Contribuinte, que é o real beneficiário da renda. A interposição de pessoa com o fulcro na omissão de rendimentos tributáveis é entendida como simulação, em linha com o disposto nos art. 167 do Código Civil Brasileiro, pois na interposição de pessoa, há um negócio simulado, no qual se aparenta transmitir direito a uma pessoa, e um dissimulado, de transmissão real a outra. Ou melhor, aparentase que o Sr. Walter Flamengo Salles é sócio e titular dos rendimentos da empresa, porém na verdade, o Sr. Ernani Bertino Maciel que resta como real beneficiário da renda. A simulação apresenta os seguintes elementos essenciais: (i) é sempre combinada com a outra parte e (ii) é feita com a intenção de iludir terceiros. Sendo que na simulação nenhuma das partes é iludida, ambas têm conhecimento da burla, levada a efeito para ludibriar terceiro. De acordo com o disposto no Código Civil, o ato simulado é nulo. Ainda, no tocante à interposição de pessoa com o intuito de fraudar o Fisco, defende Onofre Alves Batista Junior: “o que se verifica, é que no Brasil vem se alastrando como “erva daninha”, é a constituição de sociedades em que um sócio se apresenta, “apenas no papel” como minoritário e sem funções gerenciais, e, no entanto, é o verdadeiro gestor e administrador da sociedade, utilizandose de terceiro para evadir tributos e proporcionar verdadeiros prejuízos ao Erário Público. Tratase do sabido e consabido uso dos “famosos laranjas”, que vem levando o país à bancarrota, destruindo instituições como a Previdência Social, e porque não até o Erário dos Estados Membros”. Portanto, a participação do Sr. Walter Flamengo Salles na operação deve ser desconsiderada (nulidade do ato) e a renda imputada ao mesmo deve ser atribuída ao seu real beneficiário, ou seja, Sr. Ernani Bertino Maciel. Desta feita, resta comprovado que o Contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa nos anos calendário de 2005 a 2008 e não os ofereceu à tributação, devendo ser mantido o lançamento. 3. Multa Qualificada Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES 10 A fiscalização aponta que houve simulação do Contribuinte quando da interposição do Sr. Walter Flamengo Salles com o objetivo de omitir rendimentos passíveis de tributação. Em face dessa constatação, a fiscalização qualifica a multa em 150%. O Contribuinte se insurge quanto à qualificação da multa argumentando que não restou comprovado durante o processo de fiscalização a alegada simulação. Pois bem. Da análise dos autos, resta comprovado que Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio das Brastec, não detinha o poder de mando e gerência da sociedade Brastec, embora constituída por ele. O Sr. Walter Flamengo Salles, além de não deter o poder de mando ou gerência da sociedade, não possuía conhecimento dos negócios, não tinha capacidade econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais. Ao ser ouvido na Polícia Federal, o Sr. Walter Flamengo Salles, declarou desconhecer as atividades desenvolvidas pela filial da empresa Brastec em outro Estado. Os autos comprovam, sem contrariedade, que os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do Contribuinte, Sr. Ernani Bertino Maciel em conjunto com seu sócio Sr. Cid Guardia Filho. A autuação não se fez na modalidade da presunção da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, mas foram os depósitos bancários feitos na conta do Sr. Walter Flamengo Salles que motivaram a autuação de 50% dos valores dos depósitos. O Sr. Walter Flamengo Salles foi intimado pela explicar a origem dos depósitos bancários e disse que se tratava de empréstimo – mútuo da empresa Brastec. Juntou contrato de mútuo. O Relatório de Fiscalização explica que não se comprovou a efetividade da operação de mútuo entre a empresa e o Sr. Walter Flamengo Salles, daí a desconsideração do empréstimo. A simulação da interposta pessoa do Sr. Walter Flamengo Salles e o motivo da autuação, ocorreu pela comprovação de os saques dos depósitos bancários na conta do Sr. Walter Flamengo Salles beneficiaram o Contribuinte. Resta comprovado nos autos o efetivo comando e controle das empresas Brastec, pelo Contribuinte, tendo como sócio formal (“laranja”) o Sr. Walter Flamengo Salles. A interposição do Sr. Walter Flamengo Salles na operação pelo Contribuinte já comprova a intenção do Contribuinte em omitir rendimentos passíveis de tributação. Logo, tendo em vista que o Contribuinte se valeu de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, resta caracterizada simulação e com isso devida a multa qualificada de 150%. 4. Decadência O termo inicial da decadência, para examinarmos o exercício mais antigo (período 2005), com pagamento de parcela do tributo, é o dia 01/01/2006. Como restou caracterizada a simulação e, por consequência a manutenção da multa qualificada, temse o termo inicial da decadência deslocado de 01/01/2006 para 01/01/2007. Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Acórdão n.º 2201002.340 S2C2T1 Fl. 7 11 A notificação do lançamento ocorreu em 14/07/2011 (AR fls. 1.626), sem se operar lapso temporal superior aos cincos anos, tendo em vista que restou configurada a existência da fraude pela simulação da interposta pessoa. Desta feita, em razão de restar caracterizada a simulação, o prazo decadencial é contado com base no art. 173, I do CTN. Logo, o prazo final para lançamento do tributo seria 31/12/2012, como o lançamento ocorreu em 14/07/2011, não resta alcançado pela decadência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Nathália Mesquita Ceia – Redatora designada Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 24/10/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723701/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 04/01/2008
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. LEI 11.941/2009.
A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo pagamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 1°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso.
Numero da decisão: 1301-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO em virtude de expressa desistência do mesmo. Ausente justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LEI 11.941/2009. A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo pagamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 1°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO em virtude de expressa desistência do mesmo. Ausente justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 37 01 /2 01 1- 57 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 01/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação, de débitos de IRRF a título de Juros sobre o Capital Próprio (cód. 5706), relativos ao ano calendário 2007, com créditos de IRRF de mesma natureza e idêntico ano calendário retidos pela Bradespar SA (CNPJ nº 03.847.461/000192) e pelo Banco Bradesco SA (CNPJ nº 60.746.948/000112), no valor total de R$ 46.548.896,97. A defesa apresentada cingese apenas à não homologação das DCOMP nºs 32551.39844.040108.1.3.064020, 07131.77153.040108.1.3.062043 e 25171.66136.040108.1.3.061900. Alega a contribuinte que a compensação trata de crédito de IRRF incidente sobre JCP recebidos com débito de IRRF de JCP pagos aos sócios ou acionistas, tudo relativo ao anocalendário 2007. Argumenta que os débitos de IRRF compensados referemse a fato gerador ocorrido em dezembro/2007, cujo vencimento da obrigação se deu em janeiro/2008, data na qual transmitiu as DCOMP ora em litígio. A DRJ/CAMPINAS (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não homologando as compensações em litígio, sob os seguintes argumentos: A interessada é optante pelo lucro real anual no ano calendário de 2007, cf. acusa a consulta a DIPJ/2008, acostada aos autos (fls. 101). Portanto, a utilização pela contribuinte do crédito de IRRF incidente sobre os JCP que lhe foram pagos ou creditados no anocalendário de 2007, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre JCP pagos ou creditados aos seus sócios ou acionistas, somente estava autorizada acaso implementada no próprio ano da retenção (2007), ocasião na qual deveria ter ocorrido a transmissão das correspondentes DCOMP, formalizando a compensação, independentemente da data do vencimento da obrigação. Isso porque, em observância ao regime de competência contábil, a receita dos JCP recebidos ou creditados (receita financeira), que originou o fato gerador do crédito do IRRF, deve ser confrontada no próprio período da retenção com a despesa dos JCP pagos ou creditados (despesa financeira), que originou o fato gerador do débito do IRRF, porque o referido IRRF incidente sobre a receita dos JCP recebidos ou creditados, quer no valor integral ou no valor remanescente à compensação citada, é passível de dedução na determinação do lucro real, quando do encerramento do período de apuração, em razão da natureza conferida à remuneração dos JCP, para fins fiscais. Inexiste, portanto, previsão legal da utilização do IRRF incidente sobre JCP recebidos ou creditados em períodos posteriores à retenção, por inobservância ao regime de competência. Foi prolatada a seguinte ementa ao Acórdão 0540.013, de 21/02/2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/01/2008 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 01/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10882.723701/201157 Acórdão n.º 1301001.486 S1C3T1 Fl. 12 3 PER/DCOMP. Crédito de IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio. Transmissão da Declaração fora do Período de Retenção. Não Cabimento. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. O crédito do IRRF não utilizado na compensação citada poderá ser deduzido do imposto devido pela pessoa jurídica ao final do período, compondo, se for o caso, saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada. Inexiste previsão legal da utilização do IRRF incidente sobre JCP recebidos ou creditados em períodos posteriores à retenção, sob pena de inobservância ao regime de competência. Declaração de Compensação. Retificação. Exame originário pela DRJ. Impossibilidade. A correção de eventual erro na DCOMP quanto ao crédito deve se dar mediante apresentação de declaração retificadora, a qual não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação. Não deve ser homologada a compensação quando vedada, por desatendimento das normas legais vigentes, a utilização do crédito informado na respectiva declaração. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 01/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Como visto do relatório a matéria trazida a litígio diz respeito a compensação de IRRF a título de Juros sobre o Capital Próprio (cód. 5706), relativos ao ano calendário 2007. No entanto, foram carreados aos autos do presente processo, com protocolo junto à DRF/OSASCO/SP em 30/01/2014, o pedido de desistência expressa ao recurso interposto, tendo em vista a quitação da dívida nos termos da Lei 11.941, de 2009, (art. 1o.) com pagamento a vista conforme DARF anexado. Assim, confirmado nos autos de que houve confissão do débito objeto do presente litígio, mantido na decisão de primeira instância e, respectivo pagamento, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO por expressa desistência. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 01/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930870/2011-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos do relatório e voto. Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos do relatório e voto. Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos do relatório e voto. Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 70 /2 01 1- 40 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930870/201140 Acórdão n.º 3801004.282 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930870/201140 Acórdão n.º 3801004.282 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou as compensações. Apresentada impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA) analisou o pedido e julgou improcedente a manifestação (fls. 2 a 4), aplicação da redução de alíquota prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos. Secundado pela doutrina, tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS e do PIS. ART. 1º E 2º DA LEI N.º 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS e do PIS prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A DRJ Porto Alegre destaca, ainda, que pelo art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Às fls. 72 a 79 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz, em síntese, que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930870/201140 Acórdão n.º 3801004.282 S3TE01 Fl. 5 4 A antiga 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso voluntário, dandolhe provimento por meio da seguinte ementa (fls. 65 a 68): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 99 a 101), alegando a ocorrência de: Omissão quanto a manifestação sobre a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, vêse que procede, uma vez que não consta no voto menção a referida. É o relatório Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930870/201140 Acórdão n.º 3801004.282 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Os embargos de declaração foram interpostos no prazo legal, razão pela qual são admitidos. Em relação à alegação de omissão quanto a manifestação sobre a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, vêse que não procede, uma vez que o fato de não constar no voto menção a referida não altera o seu resultado. A Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84, esclareceu que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Ocorre que a referida teve sua publicação em 11 de julho de 2008 e, posteriormente, pela publicação da Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, houve a retirada desta restrição por força do art. 50 da referida lei. Entendo que esta lei pode ser aplicada ao presente caso, considerandose sua retroatividade benéfica ao contribuinte, como exposto pela Presidente e Relatora Nayra Bastos Manatta, na sessão de 7 de julho de 2011, na ementa abaixo descrita: “EMENTA: REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSITIVO NO ART. 52 DA LEI Nº. 12.431/2011. O artigo 52 da Lei 12.431/2011 concedeu remissão expressa aos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondente à Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2002 até a data anterior à publicação desta Lei. (Rec. Vol. 253.806, Acórdão 3402001.382, Relatora Nayra Bastos Manatta, Sessão de 7.7.2011)” Logo, entendo que não devem ser acolhidos os presentes aclaratórios, visto inexistirem omissões que alterem o julgamento do presente acórdão, devendo ser mantido o seu provimento. Cabe esclarecer que não se pode por meio da estreita via dos embargos pretender substituir a utilização da via recursal adequada para a reforma de uma decisão. Diante do exposto, conheço e rejeito os embargos de declaração mantendo o provimento do recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930870/201140 Acórdão n.º 3801004.282 S3TE01 Fl. 7 6 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005711/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
A exoneração promovida foi inferior ao patamar definido na Portaria MF nº 3, de sete de janeiro de 2008, motivo pelo qual, não se conhece do Recurso de Ofício.
Quanto ao Recurso Voluntário não se conhece devido a perda de objeto com a desistência pela recorrente.
Numero da decisão: 1301-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de pedido de desistência.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 A exoneração promovida foi inferior ao patamar definido na Portaria MF nº 3, de sete de janeiro de 2008, motivo pelo qual, não se conhece do Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário não se conhece devido a perda de objeto com a desistência pela recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de pedido de desistência. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Quanto ao Recurso Voluntário não se conhece devido a perda de objeto com a desistência pela recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de pedido de desistência. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 57 11 /2 00 6- 04 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de apreciar Recurso de Ofício interposto pela 3ª Turma da DRJ em Recife/PE em face de parcial exoneração do crédito tributário contido no presente processo e de Recurso Voluntário. Quanto ao Recurso Voluntário (fls. 603 – 614), originalmente interposto pela contribuinte em vista da parcela do auto de infração julgada procedente pela DRJ, assinalese de plano que a contribuinte apresentou petição informando a desistência do pleito recursal (fl. 623), em vista da adesão ao programa de parcelamento contido na Lei nº 10.941/09. No processo em questão foram lavrados autos de infração (fls. 03 em diante), versando apuração de omissão de receitas conforme historiado às folhas 05 e 06. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 234 – 241), e a DRJ em Recife/PE proferiu o acórdão de folhas 592 em diante, julgando procedente em parte os autos de infração, sendo que a parcela exonerada submetese a Recurso de Ofício que ora se aprecia. É o relatório. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.005711/200604 Acórdão n.º 1301001.528 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Quanto ao Recurso Voluntário deixo de conhecêlo devido a perda de objeto com a desistência pela recorrente. Já quanto ao Recurso de Ofício manuseado ante a parcial exoneração do crédito tributário promovido pela decisão da 3ª Turma da DRJ em Recifie/PE, não pode ser conhecido. Digo isso ao verificar que o dispositivo da decisão ficou assim redigido: [...] Pelo exposto, VOTO no sentido de ACATAR PARCIALMENTE as alegações da defesa, para excluir da exigência formalizada neste processo o total de R$ 389.806,07 (trezentos e nove mil, oitocentos e seis reais e sete centavos) – valor principal , mantendose o crédito tributário (valor principal) de R$ 689.200,81 (seiscentos e oitenta e nove mil, duzentos reais e oitenta e um centavos). [...] Vêse assim, que a exoneração promovida foi inferior ao patamar definido na Portaria MF nº 3, de sete de janeiro de 2008, motivo pelo qual, não conheço do Recurso de Ofício. Por todo exposto não conheço dos Recursos de Ofício e Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000884/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/12/1999
Uma vez comprovado, nos autos, que a fatura comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, torna-se cabível a exigência da penalidade aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador.
3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador.
4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo.
Numero da decisão: 3102-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/12/1999 Uma vez comprovado, nos autos, que a fatura comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, torna-se cabível a exigência da penalidade aplicada. Recurso Voluntário Negado. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000884/200451 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.277 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria II AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/12/1999 ACE 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 84 /2 00 4- 51 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/1999 Uma vez comprovado, nos autos, que a fatura comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decretolei nº 37/1966, vigente à época dos fatos, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 615.046,28, objeto do Auto de Infração fls. 02/17. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de no 99/10719479, em 10/12/1999, submeteu a despacho aduaneiro 8.361,611 metro cúbico de Gasóleo, classificável na Tarifa Externa Comum no código 2710.00.41, no valor FOB de US$ 1.365.504,52 utilizandose da redução de 100% da alíquota do Imposto de Importação fixada em 9%, conforme Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da república federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai. Esclarece a fiscalização de forma minudente no relatório de fls. 11/17, a seguir resumidamente demonstrado: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 101 3 a) o Certificado de Origem apresentado não obedece a terceira nota que consta no dorso do formulário de Certificação de Origem MERCOSUL, anexo ao Decreto nº 1.914 de 22/05/1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, no que se refere à sua emissão, importando na desconsideração do Certificado de Origem; b) não há correspondência entre o Certificado de Origem ALD nº 352041 e a Fatura Comercial PIFSB1047/99, emitida pela Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, que acompanham os documentos apresentados para o despacho aduaneiro; c) o Certificado de Origem não faz menção à Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação, mas faz referência à Fatura Comercial de Y P F S.A nº 008800004649 e também que o país exportador é a Argentina. No entanto na Declaração de Importação consta como exportador a empresa PIFCO o que acarreta Ilhas Cayman ser o país de aquisição; d) nesta operação de comercialização efetuada pelo contribuinte está evidente a intervenção de um terceiro país não membro do acordo. Embora o Decreto nº 1.568 de 21/07/1995 no seu artigo 10, letra “c” admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, uma vez que não há interveniência de um operador nos termos do Decreto nº 1.914 de 22/05/1996. e) inexistência na Fatura Comercial nº PIFSB1047, emitida em 23/11/99, pela empresa Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, dos elementos essenciais de validação de Fatura Comercial, conforme estabelece o artigo 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1995. Conclui a fiscalização, fls.16: “Em virtude do exposto, conclui se, portanto, que tanto a Fatura Comercial nº PIFSB1047/99 como o Certificado de Origem nº 352041 atendem às normas de origem estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária em relação às mercadorias importadas pela fiscalizada. Além disso, a operação comercial entre Argentina – Ilhas Cayman – Brasil, realizadas pelas empresas Y P F S/A – PFICO – PETROBRÁS, respectivamente, caracterizando a interveniência de terceiro país não membro do acordo, no entanto descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação pertinente, impedindo o gozo de preferências tarifárias em razão da origem acordadas no âmbito do MERCOSUL. ”(sic). Sendo assim, a operação realizada pelo contribuinte deve receber tratamento de importação comum, com a aplicação da alíquota integral do imposto de importação, equivalente a 9%. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Cientificado do lançamento em 08/11/2004, conforme fls.03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 07/12/2004 a impugnação de fls. 38/48, nos termos a seguir resumidos: A Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, óleo diesel, produzido na Argentina, junto à empresa YPF SOCIEDAD ANONIMA; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela YPF, de nº 8008800004649, e outra pela PIFCO, de nº PIFSB1047/99, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Argentina; na importação referenciada houve a atuação de uma empresa na qualidade de operadora comercial, em conformidade com o teor do artigo 10, letra c, do “Regulamento de Origem do MERCOSUL”, instruído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE nº 18 e inserido no ordenamento jurídico pátrio através do Decreto nº 1.568 de 21/07/1995; nada ocorreu na operação comercial em tela que afastasse a aplicação da redução tarifária almejada. A mercadoria foi expedida diretamente do país exportador Argentina, para o país importador, Brasil, ambos signatários do ACE 18, o próprio AuditorFiscal reconheceu esse fato; o só fato da PFICO ter figurado como “exportadora” na Fatura Comercial PFISB1047/99 e na Declaração de Importação não afasta a aplicação do benefício. A PFICO integra o grupo econômico da Impugnante e sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda. Enfim a PFICO agiu como mera operadora comercial e não como exportadora; a fatura emitida pela PFICO foi apresentada no despacho aduaneiro porque a própria Receita Federal não previu procedimento específico a ser seguido nos casos de triangulação comercial. Nesse sentido foi editada a NOTA COANA/COLAD/DITEG nº 60, em 19/08/1997; a omissão parcial de preenchimento do Certificado não desqualifica este documento, conforme decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes; o Certificado de Origem 352041 foi emitido em 05/11/99, ou seja, no dia seguinte ao da emissão da fatura expedida pela YPF S/A, nº 008800004649, a qual ele faz referência, assim não houve afronta à regra constante na terceira nota do dorso do modelo de certificado de origem, instituído pelo Décimo Protocolo Adicional ao ACE 18 e aprovado pelo Decreto 1.914/1996; quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado; Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 102 5 o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma específica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; o Imposto de Importação é instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatória, sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua alíquota ou base de cálculo; – invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com esteio nos artigos 10 e 106 do CTN; – requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, ademais a aplicação da SELIC decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95, quando é imperioso a utilização de lei complementar para que a União aumente os juros de mora além dos limites fixados no CTN. – protesta o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 89/108), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para a) considerar devido o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação, no valor de R$ 237.924,03, acrescido da multa de mora, da multa regulamentar e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável; e b) exonerar o crédito tributário relativo à multa de ofício de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 178.443,02, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 10/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/12/1999 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade. Em 27/1/2009, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 113). Inconformada, em 20/2/2009, protocolou o recurso voluntário de fls. 114/135, no qual, em relação ao parcela do auto de infração julgada procedente, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou que fosse observado os julgados do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais que decidiram favoravelmente à recorrente, por diversas vezes, a matéria sobre supostas irregularidades em operação de triangulação comercial, especialmente, em relação a que aqui está sendo tratada. Sob o argumento de que a fatura comercial emitida pela pessoa jurídica PDVSA era essencial para a análise dos requisitos benefício da preferência tarifária pleiteada e que a autuada não fora intimada para apresentar a via original da referida fatura, decidiu este Colegiado, por meio da Resolução 3102000.144, de 1º de outubro de 2010, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a recorrente fosse intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação. Em atendimento ao Termo de Reintimação de fl. 161, por meio da petição de fl. 162, a recorrente apresentou cópia autenticada, conferida com o original, da fatura comercial e certificado de origem de fls. 169/170. Concluída a diligência, em 17/2/2014, em atenção aos despachos de fls. 171/175, os autos retornaram a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Na Sessão de 24/7/2014, mediante sorteio, foram distribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, diferentemente do que entendeu este Colegiado, na conversão do julgamento em diligência por meio da referida Resolução, o auto de infração em questão (fls. 5/12) não trata de importação da Venezuela nem existe fatura emitida pela pessoa jurídica PDVSA, mas de importação da argentina, com fatura emitida pela pessoa jurídica Petrobras International Finance Company Pifco. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 103 7 A controvérsia remanescente cingese ao tratamento tributário e aduaneiro dado à operação de importação de óleo diesel, formalizada por meio da Declaração de Importação (DI) no 99/10719479, registrada em 10/12/1999. Para a fiscalização, a autuada descumpriu as regras do regime de origem, logo, não fazia jus à redução tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do Imposto de Importação (II), prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai, executado no Brasil pelo Decreto 550/1992. De modo contrário, sustenta a recorrente que foram atendidos todos requisitos do regime origem, logo, a referida operação de importação estaria contemplada com à preferencia tarifária fixada no citado Acordo. O recurso ainda contesta a manutenção da cobrança da multa regulamentar, por apresentação de fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares. Do descumprimento do regime de origem Os requisitos da operação de importação exigidos para que as mercadorias originárias dos Estados Partes beneficiemse do tratamento tarifário preferencial previsto no referido Acordo encontramse estabelecidos no artigo 10º do Regulamento de Origem das Mercadorias no MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, promulgado pelo Decreto 1.568/1995, que dispõe sobre a execução do referido Protocolo, e que tem o seguinte teor: Os requisitos da operação de importação exigidos para que as mercadorias originárias dos Estados Partes beneficiemse do tratamento preferencial previsto no referido Acordo encontramse estabelecidos no artigo 10º do Regulamento de Origem das Mercadorias no MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, promulgado pelo Decreto 1.568/1995, que dispõe sobre a execução do referido Protocolo, e que tem o seguinte teor: Artigo 10º Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. A esses efeitos se considera expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do MERCOSUL; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância de autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito estiver justificado por razões geográficas ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estiverem destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o transporte ou depósito, nenhuma operação diferente das de carga ou descarga ou manipulação Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. c) poderá aceitarse a intervenção de operadores de outro país desde que, atendidas as disposições de a) e b), exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia quanto ao atendimento dos requisitos atinentes à expedição direta do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador, no caso, respectivamente, Argentina e Brasil, uma vez que o conhecimento de carga (fl. 26), que serviu de lastro à operação, informa que a mercadoria foi embarcada na Argentina e entregue no Brasil. Também não há qualquer dúvida sobre a origem da mercadoria, que é originária da argentina. O ponto fulcral da controvérsia cingese ao atendimento dos requisitos Regime de Origem do MERCONSUL, especificamente o atendimento das exigências relativas a operação de intervenção do operador de outro país não participante do ACE18, no caso, a empresa exportadora Petrobras International Finance Company Pifco, situada nas Ilhas Cayman. Da leitura da alínea “c” do referenciado artigo 10º, inferese que, em relação à operação comercial, a norma expressamente admite a interveniência de um operador econômico de outro país não integrante dos Estados Partes do ACE18. No entanto, para essa situação excepcional, a norma em comento exige que a operação atenda duas condições. A primeira, que o operador interveniente do terceiro país emita fatura comercial. A segunda, que o Certificado de Origem seja emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. Em consonância e complementando o disposto na alínea “c” do referenciado artigo 10º, exige o Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.914/1996, que criou novo modelo do Certificado de Origem no MERCOSUL, instituído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, que, no caso de operações comerciais em que há interveniência de operador econômico de um terceiro país não participante do Acordo, que se faça constar do campo 14 (Observações) do Certificado a informação de que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. Para melhor compreensão dessa exigência, reproduzse a seguir o texto da quarta nota que consta no dorso do novo formulário, in verbis: NOTAS O presente certificado: [...] poderá ser aceita a interveniência de um operador de outro país, sempre que sejam atendidas as disposições previstas neste certificado. Em tais situações o Certificado será emitido pelas Entidades Certificantes habilitadas para tal fim, que fará constar no campo 14 – Observações – que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. (grifos não originais). Aliás, as referidas notas encontramse reproduzidas no Certificado de Origem apresentado para amparar a operação de importação em apreço (fl. 29). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 104 9 O texto da nota em destaque, de forma clara, esclarece que, havendo a interveniência de um operador de outro país, a operação de importação deve ser realizada por conta e ordem do operador interveniente, no caso, a Pifco, situação que não se vislumbra na operação de importação em apreço. Com efeito, noticiam os autos que, na operação de importação em tela, a intervenção da operadora Pifco, situada em um terceiro país não membro do Acordo, deuse na qualidade de exportadora e não como real importadora, como exige a nota em comento. No caso, a função de importador de fato e direito foi exercida pela Petróleo Brasileiro S/A. – Petrobras, o que caracteriza a operação em comento como tendo sido realizada em nome e sob a responsabilidade integral da própria Petrobras (importadora de fato e direito). No caso, não houve operação de importação por conta e ordem de interveniente situado em outro país não participante do Acordo, mas sim importação realizada pela própria autuada de pessoa jurídica localizada em terceiro país não integrante do Acordo, no caso, Ilhas Cayman, que foi o país da aquisição informado na DI que amparou despacho aduaneiro de importação da mercadoria (fls. 14/17). Aliás, sobre esse fato inexiste controvérsia nos autos, posto que, por meio da correspondência de fls. 37/39, a própria importadora e autuada (Petrobras) confirma que a mercadoria fora comprada na Argentina pela exportadora Pifco, que, posteriormente, revendeu lhe, para fim de importação para o Brasil, o operação que foi realizada pela própria autuada, conforme explicitado na referida DI. As informações contidas na citada DI e nos demais documentos que instruíram o correspondente despacho aduaneiro de importação, também corroboram a conclusão aqui esposada de que, no caso em questão, não teve operador interveniente e tampouco operação de importação por conta ordem de interveniente, mas operação de importação realizada diretamente pela autuada sem a interveniência de operador de outro país estranho ao Acordo, conforme explicitado nos fragmentos de textos que seguem transcritos: a) informação extraída das fichas da DI (fls. 21, 32 e 33), ipsis litteris: Importador CGC: 33.000.167/074490 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS [...] Exportador Nome: PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Logradouro: BANKAMERICA BUILDING, FORT STREET Numero:00000 Complemento: P. O. BOX 1092 Cidade: GEORGE TOWN Estado: GRAN CAYMAN País de Aquisição: TRINIDAD E TOBAGO [...] Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Fabricante/Produtor Nome: YPF SA Logradouro: AV. ROQUE SAENES PENA Numero:000777 Complemento: Cidade: BUENOS AIRES Estado ARGENTINA País de Origem: ARGENTINA Com base nessas informações, fica evidenciado que aqui não se trata de descumprimento de mera formalidade, como alegou a recorrente, mas da falta de atendimento de requisito material necessário para que a operação fosse contemplada com a redução tarifária do ACE – 18, ou seja, que a mercadoria originária dos Estados Partes fosse importada dos correspondentes País, o que não ocorreu no caso em apreço. Além disso, ainda que fosse caracterizada a operação de importação por conta e ordem da Pifco, o que se admite apenas para argumentar, sob ponto vista formal, a ausência dessa informação no campo 24 (Observações) do Certificado de Origem de fls. 27/29, certamente, implicaria descumprimento da exigência determinada no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE – 18, executado pelo Decreto 1.914/1996, conforme anteriormente abordado. Aliás, no campo 14 referido Certificado, não consta nenhuma informação. Por todas essas razões, fica cabalmente demonstrado que a operação de importação em tela não atende os requisitos materiais fixados na alínea “c” do artigo 10º do Regulamento de Origem do MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao ACE 18, executado pelo Decreto 1.568/1995, e tampouco o requisito formal determinado no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE – 18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Desse modo, resta impossibilitada a aplicação do tratamento preferencial tarifário pleiteado pela autuada na referida DI e, noutro giro, o acerto da fiscalização ao proceder o lançamento do crédito tributário devido na referida operação importação, sem qualquer redução tributária. A recorrente alegou que a documentação coligida aos autos atendia fielmente ao determinado no art. 2º da Resolução nº 232, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), executada pelo Decreto 2.865/1998, a seguir transcrito: Artigo 2º Incorporar ao Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: "Segundo Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". "Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 105 11 por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação". (grifos não originais) Sem adentrar no mérito se a operação de importação em tela atende ou não aos requisitos do citado preceito normativo, é certo que ele, expressamente, permite que a mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI seja faturada de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, “identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”. Entretanto, não se pode olvidar que o referido comando normativo aplicase apenas às operações de importação submetidas ao Regime Geral de Origem da ALADI, atualmente consolidado pela Resolução nº 252, do Comitê de Representantes, executada pelo Decreto nº 3.325/1999. É pertinente ressaltar que no texto consolidado da Resolução nº 252, o texto do artigo 2º Resolução nº 232 encontrase reproduzido na íntegra no ARTIGO NONO. Por força dessa circunstância, a operação de triagulação comercial permitida no citado comando normativo, inequivocamente, não se aplica ao caso em tela, regido pelo regras do Regulamento de Origem do MERCOSUL, aprovado pela Decisão nº 6, do Conselho do Mercado Comum do MERCOSUL, e que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.568/1995 Para justificar a sua pretensão, a recorrente colacionou ao recurso em apreço farta jurisprudência administrativa do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relativa ao Regime Geral de Origem da ALADI, matéria estranha ao objeto da presente controvérsia. Por essa razão, deixase de fazer qualquer comentário a respeito. Do descumprimento de requisitos da fatura comercial Segundo a fiscalização a fatura comercial nº PIFSB1047/99 (fl. 27), que instruiu o despacho aduaneiro de importação em apreço, emitida em 23/11/1999, pela empresa Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, não continha todos elementos essenciais de validade estabelecidos no artigo 425 do Decreto nº 91.030, de 1995 (Regulamento Aduaneiro de 1995 – RA/1995), em especial, os mencionados nas alíneas “a”, “h”, “i” e “m”, que seguem transcritas: art. 425 O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que conterá as seguintes indicações: a) Nome e endereço, completo do exportador; [...] h) Pais de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 i) Pais de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; [...] m) Frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura: [...] Na peça recursal em apreço, a recorrente não contesta o descumprimento dos referidos requisitos, os quais podem ser facilmente confirmados com a simples leitura do documento. Por força dessa circustância, temse por incontroverso a materialidade da infração. No entanto, a recorrente contesta a manutenção da cobrança da referida multa, respaldada no argumento de que a disposição legal que lhe dava guarida, ou seja, o inciso V, do art. 106, do Decretolei 37/1966, encontravase revogado desde a edição da Medida Provisória 135/2003, convertida na Lei 10.833/2003 (inciso I do art. 94). E conclui a recorrente, in verbis: [...] Logo, certo era que o fiscal aplicou sanção não prevista em lei, cuja norma já havia sido revogada. Assim, independente de se admitir ou não a impugnação específica quanto a multa regulamentar, em observância ao princípio da legalidade como garantia do contribuinte, a multa deverá ser afastada. Reproduz, nesta oportunidade, excertos do voto do auditor fiscal LUIS CARLOS MAIA CERQUEIRA no processo de n.° 10209.000.388/200406, fazendo a recorrente suas as razões apresentadas para afastar a multa regulamentar em questão, nos termos do acórdão n.° 0814.147, voto vencido. Deixase de reproduzir os excertos transcritos pela recorrente, extraídos do citado voto, porque os mesmos argumentos nele suscitados foram reproduzidos na Declaração de Voto de fls. 106/108, que integra o acórdão recorrido, e que em síntese foram os seguintes: a) era fato que a Lei continuou definindo o fato como infração, mas também era fato que, ao revogar o inciso V do art. 106 do Decretolei 37/1966, a Lei 10.833/2003 excluiu do mundo jurídico a base legal da multa lançada em apreço; e b) a criação de dispositivo novo, ou seja, da alínea “c” do inciso X do artigo 107 do Decretolei 37/1966, toda penalidade que tiver por base legal este dispositivo somente será cabível aos fatos ocorridos a partir de sua vigência, sob pena de afronta ao princípio da anterioridade da Lei. Não assiste razão à recorrente, com a devida vênia ao entendimento do i. Relator. Com efeito, embora o inciso V do art. 106 do Decretolei 37/1966 tenha sido expressamente revogado pelo art. 94, I, do Lei 10.833/2003, a infração nele definida foi transposta na íntegra para a alínea “c” do inciso X do 107 do mesmo Decretolei, conforme se verifica na redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003, que alterou alguns preceitos do DL 37/1666, dentre eles a alínea “c” do inciso “X” do art. 107, que passou a ter a mesma redação da referida infração, conforme se verifica nos textos a seguir reprosduzidos: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000884/200451 Acórdão n.º 3102002.277 S3C1T2 Fl. 106 13 Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: X de R$ 200,00 (duzentos reais): [...] c) pela apresentação de fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das indicações estabelecidas no regulamento; e [...] (grifos não originais) Para fim de comparação, transcrevese a seguir a redação do texto revogado do inciso V do art. 106 do Decretolei 37/1966: Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: [...] V de 1% a 2% (um a dois por cento), não podendo ser, no total, superior a Cr$ 100.000, pela apresentação da fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das exigências que forem estabelecidas no regulamento, salvo o caso da letra "b" do inciso anterior. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] (grifos não originais) Ora, se revogação e a nova redação do tipo da infração citada ocorreram ao mesmo tempo, certamente o amparo legal da referida infração não sofreu solução de continuidade. O que alterou foi a forma e o grau da penalidade aplicada em decorrência da prática da citada infração. Deveras, na redação revogada a multa era calculada em função do “imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução”, com um teto máximo de valor, ao passo que a penalidade instituída no novo preceito legal é um valor fixo de R$ 200,00 (duzentos reais). Portanto, diante deste novo contexto legal, e tendo em conta que a infração não deixou de existir em momento algum, resta saber se a nova penalidade a ela cominada é mais ou menos gravosa do que anterior, porque, se confirmada a minoração da nova penalidade, certamente, ao caso deve aplicada o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, III, “c”, do CTN. No entanto, comparando o valor da multa aqui aplicada, que foi de R$ 12,67 (doze reais e sessenta e sete centavos) com o valor da nova multa de R$ 200,00 (duzentos reais), inequivocamente, não houve minoração, mas majoração da penalidade, portanto, inaplicável ao caso em tela o princípio da retroatividade benígna. No caso em tela, também não houve a alegada afronta ao princípio da anterioridade da lei, pois, na data do ato infracional encontravase vigente preceito legal que tipificava a referida infração e definia a respectiva penalidade. E, conforme demonstrado, tal Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 infração no novel preceito legal foi mantida na íntgra sem solução de continuidade, apenas a forma e o valor da penalidade é que foram alterados, questão que, poderá resultar na aplicação do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, III, “c”, do CTN, desde que a nova penalidade seja inferior a aplicada com base na legislação revogada. Entretanto, essa questão deve ser apreciada de acordo com o caso concreto, conforme aqui analisado. Com base nessas consideraçõe, mantémse a exigência arrolada na peça vestibular, porque, no caso, restou comprovada a prática da infração e que tanto a infração quanto a respectiva penalidade aplicada têm suporte legal. Da conclusão Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para que manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11543.000333/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 03 33 /2 00 3- 79 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo. Relatório A recorrente formalizou pedido de ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1998, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363/1996 (fls.13). A interessada alegou em seu requerimento (fls.2 a 12): 1. Que é pessoa jurídica brasileira cujo objeto principal é a produção e exportação de pelotas de minério de ferro, classificadas na posição 2601.12.00, "sendo considerado produto nãotributado (N/T) pelo IPI"; 2. Que diante disso possuiria direito à fruição do beneficio pela Lei n° 9.363/96, cujo objetivo foi minimizar os efeitos da incidência cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre os produtos exportados; 3. Que, por comercializar produtos classificados na TIPI como não tributados, ficou impossibilitada de proceder à compensação dos créditos com eventuais débitos posteriores, motivo pelo qual pleiteia o ressarcimento em espécie; 4. Que o direito ao ressarcimento em espécie, não sendo possível a compensação com o IPI, encontrase consubstanciado no art. 4° da Lei n° 9.363/96; 5. Que, à época em que tais créditos foram apurados, a Secretaria da Receita Federal "possuía" entendimento, no seu entender, desprovido de fundamento legal, que as pessoas jurídicas que fabricassem e exportassem produtos não tributados pelo IPI, não teriam direito ao Crédito Presumido da Lei n° 9.363/96; 6. Que recentemente o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda vem reiteradamente reconhecendo o direito ao beneficio fiscal, nestas situações. Para tanto, cita alguns acórdãos; 7. Que a possibilidade de manutenção dos créditos está reconhecida no art. 4° da Lei n° 9.363/96, na Portaria MF n° 38/97 e na IN SRF 210/02; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.000333/200379 Acórdão n.º 3101001.602 S3C1T1 Fl. 278 3 8. Que o aproveitamento de créditos extemporâneos está condizente com a prática tributária, conforme aduz decisão do próprio Conselho de Contribuintes. Cita acórdão; 9. Que, demonstrado seu direito aos créditos requeridos, faz jus à correção monetária pela taxa SELIC. O requerimento foi analisado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Vitória, que emitiu o Parecer SEFIS n° 018/2003 (fls. 60 a 67), concluindo que o requerente não faria jus ao benefício, pelas seguintes razões: a) o objetivo da lei instituidora do benefício foi o de desonerar os contribuintes do IPI da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes nos insumos aplicados na industrialização de produtos tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posteriormente exportados; b) os julgamentos do CC não teriam efeito vinculante; c) mesmo que o interessado fizesse jus ao favor fiscal, deveria ser excluído do seu cálculo o valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima — MP, produto intermediário — PI e material de embalagem defendido pela legislação do IPI, e; d) inexiste previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais. O Despacho Decisório n°11543.000333/200379 (fls.68) aprovou o Parecer SEFIS n° 018/2003 e indeferiu Pedido de Ressarcimento de IPI feito por CIA. COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO, CNPJ 33.931.494/000187, referente ao período de 1998. Regularmente intimado da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 71 a 81), instruída com os documentos das folhas 82 a 118, na qual alegou, em síntese: a) que o benefício alcança todos os exportadores de mercadorias nacionais, haja vista que a Lei n° 9.363, de 1996, em seu artigo. 1°, não faz qualquer restrição, não cabendo ao aplicador restringir o que a lei não restringiu; b) que a lei instituidora fixa que a base de cálculo do beneficio é o valor total das aquisições de MP, PI e ME, sendo assim dispensável perquirir se o insumo se agrega, ou não, ao produto em fabricação, ou ainda se há, ou não, contato do insumo com o mesmo, bastando que sejam consumidos no processo produtivo; c) que, ao contrário do alegado na decisão recorrida, tanto o Poder Judiciário quanto o Conselho de Contribuintes vêm admitindo a aplicação da taxa Selic aos créditos requeridos extemporaneamente. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 d) concluiu, requerendo a reforma do Despacho Decisório, para que seja reconhecido o direito de ressarcimento do Crédito Presumido de que se julga titular. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, em sessão de julgamento realizada em 17 de setembro de 2007, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ratificando o Despacho Decisório da unidade de origem. O acórdão 187.752 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. BASE DE CÁLCULO Os insumos admitidos no cálculo do valor do benefício são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Não incidem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls.190 a 213), onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; e que deve ser aplicada a Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Em requerimento protocolizado em 25/05/2011 (fls.281 a 289), a recorrente expôs o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, firmado em sede de recurso repetitivo, no REsp 993.164 que, segundo seu entendimento, aplicariase ao caso em julgamento. A recorrente protocolizou outro requerimento (fls.322 a 324), no qual traz ao conhecimento desse Conselho a edição do Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, que versa sobre a ilegalidade da IN 23/97. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.000333/200379 Acórdão n.º 3101001.602 S3C1T1 Fl. 279 5 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, relator. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1998, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363, de 13.12.96. O órgão julgador a quo entendeu que a interessada não faria jus ao Crédito Presumido previsto na Lei n° 9.363/1996, porque não se enquadrava no conceito de contribuinte do IPI, não existindo qualquer disposição normativa explicita quanto à extensão do beneficio aos produtos exportados classificados como "NT". Segundo seu entendimento, os produtos com a indicação "NT" na tabela de incidência do IPI/TIPI, segundo o disposto no artigo 13 da Lei n° 9.493/1997, não são considerados produtos industrializados e, portanto, estão fora da incidência do imposto, razão pela qual a exportação de produtos com tal classificação não gera direito ao benefício. Também alegou que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, determinados insumos que, a despeito de se consumirem no processo produtivo, não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem; e que seria impossível a correção monetária dos créditos escriturais requeridos extemporaneamente, por falta de previsão legal nesse sentido. A recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; e que deve ser aplicada a Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A controvérsia cingese ao direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de produtos anotados como NT na TIPI. Reproduzo a seguir o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303001.544, o qual adoto como razões de decidir: A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI, no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais ora prevalecia a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição da Turma. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. De fato, as sociedades empresárias que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Assim, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. [...] Também nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 20, com expressa vedação ao credito do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Fl. 354DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.000333/200379 Acórdão n.º 3101001.602 S3C1T1 Fl. 280 7 Portanto, a correta está a decisão recorrida que confirmou o despacho decisório, no sentido de que a exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI da Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Outra questão levantada pela fiscalização é que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, os insumos que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem pela legislação do IPI. Assim dispõe o artigo 3º da Lei nº 9.363/96: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Para a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. Do texto do art. 1º, da Lei nº 9.363/96, extraise que o direito ao crédito, restringe se às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, não assegurando direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados. Assim, verificase que aquisições de combustíveis (óleo, carvão e gás), graxas e óleos, e dos gastos com energia elétrica não se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, e não há como reconhecer o direito ao crédito relativo a tais dispêndios. Nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma, correto está o entendimento da Fiscalização, confirmado pelo órgão julgador a quo, no sentido que, ainda que fosse permitida o crédito presumido à recorrente, deveriam ser glosados os valores referentes a aquisições de itens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Sala das sessões, em 26 de março de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Inobstante a excelente interpretação da legislação atinente ao direito ao crédito presumido de IPI implementada pelo Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, propusme a fazer declaração de voto para consignar meu entendimento a respeito, uma vez que a delegação legal da competência para que o Ministro da Fazenda regulamente o benefício fiscal em apreço não pode ser desrespeitada. Senão Vejamos. Importante salientar que o art. 6º da Lei nº 9.363/96, delegou competência ao Ministro de Estado da Fazenda para disciplinar quanto à efetivação do benefício, inclusive para definir o conteúdo de termos como “receita de exportação”: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. A Portaria MF nº 38/97, sobre os critérios de concessão do benefício e em seu art. 3º, §15, incisos I e II, dispôs sobre a definição dos conceitos de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação” para efeito de apuração da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI (na forma do art. 2º da Lei nº 9.363/96): Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (grifos acrescidos) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.000333/200379 Acórdão n.º 3101001.602 S3C1T1 Fl. 281 9 Em 26/03/2003, no entanto, foi publicada Portaria MF nº 64/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; Todas essas disposições estão plenamente de acordo com a estrutura sistêmica do direito positivo, pois cabe ao Ministro da Fazenda, por delegação de competência dada pela Lei nº 9.363/96, definir a extensão e composição dos termos que tratam do benefício. O integral e regular cumprimento das normas vigentes à data da obtenção do benefício, qual seja, o direito ao crédito a aplicação integral das definições dadas pela Portaria MF 38/97 para os períodos sob sua vigência e aplicação correta das definições da Portaria MF 64/2003, em especial no que tange às definições de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, passa a ser relevante para apuração da base de cálculo do benefício efetivamente concebido em lei. Assim, quanto ao tratamento jurídico conferido pelo Fisco às Receitas de exportação de produtos Não Tributados “NT”, entendo que o Fisco não atuou em conformidade com conteúdo e vigência das Portarias do Ministério da Fazenda que regem o ressarcimento da tributação do PIS e da COFINS embutidos nos insumos utilizados na produção/fabricação de mercadorias destinadas a exportação. A Lei nº 9.363/96 (a exemplo da MP n° 674/1994 e MP n° 948/1995) tratou de disciplinar a instituição de Crédito Presumido de IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS incidentes nos insumos adquiridos no mercado interno, como forma de não exportar tributos. Apesar de o art. 3º da Lei concedente do benefício prever o conteúdo semântico a ser considerado para cada um dos termos utilizados, tais como, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, receita operacional bruta e receita de exportação, a definição do alcance do benefício foi integralmente delegada ao Ministro de Estado da Fazenda a quem incumbe, inclusive, definir o conceito de Receita de Exportação, conforme art. 6º da Lei nº 9.363/96. E foi assim que se procedeu. Em 03/03/1997, o Ministro da Fazenda expediu a Portaria MF nº 38/97, cujo art. 3º, § 15, passou a definir “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, de modo que o conceito de receita operacional bruta contemplava O Fl. 357DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 PRODUTO DE TODAS AS OPERAÇÕES DE VENDA DE BENS E SERVIÇOS e o resultado auferido nas operações de conta alheia; e o de receita bruta de exportação contemplava O PRODUTO DA VENDA AO EXTERIOR DE MERCADORIAS NACIONAIS. Assim, o benefício fiscal era extremamente amplo e previa que, para definição do percentual a ser considerado como base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, deveriam ser considerados serviços e vendas de mercadorias em geral, inclusive produtos não tributados e não industrializados e de terceiros, dentre outras receitas. Essas definições fixadas pelo Ministério da Fazenda com fundamento no art. 6º da Lei 9.363/96 vigeu até a revogação da Portaria MP 38/97, pela Portaria nº 64/2003, publicada em 26/03/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12. É de notarse que a alteração da definição modificou substancialmente a composição da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, uma vez que, se antes englobava para receita operacional bruta todas as operações de venda de bens e serviços, agora passou a restringir a, apenas, VENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA (excluiu, portanto, as receitas de prestação de serviços, as receitas de vendas de mercadorias não industrializadas ou não industrializadas pelo beneficiário e o resultado auferido nas operações de conta alheia). Após 26/03/2003, o conceito de receita de exportação também foi alterado, excluindo dessa definição o conceito genérico de “venda de mercadorias” para restringir à venda “de produtos industrializados nacionais”. É nítida a distinção: Portaria MF nº 38/1997 64/2003 Vigência De 03/03/1997 a 25/03/2003 A partir de 26/03/2003 “Receita Operacional Bruta” o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo D ef in iç ão le ga l “Receita Bruta de Exportação” o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais Cabe ressaltar que as delegações de competência que as normas de nível hierárquico legal outorgam à autoridade Ministerial ou ao Poder Executivo, transferem para o ato da autoridade outorgada a função complementar da norma legal ordinária de modo que, no caso em apreço, a Portaria MF nº 38/97 é norma complementar à lei, submetendo a administração tributária e os administrados ao comando da Portaria com a mesma força normativa da lei ordinária, de modo que, desatendendo o mandamento posto no ordem ministerial, descumprirseá diretamente os artigos 2º, 3º e 6º da Lei nº 9.363/96, amesquinhando o direito ao benefício ao ressarcimento do PIS e da COFINS. Assim, não é cabível a glosa da receita das exportações de produtos não tributados da base de incidência do benefício fiscal, por falta de previsão legal. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.000333/200379 Acórdão n.º 3101001.602 S3C1T1 Fl. 282 11 Com base nessa questão intertemporal da sistemática de apuração do Crédito Presumido de IPI, é que, no meu entender, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para que os créditos seja calculados em conformidade com as sistemáticas da Portaria MF nº 38/1997 ou da Portaria MF nº 64/2003, cada qual no âmbito de sua vigência. Luiz Roberto Domingo Fl. 359DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10980.005430/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
PREJUÍZO FISCAL. ANO CALENDÁRIO DE 1990. UTILIZAÇÃO A PARTIR DE 1995. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, resta vedada a sua utilização a partir do ano de 1995, por força do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos exatos termos da norma em referência, a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde àquela não compensada em razão do limite de 30%. Extinto o saldo, haja vista a caducidade imposta pelo art. 64 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e pelo art. 12 da Lei nº 8.541/92, resta evidente que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente.
Numero da decisão: 1301-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flavio Eduardo Carvalho
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PREJUÍZO FISCAL. ANO CALENDÁRIO DE 1990. UTILIZAÇÃO A PARTIR DE 1995. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, resta vedada a sua utilização a partir do ano de 1995, por força do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos exatos termos da norma em referência, a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde àquela não compensada em razão do limite de 30%. Extinto o saldo, haja vista a caducidade imposta pelo art. 64 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e pelo art. 12 da Lei nº 8.541/92, resta evidente que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 PREJUÍZO FISCAL. ANO CALENDÁRIO DE 1990. UTILIZAÇÃO A PARTIR DE 1995. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, resta vedada a sua utilização a partir do ano de 1995, por força do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos exatos termos da norma em referência, a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde àquela não compensada em razão do limite de 30%. Extinto o saldo, haja vista a caducidade imposta pelo art. 64 do DecretoLei nº 1.598/77 e pelo art. 12 da Lei nº 8.541/92, resta evidente que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flavio Eduardo Carvalho (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 54 30 /2 00 5- 06 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 302 2 WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 303 3 Relatório No presente feito, tratase de Embargos de Declaração opostos pela empresa contribuinte, sustentando a existência de omissões e contradições no Acórdão de no 1301 000.802, lavrado por esta turma a partir do julgado proferido na sessão realizada em 18 de Janeiro de 2011, cuja ementa, inclusive, foi a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INSUFICIÊNCIA DE SALDO DE PREJUÍZO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. LEI 8.541/92: AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. 1. Na recomposição do lucro inflacionário, deve o fisco levar em conta valores, que a despeito de terem produzido efeitos próprios em períodos já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. 2. A compensação regese pela norma vigente quando de sua realização, inexistindo, no caso, direito adquirido à compensação futura, quando da apuração do lucro inflacionário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo, que reconheciam o direito à compensação dos prejuízos fiscais de 1990 sem limitação temporal. No termos dos Embargos de Declaração oferecidos, destaca a embargante a existência de omissão do julgado no que diz respeito à aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 8.981/95 no presente caso, que, conforme aponta, seria, per se, suficiente para garantir a procedência de suas argumentações, e, assim, acarretar o provimento integral do recurso, nos termos, inclusive, já perfeitamente pacificados pela jurisprudência deste conselho. Em despacho proferido nos presentes autos, analiso os termos dos Embargos de Declaração oferecidos, indicando pela existência, de fato, de omissão do julgado em relação ao ponto destacado, reconhecendo, assim, como presente o requisito de processamento do recurso oferecido e, por isso, manifestandome pelo seu conhecimento. Com concordância da presidência desta egrégia 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento, foi então incluído o feito em pauta para a regular apreciação e julgamento nesta sessão. É o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 304 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Tratase aqui de recurso de Embargos de Declaração, cujos requisitos intrínsecos de admissibilidade foram então apreciados por Despacho anteriormente proferido, com a manifestação favorável pelo ilustre Sr. Presidente da 1a Turma da 3a Câmara da Primeira Seção, razão porque, nesta oportunidade, admitoo para julgamento. A par de todas as discussões mantidas nos presentes autos, verificase que, ao analisar os termos da defesa apresentada pela contribuinte, e, sobretudo, as razões elencadas em seu competente Recurso Voluntário, a decisão proferida teria deixado de se pronunciar sobre relevante ponto daquela defesa, acarretando, portanto, omissão a ser então devidamente sanada pela apreciação dos presentes Embargos Declaratórios. Da análise dos argumentos em que se sustentou a referida decisão, verificase a sustentação fiscal a respeito da insuficiência de prejuízos fiscais estaria fundamentada no fato de que os valores relativos ao prejuízo apurado em 31/12/1990 somente poderia ter sido compensado até 31/12/1994, último dia em que teria vigorado a regra do art. 12 da Lei 8.541/92, sendo, portanto, correta a glosa apontada. Ocorre que, conforme destaca a Embargante, esse específico ponto havia sim, de fato, sido discutido em seu Recurso Voluntário, em meio, entretanto, à discussão a respeito da (in)validade das disposições da Lei 8.541/92, que, como visto, fora encarado como sendo o ponto central da discussão. Nada obstante, analisando essa específica consideração, verificase que as disposições da Lei 8.981/95, de 20 de janeiro de 1995, na verdade, é resultado da conversão da Medida Provisória 812, de 30 de Dezembro de 1994, convalidando, assim, os efeitos praticados desde aquela data. A respeito da questão discutida nos autos, tratandose de prejuízos fiscais apurados ao final do anocalendário de 1990 (31/12/1990), e, antes das disposições desse normativo, sendo submetido ao prazo de 4 (quatro) anos para o seu aproveitamento, verificase que, de fato, até o dia 31/12/1994 (inclusive), poderiam os referidos créditos serem utilizados para a compensação até então viabilizada. Observese que, como se verifica, a Medida Provisória no 812/94 fora publicada no dia 30/12/1994, sendo certo que a extinção do referido direito creditório somente se verificaria, de fato, no dia 31/12/1994. A partir dessas considerações pontuais, verificase que, ao contrário do que afirmado no v. acórdão, em que pese toda a outra discussão ali empreendida, a premissa adotada – de que inexistiria saldo de prejuízos a serem utilizados por força de sua extinção, em 30/12/1994 , apresentase como efetivo e verdadeiro erro de fato, que, acaso enfrentado, efetivamente apresentaria, na hipótese, conclusão completamente diversa do que aquela então apresentada. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 305 5 A respeito da validade e da manutenção dos créditos apontados em circunstâncias análogas ao presente feito, já se tem pronunciado a jurisprudência deste Egrégio CARF, conforme se destaca, inclusive, no seguinte precedente então apontado como paradigma: Número do Processo 11030.000224/200170 Contribuinte ALCIDES S. MILANI CONSTRUCOES LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 30/01/2004 Relator(a) Neicyr de Almeida Nº Acórdão 10707516 Tributo / Matéria Cofins proc. que não versem s/exigências de cred.tributario Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. FATOR LIMITATIVO. ARGÜIÇÃO GENERALIZADA E EXACERBADA. DEMONSTRAÇÃO COM DOCUMENTOS HÁBEIS. ÔNUS DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA.MERAS ALEGAÇÕES. IMPROCEDÊNCIA. A argüição de que a compensação do estoque de prejuízo fiscal deve se submeter à legislação vigente à época de sua formação, pode impor aos seus defensores ônus extremamente perverso, mormente quando não mais houver possibilidades de se implementar o exercício da compensação pelo decurso do lapso quadrienal da cesta de prejuízos fiscais havida em 31.12.1994 e seguinte. Os inconvenientes da “trava “ hão de ser demonstrados, à saciedade, com documentos hábeis e incontroversos, não supríveis por meras alegações, sob pena de se digladiar por algo sem objeto. A inexistência da “trava” implicaria: a) se o prejuízo advir do períodobase de 1990, perda integral à compensação, no início do anocalendário de 1995; para a CSLL, falta de previsão legal para o exercício da compensação; b) se o prejuízo originarse no anobase de 1991, perda integral à compensação, em 1995, na hipótese de resultado ajustado negativo no período ou alteração do regime de tributação; renúncia parcial, se o lucro real for inferior ao estoque de prejuízo fiscal no derradeiro períodobase; c) se o prejuízo fiscal originarse no anocalendário de 1993 ou 1994, perda ou não, condicionada à ocorrência, respectivamente, nos três ou quatro primeiros períodosbase subseqüentes ( 1995 a 1997 e 1995 a 1998) de resultados positivos e superiores aos prejuízos fiscais acumulados, e desde que não haja influência motivada por qualquer alteração no regime de tributação adotado. A existência da “trava” traz, como conseqüência: a) efeito neutro, por inocuidade, quando o estoque de prejuízos fiscais for igual ou menor do que 30% ( trinta por cento ) do resultado corrente ajustado ( lucro real ); b) restituição, ao contribuinte, da faculdade de compensar por tempo indeterminado o prejuízo fiscal havido no anobase de 1990 e, por impeditivos vários, nãoaproveitado no resultado de 31.12.1994; c) diferimento, por prazo indeterminado, do estoque de prejuízos fiscais, independentemente do regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. Vale dizer: em qualquer hipótese haverá integral compensação, cuja celeridade estará submissa ao desempenho dos resultados positivos ajustados ( lucro real ). Quanto maiores os lucros, menores serão os períodosbase necessários para absorção integral dos prejuízos fiscais; e d) Fl. 452DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 306 6 perda da faculdade de a pessoa jurídica compensar, ao seu talante, o estoque de prejuízos fiscais havidos no anobase de 1992, tendo em vista que, para esse período, a lei não estabeleceu limite temporal para o exercício da compensação. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO.FATOR LIMITATIVO. PREVALÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR. OFENSA AO DIREITO ADQUIRIDO.INOCORRÊNCIA. O fator limitativo à compensação de prejuízos fiscais só se manifesta na hipótese de ocorrência de lucro líquido no exercício inferior a 30% do estoque de prejuízo fiscal. A compensação dos prejuízos fiscais com os lucros ulteriores deve ser entendida como um mero benefício fiscal, sob pena – contrário senso – de se ofender o princípio da independência dos exercícios e revogação nãoautorizada da base anual determinada pela norma regente da compensação dos prejuízos fiscais. A base de cálculo anual deve coincidir com o fato gerador do imposto sobre a renda similarmente fundado em ocorrência anual para a espécie. A partir do disposto nesta, e em outras decisões contidas no escólio deste Conselho, verificase que, em relação aos prejuízos fiscais apurados com base no ano calendário de 1990, legítima se verifica a aplicação, sobre ele, das disposições da Lei 8.981/95, não se havendo falar, portanto, em extinção desse direito creditório, da forma como então considerado nos termos do acórdão lavrado. A consideração desses créditos, vale destacar, restauram o montante dos saldos de prejuízos reclamados pela contribuinte, impondo, como conclusão, a rejeição à glosa efetivada e a efetiva homologação da compensação pretendida. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de conhecer dos Embargos Declaratórios e DARLHES PROVIMENTO, suprindo a omissão apontada e, no caso, conferindolhe efeitos infringentes, alterando o resultado do julgamento proferido pelo Acórdão de no 1301000.802, e, nessas circunstâncias, rejeitar a glosa efetivada e homologar a compensação pretendida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 453DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 307 7 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Cuida o presente processo de exigência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurísica (IRPJ), anos calendários de 2000 e 2001, formalizada em razão da imputação das seguintes infrações: a) glosa de compensação de prejuízos fiscais; b) ausência de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado; e c) insuficiência de recolhimento do imposto. Apreciando recurso voluntário interposto, esta Primeira Turma Ordinária, em sessão realizada em 18 de janeiro de 2011, decidiu, por maioria, pelo seu improvimento (acórdão nº 1301000.802). Acolhendo embargos declaratórios interpostos pela autuada, o Ilustre Conselheiro Relator emitiu pronunciamento, especificamente em relação à glosa de prejuízos fiscais promovida pela autoridade fiscal. A glosa em referência foi lastreada na recomposição do saldo de prejuízos fiscais, recomposição essa efetuada com base nos controles internos da Receita Federal. Com efeito, do saldo de prejuízos a compensar foi expurgado o montante acumulado no ano de 1990, eis que, nos termos do entendimento da autoridade fiscal, à luz da legislação de regência, referido saldo foi alcançado pela caducidade do direito à sua utilização. Em seu pronunciamento, o Ilustre Relator, acolhendo, como dito, os declaratórios interpostos, declinou entendimento no sentido de que “ao contrário do que afirmado no v. acórdão, em que pese toda a outra discussão ali empreendida, a premissa adotada – de que inexistiria saldo de prejuízos a serem utilizados por força de sua extinção, em 30/12/1994 , apresentase como efetivo e verdadeiro erro de fato, que, acaso enfrentado, efetivamente apresentaria, na hipótese, conclusão completamente diversa do que aquela então apresentada.” Nessa linha, restou assinalado na proposição trazida ao Colegiado pelo relator: ... verificase que, em relação aos prejuízos fiscais apurados com base no ano calendário de 1990, legítima se verifica a aplicação, sobre ele, das disposições da Lei 8.981/95, não se havendo falar, portanto, em extinção desse direito creditório, da forma como então considerado nos termos do acórdão lavrado. A consideração desses créditos, vale destacar, restauram o montante dos saldos de prejuízos reclamados pela contribuinte, impondo, como conclusão, a rejeição à glosa efetivada e a efetiva homologação da compensação pretendida. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de conhecer dos Embargos Declaratórios e DARLHES PROVIMENTO, suprindo a omissão apontada e, no caso, conferindolhe efeitos infringentes, alterando o resultado do Fl. 454DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.005430/200506 Acórdão n.º 1301001.530 S1C3T1 Fl. 308 8 julgamento proferido pelo Acórdão de no 1301000.802, e, nessas circunstâncias, rejeitar a glosa efetivada e homologar a compensação pretendida. Na Turma Julgadora, entretanto, predominou entendimento diverso. À evidência, tratandose de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, não seria mais possível a utilização de eventual saldo não compensado, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo reproduzido. Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Observese que a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde, nos exatos termos da norma legal, àquela não compensada em razão do limite de 30%. O prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990 exauriuse exatamente em 31 de dezembro de 1994, em virtude do disposto no art. 64 do DecretoLei nº 1.598/77 c/c art. 12 da Lei nº 8.541/92. Extinto o saldo em 31 de dezembro de 1994, haja vista a caducidade imposta pelos atos legais acima mencionados, resta claro que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado pela rejeição dos embargos, mantendo a exigência nos termos em que foi formalizada na peça acusatória. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Fl. 455DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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