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Numero do processo: 13161.720119/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO REQUISITOS.
Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT e explicitar de maneira clara os parâmetros de mercado, sem o que não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Numero da decisão: 2201-001.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT e explicitar de maneira clara os parâmetros de mercado, sem o que não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT e explicitar de maneira clara os parâmetros de mercado, sem o que não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Redator designado. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco de Assis Oliveira Junior. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f. 154/158), mediante a qual se exige Imposto Territorial Rural — ITR suplementar, Exercício 2004, no valor total de R$ 363.224,20, relativo ao imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 3.266.5792, localizado no município de Maracaju – MS, em que é sujeito passivo MATOSUL AGROINDUSTRIAL LTDA., sucessora por incorporação de SANTAFÉ AGROPASTORIL LTDA., empresas do mesmo grupo econômico. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante efetuou o lançamento tributário em razão do arbitramento do VTN em substituição ao VTN declarado apurandose imposto a recolher. Em conseqüência da alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT, houve aumento da base de cálculo, da aliquota e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação invocando a nulidade do lançamento, em face da sua fundamentação e de ausência de Mandado de Procedimento Fiscal especifico para as irregularidades apontadas. Argumenta ainda que o lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, decorrente da restrição As informações utilizadas no procedimento fiscal. Aduz ainda que os valores de terra nua constantes do SIPT não atendem ao principio da publicidade. Alternativamente, solicita o cancelamento do lançamento, ao argumento de que houve extinção do crédito tributário, mediante compensação de créditos oriundos de pagamentos indevidos de PIS Faturamento. A DRJ ao analisar a impugnação proferiu julgado com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. 0 valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a Contribuinte recorre reiterando os argumentos expostos na impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 13161.720119/200867 Acórdão n.º 220101.451 S2C2T1 Fl. 714 3 Inicialmente, entendo não haver nulidade na ausência do Mandado de Procedimento Fiscal. É que nos termos da legislação vigente, o MPF somente é exigível para notificações de lançamentos efetuadas por outros auditores fiscais que não o Delegado da receita Federal, como se vê na leitura do artigo 31 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal. Art. 31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 7º e 10; Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5o e 6º, com a redação dada pela Lei no 11.457, de 2007, art. 9o); ou II ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 11; Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º). Parágrafo único. O servidor que verificar a ocorrência de infração à legislação tributária federal e não for competente para formalizar a exigência decorrente comunicará o fato, em representação circunstanciada, a seu chefe imediato para adoção das providências necessárias (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 12). Assim, no presente caso, tendo sido o credito tributário formalizado em notificação de lançamento expedida pelo Delegado da Receita Federal em Dourados não procede a argumentação do contribuinte. No tocante ao mérito, ou seja o arbitramento do VTN, entendo que não merece reparos a r. decisão proferida pela DRJ. O arbitramento foi efetuado com base nos dados constantes do Sistema de Preços de Terras (SIPT) (fls. 133 – PDF 135) da Secretaria da Receita Federal, tendo sido observados os critérios do art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/1993, inclusive capacidade potencial da terra apurada a partir de informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda. Para contestar o arbitramento Recorrente apresentou, juntamente com sua impugnação, o laudo de fls. 48/70 por meio do qual pretende demonstrar que o VTN por ele declarado corresponde efetivamente ao valor de mercado do imóvel. O laudo foi novamente apresentado às fls. 89 e seguintes em anexo ao recurso voluntário. Ocorre que referido laudo, como bem demonstrou a decisão de primeira instância, não atendeu aos padrões técnicos recomendados pela ABNT e não tem elementos suficientes para justificar tamanha diferença de valores e infirmar o valor apurado pelo autoridade fiscal com base no SIPT. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 4 Ademais, os elementos amostrais coligidos referemse a imóveis localizados em municípios vizinhos e com características diversas do imóvel em questão. Assim, os paradigmas coligidos não tem o condão de fundamentar a pretensão da recorrente. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000261/2003-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício:1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA -
Não constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, não deve ser dado provimento aos embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício:1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA - Não constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, não deve ser dado provimento aos embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
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Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 02 61 /2 00 3- 13 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 3801001.703 S3TE01 Fl. 255 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação, uma entregue em 29/05/2003 e outras dezoito transmitidas entre os dias 12/06/2003 a 12/08/2004, por intermédio das quais a interessada compensou débitos referentes Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, apurados nos períodos compreendidos entre 04/2003 a 07/2004, com créditos decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS, pagos entre os dias 20/04/1993 a 29/12/1994. A Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF em Blumenau/SC manifestouse, por meio do Despacho Decisório, pela inexistência de eventual direito a restituição/compensação, posto que o prazo para restituição de indébito tributário é de cinco anos contados da data do pagamento. Na sequência, a autoridade fiscal coloca a impossibilidade da RFB manifestarse em relação à homologação das compensações regularmente formalizadas antes de abril de 2004, por restarem estas homologadas tacitamente por força do disposto no §5o do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Por fim, tendo em vista a inexistência do direito do crédito alegado e considerando as compensações tacitamente homologadas, manifestase pela não homologação das compensações apresentadas entre 14/04/2004 a 12/08/2004. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que não ocorreu a decadência de seu direito de compensar os valores que recolheu indevidamente a titulo de PIS, pois o prazo para repetição de indébito, conforme jurisprudência já firmada pelo STJ, é de 10 anos, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador mais cinco anos a contar da homologação tácita, e não de apenas 5 anos como pretende a autoridade fiscal. Analisando o litígio, a DRJFlorianópolis /SC entendeu por bem não homologar a compensação declarada. Interposto recurso voluntário, a empresa repisa as alegações de sua impugnação. Analisando o litígio, a Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, sustentando que deveria prevalecer o posicionamento estabelecido no RE 566.621/RS, que reconhece o prazo prescricional de dez anos para reaver os tributos indevidamente pagos, desde que o pedido tenha sido realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar no. 118/2005. A Fazenda Nacional entendeu, então, por bem embargar da decisão, ao argumento de que o STF reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da LC no 118/2005, portanto, não houve força vinculante para os pedidos realizados no âmbito administrativo. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 3801001.703 S3TE01 Fl. 256 3 Arguiu omissão, em face de a questão dos pedidos administrativos não ter aparecido de modo determinante no julgado do Supremo. Nessa esteira, o acórdão embargado seria omisso, pois não aponta os fundamentos (fáticos) que assemelham o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo para proclamar o mesmo entendimento. Em face do exposto, requer seja aclarada a decisão, sanando a omissão acima apontada através de um posicionamento sobre o assunto. É o relatório. Voto Os embargos de declaração foram opostos no prazo legal, razão pela qual são admitidos. Em uma atenta leitura das razões recursais, sob a alegação de omissão, constatase a clara intenção da parte Embargante em ver rediscutidas as questões decididas, o que é inviável na via estreita dos Embargos Declaratórios. Ressaltese que a decisão omissa é aquela que não examina um pedido ou um fundamento trazido pelas partes, o que não ocorreu na hipótese presente. No caso, o acórdão analisou todos os pontos ventilados no Recurso Voluntário, sobre os quais deveria manifestar se a Turma. Alega a Embargante que o acórdão embargado baseouse em entendimento pacificado do STF que reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da LC no 118/2005. Por conseguinte, não houve força vinculante para os pedidos realizados no âmbito administrativo.. Fato é, contudo, que ao trazer a decisão proferida pela Corte Suprema como embasamento das razões de decidir, foi adotado, por esta Primeira Turma Especial, toda a sua lógica de entendimento também para o âmbito administrativo, não havendo esclarecimentos adicionais a serem feitos sobre a questão. Tendo em vista que a matéria foi adequadamente tratada no corpo do acórdão, voto por negar provimento aos embargos de declaração interpostos pela PFN. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 3801001.703 S3TE01 Fl. 257 4 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10314.010357/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Auto de Infração Aduaneiro Data do Fato Gerador: 23/04/2004 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO.
CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, §
3º DO DECRETOLEI
Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das
mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo,
cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no
art. 23, § 3º, do DecretoLei
nº 1.455/76.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Auto de Infração Aduaneiro Data do Fato Gerador: 23/04/2004 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “O presente auto de infração trata de procedimento de fiscalização que concluiu pela prática de interposição fraudulenta na importação. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04 a 13, a impugnante foi objeto de processo de fiscalização previsto na IN/SRF nº 228/02 para averiguar sua capacidade econômica financeira e verificar a possibilidade da caracterização da interposição fraudulenta na importação. A empresa não respondeu à intimação inicial para apresentação de documentos, fl. 18. Após intimação, as sócias da empresa apresentaram declaração, fl. 22, alegando que a porta de ingresso da empresa está sendo utilizada apenas para carga e descarga de mercadorias. Não foram apresentados os documentos solicitados na primeira intimação. A fiscalização propôs Representação Fiscal para Fins de Inaptidão. Intimada, a empresa não se manifestou sobre o resultado do procedimento especial da IN SRF nº 118/2008, considerando INAPTA a empresa e INIDÔNEOS seus documentos a partir de 01/01/2006. A empresa e os sócios foram intimados a apresentarem as mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento, fls. 41 a 43. Tendo em vista a não resposta às intimações, foi lavrada a multa de conversão do perdimento em multa do art. 23, § 3º do Decretolei nº 1455/76. Intimada do Auto de Infração em 27/10/2010 (fl. 52), a interessada apresentou impugnação e documentos em 25/11/2010, juntados às fls. 58 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 927DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.010357/201004 Acórdão n.º 310201.436 S3C1T2 Fl. 2 3 1. Alega que realizou todos os procedimentos necessários para a regular importação. Apresenta documentos relativos a essas importações (contratos de câmbio, comprovantes de recolhimento, extratos de DI, notas fiscais). 2. Alega que os contratos de câmbio suprem a exigência de comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos, nos termos do parágrafo 2º do art. 81 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que seus documentos são idôneos nos termos do parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96. 4. Alega que os documentos não foram apresentados antes pois a empresa passava por um momento conturbado em suas atividades. 5. Cita o Ato Declaratório Interpretativo nº 7 de 2002. 6. Cita doutrina sobre a interposição fraudulenta. Cita jurisprudência sobre a pena de perdimento. Cita doutrina sobre a presunção no Direito Tributário. 7. Requer, por fim, que seja considerada improcedente a autuação com o cancelamento da pena de perdimento. Requer ainda que seja considerada improcedente a declaração de inaptidão." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela manutenção integral do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/09/2010 A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificado da decisão, o autuado apresentou recurso, repisando as alegações já apresentadas na impugnação afirmando a comprovação da origem dos recursos por meio da apresentação dos contratos de fechamento de câmbio e recolhimentos tributários. Pede a relevação da multa aplicada em razão da ofensa a razoabilidade e proporcionalidade e caso não Fl. 928DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 seja excluída a penalidade, pede a sua redução ao patamar de 10%, nos termos previstos no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, cabe manifestação em relação as alegações presentes no recurso voluntário, quanto a relevação da multa aplicada em razão de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e a redução da penalidade ao patamar de 10%. Analisando a impugnação, verificase que estas questões não foram objeto da contestação. Portanto, a decisão da primeira instância não poderia e não se manifestou sobre tais matérias. Diante da ausência do questionamento na impugnação, a apreciação por este colegiado não é mais possível, conforme determina o art. 17, do Decreto nº 70.235/72. “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Entretanto, em que pese a impossibilidade da análise das alegações inovadas no recurso voluntário, mesmo se apreciadas, não trariam melhor sorte a Recorrente. Os argumentos de ofensa a preceitos constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade no lançamento não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto ao pleito de redução da multa ao valor de 10%, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/2007 também não pode prosperar. O parágrafo único do artigo afasta a aplicação desta penalidade, nos casos de inaptidão do CNPJ previstos no art. 81 da Lei nº 9.430/96. Situação em que se encontra a Recorrente, por força do Ato Declaratório Executivo IRF/SPO nº 118/2008.(fl. 30) Fl. 929DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.010357/201004 Acórdão n.º 310201.436 S3C1T2 Fl. 3 5 "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Afastada a discussão preliminares, passo a análise dos argumentos contidos no recurso voluntário quanto a responsabilidade do Recorrente sobre os fatos ocorridos e a sua situação no polo passivo da obrigação tributária A lide gira em torno da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora não teria comprovada a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. A autuada, em sua defesa, alega a licitude dos recursos utilizados e apresenta documentos referentes a operações de fechamento de câmbio e utilizados no despacho aduaneiro das mercadorias. O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias.. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado Fl. 930DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de importação, implicam na presunção que os recursos tiveram origem em terceiros, configurando que o importador não estaria trabalhando em nome próprio, o que configura uma interposição que por determinação legal presumese fraudulenta, conforme o art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455/76. " Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)(grifei) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" É mister salientar que não são todas as operações que utilizam recursos de terceiros que são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome Fl. 931DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.010357/201004 Acórdão n.º 310201.436 S3C1T2 Fl. 4 7 de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a presunção da interposição fraudulenta, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para utilização de recursos de terceiros, pressupõe o prejuízo óbvio, aos controles aduaneiros e fiscais e tributários. Confirmada a interposição fraudulenta, as mercadorias importadas sob o vício destas operações esta sujeita a pena de perdimento, nos termos do § 1º, do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A teor do relatado a empresa foi intimada, via correio, a apresentar a documentação comprobatória da origem dos recursos. As correspondências retornaram com a informação de "ausente" após 3 (três) tentativas. Diante deste fato os sócios da empresa foram intimados a comparecer a Inspetoria da Receita Federal. Comparecendo a unidade em 10/03/2008, a sócia da empresa informou que as portas da empresa estariam fechadas e só seriam utilizadas para carga e descarga de mercadorias. Nesta mesma data, a sócia foi cientificada da fiscalização e intimada a apresentar os documentos referentes a empresa que comprovariam a sua idoneidade e a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. Em 27/05/2008, decorrido o prazo previsto na intimação, não houve qualquer manifestação da Recorrente. Sem a apresentação de quaisquer esclarecimentos ou documentos, decidiu a fiscalização, lavrar Representação Fiscal para Fins de Inaptidão, do qual a Recorrente foi cientificada em 19/06/2008. Da mesma forma que a intimação inicial, não existiu manifestação da Recorrente quanto ao processo de inaptidão. Concluído o procedimento, foi declarada a inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ, em 05/11/2008, considerando inidôneos os documentos por elas emitidos (fl. 30). A partir da declaração de inaptidão do CNPJ, foi novamente intimada a empresa, desta feita, a entregar a Inspetoria, as mercadorias por ela importadas. Não existindo, da mesma forma que nas intimações anteriores manifestação da Recorrente. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Resumindo. Os documentos constantes dos autos, comprovam que a Fiscalização Aduaneira intimou a Recorrente em diversos momentos, a apresentar esclarecimentos acerca da regularidade da empresa e da origem dos recursos utilizados nas operações de importação. Diante do silêncio da Recorrente, não restou outro caminho a fiscalização que não fosse o lançamento com a exigência das penalidades previstas para a interposição fraudulenta, consubstanciado no Auto de Infração lavrado em 16/09/2010. Cientificada do lançamento, veio então a Recorrente aos autos e impugnou o lançamento. Na peça impugnatória, trouxe a alegação da licitude da origem dos recursos sob o argumento que os valores seriam pertencentes ao caixa da empresa e apresentou a título de documentação comprobatória, os contratos de fechamento de câmbio e documentos utilizados durante o despacho aduaneiro. Julgando a impugnação, a autoridade a quo entendeu não estarem comprovadas nos documentos apresentados a origem dos recursos, em razão da ausência de provas. Daquela decisão extraio trecho do voto condutor que deixa clara a necessidade de apresentação de outros documentos e esclarecimentos. "Os documentos que foram apresentados apenas na impugnação têm relação restrita ao despacho aduaneiro e à remessa dos recursos ao exterior mas não demonstram a origem desses recursos na empresa. O fato da empresa apresentar um contrato de câmbio, não demonstra que ela possuía o recurso financeiro remetido ao exterior ou que tal recurso não provinha de terceira empresa que seria o real importador. O mesmo vale para os demais documentos apresentados (DI, notas fiscais, guias de recolhimento...). Esses documentos provam apenas o que a fiscalização já sabia, o fato de que a impugnante operacionalizou o despacho de importação, realizou os procedimentos burocráticos. Não provam que ela tinha capacidade econômica e financeira própria para realizar esses procedimentos." Não tendo suas alegações atendidas, veio novamente a Recorrente nos autos e apresentou seu Recurso Voluntários, já tendo conhecimento da decisão de primeira instância que indeferiu a impugnação em razão da ausência de provas, mas mesmo assim, não trouxe nenhum inovação quanto aos documentos e esclarecimentos já apresentado na impugnação Toda a motivação do lançamento em discussão, vem da não comprovação da origem dos Recursos. A apresentação de contratos de câmbio e documentos utilizados no despacho aduaneiro comprovam a existência de Recursos, mas não a sua origem e em nada auxiliam na elucidação dos fatos e da interposição fraudulenta imputada a Recorrente. O problema central, a cerne da lide, não foi enfrentada, que era demonstrar a origem dos recursos. A simples alegação de que teriam origem em posses da empresa, sem nenhuma prova documental não pode subsistir como comprovação. A origem dos recursos, pressupõe explicar de onde vieram qual foi a origem, os argumentos do Recurso Voluntário, detalham a utilização do Recurso, mas o que interessa para a solução da questão é a origem. O conceito de origem no que concerne a matéria tributária, esta assim definido no Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva. ORIGEM. Do latim origo, originis, em sentido amplo quer exprimir o começo ou causa de todas as coisas. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.010357/201004 Acórdão n.º 310201.436 S3C1T2 Fl. 5 9 É assim, o germe, o motivo, o fundamento, a razão, a procedência. Mostra, pois, a coisa eficiente ou a determinante das coisas ou a fonte de onde vieram ou procederam. É a força criadora. É o motivo. Na linguagem técnica de do Direito Tributário, origem exprime a procedência ou o lugar de onde a coisa provém: é assim que se entende a expressão origem da mercadoria ou o certificado de origem da mercadoria ou do produto. (...)”1 A origem é a procedência o nascedouro da coisa. Na investigação sobre a origem do recurso, buscase o seu nascedouro de onde partiu. A comprovação documental do fechamento de câmbio e do pagamento dos tributos aduaneiros, confirma a utilização do recursos, mas não ajuda em nada o esclarecimento quanto a sua origem de onde provém. Não há como mudar ou questionar o lançamento e a decisão da primeira instância sem a comprovação que os recursos utilizados para o pagamento das operações de câmbio e dos tributos aduaneiros, teriam origem em receitas própria da Recorrente. Não existe outro caminho, que não seja, considerar de terceiros, os recursos utilizados. Firme neste entendimento, a presunção legal é fato aplicável ao caso em tela, configurando a interposição fraudulenta. Advindo dai, todas as implicações legais, quais sejam a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas e na sua impossibilidade a conversão em multa nos termos do art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Vocabulário Jurídico. De Placido e Silva. 23ª ed. p.127. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13963.002744/2008-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002744/200898 Acórdão n.º 180201.328 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que considerou procedente o lançamento realizado para a aplicação de multa no valor de R$ 500,00, pela falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 2º trimestre de 2004. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fl. 1, a Contribuinte alegou que estava desobrigada de apresentar a referida declaração, em razão de no período em referência encontrarse enquadrada no Simples Federal. Em sua decisão, após realização de diligência, a Delegacia de Julgamento consignou que a Contribuinte havia sido excluída do regime simplificado, a partir de 01/11/2000, por força de comunicação de exclusão, da qual foi cientificada por intermédio do Edital GAB/DRF/FNS nº 01/2000, juntado aos autos. Registrou também não constar que a empresa tenha se insurgido contra o ato de exclusão do Simples Federal. Deste modo, considerando que no período em referência a Contribuinte não mais se encontrava enquadrada no Simples Federal, e que, portanto, estava obrigada è entrega da DCTF, foi mantida a multa em primeira instância administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2011, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a observação de que o recurso é intempestivo. Este é o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002744/200898 Acórdão n.º 180201.328 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Realmente, não há condição para se conhecer do recurso voluntário. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 19/07/2011, uma terçafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 18/08/2011, quintafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 19/08/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001379/2005-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2000
Ementa:
DECADÊNCIA. PIS e Cofins. Aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do
STF. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode dar-se a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo ano calendário,
iniciando-se o prazo decadencial, em caso de inexistência de
dolo e existência de pagamento antecipado, na data do respectivo fato gerador. No caso concreto o crédito tributário referente aos fatos geradores do PIS e da Cofins que ocorreram em 28 de fevereiro, 31 de março e 30 de abril de 2000. Assim, quando da notificação do lançamento que se deu em 16052005,
já se encontravam extintos pela decadência. Aplicação, de
ofício, do art. 103A, § 3º, da Constituição Federal e da Súmula Vinculante nº 08.
Taxa Selic. Aplicação da Súmula 4 do Carf Nos termos da jurisprudência consolidada na Súmula nº 4 do Carf, a partir de
1° de abril de l995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para tributos federais.
Multa. Confisco O Poder Judiciário, no controle direto ou difuso de inconstitucionalidade, pode deixar de aplicar lei que considere em desacordo com a Constituição.
Tal prerrogativa, todavia, não se estende aos órgãos administrativos. Neste sentido destacase
a Súmula 2 do Carf que entende que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei
tributária.” Ademais, em atenção aos argumentos da recorrente, inobstante ao que dispõe a Súmula aqui referida, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 482.281, Dje 21802009, com entendimento reiterado no item 4 da ementa proferida no Agravo de Instrumento nº 830.300, julgado em 6122011, relatado pelo Ministro Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que só se configura confiscatória a multa superior a duas vezes o valor do débito tributário.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento do PIS e da Cofins referentes aos meses de fevereiro, março e abril de 2000, suscitada de ofício pelo Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 Ementa: DECADÊNCIA. PIS e Cofins. Aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode dar-se a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo ano calendário, iniciando-se o prazo decadencial, em caso de inexistência de dolo e existência de pagamento antecipado, na data do respectivo fato gerador. No caso concreto o crédito tributário referente aos fatos geradores do PIS e da Cofins que ocorreram em 28 de fevereiro, 31 de março e 30 de abril de 2000. Assim, quando da notificação do lançamento que se deu em 16052005, já se encontravam extintos pela decadência. Aplicação, de ofício, do art. 103A, § 3º, da Constituição Federal e da Súmula Vinculante nº 08. Taxa Selic. Aplicação da Súmula 4 do Carf Nos termos da jurisprudência consolidada na Súmula nº 4 do Carf, a partir de 1° de abril de l995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para tributos federais. Multa. Confisco O Poder Judiciário, no controle direto ou difuso de inconstitucionalidade, pode deixar de aplicar lei que considere em desacordo com a Constituição. Tal prerrogativa, todavia, não se estende aos órgãos administrativos. Neste sentido destacase a Súmula 2 do Carf que entende que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, em atenção aos argumentos da recorrente, inobstante ao que dispõe a Súmula aqui referida, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 482.281, Dje 21802009, com entendimento reiterado no item 4 da ementa proferida no Agravo de Instrumento nº 830.300, julgado em 6122011, relatado pelo Ministro Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que só se configura confiscatória a multa superior a duas vezes o valor do débito tributário. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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PIS e Cofins. Aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode darse a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de inexistência de dolo e existência de pagamento antecipado, na data do respectivo fato gerador. No caso concreto o crédito tributário referente aos fatos geradores do PIS e da Cofins que ocorreram em 28 de fevereiro, 31 de março e 30 de abril de 2000. Assim, quando da notificação do lançamento que se deu em 16052005, já se encontravam extintos pela decadência. Aplicação, de ofício, do art. 103A, § 3º, da Constituição Federal e da Súmula Vinculante nº 08. Taxa Selic. Aplicação da Súmula 4 do Carf Nos termos da jurisprudência consolidada na Súmula nº 4 do Carf, a partir de 1° de abril de l995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para tributos federais. Multa. Confisco O Poder Judiciário, no controle direto ou difuso de inconstitucionalidade, pode deixar de aplicar lei que considere em desacordo com a Constituição. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 2 Tal prerrogativa, todavia, não se estende aos órgãos administrativos. Neste sentido destacase a Súmula 2 do Carf que entende que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, em atenção aos argumentos da recorrente, inobstante ao que dispõe a Súmula aqui referida, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 482.281, Dje 21802009, com entendimento reiterado no item 4 da ementa proferida no Agravo de Instrumento nº 830.300, julgado em 6122011, relatado pelo Ministro Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que só se configura confiscatória a multa superior a duas vezes o valor do débito tributário. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento do PIS e da Cofins referentes aos meses de fevereiro, março e abril de 2000, suscitada de ofício pelo Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório De Farias Construções Ltda, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Por meio de autos de infração, integrados pelos respectivos Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Fiscalização, são exigidas as importâncias abaixo, acrescidas da multa de oficio de 75% e juros de mora, relativas a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000. Tributos e Contribuições Valor em R$ Fls. IRPJ 12.215,1 46 a 54 PIS 1.445,8 162 a 166 CSLL 10.993,58 46 a 54 COFINS 6.673,9 282 a 286 O lançamento foi motivado pela infração descrita abaixo (fl. 43): Esta fiscalização constatou através de análise da contabilidade do contribuinte, que os valores lançados como receita da prestação de serviços, páginas 208 a 210 do livro Razão n° 11 referente a 2000, perfazendo um total de 3.240.371,40, não foram oferecidos à tributação no seu total. Conforme quadro abaixo podese ver a diferença não declarada o que gera Auto de Infração referente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Esta fiscalização procede a correção dos valores oferecidos à tributação com a cobrança do IRPJ, assim como a CSLL, PIS e COFINS. Tendo em vista o prazo decadencial, não foram lançados os meses de janeiro, fevereiro e março de 2000 para o IRPJ e CSLL. Como enquadramento legal da exigência do IRPJ foram apontados os arts. 224 e 518 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Aos presentes autos que originalmente tratavam do IRPJ e da CSLL, foram juntados por anexação os processos 11516.001380/200529 e 11516.001381/200573, relativos à exigência decorrente de PIS e COFINS, respectivamente. Nas fls. 60 a 72 consta a peça de impugnação comum aos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, como se vê pelas peças de fls. 171 a 183 e 291 a 303, protocoladas nos autos dos processos juntados. Quanto ao conteúdo, a interessada desenvolve argumentações, fundamentadas em textos de doutrina e de jurisprudência, para defender duas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 4 teses: o caráter confiscatório da multa de oficio aplicada no percentual de 75% e a inconstitucionalidade da aplicação da taxa de juros Selic. Ao final pede: À vista do exposto, seja dado provimento à presente impugnação para anular ou rever o auto de infração impugnado pela natureza confiscatória e, portanto, inconstitucional, da multa lançada e pela ilegalidade da taxa SELIC praticada pela contagem dos juros. A decisão recorrida está assim ementada: MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. Considerase não IMPUGNADA a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, considerandose definitiva, na esfera administrativa, a exigência não litigiosa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido exoficio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de oficio previstas na legislação tributária. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos Tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicams juros de mora calculados com base na taxa selic, nos termos da legislação de regência. Cientificada da aludida decisão, conforme certificado à fl. 442, de forma tempestiva, a contribuinte, apresentou recurso voluntário de fls. 382 e seguintes, apontando fundamentos em relação à multa isolada e a multa de ofício, previstas, respectivamente, nos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Argumenta que a aplicação da multa de 75% fere o bom senso e que é inconstitucional a cobrança da taxa SELIC. Argumenta que o valor principal já estaria parcelado, mas não apresenta qualquer prova. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Inicialmente, verifico que a parte recorrente traz fundamentos atacando tanto a multa isolada de que trata o artigo 43, assim como a multa de ofício referida no artigo 44, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. Tendo em vista que no caso concreto só se exigiu a multa de ofício, em relação à multa isolada, o recurso não possui objeto. Assim, não conheço das alegações referente à multa isolada. Contudo, analiso as demais questões, inclusive a decadência parcial do PIS e da Cofins, em relação aos meses de fevereiro, março e abril de 2000, a qual suscito de ofício e acolho com base nos fundamentos adiante expostos. Da decadência parcial do PIS e da Cofins Súmula Vinculante nº 8 Tratase de auto de infração notificado em 19052005. Dos cálculos existentes no termo de verificação de fl. 160, verificase de que nos meses de fevereiro, março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 2000 a recorrente não ofereceu à tributação à integralidade das receitas obtidas. Constada a omissão, a fiscalização efetuou o lançamento do IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestres, com multa de 75% (setenta e cinco por cento). Apesar de entender que o crédito tributário em relação ao IRPJ e CSLL do primeiro trimestre de 2000 já se encontrava extinto pela decadência, quanto ao PIS (fl. 163 e 166) e a Cofins (fl. 164) a exigência se deu em relação a todos os meses anteriormente apontados, aplicandose a estes, ao que se depreende dos autos, o entendimento da decadência decenal de que tratavam os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.812, de 1991, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com edição da Súmula Vinculante nº 08. Nos termos do artigo 103A, da Constituição Federal, acrescentado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O parágrafo terceiro do artigo 103A, da Constituição Federal, ainda prevê que “do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.” Com fundamento no referido dispositivo constitucional e na Lei nº 11.417, de 2006, que a regulamentou, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 08, firmando entendimento de que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 6 prescrição e decadência de crédito tributário.” Em assim sendo, também em relação ao PIS e a Cofins, a decadência há que se reger pelas normas previstas no CTN. Desta forma, considerando que nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70 de 1991, o PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode darse a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de inexistência de dolo e existência de pagamento antecipado, na data do respectivo fato gerador. Em assim sendo, no caso concreto, o crédito tributário referente aos fatos geradores do PIS e da Cofins que ocorreram em 28 de fevereiro, 31 de março e 30 de abril de 2000, quando da notificação do lançamento que se deu em 16052005, já se encontravam extintos pela decadência. Aplicação, de ofício, do art. 103A, § 3º, da Constituição Federal e da Súmula Vinculante nº 08, para reconhecer a decadência parcial para afastar a exigência do PIS e da Cofins relativa aos meses de fevereiro, março e abril de 2000. Da alegação de inconstitucionalidade da Taxa Selic Em que pese os argumentos articulados pela recorrente, a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes firmouse nos termos do Enunciado da Súmula 04, com o seguinte entendimento: “A partir de 1° de abril de l995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para tributos federais. Assim, tendo em vista que tal matéria se encontra sumulada junto ao Conselho, neste ponto, negase provimento ao apelo. Da alegação de inexigibilidade da multa em 75%, sob o argumento de que é confiscartória. Sustenta a recorrente que a multa de 75% não podem persistir porque se constituem em verdadeiro confisco, ofendendo as disposições do artigo 150, IV, da Constituição Federal. Sobre este assunto, observo que o descumprimento da legislação tributária gera sanções previstas em lei, dentre as quais as penas pecuniárias previstas no artigo 44, I, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.001379/200502 Acórdão n.º 1402001.022 S1C4T2 Fl. 0 7 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O Poder Judiciário, no controle direto ou difuso de inconstitucionalidade, pode deixar de aplicar lei que considere em desacordo com a Constituição. Tal prerrogativa, todavia, não se estende aos órgãos administrativos, sendo que o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula 02, com a seguinte redação: “O Primeiro Conselho de contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, em atenção aos argumentos da recorrente, inobstante ao que dispõe a Súmula antes referida, destaco que o Supremo Tribunal Federal, conforme mencionado no item 4 da ementa proferida no Agrafo de Instrumento nº 830.300, julgado em 6122011, relatado pelo Ministro Luiz Fux, tem como consolidado o entendimento que só se configura confiscatória a multa superior a duas vezes o valor do débito tributário. Ainda neste sentido o Agravo de Instrumento nº 482.281, Dje 21802009)1. ISTO POSTO, de ofício suscito e acolho a preliminar de decadência para afastar da exigência o valor do crédito tributário em relação ao PIS e a Cofins quanto aos meses de fevereiro, março e abril de 2000, e no mérito, quanto aos demais aspectos, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva 1 In. Revista Dialética de Direito Tributário nº 199, pág. 232233. Abril de 2012. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10882.901990/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida.
Numero da decisão: 1301-000.872
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Por bem apresentar as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, que destaca: Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a interessada apontou direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do 4otrimestre de 2002, para a compensação de débitos no valor principal total de R$ 68.911,31. A análise dos documentos eletrônicos apresentados teve por referência a DCOMP com demonstrativo de crédito n° 33068.39549.150803.1.3.020451 (fls. 01/07). Além desta, no presente processo, outras 03 (três) DCOMP apresentadas pelo contribuinte foram não homologadas, quais sejam: 24122.23282.131103.1.3.026658, 38790.9051.130204.1.3.020670 e 2209.36696.030304.1.3.028670 (fls. 187/192). Instruem os autos Termos de Intimação para que o contribuinte retificasse a DIPJ ou a DCOMP, termos estes emitidos sob n°s de rastreamento 637002902 (fls. 08) e 697609629 (fls. 10), cientificados respectivamente em 14/10/2006 (fls. 208) e 10/09/2007 (fls. 209), ambos como o seguinte teor: O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: 4a trimestre 2002 DIPJ: Valor do Saldo negativo R$ 73.645,41 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo{66.558,74 ) Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 81.404,25 (Somatório da FICHA 12 A, LINHAS 12 A 17) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 122.183,83 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, estimativas parceladas e Estimativas compensadas Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação [20 dias contados da ciência] Subsistindo divergências, foi emitido em 18/07/2008 Despacho Decisório Eletrônico (DDE), acostado às fls. 11, com número de rastreamento 77555973, não homologando as compensações declaradas, como segue: PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO 33068.39549.150803.1.3.020451 PERÍODO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO 4o trimestre de 2002 01/10/2002 a 31/12/2002 TIPO DE CRÉDITO Saldo Negativo de IRPJ N° DO PROCESSO DE CRÉDITO 10882901.990/200674 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.901990/200674 Acórdão n.º 1301000.872 S1C3T1 Fl. 2 3 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da PessoaJurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 66.558,74 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 73.645,41 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 33068.39549.150803.1.3.020451 24122.23282.131103.1.3.026658 38790.9051.130204.1.3.020670 2209.36696.030304.1.3.028670 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 68.911,31 13.782,20 50.425,61 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo Io do art. 6o e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5o da INSRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O valor devedor apontado no Despacho Decisório a título de principal, multa e juros perfaz a soma de R$ 133.119,12 Cientificada do Despacho Decisório Eletrônico em 29/07/2008, conforme comprova o documento de fls. 13, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, conforme documento de fl. 182/185, apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 28/08/2008, de fls. 21/22, acompanhada dos documentos de fls. 23/185, com as alegações a seguir reproduzidas: “..... A requerente por ser prestadora de serviços de locação de mão de obra temporária, sofre retenções de IRRF em todo o seu faturamento gerando saldo credor relevante, assim a empresa se utilizou dos benefícios do Art. 49 da Lei 10.637/2002. .... Para demonstrarmos a veracidade destes créditos estamos juntando Relatório Detalhado de todas as retenções, inclusive com o CNPJ do tomador dos nossos serviços, onde consta Saldo de Retenções neste período no valor de R$ 81.654,07 (...) O Saldo informado na DIPJ foi até menor do que o Valor retido, por se tratar de diferença imaterial no valor de R$ 249,80 (...), e a favor do Fisco, não estaremos retificando a DIPJ. Tentamos retificar a Perd/Comp N. 33068.39549.150803.1.3.020451, para que o saldo negativo seja o mesmo da DIPJ, mas não foi possível efetivar a entrega já que consta um Despacho Decisório para esta Perd/comp. Mas como não há o que se duvidar do valor, já que estamos anexando ao Processo a composição analítica de todos os valores, sendo sanado o motivo do indeferimento da Perd/Comp, que é o do analisador não conseguir confirmar o valor do crédito. Portanto, requeremos a homologação definitiva das Perd/Comp n. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 33068.39549.150803.1.3.020451, 24122.23282.131103.1.3.026658, 38790.90651.130204 e 22209.36696.030304.1.3.028670”. Com base nos elementos contidos nos autos, apreciando as razões apresentadas pela contribuinte, concluiu então a douta DRJ de origem pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da impugnação, em acórdão, inclusive, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO N E G A T I V O IRPJ. DIVERGÊNCIA D E VALORES ENTRE DIPJ E DCOMP. Superada a inconsistência detectada pelo sistema entre os valores do saldo negativo apontado na DIPJ e na DCOMP em questão, deve o órgão julgador prosseguir na análise do direito creditório apurado com base nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da ReceitaFederal do Brasil RFB. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Para utilização do imposto retido na fonte como dedução na apuração do imposto ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. SALDO NEGATIVO . DISPONIBILIDADE. Do saldo negativo validado, excluise, para utilização nas DCOMP em l i t í g i o , a parcela cuja utilização anterior, em compensação por meio de processo administrativo, foi confirmada pela autoridade administrativa competente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada em 09/02/2011, apresenta a contribuinte, em 11/03/2011, o seu competente recurso voluntário, argüindo, em síntese, a necessidade de busca pela “verdade material”, fundada, exclusivamente, nas planilhas por ela apresentadas nos autos, onde apura, a partir das notas fiscais indicadas, o suposto direito creditório indicado em sua DCOMP. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso apresentado, dele conheço. A discussão travada nos autos, pelo que se verifica, referese, especificamente, à verificação de inconsistência entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua PER/DCOMP’s e aqueles constantes dos sistemas de controle mantido pelas autoridades fazendárias (DIPJ e DIRF’s), sendo sustentado pela contribuinte, exclusivamente, a partir da apresentação de planilha demonstrativa, onde indica uma relação de notas fiscais emitidas, sem qualquer efetiva comprovação de retenção pelas respectivas fontes pagadoras. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.901990/200674 Acórdão n.º 1301000.872 S1C3T1 Fl. 3 5 A questão fundamentalmente tratada na presente vertente referese, de fato, à verificação da existência, ou não, de prova a respeito da efetiva existência do direito creditório reclamado, o que, conforme apontado na decisão recorrida, é promovido, a princípio, pela confrontação entre a pretensão de compensação e os dados mantidos pelos órgãos fazendários, ou ainda, mediante a efetiva comprovação, pela contribuinte, com a apresentação dos respectivos informes de rendimento emitidos pelas respectivas fontes pagadoras, o que, como se verifica, efetivamente não fora promovido pela contribuinte. De fato, no âmbito do processo administrativo fiscal necessária se faz a busca da verdade material, o que há de ser feito, sem dúvida, a partir da apresentação de elementos sólidos a permitirem, de fato, a confirmação da realidade demonstrada nos autos, o que, como se sabe, impõe a necessidade de efetiva comprovação da existência do direito alegado. Nessas circunstâncias, verificada a inconsistência entre os dados utilizados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros constantes nos sistemas fazendários (sobretudo aqueles relativos às DIRF’s emitidas pelas Fontes pagadores), necessária se faz a apresentação, pela contribuinte, dos respectivos documentos por elas eventualmente emitidos, comprovando a sustentação da retenção, o que, como se verifica, não fora efetivamente apresentado nos autos. A apresentação, pela contribuinte, de planilhas demonstrativas, baseadas, exclusivamente, nos registros de notas fiscais por ela emitidas – não confirmadas, em momento algum, por qualquer ato da fonte pagadora , não se mostra, na hipótese, suficiente para o acolhimento do pretendido direito creditório. Nessas circunstâncias, inexistindo documentos e informações nos autos suficientes para o acolhimento dos fatos argüidos pela contribuinte, não se verifica qualquer possibilidade de inversão do ônus probatório por ela pretendido, não se podendo, assim, admitir a pretensão de reforma da decisão de origem, da forma como aqui pretendido. Diante dessas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentados nos autos, mantendose, assim, integralmente, os termos da r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 35464.003465/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL DECADÊNCIA SÚMULA
VINCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se
aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.439
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a
decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que não acolhia a argüição de decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que não acolhia a argüição de decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 35.745.3018, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo do segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a destinada aos Terceiros, levantadas a título de responsabilidade solidária pela mão de obra utilizada por trabalhadores em cessão de mão de obra na competência 01/1999. Durante o procedimento fiscal, no exame dos registros contábeis a fiscalização verificou que a empresa, no período mencionado, contratou os serviços de trabalhadores no seu estabelecimento, mais especificamente da prestadora Etel Empreendimentos Técnicos de Eletricidade Ltda; CNPJ n. 48.172.373/000176, tendo sido lançado o presente debito, em razão de não terem sido apresentados, pela empresa contratante as cópias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e respectivas Folhas de Pagamento específicas conforme dispunha o artigo 31 e parágrafos da Lei N° 8.212/9l. Os valores foram apurados de acordo com os dados lançados no Razão e em notas fiscais e faturas disponibilizados pelo contribuinte. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 21/10/2004. Inconformada, a empresa tomadora notificada apresentou impugnação à fls. 32 a 49. A empresa prestadora foi devidamente cientificada em 14/12/2004, tendo apresentado defesa às fl. 62 a 65, requerendo sua retirada do polo passivo da obrigação. Foi exarada Decisão que determinou a procedência do lançamento, fls. 108 a 107. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS E EMPRESA DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. Aplicase o instituto da solidariedade quando a empresa tomadora de mãodeobra não comprova o pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa prestadora de serviços, não cabendo o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n.° 8.212/91, com redação dada pela Lei n.° 9.528/97. Os juros e a multa de mora têm caráter irrelevável, a eles aplicandose a legislação vigente em cada competência. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Artigo 34 da Lei n.° 8.212/91 c/c parágrafo 6o do artigo 239 do decreto n.° 3.048/99). LANÇAMENTO PROCEDENTE Não conformado com o resultado proferido a tomadora apresentou recurso, fl. 138 a 152. Em síntese alega: 1. Ausência de fiscalização da empresa contratada: Afirma ser um imprescindível a fiscalização do outro responsável que é o sujeito passivo da relação face a constatação de que foi realizado o recolhimento do crédito tributário correspondente ao presente processo. 2. Necessária conversão do julgamento em diligências: Alega que em decorrência da ausência de averiguação pela fiscalização da regularidade fiscal da empresa contratada pela Impugnante para a prestação de serviços, requer a realização de diligência para verificar a existência do crédito, nos termos do art. 9o , inciso IV e. 11 da Portaria n. 520/04. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. 3. Necessidade de verificação da natureza dos serviços prestados: Diz que é necessária a realização de diligência para verificação da natureza dos serviços prestados. 4. Impossibilidade de aplicação do art. 45 da lei 8212/91. 5. Inaplicabilidade da Taxa SELIC: Alega que embora o parágrafo 1 o do art 161 do CTN contemplar a hipótese de lei dispor de modo contrário à alíquota de 1% dos juros de mora, tal permissão não implica em que a taxa de juros possa ultrapassar o percentual de 1% ao mês, posto que o item "a" do art 4 o da lei n° 1.521/51 proíbe a cobrança de juros superiores à taxa permitida em lei, sob pena de cometimento do crime de usura pecuniária. Cita a vedação imposta pela CF/88 .expressa em seu § 3o, art 195, à cobrança de taxa de juros acima de 1 % ao mês para operações de crédito. 6. Inexistência da responsabilidade tributária apontada: Imputou, injustamente, pelos argumentos que entendeu cabíveis, a responsabilidade aos sócios e responsáveis da notificada pelo presente lançamento; 7. Requer seja convertido o julgamento em diligências, anulado o presente lançamento ou, subsidiariamente, excluída a aplicação da taxa SELIC e os sócios e demais responsáveis como corresponsáveis. Foi proferido despacho com a indicação da tempestividade do recurso, fl. 162. Foi anexado as fl. 156 a 162, recurso da prestadora de serviços, onde argumenta, ter efetivado o recolhimento e a inaplicabilidade de cobrança de juros. A SRP apresentou contrarrazões às fls. 345 a 349. O processo foi apreciado inicialmente pelo Conselheiro Daniel Ayres Kalume Reis na 4 Câmara do CRPS, donde restou anulada a decisão notificação, fl. 183 a 193. A SRP entrou com pedido de Revisão do Acordão, fls. 208 a 215, tendo a empresa sido devidamente cientificada, bem como apresentado manifestação, fls. 217 a 225. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 3 5 Foi proferido novo acordão por parte do CRPS, no sentido de não conhecer do pedido de revisão, fl. 221 a 223, em que se destaca a impossibilidade de revisão, posto tratarse de rediscussão de matéria. À fl. 244, o processo foi baixado em diligência para manifestação da autoridade fiscal, acerca dos documentos apresentados. Foi emitida nova Decisão, que determinou a procedência do lançamento, tendo mantido a competência 01/1999, fl. 263 a 280 . Novamente, inconformado com o resultado proferido em sede de nova decisão, o recorrente apresentou recurso, em que alega basicamente: a decadência total do crédito, a impossibilidade de responsabilidade dos administradores e inaplicabilidade da SELIC, fl. 294 a 308. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado a fl. 310. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação, considerando que o recorrente entende que todo o crédito encontrase decadente. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 4 7 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 5 9 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 6 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 Entendo que no caso de responsabilidade solidária, em não apresentando o recorrente guias específicas por tomador, não houve o reconhecimento dos fatos geradores ali , razão porque entendo aplicável a regra contida no art. 173 do CTN. Não se trata de mera diferença de contribuições, mas ausência de folha de pagamento e guia específica em relação aos prestadores de serviços que executaram atividades na tomadora, sendo esse o fato gerador, cujo recolhimento parcial deverseia ter realizado para efeitos da aplicação do art. 150. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. CONCLUSÃO No lançamento em questão a lavratura da NFLD em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 21/10/2004, os fatos geradores ocorreram na competência 01/1999, decisão que entendo acertada, posto a aplicação do art. 173, I do CTN não existe decadência a ser decretada Quanto ao mérito do lançamento, abstenhome de analisálo, considerando que resto vencida nesta 1ª turma de julgamento, quanto a aplicação da decadência pelo art. 173, I do CTN, em se tratando de responsabilidade solidária. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 35464.003465/200481 Acórdão n.º 240102.439 S2C4T1 Fl. 7 13 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Decadência Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto eu como ela entendemos que havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.º, do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, quando da aplicação desta regra para os casos em que a apuração é feita no tomador dos serviços nas hipóteses de responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre a mãodeobra utilizada na prestação de serviço. Filiome a tese adotada pela maioria dos integrantes desta Turma de Julgamento, segundo a qual verificandose a existência de recolhimentos efetuados pela prestadora para o período apurado, independentemente das guias serem específicas para as notas fiscais decorrentes do serviço prestado, há de se considerálas para fins de aplicação da regra concernente à aferição do prazo decadencial. Isso porque a regra geral de contagem da decadência é o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos de lançamento por homologação, somente havendo o deslocamento para a regra do inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal, quando constatase fraude, dolo ou simulação ou quando não há recolhimento antecipado do tributo. Assim, detectandose que há recolhimentos que são compatíveis com os fatos geradores apurados, ainda que não se tenha como identificar a qual serviço específico os mesmos e referem há de se adotar a regra geral do CTN para a contagem do prazo de caducidade. Mesmo que não haja no processo a apresentação de guias de recolhimento da prestadora, a maioria da Turma tem se utilizado do § 4.º do art. 150 do CTN, a menos que o fisco em seu relato faça referência explícita a inexistência de qualquer recolhimento para a empresa contratada. Isso porque tem se entendido que é obrigação do fisco demonstrar que para aquela situação específica a regra geral de contagem do prazo decadencial não deve ser aplicada. A Relatora, ao contrário, conforme expresso no seu voto, somente aplica a regra no § 4.º do art. 150 do CTN, quando se vislumbra nos autos guias e folhas de pagamento específicas, as quais estejam vinculadas a determinada nota fiscal emitida contra a prestadora. Vejo que a situação sob enfoque não apresenta maiores dificuldades quanto a esse tema, uma vez que se observa à fl. 92 cópia de guia de recolhimento da prestadora para a Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 competência 01/1999 (única lançada), inclusive contendo averbação em nome da empresa MULTIBRÁS S. A. ELETRODOMÉSTICOS, antiga razão social da empresa autuada. Diante dessa constatação, sou forçado a divergir da Ilustre Relatora, entendendo que à espécie se aplica o inciso I do art. 173 do CTN, pelo que devem ser declarada decadente a competência 01/1999, uma vez que a ciência do lançamento pela notificada ocorreu em 21/10/2004. Conclusão Voto, então, por declarar a decadência para a totalidade das contribuições lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.723804/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2008 LUCRO PRESUMIDO - SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM - COEFICIENTE APLICÁVEL Os serviços de terraplenagem enquadram-se perfeitamente na condição de “prestação de serviços em geral”, e, portanto, estão submetidos ao coeficiente de 32% para a presunção do lucro. Não há elementos para que, mediante aplicação de analogia, os serviços de terraplenagem sejam tributados na PJ/Lucro Presumido como transporte de cargas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 LUCRO PRESUMIDO SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM COEFICIENTE APLICÁVEL Os serviços de terraplenagem enquadramse perfeitamente na condição de “prestação de serviços em geral”, e, portanto, estão submetidos ao coeficiente de 32% para a presunção do lucro. Não há elementos para que, mediante aplicação de analogia, os serviços de terraplenagem sejam tributados na PJ/Lucro Presumido como transporte de cargas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos valores de R$ 390.583,36 e R$ 121.233,66, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu os trimestres do anocalendário de 2007, e foi motivada pela aplicação indevida do coeficiente para a determinação do lucro presumido sobre as receitas auferidas pela Contribuinte. Para descrever os fatos que antecederam o recurso sob exame, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0235.743, às fls. 201 a 205: Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados (...) Ambos lançamentos derivam de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da interessada, no curso do qual constatouse que esta cometera infrações assim descritas: a) para o IRPJ: IRPJ apurado a menor em DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro, de 8% (oito por cento) sobre as receitas das atividades de terraplenagem, locação de veículos e frete, quando o correto seria 32% (trinta e dois por cento), conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. b) Para a CSLL: Contribuição Social apurada a menor em DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro, de 12% (doze por cento) sobre as receitas das atividades de prestação de serviços, quando o correto seria 32% (trinta e dois por cento), conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. O referido Termo de Verificação Fiscal (TVF) consigna: [...] Para caracterização dos serviços prestados pela empresa, em 04/08/2010, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando a apresentação das notas fiscais dos serviços prestados no anocalendário 2007, bem como os respectivos contratos de prestação de serviços. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 4 4 Em 24/08/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 002 solicitando a apresentação dos Livros Diário ou Livros Caixa e Livros Razão. Em atendimento, a empresa encaminhou as notas fiscais de serviços prestados durante o anocalendário 2007 e Livros Diário e Razão, tendo informado que não possui contratos de prestação de serviços. Analisandose a documentação entregue, constatamos que os serviços prestados discriminados nas notas fiscais dizem respeito aos serviços de terraplenagem, locação de veículos e retroescavadeira. As receitas operacionais registradas no Livro Diário e Razão no anocalendário fiscalizado referemse às atividades de terraplenagem, locação de veículos e frete. Tais atividades estão inseridas nas diversas etapas compreendidas pela atividade de terraplenagem, tais como escavação, desaterro, transporte, depósito e compactação de terras, ressalvandose que a atividade de locação de veículos, máquinas e equipamentos, isoladamente, sujeitase ao percentual de 32% para presunção da base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme estipulado na alínea "c", art. 15 da Lei 9.249/1995. Nos termos da alínea "a", inciso III do art. 15 e art. 20 da Lei 9.249, de 1995, as atividades de terraplenagem (escavação, transporte, depósito e compactação de terras) e serviços associados, como frete e locação, enquadram se como prestação de serviços em geral, sujeitandose à alíquota de 32% na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ciente em 18 de outubro de 2010, a interessada apresentou, em 12 de novembro de 2010, a impugnação a seguir resumida. [...] Esse é o entendimento exposto no Parecer Normativo CST n° 8, de 1986: “20. Na forma do entendimento explicitado no item 16 deste Parecer Normativo, não será exigido o imposto na fonte porque decorrentes de casos excepcionados no item 17 da Instrução Normativa nº 23/86. em relação a rendimentos oriundos da execução de contrato de prestação de serviços abrangendo trabalhos de engenharia de caráter múltiplo e diversificado; é o caso, por exemplo, de contrato englobando serviços preliminares de engenharia (tais como viabilidade e elaboração de projetos), execução física de construção civil ou obras assemelhadas e fiscalização de obras.” [...] Fl. 243DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 5 5 Aduziu a autoridade que as receitas operacionais registradas no Livro Diário e Razão no anocalendário se referem às atividades de terraplenagem, locação de veículos e frete, as quais compõem as diversas etapas compreendidas pela atividade de terraplenagem, tais como escavação, desaterro, transporte, depósito e compactação de terras. [...] A atividade representa um todo indivisível, sendo composta pela agregação de escavação, desaterro, transporte, depósito, compactação de terras, além do uso dos equipamentos necessários a tais tarefas. [...] No serviço de terraplenagem há tarefas que o integram, como transporte de terra e emprego de máquinas, mas isso não significa que se deva considerar isoladamente tais tarefas como transporte e locação de máquinas. O cumprimento de todas as tarefas (escavação, desaterro, transporte, depósito, compactação de terras, uso dos equipamentos) constitui o que se chama de terraplenagem. As receitas em exame remuneraram a atividade de terraplenagem. Quanto a isso, não houve discordância entre a autoridade autuante e as informações prestadas pela empresa na fase de fiscalização. [...] O procedimento da autuante foi consentâneo com esse raciocínio e não merece reparos. Não há que se separar cada atividade no bojo da execução de um conjunto (terraplenagem), para lhe dispensar um tratamento fiscal específico. [...] Ao contrário do que entendeu a Fiscalização, no caso das atividades de terraplenagem, o percentual para apuração do lucro presumido é de 8%, pelos motivos que vão ser apontados. A própria Receita Federal já se manifestou nesse sentido, conforme ementas de Decisões/Soluções em Processos de Consulta das SRRF, publicadas no DOU. [...] A atividade de terraplenagem implica a assunção de custos elevados, não podendo ser equiparada à mera prestação de serviços, para os quais a lei prevê o Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 6 6 percentual de 32%, considerando os custos menores assumidos. Entendimento contrário ao princípio (o percentual é definido em função dos custos absorvidos na atividade) é confiscatório e não constitui a melhor exegese da legislação. [...] De outra feita, é certo que há dúvida entre as próprias autoridades fiscais quanto ao percentual aplicável às receitas de terraplenagem para apuração do lucro presumido, pois há soluções de consulta que indicam como correto o percentual de 8% e outras que preconizam a aplicação do percentual de 32%. Devese levar em conta que o direito brasileiro está ancorado no princípio da estrita legalidade em matéria tributária [...]. No caso em questão, a Impugnante agiu corretamente segundo interpretação divulgada e prática reiterada da autoridade administrativa, que lhe indicava o percentual de 8% como correto. A propósito, o Código Tributário Nacional define: Normas Complementares Art. 100. [...] Por outro lado, em caso de dúvida, cabe adotar o tratamento mais benigno em favor do contribuinte. Esse é o espírito que permeia o Código Tributário Nacional, ao prescrever um tratamento mais benigno para o sujeito passivo, em caso de dúvida vale conferir: Art. 112. [...] Em síntese, por observância do Princípio da Estrita Legalidade, o processo administrativo deve ser instaurado com base em lei e para a preservação dela, razão pela qual deve ser cancelada a exigência fiscal construída em desacordo com a melhor interpretação da lei, ou em que haja dúvida sobre o tratamento aplicável. 3 DAS CONCLUSÕES E DO PEDIDO À vista de todo o exposto, suplica a Impugnante sejam cancelados os Autos de Infração, porque: a) As receitas tributadas se referem, todas, à atividade de terraplenagem exercida pela autuada, fato sobre o qual não houve discordância entre a Fiscalização e as informações prestadas pela empresa; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 7 7 b) As receitas da atividade de terraplenagem se sujeitam ao percentual de 8% para apuração do lucro presumido; c) A própria Receita Federal assim já se manifestou, conforme ementa de Solução em Processo de Consulta n° 241/2005, da SRRF da 7a Região Fiscal., publicada no DOU de 05/10/2005; d) A Receita Federal há décadas vem considerando a terraplenagem como equiparada ao serviço de transporte de cargas, para efeito da legislação do imposto de renda, conforme exposto atualmente no Perguntas e Respostas (Pessoa Física) divulgado pela Internet; e) Quando os serviços de terraplenagem forem prestados por pessoas jurídicas, o tratamento tributário é igual, isto é, as receitas de prestação de serviços de terraplenagem são consideradas equiparadas às de transporte de cargas para aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta na determinação do lucro presumido; f) O direito brasileiro está ancorado no princípio da estrita legalidade em matéria tributária, sendo certo que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, assim entendida em sentido material e formal, devendo permear toda a atividade da Administração, no que tange à tributação, não permitindo que surjam situações de incerteza e dúvidas em seu procedimento; f) No caso, há dúvida manifesta entre as próprias autoridades fiscais quanto ao percentual aplicável às receitas de terraplenagem para apuração do lucro presumido; g) Em caso de dúvida, cabe adotar o tratamento mais benigno em favor do contribuinte, conforme o espírito que prevalece no Código Tributário Nacional; h) Conforme autorização do art. 38 da Lei n° 9.784/99, a Impugnante pede que seja autorizada a juntada posterior de documentos. Menciona e transcreve jurisprudência e doutrina. Como mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 LUCRO PRESUMIDO Fl. 246DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 8 8 A base de cálculo do imposto e do adicional será determinada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta auferida da prestação de serviços em geral. SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM A terraplenagem, assim entendido o conjunto de operações de escavação, movimentação, depósito e compactação de terras, necessárias à realização de uma obra, não se confunde com o transporte de cargas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 21/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/12/2011, reiterando os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 9 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para a exigência de IRPJ e CSLL apurados nos trimestres do anocalendário de 2007 de acordo com as regras do Lucro Presumido. A controvérsia se dá em relação ao coeficiente para a presunção do lucro. De acordo com a Fiscalização, o coeficiente correto seria de 32% para os dois tributos. A Contribuinte, por sua vez, defende os coeficientes por ela utilizados, ou seja, 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. Na fase de auditoria fiscal, as notas fiscais emitidas pela empresa indicaram que seu faturamento decorria de serviços de terraplenagem, locação de veículos e retroescava deira. O Termo de Verificação Fiscal esclarece que os serviços de terraplenagem englobam várias atividades/etapas, tais como desaterro, transporte, depósito e compactação de terras, e faz a ressalva de que a atividade de locação de veículos, máquinas e equipamentos, isoladamente, já se sujeitaria ao percentual de 32% para presunção da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Os coeficientes para o cálculo do lucro presumido IRPJ estão explicitados nos artigos 518 e 519 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), com a respectiva base legal: Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §1o): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 10 10 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. E o art. 20 c/c o art. 15 da Lei 9.249/1995 indica os coeficientes para a apuração da CSLL/Lucro Presumido: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. A despeito de qualquer controvérsia existente sobre a matéria, não entendo que a atividade da Recorrente deva ser equipara ao transporte de cargas para efeito de presunção do lucro da pessoa jurídica. O Parecer Normativo CST nº 8, de 17 de abril de 1986, citado pela Recorrente, realmente evidencia que as diversas atividades englobadas na prestação de serviços como os aqui examinados constituem um todo indivisível. Assim, não cabe dar tratamento diferenciado às atividades de desaterro, transporte, depósito, compactação de terras, etc., eis que todas elas estão abarcadas na prestação de um único serviço, serviço de terraplenagem. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 11 11 Sobre isso, inclusive, como destaca a própria Recorrente, não houve qualquer polêmica. A questão é que a Recorrente entende que os serviços de terraplenagem foram equiparados pela própria Receita Federal aos serviços de transporte de cargas, e, deste modo, estariam submetidos aos coeficientes de 8% para o IRPJ e 12 % para a CSLL. Suas conclusões estão apoiadas em ementas de processos de consulta e também na questão de nº 175 contida no manual Perguntas e Respostas (Pessoa Física) editado pela Receita Federal em 2003. Não há consulta feita pela própria Recorrente, e os efeitos das respostas dadas pelos órgãos regionais da Receita Federal somente alcançam os respectivos consulentes. Além disso, não foram apresentados os fundamentos destas respostas, e nem mesmo o contexto em que as consultas estavam inseridas, mas somente as suas ementas, de modo que resta prejudicado uma análise mais detalhada de seus termos. Quanto ao manual Perguntas e Respostas (Pessoa Física) de 2003, cabe primeiramente transcrever a mencionada questão de nº 175: 175 Como devem ser tributados os rendimentos oriundos da prestação de serviços efetuados com a utilização de veículos, inclusive transporte de passageiros e de cargas? Esses rendimentos, bem como aqueles referentes a fretes e carretos, aos prestados com tratores, máquinas de terraplenagem, colheitadeiras e semelhantes, barcos, chatas, carros, camionetas, caminhões, aviões etc., podem ser considerados como de pessoa física ou jurídica. São considerados rendimentos de pessoa física se observadas, cumulativamente, as condições descritas abaixo (caso contrário, são considerados rendimentos de pessoa jurídica): a) se executados apenas pelo locatário ou proprietário do veículo (ainda que este tenha sido adquirido com reserva de domínio ou esteja sob alienação fiduciária); b) se para auxiliálo na execução do serviço for necessária a participação remunerada, com ou sem vínculo empregatício, de outras pessoas, estas não podem ser profissionais qualificados, mas sim meros auxiliares ou ajudantes; c) se o veículo for de propriedade ou estiver na posse de duas ou mais pessoas, estas não podem explorar o serviço em conjunto, por meio de sociedade regular ou não; d) se houver a posse ou a propriedade de dois ou mais veículos, estes não podem ser utilizados ao mesmo tempo na prestação de um determinado serviço. Por força das disposições da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, tais rendimentos sujeitamse ao recolhimento mensal (carnêleão), se recebidos de pessoa física ou, na fonte, se pagos por pessoa jurídica, devendo, na segunda hipótese, a fonte Fl. 250DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 12 12 pagadora fornecer ao beneficiário documento autenticado comprobatório da retenção na fonte efetuada. O rendimento bruto dessas atividades é o correspondente a, no mínimo, 40% do valor total dos fretes e carretos recebidos, ou, no mínimo, 60% no caso de transporte de passageiros. Os valores relativos a 60% dos fretes e 40%, no caso de transporte de passageiros, são considerados rendimentos isentos e informados em seus campos respectivos. Esses valores não justificam acréscimo patrimonial. A pessoa física, se desejar justificar acréscimo patrimonial, pode incluir como tributável na declaração de ajuste e no recolhimento do carnêleão percentual superior aos referidos acima. [...] Vêse que o contexto da questão respondida no referido manual é bastante distinto do aqui examinado. A orientação da Receita Federal busca especificamente esclarecer as hipóteses em que os “rendimentos oriundos da prestação de serviços efetuados com a utilização de veículos” devem ser tributados como rendimentos de pessoa física, e, por exclusão, quando os mesmos devem ser tributados como rendimentos de pessoa jurídica. No caso, a Contribuinte se apegou ao fato de a orientação fazer a menção a serviços prestados com “máquinas de terraplenagem”, para concluir que estes serviços estariam genericamente equiparados aos serviços de transporte de cargas, inclusive, para a identificação dos coeficientes de presunção do lucro das pessoas jurídicas. Mas o manual da Receita Federal não faz tal equiparação. Aliás, a própria questão do manual é colocada tanto em relação ao transporte de cargas, quanto ao transporte de passageiros. Sendo assim, se é que houve alguma equiparação para fins de tributação das pessoas jurídicas, como alega a Recorrente, porque ela seria com o transporte de cargas e não com o transporte de passageiros, que utiliza outro coeficiente para a presunção do lucro das PJ ? Não vejo fundamentos para ampliar o alcance da questão nº 175, acima transcrita, utilizandoa para auxiliar na identificação do coeficiente de presunção do lucro das pessoas jurídicas. Nem mesmo os comentários adicionais que ela faz sobre percentuais de tributação poderiam auxiliar nesse sentido, porque eles tratam de normas exclusivas para a tributação de pessoas físicas, não aplicáveis às pessoas jurídicas, que têm regras próprias. A meu ver, os serviços de terraplenagem enquadramse perfeitamente na condição de “prestação de serviços em geral”, e, portanto, estão submetidos ao coeficiente de 32% para a presunção do lucro, conforme entendeu a decisão recorrida. No caso do transporte de cargas, a Lei é explícita em determinar a aplicação do coeficiente de 8% para o IPRJ e 12% para a CSLL, provavelmente porque sua execução exige toda uma estrutura para coleta, embalagem, distribuição logística, armazenamento e Fl. 251DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.723804/201011 Acórdão n.º 180201.270 S1TE02 Fl. 13 13 entrega da carga ao destinatário final, mas estas são características específicas deste tipo de atividade. Não entendo que haja elementos para que, mediante aplicação de analogia, os serviços de terraplenagem sejam tributados na PJ/Lucro Presumido como transporte de cargas. O lucro presumido traz em si, como o próprio nome diz, uma aferição presumida do lucro. Se o coeficiente legal para isso está produzindo um resultado que muito destoa da situação real da Contribuinte, com desvantagens para ela, por exemplo, em razão de sua estrutura de custos, há a possibilidade de apuração do Lucro Real, já que o lucro presumido é sempre opcional. Finalmente, registro que, a meu ver, a matéria sob exame não enseja qualquer dúvida que dê margem à aplicação do art. 112 do CTN (interpretação mais favorável ao acusado). O que há são interpretações divergentes sobre uma mesma matéria, as quais, se for o caso, poderão ser pacificadas/uniformizadas nas instâncias competentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13811.003744/2007-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS. DESCABIMENTO
Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante.
DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA.
O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador.
Numero da decisão: 1802-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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DESCABIMENTO Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 44 /2 00 7- 68 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 37 2 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração de autoria da Procuradoria da Fazenda Nacional, contra acórdão desta Turma, que por unanimidade de votos deu provimento ao recurso voluntário entendendo que a multa por atraso na entrega da DCTF não deveria subsistir. Em síntese, versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração, relativo ao atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de fevereiro do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 17.994,48. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. A contribuinte alegava que: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 39 4 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 84 a 88, em 25/10/010, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Em 05/12/2012, também por unanimidade a Turma deu provimento ao Recurso, tendo o Acórdão a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 40 5 A Procuradoria servese dos presentes embargos, para alegar que o acórdão foi omisso, com a seguinte sustentação: “O r. acórdão proveu o recurso voluntário se louvando em diligências levadas a efeito pela autoridade fiscal. Diz a respeito o r. acórdão (fls.36), verbis: “Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do ano calendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, ano calendário de 2003. Solicitou se também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no ano calendário de 2003.“ Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado. A respeito dessas questões, verificamos nos autos que o Embargado optou pelo regime de lucro real. Outrossim, não existe prova nos autos de que o regime de caixa foi observado em relação à totalidade dos tributos e em todo o ano calendário.” Este é o Relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Procuradoria, embora alegue a omissão do acórdão nº 1802001.510, na verdade busca rediscutir pontos que foram objeto do pedido de diligência formulado por esta Turma através da Resolução nº 1802.000.064, acrescentando pontos que ela acreditava que deveriam ter sido abordados, senão vejamos: “Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado” Assim, embora tempestivo o presente recurso, intempestivo a alegação nele contida. Embora não seja da competência da Procuradoria determinar o objeto da diligência, eis que ela serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s) e não das partes, essa “sugestão” de complementação deveria ter se dado por ocasião da Resolução que converteu o julgamento em diligência e não após o seu retorno e julgamento do acórdão. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Assim, o processo foi baixado em diligência para esclarecer dúvidas dos membros desta Turma para que pudessem formar suas convicções. Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Com o retorno da diligência, a documentação apresentada, bem como a informação fiscal (fls. 230 e 231), no entender desta Turma, foram suficientes para demonstrar que a Embargada no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Isto posto, esta turma entendeu com base nestas provas que a contribuinte não estaria obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal e, portanto, a multa seria descabida. Entendeu também que as receitas relativas à variação cambial não se enquadravam Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 1802001.603 S1TE02 Fl. 42 7 no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Em vista disso, as alegações aduzidas pela Procuradoria (forma de apuração: seja lucro real, presumido ou arbitrado) como omissões são irrelevantes no mérito da decisão desta Turma, de acordo com a fundamentação do voto, eis que as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Senão vejamos a conclusão constante do referido acórdão: “Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 230 e 231), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal.” Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de REJEITAR os presentes Embargos, mantendo o acórdão nº 1802001.510 de 05/12/2012 em sua totalidade. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10783.912422/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.104
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.912422/200960 Acórdão n.º 180101.104 S1TE01 Fl. 44 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30.08.2006, fls. 0711, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$6.567,08 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 29.04.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 06, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 01.09.2009, fl. 18, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.09.2009, fl. 01, argumentando em síntese que apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora, tendo em vista o engano cometido no documento original. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.207, de 05.08.2011, fls. 2728:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor Analisandose a DIPJ/2006 original (fl. 21/22), enviada em 24/04/2006 (fl. 23), verificase que a interessada adotou da sistemática do Lucro Real Trimestral. Nesta declaração foi apurado um IRPJ de R$6.467,68 para o primeiro trimestre de 2005 (fl. 22). Consultandose os sistemas de processamento de dados da SRFB, verificase que a interessada retificou a DIPJ/2006 duas vezes, em 27/06/2006, (fl. 23). Comparandose a ficha 12A DIPJ retificadora (fl. 25) com a mesma ficha da declaração original (fl. 22), constatase que o contribuinte alterou o valor do item Imposto de Renda Retido na Fonte de R$0,00 (DIPJ original) para R$2.261,08 (DIPJ retificadora). Na DIRF (fl. 26), consta tal retenção feita no código 1708 (Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica). Todavia, verificase que as receitas relativas a estas retenções de imposto de renda declaradas em DIRF (R$50.258,13 e R$100.478,54) não foram tributadas, como se pode verificar na DIPJ retificadora (fl. 24), no item receita da prestação de serviços (ficha 06 A — linha 7), onde consta como receita o valor de R$0,00. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e conseqüentemente a não homologação da compensação. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.912422/200960 Acórdão n.º 180101.104 S1TE01 Fl. 45 3 Notificada em 31.08.2011, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.09.2011, fl. 35, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, suscitando que novamente apresentou a DIPJ retificadora segregando na Ficha 06A as receitas auferidas em cada atividade no 1º trimestre de 2005, sem entretanto alterar o somatório originalmente informado de R$1.171.629,28. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.912422/200960 Acórdão n.º 180101.104 S1TE01 Fl. 46 4 correspondente, inclusive aquele referente ao código de arrecadação nº 1708, decorrente de prestação de serviço entre pessoas jurídicas3. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que ofereceu à tributação os valores das receitas brutas de prestação de serviços de R$50.258,13 e R$100.478,54 correspondentes às retenções de R$753,87 e de R$1.507,21 do código nº 1708 respectivamente nos meses de fevereiro e março de 2005, em conformidade com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fl. 26. Não foram produzidos nos autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas a DIPJ retificadora em que as receitas auferidas foram segregadas por espécies. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 4 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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