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Numero do processo: 11052.000932/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. Tributa-se o ganho de capital decorrente da venda de imóvel rural considerando o valor da alienação menos os custos das benfeitorias não tributadas como despesas da atividade rural, e menos o valor da terra nua.
BENFEITORIAS. IMÓVEL RURAL. CUSTO. Inexistindo nos autos documentos comprobatórios das aquisições das benfeitorias, considera-se o valor da transferência/doação desses bens como custo de aquisição, se não tiverem sido tributados como despesas da atividade rural. Caso dos autos.
USUFRUTO. TRANSFERÊNCIA. DOAÇÃO. Considera-se doação a transferência gratuita de bens imóveis.
ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento só pode ser anulado em vista da ocorrência de pelo menos uma das causas contempladas no art. 79 do Decreto 70235/72.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso de ofício, para rever o valor do ganho de capital a ser tributado, considerando como custos de aquisição, a soma do valor da terra nua conforme informado na DIAT para o imóvel, mais o custo das benfeitorias, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDITADO EM: 25/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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GANHO DE CAPITAL. Tributase o ganho de capital decorrente da venda de imóvel rural considerando o valor da alienação menos os custos das benfeitorias não tributadas como despesas da atividade rural, e menos o valor da terra nua. BENFEITORIAS. IMÓVEL RURAL. CUSTO. Inexistindo nos autos documentos comprobatórios das aquisições das benfeitorias, considerase o valor da transferência/doação desses bens como custo de aquisição, se não tiverem sido tributados como despesas da atividade rural. Caso dos autos. USUFRUTO. TRANSFERÊNCIA. DOAÇÃO. Considerase doação a transferência gratuita de bens imóveis. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento só pode ser anulado em vista da ocorrência de pelo menos uma das causas contempladas no art. 79 do Decreto 70235/72. Recurso de Ofício Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso de ofício, para rever o valor do ganho de capital a ser tributado, considerando como custos de aquisição, a soma do valor da terra nua conforme informado na DIAT para o imóvel, mais o custo das benfeitorias, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 09 32 /2 01 0- 43 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDITADO EM: 25/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório Recurso de ofício interposto pela 20a. Turma da DRJ/RJ1, tendo em vista o Acórdão 1256.330 de 27 de maio de 2013 ter exonerado o crédito tributário do contribuinte relativamente ao ganho de capital, nos anos 2005, 2006, 2007 e 2008. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Concluiu a autoridade julgadora que não houve a perfeita identificação da matéria tributável e, portanto, o lançamento deve ser cancelado, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. O contribuinte era proprietário de 1/3 do imóvel denominado Fazenda Água Milagrosa, gravado com usufruto vitalício em favor de Hero Ortenblad. A propriedade foi vendida em 28/02/2005, cabendo ao contribuinte o valor de R$ 14.200.000,00, que seria quitado em parcelas até 2008. O contribuinte, nuproprietário não apurou o imposto sobre ganho de capital, pois a propriedade teria sido adquirida antes de 1967, e nesse caso, o lucro apurado na alienação seria isento do tributo. Para efeitos de escritura, foi atribuído o valor de R$ 13.266.666,66 pela renúncia do usufruto sobre o total da propriedade. O imóvel estava gravado com usufruto para Hero Ortenblad, mãe do contribuinte e que exercia a atividade rural na propriedade. Na data da alienação, foi feita cessão onerosa do usufruto, e quando do pagamento final, em 2008, foi feita a doação do direito de usufruto ao novo proprietário. Intimados sobre as datas e valores das instalações e construções existentes na propriedade, tanto o contribuinte quanto a usufrutuária informaram que, como não são obrigados por lei a manter documentos fiscais por mais de 5 anos, nada tinham e nada poderiam comprovar. Dadas as respostas dos interessados, a autoridade fiscal considerou como benfeitorias as construções, instalações, plantações, implementos, equipamentos e máquinas, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.000932/201043 Acórdão n.º 2101002.600 S2C1T1 Fl. 3 3 animais e insumos listados como bens da atividade rural nos Demonstrativos da Atividade Rural apresentados pela usufrutuária. A autoridade fiscal verificou que as benfeitorias correspondentes aos bens móveis (veículos, máquinas, implementos agrícolas, equipamentos eletrônicos, de escritório e informática, rebanho de bovinos e equinos e estoque de material genético de origem bovina) foram relacionados e alienados aos adquirentes da fazenda pelo valor de R$ 4.800.000,00. Esse valor teria sido corretamente tributado como resultado da atividade rural pela usufrutuária. Contudo, os bens imóveis sobrevindos à terra nua não foram tributados por falta de informação sobre os custos dos mesmos. Assim, a autoridade autuante procedeu o cálculo "presumido" desses bens, considerando o valor de mercado, com base nas informações do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, que o contribuinte informa à Receita Federal. Conforme o relatório fiscal, o ganho de capital, no caso de imóveis rurais, corresponde à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua, podendo, entretanto, ser computado o custo das benfeitorias, caso estas não tenham sido deduzidas como despesa de custeio da atividade rural, e depende ainda da data de aquisição do imóvel rural. Dessa análise, resultou o montante de R$ 8.507.900,00, como valor das benfeitorias, obtido deduzindose o valor total da fazenda menos o valor da terra nua, lembrando que ao contribuinte cabe a terça parte desse valor. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS A decisão a quo exonerou o tributo tendo em vista entender não existirem dados suficientes para determinar o montante do tributo devido. O caso envolve a análise de dois momentos tributários que ocorreram na seguinte ordem: 1. a transferência por doação das benfeitorias (da usufrutuária para o contribuinte); 2. a venda efetiva da propriedade e para a qual se apura o ganho de capital porventura existente. Ao longo do procedimento fiscal, a autoridade autuante buscou a verdade dos fatos, com o objetivo de apurar de forma legal e correta o valor tributável. As informações Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 prestadas pelo fiscalizado, entretanto, não foram precisas o suficiente. A autoridade fiscal buscou na legislação, formas de contornar os desafios opostos ao lançamento, pelo contribuinte. O valor auferido pelo contribuinte e que é o balizador para o cálculo do tributo está perfeitamente identificado. O fato do contribuinte não apresentar os documentos para resguardo do direito de deduzir os custos dos bens construídos, reformados, ampliados, etc., agora vendidos, não pode prejudicar o lançamento fiscal. Façamos um exercício hipotético: Primeiramente, há que se determinar se ocorreu a doação das benfeitorias pela usufrutuária ao contribuinte. Conforme o relatório fiscal, corrente a qual me filio, ouve a transferência das benfeitorias de forma não onerosa da usufrutuária para o contribuinte, isto em 2005, para viabilizar a venda da propriedade. O art. Art. 1.219 do Código Civil Brasileiro determina que "o possuidor de boafé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantálas, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis". Qual teria sido então o valor dessa transferência? Entendo que seria o mesmo valor que essas benfeitorias tiveram no contexto da venda da propriedade, no segundo momento. Assim, para se determinar o valor da doação é necessário verificar o valor dessas benfeitorias no contexto da venda definitiva da propriedade. Considerando o mesmo contexto, mas supondo que tivessem sido disponibilizados o valor das benfeitorias e da terra nua em 1967, haveria possibilidade de se determinar o valor tributável? Penso que sim. Teríamos, com base em percentual do valor da terra nua da época, o quanto corresponderia o valor das benfeitorias existentes até então(1967). Tal percentual poderia ser transportado para valores atuais, tanto pela utilização de percentual em relação ao valor da terra nua, quanto pela aplicação de índices de atualização, como por exemplo o INCC (de preços da construção civil), IPCA,etc. Entendo que o valor tributável, neste caso, poderia ser calculado conforme a seguir: VT= VALOR TOTAL (VTN + VBE + BNDA) VBE = VALOR ATUALIZADO DAS BENFEITORIAS EXISTENTES EM 1967 BNDA = CUSTOS DAS BENFEITORIAS NÃO CONSIDERADAS COMO DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL Isto é, seriam tributados (VT) os valores correspondentes ao preço de venda das benfeitorias construídas a partir de 1967, uma vez que os custos de aquisição foram considerados como despesas nos anos em que foram feitas/incorporadas à propriedade. No nosso caso real, o contribuinte informou que não possui quaisquer das informações acima. Possui apenas a escritura que informa a existência de benfeitorias em menor quantidade antes da unificação da propriedade, e o preço da venda do imóvel em 2005. Assim, entendo que foi efetuada a venda de uma propriedade rural, em valor substancial e não se pode embasar o não lançamento do tributo no fato de que o contribuinte não possui ou não apresentou os documentos comprobatórios que lhe dariam o direito de reduzir o valor a ser tributado. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.000932/201043 Acórdão n.º 2101002.600 S2C1T1 Fl. 4 5 O Decreto 70235/72 determina as situações passíveis de serem declaradas nulas no caso de processo administrativo fiscal, conforme a seguir. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O contribuinte não apresentou documentos importantes comprobatórios do seu direito, relativo aos custos das benfeitorias do imóvel. Contudo, a construção legal desenvolvida pela autoridade fiscal torna possível a definição de todos os componentes necessários à tributação (fato gerador, valor tributável, etc.), conforme pode ser constatado no relatório fiscal. Assim não vejo razões para que a autuação seja anulada. A primeira relação de imóveis da propriedade encontrase no documento de registro da propriedade, datado de 13/12/1954, que relaciona bens imóveis existentes na propriedade. A escritura e registro de venda da propriedade em 2005 apresenta uma relação menos detalhada, mas que inclui vários imóveis adicionais, dentre os quais 40 casas de colonos, oficinas e garagens. Não existem no processo quaisquer documentos ou informações sobre valores de custo dessas benfeitorias. Conforme a descrição dos fatos no Auto de Infração, "a atividade rural teria sido exercida pelos usufrutuários, não tendo sido realizada pelos nusproprietários qualquer despesa no imóvel". Prossegue o relatório fiscal "a usufrutuária exercia como tal de boafé e pleno direito a atividade rural em função da qual os bens foram lançados como despesas de custeio. Assim estes bens, como qualquer benfeitoria neste caso, poderiam ser levantados ou indenizados, pelo custo ou pelo valor atual. O valor recebido, em qualquer dos casos, seria considerado resultado da atividade rural". Observase que, muito embora tenha sido informado que os bens foram lançados como despesas de custeio, não foram juntados aos autos, documentos comprobatórios de tais despesas. Nenhum outro documento relativo aos custos com as benfeitorias foram carreados aos autos. A usufrutuária era a proprietária das benfeitorias imóveis, conforme analisado no relatório fiscal. E essas benfeitorias foram doadas ao contribuinte em 2005 com o objetivo de viabilizar a venda da propriedade e foram "embutidas" no preço pago pelo comprador. Entretanto, para os cálculos dos custos/emolumentos de transferência tas , foi Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 definido o valor de R$ 13.266.666,66 (aprox. 31% do total do preço de venda) pela renúncia do usufruto sobre o total da propriedade (fls. 303numeração manual). Também no registro da propriedade em 1967, foi considerado o valor aproximado de 33,3% do preço de venda o valor relativo ao usufruto (à fl. 295numeração manual). Segundo o auto de infração, a parte da propriedade pertencente a Carlos Arthur, vinha sendo declarada(DIRPF) por R$ 159.751,52 (pag. 8) e foi vendida por R$ 14.200.000,00. Conforme fl. 158 (numeração manual), a escritura de venda da propriedade inclui todas as acessões e benfeitorias. Entretanto, o valor declarado pelo contribuinte na DIRPF não está coerente com o declarado na DIAT do imóvel e nem com o valor calculado no processo 11052.000930/201054. Tendo em vista que o VTN informado na DIAT pelo próprio contribuinte deve ser o valor praticado no mercado no ano da declaração, entendo que a definição do custo de aquisição da propriedade deve abranger o VTN declarado na DIAT mais o valor das benfeitorias (no caso, as construídas a partir de 1967), conforme art. 9 da IN/SRF 84/2001. Caracterizada a doação dos imóveis pela usufrutuária ao contribuinte, para viabilizar a venda da propriedade, passamos à análise do valor do tributo devido na venda, conforme o art. 3o. da IN SRF 84/2011. Art. 2º Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. ... Art. 3º Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: I alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; No caso de imóvel rural, o ganho de capital incidente sobre a alienação é calculado pela diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua (sem as benfeitorias) e depende da data de aquisição do imóvel rural. O art. 10 da IN SRF 84/2001 estabelece metodologia diferenciada para os imóveis adquiridos a partir de 1997, que não é o caso dos autos. No caso dos imóveis adquiridos até 1997, empregase o art. 9 da mesma Instrução Normativa, conforme a seguir. IN SRF 84/2001 Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.000932/201043 Acórdão n.º 2101002.600 S2C1T1 Fl. 5 7 atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. (grifei) Do parágrafo 2o. acima, decorre que o contribuinte, nu proprietário do bem, que recebeu a doação das benfeitorias, culturas permanentes, árvores e florestas plantadas, etc., não exerce atividade rural e, portanto, ao vender a propriedade, deve tributálas como ganhos de capital, juntamente com o ganho de capital relativo ao valor da terra nua, que no caso, inexiste por ter sido adquirida em 1967. Neste caso, observase que para o cálculo do custo devese somar o valor da terra nua aos custos das benfeitorias. O art. 17 da IN SRF 84/2001 define os tipos de dispêndios e documentos comprobatórios que podem ser aceitos pela fiscalização para efeitos do cálculo do custo das benfeitorias. Contudo, o contribuinte informou não possuir quaisquer documentos que comprovassem os custos das benfeitorias (construção, reformas, ampliações, modernizações, corretagem, reparos, juros, plantações, etc.). Assim o art. 18 da IN SRF 84/2001 apresenta a alternativa de cálculo para o caso de ausência do valor pago: Art. 18 . Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. (grifei) O relatório fiscal especifica o valor de aquisição das benfeitorias (os bens imóveis recebidos em doação pelo fiscalizado), que seria de R$ 8.507.900,00 (fl. 75), sendo de 1/3 desse valor a parte do contribuinte(de R$ 2.835.966,66). Observase que, conforme o relatório fiscal, o valor das benfeitorias está sendo tributado como rendimento da atividade rural, pela doadora, conforme processo 11052.000930/201054. Este processo também teve a impugnação julgada procedente, pelo mesmo motivo do julgamento do processo do contribuinte ora sob análise. Entretanto, entendo que, por não apresentar quaisquer documentos relativos às benfeitorias, o contribuinte está sendo exonerado do tributo devido. A prova é um direito do contribuinte, dentro do conceito de ampla defesa. Mas neste caso, o julgador a quo entendeu, que deveria o fisco produzir as provas para comprovar o valor tributável. Assim, temse que o valor recebido pelo contribuinte em razão da parte que lhe pertence na propriedade alienada é composto pela soma do valor da terra nua mais o valor das benfeitorias, pastagens, plantações, florestas plantadas, etc.. O custo do valor da terra nua está definido pelo próprio contribuinte na DIAT. O custo do valor das benfeitorias foi objeto de autuação no processo 11052.000930/201054. Em suma, o custo da alienação, para a apuração do ganho de capital de imóvel rural, no caso dos autos, é obtido considerandose o valor da terra nua, e o valor das benfeitorias, plantações, florestas plantadas, etc. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 O VTN, conforme DIAT apresentada para a propriedade para o exercício 2005, anocalendário 2004 é de R$ 3.577.880,00.(fl. 75). Ao contribuinte compete a terça parte (R$ 1.192.626,67). Assim, entendo que o custo de aquisição do imóvel deve ser composto pelo custo das benfeitorias (conforme acima, R$ 2.835.966,66) mais o custo do valor da terra nua conforme DIAT (art. 80 da lei 9393/96), no valor de R$ 1.192.626,67. Art. 80 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1° 0 contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2° 0 VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. [....] A seguir transcrevo decisões do TRF4 e do STJ sobre o assunto. EMENTA: AÇÃO ANULATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. 1. O valor considerado como custo de aquisição na apuração de ganho de capital é o da escritura pública de compra e venda. Na hipótese, não obstante a alegação do contribuinte, não há sequer contrato ou qualquer ajuste escrito, ainda que não registrado, que faça menção aos imóveis que teriam integrado o preço do imóvel adquirido, não bastando a tanto a simples afirmação de que os imóveis permutados efetivamente compuseram o custo de aquisição dos imóveis. Assim, à míngua de documentação idônea, não há como considerar outro custo de aquisição que não unicamente o constante da escritura pública de compra e venda dos imóveis. 2. Ainda que informados na Declaração de Ajuste, necessário comprovar a realização de gastos com benfeitorias no imóvel alienado, de forma a possibilitar a elevação do seu custo de aquisição. No caso, nenhum documento, nota fiscal ou recibo de pagamentos ampara as alegações, de modo que não servem a infirmar a legitimidade do lançamento. (TRF4, AC 2007.71.10.0051545, Primeira Turma, Relator Joel Ilan Paciornik, D.E. 18/04/2012) EMENTA: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO. CUSTO COM A CONSTRUÇÃO AVERBADA. UFIR. PERÍODO DA CONSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Existindo registro na matrícula do imóvel, assim como na escritura pública de compra e venda, de que a alienação se deu por um valor determinado, é correta a utilização dessa quantia por parte da Autoridade fiscal para fins de cálculo de eventual ganho de capital. A fim de ilidir a Fl. 520DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.000932/201043 Acórdão n.º 2101002.600 S2C1T1 Fl. 6 9 presunção de liquidez e certeza que goza o título executivo, competia ao embargante produzir provas suficientes em sentido contrário, o que não ocorreu no caso em comento. 2. Inexistem, in casu, elementos probatórios que atestem o prazo de duração da construção e o valor gasto mensalmente com a obra. No caso, nenhum documento, nota fiscal ou recibo de pagamento ampara as alegações quanto ao real prazo de construção, de modo que não servem a infirmar a legitimidade do lançamento. Assim, à míngua de comprovação, deve ser mantido o título executivo. 3. Não houve condenação do embargante ao pagamento dos honorários advocatícios, porquanto presente o encargo legal do DecretoLei nº 1.025/69. 4. Apelação da Fazenda Nacional provida. 5. Apelação do embargante parcialmente provida, tão somente para afastar a sua condenação ao pagamento dos honorários advocatícios. (TRF4, APELREEX 0005766 04.2005.404.7116, Primeira Turma, Relator Joel Ilan Paciornik, D.E. 29/08/2012) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AQUISIÇÕES DE AÇÕES. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. 1. o art. 16 da Lei 7.713, de 22.12.88, determina que o custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso, entre outros, seu valor corrente, na data da aquisição. Explicita, ainda, que "o custo é considerado igual a 0 (zero) no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporações de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previstos neste artigo". 2. Há, portanto, clareza na lei ao determinar que o custo é considerado zero quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas nos incisos do artigo 16 da Lei nº 7.713, de 22.12.88. 3. Ganho de capital apurado na alienações de ações. 4. Ausência de apresentação pelo contribuinte, à autoridade administrativa fiscal, do documento comprobatório da transferência das ações. 5. Correta a apuração do ganho de capital, tendo como base custo de aquisição o valor corrente, na data da aquisição, apurado pela média ponderada dos custos unitários. Interpretação do art. 16, inc. V e § 2º, da Lei nº 7.713/88. 6. Inexistência, na espécie, de afronta ao art. 125 do Decreto nº 3000, de 26.03.1999, combinado com o art. 96 da Lei nº 8.383/91. 7. Recurso especial nãoprovido. (REsp 835.231/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/10/2006, DJ 13/11/2006, p. 236) Fl. 521DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 “CUSTO BENFEITORIA EM IMÓVEIS. A aceitação dos custos das benfeitorias pela legislação tributária está condicionada à comprovação através de documentação hábil e idônea, não se admitindo o uso de custos estimados, ainda que baseados em laudos e certidões. A averbação em cartório, de benfeitoria em imóveis, mesmo baseada em laudo não dispensa a guarda da documentação que deu origem aos custos pelo prazo concedido à Fazenda Pública para rever e se for o caso homologar o lançamento. (Lei n° 5.172/66, arts. 149 e 150). ATOS CARTORIAIS FÉ PÚBLICA. O tabelião quando dá fé a um documento, averbação de benfeitorias, diz respeito a conter a expressão da vontade da parte que perante ele comparece, quanto ao conteúdo, mesmo que baseado em laudo técnico, mormente em relação ao valor nela inserido, depende de comprovação, podendo ser rejeitado pela autoridade lançadora, mediante processo regular, principalmente quando os documentos que justificariam tais custos deixaram de ser apresentados à autoridade tributária e também ao tabelião.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n.º 10240.048,Relator Conselheiro José Clóvis Alves, sessão de 15/05/1996). EMENTA DO ACÓRDÃO, da – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 2a. SEJUL IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIA. IN SRF N.º 84/01. INTELIGÊNCIA. De acordo com o caput do art. 17 da IN SRF n.º 84/2001, podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que cumpridos, cumulativamente, os seguintes requisitos: (i) comprovados mediante documentação hábil e idônea e (ii) incluídos na declaração de bens e direitos do alienante, muito embora, quanto a este último requisito, possam ser aceitos, excepcionalmente, valores devidamente comprovados que não tenham sido declarados.(2a. Seção de Julgamento, 1a. Câmara, 1a. Turma Ordinária, Acórdão 210101.109, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Sessão de 12/05/2011) Considerando que a) é indubitável a ocorrência do fato imponível e o seu valor, b) o contribuinte teria direito à isenção da tributação sobre o ganho de capital de parte considerável do valor da venda, por disposição legal, c) não foram apresentados documentos suficientemente comprobatórios para a obtenção da isenção, entendo que a tributação deve ser mantida, pois o próprio contribuinte não fez prova para obter a isenção a que teria direito. Recurso de ofício provido em parte para rever o valor do ganho de capital a ser tributado, considerando como custos de aquisição, a soma do valor da terra nua conforme informado na DIAT para o imóvel, mais o custo das benfeitorias conforme valor considerado no processo 11052.000930/201054 (que deveria ter sido tributado pela usufrutuária), todos de Fl. 522DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.000932/201043 Acórdão n.º 2101002.600 S2C1T1 Fl. 7 11 forma a considerar a quotaparte do contribuinte na propriedade (1/3). Os valores tributáveis deverão ser proporcionalizados conforme os recebimentos efetivos, pelos anos 2005, 2006, 2007 e 2008. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 523DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10880.986223/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913961/2009-18, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913961/200918, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 86 22 3/ 20 09 -9 0 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986223/200990 Resolução nº 1802000.475 S1TE02 Fl. 295 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela DCOMP 01543.88541.040106.1.3.049865, cujo crédito referese a suposto pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do período de apuração de 31/12/2004, no montante original de R$ 11.324,11, com débito de estimativa de IRPJ do período de apuração de 31/12/2005 – valor do débito compensado atualizado de R$ 13.131,55. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/SP1, através do Acórdão 16 28.151, constante às efls 86/87: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 01/02, transmitido pela contribuinte em 04/01/2006, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de IRPJ no montante de R$ 11.324,11, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 05, no qual não homologa a compensação declarada, em face de tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO,DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/17, alegando, em síntese, o seguinte. No anocalendário de 2004, a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 6.787.571,69, conforme linha 21 da Ficha 12A da DIPJ/2005. Corroborando essa situação, houve o devido reconhecimento contábil do valor, subtraído apenas das parcelas relativas às retenções que a contribuinte havia sofrido (linha 13), fazendo com que o montante efetivamente escriturado como sendo passível de recuperação tivesse sido de R$ 6.785.461,52. Do valor ao qual a contribuinte fazia jus à restituição, houve aproveitamento parcial, da ordem de R$ 4.991.951,04, por meio do PER/DCOMP n° 32007.24012.070405.1.7.049800, transmitido em 07/04/2005, cuja compensação foi não homologada e cuja manifestação de inconformidade, ainda pendente de julgamento na presente data, é tratada no processo no 10880.913961/200918. Dessa forma, o valor remanescente favorável à contribuinte, após a dedução do aproveitamento realizado no PER/DCOMP supracitado, totalizava, em valores históricos, R$ 1.793.510,48. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986223/200990 Resolução nº 1802000.475 S1TE02 Fl. 296 3 Diante desse crédito, a contribuinte promoveu novo PER/DCOMP, de n° 13752.80079.070405.1.3.047177, transmitido em 07/04/2005, aproveitando parcialmente esse saldo. Esse PER/DCOMP recebeu Despacho Decisório desfavorável e a respectiva manifestação de inconformidade está em trâmite por meio do processo n° 10880.936040/200923. O valor remanescente favorável à contribuinte, após os PER/DCOMP citados, era de R$ 162.593,38. Por força de ainda lhe haver saldo favorável, a contribuinte promoveu novo PER/DCOMP, de n° 19762.22610.040505.1.7.043098, transmitido em 04/05/05. Indeferida a compensação realizada, houve a interposição de manifestação de inconformidade, no autos do processo n° 10880.936042/200912. Consoante entendimento da contribuinte, após tais compensações ainda lhe era favorável um saldo de R$ 66.926,26, origem do crédito em favor da contribuinte, utilizado parcialmente no PER/DCOMP n° 04606.25335.040505.1.3.044472, tratada no processo n° 10880.936043/200967, em fase de julgamento da manifestação de inconformidade. Devido ao saldo residual existente, a contribuinte promoveu novo PER/DCOMP, indeferido neste processo, no valor original de R$ 11.324,21. Vez que é incontestável a existência de valores favoráveis à contribuinte, devidamente construído com respaldo nos deveres instrumentais e contábeis, é que se pretende ver reformado o Despacho Decisório de maneira a se homologar a compensação tratada no PER/DCOMP objeto do presente processo. Ocorre que, motivado por erro administrativo cometido no preenchimento do PER/DCOMP, o campo que indica a origem do crédito foi erroneamente aplicado como se fosse "Pagamento indevido ou a maior de IRPJ". Entretanto, de maneira alguma isso prejudicaria o pleito formulado pela contribuinte, dada a inconteste vinculação dos créditos reclamados com o saldo negativo de IRPJ apurado na competência de 2004. O crédito favorável à contribuinte decorre de excesso de recolhimentos de IRPJ durante o ano de 2004, que, dada a peculiaridade de ser originado no bojo de regime anual e de recolhimentos mensais do tributo, tal excesso é chamado de "Saldo Negativo" e não "Pagamento indevido ou a maior". Esse erro meramente formal na caracterização da origem do crédito foi, a nosso ver, o motivo determinante para a autoridade fiscal considerar não homologada a compensação. Todavia, em que pese essa decisão, diante dos elementos probantes acostados à defesa, não há como ser ignorado o fato de que se tratava, em verdade, de "Saldo Negativo", e por tal razão deve a verdade material preponderar, consoante reiteradas decisões nesse sentido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986223/200990 Resolução nº 1802000.475 S1TE02 Fl. 297 4 Por todo exposto, requer a contribuinte que: a) Seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para reconhecer o direito creditório da contribuinte e declarar a anulação do Despacho Decisório; b) Sejam determinadas as necessárias correções e adequações das informações constantes do PER/DCOMP, segundo a realizada dos fatos, devidamente comprovados pela documentação acostada aos autos; e c) Seja declarado extinto o débito compensado, com base no artigo 156, inciso II, do CTN. Caso a autoridade julgadora assim não entenda possível, requer, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, para a produção das demais provas que se entender necessárias. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pelo contribuinte, conforme sintetiza a Ementa constante às efls 85: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão que julgou improcedente seu pleito em 28/01/2011, (comprovante de AR às efls 91) restou inconformada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/02/2011 (efls 92/99), alegando que o erro de fato no seu pedido não tem o condão de desqualificar seu direito creditório, pedindo ao final pelo reconhecimento de seu direito creditório e homologação da compensação. É o relato do essencial. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986223/200990 Resolução nº 1802000.475 S1TE02 Fl. 298 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente pleiteou compensação de crédito tributário decorrente de suposto Pagamento indevido / a maior da estimativa de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), contraindo erro formal em sua DCTF, enquanto não identificou corretamente o valor pago do débito. Em análise preliminar identificase que o crédito pleiteado por estes autos é decorrente (residual) das DCOMP: 32007.24012.070405.1.7.049800 – Processo 10880.913961/200918; 13752.80079.070405.1.3.047177 – Processo 10880.936040/200923; 19762.22610.040505.1.7.043098 – Processo 10880.936042/200912 e; 04606.25335.040505.1.3.044472 – Processo 10880.936043/200967. Referidos autos são de competência de uma das turmas ordinárias, em razão do valor do processo ser superior a R$ 1.000.000,00, (hum milhão de reais) sendo incompetentes as turmas especiais para julgamento, conforme Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 2°, §2° c/c a Portaria do Ministério da Fazenda n° 3, de 3 de janeiro de 2008, em seu art. 1°. Sendo a matéria em voga a mesma constante daqueles autos e mais, decorrente do mesmo direito creditório, sagaz que o presente processo seja juntado naqueles autos por dependência, prezando assim, pela uniformidade nas decisões. Ante o exposto, determino a juntada dos presentes autos por dependência aos autos do processo 10880.913961/200918, para que julgados conjuntamente. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.721177/2012-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES.
A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.
A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra, e os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento em menor extensão para excluir da tributação apenas as ações em relação às quais não havia prévia obrigação contratual de venda. Sustentou pela recorrente o Dr. Philip Schneider, OAB/SP 173.157.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra, e os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento em menor extensão para excluir da tributação apenas as ações em relação às quais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 77 /2 01 2- 42 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 não havia prévia obrigação contratual de venda. Sustentou pela recorrente o Dr. Philip Schneider, OAB/SP 173.157. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração relativo à COFINS com ciência pessoal do contribuinte em 28/09/2012, lavrado em razão de recolhimento insuficiente da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos em novembro e dezembro de 2007. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 360/379, a fiscalização constatou, em síntese, o seguinte: 1) Em razão do processo de desmutualização das bolsas, a instituição financeira recebeu 3.883.732 ações da BOVESPA HOLDING em 28/08/2007 e 4.971.610 ações da BM&F S/A em 20/09/2007; 2) A instituição financeira vendeu as 3.883.732 ações da BOVESPA HOLDING em outubro de 2007 e as 4.971.610 ações da BM&F S/A em novembro de 2007, sem oferecer à tributação do PIS e da COFINS o ganho de capital auferido com essas operações, por entender que se trata de resultado não operacional; 3) Tendo em vista que a instituição financeira discute a constitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 por meio do mandado de segurança 1999.61.00.0138845, bem como a obtenção de decisão provisória, que lhe assegura o direito de não se submeter ao § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o lançamento da COFINS foi efetuado sem multa de ofício e com exigibilidade suspensa. 4) Já o lançamento do PIS, com lastro nos mesmos fatos, foi efetuado sem exigibilidade suspensa, estando albergado no processo 16327.721176/201206. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Não existe concomitância de objetos entre o mandado de segurança 1999.61.00.0138845 e este processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário. No processo judicial se discute a ampliação da base de cálculo da COFINS, enquanto que aqui se controverte sobre a escrituração das ações recebidas no processo de desmutualização no ativo permanente e se o produto de sua venda constitui ou não resultado operacional; 2) Ainda que no mandado de segurança o Judiciário venha decidir que todo e qualquer ganho auferido em razão das atividades típicas do banco devam integrar o Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 3403003.373 S3C4T3 Fl. 6 3 faturamento da instituição financeira, o produto da venda das ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S/A não pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS pois a venda de bens do ativo permanente é receita não operacional, estando fora do campo de incidência das contribuições; 3) Requereu a reunião deste processo ao processo 16327.721176/200106 (PIS), a fim de que sejam julgados conjuntamente, a teor da Portaria RFB nº 666/08; 4) No mérito, discorreu sobre o significado do processo de desmutualização, apresentando organograma das sucessivas transformações societárias. Alegou que no referido processo, ao contrário do que entendeu a fiscalização, não houve devolução de patrimônio aos antigos sócios da BOVESPA e da BMF, mas mera substituição de títulos por ações. Os antigos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F, bem como as ações da CBLC, que se encontravam contabilizados no ativo permanente das instituições financeiras habilitadas a operar naquelas instituições, foram substituídos por ações da BOVESPA HOLDING e da BM&F S/A . 5) Se não houve aquisição de um novo ativo, mas apenas mera conversão dos títulos patrimoniais em ações pelo mesmo valor, a instituição financeira não estava obrigada a contabilizar essas ações no ativo circulante. Pelo contrário, as ações deveriam ser contabilizadas na mesma posição em que estavam contabilizados os títulos patrimoniais e as ações da CBLC quando foram adquiridas, ou seja, no ativo permanente; 6) Não existe prova nos autos de que a intenção do contribuinte, na data da desmutuzalização, era a de vender as ações. Assim, o argumento da fiscalização que concluiu no sentido de que as ações deveriam ter sido contabilizadas no circulante (e não no permanente), sujeitandose, portanto, à tributação pela COFINS, partiu de indícios e presunções, consubstanciadas na alegação de que o impugnante teria a intenção de vender as ações no momento em que as recebeu. O auto de infração deve ser declarado nulo, pois é inadmissível a persistência de lançamentos calcados em presunções. Essas ações foram recebidas em substituição de outros ativos que já existiam no patrimônio e não com a intenção de formar uma carteira ou portfólio de ações visando lucro. Mesmo na alienação de 10% das ações da BM&F S/A, recebidas na desmutualização, não é possível afirmar que a instituição tinha a intenção de venda, pois essa venda ocorreu em razão de compromisso imposto no bojo do procedimento de desmutualização; 7) Ainda que a lei não excluísse da base de cálculo da contribuição a receita de bens contabilizados no ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV, da Lei nº 9.718/98), as receitas provenientes da alienação dessas ações não são operacionais e, portanto, não podem ser tributadas por não integrarem o faturamento; 8) A competência para definir se a contabilização das ações oriundas do processo de desmutualização foi correta ou não é do Banco Central do Brasil e não da Receita Federal; Por meio do Acórdão 39.053, de 23 de maio de 2012, a 8ª Turma da DRJ – São Paulo I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 ANEXAÇÃO DE PROCESSOS. MATÉRIAS NÃO COINCIDENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a anexação de processos quando apresentam peculiaridades específicas referente a matérias não coincidentes. No que se refere às matérias comuns, prudente se faz o julgamento na mesma sessão com o fim de evitar entendimentos divergentes. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ATIVO CIRCULANTE / REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. ATIVO PERMANENTE. DISTINÇÃO. Devem ser classificadas no Ativo Circulante/Realizável a Longo Prazo as participações voluntárias de caráter meramente especulativo ou com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. Já as participações adquiridas para extensão ou complementação das atividades da investidora, ou mesmo para diversificação (horizontalização) dessas atividades, ou ainda como estratégia operacional devem ser classificadas no Ativo Permanente. A justificativa para a alienação das participações adquiridas com o intuito de permanência, geralmente decorrem de fatores que necessitam de tempo longo de maturação para serem apurados, ou ainda de mudança súbita e significativa na condução da investida. A alta valorização das participações não serve para caracterizar a conveniência e oportunidade para justificar a renúncia do investidor do intuito de permanência. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DA RFB. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA DO BACEN. DESNECESSIDADE. A verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, instituição financeira ou não, é de competência exclusiva da Receita Federal do Brasil. Não existe necessidade de verificação prévia do Banco Central do Brasil, referente à correta contabilização praticada pelo sujeito passivo, quando o erro provocar falta tributária. Impugnação improcedente." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 19/07/2013 (fl. 802), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/08/2013, no qual reprisou e reforçou as alegações formuladas na impugnação, bem como atacou pontos específicos da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 3403003.373 S3C4T3 Fl. 7 5 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A defesa solicita a reunião deste processo com o processo 16327.721176/201206, que versa sobre o PIS lançado com base nos mesmos fatos e elementos de prova. Não se sabe exatamente os motivos que levaram a fiscalização a não reunir os dois autos de infração no mesmo processo, conforme determina a Portaria nº 666/2008 da Receita Federal. Ao que parece, essa decisão foi tomada porque a fiscalização entendeu que a COFINS estaria com a exigibilidade suspensa, em razão do mandado de segurança no qual se discute a ampliação da base de cálculo. Se a reunião dos autos de infração de PIS e COFINS tivesse sido feita, a demora no trâmite do processo judicial afetaria o seguimento da cobrança do processo de PIS. Mas não há como afirmar que essa foi a razão determinante para que os dois autos de infração não fossem reunidos no mesmo processo. Acontece que a fiscalização se equivocou. A COFINS lançada neste processo não está com a exigibilidade suspensa, em razão do mandado de segurança 1999.61.00.013884 5, pois a questão controvertida em juízo não tem nada a ver com o objeto deste processo administrativo. A COFINS, aqui exigida, deveria ter sido lançada sem exigibilidade suspensa e com a multa de ofício e reunida com o auto de infração do PIS, a fim de que as duas exigências seguissem no mesmo processo. Esta decisão equivocada da fiscalização, acarretou outro problema que impede a reunião dos processos na atual fase de julgamento. Isto porque o processo de PIS 16327.721176/201206 foi encaminhado à Primeira Seção do CARF e lá foi julgado por meio do Acórdão 1401000.314, que aguarda formalização desde o mês de julho. Sendo assim, não há mais como atender o pleito do contribuinte, no sentido de que os processos sejam reunidos para julgamento em conjunto. No mérito, a questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase de mais uma vez analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos 1.500 ações da CBLC e um título patrimonial da BM&F. Na fl. 329 se pode constatar que as ações da antiga CBLC foram adquiridas em 31/08/98. E na fl. 330 se pode comprovar que o título da antiga BM&F foi adquirido em 31/10/2001. As contas indicam que estavam classificados no ativo permanente/investimentos. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e com a incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.883.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.971.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações no curto prazo, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão ou incorporação são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 3403003.373 S3C4T3 Fl. 8 7 O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo de desmutualização. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho do mandado de segurança nº 1999.61.00.0138845 não tem nenhuma influência sobre este processo. 1 (...)8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.904285/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 04 28 5/ 20 08 -0 4 Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.214 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, transmitidas por FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, incorporada por AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A. Por bem sintetizar os fatos retratados nos presentes autos, sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão exarada em primeira instância. [...] Tratase o presente processo do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) nº de Rastreamento 783785201, emitido em 26/08/2008, pela DRF Campinas/SP (fl. 13), NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas pela contribuinte nas DCOMP constantes dos autos, que utilizam crédito oriundo de saldo negativo de CSLL exercício 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 20.970.908,02, para compensação dos débitos no valor principal de R$ 22.750.564,62. A análise dos documentos eletrônicos apresentados teve por referência a DCOMP com demonstrativo de crédito nº 18471.20701.150206.1.3.036559. Além desta, o contribuinte apresentou outras 20 (vinte) DCOMP para utilização do crédito de 24/02/2006 a 15/08/2006, retificando uma delas no próprio dia da apresentação (13/07/2006) e outras 5 (cinco) em 28/09/2006. Todas as retificadoras foram admitidas, de forma que o procedimento aqui questionado se desenvolveu em relação às 21 (vinte e uma) DCOMP ativas em 26/08/2008. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 29/08/2007, fora emitida intimação (nº de rastreamento 697632865) vinculada à DCOMP referida, para que o contribuinte retificasse a DIPJ ou a DCOMP, porque constatado que o valor do saldo negativo informado é diferente do apurado na DIPJ, e os(s) débito(s) por estimativa informado(s) na DIPJ é (são) diferente(s) do(s) valor(es) declarado(s) na(s) DCTF correspondente(s). Acrescentouse que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo (fl. 290). Além da divergência entre o valor do saldo negativo constante da DIPJ (R$ 20.972.963,06) e da DCOMP (R$ 20.970.908,02), a referida intimação apresentou a diferença entre a soma das parcelas que compõem o crédito na DIPJ (R$ 22.997.953,98) e a soma das parcelas que o compõem no PER/DCOMP (R$ 20.970.908,02), bem como apontou inconsistência em relação à declaração em DCTF da estimativa apurada em maio/2005 (R$ 18.141.868,71) e o valor constante da DIPJ (R$ 18.143.923,78). Tendo sido cientificada em 10/09/2007 (fl. 291), a contribuinte apresentou em 15/05/2008 petição (fl. 288) informando que devido a problemas de cadastro na empresa informada como sucedida, CNPJ 55.962.385/000160, não foi possível fazer a transmissão da DCOMP elaborada com as correções solicitadas, conforme comprovante juntado da referida restrição (fl. 289). Fora também emitida intimação relativamente a uma das DCOMP de utilização do crédito (nº 22416.29908.280406.1.3.035577), sob nº de rastreamento 697632905 (fl. 276) cientificada ao contribuinte em 10/09/2007 (fl. 269), comunicandolhe que o Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.215 3 documento com demonstrativo do crédito [18471.20701.150206.1.3.036559] informa crédito apurado por sujeito passivo diferente [CNPJ 55.962.385/000160], e solicitando a apresentação de PER/DCOMP retificador indicando corretamente o PER/DCOMP em que o crédito foi detalhado, ou, sendo o caso, apresentado demonstrativo do crédito. Em resposta, a contribuinte informa impossibilidade de transmitir DCOMP retificadora. Subsistindo as inconsistências mencionadas, foi exarado despacho decisório, conforme exposto: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado na PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com Demonstrativo de crédito: R$ 20.970.908,02 Valor do Saldo negativo informado na DIPJ: R$ 20.972.963,06” Em função de tal divergência não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos, sendo exigido o saldo devedor a seguir consolidado: [...] Cientificada do ato de não homologação das compensações em 29/08/2008, e discordando da cobrança dos débitos compensados na DCOMP transmitida, a Contribuinte apresenta, em 26/09/2008, por meio de seus advogados e procuradores, a manifestação de inconformidade de fls. 01/11, na qual registra o que se segue. Após efetuar breve resumo dos fatos já relatados, a contribuinte suscita a ocorrência da incorporação da Indústria de Bebidas Antarctica do Sudeste S/A (CNPJ 55.962.385/0001) pela manifestante. Em seguida, expressa sua indignação quanto à não homologação das DCOMPs em litígio, afirmando que a não homologação das 21 DCOMP apresentadas decorreu da diferença de R$ 2.055,04 existente em relação ao saldo negativo informado na DIPJ, valor este equivalente a 0,0098% do crédito utilizado. Considera tal atitude como um absurdo e verdadeiro descaso com o contribuinte. Alega que vinha esclarecendo a diferença na respectiva unidade da Receita Federal em face do Termo de Intimação que recebeu. Explica que em 14/05/2008 solicitou dilação do prazo para entrega da DCOMP retificadora, o que não foi possível face ao sistema impedir, indicando que não consta em nosso cadastro informação de ocorrência de evento de sucessão entre o declarante ... e a empresa informada como sucedida. Aduz que a alteração societária teria sido informada à RFB oportunamente. Pelo que, considera que a inconsistência mencionada ocorrera por falha do sistema da própria Receita Federal. Relata que, apesar do equívoco da RFB, teria a contribuinte buscado sanar os problemas localizados, através da apresentação dos seguintes documentos: [...] Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.216 4 Assevera que, em sinal de sua boafé, teria ainda recolhido a suposta diferença encontrada pela RFB, no valor de R$ 2.055,07, quando da análise do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005. Requer, então, a revisão do ato guerreado, na medida em que a finalidade do processo de conhecimento administrativo é a busca da verdade real e, demais disto, ninguém adquire direitos agindo contra a Constituição Federal. Assevera que o ato decisório fere diretamente os princípios constitucionais porque priva a manifestante de seu legítimo direito garantido pela Constituição Federal, devendose atentar para as provas juntadas, como documentos indispensáveis ao ato processual. Conclui pleiteando a rejeição integral do Despacho Decisório, além da concessão do direito da manifestante de manter a compensação realizada, uma vez que, conforme demonstrado, foi efetuado o respectivo recolhimento que reconstitui integralmente o crédito. Ainda, requer que as intimações sejam remetidas para a sede da manifestante ou no escritório de seus representantes. Remetido para julgamento, o processo retornou em diligência, por meio do despacho/resolução de nº 2.738 desta 5ª Turma de Julgamento, de cujo voto extraise: Por meio da DCOMP nº 18471.20701.150206.1.3.036559, o contribuinte FRATELLI VITA BEBIDAS LTDA (CNPJ nº 73.626.293/000190) informou a existência de crédito correspondente a Saldo Negativo de CSLL, apurado no período de 01/01/2005 a 30/11/2005 por sucedida (CNPJ nº 55.962.385/000160), no valor original de R$ 20.970.908,02. Indicou que tal valor seria composto por: 1) pagamentos de estimativas nos valores de R$ 12.333.125,49 (30/06/2005, apenas utilizando a parcela de R$ 10.787.680,53), R$ 340.361,96 (29/07/2005), R$ 1.775.634,99 (31/08/2005), R$ 1.425.725,86 (30/09/2005), R$ 528.846,50 (31/10/2005), R$ 303.914,96 (30/11/2005); e 2) estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores nos valores de R$ 2.921.924,85 (DCOMP nº 15860.78520.300605.1.3.038050) e R$ 2.886.818,37 (DCOMP nº 17679.41426.300605.1.3.027173), ambas relativas ao débito apurado em maio/2005. Consoante relatado, por meio da intimação emitida em 29/08/2007, o contribuinte foi cientificado da existência de divergências entre a composição do saldo negativo apresentado na DCOMP, e aquele informado na DIPJ. Segundo suas alegações, embora tenha providenciado a DCOMP retificadora, não obteve êxito na sua transmissão, em razão do seguinte erro apontando pelos sistemas da Receita Federal: não consta em nosso cadastro informação de ocorrência de evento de sucessão entre o declarante CNPJ 73.626.293/000190 e a empresa informada como sucedida CNPJ 55.962.385/000160. Compareça a Unidade local da Secretaria da Receita Federal para regularizar a situação cadastral. A autoridade preparadora confirma a apresentação, pelo contribuinte, de petição solicitando novos procedimentos para regularização, bem como dilação do prazo para entrega da declaração retificadora (fls. 288 e 270), mas não esclarece quais providências foram adotadas. Apenas junta à fl. 285 informações do cadastro da pessoa jurídica “Industria de Bebidas Antarctica do Sudeste S A” (CNPJ 55.962.385/000160), o qual se encontra na situação suspensa desde 14/04/2008, com a indicação do seguinte motivo “DEF. RFB AG. AN. DO CONVENENTE”. De toda sorte, mesmo nestas condições, as informações contidas no PER/DCOMP foram comparadas com a DIPJ da incorporada, pois, como se vê à fl. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.217 5 277, a não homologação se deu em razão de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo negativo informado no PER/DCOMP e, por sua vez, a ausência desta correspondência se fez tendo em conta o saldo negativo informado na DIPJ apresentada pela Indústria de Bebidas Antarctica do Sudeste S/A, na medida em que o Despacho Decisório confirma o CNPJ do detentor do crédito (55.962.385/000160) e indica o saldo negativo que consta na DIPJ por ele apresentada (R$ 20.972.963,06, fl. 310). Diante destas circunstâncias, impõese admitir as justificativas apresentadas e analisar as demais antecipações que o contribuinte aponta à fl. 67, em especial aquelas recolhidas em 2005, não consideradas na composição do saldo negativo às fls. 225/226, e que se prestariam a atender à intimação de fl. 290, no sentido de que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. De fato, a partir destas informações e dos demais recolhimentos e compensações verificados nos sistemas informatizados da RFB (fls. 296/304), inferese que o contribuinte errou ao preencher a DCOMP, apontando apenas as estimativas pagas/compensadas necessárias para compor o saldo negativo utilizado. Ou seja, deixou de informar as estimativas de janeiro (R$ 220.266,47), fevereiro (R$ 259.279,49) e parte do valor correspondente a maio (R$ 1.545.444,96 = R$ 18.141.868,71 – R$ 16.596.423,75), cuja soma equivale à CSLL apurada no ajuste anual da sucedida em 2005 (R$ 2.024.990,92, fl. 309). Observese que parte das estimativas indicadas para compor o saldo negativo foi objeto de compensação mediante DCOMP. E, neste contexto, há entendimento administrativo firmado no sentido de que, caso tais compensações sujeitemse a não declaração, devem ser glosados os valores dessas estimativas quando da apuração da contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, exigindose eventual diferença da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, e aplicandose multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Logo, para firmar a possibilidade de tais estimativas comporem o saldo negativo utilizado nas compensações, necessário se mostra aferir se as DCOMP apresentadas para sua extinção sujeitamse, ou não, a não declaração. Destaquese, também, que o impugnante oferta cópia autenticada de Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Fratelli Vita Bebidas S.A. (“Companhia”), realizada em 30 de novembro de 2005 na qual foi aprovada a incorporação da Indústria de Bebidas do Sudeste S/A (CNPJ 55.962.385/000160). O documento é acompanhado de Protocolo e Justificação de Incorporação correspondente, e aponta registro na JUCESP em 05/01/2006. Assim, relevante é confirmar se o saldo negativo utilizado nas DCOMP apresentadas pela Fratelli Vita Bebidas S A a partir de 15/02/2006 integrava o patrimônio vertido no momento da referida incorporação, bem como avaliar se há algum reparo a ser feito em sua apuração original pela incorporada, destacandose que em 19/11/2008, após ter sido cientificado do despacho decisório aqui recorrido, o interessado retificou a referida DIPJ, mas manteve o saldo negativo ali apurado no valor de R$ 20.972.963,06 (311/312). Nestes termos, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a DERAT/RJ (que atualmente jurisdiciona o contribuinte em epígrafe, fl. 313) confirme a existência do direito creditório referenciado na DCOMP nº 18471.20701.150206.1.3.036559, bem como a possibilidade de sua utilização por Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.218 6 Fratelli Vita Bebidas SA, tendo em conta os aspectos antes explicitados, manifestando se conclusivamente em relação à suficiência e disponibilidade do crédito para as compensações promovidas. Ao final, restando compensação não homologada, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para, se for de seu interesse, complementar as razões de defesa. Em atendimento, a autoridade competente da DERAT Rio de Janeiro juntou o Relatório de Diligência Fiscal, abaixo parcialmente transcrito: A presente ação fiscal se iniciou em 22/03/2010, com a ciência pessoal do representante legal da interessada, do competente termo de início da ação fiscal, onde se consignou a exigência de apresentação dos seguintes livros e documentos, abaixo arrolados: (...) A interessada, por força da exação vestibular, solicitou dilação do prazo para atendimento, alegando (sic) "não conseguiu separar os documentos listados nos itens 1, 2, 3, 4, 5 e 6 da intimação, assim solicita a concessão de prazo adicional de 10 dias úteis...", sendolhe concedido o prazo em tela, conforme consta no termo de prorrogação lavrado em 30/03/2010. Vale dizer, no referido termo, a interessada foi alertada que o prazo inaugural resta supedaneado pelo que prescreve o artigo 71 da M.P. n° 2158/2001 e suas reedições. Em 30/03/2010, com objetivo de certificar os fatos observados na diligência realizada no estabelecimento da interessada lavramos termo de constatação fiscal. Para uma melhor intelecção do que foi apurado naquele momento da ação fiscal reproduzimos aquele termo: (...) Referido termo de constatação foi levado ao conhecimento da interessada, mediante notificação pessoal ao seu representante legal, em 31/03/2010. Em 09/04/2010, a interessada apresentou parte dos livros e documentos requisitados no termo de início, todos em meio magnético, em arquivos produzidos e gerados em DVD. Registrese que, no que tange aos livros fiscais, especialmente os livros de apuração do ICMS, em papel e com as formalidades de estilo (v.g., autenticação do Fisco Estadual), a interessada quedouse inerte. Vale dizer, tais livros revestemse de fundamental importância para a aferição, ainda que em sede de verossimilhança, da apuração fiscal que deu espeque ao saldo negativo do período, haja vista o cotejo a ser empreendido entre estes e a escrituração contábil do mesmo período. Em 12/04/2010 a interessada apresentou os arquivos magnéticos, devidamente validados, da escrita contábil do anocalendário 2005 (sucedida e sucessora, nesta ordem, referentes aos períodos de 01 a 12/2005, e 11 a 12/2005). Em 28/04/2010, após preliminar cotejo dos valores lançado naqueles arquivos, com as informações mantidas em DCTF e DIPJ do período açambarcado pelo Perdcomp, verificamos relevantes divergências na apuração fiscal razão pela qual lavramos o termo de intimação, com vistas a solicitar à interessada justificativas acerca de tais divergências. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.219 7 Releva notar que, em sede de recepção dos arquivos pelos sistemas informatizados RFB, foram igualmente constatadas inconsistências, segundo a geração do relatório denominado "Resultado da Análise dos Lançamentos Contábeis", com uma via sendo entregue à interessada, para que providenciasse os esclarecimentos sobre aludido mister. Em 04/06/2010, visando a instruir os autos, assim como conhecer materialmente de maiores detalhes do evento societário, lavramos o termo de intimação, endereçado ao diretor da interessada e responsável legal nomeado para adoção dos procedimentos preparatórios à incorporação de IBA S.A.(v.g., protocolo de justificação, ata da assembléia, laudo de avaliação), o nacional João Maurício Giffoni de Castro Neves. Em 14/06/2010, o nacional acima solicitou, mediante interposição de seu procurador, a dilação de prazo para atendimento do estipulado naquela exação fiscal, de modo a auferir novo prazo de 15(quinze) dias úteis, para a prolação de esclarecimentos, o que foi deferido. Na mesma data, a interessada solicitou dilação do prazo para atendimento do que se constatou no termo de intimação de 28/04/2010, que versava sobre as divergências apuradas com base nos documentos e livros trazidos aos autos deste processo administrativo, em 30(trinta) dias úteis, prazo que também lhe foi deferido. Em 01/07/2010, após novo pedido de prazo, protocolado pelo nacional qualificado como responsável legal da interessada, João Maurício Giffoni, foram concedidos mais 15(quinze) dias, para que fossem colimados esclarecimentos acerca do evento societário. Após isso, diante da conduta omissiva do nacional supra, procedemos na lavratura do termo de reintimação fiscal, em 20/087/2010, para a apresentação dos esclarecimentos atinentes à incorporação de IBA pela interessada. Em 26/08/2010, o nacional apresentou petição, assinada por seu procurador, onde categoricamente declinou em se pronunciar sobre as nuances do evento empresarial e dos prováveis efeitos tributários dele advindos, pugnando, por esta via transversa, pelo endereçamento de todas as intimações à interessada, enquanto pessoa jurídica, e aos seus representantes legais. Em outros termos, com tal conduta, o então responsável legal pela incorporação, não trouxe nenhum elemento a instruir a forma de um juízo mais acurado acerca dos fatos atinentes ao procedimento. Registrese que, após o decurso do prazo para que a interessada apresentasse esclarecimentos acerca das divergências apuradas no decorrer da ação fiscal, o que, prima facie, implica em óbice no reconhecimento do direito creditório pretendido, a mesma quedouse inerte, não trazendo quaisquer esclarecimentos para o deslinde da demanda. Passamos à intelecção das infrações apuradas na ação fiscal. III. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS 111.1. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO Com base nos elementos coligidos no curso do procedimento, realizamos o cotejo entre os lançamentos contábeis e fiscais, com os débitos reconhecidos e confessados nas DCTF do período, o que ensejou a apuração das divergências consignadas, no que se reporta, nesta ordem, à Indústria de Bebidas Antártica do Sudeste (incorporada), detentora do suposto direito creditório (saldo negativo apurado no anocalendário), e à interessada, nos termos do que consta na planilha abaixo: ... Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.220 8 III.2. LOCALIZAÇÃO DE FILIAL DA INCORPORADA EM ÁREA INCENTIVADA DA EXTINTA SUDENE (ATUAL AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE ADENE) No curso da presente diligência, constatamos que a incorporada mantinha filial (estabelecimento industrial), no estado do Maranhão, e que em função disso, gozava dos benefícios instituídos hodiernamente pela Medida Provisória n° 2.146/2001, diploma que criou a autarquia federal denominada Adene, em substituição à extinta Sudene, qual seja, a redução do lucro na exploração, somente para as atividades desenvolvidas pelo estabelecimento localizado na área incentivada. (…) No caso em exame, considerando que o benefício calculado sobre o lucro da exploração está contido em um contexto de política econômica e social que visa ao desenvolvimento regional ou setorial, mediante o incremento de atividades específicas, fazse mister aferir, antes mesmo de se falar em qualquer direito creditório advindo da apuração fiscal do período (lucro real anual), como é o caso do saldo negativo do ano calendário 2005 a apuração do lucro na exploração somente da atividade desenvolvida pela filial incentivada, não se imiscuindo tal beneplácito com as demonstrações da pessoa jurídica como um todo. (grifos nossos). Considerando ainda que a interessada não apresentou os livros contábeis em papel e que nos arquivos magnéticos não há menção a qualquer rubrica específica sobre as operações empreendidas pela filial e, que, alternativamente, não foram apresentados os livros fiscais, especialmente o livro registro de apuração do ICMS (ou as declarações de informações econômicofiscais), não há como se atestar de maneira categórica se houve uma correta apuração do cálculo do lucro da exploração intrínseco somente àquele estabelecimento, e se o mesmo se destacou da apuração de todos os estabelecimentos da interessada, que, por desdobramento causa incerteza sobre o saldo negativo do período.” III.3 EVENTO SOCIETÁRIO – INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS (...) IV – UTILIZAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL DA INCORPORADA ACIMA DO LIMITE PREVISTO NO DECRETO LEI Nº 2.341/97, REGULAMENTADO PELO ART. 514, RIR/99 Da análise das demonstrações da incorporada, defluise que os prejuízos fiscais da incorporada IBA S.A., com base somente nas informações dos sistemas informatizados RFB, assim como na DIPJ do anocalendário 2005, haja vista a omissão da interessada em trazer aos autos o livro de apuração do lucro real (Lalur), foram levados ao resultado do IRPJ a pagar, assim como a base negativa de CSLL no que tange àquela contribuição, in totum, ao revés do que prevê o art.33, do Decreto Lei n 2.341/97, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Vale dizer, embora a lei civil e comercial prescreva que a incorporadora sucede a incorporada em todos os direitos e obrigações (art. 1116 do CC/02 e artigo 227 da Lei n° 6.404/1976), a restrição prevista pelo diploma acima estabelece exceção à regra do direito civil, excluindo da sucessão o direito de compensação de prejuízos fiscais. Por se tratar se norma específica, a previsão contida na lex tributária sobrepõese, na espécie, às regras do direito privado, o que inquina a utilização do benefício fiscal por parte da incorporadora. Ou seja, ainda que a incorporação se moldasse no tipo ideal, o que resta afastado, não haveria falar em gozo do prejuízo fiscal em tela. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.221 9 Pelo exposto, e o que mais dos autos consta, lavramos o presente termo e encerramos a diligência fiscal, com os fatos ora narrados, para a produção dos efeitos legais pertinentes. Posto isto, encaminhemse os autos à Demac/RJ, em face da situação fiscal do contribuinte, sujeito ao acompanhamento especial, para adoção das providências cabíveis. Cientificada a contribuinte do teor do referido Relatório, por meio da Comunicação nº 332 de 05/05/2011, recebida em 11/05/2011, fora aberto prazo de 30 dias para que apresentasse complementação de sua defesa ou qualquer manifestação acerca do presente processo. Nada sendo juntado pela contribuinte, após o referido prazo, fora encaminhado o presente para julgamento. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 05 37.301, de 21 de março de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, sobretudo em face dos questionamentos acerca da base de cálculo contidos em processo conexo, relativo a saldo negativo de IRPJ do mesmo período. Irresignada, AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, sucessora por incorporação de FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, interpôs o recurso voluntário de fls. 792/839, em que, em apertada síntese, sustenta: a necessidade de julgamento conjunto do presente processo com o de nº 16682.720173/201036; a nulidade da decisão recorrida, em virtude da falta de análise do direito creditório representado pelo saldo negativo de CSLL; a existência do direito creditório representado pelo saldo negativo de CSLL (confirmação das antecipações de CSLL e existência de cobrança em duplicidade); e a inaplicabilidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas, no caso de extinção da sociedade. É o Relatório. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.222 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, transmitidas por FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, incorporada por AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, por meio das quais pretendese compensar débitos diversos com crédito correspondente a saldo negativo de CSLL relativo ao ano calendário de 2005, período de 1º de janeiro a 30 de novembro. Em conformidade com a FICHA 17 da DIPJ/2005, fls. 487, o saldo negativo em referência, no montante de R$ 20.972.963,06, derivou da seguinte apuração: CSLL R$ 2.024.990,92 () ESTIMATIVAS R$ 22.997.953,98 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 20.972.963,06) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas, São Paulo, por meio do Despacho Decisório (eletrônico) 783785201 (fls. 13), não reconheceu o direito creditório, deixando, assim, de homologar as compensações pleiteadas. No Despacho Decisório em referência, restou assinalado: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP”. Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas indeferiu o pedido ali veiculado, servindose, para tal, dos mesmos fundamentos utilizados no processo administrativo nº 10830.720411/200861. Do voto condutor da decisão exarada em primeira instância, extraio os seguintes fragmentos: [...] Ora, tendo em vista fundarse o presente processo em crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2005, apurado pela empresa Indústria de Bebidas Antárctica do Sudeste S/A (CNPJ nº 55.962.385/000160), cuja base de cálculo antes das compensações dos prejuízos fiscais é idêntica àquela apurada em relação ao IRPJ do período (R$ 365.438.065,58), impõese adotar as mesmas razões de decidir expostas no processo nº 10830.720411/200861. Em razão disso considerase restar impossibilitada a verificação da liquidez e certeza do saldo negativo ora em litígio em face do lançamento formalizado, como já exposto na análise do IRPJ. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.223 11 Isto porque, compulsando os sistemas da RFB, localizouse a DIPJ originalmente apresentada em 29/12/2005 pela sucedida (Indústria de Bebidas Antarctica do Sudeste S A – CNPJ 55.962.385/000160), contendo os seguintes valores: DIPJ/2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 DIPJ Nº 2397669 33. BC ANTES COMP. DE BAC NEGAT. DO PRÓPRIO PER. DE APUR. 365.438.065,58 34. () BASE DE CALC. NEG. DA CSLL DE PER. ANT. – ATIV. GERAL 342.938.166,47 36. BASE DE CÁLCULO DA CSLL 22.499.899,11 38. CSLL 2.024.990,92 39. TOTAL DA CSLL 2.024.990,92 43. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 22.997.953,98 51. CSLL A PAGAR 20.972.963,06 E, caso consideradas as irregularidades localizadas pela autoridade da DERAT Rio de Janeiro na base de cálculo da CSLL apurada em 30/11/2005, obterseia: CSLL APURADO PELA EMPRESA CONFORME LEGISLAÇÃO LUCRO ANTES DAS COMPENSAÇÕES 365.438.065,58 365.438.065,58 COMPENSAÇÕES DE BASES NEGATIVAS 342.938.166,47 109.631.419,67 BASE DE CÁLCULO DA CSLL 22.499.899,11 255.806.645,91 DIPJ/2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 DIPJ Nº 2397669 VALORES CONFIRMADOS 33. BC ANTES COMP. DE BAC NEGAT. DO PRÓPRIO PER. DE APUR. 365.438.065,58 365.438.065,58 34. () BASE DE CALC. NEG. DA CSLL DE PER. ANT. – ATIV. GERAL 342.938.166,47 109.631.419,67 36. BASE DE CÁLCULO DA CSLL 22.499.899,11 255.806.645,91 38. CSLL 2.024.990,92 23.022.598,13 39. TOTAL DA CSLL 2.024.990,92 23.022.598,13 43. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 22.997.953,98 22.997.953,98 51. CSLL A PAGAR 20.972.963,06 24.644,15 Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10830.904285/200804 Resolução nº 1301000.234 S1C3T1 Fl. 1.224 12 Dessa forma, como depreendese das tabelas acima, ainda que restassem superadas as divergências apuradas pela DRF Campinas quando do despacho decisório eletrônico em litígio (o que não ocorreu, conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal reproduzido) e se reconhecesse a totalidade das antecipações de CSLL declaradas em DIPJ (R$ 22.997.953,98), ao final do período em comento apurarseia valor a pagar, e não saldo negativo, com o pretende a Manifestante. Por todo o exposto, não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, insta confirmar o despacho decisório recorrido, ficando inviabilizada a HOMOLOGAÇÃO das compensações em litígio. Inicialmente, esclareço que o presente processo administrativo está sendo julgado conjuntamente com o de nº 16682.720173/201036, que trata dos lançamentos tributários de IRPJ e de CSLL em virtude da glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, e com o de nº 10830.720411/200861, que tem por objeto declarações de compensações cujo crédito indicado está representado por saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005. Em sua peça recursal, a Recorrente argumenta que, “ao invés de se ater ao que interessa à discussão dos presentes autos, qual seja, a apuração do montante de CSLL a pagar e a existência ou não de antecipações (estimativas) em montante que superava a CSLL a pagar, a DRJ construiu verdadeiro caos argumentativo baseado em processo em que se analisou o saldo negativo de IRPJ, para, ao final, concluir em apenas um parágrafo, pela suposta impossibilidade verificação do saldo negativo de CSLL ora em discussão.” Diz que não se encontra no ato decisório recorrido “uma linha sequer dedicada à verificação e reconhecimento das antecipações de CSLL recolhidas ou compensadas”, embora exista quadro que registra que o valor correspondente foi confirmado. Concordando com argumentação da Recorrente, observo que, de fato, não existe nos autos análise acerca do montante pago por ela a título de estimativa (R$ 22.997.953,98), procedimento essencial à recomposição do resultado fiscal do ano calendário de 2005. Assim, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: a) solicitar pronunciamento da unidade administrativa de origem acerca das antecipações obrigatórias (estimativas), no montante de R$ 22.997.953,98, consideradas da apuração da CSLL a pagar do ano calendário de 2005; e b) determinar que sejam sobrestados os julgamentos dos processos administrativos nºs 16682.720173/201036 e 10830.720411/2008 61, até que a diligência que ora se requer seja concluída, devendo referidos feitos serem apensados ao presente. Solicitase ainda que, relativamente ao item “a” acima, o resultado da averiguação seja reproduzido em relatório, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010627/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2007
DÉBITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA.
As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples Federal. Solicitação Indeferida
Numero da decisão: 1401-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luis Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples Federal. Solicitação Indeferida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luis Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 06 27 /2 00 6- 33 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Relatório Conforme se extrai do relatório proferido pela DRJ recorrida: Tratase de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples Federal (SRS), formalizada em 17/11/2006, objetivando o enquadramento na sistemática desde 1999. Alega a interessada ter sido excluída naquele anocalendário, mas que recebeu um comunicado para que fosse desconsiderada a exclusão, porquanto efetuada indevidamente. Alega ainda que desde então não recebeu qualquer outra comunicação sobre o Simples. Entretanto, ao solicitar comprovante de inscrição no CNPJ constatou que não estava enquadrada no regime (fl. 01). Junta cópia de comunicado de fl.03, e outros documentos de fls. 04/05. A DRF em Brasília, verificou que a exclusão da contribuinte do Simples Federal no ano calendário 1999 ocorreu em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União de um dos sócios; esses débitos foram parcelados naquela época, estando suspensos, cancelandose, assim, a motivação da referida exclusão; posteriormente tal parcelamento foi cancelado, e prosseguiuse na cobrança. Nesse contexto, e apreciando a SRS como um pedido de inclusão retroativa, indeferiu a solicitação da interessada (fls. 47/49), fundamentando: A existência de débito inscrito na Dívida Ativa da União é vedação à opção pelo SIMPLES e motivo de exclusão desta sistemática. Segundo as telas relativas à ocorrência do débito 31), o mesmo, 10.5.98.00114154, estava suspenso á época da exclusão, mas perceba que o motivo que deu causa à exclusão foi cancelado. Ou seja, o contribuinte voltou ao status quo, razão pela qual a exclusão é válida pois à época da exclusão a cobrança foi ativada e a inscrição permanece ativa. Como a contribuinte não exerceu de forma regular sua opção pelo SIMPLES, após eliminação de suas vedações, é incabível sua inclusão retroativa nesta sistemática de apuração e recolhimento de tributos. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 08/10/2008 (fl. 52), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 04/11/2008 (fls. 54/56), informado ter liquidado os débitos inscritos em Dívida Ativa da União de responsabilidade de seu sócio, e requerendo que sua exclusão do Simples Federal seja considerada sem efeito. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10166.010627/200633 Acórdão n.º 1401001.304 S1C4T1 Fl. 3 3 Posto o feito em julgamento, entendeu a DRJ por indeferir a solicitação, conforme ementa que segue: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 1999, 2007 DÉBITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA. As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples Federal. Solicitação Indeferida Em sede de recurso voluntário, a Recorrente, além de replicar os fundamentos da impugnação, apresentou documentos que comprovariam o cancelamento do ato de sua exclusão do Simples, assim como requerer, na eventualidade, a concessão do regime do Simples Nacional de forma retroativa. Em sede de recurso, o contribuinte apresentou documentos, pelo que o feito foi baixado em diligência, com o seguinte objetivo: a) confirmar a veracidade material do documento de fl. 3, trazendo aos autos o ato ou decisão que cancelou o ato declaratório de exclusão nº 14884 b) informar se houve novo ato declaratório de exclusão relativo aos fatos do presente feito. Em caso negativo, informar qual foi a base legal para exclusão do contribuinte do SIMPLES no sistema SIVEX; c) esclarecer a que se referem os eventos de fls. 40/44, se forem relevantes para o deslinde do presente feito d) elaborar parecer conclusivo acerca do resultado da diligência; e) intimar o contribuinte para se pronunciar sobre os termos da diligência, no prazo legal Em resposta à diligência, a DIORT de Brasília assim se pronunciou: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10166.010627/200633 Acórdão n.º 1401001.304 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo. A concessão do regime do Simples Nacional de forma retroativa não é objeto de litígio no presente processo, razão pela qual não conheço do recurso nessa parte. Quando ao demais, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. PRELIMINAR A questão posta em debate referese ao ato de exclusão do contribuinte do regime do Simples. A Recorrente apresentou documentos em que pretendeu demonstra que o ato declaratório de executivo de exclusão nº 14884/99 que excluiu a Recorrente do Simples – teria sido cancelado, pelo que o presente recurso merece provimento. Esta turma julgadora baixou o feito em diligência para verificar confirmar a revogação do ADE nº 14884/99, o que não foi ratificado pelas Doutas Autoridades Fiscais. Permanece, assim, intacto, o ato de exclusão em apreço. MÉRITO Aduz, a Recorrente, no mérito, que promoveu o pagamento dos débitos que haviam levado à sua exclusão do Simples, razão pela qual deveria ser cancelado o respectivo ato de exclusão. Todavia, nos termos da decisão proferida pela DRJ de Brasília, a suposta regularização somente se teria dado após a apresentação de impugnação. Vejase: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Conforme extratos de fls. 28/32, e disposições daquela DRF, constam débitos inscritos em Dívida Ativa da União de responsabilidade do sócio de CPF 004.832.73104 desde 07/1998, cuja exigibilidade ficou suspensa entre 08/1998 e 07/1999, retomandose a cobrança a partir de então. A existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de vedação ao ingresso/permanência no Simples Federal, de acordo com o artigo 9 0, XV, da Lei n° 9.317/96. A contribuinte traz aos autos cópias de comprovantes de recolhimentos relativos às inscrições mencionadas, efetuados em 10/2008 (fls. 56/57), após, portanto, a formalização do pedido desses autos, não descaracterizando, dessa forma, a incidência em hipótese de vedação constatada no período de 1999 a 2007 (quando deixou de existir o Simples Federal). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.906274/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
IRPJ. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Numero da decisão: 1803-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 IRPJ. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
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APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 62 74 /2 00 9- 13 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 27/06/2007 pela empresa recorrente, na qual indicou crédito de R$ 42.036,00, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 03/2006, no valor originário de R$ 98.231,23. A Delegacia de origem registra que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta manifestação de inconformidade, de forma tempestiva, alegando que tanto a descrição dos fatos, como o enquadramento legal estão equivocados, pois os valores apontados no PER/DCOMP não foram antecipações, mas recolhimentos indevidos ou a maior, efetuados com código incorreto, fato que evidencia a total improcedência do enquadramento legal indicado pela fiscalização, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação. Salienta que o débito da compensação não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa. Ainda, aduz a empresa que se tratasse de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos. Refere e transcreve decisão judicial, concluindo que deve prevalecer o entendimento no sentido de que não são aplicáveis limitações à compensação relativa a valores recolhidos antes da lei limitadora, aduzindo que no caso da presente manifestação de inconformidade, tanto os créditos em favor da recorrente quanto os débitos que se quer quitar são de datas anteriores à 2 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 MP 449/08. De igual modo, frisa que se fosse o caso de se admitir que a lei possa limitar a utilização de crédito pelo contribuinte, mesmo assim, somente depois que a lei limitadora entrar em vigor é que a restrição começará a valer, mas nunca antes da lei estabelecer as limitações ao uso do crédito do contribuinte. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter integralmente o lançamento. Afere, quanto ao erro na descrição dos fatos e enquadramento legal, alegado pela empresa recorrente, que não possui cabimento, já que se trata de recolhimentos efetuados a título de estimativas, tal como se pode concluir do teor da própria manifestação de inconformidade, sendo que a legislação em que se fundamenta a decisão proferida pela unidade de origem é a vigente no período de interesse ao caso concreto. Assim, não havendo a recorrente demonstrado o contrário, vez que se limitou a proferir alegação genérica. De igual modo, salienta o julgador que a empresa alega não se tratar de antecipações, mas sim de recolhimentos indevidos ou a maior, efetuados com código incorreto, ocorre que, em sua manifestação de inconformidade, a empresa recorrente deixou de identificar qual seria o “verdadeiro” código de recolhimento do tributo, cuja alteração deveria submeterse a prévio pedido de retificação do respectivo DARF, bem como sua natureza, além da possibilidade de sua repetição. No tocante às decisões judiciais citadas pela empresa recorrente, entende o julgador a quo que os entendimentos manifestados pelos Tribunais, ainda que Superiores, não vinculam, de per si, o julgamento administrativo trativa, mas que nos termos do art. 74, §11, da Lei 9.430/96, a suspensão de exigibilidade é efeito inerente à manifestação, já que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Faz a ressalva quanto à força impositiva das súmulas vinculantes de que trata a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade (artigo 102, § 2°, da CF/1988), inexistentes para o caso em apreço. Em relação à alegação trazida pela empresa recorrente e em parte fundada em jurisprudência, no sentido de que “ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos”, entende o julgador que a disposição a que se refere a manifestação de inconformidade encontravase no art. 29 da MP nº 449/2008, o qual introduziu no art. 74, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 o inciso IX que aduz de forma imediata que o seu conteúdo não guarda qualquer relação com o caso concreto, Afirma o julgador de primeira instância que a vedação que fora introduzida pelo art. 29 da MP n°449/2008 alcançava os débitos apurados pelo sujeito passivo relativos a estimativas mensais, os quais não poderiam ser extintos pela via da compensação. Quanto à declaração de compensação, o julgador aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. 3 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19962, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Cita o RIR a esse respeito. Explica o julgador que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência – de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete – com o tributo já recolhido). Atenta que ao final do ano calendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Cita Instruções Normativas. Nesse compasso, a autoridade de primeira instância conclui que as normas legais vigentes à época vedavam à empresa recorrente de qualquer outra utilização para os recolhimentos a maior efetuados a título de estimativa do IRPJ que não a dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para composição do saldo negativo do período. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário. Alega em sua defesa o já disposto em sua manifestação de inconformidade. 4 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, do qual tomo conhecimento. Trata, o presente processo, de declaração de compensação transmitida em 27/06/2007 indicando crédito de R$ 42.036,00, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF, relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 03/2006, no valor originário de R$ 98.231,23. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração as Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, que restaram prejudicadas com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Destarte, demonstrada a existência de recolhimento indevido de estimativa de IRPJ é cabível a sua restituição/compensação vedandose contudo, a sua utilização em duplicidade como saldo negativo de IRPJ, fato que deverá ser observado pela Administração Tributária. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento 5 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Ainda, deve se ressaltar que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15586.001364/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Correto o procedimento da autoridade fiscal, que fez o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando a vigente à época dos fatos geradores e a aplicada pela lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Correto o procedimento da autoridade fiscal, que fez o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando a vigente à época dos fatos geradores e a aplicada pela lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 64 /2 00 9- 97 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.201.9145, em desfavor da recorrente originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 44 (anexo I) da obrigação principal e seguintes, os fatos geradores encontramse assim descritos: A Empresa declarou as GFIP s s contendo informações dos Dirigentes com o código de FPAS 833, quando o correto seria informar as GFIP . s com o código 507); (A Empresa declarou as GFIP s s contendo informações dos Dirigentes com o código de Outras Entidades 0002, quando o correto seria informar as GFIP's com o código 0078). Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal . do Brasil (DIVIDA e SICOB), constatouse a existência de Auto de Infração lavrado contra a Aracruz em fiscalização anterior, por descumprimento de obrigação acessória, com • decisão administrativa definitiva em 13/10/2005. Configurando assim circunstancia agravante da infração, pelo fato da empresa ter incorrido em reincidência, conforme previsto no artigo 290, V, do • Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. No entanto, por força do artigo 655, § 4° da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, a ocorrência de circunstâncias agravantes não produz efeito para gradação do valor da multa deste Al. Para aplicação da multa, foram comparadas aspenalidades vigentes quando da ocorrência dos fatos jurídicos, com as previstas na legislação, fl. 91, redação dada pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, aplicando a penalidade mais benéfica ao contribuinte. O demonstrativo contendo os cálculos para aplicação da Multa mais benéfica estão expressos no anexo IV. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 60 a 95, alegando a improcedência de todos os fatos geradores descritos no AIOP. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 320. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 936, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Para fins de cobrança do SAT, devese considerar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de cada estabelecimento, individualizado através de seu CNPJ, o Fl. 810DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 que, em razão de reiteradas manifestações do STJ, culminou com a edição da súmula n°351. 2. A contribuição ao INCRA foi extinta pela Lei n° 7.787/89 e não ha previsão da contribuição ao INCRA nas Leis re's 8.212/91 e 8.213/91. 3. A discriminação dos débitos exigidos por meio da autuação mostrase sobejamente confusa, não sendo possível ao recorrente verificar individualmente quais eventos específicos geraram tais autuações, que poderiam ser separadas por assuntos, mas que tratam de assuntos em comum, variando tão somente quanto a referências em que se mostra ser praticamente impossível identificar o período, a forma como o cálculo foi encontrado e os empregados relacionados a determinado valor cobrado. 4. Verificouse que significativa parte, sendo a integralidade, das verbas relativas a férias, se referem a pagamentos efetuados a titulo de terço constitucional de férias e outros adicionais de caráter indenizatório e não integram o saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9°, "d" da Lei n° 8.212/91. 5. Os valores pagos a titulo de seguro de vida em grupo estão expressamente desvinculados dos salários dos segurados, na forma do disposto no art. 458, § 2°, V da CLT, não podendo o Regulamento da Previdência Social dispor de forma diferente, dado que haveria grave lesão h. hierarquia entre as normas. As verbas pagas quanto aos seguros de vida sequer podem ser individualizadas por empregado, o que, naturalmente, impede que possam integrar o salário de contribuição. 6. O valor da bolsa de educação pago pelo recorrente não possui natureza jurídica de remuneração pelos serviços prestados, tendo em vista que, no período em que está estudando, o trabalhador sequer está à disposição da empresa. 7. O art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, ao excluir do salário de contribuição os valores destinados a "cursos de capacitação e qualificação profissionais", se conclui com nítida tranqüilidade que os cursos superiores também estariam compreendidos por tal categoria, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário. 8. No que tange ao fato de que os beneficios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da recorrente, impõese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto da autuação. Todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente à tal incorporação, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, não podendo as referidas bolsas serem simplesmente cassadas, pois os funcionários agraciados não poderiam arcar com o pagamento dos respectivos cursos, sob pena de terem que desistir de continuálos, o que revela com clareza a correção da opção do recorrente em manter os benefícios anteriores, caracterizando o conceito de ato jurídico perfeito. 9. A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. 10. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contra prestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio Fl. 811DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 4 5 aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. 11. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. 12. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. 13. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. 14. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. 15. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. 16. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. 17. No que se refere à pretensa inexistência de regras claras quanto aos valores a serem pagos aos empregados na hipótese de as metas não serem atingidas ou serem atingidas parcialmente, importa recordar que, ao revés, tal argumentação é demasiadamente clara, pois os percentuais e pesos traçados pelas tabelas apostas no instrumento que regulamentou o GPR e, sem prejuízo, as diretrizes especificas de cada área, delimitam com precisão a aludida remuneração em quaisquer casos, exemplificando através de casos concretos de calculo, conforme fls. 1.223 a 1.274. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 18. Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. 19. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que restando comprovado serem devidas as contribuições sobre os pagamentos à título de PLR, são devidas por consequência as multas pela ausência de ditas informações em GFIP. Por fim, os AIOP (PROCESSO 15586001360/200917, DEBCAD N. 37.230.1711), lavrados em relação aos mesmos fatos geradores, encontramse em julgamento nessa mesma sessão, sendo que a procedência do mesmo e das contribuições devidas elos segurados e destinadas a terceiros, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória. Transcrevo abaixo a ementa do acordão referente a parcela patronal: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 DIFERENÇA DE SAT CÁLCULO CONSIDERADO POR ESTABELECIMENTO PUBLICAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO 11/2011, DE 20/12/2011 O lançamento à título de diferença de SAT, ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que ensejou a publicação do ATO DECLARATÓRIO 11/2011, DE 20/12/2011. No termos do Ato DECLARATÓRIO a cobrança do SAT deve ser feita levandose em consideração o grau do risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. DIFERENÇA DE FÉRIAS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA . 1/3 DE FÉRIAS RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizamse, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 6 9 AUXÍLIO EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo se natureza salarial a verba PLR. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados). Recurso Voluntário Provido em Parte Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, devendo não apenas arcar com a contribuição previdenciária correspondente, como com a multa imposta pela ausência de informação em GFIP. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que os itens 11 a 14 do relatório fiscal, foram muito esclarecedores em relação a multa aplicada, descrevendo a comparativo da multa mais benéfica ao contribuinte. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 7 11 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 818DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401003.646 S2C4T1 Fl. 8 13 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentanado que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o pagamento de PLR não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições e a multa imposta, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto a autuação seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar o AI em questão.. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917812/2011-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 12 /2 01 1- 38 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917812/201138 Acórdão n.º 3801004.452 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917812/201138, contra o acórdão nº 0948.384, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917812/201138 Acórdão n.º 3801004.452 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917812/201138 Acórdão n.º 3801004.452 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006249/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
INTIMAÇÃO VÁLIDA PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. MULTA AGRAVADA.
Havendo intimação válida, a ausência de atendimento da solicitação de esclarecimentos, apresentação de arquivos, sistemas ou a documentação técnica especificada no texto legal, enseja a aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I e § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959.
Numero da decisão: 1801-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO VÁLIDA PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. MULTA AGRAVADA. Havendo intimação válida, a ausência de atendimento da solicitação de esclarecimentos, apresentação de arquivos, sistemas ou a documentação técnica especificada no texto legal, enseja a aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I e § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959.
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Multa Agravada. Recorrente FRIGONOVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO VÁLIDA PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. MULTA AGRAVADA. Havendo intimação válida, a ausência de atendimento da solicitação de esclarecimentos, apresentação de arquivos, sistemas ou a documentação técnica especificada no texto legal, enseja a aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I e § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 49 /2 00 9- 01 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/1 0/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Tratase de lançamento (fls. 257 a 273), lavrado em 28/12/2009, para a exigência de créditos tributários originados nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, referentes a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Consoante destacado na decisão recorrida, no auto de infração do IRPJ (fl. 263) foi apontada a infração "Resultados operacionais não declarados", assim descrita: “valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme Termo de Verificação Fiscal”. Foi exigida multa de ofício, todavia, quanto aos anoscalendário de 2004 e 2005 a multa foi agravada na forma do Art. 44, inciso I, § 2º , da Lei n° 9.430/96. Diante de impugnação do contribuinte, a DRJ houve por bem considerar procedente em parte os lançamentos, acatando, porém, comprovantes apresentados pelo contribuinte de pagamentos efetuados antes do início da ação fiscal, embora não declarados, referentes às estimativas de IRPJ e CSLL, dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 (fls. 407 a 413, 486 a 496 e 521 a 527), informações essas confirmadas no sistema de pagamentos (SINAL 08) da Receita Federal. Tal posição se ancorou na orientação normativa constante de Solução de Consulta Interna n° 08, publicada pela COSIT em 30 de abril de 2007, resultando na manutenção do lançamento efetuado sobre débitos extintos por pagamento ou compensação, mas não informados em DCTF, exonerandose as multas e acréscimos correspondentes aos valores pagos de forma espontânea. De outro lado, a DRJ manteve o agravamento da multa, por considerar que o comportamento apresentado pelo contribuinte, no início do procedimento, teria dificultado a ação fiscal: “a fiscalização só não se desenrolou de forma mais uniforme em razão da contumaz falta de cooperação dos representantes legais da empresa, que não foram encontrados em sua sede e cujo paradeiro, aparentemente era desconhecido, a julgar pelas parcas informações fornecidas pela única funcionária ali presente” (fl. 257). O acórdão apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O pagamento do tributo antes do início da ação fiscal, extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação e os valores efetivamente recolhidos devem ser alocados na apuração do crédito tributário que integra o lançamento de ofício. Irresignado, em sede de recurso voluntário, se insurge o contribuinte tão somente em face dos Termos de Embaraço Fiscal, constantes do Procedimento Fiscal Administrativo, lavrados em 25/02/2008 e 02/06/2008, aduzindo sua nulidade, tendo em vista: que não ofereceu embaraço à fiscalização, pois teria atendido aos Auditores Fiscais desde o início do Procedimento Fiscal Administrativo, apresentando todos os documentos solicitados; que consoante se pode observar à fl. 20, quando, em 27/02/2008, atendeu o Termo de Intimação Fiscal n°. 02; que não teve conhecimento das Notificações Fiscais de n°s. 03 a 09 e dos Termos de Embaraço a Fiscalização lavrados por terem sido expedidos através de Edital Interno do Órgão Fiscalizador; que não se pode olvidar que o Termo de Destruição de Fl. 610DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/1 0/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19515.006249/200901 Acórdão n.º 1801002.052 S1TE01 Fl. 610 3 Documentos constante do Procedimento Administrativo confirma que a recorrente, apresentou os documentos solicitados; que em decorrência do prosseguimento da ação fiscal, e da substituição de auditores foi notificada a apresentar os documentos que outrora já tinham sido apresentados ao auditor responsável pelo início da fiscalização; que, as Notificações de Intimação Fiscal de n°.s 03, 04, 05, 06, 07, 08, e, 09, expedidas respectivamente em 20/04/08, 12/06/08, 31/07/08, 26/09/08, 16/10/08, 09/12/08, e, 09/02/09, não foram recebidas por motivo de recusa da recorrente; mas sim, em razão da sua descentralização administrativa, fato, que, era do pleno conhecimento fiscalização. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso. A aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I, § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959, deve se dar nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para, prestar esclarecimentos, ou apresentar arquivos, sistemas ou a documentação técnica especificada no texto legal. Consoante se observa no termo de verificação fiscal, à efl. 257, a autoridade fiscal assim motiva a aplicação do agravamento da multa: D.4 DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE O agravamento da penalidade foi aplicado tendo em vista que a fiscalizada no início do procedimento incorreu em comportamento tendente a dificultar a ação fiscal. O sujeito passivo foi advertido de que o não atendimento, no prazo marcado, às solicitações contidas naqueles termos implicaria, em caso de lançamento de ofício, no agravamento de 50% das multas a que se referem os incisos I e II do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996 (Matriz Legal: § 2º do Art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Não houve, dentro do prazo estabelecido, qualquer manifestação por parte do contribuinte, contrariando assim o disposto nos artigos 264 e 927 do Decreto n° 3.000/99 (R1R799), com fundamento no artigo 4 o da Lei n° 486/69 e artigo 7o da Lei n° 2.354/54. E DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO Em 20/04/2008, em prosseguimento aos trabalhos de fiscalização, foi lavrado o Termo de Intimação n° 03, cuja ciência deuse por meio do Edital DIFISI n° 31/2008, que permaneceu afixado de 23/04/2008 a 09/05/2008 e que tampouco foi atendido pelo contribuinte. Assim, constatado que até a data de 02/06/2008, embora exaustivamente solicitado por esta Auditoria, os referidos elementos não foram exibidos pelo sujeito passivo, que também não apresentou qualquer justificativa para essa conduta, foi Fl. 611DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/1 0/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 lavrado, em 02/06/2008, Termo para caracterizar o embaraço à fiscalização nos termos da legislação (inciso I do art. 33, da Lei 9.430, de 27.12.1996). O contribuinte, em seu recurso voluntário, destaca, todavia, que à efl. 20, restaria evidenciado que à autoridade fiscal já teria sido entregue os documentos solicitados. Verificando os autos, podese constatar que em 04/03/2008, foram apresentados os seguintes documentos requeridos pela autoridade fiscal: Extratos Bancários correspondente ao exercício de 2005. Livro Diário n°. 02 Exercício 2003 (02 volumes). Livro Diário n°. 03 Exercício 2004 (05 volumes). Livro Diário n°. 04 Exercício 2005 (05 volumes). Livro Razão n°. 02 Exercício 2003 (02 volumes). Livro Razão n°. 03 Exercício 2004 (04 volumes). Livro Razão n°. 04 Exercício 2005 (04 volumes). Livro Lalur n°. 01 Exercício 2003. Livro Lalur n°. 02 Exercício 2004. Livro Lalur n°. 03 Exercício 2005. Quanto aos extratos bancários correspondentes aos exercícios de 2003 e 2004, consta à efl. 36 dos autos, petição noticiando sua apresentação. Todavia, consoante se pôde constatar no termo de verificação fiscal, foi a posterior omissão do contribuinte no atendimento ao Termo de Intimação nº 03, lavrado em 20/04/2008, que levou ao agravamento da multa em 50%. No referido termo, que se encontra à efl. 31, a autoridade fiscal requisita novos documentos, além de esclarecimentos complementares de: 1) “Contrato Social e alterações ainda não apresentadas”; 2) Livros Diário, Razão, LALUR e demais Livros Contábeis e Fiscais relativos aos anoscalendário de 2003 a 2005, em meio magnético (arquivos digitais), de acordo com o disposto na Instrução Normativa SRF n° 86/2001; e 3) que o contribuinte se pronunciasse sobre divergências em 2005 entre os valores correspondentes aos débitos de CPMF constantes dos extratos por ele fornecidos com os informados pelas instituições bancárias à Receita Federal através das DCPM entregues (Declaração de CPMF); 4) relação discriminada e comprovada a origem dos recursos creditados nas contas bancárias movimentadas pelo contribuinte durante os anoscalendário 2003 a 2005. Não resta evidenciado nos autos, o atendimento de tais solicitações. De outro lado, consoante se pode verificar à efl. 35, a intimação do referido Termo de nº 03 se deu por edital, após ter se mostrado infrutífera as tentativas de intimação via postal dos Termos de Intimação nºs 1 e 2 (efls. 24 e 29, respectivamente). A intimação, embora ficta, atendeu ao disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, em especial seu parágrafo 1º, inc. II, que autoriza a intimação por edital publicado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação, quando resultar improfícua a intimação via postal. Sendo a intimação válida, a ausência de atendimento, pelo sujeito passivo, da solicitação de esclarecimentos, apresentação de arquivos, sistemas ou a documentação técnica Fl. 612DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/1 0/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19515.006249/200901 Acórdão n.º 1801002.052 S1TE01 Fl. 611 5 especificada no texto legal, enseja a aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I, § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 613DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/1 0/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES
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Numero do processo: 10650.720281/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. VALOR DA TERRA NUA. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO APRESENTADO. INOBSERVÂNCIA DA NBR ABNT 146533.
Laudo de Avaliação que se limita a indicar o valor da terra, sem qualquer referência aos critérios de avaliação utilizados, comparativos de mercado ou a qualquer outro elemento que comprovasse a correção do valor atribuído não serve à desconstituição do arbitramento do VTN com base no SIPT.
Laudo elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR ATNT 146533, sendo, de acordo com a jurisprudência deste Conselho, imprestável à apuração do valor da terra nua.
GRAU DE UTILIZAÇÃO DO IMÓVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA. GLOSA DA ÁREA DE PLANTIO.
A falta de comprovação da efetiva exploração do imóvel enseja a alteração do grau de utilização do imóvel, com consequente revisão da alíquota aplicável (ANEXO I - Lei nº. 9.393/96).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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VALOR DA TERRA NUA. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO APRESENTADO. INOBSERVÂNCIA DA NBR ABNT 146533. Laudo de Avaliação que se limita a indicar o valor da terra, sem qualquer referência aos critérios de avaliação utilizados, comparativos de mercado ou a qualquer outro elemento que comprovasse a correção do valor atribuído não serve à desconstituição do arbitramento do VTN com base no SIPT. Laudo elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR ATNT 146533, sendo, de acordo com a jurisprudência deste Conselho, imprestável à apuração do valor da terra nua. GRAU DE UTILIZAÇÃO DO IMÓVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA. GLOSA DA ÁREA DE PLANTIO. A falta de comprovação da efetiva exploração do imóvel enseja a alteração do grau de utilização do imóvel, com consequente revisão da alíquota aplicável (ANEXO I Lei nº. 9.393/96). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 02 81 /2 00 9- 66 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Tratase, na origem, de procedimento de revisão de ofício da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) pertinente ao exercício de 2007, que redundou na expedição da Notificação de Lançamento n° 06105/00033/2009, constitutiva de crédito tributário no valor de R$ 1.529.698,82. A constituição do crédito tributário decorreu da glosa integral da área declarada como de exploração pelo plantio de produtos vegetais (1.490,2 hectares), e da alteração de ofício do valor da terra nua (VTN), informado e subavaliado na DITR apresentada pelo contribuinte, sendo o respectivo valor majorado deR$ 530.000,00 (R$343,26/ha) para R$ 9.264.000,00 (R$6.000,00/ha). Em escorço, a revisão de ofício da DITR pertinente ao exercício de 2007 deu ensejo à majoração do valor da terra nua e, desconsiderada a área de exploração por plantio, alteração do grau de utilização do imóvel, com consequente revisão da alíquota aplicável (ANEXO I – Lei nº. 9.393/96). Em face da Notificação de Lançamento n° 06105/00033/2009 apresentou o contribuinte a impugnação de fls. 57/61, arguindo: a) equivocado o lançamento por inexistir justificativa para majoração da alíquota do imposto de 0,3% (aplicada nos anos anteriores) para 8,6%; b) nulidade do “lançamento eletrônico”; c) o valor da terra nua utilizado pela autoridade lançadora para cálculo do imposto é irreal, tendo sido fixado de forma arbitrária e subjetiva, incompatível com os valor praticados e comprovados por ato do Município em que se encontra sediado o imóvel; d) o imóvel, nos anos de 2005 a 2007, foi integralmente destinado ao plantio de canadeaçúcar, o que poderia ser “constatado por meio dos registros feitos por meio de fotos e filmes do uso geral, produzidos por meio de satélites, tornando notório o fato”; e) a rentabilidade do plantio de canadeaçúcar no Município de Frutal seria de aproximadamente R$ 2.000,00 por hectare. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10650.720281/200966 Acórdão n.º 2101002.493 S2C1T1 Fl. 3 3 A impugnação apresentada pelo contribuinte foi submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) sendo julgada improcedente por acórdão assim ementado: “DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento. DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL As áreas utilizadas na produção vegetal cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis, conforme exigido pela autoridade fiscal. DO VALOR DA TERRA NUA – VTN – SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Da decisão se extrai: “No que diz respeito à área de produção vegetal informada de 1.490,2 ha,entendo – que a mesma não cabe ser restabelecida, mantendose a glosa efetuada pelafiscalização. Ocorre que, o impugnante procura justificar essas áreas, alegando, apenas,que o imóvel rural, durante os anos de 2005 e 2007, esteve totalmente cultivado com canadeaçúcar,o que poderia ser constatado por meio dos registros feitos por meio de fotos e filmes douso geral, produzidos por meio de satélites, e que seria notório o fato, nos termos do art. 334, I,do CPC, como relatado e analisado no item ‘Da Nulidade do Lançamento’, quanto ao ônus daprova no Processo Administrativo Tributário. ... Neste caso, cabia ao interessado, para fins de ver acolhida sua pretensão,apresentar ‘Laudo Técnico de Vistoria’ elaborado por engenheiro Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 agrônomo ou florestal,acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada noCREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais, nos quaisestivessem discriminadas, com base em vestígios, as culturas e as atividades desenvolvidas e asáreas com elas utilizadas, durante o anobase de 2006 (exercício 2007), juntamente com osdocumentos que serviram de base para elaboraçãodo laudo, que poderiam ser notas fiscais doprodutor, notas fiscais de insumos, certificado de depósito (no caso de armazenagem deproduto), contratos de arrendamento ou cédulas de crédito rural, ou outros documentos quecomprovem a área ocupada com produtos vegetais, conforme solicitado pela autoridade fiscalno termo de intimação. Insurgese, também, o impugnante porque nos anos anteriores foi aplicadaalíquota de 0,30%, e no exercício de 2007, sem qualquer fundamentação, a alíquota foi de8,60%, entendendo que a notificação indicaria equívoco relevante cometido por ocasião dolançamento. Cumpre esclarecer que aplicação da alíquota de 8,60% decorre da glosa deárea de produtos vegetais, já que sua aplicação é resultado do Grau de Utilização do imóvel,que passou dos 100% para 0%, não havendo nenhum equívoco por parte da fiscalização aoaplicála. Cabe, ainda, esclarecer que, quando não comprovadas as áreas declaradascomo utilizadas na atividade rural, conforme é o caso das áreas utilizadas na produção vegetal,objeto de glosa, elas deixam de integrarem a área utilizada do imóvel, passando a serconsiderada área aproveitável não utilizada pela atividade rural, para efeito de apuração do seuGrau de Utilização (GU) e aplicação da respectiva alíquota de cálculo, conforme demonstradopela autoridade fiscal às fls. 05. Registrase que o fato de a área de produtos vegetais declarada nas outrasDITR não ter sido motivo de revisão, em procedimento de malha, não quer dizer que elaestivesse comprovada e sim que outros parâmetros de revisão da declaração foram priorizados. Em que pese esse fato, a área declarada com. produtos vegetais nas outras DITR forammantidas no julgamento dos Processos relativos aos exercícios de 2005 e 2006, tambémjulgados nesta Sessão, por não integrarem a lide, sob pena de incorrer em agravamento do lançamento, cuja competência não é do julgador administrativo, mas da fiscalização, quepoderá realizálo, respeitado o prazo decadencial para fazêlo. ... Fazse necessário verificar, a princípio, que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare, para o exercício de 2007, até prova documental hábil em contrário, está de fato subavaliado, por ser muito inferior não só a todos os VTN por hectare listados, qualquer que seja a aptidão agrícola da terra pastagem/pecuária (R$6.000,00/ha), cultura/lavoura (R$7.000,00/ha) e campos (R$6.000,00/ha), mas também ao VTN médio, por hectare, apurado no universo das DITRs do exercício de 2007, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Frutal – MG, que foi de R$ 1.500,19, como se observa na “Descrição dos Fatos” às fls. 03. Pois bem. Caracterizada a subavaliação do VTN declarado, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996 e, sendo observado, nessa oportunidade, o menor valor apontado (campos ou pecuária/pastagem= R$6.000,00/ha) no SIPT dentre os tipos de terras (aptidão agrícola), conforme demonstrado às fls. 03/04. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10650.720281/200966 Acórdão n.º 2101002.493 S2C1T1 Fl. 4 5 Em síntese, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito na intimação inicial, às fls. 11/12, cabia à autoridade fiscal arbitrar o VTN considerando a subavaliação do valor declarado, efetuando de ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais, sob pena de responsabilidade funcional.” Em face do acórdão interpôs o contribuinte recurso voluntário (fls. 115/119) reproduzindo literalmente as razões de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. O lançamento de ofício, decorrente de revisão da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 2007, tem fundamento na desconsideração das informações prestadas pelo contribuinte quanto ao valor da terra nua (subavaliado quando cotejado com as informações constantes no Sistema de Preços de Terras) e ao grau de utilização do imóvel (áreas destinadas ao plantio de produtos vegetais). Tendo o contribuinte informado, na DITR, valor de terra nua correspondente a R$ 343,26 por hectare, valor incompatível com os dados constantes do SIPT, procedeu a autoridade lançadora à revisão de ofício da declaração para atribuir à terra nua o valor de R$ 6.000,00 por hectare. Registro, por essencial, ter o Recorrente acostado aos autos deste Processo Administrativo, às fls. 32/46, os seguintes documentos: a) declaração do Município de Frutal (Secretaria de Obras e Sistemas Viários) fixando o valor da terra em R$ 3.100,00 por hectare; e, b) laudo de avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), indicando avaliando o imóvel por R$ 550.048,50, o que corresponde a R$ 930,00 por hectare. Os documentos apresentados pelo Recorrente para fins de comprovação do valor da terra nua foram desconsiderados pela Delegacia de Julgamento, sob os seguintes argumentos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 “Inicialmente, quanto à Certidão da Secretaria de Obras e Sistemas Viários da Prefeitura da Cidade de Frutal, por não trazer as informações necessárias, já apontadas pela fiscalização, para o seu acatamento, é de se esclarecer que tal documento serve apenas como fonte que deve ser analisada dentro do contexto e juntamente com Laudo de Avaliação e outros documentos, posto que seu valor referese a um valor venal médio, e não ao valor fundiário médio do Município. Além disso, o valor informado de R$ 3.100,00/ha referese aos três exercícios, não correspondendo, portanto, ao valor de mercado, conforme o disposto no § 2° do art. 8° da Lei n° 9.393/1996, já que esse valor pressupõe, pelo menos, alguma variação de um ano para outro. Quanto aos outros documentos apresentados denominados Laudo de avaliação de imóvel, às fls.33/38, de fato, a avaliação neles constantes não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.4 — Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.5 — Diagnóstico do mercado, 7.7 — Tratamento de Dados, 8 — Metodologia Aplicável e 9 — Especificação das Avaliações, em especial o subitem 9.2.3.5 que prevê um número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco, e, também, o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo, e, sendo assim, constato que os referidos documentos, que poderia ser englobado em apenas um, já que se referem às glebas que formam o imóvel, não atingiria pontuação suficiente para enquadrálo com grau de fundamentação de no mínimo II, para que se obtivesse uma aceitável confiabilidade no resultado apresentado, conforme Tabelas 1 e 2 do item 9.2. Quanto àfundamentação da citada Norma, considerado, principalmente, a ausência de pontuaçãoreferentes aos 10 itens da Tabela 2. Outrossim, o laudo é por demais sucinto, podendo ser enquadrado comoum “Parecer Técnico”, mas não como “Laudo Técnico de Avaliação”, classificado, pelomenos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação eprecisão. No que concerne aos requisitos da NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Normaestabelece que são obrigatórios, em qualquer grau “a explicitação do critério adotado e dosdados colhidos no mercado”, o que não ocorreu. Cabe, ainda, ressaltar, que da mesma formaque a citada Certidão, o “Laudo” apresentou um único valor para os três exercícios, o que jádescaracteriza o que seria um valor de mercado para a data do fato gerador do respectivoexercício. Além disso, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado,o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$ 930,00/ha, também se encontra muito abaixodos VTNs relacionados no SIPT, por aptidão agrícola, correspondendo a apenas 15,5% domenor VTN médio por hectare para a aptidão agrícola “campos” ou “pastagem/pecuária”, deforma que o acatamento da pretensão do contribuinte exigiria uma demonstração que nãodeixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o quenão aconteceu. Ademais, o autor do trabalho não fez, a comparação qualitativa dascaracterísticas particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis ruraiscircunvizinhos, não evidenciando que o mesmo possui características particularesdesfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para finsde justificar a revisão pretendida, ressaltando que tais características gerais já são levadas emconsideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT.” Não vejo como reformar a decisão da Delegacia de Julgamento. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10650.720281/200966 Acórdão n.º 2101002.493 S2C1T1 Fl. 5 7 É inquestionável ter o contribuinte informado na DITR/2002 valor da terra nua muito inferior ao real. Com efeito, os documentos apresentados pelo próprio Recorrente com a impugnação estabeleciam, como valor da terra nua, R$ 930,00 (Laudo de Avaliação), o que corresponde a aproximadamente 3 vezes o valor declarado, e R$ 3.100,00 (Declaração do Município de Frutal), correspondente a aproximadamente 10 vezes o valor declarado. Mais que isso, correta a Delegacia de Julgamento ao desconsiderar o Laudo de Avaliação apresentado pelo Recorrente, que se limita a indicar o valor da terra, sem qualquer referência aos critérios de avaliação utilizados, comparativos de mercado ou a qualquer outro elemento que comprovasse a correção da avaliação. Não bastasse, como corretamente indicou a Delegacia de Julgamento, o Laudo apresentado não foi elaborado de acordo com as especificações constantes da NBR ATNT 146533, sendo, de acordo com a jurisprudência deste Conselho, imprestável à apuração do valor da terra nua. Nesse sentido: “VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533.” (Acórdão nº. 2102002.539 – 1ª. Câmara, 2ª. Turma Ordinária) No que concerne à alegada “majoração de alíquota” (de 0,3 para 8,6%), infamada de ilegal pelo Recorrente, não vejo como censurar, no aspecto, o lançamento de ofício, visto ter se limitado a autoridade lançadora a desconsiderar a área de exploração por plantio, o que ensejou a diminuição do grau de utilização do imóvel, com consequente revisão da alíquota aplicável (ANEXO I – Lei nº. 9.393/96). Em que pese tenha o Recorrente afirmado em sua impugnação e nas razões de recurso ter sido o imóvel, nos anos de 2005 a 2007, integralmente destinado ao plantio de canadeaçúcar, e que a rentabilidade do plantio da aludida cultura no Município de Frutal seria de aproximadamente R$ 2.000,00 por hectare, não apresentou qualquer elemento de prova nesse sentido. De fato, como bem ponderou a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, poderia o Recorrente, durante todo o curso do processo, ter apresentado Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 comprovantes de alienação da produção, notas fiscais de aquisição de insumos e fertilizantes utilizados ou qualquer outro elemento que atestasse a efetiva afetação do imóvel ao plantio de canadeaçúcar. Inerte o contribuinte, correto o lançamento ao considerar não cultivada a área. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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