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Numero do processo: 10580.905144/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ATP CONSTRUTORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 51 44 /2 00 9- 71 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP com lastro em pagamento indevido ou a maior de Cofins. A DRF/Salvador emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débito declarado da empresa, não restando direito creditório disponível. Após ser cientificado do referido despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese, que: a) o recolhimento a maior da contribuição decorre do fato de a variação monetária passiva ter sido maior que a receita; b) o Dacon e a DCTF retificadores indicam o valor real da apuração das contribuições, restando comprovada a existência do crédito; c) não efetuou a errata informando a transmissão da retificadora, porque o sistema da RFB não aceita proceder à retificação de Per/Dcomp que já tenha sido objeto de decisão administrativa; d) em respeito ao princípio da verdade material, não se pode negar a existência do direito creditório comprovado por Dacon/DCTF retificadores, que indicam todos os recolhimentos efetuados e os débitos do período para compor o saldo; e) existem nos autos elementos de prova que demonstram o erro cometido pela contribuinte em sua declaração. Após exame da defesa apresentada a DRJ/Belo Horizonte proferiu o acórdão 02058.186, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.446, de 27/11/2018, proferido no julgamento do processo 10580.905139/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.446): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência de variação monetária passiva superior à receita do período. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, constatou a inexistência do referido débito e apresentou DACON e DCTF retificadoras. Assim, insiste, em sede recursal, que as declarações retificadoras são prova fidedigna do erro incorrido, devendo as informações nelas constantes serem tidas por verdadeiras na análise do indébito. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Como se verifica pelo exame dos autos, a retificação da DCTF foi promovida pela Recorrente posteriormente à ciência do despacho decisório que deixou de reconhecer o crédito postulado. Desse modo, compete à Recorrente fazer prova do direito postulado. Não se nega, a rigor, que o erro no preenchimento de declarações ao Fisco podem ser corrigidos em sede de contencioso administrativo, em face do que propugna o princípio da verdade material. Contudo, tal correção imprescinde de comprovação do erro alegado, devendo esta ser feita por meio dos documentos contábeis do contribuinte e não meramente pela retificação das declarações prestadas. E, na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado. Ademais, ressalta a decisão DRJ que, não obstante a retificação da DCTF e da DACON realizadas posteriormente à ciência do despacho decisório, a DIPJ retificadora Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 5 4 apresentada informações divergentes. Logo, nem mesmo a DIPJ do contribuinte poderia ser invocada como comprovação do erro incorrido. Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. A título informativo, cumpre esclarecer que não seria possível a informação da transmissão das declarações retificadoras em Per/Dcomp retificador. Como o contribuinte retificou suas declarações somente após a ciência do despacho decisório segundo afirma, para informar a correta apuração da contribuição , cabia a ele, conforme já exaustivamente exposto, trazer aos autos os documentos que demonstrassem e comprovassem a nova apuração. Pelo exposto, não obstante a alegação de erro no preenchimento das declarações prestadas à RFB, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723352/2011-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO PLEITEADO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O parcelamento, especificamente quanto à parte nele incluída, configura desistência e importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso da Contribuinte.
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, no que se refere ao objeto da divergência suscitada, pois as distinções existentes afastam a possibilidade de constatação da divergência jurisprudencial.
Também não se vislumbra interesse recursal quando a divergência suscitada não é apta, por si só, a alterar o resultado do julgamento, considerando que as demais razões constantes do acórdão de segunda instância são suficientes para a sua manutenção.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
Numero da decisão: 9202-007.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões, em relação ao não conhecimento da primeira matéria, a conselheira Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO PLEITEADO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O parcelamento, especificamente quanto à parte nele incluída, configura desistência e importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso da Contribuinte. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, no que se refere ao objeto da divergência suscitada, pois as distinções existentes afastam a possibilidade de constatação da divergência jurisprudencial. Também não se vislumbra interesse recursal quando a divergência suscitada não é apta, por si só, a alterar o resultado do julgamento, considerando que as demais razões constantes do acórdão de segunda instância são suficientes para a sua manutenção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.723352/201140 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202007.469 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes FDS ENGENHARIA DE ÓLEO E GÁS S/A E FAZENDA NACIONAL . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO PLEITEADO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O parcelamento, especificamente quanto à parte nele incluída, configura desistência e importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso da Contribuinte. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, no que se refere ao objeto da divergência suscitada, pois as distinções existentes afastam a possibilidade de constatação da divergência jurisprudencial. Também não se vislumbra interesse recursal quando a divergência suscitada não é apta, por si só, a alterar o resultado do julgamento, considerando que as demais razões constantes do acórdão de segunda instância são suficientes para a sua manutenção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 33 52 /2 01 1- 40 Fl. 1124DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões, em relação ao não conhecimento da primeira matéria, a conselheira Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratamse de Recursos Especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2302003.394 proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 11 de setembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 633: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 3 3 A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. ABSENTEÍSMO. A Lei n° 10.101/2000 estipula que as regras devem ser “claras e objetivas, quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas”. É até discutível se a mera vinculação a índices como absenteísmo é a regra mais adequada para se “incentivar” o empregado. Todavia, esta não foi uma preocupação da lei que disciplina o PLR. Desde que estipule resultado, de forma clara e objetiva, não há base legal para a desconsideração da natureza jurídica do PLR. Em matéria de participação nos lucros e resultados, a lei buscou interferir o mínimo possível, exatamente para não interferir na liberdade de negociação e gerar interferências de índole subjetiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A Lei n° 10.101/2000 em momento algum faculta aos contribuintes individuais a percepção de PLR. Muito pelo contrário, no art. 2° expressamente se reporta aos “empregados”. Portanto, não há lastro normativo que permita concluir que os administradores contribuintes individuais possam perceber participação nos lucros. Recurso Voluntário Provido em Parte Convém destacar que foram opostos Embargos de declaração pela Contribuinte, contudo foram rejeitados, conforme consta do Despacho de Admissibilidade de fls. 789 e seguintes. Fl. 1126DF CARF MF 4 No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional referido anteriormente, fls. 655 a 667, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 696 a 701, para rediscutir a aplicação da multa relacionada à obrigação acessória (apresentação de GFIP), se seria o artigo 32A da Lei 8.2012/91 ou o art. 35A do mesmo diploma legal, considerando a existência de lançamento quanto à obrigação principal correlata, em decorrência da mesma ação fiscal. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) constatase que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); b) com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; c) o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; d) o art. 44, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); e) lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas à Seguridade Social foram devidamente recolhidas; f) por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; g) os Autos de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 799 e seguintes, nas quais sustenta: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 4 5 a) a manutenção do acórdão recorrido, considerando que, para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP, devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n.º 8.212/1991, sendo irrelevante a existência ou não de pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido; b) não há como se aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado, nem tampouco a nova redação do artigo 35; c) a jurisprudência é clara ao afirmar que, no caso mais benéfico à recorrida, consoante o disposto no art. 106 do CTN, a multa deve ser reduzida, nos ditames do art. 32A da Lei 8.212/91. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, fls. 821 a 868, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 936 a 947, para rediscutir: a) a exigência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLRConvenção e da PLRComplementar, diante da norma extraída do § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; b) a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento à diretores nãoempregados. Cabe salientar que, quanto a segunda divergência admitida (PLR paga a diretores não empregados), foi protocolizada Petição de desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT) instituído pela MP n.º 766, de 4 de fevereiro de 2017, consoante se observa inclusive do Despacho abaixo transcrito, fls. 1.021: 1. O contribuinte apresentou Requerimento de desistência parcial do Recurso Voluntário, anexo às fls.968/1092 e 1100/1113, para inclusão de parte do débito em referência no Programa de Regularização Tributária – PERT. 2. Atendendo à sua solicitação, efetuamos o desmembramento do crédito tributário em referência, transferindo os valores lançados na Rubrica 14 – C.IND/ADM/AUT – LEV: PR – PLR FOLHA COMPLEMENTAR, competência 05/2008, no valor de R$ 301.378,56, para o DEBCAD: 37.497.1153 COMPROT 15504730617/201714, para inclusão no parcelamento. 3. Foram mantidos no lançamento originário os demais valores lançados no DEBCAD 37.315.4623 e integralmente os DEBCAD's 37.315.4631, 37.339.3890, 37.339.3903 e 37.339.3911, discutidos administrativamente. Sobre a matéria a respeito da qual não houve desistência do recurso, o Contribuinte sustenta, em síntese, que: a) o estabelecimento de metas é, sim, uma faculdade dada as partes, e não uma obrigatoriedade. Tanto é assim que o dispositivo legal que tratou da matéria art. 2º, § 1º, da Lei n.º 10.101/2000 taxou a instituição de programa de metas como uma possibilidade (podendo ser considerados, dentre outros, os seguintes critérios e condições); Fl. 1128DF CARF MF 6 b) em nenhum momento, a fiscalização exigiu a apresentação destas avaliações individualizadas, de modo que a falta de sua apresentação pela recorrente jamais poderia se constituir num fundamento para a manutenção da autuação pelo órgão a quo; c) no art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000, não se evidencia qualquer menção à necessidade de demonstração da efetiva avaliação individualizada de todos os beneficiários, como decidiu o acórdão recorrido; d) no acordo complementar, estabeleceuse a PLR Global 2007 apenas sobre os resultados atingidos em face dos contratos/obras da Recorrente, considerados individualmente, mediante os critérios e condições nele previstos, sendo certo que, neste caso, e não obstante o caráter facultativo do estabelecimento de metas e resultados, previuse de forma expressa e específica (item 4), as metas constantes do PLR Global 2007, bem como os instrumentos de aferição de cada uma delas; fixando, portanto, as respectivas regras substantivas e adjetivas de forma clara e objetiva. e) não se pode negar que houve pagamento de PLR a empregados que não tinham completado o tempo previsto para o recebimento da PLR de 2007 (mínimo de 8 meses trabalhados); f) ao efetuar os pagamentos referidos, a Recorrente o fez de forma espontânea, fora do âmbito da Convenção Coletiva de Trabalho e do seu Acordo Complementar, mas em conformidade com o comando do § 3º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; g) nulidade do processo administrativo fiscal, considerando a aplicação de critérios pela decisão a quo jamais utilizados pela fiscalização para autuar a recorrente, havendo inovação indevida no lançamento; h) não houve transgressão à legislação pertinente, porquanto demonstradas as efetivas avaliações dos beneficiários da PLR Complementar a justificar legalmente o seu pagamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, fls. 950 e seguintes, assim argüiu: a) no que concerne à necessidade de fixação de regras claras e objetivas, temse que as mesmas devem ser entendidas como regras explícitas, inequívocas, diretas, precisas, que podem ser entendidas por qualquer pessoa que a elas tenham acesso, independentemente de prévios conhecimentos a respeito do tema; b) o contribuinte deixou de comprovar o atingimento das metas previstas no acordo, de forma individualizada, apesar de devidamente intimado para tanto pela fiscalização; c) há que se ter em mente que a fiscalização, quando solicita a demonstração do atingimento das metas estipuladas, não cria novos requisitos para que se considere regular o pagamento de PLR. Ao requerer que se comprove que as metas e critérios adotados foram de fato cumpridos, apenas busca verificar se, Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 5 7 de fato, foram observadas as regras, em tese claras e objetivas, previstas no instrumento de PLR; d) a lei não tem por escopo apenas o estabelecimento pro forma de regras, que podem ou não ser seguidas pelo empregador. O instrumento deve conter regras claras e objetivas e essas regras claras e objetivas devem ser observadas na hora de pagar a PLR; e) mas no momento em que o próprio empregador, no instrumento negociado, delimita parâmetros de pagamento, passa a ter o dever de demonstrar que se ateve a tais parâmetros, o que, definitivamente, não aconteceu no caso dos autos; f) requer a União que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido nos quesitos objeto da presente insurgência. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Os presentes autos tratam dos seguintes descumprimentos de obrigações principais e acessórias: DEBCAD TIPO DE OBRIGAÇÃO DESCRIÇÃO 37.315.4623 Principal Contribuições Patronais 37.315.4631 Principal Contribuições de Segurados 37.339.3890 Principal Contribuições para Terceiros 37.339.3903 Acessória (CFL 68) Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias 37.339.3911 Acessória (CFL 59) Deixar de arrecadar, mediante desconto, contribuição de segurados empregados De acordo com o Relatório fiscal, fls. 23 e 24, foram feitos os seguintes levantamentos: Fl. 1130DF CARF MF 8 6.1. PLR CONVENÇÃO (Participação nos Lucros, nas competências abril e maio de 2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social); 6.2. PLR FOLHA COMPLEMENTAR (Valores pagos a alguns segurados empregados e contribuintes individuais (diretores não empregados) a título de Participação nos Lucros e Resultados na competência maio de 2008, em folha suplementar e confidencial, denominada “Folha de Pagamento Complementar – MAIO de 2008”, também não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social). 1. Do Recurso especial interposto pela Contribuinte Conforme narrado, foram suscitadas pela Recorrente as seguintes divergências: a) a exigência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR, diante da norma extraída do § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; b) a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento à diretores nãoempregados. Quanto a segunda divergência admitida (PLR paga a diretores não empregados), foi protocolizada Petição de desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT) instituído pela MP n.º 766, de 4 de fevereiro de 2017, consoante se observa inclusive do Despacho de fls. 1.021. Assim, no que tange à referida divergência, diante da desistência do sujeito passivo quanto à rediscussão da matéria na presente instância, não conheço do recurso. No que se refere à PLR Convenção e Complementar, o acórdão recorrido assim dispôs: Em que pese a legitimidade da eleição do critério para o pagamento do PLR, a recorrente não demonstrou quais seriam os índices de absenteísmo e de acidentes de trabalhos nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices. Destarte, não se discute, propriamente, a natureza do critério eleito (resultado de redução de absenteísmo e acidentes do trabalho), mas os parâmetros concretos de obtenção do resultado. Tal questão não foi superada pela recorrente, razão pela qual o lançamento dos valores relativos ao PLR estabelecido na Convenção Coletiva devem ser mantidos. Somese a isto o fato de que (v) receberam PLR trabalhadores que não cumpriam o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos oito meses completos no ano de 2007; Com efeito, embora invocado como supedâneo para a validação do PLR, o documento “Acordo da oficialização da realização da PLR” (fls. 435/442) foi assinado por representante da empresa e pelo presidente da comissão de empregados, mas sem a participação do sindicato de empregados. Ademais, resumese a uma planilha com a votação para a eleição da comissão de Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 6 9 empregados, não ostentando nada de substancioso a respeito da definição dos parâmetros concretos para pagamento da PLR. Superadas as questões relativas ao PLR estabelecido em Convenção Coletiva, revejamos os argumentos suscitados quanto ao PLR complementar: (ii) o PLR complementar previsto em Acordo Coletivo de Trabalho não identifica com clareza os beneficiários, pois há a possibilidade de elaboração de quadro de nomes com as respectivas avaliações do grau de contribuição para o resultado na sua área de atuação; (iii) o PLR complementar não indica a contribuição esperada individualmente ou por cargo e inexiste previsão de quais elementos seriam considerados pelos gestores em sua avaliação, restando impossibilitado o acompanhamento dos empregados; Para a recorrente, há regras claras e objetivas consistentes na vinculação a resultados atingidos em face dos contratos/obras da recorrente, considerados individualmente, mediante critérios e condições previstos no próprio plano (item 4: “Metas Constantes do PLR Global 2007”), bem como os instrumentos de aferição de cada uma delas. Não discordamos da recorrente quanto a tais afirmações, posto que, o Acordo Coletivo parece ser suficientemente minucioso quanto ao estabelecimento dos parâmetros de percepção do PLR (fls. 107 e seguintes). Ocorre que a recorrente incidiu em duas transgressões graves ao não demonstrar as efetivas avaliações dos beneficiários do PLR complementar na forma do acordado e ainda alegou a confidencialidade dos pagamentos e da própria folha de pagamento suplementar (fls. 112). Ou seja, resta patente o descumprimento do quanto estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, que exige “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Somese a isso o fato de que (vi) o PLR complementar não foi pago a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho. Observase, assim, que o lançamento foi mantido, essencialmente, pelas seguintes razões: a) a recorrente não demonstrou quais seriam os índices de absenteísmo e de acidentes de trabalhos nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices; (ausência de parâmetros concretos de obtenção do resultado); b) receberam PLR trabalhadores que não cumpriam o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos oito meses completos no ano de 2007; Fl. 1132DF CARF MF 10 c) não demonstrou as efetivas avaliações dos beneficiários da PLR complementar na forma do acordado e ainda alegou a confidencialidade dos pagamentos e da própria folha de pagamento suplementar; d) descumprimento do quanto estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, que exige “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; e) o PLR complementar não foi pago a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho. Para o fim de demonstrar a divergência quanto "à ausência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR", a Recorrente utilizou os acórdãos paradigma seguintes: Acórdão n.º 2401003.112 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento. Seguem trechos do acórdão do mencionado paradigma: "Há, todavia, um aspecto que não se pode deixar de considerar. Falo da recusa da empresa em apresentar as avaliações dos empregados, as quais foram utilizadas para mensurar o valor da PLR a ser pago individualmente. Somente com a apresentação do recurso, é que vieram aos autos os documentos de fls. 3.485/3.556, os quais comprovariam que houve a avaliação individual para todos os empregados." "Esse fato, por si só, não é suficiente para que seja, em razão da ausência de regras claras acerca da obtenção do direito ao recebimento da verba, desconsiderando o plano para pagamento de PLR. Para que se tenha o plano como desconforme com a lei de regência, é necessário que se demonstre que os critérios/condições estipuladas no instrumento de negociação sejam incompreensíveis ou inexequíveis. Isso não restou demonstrado quanto ao ajuste (...)". "Recaímos na mesma questão tratada acima. é que o relatório fiscal, no item 1.35.2.1 reconhece que no acordo havia as regras quanto à participação e um programa de metas, além de mecanismos de aferição do cumprimento das referidas metas. Todavia, acusa a empresa de não disponibilizar os relatórios de avaliação dos empregados, de forma que se pudesse verificar se a PLR havia sido paga de conformidade com o ajuste. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 7 11 A falta de apresentação dos relatórios não é causa para que se conclua que o plano de PLR não atende a norma de regência. Esta, vale repetir, estabelece que haja negociação entre empregador e empregados, que resulte em regras claras e objetivas quanto ao direito à verba. Acórdão n.º 2401003.708 PLR PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO DOS VALORES PAGOS. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO EFETUADO. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A não apresentação das memórias de cálculo dos valores pagos a título de PLR autoriza que o lançamento das contribuições tidas por devidas seja realizado pela sistemática do arbitramento em conformidade com o art. 33 da Lei 8.212/91, o que não foi observado no presente caso, já que, pela não apresentação, houve a simples descaracterização do acordo levado a efeito pelas partes. Seguem trechos do acórdão paradigma em análise: "Em momento algum, o fiscal apontou o descumprimento de qualquer outro requisito constante da Lei 10.101/2000, a exemplo da existência ou não de regras claras e objetivas, tendo se fixado que diante da não apresentação das memórias de cálculo, restou impossível a possibilidade da verificação do cumprimento do regulamento e forma de cálculo dos valores apurados e pagos pela recorrente a título de PLR aos segurados empregados". Embora o acórdão recorrido expressamente tenha reconhecendo a legitimidade dos critérios fixados para o pagamento da PLR, quanto ao fato de estabelecerem regras claras e objetivas, consignou o entendimento no sentido de que a recorrente não teria demonstrado os efetivos mecanismos de aferição desses índices, e nem comprovadas as efetivas avaliações dos beneficiários, o que justificaria a autuação. Notase, assim, que o recorrido, ao fundamentar a questão referente à ausência de mecanismos de aferição, utilizou fundamento adicional (comprovação das efetiva avaliações dos beneficiários) para manter a descaracterização da PLR, sem correspondência, nesse ponto, com as razões motivadoras da autuação. A fim de demonstrar a constatação mencionada, transcrevo os fundamentos do lançamento que constam do Relatório Fiscal, fls. 20 e seguintes: 6.3.10 Analisando todos os documentos apresentados concluise que a empresa possui dois critérios diferenciados para o pagamento da PLR de seus funcionários sendo efetuados. 6.3.11 O primeiro critério se verifica por meio da rubrica Participação nos Lucros (código 126) lançada em Folha de Pagamento, nas competências abril e maio de 2008 baseada em cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre Fl. 1134DF CARF MF 12 SITICOP e SICEPOT, com valores que variavam entre R$ 267,00 e R$ 400,00. 6.3.11.1 Verificouse que os pagamentos de PLR mencionados acima foram baseados na Cláusula 43ª PLR da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o SITICOP e o SICEPOT 2007/2008. CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (...). Parágrafo Primeiro – Os convenentes elegem como resultado o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como a redução dos índices de acidente de trabalho. Parágrafo Segundo Somente fará jus à parcela de PLR o empregado que atenda a todas as condições adiante relacionadas: a) que o empregado tenha trabalhado na empresa que conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses completos no ano de 2007; b) que o empregado tenha comparecido com freqüência integral, em todos os meses trabalhados no ano 2007; c) que o empregado não tenha se ausentado do trabalho por qualquer período, por qualquer licença, salvo no caso de acidente do trabalho ou licença maternidade, no ano de 2007; d) que o empregado não tenha sido vítima de acidente de trabalho no ano de 2007, a que tenha dado causa ou contribuído para a sua ocorrência; e) que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do EPI ou punição por falta disciplinar aplicada pelo empregador , no ano de 2007. Parágrafo Terceiro – Os empregados representados pelo SITICOPMG ou pela Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e que atendam todas as condições definidas no Parágrafo Segundo, receberão, a título de participação nos lucros ou resultados das empresas, até o dia 10 de maio de 2008, a importância fixa total por empregado, a ser paga pelas empresas de acordo com a estratificação abaixo: ... Parágrafo Sexto – O pagamento correspondente às duas faixas de maior valor , poderá, a critério da empresa, ser pago em duas parcelas, respectivamente em 10 de maio e 10 de outubro de 2008. ( ...) Parágrafo Nono – As empresas interessadas na celebração de Acordo Coletivo sobre a participação nos lucros ou resultados diverso dos termos estipulados nesta Convenção poderão Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 8 13 promover o Acordo mediante negociação com seus empregados, assistidos pelo SITICOPMG, hipótese em que as condições previstas no Acordo Coletivo prevalecerão sobre aquelas estabelecidas na presente Convenção Coletiva. 6.3.11.2 Da análise do contido neste documento, constatase que os pagamentos foram efetuados de acordo com o parágrafo primeiro da referida cláusula, que estabelece como resultado “o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho” determinando ainda uma quantia certa a ser recebida pelos empregados. Tal condição não pode ser pode ser definida como meta, nem mesmo as condições relacionadas no parágrafo segundo da mesma cláusula. 6.3.11.3 Esta garantia mínima, sem qualquer outro plano de metas e resultados estabelecidos, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob a rubrica Participação nos Lucros (código 126). 6.3.11.4 Assim, restou claro que o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado. 6.3.11.5 Tal situação colide frontalmente com a disposição da Lei nº 10.101/2000, quando, em seu artigo 2º, parágrafo 1º, determina que, dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do que for acordado. Na ausência das condições estabelecidas que regulem a matéria, a rubrica Participação nos Lucros (código 126) passa a ser um complemento salarial. 6.3.11.6 Do exposto, concluímos que, os pagamentos de PLR baseados na Convenção Coletiva foram efetuados independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ou premiação, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da Lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. (...). 6.3.12 O segundo critério é evidenciado mediante análise da “Folha de Pagamento Complementar Maio de 2008” baseada no Acordo Coletivo de Trabalho (Complementar à Convenção Coletiva 2006/2007) denominado PLR GLOBAL 2007 – Participação nos Lucros ou Resultados. 6.3.12.1 Primeiramente, ao analisar a cláusula 2ª do referido Acordo Coletivo de Trabalho vislumbrase que o pagamento Fl. 1136DF CARF MF 14 deste “PLR Complementar” destinase a todos “denominados empregados elegíveis das obras e da sede da empresa”. 6.3.12.1.1 Tais “empregados elegíveis” são então definidos na Cláusula 3ª – item 2 como sendo ocupantes de cargos de Diretoria, Gerentes, Engenheiros, Chefes Administrativos, Técnicos, Encarregados e Coordenadores de Áreas. 6.3.12.1.2 Para efeito de comparação de ordem de grandeza temse que, de um total de 1.401 empregados da empresa na competência em que se pagou este benefício, somente 151 foram agraciados. Ou seja, pouco mais de 10% dos empregados da Fidens Engenharia S/A em maio de 2008. 6.3.12.1.3 Fica mais evidente o desequilíbrio quando se observa que, diversos trabalhadores com mesmo cargo têm tratamento diferenciado na medida em que, alguns recebem o “PLR Complementar” em detrimento de outros. (...). 6.3.12.1.4 À luz da Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 temos, em sua parte que trata do PLR: CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS ( ...) Parágrafo Segundo Somente fará jus à parcela de PLR o empregado que atenda a todas as condições adiante relacionadas: a) que o empregado tenha trabalhado na empresa que conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses completos no ano de 2007; (grifo nosso) 6.3.12.1.4.1 No entanto, apesar dos critérios estabelecidos na referida Convenção Coletiva de Trabalho e regulado pelo Acordo Coletivo de Trabalho (Complementar à Convenção Coletiva 2006/2007), alguns empregados receberam a PLR sem terem trabalhado todo o período da apuração. 6.3.13 Concluindo, a Fidens Engenharia S.A diferencia seus empregados ao estabelecer dois programas de PLR distintos efetuando pagamentos diferenciados apenas para os empregados de Cargos de Dirigentes e considerados de Nível Estratégicos para o desenvolvimento e a consecução dos negócios da empresa. Não levou em consideração que, para se alcançar os resultados são necessários o esforço e trabalho de todos empregados, independente dos níveis. Houve discriminação de trabalhadores de níveis hierárquicos inferiores. Desvirtuou, assim, o objetivo mencionado no artigo inicial da Lei nº 10.101, qual seja, de “integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição”. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 9 15 Assim, em momento algum, a fiscalização faz menção, no Relatório, quanto à necessidade de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR, entendendo, dando outros contornos para a indicação de que houve descaracterização dos pagamentos realizados a título de participação. Frisase que, diferentemente da presente autuação, conforme os trechos do Relatório anteriormente colacionados, a situação fática relatada nos paradigmas são eminentemente distintas da tratada nos nesses autos, tendo em vista que, no primeiro acórdão paradigma, o relatório fiscal, no item 1.35.2.1, reconhece que no acordo havia as regras quanto à participação e um programa de metas, além de mecanismos de aferição do cumprimento das referidas metas, mas não foram disponibilizados os relatórios de avaliação dos empregados, de forma que se pudesse verificar se a PLR havia sido paga de conformidade com o ajuste. Já no segundo paradigma, "em momento algum, o fiscal apontou o descumprimento de qualquer outro requisito constante da Lei 10.101/2000, a exemplo da existência ou não de regras claras e objetivas, tendose fixado que diante da não apresentação das memórias de cálculo, restou impossível a possibilidade da verificação do cumprimento do regulamento e forma de cálculo dos valores apurados e pagos pela recorrente a título de PLR aos segurados empregados". Assim, apesar de o acórdão recorrido ter tocado na questão atinente à necessidade de apresentação das efetivas avaliações dos beneficiários da PLR na forma do acordado, o lançamento não se dirigiu especificamente a tais avaliações, que se consubstanciam em documentos acessórios ao programa, mas não integrantes dele. O que consignou a decisão recorrida, em convergência com o lançamento, entre outras razões, foi a ausência de parâmetros de obtenção do resultado, ou seja, especificação acerca das regras apta a demonstrar a integração capital/trabalho, situação relativa ao próprio teor do plano. Portanto; diante dos fundamentos dispostos no Relatório Fiscal anteriormente mencionados, bem como pelas informações extraídas dos acórdãos paradigmas sobre os seus lançamentos; entendo que não merece ser conhecido o recurso especial interposto pela Contribuinte, por ausência de similitude fática entre os julgados, pois, conforme visto, os paradigmas não enfrentam PLRs similares e não tiveram como razões das autuações fundamentos similares aos constantes dos presentes autos, não sendo possível aferir se, caso as regras das PLRs sobre análise fossem idênticas às dos paradigmas, os resultados adotados nas Turmas nas quais eles foram proferidos seriam os mesmos. Além disso, mesmo que se entendesse pela existência da divergência argüida pela Contribuinte, ainda assim não deveria ser conhecido o seu recurso, considerando que o acórdão recorrido apresenta outras razões, além da levantada na divergência, tais como: a)existência de critérios diferenciados para pagamento da PLR; b) recebimento de PLR por trabalhadores que não cumpriram o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos 8 meses completos no ano de 2007; c) ausência de demonstração dos índices de absenteísmo e de acidentes de trabalho nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices; Fl. 1138DF CARF MF 16 d) ausência de participação do Sindicato no Acordo da oficialização da realização da PLR; e) a PLR complementar não foi paga a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho; f) inviabilidade de verificação do cumprimento ou não do acordo. Ressaltase que os mencionados fundamentos são suficientes para a manutenção do lançamento, motivo pelo qual não há interesse da Recorrente na rediscussão do tema objeto da divergência. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso interposto pela Contribuinte. 2. Do Recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De acordo com o narrado, a divergência suscitada pela Procuradoria se refere à aplicação da multa relacionada à obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). Assevera a Recorrente que o dispositivo aplicável ao presente caso é o art. 35A da Lei 8.2012/91, considerando a existência de lançamento quanto à obrigação principal correlata, em decorrência da mesma ação fiscal. De fato, conforme descrito anteriormente, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assim, a retroatividade benigna deve ser aplicada de conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN n.º 14, de 2009, bem como de acordo com o Enunciado de Súmula CARF n.º 119 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF n.º 119. (assinado digitalmente) Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 10 17 Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 1140DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.901867/2006-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Como regra geral, a caducidade para análise dos pedidos de compensação é definida pelo prazo quinquenal de homologação, tendo como termo inicial a data do pedido. Entretanto, em se tratando de créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, a compensação não se submete à homologação tácita, devendo serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRRF. RETENÇÃO. APROVEITAMENTO. OFERECIMENTO DA RECEITA CORRESPONDENTE À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DIPJ.
O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 1001-001.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Como regra geral, a caducidade para análise dos pedidos de compensação é definida pelo prazo quinquenal de homologação, tendo como termo inicial a data do pedido. Entretanto, em se tratando de créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, a compensação não se submete à homologação tácita, devendo serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRRF. RETENÇÃO. APROVEITAMENTO. OFERECIMENTO DA RECEITA CORRESPONDENTE À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DIPJ. O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 18 67 /2 00 6- 58 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 676 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 647/661) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0644.274, de 14/11/2013, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), efls. 636/643, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza e completa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 10850.36570.150903.1.3.028446 (fls. 281287), relativa à compensação do débito de R$ 121.206,53 de PIS (código de receita 6912) e de R$ 413.379,73 de Cofins (código de receita 2172) do mês de agosto/2003, com utilização do direito creditório de R$ 356.699,97 oriundo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 2. A DRF/Salvador, por meio do Despacho Decisório DRF/SDR/SEORT nº 1.088/2006 (fls. 393399), proferido em 04/12/2006, reconheceu o direito creditório de R$ 310.160,26 e homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10850.36570.150903.1.3.028446: 3. Regularmente cientificada por via postal em 08/10/2007 (fl. 403), a reclamante apresentou, em 05/11/2007, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 404407, instruída com os documentos de fls. 408460, cujo teor é sintetizado a seguir: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 677 3 a) argui que a fiscalização considerou um total de R$ 341.530,39 de IRRF sobre aplicações financeiras, quando na realidade o total correto é R$ 354.909,84, conforme demonstrado na Ficha 43 da DIPJ 2001; que abatendo os valores já utilizados nas estimativas mensais resta um saldo de R$ 201.938,65 para dedução no ajuste anual; b) a fiscalização considerou integralmente extintas por compensação, com saldos negativos de períodos anteriores, as estimativas de janeiro e junho e parcialmente a de abril/2000, no montante de R$ 269.345,57; que a diferença de R$ 33.160,26 não considerada pela fiscalização advém de aplicações financeiras; c) alega que o saldo negativo do anocalendário de 1998 deve ser plenamente aceito na medida em que foi tacitamente homologado em face do transcurso de cinco anos, tendo decaído o direito de a Fazenda Pública lançar diferenças de valores; d) junta cópia de avisos bancários para comprovar a existência do direito creditório, assim como cópia de DARF de recolhimento em atraso não considerado pela fiscalização; e) ao final requer: (i) seja considerada a decadência da revisão do IRPJ dos anocalendário de 1998 e 1999; (ii) seja melhor esclarecida a composição de cálculo da fiscalização; (iii) seja julgado procedente a manifestação de inconformidade, homologando totalmente a compensação requerida. 4. Às fls. 462464, o Despacho de Diligência da 1ª Turma da DRJ/Salvador, solicitando que a contribuinte fosse intimada a comprovar o oferecimento à tributação da receita correspondente ao IRRF deduzido do imposto a pagar no ano calendário de 2000; também foi solicitado demonstrativo do crédito reconhecido dos saldos negativos dos anoscalendário de 1998 e 1999, utilizado na compensação das estimativas do anocalendário de 2000. 5. Às fls. 543546, a Informação SEORT/DRF/SDR nº 036/2012, que recalculou o saldo negativo do anocalendário de 2000 e apurou direito creditório de R$ 320.176,42. 6. Devidamente cientificada da informação prestada pelo Seort da DRF/Salvador em 25/04/2012 (fl. 547), a reclamante acrescentou as seguintes alegações de defesa em 24/05/2012 (fls. 548552): a) os rendimentos provenientes das operações de swap foram informados na linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) da DIPJ 2001; junta cópia do Livro Razão para comprovar a contabilização dos rendimentos obtidos nas operações de swap; b) informa que as receitas sobre operações de swap do anocalendário de 1998 foram informadas na linha 24 (Outras receitas financeiras) da Ficha 06A da DIPJ 1999; c) que o saldo negativo do anocalendário de 1999 é objeto de manifestação de inconformidade nos autos do processo nº 10580.901866/200611; que impõese a imediata suspensão do processo administrativo em debate até ulterior resolução da controvérsia relativa ao anocalendário de 1999. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 678 4 A DRJ considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada, determinando a homologação adicional da compensação declarada nos autos, até o limite da diferença reconhecida. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovada a existência de parte da diferença do direito creditório reclamado, é de se determinar a homologação adicional da compensação declarada nos autos, até o limite do valor reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Ciente eletronicamente da decisão de primeira instância em 18/02/2014, conforme "Termo de Abertura de Documento", à efl. 645, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 13/03/2014, conforme carimbo aposto à efl. 647. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Ao tratar de cada item da lide, transcrevo na seqüência, excertos do voto condutor do acórdão recorrido com a fundamentação da decisão; em seguida as alegações da recorrente objetivando a reforma da decisão e por último fundamento as razões e declaro o voto: 1 Do IRRF sobre aplicações financeiras Excertos do voto condutor do Acórdão: 14. Nas parcelas de composição do crédito foram discriminadas retenções de IRRF no montante 354.909,84 – correspondente ao valor deduzido do imposto a pagar apurado nas estimativas mensais (R$ 152.971,19) e no ajuste anual (R$ 201.938,65) –, mas a DRF/Salvador logrou confirmar R$ 341.530,39 de retenções nas DIRF’s apresentadas pela fontes pagadoras: Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 679 5 (omissis) 16. De qualquer modo, é possível constatar que o imposto de renda não confirmado referese às seguintes retenções com código de receita 5273 (Operações de swap): . CNPJ nº 60.898.723/000181– Banco BCN S/A (fl. 534) ....................... R$ 7.153,40 . CNPJ nº 61.065.421/000195– Bco.Mercantil São Paulo S/A (fl. 535) .. R$ 6.330,14 . CNPJ nº 61.472.676/000172– Banco Santander Brasil S/A (fl. 533) .. R$ 524,72 17. Muito embora as retenções de R$ 6.330,14 e R$ 524,72 de imposto de renda tenham sido informadas em DIRF pelas fontes pagadoras CNPJ’s nºs 61.065.421/000195 e 61.472.676/000172, elas foram consideradas não confirmadas em face de os rendimentos correspondentes não terem sido tributados. A autoridade fiscal concluiu que a receita de swap de R$ 34.274,75 não havia sido oferecida à tributação porquanto a linha 21 (Ganhos auferidos no mercado de renda variável, exceto daytrade) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) da DIPJ 2001 encontrase zerada (fl. 302). 18. Contudo, como a reclamante comprova que a receita obtida nas operações de swap foi contabilizada na conta nº 4.3.02.01.0028 – Receita de Swap (fls. 553 e 610), cujo saldo de R$ 34.274,75 está incluído no valor de R$ 2.146.180,52 informado na linha 24 (Outras receitas financeiras) da Ficha 06A da DIPJ 2001, entendo que essa parcela do IRRF (R$ 6.330,14 e R$ 524,72) pode compor o saldo negativo do anocalendário de 2000. (não constavam no original os valores em itálico) 19. Quanto à retenção de R$ 7.153,40 informada em DIRF pelo Banco BCN com o código de receita 5273, mas informada pela interessada nas parcelas de composição do crédito com o código de receita 3426 (Aplicações financeiras de renda fixa), verificase que a receita correspondente de R$ 35.767,04 não se encontra contabilizada na conta nº 4.3.02.01.0028 – Receita de Swap (fls. 553 e 610) e nem na conta nº 4.3.02.01.0003 – Receita de Aplicações Financeiras (fls. 597604), razão pela qual não há como se acatar seu valor". (grifei) Das alegações da recorrente: As DIRF's informam o valor dos resgates e do IRRF tendo por base os rendimentos da data da aplicação e a liquidação da operação, de maneira que, só com base nelas, dado a diferença de regime, não é possível afirmar se determinado rendimento foi ou não oferecido à tributação. Desta forma, em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação delas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte. Por um lado, a circunstância não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, porque o contrário implicaria negar vigência ao art. 773, I, do RIR; por outro, explica o motivo pelo qual há valores de IRRF declarados em DIRF's que não corresponde exatamente com as receitas que compuseram a Ficha 6A das DIPJ's. Nesta perspectiva, é possível concluir o seguinte: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 680 6 i) os rendimentos brutos relacionados na Ficha 43 da DIPJ 2001 não correspondem, necessariamente, a receitas apropriadas no anocalendário de 2000, senão que apenas indicam a base de cálculo do IRRF retido naquele exercício; a conclusão se estende aos anoscalendários de 1998 e 1999, cujos saldos negativos foram utilizados para compensar débitos de estimativa dos meses de janeiro, abril e junho/2000. ii) a Recorrente só estava obrigada a oferecer.à tributação, em cada um desses anoscalendários, a parcela do rendimento bruto que, segundo o regime de competência, fosse passível da apropriação neles, e; iii) o oferecimento à tributação das receitas financeiras não inclusas entre aquelas que a Ia Turma da DRJ/CTA entendeu computadas nas DIPJ's foi realizado em exercícios anteriores, quando, pelo regime de competência, os juros foram apropriados. Neste contexto, os documentos dos autos demonstram que a Recorrente ofereceu à tributação todas as receitas financeiras com incorridas, pelo regime de competência, nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, nos campos apropriados da ficha 6A das DIPJ's de 1999, 2000 e 2001. Apesar de todo o arrazoado da recorrente, mediante o qual, ao seu final, afirma, mas não indica quais documentos demonstram o oferecimento à tributação de todas as receitas financeiras, o cerne da questão é a clara constatação de que no anocalendário 2000, conforme DIRF entregue pelo Banco BCN (efl. 534), houve rendimento tributável de operações de swap e o mesmo não foi contabilizada na conta nº 4.3.02.01.0028 – Receita de Swap (fls. 553 e 610) e nem na conta nº 4.3.02.01.0003 – Receita de Aplicações Financeiras (fls. 597604). Assim, correta foi a decisão da Turma a quo, pois a receita financeira no ano calendário 2000 não foi oferecida à tributação, pelo qual nego provimento ao item do recurso. Portanto, voto por NÃO RECONHECER o crédito pleiteado de R$ 7.153,40 referente ao IRF sobre as aplicações financeiras por não ter a recorrente oferecido à tributação a receita correspondente. 2 Parcela de estimativa de abril/2000 compensada com saldo negativo do anocalendário de 1998 Excertos do voto condutor do Acórdão: (grifos acrescidos) 21. No que diz respeito aos débitos de estimativa dos meses de janeiro, abril e junho/2000, a interessada confessou nas DCTF’s dos 1º e 2º trimestres/2000 (fls. 356358) que foram compensados com créditos de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999: Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 681 7 Aqui faço uma pausa na transcrição do acórdão para chamar a atenção quanto à compensação mostrada na tabela acima. O saldo negativo de 1998 foi utilizado para a compensação de débitos de estimativa de Jan/2000 (1ª linha) e parte dos débitos de Abr/2000 (2ª linha), enquanto que o saldo negativo de 1999 foi utilizado para a compensação do restante dos débitos de estimativa Abr/2000 (3ª linha) e dos débitos de Jun/2000 (4ª linha). 22. Como a confirmação da compensação dessas estimativas exige a verificação do direito creditório utilizado, a DRF/Salvador efetuou a análise dos saldos negativos de IRPJ declarados nas DIPJ’s do anoscalendário de 1998 (R$ 167.741,96) e 1999 (R$ 593.945,41) e reconheceu direitos creditórios de R$ 142.541,02 e R$ 514.352,22, respectivamente. 23. O crédito reconhecido de saldo negativo do anocalendário de 1998 foi suficiente para compensar a estimativa de janeiro (R$ 2.790,85) e a parcela de R$ 181.962,93 da estimativa de abril/2000, restando não compensada a parcela de R$ 33.160,26 desta antecipação (fls. 359360). O crédito reconhecido de saldo negativo do anocalendário de 1999 foi suficiente para compensar, dentre outros débitos, a parcela de R$ 14.770,03 da estimativa de abril/2000 e o valor integral da de junho/2000 (R$ 36.661,50) (fls. 361362). 24. O saldo negativo de R$ 167.741,96 do anocalendário de 1998 foi declarado na Ficha 13 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ 1999: 25. A autoridade fiscal não confirmou retenções de IRRF no montante de R$ 15.184,78 com código de receita 5273 (Operações de swap) porquanto a receita correspondente não foi oferecida à tributação. Logo, tendo em vista que a reclamante não apresentou em sua defesa prova alguma da contabilização dessa receita de swap, não há como se acatar a utilização dessa parcela do IRRF na formação do saldo negativo do anocalendário de 1998. 26. Foi também considerado não confirmado o pagamento de R$ 10.016,16 relativo à estimativa de novembro/1998, mas a reclamante juntou aos autos o Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 682 8 comprovante do recolhimento de R$ 12.357,94 em atraso efetuado em 31/03/1999 (R$ 10.016,16 de principal acrescidos de multa e juros de mora, à fl. 536). 27. Dessa forma, é de se reconhecer o direito creditório de R$ 152.557,18 de saldo negativo do anocalendário de 1998, que é suficiente para compensar a estimativa de janeiro (R$ 2.790,85) e a parcela de R$ 194.951,88 da estimativa de abril/2000 (fls. 633635). 28. No que diz respeito ao anocalendário de 1999, a interessada declarou saldo negativo de R$ 593.945,41 na Ficha 13A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ 2000: 29. A autoridade fiscal considerou confirmadas retenções de R$ 514.352,22 de imposto de renda na fonte, cujo valor foi obtido aplicandose a alíquota de 20% sobre a receita financeira de R$ 2.571.761,13 declarada na linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da Ficha 07A (Demonstração do Resultado) da DIPJ 2000. 30. Ressaltese que o saldo negativo do anocalendário de 1999 foi indicado como direito creditório no PER/DCOMP nº 14840.62073.150903.1.3.022073, nos autos do processo nº 10580.901866/200611, tendo a DRJ/Salvador proferido decisão em 15/06/2012, no Acórdão nº 1530.872, para reconhecer a diferença de R$ 78.829,45 de direito creditório (fls. 622632). 31. De qualquer forma, com o direito creditório reconhecido no despacho decisório, de R$ 514.352,22, já foi possível compensar a parcela de R$ 14.770,03 da estimativa de abril e o valor integral da de junho/2000 (R$ 36.661,50). 32. Dessa forma, concluise que restam confirmadas estimativas pagas no montante de R$ 402.145,45 no anocalendário de 2000 (R$ 197.742,73 de estimativas compensadas com saldo negativo de 1998, R$ 51.431,53 de estimativas compensadas com saldo negativo de 1999 e R$ 152.971,19 de IRRF deduzido na apuração das estimativas mensais). Direito creditório de saldo negativo do anocalendário de 2000 reconhecido 33. Concluise, portanto, que cabe reconhecer o direito creditório de R$ 330.004,07 de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002: (leiase 2000) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 683 9 34. Isto posto, voto no sentido considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório de R$ 330.004,07 e determinando a homologação adicional da compensação declarada nos autos, até o limite da diferença reconhecida. Das alegações da recorrente: A princípio, é cediço que as diferenças foram resultado, mais uma vez, do erro de concepção tanto da DRJ Salvador, quanto da 1a Turma da DRJ/CTA, que não observaram que, por força do regime de competência, nem todas as receitas financeiras vinculadas ao IRRF recolhido em dado exercício e em razão delas são oferecidas à tributação no mesmo anocalendário do pagamento do imposto Por outro lado, a 1a Turma da DRJ/CTA não observou a decadência do direito de revisar a apuração realizada pela Recorrente, relativamente aos saldosnegativos dos anos calendários de 1998 (DIPJ 1999) e 1999 (DIPJ 2000), pois transcorridos mais de 05 (cinco) anos entre o despacho decisório (04/12/2006) e a data dos fatos geradores considerados nas respectivas Declarações.(...) (...) Em razão do exposto, é correto concluir que: i) o recolhimento do IRRF declarado para formação dos saldos negativos de imposto de renda dos anoscalendários de 1998 e 1999 se encontram devidamente comprovados; ii) as receitas financeiras vinculadas a IRRF recolhido nos anoscalendários de 1998 e 1999 foram oferecidas, sim, à tributação, embora à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros foram auferidos e, portanto, nas DIPJ's das respectivas competências; iii) houve homologação das DIPJ's de 1999 e 2000, em razão da decadência do direito de revisála: Por fim, a recorrente alega que "Em virtude da aplicação do princípio da verdade material, no processo administrativo impõese a busca pelo fato ocorrido tanto pelas partes como pela própria autoridade julgadora" e requer, "na hipótese de se entender não comprovado o oferecimento das receitas relacionadas ao IRRF utilizado pela Recorrente para compor os saldos negativos dos anoscalendários de 1998, 1999 e 2000 (...), a conversão do feito em diligência, nos termos do art. 18, I, do Regimento Interno do CARF. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 684 10 Quanto à alegação de homologação tácita do saldo negativo do ano calendário de 1998, para a qual cita decisão do Carf favorável a sua tese, temse que este argumento foi fundamentadamente afastado em primeira instância, cujo aresto não merece reparos. Assim, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir da turma a quo, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevo a seguir: Homologação tácita do saldo negativo do anocalendário de 1998 10. Alega a reclamante que o saldo negativo do anocalendário de 1998 foi tacitamente homologado em face do transcurso de cinco anos, tendo decaído o direito de a Fazenda Pública lançar diferenças de valores. 11. Contudo, como o direito creditório em análise provém de saldo negativo de IRPJ formado, dentre outras parcelas de composição do crédito, por estimativas compensadas com o saldo negativo de períodos anteriores, inclusive do ano calendário de 1998, não há como se furtar do levantamento do efetivo resultado destes períodos. 12. O decurso do prazo decadencial para a Fazenda Nacional efetuar o lançamento suplementar não impede a verificação pela autoridade fazendária da existência do direito creditório regularmente declarado em DIPJ e PER/DCOMP, ainda que relativo a período já decaído, porquanto o artigo 170 do CTN exige a comprovação da existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 13. Portanto, é dever da autoridade fiscal, ao analisar o direito creditório indicado em PER/DCOMP, para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito utilizado, mediante verificação das parcelas de composição do crédito informadas pelo sujeito passivo. Da homologação tácita Vejam: a decadência opera a favor da segurança e da estabilidade das relações jurídicas. Assim, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador, o Fisco não pode formalizar o lançamento para a exigência de crédito tributário, nem tampouco impor penalidades. Entretanto, quando se está a tratar de lançamento por homologação, ao Fisco cabe exercer o controle da legalidade do ato praticado pelo contribuinte para determinar se foram obedecidas as normas que orientam a correta apuração do resultado tributável do(s) exercício(s) sob análise. Esse controle, de legalidade do lançamento realizado, busca averiguar a correta determinação do quantum apurado, ao identificar se as receitas tributáveis e as despesas incorridas foram corretamente declaradas na apuração do resultado final do exercício. Em caso de haver qualquer tipo de divergência, em relação ao resultado tributável, a partir da apuração efetuada pelo Fisco, cabe à autoridade administrativa exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Em sendo o caso, fará o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser apurado ou recolhido de acordo com a legislação aplicável. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 685 11 No caso de restituição/ressarcimento/compensação, também há prazo definido para se exercer o direito. Se no lado da exigência tributária estarseia a proteger o direito do contribuinte, quando se trata de restituição/ressarcimento/compensação, o interesse a ser protegido é o da própria Fazenda Pública. Por isso, é dever do Fisco proceder à análise do crédito desde a sua origem até a data em que requerida a restituição/compensação/ressarcimento, sendo de responsabilidade do contribuinte fazer prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, conforme o disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional. Para tanto, deve o contribuinte manter toda a documentação relativa ao crédito que diz possuir até que todos os processos que digam respeito ao mesmo sejam encerrados. Vejamos o que diz o art. art. 264 do Decreto n° 3.000/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). Já o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Concluise dos dispositivos acima reproduzidos, que os mesmos convivem de forma absolutamente harmoniosa com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se referem o artigo 149, § único, 150, § 4º, e 173, todos do CTN; assim, se determinada apropriação vier a influenciar o resultado da apuração de um crédito tributário no futuro, a mesma poderá vir a ser objeto de verificação, conforme já dissemos anteriormente, até que todos os processos que tratem da utilização daquele crédito, estejam encerrados. Tal assunto foi muito bem trabalhado no voto do 1402002.153, em sessão de 06 de abril de 2016, proferida pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, em analisa os vários aspectos da decadência, e em referência ao ponto supra, discorre: Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 686 12 Vejase que a ausência de exame da declaração no prazo de 05 anos implica a extinção do crédito compensado, não se falando em reconhecimento de direito creditório, por exemplo, superior ao débito compensado. E o prazo para não homologação da compensação é contado a partir data da declaração que a formalizou. Mas nada impede que o Fisco, desde que decida no prazo de 5 anos contados da transmissão da declaração de compensação, averigue a correição do direito creditório pleiteado tendo que examinar eventuais recolhimentos realizados há mais de 5 anos e que por ventura componham o saldo negativo pleiteado. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 24. Como se trata de Declaração de Compensação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. 25. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre Dcomp não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. [...] 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Assim, não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10580.901867/200658 Acórdão n.º 1001001.061 S1C0T1 Fl. 687 13 a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Ante o exposto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR suscitada de homologação tácita da compensação. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência solicitado pela recorrente, ocorre que o deferimento de pedido de diligência é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Outrossim, a busca pela verdade material no processo administrativo não significa a concessão infindável de oportunidades ao contribuinte de trazer documentos, declarações e informações que provem o seu direito, sem respeito aos prazos estabelecidos na legislação, em especial o PAF. Também não cabe ao Conselheiro do CARF proceder à nova fiscalização do Contribuinte. Neste sentido, voto por REJEITAR o pedido de diligência. Quanto ao mérito da questão, ocorre que também quanto a este item, a autoridade fiscal não confirmou retenções de IRRF pois a receita correspondente não foi oferecida à tributação, não tendo a reclamante apresentado prova da contabilização da receita de swap. A questão encontrase devidamente sumulada conforme se constata na Súmula CARF nº 80: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto". Assim, a parcela do IRRF na formação do saldo negativo do anocalendário de 1998 não deve ser aceita. Ante o exposto acima, voto por NÃO ACATAR a preliminar de homologação tácita do saldo negativo do anocalendário de 1998, REJEITAR o PEDIDO DE DILIGÊNCIA e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão da câmara baixa. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913374/2012-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/2007 a 30/06/2007
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP.
Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
Numero da decisão: 3001-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/2007 a 30/06/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
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BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 33 74 /2 01 2- 09 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 102 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 87 a 91) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0444.502, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, referente ao julgamento realizado em 29.11.2017 (efls. 61 a 83). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 043236370 emitido em 01.02.2013 (efls. 02 a 05). Cuja ementa transcrevese, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2007 a 30/06/2007 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitandose à referida exação. O contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/2007 a 30/06/2007 DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Por bem retratar e sintetizar a realidade fática, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, verbis: Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (do Sistema de Controle de Créditos SCC) Nº Rastreamento 043236370, anexo às fls. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 103 3 02/04, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS DRF/NHO em 01/02/2013, no qual foi Não homologada a compensação do débito de PASEP (código 3703), constante da Declarações de Compensação DCOMP anexa às fls. 49/53. Tratase de declaração de compensação da contribuição Pasep (fls. 49/53), transmitida eletronicamente em 09/03/2012, com base em crédito de Pagamento Indevido ou a Maior da própria contribuição ao Pasep (código 3703), recolhido para o período de apuração junho de 2007. De acordo com o Despacho Decisório citado, "A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Assim, diante da inexistência de crédito, a Compensação declarada na DCOMP foi Não Homologada. Como enquadramento legal foi colocado: "Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Cientificado do Despacho Decisório em 19/02/2013 (AR às fls. 54), o Interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 21/03/2013. A Unidade de origem se manifestou em Despacho, às fls. 57, pela tempestividade da manifestação de inconformidade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 21/03/2013 o Interessado apresentou sua irresignação e documentação anexa (fls 06 e segs.), firmada por procurador habilitado, segundo a qual, resumidamente, afirma: I DOS FATOS ∙ Informa que, no segundo semestre de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o Município não estava se utilizando de possíveis deduções no cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo que poderia ser compensado em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Ocorre que, para a surpresa, o Município foi intimado de inúmeros Despachos Decisórios, dandolhe ciência de que as compensações não haviam sido homologadas, posto que estavam sendo realizadas de forma indevida, e que os "débitos indevidamente compensados" deveriam ser pagos de maneira corrigida e acrescida de juros e multa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 104 4 Sendo assim, o Município busca levar à apreciação deste Órgão Julgador as compensações declaradas para as quais pugna sejam homologadas II DO DIREITO II.1 DA PRELIMINAR Da suspensão da Exigibilidade ∙ Pugna que um dos efeitos decorrentes do recebimento da presente manifestação seja a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado), forte no §11, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 C/C inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. II.2 DO MÉRITO ∙ Aduz que a fundamentação do Despacho Decisório ora impugnado é no sentido de que não foi encontrado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP, a partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP originário. Todavia, cumpre observar que as compensações pleiteadas pelo Município aqui impugnante, foram executadas em harmonia à normatização de regência, motivo pelo qual se pugna pela homologação das mesmas. ∙ Ressalta que, em setembro de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o mesmo não estava se utilizando de possíveis deduções na composição da base de cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo financeiro passível de compensação em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Esclarece que as deduções de que o Município passou a se utilizar foram as transferências efetuadas a outras entidades públicas da Administração Indireta, fonte no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, conforme demonstram os documentos já juntados aos autos. Isto porque as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. ∙ Defende que tendo o Município apurado crédito não prescrito passível de compensação, utilizouo na compensação de débito em relação aos futuros recolhimentos, a teor do que dispõe a legislação tributária. Desta forma, discorda da fundamentação do Despacho Decisório, vez que o crédito objeto de compensação é decorrente da dedução que o Município passou a fazer em relação à PER/DCOMP originária, razão pela qual Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 105 5 pugna pela homologação da compensação, e, subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Finaliza com o seguinte Pedido: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação objeto de questionamento. Subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Por fim, protesta pela juntada de demais provas em direto admitidas, em especial, dada a natureza da demanda, a documental. Grifado no original. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repete os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, porquanto reproduz, ipsis litteris, idênticas razões de defesa perante este colegiado ad quem. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 26.02.2018 para ser analisado por este Carf (efl. 96), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos extrínsecos de admissibilidade, pois há regularidade formal e respeito ao trintídio legal de que trata o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF, na medida que foi apresentado em 03.01.2018, conforme observase do carimbo de protocolo aposto, por servidor lotado na ARF/São Leopoldo, em sua "Folha de Rosto"; após ciência do acórdão recorrido, verificada em 14.12.2017, conforme colhese, conjuntamente, do "Termo de Intimação ARF/SLO nº 500/2017" e Aviso de Recebimento "AR" dos Correios, juntados às efls. 85/86. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 106 6 Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do RICARF, com a redação dada Portaria MF nº 329, de 2017, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, ipsis litteris, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Antonio César de Campos, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) 1.2 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPUGNADO. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 107 7 Em preliminar, a impugnante pleiteia, em sua manifestação, a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado). A título de esclarecimento, com o recurso/manifestação apresentado, passaram a estar suspensos todos os assuntos/valores cuja compensação não foi homologada. Com efeito, constatase que a Unidade de Origem juntou nos autos, extrato deste processo às fls. 54, no qual foi informada a situação de Contestação do resultado da análise da Compensação pleiteada. 1.3 DO MÉRITO. Com relação ao mérito, o Manifestante alega que as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. Constatase que as deduções pleiteadas pelo Manifestante, a quais geraram o crédito de Pasep por pagamento Indevido/ a Maior, referemse aos valores de transferências ao Hospital Centenário e os repasses ao IAPS (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Servidores Públicos do Município de São Leopoldo), no mês de julho 2007. Tal conclusão pode ser tirada dos demonstrativos acostados aos autos, fls. 19 e 20, dos demonstrativos contábeis apresentados, fls. 21 a 47, e também pelos maiores detalhes e documentos trazidos no Processo nº 11065.720866/201244, do mesmo Contribuinte, que trata do mesmo assunto em outros períodos e também analisado por esta Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Passase, então, à análise da questão. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma legal, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 108 8 julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, ano calendário de 2007, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, com alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.15835/01, e conforme regulamentado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que assim dispõem: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: [...] III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Decreto nº 4.524/2002 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 109 9 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Ocorre que acerca do tema central da controvérsia, a base de cálculo do Pasep, foi exarada a Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 06 de junho de 2017, (disponível na íntegra no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB) <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), que nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, tem efeito vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. De acordo com o art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, segundo estabelece o art. 100, I, do mesmo Código, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, entre os quais se incluem as instruções normativas e os atos declaratórios expedidos pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (SRF), atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Orientações e/ou definições contidas em atos normativos, por serem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 110 10 Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/07/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição que constava no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/03/2006, do Ministro de Estado da Fazenda): Art.7º. São deveres do julgador: [...] V. observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Cabe aos atos normativos expedidos por autoridade administrativa, como normas complementares da lei que são, orientar, detalhar, esmiuçar a lei, para melhor entendimento e cumprimento por parte do contribuinte. O Código Tributário Nacional, em seu art. 106, estabelece hipóteses nas quais se aplica a retroatividade da lei a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. [grifo nosso] Assim, são plenamente aplicáveis a casos pretéritos normas de cunho interpretativo, a qual é o caso da Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278. Considerando a precisão e profundidade com que foi tratado o assunto bem como a sua total adequação ao litígio ora em julgamento, adoto os fundamentos lá expostos, em sua integralidade, como razão de decidir, transcrevendo os trechos da mencionada Solução de Consulta relevantes para o esclarecimento do presente feito, a seguir: “EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 111 11 INTRAGOVERNAMENTAIS E INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) as transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. (...) Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. (...) Fundamentos (...) 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos entes públicos em geral (a partir daqui tratada por Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais), bem como algumas de suas regras específicas, estão estabelecidas na Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 112 12 III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (grifo nosso) (…) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (…) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifo nosso). Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (…) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 13. As receitas correntes, as transferências correntes e as transferências de capital, elementos que compõem a base de cálculo da supracitada contribuição, estão conceituadas na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 113 13 ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (…) Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (…) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. (…) § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. 14. Fazse mais que pertinente recorrer ao conceito de pessoas jurídicas de direito público interno, entes sobre os quais incide a contribuição em análise. Segundo a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), são pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. 15. As transferências ou repasses de recursos entre entes públicos podem derivar de contraprestação em bens ou serviços ou podem possuir natureza meramente financeira (independem de qualquer tipo de contraprestação). 16. De outra banda, essas transferências ou repasses podem ocorrer no âmbito do mesmo ente público ou entre entes governamentais distintos. Quando ocorrem no âmbito do mesmo ente federativo, podese classificálos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 114 14 em operações intraorçamentárias e transferências intragovernamentais; quando ocorrem entre entes federativos distintos, denominamse transferências intergovernamentais. OPERAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 17. As transferências intergovernamentais compreendem as transferências de um ente público (ente transferidor) a outro (ente recebedor). Elas ocorrem entre entes federativos distintos. Podem ser divididas em transferências constitucionais ou legais e em transferências voluntárias. 18. Para a correta aferição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, quando da ocorrência de operações intergovernamentais, é necessário o esclarecimento de alguns pontos da legislação. 19. Nos termos do inciso III do caput do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais corresponde às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno. 20. Vêse que a lei adotou uma visão orçamentária para a receita pública, exigindo que os valores sejam incluídos na base de cálculo da entidade que se apropriar dos recursos. Nesse contexto, o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, ao referenciar o inciso III do art. 2º dessa mesma Lei, quis especificálo quanto a duas situações: 20.1. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública: a primeira parte do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, veio a esclarecer que a receita tributária, que é espécie das receitas correntes (§ 1º do art. 11 da Lei nº 4.320, de 1964), deve ser alocada a quem de fato ficará com os recursos oriundos da receita. Ora, ele corrobora o inciso III do art. 2º da mesma Lei nº 9.715, de 1998, por isso se remete a ele. Portanto, se um ente federativo arrecadar a receita tributária, mas os recursos forem transferidos a outra entidade por lhe pertencerem, a entidade recebedora dos recursos deve inserir tais valores em sua base de cálculo. Aqui ocorreu nada mais que uma transferência corrente, que o próprio inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, já exige que seja incluída na base de cálculo da contribuição em voga devida pela entidade recebedora; 20.2. E deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas: a segunda parte do art. 7º da Lei nº Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 115 15 9.715, de 1998, que permite a dedução por parte da entidade transferidora dos valores repassados a outros entes, vem a complementar um aspecto operacional do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, que ordena que as transferências correntes e de capital recebidas sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente beneficiário. Ora, as transferências intergovernamentais ocorrem mediante um ente transferidor que entrega os recursos a outro, o ente recebedor. A lei ordena, portanto, que quem recebe as transferências deve inserir os valores em sua base de cálculo (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998) e quem transfere esses recursos deve excluir tais valores para fins de apuração da contribuição. A sistemática vai ao encontro da regulamentação do tributo, pois se a entidade recebedora fosse obrigada a incluir os valores das transferências recebidas em sua base de cálculo e a entidade transferidora não pudesse excluir os valores transferidos quando da apuração da exação, a contribuição incidiria duas vezes sobre o mesmo valor, o que não deve ocorrer segundo explicita o parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002, reproduzido abaixo: ... 20.3.1. É notável a preocupação da Lei Complementar nº 8, de 1970, no sentido de que não se incida a Contribuição para o Pasep duas vezes quando da ocorrência das transferências intergovernamentais, tanto quando permite a dedução das transferências efetuadas a outras entidades públicas, como quando ressalta que sobre as transferências não recairá mais de uma contribuição em nenhuma hipótese. Portanto, a sistemática dessa legislação é consentânea com todo o raciocínio exposto nos itens 17.1 e 17.2, ratificandoos. Grifo nosso 20.4. Quanto ao § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ele estabeleceu uma regra específica em relação à sistemática já exposta. Para o seu entendimento, cabe conceituarmos mais uma vez as transferências intergovernamentais e especificarmos suas espécies. Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional STN (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público MCASP, 2014, 7ª ed.): As Transferências Intergovernamentais compreendem a entrega de recursos, correntes ou de capital, de um ente (chamado “transferidor”) a outro (chamado “beneficiário”, ou “recebedor”). Podem ser voluntárias, nesse caso destinadas à cooperação, auxílio ou assistência, ou decorrentes de determinação constitucional ou legal. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 116 16 (…) 3.6.4.3. Transferências Constitucionais e Legais Enquadramse nessas transferências aquelas que são arrecadadas por um ente, mas devem ser transferidas a outros entes por disposição constitucional ou legal. (…) 3.6.4.4. Transferências Voluntárias Conforme o art. 25 da Lei Complementar nº 101/2000, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em termos orçamentários, a transferência voluntária da União para os demais entes deve estar prevista no orçamento do ente recebedor (convenente), conforme o disposto no art. 35 da Lei nº 10.180/2001, que dispõe: Art. 35. Os órgãos e as entidades da Administração direta e indireta da União, ao celebrarem compromissos em que haja a previsão de transferências de recursos financeiros, de seus orçamentos, para Estados, Distrito Federal e Municípios, estabelecerão nos instrumentos pactuais a obrigação dos entes recebedores de fazerem incluir tais recursos nos seus respectivos orçamentos. No entanto, para o reconhecimento contábil, o ente recebedor deve registrar a receita orçamentária apenas no momento da efetiva transferência financeira, pois, sendo uma transferência voluntária, não há garantias reais da transferência. Por esse mesmo motivo, a regra para transferências voluntárias é o beneficiário não registrar o ativo relativo a essa transferência (grifo nosso). ... 20.6. Assim, podese concluir que o legislador preferiu não inserir as transferências voluntárias na apuração mensal para fins da base de cálculo da contribuição, já que a receita de transferência só estará configurada quando de seu efetivo recebimento pela entidade beneficiária. Nesse caso, os recursos, quando de seu efetivo repasse, já foram tributados na entidade transferidora por meio de suas receitas correntes arrecadadas. Por esse motivo é que as transferências voluntárias devem ser encaradas como uma exceção à regra prevista no inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, pois tais transferências Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 117 17 acabam por serem tributadas na entidade transferidora e, quando o efetivo repasse ocorrer, devem ser excluídas da base de cálculo da entidade recebedora, para que não haja dupla tributação dos recursos em obediência ao parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002. Grifouse ... OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS 23. As transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo podem se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. 23.1. Transferências intragovernamentais, nomenclatura adotada por esta Solução de Consulta, referemse às transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo. Elas ocorrem quando da descentralização orçamentária e financeira. 23.2. Quanto às operações intraorçamentárias, a própria consulente informa em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 7ª edição, 2016, p. 293) que “operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo. Por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de recursos entre seus órgãos. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais.” 23.2.1. Na mesma direção, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 2006, expõe em seu art. 1º: Portaria Interministerial STN/SOF nº 338 de 26/04/2006 Art. 1º Definir como intraorçamentárias as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 118 18 empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. 23.3. Para fins da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, as duas formas de repasses de valores públicos no âmbito do mesmo ente federativo devem ter tratamento tributário diferente. 23.4. De um lado, quanto às transferências intragovernamentais, elas ocorrem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo ou entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica de direito público. Daí também derivam dois tratamentos distintos: 23.4.1. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), sendo suas movimentações internas de recursos anuláveis quando da apuração da base de cálculo da exação. Assim, devese considerar as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas da pessoa jurídica e não de seus órgãos ou fundos para fins de apuração do tributo em voga. Grifouse 23.4.2. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo, o tratamento tributário para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser idêntico ao dispensado às transferências intergovernamentais, haja vista que em ambos os casos ocorreram transferências correntes e de capital entre entidades públicas (§ 2º e § 6º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 1964), o que configura a situação descrita na parte final do art. 7º ou no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dessa forma, deve seguir a mesma regra de inclusão ou exclusão dos valores, a depender do tipo de transferência efetuada (se transferência constitucional ou legal ou se transferência voluntária). Grifouse 23.4.3. Importante repisar mais uma vez que o contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Grifouse Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 119 19 ... 23.5. De outro lado, quanto às operações intraorçamentárias, elas não estão abrangidas pelo conceito de transferência corrente e de capital da Lei nº 4.320, de 1964, haja vista que se realizam através de contraprestação em bens e serviços ou simplesmente decorrem do pagamento de alguma obrigação da entidade. Grifouse 23.5.1. A título de maiores explicações, a consulente informa nas Perguntas e Respostas aos seus Manuais que: As despesas intraorçamentárias ocorrem quando órgão, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes do orçamento fiscal e da seguridade social efetuam aquisições de materiais, bens e serviços, realizam pagamento de impostos, taxas e contribuições, além de outras operações, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desse orçamento, no âmbito da mesma esfera de governo. Ocorre despesa intraorçamentária, por exemplo, quando o Ministério da Saúde órgão integrante do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União, apropria uma obrigação com a Imprensa Nacional, que também pertence ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Observase que no momento da apropriação da obrigação ocorre uma despesa intraorçamentária no Ministério da Saúde e no momento do recebimento, pela Imprensa Oficial, ocorre uma receita intraorçamentária. Portanto, ocorrendo uma despesa intraorçamentária, obrigatoriamente ocorrerá uma receita intraorçamentária em órgão integrante do Orçamento Fiscal e Seguridade Social, mas em virtude da despesa ser reconhecida no momento da apropriação e a receita no momento da arrecadação, os registros não ocorrerão no mesmo momento. As despesas intraorçamentárias não se aplicam às descentralizações de créditos para execução de ações de responsabilidade do órgão, fundo ou entidade descentralizadora, efetuadas no âmbito do respectivo ente da Federação, assim como não implicam no restabelecimento das extintas transferências intragovernamentais. (Perguntas e Respostas STN, 2014, p. 14).(grifos nossos) 23.5.2. Destarte, as operações intraorçamentárias correntes não devem ser encaradas como transferências para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, não podendo o ente transferidor dos recursos abater de sua base de cálculo os valores transferidos a outras entidades Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 120 20 públicas, não estando sujeitas, portanto, à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. 23.5.3. Dessa forma, caso a operação intraorçamentária ocorra entre entes com personalidade jurídica de direito público, apesar de os valores já terem sofrido tributação em um momento anterior, o ente recebedor dos recursos deve tratálas como receitas correntes (que não a espécie transferências) e inserilas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida por ele. Já o ente transferidor não pode deduzir tais valores de sua base de cálculo dessa contribuição, haja vista que não se trata de transferências correntes e de capital. 23.5.4. Considerando todo o posicionamento no que tange às operações intraorçamentárias, consideramse respondidos os itens “a”, “c” e “d”. 24. Importante ressaltar que os fenômenos devem ser interpretados à essência do exposto nessa Solução de Consulta, não estando subordinado a aspectos ou registros contábeis. Nesse contexto, ainda é de suma importância ressaltar que as transferências de recursos entre entes ou entidades públicas devem ter o tratamento descrito nos itens anteriores, independentemente da forma como ocorram operacionalmente. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) 25. No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), suas receitas devem ser inseridas ou não na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais de acordo com todo o conteúdo já exposto. Tendo em vista a explanação anterior de que o contribuinte do tributo são as pessoas jurídicas de direito público interno como um todo e do tratamento das operações intraorçamentárias, a questão “k” considerase respondida. ... 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituemse notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 121 21 receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como: [...] IV receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição (grifo nosso). 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 122 22 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social devese observar que a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, podese inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicandose esses conceitos ao caso concreto apresentado, temse que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 25.7. Quanto à contribuição previdenciária patronal aos RPPS, também há posicionamento da RFB, que pode ser verificado por meio da Solução de Consulta nº 66 SRRF04/Disit, de 10 de dezembro de 2010, que em sua ementa deixa claro que: As receitas correntes relativas à contribuição previdenciária patronal (ainda que esta seja arrecadada por outra entidade da administração pública) e dos servidores públicos, bem como os rendimentos financeiros provenientes da aplicação destas no mercado, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida, na espécie, por autarquia estadual que administra o respectivo regime próprio de previdência social. Ressaltese, outrossim, que as autarquias não são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (grifos nossos). 25.8. As contribuições patronais recebidas pelos RPPS são, na essência, operações intraorçamentárias, pois o ente público transfere para o fundo os recursos e em troca, espera uma contraprestação para seus servidores Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 123 23 na forma de benefícios previdenciários. Portanto, os recursos transferidos devem ser encarados dessa forma. O MCASP (6ª edição, 2014, p. 249) vem corroborar com o enquadramento quando afirma que o pagamento da contribuição patronal constitui uma despesa intraorçamentária para o ente e uma receita intraorçamentária para o RPPS. 25.9. A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dessa Solução de Consulta, sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. Dessa forma, considerase respondido o item “l”. ... AUTARQUIAS 26. O § 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, institui uma regra específica para as autarquias, nos seguintes moldes: Lei nº 9.715, de 1998 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. 26.1. O dispositivo ordena que as receitas do Tesouro Nacional, assim classificadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, não sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais apurada pelas autarquias. Dessa forma, o ente transferidor, no caso a União, deve sofrer a tributação da contribuição em relação aos seus recursos alocados às autarquias. Com isso, considerase satisfeito o item “b”. ... Conclusão 29. Diante do exposto, conquanto os questionamentos apresentados pela consulente tenham sido respondidos ao longo do texto, apresentamse as conclusões abaixo. 30. As transferências de recursos podem ser intergovernamentais ou intragovernamentais, e a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais varia conforme a espécie de transferência de recursos. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 124 24 31. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. 32. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Grifouse 32.1. Quanto às transferências intragovernamentais: a) Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; Grifouse b) Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). 32.2. Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 125 25 Assim, face à Solução de Consulta Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, entendo como correta que nas transferências intragovernamentais entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998). No caso em questão, smj, não foi devidamente esclarecido a respeito da personalidade jurídica das entidades recebedoras dos valores. Contudo, concluise pelos autos, sem sombra de dúvidas, se tratarem de transferências intragovernamentais voluntárias, a respeito das quais, a conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 278, é taxativa no sentido de que: As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. Portanto, no caso concreto o município de São Leopoldo Prefeitura, pessoa jurídica de direito público interno, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, respondendo também pelas transferências voluntárias que realizar. Por seu turno, o Parecer Normativo nº 1, de 21 de maio de 1996, editado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, orienta que as pessoas jurídicas de direito público sujeitamse às contribuições para o PIS/PASEP (grifei): Entidades públicas que recebem transferências correntes e de capital de outras entidades públicas têm suscitado dúvidas sobre a determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, tendo em vista as normas que sucederam a publicação da Resolução nº 49, baixada pelo Senado Federal, em 9 de outubro de 1995. (...) 3. Da leitura dos arts. 2º, 3º, 7º e 8º, da citada Medida Provisória, observase que as pessoas jurídicas de direito público ou privado, alinhadas a seguir, sujeitamse à referida exação, tendo base de cálculo e alíquota distintas, segundo suas características e peculiaridades: (...) 3.3 Pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias) base de cálculo: o valor mensal das receitas correntes Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 126 26 arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade dentre as citadas, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; alíquota: um por cento.” (grifei) Nesta mesma conformidade, o art. 2º da Lei n.º 9.715/983 impõe a obrigatoriedade da contribuição mensal ao PASEP aos sujeitos passivos nele relacionados, abrangendo as pessoas jurídicas de direito público interno, que devem calcular a contribuição com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Destarte, a própria Constituição Federal prevê os referidos entes como sujeitos passivos das contribuições sociais, conforme disposto em seu art. 195, e § 1º. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. Não se pode olvidar que a jurisprudência administrativa caminha no mesmo sentido, conforme exemplifica o Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cuja ementa segue abaixo (grifei): Ementa PASEP. SUJEITO PASSIVO. MUNICÍPIO. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DO CNPJ DA PREFEITURA. LEGALIDADE. No lançamento do Pasep cujo sujeito passivo é o Município, a pessoa jurídica de direito público contribuinte da Contribuição, deve ser empregado o CNPJ do órgão Prefeitura Municipal, posto que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica emitido em nome deste órgão identifica com precisão aquela pessoa jurídica. Recurso de Ofício provido, com restabelecimento do lançamento e retorno dos autos à DRJ, para apreciação do mérito. (Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20311773, Processo 10280003116200659, Data 25/01/2007) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 127 27 Vejamos que tal entendimento também é externado pelo e. TRF3 (grifei): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. AUTARQUIA MUNICIPAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA NO PERÍODO POSTERIOR À CONSTITUIÇÃO DE 1988. EXIGIBILIDADE. 1. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, a contribuição ao PASEP adquiriu feição tributária. Com essa natureza jurídica, desapareceu o caráter facultativo da adesão que estava previsto na Lei Complementar nº 08/70, que, neste particular, não foi recepcionada (ou foi revogada) pela Constituição da República de 1988. 2. A obrigação tributária é uma obrigação "ex lege", que decorre imediatamente da lei, sendo irrelevante a vontade do contribuinte para determinar o seu nascimento. A obrigação tributária não nasce por acordo de vontades, ou mesmo por força da vontade unilateral do Fisco ou do sujeito passivo, mas por imposição legal cogente. 3. Nesses termos, desde 1988, o dever de recolhimento da contribuição ao PASEP tornouse inafastável para os Municípios, assim como para suas autarquias. 4. Precedentes do STF e deste Tribunal. 5. Honorários advocatícios fixados de acordo com os parâmetros do art. 20, § 4º, do CPC. 6. Remessa oficial a que nega provimento. (TRF3 REOAC: 9008 SP 2000.61.12.0090080, Relator: JUIZ CONVOCADO RENATO BARTH, Data de Julgamento: 18/07/2007, TERCEIRA TURMA) Dessa forma, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em que pese não ser competência das DRJ indicar, pela RFB, as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação, conforme solicitado pelo Contribuinte, esperase que a fundamentação ora trazida seja útil ao Interessado à título de esclarecimentos pertinentes ao caso. (...) Da conclusão Desta feita, amparado pelo parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, conheço do Recurso Voluntário e no mérito voto por julgálo improcedente, para manter o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito, e não homologou a compensação constante da(s) DCOMP em análise. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11065.913374/201209 Acórdão n.º 3001000.654 S3C0T1 Fl. 128 28 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723607/2017-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRECLUSÃO DIREITO DE PLEITO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17.
Numero da decisão: 2001-001.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 36 07 /2 01 7- 18 Fl. 175DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, dedução indevida de despesas médicas e numero de meses equivocado relativos a RRA. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 04 a 05, alegando em síntese que concorda com a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte; quanto à infração referente aos rendimentos de R$ 12.808,03 este foi oferecido à tributação no quadro Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica quando deveriam constar em Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular devendo constar o número de meses de 25, conforme memória de cálculo discriminada e atualizada o que não foi considerado. No que diz respeito à dedução indevida de despesas médicas pagas ao prestador Eye Clinic Oftalmologia Clinico Cirurgia e Diagnóstica Ltda o valor de R$ 7.225,00 referese a despesas médicas glosada por falta de comprovação do efetivo pagamento e o valor de R$ 1.200,26 foi pago como valor complementar para realização de cirurgia, porém a Clínica não forneceu documento hábil conforme requisitos exigidos pela legislação tributária. Não concorda com a infração de número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarados – tributação exclusiva, pois a alteração é indevida uma vez que o número de meses considerado pelo fisco não está correto. A comprovação do número de meses foi apresentada conforme juntada de documentos ao Processo/Dossiê 1001005997061754, o qual não foi considerado pelo fisco. A DRJ JRio de Janeiro, no decorrer da análise dos fatos, demonstra seu entendimento no sentido de que tem razão o contribuinte em todos os seus pleitos, salvo a glosa relativa às despesas médicas, as quais não devem ser consideradas como dedutíveis eis que foram arcadas por outro contribuinte e o pagamento não foi comprovado pelo Impugnante. Sendo assim, não resta nenhum saldo de imposto suplementar a ser recolhido. O saldo restou zerado. Merece seja ressaltado que o Impugnante concorda com a compensação indevida de imposto de renda fonte, o que a tornou incontroversa e não foi mais objeto de análise pela DRJ. Em sede de Recurso Voluntário, apenas ventila que não conseguiu transmitir o pedido de compensação PERD/COMP e requer que seja acolhido o Recurso para que seja restituído o suposto crédito tributário de R$1.122,82 . É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19985.723607/201718 Acórdão n.º 2001001.051 S2C0T1 Fl. 3 3 Da preclusão Merece que seja abordado, logo de inicio, os limites que circundam essa lide. Como se verifica dos autos, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte aborda apenas o direito a suposto saldo de imposto de renda a ser restituído. No entanto, verificase que a DRJ manteve a glosa das despesas médicas, no valor total de R$8.425,26, as quais não restaram comprovadas e o contribuinte não recorreu de tal glosa em sede de Recurso Voluntário. Assim, repitase, esta matéria restou incontroversa. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. Segundo Luiz Rodrigues Wambier, em sua obra Curso Avançado de Processo Civil, preclusão é “um fenômeno exclusivamente processual, vinculado a idéia de que passo a passo os atos processuais vão acontecendo subseqüentemente no processo, realizando o modelo procedimental que se tenha adotado em cada caso.” Ou seja, cada ato há um momento próprio para ser executado, no qual o processo pode ser comparado a uma caminhada, uma verdadeira seqüência lógica de atos, no qual o baseia o posterior e assim sucessivamente. Cada fase superada serve de sucedâneo para fase seguinte, uma vez passada à fase posterior, não é mais dada à oportunidade de retornar a anterior, não sendo mais permitido discutir questões que já foram superadas. O principio da preclusão está diretamente ligado ao principio da eventualidade, no qual a parte ré deverá alegar na contestação toda matéria de defesa com a qual impugna o pedido do autor sob pena de ser impedido de fazêlo posteriormente ( norma destacada no art. 300 do Código de Processo Civil). Sendo assim, entendo que este colegiado não tem mais nenhuma matéria a analisar, pois a manutenção da glosa das despesas médicas não foi objeto de Recurso pelo contribuinte, o qual apenas se restringiu a afirmar que teria direito a uma suposta restituição e solicitou o reconhecimento dela, sem se alongar. Desta feita, entendo que dever ser negado provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão a quo, no seu inteiro teor. Fl. 177DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter a decisão a quo na sua integralidade. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.010114/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/04/2004
CÓDIGO 3824.90.89 DA NCM/TEC. MERCADORIA NISIN.
O produto de nome comercial Nisin consiste em uma preparação, constituída à base do antibiótico nisina e de cloreto de sódio adicionado com finalidade específica. Por não se encontrar o antibiótico isoladamente, o produto não pode ser classificado no Capítulo 29 da NCM. Correto o enquadramento tarifário na NCM 3824.90.89.
MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA/INCOMPLETA
A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro das mercadorias. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/04/2004 CÓDIGO 3824.90.89 DA NCM/TEC. MERCADORIA NISIN. O produto de nome comercial Nisin consiste em uma preparação, constituída à base do antibiótico nisina e de cloreto de sódio adicionado com finalidade específica. Por não se encontrar o antibiótico isoladamente, o produto não pode ser classificado no Capítulo 29 da NCM. Correto o enquadramento tarifário na NCM 3824.90.89. MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA/INCOMPLETA A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 155 1 154 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.010114/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.050 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente GLOBALFOOD SISTEMAS INGRED. E TECN. P/ ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/04/2004 CÓDIGO 3824.90.89 DA NCM/TEC. MERCADORIA NISIN. O produto de nome comercial Nisin consiste em uma preparação, constituída à base do antibiótico nisina e de cloreto de sódio adicionado com finalidade específica. Por não se encontrar o antibiótico isoladamente, o produto não pode ser classificado no Capítulo 29 da NCM. Correto o enquadramento tarifário na NCM 3824.90.89. MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA/INCOMPLETA A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam parcial provimento ao recurso, para cancelar a multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro das mercadorias. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 01 14 /2 00 8- 11 Fl. 163DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRedator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o débito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até o momento da decisão da DRJ, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 4/21) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 79.055,01, relativo às diferenças do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo (30%) pela falta de licenciamento das importações e da multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro (1%), em virtude da reclassificação tarifária da mercadoria descrita na Declaração de Importação (DI) nº 04/03501576, registrada em 14/04/2004, como "NISINA (NISIN) (OUTROS ANTIBIOTICOS)", classificada pelo importador no código NCM 2941.90.99 da Tarifa Externa Comum (TEC), quando o enquadramento correto, segundo a fiscalização, embasada no Laudo de Análise nº 2279.01, de 25/08/2004, da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp FUNCAMP, dáse no código NCM 3824.90.89 da TEC, por se tratar de uma “preparação à base de Antibiótico do Grupos dos Polipeptídeos, Proteínas de Leite e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto e Sódio, uma PREPARAÇÃO A SER UTILIZADA COMO PRESERVATIVO EM ALIMENTOS, na forma de pó”. Ressalta que, conforme a Nota I a) do Capítulo 29, este capítulo apenas compreende os compostos ORGÂNICOS de constituição química definida apresentados ISOLADAMENTE, mesmo contendo impurezas. E, da NESH do Capítulo 29, depreendese Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 156 3 que “os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substancias QUE FORAM ACRESCENTADAS DELIBERADAMENTE durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo". Assim, e de acordo com o Laudo de Análise citado, em vista das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI nº 1 e 6 e com a Regra Geral Complementar – RGC nº 1 , concluiu que a classificação correta na Tarifa Externa Comum está no código da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM 3824.90.89. Relata que a mercadoria efetivamente importada está sujeita a obtenção de Licenciamento Não Automático (LI), pois se trata de "PREPARAÇÃ0 A SER UTILIZADA COMO PRESERVATIVO EM ALIMENTOS", ou seja, utilizada na indústria alimentícia, conforme consulta ao "Tratamento Administrativo do Siscomex", sob o "Destaque" n° 030, cuja anuência é da ANVISA, conforme estabelecido na Portaria SECEX n° 17, de 01/12/2003. Ressalta que, apesar da mercadoria declarada possuir o Licenciamento Não Automático n° 04/02801978, com anuência da ANVISA, houve a sua descrição de forma incorreta e houve alteração de sua classificação fiscal, para a qual não foi apresentado Licenciamento, o que constitui infração administrativa ao controle das importações sujeita à aplicação da multa prevista no art. 633, inciso II, alínea "a", do Decreto n° 4.543/2002. Regularmente cientificada (fls. 50/51), a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 52/60, na qual, em síntese: Alega que classificou a NISINA na NCM 2941.90.99, por se tratar de um antibiótico (outros). A adição do Cloreto de Sódio não retira a NISINA da referida NCM, posto que preservado o seu princípio ativo, ou seja, um Antibiótico do Grupo das Polipeptídeos, razão essa que defende a classificação tarifária (NCM) mencionada no despacho aduaneiro. Subsidiariamente, reporta à classificação da NISINA na NCM 3808.40.29, vigente por ocasião do registro da DI (atualmente NCM 3808.94.29), a qual compreende os "desinfectantes e produtos semelhantes – Outros”, por se tratar a NISINA de um produto usado na preservação e conservação de alimentos, com ação bacteriana e germicida, destruindo os microorganismos indesejáveis existentes nestes alimentos. Informa que “a ARANCELARIA dá A NISINA tal propriedade, a ponto de enquadrála na posição, então vigente, 38.11”, e que “uma vez enquadrada a mercadoria na posição e NCM aqui lançadas (posição 3808 e código 3808.40.29), certamente restará afastada a NCM 3824.90.99, que se refere tão somente aos produtos não especificados nem compreendidos nas posições anteriores”. Fl. 165DF CARF MF 4 Requer perícia técnica, indicando o perito e formulando quesitos. Alega que não há que se falar na exigência de multa por falta de licenciamento da importação, uma vez que obteve junto ao MS/ANVISA a LI n° 04/0280197 4, que amparou a importação do produto NISINA, resultando, portanto, atendida a exigência relativa ao controle administrativo da importação. Argumenta que uma vez acolhida a terceira classificação (NCM), por via de conseqüência deverá ser declarada a total insubsistência da autuação, por se tratar, no caso, de ato jurídico que, na ausência de fundamento, não poderá produzir quaisquer efeitos. Requer seja declarada a insubsistência da autuação e, consequentemente, resultando indevidos todos os créditos tributários arrolados no Auto de Infração. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Florianópolis/SC (fls 97 a 106), que, por maioria de votos, negou provimento à impugnação da Contribuinte. Sua ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/04/2004 CÓDIGO 3824.90.89 DA NCM/TEC. MERCADORIA NISIN. O produto de nome comercial Nisin consiste em uma preparação, constituída à base do antibiótico nisina e de cloreto de sódio adicionado com finalidade específica. Por não se encontrar o antibiótico isoladamente, o produto não pode ser classificado no Capítulo 29 da NCM. Correto o enquadramento tarifário adotado pela fiscalização na NCM 3824.90.89. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Sujeito Passivo recorre a este Conselho, por meio de petição de fls 117 a 129, repisando os argumento de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso é tempestivo, conforme informações de fls 161, e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Destarte, conheçoo e passo ao julgamento de seu mérito. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 157 5 Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante a DI n. 04/03501576, qual seja, o produto de nome comercial NISIN. Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, para fins de recolhimento do Imposto de Importação ("II") e do Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI") é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH pretendida pela Recorrente é a 2941.90.99, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é a 3824.90.89. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições, itens e subitens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 2941.90.99 (entendimento do contribuinte): Capítulo 29: Produtos químicos orgânicos; Posição 41: Antibióticos; Subposição 90: Outros Item/subitem 99: Outros · CLASSIFICAÇÃO 3824.90.89 (entendimento fazendário): Capítulo 38: Produtos diversos das indústrias químicas; Posição 24 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições; Subposição 90: Outros; Item/subitem 89: Outros. Fl. 167DF CARF MF 6 Diante de complexidade dos produtos, foi requerida a sua análise técnica pela Fiscalização, que resultou no Laudo de Análise nº 2279.01, de 25/08/2004, da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp FUNCAMP (fls. 33/35), cuja conclusão e respostas aos quesitos seguem a seguir transcritos: CONCLUSÃO: Tratase de Preparação a base de Antibiótico do Grupo dos Polipeptídeos, Proteínas de Leite e Substâncias inorgânicas à base de Cloreto e Sódio, na forma de pó. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata somente de um Antibiótico. Tratase de Preparação à base de Antibiótico do Grupos dos Polipeptídeos, Proteínas de Leite e Substâncias inorgânicas à base de Cloreto e Sódio, uma Preparação a ser utilizada como preservativo em alimentos, na forma de pó. 2. Tratase de Preparação. 3. De acordo com Rótulo da Embalagem (Anexo I), a mercadoria é utilizada na Indústria Alimentícia. 4. De acordo com Literatura Técnica (Anexo II), a Nisina obtida por fermentação é concentrada, separada e atomizada a seco antes da moagem em partículas finas, padronizadas pela adição de Cloreto de Sódio. Dessa maneira, obtémse uma composição constituída de Nisina, Cloreto de Sódio e Sólidos de Leite denaturado com baixa umidade utilizada na Indústria Alimentícia. Essas informações estão de acordo com os Resultados das Análises e descrição constante no Rótulo da Embalagem (Anexo I), que declara tratarse de Nisina formulada em Sal, ou seja o Cloreto de Sódio encontrado nas análises, aproximadamente 81% é um excipiente. De acordo com Glossário de Definições Legais da ANV1SA, Excipiente (AnexoIII), é uma substancia que permite que o princípio ativo tenha uma determinada forma farmacêutica. Conforme tais dados técnicos e demais informações constantes nos autos, o produto em questão é um conservante para alimentos, à base de nisina (2,5%), sendo esta última um antibiótico polipeptídico, produzido por fermentação de Streptococcus lactis, contendo cloreto de sódio (superior a 50%), na forma de pó, acondicionado em caixas de papelão contendo 500 gramas. Tendo em mão tais elementos, fazse imperioso debruçarnos sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, na tentativa de dirimir a questão sobre a classificação fiscal. São elas, a serem utilizadas sucessivamente: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 158 7 A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada Fl. 169DF CARF MF 8 em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Verificase que a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Desta feita, já resta claro que a classificação adotada pela Recorrente está equivocada. Isto porque a Nota Explicativa 1a) do Capítulo 29 determina que o referido Capítulo só podem ser classificadas substâncias que têm constituição química definida e que estejam sozinhas, isoladas, ou seja, não misturadas com outros compostos. Ocorre que o produto importado por meio da DI 04/03501576 é uma mistura de todos eles, que não reagem entre si de forma a resultar um outro composto, uma identidade química totalmente diferente dos seus componentes, com uma estrutura molecular particular denominada Nisin. Por tais razões, inclusive, que não se poderia utilizar a RGI n. 3 "b" para a solução do presente caso. É nesse sentido inclusive que a Instrução Normativa RFB n. 1.747, de 28 de setembro de 2017, 1 a qual aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema 1 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, SUBSTITUTO, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos III e XXVI do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 159 9 Harmonizado da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), estabelece que esse gênero de mercadoria classificase na Subposição 3824.99. In verbis: 3. Concentrado de antibiótico apresentado na forma de pó branco micronizado contendo cerca de 2,3 % de nisina (antibiótico), 74 % de cloreto de sódio e 17 % de proteínas de leite (resíduos do processo de fabricação da nisina), utilizado na indústria alimentar para impedir a proliferação de bactérias. Importante ressaltar que a citada IN RFB n. 1747/2017 veio revogar e substituir a anterior IN RFB n. 1.489/2014. Nesta última, a Nisina era classificada na Subposição 3824.90, enquanto que, como visto, na atual redação classificase na Subposição n. 3824.99, sendo essa última a nova posição para "outros". Pois bem, segundo a RGI nº 6, a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas. Considerando que o produto não apresenta subposição específica, classificase na subposição 3824.90 – “Outros”, o que corrobora o entendimento vinculante manifestado no citado parecer de classificação da OMA. Finalmente, a RGC nº 1 dispõe que as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável. O produto é uma preparação à base de nisina, que é um composto orgânico, classificandose, portanto, no item 3824.90.8 – “Produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos noutras posições”. Isto porque não se trata de um produto intermediário, mas sim de um produto final, destinado à indústria alimentícia. Por não haver subitem específico, classificase o produto no código 3824.90.89 – “Outros”, sendo correta a classificação fiscal apontada pela autoridade autuante no lançamento tributário. Ultrapassada a questão relacionada à correta classificação fiscal da mercadoria, cumpre analisar a aplicação da multa do controle administrativo (30%) pela falta de licenciamento das importações. Com efeito, além da diferença de tributos a autuação fiscal também impôs a multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Tratase de multa referente à falta de licenciamento no momento do despacho aduaneiro, tratada pela aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no item 2 do Artigo 3º, combinado com o item 2 do Artigo 8º da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988, resolve: Art. 1º Fica aprovada, na forma da Coletânea disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço rfb.gov.br, a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), atualizada até janeiro de 2017. Parágrafo único. Em decorrência da aprovação de que trata o caput, ficam adotadas como vinculativas as classificações das mercadorias contidas nos pareceres traduzidos. Art. 2º Os pareceres de que trata o art. 1º serão adotados como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características semelhantes às das mercadorias objeto de sua análise. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 4º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.459, de 28 de março de 2014. Links para os atos mencionados. Fl. 171DF CARF MF 10 legislação como infração administrativa ao controle das importações, nos termos do artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 4.543, de 2002 (vigente à época dos fatos): Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e; (...) b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); II de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a) pelo embarque da mercadoria depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, de mais de vinte até quarenta dias (Decreto lei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 2, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e IV de dez por cento sobre o valor aduaneiro, pelo embarque da mercadoria, depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, até vinte dias (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 1, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o). Inicialmente, é preciso lembrar que ao lado da tributação aduaneira e da aplicação de restrições, a Aduana possui como terceira função o controle aduaneiro sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. A Convenção de Quioto Revisada define “controle aduaneiro” como o conjunto de medidas tomadas pelas Alfândegas com vista a assegurar a aplicação da legislação aduaneira, toda pautada no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Tal função emana do "poder soberano do Estado sobre seu território e seu poder de polícia, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 160 11 atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas". Outrossim, reflete "a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados," como ensina Rodrigo Mineiro.2 Sedimentada a importância do controle aduaneiro, também não é demais lembrar que ele é exercido tendo como base às informações prestadas pelos contribuintes nos pertinentes documentos que, em sendo o caso, darão azo à específicos procedimentos de fiscalização e revisão aduaneira. Pois bem. Embora no Brasil grande parte das importações estejam dispensadas de licenciamento, existem aquelas que estão submetidas seja licenciamento automático, seja ao licenciamento nãoautomático, de acordo com os procedimentos para Licenciamento de Importações (APLI) da OMC. Assim, o controle Administrativo nas importações é exercido, dentre outros, por meio da Licença de Importação (LI), sujeita à anuência de órgãos governamentais. Já alcançando o caso concreto sob análise, o órgão anuente responsável pelo licenciamento de importação referente ao tratamento administrativo da Nisina, tanto na NCM 2941.90.99 (classificação adotada pela Recorrente), como pela na NCM 3824.90.89 (classificação fiscal apresentada pela Fiscalização), é a Anvisa. Em ambos os casos, igualmente, o licencimento é não automático. A própria autoridade fiscal na lavratura do auto de infração atestou que a Recorrente, apesar de ter se equivocado quanto à classificação fiscal da mercadoria importada, possuía sim Licenciamento não automático n° 04/02801978, fornecido pela Anvisa (fls 15 e 16). Somente impôs a penalidade porque, no seu entender, a mercadoria teria sido equivocadamente descrita. Assim, diferentemente do que ocorre em casos em que as classificações fiscais (NCM) incorretas adotadas pelos sujeitos passivo na importação ensejam o tratamento administrativo pelo licenciamento automático, e os códigos NCM corretos implicariam em diferente tratamento administrativo, pelo licenciamento não automático, o caso concreto sob análise não implicou nessa diferença no controle administrativo da importação. Afinal, tanto para uma NCM como para a outra o licenciamento requerido legalmente é o não automático, pela Anvisa, o qual havia sido obtido pela Recorrente. Em razão dessas particularidades, não é possível o perfeito enquadramento dos fatos à tipo infracional estabelecido pelo artigo 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/2002, o qual, lembremos, imputa a penalidade de 30% do valor aduaneiro "pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". Tal conclusão se amolda ao bem jurídico que a penalidade em apreço visa tutelar, qual seja, o controle aduaneiro das importações. Isto porque, muito embora tenha existido equívoco na classificação fiscal das mercadorias importadas, pelo fato de a Recorrente 2 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. Fl. 173DF CARF MF 12 possuir a mesma licença necessária para a importação, sem qualquer indício de fraude ou dolo na sua declaração de importação, o controle aduaneiro pôde ser normalmente exercido. Nesse mesmo sentido já decidiu esse Conselho, no Acórdão 9303003.298, julgado pela Câmara Superior em 24 de março de 2015, do qual extraio a ementa e a esclarecedora passagem do voto do Conselheiro Relator Rodrigo Miranda: Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/03/2000 a 16/03/2005 DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MENOR DOS TRIBUTOS ADUANEIROS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. AFASTAMENTO. INAPLICABILIDADE. A falta ou o recolhimento a menor dos tributos aduaneiros em virtude de classificação tarifária errônea do produto na NCM, constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por configurar típica infração tributária prevista em lei. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Voto Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 161 13 essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento. (grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Assim, nos termos supra mencionados, inexiste in casu infração administrativa ao controle de importações, devendo ser exonerada a multa de 30% do valor aduaneiro. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias. Thais De Laurentiis GalkowiczRelatora Fl. 175DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Sousa Bispo Redator Designado Com a devida vênia às argumentações da ilustre Conselheira Relatora quanto ao não cabimento no presente caso da multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação, a maioria qualificada do Colegiado discordou do seu entendimento para manter a citada exigência e negar provimento ao Recurso Voluntário. Então fui designado para redigir o presente voto vencedor. Em suma, a matéria ora analisada se refere a aplicação da pena da multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Entende a Conselheira Relatora que, no caso concreto, o erro na classificação da mercadoria não implicou em diferença no controle administrativo da importação, porque tanto para a NCM incorreta, como para a correta, o licenciamento requerido legalmente é o não automático pela Anvisa, o qual foi obtido pela Recorrente. Em razão disso, afirma que não é possível o perfeito enquadramento dos fatos à tipo infracional estabelecido pelo artigo 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/2002, o qual imputa a penalidade de 30% do valor aduaneiro "pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". Embora a importação em comento tenha sido acompanhada com Licença de Importação, a Autoridade Aduaneira entendeu que deveria aplicar a multa de 30%, pois a licença teria sido obtida para a NCM incorreta e houve descrição inexata da mercadoria nas DI, pois a empresa informou tratarse de antibiótico, quando se tratava de uma preparação à base de Antibiótico do Grupos dos Polipeptídeos, Proteínas de Leite e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto de Sódio, uma PREPARAÇÃO A SER UTILIZADA COMO PRESERVATIVO EM ALIMENTOS, na forma de pó. A Recorrente afirma que subsiste a eficácia da licença de importação apresentada, deferida pela ANVISA, vez que o produto foi caracterizado como matériaprima usada na fabricação de estabilizante (conservante) na indústria alimentícia. O fato de ter sido indicada a NCM 2941.90.89, isto, por si só, não interfere no licenciamento da importação. Não prosperam os argumentos da Recorrente, conforme passo a expor. O fato da empresa omitir nos documentos de importação que se tratava de uma "preparação" e informar que era um "antibiótico", levou a erro na utilização da NCM 2941.90.99 e consequente de licenciamento de importação. O Auditor descreveu bem os fatos caracterizadores da penalidade de multa no seguinte trecho do auto de infração, in verbis: Considerando que a descrição da mercadoria foi incorreta (INCOMPLETA), sem todos os elementos necessários a sua identificação e ao seu enquadramento tarifário,ou seja, conforme o Laudo de Análise n° 2279.01 (em anexo), de 25/08/2004,"(...)Tratase de Preparação a base de Antibiótico do Grupos dos Polipeptideos, Proteínas de Leite e Substâncias Inorgânicas A base de Cloreto e Sódio, (...)" informação muito relevante para fins do correto enquadramento tarifário e identificação da mercadoria, ressalto que apesar da mercadoria declarada possuir Licenciamento NÃO Automático n° 04/0280197 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.010114/200811 Acórdão n.º 3402006.050 S3C4T2 Fl. 162 15 8 (cópia em anexo), cuja anuência foi da ANVISA, a mercadoria foi descrita como "NISINA(NISIN) (OUTROS ANTIBIÓTICOS)" da NCM 2941.90.99 OUTROS ANTIBIÓTICOS, e como verificamos no citado Laudo de Análise "(...)Não se Trata somente de um Antibiótico.Tratase de preparação a base de Antibiótico do Grupos dos Polipeptideos, Proteínas de Leite e Substâncias Inorgânicas A base de Cloreto e Sodio,(...)", portanto a mercadoria corretamente descrita e classificada (Identificação e Especificação) não possui Licenciamento, esses fatos constituem infração administrativa ao controle das importações, portanto, proponho a aplicação ao importador, da multa prevista no artigo 633, inciso II, alínea "a", do Decreto n° 4.543/2002. Observase pelo trecho transcrito que a descrição da mercadoria feita pelo Contribuinte foi insuficiente/incompleta, não propiciando a sua classificação, fato que ensejou a necessidade de instauração de um procedimento fiscal, que culminou na sua análise laboratorial com vista à obtenção de esclarecimentos que permitissem a correta identificação da mercadoria. Resta evidente pelos elementos colacionados aos autos que a mercadoria importada não é a constante na Licença de Importação, pois a empresa importou mercadoria diversa da que foi licenciada. Tais fatos, levam inexoravelmente a conclusão de que a mercadoria que ingressou em território nacional está efetivamente desamparada de Licença de Importação (LI), uma vez que o licenciamento que acompanhou a mercadoria diz respeito a espécie diferente daquela efetivamente importada. Ao proceder dessa forma (ingressar mercadoria em território nacional sem a devida licença de importação), a empresa descumpriu as regras de controle aduaneiro, restando configurada a situação fática prevista para a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea "b", do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010534/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.132
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 05 34 /2 01 0- 21 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 15504.010534/201021 Acórdão n.º 3402006.132 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02037.807. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 15504.010534/201021 Acórdão n.º 3402006.132 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 46DF CARF MF Processo nº 15504.010534/201021 Acórdão n.º 3402006.132 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900572/2008-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/1999
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/04/1999
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.515
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/04/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 05 72 /2 00 8- 96 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 48 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0230.482, de 19/01/2011 (efls. 31 a 36). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 1, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 32822.34708.270104.1.3.044056 foi nãohomologada. A não homologação foi motivada péla inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2089, no valor de R$ 2.164,54, efetuado em 30/04/1999. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi utilizado para quitação de débito do contribuinte, de mesmo código de receita e período de apuração. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 542,12 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 05/05/2008 (fl. 22). Em 02/06/2008, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 05 a 10. Nela constam os seguintes argumentos: • o despacho decisório é nulo; • a lei autoriza o contribuinte a fazer, ele mesmo, um juízo de valor, por sua conta e risco, sobre um pagamento ter sido feito indevidamente ou a maior do que o devido e utilizálo, ele mesmo, o contribuinte, na compensação de débitos próprios; • a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 49 3 • tendo a compensação realizada pelo sujeito passivo presunção de validade, conforme art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, o fisco, se a quiser desconstituir, tem que expedir ato fundamentado para este fim; • para indeferir uma compensação, é ônus do fisco dizer, fundamentadamente, o porquê do crédito utilizado não ter sido aceito; • o manifestante considerou como indevido o pagamento feito no período correspondente e usou a faculdade legal de compensálo com débito seu; • a compensação não foi homologada, porque o fisco não reconheceu a existência do crédito, com a alegação de que o recolhimento foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ relativo ao período de apuração encerrado em 31/03/1999; • a alegação do fisco é vazia e desprovida de fundamentação; • dizer que as compensações foram indeferidas com a alegação de que o crédito foi utilizado para quitar o débito do período correspondente não constitui explicação fundamentada; • a cada crédito pleiteado pelo sujeito passivo há um correspondente pagamento de tributo considerado indevido por este; • por deixar de expor, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento, o despacho decisório é nulo, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; • o despacho decisório, por não ser fundamentado, viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5% inciso LV, da CF); • se a parte contra a qual recai o despacho não tiver conhecimento das razões que O justificam a tomada de determinada decisão, nem sequer saberá quais os fatos e fundamentos específicos que terá de impugnar, ficando prejudicada a sua defesa; • é como se uma determinada pessoa fosse presa por crime de furto, mas não houvesse, na decisão que determinou a sua prisão, qual o objeto furtado, quando e em que local houve o furto, e qual o fundamento legal específico que a conduta imputada a ela se enquadra; • sem essas informações, o preso não tem como se defender; • o mesmo ocorre no caso, em que o fisco não expôs, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que o levaram a indeferir as compensações, impedindo o manifestante de impugnálas; • pelo exposto, pedese que o despacho seja declarado nulo. [...] A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o que motivou o contribuinte a interpor recurso voluntário, em 02/03/2011 (efls. 39 a 45), no qual alega, em síntese, que: a) Faltou fundamentação no Despacho Decisório, o que teria impedido o regular exercício do contraditório e da ampla defesa; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 50 4 b) O contribuinte não tem obrigação de retificar a DCTF para excluir valor informado como débito; c) O Fisco deveria ter examinado a materialidade do crédito; d) Só a lei pode instituir obrigações ao contribuinte, e não normas infralegais, conforme o art. 5.º, II, da CF/88; e) Seria impossível cumprir o que determina o art. 9.º da IN RFB n.º 1.110/2010, "pois, evidentemente, em tais tipos de compensação, o Darf tem que constar na DCTF. Caso retificada a DCTF terseia que suprimir o Darf da declaração e consequentemente sua identificação não seria possível por parte da Receita Federal do Brasil."; f) A retificação da DCTF não é condicionante para que seja admitida a compensação; g) PER/DCOMP é declaração e tem presunção legal de validade. Por fim, pede que seja o Despacho Decisório declarado nulo, homologada a compensação, e que o fisco se manifesta com relação ao mérito do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Nulidade do Despacho Decisório. De início, o recorrente alega que o Despacho Decisório (DD) de efl. 2 é nulo, por falta de fundamentação para a não homologação ali consignada. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 51 5 processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, que deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado, o ato deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As autoridades tributárias responsáveis pela elaboração do Despacho Decisório (DD) e pelo julgamento de 1.ª instância agiram em cumprimento com o dever de ofício, e com zelo e dedicação as atribuições afetas ao cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando os atos decisórios, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.3 O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente, com observância de todos os requisitos legais, do qual o sujeito passivo foi regularmente notificado4. Assinala claramente o referido DD que o motivo da não homologação é a não existência do crédito alegado, pois o pagamento via DARF que o contribuinte pretendeu que fosse reconhecido como pagamento a maior já estava vinculado a um débito de responsabilidade do pleiteante, declarado por ele em DCTF. Consta também no DD o enquadramento legal que dá suporte à conclusão: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 2, e o Acórdão da 3.ª TURMA/DRJ/BHE n.º 0230.482, de 19/01/2011, efls. 31 a 36, contêm todos os requisitos legais, o que lhes confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que está instruído com as provas produzidas por meios lícitos, em 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 52 6 observância às garantias ao devido processo legal. Não obstante, a maneira como foram enfrentadas as questões na peça de defesa denota compreensão da fundamentação e da base legal correlata que ensejaram a não homologação expressa no Despacho Decisório. A tese protetora exposta pelo defendente, de lesão aos princípios da ampla defesa e do contraditório, assim sendo, não está demonstrada. Ônus da prova da liquidez e certeza do crédito nos procedimentos de compensação de tributos. Em uma segunda linha argumentativa, o recorrente se esquiva do núcleo da fundamentação da decisão de piso, que contempla a ausência de apresentação de material probatório capaz de desconstruir a constatação contida no Despacho Decisório: de que não havia crédito em favor do contribuinte por conta de que o DARF apontado como gerador de pagamento a maior já estava alocado a um débito regularmente confessado em DCTF pelo próprio recorrente. É bom que se diga que, ao contrário do que pretende fazer crer o recorrente, não há qualquer disposição na decisão recorrida exigindo ou condicionando a compensação a retificação de DCTF ou de outro tipo de declaração. O que consta do acórdão recorrido a propósito deste tema é a observação sobre a necessidade de o pleiteante ao direito creditório comprovar efetiva e inequivocamente a liquidez e certeza do crédito pretendido, o que inclui, entre outros itens que também concorrem para a comprovação, retificar DCTFs, DIPJs etc., quando for o caso. Por exemplo e no limite da ocorrência do erro de fato, conforme contorno normativo, quando o débito que havia sido declarado em DCTF o foi a maior, equivocadamente. A retificação da DCTF reduzindo o valor do débito tributário apurado no período, no interesse da exatidão da informação, denotará um pagamento a maior, relativamente ao DARF que foi usado para quitar o débito original. Essa declaração retificadora consiste num dos vários itens com teor probante que deverá, se necessário, compor com os demais elementos (escrita contábil, cópias de DARFs, demonstrativos de cálculo etc.) o conjunto apropriado de dados aptos para a confirmação da certeza e liquidez do crédito. No corpo do recurso voluntário figura ainda a eloquente defesa da presunção de validade do PER/DCOMP como declaração, e da obrigação do Fisco de examinar a materialidade do crédito, o que não teria ocorrido por culpa do Fisco. Nada mais fora de contexto. As razões de decidir contidas no Acórdão recorrido não retiram a presunção de validade do PER/DCOMP. Apenas — e isso se infere da leitura integral da decisão — lhe dispensam o tratamento adequado, que passa por entendêlo como instrumento que não possui presunção absoluta, e, dessa forma, carece de comprovação a respeito de informações ali declaradas. Outro disparate é o argumento que tenta transferir ao Fisco o exame de itens, elementos, que sequer foram trazidos aos autos, e cuja obrigação de apresentálos associase ao contribuinte que alega deter direito creditório. Esse ônus e a quem se dirige será melhor definido adiante. Quanto à defesa referente ao fato de que norma infralegal não pode criar obrigações, somente a lei, a seguir será demonstrado que as exigências que implicam na obrigação do contribuinte fazer prova da certeza e liquidez do crédito estão previstas em dispositivos legais, estrito senso. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 53 7 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 3 a 7, e data de 27/01/2004. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior6. Lei n.º 5.869/73 (CPC vigente à época da manifestação de inconformidade): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) (corresponde ao art. 373, I, no novo CPC Lei n.º 13.105/2015). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente ampla oportunidade para tal, nas ocasiões de impetração das peças de defesa administrativa. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações8. Por fim, deve restar consignado que a jurisprudência colacionada no recurso voluntário referese a contexto fático diverso do que se discute nestes autos, e que não se identifica com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF N.º 343/2015 (RICARF). Mencionese ainda o impedimento legal de apreciação pelas instâncias julgadoras administrativas acerca da possibilidade ou não de 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10665.900572/200896 Acórdão n.º 1002000.515 S1C0T2 Fl. 54 8 cumprimento, pelos contribuintes, do que determina o art. 9.º da IN RFB n.º 1.110/2010, dada a vinculação à lei a que se submete a atividade julgadora em sede administrativa. Por tudo analisado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000227/2003-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.
Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. A apresentação de DIPJ retificadora, por si só, não é apta a rechaçar o auto de infração lavrado, mormente quando efetuada posteriormente ao início da atividade fiscalizadora.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1002-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. A apresentação de DIPJ retificadora, por si só, não é apta a rechaçar o auto de infração lavrado, mormente quando efetuada posteriormente ao início da atividade fiscalizadora. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. A apresentação de DIPJ retificadora, por si só, não é apta a rechaçar o auto de infração lavrado, mormente quando efetuada posteriormente ao início da atividade fiscalizadora. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 02 27 /2 00 3- 39 Fl. 410DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 371 à 377) interposto contra o Acórdão n° 1439.080, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 361 à 363), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a exordial defensiva, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, convalidando as alocações efetuadas pela DRF de origem quanto aos débitos do 3 terceiro trimestre de 1998, com os respectivos acréscimos – multa de ofício e juros de mora lançados. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente de Auto de Infração no valor de R$ 8.927,66, fl. 21, originado de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, entregue ao interessado em 07/07/2003 (fl. 104) na qual se constatou irregularidades em diversos pagamentos, a saber: Pagamentos não encontrados – R$ 3.351,98. Exigiuse o valor do débito não pago acrescido dos juros de mora incidentes sobre os débitos, calculados até a data da lavratura do AI, e da multa isolada de 75% sobre o valor não recolhido, prevista na antiga redação do art. 44 inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Em sua impugnação o interessado alega que, com base nos Balanços e Balancetes levantados nos meses de janeiro a abril de 1998, apurouse prejuízo fiscal em todos esses períodos, conforme cópia da DIPJ/1999, anexa. Que recolheu indevidamente a CSLL estimativa do período de apuração 31/01/1998 no valor de R$ 12.973,81, conforme DARF anexo e constatado esse fato, compensou com o valor de R$ 3.351,98, referente a CSLL do PA agosto/98, conforme informado na DCTF do 3º trimestre de 1998, fl. 110. Despacho da DRF em Sorocaba, fls. 111/113, analisou as alegações do interessado e, verificando que o pagamento informado pelo interessado encontravase totalmente utilizado, ou seja, sem saldo disponível para a compensação (fl. 110), manteve o lançamento e cientificou o interessado em 28/12/2011, fls. 114/115. Cientificado de despacho da DRF, o interessado apresentou manifestação, fls. 116/118, alegando que o valor da CSLL apurado em agosto de 1998 foi de R$ 15.424,81, do qual foi Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13878.000227/200339 Acórdão n.º 1002000.522 S1C0T2 Fl. 411 3 deduzido o valor de R$ 12.973,81, restando o saldo de R$ 2.451,00, este compensado com saldo negativo de períodos anteriores. Que houve “um equívoco no preenchimento da DCTF do período que apontou como valor devido em agosto de 1998 a quantia de R$ 14.161,60, quando, como comprovado pela DIPJ retificadora, o valor correto é de R$ 12.502,78, resultando daí a diferença de R$ 3.351,98 que, por conta do que restou esclarecido, é inexistente”. (grifos do original) Esclarece que procederá a devida retificação da DCTF no período, como lhe faculta a Instrução Normativa nº 974, de 27/11/2009, uma vez que o suposto débito ainda não foi encaminhado para inscrição em Dívida Ativa. Junta cópia da DIPJ original, entregue em 19/10/1999, fls. 149 e da DIPJ retificadora, entregue em 18/05/2004. Requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. O Recurso Voluntário reitera os termos apresentados na exordial, rechaçando, ainda, a percepção da DRJ em considerar insuficientes as provas acostadas aos autos, e que estas devem ser avaliadas mesmo que apresentadas em circunstância posterior, haja vista o império da verdade material. Para melhor relatar, transcrevo os principais trechos da peça recursal: 9 Assim, não obstante o equívoco ora mencionado, o certo é que não pode persistir a exigência do tributo em questão e seus acréscimos, porquanto a Requerente era detentora de créditos suficientes para compensar seus débitos de IRPJ apurados no período em questão, justificando sua extinção nos termos da lei. 10. Logo, nos termos da DIPJ anexada aos autos do processo administrativo,havia créditos suficientes para permitir que o Requerente não fosse compelido ao recolhimento do IRPJ. 1 1 . O fundamento da r. decisão ora recorrida tem por base a impossibilidade de retificação da DCTF após a lavratura do Auto de Infração, tomando por base o disposto no artigo 832 do Decreto n. 3.000/99. 12 Assim, o crédito tributário ora exigido respaldase exclusivamente em DCTF com erro apresentada pela Recorrente. 13 Sem dúvida, informações prestadas incluise a DCTF pelo sujeito passivo podem suscitar e até respaldar eventual lançamento de ofício. Mas o respeito à legalidade e à verdade material impossibilita a exigência de tributo sem o devido fato gerador: erro de fato não enseja incidência tributária. 14 Há que se esclarecer que a DCTF é regulamentada pela Instrução Normativa n° 974, de 27 de novembro de 2009, que dispõe que as informações nela prestadas serão objeto de auditoria interna e a Receita Federal poderá solicitar ao Fl. 412DF CARF MF 4 contribuinte esclarecimentos adicionais sempre que entender necessário. Aliás, no caso presente, como se verifica do processo administrativo, a Requerente, quando intimada para tal, fez os devidos esclarecimentos e juntou os documentos comprobatórios pertinentes. 15. Fica claro assim que a DCTF, assim como outras declarações do contribuinte caracterizadas como obrigações acessórias, tem, nos termos do artigo 113, parágrafo 2o, do CTN, a função de instrumentalizar e facilitar a apuração e arrecadação e fiscalização dos tributos, jamais a de suprir ou mesmo suprimir a atuação dos agentes fiscais que dispõem de outros mecanismos e instrumentos para a correta constatação do fato imponível, atendendo, inclusive, ao princípio da verdade material. (...) 18 Por mais que a legislação mencionada consigne que os valores informados em DCTF caracterizam confissão de dívida, este enunciado deve ser analisado com cautela, pois prevalecerá apenas se existir obrigação tributária válida. Admitir o contrário implicaria em aceitar que o Estado possa se locupletar em desfavor do contribuinte que sem dolo errou. 19 Como dito, o Fisco tem a obrigação de rever (revisar) os valores declarados pelo contribuinte, mormente tratandose de contribuinte tributado pelo lucro real, como é o caso da Recorrente, que presta outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, que podem muito bem possibilitar a constatação de eventual equívoco sanável, permitindo que a incidência tributária se dê sobre fatos efetivamente ocorridos. 20 A fundamentação da Requerida é assaz formalista e abusiva. Tanto é verdade que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional/PGFN, por intermédio da Portaria PGFN 454/2010, possibilita ao contribuinte postular a revisão de débitos que já se encontram, inclusive, inscritos em dívida ativa. Ora, se já em fase de cobrança judicial é possível revisar o crédito, por que não fazêlo agora? (...) 22. Assim, não se justifica a manutenção da exigência do crédito tributário, vez que a Recorrente trouxe aos autos provas suficientes de sua inexistência, sendo que a pretensão da Autoridade Fiscal baseiase exclusivamente em DCTF apresentada com erro. Não restou juntada nenhuma prova adicional quando da apresentação do Recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13878.000227/200339 Acórdão n.º 1002000.522 S1C0T2 Fl. 412 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, não tem razão o Recorrente, haja vista a ausência de provas aptas a chancelar seu pedido. Impende resumir que o cerne do presente PAF é o pagamento a menor (não localizado), decorrente da declaração apresentada no 3° Trimestre de 1998. Em sua defesa, o Contribuinte alega que a diferença encontrada pelo Fisco decorre da apreciação equivocada das informações constantes na DIPJ e DCTF, sendo que apresentou a retificadora daquela primeira, o que serviria de justificativa apta a afastar a autuação, quanto do cotejo das novas informações. Impende ressaltar, também, que a indigitada retificação ocorreu em momento posterior à lavratura do auto de infração. No entanto, embora alegue nas peças defensivas que há provas do respectivo pagamento, não há, nos autos, documentos hábeis a apontar tal quitação. A DIPJ por si só que é documento unilateral deve ser conjugada com demais elementos materiais, os quais sejam suficientes a comprovar as retificações perpetradas. Nessa trilha, reforço que não há nos presentes autos uma coletânea probatória suficiente a confirmar a alegação do Recorrente, tampouco mitigar a autuação, ou até mesmo baixar o PAF em diligência. Aliás, tais aspectos foram detalhadamente expostos em sede de Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: Ressaltese o engano nos valores citados acima, uma vez que o valor da CSLL na DIPJ original é de R$ 5.802,98, fl. 148, e o valor na DIPJ retificadora é de R$ 2.451,00, ocasionando a diferença no valor de R$ 3.351,98 Alegou o interessado erro na DCTF originado por valores constantes na DIPJ/99, entregue com erro e retificada em 18/05/2004, ou seja, após a ciência do Auto de Infração, em 07/07/2003 (fl. 104). Dispõe o art. 832 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21 e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 6º). Por sua vez, dispõe a Instrução Normativa nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1° A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 414DF CARF MF 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 1o Aplicase o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ relativas a anoscalendário anteriores a 1998. ... Art. 2° A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Assim, entendo que a declaração retificadora do Imposto de Renda –DIPJ/99, não pode ser aceita para os fins a que se pretende nestes autos, uma vez que a alteração dos valores nela contidos devem ser comprovados, e também a mesma foi entregue após o início do procedimento fiscal – Auto de Infração, ou seja, não atendeu às disposições do art. 832, do RIR/99, acima transcrito. Também deixou o interessado de atender ao disposto no art. 2º da Instrução Normativa nº 166, de 1999, vigente quando da pretendida entrega da DIPJ retificadora. A alegação, que pretende entregar a retificadora da DCTF, manifestada no documento apresentado em resposta ao Despacho da DRF em Sorocaba, em 10/01/2012, não é factível, a vista do tempo decorrido e da existência de procedimento fiscal, o que veda a apresentação da retificação. Do exposto, e não comprovado o erro de preenchimento da DCTF, voto pela improcedência da impugnação. Portanto, justamente em respeito à verdade material e à escorreita instrução carreada neste Processo Administrativo Fiscal, tornase mister desacatar o pleito do Contribuinte, pois não há qualquer comprovação de erro de fato, e tampouco elementos probatórios aptos a lastrear a improcedência do Auto de Infração. Da multa de ofício Outrossim, há de se reconhecer o afastamento da multa de ofício, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, consignado no art. 106 do CTN. Conforme se examina na análise intertemporal, a legislação vigente à época do lançamento era a Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor do art. 90 continha a seguinte redação: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Contudo, tal panorama legislativo foi alterado pela Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n° 11.051/04), retirando a exigibilidade da multa para as circunstâncias diversas daquelas insculpidas em seu art. 18, leiase: Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13878.000227/200339 Acórdão n.º 1002000.522 S1C0T2 Fl. 413 7 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. (GN) Logo, tornase imperativo reconhecer o beneplácito decorrente da modificação legal, exonerando o Contribuinte da multa de ofício que lhe foi aplicada. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720025/2016-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
DESPESAS. LIVRO CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA AOS OFICIAIS SUBSTITUTOS. REGIME ESTATUTÁRIO.
Para fins de apuração do Imposto de Renda, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários.
Numero da decisão: 2402-006.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DEDUÇÃO INDEVIDA. Recorrente JOSE JORGE GOMES DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 DESPESAS. LIVRO CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA AOS OFICIAIS SUBSTITUTOS. REGIME ESTATUTÁRIO. Para fins de apuração do Imposto de Renda, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 25 /2 01 6- 85 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 504 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 409) interposto em face do Acórdão nº 16 75.709, da 16ª Turma da DRJ/SPO (fls. 391) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte em face do auto de infração relativo ao imposto de pessoa física dos anoscalendário 2011 e 2012, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 2.951.397,34 (dois milhões, novecentos e cinqüenta e um mil, trezentos e noventa e sete reais e trinta e quatro centavos), sendo R$ 1.135.969,24 de imposto, R$ 395.466,66 de juros de mora (calculados até 03/2016), R$ 851.976,93 atinente à multa proporcional, além de R$ 567.984,51, correspondente à multa exigida isoladamente. Nos termos do relatório da recorrida decisão, temse que: O ato de fiscalização originouse com o Termo de Início do Procedimentos Fiscal, datado de 30/03/2015 (fls. 2 e 3) e foi concluído em 16/03/2016 com a lavratura do Auto de Infração de fls. 174/188, acompanhado do respectivo Relatório Fiscal de fls. 167/173, com a apuração das infrações abaixo relacionadas: 1. “Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas. Infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Física” Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, conforme consta do Relatório Fiscal e do Auto de Infração (fls. 167/188 e 174/180); 2. “Dedução da Base de Cálculo (CarnêLeão e Ajuste Anual. Infração: Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa”. Redução indevida das bases de cálculo mensal (carnêleão) e anual (Declaração de Ajuste Anual) do imposto de renda com redução a título de Livro Caixa, conforme consta do Relatório Fiscal e do Auto de Infração (fls. 167/188 e 174/180); 3. “Multas Aplicadas à Pessoa Física. Infração: Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê leão”. O contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), motivo pelo qual foi aplicada a multa isolada, conforme consta do Relatório Fiscal e do Auto de Infração (fls. 167/188 e 174/180). Cientificado do Auto de Infração, em 22/03/2016 (fl. 189), o contribuinte apresentou sua impugnação, em 15/04/2016 (fls. 197/201), na qual alega, em síntese, na ordem que entendemos ser a mais adequada, o que se relata a seguir: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 505 3 1. preliminarmente, informa que o número do CPF do autuado constante da página inicial do Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração não corresponde ao número correto do mesmo; 2. sobre a “Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Física”, reconhece a infração e requer o desmembramento do processo atinente aos rendimentos de emolumentos informados ao CNJ, relativos aos anoscalendário de 2011 e de 2012, respectivamente, nos valores de R$ 493.676,48 e R$ 763.269,68. Afirma inclusive já ter efetuado o pagamento corresponde ao imposto dos valores omitidos; 3. contesta integralmente os valores glosados correspondentes aos pagamentos deduzidos como despesas de livro caixa, efetuados aos oficiais substitutos Marília de Almeida Corrêa Ramos e Rogério Silva de Almeida, os quais tem vínculo “estatutário/especial” com a serventia e o oficial titular, relativos aos anoscalendário de 2011 e de 2012, nas importâncias respectivas de R$ 1.297.180,37 e de R$ 1.576,670,68, por entender que as verbas pagas aos referidos profissionais são despesas dedutíveis; 4. entende que os valores foram pagos pelo oficial titular aos oficias substitutos da serventia, que correspondem aos emolumentos recebidos, tendo em vista que existe coobrigações correlatas e subordinadas onde o oficial titular do registro trabalha em conjunto com esses oficiais substitutos, sendo que Marília de Almeida Corrêa Ramos é concursada e foi empossada pelo juiz Corregedor e o Rogério Silva de Almeida é escrevente juramentado, este teve sua nomeação indicada pelo oficia titular e foi homologada pelo Juiz; 5. argumentam que entre o oficial titular e os oficiais substitutos têm obrigações e direitos de tal forma que os atos do oficial titular poderão ser exercido pelos oficiais substitutos cujos lançamentos das despesas foram glosadas. Argumenta, ainda, que embora haja a responsabilidade do oficial do registro, os oficiais substitutos estão subordinados a ele não com vínculo de emprego e sim como profissionais “estatutário/especial”, nos termos do art. 48 da Lei nº 8.935, de 1994. Logo, estão sujeitos ao imposto de renda sem vínculo de emprego celetista, porém com vínculo estatutário e os pagamentos efetuados a pessoa física estão sujeitos ao carnêleão; 6. afirma também que se o oficial titular de registro estivesse sujeito ao IRPF sobre a renda bruta, os oficiais substitutos estariam posteriormente sujeitos a uma nova carga tributária do IRPF pelos valores recebidos, ou seja, estariam diante de uma sobrecarga tributária ou de uma cobrança em dobro, ou seja, o “bis in idem”, mesmo porque o imposto de renda nunca fez qualquer reclamação, chegando inclusive a restituir imposto aos oficiais substitutos, Marília de Almeida Corrêra Ramos e Rogério Silva de Almeida, relativos aos anoscalendário de 2011 e 2012; Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 506 4 7. considera que a parte repassada aos oficiais substitutos fica sujeita à mesma alíquota de 27,5% do oficial titular do registro, o que exime qualquer mancha de intenção sonegada, o que significa glosar um imposto equivalente ao que seria devido pelo oficial titular, seria voltar o imposto ao mesmo patamar, pois a soma da serventia com o pagamento dos oficiais substitutos e a renda do oficial titular guardam perfeita consonância com a renda global da serventia, não havendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do ato praticado pelo oficial titular em proceder às deduções com repasses aos oficiais substitutos, não havendo, por conseqüência, nenhum prejuízo para o fisco; 8. afirma que o formulário do imposto de renda oferece um obstáculo ao declarante porque ao informar que os pagamentos efetuados às pessoas sem vínculo empregatício não existe um código próprio para os empregados ou para os beneficiários, ficando aquele que pagou obrigado a jogar no código 99 que para o Estado é um código próprio de doações e não de pagamentos ou serviços, tal fato tem gerado problemas para as pessoas vinculadas ao cartório que já foram chamadas à Administração Fazendária do Estado de Minas Gerais para provarem se o benefício que lhes foram lançados e se o respectivo tributo tinha sido recolhidos; 9. esclarece que o oficial titular foi empossado pelo Governador do Estado em 03/10/1985, e a oficial substituta, Sra.Marília de Almeida Corrêa Ramos foi empossada pelo Juiz de Direito Corregedor, em 07/10/1985, e Rogério Silva de Almeida foi nomeado para exercer o cargo de Escrevente Juramentado, em 16/01/1989, todos dentro do regime estatutário. Assim, quando a Lei 8.935/94 entrou em vigor, as referidas pessoas já eram profissionais estatutários do cartório. Logo, o fato de não optarem pelo regime celetista não retiram deles os direitos inerentes ao trabalho prestado, previstos na legislação estadual, que regia as atividades cartoriais, já que não recebiam diretamente do Estado, eram remunerados pelo oficial titular do registro, que lhes repassava os valores pelos serviços prestados; 10. enfatiza que os referidos profissionais desempenham papel indispensável no desenvolvimento dos serviços desta serventia e tem vínculo atípico dos demais que estão na folha de pagamento pelo regime celetista, com as devidas anotações na CTPS e respectivos recolhimentos de FGTS e do INSS, porém não estão excluídos de receberem remuneração pelos trabalhos efetuados, atipicidade essa amparada pelo art. 48 e os parágrafos 1º e 2º, da Lei nº 8.935, de 1994; 11. enfatiza também que a remuneração dos oficiais substitutos é proveniente de uma única fonte de receita, qual seja, os emolumentos, que por força de lei são de responsabilidade do oficial titular e para arcar com esses pagamentos, a fonte pagadora deve arcar também com as referidas despesas, as quais devem ser reconhecidas para o abatimento existente no imposto de renda do titular da serventia; Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 507 5 12. entende que “para arcar com esses pagamentos, a fonte pagadora deve arcar com referidas despesas, despesas essas que devem ser reconhecidas para o abatimento existente no Imposto de Renda do titular da serventia uma vez que outra fonte pagadora além da serventia não existe. No intuito de embasar seus argumentos, junta diversos documentos em sua peça impugnatória; 13. por fim, requer, que sua impugnação seja analisada, para que as deduções declaradas sejam aceitas, já que não houve ilícito, tanto é que os oficiais substitutos lançaram em suas respectivas declarações a totalidade dos recebimentos deduzidos da receita do oficial titular como sendo suas receitas, não havendo outra interpretação passível ao presente caso, pois se há a receita declarada dos profissionais mencionados, cujos valores são pagos por livre negociação entre as partes interessadas, havendo necessidade de deduzir as despesas correspondentes, nos termos da legislação que rege as atividades cartorárias. A DRJ, por meio do Acórdão nº 1675.709, julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. GLOSA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, com os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários, na ausência dos requisitos autorizados pela legislação, mantémse a glosa da dedução de livro caixa, nos termos do lançamento efetuado. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. Estando o contribuinte obrigado ao recolhimento do imposto de renda mensal (carnêleão), o descumprimento desta obrigação tributária impõe a aplicação de multa isolada, incidente sobre o valor do imposto devido, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado na declaração inexata. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 508 6 Cientificado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 409, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme se verifica do relatório supra, o ponto central da controvérsia é saber se os valores glosados, correspondentes aos pagamentos a título de despesas do livro caixa (fls. 176 e 177), referente à remuneração paga aos oficiais substitutos Marília de Almeida Correa Ramos e Rogério Silva de Almeida, correspondentes aos anoscalendário de 2011 e de 2012, nas importâncias respectivas de R$ 1.297.180,37 e de R$ 1.576,670,68 (fl. 173), são dedutíveis ou não. A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa encontra amparo no art. 6º, incisos e parágrafos, da Lei nº 8.134, de 27/12/1990, com a redação dada pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Rezam os referidos dispositivos legais: Art. 6º O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; (destaques da transcrição) II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. §1º O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento (redação dada pelo art. 34 da Lei nº 9.250, de 1995); b) a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo (redação dada pelo art. 34 da Lei nº 9.250, de 1995); c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. (...); Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 509 7 § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência; (...). Nesse sentido, é a previsão do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, em seu art. 75, que assim dispõe sobre a matéria: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; (destaques da transcrição) (...) A Lei nº 9.250, de 26/12/1995, por sua vez, dispõe que, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: (...) g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho nãoassalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro.” No caso concreto, as despesas glosadas e as respectivas justificativas constam do Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração de fls 167/188, no qual a autoridade fiscal discrimina que “não obstante os fundamentos expostos na resposta do contribuinte, constatamos, pelos documentos apresentados, que a Oficial Substituta Marília de Almeida Correa Ramos e o Escrevente Juramentado Rogério Silva de Almeida, foram nomeados judicialmente e vinculados ao regime próprio estatutário, portanto, à luz da legislação tributária pertinente, abaixo transcrita, tais pagamentos não são passíveis de dedução da base de cálculo dos rendimentos percebidos pelo titular do cartório”. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 510 8 O Recorrente, por seu turno, desde a impugnação apresentada sustenta que “em que pese a responsabilidade do oficial titular do registro, os demais estão à ele subordinados não com vínculo de emprego celetista, mas como profissional estatutário/especial nos termos do que faculta o artigo 48 da Lei 8935/94, sujeitos ao imposto de renda sem que haja vínculo de emprego celetista, porém com vínculo estatutário, principalmente porque o que se paga de pessoa física a pessoa física não está sujeito ao imposto de renda retido na fonte, e sim ao carnê leão”. Alega ainda o interessado que os referidos “profissionais tem vínculo atípico dos demais que estão contidos na folha de pagamentos pelo regime celetista com as devidas anotações na CTPS, recolhimentos de FGTS e do INSS, porém não estão excluídos de receberem remuneração pelos trabalhos efetuados, atipicidade essa amparada pelo disposto no artigo 48 da Lei nº 8.935/94”. Neste espeque, considerando que a própria Lei nº 8.935/94 permitiu a permanência dos servidores vinculados ao regime estatutário, concluiu o Recorrente que o regramento tributário, por analogia, implica o entendimento de que são dedutíveis as remunerações pagas aos funcionários estatutários das serventias de registro ou notariais que ainda subsistem a esse sistema. Razão não assiste ao Recorrente! Os argumentos apresentados carecem de fundamentos legais, uma vez que despesas denominadas remuneração paga a terceiros correspondem ao salário pago pelo titular do cartório aos empregados, desde que haja vínculo empregatício, com os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários. Assim, para que as quantias pagas aos oficiais substitutos fossem consideradas despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, precisavam atender aos requisitos exigidos pelo inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/1990. De fato, em que pese a argumentação do Contribuinte, nem todos os direitos concedidos aos trabalhadores regidos pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho são extensíveis aos trabalhadores regidos por Estatutos, em razão das particularidades destes regimes. Longe de ser de difícil intelecção, verificase a incompatibilidade lógica entre ambos. Ademais, os regimes celetistas e estatutários não se confundem, não podendo os direitos de um regime ser estendidos ao outro, salvo expressa previsão legal. Neste sentido tem se manifestados dos diversos tribunais pelo país: AGRAVO INTERNO. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A APELO. AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE. CONTRATO TEMPORÁRIO. CARÁTER JURÍDICO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO. FGTS. VERBA PRÓPRIA DO REGIME CELETISTA. DESCABIMENTO. DECISÃO EM HARMONIA COM JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DESTA CORTE E DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. DESPROVIMENTO DO RECURSO. O servidor público, contratado temporariamente, sujeitase ao regime estatutário, não sendo devidas as verbas próprias da CLT. A decisão agravada está em harmonia com Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 511 9 jurisprudência dominante desta Corte e dos Tribunais Superiores, razão pela qual o desprovimento do agravo é medida que se impõe. (TJPB Acórdão do processo nº 00120100066941001 Órgão (4ª CÂMARA CÍVEL) Relator João Alves da Silva j. em 30042013). FUNCIONARIO PUBLICO SOB REGIME ESTATUTARIO NAO PODE SER DEMITIDO MEDIANTE AVISO PREVIO DA CLT. ERROS JURIDICOS GROSSEIROS DO MUNICIPIO. (Apelação Cível Nº 583040209, Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Galeno Vellinho de Lacerda, Julgado em 22/12/1983). Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. MUNICÍPIO DE SEBERI. CARGO EM COMISSÃO. PRETENSÃO AO PAGAMENTO DE AVISO PRÉVIO, ADICIONAL NOTURNO, HORAS EXTRAS, E FÉRIAS PROPORCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A relação travada entre as partes é regida pelo vínculo administrativoestatutário, devendo ser apreciada sem qualquer interferência dos dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não sendo devido o pagamento de aviso prévio ao servidor detentor de cargo em comissão. 2. As diferenças que a parte demandante postula a título férias proporcionais são indevidas, uma vez que não laborou pelo período mínimo de doze meses previsto nos arts. 94 e 102, parágrafo único, da Lei Municipal nº 1.005/1990 3. Horas extras indevidas diante da ausência de previsão legal de pagamento ao cargo comissionado. Outrossim, não há comprovação da convocação do servidor, bem como de sua realização, fato também não provado com relação ao adicional noturno. Parte autora que não se desincumbiu do seu ônus probatório, nos termos do art. 333, inc. I, do CPC. APELO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70050208925, Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Luiz Reis de Azambuja, Julg ado em 19/12/2012). SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. Cargo em comissão. Pleitos de verbas e direitos previstos na CLT, tais como aviso prévio e FGTS. Impossibilidade. Regime jurídico regido pelo Estatuto dos Servidores local. Gratificação de Nível Universitário que foi extinta pela Lei nº 3.203/01 e que foi regularmente paga enquanto perdurou a ressalva posta na norma. Falta de provas de labor extraordinário. Sentença de procedência parcial reformada. Recurso oficial e voluntário da Prefeitura providos, desprovido o apelo adesivo. (Apelação Cível Nº 000523153.2007.8.26.0619, 1ª Câmara Extraordinária de Direito Público de São Paulo. Relator(a):Vera Angrisani, Julgado em 24/06/2014). A defesa do Contribuinte toma por base a extensão, por analogia, dos direitos trabalhistas aos estatutários, e não a conversão dos respectivos servidores ao regime celetista na forma do art. 48 da Lei nº 8.935/94: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 512 10 Lei 8.935/94 Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § 1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Diante da impossibilidade de extensão dos direitos trabalhistas aos estatutários, temse que os valores pagos para estes não se enquadram no inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90, não podendo ser aceita sua dedutibilidade do Livro Caixa. Por fim, mas não menos importante, registrese que a Solução de Consulta Interna nº 6 COSIT, de 18 de maio de 2015, a qual, segundo o Recorrente, teria "passado despercebida pela Fiscalização e pela Delegacia de Julgamento", longe de confirmar o entendimento perfilhado pelo contribuinte, corrobora, justamente, as razões de decidir do presente voto, conforme se infere da sua ementa: Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201685 Acórdão n.º 2402006.792 S2C4T2 Fl. 513 11 CONCLUSÃO Voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
