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Numero do processo: 10640.720699/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Nathália Mesquita Ceia - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.720699/201026 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.187 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de outubro de 2014 Assunto IRPF Recorrente MARIA DAS GRAÇAS VITA AREDES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 02 a 10, lavrado em 09/12/2010, exigese da Contribuinte MARIA DAS GRAÇAS VITA AREDES o montante de R$ 525.724,68 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 263.177,77 de juros de mora e R$ 394.293,51 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 1.183.195,96 (atualizado até a data da autuação), referente ao ano calendário de 2005 e decorrente de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 20 69 9/ 20 10 -2 6 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 3 2 O Relatório Fiscal (fls. 29 e seguintes) relata que: · O início da fiscalização decorreu do fato de a Contribuinte ter movimentado em contas bancárias de sua titularidade no exercício de 2006 valores superiores a R$ 3 milhões e ter reportado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 31.517,82 e recebidos da atividade rural na monta de R$ 795.168,00; não sendo reportados outros rendimentos. Ou seja, os rendimentos reportados não eram condizentes com a sua movimentação financeira. · A Contribuinte foi intimada a justificar a relação que mantinha com a empresa CDB Comércio e Derivados de Bovinos Ltda., por restar caracterizada transferências bancárias (DOC e cheques) entre ela e a CDB. A Contribuinte alegou que não existem documentos ou comprovantes fiscais que embasem a relação negocial. · A Contribuinte também foi intimada a apresentar extratos bancários de sua titularidade e a mesma atendeu à intimação com a entrega da informação solicitada. A autoridade fiscalizadora, também, expediu Requisição de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias requerendo os extratos da Contribuinte. · A fiscalização intimou a Contribuinte para que apresentasse justificativa acerca da origem dos depósitos em suas contas bancária, bem como informasse se os depósitos na conta de cotitularidade com o Sr. Márcio Malafaia Aredes poderiam ser discriminados como sendo dela ou dele. · A Contribuinte informou que se tratam de depósitos exclusivamente referentes à sua atividade rural, não apresentou documentação alguma que assim indicasse e complementou que não há como discriminar se os depósitos são de responsabilidade dela ou do Sr. Márcio Malafaia Aredes. · A fiscalização efetuou o lançamento considerando metade dos depósitos sem origem comprovada em face da cotitularidade da conta bancária. A Contribuinte apresentou Impugnação (de fls. 166 e seguintes), em 12/01/2011, na qual trouxe as seguintes alegações, requerendo a nulidade do crédito tributário: · Indevida quebra do sigilo bancário por ausência de autorização judicial. · Cerceamento do direito de defesa por imprecisão do enquadramento legal e ausência à resposta da última correspondência encaminhada pela Contribuinte. · O lançamento com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser efetuado mensalmente e o imposto apurado é definitivo. · A decadência dos lançamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2005. · O exercício da atividade rural está devidamente comprovado. Há erros no levantamento dos depósitos em duplicidade e as notas fiscais apresentadas se prestam a comprovar a origem dos depósitos. A 4ª Turma da DRJ/JFA na sessão de 28/03/2013 pelo Acórdão 0943.253 de fls. 192 e seguintes julgou a Impugnação procedente em parte para eximir a Contribuinte do IRPF Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 4 3 no valor de R$ 66.445,63, por verificar que: (i) houve cobrança de imposto em duplicidade sobre os depósitos em cheque e desbloqueio de depósito por se tratarem de mesmo valor e data e (ii) restar comprovada a origem de alguns depósitos por meio de Notas Fiscais (venda de garrotes referentes à atividade rural), nos seguintes termos: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. IRPF. TRIBUTAÇÃO. AJUSTE ANUAL. Nos termos da legislação em vigor, ocorre a apuração mensal dos rendimentos omitidos, sendo o somatório desses sujeitos à tributação anual, ou seja, o montante da omissão apurada compõe a base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A tributação das pessoas físicas sujeitase ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, no caso, o lançamento é por homologação. Na hipótese de pagamento de imposto, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Na ausência de pagamento, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei 9.430/96, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Excluemse do lançamento os valores relativos a depósitos originados em rendimentos espontaneamente declarados. Excluemse também os valores relativos a créditos considerados em duplicidade no levantamento do imposto devido. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. Somente com a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que a omissão de receita foi proveniente da atividade rural, é possível efetuar a tributação com base nas regras próprias desta atividade. A Contribuinte foi notificada do Acórdão pelo AR de fls. 211 em 11/04/2013, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 213 e seguintes, com os argumentos a seguir sumarizados: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 5 4 · Indevida quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial, especialmente porque a RMF foi efetuada, mesmo com a Contribuinte apresentando a documentação solicitada pela autoridade fiscal. · Cerceamento do direito de defesa da Contribuinte em face do enquadramento legal impreciso por parte da autoridade fiscal. · Cerceamento do direito de defesa da Contribuinte em face da ausência de resposta da última correspondência encaminhada pela mesma à autoridade fiscal. Assevera a Contribuinte que solicitou esclarecimentos à fiscalização acerca da nomenclatura utilizada na planilha produzida pela fiscalização, especialmente acerca da abrangência das expressões: DEPÓSITO CHEQUE LIBERADO e DESBLOQUEIO DE DEPÓSITO. Pondera que a ausência de esclarecimentos acerca da abrangência dos referidos termos prejudicou sua defesa. · Alegação de que há depósitos considerados em duplicidade pela fiscalização quando do lançamento. Há proximidade de datas e correspondência de valores. · Alegação de que o IRPF devido com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é mensal e definitivo. Logo, resta equivocado o lançamento que considerou o IRPF no ano calendário de 2005. · Decadência do lançamento referente aos depósitos efetuados até 30/11/2005, por entender que o IRPF é devido mensalmente. · Alegação que o exercício da atividade rural está devidamente comprovado, pleiteando a adoção da alíquota de 20% sobre a receita alegadamente omitida. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. No Recurso Voluntário apresentado à fls. 213 (PDF) e seguintes não resta legível a data de seu protocolo, não sendo possível aferir a tempestividade do mesmo. Ademais, não há no processo administrativo sob análise outra indicação que comprove a data de protocolo do Recurso Voluntário pela Contribuinte. Desta feita, proponho a conversão do processo em diligência para que a autoridade preparadora informe a data do protocolo do Recurso Voluntário de fls. 213 e seguintes (PDF) e posteriormente intime o contribuinte para promover eventual manifestação acerca da diligência. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906393/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906393/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.691 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/11/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 93 /2 01 2- 11 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.841, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 36939.83526.111209.1.2.049990, rastreamento nº 041907276, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 5.624,17, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/10/2008, efetuado em 20/11/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906393/201211 Acórdão n.º 3802002.691 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/11/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906393/201211 Acórdão n.º 3802002.691 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906393/201211 Acórdão n.º 3802002.691 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906393/201211 Acórdão n.º 3802002.691 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13951.001276/2008-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004,2005,2006
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1803-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004,2005,2006 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 249 1 248 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13951.001276/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.534 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de outubro de 2012 Matéria MULTA DE OFÍCO ISOLADA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF) Recorrente COOPERATIVA AGRICOLA DO CERRADO DO BRASIL CENTRAL LTDA COACEREAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004,2005,2006 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 1. 00 12 76 /2 00 8- 73 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 250 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado os Autos de Infração, fls. 0614, com a exigência dos créditos tributários nos valores de: (a) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2002, cujo prazo final era 14.02.2003. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (b) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do primeiro trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 15.05.2003. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (c) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do segundo trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 15.08.2003. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 251 3 Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (d) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do terceiro trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 14.11.2003. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (e) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 13.02.2004. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (f) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do primeiro trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 14.05.2004. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 252 4 Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (g) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do segundo trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 13.08.2004. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (h) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do terceiro trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 12.11.2004. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. (i) R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 02.09.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A falta da entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data de lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 253 5 Arts. 113 e § 3º, 115 e 160 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional § 3º. e inciso II , da Lei nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas: A Recorrente vem .apresentar tempestiva impugnação, propugnando pela anulação total do lançamento pretendido pelos Autos de Infrações, apresentando razões e documentação relativa aos fatos ,, alvo das notificações: A Recorrente não tinha obrigatoriedade de.entregar as referidas DCTF, conforme Instruções Normativas SRF n°.s 255 de 11/12/2002, artigo 3º, inciso III , 482 de 21/12/2004, artigo 4º, inciso III e 583 de 20/12/2005 artigo 6º, inciso III, em virtude que durante todos os anoscalendário mencionados; acima, a mesma se manteve inativa. Não tendo nenhum tipo de movimentação, conforme DIPJ dos exercícios de 2003, 2004 e 2005. (em anexo). Por todo o exposto, demonstrando a improcedência da Ação Fiscal, espera e requer da autoridade julgadora seja acolhida a presente impugnação e cancelamento da exigência fiscal. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 31.958, de 25.05.2011, fls. 233236: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 DCTF. MULTA POR FALTA DE ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que realiza qualquer atividade operacional, não operacional financeira ou patrimonial no curso do período, não está dispensada da apresentação da DCTF, sendo cabível a exigência de multa no caso de falta de apresentação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 11.07.2011, fl. 240, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.08.2011, fls. 241245, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita que: DO MÉRITO Ab initio, temse que a DRJ/CTA – 3º turma reconheceu no julgamento em tela a desobrigatoriedade de apresentação das DCTF’s quando a empresa encontra se inativa, com fulcro nas instruções normativas SRF nº 126/1998, nº 255/2002 que se encontravam em vigor à época dos fatos geradores em questão. Entretanto, na mesma decisão consta informação que a empresa recorrente foi beneficiária de rendimentos tributáveis passíveis de retenção de imposto de renda na fonte, nos meses de junho, novembro e dezembro de 2002 (R$ 42,46), fevereiro, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 254 6 março, outubro e dezembro de 2003 (R$ 73,66) e março, abril e junho de 2004 (R$ 62,43), tendo alguma empresas de telecomunicações (Tele Centro Oeste Celular Participações S/A, Telecomunicações de São Paulo S/A, Brasil Telecom Participações S/A, Tele Sudeste Celular Participações S/A e a Tele Norte Leste Participações S/A. como fontes pagadoras. Também, foi declinado que houve pagamentos de débitos vencidos em 2002 e 2003. Contudo, não deve prevalecer a tese embasadora do referido acórdão, haja vista que a empresa recorrente não praticou atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial no período em tela, tendo em vista que os valores oriundos das empresas de telecomunicações se constituem de iniciativa [...] das mesmas em razão de provável devolução parcial de valores já quitados anteriormente, inclusive sem o conhecimento da empresa recorrente, enfim, tal movimentação não foi de iniciativa da recorrente e sim de terceiros. Quanto ao fato de se constatar pagamentos de débitos nos anos de 2002 e 2003, a empresa recorrente também desconhece tais fatos, haja vista que se encontrava inativa neste período, de forma que não tem conhecimento de como foi pago os débitos em questão e nem por quem. Diante disso, considerando que a empresa recorrente não praticou por iniciativa própria qualquer movimentação no período em questão, bem como não efetuou pagamento algum, concluise que os autos infracionais em comento devem ser cancelados ou anulados por medida de Direito e Justiça DO PEDIDO Diante do exposto, não pode prosperar as presentes imposições, não só pela razões aduzidas, mas sobretudo pelo sábio entendimento e costumeiro bom senso que caracterizam as decisões emanadas por Vossas Senhorias Por isto, requer o cancelamento e conseguinte arquivamento dos autos de infração aqui elencados, concedendose à Reclamante todos os meios de prova permitido e não defeso. Determina a Portaria de fl. 248: O PRESIDENTE DA QUARTA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o § 3º. do Artigo 63 do Regimento Interno do CARF, baixado com a Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, publicada no Diário Oficial do dia seguinte, RESOLVE: DESIGNAR relatora “ad hoc” a Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA para o fim de formalizar o Acórdão nº 1803001.534, prolatado pela Terceira Turma Especial da Quarta Câmara da Primeira Seção, na sessão realizada no dia 03 de outubro de 2012, no julgamento do Processo nº 13951.001276/200873, de interesse do contribuinte COOPERATIVA AGRÍCOLA DO CERRADO DO BRASIL CENTRAL LTDA. COACERAL, em face de a relatora original não mais ocupar o cargo de Conselheira. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162, fl. 257: Aos dois dias do mês de outubro do ano de dois mil e doze, às nove horas, pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 5º Andar, Sala 506, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 255 7 da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), WALTER ADOLFO MARESCH, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, VIVIANI APARECIDA BACCHMI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.. [...] Relator(a): VIVIANI APARECIDA BACCHMI Processo: 13951.001276/200873 Nome do Contribuinte: COOPERATIVA AGRÍCOLA DO CERRADO DO BRASIL Acórdão 1803001.534 Acórdão: Por unanimidade de votos, não conheceram do recurso, por intempestividade. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Não Conhecido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Ad Hoc Designada Em preliminar tem cabimento o exame da tempestividade do recurso voluntário interposto. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que se considera efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. No caso da emissão Notificação de Lançamento, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da sua notificação. No mesmo prazo de 30 (trinta) dias, contra a decisão de primeira Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13951.001276/200873 Acórdão n.º 1803001.534 S1TE03 Fl. 256 8 instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Estes prazos legais são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Outra característica é que também são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pela vontade das partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeira instância, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa em instância recursal tenha sido interposta1. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 11.07.2011, fl. 240, e apresentou o recurso voluntário em 11.08.2011, fls. 241245. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 5º, art. 15, art. 16, art. 23, art. 33, art. 35 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15374.973316/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 07/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 171 1 170 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.973316/200998 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.497 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de setembro de 2014 Assunto CIDE Recorrente GUY CARPENTER & COMPANY CORRETORA DE RESSEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 07/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 73 31 6/ 20 09 -9 8 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 172 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido, seguido da sua ementa e das razões recursais: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 03633.16443.210109.1.3.042383, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior de CIDE Data de Arrecadação : 12/11/2008 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 20.993,97 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 17.469,27 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 15.248,49 O crédito teria origem no DARF recolhido em 12/11/2008, de CIDE (código 8741), no valor de R$ 20.993,97, e já teria sido informado na DCOMP inicial de nº 41848.07165.051208.1.3.042874. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 09, nº de rastreamento 848603333, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 17.469,27. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP” Ainda segundo o Despacho Decisório, o DARF estaria totalmente utilizado para liquidar débito de CIDE, código 8741, do PA 30/11/2008, no valor de R$ 20.993,97. Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009, fls. 08. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 13/11/2009, fls. 11/12, alegando: a empresa fez uma remessa ao exterior e o imposto devido a título de CIDE seria de R$ 17.844,88, que foi retido pelo HSBC Banck Brasil S/A – Banco Múltiplo – agência 2472. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.973316/200998 Resolução nº 3201000.497 S3C2T1 Fl. 173 3 no mesmo dia (12/11/2008), recolheu imposto calculado errado, no valor de R$ 20.993,97. fez 2 (dois) pagamentos para o mesmo débito, reconhecendo como correto o valor de R$ 17.844,88, usando como crédito em DCOMP o valor de R$ 20.993,97. errou na DCTF pois informou como devido o valor de R$ 20.993,97, sendo que já retificou a declaração, lançando o valor correto. o crédito existe de fato. A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 12/11/2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Novamente inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. Como novidade, trouxe aos autos cópia do contrato de câmbio, que, segundo informou, demonstraria a real base de cálculo da CIDE recolhida a maior. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme se depreende do relatório, o núcleo do presente contencioso cingese aos efeitos do procedimento adotado pela Recorrente no sentido de retificar a sua DCTF para legitimar o crédito informado em DCOMP pretérita. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.973316/200998 Resolução nº 3201000.497 S3C2T1 Fl. 174 4 A instância a quo, sem entrar no mérito da existência do crédito, entendeu que a compensação é indevida, pois o crédito utilizado pela Recorrente somente passou a existir formalmente após a retificação da DCTF. Por outro lado, a Recorrente alega que o direito creditório sempre existiu, tendo havido apenas um erro formal na DCTF original, o que pode ser verificado pela fiscalização inclusive com a cópia do contrato de câmbio firmado com o HSBC e trazido aos autos em sede recursal. É certo que o contencioso administrativo fiscal deve ser guiado pelo princípio da verdade material, segundo o qual os formalismos exacerbados devem ser afastados para que prevaleça a realidade dos fatos. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.973316/200998 Resolução nº 3201000.497 S3C2T1 Fl. 175 5 ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Ao que tudo indica nos autos, a Recorrente fez prova de que o crédito alegado existe. Logo, em homenagem ao princípio da verdade material, as provas devem ser admitidas no julgamento deste CARF. Nesse particular, transcrevese a ementa de um interessante julgado, a saber: ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.212, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011) Superado, então, o entendimento de que a Recorrente não poderia juntar provas em fase recursal nem retificar a sua DCTF em momento posterior ao despacho decisório, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Rio de Janeiro/RJ para que confirme, ou não, se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado por este Conselheiro ou quem lhe fizer as vezes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 13864.720215/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.
LUCRO REAL x LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA.
A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e das contribuições sociais com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1301-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LUCRO REAL x LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e das contribuições sociais com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 15 /2 01 1- 93 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 2 VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Da análise do relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: “Tratasse dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, Contribuição ao PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 29 de janeiro de 2011, no valor total de R$ 45.892.885,71, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: ‘Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 (...), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2007 a 31/12/2007, valor tributável ou imposto e percentual da multa (75%)] Enquadramento Legal: Art. 24, da Lei n.º 9.249/85; Art. 42, da Lei n.º 9.430/96 e Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 287 e 288, do RIR/99.’ 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 579/596, que relata minuciosamente todo o procedimento de fiscalização. 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 636/666, em 28 de dezembro de 2011, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Afirma que, iniciada a fiscalização, a qual tinha por objetivo determinado em MPF a verificação das Contribuições PIS/COFINS, foi estendida para o IRPJ e CSLL, diante da existência de valores transitados por suas conta correntes, em valores expressivos e superiores ao faturamento declarado. 3.2. Diz ter demonstrado desde o início da fiscalização um descontrole administrativo e financeiro, solicitando diversas prorrogações de prazo, que foram deferidas. Finalmente apresentou planilha que demonstrava que a movimentação bancária decorria em sua maioria de descontos de duplicatas e empréstimos bancários, evidenciando um alto grau de endividamento, justificado pelo Pedido de Recuperação Judicial desde 2010. Em suas palavras: ‘Entretanto, neste mesmo atendimento ficou evidenciado de maneira clara a inexistência de contabilidade formal, suficiente para demonstrar resultados na sistemática de Lucro Real, portanto, situação esta que determinaria o Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 4 arbitramento do lucro no período fiscalizado, tendo como base de cálculo os valores apontados na planilha apresentada pela Impugnante. Diante o fato de inexistência de contabilidade, aguardouse a autuação sobre os números apresentados, mas na forma de arbitramento de lucros, ou ainda, solicitação da documentação de suporte dos valores informados, contudo, recebemos autuação fiscal que considerou a totalidade da movimentação bancária como omissão de receitas, deixando de adotar o arbitramento dos lucros pela inexistência de contabilidade, acontecimentos estes que serão objeto central de nossa impugnação. Isso sem contar a inconsistência da eventual base de cálculo se fosse admitida a sistemática do lucro real, como ao final será demonstrado.’ 3.3. Aduz que a autoridade fiscal inobservou princípios básicos da contabilidade, seus demonstrativos e livros obrigatórios, além de transformar valores creditados em bancos, com histórico de financiamentos, desprezar TED da mesma titularidade e deixar de verificar os créditos de operações de desconto, todos transformados em omissão de receitas. E continua: ‘Como já dito anteriormente, a empresa impugnante vivia no período fiscalizado uma crise financeira sem precedentes, culminando com o pedido de “Recuperação Judicial”, no ano 2010, e usava de toda disponibilidade de créditos bancários, chegando inclusive para garantir empréstimos, descontos e contas garantidas com títulos e documentos, não compatíveis. Assim sendo, desencadeando uma verdadeira “ciranda financeira”, onde a necessidade monetária sobrepujava a ordem administrativa e documental, situação esta comprovada por uma simples leitura dos históricos constantes da listagem da movimentação bancária realizada pela própria fiscalização, onde constam expressamente inúmeros descontos e empréstimos. Com base na citada listagem de valores creditados, realizada pela fiscalização, apresentamos em anexo denominado Anexo I, demonstrativo de históricos bancários incompatíveis pela própria natureza da operação, assim, estes se tornam imprestáveis de servirem de “base de cálculo” para lançamento em “omissão de receitas.” Em uma rasa leitura sobre o demonstrativo Anexo I, fica literalmente demonstrado que seus valores devem ser excluídos da tributação, ou seja, extraídos da base de cálculo, para que daí sim surja eventual omissão em comparação com os valores constantes da DIPJ entregue. Em resumo, a planilha ora apresentada deixa de maneira clara e evidente que a base de cálculo utilizada pela fiscalização está totalmente equivocada ao considerar como receita empréstimos bancários e capitais pertencentes a terceiros.’ 3.4. Alega que ao afirmar que a movimentação bancária não foi contabilizada, tal fato por si só já justificaria o arbitramento dos lucros. Além disso, considerou como omissão de receitas o total dos depósitos presentes em suas contas correntes, esquecendose, de maneira deliberada ou por falta de conhecimento, do faturamento declarado em DIPJ de R$ 15.726.666,26. Enfim, a autoridade fiscal somou possível faturamento decorrente da omissão de receitas com o lucro declarado, sem se ater ao fato de que o lucro decorre do faturamento diminuído dos custos e despesas. 3.5. Reitera que o lançamento está eivado de vícios insanáveis, pois a autuação inclui toda a movimentação bancária, a qual já abrange o faturamento declarado, não Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 4 5 descontado, caracterizando um bis in idem, tendo em conta que ela declarou faturamento que transitou por suas contas bancárias e foi novamente considerado pela autoridade fiscal na apuração do crédito tributário. 3.6. Aduz que da leitura do Termo de Verificação Fiscal, especificamente Itens 27, 28 e 29, fica evidente o desconhecimento contábil da autoridade fiscal, ao considerar os arquivos magnéticos entregues, desacompanhados dos Livros Diário e Razão, bem como da documentação que daria suporte à escrituração. E continua: ‘Em uma leitura aprofundada dos dizeres da Auditoria fica mais uma vez evidenciado seu desconhecimento contábil, primeiramente pela inexistência de escrituração contábil formal, depois pela utilização de arquivos magnéticos que demonstram a ausência de movimentação bancária, e finalmente com a conclusão de que a falta de escrituração de depósitos bancários ou de contas correntes não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração e o conseqüente arbitramento dos lucros. Ora senhores julgadores, não existe escrituração contábil, não foram apresentados livros Diário, Razão e Lalur, o montante da omissão apresentada pelo Auditor, baseada equivocadamente em créditos bancários decorrentes de operações de empréstimos, atingiu o valor de R$ 48.823.827,37 (...), importância esta que suplanta vertiginosamente em muitas vezes os valores declarados na DIPJ apresentada, com o movimento anual de R$ 15.726.666,26 (...), evidenciando que o Arbitramento dos Lucros é a única forma, no presente caso, de se apurar bases concretas para tributação. Há de se frisar que não se trata de desclassificação de escrituração contábil, por erro ou forma como pretendeu a Auditoria, e sim de inexistência de escrituração contábil para dar suporte ao lucro real apresentado tempestivamente na DIPJ da impugnante. Quanto à jurisprudência na maioria desatualizada citada pelo Auditor para justificar a manutenção da Impugnante na sistemática do Lucro Real, todas elas se referem ou dizem respeito à escrituração contábil existente e acompanhada de documentação e livros contábeis, e não se coadunam com os valores e documentos apresentados pela Impugnante, ou seja, como justificar um arquivo magnético que apresenta uma receita de aproximadamente 15 milhões, com lucro real igual a zero, somado a uma alegada omissão de receita (sic) no valor de aproximadamente 48 milhões, sendo considerado como Lucro Real.’ 3.7. Reitera que o fato da contabilidade ser considerada imprestável ou até mesmo inexistente ou ainda pela não apresentação da escrituração contábil, faz com que tanto a doutrina como a jurisprudência administrativa sejam uníssonas em afirmar ser imperioso o arbitramento do lucro. Colaciona doutrina e jurisprudência, fls. 11/17 de sua impugnação. 3.8. Conclui sua defesa: ‘Diante do exposto, requer aos EMÉRITOS JULGADORES, seja julgado totalmente improcedente o presente lançamento que inclui PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, diante da inconsistência da base de cálculo tanto por considerar capital de terceiros, bem como pelo fato da fiscalização desconsiderar os valores declarados na DIRPJ, realizando a simples soma do faturamento, além de ter Fl. 766DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 6 desprezado o direito da contribuinte quanto ao arbitramento do lucro frente à contabilidade imprestável, e por ser ele de Justiça.’ A partir da análise dessas considerações, concluiu então a douta 4a Turma da DRJ/CPS, que, apreciando as circunstâncias especificas dos autos, em face, ainda, da impugnação regularmente apresentada, entendeu pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO DE LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INAPLICABILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento dos lucros somente é aplicável quando, no exame da escrituração, a fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos/créditos bancários, ou mesmo das contas correntes bancárias, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração e o conseqüente arbitramento dos lucros. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPOSTOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em contas bancárias para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retificase a exigência para dela excluir os valores correspondentes às transferências de mesma titularidade, nos termos da legislação aplicável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A referida decisão, conforme se verifica, fora obtida pela maioria dos julgadores que dela participaram, sendo relevante destacar a apresentação de “Declaração de Voto” pelo Sr. Julgador Dr. Paulo Mateus Ciccone, que restara vencido juntamente com a julgadora Dra. Milaine Cristina Cavioli. Regularmente intimada, a contribuinte se insurge contra a referida decisão, redargüindo, em seu recurso, as mesmas teses destacadas antes em sua impugnação, destacando, em todo o seu arrazoado, a impossibilidade de manutenção do lançamento, especificamente, tendo em vista que, inexistindo qualquer registro ou livro contábil capaz de viabilizar a apuração dos eventuais tributos devidos com base no lucro real, não teria outra alternativa a fiscalização, senão, promover o arbitramento dos lucros, sendo, portanto, completamente inválido o lançamento, da forma como então apresentado. É o que aqui se tem a relatar. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A discussão travada nos autos, pelo que se verifica, referese, especificamente, à (in)validade do procedimento adotado pela douta fiscalização que, diante das informações referentes à relevante movimentação financeira realizada pela contribuinte – informação essa fundada nas informações bancárias diretamente fornecidas pelas respectivas instituições financeiras, em confronto com os montantes de receita indicados em sua DIPJ , promoveu então o lançamento de ofício, apurando o montante do tributo devido pela contribuinte a partir da aplicação da sistemática do Lucro Real, nos termos da opção por ela então efetivada em sua DIPJ. A contribuinte, desde a sua impugnação originária, insurgese contra o procedimento adotado pelos agentes da fiscalização, especificamente porque, conforme estará efetivamente comprovado e registrado nos autos, não possuindo ela – e não apresentando, apesar de devidamente intimada para isso , qualquer livro de registro de seus lançamentos contábeis, completamente impossibilitada se mostraria, assim, a apuração o pretendido “lucro real”, restando, pois, inadmissível o lançamento, da forma como apresentado. A questão discutida no recurso, pelo que se verifica, mostrase efetiva e verdadeiramente relevante, sobretudo porque, conforme se verifica nos autos – e, inclusive, restada especifica e devidamente demonstrado pela Declaração de Voto apresentada pelo ilustre Sr. Julgador de primeira instância, Dr. Paulo Mateus Ciccone , o montante da movimentação financeira verificada fora apurada à ordem de R$ 48.823.827,37 (Quarenta e oito milhões, oitocentos e vinte e três mil, oitocentos e vinte e sete reais e trinta e sete centavos), ao passo que o montante de receitas oferecidas à tributação era de apenas R$ 15.726.666,26 (quinze milhões, setecentos e vinte e seis mil, seiscentos e sessenta e seis mil e vinte e seis centavos). Da análise dos referidos valores, conforme se verifica, o que aponta a fiscalização é que a totalidade dos valores registrados na DIPJ referemse, na verdade, aos montantes registrados na conta CAIXA, inexistindo, em seus registros, qualquer referência aos montantes que teriam transitado na conta Bancos, o que, por sua vez, impôs a conclusão da impossibilidade de dedução de uns pelos outros. Ou seja: tratamse de montantes distintos, não sendo, portanto, compensáveis. Assim, o montante total de receitas supostamente conhecidas da contribuinte seria então apresentada como sendo R$ 64.550.493,63 (Sessenta e quatro mil, quinhentos e cinqüenta reais, quatrocentos e noventa e três reais e sessenta e três centavos), dos quais, portanto, apenas 25% (vinte e cinco por cento) teriam sido informadas à Fazenda Pública, e, 75% (setenta e cinco por cento) mantidos integralmente omitidos, inexistindo, em relação a todos eles, qualquer registro contábil respectivo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 8 A partir dessas específicas circunstâncias fáticas, os agentes da fiscalização, com base na informação prestada pelas respectivas instituições financeiras, simplesmente, consideraram todos os valores ali especificamente considerados como “receita”, indicando a apuração dos tributos devidos (IRPJ/CSLL) a partir da suposta aplicação da sistemática do “Lucro Real”, sem, entretanto, considerar qualquer tipo de despesa, tendo em vista a completa inexistência de contabilidade da contribuinte. Ora, da análise das circunstâncias apresentadas, causa espécie a sistemática aplicada, sobretudo porque, sem qualquer atenção para as específicas circunstâncias fáticas contidas nos autos (inexistência de contabilização de cerca de ¾ do total do montante dos rendimentos considerados), bem como a nãoapresentação de qualquer registro contábil hábil a viabilizar a apuração dos montantes devidos, a fiscalização simplesmente promoveu a incidência das alíquotas aplicáveis, desnaturando, assim, completamente, a sistemática de apuração do IRPJ/CSLL a partir da identificação do “Lucro Real”. A respeito dessas específicas considerações, é relevante aqui destacar as ponderações apresentadas como fundamento pelos doutos julgadores de primeira instância na sustentação de sua divergência que, conforme se extrai da Declaração de Voto contida às fls. 699/701, assim especificamente destaca: Dizendo de modo diverso, para uma receita total de mais de 64 milhões de reais, (R$ 48.823.827,37 + R$ 15.726.666,26), 75% foi omitido pela contribuinte e somente 25% sofreu tributação, uma divergência absurda que fulmina a escrituração apresentada e impede qualquer tentativa de apuração do lucro líquido (contábil), estágio primeiro para se chegar ao Lucro Real (base de cálculo do IRPJ) e à base de cálculo da CSLL. Mais a mais, pelo relato do Auditor Fiscal que conduziu o feito e pela leitura dos documentos juntados aos autos, vislumbrase que a receita ofertada à tributação (em torno de 15 milhões), restringiuse à escrituração via livro CAIXA, posto que claramente a conta BANCOS, na contabilidade, apresentase SEM NENHUM MOVIMENTO, com valores zerados. Vale dizer, no total apurado pelo Fisco, referente à movimentação bancária (48 milhões), NÃO ESTÁ INCLUÍDO, por óbvio, o montante escriturado de R$ 15.726.666,26, visto que, como dito antes, pelos registros contábeis da fiscalizada só transitaram valores pela conta Caixa, não havendo sequer um centavo contabilizado na conta “Bancos”. Desse modo, impõese perquirir como seria possível validar uma escrituração em que TODA a movimentação bancária da autuada, responsável por ¾ da receita considerada, ficou ao largo do mínimo registro? De outro lado, é curial que a obtenção de receitas, excepcionalizados raros e esporádicos casos (p. ex., perdão de dívida), exige o sacrifício de custos e despesas, isto é, não é crível possa uma entidade auferir receita sem suportar o ônus de custear bens ou serviços que possam se traduzir em rendimentos. (....) Em síntese, inexistem dúvidas de que a despesa é a concretização do esforço, em termos monetários, para a geração da receita, reduzindo o patrimônio da empresa, com a perspectiva, com uma promessa latente de geração futura ou imediata de receita que deve, por definição, suplantar as despesas e assim gerar a parcela do lucro. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 6 9 Posta a questão, é desprovida de lógica a adição pura e simples do montante da receita omitida (48 milhões), à receita declarada pela autuada na DIPJ, (R$ 15.726.666,26), elevandoa a patamares superiores a 64 milhões de reais, enquanto se mantém, em contrapartida, os mesmos custos e despesas escriturados pela contribuinte e aceitos pelo Fisco, ou seja, R$ 10.764.946,48, desbalanceando completamente a equação (Lucro = Receita Custos + Despesas), posto que se estará aumentando uma das variáveis em detrimento das outras duas. Notese que ao se fazer a comparação com toda a receita que, segundo a autoridade fiscal, teria sido auferida pela contribuinte (R$ 64.550.493,63), terseia um percentual de custos de 16,68% (R$ 10.764.946,48 comparado com R$ 64.550.493,63), ou seja, os custos corresponderiam a aproximadamente um sexto das receitas brutas auferidas, uma verdadeira irrealidade. No caso em apreço, se mantida a sistemática de apuração com base no Lucro Real, as exigências do IRPJ e da CSLL não podem ser sustentadas, porque a tributação da receita omitida, sem o reconhecimento dos custos/despesas correspondentes, desvirtuaria a base de cálculo de incidência: ao invés de tributar o lucro, a incidência estaria sendo feita sobre a receita da atividade. Destaquese, que se a ausência de comprovação da origem dos recursos depositados pôde ser suprida juridicamente pela presunção legal de omissão de receitas, o mesmo não se dá com os recursos sacados nas contas correntes mantidas à margem da escrituração. Na ausência de provas hábeis, como não é possível a determinação dos custos/despesas efetivos da atividade, que teriam dado ensejo ao recebimento dos valores depositados, impõese a adoção dos custos/despesas arbitrados, a partir de coeficientes, definidos por atividade, previstos nas regras de determinação do Lucro Arbitrado. Diante de tal quadro, o fato de o Fisco haver atestado e convalidado a escrituração de parte das receitas auferidas pela empresa, que transitaram pela Conta CAIXA, não é suficiente para contraditar o arbitramento dos lucros, principalmente no caso em que a movimentação de recursos nas contas correntes não contabilizadas supera, em muito, a movimentação de recursos na conta CAIXA. Pelos motivos expostos, ainda que esteja convencido da efetiva omissão perpetrada pela contribuinte, a bem da moralidade pública e do princípio da legalidade que deve nortear os atos da administração tributária e não sendo cabível à autoridade julgadora alterar a forma adotada pelo Fisco para consecução dos lançamentos apreciados neste processo, voto no sentido de dar provimento à impugnação, cancelandose os lançamentos pertinentes. Pelo que se verifica, comungamos com o entendimento expressado nos indigitados votos vencidos no julgamento de primeira instância, sobretudo porque, por certo, se se mostra impossível a apuração das despesas empregadas para a obtenção das receitas omitidas, a sistemática a ser aplicada pelos agentes da fiscalização não pode ser outra, senão aquela especifica e expressamente prevista na respectiva legislação, que é, no caso, a aplicação necessária da apuração do lucro pela sistemática do “arbitramento”, na linha, inclusive, do que expressamente determinado pelas disposições do art. 47 da Lei 8.981/95, que destaca: Fl. 770DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 10 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Da leitura dessas disposições, considerando as circunstâncias expressas e especificamente apresentadas nos autos, têmse que, confessadamente, a contribuinte não Fl. 771DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 7 11 mantivera a sua regular e devida escrituração contábil, não podendo ser outra a alternativa, senão, a de efetiva aplicação da sistemática de apuração do resultado pelo “Arbitramento do lucro”, nos termos aqui, então, especificamente considerados. A respeito desse específico entendimento, é relevante destacar a remansosa jurisprudência deste Conselho, que, em reiteradas oportunidades, já há tempos se tem manifestado no sentido de que, inexistindo os respectivos livros contábeis, ou mesmo, sendo regularmente intimada, não sendo estes apresentados pelo contribuinte, a medida regular a ser aplicada é, de fato, a de aplicação da sistemática do lucro arbitrado, conforme, inclusive, verificase nos seguintes precedentes colhidos da jurisprudência do escólio desta Corte administrativa: Número do Processo 19515.002998/201095 Contribuinte POLIMPORT COMERCIO E EXPORTACAO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401001.056 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. E quanto ao Recurso voluntário, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Somente ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, é medida extrema e excepcional de auditoria, o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Assim a desclassificação da escrita contábil do contribuinte somente cabível quando não há a apresentação dos livros fiscais, dos livros contábeis e dos demais documentos que fundamentaram os registros, de forma que tome a contabilidade totalmente imprestável para a fiscalização. A não entrega das notas fiscais, não justifica o arbitramento do lucro. (Grifo nosso) Na mesma linha, destacamse também os seguintes: Número do Processo 10510.721469/201060 Contribuinte OSTERNO AGUIAR DECORACOES LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) CARMEN FERREIRA SARAIVA Nº Acórdão 1801001.879 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado Fl. 772DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 12 digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado ou comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. RECEITA BRUTA. PIS.COFINS. O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. =============================================== Número do Processo 19515.003082/200757 Contribuinte MICRO SWITCH ELETRO ELETRONICA LTDA. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Nº Acórdão 1402001.370 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Ementa Fl. 773DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER Processo nº 13864.720215/201193 Acórdão n.º 1301001.607 S1C3T1 Fl. 8 13 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, com exceção das parcelas decorrentes da prática de procedimentos dolosos, em que a contagem do prazo decadencial é iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele que cada lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento. Recursos de Oficio e Voluntário Negados. =============================================== Número do Processo 10140.003299/200364 Contribuinte POTENZA ASSESSORIA DE CREDITO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão 04/03/2008 Relator(a) Cândido Rodrigues Neuber Nº Acórdão 10809549 Tributo / Matéria IRPJ AF omissão receitas presunção legal Dep. Bancarios Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares, NEGAR o pedido de perícia, e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mariam Seif. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 NULIDADE RECUSA IMOTIVADA À PROVA PERICIAL IMPROCEDÊNCIA Não assiste razão ao autuado que alega a ausência de motivação, por parte do órgão a quo, na rejeição ao pedido de perícia, em face da exaustiva explanação da autoridade julgadora, ao fundamentar o seu voto, sobre a recusa ao pleito formulado. PERÍCIA DESNECESSIDADE Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, que só depende de matéria contábil e argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO REAL x LUCRO ARBITRADO OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e das contribuições sociais com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 PESSOAS JURÍDICAS QUE EXERCEM ATIVIDADE DE FACTORING No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de factoring, não há como partir do pressuposto de que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita omitida, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Diversamente, nas pessoas jurídicas do ramo de factoring, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos de créditos, como orientam o ADNCOSIT nº 31/97 e o artigo 10, § 3º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Em suma, para corresponder à Fl. 774DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER 14 conceituação jurídica relativa à receita bruta da atividade de factoring, apenas os depósitos bancários não promovem a presunção de que, na ausência de comprovação de suas origens, a receita omitida equivale, exatamente, ao somatório dos referidos depósitos, no período de apuração. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL COFINS PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Recurso Voluntário Provido. Da leitura dos precedentes aqui apontados, verificase que, no entendimento já há tempos aplicado neste CARF, sendo inviável a análise dos registros contábeis, ou ainda, no caso de sua configuração como imprestável, impossibilitada resta a apuração do resultado do exercício a partir da aplicação da sistemática de apuração do lucro real, sendo, portanto, legítima, regular e devida a sua apuração a partir da sistemática do lucro arbitrado, nos termos e fundamentos extraídos das disposições do mencionado art. 47 da Lei 8.981/95, na linha aqui então considerada dos precedentes colhidos da jurisprudência pacífica deste conselho. Em face dessas considerações, concluo o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a inadequação do lançamento efetivado com base na sistemática de apuração do lucro real – tendo em vista a inexistência dos respectivos registros contábeis – impondo, assim, a necessidade de apuração do montante dos tributos devidos a partir da aplicação da sistemática do “lucro arbitrado”, na esteira das disposições contidas no art. 47da Lei 8.981/95, aqui destacado, reconhecendo, assim, a sua completa invalidade, impondo, por isso, sua necessária desconstituição. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO aos termos do recurso voluntário interposto, determinando, assim, a integral desconstituição do lançamento efetivado, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 775DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por CARLOS AUGUSTO D E ANDRADE JENIER
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Numero do processo: 19515.720697/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO.
Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõe-se o conhecimento do recurso de ofício.
GANHO DE CAPITAL. ESCROW ACCOUNT. TRIBUTAÇÃO.
Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, relativo a rendimentos depositados em escrow account (conta-garantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2202-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso de Ofício e NEGAR-LHE provimento. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Marlano Silva Goulart, OAB nº 45.465/RS.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício e Relator.
Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõese o conhecimento do recurso de ofício. GANHO DE CAPITAL. ESCROW ACCOUNT. TRIBUTAÇÃO. Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, relativo a rendimentos depositados em escrow account (contagarantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE provimento. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Marlano Silva Goulart, OAB nº 45.465/RS. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 97 /2 01 1- 28 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da DRJ: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado, em 18/07/2011, o Auto de Infração de fls. 878/883, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 869/877, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 10.760.310,00 (dez milhões, setecentos e sessenta mil, trezentos e dez reais), sendo R$ 4.950.000,00, referentes ao imposto, R$ 3.712.500,00, à multa de ofício e R$ 2.097.810,00, aos juros de mora (calculados até 30/06/2011). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 882), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 30/04/2007 353.891.626,99 75 O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 869/877). Cientificado da autuação em 02/08/2011 (fls. 884), o interessado apresentou, em 31/08/2011, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 887/913, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: 1. na forma do Contrato de Venda e Compra de Quotas, o preço de aquisição da participação do Impugnante na empresa Atacadão – Distribuição, Comércio e Indústria Ltda foi estabelecido, inicialmente, em R$ 491.356.800,00 (quatrocentos e noventa e um milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil e oitocentos reais); 2. referido preço estava sujeito a ajuste para mais ou para menos, na forma contratada, sendo, portanto, provisório e variável. 3. parte do preço de aquisição, correspondente a R$310.389.613,25 foi depositado, em 30/04/2007, em sua conta corrente mantida junto ao Banco Safra S/A e imediatamente liberado ao Impugnante; 4. o valor de R$ 147.967.186,75 foi depositado em sua contacorrente no Banco Citibank S/A, também em 30/04/2007, enquanto que o restante (R$ 33.000.000,00) foi retido pelo comprador e depositado em conta de caução de ajuste para garantia do ajuste de preço de aquisição. 5. assim, o imposto de renda sobre o ganho de capital foi calculado em relação aos valores pagos em 30/04/2007, que totalizam a quantia de R$ 458.356.800,00, da qual foi deduzido o valor do custo de aquisição das quotas, no montante de R$ Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.111 3 126.531.413,01 e o valor de R$10.933.760,00, relativo aos custos e comissões pagos para a efetivação da venda; 6. foi apurado, então, o imposto devido de R$ 48.133.770,64, conforme GCAP elaborada (doc. 2), que foi pago pelo Impugnante em 31/05/2007, conforme DARF de pagamento anexo; 7. com relação ao valor retido de R$ 33.000.000,00, foram realizados procedimentos de auditoria, conforme determinado no Contrato de Venda e Compra de Quotas, e o preço de aquisição foi então ajustado e reduzido, tendo o impugnante recebido, em setembro de 2007, após auditoria para ajuste, somente o montante de R$ 13.384.819,38 (R$33.000.000,00 menos R$ 19.615.180,62 Valor do Ajuste de Preço); 8. sobre essa parcela recebida, de R$ 13.384.819,38, o Impugnante recolheu o imposto de renda sobre ganho de capital no valor de R$ 2.007.722,91, conforme comprovante e declaração GCAP anexos; 9. além de incorreta a base de cálculo proposta pelos Agentes Fiscais, que tributou os R$ 33 milhões quando o impugnante recebeu de fato apenas R$ 13.384.819,38, o Auto de Infração desconsiderou o recolhimento do imposto de R$2.007.722,91 incidente sobre aquele valor (DARF pago em 29.10.2007); 10. contrariamente ao entendimento dos AuditoresFiscais, o valor de R$ 33.000.000,00 jamais esteve disponível para o Impugnante, já que o comprador da empresa, a Atacadão Distribuição, Comércio e Indústria Ltda, reteve e depositou o valor diretamente em Conta de Caução, não tendo o mesmo transitado por qualquer conta de movimentação livre pelo Impugnante; 11. o contribuinte comprovou, através de cópias de extratos bancários, o efetivo depósito dos valores de R$310.389.613,25, R$ 147.967.186,75 e R$ 33.000.000,00, bem como, o débito de R$ 19.615.180.62, que deixou de receber pelo ajuste realizado; 12. o referido procedimento é corriqueiro neste tipo de operação, sendo que, no caso presente, foram observadas as mesmas práticas utilizadas habitualmente pelo mercado. 13. restou esclarecido nos autos que: (i) o Preço de Aquisição da participação societária do Impugnante na empresa Atacadão Distribuição, Comércio e Indústria estava sujeito a ajuste; (ii) o montante de R$ 33.000.000,00, correspondente ao Valor do Ajuste de Preço de Aquisição relativo às quotas alienadas pelo Impugnante, foi retido em Conta de Caução de Ajuste e que não estava disponível para o Impugnante; (iii) a administração do valor depositado na Conta de Caução de Ajuste era de responsabilidade do Agente de Caução; (iv) a liberação dos valores depositados na Conta de Caução de Ajuste somente ocorreu após o Agente de Caução receber Notificação assinada pelos Vendedores e Comprador; (v) do valor depositado em Conta de Caução de Ajuste, o Impugnante recebeu o valor de R$13.384.819,38, sobre o qual foi recolhido o imposto devido. 14. fica demonstrado, assim, que os parcos fundamentos apontados no Auto de Infração para justificar a autuação não se sustentam, merecendo ser integralmente desconstituído o Auto de Infração; 15. não existia disponibilidade econômica ou jurídica sobre o montante de R$ 33.000.000,00, retido em Conta de Caução de Ajuste, até o momento em que foram Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 concluídos os procedimentos de auditoria e que foi Notificado o Agente de Caução para a liberação dos recursos, tendo o Impugnante recebido somente o montante de R$ 13.384.819,38, liberado em setembro de 2007, sendo o valor de R$ 19.615.180,62 liberado em favor do Comprador; 16. a disponibilidade econômica, possibilidade de uso do recurso, bem como a disponibilidade jurídica, ocorreu somente em setembro de 2007, tendo o Impugnante pago corretamente o tributo sobre o valor que recebeu. 17. como apresentado no capítulo referente ao Contrato de Venda e Compra, o Preço de Aquisição estava sujeito a ajuste, logo sob condição suspensiva; 18. o Preço de Aquisição foi ajustado para menos, reduzido em R$ 19.615.180,62, valor que permaneceu com o Comprador e não integrou o Preço de Aquisição, não podendo, em nenhuma hipótese, incidir sobre ela imposto a pagar. 19. na forma do inciso II do art. 43 do Código Tributário Nacional, é condição essencial para a ocorrência do fato gerador o acréscimo patrimonial, que significa riqueza nova, de modo que corresponde ao que sobeja de todos os investimentos e despesas efetuados para obtenção do ingresso, o que tem repercussão na base de cálculo do imposto. 20. no caso concreto, é evidente que o valor de R$33.000.000,00, retido na Conta de Caução de Ajuste, não configurou acréscimo patrimonial para o Impugnante. 21. somente o valor de R$ 13.384.819,38 representou acréscimo patrimonial e sobre o mesmo foi pago o imposto de renda, no momento em que se tornou disponível; 22. ausentes os requisitos de disponibilidade jurídica ou econômica e de acréscimo patrimonial, não ocorreu o fato gerador que determinasse a tributação do montante de R$33.000.000,00 quando depositado na Conta de Caução de Ajuste; 23. a própria Receita Federal instrui os contribuintes, em situação análoga a não tributar imediatamente a parte variável do preço (preço sujeito a ajuste); 24. diante do exposto, requer: i) que a impugnação seja julgada procedente, para que o auto de infração seja integralmente cancelado, bem como o débito fiscal que reclama; ii) que seja o processo administrativo imediatamente suspenso, com a consequente suspensão dos efeitos do auto de infração, enquanto pendente de decisão; iii) que sejam considerados na apuração do imposto de renda os dois DARFs de pagamento recolhidos pelo Impugnante anexos a esta Impugnação; iv) a juntada dos inclusos documentos, a produção de provas adicionais, em especial a juntada de novos documentos, tudo em cumprimento aos princípios do contraditório. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 1.078/1.080. A decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2) foi no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, pois entendeu incorreto o procedimento adotado pela Fiscalização de não acatar a redução efetivamente ocorrida no preço de aquisição em virtude do ajuste de preço. A DRJ entendeu que deveria ter sido aplicado o tratamento conferido às alienações a prazo, conforme transcrição parcial do voto condutor, abaixo: No caso, o contribuinte recebeu, em abril de 2007, em decorrência da alienação societária, uma parcela fixa, determinada, no importe de R$ 458.356.800,00, e, posteriormente, poderia vir a receber a totalidade do valor remanescente (R$ Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.112 5 33.000.000,00), parte dele, ou, na pior das hipóteses, nada receber. Por essa razão, optou por tributar o ganho de capital à medida do recebimento das parcelas. Entretanto, como a segunda parcela era variável e não determinada, o cálculo proporcional do ganho de capital em relação à primeira parcela foi efetuado, considerando como valor de alienação apenas o valor efetivamente recebido e não o valor total da alienação, incluindo a parcela variável, o que gerou a apuração e recolhimento de um valor menor de imposto de renda. Por outro lado, quando do recebimento da segunda e última parcela, o valor recebido foi integralmente computado como ganho de capital e, por conseguinte, o imposto apurado e pago certamente foi superior ao que seria devido. Cabenos agora, portanto, já de posse do valor efetivamente recebido na segunda parcela, efetuar o cálculo proporcional do ganho de capital atinente às duas parcelas recebidas, considerando, a título de Valor de Alienação a quantia de R$460.807.859,38, correspondente à soma dos valores relativos à primeira e segunda parcelas, recebidos, respectivamente, em 30/04/2007 (R$ 458.356.800,00) e setembro de 2007 (R$13.384.819,38), subtraída do valor da comissão (R$ 10.933.760,00). Deduzindose do Valor de Alienação acima apurado (R$ 460.807.859,38) o Custo de Aquisição das quotas (R$ 126.531.413,01), temse um Ganho de Capital de R$334.276.446,37. Determinase, em seguida, o percentual do ganho de capital, que é representado pela relação entre o Ganho de Capital (R$ 334.276.446,37) e o Valor de Alienação (R$ 460.807.859,38). O percentual obtido (72,54%) deverá ser aplicado às duas parcelas recebidas, para o cálculo do correspondente ganho de capital e imposto de renda, como evidencia o quadro abaixo: DATA VALOR DAS PARCELAS GANHO DE CAPITAL (72,54% x VALOR DAS PARCELAS) IMPOSTO (GANHO DE CAPITAL x ALÍQUOTA DE 15%) ABR/2007 447.423.040,00 324.560.673,21 48.684.100,98 SET/2007 13.384.819,38 9.707.347,97 1.456.402,19 Efetuada a imputação proporcional dos valores pagos pelo contribuinte em abril e outubro de 2007 (R$ 48.133.770,64 e R$ 2.007.722,91) aos valores apurados no quadro supra (R$ 48.684.100,98 e R$ 1.456.402,19), consoante os demonstrativos de fls. 1.078/1.080, resta um imposto a pagar no valor de R$ 108.106,35. [...] À vista de tudo o acima exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação que ora se analisa, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido no auto de infração de fls. 878/883, conforme demonstrativo abaixo: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM R$: IR EXIGIDO MULTA EXIGIDA IR MANTIDO MULTA MANTIDA 4.950.000,00 3.712.500,00 108.106,35 81.079,76 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 De acordo com a decisão de primeira instância, foi exonerado R$ 4.841.893,65 de imposto e R$ 3.631.420,24 de multa de ofício. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, foi submetido à apreciação do CARF o recurso de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão em 27 de julho de 2012, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 1.100, porém não apresentou recurso voluntário da parte que lhe foi desfavorável, ou seja, o crédito mantido pela decisão da DRJ tornouse definitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. A decisão de primeira instância exonerou R$ 4.841.893,65 de imposto e R$ 3.631.420,24 de multa de ofício, totalizando R$ 8.473.313,89, superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual o recurso de ofício deve ser conhecido. Tratase da tributação de ganhos de capital decorrentes da alienação, pelo contribuinte, da totalidade das suas quotas, que representavam 22% (vinte e dois por cento) do capital social da empresa jurídica Atacadão Distribuição, Comércio e Indústria Ltda, CNPJ nº 73.315.333/000109, à pessoa jurídica Korcula Participações Ltda, CNPJ nº 08.648.433/0001 60. Segundo a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal às fls. 869/877), o valor total da alienação foi de R$ 491.356.800,00. Deduzindose o valor de R$ 10.933.760,00, relativo a custos e comissões pagos para a efetivação da venda, restou o montante de R$ 480.423.040,00, que foi considerado como valor de alienação. Desse total, foi subtraído o valor do custo de aquisição da participação societária, no valor de R$ 126.531.413,01, o que resultou em um ganho de capital de R$ 353.891.626,99. Sobre esse ganho de capital, foi apurado um imposto de renda de R$ 53.083.744,04. O autuado recolheu a esse título a quantia de R$ 48.133.744,04, resultando em uma diferença de R$ 4.950.000,00, que foi o valor apurado no presente auto de infração, conforme abaixo: Valor total da alienação: R$ 491.356.800,00 (Custos e comissões pagos): (R$ 10.933.760,00) Valor da Alienação: R$ 480.423.040,00 (Custo de aquisição): (R$ 126.531.413,01) Ganho de capital apurado (GK): R$ 353.891.626,99 Imposto de renda (15% s/ GK): R$ 53.083.744,04 (Imposto recolhido): R$ 48.133.744,04 Diferença de imposto: R$ 4.950.000,00 Foi lançado um imposto de R$ 4.950.000,00 pelo presente auto de infração, pois a Fiscalização incluiu no valor de alienação o valor de R$ 33.000.000,00, referente à garantia do Ajuste do Preço de Aquisição. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.113 7 O cerne da controvérsia reside em saber se é tributável o valor de R$ 33.000.000,00 (parcela retida para ajuste). Do total de R$ 491.356.800,00, valor da alienação, o contribuinte/alienante recebeu, em 30/04/2007, a quantia de R$ 458.356.800,00, que corresponde à soma dos valores de R$ R$ 310.389.613,25 e R$ 147.967.186,75, que foram depositados em suas contas correntes mantidas junto ao Banco Safra e Citibank, respectivamente. A quantia restante, de R$ 33.000.000,00, foi depositada diretamente em Conta de Caução de Ajuste, administrada por um agente de caução, o Citibank, para garantia do Ajuste do Preço de Aquisição, conforme rezava o Contrato de Venda e Compra de Quotas (fls. 131/230). Da parcela retida em Conta de Caução de Ajuste de Preço (R$ 33.000.000,00), contribuinte/alienante recebeu, em setembro de 2007, após a auditoria para ajuste, a quantia de R$ 13.384.819,38, tendo recolhido o imposto de R$ 2.007.722,91, calculado à alíquota de 15% sobre o valor recebido. Consoante disposto no Contrato de Venda e Compra de Quotas (fls. 131/230), o contribuinte, que possuía 22% das quotas da empresa Atacadão Distribuição, Comércio e Indústria Ltda, CNPJ nº 73.315.333/000109, receberia a quantia de R$ 491.356.800,00, porém o referido preço de aquisição estaria sujeito a ajuste e seria reduzido pelo Valor de Ajuste do Preço de Aquisição. 4.1. Preço de Aquisição. O preço de aquisição, certo e ajustado, a ser pago pela COMPRADORA aos VENDEDORES, pelas Quotas PRIMART é de R$1.016.215.200,00 (um bilhão, dezesseis milhões, duzentos e quinze mil e duzentos Reais) (o "Preço de Aquisição PRIMART"), pelas Quotas LOLY é de R$725.868.000,00 (setecentos e vinte e cinco milhões, oitocentos e sessenta e oito mil Reais) (o "Preço de Aquisição LOLY"), pelas Quotas FARID é de R$491.356.800,00 (quatrocentos e noventa e um milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil e oitocentos Reais) o "Preço de Aquisição FARID") (o Preço de Aquisição PRIMART, o Preço de Aquisição LOLY e o Preço de Aquisição FARID doravante referidos em conjunto como o "Preço de Aquisição")1, de acordo com as seguintes participações, e nos montantes indicados no Anexo 4.1 a este Contrato: [...] (x) o montante de 22% (vinte e dois por cento) será pago a FARID. 4.2. As PARTES reconhecem e acordam que, na Data de Fechamento, 100% (cem por cento) do Preço de Aquisição reduzido pelo Valor de Ajuste do Preço de Aquisição deverá ser pago nas contas bancárias de cada um dos VENDEDORES, a serem informadas por escrito pelos VENDEDORES à COMPRADORA em até 48 (quarenta e oito) horas antes da Data de Fechamento, de acordo com as participações descritas na Cláusula 4.1 acima. (grifos da transcrição). O Contrato de Venda e Compra estipula também que a parte do preço sujeita ao Ajuste do Preço de Aquisição seria proporcionalmente retida dos e entre os vendedores, de acordo com a sua participação no Preço de Aquisição, e ficaria depositada em Conta de Caução de Ajuste, conforme a Cláusula 4.3 abaixo transcrita: 4.3. Ajuste do Preço de Aquisição. As PARTES reconhecem e acordam, ainda, que do Preço de Aquisição, a ser pago nos termos da Cláusula 4.1 acima, o montante Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 equivalente a R$150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de Reais) (a "Parcela Retida para Garantia do Ajuste"), e proporcionalmente retido dos e entre os VENDEDORES, de acordo com a sua participação no Preço de Aquisição, será depositado, na Data de Fechamento, na Conta de Caução do Ajuste, como previsto na Cláusula 15.1 abaixo, exclusivamente para garantia do reembolso do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição pelos VENDEDORES à COMPRADORA, se existente, nos termos desta Cláusula 4.3. (grifos da transcrição). Como o contribuinte possuía 22% das quotas do capital social da empresa Atacadão, foi depositada em Conta de Caução de Ajuste em seu nome a quantia de R$ 33.000.000,00, que equivale a 22% do total de R$ 150.000.000,00. O Valor de Ajuste do Preço de Aquisição poderia ser ajustado para um valor maior ou menor, com base em auditorias. Se o valor fosse positivo, ele seria considerado, para todos os fins, como uma redução do Preço de Aquisição, devendo ser reembolsado ao comprador pelos vendedores. Caso fosse negativo, seria considerado como um acréscimo do Preço de Aquisição e liberado aos vendedores pelo comprador, conforme cláusulas do contrato. 4.3.1. As PARTES acordam que o Preço de Aquisição será ajustado, para um valor maior ou menor, com base nos balanços patrimoniais da PRIMART II, LOLY II e ATACADÃO, a serem elaborados pela COMPRADORA, em até 30 (trinta) dias, de acordo com o GAAP Brasileiro, e com database na Data de Fechamento, cujos valores deverão ser individualmente auditados pela Delloite & Touche, dentro de um prazo adicional de até 30 (trinta) dias, a contar da data de entrega do mesmo pela COMPRADORA (o "Balanço de Fechamento da PRIMART II". o "Balanço de Fechamento da LOLY II" e o "Balanço de Fechamento do ATACADÃO", em conjunto, os "Balanços de Fechamento"). Ao elaborar os Balanços de Fechamento, fica reconhecido e acordado que a COMPRADORA deverá absterse de fazer qualquer classificação ou reclassificação contrária às Práticas Contábeis Passadas do ATACADÃO. (grifos da transcrição) [...] 4.3.4. Caso o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ATACADÃO, calculado de acordo com a fórmula da Cláusula 4.3.3(i) acima, seja um valor positivo; então o montante do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ATACADÃO será reembolsado pelos VENDEDORES à COMPRADORA. Neste caso, o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ATACADÃO será considerado, para todos os fins, como uma redução do Preço de Aquisição.” (grifos da transcrição) [...] 4.3.7. Em qualquer uma das hipóteses acima, os valores correspondentes serão reembolsados pelos respectivos VENDEDORES à COMPRADORA mediante a liberação dos valores correspondentes da Conta de Caução de Ajuste. Para tal finalidade, os VENDEDORES se obrigam a, nos termos da cláusula 16 abaixo, apresentar ao Agente de Caução as autorizações conjuntas necessárias para que tal liberação seja feita. Na hipótese de os valores depositados na Conta de Caução de Ajuste prevista na Cláusula 16.1 abaixo não serem suficientes para completar qualquer dos reembolsos estabelecidos nas Cláusulas 4.3.4, 4.3.5 e 4.3.6 acima, os respectivos VENDEDORES deverão reembolsar a diferença à COMPRADORA diretamente, mediante TED, para a conta corrente da COMPRADORA a ser indicada para tal finalidade.(...) 4.3.8. Caso o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ATACADÃO, calculado de acordo com a fórmula da Cláusula 4.3.3(i) acima, seja um valor negativo: então o montante do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ATACADÃO será pago pela COMPRADORA aos VENDEDORES, de acordo com atribuição prevista na Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.114 9 Cláusula 4.1 acima. Neste caso, o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição será considerado, para todos os fins, como um acréscimo do Preço de Aquisição. (destaques da transcrição) [...] 4.3.11. Adicionalmente, nos casos previstos nas Cláusulas 4.3.8, 4.3.9 e 4.3.10 acima, as PARTES deverão tomar todas as providências necessárias para a liberação dos valores correspondentes da Conta de Caução de Ajuste. Para tal finalidade, a Compradora se obriga a, nos termos da Cláusula 16 abaixo, apresentar ao Agente de Caução a autorização conjunta necessária para que tal liberação seja feita. O pagamento do Valor do Ajuste de Preço somente deveria ocorrer após a revisão dos balanços patrimoniais e se não houvesse discordância das partes sobre os valores a serem pagos, de acordo com a Cláusula 4.4. do contrato. 4.4. Pagamento do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição. As PARTES concordam que cada um dos Valores de Ajuste do Preço de Aquisição será pago antes do 5° (quinto) Dia Útil subseqüente à primeira entre as seguintes datas (a "Data de Pagamento do Valor de Ajuste"): (i) a data imediatamente seguinte ao último dia do Período de Revisão, os Valores de Ajuste do Preço de Aquisição com relação aos quais nenhuma Notificação de Discordância tenha sido tempestivamente entregue pelos VENDEDORES; (ii) a data em que as PARTES tiverem solucionado as questões indicadas em qualquer Notificação de Discordância, com relação a qualquer Valor de Ajuste do Preço de Aquisição em discussão em tal Notificação de Discordância; ou (iii) a data em que o Relatório Final do Contador for entregue às PARTES, com relação a Valores de Ajuste do Preço de Aquisição cuja disputa tenha sido submetida a solução pelo Contador Independente.(grifos do original). Os recursos retidos para o Ajuste do Preço de Aquisição deveriam ser depositados em Conta de Caução de Ajuste a ser administrada por um Agente de Caução, no caso, o Banco Citibank S/A, conforme Clausula 15.1: 15.1. Contrato de Caução. De forma a garantir o pagamento de eventual Valor de Ajuste do Preço de Aquisição, que possa ser incorrido pelos VENDEDORES, de acordo com as disposições deste Contrato, a COMPRADORA deverá depositar R$150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de Reais) (a "Quantia Caucionada do Ajuste") na Conta de Caução do Ajuste (como definida abaixo), nesta data. A COMPRADORA e os VENDEDORES deverão celebrar um contrato de caução com o Agente de Caução, nesta data, substancialmente nos termos da minuta aqui anexada como Anexo 15.1.1. (o "Contrato de Caução do Ajuste"). O Contrato de Caução do Ajuste deverá reger a administração e as retiradas de fundos depositados pela COMPRADORA, nesta data, em uma conta de caução aberta junto ao Banco Citibank S.A. (o "Agente de Caução"), na Cidade de São Paulo.(grifos do original). Foi celebrado o Contrato de Caução de Ajuste (fls. 1.048/1.061), mediante o qual foi estipulado que os recursos depositados na Conta de Caução de Ajuste só seriam liberados aos vendedores ou ao comprador, conforme o caso, após o recebimento de notificações por escrito assinadas pelos representantes daqueles ou nos termos de uma sentença proferida por um tribunal com jurisdição competente. É o que prevê a Clausula 5: Cláusula 5. Liberação do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 (a) O Valor de Ajuste do Preço de Aquisição será pago até o 5°.(quinto) Dia Útil subseqüente à primeira dentre as seguintes datas (a "Data de Pagamento do Valor de Ajuste"): (i) a data imediatamente seguinte ao último dia do Período de Revisão, referente aos Valores de Ajuste do Preço de Aquisição com relação aos quais nenhuma Notificação de Discordância tenha sido tempestivamente entregue pelos VENDEDORES; (ii) a data em que as PARTES tiverem solucionado as questões indicadas em qualquer Notificação de Discordância com relação a qualquer Valor de Ajuste do Preço de Aquisição em discussão em tal Notificação de Discordância; ou (iii) a data em que o Relatório Final do Auditor for entregue às PARTES, com relação a Valores de Ajuste do Preço de Aquisição cuja disputa tenha sido submetida ao Auditor Independente. O Agente de Caução liberará o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ou qualquer parcela do mesmo aos VENDEDORES ou à COMPRADORA, conforme o caso, de acordo com (i) instruções por escrito assinadas pelos representantes dos VENDEDORES, na forma do Anexo 1 da este Contrato e um representante autorizado da COMPRADORA orientando o Agente de Caução a liberar o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ou qualquer valor ou qualquer parcela do mesmo conforme estabelecido, de acordo com o formulário anexo ao presente como seu Anexo 3 ou (ii) os termos de uma sentença final ou determinação ordenando a liberação do Valor de Ajuste do Preço de Aquisição ou qualquer parcela do mesmo, desde que tal uma sentença final ou decisão represente uma deliberação final com relação aos direitos das PARTES por um tribunal com jurisdição competente. (b) Imediatamente quando do recebimento da notificação por escrito mencionada na Cláusula 5(a)(i) acima, ou da sentença final ou determinação mencionados na Cláusula 5(a)(ii) acima (e, em qualquer hipótese, antes do quinto Dia Útil subseqüente a tal recebimento), o Agente de Caução liberará a Quantia Caucionada de Ajuste em conformidade com a mesma. (grifos da transcrição) (c) Este Contrato será rescindido quando da liberação de todo o Valor de Ajuste do Preço de Aquisição consoante esta Cláusula 5. A referida Conta de Caução de Ajuste é o que se convencionou chamar de escrow account, que é definida pelo Banco Central do Brasil como uma conta especial instituída pelas partes junto a uma terceira entidade, mediante contrato, destinada a acolher depósitos a serem efetuados pelo devedor e ali mantidos em custódia, para liberação após o cumprimento de determinados requisitos. Assim, as partes do contrato subordinam os pagamentos futuros à ocorrência de eventos incertos ou não quantificáveis à época da aquisição, os quais, de certa forma, podem concretizarse no futuro. O adquirente, dessa forma, protegese, pois os pagamentos futuros ficam subordinados ao desfecho de determinadas condições. Esse contrato envolve três partes dois contratantes em um negócio jurídico coligado ao depósito (negócio jurídico principal) e um terceiro, que seria o fiduciário, a quem é confiado o acompanhamento e execução do negócio. Conforme dispõe o Código Tributário Nacional, o imposto de renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.115 11 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. [...] Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. (grifos nossos). O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), assim dispõe: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). [...] Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro; III no caso de alienações efetuadas a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em países com tributação favorecida (art. 245), o valor de alienação será apurado em conformidade com o art. 240 (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 19 e 24). [...] Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. A Instrução Normativa IN SRF nº 84, de 2001, disciplina: Art. 19. Considerase valor de alienação: [...] § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. [...] Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. (grifos nossos). O IRPF/2014 – Perguntas e Respostas, disponível na pagina da Internet da Receita Federal do Brasil, assim dispõe sobre o assunto: PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS — ALIENAÇÃO SEM PREÇO PREDETERMINADO 555 — Como devem ser tributados os resultados obtidos em alienações de participações societárias quando o preço não pode ser predeterminado? Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.720697/201128 Acórdão n.º 2202002.859 S2C2T2 Fl. 1.116 13 Quando não houver valor determinado, por impossibilidade absoluta de quantificálo de imediato (ex.: a determinação do valor das prestações e do preço depende do faturamento futuro da empresa adquirida, no curso do período do pagamento das parcelas contratadas), o ganho de capital deve ser tributado à medida que o preço for determinado e as parcelas forem pagas. Não obstante ser indeterminado o preço de alienação, para correção do custo de aquisição tomase como data de alienação a da concretização da operação ou a data em que foi cumprida a cláusula preestabelecida nos atos contratados sob condição suspensiva. Contudo, alertese que o tratamento descrito deve ser comprovado pelas partes contratantes sempre que a autoridade lançadora assim o determinar. Essa matéria foi objeto da Solução de Consulta nº 58, de 27 de agosto de 2013, editada pela Superintendência da Receita Federal do Brasil da 4º Região Fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ganho de capital. “Escrow account”. Tributação. Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em “escrow account” (contagarantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico. A incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital, decorrente da alienação de bens e direitos, relativo a rendimentos depositados em contagarantia, somente ocorrerá quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica para o alienante, ou seja, quando realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico. Dessa forma, conforme decidido pela primeira instância, está equivocado o procedimento adotado pela Fiscalização em tributar o valor de R$ 33.000.000,00, depositado na contagarantia, ou Conta de Caução de Ajuste, posto que o contribuinte não possuía, em 30/04/2007, disponibilidade econômica ou jurídica sobre essa quantia. Somente em setembro de 2007 houve a disponibilidade de parte do valor depositado na referida contagarantia, quando foi liberada a quantia de R$ 13.384.819,38, de acordo com os documentos de fls. 1.063 e 1.072 a 1.075. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004847/2005-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF N. 3, DE 2008. APLICAÇÃO IMEDIATA.
De acordo com precedentes, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente.
Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 3102-00.080, para fazer constar do resultado de julgamento, também, que o recurso de ofício não foi conhecido.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Heitor de Souza Lima Júnior e Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF N. 3, DE 2008. APLICAÇÃO IMEDIATA. De acordo com precedentes, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Embargos de declaração acolhidos.
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LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF N. 3, DE 2008. APLICAÇÃO IMEDIATA. De acordo com precedentes, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 310200.080, para fazer constar do resultado de julgamento, também, que o recurso de ofício não foi conhecido. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 48 47 /2 00 5- 39 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.004847/200539 Acórdão n.º 2101002.447 S2C1T1 Fl. 397 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Heitor de Souza Lima Júnior e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de informação da autoridade preparadora (fl. 332) quanto à não apreciação do recurso de ofício interposto em face do acórdão da DRJ (fls. 122/134). O recurso foi admitido como embargos inominados (fl. 395). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O texto do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, mais especificamente em seu art. 66, admite a retificação de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão. No presente caso, há inexatidão material no acórdão recorrido, motivo pelo qual o pedido foi processado como embargos inominados, com a conseqüente inclusão em pauta para julgamento. De fato, não foi apreciado o recurso de ofício interposto pela DRJ. Passo, então, à sua análise. O recurso de ofício foi interposto em 23 de fevereiro de 2.006 (fl. 122/134). Não obstante, em 07 de janeiro de 2008, foi publicada a Portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, que estabelece o limite de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para interposição de recurso de ofício. Muito embora referida portaria tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a jurisprudência tem entendido que, em matéria de recurso de ofício, a alteração do limite de alçada tem aplicação imediata, acarretando, em hipóteses como a presente, em que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite, a perda de objeto da remessa ex officio. A título ilustrativo, transcrevo o voto proferido pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad nos autos do Recurso n. 156.538, redigido nos seguintes termos: “Tratase de recurso de ofício, interposto pelo Presidente da Delegacia Regional de Julgamento em Campinas, em face de decisão que exonerou a contribuinte de parte do crédito tributário objeto do presente processo. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.004847/200539 Acórdão n.º 2101002.447 S2C1T1 Fl. 398 3 Como se verifica dos autos (decisão de fls. 405), o crédito exonerado foi de R$ 677.460,42, razão pela qual, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/1972 combinado com a Portaria MF nº 375/ 2001, coube a remessa oficial. Preliminarmente, no entanto, entendo que deva ser examinado fato superveniente. Isso porque com a edição da Portaria MF nº 3, de 2008, que elevou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00 o limite de alçada, aplicandoo ainda apenas à soma de principal e encargos de multa, o valor exonerado nos presentes autos não ensejaria a revisão de ofício da r. decisão. Com efeito, nos termos da decisão de primeira instância (fls. 405) o montante de imposto e multa de ofício exonerados é de R$ 273.643,14 e 402.544,81, respectivamente, com somatório inferior ao novo limite estabelecido, igual a R$ 1.000.000,00 para imposto e encargos de multa somados. Em casos como o presente é entendimento neste E. Conselho que a alteração do valor de alçada, ainda que por meio de ato superveniente à interposição do recurso, implica no não conhecimento do recurso de ofício em decorrência da sua perda de objeto. Transcrevo, abaixo, decisão nesse sentido: “RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício em valor superior a 150.000 Ufirs. quando, em face de determinação superveniente à formalização do mesmo, a competência para exame na órbita recursal foi fixada em R$500.000,00.” (Acórdão 10319269, Sessão de 17/03/1998, Rel. Victor Luís de Salles Freire) Resta claro, portanto, que o presente recurso de ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso de ofício.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos, para fazer constar do Acórdão 310200.080, também, que o recurso de ofício não foi conhecido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005374/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006
PRÊMIOS E INCENTIVOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP.
É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, os pagamentos feitos a título de prêmio constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.712
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Sustentação oral Advogado Dr Mario Lucena, OAB/RJ nº137.630.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006 PRÊMIOS E INCENTIVOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, os pagamentos feitos a título de prêmio constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Sustentação oral Advogado Dr Mario Lucena, OAB/RJ nº137.630. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.005374/200721 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.712 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006 PRÊMIOS E INCENTIVOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91. Não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão presentes no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, os pagamentos feitos a título de “prêmio” constituem base de cálculo para das contribuições devidas à Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Sustentação oral Advogado Dr Mario Lucena, OAB/RJ nº137.630. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 53 74 /2 00 7- 21 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de prêmios e incentivos através de cartões eletrônicos gerenciados por terceiros empresa SPIRIT. O r. acórdão – fls 113 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Nulidade do auto de infração pelo mesmo ter sido lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 293 do Decreto n°. 2.048/1999. O Sr. Agente Fiscal não discriminou de maneira clara e precisa a suposta irregularidade constatada e não esclareceu a quem foi paga a remuneração paga por meio do denominado "cartão de premiação. · A autoridade fiscal ao invés de analisar os fatos e ir atrás da verdade material preferiu seguir o que já existia, ou seja, indícios, sem averiguar o motivo da remuneração paga por meio de cartão de premiação, e ainda sem saber se quem recebeu o premia tinha ou não relação de emprego com a RECORRENTE. · O lançamento ora guerreado se trata de prêmios aos funcionários dos estabelecimentos varejistas ou distribuidores, que não são e nem nunca foram prestadores de serviços da RECORRENTE. Ademais o pagamento do prêmio para aqueles que cumprissem as metas estabelecidas uma liberalidade como forma de incentivos as venda dos produtos com a marca SAMSUNG. · O prêmio instituído no programa de premiação aos empregados e colaboradores sem vínculo, isto é aos empregados dos distribuidores e revendedores da RECORRENTE, através do cartão de premiação não encontra nenhum enquadramento legal na definição legal de remuneração, nem tão pouco no conceito de salário de utilidade. Assim, as premiações que foram pagas através do cartão premiação à funcionários de revendedor atacadista e varejista, nada mais foram do que incentivos ao bom desempenho no trabalho de venda dos produtos da RECORRENTE, sendo estas ,vantagens esporádicas e estímulos à disputa leal entre companheiros de trabalho, conferidos por simples liberalidade da RECORRENTE, que de nenhum modo remunerou o trabalho prestado. · Vale ressaltar que a premiação aos empregados dos revendedores e atacadistas que não têm qualquer vínculo empregatício com a RECORRENTE, nada mais é do que ato unilateral. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 5 4 · Para que não paire nenhuma dúvida requer a realização diligência nos documentos contábeis da RECORRENTE para que seja confirmada a afirmativa apresentada na impugnação e no presente recurso sobre a inocorrência do fato gerador da Contribuição Social exigida na NFLD. · Requer o provimento do recurso, para que, reformandose a r. decisão de primeira instância administrativa, seja extinto o crédito tributário e, finalmente, determinado o arquivamento do presente procedimento administrativo. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O relatório fiscal informa que a autuação se deu em razão da falta de recolhimento de contribuições à seguridade social por conta de pagamentos feitos a segurados através de cartões de premiação administrados pela empresa SPIRIT MARKETING LTDA, os valores foram apurados com base nas notas fiscais apresentadas. A empresa não apresentou os seguintes documentos requeridos pela fiscalização: Relação em meio magnético discriminando os valores pagos, por segurado e competência, relativa às notas fiscais emitidas por aquela empresa; Contrato de prestação de serviço com a empresa SPIRIT MARKETING Ltda; Arquivo digital com a relação das notas fiscais ou faturas emitidas pela empresa SPIRIT MARKETING LTDA, com os dados mínimos de data de emissão, valor da duplicata/fatura, valor total do preço unitário, valor total dos serviços e valor do Imposto de Renda Retido na Fonte; Com a falta de apresentação dos documentos adrede citados, não havia como a autoridade autuante individualizar os respectivos valores, agindo corretamente ao efetuar a aferição calcada na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, apurando os valores com base nas notas fiscais apresentadas, não merecendo reparo a conduta. O art. 28 da lei 8.212/91 informa o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 7 6 A leitura da legislação informa que qualquer retribuição ao trabalho prestado, em regra, considerase salário de contribuição, independentemente do título utilizado. O § 9º do mesmo artigo traz as exclusivas hipóteses de pagamentos que, excepcionalmente, não integram o salário de contribuição. Nesse rol não se encontram valores pagos através de cartões de premiação, e nem poderia ser diferente, pois a forma adotada para o pagamento aos segurados não desnatura a natureza remuneratória do mesmo, sendo irrelevante que tais valores sejam pagos através de terceiros, pois ocorrem por conta e ordem da recorrente. Vejamos trecho da sentença exarada nos autos do processo nº 2007.34.00.0166996, Seção Judiciária do Distrito Federal, de lavra do Exmo Dr José Márcio Da Silveira e Silva que aborda a matéria: Pretende a autora a anulação do auto de infração nº 37.041.034 3, sob o argumento de não haver obrigatoriedade por parte da empresa em declarar nas guias previdenciárias as quantias vinculadas à premiação paga pela desenvoltura do empregado em suas atribuições, avaliada com base em regulamento próprio, sob o argumento de que tais valores não visam complementar salário. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 52/53), foram detectados pagamentos de valores por meio de cartão eletrônico, a segurados que prestaram serviços à empresa, porém não constantes da folha de pagamento, não declarados em GFIP e não recolhidos. O benefício aos empregados era concedido por meio de contrato que a autora mantinha com a empresa Incentive House S.A., a qual fornecia bônus/cartões eletrônicos com valores a beneficiários previamente determinados pela Academia Fit 21 Ltda. (fl. 272). Entendo correta a autuação, pois tais pagamentos estão compreendidos entre os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não é apenas sobre as verbas pagas em contraprestação ao trabalho que incide a contribuição previdenciária, mas, sim, sobre os rendimentos do trabalho pagos ou “creditados, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço”, nos termos do art. 195, I, “a”, da Constituição. Nesse sentido, dispõe o art. 22, I, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 8 7 habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Ainda que o benefício constitua mera liberalidade da empresa, pago sem o caráter de habitualidade e como recompensa ao trabalhador que desempenhou com excelência suas tarefas, já remuneradas pelo salário ajustado, e não incorporável a este, entendo que também esse benefício está sujeito à contribuição previdenciária. Com efeito, a contribuição previdenciária não se limita às parcelas pagas em contraprestação ao serviço, alcançando todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, somente podendo ser excluídos do âmbito de incidência os pagamentos a título indenizatório. No presente caso, é evidente que os valores pagos sob a forma de prêmio por desempenho não se destinam a indenizar os empregados, mas, sim, possuem nítida natureza remuneratória, devendo sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Observo, ainda, que as vantagens possíveis de serem excluídas do saláriodecontribuição encontramse expressa e taxativamente relacionadas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, valendo ressaltar que as hipóteses de isenção tributária devem ser interpretadas restritivamente, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, impõese reconhecer que o prêmio pago a título de incentivo compõe a base de incidência da contribuição previdenciária a que alude o art. 22, I, da Lei 8.212/91. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins de configuração de verba salarial. Temos assim que os pagamentos de prêmios e incentivos por aumento de produtividade também se enquadram como rendimentos sujeitos à contribuição social, não se confundindo com a hipótese de participação nos lucros e resultados, a qual demanda estrita observância a específicos critérios legais, o que não ocorre in casu. A situação descrita deixa claro que os valores pagos a SPIRIT e, repassados aos empregados, não se enquadram nas exceções trazidas no §9º, tratandose de remuneração, portanto sujeita a incidência de contribuição à seguridade social. Concluímos que houve pagamento a SPIRIT cujos valores foram repassados aos empregados da recorrente, nos termos desta, como contraprestação de serviços prestados, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 9 8 evidenciandose a natureza salarial de tais verbas com consequente repercussão nas contribuições previdenciárias. Em outros julgados, envolvendo prestação de serviços de mesma natureza – “pagamento de bônus e gratificações (incentivos de vendas) a determinados funcionários daquela, por meio de cartão magnético” – este Conselho assim se manifestou. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Acórdão nº 230100.157 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 04 de maio de 2009 ACÓRDÃO Nº 20500064 Sessão de 20 de novembro de 2007 Recurso nº: 141267 Voluntário Processo nº : 37166.001192/200773 Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente: FARMA SERVICE DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida: SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Data do fato gerador: 01/09/2001 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FALTA DE INFORMAÇÃO EM GFIP SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCENTIVO MULTA CORESPONSÁVEIS Constitui infração a empresa apresentar GFIP/GRFP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91. A falta de informação em GFIP do total da remuneração dos segurados empregados acarreta a lavratura de Auto de Infração, com multa punitiva nos termos do art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House" integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n. 8.212/91 e devem constar de GFIP. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer a composição Fl. 212DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 10 9 societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso negado. Nessa linha, em julgamento envolvendo a mesma empresa – Spirit, com a prestação de serviços de mesma natureza, este Conselho assim se manifestou. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÃ.ES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CO RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Spirit. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 20601649 do Processo 37318000831200701 em 03/12/2008. Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acrescentese que a empresa não trouxe elementos que desconstituísse o que foi atestado pela autoridade autuante. Demonstrado o caráter remuneratório das verbas, a r. decisão deve ser mantida em sua inteireza. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 11 10 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 145 formulou pedido de diligência, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada, senão vejamos. (...)para que não paire nenhuma dúvida requer a realização diligência nos documentos contábeis da RECORRENTE para que seja confirmada a afirmativa apresentada na impugnação e no presente recurso sobre a inocorrência do fato gerador da Contribuição Social exigida na NFLD. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, considerandose não formulado o pedido. Ad argumentandum tantum, a realização de diligências ou perícias não se prestam a desencadear desnecessária refiscalização, mormente se não há fatos documentais que a justifiquem, nem a produzir provas ou documentos cuja responsabilidade de guarda e manejo é do contribuinte, que os deveria ter apresentado tempestivamente na fase impugnatória. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10283.005374/200721 Acórdão n.º 2803003.712 S2TE03 Fl. 12 11 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 11040.720516/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA DE IR. DELIMITAÇÃO DO ALCANCE DO DECIDIDO NO RESP N. 1.227.133/RS PELA PRIMIERA SEÇÃO DO STJ.
No julgamento do REsp 1.089.720/RS, a Primeira Seção esclareceu a orientação firmada no Recurso Especial repetitivo n. 1.227.133/RS, ocasião na qual consignou como legítima a tributação dos juros de mora pelo imposto de renda, salvo a existência de norma isentiva específica (art. 6º, V, da Lei 7.713/88) ou a constatação de que a verba principal, a que se referem os juros, é isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2201-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de apreciação, de ofício, da tributação da verba principal, arguida pelo Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de apreciação, de ofício, da tributação da verba principal, arguida pelo Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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INCIDÊNCIA DE IR. DELIMITAÇÃO DO ALCANCE DO DECIDIDO NO RESP N. 1.227.133/RS PELA PRIMIERA SEÇÃO DO STJ. No julgamento do REsp 1.089.720/RS, a Primeira Seção esclareceu a orientação firmada no Recurso Especial repetitivo n. 1.227.133/RS, ocasião na qual consignou como legítima a tributação dos juros de mora pelo imposto de renda, salvo a existência de norma isentiva específica (art. 6º, V, da Lei 7.713/88) ou a constatação de que a verba principal, a que se referem os juros, é isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de apreciação, de ofício, da tributação da verba principal, arguida pelo Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 05 16 /2 01 1- 85 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório O litígio recursal apenas versa sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 127.847,64. Sobre as demais acusações, a recorrente não se insurgiu em sede recursal. O contribuinte apresentou impugnação, alegando que a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 127.847,64, corresponde a honorários advocatícios pagos e/ou a outras despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos declarados, isentos de tributação pelo imposto de renda. O valor recebido na reclamatória trabalhista foi composto do valor principal de R$ 290.689,79 mais R$ 281.852,83, que são juros sobre o principal. De acordo com o Impugnante, a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é no sentido de que os juros de mora incidentes sobre parcelas reconhecidas judicialmente em reclamatória trabalhista não estão sujeitos ao imposto de renda, pois não são considerados como renda e sim como indenização. Afirma que não deve integrar a declaração como rendimentos tributáveis, as quantias que foram pagas a título de honorários advocatícios no valor de R$ 114.501,27, já reconhecidos pela Receita Federal. Requer que seja admitido, como correto, o valor de R$ 176.188,52 dos rendimentos tributáveis sobre reclamatória trabalhista A DRFBJ julgou procedente a ação fiscal. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa o litígio sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720516/201185 Acórdão n.º 2201002.546 S2C2T1 Fl. 120 3 Apesar de não existir impugnação expressa quanto à nulidade do Auto diante da adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência no recebimento de rendimentos acumulados, entendo que a determinação do artigo 62A do RICARF autoriza o conhecimento de ofício do já decidido em repetitivo, em prestígio aos princípios da celeridade, legalidade e unicidade da jurisdição, cuja observância implica em não manter lançamentos cuja discussão futura perante o Poder Judiciário possa trazer prejuízo, leiase, sucumbência, ainda maior ao interesse público envolvido no presente litígio. Posto isso, passo ao meu voto. É de se ver que a tributação dos valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de repetitivo, deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no REsp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720516/201185 Acórdão n.º 2201002.546 S2C2T1 Fl. 121 5 tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Vencido quanto à preliminar arguida, passo à análise do mérito do recurso. Alega a recorrente a não tributação dos juros moratórios, em decorrência do decidido em sede de repetitivo no Resp n. 1.227.133RS, com a finalidade de excluir parte da glosa decorrente do recebimento de verbas trabalhistas em demanda judicial. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte já foram considerados no lançamento e deduzidos na apuração da base de cálculo, sendo que a contribuinte concordou com as infrações de omissão de rendimentos do trabalho com e/ou semvínculo empregatício, a compensação indevida de IRRF e a dedução indevida de Previdência Oficial, de sorte a não mais se encontrarem sob litígio. Não assiste razão a recorrente. No julgamento do REsp 1.089.720/RS, a Primeira Seção reafirmou a orientação firmada no Recurso Especial repetitivo n. 1.227.133/RS, ocasião em que deixou consignado que é legítima a tributação dos juros de mora pelo imposto de renda, salvo a existência de norma isentiva específica (art. 6º, V, da Lei 7.713/88, que isenta do imposto de renda inclusive os juros de mora devidos no contexto de rescisão do contrato de trabalho) ou a constatação de que a verba principal, a que se referem os juros, é isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda. No caso dos autos, o recorrente não fez prova quanto a isenção dos rendimentos recebidos acumuladamente. Pelo contrário, apenas afirma que se tratam de verbas decorrentes de reclamação trabalhista, em regra, tributáveis. Logo, se tributável o principal, tributáveis os juros de mora dele decorrentes. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 06/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909573/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 73 /2 01 2- 14 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909573/201214 Acórdão n.º 3801002.725 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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