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Numero do processo: 10120.901790/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de Apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃO- CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
O Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS IMPERIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Charles Mayer de Castro Souza e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase do PER n° 22561.98036.020505.1.1.013771, por meio do qual a empresa retro qualificada pleiteou o ressarcimento do IPI relativo ao trimestre 1°/2005, no montante de R$ 4.254.210,11, decorrente de saldo credor apurado na forma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Vinculadas ao citado PER foram transmitidas, posteriormente, as DCOMPs a seguir discriminadas: PER/DCOMP TOTAL DÉBITO/ VALOR PER TIPO DECLARAÇÃO TIPO DOCUMENTO 22561.98036.020505.1.1.013771 4.254.210,11 ORIGINAL Pedido de Ressarcimento 12621.53720.040505.1.3.010884 70.783,50 ORIGINAL Declaração de Compensação 32035.29414.250202.1.3.016650 151.328,54 ORIGINAL Declaração de Compensação 14535.17021.030605.1.3.019334 26.073,00 ORIGINAL Declaração de Compensação 19739.47894.150605.1.3.018081 92.664,38 ORIGINAL Declaração de Compensação 32658.97588.230605.1.3.014635 110.646,77 ORIGINAL Declaração de Compensação 30534.10782.050705.1.3.015302 93.074,68 ORIGINAL Declaração de Compensação 19965.26250.130705.1.3.010681 93.774,27 ORIGINAL Declaração de Compensação 22130.43733.250705.1.3.014000 121.112,52 ORIGINAL Declaração de Compensação 39474.59292.030805.1.3.010125 129.738,54 ORIGINAL Declaração de Compensação 12701.75140.160805.1.3.012549 57.710,11 ORIGINAL Declaração de Compensação 00165.66102.150306.1.3.017808 19.718,90 ORIGINAL Declaração de Compensação Fonte:Sief/Per/Dcomp Do procedimento fiscal inaugurado para verificação da procedência dos créditos resultou a informação de fls. 997/998 (anexada, nesta data, aos autos, e disponibilizada ao contribuinte no site da RFB juntamente com o Despacho Decisório, em anexo ao Detalhamento do Crédito, cf. fls. 987/988 (https://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC/detalhamentoCr edito), que noticia que, da verificação relativa ao período compreendido entre 2003 e 2005 foi constatada irregularidade atinente à apropriação indevida de créditos do imposto referente à aquisição de insumos isentos, nãotributados ou alíquota zero, registrados no RAIPI e utilizados parte para compensar o IPI devido nas saídas tributadas do estabelecimento e parte mediante transmissão de PER DCOMP. Assim relatou a Autoridade Fiscal: O contribuinte emitiu a nota fiscal nºs.706125, de 24/03/2005, no valor de R$ 4.519.227,55 de créditos de IPI, correspondentes as compras de insumos NT, alíquota zero ou isento. Contabilmente o contribuinte lançou estes valores a débito e a crédito de contas do ativo e passivo, procedendo os estornos destes lançamentos nas mesmas contas e nas mesmas datas, não afetando assim a conta de Resultado do Exercício. No Livro de Apuração de IPI, correspondente ao 3º decêndio do mês de 03/05, ele creditou do valor da NF 706125, correspondente a este crédito, compensou os saldo dos IPIs DEVIDOS, entre o período correspondente da emissão da NF ao 3° decêndio do mês de 04/05, quando da apresentação da PER/DCOMP, conforme abaixo: Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901790/200803 Acórdão n.º 3202000.570 S3C2T2 Fl. 1.085 3 a) entre o 3° decêndio do mês de março de 2005, em que ele creditou do valor do IPI destacado da NF n°706215, de R$ 4.519.227,55 ao 3° decêndio do mês de abril de 2005, onde foram compensados os valores dos IPI devidos neste período e, no final, procedendo o estorno do saldo deste crédito de R$ 4.260.755,95. b) Quanto ao restante do crédito de IPI, no valor de R$ 598.717,92, o contribuinte alegou tratarse de créditos de IPI correspondentes a compras de insumos NT, alíquota zero ou isento, mas, não apresentou qualquer documentação referente a este crédito. c) O contribuinte na PER/DCOMP apesar de declarar o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 4.859.473,87, limitou o valor do seu pedido de ressarcimento em R$ 4.254.210,11. Ante ao exposto INDEFIRO a totalidade do crédito de IPI, passível de ressarcimento, no valor de R$ 4.859.473,87 (quatro milhões oitocentos e cinqüenta e nove mil, quatrocentos e setenta e três reais e oitenta e sete centavos), correspondente ao período compreendido entre o primeiro decêndio do mês de janeiro de 2005 e o terceiro decêndio do mês de março de 2005, declarado na PER/DCOMP nº 22561.98036.020505.1.1.013771. Daí resultou o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 986, que, tomando por base os fatos relatados, concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação das compensações a ele vinculadas. Cientificada do despacho decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 06/05/2009 (fls. 974/975) e, inconformada, apresentou a interessada, em 01/06/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01/15, por meio da qual, em síntese: =>discorre em longo arrazoado acerca do principio da nãocumulatividade, que no seu entendimento lhe garante o direito ao crédito do IPI nas aquisições desoneradas (isentas, nãotributadas e aliquota zero), nos seguintes termos: "é inequívoca, portanto, a manutenção dos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos isentos, ou tributados à alíquota zero ou não tributados pelo aludido IPI, empregados na industrialização de produtos tributados pelo IPI, com base no PRINCÌPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE, cuja aplicação não comporta nenhum tipo de restrição". => pondera, quanto à compensação, que "está amparada por DIREITO INEQUÍVOCO que lhe autoriza a imediata e a integral compensação desses créditos do IPI com o IPI ou outro tributo de competência da União"; => defende o "direito de correção monetária plena dos valores dos créditos do IN presumidos, para a integral recomposição da moeda aviltada pelos efeitos danosos da inflação" e acrescenta que "os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados desde as suas ocorrências até a data da efetiva compensação, nos mesmos moldes utilizados pela Receita Federal do Brasil para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento ao PRINCÍPIO DA ISONOMIA"; => requer, ao final, o reconhecimento do crédito pleiteado no PER 22561.98036.020505.1.1.013771 e a homologação das compensações que se operaram com o mesmo.” A DRJJuiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.1019/1021v – vol VI), nos termos da ementa adiante transcrita: Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 I CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a não cumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, o aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ousujeitos à aliquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. II RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado, cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.038/1.057 – vol. VI), aduzindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: que as operações em que se verificar a isenção ou a não incidência de IPI na etapa anterior gerarão créditos, a ser compensados nas operações seguintes, em razão do princípio da não cumulatividade; que o acórdão recorrido deve ser reformado em razão de ser contrário ao referido princípio constitucional; que não se extrai qualquer distinção entre as aquisições isenta, alíquota zero, ou NT (nãotributado) para o efeito de concessão do crédito de IPI necessário para evitar a cumulatividade do imposto, pois o efeito final é o mesmo, qual seja, a desoneração do pagamento do IPI quando das entradas; Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901790/200803 Acórdão n.º 3202000.570 S3C2T2 Fl. 1.086 5 que o crédito pretendido foi apurado com base no princípio constitucional da não cumulatividade; que as compensações levadas a efeito não infringiram a legislação tributária, vez que os créditos foram compensados com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; que é preciso analisar, sob o enfoque da segurança jurídica, a questão do creditamento do IPI quando do emprego de matériaprima isenta, não tributada ou tributada à alíquota zero em produto final em que há a incidência do imposto; que, à época em que a contribuinte apurou, transmitiu o ressarcimento e utilizou créditos, os tribunais admitiam o creditamento do IPI quanto às operações de entrada em que a matériaprima não era tributada, ou era tributada à alíquota zero ou isenta; e que, não podendo a empresa efetuar o crédito do IPI, o imposto tornase cumulativo, onerando o produto final e prejudicando o consumidor. Ao final, requereu fosse deferido o pedido de ressarcimento PER nº. 22561.98036.020505.1.1.013771, bem como fossem homologadas todas as compensações efetuadas utilizandose o crédito daí decorrente, bem como desconstituídos todo suposto débito exigido. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declarações de Compensação, de alegados créditos referentes ao IPI, no valor de R$ 4.254.210,11, relativos ao 1º trimestre de 2005. Os referidos créditos, utilizados pela contribuinte, são originados da aquisição de insumos de produtos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero. Sobre tal questão, o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou inúmeras vezes, no sentido de reconhecer que a impossibilidade de creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero não representa qualquer violação ao princípio da não cumulatividade, tendo declarado que na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade (cf. Ac.da 1ª Turma do STF no AI nº 736994 AgR / SP, em sessão de 28/06/2011, Rel. Min.RICARDO LEWANDOWSKI, publ. in DJU156,divulg. em 15/08/11 e publ. em 16/08/11, EMENT vol. 0256602,pág. 217). Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Vejase, ainda: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 551.2444 (798) PROCED.: SANTA CATARINA RELATOR: MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : DANICA TERMOINDUSTRIAL LTDA ADV. (A/S): CELSO MEIRA JÚNIOR E OUTRO(A/S) ADV (A/S): JOÃO JOAQUIM MARTINELLI DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto em face de acórdão que reconheceu direito ao crédito de IPI nos casos de insumos adquiridos sob o regime de isenção, ou não tributação ou sujeitos à alíquota zero. O acórdão recorrido divergiu do entendimento firmado por esta Corte. No julgamento dos RREE 370.682, Rel. Ilmar Galvão, e 353.657, Rel. Marco Aurélio, sessão de 15.2.2007, decidiu se que a admissão do creditamento de IPI, nas hipóteses de produtos favorecidos pela alíquota zero, pela nãotributação e pela isenção, implica ofensa ao art. 153, §3°, II, da Carta Magna. O Plenário desta Corte decidiu, ainda, não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade (RE QO 353.657, Rel. Marco Aurélio, sessão de 25.6.2007). Assim, conheço do recurso e doulhe provimento (art. 557, caput, do CPC). Fixo os ônus da sucumbência em 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa devidamente atualizado. Publique se. Brasília, 10 de agosto de 2007. Ministro GILMAR MENDES Relator (DJe n° 115/2007, de ,02/10/2007) (grifo não constante do original) A matéria já foi objeto de apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, tendo sido muito bem enfrentada pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo nº. 11618.004814/200502, Acórdão nº. 320200.359 , em sessão realizada em 13/06/2012. Naquele julgamento, a 3ª Turma decidiu, por unanimidade de votos, que não gera direito a crédito a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagens isentos o que também se aplica aos produtos não tributados ou tributados à alíquota zero. Abaixo, transcrevo o votocondutor do Acórdão, o qual adoto como razões de decidir: “A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese à possibilidade de creditamento de IPI referente às entradas de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem isentos do imposto. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901790/200803 Acórdão n.º 3202000.570 S3C2T2 Fl. 1.087 7 A solução do litígio resume se em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados têm direito a ressarcimento de créditos de IPI referente à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como “pano de fundo” a interpretação do princípio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV. produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditar se do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea “a” do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I. do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se, no caso em análise, não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base decálculo da entrada contra base de cálculo da saída), como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adotada, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901790/200803 Acórdão n.º 3202000.570 S3C2T2 Fl. 1.088 9 oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos, menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase “a” está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase “a” forem taxados em 5% e o da “b” em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase “a”: valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase “b”: valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o princípio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao princípio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Esse entendimento tem sido reiterado pelo Supremo Tribunal Federal, a exemplo AI 736994 AgR / SP SÃO PAULO AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, relatado pelo Min. RICARDO LEWANDOWSKI, cujo Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Julgamento ocorreu em 28/06/2011, na Primeira Turma, publicado no DJ de 16 de agosto de 2011. RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : USINA CERRADINHO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A ADV.(A/S) : FLAVIA CECILIA DE SOUZA OLIVEIRA VITÓRIA E OUTRO(A/S) AGDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO IMPROVIDO. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Agravo regimental improvido. Com essa considerações, nego provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo.” Neste sentido, a Súmula nº 18 deste CARF, que assim estabelece: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Desta forma, acertada a manifestação da DRJ, que, na esteira do posicionamento adotado pelo STF, decidiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, ao entendimento de que. é inadmissível, por total ausência de previsão legal, o aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901790/200803 Acórdão n.º 3202000.570 S3C2T2 Fl. 1.089 11 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 35220.000173/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido.
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PREV SOLIDARIEDADE Recorrente MUNICÍPIO DE FLORESTA P MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000173/200611 Acórdão n.º 230102.835 S2C3T1 Fl. 236 3 Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 21/02/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 86/93, sido identificada como solidária com empresas contratadas para serviços de construção civil, nas competências 01/1995 a 04/2005, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 1.509.549,30, fls. 01. A fiscalização apurou que a empresa Laranjeira Adm. E Loca de Bens M. Serviços e Const Ltda foi contratada pela recorrente para serviços de construção civil e incluiu no lançamento os Levantamentos S14,S44, S15 e S45. Os dois primeiros foram fundamentados no art. 30, inciso VI, e os dois últimos no art. 31 da Lei 8.212/91. Após tomar ciência pessoal da autuação em 23/02/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 119/133, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Recife, no Acórdão de fls. 186/198, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 07/07/2008, fls. 219. Foram excluídos os levantamentos S14 e S44 e os fatos geradores de 05 a 11/1995. O recurso voluntário, apresentado em 05/08/2008, fls. 221/230, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Defende a possibilidade de órgãos administrativos declararem a violação à constituição federal. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000173/200611 Acórdão n.º 230102.835 S2C3T1 Fl. 237 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 244DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000173/200611 Acórdão n.º 230102.835 S2C3T1 Fl. 238 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 245DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000173/200611 Acórdão n.º 230102.835 S2C3T1 Fl. 239 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 248DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000173/200611 Acórdão n.º 230102.835 S2C3T1 Fl. 240 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. O caso aqui tratado referese a solidariedade, o que resulta na conclusão de que a recorrente não fazia qualquer pagamento antecipado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 23/02/2006, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2000. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Como a primeira instância já excluiu os levantamentos S14 e S44, o reconhecimento da decadência até 11/2000 resulta no total provimento do recurso, uma vez que a partir de 12/2000 só foi lançado o levantamento S444, já excluído. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10469.902089/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1308; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.902089/200943 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1802000.160 – 2ª Turma Especial Data 06 de março de 2013 Assunto CSLL Recorrente ESCOLA & ESCRITÓRIO LIVRARIA E PAPELARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 02 08 9/ 20 09 -4 3 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.070, às fls. 45 a 51: A interessada acima qualificada formalizou pedido de compensação relativo a suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, referente ao fato gerador ocorrido em 30/04/2005, com débitos da CSLL paga por estimativa novembro e dezembro/2005. O valor originário do DARF postulado importa em R$ 6.222,99. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 01, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de ter sido constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL do período. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 03, alegando que: houve um erro de preenchimento do PER/DCOMP, referente ao tipo de crédito, ou seja, a empresa lançou no campo de tipo de créditos, o pedido como pagamento indevido ou a maior, o que na realidade seria Saldo Negativo de Contribuição Social do ano de 2005, como destacado em DIPJ 2006/2005; na DCTF do 1º semestre de 2005, podese verificar que houve o recolhimento a maior da contribuição social, referente ao período de apuração do mês de Abril/2005, que no final do ano, após apuração do Lucro Real, transformouse em Saldo Negativo, para posterior compensação; Por fim, pediu o deferimento do pedido de compensação, pelas razões acima expostas. Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a maior de IR ou de CSLL a título de estimativa mensal não pode ser compensado com débitos dos meses subseqüentes, em sendo o regime de tributação pelo lucro real anual. O valor pago a maior só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. AUTORIDADE COMPETENTE. RITO PROCEDIMENTAL. Retificação de um PER/Dcomp não pode ser manuseada por via da manifestação de inconformidade. O PER/Dcomp somente pode ser retificado antes de adoção de decisão administrativa em torno do pleito dele constante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/12/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/01/2012, com os seguintes argumentos: a Contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, optante do pagamento mensal do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL por estimativa, nos termos do art. 57 da Lei n° 8.981/1995 e dos arts. 2º e 30 da Lei n° 9.430/1996; em relação à CSLL do exercício de 2005, a Empresa contribuinte recolheu, pelo regime de estimativa mensal, os valores dos DARF's que estão discriminados no recurso; o valor recolhido encontrase devidamente lançado na DIPJ campo 52 (CSLL Mensal Paga por Estimativa). Entretanto, durante o exercício de 2005, a Contribuinte levantou balancetes de suspensão nos meses de Janeiro (resultado negativo), Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro (doc. 02), verificando que a CSLL recolhida excedia o valor devido, calculado com base no lucro real do período em curso, conforme consta nas DCTF's semestrais e na DIPJ, já anexadas ao presente processo; com base nos dados dos balancetes mensais e da DIPJ, a Recorrente apresenta os dados que informam os valores efetivamente apurados de CSLL, os valores retidos na fonte, os valores recolhidos através de DARF's e os valores suspendidos e/ou reduzidos (quadro constante do recurso); os dados da DIPJ comprovam que a CSLL efetivamente apurada para o exercício de 2005 foi de R$ 41.944,00 (quarenta e um mil, novecentos e quarenta e quatro reais) e que houve um pagamento em excesso no total de R$ 32.214,00 (trinta e dois mil duzentos e quatorze reais), dos quais, R$ 19.045,00 (dezenove mil e quarenta e cinco reais) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 5 4 foram utilizados para suspender e/ou reduzir a CSLL devida nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005; ao verificar nos balanços/balancetes mensais o pagamento a maior da CSLL, a Recorrente suspendeu e/ou reduziu o pagamento da CSLL apurada para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2005, conforme autorizam os arts. 35 e 57 da Lei n° 8.981/1995; mesmo após a suspensão e/ou redução, ainda restou um saldo negativo de CSLL de R$ 13.155,00 (treze mil, cento e cinqüenta e cinco reais), que foram utilizados para compensar com outros tributos; do ponto de vista tributário/financeiro, a Recorrente está quite com a Fazenda Nacional, porque o valor pago a maior foi utilizado para suspender e/ou reduzir e compensar tributos. Numa equação matemática, todos os valores que ingressaram nos cofres da União foram suficientes para quitar as obrigações tributárias do exercício de 2005; todavia, ao preencher as obrigações acessórias fiscais, a Recorrente cometeu algumas inexatidões materiais, em especial, apresentando a presente PER/DCOMP, em março/2006, informando que teria Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, quando, ao certo, bastava suspender e/ou reduzir o valor da CSLL, sem a necessidade de apresentação da Declaração de Compensação; a Recorrente tomou conhecimento da decisão da Delegacia de Julgamento em 28/12/2011 mais de 05 anos após a apresentação da PER/DCOMP quando os valores recolhidos a maior em favor da União não poderão mais ser objeto de restituição, não poderá mais haver retificação ou mesmo desistência do pedido de compensação; entretanto, os dados aqui presentes comprovam que houve um pagamento a maior no recolhimento da CSLL que serviu, efetivamente, para quitar os demais créditos tributários apurados no exercício de 2005. Analisandose os documentos apresentados, verificase que houve apenas erro material no preenchimento das obrigações acessórias; o pedido de compensação foi apresentado equivocadamente e enquadrado no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, quando, na verdade, a situação enquadrase em outra norma legal, que prevê apenas a suspensão e/ou redução do pagamento do tributo; as normas mencionadas no recurso amparam o direito da empresa recorrente em suspender e/ou reduzir o pagamento da CSLL referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005; o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/1996 atribui efeito suspensivo à exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente o julgamento do recurso. Todavia, o indeferimento da compensação não permite ao contribuinte apresentar um pedido de restituição, embora este seja detentor de um crédito relativo ao pagamento efetuado a maior; considerando, também, que o prazo para apresentar pedido de desistência da compensação já se esgotou, posto que ultrapassado mais de cinco anos da apresentação da PER/DCOMP, a empresa recorrente solicita o julgamento do presente recurso com base no princípio da razoabilidade; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 6 5 para tanto, requer que o pedido de compensação seja desconsiderado, mas aproveitado o pagamento a maior para extinção da obrigação tributária apresentada como débito na presente PER/DCOMP, por se tratar de medida justa e em obediência ao princípio que veda o enriquecimento ilícito, até mesmo da Fazenda Nacional, que pôde usufruir do numerário recolhido a maior desde a efetivação do recolhimento; a Recorrente solicita o provimento do presente recurso, para que seja cancelada a PER/DCOMP apresentada e seja considerado extinto o crédito tributário em relação à CSLL dos meses de novembro e dezembro de 2005, de acordo com a suspensão e/ou redução do pagamento prevista no art. 35 e 57 da Lei n° 8.981/1995, e em conformidade com o art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, em razão do pagamento em excesso da CSLL no período em curso, conforme demonstrado nos balancetes mensais e na DIPJ 2006/2005. Este é o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação – DCOMP por ela apresentada em 03/03/2006, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento a maior referente à CSLL/estimativa do mês de abril/2005. A DCTF referente ao primeiro semestre de 2005 (fls. 17) discrimina débito de CSLL/estimativa do mês de abril/2005 no valor de R$ 1.687,07. Para quitar este débito, a Contribuinte realizou pagamento no valor de R$ 6.222,09, conforme informado na mesma DCTF, e também no comprovante de pagamento que acompanha o recurso voluntário. Esta seria a origem do pagamento a maior, no valor excedente de R$ 4.535,02, que a Contribuinte pretendeu compensar na DCOMP ora examinada. Os débitos objetos da referida compensação correspondem a parcelas das estimativas de CSLL de novembro/2005 (R$ 1.039,62) e dezembro/2005 (R$ 3.459,54). A negativa tanto da Delegacia de origem, quanto da Delegacia de Julgamento, está amparada no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, onde foi estabelecido que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL somente poderiam ser utilizados na dedução de IRPJ/CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor saldos negativos de IRPJ/CSLL do período. O voto que orientou a decisão da DRJ traz a seguinte observação: O que ocorre é que as estimativas mensais não são passíveis de restituição, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Sendo mera antecipação, não extinguem o crédito tributário, não havendo que se falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do anocalendário, apurase saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, aí sim passível de restituição ou compensação. Em sede de recurso, a Contribuinte não reivindica propriamente a homologação da DCOMP. Ela informa, inclusive, que apresentou equivocadamente esta declaração, que suspendeu/reduziu o recolhimento das estimativas de outubro, novembro e dezembro de 2005 por meio dos balancetes de suspensão/redução previstos nos artigos 35 e 57 da Lei nº 8.981/1995, e seu intento é apenas que os débitos constantes da DCOMP sejam considerados quitados em razão dos pagamentos realizados nos meses anteriores. É importante registrar que a regra contida no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, que limitava a utilização de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, não foi Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 8 7 repetida nas instruções normativas posteriores que tratam do mesmo assunto (IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012). Nestes outros atos normativos, a Receita Federal manteve a referida restrição apenas para o aproveitamento de retenções na fonte indevidas ou a maior, e não mais para os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa. Registro também que a IN SRF nº 600/2005 foi expressamente revogada pela IN RFB nº 900/2008. De qualquer modo vale observar que a referida regra buscava impedir que um pagamento ainda provisório, tido como mera antecipação, fosse objeto de restituição ou compensação antes de encerrado o período de apuração anual. De fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos. Mas a norma que restringia o aproveitamento de estimativa paga indevidamente ou a maior sempre mereceu temperamento e moderação quando o débito a ser compensado correspondia a outra estimativa do mesmo tributo no mesmo ano. Isto porque na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. Tanto a apuração final (ajuste anual) quanto os balancetes mensais de suspensão/redução de tributo são cumulativos, computandose neles todos os fatos e recolhimentos ocorridos a partir de primeiro de janeiro até o último dia do período a que se refiram. Assim, pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do mesmo ano, um eventual excesso de estimativa acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado em conjunto com os demais pagamentos como dedução no ajuste anual, independentemente do mês a que se refira. Para tanto, realmente, não é necessária a apresentação de DCOMP. Entretanto, se o caso for de recolhimento de estimativa com base na receita bruta em determinado mês (apuração estanque, não cumulativa), e havendo excesso de pagamento em outro mês, é cabível a apresentação de DCOMP para deslocar este excesso (de um mês para o outro), de modo que o contribuinte não fique sujeito à aplicação de multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativa em um dos meses. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar, porque os elementos constantes dos autos não permitem verificar nem o regime e nem a composição das estimativas mensais de CSLL ao longo de 2005. Não há cópia completa da DIPJ do anocalendário de 2005, mas apenas cópia de sua Ficha 17 (fls. 26). E os balancetes apresentados pela Recorrente não atendem ao disposto no art. 35 da Lei 8.981/1995: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902089/200943 Resolução nº 1802000.160 S1TE02 Fl. 9 8 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Não há condições de se verificar nem mesmo se a DCOMP em questão foi ou não indevidamente apresentada. Portanto, é necessário que a Delegacia de origem (DRF Natal/RN): junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2005; intime a Contribuinte a apresentar os balancetes de suspensão/redução que tenha elaborado relativamente ao anocalendário de 2005, e que atendam à finalidade determinada no art. 35 da Lei 8.981/1995, conforme o texto acima destacado. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência fiscal, para realização das providências determinadas acima. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13063.000775/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizada a omissão de rendimentos, e sem que esteja configurada qualquer hipótese de isenção ou não-incidência, é de ser mentido o lançamento, pouco importando que o contribuinte não tenha tido a intenção de omitir o referido rendimento.
Numero da decisão: 2102-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizada a omissão de rendimentos, e sem que esteja configurada qualquer hipótese de isenção ou não-incidência, é de ser mentido o lançamento, pouco importando que o contribuinte não tenha tido a intenção de omitir o referido rendimento.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizada a omissão de rendimentos, e sem que esteja configurada qualquer hipótese de isenção ou nãoincidência, é de ser mentido o lançamento, pouco importando que o contribuinte não tenha tido a intenção de omitir o referido rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 3. 00 07 75 /2 00 8- 58 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 04/07 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos totais de R$ 10.726,41, recebidos de pessoas jurídicas (PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA ROSA), no Exercício 2006. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, por meio da qual alegou: Fiz a declaração em tempo hábil do período em questão. No entanto, interpretei que havendo descontos no contracheque estadual (aposentada), não haveria necessidade de declarar o valor municipal por ser irrisório, pois corresponde a vinte horas semanais e não há desconto de IR sobre este valor. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Santa Maria decidiram pela manutenção integral do lançamento. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 15, por meio do qual alegou, verbis: Devido a falta de conhecimento e não uma decisão intencional registrei as informações salariais na declaração de renda e que estão sendo consideradas incompletas gerando cobrança de parte da receita. Na ocasião quando feita a declaração não foi registrado os valores recebidos da Prefeitura Municipal (trabalho meio expediente), pois este valor não gerou cobrança de imposto e interpretei como desnecessário sua declaração. Considero injusto este débito que me é atribuído pois como professora aposentado pelo estado houve o desconto do imposto naquele ano. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.09.2010, como atesta o AR de fls. 14. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.10.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IR incidente sobre rendimentos que foram omitidos pela Recorrente. Desde sua ciência do lançamento, a Recorrente não nega têlos omitido, limitandose a alegar que desconhecia a necessidade de sua declaração, e ainda que não teve a intenção de omitir tais informações do Fisco, e que tal cobrança seria injusta. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13063.000775/200858 Acórdão n.º 2102002.333 S2C1T2 Fl. 25 3 Seu pedido, porém, não merece acolhida. Na medida em que a omissão foi reconhecida, e que esta omissão implica na revisão do imposto por ela devido, está correto o lançamento, que por isso mesmo deve ser mantido. Vale ressaltar que a obrigação tributária decorre de lei, e o julgador administrativo está adstrito a ela, não podendo reconhecer qualquer tipo de isenção ou não incidência que não tenha expressa previsão legal. No caso vertente, não há qualquer norma que desobrigue a Recorrente do pagamento do imposto, seja por não ter tido a intenção de omitir, seja por desconhecer a obrigatoriedade de declarar o referido montante do Fisco. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 26DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 28/02/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.001404/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
INCENTIVOS FISCAIS. PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1201-000.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
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PERC. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001404/200833 Acórdão n.º 120100.708 S1C2T1 Fl. 220 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 1633.664, de 09.09.2011, proferido pela e. 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I. A questão a ser apreciada por este colegiado referese ao Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2005, protocolizado em 30/09/2008 (fls. 02). Conforme dados constantes da ficha 27 – Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006, ano calendário 2005 (fls. 78), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda para aplicação no Finam, no montante de R$ 71.646,25. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fls. 12, o que motivou a apresentação do PERC. O PERC, por sua vez, foi indeferido por meio do despacho decisório (fls. 118/125), em razão da contribuinte estar em situação irregular perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, por possuir débitos inscritos na Dívida Ativa da União (fls.113/119). Cientificada da decisão em 05.10.2009 (AR de fls. 127), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 128/138), tendo seu pleito indeferido pela órgão julgador de primeira instância (fls. 190/196). Ante a decisão desfavorável, cientificada em 15.02.2012, a contribuinte recorre a este Conselho por meio do recurso voluntário (fls. 200/207), protocolizado em 13.03.2012. Em seu apelo, alega em síntese, que os débitos que impediram o deferimento do PERC estavam e continuam inexigíveis, em função da suspensão da exigibilidade de um, em face de depósito judicial ocorrido em 2001 e da extinção do outro, em função da prescrição do crédito tributário, já reconhecida, inclusive, pelo TRF da 3ª Região. Requer seja reconhecida a regularidade fiscal na época da opção pelos benefícios fiscais e, ao final, liberar os respectivos certificados de investimento no FINOR no valor indicado em sua DIPJ/2006. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001404/200833 Acórdão n.º 120100.708 S1C2T1 Fl. 221 3 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme os termos do acórdão recorrido, a autoridade julgadora, ao analisar as pendências na PGFN, constantes dos extratos emitidos pelos sistemas eletrônicos da RFB (fls.113 e 118/119), os quais serviram de base para o despacho decisório, e consultar também os sistemas da Receita Federal de fls.155/181, identificou os seguintes débitos, pendentes à época da opção pelo benefício na DIPJ/2006: a) Processo nº 16327.001817/200575 (inscrição 8060605573899): processo enviado à PFN em 22/06/2006 (cobrança final), impedindo o deferimento do pleito da empresa. b) Processo nº 13805.002395/9235 (inscrição 8060000161958): processo enviado à PFN em 23/05/2001 (cobrança final), impedindo o deferimento do pleito da empresa. Ao apreciar a argumentação da defesa, concluiu que a Recorrente não havia instruído sua manifestação de inconformidade com documentação hábil e idônea que comprovasse a completa regularidade no recolhimento de tributos e contribuições federais, ou comprovasse a suspensão de exigibilidade na data da opção pelo incentivo. Por estas razões, o pedido de revisão foi indeferido. Em seu recurso, afirma a Contribuinte que os débitos apontados pela decisão de primeira instância não representam impedimento para a utilização do benefício fiscal pleiteado. Em relação aos créditos tributários inscritos sob nº 8060000161958 (alínea “b”, acima), informa a Recorrente que, no momento da entrega da DIPJ/2006, referidos débitos estavam com a exigibilidade suspensa, em razão do depósito judicial efetuado em 30.05.2001, conforme comprovante juntado aos autos (fls. 208). De fato, à época da opção pelo benefício, devese admitir que referidos débitos já estavam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, não constituindo, assim, óbice à fruição do incentivo. No que diz respeito aos créditos tributários inscritos sob nº 8060605573899 (alínea “a”, acima), alega a defesa que os mesmos já estavam extintos à época da apresentação da DIPJ, tendo em vista a prescrição reconhecida pelo e. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme acórdão nº 3499/2011 (fls. 209). Com efeito, com base nos documentos trazidos ao processo, verificase que a decisão proferida em 17.03.2011 reconheceu a prescrição dos aludidos débitos. Segundo a ementa do julgado do TRF – 3ª Região (fls. 209), os débitos ajuizados eram relativos aos anos de 1993 e 1994 e foram alcançados pelo instituto da prescrição, conforme o disposto no art. 174 do CTN. Embora a inscrição na dívida ativa tenha ocorrido em 26.06.2006 (fls. 114), antes da entrega da DIPJ/2006, o crédito tributário, relativo a fatos geradores ocorridos há mais de 10 anos, já estaria prescrito. Assim, referidos débitos já não eram mais exigíveis no momento da opção na DIPJ/2006 (efeito ex tunc do reconhecimento da prescrição) e, portanto, não representavam causa impeditiva para concessão do benefício fiscal, ex vi do art. 60 da Lei nº 9.069, de 29.06.95. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001404/200833 Acórdão n.º 120100.708 S1C2T1 Fl. 222 4 Desta forma, demonstrada a inexistência de débitos em situação irregular (exigíveis) no momento da opção pelo benefício (DIJP/2006), impõese reconhecer a possibilidade de revisão do pedido. Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002169/2002-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos quando não demonstrada a contradição no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos quando não demonstrada a contradição no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa acima qualificada importou mediante as DI´s listadas à folha 02 o que declarou serem “Roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos, modelo Cisco AS 5300.”, classificandoos na posição 8517.30.62 relativa a “Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia, com velocidade de interface serial de, pelo menos, 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos”. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 310201.406 S3C1T2 Fl. 186 2 No entanto, a fiscalização, baseada na solução de consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 007, de 13/02/2002, emitida em processo da própria interessada entendeu que a correta classificação para a mercadoria em questão deveria ser na posição 8471.80.19 referente a “Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”. Desta forma, foi lavrado o auto de infração e lançadas as diferenças de II, IPI, seus juros de mora e a multa de mora prevista no artigo 530 do Regulamento Aduaneiro e no artigo 61, §3º, da lei 9.430/96. Cientificada do auto de infração, a interessada apresentou suar razões de defesa (folhas 35 a 46), alegando, em suma, que: 1 foi proferida a Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª RF nº 007, segundo a qual os equipamentos em questão deveriam passar a ser classificados na posição TEC 8471.80.19; 2 – a conclusão da consulta é totalmente equivocada. A interessada já levou o assunto à apreciação da COANA; 3 – o AS5300 não é capaz de realizar qualquer das funções previstas na nota 5A do capítulo 8417; 4 a IN SRF 157/2002 entende que o produto em questão deve ser classificado na posição 8517; 5 – o INT se manifesta favoravelmente à interessada, conforme o relatório técnico às folhas 63 a 74; 6 à vista do artigo 30, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, embora o Instituto Nacional de Tecnologia não possa proceder à classificação fiscal de mercadorias, cabe a ele fixar os aspectos técnicos com base nos quais a classificação deva ser feita; 7 a resposta à consulta está em manifesto desacordo com os laudos do Instituto Nacional de Tecnologia que sequer foram levados em consideração na sua fundamentação. Notese que tampouco foi comprovado pela autoridade que proferiu aquela decisão que os laudos estivessem equivocados; 8 os juros de mora foram calculados no auto a partir das datas em que ocorreram os registros das Declarações de Importação das mercadorias importadas, sem levar em conta que, em tais ocasiões, com relação a determinadas declarações de importação relacionadas, a consulta ainda não havia sido respondida; 9 a consulta foi formulada antes de vencido o prazo de pagamento com relação aos fatos geradores relacionados no auto, se juros de mora fossem devidos, só poderiam ser contados a partir do momento em que se esgotou o prazo para cumprimento da decisão proferida na consulta. É o relatório. Assim foi ementada a decisão tomada pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 310201.406 S3C1T2 Fl. 187 3 Ementa: É nula a decisão que deixa de apreciar matéria impugnada pelo contribuinte, por preterição ao direito de defesa. Tendo tomado conhecimento do teor da decisão proferida, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo DRJSPOII interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 30240.016 por entender contraditória “a tese” que embasou a decisão tomada em Segunda Instância. Tal entendimento, tal como se depreende do texto que apresenta os Embargos, fundamentase em “duas razões básicas”. Reproduzo excertos do Embargo. Em primeiro lugar, os processos de consulta considerados eficazes são solucionados em estância única, sendo, conseqüentemente, vedada sua reapreciação por qualquer órgão administrativo, falecendo competência a essa Turma de julgamento para alterar suas conclusões. 0 artigo 48 da lei 9.430/96 é claro nesse sentido: "Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia serer atribuida: I a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais casos." (Meu grifo). A única forma prevista em lei para alteração de uma solução de consulta é a publicação de solução de divergência, provocada por recurso especial, nos termos do §5° do mesmo artigo 48. Isso porque, a solução de consulta é a manifestação oficial da Administração acerca do questionamento proposto pelo contribuinte. (...) Em segundo lugar, uma reapreciação, em nível de primeira instância no processo fiscal, do posicionamento exposto pela Administração em um processo de consulta, culminaria em rasgar as teses que norteiam o Principio da Segurança Jurídica. Como poderia a própria administração, por meio das autoridades de primeira e segunda instâncias, modificar o posicionamento assentado de forma oficial em processo de consulta, sem ferir frontalmente a segurança jurídica adquirida pela consulente nessa última? É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 310201.406 S3C1T2 Fl. 188 4 Com a devida vênia, não vejo como reconhecer a contradição acusada no Embargo apresentado pelos i. Julgadores da Delegacia da Receita Federal em São Paulo. Na primeira das razões informadas, a contradição na decisão proferida por este Colegiado encontrarseia, nas palavras dos Embargantes, no fato de “a única forma prevista em lei para alteração de uma solução de consulta é a publicação de solução de divergência, provocada por recurso especial (...)”. Contudo, em momento algum esteve presente na decisão embargada orientação de que a solução de consulta fosse alterada, mas, exclusivamente, que a Delegacia apreciasse de forma independente o mérito do litígio, à luz dos argumentos da impugnante. Que o julgamento do Processo Administrativo Fiscal em primeira instância não estava subordinado à decisão tomada no âmbito da Superintendência Regional da Secretaria da Receita Federal no Processo de Solução de Consulta De fato, de se destacar que constou da decisão deste Colegiado alusão ao fato de que o Processo Administrativo Fiscal e a Processo de Consulta tratamse de procedimentos autônomos. Assim lêse na decisão embargada. Acrescentese, ainda, que, hodiernamente, as decisões administrativas no processo administrativo fiscal são tomadas por colegiado, ao contrário das decisões proferidas no processo de consulta. Essas últimas, em certa medida, muito se assemelham à formação de convicção da própria autoridade autuante, já que singulares e não precedidas de prévia manifestação do administrado. Em outras palavras, decidiuse pelo prosseguimento do Processo Administrativo Fiscal, mediante novo julgamento de primeiro grau, no qual fossem examinadas todas as razões de defesa apresentadas pela impugnante, mas nunca que fosse alterada a Solução de Consulta. A segunda razão, por sua vez, contém argumentos que, no meu entender, parecem destinados a reabrir a discussão do tema. Não vejo nos apontamentos lá presentes a demonstração de que o Acórdão embargado tenha sido contraditório, mas, sim, que é contrário à linha de entendimento manifesta na decisão anulada. Ao defender que não “poderia a própria administração, por meio das autoridades de primeira e segunda instâncias, modificar o posicionamento assentado de forma oficial em processo de consulta, sem ferir frontalmente a segurança jurídica adquirida pela consulente nessa última”, o Embargo apenas confirma o entendimento recusado no voto que anulou a decisão de primeira instância. O mesmo se diz em relação à afirmação de que o artigo 14 da IN SRF 569/05, em especial seu parágrafo 1º, vinculam, sim, a consulente às conclusões da consulta. A IN supracitada foi textualmente reproduzida na decisão discutida. Reafirmouse, frente suas disposições normativas, que esta não vinculava o administrado. O parágrafo 1º determina que “quando a solução da consulta implicar pagamento, este deve ser efetuado no prazo referido no caput”. Não sendo efetuado o pagamento, por óbvio, o crédito deve ser constituído em auto de infração, como de fato o foi. Este, por sua vez, é passível de discussão na esfera administrativa. Por entender que é amplo o direito de defesa, alcançando o mérito, considerouse que não havia a sugerida vinculação. Quanto a isso, importante frisar que considerar ou não o contribuinte vinculado à decisão da consulta depende do que se entende por vinculação. A despeito disso, o Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 310201.406 S3C1T2 Fl. 189 5 fato é que não vejo contradição entre a determinação contida na IN de que o pagamento seja feito em trinta dias e o entendimento de que o auto de infração decorrente da inobservância seja discutido em todos os seus aspectos na esfera administrativa. Não sendo os Embargos de Declaração expediente apto a reabrir a discussão de mérito, mas apenas ao reparo de contradições ou omissões presentes no acórdão embargado, VOTO POR NÃO CONHECER DOS EMBARGOS por não ter ocorrido a contradição notificada pelos Embargantes. Sala de Sessões, 21 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720163/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa durante a fiscalização e na fase litigiosa, inocorre o cerceamento de defesa é incabível a alegação de nulidade processual.
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA NÃO DECLARADA E PASSIVO FICTÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL
Configura-se a omissão de receita a contabilização dos créditos oriundos de receitas em conta do ativo ou do passivo, cujo aferimento posterior em conta contábil de resultado não foi comprovado pelo contribuinte, mediante documentação hábil e idônea. Para configurar passivo fictício os lançamentos a créditos devem ocorrer durante a competência fiscalizada.
REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75%. NÃO PROCEDENTE.
A elaboração de lançamentos contábeis em divergências com as práticas contábeis comerciais por si só não configura o agravamento da multa prevista no art. 44, I da lei 9430/96 na forma do §1º do mesmo dispositivo legal aplicando os casos previstos no art. 71, I da lei 4502/64. Ainda mais no presente caso onde o AFRFB conseguiu pegar todos os valores omitidos pela simples análise da documentação contábil.
Numero da decisão: 1302-000.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez e Diniz Raposo e Silva, que davam provimento em maior extensão, para excluir ainda a cobrança da multa isolada de IRPJ/CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício e redator designado.
(assinado digitalmente)
Marcio Rodrigo Frizzo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa durante a fiscalização e na fase litigiosa, inocorre o cerceamento de defesa é incabível a alegação de nulidade processual. IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA NÃO DECLARADA E PASSIVO FICTÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL Configurase a omissão de receita a contabilização dos créditos oriundos de receitas em conta do ativo ou do passivo, cujo aferimento posterior em conta contábil de resultado não foi comprovado pelo contribuinte, mediante documentação hábil e idônea. Para configurar passivo fictício os lançamentos a créditos devem ocorrer durante a competência fiscalizada. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75%. NÃO PROCEDENTE. A elaboração de lançamentos contábeis em divergências com as práticas contábeis comerciais por si só não configura o agravamento da multa prevista AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 63 /2 01 1- 00 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 2 no art. 44, I da lei 9430/96 na forma do §1º do mesmo dispositivo legal aplicando os casos previstos no art. 71, I da lei 4502/64. Ainda mais no presente caso onde o AFRFB conseguiu pegar todos os valores omitidos pela simples análise da documentação contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez e Diniz Raposo e Silva, que davam provimento em maior extensão, para excluir ainda a cobrança da multa isolada de IRPJ/CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente em exercício e redator designado. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ recorrente ITORORÓ VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. O processo trata de auto de infração lavrado em 31/05/2011 (fls. 001 a 577) correspondente a lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006, no valor total de R$ 16.175.031,02, incluindo o principal, multa de ofício de 150%, multa de oficio de 75%, multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL e juros de mora atualizados até 29/04/2011. O lançamento dos débitos tributários foi efetuado mediante aferição de Omissão de Receita no ano calendário de 2006 subdividida em: omissão no registro da receita, onde o AFRFB constatou a contabilização de receitas de vendas em contas do Ativo e Passivo ao invés de receita, e omissão através da presunção legal pela não comprovação da exigibilidade de contas do passivo pela recorrente. Ao analisar o primeiro caso de omissão, a omissão no registro da receita o AFRFB entendeu que se tratou de uma prática para retardar ou impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e aplicou multa de 150%. No segundo caso de omissão, a não comprovação de contas do passivo, o AFRFB considerou como falta de recolhimento e atribuiu multa de 75%. Outrossim, sobre ambos os casos de omissão de receita, a AFRFB lançou multa isolada de 50% sobre o total mensal de IRPJ e CSLL não recolhido após ajustadas as bases das tributos. A recorrente tendo tomado ciência dos lançamentos em 31 de maio de 2011, apresentou impugnação a Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo em 29 de junho de 2011 (fls. 582/622), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJSão Paulo I, nestes termos: IMPUGNAÇÃO 1 a impugnação é tempestiva; 2 ocorreu a decadência das competências de janeiro a abril de 2006, já que o Auto foi lavrado em 31 de maio de 2011; 3 há nulidade procedimental por: a) violação do art. 7º e § 2º do Decreto 70.235/72 e suas alterações; e b) cerceamento de defesa, visto que: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 4 I o Processo Administrativo Fiscal não é o meio ideal para demonstrar a falta de fundamento da autuação, pois cabia ao Fisco notificar seus representantes para que estes esclarecessem e comprovassem a inexistência das infrações, ao invés de obter unilateralmente, por amostragem, a suposta prova de infração; em resumo: cabia ao Fisco diligenciar para buscar a verdade material, e aí sim, provando sua tese, autuar; mas, durante o procedimento, o fisco solicitou apenas amostras, a título explicativo, de diversos grupos de contas; porém, ao autuar, considerou todos os lançamentos como omissão de receita, o que é um absurdo; II de nada adiantaria provar a inexistência de infrações, pois a formalização do Auto de Infração e da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito protocolados e registrados em 16 e 18 de maio de 2011 se deu em 25 de maio de 2011, antes do término da fiscalização, conforme o Termo de Ciência e de Cont. de Procedimento Fiscal (Anexo II), pelo qual a contribuinte foi cientificada da continuidade da fiscalização; III juntar apenas amostragem de NF viola tanto o direito de defesa, como o Decreto 70.235/72, em especial seu artigo 9º; ou seja: A) como falar em fraude (crime, em tese) sem a respectiva prova material, que proporcionaria ao acusado a possibilidade da mais ampla defesa? B) sem prova da infração tributária ou penal, a acusação é insubsistente “... podendo, inclusive, ensejar a responsabilização (administrativa, civil e criminal) do agente que deixa de agir com a exação de suas funções.” (sic); 4 – em razão das filiais e do grande volume de operações, não consegue identificar as transações (bônus, garantias, bonificações, etc.), no próprio dia; assim, usa a conta transitória "Valores a Regularizar" e ao identificar as transações apura o valor contábil e oferece o resultado à tributação; 5 – o TVF aponta que foram escriturados em contas diversas, valores (de vendas, comissões e bônus) que seriam de contas de Receita; mas não há como prosperar a afirmação genérica de que houve omissão de receitas, pois, por exemplo: a) sobre a conta "Valores a Receber da Fábrica" (114.04.000001): a fiscalização solicitou esclarecimentos sobre a contabilização, por amostragem, dos itens 54, 125, 132 e 190 (números do Razão); foram apresentados, como resposta, em 26 de abril de 2011, os modelos de contabilização adotados, que foram dados por corretos; mas, a fiscalização “... excluiu os valores ... demonstrados ... mas incluiu todos os demais, considerando ... R$ 3.444.215,18 como Receitas de Bônus e Comissões que deveriam ser escrituradas nas contas de Receita ...”; afinal, que amostragem é essa que dados por corretos quatro itens escolhidos pela fiscalização, todos os demais são omissão de receita? junta cópia do Razão, demonstrando doze itens lançados nesta conta com sua contrapartida em resultado (Anexo IV); b) sobre a conta de bonificações: junta cópia do Razão, com seis lançamentos e sua contrapartida em resultado (Anexo V); Fl. 951DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 4 5 c) sobre o grupo de contas "Comissões": junta cópia do Razão, listando 25 lançamentos com suas contrapartidas em resultado; 6 além disso, as contas que envolvem a GM são controladas pela fábrica através de relatórios minuciosos, emitidos periodicamente, apresentados à fiscalização, que concordou com a contabilização das operações; mas autuou tais valores como omissão de receita, sem prova; 7 – sobre a conta C/C Sócio RCI (22101000000301): a fiscalização diz que apurou o valor de R$ 5.511.063,51, referente às NF 482001 a 487500, 508001 a 512500 e 538001 a 544000, que não teriam sido contabilizadas em contas de Receita; mas, juntou apenas amostragem dessas NF, de forma que não há prova material, o que impede que se fale em fraude e torna a acusação insubsistente “... podendo, inclusive, ensejar a responsabilização (administrativa, civil e criminal) do agente que deixa de agir com a exação de suas funções.” (sic); 8 escriturou e ofereceu a tributação todas as NF emitidas, assim como declarou seu faturamento na DIPJ; a análise das NF e do Livro Registro de Saídas demonstra a regularidade da escrituração e recolhimentos realizados, já o ônus da prova cabe ao Fisco (art. 9º do Decreto 70.235/72 e art. 333 do CPC); assim, é imprescindível a prova da materialidade e autoria da infração, pois presunções não podem responsabilizar a pessoa jurídica por cerca de dezesseis milhões de reais; em resumo: a fiscalização poderia exigir documentos ou informações para provar a coerência de todas operações; por que não o fez? 9 quanto ao passivo não comprovado, não possui mais a documentação das operações, escrituradas em 2001, 2002, 2003 e 2004, pois em obediência à lei tributária, arquiva seus documentos por até cinco anos; apesar disso, traz Razão e Balanço da época para comprovar a movimentação das contas (saldo final zerado), afastando, com isso, a presunção de omissão de receita; assim, quanto à: a) conta 22101000000003 Consórcio Viana: total de R$ 9.000,00: originado em 2001 e2002, quitado em 2008, conforme Razão e Balanços Patrimoniais de 2001 e 2002(Anexos VI e VII); b) conta 22101000000005 Empréstimo MILAFAB: total de R$ 53.000,00, originado em2001 quitado em 2007, conforme Razão e Balanço Patrimonial de 2001 (Anexos VII e Anexo VIII); c) conta 22101000000006 C/C Sr. Francisco Lau: total de R$ 150.000,00, originado em2004. quitado em 2007, conforme o Razão e Balanço Patrimonial de 2004 (ANEXOSIX e X); d) conta 22101000000009 C/C Sócios (VEPP): total de R$ 307.419,38 originado em 2004 e 2005 e quitado em 2007, conforme o Razão e Balanços Patrimoniais de 2004 e2005 (ANEXOS X, XI e XII); e) conta 22101000000030 Empréstimo p/ Financiamento: total de R$ 182.000,00, originado em 2004, quitado em 2008, conforme Razão e Balanço Patrimonial de 2004 (Anexo X); Fl. 952DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 6 f) conta 22101000000016 C/C Sócios A: total de R$ 582.853.59, originado em 2005, quitado em 2007, conforme Razão e Balanços Patrimoniais de 2004 e 2005 (Anexos X,XII e XIII); 10 – multa de ofício sobre IRPJ e CSLL e multa isolada sobre as respectivas estimativas são incompatíveis, pois representam a incidência de dupla pena sobre a mesma infração, como reconhece a jurisprudência administrativa transcrita; 11 – a multa qualificada (150%) exige prova do evidente intuito de fraude, que inexiste, neste caso; mas é estranho o fato da fiscalização, após concordar com as amostras explicadas de diversas contas, autuar como omissão de receitas todo o restante, sem dar oportunidade de explicar as demais operações; em resumo: não há prova da omissão e, portanto, não há provado evidente intuito de fraude. A Quarta Turma de Julgamento da DRJSão Paulo I manteve em parte o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1634.205, de 13 de outubro de 2011 (fls. 777/804), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DO FATO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Não há despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, não havendo que se falar, neste caso, em nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois sua peça de defesa mostra que as imputações que lhe foram feitas foram muito bem compreendidas. Quanto à descrição do fato imputado, esta é muito clara. Preliminar indeferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. MULTA ISOLADA. OCORRÊNCIA PARCIAL. JANEIRO A ABRIL. Não ocorreu a decadência do direito de lançar IRPJ e CSLL, pois não decorreram 5 anos entre a data do fato gerador e a data do lançamento. Não ocorreu a decadência de PIS, COFINS e MULTA ISOLADA para os fatos geradores fraudulentos (multa de 150%), aos quais se aplica o art. 173, inciso I, do CTN. Ocorreu a decadência do direito de lançar PIS, COFINS e MULTA ISOLADA dos meses de janeiro a abril, para os demais fatos geradores, aos quais se aplica o art. 150, § 4º, do CTN, pois foram efetuados os respectivos pagamentos antecipados. Preliminar deferida em parte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 5 7 Não foi apresentada prova que infirmasse as provas diretas de omissão de receita que respaldaram a acusação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção legal admite prova em contrário, que neste caso não foi produzida. MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Mantémse a multa aplicada, dada expressa previsão na legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. 150%. Há que ser mantida a multa qualificada sobre as parcelas dos tributos apuradas por meio de provas diretas que evidenciam o dolo e o intuito defraude pela “distribuição” da contabilização de receitas a crédito de contas de diversas contas de ativo e passivo. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente cientificada da decisão de primeira instância em 17 de janeiro de 2012, (fls. 817), interpôs recurso voluntário em 14 de fevereiro de 2012 junto a este órgão julgador (fls.818/879). A recorrente repete em grande parte os argumentos trazidos na impugnação, alegando em sua petição recursal: a) Sejam acolhidas as preliminares de cerceamento de defesa, alegando que durante o procedimento de fiscalização a recorrente não teve oportunidade de manifestarse com relação as movimentação inseridas no auto de infração, e de nulidade processual, declarando nulo todo o procedimento fiscal fundamentando que o lançamento do auto de infração ocorreu antes do termino do periodo de fiscalização. b) Seja reconhecida a decadência das competências de janeiro/2006, fevereiro/2006, março/2006 e abril/2006 para os recolhimentos antecipado de IRPJ e CSLL e para o PIS e a COFINS que foram agravados com multa de 150%. c) Seja afastada a incidência da multa isolada corresponde a 50% do valor de IRPJ e CSLL não recolhido, em razão da dupla penalização de uma mesma infração (multa isolada e multa de oficio). d) Seja declarada improcedente a ação fiscal, com o afastamento da imputação de omissão de receitas e da presunção de não comprovação do passivo da empresa por falta de prova material no auto de infração. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 8 e) Requer, caso procedente parte do auto de infração, a diminuição da multa de oficio de 150% para 75% em razão da não comprovação do intuito de fraudar/omitir por parte da requerente. É o relatório. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Relator Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Passo a analisar as alegações da recorrente a este órgão colegiado de julgamento. 1. DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES 1.1 Do cerceamento de defesa e da nulidade processual 1.1.1 Do cerceamento de defesa A recorrente alega ter ocorrido o cerceamento da defesa durante o processo de fiscalização não tendo oportunidade de manifestarse com relação às movimentações inseridas no auto de infração, cita ainda (fls. 834) que as movimentações foram analisadas por amostragem por parte da fiscal, e que a autuação ocorreu de forma integral. O procedimento fiscal teve início em 23/03/2010 por meio do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 007) visando à fiscalização de Contribuições Previdenciárias do ano calendário 2006. Com a fiscalização já instaurada, o MPF foi alterado para incluir a fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, já que durante a análise da escrituração contábil dos pagamentos efetuados aos administradores a AFRFB verificou lançamentos a crédito na conta 22101000000301 – C/C Sócio RCI cuja contrapartida eram contas do ativo como, por exemplo, a conta 112010070000001 – Créditos de Vendas. Através das intimações constantes (fls. 045 a 109) o AFRFB intimou a contribuinte a manifestarse sobre as movimentações (lançamentos contábeis) e a fornecer a documentação de suporte para as operações. Conforme se nota (fls. 093) o AFRFB solicita TODOS os documentos que embasaram os lançamentos contábeis, assim como os devidos esclarecimentos acerca dos mesmos. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 10 Através do Termo de intimação Fiscal nº 04 (fls. 094) o AFRFB volta a solicitar os documentos que embasaram a contabilidade no período de 01/2006 a 12/2006, o termo amostragem nem ao menos é citado pelo AFRFB, o que leva a simples compreensão de que o que se pede é a TOTALIDADE dos documentos e dos esclarecimentos acerca dos lançamentos contábeis. Tais intimações versam também sobre a manifestação da recorrente, já que em todas elas o AFRFB intima a recorrente a esclarecer as movimentações, na contabilidade inserida no período de 01/2006 a 12/2006. A própria recorrente assume ter prestado esclarecimentos DURANTE o processo de fiscalização conforme (fls. 851) Portanto é claro que a recorrente teve oportunidade de revelar seu ponto de vista durante o procedimento fiscal, tanto que o fez de múltiplas formas, verbalmente, oficialmente e até por email. Tendo os fatos passamos a análise de direito. O direito a ampla defesa é a garantido pela carta magna que assim versa em seu art. 5º: Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Portanto, o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo são direitos assegurados aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Ao julgar a impugnação do auto de infração impetrada pela recorrente a DRJ afirmou (fls. 785) com base no texto constitucional acima transcrito que a ampla defesa é assegurada APENAS na fase litigiosa. Equivocase, entretanto o respeitado órgão julgador já que o art 3º da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 1999 assim diz: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 7 11 II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos ANTES DA DECISÃO, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; É de claro entendimento que antes da decisão, a parte litigante tem o direito de manifestarse sobre o assunto em discussão e que o órgão estatal não só analisará tais alegações, no curso do processo de fiscalização, como também as julgará pertinentes ou não ao assunto examinado. Como foi demonstrada nos fatos, a recorrente em mais de uma oportunidade apresentou esclarecimentos ao AFRFB fazendo assim parte do processo de fiscalização, ao contrário do que alega (fls. 785), que os lançamentos foram feitos de forma unilateral e por amostragem. Em tempo ressalto que até a nível deste colegiado (CARF) deve ser aplicado Art. 3, III da lei 9.784/99, assim sendo ao recorrente oportunizado a produzir provas, até no presente recurso, preservando sempre o princípio da verdade material e da ampla defesa. Sendo assim, julgo improcedente a alegação de cerceamento de defesa durante o processo administrativo proposta pela recorrente, com base nos fatos e regulamentações aqui expostas sobre o processo administrativo analisado. 1.1.2 Da nulidade processual A recorrente em seu recurso voluntário protocolado junto a este conselho alega ter ocorrido nulidade processual pela inobservância do devido processo legal. Essa alegação tem por fundamento o fato de que os autos de infração foram lançados no sistema da fazenda nos dias 16 e 18 de maio de 2011 (fls. 839 e 840). O registro dos autos, via de regra, configura o final do procedimento de fiscalização, porém como diz a recorrente (fls. 840) no dia 25 de maio de 2011 foi cientificada da continuidade da fiscalização. Em resumo, a recorrente defende que a formalização do Auto de Infração e da Notificação Fiscal de lançamento se deu em data anterior a do efetivo término da fiscalização, não permitindo que qualquer ato praticado pela recorrente que visasse provar a inexistência de infrações tributárias após 16 ou 18 de maio de 2011, não surtiriam efeito, já que o auto de infração estava devidamente formalizado. A nulidade processual é regulamentada pelo Decreto 70.235/72, que cita expressamente quais as situações em que cabe a nulidade em seu art. 59: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 12 Da leitura do supracitado dispositivo e comparando com a situação ocorrida é impossível identificar nulidade no processo, tanto que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não houve despacho ou decisão com preterição do direito de defesa, pois todas as movimentações inseridas no auto de infração foram devidamente fundamentadas. Dou como improcedente, portanto o pedido de nulidade do auto de infração por inobservância do devido processo legal. 2. DAS ALEGAÇÕES DO MÉRITO 2.1 Da omissão de receita direta A AFRFB iniciou a ação fiscal visando à conferência das contribuições previdenciárias do anocalendário de 2006. Durante o exame dos documentos constatou a contabilização de operações de venda da seguinte forma: D – 112010070000001 – Notas fiscais a Vista (Ativo) C – 221010000000301 – C/C Sócios RCI (Passivo) Esta verificação fez com que no dia 16/09/2010 a AFRFB intimasse a recorrente a prestar esclarecimentos sobre a forma de contabilização das operações de vendas a vista. A recorrente atendendo a solicitação da AFRFB apresentou o modelo de contabilização (fls. 515) das operações com vendas à vista como sendo da seguinte forma: D – 112011 – Cliente (Ativo) C – 315011 – Receita de Venda de Peças (Resultado) Entretanto, como o modelo apresentavase diferente dos lançamentos por ela constatados ampliou o MPF para analisar o IRPJ e seus reflexos. Em 31/05/2012, ao lavrar o Auto de Infração o AFRFB, apontou lançamentos a crédito de notas fiscais de venda em contas do passivo e do ativo que segue com seus respectivos valores: Contas do Passivo: 22101000000301 C/C Sócios RCI R$ 5.511.063,51 Contas do Ativo: 11410 Coligadas R$ 671.000,00 11404000000001 Valores a receber R$ 3.444.215,18 11408000000000 Comissões a receber R$ 926.234,01 12102000000003 Contr.Bonif. GMB R$ 814.998,90 A recorrente tanto em sua impugnação (fls. 609 e 610) quanto no recurso voluntário (fls. 856 e 857) traz à tela alguns lançamentos contábeis a débito nas referidas contas, cujas contrapartidas são contas de resultado. Como exemplos tem o razão da conta 11404000000001(fls. 648): Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 8 13 E o razão da conta 36213000000 (fls. 649) que corresponde à contrapartida dos lançamentos: Pois bem, a recorrente ao anexar tais razões, SOMENTE demonstrou que a receita de bônus de emplacamento auferida no 24/02/2006 fora registrada de forma correta. Se por ventura aspirou a recorrente que esses lançamentos comprovassem o reconhecimento da receita, de todos os lançamentos creditados, na conta 11404000000001 – Valores a receber Fábrica, em momento anterior, deveria então têlos referenciado. Os lançamentos que neste processo estão sendo julgados correspondem aos anexos I, II e III (fls. 177 a 475) do Auto de Infração lavrado em 31/05/2011, de nada serve trazer ao caso qualquer outro lançamento contábil que não corresponda ou tenha relação com os aqui em análise. No caso de comprovar o reconhecimento posterior dos lançamentos anteriormente contabilizados na conta 11404000000001 – Valores a receber Fabrica a recorrente deveria vincular estes a aqueles de modo que demonstrasse a operação como um todo. Ainda exemplificando, a AFRFB através do anexo III, (fls. 401) a qual reproduzo em parte, considerou como omissão de receita direta na conta 11404000000001 – Valores a receber Fabrica no dia 17/01/2006 o montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais) Os lançamentos contábeis se deram da seguinte forma: Valor de R$ 1.500,00 D – 114040000000001 – Valores a receber fabrica (Ativo) Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 14 C – 111410000000022 – C/C SOCIOS – ITORORO DIADEMA (Ativo) Valor de R$ 7.000,00 D – 114040000000001 – Valores a receber fabrica (Ativo) C – 115740000000001 – VALORES A CLASSIFICAR (Ativo) Valor de R$ 1.500,00 D – 114040000000001 – Valores a receber fabrica (Ativo) C – 114120000000001 – MATRIZ 335 (Ativo) A demonstração da não omissão de receita, dos exemplos aqui citados, através de razão contábil seria possível se a recorrente apresentasse os lançamentos a débito nas contas 111410000000022 – C/C SOCIOS – ITORORO DIADEMA, 115740000000001 – VALORES A CLASSIFICAR e 114120000000001 – MATRIZ 335, cuja contrapartida fosse uma conta de resultado, reportando esses últimos lançamentos aos anteriormente contabilizados a crédito. O que temse em tela é a elaboração de lançamentos contábeis, referentes as receitas auferidas, de modo que momento da identificação do fato gerador da obrigação tributária ficasse a mercê dos procedimentos internos. A recorrente alega ao demonstrar alguns lançamentos contábeis, que estes seriam o reconhecimento da receita, porém a visualização de tal contabilização APENAS demonstra a pratica contábil correta que deveria ser aplicada a todas as operações similares. Sobre esse tema assim reza a ementa do acórdão nº 1802001.351 OMISSÃO DE RECEITA. A emissão de Nota Fiscal e sua escrituração mas sem o reconhecimento na apuração dos tributos devidos e sem a confissão da dívida em DCTF , implica em omissão de receita e consequente lançamento de ofício para exigência do tributo e contribuição devidos, não pagos e não declarados. Tal ementa coaduna com a conduta praticada pela recorrente, já que havia a emissão do documento fiscal, havia a contabilização do documento, todavia não existia o reconhecimento das receitas na apuração dos tributos e posterior confissão da dívida em DCTF. Tratase, portanto de lançamentos sem a observância da correta prática contábil, que visavam o não reconhecimento da conta de Receita no momento da sua ocorrência. Estes valores (Receitas) em vez de serem tributados, por sua vez ficavam “escondidos” em outras contas, como a exemplo 111410000000022 – C/C SOCIOS – ITORORO DIADEMA, 115740000000001 – VALORES A CLASSIFICAR e 114120000000001 – MATRIZ 335. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto ao item de omissão de receita direta, por se tratar de conduta contábil divergente da demonstrada como idônea pela própria recorrente, visando a omissão ou retardamento do reconhecimento de receitas auferidas. Cabe ao contribuinte, que cometeu o ilícito contábil, a prova cabal que em evento futuro efetuou sua correção. Cabe a ele provar lançamento por lançamento, item por item, que em evento futuro tributou tais valores, não o fazendo não lhe pode assistir o direito Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 9 15 por mera amostragem, que no presente caso se faz quase insignificante perto do volume autuado. Quanto as amostragem demonstradas pelo recorrente no presente recurso não pode ser deduzida do valor da autuação por não haver prova da ligação destas reversões (reconhecimento da receita) com lançamentos glosados na presente autuação. E cabia este ônus a recorrente em virtude da contabilização sem as observância das normas contábeis vigentes. 2.2 Do passivo não comprovado. Ainda, durante o processo de fiscalização a AFRFB no dia 09/11/2010 solicito através de termo de intimação fiscal nº 04 (fls. 094) que a recorrente demonstrasse por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos valores que compunham o SALDO INICIAL do grupo de contas do passivo 22101 – Empréstimos e Financiamentos a L. Prazo. Em 06/01/2011 a AFRFB voltou a solicitar a mesma informação, a composição do saldo inicial do grupo de compras do passivo 22101 – Empréstimos e Financiamentos a L. Prazo desta vez através do termo de intimação fiscal s/n (fls. 097). Durante o processo fiscalizatório a empresa não apresentou os documentos requeridos dando fundamentação para a ARF elaborar o item 3.1. (fls. 118) Passivo não comprovado no valor de R$ 701.419,38 e item 3.2. (fls. 119) também referente a passivo não comprovado no valor de R$ 582.853,59 do Termo de Verificação Fiscal. Passamos à análise em separado dos tópicos 3.1 e 3.2. Com relação ao item 3.1 que remonta R$ 701.419,38 a AFRFB autuou contas que não apresentavam nenhuma movimentação contábil durante o ano calendário de 2006, o saldo inicial mostravase IGUAL ao saldo final. Esta afirmação foi constatada pela própria AFRFB (fls. 118) item 3.1.3 A recorrente em seu recurso voluntário muito bem salienta a (fls. 865) que os valores ora lançados possuem origem nos anos calendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, percebese então que em todos os casos, os fatos geradores que originaram o passivo fictício Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 16 ocorreram em anos calendários anteriores ao de 2006, portanto, não passíveis de ser objeto de autuação. Repisase, que a existência de passivo fictício demonstrada no termo de verificação não fundamenta a autuação realizada, vez que a fiscalização se deu no ano calendário de 2006 e os fatos geradores em anos anteriores. O cerne da questão, portanto, reside na análise detalhadada real data de origem (fato gerador) dos lançamentos contábeis que deram origem ao presumido passivo fictício, para que se verifique quando ocorreram os fatos que caracterizaram tal ilícito e, consequentemente, os fatos geradores da presente autuação. Neste sentido há expressa previsão legal: Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Parágrafo único. Nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 220, o lucro real deverá ser apurado na data do evento. No mesmo sentido, há inúmeros acórdãos como o 10708.732 assim ementado: IRPJ — PASSIVO INEXISTENTE — PERÍODO DECOMPETÊNCIA. A matéria tributável como omissão de receitasem face da existência no passivo de obrigações não comprovadasquanto à sua real existência, se restringe aos valores que teriamsido escriturados no curso do período fiscalizado. Ou ainda no acórdão 10417.182 com a seguinte ementa: IRPJ OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO — COMPETÊNCIA Ante o regime de competência para apuração de resultados, eventual passivo fictício de exercício anterior não pode ser tributado no ano calendário subsequente, simplesmente porque a fiscalização não abrangeu aquele período, não sendo exigida sua comprovação. É tão lógico que não chega nem a ser presumível e sim verdade, que os lançamentos inseridos no auto de infração item 3.1 possuem seu fato gerador em data anterior ao ano calendário de 2006. A constatação de AUSÊNCIA de movimentação contábil durante todo o período fiscalizado pela AFRFB (fls. 118) já é prova cabal que a gêneses do passivo se deu em período anterior ao analisado pela própria, pois de nenhuma outra forma é possível no caso em tela, que o saldo em 01/01/2006 fosse exatamente IGUAL ao apresentado em 31/12/2006. A fim de eliminar qualquer resquício de duvida, caso a ausência de movimentação contábil nas contas do passivo assim já não o fez, passamos a analise individual das contas inseridas no passivo fictício. · 22101000000003 Consórcio Viana – R$ 9.000,00 Período do Fato Gerador: Ano calendário 2002; Documento comprobatório: razão contábil (fls. 675) Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 10 17 · 22101000000005 – Empréstimo MILAFAB – R$ 53.000,00 Período do Fato Gerador: Ano calendário 2001; Documento comprobatório: razão contábil (fls. 688) · 22101000000006 – C/C Sr. Francisco Lau – R$ 150.000,00 Período do Fato Gerador: Ano calendário 2004; Documento comprobatório: razão contábil (fls. 693) Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 18 · 22101000000009 – C/C Sócios (VEPP) – R$ 307.419,38 Período do Fato Gerador: Ano calendário 2004 e 2005; Documento comprobatório: razão contábil (fls. 704 a 707) · 22101000000030 – Empréstimo p/ Financiamento – R$ 182.000,00 Período do Fato Gerador: Ano calendário 2004; Documento comprobatório: razão contábil (fls. 717). Em resumo assim ficaram as contas tidas pela ARF como passivo fictício: Conta Descrição Valor Fato gerador Documento comprobatório Fls. 22101000000003 Consórcio Viana R$ 9.000,00 2001 e 2002 Razão Contábil 675 22101000000005 Empréstimo MILAFAB R$ 53.000,00 2001 Razão Contábil 688 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 11 19 22101000000006 C/C Sr. Francisco Lau R$ 150.000,00 2004 Razão Contábil 693 22101000000009 C/C Sócios (VEPP) R$ 307.419,38 2004 e 2005 Razão Contábil 704 a 707 22101000000030 Empréstimo p/ Financiamento R$ 182.000,00 2004 Razão Contábil 717 Diante do exposto, não resta incerteza sobre a improcedência da presunção de passivo fictício, apresentada pela AFRFB em sua fiscalização, já que assim reza o art. 281 do Decreto 3000/99 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. É certo que a demonstração, através de razão contábil, que os lançamentos contábeis que deram origem à exigibilidade do passivo, ocorreu em competência anterior (ac2001 a 2005) a fiscalizada (ac 2006), e que, durante o período fiscalizado não houve NENHUMA movimentação tanto a débito quanto a crédito nestas contas contábeis, faz prova de que a presunção de omissão de receita imposta pela ARF é improcedente para o período em analisado (ac 2006). Diante do que fora mostrado julgo procedente o Recurso Voluntário, quanto a presunção de omissão de receita com relação ao item “3.1 Da não comprovação da exigibilidade das contas no passivo” (do auto de infração), cujo montante é de R$ 701.419,38 (setecentos e um mil, quatrocentos e dezenove reais e trinta e oito centavos). Passamos a análise do item 3.2 (fls. 119) do auto de infração imputado a recorrente que também versa sobre a exigibilidade de conta do passivo. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 20 Diferentemente do item 3.1 onde a base de cálculo para a presunção de receita foi saldo final (31/12/2006) das contas contábeis, o tópico 3.2 tem como base os lançamentos a crédito no período fiscalizado 01/01/2006 a 31/12/2006 na conta 221010000000016 – C/C Sócios A no valor de R$ 582.853,59. A movimentação da conta foi demonstrada pela ARF (fls. 477 a 514) segregando os lançamentos a crédito. A recorrente em seu recurso voluntário (fls. 869) alega que a origem dos lançamentos se deu no ano de 2005, e aponta como prova o razão contábil, do período juntado na impugnação. Esta (fls. 621) remete como prova o anexo XIII (fls. 719), porém o razão constante no anexo corresponde a conta 22101000000009 C/C Sócios (VEPP) conforme fragmento. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 12 21 A ausência do documento contábil citado pela recorrente, razão contábil do ano calendário 2005, impede a análise do fato gerador da obrigação tributária, assim como a falta destes, impossibilita apurar a movimentação do período. Contudo a AFRFB analisou somente os lançamentos a crédito da conta contábil 221010000000016, e a recorrente não demonstrou, até o presente momento, quais destes lançamentos tiveram o lançamento a débito na mesma conta produzindo a quitação da dívida. Ainda, de nada adianta a juntada do balanço patrimonial dos anos calendários de 2005 e 2007 (fls. 721 e 722), por parte da recorrente, se os mesmos não apresentam as contas de forma analítica, possibilitando a apuração dos saldos, inicial e final, da conta 221010000000016. Sendo assim, julgo como improcedente o Recurso Voluntário, quanto ao item 3.2 (do auto de infração) conta 221010000000016 – C/C Sócios A no valor de R$ 582.853,59, por ausência de prova material quanto a da data de origem dos valores contábeis auferidos pela AFRFB. 2.3 Da incompatibilidade da Multa isolada em concomitância com multa de ofício. O AFRFB aplicou as seguintes multas no auto de infração objeto do presente recurso voluntário: multa de ofício de 150% pela OMISSÃO DE RECEITA DIRETA; multa de ofício de 75% pela OMISSÃO DE RECEITA PELA NÃO COMPROVAÇÃO DA EXIGIBILIDADE DA CONTA CONTABIL DO PASSIVO; multa isolada de 50% em decorrência do recolhimento insuficiente das estimativas mensais, conforme trecho do Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante do Auto de Infração, colacionado abaixo (fls. 119): Em relação às aplicações de referidas multas (isolada e de ofício) concomitantes, cabe inicialmente, ser transcrito o art. 44 da Lei nº 9.430/96, que dispõe a respeito da penalidade aplicada nos casos de falta ou insuficiência de pagamento de tributo, entre outras situações: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 22 [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...] O art. 2º mencionado trata do pagamento do IRPJ da pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real determinado sobre base de cálculo estimada, nos seguintes termos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] O referido art. 44 da Lei nº 9.430/96 (acima transcrito), ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, prevê, a cobrança da referida multa, isoladamente, no caso em que o contribuinte deixe de efetuar os recolhimentos por estimativa, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido no anocalendário correspondente. Em outras palavras, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de oficio calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente. Logo há no art. 44 da lei 9430/96, acima transcrito, a presença de duas previsões legais distintas de multas: i) a do inciso I, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo e de falta de declaração ou de declaração inexata; e ii) a do inciso II, “b”, nos casos em que o contribuinte deixe de efetuar as antecipações mensais. Surge neste momento o ponto nodal da questão ora analisada, qual seja, é possível a concomitância da aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I, com a multa isolada prevista no art. 44, II, “b” ambos da lei 9.430/96. Para deixar mais claro, em muitos casos, como o ora analisado, o contribuinte é autuado por omissão de receita e esta atuação lhe traz duas penalidades, uma que é o lançamento do IRPJ e CSLL devidos com a multa do art. 44, I e concomitantemente é cabível a Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 13 23 aplicação da multa prevista no inciso II, “b” do art. 44 da lei 9430/96, em virtude das antecipações mensais não pagas. Tal situação se mostra compatível com as previsões legais e com a sistemática tributária brasileira? Apesar de haver decisões em diversos sentidos e posições doutrinárias que foram evoluindo durante os anos na análise de tais premissas, a conclusão a que vem chegando a Câmara Superiora de Recursos Fiscais é a de que é inaplicável ambas as multas no caso acima citado. Os diversos acórdãos proferidos pela Egrégia Câmara Superiora deste Conselho apresentaram tal entendimento com base em vários argumentos diferentes e que podem ser agrupados em duas vertentes, as quais apresento: 2.3.1 Princípio da Consunção: As decisões que trazem como fundamento o Princípio da consunção se baseiam na ideia de que prevaleceria a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. O Princípio da Consunção está presente e consolidado nos Tribunais Pátrios há algum tempo. Tem como característica básica o englobamento de uma conduta típica menos gravosa por outra de maior relavância, estas possuem um nexo, sendo considerada a primeira conduta como um ato necessário para a segunda. Exemplificando, um indivíduo, sem porte de arma ou com arma ilegal, utilizase da mesma para ceifar a vida de terceiro, praticando homicídio. A primeira conduta de portar arma de fogo de maneira ilegal, está descrita como crime no Estatuto do Desarmamento, art. 14 da Lei 10.826/03, porém, no exemplo, é absorvida pela conduta tipificada no art. 121 do Código Penal.. Duas são as regras que podemos extrair, quais sejam: o fato de maior entidade consome ou absorve o de menor graduação (lex consumens derogat lex consumptae); o crimefim absorve o crimemeio. No direito tributário o Conselheiro Marcos Vinicius Neder, proferiu importante lição a esse respeito no acórdão CSRF/0105.511, o qual foi citado também no acórdão 910100.500 (25 de janeiro de 2010) de lavra do ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Segundo Marcos Vinicius Neder: Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 24 Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". O próprio Conselheiro Leonardo de Andrade Couto apresenta como consolidado o entendimento a respeito pela CSRF: No entendimento consolidado neste Colegiado, não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança do imposto apurado no ajuste acompanhado, ai sim, da respectiva multa. O que não pode ser acatado, na visão do CARF, é a cobrança de multa sobre duas bases implicando na duplicidade de punição. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. A Fiscalização formalizou exigência do IRPJ apurado no ajuste do anocalendário de 2000, imputando corretamente multa de oficio e juros de mora sobre esse valor. Aqui, não há mácula a ser imputada ao procedimento fiscal. Entretanto, o Fisco exige também a multa de oficio isolada sobre as estimativas que não foram recolhidas. Admitindose tal prática, estarseia admitindo que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicassem duas punições, atingindo valores superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 14 25 Neste sentido existem inúmeras decisões da CSRF, todas afastando a aplicação da multa isolada nos casos de aplicação da multa de ofício. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Ac. 910100.500 da Câmara Superiora de Recursos Fiscais – Rel. Leonardo de Andrade Couto, j. 25 de janeiro de 2010). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0105.843, sessão de 15/04/2008). ”APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 26 bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação CSRF — Recurso n. 141.498— Sessão 14.04.2008.” APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão CSRF/0105.511, sessão de 18/09/2006). Para finalizar a questão, há de se notar que a opção é feita pelo contribuinte de apurar o imposto de renda e a contribuição social pelo lucro real anual com recolhimentos mensais. A doutrina também é clara neste sentido. Segundo Luciano Amaro Nascimento: “o fato gerador do tributo designase periódico quando sua realização se põe ao longo de um espaço de tempo. Não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim ao longo de um período de tempo, ao termino do qual se valorizam “n” fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. É tipicamente o caso do imposto sobre a renda periodicamente apurada, a vista de fatos (ingressos financeiros, despesas, etc) que, no seu conjunto, realizam o fato gerador [...]” O fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa quando ao término de determinado período (ano), sendo, portanto, a valorização dos fatos isolados (antecipações mensais), que resultam então no fato gerador do tributo. Tais recolhimentos não passam de meras antecipações do tributo efetivamente devido apenas em 31 de dezembro. Impossível dizer que o não pagamento das parcelas mensais (antecipações) nada mais é que o meio para o cometimento do ilícito tributário de não apuração do IRPJ e CSLL devidos no final do ano. Ambos estão intrinsecamente ligados, pois se houver o recolhimento das antecipações mensais, impossível o ilícito de omissão no recolhimento ou lançamento do IRPJ e CSLL no encerramento do exercício (31 de dezembro). Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 15 27 O meu entendimento, fundamentado nas decisões recorrentes desse Egrégio Conselho é de que não se pode separar eventuais recolhimentos (antecipações) mensais do IRPJ e da CSLL apurados no encerramento do exercício. Este é em definitivo a soma das condutas mensais e isoladas. Portanto, entendo por inaceitável a exigência da multa isolada sobre estimativas mensais, ao mesmo tempo em que haja a aplicação de multa de ofício em relação ao resultado final anual apurado. 2.3.2 Impossibilidade e aplicação de duas penalidades para a mesma infração Por outro lado, mas não menos provido de razão existem decisões do CSRF que afastam a aplicação das multas isoladas pelo não pagamento ou recolhimento das estimativas mensais do IRPJ com fundamento na impossibilidade de aplicação de duas penalidades para o mesmo fato. Entendo que tal posicionamento possui estreita relação de complementaridade com o Princípio da Subsunção, uma vez que em ambas as fundamentações a inaplicabilidade decorre da desconsideração da ausência dos recolhimentos mensais como fato isolado do ajuste feito ao final do anocalendário. Em outras palavras, significa dizer que as antecipações, realizadas ou não, deixam de ter relevância jurídica uma vez realizado o ajuste anual. Logo, o fato a ser tributado bem como, a ser objeto de penalidade em caso de infração é o recolhimento anual. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann de forma didática e esclarecedora asseverou no acórdão 9101001358, proferido na 1ª Turma do CSRF (em sessão no dia 16 de maio de 2012): A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada, uma com base na falta de recolhimento do IRPJ apurado ao final do anocalendário, e outra com fundamente na falta de recolhimento por estimativa? Tal fato constitui bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas Fl. 974DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 28 punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações. Cabe lembrar que no processo de tributação o objetivo maior é o bem público, o qual merece a proteção jurídica. A aplicação de multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo idêntico valor, significa a aplicação de duas punições, sobre o mesmo imposto apurado, e desta forma a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Neste sentido poderíamos colacionar inúmeros acórdãos que representam o entendimento da CSRF, com base na inaplicabilidade de ambas as multas ao mesmo fato (idêntica base de cálculo), conforme abaixo: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. (CSRF – Rel. Jorge Celso Freire da Silva – Ac. 910101402, j. 17 de julho de 2012). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ.(CSRF – 1ª Turma. Relator José Clóvis Alves. Ac. 9101001.358, j. 16 de maio de 2012). MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual, ou apuração de inexistência de tributo a recolher no ajuste anual.(CSRF – 1ª Turma – Rel. Antonio Praga. Ac. 910100450, j. 04/11/2009). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do §1º do art. 44, da Lei no 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos III do §1º do art. 44, da Lei n 9.4.30, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão CSRF/0400.832, rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro 04/03/2008) Fl. 975DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 16 29 PENALIDADEMULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (CSRF/Primeira Turma/Acórdão CSRF/ 0105.503, j. em 18.09.2006). Logo, independente se com base no Princípio da Consunção ou pela impossibilidade de aplicação de duas penalidades sob um mesmo fato, por alguns chamados de P. do “Bis in idem”, o CSRF tem entendido pela inaplicabilidade de ambas as multas (isolada sob as estimativas mensais e a multa de ofício sob a soma das estimativas totalizando o total anual). Portanto, julgo procedente o recurso voluntário para afastar a aplicação da multa isolada sob eventuais omissões nas estimativas mensais, uma vez que tais valores já foram objetos da multa de ofício aplicada sob o valor total anual, conforme acima exposto. 2.4 Da multa qualificada em 150%. Ao constatar a alteração dos lançamentos contábeis de forma divergente da habitual e também diferente do próprio modelo apresentado pela recorrente, a ARFB agravou a da multa de oficio de 75% para 150% com base nos art. 44, I e §1º da Lei 9.430/96 e art. 71 da Lei 4.502/64, conforme descrito a (fls. 119): Lei 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 30 Lei 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A recorrente, em seu recurso voluntário discorda da aplicação do agravamento, alegando a ausência de comprovação nos autos de que tenha praticado procedimento com evidente intuito de fraude nos termos do art. 71 citado anteriormente. A qualificação da multa está prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas asseguintes multas: (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos dedeclaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput desteartigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 daLei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente deoutras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Portanto, o que justifica a duplicação da multa é a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definem os artigos 71, da Lei nº 4.502/94, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente aimpedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento porparte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 17 31 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetara obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Da redação desses dispositivos percebese que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Portanto, para decidir sobre a qualificação é preciso verificar não só a tendência da conduta num dos sentidos identificados nos artigos 71e 72 da Lei nº 4.502/64, mas também se essa conduta foi dolosa (justificando a qualificação) ou culposa (afastando a qualificação). Como o dolo é elemento subjetivo, na maioria das vezes não é simples identificar a situação que justifica a qualificação. No caso em tela, a fiscalização teve acesso aos documentos contábeis, livros razões, diários e notas fiscais, constatando lançamentos contábeis efetuados de forma oposta ao que fora a ela apresentado em documento que visava esclarecer a contabilização das operações. De posse do movimento contábil do período e do manual de contabilização entregue pela própria recorrente o AFRFB, e após a constatação das divergências entre a forma real com que as operações de receita eram contabilizadas e o modelo apresentado, o AFRFB agravou a multa de oficio tendo em vista a pratica de lançamentos contábeis visando retardar ou omitir o reconhecimento de receitas. Sobre o agravamento da multa este egrégio colegiado julgador já emitiu as seguintes sumulas: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação damulta de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita oude rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multade ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Deste modo, cumpre enfatizar que a mera omissão de rendimentos, a mera ausência de sua declaração perante o Fisco não pode ensejar a qualificação da multa. E porquê? Porque estes fatores, por si só, não conduzem à configuração do necessário evidente intuito de fraude. É dizer, a omissão de receita não caracteriza o dolo, necessário à configuração do evidente (porque não pode restar dúvidas) intuito de fraude. Observem nobres julgadores, que todos os dados, todas as informações necessárias a regra matriz de incidência tributária estavam estampados na contabilidade. Que Sonegação há? Se tudo esta declarado, concordo que não observando a melhor técnica contábil, porém esta registrado. A aferição do dolo, obviamente, demanda uma análise que se revela, de certo modo, subjetiva. Subjetiva no sentido de que cumpre ao julgador, em face dos fatos apurados Fl. 978DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 32 nos autos, avaliálos e atribuir a eles uma condição que permita a afirmação de que o contribuinte procedeu com intuito evidente (ou seja, alheio a qualquer dúvida) de fraudar o fisco, de lesar o fisco. Neste panorama, é que a jurisprudência firmouse, ao analisar diversos casos, e avaliar os fatos neles tratados, no sentido de que a omissão de rendimentos não conduz à caracterização do evidente intuito de fraude. Este somente se configura ante um “algo mais”, que deve ser provado, e que deve ser especificado pela autoridade fiscal. Sem isso, a qualificação da multa não pode ocorrer. Desta forma, o recorrente efetuou os registros contábeis, mesmo que não de boa técnica, tanto é que, a fiscalização com a simples análise da documentação Contábil conseguiu constatar todos os valores não tributados. Ou seja, não é venda sem nota, nota calçada etc. Portanto, ao emitir as notas fiscais e efetuar o registro na contabilidade dos valores das receitas mesmo que não os tributando é fato que elide a fraude, não podendo assim ser mantida a multa qualificada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, afastando a multa de ofício qualificada em 150%. 3. Da decadência das competências de janeiro/2006 a abril/2006. 3.1. Da decadência das competências de janeiro/2006 a abril/2006 para IRPJ e CSLL; A recorrente alega em sua peça recursal, a decadência das competências de janeiro/2006 a abril/2006, devido ao pagamento mensal que efetua a título de IRPJ e CSLL, e o auto de infração ter sido lavrado em 31/05/2011. Essas alegações percorrem o processo desde a impugnação do auto de infração, tendo a DRJ julgado improcedente conforme segue: Realmente, a recorrente efetua pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, porém tais pagamentos são meras ANTECIPAÇÕES, esta própria Câmara já manifestou o seu julgar sobre o tema ao proferir o acórdão 130200.457 O IRPJ e a CSLL submetidos à apuração anual tem o fato gerador ocorrido em 31/12 do anocalendário e a contagem do prazo decadencial se dá a partir desta data, nos termos do art. 150 do CTN. Ainda a questão relativa a contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação encontrase, hoje, pacificada, no âmbito judicial e administrativo, Fl. 979DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 18 33 em razão da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, se não vejamos o teor de parte da ementa do Acórdão do RESP n° 973733 / SC, in verbis: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. MinistroLuiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006,DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em13.12.2004, DJ28.02.2005). Desta forma, julgo improcedente o Recurso Voluntário no que diz respeito a decadência do IRPJ e a CSLL das competências de janeiro/2006 a abril/2006, por se tratarem de tributos anuais, sujeitos a lançamento por homologação, cujo fato gerador é o ultimo dia do ano calendário, nos termos do relatório e voto. 3.2. Da decadência das competências de janeiro/2006 a abril/2006 para PIS e COFINS com multa de 150% Em face da redução da multa de ofício qualificada para 75% (item 2.4. desta decisão), e em virtude de haver pagamentos mensais, aplicase a o disposto no art. 150, § 4º do CTN e como o auto de infração foi lavrado em 31/05/2011, estão decaídos os períodos de janeiro à abril de 2006 em relação ao PIS e a COFINS. 3.3. Da decadência das multas isoladas; Ao observamos que os pagamentos antecipados do IRPJ e CSLL deveriam ter ocorrido no ano de 2006, e as multas isoladas foram aplicadas nos pagamentos antecipados existentes neste ano, nos meses de janeiro de 2006 até dezembro de 2006, temos que ponderar que sobre estas ocorreu a decadência referente aos meses de Janeiro de 2006 até abril de 2006. Ou seja, dos primeiros 04 meses. A aplicação da multa isolada segue a mesma regra da decadência prevista para os fatos geradores de sua ocorrência (pagamento antecipado). Ou seja, se o fato gerador não é a apuração do IRPJ e da CSLL e sim a antecipação, esta decadência deve ser contada mensalmente. Esta seria a melhor técnica tributária, inclusive quando se fala em obrigação acessória. Assim julgo de ofício a decadência das multas isoladas, previstas no artigo 44, II, “b” da lei 9.430/96 referente às competências de janeiro a abril de 2006. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 34 4. DISPOSITIVO Ante ao exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reduzir a multa de ofício qualificada (de 150% para 75%) e para declarar a decadência do período de janeiro a abril de 2006 em relação a PIS e a COFINS, e por fim para afastar a aplicação da multa isolada em relação à falta de recolhimento das estimativas mensais, bem como declarar a sua decadência (multa isolada) nos meses de janeiro/2006 a abril/2006, nos termos do relatório e voto. Sala de sessões, em 03 de Outubro de 2012. (assinado digitalmente) Relator Marcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 981DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 19 35 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa isolada sob omissões nas estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores já foram objetos da multa de ofício aplicada sob o valor total devido anualmente. A recorrente alega que a multa de ofício sobre IRPJ e CSLL e multa isolada sobre as respectivas estimativas são incompatíveis, pois representam a incidência de dupla pena sobre a mesma infração. O relator do voto vencido acolhe os argumentos da recorrente fundado especialmente na aplicação do princípio penal da consunção e na impossibilidade de aplicação de duas penalidades para a mesma infração. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa isolada sobre as estimativas apuradas de IRPJ e CSLL decorre de expressa disposição legal. A primeira tese que sustenta o voto vencido está amparada na aplicação do princípio penal da consunção, segundo o qual a conduta mais ampla, ou mais grave, engloba ou absorve outras condutas menos amplas e, geralmente, menos graves, as quais seriam meios necessários ou instrumentais para a execução do outro crime (mais grave). Assim, existindo um ilícito penal, em que um deles (menos grave) represente apenas o meio para a consecução do delito mais nocivo, o agente será penalizado apenas por este último. Um exemplo clássico de sua aplicação no direito penal é o do crime de lesão corporal em relação ao crime de homicídio. Para se chegar ao resultado decorrente da prática do homicídio, que é a morte da vítima, é praticamente impossível que antes desse resultado ocorrer, não tenha o autor do crime também infligido à vítima lesões corporais. No entanto, tendo em vista ser crime de maior gravidade e, portanto com maior pena, o autor somente é penalizado pelo homicídio. Esta linha de raciocínio traz em seu bojo o seguinte silogismo: a falta de recolhimento da estimativa mensal (conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo) é ação preparatória para a realização de uma conduta mais grave, consistente em não recolhimento do tributo efetivamente devido e apurado ao final do exercício, quando então violarseia um bem jurídico mais importante, qual seja a efetivação da arrecadação tributária. Nesse diapasão, a conduta mais grave englobaria a menos grave, resultando na penalização apenas pela conduta mais grave, mediante a aplicação da multa de ofício sobre os valores devidos ao final do exercício. Em que pese o esmero da argumentação contida na jurisprudência trazida para fundamentar o acórdão recorrido, entendo que é necessário verificar se é de fato cabível a aplicação no caso em tela do princípio da consunção. Examino primeiramente a questão sob o aspecto fático. Com a devida vênia, não me parece que a falta de recolhimento da estimativa mensal possa ser considerada como Fl. 982DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 36 mera preparação para o não pagamento do tributo devido ao final do exercício. O não pagamento de (pelo menos parte) do tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. Por outro lado, o não recolhimento das antecipações mensais ficaria simplesmente sem qualquer penalidade nos casos em que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Neste caso, não ocorrendo a conduta mais grave, segundo a tese do acórdão (falta de recolhimento do tributo devido, em face da inexistência de saldo devido), não haveria qualquer penalização pela ação menos grave (falta de recolhimento de estimativa). Mal comparando (peço vênia para voltar ao exemplo do homicídio), seria o mesmo que, naquele caso, não se consumando o homicídio o autor não ser penalizado pela lesão corporal (em caso de também ser afastada a hipótese de tentativa). Outro argumento que fundamenta a tese, e que reputo equivocado, é o que trata a obrigação de recolher o tributo antecipadamente como sendo algo de natureza distinta de tributo, o que caracterizaria a falta de seu recolhimento como uma infração menor que a do tributo apurado ao final do exercício. A definição de tributo é dada pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A obrigação instituída pelo artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito se amolda perfeitamente à definição do CTN, senão vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 983DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 20 37 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A definição legal dada pelo dispositivo acima citado contém todos os elementos do tributo, quais sejam: hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo e alíquota. Conquanto sejam antecipações sujeitas a ajuste no final do exercício, não resta dúvida que tais recolhimentos são tributos devidos, tanto assim que o eventual saldo favorável ao contribuinte no final do exercício se submete às regras de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou à maior, nos termos da legislação tributária. A sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Outro aspecto a ser examinado para a aplicação do princípio da consunção é se existe de fato um conflito aparente de normas, condição necessária para a sua aplicação. Mais uma vez entendo que não. As normas que regulam a aplicação das penalidades, embora tratem em ambos os casos (multa de ofício e multa isolada) da falta de recolhimento de tributos, visam disciplinar situações completamente distintas e autônomas entre si, não existindo qualquer conflito entre elas, o que impede a aplicação do princípio. Sendo autônomas as infrações, a ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, de modo que não se pode utilizar o conflito aparente de normas para a solução da questão. A obrigação de recolher as antecipações mensais não se constitui uma mera obrigação acessória e ainda que assim o fosse não seria absorvida pelo descumprimento da obrigação tida como principal (não recolhimento do tributo devido apurado ao final do exercício). A prevalecer a tese do acórdão recorrido, também não poderia ser cobrada a multa pela falta de apresentação da declaração de rendimentos ou da DCTF, pois também esta seria uma infração menor; mero instrumento para a consecução da infração mais grave (falta de recolhimento do tributo devido), que absorveria a menor. As multas pelo descumprimento de obrigação acessória não se confundem com as devidas em face da obrigação principal, convertendose também em obrigação principal, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, no § 3º do art. 113, in verbis: Fl. 984DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 38 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, se não se está diante de um conflito de normas que enseje a utilização dos princípios gerais de direito para a sua correta interpretação e aplicação, o afastamento de sua aplicação amparados nesses princípios seria uma forma indireta de aferição da sua própria constitucionalidade, o que é vedado no âmbito administrativo pela lei e pela própria jurisprudência do CARF, consolidada na súmula nº 02. Dada a clareza da norma e dos fatos a ela subsumidos também não há que se cogitar do uso da interpretação mais benéfica ao acusado, prevista no art. 112 do Código Tributário Nacional. De fato, impõese no caso a interpretação sistemática da norma, para a correta aplicação das multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento da discussão, transcrevo abaixo os dispositivos questionados (em sua redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (grifei) Pareceme cristalino que só faz sentido a aplicação da multa isolada quando a infração é constatada após o encerramento do ano de apuração do tributo. Se fosse constatada a falta no curso do anocalendário caberia à administração tributária exigir o tributo devido (por estimativa) acrescido de multa de oficio e dos respectivos juros moratórios. Ao estabelecer a cobrança apenas da multa isolada quando detectada a falta de recolhimento da estimativa mensal, a norma visa exatamente a adequação da exigência tributária à situação fática. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 21 39 Senão vejamos: se a fiscalização constatasse que o contribuinte deixou de recolher as antecipações mensais e já apurou o saldo de tributo devido no anocalendário (tendo recolhido este ou não), não faria sentido a norma exigir o recolhimento do tributo que fora devido por antecipação, pois já conhecido o montante efetivamente devido no exercício, sob pena de em grande parte dos casos, o tributo ser arrecadado e ato contínuo ser restituído ao sujeito passivo, o que careceria de razoabilidade. No entanto, entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas a proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que “a lei não contém palavras inúteis”. Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. A interpretação adotada pelo acórdão recorrido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4º). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu “caixa” e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É de conhecimento geral os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferese, além da legalidade, o princípio da isonomia. Na linha da tese adotada pelo voto vencido, para se restaurar a igualdade, seria correto que o contribuinte que efetuasse o pagamento das estimativas e ao final do exercício encontrasse saldo de tributo pago à maior tivesse direito à restituição imediata e integral dos valores pagos como se indevidos fossem, inclusive com a incidência de Juros Selic desde a data de cada pagamento e não apenas a partir de 1º de fevereiro do exercício seguinte como prevê o §2º do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. Tendo sido afastada a hipótese de existência do conflito de normas que permitisse a aplicação de outros princípios gerais na interpretação da norma em discussão, cabe verificar se é possível a aplicação da equidade prevista no art. 172, inc. IV do CTN, como uma forma de abrandar os efeitos da penalidade, ao presente caso. Não se verifica qualquer situação peculiar seja quanto ao sujeito passivo, seja quanto aos fatos que possam ensejar considerações de equidade e autorizar a remissão do crédito tributário lançado regularmente. Somente a lei Fl. 986DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO 40 poderia autorizar a remissão dos valores lançados a título de multa isolada, o que não existe no presente caso. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que apenas a lei pode estabelecer as penalidades para as infrações aos seus dispositivos e também para as hipóteses de sua dispensa ou redução, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (grifei) Portanto, se a lei não prevê a dispensa ou redução das penalidades nela previstas, não cabe ao intérprete fazêlo. Por fim, examino a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um “bis in idem” sobre um mesmo fato na aplicação da multa isolada e da multa de ofício, outro argumento utilizado no voto vencido para sustentar a impossibilidade de coexistências das duas penalidades. Não vejo no presente caso como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é extremamente clara ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Conforme já demonstrei anteriormente, também não há a alegada identidade de base de cálculo entre a multa isolada e a multa de ofício. Isto só ocorreria se fosse aceita a tese de que o limite à aplicação da penalidade é o montante de tributo apurado ao final do exercício, o que já se mostrou improcedente. De outro modo, exceto no caso do período de apuração encerrado no mês de dezembro, que pode coincidir com o resultado anual apurado (no caso de levantamento de balancete de suspensão ou redução), não há identidade entre as bases. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado “bis in idem”. Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei nº 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea “c” do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO Processo nº 19515.720163/201100 Acórdão n.º 1302000.994 S1C3T2 Fl. 22 41 A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que como já foi dito não cabe no âmbito deste colegiado. Para concluir, com a devida vênia, entendo que não passa de sofisma a comparação, utilizada recorrentemente, entre a possibilidade de aplicação das multas isolada e de ofício, ora examinadas, com a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, cumulada da multa de mora, porque neste caso sim a penalidade decorre de um mesmo fato. O que diferencia a graduação e a aplicação de uma ou outra penalidade no caso é a postura do sujeito passivo. Se este purga sua inadimplência antes da ação do Fisco tem sua penalidade limitada à multa de mora; porém, se ao contrário, aguarda a ação do Fisco para a identificação da falta é apenado com a multa de ofício, mais gravosa. Mais uma vez é a lei que define qual a penalidade a ser aplicada em cada situação, diferenciando o recolhimento espontâneo do tributo, ainda que com atraso, da cobrança realizada de ofício pela administração tributária. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo a exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, nos moldes constantes do lançamento. Sala de sessões, em 03 de Outubro de 2012. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 988DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCIO RODRIGO FR IZZO
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Numero do processo: 13164.000003/99-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1996
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA VÁLIDA.
Não estamos efetivamente diante da discussão acerca da natureza da nulidade de um lançamento, se formal ou material. Em verdade, a situação fática nos leva a aderir a conclusão exarada no acórdão recorrido, no sentido de que até o presente momento, ou seja, ultrapassado o prazo posto a disposição do fisco para a constituição do crédito tributário, o contribuinte não cientificado do lançamento, não tendo, assim, se aperfeiçoado o lançamento por ausência de ciência válida, consumando-se portanto a decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 5 1 4 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13164.000003/9935 Recurso nº 343.585 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.526 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FLAMBOYANT AGRO PASTORIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA VÁLIDA. Não estamos efetivamente diante da discussão acerca da natureza da nulidade de um lançamento, se formal ou material. Em verdade, a situação fática nos leva a aderir a conclusão exarada no acórdão recorrido, no sentido de que até o presente momento, ou seja, ultrapassado o prazo posto a disposição do fisco para a constituição do crédito tributário, o contribuinte não cientificado do lançamento, não tendo, assim, se aperfeiçoado o lançamento por ausência de ciência válida, consumandose portanto a decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 4. 00 00 03 /9 9- 35 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2102 00.494, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção em 09/03/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AVISO DE RECEBIMENTO DEVOLVIDO AO REMETENTE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA VÁLIDA. CANCELAMENTO DA EXAÇÃO LANÇADA. Não tendo sido o contribuinte notificado do lançamento, à época por declaração, impossível deduzir defesa administrativa, já que o contribuinte não teve ciência do imposto lançado pela administração. Assim, devese cancelar a exação lançada, sendo, ainda, inviável a confecção de novo lançamento, já que fluiu mais de um decênio desde o exercício fiscal, ocorrendo o fenômeno extintivo da decadência. Recurso provido.” A PGFN afirma que a decisão em comento diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “LANÇAMENTO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO NOS AUTOS NULIDADE. Ê nula a decisão que julga procedente o lançamento sem que tenha sido juntado aos autos a própria notificação de lançamento. PROCESSO ANULADO.” (AC 30134.860) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. 0 descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13164.000003/9935 Acórdão n.º 9202002.526 CSRFT2 Fl. 6 3 sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade dessa lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.” (AC 30131.795) Explica que, enquanto os acórdãos paradigmas, diante da ausência de notificação válida do sujeito passivo, entenderam pela ocorrência de vicio formal, o que possibilitaria, assim, novo lançamento, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN, o acórdão recorrido, diante da mesma situação fática (ausência de intimação válida), entendeu que não se tratou de vicio formal, impedindo que novo lançamento fosse realizado a partir dessa decisão (art. 173, II, do CTN) e, portanto, considerou inviável novo lançamento, sob o fundamento do fenômeno extintivo da decadência. Observa que, na hipótese em apreço, a ausência de notificação do lançamento figura como uma omissão quanto a formalidade essencial à legalidade do ato (lançamento) e, portanto, caracterizase como vicio formal, já que não foi obedecida formalidade necessária. Destaca que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10/11 do Decreto n° 70.235/72, art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vicio de forma. Conclui que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que, diante do vicio verificado (omissão da formalidade de notificação do lançamento), seria inviável a confecção de novo lançamento, em razão da decadência, como se vício material fosse, eis que se vicio existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 21000238/2010, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Inicialmente, afirma que o pretenso crédito administrativo está prescrito, devendo o recurso especial em análise ser considerado prejudicado. Em seguida, entende que inexiste divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma. Observa que o paradigma 30134.860 foi reformado por decisão na qual resultou reconhecido que a ausência de notificação prévia não caracteriza, in casu, o chamado “vício formal”, ao contrário do alegado nas razões do presente recurso. No mérito, sustenta que, mesmo que fosse possível a revisão do lançamento, prevaleceria o parágrafo único do art. 146 do CTN, no sentido de que tal providência só pode ser iniciada quando não extinto o direito da Fazenda Pública. Considera demonstrada a decadência, cujo prazo não se interrompe nem se suspende, e incabível ao caso a aplicação do art. 173, II do CTN. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer que o recurso especial da PGFN não seja provido. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Quanto à alegação de que não há divergência entre o aresto atacado e o paradigma 30134.860, não dou razão ao contribuinte. Na verdade, a decisão indicada em suas contrarazões foi prolatada pela DRFBJ em Campo Grande/MS. O paradigma não foi reformado, de maneira que é válida a análise realizada no Despacho n.º 21000238/2010. Portanto, demonstrada a divergência e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, saliento que o primeiro acórdão paradigma foi proferido em processo da mesma empresa, que julgou lançamento do ITR do exercício de 1995, enquanto a decisão recorrida apreciou o lançamento do ano seguinte, exercício de 1996. Destaco que enquanto ao acórdão paradigma anulou o lançamento por vício formal, por não haver nos autos daquele processo a comprovação da devida formalização do lançamento do ITR/1995 do imóvel em questão e da ciência do mesmo ao interessado, Por seu turno, o acórdão recorrido, ao apreciar as mesmas questões fáticas, concluiu ser inviável a confecção de novo lançamento, já que fluiu mais de um decênio desde o exercício fiscal, ocorrendo o fenômeno extintivo da decadência, nos seguintes termos; Com as considerações acima, considerando que não houve ciência válida do lançamento, sem que sequer tivesse sido juntada a própria notificação do lançamento a estes autos, deve se cancelar o lançamento, dando provimento ao recurso, registrando que sequer se pode autorizar um novo lançamento j que flui mais de um decênio desde a data do exercício em debate, incidindo, por óbvio,fenômeno e extintivo da decadência. Saliento ainda, que ao julgar o lançamento substitutivo ao anulado pelo acórdão paradigma, a DRJ de Campo Grande (Acórdão nº 0420.181. – 1ª Turma da DRJ/CGE), concluiu ser inaplicável, ao caso, o art. 173, II do CTN, nos seguintes termos (fls. 154/157): “Tendo em vista que o contribuinte somente foi devidamente cientificado do lançamento relativo ao ITR/1995 no dia 15/0912009, conforme AR de fls. 1.27, em data posterior àquela definida como termo final para a constituição do crédito tributário relativo a esse exercício, impõese reconhecer que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao ITR e Contribuições Sindicais do Exercício e, 1995 do imóvel com NIRF 23892552 encontravase extinto, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, quando a pleiteante tomou ciência do lançamento respectivo.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13164.000003/9935 Acórdão n.º 9202002.526 CSRFT2 Fl. 7 5 Portanto, há de se concluir que não estamos efetivamente diante da discussão acerca da natureza da nulidade de um lançamento, se formal ou material. Em verdade, a situação fática nos leva a aderir a conclusão exarada no acórdão recorrido, no sentido de que até o presente momento, ou seja, ultrapassado o prazo posto a disposição do fisco para a constituição do crédito tributário, o contribuinte não cientificado do lançamento, não tendo, assim, se aperfeiçoado o lançamento por ausência de ciência válida, consumandose portanto a decadência. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.916429/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 64 29 /2 00 9- 48 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916429/200948 Acórdão n.º 3803004.035 S3TE03 Fl. 74 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação das compensações pleiteadas. O contribuinte havia transmitido Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação (PER/DCOMPs) em 9/10/2006 e 30/5/2007, referentes a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração maio de 2002, no valor original de R$ 9.558,35, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despachos decisórios eletrônicos, a repartição de origem não homologou as compensações, pelo fato de que o pagamento declarado nos PER/DCOMPs já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” dos despachos decisórios e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação das compensações formuladas, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 14 de junho de 2002 no valor original de R$ 16.953,23; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total das compensações pleiteadas, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916429/200948 Acórdão n.º 3803004.035 S3TE03 Fl. 75 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 52); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 52); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 52 a 53); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916429/200948 Acórdão n.º 3803004.035 S3TE03 Fl. 76 4 na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916429/200948 Acórdão n.º 3803004.035 S3TE03 Fl. 77 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13558.000322/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1515.266, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer parte da dedução com despesa médica, no valor de R$6.157,34, relacionada a plano de saúde. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13558.000322/200517 Resolução n.º 2101000.047 S2C1T1 Fl. 2 2 As infrações indicadas no lançamento, consoante Termo de Verificação Fiscal às fls. 06/07, são as seguintes: 1. DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MEDICAS. Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2000 o contribuinte deduziu a título de despesas médicas o valor de R$ 24.098,07, entretanto, somente apresentou A fiscalização recibo no valor de R$ 260,00 emitido pela Dra. Ivie Campo Dall'Orto. Verificase que houve uma despesa indevida a esse titulo de R$ 23.838,07. 2. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2000 o contribuinte deduziu a título de despesas com instrução o valor de R$ 10.666,20, tendo apresentado comprovantes de despesas com instrução com as suas duas filhas no valor total de R$ 10.032,08. Ocorre que o limite individual com despesas com instrução é de R$ 1.700,00 de modo que o valor considerado dedutível foi de R$ 3.400,00. Sendo assim, o valor da dedução indevida a esse titulo é R$ 7.266,20. 3. DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2000 o contribuinte deduziu a titulo de contribuições a previdência privada a quantia de R$ 6.157,31 porém não apresentou fiscalização nenhuma documentação comprobat6ria da despesa realizada, de modo que todo o valor deduzido foi desconsiderado. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação tempestiva às fls. 30/33, o Órgão julgador de primeiro grau acolheu a dedução com plano de saúde no valor de R$6.157,34, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1999 DEDUTIBILIDADE DESPESA. COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF (fls. 67/69) o recorrente terce as seguintes considerações: Conforme comprova a Certidão da Vara Cível da comarca de Itamaraju Bahia, (DOC. 01), o recorrente ajuizou uma Ação de Obrigação de Fazer, tombada sob n. 1347379 7/2006 em face do Banco Bradesco S/A, requerendo a condenação do mesmo na obrigação do reembolso de todas as despesas decorrentes de cobertura hospitalar, médica e ambulatorial em geral, em virtude de problemas de saúde ocorrido no ano de 1999, no valor de R$ 22.983,72 (vinte e dois mil novecentos e oitenta e três reais e setenta e dois centavos). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13558.000322/200517 Resolução n.º 2101000.047 S2C1T1 Fl. 3 3 Esclarece que a ação foi ajuizada no ano de 2000 sob nº 156/2000, e, em face da implantação do Sistema SAIPRO do Tribunal de Justiça da Bahia o número do processo antigo (156/2000), foi substituído pelo n. 13473797/2006, conforme poderá ser observado nas Movimentações de Processo (DOC. 02). (...) Ressaltase ainda que em face da morosidade da Justiça, somente em 24112006 é que o recorrente obteve êxito através da r. Sentença (DOC. 03), proferida pelo Dr. Hilton de Miranda Gonçalves, ,sendo o Banco Bradesco condenado a pagar ao recorrente o valor acima indicado, in verbis: "Isto posto, julgo procedente o pedido nos termos dos fundamentos acima declinado, para condenar o réu ao. pagamento de R$ 22.983,72 (vinte e dois mil, novecentos e oitenta três reais e setenta e dois centavos), acrescidos de correção pela TAXA SEL1C, a partir da citação valida”. Por fim, requer a insubsistência do lançamento, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, entendo que há questão prejudicial à análise do mérito do litígio em exame. Como afirmado pelo próprio contribuinte as despesas não consideradas como dedutíveis pela decisão de primeiro grau integram uma ação judicial interposta contra o Bradesco Saúde, para reembolso das despesas médicas. É licito afirmar, portanto, que havendo decisão final favorável ao contribuinte, haverá o reembolso das despesas pelo Bradesco Saúde, tornandoas indedutíveis do imposto de renda, por expressa vedação contida no § 2º, inciso IV, do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995. Em face ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 265, inciso IV, “a”, do CPC, para que a autoridade preparadora acompanhe o desenrolar do processo judicial (fls. 70/75), cuja decisão é prejudicial ao presente litígio, e que segundo afirma o interessado encontrase pendente de julgamento no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Havendo o trânsito em julgado, devolvase este processo ao CARF com o inteiro teor da decisão final proferida no processo judicial. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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