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Numero do processo: 13873.000278/2007-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE.
Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento.
Numero da decisão: 2002-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE. Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 02 78 /2 00 7- 34 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63/68) contra decisão de primeira instância (fls. 50/54), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento através da qual se lançou o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, referente ao Exercício de 2004, Anocalendário 2003, contra a contribuinte acima identificada, para a exigência do crédito tributário decorrente de dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual configurada, no presente caso, por dedução indevida de despesas médicas de não dependente. A contribuinte pleiteou como dedução a título de despesas médicas o valor de R$ 23.597,18 referentes a pagamentos realizados à Clínica de Repouso Santa Fé relativos às diárias hospitalares de seu irmão incapacitado, no período de janeiro a dezembro de 2004. Da Impugnação Cientificada do lançamento, a contribuinte na impugnação discorda do lançamento e alega em síntese: Que, por determinação judicial, seu irmão Odair Cícero Cassetari, exerce a função de Curador Especial de seu outro irmão Erlon Douglas Cassetari, entretanto, é a contribuinte quem presta todo o conforto material que ele necessita. Que, visando regulamentar a situação de fato, ela e seu irmão Odair ingressaram judicialmente com Ação Declaratória, com efeito retroativo, visando solucionar a questão do exercício da função de Curador Especial do dependente Erlon Douglas Cassetari (Processo 089.01.2006.017126 — 2 a Vara Cível de Botucatu/SP). Infere que a legislação prevê a comprovação da guarda judicial para irmãos até 21 anos, o que não abrange o presente caso, mas para irmãos acima de 21 anos, basta apenas comprovar ser este incapacitado física ou mentalmente para o trabalho e quais as despesas efetivamente comprovadas e que se pretende ver deduzidas. Entende que seu pleito é justo e considerandose que seu outro irmão que detém a função de Curador Especial não possui condições financeiras, que ela efetivamente tem suportado, requer o cancelamento do presente débito fiscal. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 4 3 Para provar a condição de dependente para fins de dedução de despesas médicas do IRPF necessário se faz apresentar documentos que comprovem inequivocamente esta condição. Mantida a glosa de despesas médicas quando não comprovada a relação de dependência conforme legislação de regência. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 22/02/2010 (fl. 61); Recurso Voluntário protocolado em 11/03/2010 (fl. 63), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 69). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR: “Valor das despesas médicas glosadas R$ 23.597,18 com referência a Clinica de Repouso Santa Fé Ltda., CNPJ 49.911.233/000135, por se tratar de pagamentos relativos às diárias hospitares de dependente (irmão) incapacitado, no período de janeiro a dezembro/2003. Salientase, que os gastos com hospedagem e/ou diárias relativas de longo período (janeiro a dezembro/2003), não são dedutíveis, por falta de previsão legal, conforme entendimento esposado pela SRF nas perguntas n. 338 e 358 de 2007.” (fl. 9) A r. decisão revisanda assim concluiu: “Pela análise dos documentos acostados aos autos pela defesa, verificase que com o deferimento da alteração da Curatela Especial em 14/08/2007 e o não acatamento da retroação de tal condição, pela autoridade Judicial, não há como se reconhecer a dependência de seu irmão, para fins de dedução das despesas médicas havidas no Ano calendário de 2004, objeto da presente Notificação de Lançamento”. Apenas para corrigir o “erro material”, o ano calendário é o 2003 e não 2004. Irresignada a recorrente maneja recurso próprio, atacando o mérito da r. decisão. Alega que é ela (recorrente), quem arca com as despesas do seu irmão Erlon desde o ano de 1985. Que ingressaram com Ação Declaratória, buscando solucionar a questão do exercício da função de Curador Especial do dependente. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 5 4 Diz que o termo de guarda judicial para a revisão pleiteada, não está configurado no enquadramento. Não carece de reparos a r. decisão revisanda eis que devidamente fundamentada. Para fazer jus a dedução a contribuinte deveria ter trazido aos autos, a prova de incapacidade física ou mental para o trabalho, bem como a determinação judicial da Curatela Especial, provando o tempo em vigor, é bem de ver que a recorrente não se desincumbiu deste ônus. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720572/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO.GLOSA.
Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
Numero da decisão: 2201-004.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que lhe deram provimento parcial para exonerar a multa isolada lançada em razão da compensação indevida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fofano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Débora Fofano - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
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Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que lhe deram provimento parcial para exonerar a multa isolada lançada em razão da compensação indevida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fofano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 72 /2 01 3- 10 Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 651 2 (assinado digitalmente) Débora Fofano Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1445.496 10ª Turma da DRJ/RPO, improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado que redundou na lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal AIOP/DEBCAD n° 51.036.5400 no importe de R$ 553.018,61 (Quinhentos e cinqüenta e três mil, dezoito reais e sessenta e um centavos) que constitui contribuições devidas à Seguridade Social, parcela patronal, decorrente de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pela empresa e do AIOP/DEBCAD n° 51 036 5418 no importe de R$ 528.514,84 (Quinhentos e vinte e oito mil, quinhentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), atinente à imputação da multa isolada decorrente de falsidade na declaração de compensação, ambos consolidados em 29/01/2013. Consoante o relato fiscal, a ação buscou verificar a regularidade das compensações promovidas pelo contribuinte em suas declarações nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs, pelo que ele foi formalmente notificado a apresentar os elementos justificadores e os demonstrativos das compensações efetuadas bem como da apuração dos créditos compensados, juntamente com as ações judiciais que as justificassem, se existentes. Da análise da documentação apresentada a fiscalização realça a existência de duas ações individuais materializadas nos processos 2009.33.00.0176375 e 23311 63.2011.4.01.3300/BA, tratandose de mandados de segurança em que o Impetrante requer a concessão de liminar para que se suspendesse a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre férias, terço constitucional de férias, saláriomaternidade e os primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado (esses na ação de 2009), bem como sobre horaextra e os adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 652 3 transferência, do avisoprévio indenizado e da respectiva parcela do 13° salário (esses na ação de2011). Pediu, ainda, a possibilidade de efetuar as compensações dos recolhimentos havidos sobre as verbas guerreadas. Em análise das sentenças prolatadas naqueles autos afirma a fiscalização que foram rejeitados o pedido do Impetrante em relação às rubricas: férias, terço constitucional de férias, salário maternidade, horas extras e todos os adicionais, sendo acatada sua pretensão no tocante às rubricas relacionadas com os primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, avisoprévio indenizado e respectiva parcela do 13° salário indenizado, porém a compensação restou condicionada ao trânsito em julgado em ambas as ações. Nesse compasso as compensações foram glosadas porque desrespeitaram o mandado judicial de que se aguardasse o transito em julgado (no tocante às rubricas reconhecidas), com supedâeno no art. 170A do CTN e, por outro lado, porque decorrentes de créditos inexistentes, isto porque o contribuinte apresentou planilha de compensação em que constavam as verbas atinentes aos valores recolhidos sobre férias gozadas e seu respectivo terço constitucional, horas extras, adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade, avisoprévio e 13° proporcional, auxílio acidente e doença. Por outro giro aplicouse a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212/91, na redação dada a partir da MP 449/2008, em razão da falsidade na declaração de compensação posto que, mesmo sabendo que não teria respaldo legal para as compensações efetuadas, o contribuinte as fez. Informase, também, a emissão de representação fiscal para fins penais a fim de que a autoridade competente apure a ocorrência de eventual ilícito penal. Por fim consta a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com supedâneo no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional de maneira a responsabilizar pessoalmente os gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando atuem com excesso de poderes ou infração a lei. Nesse caso, caracterizou a fiscalização a responsabilidade do representante legal do sujeito passivo (na qualidade de sócio administrador no período autuado) posto que autorizou as compensações em desrespeito à Lei (art. 170A do CTN) e ao mandado judicial, que as autorizou apenas após o transito em julgado. O contribuinte apresentou impugnação na qual contesta o lançamento fiscal estribado nos seguintes argumentos, em síntese: Preliminar de nulidade: Vício do Auto de Infração. No tópico, afirma que a motivação do Auto deveuse à impossibilidade de se fazer as compensações antes do transito Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 653 4 em julgado e que em nenhum momento o Autuante afasta a existência dos créditos pelo fato de existirem pagamentos incidentes sobre verbas indevidas. Nesse compasso, defende o procedimento da compensação efetuada em GFIP citando o art. 44, § 7° da IN 900. Noutra linha afirma que o limitador do 170 A do CTN não poderia ser utilizado para enquadrar a compensação como falsa que, no seu dizer, “ (...) ocorre quando da apresentação das justificativas da declaração de compensação são umas e o apurado foi outro”. Conclui afirmando que somente caberia ao Fisco homologar ou não a compensação. Da representação fiscal para fins penais. Aduz que enquanto o crédito tributário não estiver definitivamente constituído não há que se atribuir ao contribuinte a prática de algum crime fiscal, citando doutrinas e jurisprudências nesse sentido, pelo que postula pela manutenção da Representação Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o esgotamento da via administrativa em que se discute o crédito e após esgotado o prazo para pagar ou parcelar o tributo. Dos fatos: Aqui sustenta que houve o reconhecimento judicial pela não incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, saláriomaternidade, férias, adicional de 1/3 de férias e avisoprévio indenizado, gerando um direito da Impugnante à compensação desses valores recolhidos indevidamente. Do vício insanável: dos valores lançados e da base de cálculo para apuração dos créditos tributários. Afirma que as parcelas compensadas não configuram hipótese de incidência prevista no art. 22, I da Lei n° 8.212/91, de maneira que não pode ser compelido a pagar contribuições previdenciárias incidentes à margem da legislação tributária. Nesse contexto, discute a própria contribuição previdenciária (‘Da contribuição previdenciária propriamente dita’), remontando a sua origem ao art. 195 da CF/88 e o conceito de remuneração destinada a retribuir o trabalho que se constitui na delimitação da incidência da contribuição previdenciária patronal. Aduz que as verbas pagas quando dos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de salário maternidade e pagas a título de férias gozadas e seu respectivo adicional de 1/3 ocorrem em situações em que não há remuneração por serviços prestados. Ainda, reportase a cada uma dessas verbas de per se, citando doutrina e jurisprudência em apoio ao seu entendimento. Da legalidade da compensação. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 654 5 Argumenta que o art. 66 da Lei n° 8.383/91 faculta ao contribuinte a possibilidade de utilização dos créditos contra a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente podem ser compensados com débitos vencidos ou vincendos, independentemente de autorização da Administração. Afirma que tal modalidade de compensação difere daquela prevista nos arts. 170 e 170A do CTN, que seriam realizadas diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte (cita doutrina e jurisprudência) de maneira a concluir que não se pode vincular a compensação ao transito em julgado, por não ser aplicável ao procedimento aqui defendido. Da constituição do crédito tributário. Afirma ser função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento, pagamento a menor ou compensações supostamente indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo para que pague o valor devido. “ Por decorrência lógica, ao informar por meio de GFIP a suspensão do pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário (...)”, sendo necessário o respectivo lançamento para sua constituição. Da multa indevida. Afirma encontrarse a multa em flagrante inconstitucionalidade, porquanto viola os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da isonomia, da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade, discorrendo sobre eles e citando doutrinas e jurisprudência. Posto nesses argumentos, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN e o julgamento da total improcedência dos Autos de Infração. Requer, também, a intimação do patrono da Impugnante da data do julgamento da presente Impugnação bem como de todos e quaisquer atos e decisões, protestando pela oportuna sustentação oral. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 378/391): ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Os atos administrativos, quaisquer que sejam sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que os estabeleçam. Essa presunção decorre do princípio da legalidade estrita que vincula a Administração. Em conseqüência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação consolidamse Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 655 6 administrativamente e não serão objeto de análise, visto que não se tornaram controvertidas. PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos) e daqueles oriundos de verbas que se constituem, perante a legislação, basesdecálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o transito em julgado. Também corresponde à hipótese de compensação indevida aquelas formuladas em desacordo com as normas que disciplinam a matéria, vale dizer, aquelas que não foram precedidas de habilitação (quando oriundas de decisões judiciais) e retificação das declarações que motivaram os recolhimentos incorretos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de nãoincidência do salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente o elemento de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 656 7 MULTA. LEGALIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento do ferimento a princípios constitucionais tributários. Em face da referida decisão, da qual foi intimada em 17/07/2014 (fl.396), a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 398/436) em 22/07/2014, alegando, em síntese, que: 1) A necessidade de aplicação do Regimento Interno do CARF em relação ao decidido em sede de recurso repetitivo ou repercussão geral no STJ ou STF, respectivamente, no tocante aos quinze primeiros dias de afastamento anteriores ao auxílio doença, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e multa confiscatória. 2) É indevida a cobrança de contribuição previdenciária em virtude dos Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, não sendo devida a exação sobre aos quinze primeiros dias de afastamento anteriores ao auxílio doença, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e salário maternidade. 3) Ausência de falsidade na declaração prestada, errônea tipificação do Auto de Infração. Nulidade. 4) Necessidade da conversão do julgamento em diligência para que se verifique se estão sendo cobradas as parcelas controvertidas, relativas aos valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e de 1/3 (um terço) de férias, valores cuja inclusão na base de cálculo da conribuição previdenciária é totalmente controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. 5) Da impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária aos diretores/sócios/administradores, uma vez que ausentes atos praticados em contrariedade à lei, estatutos ou contratos sociais. Inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN. Por fim, requer seja o Auto de Infração julgado improcedente. Voto Vencido Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Das alegações de nulidade Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 657 8 Em várias passagens do recurso ordinário, a contribuinte argui a nulidade do lançamento, como quando aduz ausência de falsidade na declaração prestada. Todavia, não obstante o pleito entelado, entendemos não se tratar de matéria preliminar, mas afeta ao mérito da nulidade. Portanto, as questões preliminares trazidas pela recorrente serão abordadas junto ao mérito, posto que com este se confunde. Do mérito Observância de decisões do STJ e STF pelo CARF Defende a recorrente, em relação aos temas controvertidos que ensejaram a compensação considerada indevida pela autoridade lançadora, que as decisões proferidas pelos tribunais superiores são de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo. Não obstante reconhecer a relevância dos temas e as decisões favoráveis às teses defendidas pela recorrente, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF (art. 62, §2º): (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Referidas decisões não possuem cunho de definitividade, posto que ainda não se operou o trânsito em julgado. Destarte, não assiste razão à recorrente quanto a este tocante. Pedido de perícia Em face do pedido de perícia formulado pela recorrente, temse que a necessidade de perícia para o deslinde da questão deve estar demonstrada nos autos. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece que: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher o pedido. Ao contrário, a recorrente requer a realização de perícia para que sejam identificadas como fora do campo de incidência da contribuição social Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 658 9 previdenciária. Todavia, o presente lançamento é decorrente da glosa de compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo. Verificase, dos autos, que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o Auto de Infração muito bem fundamentado. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia formulado. Da compensação indevida Não obstante a plausibilidade do direito invocado pela recorrente, o certo é que todas as verbas discutidas no processo judicial não podem ser objeto de apreciação por este julgador à luz do que preconiza a Súmula CARF nº 01. A matéria objeto deste processo administrativo é a mesma daquela constante da ação judicial ajuizada pela autuada. Com efeito, nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. Observase que a recorrente ingressou com ação judicial com pretensão de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias, salário maternidade e aviso prévio indenizado. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto impugnado administrativamente, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 659 10 Desse modo, o presente julgamento deve ficar adstrito à matéria diferenciada da submetida à apreciação do Poder Judiciário. O ponto nodal da presente controvérsia é a compensação de valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias, saláriomaternidade e aviso prévio indenizado, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária é controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. Ainda que a recorrente tenha obtido, eventualmente, provimento jurisdicional favorável à sua tese, o direito à compensação dos valores recolhidos a título de tais rubricas só se perfectibiliza após o trânsito em julgado da decisão judicial, à luz do que preconiza o art. 170A, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Depreendese da norma supra transcrita que não há distinção entre a modalidade processual escolhida. Assim, tanto faz a busca da tutela jurisdicional ter se dado por Mandado de Segurança ou por ação ordinária, por exemplo, a condição para o nascimento do direito à compensação será o trânsito em julgado da decisão judicial respectiva. No presente caso, a recorrente optou por se compensar do crédito antes do trânsito em julgado da decisão, em afronta ao disposto no supra transcrito art. 170A do CTN, tendo a autoridade fiscal o poderdever de efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados e constituir o crédito tributário correspondente. Não há defeitos ou irregularidades capazes de macular o presente lançamento, tendo agido com acerto a autoridade lançadora. Pelo exposto, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Da Multa Isolada Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991. Transcrevo o dispositivo: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluídopela Lei n° 11.941, de 2009). A compensação levada a cabo pelo sujeito passivo é relativa à matéria controversa no Poder Judiciário. A tese jurídica vertente é contestada judicialmente, não se Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 660 11 revestindo o crédito como líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito julgado da respectiva ação judicial ou após a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Todavia, o fato de ser indevida a compensação, não significa que houve falsidade por parte do sujeito passivo. Como exigência imposta pela lei, a penalidade reclama a prova de que o sujeito passivo, mesmo diante da realidade contrária à repetição do indébito pela via da compensação, optou em praticar uma conduta consciente, oferecendo ao Fisco uma declaração com falsidade. Extraímos do dicionário o significado da palavra falsidade, que vem a ser aquilo o que não é verdadeiro, em que há mentira, fraude, adulteração. Portanto, o simples fato de a compensação não ser devida, não pode ser confundido com falsidade. Não restou comprovado que as informações declaradas pela recorrente em GFIP são falsas, não obstante a falta de certeza e liquidez do crédito que se pretendeu compensar. Assim, com base nos elementos constantes dos autos, não restou demonstrado o dolo do recorrente em declarar informações sabidamente falsas, sendo que afastar a aplicação da multa isolada é medida que se impõe. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe provimento parcial a fim de excluir do crédito tributário a multa isolada aplicada. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheira Débora Fófano Redatora designada Não obstante as razões e fundamentos legais do voto do Ilustre Relator, fomos designada a apresentar a redação do voto vencedor, nos termos a seguir. O presente voto restringese especificamente à exoneração da multa isolada de 150% imposta pela fiscalização à recorrente em face da compensação indevida incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991. A decisão a quo ao tratar sobre a pertinência da multa isolada indeferiu o pleito do impugnante sob os seguintes argumentos (fls. 388/390): "(...) ao agir de tal forma, em desconformidade com a lei e com a decisão judicial que lhe garantiu o direito sem que lhe conferisse o exercício imediato, de forma intencional e dolosa, posto que passou à Fazenda Nacional a idéia de já ser detentor de um Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 661 12 crédito capaz de quitar contribuições vincendas, do qual, por óbvio, não o era. Todas tais condutas e alegações justificam a imputação da multa isolada que lhe foi cominada nos termos do art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91. (...)" Notese que a aplicação da multa isolada foi fundamentada na compensação de valores realizada sem a comprovação do efetivo recolhimento indevido, tendo em vista que a decisão judicial admitiu a compensação dos valores relativos aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, aviso prévio indenizado e respectiva parcela de décimo terceiro, somente após o trânsito em julgado, em conformidade com o disposto no art. 170A do CTN. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo). Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Como bem colocado pelo insigne Relator: "A compensação levada a cabo pelo sujeito passivo é relativa à matéria controversa no Poder Judiciário. A tese jurídica vertente é contestada judicialmente, não se revestindo o crédito como líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito julgado da respectiva ação judicial ou após a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente." No caso concreto o contribuinte descumpriu a decisão judicial ao proceder compensação sobre valores de contribuições objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, indicando tal conduta em nítida falsidade de declaração ao informar na GFIP crédito na verdade inexistente, resultando na conseqüente diminuição da contribuição devida. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 662 13 Se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade ou até mesmo de extinção da penalidade. São inúmeros os Acórdãos do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que se posicionam pela manutenção da aplicação da multa isolada diante da comprovação de falsidade da declaração, dentre os quais, a título ilustrativo, selecionamos as seguintes ementas: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Recurso Especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9202003.777 – 2ª Turma CSRF Sessão de 16 de fevereiro de 2016)" "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/1991. (Acórdão nº 9202006.885 2ª Turma CSRF Sessão de 23 de maio de 2018)" À vista de todo exposto, não merece reforma a decisão recorrida, razão pela qual, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto. (assinado digitalmente) Débora Fófano Fl. 672DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.001457/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora verifique, individualizada e conclusivamente, se as mercadorias objeto da autuação foram efetivamente exportadas, discriminado as datas de exportação e de emissão das notas fiscais correspondentes, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), Tiago Guerra Machado, Carlos Alberto da Silva Esteves e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora verifique, individualizada e conclusivamente, se as mercadorias objeto da autuação foram efetivamente exportadas, discriminado as datas de exportação e de emissão das notas fiscais correspondentes, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), Tiago Guerra Machado, Carlos Alberto da Silva Esteves e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora verifique, individualizada e conclusivamente, se as mercadorias objeto da autuação foram efetivamente exportadas, discriminado as datas de exportação e de emissão das notas fiscais correspondentes, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), Tiago Guerra Machado, Carlos Alberto da Silva Esteves e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 45 7/ 20 10 -5 5 Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.082 2 Relatório 1. Tratase de auto de infração, nos termos do relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: Tratase de impugnação de lançamento (efls. 558 a 584) apresentada em 29 de novembro de 2010 contra auto de infração de IPI (efls. 529 a 538), relativo aos períodos de janeiro a setembro e dezembro de 2006 e lavrado em 1º de novembro de 2010. Segundo o relatório que acompanhou o auto de infração (efls. 525 a 528), foram apuradas as seguintes irregularidades: Foram identificadas operações de exportações indiretas (para empresas comerciaisexportadoras); Nesses casos, a legislação permite a saída com suspensão do IPI (Ripi/2002, art. 42, V, “a”, § 1º), desde que seja efetuada diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora; No caso concreto, a empresa comercializou granito, produto identificado apenas pelo nome comercial, dando saída ao produto diretamente para o estabelecimento adquirente, de empresa coligada, que futuramente veio a incorporála; Foram apresentados (mas não para todas as notas fiscais) apenas memorandos de exportação, documentos previstos no Convênio ICMS n. 107, de 2001, para comprovar a exportação efetiva das mercadorias, não havendo previsão, na legislação do IPI, deste tipo de documento; “Segundo o inciso VII do art. 25 do RIPI/2002 a empresa comercial exportadora será obrigada ao pagamento do imposto como contribuinte em relação ao imposto que deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com fim especifico de exportação nas hipóteses em que não houver a exportação nos termos do disposto nas alíneas desse mesmo artigo.” Ademais, adquirente não cumpriu, em vários casos, o prazo de 180 dias para exportação (fls. 518 a 521); “A partir de tudo o que acima foi exposto, verificamos que as supostas vendas feitas As empresas comerciais exportadoras não se revestiam das formalidades normativas para poderem usufruir da saída com suspensão de IPI que autoriza o art. 42, V. "a", o que nos levou a lavratura deste auto de infração para cobrança dos valores não lançados nestas vendas.” Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.083 3 Em sua impugnação, a Interessada alegou o seguinte: Que a impugnação foi tempestiva; Que a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa; Que teria havido “gritantes irregularidades” nas prorrogações, que teriam ocorrido sem a emissão de MPF complementares, devidamente assinados pelo Delegado da Receita Federal do Brasil e com ciência ao contribuinte; Que teria havido “gritante” erro na interpretação das disposições legais a respeito da matéria do auto de infração; Que a disposição legal dada como infringida direita respeito somente aos casos “em que a empresa industrial procede A exportação por meio de uma empresa comercial exportadora que não processe o despacho aduaneiro de exportação, o que não reflete o caso em tela”; Que se aplicaria ao caso o disposto no art. 42, V, “c”, do Ripi/2002, pois o despacho aduaneiro de exportação ocorreria no próprio estabelecimento da empresa adquirente; Que tal procedimento teria respaldo na IN SRF n. 28, de 27 de abril de 1994, arts. 10 e 11, III. Acrescentou que seriam indubitáveis as exportações realizadas e que a premissa adotada pela Fiscalização, de que o não envio direto das mercadorias a exportação ou a recinto alfandegado implicaria o não atendimento da legislação, seria ultrapassada. Ademais, tal entendimento não atenderia “em nada a finalidade de todo o restante do ordenamento jurídico brasileiro, ou seja, vai de encontro frontal e colidente com princípios e normas de mais alta hierarquia, como, por exemplo, aquelas advindas de nossa Constituição Federal.” Citou ementa de acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que considerou ilegal a IN SRF n. 03, de 2005, art. 245, § 2º. Na seqüência, tratou dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, citando opinião da doutrina. Por fim, contestou a multa de ofício aplicada, alegando que se aplicaria ao caso a multa do art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, à vista do disposto no art. 39, § 5º, “b”, da Lei n. 9.532, de 1997. Além disso, citou decisões do Supremo Tribunal Federal que trataram da multa de ofício e requereu o direito de produzir provas". 2. Em 26/11/2013, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1446984, situado às fls. 633 a 642, de relatoria do AuditorFiscal José Antonio Francisco, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.084 4 MULTA. CONFISCO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE. Descabe apreciação de matéria constitucional, no âmbito do processo administrativo fiscal, com o escopo de afastar lei em vigor. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. FALTA DE CIÊNCIA. DESNECESSIDADE. As eventuais irregularidades na emissão de MPF não implicam nulidade da ação fiscal, à vista de se tratar de procedimento de controle interno da Receita Federal. As prorrogações de MPF dispensam ciência pessoal ou postal do contribuinte, bastante, para serem regulares, ficarem à disposição para consulta no sítio da Receita Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 SAÍDA SUSPENSÃO DO IMPOSTO. “FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO”. Não se considera venda com “fim específico de exportação” a que seja efetuada a empresa comercial exportadora, sem a remessa direta à exportação ou à depósito alfandegado. O despacho de exportação realizado no estabelecimento da empresa exportadora, por depender de autorização da Receita Federal (fato futuro e incerto), não é compatível com a venda com o “fim específico de exportação”. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO IRREGULAR. APLICAÇÃO DO ART. 39 DA LEI N. 9.532, DE 1997. IMPOSSIBILIDADE. A multa prevista no art. 39, §5º, “b”, da Lei n. 9.532, de 1997, somente se aplica ao exportador, relativamente à saída com suspensão, quando a exportação não tenha ocorrido no prazo legal. A hipótese de saída com suspensão irregular implica responsabilidade da empresa vendedora, com aplicação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. A contribuinte foi intimada via postal em 16/05/2014 em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 647 e, em 13/06/2014, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 649 a 659, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.085 5 Voto (vencido) Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 8. Apreciase, em primeiro lugar, antes da análise da vexata quæstio, a alegação preliminar da recorrente no sentido de que teria se configurado, no presente caso, cerceamento de defesa decorrente da ausência de prorrogação do mandado de procedimento fiscal, atual termo de inicio de ação fiscal. 9. Impende ressaltar que a função do termo em apreço é informar o sujeito passivo sobre a existência de um mandado de procedimento fiscal (MPF) que, na verdade, é o marco do início de um procedimento fiscalizatório, em conformidade com o Decreto nº 3.724/2001. Observese, ademais, que, a partir da edição do Decreto nº 8.303/2014, passouse a exigir a expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), regulado pela Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014, salvo nos casos reputados urgentes, i.e., aqueles casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou de qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova. Tanto o antigo MPF ou o atual TDPF não são exigidos, ainda, nos casos de procedimento: (i) realizado no curso do despacho aduaneiro, (ii) interno, de revisão aduaneira, (ii) de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva, e (iii) relativo ao tratamento automático das declarações (as chamadas "malhas fiscais"). Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014 Art. 4º Os procedimentos fiscais serão instaurados após sua distribuição por meio de instrumento administrativo específico denominado Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), previsto no art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.086 6 § 1º A distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada em parâmetros técnicos definidos pela Sufis ou pela Suari e executada por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. § 2º O procedimento fiscal será distribuído ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil pelo responsável pela sua expedição a partir do planejamento e da estratégia de execução dos procedimentos fiscais. § 3º O TDPF será expedido exclusivamente na forma eletrônica, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. § 4º A ciência do TDPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, mediante o qual o sujeito passivo poderá certificarse da autenticidade do procedimento. § 5º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, observado o disposto no art. 6º. § 6º É dispensada a atividade de seleção e preparo da ação fiscal na hipótese de procedimento fiscal para análise de restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação. 10. Cabe investigar, assim, quais os efeitos da ausência de intimação da contribuinte fiscalizada do MPF (atual TDPF), destacandose, em primeiro lugar, a persistência da condição de espontaneidade, não se caracterizando, para todos os fins, a hipótese do parágrafo único do art. 138: como condição subjetiva do sujeito passivo, apenas restará configurado o "(...) início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização" com a efetiva intimação. Até este marco, facultase à contribuinte se valer da integralidade dos efeitos da denúncia espontânea. Em segundo lugar, a intimação contribui como elemento de concretização do primado da transparência das ações do Estado contra o particular, devendo a sua relação ser pautada antes pelo diálogo e pela lealdade do que pelo poder de império: contrapõese a ideia de que nada impede o lançamento ex officio com o senso de colaboração que vem se formando na jurisprudência administrativa.1 Cabe, neste sentido, uma análise detida da Súmula CARF nº 46, que não se apresenta como de aplicação automática: 1 Acórdão CARF nº 3401003.437, proferido em sessão de 28/03/2017, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida: "VERDADE MATERIAL.INVESTIGAÇÃO. DEVER DE COLABORAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em busca da verdade material, composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração do particular, a produção da prova deve ser carreada à parte que apresente melhores condições de produzir Incumbe ao acusado, o ônus da prova, quanto à alegada existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado na acusação fiscal". E Acórdão CSRF nº 9303004.675, proferido em 16/02/2017, de relatoria da Conselheira Erika Costa Camargos Autran: "REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO VERDADE MATERIAL. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. A autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas". Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.087 7 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 11. O texto, como se percebe, não estabelece uma relação mecânica de implicação no sentido de que lançamento de ofício sem intimação da contribuinte será, necessariamente, válido. Não por outro motivo, as decisões mais recentes sobre a matéria têm registrado a cautela necessária: desde que a falta de ciência (termo inicial) não tenha acarretado qualquer prejuízo à defesa e ao contraditório, o que fulminaria o auto de infração lançado à revelia de nulidade, como e.g., é possível se observar da leitura dos votos do Acórdão CSRF nº 9303003.876, proferido em sessão de 19/05/2016, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, e do Acórdão CSRF nº 9101002.132, proferido em sessão de 26/02/2015, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias, cuja ementa abaixo se transcreve: "Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF" (seleção e grifos nossos) 12. A atual jurisprudência deste Conselho, como se pode perceber, entende que a falta de prorrogação do então MPF não inquina de nulidade, de plano, o trabalho de fiscalização e, logo, o próprio auto de infração, sobretudo porque não há de se falar de contraditório na fase inquisitorial do procedimento prévio ao eventual lançamento de ofício. No entanto, ao nos voltarmos especificamente ao caso da ausência de termo inicial, necessário se assentir com o fato de que o art. 47 da Lei nº 9.430/1996, ao tratar da aplicação de acréscimos de procedimento espontâneo, apresenta uma inflexão sobre o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Inicial, cujos efeitos, na prática, são diferidos para o 20º dia subsequente à data do recebimento do termo de início: Lei nº 9.430/1996 Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. 13. Assim, o fato de o sujeito passivo ser intimado da existência de um procedimento fiscal contra seu estabelecimento apenas no momento da lavratura do auto de infração inviabiliza, de maneira absoluta, o exercício do legítimo direito previsto no art. 47 ora transcrito, cerceandoo. Contudo, necessário se ponderar que não se trata aqui de prejuízo à defesa ou ao contraditório, de modo a não se vislumbrar, portanto, a preterição do direito de defesa inserta no inciso II do art. 59 do DecretoLei nº 70.235/1972: em outras palavras, trata se, sim, de um cerceamento de direito, mas não do direito de defesa. Assim, a ausência do termo de início em nada macula, ab initio, o auto de infração: diferente seria, por outro lado, a falta do próprio MPF, atual TDPF, pois, neste caso, os atos e termos teriam sido lavrados por pessoa incompetente, deslocando a fundamentação da agora explícita nulidade ao inciso I do art. 59 do Regulamento do Processo Administrativo Federal. 14. Cabe, no entanto, observar que a ausência do termo inicial, mesmo no caso da lavratura de autos de infração eletrônicos, causa insegurança jurídica ao sujeito passivo, sendo o caso de se rever o grau de tolerância com que a jurisprudência administrativa Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.088 8 tem tratado tal matéria. Recordese, neste sentido, que muitas são as funções do termo, como se denota da leitura do art. 5º da Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014: Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014 Art. 5º O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF conterá: I – a numeração de identificação e controle; II – os dados identificadores do sujeito passivo; III – a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV – o prazo para a realização do procedimento fiscal; V – o nome e a matrícula do(s) Auditor(es)Fiscal(ais) da Receita Federal do Brasil responsável(is) pelo procedimento fiscal; VI – o número do telefone e endereço funcional para contato; e VII – o nome e a matrícula do responsável pela expedição do TDPF. § 1º No caso do Procedimento de Fiscalização, o TDPF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado e o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal. § 2º O tributo e o período de que trata o § 1º poderão ser ampliados por alteração, a ser registrada no TDPF e consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. § 3º O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil poderá examinar livros e documentos referentes a períodos não consignados no TDPF quando necessário para verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período em exame ou deles seja decorrente. § 4º No procedimento fiscal de diligência, o TDPF indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas. § 5º No procedimento fiscal instaurado conforme art. 6º, o TDPF indicará a data do início do procedimento fiscal. § 6º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o TDPF deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. 15. Observese que uma das múltiplas funções do termo inicial é justamente se facultar ao investigado a confirmação da autenticidade do procedimento fiscal, bem como cientificálo, ainda que de maneira resumida, sobre quais verificações serão realizadas, em consonância com o preceptivo normativo do § 4º do art. 5º da Portaria RFB nº Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.089 9 1.687, de 17/09/2014. Em igual sentido, ocluir do jurisdicionado a ciência sobre informações como qual tributo e referente a qual período de apuração se investiga é vedar acesso ao próprio Estado sobre informações que poderiam ser espontaneamente fornecidas pelo particular, e que potencialmente contribuiriam para uma maior precisão do lançamento, prática que caminharia no sentido de se evitar tanto quanto possível a formação de litígios desnecessários que, conseqüentemente, afluirão ao contencioso, tanto administrativo como judicial. No limite, a reiterada e excessiva condescendência deste Conselho com o desrespeito a prazos e procedimentos expressamente previstos na legislação redundam, no limite, para a Administração, em legitimação e institucionalização de tal prática e, para os administrados, em verdadeira deriva normativa, atirados à mercê do arbítrio da autoridade fiscal que pode ou não comunicálos a respeito do início de uma fiscalização. Ademais, antes mesmo de direito de defesa, cabe se falar em um dever da Administração de ouvir o administrado, conforme recorda Heleno Taveira Torres em artigo a respeito da intimação eletrônica: "O direito de ser ouvido é universal e não se presta apenas a uma simples dialética, como se fora um dever de prévia consulta aos administrados pela administração. A esta caberá sempre o dever de ouvir o administrado. O direito de ser ouvido tem fundamento na necessária transparência dos fatos que estejam sendo alegados e que guardem relação com aquele administrado. Ao respeitar o direito do contribuinte de ser ouvido, estará não apenas dando observância a preceito constitucional, garantia fundamental, como também, ao fim e ao cabo, ao seu próprio dever de eficiência, ao trazer para o processo inquisitório ainda mais informações suficientes ao seu próprio convencimento quanto à matéria tributável. O direito à defesa é a resposta da democracia contra os arbítrios do Estado, o que reclama efetividade plena, como norma constitucional a ser concretizada em todos os casos. Não basta “abrir prazo” ou dar direito de manifestação ao acusado para que se diga satisfeito o direito à ampla defesa. Todas as suas provas devem ser consideradas e qualquer glosa ou prejuízo devem ser amplamente motivados"2 (seleção e grifos nossos). 16. De fato, pouca atenção tem sido ofertada a tais atos administrativos por parte da doutrina especializada, em especial o termo inicial do procedimento fiscalizatório como também a expressa prorrogação do TDPF, que não podem ser compreendidos apenas como instrumentos internos de controle da atividade fiscal, e muito menos como os chamados "atos de mero expediente" dispensáveis pelo servidor público a seu talante, mas, antes, como veros corolários dos ideários de legalidade, publicidade e moralidade, não sendo, de todo modo, recomendável alhear o jurisdicionado de investigação contra si instaurada, como se parte adversa fosse. Neste sentido, o substancioso escólio de Henrique Mello, em um dos poucos trabalhos acadêmicos que se debruçaram com a devida profundidade sobre a matéria: "A instituição, no crepúsculo dos anos 90, da figura do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) criou um importante requisito de validade para as fiscalizações federais em matéria tributária no Brasil, situação, esta, que não se alterou mesmo após a transformação da mencionada 2 TORRES, Heleno Taveira. "Notificação eletrônica deve obedecer garantias dos contribuintes". In: Revista Consultor Jurídico, 26 de julho de 2017, disponível em: <http://www.conjur.com.br/2017jul26/consultor tributarionotificacaoeletronicaobedecergarantiascontribuintes>, último acesso em 27 de julho de 2017. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.090 10 figura no denominado 'Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF)'. Em razão da importância desses instrumentos, fazse necessária a produção de estudos a eles relacionados em coerência com o sistema normativo nacional, que dá prevalência aos ditames constitucionais como uma forma de garantia dos direitos fundamentais dos indivíduos, incluída, nessa categoria, a figura dos contribuintes. (...) o Código Tributário Nacional, em seus arts. 194 e 196, determina a regulação, pela legislação tributária, da competência e dos poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização de sua aplicação, bem como prescreve que a autoridade administrativa que realizar diligências fiscais deverá lavrar os termos necessários a fim de documentar o início do procedimento, que deverá ter prazo máximo para conclusão, sempre com ciência dada ao contribuinte sujeito à investigação. (...) O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), definido pela legislação pertinente como "ordem específica para execução de trabalhos fiscais", caracterizavase como um ato administrativo de outorga de autorização específica para o início de procedimento de fiscalização relacionado aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, garantindo validade aos atos praticados durante a investigação fiscal, determinando quem seria fiscalizado, qual autoridade o fiscalizaria, o que seria analisado, qual período seria verificado e por quanto tempo seria realizada a fiscalização. O mesmo se dá com o atual Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), instituído através da Portaria RFB 1.687/2014, já que, assim como o MPF, se sujeita às exigências contidas no Dec. 3.72412001, afigurandose como verdadeiro requisito necessário e indispensável ao início e continuidade das fiscalizações em âmbito federal (...) por óbvio, não é o próprio auditorfiscal responsável pela execução do 'TDPF quem pode alterálo, inclusive em relação às prorrogações de prazo, cabendo essa função ao responsável pela sua expedição. Verificase, portanto, que, apesar de ser possível a prorrogação dos TDPF e, por via de conseqüência, dos prazos para conclusão dos procedimentos fiscais, tal prorrogação deve se dar de acordo com os requisitos impostos pela legislação que regulamenta o ato administrativo aqui analisado, a fim de garantir a já mencionada transparência exigida constitucionalmente para as investigações em matéria tributária. A alteração decorrente de prorrogação de prazo somente pode ser realizada pela autoridade emitente do TDPF, que deverá assinar digitalmente a alteração e dar ciência da mesma ao contribuinte fiscalizado através de disponibilização do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal alterado no sítio da Receita Federal do Brasil na internet. (...) Nesse sentido, duas feições da segurança jurídica fundamentam o direito do contribuinte de poder verificar se foi efetivamente a autoridade emitente do TDPF quem prorrogou o prazo da fiscalização. A primeira, que decorre da própria previsão na portaria regulamentadora do TDPF de que somente a autoridade emitente irá Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.091 11 prorrogar o prazo do procedimento fiscal. Em razão dessa previsão, surge para o contribuinte uma expectativa de confiança legítima no cumprimento dos termos da portaria, fazendo com que, por força dessa feição da segurança jurídica, possa verificar quem efetivamente prorrogou o TDPF. A segunda, que é a garantia de concretização dos princípios constitucionais já mencionados no início deste trabalho, fazendo com que a necessidade de transparência nas fiscalizações, decorrente da interpretação dos dispositivos que impõem a observância da legalidade, da publicidade, da moralidade e do devido processo legal aos atos da administração pública, não permita que o contribuinte fiscalizado tenha incertezas sobre quem prorrogou o Termo ele Distribuição de Procedimento Fiscal. Ocorre que a forma como hoje são realizadas as alterações relativas a prorrogações de prazos dos TDPF não permite identificar, de maneira segura, se foi ou não a autoridade que emitiu o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal quem realmente determinou sua prorrogação. Conforme dispõe a legislação de regência supratranscrita, as formas de alteração dos TDPF estão vinculadas ao modelo constante de um dos anexos da portaria regulamentadora. (...) o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), como dito, é ato administrativo indispensável à validade das fiscalizações de tributos federais. Por isso, as fiscalizações que tenham o respectivo TDPF prorrogado com base na legislação tributária atual apresentam vícios que terminam por causar a nulidade do procedimento fiscal e das respectivas conclusões, no caso de eventualmente serem lavrados autos de infração, se as informações foram obtidas durante o período prorrogado. Sendo exigência constitucional que as autoridades administrativas, durante procedimentos fiscais em matéria tributária, ajam de acordo com a moralidade, dando cumprimento aos ditames legais relacionados à sua atuação, com publicidade de seus atos a fim de permitir o exercício adequado do contraditório e da ampla defesa por parte dos contribuintes, fazendo cumprir, dessa forma, a necessidade de transparência das fiscalizações, bem como, sendo exigência da legislação tributária que somente a autoridade emitente do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal possa prorrogar seu prazo de validade, oferecer ao contribuinte fiscalizado todas as oportunidades de identificar se, efetivamente, foi a autoridade competente quem realizou o ato administrativo de prorrogação da fiscalização é uma medida de segurança jurídica. A fim de afastar o problema identificado e aqui apresentado, cabe ao Poder Executivo Federal alterar a portaria que regulamenta o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Basta, para tanto, fazer com que a assinatura constante do documento alterado do TDPF se refira expressamente também às prorrogações de prazo. Enquanto não se modificar a forma como as prorrogações de prazos de TDPF são feitas, as fiscalizações prorrogadas em âmbito federal serão inválidas, Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.092 12 com os reflexos jurídicos negativos, do ponto de vista do ente tributante, daí decorrentes"3 (seleção e grifos nossos). 17. Em igual sentido, de se reconhecer vício de procedimento que acoberta o auto de infração com o manto da nulidade, trecho de artigo de Marcos Vinícius Neder: "Em muitos casos, as Autoridades Fiscais não cumprem o que determina a legislação e ampliam por conta própria a investigação para tributos e períodos não originalmente previstos no MPF, desrespeitando também prazos e procedimentos. Isso tem causado muita insegurança jurídica para os contribuintes fiscalizados. Não há, portanto, qualquer efetividade nessa regra de proteção em razão da absoluta falta de sanção (...).A novidade importante é que o Poder Judiciário vem entendendo essa matéria de forma distinta do CARF (...). Vêse, portanto, que os julgados sustentam haver vício insanável no procedimento fiscal instaurado em desacordo com as regras da portaria regulamentadora do MPF, entendendo que, no caso concreto, o procedimento fiscal foi conduzido por auditor fiscal desautorizado. Ou seja, declarou a nulidade no lançamento por considerar o auditor como incompetente para lavrar o lançamento fiscal nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. De fato, a partir da ciência do MPF, os contribuintes passam a ter o direito de que o procedimento fiscal seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos de fiscalização. É, no mínimo, imoral a Administração emitir um ato em que se compromete a realizar determinado agir em benefício do administrado e depois unilateralmente descumprir o que fora prometido. Assim, irregularidade no MPF configurase vício de procedimento que pode acarretar a invalidade do lançamento"4 (seleção e grifos nossos). 18. Observese, ademais, que a jurisprudência do Poder Judiciário, já sensível a tais argumentos apontados por Heleno Torres, Henrique Mello e Marcos Vinícius Neder, tem revisto a posição sumulada deste Conselho, em especial no caso de falta de prorrogação de MPF/TDPF no sentido do reconhecimento da existência de vício insanável nestes casos, a exemplo do seguinte acórdão do Tribunal Regional Federal da 1º Região, Apelação Cível nº 000330848.2011.4013507, publicado em 22/05/2015, cujo trecho pertinente da ementa abaixo se transcreve: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO IRREGULAR. MANUTENÇÃO DO AUDITOR FISCAL ORIGINÁRIO. ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, DA PORTARIA SRF Nº 3.007/2001. 3 MELLO, Henrique. "Segurança jurídica e termos de distribuição de procedimento fiscal (TDPF): nulidade na forma como são prorrogados prazos nas fiscalizações federais". In: Revista de Direito Tributário Contemporâneo Ano 2. São Paulo: Revista dos Tribunais/Thomson Reuters, setembro/outubro de 2016, pp. 87 a 102. 4 NEDER, Marcos Vinícius. "Nulidade do lançamento por irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal Judiciário e Carf têm discordado sobre invalidade da fiscalização". Brasília: Jota Jornalismo, 26/08/2015, disponível em <https://jota.info/artigos/nulidadedolancamentoporirregularidadesnomandadode procedimentofiscal26082015>, último acesso em 20/06/2017. Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.093 13 1. Na hipótese vertente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF tem por data inicial o dia 26/02/2009 e deveria ter sido concluído no prazo de sessenta dias, conforme determinava a Portaria SRF nº 3.007/2001 (art. 12) e determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Diligência (coleta de informações). Assim, o prazo de validade do MPF se encerrou no dia 27/04/2009. (...) 3. Ora, em 30/06/2009 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, e a Fazenda Nacional, por sua vez, nem sequer informa o dia em que houve a efetiva prorrogação do ato fiscalizatório. Na verdade, cabia à Fazenda Nacional demonstrar a data em que houve a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (art. 333, II, do Código de Processo Civil). (...) 6. Entretanto, a Fazenda Nacional nem sequer alude à existência daquele registro eletrônico para demonstrar a regular prorrogação do MPF com a manutenção do auditor fiscal originário. Houve, portanto, violação ao art. 16, parágrafo único, da extinta Portaria SRF nº 3.007/2001. 19. No presente caso, de fato não se vislumbra a configuração de prejuízo em concreto à defesa do sujeito passivo autuado decorrente da falta de prorrogação do mandado de fiscalização. No entanto, parecenos oportuno o registro das considerações acima como uma reflexão necessária sobre os compromissos da Administração com o escorreito cumprimento da legislação tributária, sobretudo diante daquelas hipóteses em que a sua infração não corresponda a qualquer sanção específica. 20. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela contribuinte e voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 21. Quanto ao mérito, transcrevese, abaixo, o seguinte trecho do acórdão recorrido, por pertinente: Conforme a própria Impugnante mencionou, o art. 42, V, “a” e § 1º, do RIPI/2002 estabeleceu o seguinte: Art. 42. Poderio sair com suspensão do imposto: V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso 1); 1 0 No caso da alínea “a” do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°). No entanto, alegou a Interessada que tal disposição somente se aplicaria aos casos em que a empresa exportadora não processasse o Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.094 14 despacho para exportação em suas dependências. Nesse contexto, a empresa Granito Zucchi Ltda. realizaria o despacho em seu próprio estabelecimento, aplicandose o disposto na alínea “V”, a”, do caput do artigo acima mencionado. Pela alegação da Interessada, a suspensão teria previsão em lei, uma vez que a saída seria dada para o local (estabelecimento da comercial exportadora) em que se processaria o despacho aduaneiro de exportação. Entretanto, a mesma Instrução Normativa SRF n. 28, de 1994, estabeleceu o seguinte: Art. 12. Quando o despacho de exportação for realizado nos locais indicados nos incisos 11 e III do artigo anterior, a mercadoria desembaraçada seguirá até a unidade da SRF que jurisdiciona o local de saída do País, ou o local onde ocorrerá transbordo ou baldeação, em regime de trânsito aduaneiro sob procedimento especial, na forma dos arts. 32 a 34, observado o disposto no art. I a mercadoria já desembaraçada em zona primária deva ser removida para outro local de embarque, ocasião em que deverá ser indicada no Sistema, pelo AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) responsável, a unidade da SRF que jurisdiciona o local de embarque. II as atividades de despacho e de embarque ocorrerem em áreas ou recintos alfandegados distintos e que, embora jurisdicionados à mesma unidade da SRF, justifiquem esse controle, a critério da autoridade aduaneira local. Art. 13. A realização do despacho em local não alfandegado de zona secundária fica condicionada, cumulativamente, a que: I no local indicado exista terminal de computador ligado ao SISCOMEX; II a solicitação do exportador seja feita com antecedência mínima de 48 horas da data pretendida para a realização do despacho; e III o pedido seja deferido pela autoridade competente da unidade da SRF jurisdicionante do local de realização do despacho. § 1º A decisão a que se refere o inciso III deverá ser registrada, no SISCOMEX, para ciência do interessado, com antecedência mínima de doze horas do horário indicado para a realização do despacho, designando o AFTN responsável. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.095 15 § 2º Nos casos em que o despacho for realizado em depósito não alfandegado jurisdicionado à mesma unidade da SRF que jurisdiciona o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado de saída da carga do País, o chefe dessa unidade poderá fixar prazo diferente para a apresentação do pedido a que se refere o inciso II deste artigo ou, ainda, dispensar a exigência estabelecida no art. 12. Portanto, tratase de exportação do próprio exportador, que depende de várias condições (fatos futuros incertos), antes de ser processada. Dessa forma, não se consegue conceber como o produto poderia sair do estabelecimento da Impugnante, com o “fim específico de exportação”, se somente quando o produto estivesse no estabelecimento do adquirente poderia ser requerida a autorização da operação de exportação. Isso pelo fato de que está claro nas disposições legais que o exportador é que deve tomar as providências para autorização do despacho em seu estabelecimento. Nesse caso, teria que a própria Impugnante requerer a autorização e tomar as demais providências especificadas no citado art. 13. Obviamente, ou a exportação é direta e efetuada pelo próprio estabelecimento ou é indireta e efetuada por comercial exportadora. A exportação direta é que pode ocorrer nos termos do art. 39, II, da Lei n. 9.532,de 1997, matriz legal do art. 42 do RIPI/2002. No caso dos autos, não se trata desta hipótese e, sim, da do inciso I do referido art. 39. Portanto, é elementar que as disposições dos parágrafos do artigo aplicamse ao caso, não sendo possível ocorrer a exportação regularmente por meio de despacho aduaneiro realizado no próprio estabelecimento da comercial exportadora. Em relação à imunidade, esclareçase que a exportação efetivamente acontece quando a empresa comercial exportadora a efetua. É essa a operação realizada com imunidade. A legislação permite, para a venda com o fim específico de exportação, a suspensão do imposto, por pressupor que, nesses casos, haverá a exportação e o IPI devido na operação será zero. Caso não houvesse a previsão de suspensão, a venda para a empresa exportadora ocorreria com a incidência normal do IPI e a empresa exportadora poderia manter o crédito da aquisição, passando a ter direito ao ressarcimento. Entretanto, para que a suspensão incida, deve haver um procedimento específico, que é o previsto no § 1º citado, para que se tenha certeza de que a mercadoria vendida não possa sofrer qualquer tipo de desvio de destinação no mercado interno. Por isso tem que ser encaminhada diretamente a exportação ou a depósito alfandegado. Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.096 16 Na hipótese sugerida pela Interessada, as mercadorias teriam que sair de seu estabelecimento sem a autorização para realizar o despacho de exportação no estabelecimento do adquirente. Esse fato é completamente incompatível com o “fim específico de exportação”, que não poderia ficar subordinado a um fato futuro ou incerto. Na realidade, as alegações da Impugnante dão conta de um procedimento que não se subsume às disposições que permitem a saída com suspensão do imposto, pois é uma venda que não se enquadra no “fim específico de exportação” para que a empresa exportadora realize as exportações como se se tratasse de produtos de sua exportação e não da Interessada. Esclareçase, novamente, que “específico de exportação” é um conceito legal, ou seja, previsto em lei e, assim, somente é verificado nos casos expressamente descritos na norma. Outras saídas para exportação que não se enquadrem nos termos da lei não se sujeitam à suspensão e, nesse caso, o exportador irá aproveitar se do direito de crédito. Nesse contexto, de nada adiantaria à Impugnante demonstrar o que, de fato, parece até ser impossível que o procedimento ocorreu como alegado" (seleção e grifos nossos). 22. Constatouse, portanto, que a contribuinte descumpriu o disposto no art. 42, inc. V, alínea "a", § 1°, do Decreto n° 4.544/02 RIPI/ 2002, bem como no art. 39, inc. I, § 2°, da Lei n° 9.532/97, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. 23. Nesse contexto, para avaliar se as operações de vendas efetuadas pelo “produtor/vendedor”, ora recorrente, estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há de se proceder ao exame das normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação e, neste sentido, há de se esclarecer que a política fiscal sob exame não guarda correspondência com a imunidade de incidência de contribuições prevista no inciso I, § 2º, do art. 149, da Constituição de 1988, para as operações de exportação. Tratase, na verdade, da suspensão de IPI para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação, nos termos da lei. 24. Observese, assim, que não existe autorização na legislação tributária ou aduaneira para a remessa de mercadorias, com suspensão de impostos, à qualquer outro local, indicado por empresa comercial exportadora, sem as características legais de local para embarque de exportação ou de recinto alfandegado, não eximindose o remetente de responsabilidade, pelo desconhecimento da legislação ou a certeza putativa de que os locais atendiam as exigências legais. Desta feita, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou à recinto alfandegado, tratandose o envio de responsabilidade do produtor/vendedor remetente, individualizada e independente da responsabilidade da comercial exportadora adquirente em comprovar o embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pelo vendedor, conforme disposto no artigo 9º, da Lei nº 10.833/2003, condições legais Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.097 17 voltadas a dificultar eventuais desvios na destinação dos produtos, bem como comercializados indevidamente no mercado interno, bem como prover informações aos controles fiscais e aduaneiros de benefícios. 25. Logo, diante da inobservância das determinações e exigências legais e das condições para a suspensão do imposto, deve ser mantida a exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. 26. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. 27. Por fim, a multa prevista na alínea “b” do §5º do art. 39 da Lei nº 9.532/1997, somente se aplica ao exportador, relativamente à saída com suspensão, quando a exportação não tenha ocorrido no prazo legal e a hipótese de saída com suspensão irregular implica responsabilidade da empresa vendedora, com aplicação da multa de ofício, nos termos da decisão a quo, cujo trecho pertinente abaixo se transcreve: "Em relação à multa, não se aplica ao caso o art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, uma vez que se refere às hipóteses de tributos declarados em DCTF e não pagos no vencimento. Não se aplica também ao caso dos autos o disposto no art. 39, § 3º, da Lei n. 9.532, de 1997, pois se refere à hipótese em que a empresa comercial exportadora tenha recebido as mercadorias e não as exportado no prazo de 180 dias, as tenha vendido no mercado ou tenham elas sido perdidas. Pressupõe o dispositivo que a empresa industrial tenha remetido à comercial exportadora regularmente as mercadorias, conforme previsto na lei, e que a empresa exportadora não as tenha exportado, ficando responsável pelo pagamento do imposto devido na saída do estabelecimento industrial, com incidência de multa e juros de mora. Vale dizer, a suspensão seria regular, mas somente a condição (exportação) não se implementou, produzindo efeitos extunc. No caso dos autos, o estabelecimento industrial deu saída sem o “fim específico de exportação”, e, portanto, com suspensão irregular. Á vista do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação de lançamento" (seleção e grifos nossos). 28. Quanto às demais questões versadas pela contribuinte, não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.098 18 29. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto (vencedor) Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado Expresso no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento externado pelo relator, e que acabaram gozando de acolhida por outros três integrantes do colegiado. Não tenho aparas em relação às considerações do relator no que se refere a questões preliminares, residindo a diferença apenas na apreciação de mérito, mais especificamente no entendimento sobre estar o processo maduro ou não para julgamento. Em meu entender, as alegações de defesa suscitam dúvidas que demandam maiores esclarecimentos, antes da apreciação de mérito. Recordei, na ocasião do julgamento, a existência de precedente, no qual revelei, ainda que tendo sido vencido, posicionamento no sentido de que a efetiva comprovação das exportações mitigaria a incidência do IPI (Acórdão 3403001.833), em determinadas situações, obedecidas as peculiaridades do caso concreto. No entanto, no presente processo, embora haja documentação apontando que foram efetivamente exportadas as mercadorias em análise na autuação (o que o distancia de outro precedente do colegiado, no qual restavam ausentes tais apontamentos Acórdão 3401 004.412), não se consegue, conclusivamente, atestar que cada mercadoria tenha sido objeto de exportação, e qual o tempo decorrido entre a emissão da nota fiscal e a eventual exportação. Como tal informação resulta de simples cotejo entre os dados das notas fiscais e dos despachos de exportação, registrados no SISCOMEX, é perfeitamente possível à autoridade preparadora municiar este colegiado de instrumentos que aperfeiçoem o julgamento, permitindo a exata compreensão do ocorrido no mundo fático, para uma adequada aplicação do ordenamento jurídico referente à matéria. Assim, entendo cabível, no caso, diante da dúvida do julgador, a conversão em diligência, para que a unidade preparadora da RFB verifique, individualizada e conclusivamente, se as mercadorias objeto da autuação foram efetivamente exportadas, discriminado as datas de exportação e de emissão das notas fiscais correspondentes. Detalhandose a demanda, solicitase, especificamente, à unidade preparadora da RFB, que elabore relatório circunstanciado e conclusivo contendo planilha, por Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 15586.001457/201055 Resolução nº 3401001.576 S3C4T1 Fl. 2.099 19 mercadoria/remessa, com as datas de emissão da nota fiscal respectiva, de registro do despacho de exportação, de desembaraço e de averbação de embarque, indicando, em cada caso, o recinto de realização do despacho, e agregando as considerações, os documentos, e os dados que entender necessários e pertinentes. Após a elaboração do relatório circunstanciado e conclusivo, deve ser cientificada a recorrente para que, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 2099DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000385/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2007
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2007
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2007 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 85 /2 00 9- 42 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.047, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16366.000385/200942 Acórdão n.º 3201004.491 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 710DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904224/2011-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
Numero da decisão: 9303-007.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial apresentado tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3402002.664, de 24/02/2014, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 42 24 /2 01 1- 61 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16682.904224/201161 Acórdão n.º 9303007.666 CSRFT3 Fl. 657 2 O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2005 FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas." Cientificada do acórdão, a DRF responsável pela sua liquidação, apresentou embargos inominados para correção da data de julgamento. Os embargos foram acolhidos para sanar o vício apontado, conforme Acórdão nº 3402002.780. Intimado dos acórdãos, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergências quanto às seguintes matérias: 1) indeferimento do pedido de prova pericial ou realização de diligências; 2) direito de crédito derivado de serviços portuários; 3) crédito relativo ao frete de transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos (minas) e entre os estabelecimentos (minas) e o porto de exportação/embarque; e, 4) crédito derivado de projetos e estudos, bem como de serviços de geologia. Por meio do despacho às fls. 391e/396e, o Presidente da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas quanto à matéria do item 3, crédito relativo ao frete de transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos (minas) e entre os estabelecimentos (minas) e o porto de exportação/embarque. Inconformado com o seguimento parcial, apresentou Agravo visando o seguimento de todas as matéria. Contudo, analisado o agravo, este foi rejeitado pelo Presidente da CSRF, nos termos do despacho às fls. 637e/641e. Quanto à matéria admitida, o contribuinte alegou que as despesas incorridas com frete para o transporte de produtos acabados entre suas minas (estabelecimentos) e entre as minas (estabelecimentos) e o porto de exportação/embarque geram créditos, por constituírem despesas na operação de vendas, nos termos do inciso IX, do art. 3º, c/c o art. 15, ambos, da Lei nº 10.833/2003. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e de sua admissão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão da Câmara Baixa por seus fundamentos. É o relatório em síntese. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16682.904224/201161 Acórdão n.º 9303007.666 CSRFT3 Fl. 658 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal se restringe ao direito de o contribuinte se creditar da contribuição para o PIS sobre as despesas incorridas com fretes pago para transporte de produto acabado entre suas minas (estabelecimento) ou entre as minas (estabelecimento) e o porto de exportação/embarque de seus produtos. A Lei nº 10.833/2003, que trata de aproveitamento de créditos da Cofins, inclusive de PIS sobre frete na operação de venda, assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 6o, inciso I, e 10 a 15 do art. 3odesta Lei; (...) Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16682.904224/201161 Acórdão n.º 9303007.666 CSRFT3 Fl. 659 4 As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre as minas (estabelecimentos) do próprio contribuinte e entre as minas (estabelecimentos) e o porto de exportação/embarque de seus produtos constituem despesas na operação de venda. Assim, de conformidade com o disposto no art. 3º, caput e inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser revertida. À luz do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte para reconhecer seu direito de aproveitar créditos do PIS sobre as despesas incorridas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre as minas (estabelecimentos) do contribuinte e/ entre as mina (estabelecimentos) e o porto de exportação/embarque. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16682.904224/201161 Acórdão n.º 9303007.666 CSRFT3 Fl. 660 5 Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721294/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.016613-2, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.0166132, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. RELATÓRIO Sumário sucinto do processo transcrito em nota de rodapé1. 1 I. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 799840 II. AUTO DE INFRAÇÃO fls. 841847 III. IMPUGNAÇÃO fls. 852882 IV. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO fls. 962978 V. RECURSO VOLUNTÁRIO fls. 9871.016 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 29 4/ 20 11 -0 4 Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 127 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por CARGILL AGRÍCOLA S/A., contra o acórdão de julgamento n.º 1644.020, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (2 ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, totalizando o valor de R$ 5.287.545,80, composto por multa de ofício isolada de 150% e juros de mora isolados, tendo como fato gerador as datas de 30/06/2007, 31/07/2007 e 31/12/2007. A presente autuação é devida por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte referente a pagamento de remuneração variável em razão de metas atingidas, utilizados pela empresa de como " Programa de Bônus", que seriam Participação nos Resultados (PPR), mediante crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes (indivíduos remunerados pela empresa instituidora do plano, contribuinte em epígrafe) junto à empresa ITAÚ Vida e Previdência S.A., CNPJ 92.661.388/000190 (na época UNIBANCO AIG Previdência). Diante da importância dos fatos ocorridos e com o intuito de descrever de forma minuciosa os fatos ocorridos, transcrevo , transcrevo parte do Termo de Verificação Fiscal: "(...) ... a empresa não procedeu à retenção do Imposto de Renda devido na Fonte dos seus executivos quando do pagamento de bônus através de previdência privada. É claro para essa fiscalização que o motivo foi assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdenciárias e demais encargos trabalhistas, além obviamente do pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, propiciando, inclusive, que os ditos executivos submetessem seus rendimentos a uma menor tributação em razão do regime próprio dos planos de previdência privada complementar. A empresa alega que o pagamento do Imposto de Renda é de responsabilidade do empregado no momento do resgate. Ora, isso é mais uma incoerência da empresa, pois que os valores aportados em Previdência Privada deveriam ser para o pagamento de benefícios futuros e não para serem resgatados com o objetivo de compor a remuneração anual do empregado. Ao pensar em um procedimento normal de pagamento de bônus, temos que a empresa o faz pelas vias regulares, através de holerite e informação em Folha de Pagamento retendo o Imposto de Renda devido. E caso haja interesse do próprio empregado, ele mesmo aportará esse valor em Previdência Privada e também será decisão sua resgatar esse valor ao invés de receber benefícios futuros sofrendo a retenção do Imposto de Renda. Na situação em apreço vemos que a empresa suprimiu intencionalmente uma fase do procedimento normal ao decidir pagar verbas remuneratórias através de previdência privada com a intenção clara de burlar o fisco. ... Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 128 3 A empresa CARGILL também foi intimada e cientificada através do Termo de Constatação N° 1 de que não foi apresentado o contrato FGB para o ano de 2007, assinado entre a seguradora Itaú e a empresa Cargill, tão somente foi entregue à fiscalização o contrato assinado em 01/04/2009 com a cláusula 17.7 de que os atos praticados em 2007 foram ratificados e convalidados através deste contrato assinado em 2009. Nesse Termo de Constatação a empresa foi cientificada de que a inexistência de um contrato levase a crer pela Simulação de Negócio Jurídico conforme estabelece o inciso III do parágrafo 1º do artigo 167 do Código Civil (Lei n° 10.406/2.002). Além disso, o caput do artigo 167 do Código Civil estabelece que "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se simulou se válido for na substância e na forma", nesse caso, entende a fiscalização de que houve uma dissimulação do pagamento de bônus em aportes em contas de previdência privada. Dessa forma, o termo intimou a empresa a apresentar o contrato celebrado com a seguradora ITAU (na época UNIBANCO) assinado antes do ano de 2007 e válido para este mesmo período [DOC 9]. ... USO INDEVIDO DA PREVIDÊNCIA PRIVADA PARA PAGAMENTO DE BÔNUS: ... E o caso em tela demonstra, de forma clara e precisa, que a utilização de um plano de previdência complementar foi o instrumento utilizado pelo contribuinte para eximirse da incidência das contribuições sociais sobre pagamentos de salário indireto, efetuados aos funcionários ocupantes de cargos de direção. Dessa forma estes valores eram creditados nas contas dos funcionários participantes (executivos) e tinham como verdadeira finalidade o pagamento de remuneração (bônus). Assim, toda a operacionalização da Previdência Privada suplementar paga aos executivos da CARGILL, e descrita minuciosamente neste Termo, descreve a desvirtuação de um instrumento financeiro legal para o pagamento de remuneração. ... DA SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO: O Código Civil (Lei n° 10.406, de 10/01/2002) dispõe sobre a simulação no § I o e incisos, do art. 167, nos seguintes termos: § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 129 4 No que diz respeito ao pagamento de verbas remuneratórias mediante depósito em conta de previdência privada há uma divergência entre a vontade real e a aparente: a fiscalizada quer pagar salário, mas para se furtar à tributação o faz mediante depósitos em conta de previdência privada como se tratassem de contribuições normais a estes planos. Enquadrase, pois, no inciso II, § 1º , do art. 167, do Código Civil em vigor. Esta fiscalização, para formação de sua convicção, além de ter analisado a escrituração contábil da fiscalizada, efetuou diligência, tendo obtido oficialmente documentos da Entidade Aberta de Previdência Complementar EAPC, no caso a Seguradora ITAU. ... CONCLUSÃO DOS FATOS E MOTIVOS PARA ESSE LEVANTAMENTO: A fiscalização, portanto, após extensiva análise dos fatos apurados verificou que os depósitos em conta de previdência privada correspondem à remuneração do segurado. O reditamento em conta de previdência privada somente se presta a evitar a incidência das contribuições previdenciárias, bem como a retenção do imposto de renda na fonte com base na tabela progressiva, e, ainda, cria condições para que o beneficiário se furte à tributação ou se sujeite a uma menor tributação de seu rendimento, quando do resgate do valor correspondente junto à Entidade de Previdência Privada. Tal conclusão se deu em suma por: 1) Não informar os pagamentos de bônus (verbas remuneratórias) em Folha de Pagamento. 2) Os lançamentos contábeis dos Bônus pagos através de aportes em previdência privada foram feitos em conta de bônus e de adiantamento de salário. 3) O pagamento desse Bônus foi feito através de Política de Remuneração Variável que nomeou essa verba de PPR. Houve uma tentativa da empresa em remunerar (pagar bônus) através de verba denominada PPR sem que está obedecesse a lei específica e houvesse a retenção do IRRF. 4) Ação judicial promovida pela empresa que afirma serem os aportes em previdência privada, valores de pagamento de bônus. 5) A rubrica bônus é parcela integrante do Salário de Contribuição, mesmo que paga sob a nomenclatura de PPR. 6) Não retenção do Imposto de Renda devido na Fonte. 7) Não houve contrato para o ano de 2007 entre a empresa e a seguradora para os aportes efetuados no FGB. 8) Houve o uso indevido da Previdência Privada como conta corrente. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 130 5 9) Descumprimento das regras de Previdência Privada ao permitir resgates constantes. 10) Vantagens ao segurado para o não pagamento do imposto de renda devido. 11) Simulação do Negócio Jurídico. É inquestionável o direito discricionário da empresa de poder eleger qualquer empregado ao pagamento de Bônus ou PPR, para tanto podendo se valer de qualquer tipo de critério, instituto ou valor. Porém, a nossa legislação impõe regras para que o fisco aceite a classificação destes valores como Previdência Privada. Após análise dos itens supra citados é notório que a Previdência Privada está sendo utilizada como disfarce de modo tão sistemático que constitui uma subestima ao discernimento da fiscalização e ao nosso conhecimento sobre a legislação que aplicamos. Portanto a empresa contratante (a fiscalizada) responde, não só pelas contribuições previdenciárias, juros e multa, como também por multa isolada e juros de mora isolados em razão de não ter promovido a retenção e recolhimento do imposto sobre valores em espécie entregues ao beneficiário (objeto deste Auto de Infração), ocultados mediante depósitos em conta de previdência privada que não correspondem à contribuição do empregador (a planos de previdência privada), não se cogitando dos efeitos do art. 675 do RIR/99 (uma vez que não se trata de remuneração indireta). Aplicase também em matéria tributária o Princípio da Primazia da Realidade, que demonstra que a simples utilização de contas de Previdência Privada para o pagamento de remuneração variável ajustada, não a transforma em verba não incidente. A real essência do fato gerador é a que deve prevalecer, o instituto utilizado para pagálo visou somente a ocultação da sua real natureza, e a conseqüente fuga das obrigações tributárias. Assim, diante do exposto, concluímos pelo lançamento do débito já que, estes valores foram pagos sem as características legais necessárias à não incidência tributária. A ocorrência da conduta de sonegação por parte do contribuinte fica caracterizada quando se verifica que a fiscalizada tinha total conhecimento da legislação, ou seja, a desvirtuação de um produto financeiro chamado PREVIDÊNCIA PRIVADA, para pagamento de Remuneração Variável. Isto está claro quando para os demais empregados temos uma Previdência Privada nos moldes legais e, com operacionalização condizente com as premissas de tal produto financeiro. O dolo está visível, pois, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal em sua totalidade, já que ofereceu outras verbas salariais à tributação, quis disfarçála com o titulo de Previdência Privada, mas, sem as características legais e operacionais inerentes a esta verba. Taxa de Juros SELIC Mês de referência % ago/07 0,99 set/07 0,80 out/07 0,93 nov/07 0,84 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 131 6 ago/07 0,99 set/07 0,80 out/07 0,93 nov/07 0,84 dez/07 0,84 jan/08 0,93 fev/08 0,80 mar/08 0,84 mar/08 0,84 vencimento (abr/08) 1,00 O lançamento correspondente à infração apurada (Multa Isolada Falta de Retenção ou Recolhimento do IRRF), referente às verbas de natureza salarial pagas, pela fiscalizada, mediante depósito em conta de previdência privada, está embasado no art. 9o da Lei n° 10.426/2002. Para o cálculo dos valores devidos, foi elaborado a Planilha "Demonstrativo da Base de Cálculo e Apuração da Multa Isolada por Falta de Retenção do IRRF, e Juros Lançados", o qual consta dos Anexos IIa e IIb, parte integrante e indissociável do presente Termo de Verificação. Estes Anexos contemplam a totalidade dos beneficiários dos pagamentos de remuneração variável em razão de metas atingidas creditados através das contas de previdência privada, ordenados em ordem crescente de número de CPF, aparecendo na coluna dos nomes dos beneficiários aquele constante no cadastro da RFB. ... Consolidandose por Competência de Mês / Ano, temos a Tabela 5 abaixo com os valores que são o objeto da presente autuação: Conforme demonstrado no presente Termo, o procedimento do contribuinte se amolda perfeitamente ao evidente intuito de fraude de que trata o inciso II, do art. 44, da Lei n° 9.430/96, demonstrado através da prática reiterada da infração (pagamento, por meio ardiloso, de verba de natureza salarial), com intuito doloso no sentido de impedir ou no mínimo retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores decorrentes do pagamento dos rendimentos (verbas de natureza salarial) na qualidade de pessoa jurídica empregadora, ou seja, na qualidade de fonte pagadora, efetuados mediante depósitos em conta de previdência privada. ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 9º da Lei n° 10.426/02, com redação dada pelo art. 16 da Lei n.º1.488, de 15/06/2007. Art. 61, § 3º , da Lei n° 9.430/96; Art. 865 do RIR/99; Art. 70,1, "d" da Lei n° 11.196/05. Art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 132 7 As alegações da Contribuinte na impugnação de fls. 852882 foram julgadas integralmente improcedente (Acórdão de Impugnação fls. 962978), conforme ementa abaixa transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 30/06/2007, 31/07/2007, 31/12/2007 Ementa: MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF. DEPÓSITO EM CONTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA DE FUNCIONÁRIOS. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de imposto na fonte os aportes através de contribuições a planos de previdência complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Após o prazo para entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física, verificada a falta de retenção, devese exigir da fonte pagadora multa de ofício e juros de mora isolados. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Caracteriza simulação o pagamento de remunerações travestidas de aportes patronais em conta de previdência privada de seus dirigentes, cujo procedimento, se não impediu, retardou o conhecimento, por parte da Administração Tributária, da ocorrência dos fatos geradores em apreço, situação a configurar também sonegação fiscal. Impugnação Improcedente". Nas fls. 976/1.016 a recorrente apresenta sua inconformidade quanto à decisão da DRJ de origem,requerendo o seguinte: "1)a autuação carece de falta de previsão legal para a cobrança da multa de ofício isolada no que tange à falta de recolhimento do IR/Fonte, após a data da entrega da declaração pelo efetivo beneficiário do rendimento; 2)restou configurado o equívoco cometido pelos Srs. Auditores Fiscais e Delegacia de Julgamento, pois deixaram de conferir a correta natureza jurídica dos valores depositados pela Recorrente em plano de previdência privada: 3)A Recorrente, como contratante de boafé, reitera que o volume dos aportes e resgates foram efetuados dentro das regras dos planos ofertados pela Seguradora, os quais não podem ser descaracterizados pela DRJ tendo em vista que tais planos foram registrados, aprovados e já fiscalizado pelos competentes órgãos. 4)não há elementos que justifiquem a alegação de ilicitude quanto a conduta praticada pela Recorrente, tampouco a máfé alegada pela d. fiscalização e pela DRJ, impondose a redução da multa agravada e o imediato arquivamento da representação fiscal para fins penais emitida"; Grifei. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 133 8 É o relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha Relator A recorrente foi intimado do julgamento que julgou improcedente a impugnação em 24/03/2013, e o recurso foi interposto em 22/04/2013. Portanto, o recurso é tempestivo, e dele o conheço. Versa o presente processo de autuação por suposta falta de recolhimento do IRRF pela recorrente, diante possíveis atos praticados por esta que teria por intenção de evitar a tributação na origem, e que resultou na aplicação de multa isolada no percentual de 150%, tornando ela o valor principal exigido nesse processo administrativo. Do auto de infração discriminado na fl. 843, temse o seguinte: Portanto, a autuação contra a recorrente que versa sobre o imposto de renda da Fazenda, se deu em razão da mesma ação fiscal, da qual levantou contribuições sociais previdenciárias sobre os planos de participações nos lucros e resultados. Ocorre que, antes dessa iniciativa da Fazenda a contribuinte ajuizou demanda judicial para questionar a não tributação sobre os fatos narrados. A ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132 pretende declarar a inexistência de relação jurídicotributário, para desobrigar a recorrente ao recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os planos de participações nos lucros e resultados estabelecidos por meio dos acordos coletivos e dos planos mantidos espontaneamente por ela, uma vez que tais planos, no seu entendimento, estariam em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Nesse sentido, a decisão de primeira instância no processo administrativo que tratou sobre as contribuições previdenciárias, n.º 19515.721037/201164, identificou que a Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 134 9 demanda administrativa guarda relação com a ação judicial ajuizada pela recorrente, antes do início da fiscalização e autuação fiscal. Em análise do relatório fiscal do processo principal (19515.721037/201164) em conjunto com a petição inicial, sentença e recurso de apelação (efls. 316, e seguintes daquele processo), verificase que há clara concomitância em relação ao que se discute na ação judicial. Inclusive, nas páginas 30 e 31 do eprocesso principal, existe discriminação de tudo que foi solicitado na petição inicial com o que foi atuado na presente demanda administrativa. Apesar da autuação ser específica quanto a exigência de contribuições previdenciárias em PPR de empregados em cargos de gerência e de diretores, e da ação judicial ser mais ampla, onde discute também o PPR de funcionários e estagiários (incluindo gerentes e diretores executivos) a matéria registra semelhança, pois os executivos recebiam a participação de acordo com os planos de bônus próprios mantidos espontaneamente pela empresa, e, portanto, caracteriza a concomitância, conforme descrição de parte do relatório fiscal abaixo: Por outro lado, observase que a ação judicial teve julgado seu mérito quanto aos PPRs de executivos e estagiários. Porém, não foi julgada a matéria no que diz respeito à regularidade plano de participação de resultados de seus funcionários, tendo em vista que o juiz de primeiro grau entendeu que como não havia ainda autuação sobre a contribuinte, não haveria interesse de processual pela demandante, ora recorrente. Assim, a contribuinte alega que corre o risco de não ter decisão de mérito quanto a possível matéria que não teria sido julgado pelo poder judiciário. Contudo, ponto central da questão é que fica inviável ter uma decisão administrativa de conteúdo que está posto perante demanda judicial. A decisão da DRJ já se pronunciou sobre isso, afirmando que não caberia "naquele momento da decisão" afastar qualquer incidência das demais contribuições que não foram objeto de análise de mérito da sentença proferida, uma vez que o processo judicial encontravase em andamento, e ainda completou (efl. 803 do processo 19515.721037/2011 64): "É de se notar, também, que o resgate, como informado pela fiscalização, não se trata de condição essencial para a lavratura dos Autos de Infração em tela, tendo sido tal dado trazido aos autos apenas como mais um elemento para reforçar a sua tese de que estaria havendo a subversão da utilização do instituto da previdência privada". Entretanto, como visto, o recurso de apelação aguarda julgamento pela segunda instância, e nesse sentido, esse colegiado fica impossibilitado de decidir sobre matéria que ainda pende de análise do poder judiciário. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 19515.721294/201104 Resolução nº 2301000.749 S2C3T1 Fl. 135 10 Tendo em vista que, o presente processo trata da incidência do imposto de renda na distribuição dos PPRs, e esse processo teria correlação com o fato gerador da outra demanda questionada em juízo, entendo que seja o caso de suspender o feito, enquanto a decisão final no processo judicial é proferida, pois caso for julgado procedente a demanda do contribuinte, estaria, por consequencia, essa autuação prejudicada. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por sobrestar o presente feito até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.0166132, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1085DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.723208/2017-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PAGAMENTO INDEVIDO - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB.
Numero da decisão: 2002-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo no tocante ao pedido de restituição de valores relativos a outros anos-calendário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que conheceu totalmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PAGAMENTO INDEVIDO - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. REPETIÇÃO DE INDÉBITO PAGAMENTO INDEVIDO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Caso haja a comprovação de pagamento indevido de tributo, o contribuinte deve entrar com procedimento autônomo para reaver estes valores junto a RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo no tocante ao pedido de restituição de valores relativos a outros anoscalendário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que conheceu totalmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 32 08 /2 01 7- 11 Fl. 90DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 17 a 22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos a título de benefícios ou resgates de planos de seguro de vida (VGBL). Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.496,28, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 10 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Cientificado do lançamento por via postal em 26/09/2017 (fl. 23), o interessado impugnou a exigência na data de 10/10/2017, por intermédio do instrumento de fl. 4/5. A defesa alega que os rendimentos pagos por SÃO PAULO PREVIDÊNCIA SPPREV não se tratam de benefícios ou resgates de Planos de Seguro de Vida (Vida Gerador de Beneficio Livre), mas proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Alega ainda que ambos os rendimentos tributados no lançamento seriam isentos, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, em 07/03/2018, no acórdão 1681.623, às efls. 27 a 29, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 38 a 85 no qual alega, em síntese, que é portadora de esclerose múltipla, e, portanto faz jus a isenção dos rendimentos oriundos de aposentadoria. Ainda solicita o ressarcimento dos valores pagos de IRPF. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.723208/201711 Acórdão n.º 2002000.535 S2C0T2 Fl. 91 3 Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/03/2018, efls. 35, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/04/2018, efls. 38, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Observase que o conhecimento é parcial, apenas em relação ao ano calendário em que se processou a fiscalização. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos a título de benefícios ou resgates de planos de seguro de vida (VGBL) . A DRJ atesta que os rendimentos auferidos pela contribuinte possuem natureza jurídica de aposentadoria e não VGBL, como atestou o auditor fiscal na notificação de lançamento. Contudo, como se vê, a decisão não aceitou o laudo acostado pela recorrente para fazer jus a isenção por moléstia grave: O informe de rendimentos às fl. 07 comprova que o rendimento de R$ 26.631,23, de fato, foi pago por SÃO PAULO PREVIDÊNCIA SPPREV a título de proventos de aposentadoria, como alega a defesa, e não benefício ou resgate de Planos de Seguro de Vida (Vida Gerador de Beneficio Livre –VGBL), como constou do lançamento. Não foram apresentados documentos relativos aos valores recebidos em ação judicial federal. Para comprovação da doença, foi apresentado o laudo pericial de fl. 09, emitido por serviço de saúde oficial do estado (Hospital do Servidor Público Estadual, Francisco Morato de Oliveira). Ocorre que o referido laudo médico não indica o nome da doença que acomete a interessada (consta a data do laudo no espaço reservado para indicação da enfermidade diagnosticada) nem qualquer das enfermidades relacionadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (o espaço do formulário reservado para esse fim foi deixado em branco), não se prestando tal documento, pois, a amparar o reconhecimento da isenção pleiteada. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam Fl. 92DF CARF MF 4 oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10875.723208/201711 Acórdão n.º 2002000.535 S2C0T2 Fl. 92 5 dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Tal entendimento exarado pela DRJ não merece guarida, vez que o laudo juntado em sede de impugnação, às efls. 10, por si só, já basta para a concessão da isenção, pois claramente o CID G35 referese a esclerose múltipla. Considerando que é portadora moléstia grave desde 2002 e que resgatou o dinheiro da aposentadoria em 2013, tais rendimentos estão isentos. Ainda, a contribuinte pleiteia o ressarcimento dos valores de IRPF pagos anteriormente a concessão da moléstia grave. Como se aposentou em 2008 e consiga comprovar que seus rendimentos foram tributados, a contribuinte precisa entrar com procedimento autônomo Fl. 94DF CARF MF 6 junto a Receita Federal do Brasil solicitando a repetição de indébito, através de manifestação de inconformidade. Logo, cumpridos todos os requisitos para a concessão do benefício da isenção. Diante do exposto, conheço parcialmente do presente Recurso para, no mérito darlhe provimento, reconhecendo a isenção dos rendimentos da recorrente. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000964/2009-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO.
A informação extemporânea da desconsolidação do conhecimento eletrônico de carga enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/66. Incabível os argumentos de denúncia espontânea por não se aplicar aos casos de descumprimento de prazos. Aplica-se o estabelecido na Súmula CARF no 126.
Numero da decisão: 3001-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. A informação extemporânea da desconsolidação do conhecimento eletrônico de carga enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66. Incabível os argumentos de denúncia espontânea por não se aplicar aos casos de descumprimento de prazos. Aplicase o estabelecido na Súmula CARF no 126. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 09 64 /2 00 9- 92 Fl. 117DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Impugnação emitido pela DRJ do Rio de Janeiro que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para exigência da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66, com redação dada pela Lei no 10.833/03. Afirma a fiscalização que o Agente de Carga FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Genérico 070905053229913 a destempo em 15/05/2009 às 11:21 cuja carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Suape com atracação registrada em 17/05/2009 07:54. Insta registrar que o citado Conhecimento Eletrônico foi incluído em 11/05/2009 às 15:36, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. A perda do prazo ocorreu em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house em prazo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. A Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração alegando, em síntese, o seguinte: (i) No caso de ter havido a operação de descarga da mercadoria, não há que se falar em não prestação de informação; (ii) A aplicação da multa fere o princípio da proporcionalidade e da isonomia (é mais rigorosa sobre a carga do que sobre tripulantes ou passageiros), além de ser confiscatória; (iii) A penalidade deve ser afastada em face do instituto da denúncia espontânea; (iv) Seria a norma aplicada inconstitucional; (v) Não houve dolo no sentido de embaraçar à fiscalização aduaneira; (vi) Houve ofensa ao princípio da motivação, eis que o auto de infração foi parcamente fundamentado; (vii) Ofensa ao princípio da razoabilidade; (viii) A impugnante não deixou de prestar as informações essenciais à fiscalização. A DRJ do Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 12088.375 a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais, mormente havendo na espécie obediência ao devido processo legal e inexistindo qualquer prejuízo ao sujeito passivo que tenha o condão de macular sua defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11968.000964/200992 Acórdão n.º 3001000.699 S3C0T1 Fl. 245 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É importante destacar que o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, uma das condutas infracionais cominadas pela multa regulamentar em relevo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS NO SISCOMEX. No caso de transporte aéreo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes às mercadorias chegadas no país se deu após decorrido o prazo regulamentar, é devida a multa por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância alegando o seguinte: (i) da ausência da infração por ter ocorrido a efetiva prestação da informação; (ii) aplicação do princípio da razoabilidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 119DF CARF MF 4 Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF nº 800/2007. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário os seguintes motivos para cancelamento da penalidade: (i) Da ausência da infração por ter ocorrido a efetiva prestação da informação; (ii) Da aplicação do princípio da razoabilidade. 1) Da ausência da infração por ter ocorrido a efetiva prestação da informação A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que houve uma má interpretação da legislação que rege a matéria visto que houve retificação das informações e que em nenhuma hipótese deixou de prestar as informações devidas. Afirma ainda que “apenas concluiu a desconsolidação das cargas após apenas três horas”. Não assiste razão à recorrente. O art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11968.000964/200992 Acórdão n.º 3001000.699 S3C0T1 Fl. 246 5 da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifos da reprodução) Diante desta determinação legal, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF no 800/2007 que estabeleceu em seu art. 22, III o seguinte: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Portanto, conforme disposto, a conclusão da desconsolidação deve ocorrer até 48 horas antes da chagada da embarcação no porto de destino. No presente caso, a embarcação atracou no Porto de Suape em 17/05/2009 07:54 e a conclusão da desconsolidação se deu em 15/05/2009 às 11:21, ou seja, em prazo inferior àquele estabelecido na norma acima reproduzida. Diante do exposto, procedente a aplicação da multa aduaneira consubstanciada no presente auto de infração. 2) Da aplicação do princípio da razoabilidade Alega a Recorrente a inobservância do Princípio Constitucional da Razoabilidade tendo em vista o prazo para reunir todas as informações a serem prestadas ser demasiado apertado. Não procedem as alegações da Recorrente tendo em vista que os prazos foram estabelecidos pela IN SRF nº 800/2007, conforme determinação do art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 acima transcritos. Destaquese ainda que não compete a este tribunal administrativo a apreciação da constitucionalidade das disposições de ato legal vigente, qual seja, o Decretolei no 37/66. Esta determinação encontrase disposta na Súmula CARF no 2 abaixo reproduzida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, procede a aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 em virtude da inclusão do conhecimento eletrônico house fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF nº 800/2007. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter na íntegra a decisão de primeira instância. Fl. 121DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720154/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO.
As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO.
A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-006.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO. A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-30T17:06:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-30T17:06:48Z; Last-Modified: 2019-01-30T17:06:48Z; dcterms:modified: 2019-01-30T17:06:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-01-30T17:06:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-30T17:06:48Z; meta:save-date: 2019-01-30T17:06:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-30T17:06:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-30T17:06:48Z; created: 2019-01-30T17:06:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-01-30T17:06:48Z; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-30T17:06:48Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 410 1 409 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16062.720154/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.862 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente EDUARDO DIEZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO. A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 01 54 /2 01 5- 11 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 411 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de fls. 2 a 10, referente aos anoscalendário de 2009 a 2013, cuja ciência ao contribuinte se deu em 7/7/15. Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcrevemos os seguintes excertos do Acórdão nº 0266.969, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 335 a 367: De acordo com o Auto de Infração, fls. 02/218, o motivo da autuação foi o recebimento de lucros de empresa em débito não garantido perante o Fisco Federal e/ou Previdência Social (INSS), por falta de recolhimento de tributo no prazo legal. A distribuição de lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Consta das fls. 14 a 27 dos autos, Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária – Grupo econômico – Fato gerador comum – Infração à lei – Lucros fictícios, onde a fiscalização detalha os passos seguidos e informa que durante os procedimentos de auditoria interna de DCTF previstos na IN RFB 1.110/2010, art. 8º, § 1º, realizados no contribuinte CBS (CNPJ 57.170.375/000117), verificouse que esse constitui uma única unidade administrativa e produtiva, sendo na realidade a mesma pessoa jurídica, ou ao menos levando a solidariedade à pessoa jurídica ELOS (CNPJ 04.868.082/000141). [...] O termo acostado às fls. 204 a 208 detalha a forma de aplicação da multa, legislação aplicável e cálculos efetuados para se chegar a seu montante e demais informações do procedimento realizado. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 221 a 245, alegando, em síntese: Vício no auto de infração por inexistência de notificação para que o contribuinte prestasse esclarecimentos antes da autuação; Nulidade pela ausência de requisitos mínimos da autuação; Inexistência de repasse de valores; Possibilidade de realizar distribuição de capital pelo impugnante; Fl. 422DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 412 3 Caráter confiscatório da multa aplicada. Ao julgar a impugnação, a DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, consignando a seguinte ementa em sua decisão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em DÉBITO, não GARANTIDO, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que houverem recebido as importâncias indevidas. INTIMAÇÃO PARA PRESENÇA DE PROCURADORES NO JULGAMENTO. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para a intimação para presença de procuradores em sessão de julgamento de primeira instância. A legislação de regência do processo administrativo fiscal não prevê a sustentação oral como meio de prova, ao contrário, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Cientificado da decisão de primeira instância, em 24/12/15, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 371, o contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 334 e 335), interpôs o recurso voluntário de fls. 375 a 394, em 18/1/16, no qual apenas repete e reforça argumentos da sua impugnação, nos seguintes termos, em síntese: DA INEXISTÊNCIA DE REPASSSE DE VALORES A AutoridadeFiscal autuou o Recorrente, todavia, não observou fatos que delineiam a não incidência na norma sob comento, notadamente em razão da falta de transferência de valores. O Recorrente por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo. Em razão da movimentação contábil, onde houve a transferência somente do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 413 4 realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. [...] Por meio dos argumentos lançados, verificamos que não houve a incidência do fato determinado pela lei, eis que o substrato fático necessário não se fez presente. A finalidade da lei é coibir a transferência de valores aos sócios em prejuízo ao ente tributante (União), fato que não ocorreu, determinando a insubsistência do auto. DA POSSIBILIDADE DE REALIZAR DISTRIBUIÇÃO DE CAPITAL PELO RECORRENTE [...] Quando pensamos na hipótese de incidência da norma, devemos observar que o lucro distribuído deve ser aquele do período do qual há o débito, não sendo cabível a imposição da multa, quando há distribuição de lucro anteriormente auferido pela pessoa jurídica que realizou a distribuição de lucro, como ocorreu no presente caso. Com isso, chegamos à conclusão de que a distribuição do lucro que foi obtido em momento anterior a existência do débito, não pode determinar a imposição de multa, porquanto o que se distribui é lucro pretérito, do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa. Quando aplicamos o entendimento acima apresentado, observamos que o ato jurídico perfeito está sendo respeitado, porque o direito já existia anteriormente, somente foi utilizado no momento ao qual o titular do direito entendeu ser melhor, como ocorreu no presente caso. [...] Os próprios débitos constituídos que determinam a aplicação da multa conforme consta do auto de infração são posteriores ao ano de 2011, o que por si só já determina a minoração da multa nos termos apresentados. Não bastasse isso, observamos que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal que preferiu impor a multa ao Recorrente. [...] Outro ponto que não foi observado para a imposição da multa é de que a ELOS não possuía qualquer débito para que o lucro não pudesse ser distribuído, o que retira da mesma forma a ilegalidade. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 414 5 A proibição legal quanto à distribuição de lucro é determinada pela lei, onde não há possibilidade de analogia ou interpretação extensiva para a aplicação da punição, onde a pena deve estar restrita ao agente não podendo passar da esfera desta. DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA O §2º do Artigo 32 a Lei 4.357/1964, determina a imposição da multa limitada a 50% (cinquenta por cento) do débito não garantido, onde não houve qualquer critério para a aplicação da multa sob comento. De primeiro é necessário observar que a multa aplicada não observou os critérios objetivos da lei, porquanto não foi observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Ademais, os lucros distribuídos foram realizados pela importância de R$ 3.734.836,60 (Três Milhões, Setecentos e Trinta e Quatro Mil, Oitocentos e Trinta e Seis Reais e Sessenta Centavos), sendo que a multa aplicada somente ao Recorrente é superior ao dobro. Com a alegação acima formulada observamos o caráter de confisco da imposição da multa que é superior ao lucro transferido, o que determina desproporcionalidade da mesma. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada inexistência de repasse de valores Segundo o Recorrente, por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo, havendo, pois, somente a transferência do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. Em primeiro grau de julgamento, assim discorreu a DRJ quanto a alegada inexistência de repasses: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 415 6 Na peça de defesa, o contribuinte não questiona a caracterização do grupo econômico. Ele alega que não houve repasse de valores sendo que a empresa realizou somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo para o seu patrimônio passivo a longo prazo. No entanto, não são apresentadas provas cabais dessa alegação tais como cópias de livros Diário e Razão, acompanhados de toda a documentação que deu suporte às movimentações, de todas as empresas do grupo ou outros elementos suficientes a demonstrar a alegação. Junto a peça de defesa do processo principal, foram trazidos apenas balanços patrimoniais de vários anos da empresa Elos, onde fica demonstrado que essa empresa teve lucros significativos em todos os anos. Não foram trazidos os balanços das outras empresas do grupo econômico para permitir a análise completa do grupo. Os lucros recebidos foram declarados pelos sócios em suas declarações de ajuste anual. Assim, descabida a alegação de que não houve repasse e sim movimentação de um campo contábil para outro. Da transcrição acima, temse que o Recorrente não carreou aos autos, junto com sua impugnação, elementos de prova necessários para demonstrar sua alegação, tais como livros Diário e Razão de todas as empresas do grupo econômico, com os documentos das movimentações, ou outros elementos capazes de fazer a demonstração. Agora, com seu recurso voluntário, além de não fazer qualquer complementação probatória, o Recorrente se limita a repetir as alegações de sua impugnação. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu no presente caso. Ademais, com base nos documentos constantes dos autos, constatase que a empresa ELOS teve lucro nos anoscalendário sob exame e que o Recorrente declarou, em suas DAAs, fls. 28 a 71, ter recebido lucros dessa empresa. Sendo assim, mantemos a decisão de primeira instância quanto a esse item do recurso voluntário. Da alegada possibilidade de distribuição de capital Segundo o Recorrente, o lucro distribuído corresponde a lucro pretérito (2003 a 2008), do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa, uma vez que na época não tinha débito. Aduz, ainda, que o débito em questão diz respeito à empresa CBS e não deveria passar da esfera dessa. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 416 7 Pois bem, tendo em vista que o Recorrente repete as alegações da sua impugnação, sem trazer qualquer razão nova, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: A auditoria fiscal fundamentou o lançamento da multa regulamentar pela distribuição de lucros por pessoa jurídica em débito não garantido por falta de recolhimento de imposto no prazo legal nos artigos 889 e 975 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, os quais têm como matriz legal o artigo 32 da Lei nº 4.357, de 1964, alterado pela Lei nº 11.051, de 2004: [...] Notese que a condição legal que determina a aplicação da multa regulamentar consiste na existência de débito não garantido, que no caso concreto foi demonstrada pela autoridade fiscal que salienta na fl. 03 dos autos que a Distribuição dos lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ), e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). É importante esclarecer que a norma instituidora da citada multa dispõe que a pessoa jurídica estará impedida de distribuir lucro enquanto estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, de modo que a conduta vedada se aperfeiçoa no momento em que são distribuídos os lucros aos sócios, no caso, os anoscalendário 2009 a 2013. Quanto à expressão “débito não garantido”, temse que na legislação tributária federal, como regra, não exige garantia, ressalvadas algumas garantias previstas na legislação aduaneira e o depósito administrativo, que é uma faculdade do contribuinte, de forma que tendo o sujeito passivo efetuado o depósito ou prestado garantia por exigência da legislação tributária, estaria eximido da aplicação da penalidade de que se trata. Assim, deveria a pessoa jurídica, previamente à distribuição de lucros, procurar a Repartição Fazendária para prestar a garantia do débito de modo espontâneo, a fim de que não lhe fosse imputada ou a um de seus diretores, a penalidade de que ora se trata. Observase que a fiscalização realizou uma minuciosa pesquisa interna da situação cadastral, social e econômica das empresas do grupo e das atividades de industrialização desenvolvidas entre elas, demonstrando por meio do Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária, a união entre as empresas ali citadas. Os débitos das empresas estão descritos no referido termo, fls. 22/25, inclusive constando ali depoimentos dos próprios sócios Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 417 8 afirmando que a empresa DR recebe valores referentes a Elos e CBS (pé da fl. 24). Da leitura atenta desse termo, fica patente que as referidas empresas trabalham em uníssono e constituem um verdadeiro grupo econômico, sendo que os débitos para com a União ficam centralizados em uma empresa, enquanto se distribui os lucros aos sócios, por meio de outra. [...] A defesa alega também que para valer a norma essa deveria incidir sobre a distribuição do lucro que ocorre no período para o qual há débito e que por isso a distribuição de lucro obtido em momento anterior a existência do débito não pode determinar a imposição de multa. Afirma que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal. Também essa alegação não se sustenta. A interpretação da lei em comento é de que a empresa ou o grupo não pode distribuir lucros aos sócios estando, no momento dessa distribuição, com débitos não garantidos perante a União. Na lei não há referência sobre o momento da obtenção dos referidos lucros. A definição desses momentos (obtenção e distribuição) é uma prerrogativa da própria empresa e de seus sócios que definem essas datas de acordo com seu plano estratégico de administração e com sua conveniência. As meras alegações do impugnante a respeito das datas de distribuição dos lucros e dos valores que ainda teria a distribuir trazidos na peça de defesa, não tem o condão de modificar o lançamento aqui em análise que é conclusivo de que houve distribuição de lucros havendo débitos do grupo econômico não garantidos junto à União. Do percentual da multa aplicada O Recorrente alega que a multa aplicada não teria observado os critérios objetivos da lei”, porquanto não teria sido observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Alega, também, que teria sido aplicada multa em relação ao Recorrente em valor “superior ao dobro”, com caráter de confisco, o que determinaria a sua desproporcionalidade. Em que pese a defesa, aqui também não procedem as alegações recursais. Primeiramente, vajamos o que dispõe a Lei 4.357, de 16/7/64, com redação dada pela Lei 11.051, de 29/12/04, a respeito da multa ora em análise: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Fl. 428DF CARF MF Processo nº 16062.720154/201511 Acórdão n.º 2402006.862 S2C4T2 Fl. 418 9 Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: [...] b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº11.051, de 2004) [...] II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme se observa nos dispositivos acima, a multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros realizada em desacordo com o art. 32, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e seria desproporcional, impende ressaltar que o princípio do nãoconfisco, estabelecido na Constituição Federal de 1988, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Além do mais, independente do seu quantum, a multa ora imposta decorre de lei e deve ser aplicada, pela autoridade tributária, sempre que for identificada a subsunção da norma punitiva à conduta, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade tributária aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos dela decorrentes. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa aplicada. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.902150/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.603
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.902150/201325 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.603 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2018 Assunto PIS/COFINS Recorrente GREEN STAR PECAS E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 15 0/ 20 13 -2 5 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10850.902150/201325 Resolução nº 3401001.603 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10850.902150/201325 Resolução nº 3401001.603 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 226DF CARF MF
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