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Numero do processo: 10880.694660/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.
Numero da decisão: 1302-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.694658/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.694658/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 46 60 /2 00 9- 80 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.694660/200980 Acórdão n.º 1302003.177 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão DRJ São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para fazer jus a qualquer direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRF não homologou Declaração de Compensação (DCOMP), que indicava pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Concluiuse que, o referido crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente e que não teria restado crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP em questão. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tempestivamente, em que sustentou que ao entregar a DCTF relativa ao 1o. trimestre de 2003, verificou que teria havido pagamento a maior de IRPJ. Para evidenciar seu crédito, a Recorrente informa que retificou a referida DCTF. Todavia, a retificadora não teria produzido efeitos pelo fato de ter sido efetuada após Despacho Decisório. Essa situação teria levado à conclusão de que não haveria créditos a serem compensados. Juntou à Manifestação de Inconformidade a DCTF em questão, com as alterações realizadas e o DARF referente à compensação, a fim de demonstrar a existência de crédito a seu favor. Cientificada da decisão da DRJ, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, cujas razões são a seguir destacadas: a) houve erro no preenchimento da DCTF 1o. Trimestre 2003 e esqueceuse de indicar no campo devido da respectiva DIPJ, o Ano Calendário 2003; b) a omissão nada teria prejudicado o fato de que o prejuízo fiscal teria ocorrido no Ano Calendário 2003, tanto que a respectiva DIPJ teria sido homologada tacitamente; c) o pagamento mensal por estimativa do IRPJ, referente a janeiro de 2013, num período em que houve prejuízo fiscal, representa Saldo Negativo do IRPJ 2003, razão pela qual a Recorrente formalizou a devida compensação; d) a DIPJ, Ano Calendário 2003, devidamente homologada, apurou prejuízo fiscal, razão pela qual não foi apontado IRPJ a pagar; e) o IRPJ estimado mensal, indevidamente recolhido, poderá ser compensado a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, assegurada a alternativa de requerer a restituição, conforme disposto no Ato Declaratório SRF n. 3, de 7 de janeiro de 2000, que dispõe sobre a Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.694660/200980 Acórdão n.º 1302003.177 S1C3T2 Fl. 4 3 restituição e compensação do saldo negativo do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real apurado anualmente; f) para as pessoas jurídicas que optarem pelo balanço anual, sendo este o caso da Recorrente, o fato gerador do imposto de renda e da CSLL ocorre em 31 de dezembro de cada ano, data da apuração do lucro real; g) o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, sendo incontroverso o prejuízo fiscal, o qual denota a existência do crédito em discussão; h) o fato de a Recorrente não ter incluído o recolhimento estimado na DIPJ do respectivo período, não tem o condão de considerar indevida a compensação, diante do incontroverso prejuízo fiscal; i) homologada tacitamente a DIPJ que apurou prejuízo fiscal, houve a inversão do ônus da prova, sendo certo que não houve qualquer prova material capaz de indeferir a compensação; j) devese considerar a base negativa de 2003, dando ensejo ao crédito, referente ao IRPJ estimado mensal, recolhido em janeiro de 2003, objeto do PER/DCOMP; k) requereu o conhecimento e o provimento do recurso voluntário, sendo apreciado toda a matéria, tendo em vista os ditames dos artigos 53 e 65 da Lei 9.784/994, bem como Súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, para que homologue o PER/DCOMP transmitido; l) requereu que as intimações fossem realizadas em nome do Dr. Rodrigo Franco Montoro, inscrito na OAB/SP n. 147.575 e Dr. Faissal Yunes Júnior, inscrito sob o n° 129.312, ambos com escritório na Rua Pedroso Alvarenga, 1046, 17° andar, CEP 04531004, Itaim Bibi, São Paulo SP, tel. (011)21916699. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.171, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.694658/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.171): "Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua tempestividade e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. O Acórdão recorrido destaca as seguintes razões: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.694660/200980 Acórdão n.º 1302003.177 S1C3T2 Fl. 5 4 O DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$38.903,12, corresponde exatamente ao débito de IRPJ relativo à estimativa do mês de janeiro de 2003, confessado na última DCTF entregue antes de ser proferido o Despacho Decisório (fl. 62), inexistindo, a princípio, pagamento indevido de IRPJ. Destaquese que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF n° 126/98 constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5o, § 1o, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Cumpre observar que a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a DCTF retificadora, fls. 11/44, foi entregue em 30/11/2009, após a ciência do Despacho Decisório), não produz efeitos, nos termos do artigo 9o, § 2o, inciso II, da IN RFB n° 974/2009 (vigente à época da apresentação da DCTF retificadora), in verbis: "Art. 9o. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 2o A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: II. alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte nem sequer esclarece porque o pagamento no valor de R$ 38.903,12, confessado originalmente em DCTF, seria indevido. Ademais, a DCTF retificadora (na qual foi excluído o débito de IRPJ), assim como a DIPJ/2004 (na qual as estimativas encontramse zeradas), além de entregues após a ciência do Despacho Decisório (a DCTF Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.694660/200980 Acórdão n.º 1302003.177 S1C3T2 Fl. 6 5 retificadora em 30/11/2009, e a DIPJ em 29/12/2009), deveriam estar acompanhadas de documentos que dessem respaldo às alterações efetivadas na DCTF. Tratandose de pagamento mensal de estimativa, a regra é a apuração do tributo tomandose como base de cálculo a aplicação de um percentual sobre a receita bruta auferida mensalmente. A contribuinte teria a opção de reduzir ou suspender o pagamento mensal, mas desde que subsidiado no correspondente balanço ou balancete. Mas a contribuinte nada apresenta. Observese que em processos de restituição / compensação o ônus da prova do direito creditório alegado recai sobre o contribuinte, e que nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Em resumo, a simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF que. conforme supra mencionado, presumese líquido e certo e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ. À vista das razões da Recorrente e da DRJ, verificase que a DCOMP de 11/09/2006 indica como crédito o DARF de R$38.903,12 (fl. 47). Com o objetivo de fundamentar suas alegações quanto ao referido direito creditório por pagamento indevido ou a maior, a Recorrente juntou à Impugnação a DIPJ de 29/12/2009 (fl. 87); LALUR, fl. 149; DRE, fl. 169; e Balanço Patrimonial, fl. 170, por meio dos quais pretende evidenciar que o pagamento seria indevido, face à apuração de prejuízo fiscal (ano calendário 2003). A Recorrente salienta que o valor pago indevidamente ou a maior decorre do fato de que no período em questão apurou prejuízo. Verificase, ainda, que não obstante as razões da DRJ de que a Recorrente deveria ter apresentado balancetes de suspensão ou redução para demonstrar o pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, a Recorrente apurou pagamento indevido ou a maior no final do exercício e utilizou o respectivo valor, em sequência, na forma da DCOMP em questão. Dessa forma, resta comprovado a existência de saldo negativo em favor da Recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, sendo assim o caso de reconhecer o crédito sob a forma de saldo negativo de IRPJ (parcial). Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.694660/200980 Acórdão n.º 1302003.177 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido como saldo negativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720109/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 10 9/ 20 14 -5 5 Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.681 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/SPO em sessão de 20 de janeiro de 2017 (fls. 1539/1570)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte dos lançamentos perpetrados pelo Fisco e de Recurso de Ofício manejado pela Presidência da mencionada Turma pelo fato de haver exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada (R$ 2.500.000,00) previsto, na época, pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 921/940), resumido pela decisão recorrida, as irregularidades imputadas pelo Fisco estão assim sumarizadas: “Mediante Termo de Início da Ação Fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros, os seguintes elementos: Demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas consideradas vinculadas, inclusive interposta pessoa, discriminando a natureza do vínculo e o país em que estão sediadas; Demonstrativo em arquivo digital contendo a consolidação dos ajustes de preços de transferência por código de produto importado; A contribuinte também foi intimada a apresentar as memórias de cálculo que forneceram suporte ao método de preço de transferência adotado, para o ano calendário de 2009, incluindo todos os produtos importados, inclusive os informados como "Importações não Especificadas" (item 50 da Ficha 32 da DIPJ/2010). Em reposta, a fiscalizada protocolou a entrega de mídia DVDR, contendo uma única pasta de dados denominada "Memória de Cálculo", sendo composta por 9.588 planilhas no formato MS Excel. Considerando que cada arquivo magnético corresponde às memórias de cálculo de um único produto importado de pessoa vinculada/paraíso fiscal, a fiscalização entendeu que foram importados 9.588 produtos diferentes no período ora fiscalizado. A fiscalização consolidou os ajustes de preços de transferência efetuados pela contribuinte, extraídos da planilha denominada "Ajustes" que integra os 9588 arquivos, no ANEXO 03 AJUSTES Fonte BOSCH. A tabela abaixo (Memórias de Cálculo Resumo por Método de Preço de Transferência) resume a apuração de preços de transferência realizada pela contribuinte (valores em reais): 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.682 3 Observase na tabela acima que o valor total dos ajustes nas memórias de cálculo (R$ 10.033.421,58) é um pouco inferior ao declarado na DIPJ/2010 (R$ 10.205.332,08). Verificase também que os ajustes apurados se concentram principalmente nos métodos PIC e PRL20. O método PRL tem sua base legal no artigo 18, incisos I e II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, e no artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Destaquese que o § 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 determina que para a apuração da média ponderada dos preços praticados deverão ser computados os valores e as quantidades dos estoques existentes no início do período de apuração. O cálculo das quantidades sujeitas a ajustes está detalhado no ANEXO 04 – Composição do Consumo e no ANEXO 05 CÁLCULO PREÇOS PRATICADOS Fonte Fiscalização. Da apuração do preço praticado Da análise das memórias de cálculo apresentadas, verificamos que a apuração do preço praticado Médio dos 600 produtos em tela não seguiu o disposto no § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, que dispões que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação”. A fiscalização constatou que a contribuinte utilizou nas memórias de cálculos o valor FOB das importações para o cálculo do preço praticado médio dos insumos importados. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.683 4 Segundo o § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, calculase o preço praticado médio com a utilização do valor CIF (Custo, Seguro e Frete) acrescido do Imposto de Importação (II). Como a contribuinte, a fiscalização decidiu utilizar a planilha "Composição do Consumo", extraídas das memórias de cálculo, para o cálculo do preço praticado, mas seguindo o disposto na IN SRF nº 243/2002: Integrou ao preço da operação de importação (valor FOB) os valores de transporte e seguro e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação (valor CIF acrescido do Imposto de Importação), conforme artigo 4º, § 4º; Ponderou em função das quantidades negociadas, ou seja, dividiu o valor total de aquisição pela quantidade adquirida (artigo 12, § 2º); Manteve a inclusão dos valores e quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (artigo 12, § 3º). Em suma, a base de dados para o cômputo dos preços praticados foi a mesma utilizada pela contribuinte. O estoque inicial e os valores de frete, seguro e Imposto de Importação foram extraídos das memórias de cálculo apresentadas. A fiscalização conferiu no SISCOMEX, por amostragem, os valores relativos ao frete, seguro e Imposto de Importação, e constatou que os valores estão compatíveis. O ANEXO 05 – CÁLCULO PREÇOS PRATICADOS Fonte Fiscalização traz o detalhamento dos valores extraídos das planilhas "Composição do Consumo" das memórias de cálculo apresentadas, para a composição dos preços praticados, calculados pela fiscalização. Da apuração do preçoparâmetro – método PRL20 Para a apuração do método PRL20, a fiscalização utilizou as informações de revendas e cálculo de preçoparâmetro fornecidas pela contribuinte, extraídas das planilhas "Vendas" e "PRL20%" que integram as memórias de cálculo apresentadas. Depois de separadas as revendas, produto por produto, os preços parâmetro foram apurados seguindo a metodologia da IN SRF nº 243/2009. As memórias de cálculo contendo a apuração completa dos preços parâmetro relativamente ao método PRL20 estão no ANEXO 09 PRL GERAL Fonte Fiscalização; o resumo da apuração dos preçosparâmetro dos produtos está demonstrada no ANEXO 06 PREÇO PARÂMETRO PRL 20 Fonte Fiscalização. Conforme verificado nas planilhas "PRL20%" das memórias de cálculo apresentadas, a apuração dos preçosparâmetro da contribuinte seguiu o disposto na IN SRF nº 243/2002, estando coincidente com os cálculos da fiscalização. Da apuração do preçoparâmetro – método PRL60 Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.684 5 Para a apuração do método PRL60, a fiscalização utilizou as informações da venda dos produtos industrializados e de cálculo de preçoparâmetro fornecidas pela contribuinte, extraídas das planilhas "Vendas" e "PRL60%" que integram as memórias de cálculo. Da análise das memórias de cálculo apresentadas, a fiscalização constatou que a apuração do preçoparâmetro realizada pela contribuinte não seguiu o disposto no § 11 do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Os demonstrativos dos cálculos contendo toda a apuração dos preços parâmetro de acordo com a IN SRF nº 243/2002 está no ANEXO 09 PRL GERAL Fonte Fiscalização; o resumo dos preçosparâmetro por código de produto se encontra no ANEXO 07 PREÇO PARÂMETRO PRL 60 Fonte Fiscalização. Da apuração do preçoparâmetro – método PRL20/60 A contribuinte utilizou o método PRL com margens de 20% e 60% simultaneamente (PRL20/60) para os bens importados de vinculadas que foram utilizados como insumo na produção e que também foram revendidos no mesmo período. Destaca a fiscalização que para um produto importado só podese adotar um único preçoparâmetro para ser comparado com o preço praticado nas operações de importação. Assim, devese apurar um único preçoparâmetro médio ponderado em função das quantidades utilizadas na revenda e na produção. As memórias de cálculo contendo a apuração completa dos preços parâmetro relativamente ao método PRL20/60 estão no ANEXO 09 PRL GERAL Fonte Fiscalização; o resumo dos preçosparâmetro por código de produto se encontra no ANEXO 08 PREÇO PARÂMETRO PRL 20 e 60 Fonte Fiscalização. Dos ajustes a serem efetuados relativos ao método PRL Os ajustes de preços de transferência dos itens selecionados, relativos ao método PRL, estão discriminados no ANEXO 10 AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Fonte Fiscalização. Nesse anexo, foram relacionados todos os ajustes apurados pela fiscalização, cotejados com os extraídos das memórias de cálculo apresentadas. Destaca a fiscalização que, apesar de a contribuinte efetuar corretamente o cálculo de preçoparâmetro para o método PRL20, ela utilizou o valor FOB para o cômputo do preço praticado ao invés de CIF acrescido do Imposto de Importação. Sendo assim, ao efetuar as correções para o preço praticado, a fiscalização apurou ajustes para o método PRL20, que não haviam sido incluídos pela contribuinte. Ressalta a fiscalização que, buscando alcançar no modelo construído a forma mais justa, razoável e próxima dos fatos, recorreu às informações prestadas pela própria contribuinte acerca do Valor Tributável. Para tal, foi solicitado à contribuinte que os dados fornecidos fossem ratificados ou retificados mediante documentação comprobatória. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.685 6 Em resposta, a contribuinte ratificou todas as informações fornecidas no curso da auditoria, exceto para os produtos: 1126608516, 1463126308, 1466110689, 0271130121 e 1280516062, sob alegação de possuir documentação para comprovação do método CPL, contudo, sem ter sido apresentada. Assim, a pretendida alteração não foi objeto de análise por não possuir documentação comprobatória. Observase não existir qualquer referência ao método CPL na DIPJ/2010. Com a apuração dos ajustes mencionados, a fiscalização chegou ao valor total tributável de R$ 146.621.366,71. O ANEXO 10 AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Fonte Fiscalização traz o cálculo dos ajustes de todos os produtos. O quadro abaixo consolida os ajustes referentes ao método de PRL (valores em reais): Para a auditoria do método PIC, a fiscalização utilizou uma amostragem de produtos para a solicitação de informações técnicas e cópia de faturas/invoices que embasaram os cálculos de preços de transferência. A fiscalização confrontou os valores das faturas/invoices apresentadas com os informados nas memórias de cálculo apresentadas em atenção ao Termo de Início de Ação Fiscal e nenhuma irregularidade foi encontrada. Observou nos demonstrativos apresentados que para o cálculo do método PIC a contribuinte utilizou dados de transações de vendas de produtos idênticos, de acordo com o artigo 8º da IN SRF nº 243/2002. Nos produtos selecionados cujo método permaneceu o PIC, a fiscalização efetuou as verificações relacionadas à fl. 938, seguindo o disposto nos artigos 8 a 11 da IN SRF nº 243/2002. De acordo com a DIPJ/2010 (anocalendário 2009), a contribuinte apurou Lucro antes da Compensação de IRPJ e CSLL no total de R$ 11.718.398,60. Segundo a declaração, no anocalendário de 2009 houve compensação de prejuízo fiscal de R$ 5.022.170,83 amparado na apuração de prejuízo fiscal antes da compensação de IRPJ e CSLL no ano calendário anterior de (R$ 20.249.255,16). Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.686 7 Contudo, em razão da fiscalização externa relativa a preço de transferência no anocalendário 2008, instruída no processo administrativo 16561.720116/201295, o referido prejuízo fiscal foi corrigido para lucro real de R$ 88.131.297,23, ensejando a glosa da compensação realizada pela contribuinte, por restar indevida”. Concluindo, a Fiscalização resumiu os lançamentos efetuados: DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a lavratura dos AI (fls. 905/946), a contribuinte interpôs impugnação (fls. 953/1025), juntando documentos (fls. 1026/1517 na qual rebateu a imputação fiscal alegando, em síntese, que: Ø nulidade dos autos de infração por descumprimento do artigo 20A, da Lei nº 9.430/1996; Ø que a fiscalização cometeu erro grave na determinação da base de cálculo ao efetuar o cálculo do ajuste de preços de transferência no tocante a todos os produtos que foram submetidos ao cálculo do preçoparâmetro pelos métodos PRL20 e PRL60; Ø que quanto ao preçoparâmetro, deverá prosperar a metodologia de cálculo adotada pela impugnante, uma vez que a sistemática da IN SRF nº 243/2002 (adotada pela fiscalização) carece de base legal; Ø em relação ao preço praticado, deverá prevalecer o preço FOB, haja vista que o preço CIF carece, igualmente, de amparo legal; Ø ter havido a apresentação dos cálculos do preçoparâmetro efetuados com base no método CPL durante o curso da fiscalização; Ø que, para os produtos importados sujeitos à mera revenda (PRL20) e ao processo de produção local (PRL60), não deverá prevalecer a metodologia adotada pela fiscalização de calcular o preçoparâmetro ponderado (PRL ponderado); Ø a indevida inclusão pelo Fisco dos valores de fretes, seguros e imposto de importação nos cálculos; Ø ser indevida a glosa dos prejuízos fiscais; Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.687 8 Ø pugna pela não incidência de juros sobre a multa de ofício; Ø exige a aplicação do artigo 112, do CTN, caso a decisão seja por voto de qualidade. E finaliza requerendo que o Auto de Infração declarado nulo ou cancelado; subsidiariamente, a redução do ajuste fiscal, mediante o reconhecimento do erro cometido pela fiscalização exposto no tópico "Do erro na determinação da base de cálculo"; e o reconhecimento da não incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. DA DECISÃO RECORRIDA Submetida a lide à apreciação da 5ª Turma da DRJ/SPO, o Colegiado de 1º Grau, por unanimidade, deu provimento parcial à impugnação (Ac. – fls. 1539/1570), tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. REVENDA E PRODUÇÃO. PREÇO PARÂMETRO. MÉDIA PONDERADA. Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são em parte revendidos e em parte aplicados no processo produtivo, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preçoparâmetro será o preço médio ponderado resultante da aplicação do método PRL, com margem de 20%, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de 60%, na hipótese dos insumos aplicados na produção. PRL PONDERADO. ERRO. EXONERAÇÃO PARCIAL. Constatado erro na apuração dos ajustes relativos ao PRL20/60 (PRL ponderado), exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. Desnecessária a suspensão do julgamento, pois a decisão de primeira instância, proferida por esta DRJ, é passível de revisão pelas instâncias superiores (CARF e CSRF). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.688 9 Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão, o voto condutor, rechaçou todas as preliminares invocadas pela impugnante, inclusive a possível nulidade por descumprimento do artigo 20A da Lei nº 9.430/1996 e ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, vigente à época dos fatos. No mérito, refutou a maior parte dos argumentos da defesa, mantendo a acusação fiscal exceto na parte que constatou erro de cálculo, conforme excerto do voto (fls. 1566): “Analisando o Anexo 10, elaborado pela fiscalização, verificase que assiste razão à impugnante. Procedendose, então, ao recálculo dos ajustes relativos ao método PRL20/60 (PRL ponderado) obtémse o ajuste total de R$ 29.202.799,97, conforme planilha anexa”. Para fechar o Acórdão com a seguinte síntese: Novamente irresignada, a recorrente acostou recurso voluntário (fls. 1581//1666), no qual rebateu as conclusões da decisão recorrida naquilo que lhe foi desfavorável e, quanto às acusações, basicamente repisa o aduzido em 1º Grau, aduzindo conclusivamente (RV fls. 1662/1665), a nulidade por não observância do artigo 20A, da Lei nº 9.430, de 1996, equívocos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por parte do Fisco, a correção do seu procedimento, a ilegalidade da IN 243, a necessária exclusão, nos cálculos do preçoparâmetro, dos valores de fretes, seguros e tributos incidentes na importação, a perfeita separação entre os insumos e os montantes destinados a revenda, com aplicação, conforme o caso, do PRL 20 e PRL 60, a aceitação dos cálculos desenvolvidos em relação ao preçoparâmetro com base no CPL 5 para os produtos 1126608516, 14633126308, 1466110689, 0271130121 e 1280516062 e, subsidiariamente, a não cobrança de juros sobre multa de ofício e aplicação, em caso de empate no julgamento, dos dizeres do artigo 112, do CTN. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.689 10 Para, finalmente, requerer (RV fls. 1665/1666) o provimento do pleito, com a reforma da decisão recorrida na parte em que lhe foi desfavorável: É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.690 11 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 02/02/2017 – fls. 1578 – protocolização da peça recursal em 06/03/2017 – fls. 1580), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls. 1049/1053) e os demais pressupostos exigidos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Já o Recurso de Ofício preenche os requisitos para sua provocação pela presidência da Turma Julgadora de 1º Piso, inclusive em relação ao novo limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 63, de 2017 (R$ 2.500.000,00), de modo que igualmente o recebo e dele conheço. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Há duas preliminares a enfrentar. A primeira delas, acerca de possível nulidade por não obediência do Fisco aos dizeres do artigo 20A da Lei nº 9.430/1996. Filiase a recorrente na linha de que tal dispositivo teria caráter de norma procedimental, por isso aplicável a todas as ações fiscais em curso ou iniciadas após sua promulgação. Instado a me manifestar em outro processo recente (não de minha relatoria, mas em relação ao qual “pedi vista”) já tive oportunidade de expor meu pensamento, ainda que verbalmente, durante as discussões sobre a aplicação do indigitado artigo 20A acrescido à Lei nº 9.430/1996. Naquele momento, como agora, penso diferentemente do entendimento da contribuinte. Explico. Diz o dispositivo em comento: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pela contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Para mim (e para inúmeros outros Conselheiros), a locução preambular “A partir do anocalendário de 2012” reflete nitidamente norma de caráter fiscal larga e longamente utilizada no direito administrativotributário, diferentemente da terminologia “ano Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.691 12 civil”, utilizada nas relações e procedimentos de natureza privada. Em outras palavras, quando o legislador fez inserir no início do artigo tal redação certamente tinha em conta dizer consoante a longa e enraizada tradição do direito fiscal neste ponto que “a aplicação se daria para ações e procedimentos realizados em períodos iniciados a partir de 01/01/2012” (ainda que as ações fiscais fossem levadas a cabo em momento posterior) e não, como pretende a recorrente, que afetasse todo e qualquer procedimento fiscal “operacionalizado” desde 1º de janeiro daquele ano, INDEPENDENTEMENTE do período sob fiscalização. Em outras palavras, para a recorrente o que importa é o momento em que a ação fiscal se desenrola. Para o Fisco, para a decisão de 1º Piso e para este Relator o que conta é o ANOCALENDÁRIO OBJETO DA AÇÃO, em outro dizer, O PERÍODO TEMPORAL DOS FATOS GERADORES. Nessa linha de pensamento, bem a calhar a decisão exarada pela então 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção em processo de interesse da própria recorrente (nº 16561.720116/201295 Ac. 1101001.079 sessão de 07/04/2014) e posteriormente em relação aos embargos de declaração opostos, quando tive oportunidade de compor o colegiado que o apreciou (2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção Ac. nº 1302001.742 sessão de 19/01/2016) cuja decisão aqui reproduzo e adoto como razões de decidir, afastando a preliminar aventada: “As limitações acima descritas, quanto à alteração dos métodos de preço de transferência, para o anocalendário objeto da autuação (anocalendário 2008), não foram alteradas com a edição da Lei n° 12.715/2012, que incluiu na Lei nº 9.430/96 o artigo 20A, in verbis: (...) Isso porque essa alteração legislativa somente é válida para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012. Importante observar que a expressão “ano calendário” designa “período de apuração”, não podendo ser confundido com o ano em que ocorre a ação fiscal. Dessa forma, independentemente de a referida norma ser classificada ou não como processual / procedimental, não deve ser aplicada no caso em tela, cuja autuação é relativa ao anocalendário de 2008, não se verificando, portanto, qualquer irregularidade no procedimento fiscal. Acrescentese que, na forma do §3o do art. 20ª da Lei nº 9.430/96, a Receita Federal foi autorizada a definir o prazo e a forma de opção de opção de que trata o caput, e neste sentido editou a Instrução Normativa RFB nº 1.312/2012 estabelecendo que: Art. 40. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o ano calendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. [...] Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.692 13 § 4º A opção de que trata o caput será efetuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário das operações sujeitas ao controle de preços de transferência. Assim, somente a partir do anocalendário 2012 o sujeito passivo pode formalizar a opção por meio da DIPJ, e é neste contexto que o Fisco está obrigado a intimar o sujeito passivo e facultarlhe a apresentação de novo cálculo, caso desqualifique o critério originalmente apontado na DIPJ. Embora apresente, inicialmente, nuances procedimentais, a nova norma legal, invocada pela contribuinte, tem verdadeiro caráter material, porque vinculada a uma opção com forma e prazo a ser exteriorizada, a ser observada durante todo o anocalendário, e que somente passou a ser possível a partir da apuração do anocalendário 2012. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento”. Acresçase, por pertinente, que, i) os fatos geradores daquele processo são do anocalendário/2008 e os destes autos do anocalendário/2009; e, ii) o processo nº 16561.720116/201295 já foi julgado em todas as instâncias, inclusive em sede de recurso especial junto à CSRF (decisão em 26/01/2018), com improvimento integral do pleito da recorrente. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade por não obediência do Fisco aos dizeres do artigo 20A da Lei nº 9.430/1996. A segunda preliminar suscitada cuida de possíveis erros em cálculos matemáticos (erros materiais) constatados no procedimento fiscal. Segundo a recorrente (RV – fls. 1595/1600), “a fiscalização cometeu outra falha que, também, leva à caracterização de nulidade material do Auto de Infração”, exteriorizada no equívoco de apuração da “base de cálculo tributária, elemento intrínseco à validade do ato administrativo do lançamento que, acaso inobservado, leva à sua inevitável mácula” Prossegue a recorrente: “É certo dizer que o ajuste a ser feito no resultado fiscal depende de duas variáveis – preçoparâmetro e preçopraticado – e do cálculo da diferença entre elas de modo que, se o preçopraticado superar o preçoparâmetro haverá ajuste a ser efetuado. (...) Quer parecer que o exercício acima exposto, embora simples e óbvio para a Recorrente e certamente para os Srs. Conselheiros também, não se mostrou tão óbvio assim para a D. Autoridade Fiscal. Com efeito, para todos os produtos importados que foram objeto tanto de operações de industrialização (sujeitas ao PRL 60) quanto de mera revenda (sujeitas ao PRL 20), a fiscalização apurou como valor do ajuste fiscal o valor integral do preço praticado na operação como se todo o seu montante fosse indedutível. Causa mais perplexidade ainda à Recorrente o fato de as planilhas da fiscalização terem apontado, para os mesmos produtos, preçosparâmetros positivos. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.693 14 Ao que parece, apesar de ter sido calculado o preçoparâmetro (resultante da ponderação do PRL 20 e do PRL 60) para cada um dos produtos ora tratados, a fiscalização esqueceuse de subtraílos do valor do preçopraticado nas respectivas operações para calcular o ajuste individual Tomandose como exemplo o produto cujo código é 1467414497 (Anexo 10, página 143), vejase, na tabela abaixo, o equívoco cometido pela fiscalização (RV fls. 1596): Como se vê, o equívoco matemático cometido pela fiscalização salta aos olhos. Foi apurado um preçopraticado médio unitário de R$ 91,87 e um preçoparâmetro médio ponderado unitário de R$ 40,01, mas, curiosamente, a diferença entre eles não foi R$ 51,86, como seria de se supor, mas o R$ 91,87, ou seja, o valor inteiro do preço praticado (!!!). O erro da fiscalização implicou considerar que, para todo o universo de produtos que foram objeto de mera revenda e de aplicação na produção (itens para os quais foi calculado o “PRL Ponderado”), o preçoparâmetro seria igual a R$ 0,00 (zero). (...) tratase de um erro crasso cometido no cálculo do ajuste no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL que não poderá deixar de ser observado quando do julgamento do presente Recurso Voluntário”. (os destaques constam do original) Pois bem, é certo que a decisão recorrida já afastou parte dos valores lançados (o que ocasionou a interposição do recurso de ofício a ser analisado conjuntamente nestes autos); todavia, não é menos certo que as alegações da recorrente merecem uma análise mais profunda, especialmente quando sustenta o zeramento do preçoparâmetro em algumas situações que elenca. Há mais, porém. Complementando suas argumentações, a recorrente traça um quadro comparativo (RV – subitem III5 – fls. 1641/1644) mostrando (na sua visão) os mais diversos cenários possíveis, a partir dos dados que disponibilizou ao Fisco, propugnando, em cada um deles, estarse diante de divergências de valores e chamando a atenção novamente para os “equívocos apontados no tópico III.2 do presente Recurso Voluntário”. Vejase: Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.694 15 Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.695 16 Para concluir o raciocínio (RV – fls. 1643/1644): Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16561.720109/201455 Resolução nº 1402000.714 S1C4T2 Fl. 1.696 17 Neste eito, pelo relatado e o mais que consta nos autos, incluindo centenas de cálculos em arquivos nãopagináveis, as variáveis presentes e as várias nuances sobre os fatos aqui tratados que tornam, em sede de julgamento, praticamente inexequível que este Relator individualmente e o Colegiado como um todo possam firmar e formar convicção para decidir sobre a matéria sob julgamento especialmente por exigir conferências de cálculos absolutamente impraticáveis de serem feitas nesta fase processual, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência com a baixa dos autos à unidade de origem a fim de que a Autoridade Fiscal autuante ou quem lhe faça as vezes analise detalhadamente as alegações da recorrente, especial e especificamente as constantes nos subitens III.2 do Recurso Voluntário (fls. 1595/1600) e III.5 (fls. 1641/1644) e informe: 1. se procedem os argumentos e os cálculos levados a efeito pela recorrente e detalhados no subitem III2. (fls. 1595/1600) do Recurso Voluntário; 2. igualmente, se tem procedência o que foi aduzido no subitem III.5 (RV – fls. 1641/1644), especialmente no que se reporta ao discorrido no subitem III.2; 3. ainda em relação ao subitem III.5, verificar se e em quê os quatro cenários reproduzidos no RV (fls. 1641/1644) têm pertinência ou interferem nos trabalhos da Fiscalização, especialmente na matéria tributável, de forma a alterar os lançamentos, justificando a resposta. Do procedimento citado, elaborar relatório circunstanciado e conclusivo do qual deverá a recorrente ser cientificada, com abertura do prazo de 30 dias para que, querendo, se manifeste exclusivamente sobre os pontos tratados na diligencia. Após, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721295/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 95 /2 01 3- 15 Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 4 3 equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 5 4 “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 6 5 aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.426, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 7 6 Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 8 7 b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 9 8 Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 10 9 acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 11 10 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 12 11 pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 13 12 No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 14 13 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10835.721295/201315 Acórdão n.º 3201004.317 S3C2T1 Fl. 15 14 a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1402DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.722565/2016-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. USO PARA AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL.
A empresa que aumentar seu capital social mediante a utilização de reserva decorrente da reavaliação de bens do ativo deverá obedecer aos requisitos legais para que o valor não seja computado na determinação de seu lucro real do período.
MULTA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1401-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado).
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. USO PARA AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. A empresa que aumentar seu capital social mediante a utilização de reserva decorrente da reavaliação de bens do ativo deverá obedecer aos requisitos legais para que o valor não seja computado na determinação de seu lucro real do período. MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 25 65 /2 01 6- 58 Fl. 563DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado). Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de Infração – AI de fls. 2/13, com exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante de R$13.612.156,81, valor atualizado até 06/2016, relativo ao exercício 2012, anocalendário 2011. Demonstrativo do crédito tributário lançado. De acordo com os relatórios Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrantes dos AI, de fls. 2/13, foi apurada a seguinte infração: I – Resultados não operacionais Infração – Receitas não operacionais escrituradas e não declaradas R$17.804.991,78. A contribuinte deixou de computar no cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica/CSLL do período a receita não operacional, oriunda das reservas de reavaliação de bens do ativo permanente incorporada ao capital, conforme detalhado no Relatório da Ação Fiscal RAF, fls. 15/19. Em junho de 2011, a fiscalizada promoveu o aumento de capital social de R$ 1.100.000,00 (1.100.000 cotas a R$ 1,00 cada) para R$ 30.051.991,00 (30.051.991 cotas a R$ 1,00 cada), com recursos provenientes das contas reserva de lucros acumulados e reserva de reavaliação, conforme a 9ª alteração contratual, informações extraídas de intimações procedidas na então sócia Zenira Fiquene, e documentos apresentados por ela como: balancete analítico, razão analítico, balanços patrimoniais e demonstração do resultado do exercício, todos do período de 2009 a 2011, em anexo. Conforme os documentos acima citados, R$ 10.824.204,61 vieram das reservas de lucros acumulados e R$ 17.804.991,78 das reservas de reavaliação. Conforme transcrição do RAF, fls. 15/16, assim dispôs a fiscalização: Na análise do laudo de avaliação dos imóveis, que serviu para constituição da reserva de reavaliação, verificouse que o mesmo havia sido emitido por apenas um perito, além de não identificar os bens reavaliados pela conta em que estavam escriturados, contrariando o disposto no art. 434 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), in verbis, e o art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976: Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 564 3 [...] O art. 435, inciso I, abaixo transcrito, do RIR/99, por sua vez, também reza que o valor da reserva, da qual trata o art. 434, será computada na determinação do lucro real no período em que for utilizada para aumento de capital, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo 436. Ressalta que a empresa autuada CEAMA Centro de Ensino Atenas Maranhense Ltda deveria ter computado a constituição da reserva de reavaliação na determinação do lucro real do período, mas não o fez, conforme DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da PJ que fora apresentada zerada (cópia anexada às fls. 154/247). Pelo fato de a fiscalizada fazer jus ao lucro da exploração, por ter parte de suas receitas oriundas do Prouni, foi intimada a apresentar os atos constitutivos da empresa o Lalur, o termo de adesão ao Prouni, o demonstrativo do lucro da exploração e a demonstração do resultado do exercício, no entanto, os documentos não foram apresentados. Houve pedido de dilação de prazo para atendimento à intimação, no entanto foi negada pela autoridade fiscal. Observa a fiscalização que a falta de apresentação dos documentos não interferiu no cálculo dos tributos devidos, tendo em vista que a receita não operacional tributada nos lançamentos não sofreu incidência da isenção promovida pelo lucro da exploração, conforme dispõe os arts. 1º, § 2º, e 2º da IN SRF nº 456, de 05 de outubro de 2004. Por fim, a fiscalização concluiu que a receita não operacional com origem no valor da reserva de reavaliação de bens do ativo permanente, no valor de R$ 17.804.991,78, utilizada para aumento de capital da empresa CEAMA deve ser computada na apuração do lucro real do período, uma vez que a empresa infringiu dispositivos da legislação tributária que exige a tributação do referido valor (434, 435, 436, 437, II, todos do RIR/99). O sujeito passivo foi cientificado dos AI (IRPJ e CSLL) em 22/06/16, via postal, conforme AR de fls. 253, e apresentou impugnação em 15/7/16, fls. 256/289, assinada digitalmente pela procuradora Sabrina Baik Cho, documentos juntados às fls. 290/835/843. Impugnação. Alega tempestividade da defesa e faz um breve relato dos fatos que motivaram a autuação. Aduz que o procedimento fiscal iniciado em 23/5/16, é decorrente de procedimento de diligência anterior, na pessoa física de Zenira Massoli Fiquene, datado de 24/3/14, que teve como objetivo apurar a regularidade das informações prestadas em sua declaração de imposto de renda de 2011/2010. Desta forma, entende que esta fiscalização teve início em 24/3/14, quando o agente fiscal teve oportunidade de se manifestar, dentro do prazo decadencial, sobre a matéria objeto da autuação, e possuía as peças contábeis dos anos de 2009, 2010 e 2011 (Balanço e Balancetes), podendo checar se o Laudo de Avaliação analisado era de fato o utilizado para embasar os lançamentos contábeis. Fl. 565DF CARF MF 4 Se a fiscalização tivesse comparado/verificado o laudo de 2010, com os laudos de 2005 e 2009, mencionados nos Livros Contábeis, que embasaram a reserva de reavaliação, o lançamento não teria sido feito. Destaca que a depreciação do art. 435, inciso II, alínea "b" do RIR/99, utilizada como fundamento da autuação, já era utilizada em 2007, 2008, 2009 e 2010, períodos já abarcados pelo prazo decadencial. Os lançamentos estão eivados de vícios, por terem sido originados da desconsideração do Laudo de Avaliação não utilizado para fins contábeis e fiscais, mas apenas para uso comercial entre as partes na operação de venda da instituição de ensino. Afirma que a data da baixa da reserva de reavaliação, ocorrida em 31/12/10, está abarcada pela decadência. Do aumento de capital social: Equívoco na interpretação. No Relatório Fiscal, consta que o aumento de capital ocorrera com recursos das contas: 1 reservas de lucros acumulados (R$10.824.204,61) e 2 reservas de reavaliação (R$17.804.991,78). No entanto, da leitura da cláusula terceira da 9ª Alteração Contratual, de 8/6/2011, registrada na JUCEMA em 14/7/2011, está claro que o aumento de capital decorreu somente da reserva de lucros acumulados, conforme saldo credor da conta Lucros a Distribuir, do Balanço Patrimonial de 31/12/2010. Esta informação também pode ser provada pela sócia Zenira Fiquene, pelos balancetes analíticos, razão analítico, balanços patrimoniais e demonstração de resultado do exercício, todos do período de 2009 a 2011. Afirma que as Reservas de Avaliações são oriundas de exercícios anteriores: 2007, 2008 e 2009. A transferência da reserva foi feita com base nas fundamentações da portaria nº 27 CVM: transferência direta da reserva de reavaliação para lucros acumulados, sendo esta a que melhor reflete os objetivos básicos da reavaliação para atualizar os ativos aos seus valores reais e permitir a depreciação mais consentânea com tal conceito de reposição. Não havendo aumento de capital decorrente de reserva de reavaliação, a autuação perde seu fundamento de validade, devendo ser cancelada. Aduz a impugnante: É válido ainda ressaltar que no dia 31/12/2010, toda a “Reserva de Reavaliação” foi baixada para “Lucros Acumulados” e distribuídos entre os sócios nesta respectiva data “31/12/2010” inclusive sendo declarado no IRPF de todos os sócios conforme se comprovam pelas DIRPF 2010/2011 em anexo. Conforme prescreve o artigo 435, inciso I, do RIR/99, o valor da reserva, da qual trata o artigo 434, será computada na determinação do lucro real no período em que for utilizado para aumento de capital, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo 436. Ou seja, mesmo que se tivesse ocorrido aumento de capital com a utilização de reserva de reavaliação (o que se admite apenas ad argumentandum), esta teria ocorrido em 12/2010, período já abarcado pela decadência. Argui decadência para competências anteriores a 6/2011, pelo seguinte motivo: Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 565 5 Pelo até aqui já exposto, resta claramente demonstrado o ERRO do Agente Fiscal ao ignorar o fato de que de acordo com a 9ª Alteração Contratual, clausula 3ª, o aumento e Integralização do Capital no valor de R$ 28.951.991,00 se deu apenas com a utilização de Lucros Acumulados, conforme saldo credor na conta Lucros a Distribuir, demonstrado no Balanço Patrimonial, encerrado em 2010. Equivocandose ao mencionar a Reserva de Reavaliação que já havia sido distribuída em 31/12/2010, observase que além da depreciação dos bens reavaliados constantes nestes últimos exercícios citados de 2007, 2008, 2009 e 2010, um procedimento legal que detona o Diferimento do Imposto, que foi o “destino dado para esta reserva de reavaliação, ou a realização da reserva de reavaliação”, que ocorreu exatamente neste período de 31/12/2010, já “DECADENTE” em 31 de Dezembro de 2010. Na análise da Conta de Reserva de Lucro Acumulado da impugnante, pela auditoria, o Agente Fiscal não se atentou para a Depreciação Mensal do Ativo Imobilizado já Reavaliado, e principalmente a data da “BAIXA” da Reserva de Reavaliação, que ocorreu em 31/12/2010, conforme se comprova pelos registros do IRPJ dos anos de 2007 a 2010, como também nos registros Contábeis da Empresa vendida, já de posse do Agente Fiscalizador desde 03/2014 (quando a contribuinte pessoa física entregou os Balanços e Livros da fiscalizada), tempo suficiente para que o mesmo apreciasse todos os fatos, evitando a autuação improcedente, antes da contemplação da “DECADÊNCIA”. Faz uma análise das contas contábeis: Reservas de Reavaliação destinadas para a conta Lucros Acumulados e Reservas de Lucros Acumulados destinadas à distribuição dos sócios nos anos 2007 a 2010. Afirma que os saldos das Reservas de Reavaliação destinada para Lucros Acumulados tiveram as seguintes evoluções: 2007 R$ 8.356.210,82 2008 R$ 8.356.210,82 2009 . R$ 17.804.991,78 2010 R$ 17.804.991,78 em 31/12/2010 foi distribuída para Lucros Acumulados à disposição dos sócios. Janeiro de 2011 Lucros Acumulados R$ 17.804.991,78 2011 R$ 0,00 (08/06/2011) Lucros Acumulados Incorporado no Capital Social. Os saldos das Reservas de Lucros Acumulados destinadas para distribuição dos sócios tiveram as seguintes evoluções: 2007 R$ 0,00 2008 R$ 12.623.986,27 2009 R$ 9.048.724,20 2010 R$ 10.824.204,61 Fl. 567DF CARF MF 6 2011 R$ 345.160,30 (08/06/2011) A conta Reservas de Lucros Acumulados obedece as seguintes evoluções: 2007 R$ 0,00 2008 R$ 12.623.986,27 2009 R$ 9.048.724,20 2010 R$ 29.001.703,79 – Aumento de Capital R$ 28.951.991,00 2011 R$ 345.160,30 (08/06/2011) Ressalta que o histórico da conta “Reserva de Avaliação”, já transitava nos exercícios de 2007, 2008, 2009 e 2010, e foi totalmente “BAIXADA” no dia 31/12/2010, conforme o IRPJ, o que é de fácil verificação por meio dos próprios arquivos da RFB e no Balanço e Balancetes da impugnante, anexos à defesa. Afirma que os valores de “Reserva de Lucros a Distribuição de Sócios” e “Reserva de Reavaliação” são obrigadas a ficarem em campos separados conforme determinação da Resolução do CFC nº 1.177 DE 24.07.2009, o que foi fielmente seguida pela empresa, até o seu período de transferência ou baixa total, em 31/12/2010, conforme comprovados pelos movimentos Fiscais e Contábeis da impugnante. 41. O saldo relativo à reavaliação acumulada do item do ativo imobilizado incluído no patrimônio líquido somente pode ser transferido para lucros acumulados quando a reserva é realizada. O valor total pode ser realizado com a baixa ou a alienação do ativo. Entretanto, parte da reserva pode ser transferida enquanto o ativo é usado pela entidade. Nesse caso, o valor da reserva a ser transferido é a diferença entre a depreciação baseada no valor contábil do ativo e a depreciação que teria sido reconhecida com base no custo histórico do ativo. As transferências para lucros acumulados não transitam pelo resultado. Transcreve parte da Resolução do CFC nº 1.177, de 24/7/2009, art. 41, que trata da integralização para reservas de lucros. No lançamento, a auditoria argumenta que o laudo de avaliação dos imóveis, datado de 3/5/2010, que, segundo seu entendimento, serviu para a constituição da reserva de reavaliação, foi emitido por apenas um perito e não identificou os bens reavaliados pela conta em que estavam escriturados, contrariando o disposto no art. 434 do RIR/99. A impugnante aduz que o referido laudo não faz parte dos lançamentos contábeis da contribuinte, uma vez que este laudo foi elaborado apenas para efeito de avaliação para compor o processo de venda da instituição, portanto, somente foi utilizado para fins comerciais. Analisando os lançamentos contábeis (Balanços, Balancetes e Livros Contábeis), não se identifica mutação dos Ativos Imobilizados entre os anos de 2010 a 2011, ficando assim comprovado o que aqui se alega. Os Laudos de Reavaliação do Ativo Imobilizado foram elaborados dentro das Normas Legais, tendo sido atestados por 3 peritos, e, posteriormente, contabilizado o de menor valor apurado. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 566 7 Sobre o laudo, afirma a impugnante: 59. É válido informar ainda que o primeiro Laudo de Reavaliação foi Contabilizado em 2007 data prevista conforme Legislação, e em 2009, de acordo ICPC 10, sendo que a partir de 2009, não mais permito por Lei, as Reavaliações dos Bens do Ativo Imobilizado não mais sofreram mutações, e que os Laudos de Reavaliações foram parte dos documentos que compuseram a Fiscalização sofrida pela impugnante em 2009, não tendo sido objetos de questionamentos, certamente, por estarem dentro das Normas Legais, além disso, hoje estão contemplados pela “PRESCRIÇÃO” e “DECADENCIA”. 60. Importante ainda asseverar que conforme registros Contábeis, o Engenheiro perito que Expediu o Laudo de Reavaliação em 2009, contemplado pelos Lançamentos Contábeis para adição da Reserva de Reavaliação, foi o Sr. Jose Antonio Ferreira Lobato CREA n. 2609D. Conclui que, pela simples verificação dos documentos contábeis, é possível aferir que o Laudo de Avaliação mencionado pela fiscalização, elaborado em 2010, por apenas um perito, não foi o utilizado para justificar a reserva de reavaliação, mas tãosomente elaborado para fins comerciais (venda da instituição). Tece comentários sobre decadência, com fundamento no art. 173, I do CTN. E, considerando que a baixa da reserva de reavaliação, que veio sendo constituída desde 2007, e as depreciações efetuadas entre 2007 e 2010, na qual o Diferimento foi excluído e abolido já nestes períodos, motivada pela Reavaliação Direta e sua Depreciação Imediata, sendo que a Baixa Total da Reserva de Reavaliação ocorrera em 31/12/2010, entende que a RFB perdeu o prazo legal para efetuar o lançamento com relação à conta da reserva de reavaliação, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos legais para qualquer tipo de lançamento. Argui ilegalidade da multa de ofício aplicada, no percentual de 75%, em razão do seu caráter confiscatório e punitivo. Para que os princípios constitucionais sejam observados, deve ser considerada confiscatória e inconstitucional, por conflitar com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, toda e qualquer multa que ultrapasse o limite de 30% do tributo. Invoca princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita julgados dos tribunais sobre a matéria. Entende que os órgãos julgadores administrativos possuem competência para apreciarem questões acerca da inconstitucionalidade de norma, pois todos os poderes devem obediência à Constituição, devendo pautar suas atividades por ela, zelando por sua preservação. Caso não haja apreciação desta matéria por parte deste julgador, constitui flagrante cerceamento do direito de defesa, sendo agredida a regra do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Requer a nulidade dos lançamentos, face à sua iliquidez e incerteza, bem como da inexistência da Tributação do IRPJ e da CSLL, configurada erroneamente pela fiscalização, uma vez que não houve aumento de capital com utilização de reserva de reavaliação. Fl. 569DF CARF MF 8 Tendo em vista que a baixa da reserva de reavaliação ocorrera em 31/12/2010, os lançamentos estão abarcados pela decadência. Argumenta que os lançamentos devem ser nulos, por imprecisão do lançamento do Auto de Infração uma vez fundamentado em uma peça inválida (Laudo de Avaliação). Caso não venha ser reconhecida a preliminar, pede seja declarada a ilegalidade na aplicação da multa de ofício de 75%, de caráter confiscatório. Entende a impugnante que deve ser desconsiderada a existência de dolo ou fraude que configure crime, com base no art. 83 da Lei n. 9.430/1996. Requer, por fim, o recebimento da defesa, suspendendo os efeitos dos Autos de Infração, para que seja julgada totalmente procedente, cancelandose os AI lavrados, desconstituindose os créditos tributários pelas razões aqui expostas e, alternativamente, caso assim não entenda, que seja recalculada a multa de ofício aplicada, em razão da violação a princípio constitucional. A decisão de primeira instância restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que o lançamento foi efetuado dentro do prazo de cinco anos contados a partir da data do fato gerador, rejeitase a preliminar de decadência. INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM RECURSOS DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. O valor da reserva de reavaliação será computado na determinação do lucro real, no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade de norma. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício está prevista na legislação do imposto de renda e é exigível sobre o valor do imposto lançado, quando houve falta de pagamento de tributo ou declaração inexata, não podendo a multa ser afastada sob pena de responsabilidade funcional. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. NÃO VINCULANTE. A autuada não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 567 9 Um dos efeitos produzidos pela apresentação de impugnação tempestiva é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Crédito Tributário Mantido em Parte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário alegando em síntese: Que em junho de 2011, houve o aumento do capital social da recorrente, sendo R$10.824.204,61 oriundo das reservas de lucros acumulados e R$17.804.991,78 das reservas de reavaliação e que a receita alega que deve ser computada no cálculo do IRPJ/CSLL a receita oriundo das reservas de reavaliação de bens do ativo permanente incorporada ao capital uma vez que fora infringido o artigo 434, caput e §1° do RIR/1999 e o artigo 8° da Lei n.° 6.404, de 1976. Que o lançamento fora atingido pela decadência e que mesmo assim o lançamento foi mantido pela DRJ. Que o laudo de avaliação de 03/05/2010 não foi utilizado para fins contábeis e ficais. Que houve a baixa da reserva de reavaliação em 31/12/2010, portanto estaria decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, pois a recorrente fez a transferência direta da reserva de reavaliação para lucros acumulados, de acordo com a portaria 27 da CVM (sic). Que o prazo decadencial contase pelo regra geral do art. 173, I do CTN, estando claro que em 08/2016 já havia transcorrido os 5 (cinco) anos legalmente determinados, devendo assim ser retificado o acórdão da DRJ, cancelandose o lançamento fiscal. Que os laudos de reavaliação do ativo imobilizado foram procedidos dentro das normas legais tendo sido atestados por três peritos. Que deveria ter sido tributado ganho de capital e não acrescido o valor à base de cálculo do tributo, pois não era receita operacional. Que a multa aplicada é ilegal e confiscatória e inconstitucional (75%). Por fim, requer seja o recurso julgado procedente para reverter o acórdão lavrado pela DRJ a fim de que seja cancelada a autuação desconstituindose o crédito tributário lançado. Este é o relatório do essencial. Fl. 571DF CARF MF 10 Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Pois bem, cuidam os autos de IRPJ e CSLL em julho de 2011, quando a sociedade utilizouse de lucros acumulados e reserva de reavaliação para aumento do capital social da recorrente. A autuação teve como base legal o art. 434 do RIR que assim dispõe: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação. § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real). Subsumindose a situação real à hipótese descrita na norma, esta estabelece a consequência jurídica: o valor da reserva de reavaliação deve ser computado na determinação do lucro real do período em que se verificou sua utilização. Conforme demonstrado pelo balancete análitico de 12/2010, apresentado nos autos pela contribuinte a reserva de avaliação para aumento de capital estava destacada, conforme demonstrado abaixo: Dúvidas não restam que o valor de reserva de reavaliação de R$17.804.991,78 que foi utilizado para aumento de capital referiase à reserva de reavaliação. O aumento de capital ocorreu, conforme leitura da cláusula terceira da 9ª Alteração Contratual, de 8/6/2011, registrada na JUCEMA em 14/7/2011. Portanto 14/07/2011 é a data em que deveria ter sido feita a adição ao lucro líquido. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 568 11 Nesse sentido, insubsistente a arguição de decadência, pois independente da transferência direta da reserva de reavaliação para lucro acumulados, conforme preceitua a Deliberação CVM, nº 27 de 05/02/1986, os efeitos dessa alteração de contas não geraria o pagamento de imposto. Essa disposição da CVM tem apenas efeitos contábeis e não tributários. Os efeitos tributários estão previstos na legislação fiscal. O RIR no seu art. 434 descrito acima aponta o momento que eventualmente tal reserva de reavaliação deve ser adicionada ao lucro, e esse momento é quando do aumento de capital e não em outro. Por esse motivo, tendo em vista que o aumento de capital somente ocorreu em 07/2011 e da autuação foi dada ciência à Contribuinte, ora recorrente, em 06/2016, não ocorreu o interregno quinquienal suficiente para se operar a decadência. Por outro lado, para que ocorra a não tributação para reserva de reavaliação, deve o contribuinte seguir alguns requisitos previstos em lei (art. 8º da 6.404/76), conforme abaixo: Art. 8º A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléiageral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalandose em primeira convocação com a presença de subscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda convocação com qualquer número. § 1º Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados, e estarão presentes à assembléia que conhecer do laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas. § 2º Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembléia, os bens incorporarseão ao patrimônio da companhia, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalidades necessárias à respectiva transmissão. § 3º Se a assembléia não aprovar a avaliação, ou o subscritor não aceitar a avaliação aprovada, ficará sem efeito o projeto de constituição da companhia. § 4º Os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da companhia por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. § 5º Aplicase à assembléia referida neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 115. § 6º Os avaliadores e o subscritor responderão perante a companhia, os acionistas e terceiros, pelos danos que lhes causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens, sem prejuízo da responsabilidade penal em que tenham incorrido; no caso de Fl. 573DF CARF MF 12 bens em condomínio, a responsabilidade dos subscritores é solidária. Assim, deveria o contribuinte ter juntado a sua impugnação o laudo devidamente assinado pelos três peritos conforme preceitua o artigo acima e cumprido as demais exigências legais. Isso porque, para se efetuar a reavaliação é necessário obedecer às condições expressas no art. 8º da Lei nº 6.404/76, que são, em síntese, as seguintes: nomeação em AssembléiaGeral de três peritos, ou empresa especializada; que a Assembléia tenha sido convocada pela imprensa; Porém, não se verificou o cumprimento da legislação conforme explicitado pelo acórdão da DRJ: A impugnante apresentou outros dois laudos, o de fls. 331/342, emitido em 22/6/2005 assinado pelo engenheiro Raymundo José Aranha Portelada CREA 1596/D e o laudo de fls. 393/40, emitido em 15/8/2007, assinado pelo engenheiro José Antônio Ferreira Lobato CREA 2609/DMA. Ambos os laudos não atendem aos requisitos legais exigidos na legislação do imposto de renda, pois não foram assinados por três peritos, conforme disposto no art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976. Também não identificaram os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e nem indicou as datas da aquisição e das modificações no seu custo original , conforme exigido no art. 434, caput e §1º do RIR/1999. Portanto, tendo sido imprestável os laudos apresentados pela recorrente, deve ser adicionado ao lucro do exercício o valor da reserva de reavaliação na data em que foi utilizado tal valor para o aumento de capital. Pelo acima exposto, conduzo meu voto para, no mérito, negar provimento ao recurso interposto. Em relação à confiscatoriedade da multa, certo é que esse Conselho não tem competência para verificar inconstitucionalidades da legislação tributária: A autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a legalidade ou inconstitucionalidade de normas legais, sendo o contencioso administrativo foro impróprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 102 da Carta Magna. Essa orientação tem sido igualmente seguida pelo Conselho de Contribuintes, conforme súmula 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à CSLL, tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10320.722565/201658 Acórdão n.º 1401002.999 S1C4T1 Fl. 569 13 Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 575DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.902964/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) à luz das provas mencionadas no voto do relator, verifique se o crédito oriundo de pagamento a maior a título da contribuição é suficiente para a extinção do débito pretendida por meio do encontro de contas, cotejando a informação constante na DCTF retificadora com as planilhas e demais documentos trazidos ao presente processo administrativo, inclusive em mídia eletrônica, intimando, se necessário, a contribuinte para prestar esclarecimentos; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) à luz das provas mencionadas no voto do relator, verifique se o crédito oriundo de pagamento a maior a título da contribuição é suficiente para a extinção do débito pretendida por meio do encontro de contas, cotejando a informação constante na DCTF retificadora com as planilhas e demais documentos trazidos ao presente processo administrativo, inclusive em mídia eletrônica, intimando, se necessário, a contribuinte para prestar esclarecimentos; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado), a fim de ser RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 96 4/ 20 08 -1 4 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 263 2 realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase do despacho decisório nº 781201891, proferido em 12/08/2008, que não homologou declaração de compensação eletrônica, PER/DComp nº 42507.07718.111104.1.3.040640, transmitida com o objetivo de compensar crédito decorrente de valores indevidamente recolhidos a título de Cofins referentes a junho de 2003, no valor corrigido para a data do encontro de contas de R$ 49.942,72 (valor histórico de R$ 41.203,45), com débitos de Cofins, com período de apuração referente a outubro de 2004, no valor de R$ 49.942,70, uma vez que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não sobejando crédito disponível para compensação dos débitos informados. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que detentora do crédito declarado, em virtude de recolhimento a maior, tendo procedido inclusive à retificação da respectiva DCTF. Em 17/11/2011, a 07ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0535.779, situado às fls. 87 a 94, de relatoria do AuditorFiscal Alberto de Castro Fernandes Junior, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/06/2003 A 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender as disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 264 3 A contribuinte foi intimada via postal em 08/02/2012, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 96 e, em 03/04/2012, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 98, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 99 a 110, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Em sessão de 25/06/2013, foi proferida a Resolução CARF nº 3401000.724, situada às fls. 203 a 205, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade procedesse à apuração da existência do crédito objeto da DCTF e da Dacon retificadoras apresentadas pela contribuinte, nos seguintes termos: O crédito oriundo de pagamento a maior a título de COFINS não foi reconhecido e a compensação não homologada pela RFB em virtude da ausência de retificação da DCTF. A Recorrente retificou as DCTFs e Dacon e juntou na manifestação de inconformidade, no entanto a DRJ não homologou as compensações. Em linhas gerais a decisão da DRJ desconsiderou as declarações retificadoras, afrontando com isto o princípio da verdade material. Neste sentido é o acórdão do CARF nº 330201. 299: “a DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação substitui a original em relação aos débitos vinculados e declarados...” Desta forma os fatos devem ser apurados pela delegacia de origem a luz das provas juntadas na manifestação de inconformidade com a DCTF e Dacon retificadora. Portanto o crédito deve ser devidamente apurado quanto a sua liquidez e certeza. Somente após esta providência é possível se julgar a compensação pleiteada. Assim, os autos devem retornar a Delegacia de origem para que em diligência o fisco apure a liquidez e certeza dos valores de acordo com os documentos juntados. Cientifiquese a contribuinte para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias. Em 18/10/2017, foi juntada a Informação Fiscal DRF/GUA/Seort nº 080/2017, de lavra do AuditorFiscal César Alexandre Mantovani, que, após contextualização do caso, concluiu que, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foram calculados os créditos da Cofins, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito da contribuinte aos referidos créditos, conforme abaixo se transcreve: "(...) Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Memória de Cálculo dos débitos da COFINS AnoCalendário 2003 (fl.179), Planilha com a relação das notas fiscais de vendas de redutores de velocidade – período jun/2003 (fls.180 e 181), Cópia de notas fiscais de vendas (fls.182 a 186), Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e COFINS (fls. 187 a 193) e Demonstrativo com a relação dos débitos compensados por pagamentos indevidos ou a maior (fl. 194). Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 265 4 Embora o contribuinte tenha evidenciado na planilha de notas fiscais (fls.180 e 181) o montante de R$ 1.373.448,41 (um milhão, trezentos e setenta e três mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e quarenta e um centavos), oriundo das vendas de redutores de velocidade no mês de junho de 2003, o que teria acarretado, aplicandose a alíquota de 3%, na apuração indevida da COFINS de R$ 41.203,45 (quarenta e um mil, duzentos e três reais e quarenta e cinco centavos), fez a anexação aos autos de notas fiscais, cuja somatória monta apenas em R$ 185.280,57 (cento e oitenta e cinco mil, duzentos e oitenta reais e cinqüenta e sete centavos). Nesses termos, de conformidade com o exarado na Resolução nº 3401 000.724, expedida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que determina que sejam diligenciados os documentos carreados aos autos, e considerando que a nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da operação comercial, foi efetuado o cálculo do crédito da COFINS, tomandose como base as notas fiscais ora apresentadas, sendo apurado o valor de R$ 5.558,42 (cinco mil, quinhentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e dois centavos), conforme quadro abaixo: No entanto, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foram calculados os créditos da COFINS, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito do contribuinte aos referidos créditos. Que seja dada ciência ao contribuinte do conteúdo desta Informação Fiscal, com posterior encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para as providências cabíveis. É facultado ao contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da Informação Fiscal, manifestarse acerca de seu teor. A contribuinte, intimada da decisão em 26/10/2017, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 214, protocolou, em 24/11/2017, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 215, petição, manifestandose acerca do relatório de diligência apresentado pela unidade, reiterou o pedido de provimento do Recurso Voluntário, para que seja totalmente homologada a compensação declarada na PER/DCOMP Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 266 5 nº 01791.88634.151204.1.3.047920 (sic). Rectius: tratase, na verdade, da PER/DComp nº 42507.07718.111104.1.3.040640. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator A diligência realizada pela unidade em atendimento à Resolução proferida em 25/06/2013 veio a reconhecer como indevida a tributação da receita de venda dos redutores de velocidade, classificados no Código NCM nº 8483.40.10, mas entendeu, a partir da apreciação das notas fiscais, que o direito creditório se restringe ao montante de R$ 5.558,42, por inexistirem registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas advenientes das operações refletidas na coleção documental em apreço tenham sido oferecidas à tributação do PIS e da COFINS. Notase, da leitura da informação prestada, que a autoridade fiscal não compulsou a existência do crédito com base nas informações contidas na DCTF Retificadora, que aponta para o valor declarado de R$ 268.904,82, conforme documento situado à fl. 74, em conformidade com o quanto determinado, o que a levou a deixar de considerar o valor de R$ 309.904,82, que aponta para pagamento efetuado pela recorrente, conforme documento situado à fl. 10. Como forma de prover a contextualização da matéria, as receitas decorrentes da venda de redutores de velocidade (Código NCM nº 8483.40.10) sujeitavamse à alíquota zero da contribuição ao PIS e da COFINS sob os auspícios da redação original do art. 3º da Lei nº 10.485/2002 em julho de 2003, período em que o crédito foi apurado, questão esta não controvertida pelas partes, em conformidade com afirmação realizada pela informação fiscal prestada e situada à fl. 210, e que se encontra superada neste momento processual, conforme trecho que abaixo se transcreve: “Assim, mostrase incontroverso com base no exposto acima que, a partir de 01 de novembro de 2002, data da produção dos efeitos da Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, até 30 de julho de 2004, data anterior à produção dos efeitos do art. 36 da Lei nº 10.865, de 2004, que alterou a redação original do artigo 3º retrocitado, as receitas decorrentes da venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o que inclui o produto redutor de velocidade (NCM 8483.40.10), auferidas por fabricantes, importadores, comerciantes atacadistas e varejistas, tiveram as alíquotas do PIS/Pasep e COFINS reduzidas a 0% (zero por cento)” (seleção e grifos nossos). 16. Portanto, resta incontroverso esse ponto, pelo que a Recorrente passará a demonstrar a seguir a inequívoca e indevida sujeição das receitas advindas desse produto à tributação pela COFINS (direito creditório utilizado na PER/DCOMP). Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 267 6 Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Contudo, no caso corrente é necessário que se considere o fato de a unidade ter realizado a análise do direito creditório, conforme determinação deste colegiado, unicamente sob a perspectiva das notas fiscais juntadas aos autos e dos registros contábeis hábeis a demonstrar a inclusão das receitas na base de cálculo das contribuições, sem considerar, portanto, a declaração retificadora apresentada, o que a levou a concluir pelo crédito no valor apontado de R$ 5.558,42, não reconhecido pro ausência de lastro probatório. Em outras palavras, a unidade apõe sobre a diligência o seu entendimento no sentido de condicionar o reconhecimento do crédito à juntada da integralidade das notas fiscais e respectivos registros contábeis, em desprestígio ao quanto determinado pela diligência determinada. Percebase que a principal motivação da Resolução foi no sentido de não ter a decisão recorrida considerado as retificadoras, como se extrai do seguinte trecho: "(...) a decisão da DRJ desconsiderou as declarações retificadoras, afrontando com isto o princípio da verdade material. Neste sentido é o acórdão do CARF nº 330201. 299: 'a DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação substitui a original em relação aos débitos vinculados e declarados'". Assim, é contrário ao quanto determinado tornar a se passar ao largo das declarações retificadoras, cujos conteúdos em nenhum momento foi objetado ou controvertido. Observese, em complemento, que a contribuinte, intimada a se manifestar, apresentou o razão analítico da conta "Cofins a recolher" (não paginável), que permite a 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 268 7 identificação das notas fiscais, em conformidade com a planilha situada às fls. 180 a 181. Por meio de tal expediente é possível se encontrar, em cada uma das notas fiscais de venda, a parcela referente especificamente ao produto "redutor de velocidade", que deveria ter sido originalmente segregado pela recorrente, sob pena de sujeitar à tributação da Cofins, pela sua alíquota básica, receitas sujeitas à alíquota zero, como de fato ocorreu. Acrescese, ainda, o fato de a contribuinte ter realizado a juntada, em 09/03/2012, da integralidade dos lançamentos contábeis referentes ao anobase de 2003, em conformidade com comprovante situado à fl. 198: Assim, diferente da conclusão a que chega a contribuinte ao entender que tais fundamentos seriam suficientes para dar provimento a seu recurso, é necessário que a, antes, verifiquese a suficiência do crédito para extinguir o débito, razão pela qual voto, com Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10875.902964/200814 Resolução nº 3401001.515 S3C4T1 Fl. 269 8 fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) à luz das provas acima mencionadas, verifique se o crédito oriundo de pagamento a maior a título de Cofins é suficiente para a extinção do débito pretendida por meio do encontro de contas, cotejando a informação constante na DCTF retificadora com as planilhas e demais documentos trazidos ao presente processo administrativo, inclusive em mídia eletrônica, intimando, se necessário, a contribuinte para prestar esclarecimentos; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008812/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1992
SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DIPJ 1993.PRESCRIÇÃO.
Os saldos negativos apurados na DIPJ/93 tanto do IRPJ ou CSLL
resultantes do ajuste anual, como do ILL (Imposto Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido) podiam ser compensados já nos meses seguintes, facultada a opção pelo pedido de restituição em processo específico, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 67/92. Por conseqüência, em 03/09/2003 já
ocorrera a prescrição de tal direito.
Numero da decisão: 1202-000.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1992 SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DIPJ 1993.PRESCRIÇÃO. Os saldos negativos apurados na DIPJ/93 tanto do IRPJ ou CSLL resultantes do ajuste anual, como do ILL (Imposto Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido) podiam ser compensados já nos meses seguintes, facultada a opção pelo pedido de restituição em processo específico, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 67/92. Por conseqüência, em 03/09/2003 já ocorrera a prescrição de tal direito.
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E SERVIÇOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DIPJ 1993.PRESCRIÇÃO. Os saldos negativos apurados na DIPJ/93 tanto do IRPJ ou CSLL resultantes do ajuste anual, como do ILL (Imposto Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido) podiam ser compensados já nos meses seguintes, facultada a opção pelo pedido de restituição em processo específico, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 67/92. Por conseqüência, em 03/09/2003 já ocorrera a prescrição de tal direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 13807.008812/200311 Acórdão n.º 1202000.685 S1C2T2 Fl. 137 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário encaminhado a este Conselho em virtude de negativa de restituição de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), que fora declarado na DIPJ –Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica de 1993, anocalendário de 1992. Em 3 de setembro de 2003, Conduphon Ind. Com. Repres. e Serviços Ltda., apresentou pedido de restituição relativo à créditos de CSLL, no Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC Tatuapé – SP, sob jurisdição do DERAT – SP. Inicialmente, de se destacar que a empresa foi incorporada pela empresa Furokawa Industrial S/A Produtos Elétricos, com sede em Curitiba, o que motivou o deslocamento deste processo à DRF/CTA, responsável por referida jurisdição. A DRF/CTA, recepcionando o pedido (fl.58/60), reconheceu a existência de crédito no importe de 22.948,85 UFIRs, mas indeferiu o pleito de restituição, sob o argumento de que, quando fora solicitado, já havia se operado a prescrição referente ao crédito que se buscava restituir, já que decorridos mais de 05 (cinco) anos da data em que poderia ter sido exercido (in casu, 01/01/1993). A contribuinte foi intimada desta decisão em 24 de abril 2009 (fl. 62). Tempestivamente, a contribuinte apresentou “manifestação de inconformidade” (fl. 63/71) em relação a decisão da DRF, aduzindo, em linhas gerais que a legislação em vigor no anocalendário de 1992 (Lei n° 7.450, de 1985, Lei n° 7.799, de 1989 e IN DPRF n° 38/92), determinava o automático pedido de restituição de valores eventualmente declarados, inexistindo a necessidade de pedido autônomo, explicitando a similitude de funcionamento entre a tributação do IRPJ e da CSLL. Em seu entender, ao apresentar a DIPJ/93, automaticamente efetuou o pedido de restituição, e que aguardaria o depósito da restituição junto às instituições bancárias. Afirma que a administração se quedou inerte, se manifestando apenas após o protocolo do pedido administrativo de restituição, cuja decisão não se pautou pelas regras vigentes à época da entrega da declaração, que garantiam a interrupção do prazo decadencial. Em acréscimo, afirma ser inaplicável a Lei Complementar nº 118/2005, sob pena de se ferir regra de direito intertemporal e especialmente, a segurança jurídica. A decisão da DRJ/CTA (fl. 98/100) houve por bem manter o indeferimento da solicitação da contribuinte sob a alegação de clara prescrição do direito de receber a restituição pretendida. Assim, para o órgão fazendário, a contribuinte poderia, desde o momento da apresentação da declaração, utilizarse dos créditos para extinguir por compensação débitos a vencer (nos termos da IN 67/1992). Em acréscimo, aduz que se este não fosse o interesse da contribuinte, a mesma poderia formular pedido de restituição, desde que dentro do limite temporal previsto para tanto. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 13807.008812/200311 Acórdão n.º 1202000.685 S1C2T2 Fl. 138 3 Informa ainda ser inaplicável o entendimento da impugnante no sentido de que a entrega da declaração importa em automático pedido de restituição de valores, já que o regulamento específico aplicado para o período (MAJUR/1993) ao tratar do assunto (linhas 15/17, conforme transcrito no acórdão recorrido) dispunha expressamente ser necessário processo específico para o pedido de restituição. Isto posto, manteve o indeferimento do pedido sob a alegação de prescrição da pretensão da empresa. Ciente a contribuinte da decisão da DRJ/CTA em 8 de julho de 2009 (fl. 101). Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 104/114) reiterando as razões presentes em sua manifestação de inconformidade, buscando afastar o decreto de prescrição para, por fim, receber a restituição que entende devida. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Por preencher as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Tratam os autos de pedido de restituição de créditos decorrentes da apuração de saldo negativo de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), que fora declarado na DIPJ –Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica de 1993, ano calendário de 1992. O pedido foi protocolado em 3 de setembro de 2003. Sobre o prazo para pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, esse colegiado tem entendimento de que o prazo é de 5 anos, todavia, em agosto de 2011 o Supremo Tribunal Federal emitiu decisão em Recurso Extraordinário nº 566.621. Nesse Recurso, no sentido de prevalecer o prazo de 10 anos para o pedido de restituição contados da data da ocorrência do fato gerador. A decisão considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Como explicita a ilustre ministra Ellen Gracie em seu voto: “Assim, considerandose que o STJ havia consolidado entendimento no sentido de que o CTN fixara o prazo para repetição ou compensação de indébito tributário em 10 anos contados do fato gerador quando se tratasse de tributo sujeito a lançamento por homologação, é preciso reconhecer que a interpretação imposta pela LC 118/05 implicou redução do prazo de 10 para 5 anos.” Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 13807.008812/200311 Acórdão n.º 1202000.685 S1C2T2 Fl. 139 4 Para os dois entendimentos, o prazo de contagem se inicia na data de ocorrência do fato gerador, em sendo lançamento por homologação. No caso sob análise, a compensação poderia ter sido feita automaticamente, todavia, a restituição deveria ter seguido o prazo de 10 anos da ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu. A contribuinte apresentou seu pedido, em setembro de 2003, portanto, após o prazo de 5 ou 10 anos contados da data do fato gerador que foi em 31 de dezembro de 1992. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002269/2003-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2001, 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA - INAPLICABILIDADE.
Caracterizada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 9303-007.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2001, 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA - INAPLICABILIDADE. Caracterizada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2001, 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Caracterizada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 69 /2 00 3- 39 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.214 2 Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 1.173 a 1.185) com fulcro no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.º 147/2007, e no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 320100.198 (efls. 1.155 a 1.168) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de junho de 2009, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2001, 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Caracterizada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração (efls. 1.055 a 1.060) lavrado em face da Contribuinte, por meio do qual lhe é imputada a infração tributária de falta de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, em razão de remessas de valores ao exterior, a título de “royalties e assistência técnicaexterior”, nos anoscalendário de 2001 e 2002. Por ocasião do julgamento da impugnação, a DRJ (efls. 1.109 a 1.121) considerou o lançamento procedente apenas em parte, mantendo a cobrança da CIDE e excluindo a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) por aplicação da retroatividade benigna, consoante bem sintetizado pela Turma a quo: [...] Inicialmente a controvérsia travada nos autos, cingiase a lançamento de oficio, em razão da falta/insuficiência de recolhimento da CIDE relativos aos meses de abril, maio, junho de 2001 e novembro de 2002, bem como em virtude do contribuinte não ter adicionado a multa moratória aos pagamentos da CIDE, referentes aos períodos de agosto, setembro, Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.215 3 novembro, dezembro de 2001 e janeiro, março, maio, junho e novembro de 2002. A decisão ora recorrida afastou o lançamento por falta de recolhimento de CIDE dos meses de abril, maio e junho de 2001, por entender legitima a dedução do crédito prevista no art. 4°, § 1°, incisos I, "a" e II, da MP n° 2.06263/2001. E quanto ao mês de novembro, este foi efetivamente pago pelo contribuinte, como se observa no demonstrativo As fls. 1092/1093. No que tange a multa de oficio a r. decisão recorrida exonerou integralmente a parcela da multa isolada referente ao mês de novembro de 2002, pois constatou que esta fora paga na data de vencimento, não incorrendo, portanto, a multa de mora. Após estas considerações iniciais, a controvérsia travada nos autos cuida somente da não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados a titulo da CIDE, referentes aos meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2001 e janeiro, março, abril, maio e junho de 2002. [...] Nessa oportunidade, provido o recurso voluntário da Contribuinte, a Fazenda Nacional insurgese quanto à conclusão do acórdão recorrido pela exoneração de multa de mora diante da ocorrência da denúncia espontânea, alegando violação à legislação tributária pertinente ao tema, sobretudo ao artigo 138 do Código Tributário Nacional. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 25/06/2015 (efls. 1.193 a 1.195), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte, embora tenha sido devidamente intimada (efl. 1.201), não apresentou contrarrazões ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.216 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/07, vigente à época, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A controvérsia gravita em torno da exclusão da multa de mora ante o pagamento da CIDE pelo Contribuinte e, por conseguinte, tendo restado caracterizada a ocorrência da denúncia espontânea, consoante art. 138 do CTN. O presente processo administrativo tem origem em lançamento de oficio, em razão da falta/insuficiência de recolhimento da CIDE relativos aos meses de abril, maio, junho de 2001 e novembro de 2002, bem como em virtude de a Contribuinte não ter adicionado a multa moratória aos pagamentos da CIDE, referentes aos períodos de agosto, setembro, novembro, dezembro de 2001 e janeiro, março, maio, junho e novembro de 2002. No julgamento da impugnação, a DRJ afastou o lançamento por falta de recolhimento de CIDE dos meses de abril, maio e junho de 2001, por entender legitima a dedução do crédito prevista no art. 4°, § 1°, incisos I, "a" e II, da MP n° 2.06263/2001. No que concerne ao mês de novembro, o mesmo foi pago pela Contribuinte, consoante demonstrativo colacionado às efls. 1.092 e 1.093 dos autos. Além disso, exonerou a multa isolada do mês de novembro de 2002, pois constatou que a mesma foi paga na data do vencimento, não incorrendo na multa de mora. No seguir do processo, a Turma a quo, ao julgar o recurso voluntário, entendeu por afastar a exigência da multa de mora face a denúncia espontânea da CIDE, com os devidos acréscimos legais, pela Contribuinte, com fundamento nos seguintes termos, in verbis: [...] Após estas considerações iniciais, a controvérsia travada nos autos cuida somente da não inclusão da multa de mora nos Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.217 5 recolhimentos efetuados a titulo da CIDE, referentes aos meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2001 e janeiro, março, abril, maio e junho de 2002. Aduz o contribuinte, em seu Recurso Voluntário, que a multa de mora não deve ser aplicada, pois efetuou o pagamento de suas obrigações tributárias antes de qualquer procedimento administrativo, caracterizando, portanto, a denúncia espontânea. Alega, ainda, sobre a impossibilidade da exigência do juros Selic, haja vista que esta não tem seus limites definidos em lei, bem como inexiste previsão constitucional de outorga a órgãos do Poder Executivo para a sua regulamentação. Após esta breve síntese dos fatos passo a analisar a presente contenda. Para a resolução da lide, imperioso verificar a inaplicabilidade da multa de mora, quando caracterizada a denúncia espontânea. Com efeito, dispõe o artigo 138, do Código Tributário Nacional dispõe, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração." [...] Assim, pelo exposto, a denúncia espontânea é um instituto que permite ao contribuinte a exclusão: de qualquer penalidade. Quanto ao termo "penalidade", há controvérsia, uma vez que há quem faça distinção entre multas fiscais e moratórias, por entenderem que estas últimas teriam caráter indenizatório. Todavia, esse não é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consoante se depreende da ementa transcrita abaixo: "DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento dos recursos repetitivos REsp n. 962.379 e REsp 886.462, reafirmou o entendimento assentado pela Corte no sentido de que não existe denúncia espontânea quando o pagamento se referir a tributos já noticiados pelo contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, de Guia de Informação e Apuração dolCMS — GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei e pagos a destempo. Considera se que, nessas hipóteses, a simples declaração é apta a constituir o crédito tributário, sendo desnecessário, para tanto, o lançamento, de modo que, constituído o crédito tributário, o seu Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.218 6 recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o beneficio do art. 138 do CTN. 2. Contudo, in casu, o acórdão recorrido, com fundamento na prova dos autos, concluiu pela configuração da denúncia espontânea, porquanto não vislumbrou indicio algum de que "realmente tenha havido declaração dos tributos anteriormente ao pagamento" ou de que o débito fora objeto de parcelamento. 3. Conclusão baseada em premissa fática cuja revisão é vedada a esta Corte por força do óbice da Súmula 7/STJ. 4. Assim, não havendo comprovação da ocorrência de parcelamento ou prévia declaração pelo contribuinte, configura se a denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação; em razão da confissão da divida acompanhada de seu pagamento integral ter ocorrido em momento anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. 5. No que tange à natureza da multa cujo perdão está previsto no artigo 138 do CTN, a jurisprudência desta Corte já assentou que, não havendo, no dispositivo legal, nenhuma distinção entre multa punitiva e moratória, ambas devem ser excluídas quando do reconhecimento da denúncia espontânea. Precedentes. 6. Recurso especial nãoprovido." (REsp 1062139/PR /Relator (a): Ministro BENEDITO GONÇALVES /Data de Julgamento 11/11/2008/ Data de publicação: DJe 19/11/2008.) Depreendese do excerto acima que para o STJ, a multa de mora não pode ser exigida em sede de denúncia espontânea, por falta de previsão legal, já que não há na legislação (art. 138 do CTN) distinção entre multa punitiva e moratória. Por outro lado, é pacifico o entendimento da Corte quanto às causas excludentes da "espontaneidade", tais como a declaração do débito por meio de DCTF's, Gias e semelhantes, bem como o parcelamento. Nesse mesmo sentido, outros acórdãos do Superior Tribunal de Justiça: "RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. 1. Em regra, a denúncia espontânea é aplicada para qualquer tributo, independentemente da sua forma de lançamento. Entretanto, quando houver declaração do contribuinte e, só após, em atraso, for efetuado o pagamento da divida, não há que se falar na sua caracterização, uma vez que já constituído o crédito tributário. 2. A tese do recorrente, de que a denúncia espontânea não poderia ser aplicada aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, não pode aqui ser aplicada, uma vez que não Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.219 7 restou evidenciada a circunstância de ter o contribuinte previamente declarado o tributo e, em seguida, efetuado o pagamento em atraso. Sem essa premissa fática, impossível aplicar a jurisprudência pleiteada pelo INSS. Incide o óbice da Súmula 7/STJ para não conhecer do recurso especial quanto a esse ponto. 3. A expressão "multa punitiva" é até pleonástica, já que toda multa tem por objetivo punir, seja em razão da mora, seja por outra circunstância, desde que prevista em lei. Dai, a jurisprudência deste Superior Tribunal terse alinhado no sentido de que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer espécie de multa, e não só a "punitiva", como quer o recorrente. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido." (REsp 957036/SP — Relator ministro Carlos Meira/ Data de Julgamento: 26/08/2008 — Publicado DJe 25/09/2008) "TRIBUTÁRIO —DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ART. 138 DO CTN — CONFISSÃO ESPONTÂNEA — PAGAMENTO INTEGRAL AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO — EXCLUSÃO DA MULTA — POSSIBILIDADE. 1. Ausente qualquer procedimento administrativo anterior a confissão do contribuinte, que paga o tributo, acompanhado dos juros de mora, de forma integral, cabível o afastamento da multa moratória. 2. Recurso especial não provido." (g.n.) (REsp 957215 / SP/ Relator(a) Ministra Eliana Calmon / Data de Julgamento 05/08/2008 / Publicado DJe 01/09/2008) O mesmo entendimento é adotado pelo Conselho dos Contribuintes: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN ART. 138). MULTAS DE OFICIO E MORATORIA. CIDE Configurada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Acórdão 30237.525, Recurso 129.541 — Relator Luis Antonio Flora)" Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.220 8 "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTAS DE OFICIO E MORATORIA. CTN ART. 138. Configurada a espontaneidade da denúncia da infração pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora, é afastada a aplicação de multas, de oficio ou moratória, de conformidade com o art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA." (Acórdão 30235.278, Recurso 124.238, Relator: Paulo Roberto Cucco Antunes)" (g.n.) Podemos concluir, pois, que não incorre multa de mora quando configurada a denúncia espontânea. In casu, o próprio contribuinte confessa em sua impugnação (fl. 1059) que realizou em atraso o pagamento dos seus débitos tributários, referentes aos meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2001, bem como de janeiro, março, abril, maio e junho de 2002, conforme comprovam as cópias das respectivas DARF's de fls. 994, 996„ 999, 1001, 1016, 1005, 1007 e 1009. Entretanto, observo que todas as DARF's foram pagas em 30.07.2002, enquanto o procedimento fiscal teve inicio em 16.09.2002, ou seja, o contribuinte efetuou o pagamento dos débitos antes de qualquer ação fiscal, configurando, assim, a denúncia espontânea. Nessa esteira, quanto a incidência da multa de mora na hipótese de haver denúncia espontânea, considerandose ainda o que dispõe o artigo 138 do Código Tributário Nacional, notase que este exige o pagamento do principal, acrescido de juros de mora, nada dispondo sobre a inclusão da multa moratória. Por todo exposto, entendo que o Auto de Infração ora combatido não deverá subsistir, uma vez que não incide multa de mora no pagamento de tributo pago a destempo, quando realizado antes de qualquer procedimento fiscal. [...] Por todo exposto, dou PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a IMPROCEDÊNCIA TOTAL DO LANÇAMENTO. [...] Tendo sido efetuada a confissão do tributo, no caso a CIDE, seguida do respectivo pagamento com os acréscimos legais, deve ser reconhecido o instituto da denúncia espontânea, para fins de exclusão da multa punitiva, no caso, a multa de mora. Para corroborar Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.221 9 a assertiva, pertinente ainda transcrever ementas de julgados proferidos pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (ART. 138 DO CTN). NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO INTEGRAL. 1. Recurso especial no qual se discute se a realização do depósito judicial integral do débito tributário eventualmente devido, antes de qualquer procedimento do Fisco tendente à sua exigência, configura denúncia espontânea, em face do que dispõe a Lei 9.703/98, que vincula os valores depositados à Conta Única do Tesouro Nacional. 2. A jurisprudência desta Corte já se pacificou no sentido de que apenas o pagamento integral do débito que segue à sua confissão é apto a dar ensejo à denúncia espontânea. Precedentes: REsp 895.961/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20/09/2010; AgRg no AREsp 13.884/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 08/09/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1167745/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 24/05/2011. 3. É pressuposto da denúncia espontânea a consolidação definitiva da relação jurídica tributária mediante confissão do contribuinte e imediato pagamento de sua dívida fiscal. Em face disso, não é possível conceder os mesmos benefícios da denúncia espontânea ao débito garantido por depósito judicial, pois, por meio dele subsiste a controvérsia sobre a obrigação tributária, retirando, dessa forma, o efeito desejado pela norma de mitigar as discussões administrativas ou judiciais a esse respeito. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1131090/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe 19/09/2013) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. RECONHECIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos declaratórios são cabíveis quando houver contradição nas decisões judiciais ou quando for omitido ponto sobre o qual se devia pronunciar o juiz ou tribunal, ou mesmo correção de erro material, na dicção do art. 1.022 do CPC/2015. 2. O acórdão impugnado não foi omisso nem contraditório, pois decidiu expressamente que não é devida a multa de mora quando caracterizada a denúncia espontânea, o que se verifica na hipótese em que a embargada Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 16327.002269/200339 Acórdão n.º 9303007.654 CSRFT3 Fl. 1.222 10 efetuou o pagamento dos tributos e contribuições anteriormente à apresentação da DCTF. 3. Como assinalado no acórdão embargado, ao julgar o REsp 1.149.022/SP sob o rito dos recursos repetitivos, concluiu o e. Ministro Luiz Fux que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte". 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp 1229965/RJ, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2016, DJe 29/08/2016) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902546/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/04/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/04/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 46 /2 01 2- 34 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.740, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.902546/201234 Acórdão n.º 3302005.983 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721695/2013-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
FUNDAÇÕES PÚBLICAS. IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
É imune do ITR o imóvel rural pertencente à Fundação instituída e mantida pelo Poder Público, quando vinculado às finalidades essenciais da entidade.
Havendo nos autos elementos que atestam a destinação dada ao bem, cabe a fiscalização apresentar provas sobre eventual desvio de finalidade.
Numero da decisão: 9202-007.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDACAO RURAL MINEIRA RURALMINAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 FUNDAÇÕES PÚBLICAS. IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. É imune do ITR o imóvel rural pertencente à Fundação instituída e mantida pelo Poder Público, quando vinculado às finalidades essenciais da entidade. Havendo nos autos elementos que atestam a destinação dada ao bem, cabe a fiscalização apresentar provas sobre eventual desvio de finalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 16 95 /2 01 3- 51 Fl. 386DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado Auto de Infração por meio do qual exigese Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2008, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Serra Azul, localizado no município de JaíbaMG, registrado no NIRF nº 2.874.1919. Segundo o relatório fiscal de fls. 101/106, o Contribuinte é fundação de direito público que embora tenha se declarado como entidade imune do imposto, após intimado não apresentou comprovação alguma concernente à exploração do imóvel, se esta é feita de forma vinculada às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Esclareceu que o regramento a propósito de imunidade do ITR, no que diz respeito às autarquias e fundações instituídas pelo Poder Público, só alcançam os imóveis vinculados às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea 'a' e parágrafo 2º da Constituição Federal, do artigo 3º, inciso III do Decreto no 4.382/02 e artigo 2º, inciso III da Instrução Normativa SRF nº 256/02. Diante da decisão da Delegacia de Julgamento pela manutenção do lançamento, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde novamente destaca sua condição de fundação de direito público vinculada à Secretaria de Agricultura Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais cujo estatuto foi aprovado pelo Decreto Estadual nº 45.752/2011. Ressalta que o imóvel é utilizado no Projeto Jaíba o qual consiste em programa de desenvolvimento regional, autossustentável, que objetiva aprimorar a estrutura socioeconômica de modelo de produção baseado no assentamento dirigido de pequenos e médios empresários agrícolas. A 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. No entendimento do Colegiado uma vez tendo o Contribuinte mencionado acerca da finalidade do imóvel, caberia à fiscalização nos termos do art. 142 do CTN apresentar provas capazes de comprovar eventual desvio que levasse à desconsideração da condição de imune da entidade. O acórdão 2401004.904 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO IMÓVEL RURAL DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS OU MESMO IMÓVEL VAGO. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A utilização do imóvel rural para o desenvolvimento de atividades diversas, desde que seus frutos sejam totalmente revertidos aos objetivos institucionais da entidade beneficente de Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 9202007.247 CSRFT2 Fl. 387 3 assistência social, não representa afronta ao artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, ou aos princípios da livre concorrência e/ou isonomia, capaz de negar direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo constitucional, conforme precedentes do STF e STJ, traduzidos na Súmula nº 724, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, sob pena de improcedência do lançamento, como aqui se vislumbra. Contra decisão a Fazenda Nacional, citando como paradigma o acórdão 302 38.478, interpôs recurso especial tendo a divergência sido assim resumida: O acórdão recorrido entendeu que caberia ao Fisco o ônus de demonstrar que a instituição que se declarou imune não utilizou o imóvel nas suas finalidades essenciais para que lhe pudesse ser exigido o ITR. Em sentido diametralmente oposto, o acórdão paradigma entendeu que caberia ao contribuinte que se declarou imune comprovar que o imóvel rural foi utilizado nas suas finalidades essenciais para fins de gozo da imunidade do ITR. Isto posto e devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial no que toca à distribuição do ônus da prova em relação à regra inserta no art. 150, VI, “a” e “c” c/c §§ 2º e 4º da Constituição Federal, bem como no art. 9º, IV, “a” e “c” e § 2º c/c art. 14, § 2º do Código Tributário Nacional, merece ser conhecido o presente recurso especial. Intimado a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos formais, razão pela qual, ratifico o despacho de admissibilidade e dele conheço. Conforme exposto no relatório, por meio de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, devolvese a este Colegiado a discussão acerca da imputação do ônus da prova para fins de demonstração do cumprimento dos requisitos para o reconhecimento da imunidade prevista no art. 150, VI, 'a' c/c § 2ºda Constituição Federal. No caso, estamos diante de cobrança de ITR referente a imóvel de propriedade de fundação pública estadual estando a controvérsia limitada à discussão de quem é o ônus de comprovar se a finalidade dada ao imóvel está relacionada com os objetivos para o qual a instituição foi criada. E neste ponto, em que pese o argumento apresentado pela Recorrente, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Fl. 388DF CARF MF 4 Foi destacado pelo Relator do acórdão que nos termos do Decreto Estadual nº 45.752/2011 a Fundação, ora Recorrida, tem por finalidade executar serviços de engenharia, bem como planejar, desenvolver, dirigir, coordenar, fiscalizar e executar projetos de logística de infraestrutura rural e de engenharia, com vistas ao desenvolvimento social e econômico do meio rural no Estado, observadas as diretrizes políticas formuladas pela Secretaria Estadual de Agricultura, competindolhe entre outros pontos a função de "administrar, diretamente ou por meios de terceiros e fiscalizar o funcionamento do sistema de irrigação do complexo do Projeto Jaíba ". Com base nessa informação concluiu: Relativamente ao imóvel rural objeto da exação, informou a suplicante que a área repassada pelo Governo de Minas Gerais é integrante da Etapa II do Projeto Jaíba, que visa o desenvolvimento regional autosustentável, mediante a adoção de um modelo de produção baseado no assentamento dirigido de pequenos e médios produtores agrícolas Dessa forma, não se poderia exigir da contribuinte produzir prova negativa, qual seja, incumbindo à fiscalização, neste caso, indicar e comprovar o desvio de finalidade por parte da entidade para poder promover o lançamento desconsiderando sua condição de imune, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Consoante se positiva dos autos, se apresenta incontroverso a imunidade da entidade recorrente, uma vez não contestada pela fiscalização, estendendose, portanto, ao imóvel rural sob análise, sobretudo em razão da fiscalização não ter comprovado o desvio de finalidade tendente a rechaçar o pleito da contribuinte. Mais a mais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, afora os casos das presunções legais, onde a própria legislação atribui ao contribuinte o ônus da prova, é dever do Fisco comprovar o alegado/imputado, na esteira do disposto no artigo 142 do CTN, sob pena de improcedência do feito. Isto a fiscalização não logrou comprovar, mormente quando resta incontroverso a condição de imune da entidade, só podendo ser desqualificada na hipótese de demonstração da inobservância dos pressupostos legais de tal benefício fiscal por parte da autoridade lançadora, o que não se constata nos autos. A corroborar esse entendimento, é de bom alvitre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar caso da mesma natureza, achou por bem afastar a tributação sobre imóvel de propriedade de entidade beneficente, sob o fundamento de que, restando incontroversa a imunidade da contribuinte, presumidamente todo seu patrimônio e o produto dos seus serviços se destinam ao seu fim estatutário, impondo ao Fisco o dever de comprovar o contrário, in verbis: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. IPTU. O caráter benemérito da recorrida jamais foi questionado pelo recorrente, devendose presumir que todo seu patrimônio, bem como o produto de seus serviços está destinado ao cumprimento de seu mister estatutário. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10670.721695/201351 Acórdão n.º 9202007.247 CSRFT2 Fl. 388 5 [...]” (2a Turma do STF – Relatora: Ministra Ellen Gracie – Recurso Extraordinário n° 251.7721 SP – Julgamento em 24/06/2003 – DJ de 29/08/2003). Importante também fazer referência ao documento de fls. 292 e seguintes. Temos escritura pública de doação por meio da qual o Estado de Minas Gerais doa à Recorrida o imóvel objeto da autuação, havendo neste termo de doação menção expressa das condições que devem ser observadas pela donatária, condições essas impostas pela Lei Estadual nº 15.269/2004, valendo transcrever o art. 5º: Art. 5° Fica o Poder Executivo autorizado a transferir à Fundação Rural Mineira RURALMINAS área de aproximadamente 30.000ha (trinta mil hectares), integrante do Projeto Jaíba II, protocolada sob o nº 18.844, a fls. 204 do Livro 1A, registrada sob o nº 6.748, a fls. 155 do livro 2Y, R01 e Averbação nº 02, no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Manga. § 1º Os recursos financeiros oriundos da alienação ou do arrendamento da área de que trata este artigo serão depositados em conta remunerada específica, em nome da RURALMINAS Projeto Jaíba, e serão investidos na área de atuação do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais IDENE , sendo até 50% (cinqüenta por cento) no perímetro de irrigação do Projeto Jaíba, em dotações previstas nos planos plurianuais de ação governamental e nas leis orçamentárias anuais para o Projeto Jaíba. § 2º Para a elaboração da programação orçamentário financeira dos recursos de que trata este artigo, a RURALMINAS submeterá à aprovação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão plano de ação, acompanhado do respectivo cronograma físicofinanceiro, o qual conterá, no mínimo, a previsão de arrecadação anual e de arrecadação total, devendose especificar o percentual de recursos a serem investidos no Programa Jaíba, que poderá variar anualmente, observado, quando da apuração final da receita, o percentual mínimo de que trata o § 1º deste artigo. Neste cenário, compartilho do entendimento do acórdão recorrido de que caberia à fiscalização trazer aos autos elementos para contrapor as informações prestadas pela Recorrida, destacando que a finalidade dada ao imóvel está prevista em lei e não em mero instrumento particular. Destaco que a conclusão da maioria do Colegiado é no sentido de o ônus da prova recair sobre o Contribuinte, entretanto, no caso concreto, esse corretamente demonstrou por meio dos esclarecimentos e documentos juntados aos autos a finalidade atribuída ao imóvel, caracterizando assim seu direito à imunidade tributária. Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional e mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Fl. 390DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 391DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903336/2015-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.737
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 36 /2 01 5- 07 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.127 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903336/201507 Acórdão n.º 3402005.737 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
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