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Numero do processo: 37172.002305/2004-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1998
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ALEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA E NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. DESCABIMENTO. PERDA DE OBJETO. REALIZAÇÃO DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DA COMPETÊNCIA DE 12/1998. Nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/91 e art. 124 do Código Tributário Nacional, o dono ou proprietário da obra responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações previdenciárias incidentes. No caso dos autos, em tendo havido prévia fiscalização na empresa prestadora de serviços, perdem o objeto as alegações recursais no tocante a necessidade de apuração anterior do cumprimento da obrigação na prestadora, da aplicação do benefício de ordem e mesmo da tese de que a responsabilidade, no caso, é subsidiária e não solidária. pois em havendo pagamentos que não foram comprovados na prestadora, outro não é o entendimento, senão da manutenção da cobrança em face do proprietário da obra.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.615
Decisão: ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: Lourenço Ferreira Do Prado
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS E OUTRO Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1998 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ALEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA E NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. DESCABIMENTO. PERDA DE OBJETO. REALIZAÇÃO DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DA COMPETÊNCIA DE 12/1998. Nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/91 e art. 124 do Código Tributário Nacional, o dono ou proprietário da obra responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações previdenciárias incidentes. No caso dos autos, em tendo havido prévia fiscalização na empresa prestadora de serviços, perdem o objeto as alegações recursais no tocante a necessidade de apuração anterior do cumprimento da obrigação na prestadora, da aplicação do benefício de ordem e mesmo da tese de que a responsabilidade, no caso, é subsidiária e não solidária. pois em havendo pagamentos que não foram comprovados na prestadora, outro não é o entendimento, senão da manutenção da cobrança em face do proprietário da obra. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 629 2 Lourenço Ferreira Do Prado Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 630 3 Relatório Tratase de crédito tributário lançado em desfavor de USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS – USIMINAS, por meio de NFLD, para a cobrança de contribuições previdenciárias, na qualidade responsável solidária, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados da empresa ANCOBRÁS ANTICORROSIVOS DO BRASIL LTDA, relativamente a serviços por ela prestados para realização de obras de construção civil. O lançamento compreende as competências de 11/1995 a 12/1998, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 26/12/2002. A ora recorrente, USIMINAS, apresentou impugnação (fls. 43/186), bem como a empresa ANCOBRÁS ANTICORROSIVOS DO BRASIL LTDA, na qualidade de devedora solidária (fls. 189/259). Diante disso, fora realizada diligência pelo fiscal notificante (fls. 264/271), na qual o crédito tributário restou retificado em todas as suas competências. Processada a impugnação, sobreveio, então a r.decisão notificação, a qual manteve em parte o lançamento, apenas o retificando conforme as conclusões adotadas pelo fiscal notificante na diligência efetuada, com a ressalva da interposição de recurso de ofício ao Ilmo. Sr. Chefe da Divisão de Arrecadação e Gerência Executiva de Belo Horizonte. Em decisão de fls. 285, foi negado provimento ao recurso de ofício, mantida, portanto a r. decisão notificação. A contribuinte USIMINAS, ora recorrente, apresentou, na oportunidade, recurso voluntário que foi distribuído a 2a Câmara de Julgamentos do Conselho de Recursos da Previdência Social, o qual veio a ser julgado (fls. 324/327) em 25/02/2005, tendo sido provido por maioria de votos no sentido da anulação da decisão notificação para que “fossem realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário.” Quando do julgamento pelo CRPS restou decidido que a diligência deveria cumprir as seguintes exigências: a) Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. b) Caso não se verifique nenhuma dessas situações, deve ser analisada a contabilidade da empresa prestadora de serviços, para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido pela NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à então recorrente por solidariedade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 631 4 Baixados os autos, veio a ser determinada a realização da diligência (fls. 328), quando, após, sobreveio nova decisão Notificação (fl.s 332/335), por meio da qual foi reconhecido que a empresa prestadora dos serviços foi fiscalizada com contabilidade no período de 01/94 a 09/98, quando se verificou o efetivo pagamento das contribuições, motivo pelo qual, mais uma vez, restou retificado o lançamento. Entretanto, a mesma decisão manteve apenas a competência de 12/98, pois considerou que a empresa prestadora não fora fiscalizada neste período e não fez opção pelo REFIS, concluindo, portanto, “inexistirem provas de que as contribuições discutidas foram recolhidas em razão da não apresentação de guias de recolhimento vinculadas aos serviços prestados” pelo que restou mantido o débito. Novamente indicada a interposição de recurso de ofício, da nova Decisão Notificação, este veio a ser improvido pela decisão de fls. 340. Intimada, a ora recorrente apresentou recurso novo voluntário (fls.552/563), alegando: 1. O não cumprimento pelo fiscal notificante da totalidade das determinações do acórdão proferido pela 2a Câmara de Julgamentos do CRPS, pois em se verificando que a contabilidade da prestadora não foi fiscalizada na competência de 12/98, esta deveria ter sido analisada pelo fiscal notificante; 2. Inexistência de solidariedade do art. 30, IV da Lei 8.212/91 que a obrigue ao pagamento das contribuições objeto da NFLD, pois, nos termos de referido artigo, as únicas hipóteses capazes de gerar o vínculo são a construção, reforma ou acréscimo, o que não é o caso dos autos; 3. que os serviços contratados foram de substituição dos revestimentos internos de tanque de aço já existente, revestimento de pintura com produto anticorrosivo 04 (quatro) silos metálicos em chapa de aço, utilizados para armazenar areia, revestimento com produto anticorrosivo várias superfícies de concreto que compõem a Estação de Tratamento e Recirculação de água. 4. que responsabilidade do art. 30, IV da Lei 8.212/91 é subsidiária e não solidária; 5. nulidade da NFLD em razão da ausência de prévia fiscalização na prestadora de serviços; Antes de ser processado o recurso, achou por bem o Serviço de contencioso Administrativo de Belo Horizonte, às fls 567, determinar o encaminhamento dos autos do presente processo à Delegacia da Receita Federal de Guarulhos, domicílio fiscal do contribuinte prestador do serviço, para que fosse analisada sua escrita contábil no período de 12/1998. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 632 5 Conforme informação de fls. 570, a empresa prestadora de serviços foi intimada a apresentar documentação requerida, contudo, não o fez, lhe tendo sido aplicado o auto de infração n. 35.819.4652, de modo que não foi possível a emissão de parecer conclusivo quanto ao recolhimento ou não da competência de 12/98. Os autos retornaram à Delegacia de Belo Horizonte, quando então foram apresentadas contrarazões ao recurso interposto (fls. 572/575) pelo AFPS. Desta feita, os autos foram encaminhados novamente a este Eg. Conselho, que, em observância ao princípio do contraditório e ampla defesa, determinou ao contribuinte que se manifestasse acerca do resultado da diligência constante às fls. 570 dos autos. Devidamente intimada a recorrente. e sem qualquer manifestação, os autos retornam a este conselho para o julgamento do recurso voluntário. Por fim, verifico a necessidade de posterior envio dos autos a Secretaria para que sejam renumeradas as folhas do processo a partir das fls. 345. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 633 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO O recurso é tempestivo e preenche dos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. MÉRITO Inicialmente, cumpre salientar que todas as diligências já levadas a efeito surtiram o seu efeito prático pretendido, sendo que a última delas, cientificou o contribuinte acerca do resultado não conclusivo da fiscalização levada a efeito e que apurou junto a prestadora de serviços, se havia sido ou não recolhida a competência de 12/98, única que restou na NFLD ora combatida, após das diversas correções efetuadas no lançamento. Verificase, que a prestadora não respondeu a intimação, situação que ensejou, inclusive, a aplicação de Auto de Infração pela não apresentação de documentos e/ou esclarecimentos. Ou seja, já fora levado a efeito a prévia fiscalização junto a prestadora e não se verificou o recolhimento da competência de 12/1998. Desta feita, fato é que, após a realização das diligências junto a prestadora, não mais subsiste efeito prático na alegação de que não poderia a recorrente ser responsabilizada em razão da ausência de prévia fiscalização na prestadora de serviços ou que almeja seja reconhecido em seu favor o benefício de ordem (responsabilidade subsidiária), questões que não serão analisadas no presente julgamento, pela clara perda de seu objeto, uma vez que o pleito da recorrente fora atendido neste sentido. Dito isso, passo a análise dos demais argumentos do recurso voluntário. Emerge, ainda da argumentação constante do recurso que os serviços prestados não se enquadram nas hipóteses de responsabilização do proprietário ou incorporador descritas no art. 30, VI, da Lei 8.212/91, pois em nenhum dos casos, tratouse de construção, reforma ou acréscimo. Na tentativa de comprovar suas alegações, aponta a recorrente o objeto dos contratos levados a efeito e que de fato foram realizados. Entretanto, tais contratos não são os relativos à competência de 12/1998, mas das competências que já foram objeto de exclusão do lançamento, conforme de depreende dos anexos ao relatório fiscal (fls. 35/36). A competência de 12/1998, ao que se verifica às fls. 36, referese a outro contrato entabulado que não aqueles indicados no recurso, sobre o qual o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documentação que pudesse elidir o lançamento fiscal, demonstrando, pois, ou que a competência já havia sido recolhida, ou que por algum motivo de expressa dispensa legal ou não enquadramento, não deveria ter a mesma sido recolhida. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 37172.002305/200426 Acórdão n.º 2402001.615 S2C4T2 Fl. 634 7 Ademais, ainda em observância ao art. 30, IV da Lei 8.212/91, poderia a ora recorrente ter elidido a cobrança em seu desfavor, desde que optasse por efetuar a retenção, como garantia, do valor da contribuição devida quando efetuado o pagamento ao prestador de serviço. Em não o fazendo, lhe resta, apenas, a ação regressiva contra o construtor, já que se trata de responsável solidário. Confirase o teor do artigo em comento: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Certo é que a solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia pelo adimplemento da obrigação tributária em favor do Fisco. Esta tem por objetivo precípuo garantir a arrecadação, sendo sua finalidade a de facilitar a satisfação dos interesses da Administração, permitindo a ação do Estado diretamente sobre quem melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. A figura da responsabilidade solidária, portanto, surge no Direito Tributário com o único fim de resguardar o adimplemento do crédito tributário criando mecanismo para o Estado indicar, com exclusividade, contra quem irá agir, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito não impostas pela lei. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16306.720823/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a conexão deste processo com o de nº 10880.660176/2012-52, devendo os presentes autos serem encaminhados à Presidência da 1ª Seção para que seja providenciada a respectiva apensação.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a conexão deste processo com o de nº 10880.660176/201252, devendo os presentes autos serem encaminhados à Presidência da 1ª Seção para que seja providenciada a respectiva apensação. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão nº1465.812, proferido pela DRJ/RPO, em 26/04/2017, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Interessada, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo, em parte, os termos e fundamentos da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .7 20 82 3/ 20 13 -8 3 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 908 2 Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp), apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, vinculadas ao Pedido de Restituição número 42470.52187.150512.1.6.021211, por meio das quais pleiteia a interessada o reconhecimento de direito creditório, com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, para a compensação de débitos próprios declarados em Dcomp. 2. Não houve o reconhecimento do direito creditório utilizado, nem foram homologadas as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório (manual), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária –DERAT/SÃO Paulo (SP): “Servem os autos de instrumento de Declarações de Compensação, conforme tabela 01, abaixo, que utilizam crédito de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, o qual foi solicitado por meio do Pedido de Restituição – PER nº42470.52187.150512.1.6.021211 (fls. 19 A 22). [...] 1 Do direito de compensação Conforme Despacho Decisório do PER/DCOMP nº 42470.52187.150512.1.6.02 1211 (cuja cópia encontrase às fls. 12), o Pedido de Restituição de fls. 19 a 22 foi INDEFERIDO, não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório relativo a saldo credor de IRPJ do anocalendário de 2010. Cabe ressaltar ainda que, de acordo com o inciso X, § 3º, artigo 41, da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 (a seguir transcrito), as declarações de compensação relacionadas na Tabela 01 não são passíveis de homologação: "Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as c contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos." § 3º. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: X – o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Em vista do exposto, proponho a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações constantes nos PER/DCOMPs nº 30888.50546.160113.024286 (fls. 02 a 05) e nº35262.67744.180113.1.3.026851 (fls. 06 a 11).” Fl. 908DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 909 3 3. Cientificada do Despacho Decisório em 11 de abril de 2013, fl. 26, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 08/05/2013, com as alegações que se seguem. 3.1. Diz que é concessionária de serviço público, responsável pela construção, operação e comercialização da energia gerada pela Usina Hidrelétrica Santo Antônio, localizada no rio Madeira, Porto Velho (RO), cuja construção se iniciou em agosto de 2008. Informa que das 44 turbinas previstas no projeto, 2 entraram em operação no primeiro trimestre de 2012, devendo as demais ser instaladas e acionadas até 2.016. 3.2. Afirma que durante o período que antecedeu o início de suas operações, ou seja, na fase préoperacional, incorreu em despesas pré operacionais e financeiras relacionadas ao empreendimento. Auferiu receitas decorrentes de aplicações financeiras vinculadas a recursos destinados à construção da Usina. 3.3. E continua: "3. Ao longo do anocalendário de 2010, exercício de 2011, a Requerente sofreu retenções na fonte do imposto de renda (IRRF) incidente sobre as receitas financeiras auferidas durante referido período. Considerando o estado préoperacional da Requerente, citadas receitas foram registradas e contabilizadas em conta do ativo, submetendose à tributação prevista para as empresas ainda não operacionais, segundo determinam as melhores práticas contábeis e fiscais, conforme será detalhado a seguir. 4. Ao fim daquele anocalendário, a Requerente apurou saldo negativo de imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) no montante de R$ 16.133.756,21 (...), o qual foi objeto de pedido de restituição instrumentalizado pela PER/DCOMP nº 42470.52187.150512.1.6.02 1211, transmitida em 15.05.2012 (doc.06)." 3.4. Com base no Pedido de Restituição, apresentou Declarações de Compensação em janeiro de 2013, sob números 30888.50546.160113.1.3.024286 e 35262.67744.180113.1.3.026851, as quais não foram homologadas. 3.5. Afirma ter sido cientificada do Despacho Decisório em 11/04/2013 apresentado sua manifestação de inconformidade em 13/05/2013 (segundafeira), pelo que sua petição é tempestiva. 3.6. Requer a reunião e julgamento em conjunto deste processo ao de número 10880.660176/201252. Em suas palavras: “10. Conforme afirmado pelo próprio Despacho decisório, as compensações formalizadas por meio das PER/DCOMPs 30888.50546.160113.1.3.024286 e 35262.67744.180113.1.3.026851 (docs. 03/04) não foram homologadas em razão do não reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Requerente por meio da PER/DCOMP n. 42470.52187.150512.1.6.021211 (doc. 06), objeto de discussão nos autos do Processo Administrativo nº 10880.660176/201252. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 910 4 11. A conexão e vinculação da compensação pretendida nestes autos com o direito creditório pleiteado nos autos do PAF 10880.660176/201252, uma vez que o reconhecimento da legitimidade dos créditos naquele processo influenciará diretamente o resultado deste. 12. Diante disso, impõese no presente caso a reunião e apensamento desses processos administrativos para julgamento em conjunto, a fim de que seja evitada a prolação de decisões contraditórias entre si, nos termos do art. 6º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/09.” 3.7. Para comprovação da retenção do imposto na fonte, junta o Demonstrativo de Apuração do IRRF do anocalendário de 2010 (doc. 07), os Informes de Rendimentos respectivos (doc. 08/14) que comprovam a retenção no valor de R$ 16.133.756,21, durante o ano calendário de 2010, bem como planilha discriminativa das retenções (doc. 15). 3.8. Quanto às receitas correspondentes, seus documentos fiscais e contábeis não deixam dúvidas de que as receitas financeiras foram submetidas a adequado tratamento contábil e fiscal, em face do estágio préoperacional em que se encontrava no anocalendário de 2010. E continua: "20. Em se tratando de empresas operacionais, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independente de recebimento ou pagamento, conforme determina o Principio Contábil da Competência (Resolução CFC nº. 744/1995, art. 9º). Por força deste mesmo princípio contábil, em se tratando de empresas em fase préoperacional, as despesas incorridas neste período devem ser levadas à conta de Ativo sendo confrontadas com as receitas eventualmente auferidas na fase préoperacional, cabendo o oferecimento à tributação somente do eventual saldo líquido positivo resultante. 21. No caso, a Requerente encontravase em fase préoperacional durante o anocalendário de 2010, uma vez que a primeira turbina para geração de energia elétrica entrou em operação somente no ano de 2012; fato este maciçamente noticiado à época, conforme se depreende de inúmeras notícias veiculadas nos mais diversos veículos de comunicação, incluindose imprensa especializada e agências governamentais (doc. 02). 22. Por se encontrar em fase préoperacional no anocalendário de 2010, o saldo do confronto entre as receitas auferidas (inclusive financeiras) e custos incorridos naquele período foram levados ao ativo permanente, mais especificamente à conta de ativo imobilizado, uma vez que intrinsecamente vinculadas à construção e implantação da UHE Santo Antônio. Importante salientar que não houve no caso a apuração de saldo líquido positivo a ser tributado, pois o valor dos custos/despesas superava em muito o valor das receitas (inclusive financeiras) auferidas no período. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 911 5 [...] 24. O tratamento contábil a fiscal adotado pela Requerente segue orientação já consolidada no âmbito da própria RFB quanto à apuração do IRPJ durante a fase préoperacional, que determina o registro – em conta de ativo permanente – de custos/despesas incorridos e receitas auferidas em fase préoperacional, submetendose à imediata tributação apenas eventual saldo positivo entre a diferença entre citadas receitas e custos/despesas. Nesse sentido, citese a Solução de Consulta nº 44, de 1ºde fevereiro de 2008, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal, verbis: [...] 26. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: "Ementa: RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉOPERACIONAL. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase pré operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas préoperacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido à tributação. Na situação dos autos, sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB (Acórdão nº 140200.161, Processo nº 10580.013161/200111, CARF, 1ª Seção – 2ª Turma da 4ª Câmara, publicado no DPU 06/04/2010)" [...] 29. O procedimento adotado pela Requerente encontra respaldo no Manual de Contabilidade do Setor Elétrico (“MCSE”) da Agência Nacional de Energia Elétrica (“ANEEL”), ao qual a Requerente está vinculada por ser concessionária de serviço de energia elétrica. Referido manual dispõe nos seguintes termos: [...] 30. Também respalda o procedimento da Requerente o Pronunciamento Técnico CPC 20 – Custos de Empréstimos (“CPC 20”), segundo o qual “A entidade deve capitalizar os custos de empréstimos que são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de ativo qualificável como parte do custo do ativo (...) Custos de empréstimos que são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de ativo qualificável devem ser capitalizados como parte do custo do ativo quando foi provável que eles irão resultar em benefícios econômico futuros para a entidade e que tais custos possam ser mensurados com confiabilidade.” Fl. 911DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 912 6 31. De acordo com o referido CPC 20, devem ser contabilizados à conta de redução de custos dos empréstimos incorridos a receitas financeiras decorrentes de investimento dos recursos financeiros tomados em empréstimos enquanto não aplicados nos ativos aos quais se destinam, verbis: “13. Os contratos financeiros para um ativo qualificável podem resultar em a entidade obter recursos de empréstimos e incorrer em custos de empréstimos antes que parte ou todos os recursos sejam utilizados para gastos com o ativo qualificável. Nessas circunstâncias, os recursos são freqüentemente investidos até que se incorra em gastos com o ativo qualificável. Na determinação do montante de custos de empréstimos elegíveis à capitalização, durante o período, quaisquer receitas financeiras ganhas sobre tais recursos devem ser deduzidas dos custos dos empréstimos incorridos." 32. Destarte, uma vez comprovada (i) a correção dos procedimentos adotados pela Requerente, notadamente no que se refere ao reconhecimento – no ativo permanente – das receitas financeiras auferidas e das despesas (inclusive financeiras) incorridas naquele período de apuração; e (ii) da incontroversa retenção de IRRF pelas fontes no ato de pagamento dos rendimentos financeiros em referência, impõese reconhecer a existência de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, compensável com débitos de tributos administrados pela RFB indicados nas PER/DCOMPs nºs 30888.50546.160113.1.3.024286 e 35262.67744.180113.1.3.026851. 3.9. Alega a ilegitimidade da glosa das estimativas compensadas, no âmbito da apuração do saldo negativo, diante da ausência de decisão administrativa sobre a compensação, bem como violação à Solução de Consulta Interna nº 18, de 13.10.2006, conforme transcrição: [...] A Delegacia de Julgamento não acolheu a argumentação da Interessada, não tendo reconhecido, portanto, o alegado crédito a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2010, então utilizado nas compensações mencionadas na decisão recorrida. Segundo o voto condutor da decisão recorrida: 5. O presente processo tem por objeto as Declarações de Compensação números 30888.50546.160113.1.3.024286 e 35262.67744.180113.1.3.026851, que declaram a utilização de direito creditório no valor total de R$ 983.288,17, com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, para a compensação de débitos próprios declarados: [...] 6. As Declarações de Compensação foram apresentadas nas datas de 16/01/2013 e 18/01/2013, antes da emissão do Despacho Decisório número de rastreamento 043267346, ocorrida em 01/02/2013, que trata do Pedido de Restituição –PER número 42470.52187.150512.1.6.021211, apresentado em 15/05/2012, Fl. 912DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 913 7 vinculado ao processo administrativo de reconhecimento de crédito número 10880.660176/201252. [...] 8. Conforme informações constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (Sistema eprocesso), referido processo já foi apreciado administrativamente em primeira instância, tendo a 15ª Turma desta Delegacia de Julgamento, por meio do Acórdão número 1449.440, de 27 de março de 2014, mantido o Despacho Decisório nos moldes em que proferido pela DERATSão Paulo (SP), o qual não reconheceu a existência de qualquer direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010. 9. Apresentado o Recurso Voluntário, os autos encontramse no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: [...] 10. Continuando, embora os dois processos cuidem de direito creditório com mesma origem, ou seja, saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2010, estando os feitos em fases processuais distintas, não se vislumbra a possibilidade de juntada de ambos os processos. 11. Nesse sentido, no que se refere ao artigo 6º, do Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, tal dispositivo normativo aplicase as processos pendentes de julgamento naquela segunda instância administrativa e, ainda, cumulativamente, quando se tratarem de processos referidos a lançamentos, ou seja, formalização de exigência de crédito tributário, o que não é o caso tratados nos autos. [...] 17. Para melhor elucidação, e em vista das razões de fato e de direito coincidentes, apresentadas pela interessada em sua manifestação de inconformidade, com aquelas presentes no processo administrativo número 10880.660176/201252, é anexado aos presentes autos cópia integral do Acórdão número 1449.440, datado de 27 de março de 2014, proferido pela então 15ª Turma desta Delegacia de Julgamento, folhas 361/413, já cientificado à contribuinte, o qual aprecia todas as alegações da interessada trazidas neste processo. Confirase as Ementas daquele Acórdão: Fl. 913DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 914 8 Estamos, portanto, diante de situação em que envolve dois processos administrativos nos quais se discute o reconhecimento do mesmo crédito, qual seja, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, sendo que, conforme razão de decidir da decisão recorrida, o processo administrativo de nº 10880.660176/201252 já iniciou a sua discussão, estando, atualmente, em fase recursal junto ao CARF. Inclusive, no Recurso Voluntário a Recorrente solicita a sua vinculação: Fl. 914DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 915 9 III. SÍNTESE DAS RAZÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO 14. Nesse recurso voluntário, a Recorrente demonstrará, em resumo, que: (i) A necessidade de reunião do presente processo ao de n. 10880.660176/201252, uma vez que se reportam ao mesmo crédito utilizado pela Recorrente (saldo negativo anocalendário IRPJ/2010) e cuja negativa pela RFB deramse pelos mesmos motivos; Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchido os recursos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Para se ter uma idéia do andamento dos mencionados processos, de se mostrar a evolução processual dos mesmos: Pedido de Restituição – PER nº 42470.52187.150512.1.6.021211 Fase Processual Processo de reconhecimento do crédito e compensação 10880.660176/201252 Processo de reconhecimento do crédito e compensação 16306.720823/201383 Despacho Decisório Período de apuração do Crédito: 01/01/2010 a 31/12/2010 Per/Dcomp transmitida em 15/05/2012 Indeferido o pedido e não homologada a compensação, em 01/02/2013 Per/Dcomps transmitidas em 16/01/2013 e 18/01/2013 Indeferido o pedido e não homologada a compensação, em 11/04/2013 Acórdão DRJ Indeferido o pedido e não homologada a compensação, em 27/03/2014 Direito creditório não reconhecido e não homologada a compensação, em 26/04/2017 Recurso Voluntário Em 16/06/2015 Em 13/11/2017 Resolução CARF 1301 000443 Convertido o julgamento em diligências, em 16/08/2017 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 916 10 Como se observa do quadro supra, neste processo que ora se analisa os Per/Dcomp foram transmitidos em janeiro de 2013, anteriormente à data do indeferimento no outro processo do Pedido de Restituição – PER nº 42470.52187.150512.1.6.021211, de forma que não seria o caso de aplicação do disposto no inciso VI do parágrafo 3º do art.74 da Lei nº 9.430/1996. Mas, evidentemente, que não se pode apreciar o reconhecimento ou não do crédito (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010), objeto do presente processo, uma vez que este mesmo crédito já está sendo objeto de apreciação pelo CARF, por meio da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, para onde entendo que o presente processo deva ser encaminhado no sentido de sua vinculação ao processo 10880.660176/201252, nos termos do que dispõe o Regimento Interno do CARF: MINISTÉRIO DA FAZENDA PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências. ANEXO II Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 16306.720823/201383 Resolução nº 1401000.618 S1C4T1 Fl. 917 11 Conclusão É o voto, para reconhecer a conexão deste processo com o de nº 10880.660176/201252, devendo os presentes autos serem encaminhados à Presidência da 1ª Seção para que seja providenciada a respectiva apensação. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001371/2007-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES NO TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 71 /2 00 7- 92 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 3 2 PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.264, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 5 4 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158 35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho do Presidente da CSRF o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 7 6 · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.562, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001369/200713, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.562): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 8 7 O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC." Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 10 9 discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303 006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303 006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303 006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303 005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 12 11 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 13 12 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 14 13 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 15 14 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 16 15 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 17 16 excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 18 17 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 19 18 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001371/200792 Acórdão n.º 9303007.564 CSRFT3 Fl. 20 19 Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720577/2015-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
RECURSO INTEMPESTIVO.
Reconhece-se a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste nulidade de ciência por meio eletrônico quando a intimação atendeu aos requisitos legais. É possível a coexistência no mesmo processo de atos praticados por via postal e eletrônica.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O Decreto nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo.
Numero da decisão: 1301-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011 RECURSO INTEMPESTIVO. Reconhece-se a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade de ciência por meio eletrônico quando a intimação atendeu aos requisitos legais. É possível a coexistência no mesmo processo de atos praticados por via postal e eletrônica. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O Decreto nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo.
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Reconhecese a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade de ciência por meio eletrônico quando a intimação atendeu aos requisitos legais. É possível a coexistência no mesmo processo de atos praticados por via postal e eletrônica. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O Decreto nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de intimação do advogado do autuado. Pretensão sem amparo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 77 /2 01 5- 60 Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 15586.720577/201560 Acórdão n.º 1301003.675 S1C3T1 Fl. 1.410 2 (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de lançamento de CSLL, referente aos anos calendários 2010 e 2011, com imposição de multa de ofício, acrescidos de juros moratórios, no qual o sujeito passivo é organização religiosa sem fins lucrativos, constituída sob a forma de associação civil. Da Autuação e da Impugnação Transcrevese trecho do relatório da decisão da DRJ, que descreve os fundamentos da autuação e os argumentos da impugnação: 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 685/699), o lançamento, que se refere aos anoscalendário 2010 e 2011, decorreu da falta de recolhimento/declaração da CSLL, tendo em conta que a imunidade prevista na Constituição Federal não se aplica à contribuição, conforme ADI Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 1, de 24 de abril de 2014. 3. O enquadramento legal da infração, bem assim os demonstrativos de apuração, encontramse no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal. 4. A contribuinte apresentou impugnação (fl. 726/732), alegando, em síntese, a impossibilidade de aplicação retroativa do ADI nº 1, de 2014, em vista do disposto no art. 140 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Considera que houve efetiva mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, pois, à época dos fatos geradores, vigia o entendimento fixado na Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 212, de 5 de julho de 2006, a qual teria eficácia normativa, de acordo com o art. 100, II, do (CTN). A DRJ julgou improcedente a impugnação. Transcrevese a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO. VINCULAÇÃO. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 15586.720577/201560 Acórdão n.º 1301003.675 S1C3T1 Fl. 1.411 3 O ato declaratório interpretativo enquadrase no conceito de norma complementar a que se refere o art. 100, I, do CTN, tendo efeito vinculante para a administração. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO. EFICÁCIA TEMPORAL. O ato declaratório interpretativo possui natureza declaratória, retroagindo sua eficácia ao momento em que a norma por ele interpretada começou a produzir efeitos. (Parecer Cosit nº 5, de 1994) IMUNIDADE. ALCANCE. A imunidade prevista nas alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da Constituição aplicase exclusivamente a impostos incidentes sobre o patrimônio, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas, não se estendendo a qualquer outro tributo. (Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 1, de 2014) Do Recurso Voluntário Em 24/05/2016, a Recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ através do seu Domicílio Tributário EletrônicoDTE, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 801. Não concordando com os termos da decisão, em 29/09/2017, interpôs recurso voluntário conforme atesta o carimbo aposto na primeira página da peça (fl.812), na qual reitera sua impugnação e argumenta: que não se pode dar aplicação retroativa ao ADI/RFB n° 01/14, uma vez que, à época dos fatos geradores, prevalecia o entendimento fixado na Solução de Consulta SRRF09/Disit n° 212, de 05.07.2006, no sentido de que a receita auferida por templos de qualquer culto não seria tributada pela CSLL; que a jurisprudência se posiciona pela a impossibilidade de retroatividade da norma tributária, quando há alteração de critério jurídico. A Recorrente apresentou preliminar de tempestividade onde alega nulidade da citação realizada eletronicamente. Ao final, requereu que seja julgada a preliminar de tempestividade e, no mérito, que seja reformado o acórdão da DRJ, tornando insubsistente o auto de infração. Requereu também que as intimações sejam efetivadas no endereço do patrono. É o relatório. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 15586.720577/201560 Acórdão n.º 1301003.675 S1C3T1 Fl. 1.412 4 Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. Da Tempestividade A Recorrente alega que o recurso é tempestivo, posto que nula a citação realizada eletronicamente. Declara que durante todo o procedimento fiscal foi intimada através de carta com aviso de recebimento, dirigida ao endereço constante do cadastro de pessoas jurídicas CNPJ e que as respostas às intimações também ocorreram sob a forma física. A ciência da auto de infração e a abertura do prazo para impugnação também se deram via postal. Informa que a intimação do acórdão de impugnação foi efetivada pela via eletrônica e acrescenta que: É possível que, entre o tempo de análise da impugnação e a a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo administrativo em questão tenha se tornado "digital" e, considerando que a Recorrente já tinha feito a opção pelo domicílio tributário eletrônico, a Autoridade Fiscal simplesmente passou a intimála pela via eletrônica. Ocorre que, em momento algum a Recorrente foi informada sobre a nova forma de tramitação do processo que, além de notória afronta ao princípio da segurança jurídica, publicidade e da ampla defesa, a Autoridade Fiscal não observou as determinações da Portaria SRF n. 259/06, contrariando também o Princípio Magno da Legalidade.(grifei) Cita ainda o trecho da Portaria SRF nº 256/06 que determina que a Administração Pública deveria informar ao sujeito passivo quando ocorrer a transformação do processo de "físico" em "digital": Art. 1° O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. § 1° Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (eprocesso). § 2° Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. § 3° Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica.(grifos da recorrente) Em relação à possibilidade de intimação dos atos administrativos por via eletrônica, consta previsão expressa no art. 23, inciso III do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 15586.720577/201560 Acórdão n.º 1301003.675 S1C3T1 Fl. 1.413 5 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) A administração escolheu uma forma de intimação entre as três formas possíveis para a primeira tentativa de intimação, são elas: pessoal, postal ou por meio eletrônico. Caso resulte improfícua a tentativa de intimação por um desses três meios, farseá a intimação por edital, que por sua vez, poderá ser eletrônico ou não. Não é necessário que se faça a tentativa por todas as três formas elencadas, sendo suficiente a tentativa frustrada por apenas uma das modalidades. O fato de a Autoridade Fiscal ter dado ciência do auto de infração ou efetivado intimações por via postal, não impede que outros atos sejam praticados por meio eletrônico. Para ciência por meio eletrônico fazse mister que o contribuinte tenha feito a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, o que foi confirmado expressamente pela Recorrente. Inexiste nulidade de ciência por meio eletrônico quando a intimação atendeu aos requisitos legais, pois não há nada que impeça a coexistência no mesmo processo de atos praticados por via postal e eletrônica. Logo, não procede a alegação de nulidade aventada pela Recorrente, uma vez que a administração pública realizou a intimação por uma das modalidades previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, e fez prova da ciência à folha 807 através do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem. Este termo comprova que a mensagem foi enviada para a Caixa Postal Eletrônica do sujeito passivo em 20/05/2016 e quatro dias depois, em 24/05/2016, a Recorrente acessou sua caixa, dando ensejo à ciência por abertura da mensagem. Ou seja, a Recorrente tinha pleno acesso à sua caixa postal eletrônica e também declarou em seu recurso que optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico. Quanto à alegação de que deveria ter sido comunicada da conversão do processo de papel para digital, também não procede. Nunca houve a conversão do processo de papel para digital, isto porque o processo é digital desde sua origem. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 15586.720577/201560 Acórdão n.º 1301003.675 S1C3T1 Fl. 1.414 6 Em relação ao fato de que a intimação deveria ser realizada na pessoa do advogado, insta tecer que o art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas na pessoa do sujeito passivo, não a seu advogado. Nesse sentido, não houve qualquer irregularidade na intimação por meio eletrônico, razão pela qual voto por conhecer do recurso voluntário somente em relação à preliminar de tempestividade, e neste ponto, por NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 1414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.723197/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração para suprir contradição, e corrigir lapso manifesto, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração para suprir contradição, e corrigir lapso manifesto, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhemse os embargos de declaração para suprir contradição, e corrigir lapso manifesto, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 31 97 /2 01 5- 01 Fl. 18137DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão n.º 1401002.360, de 11/04/2028, desta 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o qual o colegiado, por unanimidade de votos, afastou as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso da Contribuinte Mondelli Indústria de Alimentos S.A e do apontado como responsável solidário, o Sr. Gennaro Mondelli Filho, dando provimento e afastando a responsabilidade tributária de Antonio Mondelli, Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, e Martino Mondelli Os embargos foram opostos sob a alegação de ocorrência de contradição entre o resultado do julgamento constante da parte dispositiva do acórdão com o trecho final do voto condutor do acórdão embargado. Isto porque, o recurso de Gennaro Mondelli Filho não obteve provimento, conforme resultado do julgamento abaixo: Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso da Contribuinte Mondelli Indústria de Alimentos S.A e do apontado como responsável solidário, o Sr. Gennaro Mondelli Filho, dando provimento e afastando a responsabilidade tributária de Antonio Mondelli, Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, e Martino Mondelli. [...]. De acordo com o arrazoado do Recurso Voluntário: Genaro Mondelli Filho (fls.). Em suma, o Recorrente em questão alega que não tinha qualquer poder de gerência no período fiscalizado e que a procuração apresentada, embora lhe concedesse amplos poderes, perdeu a validade com a morte do outorgante. Não assiste razão ao Recorrente Genaro Filho, pois, conforme prova dos autos, ele era o administrador com procuração, assinou nota promissória e não há como sustentar sua ignorância sobre a existência do “caixa dois” por venda de mercadoria sem nota. Motivo pelo qual, também não há como afastar a qualificação da multa dada a constatação de “caixa dois”, que deflagra o preenchimento dos seus requisitos de incidência, como a fraude, a sonegação e o conluio não se manifestaram no presente caso. [...]. Por todo o exposto, excluo todos os sócios administradores Antonio Mondelli, Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, Gennaro Mondelli Filho e Martino Mondelli, do pólo passivo, dando total provimento aos seus recursos voluntários, bem como afasto a qualificação da multa de ofício e agravada. 9. Como visto, entendeu a decisão embargada por negar provimento ao recurso [...] do apontado como responsável solidário, o Sr. Gennaro Mondelli Filho. Ou seja, não assiste razão ao Recorrente Genaro Filho, pois, conforme prova dos Fl. 18138DF CARF MF Processo nº 10825.723197/201501 Acórdão n.º 1401003.071 S1C4T1 Fl. 18.137 3 autos, ele era o administrador com procuração, assinou nota promissória e não há como sustentar sua ignorância sobre a existência do “caixa dois” por venda de mercadoria sem nota. 10. Dessa forma, patente a contradição com o trecho final do voto condutor do acórdão embargado De maneira a matéria posta à apreciação do colegiado limitase a sanar lapso manifesto e à contradição alegada nos embargos, posto que realmente o texto do acórdão, na sua fundamentação, posicionase por negar provimento ao Recurso Voluntário do solidário Gennaro Mondelli Filho, enquanto que ao final do voto restou consignada a sua exclusão do pólo passivo da autuação. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Os embargos são tempestivos, para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Reconheço que da leitura do voto condutor assiste razão ao embargante, posto que, de fato, o texto do acórdão traz arrazoado no sentido de manter o Sr. Gennaro Mondelli Filho com responsável tributário solidário, mas na sua parte final anota voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário por ele interposto. Caracterizado assim lapso manifesto. Neste seguir, conheço, pois, os embargos para, no mérito e os acolho para sanar contradição e retifico a parte dispositiva do acórdão embargado para que conste ao final, voto no sentido de afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso da Contribuinte Mondelli Indústria de Alimentos S.A e do apontado como responsável solidário, o Sr. Gennaro Mondelli Filho, dando provimento e afastando a responsabilidade tributária de Antonio Mondelli, Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, e Martino Mondelli, em consonância ao que foi anotado como resultando do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 18139DF CARF MF 4 Fl. 18140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002248/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO.
O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte.
LIMPEZA DE ESTABELECIMENTO FABRIL QUE SE EQUIPARA A MANUTENÇÃO.
A limpeza do estabelecimento que trabalha com pedras em pó, que se asperge no ambiente e se sedimenta sobre as máquinas, sendo a limpeza das mesmas necessária à manutenção da atividade fabril, esta limpeza se subsume aos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
SERVIÇOS DE ANÁLISE LABORATORIAL AOS QUAIS SÃO SUBMETIDOS OS PRODUTOS DURANTE O PROCESSO FABRIL - INSUMOS.
Os serviços de análise laboratorial, tratados como avaliação de conformidade de produtos na indústria química são necessários à produção do bem, razão pela qual se encaixam nos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO - CRÉDITO.
Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DESCABIMENTO.
A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da Cofins, prevista na legislação de regência -Lei 10.637, de 2002 e Lei 10.833, de 2003-, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, não obstante o fato de tais movimentações de mercadorias atenderem a necessidades logísticas ou comerciais. Logo, inadmissível a tomada de tais créditos.
Numero da decisão: 3302-006.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e em afastar a prejudicial de decadência e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre serviços de remoção de pó de rocha, pá carregadeira, mão-de-obra especializada em limpeza, fretes sobre insumos tributados com alíquota zero, fretes sobre transferências entre estabelecimentos (empréstimo de matéria-prima recebidos de terceiros, remessa de matéria-prima para armazenagem, retorno de armazenagem de matéria-prima, retorno de empréstimos de matéria-prima), frete de remessa em consignação para venda. Vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento quanto aos fretes sobre insumos adquiridos à alíquota zero e aos fretes sobre transferências entre estabelecimentos (empréstimo de matéria-prima recebidos de terceiros, remessa de matéria-prima para armazenagem, retorno de armazenagem de matéria-prima, retorno de empréstimos de matéria-prima).
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. LIMPEZA DE ESTABELECIMENTO FABRIL QUE SE EQUIPARA A MANUTENÇÃO. A limpeza do estabelecimento que trabalha com pedras em pó, que se asperge no ambiente e se sedimenta sobre as máquinas, sendo a limpeza das mesmas necessária à manutenção da atividade fabril, esta limpeza se subsume aos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. SERVIÇOS DE ANÁLISE LABORATORIAL AOS QUAIS SÃO SUBMETIDOS OS PRODUTOS DURANTE O PROCESSO FABRIL INSUMOS. Os serviços de análise laboratorial, tratados como avaliação de conformidade de produtos na indústria química são necessários à produção do bem, razão pela qual se encaixam nos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 22 48 /2 00 5- 25 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 762 2 como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DESCABIMENTO. A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da Cofins, prevista na legislação de regência Lei 10.637, de 2002 e Lei 10.833, de 2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, não obstante o fato de tais movimentações de mercadorias atenderem a necessidades logísticas ou comerciais. Logo, inadmissível a tomada de tais créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e em afastar a prejudicial de decadência e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre serviços de remoção de pó de rocha, pá carregadeira, mãodeobra especializada em limpeza, fretes sobre insumos tributados com alíquota zero, fretes sobre transferências entre estabelecimentos (empréstimo de matériaprima recebidos de terceiros, remessa de matériaprima para armazenagem, retorno de armazenagem de matériaprima, retorno de empréstimos de matériaprima), frete de remessa em consignação para venda. 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Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 763 3 Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 3302000.664(fls.714718): Tratase de Embargos de Declaração manejados pelo Contribuinte em desfavor do Acórdão 3302002.926, de 09 de dezembro de 2015, cujos fundamentos que embasaram a referida decisão podem ser resumidos nas ementas a seguir transcritas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Em 24/11/2016, conforme Termo de Abertura de Documento, fl.661 a Embargante foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário. Tempestivamente, em 29/11/2016, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl.663, apresentou os Embargos de Declaração de fls. 664/671, suscitando obscuridade, visto que o voto condutor, valendose da redação atribuída pela Lei n° 12.844/13 à alínea "b", do inciso III, do § 2o, do art. 23, do Decreto n° 70.235/72, considerou que a intimação do acórdão da DRJ teria ocorrido quando a Embargante acessou a decisão em sua caixa postal, em 18/04/2013, iniciandose o prazo para interposição do recurso em 19/04/2013, de forma que sua apresentação em 24/05/2013 estaria intempestiva. Ao final pleiteia a embargante que seja sanada a obscuridade, atribuindose efeitos infringentes aos presentes embargos, para seja reconhecida a tempestividade do recurso voluntário interposto e consequentemente, apreciadas as razões recursais. Com base nas razões aduzidas, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o Presidente da 2ª TO/3ª Seção/CARF admitiu os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Nos termos da referida Resolução, restou decidido pela Turma Julgadora converter o julgamento em diligência para se aferir da tempestividade do recurso voluntário pela razões lá expostas. Às folhas 721722, a fiscalização prestou informações esclarecendo os pontos suscitados na já citada resolução. Já às folhas 731736, a Embargante apresentou suas razões sobre os esclarecimentos prestados pela fiscalização. É o relatório. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 764 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Contribuinte, ora Embargante, teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. A questão tratada neste processo não é nova no Colegiado e já foi objeto de análise nos autos do PA nº 13811.002244/200547 (acórdão 3302005.813), de relatoria do Conselheiro Raphael Madeira Abad, envolvendo os pedidos de compensação formulados pela ora Embargante dos créditos da COFINS do 3º Trimestre de 2004 (aqui se discute o crédito de PIS 3º Trimestre de 2004). Naquele processo, este relator divergiu daquele julgador apenas em relação ao crédito apurado de frete sobre transferências entre centros UB de produtos acabados, acompanhandoo nos demais pontos. Neste cenário, com exceção da matéria envolvendo o crédito apurado de frete sobre transferências entre centros UB de produtos acabados, cujas razões serão posteriormente tratadas, adoto como causa de decidir as razões do Conselheiro Raphael Madeira Abab no acórdão nº 3302005.813, a saber: Análise dos Embargos de Declaração relativos à tempestividade do Recurso. Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de obscuridade. Embora esteja registrado que o contribuinte tenha tomado ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade com a abertura do sistema, prevalece no caso a ciência por decurso de prazo que ocorreu conforme o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" visto que a Lei nº 12.844, de 2013 que dispôs sobre a efetividade da intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto no 1inciso III, alínea "a" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi publicada no DOU de 19/07/2013, sendo portanto incabível a geração pelo sistema do "Termo de Abertura de Documento" para fins de efetividade da ciência nele consignada. Estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Impugnação conforme "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" correspondente ao 15º (décimo quinto dia) contado da data da disponibilização na Caixa Postal, conforme prevê o art. 23, § 2º, III, "a" do nº 70.235, de 1972, norma vigente à época da apresentação do Recurso Voluntário, a apresentação do referido recurso através do Termo de Solicitação de Juntada, é tempestiva. Efetivamente, entendese que se para a constatação da intempestividade foi utilizada norma ainda não vigente caso, reconheço que há obscuridade para ACOLHER OS PRESENTES EMBARGOS COM EFEITOS INFRINGENTES, para SUPERAR A INTEMPESTIVIDADE E PASSAR À ANÁLISE DO PRESENTE RECURSO. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 765 5 Preliminar de decadência. Da decadência parcial do direito do fisco de revisar a apuração da COFINS e de glosar os créditos deste tributo relativamente ao terceiro trimestre do ano calendário de 2004. Em relação á alegação de que, em 2010 encontravase decaído o direito do fisco de revisar lançamentos relativos ao ano de 2004, adoto as razões esposadas pelo Nobre Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator do processo n. 11.543.100064/201510, no qual foi proferido o Acórdão Unânime lavrado em 27 de setembro de 2017 e tombado sob o n. 3201003.170, cujo fragmento segue abaixo transcrito. "A recorrente alega a decadência do direito de indeferir o crédito. Não lhe assiste razão. A decadência é a cessação do direito potestativo, pela ultrapassagem de prazo legal, para os fins da segurança jurídica. No direito tributário, se aplica à constituição de ofício do tributo. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito ou sua cobrança. Jamais o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive osjudiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo oucontribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Portanto, afasto a preliminar suscitada. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 766 6 Fulcrado em tais razões, afasto a preliminar suscitada. Não foram suscitadas outras questões preliminares razão pela qual passo à análise do mérito. Admissibilidade do Recurso Voluntário. Superada a intempestividade, verificase que o recurso se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, bem como a matéria é de competência deste colegiado, razão pela qual passo à análise do mérito. Análise do Mérito do Recurso Voluntário. Antes de adentrar no mérito propriamente dito do recurso cumpre destacar que o conceito de insumos para efeitos de creditamento das contribuições sociais não cumulativas diz respeito à pertinência, relevância e essencialidade do referido produto ou serviço em relação ao processo produtivo, considerando a imprescindibilidade de determinado item, seja ele bem ou serviço, para o desenvolvimento da atividade econômica, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Em relação a este ponto é necessário cotejar as atividades com o conceito de insumo assim esposado por este colegiado, à luz das razões recursais que podem ser assim resumidas: Serviços como insumos (Laboratório, limpeza e diversos) [III.3.2] Frete dos insumos tributados à alíquota zero e transferências [III.3.3] Movimentação portuária, carga, descarga e movimentação interna. [III.3.4] Os Serviços Utilizados Como Insumos. (item III.3.2 do RV) Os serviços de laboratório análise laboratorial enquanto avaliação de conformidade de produtos. Em relação aos serviços de análise laboratorial, tratadas como avaliação de conformidade de produtos na indústria química, entendese que são necessários à produção do bem, razão pela qual se encaixam nos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Por esta razão é de se dar provimento ao Recurso no que diz respeito ao direito a crédito por despesas com serviços de análise laboratorial. Os serviços de limpeza, conservação, manutenção e locação de mão de obra. A Recorrente sustenta que a "limpeza" não é uma mera atividade de asseio ou estética como seria em uma residência ou em um escritório, por exemplo, mas sim de uma espécie de manutenção dos equipamentos fabris, eis que utilizase rocha moída em pó, que se acumula pelas máquinas, e que esta limpeza é imprescindível ao funcionamento delas, que até parariam de funcionar pelo excesso de resíduos nelas depositadas, se não fosse a referida limpeza. Partindose do conceito já acima esposado, temse que a referida limpeza do estabelecimento que trabalha com pedras em pó, que se asperge no ambiente e se Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 767 7 sedimenta sobre as máquinas, sendo a limpeza das mesmas necessária à manutenção da atividade fabril, esta limpeza se subsume aos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Demais serviços tratados como insumos. Sob o item demais serviços profissionais a recorrente abarcou diversos serviços, até bolsa estágio e vistorias, que não se subsumem ao conceito de "bens e serviços utilizados como insumos" que, aliás, sua essencialidade sequer foi suficientemente demonstrada quando do Recurso Voluntário, razões pelas quais não se deve reformar a decisão que os glosou. Fretes sobre insumos tributados à Alíquota Zero e de Transferências. (item III.3.3 do RV) Em relação a este ponto existe uma interessante controvérsia no âmbito do CARF, o que demonstra a aridez do tema. Inicialmente, há um entendimento, concessa venia superado, segundo o qual não haveria previsão legal que autorizasse o referido creditamento. Contudo, analisandose o artigo 3º da Lei 10.833 temse que é autorizado o desconto de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados com insumos. Recentemente, já no ano de 2018, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu acórdão (Acórdão nº 9303006.218, de 24/01/2018), no qual manifestou o seu entendimento acerca da possibilidade de que os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, da mesma forma que os gastos com fretes na movimentação destes insumos no processo fabril. No caso dos presentes autos, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições, as despesas com frete, vez que despesa onerada pelas contribuições, devem ser apropriadas no regime da não cumulatividade, na condição de serviços utilizados como insumos essenciais ao processo produtivo. Vale destacar que este é o entendimento adotado pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, no bojo do processo 10925.722369/201241, Acórdão 3201003.454, julgado em 27 de fevereiro de 2018, tendo a Conselheira Tatiana J. Belisário como Redatora Designada especificamente em relação a este ponto. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao aproveitamento da COFINS sobre o frete de insumos tributados à alíquota zero. Serviços de Movimentação Portuária, de Carga e Descarga e Movimentação Portuária. (Item III.3.4 do RV) Os custos de movimentação portuária relativas a bens que são considerados insumos, devem gerar crédito de PIS e COFINS monofásico. Se tradicionalmente admitese o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo, não há razão lógica para não equiparálo à desestiva, descarregamento e movimentação, despesas relacionadas à operação física de importação que têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Tratamse de insumos de atividades que Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 768 8 compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geram direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. A armazenagem de insumos e de produtos acabados, bem como o frete, realizados entre estabelecimentos, durante a fabricação do produto final, são considerados de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Quanto aos fretes de insumos glosados pela fiscalização, impende destacar os motivos que justificaram a manutenção do indeferimento do crédito: Fretes sobre Insumos: o frete sobre insumo foi extraído da conta contábil 3061 — fretes sobre Ingresso de Produtos. Foram considerados na Dacon créditos calculados sobre fretes sobre aquisições de insumos, tributados a aliquota zero, portanto, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/ 99, os custos de transporte integram o custo de aquisição da mercadoria, portanto, estando a mercadoria sujeita a aliquota zero o frete a ela vinculado não gera direito a créditos em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, constatouse pelos históricos que alguns lançamentos na conta contábil 3061 (Fretes sobre Ingressos de Produtos), se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens. Os esclarecimentos fornecidos pela empresa vieram a corroborar as constatações e, portanto, foram efetuadas as glosas referentes aos seguintes lançamentos: Histórico lançamentos conta 3061 Esclarecimentos do Contribuinte Empréstimo Terc Ent ZEMP frete empréstimo de matéria prima recebido de terceiros (código geralmente utilizado para operações estaduais) Transferência entre centros UB frete na remessa de matéria prima para outros centros para serem processadas e/ou vendidas (código geralmente utilizado para operações interestaduais) Remessa Armazenagem ZARM frete na remessa de matéria prima para armazenagem armazém geral Remessa Armazenagem ZREA frete na remessa de matéria prima para armazenagem outros armazéns Remessa Consignação ZCON frete na remessa em consignação para venda (código geralmente utilizado para operações estaduais) Retorno Armazenagem ZRAM frete no retorno de matéria prima de armazenagem armazém geral Retorno Depósito ZRDP frete no retorno de matéria prima de depósito fechado Retorno Empréstimo ZREM frete no retorno de empréstimos de matéria prima (código geralmente utilizado para operações estaduais) Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13811.002248/200525 Acórdão n.º 3302006.350 S3C3T2 Fl. 769 9 Pois bem. Como cediço, as normas de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. Há também direito ao crédito sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Analisando os lançamentos contábeis e as descrições no quadro acima, entendo que o frete sobre transferências entre centros UB se refere a transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente para posterior venda no comércio, não sendo possível admitir tomada de crédito nesta operação. Já em relação às demais lançamentos, entendo tratarse de frete pago na aquisição de insumo para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinado à venda, sendo passível de creditamento. Portanto, mantémse a glosa efetuada referente ao frete sobre transferências entre centros UB de produtos acabados. Diante do exposto, voto em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e em afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre serviços de remoção de pó de rocha, pá carregadeira, mãodeobra especializada em limpeza, fretes sobre insumos tributados com alíquota zero, fretes sobre transferências entre estabelecimentos (empréstimo de matériaprima recebidos de terceiros, remessa de matéria prima para armazenagem, retorno de armazenagem de matériaprima, retorno de empréstimos de matériaprima), frete de remessa em consignação para venda. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903918/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.665
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 18 /2 01 3- 48 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.595.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903918/201348 Acórdão n.º 3402005.665 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905071/2009-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 13043.96218.051005.1.3.044777 em 05.10.2005, fls. 0105, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, no valor original de R$13.105,73, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do terceiro trimestre do anocalendário de 2004 e arrecadado em 31.03.2005 para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 50 71 /2 00 9- 71 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 92 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 06, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 13.105,73 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0125.100, de 31.05.2012, efls. 4650: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DIPJ. INSUFICIÊNCIA. A DIPJ, na condição de documento confeccionado pelo próprio interessado, não exprime nem materializa, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 20.06.2012, efl. 89, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.07.2012, efls. 5261, esclarecendo que: DOS FATOS E DO DIREITO Do Crédito: • Saldo credor do pagamento R$ 16.460,58. O valor efetivamente devido deste tributo era de R$ 180.237,71, como consta na DIPJ do anocalendário 2004, cuja cópia está anexada na Manifestação de Inconformidade. A diferença entre o valor devido e o valor pago resulta no valor do crédito efetivamente existente de R$ 16.460,58. Embora este saldo credor não corresponda que foi informado na DCOMP, resta claramente demonstrada a existência do crédito a favor de nossa Empresa. A Lei n° 9.430/1996 autoriza a compensação de créditos apurados pelo contribuinte mediante apresentação de declaração própria [...]. Concernente ao pedido expõe que: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 93 3 PEDIDO, Do acima exposto, o Manifestante requer: a) Seja admitida a presente, por ser tempestiva; b) Que seja reformada a Decisão ACÓRDÃO, Deferindo o nosso Recurso Voluntário. c) A Extinção definitivamente dos respectivos débitos. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de IRPJ no valor de R$16.460,58, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do terceiro trimestre do anocalendário de 2004 e arrecadado em 31.03.2005 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 94 4 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 3. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 95 5 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Verificase que os dados retificados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0125.100, de 31.05.2012, efls. 4650, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 0220, do período de apuração de 30/09/2004. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débitos informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Cumpre referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, e muito menos que o faça por intermédio de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Ressaltese que a DIPJ, em face de sua natureza informativa, não pode, de si mesma, sobreporse à DCTF, como pretendido pelo sujeito passivo, haja vista o caráter confessório do conteúdo desta última declaração. Assinalese aqui que a DIPJ, na condição de documento confeccionado pelo próprio interessado, não exprime nem materializa, por si só, o indébito fiscal. A presente circunstância equivale àquela de um hipotético devedor que reconhece por ato formal escrito e inequívoco a existência de uma dívida1 e vem a adimplila, extinguindoa pelo pagamento. Na seqüência, contudo, faz registrar por escrito (declara) ao então credor que o mesmo agora encontrase em débito para consigo (em face de suposta inexatidão de sua confissão), também informando que tal quantum será compensado com obrigação futura. Diante da previsível resistência oposta pela outra parte, o hipotético devedor (agora autodenominado credor) vem a deduzir em juízo sua pretensão fundada, contudo, exclusivamente no documento (declaração) por si elaborado. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 96 6 Ou seja, embora a confissão efetivada por intermédio de DCTF goze, obviamente, de presunção apenas relativa, comportando prova em contrário, fazse irrelevante que o sujeito passivo tenha apresentado ou retificado sua DIPJ antes, em concomitância ou após a transmissão de sua declaração de compensação, posto que a esta declaração (DIPJ) não se pode atribuir, como se pretende na manifestação de inconformidade, um caráter constitutivo de um alegado direito creditório, tomandoa como título líquido e certo oponível à Receita Federal do Brasil. No caso concreto, a questão central que se apresenta vinculase notoriamente, pois, à natureza probatória dos elementos mencionados na manifestação de inconformidade, bem como ao ônus processual de carreálos, atribuído a cada uma das “partes” que nele figuram. Em sede de compensação tributária, a qual exige créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, temse que deve restar demonstrada de forma induvidosa, por intermédio de documentação hábil e idônea, a existência dos créditos alegados pelo sujeito passivo. E, em se tratando de compensação oposta à Receita Federal do Brasil, o contribuinte figura como autor do pleito e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, é o sujeito passivo que possui o encargo de apresentação de todos os documentos comprobatórios do direito invocado. Não por acaso, o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, estabelece, em caráter geral, preceito nesse sentido. Cabe ainda advertir que impor à Administração Tributária o ônus de demonstrar a inexistência dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo é tese que não se coaduna com o sistema jurídico vigente e nem mesmo com a lógica mais elementar. Nesse sentido, o Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Logo, figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, junto com sua manifestação de inconformidade, as provas hábeis a comprovar, de forma induvidosa, o seu direito, bem como sua oponibilidade, em concreto, à Administração Tributária (inclusive sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência de preclusão temporal). E na hipótese em análise, não é demais consignar que se afigura razoável concluir pelo fácil acesso do impugnante a documentos que, existindo, poderiam comprovar o direito creditório alegado, haja vista tratarse de elementos integrantes do acervo pertencente ao próprio interessado. Contudo, constatase que o contribuinte, em frontal antagonismo para com os princípios acima declinados e com o seu próprio interesse, limitouse a sustentar a existência do seu hipotético direito creditório com exclusivo fundamento em meras alegações, deixando de carrear aos autos provas que as ratifiquem. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10283.905071/200971 Acórdão n.º 1003000.388 S1C0T3 Fl. 97 7 Desta feita, concluise que não pode ser acolhida a pretensão do sujeito passivo. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.913719/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/12/1999
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequ¨ente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 37 19 /2 01 1- 87 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.913719/201187 Acórdão n.º 3301005.510 S3C3T1 Fl. 136 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 75 a 86) interposto pelo Contribuinte, em 22 de abril de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 (fls. 58 a 68), de 25 de fevereiro de 2013, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (MG) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 14) apresentada. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Restituição (PER/DCOMP) de n.o 24108.36561.310304.1.2.040952, por intermédio da qual o contribuinte pretende restituir crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 4.489,10, (Cofins código de arrecadação: 2172), concernente ao período de apuração 30/11/1999. Por meio de despacho decisório de fl. 43, foi indeferido o pedido, por inexistência de crédito, ante a constatação de que o indébito, discriminado no PER/DCOMP no 24108.36561.310304.1.2.040952, não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 21/12/2011 (fl. 44), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02/14, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 43, na qual alega, em síntese, que: a) a manifestação de inconformidade é tempestiva; b) com base no §2o do artigo 38 do Decreto no 7.574/2011, os processos indicados na manifestação de inconformidade devem ser julgados em conjunto; c) o despacho decisório ora atacado não faz mais do que afirmar que não restaria crédito disponível para compensação, sendo esta a única justificativa apresentada; d) a decisão não apresenta um relatório que analise os fundamentos do crédito, tampouco há um capítulo voltado à fundamentação do despacho que minudencie as supostas incongruências encontradas; e) a decisão que não explica seus motivos dificulta, quando não impossibilita, a contestação por parte do interessado, pois não fornece elementos básicos dos fatos envolvidos; f) em prestígio aos princípios constitucionais do devido processo legal e ampla defesa, cita o artigo 31 do Decreto 70.235/72, bem como os artigos 2o e 50 da Lei no 9.784/99; g) a suposta ilegalidade do procedimento adotado pelo contribuinte deverá ser descrita na decisão e amparada pela base legal pertinente; h) é nítida a falta de fundamentação da decisão recorrida, sendo, portanto, nulo o despacho atacado, porque desprovido da fundamentação adequada que permita ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa; i) a requerente apresentou pedido de restituição eletrônico, requerendo a restituição/compensação de seu crédito fiscal oriundo de multa em razão da aplicação da denúncia espontânea; j) de acordo com o despacho decisório, a autoridade administrativa entendeu pela inexistência de crédito e indeferiu o pedido de restituição; k) o despacho decisório não merece prosperar, devendo o crédito ser reconhecido; l) a Requerente efetuou recolhimento do tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora correspondente, conforme o CTN, e, após tal fato, entregou a respectiva DCTF à Secretaria da Receita Federal, informando a extinção do crédito tributário; m) os documentos que comprovam o Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.913719/201187 Acórdão n.º 3301005.510 S3C3T1 Fl. 137 3 direito da Requerente estão em poder da própria Administração Pública; n) no presente caso não houve declaração prévia ao pagamento intempestivo do tributo devido, ou seja, o pagamento foi feito antes de qualquer procedimento fiscalizatório, nos exatos termos do art. 138 do CTN, e tendo em vista o evidente crédito oriundo de multa moratória, a Requerente pleiteou a restituição via PER/Dcomp da referida multa paga, com a devida atualização; o) a denúncia espontânea não será aplicada nos casos em que o contribuinte previamente declara os valores devidos ao Fisco e efetua o pagamento a destempo dos valores declarados, conforme entendimento pacificado pela Súmula no 360 do STJ; p) cita acórdão proferido no Resp no 1210167/PR; q) cita o Resp no 1025964, de 17/08/2009; q) no Ato Declaratório no 08/2011, de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional fica dispensada da apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”; r) faz jus ao benefício da denúncia espontânea, diante da inexistência de procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada à infração, bem como ausência de declaração ao Fisco do tributo devido e não recolhido no prazo e vencimento antes que fosse efetuado o pagamento dos valores em atraso; s) a nãohomologação dos valores ora compensados com crédito oriundo do recolhimento relativo à multa moratória em evidente caso de aplicação do instituto da denúncia espontânea importa em enriquecimento sem causa do Fisco e ilegalidade. Ao final, requer: i) que o processo seja julgado conjuntamente aos processos administrativos listados no item “3” desta petição; ii) a declaração de nulidade do despacho decisório; iii) que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para reformar integralmente o despacho decisório, reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada no presente processo. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão, bem como, apresentou Requerimento (fls. 131 a 134), em 30 de agosto de 2017, reafirmando seus argumentos de defesa e requerendo que o presente Recurso fosse imediatamente distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/12/1999 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.913719/201187 Acórdão n.º 3301005.510 S3C3T1 Fl. 138 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão proferida entendeuse que não caracteriza a denúncia espontânea, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o Contribuinte declarar e recolher o tributo fora do prazo de vencimento, mesmo que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Assim explicitou o entendimento: No caso dos autos, o débito em questão venceu no dia 15/12/1999 e o pagamento intempestivo se deu no dia 16/12/1999, ou seja, antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, que ocorreu exatamente no dia 15/02/2000, dentro do prazo fixado no § 2º, do art. 2º da IN SRF nº 126/98. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontânea de débito pago após o vencimento, mas antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, pois não houve inovação da atividade do contribuinte passível de denúncia espontânea. (...) Portanto, do que restou examinado até agora e partindose do fato in concreto de que o contribuinte recolheu o tributo a destempo e, posteriormente, declarou, dentro do prazo regulamentar da DCTForiginal, o seu débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, a conclusão é da incidência da multa de mora. Diante de todo o exposto, Voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. No presente processo o Contribuinte efetuou o pagamento em 16/12/1999 de DARF no valor de R$ 1.364.824,54 referente à COFINS, apurada em 30/11/1999 e que tinha vencimento em 15/12/1999. O referido débito foi declarado em DCTF e transmitida em 15/02/2000. O Valor recolhido de R$ 1.364.824,54 compõese de valor principal no montante de R$ 1.360.335,44 e de multa de mora no valor de R$ 4.489,10. O Contribuinte, por entender que ocorreu a denúncia espontânea por estes atos praticados, requereu por intermédio de PER/DCOMP, ora em análise, a restituição do valor da multa de mora, ou seja, o valor de R$ 4.489,10. Este é o objeto da presente lide. O instituto da denúncia espontânea está previsto no Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.913719/201187 Acórdão n.º 3301005.510 S3C3T1 Fl. 139 5 Salientase também a Nota Técnica 01 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, que reconhece o benefício da denúncia espontânea e assim prevê: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Entendo que assiste razão ao Contribuinte pela caracterização da denúncia espontânea, portanto, com direito ao crédito pleiteado. Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720272/2017-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
EXPORTAÇÃO. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTOS FISCAIS.
Quando o método de apuração do preço de transferência ou algum dos seus critérios for desclassificado pela autoridade fiscal, deve-se intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. A fiscalização deverá motivar o ato, caso desqualifique o método eleito pelo contribuinte.
EXPORTAÇÃO. TAXA DE CÂMBIO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVO. ERRO DE CÁLCULO.
Cancela-se o lançamento, uma vez comprovado erro de fato cometido pela autoridade autuante, na digitação da taxa de câmbio utilizada para fins de apuração das variações cambiais ativas.
Numero da decisão: 1301-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para lhe negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para lhe negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 EXPORTAÇÃO. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTOS FISCAIS. Quando o método de apuração do preço de transferência ou algum dos seus critérios for desclassificado pela autoridade fiscal, devese intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. A fiscalização deverá motivar o ato, caso desqualifique o método eleito pelo contribuinte. EXPORTAÇÃO. TAXA DE CÂMBIO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVO. ERRO DE CÁLCULO. Cancelase o lançamento, uma vez comprovado erro de fato cometido pela autoridade autuante, na digitação da taxa de câmbio utilizada para fins de apuração das variações cambiais ativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para lhe negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 02 72 /2 01 7- 29 Fl. 8752DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamentos fiscais efetuado em face da pessoa jurídica acima qualificada, por meio do qual foram formalizadas exigências a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2012 e 2013, acrescidos de juros de mora e multa proporcional de 75%. Pelos seguintes fundamentos: I) Em relação ao anocalendário de 2012, os lançamentos decorreram da constatação da necessidade de ajustes relativos à aplicação de métodos de preços de transferência, relativos a suas exportações para pessoa vinculada no exterior, não adicionados ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. II) Em relação ao anocalendário de 2013, os lançamentos decorreram da constatação de omissão de receitas, por falta de contabilização de Variação Monetária Ativa (receita financeira) decorrente de variação na taxa de câmbio de conversão para fins da expedição de nota fiscal e referente à realização da receita de exportação. Para explanar melhor os fundamentos da autuação, reproduzo trecho do TVF de fls. 8053/8085: Para o anocalendário de 2012: 30.1. Primeiro: verificamos que o bem exportado não é considerado commoditie pela legislação dos Preços de Transferência, na forma disposta no subitem “27.6”, implicando o afastamento da obrigatoriamente da implementação do controle por meio do método PECEX, que tem regramento específico; inclusive, não sendo admitida a dispensa do controle de Preços de Transferência mediante arbitramento, bem como ficando a Margem de Divergência reduzida de 5% (cinco por cento) para 3% (três por cento), contextos já registrados anteriormente (arts. 21, 34, 50 e 51 da IN RFB nº 1.312/2012); 30.2. Segundo: entendido não se tratar de receitas decorrentes da exportação de commoditie, constatamos que referidas receitas não estão dispensadas do controle de Preços de Transferência mediante arbitramento, na forma já manifestada no item “23” retrocitado. Fato já reconhecido pela contribuinte na forma registrada nos itens “07 a 09” do Tópico 03 deste Termo. 4.9. Controle de Preços de Transferência relativo ao anocalendário de 2012 4.9.1. Opção exercida pela Fiscalizada 31. Embora a Fiscalizada tenha optado pela aplicação das disposições contidas no art. 52 da Lei n° 12.715/2012, implicando escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência em relação ao anocalendário de 2012 (discriminação constante do item 07), quando do preenchimento da ficha 30 da DIPJ/2013, ela afirmou que referidas operações não estavam sujeitas ao arbitramento, assim considerando, também não preencheu o método, o preço parâmetro e o preço praticado, Fl. 8753DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 3 3 informações obrigatórias quando a operação se sujeita ao arbitramento (na forma já disposta no item 08). Intimado a respeito, o Contribuinte aduziu: “O primeiro ponto a ser destacado é que o contribuinte se equivocou no preenchimento de sua DIPJ referente ao anocalendário de 2012, eis que jamais optou ‘pela Aplicação das Regras de Preços de Transferência prevista no Artigo 52 da Lei n° 12.715/2012’, eis que aplica o método CAP para as suas exportações. Tal informação é clara de tal forma, que apenas a DIPJ relativa ao ano calendário de 2012 apresenta essa informação, pelo que os demais anos exibem a apuração pelo citado método CAP. Justamente por tal motivo é que a resposta ao item (ii) será nos mesmos termos do item (iii), já que, para 2012, assim como para 2013, os bens estavam sujeitos ao arbitramento, tendo em vista a aplicação do método de Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro. (...) Por fim, a requerente reitera o simples equívoco, tendo em vista, inclusive, a impossibilidade de aplicação das regras inauguradas pela Lei n° 12.715/2012, eis que a celulose não se encontra no rol das commodities sujeitas ao PECEX”. E prossegue a fiscalização: 37. Confrontando os fatos narrados no “item 08” com as informações dispostas no “item 36, (vii)”, inferese que não houve qualquer menção à suposta opção pela apuração do Preço Parâmetro por meio do método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro – CAP relativamente ao presente anocalendário, conforme aduz a Fiscalizada. (...) 49. Consideradas as informações dispostas no item 19, o Preço Parâmetro foi calculado pela taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data de embarque da mercadoria, o qual totalizou a quantia de R$ 1.491,94 (documento n° 53 da “Relação de Documentos”). Para o anocalendário de 2013: 51. A Fiscalizada escolheu o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP) para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência no referido anocalendário, declarando Preço Parâmetro de R$ 868,61 e Preços Praticados de R$ 927,91 e R$ 929,36 nas aquisições da Fíbria Trading e da Stora Enso respectivamente (na forma já disposta no item 08). (...) 102. De modo geral, quanto ao que está posto nos itens “99 a 101”, o lapso temporal entre as duas datasbase para as taxas de câmbio de conversão (nota fiscal e reconhecimento da receita), tanto poderá originar variação monetária ativa, quanto passiva. 103. Contudo, à vista do que se apurou na documentação anexada, houve variação monetária ativa no corrente anocalendário, na ordem de R$ 3.642.671,84, decorrente de variação na taxa de câmbio de conversão para fins da expedição de nota fiscal e referente à realização da receita de exportação (documentos n°s 59, 60 e 67 da “Relação de Documentos”). Fl. 8754DF CARF MF 4 104. Por fim, apenas ratificando o que própria Fiscalizada externou (conforme registro no item “74”), acertadamente, a receita decorrente das exportações foi quantificada pelos valores expressos nas notas fiscais, mas a variação monetária apurada no item precedente não foi reconhecida como receita financeira, já que ausente no razão da conta contábil “Apuração G/P Monetária e Cambial – Ativo” 4.11.1. Valor do ajuste 106. Pelo que se apurou nos itens “97 a 105”, considerando que variação monetária ativa não integra a receita de exportação, e sim a receita financeira do período da realização, o Lucro Real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – deverão ser ajustados em R$ 3.642.671,84, montante apurado na forma já discutida no presente Termo (documentos n°s 59, 60, 67 e 68 da “Relação de Documentos”). Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação de fls.81038139, aduzindo: a) O fiscal autuante presumiu, sem base legal, que a impugnante teria optado pela escolha do método PECEX. A impugnante, contudo, informou reiteradas vezes que, para o anocalendário de 2012, não optou pelo método PECEX para apuração do preços parâmetros na exportação do produto "CELULOSE BRANQUEADA DE EUCALIPTO" (NCM 703.29.00). Na verdade, a impugnante utilizou o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), cuja aplicação resultou na obtenção de preço parâmetro em valor inferior ao preço praticado e, portanto, não implicou ajuste ao lucro líquido, como historicamente informado pela impugnante nas Fichas 29A, 30 e 31 de sua DIPJs; b) O autuante formulou essa presunção pelo simples fato de a impugnante ter marcado a opção, na Ficha 01, pela aplicação antecipada das disposições contidas nos arts. 48 e 50 da Lei nº 12.715/2012, conforme permitido pelo art. 52 desta Lei o que resultava na antecipação dos efeitos das mudanças promovidas pelos referidos artigos nas regras de preços de transferência já no anocalendário de 2012. Na verdade, é somente na Ficha 30 da DIPJ que o contribuinte informa o método de controle do preços de transferência adotado, nos casos em realize operações com pessoas vinculadas e que estas estejam sujeitas ao arbitramento. O simples fato de a contribuinte (por engano) ter marcado a "Opção pela Aplicação das Regras de Preços de Transferência Previstas no Artigo 52 da Lei nº 12.715/2012" não implica sua opção pela adoção do método PECEX, especialmente porque o bem exportado pela impugnante não pode ser considerado commodity; c) O método PECEX, introduzido pela Lei nº 12.715/12, constitui método especial de preços de transferência, obrigatório para as operações envolvendo a exportação de commodities, porém proibido para exportação de outros produtos (aqueles não classificados como commodities pela legislação de preços de transferência), conforme arts. 19, § 9º e 19A da Lei nº 9.430/96. O conceito de commodities, para fins da legislação de preços de transferência, encontrase claramente definido no art. 34, § 3º, I e II da IN RFB nº 1.312/12, bem como na Solução de Consulta COSIT nº 176, de 08 de julho de 2015; d) Os bens exportados pela impugnante não devem ser considerados commodities pela legislação do preço de transferência, implicando o afastamento da obrigatoriedade da implementação do controle por meio do método PECEX, na medida em que tais produtos não estão listados no Anexo I e nem são negociados nas bolsas de mercadorias e futuros constantes do Anexo II, ambos da IN RFB nº 1312/2012. Fl. 8755DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 4 5 e) A suposta "opção" da contribuinte pelo método PECEX, mais do que inexistente, seria legalmente vedada, nos casos de exportação de celulose. A determinação de ofício do preço parâmetro bem como a escolha dos métodos pela autoridade fiscal é medida extremamente subsidiária, que somente se justificaria na hipótese de absoluta desídia do contribuinte em justificar sua conduta, o que não é o caso presente (v. art. 20A, § 2º da Lei nº 9.430/96); f) No tocante à suposta omissão de variação monetária ativa, uma rápida análise da planilha sobre a qual o autuante se baseou revela que a apuração da variação cambial positiva (e, consequentemente, da omissão de receitas) está fundada em erro de cálculo. Quando corrigido tal erro, constatase que a variação cambial foi negativa, não havendo que se falar em omissão de receitas. O valor apurado no Auto de Infração é manifestamente equivocado, decorrente de um erro material na imputação da taxa de câmbio relativa aos embarques das mercadorias ocorridos em 02/02/2013 e em 03/02/2013. Para os três embarques em questão foi considerada a taxa de câmbio de compra de 2,9892 ao passo que o correto seria uma taxa de câmbio de 1,9892 conforme relatório anexo extraído do Banco Central do Brasil (doc.06). Este equívoco majorou de forma substancial o VMLE da data do embarque e distorceu a variação monetária ativa, conforme demonstrativo a seguir: g) O erro de cálculo da fiscalização majorou indevidamente o somatório do VMLE do Embarque em R$ 5.885.474,56, de forma que o valor correto deste somatório seria de R$ 1.015.033.267,08, valor inferior àquele declarado na DIPJ do anocalendário de 2013 pela Impugnante como receita de exportação. Na realidade, no período do ajuste, a variação cambial foi negativa, no montante de R$ 2.242.802,92. Em outras palavras, não houve falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, mas sim recolhimento a maior, posto que a contribuinte não deduziu as despesas incorridas relativas às variações cambiais passivas para fins de redução da base de cálculo destes tributos. Comprovado o vício material decorrente de erro na apuração da base tributável, impõese o cancelamento da exigência fiscal; Fl. 8756DF CARF MF 6 A DRJ/Florianópolis julgou a Impugnação integralmente procedente, em acórdão assim ementado (fls. 8717 e ss.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 Exportação. Preço de transferência. Procedimentos fiscais Quando o método de apuração do preço de transferência ou algum dos seus critérios for desclassificado pela autoridade fiscal, devese intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. A fiscalização deverá motivar o ato, caso desqualifique o método eleito pelo contribuinte. Exportação. Taxa de câmbio. Variação cambial ativo. Erro de cálculo. Cancelase o lançamento, uma vez comprovado erro de fato cometido pela autoridade autuante, na digitação da taxa de câmbio utilizada para fins de apuração das variações cambiais ativas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. A matéria exonerada ultrapassa o valor de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, e não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, devendo ser conhecido o Recurso de Ofício interposto. Em primeiro lugar, há que se elogiar a qualidade técnica do voto do Auditor Fernando Luiz Gomes de Mattos, que muito bem elucidou os pontos em discussão. Dito isto, adianto que tomo suas razões como fundamento da minha decisão, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, reproduzindo abaixo os principais trechos da decisão. Em relação ao anocalendário 2012: Conforme relatado, em, relação ao anocalendário de 2012, os lançamentos decorreram da constatação, pela autoridade autuante, da necessidade de ajustes relativos à aplicação de métodos de preços de transferência, relativos a suas exportações para pessoa vinculada no exterior, não adicionados ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 8757DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 5 7 Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 8064 (grifado): 31. Embora a Fiscalizada tenha optado pela aplicação das disposições contidas no art. 52 da Lei n° 12.715/2012, implicando escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência em relação ao anocalendário de 2012 (discriminação constante do item 07), quando do preenchimento da ficha 30 da DIPJ/2013, ela afirmou que referidas operações não estavam sujeitas ao arbitramento, assim considerando, também não preencheu o método, o preço parâmetro e o preço praticado, informações obrigatórias quando a operação se sujeita ao arbitramento (na forma já disposta no item 08). Em sua peça impugnatória, a contribuinte alegou, basicamente, que: a) A opção, na Ficha 01 da DIPJ, pela aplicação antecipada das disposições contidas nos arts. 48 e 50 da Lei nº 12.715/2012, não implica escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de preços de transferência, especialmente porque o bem exportado pela impugnante não pode ser considerado commodity; b) A impugnante utilizou o método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), cuja aplicação resultou na obtenção de preço parâmetro em valor inferior ao preço praticado e, portanto, não implicou ajuste ao lucro líquido, como historicamente informado pela impugnante nas Fichas 29A, 30 e 31 de sua DIPJs; c) Os bens exportados pela impugnante não devem ser considerados commodities pela legislação do preço de transferência, implicando o afastamento da obrigatoriedade da implementação do controle por meio do método PECEX. A própria autoridade autuante teria reconhecido expressamente este fato, conforme se observa no Termo de Verificação de Infração, fls. 8064. Compulsando a legislação de regência da matéria, constato que a razão situa se ao lado da contribuinte. Passo a justificar meu entendimento. No caso de exportação para pessoas vinculadas, desde a edição da Lei nº 9.430/96 existe a obrigatoriedade de adoção dos métodos de preços de transferência, quando o preço médio de venda dos bens nas exportações fosse inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado interno (entre compradores e vendedores não vinculados). Esta é a inteligência extraída do caput do art. 19 da citada Lei nº 9.430/96, verbis: Art 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Quando houver a necessidade de ajuste das receitas de exportação para pessoas vinculadas, em regra deve ser adotado um dos métodos previstos no § 3º do retrocitado art. 19 da Lei nº 9.430/96, quais sejam: a) PVEx; b) PVA; c) PVV; d) CAP. Em princípio, a definição de qual método seria adotado ficava ao exclusivo critério do contribuinte (exportador). Contudo, o método escolhido pela pessoa jurídica para um determinado bem, serviço ou direito deveria ser aplicado, Fl. 8758DF CARF MF 8 consistentemente, durante todo o período de apuração. Era esta a clara orientação constante do caput art. 27 da IN RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, verbis: Art. 27. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado o menor dos valores apurados, observado o disposto no parágrafo único, devendo o método adotado pela pessoa jurídica ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. Somente na hipótese de o preço apurado com base no método de preço de transferência escolhido pelo contribuinte exceder ao valor praticado pela empresa, é que esta diferença deveria ser adicionada ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme § 7º do art. 19 da Lei nº 9.430/96, verbis: § 7º A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Quinze anos após a introdução das regras de preço de transferência no ordenamento jurídico brasileiro, foi editada a MP nº 563/12, posteriormente convertida na Lei nº 12.715/12. No que tange às exportações para pessoas vinculadas, a referida MP criou um novo método (PECEX Preço sob Cotação na Exportação), de aplicação obrigatória para commodities. Para maior clareza, transcrevo o § 9º do art. 19 e o caput do art. 19A, incluídos na Lei nº 9.430/96 por meio da retrocitada MP nº 563/12 (posteriormente convertida na Lei nº 12.715/12): § 9º Na hipótese de exportação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Exportação PECEX, definido no art. 19A. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Art. 19A. O Método do Preço sob Cotação na Exportação PECEX é definido como os valores médios diários da cotação de bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Temos então que, partir da edição da Lei nº 12.715/12, a legislação brasileira, embora tenha mantido a regra geral que permitia ao contribuinte escolher o método de preço de transferência na exportação mais favorável ao contribuinte, criou uma exceção a essa regra ao determinar que nas operações de exportação envolvendo commodities fosse necessariamente adotado o método PECEX, para fins de determinação do lucro real e apuração da base de cálculo da CSLL. O conceito de commodity, para fins de aplicação das regras de preço de transferência, encontravase definido no art. 34, §3º, da IN RFB nº 1.312/12, verbis: § 3º Consideramse commodities para fins de aplicação do PECEX os produtos listados no Anexo I a esta Instrução Normativa, bem como os demais produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II a esta Instrução Normativa. (Redação vigente no anocalendário de 2012) Posteriormente, este conceito foi ainda melhor detalhado por meio da IN RFB nº 1.395, de 134 de setembro de 2013, que alterou a redação do retrocitado art. 34, §3º, da IN RFB nº 1.312/12, verbis: Fl. 8759DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 6 9 § 3º Consideramse commodities para fins de aplicação do Pecex, os produtos: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1395, de 13 de setembro de 2013) I listados no Anexo I e que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II, ou que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III, todos Anexos a esta Instrução Normativa; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1395, de 13 de setembro de 2013) II negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II a esta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1395, de 13 de setembro de 2013) Sobre a aplicação desta norma, convém analisar a ementa e o item 7 da Solução de Consulta COSIT nº 176, de 08 de julho de 2015 (grifado) MÉTODOS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO SOB COTAÇÃO NA IMPORTAÇÃO – PCI. PREÇO SOB COTAÇÃO NA EXPORTAÇÃO – PECEX. CONCEITO DE COMMODITIES. Para fins de aplicação dos métodos PCI e Pecex, consideramse commodities os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. Na hipótese de inexistir cotação específica para o produto importado ou exportado, os preços declarados poderão ser comparados com os obtidos a partir de fontes de dados independentes fornecidas por instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas listadas no Anexo III da IN RFB nº 1312, de 2012, sendo ajustados para mais ou para menos do prêmio médio de mercado. No caso de exportação de produto, os preços declarados poderão, ainda, ser comparados com os preços definidos por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. A adoção dos métodos PCI/ PECEX é obrigatória ainda que não haja cotação específica, desde que o preço público possa ser alcançado através dos ajustes entre produtos similares para apuração do preço parâmetro. O prêmio médio de mercado também poderá ser aplicado a bem similar com referência em publicação de instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 18A e 19A; Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. [...]7 Assim, de plano, cumpre destacar que o rol apresentado pelo Anexo I da IN 1312/12 não apresenta, necessariamente, uma lista de produtos considerados commodities para o fim de se aplicar as regras de preços de transferência dos métodos PCI e Pecex. Tais produtos podem, ou não, ser considerados commodities conforme tenham, ou não, cotação nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II ou nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III, ou, no caso de exportação, tenha preço definido por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. Fl. 8760DF CARF MF 10 Concluída a análise da legislação aplicável, passo a analisar o caso concreto, para fins de solucionar a presente lide. As operações de exportação objeto da presente controvérsia, encontramse assim descritas, no Termo de Verificação de Infração, fls. 80568057: 3. CONTEXTUALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO 07. A Contribuinte efetivou operações com Pessoa Vinculada ou Residente e/ou Domiciliada em País com Tributação Favorecida nos dois anoscalendário (2012 e 2013), optando pela aplicação das disposições contidas no art. 52 da Lei n° 12.715/2 012, para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência no período de apuração 2012 (Ficha 01 da DIPJ/2013 documento n° 15 da “Relação de Documentos”). 08. Durante o período sob exame, a Fiscalizada efetivou exportação de CELULOSE BRANQUEADA DE EUCALIPTO, Código NCM 4703.29.00, para pessoas Vinculadas, cujos aspectos seguem na tabela abaixo (fichas 30 e 31 das DIPJ2013 e DIPJ 2014 documentos n°s 15 e 16 da “Relação de Documentos”): 09. Mediante negativas firmadas na “Ficha 29 A” das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ referentes aos anos calendário de 2012 e 2013, a Contribuinte reconheceu não estar dispensada do controle de Preços de Transferência (comparação entre o Preço Praticado e o Preço Parâmetro obtido por um dos métodos previstos na legislação), de que tratam os arts. 48, 49 e 58A da Instrução Normativa RFB n° 1.312/2 012, abaixo esclarecidos, o que implicaria ficar a comprovação dos preços praticados nas operações de exportação com pessoa considerada vinculada, dos respectivos períodos de apuração, exclusivamente por meio dos documentos relacionados com as próprias operações de exportação: 09.1. Relativamente ao anocalendário de 2012, quando o lucro líquido antes da provisão sobre o IR e da CSLL decorrente da receita de vendas nas exportações para pessoas jurídicas vinculadas for igual ou superior a 5% (cinco por cento) do total dessas receitas, considerandose a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes (arts. 58A da IN RFB n° 1.312/2012); No caso concreto, não restam dúvidas acerca do fato de que a mercadoria exportada pela contribuinte não se enquadrava no conceito legal de commodity, para fins de aplicação das regras de preços de transferência. Sobre o tema, foi suficientemente clara a própria autoridade autuante, no Termo de Verificação de Infração, fls. 8064, verbis: 30.1. Primeiro: verificamos que o bem exportado não é considerado commoditie pela legislação dos Preços de Transferência, na forma disposta no subitem “27.6”, implicando o afastamento da obrigatoriamente da implementação do controle por meio do método PECEX, que tem regramento específico; inclusive, não sendo admitida a dispensa do controle de Preços de Transferência mediante Fl. 8761DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 7 11 arbitramento, bem como ficando a Margem de Divergência reduzida de 5% (cinco por cento) para 3% (três por cento), contextos já registrados anteriormente (arts. 21, 34, 50 e 51 da IN RFB nº 1.312/2012); 30.1.1. A propósito, a razão do produto exportado pela Contribuinte não se enquadrar como commodities, para fins de controle de Preços de Transferência, é que ele não está listado no Anexo I da IN RFB n° 1.312/2012, nem é negociado nas bolsas de mercadoria e futuros constantes do Anexo II de referida IN – salvo ocorrência de erro na tradução quando das exaustivas pesquisas, o que me parece improvável), ficando afastada a sujeição à aplicação do método PECEX relativamente ao anocalendário de 2013. 30.2. Segundo: entendido não se tratar de receitas decorrentes da exportação de commoditie, constatamos que referidas receitas não estão dispensadas do controle de Preços de Transferência mediante arbitramento, na forma já manifestada no item “23” retrocitado. Fato já reconhecido pela contribuinte na forma registrada nos itens “07 a 09” do Tópico 03 deste Termo. Com base na legislação de regência e considerando não se tratar de exportação de commodity, resulta claro que, no caso concreto, em princípio não se poderia admitir a adoção do método PECEX, posto que a celulose exportada pela impugnante não se encontrava inserida na lista de commodities sujeitas ao PECEX (Anexo I da IN RFB nº 1.312/12) e também não estava sujeita a preço público em bolsas de mercadorias (Anexo II da IN RFB nº 1.312/12). Revelase, portanto, totalmente contraditória a afirmação da autoridade autuante, no sentido de que a contribuinte teria optado pela aplicação do método PECEX para fins de aplicação das regras de preço de transferência em relação ao ano calendário de 2012. Para maior clareza, novamente transcrevo trecho relevante extraído do Termo de Verificação de Infração, fls. 8064 (grifado): 4.9. Controle de Preços de Transferência relativo ao anocalendário de 2012 4.9.1. Opção exercida pela Fiscalizada 31. Embora a Fiscalizada tenha optado pela aplicação das disposições contidas no art. 52 da Lei n° 12.715/2012, implicando escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência em relação ao ano calendário de 2012 (discriminação constante do item 07), quando do preenchimento da ficha 30 da DIPJ/2013, ela afirmou que referidas operações não estavam sujeitas ao arbitramento, assim considerando, também não preencheu o método, o preço parâmetro e o preço praticado, informações obrigatórias quando a operação se sujeita ao arbitramento (na forma já disposta no item 08). Ora, uma vez que a mercadoria exportada reconhecidamente não se enquadrava no conceito legal de commodity, a contribuinte NÃO poderia ter optado pelo método PECEX, posto que não possuiria elementos suficientes para enquadrar sua operação neste método e/ou para realizar cálculo dentro dos seus parâmetros. A própria autoridade autuante reconheceu que, para o produto em questão, não havia cotação nas bolsas de mercadorias e futuros (listadas no Anexo II da Fl. 8762DF CARF MF 12 IN RFB 1.312/12). Além disso, também não havia preço definido por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. Sobre o tema, manifestouse com muita clareza a contribuinte, em sua peça impugnatória, fls. 81158119: 43. Com efeito, em conformidade com o princípio da anterioridade tributária, o legislador ao editar a Lei nº 12.715/12, estabeleceu que os arts. 48 e 50 desta só viriam a ser de observância obrigatória a partir do anocalendário de 2013 (art. 78, § 1º). Contudo, permitiu que o contribuinte, caso desejasse,poderia optar por adotar tais disposições para fins de aplicação das regras de preço de transferência já no anocalendário de 2012, sendo sua opção irretratável e acarretando a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 48 e 50, nos estritos termos do art. 52 da mencionada Lei [...] 44. Como se pode ver, a opção irretratável a ser realizada pelo contribuinte nos termos do art. 52, da Lei 12.715/12, acima citado, era para que as alterações mos artigos da Lei nº 9.430/96 produzissem efeito já no anocalendário de 2012 e fossem observados quando da transmissão da DIPJ. Em nenhum momento essa opção irretratável era por qualquer um dos métodos de preços de transferência alterados ou incluídos pela Lei nº 12.715/12. 45. Sequer seria possível pensar de forma distinta, na medida em que a opção pela antecipação aludida se aplicava para todas as alterações realizadas por tal artigo, o que incluía alterações em três métodos distintos, sendo totalmente impossível uma presunção no sentido de que a opção pela aplicação das alterações implicaria a adoção automática e irretratável de um dos métodos. [...]47. Noutro giro, é de ser salientado alguma nuances da DIPJ do ano calendário de 2012, a fim de que se possa verificar o completo equívoco da autoridade fiscal. Nesta DIPJ foi incluído um novo campo na ficha 01 (Dados iniciais), que seria a "Opção pela Aplicação das Regras de Preços de Transferência Prevista no Artigo 52 da Lei nº 12.715/2012", cujas consequências já foram expostas acima. [...] 48. Por sua vez, é só na Ficha 29A da DIPJ que o contribuinte deve imputar todas as exportações realizadas com pessoas vinculadas. E na ficha 30, caso as operações sejam, com pessoas vinculadas e estejam sujeitas ao arbitramento, o Fl. 8763DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 8 13 contribuinte deve informar o método de controle de Preços de Transferência, bem como o valor do preço praticado nas operações e o valor dos preços parâmetro obtidos pela utilização desse método escolhido. 49. No ano de 2012, a Impugnante havia informado que as operações praticadas com partes relacionadas não estavam sujeitas ao arbitramento. Vejase: [...]52. Feitos os esclarecimentos acima, a constatação do completo equívoco e insubsistência do Auto de Infração é praticamente intuitiva. Em realidade, todo o lançamento revolve na simples presunção sem qualquer base legal de que a Impugnante teria optado por adotar o método PECEX e, consequentemente, não teria efetuado o correspondente ajuste, sendolhe vedado agora alterar o método utilizado para fins de apuração do preço parâmetro. 53. Ocorre que o simples fato da Impugnante ter (por engano) marcado a "Opção pela Aplicação das Regras de preço de Transferência Prevista no Artigo 52 da Lei nº 12.715/2012" NÃO implica a sua opção pela adoção do método PECEX, sendo certo que sequer poderia adotar o método em questão haja vista que o bem exportado pela Impugnante não pode ser considerado commodity. 54. Conforme exposto acima, ao contrário do que aduziu a Autoridade Fiscal, a Opção em questão não traz consigo a aplicação obrigatória do Método PECEX, mas simplesmente obriga a declarante a adotar as alterações promovidas pelos artigos 48 e 50 da Lei nº 12.717/2012. [...]55. a escolha do método de preço de transferência é efetuada mediante seleção na listagem constante do campo "método" na ficha 30 da DIPJ do ano calendário, após a marcação positiva da opção "Operação Sujeita ao Arbitramento" nos termos do § 3º do art. 20A da Lei nº 9.430/96. Ora, considerando que no presente caso a impugnante não selecionou qualquer método da lista, conforme se pode verificar em sua DIPJ de 2013 (AC 2012), simplesmente não há que se falar em opção irretratável por qualquer um dos métodos. Diante de todo o exposto, considero amplamente demonstrado que: a) A opção, na Ficha 01 da DIPJ, pela aplicação antecipada das disposições contidas nos arts. 48 e 50 da Lei nº 12.715/2012, não implicou escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de preços de transferência, especialmente porque o bem exportado pela impugnante não pode ser considerado commodity; b) O bem exportado pela impugnante efetivamente não deve ser considerado commodity pela legislação do preço de transferência, implicando o afastamento da obrigatoriedade da implementação do controle por meio do Fl. 8764DF CARF MF 14 método PECEX. A própria autoridade autuante reconheceu expressamente este fato, fazendoo constar no próprio Termo de Verificação Fiscal, fls. 8064. A contribuinte inicialmente declarou, na Ficha 30 da sua DIPJ, que as operações praticadas com partes relacionadas, envolvendo a mercadoria "Celulose Branqueada de Eucalipto" não estavam sujeitas ao arbitramento. Em atendimento a intimação específica, no curso do procedimento de fiscalização, a contribuinte retificou esta declaração, informando que estava, sim, sujeita ao arbitramento, tendo optado pelo método de cálculo do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), no tocante ao qual apresentou documentos. Considerando que na DIPJ a contribuinte efetivamente não fizera opção por nenhum método de verificação do preço de transferência na exportação desse bem, competiria à autoridade fiscal checar a documentação apresentada pela contribuinte, referente ao método CAP, podendo, se necessário, exigir esclarecimentos adicionais, requerer a apresentação de documentação suplementar etc. Sobre o tema, cumpre observar o que dispõe o caput do art. 20A da Lei nº 9.430/96: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) No curso da fiscalização, a contribuinte reiteradamente informou à autoridade autuante que não estava obrigada a utilizar o método PECEX e que também não optou pelo referido método. Ainda assim, em nenhum momento a autoridade autuante observou o disposto no art. 20A da Lei nº 9.430/96, acima transcrito, o qual garante ao contribuinte o direito de ofertar método alternativo, caso o método originalmente escolhido fosse desconsiderado pela Fiscalização. Em outras palavras: ainda que o método escolhido pela contribuinte efetivamente tivesse sido o método PECEX, como equivocadamente entendeu a autoridade autuante, ainda assim a contribuinte, ao não apresentar os cálculos conforme o referido método, teria o direito de ofertar método alternativo no prazo de 30 dias. Vale dizer que a impugnante apresentou seus cálculos utilizando o método CAP, mas estes cálculos sequer foram analisados pelo Fisco, que manteve a conduta equivocada de realizar cálculo próprio com base no método PECEX. Conforme restou amplamente demonstrado, a opção feita pela contribuinte na Ficha 01 da sua DIPJ, pela aplicação antecipada das disposições contidas nos arts. 48 e 50 da Lei nº 12.715/2012, não implicou escolha do método PECEX para fins de aplicação das regras de preços de transferência, uma vez que o bem exportado pela impugnante não poderia ser considerado como commodity. Assim sendo, considero que a presente parcela do lançamento foi equivocada, merecendo ser cancelada. Fl. 8765DF CARF MF Processo nº 10508.720272/201729 Acórdão n.º 1301003.648 S1C3T1 Fl. 9 15 Ressalto, porém, que a presente decisão não implica o reconhecimento de que o método PECEX não possa, em nenhuma hipótese, ser utilizado para fins de determinação do preço parâmetro, no caso de exportação de bens para pessoas vinculadas, mesmo que o citado bem não se caracterize como commodity. Em situações excepcionais (não configurada no presente caso), a autoridade fiscal pode, sim, determinar o preço parâmetro com base nos documentos que dispuser, conforme prevê o § 2º do art. 20 da Lei nº 9.430/96. No presente caso, conforme demonstrado, a autoridade fiscal não colocou sob dúvida, em nenhum momento, a correção da apuração do preço de transferência segundo o método CAP, optando por se ater, exclusivamente, à afirmação equivocada de que a contribuinte teria feito a opção irretratável pelo método PECEX. Contudo, como anteriormente demonstrado, a referida opção jamais ocorreu. Pelas razões expostas, em relação ao anocalendário de 2012, considero que a presente impugnação merece ser julgada procedente. Em relação ao anocalendário de 2013: Conforme relatado, em relação ao anocalendário de 2013, o lançamento decorreu do fato de a contribuinte ter realizado a conversão da moeda estrangeira pela taxa de câmbio de fechamento (PTAX800), para compra, relativa ao dia útil imediatamente anterior ao da emissão da nota fiscal (documentos n°s 55, 56 e 57 da “Relação de Documentos”). De acordo com a autoridade autuante, o procedimento correto consistiria em utilizar a taxa de câmbio de compra em vigor na data de embarque da mercadoria. Nos termos da legislação de regência, as diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, foram consideradas como omissão de receitas, a título de variações monetárias ativas. Em sua peça impugnatória, a contribuinte reconheceu que o correto seria utilizar a taxa de câmbio de compra referente à data de embarque da mercadoria. Afirmou, porém, que a suposta omissão de variação monetária ativa não ocorreu, pois sua apuração está fundada em erro de cálculo. A impugnante identificou erro na taxa de câmbio relativa aos embarques das mercadorias ocorridos em 02/02/2013 e em 03/02/2013. Para os três embarques ocorridos nestas datas foi considerada a taxa de câmbio de compra de 2,9892 ao passo que o correto seria uma taxa de câmbio de 1,9892 conforme relatório anexo extraído do Banco Central do Brasil (doc.06). O erro de cálculo cometido pela autoridade autuante teria majorado indevidamente o somatório do VMLE do Embarque em R$ 5.885.474,56, de forma que o valor correto deste somatório seria de R$ 1.015.033.267,08, valor inferior àquele declarado na DIPJ do anocalendário de 2013 pela Impugnante como receita de exportação. Em outras palavras, a variação cambial teria sido negativa, no montante de R$ 2.242.802,92, razão pela qual não teria havido falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, mas sim recolhimento a maior. Comprovado o vício material decorrente de Fl. 8766DF CARF MF 16 erro na apuração da base tributável, requereu o cancelamento da presente parcela da exigência fiscal. Assiste razão à recorrente. Abaixo se reproduz parcialmente, a planilha de apuração do montante da variação monetária ativa, elaborada pela autoridade autuante, fls. 7990: De fato, a autoridade autuante cometeu um erro de digitação na coluna da taxa de câmbio, referente aos 3 embarques ocorridos em 02/02/13 e 03/03/13, conforme destacado na tabela acima. Corrigindose os cálculos, efetivamente se percebe que não houve variação monetária ativa no anocalendário de 2013, exatamente como apontado pela contribuinte em sua peça impugnatória. Assim sendo, também em relação ao anocalendário de 2013, considero que a presente impugnação merece ser julgada procedente. Conclusão Forte nas razões expostas acima, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 8767DF CARF MF
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